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Página 1 de 4 Lista de Exercícios extras Nome: __________________________________________________ RM: Matéria Foucault 1. (Unesp 2021) Observe as imagens e leia o texto. O princípio é: na periferia, uma construção em anel; no centro, uma torre; esta possui grandes janelas que se abrem para a parte interior do anel. A construção periférica é dividida em celas, cada uma ocupando toda a largura da construção. Estas celas têm duas janelas: uma abrindo-se para o interior, correspondendo às janelas da torre; outra, dando para o exterior, permite que a luz atravesse a cela de um lado a outro. Basta então colocar um vigia na torre central e em cada cela trancafiar um louco, um doente, um condenado, um operário ou um estudante. Devido ao efeito de contraluz, pode-se perceber da torre, recortando-se na luminosidade, as pequenas silhuetas prisioneiras nas celas da periferia. Em suma, inverte-se o princípio da masmorra; a luz e o olhar de um vigia captam melhor que o escuro que, no fundo, protegia. […] As mudanças econômicas do século XVIII tornaram necessário fazer circular os efeitos do poder por canais cada vez mais sutis, chegando até os próprios indivíduos, seus corpos, seus gestos, cada um de seus desempenhos cotidianos. Que o poder, mesmo tendo uma multiplicidade de homens a gerir, seja tão eficaz quanto se ele se exercesse sobre um só. […] Bentham […] coloca o problema da visibilidade, mas pensando em uma visibilidade organizada inteiramente em torno de um olhar dominador e vigilante. Ele faz funcionar o projeto de uma visibilidade universal, que agiria em proveito de um poder rigoroso e meticuloso. (Michel Foucault. Microfísica do poder, 1979.) O projeto do panóptico de Bentham associou-se, na origem, a) à lógica do individualismo e da racionalidade difundidos no Iluminismo, e hoje manifesta-se indiretamente no uso sistemático de câmeras de segurança para a vigilância do cotidiano. b) à defesa do igualitarismo social proposta pelos formuladores das doutrinas socialistas, e hoje manifesta- se nos projetos arquitetônicos de prisões e quartéis desenvolvidos nos países comunistas. c) ao predomínio da visão sobre os outros sentidos nas sociedades orientais tradicionais, e hoje expressa-se na presença de aparelhos de televisão na maioria das residências e dos estabelecimentos comerciais. d) ao esforço de centralização do poder no âmbito do absolutismo monárquico e da formação dos Estados modernos, e hoje expressa-se na ação repressiva e controladora dos regimes totalitários. e) à luta pela democratização nas sociedades ocidentais contemporâneas, e hoje manifesta-se no amplo direito de acesso à informação e à expressão proporcionado pela internet e pelas redes sociais. 2. (Unioeste 2019) O filósofo francês, Michel Foucault, ao iniciar os estudos sobre arquitetura hospitalar na segunda metade do século XVIII, percebeu que grande parte dos projetos arquitetônicos tinham como característica uma centralização do olhar voltada para indivíduos, corpos e coisas. Segundo Foucault, os modelos arquitetônicos seguiam os princípios formulados por Jeremy Bentham em sua obra “O Panopticon”, publicada no final do século XVIII. Foucault encontrou o mesmo princípio do panopticon na arquitetura das escolas, nos hospitais e, sobretudo, nos grandes projetos prisionais do início do século XIX. Em 1975, ele retoma o tema em sua obra “Vigiar e Punir”, quando se refere ao tema da tecnologia de poder e o da vigilância no sistema prisional. Página 2 de 4 Sobre o panopticon, é CORRETO afirmar. a) O princípio arquitetônico prisional do panopticon segue a lógica da masmorra, cuja função é trancar e privar o preso da luz solar. b) No princípio arquitetônico prisional do panopticon, as celas não são trancadas e permitem ao preso a liberdade de contato com outros presos sem que seja vigiado. c) O princípio do panopticon é baseado na privacidade do preso e na invisibilidade de suas ações. O detento nunca é vigiado em sua cela. d) O modelo arquitetônico prisional do panopticon necessita de muitos vigilantes e o custo do sistema é muito alto para ser mantido pelo Estado. e) O modelo arquitetônico prisional do panopticon foi pensado como um espaço fechado em forma de círculo, com uma torre no centro. Todos os movimentos das celas são controlados e registrados por um sistema de vigilância ininterrupto. 3. (Ufpr 2020) Eis como ainda no início do século XVII se descrevia a figura ideal do soldado. O soldado é antes de tudo alguém que se reconhece de longe; que leva os sinais naturais de seu vigor e coragem, as marcas também de seu orgulho: seu corpo é o brasão de sua força e de sua valentia. [...] Na segunda metade do século XVIII, o soldado tornou-se algo que se fabrica; de uma massa informe, de um corpo inapto, fez-se a máquina de que se precisa; corrigiram-se aos poucos as posturas; lentamente uma coação calculada percorre cada parte do corpo, se assenhoreia dele, dobra o conjunto, torna-o perpetuamente disponível e se prolonga, em silêncio, no automatismo dos hábitos. (FOUCAULT, Michel. Os corpos dóceis. In: FOUCAULT, Michel. Vigiar e Punir. Petrópolis: Vozes, 1999, p. 162.) Levando em conta essa passagem e a obra em que está inserida, é correto afirmar que, para Michel Foucault, instituições como escolas, quartéis, hospitais e prisões são exemplos de espaços em que, a partir do século XVIII, os indivíduos: a) são educados de modo a se tornarem autônomos. b) aprendem a conviver uns com os outros. c) encontram as condições de segurança e bem-estar. d) se tornam mais vigorosos e valentes. e) se fazem objeto do poder disciplinar. 4. (Ufpr 2020) Segundo Michel Foucault, o poder disciplinar procede a uma certa organização do espaço e do tempo. (FOUCAULT, Michel. Os corpos dóceis. In: FOUCAULT, M. Vigiar e Punir. Petrópolis: Vozes, 1999.) Quais são, de acordo com o autor, as características dos espaços disciplinares? __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ 5. (Enem PPL 2019) Tomemos o exemplo de Sócrates: é precisamente ele quem interpela as pessoas na rua, os jovens no ginásio, perguntando: “Tu te ocupas de ti?” O deus o encarregou disso, é sua missão, e ele não a abandonará, mesmo no momento em que for ameaçado de morte. Ele é certamente o homem que cuida do cuidado dos outros: esta é a posição particular do filósofo. FOUCAULT, M. Ditos e escritos. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2004. O fragmento evoca o seguinte princípio moral da filosofia socrática, presente em sua ação dialógica: a) Examinar a própria vida. b) Ironizar o seu oponente. c) Sofismar com a verdade. d) Debater visando a aporia. e) Desprezar a virtude alheia. 6. (Uem 2019) A partir da publicação de A história da loucura, Foucault mostrou que o capitalismo exige mecanismos disciplinares para que seja mantida a ordem no âmbito do governo: trata-se de normalizar os indivíduos para que sejam aptos ao trabalho. Com base no pensamento de Foucault, assinale o que for correto. 01) Na história do Ocidente a partir do mundo moderno viu- se a progressiva medicalização da loucura e da existência humana. 02) A temática da medicalização constitui um poder que funciona de modo eficaz. 04) O marxismo fornece a Foucault referenciais e conceitos teóricos consistentes sobre o mundo do capitalismo. 08) As relações de poder na sociedade ocidental são complexas por conter um elemento extrajurídico que pesa sobre os indivíduos. 16) A loucura como doença mental é algo relativamente novo no Ocidente. 7. (Enem 2019) Penso que não háum sujeito soberano, fundador, uma forma universal de sujeito que poderíamos encontrar em todos os lugares. Penso, pelo contrário, que o sujeito se constitui através das práticas de sujeição ou, de maneira mais autônoma, através de práticas de liberação, de liberdade, como na Antiguidade – a partir, obviamente, de um certo número de regras, de estilos, que podemos encontrar no meio cultural. FOUCAULT, M. Ditos e escritos V: ética, sexualidade, política. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2004. O texto aponta que a subjetivação se efetiva numa dimensão a) legal, pautada em preceitos jurídicos. b) racional, baseada em pressupostos lógicos. c) contingencial, processada em interações sociais. d) transcendental, efetivada em princípios religiosos. e) essencial, fundamentada em parâmetros substancialistas. Página 3 de 4 8. (Uem 2018) “Enfim, é preciso dizer que não se podem conceber essas relações de poder como uma espécie de dominação brutal com a forma: ‘Faça isso ou eu te mato!’. Não são situações extremas de poder. De fato, as relações de poder são relações de força, de enfrentamentos, então, sempre são reversíveis. Não há relações de poder que sejam completamente triunfantes e cuja dominação seja incontornável. Tem-se dito muito (os críticos me acusam disso) que, para mim, ao por o poder em toda parte, eu exclua toda possibilidade de resistência. Mas é o contrário!” (FOUCAULT, M. Poder e Saber. In: MARÇAL, J. Antologia de textos filosóficos. Curitiba: Seed, 2009, p. 240-241). A partir do texto citado, assinale o que for correto. 01) Como as relações de força são reversíveis, não há um polo dominador e um dominado. 02) Para o filósofo, a violência é constituinte das relações de poder. 04) Relações de poder não significam necessariamente que o dominado jamais poderia reverter sua relação de dominação. 08) Para Foucault, as relações de poder perpassam as interações humanas, à exceção das relações afetivas. 16) Relações de poder são relações de força, às vezes sutis, que podem se inverter conforme a resistência aplicada pelo dominado em face do dominador. Página 4 de 4 Gabarito: Resposta da questão 1: [A] A alternativa [A] é a única correta. O modelo do panóptico expressa preocupações legítimas do iluminismo que, atualmente, vinculam-se a uma lógica de vigilância contínua sobre os indivíduos. Resposta da questão 2: [E] O panóptico é um modelo de vigilância total dos corpos, servindo como disparador para que Foucault compreenda os dispositivos disciplinares da sociedade moderna. Resposta da questão 3: [E] No texto apresentado pela questão, Foucault indica que os micropoderes permeiam todas as esferas sociais, inclusive as condutas dos indivíduos. O corpo, então, se torna algo fabricado, controlado por coações que colocam nos corpos determinadas características. Os corpos, então, podem ser submetidos, transformados e aperfeiçoados, a partir do adestramento, que é uma forma de controle. A disciplina imposta aos soldados que Foucault cita é, portanto, uma forma de poder que corrige, controla, mede e hierarquiza os corpos dos soldados. O aluno deve identificar, assim, que os indivíduos, na perspectiva de Foucault, tornam-se objetos do poder disciplinar. Resposta da questão 4: O exercício do poder, para Foucault, passa pela organização da sociedade do controle, ou disciplinar. Esse poder disciplinar controla os corpos dos indivíduos através da disciplinarização e pressupõe, para isso, uma certa organização do espaço físico. A arquitetura dos espaços, portanto, reproduz a função disciplinar do poder: os espaços são recortados, hierarquizados, fechados e fiscalizados para exercer o controle dos indivíduos. Tal controle, na disposição desses espaços, passam pela organização e distribuição ordenada dos corpos que reforçam as técnicas de poder. As fábricas, escolas, hospital, prisões e quartéis são exemplos desses espaços disciplinares. Resposta da questão 5: [A] O cuidado de si está vinculado ao princípio da moral socrática de exame da própria vida, expresso na alternativa [A]. Resposta da questão 6: 01 + 02 + 08 + 16 = 27. A reflexão foucaultiana acerca da loucura incorpora aspectos da psiquiatria e da filosofia, partindo de uma compreensão das instituições que considera o poder no âmbito das microrrelações. Foucault identifica, então, os “dispositivos” de poder existentes nas sociedades capitalistas – que podem existir no âmbito extrajurídico, como as teorias clínicas que se colocam fora do discurso judiciário – e como eles servem para atender aos interesses de uma ordem disciplinar que normaliza os indivíduos, tornando-os úteis à lógica do capitalismo. É nesse sentido que Foucault analisa a medicalização da loucura na obra “A história da loucura”, analisando-a como um dispositivo de poder relativamente recente, construído no contexto da modernidade ocidental. Ao propor essa perspectiva, Foucault rompe com os conceitos de caráter universalistas do Marxismo. O aluno, portanto, deve identificar os itens [01], [02], [08] e [16] como corretas. Resposta da questão 7: [C] De acordo com Michel Foucault, o sujeito é resultado de processos e de relações de poder que variam ao longo da história e do contexto social, sendo, por isso, contingenciais, arbitrárias e transitórias. Resposta da questão 8: 04 + 16 = 20. Para Michel Foucault, as relações de poder permeiam todo o meio social, podendo existir de forma explícita ou implícita, de modo que o uso da força e/ou da violência não constituem uma condição necessária para o exercício do poder, uma vez que este pode ser exercido de maneira sutil. No entanto, essas relações não existiriam de modo absoluto, como apontado no trecho “não há relações de poder que sejam completamente triunfantes e cuja dominação seja incontornável”. Desse modo, os instrumentos que exercem dominação existem, mas podem deixar de serem dominantes, revelando a flexibilidade que a estruturação dessas relações possui. Dessa forma, há sempre a possibilidade de antagonismos que podem gerar resistência ao poder estabelecido e a reversão da relação dominante/dominado por parte do dominado. Partindo dessas considerações, o aluno deve identificar que apenas os itens [04] e [16] apresentam afirmações corretas.