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Estratégia Vestibulares – Aula 09 – HC I: Revoluções Francesa e Industrial
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AULA 09: HC I - Revoluções Francesa e Industrial
HC I: Revolução Francesa e Industrial
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Sumário
Introdução: A Europa em Transformação .................................................................. 3
1. A Revolução Industrial ................................................................................................ 8
1.1 – O pioneirismo inglês ............................................................................................... 13
1.2 – Impactos sociais da Revolução Industrial ............................................................... 15
2. A Revolução Francesa .............................................................................................. 20
2.1 – Uma Europa Absolutista antes da Dupla Revolução .............................................. 20
2.2 – Revolução Francesa ................................................................................................ 23
2.2.1 - As causas mais profundas da Revolução de 1789: o prelúdio ............................................................ 24
2.2.2 – As tentativas de solucionar as “causas” ................................................................................................. 28
2.2.3 – O desenrolar do conflito .......................................................................................................................... 31
2.2.4 – 1ª. Fase: Assembleia Nacional Constituinte: o que não avança retrocede ...................................... 32
2.2.5 – 2ª. Fase: a construção da República Francesa ...................................................................................... 42
2.2.6 - O Governo Republicano do Diretório: a liderança dos girondinos (1795-1799) ............................. 47
3. Lista de Questões ...................................................................................................... 49
4. Gabarito ....................................................................................................................... 80
5. Questões Comentadas ............................................................................................. 81
6. Considerações Finais .............................................................................................. 153
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Queridas e Queridos Alunos,
Sejam bem-vindos e bem-vindas a mais uma aula. É sempre um grande prazer compartilhar
com vocês nosso trabalho e participar dessa caminhada até sua aprovação. É bom saber que você
avançou mais uma aula! Isso é muito bom porque você está dominando cada dia mais nossa
disciplina!
Nesta aula continuaremos a estudar a formação do Mundo Capitalista. Na aula passada
falamos das primeiras experiências políticas, filosóficas e econômicas de crítica ao Mundo do
Antigo Regime. Assim, você já estudou o Movimento iluminista e a teoria liberal, as Revoluções
Liberais inglesas do século XVII e a Independência dos Estados Unidos da América. As Revolução
Industrial e Francesa completam e dão sentido às transformações estudadas até aqui. Elas marcam
o início do da chamada História Contemporânea. Por isso, nossa aula é dedicada a essa chamada
“dupla revolução”.
Esse é um assunto que não cai nas provas, não! DESPENCA mesmo!!! Então, por favor, seja
safo. Não durma. Anote tudo, faça seu controle de temporalidade e complete sua linda do tempo.
Não me canso de afirmar, para você toda questão de história é imperdível! Você precisa
estar preparado para TUDO! Não esquece: “o segrego do sucesso é a constância no objetivo”.
Vamos seguir juntos! Se você tiver dúvidas, utilize o Fórum de Dúvidas! Eu vou te responder bem
rapidinho. Ah, não tem pergunta boba, Ok? Vamos começar? Já sabe: pega seu café e sua
ampulheta. Bora!!
INTRODUÇÃO: A EUROPA EM TRANSFORMAÇÃO
Na aula passada vimos o início de um mundo em transformação. Nosso foco foram a
Inglaterra e o processo de mudança política nesse país. Ou seja, no século XVII, a burguesia
mercantil em aliança com a nobreza aburguesada (os proprietários das grandes terras cuja função
era criar ovelhas e produzir lã para a manufatura têxtil) conseguiu controlar o rei e criar condições
para a expansão da economia rumo à industrialização.
É verdade, como vimos, que isso foi um longo processo que incluiu a queda de alguns reis,
a cabeça de uns deles, 2 revoluções (a Puritana e a Gloriosa) e, por fim, a imposição de uma Petição
de Direitos do Parlamento sobre seu rei (o Bill of Rights). Assim, a Inglaterra tornou-se o epicentro
de uma transformação econômica e produtiva sem precedentes na história.
Os desdobramentos dessas experiências inglesas, e seus desdobramento teóricos no
Movimento Iluminista, detonaram modificações em outros lugares do mundo, como na América.
Com certeza, na Independência das 13 colônias que acabou por criar um novo e promissor país:
os Estados Unidos da América!
XVII XIX
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Na Europa, o exemplo da força social da burguesia, com seu modelo econômico e suas
ideias políticas, tornou-se elemento impulsionador de uma série de revoltas e revoluções na
segunda metade do século XVII e durante o século XIX.
Ao mesmo tempo, tal situação também demonstrou que havia uma crise do Antigo Regime.
Veja o que diz um dos principais historiadores sobre esse momento histórico, Eric Hobsbawn, no
livro A Era das Revoluções:
O fim do século XVIII, como vimos, foi uma época de crise para os velhos regimes da
Europa e seus sistemas econômicos, e suas últimas décadas foram cheias de agitações
políticas, às vezes, chegando ao ponto da revolta, e de movimentos coloniais em busca
de autonomia, às vezes atingindo o ponto de secessão: não só nos Estados Unidos
(1776-1783) mas também na Irlanda (1782-1784), na Bélgica e em Liège (1787-1790),
na Holanda (1783-1787), em Genebra e até mesmo – como já discutimos – na Inglaterra
(1779). A quantidade de agitações políticas é tão grande que alguns historiadores mais
recentes falaram de uma “era da revolução democrática”, em que a Revolução Francesa
foi apenas um exemplo, embora o mais dramático e de maior alcance e repercussão.1
(grifos nossos)
Assim, se o século XVII e o início do XVIII abrigou sementes de transformação, no século XIX essas
sementes irromperam em Revoluções que originaram uma novíssima sociedade nascida a partir
dos escombros do velho regime absolutista e mercantilista.
Presta atenção agora e articula comigo, a partir dos grifos da citação e do esquema a
seguir:
Leia mais um trecho de Hobsbawn:
Aqui precisamos simplesmente observar que as forças econômicas e sociais, as
ferramentas políticas e intelectuais desta transformação já estavam preparadas, pelo
menos em uma parte da Europa suficientemente grande para revolucionar o
resto.2(grifos nossos)
Quais são as forças econômicas e sociais e as ferramentas políticas e intelectuais que o
autor está se referindo? Vejamos no esquema a seguir:
1 HOBSBAWN, Eric. A Era das Revoluções. São Paulo: Editora Paz e Terra, 2003, pp.98-99.
2 HOBSBAWN, Eric. A Era das Revoluções. São Paulo: Editora Paz e Terra, 2003, p. 21.
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Essas forças sociais e econômicas, bem como as ferramentas políticas e intelectuais se
conjugaram de maneira explosiva na França de 1789 e produziram mudanças políticas muito mais
profundas do que aquelas desenvolvidas na Inglaterra 1 século antes. Foi a partir da Revolução
Francesa que o liberalismo se expandiu primeiro para a Europa e, depois, para o mundo (pelo
menos o Ocidental). Anote isso dentro do seu coração!!
Por isso, o historiador inglês afirma que a França foi o epicentro gêmeo da Inglaterra, na
sua perspectiva política, de tal forma que a Revolução Francesa e a Revolução Industrial
constituem uma “dupla revolução” – uma combinação de dois eventos indissociáveis. Nas palavras
de Hobsbawn:
Mas não seria exagerado considerarmos esta dupla revolução – a francesa, bem mais
política, e a industrial inglesa – não tanto como um fato que pertença a história dos dois
países que foram seus principais suportes e símbolos, mas sim como a cratera gêmea
de um vulcão regional bem maior. O fato de que as erupções simultâneas ocorreram
na França e na Inglaterra, e de que suas características difiram tão pouco, não é nem
acidental nem sem importância. [...] É igualmente relevante notar que elas são, neste
período, quase inconcebíveis sob qualquer outra forma que não a do triunfo do
capitalismo liberal burguês.3
Veja que o historiador afirma, conforme o grifo do trecho acima, que não foi mera
coincidência que as duas revoluções ocorressem quase simultaneamente e sob os mesmos
aspectos de forças econômicas e sociais e das mesmas ferramentas políticas e intelectuais. A força
da burguesia, o liberalismo, a industrialização... todos esses elementos estavam presentes nas
3 Idem, p. 20.
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duas revoluções, percebe? Contudo, uma com relevância maior no aspecto político (a França) e a
outra no aspecto econômico (a Inglaterra). Dessa forma, o mundo se transformou segundo um
modelo franco-britânico.
Agora, finaliza essa articulação reflexiva comigo:
O que permitiu que ambas as revoluções explodissem e se espalhassem feito fogo no
palheiro foi a crise do Antigo Regime. O antigo regime era, no século XVIII, um sistema político e
econômico que para continuar em pé precisava de “escoras”. Mas quais seriam os sustentáculos
desse “anciens régimes”?
Veremos ao longo da aula de hoje, que as velhas monarquias absolutistas precisaram se
escorar umas nas outras, fazendo alianças para tentar barrar os ventos da transformação que não
se contentavam com os limites territoriais da Inglaterra ou da França. Por isso, as principais
monarquias absolutistas (naquele contexto eram a Rússia, a Prússia e a Áustria) usaram a força de
sua tradição, seu velho status social, sua capacidade de mobilizar exércitos, e até mesmo a Igreja
Católica, para impor uma reação conservadora contra a pressão revolucionária.
Portanto, querido e querida, o contexto de gradual solapamento da velha sociedade do Antigo
Regime foi uma condição fundamental para que aquelas forças econômicas e sociais (burguesia)
detentoras das ferramentas políticas e intelectuais (liberalismo político e econômico) pudessem
convergir em consequências transformadoras a fim de criar e sustentar um novo mundo.
Assim, podemos dizer que o Século XIX constituiu um tempo de tensão, conflitos e disputas
entre dois mundos:
Mas eu vou fazer um spoiler aqui: adivinha quem vai ganhar esse jogo de “cabo de guerra”?
Novo Mundo:
Capitalista
(ascensão)
Velho Mundo:
Antigo Regime
(declínio)
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Portanto, queridas e queridos alunos, temos que ter em mente, SEMPRE, que cada evento
que estudarmos está em função dessa luta e da vitória do Novo Mundo Capitalista. Nesse sentido,
o historiador Hobsbawn, acompanhado por outros historiadores, estabeleceu uma divisão desse
período dando ênfase à consolidação política do novo mundo, sua expansão econômica e as
consequências militares desse longo processo. Veja como ficou a periodização e os principais
elementos que caracterizam cada um desses “blocos de tempo”:
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Pronto, agora que você já sabe que a dupla revolução forneceu o sentido geral das batalhas e
conflitos do século XIX, vamos estudar cada capítulo dessa série chamada “O longo Século XIX”.
1. A REVOLUÇÃO INDUSTRIAL
Entre meados do século XVIII e ao longo do XIX, configurou-se um cenário de
transformações das ideias – o Iluminismo! Nesse mesmo contexto, surgiu uma nova forma de
produzir riquezas: a industrialização, ou seja, produzir mercadorias por meio de máquinas. Por
isso, alguns historiadores falam em maquinofatura.
Essa Revolução foi fruto de um processo histórico formado por múltiplos fatores
combinados ao longo do tempo. Preste muita atenção, pois vamos estudá-los agora!
Para relembrarmos. Até então, na economia mercantilista, as mercadorias
comercializadas eram extraídas da natureza ou produzidas no campo. Por isso, os
primeiros economistas iluministas – conhecidos como fisiocratas - falavam que a
terra era o principal meio de riqueza. Nos séculos XV e XVI, houve esforço
gigantesco para se descobrir uma rota até as Índias para buscar especiarias. Nas
Américas se produziu açúcar, tabaco, couro, carne, extraíram-se as drogas do
sertão e, sobretudo, extraíram-se ouro, prata, diamantes. Além claro, do grande
comércio de viventes: seres humanos africanos. Perceba que, naquele contexto da Modernidade,
o comércio era o centro da atividade econômica. Por isso, a classe econômica que ganhou grande
importância nessa época, apesar da dominação da nobreza, foi a burguesia comercial, ou
mercadores - como eram mais conhecidos na naquela época.
Eric Hobsbawn escreveu
a principal análise sobre o que
chamou de Longo Século XIX –
que começaria com a Revolução
Francesa e termina com a 1ª.
Guerra Mundial. Ele publicou na
trilogia composta pelos livros:
A Era das Revoluções, a Era do
Capital e a Era dos Impérios. As
bancas de Vestibular AMAM
esse autor. Fiquem ligados!
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A manufatura usava parte desses produtos tropicais para produzir os produtos necessários
para o comércio em menor escala. Nesses séculos de mercantilismo, houve certa evolução técnica.
Anote aí:
➢ Produção artesanal: As mercadorias eram
produzidas nas oficinas por artesãos, mestres e
aprendizes. A escala dessa produção era
praticamente familiar e com alguns mestres e
aprendizes. O artesão conhecia e realizava
TODAS as etapas do processo de produção. Em
geral, o artesão era o DONO da oficina.
➢ Produção manufatureira: Diante da forma artesanal
de produção a forma usada para aumentar a produção
era aumentando o número de produtores, por isso,
surgiram as manufaturas. Para se ter mais tecido era
preciso ter mais tecelãs e tecelões.
Nessa etapa da evolução técnica da produção
as manufaturas constituíam “enormes oficinas”. Ainda
sem especialização do trabalho, mas já com algumas
divisões da atividade produtiva, pois os artesãos que
trabalhavam na manufatura conheciam todas as
etapas produtivas.
Contudo, esse processo não era muito
planejado. Além disso, o fato de os donos das oficinasperceberem que, conforme um trabalhador se
especializava ele trabalhava mais rápido, porque a
atividade ficava mais aprimorada e mais automática,
contribuiu para alterar o processo produtivo. A realidade produtiva estava prestes a saltar para a
grande escala.
Nas manufaturas, as ferramentas pertenciam a um único dono específico que, em geral,
fiscalizava e organizava o trabalho realizado pelos seus empregados. Além disso, algumas
ferramentas foram aprimoradas e deram alguma velocidade à produção. Um exemplo é o tear
manufaturado.
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Veja a imagem, observe a diferença com a ilustração dos teares da artesã. Mas note
também que ele ainda é de
madeira e operado manualmente.
A partir do final do século
XVII e início do XVIII, a Inglaterra
já apresentava uma manufatura
bastante dinâmica. Tanto é
verdade que, em 1703, ela se
impunha como a maior produtora
têxtil da Europa e, por isso, pôde
estabelecer, com Portugal, o
Tratado dos panos e vinhos –
Tratado de Methuen. Veja a
imagem de uma réplica de uma
grande manufatura têxtil
britânica.
Só para você não achar que a Inglaterra era a única que pensava em produzir mais e mais,
a França também tinha manufaturas importantes, mas o país não teve políticas econômicas que
incentivassem o desenvolvimento do sistema manufatureiro. Tampouco, havia na França
condições políticas para o crescimento da burguesia, diferentemente da Inglaterra.
Dessa forma, a burguesia inglesa buscava novas formas de aumentar a produção e, com as
pesquisas científicas nas áreas de física e química - iniciadas nessa conjuntura de transformações-
foi possível desenvolver a tecnologia de máquina à vapor.
Portanto, a partir da segunda metade do século XVIII, surgem as primeiras máquinas que
impulsionaram a passagem da produção manufaturada para a maquinofaturada – processo este
que caracterizou a Revolução Industrial.
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James Watt (1736-1819), engenheiro inglês, foi inventor da Máquina térmica usada inicialmente
para retirar água de dentro das minas de carvão. Depois seu mecanismo espalhou-se para diversos
setores, inclusive para a indústria têxtil e para a criação da locomotiva à vapor – que mudou
completamente o modo de vida da sociedade europeia.
Na prática, foi essa invenção que deu suporte tecnológico para todo o processo de Revolução
Industrial, pois substituiu a força do trabalho humano por trabalho mecânico gerada pela força do
vapor.
➢ Produção mecanizada ou
maquinofaturada: iniciada com os
avanços técnicos e com o
aperfeiçoamento do processo
produtivo. A produção é realizada
a partir da divisão e especialização
do trabalho, ou seja, cada
trabalhador realiza uma tarefa
específica. Aqui, as máquinas
substituíram várias ferramentas e,
algumas vezes, o próprio
trabalhador. Isso permitiu o desenvolvimento da produção em série e em
larga escala.
O artesão já não controlava a produção cujo tempo era ditado pelo ritmo da máquina e
definido pelo dono da máquina, ou seus gerentes/encarregados (chefes). Agora, o ex-artesão
A água
aquecida na
caldeira entra em
ebulição e o
vapor expande-se
provocando o
movimento do
pistão que,
acoplado à roda,
provoca o
movimento de
um eixo: essa é a
mágica da
substituição do
trabalho humano
pelo trabalho da
máquina.
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tornou-se um trabalhador que passou a trocar seu tempo de trabalho por um salário. Surge a
figura do trabalho assalariado. Esse processo de transformações e essa nova configuração
produtiva é chamada de Revolução Industrial.
Assim, a Revolução Industrial pode ser caracterizada como um longo processo de
transformações técnicas, ocorridas de modo genérico na Europa Ocidental, a
partir da segunda metade do século XVIII.
Além disso, memorize: o processo de industrialização da economia, isto, é, a
instalação da indústria, das máquinas e o emprego dos operários (trabalhadores
assalariados das indústrias) foi impulsionado pioneiramente pela Inglaterra.
Pega o bizu:
Bixo, atente-se: esse processo estendeu-se para outros setores e outros países, sempre estimulado
por novas descobertas, novas tecnologias, novas matérias-primas, novas fontes de energia e novas
formas de organizar a produção. Nesse sentido, os especialistas afirmam existir fases da revolução
industrial, o que algumas vezes aparece nos livros de história como fases da revolução industrial
ou revoluções industriais.
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1.1 – O PIONEIRISMO INGLÊS
O processo de mecanização da produção aconteceu primeiro na Inglaterra. Vamos buscar
explicações para a largada precoce inglesa na Revolução Industrial. Em frente, me acompanha!
O pioneirismo inglês na Revolução Industrial pode ser explicado por elementos políticos e
econômicos. Durante a fase mercantilista da economia foi possível acumular muito capital na
Inglaterra. Nesse processo de expansão econômica duas classes sociais se destacaram: a
burguesia mercantil e a nobreza aburguesada. Como se fosse uma engrenagem que se
retroalimenta, o fortalecimento da burguesia e do comércio representava o próprio fortalecimento
econômico da Inglaterra.
Elementos econômicos e políticos:
➢ Os cercamentos:
Os cercamentos foram um processo de concentração fundiária no qual a terra foi utilizada
com dois objetivos: produção de alimentos e criação de ovelhas. Foi um processo que começou
ainda no final da Idade Média, se estendeu por toda a Idade Moderna e se acentuou com a
Revolução Industrial, pois esta permitiu a mecanização de alguns processos produtivos. A lã das
ovelhas era utilizada para a produção de tecidos.
Desse processo de concentração fundiária decorreram alguns efeitos que contribuíram para
o pioneirismo inglês na industrialização da economia:
1. Produção de alimento em larga escala, que possibilitava o abastecimento das cidades; a
formação de feiras, comércio local e comida a preços mais acessíveis. Além disso, a
Inglaterra não precisava importar alimentos, como Portugal e Espanha, promovendo,
assim, balança comercial favorável.
2. Produção de matéria-prima em quantidade suficiente para formação de uma manufatura
têxtil.
3. Êxodo rural que mantinha um contingente de trabalhadores livres para serem utilizados
na produção têxtil. Durante a Revolução Industrial esse contingente foi fundamental para
abastecer demais ramos da indústria.
4. Formação de uma classe política conhecida como “nobreza aburguesada”. As terras
desse setor da nobreza estavam ligadas ao desenvolvimento da economia mercantil –
como a criação de ovelhas - e, portanto, aos interesses da burguesia mercantil
5. Esses dois grupos se aliaram politicamente em vários momentos contra a nobreza
tradicional (que, em geral, apoiava o poder absolutista do rei) para fazer valer políticas
de incentivo comercial. Uma das medidas foi a criação de leis protecionistas para
proteger a manufatura doméstica de lã das crescentes quantidades de tecidos
importados.
➢ Fortalecimento das atividades mercantis: acumulação primitiva de capital
Ao longo da época de desenvolvimento mercantilista, a Inglaterra promoveu uma política
de estímulo às atividades mercantis por meio do fortalecimento da marinha mercante. Desde o
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Governo da Dinastia dos Tudor, sobretudo no governo da rainha Elisabeth I, passando pelo
Governo do republicano Oliver Cromwell – com os Atos de Navegação, de 1651 – foi possível à
Inglaterra tornar-se a “senhora dos mares”.
Para isso, os britânicos conseguiram:
✓ Vencer a hegemonia de Felipe II, rei da Espanha.
✓ Enfrentar a Holanda e a França.
✓ Com a crise de Portugal e Espanha, no século XVII, ocuparam um espaço no comércio
transatlântico que não tinham.
Além disso, você deve lembrar do papel proeminente da Inglaterra em relação aos acordos
que ela estabeleceu com Portugal. Em 1703 foi o Tratado de Methuen, justamente quando se
descobriu ouro na América portuguesa. Ou seja, indiretamente o Brasil contribuiu para financiar o
fortalecimento econômico e político da burguesia e da nobreza aburguesada inglesa.
Dessa forma, diversos historiadores afirmam que esse processo de fortalecimento do
comércio inglês gerou um “acúmulo primitivo de capital”. Esses montantes enormes de lucros
privilegiaram a ação empreendedora, criativa e inventiva da burguesa, dos intelectuais, dos
cientistas que buscavam novas e mais eficientes formas de produzir riqueza.
Evidentemente, uma economia mercantil mais forte transformou a burguesia inglesa na classe mais
vanguardista na promoção de inovações.
➢ Condições estruturais favoráveis
✓ A Inglaterra tinha muitas
jazidas de carvão e ferro, o
que facilitava o uso de
fontes de energia e de
fonte de matéria-prima.
✓ 4As grandes levas de
trabalhadores rurais, que
saíram do campo e foram
para a cidade,
transformaram-se em
“exército industrial de
reserva” (anote essa
expressão porque ela
despenca nos textos de
época que caem no
4 Habitações operárias: evolução das imagens de representação - Scientific Figure on ResearchGate.
Available from: https://www.researchgate.net/figure/Figura-01-Bairros-pobres-de-Londres-Litogravura-
de-Gustave-Dore-de-1872-Fonte_fig1_320589970 [accessed 22 Apr, 2019]
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vestibular), ou seja, pessoas desempregadas disponíveis para serem empregadas
como trabalhadores assalariados nas fábricas.
1.2 – IMPACTOS SOCIAIS DA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL
A Revolução Industrial não foi só uma mudança na forma de produzir riqueza. Ela foi o
elemento impulsionador de uma revolução na forma como a sociedade se organizou e, assim,
causou impactos no campo produtivo, econômico, social, político e ideológico.
Por sua vez, os impactos relacionados ao campo político, econômico e ideológico vamos
destrinchá-los no contexto da Revolução Francesa. Quanto aos aspectos sociais das
transformações ocorridas a partir do processo de industrialização, vejamos agora.
A primeira grande transformação foi o cenário da vida social. A urbanização se
aprofundou rápida e desorganizadamente. Praticamente todos os “problemas da
cidade” que
discutimos na
contemporaneidade
têm raízes nesse
momento histórico. Por
isso, falamos da
formação de uma
sociedade urbano-
industrial – com seus
avanços e limites. As
indústrias foram
instaladas nos
arredores das cidades.
Isso gerou um afluxo
de uma grande massa
de trabalhadores, de
modo que a população
urbana cresceu demais:
Bairro operário de Londres, Gravura de Gustave Doré, 1850
Veja os números e a partir dele faça uma reflexão sobre a imagem que segue logo após o
gráfico:
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Em relação ao universo social,
houve mudança e progresso nos
setores de comunicação e
transporte. Isso foi fundamental
para ampliar a circulação e
distribuição de mercadoria, bem
como para ampliar a dimensão
social dos espaços de circulação das
pessoas. A locomotiva à vapor, as
estações de trem, as chegadas e
partidas alteraram profundamente o
modo de ser, sentir e viver das
pessoas. Essas novas sensações
ficaram retratadas nas obras de
pintores como Monet, na escola artística que conhecemos como impressionismo.
Como falamos, a Revolução Industrial é um sistema que criou relações sociais. A mais
estruturante delas foram as relações de trabalho estabelecidas entre proprietários e não-
proprietários. Na acepção clássica dos economistas do século XIX: a relação entre capital
e trabalho.
Como vimos, a maquinofatura se caracteriza pela divisão do trabalho a partir de atividades
especializadas. Dentro da fábrica, os trabalhadores são aqueles que trocam seu tempo de trabalho
por salário.
0 5.000.000 10.000.000 15.000.000 20.000.000 25.000.000 30.000.000
1750
1801
1851
Crescimento população urbana na Inglaterra
População urbanaEstação Saint-Lazare, 1877, óleo sobre tela Claude Monet, Museu d’Orsay, Paris.
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No entanto, o que os
inúmeros estudos no campo da
história, da economia, da
etnografia e até mesmo das artes
demonstram é que as condições
nas quais os trabalhadores
executavam suas atividades
eram aviltantes. A partir dessas
pesquisas
podemos
citar:
Horas longas e trabalho duro não eram novidade para aqueles que sempre viveram da força do
seu trabalho braçal: os pobres! Mas trabalhar na fábrica é diferente de trabalhar no campo. No
campo, o controle da jornada e do tempo é mais possível ao próprio trabalhador. Os períodos
eram mais folgados. No inverno, por exemplo, a falta de luz diminuía o número de horas em que
se trabalhava. Já aqueles que teciam em oficinas domésticas podiam até certo ponto estabelecer
seus próprios horários. Nos bairros operários é o apito que controla o horário de trabalhar e
descansar das pessoas. Esse momento, diga-se de passagem, era sempre o menor. Reflita sobre
esse tema, pois os Vestibulares amam perguntar sobre o “controle do tempo”: se o próprio
homem, se Deus ou se a fábrica!
Nessa conjuntura, as crises entre trabalhadores e proprietários se intensificaram e, com isso,
surgiram as organizações de trabalhadores. De um lado, os proprietários chamados de patrões
desejavam manter seus custos sempre os menores possíveis; de outro, os trabalhadores exigiam
melhores condições de trabalho e aumento de salários.
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5Essa
gravura fez parte de
um relatório do
Parlamento Inglês
sobre o trabalho
infantil nas minas de
carvão. Ela mostra
um trapper abrindo
uma porta
subterrânea para
um hurrier que
empurra um vagão cheio de carvão. Segundo o relatório, crianças dentre 5 e 10 anos, os trappers,
passavam doze horas por dia sentados sozinhos no escuro, abrindo e fechando portas. Os hurriers,
em geral meninas, empurravam os carrinhos com cerca de 400 quilos por até 6 quilômetros por
dia, entre o veio do carvão e o elevador da mina em túneis de 50 centímetros de altura.
Mas, Profe, não existia nenhuma lei que falasse sobre tempo de trabalho, de trabalho infantil ou
sobre o quanto se precisava ganhar para viver em Londres?
Apenas em 1842, em consequência do relatório e dos protestos dos operários, surgiu a Lei
das Minas, que proibiu o emprego de crianças de menos de 10 anos bem como de mulheres. Veja,
somente as crianças menores de 10. Com 10 já poderia trabalhar nessas condições.
Contudo, as teorias do liberalismo econômico tinhamuma interpretação sobre a atribuição
de valor ao trabalho: a mesma de qualquer mercadoria. Grosso modo, quando estudamos os
aspectos econômicos do liberalismo, aprendemos que a lei da oferta e da procura deve determinar
o valor das mercadorias. Por suposto, se o trabalho é entendido como mercadoria, então, o valor
a ser pago pelo trabalho é determinado pelo mercado, ou melhor, pela quantidade de mercadoria
existente no mercado. Por isso, nem Estado, nem sindicatos e nem os patrões poderiam regular
essa “lei natural” do mercado.
Evidentemente, com o número exagerado de pessoas vivendo nas cidades, por essa lógica
liberal, o salário poderia chegar a um fator quase nulo. Moralmente, a classe de proprietários se
via livre de qualquer julgamento cristão acerca das péssimas condições de vida a que seus
empregados, inclusive crianças, estavam submetidos. Contudo, a diferença da riqueza produzida
e dos salários recebidos, somada às péssimas condições de vida dos trabalhadores, gerava tensões
entre as duas classes sociais fundamentais da economia industrial: proprietários e não
proprietários.
5 Children in Mines. Disponível em: https://museum.wales/articles/2011-04-11/Children-in-Mines/.
Acessado em 22-04-2019.
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Diante dessa tensão, os operários iniciaram uma série de movimentos contra esse estado
de exploração. Foi assim que, em 1811 surgiu o movimento ludita. Era um movimento revoltoso,
espontaneístas e praticado por trabalhadores que quebravam as máquinas. Em geral, boicotavam
as caldeiras das máquinas gerando inundação em fábricas e minas de carvão. Muitas vezes, muitos
trabalhadores saiam ferido dessas ações.
Percebendo a necessidade de se organizar melhor, alguns operários começaram um
movimento político chamado Cartismo. O movimento cartista começou a exigir o direito ao voto
aos operários. Dessa forma, os trabalhadores poderiam ser eleitos para o parlamento inglês. Em
decorrência, teriam condições de exigir leis para melhorar as condições de vida da classe
trabalhadora. Essa foi uma longuíssima batalha até final do século XIX.
No meio do caminho, os operários aprimoraram a ideia de “rebelião” operária, pois
perceberam que ao destruir as máquinas, perdiam o mínimo que tinham. Ou seja, perceberam
que capital e trabalho compõem uma relação de dependência. Mas precisavam de um novo
instrumento para reclamar suas reivindicações. Como, na maioria das vezes, não eram recebidos
para o diálogo e a negociação, criaram a greve.
Greve é a situação na qual os trabalhadores param de trabalhar momentaneamente, ou seja,
paravam a produção das máquinas. Com isso, eles esperavam chamar a atenção dos patrões, uma
vez que máquina parada é prejuízo.
Para organizar
essas ações e as pautas
de reivindicações, os
trabalhadores criaram
sindicatos, chamados
na Inglaterra de trade
unions.
Nesse momento
da história, os
sindicatos foram uma
importante forma de
diálogo e de resistência
dos trabalhadores
contra o abuso e a exploração de um setor dos proprietários. Afinal, esses conflitos se estenderam
durante todo o século XIX.
Para finalizar quero chamar sua atenção para o fato de que as ações e instituições mudam
ao longo do tempo. Por isso, vocês devem olhar esses elementos no seu tempo histórico para,
assim, perceber o contexto do surgimento, a função que desempenhavam, a importância que
tiveram, as relações que estabeleceram, entre outros.
O quarto Estado. Giuseppe Pellizza da Volpedo. Óleo sobre tela, 1901. Museu do Novecento,
Milão, Itália.
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Jamais, jamais mesmo cometam o erro de serem anacrônicos: ou seja, olhar para o tempo
histórico passado com os significados atuais.
2. A REVOLUÇÃO FRANCESA
2.1 – UMA EUROPA ABSOLUTISTA ANTES DA DUPLA REVOLUÇÃO
Veja, a Revolução Francesa tem uma importância enorme para as transformações tratadas
aqui. Lembra do trecho que lemos acima, do historiador inglês?
“A quantidade de agitações políticas é tão grande que alguns historiadores mais
recentes falaram de uma “era da revolução democrática”, em que a Revolução Francesa
foi apenas um exemplo, embora o mais dramático e de maior alcance e repercussão.
(grifos nossos)
Assim, para falar da repercussão dessa experiência histórica e entender as consequências
que ela provocou, é necessário que você recorde da forma como a Europa estava organizada.
Politicamente você já sabe e até desenha, né:
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Agora, quero que você perceba como as monarquias absolutistas estavam organizadas
territorialmente. Observe bem o mapa com atenção para 3 reinos: Rússia, Prússia e Áustria.
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Esses três reinos (ou impérios) constituíram as 3 principais Monarquias Absolutistas da
Europa, além da França – esta, com certeza, a Monarquia Absoluta que servia de modelo para
outras. Cada uma teve um processo de formação distinto, no entanto, conforme nos ensina Perry
Anderson, todas elas se constituíram instituindo formal e juridicamente relações de servidão
maciça no campo e constituindo exércitos permanentes. Nesse sentido, o grau de violência dessas
monarquias contra a população campesina é maior do que aquela vivida na Europa Ocidental. Nas
palavras de Anderson,
O Estado absolutista no Leste foi, em contraste, a máquina repressiva de uma classe
feudal que acabara de extinguir as tradicionais liberdades comunais dos pobres. Foi um
instrumento para a consolidação da servidão, em um cenário onde não existe vida
urbana autônoma, muito menos resistência. [...] A dose de violência injetada nas
relações sociais foi proporcionalmente muito maior. E o Estado Absolutista no Oriente
nunca perdeu as marcas dessa experiência originária. (p. 213)
6 Adaptação de ARRUDA, José Jobson de A. Atlas Histórico Básico, 2008, p. 25.
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Essas duas características gerais estão relacionadas com as guerras que ocorreram no Leste
Europeu durante todo o século XVII como as de caráter religioso e, sobretudo, a Guerra dos Trinta
Anos corrida entre 1616 e 1648.
Outra experiência de tensões militares foram as inúmeras invasões que a Suécia promoveu
no leste Europeu nesse mesmo período, especialmente sobre a região que hoje conhecemos
como Alemanha. Essa região era um labirinto de pequenos Estados muito fragmentados e frágeis.
Segundo Perry Anderson,
A Suécia – o mais novo e surpreendente de todos os absolutismos ocidentais, um país
jovem de população escassa e economia rudimentar – se revelou o flagelo do Leste.
Seu impacto sobre a Prússia, Polônia e Rússia nos noventa anos que se passaram entre
1630 e 1720 ... é o maior ciclo de expansão militar do absolutismo europeu. (p. 217)
Tal conjuntura dizimou parte importante da população do campo. Em terras muito extensas
e com baixa densidade demográfica, como as da Rússia, Polônia e até alguns estados alemães,
manter os camponeses presos à terra era uma questão fundamental para garantir mão de obra e
a continuidade da produção de alimentos. Quanto aos exércitos, fora uma consequência do
constante belicismo da região devido às disputaspor uma saída para o Mar Báltico ou ao Sul, nos
Balcãs.
Mas Profe, por que você está ressaltando isso agora?
Porque quero que você pense nessas relações entre classes sociais distintas no
contexto da expansão do pensamento liberal!!!
Quero que você imagine como vai ficar essa massa campesina, em situação de
servidão secular, quando os ventos liberais atingirem a Europa Ocidental. O que será
que o campesino e os pequenos produtores hão de pensar e fazer?
Também quero que você pense na relação entre as monarquias. Vai refletindo aí e
formando uma imagem na sua cabeça ao longo dessa aula, pode ser?
Além disso, essas Monarquias tiveram como papel histórico garantir o poder e a
legitimidade do poder absolutista.
Diante desses desafios para entendermos bem o contexto no qual explode a Revolução
Francesa, não se esqueça dessas Monarquias Absolutistas da Europa Oriental, pois foram elas que
se levantaram contra a maior e mais profunda experiência liberal: A Revolução Francesa de 1789!
Se liga!!!
2.2 – REVOLUÇÃO FRANCESA
A Revolução Francesa, enquanto primeiro momento mais contundente da queda do
absolutismo francês, teve início em 1789. Porém, enquanto um processo histórico, a queda do
absolutismo francês – em definitivo – ocorrerá apenas em 1830. Até o round final, inúmeros atos
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precedentes ora colocaram os revolucionários à frente, ora a tentativa de restauração da
Monarquia esteve em vantagem.
Nessa seção da aula, veremos o período que a historiografia convencionou alocar a
Revolução Francesa que vai de 1789 até 1799, quando Napoleão chega ao poder. Para ficar mais
fácil de entender essa década inteira, costumamos dividi-la em 3 fases:
Para iniciar, então,
esse importante
conhecimento que todo
ano cai nos vestibulares,
comecemos pelas causas
estruturais, isto é: quais
eram as condições
objetivas da vida social,
econômica e política da
França no momento pré-
Revolução?
2.2.1 - As causas mais profundas da Revolução de 1789: o prelúdio
Primeiramente, temos que resgatar os novos valores culturais e ideológicos que rondavam
toda a Europa. As ideias Iluministas foram ingredientes importantes para o processo
revolucionário. Então, apenas para reforço, lembre-se de que o Iluminismo questionava:
✓ As explicações religiosas para a existência do mundo e dos fenômenos da vida, pois o ideal
revolucionário priorizava as experiências científicas;
✓ O funcionamento do Estado, o qual impunha uma ordem social e econômica desigual,
marcada por privilégios à realeza e à nobreza.
A própria independência dos EUA contra a monarquia inglesa foi mais um sopro para
impulsionar os ventos da Revolução Francesa. Como a França apoiou os colonos contra a
metrópole inglesa, muitos líderes norte-americanos passaram a frequentar a França. Benjamin
Franklin, por exemplo, um dos pensadores políticos norte-americano de maior influência, foi
embaixador dos EUA na França. Literalmente, os ideais da independência americana estiveram
em solo francês.
Além da efervescência no plano das ideias, outros elementos mais profundos, das raízes da
sociedade, estavam na iminência de provocar transformações. Assim, como se fossem placas
tectônicas em rota de coalizão, as causas socioeconômicas estavam no ponto de gerar uma grande
crise revolucionária.
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2.2.1.1 – Questões econômicas
Do ponto de vista ECONÔMICO, a economia francesa estava fragilizada em razão da
política externa adotada e dos altos gastos da Monarquia para sustentar a corte. Externamente, a
França contraiu dívidas volumosas ao sair derrotada na Guerra dos Sete Anos (1756-1763) e ao
apoiar a independência das 13 Colônias Americanas (1775-1783). O envolvimento dos franceses
na guerra custou cerca de 2 milhões de libras esterlinas, quantia equivalente a alimentação de 7
milhões de franceses durante um ano. Uau!!
A Guerra dos Sete Anos foi um conflito entre França, a Monarquia de Habsburgo e seus
aliados (Saxônia, Império Russo, Império Sueco e Espanha), de um lado, e a Inglaterra, Portugal,
o Reino da Prússia e Reino de Hanôver, de outro. A guerra foi motivada por disputas de territórios
em diversas colônias (como nas terras do que hoje conhecemos como Canadá) e na própria
Europa, bem como pela crescente influência de Frederico II, rei da Prússia.
Além disso, em 1786, França e Inglaterra assinaram o Tratado de Eden-Rayneval o qual
concedia aos britânicos vantagens no comércio de tecidos em território francês. Isso porque a
França recorreu aos bancos britânicos para adquirir empréstimos. A contra partida dos britânicos
foi que os franceses retirassem impostos sobre os produtos britânicos.
Nesse sentido, o comércio interno francês e a confecção de manufaturas foram abalados.
Em particular, burgueses franceses que viviam da indústria do tecido passaram a fechar as portas.
Assim, a entrada dos produtos britânicos – com isenção de impostos – provocou falência de
dezenas de burgueses e uma massa desempregada nas ruas.
Já os gastos com a corte, além dos privilégios que eram mantidos e das obras luxuosas,
que vinham sendo realizadas desde Luís XIV, também incluía a manutenção do corpo de
burocratas em cargos e postos. Estes cargos e postos eram conhecidos como “ofícios venais” e
eram vendidos a particulares. Para pagar o salário desses cargos e mantê-los, afinal, eram cargos
hereditários, o Estado francês necessitava de muita arrecadação.
Repare que os “ofícios venais” podiam ser comprados por quem tivesse dinheiro, isto é,
em geral, comerciantes. Dessa forma, a burguesia comercial – pelo menos parte dela –
transformava-se em nobreza. Outra parte da burguesia que ascendia à condição de nobre era
aquela que comprava títulos de nobreza, os, assim conhecidos, “togados” (pois usavam togas).
Conforme mais indivíduos e famílias entravam na nobreza próxima à corte, maior o gasto. Duas
consequências imediatas: esses novos nobres também deixavam de pagar impostos (queda ainda
maior de receitas); e, um atrito crescente entre a nobreza “puro sangue” e os “emergentes”.
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https://pt.wikipedia.org/wiki/Fran%C3%A7a
https://pt.wikipedia.org/wiki/Monarquia_de_Habsburgo
https://pt.wikipedia.org/wiki/Sax%C3%B4nia
https://pt.wikipedia.org/wiki/Imp%C3%A9rio_Russo
https://pt.wikipedia.org/wiki/Imp%C3%A9rio_Sueco
https://pt.wikipedia.org/wiki/Espanha
https://pt.wikipedia.org/wiki/Gr%C3%A3-Bretanha
https://pt.wikipedia.org/wiki/Portugal
https://pt.wikipedia.org/wiki/Reino_da_Pr%C3%BAssia
https://pt.wikipedia.org/wiki/Reino_de_Han%C3%B4ver
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A relação da alta nobreza com o rei era a
seguinte: quanto mais próximo do rei, maior a
isenção de impostos. Nesse sentido, não pagar
impostos era um sinal de status, de modo que os
nobres faziam questão de tornar público o quanto
deixavam de pagar em impostos.
Com isso, exibiam um certo
reconhecimento social, de modo que a disputa
por privilégios na corte gerava inúmeras desconfianças e traições entre os nobres. Imagine a
quantidade de fofocas na Corte???
Como a maior ou menor proximidade do núcleo duro da Corte – da família real –
determinava o quanto de impostos os nobres deixavam de pagar, havia uma disputa de foice, ou
melhor, de lenços de seda, entre a própria nobreza. Essa disputa se tornou mais profunda com a
ampliação dos “ofícios venais” e dos togados. Era como se fosse uma competição por privilégios.
Este quadro iria se agravar a pontode a disputa de interesses influenciar os rumos do
poder, leia-se da Monarquia Absolutista. A nobreza tradicional – oriunda do feudalismo –
começava a fazer uma oposição ao rei, pois não aceitava o “inchaço” da corte por indivíduos e
famílias que ascendiam por meio de compra de títulos ou cargos.
Essa tensão entre Monarquia e parte da aristocracia mais nobre começou no final do
governo de Luís XIV, o qual, diante da necessidade de receitas, revogou algumas isenções de
nobres mais distantes da corte. Com Luís XV e Luís XVI essa prática prosseguiu e se ampliou, fato
que levou à constituição de uma oposição aberta formada por “nobres sobretaxados”. Sob Luís
XVI, essa tensão entre nobres que não queriam perder privilégios e a Corte passou a ser
denominada como reação feudal ou
aristocrática.
Com uma crise financeira em franca
ampliação, o Monarquia francesa de Luís XVI
passou a cobrar mais impostos sobre os
camponeses e sobre os trabalhadores
urbanos, conhecidos como “sans-culottes”. A
expressão vem do fato de a população mais
pobre não usar culotes, um tipo de meia de
seda vestida por cima da calça. Uma meia de
seda – portanto, um produto caro – que
somente os nobres usavam. Veja o contraste
social das vestimentas:
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O baixo clero, a pequena
nobreza e a burguesia também
sofriam com a alta carga de
impostos. No geral, a
insatisfação do chamado 3º
estado só crescia.
Para piorar, entre 1787 e
1789, as condições climáticas
resultaram em péssimas colheitas e, consequentemente, uma crise de abastecimento alimentar
atingiu a população. Como a administração monárquica não fazia planejamentos de médio e longo
prazo para o conjunto da sociedade, a estiagem virou uma calamidade pública. Os alimentos foram
inflacionados e a fome (fome mesmo, com milhares de mortes) tomou conta da população. Essa
situação agravou a condição do camponês.
No campo, onde se concentrava a maioria da população, os camponeses já sofriam com a
carga de impostos, os quais perpetuavam desde o período feudal. Com a crise da “Grande Fome”,
o caldo entornou e o estopim da Revolução estava aceso.
2.2.1.2 – Questões sociais e políticas
Do ponto de vista SOCIAL, nesse contexto de desigualdade social e de concentração de
renda, muitos focos de revolta popular passaram a ocorrer em solo francês. Todas as insatisfações
eram duramente reprimidas pela força militar da realeza.
Então, querido e querida aluna, pensem em uma população de cerca de 25 milhões de
franceses (estimativa de meados do século XVIII), sendo que 500 mil pertenciam ao 1º e 2º estados
e o restante, 24,5 milhões, ao 3º estado. Aonde levaria a insatisfação popular? Se existisse
pesquisa Ibope como temos hoje, o governo monárquico atingiria 99% de ruim ou péssimo,
provavelmente.
Distante de Paris e dos principais centros urbanos, afinal, o luxuoso Palácio de Versalhes se
localiza a 30 km de Paris, Luís XVI passou a viver uma crise de legitimidade. A monarquia começava
a ser abertamente questionada em todos os 3 estados.
Dessa forma, a crise econômica e social começava a se transformar em uma crise política:
1 – os nobres preteridos não queriam pagar impostos. Por isso, reivindicavam a volta dos
privilégios feudais e a diminuição da nobreza emergente → crescente reação da aristocracia contra
a monarquia;
2 – o povo não enxergava a monarquia como capaz de solucionar a miséria, bem como enxergava
no parasitismo da nobreza as causas da desigualdade social. Reivindicava, principalmente os sans-
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culottes, o fim dos privilégios feudais e a igualdade social. Da mesma forma, os camponeses
também exigiam o fim dos privilégios feudais e liberdade do trabalho. Afinal, as práticas feudais,
embora sob outras formas e com adaptações, ainda permaneciam no campo.
3 - a burguesia cobrava uma solução para que a crise econômica fosse devidamente encaminhada
e seus negócios voltassem a prosperar. Parte dessa solução significava igualar, juridicamente,
todos os homens, de modo que os privilégios fossem extintos. Nesse sentido, o projeto burguês
se espelhava na Monarquia constitucional inglesa. Os burgueses reivindicavam, também, que o
alto clero e a alta nobreza pagassem impostos. Por essas razões é possível afirmar que a burguesia
francesa, inspirada nos ideais iluministas, defendia a igualdade jurídica civil. Atenção, igualdade
civil (todos são iguais perante a lei) é diferente de igualdade social (condições similares de vida
material).
Veja, então, que, do ponto de vista dos INTERESSES DE CLASSE SOCIAL, havia uma
convergência contra a Monarquia Absolutista e a nobreza.
Os membros do 3º estado marchavam no mesmo sentido da crítica. Dessa forma, alianças
mais profundas estavam em construção: o 3º estado (sans-culottes e camponeses), bem como a
burguesia, identificavam os privilégios como um grande problema.
Em meio à tensão crescente, uma série de “boatarias” se espalhava pela França em torno
do rei e de rainha Maria Antonieta. Na época espalharam uma “fake-news” que colou e até hoje
falam no senso-comum da história. Espalharam que a Rainha Maria Antonieta, quando se referiu
à fome e aos pobres teria dito: “se não têm pão, que comam
brioches”. Essa frase, de fato, não é dela.
Na verdade, o problema era que a rainha era austríaca e
pertencia à família dos Habsburgo. A frase inventada queria
exemplificar como ela era completamente desconectada da vida
de seus súditos. Como se não bastasse todo tipo de chacota
sobre Maria Antonieta, ela também foi popularmente culpada
pelos gastos luxuosos da corte e pelo endividamento do Estado
absolutista. Também, né, seus vestidos eram um pouquinho
exagerados!!!
2.2.2 – As tentativas de solucionar as “causas”
Como vimos, a essência dos problemas socioeconômicos do Estado absolutista francês
residia em gastar mais do que arrecadava. Dessa forma, uma série de medidas passou a ser
adotada por Luís XVI e seus ministros a fim de estancar a crise. Vamos ver algumas delas:
1787 – o Ministro Visconde de Calonne (1734 – 1802), responsável pelas finanças, convocou
a Assembleia dos Notáveis. Nesta apenas representantes do alto clero e da nobreza participaram.
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O Ministro propôs uma reforma que previa a supressão dos privilégios e o pagamento de impostos
por parte do 1º e do 2º estados.
A revolta aristocrática foi enorme e a reação dos nobres a esse projeto resultou na demissão
do Ministro de Visconde de Calonne. Viu só? Essa posição dos nobres e do clero ficou conhecido
como reação aristocrática.: nada de imposto para cima da gente, Magestade!!!
1789 – Durante 2 anos, entre 1787 e 1789, os Ministros de Luís XVI não conseguiram
apresentar soluções satisfatórias para os problemas da França.
Jacques Necker (1732-1804) foi nomeado, em 1788, Diretor Geral das Finanças e, logo em
seguida, foi nomeado Ministro de Estado. Para ganhar tempo e tentar buscar uma solução fiscal
que conquistasse legitimidade entre todos os 3 estados, Necker propôs a Luís XVI reabrir a
Assembleia dos Estados Gerais, fechada em 1614 por Maria de Medici e pelo Cardeal Richelieu.
(Lembre-se de que esse fechamento da Assembleia dos Estados Gerais foi um dos motivos do
fortalecimento da Monarquia absolutista na França).
A Assembleia dos Estados Gerais funcionava como se fosse um Parlamento em que os 3
estados tinham representação e decidiam sobre atosa serem executados pela Monarquia. Por
isso, a proposta soou interessante aos ouvidos do rei. Até a convocação e instalação dos Estados
Gerais seria preciso uma eleição de deputados nas províncias. O envolvimento de representes dos
3 estados na saída para a crise econômica, além de acalmar os ânimos, conferiria legitimidade à
saída escolhida por todos os 3 estados.
Porém, quando foi reaberta, em 5 de maio de 1789, houve um debate sobre a
representação do 3º estado. A polêmica foi em torno do tipo de voto:
Cada representante teria
direito a um voto: "uma cabeça,
um voto", independentemente
do estado (1o , 2o ou 3o).
Essa proposta era defendida
pela burguesia, pois sabia que
só dessa forma teria mais força.
Voto
por
cabeça Isto é, só existiriam 3 votos, sendo que o 1o estado decidiria
se era X ou Y, os 2o e 3o
também. Assim, um resultado
possível seria 2 votos em X e 1
voto em Y.
A burguesia era contra essa
proposta porque sabia que 1o e
2o estado fechariam saídas
comuns. Por exemplo, se fosse
para deicider se nobreza e
clero passariam a pagar
impostos, certamente a
proposta seria derrotada.
Voto
por
estado
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A burguesia queria o voto por cabeça,
computado por deputado, para poder fazer frente à
força do 1º e do 2º estados, pois, em votações como
“fim dos privilégios”, caso fosse mantida a forma de
votação “voto por estado” o resultado seria 2 a 1 para
a nobreza e o clero. Ou seja, não se findariam os
privilégios. Tampouco as reivindicações mais
estruturais do 3º estado prosperariam no formato de
votação por estado.
Veja em números a proporção da composição
dos deputados na Assembleia dos Estados Gerais:
Diante do impasse, entre junho e julho de 1789, o 3º estado se revolta. O rei responde com
o fechamento da Assembleia dos Estados Gerais. Após essa medida arbitrária, o 3º estado não
reconhece a decisão do rei e constitui um tipo de organização política paralela.
Para tanto, os membros que representavam o 3º estado ocuparam a Sala de Jogos da Péla
e mandaram o recado ao Rei: só sairiam de lá quando fosse instituída uma Assembleia Constituinte
para elaborar uma Constituição para a França.
Para mostrar união e força fizeram um juramento
conhecido com Jeu de Paume. Jeu de Paume era
justamente um jogo praticado em um dos salões do
Palácio de Versalhes onde eles ficaram reunidos. Juraram
fidelidade em torno da união dos interesses do povo!
A proposta Necker de convocar a Assembleia dos
Estados gerais, no final das contas, foi uma espécie de
“tiro pela culatra”. Ele não conhecia a medida da força
da revolta do 3º. Estado.
Ilustração sobre o Jogo da
Péla ou Jau de Paume.
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Com efeito, esse ato dos representantes do 3º estado, por um lado, foi uma ação de
deslegitimação do poder do rei e da Monarquia absolutista, e, por outro, a legitimação da
soberania popular, pois o pacto Jeu de Paume estabeleceu que ninguém contrariaria os interesses
do “povo”. Hummmm, isso tem um cheiro das ideias de Rousseau e Locke, não tem?
A afronta à Monarquia foi maior ainda, pois, nesse juramento, o 3º estado se declarou como
a nova Guarda Nacional da França, uma guarda popular para defender o povo francês das
arbitrariedades da Monarquia e de qualquer ameaça à soberania popular.
A partir da movimentação política dos deputados do 3º estado, à revelia de Luís XVI e sua
corte, foi formada uma Assembleia Nacional Constituinte com o objetivo de impor limites à
Monarquia e aos poderes do rei, bem como de elaborar uma Constituição para a França.
É claro que a Corte, 1º e 2º estados não reconheceram essa nova organização política, pois,
na prática, tratava-se de um poder paralelo.
Repare que esse tipo de tensão entre Poder Absoluto e Poder Parlamentar, que colocava
em xeque a soberania do rei, nós já vimos na história da Inglaterra. Mas será que aqui na França a
história se desenvolveu da mesma forma?
Lembra-se de como a Revolução Gloriosa, a qual definiu o novo rearranjo institucional entre
Monarquia e Parlamento, foi pacífica? E na França, também foi relax?
2.2.3 – O desenrolar do conflito
Esse conflito político em torno do fechamento dos Estados Gerais e da formação de uma
Assembleia Constituinte do povo tomou as ruas das cidades. A disputa entre esses poderes fez a
crise revolucionária entrar em erupção.
Esse cenário, somado ao que vimos acima enquanto “causas” estruturais da Revolução,
provocou uma onda de oposição ao rei, à nobreza e ao clero. As ruas foram tomadas pelo povo!
Paris estava em convulsão!!
Imagem de Jacques Necker. Antes de entrar para a
política, ele foi sócio do banco Banco Thélusson e Vernet e
possuía negócios na Companhia das Índias.
Xiii Majestade,
deu ruim!!! Eu disse
que não entendia nada
de política...só
economia!
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AULA 09: HC I - Revoluções Francesa e Industrial
Entre 12 e 14 de julho de 1789, Paris foi palco de protestos populares, reuniões dos
representantes do 3º estado, articulações para derrubar a Monarquia, enfim, um verdadeiro
levante. O povo assumiu controle de um arsenal do exército real e, em seguida, no dia 14 de julho,
como início simbólico da Revolução Francesa, tomou a prisão política conhecida como Bastilha.
7 A Bastilha, além de conter
mais um arsenal militar, era símbolo
das arbitrariedades e do poder
absolutista em Paris. À porta da
Bastilha, o prefeito de Paris tentou
negociar com a população, porém,
foi morto e decapitado ali mesmo.
A imagem da cabeça do
prefeito de Paris em uma lança
passou a ser a mensagem a todos que
se opusessem ao movimento
revolucionário.
A partir desse evento, a
violência física passou a ser questão
central no desenrolar da Revolução Francesa, seja porque os debates, em muitas ocasiões foram
substituídos por atos de violência, seja porque as tentativas de restauração do Poder Monárquico
tiveram que ser combatidas com resposta militar. Afinal, o exército formado pela Assembleia
Constituinte tinha como objetivo defender o povo e, naquele momento, o povo era a Revolução.
Logo, era preciso defender a Revolução.
2.2.4 – 1ª. Fase: Assembleia Nacional Constituinte: o que não avança retrocede
Agosto de 1789. A Assembleia Constituinte aprova o fim dos privilégios para o clero e para
a nobreza e decretou a igualdade entre todos os franceses. Contudo, todos os franceses do
gênero masculino. No calor dos acontecimentos, o sentimento de vingança contra a opressão
secular sofrida pelos trabalhadores (urbanos e camponeses), levou à Noite do Grande Medo. A
população passou a entrar na propriedade dos nobres e da aristocracia senhorial no campo: um
recado de que os privilégios haviam acabado. Castelos e Mansões foram destruídos. Nobres foram
sumariamente executados.
Outro exemplo marcante dessa fase inicial da Revolução, e muito interessante, pois estava
relacionado com a fome, foi a caça aos coelhos. Até então, caçar coelhos era um privilégio dos
nobres, pois somente a eles era permitida a caça. Com o fim dos privilégios, a população
camponesa passou a caçar coelhos para se alimentar.
7
https://www.metmuseum.org/art/collection/search/384288?&searchField=All&ft=bastille&offset=0&rpp
=20&pos=2
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Assim, nessa fase inicial da Revolução Francesa,o ideal instalado foi a fórmula da soberania
popular em que o povo podia tudo. Com efeito, quem estivesse contra o sentido da Revolução e
quisesse manter privilégios pagaria com a vida.
Repare na diferença entre os dois tipos de bandeira: de um lado, a representação da
Monarquia; do outro, a famosa bandeira tricolor que representava liberdade, igualdade e
fraternidade.
Em seguida, em 26 de agosto de 1789, os revolucionários aprovaram por aclamação a
Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, inspirada em ideias iluministas e na Declaração
de Independência dos Estados Unidos. O eixo da Declaração acabava com os privilégios
tradicionais do Antigo Regime (dos títulos da nobreza) e trazia princípios de igualdade (direito de
todos à vida; direito de todos a terem sua propriedade).
Contudo, esse primeiro documento oficial da Revolução não previu transformações em
direitos econômicos (igualdade social), tampouco igualdade de gênero. Dessa forma, as mulheres
continuavam sem direitos e a relação estrutural entre ricos e pobres não foi alterada. Socialmente,
apenas a abolição da escravidão na França foi abolida.
Além das ideias de liberdade e igualdade presentes na Declaração dos Direitos do Homem
e do Cidadão, a noção de fraternidade ali presente conferia, pela primeira vez, uma identidade
nacionalista popular. Isso porque a fraternidade seria a relação de laços iguais e de solidariedade
entre um povo formado por cidadãos iguais: o povo francês.
Os fundamentos político-filosóficos da Declaração
dos Direitos do Homem e do Cidadão são:
• Liberalismo político
• Liberalismo econômico
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(FUVEST 2005)
A "Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão", votada pela Assembleia Nacional
Constituinte francesa, em 26 de agosto de 1789, visava
a) romper com a Declaração de Independência dos Estados Unidos, por esta não ter
negado a escravidão.
b) recuperar os ideais cristãos de liberdade e igualdade, surgidos na época medieval e
esquecidos na moderna.
c) estimular todos os povos a se revoltarem contra seus governos, para acabar com a
desigualdade social.
d) assinalar os princípios que, inspirados no Iluminismo, iriam fundar a nova constituição
francesa.
e) pôr em prática o princípio: a todos, segundo suas necessidades, a cada um, de acordo
com sua capacidade.
Comentário
A Declaração é inspirada no iluminismo e na Declaração da Independência dos EUA, assim,
visa proteger os direitos civis e políticos dos cidadãos.
Gabarito: D
(UNIFESP)
No preâmbulo da Constituição francesa de 1791 lê-se: "Não há mais nobreza, nem
distinções hereditárias, nem distinções de Ordens, nem regime feudal... Não há mais nem
venalidade, nem hereditariedade de qualquer ofício público; não há mais para qualquer
porção da Nação, nem para qualquer indivíduo qualquer privilégio nem exceção..." Do
texto depreende-se que, na França do Antigo Regime, as pessoas careciam de
a) igualdade jurídica.
b) direitos de herança.
c) liberdade de movimento.
d) privilégios coletivos.
e) garantias de propriedade.
Comentário
Veja que o preâmbulo menciona características que existiam antes e que, em tese, não
existiriam mais. Todas as referências dizem respeito às distinções entre as pessoas. Distinções
essas baseadas em privilégios, nascimento e legitimação divina. Portanto, antes da revolução
francesa, as pessoas não tinham igualdade jurídica.
Gabarito: A
No final de 1789, a Assembleia Nacional, que era o governo de fato naquele momento,
passou a debater como o poder seria organizado e qual seria o conteúdo do documento que se
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transformaria na Constituição da França. Na prática, discutia-se o desenho do arranjo institucional
do Estado francês. Por exemplo, qual seria a forma e o sistema de governo nesta na nova França
que surgia, Monarquia? República?
Uma parcela dos representantes – muito provavelmente em função da força da tradição
monárquica e dos acontecimentos na Inglaterra – defendia a participação da Monarquia e dos
nobres, tal como o modelo inglês.
Diante das posições diversas que começavam a se formar, os membros da Assembleia
dividiram-se entre democratas (peso igual de voto para todo mundo) e monarquistas (concessões
políticas à Monarquia e aos nobres).
Dessa forma, os representantes favoráveis à Monarquia passaram a se sentar à DIREITA da
sala de reuniões (do plenário); os representantes democratas passaram a se sentar à ESQUERDA
do plenário. E, pasme, é daqui que surgiu a noção de esquerda e direita utilizada na política
moderna. E você pensava que isso era coisa de grupo de Whats!!!! É evidente que essas
nomenclaturas ganharam diversos significados ao longo da história. Mas tudo começou assim!
Os debates da Carta Constitucional francesa também incluíram os limites da participação
da Igreja na política. A maioria definiu pelo estabelecimento de um Estado laico, ou seja, livre de
influências religiosas, pois cada um era livre para acreditar no que quisesse. Afinal, querido e
querida, o número de conflitos religiosos, reformas e contra reformas religiosas estava fresco na
memória do povo. Certamente, ninguém gostaria de voltar a ser perseguido por conta da sua fé.
Ainda como desdobramento dessa reorganização entre política e religião, os bens da Igreja
Católica foram confiscados. O argumento enfatizava que a Igreja havia se apropriado dos bens
públicos da França durante séculos. No mesmo sentido, os padres foram transformados em uma
espécie de funcionário público, pois, caso quisessem continuar com a administração das Igrejas,
por serem públicas, deveriam estar submetidos à soberania popular.
Por isso que, em julho de 1790, foi feita a Constituição Civil do Clero. Por meio desse
documento os clérigos passaram a jurar fidelidade à França, à Revolução, e não mais à Igreja
Católica de Roma. Essa foi uma forma de diminuir a influência do papado em território francês.
Como regra, o alto clero não se submeteu às imposições revolucionárias e, por isso, foi
rotulado de “clero refratário”. Já o baixo clero, mais próximo ao povo, aceitou a Constituição Civil
do Clero.
Assim, em setembro de 1791, a Assembleia Nacional promulgou uma nova Constituição
que estabeleceu:
✓ que a França teria a forma de governo do tipo Monarquia Constitucional, ou seja, o que
não avança retrocede. Isso significava que: o Poder Executivo seria exercido pelo rei o qual
teria poderes limitados pela Assembleia. O rei também não teria o direito de dissolver ou
fechar a Assembleia.
✓ Os membros do Parlamento, quer dizer o Poder Legislativo, seriam eleitos por voto
censitário proporcional ao imposto pago. Dessa forma, só teriam direito de votar e de
serem votados os homens considerados cidadãos ativos (bons pagadores). Veja que, entre
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os cerca de 15 milhões de franceses adultos daquele momento, somente 4 milhões se
encaixavam nesse critério
censitário.
Os grupos políticos do
momento estavam divididos da
seguinte forma:
• Os euillants/monarquistas defendiam a monarquia constitucional;
• Os girondinos, sendo que uma parte era favorável a uma república com poder
descentralizado e, outra, a monarquia constitucional;
• Os cordeliers e os jacobinos defendiam um projeto mais popular, ou seja, que incluísse
mais o povo no sistema político. Eram radicalmente contrários à Monarquiae defendiam
a instalação de uma república. Nesse grupo estavam os líderes mais conhecidos da
Revolução Francesa e os que mais caem nos vestibulares: Georges Danton (1759-1794);
Maximilien Robespierre (1758-1794); e, Jean-Paul Marat (1743-1793).
Já, já, apresento-os a vocês de forma mais detalhada. Por agora, saiba que
Robespierre fazia parte dos Clube dos Jacobinos; e Danton e Marat eram
membros da Sociedade dos Amigos dos Direitos do Homem e do Cidadão,
conhecida como Clube dos Cordeliers, pois a sede do clube ficava no Convento
dos Cordeliers de Paris. Juntos, esses dois grupos – Cordeliers e Jacobinos –
influenciavam pequenos comerciantes, assalariados, artesãos e trabalhadores urbanos.
Apesar do estabelecimento da Monarquia Constitucional, em certo sentido um alento para
a nobreza e para a burguesia mais moderada, parte significativa dos nobres, temendo novos
terrores e incertos quanto aos rumos daquela situação, fugiu da França.
Vamos ao primeiro “lamentável”, como diria um radialista de futebol, do processo da Revolução
Francesa. Quando lá para cima do texto eu disse que se tratava de um processo de idas e vindas,
chamo a atenção para isso agora:
Primeiro revés: a Revolução foi contra a Monarquia e os privilégios, porém a Constituição de 1791
estabeleceu a Monarquia Constitucional;
Segundo revés: embora o povo tenha participado ativamente da revolução entre 1789 e 1791, o
voto foi negado aos camponeses, aos trabalhadores urbanos e as mulheres.
Mas e a Fraternidade e a Igualdade profeeee?
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https://pt.wikipedia.org/wiki/Georges_Danton
https://pt.wikipedia.org/wiki/Maximilien_Robespierre
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É meus caros, a história não é tão simples. De toda forma, podemos perceber os limites da
implementação das ideias do Novo Mundo.
No final do século XVIII a condição das mulheres
no mundo ocidental era de permanente opressão, ou
seja, os homens lhes negavam protagonismos e
autonomia na vida. Basta lembrarmos que mulheres que
se destacavam eram, em muitos casos, consideradas
bruxas. Nesse sentido, no máximo, às mulheres era
reservado o papel de mães-educadoras.
Os pensadores iluministas, embora defendessem a
liberdade e igualdade individuais, não aceitavam a
participação das mulheres na política e enquanto
cidadãs.
Apesar das adversidades opressoras, as mulheres tiveram papel de destaque na Revolução
Francesa, como quando marcharam em direção ao Palácio de Versalhes. Cerca de 7 mil mulheres
foram cobrar que a Corte resolvesse a crise do pão.
Duas principais motivações levaram as francesas às ruas: melhores condições de vida às famílias;
igualdade de direitos com os homens. Com espírito de guerreiras, muitas se alistaram –
clandestinamente, disfarçadas de homens – no exército francês; outras, tomavam a palavra em
espaços públicos e faziam exigências aos homens deputados e até mesmo à Assembleia, primeiro
a dos Estados Gerais e, depois, a Nacional Constituinte. Do ativismo das mulheres, surgiram
organizações específicas, como a Associação das Republicanas Revolucionárias criada em 1793
por Claire Lacombe e Pauline Léon.
Em meio à Revolução Francesa, a revolucionária Olympe de Gouges obteve papel de destaque.Ela
elaborou a Declaração de Direitos das Mulheres e da Cidadã. Essa Declaração reivindicava direitos
iguais para as mulheres, seja na política, na justiça, seja em questões econômicas (direitos sociais).
O documento explicitava a necessidade de equiparação das mulheres aos homens, como
demonstra o Artigos 6º, 7º e 8º do texto:
Artigo 6º
A lei deve ser a expressão da vontade geral. Todas as cidadãs e cidadãos devem concorrer
pessoalmente ou com seus representantes para sua formação; ela deve ser igual para todos.
Todas as cidadãs e cidadãos, sendo iguais aos olhos da lei devem ser igualmente admitidos a
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todas as dignidades, postos e empregos públicos, segundo as suas capacidades e sem outra
distinção a não ser suas virtudes e seus talentos.
Artigo 7º
Dela não se exclui nenhuma mulher. Esta é acusada., presa e detida nos casos estabelecidos pela
lei. As mulheres obedecem, como os homens, a esta lei rigorosa.
Artigo 8º
A lei só deve estabelecer penas estritamente e evidentemente necessárias e ninguém pode ser
punido senão em virtude de uma lei estabelecida e promulgada anteriormente ao delito e
legalmente aplicada às mulheres.
Já o artigo 11º objetiva garantir o direito à maternidade sem preconceitos e o direito de a mulher
afirmar que determinado homem era pai de seu filho. Veja:
Artigo 11
A livre comunicação de pensamentos e de opiniões é um dos direitos mais preciosos da mulher,
já que essa liberdade assegura a legitimidade dos pais em relação aos filhos. Toda cidadã pode
então dizer livremente: "Sou a mãe de um filho seu", sem que um preconceito bárbaro a force a
esconder a verdade; sob pena de responder pelo abuso dessa liberdade nos casos estabelecidos
pela lei.
Entretanto, em 1791 a Assembleia Nacional Constituinte rejeitou a Declaração de Direitos das
Mulheres e da Cidadã, escrita por Gouges.
Além disso, ocorreu algo pior: como o debate de gênero passou longe das aspirações dos
revolucionários, Olympe foi acusada de traição por Robespierre e guilhotinada em 1793.
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(UNESP 2018)
A gravura representa a marcha de mulheres revolucionárias até o palácio real de
Versalhes em 5 de outubro de 1789.
A participação das mulheres na Revolução Francesa
a) levou à conquista do direito de voto,
porém não do direito de exercer cargos
executivos no novo governo francês.
b) teve ressonância parcial nas decisões
políticas, pois apenas as mulheres da alta
burguesia envolveram-se nos protestos
políticos e civis.
c) foi notável nas manifestações e clubes
políticos, porém seus direitos políticos e
sociais não foram ampliados
significativamente.
d) originou a igualdade de direitos civis em relação aos homens após a proclamação da
Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão.
e) diminuiu bastante após os conflitos e a violência generalizada que marcaram a tomada da
Bastilha.
Comentário
A despeito da significativa participação das mulheres na execução da Revolução Francesa, o
movimento acabou por não representar ganhos sociais e políticos reais para as mesmas. A
Declaração de Direitos do Homem e do Cidadão, por exemplo, documento mais significativo
produzido pelos revolucionários, não inseria as mulheres nos ganhos civis conseguidos à época.
Observo que, a imagem reproduzida pela questão, apresenta a marcha das mulheres em direção
ao Palácio de Versalhes para cobrar do rei medidas quanto a crise do “pão”. Nessa
manifestação, elas percorreram cerca de 14 quilômetros, armadas de lanças, machados, foices
e puxando um canhão.
Gabarito: C
2.2.4.1 – Forças contrarrevolucionárias
A alta nobreza começa, então, a articular uma revanche de fora da França. Esses nobres
buscaram apoio em Monarquias como a inglesa, a Prússia e a dos Habsburgo, no Sacro Império
Romano-Germânico (Áustria).
Na noite de 20 para 21 de junho de 1791, o rei e a rainha tentaram fugir da França para a
Áustria. Mas o plano foi descoberto. Como se não bastasse esse plano de deserção, também foi
descoberto que Luís XVI, juntamente com a nobreza que já havia fugido e mais a Monarquia dos
Habsburgo (família de Maria Antonieta) planejavam invadir a França e derrotar a Revolução. E isso
não foi fake News,não!!!
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O rei e a rainha foram presos e conduzidos a Paris. A partir desse momento, surge a
questão: o que fazer com o rei? Ou melhor: o que fazer com um rei traidor da revolução e da
pátria francesa?
• A alta burguesia e seus representantes girondinos defendiam a permanência do rei
preso e, como haviam decidido por uma Monarquia Constitucional, a transferência
do trono para o filho de Luís XVI. Repare que havia um cálculo político dos girondinos
nessa defesa: como Luís XVII não tinha idade para assumir o trono, seria preciso
eleger um Regente para comandar o Poder Executivo; essa eleição seria feita pela
Assembleia, na qual, por conta do voto censitário, os burgueses eram maioria. Essa
seria uma saída favorável aos interesses da alta burguesia, pois ela passaria a
comandar o Poder Executivo e o Poder Legislativo. No jogo de xadrez isso seria um
xeque;
• Já os jacobinos e os cordelliers, representantes da pequena burguesia, dos
trabalhadores urbanos e dos profissionais liberais (médicos, advogados etc.)
defendiam a morte do rei na guilhotina. O pressuposto para jacobinos e cordelliers
era simples: tratar o rei como qualquer outro traidor. Jean-Paul Marat, médico e
escritor, tinha uma capacidade de persuadir a opinião pública pela escrita. Marat,
que comandava o jornal L 'Ami du peuple (O Amigo do Povo), além de defender
reformas sociais para a maioria da população marginalizada, expunha em seus textos
que a Monarquia deveria ser eliminada e Luís XVI condenado. No geral, os jacobinos
não queriam nenhuma concessão à Monarquia Absolutista.
Esse impasse em torno do destino do rei expos uma fratura no modelo de
Monarquia Constitucional escolhido em 1791. Na prática, havia uma contradição
entre os sentidos da Revolução Francesa, seu significado mais profundo de
oposição ao Antigo Regime, e a fórmula da Monarquia Constitucional, que não
permitia a execução do rei na condição de traidor da pátria e do povo. Com
efeito, a defesa dos jacobinos por um República e pelo fim da Monarquia
começava a ganhar força.
Diante dessa nova crise, as Monarquias Absolutistas da Áustria e da Prússia, que ajudaram
a traçar o plano de invasão da França, encaminharam a Declaração de Pillnitz ao governo
revolucionário da Assembleia Constituinte. Esse documento era uma ameaça: se Luís XVI não fosse
reconduzido ao trono, a França seria invadida.
Nesse momento, então, a Revolução passou a contar com uma ameaça externa
configurada. Uma guerra batia às portas dos franceses. Importante você saber que, na iminência
dessa guerra:
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• Jacobinos se manifestaram publicamente contra iniciá-la, pois sabiam que era
exatamente nisso que os restauracionistas apostavam: uma derrota militar para as
Monarquias Absolutistas do leste europeu;
• Os girondinos e a alta nobreza se manifestaram publicamente favoráveis ao
confronto, pois sabiam que o exército francês não daria conta.
De toda forma, a batalha era inevitável.
2.2.4.2 - Para não retroceder mais, a Revolução avançou: rumo ao fim da Monarquia
A primeira de uma série de batalhas ocorreu em abril de 1792. A França, por meio de um
Decreto da Assembleia Nacional, defendido pelos girondinos, declarou guerra à Áustria,
governada pelo Imperador Francisco II (sobrinho da rainha Maria Antonieta).
Entre maio e setembro de 1792 o Exército francês sucumbiu às forças militares da Áustria
e da Prússia. As baixas e a desorganização do Exército levaram os jacobinos a articular na
Assembleia a aprovação de uma medida chamada “Pátria em Perigo”. Tratava-se de uma
convocação de todos os franceses homens com mais de 16 anos. Monarquistas e girondinos foram
contra a medida. Por que será???
Com isso, a natureza do Exército francês muda radicalmente, pois, a partir de então, as
fileiras eram compostas por “soldados-cidadãos”. O novo exército passou de 150 para 400 mil
homens. Essa virada sobre monarquistas e girondinos contou com a influência das três principais
personalidades acima lembradas: Georges Danton, Maximilien Robespierre e Jean-Paul Marat. Os
três lideram o movimento da “Pátria em Perigo”. Foram líderes decisivos para assegurar a virada
nos rumos do processo revolucionário.
Para os jacobinos e cordeliers o envolvimento dos cidadãos na resposta armada foi
importante porque revitalizou a participação popular nos rumos políticos da Revolução Francesa.
O ímpeto de 1789 foi retomado. Por meio dessa mobilização popular rumo à guerra, os jacobinos
conseguiram instaurar, com o apoio de províncias próximas a Paris, um Governo Provisório em
Paris denominado de Comuna (não tem nada próximo ao comunismo aqui, ideologia inexistente
nesse momento da história). Comuna aqui equivale à “cidade”. Em decorrência da instauração da
Comuna, formou-se o Conselho Geral da Comuna, uma espécie de poder paralelo ao da
Assembleia Nacional.
Esse poder paralelo liderado pelos jacobinos organizou a resistência e passou a ter vitórias
militares contra os invasores. Apesar de perder alguns territórios, os franceses saíram vitoriosos
dos conflitos. O destaque foi a vitória na batalha de Valmy, a qual selou a derrota dos invasores.
Com certeza, isso ampliou o sentimento de nacionalismo liberal dos franceses. E, anote aí, um
jovem soldado começou a despontar nas fileiras do exército francês: Napoleão Bonaparte.
As investidas dos jacobinos inverteram a correlação de forças pró Monarquia
Constitucional, a qual, a essa altura, não funcionava mais. Luís XVI passou a ser julgado por traição
à pátria. A violência contra os traidores da França e do povo também se voltou mais uma vez
contra os nobres, que torceram e fizeram campanha por uma vitória dos invasores.
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https://pt.wikipedia.org/wiki/Georges_Danton
https://pt.wikipedia.org/wiki/Maximilien_Robespierre
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Além dos nobres, perseguidos e executados sumariamente, o clero refratário também foi
atacado. Entre 2 e 7 de setembro ocorreu o Massacre de Setembro abrindo uma espécie de
tribunal popular em várias cidades da França com o objetivo de julgar e executar os inimigos
internos. O trecho abaixo, escrito por Marat expressa essa situação:
A Comuna de Paris apressa-se a informar a seus irmãos de todos os departamentos que uma parte
dos ferozes conspiradores detidos nas prisões foi levada à morte pelo Povo ; atos de justiça que
lhe pareceram indispensáveis, para reter pelo terror as legiões de traidores escondidos dentro de
seus muros, no momento em que iam marchar contra o inimigo ; e a nação inteira, após a longa
sequência de traições que a conduziram até a beira do abismo, se apressará a adotar este meio
tão necessário de salvação pública, e todos os Franceses gritarão como os Parisienses : Nós
marchamos contra o inimigo ; mas nós não deixaremos atrás de nós estes bandidos, para degolar
os nossos filhos e mulheres.
Entre 20 e 22 de setembro de 1792, 749 deputados alinhados aos jacobinos decretam o
fim da Monarquia e começam a construção da República. Em 21 de setembro foi proclamada a
Primeira República Francesa.
2.2.5 – 2ª. Fase: a construção da República Francesa
Ocorrem as seguintes mudanças:
A Assembleia Nacional passou ser chamada de CONVENÇÃO e contou com os seguintes
grupos organizados:
➢ Girondinos (direita)
➢ Jacobinos (montanheses – esquerda)
➢ Planície ou pântano (centro)
O governo passou a ser caracterizado como Governo da Montanha, pois Montanha era a
forma comoos jacobinos eram conhecidos.
Nesta nova configuração política, sem ameaças da Monarquia, os girondinos defendiam:
➢ interesses relacionados ao desenvolvimento e ao aprimoramento da República;
➢ fortalecimento do capitalismo comercial;
➢ defesa das liberdades individuais e à igualdade jurídica.
Temiam que a continuação do levante social acabasse com a propriedade privada. Dessa
forma, não desejavam que o processo revolucionário fosse adiante. Desse momento em diante,
os girondinos passaram a atuar em prol da contenção do processo revolucionário.
A montanha/jacobinos, por sua vez, apresentava interesses mais radicais, no sentido de
mudanças estruturais na sociedade francesa:
➢ igualdade social;
➢ prioridade aos direitos coletivos em detrimentos dos direitos individuais.
➢ reforma agrária
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https://pt.wikipedia.org/wiki/Comuna_de_Paris_(1792)
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Já a planície, agrupamento que se posicionava no centro entre girondinos e jacobinos, ora
pendia a um grupo ora a outro.
Com a proclamação da República, o rei deixou de sê-lo e passou à condição de cidadão
como qualquer outra pessoa. Dessa forma, Luís, e não mais XVI, foi à julgamento e executado na
guilhotina em 21 de janeiro de 1793. A rainha Maria Antonieta também foi executada, porém, em
data posterior à morte de Luís.
Logo após a execução de Luís, a Inglaterra declarou guerra à França por considerar que o
ato de execução do rei havia sido um atentado contra as Monarquias – como se eles nunca
tivessem executado um rei, né, gente!
A Áustria também se mobilizou para invadir o norte da França. Internamente, como na
França ainda havia monarquistas – seja entre os girondinos, seja entre os nobres- o país ficou
dividido. Um clima de guerra civil passou a tomar conta das cidades. Ainda, no ano de 1793, Marat
foi assassinado por uma girondina.
A morte de Marat, 1793. Jacques-louis David.Museu Real das Finas Artes da Bélgica.
Com esses novos conflitos, os girondinos
perderam espaço e os jacobinos receberam o
apoio dos deputados da planície. O Poder
Legislativo passou a exercer plenamente o
governo: comandava o exército; as relações
diplomáticas; estabelecia as leis.
Além disso, a Declaração de Direito do
Homem e do Cidadão foi atualizada e nela
passou a constar os direitos à insurreição, ao
trabalho e à assistência social.
Para enfrentar novas invasões
estrangeiras e os conflitos internos, a
Convenção fez um novo chamado à população:
cerca de 300 mil homens se alistaram aos comandos militares já atuantes. Novamente, um dos
militares que continua a se destacar, mas agora como general é Napoleão Bonaparte. Repare que,
ao mesmo tempo em que Napoleão estava na linha de frente da manutenção da Revolução, pois
foi o principal líder para livrar a França da ameaça estrangeira, não participava dos debates
políticos internos propriamente dito, como na Convenção.
2.2.5.1 - O Governo Republicano dos Jacobinos (1793-1795)
Essa etapa da Revolução Francesa é conhecida como a etapa da República e da Convenção,
pois a forma de governo se consolida como República e o órgão político, como expliquei acima,
virou uma Convenção.
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Em 1793 foi proclamada, então, a primeira Constituição da República Francesa, conhecida
como Constituição do Ano I, votada pelo Poder Legislativo e ratificada pelo voto popular. Do
ponto de vista político, a principal inovação foi a implantação do sufrágio universal masculino.
Para o momento histórico francês, tratou-se da radicalização da democracia. Do ponto de
vista social, a Constituição Republicana acabou com a escravidão nas colônias, como no Haiti.
Outras inovações institucionais desse momento foram:
➢ a criação do Comitê de Salvação Publica, com funções executivas e responsável por
controlar o exército de 300 mil homens;
➢ a implantação do Comitê de Segurança Nacional, responsável por controlar os
conflitos internos;
➢ instauração do Tribunal Revolucionário, responsável por julgar atos e crimes
contrários a Revolução, de modo que a pena para qualquer condenado era a
execução na guilhotina. Destaco que o Tribunal Revolucionário passou a ser
comandado por Robespierre e, por isso, vamos falar um pouco dele...
Maximilien Robespierre era advogado e excelente orador. Seus discursos, quando deputado do
3º estado na Assembleia dos Estados Gerais e na Assembleia Nacional, eram impactantes. Em
seguida, destacou-se nas demais fases da Revolução e recebeu o apelido de “incorruptível”. Foi
Robespierre quem conduziu o julgamento do rei e assinou na sentença: "o rei devia morrer para
que o país pudesse viver".
Abaixo, um trecho de uns dos discursos de Robespierre
“Em nosso país queremos substituir o egoísmo pela moral,
a honra pela probidade, os usos pelos princípios, as
conveniências pelos deveres, a tirania da moda pelo império
da razão, o desprezo à desgraça pelo desprezo ao vício, a
insolência pelo orgulho, a vaidade pela grandeza de alma, o
amor ao dinheiro pelo amor à glória, a boa companhia pelas
boas pessoas, a intriga pelo mérito, o espirituoso pelo gênio,
o brilho pela verdade, o tédio da volúpia pelo encanto da
felicidade, a mesquinharia dos grandes pela grandeza do
homem8.”
Além da fase violenta de Robespierre, que veremos logo abaixo, o período em que ele
esteve à frente do Governo dos Jacobinos se destacou pelos seguintes feitos:
8 HUNT, L. Revolução Francesa e Vida Privada. In: PERROT,M. (Org.) História da Vida Privada: da
Revolução Francesa à Primeira Guerra. Vol. 4. São Paulo: Companhia das Letras, 1991
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- Proclamação da Igualdade e do Direito à Educação;
- O tratamento pessoal informal obrigatório (uso do “tu”) para eliminar distinções sociais;
- A adoção de um novo calendário, diferente do usado pela Monarquia
Após o assassinato de Marat, outros atos contra os jacobinos são desferidos pelos
girondinos. Com isso, Robespierre radicaliza o combate aos inimigos da Revolução. Por meio do
Tribunal Revolucionário, Robespierre persegue e executa na guilhotina os opositores.
O problema é que, com conflitos, crises e situação econômica desfavorável, não seria
possível conviver sem críticas. Para Robespierre, praticamente todas as críticas eram contrárias à
Revolução. Como consequência, instalou-se a fase do Terror Jacobino, ou Terror Vermelho, entre
julho de 1793 a julho de 1794. Em 17 de setembro de 1793, a Convenção promulgou a Lei dos
Suspeitos, que ampliou a jurisdição dos Tribunais Revolucionários. Foi por meio dessa lei que
Maria Antonieta foi executada.
Nesse 1º ano da República, Robespierre atuou como chefe do Governo Jacobino,
concentrou poderes, violou direitos da Constituição Republicana e implementou medidas
autoritárias. Duas delas são simbólicas e se voltaram contra ele:
• Robespierre impôs o culto à razão em uma tentativa de descristianizar a França. Porém,
mudanças culturais não se fazem por decreto. Sem contar que tal medida ia de encontro a
própria ideia de Estado laico, pois se ele impôs uma doutrina em cima de outras, nada mais
fez do que partidarizar o Estado a favor de sua crença. Em particular, essa medida foi
impopular, pois os franceses religiosos (a maioria do povo) não aceitaram essa política.
• A Lei do Máximo Preço. Uma tentativa de controlar o preço dos alimentos, porém sem
sucesso.
Os números do Terror Jacobino são os seguintes:
Número de presos Número de execuçõesna guilhotina
500 mil 40 mil
Robespierre atingiu um grau de obsessão pela perseguição que até mesmo, Danton, antigo
aliado, após criticar Robespierre, foi executado na guilhotina.
Os girondinos, diante dos rumos do Governo Jacobino, organizaram uma reação em
conjunto com o partido da planície (do centro) e com montanheses descontentes. A oposição ao
Governo de Robespierre cresceu e, em 27 de julho de 1794, consumou-se o Golpe do 9 de
Termidor, a queda de Robespierre.
Ele foi preso, julgado e considerado um traidor da pátria, portanto, executado na
guilhotina. O fim do Governo Jacobino ainda contou com o “Terror Branco”, ou seja, a
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execução dos partidários do Governo Jacobino. O Clube Jacobino foi fechado e as reformas
sociais foram paralisadas.
(FUVEST 2013)
Oh! Aquela alegria me deu náuseas. Sentia-me ao mesmo tempo satisfeito e descontente. E
eu disse: tanto melhor e tanto pior. Eu entendia que o povo comum estava tomando a justiça
em suas mãos. Aprovo essa justiça, mas poderia não ser cruel? Castigos de todos os tipos,
arrastamentos e esquartejamentos, tortura, a roda, o cavalete, a fogueira, verdugos
proliferando por toda parte trouxeram tanto prejuízo aos nossos costumes! Nossos senhores
colherão o que semearam.
Graco Babeuf, citado por R. Darnton. O beijo de Lamourette. Mídia, cultura e revolução. São
Paulo: Companhia das Letras, 1990, p. 31. Adaptado.
O texto é parte de uma carta enviada por Graco Babeuf à sua mulher, no início da Revolução
Francesa de 1789. O autor
a) discorda dos propósitos revolucionários e defende a continuidade do Antigo Regime, seus
métodos e costumes políticos.
b) apoia incondicionalmente as ações dos revolucionários por acreditar que não havia outra
maneira de transformar o país.
c) defende a criação de um poder judiciário, que atue junto ao rei.
d) caracteriza a violência revolucionária como uma reação aos castigos e à repressão antes
existentes na França.
e) aceita os meios de tortura empregados pelos revolucionários e os considera uma novidade
na história francesa.
Comentário
O texto mostra os sentimentos de Graco Babeuf em relação aos eventos que iniciaram a
Revolução Francesa, em 1789. Tais sentimentos apresentam-se contraditórios, embora, ao
final, Babeuf deixe claro que a ação violenta dos revolucionários era uma resposta aos abusos
cometidos pelo Antigo Regime francês ("Nossos senhores colherão o que semearam"). Ao
mesmo tempo em que ele apoiou a Revolução ele rechaça a violência. Posteriormente, na
fase da Revolução Francesa conhecida como Diretório, Graco Babeuf liderou a Conjura dos
Iguais.
Gabarito: D
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2.2.6 - O Governo Republicano do Diretório: a liderança dos girondinos (1795-1799)
Comparado ao Governo Jacobino antes do Terror de Robespierre, o Governo dos
Girondinos pode ser considerado como conservador. Cuidado, conservador não quer dizer
monarquista. Ocorreram revogações de mecanismos políticos que permitiam a participação
popular no processo decisório. Os Comitês de Salvação foram diluídos e as manifestações de rua
brutalmente reprimidas.
Uma nova Constituição é promulgada em 22 de agosto de 1795. Nesta, o voto universal
foi suprimido e o voto censitário restaurado. Essa restauração do voto por renda foi mais um
elemento do conservadorismo dos girondinos, isto é, manter a vida política sem a participação da
massa. Em linhas gerais, a Constituição de 1795 estava baseada na defesa da propriedade privada
e na garantia das liberdades civis e individuais aos homens. Não por menos, querido aluno e aluno,
o escritor Victor Hugo, no célebre livro Os Miseráveis, se refere aos indivíduos que tinham direito
a voto como “proprietário eleitor”.
O Poder Legislativo foi reorganizado em duas Câmaras, na verdade, dois Conselhos:
➢ o Conselho dos Quinhentos, que propunha leis;
➢ o Conselho dos Anciãos, com 250 membros, sendo que a idade mínima para fazer
parte desse Conselho era de 40 anos. O Conselho dos Anciãos aprovava as leis
elaboradas pelo Conselho dos Quinhentos ou rechaçava-as.
O Diretório, por sua vez, substituiu a Convenção e passou a exercer o Poder Executivo.
Veja que complexa a tentativa de harmonia entre os poderes: o Diretório era formado por
uma lista de 5 membros. O Conselho dos Quinhentos elaborava uma lista de 10 nomes entre eles.
Então, mandavam para os Anciãos que aprovavam 5 nomes entre os 10 da lista. Estes 5
compunham o diretório. Na prática, a eleição para o Poder Executivo era indireta e este contava
com 5 lideranças políticas!!
Uma nova coligação externa contra França foi formada e, novamente, derrotada. A essa
altura o General Napoleão Bonaparte, além de conhecido nos campos de batalha, ficou famoso
na França.
Enquanto isso, o processo revolucionário degringolava:
✓ a crise econômica aumenta;
✓ muitos atos de corrupção tomam conta do novo governo;
✓ a oposição ao Governo do Diretório dos Girondinos toma as ruas;
✓ a população passa a pedir pão e a volta da Constituição de 1793;
✓ os movimentos dos sans-culottes foram reprimidos pela Guarda Nacional e, com isso, uma
força social importante foi eliminada do espaço público.
Agora, era o Terror Branco que passou a impregnar a lógica da violência do processo
revolucionário. Ou seja, para a maioria da população, a situação só piorava. Outro movimento
popular que foi reprimido pelo “Terror Branco” foi a Conjura dos Iguais, liderado por Gracchus
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Babeuf (1760-1797). O autor do texto da questão acima. Babeuf comandava o jornal A tribuna do
povo por meio do qual criticava o Governo do Diretório.
A conjuntura era tão extrema, e a revolta social tão grande, somada à crise econômica e à
fome que a saída encontrada por um setor dos girondinos foi articular um golpe contra seu próprio
governo.
Nesse sentido, em novembro de 1799 é consumado o Golpe do 18 Brumário liderado por
Napoleão Bonaparte. Neste momento, Napoleão despontava como líder popular e reconhecido
por diferentes camadas da sociedade. Era, na visão política dos articuladores do Golpe, a figura
que continha algo fundamental para o momento: legitimidade política para governar. O General
Napoleão Bonaparte era uma figura de consenso entre os militares e agradava a burguesia porque
defendia a industrialização da França. Para o povo, Napoleão era um herói que defendeu a França
dos inimigos externos.
Forma-se, então, um novo Governo a partir do exército e dos girondinos. O Diretório foi
substituído por um Consulado o qual era conduzido por 3 Cônsules, o Primeiro e principal Cônsul
era Napoleão Bonaparte.
Assim, em 1799, o primeiro objetivo desse novo governo, que marcou o início da Era
Napoleônica, foi pacificar a França e dar novo impulso econômico para o país. Fim da Revolução
Francesa, mas não do Antigo Regime!!!
Bem, queridas e queridos alunos chegamos ao final da nossa aula sobre a dupla revolução
que deu o start para os acontecimentos do Longo Século XIX e embates entre o Antigo Regime e
o Liberalismo/ Capitalismo - momento que Eric Hobsbawn chama de “A Era das Revoluções”.
Assim, mergulhamos em experiências ocorridas entre o final do século XVII e começo do
XIX. Essa é uma história cheia de nuances que ainda tem muita história pela frente.
Faça seu controle de temporalidade. Vai montando sua linha do tempo pois ela será
fundamental na hora da revisão finalÉ isso, fico por aqui. Você segue até a última questão. Aproveita TODOS os comentários,
pois foram desenvolvidos em cada detalhe para fazer você mentalizar, aprender a responder uma
questão, não escorregar nos caprichos do examinador.
Pintura de Antoine-Jean Gros. O jovem Napoleão em
um episódio durante a Batalha de Arcole em novembro de
1796. Nessa batalha o exército austríaco foi derrotado.
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Gabaritar história não é privilégio, é obrigação. Será seu diferencial. E não basta saber o
conteúdo é preciso ser safo para adotar as melhores estratégias!
Espero por você no Fórum de Dúvidas, se elas aparecerem!
Um beijo, um abraço apertado e um suspiro dobrado de amor sem fim!
Alê
3. LISTA DE QUESTÕES
(Unicamp 2022)
“A sociedade é uma benção, mas o governo, mesmo em seu melhor estado, é apenas um
mal necessário. No seu pior estado, é um mal intolerável, pois quando sofremos ou ficamos
expostos, por causa de um governo, às mesmas desgraças que poderíamos esperar em um
país sem governo, nossa calamidade pesa ainda mais ao considerarmos que somos nós que
fornecemos os meios pelos quais sofremos. Há algo de muito ridículo na composição da
monarquia; primeiro ela exclui um homem dos meios de informação, mas lhe permite agir
em casos que requerem capacidade superior de julgamento. A posição de um rei o aparta
do mundo; no entanto, a atividade de um rei exige que ele conheça perfeitamente o mundo.
Com isso, as diferentes partes, opondo-se de forma antinatural e destruindo uma à outra,
provam que essa figura é absurda e inútil.”
(Adaptado de Thomas Paine, Senso comum e os direitos do homem. L&PM Pocket. Edição
do Kindle – posição 32 a 138.)
O trecho acima foi retirado do panfleto O Senso comum e Os direitos do homem, publicado
de forma anônima, em 1776. Com autoria assumida por Thomas Paine, a obra causou grande
reação pública. A partir do texto e das informações fornecidas, é correto dizer que o autor
a) apresenta a Monarquia como um mal necessário e a figura do rei absolutista como absurda
e inútil, contudo inquestionável. Paine tornou-se o principal nome contrário à Revolução
Americana.
b) estabelece uma relação direta entre a sociedade e o governo, abrindo espaço para
debates acerca do mau governo. O panfleto escrito por Paine tornou-se uma base teórica
para a Revolução Americana.
c) demonstra como regimes autoritários favorecem os meios de informação, para que os
homens exerçam suas capacidades de julgamento. Paine usou jornais para combater a
Revolução Americana.
d) considera que sociedades com e sem governos têm os mesmos benefícios,
desenvolvendo-se de formas semelhantes. Paine desencorajou o engajamento dos colonos
ingleses na Revolução Americana.
(Unicamp 2021)
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Seguindo a trajetória das ativistas, vemos que lutaram ao lado dos homens no movimento
popular urbano e participaram de várias jornadas populares, como as de 9 de abril, 20 de
junho e 10 de agosto de 1792, as quais resultaram na queda da monarquia. Abraçaram a
Revolução, queriam armar-se para defender a nação dos inimigos internos, e tomaram parte
nas festas cívicas. Algumas se alistaram no exército e foram lutar nas fronteiras. No caso das
Republicanas Revolucionárias, durante certo tempo contaram com o apoio dos deputados
da Montanha e os ajudaram a derrubar os Girondinos. Nessa ocasião, mereceram elogios
públicos. Depois se aliaram aos radicais e fizeram oposição aos Montanheses. As militantes
adquiriram uma visibilidade nunca imaginada para mulheres do povo, despertando o
interesse e a inquietação de integrantes do governo acerca da questão dos direitos civis e
políticos femininos. Sua presença na cena política foi tolerada e até incentivada no início da
Revolução Francesa, porém reprimida em outubro de 1793, e depois de forma definitiva em
1795.
(Adaptado de Tania Machado Morin, Virtuosas e perigosas: as mulheres na Revolução
Francesa. São Paulo: Alameda, 2013, p. 4-6.)
Com base no excerto e em seus conhecimentos sobre a Revolução Francesa, assinale a
alternativa correta.
a) A Revolução Francesa não garantiu o direito de voto às mulheres, mas a participação delas
no movimento fez com que sua exclusão da vida pública ganhasse visibilidade e fosse
debatida.
b) Os ideais de igualdade, liberdade e fraternidade da Revolução consolidaram os direitos
civis e políticos das mulheres, igualando-os aos direitos dos homens de forma inédita na
história da França e da Europa.
c) Os revolucionários consideravam que as tarefas desempenhadas pelas mulheres na
Revolução eram irrelevantes e restritas às atividades domésticas, por isso elas não
conquistaram os mesmos direitos civis que os homens.
d) A Revolução Francesa aboliu a desigualdade de gênero em todos os âmbitos da vida
pública por meio da Declaração Universal dos Direitos Humanos, que estabelecia a igualdade
e a cidadania.
(UNICAMP – 2017)
A dona de casa entre as classes populares urbanas é uma personagem maior e majoritária.
A dona de casa não tem muitas papas na língua. Muitas vezes é uma rebelde, tanto na vida
privada quanto na vida pública. E não raro paga um alto preço por isso, como alvo principal
de violências que podem chegar ao crime “passional”.
(Adaptado de Michelle Perrot, “Figuras e papéis”, em Philippe Ariès (org.), História da vida
privada. São Paulo: Companhia das Letras, 1991. v. 4, p. 146.)
A mulher das classes populares nas sociedades urbanas do século XIX na Europa
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a) tinha múltiplas funções, como educar os filhos, cuidar da casa e administrar as finanças,
mas vivia restrita ao espaço doméstico e por isso sua rebeldia era punida com violência.
b) era responsável pelo trabalho doméstico e muitas vezes tinha uma jornada dupla, pelo
trabalho externo que realizava em fábricas, pequenos comércios e outros serviços.
c) sofreu estigma e violência por revolucionar os costumes e liderar o movimento de
conquista do voto feminino.
d) contrariava o senso comum de ser cordata e obediente, pois sua condição social indicava
que não tinha referencial de uma boa educação.
(Unicamp 2014)
Observe a obra do pintor Delacroix, intitulada A Liberdade guiando o povo (1830), e assinale
a alternativa correta.
a) Os sujeitos envolvidos na ação política representada na tela são homens do campo com
seus instrumentos de ofício nas mãos.
b) O quadro evoca temas da Revolução Francesa, como a bandeira tricolor e a figura da
Liberdade, mas retrata um ato político assentado na teoria bolchevique.
c) O quadro mostra tanto o ideário da Revolução Francesa reavivado pelas lutas políticas de
1830 na França quanto a posição política do pintor.
d) No quadro, vê-se uma barricada do front militar da guerra entre nobres e servos durante
a Revolução Francesa, sendo que a Liberdade encarna os ideais aristocráticos.
(UECE 2017)
Atente ao seguinte excerto:
“O crime [...] consistiu em herdar as piores feições do sistema doméstico num contexto em que
inexistiam as compensações do lar: ‘ele sistematizou o trabalho das crianças pobres e
desocupadas, explorando-o com uma brutalidade tenaz...’ [...] Na fábrica a máquina ditava as
condições, a disciplina, a velocidade e a regularidade da jornada de trabalho, tornando-as
equivalentes para o mais delicado e o mais forte”.
Edward P. Thompson. A Formação da Classe Operária Inglesa. Vol. II: A maldição de Adão. Rio
de Janeiro,Paz e Terra. 1987. p. 207.
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Considerando os processos de transformação ocorridos na sociedade ocidental, é correto
afirmar que esse trecho da obra do historiador inglês Edward P. Thompson se refere à
a) Revolução Gloriosa, ocorrida na Inglaterra entre 1688 e 1689, que garantiu o fim do
absolutismo na Inglaterra e possibilitou o desenvolvimento social e econômico daquele país.
b) Revolução Industrial, que, principiando no século XVIII, estabeleceu novas formas de
organização do trabalho na sociedade capitalista.
c) Revolução Francesa, que no final do século XVIII criou um novo modelo social e econômico
para o mundo ocidental.
d) Revolução Haitiana, que teve início em 1791 e marcou a independência do país caribenho
do domínio francês, mas colocou-o sob o controle do capital industrial inglês.
(UECE 2017)
Atente ao que se diz a respeito do fenômeno conhecido como Revolução Industrial.
I. Trouxe uma série de consequências para os trabalhadores ao redimensionar drasticamente
o antigo modo de produção e proporcionar salários dignos.
II. No decorrer do processo de industrialização, naturalmente decidiu-se por criar os
sindicatos, para reduzir tarifas alfandegárias para os industriais.
III. Novos problemas sociais surgiram, como greves, manifestações populares, criminalidade,
alcoolismo e prostituição, frutos da exploração de homens, mulheres e crianças.
É correto o que se afirma somente em
a) II e III.
b) I.
c) I e II.
d) III.
(UECE 2016)
Atente ao seguinte excerto: “De 1815 a 1847, F. Gaillot arrola uma quinzena de casos
ocorridos e outros tantos de tentativas abortadas. O ludismo é mais importante em 1848,
quando assume feições particularmente graves, à imagem da duração da crise e da
esperança despertada pela nova República”.
(PERROT, M. Os excluídos da História. Operários, mulheres, prisioneiros. Trad. Denise
Bottmann. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1988, p.37.
Sobre o ludismo, é correto afirmar que
a) é um ramo da psicologia voltado para casos extremos de crise política.
b) constituiu um partido político na Inglaterra.
c) foi um movimento operário de protesto contra a produção industrial.
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d) foi uma manifestação de rebeldes franceses a favor da produção fabril.
(UECE 2015)
Os efeitos da Revolução Francesa sobre a vida privada ultrapassaram as expressões da
cultura política representadas pelo vestuário, pela linguagem e pelo ritual político. O novo
Estado atacou rigorosamente os poderes das comunidades do Antigo Regime em muitos
outros campos, tais como
Escolha uma:
a) a constituição civil e todos os símbolos da vida familiar e doméstica.
b). a música, a pintura e as artes em geral.
c) a Igreja, as corporações e a nobreza.
d) a saúde, a higiene e as organizações sanitárias.
(UECE 2014)
“Quem era a burguesia? Eram os escritores, os doutores, os professores, os advogados, os
juízes, os funcionários – as classes educadas; eram os mercadores, os fabricantes, os
banqueiros – as classes abastadas, que já tinham direitos e queriam mais. Acima de tudo,
queriam – ou melhor, precisavam – lançar fora o jugo da lei feudal numa sociedade que
realmente já não era feudal. Precisavam deitar fora o apertado gibão feudal e substituí-lo
pelo folgado paletó capitalista. Encontraram a expressão de suas necessidades no campo
econômico, nos escritos dos fisiocratas de Adam Smith; e a expressão de suas necessidades,
no campo social, nos trabalhos de Voltaire, Diderot e dos enciclopedistas. O laissez-faire no
comércio e indústria teve sua contrapartida no ‘domínio da razão’ na religião e na ciência.”
HUBERMAN, Leo. História da Riqueza do Homem. 21ª ed. Rio de Janeiro, Editora
Guanabara, 1986, p. 149.
Essa Burguesia, descrita por Leo Huberman, foi responsável por uma das principais
transformações políticas e sociais, que teve um impacto duradouro na história do país onde
ocorreu e, mais amplamente, em todo o continente europeu. Essa Burguesia está ligada à
A) Revolução Gloriosa, de 1688 a 1689.
B) Revolução Francesa, de 1789 a 1799.
C) Revolução Russa, de 1917.
D) Revolução de Avis, de 1383 a 1385.
(UVA 2016)
Foram decorrência da Revolução Industrial, exceto:
a) aumento da concentração urbana.
b) alargamento do mercado consumidor.
c) distribuição igualitária de benefícios.
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d) especialização técnica do trabalho.
(UVA 2016)
A Revolução Francesa (1789-1799) foi a grande revolução burguesa que marcou a ascensão
desta classe social ao poder político na França. Foi o acontecimento mais importante da
Idade Moderna. Por isso a Revolução Francesa assinala o início da Idade Contemporânea.
São fatores que determinaram a deflagração da Revolução Francesa, exceto
a) a oposição ao mercantilismo e o absolutismo dos Bourbons.
b) a crise financeira agravada pela queda da produção.
c) o sistema tributário justo, existente no país.
d) o Iluminismo e a Independência dos Estados Unidos.
(UFU 2017)
Desta vala imunda a maior corrente da indústria humana flui para fertilizar o mundo todo.
Deste esgoto imundo jorra o ouro puro. Aqui a humanidade atinge o seu mais completo
desenvolvimento e sua maior brutalidade, aqui a civilização faz milagres e o homem civilizado
torna-se quase um selvagem.
TOCQUEVILLE, A. de, Joumeys to England and Ireland. Ed. Mayer, 1958, p. 107-8.
O advento das revoluções burguesas na Europa, atrelado ao industrialismo, gerava, ao
mesmo tempo, perplexidade e deslumbramento ao promover mudanças sociais radicais e
ambíguas, fomentadas pelos avanços tecnológicos em diferentes esferas.
Assinale a alternativa que apresenta a principal mudança no sistema produtivo dos países
pioneiros em promover a industrialização.
a) A formação de mão de obra com os cercamentos dos campos cultiváveis, expulsando-se
os trabalhadores dos grandes centros urbanos.
b) O declínio do proletariado enquanto grupo social hegemônico, arrefecendo-se os conflitos
de classe.
c) A manutenção das terras comunais para a produção de alimentos voltados para a
subsistência dos camponeses europeus.
d) A adoção da divisão técnica do trabalho, com grande utilização de maquinários nas
fábricas e aumento da acumulação de capitais.
(UFU 2016)
Uma verdadeira paixão pelos Estados Unidos tomara conta dos franceses nos anos que
precederam a revolução, como testemunham Chateaubriand e o próprio Franklin, que
escrevia de Paris a seus correspondentes americanos: “aqui é comum dizer que nossa causa
é a do gênero humano”. Além do mais, essa república fora fundada por colonos com quem
a França tecera contra a Inglaterra uma aliança vitoriosa: os que tinham se engajado na
aventura eram conhecidos por ter sofrido[ ... ) de “inoculação americana”.
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OZOUF, Mona. Varennes: a morte da realeza, 21 de junho de 1791. São Paulo: Companhia
das Letras, 2009. p. 175-176 {Adaptado).
A historiografia é consensual em afirmar que o movimento revolucionário francês e os ideais
iluministas foram de grande importância para diversas lutas coloniais ocorridas na América.
Menos estudada é a influência que os norte-americanos exerceram sobre os revolucionários
franceses. Essa influência pode ser explicada, para além dos fatoresmencionados na citação
de Mona Ozouf,
a) pela forte tradição liberal dos colonos norte-americanos que, durante a luta pela
independência, foram contrários a toda forma de exploração do trabalho.
b) pelo forte apelo simbólico que exercia o exemplo norte-americano de emancipação
colonial, visto como caso modelar de luta contra a opressão dos poderes instituídos.
c) pelo desprezo que os colonos norte-americanos tinham em relação à religião, vista por
eles como braço aliado do poder da metrópole inglesa, contra a qual deveriam lutar.
d) pela defesa da doutrina fisiocrata que, no plano político, se traduzia na permanência de
privilégios constitucionais para as camadas senhoriais.
(UFU 2011)
Da forma pela qual a fabricação de alfinetes é hoje executada, um operário desenrola o
arame, outro o endireita, um terceiro corta, um quarto faz as pontas, um quinto o afia nas
pontas para a colocação da cabeça do alfinete e assim por diante. Dessa forma, a importante
atividade de fabricar um alfinete está dividida em aproximadamente dezoito operações
distintas. Trabalhando desta maneira, dez pessoas conseguiam produzir entre elas mais de
quarenta e oito mil alfinetes por dia. Assim, pode-se considerar que cada uma produzia 4.800
alfinetes diariamente. Se, porém, tivessem trabalhado independentemente um do outro, sem
que nenhum tivesse sido treinado para este ramo de atividade, certamente cada um deles
não teria conseguido fabricar vinte alfinetes por dia, e talvez nem mesmo um.
SMITH, Adam. A riqueza das nações. São Paulo: Abril Cultural,1996, p. 65.
Sobre a divisão do trabalho instituída a partir da Revolução Industrial e seus desdobramentos,
é correto afirmar que:
a) o toyotismo é uma forma de gerenciamento de estoque das indústrias, que proporcionou
melhores meios de lidar com o meio ambiente e o controle de matériasprimas.
b) o fordismo é uma forma de gerenciamento científico que serviu para os trabalhadores
exercitarem suas melhores habilidades em atividades específicas.
c) a redução da exigência do desenvolvimento das habilidades do trabalhador teve impacto
sobre o processo produtivo e restringiu o conhecimento integral do trabalhador sobre seu
ofício.
d) a especialização do trabalhador obrigou que somente homens, bem treinados e com
instrução sólida, fossem absorvidos pelas vagas de trabalho geradas com o processo de
industrialização
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(UDESC 2017)
“Liberdade, Igualdade, Fraternidade". Estas três palavras, somadas à bandeira azul, branca
e vermelha, tornaram-se símbolos das ideias defendidas e das reivindicações no movimento
chamado Revolução Francesa.
Com relação à Revolução Francesa, assinale a alternativa correta.
a) Das revoluções de esquerda ocorridas no século XIX, a Revolução Francesa é das mais
significativas, justamente por ser a primeira a contar exclusivamente com a participação de
classes populares. Seu modelo foi reimplementado posteriormente apenas em 1917, durante
a Revolução Russa.
b) Apesar de sua relevância histórica, a Revolução Francesa não influenciou qualquer
movimento revolucionário ou reivindicatório fora do território europeu.
c) A relevância da Revolução Francesa pode ser compreendida por ter sido, entre outras
coisas, o primeiro movimento político que instaurou popularmente o governo de uma
mulher. Esta foi personificada como "Marianne" e foi representada por Delacroix no famoso
quadro Liberdade guiando o povo.
d) A Revolução Francesa teve reverberações não apenas na Europa, mas também na
América. Uma das principais foi, certamente, a influência que exerceu sobre a Independência
dos EUA.
e) A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, proclamada em 1789, ainda que
ressaltasse a liberdade e a igualdade dos cidadãos perante a lei, era excludente em relação
às mulheres. Tal fato auxilia compreender a composição da Declaração dos Direitos da
Mulher e da Cidadã, escrita por Olympe de Gouges, em 1791.
(UDESC 2017)
Renunciar à liberdade é renunciar à qualidade de homem, aos direitos da humanidade, e até
aos próprios deveres. Não há nenhuma reparação possível para quem renuncia a tudo. Tal
renúncia é incompatível com a natureza do homem. Assim, seja qual for o lado por que se
considerem as coisas, o direito de escravizar é nulo, não somente porque ilegítimo, mas
porque absurdo e sem significação. As palavras escravidão e direito são contraditórias;
excluem-se mutuamente. (Jean-Jacques Rousseau. O Contrato Social.)
O livro O contrato Social, escrito por Rousseau e lançado em 1762, apresenta ideias que
confluem com as lutas por “liberdade, igualdade e fraternidade”, conhecido lema da
Revolução Francesa.
Com base na citação de Rousseau – O Contrato Social, assinale a alternativa correta a
respeito das relações entre a Revolução Francesa e a prática da escravidão.
a) Um dos princípios da Revolução Francesa, a igualdade, está previsto na Declaração dos
direitos do homem e do cidadão. Por este motivo, a partir de 1791, a escravidão, em todas
as suas formas, foi abolida e jamais restabelecida nas colônias francesas.
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b) Ainda que o posicionamento dos revolucionários fosse homogêneo, no que diz respeito
ao fim da escravidão, esta foi abolida apenas em 1791, com a assinatura de um tratado entre
Napoleão e o líder haitiano Toussaint Louverture. Após a assinatura deste tratado, a
escravidão jamais foi restabelecida em uma colônia francesa.
c) A defesa da liberdade e as lutas pelo fim da escravidão eram pautas bastante cômodas
para os revolucionários franceses, pois a França nunca contou com pessoas escravizadas em
suas colônias.
d) Os posicionamentos dos revolucionários a respeito da escravidão eram relativamente
contraditórios. Apesar das preleções de Rousseau, alguns grupos defendiam, primeiramente,
apenas o fim do tráfico negreiro. As lutas pela abolição da escravidão e a independência do
Haiti, concretizada apenas em 1804, são representativas destas contradições.
e) Como a obra não cita as mulheres, pode-se concluir que Jean-Jacques Rousseau era um
defensor da escravidão apenas para as mulheres.
(UDESC 2014)
“Na manhã de sexta-feira, observa-se um grande número de guardas nacionais, que
pareciam dispostos a defender o rei. Mas, ao contrário, por volta das 9h45, o povo, misturado
com outros destacamentos da Guarda Nacional e com os federados, preparava-se para
entrar à força no palácio. Então todas as portas foram abertas, os canhoneiros giraram seus
canhões contra o palácio e a Guarda Nacional, que parecia estar ali para impedir o acesso,
tomou de súbito o partido do povo e da outra fração da Guarda. (...) Os suíços foram todos
massacrados e saqueados, e parece impossível dar uma explicação plausível para a barbárie
e os insultos de que foram objeto seus cadáveres. Alguns dos suíços que se dirigiram à
Guarda Nacional e pediram misericórdia foram decapitados pela fúria popular e seus corpos
foram jogados pelas janelas. O número de mortos oscila entre 2 mil e 2,5 mil. Felizmente, o
rei, a rainha, o delfim e toda a família real foram por volta das 8 horas, antes que o assalto
começasse, à Assembleia Nacional e ali ficaram sãos e salvos durante todo o dia. Mas que
terror e desolação não devem ter sentido! Todas as pessoas da criadagem e ligadas ao
serviço da família real foram massacradas.”
(Arquivos de Gênova, Correspondance de Spinola. Apud: VOVELLE, Michel. A Revolução
Francesa 1789-1799. São Paulo: Unesp, 2012. pp. 36-37.)
O relato do embaixador de Gênova, a respeito da jornada de 10 de agosto de 1792, aponta
para a nova fase que se inaugurava na RevoluçãoFrancesa. Analise as proposições em
relação à ruptura iniciada em 1789.
I. A exigência de maior participação política da burguesia se devia aos burgueses serem
proibidos de assumir posições na administração do Estado francês.
II. O episódio da tomada do palácio das Tulherias, acima narrado, constituiu-se em uma
exceção no processo revolucionário que, à parte a execução do rei Luís XVI e da rainha Maria
Antonieta, foi pacífico e contou com a união geral da população para quebrar os privilégios.
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III. A tomada da Bastilha assinalou a libertação de milhares de presos políticos, vítimas de um
sistema judiciário ineficiente, o qual impedia o acesso a advogados.
IV. A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão apresenta uma síntese da filosofia
das Luzes, destacando-se o direito à liberdade individual, à igualdade e à propriedade.
Sendo assim, fundamentalmente rejeitados o sistema hierárquico e a censura do Antigo
Regime.
Assinale a alternativa correta.
a) Somente as afirmativas I e IV são verdadeiras.
b) Somente as afirmativas I e II são verdadeiras.
c) Somente a afirmativa IV é verdadeira.
d) Somente as afirmativas I e III são verdadeiras.
e) Todas as afirmativas são verdadeiras.
(UDESC 2013)
Segundo o historiador Eric Hobsbawn, a Revolução Industrial “sob qualquer aspecto [este]
foi provavelmente o mais importante acontecimento na história do mundo, pelo menos
desde a invenção da agricultura e das cidades. E foi iniciado pela Grã-Bretanha”.
HOBSBAWN, Eric. A Era das Revoluções – 1789-1848. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1977, p.
45.
Com relação ao excerto acima, assinale a alternativa incorreta.
a) Não ocorreram movimentos de resistência dos trabalhadores às novas formas de trabalho
estabelecidas pela Revolução Industrial.
b) A Revolução Industrial propiciou o surgimento de novas formas de organização da
produção de bens, sendo que o sistema de fábricas tornou-se o preponderante, difundindo-
se para outros países e continentes, no decorrer dos séculos XIX e XX.
c) Possibilitou o estabelecimento de uma nova forma de controle do tempo, que passou a
ser marcado pelo relógio e não mais pela natureza.
d) O sistema de fábricas, no qual os trabalhadores estão concentrados em um mesmo
espaço, possibilitou que o dono da fábrica controlasse também a mão de obra, além da
matéria prima.
e) Entre as principais inovações tecnológicas advindas com a Revolução Industrial, pode-se
citar a substituição das máquinas movidas à tração animal ou à força da água pelas máquinas
a vapor.
(Uel 2020)
Analise a imagem a seguir:
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Exposta no Museu do Louvre, a obra “Liberdade Guiando o Povo”, remete à existência de
questão social ainda hoje debatida.
Com base na imagem e nos conhecimentos sobre modernidade e vida social, é correto
afirmar que a obra representa
a) a luta de estratos sociais em defesa da igualdade jurídica e pela conquista dos direitos de
cidadania.
b) a primeira tentativa de revolução social do proletariado moderno contra a burguesia.
c) a participação popular na luta pelo direito de voto pelas mulheres e contra o trabalho
infantil.
d) o repúdio ao caráter sangrento das revoluções populares, produtoras de regimes
ditatoriais.
e) a democracia, que atinge a plenitude quando homens, mulheres e jovens pegam em
armas.
(Uel 2018)
Analise as figuras a seguir:
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Com relação ao tema da Revolução Industrial Inglesa, atribua V (Verdadeiro) ou F (Falso) às
afirmativas a seguir.
( ) A substituição do tear manual pelo mecânico no processo fabril propiciou aos
trabalhadores, em suas relações sociais de produção, maior tempo livre para o lazer.
( ) O aumento da produtividade pela mecanização industrial ampliou a prosperidade
econômica da população, diminuindo as diferenças sociais entre ricos e pobres.
( ) A organização da produção realizada pelo artesão em suas atividades domésticas
estabeleceu-se em sistema de corporações de mestres de ofícios.
( ) A produção industrial, durante o século XIX, libertou as crianças trabalhadoras dos riscos
de morte oriundos das atividades de trabalho artesanal.
( ) Os cercamentos das terras comunais privaram os camponeses do livre acesso às suas
condições de auto-sobrevivência.
Assinale a alternativa que contém, de cima para baixo, a sequência correta.
a) V, V, F, F, V.
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b) V, F, V, F, F.
c) F, F, V, F, V.
d) F, F, F, V, V.
e) F, V, F, V, F.
(UEL 2016)
Thomas Morus, em sua obra Utopia, criou uma analogia para a sociedade de sua época.
Nessa representação da sociedade, caracterizada pelo caos, ovelhas se alimentavam de seres
humanos, explicitando, dessa forma, um rompimento do equilíbrio social, no século XVIII.
Com base nos conhecimentos sobre as transformações históricas ocorridas nesse período,
assinale a alternativa que apresenta, corretamente, a denominação da fase do sistema
produtivo e a nação correspondente nesse processo.
a) Plantations – Alemanha.
b) Dominium – Itália.
c) Servidão – Portugal.
d) Corveia – França.
e) Cercamentos – Inglaterra.
(PUC-SP 2014)
“O Terror, que se tornou oficial durante certo tempo, é o instrumento usado para reprimir
a contrarrevolução(...). É a parte sombria e mesmo terrível desse período da Revolução
[Francesa], mas é preciso levar em conta o outro lado dessa política.”
Michel Vovelle. A revolução francesa explicada à minha neta. São Paulo: Unesp, 2007, p. 74-
75.
São exemplos dos “dois lados” da política revolucionária desenvolvida na França, durante o
período do Terror,
a) o julgamento e a execução de cidadãos suspeitos e o tabelamento do preço do pão.
b) a prisão do rei e da rainha e a conquista e colonização de territórios no Norte da África.
c) a vitória na guerra contra a Áustria e a Prússia e o fim do controle sobre os salários dos
operários.
d) a ascensão política dos principais comandantes militares e a implantação da monarquia
constitucional.
e) o início da perseguição e da repressão contra religiosos e a convocação dos Estados
Gerais.
(PUC-RJ 2021)
No final do século XVIII, cidadãos franceses reunidos em Assembleia Constituinte aprovaram
a Declaração de Direitos do Homem e do Cidadão, cujo primeiro artigo é
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“Art.1o Os Homens nascem e são livres e iguais em direitos. As distinções sociais só podem
fundamentar-se na utilidade comum.”
Essas ideias podem ser associadas
a) à crise do Antigo Regime, aristocrático e desigual, e ao início da Revolução Francesa.
b) à afirmação do igualitarismo social e à difusão das ideias socialistas na França.
c) ao Mercantilismo, que tinha a defesa da liberdade fundada na “utilidade comum” como
princípio básico.
d) à extinção das distinções entre os indivíduos, permitindo a ascensão do totalitarismo.
(PUC-RJ 2016)
Considerando que a Revolução Industrial se caracteriza por ser um processo contínuo, porém
convencionalmente dividido em fases, avalie as seguintes afirmações sobre a primeira fase
dessa Revolução:
I. Tevea preponderância da Inglaterra, especialmente com o desenvolvimento da indústria
têxtil.
II. Caracterizou-se pela nova disciplina do trabalho, o que modificou hábitos e costumes dos
trabalhadores, que, em grande parte, provinham do campo.
III. Utilizou a mão de obra de famílias inteiras, incluindo mulheres e crianças.
IV. Impôs aos trabalhadores uma intensa divisão do trabalho e a racionalização do tempo,
implementando o sistema conhecido como Taylorismo.
Estão CORRETAS somente as afirmações:
a) I, III e IV.
b) I e III.
c) III e IV.
d) I, II, III e IV.
e) I, II e III.
(FGV 2018)
Na sua faceta mais radical, a Revolução Francesa promoveu uma certa redistribuição de terra,
por meio de medidas como a venda dos bens nacionais. Entretanto, nesse processo de
construção de uma ordem jurídica burguesa, o fim da escravidão não seria, no final das
contas, incluído. A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão de 1789 trazia, no seu
artigo 1º, o princípio segundo o qual “os homens nascem e permanecem livres e iguais em
direitos”. Mas a história revolucionária mostrou que essa fórmula clássica do liberalismo
político foi capaz de gerar, de imediato, posturas contraditórias entre os diferentes atores
históricos do período, que interpretavam os termos liberdade e igualdade à luz de suas
próprias aspirações e interesses.
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(Laurent Azevedo Marques de Saes. A Societé des Amis des Noirs e o movimento
antiescravista sob a Revolução Francesa (1788-1802). Tese (Doutorado em História Social) –
FFLCH, USP. 2013. Adaptado)
Nesse contexto, é correto afirmar que
a) a Revolução Francesa, embora conduzida em nome de princípios universais de liberdade
e igualdade, acabou incorporando a escravidão colonial na nova ordem jurídica, sem que
essa instituição tivesse sido posta em discussão nem sequer no período mais radical do
processo revolucionário, no momento no qual os jacobinos tentaram dirigir os rumos da
revolução.
b) os princípios de liberdade e igualdade, para a maioria dos homens nas assembleias
revolucionárias, não encontravam fronteiras ou limites ditados pela condição da França de
potência colonial, mas representavam valores universais a serem difundidos inclusive para a
América a partir de Paris, ainda que a ascensão de Napoleão tenha freado a propagação das
ideias revolucionárias.
c) o império colonial francês à época girava em torno da “pérola das Antilhas”, São Domingos
(futuro Haiti), colônia que havia projetado a França para o topo do mercado internacional de
produtos tropicais e que transformou o sucesso da produção caribenha na base da riqueza
burguesa dos portos franceses, o que não impediu que jacobinos e sans culottes
defendessem a abolição e a independência colonial desde julho de 1789.
d) a questão colonial evidenciava, sob certos aspectos, os limites da Revolução Francesa,
liberal e burguesa, pois dentro da ótica mercantilista que orientou a economia francesa
desde o século XVII, a prosperidade da Nação dependia da balança comercial favorável e,
nesse sentido, o papel do comércio com as colônias e da reexportação dos produtos
proporcionados por esse comércio era visto como capital.
e) a restauração da escravidão nas colônias, ocorrida em 1799 por ordem de Bonaparte
depois da abolição em 1789, por exigência dos revolucionários, teve como desdobramento
o levante negro no Haiti, em que se lutava simultaneamente pela abolição da escravidão e
pelo rompimento dos laços coloniais com a França, resultando na independência do Haiti,
primeiro a libertar os escravos no continente americano.
(FGV-SP 2001)
“Quem, portanto, ousaria dizer que o Terceiro Estado não tem em si tudo o que é necessário
para formar uma nação completa? Ele é o homem forte e robusto que tem um dos braços
ainda acorrentado. Se suprimíssemos a ordem privilegiada, a nação não seria algo de menos
e sim alguma coisa mais. Assim, o que é o Terceiro Estado? Tudo, mas um tudo livre e
florescente. Nada pode caminhar sem ele, tudo iria infinitamente melhor sem os outros.”
E. J. Sieyès. Qu’est-ce que le Triers Êtat.
O texto do Abade Sieyès nos remete a uma leitura da/do:
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a) sistema de estamentos na França pré-revolucionária, privilegiando o papel realizador do
clero;
b) França durante o período do Terror, quando Robespierre orienta os jacobinos à execução
total do alto clero;
c) condição do Terceiro Estado, de não apenas desejar construir uma nação, mas,
fundamentalmente, de ser efetivamente a nação;
d) necessidade de acordos entre os diferentes estamentos para a construção de uma nação
próspera e republicana;
e) Terceiro Estado, composto pelo baixo clero, e representando 98% da população francesa,
que buscava dar fim aos privilégios dos demais estamentos.
(FGV-SP 2001)
Considerando a Revolução Industrial em suas duas diferentes fases, podemos afirmar que:
a) a primeira fase caracterizou-se pela utilização do carvão e do ferro e desenvolveu-se
primeiramente na Inglaterra, na França e na Bélgica;
b) tanto a primeira como a segunda fase da Revolução Industrial caracterizaram-se pela
utilização do aço e da eletricidade;
c) Alemanha, Itália, Rússia, EUA e Japão foram os países que se destacaram em sua primeira
fase;
d) tanto a primeira como a segunda fase da Revolução Industrial caracterizaram-se pela
utilização do carvão e do aço;
e) a segunda fase da Revolução Industrial caracterizou-se pela utilização do aço e da
robótica e desenvolveu-se principalmente no Japão.
(IFSudMinas 2016)
Analise as afirmações a seguir sobre a Revolução Francesa.
I) A crise financeira experimentada pela França antes da revolução e o regime político
absolutista do rei podem ser considerados como fatores importantes para o início da
revolução.
II) A Queda de Bastilha foi o evento decisivo para o início da Revolução Francesa. A Bastilha
era uma prisão para a qual o rei enviava injustamente muitos condenados.
III) Havia uma disputa de poder entre os Girondinos e os Jacobinos, mas estes nunca
conseguiram assumir o poder na França depois da revolução.
IV) O principal lema da Revolução Francesa é: liberdade, igualdade e fraternidade.
Agora marque a alternativa CORRETA.
a) Apenas I, II e III são verdadeiras.
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b) penas II, III e IV são verdadeiras.
c) Apenas I, II e IV são verdadeiras.
d) Todas as afirmativas são verdadeiras.
e) Todas as afirmativas são falsas.
(IFRS 2019)
Nas sentenças abaixo a respeito da Revolução Industrial, iniciada na Inglaterra no final do
XVIII, marque verdadeiro (V) ou falso (F).
( ) Um dos motivos do pioneirismo inglês na Revolução Industrial foi o precoce processo de
cercamento dos campos (século XVI) que concentrou a propriedade fundiária e ampliou a
oferta de mão de obra assalariada nos campos e nas cidades.
( ) O desenvolvimento da indústria propiciou uma significativa melhora na urbanização e nas
condições de vida da classe operária nos grandes centros industriais, tais como a Inglaterra
no início do século XIX.
( ) A gradual mecanização e especialização da produção retirou dos trabalhadores o domínio
sobre o produto final do trabalho em um processo que pode ser denominado alienação do
trabalho.
( ) A segunda fase da Revolução Industrial (aproximadamente entre 1875 e 1945) coincidiu
com um novo processo de dominação das potências europeias sobre os territórios daÁfrica
e da Ásia em busca de fontes de energia e de mercado para suas mercadorias e capitais.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
a) V – F – F – V
b) F – F – V – F
c) V – F – V – V
d) F – V – V – V
e) F – F – V – V
(UNESP 2006)
"... a Revolução de 1789 não fez nada pelo operário: o camponês ganhou a terra, o operário
está mais infeliz que outrora e os monarquistas têm razão quando afirmam que as antigas
Corporações [de Ofício] protegiam melhor o trabalhador do que o regime atual".
("Jornal Le Matin", 07 de março de 1885.)
Com tal declaração, o escritor francês Émile Zola fazia um balanço dos efeitos sociais da
Revolução de 1789, referindo-se
a) aos confiscos dos bens dos nobres franceses emigrados e à política liberal implementada
pelo Estado.
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b) à baixa participação dos trabalhadores urbanos nas lutas sociais na França do final do
século XIX.
c) ao apoio dos operários ao projeto de Restauração do absolutismo francês, como garantia
de melhoria social.
d) à liderança política dos camponeses franceses nas revoluções socialistas e comunistas do
século XIX.
e) à política de bem-estar social instituída pelo Partido Social Democrata francês ao longo
do século XIX.
(URCA 2020)
A segunda metade do século XVIII convulsionou a Europa em movimentos de contestação e
crise do Antigo Regime. “A França forneceu o vocabulário e os temas da política liberal e
radical-democrática para a maior parte do mundo. A França deu o primeiro grande exemplo,
o conceito e o vocabulário do nacionalismo. A França forneceu os códigos legais, o modelo
de organização técnica e científica e o sistema métrico de medidas para a maioria dos países.
A ideologia do mundo moderno atingiu as antigas civilizações que tinham até então resistido
as ideias europeias inicialmente através da influência francesa. Esta foi a obra da Revolução
Francesa”
(HOBSBAWM, Eric. A Era das Revoluções. p.98 São Paulo, Paz e Terra, 2010).
São vinculados ao movimento revolucionário francês:
A) A sociedade era dividida em estamentos, sendo o terceiro estado composto pela maior
parte da população, únicos que pagavam impostos, e que estavam sendo oprimidos pelos
demais estados (clero e nobreza) entre os populares descontentes destaca-se a burguesia
em ascensão que vislumbravam direitos políticos.
B) Durante o processo revolucionário a rainha Maria Antonieta e o seu marido Oliver
Cromwell foram decapitados pelos revolucionários radicais acusados de alta traição ao
Estado, a morte do Reis foram extremamente simbólicas para legitimar a queda do antigo
regime.
C) Em 1789 foi delineado o documento de Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão,
sendo um manifesto da burguesia contra a sociedade de privilégios dos nobres, em nenhum
momento se propôs em ser a favor de uma sociedade democrática e igualitária.
D) Durante o processo revolucionário se destacaram alguns motins, entre eles, o político e o
da fome. Sendo os motins da fome protagonizados pelas mulheres.
E) O regime Jacobino, também denominado de fase do terror, foi responsável por mobilizar
o apoio da massa contra a rebeldia dos notáveis e dos girondinos, implantar terrorismo às
pessoas consideradas traidoras, controlar os preços e implantar uma constituição de
tendência radical.
(URCA 2018)
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“[...] No princípio da década de 1830, entre um terço e a metade da força de trabalho (em
todas as classes de trabalho) nas indústrias algodoeiras tinha menos de vinte e um anos de
idade. No setor de lãs cardadas, a proporção de jovens era ainda maior. Entre os adultos,
bem mais da metade eram mulheres. [....] A força de trabalho adulto nas indústrias têxteis do
Reino Unido atingia 191.671 pessoas, das quais 102.812 eram mulheres e apenas 88.859,
homens.”
(THOMPSON E. P. A formação da Classe Operária. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987. V.II
p.170)
Sobre a situação dos trabalhadores durante a Revolução Industrial Inglesa, pode-se afirmar:
A) O movimento sindical foi inicialmente organizado através do Ludismo que tinha como
base de ação reuniões e assembleias pacíficas que reivindicavam melhores condições de vida
e direitos para os trabalhadores.
B) Em virtude das péssimas condições de vida, progressivamente, houve um retorno dos
trabalhadores da cidade para o campo, desacelerando o processo industrial na Inglaterra em
algumas décadas.
C) A existência de uma legislação específica protegia os menores de idade e não permitia o
trabalho de crianças nas fábricas.
D) As cidades, sobretudo, os bairros da classe operária, eram espaços altamente insalubres
com péssimas condições de saúde, higiene e moradia. Os baixos salários pagos aos
trabalhadores e a péssima alimentação contribuíam para a sua baixa expectativa de vida.
E) Por serem mais especializadas, as mulheres eram mais requisitadas para a indústria de
trabalho têxtil e, em muitas situações, tinham salários maiores que os homens nas fábricas.
(UEA 2010)
A máquina, da qual parte a Revolução Industrial, substitui o trabalhador, que maneja uma
única ferramenta, por um mecanismo, que opera com uma massa de ferramentas iguais ou
semelhantes de uma só vez, e que é movimentada por uma única força motriz, qualquer que
seja sua força. (Karl Marx. O Capital, 1867.) A partir do texto, é correto considerar que a
Revolução Industrial
(A) aboliu a mão de obra no processo produtivo, provocando desemprego e sofrimentos
sociais.
(B) aumentou a produção de mercadorias, instituindo uma forma de produção diferente da
artesanal.
(C) impediu o surgimento de movimentos socialistas, subordinando os operários às
máquinas.
(D) produziu um quadro de nivelamento econômico entre os países, devido à expansão da
industrialização.
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AULA 09: HC I - Revoluções Francesa e Industrial
(E) atenuou as desigualdades sociais, favorecendo a ascensão política da grande massa de
trabalhadores industriais.
(UNITINS 2021)
Ao longo da história, a relação do indivíduo com o trabalho foi se modificando em
conformidade com acontecimentos e valores dos diferentes períodos sociais. Segundo Karl
Marx, “uma aranha executa operações semelhantes às do tecelão, e a abelha envergonha
mais de um arquiteto humano com a construção dos favos de suas colmeias. Mas o que
distingue o pior arquiteto da melhor abelha é que ele constrói o favo em sua cabeça, antes
de construí-lo em cera”
(MARX, Karl. O Capital. Vol. I, tomo 1. São Paulo: Abril Cultural, 1983, p. 149- 150).
Analise as seguintes afirmativas a respeito do trabalho humano no desenrolar do processo
histórico.
I - Na Grécia antiga a dignidade do indivíduo estava relacionada à sua capacidade de dedicar-
se ao desenvolvimento do pensamento, distanciando-se o mais possível do trabalho manual.
II – O desenvolvimento do capitalismo promoveu mudanças nos modos de produção, no
comércio, nas relações de trabalho, na lógica da acumulação e do lucro.
III - A sociedade medieval desenvolveu a concepção de que o trabalho eleva a condição
social do indivíduo e promove sua realização pessoal.
IV- A partir da Revolução Industrial, o sentido de trabalho foi sendo estruturado como
emprego e se fortaleceu a figura do trabalhador assalariado.
É correto o que se afirma em:
A) I, II e IV, apenas.
B) I e IV, apenas.
C) II e III, apenas.
D) III e IV, apenas.
E) I, II, III e IV.
(UNITINS 2021)
A imageme o texto a seguir fazem referência à Revolução Francesa.
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Caderno de Terceiro Estado da paróquia de Longey-en-Dunois, França.
“Nós, habitantes da paróquia de Longey abaixo-assinados, tendo-nos reunido em virtude
das ordens do Rei, na sexta-feira, dia 6 do presente mês de maio de 1789, resolvemos o que
segue: pedimos que todos os privilégios sejam abolidos. Declaramos que se alguém merece
ter privilégios e gozar de isenções, são estes, sem contradição, os habitantes do campo, pois
são os mais úteis ao Estado, porque por seu trabalho o fazem viver. Que até hoje foram
quase os únicos a pagar os exorbitantes impostos de que esta província está carregada”.
MATTOSO, Kátia M. de Q. Textos e documentos para o estudo de História Contemporânea.
São Paulo: Edusp, 1976.
Sobre a Revolução Francesa, analise as afirmativas a seguir e considere V (Verdadeiro) ou F
(Falso).
( ) A base ideológica da Revolução Francesa foi o Iluminismo, movimento intelectual que
defendia o uso da razão e maior liberdade econômica e política.
( ) São causas da Revolução Francesa a insatisfação popular com a crise econômica e política
da França, no final do século XVIII, bem como a grande desigualdade social gerada pela
monarquia absolutista.
( ) A Revolução Francesa teve a duração de dez anos e foi encerrada pelo Golpe de 18 de
Brumário, quando Napoleão Bonaparte assumiu o poder.
( ) Apesar de sua duração, a Revolução Francesa não influenciou a queda do regime
absolutista na Europa.
( ) A Queda da Bastilha, ocorrida em 14 de julho de 1789, em Paris, marcou o início de um
ciclo revolucionário conhecido como Revolução Francesa.
A opção que apresenta a sequência correta, de cima para baixo, é:
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AULA 09: HC I - Revoluções Francesa e Industrial
A) F, V, V, V e F.
B) V, F, V, V e F.
C) F, F, V, V e V.
D) V, F, V, F e V.
E) V, V, V, F e V
(UNICENTRO 2019)
“Para o historiador, todos os acontecimentos, mesmo os remotos, têm atualidade e vida.
Mas isso é ainda mais verdadeiro no caso da Revolução Francesa de 1789, que transformou
o modo de vida até daqueles que pouco souberam ou sabem sobre ela, até hoje em dia.
Não será exagero dizer que ela ajudou a dar forma ao mundo ocidental contemporâneo,
moldando as instituições e os ideais que nos animam e que consideramos universais.”
GRESPAN, Jorge. Revolução Francesa e Iluminismo. São Paulo: Contexto, 2003, p. 9.
Sobre a Revolução Francesa é correto afirmar.
a) A Revolução Francesa ocorreu em meio a uma crise econômica e foi produto de revoltas
de burgueses, camponeses e trabalhadores urbanos.
b) A Revolução Francesa é considerada a primeira Revolução Comunista, pois, até hoje, esse
sistema molda as instituições no mundo ocidental.
c) Foi uma revolução comandada por Napoleão Bonaparte que, influenciado pelo Iluminismo,
organizou um golpe de estado contra Luiz XVI.
d) A Revolução Francesa foi um movimento caracterizado pelo terror, organizado pelo
revolucionário Robespierre, em apoio ao absolutismo de Luiz XVI.
e) Trata-se de uma revolução burguesa, inspirada no Iluminismo e comandada por
Robespierre, na qual o Czar Nicolau II foi executado na guilhotina.
(UNICENTRO 2019)
Para além dos aspectos estritamente econômicos, a Revolução Industrial representou uma
mudança social fundamental em outros aspectos da vida dos trabalhadores. Assinale a
alternativa que contém as novas características do trabalho industrial.
a) Trabalho na agricultura de subsistência com técnicas tradicionais.
b) Trabalho familiar e no espaço doméstico, o que permitiu grandes ganhos econômicos para
a classe trabalhadora.
c) Trabalho comunitário através de mutirões e uma mentalidade religiosa.
d) Expansão de uma moral hedonista e aristocrática.
e) Proletarização das classes trabalhadoras e submissão do trabalho à disciplina fabril de
produção.
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(UNITAU 2015)
Os fatos abaixo, numerados de I a V, referem-se às fases da Revolução Francesa e seus
principais acontecimentos.
I. É aprovada a Constituição Civil do Clero que estabelece a transformação de seus membros
em funcionários civis do Estado.
II. Os camponeses da região da Vendeia rebelam-se contra o alistamento obrigatório. Disso
se aproveitaram o clero refratário e os monarquistas, para insuflar a contrarrevolução.
III. É eleita a Assembleia Legislativa, composta na maioria por membros da alta burguesia,
favoráveis à manutenção da monarquia constitucional.
IV. A Conjura dos Iguais, movimento popular liderado por Graco Babeuf, propõe a tomada
do poder à força e o fim da propriedade privada.
V. Forma-se a primeira coligação das forças absolutistas contra a França, integrada por
Inglaterra, Áustria, Prússia, Espanha, Holanda, Sardenha e Rússia.
Identifique a alternativa que apresenta, na sequência CORRETA, os fatos que se relacionam
e correspondem às fases:
a) I - Segunda fase (Monarquia constitucional); II – Segunda fase (Monarquia constitucional);
III - Primeira fase (Assembleia Nacional Constituinte); IV – Quarta fase (Diretório); V - Terceira
fase (Convenção Nacional – República).
b) I – Primeira fase (Assembleia Nacional Constituinte); II – Terceira fase (Convenção Nacional
– República); III – Segunda fase (Monarquia constitucional); IV – Quarta fase (Diretório); V -
Terceira fase (Convenção Nacional – República).
c) I – Quarta fase (Diretório); II – Primeira fase (Assembleia Nacional Constituinte); III - Quarta
fase (Diretório); IV – Primeira fase (Assembleia Nacional Constituinte); V - Terceira fase
(Convenção Nacional – República).
d) I – Terceira fase (Convenção Nacional – República); II - Terceira fase (Convenção Nacional
– República); III – Quarta fase (Diretório); IV – Quarta fase (Diretório); V – Primeira fase
(Assembleia Nacional Constituinte).
e) I – Primeira fase (Assembleia Nacional Constituinte); II – Terceira fase (Convenção Nacional
– República); III – Segunda fase (Monarquia constitucional); IV – Quarta fase (Diretório); V -
Primeira fase (Assembleia Nacional Constituinte).
(UNCISAL 2020)
Revolução Industrial é um termo geral, largamente usado para descrever um conjunto de
mudanças tecnológicas e organizacionais que foram consideravelmente além daquele que é
o aspecto mais bem conhecido destas: a invenção de máquinas motorizadas.
DAVIES, Norman. Europe: a history. London: Pimlico, 1997, p. 679 (tradução livre).
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Além da “invenção de máquinas motorizadas”, outras inovações técnicas e/ou
organizacionais características da primeira fase da Revolução Industrial (1760-1840) na
Europa ocidental foram
A) o arado e o moinho hidráulico.
B) a automação da produção e a prensa de tipos móveis.
C) o beneficiamento do ferro e o trabalho artesanal doméstico.
D) o motor de combustão interna e a adição do petróleo à matriz energética.
E) a iluminação a gás e a adoção do carvão mineral como importante fonte de energia.
(UNCISAL 2018)
“Estevão inclinou-se sobre o tear, calmo, atento e laborioso. Como todos os homens da floresta
de teares, onde trabalhava, Estevão formava contraste estranho com o rumor, o barulho e a
agitação das peças do mecanismo a que fora destinado”. O excerto apresentado é do livro
Tempos Difíceis, de Charles Dickens,publicado em 1854 e relançado no Brasil em 2014. Nessa
ficção, Dickens retrata o impacto da Revolução Industrial sobre a vida da população inglesa do
século XIX. Em relação a esse contexto, assinale a alternativa correta.
(A) A Revolução Industrial é um fenômeno histórico, iniciado na França, que impactou toda a
Europa no século XVIII e XIX.
(B) A Revolução Industrial teve na Inglaterra seu início, devido a diversos fatores. Dentre eles, está
o fato de a Inglaterra possuir uma monarquia que adotava medidas que contribuíam com o
desenvolvimento de uma burguesia mercantil desde o século XVII.
(C) O saber do trabalhador ficou mais complexo a partir da Revolução Industrial, pois ele precisou
conhecer todas as etapas da produção, diferentemente do período anterior, no qual ele estava
submetido a um processo de especialização do seu saber.
(D) Adaptar-se ao trabalho nas fábricas foi uma atividade fácil para a população inglesa do século
XVIII, visto que a dinâmica da fábrica utilizava a mesma concepção de tempo que o trabalhador
tinha ao trabalhar no campo.
(E) A Revolução Industrial Inglesa permitiu a inserção das mulheres no mercado de trabalho,
propiciando a elas as mesmas condições de trabalho e os mesmos direitos que os homens.
(UNAERP 2020)
No século XVIII, no contexto comercial inglês, um conjunto de atos administrativos que
ficaram conhecidos como Enclosure Acts, ou Leis dos Cercamentos, contribuiu de maneira
decisiva para o que mais tarde ficaria conhecido como a revolução industrial inglesa. Os
Enclosure Acts
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a) instituíam que as terras consideradas de uso público, de fato ou direito, ocupadas então
por camponeses, passassem a ser reconhecidas como propriedade de um nobre local.
b) estabeleciam que as terras nobiliárquicas, que ainda tratavam o camponês em regime de
trabalho servil, fossem disponibilizadas para a produção de algodão, a matéria-prima para a
produção de tecidos.
c) estabeleciam que os camponeses deveriam obrigatoriamente produzir algodão. Dessa
forma, sem condições de competir com os grandes produtores algodoeiros americanos,
deixaram o campo, provocando êxodo rural.
d) instituíam que as terras ocupadas por camponeses que viviam de sua subsistência
deveriam, imperativamente, ser arrendadas ou concedidas à Coroa que, por sua vez, através
de cartas de doação, as concederia a produtores de seda.
e) instituíam a divisão das grandes propriedades em pequenas. Isso levou à redução da
produtividade e, consequentemente, à capacidade de concorrência dos pequenos
proprietários rurais frente aos grandes latifúndios das nobrezas locais.
(UNAERP 2020)
Na Europa, entre as últimas duas décadas do século XVIII e nas primeiras três do século XIX,
surgiu um estilo artístico conhecido como Neoclassicismo, com uma nova tendência estética
que prevaleceu nas criações dos artistas da época, expressando os valores próprios de uma
nova e fortalecida burguesia. Assinale a opção que expressa um fato histórico que influenciou
esse estilo artístico.
a) A segunda fase da Revolução Industrial, no século XVII, revelando um estilo estético de
arte aplicado à indústria.
b) A Contrarreforma italiana, do início do século XVII, que trouxe consigo à estética do alto
Renascimento e do maneirismo.
c) A Revolução Francesa, em 1789, símbolo da queda do Antigo Regime, que expressou um
estilo inclinado ao culto à natureza e à imaginação.
d) As escavações arqueológicas em Pompeia e Herculano, descobertas em 1748, que
ofereceram a primeira visão da arte romana bem preservada.
e) A descoberta da Pedra de Roseta, durante a expedição francesa ao Egito, em 1799,
quando seus painéis revelaram o sofisticado estilo de vida da elite egípcia.
(UNIRV 2018)
A Revolução industrial foi um conjunto de mudanças que aconteceu na Europa nos séculos
XVIII e XIX. A principal particularidade dessa revolução foi a substituição do trabalho
artesanal pelo assalariado e com o uso das máquinas.
O texto acima escreve sobre a Revolução Industrial. Sobre os acontecimentos na Revolução
Industrial, Assinale V (verdadeiro) ou F (falso) para as alternativas.
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a) ( ) Ao longo do século XIX a consolidação do capitalismo tornaria as condições de vida e
de trabalho do nascente proletariado extremamente importantes e, principalmente, com a
formação das associações internacionais dos trabalhadores, percebeu-se uma estreita
relação entre o marxismo, o movimento operário europeu e o capitalismo.
b) ( ) O ludismo traduz as primeiras manifestações de resistência da nascente classe operária
que ocupou os últimos anos do século XVIII e os primeiros do século XIX. O movimento
cartista, movimento operário que surgiu na primeira metade do século XIX, não se constituiu
um fato isolado, pois foi precedido de greves, motins, insurreições e outras manifestações
da classe operária.
c) ( ) As mudanças promovidas pela Primeira Revolução Industrial ocorreram em vários
âmbitos. Na esfera da produção, os três setores mais atingidos foram: a mineração de carvão,
a indústria têxtil e a siderurgia.
d) ( ) Os meios de produção no sistema capitalista não podem ser apenas máquinas, as
ferramentas, as instalações físicas, as fontes de energia, os meios de transporte e a tecnologia
em produtos e processos, pois incluem a discussão em torno do socialismo utópico.
(UNIRV 2019)
No final do século XVIII, a Inglaterra adentrou um processo de transformações econômicas e
sociais que mudariam completamente a dinâmica da economia mundial e moldaria a Idade
Contemporânea. Sobre a Revolução Industrial, assinale V (verdadeiro) ou F (falso) para as
alternativas.
a) (V) O Reino Unido e mais precisamente a Inglaterra foram palco da Revolução Industrial
devido ao acúmulo de uma série de fatores. As revoluções inglesas, que resultaram, já na
década de 1680, em uma monarquia parlamentar de cunho liberal, e tratados comerciais
vantajosos como Methuen (1703), foram dois desses fatores.
b) (V) As primeiras etapas da Revolução Industrial não envolviam avanços tecnológicos, mas
a transformação na dinâmica do trabalho, mudando o foco da encomenda para o estoque e
o trabalho autônomo pelo especializado. Isso esboça-se claramente nas teorias de Taylor
sobre a produtividade.
c) (V) A Revolução Industrial ocasionou mudanças sociais drásticas, pois ao contrário do
artesão que dominava todo o processo produtivo, o operário é alienado do processo pela
especialização. Essa condição vulnerabilizava o trabalhador que passou a depender da
estrutura fabril para sobreviver, tornando o desemprego uma ameaça à estabilidade social
dos grandes centros urbanos.
d) (F) A Revolução Industrial comprovou a eficácia do modelo econômico liberal, que
garantindo a estabilidade econômica só foi ameaçado pelas ditaduras socialistas na metade
do século XX.
(CÁSPER LÍBERO 2013)
Sobre a Revolução Francesa iniciada em 1789, é correto afirmar que:
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a) foi longamente preparada pelo ciclo revolucionário ocorrido na Inglaterra no século XVII,
o que explica o apoio que esse país prestou aos revoltosos franceses.
b) tratou-se, principalmente, de uma revolução cultural, ápice do desenvolvimento do
chamado Iluminismo.
c) não foi devidamente percebida como um movimento relevante por seus contemporâneos,
ganhando importância apenas retrospectivamente, com o início da Revolução de 1848.
d) não implicou mudançassignificativas na ordem societária dominante no mundo ocidental.
e) apresentou diferentes fases, desembocando em um contexto monárquico,
antirrevolucionário e reacionário, representado pelo Congresso de Viena.
(UFMS 2020)
Leia o texto a seguir.
“A Revolução conquistou o mundo. Apesar das santas alianças e dos sistemas de intervenção,
os despotismos pereceram um após outro, as Constituições multiplicaram-se, as servidões
esfumaram-se, os povos oprimidos libertaram-se, unificados em nações. Que país se poderá
gabar de nada dever ao espírito desta revolução? O próprio centro da Revolução é vítima de
uma curiosa reação quando, em 1813, aquele que lhe arrebata a liberdade e quer dar ordens
à Europa encontra pela frente os povos conduzidos ao combate em nome da liberdade. Obra
da burguesia, a Revolução redundou em proveito da burguesia. Na direção da administração
pública, ela substitui-se à aristocracia, classe vencida. Instruída, exercitada na prática dos
negócios, a burguesia, em face da massa ignorante, é a única que pode fornecer quadros à
nova ordem. Com isto ganha estipêndios elevados, prestígio e um gosto real pelas funções
públicas. Em vão o Terror limita o seu concurso: o Termidor devolve-lhe os lugares perdidos;
e, de fato, sob os regimes ulteriores, conservá-los-á. Por outro lado, é ela a grande
beneficiária de bens nacionalizados; e, favorecida pela desvalorização do papel-moeda,
realiza um bom negócio. [...] Esta Revolução tem o seu quinhão de horrores; mergulha na
guerra, outro horror; os princípios são menosprezados, renegados até. Por fim volta a trazer
à cena política o despotismo a maior desgraça para a liberdade; e, prometendo a igualdade,
consente que uma classe se substitua a outra, deixando que a nova privilegiada regateie a
emancipação da que continua subordinada.”
(Fonte: NICOLLE, Paul. Coleção Europa-América. Lisboa: Ed. Europa-América, 1975. p.
120-121. Adaptado).
Qual é a revolução tratada pelo fragmento de texto?
a) Revolução Industrial.
b) Revolução Bolchevique.
c) Revolução Gloriosa.
d) Revolução Americana.
e) Revolução Francesa.
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(UFMS 2019)
Um dos eventos que mais influenciaram a história da humanidade nos últimos séculos foi a
revolução industrial. Esse acontecimento impulsionou a economia, a exploração do trabalho, o
domínio de algumas nações sobre vastas regiões do mundo e acentuou a divisão entre os países
dominantes e os que eram dominados. Assim, a revolução industrial movimentou não apenas a
economia, mas também a sociedade, a produção artística e cultural e a política de toda uma
época. Assinale a alternativa que caracteriza corretamente os primeiros momentos da revolução
industrial e que tornaram a Inglaterra pioneira no desenvolvimento de indústrias durante o século
XVIII.
a) A Inglaterra, importante metrópole do século XVIII, possuía colônias na América do
Norte, África e Ásia que favoreceram a exploração de matérias-primas e mão de obra,
impulsionando o desenvolvimento de seu setor industrial.
b) A Inglaterra contava com um grande contingente de trabalhadores disponíveis, visto que
a lei de cercamentos de terras desapropriou inúmeros camponeses, que passaram a atuar nas
fábricas como trabalhadores e influenciaram decisivamente na divisão dos lucros e dos meios de
produção, fatores que tornaram a Inglaterra uma grande potência industrial.
c) Caracterizada pela exploração do trabalho assalariado, a revolução industrial oferecia
benefícios e estímulos para a população mais pobre (como ambiente salubre, jornadas de trabalho
justas e salários que estimulavam a competitividade entre os trabalhadores fabris), e a burguesia
industrial retroalimentava o sistema com o consumo interno, fortalecendo-o primeiro na Inglaterra
para mais tarde estender suas redes de comércio com os demais países da Europa.
d) A mecanização do sistema de produção foi um fator determinante para que o sistema
fabril de produção superasse o sistema de manufaturas, aliado ao fato de que a Inglaterra contava
com grandes reservas de carvão mineral e ferro para alimentar e produzir novas máquinas para a
produção.
e) A organização da produção manufatureira inglesa foi fundamental para o
desenvolvimento da revolução industrial, visto que essa produção de manufaturas passou a contar
com máquinas e motores que substituíram a divisão do trabalho e colaboraram para o acúmulo
de lucro pelo detentor dos meios de produção.
(UESB 2018)
Mirem-se no exemplo Daquelas mulheres de Atenas Vivem pros seus maridos Orgulho e raça
de Atenas Quando amadas, se perfumam Se banham com leite, se arrumam Suas melenas
Quando fustigadas não choram Se ajoelham, pedem imploram Mais duras penas; cadenas
Mirem-se no exemplo Daquelas mulheres de Atenas Sofrem pros seus maridos Poder e força
de Atenas
(HOLANDA... 2018).
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A análise do fragmento musical e os conhecimentos sobre a situação da mulher, ao longo da
história das sociedades permitem afirmar:
01) A democracia ateniense possibilitou uma melhor condição de vida para a mulher, devido
à possibilidade de defesa de seus interesses, em função da sua participação política,
diferentemente da sociedade militarizada espartana.
02) O legado dos egípcios antigos influenciou na estrutura de poder da República romana,
ao dar direito de participação às mulheres no Senado e o poder matriarcal na família romana,
papéis que exerciam no Egito conquistado por Júlio César.
03) A civilização muçulmana, de características agropastoril, estabeleceu a divisão sexual do
trabalho, ficando a mulher responsável pela agricultura e o homem pelo pastoreio, o que
possibilitou uma igualdade de funções sociais.
04) A mulher medieval assumiu uma posição de escrava sexual dos senhores feudais e dos
monges católicos, por serem responsabilizadas pelo pecado original, sendo o tráfico de
mulheres uma atividade aceita pela Igreja Católica.
05) O desenvolvimento da sociedade urbana e industrial deu início a uma mudança no papel
da mulher na sociedade, que saiu do ambiente exclusivamente privado e passou a
frequentar, cada vez mais, os espaços públicos, no desempenho de outras atividades, como
operárias de industriais.
(UESB 2018)
Chegamos finalmente, neste 21º século da era cristã, a uma etapa histórica em que todos os
povos da Terra, em maior ou menor grau, participam da mesma civilização: a capitalista. No
entanto, poucos, no mundo todo, dão-se conta desse fenômeno único em toda a História.
Qual a razão dessa inconsciência coletiva? Há duas razões principais, a meu ver. A primeira
delas é que o curso dessa evolução histórica só veio a se completar recentemente. Até a
segunda metade do século XX, o capitalismo ainda não havia alcançado todos os confins do
orbe terrestre. Algumas regiões permaneciam, até então, isoladas do resto do mundo,
envoltas no espesso manto de velhas tradições. A segunda razão, pela qual uma boa parte
da humanidade ainda não tomou consciência desse fato histórico sem precedentes, é que,
fora do círculo intelectual marxista, o capitalismo sempre foi apresentado, pura e
simplesmente, como um sistema econômico; e boa parte dos economistas o analisava, e
continua a analisá-lo, na esteira dos fisiocratas franceses que influenciaram Adam Smith,
como o único sistema natural da vida econômica. (CHEGAMOS... 2018).
O desenvolvimento da civilização capitalista ocorreu através de eventos socioeconômicos,
políticos e ideológicos, que, muitas vezes, se deram através de conflitos, críticas, disputas e
de avanços e de retrocessos, como se pode inferir
01) no estabelecimentode boas condições salariais e de vida para o operariado, durante a
Primeira Revolução Industrial, como condição básica para a criação de um mercado
consumidor.
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02) nas repercussões da Revolução Gloriosa inglesa, que estabeleceu o sufrágio universal e
a participação política do operariado, contendo a expansão das ideias marxistas e a crítica
ao capitalismo.
03) no desfecho da Revolução Francesa, que abalou os alicerces do Antigo Regime e da
sociedade de privilégio, através da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, mas
manteve a desigualdade de classe.
04) no surgimento da fisiocracia, que, inspirada nos princípios do mercantilismo, defendia
uma política protecionista estatal contra a concorrência estrangeira e de incentivo à indústria
nacional.
05) nas concepções do liberalismo clássico, defendido por Adam Smith, que pregava a
internacionalização da economia, a formação de blocos econômicos e de um mercado
comum europeu.
(UNEB 2016)
A conquista da cidadania tem sido um processo lento, que tem variado conforme o tempo
histórico, e, também, entre as diferentes sociedades, podendo-se, dessa forma,
corretamente afirmar:
01) A ascensão dos coraixitas ao poder, no mundo árabe medieval, unificou o Império
Islâmico, possibilitando a democratização da participação política no processo decisório
muçulmano.
02) O Renascimento cultural representou os valores da classe social burguesa em ascensão,
favorecendo, assim, a extinção, na época moderna, da sociedade estamental característica
do Antigo Regime.
03) A expansão marítima e comercial colocou a Europa em contato com culturas diferentes,
consolidando o princípio da alteridade e o respeito aos direitos dos povos não europeus.
04) O jacobinismo francês defendeu a limitação do lucro de alguns setores econômicos,
através, principalmente, da Lei do Máximo e da ampliação dos direitos do cidadão, com a
defesa do sufrágio universal masculino.
05) A Primeira Revolução Industrial estabeleceu os primeiros direitos sociais, a partir da
aceitação burguesa das reivindicações do movimento ludista, consolidando o direito de
cidadania para os trabalhadores ingleses.
(UNEB 2017)
A Revolução Industrial impactou de diversas maneiras nas relações estabelecidas entre os
diversos continentes e na organização socioeconômica e política interna das diversas
sociedades, como se pode inferir
01) no apoio da França jacobina ao processo da independência das colônias americanas,
objetivando a implantação do modelo da Comuna de Paris no Novo Mundo.
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02) na intervenção inglesa na defesa da independência das colônias africanas, objetivando a
ampliação do mercado fornecedor de matéria-prima e consumidor de produtos
industrializados.
03) no deslocamento da mão de obra africana da América, em forma de trabalhador escravo,
para as recentes indústrias inglesas, que passaram a constituir o primeiro operariado fabril.
04) no rompimento das relações diplomáticas entre as Treze Colônias Inglesas e a Inglaterra,
que rivalizavam na disputa de mercados para seus produtos industriais.
05) no surgimento de um movimento operário que se transformou em uma luta direcionada
à quebra das máquinas, e para a formação das primeiras organizações sindicais na Inglaterra.
(PISM 2020)
- Leia o texto a seguir:
“Aqueles que são contratados experienciam uma distinção entre o tempo do empregador e
o seu ‘próprio’ tempo. E o empregador deve usar o tempo de sua mão-de-obra e cuidar para
que não seja desperdiçado: o que predomina não é a tarefa, mas o valor do tempo quando
reduzido a dinheiro. O tempo agora é moeda: ninguém passa o tempo, e sim o gasta” [...]
“Havia muitos relógios em Londres na década de 1790: a ênfase estava mudando do ‘luxo’
para a ‘conveniência’; até os colonos podiam ter relógios de madeira. Na verdade (como
seria de esperar), ocorria uma difusão geral de relógios portáteis e não portáteis no exato
momento em que a Revolução Industrial requeria maior sincronização do trabalho.”
THOMPSON, E. P. Tempo, disciplina de trabalho e o capitalismo industrial. In: Costumes em
comum: estudos sobre a cultura popular tradicional. São Paulo: Companhia das Letras, 1998,
p. 272 e 279.
O texto acima aborda a transição para a sociedade industrial, as mudanças na percepção
interna de tempo e o surgimento de uma disciplina de trabalho nos finais do século XVIII e
início do século XIX. Das alternativas abaixo, assinale a opção CORRETA:
a) Com o advento da sociedade industrial e da disciplina do trabalho, os trabalhadores
passaram a ter o controle de sua vida produtiva, cuja dinâmica oscilava entre momentos de
trabalho volumoso e de ociosidade intensa.
b) Durante o estabelecimento do processo industrial inglês, os padrões de trabalho tinham
como característica a irregularidade, com tarefas semanais ou quinzenais, fazendo com que
o dia de trabalho fosse moldado pelo trabalhador.
c) No contexto da transição para a sociedade industrial, a posse e o uso do relógio de bolso
ficaram restritos à elite, sendo, portanto, artigo de luxo, feito de metais preciosos e utilizado
para acentuar status.
d) A introdução da disciplina de trabalho gerou melhorias nas condições de vida dos
trabalhadores, pois, com ela, passaram a usufruir de benefícios como: gratificações por
pontualidade, pagamento de horas extras, férias remuneradas.
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e) A divisão do trabalho, a supervisão do trabalho, o uso de relógios, o uso racional do tempo
foram alguns dos recursos utilizados pelos industriais para formar novos hábitos e nova
disciplina de tempo entre os trabalhadores.
(PISM 2017)
Em julho de 1789, houve a explosão de movimentos populares em Paris. Artesãos, operários
e desempregados se envolveram fortemente com o processo revolucionário, que ocasionou
a tomada da Bastilha, momento simbólico da Revolução Francesa. Os grupos populares que
protagonizaram a revolução passaram a ser conhecidos como sans-culottes.
Em relação aos sans-culottes, assinale a resposta que CORRESPONDA às suas reivindicações
e atitudes.
a) Desejavam tomar o poder do rei de forma moderada, mediante as decisões do Primeiro
Estado.
b) Defendiam o aprofundamento das reformas políticas e a tomada de poder por parte da
aristocracia.
c) Tinham um projeto político bem definido, cuja principal proposta era o alinhamento com
grupos contrarrevolucionários.
d) Exigiam melhores condições de vida e participação política dos setores sociais médios e
pobres, saqueando armazéns e tomando edifícios governamentais.
e) Defendiam que os preços fossem tabelados e o fim da exploração econômica, sem
qualquer proximidade com os camponeses e suas reivindicações.
4. GABARITO
1. B
2. A
3. B
4. C
5. B
6. D
7. C
8. C
9. B
10. C
11. C
12. D
13. B
14. C
15. E
16. D
17. C
18. A
19. A
20. C
21. E
22. A
23. A
24. E
25. D
26. C
27. A
28. C
29. C
30. A
31. B
32. D
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33. B
34. A
35. E
36. A
37. E
38. B
39. E
40. B
41. A
42. D
43. F-V-V-F
44. V-V-V-F
45. E
46. E
47. D
48. 05
49. 03
50. 04
51. 05
52. E
53. D
5. QUESTÕES COMENTADAS
(Unicamp 2022)
“A sociedade é uma benção, mas o governo, mesmo em seu melhor estado, éapenas um
mal necessário. No seu pior estado, é um mal intolerável, pois quando sofremos ou ficamos
expostos, por causa de um governo, às mesmas desgraças que poderíamos esperar em um país
sem governo, nossa calamidade pesa ainda mais ao considerarmos que somos nós que
fornecemos os meios pelos quais sofremos. Há algo de muito ridículo na composição da
monarquia; primeiro ela exclui um homem dos meios de informação, mas lhe permite agir em
casos que requerem capacidade superior de julgamento. A posição de um rei o aparta do mundo;
no entanto, a atividade de um rei exige que ele conheça perfeitamente o mundo. Com isso, as
diferentes partes, opondo-se de forma antinatural e destruindo uma à outra, provam que essa
figura é absurda e inútil.”
(Adaptado de Thomas Paine, Senso comum e os direitos do homem. L&PM Pocket. Edição
do Kindle – posição 32 a 138.)
O trecho acima foi retirado do panfleto O Senso comum e Os direitos do homem, publicado
de forma anônima, em 1776. Com autoria assumida por Thomas Paine, a obra causou grande
reação pública. A partir do texto e das informações fornecidas, é correto dizer que o autor
a) apresenta a Monarquia como um mal necessário e a figura do rei absolutista como
absurda e inútil, contudo inquestionável. Paine tornou-se o principal nome contrário à Revolução
Americana.
b) estabelece uma relação direta entre a sociedade e o governo, abrindo espaço para
debates acerca do mau governo. O panfleto escrito por Paine tornou-se uma base teórica para a
Revolução Americana.
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c) demonstra como regimes autoritários favorecem os meios de informação, para que os
homens exerçam suas capacidades de julgamento. Paine usou jornais para combater a Revolução
Americana.
d) considera que sociedades com e sem governos têm os mesmos benefícios,
desenvolvendo-se de formas semelhantes. Paine desencorajou o engajamento dos colonos
ingleses na Revolução Americana.
Comentários
Antes tudo, repare no ano de publicação do texto: 1776, segunda metade do século XVIII.
Esse é um momento de grande efervescência política e tensão social em todo mundo. Lembre-se
que é nesse contexto que o iluminismo e o liberalismo se difundiam pela Europa e suas colônias;
no Novo Mundo eclodiam várias revoltas nativistas e separatistas, algumas das quais deram início
a movimentos de independência; a Revolução Industrial despontava na Inglaterra; e a Revolução
Francesa (1789) abalou as fundações do Antigo Regime. Por seu turno, Thomas Paine (1737-1809)
foi ao mesmo tempo ator, testemunha e intérprete de vários desses processos. Ele foi um político
britânico, assim como panfletário, revolucionário, inventor e intelectual. Até seus 37 anos, viveu
na Inglaterra, mas migrou para as colônias inglesas na América do Norte, pouco antes da
Revolução Americana – movimento de independência dos EUA – eclodir. Seu texto aqui exposto,
publicado em 1776, foi uma das grandes inspirações da independência norte-americana,
declarada ainda naquele ano. Além desse, outros de seus escritos famosos foram A Crise
Americana, uma série de panfletos revolucionários publicados entre 1776 e 1783, e Direitos do
Homem, de 1791, um guia das ideias iluministas. Ele também teve uma participação importante
na Revolução Francesa, tendo sido eleito para deputado na Convenção Nacional Francesa, em
1792. Era visto como aliado pelos girondinos e como inimigo pelos jacobinos. De qualquer forma,
nele vemos um adversário tenaz do Antigo Regime, um republicano nato. Com isso em mente,
vejamos o que é correto dizer sobre autor a partir do trecho exposto:
a) Incorreta. No final do texto, Paine afirma que a monarquia, por consequência o rei, é algo
inútil e absurdo. O “governo”, sendo ele monárquico ou republicano, que é um mal necessário na
vida em sociedade. Ainda, como destaquei no comentário, Paine apoiava a Revolução Americana
e até escreveu textos defendo-a.
b) Correta! Nas primeiras linhas do texto, Paine admite que pode existir uma variedade de
tipos de governo. Todos eles são um mal de necessário. Contudo, os piores governos são
insuportáveis. Dessa forma, ele reconhece a necessidade da sociedade debater a legitimidade
daqueles que a governam. E, de fato, O Senso comum e Os direitos do homem era um texto de
defesa da Revolução Americana.
c) Incorreta. Na verdade, ele afirma que a monarquia mantem o soberano apartado do
mundo, sem acesso regular às informações, ao mesmo tempo que exige que ele tome decisões
complexas e de difícil julgamento. Por isso, é uma forma de governo inútil e absurda.
d) Incorreta. Apenas os maus governos, aqueles intoleráveis, é que são equivalentes a uma
sociedade sem governo, pois causa tanto ou mais dor e sofrimento. Além disso, já vimos que Paine
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apoiou a Revolução Americana e até panfletou para que os colonos norte-americanos aderissem
ao movimento.
Gabarito: B
(Unicamp 2021)
Seguindo a trajetória das ativistas, vemos que lutaram ao lado dos homens no movimento
popular urbano e participaram de várias jornadas populares, como as de 9 de abril, 20 de
junho e 10 de agosto de 1792, as quais resultaram na queda da monarquia. Abraçaram a
Revolução, queriam armar-se para defender a nação dos inimigos internos, e tomaram parte
nas festas cívicas. Algumas se alistaram no exército e foram lutar nas fronteiras. No caso das
Republicanas Revolucionárias, durante certo tempo contaram com o apoio dos deputados
da Montanha e os ajudaram a derrubar os Girondinos. Nessa ocasião, mereceram elogios
públicos. Depois se aliaram aos radicais e fizeram oposição aos Montanheses. As militantes
adquiriram uma visibilidade nunca imaginada para mulheres do povo, despertando o
interesse e a inquietação de integrantes do governo acerca da questão dos direitos civis e
políticos femininos. Sua presença na cena política foi tolerada e até incentivada no início da
Revolução Francesa, porém reprimida em outubro de 1793, e depois de forma definitiva em
1795.
(Adaptado de Tania Machado Morin, Virtuosas e perigosas: as mulheres na Revolução
Francesa. São Paulo: Alameda, 2013, p. 4-6.)
Com base no excerto e em seus conhecimentos sobre a Revolução Francesa, assinale a
alternativa correta.
a) A Revolução Francesa não garantiu o direito de voto às mulheres, mas a participação delas
no movimento fez com que sua exclusão da vida pública ganhasse visibilidade e fosse
debatida.
b) Os ideais de igualdade, liberdade e fraternidade da Revolução consolidaram os direitos
civis e políticos das mulheres, igualando-os aos direitos dos homens de forma inédita na
história da França e da Europa.
c) Os revolucionários consideravam que as tarefas desempenhadas pelas mulheres na
Revolução eram irrelevantes e restritas às atividades domésticas, por isso elas não
conquistaram os mesmos direitos civis que os homens.
d) A Revolução Francesa aboliu a desigualdade de gênero em todos os âmbitos da vida
pública por meio da Declaração Universal dos Direitos Humanos, que estabelecia a igualdade
e a cidadania.
Comentários:
A temática dessa questão é a participação das mulher na Revolução Francesa e à limitação
de acessos aos direitos liberais que foram a base do processo de luta contra o absolutismo.
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Com um texto bastante grande, a questão demandava uma leitura atenta para perceber as
contradições na forma de enxergar a participação das mulheres, bem como a legitimidade
para que acessassemos direitos que estavam sendo criados e garantidos para homens.
No começo, as mulheres foram consideradas “heroínas de Versalhes”, mas, conforme
ampliavam sua participação e aumentavam as exigências de igualdade, os representantes da
Assembleia Constituinte foram se colocando contrários a essa postura. Em 1793, os Clubes
Femininos foram proibidos e em 1975, houve a proibição de qualquer participação das
mulheres em manifestações públicas.
A única alternativa possível é a A porque ela traz a contradição entre a participação, a
negação de direitos, porém a conquista da visibilidade do tema sobre o direito das mulheres
Apesar de trabalhosa, estava fácil porque as demais alternativas estão muito erradas, uma
vez que elas trazem uma perspectiva de que a Revolução garantiu direitos às mulheres.
Vejamos esses erros:
a) Gabarito, conforme comentários.
b) Errado. Os direitos das mulheres forma negados e não consolidados.
c) Errado. Como falamos, há contradições na forma como os revolucionários viam a atuação
das mulheres.
d) Errado. Como comentamos, não há garantias e proteção de direitos às mulheres.
Gabarito: A
(UNICAMP – 2017)
A dona de casa entre as classes populares urbanas é uma personagem maior e majoritária.
A dona de casa não tem muitas papas na língua. Muitas vezes é uma rebelde, tanto na vida
privada quanto na vida pública. E não raro paga um alto preço por isso, como alvo principal
de violências que podem chegar ao crime “passional”.
(Adaptado de Michelle Perrot, “Figuras e papéis”, em Philippe Ariès (org.), História da vida
privada. São Paulo: Companhia das Letras, 1991. v. 4, p. 146.)
A mulher das classes populares nas sociedades urbanas do século XIX na Europa
a) tinha múltiplas funções, como educar os filhos, cuidar da casa e administrar as finanças,
mas vivia restrita ao espaço doméstico e por isso sua rebeldia era punida com violência.
b) era responsável pelo trabalho doméstico e muitas vezes tinha uma jornada dupla, pelo
trabalho externo que realizava em fábricas, pequenos comércios e outros serviços.
c) sofreu estigma e violência por revolucionar os costumes e liderar o movimento de
conquista do voto feminino.
d) contrariava o senso comum de ser cordata e obediente, pois sua condição social indicava
que não tinha referencial de uma boa educação.
Comentários:
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O texto remete à condição das mulheres de classes populares nas cidades europeias do século
XIX que, como efeito da Revolução Industrial, cumpriam uma jornada dupla de trabalho ao cuidar
do lar e trabalhar nas fábricas a fim de contribuir com a renda familiar. Com isso, já sabemos que
o gabarito letra b). Vamos olhar o que está incorreto nas demais alternativas:
a) Ao longo do século XIX, as mulheres passaram a ocupar outros espaços além do doméstico.
c) O movimento sufragista só surgiu entre o fim do século XIX e início do XX. O texto aborda o
momento anterior, em que as mulheres passaram a trabalhar fora de casa.
d) As mulheres não eram mal-educadas, o ponto discutido é sobre os espaços ocupados por esse
grupo social.
Gabarito: B
(Unicamp 2014)
Observe a obra do pintor Delacroix, intitulada A Liberdade guiando o povo (1830), e assinale
a alternativa correta.
a) Os sujeitos envolvidos na ação política representada na tela são homens do campo com
seus instrumentos de ofício nas mãos.
b) O quadro evoca temas da Revolução Francesa, como a bandeira tricolor e a figura da
Liberdade, mas retrata um ato político assentado na teoria bolchevique.
c) O quadro mostra tanto o ideário da Revolução Francesa reavivado pelas lutas políticas de
1830 na França quanto a posição política do pintor.
d) No quadro, vê-se uma barricada do front militar da guerra entre nobres e servos durante
a Revolução Francesa, sendo que a Liberdade encarna os ideais aristocráticos.
Comentários
Questão interpretativa. O comando pede para o aluno observar a obra e responder o item correto.
Espera-se, nesses casos, que o aluno seja capaz de estabelecer uma relação entre o quadro e a
alternativa.
Veja, um quadro é um tipo de texto não verbal que tem uma narrativa e uma história subentendida
que se apresenta por meio de signos e códigos com sentido. Por isso, quando uma questão
apresenta um quadro como texto, você deve utilizar as técnicas de interpretação que você
aprende na disciplina de linguagens.
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A pintura de Delacroix é uma homenagem à Revolução de 1830 – ou as Jornadas Gloriosas – na
França, que pôs fim ao governo de Carlos X, o último rei da dinastia dos Bourbon Segundo
palavras do próprio Delacroix, “ainda que não tenha lutado por meu país, posso representá-lo”.
O nome da obra também mostra o posicionamento político do autor: um defensor da liberdade.
Além disso, a pintura relembra o ideário da Revolução Francesa, em especial na bandeira tricolor
nas mãos da Liberdade.
Tendo isso em vista, vejamos os itens abaixo:
a- Não são apenas sujeitos do campo representados na imagem. Há burgueses de cartola com
armas na mão.
b- O item B é maluquinho porque a teoria que inspira as revoltas na França desse momento,
pelo menos até 1848, é o liberalismo. Teoria bolchevique é do século XX, na Rússia.
c- Conforme o que demonstrado acima, item correto.
d- Vários erros nesse item. Não há só servos em um dos “lados do front”. Por fim, a Liberdade
não encarna ideais da aristocracia, mas do terceiro estado – burguesia, sans-cullottes,
trabalhadores, camponeses. Todos representados na obra.
Gabarito: C
(UECE 2017)
Atente ao seguinte excerto:
“O crime [...] consistiu em herdar as piores feições do sistema doméstico num contexto em que
inexistiam as compensações do lar: ‘ele sistematizou o trabalho das crianças pobres e
desocupadas, explorando-o com uma brutalidade tenaz...’ [...] Na fábrica a máquina ditava as
condições, a disciplina, a velocidade e a regularidade da jornada de trabalho, tornando-as
equivalentes para o mais delicado e o mais forte”.
Edward P. Thompson. A Formação da Classe Operária Inglesa. Vol. II: A maldição de Adão. Rio
de Janeiro, Paz e Terra. 1987. p. 207.
Considerando os processos de transformação ocorridos na sociedade ocidental, é correto
afirmar que esse trecho da obra do historiador inglês Edward P. Thompson se refere à
a) Revolução Gloriosa, ocorrida na Inglaterra entre 1688 e 1689, que garantiu o fim do
absolutismo na Inglaterra e possibilitou o desenvolvimento social e econômico daquele país.
b) Revolução Industrial, que, principiando no século XVIII, estabeleceu novas formas de
organização do trabalho na sociedade capitalista.
c) Revolução Francesa, que no final do século XVIII criou um novo modelo social e econômico
para o mundo ocidental.
d) Revolução Haitiana, que teve início em 1791 e marcou a independência do país caribenho
do domínio francês, mas colocou-o sob o controle do capital industrial inglês.
Comentários
A primeira dica para resolver essa questão é olhar para o título do livro de E. Thompson, A
Formação da Classe Operária Inglesa. Ou seja, o autor trata do contexto da Revolução Industrial
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na Inglaterra. Mais especificamente, neste livro, Thompson discute as transformações
provocadas pela industrialização em relação aos trabalhadores. A máquina aumentou a
produção e a jornada de trabalho, alterou o ritmo da fábrica, introduziu a disciplina fabril
mudando a concepção de tempo que as pessoastinham. Caminhava-se, portanto, para a
consolidação de um novo sistema de produção, o sistema capitalista cuja classe trabalhadora
passou a ser parte fundante da relação entre capital e trabalho.
Sobre a menção à Revolução Francesa, repare que a alternativa C também está errada na parte
que diz sobre a criação de um novo modelo econômico. Esse aspecto econômico, tal como
vimos na aula, é muito mais característico da Revolução Industrial. OK?
Gabarito: B
(UECE 2017)
Atente ao que se diz a respeito do fenômeno conhecido como Revolução Industrial.
I. Trouxe uma série de consequências para os trabalhadores ao redimensionar drasticamente
o antigo modo de produção e proporcionar salários dignos.
II. No decorrer do processo de industrialização, naturalmente decidiu-se por criar os
sindicatos, para reduzir tarifas alfandegárias para os industriais.
III. Novos problemas sociais surgiram, como greves, manifestações populares, criminalidade,
alcoolismo e prostituição, frutos da exploração de homens, mulheres e crianças.
É correto o que se afirma somente em
a) II e III.
b) I.
c) I e II.
d) III.
Comentários
Sobre a afirmação I, ela está errada porque os trabalhadores não tinham boas condições de
trabalho e vida digna. Pelo contrário: altas jornadas de trabalho; locais de trabalho inseguros;
salários baixos etc.
O Item II está errado porque os sindicatos não foram uma criação “natural” do processo de
industrialização, mas fruto da experiencias dos trabalhadores na luta por melhorias no trabalho.
Lembre-se de que tudo começou com o ludismo, depois evoluiu para formas mais organizadas
de atuação dos trabalhadores para reivindicarem junto aos patrões. Além disso, o objetivo dos
sindicatos não era reduzir taxas para as indústrias.
Por fim, o item III está correto, sendo a alternativa D o nosso gabarito.
Gabarito: D
(UECE 2016)
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Atente ao seguinte excerto: “De 1815 a 1847, F. Gaillot arrola uma quinzena de casos
ocorridos e outros tantos de tentativas abortadas. O ludismo é mais importante em 1848,
quando assume feições particularmente graves, à imagem da duração da crise e da
esperança despertada pela nova República”.
(PERROT, M. Os excluídos da História. Operários, mulheres, prisioneiros. Trad. Denise
Bottmann. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1988, p.37.
Sobre o ludismo, é correto afirmar que
e) é um ramo da psicologia voltado para casos extremos de crise política.
f) constituiu um partido político na Inglaterra.
g) foi um movimento operário de protesto contra a produção industrial.
h) foi uma manifestação de rebeldes franceses a favor da produção fabril.
Comentários
Esta é o tipo de questão no alvo, pois ou você sabe o conceito ou fica divagando na hora da
prova. Vimos que, no início da Revolução Industrial, os trabalhadores começaram a canalizar
suas insatisfações contra as máquinas. Tal movimento ficou conhecido como ludismo.
Gabarito, letra C.
Gabarito: C
(UECE 2015)
Os efeitos da Revolução Francesa sobre a vida privada ultrapassaram as expressões da
cultura política representadas pelo vestuário, pela linguagem e pelo ritual político. O novo
Estado atacou rigorosamente os poderes das comunidades do Antigo Regime em muitos
outros campos, tais como
Escolha uma:
a) a constituição civil e todos os símbolos da vida familiar e doméstica.
b). a música, a pintura e as artes em geral.
c) a Igreja, as corporações e a nobreza.
d) a saúde, a higiene e as organizações sanitárias.
Comentários
Essa questão requer um conhecimento em torno do sentido geral da Revolução Francesa
para a história. Essa revolução foi uma negação do Antigo Regime, o qual estava baseado –
dentre outros elementos – na sociedade estamental: 1º estado, formado pela Igreja; 2º
estado, formado pelos nobres; 3º estado o restante da sociedade. Durante a Revolução
Francesa, o 3º estado, o qual estava dividido – do ponto de vista político – em Girondino e
Jacobinos, contestou e derrubou a ordem geral do Antigo Regime, incluindo-se a
segmentação social da vida francesa. Quase tudo foi derrubado.
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Os símbolos da vida familiar não, pois a sociedade continuou patriarcal. As artes em geral,
apesar da crítica dos revolucionários ao modo de vida da nobreza, foram mantidas. A D não
faz muito sentido, pois saúde e organizações sanitárias são sinônimos de melhoria de vida e
era justamente isso que os revolucionários queriam, uma vida melhor.
Gabarito: C
(UECE 2014)
“Quem era a burguesia? Eram os escritores, os doutores, os professores, os advogados, os
juízes, os funcionários – as classes educadas; eram os mercadores, os fabricantes, os
banqueiros – as classes abastadas, que já tinham direitos e queriam mais. Acima de tudo,
queriam – ou melhor, precisavam – lançar fora o jugo da lei feudal numa sociedade que
realmente já não era feudal. Precisavam deitar fora o apertado gibão feudal e substituí-lo
pelo folgado paletó capitalista. Encontraram a expressão de suas necessidades no campo
econômico, nos escritos dos fisiocratas de Adam Smith; e a expressão de suas necessidades,
no campo social, nos trabalhos de Voltaire, Diderot e dos enciclopedistas. O laissez-faire no
comércio e indústria teve sua contrapartida no ‘domínio da razão’ na religião e na ciência.”
HUBERMAN, Leo. História da Riqueza do Homem. 21ª ed. Rio de Janeiro, Editora
Guanabara, 1986, p. 149.
Essa Burguesia, descrita por Leo Huberman, foi responsável por uma das principais
transformações políticas e sociais, que teve um impacto duradouro na história do país onde
ocorreu e, mais amplamente, em todo o continente europeu. Essa Burguesia está ligada à
A) Revolução Gloriosa, de 1688 a 1689.
B) Revolução Francesa, de 1789 a 1799.
C) Revolução Russa, de 1917.
D) Revolução de Avis, de 1383 a 1385.
Comentários:
O texto de Huberman, traz à tona as mudanças vividas da Era Medieval para a Moderna. Disso,
podemos associar o período com dois dos principais aspectos citados no excerto. Primeiro, é a
ascensão da Burguesia, e segundo é crítica ao sistema prevalecente durante esse tempo que
conhecemos por Antigo Regime. Então, como Huberman aborda, as transformações que
começaram a ocorrer na Europa a partir do século XVII (Revoluções Inglesas) indicavam que as
transformações dos tempos estavam ocorrendo e o grande evento que modificou todas as
estruturas modernas, e que influenciou o resto do mundo a partir dele, aconteceu no século XVIII,
na França. Trata-se da:
a) Incorreta. A Revolução Gloriosa proporcionou a Inglaterra as estruturas para o
desenvolvimento da Revolução Industrial no século XVIII. Porém, diferentemente dos franceses,
os ingleses tiveram em suas revoluções um impacto mais local do que continental, em um
primeiro momento.
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b) Correto. A Revolução Francesa foi o grande marco da passagem da Idade Moderna para a
Contemporânea. Os reflexos no Velho Continente foram muitos, rompendo de vez com as
estruturas do Antigo Regime. Após o seu período, nem a França, nem a Europa foram mais as
mesmas, impactando inclusive na América, que passaria por processos revolucionários para
conquista de sua Independência em várias regiões.
c) Incorreto. A Revolução Russa teve um caráter socialista, indo de oposição com o evento
narrado pelo texto, de cunho burguês.
d) Incorreto. A Revolução de Avis foi uma revolta restrita a Portugal, por causa da insatisfaçãodos burgueses com as políticas empregadas pela coroa. Ele não teve reflexos significativos para
o restante do continente, porém, para o Brasil ela foi fundamental, visto que a independência foi
proclamada graças a ela, pelo filho do rei português, D. Pedro I.
Gabarito: B
(UVA 2016)
Foram decorrência da Revolução Industrial, exceto:
a) aumento da concentração urbana.
b) alargamento do mercado consumidor.
c) distribuição igualitária de benefícios.
d) especialização técnica do trabalho.
Comentários:
Entre meados do século XVIII e ao longo do XIX, configurou-se um cenário de transformações
nas formas de produzir riquezas: a industrialização, ou seja, produzir mercadorias por meio de
máquinas (alguns historiadores falam em maquinofatura). Até o início da Industrialização, a
economia empregada pelos países ocidentais era a mercantilista. Nesse momento, a classe que
mais se destacou, devido a sua origem intrínseca com ordem econômica mercantil, foi a
Burguesia Comercial.
Agora, abordando os séculos do mercantilismo, houve uma certa evolução nas técnicas
produtivas. Primeiro, a passagem da produção artesanal para a produção manufatureira. As
manufaturas constituíam “enormes oficinas”, onde as ferramentas pertenciam a um único dono
específico que, em geral, fiscalizava e organizava o trabalho realizado pelos seus empregados
(ainda sem especialização do trabalho, mas já com algumas divisões da atividade produtiva). Só
que os donos das manufaturas perceberam que, conforme um trabalhador se especializava, ele
trabalhava mais rápido, porque a atividade ficava mais aprimorada e mais automática. Isso
contribuiu para a alteração o processo produtivo mais uma vez.
Algumas ferramentas foram aprimoradas e deram velocidade à produção. Um exemplo é o tear
manufaturado. A partir disso, no final do século XVII e início do XVIII, a Inglaterra já apresentava
uma manufatura bastante dinâmica. Dessa dinamicidade, a burguesia inglesa aumentou a
produção e, com as pesquisas científicas nas áreas de física e química - iniciadas nessa conjuntura
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de transformações- conseguiu desenvolver a tecnologia de máquina à vapor. Portanto, a partir
da segunda metade do século XVIII, surgem as primeiras máquinas que impulsionaram a
passagem da produção manufaturada para a maquinofaturada – processo este que caracterizou
a Revolução Industrial.
Explicado isso, vejamos o que não se caracteriza como consequência desse evento:
a) Correto. Com o desenvolvimento das maquinofaturas (indústrias), a vida urbana floresceu, e
muitas pessoas que viviam no campo passaram a viver nas cidades de novo.
b) Correto. Como a produção passou a ser em larga escala, os produtos que durante o Medievo
e a Modernidade eram de consumo só entre nobres, passaram a ser consumidos pelas classes
mais pobres, devido ao excedente produtivo.
c) Incorreto. A Revolução Industrial proporcionou um maior enriquecimento somente da
Burguesia, enquanto os camponeses não tiveram essa mesma sorte, se tornando proletários
industriais. Isso se converteu em benefícios para os burgueses, que ascenderam ao poder,
enquanto a nobreza e os reis perdiam espaço.
d) Correto. A Revolução Industrial tornou o trabalho, antes artesanal, em especializado, divido
por diversas etapas. Isso aumentou a produção dos trabalhadores, que passaram a produzir em
larga escala em passo que as tecnologias e ferramentas para isso iam se aprimorando.
Gabarito: C
(UVA 2016)
A Revolução Francesa (1789-1799) foi a grande revolução burguesa que marcou a ascensão
desta classe social ao poder político na França. Foi o acontecimento mais importante da
Idade Moderna. Por isso a Revolução Francesa assinala o início da Idade Contemporânea.
São fatores que determinaram a deflagração da Revolução Francesa, exceto
a) a oposição ao mercantilismo e o absolutismo dos Bourbons.
b) a crise financeira agravada pela queda da produção.
c) o sistema tributário justo, existente no país.
d) o Iluminismo e a Independência dos Estados Unidos.
Comentários:
A Revolução Francesa foi um processo, fruto de séculos, onde a classe burguesa francesa, em
ascensão na França, se impôs contra as classes aristocráticas. Vale ressaltar, que ela teve a ajuda
dos camponeses e dos trabalhadores urbanos, que queriam melhores condições de vida. Assim, a
formação do movimento revolucionário nos remete a criação do Estado Absolutista Francês, que
foi marcado pela opressão e violência de classes, onde a nobreza e o clero gozavam de benefícios,
luxos e vantagens, enquanto as classes do Terceiro Estado, viviam à mercê da hierarquia
estamental que lhes foi imposta. Porém, a partir do século XVIII, as justificavas que alimentavam o
Antigo Regime francês, como a do direito divino dos reis, a de homens se diferenciarem no
nascimento, o protecionismo, a intervenção estatal e a intolerância religiosa, começaram a sofrer
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enormes críticas quando surgiu no interior do país um movimento intelectual que tinha como
fundamento se opor ao sistema vigente do país– era o Iluminismo. Os intelectuais iluministas
defendiam a ideia de que a razão deveria guiar o homem e o Estado, e não a religião. Assim, aos
poucos, ele foi ganhando adeptos da burguesia e das classes camponesas, que se sentiam
injustiçados pelo Estado. Assim, esse sentimento de contestação passou a se intensificar,
principalmente após alguns eventos. Os primeiro deles, foram após a Guerra dos Sete Anos (1756-
1763) e a Guerra de Independência Americana (1775-1783) , onde em conflitos envolvendo a
França e Inglaterra, travadas tanto em solo americano quanto em europeu, os franceses saíram
derrotados e precisando sobretaxar mais ainda sua população, pelos custos nos empreendimentos
militares. Além disso, essas cobranças ajudariam a pagar as despesas da Corte francesa, que eram
enormes devido os excessos de abusos e privilégios que os nobres detinham. Todavia, em um
determinado momento, essa arrecadação passou a não ser suficiente para manter todos as
mordomias dos nobres, e alguns mais afastados do rei passaram a sofrer com o pagamento de
impostos também. Então a exagerada cobranças financeiras para manter o Estado Absoluta
francês passou a gerar um descontentamento amplo, que ia desde alguns grupos aristocráticos,
até chegar ao Terceiro Estado inteiro. Porém, o rei Luís XVI, pouco se importou com essa situação
e continuou a manter as regalias que o Clero e a nobreza próxima detinham. Até que a situação
piorou, quando problemas climáticos devastaram o país entre 1787 e 1789, e fez a população
passasse por uma enorme crise alimentícia e produtiva. Isso revoltou as massas populares, que
guiadas pela Burguesia iniciaram a Revolução Francesa com a tomada da Bastilha em 1789.
Desse jeito, passamos as questões e assinalemos a alternativa que não tem relação com os motivos
que causaram a Revolução:
a) Correto. O Absolutismo e a economia intervencionista Bourbonica, dos “reis luíses” foi um dos
motivos que causou a insatisfação burguesa, que estava mais propensa as ideias liberais que
surgiram com o Iluminismo e a Revolução Industrial na Inglaterra.
b) Correto. A queda da produção foi resultado tanto do aumento dos impostos as manufaturas
que quebraram no século XVIII, com as políticas economistas impostas pelo Estado francês, quanto
pelos enormes problemas climáticos que a França passou anos antes do período revolucionário.
c) Incorreto. O sistema tributário francês era um dos mais desiguais e injustos da Europa, com boa
parte dos impostos sendo pagos por membros do Terceiro Estado.
d) Correto. Osdois movimentos foram fundamentais, por terem inspirado a Revolução e tomada
de poder na França.
Gabarito: C
(UFU 2017)
Desta vala imunda a maior corrente da indústria humana flui para fertilizar o mundo todo.
Deste esgoto imundo jorra o ouro puro. Aqui a humanidade atinge o seu mais completo
desenvolvimento e sua maior brutalidade, aqui a civilização faz milagres e o homem civilizado
torna-se quase um selvagem.
TOCQUEVILLE, A. de, Joumeys to England and Ireland. Ed. Mayer, 1958, p. 107-8.
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O advento das revoluções burguesas na Europa, atrelado ao industrialismo, gerava, ao
mesmo tempo, perplexidade e deslumbramento ao promover mudanças sociais radicais e
ambíguas, fomentadas pelos avanços tecnológicos em diferentes esferas.
Assinale a alternativa que apresenta a principal mudança no sistema produtivo dos países
pioneiros em promover a industrialização.
a) A formação de mão de obra com os cercamentos dos campos cultiváveis, expulsando-se
os trabalhadores dos grandes centros urbanos.
b) O declínio do proletariado enquanto grupo social hegemônico, arrefecendo-se os conflitos
de classe.
c) A manutenção das terras comunais para a produção de alimentos voltados para a
subsistência dos camponeses europeus.
d) A adoção da divisão técnica do trabalho, com grande utilização de maquinários nas
fábricas e aumento da acumulação de capitais.
Comentários
Atenção para o comando da questão, pois a UFU cobrou sobre “mudança no sistema
produtivo”. Assim, a alternativa A, apesar de trazer uma informação correta sobre o papel
dos cercamentos na Inglaterra na formação da mão de obra assalariada, não está de acordo
com o que é cobrado.
A B também está errada porque o proletariado se organizou, principalmente em sindicatos,
para exigir melhores condições de trabalho. Esse fato fez com que os conflitos trabalhistas
(empregadores x trabalhadores) aumentassem.
A alternativa C está fora errada porque, primeiro não houve essa manutenção das terras
comunais, os camponeses foram expulsos para as cidades, segundo, porque é uma
informação que não está relacionada com o processo produtivo.
Sobre a D, ela retrata o processo da mecanização do processo produtivo, é o nosso gabarito.
Gabarito: D
(UFU 2016)
Uma verdadeira paixão pelos Estados Unidos tomara conta dos franceses nos anos que
precederam a revolução, como testemunham Chateaubriand e o próprio Franklin, que
escrevia de Paris a seus correspondentes americanos: “aqui é comum dizer que nossa causa
é a do gênero humano”. Além do mais, essa república fora fundada por colonos com quem
a França tecera contra a Inglaterra uma aliança vitoriosa: os que tinham se engajado na
aventura eram conhecidos por ter sofrido[ ... ) de “inoculação americana”.
OZOUF, Mona. Varennes: a morte da realeza, 21 de junho de 1791. São Paulo: Companhia
das Letras, 2009. p. 175-176 {Adaptado).
A historiografia é consensual em afirmar que o movimento revolucionário francês e os ideais
iluministas foram de grande importância para diversas lutas coloniais ocorridas na América.
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Menos estudada é a influência que os norte-americanos exerceram sobre os revolucionários
franceses. Essa influência pode ser explicada, para além dos fatores mencionados na citação
de Mona Ozouf,
a) pela forte tradição liberal dos colonos norte-americanos que, durante a luta pela
independência, foram contrários a toda forma de exploração do trabalho.
b) pelo forte apelo simbólico que exercia o exemplo norte-americano de emancipação
colonial, visto como caso modelar de luta contra a opressão dos poderes instituídos.
c) pelo desprezo que os colonos norte-americanos tinham em relação à religião, vista por
eles como braço aliado do poder da metrópole inglesa, contra a qual deveriam lutar.
d) pela defesa da doutrina fisiocrata que, no plano político, se traduzia na permanência de
privilégios constitucionais para as camadas senhoriais.
Comentários
A alternativa A, ao afirmar que os norte-americanos teriam sido contrários a toda forma de
exploração do trabalho, sugere que a luta pela independência dos EUA teria sido anti-
capitalista, quando na verdade não o foi. O fim da exploração do trabalho é uma bandeira
comunista e não era esse o valor político e ideológico que movia os norte-americanos. A luta
pela independência foi uma emancipação contra a Coroa Britânica.
A relação da Revolução Francesa com o processo de independência dos EUA tem muito
aspectos. Dentre eles, destaco que os franceses ajudaram militar e economicamente a
independência americana, de modo que a vitória dos americanos contra os ingleses inspirou
os franceses a resistir e vencer contra um poder historicamente instituído, o Antigo Regime.
A revolução americana tornou-se, então, modelo por ser a primeira vez que uma colônia se
tornou independente de sua metrópole. Dessa forma, a letra B “pelo forte apelo simbólico
que exercia o exemplo norte-americano de emancipação colonial, visto como caso modelar
de luta contra a opressão dos poderes instituídos” está correta.
Gabarito: B
(UFU 2011)
Da forma pela qual a fabricação de alfinetes é hoje executada, um operário desenrola o
arame, outro o endireita, um terceiro corta, um quarto faz as pontas, um quinto o afia nas
pontas para a colocação da cabeça do alfinete e assim por diante. Dessa forma, a importante
atividade de fabricar um alfinete está dividida em aproximadamente dezoito operações
distintas. Trabalhando desta maneira, dez pessoas conseguiam produzir entre elas mais de
quarenta e oito mil alfinetes por dia. Assim, pode-se considerar que cada uma produzia 4.800
alfinetes diariamente. Se, porém, tivessem trabalhado independentemente um do outro, sem
que nenhum tivesse sido treinado para este ramo de atividade, certamente cada um deles
não teria conseguido fabricar vinte alfinetes por dia, e talvez nem mesmo um.
SMITH, Adam. A riqueza das nações. São Paulo: Abril Cultural,1996, p. 65.
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Sobre a divisão do trabalho instituída a partir da Revolução Industrial e seus desdobramentos,
é correto afirmar que:
a) o toyotismo é uma forma de gerenciamento de estoque das indústrias, que proporcionou
melhores meios de lidar com o meio ambiente e o controle de matériasprimas.
b) o fordismo é uma forma de gerenciamento científico que serviu para os trabalhadores
exercitarem suas melhores habilidades em atividades específicas.
c) a redução da exigência do desenvolvimento das habilidades do trabalhador teve impacto
sobre o processo produtivo e restringiu o conhecimento integral do trabalhador sobre seu
ofício.
d) a especialização do trabalhador obrigou que somente homens, bem treinados e com
instrução sólida, fossem absorvidos pelas vagas de trabalho geradas com o processo de
industrialização
Comentários
O texto retrata o processo de especialização do trabalho, que retira do trabalhador o
conhecimento sobre a elaboração completa de um produto. Até antes da Revolução Industrial,
final do século XVIII, os artesãos produtores eram aqueles que conheciam e realizavam todas as
etapas da produção e, portanto, controlavam a produção. A partir da industrialização, a
especialização tira do trabalhador o controle sobre a elaboração do produto, que passa a ser
controlado pelo burguês ao empregar alguns especialistas. Dessa forma, o trabalhador passou a
atuar em parte do processo produtivo e não mais nele de formaglobal, tal como quando era
artesão.
Gabarito: C
(UDESC 2017)
“Liberdade, Igualdade, Fraternidade". Estas três palavras, somadas à bandeira azul, branca
e vermelha, tornaram-se símbolos das ideias defendidas e das reivindicações no movimento
chamado Revolução Francesa.
Com relação à Revolução Francesa, assinale a alternativa correta.
a) Das revoluções de esquerda ocorridas no século XIX, a Revolução Francesa é das mais
significativas, justamente por ser a primeira a contar exclusivamente com a participação de
classes populares. Seu modelo foi reimplementado posteriormente apenas em 1917, durante
a Revolução Russa.
b) Apesar de sua relevância histórica, a Revolução Francesa não influenciou qualquer
movimento revolucionário ou reivindicatório fora do território europeu.
c) A relevância da Revolução Francesa pode ser compreendida por ter sido, entre outras
coisas, o primeiro movimento político que instaurou popularmente o governo de uma
mulher. Esta foi personificada como "Marianne" e foi representada por Delacroix no famoso
quadro Liberdade guiando o povo.
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d) A Revolução Francesa teve reverberações não apenas na Europa, mas também na
América. Uma das principais foi, certamente, a influência que exerceu sobre a Independência
dos EUA.
e) A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, proclamada em 1789, ainda que
ressaltasse a liberdade e a igualdade dos cidadãos perante a lei, era excludente em relação
às mulheres. Tal fato auxilia compreender a composição da Declaração dos Direitos da
Mulher e da Cidadã, escrita por Olympe de Gouges, em 1791.
Comentários
O comando da questão é bem claro a respeito da referência à Revolução Francesa e sabemos
que ela ocorreu no século XVIII. Por isso, a alternativa A já está errada logo no começo. Além
disso, ela não pode ser considerada de esquerda, pois o caráter das mudanças provocadas
pela Revolução Francesa foi burguês, ou seja, uma revolução burguesa.
A B também está errada, porque os ventos do processo revolucionário francês estimularam
as independências na américa espanhola e movimentos de independência no Brasil.
Aproveito para responder a letra D, a qual está errada. Na verdade, foi o contrário, pois a
independência dos EUA ocorreu antes da Revolução Francesa.
A Revolução Francesa negou a participação das mulheres na política. A letra C está errada.
Diferentemente, a E está certa. Veja, a Declaração de Direitos do Homem e do Cidadão,
marco da Revolução Francesa, e exemplo das ideias iluministas, pregava a igualdade de
todos dentro da sociedade, mas, mesmo assim, promovia a exclusão feminina. Para lutar
pelos direitos das mulheres, um grupo de francesas lançou a Declaração de Direitos da
Mulher e da Cidadã.
Gabarito: E
(UDESC 2017)
Renunciar à liberdade é renunciar à qualidade de homem, aos direitos da humanidade, e até
aos próprios deveres. Não há nenhuma reparação possível para quem renuncia a tudo. Tal
renúncia é incompatível com a natureza do homem. Assim, seja qual for o lado por que se
considerem as coisas, o direito de escravizar é nulo, não somente porque ilegítimo, mas
porque absurdo e sem significação. As palavras escravidão e direito são contraditórias;
excluem-se mutuamente. (Jean-Jacques Rousseau. O Contrato Social.)
O livro O contrato Social, escrito por Rousseau e lançado em 1762, apresenta ideias que
confluem com as lutas por “liberdade, igualdade e fraternidade”, conhecido lema da
Revolução Francesa.
Com base na citação de Rousseau – O Contrato Social, assinale a alternativa correta a
respeito das relações entre a Revolução Francesa e a prática da escravidão.
a) Um dos princípios da Revolução Francesa, a igualdade, está previsto na Declaração dos
direitos do homem e do cidadão. Por este motivo, a partir de 1791, a escravidão, em todas
as suas formas, foi abolida e jamais restabelecida nas colônias francesas.
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b) Ainda que o posicionamento dos revolucionários fosse homogêneo, no que diz respeito
ao fim da escravidão, esta foi abolida apenas em 1791, com a assinatura de um tratado entre
Napoleão e o líder haitiano Toussaint Louverture. Após a assinatura deste tratado, a
escravidão jamais foi restabelecida em uma colônia francesa.
c) A defesa da liberdade e as lutas pelo fim da escravidão eram pautas bastante cômodas
para os revolucionários franceses, pois a França nunca contou com pessoas escravizadas em
suas colônias.
d) Os posicionamentos dos revolucionários a respeito da escravidão eram relativamente
contraditórios. Apesar das preleções de Rousseau, alguns grupos defendiam, primeiramente,
apenas o fim do tráfico negreiro. As lutas pela abolição da escravidão e a independência do
Haiti, concretizada apenas em 1804, são representativas destas contradições.
e) Como a obra não cita as mulheres, pode-se concluir que Jean-Jacques Rousseau era um
defensor da escravidão apenas para as mulheres.
Comentários
Vamos começar pela alternativa E, pois, ela está errada mais por exercício de lógica do que
por seu conteúdo. Não dá para concluir algo que não está dito no texto. Além disso, o texto
é claro, ao afirmar a contradição entre direito e escravidão de uma forma geral, seja homem
ou seja mulher.
Agora, com relação as demais alternativas, para respondê-las precisamos lembrar do instituto
da escravidão entre o processo da revolução francesa e os acontecimentos posteriores. A
despeito da influência iluminista (liberdade e igualdade) e do significado da Revolução
Francesa para a universalização de direitos, os franceses não apoiaram a abolição da
escravidão nas colônias na América.
Gabarito: D
(UDESC 2014)
“Na manhã de sexta-feira, observa-se um grande número de guardas nacionais, que
pareciam dispostos a defender o rei. Mas, ao contrário, por volta das 9h45, o povo, misturado
com outros destacamentos da Guarda Nacional e com os federados, preparava-se para
entrar à força no palácio. Então todas as portas foram abertas, os canhoneiros giraram seus
canhões contra o palácio e a Guarda Nacional, que parecia estar ali para impedir o acesso,
tomou de súbito o partido do povo e da outra fração da Guarda. (...) Os suíços foram todos
massacrados e saqueados, e parece impossível dar uma explicação plausível para a barbárie
e os insultos de que foram objeto seus cadáveres. Alguns dos suíços que se dirigiram à
Guarda Nacional e pediram misericórdia foram decapitados pela fúria popular e seus corpos
foram jogados pelas janelas. O número de mortos oscila entre 2 mil e 2,5 mil. Felizmente, o
rei, a rainha, o delfim e toda a família real foram por volta das 8 horas, antes que o assalto
começasse, à Assembleia Nacional e ali ficaram sãos e salvos durante todo o dia. Mas que
terror e desolação não devem ter sentido! Todas as pessoas da criadagem e ligadas ao
serviço da família real foram massacradas.”
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(Arquivos de Gênova, Correspondance de Spinola. Apud: VOVELLE, Michel. A Revolução
Francesa 1789-1799. São Paulo: Unesp, 2012. pp. 36-37.)
O relato do embaixador de Gênova, a respeito da jornada de 10 de agosto de 1792, aponta
para a nova fase que se inaugurava na Revolução Francesa. Analise as proposições em
relação à ruptura iniciada em 1789.
I. A exigência de maior participação política da burguesia se devia aos burgueses serem
proibidos de assumir posições na administração do Estado francês.
II. O episódio da tomada do palácio dasTulherias, acima narrado, constituiu-se em uma
exceção no processo revolucionário que, à parte a execução do rei Luís XVI e da rainha Maria
Antonieta, foi pacífico e contou com a união geral da população para quebrar os privilégios.
III. A tomada da Bastilha assinalou a libertação de milhares de presos políticos, vítimas de um
sistema judiciário ineficiente, o qual impedia o acesso a advogados.
IV. A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão apresenta uma síntese da filosofia
das Luzes, destacando-se o direito à liberdade individual, à igualdade e à propriedade.
Sendo assim, fundamentalmente rejeitados o sistema hierárquico e a censura do Antigo
Regime.
Assinale a alternativa correta.
a) Somente as afirmativas I e IV são verdadeiras.
b) Somente as afirmativas I e II são verdadeiras.
c) Somente a afirmativa IV é verdadeira.
d) Somente as afirmativas I e III são verdadeiras.
e) Todas as afirmativas são verdadeiras.
Comentários
A Revolução Francesa, que ocorreu entre 1789 e 1799, foi um ciclo revolucionário de grande
proporção e influência, inspirado nos ideais do Iluminismo e motivado pela situação de crise que
a França vivia no final do século XVIII. Causou profundas transformações e marcou o início da
queda de regimes absolutistas na Europa. Na ocasião, a monarquia francesa foi destituída e
substituída por uma sucessão de governos revolucionários. Basicamente, a revolução teve três
fases nas quais diferentes orientações políticas prevaleceram, sempre marcadas pela rivalidade
entre os diferentes grupos que apoiaram a revolução, principalmente entre girondinos e jacobinos.
Ainda, a França revolucionária teve que lidar com a pressão de uma coalização liderada pelos
Habsburgo e composta por monarquias vizinhas que temiam que a revolução ultrapasse as
fronteiras e se espalhasse pela Europa. O episódio narrado pelo texto se deu quando as alas mais
radicais entre os revolucionários reagiram às tentativas do girondinos (burgueses mais ricos) em
implantar uma monarquia constitucional. Foi nessa época que a França se tornou uma república
pela primeira vez (1792-1795). Contudo, os girondinos conseguiram assumir o poder e instalaram
o Diretório, em 1795, que, apesar de mais reacionário ainda era um governo revolucionário.
Entretanto, os sucessivos governos revolucionários chegaram definitivamente ao fim quando
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Napoleão Bonaparte aplicou o golpe do 18 Brumário, em 1799 e instituiu um governo
centralizado. Sabendo disso, vamos às alternativas:
I. Incorreto. Representando a maior parte da população na estrutura do poder absolutista
francês, o Terceiro Estado era formado pela burguesia (grupo social mais próspero),
pelos trabalhadores das cidades e pelos camponeses (o grupo social mais numeroso).
Responsável pelo desenvolvimento financeiro e comercial do país, a burguesia passou
a encontrar sérias dificuldades para garantir seus interesses, uma vez que a nobreza e o
clero se sustentavam por meio da cobrança de impostos abusivos, que comprometiam
seriamente a expansão comercial do país.
II. Incorreto. A Revolução Francesa foi marcada por forte sublevação popular. Sua fase da
Revolução Francesa mais violenta e radical ficou conhecida como Revolução Popular,
Fase Radical ou Terror, liderada pelos jacobinos (pequenos comerciantes e profissionais
liberais) e com grande participação das camadas mais pobres da população, durando
de 1792 a 1794.
III. Incorreto. Na ocasião da tomada, a Bastilha estava praticamente vazia e só possuía sete
prisioneiros. A população de Paris que a invadiu foi em busca de munição e pólvora
armazenados na Bastilha, símbolo máximo da opressão do Antigo Regime, ou seja, do
absolutismo francês.
IV. Correto! O Iluminismo incluiu uma série de ideias centradas na razão como a principal
fonte de autoridade e legitimidade e defendia ideais como liberdade, progresso,
fraternidade, separação Igreja-Estado, etc. Durante o século XVIII, os intelectuais
franceses tiveram papel fundamental pois, vivendo numa época em que a França ainda
era um Estado católico sob autoridade religiosa de Roma, transformaram-se em mártires
do iluminismo devido à sua luta contra a censura e intolerância. A publicação da
Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão rompeu com as estruturas do
absolutismo europeu. O ideal da liberdade, aliás, levou a Revolução Francesa a ter o
amplo apoio dos camponeses e camponesas. O estatuto da liberdade atingiu não
apenas o indivíduo, mas também a economia. Os burgueses não precisavam mais se
submeter aos interesses econômicos da Corte e sim aos princípios do livre mercado e
comércio.
Portanto, a alternativa correta é a letra “c”.
Gabarito: C
(UDESC 2013)
Segundo o historiador Eric Hobsbawn, a Revolução Industrial “sob qualquer aspecto [este]
foi provavelmente o mais importante acontecimento na história do mundo, pelo menos
desde a invenção da agricultura e das cidades. E foi iniciado pela Grã-Bretanha”.
HOBSBAWN, Eric. A Era das Revoluções – 1789-1848. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1977, p.
45.
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Com relação ao excerto acima, assinale a alternativa incorreta.
a) Não ocorreram movimentos de resistência dos trabalhadores às novas formas de trabalho
estabelecidas pela Revolução Industrial.
b) A Revolução Industrial propiciou o surgimento de novas formas de organização da
produção de bens, sendo que o sistema de fábricas tornou-se o preponderante, difundindo-
se para outros países e continentes, no decorrer dos séculos XIX e XX.
c) Possibilitou o estabelecimento de uma nova forma de controle do tempo, que passou a
ser marcado pelo relógio e não mais pela natureza.
d) O sistema de fábricas, no qual os trabalhadores estão concentrados em um mesmo
espaço, possibilitou que o dono da fábrica controlasse também a mão de obra, além da
matéria prima.
e) Entre as principais inovações tecnológicas advindas com a Revolução Industrial, pode-se
citar a substituição das máquinas movidas à tração animal ou à força da água pelas máquinas
a vapor.
Comentários
Lembra que falei na aula que a essa trilogia do Hobbsbawn despencava nas provas? Tá aí,
comprovado! Mas vamos ao que interessa! A Revolução Industrial foi o período de grande
desenvolvimento tecnológico iniciado na Inglaterra, a partir da segunda metade do século XVIII.
Se caracteriza por transformações políticas e tecnológicas de grande impacto na sociedade,
sobretudo nos âmbitos do processo produtivo e no estilo de vida dos trabalhadores.
Uma série de circunstâncias históricas permitiram que essa mudança fosse desencadeada e
que os ingleses fossem os pioneiros nisso. Tais circunstâncias começaram a ser criadas devido aos
acontecimentos que se deram entre o século XVI e o XVII. Os cercamentos de terras que
começaram ainda durante o reinado de Henrique VIII com a desapropriação das terras da Igreja
Católica, o fortalecimento da marinha inglesa a partir do governo de Elizabeth I, as Revoluções
Puritana e Gloriosa no XVII, a assinatura de tratados comerciais monopolistas e o próprio sistema
econômico mercantilista foram ingredientes indispensáveis para gerar acumulação de capitais,
concentração fundiária e o crescimento da burguesia mercantil e da nobreza aburguesada. Aos
poucos, as oficinas domésticas e o trabalho camponês iam sendo substituídos pelas manufaturas
e pelos latifúndios para aumentar a produtividade. O trabalhador ia perdendo seu controle sobre
o processo e o tempo de trabalho. Os proprietários das manufaturas e dos latifúndios passaram a
investir no aperfeiçoamento das ferramentas e novas máquinas foram inventadaspara continuar
ampliando o lucro e abaixando o custo da produção. Ainda, os cercamentos produziram um êxodo
rural intenso que inundou as cidades de desempregados. Isso contribuiu para que o valor dos
salários caísse, sobretudo depois que as ideias do liberalismo econômico se difundiram, pois seus
ideólogos consideram o trabalho como qualquer outra mercadoria, cujo valor devia ser atribuído
segundo a lei da oferta e da demanda. Tudo isso não seria possível também se não houvesse a
colonização de outros territórios de onde poderiam ser extraídas ou produzidas matérias-primas
para indústria. Além disso, o próprio transporte das matérias-primas se tornou um negócio
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rentável para muitos burgueses. Dessa forma, podemos ver que esse grande processo chamado
de Revolução Industrial iniciado na Inglaterra não só foi uma mudança na forma de produzir
riqueza, mas uma transformação completa da organização da sociedade, causando impactos no
campo produtivo, econômico, social, político e ideológico.
Agora que estamos afinados com o contexto, lembre-se que é para você marcar a
alternativa INCORRETA! Então vejamos:
a) Incorreta! Como ficou evidente no comentário, os trabalhos saíram com todo o ônus
dessas transformações econômicas, sociais e políticas. Contudo, eles não foram
passivos! A resistência deles é tão antiga quanto as circunstâncias que possibilitaram a
Revolução Industrial. Lembra-se que boa parte do Exército de Novo Tipo (New Model
Army) que lutou pela Revolução Puritana, no século XVII, aderiu ao movimento porque
já se sentiu prejudicados pelos cercamentos e pela perseguição religiosa empreendida
pelos reis absolutistas ingleses? Pois é! O século XVIII também foi repleto de motins e
insurreições de trabalhadores urbanos e camponeses, como demonstrou o historiador
inglês Edward P. Thompson. Quando a Revolução Industrial estava no seu auge, na
virada entre o XVIII e o XIX, com as grandes indústrias dominando os ambientes urbanos
e os latifúndios predominando nas zonas rurais, não seria diferente. Nas cidades, por
exemplo, os trabalhadores deram início a dois movimentos: ludismo (quebra de
máquinas), nos primeiros anos do século XIX; e o cartismo, nos anos 1840.
b) Correta. Está de acordo com o comentário. Porém, para complementar vale dizer que
os historiadores costumam apontar que houve várias fases da Revolução Industrial, ou
mais de uma revolução. Isto porque conforme o tempo passava, novos mercados eram
alcançados, novas matérias-primas descobertas e as invenções inovavam, a organização
da produção se transformava várias vezes. Assim, a segunda metade do século XIX, com
a descoberta da eletricidade, do petróleo, do aço e de inovações nas formas de
comunicação geraram uma nova revolução que passou a adotar o modo de produção
fordista. Neste segundo momento, de fato, a repartição de territórios africanos e
asiáticos entre os europeus, que deu início ao neocolonialismo (ou imperialismo), foi
fator determinante. Grande parte das reservas e petróleo e outras fontes minerais de
energia eram encontradas nesses locais. Ademais, toda essa exploração e transporte de
matérias-primas a nível mundial era um comércio em si que também gerava riqueza
tanto quanto o processo industrial que transforma esses produtos em bens de consumo.
Conforme a burguesia se desenvolvia nos demais países, a industrialização ganhava mais
espaço.
c) Correta. Quem passou a controlar o ritmo de trabalho e a divisão entre o tempo de
trabalho e de descanso eram os patrões e seus gerentes, não mais os trabalhadores.
Não à toa o relógio se popularizou justamente nessa época, para controlar melhor a
produtividade, controlando o tempo dos empregados.
d) Correta, pois complementa o que dissemos em relação a “c”.
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e) Correta. A grande inovação tecnológica dessa primeira fase da revolução industrial era
o uso do carvão e do vapor como fontes de energia para as novas máquinas que eram
aperfeiçoadas para aumentar a produtividade e diminuir o custo da produção.
Gabarito: A
(Uel 2020)
Analise a imagem a seguir:
Exposta no Museu do Louvre, a obra “Liberdade Guiando o Povo”, remete à existência de
questão social ainda hoje debatida.
Com base na imagem e nos conhecimentos sobre modernidade e vida social, é correto
afirmar que a obra representa
a) a luta de estratos sociais em defesa da igualdade jurídica e pela conquista dos direitos de
cidadania.
b) a primeira tentativa de revolução social do proletariado moderno contra a burguesia.
c) a participação popular na luta pelo direito de voto pelas mulheres e contra o trabalho
infantil.
d) o repúdio ao caráter sangrento das revoluções populares, produtoras de regimes
ditatoriais.
e) a democracia, que atinge a plenitude quando homens, mulheres e jovens pegam em
armas.
Comentários
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O quadro A Liberdade guiando o povo (1830) de Eugène Delacroix, é considerado um símbolo
das revoluções ocorridas durante o final do século XVIII e primeira metade do século XIX. Ao
contrário do que muitos pensam, a pintura não é uma representação da Revolução Francesa de
1789. A imagem mostra uma insurreição das classes oprimidas, uma multidão de homens no
campo de batalha empunhando armas e espadas, conduzidos por uma figura feminina,
acompanhada por corpos dos soldados adversários mortos aos seus pés.
a) Correto! É justamente isso que o quadro busca representar.
b) Incorreto. A pintura faz referência ao levante de julho de 1830, na França, que causou a
substituição do rei Bourbon Carlos X por Luís Felipe, duque de Orléans.
c) Incorreto. Com o fim da Era Napoleônica, a França viu retorno da dinastia Bourbon, na
figura do rei Luís XVIII (1814 - 1824). Em 1824, após sua morte, seu sucessor Carlos X passou
a fomentar medidas que restaurassem o absolutismo do Antigo Regime. No ano de 1830,
a vitória liberal nas eleições para deputado foi a reação contra o desenvolvimento de um
governo tão conservador. Sob a liderança do duque Luís Felipe, jornais, estudantes,
burgueses e trabalhadores iniciaram manifestações e levantes que culminaram na
Revolução de julho 1830.
d) Incorreto. O quadro representa a luta por liberdade através do confronto violento.
Relacionado com a Revolução de Julho de 1830, a pintura retrata os ideais levantados pelos
revolucionários, baseados na Revolução Francesa de 1879: liberdade, igualdade e
fraternidade.
e) Incorreto. Apesar de Delacroix ter retratado a Liberdade, como a figura de uma deusa e
também como mulher do povo, essas representações são apenas alegorias. Uma
observação atenta ao quadro demonstra que apenas homens estão no campo de batalha.
Se relacionarmos a obra ao seu contexto de criação, a Revolução de Julho de 1830 era para
garantir que o absolutismo não fosse restaurado, e não a implantação de um regime
democrático conduzido pelo povo.
Gabarito: A
(Uel 2018)
Analise as figuras a seguir:
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Com relação ao tema da Revolução Industrial Inglesa, atribua V (Verdadeiro) ou F (Falso) às
afirmativas a seguir.
( ) A substituição do tear manual pelo mecânico no processo fabril propiciou aos
trabalhadores, em suas relações sociais de produção, maior tempo livre para o lazer.
( ) O aumentoda produtividade pela mecanização industrial ampliou a prosperidade
econômica da população, diminuindo as diferenças sociais entre ricos e pobres.
( ) A organização da produção realizada pelo artesão em suas atividades domésticas
estabeleceu-se em sistema de corporações de mestres de ofícios.
( ) A produção industrial, durante o século XIX, libertou as crianças trabalhadoras dos riscos
de morte oriundos das atividades de trabalho artesanal.
( ) Os cercamentos das terras comunais privaram os camponeses do livre acesso às suas
condições de auto-sobrevivência.
Assinale a alternativa que contém, de cima para baixo, a sequência correta.
a) V, V, F, F, V.
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b) V, F, V, F, F.
c) F, F, V, F, V.
d) F, F, F, V, V.
e) F, V, F, V, F.
Comentários
A produção têxtil é o melhor exemplo das mudanças desencadeadas pela Revolução Industrial
que teve início na Inglaterra no século XVIII. Esse era o principal ramo da indústria inglesa. Os
cercamentos que ocorriam desde finais da Idade Média em grande parte tinham como objetivo
ampliar a terra disponível para criação de ovelhas ou para a plantação de algodão, que serviam
de matéria-prima para a produção de tecidos, os quais eram consumidos pela população e
exportados para outros países. Conforme os proprietários desse negócio enriqueceram e
aperfeiçoaram as ferramentas utilizadas, a produção e o trabalho foram organizados de novas
formas. Isso não ocorreu só nos campos, mas também nas cidades onde estavam as oficinas que
transformavam a lã e o algodão em tecidos.
Aos poucos, alguns proprietários foram aumentando suas oficinas e contratando mais
trabalhadores, o que deram origem às manufaturas. Ainda sem especialização do trabalho, mas já
com algumas divisões da atividade produtiva, os artesãos ainda conheciam todas as etapas
produtivas. Contudo, esse processo não era muito planejado. Além disso, o fato de os donos das
oficinas perceberem que, conforme um trabalhador se especializava ele trabalhava mais rápido,
porque a atividade ficava mais aprimorada e mais automática, contribuiu para alterar o processo
produtivo. Como na manufatura, as ferramentas pertenciam a um único dono específico que, em
geral, fiscalizava e organizava o trabalho realizado pelos seus empregados, algumas delas foram
aprimoradas e deram alguma velocidade à produção. Foi nestes lugares que os teares expostos
na imagem surgiram e foram utilizados pela primeira vez. A realidade produtiva estava prestes a
saltar para a grande escala. Agora, vejamos:
Falsa. A inovação tecnológica das ferramentas produtivas, como tear, tinha como principal
objetivo aumentar a produção e seu ritmo ao passo que diminuía os custos de todo o processo
produtivo. Portanto, a questão central era justamente o controle do tempo e, por isso, patrões e
gerentes tentavam controlar cada vez mais o tempo de trabalho dos trabalhadores para extrair o
máximo de sua capacidade produtiva. Consequentemente, eles tinham menos tempo para dedicar
ao ócio e ao lazer, ou qualquer outra atividade que não a labuta excessiva.
Falsa. O processo de industrialização teve como sua base a concentração fundiária e a acumulação
de riqueza, portanto agravou as desigualdades sociais.
Verdadeira! Desde o final da Idade Média, os artesãos costumavam se organizar em corporações
de ofício, nas quais eles organizavam a educação dos aprendizes e tabelavam os preços de seus
serviços e produtos. Nesse esquema, eles detinham a propriedade das ferramentas e o controle
sobre o processo produtivo. Era frequente eles trabalharem nas suas próprias casas, ou em oficinas
contíguas a elas, e contar com o auxílio de suas famílias durante o trabalho. Conforme as
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manufaturas cresceram, essa organização do trabalho foi perdendo espaço e se tornando mais
rara.
Falsa. Crianças e mulheres, mesmo as grávidas, eram empregadas sem maiores cuidados nas
indústrias do século XIX.
Verdadeira! Os cercamentos ocorriam desde o século XVI e se intensificaram ao longo do XVIII.
Por conta disso, uma grande massa de camponeses foi desapropriada das terras que lhes
provinham seu sustento. Consequentemente, tornaram-se desempregados e passaram a migrar
para as cidades em busca de trabalho nas oficinas e indústrias. Contudo, a grande quantidade
deles gerou a queda do preço dos salários, pois o liberalismo econômico ditava a economia
industrial.
Portanto, a alternativa correta é a letra “c”.
Gabarito: C
(UEL 2016)
Thomas Morus, em sua obra Utopia, criou uma analogia para a sociedade de sua época.
Nessa representação da sociedade, caracterizada pelo caos, ovelhas se alimentavam de seres
humanos, explicitando, dessa forma, um rompimento do equilíbrio social, no século XVIII.
Com base nos conhecimentos sobre as transformações históricas ocorridas nesse período,
assinale a alternativa que apresenta, corretamente, a denominação da fase do sistema
produtivo e a nação correspondente nesse processo.
a) Plantations – Alemanha.
b) Dominium – Itália.
c) Servidão – Portugal.
d) Corveia – França.
e) Cercamentos – Inglaterra.
Comentários
O autor inglês Thomas Morus descreve um rompimento da ordem natural, dentro de uma
ficção que remete a seu país, a Inglaterra, no século XVIII. Nesse momento, ocorreu o
processo de fechamento dos campos comuns utilizados por todos os camponeses de forma
livre para a criação de seus animais, os quais foram cercados, sendo tal processo
denominado de “cercamentos”, que foi um dos aspectos que contribui para a Revolução
Industrial, tal como vimos na aula.
Gabarito: E
(PUC-SP 2014)
“O Terror, que se tornou oficial durante certo tempo, é o instrumento usado para reprimir
a contrarrevolução(...). É a parte sombria e mesmo terrível desse período da Revolução
[Francesa], mas é preciso levar em conta o outro lado dessa política.”
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Michel Vovelle. A revolução francesa explicada à minha neta. São Paulo: Unesp, 2007, p. 74-
75.
São exemplos dos “dois lados” da política revolucionária desenvolvida na França, durante o
período do Terror,
a) o julgamento e a execução de cidadãos suspeitos e o tabelamento do preço do pão.
b) a prisão do rei e da rainha e a conquista e colonização de territórios no Norte da África.
c) a vitória na guerra contra a Áustria e a Prússia e o fim do controle sobre os salários dos
operários.
d) a ascensão política dos principais comandantes militares e a implantação da monarquia
constitucional.
e) o início da perseguição e da repressão contra religiosos e a convocação dos Estados
Gerais.
Comentário
Na Revolução Francesa, 1789-1799, ocorreu o período do “Terror” entre junho de 1793 até julho
de 1794 no contexto da Convenção Nacional. Os jacobinos liderados por Robespierre com apoio
dos Sans-culottes utilizaram a guilhotina e mataram muitas pessoas consideradas “traidoras da
revolução”. A questão é que qualquer coisa era usada como acusação de traição. Até aliados
jacobinos foram guilhotinados, como Jacques Danton.
No entanto, apesar do terror e da violência, os jacobinos adotaram algumas medidas sociais
importantes como a lei do máximo que congelou preços, aboliu a escravidão nas colônias das
França, criou um novo sistema de pesos e medidas, entre outras medidas importantes.
Ou seja, os dois lados da moeda são:
1- Terror, com a perseguição e guilhotina dos “traidores da Revolução”.
2- Medidas sociais que tentavammelhorar as condições de vida.
As demais alternativas estão incorretas. O rei foi guilhotinado antes do período do terror. Em
setembro de 1792 foi adotada a república na França. A perseguição aos religiosos começou antes
e a convocação dos Estados Gerais ocorreu em 1789.
Gabarito: A
(PUC-RJ 2021)
No final do século XVIII, cidadãos franceses reunidos em Assembleia Constituinte aprovaram
a Declaração de Direitos do Homem e do Cidadão, cujo primeiro artigo é
“Art.1o Os Homens nascem e são livres e iguais em direitos. As distinções sociais só podem
fundamentar-se na utilidade comum.”
Essas ideias podem ser associadas
a) à crise do Antigo Regime, aristocrático e desigual, e ao início da Revolução Francesa.
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b) à afirmação do igualitarismo social e à difusão das ideias socialistas na França.
c) ao Mercantilismo, que tinha a defesa da liberdade fundada na “utilidade comum” como
princípio básico.
d) à extinção das distinções entre os indivíduos, permitindo a ascensão do totalitarismo.
Comentários
Nessa questão, se prestarmos atenção à cronologia dos fatos, podemos eliminar algumas
alternativas incorretas. A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão foi aprovada na França
em 26 de agosto de 1789. Com isso, podemos eliminar as alternativas “b” e “d”, pois o socialismo
só se desenvolveu como uma filosofia política no século XIX e o totalitarismo no XX, ou seja, depois
que a Declaração foi aclamada.
Nos restam então, a “a” e a “c”, as quais podemos avaliar lembrando dos fundamentos
político-filosóficos que basearam a concepção dessa Declaração, os quais era os liberalismos
político e econômico elaborados pelos iluministas entre os séculos XVII e XVIII. Então, também
podemos eliminar a letra “c”, pois o liberalismo econômico era uma crítica ao mercantilismo.
Portanto, a alternativa correta é letra “a”, uma vez que a principal proposta do liberalismo
político que inspirou a Revolução Francesa era o fim do Antigo Regime por seu caráter desigual e
autoritário.
Gabarito: A
(PUC-RJ 2016)
Considerando que a Revolução Industrial se caracteriza por ser um processo contínuo, porém
convencionalmente dividido em fases, avalie as seguintes afirmações sobre a primeira fase
dessa Revolução:
I. Teve a preponderância da Inglaterra, especialmente com o desenvolvimento da indústria
têxtil.
II. Caracterizou-se pela nova disciplina do trabalho, o que modificou hábitos e costumes dos
trabalhadores, que, em grande parte, provinham do campo.
III. Utilizou a mão de obra de famílias inteiras, incluindo mulheres e crianças.
IV. Impôs aos trabalhadores uma intensa divisão do trabalho e a racionalização do tempo,
implementando o sistema conhecido como Taylorismo.
Estão CORRETAS somente as afirmações:
a) I, III e IV.
b) I e III.
c) III e IV.
d) I, II, III e IV.
e) I, II e III.
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Comentários
A primeira grande etapa da Revolução Industrial foi aquela que ocorreu entre as primeiras décadas
do século XVIII e 1870. Foi um período marcado por contínuas invenções, além de inúmeras
mudanças no cotidiano dos indivíduos europeus. O desenvolvimento industrial e tecnológico, o
êxodo rural, o crescimento das cidades, a divisão do trabalho e o surgimento de novas classes
sociais, como o operariado, são exemplos mais evidentes dessas transformações.
I. Correta! A Revolução Industrial iniciou na indústria têxtil. Anteriormente, a produção de
tecidos era um processo artesanal e lento. A partir de 1733, surgiram na Inglaterra
importantes tecnologias para o processamento e tecelagem do algodão e da lã, como
a lançadeira volante, a máquina de fiar com fusos múltiplos e, principalmente, máquinas
movidas a vapor. Tudo isso ajudou o país a liderar a Revolução industrial.
II. Correta! Com a concentração de poder nas mãos de uma minoria de proprietários
capitalistas, aumentou o número de camponeses despojados de suas terras. O foco era
a produção de lã para indústria. Sem opções de sobrevivência, os outrora camponeses
foram para as cidades, para o trabalho mecanizado, elevando a quantidade de mão de
obra barata. Essa massa de desempregados foi contratada como operários pelos
burgueses industriais, sendo explorados nas fábricas com baixos salários e jornadas
exaustivas de trabalho.
III. Correta! Uma das características mais marcantes da Revolução Industrial foi o trabalho
infantil e feminino. Antes disso, a maior parte da população vivia em áreas rurais. No
campo, as crianças começavam a trabalhar desde pequenas, auxiliando os pais nas
tarefas. A vida nas cidades alterou completamente esse panorama das relações de
trabalho familiares. A concepção era de que o trabalho de crianças contribuía para o
aumento da renda familiar. Ao passar o dia nas fábricas, as crianças também foram
atingidas pelas transformações nas relações de trabalho.
IV. Incorreta. Na primeira fase da Revolução Industrial, a principal característica é a
mudança do processo produtivo, anteriormente lento e manual, no qual os
trabalhadores deveriam realizar todas as etapas do sistema produtivo. Com o avanço
tecnológico, surge a chamada “divisão do trabalho”, onde cada trabalhador passa, a
exercer apenas uma etapa específica da produção e não todas as etapas. Surgido
apenas em meados do séc. XIX, o taylorismo foi uma forma de organização de
trabalhadores no processo de produção, adotando métodos de trabalho considerados
científicos e mais eficientes, o que revolucionou a indústria.
Portanto, a alternativa correta é a letra “e”.
Gabarito: E
(FGV 2018)
Na sua faceta mais radical, a Revolução Francesa promoveu uma certa redistribuição de terra,
por meio de medidas como a venda dos bens nacionais. Entretanto, nesse processo de
construção de uma ordem jurídica burguesa, o fim da escravidão não seria, no final das
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contas, incluído. A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão de 1789 trazia, no seu
artigo 1º, o princípio segundo o qual “os homens nascem e permanecem livres e iguais em
direitos”. Mas a história revolucionária mostrou que essa fórmula clássica do liberalismo
político foi capaz de gerar, de imediato, posturas contraditórias entre os diferentes atores
históricos do período, que interpretavam os termos liberdade e igualdade à luz de suas
próprias aspirações e interesses.
(Laurent Azevedo Marques de Saes. A Societé des Amis des Noirs e o movimento
antiescravista sob a Revolução Francesa (1788-1802). Tese (Doutorado em História Social) –
FFLCH, USP. 2013. Adaptado)
Nesse contexto, é correto afirmar que
a) a Revolução Francesa, embora conduzida em nome de princípios universais de liberdade
e igualdade, acabou incorporando a escravidão colonial na nova ordem jurídica, sem que
essa instituição tivesse sido posta em discussão nem sequer no período mais radical do
processo revolucionário, no momento no qual os jacobinos tentaram dirigir os rumos da
revolução.
b) os princípios de liberdade e igualdade, para a maioria dos homens nas assembleias
revolucionárias, não encontravam fronteiras ou limites ditados pela condição da França de
potência colonial, mas representavam valores universais a serem difundidos inclusive para a
América a partir de Paris, ainda que a ascensão de Napoleão tenha freado a propagação das
ideias revolucionárias.
c) o império colonial francês à época girava em torno da “pérola das Antilhas”, São Domingos
(futuro Haiti),colônia que havia projetado a França para o topo do mercado internacional de
produtos tropicais e que transformou o sucesso da produção caribenha na base da riqueza
burguesa dos portos franceses, o que não impediu que jacobinos e sans culottes
defendessem a abolição e a independência colonial desde julho de 1789.
d) a questão colonial evidenciava, sob certos aspectos, os limites da Revolução Francesa,
liberal e burguesa, pois dentro da ótica mercantilista que orientou a economia francesa
desde o século XVII, a prosperidade da Nação dependia da balança comercial favorável e,
nesse sentido, o papel do comércio com as colônias e da reexportação dos produtos
proporcionados por esse comércio era visto como capital.
e) a restauração da escravidão nas colônias, ocorrida em 1799 por ordem de Bonaparte
depois da abolição em 1789, por exigência dos revolucionários, teve como desdobramento
o levante negro no Haiti, em que se lutava simultaneamente pela abolição da escravidão e
pelo rompimento dos laços coloniais com a França, resultando na independência do Haiti,
primeiro a libertar os escravos no continente americano.
Comentário
A questão aborda uma problematização da revolução francesa e os limites na implantação do
projeto iluminista. Um desses problemas é a “questão colonial”, mais especificamente a
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continuidade da escravidão nas colônias francesas – a qual só foi abolida na 2ª. República Francesa,
a partir de 1848.
Assim, a tese contida no texto expõe que, apesar do teor igualitário da Declaração de Direitos do
Homem e do Cidadão, os atores sociais franceses pós-Revolução adaptaram os termos de
liberdade e igualdade conforme melhor lhes conveio. Nesse caso, na relação entre Metrópole e
Colônia, o Pacto Colonial continuou sendo seguido à risca, o que garantiu o prosseguimento da
exploração econômica e da escravidão.
Vejamos os itens:
A- Item errado porque durante o Governo Republicano Jacobino a escravidão foi abolida nas
colônias.
B- Embora o liberalismo afirme o caráter universal e natural dos direitos do homem, não era
um movimento que, inicialmente, pretendia a expansão.
C- O item está errado porque a França não chegou ao topo do comércio internacional de
produtos tropicais.
D- O item é perfeito. Demonstra como, apesar da transformação política, a França ainda
dependia de sua estrutura mercantil de produção inclusive para impulsionar a economia
industrial.
E- O único erro do item é afirmar que a escravidão nas colônias foi abolida em 1789. Como já
falamos, essa medida foi tomada na época da república Jacobina.
Gabarito: D
(FGV-SP 2001)
“Quem, portanto, ousaria dizer que o Terceiro Estado não tem em si tudo o que é necessário
para formar uma nação completa? Ele é o homem forte e robusto que tem um dos braços
ainda acorrentado. Se suprimíssemos a ordem privilegiada, a nação não seria algo de menos
e sim alguma coisa mais. Assim, o que é o Terceiro Estado? Tudo, mas um tudo livre e
florescente. Nada pode caminhar sem ele, tudo iria infinitamente melhor sem os outros.”
E. J. Sieyès. Qu’est-ce que le Triers Êtat.
O texto do Abade Sieyès nos remete a uma leitura da/do:
a) sistema de estamentos na França pré-revolucionária, privilegiando o papel realizador do
clero;
b) França durante o período do Terror, quando Robespierre orienta os jacobinos à execução
total do alto clero;
c) condição do Terceiro Estado, de não apenas desejar construir uma nação, mas,
fundamentalmente, de ser efetivamente a nação;
d) necessidade de acordos entre os diferentes estamentos para a construção de uma nação
próspera e republicana;
e) Terceiro Estado, composto pelo baixo clero, e representando 98% da população francesa,
que buscava dar fim aos privilégios dos demais estamentos.
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Comentários
Durante o Antigo Regime francês o parlamento era organizado na forma da Assembleia dos
Estados Gerais. Na prática, funcionava como um conselho para sugerir e discutir leis, além de
aconselhar o monarca. Contudo, essa Assembleia havido sido fechada em 1614. Com o
agravamento da crise na França, no final do século XVIII, o ministro real no cargo de Diretor Geral
das Finanças, Jacques Necker, propôs ao rei que convocasse os Estados Gerais para debaterem
soluções para os problemas políticos, econômicos e sociais que a França enfrentava.
Por bem, essa Assembleia era composta por 3 estados. O 1º estado era composto pela
nobreza; o 2º, pelo clero; e o 3º pelo resto da sociedade, isto é, burgueses, camponeses,
trabalhadores assalariados e sans-cullotes. Quando a Assembleia foi aberta, a primeira discussão
foi sobre como seria o sistema de votação, se o voto seria por cabeça ou por estado. A importância
disso residia no fato que a maioria esmagadora da população pertencia ao terceiro estado, cujos
representantes eleitos somavam 600 deputados, enquanto os outros dois tinham 300 cada um.
Logo, o povo teria mais vantagem se cada pessoa tivesse direito a um voto. O voto por estado,
defendido pelos nobres e pelo clero, implicaria que cada estado tinham um voto, independente
da quantidade de deputados eleitos, o que obviamente dava vantagem para eles que em geral
eram contrários a mudanças muito drásticas. É por isso que o autor do texto, um membro do
terceiro estado, defende sua importância na sociedade francesa, uma vez que literalmente
representa o povo. Como vimos na aula, esse impasse acabou gerando a revolta do 3º estado e
acelerou o estopim da revolução. Então, vamos às alternativas.
a) Errado. Apesar dos estamentos estarem relacionados com o Estados Gerais, sendo
praticamente sinônimos, os primeiros dizem respeito à divisão social, enquanto os segundo
se tratam da divisão política da sociedade. Além disso, o clero não tinha um papel
realizador, mas sim legitimador da ordem social.
b) Errado. O período do Terror, liderado por Robespierre, correu em meados de 1793,
durante a segunda fase da revolução (República). A divisão do poder legislativo em três
estados já havia sido abolida desde 1789.
c) Certo! Esse é o fundamento do argumento expresso pelo autor do trecho. Se o Terceiro
Estado abrigava a maioria massiva da população, parcela na qual estavam tanto burgueses
que investiam na economia francesa quanto trabalhadores que efetivamente trabalhavam
para manter essa economia em movimento, consequentemente devia ser considera a
própria nação.
d) Errado. No breve trecho destaca, não há defesa da necessidade de fazer acordos entre os
estamentos sociais, mas sim que a massa de desprivilegiados se unisse para a assumir o
comando efetivo da nação, pois eram eles que de fato construíam e moviam a nação.
e) Errado. O clero não fazia parte do Terceiro Estado, mas sim a burguesia, os camponeses,
os trabalhadores assalariados e os sans-cullotes.
Gabarito: C
(FGV-SP 2001)
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Considerando a Revolução Industrial em suas duas diferentes fases, podemos afirmar que:
a) a primeira fase caracterizou-se pela utilização do carvão e do ferro e desenvolveu-se
primeiramente na Inglaterra, na França e na Bélgica;
b) tanto a primeira como a segunda fase da Revolução Industrial caracterizaram-se pela
utilização do aço e da eletricidade;
c) Alemanha, Itália, Rússia, EUA e Japão foram os países que se destacaram em sua primeira
fase;
d) tanto a primeira como a segunda fase da Revolução Industrial caracterizaram-se pela
utilização docarvão e do aço;
e) a segunda fase da Revolução Industrial caracterizou-se pela utilização do aço e da
robótica e desenvolveu-se principalmente no Japão.
Comentários
A Revolução Industrial, que ocorreu aproximadamente entre as décadas de 1730 e 1840, foi um
processo de profundas transformações econômicas, sociais, culturais e tecnológicas, e teve sua
origem na Inglaterra. Seu impacto se estendeu por todas as áreas da sociedade. A chamada
Revolução Industrial se divide em duas fases: a primeira de 1733 a 1840 e a segunda de 1870 a
1914. Sabendo disso, vamos às alternativas:
a) Correta! O elemento-chave ou que deu origem a essa revolução foi a invenção da máquina
a vapor movida à carvão, que foi aplicada na locomotiva e a partir daí deu um avanço
tecnológico sem precedentes. Até 1850, a Inglaterra continuou dominando o primeiro lugar
entre os países industrializados. Na Europa, os maiores centros de desenvolvimento
industrial, na época, eram as regiões mineradoras de carvão; lugares como o norte da
França, nos vales do Rio Sambre e Meuse, na Alemanha, no vale de Ruhr, e também em
algumas regiões da Bélgica. Ainda assim, a Inglaterra estava muito à frente na
industrialização devido a uma série de circunstâncias históricas relacionadas ao seu
desenvolvimento econômico, político e social. Os demais países continuariam
predominantemente rurais até meados do século XIX.
b) Incorreta. Dentre as principais características da primeira fase da Revolução Industrial está
o uso do ferro e do carvão como fonte de energia, que resulta na substituição da energia
produzida pelo homem por energias como a vapor, eólica e hidráulica. Já o uso do aço e
da eletricidade se deu a partir de meados do século XIX, na chamada Segunda Revolução
Industrial.
c) Incorreta. Inglaterra foi o país onde a Revolução industrial surgiu, passando para França e
Bélgica que também apresentavam condições adequadas para o desenvolvimento
industrial-tecnológico devido às reservas abundantes de carvão. A Segunda Revolução
Industrial diz respeito ao período entre a segunda metade do século XIX até cerca de
meados do século XX, tendo seu fim durante a Segunda Guerra Mundial. A industrialização
avançou os limites geográficos da Europa Ocidental, e na segunda metade do século XIX,
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países como Itália, Alemanha, França, Rússia, Japão e Estados Unidos, se industrializaram,
a partir desse momento.
d) Incorreta. Conforme dito nas respostas acima, a primeira fase da Revolução Industrial é
caracterizada pelo uso do carvão e do ferro; já a segunda fase, se caracteriza pelo uso do
aço e da eletricidade.
e) Incorreta. Apesar de o uso do aço ser característico da segunda fase da Revolução Industrial
e do Japão começar a se industrializar nesse período, a robótica e outras tecnologias fazem
parte da quarta fase da Revolução Industrial, caracterizada pelo desenvolvimento e a
incorporação de inovações tecnológicas na indústria, o que ocorreu a partir da segunda
metade do século XX.
Gabarito: A
(IFSudMinas 2016)
Analise as afirmações a seguir sobre a Revolução Francesa.
I) A crise financeira experimentada pela França antes da revolução e o regime político
absolutista do rei podem ser considerados como fatores importantes para o início da
revolução.
II) A Queda de Bastilha foi o evento decisivo para o início da Revolução Francesa. A Bastilha
era uma prisão para a qual o rei enviava injustamente muitos condenados.
III) Havia uma disputa de poder entre os Girondinos e os Jacobinos, mas estes nunca
conseguiram assumir o poder na França depois da revolução.
IV) O principal lema da Revolução Francesa é: liberdade, igualdade e fraternidade.
Agora marque a alternativa CORRETA.
a) Apenas I, II e III são verdadeiras.
b) penas II, III e IV são verdadeiras.
c) Apenas I, II e IV são verdadeiras.
d) Todas as afirmativas são verdadeiras.
e) Todas as afirmativas são falsas.
Comentários
Antes de responder, é bom lembrar que a Revolução Francesa, que ocorreu entre 1789 e 1799,
foi um ciclo revolucionário de grande proporção e influência, inspirado nos ideais do Iluminismo e
motivado pela situação de crise que a França vivia no final do século XVIII. Causou profundas
transformações e marcou o início da queda de regimes absolutistas na Europa. No século XVIII,
pensadores iluministas, se opuseram, através de suas ideias, aos privilégios e diversos conflitos
causados pelo modelo das monarquias absolutas. Para eles, o rei representava uma figura de
legitimação das desigualdades e engessamento político, que atingia toda a sociedade. Assim, eles
propuseram a criação de um novo regime dividido em três poderes que se encarregariam de
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exercer justiça através de leis, destinadas a qualquer indivíduo, independentemente de sua
posição política, condição econômica ou religião. Com isso mente, vejamos:
I) Correto! Nos anos que antecederam a Revolução, a França era uma monarquia absolutista,
sendo uma das mais importantes da Europa, governada por Luís XVI. O poder do rei era
absoluto, e a sociedade francesa era dividida em “estados”: o Primeiro representava o
clero, o Segundo a nobreza, e o Terceiro Estado era formado pelo restante da população.
Essa divisão social estratificada ao máximo, marcava um abismo de desigualdade social,
uma vez que nobreza e clero gozavam de muitos privilégios e luxo, enquanto o povo,
padecia de fome e miséria, além de pagarem altos impostos para os dois primeiros estados.
Esse quadro de crise econômica se agravou, sobretudo, pelos altos gastos do rei e de sua
corte, mas, sobretudo, pela derrota da França na Guerra dos Sete Anos (1756 - 1763) e pelo
envolvimento na Revolução Americana (1776 - 1781).
II) Correto! A Queda da Bastilha foi o ápice de uma série de eventos que propiciaram a
Revolução Francesa. Durante a Assembleia dos Estados Gerais (convocada desde a Idade
Média, apenas em períodos emergenciais), o Terceiro Estado se encontrava insatisfeito com
o sistema político vigente e propôs sua alteração. O rei francês, acuado, tentou dissolver a
Assembleia. Os representantes do Terceiro Estado não aceitaram a situação, rebelaram-se
e fundaram a Assembleia Nacional Constituinte com o objetivo de redigir uma Constituição
para transformar a França em uma monarquia constitucional. O rei tentou fechar a
Assembleia Nacional Constituinte, e a reação popular foi tomar as ruas de Paris e defender
a instituição que havia sido criada pelo Terceiro Estado, no dia 12 de julho de 1789. No dia
14 de julho, a população seguiu com o seu levante, atacando primeiro o Arsenal dos
Inválidos e depois promovendo a queda da Bastilha. A Bastilha era uma antiga fortaleza
que havia sido transformada em prisão para os opositores políticos dos reis franceses,
símbolo máximo da opressão absolutista.
III) Incorreto. Os jacobinos, atuaram como um partido político durante o processo
revolucionário. Seus membros defendiam mudanças mais radicais que os girondinos: eram
contrários à Monarquia e queriam implantar uma República. Esse grupo era apoiado por
um dos setores mais populares da França, os sans-cullotes (artesãos, trabalhadores e
pequenos proprietários), e lutaram por outras mudanças sociais depois da revolução. Foram
responsáveis por instaurar o período conhecido como Terror, forma ditatorial de exercício
do poder baseado na ideologia da racionalidade e radicalismo revolucionário.
IV) Correto! a Revolução Francesa fez surgir um estado completamente novo. A monarquia
absolutista passa a ser uma república, onde não havia mais súditos e sim, cidadãos. A
sociedade, antesliderada pela aristocracia e pelo clero, agora era governada pela
burguesia. Além disso, povo ganhou centralidade nos assuntos coletivos (fraternidade), e a
liberdade política e a igualdade perante a lei também foram lemas e conquistas da
revolução.
Portanto, a alternativa correta é a letra “c”.
Gabarito: C
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(IFRS 2019)
Nas sentenças abaixo a respeito da Revolução Industrial, iniciada na Inglaterra no final do
XVIII, marque verdadeiro (V) ou falso (F).
( ) Um dos motivos do pioneirismo inglês na Revolução Industrial foi o precoce processo de
cercamento dos campos (século XVI) que concentrou a propriedade fundiária e ampliou a
oferta de mão de obra assalariada nos campos e nas cidades.
( ) O desenvolvimento da indústria propiciou uma significativa melhora na urbanização e nas
condições de vida da classe operária nos grandes centros industriais, tais como a Inglaterra
no início do século XIX.
( ) A gradual mecanização e especialização da produção retirou dos trabalhadores o domínio
sobre o produto final do trabalho em um processo que pode ser denominado alienação do
trabalho.
( ) A segunda fase da Revolução Industrial (aproximadamente entre 1875 e 1945) coincidiu
com um novo processo de dominação das potências europeias sobre os territórios da África
e da Ásia em busca de fontes de energia e de mercado para suas mercadorias e capitais.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
a) V – F – F – V
b) F – F – V – F
c) V – F – V – V
d) F – V – V – V
e) F – F – V – V
Comentários
Em primeiro lugar, é importante lembrar que a Revolução Industrial é o nome dado ao longo
processo de mudança na forma de produzir a riqueza. Esse processo teve início na Inglaterra,
ao longo do século XVIII, como dito. Uma série de circunstâncias históricas permitiram que
essa mudança fosse desencadeada e que os ingleses fossem os pioneiros nisso. Tais
circunstâncias começaram a ser criadas devido aos acontecimentos que se deram entre o
século XVI e o XVII. Os cercamentos de terras que começaram ainda durante o reinado de
Henrique VIII com a desapropriação das terras da Igreja Católica, o fortalecimento da marinha
inglesa a partir do governo de Elizabeth I, as Revoluções Puritana e Gloriosa no XVII, a
assinatura de tratados comerciais monopolistas e o próprio sistema econômico mercantilista
foram ingredientes indispensáveis para gerar acumulação de capitais, concentração fundiária
e o crescimento da burguesia mercantil e da nobreza aburguesada. Aos poucos, as oficinas
domésticas e o trabalho camponês iam sendo substituídos pelas manufaturas e pelos
latifúndios para aumentar a produtividade. O trabalhador ia perdendo seu controle sobre o
processo e o tempo de trabalho. Os proprietários das manufaturas e dos latifúndios passaram
a investir no aperfeiçoamento das ferramentas e novas máquinas foram inventadas para
continuar ampliando o lucro e abaixando o custo da produção. Ainda, os cercamentos
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produziram um êxodo rural intenso que inundou as cidades de desempregados. Isso
contribuiu para que o valor dos salários caísse, sobretudo depois que as ideias do liberalismo
econômico se difundiram, pois seus ideólogos consideram o trabalho como qualquer outra
mercadoria, cujo valor devia ser atribuído segundo a lei da oferta e da demanda. Tudo isso
não seria possível também se não houvesse a colonização de outros territórios de onde
poderiam ser extraídas ou produzidas matérias-primas para indústria. Além disso, o próprio
transporte das matérias-primas se tornou um negócio rentável para muitos burgueses. Dessa
forma, podemos ver que esse grande processo chamado de Revolução Industrial iniciado na
Inglaterra não só foi uma mudança na forma de produzir riqueza, mas uma transformação
completa da organização da sociedade, causando impactos no campo produtivo,
econômico, social, político e ideológico. Com isso mente, vamos às alternativas:
Verdadeira! Os cercamentos das terras comunais, ou openfields, teve início sob o reinado de
Henrique VIII, no século XVI, como citamos. Esse monarca rompeu com a Igreja Católica em
1534 e, por isso, expropriou as terras pertencentes à essa instituição, no território inglês.
Essa terra foi usada por ele como moeda de troca para conseguir apoio político das classes
dominantes na Inglaterra, tanto da nobreza tradicional quanto da nobreza aburguesa e dos
burgueses que naquele momento ainda começavam acender socialmente. Entretanto, parte
dessas terras eram comunais, isto é, qualquer pessoa podia utilizá-las e muitos camponeses
faziam uso delas para plantar ou colher o seu sustento. Eles acabaram perdendo o acesso a
essas terras, pois os novos proprietários as cercavam para utilizá-las como pasto de ovelhas
ou latifúndios agrários. O problema é que eles não pararam só nas terras da Igreja. Alguns
proprietários e os próprios monarcas vez ou outra cercavam cada vez mais terras comunais
ao longo dos séculos de modo que quando chegamos no XVIII havia uma grande massa de
camponeses desapropriados que iam procurar trabalho nas manufaturas nas cidades.
Falsa. As indústrias que surgiram conforme os proprietários aperfeiçoavam as máquinas e o
processo produtivo aos seus interesses eram extremamente insalubres para os trabalhadores.
A prioridade ali era produzir o máximo possível com o menor custo possível. Portanto, era
frequente esses espaços terem pouca iluminação e ventilação, quase nada de segurança e
os empregados serem obrigados a trabalhar muitas horas seguidas nessas condições.
Verdadeira! Como dito no comentário, conforme os trabalhadores perdiam suas terras e se
viam obrigados a trabalhar nas manufaturas e, posteriormente, nas indústrias foi tirado deles
o controle sobre o ritmo e as condições de trabalho. Além disso, eles também não eram mais
os donos das ferramentas, pois estas eram do patrão. Com isso, quem definia o preço do
produto final era o empregador, que também estipulava o valor do salário a ser pago. Dessa
forma, aos trabalhadores sobrou apenas a propriedade de sua própria força de trabalho que
tinham que vender aos capitalistas por salários insuficientes para seu sustento de forma
digna.
Verdadeira! Os historiadores costumam apontar que houve várias fases da Revolução
Industrial, ou mais de uma revolução. Isto porque conforme o tempo passava, novos
mercados eram alcançados, novas matérias-primas descobertas e as invenções inovavam, a
organização da produção se transformava várias vezes. Assim, a revolução industrial que
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ocorreu no XVIII, conhecida como a primeira, tem espaço na Inglaterra e suas inovações
estavam relacionadas ao uso vapor como energia e a adoção do método taylorista de
produção. As circunstâncias que possibilitaram essas mudanças estão também relacionadas
a colonização da América, que era a principal fornecedora de matéria-prima aos europeus.
Na segunda metade do século XIX, com a descoberta da eletricidade, do petróleo, do aço e
de inovações nas formas de comunicação geraram uma nova revolução que passou a adotar
o modo de produção fordista. Neste segundo momento, de fato, a repartição de territórios
africanos e asiáticos entre os europeus, que deu início ao neocolonialismo (ou imperialismo),
foi fator determinante. Grande parte das reservas e petróleo e outras fontes minerais de
energia eram encontradas nesses locais. Ademais, toda essa exploraçãoe transporte de
matérias-primas a nível mundial era um comércio em si que também gerava riqueza tanto
quanto o processo industrial que transforma esses produtos em bens de consumo.
Portanto, a alternativa correta é a letra “c”.
Gabarito: C
(UNESP 2006)
"... a Revolução de 1789 não fez nada pelo operário: o camponês ganhou a terra, o operário
está mais infeliz que outrora e os monarquistas têm razão quando afirmam que as antigas
Corporações [de Ofício] protegiam melhor o trabalhador do que o regime atual".
("Jornal Le Matin", 07 de março de 1885.)
Com tal declaração, o escritor francês Émile Zola fazia um balanço dos efeitos sociais da
Revolução de 1789, referindo-se
a) aos confiscos dos bens dos nobres franceses emigrados e à política liberal implementada
pelo Estado.
b) à baixa participação dos trabalhadores urbanos nas lutas sociais na França do final do
século XIX.
c) ao apoio dos operários ao projeto de Restauração do absolutismo francês, como garantia
de melhoria social.
d) à liderança política dos camponeses franceses nas revoluções socialistas e comunistas do
século XIX.
e) à política de bem-estar social instituída pelo Partido Social Democrata francês ao longo
do século XIX.
Comentário
Primeira coisa é entender bem o texto. Depois contextualizar o momento que o autor está
tratando, por fim, mobilizar conhecimento específico sobre o contexto.
Então veja: Zola fala do camponês e do operário. O primeiro ganhou terra e o segundo ficou
infeliz e mais desprotegido.
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Assim, podemos pensar o seguinte: durante a revolução francesa, os camponeses ganharam
terras porque os nobres foram expropriados. Ocorreu algo como uma reforma agrária. Os
operários ficaram mais desprotegidos porque o Estado liberal implantado desde a Revolução
Francesa proibiu a organização da classe trabalhadora. Sindicatos e associações de classe
não puderam se organizar, sobretudo, com o governo de Napoleão.
Assim, o único item que poderia ser assinalado é o A.
Se você não lembrasse de nada disso e se não desse para pensar em tudo isso o que você
faria? Vai por exclusão. De cara poderia excluir itens B, C, D e E porque nenhum deles se
relaciona ao assunto do texto.
Gabarito: A
(URCA 2020)
A segunda metade do século XVIII convulsionou a Europa em movimentos de contestação e
crise do Antigo Regime. “A França forneceu o vocabulário e os temas da política liberal e
radical-democrática para a maior parte do mundo. A França deu o primeiro grande exemplo,
o conceito e o vocabulário do nacionalismo. A França forneceu os códigos legais, o modelo
de organização técnica e científica e o sistema métrico de medidas para a maioria dos países.
A ideologia do mundo moderno atingiu as antigas civilizações que tinham até então resistido
as ideias europeias inicialmente através da influência francesa. Esta foi a obra da Revolução
Francesa”
(HOBSBAWM, Eric. A Era das Revoluções. p.98 São Paulo, Paz e Terra, 2010).
São vinculados ao movimento revolucionário francês:
A) A sociedade era dividida em estamentos, sendo o terceiro estado composto pela maior
parte da população, únicos que pagavam impostos, e que estavam sendo oprimidos pelos
demais estados (clero e nobreza) entre os populares descontentes destaca-se a burguesia
em ascensão que vislumbravam direitos políticos.
B) Durante o processo revolucionário a rainha Maria Antonieta e o seu marido Oliver
Cromwell foram decapitados pelos revolucionários radicais acusados de alta traição ao
Estado, a morte do Reis foram extremamente simbólicas para legitimar a queda do antigo
regime.
C) Em 1789 foi delineado o documento de Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão,
sendo um manifesto da burguesia contra a sociedade de privilégios dos nobres, em nenhum
momento se propôs em ser a favor de uma sociedade democrática e igualitária.
D) Durante o processo revolucionário se destacaram alguns motins, entre eles, o político e o
da fome. Sendo os motins da fome protagonizados pelas mulheres.
E) O regime Jacobino, também denominado de fase do terror, foi responsável por mobilizar
o apoio da massa contra a rebeldia dos notáveis e dos girondinos, implantar terrorismo às
pessoas consideradas traidoras, controlar os preços e implantar uma constituição de
tendência radical.
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Comentários:
A Revolução Francesa foi um divisor de águas para a Europa, tanto em aspectos sociais, quanto
econômicos e políticos. A derrubada da monarquia francesa e a decapitação do rei Luís XVI e
de sua esposa, Maria Antonieta foi um marco que abalou as monarquias europeias e causou
consequências em todo o mundo ocidental.
Visto isso, vejamos aspectos associados ao movimento revolucionário:
a) Incorreto. A França do século XVIII era marcada pela divisão de Estados, e quem pertencesse
ao Terceiro Estado não possuía nenhum direito político, e em contrapartida pagavam muitos
impostos na sociedade francesa, porém com as crises do final do século XVIII, uma parcela da
nobreza, distante da realeza passou a pagar impostos também.
b) Incorreto. O marido de Maria Antonieta era o rei da França, Luís XVI e não Oliver Cromwelll.
c) Incorreto. A Declaração do Homem e do Cidadão, propunha acabar com os privilégios
tradicionais do Antigo Regime (dos títulos da nobreza) e trazia princípios de igualdade (direito
de todos à vida; direito de todos a terem sua propriedade).
d) Correto. As mulheres tiveram intenso papel no processo revolucionário francês se
destacando na marcha até o Palacio de Versalhes, com cerca de 7 mil revolucionárias, para
resolver a questão da “crise do pão”. Além disso, durante a Revolução, elas reivindicaram
melhores condições de vida às famílias e igualdade de direitos com os homens. Muitas se
alistaram no exército disfarçadas e em 1791 fizeram a Declaração dos Direitos da Mulher.
Porém, esta foi ignorada pelos revolucionários, que três anos depois mandaram sua criadora,
Olympe de Gouges, para guilhotina. Do ativismo feminino, surgiram organizações específicas,
como a Associação das Republicanas Revolucionárias criada em 1793 por Claire Lacombe e
Pauline Léon.
e) Incorreto. Os jacobinos mobilizam o povo contra os girondinos e não contra os notáveis, que
já haviam perdido o poder na França, com o início da revolução.
Assim, a única resposta correta é a letra D.
Gabarito: B
(URCA 2018)
“[...] No princípio da década de 1830, entre um terço e a metade da força de trabalho (em
todas as classes de trabalho) nas indústrias algodoeiras tinha menos de vinte e um anos de
idade. No setor de lãs cardadas, a proporção de jovens era ainda maior. Entre os adultos,
bem mais da metade eram mulheres. [....] A força de trabalho adulto nas indústrias têxteis do
Reino Unido atingia 191.671 pessoas, das quais 102.812 eram mulheres e apenas 88.859,
homens.”
(THOMPSON E. P. A formação da Classe Operária. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987. V.II
p.170)
Sobre a situação dos trabalhadores durante a Revolução Industrial Inglesa, pode-se afirmar:
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A) O movimento sindical foi inicialmente organizado através do Ludismo que tinha como
base de ação reuniões e assembleias pacíficas que reivindicavam melhores condições de vida
e direitos para os trabalhadores.
B) Em virtude das péssimas condições de vida, progressivamente, houve um retorno dos
trabalhadores da cidade para o campo, desacelerandoo processo industrial na Inglaterra em
algumas décadas.
C) A existência de uma legislação específica protegia os menores de idade e não permitia o
trabalho de crianças nas fábricas.
D) As cidades, sobretudo, os bairros da classe operária, eram espaços altamente insalubres
com péssimas condições de saúde, higiene e moradia. Os baixos salários pagos aos
trabalhadores e a péssima alimentação contribuíam para a sua baixa expectativa de vida.
E) Por serem mais especializadas, as mulheres eram mais requisitadas para a indústria de
trabalho têxtil e, em muitas situações, tinham salários maiores que os homens nas fábricas.
Comentários:
O texto de Thompson, como seu título traz, aborda a formação da classe operária inglesa
no século XIX. Assim, no trecho acima o autor evidencia algumas características das condições
de trabalho nas fábricas da Inglaterra no começo do século: o primeiro era que muitos jovens
e crianças eram colocados para trabalhar nas Indústrias. Além disso, mais de 50% do
proletariado fabril era formado por mulheres. Isso evidencia uma sociedade machista e que não
possui nenhum tipo de proteção ao trabalho infantil.
Diante disso, passamos as alternativas:
a) Incorreto. O ludismo foi um movimento de caráter violento, por se tratar de uma revolta
dentro das fábricas, onde as máquinas eram quebradas em forma de protesto ao trabalho
exploratório do proletariado inglês no começo do século XIX.
b) Incorreto. Em virtude das péssimas condições de vida, os trabalhadores passaram a se
organizar em associações e sindicatos, reivindicando mais direitos políticos, como no Cartismo,
que exigiu o direito a voto pelas classes mais pobres, para que pudessem eleger representantes
para ocupar as cadeiras do Parlamento britânico.
c) Incorreto. Essa afirmação vai em contradição com o que o texto evidencia.
d) Correto. As condições do trabalho nas cidades, devido sua enorme expansão e vinda em
massa de camponeses para as áreas urbanas, fez com que os salários fossem reduzidos a quase
zero, enquanto as jornadas de trabalho eram exaustivas.
e) Incorreto. As mulheres compunham a maior parte dos operários, pois elas não podiam
exercer altos cargos da sociedade inglesa.
Gabarito: D
(UEA 2010)
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A máquina, da qual parte a Revolução Industrial, substitui o trabalhador, que maneja uma
única ferramenta, por um mecanismo, que opera com uma massa de ferramentas iguais ou
semelhantes de uma só vez, e que é movimentada por uma única força motriz, qualquer que
seja sua força. (Karl Marx. O Capital, 1867.) A partir do texto, é correto considerar que a
Revolução Industrial
(A) aboliu a mão de obra no processo produtivo, provocando desemprego e sofrimentos
sociais.
(B) aumentou a produção de mercadorias, instituindo uma forma de produção diferente da
artesanal.
(C) impediu o surgimento de movimentos socialistas, subordinando os operários às
máquinas.
(D) produziu um quadro de nivelamento econômico entre os países, devido à expansão da
industrialização.
(E) atenuou as desigualdades sociais, favorecendo a ascensão política da grande massa de
trabalhadores industriais.
Comentários:
Em seu livro do capital, Marx comenta sobre as características da Revolução Industrial. É
importante ressaltar que esse processo aconteceu em tempos diferentes em diversos países
do mundo, assim gerando desigualdades industriais entre eles. Além disso, com a
mecanização e sistematização do trabalho a partir das máquinas, isso possibilitou um
aumento na produção, pois um produto que antigamente era feito de maneira artesanal,
naquele momento, podia ser feito com tecnologias muito mais avançadas, em uma escala
muito maior, em um tempo menor e com menos trabalhadores. Assim, a Revolução Industrial
modificou todas as relações produtivas existentes até aquele momento. Isso fez surgir as
Indústrias e os trabalhadores, que foram chamados de proletários. Porém, devido ao
desenvolvimento do capitalismo sem uma preocupação de como esse crescimento seria
feito, isso gerou uma desigualdade social grande entre o proletariado (que possuía a força
de trabalho), e a burguesia (que detinha os meios de produção). Com isso, surgiria no século
XIX, correntes teóricas, que fariam aparecer movimentos sociais contra essa nova ordem
estabelecida pelo capitalismo. Portanto, a única resposta correta é a letra (B).
Gabarito: B
(UNITINS 2021)
Ao longo da história, a relação do indivíduo com o trabalho foi se modificando em
conformidade com acontecimentos e valores dos diferentes períodos sociais. Segundo Karl
Marx, “uma aranha executa operações semelhantes às do tecelão, e a abelha envergonha
mais de um arquiteto humano com a construção dos favos de suas colmeias. Mas o que
distingue o pior arquiteto da melhor abelha é que ele constrói o favo em sua cabeça, antes
de construí-lo em cera”
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(MARX, Karl. O Capital. Vol. I, tomo 1. São Paulo: Abril Cultural, 1983, p. 149- 150).
Analise as seguintes afirmativas a respeito do trabalho humano no desenrolar do processo
histórico.
I - Na Grécia antiga a dignidade do indivíduo estava relacionada à sua capacidade de dedicar-
se ao desenvolvimento do pensamento, distanciando-se o mais possível do trabalho manual.
II – O desenvolvimento do capitalismo promoveu mudanças nos modos de produção, no
comércio, nas relações de trabalho, na lógica da acumulação e do lucro.
III - A sociedade medieval desenvolveu a concepção de que o trabalho eleva a condição
social do indivíduo e promove sua realização pessoal.
IV- A partir da Revolução Industrial, o sentido de trabalho foi sendo estruturado como
emprego e se fortaleceu a figura do trabalhador assalariado.
É correto o que se afirma em:
A) I, II e IV, apenas.
B) I e IV, apenas.
C) II e III, apenas.
D) III e IV, apenas.
E) I, II, III e IV.
Comentários:
O texto aborda um fala de Marx sobre a história do trabalho. Com relação a isso, ele disse
que a relação de trabalho entre os indivíduos vai sempre se modificando conforme os períodos e
os acontecimentos das sociedades. Assim, vejamos as afirmações e assinalemos as corretas em
relação a história das relações de trabalho:
I. Correto. O tédio era uma virtude para o exercício da cidadania, uma vez que, com tempo
livre, o homem poderia se dedicar ao pensamento da vida na polis, enquanto seus escravos se
preocupavam com os trabalhos manuais.
II. Correto. Desde que o capitalismo surgiu, ele modificou radicalmente os modos
produtivos. Primeiro na passagem do modo de produção artesanal para o manufaturado. Depois
quando as manufaturas foram substituídas pelas maquinofaturas (indústrias).
III. Incorreta. Durante a época medieval, existia a percepção de trabalho como algo
camponês. Acreditava que existiam os que rezavam (clero), os que lutavam (os nobres) e os que
trabalhavam (servos). É com base nesses três estamentos, que a sociedade ocidental medieval se
estabeleceu.
IV. Correto. A Revolução Industrial inaugurou uma nova fase na divisão de trabalhos na
sociedade humana. Os empregos passaram a ser todos assalariados e se formou a classe operaria
inglesa.
Gabarito: A
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AULA 09: HC I - Revoluções Francesa e Industrial
(UNITINS 2021)
A imagem e o texto a seguir fazem referência à Revolução Francesa.
Caderno de Terceiro Estado da paróquia de Longey-en-Dunois, França.
“Nós, habitantes da paróquia de Longey abaixo-assinados, tendo-nos reunido emvirtude
das ordens do Rei, na sexta-feira, dia 6 do presente mês de maio de 1789, resolvemos o que
segue: pedimos que todos os privilégios sejam abolidos. Declaramos que se alguém merece
ter privilégios e gozar de isenções, são estes, sem contradição, os habitantes do campo, pois
são os mais úteis ao Estado, porque por seu trabalho o fazem viver. Que até hoje foram
quase os únicos a pagar os exorbitantes impostos de que esta província está carregada”.
MATTOSO, Kátia M. de Q. Textos e documentos para o estudo de História Contemporânea.
São Paulo: Edusp, 1976.
Sobre a Revolução Francesa, analise as afirmativas a seguir e considere V (Verdadeiro) ou F
(Falso).
( ) A base ideológica da Revolução Francesa foi o Iluminismo, movimento intelectual que
defendia o uso da razão e maior liberdade econômica e política.
( ) São causas da Revolução Francesa a insatisfação popular com a crise econômica e política
da França, no final do século XVIII, bem como a grande desigualdade social gerada pela
monarquia absolutista.
( ) A Revolução Francesa teve a duração de dez anos e foi encerrada pelo Golpe de 18 de
Brumário, quando Napoleão Bonaparte assumiu o poder.
( ) Apesar de sua duração, a Revolução Francesa não influenciou a queda do regime
absolutista na Europa.
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( ) A Queda da Bastilha, ocorrida em 14 de julho de 1789, em Paris, marcou o início de um
ciclo revolucionário conhecido como Revolução Francesa.
A opção que apresenta a sequência correta, de cima para baixo, é:
A) F, V, V, V e F.
B) V, F, V, V e F.
C) F, F, V, V e V.
D) V, F, V, F e V.
E) V, V, V, F e V
Comentários:
A questão aborda a Revolução Francesa. A imagem é uma pintura muito representativa do
movimento revolucionário – durante tomada a Bastilha, em 1789 (essa edificação era um presídio
e o símbolo máximo do Absolutismo francês). Além disso, o texto traz depoimentos de cidadãos
urbanos de Paris, em meio o levante contra os privilégios do Primeiro e do Segundo Estado
francês, que gozavam de isenções fiscais enquanto o Terceiro Estado sustentava majoritariamente
o Estado francês por meio de impostos.
Assim, de acordo com isso, analisemos as afirmações e marquemos verdadeiro ou falso:
I. Correto. O iluminismo foi a base intelectual que fundamentou a Revolução Francesa e a
Independência Americana, com preceitos racionais e liberais.
II. Correta. A crise econômica e política foi gerada pela má gerencia dos reis Bourbon no Estado
francês, em que eles cobravam sobretaxas ao 3º Estado, enquanto concediam isenções de
impostos a nobreza e o clero, despertando revolta entre membros da Burguesia comercial
francesa e os camponeses, contra o sistema do Antigo Regime.
III. Correto. Enquanto a Revolução acontecia e os franceses iam conquistando novos inimigos no
exterior, temido pelo processo revolucionário francês, um jovem soldado, chamado Napoleão
Bonaparte, aos poucos fui subindo na hierarquia militar. Sua eximia habilidade o fez um líder
militar, e em 1799, ele por meio do Golpe de 18 Brumário encerrou de uma vez a Revolução
Francesa.
IV. Incorreta. Após a Revolução Francesa, nos países vizinhos, ocorreu também um avanço dos
processos de derrubada das monarquias absolutistas europeias, em detrimento dos Estados
burgueses liberais.
V. Correta. A tomada da Bastilha por camponeses iniciou de vez a Revolução na França.
Gabarito: E
(UNICENTRO 2019)
“Para o historiador, todos os acontecimentos, mesmo os remotos, têm atualidade e vida.
Mas isso é ainda mais verdadeiro no caso da Revolução Francesa de 1789, que transformou
o modo de vida até daqueles que pouco souberam ou sabem sobre ela, até hoje em dia.
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Não será exagero dizer que ela ajudou a dar forma ao mundo ocidental contemporâneo,
moldando as instituições e os ideais que nos animam e que consideramos universais.”
GRESPAN, Jorge. Revolução Francesa e Iluminismo. São Paulo: Contexto, 2003, p. 9.
Sobre a Revolução Francesa é correto afirmar.
a) A Revolução Francesa ocorreu em meio a uma crise econômica e foi produto de revoltas
de burgueses, camponeses e trabalhadores urbanos.
b) A Revolução Francesa é considerada a primeira Revolução Comunista, pois, até hoje, esse
sistema molda as instituições no mundo ocidental.
c) Foi uma revolução comandada por Napoleão Bonaparte que, influenciado pelo Iluminismo,
organizou um golpe de estado contra Luiz XVI.
d) A Revolução Francesa foi um movimento caracterizado pelo terror, organizado pelo
revolucionário Robespierre, em apoio ao absolutismo de Luiz XVI.
e) Trata-se de uma revolução burguesa, inspirada no Iluminismo e comandada por
Robespierre, na qual o Czar Nicolau II foi executado na guilhotina.
Comentários
A Revolução Francesa, que ocorreu entre 1789 e 1799, foi um ciclo revolucionário de grande
proporção e influência, inspirado nos ideais do Iluminismo e motivado pela situação de crise que
a França vivia no final do século XVIII. Causou profundas transformações e marcou o início da
queda de regimes absolutistas na Europa. Na ocasião, a monarquia francesa foi destituída e
substituída por uma sucessão de governos revolucionários. Basicamente, a revolução teve três
fases nas quais diferentes orientações políticas prevaleceram, sempre marcadas pela rivalidade
entre os diferentes grupos que apoiaram a revolução, principalmente entre girondinos e jacobinos.
Ainda, a França revolucionária teve que lidar com a pressão de uma coalização liderada pelos
Habsburgo e composta por monarquias vizinhas que temiam que a revolução ultrapasse as
fronteiras e se espalhasse pela Europa. Foi nessa época que a França se tornou uma república
pela primeira vez. Entretanto, os sucessivos governos revolucionários chegaram definitivamente
ao fim quando Napoleão Bonaparte aplicou o golpe do 18 Brumário, em 1799 e instituiu um
governo centralizado. Com isso em mente, vejamos:
a) Correta! Às vésperas da revolução de 1789, a França passa por crises econômica, política e
social. O país saiu profundamente endividado e com seus campos devastados da Guerra
dos Sete Anos. Mesmo assim, a monarquia continuava tendo gastos exorbitantes com
artigos de luxos e obras faraônicas cujo único objetivo era aumentar seu prestígio. Além
disso, havia uma política de venda de títulos, na qual nobres e burgueses que atendiam aos
interesses da coroa recebiam postos no governo e passavam a pagar menos impostos
enquanto a maior parte da população, que já era pobre, paga altas taxas tributárias, cada
vez maiores. Havia uma grande desigualdade social e a maioria das pessoas não podia
participar da política institucional para tentar mudar os rumos do governo. Lembre-se que
nesse momento, a política francesa dividia a sociedade em três estados: nobres e alto clero
compunham o 1º e 2º estados, enquanto burgueses, camponeses e o povo em geral
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estavam no 3º estado. Acontece que cada estado tinha direito a um voto nas discussões do
governo, mesmo que o último abrigasse a maioria esmagadora da população. Ou seja, era
praticamente impossível para o povo mudar qualquer coisa pelas vias institucionais, caso
não fosse interesse da monarquia e da nobreza. Por isso, por mais que um ou outro burguês
mais abastado tenha se aliado ao monarca por meio da compra de títulos, muitos deles
continuavam em desvantagem política e econômica com o funcionamento do país daquele
jeito. Por essas razões, burgueses,camponeses, trabalhadores urbanos e sans-cullotes (os
mais miseráveis) acabaram apoiando o movimento em 1789. Porém, uma vez derrotado o
inimigo comum, as diferenças de interesse se explicitaram.
b) Incorreta. Realmente, a Revolução Francesa inspirou a teoria marxista e comunista que se
desenvolveu a partir do século XIX. Contudo, é um anacronismo considerar esse evento
como um fenômeno comunista. Esta palavra nem mesmo existia quando os revolucionários
franceses iniciaram sua insurreição. Além disso, o que caracteriza um regime comunista, em
teoria, é o controle do governo pelos trabalhadores, enquanto os governos revolucionários
franceses contaram com a presença de muitos burgueses que não tinham o mínimo
interesse em distribuir riquezas e poder político com o resto da população.
c) Incorreta. Napoleão só começou a se destacar a partir de 1792 devido a suas ações como
soldado nas lutas contra as monarquias que queriam pôr fim à Revolução Francesa.
d) Incorreta. Robespierre era completamente contrário a monarquia e, portanto, a Luiz XVI.
Na verdade, ele intensificou a perseguição à todos que criticavam a revolução.
e) Incorreta. O Czar era o governante da Rússia, não da França. Não foi ele que foi decapitado,
mas sim Luís XVI, rei francês, em 1792.
Gabarito: A
(UNICENTRO 2019)
Para além dos aspectos estritamente econômicos, a Revolução Industrial representou uma
mudança social fundamental em outros aspectos da vida dos trabalhadores. Assinale a
alternativa que contém as novas características do trabalho industrial.
a) Trabalho na agricultura de subsistência com técnicas tradicionais.
b) Trabalho familiar e no espaço doméstico, o que permitiu grandes ganhos econômicos para
a classe trabalhadora.
c) Trabalho comunitário através de mutirões e uma mentalidade religiosa.
d) Expansão de uma moral hedonista e aristocrática.
e) Proletarização das classes trabalhadoras e submissão do trabalho à disciplina fabril de
produção.
Comentários
A Revolução Industrial foi o período de grande desenvolvimento tecnológico iniciado na
Inglaterra, a partir da segunda metade do século XVIII. Se caracteriza por transformações políticas
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e tecnológicas de grande impacto na sociedade, sobretudo nos âmbitos do processo produtivo e
no estilo de vida dos trabalhadores. Fundamentalmente, essas mudanças causaram uma
transformação completa da organização da sociedade, causando impactos no campo produtivo,
econômico, social, político e ideológico. Lembre-se que desde o final da Idade Média, os artesãos
costumavam se organizar em corporações de ofício, nas quais eles organizavam a educação dos
aprendizes e tabelavam os preços de seus serviços e produtos. Nesse esquema, eles detinham a
propriedade das ferramentas e o controle sobre o processo produtivo. Era frequente eles
trabalharem nas suas próprias casas, ou em oficinas contíguas a elas, e contar com o auxílio de
suas famílias durante o trabalho. Conforme as manufaturas cresceram, essa organização do
trabalho foi perdendo espaço e se tornando mais rara.
Aos poucos, alguns proprietários foram aumentando suas oficinas e contratando mais
trabalhadores, o que deram origem às manufaturas. Ainda sem especialização do trabalho, mas já
com algumas divisões da atividade produtiva, os artesãos ainda conheciam todas as etapas
produtivas. Contudo, esse processo não era muito planejado. Além disso, o fato de os donos das
oficinas perceberem que, conforme um trabalhador se especializava ele trabalhava mais rápido,
porque a atividade ficava mais aprimorada e mais automática, contribuiu para alterar o processo
produtivo. Como na manufatura, as ferramentas pertenciam a um único dono específico que, em
geral, fiscalizava e organizava o trabalho realizado pelos seus empregados, algumas delas foram
aprimoradas e deram alguma velocidade à produção. Foi nestes lugares que os teares expostos
na imagem surgiram e foram utilizados pela primeira vez. A realidade produtiva estava prestes a
saltar para a grande escala.
As indústrias que surgiram conforme os proprietários aperfeiçoavam as máquinas e o
processo produtivo aos seus interesses eram extremamente insalubres para os trabalhadores. A
prioridade ali era produzir o máximo possível com o menor custo possível. Portanto, era frequente
esses espaços terem pouca iluminação e ventilação, quase nada de segurança e os empregados
serem obrigados a trabalhar muitas horas seguidas nessas condições. Assim, também foi tirado
deles o controle sobre o ritmo e as condições de trabalho. Além disso, eles também não eram
mais os donos das ferramentas, pois estas eram do patrão. Com isso, quem definia o preço do
produto final era o empregador, que igualmente estipulava o valor do salário a ser pago. Dessa
forma, aos trabalhadores sobrou apenas a propriedade de sua própria força de trabalho que
tinham que vender aos capitalistas por salários insuficientes para seu sustento de forma digna.
Com isso em mente, vamos às alternativas:
a) Incorreto. O trabalho se concentrava na fábrica e as técnicas utilizadas eram formuladas
pelos patrões que visavam o aumento da produtividade, menos que a qualidade de cada
produto. As máquinas passaram a ditar o ritmo e as habilidades necessárias para a
produção. Assim, as técnicas tradicionais foram caindo em desuso.
b) Incorreto. O caráter doméstico do trabalho foi desaparecendo conforme manufaturas e
indústrias ganharam espaço. Consequentemente, os trabalhadores perderam o controle
sobre as ferramentas, o ritmo da produção e seu ganho econômico foi diminuído.
c) Incorreto. Não se tratava de trabalho comunitário, mas sim assalariado, no qual o
trabalhador vendia seu tempo e força de trabalho ao patrão em troca de uma quantia em
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dinheiro, geralmente insuficiente para seu sustento de forma digna. A mentalidade
religiosa, no caso cristã não gerava solidariedade dos patrões com seus empregos que eram
obrigados a trabalhar em condições precárias e insalubres ou morreriam de fome e
desamparo em meio a massa de desempregados.
d) Incorreto. Na verdade, ganhou espaço uma mentalidade utilitarista e burguesa.
e) Correto! A definição de proletário é aquele que só tem a propriedade de sua própria força
de trabalho, a qual precisa vender em troca de um salário para sobreviver. Foi justamente
isso que ocorreu na Revolução Industrial. Conforme perdiam suas terras, tornavam-se
desempregados e possuíam menos recursos para adquirir suas próprias ferramentas não
lhes restava muitas opções. Assim, restava-lhes se submeter ao trabalho extenuante das
fábricas onde eram obrigados a trabalhar em péssimas condições por baixos salários, no
ritmo ditado pelas máquinas e pelos patrões.
Gabarito: E
(UNITAU 2015)
Os fatos abaixo, numerados de I a V, referem-se às fases da Revolução Francesa e seus
principais acontecimentos.
I. É aprovada a Constituição Civil do Clero que estabelece a transformação de seus membros
em funcionários civis do Estado.
II. Os camponeses da região da Vendeia rebelam-se contra o alistamento obrigatório. Disso
se aproveitaram o clero refratário e os monarquistas, para insuflar a contrarrevolução.
III. É eleita a Assembleia Legislativa, composta na maioria por membros da alta burguesia,
favoráveis à manutenção da monarquia constitucional.
IV. A Conjura dos Iguais, movimento popular liderado por Graco Babeuf, propõe a tomada
do poder à força e o fim da propriedade privada.
V. Forma-se a primeira coligação das forças absolutistas contra a França, integrada por
Inglaterra, Áustria, Prússia, Espanha, Holanda, Sardenhae Rússia.
Identifique a alternativa que apresenta, na sequência CORRETA, os fatos que se relacionam
e correspondem às fases:
a) I - Segunda fase (Monarquia constitucional); II – Segunda fase (Monarquia constitucional);
III - Primeira fase (Assembleia Nacional Constituinte); IV – Quarta fase (Diretório); V - Terceira
fase (Convenção Nacional – República).
b) I – Primeira fase (Assembleia Nacional Constituinte); II – Terceira fase (Convenção Nacional
– República); III – Segunda fase (Monarquia constitucional); IV – Quarta fase (Diretório); V -
Terceira fase (Convenção Nacional – República).
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c) I – Quarta fase (Diretório); II – Primeira fase (Assembleia Nacional Constituinte); III - Quarta
fase (Diretório); IV – Primeira fase (Assembleia Nacional Constituinte); V - Terceira fase
(Convenção Nacional – República).
d) I – Terceira fase (Convenção Nacional – República); II - Terceira fase (Convenção Nacional
– República); III – Quarta fase (Diretório); IV – Quarta fase (Diretório); V – Primeira fase
(Assembleia Nacional Constituinte).
e) I – Primeira fase (Assembleia Nacional Constituinte); II – Terceira fase (Convenção Nacional
– República); III – Segunda fase (Monarquia constitucional); IV – Quarta fase (Diretório); V -
Primeira fase (Assembleia Nacional Constituinte).
Comentários
Para responder corretamente a esta questão, é necessário fazer uma contextualização
cronológica dos fatos. A Revolução Francesa, que ocorreu entre 1789 e 1799, foi um ciclo
revolucionário de grande proporção e influência, inspirado nos ideais do Iluminismo e
motivado pela situação de crise que a França vivia no final do século XVIII. Causou profundas
transformações e marcou o início da queda de regimes absolutistas na Europa. Assim, o item
I, sobre a Declaração Civil do Clero, aprovada em 1790, medida legal promoveu a separação
do Estado e da Igreja, se situa na Primeira fase, em decorrência da Assembleia Constituinte.
Na Segunda fase, é eleita a Assembleia Legislativa, entre 1789-1792. Na Terceira fase, é
formada a Primeira Coligação de Nações Absolutistas, um esforço conjunto de diversas
monarquias europeias contra a França revolucionária, quando a República Francesa
formalmente declarou guerra contra a monarquia de Habsburgo em 20 de abril de 1792.
Ainda nessa fase, no ano seguinte, ocorre A Revolta da Vendeia de 1793, quando artesãos e
camponeses se insurgiram contra a Revolução e a burguesia das grandes cidades e a favor
da Igreja católica e do sistema monárquico, recebendo o apoio da aristocracia. Por fim, na
Quarta fase (Diretório), em 1796, tem início a Conjura (ou Conspiração) dos Iguais, que
propunha a comunidade dos bens e do trabalho cuja a atenção era voltada ao alcançar a
igualdade efetiva entre os homens. Veja de uma forma mais ilustrativa:
I. É aprovada a Constituição Civil do Clero que estabelece a transformação de seus membros
em funcionários civis do Estado. Primeira fase (Assembleia Nacional Constituinte);
III. É eleita a Assembleia Legislativa, composta na maioria por membros da alta burguesia,
favoráveis à manutenção da monarquia constitucional. Segunda fase (Monarquia
constitucional);
II. Os camponeses da região da Vendeia rebelam-se contra o alistamento obrigatório. Disso
se aproveitaram o clero refratário e os monarquistas, para insuflar a contrarrevolução.
Terceira fase (Convenção Nacional – República);
V. Forma-se a primeira coligação das forças absolutistas contra a França, integrada por
Inglaterra, Áustria, Prússia, Espanha, Holanda, Sardenha e Rússia. Terceira fase (Convenção
Nacional – República)
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IV. A Conjura dos Iguais, movimento popular liderado por Graco Babeuf, propõe a tomada
do poder à força e o fim da propriedade privada. Quarta fase (Diretório);
Portanto, a alternativa correta é a letra “b”.
Gabarito: B
(UNCISAL 2020)
Revolução Industrial é um termo geral, largamente usado para descrever um conjunto de
mudanças tecnológicas e organizacionais que foram consideravelmente além daquele que é
o aspecto mais bem conhecido destas: a invenção de máquinas motorizadas.
DAVIES, Norman. Europe: a history. London: Pimlico, 1997, p. 679 (tradução livre).
Além da “invenção de máquinas motorizadas”, outras inovações técnicas e/ou
organizacionais características da primeira fase da Revolução Industrial (1760-1840) na
Europa ocidental foram
A) o arado e o moinho hidráulico.
B) a automação da produção e a prensa de tipos móveis.
C) o beneficiamento do ferro e o trabalho artesanal doméstico.
D) o motor de combustão interna e a adição do petróleo à matriz energética.
E) a iluminação a gás e a adoção do carvão mineral como importante fonte de energia.
Comentários:
Como Davies menciona, a Revolução Industrial trouxe um conjunto de mudanças tecnológicas e
organizacionais para as sociedades europeias do final do século XVIII e início do século XVIII.
Entre elas, as máquinas motorizadas, como a máquina a vapor. Porém, outras ferramentas
desenvolvidas durante esse tempo foram:
a) Incorreto. Esses avanços tecnológicos surgiram na Idade Média.
b) Incorreto. A automação da produção só ocorreria tempos depois da Primeira Revolução
Industrial.
c) Incorreto. O trabalho artesanal não tem relação com a Revolução Industrial, uma vez que o
trabalho passou a ser industrializado, ao invés de manufaturado.
d) Incorreto. O petróleo ainda não era usado durante a Revolução Industrial.
e) Correto. O carvão mineral e o gás foram os grandes impulsionadores do desenvolvimento das
indústrias e das cidades inglesas ao longo do século XIX, como fonte de luz.
Gabarito: E
(UNCISAL 2018)
“Estevão inclinou-se sobre o tear, calmo, atento e laborioso. Como todos os homens da floresta
de teares, onde trabalhava, Estevão formava contraste estranho com o rumor, o barulho e a
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agitação das peças do mecanismo a que fora destinado”. O excerto apresentado é do livro
Tempos Difíceis, de Charles Dickens, publicado em 1854 e relançado no Brasil em 2014. Nessa
ficção, Dickens retrata o impacto da Revolução Industrial sobre a vida da população inglesa do
século XIX. Em relação a esse contexto, assinale a alternativa correta.
(A) A Revolução Industrial é um fenômeno histórico, iniciado na França, que impactou toda a
Europa no século XVIII e XIX.
(B) A Revolução Industrial teve na Inglaterra seu início, devido a diversos fatores. Dentre eles, está
o fato de a Inglaterra possuir uma monarquia que adotava medidas que contribuíam com o
desenvolvimento de uma burguesia mercantil desde o século XVII.
(C) O saber do trabalhador ficou mais complexo a partir da Revolução Industrial, pois ele precisou
conhecer todas as etapas da produção, diferentemente do período anterior, no qual ele estava
submetido a um processo de especialização do seu saber.
(D) Adaptar-se ao trabalho nas fábricas foi uma atividade fácil para a população inglesa do século
XVIII, visto que a dinâmica da fábrica utilizava a mesma concepção de tempo que o trabalhador
tinha ao trabalhar no campo.
(E) A Revolução Industrial Inglesa permitiu a inserção das mulheres no mercado de trabalho,
propiciando a elas as mesmas condições de trabalho e os mesmos direitos que os homens.
Comentários:
A Revolução Industrial foi um movimento histórico surgido na Inglaterra na segunda metade do
século XVIII, impulsionada pelas reformas no Parlamento inglês,no século anterior, que
garantiram as burguesias locais maior desenvolvimento e respaldo para o seu crescimento. Isso
fez com que houvesse transformações significativas nas cidades e nos modos produtivos de
trabalho, eles se tornavam mais especializados para que se pudesse produzir mais. Isso atraiu
muitos camponeses para o meio urbano, porém o crescimento surreal da população urbana,
gerou graves problemas sociais, umas vezes que o trabalho assalariado era muito baixo, devido
a enorme quantidade de pessoas, e as jornadas eram exaustivas e exploratórias.
Ademais, sobre o assunto, olhemos qual a alternativa está correta:
a) Incorreto. Ela foi iniciada na Inglaterra.
b) Correto. Como falado nos comentários, as reformas na política inglesas vindas pela Revolução
Puritana e Gloriosa, proporcionaram a classe mercantil burguesa uma maior autonomia e um
maior poder para seu desenvolvimento.
c) Incorreto. A partir da Revolução Industrial o trabalhador não necessitava mais conhecer todo
o processo produtivo para a fabricação do produto. A especialização do serviço fez com que os
trabalhadores das manufaturas pudessem produzir mais.
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d) Incorreto. A mesma dinâmica que o trabalhador tinha no campo, era algo surreal para o
ambiente urbano. Isso gerou uma difícil adaptação as jornadas exaustivas, que gerou revolta
entre os operários contra as más condições de trabalho e vida da população.
e) Incorreto. As mulheres durante a Revolução Industrial ainda sofrerem com o machismo e o
preconceito de gênero, muito presente na sociedade inglesa daquele momento.
Gabarito: B
(UNAERP 2020)
No século XVIII, no contexto comercial inglês, um conjunto de atos administrativos que
ficaram conhecidos como Enclosure Acts, ou Leis dos Cercamentos, contribuiu de maneira
decisiva para o que mais tarde ficaria conhecido como a revolução industrial inglesa. Os
Enclosure Acts
a) instituíam que as terras consideradas de uso público, de fato ou direito, ocupadas então
por camponeses, passassem a ser reconhecidas como propriedade de um nobre local.
b) estabeleciam que as terras nobiliárquicas, que ainda tratavam o camponês em regime de
trabalho servil, fossem disponibilizadas para a produção de algodão, a matéria-prima para a
produção de tecidos.
c) estabeleciam que os camponeses deveriam obrigatoriamente produzir algodão. Dessa
forma, sem condições de competir com os grandes produtores algodoeiros americanos,
deixaram o campo, provocando êxodo rural.
d) instituíam que as terras ocupadas por camponeses que viviam de sua subsistência
deveriam, imperativamente, ser arrendadas ou concedidas à Coroa que, por sua vez, através
de cartas de doação, as concederia a produtores de seda.
e) instituíam a divisão das grandes propriedades em pequenas. Isso levou à redução da
produtividade e, consequentemente, à capacidade de concorrência dos pequenos
proprietários rurais frente aos grandes latifúndios das nobrezas locais.
Comentários
A Revolução Industrial alterou de maneira profunda o mundo após seu desenvolvimento na
Inglaterra, principalmente a partir do século XVIII. A expansão urbana e industrial do capitalismo,
que teve por base a exploração do trabalho assalariado por proprietários e detentores dos meios
de produção, se espalhou por diversos países e levou uma boa parcela de camponeses aos centros
urbanos, em busca de trabalho. Nesse período, o Estado passa a ver a terra como mercadoria
geradora de lucros, e através da Lei dos cercamentos (Enclosure Acts), as privatizam e
comercializam. A prática dos cercamentos de terras esteve na base do surgimento do capitalismo,
contribuindo para a formação da burguesia e do operariado, gerando condições para o
desenvolvimento da Revolução Industrial e da Revolução Agrícola na Inglaterra. Essas duas
revoluções são pontos fundamentais para compreensão da expansão que o capitalismo conheceu
a partir do século XVIII.
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a) Verdadeira! Proprietários com espírito comercial monopolizavam a terra através da Lei dos
Cercamentos (Enclosure Acts), que foi uma crescente ação de privatização de terras de uso
comum dos camponeses, conduzida por poderosos senhores locais. A zona rural inglesa
que era caracterizada pelo openfield (o campo aberto, sem vedação), ou terras comunais,
passou a ter sua exploração nos campos fechados, cercados.
b) Falso. A partir do século XVII, na Inglaterra, passou a realizar o fechamento dos campos
abertos ou pastos comuns mediante o cercamento das terras. Esse processo provocou a
substituição de lavouras por pastagens para a produção de lã, culminando na ruína dos
camponeses, que antes habitavam essas terras e nelas produziam e sua migração maciça
para as cidades em busca de trabalho na crescente indústria.
c) Falso. Com a concentração de poder nas mãos de uma minoria de proprietários capitalistas,
aumentou o número de camponeses despojados de suas terras. O foco desse movimento,
era a produção de lã para indústria. Sem opções de sobrevivência, os outrora camponeses
foram para as cidades, para o trabalho mecanizado, elevando a quantidade de mão de obra
barata. O processo dos cercamentos levou ao empobrecimento uma população estável.
Essa massa de desempregados foi contratada como operários pelos burgueses industriais,
sendo explorados nas fábricas com baixos salários e jornadas exaustivas de trabalho
d) Falso. Os cercamentos foram, na verdade, leis promulgadas pelo governo inglês que
favoreceram os latifundiários em detrimento dos pequenos proprietários, camponeses, que
foram expulsos de suas terras.
Gabarito: A
(UNAERP 2020)
Na Europa, entre as últimas duas décadas do século XVIII e nas primeiras três do século XIX,
surgiu um estilo artístico conhecido como Neoclassicismo, com uma nova tendência estética
que prevaleceu nas criações dos artistas da época, expressando os valores próprios de uma
nova e fortalecida burguesia. Assinale a opção que expressa um fato histórico que influenciou
esse estilo artístico.
a) A segunda fase da Revolução Industrial, no século XVII, revelando um estilo estético de
arte aplicado à indústria.
b) A Contrarreforma italiana, do início do século XVII, que trouxe consigo à estética do alto
Renascimento e do maneirismo.
c) A Revolução Francesa, em 1789, símbolo da queda do Antigo Regime, que expressou um
estilo inclinado ao culto à natureza e à imaginação.
d) As escavações arqueológicas em Pompeia e Herculano, descobertas em 1748, que
ofereceram a primeira visão da arte romana bem preservada.
e) A descoberta da Pedra de Roseta, durante a expedição francesa ao Egito, em 1799,
quando seus painéis revelaram o sofisticado estilo de vida da elite egípcia.
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Comentários
O Neoclassicismo representa um movimento artístico e cultural surgido no século XVIII na Europa
e se espalhando pelo mundo, até meados do século XIX. Foi um movimento de oposição ao
Barroco, baseado em ideais clássicos.
a) Falso. O Neoclassicismo surge após a Revolução Francesa (1789), no início da Revolução
Industrial e no contexto do Iluminismo, inspirados nas artes greco-romana e renascentista,
no realismo e no racionalismo das obras.
b) Falso. O Neoclassicismo foi um movimento cultural nascido na Europa em meados do
século XVIII, que teve grande influência na arte e cultura ocidentais, até meados do século
XIX. Inspirado pelos ideais iluministas e em um renovado interesse pela culturada
Antiguidade Clássica, surge como uma reação contra os excessos dramáticos do Barroco,
considerado como o estilo correspondente ao absolutismo e à Contrarreforma.
c) Falso. O Neoclassicismo foi apenas um movimento artístico e cultural, que refletiu as
mudanças ocorridas com ascensão da burguesia. Este estilo procurou expressar e
interpretar os interesses da burguesia na época da Revolução Francesa e do Império
Napoleônico, mas também refletiu muitos dos valores políticos e cívicos do Estado.
d) Verdadeira! As escavações de Herculano e Pompeia, duas antigas cidades romanas
soterradas por uma erupção do vulcão Vesúvio, começaram a ser realizadas entre 1738 e
1748. Embora não tenham encontrado grandes obras-primas, foram descobertos inúmeros
artefatos que contribuíram para a recriação de aspectos do cotidiano romano, até então
incógnitos. Contudo, esse fato não foi o único que possibilitou o surgimento do
Neoclassicismo. Desde o Renascimento italiano, a arte greco-romana tem sido recuperada
e explorada. Já no século XVIII, intelectuais italianos e alemães, como Goethe, louvaram
ainda mais a arte clássica, sobretudo a grega, restaurando uma arte idealista, que deveria
servir como modelo.
e) Falso. Descoberta em 1799 pela expedição francesa ao Egito liderada por Napoleão
Bonaparte, a Pedra de Roseta, cujo texto foi fundamental para a compreensão hieróglifos
egípcios, deu início a um novo ramo do conhecimento, a egiptologia. Apesar de ser um
artefato da antiguidade, pouco tem a ver com o movimento neoclássico.
Gabarito: D
(UNIRV 2018)
A Revolução industrial foi um conjunto de mudanças que aconteceu na Europa nos séculos
XVIII e XIX. A principal particularidade dessa revolução foi a substituição do trabalho
artesanal pelo assalariado e com o uso das máquinas.
O texto acima escreve sobre a Revolução Industrial. Sobre os acontecimentos na Revolução
Industrial, Assinale V (verdadeiro) ou F (falso) para as alternativas.
a) ( ) Ao longo do século XIX a consolidação do capitalismo tornaria as condições de vida e
de trabalho do nascente proletariado extremamente importantes e, principalmente, com a
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formação das associações internacionais dos trabalhadores, percebeu-se uma estreita
relação entre o marxismo, o movimento operário europeu e o capitalismo.
b) ( ) O ludismo traduz as primeiras manifestações de resistência da nascente classe operária
que ocupou os últimos anos do século XVIII e os primeiros do século XIX. O movimento
cartista, movimento operário que surgiu na primeira metade do século XIX, não se constituiu
um fato isolado, pois foi precedido de greves, motins, insurreições e outras manifestações
da classe operária.
c) ( ) As mudanças promovidas pela Primeira Revolução Industrial ocorreram em vários
âmbitos. Na esfera da produção, os três setores mais atingidos foram: a mineração de carvão,
a indústria têxtil e a siderurgia.
d) ( ) Os meios de produção no sistema capitalista não podem ser apenas máquinas, as
ferramentas, as instalações físicas, as fontes de energia, os meios de transporte e a tecnologia
em produtos e processos, pois incluem a discussão em torno do socialismo utópico.
Comentários
Revolução Industrial, provocou milhares de mudanças no cotidiano dos indivíduos europeus a
partir do século XVIII. O desenvolvimento industrial e tecnológico, o êxodo rural, o crescimento
das cidades e o surgimento de novas classes sociais, como o operariado, são exemplos mais
evidentes dessas transformações.
a) Falsa. As teorias socialistas e anarquistas influenciaram diretamente os líderes de
movimentos proletários contra as contradições do sistema capitalista, principalmente as
teses marxistas que propunham a revolução do proletariado para superar o estágio
capitalista e passar para uma sociedade comunista onde não haveria uma sociedade
economicamente desigual.
b) Verdadeira! O ludismo foi um movimento de trabalhadores que se uniram e revoltaram-se
contra a industrialização e a precarização do trabalho, no princípio da Revolução Industrial,
pois acreditavam ser a tecnologia a razão do desemprego e da miséria. Já o movimento
cartista, juntamente com os trade unions, primeiros sindicatos de trabalhadores, elaborou
em 1838, a chamada Carta do Povo, que reivindicava, entre outras coisas, o direito ao
sufrágio universal secreto, que daria liberdade de voto a qualquer pessoa adulta,
independente da situação econômica; o direito dos trabalhadores em participar do
Parlamento; a limitação dos mandatos políticos e a diminuição da jornada de trabalho.
Assim, ambos os movimentos surgiram como consequência direta das transformações
causadas nas relações de trabalho e na qualidade de vida do trabalhador inglês.
c) Verdadeira! Essas são as quatro características mais importantes da Primeira Revolução
Industrial: o carvão mineral, que era fonte de energia; a máquina à vapor, que usava energia
mecânica; o ferro, utilizado para construir máquinas, navios, locomotivas e a indústria têxtil,
que foi a principal indústria dessa época.
d) Falsa. O capitalismo é um sistema econômico que visa ao lucro e à acumulação das riquezas,
baseado na propriedade privada dos meios de produção. Os meios de produção podem
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ser máquinas, terras, ou instalações industriais, por exemplo, e eles possuem a função de
gerar renda por meio do trabalho. Há duas classes sociais principais nesse sistema: os
capitalistas (ou burgueses) e os proletários (ou trabalhadores). Os capitalistas são os donos
dos meios de produção, que empregam os trabalhadores e a eles pagam salários. Os
proletários, por sua vez, oferecem sua mão-de-obra para realizar determinado trabalho em
troca de uma remuneração. Podemos dizer que o capitalismo é o oposto do socialismo,
pois este defende a propriedade social dos meios de produção – não a propriedade
privada. Já o socialismo utópico, diz respeito a uma corrente do socialismo, do início de
século XIX, que desejava expandir os princípios da Revolução Francesa para criar uma
sociedade mais racional, baseada no entendimento científico, na qual a implantação do
sistema socialista ocorreria de forma lenta e gradual, estruturada no pacifismo, e até mesmo
partindo da própria burguesia, sendo assim, criticados por opositores marxistas.
Gabarito: F – V – V – F
(UNIRV 2019)
No final do século XVIII, a Inglaterra adentrou um processo de transformações econômicas e
sociais que mudariam completamente a dinâmica da economia mundial e moldaria a Idade
Contemporânea. Sobre a Revolução Industrial, assinale V (verdadeiro) ou F (falso) para as
alternativas.
a) (V) O Reino Unido e mais precisamente a Inglaterra foram palco da Revolução Industrial
devido ao acúmulo de uma série de fatores. As revoluções inglesas, que resultaram, já na
década de 1680, em uma monarquia parlamentar de cunho liberal, e tratados comerciais
vantajosos como Methuen (1703), foram dois desses fatores.
b) (V) As primeiras etapas da Revolução Industrial não envolviam avanços tecnológicos, mas
a transformação na dinâmica do trabalho, mudando o foco da encomenda para o estoque e
o trabalho autônomo pelo especializado. Isso esboça-se claramente nas teorias de Taylor
sobre a produtividade.
c) (V) A Revolução Industrial ocasionou mudanças sociais drásticas, pois ao contrário do
artesão que dominava todo o processo produtivo, o operário é alienado do processo pela
especialização. Essa condição vulnerabilizava o trabalhador que passou a depender da
estrutura fabril para sobreviver, tornando o desemprego uma ameaça à estabilidade social
dos grandes centros urbanos.d) (F) A Revolução Industrial comprovou a eficácia do modelo econômico liberal, que
garantindo a estabilidade econômica só foi ameaçado pelas ditaduras socialistas na metade
do século XX.
Comentários
A Revolução Industrial foi o período de grande desenvolvimento tecnológico iniciado na
Inglaterra, a partir da segunda metade do século XVIII. Se caracteriza por transformações políticas
e tecnológicas de grande impacto na sociedade, sobretudo nos âmbitos do processo produtivo e
no estilo de vida dos trabalhadores.
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a) Verdadeira! As revoluções Puritana, de 1640, e a Gloriosa, de 1688, podem ser
consideradas como partes de um mesmo processo de conflito entre o absolutismo e o
liberalismo, entre o poder do rei e o do Parlamento, tendo como resultado o
estabelecimento da monarquia parlamentar. Já o Tratado de Methuen, conjunto de
medidas acordadas entre ingleses e portugueses, resultou em um imenso acúmulo de
capital para os primeiros, enquanto acabou por limitar gravemente a economia dos
segundos, que ficou impedida de diversificar a sua agricultura e estabelecer acordos
comerciais com outros países. Concomitantemente, o consumo em grande escala de tecido
inglês tornava Portugal uma das nações mais endividadas da época.
b) Verdadeira! Surgido em meados do séc. XIX, o taylorismo foi uma forma de organização de
trabalhadores no processo de produção, adotando métodos de trabalho considerados
científicos e mais eficientes, o que revolucionou a indústria. As principais características
desse modo de organização estão relacionadas com a maximização da produção atrelada
ao máximo aproveitamento da mão de obra e com o surgimento dos princípios da
administração científica.
c) Verdadeira! Antes da Revolução Industrial, os trabalhadores exerciam suas funções de
modo independente e atuavam nas mais variadas etapas que envolviam a produção de uma
determinada riqueza. Ao dominarem todas as etapas do processo de fabricação,
reconheciam e determinavam o valor a ser pago pelas várias funções que desempenhavam.
Assim que as indústrias passaram a dominar o processo de produção, notamos que a
tecnologia empregada não só determinava a redução dos custos e a ampliação dos lucros
da empresa. Cada vez que novas máquinas eram criadas, milhares de trabalhadores eram
dispensados das fábricas e aqueles que permaneciam eram designados a realizar uma
mesma ação cada vez mais específica do processo de produção. Vivenciando a rotina de
uma função que poderia ser exercida por qualquer outra pessoa e percebendo a existência
de vários desempregados interessados em exercer aquela mesma função, o operário
concordava em receber um baixo salário pelo seu trabalho.
d) Falsa. O liberalismo econômico consiste no entendimento de que o Estado não deve
interferir na economia, pois essa deve ser feita a partir da livre iniciativa dos cidadãos, livres
para produzir e fazer comércio, responsáveis por si mesmos. Com a Revolução Industrial e
o desenvolvimento do capitalismo industrial, a burguesia almejava produzir mais, lucrar
mais e expandir a propriedade privada. O liberalismo clássico mostrou-se ineficaz no início
do século XX, após o advento de crises, como a Grande Depressão de 1929, com a quebra
da Bolsa de Valores de Nova Iorque. O cenário foi de desemprego geral e péssimas
condições de vida e trabalho para a classe operária europeia e estadunidense
(principalmente), mas também para as classes operárias de outros países fora dos grandes
eixos industriais. O socialismo havia inspirado a formação de organizações sindicais, que
organizaram grandes greves contra a exploração dos trabalhadores por parte da burguesia,
algo comum dentro da doutrina liberal. Esse cenário fez com que governantes e
economistas revissem o liberalismo clássico no século XX.
Gabarito: V – V – V – F
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(CÁSPER LÍBERO 2013)
Sobre a Revolução Francesa iniciada em 1789, é correto afirmar que:
a) foi longamente preparada pelo ciclo revolucionário ocorrido na Inglaterra no século XVII,
o que explica o apoio que esse país prestou aos revoltosos franceses.
b) tratou-se, principalmente, de uma revolução cultural, ápice do desenvolvimento do
chamado Iluminismo.
c) não foi devidamente percebida como um movimento relevante por seus contemporâneos,
ganhando importância apenas retrospectivamente, com o início da Revolução de 1848.
d) não implicou mudanças significativas na ordem societária dominante no mundo ocidental.
e) apresentou diferentes fases, desembocando em um contexto monárquico,
antirrevolucionário e reacionário, representado pelo Congresso de Viena.
Comentários
A Revolução Francesa, que ocorreu entre 1789 e 1799, foi um ciclo revolucionário de grande
proporção e influência, inspirado nos ideais do Iluminismo e motivado pela situação de crise que
a França vivia no final do século XVIII. Causou profundas transformações e marcou o início da
queda de regimes absolutistas na Europa. Na ocasião, a monarquia francesa foi destituída e
substituída por uma sucessão de governos revolucionários. Basicamente, a revolução teve três
fases nas quais diferentes orientações políticas prevaleceram, sempre marcadas pela rivalidade
entre os diferentes grupos que apoiaram a revolução, principalmente entre girondinos e jacobinos.
Ainda, a França revolucionária teve que lidar com a pressão de uma coalização liderada pelos
Habsburgo e composta por monarquias vizinhas que temiam que a revolução ultrapasse as
fronteiras e se espalhasse pela Europa. Foi nessa época que a França se tornou uma república
pela primeira vez. Entretanto, os sucessivos governos revolucionários chegaram definitivamente
ao fim quando Napoleão Bonaparte aplicou o golpe do 18 Brumário, em 1799 e instituiu um
governo mais centralizado. Com isso em mente, vejamos:
a) Errado. Apesar das revoluções inglesas do século XVII terem influenciado a opção dos
franceses pela revolução, a Inglaterra não os apoiou. Porém, vale destacar que os dois
episódios tinham em comum a popularização das ideias iluministas, que defendiam a
igualdade jurídica, as liberdades individuais, o liberalismo (político e econômico) e o fim do
absolutismo. A Inglaterra acabou solapando o absolutismo por meio da instalação de uma
monarquia parlamentarista. Porém, entre os revolucionários franceses não houve consenso
sobre isso. Apenas os girondinos (alta burguesia) e uma parcela dos nobres que perdeu
seus privilégios fiscais nas reformas impostas por Luís XVI apoiavam a monarquia
parlamentarista. Os jacobinos, cordeliers (pequena burguesia e profissionais liberais),
camponeses, assalariados e sans-cullotes apoiavam a radicalização da democracia a
instauração de uma república. Apesar de inicialmente a Assembleia Nacional Constituinte
ter proclamado a monarquia parlamentarista, os rumos subsequentes foram cada vez mais
pendendo para a radicalização contra qualquer possibilidade de retorno da Coroa ao
poder. Quando o rei francês foi condenado e executado em 1793, a Inglaterra passou a
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fazer coro às ameaças de invasão e embargos contra a França junto de outras monarquias
europeias.
b) Errado. A revolução teve uma dimensão cultural, sobretudo no que diz respeito a
autoridade da Igreja no Estado e na educação. Contudo, foi principalmente uma revolução
social e política, pois foi nessas instâncias da vida em sociedade que ocorreram as maiores
transformações.
c) Errado. ARevolução Francesa iniciada em 1789 foi considerada relevante desde o momento
de sua deflagração. Extremamente violenta, alterou completamente a conjuntura política e
social na França, ao tentar pôr fim ao Antigo Regime. Tanto é que várias monarquias
europeias que se aliaram para pressionar os revolucionários a restaurarem a coroa francesa.
d) Errado. O processo revolucionário francês implicou mudanças drásticas para a ordem social
dominante até então, isto é, o Antigo Regime. Na França, ele quase foi extinto nesses 10
anos de governos revolucionários. Muitos nobres, girondinos e todos aqueles críticos à
revolução tiveram suas vidas ceifadas na guilhotina e seus bens e propriedades confiscados.
A igualdade jurídica permitiu que os privilégios das classes dominantes perante a lei fossem
abolidos. O fim da divisão do legislativo francês em três estados também mudou o
equilíbrio político até então dominante que favorecia decisões à favor da monarquia, da
nobreza feudal e do alto clero.
e) Certo! Os historiadores costumam dividir o período revolucionário na França em três fases:
1) Assembleia Nacional Constituinte (1789-1792); 2) República ou Convenção (1792-1795);
3) Diretório (1795-1799). Uma vez deflagrada a revolução, as rivalidades de interesse entre
os grupos sociais que apoiaram inicialmente o movimento começaram a se explicitar,
principalmente entre girondinos e jacobinos. Havia aqueles partidários da instalação de
uma monarquia parlamentarista; outros que queriam uma república na qual apenas os
proprietários tivessem direitos políticos; e muitos que defendiam uma democracia radical,
na qual o voto masculino deveria ser universal. Os governos revolucionários tiveram que
lidar com um contexto de grande instabilidade, por essas razões e pelas dificuldades
impostas pelas monarquias vizinhas que queriam sabotar a experiência revolucionária.
Assim, em 1799 Napoleão Bonaparte liderou o golpe do 18 Brumário apoiado sobretudo
pelos girondinos, dando fim à Revolução.
Gabarito: E
(UFMS 2020)
Leia o texto a seguir.
“A Revolução conquistou o mundo. Apesar das santas alianças e dos sistemas de intervenção,
os despotismos pereceram um após outro, as Constituições multiplicaram-se, as servidões
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esfumaram-se, os povos oprimidos libertaram-se, unificados em nações. Que país se poderá
gabar de nada dever ao espírito desta revolução? O próprio centro da Revolução é vítima de
uma curiosa reação quando, em 1813, aquele que lhe arrebata a liberdade e quer dar ordens
à Europa encontra pela frente os povos conduzidos ao combate em nome da liberdade. Obra
da burguesia, a Revolução redundou em proveito da burguesia. Na direção da administração
pública, ela substitui-se à aristocracia, classe vencida. Instruída, exercitada na prática dos
negócios, a burguesia, em face da massa ignorante, é a única que pode fornecer quadros à
nova ordem. Com isto ganha estipêndios elevados, prestígio e um gosto real pelas funções
públicas. Em vão o Terror limita o seu concurso: o Termidor devolve-lhe os lugares perdidos;
e, de fato, sob os regimes ulteriores, conservá-los-á. Por outro lado, é ela a grande
beneficiária de bens nacionalizados; e, favorecida pela desvalorização do papel-moeda,
realiza um bom negócio. [...] Esta Revolução tem o seu quinhão de horrores; mergulha na
guerra, outro horror; os princípios são menosprezados, renegados até. Por fim volta a trazer
à cena política o despotismo a maior desgraça para a liberdade; e, prometendo a igualdade,
consente que uma classe se substitua a outra, deixando que a nova privilegiada regateie a
emancipação da que continua subordinada.”
(Fonte: NICOLLE, Paul. Coleção Europa-América. Lisboa: Ed. Europa-América, 1975. p.
120-121. Adaptado).
Qual é a revolução tratada pelo fragmento de texto?
a) Revolução Industrial.
b) Revolução Bolchevique.
c) Revolução Gloriosa.
d) Revolução Americana.
e) Revolução Francesa.
Comentários
O final do século XVIII e ao longo do XIX, o mundo passou por várias revoluções em diversos
lugares. Todas elas foram grandemente influenciadas pelos ideais do iluminismo e do liberalismo,
consequentemente, pelos valores burgueses. Assim, a descrição feita pelo autor do texto parece
até bastante genérica, pois se torna difícil apontar qual das tantas revoluções se trata. Contudo,
alguns detalhes nos ajudam a nos situar. Em primeiro lugar, o autor menciona que “as santas
alianças” não foram capazes de conter a revolução. Ora, Santa Aliança é o nome que recebeu a
coalização feita pelas monarquias absolutistas europeias para enfrentar a França comandada por
Napoleão, em 1815. O autor fala em alianças no plural, porque não havia sido a primeira vez que
as monarquias haviam se unido contra os franceses. Na verdade, elas começaram a fazer isso com
a Revolução Francesa, ocorrida a partir de 1789. Os monarcas, principalmente os que faziam
fronteira com o território francês, queriam impedir que a revolução ultrapassasse as fronteiras.
Inclusive, eles organizaram bloqueios econômicos para que a França revolucionária não pudesse
prosperar economicamente e fosse obrigada a restaurar sua monarquia, de modo que a ideia de
revolução ficasse descredibilizada.
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Outros elementos reforçam que é desse evento que o texto fala. A Revolução Francesa teve várias
fases e diferentes regimes de governo, nos quais se destacava a rivalidade entre os girondinos
(burgueses mais ricos) e os jacobinos (pequeno-burgueses). Justamente, durante a segunda fase
da revolução, quando a república se consolidava como regime, essa rivalidade alcançou seu auge.
Em 1793, os jacobinos conseguiram mais espaço no poder e radicalizaram a situação. Eles eram
completamente contra a restauração de uma monarquia, mesmo que fosse parlamentarista, e
defendiam a maior participação do povo na política instituição. Nesse ponto, os jacobinos fizeram
muitos inimigos. A coalização das monarquias absolutistas, comandada pelos Habsburgo,
continuava dificultando o desenvolvimento da nova República e, agora, boa parte dos girondinos
se somavam aos críticos da revolução. Com isso, o líder dos jacobinos, Maximilien Robespierre,
radicaliza o combate aos inimigos da revolução, por meio do Tribunal Revolucionário que lhe
permite perseguir e executar seus opositores na guilhotina.
O problema é que, com conflitos, crises e situação econômica desfavorável, não seria possível
conviver sem críticas. Para Robespierre, praticamente todas as críticas eram contrárias à
Revolução. Como consequência, instalou-se a fase do Terror Jacobino, ou Terror Vermelho, entre
julho de 1793 a julho de 1794. Nesse período, vigorou a Lei dos Suspeitos, que ampliou a jurisdição
do Tribunal Revolucionário.
Por essas razões, o texto só pode estar se referindo à Revolução Francesa que, de fato, foi uma
das primeiras a ocorrer na linha de sucessão de revoluções que se iniciaram nas últimas décadas
do século XVIII e se estenderam pelo XIX.
Portanto, a alternativa correta é a letra “e”.
Gabarito: E
(UFMS 2019)
Um dos eventos que mais influenciaram a história da humanidade nos últimos séculos foi a
revolução industrial. Esse acontecimento impulsionou a economia, a exploração do trabalho, o
domínio de algumas nações sobre vastas regiões do mundo e acentuou a divisão entre os países
dominantes e os que eram dominados. Assim, a revolução industrial movimentou não apenas a
economia, mas também a sociedade, a produção artística e cultural e a política de toda uma
época. Assinale a alternativa que caracteriza corretamente os primeiros momentos da revoluçãoindustrial e que tornaram a Inglaterra pioneira no desenvolvimento de indústrias durante o século
XVIII.
a) A Inglaterra, importante metrópole do século XVIII, possuía colônias na América do
Norte, África e Ásia que favoreceram a exploração de matérias-primas e mão de obra,
impulsionando o desenvolvimento de seu setor industrial.
b) A Inglaterra contava com um grande contingente de trabalhadores disponíveis, visto que
a lei de cercamentos de terras desapropriou inúmeros camponeses, que passaram a atuar nas
fábricas como trabalhadores e influenciaram decisivamente na divisão dos lucros e dos meios de
produção, fatores que tornaram a Inglaterra uma grande potência industrial.
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c) Caracterizada pela exploração do trabalho assalariado, a revolução industrial oferecia
benefícios e estímulos para a população mais pobre (como ambiente salubre, jornadas de trabalho
justas e salários que estimulavam a competitividade entre os trabalhadores fabris), e a burguesia
industrial retroalimentava o sistema com o consumo interno, fortalecendo-o primeiro na Inglaterra
para mais tarde estender suas redes de comércio com os demais países da Europa.
d) A mecanização do sistema de produção foi um fator determinante para que o sistema
fabril de produção superasse o sistema de manufaturas, aliado ao fato de que a Inglaterra contava
com grandes reservas de carvão mineral e ferro para alimentar e produzir novas máquinas para a
produção.
e) A organização da produção manufatureira inglesa foi fundamental para o
desenvolvimento da revolução industrial, visto que essa produção de manufaturas passou a contar
com máquinas e motores que substituíram a divisão do trabalho e colaboraram para o acúmulo
de lucro pelo detentor dos meios de produção.
Comentários
Em primeiro lugar, é importante lembrar que a Revolução Industrial é o nome dado ao longo
processo de mudança na forma de produzir a riqueza. Esse processo teve início na Inglaterra, ao
longo do século XVIII, como dito. Uma série de circunstâncias históricas permitiram que essa
mudança fosse desencadeada e que os ingleses fossem os pioneiros nisso. Tais circunstâncias
começaram a ser criadas devido aos acontecimentos que se deram entre o século XVI e o XVII. Os
cercamentos de terras que começaram ainda durante o reinado de Henrique VIII com a
desapropriação das terras da Igreja Católica, o fortalecimento da marinha inglesa a partir do
governo de Elizabeth I, as Revoluções Puritana e Gloriosa no XVII, a assinatura de tratados
comerciais monopolistas e o próprio sistema econômico mercantilista foram ingredientes
indispensáveis para gerar acumulação de capitais, concentração fundiária e o crescimento da
burguesia mercantil e da nobreza aburguesada. Aos poucos, as oficinas domésticas e o trabalho
camponês iam sendo substituídos pelas manufaturas e pelos latifúndios para aumentar a
produtividade. O trabalhador ia perdendo seu controle sobre o processo e o tempo de trabalho.
Os proprietários das manufaturas e dos latifúndios passaram a investir no aperfeiçoamento das
ferramentas e novas máquinas foram inventadas para continuar ampliando o lucro e abaixando o
custo da produção. Ainda, os cercamentos produziram um êxodo rural intenso que inundou as
cidades de desempregados. Isso contribuiu para que o valor dos salários caísse, sobretudo depois
que as ideias do liberalismo econômico se difundiram, pois seus ideólogos consideram o trabalho
como qualquer outra mercadoria, cujo valor devia ser atribuído segundo a lei da oferta e da
demanda. Tudo isso não seria possível também se não houvesse a colonização de outros territórios
de onde poderiam ser extraídas ou produzidas matérias-primas para indústria. Além disso, o
próprio transporte das matérias-primas se tornou um negócio rentável para muitos burgueses.
Dessa forma, podemos ver que esse grande processo chamado de Revolução Industrial iniciado
na Inglaterra não só foi uma mudança na forma de produzir riqueza, mas uma transformação
completa da organização da sociedade, causando impactos no campo produtivo, econômico,
social, político e ideológico. Com isso mente, vamos às alternativas:
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a) Incorreto. Nesse momento, a Inglaterra ainda não possuía colônias na África e na Ásia,
apenas entrepostos comerciais e feitorias.
b) Incorreta. A questão só erra ao afirmar que houve divisão dos lucros e dos meios de
produção entre patrões e trabalhadores. Na verdade, os meios de produção eram
propriedade do proprietário e todo o lucro ficava para ele. Como o número de
trabalhadores disponíveis era grande devido aos cercamentos que transformaram muitos
camponeses em sem terras e desempregados, os preços dos salários se mantinham
extremamente baixos.
c) Incorreta. A revolução industrial não oferecia nenhum benefício ou incentivo aos mais
pobres para trabalharem mais além da morte por inanição. Nesse processo, os
trabalhadores ficaram completamente vulneráveis, pois, de um lado, os cercamentos
impediam que eles tivessem terras para se sustentar e, por outro, aumentava o número de
desempregados o que consequentemente abaixa o valor dos salários. Por sua vez, o
interesse os patrões era unicamente o lucro, preocupando-se apenas em produzir o máximo
possível aos menores custos. Portanto, pouco se importavam em tornar os ambientes de
trabalho mais salubres e seguros aos trabalhadores. Por outro lado, realmente havia uma
preocupação da Inglaterra em manter um mercado interno autossuficiente no ramo dos
alimentos, mas seu interesse econômico principal residia no aumento das exportações de
seus produtos, o que dava mais lucro.
d) Correta! Conforme os proprietários das oficinas foram aperfeiçoando as ferramentas de
trabalho para aumentar sua produção e diminuir seus custos, novas máquinas automáticas
e semiautomáticas foram inventadas inaugurando a industrialização e a produção
propriamente fabril. O ferro era material indispensável para a confecção desse maquinário.
Por seu turno, a principal fonte de energia para mantê-lo funcionando era o vapor,
conseguido com a queima de carvão.
e) Incorreto. As máquinas não substituíram a divisão do trabalho. De fato, com as novas
invenções o número de trabalhadores necessários diminuiu e os que restavam precisavam
apenas se dedicar a supervisionar o trabalho das máquinas, fazendo intervenções
periódicas, como apertar um botão aqui, puxar uma alavanca ali. Contudo, isso não acabou
por completo com a divisão do trabalho que continuou existindo tanto nas fábricas quanto
nos demais ambientes de trabalho. Afinal, em todas as grandes empresas haviam os
trabalhadores do chão de fábrica, os supervisores, os gerentes e outras funções auxiliares.
De resto, a alternativa descreve bem o processo que fez as manufaturas evoluírem para a
maquinofatura.
Gabarito: D
(UESB 2018)
Mirem-se no exemplo Daquelas mulheres de Atenas Vivem pros seus maridos Orgulho e raça
de Atenas Quando amadas, se perfumam Se banham com leite, se arrumam Suas melenas
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Estratégia Vestibulares – Aula 09 – HC I: Revolução Francesa e Industrial
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AULA 09: HC I - Revoluções Francesa e Industrial
Quando fustigadas não choram Se ajoelham, pedem imploram Mais duras penas; cadenas
Mirem-se no exemplo Daquelas mulheres de Atenas Sofrem pros seus maridos Poder e força
de Atenas
(HOLANDA... 2018).
A análise do fragmento musical e os conhecimentos sobre a situação da mulher, ao longo da
história das sociedades permitem afirmar:
01) A democracia ateniense possibilitou uma melhor condição de vidapara a mulher, devido
à possibilidade de defesa de seus interesses, em função da sua participação política,
diferentemente da sociedade militarizada espartana.
02) O legado dos egípcios antigos influenciou na estrutura de poder da República romana,
ao dar direito de participação às mulheres no Senado e o poder matriarcal na família romana,
papéis que exerciam no Egito conquistado por Júlio César.
03) A civilização muçulmana, de características agropastoril, estabeleceu a divisão sexual do
trabalho, ficando a mulher responsável pela agricultura e o homem pelo pastoreio, o que
possibilitou uma igualdade de funções sociais.
04) A mulher medieval assumiu uma posição de escrava sexual dos senhores feudais e dos
monges católicos, por serem responsabilizadas pelo pecado original, sendo o tráfico de
mulheres uma atividade aceita pela Igreja Católica.
05) O desenvolvimento da sociedade urbana e industrial deu início a uma mudança no papel
da mulher na sociedade, que saiu do ambiente exclusivamente privado e passou a
frequentar, cada vez mais, os espaços públicos, no desempenho de outras atividades, como
operárias de industriais.
Comentários:
O texto aborda a subordinação da mulher na Atenas Antiga. Sobre a História das mulheres,
vejamos as alternativas e confirmemos a que melhor se enquadrada na resposta correta:
01. Incorreto. Em Atenas, as mulheres eram proibidas de exercer a vida pública, tendo funções
somente para reprodução e constituição de famílias.
02. Incorreto. As mulheres romanas não tiveram os direitos políticos assegurados, mesmo com o
contato do faraó do Egito Cleópatra, com Júlio Cesar.
03. Incorreto. A primeira afirmação está correta. A segunda errada, uma vez que as mulheres
muçulmanas são duramente repreendidas e inferiorizadas pelos homens, seguindo os preceitos
que estão escritos no Corão.
04. Incorreto. No medievo, embora tenha-se uma visão da mulher submissa ao marido, tiveram
na Europa Ocidental diversas rainhas espalhadas por todo o território, e muitas se constituíram
como importantes figuras públicas para a formação dos Estados europeus.
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Estratégia Vestibulares – Aula 09 – HC I: Revolução Francesa e Industrial
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AULA 09: HC I - Revoluções Francesa e Industrial
05. Incorreto. Com o advento da Revolução Industrial, as mulheres passaram a trabalhar nas
indústrias da cidade. E aos poucos começou a surgir os primeiros movimentos de reivindicação
política das mulheres, e que se intensifica no século XX e XXI.
Gabarito: 05
(UESB 2018)
Chegamos finalmente, neste 21º século da era cristã, a uma etapa histórica em que todos os
povos da Terra, em maior ou menor grau, participam da mesma civilização: a capitalista. No
entanto, poucos, no mundo todo, dão-se conta desse fenômeno único em toda a História.
Qual a razão dessa inconsciência coletiva? Há duas razões principais, a meu ver. A primeira
delas é que o curso dessa evolução histórica só veio a se completar recentemente. Até a
segunda metade do século XX, o capitalismo ainda não havia alcançado todos os confins do
orbe terrestre. Algumas regiões permaneciam, até então, isoladas do resto do mundo,
envoltas no espesso manto de velhas tradições. A segunda razão, pela qual uma boa parte
da humanidade ainda não tomou consciência desse fato histórico sem precedentes, é que,
fora do círculo intelectual marxista, o capitalismo sempre foi apresentado, pura e
simplesmente, como um sistema econômico; e boa parte dos economistas o analisava, e
continua a analisá-lo, na esteira dos fisiocratas franceses que influenciaram Adam Smith,
como o único sistema natural da vida econômica. (CHEGAMOS... 2018).
O desenvolvimento da civilização capitalista ocorreu através de eventos socioeconômicos,
políticos e ideológicos, que, muitas vezes, se deram através de conflitos, críticas, disputas e
de avanços e de retrocessos, como se pode inferir
01) no estabelecimento de boas condições salariais e de vida para o operariado, durante a
Primeira Revolução Industrial, como condição básica para a criação de um mercado
consumidor.
02) nas repercussões da Revolução Gloriosa inglesa, que estabeleceu o sufrágio universal e
a participação política do operariado, contendo a expansão das ideias marxistas e a crítica
ao capitalismo.
03) no desfecho da Revolução Francesa, que abalou os alicerces do Antigo Regime e da
sociedade de privilégio, através da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, mas
manteve a desigualdade de classe.
04) no surgimento da fisiocracia, que, inspirada nos princípios do mercantilismo, defendia
uma política protecionista estatal contra a concorrência estrangeira e de incentivo à indústria
nacional.
05) nas concepções do liberalismo clássico, defendido por Adam Smith, que pregava a
internacionalização da economia, a formação de blocos econômicos e de um mercado
comum europeu.
Comentários:
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AULA 09: HC I - Revoluções Francesa e Industrial
O capitalismo é fruto da ascensão e do desenvolvimento da Burguesia. Os mercadores medievais
surgiram após as Cruzadas, e aos poucos foram aumentando e conquistando seus espaços. As
cidades medievais foram aparecendo, as feiras e os comércios regionais foram reabrindo e os
primeiros burgos foram sendo formados. Ao final do Período Medieval e início do Moderno, a
classe burguesa se alia as realezas europeias para que se formasse os primeiros Estados
Absolutistas. Depois, com o iluminismo do século XVIII, surge o movimento liberal, que
impulsionou as Revoluções Industrial e Francesa, que romperam com todos os resquícios que a
sociedade moderna tinha do feudalismo, e colocou à tona como protagonistas o capital e os
burgueses. Estes, passaram a deter o poder dos Estados Nacionais do século XIX e XX, e que se
desenvolveram ao que conhecemos hoje.
Baseado nisso, vejamos a afirmação correta sobre o desenvolvimento do capitalismo:
01. Incorreta. Não eram oferecidos bons salários aos operários ingleses da Primeira Revolução
Industrial.
02. Incorreta. A Revolução Gloriosa não passou de uma realocação política, sem derramamento
de sangue. Não instaurou o sufrágio universal e a participação do operariado, além de nem
existirem as ideias marxistas.
03. Correta. A Revolução Francesa pode ser chamada de Revolução Burguesa, porque somente
essa classe se beneficiou da derrubada da Monarquia francesa. Os camponeses continuaram sem
seus direitos, e as mulheres continuaram a ser ignorados na Declaração dos Direitos do Homem e
do Cidadão.
04. Incorreta. A fisiocracia fazia oposição ao mercantilismo e não defendia a interferência do
Estado na ordem econômica.
05. Incorreta. O liberalismo pregava a liberdade, a igualdade e a propriedade. Além disso,
defendia que houvesse zero interferência dos Estados na ordem econômica. Isso impossibilitaria
a formação de um mercado europeu comum e a formação de blocos econômicos.
Gabarito: 03
(UNEB 2016)
A conquista da cidadania tem sido um processo lento, que tem variado conforme o tempo
histórico, e, também, entre as diferentes sociedades, podendo-se, dessa forma,
corretamente afirmar:
01) A ascensão dos coraixitas ao poder, no mundo árabe medieval, unificou o Império
Islâmico, possibilitando a democratização da participação política no processo decisório
muçulmano.
02) O Renascimento cultural representou os valores da classe social burguesa em ascensão,
favorecendo, assim, a extinção, na época moderna, da sociedade estamental característica
do Antigo Regime.
03) A expansão marítima e comercial colocou a Europa em contato com culturas diferentes,
consolidando o princípio da alteridade e o respeito aos direitos dos povos não europeus.
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Estratégia Vestibulares – Aula 09 –HC I: Revolução Francesa e Industrial
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AULA 09: HC I - Revoluções Francesa e Industrial
04) O jacobinismo francês defendeu a limitação do lucro de alguns setores econômicos,
através, principalmente, da Lei do Máximo e da ampliação dos direitos do cidadão, com a
defesa do sufrágio universal masculino.
05) A Primeira Revolução Industrial estabeleceu os primeiros direitos sociais, a partir da
aceitação burguesa das reivindicações do movimento ludista, consolidando o direito de
cidadania para os trabalhadores ingleses.
Comentários:
A cidadania é algo que é discutido desde os tempos de Grécia e Roma Antiga. Ela foi se
modificando ao longo das gerações, porém o que a tornou mais próxima do que conhecemos
hoje, tem grande influência de um movimento que ocorreu na passagem do tempo moderno para
o contemporâneo.
Olhemos as opções e marquemos a correta:
01. Incorreto. A ascensão dos coraixitas não possibilitou a democratização da participação política
no processo decisório muçulmano. Ao contrário, impossibilitou e causou a divisão do Império
Islâmico entre Sunitas e Xiitas.
02. Incorreto. A extinção da sociedade estamental só iria ocorrer com a Revolução Francesa, no
século XVIII, na passagem para o mundo contemporâneo.
03. Incorreto. As expansões marítimas possibilitaram aos europeus ocidentais invadir, conquistar
e dominar outros povos ao redor do mundo, tanto na América, quanto na África e Ásia, não
havendo respeito aos direitos dos povos não-europeus.
04. Correto. O Período Jacobino da Revolução Francesa (1789-1799) foi marcado pelo radicalismo
da Revolução e ficou conhecido como o Período do “Terror Vermelho”. Nesse tempo Robespierre
estabeleceu o sufrágio universal masculino, ampliando os direitos políticos franceses e
estabelecendo a Lei do Preço Máximo, para combater a inflação.
05. Incorreto. A primeira fase da Revolução Industrial foi marcada pelas péssimas condições de
trabalho do proletariado inglês e do surgimento de uma classe operária que reivindica pelos seus
direitos, mesmo sem sucesso pelas autoridades inglesas.
Gabarito: 04
(UNEB 2017)
A Revolução Industrial impactou de diversas maneiras nas relações estabelecidas entre os
diversos continentes e na organização socioeconômica e política interna das diversas
sociedades, como se pode inferir
01) no apoio da França jacobina ao processo da independência das colônias americanas,
objetivando a implantação do modelo da Comuna de Paris no Novo Mundo.
02) na intervenção inglesa na defesa da independência das colônias africanas, objetivando a
ampliação do mercado fornecedor de matéria-prima e consumidor de produtos
industrializados.
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AULA 09: HC I - Revoluções Francesa e Industrial
03) no deslocamento da mão de obra africana da América, em forma de trabalhador escravo,
para as recentes indústrias inglesas, que passaram a constituir o primeiro operariado fabril.
04) no rompimento das relações diplomáticas entre as Treze Colônias Inglesas e a Inglaterra,
que rivalizavam na disputa de mercados para seus produtos industriais.
05) no surgimento de um movimento operário que se transformou em uma luta direcionada
à quebra das máquinas, e para a formação das primeiras organizações sindicais na Inglaterra.
Comentários:
A Revolução Industrial não teve somente impactos econômicos, mas também sociais e políticos,
como a impulsão para a destituição da Monarquia Absolutista Francesa, que era contra as novas
transformações advindas da burguesia. Além disso, também influenciou a Independência das Trezes
Colônias da América Inglesa e dos restantes dos países hispano-portugueses. Entre as sociedades
influenciadas, analisemos a que melhor se encaixa com o contexto industrial:
01. Errada. A Comuna de Paris não é da época jacobina revolucionária, e sim de quase um século
depois.
02. Errada. Durante o século que se desenvolveu a Revolução Industrial, não houve a independência
das colônias na África. Pelo contrário, a Inglaterra junto com outros países industriais europeus, na
Neocolonização Africana, demonstrou a vontade dos europeus de continuarem explorando as
colônias africanas ao invés de libertá-las.
03. Errada. Não houve deslocamento de escravos negros da América para as indústrias inglesas.
Mas houve um deslocamento da população do campo inglesa, para as cidades, quando ocorreu o
processo de desenvolvimento urbano e das indústrias.
04. Errada. Não houve um rompimento diplomático das Treze Colônias com a Inglaterra após a
aceitação da Independência, porém elas passaram a rivalizar produtos industriais e mercados pelo
mundo.
05. Certa. Esse movimento ocorrido no início do século XIX foi chamado de Ludismo, e foi criado
como uma forma de protesto as más condições de trabalho nas fábricas inglesas.
Gabarito: 05
(PISM 2020)
- Leia o texto a seguir:
“Aqueles que são contratados experienciam uma distinção entre o tempo do empregador e
o seu ‘próprio’ tempo. E o empregador deve usar o tempo de sua mão-de-obra e cuidar para
que não seja desperdiçado: o que predomina não é a tarefa, mas o valor do tempo quando
reduzido a dinheiro. O tempo agora é moeda: ninguém passa o tempo, e sim o gasta” [...]
“Havia muitos relógios em Londres na década de 1790: a ênfase estava mudando do ‘luxo’
para a ‘conveniência’; até os colonos podiam ter relógios de madeira. Na verdade (como
seria de esperar), ocorria uma difusão geral de relógios portáteis e não portáteis no exato
momento em que a Revolução Industrial requeria maior sincronização do trabalho.”
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AULA 09: HC I - Revoluções Francesa e Industrial
THOMPSON, E. P. Tempo, disciplina de trabalho e o capitalismo industrial. In: Costumes em
comum: estudos sobre a cultura popular tradicional. São Paulo: Companhia das Letras, 1998,
p. 272 e 279.
O texto acima aborda a transição para a sociedade industrial, as mudanças na percepção
interna de tempo e o surgimento de uma disciplina de trabalho nos finais do século XVIII e
início do século XIX. Das alternativas abaixo, assinale a opção CORRETA:
a) Com o advento da sociedade industrial e da disciplina do trabalho, os trabalhadores
passaram a ter o controle de sua vida produtiva, cuja dinâmica oscilava entre momentos de
trabalho volumoso e de ociosidade intensa.
b) Durante o estabelecimento do processo industrial inglês, os padrões de trabalho tinham
como característica a irregularidade, com tarefas semanais ou quinzenais, fazendo com que
o dia de trabalho fosse moldado pelo trabalhador.
c) No contexto da transição para a sociedade industrial, a posse e o uso do relógio de bolso
ficaram restritos à elite, sendo, portanto, artigo de luxo, feito de metais preciosos e utilizado
para acentuar status.
d) A introdução da disciplina de trabalho gerou melhorias nas condições de vida dos
trabalhadores, pois, com ela, passaram a usufruir de benefícios como: gratificações por
pontualidade, pagamento de horas extras, férias remuneradas.
e) A divisão do trabalho, a supervisão do trabalho, o uso de relógios, o uso racional do tempo
foram alguns dos recursos utilizados pelos industriais para formar novos hábitos e nova
disciplina de tempo entre os trabalhadores.
Comentários
A Revolução Industrial foi o período de grande desenvolvimento tecnológico iniciado na
Inglaterra, a partir da segunda metade do século XVIII. Se caracteriza por transformações políticas
e tecnológicas de grande impacto na sociedade, sobretudo nos âmbitos do processo produtivo e
no estilo de vida dos trabalhadores, entre elas a relação das pessoas com o tempo. Como o
historiador Thompson ressalta no texto, o tempo passou a ser um dos elementos mais importantes
para a produçãode riqueza e, consequente, para o trabalho. Conforme os proprietários e
capitalistas queriam aumentar seus lucros, aumentando a produção e diminuindo os custos
investiam no desenvolvimento tecnológico e pressionavam os empregados a trabalhar o máximo
possível, pagando baixos salários. Assim, o ritmo do trabalho, os momentos de atividade e de
descanso passaram a ser ditados pelos patrões e pelas máquinas. Uma mudança drástica na vida
dos trabalhadores, pois antes da Revolução Industrial muitos deles eram camponeses, logo seu
trabalho era ditado pelo tempo da natureza e eles tinham mais autonomia para controlar quantas
horas e em quais momentos se dedicariam à labuta. Mesmo para os artesãos e trabalhadores
urbanos, antes da industrialização, tinham mais autonomia, uma vez que trabalhavam em oficinas
menores, muitas vezes nas próprias casas e sob demanda. Considerando isso, vejamos:
a) Errado. Como acabei de dizer, a sociedade industrial e a disciplina do trabalho tiraram dos
trabalhadores o controle sobre sua vida produtiva.
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b) Errado, pelas mesmas razões que a anterior. O trabalho industrial era diário e podia durar
mais de 12 horas por dia nesse contexto.
c) Errado. Isso contraria o que autor disse no texto: “Havia muitos relógios em Londres na
década de 1790: a ênfase estava mudando do ‘luxo’ para a ‘conveniência’; até os colonos
podiam ter relógios de madeira”. Em outras palavras, como era necessário controlar mais
o tempo para ampliar os lucros, os relógios se popularizaram, deixando de ser artigos de
luxo e sendo produzidos com materiais mais acessíveis, para que os trabalhadores
pudessem compra-los e usá-los, internalizando a disciplina do trabalho industrial.
d) Errado. No primeiro momento e durante mais de um século, a disciplina do trabalho piorou
a vida dos trabalhadores, pois exigia deles que trabalhassem por muitas horas e em
condições precárias. Os benefícios citados pela alternativa só foram conquistados depois
de muita luta sindical nas primeiras décadas do século XX.
e) Certo! É justamente isso que o texto explica.
Gabarito: E
(PISM 2017)
Em julho de 1789, houve a explosão de movimentos populares em Paris. Artesãos, operários
e desempregados se envolveram fortemente com o processo revolucionário, que ocasionou
a tomada da Bastilha, momento simbólico da Revolução Francesa. Os grupos populares que
protagonizaram a revolução passaram a ser conhecidos como sans-culottes.
Em relação aos sans-culottes, assinale a resposta que CORRESPONDA às suas reivindicações
e atitudes.
a) Desejavam tomar o poder do rei de forma moderada, mediante as decisões do Primeiro
Estado.
b) Defendiam o aprofundamento das reformas políticas e a tomada de poder por parte da
aristocracia.
c) Tinham um projeto político bem definido, cuja principal proposta era o alinhamento com
grupos contrarrevolucionários.
d) Exigiam melhores condições de vida e participação política dos setores sociais médios e
pobres, saqueando armazéns e tomando edifícios governamentais.
e) Defendiam que os preços fossem tabelados e o fim da exploração econômica, sem
qualquer proximidade com os camponeses e suas reivindicações.
Comentários
A Revolução Francesa, de forma mais imediata, resulta da inciativa de vários setores da sociedade
francesa que se viam prejudicados pelas crises que assolavam o país e estavam descontentes com
medidas da monarquia absolutista francesa para a situação. Esses setores eram a burguesia, os
camponeses, os trabalhadores assalariados e os sans-cullotes. Todos eles faziam parte do Terceiro
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AULA 09: HC I - Revoluções Francesa e Industrial
Estado na política francesa do Antigo Regime, enquanto o Primeiro e o Segundo Estados
representavam a nobreza e o clero.
Os sans-cullotes eram as pessoas mais despossuídas da sociedade da época, isto é, os
trabalhadores mais pobres, os desempregados e os miseráveis em geral. Esse apelido tinha
origem no tipo de roupa que eles usavam. O cullote era uma meia branca que os nobres e pessoas
mais ricas usavam por cima da calça, como um símbolo de status social. Por carregar este
significado, as pessoas em geral se esforçavam para adquirir culotes para vestir, mesmo que
fossem de qualidade mais humilde. O importante era não parecer um “zé ninguém”. Assim, quem
não tinha cullote se destacava de forma muito negativa. Dá uma olhada na imagem abaixo para
você visualizar o contraste:
Uma vez que eram os mais desprivilegiados da sociedade francesa, frequentemente os
sans-cullotes apoiavam as medidas mais radicais a favor da revolução, defendo a abolição dos
privilégios feudais e até mesmo o fim da propriedade privada. Dito isso, vejamos:
a) Incorreto. Tratava-se justamente do contrário. Os sans-cullotes queriam o fim dos Estados
Gerais justamente porque esse sistema garantia os privilégios na nobreza e do clero, que
eram representados pelo Primeiro e Segundo Estados, enquanto o resto da população
cabia ao Terceiro.
b) Incorreto. De fato, eles defendiam o aprofundamento das reformas políticas, mas não em
defesa da aristocracia e sim da soberania popular.
c) Incorreto. O projeto político dos sans-cullotes é difícil de definir para nós, pois, sendo os
mais pobres da sociedade, a maioria não sabia ler, nem escrever, logo deixaram muito
poucos registros para que os historiadores pudessem avaliar se havia um projeto bem
definido por parte deles. Contudo, sabemos que eles estavam longe de concordar com os
setores contrarrevolucionários, isto é, aqueles que queriam o fim da revolução e a
restauração da monarquia.
d) Correto! Realmente, eles defendiam a radicalização da democracia e frequentemente
realizavam ações violentas contra as classes dominantes em defesa da revolução.
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e) Incorreto. Essas reivindicações também eram compartilhadas pelos camponeses.
Gabarito: D
6. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Queridos, minha mãe me falava umas coisas que eu carrego para minha vida. As vezes
compartilho. Uma delas era: Ninguém pode atrasar quem veio para vencer!!! Nem sei de onde ela
tirou isso, mas eu carreguei comigo como amuleto. Compartilho com vocês, pois tenho certeza
que nesse momento vocês estão dando seu melhor!
E não esquece: cada dia, cada hora, cada minuto que você se envolve com a tarefa de
adquirir mais conhecimento, gravar mais uma informação, colar mais um post it é uma riqueza
infinita. Ninguém tira de você aquilo que está acumulado: o seu capital cultural. S2
Não esqueça do mantra: Não existe solução mágica, mas existem estratégias que, se utilizadas
com afinco e dedicação, podem realizar sonhos. Nós estamos JUNTOS nesse caminho!!! Contem
comigo, meus querida e querido alunos.
Utilize o Fórum de Dúvidas. Eu responderei suas perguntas com
esmero. E não se esqueça de que não existe dúvida boba. Quanto mais você
pergunta, mais conversamos e mais você sintetiza o conteúdo, certo!
Também me procure nas redes sociais. Lá tem dicas preciosas para te
ajudar na sua preparação.
Um grande abraço estratégico,
Alê Lopes
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