Prévia do material em texto
< Língua Portuguesa
< Matemática Financeira
< Conhecimentos Bancários
< Noções de Probabilidade e Estatística
< Atendimento Bancário
< Conhecimentos de Informática (On-line)
teoria e exercícios
TÉCNICO
BANCÁRIO-PCD
CAIXA ECONÔMICA FEDERAL
BÔNUS ON-LINE
VIDEOAULAS
Caixa Econômica Federal
Técnico Bancário - PcD
NV-002ST-21
Cód.: 7908428800925
Todos os direitos autorais desta obra são reservados e protegidos
pela Lei nº 9.610/1998. É proibida a reprodução parcial ou total,
por qualquer meio, sem autorização prévia expressa por escrito da
editora Nova Concursos.
Essa obra é vendida sem a garantia de atualização futura. No caso
de atualizações voluntárias e erratas, serão disponibilizadas no site
www.novaconcursos.com.br. Para acessar, clique em “Erratas e
Retificações”, no rodapé da página, e siga as orientações.
Dúvidas
www.novaconcursos.com.br/contato
sac@novaconcursos.com.br
Obra
Caixa Econômica Federal
Técnico Bancário - PcD
Autores
LÍNGUA PORTUGUESA • Monalisa Costa, Ana Cátia Collares, Giselli Neves e Gabriela Coelho
MATEMÁTICA FINANCEIRA • Kairton Batista (Prof. Kaká)
CONHECIMENTOS BANCÁRIOS • Felipe Pacheco, Sirlo Oliveira, Kaká, Filipe Garcia, Samara Kich e Bruno
Oliveira
NOÇÕES DE PROBABILIDADE E ESTATÍSTICA • Henrique Tiezzi e Kairton Batista (Prof. Kaká)
CONHECIMENTOS DE INFORMÁTICA (ON-LINE) • Fernando Nishimura
ATENDIMENTO BANCÁRIO • Cristiano Silva e Ana Philippini
REDAÇÃO DISCURSIVA E OFICIAL (ON-LINE) • Nelson Sartori
Edição:
Setembro/2021
APRESENTAÇÃO
Um bom planejamento é determinante para a sua preparação
de sucesso na busca pela tão almejada aprovação. Por isso, pen-
sando no máximo aproveitamento de seus estudos, esse livro
foi organizado de acordo com os itens exigidos no Edital nº 1, de
9 de Setembro de 2021, para o cargo de Técnico Bancário.
O conteúdo programático foi sistematizado em um sumário,
facilitando a busca pelos temas do edital, no entanto, nem sem-
pre a banca organizadora do concurso dispõe os assuntos em
uma sequência lógica. Por isso, elaboramos este livro abordan-
do todos os itens do edital e reorganizando-os quando necessá-
rio, de uma maneira didática para que você realmente consiga
aprender e otimizar os seus estudos.
Ao longo da teoria, você encontrará boxes – Importante e Dica
– com orientações, macetes e conceitos fundamentais cobra-
dos nas provas e a seção Hora de Praticar, trazendo exercícios
gabaritados da banca CESGRANRIO, organizadora do certame.
A obra que você tem em suas mãos é resultado da competência
de nosso time editorial e da vasta experiência de nossos profes-
sores e autores parceiros – muitos também responsáveis pelas
aulas que você encontra em nossos Cursos Online – o que será
um diferencial na sua preparação. Nosso time faz tudo pensan-
do no seu sonho de ser aprovado em um concurso público. Ago-
ra é com você!
Intensifique ainda mais a sua preparação acessando os conteú-
dos complementares disponíveis on-line para este livro em nos-
sa plataforma: Conhecimentos de Informática e Redação Oficial
e Discursiva e além do Curso Bônus com 10 horas de videoaulas.
Para acessar, basta seguir as orientações na próxima página.
CONTEÚDO ON-LINE
Para intensificar a sua preparação para concursos, oferecemos em nossa plataforma on-
line materiais especiais e exclusivos, selecionados e planejados de acordo com a proposta
deste livro. São conteúdos que tornam a sua preparação muito mais eficiente.
BÔNUS:
• Curso On-line.
à Língua Portuguesa - Pontuação
à Matemática Financeira - Juros Simples e Compostos, Valor Presente e Valor Futuro,
Descontos e Tipos de Taxas de Juros
à Conhecimentos Bancários - Noções de Mercado de Câmbio; Noções de Mercados de
Capitais; Os Bancos na Era Digital
à Noções De Probabilidade E Estatística - Amostragem - Definições; Tabelas - Distribui-
ção de Frequências
à Conhecimentos De Informática - MS-Office Excel 365: Função SE; MS-Office Excel 365:
Função PROCV; MS-Office Excel 365: função PROCH
à Atendimento Bancário - Noções de Estratégia Empresarial
CONTEÚDO COMPLEMENTAR:
• Conhecimentos de Informática.
• Redação Oficial e Discursiva.
COMO ACESSAR O CONTEÚDO ON-LINE
Se você comprou esse livro em nosso site, o bônus já está liberado na sua área
do cliente. Basta fazer login com seus dados e aproveitar.
Mas, caso você não tenha comprado no nosso site, siga os passos abaixo para ter
acesso ao conteúdo on-line.
Acesse o endereço novaconcursos.com.br/bônus
Digite o código que se encontra atrás da
apostila (conforme foto ao lado)
Siga os passos para realizar um breve
cadastro e acessar seu conteúdo on-line
sac@no vaconcursos.com.br
VERSO DA APOSTILA
NV-003MR-20
Código Bônus
DÚVIDAS E SUGESTÕES
NV-003MR-20
9 088121 44215 3
Código Bônus
SUMÁRIO
LÍNGUA PORTUGUESA....................................................................................................11
COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS .......................................................................... 11
TIPOLOGIA TEXTUAL ........................................................................................................................ 16
ORTOGRAFIA OFICIAL ....................................................................................................................... 21
ACENTUAÇÃO GRÁFICA ................................................................................................................... 22
EMPREGO DAS CLASSES DE PALAVRAS ........................................................................................ 22
EMPREGO DO SINAL INDICATIVO DE CRASE ................................................................................. 45
SINTAXE DA ORAÇÃO E DO PERÍODO .............................................................................................. 46
PONTUAÇÃO....................................................................................................................................... 55
CONCORDÂNCIA NOMINAL E VERBAL ........................................................................................... 58
REGÊNCIA NOMINAL E VERBAL ....................................................................................................... 63
SIGNIFICAÇÃO DAS PALAVRAS ....................................................................................................... 65
COLOCAÇÃO DO PRONOME ÁTONO ................................................................................................ 66
MATEMÁTICA FINANCEIRA .........................................................................................75
CONCEITOS GERAIS .......................................................................................................................... 75
O CONCEITO DO VALOR DO DINHEIRO NO TEMPO .......................................................................................75
FLUXOS DE CAIXA E DIAGRAMAS DE FLUXO DE CAIXA ...............................................................................75
EQUIVALÊNCIA FINANCEIRA ...........................................................................................................................76
SEQUÊNCIAS - LEI DE FORMAÇÃO DE SEQUÊNCIAS E DETERMINAÇÃO DE
SEUS ELEMENTOS ............................................................................................................................. 76
PROGRESSÕES ARITMÉTICAS ........................................................................................................................76
PROGRESSÕES GEOMÉTRICAS ......................................................................................................................78
JUROS SIMPLES - CÁLCULO DO MONTANTE, DOS JUROS, DA TAXA DE JUROS,
DO PRINCIPAL E DO PRAZO DA OPERAÇÃO FINANCEIRA ............................................................ 79
JUROS COMPOSTOS - CÁLCULO DO MONTANTE, DOS JUROS, DA TAXA DE JUROS,
DO PRINCIPAL E DO PRAZO DA OPERAÇÃO FINANCEIRA ............................................................80
DESCONTOS - CÁLCULO DO VALOR ATUAL, DO VALOR NOMINAL E DA TAXA
DE DESCONTO .................................................................................................................................... 81
SISTEMAS DE AMORTIZAÇÃO - SISTEMA PRICE (MÉTODO DAS PRESTAÇÕES
CONSTANTES); SISTEMA SAC (MÉTODO DAS AMORTIZAÇÕES CONSTANTES) ...................... 81
CONHECIMENTOS BANCÁRIOS .................................................................................85
SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL: ESTRUTURA DO SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL ........ 85
ÓRGÃOS NORMATIVOS E INSTITUIÇÕES SUPERVISORAS, EXECUTORAS E OPERADORAS ... 89
MERCADO FINANCEIRO E SEUS DESDOBRAMENTOS (MERCADOS MONETÁRIO,
DE CRÉDITO, DE CAPITAIS E CAMBIAL) ........................................................................................114
OS BANCOS NA ERA DIGITAL: ATUALIDADE, TENDÊNCIAS E DESAFIOS .................................116
INTERNET BANKING .......................................................................................................................................116
MOBILE BANKING ...........................................................................................................................................116
OPEN BANKING ..............................................................................................................................................116
NOVOS MODELOS DE NEGÓCIOS ...................................................................................................116
FINTECHS, STARTUPS E BIG TECHS .............................................................................................117
SISTEMA DE BANCOS-SOMBRA (SHADOW BANKING) ...............................................................118
O DINHEIRO NA ERA DIGITAL E A TRANSFORMAÇÃO DIGITAL NO SISTEMA FINANCEIRO:
BLOCKCHAIN, BITCOIN E DEMAIS CRIPTOMOEDAS ...................................................................118
CORRESPONDENTES BANCÁRIOS ................................................................................................120
SISTEMA DE PAGAMENTOS INSTANTÂNEOS (PIX) ....................................................................120
MOEDA E POLÍTICA MONETÁRIA: POLÍTICAS MONETÁRIAS CONVENCIONAIS E
NÃO-CONVENCIONAIS (QUANTITATIVE EASING) .......................................................................121
TAXA SELIC E OPERAÇÕES COMPROMISSADAS ........................................................................................125
O DEBATE SOBRE OS DEPÓSITOS REMUNERADOS DOS BANCOS COMERCIAIS NO BANCO
CENTRAL DO BRASIL .....................................................................................................................................125
ORÇAMENTO PÚBLICO, TÍTULOS DO TESOURO NACIONAL E DÍVIDA PÚBLICA .....................126
PRODUTOS BANCÁRIOS: PROGRAMAS SOCIAIS E BENEFÍCIOS DO TRABALHADOR ............128
NOÇÕES DE CARTÕES DE CRÉDITO E DÉBITO, CRÉDITO DIRETO AO CONSUMIDOR,
CRÉDITO RURAL, POUPANÇA, CAPITALIZAÇÃO, PREVIDÊNCIA, CONSÓRCIO, INVESTIMENTOS
E SEGUROS ......................................................................................................................................................128
NOÇÕES DE MERCADO DE CAPITAIS ............................................................................................136
NOÇÕES DE MERCADO DE CÂMBIO: INSTITUIÇÕES AUTORIZADAS A OPERAR
E OPERAÇÕES BÁSICAS .................................................................................................................146
REGIMES DE TAXAS DE CÂMBIO FIXAS, FLUTUANTES E REGIMES INTERMEDIÁRIOS ...........................147
TAXAS DE CÂMBIO NOMINAIS E REAIS, IMPACTOS DAS TAXAS DE CÂMBIO SOBRE
AS EXPORTAÇÕES E IMPORTAÇÕES, DIFERENCIAL DE JUROS INTERNO E EXTERNO,
PRÊMIOS DE RISCO, FLUXO DE CAPITAIS E SEUS IMPACTOS SOBRE AS TAXAS DE CÂMBIO ...............148
DINÂMICA DO MERCADO: OPERAÇÕES NO MERCADO INTERBANCÁRIO E MERCADO
BANCÁRIO: OPERAÇÕES DE TESOURARIA, VAREJO BANCÁRIO E RECUPERAÇÃO
DE CRÉDITO ......................................................................................................................................149
TAXAS DE JUROS DE CURTO PRAZO E A CURVA DE JUROS ......................................................153
TAXAS DE JUROS NOMINAIS E REAIS ..........................................................................................................153
GARANTIAS DO SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL: AVAL; FIANÇA;
PENHOR MERCANTIL; ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA; HIPOTECA; FIANÇAS BANCÁRIAS .............154
CRIME DE LAVAGEM DE DINHEIRO: CONCEITO E ETAPAS .........................................................158
PREVENÇÃO E COMBATE AO CRIME DE LAVAGEM DE DINHEIRO: LEI Nº 9.613/98 E
SUAS ALTERAÇÕES .......................................................................................................................................158
CIRCULAR Nº 3.978, DE 23 DE JANEIRO DE 2020 E CARTA CIRCULAR Nº 4.001,
DE 29 DE JANEIRO DE 2020 E SUAS ALTERAÇÕES .....................................................................................160
AUTORREGULAÇÃO BANCÁRIA .....................................................................................................167
SIGILO BANCÁRIO: LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 E SUAS ALTERAÇÕES .......................168
LEI GERAL DE PROTEÇÃO DE DADOS (LGPD): LEI Nº 13.709, DE 14 DE AGOSTO DE 2018
E SUAS ALTERAÇÕES ......................................................................................................................171
LEGISLAÇÃO ANTICORRUPÇÃO: LEI Nº 12.846/2013 E DECRETO Nº 8.420/2015 E SUAS
ALTERAÇÕES ...................................................................................................................................177
ÉTICA APLICADA .............................................................................................................................185
ÉTICA, MORAL, VALORES E VIRTUDES .........................................................................................................185
NOÇÕES DE ÉTICA EMPRESARIAL E PROFISSIONAL .................................................................................188
A GESTÃO DA ÉTICA NAS EMPRESAS PÚBLICAS E PRIVADAS .................................................................189
CÓDIGO DE ÉTICA, DE CONDUTA E POLÍTICA DE RESPONSABILIDADE SOCIOAMBIENTAL
DA CAIXA ECONÔMICA FEDERAL .................................................................................................................191
LEI Nº 7.998/1990 (PROGRAMA DESEMPREGO E ABONO SALARIAL - BENEFICIÁRIOS
E CRITÉRIOS PARA SAQUE) ............................................................................................................191
ARTIGO 37 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL (PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DA
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA: PRINCÍPIOS DA LEGALIDADE, IMPESSOALIDADE,
MORALIDADE, PUBLICIDADE E EFICIÊNCIA) ................................................................................200
LEI COMPLEMENTAR Nº 7/1970 (PIS) ...........................................................................................201
LEI Nº 8.036/1990 (FGTS): POSSIBILIDADES E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO/SAQUE ............203
CERTIFICADO DE REGULARIDADE DO FGTS, GUIA DE RECOLHIMENTO (GRF) .........................................203
PRODUTOS: ABERTURA E MOVIMENTAÇÃO DE CONTAS: DOCUMENTOS BÁSICOS ..............209
PESSOA FÍSICA E PESSOA JURÍDICA: CAPACIDADE E INCAPACIDADE CIVIL,
REPRESENTAÇÃO E DOMICÍLIO .....................................................................................................211
SISTEMA DE PAGAMENTOS BRASILEIRO .....................................................................................219
NOÇÕES DE PROBABILIDADE E ESTATÍSTICA ................................................. 227
REPRESENTAÇÃO TABULAR E GRÁFICA ......................................................................................227
MEDIDAS DE TENDÊNCIA CENTRAL (MÉDIA, MEDIANA, MODA, MEDIDASDE POSIÇÃO,
MÍNIMO E MÁXIMO) ........................................................................................................................232
DISPERSÃO (AMPLITUDE, AMPLITUDE INTERQUARTIL, VARIÂNCIA, DESVIO PADRÃO E
COEFICIENTE DE VARIAÇÃO) .........................................................................................................237
CÁLCULO DE PROBABILIDADE E TEOREMA DE BAYES ...............................................................239
PROBABILIDADE CONDICIONAL ....................................................................................................243
CORRELAÇÃO LINEAR SIMPLES ....................................................................................................244
POPULAÇÃO E AMOSTRA ...............................................................................................................249
ATENDIMENTO BANCÁRIO ........................................................................................261
NOÇÕES DE ESTRATÉGIA EMPRESARIAL ....................................................................................261
ANÁLISE DE MERCADO .................................................................................................................................263
FORÇAS COMPETITIVAS ...............................................................................................................................264
IMAGEM INSTITUCIONAL ..............................................................................................................................265
IDENTIDADE E POSICIONAMENTO ...............................................................................................................267
SEGMENTAÇÃO DE MERCADO .......................................................................................................267
AÇÕES PARA AUMENTAR O VALOR PERCEBIDO PELO CLIENTE ...............................................269
GESTÃO DA EXPERIÊNCIA DO CLIENTE .......................................................................................270
APRENDIZAGEM E SUSTENTABILIDADE ORGANIZACIONAL .....................................................271
CARACTERÍSTICAS DOS SERVIÇOS ..............................................................................................274
Intangibilidade ................................................................................................................................................274
Inseparabilidade .............................................................................................................................................275
Variabilidade ...................................................................................................................................................275
Perecibilidade .................................................................................................................................................275
GESTÃO DA QUALIDADE EM SERVIÇOS ........................................................................................275
TÉCNICAS DE VENDAS ..................................................................................................................276
Pré abordagem ...............................................................................................................................................276
PÓS-VENDAS ..................................................................................................................................................277
NOÇÕES DE MARKETING DIGITAL .................................................................................................277
GERAÇÃO DE LEADS ......................................................................................................................................277
TÉCNICAS DE COPYWRITING ........................................................................................................................278
GATILHOS MENTAIS ......................................................................................................................................278
INBOUND MARKETING ...................................................................................................................................278
ÉTICA E CONDUTA PROFISSIONAL EM VENDAS .........................................................................279
PADRÕES DE QUALIDADE NO ATENDIMENTO AOS CLIENTES ...................................................280
UTILIZAÇÃO DE CANAIS REMOTOS PARA VENDAS ....................................................................281
COMPORTAMENTO DO CONSUMIDOR E SUA RELAÇÃO COM VENDAS E NEGOCIAÇÃO ......281
POLÍTICA DE RELACIONAMENTO COM O CLIENTE .....................................................................282
RESOLUÇÃO N° 4.539 DE 24 DE NOVEMBRO DE 2016 ................................................................................282
RESOLUÇÃO CMN Nº 4.860, DE 23 DE OUTUBRO DE 2020 .........................................................283
RESOLUÇÃO CMN Nº 3.694/2009 E ALTERAÇÕES ......................................................................287
LEI BRASILEIRA DE INCLUSÃO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA (ESTATUTO DA PESSOA
COM DEFICIÊNCIA) ..........................................................................................................................288
LEI Nº 13.146, DE 06 DE JULHO DE 2015 ......................................................................................................288
CÓDIGO DE PROTEÇÃO E DEFESA DO CONSUMIDOR..................................................................295
LEI Nº 8.078/1990 ..........................................................................................................................................295
LÍ
N
G
U
A
P
O
RT
U
G
U
ES
A
11
LÍNGUA PORTUGUESA
COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO DE
TEXTOS
INTRODUÇÃO
A interpretação e a compreensão textual são aspec-
tos essenciais a serem dominados por aqueles candida-
tos que buscam a aprovação em seleções e concursos
públicos. Pelo fato de as questões de provas abordarem
conteúdos diversos, muitas vezes, possuir competência
para interpretar e compreender aquilo que leu pode
ser o grande diferencial entre o “quase” e a aprovação.
Além disso, seja a compreensão textual, seja a
interpretação textual, ambas guardam uma relação de
proximidade com um assunto pouco explorado pelos
cursos de português: a semântica, que incide suas rela-
ções de estudo sobre as relações de sentido que a forma
linguística pode assumir.
Neste material, você encontrará recursos para
solidificar seus conhecimentos em interpretação e
compreensão textual, associando a essas temáticas as
relações semânticas que permeiam todo amontoado
de palavras. Vale lembrar que qualquer aglomeração
textual é, atualmente, considerada texto e, dessa for-
ma, deve ter um sentido que precisa ser reconhecido
por quem o lê.
Vamos começar nosso estudo fazendo uma breve
diferenciação entre os termos compreensão e inter-
pretação textual. Para muitos, essas palavras expres-
sam o mesmo sentido, mas, como pretendemos deixar
claro, ainda que existam relações de sinonímia entre
palavras do nosso vocabulário, a opção do autor por
um termo ao invés de outro reflete um sentido que
deve ser interpretado no texto, uma vez que a inter-
pretação realiza ligações com o texto a partir das
ideias que o leitor pode concluir com a leitura.
Já a compreensão busca a análise de algo exposto no
texto, e, geralmente, é marcada por uma palavra ou uma
expressão, além de apresentar mais relações semânti-
cas e sintáticas. A compreensão textual estipula aspectos
linguísticos essencialmente relacionados à significação
das palavras e, por isso, envolve uma forte ligação com
a semântica.
Sabendo disso, é importante separarmos os con-
teúdos que tenham mais apelo interpretativo ou
compreensivo. Neste material, você encontrará um
forte conteúdo que relaciona semântica e interpreta-
ção,contendo questões sobre os assuntos: inferência;
figuras de linguagem; vícios de linguagem e intertex-
tualidade. No que se refere aos estudos que focam na
compreensão e semântica, os principais tópicos são:
semântica dos sentidos e suas relações; coerência e
coesão; gêneros textuais (mais abordados em provas
de concursos); tipos textuais e, ainda, as variações lin-
guísticas e suas consequências para o sentido.
Todos esses assuntos completam o estudo basilar
de semântica com foco em provas e concursos, sem-
pre de olho na sua aprovação.
Por isso, convidamos você a estudar com afinco e
dedicação. Não se esqueça de praticar seus conheci-
mentos realizando a seleção de exercícios finais.
INFERÊNCIA – ESTRATÉGIAS DE INTERPRETAÇÃO
A inferência é uma relação de sentido conhecida
desde a Grécia Antiga e que embasa as teorias sobre
interpretação de texto. Interpretar é buscar ideias,
pistas do autor do texto, nas linhas apresentadas.
Apesar de parecer algo subjetivo, existem “regras”
para se buscar essas pistas. A primeira e mais impor-
tante delas é identificar a orientação do pensamento do
autor do texto, que fica perceptível quando identifica-
mos como o raciocínio dele foi exposto; se de maneira
mais racional, a partir da análise de dados, informações
com fontes confiáveis ou se de maneira mais empiris-
ta; partindo dos efeitos, das consequências, a fim de se
identificar as causas.
A seguir, apresentamos estratégias de leitura que
focam nas formas de inferência sobre um texto. Inicial-
mente, é fundamental identificar como ocorre o pro-
cesso de inferência, que se dá por dedução ou por
indução. Para entender melhor, veja esse exemplo:
O marido da minha chefe parou de beber.
Observe que é possível inferir várias informações a
partir dessa frase. A primeira é que a chefe do enuncia-
dor é casada (informação comprovada pela expressão
“marido”), a segunda é que o enunciador está trabalhan-
do (informação comprovada pela expressão “minha che-
fe”) e a terceira é que o marido da chefe do enunciador
bebia (expressão comprovada pela expressão “parou de
beber”). Note que há pistas contextuais do próprio texto
que induzem o leitor a interpretar essas informações.
Tratando-se de interpretação textual, os processos
de inferência, sejam por dedução ou por indução, par-
tem de uma certeza prévia para a concepção de uma
interpretação construída pelas pistas oferecidas no
texto junto da articulação com as informações aces-
sadas pelo leitor do texto. A seguir, apresentamos um
fluxograma que representa como ocorre a relação
desses processos:
INFERÊNCIA
Dedução → Certeza → Interpretar
Indução → Interpretar → Certeza
A partir desse esquema, conseguimos visualizar
melhor como o processo de interpretação ocorre. Agora,
iremos detalhar esse processo, reconhecendo as estra-
tégias que compõem cada maneira de inferir informa-
ções de um texto. Por isso, vamos apresentar nos tópicos
seguintes como usar estratégias de cunho dedutivo, indu-
tivo e, ainda, como articular o nosso conhecimento de
mundo na interpretação de textos.
A Indução
As estratégias de interpretação que observam
métodos indutivos analisam as “pistas” que o texto
oferece e, posteriormente, reconhecem alguma certe-
za na interpretação. Dessa forma, é fundamental bus-
car uma ordem de eventos ou processos ocorridos no
texto e que variam conforme o tipo textual.
12
Sendo assim, no tipo textual narrativo, podemos
identificar uma organização cronológica e espacial no
desenvolvimento das ações marcadas, por exemplo,
pelo uso do pretérito imperfeito; na descrição, pode-
mos organizar as ideias do texto a partir da marcação
de adjetivos e demais sintagmas nominais; na argu-
mentação, esse encadeamento de ideias fica marcado
pelo uso de conjunções e elementos que expõem uma
ideia/ponto de vista.
No processo interpretativo indutivo, as ideias são
organizadas a partir de uma especificação para uma
generalização. Vejamos um exemplo:
Eu não sou literato, detesto com toda a paixão essa
espécie de animal. O que observei neles, no tempo
em que estive na redação do O Globo, foi o bastan-
te para não os amar, nem os imitar. São em geral
de uma lastimável limitação de ideias, cheios de
fórmulas, de receitas, só capazes de colher fatos
detalhados e impotentes para generalizar, cur-
vados aos fortes e às ideias vencedoras, e antigas,
adstritos a um infantil fetichismo do estilo e guia-
dos por conceitos obsoletos e um pueril e errôneo
critério de beleza.
(BARRETO, 2010, p. 21)
O trecho em destaque na citação do escritor Lima
Barreto, em sua obra “Recordações do escrivão Isaías
Caminha” (1917), identifica bem como o pensamento
indutivo compõe a interpretação e decodificação de
um texto. Para deixar ainda mais evidente as estraté-
gias usadas para identificar essa forma de interpretar,
deixamos a seguir dicas de como buscar a organiza-
ção cronológica de um texto.
PROCURE
SINÔNIMOS
A propriedade vocabular leva o cé-
rebro a aproximar as palavras que
têm maior associação com o tema
do texto
ATENÇÃO AOS
CONECTIVOS
Os conectivos (conjunções, pre-
posições, pronomes) são marca-
dores claros de opiniões, espaços
físicos e localizadores textuais
A dedução
A leitura de um texto envolve a análise de diversos
aspectos que o autor pode colocar explicitamente ou de
maneira implícita no enunciado. Em questões de con-
curso, as bancas costumam procurar nos enunciados
implícitos do texto, aspectos para abordar em suas
provas.
No momento de ler um texto, o leitor articula seus
conhecimentos prévios a partir de uma informação
que julga certa, buscando uma interpretação; assim,
ocorre o processo de interpretação por dedução. Con-
forme Kleiman (2016, p. 47):
Ao formular hipóteses o leitor estará predizendo
temas, e ao testá-las ele estará depreendendo o
tema; ele estará também postulando uma possí-
vel estrutura textual; na predição ele estará ati-
vando seu conhecimento prévio, e na testagem
ele estará enriquecendo, refinando, checando esse
conhecimento.
Atente-se a essa informação, pois é uma das primei-
ras estratégias de leitura para uma boa interpretação
textual: formular hipóteses, a partir da macroestru-
tura textual; ou seja, antes da leitura inicial, o leitor
deve buscar identificar o gênero textual ao qual o
texto pertence, a fonte da leitura, o ano, entre outras
informações que podem vir como “acessórios” do tex-
to e, então, formular hipóteses sobre a leitura que fará
em seguida. Essas são algumas estratégias de interpre-
tação em que podemos usar métodos dedutivos.
Uma outra dica importante é ler as questões da
prova antes de ler o texto, pois, assim, suas hipóteses
já estarão agindo conforme um objetivo mais definido.
O processo de interpretação por estratégias de dedu-
ção envolve a articulação de três tipos de conhecimento:
z Conhecimento Linguístico;
z Conhecimento Textual;
z Conhecimento de Mundo.
O conhecimento de mundo, por se tratar de um
assunto mais abrangente, será apresentado por último.
Veja cada um desses conhecimentos abordados detalha-
damente a seguir.
Conhecimento Linguístico
Esse é o conhecimento basilar para a compreen-
são e decodificação do texto, pois envolve o reco-
nhecimento das formas linguísticas estabelecidas
socialmente por uma comunidade linguística, ou seja,
envolve o reconhecimento das regras de uma língua.
É importante salientar que as regras de reconhe-
cimento sobre o funcionamento da língua não são,
necessariamente, as regras gramaticais, mas as regras
que estabelecem, por exemplo, no caso da língua por-
tuguesa, que o feminino é marcado pela desinência -a,
que a ordem de escrita respeita o sistema sujeito-ver-
bo-objeto (SVO) etc.
Ângela Kleiman (2016) afirma que o conhecimento
linguístico é aquele que “abrange desde o conhecimento
sobre como pronunciar português, passando pelo conhe-
cimento de vocabulário e regras da língua, chegando até
o conhecimento sobre o uso da língua” (2016, p. 15).
Um exemplo em quea interpretação textual é preju-
dicada pelo conhecimento linguístico é o texto a seguir:
Fonte: https://bit.ly/3kCyWoI. Acesso em: 22/09/2020.
LÍ
N
G
U
A
P
O
RT
U
G
U
ES
A
13
Como é possível notar, o texto é uma peça publici-
tária escrita em inglês, portanto, somente os leitores
proficientes nessa língua serão capazes de decodificar
e entender o que está escrito; assim, o conhecimento
linguístico torna-se crucial para a interpretação. Essa
é uma das estratégias de interpretação em que pode-
mos usar métodos dedutivos
Conhecimento Textual
Esse tipo de conhecimento se atrela ao conheci-
mento linguístico e se desenvolve pela experiência
leitora. Quanto maior exposição a diferentes tipos de
textos, melhor se dá a sua compreensão. Nesse conhe-
cimento, o leitor desenvolve sua habilidade porque
prepara sua leitura de acordo com o tipo de texto que
está lendo. Não se lê uma bula de remédio como se lê
uma receita de bolo ou um romance. Não se lê uma
reportagem como se lê um poema.
Em outras palavras, esse conhecimento se relacio-
na com a habilidade de reconhecer diferentes tipos de
discursos, estruturas, tipos e gêneros textuais.
Conhecimento de Mundo
O uso dos conhecimentos prévios é fundamental
para a boa interpretação textual, por isso, é sempre
importante que o candidato a cargos públicos reserve
um tempo para ampliar sua biblioteca e buscar fontes
de informações fidedignas, para, dessa forma, aumen-
tar seu conhecimento de mundo.
Conforme Kleiman (2016), durante a leitura, nosso
conhecimento de mundo que é relevante para a com-
preensão textual é ativado; por isso, é natural ao nosso
cérebro associar informações, a fim de compreender
o novo texto que está em processo de interpretação.
A esse respeito, a autora propõe o seguinte exer-
cício para atestarmos a importância da ativação do
conhecimento de mundo em um processo de interpre-
tação. Leia o texto a seguir e faça o que se pede:
Como gemas para financiá-lo, nosso herói desa-
fiou valentemente todos os risos desdenhosos que
tentaram dissuadi-lo de seu plano. “Os olhos enga-
nam” disse ele, “um ovo e não uma mesa tipificam
corretamente esse planeta inexplorado.” Então as
três irmãs fortes e resolutas saíram à procura de
provas, abrindo caminho, às vezes através de imen-
sidões tranquilas, mas amiúde através de picos e
vales turbulentos (KLEIMAN, 2016, p. 24).
Agora, tente responder às seguintes perguntas
sobre o texto:
Quem é o herói de que trata o texto?
Quem são as três irmãs?
Qual é o planeta inexplorado?
Certamente, você não conseguiu responder nenhu-
ma dessas questões, porém, ao descobrir o título des-
se texto, sua compreensão sobre essas perguntas será
afetada. O texto chama-se “A descoberta da América
por Colombo”. Agora, volte ao texto, releia-o e busque
responder às questões; certamente você não terá mais
as mesmas dificuldades.
Ainda que o texto não tenha sido alterado, ao voltar
seus olhos por uma segunda vez a ele, já sabendo do
que se trata, seu cérebro ativou um conhecimento pré-
vio que é essencial para a interpretação de questões.
INTERTEXTUALIDADE
Existem diversos mecanismos que são meios
importantes e, muitas vezes, imprescindíveis à cons-
trução de sentido dos gêneros textuais e, dentre eles, a
intertextualidade merece destaque.
Para se entender melhor a estrutura e a função da
intertextualidade, podemos separar a palavra por par-
tes: “inter” é de origem latina e refere-se à noção de
dentro, ou seja, o que está dentro do texto, e “textuali-
dade” traz a ideia de conteúdo, palavras. Portanto, ao
formarmos a palavra “intertextualidade”, já em seu
significado temos sua função: textos dentro de textos.
A intertextualidade está presente em nosso dia
a dia, sendo muito comum em gêneros oriundos da
internet e também da publicidade. A seguir, apresen-
tamos dois exemplos que resumem a ideia de inter-
textualidade que iremos trabalhar neste material:
Fonte: COLARES, 2020, informação verbal.
Compreendida a ideia de intertextualidade e apre-
sentada sua importância para a análise textual em
provas, questões e textos, faz-se necessário conhecer
algumas das principais formas de realização da inter-
textualidade em textos e em gêneros utilizados por
bancas de concurso.
Antes, porém, é necessário apontar que, confor-
me Koch e Elias (2015), todos os textos são, em algu-
ma medida, recuperadores de outros. Quando o leitor
acessa as ideias e reconhece essa intertextualidade,
estamos diante de um processo de intertextualidade
stricto sensu. Quando não é possível acessar esse teor
intertextual, trata-se de uma intertextualidade lato
sensu. Desenvolvemos o esquema a seguir para tornar
essa divisão mais didática:
INTERTEXTUALIDADE
Stricto Senso
Temática
Estilística
Explícita
Implícita
Lato Senso
14
Paródia
A paródia é um tipo de intertextualidade estilística
em que o autor recupera o estilo de outro texto, seja
verbal ou não verbal. É muito comum tanto em tex-
tos musicais, dos quais são recuperados a melodia e o
estilo do intérprete original, quanto em textos visuais,
como no exemplo a seguir:
Fonte: https://bit.ly/3mx0k7X. Acessado em: 12/10/2020.
Uma das caraterísticas da paródia é o tom irônico e
humorístico que pode variar, dependendo da sua fina-
lidade textual.
Paráfrase
A paráfrase é uma estratégia intertextual que con-
siste em recuperar aspectos do tema do texto-fonte, o
qual baseia a paráfrase. Dessa forma, é considerada
um tipo de intertextualidade temática.
Um bom exemplo desse tipo de intertextualidade é
a música Monte Castelo, do grupo Legião Urbana, que
versa sobre o mesmo tema que a passagem bíblica “I
carta de São Paulo aos Coríntios” e também dos versos
de Luís Vaz de Camões.
Monte Castelo – Legião Urbana
Ainda que eu falasse a língua dos homens
E falasse a língua dos anjos, sem amor eu nada
seria. É só o amor, é só o amor
Que conhece o que é verdade
O amor é bom, não quer o mal
Não sente inveja ou se envaidece [...]
I carta de São Paulo aos Coríntios
1 Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos
anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que
soa ou como o sino que tine. 2 E ainda que tivesse
o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios
e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de
maneira tal que transportasse os montes, e não
tivesse amor, nada seria [...]
11 Soneto – Luis Vaz de Camões
Amor é um fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.
É um não querer mais que bem querer;
é um andar solitário entre a gente;
é nunca contentar se de contente;
é um cuidar que ganha em se perder.
É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata, lealdade [...]
Referência
A referência é um tipo de intertextualidade explícita,
muito comum e necessária em trabalhos acadêmicos,
pois ao mencionar uma obra ou autor e suas ideias, o pes-
quisador deverá realizar as devidas referências, indican-
do os nomes dos títulos mencionados ao final do trabalho.
Para realizar esse tipo de intertextualidade, deve-
mos seguir as regras da Associação Brasileira de Nor-
mas Técnicas – ABNT. A seguir, disponibilizamos um
exemplo de referência com a indicação de uma das
obras citadas neste material:
KOCH, Ingedore Grunfeld Villaça; ELIAS, Vanda
Maria. Ler e compreender: os sentidos do texto. 3.
ed. São Paulo: Contexto, 2015.
Vale ressaltar que existem uma multiplicidade de
estilos de referência que variam de acordo com o mate-
rial a ser referenciado.
As referências também são muito comuns em textos
jurídicos, nos quais é praxe citar leis, decretos e demais
documentos que sirvam de embasamento teórico.
Citação
A citação também é um tipo de intertextualidade
explícita e diz respeito às formas de citação de uma
obra. Em um trabalho acadêmico, por exemplo, quan-
do utilizamos as palavras de outros autores, devemos
mencioná-los direta ou indiretamente. A transcrição
fiel das palavrasdo autor do texto-fonte é chamada
de citação direta. Quando nos baseamos na ideia do
autor e escrevemos de outra forma suas palavras, a
citação passa a ser indireta.
Independente da maneira como citamos em um tex-
to, é imprescindível dar os créditos aos autores das obras
citadas, por isso, devemos mencioná-los nas citações que
também seguem o padrão estabelecido pela ABNT.
z Citação direta:
A confiabilidade das fontes citadas confere rele-
vância ao trabalho acadêmico, cabendo, portan-
to, ao produtor do texto, selecioná-las com rigor
(BOAVENTURA, 2004, p. 81).
z Citação indireta:
Segundo Boaventura (2004, p. 81), o respeito ao
trabalho acadêmico é diretamente proporcional
à credibilidade das fontes utilizadas, por isso é
necessário atentar-se para os diversos tipos de
citação aqui mencionados.
Dica
A citação indireta é um tipo de paráfrase.
Alusão
A alusão é um intertexto que faz referência a uma
obra de arte, a um fato histórico, a textos de conheci-
mento comum. A alusão pode ocorrer de forma explí-
cita ou implícita.
LÍ
N
G
U
A
P
O
RT
U
G
U
ES
A
15
Ex.: Ganhei um jogo de aniversário que foi um ver-
dadeiro presente de grego.
A expressão “presente de grego” faz alusão aos
fatos da Guerra de Tróia, em que os gregos fingiram
presentear os troianos com um cavalo de madeira
que fazia parte da estratégia grega para conseguirem
invadir a cidade de Tróia e destruí-la por dentro.
Epígrafe
A epígrafe é uma pequena citação colocada no iní-
cio de capítulos de livros, seções de trabalhos acadê-
micos ou de outros gêneros para manter uma relação
dessa citação com o assunto abordado na obra.
Por exemplo, no início deste capítulo, poderíamos
ter colocado a epígrafe: “Sei que às vezes uso palavras
repetidas, mas quais são as palavras que nunca são
ditas” (trecho da música Quase sem querer da banda
Legião Urbana), para iniciar nosso debate sobre inter-
textualidade e as possibilidades de escrevermos algo
completamente inédito em nosso contexto atual.
Bricolagem
A bricolagem é um tipo de intertextualidade que
atua explicitamente no texto, pois se trata da mescla de
vários elementos advindos de vários textos ou de várias
obras de arte em geral. Assim, a principal característica
da bricolagem é o uso de outros fragmentos textuais
para a formação de uma nova composição textual.
Esse recurso foi utilizado na letra da canção Amor
I love you, de Marisa Monte, na qual a cantora inseriu
um trecho da obra O primo Basílio, de Eça de Queiroz,
para compor a letra da música.
“Tinha suspirado, tinha beijado o papel devotamen-
te! Era a primeira vez que lhe escreviam aquelas
sentimentalidades, e o seu orgulho dilatava-se ao
calor amoroso que saía delas, como um corpo res-
sequido que se estira num banho lépido; Sentia um
acréscimo de estima por si mesma, e parecia-lhe
que entrava enfim uma existência superiormente
interessante, onde cada hora tinha o seu intuito
diferente, cada passo conduzia um êxtase, e a alma
se cobria de um luxo radioso de sensações.”
Eça de Queirós – O Primo Basílio
Amor I Love You – Marisa Monte
Deixa eu dizer que te amo
Deixa eu pensar em você
Isso me acalma, me acolhe a alma
Isso me ajuda a viver
[...]
Meu peito agora dispara
Vivo em constante alegria
É o amor que está aqui
Amor, I love you (x8)
Tinha suspirado, tinha beijado o papel devotamente!
Era a primeira vez que lhe escreviam
Aquelas sentimentalidades
E o seu orgulho dilatava-se
Ao calor amoroso que saía delas
Como um corpo ressequido
Que se estira num banho tépido
Sentia um acréscimo de estima por si mesma
Fonte: https://www.letras.mus.br/marisa-monte/47268/. Acessado
em: 12/10/2020.
Tradução
A tradução é uma espécie de paráfrase para mui-
tos autores, pois, como sabemos, há palavras e expres-
sões que só existem na língua de origem do escritor
original. Dessa forma, a tradução de textos em línguas
diferentes é uma aproximação de sentidos, construída
a partir das leituras e do ponto de vista do tradutor.
Muitos escritores brasileiros são considerados como
“literatura complexa” por manterem em seus textos
expressões tão brasileiras que se tornam difíceis de
expressar em outras línguas. É o caso do mineiro de
Cordisburgo, Guimarães Rosa, que apresenta uma
linguagem peculiar repleta de neologismos, como os
destacados a seguir:
Enxadachim: Designa um trabalhador do cam-
po, que luta pela sobrevivência. A palavra reúne
“enxada” e “espadachim”.
Taurophtongo: Significa mugido, sendo a pala-
vra uma junção de dois termos gregos, relativos
a touro (táuros) e ao som da sala (phtoggos).
Embriagatinhar: A mistura de “embriagado” e
“(en)gatinhar” serve para designar uma pessoa
que, de tão bêbada, chega a engatinhar.
Velvo: Adaptação do inglês velvet, que signi-
fica “veludo”. Na linguagem de Guimarães
Rosa, é o nome dado para uma planta de folhas
aveludadas.
Circuntristeza: Como a própria palavra sugere,
refere-se à “tristeza circundante”.
Fonte: https://bit.ly/34DFj5D. Acessado em: 16/10/2020.
Diante desse complexo léxico, como traduzir
expressões que até para um brasileiro pode ser difícil
compreender? Por isso, a tradução é um texto inter-
textual, pois cabe ao tradutor adaptar e parafrasear
trechos cuja complexidade só poderia ser alcançada
por falantes nativos.
Pastiche
É um tipo de intertextualidade que ocorre quando
um modelo estrutural serve para inspirar um novo
quadro, texto ou programa de TV. Um exemplo bem
típico deste último era o programa de TV “Os trapa-
lhões”, que se inspirava em que o modelo humorístico
criado pelo trio “Os três patetas”, na década de 1960.
O pastiche também é comum em textos imagéticos,
como o exemplo a seguir:
16
Fonte: https://bit.ly/3e8lV3V. Acessado em: 12/10/2020.
TIPOLOGIA TEXTUAL
CONHECENDO OS TIPOS TEXTUAIS
Tipos ou sequências textuais são unidades que estruturam o texto. Para Bronckart1, “são unidades estruturais,
relativamente autônomas, organizadas em frases”.
Os tipos textuais marcam uma forma de organização da estrutura do texto, que se molda a depender do gênero
discursivo e da necessidade comunicativa. Por exemplo, há gêneros que apresentam a predominância de narra-
ções (contos, fábulas, romances, história em quadrinhos etc.). Já em outros, predomina a argumentação (redação
do Enem, teses, dissertações, artigos de opinião etc.).
No intuito de conceituar melhor os tipos textuais, inspiramo-nos em Cavalcante (2013) e apresentamos a
seguinte figura, que demonstra como podemos identificar os tipos textuais e suas principais características, tendo
em vista que cada sequência textual apresenta características próprias que pouco ou nada sofrem em alterações,
mantendo uma estrutura linguística quase rígida que nos permite classificar os tipos textuais em cinco categorias
(Narrativo, Descritivo, Expositivo, Instrucional e Argumentativo).
Frases TextoTipo Textual
Gênero Textual
A partir dessa imagem, podemos identificar que a orientação gramatical mantida pelas frases apresenta mar-
cas linguísticas, assinalando o tipo textual predominante que o texto deve manter, organizado pelas marcas do
gênero textual ao qual o texto pertence.
TIPO TEXTUAL
Classifica-se conforme as marcas linguísticas apresentadas no texto. Tam-
bém é chamado de sequência textual
GÊNERO TEXTUAL
Classifica-se conforme a função do texto, atribuída socialmente
Uma última informação muito importante sobre tipos textuais que devemos considerar é que nenhum texto é
composto apenas por um tipo textual; o que ocorre é a existência de predominância de algumas sequências em
detrimento de outras, de acordo com o texto.
A seguir, aprenderemos a diferenciar cada classe de tipos textuais, reconhecendo suas principais característi-
cas e marcas linguísticas.
CLASSIFICAÇÃO DOS TIPOS TEXTUAIS E SUAS PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS
Narrativo
Os textos compostos predominantemente por sequências narrativas cumprem o objetivo de contar uma his-
tória, narrar um fato. Por isso, precisam manter a atenção do leitor/ouvinte e, para tal,lançam mão de algumas
estratégias, como a organização dos fatos a partir de marcadores temporais e espaciais, a inclusão de um momen-
to de tensão (chamado de clímax) e um desfecho que poderá ou não apresentar uma moral.
1 BRONCKART, 1999 apud CAVALCANTE, 2013.
LÍ
N
G
U
A
P
O
RT
U
G
U
ES
A
17
Conforme Cavalcante (2013), o tipo textual narrativo pode ser caracterizado por sete aspectos. São eles:
z Situação inicial: Envolve a “quebra” de um equilíbrio, o que demanda uma situação conflituosa;
z Complicação: Desenvolvimento da tensão apresentada inicialmente;
z Ações (para o clímax): Acontecimentos que ampliam a tensão;
z Resolução: Momento de solução da tensão;
z Situação final: Retorno da situação equilibrada;
z Avaliação: Apresentação de uma “opinião” sobre a resolução;
z Moral: Apresentação de valores morais que a história possa ter apresentado.
Esses sete passos podem ser encontrados no seguinte exemplo, a canção “Era um garoto que como eu...”. Vamos
lê-la e identificar essas características, bem como aprender a identificar outros pontos do tipo textual narrativo.
Era um garoto que como eu
Amava os Beatles e os Rolling Stones
Girava o mundo sempre a cantar
As coisas lindas da América
Não era belo, mas mesmo assim
Havia mil garotas afim
Cantava Help and Ticket to Ride
Oh Lady Jane e Yesterday
Cantava viva à liberdade
Situação inicial: predomínio de equilíbrio
Mas uma carta sem esperar
Da sua guitarra, o separou
Fora chamado na América
Stop! Com Rolling Stones
Stop! Com Beatles songs
Complicação: início da tensão
Mandado foi ao Vietnã
Lutar com vietcongs Clímax
Era um garoto que como eu
Amava os Beatles e os Rolling Stones
Girava o mundo, mas acabou
Fazendo a guerra no Vietnã
Resolução
Cabelos longos não usa mais
Não toca a sua guitarra e sim
Um instrumento que sempre dá
A mesma nota,
ra-tá-tá-tá
Não tem amigos, não vê garotas
Só gente morta caindo ao chão
Ao seu país não voltará
Pois está morto no Vietnã
[...]
Situação final /
Avaliação
No peito, um coração não há
Mas duas medalhas sim Moral
Disponível em: https://www.letras.mus.br/engenheiros-do-hawaii/12886/. Acesso em: 30 ago. 2021.
Essas sete marcas que definem o tipo textual narrativo podem ser resumidas em marcas de organização lin-
guística que são caracterizadas por:
z Presença de marcadores temporais e espaciais;
z Verbos, predominantemente, utilizados no passado;
z Presença de narrador e personagens.
Importante!
Os gêneros textuais que são predominantemente narrativos apresentam outras tipologias textuais em sua com-
posição, tendo em vista que nenhum texto é composto exclusivamente por uma sequência textual. Por isso,
devemos sempre identificar as marcas linguísticas que são predominantes em um texto, a fim de classificá-lo.
Para sua compreensão, também é necessário saber o que são marcadores temporais e espaciais. São formas
linguísticas como advérbios, pronomes, locuções etc. utilizados para demarcar um espaço físico ou temporal em
textos. Nos tipos textuais narrativos, esses elementos são essenciais para marcar o equilíbrio e a tensão da histó-
ria, além de garantirem a coesão do texto. Exemplos de marcadores temporais e espaciais: Atualmente, naquele
dia, nesse momento, aqui, ali, então...
Outro indicador do texto narrativo é a presença do narrador da história. Por isso, é importante aprendermos
a identificar os principais tipos de narrador de um texto:
18
Narrador: Também conhecido como foco narrativo, é o responsável por contar os fatos que compõem o texto
Narrador personagem: Verbos flexionados em 1ª pessoa. O narrador participa dos fatos
Narrador observador: Verbos flexionados em 3ª pessoa. O narrador tem propriedade dos fatos contados, porém, não participa das ações
Narrador onisciente: Os fatos podem ser contados na 3ª ou 1ª pessoa verbal. O narrador conhece os fatos e não participa das ações,
porém, o fluxo de consciência do narrador pode ser exposto, levando o texto para a 1ª pessoa
Alguns gêneros conhecidos por suas marcas predominantemente narrativas são notícia, diário, conto, fábula,
entre outros. É importante reafirmar que o fato de esses gêneros serem essencialmente narrativos não significa
que não possam apresentar outras sequências em sua composição.
Para diferenciar os tipos textuais e proceder na classificação correta, é sempre essencial atentar-se às marcas
que predominam no texto.
Após demarcarmos as principais características do tipo textual narrativo, vamos agora conhecer as marcas
mais importantes da sequência textual classificada como descritiva.
Descritivo
O tipo textual descritivo é marcado pelas formas nominais que dominam o texto. Os gêneros que utilizam esse tipo
textual geralmente utilizam a sequência descritiva como suporte para um propósito maior. São exemplos de textos
cujo tipo textual predominante é a descrição: relato de viagem, currículo, anúncio, classificados, lista de compras.
Veja um trecho da Carta de Pero Vaz de Caminha, que relata, no ano de 1500, suas impressões a respeito de
alguns aspectos do território que viria a ser chamado de Brasil.
“Ali veríeis galantes, pintados de preto e vermelho, e quartejados, assim pelos corpos como pelas pernas, que, certo,
assim pareciam bem. Também andavam entre eles quatro ou cinco mulheres, novas, que assim nuas, não pareciam
mal. Entre elas andava uma, com uma coxa, do joelho até o quadril e a nádega, toda tingida daquela tintura preta; e
todo o resto da sua cor natural. Outra trazia ambos os joelhos com as curvas assim tintas, e também os colos dos pés;
e suas vergonhas tão nuas, e com tanta inocência assim descobertas, que não havia nisso desvergonha nenhuma.”
Disponível em: https://www.todamateria.com.br/carta-de-pero-vaz-de-caminha/. Acesso em: 30 ago. 2021.
Note que apesar da presença pontual da sequência narrativa, há predominância da descrição do cenário e dos
personagens, evidenciada pela presença de adjetivos (galantes, preto, vermelho, nuas, tingida, descobertas etc.).
A carta de Pero Vaz constitui uma espécie de relato descritivo utilizado para manter a comunicação entre a Corte
Portuguesa e os navegadores.
Considerando as emergências comunicativas do mundo moderno, a carta tornou-se um gênero menos usual e,
aos poucos, substituído por outros gêneros, como, por exemplo, o e-mail.
A sequência descritiva também pode se apresentar de forma esquemática em alguns gêneros, como podemos
ver no cardápio a seguir:
Disponível em: https://g1.globo.com/sp/sorocaba-jundiai/noticia/2020/07/12/filha-de-dono-de-cantina-faz-desenhos-para-divulgar-cardapio-e-
ajudar-o-pai-a-vender-na-web.ghtml. Acesso em: 30 ago. 2021.
LÍ
N
G
U
A
P
O
RT
U
G
U
ES
A
19
Note que há a presença de muitos adjetivos, locuções, substantivos, que buscam levar o leitor a imaginar o
objeto descrito. O gênero mostrado apresenta a descrição das refeições (pão, croissant, feijão, carne etc.) com uso
de adjetivos ou locuções adjetivas (de queijo, doce, salgado, com calabresa, moída etc.). Ele está organizado de
forma esquematizada em seções (salgados, lanches, caldos e panquecas) de maneira a facilitar a leitura (o pedido,
no caso) do cliente.
Expositivo
O texto expositivo visa a apresentar fatos e ideias a fim de deixar explícito o tema principal do texto. Nesse tipo
textual, é muito comum a presença de dados, informações científicas e citações diretas e indiretas que servem
para embasar o assunto tratado pelo texto. Para ilustrar essa explicação, veja o exemplo a seguir:
Disponível em: https://www.boavontade.com/pt/ecologia/infografico-dados-mostram-panorama-mundial-da-situacao-da-agua/2016. Acesso
em: 30 ago. 2021. Adaptado.
20
O infográfico mostrado apresenta informações
pertinentes sobre o panorama mundial da situação
da água no ano de 2016. O gênero foi construído com
o objetivo de deixar o leitor informado a respeito do
tema abordado. Para isso, o autor dispõe, além de lin-
guagem compreensível e objetiva, de recursos visuais
para atingir o objetivo.
É importante destacarque os textos expositivos
podem, muitas vezes, ser confundidos com textos
argumentativos, uma vez que existem textos argu-
mentativos que são classificados como expositivos,
pois utilizam exemplos e fatos para fundamentar uma
argumentação.
Dica
Atente-se a esta importante diferença entre
as sequências expositiva e argumentativa: a
argumentativa apresenta uma opinião pessoal,
enquanto a expositiva não abre margem para a
argumentação, já que o fato exposto é apresen-
tado como dado, ou seja, o conhecimento sobre
uma questão não é posto em debate — apresen-
ta-se um conceito e expõem-se as característi-
cas desse conceito sem espaço para opiniões.
Marcas linguísticas do texto expositivo:
z Apresenta informações sobre algo ou alguém —
presença de verbos de estado;
z Presença de adjetivos, locuções e substantivos que
organizam a informação;
z Desenvolve-se mediante uso de recursos enumerativos;
z Presença de figuras de linguagem como metáfora
e comparação;
z Pode apresentar um pensamento contrastivo ao
final do texto.
Os textos expositivos são comuns em gêneros cien-
tíficos ou que desencadeiam algum aspecto de curiosi-
dade nos leitores, como no exemplo a seguir:
VEJA 10 MULHERES INVENTORAS QUE REVOLUCIONARAM O
MUNDO
08/03/2015 07h43 - Atualizado em 08/03/2015 07h43
Hedy Lamarr - conexão wireless
Além de atriz de Hollywood, famosa pelo longa “Ecstasy”
(1933), a austríaca naturalizada norte-americana Hedy Lamarr
foi a inventora de uma tecnologia que permitia controlar torpe-
dos à distância, durante a Segunda Guerra Mundial, alterando
rapidamente os canais de frequência de rádio para que não
fossem interceptados pelo inimigo. Esse conceito de trans-
missão acabou, mais tarde, permitindo o desenvolvimento de
tecnologias como o Wi-Fi e o Bluetooth.
Disponível em: https://glo.bo/2Jgh4Cj Acesso em: 30 ago. 2021.
Adaptado.
Instrucional ou Injuntivo
O tipo textual instrucional ou injuntivo é carac-
terizado por estabelecer um “propósito autônomo”2
que busca convencer o leitor a realizar alguma tarefa.
Esse tipo textual é predominante em gêneros como
bula de remédio, tutoriais na internet, horóscopos e
manuais de instrução.
2 CAVALCANTE, 2013, p. 73.
A principal marca linguística dessa tipologia é a
presença de verbos conjugados no modo imperati-
vo e também em sua forma infinitiva. Isso se deve
ao fato de essa tipologia buscar persuadir o leitor e
levá-lo a realizar as ações mencionadas pelo gênero.
Para que possamos identificar corretamente essa
tipologia textual, faz-se necessário observar um gêne-
ro textual que apresente esse tipo de texto, como o
exemplo a seguir:
Como faço para criar uma conta do Instagram?
Aplicativo do Instagram para Android e iPhone:
1. Baixe o aplicativo do Instagram na App Store (iPhone) ou
Google Play Store (Android).
2. Depois de instalar o aplicativo, toque em para abri-lo.
3. Toque em Cadastrar-se com e-mail ou número de telefone
(Android) ou Criar nova conta (iPhone) e insira seu endereço
de e-mail ou número de telefone (que exigirá um código de
confirmação), toque em Avançar. Também é possível tocar em
Entrar com o Facebook para se cadastrar com sua conta do
Facebook.
4. Se você se cadastrar com o e-mail ou número de telefone,
crie um nome de usuário e uma senha, preencha as informa-
ções do perfil e toque em Avançar. Se você se cadastrar com o
Facebook, será necessário entrar na conta do Facebook, caso
tenha saído dela.
Disponível em: https://www.facebook.com/help/instagram/. Acesso
em: 30 ago. 2021. Adaptado.
No exemplo dado, podemos destacar a presença de
verbos conjugados no modo imperativo, como baixe,
toque, crie, além de muitos verbos no infinitivo, como
instalar, cadastrar, avançar. Outra característica dos
textos injuntivos é a enumeração de passos a serem
cumpridos para a realização correta da tarefa ensina-
da e também a fim de tornar a leitura mais didática.
Argumentativo
O tipo textual argumentativo é sem dúvidas o mais
complexo e, por vezes, pode apresentar maior dificul-
dade na identificação, bem como em sua análise.
O texto argumentativo tem por objetivo a defesa
de um ponto de vista, portanto, envolve a defesa
de uma tese e a apresentação de argumentos que
visam sustentar essa tese. Alguns exemplos de tex-
tos argumentativos são artigos, monografias, ensaios
científicos e filosóficos, dentre outros.
Outro aspecto importante dos textos argumentati-
vos é que eles são compostos por estruturas linguís-
ticas conhecidas como operadores argumentativos,
que organizam as orações subordinadas, estruturas
mais comuns nesse tipo textual.
A seguir, apresentamos um quadro sintético com
algumas estruturas linguísticas que funcionam como
operadores argumentativos e que facilitam a escrita e
a leitura de textos argumentativos:
OPERADORES ARGUMENTATIVOS
É incontestável que...
Tal atitude é louvável / repudiável / notável...
É mister / é fundamental / é essencial...
LÍ
N
G
U
A
P
O
RT
U
G
U
ES
A
21
Observe o exemplo a seguir:
“O governo gasta, todos os anos, bilhões de reais
no tratamento das mais diversas doenças relacio-
nadas ao tabagismo; os ganhos com os impostos
nem de longe compensam o dinheiro gasto com
essas doenças. Além disso, as empresas têm gran-
des prejuízos por causa de afastamentos de tra-
balhadores devido aos males causados pelo fumo.
Portanto, é mister que sejam proibidas quaisquer
propagandas de cigarros em todos os meios de
comunicação.”
Disponível em: http://educacao.globo.com/portugues/assunto/
texto-argumentativo/argumentacao.html. Acesso em: 30 ago. 2021.
Adaptado.
Essas estruturas, quando utilizadas adequadamen-
te no texto argumentativo, expõem a opinião do autor,
ajudando na defesa de seu ponto de vista e construin-
do a estrutura argumentativa desse tipo textual.
ORTOGRAFIA OFICIAL
A ortografia é o ramo que estuda a variedade for-
mal da escrita das palavras. Veja, por meio de algu-
mas regras, como acabar com suas dúvidas e escrever
corretamente.
Emprego do X e do CH
O “X” é utilizado:
z Após os ditongos (encontro de duas vogais).
Ex.: peixe, faixa, caixa, ameixa, queixo, baixo,
encaixe, paixão, frouxo
Exceção: recauchutar (e seus derivados) e caucho;
z Após as sílabas “en” e “me”.
Ex.: enxada, enxame, enxaqueca, enxergar, enxu-
gar, mexerica, mexilhão, mexer, mexicano, enxovalho.
Algumas palavras formadas por prefixação (pre-
fixo “en” + radical) são escritas com “ch” (enchente,
encharcar etc.).
Exceção: mecha (de cabelo);
z Em palavras de origem indígena e africana e pala-
vras inglesas aportuguesadas.
Ex.: xampu, xerife, xará, xingar, xavante;
Outras palavras escritas com “X”: bexiga, laxativo,
caxumba, xenofobia, xícara, xarope, lixo, capixaba,
xereta, faxina, maxixe, bruxa, relaxar, roxo, graxa,
puxar, rixa.
Algumas palavras com “CH”: chicória, ficha, chi-
marrão, churrasco, chinelo, chicote, cachimbo, fanto-
che, penacho, broche, salsicha, apetrecho, bochecha,
brecha, pechincha, inchar, flecha, chute, deboche,
mochila, pichar, lincha, fechar, fachada, comichão,
chuchu, charque, cochicho.
z Há, ainda, algumas palavras homófonas, que
podem ser escritas das duas formas, porém têm
significados diferentes. Veja algumas:
� Brocha (pequeno prego);
� Broxa (pincel para caiação de paredes);
� Chá (planta para preparo de bebida);
� Xá (título do antigo soberano do Irã);
� Chalé (casa campestre de estilo suíço);
� Xale (cobertura para os ombros);
� Chácara (propriedade rural);
� Xácara (narrativa popular em versos);
� Cheque (ordem de pagamento);
� Xeque (jogada do xadrez).
Emprego do C, Ç, S e SS
Por possuírem o mesmo som, o uso de C, Ç, S e SS
costuma causar bastante confusão. Porém, existem
algumas regrinhas que nos ajudam a saber quando
usar cada uma das letras. Veja:
z O C só é usado com valor de “s” com as vogais “e”
e “i”:
Ex.: acém, ácido, aceso, macio.
z Com as vogais “o” e “u”, usa-se Ç:
Ex.: Açougue, açúcar, caçula.
z Em início de palavras, o Ç e oSS não são usados.
O “S” inicia palavras quando seguido de qualquer
uma das vogais:
Ex.: Sapato, segurança, situação, solteiro, sucesso.
z O “C” inicia palavras (possuindo o mesmo som de
“S”) apenas com as vogais “e” e “i”:
Ex.: Cenoura, cela, cigarro, cinema.
z O “S” tem sempre som de /z/ quando está entre
vogais. Sendo assim, palavras compostas deriva-
das de uma palavra com “S” no início passam a ser
escritas com “SS”, mantendo o som de /s/:
Ex.: Sala – Antessala / Sol – Girassol / Seguir
– Prosseguir.
z O “SS” é utilizado somente entre vogais:
Ex.: Passagem, pessoa, posse, possível.
Emprego do C e QU
É comum encontrarmos algumas palavras que
nos colocam na dúvida: usar C ou QU? Pois existem
palavras que podem ser escritas tanto de uma forma,
como de outra. Veja:
Ex.: Catorze / quatorze; cociente / quociente; coti-
diano / quotidiano; cotizar / quotizar.
As seguintes palavras só podem ser escritas de
uma forma:
Cinquenta, cinquentenário, cinquentão, cinquentona.
Emprego do K, W e Y
Símbolos e siglas
z Kg – quilograma;
22
z Km – quilômetro;
z k – potássio;
z Nomes próprios e seus derivados originados de
língua estrangeira:
Ex.: Kelly, Darwin, Wilson, darwinismo;
z Palavras estrangeiras não adaptadas para o
português:
Ex.: Feedback, hardware, hobby.
Emprego do G e do J
O “G” é utilizado em:
z Palavras terminadas em “–io”;
Ex.: Estágio, relógio, refúgio, presságio;
z Substantivos terminados em “–em”;
Ex.: ferrugem, carruagem, passagem, viagem.
O “J” é utilizado em:
z Palavras de origem indígena: Pajé, canjica,
jerimum.
z Palavras de origem africana: Jiló, jagunço, jabá.
É importante saber:
z A conjugação do verbo “viajar”, no Presente do
Subjuntivo, escreve-se com j: Que eles(as) viajem.
z Verbos no infinitivo escritos com “G” antes de “e”
ou “i” têm o “G” substituído por “J” em algumas fle-
xões, para manter o mesmo som:
Afligir: aflija, aflijo;
Agir: ajam, ajo;
Eleger: elejam, elejo.
ACENTUAÇÃO GRÁFICA
Os acentos gráficos da língua portuguesa são o
agudo (´), grave/crase (`) e circunflexo (^). Vale ressal-
tar que a trema ( ¨ ) teve seu uso na língua portuguesa
abolido após o Novo Acordo Ortográfico, então, muito
cuidado para não se esquecer desse detalhe.
Esses sinais podem indicar a sílaba tônica das
palavras, isto é, a sílaba mais forte pronunciada com
maior intensidade. Veja: Espírito, simpática, vovô.
z O acento agudo (´) indica-nos uma sílaba tônica
com som mais aberto, como na palavra “simpáti-
ca”, que vimos acima. Outro exemplo é a palavra
“sábio”;
z O circunflexo (^), ao contrário, indica sílaba tôni-
ca mais fechada. Veja algumas palavras: câncer,
bambolê, lâmpada;
z A crase (`), marcada pelo acento grave, de manei-
ra geral, é utilizada para fazer a junção de duas
vogais “a”, quando em uma frase a preposição é
contraída com o artigo. Veremos com mais profun-
didade sua aplicação mais à frente.
REGRAS DE ACENTUAÇÃO
Há na língua portuguesa algumas regras de acen-
tuação das palavras segundo a sua classificação quan-
to à tonicidade, e é importante conhecê-las para não
cometer enganos na hora da escrita. São elas:
z Monossílabas: Acentuam-se os monossílabos tôni-
cos terminados em: A, E, O. Ex.: pá, vá, chá; pé, fé,
mês; nó, pó, só.
z Oxítonas: São acentuadas as oxítonas terminadas em:
� a(s): sofá, sofás;
� e(s): jacaré, vocês;
� o(s): paletó, avôs;
� em, ens: armazém, armazéns.
z Paroxítonas (penúltima sílaba tônica): São acen-
tuadas quando terminam em:
� “L”: fácil, portátil;
� “N”: pólen, hífen;
� “R”: cadáver, poliéster;
� “PS”: bíceps;
� “X”: tórax;
� “US”: vírus;
� “I, IS”: júri, lápis;
� “OM”, “ONS”: iândom, íons;
� “UM”, “UNS”: álbum, álbuns;
� “Ã(S)”, “ÃO(S)”: órfã, órfãs, órfão, órfãos;
� Ditongo oral: jóquei, túneis.
Existem algumas observações/exceções a serem
feitas a respeito da acentuação das paroxítonas:
� Os prefixos terminados em “i” e “r” não são
acentuados.
Ex.: Semi-, super-, hiper-;
� Paroxítonas terminadas em ditongos crescentes
(ea, oa, eo, ua, ia, eu, ie, uo, io) recebem acento.
Ex.: Mágoas, tênue, férias, ingênuo.
z Proparoxítonas (antepenúltima sílaba tônica):
São sempre acentuadas graficamente.
Ex.: trágico, árvore, mármore;
Antes de concluir, é importante mencionar o uso
do acento nas formas verbais “ter” e “vir”:
Ele tem / Eles têm
Ele vem / Eles vêm
Perceba que, no plural, essas formas requerem
o uso do acento (^). Atente-se à concordância verbal
quando usar esses verbos.
EMPREGO DAS CLASSES DE
PALAVRAS
ARTIGOS
Os artigos devem concordar em gênero e número
com os substantivos. São, por isso, considerados deter-
minantes dos substantivos.
LÍ
N
G
U
A
P
O
RT
U
G
U
ES
A
23
Essa classe está dividida em artigos definidos e
artigos indefinidos. Os definidos funcionam como
determinantes objetivos, individualizando a palavra,
já os indefinidos funcionam como determinantes
imprecisos.
O artigo definido — o — e o artigo indefinido —
um — variam em gênero e número, tornando-se “os,
a, as”, para os definidos, e “uns, uma, umas”, para os
indefinidos. Assim, temos:
z Artigos definidos: o, os; a, as;
z Artigos indefinidos: um, uns; uma, umas.
Os artigos podem ser combinados às preposições.
São as chamadas contrações. Algumas contrações
comuns na língua são:
z em + a = na;
z a + o = ao;
z a + a = à;
z de + a = da.
Dica
Toda palavra determinada por um artigo torna-
-se um substantivo. Ex.: o não, o porquê, o cuidar
etc.
NUMERAIS
São palavras que se relacionam diretamente ao
substantivo, inferindo ideia de quantidade ou posi-
ção. Os numerais podem ser:
z Cardinais: Indicam quantidade em si. Ex.: Dois
potes de sorvete; zero coisas a comprar; ambos os
meninos eram bons em português;
z Ordinais: Indicam a ordem de sucessão de uma
série. Ex.: Foi o segundo colocado do concurso; che-
gou em último/penúltimo/antepenúltimo lugar;
z Multiplicativos: Indicam o número de vezes pelo
qual determinada quantidade é multiplicada. Ex.:
Ele ganha o triplo no novo emprego;
z Fracionários: Indicam frações, divisões ou dimi-
nuições proporcionais em quantidade. Ex.: Tomou
um terço de vinho; o copo estava meio cheio; ele
recebeu metade do pagamento.
Podemos encontrar ainda os numerais coletivos,
isto é, designam um conjunto, porém expressam uma
quantidade exata de seres/conceitos. Veja:
Dúzia: conjunto de doze unidades;
Novena: período de nove dias;
Década: período de dez anos;
Século: período de cem anos;
Bimestre: período de dois meses.
Um: numeral ou artigo?
A forma um pode assumir na língua a função de
artigo indefinido ou de numeral cardinal; então, como
podemos reconhecer cada função? É preciso observar
o contexto em uso. Observe:
z Durante a votação, houve um deputado que se
posicionou contra o projeto.
z Durante a votação, apenas um deputado se posi-
cionou contra o projeto.
Na primeira frase, podemos substituir o termo um
por uma, realizando as devidas alterações sintáticas, e
o sentido será mantido, pois o que se pretende defen-
der é que a espécie do indivíduo que se posicionou
contra o projeto é um deputado e não uma deputada,
por exemplo.
Já na segunda oração, a alteração do gênero não
implicaria em mudanças no sentido, pois o que se
pretende indicar é que o projeto foi rejeitado por UM
deputado, marcando a quantidade.
Outra forma de notarmos a diferença é ficarmos
atentos com a aparição das expressões adverbiais, o
que sempre fará com que a palavra “um” seja numeral.
Ainda sobre os numerais, atente-se às dicas a
seguir:
z Sobre o numeral milhão/milhares, é importante
destacar que sua forma é masculina. Logo, a con-
cordância com palavras femininas é inaceitável
pela gramática.
Errado: As milhares de vacinas chegaram hoje.
Correto: Os milhares de vacina chegaram hoje.
z A forma 14 por extenso apresenta duas formas
aceitas pela norma gramatical: catorze e quatorze.
SUBSTANTIVOS
Os substantivos classificam os seres em geral.Uma
característica básica dessa classe é admitir um deter-
minante — artigo, pronome etc. Os substantivos fle-
xionam-se em gênero, número e grau.
Tipos de Substantivos
A classificação dos substantivos admite nove tipos
diferentes. São eles:
z Simples: Formados a partir de um único radical.
Ex.: vento, escola;
z Composto: Formados pelo processo de justaposi-
ção. Ex.: couve-flor, aguardente;
z Primitivo: Possibilitam a formação de um novo
substantivo. Ex.: pedra, dente;
z Derivado: Formados a partir dos derivados. Ex.:
pedreiro, dentista;
z Concreto: Designam seres com independência
ontológica, ou seja, um ser que existe por si, inde-
pendentemente de sua conotação espiritual ou
real. Ex.: Maria, gato, Deus, fada, carro;
z Abstrato: Indicam estado, sentimento, ação, qua-
lidade. Os substantivos abstratos existem apenas
em função de outros seres. A feiura, por exemplo,
depende de uma pessoa, um substantivo concreto
a quem esteja associada. Ex.: chute, amor, cora-
gem, liberalismo, feiura;
z Comum: Designam todos os seres de uma espécie.
Ex.: homem, cidade;
z Próprio: Designam uma determinada espécie. Ex.:
Pedro, Fortaleza;
z Coletivo: Usados no singular, designam um conjun-
to de uma mesma espécie. Ex: pinacoteca, manada.
É importante destacar que a classificação de um
substantivo depende do contexto em que ele está inse-
rido. Vejamos:
24
Judas foi um apóstolo. (Judas como nome de uma
pessoa = Próprio);
O amigo mostrou-se um judas (judas significando
traidor = comum).
Flexão de Gênero
Os gêneros do substantivo são masculino e
feminino.
Porém, alguns deles admitem apenas uma forma
para os dois gêneros. São, por isso, chamados de uni-
formes. Os substantivos uniformes podem ser:
z Comuns-de-dois-gêneros: Designam seres huma-
nos e sua diferença é marcada pelo artigo. Ex.: O
pianista / a pianista; O gerente / a gerente; O clien-
te / a cliente; O líder / a líder;
z Epicenos: Designam geralmente animais que
apresentam distinção entre masculino e feminino,
mas a diferença é marcada pelo uso do adjetivo
macho ou fêmea. Ex.: cobra macho / cobra fêmea;
onça macho / onça fêmea; gambá macho / gambá
fêmea; girafa macho / girafa fêmea;
z Sobrecomuns: Designam seres de forma geral e
não são distinguidos por artigo ou adjetivo; o gêne-
ro pode ser reconhecido apenas pelo contexto. Ex.:
A criança; O monstro; A testemunha; O indivíduo.
Já os substantivos biformes designam os substan-
tivos que apresentam duas formas para os gêneros
masculino ou feminino. Ex.: professor/professora.
Destacamos que alguns substantivos apresentam
formas diferentes nas terminações para designar for-
mas diferentes no masculino e no feminino:
Ex.: Ator/atriz; Ateu/ ateia; Réu/ré.
Outros substantivos modificam o radical para
designar formas diferentes no masculino e no femini-
no. Estes são chamados de substantivos heteroformes:
Ex.: Pai/mãe; Boi/vaca; Genro/nora.
Gênero e Significação
Alguns substantivos uniformes podem aparecer
com marcação de gênero diferente, ocasionando uma
modificação no sentido. Veja, por exemplo:
z A testemunha: Pessoa que presenciou um crime;
z O testemunho: Relato de experiência, associado a
religiões.
Algumas formas substantivas mantêm o radical e
a pequena alteração no gênero do artigo interfere no
significado:
z O cabeça: chefe / a cabeça: membro o corpo;
z O moral: ânimo / a moral: costumes sociais;
z O rádio: aparelho / a rádio: estação de transmissão.
Além disso, algumas palavras na língua causam
dificuldade na identificação do gênero, pois são usa-
das em contextos informais com gêneros diferentes.
Alguns exemplos são: a alface; a cal; a derme; a libido;
a gênese; a omoplata / o guaraná; o formicida; o tele-
fonema; o trema.
Algumas formas que não apresentam, necessaria-
mente, relação com o gênero, são admitidas tanto no
masculino quanto no feminino: O personagem / a per-
sonagem; O laringe / a laringe; O xerox / a xerox.
Flexão de Número
Os substantivos flexionam-se em número, de
maneira geral, pelo acréscimo do morfema -s. Ex.:
Casa / casas.
Porém, podem apresentar outras terminações:
males, reais, animais, projéteis etc.
Geralmente, devemos acrescentar -es ao singular
das formas terminadas em R ou Z, como: flor / flores;
paz / pazes. Porém, há exceções, como a palavra mal,
terminada em L e que tem como plural “males”.
Já os substantivos terminados em AL, EL, OL, UL
fazem plural trocando-se o L final por -is. Ex.: coral /
corais; papel / papéis; anzol / anzóis.
Entretanto, também há exceções. Ex.: a forma
mel apresenta duas formas de plural aceitas: meles
e méis.
Geralmente, as palavras terminadas em -ão fazem
plural com o acréscimo do -s ou pelo acréscimo de -es.
Ex.: capelães, capitães, escrivães.
Contudo, há substantivos que admitem até três
formas de plural, como os seguintes:
z Ermitão: ermitãos, ermitões, ermitães;
z Ancião: anciãos, anciões, anciães;
z Vilão: vilãos, vilões, vilães.
Podemos, ainda, associar às palavras paroxítonas
que terminam em -ão o acréscimo do -s. Ex.: órgão /
órgãos; órfão / órfãos.
Plural dos Substantivos Compostos
Os substantivos compostos são aqueles formados
por justaposição. O plural dessas formas obedece às
seguintes regras:
z Variam os Dois Elementos:
Substantivo + substantivo. Ex.: mestre-sala / mes-
tres -salas;
Substantivo + adjetivo. Ex.: guarda-noturno / guar-
das -noturnos;
Adjetivo + substantivo. Ex.: boas-vindas;
Numeral + substantivo. Ex.: terça-feira / terças
-feiras.
z Varia Apenas um Elemento:
Substantivo + preposição + substantivo. Ex.:
canas-de-açúcar;
Substantivo + substantivo com função adjetiva.
Ex.: navios-escola.
Palavra invariável + palavra invariável. Ex.:
abaixo-assinados.
Verbo + substantivo. Ex.: guarda-roupas.
Redução + substantivo. Ex.: bel-prazeres.
Destacamos, ainda, que os substantivos compostos
formados por
verbo + advérbio
verbo + substantivo plural
ficam invariáveis. Ex.: Os bota-fora; os saca-rolha.
Variação de Grau
A flexão de grau dos substantivos exprime a varia-
ção de tamanho dos seres, indicando um aumento ou
uma diminuição.
LÍ
N
G
U
A
P
O
RT
U
G
U
ES
A
25
z Grau aumentativo: Quando o acréscimo de sufi-
xos aos substantivos indicar um aumento de
tamanho.
Ex.: bocarra, homenzarrão, gatarrão, cabeçorra,
fogaréu, boqueirão, poetastro;
z Grau diminutivo: Exprime, ao contrário do
aumentativo, a diminuição do tamanho/proporção
do ser.
Ex.: fontinha, lobacho, casebre, vilarejo, saleta,
pequenina, papelucho.
Dica
O emprego do grau aumentativo ou diminutivo
dos substantivos pode alterar o sentido das pala-
vras, podendo assumir um valor:
Afetivo: filhinha / mãezona;
Pejorativo: mulherzinha / porcalhão.
O Novo Acordo Ortográfico e o Uso de Maiúsculas
O novo acordo ortográfico estabelece novas regras
para o uso de substantivos próprios, exigindo o uso da
inicial maiúscula.
Dessa forma, devemos usar com letra maiúscula as
inicias das palavras que designam:
z Nomes, sobrenomes e apelidos de pessoas
reais ou imaginárias. Ex.: Gabriela, Silva, Xuxa,
Cinderela;
z Nomes de cidades, países, estados, continentes
etc., reais ou imaginários. Ex.: Belo Horizonte,
Ceará, Nárnia, Londres;
z Nomes de festividades. Ex.: Carnaval, Natal, Dia
das Crianças;
z Nomes de instituições e entidades. Ex.: Embai-
xada do Brasil, Ministério das Relações Exteriores,
Gabinete da Vice-presidência, Organização das
Nações Unidas;
z Títulos de obras. Ex.: Memórias póstumas de Brás
Cubas. Caso a obra apresente em seu título um
nome próprio, como no exemplo dado, este tam-
bém deverá ser escrito com inicial maiúscula;
z Nomenclatura legislativa especificada. Ex.: Lei
de Diretrizes e Bases da Educação (LDB);
z Períodos e eventos históricos. Ex.: Revolta da
Vacina, Guerra Fria, Segunda Guerra Mundial;
z Nome dos pontos cardeais e equivalentes. Ex.:
Norte, Sul, Leste, Oeste, Nordeste, Sudeste, Oriente,
Ocidente. Importante: os pontos cardeais são gra-
fados com maiúsculasapenas quando utilizados
indicando uma região. Ex.: Este ano vou conhecer
o Sul (O Sul do Brasil); quando utilizados indican-
do uma direção, devem ser escritos com minúscu-
las. Ex.: Correu a América de norte a sul;
z Siglas, símbolos ou abreviaturas. Ex.: ONU, INSS,
Unesco, Sr., S (Sul), K (Potássio).
Atente-se ao seguinte: Em palavras com hífen,
pode-se optar pelo uso de maiúsculas ou minúsculas.
Portanto, são aceitas as formas Vice-Presidente, Vice-
-presidente e vice-presidente; porém, é preciso man-
ter a mesma forma em todo o texto. Já nomes próprios
compostos por hífen devem ser escritos com as iniciais
maiúsculas, como em Grã-Bretanha e Timor-Leste.
ADJETIVOS
Os adjetivos associam-se aos substantivos, garan-
tindo a estes um significado mais preciso. Os adjetivos
podem indicar:
z Qualidade: professor chato;
z Estado: aluno triste;
z Aspecto, aparência: estrada esburacada.
Locuções Adjetivas
As locuções adjetivas apresentam o mesmo valor
dos adjetivos, indicando as mesmas características
deles.
Elas são formadas por preposição + substantivo,
referindo-se a outro substantivo ou expressão subs-
tantivada, atribuindo-lhe o mesmo valor adjetivo.
A seguir, colocamos diferentes locuções adjeti-
vas ao lado da forma adjetiva, importantes para seu
estudo:
z Voo de águia / aquilino;
z Poder de aluno / discente;
z Conselho de professores / docente;
z Cor de chumbo / plúmbea;
z Luz da lua / lunar;
z Sangue de baço / esplênico;
z Nervo do intestino / celíaco ou entérico;
z Noite de inverno / hibernal ou invernal.
É importante destacar que, mais do que “decorar”
formas adjetivas e suas respectivas locuções, é fun-
damental reconhecer as principais características de
uma locução adjetiva: caracterizar o substantivo e
apresentar valor de posse.
Ex.: Viu o crime pela abertura da porta;
A abertura de conta pode ser realizada on-line.
Quando a locução adjetiva é composta pela prepo-
sição “de”, pode ser confundida com a locução adver-
bial. Nesse caso, para diferenciá-las, é importante
perceber que a locução adjetiva apresenta valor de
posse, pois, nesse caso, o meio usado pelo sujeito para
ver “o crime”, indicado na frase, foi pela abertura da
porta. Além disso, a locução destacada está caracteri-
zando o substantivo “abertura”.
Já na segunda frase, a locução destacada é adver-
bial, pois quem sofre a “ação” de ser aberta é a “con-
ta”, o que indica o valor de passividade da locução,
demonstrando seu caráter adverbial.
As locuções adjetivas também desempenham fun-
ção de adjetivo e modificam substantivos, pronomes,
numerais e orações substantivas.
Ex.: Amor de mãe; Café com açúcar.
Subst. — loc. adj. / subst. — loc. adj.
Já as locuções adverbiais desempenham função de
advérbio. Modificam advérbios, verbos, adjetivos e
orações adjetivas com esses valores.
Ex.: Morreu de fome; Agiu com rapidez.
Verbo — loc. adv. / verbo — loc. adv.
Adjetivo de Relação
No estudo dos adjetivos, é fundamental conhecer
o aspecto morfológico designado como “adjetivo de
relação”, muito cobrado por bancas de concursos.
Para identificar um adjetivo de relação, observe as
seguintes características:
26
z Seu valor é objetivo, não podendo, portanto, apre-
sentar meios de subjetividade. Ex.: Em “Menino
bonito”, o adjetivo não é de relação, já que é sub-
jetivo, pois a beleza do menino depende dos olhos
de quem o descreve;
z Posição posterior ao substantivo: Os adjetivos de
relação sempre são posicionados após o substanti-
vo. Ex.: Casa paterna, mapa mundial.
z Derivado do substantivo: Derivam-se do substan-
tivo por derivação prefixal ou sufixal. Ex.: paternal
— pai; mundial — mundo;
z Não admitem variação de grau: os graus com-
parativo e superlativo não são admitidos. Ex.:
Não pode ser mapa “mundialíssimo” ou “pouco
mundial”.
Alguns exemplos de adjetivos relativos: Presiden-
te americano (não é subjetivo; posicionado após o
substantivo; derivado de substantivo; não existe a
forma variada em grau “americaníssimo”); platafor-
ma petrolífera; economia mundial; vinho francês;
roteiro carnavalesco.
Variação de Grau
O adjetivo pode variar em dois graus: compara-
tivo ou superlativo. Cada um deles apresenta suas
respectivas categorias.
z Grau comparativo: Exprime a característica de
um ser, comparando-o com outro da mesma classe
nos seguintes sentidos:
� Igualdade: Compara elementos colocando-os
em um mesmo patamar. Igual a, como, tanto
quanto, tão quanto. Ex.: Somos tão complexos
quanto simplórios;
� Superioridade: Compara, evidenciando um
elemento como superior ao outro. Mais do que,
melhor do que. Ex.: O amor é mais suficiente
do que o dinheiro;
� Inferioridade: Compara, evidenciando um ele-
mento como inferior ao outro. Menos do que,
pior do que. Ex.: Homens são menos engajados
do que mulheres.
z Grau superlativo: Em relação ao grau superlati-
vo, é importante considerar que o valor semântico
desse grau apresenta variações, podendo indicar:
� Característica de um ser elevada ao último
grau: Superlativo absoluto, que pode ser analí-
tico (associado ao advérbio) ou sintético (asso-
ciação de prefixo ou sufixo ao adjetivo).
Ex.: O candidato é muito humilde (Superlativo
absoluto analítico).
O candidato é humílimo (Superlativo absoluto
sintético);
� Característica de um ser relacionada com
outros indivíduos da mesma classe: Superla-
tivo relativo, que pode ser de superioridade (o
mais) ou de inferioridade (o menos).
Ex.: O candidato é o mais humilde dos concorren-
tes? (Superlativo relativo de superioridade).
O candidato é o menos preparado entre os con-
correntes à prefeitura (Superlativo relativo de
inferioridade).
Importante! Ao compararmos duas qualidades de
um mesmo ser, devemos empregar a forma analítica
(mais alta, mais magra, mais bonito etc.).
Ex.: A modelo é mais alta que magra.
Porém, se uma mesma característica referir-se
a seres diferentes, empregamos a forma sintética
(melhor, pior, menor etc.).
Ex.: Nossa sala é menor que a sala da diretoria.
Formação dos Adjetivos
Os adjetivos podem ser primitivos, derivados,
simples ou compostos.
z Primitivos: Adjetivos que não derivam de outras
palavras. A partir deles, é possível formar novos
termos. Ex.: útil, forte, bom, triste, mau etc.;
z Derivados: São palavras que derivam de verbos
ou substantivos. Ex.: bondade, lealdade, mulhe-
rengo etc.;
z Simples: Apresentam um único radical. Ex.: por-
tuguês, escuro, honesto etc.;
z Compostos: Formados a partir da união de dois ou
mais radicais. Ex.: verde-escuro, luso-brasileiro,
amarelo-ouro etc.
Dica
O plural dos adjetivos simples é realizado da
mesma forma que o plural dos substantivos.
Plural dos Adjetivos Compostos
O plural dos adjetivos compostos segue as seguin-
tes regras:
z Invariável:
� Adjetivos compostos por azul-marinho, azul-ce-
leste, azul-ferrete;
� Locuções formadas de cor + de + substantivo,
como em cor-de-rosa, cor-de-cáqui;
� Adjetivo + substantivo, como tapetes azul-tur-
quesa, camisas amarelo-ouro.
z Varia o Último Elemento:
� Primeiro elemento é palavra invariável, como
em mal-educados, recém-formados;
� Adjetivo + adjetivo, como em lençóis verde-cla-
ros, cabelos castanho-escuros.
Adjetivos Pátrios
Os adjetivos pátrios, também conhecidos como
gentílicos, designam a naturalidade ou nacionalidade
de seres e objetos.
O sufixo -ense, geralmente, designa a origem de
um ser relacionada a um estado brasileiro. Ex.: ama-
zonense, fluminense, cearense.
Curiosidade: O adjetivo pátrio “brasileiro” é for-
mado com o sufixo -eiro, que é costumeiramente usa-
do para designar profissões. O gentílico que designa
nossa nacionalidade teve origem com as pessoas que
comercializavam o pau-brasil; esse ofício dava-lhes a
alcunha de “brasileiros”, termo que passou a indicar
os nascidos em nosso país.
LÍ
N
G
U
A
P
O
RT
U
G
U
ES
A
27
Veja a seguir alguns dos adjetivos pátrios de nosso país:
ADVÉRBIOS
Advérbios são palavras invariáveis que modificam um verbo,adjetivo ou outro advérbio. Em alguns casos, os
advérbios também podem modificar uma frase inteira, indicando circunstância.
As gramáticas da língua portuguesa apresentam listas extensas com as funções dos advérbios; porém, decorar
as funções dos advérbios, além de desgastante, pode não ter o resultado esperado na resolução de questões de
concurso.
Dessa forma, sugerimos que você fique atento às principais funções designadas aos advérbios para, a partir
delas, conseguir interpretar a função exercida nos enunciados das questões que tratem dessa classe de palavras.
Ainda assim, julgamos pertinente apresentar algumas funções basilares exercidas pelo advérbio:
z Dúvida: Talvez, caso, porventura, quiçá etc.;
z Intensidade: Bastante, bem, mais, pouco etc.;
z Lugar: Ali, aqui, atrás, lá etc.;
z Tempo: Jamais, nunca, agora etc.;
z Modo: Assim, depressa, devagar etc.
Novamente, chamamos sua atenção para a função que o advérbio deve exercer na oração. Como dissemos,
essas palavras modificam um verbo, um adjetivo ou um outro advérbio; por isso, para identificar com mais pro-
priedade a função denotada pelos advérbios, é preciso perguntar: Como? Onde? Por quê?
28
As respostas sempre irão indicar circunstâncias adverbiais expressas por advérbios, locuções adverbiais ou
orações adverbiais.
Vejamos como podemos identificar a classificação/função adequada dos advérbios:
z O homem morreu... de fome (causa) com sua família (companhia) em casa (lugar) envergonhado (modo).
z A criança comeu... demais (intensidade) ontem (tempo) com garfo e faca (instrumento) às claras (modo).
Locuções Adverbiais
Conjunto de duas ou mais palavras que pode desempenhar a função de advérbio, alterando o sentido de um
verbo, adjetivo ou advérbio.
A maioria das locuções adverbiais é formada por uma preposição e um substantivo. Há também as que são
formadas por preposição + adjetivos ou advérbios. Veja alguns exemplos:
z Preposição + substantivo: de novo. Ex.: Você poderia me explicar de novo? (de novo = novamente);
z Preposição + adjetivo: em breve. Ex.: Em breve, o filme estará em cartaz (em breve = brevemente);
z Preposição + advérbio: por ali. Ex.: Acho que ele foi por ali.
As locuções adverbiais são bem semelhantes às locuções adjetivas. É importante saber que as locuções adver-
biais apresentam um valor passivo.
Ex.: Ameaça de colapso. Nesse exemplo, o termo em negrito é uma locução adverbial, pois o valor é de passi-
vidade, ou seja, se invertemos a ordem e inserirmos um verbo na voz passiva, a frase manterá seu sentido. Veja:
Colapso foi ameaçado. Essa frase faz sentido e apresenta valor passivo, logo, sem o verbo, a locução destaca-
da anteriormente é adverbial.
Ainda sobre esse assunto, perceba que em locuções como esta: “Característica da nação”, o termo destacado
não terá o mesmo valor passivo, pois não aceitará a inserção de um verbo com essa função:
Nação foi característica*. Essa frase quebra a estrutura gramatical da língua portuguesa, que não admite voz
passiva em termos com função de posse (caso das locuções adjetivas). Isso torna tal estrutura agramatical; por
isso, inserimos um asterisco para indicar essa característica.
Dica
Locuções adverbiais apresentam valor passivo.
Locuções adjetivas apresentam valor de posse.
Com essas dicas, esperamos que você seja capaz de diferenciar essas locuções em questões. Buscamos desen-
volver seu aprendizado para que não seja preciso gastar seu tempo decorando listas de locuções adverbiais.
Lembre-se: o sentido está no texto.
Advérbios Interrogativos
Os advérbios interrogativos são, muitas vezes, confundidos com pronomes interrogativos. Para evitar essa
confusão, devemos saber que os advérbios interrogativos introduzem uma pergunta, exprimindo ideia de tempo,
modo ou causa.
Ex.: Como foi a prova?
Quando será a prova?
Onde será realizada a prova?
Por que a prova não foi realizada?
De maneira geral, as palavras como, onde, quando e por que são advérbios interrogativos, pois não substi-
tuem nenhum nome de ser (vivo), exprimindo ideia de modo, lugar, tempo e causa.
Grau do Advérbio
Assim como os adjetivos, os advérbios podem ser flexionados nos graus comparativo e superlativo.
Vejamos as principais mudanças sofridas pelos advérbios quando flexionados em grau:
GRAU COMPARATIVO
NORMAL SUPERIORIDADE INFERIORIDADE IGUALDADE
Bem Melhor (mais bem*) - Tão bem
Mal Pior (mais mal*) - Tão mal
Muito Mais - -
Pouco Menos - -
Obs.: As formas “mais bem” e “mais mal” são aceitas quando acompanham o particípio verbal.
LÍ
N
G
U
A
P
O
RT
U
G
U
ES
A
29
GRAU
SUPERLATIVO
NORMAL ABSOLUTOSINTÉTICO
ABSOLUTO
ANALÍTICO RELATIVO
Bem Otimamente Muito bem Inferioridade
-
Mal Pessimamente Muito mal Superioridade
-
Muito Muitíssimo - Superioridade: o mais
Pouco Pouquíssimo - Superioridade: o menos
Advérbios e Adjetivos
O adjetivo é uma classe de palavras variável. Porém, quando se refere a um verbo, ele fica invariável, confun-
dindo-se com o advérbio.
Nesses casos, para ter certeza de qual é a classe da palavra, basta tentar colocá-la no feminino ou no plural;
caso a palavra aceite uma dessas flexões, será adjetivo.
Ex.: O homem respondeu feliz à esposa.
Os homens responderam felizes às esposas.
Como “feliz” aceitou a flexão para o plural, trata-se de um adjetivo.
Agora, acompanhe o seguinte exemplo:
Ex.: A cerveja que desce redondo.
As cervejas que descem redondo.
Nesse caso, como a palavra continua invariável, trata-se de um advérbio.
Palavras Denotativas
São termos que apresentam semelhança com os advérbios; em alguns casos, são até classificados como tal, mas
não exercem função modificadora de verbo, adjetivo ou advérbio.
Sobre as palavras denotativas, é fundamental saber identificar o sentido a elas atribuído, pois, geralmente, é
isso que as bancas de concurso cobram.
z Eis: Sentido de designação;
z Isto é, por exemplo, ou seja: Sentido de explicação;
z Ou melhor, aliás, ou antes: Sentido de ratificação;
z Somente, só, salvo, exceto: Sentido de exclusão;
z Além disso, inclusive: Sentido de inclusão.
Além dessas expressões, há, ainda, as partículas expletivas ou de realce, geralmente formadas pela forma
ser + que (é que). A principal característica dessas palavras é que elas podem ser retiradas sem causar prejuízo
sintático ou semântico à frase.
Ex.: Eu é que faço as regras / Eu faço as regras.
Outras palavras denotativas expletivas são: lá, cá, não, é porque etc.
Algumas Observações Interessantes
z O adjunto adverbial sempre deve vir posicionado após o verbo ou complemento verbal. Caso venha deslocado,
em geral, separamos por vírgulas. Ex.: Na reunião de ontem, o pedido foi aprovado (O pedido foi aprovado
na reunião de ontem);
z Em uma sequência de advérbios terminados com o sufixo -mente, apenas o último elemento recebe a termi-
nação destacada. Ex.: A questão precisa ser pensada política e socialmente.
PRONOMES
Pronomes são palavras que representam ou acompanham um termo substantivo. Dessa forma, a função dos
pronomes é substituir ou determinar uma palavra. Eles indicam pessoas, relações de posse, indefinição, quanti-
dade, localização no tempo, no espaço e no meio textual, entre outras funções.
Os pronomes exercem papel importante na análise sintática e também na interpretação textual, pois colabo-
ram para a complementação de sentido de termos essenciais da oração, além de estruturar a organização textual,
contribuindo para a coesão e também para a coerência de um texto.
Pronomes Pessoais
Os pronomes pessoais designam as pessoas do discurso. Acompanhe a tabela a seguir, com mais informações
sobre eles:
30
PESSOAS PRONOMES DO CASO RETO PRONOMES DO CASO OBLÍQUO
1ª pessoa do singular Eu Me, mim, comigo
2ª pessoa do singular Tu Te, ti, contigo
3ª pessoa do singular Ele/Ela Se, si, consigoo, a, lhe
1ª pessoa do plural Nós Nos, conosco
2ª pessoa do plural Vós Vos, convosco
3ª pessoa do plural Eles/Elas Se, si, consigoos, as, lhes
Os pronomes pessoais do caso reto costumam substituir o sujeito.Ex.: Pedro é bonito / Ele é bonito.
Já os pronomes pessoais oblíquos costumam funcionar como complemento verbal ou adjunto.
Ex.: Eu a vi com o namorado; Maura saiu comigo.
z Os pronomes que estarão relacionados ao objeto direto são: O, a, os, as, me, te, se, nos, vos. Ex.: Informei-o
sobre todas as questões;
z Já os que se relacionam com o objeto indireto são: Lhe, lhes, (me, te, se, nos, vos – complementados por pre-
posição). Ex.: Já lhe disse tudo (disse tudo a ele).
Lembre-se de que todos os pronomes pessoais são pronomes substantivos.
Além disso, é importante saber que “eu” e “tu” não podem ser regidos por preposição e que os pronomes
“ele(s)”, “ela(s)”, “nós” e “vós” podem ser retos ou oblíquos, dependendo da função que exercem.
Os pronomes oblíquos tônicos são precedidos de preposição e costumam ter função de complemento:
z 1ª pessoa: Mim, comigo (singular); nós, conosco (plural);
z 2ª pessoa: Ti, contigo (singular); vós, convosco (plural);
z 3ª pessoa: Si, consigo (singular ou plural); ele(s), ela(s).
Não devemos usar pronomes do caso reto como objeto ou complemento verbal, como em “mate ele”. Contudo,
o gramático Celso Cunha destaca que é possível usar os pronomes do caso reto como complemento verbal, desde
que antecedidos pelos vocábulos “todos”, “só”, “apenas” ou “numeral”.
Ex.: Encontrei todos eles na festa. Encontrei apenas ela na festa.
Após a preposição “entre”, em estrutura de reciprocidade, devemos usar os pronomes oblíquos tônicos.
Ex.: Entre mim e ele não há segredos.
Pronomes de Tratamento
Os pronomes de tratamento são formas que expressam uma hierarquia social institucionalizada linguistica-
mente. As formas de pronomes de tratamento apresentam algumas peculiaridades importantes:
z Vossa: Designa a pessoa a quem se fala (relativo a 2ª pessoa). Apesar disso, os verbos relacionados a esse pro-
nome devem ser flexionados na 3ª pessoa do singular.
Ex.: Vossa Excelência deve conhecer a Constituição;
z Sua: Designa a pessoa de quem se fala (relativo a 3ª pessoa).
Ex.: Sua Excelência, o presidente do Supremo Tribunal, fará um pronunciamento hoje à noite.
Os pronomes de tratamento estabelecem uma hierarquia social na linguagem, ou seja, a partir das formas
usadas, podemos reconhecer o nível de discurso e o tipo de poder instituídos pelos falantes.
Por isso, alguns pronomes de tratamento só devem ser utilizados em contextos cujos interlocutores sejam
reconhecidos socialmente por suas funções, como juízes, reis, clérigos, entre outras.
Dessa forma, apresentamos alguns pronomes de tratamento, seguidos de sua abreviatura e das funções sociais
que designam:
z Vossa Alteza (V. A.): Príncipes, duques, arquiduques e seus respectivos femininos;
z Vossa Eminência (V. Ema.): Cardeais;
z Vossa Excelência (V. Exa.): Autoridades do governo e das Forças Armadas membros do alto escalão;
z Vossa Majestade (V. M.): Reis, imperadores e seus respectivos femininos;
z Vossa Reverendíssima (V. Rev. Ma.): Sacerdotes;
z Vossa Senhoria (V. Sa.): Funcionários públicos graduados, oficiais até o posto de coronel, tratamento cerimo-
nioso a comerciantes importantes;
z Vossa Santidade (V. S.): Papa;
z Vossa Excelência Reverendíssima (V. Exa. Revma.): Bispos.
LÍ
N
G
U
A
P
O
RT
U
G
U
ES
A
31
Os exemplos apresentados fazem referência a pronomes de tratamento e suas respectivas designações sociais
conforme indica o Manual de Redação oficial da Presidência da República. Portanto, essas designações devem ser
seguidas com atenção quando o gênero textual abordado for um gênero oficial.
Ainda sobre o assunto, veja algumas observações:
z Sobre o uso das abreviaturas das formas de tratamento é importante destacar que o plural de algumas abre-
viaturas é feito com letras dobradas, como: V. M. / VV. MM.; V. A. / VV. AA. Porém, na maioria das abreviaturas
terminadas com a letra a, o plural é feito com o acréscimo do s: V. Exa. / V. Exas.; V. Ema. / V.Emas.;
z O tratamento adequado a Juízes de Direito é Meritíssimo Juiz;
z O tratamento dispensado ao Presidente da República nunca deve ser abreviado.
Pronomes Indefinidos
Os pronomes indefinidos indicam quantidade de maneira vaga e sempre devem ser utilizados na 3ª pessoa do
discurso. Os pronomes indefinidos podem variar e podem ser invariáveis. Observe a seguinte tabela:
PRONOMES INDEFINIDOS3
Variáveis Invariáveis
Algum, alguma, alguns, algumas Alguém
Nenhum, nenhuma, nenhuns, nenhumas Ninguém
Todo, toda, todos, todas Quem
Outro, outra, outros, outras Outrem
Muito, muita, muitos, muitas Algo
Pouco, pouca, poucos, poucas Tudo
Certo, certa, certos, certas Nada
Vários, várias Cada
Quanto, quanta, quantos, quantas Que
Tanto, tanta, tantos, tantas
Qualquer, quaisquer
Qual, quais
Um, uma, uns, umas
As palavras certo e bastante serão pronomes indefinidos quando vierem antes do substantivo, e serão adje-
tivos quando vierem depois.
Ex.: Busco certo modelo de carro (pronome indefinido).
Busco o modelo de carro certo (adjetivo).
A palavra bastante frequentemente gera dúvida quanto a ser advérbio, adjetivo ou pronome indefinido. Por
isso, atente-se ao seguinte:
z Bastante (advérbio): Será invariável e equivalente ao termo “muito”.
Ex.: Elas são bastante famosas.
z Bastante (adjetivo): Será variável e equivalente ao termo “suficiente”.
Ex.: A comida e a bebida não foram bastantes para a festa.
z Bastante (pronome indefinido): Concorda com o substantivo, indicando grande, porém incerta, quantidade
de algo.
Ex.: Bastantes bancos aumentaram os juros.
Pronomes Demonstrativos
Os pronomes demonstrativos indicam a posição e apontam elementos a que se referem as pessoas do discurso
(1ª, 2ª e 3ª). Essa posição pode ser designada por eles no tempo, no espaço físico ou no espaço textual.
z 1ª pessoa: Este, estes / Esta, estas;
z 2ª pessoa: Esse, esses / Essa, essas;
3 Disponível em: <https://educacao.uol.com.br/disciplinas/portugues/pronomes-indefinidos-e-interrogativos-nenhum-outro-qualquer-quem-
quanto-qual.htm>. Acesso em: 14 jul. de 2020.
32
z 3ª pessoa: Aquele, aqueles / Aquela, aquelas;
z Invariáveis: Isto, isso, aquilo.
Usamos este, esta, isto para indicar:
z Referência ao espaço físico, indicando a proximi-
dade de algo ao falante.
Ex.: Esta caneta aqui é minha. Entreguei-lhe isto
como prova.
z Referência ao tempo presente.
Ex.: Esta semana começarei a dieta. Neste mês,
pagarei a última prestação da casa.
z Referência ao espaço textual.
Ex.: Encontrei Joana e Carla no shopping; esta pro-
curava um presente para o marido (o pronome refere-
-se ao último termo mencionado).
Este artigo científico pretende analisar... (o prono-
me “este” refere-se ao próprio texto).
Usamos esse, essa, isso para indicar:
z Referência ao espaço físico, indicando o afasta-
mento de algo de quem fala.
Ex.: Essa sua gravata combinou muito com você.
z Indicar distância que se deseja manter.
Ex.: Não me fale mais nisso. A população não con-
fia nesses políticos.
z Referência ao tempo passado.
Ex.: Nessa semana, eu estava doente. Esses dias
estive em São Paulo.
z Referência a algo já mencionado no texto/ na fala.
Ex.: Continuo sem entender o porquê de você ter
falado sobre isso. Sinto uma energia negativa nessa
expressão utilizada.
Usamos aquele, aquela, aquilo para indicar:
z Referência ao espaço físico, indicando afastamen-
to de quem fala e de quem ouve.
Ex.: Margarete, quem é aquele ali perto da porta?
z Referência a um tempo muito remoto, um passa-
do muito distante.
Ex.: Naquele tempo, podíamos dormir com as por-
tas abertas. Bons tempos aqueles!
z Referência a um afastamento afetivo.
Ex.: Não conheço mais aquela mulher.
z Referência ao espaço textual, indicando o pri-
meiro termo de uma relação expositiva.
Ex.: Saí para lanchar com Ana e Beatriz. Esta prefe-
riu beber chá; aquela, refrigerante.
Dica
O pronome “mesmo” não pode ser usado em
função demonstrativa referencial. Veja:
Errado: O candidato fez a prova, porém o mesmo
esqueceu de preencher o gabarito.
Correto: O candidatofez a prova, porém esque-
ceu de preencher o gabarito.
Pronomes Relativos
Uma das classes de pronomes mais complexas, os
pronomes relativos têm função muito importante na
língua, refletida em assuntos de grande relevância
em concursos, como a análise sintática. Dessa forma,
é essencial conhecer adequadamente a função desses
elementos, a fim de saber utilizá-los corretamente.
Os pronomes relativos referem-se a um substantivo
ou a um pronome substantivo mencionado anterior-
mente. A esse nome (substantivo ou pronome mencio-
nado anteriormente) chamamos de antecedente.
São pronomes relativos:
z Variáveis: O qual, os quais, cujo, cujos, quanto,
quantos / A qual, as quais, cuja, cujas, quanta,
quantas;
z Invariáveis: Que, quem, onde, como.
z Emprego do pronome relativo que: Pode ser asso-
ciado a pessoas, coisas ou objetos.
Ex.: Encontrei o homem que desapareceu. O
cachorro que estava doente morreu. A caneta que
emprestei nunca recebi de volta.
Em alguns casos, há a omissão do antecedente do
relativo “que”.
Ex.: Não teve que dizer (não teve nada que dizer).
z Emprego do relativo quem: Seu antecedente deve
ser uma pessoa ou objeto personificado.
Ex.: Fomos nós quem fizemos o bolo.
O pronome relativo quem pode fazer referência a
algo subentendido: Quem cala consente (aquele que
cala).
z Emprego do relativo quanto: Seu antecedente
deve ser um pronome indefinido ou demonstrati-
vo; pode sofrer flexões.
Ex.: Esqueci-me de tudo quanto foi me ensinado.
Perdi tudo quanto poupei a vida inteira.
z Emprego do relativo cujo: Deve ser empregado
para indicar posse e aparecer relacionando dois
termos que devem ser um possuidor e uma coisa
possuída.
Ex.: A matéria cuja aula faltei foi Língua portugue-
sa — o relativo cuja está ligando aula (possuidor) à
matéria (coisa possuída).
O relativo cujo deve concordar em gênero e núme-
ro com a coisa possuída.
Jamais devemos inserir um artigo após o pronome
cujo: Cujo o, cuja a
Não podemos substituir cujo por outro pronome
relativo.
O pronome relativo cujo pode ser preposicionado.
Ex.: Esse é o vilarejo por cujos caminhos percorri.
LÍ
N
G
U
A
P
O
RT
U
G
U
ES
A
33
Para encontrar o possuidor, faça-se a seguinte per-
gunta: “de quem/do que?”
Ex.: Vi o filme cujo diretor ganhou o Óscar (Diretor
do que? Do filme).
Vi o rapaz cujas pernas você se referiu (Pernas de
quem? Do rapaz).
z Emprego do pronome relativo onde: Empregado
para indicar locais físicos.
Ex.: Conheci a cidade onde meu pai nasceu.
Em alguns casos, pode ser preposicionado, assu-
mindo as formas aonde e donde.
Ex.: Irei aonde você for.
O relativo “onde” pode ser empregado sem
antecedente.
Ex.: O carro atolou onde não havia ninguém.
z Emprego de o qual: O pronome relativo “o qual”
e suas variações (os quais, a qual, as quais) é usa-
do em substituição a outros pronomes relativos,
sobretudo o “que”, a fim de evitar fenômenos lin-
guísticos, como o “queísmo”.
Ex.: O Brasil tem um passado do qual (que) nin-
guém se lembra.
O pronome “o qual” pode auxiliar na compreensão
textual, desfazendo estruturas ambíguas.
Pronomes Interrogativos
São utilizados para introduzir uma pergunta ao
texto.
Apresentam-se de formas variáveis (Que? Quais?
Quanto? Quantos?) e invariáveis (Que? Quem?).
Ex.: O que é aquilo? Quem é ela? Qual sua idade?
Quantos anos tem seu pai?
O ponto de interrogação só é usado nas interroga-
tivas diretas. Nas indiretas, aparece apenas a intenção
interrogativa, indicada por verbos como perguntar,
indagar etc. Ex.: Indaguei quem era ela.
Atenção: Os pronomes interrogativos que e quem
são pronomes substantivos, pois substituem os subs-
tantivos, dando fluidez à leitura.
Ex.: O tempo, que estava instável, não permitiu a
realização da atividade (O tempo não permitiu a reali-
zação da atividade. O tempo estava instável).4
Pronomes Possessivos
Os pronomes possessivos referem-se às pessoas do
discurso e indicam posse. Observe a tabela a seguir:
SINGULAR
1ª pessoa
2ª pessoa
3ª pessoa
Meu, minha / meus, minhas
Teu, tua / teus, tuas
Seu, sua / seus, suas
PLURAL
1ª pessoa
2ª pessoa
3ª pessoa
Nosso, nossa / nossos, nossas
Vosso, vossa / vossos, vossas
Seu, sua / seus, suas
Os pronomes pessoais oblíquos (me, te, se, lhe, o,
a, nos, vos) também podem atribuir valor possessivo
a uma coisa.
4 Exemplo disponível em: https://www.todamateria.com.br/pronomes-substantivos/. Acesso em: 30. jul. 2021.
Ex.: Apertou-lhe a mão (a sua mão). Ainda que o
pronome esteja ligado ao verbo pelo hífen, a relação
do pronome é com o objeto da posse.
Outras funções dos pronomes possessivos:
z Delimitam o substantivo a que se referem;
z Concordam com o substantivo que vem depois dele;
z Não concordam com o referente;
z O pronome possessivo que acompanha o substan-
tivo exerce função sintática de adjunto adnominal.
VERBOS
Certamente, a classe de palavras mais complexa e
importante dentre as palavras da língua portuguesa é
o verbo. A partir dos verbos, são estruturados as ações
e os agentes desses atos, além de ser uma importante
classe sempre abordada nos editais de concursos; por
isso, atente-se às nossas dicas.
Os verbos são palavras variáveis que se flexionam
em número, pessoa, modo e tempo, além da designa-
ção da voz que exprime uma ação, um estado ou um
fato.
As flexões verbais são marcadas por desinências,
que podem ser:
z Número-pessoal: Indicando se o verbo está no
singular ou plural, bem como em qual pessoa ver-
bal foi flexionado (1ª, 2ª ou 3ª);
z Modo-temporal: Indica em qual modo e tempo
verbais a ação foi realizada.
Iremos apresentar essas desinências a seguir.
Antes, porém, de abordarmos as desinências modo-
-temporais, precisamos explicar o que são modo e
tempo verbais.
Modos
Indica a atitude da ação/do sujeito frente a uma
relação enunciada pelo verbo.
z Indicativo: O modo indicativo exprime atitude de
certeza.
Ex.: Estudei muito para ser aprovado.
z Subjuntivo: O modo subjuntivo exprime atitude
de dúvida, desejo ou possibilidade.
Ex.: Se eu estudasse, seria aprovado.
z Imperativo: O modo imperativo designa ordem,
convite, conselho, súplica ou pedido.
Ex.: Estuda! Assim, serás aprovado.
Tempos
O tempo designa o recorte temporal em que a ação
verbal foi realizada. Basicamente, podemos indicar
o tempo dessa ação no passado, presente ou futuro.
Existem, entretanto, ramificações específicas. Observe
a seguir:
34
z Presente:
Pode expressar não apenas um fato atual, como também uma ação habitual. Ex.: Estudo todos os dias no
mesmo horário.
Uma ação passada. Ex.: Vargas assume o cargo e instala uma ditadura.
Uma ação futura. Ex.: Amanhã, estudo mais! (equivalente a estudarei).
z Passado:
� Pretérito perfeito: Ação realizada plenamente no passado.
Ex.: Estudei até ser aprovado;
� Pretérito imperfeito: Ação inacabada, que pode indicar uma ação frequentativa, vaga ou durativa.
Ex.: Estudava todos os dias;
� Pretérito mais-que-perfeito: Ação anterior à outra mais antiga.
Ex.: Quando notei (passado), a água já transbordara (ação anterior) da banheira.
z Futuro:
� Futuro do presente: indica um fato que deve ser realizado em um momento vindouro.
Ex.: Estudarei bastante ano que vem.
� Futuro do pretérito: Expressa um fato posterior em relação a outro fato já passado.
Ex.: Estudaria muito, se tivesse me planejado.
A partir dessas informações, podemos também identificar os verbos conjugados nos tempos simples e nos
tempos compostos. Os tempos verbais simples são formados por uma única palavra, ou verbo, conjugado no
presente, passado ou futuro.
Já os tempos compostos são formados por dois verbos, um auxiliar e um principal; nesse caso, o verbo auxiliar
é o único a sofrer flexões.
Agora, vamos conhecer as desinências modo-temporais dos tempos simples e compostos, respectivamente:
Flexões Modo-temporais — Tempos Simples
TEMPO MODO INDICATIVO MODO SUBJUNTIVO
Presente * -e (1ª conjugação) e -a (2ª e 3ª conjugações)
Pretérito perfeito -ra (3ª pessoa do plural) *Pretérito imperfeito -va (1ª conjugação) -ia (2ª e 3ª conjugações) -sse
Pretérito mais-que-perfeito -ra *
Futuro -rá e -re -r
Futuro do pretérito -ria *
*Nem todas as formas verbais apresentam desinências modo-temporais.
Flexões Modo-temporais — Tempos Compostos (Indicativo)
z Pretérito perfeito composto: Verbo auxiliar: Ter (presente do indicativo) + verbo principal particípio.
Ex.: Tenho estudado.
z Pretérito mais-que-perfeito composto: Verbo auxiliar: Ter (pretérito imperfeito do indicativo) + verbo prin-
cipal no particípio.
Ex.: Tinha passado.
z Futuro composto: Verbo auxiliar: Ter (futuro do indicativo) + verbo principal no particípio.
Ex.: Terei saído.
LÍ
N
G
U
A
P
O
RT
U
G
U
ES
A
35
z Futuro do pretérito composto: Verbo auxiliar: Ter (futuro do pretérito simples) + verbo principal no particípio.
Ex.: Teria estudado.
Flexões Modo-temporais — Tempos Compostos (Subjuntivo)
z Pretérito perfeito composto: Verbo auxiliar: Ter (presente do subjuntivo) + Verbo principal particípio.
Ex.: (que eu) Tenha estudado.
z Pretérito mais-que-perfeito composto: Verbo auxiliar: Ter (pretérito imperfeito do subjuntivo) + verbo prin-
cipal no particípio.
Ex.: (se eu) Tivesse estudado
z Futuro composto: Verbo auxiliar: Ter (futuro simples do subjuntivo) + verbo principal no particípio.
Ex.: (quando eu) Tiver estudado.
Formas Nominais do Verbo e Locuções Verbais
As formas nominais do verbo são as formas no infinitivo, particípio e gerúndio que eles assumem em determi-
nados contextos. São chamadas nominais pois funcionam como substantivos, adjetivo ou advérbios.
z Gerúndio: Marcado pela terminação -ndo. Seu valor indica duração de uma ação e, por vezes, pode funcionar
como um advérbio ou um adjetivo.
Ex.: Olhando para seu povo, o presidente se compadeceu.
z Particípio: Marcado pelas terminações mais comuns -ado, -ido, podendo terminar também em -do, -to, -go,
-so, -gue. Corresponde nominalmente ao adjetivo; pode flexionar-se, em alguns casos, em número e gênero.
Ex.: A Índia foi colonizada pelos ingleses.
Quando cheguei, ela já tinha partido.
Ele tinha aberto a janela.
Ela tinha pago a conta.
z Infinitivo: Forma verbal que indica a própria ação do verbo, ou o estado, ou, ainda, o fenômeno designado.
Pode ser pessoal ou impessoal:
� Pessoal: O infinitivo pessoal é passível de conjugação, pois está ligado às pessoas do discurso. É usado na
formação de orações reduzidas. Ex.: Comer eu. Comermos nós. É para aprenderem que ele ensina.
� Impessoal: Não é passível de flexão. É o nome do verbo, servindo para indicar apenas a conjugação. Ex.:
Estudar - 1ª conjugação; Comer - 2ª conjugação; Partir - 3ª conjugação.
O infinitivo impessoal forma locuções verbais ou orações reduzidas.
Locuções verbais: sequência de dois ou mais verbos que funcionam como um verbo.
Ex.: Ter de + verbo principal no infinitivo: Ter de trabalhar para pagar as contas.
Haver de + verbo principal no infinitivo: Havemos de encontrar uma solução.
Dica
Não confunda locuções verbais com tempos compostos. O particípio formador de tempo composto na voz
ativa não se flexiona. Ex.: O homem teria realizado sua missão.
Classificação dos Verbos
Os verbos são classificados quanto a sua forma de conjugação e podem ser divididos em: regulares, irregula-
res, anômalos, abundantes, defectivos, pronominais, reflexivos, impessoais e auxiliares, além das formas nomi-
nais. Vamos conhecer as particularidades de cada um a seguir:
z Regulares: Os verbos regulares são os mais fáceis de compreender, pois apresentam regularidade no uso das
desinências, ou seja, das terminações verbais. Da mesma forma, os verbos regulares mantêm o paradigma
morfológico com o radical, que permanece inalterado. Ex.: Verbo cantar:
36
PRESENTE — INDICATIVO PRETÉRITO PERFEITO — INDICATIVO
Eu canto Cantei
Tu cantas Cantaste
Ele/ você canta Cantou
Nós cantamos Cantamos
Vós cantais Cantastes
Eles/ vocês cantam Cantaram
z Irregulares: Os verbos irregulares apresentam alteração no radical e nas desinências verbais. Por isso, rece-
bem esse nome, pois sua conjugação ocorre irregularmente, seguindo um paradigma próprio para cada grupo
verbal.
Perceba a seguir como ocorre uma sutil diferença na conjugação do verbo estar, que utilizamos como exem-
plo. Isso é importante para não confundir os verbos irregulares com os verbos anômalos. Ex.: Verbo estar:
PRESENTE — INDICATIVO PRETÉRITO PERFEITO — INDICATIVO
Eu estou Estive
Tu estás Estiveste
Ele/ você está Esteve
Nós estamos Estivemos
Vós estais Estivestes
Eles/ vocês estão Estiveram
z Anômalos: Esses verbos apresentam profundas alterações no radical e nas desinências verbais, consideradas
anomalias morfológicas; por isso, recebem essa classificação. Um exemplo bem usual de verbo dessa categoria
é o verbo “ser”. Na língua portuguesa, apenas dois verbos são classificados dessa forma: os verbos ser e ir.
Vejamos a conjugação o verbo “ser”:
PRESENTE — INDICATIVO PRETÉRITO PERFEITO — INDICATIVO
Eu sou Fui
Tu és Foste
Ele / você é Foi
Nós somos Fomos
Vós sois Fostes
Eles / vocês são Foram
Os verbos ser e ir são irregulares, porém, apresentam uma forma específica de irregularidade que ocasiona
uma anomalia em sua conjugação. Por isso, são classificados como anômalos.
z Abundantes: São formas verbais abundantes os verbos que apresentam mais de uma forma de particípio acei-
tas pela norma culta gramatical. Geralmente, apresentam uma forma de particípio regular e outra irregular.
Vejamos alguns verbos abundantes:
INFINITIVO PARTICÍPIO REGULAR PARTICÍPIO IRREGULAR
Absolver Absolvido Absolto
Abstrair Abstraído Abstrato
Aceitar Aceitado Aceito
Benzer Benzido Bento
Cobrir Cobrido Coberto
Completar Completado Completo
Confundir Confundido Confuso
Demitir Demitido Demisso
Despertar Despertado Desperto
Dispersar Dispersado Disperso
LÍ
N
G
U
A
P
O
RT
U
G
U
ES
A
37
INFINITIVO PARTICÍPIO REGULAR PARTICÍPIO IRREGULAR
Eleger Elegido Eleito
Encher Enchido Cheio
Entregar Entregado Entregue
Morrer Morrido Morto
Expelir Expelido Expulso
Enxugar Enxugado Enxuto
Findar Findado Findo
Fritar Fritado Frito
Ganhar Ganhado Ganho
Gastar Gastado Gasto
Imprimir Imprimido Impresso
Inserir Inserido Inserto
Isentar Isentado Isento
Juntar Juntado Junto
Limpar Limpado Limpo
Matar Matado Morto
Omitir Omitido Omisso
Pagar Pagado Pago
Prender Prendido Preso
Romper Rompido Roto
Salvar Salvado Salvo
Secar Secado Seco
Submergir Submergido Submerso
Suspender Suspendido Suspenso
Tingir Tingido Tinto
Torcer Torcido Torto
INFINITIVO PARTICÍPIO REGULAR PARTICÍPIO IRREGULAR
Aceitar Eu já tinha aceitado o convite. O convite foi aceito.
Entregar Aviso quando tiver entregado a encomenda. Está entregue!
Morrer Havia morrido há dias. Quando chegou, encontrou o animal morto.
Expelir A bala foi expelida por aquela arma. Esta é a bala expulsa.
Enxugar Tinha enxugado a louça quando o programa começou. A roupa está enxuta.
Findar Depois de ter findado o trabalho, descansou. Trabalho findo!
Imprimir Se tivesse imprimido tínhamos como provar. Onde está o documento impresso?
Limpar Eu tinha limpado a casa. Que casa tão limpa!
Omitir Dados importantes tinham sido omitidos por ela. Informações estavam omissas.
Submergir Após ter submergido os legumes, reparou no amigo.
Deixe os legumes submersos por alguns
minutos.
Suspender Nunca tinha suspendido ninguém. Você está suspenso!
z Defectivos: São verbos que não apresentam algumas pessoas conjugadas em suas formas, gerando um “defei-
to” na conjugação (por isso, o nome). Alguns exemplos de defectivos são os verbos colorir, precaver, reaver etc.
Esses verbos não são conjugados na primeira pessoa do singular do presente do indicativo, bem como: aturdir,
exaurir, explodir, esculpir, extorquir, feder, fulgir, delinquir, demolir, puir, ruir, computar, colorir, carpir, banir,
brandir, bramir, soer.
Verbos que expressam onomatopeias ou fenômenos temporais também apresentam essa característica, como
latir, bramir, chover.
38
z Pronominais: Esses verbos apresentamum pro-
nome oblíquo átono integrando sua forma verbal.
É importante lembrar que esses pronomes não
apresentam função sintática. Predominantemen-
te, os verbos pronominas apresentam transitivida-
de indireta, ou seja, são VTI. Ex.: Sentar-se.
PRESENTE
— INDICATIVO
PRETÉRITO PERFEITO
— INDICATIVO
Eu me sento Sentei-me
Tu te sentas Sentaste-te
Ele/ você se senta Sentou-se
Nós nos sentamos Sentamo-nos
Vós vos sentais Sentastes-vos
Eles/ vocês se sentam Sentaram-se
z Reflexivos: Verbos que apresentam pronome oblí-
quo átono reflexivo, funcionando sintaticamen-
te como objeto direto ou indireto. Nesses verbos,
o sujeito sofre e pratica a ação verbal ao mesmo
tempo. Ex.: Ela se veste mal. Nós nos cumprimen-
tamos friamente.
z Impessoais: Verbos que designam fenômenos da
natureza, como chover, trovejar, nevar etc.
O verbo haver, com sentido de existir ou mar-
cando tempo decorrido, também será impessoal. Ex.:
Havia muitos candidatos e poucas vagas. Há dois
anos, fui aprovado em concurso público.
Os verbos ser e estar também são verbos impes-
soais quando designam fenômeno climático ou tempo.
Ex.: Está muito quente! / Era tarde quando chegamos.
O verbo ser para indicar hora, distância ou data
concorda com esses elementos.
O verbo fazer também poderá ser impessoal,
quando indicar tempo decorrido ou tempo climáti-
co. Ex.: Faz anos que estudo pintura. Aqui faz muito
calor.
Os verbos impessoais não apresentam sujeito; sin-
taticamente, classifica-se como sujeito inexistente.
O verbo ser será impessoal quando o espaço sintá-
tico ocupado pelo sujeito não estiver preenchido: “Já
é natal”. Segue o mesmo paradigma do verbo fazer,
podendo ser impessoal, também, o verbo ir: “Vai uns
bons anos que não vejo Mariana”.
z Auxiliares: Os verbos auxiliares são empregados
nas formas compostas dos verbos e também nas
locuções verbais. Os principais verbos auxiliares
dos tempos compostos são ter e haver.
Nas locuções, os verbos auxiliares determinam a
concordância verbal; porém, o verbo principal deter-
mina a regência estabelecida na oração.
Apresentam forte carga semântica que indica
modo e aspecto da oração. São importantes na forma-
ção da voz passiva analítica.
z Formas Nominais: Na língua portuguesa, usamos
três formas nominais dos verbos:
� Gerúndio: Terminação -ndo. Apresenta valor
durativo da ação e equivale a um advérbio ou
adjetivo. Ex.: Minha mãe está rezando.
� Particípio: Terminações -ado, -ido, -do, -to, -go,
-so. Apresenta valor adjetivo e pode ser classi-
ficado em particípio regular e irregular, sendo
as formas regulares finalizadas em -ado e -ido.
A norma culta gramatical recomenda o uso do par-
ticípio regular com os verbos “ter” e “haver”. Já com
os verbos “ser” e “estar”, recomenda-se o uso do par-
ticípio irregular.
Ex.: Os policiais haviam expulsado os bandidos /
Os traficantes foram expulsos pelos policiais.
� Infinitivo: Marca as conjugações verbais.
AR: Verbos que compõem a 1ª conjugação (Amar,
passear);
ER: Verbos que compõem a 2ª conjugação (Comer,
pôr);
IR: Verbos que compõem a 3ª conjugação (Partir,
sair).
Dica
O verbo “pôr” corresponde à segunda conjuga-
ção, pois origina-se do verbo “poer”.
O mesmo acontece com verbos que que deste
derivam.
Vozes Verbais
As vozes verbais definem o papel do sujeito na
oração, demonstrando se o sujeito é o agente da ação
verbal ou se ele recebe a ação verbal. Dividem-se em:
z Ativa: O sujeito é o agente, praticando a ação
verbal.
Ex.: O policial deteve os bandidos.
z Passiva: O sujeito é paciente, ou seja, sofre a ação
verbal.
Ex.: Os bandidos foram detidos pelo policial —
passiva analítica;
Detiveram-se os criminosos — passiva sintética.
z Reflexiva: O sujeito é agente e paciente ao mes-
mo tempo, pois pratica e recebe a ação verbal.
Ex.: Os bandidos se entregaram à polícia. / O
menino se agrediu.
z Recíproca: O sujeito é agente e paciente ao mes-
mo tempo, porém há uma ação compartilhada
entre dois indivíduos. A ação pode ser comparti-
lhada entre dois ou mais indivíduos que praticam
e sofrem a ação.
Ex.: Os bandidos se olharam antes do julga-
mento. / Apesar do ódio mútuo, os candidatos se
cumprimentaram.
A voz passiva é realizada a partir da troca de fun-
ções entre sujeito e objeto da voz ativa. Só podemos
transformar uma frase da voz ativa para a voz passiva
se o verbo for transitivo direto ou transitivo direto e
indireto. Logo, só há voz passiva com a presença do
objeto direto.
LÍ
N
G
U
A
P
O
RT
U
G
U
ES
A
39
Importante! Não confunda os verbos pronomi-
nais com as vozes verbais. Os verbos pronominais
que indicam sentimentos, como arrepender-se, quei-
xar-se, dignar-se, entre outros, acompanham um
pronome que faz parte integrante do seu significado,
diferentemente das vozes verbais, que acompanham
o pronome “se” com função sintática própria.
Outras Funções do “se”
Como vimos, o “se” pode funcionar como item
essencial na voz passiva. Além dessa função, esse ele-
mento também acumula outras atribuições:
z Partícula apassivadora: A voz passiva sintética
é feita com verbos transitivos direto (TD) ou tran-
sitivos direto indireto (TDI). Nessa voz, incluímos
o “se” junto ao verbo, por isso, o elemento “se” é
designado partícula apassivadora, nesse contexto.
Ex.: Busca-se a felicidade (voz passiva sintética) —
“Se” (partícula apassivadora).
O “se” exercerá essa função apenas:
� Com verbos cuja transitividade seja TD ou TDI;
� Com verbos que concordam com o sujeito;
� Com a voz passiva sintética.
Atenção: Na voz passiva nunca haverá objeto dire-
to (OD), pois ele se transforma em sujeito paciente.
z Índice de indeterminação do sujeito: O “se” fun-
cionará nessa condição quando não for possível
identificar o sujeito explícito ou subentendido.
Além disso, não podemos confundir essa função
do “se” com a de apassivador, já que, para ser índi-
ce de indeterminação do sujeito, a oração precisa
estar na voz ativa.
Outra importante característica do “se” como índi-
ce de indeterminação do sujeito é que isso ocorre em
verbos transitivos indiretos, verbos intransitivos ou
verbos de ligação. Além disso, o verbo sempre deverá
estar na 3ª pessoa do singular.
Ex.: Acredita-se em Deus.
z Pronome reflexivo: Na função de pronome refle-
xivo, a partícula “se” indicará reflexão ou reci-
procidade, auxiliando a construção dessas vozes
verbais, respectivamente. Nessa função, suas prin-
cipais características são:
� Sujeito recebe e pratica a ação;
� Funcionará, sintaticamente, como objeto direto
ou indireto;
� O sujeito da frase poderá estar explícito ou
implícito.
Ex.: Ele se via no espelho (explícito). Deu-se um
presente de aniversário (implícito).
z Parte integrante do verbo: Nesses casos, o “se”
será parte integrante dos verbos pronominais,
acompanhando-o em todas as suas flexões. Quan-
do o “se” exerce essa função, jamais terá uma fun-
ção sintática. Além disso, o sujeito da frase poderá
estar explícito ou implícito.
Ex.: (Ele/a) Lembrou-se da mãe, quando olhou a
filha.
z Partícula de realce: Será partícula de realce o
“se” que puder ser retirado do contexto sem pre-
juízo no sentido e na compreensão global do texto.
A partícula de realce não exerce função sintática,
pois é desnecessária.
Ex.: Vão-se os anéis, ficam-se os dedos.
z Conjunção: O “se” será conjunção condicional
quando sugerir a ideia de condição. A conjunção
“se” exerce função de conjunção integrante, ape-
nas ligando as orações, e poderá ser substituído
pela conjunção “caso”.
Ex.: Se ele estudar, será aprovado. (Caso ele estu-
dar, será aprovado).
Conjugação de Verbos Derivados
Verbo derivado é aquele que deriva de um ver-
bo primitivo; para trabalhar a conjugação desses
verbos, é importante ter clara a conjugação de seus
“originários”.
Atente-se à lista de verbos irregulares e de algu-
mas de suas derivações a seguir, pois são assuntos
relevantes em provas diversas:
z Pôr: Repor, propor, supor, depor, compor, expor;
z Ter: Manter, conter,reter, deter, obter, abster-se;
z Ver: Antever, rever, prever;
z Vir: Intervir, provir, convir, advir, sobrevir.
Vamos conhecer agora alguns verbos cuja conjuga-
ção apresenta paradigma derivado, auxiliando a com-
preensão dessas conjugações verbais.
O verbo criar é conjugado da mesma forma que os
verbos “variar”, “copiar”, “expiar” e todos os demais
que terminam em -iar. Os verbos com essa termina-
ção são, predominantemente, regulares.
PRESENTE — INDICATIVO
Eu Crio
Tu Crias
Ele/Você Cria
Nós Criamos
Vós Criais
Eles/Vocês Criam
Os verbos terminados em -ear, por sua vez, geral-
mente são irregulares e apresentam alguma modifi-
cação no radical ou nas desinências. Acompanhe a
conjugação do verbo “passear”:
PRESENTE — INDICATIVO
Eu Passeio
Tu Passeias
Ele/Você Passeia
Nós Passeamos
Vós Passeais
Eles/Vocês Passeiam
40
Conjugação de Alguns Verbos
Vamos agora conhecer algumas conjugações de
verbos irregulares importantes, que sempre são obje-
to de questões em concursos.
Observe o verbo “aderir” no presente do indicativo:
PRESENTE — INDICATIVO
Eu Adiro
Tu Aderes
Ele/Você Adere
Nós Aderimos
Vós Aderis
Eles/Vocês Aderem
A seguir, acompanhe a conjugação do verbo “por”.
São conjugados da mesma forma os verbos dispor,
interpor, sobrepor, compor, opor, repor, transpor,
entrepor, supor.
PRESENTE — INDICATIVO
Eu Ponho
Tu Pões
Ele/Você Põe
Nós Pomos
Vós Pondes
Eles/Vocês Põem
PREPOSIÇÕES
Conceito
São palavras invariáveis que ligam orações ou
outras palavras. As preposições apresentam funções
importantes tanto no aspecto semântico quanto no
aspecto sintático, pois complementam o sentido de
verbos e/ou palavras cujo sentido pode ser alterado
sem a presença da preposição, modificando a transiti-
vidade verbal e colaborando para o preenchimento de
sentido de palavras deverbais5.
As preposições essenciais são: a, ante, até, após,
com, contra, de, desde, em, entre, para, per, peran-
te, por, sem, sob, trás.
Existem, ainda, as preposições acidentais, assim
chamadas pois pertencem a outras classes grama-
ticais, mas funcionam, ocasionalmente, como pre-
posições. Eis algumas: afora, conforme (quando
equivaler a “de acordo com”), consoante, durante,
exceto, salvo, segundo, senão, mediante, que, visto
(quando equivaler a “por causa de”).
Acompanhe a seguir algumas preposições e exem-
plos de uso em diferentes situações:
“A”
z Causa ou motivo: Acordar aos gritos das crianças;
z Conformidade: Escrever ao modo clássico;
z Destino (em correlação com a preposição de): De
Santos à Bahia;
5 Palavras deverbais são substantivos que expressam, de forma nominal e abstrata, o sentido de um verbo com o qual mantêm relação.
Exemplo: a filmagem, o pagamento, a falência etc. Geralmente, os nomes deverbais são acompanhados por preposições e, sintaticamente, o
termo que completa o sentido desses nomes é conhecido como complemento nominal.
z Meio: Voltarei a andar a cavalo;
z Preço: Vendemos o armário a R$ 300,00;
z Direção: Levantar as mãos aos céus;
z Distância: Cair a poucos metros da namorada;
z Exposição: Ficar ao sol por um longo tempo;
z Lugar: Ir a Santa Catarina;
z Modo: Falar aos gritos;
z Sucessão: Dia a dia;
z Tempo: Nasci a três de maio;
z Proximidade: Estar à janela.
“Após”
z Lugar: Permaneça na fila após o décimo lugar;
z Tempo: Logo após o almoço descansamos.
“Com”
z Causa: Ficar pobre com a inflação;
z Companhia: Ir ao cinema com os amigos;
z Concessão: Com mais de 80 anos, ainda tem pla-
nos para o futuro;
z Instrumento: Abrir a porta com a chave;
z Matéria: Vinho se faz com uva;
z Modo: Andar com elegância;
z Referência: Com sua irmã aconteceu diferente;
comigo sempre é assim.
“Contra”
z Oposição: Jogar contra a seleção brasileira;
z Direção: Olhar contra o sol;
z Proximidade ou contiguidade: Apertou o filho
contra o peito.
“De”
z Causa: Chorar de saudade;
z Assunto: Falar de religião;
z Matéria: Material feito de plástico;
z Conteúdo: Maço de cigarro;
z Origem: Você descende de família humilde;
z Posse: Este é o carro de João;
z Autoria: Esta música é de Chopin;
z Tempo: Ela dorme de dia;
z Lugar: Veio de São Paulo;
z Definição: Pessoa de coragem;
z Dimensão: Sala de vinte metros quadrados;
z Fim ou finalidade: Carro de passeio;
z Instrumento: Comer de garfo e faca;
z Meio: Viver de ilusões;
z Medida ou extensão: Régua de 30 cm;
z Modo: Olhar alguém de frente;
z Preço: Caderno de 10 reais;
z Qualidade: Vender artigo de primeira;
z Semelhança ou comparação: Atitudes de pessoa
corajosa.
“Desde”
z Distância: Dormiu desde o acampamento até aqui;
z Tempo: Desde ontem ele não aparece.
LÍ
N
G
U
A
P
O
RT
U
G
U
ES
A
41
“Em”
z Preço: Avaliou a propriedade em milhares de
dólares;
z Meio: Pagou a dívida em cheque;
z Limitação: Aquele aluno em Química nunca foi
bom;
z Forma ou semelhança: As crianças juntaram as
mãos em concha;
z Transformação ou alteração: Transformou dóla-
res em reais;
z Estado ou qualidade: Foto em preto e branco;
z Fim: Pedir em casamento;
z Lugar: Ficou muito tempo em Sorocaba;
z Modo: Escrever em francês;
z Sucessão: De grão em grão;
z Tempo: O fogo destruiu o edifício em minutos;
z Especialidade: João formou-se em Engenharia.
“Entre”
z Lugar: Ele ficou entre os aprovados;
z Meio social: Entre as elites, este é o comportamento;
z Reciprocidade: Entre mim e ele sempre houve
discórdia.
“Para”
z Consequência: Você deve ser muito esperto para
não cair em armadilhas;
z Fim ou finalidade: Chegou cedo para a conferência;
z Lugar: Em 2011, ele foi para Portugal;
z Proporção: As baleias estão para os peixes assim
como nós estamos para as galinhas;
z Referência: Para mim, ela está mentindo;
z Tempo: Para o ano irei à praia;
z Destino ou direção: Olhe para frente!
“Perante”
z Lugar: Ele negou o crime perante o júri.
“Por”
z Modo ou conformidade: Vamos escolher por
sorteio;
z Causa: Encontrar alguém por coincidência;
z Conformidade: Copiar por original;
z Favor: Lutar por seus ideais;
z Medida: Vendia banana por quilo;
z Meio: Ir por terra;
z Modo: Saber por alto o que ocorreu;
z Preço: Comprar um livro por vinte reais;
z Quantidade: Chocar por três vezes;
z Substituição: Comprar gato por lebre;
z Tempo: Viver por muitos anos.
“Sem”
z Ausência ou desacompanhamento: Estava sem
dinheiro.
“Sob”
z Tempo: Houve muito progresso no Brasil sob D.
Pedro II;
6 Disponível em: instagram.com/academiadotexto. Acesso em: 20 nov. 2020.
z Lugar: Ficar sob o viaduto;
z Modo: Saiu da reunião sob pretexto não convincente.
“Sobre”
z Assunto: Não gosto de falar sobre política;
z Direção: Ir sobre o adversário;
z Lugar: Cair sobre o inimigo.
Locuções Prepositivas
São grupos de palavras que equivalem a uma
preposição.
Ex.: Falei sobre o tema da prova. (preposição) /
Falei acerca do tema da prova. (locução prepositiva)
A locução prepositiva na segunda frase substitui
perfeitamente a preposição “sobre”. As locuções pre-
positivas sempre terminam em uma preposição (há
apenas uma exceção: a locução prepositiva com senti-
do concessivo “não obstante”).
Veja alguns exemplos:
z Apesar de. Ex.: Apesar de terem sumido, volta-
ram logo.
z A respeito de. Ex.: Nossa reunião foi a respeito
de finanças.
z Graças a. Ex.: Graças ao bom Deus, não aconteceu
nada grave.
z De acordo com. Ex.: De acordo com W. Hamboldt,
a língua é indispensável para que possamos pen-
sar, mesmo que estivéssemos sempre sozinhos.
z Por causa de. Ex.: Por causa de poucos pontos,
não passei no exame.
z Para com. Ex.: Minha mãe me ensinou ter respeito
para com os mais velhos.
z Por baixo de. Ex.: Por baixo do vestido, ela usa
um short.
Outros exemplos de locuções prepositivas:
Abaixo de; acerca de; acima de; devido a; a despeito
de; adiante de; defronte de; embaixo de; em frente de;
junto de; perto de; por entre; por trás de; quanto a; a
fim de; por meio de; em virtude de.
Importante!
Algumas locuções prepositivas apresentam
semelhanças morfológicas,mas significa-
dos completamente diferentes. Observe estes
exemplos6:
A opinião dos diretores vai ao encontro do plane-
jamento inicial = Concordância.
As decisões do público foram de encontro à pro-
posta do programa = Discordância.
Em vez de comer lanches gordurosos, coma fru-
tas = Substituição.
Ao invés de chegar molhado, chegou cedo =
Oposição.
Combinações e Contrações
As preposições podem se ligar a outras palavras de
outras classes gramaticais por meio de dois processos:
combinação e contração.
42
Combinação: Quando se ligam sem sofrer nenhu-
ma redução.
a + o = ao
a + os = aos
Contração: Quando, ao se ligarem, sofrem
redução.
Veja a lista a seguir7, que apresenta as preposições
que se contraem e suas devidas formas:
z Preposição “a”:
� Com o artigo definido ou pronome demonstra-
tivo feminino:
a + a= à
a + as= às
� Com o pronome demonstrativo:
a + aquele = àquele
a + aqueles = àqueles
a + aquela = àquela
a + aquelas = àquelas
a + aquilo = àquilo
z Preposição “de”:
� Com artigo definido masculino e feminino:
de + o/os = do/dos
de + a/as = da/das
� Com artigo indefinido:
de + um= dum
de + uns = duns
de + uma = duma
de + umas = dumas
� Com pronome demonstrativo:
de + este(s)= deste, destes
de + esta(s)= desta, destas
de + isto= disto
de + esse(s) = desse, desses
de + essa(s)= dessa, dessas
de + isso = disso
de + aquele(s) = daquele, daqueles
de + aquela(s) = daquela, daquelas
de + aquilo= daquilo
� Com o pronome pessoal:
de + ele(s) = dele, deles
de + ela(s) = dela, delas
� Com o pronome indefinido:
de + outro(s)= doutro, doutros
de + outra(s) = doutra, doutras
� Com advérbio:
de + aqui= daqui
de + aí= daí
de + ali= dali
7 Disponível em: <https://www.preparaenem.com/portugues/combinacao-contracao-das-preposicoes.htm>. Acesso em: 20 nov. 2020.
z Preposição “em”:
� Com artigo definido:
em + a(s)= na, nas
em + o(s)= no, nos
� Com pronome demonstrativo:
em + esse(s)= nesse, nesses
em + essa(s)= nessa, nessas
em + isso = nisso
em + este(s) = neste, nestes
em + esta(s) = nesta, nestas
em + isto = nisto
em + aquele(s) = naquele, naqueles
em + aquela(s) = naquelas
em + aquilo = naquilo
� Com pronome pessoal:
em + ele(s) = nele, neles
em + ela(s) = nela, nelas
z Preposição “per”:
� Com as formas antigas do artigo definido (lo,
la):
per + lo(s) = pelo, pelos
per + la(s) = pela, pelas
z Preposição “para” (pra):
� Com artigo definido:
para (pra) + o(s) = pro, pros
para (pra) + a(s)= pra, pras
Algumas Relações Semânticas Estabelecidas por
Preposições
Antes de entrarmos neste assunto, vale relembrar
o que significa Semântica. Semântica é a área do
conhecimento que relaciona o significado da palavra
ao seu contexto.
É importante ressaltar que as preposições podem
apresentar valor relacional ou podem atribuir um
valor nocional.
As preposições que apresentam um valor rela-
cional cumprem uma relação sintática com verbos
ou substantivos, que, em alguns casos, são chamados
deverbais, conforme já mencionamos. Essa mesma
relação sintática pode ocorrer com adjetivos e advér-
bios, os quais também apresentarão função deverbal.
Ex.: Concordo com o advogado (preposição exigida
pela regência do verbo concordar).
Tenho medo da queda (preposição exigida pelo
complemento nominal).
Estou desconfiado do funcionário (preposição exi-
gida pelo adjetivo).
Fui favorável à eleição (preposição exigida pelo
advérbio).
Em todos esses casos, a preposição mantém uma
relação sintática com a classe de palavras a qual se
liga, sendo, portanto, obrigatória a sua presença na
sentença.
LÍ
N
G
U
A
P
O
RT
U
G
U
ES
A
43
De modo oposto, as preposições cujo valor nocio-
nal é preponderante apresentam uma modificação
no sentido da palavra à qual se liga. Elas não são
componentes obrigatórios na construção da senten-
ça, divergindo das preposições de valor relacional.
As preposições de valor nocional estabelecem uma
noção de posse, causa, instrumento, matéria, modo
etc. Vejamos algumas na tabela a seguir:
VALOR NOCIONAL DAS
PREPOSIÇÕES SENTIDO
Posse Carro de Marcelo
Lugar O cachorro está sob a mesa
Modo Votar em branco / Chegar aos gritos
Causa Preso por agressão
Assunto Falar sobre política
Origem Descende de família simples
Destino Olhe para frente! / Iremos a Paris
CONJUNÇÕES
Assim como as preposições, as conjunções também
são invariáveis e também auxiliam na organização
das orações, ligando termos e, em alguns casos, ora-
ções. Por manterem relação direta com a organização
das orações nas sentenças, as conjunções podem ser
coordenativas ou subordinativas.
Conjunções Coordenativas
As conjunções coordenativas são aquelas que
ligam orações coordenadas, ou seja, orações que não
fazem parte de uma outra; em alguns casos, ainda,
essas conjunções ligam núcleos de um mesmo termo
da oração. As conjunções coordenadas podem ser:
z Aditivas: Somam informações. E, nem, bem como,
não só, mas também, não apenas, como ainda,
senão (após não só).
Ex.: Não fiz os exercícios nem revisei.
O gato era o preferido, não só da filha, senão de
toda família.
z Adversativa: Colocam informações em oposição,
contradição. Mas, porém, contudo, todavia, entre-
tanto, não obstante, senão (equivalente a mas).
Ex.: Não tenho um filho, mas dois.
A culpa não foi a população, senão dos vereadores
(equivale a “mas sim”).
Importante: A conjunção “e” pode apresentar
valor adversativo, principalmente quando é antecedi-
da por vírgula: Estava querendo dormir, e o barulho
não deixava.
z Alternativas: Ligam orações com ideias que não
acontecem simultaneamente, que se excluem. Ou,
ou...ou, quer...quer, seja...seja, ora...ora, já...já.
Ex.: Estude ou vá para a festa.
Seja por bem, seja por mal, vou convencê-la.
Importante: A palavra “senão” pode funcionar
como conjunção alternativa: Saia agora, senão cha-
marei os guardas! (pode-se trocá-la por “ou”).
z Explicativas: Ligam orações, de forma que em
uma delas explica-se o que a outra afirma. Que, por-
que, pois, (se vier no início da oração), porquanto.
Ex.: Estude, porque a caneta é mais leve que a
enxada!
Viva bem, pois isso é o mais importante.
Importante: “Pois” com sentido explicativo ini-
cia uma oração e justifica outra. Ex.: Volte, pois sinto
saudades.
“Pois” conclusivo fica após o verbo, deslocado
entre vírgulas: Nessa instabilidade, o dólar voltará,
pois, a subir.
z Conclusiva: Ligam duas ideias, de forma que a
segunda conclui o que foi dito na primeira. Logo,
portanto, então, por isso, assim, por conseguinte,
destarte, pois (deslocado na frase).
Ex.: Estava despreparado, por isso, não fui
aprovado.
Está na hora da decolagem; deve, então,
apressar-se.
Dica
As conjunções “e”, “nem” não devem ser empre-
gadas juntas (“e nem”). Tendo em vista que
ambas indicam a mesma relação aditiva, o uso
concomitante acarreta em redundância.
Conjunções Subordinativas
Tal qual as conjunções coordenativas, as subor-
dinativas estabelecem uma ligação entre as ideias
apresentadas em um texto. Porém, diferentemente
daquelas, estas ligam ideias apresentadas em orações
subordinadas, ou seja, orações que precisam de outra
para terem o sentido apreendido.
z Causal: Iniciam a oração dando ideia de causa.
Haja vista, que, porque, pois, porquanto, visto que,
uma vez que, como (equivale a porque) etc.
Ex.: Como não choveu, a represa secou.
z Consecutiva: Iniciam a oração expressando ideia
de consequência. Que (depois de tal, tanto, tão), de
modo que, de forma que, de sorte que etc.
Ex.: Estudei tanto que fiquei com dor de cabeça.
z Comparativa: Iniciam orações comparando ações
e, em geral, o verbo fica subtendido. Como, que
nem, que (depois de mais, menos, melhor, pior,
maior), tanto... quanto etc.
Ex.: Corria como um touro.
Ela dança tanto quanto Carlos.
z Conformativa: Expressam a conformidade de
uma ideia com a da oração principal. Conforme,
como, segundo, de acordo com, consoante etc.
44
Ex.: Tudo ocorreu conforme o planejado.
Amanhã chove, segundoinforma a previsão do
tempo.
z Concessiva: Iniciam uma oração com uma ideia
contrária à da oração principal. Embora, conquan-
to, ainda que, mesmo que, em que pese, posto que
etc.
Ex.: Teve que aceitar a crítica, conquanto não tives-
se gostado.
Trabalhava, por mais que a perna doesse.
z Condicional: Iniciam uma oração com ideia de
hipótese, condição. Se, caso, desde que, contanto
que, a menos que, somente se etc.
Ex.: Se eu quisesse falar com você, teria respondido
sua mensagem.
Posso lhe ajudar, caso necessite.
z Proporcional: Ideia de proporcionalidade. À pro-
porção que, à medida que, quanto mais...mais,
quanto menos...menos etc.
Ex.: Quanto mais estudo, mais chances tenho de
ser aprovado.
Ia aprendendo, à medida que convivia com ela.
z Final: Expressam ideia de finalidade. Final, para
que, a fim de que etc.
Ex.: A professora dá exemplos para que você
aprenda!
Comprou um computador a fim de que pudesse
trabalhar tranquilamente.
z Temporal: Iniciam a oração expressando ideia de
tempo. Quando, enquanto, assim que, até que, mal,
logo que, desde que etc.
Ex.: Quando viajei para Fortaleza, estive na Praia
do Futuro.
Mal cheguei à cidade, fui assaltado.
Importante!
Os valores semânticos das conjunções não se
prendem às formas morfológicas desses elemen-
tos. O valor das conjunções é construído contex-
tualmente, por isso, é fundamental estar atento
aos sentidos estabelecidos no texto.
Ex.: Se Mariana gosta de você, por que você não a
procura? (Se = causal = já que)
Por que ficar preso na cidade, quando existe tanto
ar puro no campo? (Quando = causal = já que).
Conjunções Integrantes
As conjunções integrantes fazem parte das orações
subordinadas; na realidade, elas apenas integram uma
oração principal à outra, subordinada. Existem apenas
dois tipos de conjunções integrantes: “que” e “se”.
z Quando é possível substituir o “que” pelo pronome
“isso”, estamos diante de uma conjunção integrante.
Ex.: Quero que a prova esteja fácil. (Quero. O quê?
Isso).
z Sempre haverá conjunção integrante em orações
substantivas e, consequentemente, em períodos
compostos.
Ex.: Perguntei se ele estava em casa. (Perguntei. O
quê? Isso).
z Nunca devemos inserir uma vírgula entre um ver-
bo e uma conjunção integrante.
Ex.: Sabe-se, que o Brasil é um país desigual
(errado).
Sabe-se que o Brasil é um país desigual (certo).
INTERJEIÇÕES
As interjeições também fazem parte do grupo de
palavras invariáveis, tal como as preposições e as
conjunções. Sua função é expressar estado de espíri-
to e emoções; por isso, apresentam forte conotação
semântica. Uma interjeição sozinha pode equivaler a
uma frase. Ex.: Tchau!
As interjeições indicam relações de sentido diver-
sas. A seguir, apresentamos um quadro com os sen-
timentos e sensações mais expressos pelo uso de
interjeições:
VALOR SEMÂNTICO INTERJEIÇÃO
Advertência Cuidado! Devagar! Calma!
Alívio Arre! Ufa! Ah!
Alegria/Satisfação Eba! Oba! Viva!
Desejo Oh! Tomara! Oxalá!
Repulsa Irra! Fora! Abaixo!
Dor/Tristeza Ai! Ui! Que pena!
Espanto Oh! Ah! Opa! Putz!
Saudação Salve! Viva! Adeus! Tchau!
Medo Credo! Cruzes! Uh! Oh!
É salutar lembrar que o sentido exato de cada
interjeição só poderá ser apreendido diante do con-
texto. Por isso, em questões que abordem essa classe
de palavras, o candidato deve reler o trecho em que a
interjeição aparece, a fim de se certificar do sentido
expresso no texto.
Isso acontece pois qualquer expressão exclamati-
va que expresse sentimento ou emoção pode funcio-
nar como uma interjeição. Lembre-se dos palavrões,
por exemplo, que são interjeições por excelência, mas
que, dependendo do contexto, podem ter seu sentido
alterado.
Antes de concluirmos, é importante ressaltar o
papel das locuções interjetivas, conjunto de palavras
que funciona como uma interjeição, como: Meu Deus!
Ora bolas! Valha-me Deus!
LÍ
N
G
U
A
P
O
RT
U
G
U
ES
A
45
EMPREGO DO SINAL INDICATIVO DE
CRASE
USO DA CRASE
Outro assunto de grande dúvida, e que é frequen-
temente abordado em diversos editais de concurso, é
o uso da crase, fenômeno gramatical que corresponde
à junção da preposição a + artigo feminino definido a,
ou da junção da preposição a + os pronomes relativos
aquele, aquela ou aquilo. Representa-se graficamen-
te pela marcação (`) + (a) = (à).
Ex.: Entregue o relatório à diretora.
Refiro-me àquele vestido que está na vitrine.
Regra geral: haverá crase sempre que o termo
antecedente exija a preposição a e o termo conse-
quente aceite o artigo a.
Ex.: Fui à cidade (a + a = preposição + artigo)
Conheço a cidade (verbo transitivo direto: não exi-
ge preposição).
Vou a Brasília (verbo que exige preposição a +
palavra que não aceita artigo).
Essas dicas são facilitadoras quanto à orientação
no uso da crase, mas existem especificidades que aju-
dam no momento de identificação, conforme são mos-
tradas a seguir.
Casos Convencionados
z Locuções adverbiais formadas por palavras
femininas.
Ex.: Ela foi às pressas para o camarim.
Entregou o dinheiro às ocultas para o ministro.
Espero vocês à noite na estação de metrô.
Estou à beira-mar desde cedo.
z Locuções prepositivas formadas por palavras
femininas.
Ex.: Ficaram à frente do projeto.
z Locuções conjuntivas formadas por palavras
femininas.
Ex.: À medida que o prédio é erguido, os gastos vão
aumentando.
z Quando indicar marcação de horário, no plural.
Ex.: Pegaremos o ônibus às oito horas.
Fique atento ao seguinte: entre números teremos
que de = a / da = à, portanto:
Ex.: De 7 as 16 h. De quinta a sexta. (sem crase)
Das 7 às 16 h. Da quinta à sexta. (com crase)
z Com os pronomes relativos aquele, aquela ou
aquilo.
Ex.: A lembrança de boas-vindas foi reservada
àquele outono.
Por favor, entregue as flores àquela moça que está
sentada.
Dedique-se àquilo que lhe faz bem.
z Com o pronome demonstrativo a antes de que ou
de.
Ex.: Referimo-nos à que está de preto.
Referimo-nos à de preto.
z Com o pronome relativo a qual, as quais.
Ex.: A secretária à qual entreguei o ofício acabou
de sair.
As alunas às quais atribuí tais atividades estão de
férias.
Casos Proibitivos
Diferente dos casos em que o uso da crase é con-
vencionado, temos os casos específicos da língua em
que o seu uso é proibido. Vejamos:
z Antes de nomes masculinos.
Ex.: “O mundo intelectual deleita a poucos, o mate-
rial agrada a todos.” (MM)
O carro é movido a álcool.
Venda a prazo.
z Antes de palavras femininas que não aceitam
artigos.
Ex.: Iremos a Portugal.
Macete de crase em casos relacionados ao
deslocamento/viagem:
Se vou a; Volto da = Crase há!
Se vou a; Volto de = Crase pra quê?
Ex.: Vou à escola / Volto da escola.
Vou a Fortaleza / Volto de Fortaleza.
z Antes de forma verbal infinitiva.
Ex.: Os produtos começaram a chegar.
“Os homens, dizendo em certos casos que vão falar
com franqueza, parecem dar a entender que o
fazem por exceção de regra.” (MM)
z Antes de expressão de tratamento.
Ex.: O requerimento foi direcionado a Vossa
Excelência.
z No a (singular) antes de palavra no plural, quando
a regência do verbo exigir preposição
Ex.: Durante o filme assistimos a cenas chocantes.
z Antes dos pronomes relativos quem e cuja.
Ex.: Por favor, chame a pessoa a quem entregamos
o pacote.
Falo de alguém a cuja filha foi entregue o prêmio.
z Antes de pronomes indefinidos alguma, nenhu-
ma, tanta, certa, qualquer, toda, tamanha.
Ex.: Direcione o assunto a alguma cláusula do
contrato.
Não disponibilizaremos verbas a nenhuma ação
suspeita de fraude.
Eles estavam conservando a certa altura.
Faremos a obra a qualquer custo.
A campanha será disponibilizada a toda a comunidade.
z Antes de demonstrativos.
Ex.: Não te dirijas a essa pessoa
z Antes de nomes próprios, mesmo femininos, de
personalidades históricas.
Ex.: O documentário referia-se a Janis Joplin.
z Antes dos pronomes pessoais retos e oblíquos
Ex.: Por favor, entregue as frutas a ela.
O pacote foi entregue a ti ontem.z Nas expressões tautológicas (face a face, lado a
lado etc.):
Ex.: Pai e filho ficaram frente a frente no tribunal
de justiça.
46
z Antes das palavras casa, Terra ou terra, distância
sem determinante:
Ex.: Precisa chegar a casa antes das 22h.
Astronauta volta a Terra em dois meses.
Os pesquisadores chegaram a terra depois da
expedição marinha.
Vocês o observaram a distância.
Crase Facultativa
Nestes casos, podemos escrever as palavras das
duas formas: utilizando ou não a crase. Para entender
detalhadamente, observe as seguintes dicas:
z Antes de nomes de mulheres comuns ou com quem
se tem proximidade.
Ex.: Ele fez homenagem a/à Bárbara.
z Antes de pronomes possessivos no singular.
Ex.: Iremos a/à sua residência.
z Após preposição até, com ideia de limite.
Ex.: Dirija-se até a/à portaria.
“Ouvindo isto, o desembargador comoveu-se até
às (ou “as”) lágrimas, e disse com mui estranho
afeto.” (CBr. 1, 67)
Casos Especiais
Por fim, vejamos a seguir alguns casos que fogem
à regra.
Quando se relacionar a instrumentos cujos nomes
forem femininos, normalmente a crase não será utili-
zada. Porém, em alguns casos, utiliza-se a crase para
evitar ambiguidades.
Ex.: Matar a fome. (Quando “fome” for objeto direto)
Matar à fome. (Quando “fome” for advérbio de
instrumento)
Fechar a chave. (Quando “chave” for objeto direto)
Fechar à chave. (Quando “chave” for advérbio de
instrumento)
Quando Usar ou Não a Crase em Sentenças com
Nomes de Lugares
z Regidos por preposições de, em, por: não se usa crase
Ex.: Fui a Copacabana. (Venho de Copacabana,
moro em Copacabana, passo por Copacabana)
z Regidos por preposições da, na, pela: usa-se crase
Ex.: Fui à Bahia. (Venho da Bahia, moro na Bahia,
passo pela Bahia)
Macetes
z Haverá crase quando o “à” puder ser substituído
por ao, da, na pela, para a, sob a, sobre a, contra
a, com a, à moda de, durante a;
z Quando o de ocorre paralelo ao a, não há crase.
Quando o da ocorre paralelo ao a, há crase;
z Na indicação de horas, quando o “à uma” puder
ser substituído por “às duas”, há crase. Quando o
“a uma” equivaler a “a duas”, não ocorre crase;
z Usa-se a crase no “a” de àquele(s), àquela(s) e
àquilo quando tais pronomes puderem ser substi-
tuídos por a este, a esta e a isto;
z Usa-se crase antes de casa, distância, terra e
nomes de cidades quando esses termos estiverem
acompanhados de determinantes.
Ex.: Estou à distância de 200 metros do pico da
montanha.
A compreensão da crase vai muito além da estética
gramatical, pois serve também para evitar ambigui-
dades comuns, como o caso seguinte: Lavando a mão.
Nessa ocasião, usa-se a forma “Lavando a mão”,
pois “a mão” é o objeto direto e, portanto, não exi-
ge preposição. Usa-se a forma “à mão” em situações
como “Pintura feita à mão”, já que “à mão” seria o
advérbio de instrumento da ação de pintar.
SINTAXE DA ORAÇÃO E DO PERÍODO
CONCEITOS BÁSICOS DA SINTAXE
Ao selecionar palavras, nós as escolhemos entre
os grandes grupos de palavras existentes na língua,
como verbos, substantivos ou adjetivos. Esses são gru-
pos morfológicos. Ao combinar as palavras em frases,
nós construímos um painel morfológico.
As palavras normalmente recebem uma dupla
classificação: a morfológica, que está relacionada à
classe gramatical a que pertence, e a sintática, rela-
cionada à função específica que assumem em deter-
minada frase.
Frase
Frase é todo enunciado com sentido completo.
Pode ser formada por apenas uma palavra ou por um
conjunto de palavras.
Ex.: Fogo!
Silêncio!
“A igreja, com este calor, é fornalha...” (Graciliano
Ramos)
Oração
Enunciado que se estrutura em torno de um verbo
(explícito, implícito ou subentendido) ou de uma locu-
ção verbal. Quanto ao sentido, a oração pode apresen-
tá-lo completo ou incompleto.
Ex.: Você é um dos que se preocupam com a
poluição.
“A roda de samba acabou” (Chico Buarque)
Período
Período é o enunciado constituído de uma ou mais
orações.
Classifica-se em:
z Simples: possui apenas uma oração.
Ex.: O sol surgiu radiante.
Ninguém viu o acidente.
z Composto: possui duas ou mais orações.
Ex.: “Amou daquela vez como se fosse a última.”
(Chico Buarque)
Chegou em Casa e Tomou Banho.
LÍ
N
G
U
A
P
O
RT
U
G
U
ES
A
47
PERÍODO SIMPLES – TERMOS DA ORAÇÃO
Os termos que formam o período simples são dis-
tribuídos em: essenciais (Sujeito e Predicado), inte-
grantes (complemento verbal, complemento nominal
e agente da passiva) e acessórios (adjunto adnominal,
adjunto adverbial e aposto).
Termos Essenciais da Oração
São aqueles indispensáveis para a estrutura básica
da oração. Costuma-se associar esses termos a situa-
ções analógicas, como um almoço tradicional brasi-
leiro constituído basicamente de arroz e feijão, por
exemplo. São eles: Sujeito e Predicado. Veremos a
seguir cada um deles.
SUJEITO
É o elemento que faz ou sofre a ação determinada
pelo verbo.
O sujeito pode ser:
z o termo sobre o qual o restante da oração diz algo;
z o elemento que pratica ou recebe a ação expressa
pelo verbo;
z o termo que pode ser substituído por um pronome
do caso reto;
z o termo com o qual o verbo concorda.
Ex.: A população implorou pela compra da vacina
da COVID-19.
No exemplo anterior a população é:
z O elemento sobre o qual se declarou algo (implo-
rou pela compra da vacina);
z O elemento que pratica a ação de implorar;
z O termo com o qual o verbo concorda (o verbo
implorar está flexionado na 3ª pessoa do singular);
z O termo que pode ser substituído por um pronome
do caso reto.
(Ele implorou pela compra da vacina da COVID-19.)
Núcleo do sujeito
O núcleo é a palavra base do sujeito. É a principal
porque é a respeito dela que o predicado diz algo. O
núcleo indica a palavra que realmente está exercen-
do determinada função sintática, que atua ou sofre
a ação. O núcleo do sujeito apresentará um substan-
tivo, ou uma palavra com valor de substantivo, ou
pronome.
z O sujeito simples contém apenas um núcleo.
Ex.: O povo pediu providências ao governador.
Sujeito: O povo
Núcleo do sujeito: povo
z Já o sujeito composto, o núcleo será constituído
de dois ou mais termos.
As luzes e as cores são bem visíveis.
Sujeito: As luzes e as cores
Núcleo do sujeito: luzes/cores
Dica
Para determinar o sujeito da oração, colocam-se
as expressões interrogativas quem? ou o quê?
Antes do verbo.
Ex.: A população pediu uma providência ao
governador.
quem pediu uma providência ao governador?
Resposta: A população (sujeito).
Ex.: O pêndulo do relógio iria de um lado para o
outro.
o que iria de um lado para o outro?
Resposta: O pêndulo do relógio (sujeito).
Tipos de Sujeito
Quanto à função na oração, o sujeito classifica-se em:
DETERMINADO
Simples
Composto
Elíptico
INDETERMINADO
Com verbos flexionados na 3ª
pessoa do plural
Com verbos acompanhados do
se (índice de indeterminação do
sujeito)
INEXISTENTE
Usado para fenômenos da
natureza ou com verbos
impessoais
z Determinado: quando se identifica a pessoa, o
lugar ou o objeto na oração. Classifica-se em:
� Simples: quando há apenas um núcleo.
Ex.: O [aluguel] da casa é caro.
Núcleo: aluguel
Sujeito simples: O aluguel da casa
� Composto: quando há dois núcleos ou mais.
Ex.: Os [sons] e as [cores] ficaram perfeitos.
Núcleos: sons, cores.
Sujeito composto: Os sons e as cores
� Elíptico, oculto ou desinencial: quando não
aparece na oração, mas é possível de ser identifi-
cado devido à flexão do verbo ao qual se refere.
Ex.: Vi o noticiário hoje de manhã. Sujeito: (Eu)
z Indeterminado: quando não é possível identificar
o sujeito na oração, mas ainda sim está presente.
Encontra-se na 3ª pessoa do plural ou representa-
do por um índice de indeterminação do sujeito, a
partícula “se”.
� Colocando-se o verbo na 3ª pessoa do plural,
não se referindo a nenhuma palavra determi-
nada no contexto.
Ex.: Passaram cedo por aqui, hoje.
Entende-se que alguém passou cedo.
� Colocando-se verbos sem complementodireto
(intransitivos, transitivos diretos ou de ligação)
na 3ª pessoa do singular acompanhados do pro-
nome se, que atua como índice de indetermina-
ção do sujeito.
Ex.: Não se vê com a neblina.
48
Entende-se que ninguém consegue ver nessa
condição.
Sujeito Inexistente ou Oração sem Sujeito
Esse tipo de situação ocorre quando uma oração
não tem sujeito mas tem sentido completo. Os verbos
são impessoais e normalmente representam fenôme-
nos da natureza. Pode ocorrer também o verbo fazer
ou haver no sentido de existir.
Geia no Paraná.
Fazia um mês que tinha sumido.
Basta de confusão.
Há dois anos esse restaurante abriu.
Classificação do Sujeito Quanto à Voz
z Voz ativa (sujeito agente)
Ex.: Cláudia corta cabelos de terça a sábado.
Nesse caso, o termo “Cláudia” é a pessoa que exer-
ce a ação na frase.
z Voz passiva sintética (sujeito paciente)
Ex.: Corta-se cabelo.
Pode-se ler “Cabelo é cortado”, ou seja, o sujeito
“cabelo” sofre uma ação, diferente do exemplo do
item anterior. O “-se” é a partícula apassivadora da
oração.
Importante notar que não há preposição entre
o verbo e o substantivo. Se houvesse, por exemplo,
“de” no meio da frase, o termo “cabelo” não seria mais
sujeito, seria objeto indireto, um complemento verbal.
Precisa-se de cabelo.
Assim, “de cabelo” seria um complemento verbal,
e não um sujeito da oração. Nesse caso, o sujeito é
indeterminado, marcado pelo índice de indetermina-
ção “-se”.
z Voz passiva analítica (sujeito paciente)
Ex.: A minha saia azul está rasgada.
O sujeito está sofrendo uma ação, e não há presen-
ça da partícula -se.
PREDICADO
É o termo que contém o verbo e informa algo sobre
o sujeito. Apesar de o sujeito e o predicado serem ter-
mos essenciais na oração, há casos em que a oração
não possui sujeito. Mas, se a oração é estruturada em
torno de um verbo e ele está contido no predicado, é
impossível existir uma oração sem sujeito.
O predicado pode ser:
z Aquilo que se declara a respeito do sujeito.
Ex.: “A esposa e o amigo seguem sua marcha.”
(José de Alencar)
Predicado: seguem sua marcha
z Uma declaração que não se refere a nenhum sujei-
to (oração sem sujeito):
Ex.: Chove pouco nesta época do ano.
Predicado: Chove pouco nesta época do ano.
Para determinar o predicado, basta separar o
sujeito. Ocorrendo uma oração sem sujeito, o predica-
do abrangerá toda a declaração. A presença do verbo
é obrigatória, seja de forma explícita ou implícita:
Ex.: “Nossos bosques têm mais vidas.” (Gonçalves
Dias)
Sujeito: Nossos bosques. Predicado: têm mais vida.
Ex.: “Nossa vida mais amores”. (Gonçalves Dias)
Sujeito: Nossa vida. Predicado: mais amores.
Classificação do Predicado
A classificação do predicado depende do significa-
do e do tipo de verbo que apresenta.
z Predicado nominal: ocorre quando o núcleo sig-
nificativo se concentra em um nome (corresponde
a um predicativo do sujeito).
O verbo deste tipo de oração é sempre de ligação.
O predicado nominal tem por núcleo um nome
(substantivo, adjetivo ou pronome).
Ex.: “Nossas flores são mais bonitas.” (Murilo
Mendes)
Predicado: são mais bonitas.
Ex.: “As estrelas estão cheias de calafrios.” (Olavo
Bilac)
Predicado: estão cheias de calafrios.
É importante não confundir:
z Verbo de ligação: quando não exprime uma ação,
mas um estado momentâneo ou permanente que
relaciona o sujeito ao restante do predicado, que é
o predicativo do sujeito.
z Predicativo do sujeito; função exercida por subs-
tantivo, adjetivo, pronomes e locuções que atri-
buem uma condição ou qualidade ao sujeito.
Ex.: O garoto está bastante feliz.
Verbo de ligação: está.
Predicativo do sujeito: bastante feliz.
Ex.: Seu batom é muito forte.
Verbo de ligação: é.
Predicativo do sujeito: muito forte.
Predicado Verbal
Ocorre quando há dois núcleos significativos: um
verbo (transitivo ou intransitivo) e um nome (predi-
cativo do sujeito ou, em caso transitivo, predicativo do
objeto). Da natureza desse verbo é que decorrem os
demais termos do predicado.
O verbo do predicado pode ser classificado em
transitivo direto, transitivo indireto, verbo transi-
tivo direto e indireto ou verbo intransitivo.
z Verbo transitivo direto (VTD): é o verbo que exi-
ge um complemento não preposicionado, o objeto
direto.
Ex.: “Fazer sambas lá na vila é um brinquedo.”
Noel Rosa
Verbo Transitivo Direto: Fazer.
Ex.: Ele trouxe os livros ontem.
Verbo Transitivo Direto: trouxe.
LÍ
N
G
U
A
P
O
RT
U
G
U
ES
A
49
z Verbo transitivo indireto (VTI): o verbo transiti-
vo indireto tem como necessidade o complemen-
to acompanhado de uma preposição para fazer
sentido.
Ex.: Nós acreditamos em você.
Verbo transitivo indireto: acreditamos
Preposição: em
Ex.: Frida obedeceu aos seus pais.
Verbo transitivo indireto: obedeceu
Preposição: a (a + os)
Ex.: Os professores concordaram com isso.
Verbo transitivo indireto: concordaram
Preposição: com
z Verbo transitivo direto e indireto (VTDI): é o
verbo de sentido incompleto que exige dois com-
plementos: objeto direto (sem preposição) e objeto
indireto (com preposição).
Ex.: “Ela contava-lhe anedotas, e pedia-lhe ou-
tras.” (Machado de Assis)
Verbo transitivo direto e indireto 1: contava
Objeto direto 1: anedotas
Objeto indireto 1: lhe
Verbo transitivo direto e indireto 2: pedia
Objeto direto 2: outras
Objeto indireto 2: lhe.
z Verbo intransitivo (VI): É aquele capaz de cons-
truir sozinho o predicado, que não precisa de com-
plementos verbais, sem prejudicar o sentido da
oração.
Ex.: Escrevia tanto que os dedos adormeciam.
Verbo intransitivo: adormeciam.
Predicado Verbo-Nominal
Ocorre quando há dois núcleos significativos:
um verbo nocional (intransitivo ou transitivo) e um
nome (predicativo do sujeito ou, em caso de verbo
transitivo, predicativo do objeto).
Ex.: “O homem parou atento.” (Murilo Mendes)
Verbo intransitivo: parou
Predicativo do sujeito: atento
Repare que no primeiro exemplo o termo “atento”
está caracterizando o sujeito “O homem” e, por isso, é
considerado predicativo do sujeito.
Ex.: “Fabiano marchou desorientado.” (Olavo Bilac)
Verbo intransitivo: marchou
Predicativo do sujeito: desorientado
No segundo exemplo, o termo “desorientado” indi-
ca um estado do termo “Fabiano”, que também é sujei-
to. Temos mais um caso de predicativo do sujeito.
Ex.: “Ptolomeu achou o raciocínio exato.” (Macha-
do de Assis)
Verbo transitivo direto: achou
Objeto direto: o raciocínio
Predicativo do objeto: exato
No terceiro exemplo, o termo “exato” caracteriza
um julgamento relacionado ao termo “o raciocínio”,
que é o objeto direto dessa oração. Com isso, podemos
concluir que temos um caso de predicativo do obje-
to, visto que “exato” não se liga a “Ptolomeu”, que é
o sujeito.
O que é o predicativo do objeto?
É o termo que confere uma característica, uma
qualidade, ao que se refere.
A formação do predicativo do objeto se dá por um
adjetivo ou por um substantivo.
Ex.: Consideramos o filme proveitoso.
Predicativo do objeto: proveitoso
Ex.: Chamavam-lhe vitoriosa, pelas conquistas.
Predicativo do objeto: vitoriosa
Para facilitar a identificação do predicativo do
objeto, o recomendável é desdobrar a oração, acres-
centando-lhe um verbo de ligação, cuja função especí-
fica é relacionar o predicativo ao nome.
O filme foi proveitoso.
Ela era vitoriosa.
Nessas duas últimas formas, os termos seriam pre-
dicativos do sujeito, pois são precedidos de verbos de
ligação (foi e era, respectivamente).
TERMOS INTEGRANTES DA ORAÇÃO
São vocábulos que se agregam a determinadas
estruturas para torná-las completas. De acordo com
a gramática da língua portuguesa, esses termos são
divididos em:
Complementos Verbais
São termos que completam o sentido de verbos
transitivos diretos e transitivos indiretos.
z Objeto direto: revela o alvo da ação. Não é acom-
panhado de preposição.
Ex.: Examinei o relógio de pulso.
Gostaria de vê-lo no topo do mundo.
O técnico convocou somente os do Brasil. (os =
aqueles)
Pronomes e suarelação com o objeto direto
Além dos pronomes oblíquos o(s), a(s) e suas
variações lo(s), la(s), no(s), na(s), “que” quase sem-
pre exercem função de objeto direto, os pronomes
oblíquos me, te, se, nos, vos também podem exercer
essa função sintática.
Ex.: Levou-me à sabedoria esta aula. (= “Levaram
quem? A minha pessoa”)
Nunca vos tomeis como grandes personalidades.
(= “Nunca tomeis quem? Vós”)
Convidaram-na para o almoço de despedida.
(= “Convidaram quem? Ela”)
Depois de terem nos recebido, abriram a caixa.
(= “Receberam quem? Nós”)
Os pronomes demonstrativos o, a, os, as podem
ser objetos diretos. Normalmente, aparecem antes do
pronome relativo que.
Ex.: Escuta o que eu tenho a dizer. (Escuta algo:
esse algo é o objeto direto)
Observe bem a que ele mostrar. (a = pronome
feminino definido)
z Objeto Direto Preposicionado
Mesmo que o verbo transitivo direto não exija
preposição no seu complemento, algumas palavras
requerem o uso da preposição para não perder o sen-
tido de “alvo” do sujeito.
Além disso, há alguns casos obrigatórios e outros
facultativos.
50
Exemplos com Ocorrência Obrigatória de Preposição:
Não entendo nem a ele nem a ti.
Respeitava-se aos mais antigos.
Ali estava o artista a quem nosso amigo idolatrava.
Amavam-se um ao outro.
“Olho Gabriela como a uma criança, e não mulher
feita.” (Ciro dos Anjos)
Exemplos com Ocorrência Facultativa de Preposição:
Eles amam a Deus, assim diziam as pessoas daque-
le templo.
A escultura atrai a todos os visitantes.
Não admito que coloquem a Sua Excelência num
pedestal.
Ao povo ninguém engana.
Eu detesto mais a estes filmes do que àqueles.
No caso “Você bebeu dessa água?”, a forma “des-
sa” (preposição de + pronome essa) precisa estar pre-
sente para indicar parte de um todo, quando assim
for o contexto de uso. Logo, a pergunta é se a pessoa
bebeu uma porção da água, e não ela toda.
z Objeto direto pleonástico: É a dupla ocorrência
dessa função sintática na mesma oração, a fim de
enfatizar um único significado.
Ex.: “Eu não te engano a ti”. (Carlos Drummond de
Andrade)
z Objeto direto interno: Representado por palavra
que tem o mesmo radical do verbo ou apresenta
mesmo significado.
Ex.: Riu um riso aterrador.
Dormiu o sono dos justos.
Como diferenciar objeto direto de sujeito?
Já começaram os jogos da seleção. (sujeito)
Ignoraram os jogos da seleção. (objeto direto)
O objeto direto pode ser passado para a voz passi-
va analítica e se transforma em sujeito.
Os jogos da seleção foram ignorados.
z Objeto indireto: É complemento verbal regido de
preposição obrigatória, que se liga diretamente a
verbos transitivos indiretos e diretos. Representa
o ser beneficiado ou o alvo de uma ação.
Ex.: Por favor, entregue a carta ao proprietário da
casa 260.
Gosto de ti, meu nobre.
Não troque o certo pelo duvidoso.
Vamos insistir em promover o novo romance de
ficção.
Objeto Indireto e o Uso de Pronomes Pessoais
Pode ser representado pelos seguintes pronomes
oblíquos átonos: me, te, se, no, vos, lhe, lhes. Os pro-
nomes o, a, os, as não exercerão essa função.
Ex.: Mostre-lhe onde fica o banheiro, por favor.
Todos os pronomes oblíquos tônicos (me, mim,
comigo, te, ti, contigo) podem funcionar como objeto
indireto, já que sempre ocorrem com preposição.
Ex.: Você escreveu esta carta para mim?
z Objeto indireto pleonástico: Ocorrência repetida
dessa função sintática com o objetivo de enfatizar
uma mensagem.
Ex.: A ele, sem reservas, supliquei-lhe ajuda.
COMPLEMENTO NOMINAL
Completa o sentido de substantivos, adjetivos e
advérbios. É uma função sintática regida de preposi-
ção e com objetivo de completar o sentido de nomes. A
presença de um complemento nominal nos contextos
de uso é fundamental para o esclarecimento do senti-
do do nome.
Ex.: Tenho certeza de que tu serás aprovado.
Estou longe de casa e tão perto do paraíso.
Para melhor identificar um complemento nomi-
nal, siga a instrução:
Nome + preposição + quem ou quê
Como diferenciar complemento nominal de com-
plemento verbal?
Ex.: Naquela época, só obedecia ao meu coração.
(complemento verbal, pois “ao meu coração” liga-se
diretamente ao verbo “obedecia”)
Naquela época, a obediência ao meu coração pre-
valecia. (complemento nominal, pois “ao meu cora-
ção” liga-se diretamente ao nome “obediência”).
Agente da Passiva
É o complemento de um verbo na voz passiva ana-
lítica. Sempre é precedido da preposição por, e, mais
raramente, da preposição de.
Forma-se essencialmente pelos verbos auxiliares
ser, estar, viver, andar, ficar.
Termos Acessórios da Oração
Há termos que, apesar de dispensáveis na estrutu-
ra básica da oração, são importantes para compreen-
são do enunciado porque trazem informações novas.
Esses termos são chamados acessórios da oração.
Adjunto Adnominal
São termos que acompanham o substantivo,
núcleo de outra função, para qualificar, quantificar,
especificar o elemento representado pelo substantivo.
Categorias morfológicas que podem funcionar
como adjunto adnominal:
z Artigos
z Adjetivos
z Numerais
z Pronomes
z Locuções adjetivas
Ex.: Aqueles dois antigos soldadinhos de chumbo
ficaram esquecidos no quarto.
Iam cheios de si.
Estava conquistando o respeito dos seus.
O novo regulamento originou a revolta dos
funcionários.
O doutor possuía mil lembranças de suas viagens.
z Pronomes oblíquos átonos e a função de ajunto
adnominal: os pronomes me, te, lhe, nos, vos, lhes
exercem essa função sintática quando assumem
valor de pronomes possessivos.
LÍ
N
G
U
A
P
O
RT
U
G
U
ES
A
51
Ex.: Puxaram-me o cabelo (Puxam meu cabelo).
z Como diferenciar adjunto adnominal de com-
plemento nominal?
Quando o adjunto adnominal for representado
por uma locução adjetiva, ele pode ser confundido
com complemento nominal. Para diferenciá-los, siga
a dica:
� Será adjunto adnominal: se o substantivo ao
qual se liga for concreto.
Ex.: A casa da idosa desapareceu.
Se indicar posse ou o agente daquilo que
expressa o substantivo abstrato.
Ex.: A preferência do grupo não foi respeitada.
� Será complemento nominal: se indicar o alvo
daquilo que expressa o substantivo.
Ex.: A preferência pelos novos alojamentos não
foi respeitada.
Notava-se o amor pelo seu trabalho.
Se vier ligado a um adjetivo ou a um advérbio:
Ex.: Manteve-se firme em seus objetivos.
Adjunto Adverbial
Termo representado por advérbios, locuções
adverbiais ou adjetivos com valor adverbial. Relacio-
na-se ao verbo ou a toda oração para indicar variadas
circunstâncias.
z Tempo: Quero que ele venha logo;
z Lugar: A dança alegre se espalhou na avenida;
z Modo: O dia começou alegremente;
z Intensidade: Almoçou pouco;
z Causa: Ela tremia de frio;
z Companhia: Venha jantar comigo;
z Instrumento: Com a máquina, conseguiu lavar as
roupas;
z Dúvida: Talvez ele chegue mais cedo;
z Finalidade: Vivia para o trabalho;
z Meio: Viajou de avião devido à rapidez;
z Assunto: Falávamos sobre o aluguel;
z Negação: Não permitirei que permaneça aqui;
z Afirmação: Sairia sim naquela manhã;
z Origem: Descendia de nobres.
Não confunda!
Para conseguir distinguir adjunto adverbial de
adjunto adnominal, basta saber se o termo relacio-
nado ao adjunto é um verbo ou um nome, mesmo que
o sentido seja parecido.
Ex.: Descendência de nobres. (O “de nobres” aqui
é um adjunto adnominal)
Descendia de nobres. (O “de nobres” aqui é um
adjunto adverbial)
Aposto
Estruturas relacionadas a substantivos, pronomes
ou orações. O aposto tem como propósito explicar,
identificar, esclarecer, especificar, comentar ou apon-
tar algo, alguém ou um fato.
Ex.: Renata, filha de D. Raimunda, comprou uma
bicicleta.
Aposto: filha de D. Raimunda
Ex.: O escritor Machado de Assis escreveu gran-
des obras.
Aposto: Machado de Assis.
Classifica-se nas seguintes categorias:
z Explicativo: usado para explicar o termo anterior.
Separa-se do substantivo a que se refere por uma
pausa, marcada na escrita por vírgulas, travessões
ou dois-pontos.Ex.: As filhas gêmeas de Ana, que aniversariaram
ontem, acabaram de voltar de férias.
Jéssica uma ótima pessoa, conseguiu apoio de todos.
z Enumerativo: usado para desenvolver ideias que
foram resumidas ou abreviadas em um termo ante-
rior. Mostra os elementos contidos em um só termo.
Ex.: Víamos somente isto: vales, montanhas e
riachos.
Apenas três coisas me tiravam do sério, a saber,
preconceito, antipatia e arrogância.
z Recapitulativo ou resumidor: É o termo usado
para resumir termos anteriores. É expresso, nor-
malmente, por um pronome indefinido.
Ex.: Os professores, coordenadores, alunos, todos
estavam empolgados com a feira.
Irei a Moçambique, Cabo Verde, Angola e Guiné-
-Bissau, países africanos onde se fala português.
z Comparativo: Estabelece uma comparação implícita.
Ex.: Meu coração, uma nau ao vento, está sem
rumo.
z Circunstancial: Exprime uma característica
circunstancial.
Ex.: No inverno, busquemos sair com roupas
apropriadas.
z Especificativo: É o aposto que aparece junto a um
substantivo de sentido genérico, sem pausa, para
especificá-lo ou individualizá-lo. É constituído por
substantivos próprios.
Exs.: O mês de abril.
O rio Amazonas.
Meu primo José.
z Aposto da oração: É um comentário sobre o
fato expresso pela oração, ou uma palavra que
condensa.
Ex.: Após a notícia, ficou calado, sinal de sua
preocupação.
O noticiário disse que amanhã fará muito calor –
ideia que não me agrada.
z Distributivo: Dispõe os elementos equitativamente.
Ex.: Separe duas folhas: uma para o texto e outra
para as perguntas.
Sua presença era inesperada, o que causou surpresa.
Dica
z O aposto pode aparecer antes do termo a que
se refere, normalmente antes do sujeito.
Ex.: Maior piloto de todos os tempos, Ayrton Sen-
na marcou uma geração.
z Segundo “o gramático” Cegalla, quando o apos-
to se refere a um termo preposicionado, pode ele
vir igualmente preposicionado.
52
Ex.: De cobras, (de) morcegos, (de) bichos, de
tudo ele tinha medo.
z O aposto pode ter núcleo adjetivo ou adverbial.
Ex.: Tuas pestanas eram assim: frias e curvas.
(adjetivos, apostos do predicativo do sujeito)
Falou comigo deste modo: calma e maliciosa-
mente. (advérbios, aposto do adjunto adverbial
de modo).
z Diferença de aposto especificativo e adjunto
adnominal: Normalmente, é possível retirar a
preposição que precede o aposto. Caso seja um
adjunto, se for retirada a preposição, a estrutura
fica prejudicada.
Ex.: A cidade Fortaleza é quente.
(aposto especificativo / Fortaleza é uma cidade)
O clima de Fortaleza é quente.
(adjunto adnominal / Fortaleza é um clima?)
z Diferença de aposto e predicativo do sujeito: O
aposto não pode ser um adjetivo nem ter núcleo
adjetivo.
Ex.: Muito desesperado, João perdeu o controle.
(predicativo do sujeito; núcleo: desesperado – ad-
jetivo)
Homem desesperado, João sempre perde o con-
trole.
(aposto; núcleo: homem – substantivo)
Vocativo
O vocativo é um termo que não mantém relação
sintática com outro termo dentro da oração. Não per-
tence nem ao sujeito, nem ao predicado. É usado para
chamar ou interpelar a pessoa que o enunciador dese-
ja se comunicar. É um termo independente, pois
não faz parte da estrutura da oração.
Ex.: Recepcionista, por favor, agende minha
consulta.
Ela te diz isso desde ontem, Fábio.
z Para distinguir vocativo de aposto: o vocati-
vo não se relaciona sintaticamente com nenhum
outro termo da oração.
Ex.: Lufe, faz um almoço gostoso para as crianças.
O aposto se relaciona sintaticamente com outro
termo da oração.
A cozinha de Lufe, cozinheiro da família, é impecável.
Sujeito: a cozinha de lufe.
Aposto: cozinheiro da família (relaciona-se ao
sujeito).
PERÍODO COMPOSTO
Observe os exemplos a seguir:
A apostila de Português está completa.
Um verbo: Uma oração = período simples
Português e Matemática são disciplinas essen-
ciais para ser aprovado em concursos.
Dois verbos: duas orações = período composto
O período composto é formado por duas ou mais
orações. Num parágrafo, podem aparecer misturado
períodos simples e período compostos.
PERÍODO SIMPLES PERÍODO COMPOSTO
Era dia de eleição O povo levantou-se cedo para evitar aglomeração
Para não esquecer:
Período simples é aquele formado por uma só
oração.
Período composto é aquele formado por duas ou
mais orações.
Classifica-se nas seguintes categorias:
z Por coordenação: orações coordenadas assindéticas;
� Orações coordenadas sindéticas: aditivas, adver-
sativas, alternativas, conclusivas, explicativas.
z Por subordinação:
� Orações subordinadas substantivas: subjeti-
vas, objetivas diretas, objetivas indiretas, com-
pletivas nominais, predicativas, apositivas;
� Orações subordinadas adjetivas: restritivas,
explicativas;
� Orações subordinadas adverbiais: causais,
comparativas, concessivas, condicionais, con-
formativas, consecutivas, finais, proporcionais,
temporais.
z Por coordenação e subordinação: orações for-
madas por períodos mistos;
z Orações reduzidas: de gerúndio e de infinitivo.
Período Composto por Coordenação
As orações são sintaticamente independentes. Isso
significa que uma não possui relação sintática com
verbos, nomes ou pronomes das demais orações no
período.
Ex.: “Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.”
(Fernando Pessoa)
Oração coordenada 1: Deus quer
Oração coordenada 2: o homem sonha
Oração coordenada 3: a obra nasce.
Ex.: “Subi devagarinho, colei o ouvido à porta da
sala de Damasceno, mas nada ouvi.” (M. de Assis)
Oração coordenada assindética: Subi devagarinho
Oração coordenada assindética: colei o ouvido à
porta da sala de Damasceno
Oração coordenada sindética: mas nada ouvi
Conjunção adversativa: mas nada
Orações Coordenadas Sindéticas
As orações coordenadas podem aparecer ligadas
às outras através de um conectivo (elo), ou seja, atra-
vés de um síndeto, de uma conjunção, por isso o nome
sindética. Veremos agora cada uma delas:
z Aditivas: exprimem ideia de sucessibilidade ou
simultaneidade.
Conjunções constitutivas: e, nem, mas, mas tam-
bém, mas ainda, bem como, como também, se-
não também, que (= e).
Ex.: Pedro casou-se e teve quatro filhos.
Os convidados não compareceram nem explica-
ram o motivo.
z Adversativas: exprimem ideia de oposição, con-
traste ou ressalva em relação ao fato anterior.
Conjunções constitutivas: mas, porém, todavia,
contudo, entretanto, no entanto, senão, não obs-
tante, ao passo que, apesar disso, em todo caso.
LÍ
N
G
U
A
P
O
RT
U
G
U
ES
A
53
Ex.: Ele é rico, mas não paga as dívidas.
“A morte é dura, porém longe da pátria é dupla a
morte.” (Laurindo Rabelo)
z Alternativas: exprimem fatos que se alternam ou
se excluem.
Conjunções constitutivas: (ou), (ou ... ou), (ora ...
ora), (que ... quer), (seja ... seja), (já ... já), (talvez
... talvez).
Ex.: Ora responde, ora fica calado.
Você quer suco de laranja ou refrigerante?
z Conclusivas: exprimem uma conclusão lógica
sobre um raciocínio.
Conjunções constitutivas: logo, portanto, por con-
seguinte, pois isso, pois (o “pois” sem ser no início
de frase).
Ex.: Estou recuperada, portanto viajarei próxima
semana.
“Era domingo; eu nada tinha, pois, a fazer.” (Paulo
Mendes Campos)
z Explicativas: justificam uma opinião ou ordem
expressa. Conjunções constitutivas: que, porque,
porquanto, pois.
Ex.: Vamos dormir, que é tarde. (o “que” equivale
a “pois”)
Vamos almoçar de novo porque ainda estamos
com fome.
PERÍODO COMPOSTO POR SUBORDINAÇÃO
Formado por orações sintaticamente dependentes,
considerando a função sintática em relação a um ver-
bo, nome ou pronome de outra oração.
Tipos de orações subordinadas:
z Substantivas;
z Adjetivas;
z Adverbiais.
Orações Subordinadas Substantivas
São classificadas nas seguintes categorias:
z Orações subordinadas substantivas conectivas:
são introduzidas pelas conjunções subordinativas
integrantes que e se.
Ex.: Dizem que haverá novos aumentos de
impostos.
Não sei se poderei sair hoje à noite.
z Orações subordinadas substantivasjustapos-
tas: introduzidas por advérbios ou pronomes
interrogativos (onde, como, quando, quanto,
quem etc.)
z Ex.: Ignora-se onde eles esconderam as joias
roubadas.
Não sei quem lhe disse tamanha mentira.
z Orações subordinadas substantivas reduzidas:
não são introduzidas por conectivo, e o verbo fica
no infinitivo.
Ex.: Ele afirmou desconhecer estas regras.
z Orações subordinadas substantivas subjetivas:
exercem a função de sujeito. O verbo da oração
principal deve vir na voz ativa, passiva analítica
ou sintética. Em 3ª pessoa do singular, sem se refe-
rir a nenhum termo na oração.
Ex.: Foi importante o seu regresso. (sujeito)
Foi importante que você regressasse. (sujeito ora-
cional) (or. sub. subst. subje.)
z Orações subordinadas substantivas objetivas
diretas: exercem a função de objeto direto de um
verbo transitivo direto ou transitivo direto e indi-
reto da oração principal.
Ex.: Desejo o seu regresso. (OD)
Desejo que você regresse. (OD oracional) (or. sub.
subst. obj. dir.)
z Orações subordinadas substantivas completi-
vas nominais: exercem a função de complemento
nominal de um substantivo, adjetivo ou advérbio
da oração principal.
Ex.: Tenho necessidade de seu apoio. (comple-
mento nominal)
Tenho necessidade de que você me apoie. (com-
plemento nominal oracional) (or. sub. subst. com-
pl. nom.)
z Orações subordinadas substantivas predicati-
vas: funcionam como predicativos do sujeito da
oração principal. Sempre figuram após o verbo de
ligação ser.
Ex.: Meu desejo é a sua felicidade. (predicativo do
sujeito)
Meu desejo é que você seja feliz. (predicativo do
sujeito oracional) (or. sub. subst. predic.)
z Orações subordinadas substantivas apositivas:
funcionam como aposto. Geralmente vêm depois
de dois-pontos ou entre vírgulas.
Ex.: Só quero uma coisa: a sua volta imediata. (aposto)
Só quero uma coisa: que você volte imediata-
mente. (aposto oracional) (or. sub. aposi.)
z Orações subordinadas adjetivas: desempenham
função de adjetivo (adjunto adnominal ou, mais
raramente, aposto explicativo). São introduzidas
por pronomes relativos (que, o qual, a qual, os
quais, as quais, cujo, cuja, cujos, cujas etc.) As
orações subordinadas adjetivas classificam-se em:
explicativas e restritivas.
� Orações subordinadas adjetivas explicati-
vas: não limitam o termo antecedente, e sim
acrescentam uma explicação sobre o termo
antecedente. São consideradas termo acessório
no período, podendo ser suprimidas. Sempre
aparecem isoladas por vírgulas.
Ex.: Minha mãe, que é apaixonada por bichos,
cria trinta gatos.
� Orações subordinadas adjetivas restritivas:
especificam ou limitam a significação do termo
antecedente, acrescentando-lhe um elemento
indispensável ao sentido. Não são isoladas por
vírgulas.
Ex.: A doença que surgiu recentemente ainda
é incurável.
Dica
Como diferenciar as orações subordinadas adje-
tivas restritivas das orações subordinadas adjeti-
vas explicativas?
Ele visitará o irmão que mora em Recife.
(restritiva, pois ele tem mais de um irmão e vai
visitar apenas o que mora em Recife)
Ele visitará o irmão, que mora em Recife.
(explicativa, pois ele tem apenas um irmão que
mora em Recife)
54
z Orações subordinadas adverbiais: exprimem
uma circunstância relativa a um fato expresso em
outra oração. Têm função de adjunto adverbial.
São introduzidas por conjunções subordinativas
(exceto as integrantes) e se enquadram nos seguin-
tes grupos:
z Orações subordinadas adverbiais causais: são
introduzidas por: como, já que, uma vez que, por-
que, visto que etc.
Ex.: Caminhamos o restante do caminho a pé por-
que ficamos sem gasolina.
z Orações subordinadas adverbiais comparati-
vas: são introduzidas por: como, assim como, tal
qual, como, mais etc.
Ex.: A cerveja nacional é menos concentrada (do)
que a importada.
z Orações subordinadas adverbiais concessivas:
indica certo obstáculo em relação ao fato expres-
so na outra oração, sem, contudo, impedi-lo. São
introduzidas por: embora, ainda que, mesmo que,
por mais que, se bem que etc.
Ex.: Mesmo que chova, iremos à praia amanhã.
z Orações subordinadas adverbiais condicionais:
são introduzidas por: se, caso, desde que, salvo se,
contanto que, a menos que etc.
Ex.: Você terá sucesso desde que se esforce para tal.
z Orações subordinadas adverbiais conformati-
vas: são introduzidas por: como, conforme, segun-
do, consoante.
Ex.: Ele deverá agir conforme combinamos.
z Orações subordinadas adverbiais consecutivas:
são introduzidas por: que (precedido na oração
anterior de termos intensivos como tão, tanto,
tamanho etc.) de sorte que, de modo que, de forma
que, sem que.
Ex.: A garota rio tanto, que se engasgou.
“Achei as rosas mais belas do que nunca, e tão per-
fumadas que me estontearam.” (Cecília Meireles)
z Orações subordinadas adverbiais finais: indi-
cam um objetivo a ser alcançado. São introduzidas
por: para que, a fim de que, porque e que (= para
que).
Ex.: O pai sempre trabalhou para que os filhos
tivessem bom estudo.
z Orações subordinadas adverbiais proporcio-
nais: são introduzidas por: à medida que, à pro-
porção que, quanto mais, quanto menos etc.
Ex.: Quanto mais ouço essa música, mais a
aprecio.
z Orações subordinadas adverbiais temporais:
são introduzidas por: quando, enquanto, logo que,
depois que, assim que, sempre que, cada vez que,
agora que etc.
Ex.: Assim que você sair, feche a porta, por favor.
Para separar as orações de um período composto, é
necessário atentar-se para dois elementos fundamen-
tais: os verbos (ou locuções verbais) e os conectivos
(conjunções ou pronomes relativos). Após assinalar
esses elementos, deve-se contar quantas orações ele
representa, a partir da quantidade de verbos ou locu-
ções verbais. Exs.:
[“A recordação de uns simples olhos basta] – 1ª oração
[para fixar outros] – 2ª oração
[que os rodeiam] – 3ª oração
[e se deleitem com a imaginação deles]. – 4ª ora-
ção (M. de Assis)
Nesse período, a 2ª oração subordina-se ao verbo
basta, pertencente à 1ª (oração principal).
A 3ª e a 4ª são orações coordenadas entre si, porém
ambas dependentes do pronome outros, da 2ª oração.
Orações Reduzidas
z Apresentam o mesmo verbo em uma das formas
nominais (gerúndio, particípio e infinitivo);
z As que são substantivas e adverbiais: nunca são
iniciadas por conjunções;
z As que são adjetivas: nunca podem ser iniciadas
por pronomes relativos;
z Podem ser reescritas (desenvolvidas) com esses
conectivos;
z Podem ser iniciadas por preposição ou locução
prepositiva.
Ex.: Terminada a prova, fomos ao restaurante.
O. S. Adv. reduzida de particípio: não começa com
conjunção
Quando terminou a prova, fomos ao restaurante.
(desenvolvida)
O. S. Adv. Desenvolvida: começa com conjunção
Orações Reduzidas de Infinitivo
Podem ser substantivas, adjetivas ou adverbiais.
Se o infinitivo for pessoal, irá flexionar normalmente.
z Substantivas: Ex.: É preciso trabalhar muito. (O.
S. substantiva subjetiva reduzida de infinitivo)
Deixe o aluno pensar. (O. S. substantiva objetiva
direta reduzida de infinitivo)
A melhor política é ser honesto. (O. S. substantiva
predicativa reduzida de infinitivo)
Este é um difícil livro de se ler. (O. S. substantiva
completiva nominal reduzida de infinitivo)
Temos uma missão: subir aquela escada. (O. S.
substantiva apositiva reduzida de infinitivo)
z Adjetivas: Ex.: João não é homem de meter os pés
pelas mãos.
O meu manual para fazer bolos certamente vai
agradar a todos.
z Adverbiais: Ex.: Apesar de estar machucado,
continua jogando bola.
Sem estudar, não passarão.
Ele passou mal, de tanto comer doces.
Orações Reduzidas de Gerúndio
Podem ser coordenadas aditivas, substantivas apo-
sitivas, adjetivas, adverbiais.
z Coordenada aditiva: Ex.: Pagou a conta, ficando
livre dos juros.
z Substantiva apositiva: Ex.: Não mais se vê amigo
ajudando um ao outro. (subjetiva)
Agora ouvimos artistas cantando no shopping.
(objetiva direta)
LÍ
N
G
U
A
P
O
RT
UG
U
ES
A
55
z Adjetiva: Ex.: Criança pedindo esmola dói o
coração.
z Adverbial: Ex.: Temendo a reação do pai, não
contou a verdade.
Orações Reduzidas de Particípio
Podem ser adjetivas ou adverbiais.
z Adjetiva: Ex.: A notícia divulgada pela mídia era falsa.
Nosso planeta, ameaçado constantemente por
nós mesmos, ainda resiste.
z Adverbiais: Ex.: Aceitas as condições, não have-
ria problemas. (condicional)
Dada a notícia da herança, as brigas começaram.
(causal/temporal)
Comprada a casa, a família se mudou logo.
(temporal)
O particípio concorda em gênero e número com os
termos referentes.
Essas orações reduzidas adverbiais são bem fre-
quentes em provas de concurso.
Períodos Mistos
São períodos que apresentam estruturas oracio-
nais de coordenação e subordinação.
Assim, às vezes aparecem orações coordenadas
dentro de um conjunto de orações que são subordina-
das a uma oração principal.
1ª oração 2ª oração 3ª oração
O homem entrou na sala e pediu que todos calassem.
verbo verbo verbo
1ª oração: oração coordenada assindética.
2ª oração: oração coordenada sindética aditiva em
relação a 1ª oração e principal em relação a 3ª oração.
3ª oração: coordenada substantiva objetiva direta
em relação a 2ª oração.
Resumindo: período composto por coordenação e
subordinação.
As orações subordinadas são coordenadas entre si,
ligadas ou não por conjunção.
z Orações subordinadas substantivas coordena-
das entre si
Ex.: Espero que você não me culpe, que não culpe
meus pais, nem que culpe meus parentes.
Oração principal: Espero
Oração coordenada 1: que você não me culpe
Oração coordenada 2: que não culpe meus pais
Oração coordenada 3: nem que culpe meus
parentes.
Importante!
O segredo para classificar as orações é per-
ceber os conectivos (conjunções e pronomes
relativos).
z Orações subordinadas adjetivas coordenadas
entre si
Ex.: A mulher que é compreensiva, mas que é
cautelosa, não faz tudo sozinha.
Oração subordinada adjetiva 1: que é compreensiva
Oração subordinada adjetiva 2: mas que é cautelosa
z Orações subordinadas adverbiais coordenadas
entre si
Ex.: Não só quando estou presente, mas também
quando não estou, sou discriminado.
Oração subordinada adverbial 1: quando estou
presente
Oração subordinada adverbial 2: quando não
estou
z Orações coordenadas ou subordinadas no mes-
mo período
Ex.: Presume-se que as penitenciárias cumpram
seu papel, no entanto a realidade não é assim.
Oração principal: Presume-se
Oração subordinada subjetiva da principal: as
penitenciárias cumpram seu papel
Oração coordenada sindética adversativa da ante-
rior: no entanto a realidade não é assim.
PONTUAÇÃO
Vejamos agora as regras sobre os usos das diferen-
tes formas de pontuação que temos em nosso idioma.
Uso de Vírgula
A vírgula é um sinal de pontuação que exerce três
funções básicas: marcar as pausas e as inflexões da
voz na leitura; enfatizar e/ou separar expressões e
orações; e esclarecer o significado da frase, afastando
qualquer ambiguidade.
Quando se trata de separar termos de uma mesma
oração, deve-se usar a vírgula nos seguintes casos:
z Para separar os termos de mesma função.
Ex.: Comprei livro, caderno, lápis, caneta.
z Usa-se a vírgula para separar os elementos de
enumeração.
Ex.: Pontes, edifícios, caminhões, árvores... tudo foi
arrastado pelo tsunami.
z Para indicar a elipse (omissão de uma palavra que
já apareceu na frase) do verbo.
Ex.: Comprei melancia na feira; ele, abacate.
Ela prefere filmes de ficção científica; o namorado,
filmes de terror.
z Para separar palavras ou locuções explicativas,
retificativas.
Ex.: Ela completou quinze primaveras, ou seja, 15
anos.
z Para separar datas e nomes de lugar.
Ex.: Belo Horizonte, 15 de abril de 1985.
z Para separar as conjunções coordenativas, exceto
e, nem, ou.
Ex.: Treinou muito, portanto se saiu bem.
56
A vírgula é facultativa quando a expressão de
tempo, modo ou lugar não for uma expressão, mas
uma palavra só. Exemplos:
Antes vamos conversar. / Antes, vamos conversar.
Geralmente almoço em casa. / Geralmente, almoço
em casa.
Ontem choveu o esperado para o mês todo. /
Ontem, choveu o esperado para o mês todo.
Ela acordou muito cedo. Por isso ficou com sono
durante a aula. / Ela acordou muito cedo. Por isso,
ficou com sono durante a aula.
Irei à praia amanhã se não chover. / Irei à praia
amanhã, se não chover.
Não se Usa Vírgula nas Seguintes Situações
z Entre o sujeito e o verbo.
Ex.: Todos os alunos daquele professor, entende-
ram a explicação. (errado)
Muitas coisas que quebraram meu coração, con-
sertaram minha visão. (errado)
z Entre o verbo e seu complemento, ou mesmo pre-
dicativo do sujeito.
Ex.: Os alunos ficaram, satisfeitos com a explica-
ção. (errado)
Os alunos precisam de, que os professores os aju-
dem. (errado)
Os alunos entenderam, toda aquela explicação.
(errado)
z Entre um substantivo e seu complemento nominal
ou adjunto adnominal.
Ex.: A manutenção, daquele professor foi exigida
pelos alunos. (errado)
z Entre locução verbal de voz passiva e agente da
passiva:
Ex.: Todos os alunos foram convidados, por aquele
professor para a feira. (errado)
z Entre o objeto e o predicativo do objeto:
Ex.: Considero suas aulas, interessantes. (errado)
Considero interessantes, as suas aulas. (errado)
Uso de Ponto e Vírgula
É empregado nos seguintes casos o sinal de ponto
e vírgula (;):
z Nos contrastes, nas oposições, nas ressalvas.
Ex.: Ela, quando viu, ficou feliz; ele, quando a viu,
ficou triste.
z No lugar das conjunções coordenativas deslocadas.
Ex.: O maratonista correu bastante; ficou, portan-
to, exausto.
z No lugar do e seguido de elipse do verbo (=
zeugma).
Ex.: Na linguagem escrita é o leitor; na fala, o
ouvinte.
Prefiro brigadeiros; minha mãe, pudim; meu pai,
sorvete.
z Em enumerações, portarias, sequências.
Ex.: São órgãos do Ministério Público Federal:
o Procurador-Geral da República;
o Colégio de Procuradores da República;
o Conselho Superior do Ministério Público Federal.
Dois-pontos
Marcam uma supressão de voz em frase que ainda
não foi concluída.
Servem para:
z Introduzir uma citação (discurso direto).
Ex.: Assim disse Voltaire: “Devemos julgar um
homem mais pelas suas perguntas que pelas suas
respostas”.
z Introduzir um aposto explicativo, enumerativo,
distributivo ou uma oração subordinada substan-
tiva apositiva.
Ex.: Em nosso meio, há bons profissionais: profes-
sores, jornalistas, médicos.
z Introduzir uma explicação ou enumeração após
expressões como por exemplo, isto é, ou seja, a
saber, como.
Ex.: Adquirimos vários saberes, como: Linguagens,
Filosofia, Ciências...
z Marcar uma pausa entre orações coordenadas
(relação semântica de oposição, explicação/causa
ou consequência).
Ex.: Já leu muitos livros: pode-se dizer que é um
homem culto.
Precisamos ousar na vida: devemos fazê-lo com
cautela.
z Marcar invocação em correspondências.
Ex.: Prezados senhores:
Comunico, por meio deste, que...
Travessão
z Usado em discursos diretos, indica a mudança de
discurso de interlocutor
Ex.:
– Bom dia, Maria!
– Bom dia, Pedro!
z Serve também para colocar em relevo certas
expressões, orações ou termos. Pode ser subs-
tituído por vírgula, dois-pontos, parênteses ou
colchetes.
Ex.: Os professores ― amigos meus do curso cario-
ca ― vão fazer videoaulas. (aposto explicativo)
Meninos ― pediu ela ―, vão lavar as mãos, que
vamos jantar. (oração intercalada)
Como disse o poeta: “Só não se inventou a máqui-
na de fazer versos ― já havia o poeta parnasiano”.
Parênteses
Têm função semelhante à dos travessões e das
vírgulas no sentido que colocam em relevo certos ter-
mos, expressões ou orações.
Ex.: Os professores (amigos meus do curso carioca)
vão fazer videoaulas. (aposto explicativo)
Meninos (pediu ela), vão lavar as mãos, que vamos
jantar. (oração intercalada)
Ponto-final
Usa-se o ponto no final nos seguintes casos:
z Para indicar ofim de oração absoluta ou de
período.
LÍ
N
G
U
A
P
O
RT
U
G
U
ES
A
57
Ex.: “Itabira é apenas uma fotografia na parede.”
Carlos Drummond de Andrade
z Nas abreviaturas.
Ex.: apart. ou apto. = apartamento
sec. = secretário
a.C. = antes de Cristo
Dica
Símbolos do sistema métrico decimal e elemen-
tos químicos não vêm com ponto final:
Exemplos: km, m, cm, He, K, C
Ponto de Interrogação
Marca uma entonação ascendente (elevação da
voz) em tom questionador.
Usa-se:
z Em frase interrogativa direta.
Ex.: O que você faria se só lhe restasse um dia?
z Entre parênteses para indicar incerteza.
Ex.: Eu disse a palavra peremptório (?), mas acho
que havia palavra melhor no contexto.
z Junto com o ponto de exclamação, para denotar
surpresa.
Ex.: Não conseguiu chegar ao local de prova?! (ou !?)
z E interrogações retóricas.
Ex.: Jogaremos comida fora à toa? (Ou seja: “Claro
que não jogaremos comida fora à toa”).
Ponto de Exclamação
z É empregado para marcar o fim de uma frase com
entonação exclamativa.
Ex.: Que linda mulher!
Coitada dessa criança!
z Aparece após uma interjeição.
Ex.: Nossa! Isso é fantástico.
z Usado para substituir vírgulas em vocativos enfáticos.
Ex.: “Fernando José! onde estava até esta hora?”
z É repetido duas ou mais vezes quando se quer
marcar uma ênfase.
Ex.: Inacreditável!!! Atravessou a piscina de 50
metros em 20 segundos!!!
Reticências
São usadas para:
z Assinalar interrupção do pensamento.
Ex.: ― Estou ciente de que...
― Pode dizer...
z Indicar partes suprimidas de um texto.
Ex.: Na hora em que entrou no quarto ... e depois
desceu as escadas apressadamente. (Também pode
ser usado: Na hora em que entrou no quarto [...] e
depois desceu as escadas apressadamente.)
z Para sugerir prolongamento da fala.
Ex.: ―O que vocês vão fazer nas férias?
― Ah, muitas coisas: dormir, nadar, pedalar...
z Para indicar hesitação.
Ex.: ― Eu não a beijava porque... porque... tinha
vergonha.
z Para realçar uma palavra ou expressão, normal-
mente com outras intenções.
Ex.: ― Ela é linda...! Você nem sabe como...!
Uso das Aspas
São usadas em citações ou em algum termo que
precisa ser destacado no texto, como por exemplo
palavras de origem estrangeira ou gírias.
Usam-se nos seguintes casos:
z Antes e depois de citações.
Ex.: “A vírgula é um calo no pé de todo mundo”,
afirma Dad Squarisi, 64.
z Para marcar estrangeirismos, neologismos, arcaís-
mos, gírias e expressões populares ou vulgares,
conotativas.
Ex.: O homem, “ledo” de paixão, não teve a fortuna
que desejava.
Não gosto de “pavonismos”.
Dê um “up” no seu visual.
z Para realçar uma palavra ou expressão imprópria,
às vezes com ironia ou malícia.
Ex.: Veja como ele é “educado”: cuspiu no chão.
Ele reagiu impulsivamente e lhe deu um “não”
sonoro.
z Para citar nomes de mídias, livros etc.
Ex.: Ouvi a notícia do “Jornal Nacional”.
Colchetes
Representam uma variante dos parênteses, porém
tem uso mais restrito.
Usam-se nos seguintes casos:
z Para incluir num texto uma observação de nature-
za elucidativa.
Ex.: É de Stanislaw Ponte Preta [pseudônimo de
Sérgio Porto] a obra “Rosamundo e os outros”.
z Para isolar o termo latino sic (que significa “assim”),
a fim de indicar que, por mais estranho ou errado
que pareça, o texto original é assim mesmo.
Ex.: “Era peior [sic] do que fazer-me esbirro aluga-
do.” (Machado de Assis)
z Para indicar os sons da fala, quando se estuda
Fonologia.
Ex.: mel: [mɛw]; bem: [bẽy]
z Para suprimir parte de um texto (assim como
parênteses).
Ex.: Na hora em que entrou no quarto [...] e depois
desceu as escadas apressadamente.
Na hora em que entrou no quarto (...) e depois des-
ceu as escadas apressadamente. (caso não preferí-
vel segundo as normas da ABNT)
Asterisco
z É colocado à direita e no canto superior de uma
palavra do trecho para se fazer uma citação ou
comentário qualquer sobre o termo em uma nota
de rodapé.
58
Ex.: A palavra tristeza é formada pelo adjetivo
triste acrescido do sufixo -eza*.
*-eza é um sufixo nominal justaposto a um adjeti-
vo, o que origina um novo substantivo.
z Quando repetido três vezes, indica uma omissão
ou lacuna em um texto, principalmente em substi-
tuição a um substantivo próprio.
Ex.: O menor *** foi apreendido e depois encami-
nhado aos responsáveis.
z Quando colocado antes e no alto da palavra, repre-
senta o vocábulo como uma forma hipotética, isto
é, cuja existência é provável, mas não comprovada.
Ex.: Parecer, do latim *parescere.
z Antes de uma frase para indicar que ela é agrama-
tical, ou seja, uma frase que não respeita as regras
da gramática.
* Edifício elaborou projeto o engenheiro.
Uso da Barra
A barra oblíqua [ / ] é um sinal gráfico usado:
z Para indicar disjunção e exclusão, podendo ser
substituída pela conjunção “ou”.
Ex.: Poderemos optar por: carne/peixe/dieta.
Poderemos optar por: carne, peixe ou dieta.
z Para indicar inclusão, quando utilizada na separa-
ção das conjunções e/ou.
Ex.: Os alunos poderão apresentar trabalhos orais
e/ou escritos.
z Para indicar itens que possuem algum tipo de rela-
ção entre si.
Ex.: A palavra será classificada quanto ao número
(plural/singular).
O carro atingiu os 220 km/h.
z Para separar os versos de poesias, quando escritos
seguidamente na mesma linha. São utilizadas duas
barras para indicar a separação das estrofes.
Ex.: “[…] De tanto olhar para longe,/não vejo o que
passa perto,/meu peito é puro deserto./Subo mon-
te, desço monte.//Eu ando sozinha/ao longo da noi-
te./Mas a estrela é minha.” Cecília Meireles
z Na escrita abreviada, para indicar que a palavra
não foi escrita na sua totalidade.
Ex.: a/c = aos cuidados de;
s/ = sem
z Para separar o numerador do denominador nos
números fracionários, substituindo a barra da
fração.
Ex.: 1/3 = um terço
z Nas datas.
Ex.: 31/03/1983
z Nos números de telefone.
Ex.: 225 03 50/51/52
z Nos endereços.
Ex.: Rua do Limoeiro, 165/232
z Na indicação de dois anos consecutivos.
Ex.: O evento de 2012/2013 foi um sucesso.
z Para indicar fonemas, ou seja, os sons da língua.
Ex.: /s/
Embora não existam regras muito definidas sobre
a existência de espaços antes e depois da barra oblí-
qua, privilegia-se o seu uso sem espaços: plural/singu-
lar, masculino/feminino, sinônimo/antônimo.
CONCORDÂNCIA NOMINAL E VERBAL
CONCORDÂNCIA NOMINAL
Define-se como a adaptação em gênero e número
que ocorre entre o substantivo (ou equivalente, como
o adjetivo) e seus modificadores (artigos, pronomes,
adjetivos, numerais).
O adjetivo e as palavras adjetivas concordam em
gênero e número com o nome a que se referem.
Ex.: Parede alta. / Paredes altas.
Muro alto. / Muros altos.
Casos com Adjetivos
z Com função de adjunto adnominal: quando o
adjetivo funcionar como adjunto adnominal e esti-
ver após os substantivos, poderá concordar com
as somas desses ou com o elemento mais próximo.
Ex.: Encontrei colégios e faculdades ótimas. /
Encontrei colégios e faculdades ótimos.
Há casos em que o adjetivo concordará apenas
com o nome mais próximo, quando a qualidade per-
tencer somente a este.
Ex.: Saudaram todo o povo e a gente brasileira.
Foi um olhar, uma piscadela, um gesto estranho
Quando o adjetivo funcionar como adjunto adno-
minal e estiver antes dos substantivos, poderá con-
cordar apenas com o elemento mais próximo. Ex.:
Existem complicadas regras e conceitos.
Quando houver apenas um substantivo qualifica-
do por dois ou mais adjetivos pode-se:
Colocar o substantivo no plural e enumerar o ad-
jetivo no singular. Ex.: Ele estuda as línguas inglesa,
francesa e alemã.
Colocar o substantivo no singular e, ao enumerar
os adjetivos (também no singular), antepor um artigo
a cada um, menos no primeiro deles. Ex.: Ele estuda a
língua inglesa, a francesa e a alemã.
z Com função de predicativo do sujeito
Com o verbo após o sujeito, o adjetivo concordará
com a soma dos elementos.
Ex.: A casa e o quintal estavam abandonados.
Como verbo antes do sujeito o predicativo do su-
jeito acompanhará a concordância do verbo, que por
sua vez concordará tanto com a soma dos elementos
quanto com o nome mais próximo.
Ex.: Estava abandonada a casa e o quintal. / Esta-
vam abandonados a casa e o quintal.
Como saber quando o adjetivo tem valor de adjun-
to adnominal ou predicativo do sujeito? Substitua os
substantivos por um pronome:
Ex.: Existem conceitos e regras complicados.
(substitui-se por “eles”)
Fazendo a troca, fica “Eles existem”, e não “Eles
existem complicados”.
LÍ
N
G
U
A
P
O
RT
U
G
U
ES
A
59
Como o adjetivo desapareceu com a substituição,
então é um adjunto adnominal.
z Com função de predicativo do objeto
Recomenda-se concordar com a soma dos substan-
tivos, embora alguns estudiosos admitam a concor-
dância com o termo mais próximo.
Ex.: Considero os conceitos e as regras complicados.
Tenho como irresponsáveis o chefe do setor e
seus subordinados.
Algumas Convenções
z Obrigado / próprio / mesmo
Ex.: A mulher disse: “Muito obrigada”.
A própria enfermeira virá para o debate.
Elas mesmas conversaram conosco.
Dica
O termo mesmo no sentido de “realmente” será
invariável.
Ex.: Os alunos resolveram mesmo a situação.
z Só / sós
Variáveis quando significarem “sozinho” /
“sozinhos”.
Invariáveis quando significarem “apenas,
somente”.
Ex.: As garotas só queriam ficar sós. (As garotas
apenas queriam ficar sozinhas.)
A locução “a sós” é invariável.
Ex.: Ela gostava de ficar a sós. / Eles gostavam de
ficar a sós.
z Quite / anexo / incluso
Concordam com os elementos a que se referem.
Ex.: Estamos quites com o banco.
Seguem anexas as certidões negativas.
Inclusos, enviamos os documentos solicitados.
z Meio
Quando significar “metade”: concordará com o
elemento referente.
Ex.: Ela estava meio (um pouco) nervosa.
Quando significar “um pouco”: será invariável.
Ex.: Já era meio-dia e meia (metade da hora).
z Grama
Quando significar “vegetação”, é feminino; quan-
do significar unidade de medida, é masculino.
Ex.: Comprei duzentos gramas de farinha.
“A grama do vizinho sempre é mais verde.”
z É proibido entrada / É proibida a entrada
Se o sujeito vier determinado, a concordância do
verbo e do predicativo do sujeito será regular, ou
seja, tanto o verbo quanto o predicativo concorda-
rão com o determinante.
Ex.: Caminhada é bom para a saúde. / Esta cami-
nhada está boa.
É proibido entrada de crianças. / É proibida a
entrada de crianças.
Pimenta é bom? / A pimenta é boa?
z Menos / pseudo
São invariáveis.
Ex.: Havia menos violência antigamente.
Aquelas garotas são pseudoatletas. / Seu argumen-
to é pseudo-objetivo.
z Muito / bastante
Quando modificam o substantivo: concordam com
ele.
Quando modificam o verbo: invariáveis.
Ex.: Muitos deles vieram. / Eles ficaram muito
irritados.
Bastantes alunos vieram. / Os alunos ficaram bas-
tante irritados.
Se ambos os termos puderem ser substituídos por
“vários”, ficarão no plural. Se puderem ser substi-
tuídos por “bem”, ficarão invariáveis.
z Tal qual
Tal concorda com o substantivo anterior; qual,
com o substantivo posterior.
Ex.: O filho é tal qual o pai. / O filho é tal quais os
pais.
Os filhos são tais qual o pai. / Os filhos são tais
quais os pais.
Silepse (também chamada concordância
figurada)
É a que se opera não com o termo expresso, mas o
que está subentendido.
Ex.: São Paulo é linda! (A cidade de São Paulo é
linda!)
Estaremos aberto no final de semana. (Estaremos
com o estabelecimento aberto no final de semana.)
Os brasileiros estamos esperançosos. (Nós, brasi-
leiros, estamos esperançosos.)
z Possível
Concordará com o artigo, em gênero e número, em
frases enfáticas com o “mais”, o “menos”, o “pior”.
Ex.: Conheci crianças o mais belas possíveis. /
Conheci crianças as mais belas possíveis.
Plural de Compostos
z Substantivos
O adjetivo concorda com o substantivo referen-
te em gênero e número. Se o termo que funciona
como adjetivo for originalmente um substantivo fica
invariável.
Ex.: Rosas vermelhas e jasmins pérola. (pérola
também é um substantivo; mantém-se no singular)
Ternos cinza e camisas amarelas. (cinza também é
um substantivo; mantém-se no singular)
z Adjetivos
Quando houver adjetivo composto, apenas o últi-
mo elemento concordará com o substantivo referente.
Os demais ficarão na forma masculina singular.
Se um dos elementos for originalmente um subs-
tantivo, todo o adjetivo composto ficará invariável.
Ex.: Violetas azul-claras com folhas verde-musgo.
No termo “azul-claras”, apenas “claras” segue o
plural, pois ambos são adjetivos.
No termo “verde-musgo”, “musgo” permanece no
singular, assim como “verde”, por ser substantivo.
Nesse caso, o termo composto não concorda com o
plural do substantivo referente, “folhas”.
Ex.: Calças rosa-claro e camisas verde-mar.
O termo “claro” fica invariável porque “rosa” tam-
bém pode ser um substantivo.
60
O termo “mar” fica invariável por seguir a mesma
lógica de “musgo” do exemplo anterior.
Dica
Azul-marinho, azul-celeste, ultravioleta e qual-
quer adjetivo composto iniciado por “cor-de” são
sempre invariáveis.
O adjetivo composto pele-vermelha tem os dois ele-
mentos flexionados no plural (peles-vermelhas).
Lista de Flexão dos Dois Elementos
z Nos substantivos compostos formados por pala-
vras variáveis, especialmente substantivos e
adjetivos:
segunda-feira – segundas-feiras;
matéria-prima – matérias-primas;
couve-flor – couves-flores;
guarda-noturno – guardas-noturnos;
primeira-dama – primeiras-damas.
z Nos substantivos compostos formados por
temas verbais repetidos:
corre-corre – corres-corres;
pisca-pisca – piscas-piscas;
pula-pula – pulas-pulas.
Nestes substantivos também é possível a flexão
apenas do segundo elemento: corre-corres, pisca-
-piscas, pula-pulas.
Flexão Apenas do Primeiro Elemento
z Nos substantivos compostos formados por subs-
tantivo + substantivo em que o segundo termo
limita o sentido do primeiro termo:
decreto-lei – decretos-lei;
cidade-satélite – cidades-satélite;
público-alvo – públicos-alvo;
elemento-chave – elementos-chave.
Nestes substantivos também é possível a flexão
dos dois elementos: decretos-leis, cidades-satélites,
públicos-alvos, elementos-chaves.
z Nos substantivos compostos preposicionados:
cana-de-açúcar – canas-de-açúcar;
pôr do sol – pores do sol;
fim de semana – fins de semana;
pé de moleque – pés de moleque.
Flexão Apenas do Segundo Elemento
z Nos substantivos compostos formados por tema
verbal ou palavra invariável + substantivo ou
adjetivo:
bate-papo – bate-papos;
quebra-cabeça – quebra-cabeças;
arranha-céu – arranha-céus;
ex-namorado – ex-namorados;
vice-presidente – vice-presidentes.
z Nos substantivos compostos em que há repeti-
ção do primeiro elemento:
zum-zum – zum-zuns;
tico-tico – tico-ticos;
lufa-lufa – lufa-lufas;
reco-reco – reco-recos.
z Nos substantivos compostos grafados ligada-
mente, sem hífen:
girassol – girassóis;
pontapé – pontapés;
mandachuva – mandachuvas;
fidalgo – fidalgos.
z Nos substantivos compostos formados com
grão, grã e bel:
grão-duque – grão-duques;
grã-fino – grã-finos;
bel-prazer – bel-prazeres.
Não flexão dos elementos
z Em alguns casos, não ocorre a flexão dos elementos
formadores, que se mantêm invariáveis. Isso ocor-
re em frases substantivadas e em substantivos
compostos por um tema verbal e uma palavra
invariável ou outro tema verbal oposto:
o disse me disse – os disse me disse;
o leva e traz – os leva e traz;
o cola-tudo – os cola-tudo.
CONCORDÂNCIA VERBAL
É a adaptação em número – singular ou plural –
e pessoa que ocorre entre o verbo e seu respectivo
sujeito.
“De todos os povos mais plurais culturalmente, o
Brasil, mesmo diante de opiniões contrárias, as quais
insistem em desmentir que nosso país é cheio de ‘bra-
sis’ – digamos assim –, ganha disparando dos outros,
pois houve influências de todos os povos aqui: euro-
peus,asiáticos e africanos.”
Esse período, apesar de extenso, constitui-se de
um sujeito simples “o Brasil”, portanto o verbo cor-
respondente a esse sujeito, “ganha”, necessita ficar no
singular.
Destrinchando o período, temos que os termos
essenciais da oração (sujeito e predicado) são apenas
“[...] o Brasil [...]” – sujeito – e “[...] ganha [...]” – predi-
cado verbal.
Veja um caso de uso de verbo bitransitivo:
Ex.: Prefiro natação a futebol.
Verbo bitransitivo: Prefiro
Objeto direto: natação
Objeto indireto: a futebol
Concordância Verbal com o Sujeito Simples
Em regra geral, o verbo concorda com o núcleo do
sujeito.
Ex.: Os jogadores de futebol ganham um salário
exorbitante.
Diferentes situações:
z Quando o núcleo do sujeito for uma palavra de
sentido coletivo, o verbo fica no singular. Ex.: A
multidão gritou entusiasmada.
z Quando o sujeito é o pronome relativo que, o ver-
bo posterior ao pronome relativo concorda com o
antecedente do relativo. Ex.: Quais os limites do
Brasil que se situam mais próximos do Meridiano?
z Quando o sujeito é o pronome indefinido quem, o
verbo fica na 3ª pessoa do singular. Ex.: Fomos nós
quem resolveu a questão.
LÍ
N
G
U
A
P
O
RT
U
G
U
ES
A
61
Por questão de ênfase, o verbo pode também con-
cordar com o pronome reto antecedente. Ex.: Fomos
nós quem resolvemos a questão.
z Quando o sujeito é um pronome interrogativo,
demonstrativo ou indefinido no plural + de nós /
de vós, o verbo pode concordar com o pronome no
plural ou com nós / vós. Ex.: Alguns de nós resol-
viam essa questão. / Alguns de nós resolvíamos
essa questão.
z Quando o sujeito é formado por palavras plurali-
zadas, normalmente topônimos (Amazonas, férias,
Minas Gerais, Estados Unidos, óculos etc.), se hou-
ver artigo definido antes de uma palavra plura-
lizada, o verbo fica no plural. Caso não haja esse
artigo, o verbo fica no singular. Ex.: Os Estados
Unidos continuam uma potência.
Estados Unidos continua uma potência.
Santos fica em São Paulo. (Corresponde a: “A cida-
de de Santos fica em São Paulo.”)
Importante!
Quando se aplica a nomes de obras artísticas, o
verbo fica no singular ou no plural.
Os Lusíadas imortalizou / imortalizaram Camões.
z Quando o sujeito é formado pelas expressões mais
de um, cerca de, perto de, menos de, coisa de,
obra de etc., o verbo concorda com o numeral. Ex.:
Mais de um aluno compareceu à aula.
Mais de cinco alunos compareceram à aula.
A expressão mais de um tem particularidades:
se a frase indica reciprocidade (pronome reflexivo
recíproco se), se houver coletivo especificado ou se
a expressão vier repetida, o verbo fica no plural. Ex.:
Mais de um irmão se abraçaram.
Mais de um grupo de crianças veio/vieram à festa.
Mais de um aluno, mais de um professor esta-
vam presentes.
z Quando o sujeito é formado po um número per-
centual ou fracionário, o verbo concorda com o
numerado ou com o número inteiro, mas pode
concordar com o especificador dele. Se o numeral
vier precedido de um determinante, o verbo con-
cordará apenas com o numeral. Ex.: Apenas 1/3
das pessoas do mundo sabe o que é viver bem.
Apenas 1/3 das pessoas do mundo sabem o que é
viver bem.
Apenas 30% do povo sabe o que é viver bem.
Apenas 30% do povo sabem o que é viver bem.
Os 30% da população não sabem o que é viver mal.
z Os verbos bater, dar e soar concordam com o
número de horas ou vezes, exceto se o sujeito for a
palavra relógio. Ex.: Deram duas horas, e ela não
chegou. (Duas horas deram...)
Bateu o sino duas vezes. (O sino bateu)
Soaram dez badaladas no relógio da sala. (Dez
badaladas soaram)
Soou dez badaladas o relógio da escola. (O relógio
da escola soou dez badaladas)
z Quando o sujeito está em voz passiva sintética, o
verbo concorda com o sujeito paciente. Ex.: Ven-
dem-se casas de veraneio aqui.
Nunca se viu, em parte alguma, pessoa tão
interessada.
z Quando o sujeito é um pronome de tratamento, o
verbo fica sempre na 3ª pessoa. Ex.: Por que Vossa
Majestade está preocupada?
Suas Excelências precisam de algo?
z Sujeito do verbo viver em orações optativas ou
exclamativas. Ex.: Vivam os campeões!
Concordância Verbal com o Sujeito Composto
z Núcleos do sujeito constituídos de pessoas grama-
ticais diferentes
Ex.: Eu e ele nos tornamos bons amigos.
z Núcleos do sujeito ligados pela preposição com
Ex.: O ministro, com seus assessores, chegou/che-
garam ontem.
z Núcleos do sujeito acompanhados da palavra cada
ou nenhum
Ex.: Cada jogador, cada time, cada um deve man-
ter o espírito esportivo.
z Núcleos do sujeito sendo sinônimos e estando no
singular
Ex.: A angústia e a ansiedade não o ajudava/aju-
davam. (preferencialmente no singular)
z Gradação entre os núcleos do sujeito
Ex.: Seu cheiro, seu toque bastou/bastaram para
me acalmar. (preferencialmente no singular)
z Núcleos do sujeito no infinitivo
Ex.: Andar e nadar faz bem à saúde.
z Núcleos do sujeito resumidos por um aposto resu-
mitivo (nada, tudo, ninguém)
Ex.: Os pedidos, as súplicas, nada disso o comoveu.
z Sujeito constituído pelas expressões um e outro,
nem um nem outro
Ex.: Um e outro já veio/vieram aqui.
z Núcleos do sujeito ligados por nem... nem
Ex.: Nem a televisão nem a internet desviarão meu
foco nos estudos.
z Entre os núcleos do sujeito, aparecem as palavras
como, menos, inclusive, exceto ou as expressões
bem como, assim como, tanto quanto
Ex.: O Vasco ou o Corinthians ganhará o jogo na
final.
z Núcleos do sujeito ligados pelas séries correlativas
aditivas enfáticas (tanto... quanto / como / assim
como; não só... mas também etc.)
Ex.: Tanto ela quanto ele mantém/mantêm sua
popularidade em alta.
z Quando dois ou mais adjuntos modificam um úni-
co núcleo, o verbo fica no singular concordando
com o núcleo único. Mas, se houver determinante
após a conjunção, o verbo fica no plural, pois aí o
sujeito passa a ser composto.
62
Ex.: O preço dos alimentos e dos combustíveis
aumentou. Ou: O preço dos alimentos e o dos
combustíveis aumentaram.
Concordância Verbal do Verbo Ser
z Concorda com o sujeito
Ex.: Nós somos unha e carne.
z Concorda com o sujeito (pessoa)
Ex.: Os meninos foram ao supermercado.
z Em predicados nominais, quando o sujeito for
representado por um dos pronomes tudo, nada,
isto, isso, aquilo ou “coisas”, o verbo ser concor-
dará com o predicativo (preferencialmente) ou
com o sujeito
Ex.: No início, tudo é/são flores.
z Concorda com o predicativo quando o sujeito for
que ou quem
Ex.: Quem foram os classificados?
z Em indicações de horas, datas, tempo, distância
(predicativo), o verbo concorda com o predicativo
Ex.: São nove horas.
É frio aqui.
Seria meio-dia e meia ou seriam doze horas?
z O verbo fica no singular quando precede termos
como muito, pouco, nada, tudo, bastante, mais,
menos etc. junto a especificações de preço, peso,
quantidade, distância, e também quando seguido
do pronome o
Ex.: Cem metros é muito para uma criança.
Divertimentos é o que não lhe falta.
Dez reais é nada diante do que foi gasto.
z Na expressão expletiva “é que”, se o sujeito da ora-
ção não aparecer entre o verbo ser e o que, o ser
ficará invariável. Se o ser vier separado do que, o
verbo concordará com o termo não preposiciona-
do entre eles.
Ex.: Eles é que sempre chegam cedo.
São eles que sempre chegam cedo.
É nessas horas que a gente precisa de ajuda. (cons-
trução adequada)
São nessas horas que a gente precisa de ajuda.
(construção inadequada)
Concordância do Infinitivo
z Exemplos com verbos no infinitivo pessoal:
Nós lutaremos até vós serdes bem tratados. (sujei-
to esclarecido)
Está na hora de começarmos o trabalho. (sujeito
implícito “nós”)
Falei sobre o desejo de aprontarmos logo o site.
(dois pronomes implícitos: eu, nós)
Até me encontrarem, vocês terão de procurar
muito. (preposição no início da oração)
Para nós nos precavermos, precisaremos de luz.
(verbos pronominais)
Visto serem dez horas, deixei o local. (verbo ser
indicandotempo)
Estudo para me considerarem capaz de aprova-
ção. (pretensão de indeterminar o sujeito)
Para vocês terem adquirido esse conhecimento,
foi muito tempo de estudo. (infinitivo pessoal com-
posto: locução verbal de verbo auxiliar + verbo no
particípio)
z Exemplos com verbos no infinitivo impessoal:
Devo continuar trabalhando nesse projeto. (locu-
ção verbal)
Deixei-os brincar aqui. (pronome oblíquo átono
sendo sujeito do infinitivo)
Quando o sujeito do infinitivo for um substantivo
no plural, usa-se tanto o infinitivo pessoal quanto o
impessoal. “Mandei os garotos sair/saírem”.
Navegar é preciso, viver não é preciso. (infinitivo
com valor genérico)
São casos difíceis de solucionar. (infinitivo prece-
dido de preposição de ou para)
Soldados, recuar! (infinitivo com valor de imperativo)
z Concordância do verbo parecer
Flexiona-se ou não o infinitivo.
Pareceu-me estarem os candidatos confiantes. (o
equivalente a “Pareceu-me que os candidatos esta-
vam confiantes”, portanto o infinitivo é flexionado
de acordo com o sujeito, no plural)
Eles parecem estudar bastante. (locução verbal,
logo o infinitivo será impessoal)
z Concordância dos verbos impessoais
São os casos de oração sem sujeito. O verbo fica
sempre na 3ª pessoa do singular.
Ex.: Havia sérios problemas na cidade.
Fazia quinze anos que ele havia se formado.
Deve haver sérios problemas na cidade. (verbo
auxiliar fica no singular)
Trata-se de problemas psicológicos.
Geou muitas horas no sul.
z Concordância com sujeito oracional
Quando o sujeito é uma oração subordinada, o
verbo da oração principal fica na 3ª pessoa do
singular.
Ex.: Ainda vale a pena investir nos estudos.
Sabe-se que dois alunos nossos foram aprovados.
Ficou combinado que sairíamos à tarde.
Urge que você estude.
Era preciso encontrar a verdade
Casos mais Frequentes em Provas
Veja agora uma lista com os casos mais abordados
em concursos:
z Sujeito posposto distanciado
Ex.: Viviam o meio de uma grande floresta tropical
brasileira seres estranhos.
z Verbos impessoais (haver e fazer)
Ex.: Faz dois meses que não pratico esporte.
Havia problemas no setor.
Obs.: Existiam problemas no setor. (verbo existir
vai ter sujeito “problemas”, e vai ser variável)
z Verbo na voz passiva sintética
Ex.: Criaram-se muitas expectativas para a luta.
z Verbo concordando com o antecedente correto
do pronome relativo ao qual se liga
Ex.: Contratei duas pessoas para a empresa, que
tinham experiência.
z Sujeito coletivo com especificador plural
Ex.: A multidão de torcedores vibrou/vibraram.
LÍ
N
G
U
A
P
O
RT
U
G
U
ES
A
63
z Sujeito oracional
Ex.: Convém a eles alterar a voz. (verbo no
singular)
z Núcleo do sujeito no singular seguido de adjun-
to ou complemento no plural
Ex.: Conversa breve nos corredores pode gerar
atrito. (verbo no singular)
Casos Facultativos
z A multidão de pessoas invadiu/invadiram o
estádio.
z Aquele comediante foi um dos que mais me fez/
fizeram rir.
z Fui eu quem faltou/faltei à aula.
z Quais de vós me ajudarão/ajudareis?
z “Os Sertões” marcou/marcaram a literatura
brasileira.
z Somente 1,5% das pessoas domina/dominam a
ciência. (1,5% corresponde ao singular)
z Chegaram/Chegou João e Maria.
z Um e outro / Nem um nem outro já veio/vieram
aqui.
z Eu, assim como você, odeio/odiamos a política
brasileira.
z O problema do sistema é/são os impostos.
z Hoje é/são 22 de agosto.
z Devemos estudar muito para atingir/atingirmos
a aprovação.
z Deixei os rapazes falar/falarem tudo.
Silepse de Número e de Pessoa
Conhecida também como “concordância irregular,
ideológica ou figurada”. Vejamos os casos:
z Silepse de número: usa-se um termo discordando
do número da palavra referente, para concordar
com o sentido semântico que ela tem. Ex.: Flor tem
vida muito curta, logo murcham. (ideia de plurali-
dade: todas as flores)
z Silepse de pessoa: o autor da frase participa do
processo verbal. O verbo fica na 1ª pessoa do plu-
ral. Ex.: Os brasileiros, enquanto advindos de
diversas etnias, somos multiculturais.
REGÊNCIA NOMINAL E VERBAL
REGÊNCIA NOMINAL
Alguns nomes (substantivos, adjetivos e advér-
bios) exigem complementos preposicionados, exceto
quando vêm em forma de pronome oblíquo átono.
Advérbios Terminados em “mente”
Os advérbios derivados de adjetivos seguem a
regência dos adjetivos:
análoga / analogicamente a
contrária / contrariamente a
compatível / compativelmente com
diferente / diferentemente de
favorável / favoravelmente a
paralela / paralelamente a
próxima / proximamente a/de
relativa / relativamente a
Preposições Prefixos Verbais
Alguns nomes regem preposições semelhantes a
seus “prefixos”:
dependente, dependência de
inclusão, inserção em
inerente em/a
descrente de/em
desiludido de/com
desesperançado de
desapego de/a
convívio com
convivência com
demissão, demitido de
encerrado em
enfiado em
imersão, imergido, imerso em
instalação, instalado em
interessado, interesse em
intercalação, intercalado entre
supremacia sobre
REGÊNCIA VERBAL
Relação de dependência entre um verbo e seu
complemento. As relações podem ser diretas ou indi-
retas, isto é, com ou sem preposição.
Há verbos que admitem mais de uma regência
sem que o sentido seja alterado.
Ex.: Aquela moça não esquecia os favores recebidos.
V. T. D: esquecia
Objeto direto: os favores recebidos.
Aquela moça não se esquecia dos favores recebidos.
V. T. I.: se esquecia
Objeto indireto: dos favores recebidos.
No entanto, na Língua Portuguesa, há verbos
que, mudando-se a regência, mudam de sentido,
alterando seu significado.
Ex.: Neste país aspiramos ar poluídos.
(aspiramos = sorvemos)
V. T. D.: aspiramos
Objeto direto: ar poluídos.
Os funcionários aspiram a um mês de férias.
(aspiram = almejam)
V. T. I.: aspiram
Objeto indireto: a um mês de férias
A seguir, uma lista dos principais verbos que
geram dúvidas quanto à regência:
z Abraçar: transitivo direto
Ex.: Abraçou a namorada com ternura.
O colar abraçava-lhe elegantemente o pescoço
64
z Agradar: transitivo direto; transitivo indireto
Ex.: A menina agradava o gatinho. (transitivo dire-
to com sentido de “acariciar”)
A notícia agradou aos alunos. (transitivo indireto
no sentido de “ser agradável a”)
z Agradecer: transitivo direto; transitivo indireto;
transitivo direto e indireto
Ex.: Agradeceu a joia. (transitivo direto: objeto não
personificado)
Agradeceu ao noivo. (transitivo indireto: objeto
personificado)
Agradeceu a joia ao noivo. (transitivo direto e indi-
reto: refere-se a coisas e pessoas)
z Ajudar: transitivo direto; transitivo indireto
Ex.: Seguido de infinitivo intransitivo precedido da
preposição a, rege indiferentemente objeto direto
e objeto indireto.
Ajudou o filho a fazer as atividades. (transitivo direto)
Ajudou ao filho a fazer as atividades. (transitivo
indireto)
Se o infinitivo preposicionado for intransitivo,
rege apenas objeto direto:
Ajudaram o ladrão a fugir.
Não seguido de infinitivo, geralmente rege objeto
direto:
Ajudei-o muito à noite.
z Ansiar: transitivo direto; transitivo indireto
Ex.: A falta de espaço ansiava o prisioneiro. (tran-
sitivo direto com sentido de “angustiar”)
Ansiamos por sua volta. (transitivo indireto com
sentido de “desejar muito” – não admite “lhe”
como complemento)
z Aspirar: transitivo direto; transitivo indireto
Ex.: Aspiramos o ar puro das montanhas. (transiti-
vo direto com sentido de “respirar”)
Sempre aspiraremos a dias melhores. (transitivo
indireto no sentido de “desejar”)
z Assistir: transitivo direto; transitivo indireto
Ex.: - Transitivo direto ou indireto no sentido de
“prestar assistência”
O médico assistia os acidentados.
O médico assistia aos acidentados.
- Transitivo direto no sentido de “ver, presenciar”
Não assisti ao final da série.
O verbo assistir não pode ser empregado no particípio.
É incorreta a forma “O jogo foi assistido por milha-
res de pessoas.”
z Casar: intransitivo; transitivo indireto;transitivo
direto e indireto
Ex.: Eles casaram na Itália há anos. (intransitivo)
A jovem não queria casar com ninguém. (transiti-
vo indireto)
O pai casou a filha com o vizinho. (transitivo dire-
to e indireto)
z Chamar: transitivo direto; transitivo seguido de
predicativo do objeto
Ex.: Chamou o filho para o almoço. (transitivo dire-
to com sentido de “convocar”)
Chamei-lhe inteligente. (transitivo seguido de pre-
dicativo do objeto com sentido de “denominar,
qualificar”)
z Custar: transitivo indireto; transitivo direto e indi-
reto; intransitivo
Ex.: Custa-lhe crer na sua honestidade. (transitivo
indireto com sentido de “ser difícil”)
A imprudência custou lágrimas ao rapaz. (transiti-
vo direto e indireto: sentido de “acarretar”)
Este vinho custou trinta reais. (intransitivo)
z Esquecer: admite três possibilidades
Ex.: Esqueci os acontecimentos.
Esqueci-me dos acontecimentos.
Esqueceram-me os acontecimentos.
z Implicar: transitivo direto; transitivo indireto;
transitivo direto e indireto
Ex.: A resolução do exercício implica nova teoria.
(transitivo direto com sentido de “acarretar”)
Mamãe sempre implicou com meus hábitos.
(transitivo indireto com sentido de “mostrar má
disposição”)
Ele implicou-se em negócios ilícitos. (transitivo
direto e indireto com sentido de envolver-se”)
z Informar: transitivo direto e indireto
Ex.: Referente à pessoa: objeto direto; referente à
coisa: objeto indireto, com as preposições de ou
sobre
Informaram o réu de sua condenação.
Informaram o réu sobre sua condenação.
Referente à pessoa: objeto direto; referente à coi-
sa: objeto indireto, com a preposição a
Informaram a condenação ao réu.
z Interessar-se: verbo pronominal transitivo indi-
reto, com as preposições em e por
Ex.: Ela interessou-se por minha companhia.
z Namorar: intransitivo; transitivo indireto; transi-
tivo direto e indireto
Ex.: Eles começaram a namorar faz tempo. (intran-
sitivo com sentido de “cortejar”)
Ele vivia namorando a vitrine de doces. (transitivo
indireto com sentido de “desejar muito”)
“Namorou-se dela extremamente.” (A. Gar-
ret) (transitivo direto e indireto com sentido de
“encantar-se”)
z Obedecer/desobedecer: transitivos indiretos
Ex.: Obedeçam à sinalização de trânsito.
Não desobedeçam à sinalização de trânsito.
z Pagar: transitivo direto; transitivo indireto; transi-
tivo direto e indireto
Ex.: Você já pagou a conta de luz? (transitivo direto)
Você pagou ao dono do armazém? (transitivo
indireto)
Vou pagar o aluguel ao dono da pensão. (transitivo
direto e indireto)
z Perdoar: transitivo direto; transitivo indireto;
transitivo direto e indireto
Ex.: Perdoarei as suas ofensas. (transitivo direto)
A mãe perdoou à filha. (transitivo indireto)
Ela perdoou os erros ao filho. (transitivo direto e
indireto)
z Suceder: intransitivo; transitivo direto
Ex.: O caso sucedeu rapidamente. (intransitivo no
sentido de “ocorrer”)
A noite sucede ao dia. (transitivo direto no sentido
de “vir depois”)
LÍ
N
G
U
A
P
O
RT
U
G
U
ES
A
65
SIGNIFICAÇÃO DAS PALAVRAS
DENOTAÇÃO
O sentido denotativo da linguagem compreende
o significado literal da palavra independente do seu
contexto de uso. Preocupa-se com o significado mais
objetivo e literal associado ao significado que aparece
nos dicionários. A denotação tem como finalidade dar
ênfase à informação que se quer passar para o recep-
tor de forma mais objetiva, imparcial e prática. Por
isso, é muito utilizada em textos informativos, como
notícias, reportagens, jornais, artigos, manuais didá-
ticos, entre outros.
Ex.: O fogo se alastrou por todo o prédio. (fogo:
chamas)
O coração é um músculo que bombeia sangue para
o corpo. (coração: parte do corpo)
CONOTAÇÃO
O sentido conotativo compreende o significado
figurado e depende do contexto em que está inserido.
A conotação põe em evidência os recursos estilísticos
dos quais a língua dispõe para expressar diferen-
tes sentidos ao texto de maneira subjetiva, afetiva e
poética. A conotação tem como finalidade dar ênfase
à expressividade da mensagem de maneira que ela
possa provocar sentimentos ou diferentes sensações
no leitor. Por esse motivo, é muito utilizada em poe-
sias, conversas cotidianas, letras de músicas, anúncios
publicitários e outros.
Ex.: “Amor é fogo que arde sem se ver”.
Você mora no meu coração.
O SIGNIFICADO DAS PALAVRAS
Quando escolhemos determinadas palavras ou
expressões dentro de um conjunto de possibilidades
de uso, estamos levando em conta o contexto que
influencia e permite o estabelecimento de diferentes
relações de sentido. Essas relações podem se dar por
meio de: sinonímia, antonímia, homonímia, paroní-
mia, polissemia, hiponímia e hiperonímia.
Importante!
Léxico: Conjunto de todas as palavras e expres-
sões de um idioma.
Vocabulário: Conjunto de palavras e expressões
que cada falante seleciona do léxico para se
comunicar.
z Sinonímia
São palavras ou expressões que, empregadas em
um determinado contexto, têm significados seme-
lhantes. É importante entender que a identidade dos
sinônimos é ocasional, ou seja, em alguns contextos
uma palavra pode ser empregada no lugar de outra,
o que pode não acontecer em outras situações. O
uso das palavras “chamar”, “clamar” e “bradar”, por
exemplo, pode ocorrer de maneira equivocada se uti-
lizadas como sinônimos, uma vez que a intensidade
de suas significações é diferente.
O emprego dos sinônimos é um importante recur-
so para a coesão textual, uma vez que essa estratégia
revela, além do domínio do vocabulário do falante, a
capacidade que ele tem de realizar retomadas coesi-
vas, o que contribuiu para melhor fluidez na leitura
do texto.
z Antonímia
São palavras ou expressões que, empregadas em
um determinado contexto, têm significados opostos.
As relações de antonímia podem ser estabelecidas em
gradações (grande/pequeno; velho/jovem); reciproci-
dade (comprar/vender) ou complementaridade (ele é
casado/ele é solteiro). Vejamos o exemplo a seguir:
Fonte: https://bit.ly/3kETkpl. Acesso em: 16/10/2020.
A relação de sentido estabelecida na tirinha é
construída a partir dos sentidos opostos das palavras
“prende” e “solta”, marcando o uso de antônimos, nes-
se contexto.
z Homonímia
Homônimos são palavras que têm a mesma pro-
núncia ou grafia, porém apresentam significados dife-
rentes. É importante estar atento a essas palavras e a
seus dois significados. A seguir, listamos alguns homô-
nimos importantes:
acender (colocar fogo) ascender (subir)
acento (sinal gráfico) assento (local onde se senta)
acerto (ato de acertar) asserto (afirmação)
apreçar (ajustar o preço) apressar (tornar rápido)
bucheiro (tripeiro) buxeiro (pequeno arbusto)
bucho (estômago) buxo (arbusto)
caçar (perseguir animais) cassar (tornar sem efeito)
cegar (deixar cego) segar (cortar, ceifar)
cela (pequeno quarto) sela (forma do verbo selar; arreio)
censo (recenseamento) senso (entendimento, juízo)
céptico (descrente) séptico (que causa infecção)
cerração (nevoeiro) serração (ato de serrar)
cerrar (fechar) serrar (cortar)
cervo (veado) servo (criado)
chá (bebida) xá (antigo soberano do Irã)
cheque (ordem de
pagamento)
xeque (lance no jogo de
xadrez)
círio (vela) sírio (natural da Síria)
66
cito (forma do verbo citar) sito (situado)
concertar (ajustar, combinar) consertar (reparar, corrigir)
concerto (sessão musical) conserto (reparo)
coser (costurar) cozer (cozinhar)
esotérico (secreto) exotérico (que se expõe em público)
espectador (aquele que
assiste)
expectador (aquele que tem
esperança, que espera)
esperto (perspicaz) experto (experiente, perito)
espiar (observar) expiar (pagar pena)
espirar (soprar, exalar) expirar (terminar)
estático (imóvel) extático (admirado)
esterno (osso do peito) externo (exterior)
estrato (camada) extrato (o que se extrai de algo)
estremar (demarcar) extremar (exaltar, sublimar)
incerto (não certo, impreciso) inserto (inserido, introduzido)
incipiente (principiante) insipiente(ignorante)
laço (nó) lasso (frouxo)
ruço (pardacento, grisalho) russo (natural da Rússia)
tacha (prego pequeno) taxa (imposto, tributo)
tachar (atribuir defeito a) taxar (fixar taxa)
Fonte: https://www.soportugues.com.br/secoes/seman/seman6.php.
Acessado em: 17/10/2020.
Parônimos
Parônimos são palavras que apresentam sentido
diferente e forma semelhante, conforme demonstra-
mos nos exemplos a seguir:
z Absorver/absolver
� Tentaremos absorver toda esta água com
esponjas. (sorver)
� Após confissão, o padre absolveu todos os fiéis
de seus pecados. (inocentar)
z Aferir/auferir
� Realizaremos uma prova para aferir seus
conhecimentos. (avaliar, cotejar)
� O empresário consegue sempre auferir lucros
em seus investimentos. (obter)
z Cavaleiro/cavalheiro
� Todos os cavaleiros que integravam a cava-
laria do rei participaram na batalha. (homem
que anda de cavalo)
� Meu marido é um verdadeiro cavalheiro, abre
sempre as portas para eu passar. (homem edu-
cado e cortês)
z Cumprimento/comprimento
� O comprimento do tecido que eu comprei é de
3,50 metros. (tamanho, grandeza)
� Dê meus cumprimentos a seu avô. (saudação)
z Delatar/dilatar
� Um dos alunos da turma delatou o colega que
chutou a porta e partiu o vidro. (denunciar)
� Comendo tanto assim, você vai acabar dilatan-
do seu estômago. (alargar, estender)
z Dirigente/diligente
� O dirigente da empresa não quis prestar decla-
rações sobre o funcionamento da mesma. (pes-
soa que dirige, gere)
� Minha funcionária é diligente na realização de
suas funções. (expedito, aplicado)
z Discriminar/descriminar
� Ela se sentiu discriminada por não poder
entrar naquele clube. (diferenciar, segregar)
� Em muitos países se discute sobre descriminar o
uso de algumas drogas. (descriminalizar, inocentar)
Fonte: https://www.normaculta.com.br/palavras-par onimas/. Aces-
sado em 17/10/2020.
Polissemia (Plurissignificação)
Multiplicidade de sentidos encontradas em algu-
mas palavras, dependendo do contexto. As palavras
polissêmicas guardam uma relação de sentido entre
si, diferenciando-as das palavras homônimas. A polis-
semia é encontrada no exemplo a seguir:
Fonte: https://bit.ly/3jynvgs. Acessado em: 17/10/2020.
COLOCAÇÃO DO PRONOME ÁTONO
Estudo da posição dos pronomes na oração.
z Próclise: Pronome posicionado antes do verbo.
Casos que atraem o pronome para próclise:
� Palavras negativas: Nunca, jamais, não. Ex.:
Não me submeto a essas condições.
� Pronomes indefinidos, demonstrativos, rela-
tivos. Ex: Foi ela que me colocou nesse papel.
� Conjunções subordinativas. Ex.: Embora se
apresente como um rico investidor, ele nada
tem.
� Gerúndio, precedido da preposição em. Ex.:
Em se tratando de futebol, Maradona foi um
ídolo.
� Infinitivo pessoal preposicionado. Ex.: Na
esperança de sermos ouvidos, muito lhe
agradecemos.
� Orações interrogativas, exclamativas, opta-
tivas (exprimem desejo). Ex.: Como te iludes!
z Mesóclise: Pronome posicionado no meio do ver-
bo. Casos que atraem o pronome para mesóclise:
� Os pronomes devem ficar no meio dos verbos
que estejam conjugados no futuro, caso não
haja nenhum motivo para uso da próclise. Ex.:
Dar-te-ei meus beijos agora... / Orgulhar-me-ei
dos nossos estudantes.
LÍ
N
G
U
A
P
O
RT
U
G
U
ES
A
67
z Ênclise: Pronome posicionado após o verbo. Casos
que atraem o pronome para ênclise:
� Início de frase ou período. Ex.: Sinto-me mui-
to honrada com esse título.
� Imperativo afirmativo. Ex.: Sente-se, por
favor.
� Advérbio virgulado. Ex.: Talvez, diga-me o
quanto sou importante.
Casos proibidos:
� Início de frase: Me dá esse caderno! (errado) /
Dá-me esse caderno! (certo).
� Depois de ponto e vírgula: Falou pouco; se lem-
brou de nada (errado) / Falou pouco; lembrou-
-se de nada (correto).
� Depois de particípio: Tinha lembrado-se do fato
(errado) / Tinha se lembrado do fato (correto).
HORA DE PRATICAR!
1. (CESGRANRIO – 2016)
Quando eu for bem velhinho
Bem velhinho, que [precise] usar um bastão / Eu hei de
ter um netinho, ah... / Pra me levar pela mão / No car-
naval, eu não fico em casa / Eu não fico, eu vou brincar!
/ Nem que eu vá me sentar na calçada / Pra ver meu
bloco passar...”
Lupicínio Rodrigues — autor de elaboradas e densas
canções de amor — surpreende escrevendo, em 1936,
ano em que nasci, essa singela e comovente marchi-
nha carnavalesca. Uma raridade que constrói e, ao
mesmo tempo, define um carnaval. O carnaval como
um ritual — como um encontro necessário, como as
festas religiosas e algumas cerimônias cívicas — e
não como uma brincadeira da qual se escolhe, livre
e individualmente, participar. O carnaval faz parte do
calendário religioso católico romano que, mesmo no
Brasil republicano, burguês e pós-moderno, continua
a ser observado. Hoje, ao lado da Semana Santa e da
Semana da Pátria, ele talvez seja mais um feriado fes-
tivo do que uma ocasião que coage o nosso compor-
tamento, obrigando à participação, como deixa claro a
marchinha de Lupicínio.
Ouvi a música pelo piano de mamãe quando era um
menino: supunha-me o netinho que levava o avô pela
mão até o seu bloco de carnaval. Hoje, sendo um avô
feliz e orgulhoso de cinco lindas moças e três belos
rapazes, tenho nada mais nada menos do que 16
mãos dispostas a, amorosamente, me conduzirem ao
meu bloco que passa todo ano pela minha calçada.
Leitor querido: se você tiver alguma recordação dessa
música, ouça-a. Se você não souber manipular algum
aparelho eletrônico, seu netinho o ajuda. E ouvindo a
simplicidade dessa tocante canção, você vai ler esta
crônica como eu a escrevo: com os olhos molhados
dos antigos carnavais.
DAMATTA, R. O Globo, Rio de Janeiro, 10 fev. 2016. Primeiro
Caderno, p. 13. Adaptado.
A conjunção que empregada na primeira linha do Tex-
to I tem o seguinte valor:
a) causa
b) instrumento
c) consequência
d) conformidade
e) proporcionalidade
2. (CESGRANRIO — 2016)
Quando eu for bem velhinho — continuação 2
O tempo do carnaval era obrigatório. A despeito de
todas as mudanças, ele continua sendo a pausa que
dá sentido e razão ao tempo como uma majestade
humana. Este imperador sem rivais que diz que passa
quando, de fato, quem passa somos nós.
Uma lenda escandinava, traduzida à luz da análise
pelo sábio das línguas e costumes euro- -europeus
Georges Dumézil, conta a história de um camponês
que, sem querer, libertou o diabo de um caixote que
ele transportava para um padre na sua carroça. Livre
e solto, o diabo — que está sempre fazendo alguma
coisa — começou a surrar o seu involuntário liberta-
dor, perguntando ansiosamente: “O que devo fazer?” O
camponês mandou que ele construísse uma ponte de
pedra e, em instantes, ela ficou pronta. E logo o diabo
perguntou novamente: “O que devo fazer?” O campo-
nês mandou que o diabo juntasse todos os excremen-
tos de cavalo do reino da Dinamarca e, num instante,
a tarefa estava cumprida. Aterrorizado porque ia apa-
nhar novamente, o camponês teve a feliz ideia de man-
dar que o diabo recuperasse o tempo. Sabendo que o
tempo era precioso, o diabo saiu em sua busca, mas
não conseguia alcançá-lo. Trouxe dele pedaços, mas
não o tempo inteiro como ordenara o camponês. Não
tendo observado a tarefa, o diabo voltou para a caixa.
O tempo como potência impossível de ser apanhada
foi brilhantemente descrito por Frei Antônio das Cha-
gas num poema escrito nos mil seiscentos e tanto:
Deus pede estrita conta de meu tempo.
E eu vou do meu tempo dar-lhe conta.
Mas como dar, sem tempo, tanta conta
Eu, que gastei, sem conta, tanto tempo?
Para dar minha conta feita a tempo,
O tempo me foi dado e não fiz conta,
Não quis, sobrando tempo, fazer conta.
Hoje, quero acertar conta, e não há tempo.
Oh, vós, que tendes tempo sem ter conta,
Não gasteis vosso tempo em passatempo.
Cuidai, enquanto é tempo, em vossa conta!
Pois aqueles que, sem conta, gastam tempo,
Quando o tempo chegar de prestar conta,
Chorarão, como eu, o não ter tempo...Afinal, somos nós que brincamos o carnaval ou é o
carnaval que brinca conosco o tempo todo?
DAMATTA, R. O Globo, Rio de Janeiro, 10 fev. 2016. Primeiro
Caderno, p. 13. Adaptado.
Assim como análise, também se escreve corretamen-
te com s o substantivo
a) valise
b) linse
c) esato
d) maselas
e) cansela
68
3. (CESGRANRIO – 2018) A palavra ou a expressão des-
tacada aparece grafada de acordo com a norma-pa-
drão da Língua Portuguesa em:
a) O aquecimento global pode afetar a sobrevivência da
população em muitas regiões por que água e comida
já se mostram escassas.
b) O Dia Mundial do Meio Ambiente serve para nos lem-
brar o por quê de todos terem de contribuir para a pre-
servação da natureza.
c) O principal tema discutido entre governos e orga-
nizações é a globalização, por que afeta a vida dos
indivíduos.
d) Os especialistas defendem que o clima na Terra tem
passado por ciclos de mudanças mas divergem sobre
o porquê desse fato.
e) Os cientistas têm estudado o porque de as emissões
de gases poluentes na atmosfera estarem relaciona-
das às mudanças climáticas
4. (CESGRANRIO – 2016)
Festival reúne caravelas em barcos
Dizem que o passado não volta, mas a cada cinco
anos boa parte da história marítima da Europa se reú-
ne para navegar junto entre o Mar do Norte e o canal
de Amsterdã. Caravelas e barcos a vapor do século
passado se juntam a veleiros e lanchas contemporâ-
neas que vêm de vários países para um dos maiores
encontros náuticos gratuitos do mundo. Durante o
Amsterdam Sail, entre os dias 19 e 23 de agosto, cerca
de 600 embarcações celebram a arte de deslizar sobre
as águas.
Desde 1975 o grande encontro aquático junta apai-
xonados pelo mar e curiosos às margens dos canais
para ver barcos históricos e gente fazendo festa ao
longo de cinco dias – na última edição, o público esti-
mado foi de 1,7milhão de pessoas. Há aulas de vela
e de remo para adultos e crianças, além de atrações
musicais. [...]
Você pode até achar que é coisa de criança, mas o
jogo em que cada um leva o próprio balde e simula
as tarefas a bordo de um navio é instrutivo e divertido
para todas as idades.
MORTARA, F. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 4 ago. 2015, Caderno
D, p. 10. Adaptado.
Das palavras acentuadas reúne, países, águas, última
e vêm, as duas que recebem acento por seguirem a
mesma norma ortográfica são:
a) águas e vêm
b) última e vêm
c) reúne e águas
d) reúne e países
e) países e última
5. (CESGRANRIO – 2018)
O Brasil na memória
A viagem tem uma estruturalidade típica. Há a escolha
do destino, uma finalidade antevista, uma partida e um
retorno, um trajeto por lugares, um tempo de duração.
Há situações iniciais e finais, outras intermediárias,
numa dimensão linear, e há atores, um dos quais o
viajante, que serve de fio condutor entre pessoas,
acontecimentos, locais e deslocamentos. Supõe uma
subjetividade que se abre ao desconhecido, a perda
de referências familiares, o abandono do mesmo pelo
diferente, o encontro com o outro e o reencontro con-
sigo mesmo. Em contrapartida, a narrativa de viagem
depende em primeiro lugar da memória e de anota-
ções. Seleciona experiências, precisa estabelecer um
projeto de narração, não necessariamente cronológico
ou causal, torna-se, mesmo sem intenção, um teste-
munho. E é orientada por perspectivas do narrador-via-
jante, que incluem seu estilo de vida, sua mentalidade,
assim como sua visão de mundo e sua posição de
sujeito, ou seja, o local cultural de onde fala.
BORDINI, Maria da Glória. In: Descobrindo o Brasil. Rio de Janeiro:
EdUERJ, 2011, p. 353.
No Texto II, a autora criou a palavra “narrador-viajante”
e empregou nela corretamente o hífen.
Usando uma estratégia criativa semelhante, será
necessário usar esse sinal gráfico em
a) pseudo-viajante
b) super-viajante
c) ex-viajante
d) anti-viajante
e) neo-viajante
6. (CESGRANRIO – 2014)
Um pouco distraído
Ando um pouco distraído, ultimamente. Alguns amigos
mais velhos sorriem, complacentes, e dizem que é isso
mesmo, costuma acontecer com a idade, não é distra-
ção: é memória fraca mesmo, insuficiência de fosfato.
O diabo é que me lembro cada vez mais de coisas que
deveria esquecer: dados inúteis, nomes sem significa-
do, frases idiotas, circunstâncias ridículas, detalhes
sem importância. Em compensação, troco o nome
das pessoas, confundo fisionomias, ignoro conheci-
dos, cumprimento desafetos. Nunca sei onde largo
objetos de uso e cada saída minha de casa representa
meia hora de atraso em aflitiva procura: quede minhas
chaves? meus cigarros? meu isqueiro? minha caneta?
Estou convencido de que tais objetos, embora inani-
mados, têm um pacto secreto com o demônio, para
me atormentar: eles se escondem.
Recentemente, descobri a maneira infalível de derrotá-
-los. Ainda há pouco quis acender um cigarro, dei por
falta do isqueiro. Em vez de procurá-lo freneticamente,
como já fiz tantas vezes, abrindo e fechando gavetas,
revirando a casa feito doido, para acabar plantado no
meio da sala apalpando os bolsos vazios como um
tarado, levantei-me com naturalidade sem olhar para
lugar nenhum e fui olimpicamente à cozinha apanhar
uma caixa de fósforos.
Ao voltar — eu sabia! — dei com o bichinho ali mesmo,
na ponta da mesa, bem diante do meu nariz, a olhar-
-me desapontado. Tenho a certeza de que ele saiu de
seu esconderijo para me espiar.
Até agora estou vencendo: quando eles se escondem,
saio de casa sem chaves e bato na porta ao voltar;
compro outro maço de cigarros na esquina, uma nova
caneta, mais um par de óculos escuros; e não telefono
para ninguém até que minha caderneta resolva apare-
cer. É uma guerra sem tréguas, mas hei de sair vitorio-
so. [...]
LÍ
N
G
U
A
P
O
RT
U
G
U
ES
A
69
Alarmado, confidenciei a um amigo este e outros
pequenos lapsos que me têm ocorrido, mas ele me
consolou de pronto, contando as distrações de um tio
seu, perto do qual não passo de um mero principiante.
Trata-se de um desses que põem o guarda-chuva na
cama e se dependuram no cabide, como manda a
anedota. Já saiu à rua com o chapéu da esposa na
cabeça. Já cumprimentou o trocador do ônibus quan-
do este lhe estendeu a mão para cobrar a passagem.
Já deu parabéns à viúva na hora do velório do mari-
do. Certa noite, recebendo em sua casa uma visita de
cerimônia, despertou de um rápido cochilo e se ergueu
logo, dizendo para sua mulher: “Vamos, meu bem, que
já está ficando tarde.” [...]
Contou-me ainda o sobrinho do monstro que sair com
um sapato diferente em cada pé, tomar ônibus errado,
esquecer dinheiro em casa, são coisas que ele faz qua-
se todos os dias. Já lhe aconteceu tanto se esquecer de
almoçar como almoçar duas vezes. Outro dia arranjou
para o sobrinho um emprego num escritório de advoca-
cia, para que fosse praticando, enquanto estudante.
— Você sabe — me conta o sobrinho: — O que eu estu-
do é medicina...
Não, eu não sabia: para dizer a verdade, só agora o
estava identificando. Mas não passei recibo — faz par-
te da minha nova estratégia, para não acabar como o
tio dele: dar o dito por não dito, não falar mais no
assunto, acender um cigarro. É o que farei agora. Isto
é, se achar o cigarro.
SABINO, F. Deixa o Alfredo Falar. Rio de Janeiro: Record, 1976.
Em qual das frases abaixo as palavras em destaque
pertencem à mesma classe gramatical?
a) “Alguns amigos mais velhos sorriem” – Os mais
velhos sorriem.
b) “e dizem que é isso mesmo” – Eu quero aquela mesma.
c) “troco o nome das pessoas” – O caixa não deu o meu
troco.
d) “Nunca sei onde largo objetos de uso” – Ontem estive
no Largo do Estácio.
e) “tais objetos, embora inanimados, têm” – Vou embora
amanhã.
7. (CESGRANRIO – 2019)
Obsolescência programada: inimiga ou parceira do
consumidor?
Obsolescência programada é exercida quando um
produto tem vida útil(A) menor do que a tecnologia
permitiria, motivando a compra de um novo mode-
lo — eletrônicos, eletrodomésticos e automóveis são
exemplos evidentes dessa prática(B).Uma câmera
com uma resolução melhor pode motivar a compra de
um novo celular, ainda que o modelo anterior funcione
perfeitamente bem. Essa estratégia da indústria pode
ser vista como inimiga do consumidor, uma vez que
o incentiva a adquirir mais produtos sem realmente
necessitar deles. No entanto, traz benefícios, como o
acesso às novidades.
Planejar inovação é extremamente importante para
melhoria e aumento da capacidade técnica de um pro-
duto num mercado altamente competitivo. Já imagi-
nou se um carro de hoje fosse igual a um carro dos
anos 1970? O desafio é buscar um equilíbrio entre a
inovação e a durabilidade. Do ponto de vista técnico,
quando as empresas planejam um produto, já tem
equipes trabalhando na sucessão dele, pois se trata
de uma necessidade de sobrevivência no mercado.
Sintomas de obsolescência são facilmente percebi-
dos quando um novo produto oferece características
que os anteriores não tinham, como o uso de reconhe-
cimento facial(C); ou a queda de desempenho do pro-
duto com relação ao atual padrão de mercado, como
um smartphone que não roda bem os aplicativos atua-
lizados. Outro sinal é detectado quando não é possível
repor acessórios, como carregadores compatíveis, ou
mesmo novos padrões, como tipo de bateria, conector
de carregamento ou tipos de cartão de um celular, por
exemplo.
Isso não significa que o consumidor está refém de
trocas constantes de equipamento: é possível adiar a
substituição de um produto, por meio de upgrades de
hardware, como inclusão de mais memória, baterias
e acessórios de expansão, pelo menos até o momen-
to em que essa troca não compense financeiramente.
Quanto à legalidade, o que se deve garantir é que os
produtos mais modernos mantenham a compatibilida-
de com os anteriores, a fim de que o antigo usuário não
seja forçado constantemente à compra de um produto
mais novo se não quiser. É importante diferenciá-la da
obsolescência perceptiva, que ocorre quando atuali-
zações cosméticas, como um novo design, fazem o
produto parecer sem condições de uso, quando não
está.
É preciso lembrar também que a obsolescência pro-
gramada se dá de forma diferente em cada tipo de
equipamento. Um controle eletrônico de portão tem
uma única função e pode ser usado por anos e anos
sem alterações ou troca. Já um celular tem maior taxa
de obsolescência e pode ter de ser substituído em um
ano ou dois, dependendo das necessidades do usuá-
rio, que pode desejar fotos de maior resolução ou tela
mais brilhante.
Essa estratégia traz desafios, como geração do lixo
eletrônico(D). Ao mesmo tempo, a obsolescência deve
ser combatida na restrição que possa causar ao usuá-
rio, como, por exemplo, uma empresa não mais dispo-
nibilizar determinada função que era disponível pelo
simples upgrade do sistema operacional, forçando
a compra de um aparelho novo. O saldo geral é que
as atualizações trazidas pela obsolescência progra-
mada trazem benefícios à sociedade, como itens de
segurança mais eficientes em carros e conectabilida-
de imediata e de alta qualidade entre pessoas. É por
conta disso que membros de uma mesma família que
moram em países diferentes(E) podem conversar dia-
riamente, com um custo relativamente baixo, por voz
ou vídeo. Além disso, funcionários podem trabalhar
remotamente, com mais qualidade de vida, com ajuda
de dispositivos móveis.
RAMALHO, N. Obsolescência programada: inimiga ou parceira do
consumidor? Disponível em: <https://www. gazetadopovo.com.br/
opiniao/artigos/obsolescencia-programada-inimiga-ou-parceira-do-
consumidor-5z4zm6km1pndkokxsbt4v6o96/>. Acesso em: 23 jul.
2019. Adaptado.
Nos seguintes trechos do Texto I, o adjetivo destacado
apresenta valor discursivo de avaliação subjetiva, em
relação ao substantivo a que se liga, em:
a) “um produto tem vida útil”
b) “exemplos evidentes dessa prática.”
c) “uso de reconhecimento facial”
d) “geração do lixo eletrônico”
e) “moram em países diferentes”
http://www/
70
8. (CESGRANRIO – 2018)
Exagerado
Amor da minha vida
Daqui até a eternidade
Nossos destinos
Foram traçados na maternidade
Paixão cruel, desenfreada
Te trago mil rosas roubadas
Pra desculpar minhas mentiras
Minhas mancadas
Exagerado
Jogado aos teus pés
Eu sou mesmo exagerado
Adoro um amor inventado
Eu nunca mais vou respirar
Se você não me notar
Eu posso até morrer de fome
Se você não me amar
E por você eu largo tudo
Vou mendigar, roubar, matar
Até nas coisas mais banais
Pra mim é tudo ou nunca mais
Exagerado
Jogado aos teus pés
Eu sou mesmo exagerado
Adoro um amor inventado
E por você eu largo tudo
Carreira, dinheiro, canudo
Até nas coisas mais banais
Pra mim é tudo ou nunca mais
Exagerado
Jogado aos teus pés
Eu sou mesmo exagerado
Adoro um amor inventado
Jogado aos teus pés
Com mil rosas roubadas
Exagerado
Eu adoro um amor inventado
ARAÚJO NETO, Agenor de Miranda (Cazuza); SIQUEIRA JR, Carlos
Leoni Rodrigues. Exagerado. In: CAZUZA. Exagerado. Rio de Janeiro:
Sigla/Som Livre, 1985. Lado A, faixa 1.
De acordo com a norma-padrão da língua portuguesa,
se fosse substituído o pronome eu pelo pronome nós,
no trecho do Texto I “Eu sou mesmo exagerado”, como
ficaria o verbo destacado?
a) “Nós é mesmo exagerados”.
b) “Nós somos mesmo exagerados”.
c) “Nós era mesmo exagerados”.
d) “Nós sereis mesmo exagerados”.
e) “Nós sois mesmo exagerados”.
9. (CESGRANRIO – 2019)
Serviu suas famosas bebidas para Vinicius, Carybé e
Pelé
Os pedaços de coco in natura são colocados no liqui-
dificador e triturados. O líquido resultante é coado
com uma peneira de palha e recolocado no aparelho,
onde é batido com açúcar e leite condensado. Ao fim,
adiciona-se aguardente.
A receita de Diolino Gomes Damasceno, ditada à Folha
por seu filho Otaviano, parece trivial, mas a conhecida
batida de coco resultante não é. Afinal, não é possível
que uma bebida qualquer tenha encantado um time
formado por Jorge Amado (diabético, tomava sem
açúcar), Pierre Verger, Carybé, Mussum, João Ubaldo
Ribeiro, Angela Rô Rô, Wando, Vinicius de Moraes e
Pelé (tomava dentro do carro).
Baiano nascido em 1931 na cidade de Ipecaetá, inte-
rior do estado, Diolino abriu seu primeiro estabeleci-
mento em 1968, no bairro do Rio Vermelho, reduto
boêmio de Salvador. Localizado em uma garagem,
ganhou o nome de MiniBar.
A batida de limão — feita com cachaça, suco de limão
galego, mel de abelha de primeiríssima qualidade e
açúcar refinado, segundo o escritor Ubaldo Marques
Porto Filho — chamava a atenção dos homens, mas
Diolino deu por falta das mulheres da época. É que
elas não queriam ser vistas bebendo em público, e
então arranjavam alguém para comprar as batidas e
bebiam dentro do automóvel.
Diolino bolou então o sistema de atendimento direto
aos veículos, em que os garçons iam até os carros que
apenas encostavam e saíam em disparada. A novida-
de alavancou a fama do bar. No auge, chegou a produ-
zir 6.000 litros de batida por mês.
SETO, G. Folha de S.Paulo. Caderno “Cotidiano”. 17 de maio de 2019,
p. B2. Adaptado.
A substituição da expressão destacada pelo que se
encontra entre colchetes está de acordo com a nor-
ma-padrão em:
a) Jorge Amado tomava a bebida sem açúcar. [tomava
-lhe]
b) Diolino gostava de mostrar a receita. [mostrá-la]
c) Pelé bebia no carro porque era discreto. [bebia-lhe]
d) Wando e Rô Rô também frequentavam o bar. [frequen-
tavam-nos]
e) O MiniBar produzia 6.000 litros por mês. [produzia-se]
10. (CESGRANRIO – 2016)
O suor e a lágrima
Fazia calor no Rio, 40 graus e qualquer coisa, quase
41. No dia seguinte, os jornais diriam que fora o mais
quente deste verão que inaugura o século e o milênio.
Cheguei ao Santos Dumont, o vôo estava atrasado,
decidi engraxar os sapatos. Pelo menos aqui no Rio,
são raros esses engraxates, só existem nos aeropor-
tos e em poucos lugares avulsos.
Sentei-me naquela espécie de cadeira canônica, de
coro de abadia pobre, que também pode parecer o tro-
no de um rei desoladode um reino desolante.
LÍ
N
G
U
A
P
O
RT
U
G
U
ES
A
71
O engraxate era gordo e estava com calor — o que me
pareceu óbvio. Elogiou meus sapatos, cromo italiano,
fabricante ilustre, os Rosseti. Uso-o pouco, em parte
para poupá-lo, em parte porque quando posso estou
sempre de tênis.
Ofereceu-me o jornal que eu já havia lido e começou seu
ofício. Meio careca, o suor encharcou-lhe a testa e a cal-
va. Pegou aquele paninho que dá brilho final nos sapatos
e com ele enxugou o próprio suor, que era abundante.
Com o mesmo pano, executou com maestria aqueles
movimentos rápidos em torno da biqueira, mas a todo
instante o usava para enxugar-se — caso contrário, o
suor inundaria o meu cromo italiano.
E foi assim que a testa e a calva do valente filho do povo
ficaram manchadas de graxa e o meu sapato adquiriu
um brilho de espelho à custa do suor alheio. Nunca tive
sapatos tão brilhantes, tão dignamente suados.
Na hora de pagar, alegando não ter nota menor, dei-
xei-lhe um troco generoso. Ele me olhou espantado,
retribuiu a gorjeta me desejando em dobro tudo o que
eu viesse a precisar nos restos dos meus dias.
Saí daquela cadeira com um baita sentimento de culpa.
Que diabo, meus sapatos não estavam tão sujos assim,
por míseros tostões, fizera um filho do povo suar para
ganhar seu pão. Olhei meus sapatos e tive vergonha
daquele brilho humano, salgado como lágrima.
CONY, C. H. In: NESTROVSKI, A. (Org.). Figuras do Brasil – 80 autores
em 80 anos de Folha. São Paulo: Publifolha. 2001. p. 319.
Em “fizera um filho do povo suar para ganhar seu pão”,
o termo em destaque assume o sentido de
a) rumo
b) trabalho
c) desconto
d) imposto
e) retribuição
11. (CESGRANRIO – 2017)
Como o aquecimento global está atrapalhando a
aviação
No mês passado, dezenas de voos foram cancelados
nos EUA por causa do calor. Veja porque isso se torna-
rá cada vez mais comum.
Com a temperatura na casa dos 48 ºC — e uma sensa-
ção térmica que supera fácil os 50 ºC —, é complicado
levar a vida normalmente. Sair de casa é pedir para
começar a suar e desidratar a uma velocidade digna
de ambiente desértico. Seja muito bem-vindo ao verão
de Phoenix, capital do Arizona, onde o ar-condicionado
é seu amigo mais inseparável.
Por lá, as temperaturas altas não impactam só as
contas de luz. A onda de calor anormal que o sudoes-
te dos EUA enfrentou recentemente causou também
outro problema, menos usual: o cancelamento de
dezenas de voos comerciais. É isso mesmo. Em julho
passado, aviões foram impedidos de deixar o Sky Har-
bor, aeroporto internacional da cidade, pelo simples
motivo de estar quente demais.
Mesmo quem não é do ramo sabe que aeronaves
foram criadas para operar sob algumas condições
climáticas específicas. Por causa disso, vira e mexe
mudanças de tempo muito bruscas como nevascas
e neblinas intensas as impedem de decolar — atra-
sando as viagens e aumentando a impaciência dos
clientes.
No que diz respeito a problemas de visibilidade, não
há muito o que fazer. O ponto é que o calor também
pode comprometer bastante a viagem: cientistas já
demonstraram que o desempenho das aeronaves é
pior em dias extremamente quentes. Isso porque o
aumento da temperatura atmosférica faz a densidade
do ar diminuir, o que prejudica toda a aerodinâmica
do veículo.
A sustentação que as asas do avião garantem depen-
de da densidade do ar. Quanto menor for a densidade
do ar, mais rápido um avião tem que acelerar na hora da
decolagem para compensar a perda de estabilidade.
O problema é que, para conseguir uma velocidade
maior, é necessária uma pista com tamanho suficien-
te para a tarefa. Corre-se o risco, nos locais onde o
trecho de asfalto é curto demais, de que o avião não
adquira velocidade adequada para deslanchar de vez
sem problemas de sustentação. A principal forma que
as torres de controle têm para garantir que isso não
aconteça é diminuir o peso da aeronave — seja retiran-
do carga, combustível ou material humano mesmo.
Os efeitos dessa restrição de peso podem pesar no
bolso das companhias aéreas e mudar operações pelo
mundo todo. A conta é bem simples: menos passagei-
ros nos voos significa menos dinheiro para as com-
panhias aéreas. Os primeiros a sofrer com os cortes
são voos mais longos. Conectar pontos distantes do
globo só vale a pena se o roteiro for cumprido com o
máximo de aproveitamento. A tendência, então, é que
os voos maiores sejam remanejados para momentos
menos quentes do dia. E como nada vem sozinho, a
alteração de rotas e duração dos voos, pode, eventual-
mente, aumentar também o consumo de combustível.
O resto você já sabe. O serviço fica mais caro, passam
a existir menos opções, os aeroportos operam além
da capacidade e o caos aéreo se torna maior.
Para completar o pacote, o calor poderá influenciar até
mesmo no famoso “medo de avião”. Isso porque a ele-
vação das temperaturas tornará as turbulências mais
frequentes e intensas. Uma pesquisa publicada neste
ano mostrou que turbulências severas vão aumentar
149% e os chacoalhões moderados crescerão até 94%
nos próximos anos. Culpa do aumento na quantidade
de ventos de alta altitude, que ganham força com o
calor.
ELER, G. Como o aquecimento global está atrapalhando a aviação.
5 ago. 2017. Disponível em: <https://super.abril.com.br/tecnologia/
como-o-aquecimento-global-esta-atrapalhando-a-aviacao/>. Acesso
em: 12 ago. 2017. Adaptado.
Ao contrário do período composto por coordenação,
o período composto por subordinação apresenta ao
menos uma oração sintaticamente dependente de
outra. O seguinte período configura-se como compos-
to por subordinação:
a) “Como o aquecimento global está atrapalhando a avia-
ção” (Título do texto)
b) “No mês passado, dezenas de voos foram cancelados
nos EUA por causa do calor.” (Subtítulo do texto)
c) “Por lá, as temperaturas altas não impactam só as
contas de luz.”
d) “A sustentação que as asas do avião garantem depen-
de da densidade do ar.”
e) “Os efeitos dessa restrição de peso podem pesar no
bolso das companhias aéreas e mudar operações pelo
mundo todo.”
72
12. (CESGRANRIO – 2018) A pontuação foi utilizada de
acordo com as exigências da norma-padrão da língua
portuguesa em:
a) A escassez e a contaminação da água causam, por ano
a morte de cinco milhões de crianças em todo o planeta.
b) A maior parte da água existente no planeta, que é de
água salgada, precisa ser dessalinizada para servir à
população.
c) A precária rede de distribuição de água na Amazônia
impede, que muitas pessoas tenham acesso adequa-
do a esse precioso líquido.
d) Os racionamentos tornaram-se mais urgentes e
necessários à medida que, a água não é tão abundan-
te quanto parece.
e) Uma boa parte da população mundial, não conta com
um abastecimento de água de boa qualidade.
13. (CESGRANRIO – 2018) A regência do verbo destacado
está de acordo com as exigências da norma-padrão da
língua portuguesa em:
a) Para ganhar espaço no mercado imobiliário, os ban-
cos costumam a ampliar prazos e limites e baratear o
financiamento da casa própria.
b) O planejamento econômico é fundamental para o
sucesso de um empreendimento familiar, o que envol-
ve ao ato de pesquisar as melhores oportunidades
disponíveis.
c) Antes de se comprometer com a aquisição de um imó-
vel acima de sua renda, recomenda-se ao comprador
que pesquise melhores condições de mercado.
d) A inadimplência ocorre quando o cidadão não acata
às cláusulas que determinam os prazos dos emprésti-
mos bancários.
e) Grande parte das pessoas que se candidatam a emprés-
timos bancários aspiram a construção da casa própria.
14. (CESGRANRIO – 2018)
Mobilidade e acessibilidade desafiam cidades
A população do mundo chegou, em 2011, à marca ofi-
cial de 7 bilhões de pessoas. Desse total, parte cada
vez maior vive nas cidades: em 2010, esse contingente
superou os 50% dos habitantes do planeta, e até 2050
prevê-se que mais de dois terços da população mun-
dial seráurbana.
No Brasil, a população urbana já representa 84,4% do
total, de acordo com o Censo 2010. É preciso, então,
que questões de mobilidade e acessibilidade urbana
passem a ser discutidas.
No passado, a noção de mobilidade era estreitamente
ligada ao automóvel. Hoje, como resultado, os mora-
dores de grande maioria das cidades brasileiras lidam
diariamente com congestionamentos insuportáveis, que
causam enormes perdas. Isso, sem falar no alto índice
de mortes em vias urbanas do país. Depreendemos daí
que a dependência do automóvel como meio de trans-
porte é um fator que impede a mobilidade urbana.
É importante investir em infraestrutura pedestre, ciclo-
viária e em sistemas mais eficazes e adequados de
ônibus. Ao mesmo tempo, podemos desenvolver cida-
des mais acessíveis, onde a maior parte dos serviços
esteja próxima às moradias e haja opções de transpor-
te não motorizado para nos locomovermos.
BROADUS, V. Portal Mobilize Brasil. 16 jul. 2012. Disponível
em: <http://www.mobilize.org.br/noticias/2419/mobilidade-
acessibilidade- e-deficiencias-fisicas.html>. Acesso em: 9 jul. 2018.
Adaptado.
Glossário:
Mobilidade urbana – É a facilidade de locomoção das
entre as diferentes zonas de uma cidade.
Acessibilidade urbana – É a garantia de condições às
pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade
reduzida.
De acordo com a norma-padrão da língua portugue-
sa, o acento grave indicativo da crase é obrigatório na
palavra destacada em:
a) A falta de transporte coletivo traz problemas para as
pessoas que vivem na periferia.
b) O centro das cidades foi o primeiro espaço a sofrer
com o aumento dos carros.
c) O automóvel acabou por se confirmar como a forma
de transporte dominante.
d) Os espaços centrais passaram a ser ocupados somen-
te nos horários de trabalho.
e) Os governos devem buscar soluções adequadas as
necessidades das pessoas.
15. (CESGRANRIO – 2018)
Carta aos meus filhos adolescentes
Nossa relação mudará, não se assustem, continuo
amando absurdamente cada um de vocês. Estarei
sempre de plantão, para o que der e vier. Do mesmo
jeito, com a mesma vontade de ajudar.
É uma fase necessária: uma aparência de indiferença
recairá em nossos laços, uma casca de tédio grudará
em nossos olhares.
Mas não durará a vida inteira, posso garantir.
Nossa comunicação não será tão fácil como antes. A
adolescência altera a percepção dos pais, tornei-me o
chato daqui por diante.
Eu me preparei para a desimportância, guardei esto-
que de cartõezinhos e cartas de vocês pequenos, cole-
cionei na memória as declarações de “eu te amo” da
última década, ciente de que não ouvirei nenhuma jura
por um longo tempo.
A vida será mais árida, mais constrangedora, mais
lacônica. É um período de estranheza, porém essen-
cial e corajoso. Todos experimentam isso, em qual-
quer família, não tem como adiar ou fugir.
Serei obrigado agora a bater no quarto de vocês e
aguardar uma licença. Existe uma casa chaveada no
interior de nossa casa. Não desfruto de chave, senha,
passaporte. Não posso aparecer abrindo a porta de
repente. Às vezes mandarei um WhatsApp apenas
para saber onde estão, mesmo quando estiverem den-
tro do apartamento. Passarei essa vergonha.
Perguntarei como estão e ganharei monossílabos de
presente. Talvez um ok. Talvez a sorte de um tudo bem.
As confissões não acontecerão espontaneamente.
“Me deixe em paz” despontará como refrão diante de
qualquer cobrança.
Precisarei ser mais persuasivo. Nem alcanço alguma
ideia de como, para mim também é uma experiência
nova, tampouco sei agir. Os namoros e os amigos
assumirão as suas prioridades.
Verei vocês somente saindo ou chegando, desprovido
de convergência para um abraço demorado.
Já não me acharão um máximo, já não sou grande coi-
sa. Perceberam os meus pontos fracos, decoraram os
meus defeitos, não acreditam mais em minhas histó-
rias, não sou a única versão de vocês. Qualquer infor-
mação que digo, vão checar no Google.
http://www.mobilize.org.br/noticias/2419/mobilidade-acessibilidade-
http://www.mobilize.org.br/noticias/2419/mobilidade-acessibilidade-
LÍ
N
G
U
A
P
O
RT
U
G
U
ES
A
73
Mas vamos sobreviver: o meu amor é imenso para
resistir ao teste da diferença de idade e de geração.
Espero vocês do outro lado da ternura, quando tiverem
a minha idade.
CARPINEJAR, F. Carta aos meus filhos adolescentes. Disponível em:
<https://blogs.oglobo.globo.com/fabricio-carpinejar/post/carta-aos-
meus-fi lhos-adolescentes.html>. Acesso em: 10 jul. 2018. Adaptado.
A frase em que a palavra em destaque obedece ao
princípio sintático da concordância nominal, atenden-
do às regras da norma-padrão, é:
a) As famílias mesmas relatam problemas de relaciona-
mento entre pais e filhos.
b) Os adolescentes ficam sempre meios eufóricos quan-
do saem em grupo.
c) Pais têm menas chances de compreender seus filhos
que seus amigos.
d) Alguns jovens já enfrentam bastante problemas den-
tro e fora de casa.
e) É necessária ter uma boa relação com os pais para
que os filhos se sintam seguros.
9 GABARITO
1 C
2 A
3 D
4 D
5 C
6 B
7 B
8 B
9 B
10 E
11 D
12 B
13 C
14 E
15 A
ANOTAÇÕES
74
M
AT
EM
ÁT
IC
A
F
IN
A
N
C
EI
R
A
75
MATEMÁTICA
FINANCEIRA
CONCEITOS GERAIS
O CONCEITO DO VALOR DO DINHEIRO NO TEMPO
O conceito de valor do dinheiro no tempo é mui-
to importante quando estamos estudando Matemáti-
ca Financeira, pois não podemos de maneira alguma
comparar o dinheiro trabalhado na Matemática Bási-
ca com o dinheiro trabalhado na Matemática Finan-
ceira, uma vez que nesse último, o fator tempo será
primordial.
Imagine a seguinte situação:
Seu primo pede para que você faça um emprésti-
mo para ele de R$100,00 com a promessa de que após
1 ano ele irá devolver os mesmos R$100,00 para você.
Será que vale a pena essa operação financeira?
Você precisa analisar alguns pontos antes de tomar
a decisão: o risco, o valor do dinheiro daqui a um
ano e retorno do capital.
Aqui precisamos salientar que o dinheiro tem dife-
rentes valores conforme o tempo vai passando, pois
os R$ 100,00 de hoje não são os mesmos R$ 100,00 de
daqui a 5 anos. Veja:
Há fatores que modificam o valor do dinheiro no
tempo, como, por exemplo, a Inflação, que desvalori-
za o dinheiro conforme o tempo vai passando; o Risco
de um futuro incerto; e as Operações Financeiras, que
fazem o valor do dinheiro também ser modificado.
Resumindo: O que você consegue comprar hoje
com R$ 100,00 não vai conseguir comprar de novo
daqui a 5 anos com os mesmo R$ 100,00.
Em matemática financeira, sempre que quiser-
mos comparar dois capitais, devemos transportá-los
para uma mesma data (a uma mesma taxa de juros). E
assim, podemos constatar se são iguais (equivalentes)
ou não. Portanto, jamais faça soma, subtração, multi-
plicação ou qualquer outra operação matemática com
o valor do dinheiro em datas diferentes.
FLUXOS DE CAIXA E DIAGRAMAS DE FLUXO DE
CAIXA
Fluxo de Caixa
A representação da entrada e saída de capital é fei-
ta pelo Diagrama do Fluxo de Caixa, que é o gráfico
das operações de Capital em uma reta horizontal cres-
cente estabelecida como o tempo.
z Entrada de Capital: representada por uma seta
para cima;
z Saída de Capital: representada por uma seta para
baixo.
Exemplo:
Investimento de R$ 50.000,00 no dia de hoje para
recebimento de R$ 120.000,00 daqui a 10 anos.
Hoje
50.000,00
120.000,00
5 10
| | | | | | | | | | | ano
Operações Financeiras
Vamos aprender como “transportar” uma parcela
no tempo, ou seja, como levar uma parcela presente
para o futuro (capitalização) e como trazer uma par-
cela do futuro para o presente (desconto ou descapi-
talização). Aqui vale lembrar que vamos depender do
regime de capitalização, simples ou composto, e para
cada um deles teremos uma maneira de calcular. Veja:
Na Capitalização Simples usaremos as seguintes
fórmulas:
VF = VP × (1 + i × t) ou VP = VF / (1 + i × t)
Já na Capitalização Composta, asequações serão:
VF = VP × (1 + i)t ou VP = VF / (1 + i)t
Em que,
VF = Valor Futuro
VP = Valor Presente ou Valor Atual
i = taxa de juros
t = período
Note que podemos fazer uma analogia com as
equações do Montante de regime de juros:
Regime Simples → M = C × (1 + i × t)
Regime Composto → M = C × (1 + i)t
O Montante será sempre entendido como o Valor
Futuro e o Capital, como Valor Presente.
Montante → Valor Futuro
Capital → Valor Presente ou Valor Atual
Exemplo:
Determine o Valor Presente do Fluxo de caixa para
uma taxa de juros simples de 10% ao mês.
0 1 2 3 4
2.800
mês
Note que para calcular o VP teremos que transpor-
tar essa parcela (Valor Futuro) 4 períodos para trás,
isto é, “descapitalizá-la”. Vamos aplicar a fórmula do
Valor Presente em regime de juros simples e calcular
seu valor.
VP = VF / (1 + i × t)
VP = 2800 / (1 + 0,1 × 4)
VP = 2800 / 1,4
VP = 2000
76
EQUIVALÊNCIA FINANCEIRA
Dois ou mais capitais, resgatáveis em datas distin-
tas, são equivalentes quando são transportados para
uma mesma data e com a mesma taxa de juros, resul-
tarem valores iguais.
Dica
Para saber se dois capitais são equivalentes:
z Coloque na mesma data;
z Veja se têm a mesma taxa de juros;
z Veja se resultam no mesmo valor.
Propriedade Fundamental da Equivalência de Capitais
A equivalência permanecerá válida para qualquer
data a partir de uma determinada data focal quando
dois capitais são equivalentes.
Em matemática financeira, sempre que quisermos
comparar dois capitais, devemos transportá-los para uma
mesma data (a uma mesma taxa de juros), pois assim
podemos constatar se são iguais (equivalentes) ou não.
SEQUÊNCIAS — LEI DE FORMAÇÃO DE
SEQUÊNCIAS E DETERMINAÇÃO DE
SEUS ELEMENTOS
Esse tema é cobrado de uma maneira que pode
parecer fácil como também pode ser complicado.
Descobrir a lei de formação ou padrão da sequência
é o seu principal objetivo, pois nas questões sobre
sequências/raciocínio sequencial, você será apresen-
tado a um conjunto de dados dispostos de acordo com
alguma “regra” implícita, alguma lógica de formação.
O desafio é exatamente descobrir essa “regra” para,
com isso, encontrar outros termos daquela mesma
sequência.
Veja o exemplo:
2, 4, 6, 8,...
A primeira pergunta que podemos fazer para
achar a lei de formação é: os números estão aumen-
tando ou diminuindo?
Caso eles estejam aumentando, devemos tentar as
operações de soma ou multiplicação entre os termos.
Veja no exemplo colocado acima: 2, 4, 6, 8,.. Do primei-
ro termo para o segundo, somamos o número dois e
depois repetimos isso.
2 + 2 = 4
4 + 2 = 6
6 + 2 = 8
Logo, o nosso próximo termo será o número 10,
pois 8+2 = 10.
Caso os números estejam diminuindo, você pode
buscar uma lógica envolvendo subtrações ou divisões
entre os termos.
Agora, observe essa outra sequência:
2, 3, 5, 7, 11, 13, ...
Qual é o seu próximo termo? Vários alunos tendem
a dizer que o próximo termo é o 15, mesmo tendo per-
cebido que o 9 não está na sequência. A nossa tendên-
cia é relevar esse “probleminha” e marcar logo o valor
15. Muito cuidado! Como já disse, o padrão encontra-
do deve ser capaz de explicar toda a sequência. Nesse
caso, estamos diante dos números primos. Sim, aque-
les números que só podem ser divididos por eles mes-
mos ou então pelo número 1. No caso, o próximo seria
o 17, e não o 15. A propósito, os próximos números
primos são: 17, 19, 23, 29, 31, 37...
SEQUÊNCIAS NUMÉRICAS ALTERNADAS
É bem comum aparecerem questões que envolvem
uma sequência que tem mais de uma lei de formação.
Podemos ter 2 sequências que se alternam, como nes-
te exemplo:
2, 5, 4, 10, 6, 15, 8, 20, ...
Se analisarmos mais minuciosamente, podemos
dizer que temos uma sequência que, de um número
para outro, devemos somar 2 unidades e também
podemos notar que temos a sequência que, de um
número para o outro, basta somar 5 unidades, elas
estão em sequências numéricas alternadas. Veja:
1° Sequência: 2, 4, 6, 8,...
2° Sequência: 5, 10, 15, 20, ...
PROGRESSÕES ARITMÉTICAS
Uma progressão aritmética é aquela em que os
termos crescem, sendo adicionados a uma razão cons-
tante, normalmente representada pela letra r.
z Termo inicial: valor do primeiro número que
compõe a sequência;
z Razão: regra que permite, a partir de um termo,
obter o seguinte.
Observe o exemplo:
{1,3,5,7,9,11,13, ...}
Veja que 1+2=3, 3+2=5, 5+2=7, 7+2=9 e assim suces-
sivamente. Temos um exemplo nítido de uma Progres-
são Aritmética (PA) com uma razão 2, ou seja, r = 2 e
termo inicial igual a 1. Em questões envolvendo pro-
gressões aritméticas, é importante você saber obter o
termo geral e a soma dos termos, conforme veremos
a seguir.
Termo Geral da PA
Trata-se de uma fórmula que, a partir do primei-
ro termo e da razão da PA, permite calcular qualquer
outro termo. Temos a seguinte fórmula:
an = a1 + (n-1)r
Nesta fórmula, an é o termo de posição n na PA (o
“n-ésimo” termo); a1 é o termo inicial, r é a razão e n é
a posição do termo na PA.
Usando o nosso exemplo vamos descobrir o termo
de posição 10. Já temos as informações que precisa-
mos: {1,3,5,7,9,11, 13, ...}
M
AT
EM
ÁT
IC
A
F
IN
A
N
C
EI
R
A
77
z o termo que buscamos é o da décima posição, isto
é, a10;
z a razão da PA é 2, portanto r = 2;
z o termo inicial é 1, logo a1 = 1;
z n, ou seja, a posição que queremos, é a de número
10: n = 10
Logo,
an = a1 + (n-1)r
a10 = 1 + (10-1)2
a10 = 1 + 2x9
a10 = 1 + 18
a10 = 19
Isto é, o termo da posição 10 é o 19. Volte na
sequência e confira. Perceba que, com essa fórmula,
podemos calcular qualquer termo da PA. O termo da
posição 200 é:
an = a1 + (n-1)r
a200 = 1 + (200-1)2
a200 = 1 + 2x199
a200 = 1 + 198
a200 = 199
Soma do Primeiro ao N-ésimo Termo da PA
A fórmula a seguir nos permite calcular a soma dos
“n” primeiros termos de uma progressão aritmética:
Sn = 2
n (a1 an)# +
Para entendermos um pouco melhor, vamos calcu-
lar a soma dos 7 primeiros termos do nosso exemplo
que já foi apresentado: {1,3,5,7,9,11, 13, ...}.
Já sabemos que a1 = 1, e n = 7. O termo an será, nes-
te caso, o termo a7, que observando na sequência é o
número 13, ou seja, a7 = 13. Substituindo na fórmula,
temos:
Sn = 2
n (a1 an)# +
S7 = 2
7 (1 13)# +
S7 = 2
7 14#
S7 = 2
98 = 49
Dependendo do sinal da razão r, a PA pode ser:
z PA crescente: se r > 0, a PA terá termos em ordem
crescente.
Ex.: {1, 4, 7, 10, 13, 16...} → r = 3;
z PA decrescente: se r < 0, a PA terá termos em ordem
decrescente.
Ex.: {20, 19, 18, 17 ...} → r = -1;
z PA constante: se r = 0, todos os termos da PA serão
iguais.
Ex.: {7, 7, 7, 7, 7, 7, 7...} → r = 0.
Dica
PA crescente: se r > 0;
PA decrescente: se r < 0;
PA constante: se r = 0.
Em uma progressão aritmética de 3 termos, o
segundo termo ou o termo do meio é a média aritmé-
tica entre o primeiro e terceiro termo. Veja:
PA (a1, a2, a3) à a2 = (a1 + a3)/2
PA (2, 4, 6) à 4 = (2+6)/2 à 4 = 4.
Agora vamos treinar o que aprendemos na teo-
ria com exercícios comentados de diversas bancas.
Vamos lá!
1. (IBFC – 2015) O total de múltiplos de 4 existentes
entre os números 23 e 125 é:
a) 25.
b) 26.
c) 27.
d) 28.
e) 24.
O primeiro múltiplo de 4 neste intervalo é 24 e o último
é 124. Veja que os múltiplos de 4 formam uma PA de
razão igual a 4. Então, temos as seguintes informações:
a1 = 24
an = 124
r = 4 (podemos ir somando de 4 em 4 unidades para
obter os múltiplos).
Substituindo na fórmula do termo geral, vamos
encontrar a quantidade de elementos (múltiplos):
an = a1 + (n-1)r
124 = 24 + (n – 1)4
124 = 24 + 4n – 4
124 – 24 + 4 = 4n
104 = 4n
n = 26. Resposta: Letra B.
2. (FCC – 2018) Rodrigo planejou fazer uma viagem em
4 dias. A quantidade de quilômetros que ele percorrerá
em cada dia será diferente e formará uma progressão
aritmética de razão igual a − 24. A média de quilôme-
tros que Rodrigo percorrerá por dia é igual a 310 km.
Desse modo, é correto concluir que o número de quilô-
metros que Rodrigo percorrerá em seu quarto e último
dia de viagemserá igual a
a) 334.
b) 280.
c) 322.
d) 274.
e) 310.
Primeiro devemos achar o a1, para depois acharmos
o a4. Devemos colocar tudo em função de a1, para
podermos substituir na média. Usando a fórmula
do termo geral:
r = -24
an= a1 + (n-1).r
Achando a1:
a1 = a1 + (1-1).r
a1 = a1
Colocando a2 em função de a1:
a2= a1+ (2-1)r
a2 = a1 + r
78
Colocando a3 em função de a1:
a3= a1+ (3-1)r
a3 = a1 + 2r
Colocando a4 em função de a1:
a4 = a1 + (4-1)r
a4 = a1 + 3r
Substituindo na fórmula da média aritmética:
(a1 + a2 + a3 + a4 )/4 = 310
(a1+ a1 + r + a1 + 2r + a1 + 3r) / 4 = 310
4 a1 + 6r = 310 . 4
4 a1 + 6. (-24) = 1240
4 a1 - 144 = 1240
a1 = 346
Encontrando a4:
a4= 346 + (4-1).r
a4= 346 + 3r
a4= 346 + 3. (-24)
a4 = 274. Resposta: Letra D.
PROGRESSÕES GEOMÉTRICAS
Observe a sequência a seguir:
{2, 4, 8, 16, 32...}
Cada termo é igual ao anterior multiplicado por 2.
Esse é um exemplo típico de Progressão Geométrica,
ou simplesmente, PG. Em uma PG, cada termo é obti-
do a partir da multiplicação do anterior por um mes-
mo número, o que chamamos de razão da progressão
geométrica. A razão é simbolizada pela letra q.
No exemplo acima, temos q = 2 e o termo inicial é
a1 = 1. Da mesma maneira que vimos para o caso de
PA, normalmente, precisamos calcular o termo geral
e a soma dos termos.
Termo Geral da PG
A fórmula a seguir nos permite obter qualquer
termo (an) da progressão geométrica, partindo-se do
primeiro termo (a1) e da razão (q):
an = a1 × qn-1
No nosso exemplo, o quinto termo, a5 (n = 5), pode
ser encontrado assim:
{2, 4, 8, 16, 32...}
a5 = 2 × 25-1
a5 = 2 × 24
a5 = 2 × 16
a5 = 32
Soma do Primeiro ao N-ésimo Termo da PG
A fórmula a seguir permite calcular a soma dos “n”
primeiros termos da progressão geométrica:
Sn = q 1
a1 (q 1)
n#
-
-
Usando novamente o nosso exemplo e fazendo a
soma dos 4 primeiros termos (n = 4), temos: {2, 4, 8,
16, 32...}
S4 = 2 1
2 (2 1)
4#
-
-
S4 = 1
2 (16 1)# -
S4 = 1
2 15#
S4 = 30
Soma dos Infinitos Termos de uma Progressão
Geométrica
Suponha que você corra 1000 metros, depois,
você corra 500 metros, depois, você corra 250 metros
e, depois, 125 metros – sempre metade do que você
correu anteriormente. Quanto você correrá no total?
Observe que o que temos é exatamente uma progres-
são geométrica infinita, porém, essa PG é decrescente.
Quando temos uma PG infinita com razão 0 < q <
1, teremos que qn = 0. Entendemos, então, que quanto
maior for o expoente, mais próximo de zero será. Por-
tanto, substituindo, teremos:
S∞ = q 1
a1 (0 1)#
-
-
S∞ =
1 q
a1
-
Dica
Em uma progressão geométrica, o quadrado do
termo do meio é igual ao produto dos extremos.
{a1, a2, a3} à (a2)
2 = a1 × a3
Veja: {2, 4, 8, 16, 32...}
82 = 4 × 16
64 = 64.
A melhor forma de compreender o que vimos na
teoria, veremos na prática alguns exercícios de ban-
cas variadas.
1. (FUMARC – 2018) Se a sequência numérica repre-
sentada por (6, a2, a3, a4, a5,192) é uma Progressão
Geométrica crescente de razão igual a q, então, é COR-
RETO afirmar que o valor de q é igual a:
a) 2.
b) 3.
c) 4.
d) 8.
Vamos substituir os valores que já temos na fórmu-
la geral da PG para acharmos a razão:
an = a1 × qn-1
a6 = a1 × q6-1
192 = 6 × q5
192/6 = q5
32 = q5
q = 325
q = 2
Resposta: Letra A.
2. (IBFC – 2016) Se a soma dos elementos de uma P.G.
(progressão geométrica) de razão 3 e segundo termo
12 é igual a 484, então o quarto termo da P.G. é igual a:
a) 324.
b) 36.
c) 108.
d) 216.
M
AT
EM
ÁT
IC
A
F
IN
A
N
C
EI
R
A
79
Temos que a2 = 12 e q = 3. Para calcularmos o quarto
termo, devemos usar a fórmula do termo geral da
PG. Veja:
a4 = a2 × q4-2
a4 = 12 × 32
a4 = 12 × 9
a4 = 108
Resposta: Letra C.
JUROS SIMPLES — CÁLCULO DO
MONTANTE, DOS JUROS, DA TAXA DE
JUROS, DO PRINCIPAL E DO PRAZO DA
OPERAÇÃO FINANCEIRA
A premissa que é a base da matemática financeira
é a seguinte: as pessoas e as instituições do mercado
preferem adiantar os seus recebimentos e retardar
os seus pagamentos. Do ponto de vista estritamente
racional, é melhor pagar o mais tarde possível caso
não haja incidência de juros (ou caso esses juros
sejam inferiores ao que você pode ganhar aplicando
o dinheiro).
“Juros” é o termo utilizado para designar o “preço
do dinheiro no tempo”. Quando você pega certa quan-
tia emprestada no banco, o banco te cobrará uma
remuneração em cima do valor que ele te emprestou,
pelo fato de deixar você ficar na posse desse dinhei-
ro por um certo tempo. Esta remuneração é expressa
pela taxa de juros.
Nos juros simples a incidência recorre sempre sobre
o valor original. Veja um exemplo para melhor entender.
Exemplo 1:
Digamos que você emprestou 1000,00 reais, em um
regime de juros simples de 5% ao mês, para um amigo
e que o mesmo ficou de quitar o empréstimo após 5
meses. Então temos o seguinte:
CAPITAL
EMPRESTADO
(1000,00)
VALOR REAJUSTADO
1° mês = 1000,00 1000,00 + (5% de 1000,00) = 1050,00
2° mês = 1050,00 1050,00 + (5% de 1000,00) = 1100,00
3° mês = 1100,00 1100,00 + (5% de 1000,00) = 1150,00
4° mês = 1150,00 1150,00 + (5% de 1000,00) = 1200,00
5° mês = 1200,00 1200,00 + (5% de 1000,00) = 1250,00
Ao final do 5° mês você terá recebido 250,00 reais
de juros.
Fórmulas utilizadas em juros simples
J = C · i · t
M = C + J
M = C · (1 + i ·J)
Em que,
J = juros
C = capital
i = taxa em percentual (%)
t = tempo
M = montante
TAXAS PROPORCIONAIS E EQUIVALENTES
Para aplicar corretamente uma taxa de juros, é
importante saber a unidade de tempo sobre a qual
a taxa de juros é definida. Isto é, não adianta saber
apenas que a taxa de juros é de “5%”. É preciso saber
se essa taxa é mensal, bimestral, anual etc. Dizemos
que duas taxas de juros são proporcionais quando
guardam a mesma proporção em relação ao prazo.
Por exemplo, 12% ao ano é proporcional a 6% ao se-
mestre, e também é proporcional a 1% ao mês.
Basta efetuar uma regra de três simples. Para
obtermos a taxa de juros bimestral, por exemplo, que
é proporcional à taxa de 12% ao ano:
12% ao ano ----------------------- 1 ano
Taxa bimestral ------------------ 2 meses
Podemos substituir 1 ano por 12 meses, para dei-
xar os valores da coluna da direita na mesma unidade
temporal, temos:
12% ao ano ---------------------- 12 meses
Taxa bimestral ------------------ 2 meses
Efetuando a multiplicação cruzada, temos:
12% x 2 = Taxa bimestral x 12
Taxa bimestral = 2% ao bimestre
Duas taxas de juros são equivalentes quando são
capazes de levar o mesmo capital inicial C ao montan-
te final M, após o mesmo intervalo de tempo.
Uma outra informação muito importante e que
você deve memorizar é que o cálculo de taxas equi-
valentes quando estamos no regime de juros simples
pode ser entendido assim: 1% ao mês equivale a 6%
ao semestre ou 12% ao ano, e levarão o mesmo capital
inicial C ao mesmo montante M após o mesmo perío-
do de tempo.
Importante!
No regime de juros simples, taxas de juros propor-
cionais são também taxas de juros equivalentes.
Vamos agora treinar com alguns exercícios para
conhecermos como as bancas costumam cobrar estes
materiais.
1. (FEPESE — 2018) Uma TV é anunciada pelo preço
de R$ 1.908,00 para pagamento em 12 parcelas de
159,00. A mesma TV custa R$ 1.410,00 para paga-
mento à vista. Portanto o juro simples mensal incluído
na opção parcelada é:
a) Menor que 2%.
b) Maior que 2% e menor que 2,5%.
c) Maior que 2,5% e menor que 2,75%.
d) Maior que 2,75% e menor que 3%.
e) Maior que 3%.
1.908 - 1.410 = 498 (juros durante 12 meses)
J = C · I · t
498 = 1410 · 12 · i / 100
49800 = 16920i
80
i = 49800/16920
i = 2,94%.
Resposta: Letra D.
2. (CESPE-CEBRASPE – 2018) Uma pessoa atrasou em
15 dias o pagamento de uma dívida de R$ 20.000, cuja
taxa de juros de mora é de 21% ao mês no regime de
juros simples.
Acerca dessa situação hipotética, e considerando o
mês comercial de 30 dias, julgue o item subsequente.
No regime de juros simples, a taxa de 21% ao mês é
equivalente à taxa de 252% ao ano.
( ) CERTO ( ) ERRADONo regime simples, sabemos que taxas propor-
cionais são também equivalentes. Como temos 12
meses no ano, a taxa anual proporcional a 21%am
é, simplesmente:
21% x 12 = 252% ao ano
Esta taxa de 252% ao ano é proporcional e também
é equivalente a 21% ao mês. Portanto, o item está
certo.
Resposta: Certo.
JUROS COMPOSTOS — CÁLCULO DO
MONTANTE, DOS JUROS, DA TAXA DE
JUROS, DO PRINCIPAL E DO PRAZO DA
OPERAÇÃO FINANCEIRA
Imagine que você pegou um empréstimo de
R$10.000,00 no banco, cujo pagamento deve ser rea-
lizado após 4 meses, à taxa de juros de 10% ao mês.
Ficou combinado que o cálculo de juros de cada mês
será feito sobre o total da dívida no mês anterior, e
não somente sobre o valor inicialmente emprestado.
Neste caso, estamos diante da cobrança de juros com-
postos. Podemos montar a seguinte tabela:
MÊS DO EMPRÉSTIMO 10.000,00
1º MÊS 11.000,00
2º MÊS 12.100,00
3º MÊS 13.310,00
4º MÊS 14.641,00
Logo, ao final de 4 meses você deverá devolver
ao banco R$14.641,00 que é a soma da dívida inicial
(R$10.000,00) e de juros de R$4.641,00.
Fórmula utilizada em juros compostos
M = C · (1 + i)t
Poderíamos ter utilizado a fórmula no nosso exem-
plo. Veja:
M = 10000 x (1 + 10%)4
M = 10000 x (1 + 0,10)4
M = 10000 x (1,10)4
M = 10000 x 1,4641
M = 14.641,00 reais
Podemos fazer a comparação entre juros simples e
compostos. Observe a tabela a seguir:
JUROS SIMPLES JUROS COMPOSTOS
Mais onerosos se t < 1 Mais onerosos se t > 1
Mesmo valor se t = 1 Mesmo valor se t = 1
Juros capitalizados no final
do prazo
Juros capitalizados perio-
dicamente (“juros sobre
juros”)
Crescimento linear (reta) Crescimento exponencial
Valores similares para
prazos e taxas curtos
Valores similares para
prazos e taxas curtos
z Juros compostos – cálculo do prazo:
Nas questões em que é preciso calcular o prazo
você deverá utilizar logaritmos, visto que o tempo “t”
está no expoente da fórmula de juros compostos. A
propriedade mais importante a ser lembrada é que,
sendo dois números A e B, então:
log AB = B x log A
Significa que o logaritmo de A elevado ao expoente
B é igual a multiplicação de B pelo logaritmo de A.
Uma outra propriedade bastante útil dos logarit-
mos é a seguinte:
log
B
Ab l = 𝑙𝑜𝑔𝐴 − 𝑙𝑜𝑔B
Isto é, o logaritmo de uma divisão entre A e B é
igual à subtração dos logaritmos de cada número.
Também é importante ter em mente que “logA”
significa “logaritmo do número A na base 10”.
Observe um exemplo:
No regime de juros compostos com capitalização
mensal à taxa de juros de 1% ao mês, a quantidade de
meses que o capital de R$100.000 deverá ficar investi-
do para produzir o montante de R$120.000 é expressa
por:
log1,01
log2,1
Temos a taxa j = 1% am, capital C = 100.000 e mon-
tante M = 120.000. Na fórmula de juros compostos:
M = C x (1+j)t
120000 = 100000 x (1+1%)t
12 = 10 x (1,01)t
1,2 = (1,01)t
Podemos aplicar o logaritmo dos dois lados:
log1,2 = log (1,01)t
log1,2 = t · log 1,01
t =
log1,01
log1,1
Logo, questão errada.
Vejamos alguns exemplos de questões sobre esse
tema:
M
AT
EM
ÁT
IC
A
F
IN
A
N
C
EI
R
A
81
1. (FCC - 2017) A Cia. Escocesa, não tendo recursos
para pagar um empréstimo de R$ 150.000,00 na data
do vencimento, fez um acordo com a instituição finan-
ceira credora para pagá-la 90 dias após a data do
vencimento. Sabendo que a taxa de juros compostos
cobrada pela instituição financeira foi 3% ao mês, o
valor pago pela empresa, desprezando-se os centa-
vos, foi, em reais,
a) 163.909,00.
b) 163.500,00.
c) 154.500,00.
d) 159.135,00.
e) 159.000,00.
Temos uma dívida de C = 150.000 reais a ser paga
após t = 3 meses no regime de juros compostos, com
a taxa de j = 3% ao mês. O montante a ser pago é
dado por:
M = C x (1+j)t
M = 150.000 x (1+0,03)3
M = 150.000 x (1,03)3
M = 150.000 x 1,092727
M = 15 x 10927,27
M = 163.909,05 reais
Resposta: Letra A.
2. (FCC - 2017) O montante de um empréstimo de 4 anos
da quantia de R$ 20.000,00, do qual se cobram juros
compostos de 10% ao ano, será igual a
a) R$ 26.000,00.
b) R$ 28.645,00.
c) R$ 29.282,00.
d) R$ 30.168,00.
e) R$ 28.086,00.
Temos um prazo de t = 4 anos, capital inicial C =
20000 reais, juros compostos de j = 10% ao ano. O
montante final é:
M = C x (1+j)t
M = 20000 x (1+0,10)4
M = 20000 x 1,14
M = 20000 x 1,4641
M = 2 x 14641
M = 29282 reais
Resposta: Letra C.
DESCONTOS — CÁLCULO DO VALOR
ATUAL, DO VALOR NOMINAL E DA
TAXA DE DESCONTO
Na matemática financeira, descontar é: antecipar
o valor de um recebível.
Imagine a situação a seguir:
Você tem um direito monetário de R$ 50.000,00
para receber em 10 meses. Porém, com a necessida-
de de ter esse valor imediatamente, você recorre a
um banco para poder antecipar o que irá receber. O
banco, então, propõe o pagamento de um certo valor
por esse direito e, assim, a instituição financeira fica-
rá com esse título até o vencimento que, como vimos,
ocorrerá em 10 meses. Note que ocorrerá uma mudan-
ça na titularidade do direito.
Sendo assim, o banco vai descontar um valor e ele
não te pagará os R$ 50.000,00, obviamente. Esse des-
conto vai depender da modalidade adotada, da taxa
de juros e do prazo de antecipação. Ou seja, você, cer-
tamente, receberá menos que o Valor que consta no
título. Vejamos melhor a seguir.
Valor Nominal (N)
É o Valor de Futuro (também chamado de Valor
de Face, Montante e Valor Final) do título, isto é, o
valor declarado com informações a respeito de quan-
to o portador do título terá para receber ao final do
prazo de vencimento. No nosso exemplo hipotético,
seriam os R$ 50.000,00 (com prazo de vencimento em
10 meses). Para calcular o Valor Nominal do título, ire-
mos utilizar a seguinte expressão:
N = A (1 + i ∙ n)
Valor Atual (A)
Também chamado de Valor Descontado ou Valor
Presente, é o valor que o titular do direito receberá
antecipadamente por ele depois de efetuar o descon-
to. Para calcular o Valor Atual do título, iremos utili-
zar a seguinte expressão:
A = N (1 – i ∙ n)
Podemos dizer então que o Desconto (D) é a dife-
rença entre o valor Nominal e o valor Atual.
D = N − A
Taxa Efetiva (ie)
Podemos determinar a Taxa Efetiva através da
seguinte fórmula:
ie = ic / 1 – ic · n
Em que,
ie = Taxa Efetiva
ic = Taxa do Desconto Comercial Simples
n = Prazo do Desconto
SISTEMAS DE AMORTIZAÇÃO —
SISTEMA PRICE (MÉTODO DAS
PRESTAÇÕES CONSTANTES);
SISTEMA SAC (MÉTODO DAS
AMORTIZAÇÕES CONSTANTES)
TABELA PRICE E SAC
Ao financiar o sonho da casa própria, deve-se esco-
lher um sistema de pagamento. Para isso, existem as
seguintes opções: tabela Price ou SAC. Aqui, discutire-
mos um pouco a respeito de tais sistemas, para enten-
dermos o que de fato eles são, se há alguma diferença,
vantagem e/ou desvantagem entre eles e se um deles
é mais barato/acessível que o outro.
82
Esses sistemas, basicamente, são formas de amortiza-
ção e financiamento a longo prazo, acertadas ao banco
ou à construtora durante o financiamento da compra de
um imóvel: a Tabela Price (Sistema Francês de Amortiza-
ção) e o SAC (Sistema de Amortização Constante). Ambos,
segundo José Mansini, planejador financeiro pela Plane-
jar, “São dois cálculos distintos que determinam de que
forma o comprador do imóvel irá pagar [amortizar] o
empréstimo que ele fez para este fim. Nestes dois siste-
mas, será definido o valor da parcela mensal a ser paga”.
Diferenças entre Tabela Price e SAC
Há diferenças entre esses dois sistemas de amor-
tização, mas a diferença que mais se destaca diz res-
peito à forma e rapidez de amortização (diminuição
gradativa da dívida).
Tal distinção afeta desde o valor das parcelas até
a quantidade total de juros. No Sistema SAC, tem-se,
inicialmente, prestações com valores mais altos e que
ficam menores no final, pois (como dito anteriormen-
te) há amortização mensal do valor financiado. Ou
seja, da primeira parcela até a última, o valor vai cain-
do, porque há uma diminuição progressiva dos juros.
Na tabela Price, no entanto, as parcelas come-
çam mais baixas, massão estáticas, o que significa
que não sofrem alteração durante todo o período de
financiamento.
Vantagens Oferecidas pela Tabela Price e pelo SAC
A escolha é sempre do comprador. Ou seja, cabe a
ele optar pela forma de pagamento que mais se adequa
à realidade financeira dele. A escolha, notadamente,
deve levar em consideração o fator de correção (Taxa
Referencial – TR ou Índice de Preços ao Consumidor
Amplo – IPCA) que julgar mais econômico no momen-
to da assinatura do contrato do financiamento.
Contudo, é válido ressaltar que, quando se neces-
sita de financiamento, optar por um prazo mais curto,
se possível, é sempre o melhor a se fazer. Isso porque,
em financiamentos imobiliários, paga-se juros sobre
o saldo devedor. Logo, quanto mais amortização hou-
ver, menos gastos com juros terá o comprador.
Pensando nisso, o Sistema de Amortização Cons-
tante (SAC) pode ser mais vantajoso que a tabela Pri-
ce, porque representa uma economia de cerca de 10%,
em média. A tabela Price possui como vantagem sua
parcela inicial, que, normalmente, é bem menor. No
entanto, pelo SAC, apesar de as parcelas serem maio-
res no começo, há uma amortização maior da dívida,
o que leva a uma economia significativa no final.
Para melhor ilustrar esse comparativo entre as
vantagens oferecidas por cada um dos Sistemas (SAC e
Price), veja o quadro a seguir, representado um finan-
ciamento de R$ 200 mil parcelado em 20 anos, com
juros de 7% ao ano e correção pela TR. Perceba que
a prestação do SAC começa a R$ 439 mais cara, mas o
valor total pago no final é quase R$ 30 mil mais baixo.
SAC PRICE
Parcela inicial R$ 1.964,16 R$ 1.524,89
Parcela final R$ 838,05 R$ 1.524,89
Total pago R$ 336.264,90 R$ 365.973,34
Outra Forma de Correção Possível das Prestações de
um Financiamento
A Caixa Econômica Federal divulgou em agosto de
2019 uma nova linha de crédito para aquisição de casa
própria, que possui juros entre 2,95% e 4,95% ao ano,
mais a inflação do país, medida pelo IPCA. Disponível
somente para contratos novos, esse novo modelo pode
ser usado para financiar até 80% do valor de imóveis
novos e usados, com prazo de até 360 meses.
Importante!
A prestação terá seu valor corrigido mensalmen-
te, o que é, geralmente, feito pelo sistema SAC. O
valor da parcela, por sua vez, pode ou não dimi-
nuir com o decorrer do tempo, pois depende da
trajetória da inflação, ao passo que, na tabela Pri-
ce, a correção feita por meio do IPCA descarac-
teriza totalmente o conceito de parcelas fixas.
A título de exemplo, leve em consideração o mesmo
valor utilizado na situação que vimos anteriormente,
de R$ 200 mil, financiado em 20 anos, diferenciando
apenas a taxa, que passa a ser de 4,95%, e uma estima-
tiva de IPCA de 4%. Aqui, cabe salientar que se trata
apenas de uma situação hipotética/simulada, já que
não é certa a previsão da trajetória da inflação por um
período tão longo.
SAC PRICE
Parcela inicial R$ 1.645,56 R$ 1.306,69
Parcela final R$ 1.833,30 R$ 2.853,77
Total pago R$ 433.014,03 R$ 475.426,66
Simulação de Financiamento
Para fazer simulações de financiamentos com
tabela Price e/ou com o SAC, basta acessar sites de
bancos, como Banco do Brasil, Bradesco, Caixa, Itaú e
Santander, e fazer as simulações.
HORA DE PRATICAR!
1 . ( CESGRANRIO – 2012) Uma mercadoria é vendida por
R$ 95,00 à vista ou em duas parcelas de R$ 50,00 cada
uma: a primeira no ato da compra, e a segunda um mês
após a compra. Qual é, aproximadamente, a taxa de juros
mensal cobrada na venda em duas parcelas?
a) 5%
b) 5,26%
c) 10%
d) 11,11%
e) 15%
2. ( CESGRANRIO – 2012) Um capital de R$ 1.500,00
resultou em um montante de R$ 1.530,00 após dois
meses. Sendo a remuneração calculada com juros
simples, qual é a taxa anual utilizada?
a) 1%
b) 1,96%
c) 2%
d) 11,76%
e) 12%
M
AT
EM
ÁT
IC
A
F
IN
A
N
C
EI
R
A
83
3. (CESGRANRIO – 2011) Um equipamento pode ser
adquirido com o pagamento de uma entrada de 30% do
valor à vista e mais uma prestação de R$ 1.386,00 para
60 dias. Se a taxa de juros simples cobrada no financia-
mento é de 5% ao mês, o valor à vista, em reais, é
a) 1.800
b) 2.000
c) 2.100
d) 2.200
e) 2.500
4. (CESGRANRIO – 2013) Um título no valor de R$
2.000,00 foi pago com atraso de dez dias. Se são
cobrados juros simples de 12% ao mês, o montante
pago, em reais, é
a) 2.080
b) 2.120
c) 2.240
d) 2.400
e) 2.510
5. (CESGRANRIO – 2014) No controle e acompanhamen-
to do orçamento de caixa, uma empresa comprovou a
existência de uma sobra de dinheiro, elevada e consis-
tente, para o próximo ano. Em decorrência, a empresa
decidiu pagar, antecipadamente, a dívida bancária de
R$ 350.000,00, vencível dentro de 4 meses, contados
do dia do pagamento antecipado, com uma taxa de
desconto comercial, negociada com o banco, a juros
simples, de 30% ao ano.
Nesse contexto, o valor pago na quitação dessa dívi-
da, nos termos do desconto comercial simples (des-
conto por fora) negociado, em reais, foi de
a) 245.000,00
b) 315.000,00
c) 318.182,00
d) 323.750,00
e) 341.250,00
6. ( CESGRANRIO – 2013) Um comerciante descontou
um cheque pré-datado para 30 dias, no valor de R$
30.000,00, tendo o banco cobrado uma taxa de descon-
to simples de 5,00% ao mês. Qual é o valor, em reais,
emprestado ao lojista, e qual é a taxa efetiva de juros
simples ao mês cobrada do cliente, respectivamente?
a) 28.500,00 e 5,00%
b) 28.500,00 e 5,26%
c) 30.000,00 e 5,00%
d) 30.000,00 e 5,26%
e) 30.000,00 e 5,52%
7. (CESGRANRIO – 2010) Uma empresa oferece aos
seus clientes desconto de 10% para pagamento no
ato da compra ou desconto de 5% para pagamento
um mês após a compra. Para que as opções sejam
indiferentes, a taxa de juros mensal praticada deve ser,
aproximadamente,
a) 0,5%
b) 3,8%
c) 4,6%
d) 5,0%
e) 5,6%
8. (CESGRANRIO – 2013) Um cliente contraiu um
empréstimo, junto a um banco, no valor de R$
20.000,00, a uma taxa de juros compostos de 4% ao
mês, com prazo de 2 trimestres, contados a partir da
liberação dos recursos. O cliente quitou a dívida exa-
tamente no final do prazo determinado, não pagando
nenhum valor antes disso.
Dados
1,042 ≅ 1,082
1,043 ≅ 1,125
1,044 ≅ 1,170
1,045 ≅ 1,217
1,046 ≅ 1,265
1,047 ≅ 1,316
Qual o valor dos juros pagos pelo cliente na data da
quitação dessa dívida?
a) R$ 5.300,00
b) R$ 2.650,00
c) R$ 1.250,00
d) R$ 1.640,00
e) R$ 2.500,00
9. ( CESGRANRIO – 2011) Uma empresa obtém um
empréstimo de R$ 15.000,00 de uma instituição finan-
ceira que cobra juros antecipados de 3% ao mês. O
prazo da operação é de 3 meses, e o valor líquido libe-
rado pela instituição financeira na conta corrente da
empresa correspondeu a R$ 13.650,00.
Com base nos dados acima, a taxa efetiva mensal
composta da operação foi, aproximadamente,
a) 4,4%
b) 4,0%
c) 3,6%
d) 3,2%
e) 2,8%
10. ( CESGRANRIO – 2011) Um cidadão assina um con-
trato para a aquisição de um terreno comprometen-
do-se a pagar, no prazo de 2 meses, a quantia de R$
100.000,00. Sabendo-se que, embutidos nesse valor,
foram considerados juros compostos de 3% ao mês, o
valor original do terreno, em reais, era
a) 94.000,00
b) 94.122,15
c) 94.259,59
d) 94.499,99
e) 95.250,00
11. (CESGRANRIO – 2010) Suponha que o Posto de
Gasolina Ribeiro Ltda. tem uma dívida com um ban-
co de R$ 144.000,00 (cento e quarenta e quatro mil
reais), que vence em dois meses. O gerente da conta
desse Posto fez uma proposta para quitar a dívida à
vista. Se a taxa de juros desse financiamento é de
20,0% ao mês, quanto o Posto deve pagar à vista, em
reais, ao banco, para a quitação dessa dívida?
a) 140.000,00
b) 120.000,00
c) 115.200,00
d) 100.000,00
e) 86.000,00
84
12. ( CESGRANRIO – 2018) Um equipamento, que pode-
ria ser comprado por 100 milhões de reais à vista,
foi financiado por meio de dois pagamentos semes-
trais sucessivos. O primeiro, no valor de 55 milhões de
reais, foi pago seis meses após a compra; o segundo,
no valor de 60,5 milhões de reais, foi pago 12 meses
após a compra.
O valor mais próximo da taxa anual equivalentecobra-
da nesse financiamento é igual a
a) 15,5%
b) 16,1%
c) 20,0%
d) 21,0%
e) 22,5%
13. ( CESGRANRIO – 2012) Um produto é vendido à vista
com 10% de desconto ou a prazo em dois pagamen-
tos, sendo o primeiro no ato da compra e o segundo
2 meses após a compra. Qual é, aproximadamente, a
taxa mensal de juros no pagamento a prazo?
Dado: √5 ≈ 2,24
a) 10%
b) 11%
c) 12%
d) 24%
e) 25%
14. (CESGRANRIO – 2015) Arthur contraiu um financia-
mento para a compra de um apartamento, cujo valor
à vista é de 200 mil reais, no Sistema de Amortização
Constante (SAC), a uma taxa de juros de 1% ao mês,
com um prazo de 20 anos. Para reduzir o valor a ser
financiado, ele dará uma entrada no valor de 50 mil
reais na data da assinatura do contrato. As prestações
começam um mês após a assinatura do contrato e
são compostas de amortização, juros sobre o saldo
devedor do mês anterior, seguro especial no valor
de 75 reais mensais fixos no primeiro ano e despesa
administrativa mensal fixa no valor de 25 reais.
A partir dessas informações, o valor, em reais, da
segunda prestação prevista na planilha de amortiza-
ção desse financiamento, desconsiderando qualquer
outro tipo de reajuste no saldo devedor que não seja a
taxa de juros do financiamento, é igual a
a) 2.087,25
b) 2.218,75
c) 2.175,25
d) 2.125,00
e) 2.225,00
15. ( CESGRANRIO – 2011) Consiste em um plano de
amortização de uma dívida em prestações periódicas
iguais e sucessivas, dentro do conceito de termos
vencidos, em que o valor de cada prestação, ou paga-
mento é composto por duas parcelas distintas: uma
de juros e outra de capital (chamada amortização).
VIEIRA SOBRINHO J.P. Matemática Financeira. São Paulo: Atlas,
2007, p. 220.
Essa definição se refere ao sistema de amortização
conhecido como
a) misto
b) constante
c) radial
d) alemão
e) francês
9 GABARITO
1 D
2 E
3 A
4 A
5 B
6 B
7 E
8 A
9 D
10 C
11 D
12 D
13 C
14 B
15 E
ANOTAÇÕES
C
O
N
H
EC
IM
EN
TO
S
B
A
N
C
Á
R
IO
S
85
CONHECIMENTOS
BANCÁRIOS
SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL:
ESTRUTURA DO SISTEMA FINANCEIRO
NACIONAL
A estrutura base do Sistema Financeiro Nacional
(SFN) está prevista na Lei nº 4.595, de 31 de dezem-
bro de 1964. Foi essa norma que, ao apagar das luzes
de 1964, criou o Conselho Monetário Nacional (CMN)
e o Banco Central do Brasil — doravante, BC, BCB ou
Bacen.
Veja que a atual estrutura de nosso sistema finan-
ceiro é relativamente jovem, estando em vigor há,
apenas, 56 anos. A moeda comemorativa dos 50 anos
do BC (de R$ 1,00), ainda em circulação, foi lançada
em 2015.
Apesar do curto período, muita coisa mudou de
lá para cá: a tecnologia, a estabilização da moeda, o
surgimento de novos produtos, a alteração no rela-
cionamento entre as instituições financeiras e o
consumidor bancário, entre outras. Diversos fatores
alteraram profundamente a forma de atuar do siste-
ma financeiro e isso gerou impactos diversos na nor-
matização de suas operações e na forma de atuar de
suas instituições.
Essas alterações ainda ocorrem de forma paulati-
na e espaçada, dificultando o estudo por meio da letra
seca da lei, que, muitas vezes, não está devidamente
atualizada em relação a alterações feitas em outras
legislações.
SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL
O Sistema Financeiro Nacional (SFN) é o conjunto
de entidades e instituições que têm por função prin-
cipal promover a intermediação financeira, utilizan-
do-se de diferentes instrumentos financeiros para
possibilitar a transferência de recursos entre agentes
econômicos superavitários (os credores, investidores,
poupadores) e deficitários (os tomadores de recursos).
Portanto, esse sistema promove o encontro entre cre-
dores e tomadores de recursos.
Por meio dele é que as pessoas, as empresas e o
governo (os agentes econômicos) circulam a maior
parte dos seus ativos, pagam suas dívidas e realizam
seus investimentos. Para compreender melhor, é
importante que você tenha clareza sobre a diferença
entre as operações ativas e as operações passivas de
uma instituição financeira (IF).
Operações ativas são aquelas em que as institui-
ções financeiras emprestam recursos aos agentes
econômicos deficitários, os tomadores de recursos.
São chamadas de operações ativas, pois representam
ativos da instituição, um crédito a receber.
Isso faz sentido, porque se o banco me empresta
dinheiro, eu, que sou o tomador de recursos, passo
a ter uma dívida, um passivo, uma obrigação com o
banco. Torno-me, portanto, um devedor. Já o banco
passa a ter um direito, um crédito a receber, um ativo
para ele que é o credor.
Nas operações passivas, ocorre o contrário: as ins-
tituições financeiras captam recursos dos agentes
econômicos superavitários, os doadores de recursos.
São chamadas de operações passivas, pois representam
passivos da instituição, uma obrigação.
Nesse caso, como apliquei meu dinheiro no banco, eu
sou o doador dos recursos e passo a ter um crédito, um
ativo, um direito perante ao banco. Eu sou o credor.
Ao juntarmos as duas operações em uma só figura,
teremos, então, a visão do papel institucional das institui-
ções financeiras, que atuam na promoção da intermedia-
ção financeira.
Essa explicação é importante para identificar quan-
do um produto ou serviço de uma instituição financeira
representa uma operação ativa ou uma operação passiva.
Cumpre salientar que a intermediação financeira é a
função principal do SFN, mas não é a única. Os bancos e
demais operadores do sistema exercem inúmeras outras
funções, por conta de todo o avanço e das facilidades
emergidas nos últimos tempos.
Dono
86
A Constituição Federal, em seu art. 192, define que o Sistema Financeiro Nacional será estruturado de forma a promo-
ver o desenvolvimento equilibrado do país e a servir aos interesses da coletividade, em todas as partes que o compõem.
Vejamos:
Do Sistema Financeiro Nacional
Art. 192 O sistema financeiro nacional, estruturado de forma a promover o desenvolvimento equilibrado do País e a servir
aos interesses da coletividade, em todas as partes que o compõem, abrangendo as cooperativas de crédito, será regulado
por leis complementares que disporão, inclusive, sobre a participação do capital estrangeiro nas instituições que o integram.
A CF trouxe, portanto, uma função social ao SFN — promover o desenvolvimento equilibrado do País e a servir aos inte-
resses da coletividade — que está diretamente ligada a uma adequada intermediação financeira e, certamente, propicia
desenvolvimento, geração de emprego e de renda.
Como ocorre, na prática, a intermediação financeira?
Vamos simplificar: quando você exagera nas compras de Natal e falta grana para pagar as contas em janeiro, ou
quando resolve que, mesmo sem grana, não vai ficar em casa no carnaval, uma alternativa é ir ao banco e solicitar um
empréstimo.
Todos nós, pessoas físicas, empresas, governos, somos agentes econômicos. No exemplo narrado, você era um agente
econômico deficitário, ou tomador de recursos, que recorreu ao SFN, para obter recursos que outro agente econômico
entregou aos cuidados de alguma instituição financeira em troca de uma remuneração oriunda da aplicação de uma taxa
de juros sobre o capital entregue. Esse era o agente econômico superavitário ou doador de recursos.
É importante compreender que, em regra, o banco não empresta o dinheiro dele, mas empresta o dinheiro dos outros.
Ou seja, o que o sistema financeiro faz é possibilitar que aqueles que precisam de recursos consigam acesso aos recursos
daqueles que os tem em excesso.
Isso é a intermediação financeira. Porém, essa intermediação não pode ser feita assim, de qualquer jeito, por qual-
quer um. Afinal, estamos lidando com dinheiro e sabemos como isso complica as coisas. Então, há a necessidade de que
exista uma estrutura bem definida, normatizada e regulada para tocar essa engrenagem, para fazer essa roda girar.
Essa estrutura é a própria estrutura do Sistema Financeiro Nacional, a qual você conhecerá a seguir.
Estruturado Sistema Financeiro Nacional
Nós podemos dividir o Sistema Financeiro Nacional em três níveis de atuação. A melhor maneira de visualizar isso é
utilizando a forma pela qual o Banco Central demonstra a organização do SFN:
Moeda, crédito, capitais e câmbio Seguros privados
O
rg
ão
s n
or
m
at
iv
os
Su
pe
rv
is
or
es
O
pe
ra
do
re
s
Previdância Fechada
CMN
Conselho Monetário
Nacional
CNSP
Conselho Nacional de
Seguros Privados
BCB
Banco Central
do Brasil
CVM
Comissão de Valores
Mobiliários
Susep
Superintendência de
Seguros Privados
Previc
Superintendência Nacional de
Previdência Complementar
CNPC
Conselho Nacional de
Previdência Complementar
Banco e
Caixa Econômica
Cooperativas
de crédito
Instituições
de pagamento
Demais instituições
não bancárias
Sociedades
de capitalização
Corretores
e distribuidoras
Bolsa de mercadorias
e futuros
Entidades abertas de
previdência
Administradoras de
consórcios
Bolsa
de valores
Seguradora e
Resseguradores
Entidades Fechadas da
previdência Complementar
(fundo de Pensão)
C
O
N
H
EC
IM
EN
TO
S
B
A
N
C
Á
R
IO
S
87
É imprescindível que você observe a figura horizontalmente. Perceba que, à esquerda, rótulos identificam
três níveis de atuação: órgãos normativos, supervisores e operadores.
No primeiro nível, temos os órgãos normativos. São eles que definem o regramento geral a ser seguido pelo
mercado. Porém, entenda que eles não são órgãos executores, não possuem uma estrutura física nem são servido-
res de quadro próprio. Eles apenas ditam as regras.
Veremos que, na realidade, todos esses órgãos normativos são Conselhos, colegiados compostos por diferen-
tes autoridades ligadas ao mercado que se pretende normatizar e regular e que se reúnem periodicamente. Eles
determinam regras gerais para o bom funcionamento do sistema.
No segundo nível, temos as entidades supervisoras. São autarquias federais que cumprem e fazem cumprir
aquele regramento estabelecido pelos órgãos normativos.
Aqui, sim, existe toda uma estrutura física e um quadro de servidores trabalhando em prol de um sistema
financeiro sólido e eficiente, em benefício da sociedade. As entidades supervisoras trabalham para que os inte-
grantes do sistema financeiro sigam as regras definidas pelos órgãos normativos.
Por fim, tempos os operadores. São as instituições financeiras, públicas e privadas, que atuam nos diversos
ramos do SFN, promovendo a intermediação financeira e oferecendo produtos e serviços aos seus consumidores.
É com os operadores que temos contato no nosso dia a dia.
Eles constituem a parte mais visível do sistema financeiro. Os operadores são as instituições que ofertam ser-
viços financeiros, no papel de intermediários.
Vamos fazer um paralelo, para tentar simplificar o entendimento. Pense em uma empresa qualquer, uma loja
de roupas por exemplo. Vamos imaginar que a loja tenha a seguinte estrutura organizacional:
Dono
Gerente A
Funcionário
A1
Funcionário
A2
Funcionário
B1
Funcionário
B2
Gerente B
Vários comércios possuem uma estrutura parecida com essa. Há um dono (o “chefão”), que diz como as coisas
devem funcionar; gerentes, que cuidam para que as coisas saiam como o patrão quer; demais funcionários, que
executam o trabalho propriamente dito.
Guarde esse paralelo na sua memória. Isso vai te ajudar a entender os papéis de cada um dos órgãos e institui-
ções do SFN e, como consequência, a resolver questões de prova.
Pense da seguinte forma: os órgãos normativos são os donos, os “chefões” do SFN. Eles ditam as regras, dizem
como as coisas devem funcionar e aquilo que pode e o que não pode ser feito.
Como dito, não são entidades, pois não possuem uma estrutura e quadro próprio de servidores. São Conselhos,
órgãos formados por diferentes autoridades que se reúnem periodicamente para elaborar o regramento de suas
áreas de competência. Como não são órgãos executivos, não costumam executar tarefas, apenas dizem como elas
devem ser feitas. São como os patrões: apenas dão ordens.
Já as instituições supervisoras — o segundo nível — são os “gerentes”. Eles trabalham, zelando para que os
operadores cumpram o que foi determinado pelos órgãos normativos, ou seja, tomam conta de sua atuação. São
órgãos executivos e fiscalizadores. Como os gerentes, eles ficam de olho no que os operadores fazem.
Por fim, os operadores são os vendedores, os que estão na frente da loja. É com eles que os clientes têm contato
direto. Eles querem vender seus produtos e serviços; querem faturar, lucrar, e, para isso, precisam atender as
demandas de seus clientes.
Importante!
Existe uma outra classificação, mais antiga e já pouco utilizada, que divide o Sistema Financeiro Nacional em
dois subsistemas: o subsistema normativo e o subsistema operativo (ou operacional ou de intermediação).
Nessa divisão, órgãos normativos e entidades supervisoras formam, conjuntamente, o subsistema normati-
vo, enquanto os operadores compõem o subsistema operativo, operacional ou de intermediação.
Essa classificação já foi objeto de prova e, por isso, vale a pena memorizá-la.
Por fim, veja como o próprio Banco Central, em seu site, define a organização e a estrutura do SFN:
O Sistema Financeiro Nacional (SFN) é formado por um conjunto de entidades e instituições que promovem
a intermediação financeira, isto é, o encontro entre credores e tomadores de recursos. É por meio do sistema
financeiro que as pessoas, as empresas e o governo circulam a maior parte dos seus ativos, pagam suas dívidas e
realizam seus investimentos.
88
Segmentação do Sistema Financeiro Nacional
Voltaremos à figura utilizada pelo Banco Central, para demonstrar a organização do SFN, porém, dessa vez, a
analisaremos verticalmente:
Moeda, crédito, capitais e câmbio Seguros privados
O
rg
ão
s n
or
m
at
iv
os
Su
pe
rv
is
or
es
O
pe
ra
do
re
s
Previdância Fechada
CMN
Conselho Monetário
Nacional
CNSP
Conselho Nacional de
Seguros Privados
BCB
Banco Central
do Brasil
CVM
Comissão de Valores
Mobiliários
Susep
Superintendência de
Seguros Privados
Previc
Superintendência Nacional de
Previdência Complementar
CNPC
Conselho Nacional de
Previdência Complementar
Banco e
Caixa Econômica
Cooperativas
de crédito
Instituições
de pagamento
Demais instituições
não bancárias
Sociedades
de capitalização
Corretores
e distribuidoras
Bolsa de mercadorias
e futuros
Entidades abertas de
previdência
Administradoras de
consórcios
Bolsa
de valores
Seguradora e
Resseguradores
Entidades Fechadas da
previdência Complementar
(fundo de Pensão)
Importante notar que:
z Dependendo de suas atividades corretoras e distribuidoras também são fiscalizadas pela CVM
z As Instituições de Pagamento não compõem o SFN, mas são reguladas e fiscalizadas pelo BCB, conforme dire-
trizes estabelecidas pelo CMN
Repare que a figura está segmentada em três colunas: moeda, crédito, capitais e câmbio; seguros privados;
e previdência fechada.
No primeiro nível, temos 3 (três) órgãos normativos: o Conselho Monetário Nacional (CMN), o Conselho Nacio-
nal de Seguros Privados (CNSP) e o Conselho Nacional de Previdência Complementar (CNPC). Cada um deles enca-
beça uma dessas três colunas. Isso significa que cada um desses Conselhos determina as regras gerais (diretrizes)
dos mercados sob sua responsabilidade.
Neste ponto, vale recordar o que cada um deles faz:
z Conselho Monetário Nacional: O CMN define as regras para os mercados monetário, de crédito, de câmbio e
de capitais. É responsável por fixar as diretrizes e normas das políticas monetária, creditícia e cambial;
z Conselho Nacional de Seguros Privados: O CNSP fixa as diretrizes e normas para os mercados de seguros
privados, que abrangem os setores de seguros, resseguros, capitalização e previdência complementar aberta;
z Conselho Nacional de Previdência Complementar: O CNPC é órgão normativo que regula regimes de pre-
vidência complementar operados por entidades fechadas de previdênciacomplementar, os chamados fundos
de pensão.
Dica
Órgãos normativos são sempre Conselhos.
C
O
N
H
EC
IM
EN
TO
S
B
A
N
C
Á
R
IO
S
89
No segundo nível, abaixo dos órgãos normativos,
estão os supervisores, também chamados de entida-
des ou instituições supervisoras. São as entidades que
atuam de forma preventiva e reativa para o cumpri-
mento das regras emitidas pelos órgãos normativos.
São elas:
z O Banco Central do Brasil (BCB), que é respon-
sável pelos mercados monetário, de crédito e de
câmbio;
z A Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que é
responsável pelo mercado de capitais;
z A Superintendência de Seguros Privados
(Susep), que é responsável pelo mercado de segu-
ros privados;
z A Superintendência Nacional de Previdência
Complementar (Previc), que é responsável pelas
entidades fechadas de previdência.
Finalmente, no último e terceiro nível, vemos os
operadores do SFN. Essas são as instituições, públicas
e privadas, que executam a intermediação financei-
ra, atuando diretamente com o público. São os bancos
comerciais, a Caixa Econômica, os bancos de investi-
mento, as sociedades de arrendamento mercantil, as
corretoras, as distribuidoras de títulos e valores mobi-
liários etc.
Existem diversos tipos de instituições operadoras
no SFN, que também costumam atuar de forma seg-
mentada. Neste sentido, pode-se afirmar que, como
regra geral, cada tipo de instituição financeira opera
produtos específicos, diferentemente dos produtos
operados por outros tipos de IF.
Ao longo do nosso estudo, conheceremos os opera-
dores do sistema financeiro.
ÓRGÃOS NORMATIVOS E
INSTITUIÇÕES SUPERVISORAS,
EXECUTORAS E OPERADORAS
O Conselho Monetário Nacional (CMN) é o princi-
pal órgão normativo do Sistema Financeiro Nacional
(SFN), e tem, conforme o previsto no art. 2º da Lei nº
4.595, de 1964, a finalidade de formular a política da
moeda e do crédito, objetivando o progresso econômi-
co e social do país.
O CMN é responsável pelas diretrizes e normas
das políticas monetária, creditícia e cambial. É ele,
portanto, que coordena a política macroeconômica do
governo.
Nosso primeiro passo será conhecer os seus objeti-
vos. Na prática, para que o CMN foi criado?
OBJETIVOS
A melhor forma de conhecer os objetivos do CMN
é analisá-los, um por um, conforme dispostos no art.
3º da Lei nº 4.595, de 1964. Vejamos:
Importante!
Alguns incisos desse artigo foram revogados
pela Lei Complementar nº 179, de 2021.
Portanto, apresentaremos a seguir apenas os
incisos que permanecem vigentes.
Art. 3º A política do Conselho Monetário Nacional
objetivará: [...]
IV - Orientar a aplicação dos recursos das insti-
tuições financeiras, quer públicas, quer privadas;
tendo em vista propiciar, nas diferentes regiões do
País, condições favoráveis ao desenvolvimento har-
mônico da economia nacional;
O CMN define regras gerais de atuação para os
diversos tipos de instituições financeiras, estabele-
cendo os segmentos em que podem atuar. Pode ainda
diferenciar certas regras conforme as regiões do país,
buscando diminuir desigualdades regionais.
Art. 3º [...]
V - Propiciar o aperfeiçoamento das instituições e
dos instrumentos financeiros, com vistas à maior
eficiência do sistema de pagamentos e de mobiliza-
ção de recursos;
O CMN deve buscar também o aperfeiçoamento
das instituições financeiras e de seus produtos e servi-
ços, objetivando facilitar e fortalecer a intermediação
financeira.
Art. 3º [...]
VI - Zelar pela liquidez e solvência das instituições
financeiras;
A liquidez e a solvência das instituições financei-
ras impactam na segurança e no grau de confiabilida-
de do Sistema Financeiro Nacional. Trata-se, portanto,
de permanente preocupação do CMN.
Art. 3º [...]
VII - Coordenar as políticas monetária, creditícia,
orçamentária, fiscal e da dívida pública, interna e
externa.
O CMN é, portanto, o grande coordenador das polí-
ticas econômicas do país.
Lembre-se: O CMN é um órgão apenas normati-
vo, não é um órgão executivo. Formular a política da
moeda e do crédito, objetivando o progresso econômi-
co e social do país, é sua principal atribuição. Então,
tudo que a ele se referir estará relacionado à emissão
de normas, à definição de regras.
Atente-se, sempre, ao verbo utilizado na questão.
Verbos de ação (fazer, executar, efetuar, realizar, fis-
calizar) geralmente não se enquadram nas atividades
do CMN, que não possui atividades executivas e, sim,
dá ordens, por ser o “chefe”.
COMPETÊNCIAS E CARACTERÍSTICAS
Estabelecidos os objetivos do CMN, vamos conhe-
cer algumas competências e características que mere-
cem atenção e que estão definidas em diferentes
legislações.
Existem quatro legislações que nos interessam
para a prova. Qualquer questão que trate do CMN terá
embasamento em uma dessas quatro normas. São
elas:
z Lei nº 4.595, de 31 de dezembro de 1964;
z Lei nº 6.385, de 7 de dezembro de 1976;
z Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995;
z Decreto nº 3.088, de 21 de junho de 1999.
90
Vamos seguir a ordem cronológica, aprendendo
o que cada uma dessas legislações atribuiu ao CMN.
Você não precisa ir até essas normas e estudar a “lei
seca”, pois o que nos interessa está aqui.
LEI Nº 4.595, DE 31 DEZEMBRO DE 1964
O art. 4º da Lei nº 4.595, de 1964, traz as competên-
cias do CMN previstas naquela Lei, e seu estudo aju-
dará a formar o conceito sobre o que é o CMN e qual
a sua função.
Art. 4º Compete ao Conselho Monetário Nacional,
segundo diretrizes estabelecidas pelo Presidente da
República:
I - Revogado;
II - Revogado;
III - Aprovar os orçamentos monetários, prepara-
dos pelo Banco Central da República do Brasil, por
meio dos quais se estimarão as necessidades glo-
bais de moeda e crédito;
IV - Determinar as características gerais das cédu-
las e das moedas;
V - Fixar as diretrizes e normas da política cambial,
inclusive quanto a compra e venda de ouro e quais-
quer operações em Direitos Especiais de Saque e em
moeda estrangeira;
VI - Disciplinar o crédito em todas as suas moda-
lidades e as operações creditícias em todas as
suas formas, inclusive aceites, avais e prestações
de quaisquer garantias por parte das instituições
financeiras;
VII - Coordenar a política de que trata o art. 3º des-
ta Lei com a de investimentos do Governo Federal;
VIII - Regular a constituição, funcionamento e fisca-
lização dos que exercerem atividades subordinadas
a esta lei, bem como a aplicação das penalidades
previstas;
IX - Limitar, sempre que necessário, as taxas de
juros, descontos, comissões e qualquer outra forma
de remuneração de operações e serviços bancários
ou financeiros, inclusive os prestados pelo Banco
Central da República do Brasil, assegurando taxas
favorecidas aos financiamentos que se destinem a
promover:
- recuperação e fertilização do solo;
- reflorestamento;
- combate a epizootias e pragas, nas atividades
rurais;
- eletrificação rural;
- mecanização;
- irrigação;
- investimento indispensáveis às atividades
agropecuárias;
Obs.: Esse inciso dá competência ao CMN para
autorizar taxas de juros diferenciadas para operações
direcionadas ao crédito agrícola em geral. É um bene-
fício que a lei traz para o setor do agronegócio e da
agricultura familiar.
X - Determinar a percentagem máxima dos recur-
sos que as instituições financeiras poderão empres-
tar a um mesmo cliente ou grupo de empresas;
XI - Estipular índices e outras condições técnicas
sobre encaixes, mobilizações e outras relações
patrimoniais a serem observadas pelas instituições
financeiras;
XII - Expedir normas gerais de contabilidade e
estatística a serem observadas pelas instituições
financeiras;
XIII - Delimitar, com periodicidade não inferior a
dois anos o capital mínimo das instituições finan-
ceiras privadas, levando em conta sua natureza,
bem como a localização de suas sedes e agências
ou filiais;
XIV - Revogado;
XV - Estabelecer para as instituições financeiras
públicas, a dedução dos depósitos de pessoas jurídi-
cas de direito público quelhes detenham o controle
acionário, bem como dos das respectivas autar-
quias e sociedades de economia mista, no cálculo a
que se refere o inciso anterior;
XVI - Revogado;
XVII - Revogado;
XVIII - Outorgar ao Banco Central da República
do Brasil o monopólio das operações de câmbio
quando ocorrer grave desequilíbrio no balanço de
pagamentos ou houver sérias razões para prever a
iminência de tal situação;
XIX - Revogado;
XX - Autorizar o Banco Central da República do
Brasil e as instituições financeiras públicas federais
a efetuar a subscrição, compra e venda de ações
e outros papéis emitidos ou de responsabilidade
das sociedades de economia mista e empresas do
Estado;
XXI - Disciplinar as atividades das Bolsas de Valo-
res e dos corretores de fundos públicos;
XXII - Estatuir normas para as operações das ins-
tituições financeiras públicas, para preservar sua
solidez e adequar seu funcionamento aos objetivos
desta lei;
XXIII - Fixar, até quinze (15) vezes a soma do capital
realizado e reservas livres, o limite além do qual os
excedentes dos depósitos das instituições financei-
ras serão recolhidos ao Banco Central da República
do Brasil ou aplicados de acordo com as normas
que o Conselho estabelecer;
XXIV - Decidir de sua própria organização; elabo-
rando seu regimento interno no prazo máximo de
trinta (30) dias;
XXVI - Conhecer dos recursos de decisões do Banco
Central da República do Brasil;
XXVI - Revogado;
XXVII - Aprovar o regimento interno e as contas
do Banco Central do Brasil e decidir sobre seu
orçamento e sobre seus sistemas de contabilidade,
bem como sobre a forma e prazo de transferência
de seus resultados para o Tesouro Nacional, sem
prejuízo da competência do Tribunal de Contas da
União.
XXVIII - Aplicar aos bancos estrangeiros que fun-
cionem no País as mesmas vedações ou restrições
equivalentes, que vigorem nas praças de suas
matrizes, em relação a bancos brasileiros ali insta-
lados ou que nelas desejem estabelecer - se;
XXIX - Colaborar com o Senado Federal, na instru-
ção dos processos de empréstimos externos dos
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, para
cumprimento do disposto no art. 63, nº II, da Cons-
tituição Federal;
XXX - Expedir normas e regulamentação para as
designações e demais efeitos do art. 7º, desta lei.
XXXI - Baixar normas que regulem as operações
de câmbio, inclusive swaps, fixando limites, taxas,
prazos e outras condições.
XXXII - Regular os depósitos a prazo de instituições
financeiras e demais sociedades autorizadas a fun-
cionar pelo Banco Central do Brasil, inclusive entre
aquelas sujeitas ao mesmo controle acionário ou
coligadas.
C
O
N
H
EC
IM
EN
TO
S
B
A
N
C
Á
R
IO
S
91
§ 1º O Conselho Monetário Nacional, no exercí-
cio das atribuições previstas no inciso VIII deste
artigo, poderá determinar que o Banco Central da
República do Brasil recuse autorização para o fun-
cionamento de novas instituições financeiras, em
função de conveniências de ordem geral.
§ 2º Competirá ao Banco Central da República do
Brasil acompanhar a execução dos orçamentos
monetários e relatar a matéria ao Conselho Mone-
tário Nacional, apresentando as sugestões que con-
siderar convenientes.
§ 3º Revogado;
§ 4º O Conselho Monetário nacional poderá convi-
dar autoridades, pessoas ou entidades para prestar
esclarecimentos considerados necessários.
§ 5º Nas hipóteses do art. 4º, inciso I, e do § 6º, do
art. 49, desta lei, se o Congresso Nacional negar
homologação à emissão extraordinária efetuada,
as autoridades responsáveis serão responsabiliza-
das nos termos da Lei nº 1059, de 10/04/1950.
§ 6º O Conselho Monetário Nacional encaminhará
ao Congresso Nacional, até 31 de março de cada
ano, relatório da evolução da situação monetária e
creditícia do País no ano anterior, no qual descreve-
rá, minudentemente as providências adotadas para
cumprimento dos objetivos estabelecidos nesta
lei, justificando destacadamente os montantes das
emissões de papel-moeda que tenham sido feitas
para atendimento das atividades produtivas.
§ 7º O Banco Nacional da Habitação* é o prin-
cipal instrumento de execução da política habi-
tacional do Governo Federal e integra o sistema
financeiro nacional, juntamente com as sociedades
de crédito imobiliário, sob orientação, autorização,
coordenação e fiscalização do Conselho Monetário
Nacional e do Banco Central da República do Bra-
sil, quanto à execução, nos termos desta lei, revoga-
das as disposições especiais em contrário.
* Observação: O Banco Nacional da Habitação foi
extinto e incorporado à Caixa Econômica Federal (que
o sucedeu em todos os seus direitos e obrigações) pelo
Decreto-Lei nº 2.291, de 1986.
Sobre as competências do CMN previstas no art. 4º
da Lei nº 4.595, de 1964, é importante observar que:
z As competências listadas estão relacionadas a:
� Política monetária (moeda);
� Política creditícia (crédito e juros);
� Política cambial;
� Aperfeiçoamento das instituições e instrumen-
tos financeiros e solidez do SFN.
z Os verbos utilizados sempre estão relacionados
com o fato de o CMN ser um órgão normativo, e
não executivo. Veja que os incisos começam com
“autorizar”, “estabelecer”, “aprovar”, “determi-
nar”, “fixar”, “disciplinar”, “coordenar”, “regular”,
“estipular” etc.
É importante compreender e fixar essas caracte-
rísticas para resolver questões que abordem as com-
petências do CMN na sua prova.
LEI Nº 6.385, DE 7 DE DEZEMBRO DE 1976
A Lei nº 6.385, de 1976, é o diploma legal que insti-
tuiu a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), entida-
de supervisora responsável por fiscalizar, normatizar,
disciplinar e desenvolver o mercado de valores mobi-
liários no Brasil. Vejamos o que dizem o art. 1º e seus
respectivos incisos:
Art. 1º Serão disciplinadas e fiscalizadas de acordo
com esta Lei as seguintes atividades:
I - a emissão e distribuição de valores mobiliários
no mercado;
II - a negociação e intermediação no mercado de
valores mobiliários;
III - a negociação e intermediação no mercado de
derivativos;
IV - a organização, o funcionamento e as operações
das Bolsas de Valores;
V - a organização, o funcionamento e as operações
das Bolsas de Mercadorias e Futuros;
VI - a administração de carteiras e a custódia de
valores mobiliários;
VII - a auditoria das companhias abertas;
VIII - os serviços de consultor e analista de valores
mobiliários.
Em seu art. 2º, a Lei 6.385, de 1976, apresenta o que
são os valores mobiliários:
Art. 2º São valores mobiliários sujeitos ao regime
desta Lei:
I - as ações, debêntures e bônus de subscrição;
II - os cupons, direitos, recibos de subscrição e cer-
tificados de desdobramento relativos aos valores
mobiliários [...];
III - os certificados de depósito de valores mobiliários;
IV - as cédulas de debêntures;
V - as cotas de fundos de investimento em valores
mobiliários ou de clubes de investimento em quais-
quer ativos;
VI - as notas comerciais;
VII - os contratos futuros, de opções e outros derivati-
vos, cujos ativos subjacentes sejam valores mobiliários;
VIII - outros contratos derivativos, independente-
mente dos ativos subjacentes; e
IX - quando ofertados publicamente, quaisquer
outros títulos ou contratos de investimento coleti-
vo, que gerem direito de participação, de parceria
ou de remuneração, inclusive resultante de presta-
ção de serviços, cujos rendimentos advêm do esfor-
ço do empreendedor ou de terceiros.
§ 1º Excluem-se do regime desta Lei:
I - os títulos da dívida pública federal, estadual ou
municipal;
II - os títulos cambiais de responsabilidade de insti-
tuição financeira, exceto as debêntures.
A Lei 6.385, de 1976, também traz alguns dispositi-
vos que definem competências e atribuições ao CMN.
Veja o que dizem os arts. 3º e 4º:
Art. 3º Compete ao Conselho Monetário Nacional:
I - definir a política a ser observada na organiza-
ção e no funcionamento do mercado de valores
mobiliários;
II - regular a utilização do crédito nesse mercado;
III - fixar, a orientação geral aser observada pela
Comissão de Valores Mobiliários no exercício de
suas atribuições;
IV - definir as atividades da Comissão de Valores
Mobiliários que devem ser exercidas em coordena-
ção com o Banco Central do Brasil.
V - aprovar o quadro e o regulamento de pessoal da
Comissão de Valores Mobiliários, bem como fixar a
retribuição do presidente, diretores, ocupantes de
funções de confiança e demais servidores. (Inciso
Incluído Pela Lei nº 6.422, de 8.6.1977)
92
VI - estabelecer, para fins da política monetária e
cambial, condições específicas para negociação de
contratos derivativos, independentemente da natu-
reza do investidor, podendo, inclusive: (Incluído
pela Lei nº 12.543, de 2011)
a) determinar depósitos sobre os valores nocionais
dos contratos; e (Incluído pela Lei nº 12.543, de
2011)
b) fixar limites, prazos e outras condições sobre as
negociações dos contratos derivativos. (Incluído
pela Lei nº 12.543, de 2011)
§ 1º Ressalvado o disposto nesta Lei, a fiscalização
do mercado financeiro e de capitais continuará a
ser exercida, nos termos da legislação em vigor,
pelo Banco Central do Brasil. (Incluído pela Lei nº
12.543, de 2011)
§ 2º As condições específicas de que trata o inciso
VI do caput deste artigo não poderão ser exigidas
para as operações em aberto na data de publica-
ção do ato que as estabelecer. (Incluído pela Lei nº
12.543, de 2011)
Art. 4º O Conselho Monetário Nacional e a Comis-
são de Valores Mobiliários exercerão as atribuições
previstas na lei para o fim de:
I - estimular a formação de poupanças e a sua apli-
cação em valores mobiliários;
II - promover a expansão e o funcionamento eficien-
te e regular do mercado de ações, e estimular as
aplicações permanentes em ações do capital social
de companhias abertas sob controle de capitais pri-
vados nacionais;
III - assegurar o funcionamento eficiente e regular
dos mercados da bolsa e de balcão;
IV - proteger os titulares de valores mobiliários e os
investidores do mercado contra:
a) emissões irregulares de valores mobiliários;
b) atos ilegais de administradores e acionistas con-
troladores das companhias abertas, ou de adminis-
tradores de carteira de valores mobiliários.
c) o uso de informação relevante não divulgada no
mercado de valores mobiliários.
V - evitar ou coibir modalidades de fraude ou mani-
pulação destinadas a criar condições artificiais de
demanda, oferta ou preço dos valores mobiliários
negociados no mercado;
VI - assegurar o acesso do público a informações
sobre os valores mobiliários negociados e as com-
panhias que os tenham emitido;
VII - assegurar a observância de práticas comer-
ciais equitativas no mercado de valores mobiliários;
VIII - assegurar a observância no mercado, das
condições de utilização de crédito fixadas pelo Con-
selho Monetário Nacional.
A Lei nº 6.385, de 1976 traz, portanto, competên-
cias e atribuições do CMN relacionadas ao mercado
de capitais.
Importante!
O Conselho Monetário Nacional (CMN) é o órgão
normativo responsável por definir as regras para
os mercados monetário, de crédito, de câmbio e
de capitais.
Subordinadas ao CMN, temos duas entidades
supervisoras: o Banco Central e a Comissão de
Valores Mobiliários (CVM).
O Banco Central é o supervisor dos mercados
monetário, de crédito e de câmbio. Já a CVM é o
órgão supervisor do mercado de capitais.
LEI Nº 9.069, DE 29 DE JUNHO DE 1995
A Lei nº 9.069, de 1995, foi a Lei que instituiu o
Plano Real. Ela alterou a composição do CMN e a lista
das Comissões que atuam junto ao Conselho (anterior-
mente previstas nos arts. 6º e 7º da Lei nº 4.595, de
1964, que não estão mais em vigor), e foi recentemen-
te modificada pela Lei nº 13.844, de 2019, em função
da nova organização ministerial estabelecida pelo
atual governo.
Além disso, essa lei traz outros pontos importantes
sobre o CMN que são frequentemente abordados em
concursos. Vamos a ela:
Art. 8º O Conselho Monetário Nacional, criado
pela Lei nº 4.595, de 31 de dezembro de 1964, passa
a ser integrado pelos seguintes membros:
I - Ministro de Estado da Economia, que o presidirá;
II - Presidente do Banco Central do Brasil; e
III - Secretário Especial de Fazenda do Ministério
da Economia.
§ 1º O Conselho deliberará mediante resoluções,
por maioria de votos, cabendo ao Presidente a
prerrogativa de deliberar, nos casos de urgência
e relevante interesse, ad referendum dos demais
membros.
§ 2º Quando deliberar ad referendum do Conselho,
o Presidente submeterá a decisão ao colegiado na
primeira reunião que se seguir àquela deliberação.
§ 3º O Presidente do Conselho poderá convidar
Ministros de Estado, bem como representantes de
entidades públicas ou privadas, para participar das
reuniões, não lhes sendo permitido o direito de voto.
§ 4º O Conselho reunir-se-á, ordinariamente, uma
vez por mês, e, extraordinariamente, sempre que
for convocado por seu Presidente.
§ 5º O Banco Central do Brasil funcionará como
secretaria-executiva do Conselho.
§ 6º O regimento interno do Conselho Monetário
Nacional será aprovado por decreto do Presidente
da República, no prazo máximo de trinta dias, con-
tados da publicação desta Lei.
§ 7º A partir de 30 de junho de 1994, ficam extintos
os mandatos de membros do Conselho Monetário
Nacional nomeados até aquela data.
Art. 9º É criada junto ao Conselho Monetário
Nacional a Comissão Técnica da Moeda e do Crédi-
to, composta dos seguintes membros:
I - Presidente e quatro Diretores do Banco Central
do Brasil;
II - Presidente da Comissão de Valores Mobiliários;
III - Secretário-Executivo e Secretários do Tesouro
Nacional e de Política Econômica do Ministério da
Economia;
§ 1º A Comissão será coordenada pelo Presidente
do Banco Central do Brasil.
§ 2º O regimento interno da Comissão Técnica da
Moeda e do Crédito será aprovado por decreto do
Presidente da República.
Art. 10 Compete à Comissão Técnica da Moeda e
do Crédito:
I - propor a regulamentação das matérias tratadas
na presente Lei, de competência do Conselho Mone-
tário Nacional;
II - manifestar-se, na forma prevista em seu regi-
mento interno, previamente, sobre as matérias
de competência do Conselho Monetário Nacional,
especialmente aquelas constantes da Lei nº 4.595,
de 31 de dezembro de 1964;
III - outras atribuições que lhe forem cometidas
pelo Conselho Monetário Nacional.
Art. 11 Revogado.
C
O
N
H
EC
IM
EN
TO
S
B
A
N
C
Á
R
IO
S
93
O CMN é composto pelos seguintes membros:
z Ministro de Estado da Economia, que é o seu pre-
sidente;
z Presidente do Banco Central do Brasil;
z Secretário Especial de Fazenda do Ministério da
Economia.
Nos casos de urgência e relevante interesse, o
Presidente do CMN pode deliberar ad referendum do
Conselho, submetendo a decisão ao colegiado na pri-
meira reunião que se seguir àquela deliberação. Isso
significa que, havendo urgência e relevante interesse,
o Presidente do CMN (o Ministro da Economia) pode
deliberar sobre determinado assunto e submeter sua
decisão aos demais membros na próxima reunião do
Conselho.
O Conselho reúne-se, ordinariamente, uma vez por
mês, e, extraordinariamente, sempre que for convoca-
do por seu Presidente.
De acordo com seu Regimento Interno (Decreto nº
1.307, de 1994), participam das reuniões do CMN:
Art. 16 [...]
I - os Conselheiros;
II - os membros da Comoc;
III - os Diretores do Banco Central, não integrantes
da COMOC;
IV - Representantes das Comissões Consultivas,
quando convocados pelo Presidente do CMN.
Ainda de acordo com o Regimento Interno, pode-
rão assistir as reuniões do CMN:
Art. 16 [...]
§ 1º [...]
a) assessores credenciados individualmente pelos
conselheiros;
b) convidados do presidente do conselho [...];
c) funcionários da secretaria-executiva do conse-
lho, credenciados pelo Presidente do Banco Central
do Brasil.
As decisões do CMN são tomadas por maioria sim-
ples de votos. Somente aos conselheiros é dado o direi-
to de voto (§ 2º, art. 16).
A Comissão Técnica da Moeda e do Crédito (Comoc)
é composta pelosseguintes membros:
z Presidente e quatro Diretores do Banco Central do
Brasil;
z Presidente da Comissão de Valores Mobiliários;
z Secretário-Executivo do Ministério da Economia;
z Secretário do Tesouro Nacional;
z Secretário de Política Econômica.
A Comoc é coordenada pelo Presidente do Banco
Central, e atua como órgão de assessoramento técnico
na formulação da política da moeda e do crédito. A
Comoc manifesta-se previamente sobre assuntos de
competência do CMN.
Segundo seu regimento interno, são quatro dire-
tores do Banco Central do Brasil, indicados pelo seu
Presidente1, que participarão da Comissão. Como essa
indicação é alterada de acordo com a pauta das reu-
niões, todos os diretores do BC tornam-se membros
potenciais da Comoc.
1 Inciso VII, do art. 2º, do Decreto nº 1.304, de 9 de novembro de 1994.
O Banco Central do Brasil exerce a Secretaria-
-Executiva do CMN e também da Comoc. Compete ao
Banco Central organizar e assessorar as sessões deli-
berativas (preparar, assessorar e dar suporte duran-
te as reuniões, elaborar as atas e manter seu arquivo
histórico).
Além da Comoc, funcionam junto ao Conse-
lho Monetário Nacional as seguintes Comissões
Consultivas:
Art. 5º [...]
I - de Normas e Organização do Sistema Financeiro;
II - de Mercado de Valores Mobiliários e de Futuros;
III - de Crédito Rural;
IV - de Crédito Industrial;
V - de Crédito Habitacional, e para Saneamento e
Infra-Estrutura Urbana;
VI - de Endividamento Público;
VII - de Política Monetária e Cambial.
Importante! A Lei nº 13.844, de 2019, em seu art.
63, alterou a Lei nº 9.069, de 1995, estabelecendo que
o CMN agora é composto da seguinte forma:
Art. 63 [...]
I - Ministro de Estado da Economia, que o presidirá;
II - Presidente do Banco Central do Brasil; e
III - Secretário Especial de Fazenda do Ministério
da Economia.
A Lei nº 13.844, de 2019, também atualizou a com-
posição do Comissão Técnica da Moeda e do Crédito
(Comoc), que passou a ser composta dos seguintes
membros:
z Presidente e quatro Diretores do Banco Central do
Brasil;
z Presidente da Comissão de Valores Mobiliários;
z Secretário-Executivo e Secretários do Tesouro
Nacional e de Política Econômica do Ministério da
Economia.
A Comissão é coordenada pelo Presidente do Ban-
co Central do Brasil.
Dica
As bancas de concursos públicos costumam
perguntar sobre a composição do CMN e/ou da
Comoc.
DECRETO Nº 3.088, DE 21 DE JUNHO DE 1999
Com o Decreto nº 3.088, de 21 de junho de 1999,
o Brasil passou a adotar como um dos pilares de sua
política monetária o regime de metas para a inflação.
Trata-se de um regime monetário no qual o Banco
Central compromete-se a atuar de forma a garantir
que a inflação efetiva esteja em linha com uma meta
pré-estabelecida, anunciada publicamente.
O Decreto trouxe, então, novas atribuições ao CMN:
Art. 1º Fica estabelecida, como diretriz para fixa-
ção do regime de política monetária, a sistemática
de “metas para a inflação”.
§ 1º As metas são representadas por variações
anuais de índice de preços de ampla divulgação.
94
§ 2º As metas e os respectivos intervalos de tole-
rância serão fixados pelo Conselho Monetário
Nacional - CMN, mediante proposta do Ministro de
Estado da Economia [...].
Art. 2º Ao Banco Central do Brasil compete execu-
tar as políticas necessárias para cumprimento das
metas fixadas.
Art. 3º O índice de preços a ser adotado para os
fins previstos neste Decreto será escolhido pelo
CMN, mediante proposta do Ministro de Estado da
Fazenda.
Art. 4º Considera-se que a meta foi cumprida quan-
do a variação acumulada da inflação - medida pelo
índice de preços referido no artigo anterior, relati-
va ao período de janeiro a dezembro de cada ano
calendário - situar-se na faixa do seu respectivo
intervalo de tolerância.
Parágrafo único. Caso a meta não seja cumprida,
o Presidente do Banco Central do Brasil divulgará
publicamente as razões do descumprimento, por
meio de carta aberta ao Ministro de Estado da
Fazenda, que deverá conter:
I - descrição detalhada das causas do
descumprimento;
II - providências para assegurar o retorno da infla-
ção aos limites estabelecidos; e
III - o prazo no qual se espera que as providências
produzam efeito.
Art. 5º O Banco Central do Brasil divulgará, até
o último dia de cada trimestre civil, Relatório de
Inflação abordando o desempenho do regime de
“metas para a inflação”, os resultados das decisões
passadas de política monetária e a avaliação pros-
pectiva da inflação.
Cabe ao CMN, portanto:
z Fixar as metas e os respectivos intervalos de
tolerância para a inflação anual.
Para este ano de 2021, a meta foi fixada em 3,75%,
com intervalo de tolerância de 1,50%.
Já para o ano de 2022, a meta foi fixada em 3,50%,
com intervalo de tolerância de 1,50%.
z Escolher, mediante proposta do Ministro de Esta-
do da Fazenda (atual Ministro de Estado da Eco-
nomia), o índice de preços a ser adotado como
referência para o cumprimento da meta.
Atualmente, adota-se o Índice de Preços ao Con-
sumidor Amplo (IPCA), calculado pelo Instituto Bra-
sileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Caso a meta não seja cumprida, o Presidente do
Banco Central do Brasil divulgará publicamente as
razões do descumprimento, por meio de carta aberta
ao Ministro de Estado da Fazenda (atual Ministro da
Economia).
BANCO CENTRAL DO BRASIL
O Banco Central (Bacen ou BC) é uma autarquia
federal vinculada — mas não subordinada — ao
Ministério da Economia, criada pela Lei nº 4.595, de
31 de dezembro de 1964. É a entidade supervisora dos
mercados monetário, de crédito e de câmbio. Sua mis-
são é “assegurar a estabilidade do poder de compra
da moeda e um sistema financeiro sólido e eficiente”.
Assim, o Banco Central é o responsável pelo con-
trole da inflação, atuando para regular a quantidade
de moeda na economia, de maneira a manter a esta-
bilidade de preços. Além disso, ele é responsável pela
segurança e confiabilidade do Sistema Financeiro
Nacional (SFN). Por isso, regula e supervisiona as
instituições financeiras. Atua sempre executando as
orientações do Conselho Monetário Nacional. É, por-
tanto, órgão executivo.
No exercício de suas atribuições, conduz as políti-
cas monetária, cambial, de crédito e de relações finan-
ceiras com o exterior, a administração do Sistema de
Pagamentos Brasileiro (SPB) e os serviços do meio
circulante.
Agora, veremos o que a Lei nº 4.595, de 1964, que o
criou, dispõe sobre o Banco Central. Vamos dissecar os
arts. 8º a 16, que trazem o conteúdo que nos interessa.
Ao mesmo tempo em que estudamos a Lei, conhe-
ceremos as atribuições da Autoridade Monetária,
como o Bacen também é chamado. Lembre-se: o
Bacen é a principal entidade supervisora do SFN.
Art. 8º A atual Superintendência da Moeda e do
Crédito é transformada em autarquia federal, ten-
do sede e foro na Capital da República, sob a deno-
minação de Banco Central da República do Brasil,
com personalidade jurídica e patrimônio próprios
este constituído dos bens, direitos e valores que
lhe são transferidos na forma desta Lei e ainda
da apropriação dos juros e rendas resultantes, na
data da vigência desta lei, do disposto no art. 9º do
Decreto-Lei número 8495, de 28/12/1945, dispositi-
vo que ora é expressamente revogado.
Parágrafo único. Os resultados obtidos pelo Banco
Central do Brasil, consideradas as receitas e des-
pesas de todas as suas operações, serão, a partir
de 1º de janeiro de 1988, apurados pelo regime de
competência e transferidos para o Tesouro Nacio-
nal, após compensados eventuais prejuízos de exer-
cícios anteriores.
Esse é o artigo que criou o Banco Central, suceden-
do a antiga Superintendência da Moeda e do Crédito
(SUMOC).
Destaca-se também que o resultado obtido pelo
Bacen em suas operações é transferido ao Tesouro
Nacional, compondo o resultado primário do Governo
Central.
Art. 9º Compete ao Banco Central da República do
Brasil cumprir e fazer cumprir as disposições que
lhe são atribuídas pela legislaçãoem vigor e as nor-
mas expedidas pelo Conselho Monetário Nacional.
Como sabemos, o Banco Central é (enquanto enti-
dade supervisora do SFN responsável pela implemen-
tação das políticas monetária, creditícia e cambial)
subordinado às determinações da lei e do Conselho
Monetário Nacional.
Na sequência, temos os arts. 10 e 11, que definem
as competências do Banco Central. Há alguns incisos
que estão desatualizados e outros que merecem com-
plementação. Acompanhe nos tópicos a seguir.
BANCO EMISSOR
Art. 10 Compete privativamente ao Banco Central
da República do Brasil:
I - Emitir moeda-papel e moeda metálica, nas condi-
ções e limites autorizados pelo Conselho Monetário
Nacional
C
O
N
H
EC
IM
EN
TO
S
B
A
N
C
Á
R
IO
S
95
II - Executar os serviços do meio-circulante;
A lei definiu que cabe ao Conselho Monetário
Nacional (CMN) autorizar a emissão de moeda, e ao
Banco Central emiti-la. Ao BC também cabe executar
os serviços do meio circulante, sendo responsável pela
emissão, distribuição e controle do dinheiro nacional.
Para entendermos esse ponto, é necessário pri-
meiro conhecermos o “ciclo do dinheiro”. Pense que
o dinheiro (cédulas e notas) nada mais é do que um
produto industrializado como outro qualquer; assim,
ele precisa ser produzido.
No Brasil, o dinheiro é produzido pela Casa da
Moeda do Brasil (CMB), que é uma empresa pública.
O BC, portanto, contrata a Casa da Moeda para que
fabrique o dinheiro brasileiro, e paga por isso. Você
já deve ter ouvido a frase “dinheiro custa dinheiro”.
E custa mesmo!
Entretanto, é fundamental compreender que
a fabricação das cédulas e moedas e a emissão do
dinheiro são dois processos diferentes.
O conceito de emissão de moeda não está rela-
cionado à impressão de papel moeda. Emitir moeda
significa ampliar a base monetária, que é o total de
dinheiro em circulação na economia, e que considera
tanto cédulas e moedas emitidas quanto as reservas
que os bancos possuem no Banco Central. Ou seja, um
crédito em conta de Reservas Bancárias pode emitir
moeda sem que para isso tenha ocorrido impressão
de papel moeda.
O dinheiro, enquanto o Banco Central não o emi-
te (ou seja, não o contabiliza como parte do meio cir-
culante e o coloca à disposição do público), é apenas
papel impresso. Ele não passa a valer automatica-
mente após a sua fabricação, mas somente após a sua
emissão.
O monopólio da emissão pertence ao BC. Uma vez
emitido, o dinheiro será distribuído aos bancos, que
fazem encomendas de numerário ao Banco Central.
Ao mesmo tempo, o BC preocupa-se com o aspecto
físico do dinheiro em circulação. A Autoridade Mone-
tária recolhe e retira de circulação cédulas e moedas
sem condições de uso. É o chamado “saneamento”
do meio circulante, que compreende as atividades
de recebimento, conferência, seleção e troca, pelo
Bacen, de cédulas e moedas danificadas, que serão
destruídas.
Esses são os serviços do meio circulante. O dinhei-
ro “novo” (cédulas e moedas), após emitido, precisa
ser distribuído aos bancos para “circular”. Da mesma
forma, o dinheiro “velho” (sujo, rasgado, rabiscado)
precisa ser retirado de circulação.
Essas competências retratam uma das funções
clássicas do Banco Central: a de banco emissor, aque-
le que possui o monopólio da emissão.
A Lei nº 13.416, de 23 de fevereiro de 2017, autori-
zou o Banco Central do Brasil a adquirir papel-moeda
e moeda metálica fabricados fora do país por fornece-
dor estrangeiro.
A condição imposta pela norma é de que haja
situação de emergência, caracterizada quando hou-
ver inviabilidade ou fundada incerteza quanto ao
atendimento da demanda de cédulas e moedas pela
Casa da Moeda.
O inciso I, do § 1º, do art. 2º, da Lei nº 13.416, de
2017, traz um exemplo de situação de emergência
para a aquisição de papel-moeda e moeda metálica
fabricados por fornecedor estrangeiro:
Art. 2º [...]
I - o atraso acumulado de 15% (quinze por cento)
das quantidades contratadas, por denominação, de
papel-moeda ou de moeda metálica.
EXECUTOR DA POLÍTICA MONETÁRIA E BANCO
DOS BANCOS
Art. 10 Compete privativamente ao Banco Central
da República do Brasil:
[...]
III - determinar o recolhimento de até cem por cen-
to do total dos depósitos à vista e de até sessenta
por cento de outros títulos contábeis das institui-
ções financeiras, seja na forma de subscrição de
Letras ou Obrigações do Tesouro Nacional ou com-
pra de títulos da Dívida Pública Federal, seja atra-
vés de recolhimento em espécie, em ambos os casos
entregues ao Banco Central do Brasil, a forma e
condições por ele determinadas, podendo:
a) adotar percentagens diferentes em função:
1. das regiões geoeconômicas;
2. das prioridades que atribuir às aplicações;
3. da natureza das instituições financeiras;
b) determinar percentuais que não serão recolhi-
dos, desde que tenham sido reaplicados em finan-
ciamentos à agricultura, sob juros favorecidos e
outras condições por ele fixadas.
IV - receber os recolhimentos compulsórios de que
trata o inciso anterior e, ainda, os depósitos volun-
tários à vista das instituições financeiras, nos ter-
mos do inciso III e § 2° do art. 19.
V - realizar operações de redesconto e empréstimo
com instituições financeiras públicas e privadas,
consoante remuneração, limites, prazos, garantias,
formas de negociação e outras condições estabele-
cidos em regulamentação por ele editada;
[...]
XII - efetuar, como instrumento de política mone-
tária, operações de compra e venda de títulos
públicos federais, consoante remuneração, limites,
prazos, formas de negociação e outras condições
estabelecidos em regulamentação por ele editada,
sem prejuízo do disposto no art. 39 da Lei Comple-
mentar nº 101, de 4 de maio de 2000;
[...]
§ 3º O Banco Central do Brasil informará previa-
mente ao Conselho Monetário Nacional sobre o
deferimento de operações na forma estabelecida no
inciso V do caput deste artigo, sempre que identifi-
car a possibilidade de impacto fiscal relevante.
Nesses trechos, a lei traz funções do BC enquanto
executor da política monetária, talvez a principal fun-
ção de um banco central. Além disso, há funções que
também o classificam como o banco dos bancos.
Através da execução da política monetária, o Ban-
co Central controla os meios de pagamento, o crédito
e a taxa de juros.
Em situações de recessão, o Bacen adota uma polí-
tica monetária expansionista, aumentando a liquidez
e a oferta de moeda, estimulando o crédito, o consumo
e o investimento.
Já em situações de avanço inflacionário, o Banco
Central adotará uma política monetária contracionis-
ta ou restritiva, diminuindo a liquidez e aumentando
a taxa de juros.
Os instrumentos de política monetária fazem
parte do nosso conteúdo, e serão apresentados mais
adiante.
96
EXECUTOR DA POLÍTICA CAMBIAL
Art. 10 Compete privativamente ao Banco Central
da República do Brasil:
[...]
VII - Efetuar o controle dos capitais estrangeiros,
nos termos da lei;
[...]
XV - efetuar, como instrumento de política cambial,
operações de compra e venda de moeda estrangei-
ra e operações com instrumentos derivativos no
mercado interno, consoante remuneração, limites,
prazos, formas de negociação e outras condições
estabelecidos em regulamentação por ele editada.
[...]
Art. 11 Compete ainda ao Banco Central da Repú-
blica do Brasil;
[...]
III - Atuar no sentido do funcionamento regular
do mercado cambial, da estabilidade relativa das
taxas de câmbio e do equilíbrio no balanço de paga-
mentos, podendo para esse fim comprar e vender
ouro e moeda estrangeira, bem como realizar ope-
rações de crédito no exterior, inclusive as referentes
aos Direitos Especiais de Saque, e separar os mer-
cados de câmbio financeiro e comercial;
Toda regulação do mercado de câmbio também
é efetuada pelo BC. É o Banco Central que executa a
política cambial do país.
A responsabilidade pela normatização das opera-
ções da política cambial, das reservas e das demais
atribuições da área financeira externa é do CMN. A
execuçãoda política cambial cabe ao BC. Para isso,
o Bacen mantém ativos em ouro, títulos e moedas
estrangeiras para atuação nos mercados de câmbio,
que compõem as reservas internacionais do país, de
forma a contribuir para a sustentabilidade das con-
tas externas e evitar variações excessivas no valor do
Real frente às demais moedas.
BANQUEIRO DO GOVERNO
Art. 10 Compete privativamente ao Banco Central
da República do Brasil:
[...]
VIII - Ser depositário das reservas oficiais de ouro e
moeda estrangeira e de Direitos Especiais de Saque
e fazer com estas últimas todas e quaisquer opera-
ções previstas no Convênio Constitutivo do Fundo
Monetário Internacional;
[...]
Art. 11 Compete ainda ao Banco Central da Repú-
blica do Brasil;
I - Entender-se, em nome do Governo Brasilei-
ro, com as instituições financeiras estrangeiras e
internacionais;
II - Promover, como agente do Governo Federal, a
colocação de empréstimos internos ou externos,
podendo, também, encarregar-se dos respectivos
serviços;
[...]
No inciso VIII, do art. 10, e nos incisos I e II, do art.
11, surgem competências que colocam o Banco Cen-
tral no exercício de outra função clássica: a de ban-
queiro do governo.
Como banqueiro do governo, o Banco Central
atua nos leilões de títulos públicos federais em
nome do Tesouro Nacional, administra as reservas
internacionais do país, representa o Brasil junto a
organismos internacionais e recebe em depósito as
disponibilidades de caixa da União.
O Banco Central não concede empréstimos ao
Tesouro Nacional e não pode financiar déficits fiscais.
Isso já ocorreu no passado, mas está proibido desde a
Constituição de 1988.
Além disso, a Lei de Responsabilidade Fiscal (Lei
Complementar nº 101, de 2000) também proibiu que
o Banco Central emita títulos da dívida pública. Só o
Tesouro Nacional emite títulos públicos.
Essas medidas foram de extrema importância para
tornar clara a separação entre as atividades da auto-
ridade monetária (BC), responsável pelas políticas
monetária e cambial; e da autoridade fiscal (Secre-
taria do Tesouro Nacional — STN), responsável pela
condução da política fiscal.
SUPERVISOR DO SISTEMA FINANCEIRO
Art. 10 Compete privativamente ao Banco Central
da República do Brasil:
[...]
VI - Exercer o controle do crédito sob todas as suas
formas;
[...]
IX - Exercer a fiscalização das instituições financei-
ras e aplicar as penalidades previstas;
X - Conceder autorização às instituições financei-
ras, a fim de que possam:
a) funcionar no País;
b) instalar ou transferir suas sedes, ou dependên-
cias, inclusive no exterior;
c) ser transformadas, fundidas, incorporadas ou
encampadas;
d) praticar operações de câmbio, crédito real e
venda habitual de títulos da dívida pública fede-
ral, estadual ou municipal, ações Debêntures,
letras hipotecárias e outros títulos de crédito ou
mobiliários;
e) ter prorrogados os prazos concedidos para
funcionamento;
f) alterar seus estatutos.
g) alienar ou, por qualquer outra forma, transferir
o seu controle acionário.
[...]
XI - Estabelecer condições para a posse e para o
exercício de quaisquer cargos de administração
de instituições financeiras privadas, assim como
para o exercício de quaisquer funções em órgãos
consultivos, fiscais e semelhantes, segundo nor-
mas que forem expedidas pelo Conselho Monetário
Nacional;
[...]
XIII - Determinar que as matrizes das instituições
financeiras registrem os cadastros das firmas que
operam com suas agências há mais de um ano.
[...]
§ 1º No exercício das atribuições a que se refere o
inciso X deste artigo, com base nas normas estabe-
lecidas pelo Conselho Monetário Nacional, o Banco
Central da República do Brasil, estudará os pedidos
que lhe sejam formulados e resolverá conceder ou
recusar a autorização pleiteada, podendo incluir
as cláusulas que reputar convenientes ao interesse
público.
§ 2º Observado o disposto no parágrafo anterior, as
instituições financeiras estrangeiras dependem de
autorização do Poder Executivo, mediante decreto,
para que possam funcionar no País.
[...]
C
O
N
H
EC
IM
EN
TO
S
B
A
N
C
Á
R
IO
S
97
Os incisos VI, IX, X, XI e XIII trazem atribuições da
função de supervisor do sistema financeiro. Lem-
bra-se de que parte da missão do BC é assegurar um
sistema financeiro sólido e eficiente? No cumprimen-
to dessa missão, o BC é responsável por autorizar
entidades a funcionar, regular o seu funcionamento e
executar a fiscalização, supervisão e monitoramento
das entidades e de suas operações.
Atualmente, essa supervisão tem ênfase na avalia-
ção dos riscos assumidos pelas entidades e na qualida-
de dos controles existentes para mitigar esses riscos.
Especialmente em operações que envolvam parti-
cipação estrangeira, a autorização para aquisição de
participação societária em instituições financeiras
nacionais, o aumento de participação já existente ou
a instalação de nova instituição financeira dependem
de autorização via decreto presidencial. Ou seja, no
caso de instituições estrangeiras, é o Presidente da
República, e não o Banco Central, quem autoriza a
operação no Brasil.
Art. 11 Compete ainda ao Banco Central da Repú-
blica do Brasil;
[...]
VII - Exercer permanente vigilância nos mercados
financeiros e de capitais sobre empresas que, direta
ou indiretamente, interfiram nesses mercados e em
relação às modalidades ou processos operacionais
que utilizem;
[...]
O inciso VII, do art. 11, reforça o papel do BC como
supervisor do sistema financeiro.
Destaque para o fato de que, atualmente, o mer-
cado de capitais é supervisionado pela Comissão de
Valores Mobiliários (CVM), e não pelo BC.
OUTRAS ATRIBUIÇÕES
Art. 11 Compete ainda ao Banco Central da Repú-
blica do Brasil;
[...]
VI - Regular a execução dos serviços de compensa-
ção de cheques e outros papéis;
[...]
A compensação de cheques entre instituições
financeiras é um serviço regulado pelo Banco Central.
A execução do serviço é atribuição do Banco do
Brasil, que o realiza por através da Centralizadora da
Compensação de Cheques (Compe).
A competência do Banco do Brasil para executar
a compensação está definida na própria Lei nº 4.595,
de 1964, em seu artigo 19. Vejamos: “Ao Banco do Bra-
sil S. A. competirá precipuamente, sob a supervisão do
Conselho Monetário Nacional e como instrumento de
execução da política creditícia e financeira do Governo
Federal [...]”.
Art. 11 [...]
VIII - Prover, sob controle do Conselho Monetário
Nacional, os serviços de sua Secretaria.
O Banco Central do Brasil é a Secretaria-Executiva
do CMN, sendo responsável por organizar e assesso-
rar suas reuniões.
Art. 11 [...]
§ 1º No exercício das atribuições a que se refere o
inciso IX do artigo 10 desta lei, o Banco Central do
Brasil poderá examinar os livros e documentos das
pessoas naturais ou jurídicas que detenham o con-
trole acionário de instituição financeira, ficando
essas pessoas sujeitas ao disposto no artigo 44, §
8º, desta lei.
[...]
Trata-se de uma prerrogativa do BC no exercício
da atribuição de supervisor do sistema financeiro: ter
acesso a quaisquer documentos que julgar necessá-
rios para o exercício da função. A própria Lei nº 4.595,
de 1964, prevê que a negativa de atendimento será
considerada como embaraço à fiscalização, sujeito à
pena de multa, sem prejuízo de outras medidas e san-
ções cabíveis.
Art. 11 [...]
§ 2º O Banco Central da República do Brasil ins-
talará delegacias, com autorização do Conselho
Monetário Nacional, nas diferentes regiões geo-eco-
nômicas do País, tendo em vista a descentralização
administrativa para distribuição e recolhimento da
moeda e o cumprimento das decisões adotadas pelo
mesmo Conselho ou prescritas em lei.
O Banco Central possui, além da sede em Brasília,
DF, representações em outras nove capitais brasilei-
ras. Essa capilaridade facilita principalmente as ativi-
dades relacionadas ao meio circulante.
Art. 12 O Banco Central da República do Brasil ope-
rará exclusivamente com instituições financeiraspúblicas e privadas, vedadas operações bancárias
de qualquer natureza com outras pessoas de direito
público ou privado, salvo as expressamente autori-
zadas por lei.
Art. 13 Os encargos e serviços de competência do
Banco Central, quando por ele não executados dire-
tamente, serão contratados de preferência com o
Banco do Brasil S. A., exceto nos casos especialmen-
te autorizados pelo Conselho Monetário Nacional.
Art. 14 Revogado.
Art. 15 O regimento interno do Banco Central da
República do Brasil, a que se refere o inciso XXVII,
do art. 4º, desta lei, prescreverá as atribuições do
Presidente e dos Diretores e especificará os casos
que dependerão de deliberação da Diretoria, a qual
será tomada por maioria de votos, presentes no
mínimo o Presidente ou seu substituto eventual e
dois outros Diretores, cabendo ao Presidente tam-
bém o voto de qualidade.
Parágrafo único. A Diretoria se reunirá, ordina-
riamente, uma vez por semana, e, extraordinaria-
mente, sempre que necessário, por convocação do
Presidente ou a requerimento de, pelo menos, dois
de seus membros.
O Regimento Interno do Banco Central dispõe
que a Diretoria Colegiada é composta por até nove
membros, um dos quais o Presidente, todos nomea-
dos pelo Presidente da República, entre brasileiros de
ilibada reputação e notória capacidade em assuntos
econômico-financeiros, após aprovação pelo Senado
Federal. São demissíveis ad nutum, o que significa que
são cargos de livre nomeação e exoneração, a juízo da
autoridade competente.
98
Atualmente, o Bacen possui oito diretorias, ocu-
pando todos os nove cargos previstos (Presidente + 8
Diretores).
Art. 16 Constituem receita do Banco Central do
Brasil as rendas:
I - de operações financeiras e de outras aplicações
de seus recursos;
II - das operações de câmbio, de compra e venda
de ouro e de quaisquer outras operações em moeda
estrangeira;
III - eventuais, inclusive as derivadas de multas e de
juros de mora aplicados por força do disposto na
legislação em vigor.
Por fim, o art. 16 aponta as receitas do Banco Cen-
tral. O resultado obtido pelo Bacen em suas operações
é transferido ao Tesouro Nacional e integra o resulta-
do primário do Governo Central.
COMISSÃO DE VALORES MOBILIÁRIOS — CVM
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM), criada
pela Lei nº 6.385, de 1976, é a entidade supervisora
do SFN responsável pelo mercado de capitais. A CVM
observa, no exercício de suas atribuições, as orienta-
ções gerais fixadas pelo Conselho Monetário Nacional
(CMN), órgão normativo máximo do SFN.
É importante relembrar o conceito de intermedia-
ção financeira inserido no tópico Sistema Nacional
Financeiro.
O mercado de capitais tem como objetivo canali-
zar recursos de médio e longo prazo para agentes
deficitários que necessitem de recursos financeiros
para realizar investimentos produtivos. Esses agen-
tes buscam esses recursos através da venda de títu-
los e valores mobiliários. Por isso, o mercado de
capitais também é chamado de mercado de valores
mobiliários.
O mercado de valores mobiliários é, portanto, o
segmento do sistema financeiro que viabiliza a trans-
ferência de recursos de maneira direta entre agentes
econômicos deficitários e superavitários. Nesse mer-
cado, as instituições financeiras, responsáveis pela
intermediação, geralmente atuam como meras pres-
tadoras de serviço.
Se você, por acaso, resolver investir seu décimo-
-terceiro em ações de uma companhia aberta (aque-
la que tem seus valores imobiliários admitidos para
negociação em Bolsa de Valores — por exemplo, a
Petrobrás), procurará uma instituição financeira para
intermediar essa operação. Ao realizar a compra das
ações, você se tornará um acionista da empresa (um
de seus sócios), e não um credor de uma instituição
financeira, como se tivesse feito um depósito na pou-
pança. Dessa forma, você estará financiando direta-
mente a empresa com recursos de longo prazo, que
poderão ser utilizados para expansão das atividades,
construção de fábricas, investimento em inovação etc.
Por isso, um dos objetivos estratégicos da CVM
é estimular a formação de poupança e a sua aplica-
ção em valores mobiliários. A teoria econômica afir-
ma que o mercado de capitais é fundamental para o
desenvolvimento econômico, pois permite a captação
de recursos que serão utilizados para a ampliação de
atividades empresariais, gerando riqueza, emprego e
renda.
Tanto as operações que ocorrem no mercado de
valores mobiliários quanto os seus participantes são
regulados pela Comissão de Valores Mobiliários. A
CVM tem, portanto, o objetivo de fiscalizar, normati-
zar, disciplinar e desenvolver o mercado de valores
mobiliários no Brasil.
Cabe à CVM ser a “gerente” desse mercado. Nenhu-
ma distribuição pública de valores mobiliários (ações,
debêntures etc.) será efetivada no mercado sem pré-
vio registro na Comissão de Valores Mobiliários.
A CVM mantém registros das autorizações:
z Para emissões públicas de valores mobiliários,
z Para negociação na bolsa;
z Para negociação no mercado de balcão, organiza-
do ou não.
Somente os valores mobiliários emitidos por com-
panhia registrada na CVM podem ser negociados na
bolsa e no mercado de balcão.
ESTRUTURA E COMPOSIÇÃO
A Comissão de Valores Mobiliários foi instituída
como entidade autárquica em regime especial, vin-
culada ao Ministério da Economia, com personalidade
jurídica e patrimônio próprios, dotada de autoridade
administrativa independente, ausência de subordina-
ção hierárquica, mandato fixo e estabilidade para seus
dirigentes, e autonomia financeira e orçamentária,
conforme disposto no art. 5º, da Lei nº 6.385, de 1976.
De acordo com o art. 6º da mesma lei, a CVM é
administrada por um Colegiado composto por um Pre-
sidente e quatro Diretores, nomeados pelo Presidente
da República, depois de aprovados pelo Senado Federal,
dentre pessoas de ilibada reputação e reconhecida com-
petência em matéria de mercado de capitais.
O § 1º, do art. 6º, da Lei nº 6.385, de 1976, dispõe
que o mandato dos dirigentes da CVM é de cinco anos,
vedada a recondução, devendo ser renovado a cada ano
um quinto dos membros do Colegiado. Ou seja, a cada
ano, um dos dirigentes deverá ser afastado e dar lugar
a um novo membro, a ser nomeado pelo Presidente da
República após a aprovação pelo Senado.
No curso do mandato, os dirigentes da CVM somen-
te o perderão em virtude de renúncia, de condenação
judicial transitada em julgado ou de processo admi-
nistrativo disciplinar.
Os §§2º e seguintes do art. 6º apresentam as hipóte-
ses em que os dirigentes da CMV perderão o mandato.
Vejamos:
§ 2º Os dirigentes da Comissão somente perderão
o mandato em virtude de renúncia, de condenação
judicial transitada em julgado ou de processo admi-
nistrativo disciplinar.
§ 3º Sem prejuízo do que prevêem a lei penal e a lei de
improbidade administrativa, será causa da perda do
mandato a inobservância, pelo Presidente ou Dire-
tor, dos deveres e das proibições inerentes ao cargo.
§ 4º Cabe ao Ministro de Estado da Fazenda ins-
taurar o processo administrativo disciplinar, que
será conduzido por comissão especial, competindo
ao Presidente da República determinar o afasta-
mento preventivo, quando for o caso, e proferir o
julgamento.
§ 5º No caso de renúncia, morte ou perda de man-
dato do Presidente da Comissão de Valores Mobi-
liários, assumirá o Diretor mais antigo ou o mais
idoso, nessa ordem, até nova nomeação, sem pre-
juízo de suas atribuições.
C
O
N
H
EC
IM
EN
TO
S
B
A
N
C
Á
R
IO
S
99
§ 6º No caso de renúncia, morte ou perda de man-
dato de Diretor, proceder-se-á à nova nomeação
pela forma disposta nesta Lei, para completar o
mandato do substituído.
ATRIBUIÇÕES E COMPETÊNCIAS
Nos termos da legislação vigente, o exercício das
atribuições da CVM tem como objetivos:
z Estimular a formação de poupança e sua aplicação
em valores mobiliários;
z Promover a expansão e o funcionamento eficiente
e regular do mercado de ações e estimular as apli-cações permanentes em ações do capital social de
companhias abertas sob controle de capitais priva-
dos nacionais;
z Assegurar e fiscalizar o funcionamento eficiente
dos mercados regulamentados de valores mobiliá-
rios (bolsas de valores, mercado de balcão e bolsas
de Mercadorias e Futuros);
z Proteger os titulares de valores mobiliários e os
investidores do mercado contra:
� Emissões irregulares de valores mobiliários;
� Atos ilegais de administradores e acionistas das
companhias abertas, ou de administradores de
carteira de valores mobiliários;
� O uso de informação relevante não divulgada
no mercado de valores mobiliários.
z Evitar ou coibir modalidades de fraude ou mani-
pulação destinadas a criar condições artificiais de
demanda, oferta ou preço dos valores mobiliários
negociados no mercado;
z Assegurar o acesso do público a informações sobre
os valores mobiliários negociados e as companhias
que os tenham emitido;
z Assegurar a observância de práticas comerciais
equitativas no mercado de valores mobiliários;
z Fazer cumprir a Lei nº 6.404, de 1976, chamada de
Lei das Sociedade Anônimas (S/A), em relação aos
participantes do mercado de valores mobiliários;
z Realizar atividades de credenciamento e fiscali-
zação dos participantes do mercado de valores
mobiliários;
z Fiscalizar e inspecionar as companhias abertas e
os fundos de investimento;
z Apurar, mediante inquérito administrativo, atos
ilegais e práticas não-equitativas de administra-
dores, membros do conselho fiscal e acionistas de
companhias abertas, de intermediários e de quais-
quer participantes do mercado de valores mobiliá-
rios, aplicando as penalidades previstas em lei.
A esfera de competência da CVM, portanto, abran-
ge as companhias de capital aberto e incentivadas,
fundos de investimento, ofertas públicas de valores
mobiliários e as instituições participantes do sistema
de distribuição, assim como os clientes e investidores
que operam no mercado de valores mobiliários.
Além disso, o auditor independente, para exercer
atividade no âmbito do mercado de valores mobi-
liários, está sujeito ao registro na CVM. As demons-
trações financeiras das companhias abertas serão
obrigatoriamente submetidas à auditoria por audito-
res independentes registrados na CVM.
Atenção! Somente os valores mobiliários de emis-
são de companhia registrada na Comissão de Valores
Mobiliários podem ser negociados no mercado de
valores mobiliários. Da mesma forma, nenhuma dis-
tribuição pública de valores mobiliários será efetiva-
da no mercado sem prévio registro na Comissão de
Valores Mobiliários.
Além disso, dependem de prévia autorização da
CVM o exercício das atividades de distribuição e de
emissão no mercado, mediação ou corretagem de
operações com valores mobiliários e compensação e
liquidação de operações com valores mobiliários.
PODER PUNITIVO
Quanto à apuração de práticas legais, cabe salien-
tar que a CVM não tem competência para determinar
o ressarcimento de eventuais prejuízos sofridos pelos
investidores em decorrência da ação ou omissão de
agentes do mercado.
As providências adotadas pela CVM com relação a
casos concretos limitam-se à esfera administrativa,
de acordo com as atribuições que lhe foram conferi-
das pela Lei nº 6.385, de 1976.
No entanto, caso o investidor sinta-se lesado em
decorrência da ação ou omissão de agentes do mer-
cado, pode recorrer ao Poder Judiciário e, no curso de
ação judicial, provocar a atuação da CVM na função
de amicus curiae (amigo da corte, em latim), provo-
cando sua manifestação técnica sobre o caso específi-
co em julgamento.
Em relação ao seu poder punitivo, a Lei nº 6.385,
de 1976, em seu art. 11 define que a CVM poderá
impor aos infratores das normas cujo cumprimento
lhe caiba fiscalizar as seguintes penalidades, isoladas
ou cumulativamente:
Art. 11 [...]
I - advertência;
II - multa;
III - revogado
IV - inabilitação temporária, até o máximo de 20
(vinte) anos, para o exercício de cargo de admi-
nistrador ou de conselheiro fiscal de companhia
aberta, de entidade do sistema de distribuição ou de
outras entidades que dependam de autorização ou
registro na Comissão de Valores Mobiliários;
V - suspensão da autorização ou registro para
o exercício das atividades de que trata esta Lei;
VI - inabilitação temporária, até o máximo de 20
(vinte) anos, para o exercício das atividades de
que trata esta lei (atuação no mercado de valores
mobiliários);
VII - proibição temporária, até o máximo de 20
(vinte) anos, de praticar determinadas ativida-
des ou operações, para os integrantes do sistema
de distribuição ou de outras entidades que depen-
dam de autorização ou registro na Comissão de
Valores Mobiliários;
VIII - proibição temporária, até o máximo de 10
(dez) anos, de atuar, direta ou indiretamente, em
uma ou mais modalidades de operação no mercado
de valores mobiliários.
Quanto à aplicação de multas, o § 1º, do art. 11, da
Lei nº 6.385, de 1976, prevê que deve-se observar, para
fins de dosimetria, os princípios da proporcionalidade e
da razoabilidade, a capacidade econômica do infrator e
os motivos que justifiquem sua imposição, e não deverá
exceder o maior destes valores:
100
Art. 11 [...]
§ 1º [...]
I - R$ 50.000.000,00 (cinquenta milhões de reais); ou
II - o dobro do valor da emissão ou da operação
irregular; ou
III - 3 (três) vezes o montante da vantagem econô-
mica obtida ou da perda evitada em decorrência do
ilícito; ou
IV - o dobro do prejuízo causado aos investidores
em decorrência do ilícito.
§ 2º Nas hipóteses de reincidência, poderá ser apli-
cada multa de até o triplo dos valores fixados no §
1º deste artigo.
[...]
§ 5º A Comissão de Valores Mobiliários, após aná-
lise de conveniência e oportunidade, com vistas a
atender ao interesse público, poderá deixar de ins-
taurar ou suspender, em qualquer fase que preceda
a tomada da decisão de primeira instância, o pro-
cedimento administrativo destinado à apuração de
infração prevista nas normas legais e regulamen-
tares cujo cumprimento lhe caiba fiscalizar, se o
investigado assinar Termo de Compromisso no
qual se obrigue a:
I - cessar a prática de atividades ou atos considera-
dos ilícitos pela Comissão de Valores Mobiliários; e
II - corrigir as irregularidades apontadas, inclusive
indenizando os prejuízos.
§ 6º O Termo de Compromisso não importará con-
fissão quanto à matéria de fato, nem reconhecimen-
to de ilicitude da conduta analisada.
§ 7º O Termo de Compromisso deverá ser publica-
do no sítio eletrônico da CVM, com discriminação
do prazo para cumprimento das obrigações even-
tualmente assumidas, e constituirá título executivo
extrajudicial.
§ 8º Não cumpridas as obrigações no prazo, a CVM
dará continuidade ao procedimento administrati-
vo anteriormente suspenso, para a aplicação das
penalidades cabíveis.
§ 9º Serão considerados, na aplicação de penalida-
des previstas, o arrependimento eficaz e o arrepen-
dimento posterior, ou a circunstância de qualquer
pessoa, espontaneamente, confessar ilícito ou pres-
tar informações relativas à sua materialidade.
[...]
Por arrependimento eficaz entende-se aquele em
que sujeito que praticou a infração atua no sentido
de impedir a efetivação do ato ilícito. Já o arrependi-
mento posterior consiste na reparação voluntária do
dano causado pela prática da infração.
§ 11 A multa aplicada pela inexecução de ordem
da Comissão de Valores Mobiliários, nos termos do
inciso II do caput e do inciso IV do § 1º do art. 9º
desta Lei, independentemente do processo adminis-
trativo previsto no inciso V do caput do art. 9º desta
Lei, não excederá, por dia de atraso no seu cumpri-
mento, o maior destes valores:
I - 1/1.000 (um milésimo) do valor do faturamento
total individual ou consolidado do grupo econô-
mico, obtido no exercício anterior à aplicação da
multa; ou
II - R$ 100.000,00 (cem mil reais).
§ 12 Da decisão que aplicar a multa prevista no
parágrafo anterior caberá recurso voluntário, no
prazode dez dias, ao Colegiado da Comissão de
Valores Mobiliários, sem efeito suspensivo.
§ 13 Adicionalmente, pode haver ainda a proibição
de contratar, por até de 5 (cinco) anos, com insti-
tuições financeiras oficiais; e de participar de lici-
tação que tenha por objeto aquisições, alienações,
realizações de obras e serviços e concessões de ser-
viços públicos, no âmbito da administração pública
federal, estadual, distrital e municipal e das entida-
des da administração pública indireta.
§ 14 Os créditos oriundos de condenação do ape-
nado ao pagamento de indenização em ação civil
pública movida em benefício de investidores e
demais credores do apenado e os créditos do Fun-
do Garantidor de Crédito (FGC) ou de outros meca-
nismos de ressarcimento aprovados pelo Banco
Central do Brasil ou pela Comissão de Valores
Mobiliários, se houver, preferirão aos créditos
oriundos da aplicação da penalidade de multa.
§ 15 Em caso de falência, liquidação extrajudicial
ou qualquer outra forma de concurso de credores
do apenado, os créditos da Comissão de Valores
Mobiliários oriundos da aplicação da penalidade
de multa de que trata o inciso II do caput deste arti-
go serão subordinados.
Créditos subordinados são aqueles que, em caso de
insolvência de devedor (quando o devedor não dispõe
de recursos financeiros para cumprir sua obrigação
de pagar), serão pagos por último.
As penalidades impostas são passíveis de recurso
para o Conselho de Recursos do Sistema Financeiro
Nacional (CRSFN).
CONSELHO DE RECURSOS DO SISTEMA
FINANCEIRO NACIONAL — CRSFN
O Conselho de Recursos do Sistema Financeiro
Nacional (CRSFN) tem previsão no Decreto nº 9.889, de
27 de junho de 2019. Trata-se de um órgão colegiado,
de segundo grau, integrante da estrutura do Ministé-
rio da Economia, e que tem por finalidade julgar, em
última instância administrativa, os recursos contra as
sanções aplicadas pelo Bacen e pela CVM e, nos pro-
cessos de lavagem de dinheiro, as sanções aplicadas
pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras
(COAF), pela Superintendência de Seguros Privados
(SUSEP) e pelas demais autoridades competentes.
Sabe-se que o Banco Central, ao exercer sua função
de supervisor do sistema financeiro, é responsável
pela fiscalização das instituições financeiras. No exer-
cício dessa competência, ele pode aplicar penalidades
às instituições financeiras, às demais instituições por
ele supervisionadas e aos integrantes do Sistema de
Pagamentos Brasileiro.
O Bacen também pode punir pessoas físicas ou
jurídicas que:
z Exerçam, sem a devida autorização, atividade
sujeita à sua supervisão ou à sua vigilância;
z Prestem serviço de auditoria independente para as
instituições que ele supervisiona;
z Atuem como administradores, membros da dire-
toria, do conselho de administração, do conselho
fiscal, do comitê de auditoria e de outros órgãos
previstos no estatuto ou no contrato social de insti-
tuição por ele supervisionada.
O Bacen pode aplicar as seguintes penalidades:
Lei nº 13.506, de 2017
Art. 5º [...]
I - admoestação pública (advertência pública que
consiste na publicação de notícia sobre a imposição
da pena e do texto especificado na decisão condena-
tória no site do Banco Central);
C
O
N
H
EC
IM
EN
TO
S
B
A
N
C
Á
R
IO
S
101
II - multa;
III - proibição de prestar determinados serviços para as instituições mencionadas no caput do art. 2º desta
Lei (instituições financeiras, as demais instituições supervisionadas pelo Banco Central do Brasil e os integrantes do
Sistema de Pagamentos Brasileiro);
IV - proibição de realizar determinadas atividades ou modalidades de operação;
V - inabilitação para atuar como administrador e para exercer cargo em órgão previsto em estatuto ou
em contrato social de pessoa mencionada no caput do art. 2º desta Lei;
VI - cassação de autorização para funcionamento.
No caso da Comissão de Valores Mobiliários (CMV), tivemos conhecimento sobre o seu poder punitivo. Em
ambos os casos, estamos falando de punições que ocorrem na esfera administrativa e que são passíveis de recur-
sos a uma segunda e última instância, que é o CRSFN.
ESTRUTURA E COMPOSIÇÃO
O CRSFN é um órgão paritário. Isso significa que é composto por um número igual de representantes de
órgãos governamentais e de representantes de entidades representativas do mercado financeiro e de capitais.
Todos os conselheiros titulares e suplentes são designados pelo Ministro de Estado da Economia, com man-
dato de três anos, renovável por igual período por até duas vezes. Os conselheiros devem ter competência
reconhecida e conhecimentos especializados nas matérias de competência do CRSFN.
O CRSFN é constituído por dezesseis conselheiros, sendo oito membros (quatro titulares e respectivos suplen-
tes) indicados por órgãos governamentais (conforme quadro a seguir) e oito (quatro titulares e respectivos suplen-
tes) indicados em lista tríplice por entidades representativas dos mercados financeiro e de capitais.
A composição do CRSFN foi definida pela Portaria do Ministério da Fazenda nº 246, de 2 de maio de 2011, alte-
rada pela Portaria nº 423, de 29 de agosto de 2011, e está demonstrada a seguir:
REPRESENTANTES DE ÓRGÃOS GOVERNAMENTAIS
Responsável pela indicação Número de Conselheiros
Ministério da Economia 4 (sendo 2 titulares e 2 suplentes)
Comissão de Valores Mobiliários 2 (sendo 1 titular e 1 suplente)
Banco Central do Brasil (BACEN) 2 (sendo 1 titular e 1 suplente)
REPRESENTANTES DE ENTIDADES REPRESENTATIVAS DO MERCADO FINANCEIRO E DE CAPITAIS
Indicação de membro titular Indicação de membro suplente
Federação Brasileira dos Bancos (FEBRABAN) Conselho Consultivo do Ramo Crédito da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB/CECO)
Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Fi-
nanceiros e de Capitais (ANBIMA)
Associação Brasileira de Administradores de Consórcio
(ABAC)
Associação Nacional das Corretoras e Distribuidoras
de Títulos e Valores Mobiliários, Câmbio e Mercadorias
(ANCORD)
Associação de Investidores no Mercado de Capitais (AMEC)
Associação Brasileira das Empresas de Capital Aberto
(ABRASCA) Instituto dos Auditores Independentes do Brasil (IBRACON)
Preside o CRSFN um dos conselheiros indicados pelo Ministério da Economia, assim designado pelo
Ministro. O Vice-presidente do Conselho é designado pelo Ministro de Estado da Economia dentre os conselheiros
indicados pelas entidades privadas representativas dos mercados financeiro e de capitais.
Mais recentemente, a Portaria do Ministério da Fazenda (MF) nº 352, de 24 de julho de 2018 (art. 2º), definiu
que as indicações do setor público para a composição do CRSFN recairão sobre servidores públicos com mais
de trinta anos de idade, que possuam formação superior, reconhecida capacidade técnica e pelo menos 5
(cinco) anos de experiência profissional nas matérias relacionadas à competência do CRSFN.
Já as indicações das entidades representativas dos mercados financeiro e de capitais deverão compor
lista tríplice e recairão sobre brasileiros natos ou naturalizados que possuam mais de 30 anos de idade, formação
superior, reconhecida capacidade técnica, notório conhecimento especializado nas matérias de competência do
CRSFN e pelo menos 10 anos de atuação nos mercados financeiros ou de capitais, segundo o art. 3º da Portaria
352, de 2018.
ATRIBUIÇÕES E COMPETÊNCIAS
De acordo com o disposto no Decreto nº 9.889/2019, compete ao Conselho de Recursos do Sistema Financeiro
Nacional julgar, em última instância administrativa, os recursos contra:
z Decisões cautelares do Banco Central;
z Ato que determinar o cancelamento do registro especial na Carteira de Comércio Exterior do Banco do Brasil
S/A. (CACEX) e na Secretaria da Receita Federal;
102
z Penalidades impostas pela Comissão de Valores
Mobiliários;
z Das decisões do Coaf relativas às aplicações de
penas administrativas ao Conselho de Recursos do
Sistema Financeiro Nacional;
z Penalidades impostas por decisões proferidas pelo
Banco