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UM CORAÇÃO ARDENTE
por John Bevere
© 2016 Editora Luz às Nações
Coordenação Editorial | Equipe Edilan
Tradução e Revisão | Equipe Edilan
 
Copyright © 1999 por John Bevere, todos os direitos reservados. Originalmente publicado
nos Estados Unidos com o título A Heart Ablaze: Igniting a Passion for God, de John
Bevere, por Thomas Nelson, uma divisão de HarperCollins Christian Publishing, Inc.
Tradução publicada por acordo com Thomas Nelson, uma divisão de HarperCollins
Christian Publishing, Inc.
Publicado no Brasil pela Editora Luz às Nações, Rua Rancharia, 62, parte, — Itanhangá —
Rio de Janeiro, Brasil CEP: 22753-070. Tel. (21) 2490-2551. 1a edição brasileira: outubro
de 2016. Todos os direitos reservados.
Nenhuma parte deste livro poderá ser reproduzida, armazenada em sistema de
recuperação de dados ou transmitida por qualquer forma ou meio — seja eletrônico,
mecânico, fotocópia, grava ção ou outro — sem a autorização prévia da editora.
Salvo indicação em contrário, todas as citações bíblicas foram extraídas da Bíblia Sagrada
Nova Versão Internacional (NVI), Editora Vida. As outras versões utilizadas são: A
Mensagem (MSG), Al meida Corrigida e Revisada Fiel (ACF), SBB; Almeida Atualizada
(AA), SBB; Almeida Revista e Atualizada (ARA), SBB, A Bíblia Viva (ABV), Mundo Cristão
e NTLH (Nova Tradução da Linguagem de Hoje), SBB e Amplified Bible (AMP) (traduzida
livremente).
Por favor, note que o estilo editorial da Edilan inicia com letra maiúscula alguns pronomes
na Bíblia que se referem ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo, e pode diferir do estilo
editorial de outras editoras. Observe também que o nome “satanás” e outros relacionados
não iniciam com letra maiúscula. Escolhemos não reconhecê-lo, inclusive a ponto de violar
as regras gramaticais.
 
www.edilan.com.br
 
http://www.edilan.com.br/index.php
CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO-NA-FONTE
SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ
B467c Bevere, John, 1959- 
 
Um coração ardente : acendendo o amor por Deus / John Bevere. - 1.
ed. - Rio de
Janeiro : Luz às Nações, 2016.
 
 3798Kb; ePUB 
 Tradução de: A heart ablaze : igniting a passion for God
 ISBN 978-85-5929-009-7
 1. Deus - Adoração e amor. 2. Oração - Cristianismo. 3. Fé. I. Título. 
16-
37060 
CDD:
248.4
 CDU: 27-583
 
DEDICO ESTE LIVRO A DOIS
HOMENS DE DEUS:
PRIMEIRO, AO PASTOR AL BRICE:
Você tem cuidado de mim e de Lisa como se fôssemos sua
família.
Você tem reconhecido o ministério que Deus nos confiou como se
Ele o tivesse confiado a você.
Você tem orado por nós como se estivesse orando pelas próprias
necessidades. E tem mostrado um amor sem interesses, como o
amor que somente nosso Salvador pode dar.
E Jônatas fez um acordo de amizade com Davi, pois se
tornara o seu melhor amigo.
1 Samuel 18:3
Obrigado, Al, por ser um verdadeiro amigo. São quase vinte anos
de amizade, e ainda teremos toda uma eternidade juntos!
SEGUNDO, AO SR. LORAN JOHNSON:
Você tem trabalhado comigo e com Lisa neste ministério sem
esperar nada em troca.
Você tem se alegrado com nossas vitórias e orado diligentemente
por nós durante os tempos de necessidade.
Você tem nos amado como um pai.
O amigo ama em todos os momentos; é um irmão na
adversidade.
Provérbios 17: 17
Obrigado, Loran, por ser um verdadeiro amigo.
 
 
SÚMARIO
 
 
Agradecimentos
Introdução
Uma Noite Inesquecível
O Propósito da Salvação
Tirando o Egito
A Glória do Senhor
A Passagem para a Montanha
Uma Divindade Controlável
Intenções ou Desejos?
Contracultura ou Subcultura
Graça Salvadora
Dias Difíceis
Ouro, Roupas e Colírio
Aqueles Que Eu Amo...
Fogo Santo Interior
E Verão a Sua Face
Sobre o Autor
 
 
AGRADECIMENTOS
 
 
Meu mais profundo agradecimento...
À minha esposa, Lisa. Obrigado por ser minha melhor amiga e
apoiadora mais fiel, minha esposa e a mãe dos nossos filhos. Você
é verdadeiramente um presente de Deus para mim, e eu a valorizo e
estimo grandemente. Eu a amo, querida.
Aos nossos quatro filhos, Addison, Austin, Alexander e Arden.
Vocês trouxeram grande alegria à minha vida. Cada um de vocês é
um tesouro especial. Obrigado por compartilharem comigo o
chamado de Deus e me encorajar a escrever e viajar.
Aos meus pais, John e Kay Bevere. Obrigado pelo estilo de vida
de temor a Deus que vocês me ensinaram a ter com seu exemplo.
Vocês me amam não somente em palavras, mas também com suas
ações.
Ao pastor Al Brice, Loran Johnson, Rob Birbeck, Tony Stone e
Steve Watson. Obrigado por servirem em nossa equipe de
aconselhamento nos escritórios do ministério nos Estados Unidos e
na Europa. O amor, a bondade e a sabedoria que vocês têm
oferecido livremente têm tocado e fortalecido nosso coração.
À equipe do John Bevere Ministries. Obrigado por seu apoio e
fidelidade inabaláveis. Lisa e eu amamos cada um de vocês.
A David e Pam Graham. Obrigado por seu apoio fiel e sincero em
gerenciar as operações do nosso escritório na Europa.
A Rory e Wendy Alec. Obrigado por crerem na mensagem que
Deus tem colocado em nosso coração. A amizade de vocês tem
muito valor para nós.
A Victor Oliver, Rolf Zettersten e Michael Hyatt. Obrigado pelo
encorajamento e pela fé na mensagem que Deus tem feito arder em
nosso coração.
A Brian Hampton. Obrigado por aplicar suas habilidades de edição
neste projeto. Mas, acima de tudo, obrigado por seu apoio.
A toda equipe da Thomas Nelson Publishers. Obrigado por
apoiarem esta mensagem e pela ajuda tão amável e profissional.
Vocês são um grupo excelente para se trabalhar.
E, acima de tudo, minha sincera gratidão ao meu Senhor. As
palavras não são suficientes para reconhecer tudo o que tens feito
por mim e pelo Teu povo. Eu Te amo mais do que sou capaz de
expressar.
 
 
INTRODUÇÃO
 
 
Este livro é uma jornada em direção à verdade. Muitos buscam a
verdade, mas quando são confrontados por ela, rejeitam, ignoram
ou torcem a verdade em benefício próprio. Esse comportamento tem
criado problemas terríveis para nossa geração, resultando em uma
sociedade mergulhada no engano. Jesus advertiu repetidamente
nossa geração exatamente sobre isso.
O engano constitui um grave problema porque aqueles que estão
em suas garras acreditam que estão andando na verdade. Paulo
descreveu os últimos dias em sua carta a Timóteo: “Pois virá o
tempo em que não suportarão a sã doutrina; ao contrário, sentindo
coceira nos ouvidos, juntarão mestres para si mesmos, segundo os
seus próprios desejos. Eles se recusarão a dar ouvidos à verdade,
voltando-se para os mitos” (2 Tm 4:3-4). Uma definição da palavra
grega para mitos no versículo 4 é “falsidade”. Se o que é falso for
apresentado como verdade durante tempo suficiente, muitos o
defenderão com a própria vida.
Quando a verdade real é revelada por meio da Palavra de Deus,
acaba sendo rejeitada como heresia. Paulo advertiu que eles não
dariam ouvidos à sã doutrina. Uma vez, ouvi um palestrante dizer:
“As doutrinas erradas ensinadas em nossas igrejas não são
mensagens tiradas do catálogo telefônico. São mensagens tiradas
das Escrituras!”. Ele alertava para o fato de que essas doutrinas são
derivadas da Bíblia e, portanto, amplamente aceitas, embora sejam
errôneas.
O autor de Provérbios previu essa situação e escreveu: “Existem...
os que são puros aos seus próprios olhos e que ainda não foram
purificados da sua impureza” (Pv 30:11-12). Neste livro,
aprenderemos que somos nós essa geração.
Se a verdade fosse agradável ao nosso julgamento e fácil de ser
abraçada, o mundo inteiro bateria à sua porta e entraria por ela. No
entanto, Jesus deixou claro que não é esse o caso: “Quem pratica o
mal odeia a luz e não se aproxima da luz, temendo que as suas
obras sejam manifestas. Mas quem pratica a verdade vem para a
luz, para que se veja claramente que as suas obras são realizadas
por intermédio de Deus” (Jo 3:20-21). Somente aqueles que temem
a Deus amam a verdade.
Os dias e tempos que vivemos hoje trazem com eles questões
difíceis. Por que tantos na Igreja não possuem essa paixão? Por
que investimos milhões em mídia, edifícios, anúncios e inúmerasoutras formas de propagarmos o Evangelho, enquanto tantos na
Igreja ainda lutam contra a luxúria e o desejo pelos prazeres deste
mundo? Por que mais de 80% dos convertidos acabam voltando
para um mundo de trevas? Como os pecadores podem declarar que
tiveram uma experiência de novo nascimento, mas não demonstrar
nenhuma mudança? Creio que a resposta para todas essas
questões pode ser resumida de uma única maneira: a ausência do
fogo e da paixão por Deus.
Se olharmos para aqueles que viveram antes de nós, poderemos
ver claras diferenças. O que deu a Moisés o desejo de buscar a
Deus quando isso lhe custaria abrir mão de uma vida inteira de
realizações? Por que Jeremias, Isaías e tantos outros continuaram a
proclamar as mesmas palavras que lhes trouxeram perseguição e
provações? Por que as pessoas da Igreja Primitiva foram capazes
de abrir mão de suas posses, seu conforto e até mesmo das
próprias vidas por causa do Evangelho? Que força a Igreja Primitiva
tinha que capacitava seus membros a pregarem ousadamente
diante da ameaça de tortura e morte, enquanto a maior luta que
muitas pessoas na Igreja de hoje enfrentam é simplesmente superar
uma autoimagem negativa? Novamente, a resposta é o fogo de
Deus.
Nós precisamos do fogo de Deus, e ele está disponível a todo
aquele que tem fome da verdade. O fogo de Deus não vem sem um
momento de confronto, mas creio que a maioria de nós já está farta
de tanta falsidade e pronta para mudanças. O medo de
permanecermos o mesmo supera qualquer dor que possamos sentir
como consequência do encontro com a verdade. Aqueles que
assumem essa posição estão desesperados para ouvir o Senhor da
glória. Eles estão prontos para vê-Lo verdadeiramente glorificado
em suas vidas.
Não importa em que ponto você esteja em sua caminhada com
Deus, sempre há espaço para receber mais do Seu fogo santo. Se
você teme que o fogo esteja quase se apagando, tenha coragem e
esperança, pois Ele já prometeu que:
 
Não quebrará o caniço rachado,
Não apagará o pavio fumegante,
Até que leve à vitória a justiça.
Mateus 12:20
Que amor cheio de graça nosso Pai tem por nós! Oro para que
este livro revele progressivamente a verdadeira preocupação do
Senhor com a nossa condição. Ele está mais preocupado com
nossa condição do que com nosso conforto, e nos ama o bastante
para nos dizer o que precisamos ouvir.
Nunca estive tão empolgado com uma mensagem quanto agora,
pois essas verdades têm me tocado profundamente. Este projeto
somente reforça a realização Daquele que é seu verdadeiro Autor.
Sou somente um vaso por meio do qual o Mestre tem propagado
Sua mensagem. Quero ter o cuidado de dar a Ele toda a glória por
tudo o que Ele fizer por intermédio deste livro. Que ele possa
acender o santo fogo em sua vida, e que você nunca mais seja o
mesmo. Antes de começarmos esta jornada, vamos orar:
e
Pai, em nome de Jesus, à medida que eu ler este livro peço
que Tu fales comigo pessoalmente por meio do Teu Espírito.
Não tenho medo da verdade. Eu a desejo. À medida que eu a
abraçar, faça com que o Teu fogo queime dentro do meu
coração. Que a intensidade dela me consuma, fazendo com
que eu ame o que Tu amas e rejeite aquilo que Tu rejeitas.
Durante a leitura, abre os meus olhos para que eu veja Jesus
mais claramente, como jamais vi. Eu reconheço que Ele é a
Palavra de Deus revelada e a Verdade. Eu Te agradeço
antecipadamente pela mudança que farás em minha vida por
meio da Tua mensagem neste livro. Amém.
e
CAPÍTULO 1
E
UMA NOITE INESQUECÍVEL
Deus acenderá em Seu povo uma paixão que
queima mais intensamente do que tudo que
jamais conhecemos antes.
ra o quarto e último culto de uma série de encontros na Igreja
Covenant Love Family, em Fayetteville, Carolina do Norte.
Aquela não era minha primeira vez ali, pois eu já havia ministrado
naquela igreja várias vezes antes. Os cultos sempre produziam
maravilhosos frutos por causa da fome e do amor genuíno que eles
tinham por Deus.
Já era tarde, havia passado do horário em que um culto normal
terminaria. Mesmo assim, eu estava hesitante em terminar; eu me
sentia no meio de um conflito. A mensagem havia sido clara e
breve, e o povo havia respondido com entusiasmo. Mas eu tinha a
sensação de que ainda não era o fim. Eu costumava terminar uma
série de cultos com um sentimento de realização, especialmente em
uma igreja tão receptiva como a Covenant Love Family. Mas aquela
era uma noite diferente.
Além da sensação de conflito, continuava ouvindo as palavras que
o Espírito Santo havia sussurrado ao meu coração quando eu
estava no avião a caminho de Fayetteville: “Estes cultos serão os
mais poderosos que você já experimentou nessa igreja”.
Eu já havia estado nessa igreja cerca de sete ou oito vezes ao
longo dos anos, e não hesitaria em incluir aquelas ocasiões na
minha lista dos cultos mais transformadores de todos. Eu me lembro
de haver pensado no avião: Isso já é querer demais.
Enquanto permanecia de pé na plataforma sentia-me confuso.
Aqueles encontros não foram os mais poderosos que já tive ali. Era
difícil não compará-los com os atos significativos e os testemunhos
dos cultos anteriores. Eu lutava em meu interior contra a tentação
de murmurar, mas sabia que deveria manter o foco no culto que
estava acontecendo diante de mim. Precisava desesperadamente
ouvir a voz de Deus.
Parecia que a presença de Deus estava pairando sobre o povo.
Era quase como se Ele quisesse descer sobre a congregação de
uma forma forte e poderosa, mas de algum modo estivesse sendo
impedido. Havia grupos isolados de pessoas chorando aqui e ali,
mas eu sabia que Deus queria muito mais. Embora tivesse sentido
uma atmosfera semelhante nas noites anteriores, eu tinha certeza
de que, na última noite, o Senhor iria nos honrar com a Sua
presença restauradora, assim como Ele havia feito no passado. Não
teria outro culto. Por que Deus não está tocando estas pessoas se
eu sinto que Ele quer fazer isso? Eu continuava perguntando a mim
mesmo.
Uma Revelação que Deu Direção
Então ouvi a doce e suave voz do Espírito Santo falar comigo. Ele
me mostrou que algo estava formando uma barreira nas igrejas
daquela cidade, assim como havia uma barreira naquele culto. Ela
não deixava que as igrejas crescessem além de certo ponto.
Quando chegavam a esse ponto, as igrejas se dividiam ou se
tornavam ineficazes e cheias de religiosidade.
Imediatamente após eu ter compartilhado essa revelação com a
congregação, o pastor pulou para frente e a confirmou. Ele havia
feito estudos sobre a história atual e passada da cidade, e as
estatísticas estavam corretas. Enquanto ele falava, ouvi novamente
a voz do Espírito Santo. Ele me explicou como essa barreira poderia
ser quebrada.
Quando terminou de falar, o pastor me devolveu o microfone. Eu
disse: “Pessoal, Deus me mostrou que um jejum de quarenta dias
quebrará essa barreira”.
Quase podia ouvir os pensamentos do povo: Ficar quarenta dias
sem comida?
Eu prossegui: “Não é necessariamente um jejum de comida, e na
maioria dos casos não é uma abstinência total de comida. É um
jejum daquilo que o impede de buscar ao Senhor. Talvez seja
televisão, vídeos, jogos de computador, jornais, compras
excessivas, conversas ao telefone, e assim por diante”.
Esse é o verdadeiro jejum. Muitas vezes fazemos greve de fome
para ouvir Deus, mas continuamos vivendo nossas vidas de maneira
ocupada e distraída. Esse não é o verdadeiro jejum, por isso nos
beneficiamos tão pouco quando fazemos isso. O verdadeiro jejum
acontece quando nos abstemos com o propósito de buscar a Deus
de uma forma mais intensa.
O povo de Israel se abstinha de comida e perguntava ao Senhor:
“Por que o Senhor não está impressionado?” ou “Por que o Senhor
nem mesmo nota o nosso esforço?”.
Deus lhes respondeu por intermédio do profeta Isaías: “A verdade
é que nos dias de jejum vocês cuidam dos seus negócios ... Será
que vocês pensam que, quando jejuam assim, Eu vou ouvir as suas
orações?” (Is 58:3-4, NTLH).
Devolvi o microfone para o pastor, e ele imediatamente se
comprometeu a fazer o jejum e pediu a todaa congregação que
fizesse o mesmo. Eles uniram seus corações para buscarem a
Deus.
No dia seguinte, percebi que o domingo que viria quarenta dias
após aquele culto estava vago em minha agenda. Eu compartilhei a
informação com o pastor, e ele respondeu: “Gostaria muito que você
estivesse aqui”.
Mantivemos contato ao longo das semanas seguintes. Já havia
testemunhos extraordinários das famílias que estavam jejuando.
Estudantes que antes só tinham problemas na escola, agora viam
suas notas aumentando, chegando até mesmo a alcançar as notas
máximas. Havia relatos de crianças e adolescentes que estavam se
tornando mais obedientes e respeitosas. As coisas mundanas e o
desejo por elas pareciam estar perdendo a atração e a influência
sobre eles. As mulheres compartilharam com empolgação que seus
maridos pareciam homens diferentes. Pais estavam liderando
estudos bíblicos e orando com suas famílias. Relacionamentos
estavam sendo curados enquanto outras pessoas experimentavam
cura física. Lares eram restaurados à medida que o povo se
achegava a Deus.
Também ouvi do pastor que os cultos estavam se tornando cada
vez mais poderosos, com várias pessoas novas vindo para o Reino
de Deus. Praticamente todas as áreas estavam sendo afetadas
como resultado da obediência da igreja em dar ouvido à Palavra do
Senhor.
Um Dia que Eu Nunca Esquecerei
Seis domingos mais tarde, em 3 de novembro de 1996, retornei
àquela igreja para ministrar. Aquele seria um dia que eu nunca mais
esqueceria. Quando simplesmente entrei no templo para o culto da
manhã, notei que o ar estava denso, cheio de expectativa. A
mensagem que ministrei da Palavra de Deus foi recebida pelos
corações e almas sedentos.
No encerramento do culto, o pastor exortou a congregação para
que chegassem mais cedo para o culto da noite, com a finalidade de
prepararem seus corações em oração. Ele instruiu aos pais que as
crianças também assistiriam ao culto à noite juntamente com eles;
ele queria que todas as faixas etárias estivessem juntas naquela
noite, com exceção daqueles com menos de seis anos. Eu nunca o
havia visto daquela forma antes. Ele repreendeu os pais: “Se vocês
ou seus filhos perderem este culto, vocês se arrependerão pelo
resto de suas vidas”. O comentário dele me surpreendeu e até
mesmo me assustou um pouco, mas preferi não dizer nada, e fico
feliz por não tê-lo feito.
Naquela noite, o auditório estava lotado, com aproximadamente
mil e trezentas pessoas. Preguei sobre o temor do Senhor, e a
mensagem foi concluída por volta das nove da noite. O ensinamento
foi tão intenso, que daria para ouvir um alfinete caindo no chão toda
vez que eu fazia uma pausa, mesmo com todas as crianças ali
dentro.
No fim da minha pregação, o dirigente de louvor conduziu a
congregação em alguns cânticos de adoração. Então ouvi o Espírito
Santo sussurrar: “Eu quero ministrar a este povo. Por favor, permita-
Me fazê-lo”.
Percebi que, embora estivéssemos cantando músicas de
adoração, aquele não era o direcionamento que Ele desejava.
Então, alertei o povo: “O Senhor acaba de falar ao meu coração. Ele
quer ministrar a nós, então vamos ficar quietos e nos concentrar
Nele”.
Durante os dez a quinze minutos seguintes, podia-se ouvir várias
pessoas chorando mansamente na presença do Senhor.
Aparentemente, tudo indicava que estava acontecendo o mesmo
que acontecera no culto de seis semanas atrás, porém eu sabia que
algo diferente estava prestes a acontecer.
Por volta de nove e quinze, a atmosfera tranquila mudou
subitamente. Eu podia ouvir um som de choro bem agudo vindo do
fundo do auditório. Era fácil identificar esse choro como o das
crianças. Aproximadamente cento e cinquenta crianças, entre sete a
doze anos, estavam sentadas com suas professoras no fundo do
auditório, do lado direito. Eu sabia que Deus as estava tocando. Eu
as convidei a ir à frente, dizendo: “As crianças; Deus está tocando
as crianças. Quero que todas as crianças que Deus está tocando
venham para a frente do palco”.
Nunca esquecerei o que vi. Alguns de vocês podem pensar que o
que compartilho aqui é um pouco exagerado, e se eu não tivesse
presenciado a cena, junto com as mil e duzentas testemunhas ali,
talvez concordasse com você. Francamente, não serei capaz de
descrever fielmente a grandeza do que Deus fez naquela noite, mas
farei uma tentativa. Quero ressaltar que aquela era uma igreja
bastante conservadora. A maioria dos membros vinha de
denominações que não costumavam demonstrar as manifestações
do poder de Deus, ou então não havia crescido na igreja, tendo sido
salva naquela igreja. O pastor era um ótimo mestre e não se
deixava levar por extremismos, sensacionalismo ou euforias.
Eu observei as crianças, a maioria com idade entre sete e nove
anos, vindo em minha direção, chorando incontrolavelmente. Muitas
cobriam o rosto com as mãos. Outras sentiam dificuldade em andar
em linha reta. Ao chegarem ao palco, algumas caíram de joelhos,
sem força para ficarem em pé, mas a maioria caía como se seus
joelhos desistissem completamente de sustentá-las. Elas caíram por
toda parte, algumas por cima de outras. Os obreiros da igreja, com
lágrimas nos olhos, as ajudaram. Dentro de minutos, eu vi cerca de
cem crianças chorando e a maioria delas tremia fortemente. Elas
estavam imersas na presença manifesta do Senhor.
Essa manifestação não durou somente dois ou três minutos, mas
continuou por cerca de uma hora! Você pode pensar que ouvir
tantas crianças chorando e clamando por um período longo fosse
provavelmente irritante, mas, na verdade, foi glorioso. A maioria dos
adultos estava com os olhos cheios de lágrimas, enquanto assistia
ao que Deus estava fazendo na vida daquelas crianças. E, ao
mesmo tempo, eles estavam sendo profundamente tocados pela
presença poderosa de Deus. Era como se uma sucessão de ondas
da presença de Deus viesse sobre aquele lugar, uma ainda mais
poderosa do que a outra. Quando parecia que as crianças não
conseguiriam mais chorar, gritar ou tremer, outra onda de Deus
vinha e aumentava a intensidade a outro nível. Havia momentos em
que eu simplesmente só podia baixar minha cabeça sobre o púlpito
por causa do peso da presença de Deus.
Observei uma menina, que não parecia ter mais que sete anos de
idade, sacudindo suas mãos fortemente, como se elas estivessem
pegando fogo. Seu rostinho estava completamente banhado pelas
lágrimas que ela derramava. Podia-se sentir a presença de Deus tão
fortemente nessas crianças que os obreiros pararam de tocá-las
depois de ajudá-las inicialmente. Eles somente ficaram parados,
chorando e observando.
Vários adultos ajoelharam-se com o rosto em terra e ficaram
imóveis. Outros assistiam pasmados com os olhos cheios de
lágrimas. Várias vezes eu olhei para trás de mim e vi o pastor com
as mãos sobre o rosto, chorando. Sua esposa estava em prantos na
plataforma do coral.
Algum tempo depois, o pastor escreveu uma carta, descrevendo
aquela noite, de acordo com seu ponto de vista. Embora seja
parecido com o meu, achei importante termos outra perspectiva.
 
Domingo, 3 de novembro de 1996, será um dia que nunca esquecerei. Eu creio
que foi apenas uma pequena demonstração do que Deus fará na Terra. John
ministrou no culto noturno sobre o temor do Senhor e então declarou: “Precisamos
deixar que Jesus seja o mestre em todas as áreas da nossa vida e agora devemos
nos render completamente a Ele como Senhor”.
Nós adoramos por mais um curto período, e então John disse: “Eu sinto que o
Espírito Santo está Se movendo aqui agora”. Nesse momento, ouvi soluços de
crianças, jovens e adultos. Adultos começaram a aproximar-se do altar, chorando e
soluçando. John completou: “Deus está tocando as crianças e elas serão tocadas
poderosamente pelo Senhor”. Ele então encorajou as crianças que estavam sendo
tocadas pela presença de Deus a irem à frente.
Vi as crianças correndo até o altar, chorando incontrolavelmente, incluindo meus
três filhos e minha filha, e todos estavam ajoelhados, com o rosto em terra,
clamando e gritando por Jesus. Algumas delas tremiam fortementee balançavam
suas mãos à medida que o fogo de Deus se movia em nosso meio.
Aproximadamente cem crianças lotaram o altar, enquanto ondas do Espírito de
Deus se moviam no santuário. Eu assistia enquanto as crianças iam caindo uma
por cima das outras, sem que ninguém as tivesse tocado. Elas pareciam dominós.
Por uma hora e meia [durou uma hora e quinze minutos, mas prefiro não mudar o
que ele escreveu], ficamos impregnados pela presença de Deus. Perto do fim do
culto, pais e filhos se abraçavam e choravam juntos enquanto Deus unia seus
corações.
Um menino de dez anos de idade nos disse, enquanto estava
deitado no chão, que viu raios brilhantes de luz entrando pelo
teto e caindo sobre todas as pessoas. Alguns adultos da
congregação e do coral repetiam a mesma coisa. Ninguém
conseguiu deixar o prédio antes das onze da noite. Crianças
foram carregadas enquanto ainda choravam.
Tenho recebido testemunhos de famílias modificadas,
crianças que hoje falam sobre Deus e são obedientes, etc.
Como pastor, eu verdadeiramente posso dizer que meu lar e
meus filhos são diferentes hoje.
Dr. Al Brice
Pastor titular da Igreja Covenant Love Family Fayetteville, Carolina do Norte
Chamou minha atenção o relato feito pelo jovem de dez anos que
viu raios brilhantes de luz descendo pelo teto. No livro de
Habacuque lemos:
 
Senhor, ouvi falar da Tua fama;
tremo diante dos Teus atos, Senhor.
Realiza de novo, em nossa época,
as mesmas obras, faze-as conhecidas em nosso tempo;
em Tua ira, lembra-Te da misericórdia.
Deus veio de Temã,
o Santo veio do monte Parã. Pausa
Sua glória cobriu os Céus
e Seu louvor encheu a Terra.
Seu esplendor era como a luz do sol;
raios lampejavam de Sua mão,
onde se escondia o Seu poder.
Habacuque 3:2-4
Tenho certeza de que esse jovem não fazia ideia de que
Habacuque havia escrito algo assim tanto tempo atrás. Com nossos
olhos, nós presenciamos o que Joel profetizou: “Os seus filhos e as
suas filhas profetizarão, os velhos terão sonhos, os jovens terão
visões” (Jl 2:28). Esse menino de dez anos de idade estava
descrevendo uma visão similar a outra visão já descrita na Palavra
de Deus sem que ele tivesse conhecimento disso.
Outro garoto disse com ousadia: “Mamãe, o jejum não pode
acabar”. Não somente suas palavras eram proféticas, mas ele
também verbalizou o desejo de inúmeras outras pessoas. Esses
jovens tinham experimentado a presença do Deus vivo, e suas vidas
foram transformadas. Eles queriam avançar e não parar mais.
Mais tarde naquela noite, a esposa do pastor compartilhou
conosco alguns versículos que Deus havia falado ao seu coração, a
respeito do que havia acontecido:
 
“Agora, porém”, declara o Senhor, “voltem-se para Mim de
todo o coração, com jejum, lamento e pranto [até que cada
impedimento for removido e os relacionamentos quebrados
forem restaurados]”. Rasguem o coração, e não as vestes.
Joel 2:12-13, AMP
Enquanto ela lia esses versículos, meu coração queimava dentro
de mim. A frase “voltem-se para Mim” parecia descrever a atitude
daquela igreja. O povo estava determinado a buscar o coração de
Deus. Eles não queriam retroceder.
Deus nos instrui a rasgarmos os nossos corações e não as nossas
vestes. Tenho visto cristãos e igrejas que por sua aparência
parecem ter tudo certo, mas mesmo assim não conseguem tocar o
coração de Deus como essa igreja o fez. A razão? Eles podem
jejuar, podem ter encontros de oração, podem se abster de certas
coisas, fazendo-os parecerem ótimos com relação às suas “vestes”,
mas por dentro eles escondem corações desobedientes. Eles ainda
vivem para o próprio prazer, em vez de viverem a serviço dos
outros. O Senhor está mais preocupado com nossa submissão
interior do que com nossa aparência exterior de cristandade. Joel
continuou:
 
Toquem a trombeta em Sião,
decretem jejum santo,
convoquem uma assembleia sagrada.
Reúnam o povo,
consagrem a assembleia;
ajuntem os anciãos,
reúnam as crianças,
mesmo as que mamam no peito.
Até os recém-casados devem
deixar os seus aposentos.
Joel 2:15-16
O fogo em meu coração aumentava à medida que ela lia. Aqueles
versículos descreviam exatamente o que Deus havia instruído a
igreja a fazer quarenta dias antes. Quando a palavra profética foi
proferida, todos deveriam buscar a Deus. Desde os líderes até as
crianças, ninguém estava isento. Continuando a série de versículos
que ela leu:
 
E, depois disso,
derramarei do Meu Espírito sobre todos os povos.
Os seus filhos e as suas filhas profetizarão,
os velhos terão sonhos,
os jovens terão visões.
Até sobre os servos e as servas
derramarei do Meu Espírito naqueles dias.
Joel 2:28-29
“E, depois disso.” Já ouvi esse versículo ser citado repetidamente.
Na verdade, desde que fui salvo, tenho ouvido Joel 2:28-29 ser
citado por cristãos e por pastores frequentemente. Fala-se sobre
filhos e filhas profetizando e tendo visões, juntamente com sinais e
maravilhas do Espírito Santo, porém a palavra “depois” geralmente
é esquecida nas discussões e pregações. Se foi profetizado que
algo aconteceria “depois”, então é porque algo significativo precisa
acontecer antes: a reação da igreja ao som da trombeta, em se
achegar a Deus.
Deus responde poderosamente quando nos achegamos a Ele.
Precisamos nos achegar quando Ele nos chamar. Outro elemento
importante é o tempo. É aqui que muitos cristãos se perdem. Eu
creio que enquanto você lê este livro, perceberá que, embora
cristãos tenham um convite permanente para virem ao Senhor em
oração e comunhão a todo instante, haverá momentos e tempos em
que Ele nos chamará para propósitos específicos. Durante esses
momentos, o tempo é um fator crucial, e se não respondermos,
perderemos a bênção que Ele tem para nós.
O foco nesses períodos é a obediência e não a nossa vontade ou
o nosso desejo. Deus Se agrada mais em obediência do que em
sacrifícios. Tenho visto igrejas jejuando regularmente e orando
durante horas, seus membros sacrificando horas de sono para
preencher os horários de oração. Mas isso não garante o poder nem
a presença Dele. Muitas vezes tenho visto que falta a essas igrejas
o que a igreja da qual estou falando tinha em abundância. Elas têm
a maneira de fazer; só não têm o coração.
O mesmo acontece com as pessoas. Tenho visto muitos jejuarem
e orarem religiosamente, mas lhes faltam a liberdade, o poder e o
conhecimento íntimo de Deus, que tenho visto em outros que não se
sacrificam tanto, mas simplesmente respondem à direção do
Espírito de Deus.
Aquela igreja ouviu a voz de Deus chamando. No período
seguinte de um ano e meio, eles dobraram em tamanho. Na
verdade, eles tinham acabado de construir o auditório no qual nos
encontramos naquela noite, e em seis meses tiveram de começar a
planejar outra construção de um espaço maior.
O pastor e eu conversamos frequentemente nos anos seguintes.
Ele disse: “John, nosso segundo culto de domingo de manhã, que
começa às dez horas, continua acabando cerca de duas ou três da
tarde”. Um domingo ele ligou e me contou que teve de dizer ao
povo: “Por favor, vão para suas casas”. Ele contou que eles ficaram
parados olhando para ele, sem querer ir embora.
Deus cumpriu Sua palavra. Aqueles cultos foram os mais
poderosos que já havíamos presenciado. Por meio da nossa
cooperação com o Espírito Santo e nossa obediência à Sua direção,
Ele fez a Sua vontade. Três anos se passaram, e o pastor ainda
ouve testemunhos sobre aquele culto. O fruto permaneceu. Eu
ministrei ali em várias ocasiões depois desse acontecimento, e
tenho visto sempre um aumento da paixão e da sede genuína por
Deus.
Um Anúncio do Que Virá
Um ano antes, eu estava em Kuala Lumpur, na Malásia,
ministrando na maior escola bíblica da nação durante uma semana
de cultos. No oitavo culto, houve uma experiência similar, mas durou
somente cerca de cinco a dez minutos. O Espírito de Deus caiu
sobre os estudantes e muitos outros que estavam ali. Esse foi outro
culto que nunca esquecerei. Na manhã seguinte àquele culto,
enquanto orava, Deus falou comigo: “O que você viu ontem, você
verá acontecendo em todos os lugares, poisesse é um dos moveres
finais do Meu Espírito que acontecerá na Igreja”. Ele me mostrou
como esse mover do Seu Espírito produziria frutos de verdadeira
santidade na Igreja e a prepararia para a grande colheita que está
por vir. Deus acenderá em Seu povo um fogo intenso e contínuo de
paixão por Ele, como nunca vimos antes.
Não creio que você está segurando este livro em suas mãos por
coincidência, ao contrário. Creio que você o tem nas mãos para
despertar sua sede e preparar seu coração para o que Deus está
por fazer. Nós precisamos nos preparar para Sua segunda vinda. O
apóstolo João escreveu: “Regozijemo-nos! Vamos alegrar-nos e dar-
Lhe glória! Pois chegou a hora do casamento do Cordeiro, e a Sua
noiva já se aprontou” (Ap 19:7).
Nós somos a noiva de Cristo, e cabe a nós a tarefa crucial de nos
prepararmos para estarmos unidos a Ele. Quero enfatizar este
ponto: cabe a nós nos prepararmos. Trata-se de uma integração
divina. Ele não faz tudo por nós; nós devemos responder à provisão
Dele. Ele provê a graça e nós buscamos o fogo. Ele não está
voltando para uma Igreja manchada e corrompida pelo mundo. Ele
retornará para uma noiva pura, cujo coração queima com verdadeira
santidade.
CAPÍTULO 2
F
O PROPÓSITO DA SALVAÇÃO
Deus, que criou o universo e tudo que nele há,
expressa Seu desejo de habitar em nós e entre nós.
requentemente ouço líderes usando a palavra visitação quando
descrevem um encontro com a presença de Deus, quer seja
em uma experiência conjunta, como em um culto na igreja, assim
como o culto descrito no capítulo anterior; ou em uma experiência
individual. Contudo, o desejo do Senhor não é uma visitação; em
vez disso, Ele deseja uma habitação. Deixe-me ilustrar a diferença:
eu tenho vizinhos que são ótimos amigos, e em inúmeras ocasiões
vou à casa deles para visitá-los por algum tempo. Mas, assim que a
visita termina, eu retorno para minha casa, que é meu lugar de
habitação. Uma das maiores promessas que o Senhor deixou para
nós, cristãos, é esta:
 
Habitarei com eles
E entre eles andarei;
Serei o seu Deus,
E eles serão o Meu povo.
2 Coríntios 6:16
Que declaração! Deus, que criou o universo e tudo que nele há,
expressa Sua intenção de habitar em nós e entre nós. Em
concordância com essa promessa, Paulo nos diz: “Nele vocês
também estão sendo edificados juntos, para se tornarem morada de
Deus por Seu Espírito” (Ef 2:22). Essas são as promessas de Deus
para nós. Entretanto, cada promessa na Bíblia é condicional, e se a
condição não for cumprida, então a promessa não se cumpre, não
por infidelidade da parte de Deus, mas da nossa parte. É impossível
Deus mentir, mas não é impossível que o homem anule a Sua
palavra (ver Marcos 7:13) ao ignorá-la ou distorcê-la. Isso também
inclui a promessa de Deus de habitar em nosso meio.
Paulo continua:
 
“Saiam do meio deles
E separem-se”, diz o Senhor.
“Não toquem em coisas impuras,
E Eu os receberei.”
2 Coríntios 6:17
A condição é que nós saiamos do sistema do mundo. Se
cumprirmos essa condição, Deus diz que nos receberá. Da mesma
forma, se não nos separarmos, Ele não nos receberá. Por que Ele
não nos receberá? Para responder a essa questão, precisamos
entender que Deus é pura luz e que Nele não há trevas. Trevas não
podem habitar na presença da pura luz.
À medida que avançarmos nessa leitura, veremos que a luz de
Deus fala da Sua santidade. A Bíblia não diz que Deus tem
santidade; ela diz que Ele é santo (ver Levítico 19:2). O sistema do
mundo é de trevas e aqueles que são atraídos pelas trevas não
podem habitar na luz.
Deus declara: “Consagrem-se, porém, e sejam santos, porque Eu
Sou o Senhor, o Deus de vocês” (Lv 20:7). A atitude de nos
consagrarmos significa recusar um relacionamento com o mundo.
Tiago claramente exortou-nos na nova aliança: “Se o objetivo de
vocês é desfrutar o prazer pecaminoso do mundo perdido, vocês
não podem ser também amigos de Deus” (Tg 4:4, ABV). Em uma
outra tradução a advertência é ainda mais direta: “Quem quer ser
amigo do mundo faz-se inimigo de Deus” (Tg 4:4, NVI).
Pedro enfatizou o desejo de Deus por um povo puro ao escrever:
“Mas agora, sejam santos em tudo quanto fizerem, tal como é santo
o Senhor, que os convidou para serem seus filhos. O próprio Senhor
disse: ‘Vocês têm de ser santos, pois Eu Sou santo’” (1 Pe 1:15-16,
ABV). Ser santo não é uma opção. Deus não habitará em nós ou
entre nós se falharmos em dar ouvidos à Sua condição de nos
separarmos do sistema do mundo. Uma versão contemporânea da
Bíblia diz:
 
“Então, deixem de lado a corrupção e as parcerias,
deixem tudo, de uma vez por todas”, diz Deus.
“Não se associem com os que irão mergulhá-los na sujeira.
Quero todos vocês para Mim.”
2 Coríntios 6:17, A Mensagem
A magnitude das promessas de Deus em ser nosso Pai e habitar
em nós e entre nós torna ainda mais importante observarmos
cuidadosamente a condição que Ele exige. Considerando a
seriedade dessa condição, Paulo declarou: “Amados, visto que
temos essas promessas, purifiquemo-nos de tudo o que contamina
o corpo e o espírito, aperfeiçoando a santidade no temor de Deus”
(2 Co 7:1).
Esses versículos têm tanto significado que livros e mais livros
poderiam ser escritos sobre eles. Mas o entendimento da maioria
dos cristãos sobre o que está sendo dito é limitado. Muitos não
compreendem sua totalidade porque não entendem o contexto.
Paulo está citando o que Deus dissera a Israel no Antigo
Testamento e, ao fazer isso, ele também estava deixando claro que
Seu desejo para nós não mudou no Novo Testamento. Precisamos
entender as situações e os eventos que levaram a esses versículos.
Quando nós entendemos o contexto, as palavras têm o impacto
espiritual que Deus deseja que tenham.
Pense sobre um filme no qual o escritor, o diretor e os atores
montaram cuidadosamente um enredo que se desencadeia até uma
cena de clímax no fim. Muitas coisas aconteceram antes disso e,
após ouvir toda a dramatização que levou ao clímax, você fica
maravilhado. Se você tivesse ouvido o ator falando a mesma frase
final sem ver toda a dramatização, ela teria pouco ou nenhum
impacto.
Eu vivi isso quando era mais jovem. Entrei na sala da nossa casa
quando minhas irmãs e meus pais estavam assistindo a um filme.
Eles haviam sido cativados pela história e não queriam ser
interrompidos. A maioria nem percebeu quando eu entrei. Olhei para
a tela no momento em que o ator fez uma declaração um tanto
dramática. Minhas irmãs começaram a chorar. Mas aquela
declaração teve pouco significado para mim. Pensei: O que há de
tão emocionante nessa fala? Eu não estava a par dos
acontecimentos; mas as mesmas palavras tocaram minhas irmãs e
provocaram nelas uma emoção profunda.
O mesmo princípio se aplica aqui. Muitos cristãos chegam a essas
palavras de clímax vindas da boca de Deus e as leem diretamente,
porque eles não têm o entendimento da construção dramática
anterior a tais palavras. Para realmente experimentarmos o impacto
do que Deus está nos dizendo, precisamos entender o roteiro da
história ou do drama que levou a tais declarações. Isso levará
alguns capítulos para se desenvolver. Para começarmos,
precisamos ir ao livro de Êxodo.
Vou Ver Isso de Perto
O livro de Êxodo inicia com os descendentes de Abraão em
cativeiro. Eles já haviam estado no Egito por quase quatrocentos
anos. O começo da estada deles ali fora favorável, mas o tempo
passou e eles se tornaram escravos, sendo brutalmente
maltratados.
Moisés, um homem nascido de uma hebreia, escapou daquele
duro tratamento; ele foi levado à casa do faraó quando bebê e
criado como seu neto. Quando tinha a idade de quarenta anos,
contudo, Moisés foi forçado a fugir para outra terra por causa da ira
do faraó, devido à sua lealdade ao seu próprio povo, os hebreus.
Quarenta anos mais tarde, após a fuga do Egito, enquanto estava
no deserto apascentando as ovelhas de seu sogro, Deus se revelou
a Moisés. A revelação aconteceu no Monte Sinai, o qual é chamado
de Horebe, a Montanha de Deus. O Senhor apareceu a ele em uma
chama de fogo que saía do meio de uma sarça. QuandoMoisés viu
que a sarça se queimava, mas não se consumia, ele disse: “‘Por
que a sarça não se queima? Vou ver isso de perto’. O Senhor viu
que ele se aproximava para observar. E então, do meio da sarça
Deus o chamou” (Êx 3:3-4).
Foi somente após Moisés ter se voltado para se aproximar da
presença do Senhor que alguma coisa entre ele e Deus aconteceu.
A partir do momento em que Deus viu que Moisés deixou seu
interesse pessoal para se aproximar Dele, o Senhor o chamou para
começar a revelar-Se a Moisés, por intermédio da Sua palavra. Se
Moisés tivesse negligenciado aquela cena como algo que não era
digno de atenção, Deus provavelmente teria Se afastado sem lhe
dizer nada. Somos admoestados no Novo Testamento: “Aproximem-
se de Deus, e Ele Se aproximará de vocês!” (Tg 4:8).
Quem deve se aproximar primeiro? Nós ou Deus? Deus nos
chama, mas somente quando nos aproximamos de Deus é que Ele
Se aproxima com o propósito de Se revelar a nós. Essa é a
mensagem deste livro. Na verdade, esse é o alvo do nosso destino.
O Propósito da Libertação de Deus
Deus Se revelou a Moisés e lhe disse para levar Sua palavra ao
faraó, para que ele deixasse Seu povo ir. A despeito da obstinação e
força do faraó, Deus libertou os descendentes de Abraão com Sua
mão poderosa de milagres, sinais e prodígios.
A libertação de Israel da escravidão egípcia está relacionada com
nossa libertação da escravidão do pecado no Novo Testamento. O
Egito é uma tipologia do sistema do mundo, e Israel uma tipologia
da Igreja. Quando nascemos de novo, somos libertos do sistema de
tirania e opressão do mundo.
Para onde Moisés e os filhos de Israel se dirigiram após terem
sido libertos? Quando faço essa pergunta para o público nos cultos,
as pessoas geralmente respondem: “Para a terra prometida”.
Mas isso não é verdade. Ele estava indo para o Monte Horebe,
também conhecido como Monte Sinai. As palavras de Deus para o
faraó, por meio de Moisés, foram: “Deixe ir o Meu povo, para
prestar-Me culto no deserto” (ver Êxodo 7:16; 8:1, 20; 9:1, 13; 10:3).
Como Moisés levaria o povo à terra prometida sem antes conhecer
o Prometedor? O Senhor não desejava isso para o Seu povo. Se
eles fossem para a terra prometida sem a revelação de Deus, eles
fariam dali um lugar de idolatria.
Isso é o que tem acontecido na Igreja com muitas pessoas que
foram salvas nos últimos vinte e cinco anos. A ênfase tem estado
em comunicar às pessoas as promessas e provisões de Deus, em
vez de falar de Seu caráter e natureza, na tentativa de fazer com
que as pessoas se aproximem Dele. Nossas mensagens têm
atraído as pessoas a um nível de vida melhor, acompanhado da
segurança eterna, em vez de comunicar a elas o propósito de
conhecer e servir ao Senhor da glória. Muitos pastores são
cuidadosos em entregar uma palavra positiva que atrairá multidões;
eles evitam uma mensagem forte, exortativa, que trará as mudanças
que precisamos para ter um encontro face a face com um Deus
santo.
O encontro com Deus no Sinai mudou Moisés, e ele sabia que
uma experiência similar era essencial para o povo. Se Moisés não
tivesse encontrado com o Senhor na sarça ardente, ele estaria
ainda tentando tirar o povo da escravidão com suas próprias forças,
que foi exatamente o que ele tentou fazer anos antes e, como
consequência, acabou tendo de fugir do faraó.
Muitos têm sido salvos em razão das mensagens proclamadas por
pastores cuja motivação está no próprio chamado, em vez de na
revelação de Deus. Se temos um chamado em nossa vida, mas não
permitimos que Deus nos leve para o deserto, para que ali Ele Se
revele a nós, buscaremos a libertação para as pessoas somente
pela motivação de vê-las libertas. Mas nós precisamos libertá-las
com o propósito de que elas venham a conhecer Aquele para o qual
fomos criados.
No livro de Atos, nós lemos que:
 
Moisés foi instruído em toda a ciência dos egípcios; e era
poderoso em suas palavras e obras. E, quando completou a
idade de quarenta anos, veio-lhe ao coração ir visitar seus
irmãos, os filhos de Israel. E, vendo maltratado um deles, o
defendeu, e vingou o ofendido, matando o egípcio. E ele
cuidava que seus irmãos entenderiam que Deus lhes havia de
dar a liberdade pela sua mão; mas eles não entenderam.
Atos 7:22-25, ACF
Moisés viu o sofrimento e desejava aliviá-lo. Ele também sabia
que era chamado para libertar o povo de Deus. Isso estava em seu
coração. Mas sem a revelação de Deus, ele não estaria preparado
para liderar e alcançar seu destino. Uma liderança sem o propósito
correto pode ser mais perigosa do que não haver liderança
nenhuma. Moisés era um líder, ele tinha um propósito, mas seu
propósito estava incompleto. Sem a revelação de Deus, ele os
levaria no máximo a uma terra de provisão, mas sem o propósito
real da liberdade: o conhecimento íntimo de Deus. É por isso que
Deus levou Moisés para as partes mais distantes do deserto, para
aquietar o coração dele do mundo que havia deixado. No deserto
ele poderia responder com desejo à revelação de Deus. Essa
preparação permitiu que ele dissesse: “Vou ver isso de perto...”.
Nós precisamos entender que nem todo “bom ministério” é um
“ministério verdadeiro”. Aos quarenta anos de idade, a vontade de
Moisés em ver seu povo livre era boa, mas não era um ministério
verdadeiro. Eva foi atraída pelo lado “bom” da árvore do
conhecimento do bem e do mal, não pelo lado mal. Quando ela viu
que “a árvore parecia agradável ao paladar, era atraente aos olhos
e, além disso, desejável para dela se obter discernimento, tomou do
seu fruto e comeu-o” (Gn 3:6). Ela foi tentada a ser como Deus.
Existe muita coisa que parece ser boa, e assemelha-se a algo que
vem de Deus, porém vai contra Seu caráter e Sua natureza.
Somente quando temos conhecimento íntimo Dele é que podemos
verdadeiramente discernir o que é bom.
“OS TROUXE PARA JUNTO DE MIM”
Moisés conduziu o povo de Deus para fora do Egito para que
adorasse a Deus no deserto. Mas eles não foram imediatamente
para o Sinai. Levou três meses para que se fizesse a jornada que
poderia ter sido feita em uns dez ou onze dias. Por que Deus fez
isso? A resposta é simples e não é diferente da situação que
aconteceu com Moisés: Deus queria dar ao povo tempo para
acalmar o coração, a fim de que pudesse receber a revelação de
Deus assim como Moisés recebeu.
Assim que eles chegaram ao pé do Monte Sinai, Moisés deixou o
povo e subiu para onde a presença de Deus estava. Então o Senhor
o chamou da montanha, dizendo: “Assim falarás à casa de Jacó, e
anunciarás aos filhos de Israel...” (Êx 19:3, ACF).
Antes de continuarmos a ler mais do que Deus disse a Moisés,
preciso ressaltar para quem a mensagem era direcionada. Não era
somente para Arão e seus filhos. Não era somente para os filhos de
Levi. A mensagem de Deus era para toda a nação de Israel. Era
para todas as pessoas que haviam sido libertas do Egito, da menor
até a maior das tribos, famílias e pessoas.
Agora, ouça a mensagem de Deus: “Vocês viram o que fiz ao
Egito e como os transportei sobre asas de águias e os trouxe para
junto de Mim” (Êx 19:4). A frase “os trouxe para junto de Mim” fala
sobre o verdadeiro motivo de você ter sido criado! O motivo pelo
qual Deus trouxe você à vida e percorreu um longo caminho para
salvá-lo, foi para trazer você para perto Dele!
Nós vemos essa intenção desde o início da humanidade. Por que
Deus colocou o homem no Jardim? Adão não foi criado para que
tivesse um ministério internacional de libertação. Ele não foi
colocado no Jardim para construir pontes ou arranha-céus. Não, ele
foi colocado no Jardim para andar em comunhão com o Deus vivo.
Daquela comunhão poderiam surgir os arranha-céus ou ministérios,
mas esse não era o propósito de Deus para a existência do homem.
Nos sete primeiros anos após eu ter sido salvo, frequentei e
depois passei a trabalhar para uma igreja grande que enfatizava as
promessas de Deus e Suas provisões. Era uma igreja evangelística
com uma paixão por alcançar o mundo com as boas-novas do
Evangelho, mas o Evangelho pregado ali destacava mais os
benefícios do Reinodo que a glória de se conhecer a Deus.
Pessoas saíam de várias partes do mundo para ir até essa
congregação, pois ela era bem conhecida internacionalmente. O
zelo do líder em ver pessoas sendo salvas era contagiante. Muitos
daqueles que trabalhavam no ministério de alcance internacional da
igreja tinham grande paixão pelo ministério, e eu certamente era um
deles.
Naqueles primeiros anos da minha associação àquela igreja, eu
levantava cada manhã e orava até por uma hora e meia antes de ir
para o trabalho. Eu pedia a Deus para que me usasse para alcançar
os perdidos que estavam morrendo sem Cristo, para curar os
enfermos. Eu pedia pelas nações e pela libertação dos oprimidos.
Eu sempre orava fervorosamente, até que, em uma manhã, ouvi o
Senhor dizer ao meu coração: “John, suas orações estão
incorretas”.
Pensei comigo mesmo: Essa não pode ser a voz de Deus. Isso só
pode ser o inimigo. Mas mesmo assim eu sabia que era a voz do
Senhor. Eu estava desconcertado:
— Senhor, como podes me dizer isso? Estou orando pelo povo
que precisa ser salvo, curado e liberto. Este é o Teu desejo!.
Mas Deus viu por trás das minhas palavras. Ele viu quão pouco eu
sabia sobre Sua verdadeira natureza, e sem isso Ele sabia que eu
não poderia tirar pessoas da escravidão, ao contrário, esse
ministério acabaria me levando e levando a outros a uma outra
escravidão de idolatria, dentro do contexto da igreja.
Ele me disse:
— John, o alvo do Cristianismo não é o ministério. Você pode
expulsar demônios, curar enfermos, levar pessoas à salvação, mas
mesmo assim acabar no inferno. —e acrescentou:
—Judas deixou seu trabalho para Me seguir, ele curou enfermos,
ressuscitou mortos, expulsou demônios, e mesmo assim ele está no
inferno.
Aquelas palavras ficaram cravadas em meu coração.
Nós temos de lembrar que quando os apóstolos saíram com o
poder para curar enfermos, ressuscitar mortos e expulsar demônios,
Judas estava entre eles (ver Mateus 10:1-8).
Eu rapidamente perguntei:
—Então, qual é o alvo do Cristianismo?.
Ele imediatamente respondeu:
—Conhecer-Me intimamente!
Então me lembrei de que Paulo havia dito que considerava todas
as coisas como perda, se comparadas a “conhecer Cristo” (Fp 3:10).
O Senhor sussurrou ao meu coração:
— A partir desse relacionamento é que vai surgir o verdadeiro
ministério.
Daniel confirmou isso ao dizer: “mas o povo que conhece ao seu
Deus se tornará forte e fará proezas” (Dn 11:32, ACF).
Jesus disse que “se um cego conduzir outro cego, ambos cairão
num buraco” (Mt 15:14). Isso é verdade para aqueles que querem
trazer libertação a outros cativos, sem que antes tenham os próprios
olhos abertos para ver o Senhor. É por isso que Paulo orou tão
intensamente para que os olhos do nosso entendimento fossem
iluminados pelo conhecimento Dele (ver Efésios 1:18). É quando
estamos na Sua luz que nós podemos ver (ver Salmos 36:9). Sem a
revelação Dele somos cegos. Aqueles que não O conhecem
intimamente podem até ter boas intenções, mas sem a revelação de
Deus, acabarão levando outros para o mesmo buraco para o qual
eles próprios estão indo.
Isso aconteceu durante meus primeiros anos de Cristianismo. O
pastor mantinha seus olhos mais sobre as bênçãos da aliança do
que sobre o Abençoador. Ele tinha um estilo de vida de alto nível,
que foi conquistado por ele crer e agir com base nas promessas da
aliança com Deus, mas era vazio da revelação do caráter do
Senhor. Então, ele começou a ir por caminhos errados. Certo dia ele
se colocou diante da congregação e disse que não queria mais viver
com sua esposa, que era a mãe de seus filhos. Ele então disse que
quem não aprovasse, poderia sair da igreja. Aquele pastor se casou
com um uma mulher jovem, cheia de energia e ambiciosa, que
também estava no ministério. Ela se tornou um grande laço em sua
vida. Sua igreja definhou, indo de milhares para centenas de
membros, deixando muitas pessoas à deriva e fora da igreja. Mais
tarde ele acabou se divorciando novamente e vendendo o espaço
da igreja para a cidade.
Moisés sabia o que havia transformado sua vida: seu encontro e
sua comunhão íntima com o Deus vivo. Ele sabia para onde deveria
conduzir o povo. Não era diretamente para as promessas: era em
direção ao Único que podia verdadeiramente satisfazê-los. Ele
reconheceu o propósito para o qual havia sido criado e viu a
necessidade de buscar o coração de Deus. E o coração de Deus
não seria revelado em Suas bênçãos, mas sim em ouvir Suas
palavras face a face.
CAPÍTULO 3
O
TIRANDO O EGITO
Nossa responsabilidade como Igreja tem sido a de nos
consagrarmos durante esses dois mil anos passados,em
preparação para a Sua vinda!
propósito de Deus em retirar os filhos de Israel da escravidão
egípcia foi o de trazê-los para Si mesmo, para que Ele
pudesse habitar entre eles. Nós vemos isso nas Suas palavras a
Moisés: “Saberão que Eu sou o Senhor, o seu Deus, que os tirou do
Egito para habitar no meio deles” (Êx 29:46). Lembre-se de que Ele
não estava querendo a visitação, mas a habitação.
Agora, considere as palavras de Pedro no Novo Testamento (leia-
as cuidadosamente): “À medida que se aproximam Dele, a pedra
viva — rejeitada pelos homens, mas escolhida por Deus e preciosa
para Ele — vocês também estão sendo utilizados como pedras
vivas na edificação de uma casa espiritual para serem sacerdócio
santo, oferecendo sacrifícios espirituais aceitáveis a Deus, por meio
de Jesus Cristo” (1 Pe 2:4-5). Deus deseja um lugar de habitação, o
qual Pedro chamou de Sua casa espiritual. Nós somos pedras vivas
desse edifício no qual o Próprio Deus deseja habitar.
Pedro relaciona nossa missão como casa de habitação de Deus
com o sacerdócio. Por que ele relaciona as duas coisas? Como
seres humanos, somente sacerdotes podiam se apresentar diante
de Deus sem serem consumidos sob julgamento. Das inúmeras
definições de um sacerdote, a que está acima de todas é que o
sacerdote é o único que pode se aproximar de Deus para ministrar
diante Dele (ver Ezequiel 44:13, 15). Aproximar-se de Deus é
certamente um requerimento para sermos o Seu lugar de habitação.
Precisamos ser capazes de permanecer de pé diante da Sua santa
e poderosa presença.
Voltando a 1 Pedro, lemos:
 
Pelo que também na Escritura se contém:
Eis que ponho em Sião
A Pedra Principal da esquina, eleita e preciosa;
E quem Nela crer não será confundido.
E assim para vós, os que credes, é preciosa,
Mas, para os rebeldes,
A pedra que os edificadores reprovaram,
Essa foi a principal da esquina;
E uma pedra de tropeço e rocha de escândalo,
Para aqueles que tropeçam na palavra, sendo desobediente;
Para o que também foram destinados.
1 Pedro 2:6-8, ARC
Uma expressão peculiar aparece nesses versículos: “E assim para
vós, os que credes... mas, para os rebeldes...”. Ele contrasta a
expressão os que credes com a palavra rebeldes. Nós não fazemos
isso hoje. Atualmente, a palavra “crente” não tem nada a ver com
obediência ou rebeldia. É por isso que muitos dentro da Igreja não
enfatizam a obediência. Contudo, nos dias do Novo Testamento, os
escritores se referiam muito a esse tema. Crer não somente significa
reconhecer a existência de Deus, mas também obedecer-Lhe. Em
outras palavras, se você cresse, você obedeceria; e a evidência de
não crer era uma vida de desobediência, também chamada de
rebeldia. Paulo escreveu sobre Jesus: “... e, uma vez aperfeiçoado,
tornou-Se a fonte da salvação eterna para todos os que Lhe
obedecem” (Hb 5:9).
Obediência é um elemento essencial da salvação. O Próprio
Jesus disse que multidões creriam Nele e O chamariam de Senhor,
e até fariam milagres em Seu nome, mas seriam rejeitados e não
entrariam no Reino de Deus, porque não faziam ou obedeciam à
vontade de Deus (ver Mateus 7:21).
Um Sacerdócio Real Chamado para a Sua Maravilhosa Luz
Os filhos de Israel tropeçaram ou falharam em cumprir aquilo para
o qual foram chamados; eles foram desobedientes à palavra que
lhes fora dita. Mas, então, Pedro continua nos dizendo: “Vocês,
porém, são geração eleita, sacerdócio real, nação santa, povo
exclusivo deDeus, para anunciar as grandezas Daquele que os
chamou das trevas para a Sua maravilhosa luz” (1 Pe 2:9).
Nós somos sacerdócio real e nação santa. Deus é o Rei; Ele é a
realeza. Portanto, aqueles que se aproximam para ministrar diante
Dele devem ser sacerdotes reais, pois somente a realeza pode
ministrar e ter comunhão com a realeza!
Aqueles que são Seus sacerdotes foram chamados das trevas
para a Sua maravilhosa luz — não somente luz, mas maravilhosa
luz! Nós temos nos familiarizado com certas palavras e diminuído
seu real valor quando as usamos para descrever a grandeza de
Deus. Maravilhoso é certamente uma dessas palavras.
Eu fiz um estudo sobre estas três palavras: maravilhoso,
grandioso e esplêndido. Na Bíblia, essas palavras são quase
sempre usadas para descrever Deus, Seus atributos ou Seus atos.
Pense nisto: maravilhoso — “cheio de maravilha”; grandioso —
“cheio de grandeza”; esplêndido — “cheio de esplendor”. Jesus é de
fato chamado de Maravilhoso (ver Isaías 9:6). Mas hoje as pessoas
usam essas palavras para descrever situações comuns. Elas
gostam de um filme e dizem: “Foi maravilhoso” ou “foi esplêndido”.
Quando ficam impressionadas com um atleta, elas dizem: “Ele é
impressionante”. E quando um pregador se levanta em frente a
essas pessoas e diz: “Deus é impressionante”, pelo fato de já terem
ouvido essas palavras, repetidas vezes, para descrever um jogador
de basquete profissional considerado um dos melhores, elas não
têm a mínima condição de entender o impacto do que ele está
dizendo. Eu oro para que este livro mude isso!
Quando Pedro diz que fomos chamados das trevas para a Sua
maravilhosa luz, ele está usando uma palavra muito poderosa para
comunicar a grandeza da natureza de Deus. Pois Deus é absoluta
luz e Nele não há treva alguma. Essa grandiosa luz retrata a Sua
glória, a qual a natureza humana é incapaz de suportar.
Novamente, assim como em 2 Coríntios 6, nós não entendemos
completamente o impacto dessa afirmação porque não entendemos
o contexto. Voltemos a Êxodo para dar continuidade à nossa missão
de descobrir a extensão da promessa de Deus de habitar entre o
Seu povo e dentro dele.
Precisamos Lavar Nossas Vestes
No capítulo anterior, nós aprendemos que Moisés havia liderado
os filhos de Israel para fora do Egito, o que para nós hoje é uma
tipologia da nossa libertação das garras do mundo. Do Egito ele
conduziu o povo para a Montanha de Deus, chamada de Sinai. Ele
os deixou ao pé do monte e subiu para se encontrar com Deus,
onde O ouviu dizer:
 
Vós tendes visto o que fiz aos egípcios, como vos levei sobre
asas de águias, e vos trouxe a Mim; Agora, pois, se
diligentemente ouvirdes a Minha voz e guardardes a Minha
aliança, então sereis a Minha propriedade peculiar dentre
todos os povos, porque toda a Terra é Minha. E vós Me sereis
um reino sacerdotal e o povo santo. Estas são as palavras
que falarás aos filhos de Israel.
Êxodo 19:4-6, ACF
Agora nós sabemos de onde as palavras de Pedro vieram. Elas
foram originalmente faladas aos filhos de Israel. Deus não falou
essas palavras somente a Arão e a seus filhos. Ele não falou essas
palavras somente para a tribo de Levi. Ele disse a toda a nação,
cada homem, mulher e criança hebreia: “Vós Me sereis um reino
sacerdotal”. Você consegue perceber que Ele queria que todos
entrassem em Sua presença, assim como Moisés o fez?
 
E o Senhor disse a Moisés: “Vá ao povo e consagre-o hoje e
amanhã. Eles deverão lavar as suas vestes e estar prontos no
terceiro dia, porque nesse dia o Senhor descerá sobre o
monte Sinai, à vista de todo o povo”.
Êxodo 19:10-11
Nós precisamos examinar cuidadosamente o significado desses
dois versículos. Primeiramente, todo esse cenário é profético, e não
somente se aplicou a eles, mas é a palavra de Deus para nós
também. Deus disse a Moisés que após dois dias Ele viria ao povo.
Nesse período de tempo, Moisés deveria consagrá-los, o que
envolvia a lavagem das vestes.
Nós lemos em 2 Pedro 3:8: “Não se esqueçam disto, amados:
para o Senhor um dia é como mil anos, e mil anos como um dia”. E
o salmista escreveu: “Porque mil anos são aos Teus olhos como o
dia de ontem que passou” (Sl 90:4, ACF). Apenas um dia de Deus é
como mil anos nossos. Então, quantos anos há desde que Jesus
ressuscitou dos mortos? A resposta é quase dois dias; nós estamos
bem no fim do segundo dia. Historiadores indicam que Jesus
ressuscitou dos mortos por volta do ano 28 ou 29 d.C. Estamos
muito perto da Sua volta de acordo com o relógio profético! Nós
imediatamente vemos a correlação entre o que Deus disse a Israel e
o que Ele está dizendo a nós. Nossa responsabilidade como Igreja
tem sido a de nos consagrarmos durante esses dois mil anos
passados, em preparação para a Sua vinda!
O que significa consagrar? Raramente ouvimos esse termo hoje
em dia. Consagrar significa “santificar”, e santificar significa
“separar-se”. Um bom exemplo seria o de uma mulher escolhida
para ser a esposa de um rei. Ela seria trazida ao palácio, onde os
eunucos do rei cuidariam dela. A responsabilidade dos eunucos
seria prepará-la para o rei. Ela não mais viveria como uma mulher
normal, pois seria consagrada, santificada e separada para ser
esposa do rei. Contudo, se ela fizesse sua parte, a santificação seria
um preço pequeno comparado aos benefícios que ela receberia. Ela
desfrutaria de privilégios íntimos com o rei que ninguém mais
poderia desfrutar. Tudo o que ele tinha seria dela. Em troca, o que o
rei esperaria dela? Ela deveria ser dele, somente dele. Esse
exemplo ilustra perfeitamente o que Deus quis dizer quando
declarou: “Sejam santos, pois Eu, o SENHOR, Sou santo. E Eu os
separei dos outros povos para que vocês sejam somente Meus” (Lv
20:26, NTLH).
Deus estava dizendo algo a Israel ao declarar que o povo deveria
se consagrar a Ele: “Eu os tirei do Egito. Agora, tirem o Egito de
dentro de vocês. Isso os preparará para a Minha vinda no começo
do terceiro dia”. Ele declarou: “Eles deverão lavar as suas vestes”.
As vestes do povo ainda tinham resíduos do Egito nelas.
Ainda hoje, Deus nos diz: “Eu tenho tirado vocês do mundo,
agora, retirem o mundo de dentro de vocês! Isso os preparará para
a Minha vinda no início do terceiro milênio”. Nós devemos nos livrar
das sujeiras do mundo lavando nossas vestes. Lembre-se das
palavras de Paulo: “Ora, amados, pois que temos tais promessas,
purifiquemo-nos de toda a imundícia da carne e do espírito,
aperfeiçoando a santificação no temor de Deus” (2 Co 7:1, ACF).
Paulo nos diz para limparmos nossas vestes tanto na carne
quanto no espírito, assim como Moisés disse aos filhos de Israel
para lavarem suas vestes físicas. Eu quero deixar algo bem claro
aqui: nós devemos nos lavar. Não é algo que devemos deixar para
Deus fazer! Paulo não disse: “E o sangue de Jesus os limpará de
toda imundícia, tanto na carne quanto no espírito, portanto somente
creia no Seu amor”. O sangue de Jesus purifica de todos os
pecados? A resposta é um inquestionável sim! Mas, como veremos
na Palavra de Deus, nós temos de fazer a nossa parte nesse
processo de limpeza.
Dois Erros Extremos
Durante os últimos cem anos têm havido dois extremos na Igreja
com relação à santificação e à santidade. O primeiro enfatiza a
santidade como um processo extremamente exterior. Se uma
mulher usa maquiagem, ela não é santa. Se ela usa um vestido
acima do joelho, ela não é pura. Bem, uma mulher pode usar um
vestido longo até o pé, prender os cabelos em um coque e não usar
nenhuma maquiagem, e mesmo assim ter um espírito sedutor
visível em seus olhos! Um homem pode se gabar de nunca ter
cometido adultério ou nunca ter se divorciado de sua esposa, mas
mesmo assim cobiçar todas as mulheres que passam por ele. Isso
não é santidade. Esse extremo se concentra somente na carne, e
santidade não é uma obra da carne. Essa noção levou muitas
pessoas na Igreja a um comportamento legalista.
O segundo extremo, que tem ganhado destaque nas últimas
décadas, é a crença de que nós não temos a responsabilidade de
nos separar do mundo. A ideia é que os cristãosnão são diferentes
das pessoas do mundo, com exceção do fato de que eles foram
perdoados. Recentemente, um artista evangélico muito popular
comentou: “Cristãos procuram conselheiros, cristãos têm problemas
de família e cristãos viram alcoólatras. A única diferença entre
cristãos e não cristãos é simplesmente nossa fé no nosso Deus
Criador, que nos ama e nos ajuda a cada dia”. Esse tipo de
pensamento tem origem nos nossos ensinamentos que têm nos
absolvido da responsabilidade de nos limparmos do mundo. Mas
isso vai diretamente contra o que a Bíblia ensina. Pedro exorta:
“Mas agora, sejam santos em tudo quanto fizerem, tal como é santo
o Senhor, que os convidou para serem Seus filhos” (1 Pe 1:15,
ABV).
A verdade está no meio desses dois extremos. Existe uma
cooperação entre humanidade e Divindade quando se trata de
santidade. Jesus é a nossa santificação (ver 1 Coríntios 1:30).
Porém, “a vontade de Deus é que vocês sejam santificados:
abstenham-se da imoralidade sexual. Cada um saiba controlar o seu
próprio corpo de maneira santa e honrosa... Porque Deus não nos
chamou para a impureza, mas para a santidade” (1 Ts 4:3-7). Jesus
provê a graça para a nossa santificação, mas nós precisamos
cooperar nos limpando por meio do poder dessa graça. Dessa
maneira, somos capazes de estar no mundo, mas não sermos do
mundo.
Para Que Vivamos em Sua Presença
Deus disse a Moisés para santificar o povo. Eles deveriam se
preparar, porque no terceiro dia, o Senhor viria sobre todos no
Monte Sinai, à vista de todo o povo! Deus vir à vista de todo o povo
significava que Ele viria em Sua glória! O profeta Oseias também
nos dá um calendário de dois mil anos de preparação para Sua
gloriosa vinda. Ele clamou:
 
Venham, voltemos para o Senhor.
Ele nos despedaçou, mas nos trará cura;
Ele nos feriu, mas sarará nossas feridas.
Depois de dois dias Ele nos dará vida novamente;
Ao terceiro dia nos restaurará,
Para que vivamos em Sua presença.
Oseias 6:1-2
Depois de dois dias, dois mil anos, Ele nos dará vida novamente,
e no terceiro milênio Ele nos restaurará para que vivamos em Sua
presença. Esse terceiro milênio é o milénio do Reino de Cristo (é
quando Cristo virá à Terra para reinar mil anos com Seu corpo
glorificado [ver Apocalipse 20:4]). Oseias continuou falando sobre a
Sua vinda:
 
Conheçamos o Senhor;
Esforcemo-nos por conhecê-Lo.
Tão certo como nasce o sol, Ele aparecerá...
Oseias 6:3
Sua vinda é tão certa quanto a alvorada. A manhã, ou o nascer do
sol, vem em determinado momento todos dos dias. Não há nada
que você possa fazer para mudar esse momento, absolutamente
nada! Ele vem, quer você esteja preparado ou não. A vinda de
Jesus, em Sua glória, está estabelecida, e nada mudará esse
momento. A questão é: estaremos preparados? Os filhos de Israel
acreditavam estar, mas será que estavam mesmo? Eles nunca
haviam visto a glória de Deus antes. Eles viram grandes sinais e
maravilhas e amaram seus benefícios, mas a Sua glória seria a
mesma coisa? Você poderia estar confortável em uma atmosfera de
milagres, mas ainda assim estar despreparado para a Sua glória?
Prossigamos para descobrir.
CAPÍTULO 4
D
A GLÓRIA DO SENHOR
A glória de Deus é tudo aquilo que faz Deus ser Deus.
Todas as Suas características, autoridade, poder e
sabedoria — literalmente, todo o esplendor imensurável
e a magnitude de Deus.
ois dias separavam o povo de Israel da glória de Deus. Eles
estavam prontos? Eles consideraram a advertência de Deus
para se prepararem com seriedade ou acharam que, já que haviam
visto Seu poder milagroso agindo para libertá-los tantas vezes
seguidas, Sua aparição não seria diferente? O que mais poderia
haver? E além do mais, todas as manifestações haviam sido
favoráveis a eles. Por que Sua aparição seria diferente? O tempo
diria. Será que alguém além de Moisés pensava que talvez eles
tivessem passado a considerar sua relação com o Deus Santo
íntima ou familiar demais?
Dois dias se passaram. A manhã estava a ponto de raiar no
terceiro dia. A atmosfera parecia singularmente quieta. A
assustadora calmaria antes da invasão do Todo-Poderoso era quase
intimidante. A Criação estava mais ciente Daquele que entraria no
cenário do que o próprio povo de Deus.
A luz da manhã estava nascendo, mas não era um nascer do sol
típico. De repente, uma nuvem escura desceu do nada. A simples
visão da nuvem já era suficientemente terrível, mas precedendo sua
aparição ainda houve o soar muito alto de uma trombeta. Ela soava
cada vez mais alto! O que poderia causar um som tão intenso?
Assim que a nuvem desceu à montanha, dela saíram raios de luz
brilhantes e rugidos de trovões. O trovejar constante era diferente de
tudo o que o povo já havia ouvido. Eles vinham acompanhados de
relâmpagos tão brilhantes que o sol parecia ter perdido sua
intensidade. Os filhos de Israel tremeram de medo. “O espetáculo
era tão terrível que até Moisés disse: ‘Estou apavorado e trêmulo!’”
(Hb 12:21).
Apesar de seu medo, Moisés assumiu seu papel de liderança:
 
Moisés levou o povo para fora do acampamento, para
encontrar-se com Deus, e eles ficaram ao pé do monte. O
monte Sinai estava coberto de fumaça, pois o Senhor tinha
descido sobre ele em chamas de fogo. Dele subia fumaça
como que de uma fornalha; todo o monte tremia
violentamente, e o som da trombeta era cada vez mais forte.
Então Moisés falou, e Deus lhe respondeu com um trovão.
Êxodo 19:17-19
A Criação Revela Sua Grandeza
Aquele que desceu na montanha é Aquele que planejou e criou o
universo. Aquele que colocou as estrelas em seus lugares com os
próprios dedos. Aquele que com conhecimento e sabedoria
estabeleceu os fundamentos da Terra. Aquele que é eterno e sem
fim!
Durante anos eu tenho me preocupado com o fato de que temos
perdido a visão da grandiosidade Daquele a quem nós servimos.
Isaías fala frequentemente sobre a grandeza e a majestade de
Deus. O profeta questiona:
 
Será que vocês não sabem?
Nunca ouviram falar?
Não lhes contaram desde a antiguidade?
 
Isaías está perplexo com o porquê de Israel ter perdido de vista a
grandeza de Deus. Ele declara:
 
Ele Se assenta no Seu trono, acima da cúpula da Terra,
cujos habitantes são pequenos como gafanhotos.
Ele estende os Céus como um forro,
e os arma como uma tenda para neles habitar...
“Com quem vocês vão Me comparar?
Quem se assemelha a Mim?”, pergunta o Santo.
Ergam os olhos e olhem para as alturas.
Quem criou tudo isso?
Aquele que põe em marcha cada estrela do Seu exército
celestial,
e a todas chama pelo nome.
Tão grande é o Seu poder e tão imensa a Sua força,
que nenhuma delas deixa de comparecer!
Isaías 40:21-26
Deus criou os Céus com Suas mãos ao estender o universo como
um forro. E Ele foi capaz de medir o universo com a palma de Sua
mão (ver Isaías 40:12)! Pense nisto: com a distância do Seu polegar
ao Seu dedo mínimo, Deus mediu o comprimento, a largura e a
profundidade do universo!
Você já parou para pensar no tamanho do universo? Isso está
além da nossa capacidade mental. Talvez, se tentarmos ter uma
pequena ideia da vastidão do universo, nós chegaremos um
milímetro mais perto da Sua glória. Cientistas estimam que existam
bilhões de galáxias no universo, cada uma contendo bilhões de
estrelas. O tamanho dessas galáxias é relativamente pequeno se
comparado à distância entre elas.
Nosso sol está localizado em uma dessas galáxias. Quando olha
para o céu à noite, você não vê o universo inteiro, somente uma
minúscula galáxia na qual vivemos, chamada Via Láctea. E você vê
somente uma parte dela, pois a maioria das estrelas nessa
pequenina galáxia está longe demais para ser vista a olho nu.
Então, comecemos apenas com a galáxia na qual vivemos. A
estrela que está mais perto — outra além do sol — está a 4,3 anos-
luz. Você deve estar pensando: O que significa anos-luz? É
simplesmente a distância que a luz viaja em um ano. A luz viaja a
uma velocidade de uns 300 mil quilômetros por segundo. Isso
significa cerca de 1.080.000.000 quilômetros por hora. Compare
isso à velocidade dos aviões, que voam aproximadamentea
oitocentos quilômetros por hora. Como você pode ver, a luz é bem
veloz!
Para lhe dar uma ideia do quão rápido é, vamos assumir que você
pudesse voar em um avião jumbo até o sol. Quando eu fui para a
Ásia, que é do outro lado do mundo em relação a onde eu moro,
levei aproximadamente vinte e três horas. Se eu pegasse o mesmo
avião, sem nenhuma parada, até o nosso sol, levaria cerca de vinte
e um anos! Pense em como vinte e um anos são longos, pense em
todo esse tempo. Agora, imagine-se passando vinte e um anos
dentro de um avião somente para chegar ao nosso sol. Para
aqueles que preferem dirigir, talvez levasse cerca de duzentos anos,
não incluindo paradas para reabastecer ou descansar. Quanto
tempo a luz leva para viajar até a Terra? A resposta é: meros oito
minutos e vinte segundos.
Deixemos o sol e consideremos a estrela mais próxima. Nós já
sabemos que ela está a cerca de 4,3 anos-luz. Se nós
construíssemos um modelo em escala da Terra, do sol e da estrela
mais próxima, o resultado seria o seguinte: em proporção, a Terra se
reduziria ao tamanho de um grão de pimenta, e o sol seria do
tamanho de uma bola de vinte centímetros de diâmetro. De acordo
com essa escala de medidas, a distância da Terra ao sol seria de
quase vinte e quatro metros. Mas lembre-se de que para atravessar
essa distância de vinte e quatro metros, um avião na mesma escala
levaria mais de vinte e um anos.
Assim, se essa é a proporção da Terra em relação ao sol, você
consegue imaginar a que distância a estrela mais próxima estaria da
nossa Terra de grão de pimenta? Você pensaria em mil metros, dois
mil metros ou talvez três mil metros? Nem sequer chega perto disso.
Nossa estrela mais próxima estaria 6,4 mil quilômetros distante do
grão de pimenta! Isso significa que se você colocar a Terra de grão
de pimenta em Miami, na Flórida, o sol estaria a uma distância de
vinte e quatro metros, e a estrela mais próxima, em nosso modelo
em escala, seria posicionada depois da cidade de Seattle, em
Washington, no oceano Pacífico, mais de mil e quinhentos
quilômetros dentro do mar! Para alcançar essa estrela mais próxima
em um avião, levaria aproximadamente 51 bilhões de anos, sem
parar! Mas a luz dessa estrela viaja até a Terra em apenas 4,3 anos!
A maioria das estrelas que você vê à noite, a olho nu, está cerca
de cem a mil anos-luz de distância. Contudo, você pode ver umas
poucas estrelas, a olho nu, que estão à distância de quatro mil anos-
luz (lembre-se de que essas nem sequer são as estrelas mais
distantes em nossa pequenina galáxia). Não irei tentar calcular a
quantidade de tempo que levaríamos de avião para alcançar uma
dessas estrelas. Mas quando você olha uma dessas estrelas que
está a quatro mil anos-luz de distância, na verdade você vê a luz
que saiu delas no tempo em que Abraão casou-se com Sara, e essa
luz tem viajado a uma velocidade de 1.080.000.000 quilômetros por
hora, sem reduzir a velocidade ou parar desde então, e somente
agora está chegando à Terra!
Essas são as estrelas da nossa pequenina galáxia, a Via Láctea.
Nós não nos aventuramos ainda em examinar os outros bilhões de
galáxias. E não se esqueça de que existe um quase imensurável e
vasto espaço entre elas. Por exemplo, uma galáxia vizinha muito
próxima é chamada de Andrômeda. Sua distância de nós é de
aproximadamente 2,3 milhões de anos-luz. Pense nisto. Seria
necessário que a luz viajasse a velocidade de 1.080 milhões de
quilômetros por hora por mais de dois milhões de anos para sair
daquela galáxia e chegar à Terra! E essa é a galáxia mais próxima
de nós. Existem bilhões de outras. Será que já chegamos ao limite
da nossa compreensão?
Isaías declara que Deus mediu esse vasto universo com a
distância de Seu polegar ao Seu dedo mínimo! Salomão, movido
pelo Espírito de Deus, declarou: “Mas será possível que Deus habite
na Terra? Os Céus, mesmo os mais altos Céus, não podem conter-
Te” (1 Rs 8:27). Você está tendo um relance de Quem desceu
naquela montanha.
Com Quem Vocês Vão Me Comparar?
Talvez devamos falar de outras coisas que são pequenas para
Deus. Isaías diz que Ele pesou os montes em Sua própria balança e
colocou as colinas nos pratos da balança. Ele mediu toda a água
dos oceanos, mares, lagos, rios e açudes com a palma de Sua mão.
É Ele quem ordena os mares para que não ultrapassem seus limites
(ver Isaías 40:12).
Você já refletiu sobre o poder dos mares? Se um meteoro de um
quilômetro e meio caísse no oceano Pacífico, a algumas centenas
de quilômetros de distância de Los Angeles, na Califórnia, ele criaria
uma onda grande o suficiente para matar todos os habitantes e
destruir a estrutura da costa oeste inteira dos Estados Unidos,
desde San Diego até Anchorage, no Alasca! Essa onda continuaria
ao longo do oceano e destruiria vários países asiáticos também.
Ainda assim, essa onda não seria tão alta quanto a profundidade do
oceano Pacífico. Então, o que aconteceria se toda a água do
oceano fosse liberada sobre a raça humana? Existe um grande
poder nos oceanos do mundo, mas Deus pesou cada gota dessas
águas na palma de Sua mão!
As Pequenas Coisas São Maravilhosas
Ele fez grandiosas obras de enorme tamanho e proporção, e o
Seu detalhamento é igualmente assustador. Cientistas têm gasto
anos e enormes montantes de dinheiro para estudar o
funcionamento do mundo natural. E eles ainda têm somente uma
pequena parcela da sabedoria que foi aplicada por Deus na criação
do mundo natural. Muitas questões ainda permanecem sem
respostas.
Todas as formas de vida têm por base as células. As células são
os blocos de construção do corpo humano, das plantas, dos animais
e de tudo o que vive. O corpo humano, que em si mesmo é uma
maravilha da engenharia, contém cerca de 100.000.000.000.000 de
células — (você consegue ler esse número?) — dentre as quais há
uma variedade imensa. Em Sua sabedoria, Deus designou essas
células para desempenharem tarefas específicas. Elas crescem, se
multiplicam e, finalmente, morrem na hora certa.
Embora invisíveis a olho nu, as células não são as menores
partículas conhecidas pelo homem. Elas são constituídas por um
grande número de estruturas menores, chamadas moléculas, que
por sua vez são compostas de estruturas menores ainda —
chamadas de elementos — e dentro dos elementos ainda podem
ser encontradas estruturas ainda mais minúsculas, chamadas de
átomos.
Os átomos são tão pequenos, que o ponto no fim desta frase
contém mais de um bilhão deles. Ainda assim, um átomo é
composto quase completamente de espaço vazio. O que resta do
átomo é formado de prótons, nêutrons e elétrons. Os prótons e
nêutrons estão agrupados em um núcleo minúsculo e extremamente
denso, bem no centro do átomo. Pequenos feixes de energia
chamados de elétrons vibram ao redor desse núcleo à velocidade
da luz. Eles são o núcleo dos blocos de construção que mantêm
todas as coisas unidas.
Então, onde o átomo adquire sua energia? E que força mantém
unidas suas partículas energéticas? Os cientistas chamam isso de
energia atômica. Esse é apenas um termo científico para descrever
o que eles não conseguem explicar, pois Deus já disse que Ele está
“sustentando todas as coisas por Sua palavra poderosa” (Hb 1:3). E
nós lemos que: “Nele tudo subsiste” (Cl 1:17).
Pare e reflita sobre isso por apenas um momento. Esse é o
glorioso Criador a que nem sequer o universo pode conter. O
universo é medido com a palma de Sua mão; contudo, Ele é tão
minucioso nos Seus desígnios em relação à pequenina Terra e Suas
criaturas, que deixa a ciência moderna confusa mesmo após anos
de estudo.
É claro que muitos livros podem ser escritos sobre as maravilhas e
a sabedoria da Criação de Deus. Esse não é meu objetivo aqui. Meu
propósito é despertar espanto e admiração pelas obras das mãos de
Deus, porque elas proclamam Sua magnífica glória!
Quem É Esse que Obscurece o Meu Conselho?
Agora você pode entender melhor como Jó se sentiu depois que,
após pronunciar questionamentos e declarações tolas aos ouvidos
de Deus, o próprio Deus apareceu para ele em um redemoinho de
vento, e disse:Quem é esse que obscurece o Meu conselho com palavras
sem conhecimento? Prepare-se como simples homem; vou
fazer-lhe perguntas, e você Me responderá.
Onde você estava quando lancei os alicerces da Terra?
Responda-Me, se é que você sabe tanto. Quem marcou os
limites das suas dimensões? Talvez você saiba! E quem
estendeu sobre ela a linha de medir? E os seus fundamentos,
sobre o que foram postos? E quem colocou sua pedra de
esquina...
Quem represou o mar pondo-lhe portas, quando ele irrompeu
do ventre materno, quando o vesti de nuvens e em densas
trevas o envolvi, quando fixei os seus limites e lhe coloquei
portas e barreiras, quando Eu lhe disse: “Até aqui você pode
vir, além deste ponto não; aqui faço parar suas ondas
orgulhosas”?
Você já deu ordens à manhã ou mostrou à alvorada o seu
lugar, para que ela apanhasse a Terra pelas pontas e
sacudisse dela os ímpios?...
As portas da morte lhe foram mostradas? Você viu as portas
das densas trevas? Você faz ideia de quão imensas são as
áreas da Terra? Fale-me, se é que você sabe.
Como se vai ao lugar onde mora a luz? E onde está a
residência das trevas? Poderá você conduzi-las ao lugar que
lhes pertence? Conhece o caminho da habitação delas?...
Acaso você entrou nos reservatórios de neve, já viu os
depósitos de saraiva, que Eu guardo para os períodos de
tribulação, para os dias de guerra e de combate? Qual o
caminho por onde se repartem os relâmpagos? Onde é que
os ventos orientais são distribuídos sobre a Terra?
Quem é que abre um canal para a chuva torrencial, e um
caminho para a tempestade trovejante, para fazer chover na
terra em que não vive nenhum homem, no deserto onde não
há ninguém...
Você pode amarrar as lindas Plêiades? Pode afrouxar as
cordas do Órion? Pode fazer surgir no tempo certo as
constelações ou fazer sair a Ursa com seus filhotes? Você
conhece as leis dos Céus? Você pode determinar o domínio
de Deus sobre a Terra?
Você é capaz de levantar a voz até as nuvens e cobrir-se com
uma inundação? É você que envia os relâmpagos, e eles lhe
dizem: “Aqui estamos”?
Jó 38:2-35
Quando Deus terminou de falar, um Jó diferente clamou:
 
Meus ouvidos já tinham ouvido a Teu respeito,
Mas agora os meus olhos Te viram.
Por isso menosprezo a mim mesmo
E me arrependo no pó e na cinza.
Jó 42:5-6
Antes da provação de Jó, Deus disse que ninguém era como ele
em todo o planeta. O Senhor declarou que ele era reto e íntegro,
que temia a Deus e se desviava do mal. Jó tinha não somente
ouvido as palavras de Deus, mas também as havia ensinado a sua
família e seus amigos. Mesmo assim, quando ele viu Deus, clamou
por misericórdia, pois perto de um Deus santo ele seria, na melhor
das hipóteses, um homem imperfeito.
Isaías foi um homem fiel e temente a Deus, mas quando
contemplou o Senhor em uma visão, ele clamou: “Ai de mim! Estou
perdido! Pois sou um homem de lábios impuros...” (Is 6:5). A glória
de Deus revela nossa absoluta necessidade da Sua graça, pois sem
ela estaremos eternamente condenados. Deus é muito maior do que
possamos imaginar. Ele é tão grande, que os anjos que estão ao
redor do Seu trono ao longo dos séculos, ainda clamam em temor:
“Santo, Santo, Santo!”. Esse é Aquele que desceu naquela
montanha em Sua glória perante Israel.
Luz Inacessível
Agora vamos pensar a respeito do que é a glória do Senhor.
Algumas pessoas na Igreja já descreveram a glória de Deus como
uma nuvem, ou uma manifestação similar, e os cristãos costumam
dizer: “A glória do Senhor desceu naquele culto”. Mas essa
afirmação limita e obscurece o conselho de Deus com palavras sem
conhecimento (ver Jó 38:2).
Primeiro, a glória de Deus não é uma nuvem. Você pode
perguntar: “Então por que uma nuvem é mencionada quase toda
vez que a glória de Deus era manifesta na Bíblia?”. Deus precisa Se
esconder em uma nuvem, pois Ele é magnífico demais para ser
contemplado. Se uma nuvem não cobrisse a Sua face, toda carne
ao Seu redor seria consumida e morreria instantaneamente. Quando
Moisés pediu para ver a glória de Deus, a resposta do Senhor foi
firme: “Você não poderá ver a Minha face, porque ninguém poderá
ver-Me e continuar vivo” (Êx 33:20).
A carne humana não pode suportar a presença do Santo Senhor
em Sua glória. Ele é fogo consumidor e Nele não há treva alguma
(ver Hebreus 12:29; 1 João 1:5). Paulo escreve sobre Jesus: “Ele é
o Bendito e Único Soberano, o Rei dos reis e Senhor dos senhores,
o Único que é imortal e habita em luz inacessível, a Quem ninguém
viu nem pode ver” (1 Tm 6:15-16).
Essa luz é diferente de tudo que já se viu na Terra. Um amigo meu
é pastor no Estado do Alabama. Há alguns anos ele estava em uma
igreja em construção. Houve um acidente e alguns materiais de
construção pesados caíram sobre ele, quebrando-lhe o crânio, o
pescoço e a coluna. Os paramédicos disseram que ele estava morto
quando chegaram ao local, e o cobriram.
Eu estava jogando golfe com ele alguns anos atrás, quando lhe
pedi que me contasse sua experiência com Jesus. Eu estraguei o
jogo dele, pois ele chorou sem parar desde o décimo quarto buraco
até o décimo oitavo buraco, enquanto me contava a história.
Ele disse:
— John, eu vi uma grande luz a certa distância de mim, e fui em
direção a ela rapidamente. Quanto mais perto eu me achegava,
mais intensa a luz se tornava. A luz era tão brilhante e tão branca,
que é impossível compará-la a qualquer coisa que eu consiga
descrever. Era tão brilhante que eu mal podia olhar. Por causa da
intensidade da luz eu não podia ver as feições de Jesus, mas sabia
que era Ele.
— Tudo o que eu conseguia ver era uma luz brilhante quase que
inacessível. O que mais me chamava atenção era Sua santidade. O
fogo parecia revelar isso. Eu tinha certa consciência de que todas as
células do meu ser estavam expostas a Ele. Senti como se a luz do
Seu ser estivesse me limpando. À medida que essa luz me limpava,
comecei a ver Seus traços, primeiro vi os Seus olhos. Aqueles olhos
eram fortes e penetrantes, mas mesmo assim cheios de amor.
Finalmente Jesus lhe mostrou que sua obra na Terra não estava
terminada, e que ele deveria voltar. Ele já havia sido declarado
como morto e coberto pelos paramédicos. Quando retornou ao
corpo e começou a se movimentar debaixo do lençol, ele deixou
aterrorizados todos os que estavam por perto. Hoje, ele é um
homem que tem amor e zelo pela oração e tem um estilo de vida de
grande temor a Deus.
Paulo diz que Jesus habita em luz inacessível, a qual nenhum
homem pode ver. O salmista declara que o Senhor Se cobre de luz
como se fossem Suas vestes (ver Salmos 104:2; meu amigo pastor
pôde ver o Senhor porque não estava em seu corpo físico). Paulo
experimentou uma medida dessa luz inacessível a caminho para
Damasco. Ele relatou ao rei Agripa: “Por volta do meio-dia, ó rei,
estando eu a caminho, vi uma luz do Céu, mais resplandecente que
o sol, brilhando ao meu redor” (At 26:13).
Paulo não viu a face de Jesus; viu somente uma luz que emanava
Dele, que brilhava mais do que o sol em pleno meio-dia no Oriente
Médio. Eu vivi na Flórida por doze anos, que é chamado de o
Estado do Sol. Lá, eu nunca tive de usar óculos de sol. Contudo,
quando viajei para o Oriente Médio, tive de usá-los. Nessa região, o
sol parece muito mais forte, por ter um clima mais seco, desértico. O
sol não era tão forte às oito ou nove da manhã, mas de onze até
duas da tarde, era muito forte. Mesmo assim, Paulo disse que a luz
de Jesus brilhava ainda mais! Nós ensinamos aos nossos filhos a
não olharem para o sol porque sua luz é muito forte para os nossos
olhos. Imagine se tentarmos olhar para o sol do meio-dia em nossa
própria região. Seria difícil, a menos que houvesse nuvens o
cobrindo. A glória do Senhor excede em muito esse brilho.
Ambos, Joel e Isaías, enfatizaram que nos últimos dias a glória do
Senhor seria revelada, e o sol se tornaria em trevas:
 
Vejam! O dia do Senhor está perto...
As estrelas do Céu e as suas constelações
Não mostrarão a sua luz.
O sol nascente escurecerá,
E a lua não fará brilhar a sua luz.
Isaías 13:9-10
Quando nós andamos em noite clara,o que podemos ver?
Estrelas em todo lugar. Mas quando o sol aparece de manhã, o que
acontece? Não há mais nenhuma estrela! As estrelas esperam o sol
desaparecer para voltarem para o céu? Não. A glória das estrelas
tem um nível, mas a glória do sol tem um nível imensamente
superior. Quando o sol sai, por ser muito mais brilhante do que as
estrelas, ele as escurece. Quando Jesus retornar, por Sua glória ser
muito maior do que a do sol, Ele escurecerá o sol de forma que não
mais o veremos, mesmo que ele ainda esteja brilhando! Aleluia!
A glória do Senhor sobreporá a todas as outras luzes. Ele é
perfeito e Se veste de luz. É por isso que em Sua segunda vinda os
homens de toda a Terra:
 
Fugirão para as cavernas das rochas
E para os buracos da Terra,
Por causa do terror que vem do Senhor
E do esplendor da Sua majestade.
Isaías 2:19
Tudo o que Faz Deus Ser Deus
O que é a glória do Senhor? Para responder, voltemos ao pedido
de Moisés para ver a glória de Deus: “Então disse Moisés: ‘Peço-Te
que me mostres a Tua glória’” (Êx 33:18).
A palavra no hebraico para “glória” é kabowd. Ela é definida pelo
dicionário Bíblico de Strong como “o peso de algo, mas somente de
modo figurado em um bom sentido”. Sua definição também fala
sobre esplendor, abundância e honra. Moisés estava pedindo:
“Deixa que eu Te vejo em toda o Seu esplendor”. Leia com atenção
a resposta de Deus: “Eu farei passar toda a Minha bondade por
diante de ti, e proclamarei o nome do SENHOR diante de ti” (Êx
33:19, ACF).
Após Moisés ter pedido para ver toda Sua glória, Deus Se referiu
a ela como “toda a Minha bondade”. A palavra em hebraico para
“bondade” é tuwb, que significa “bom, no sentido mais amplo”. Em
outras palavras, nada é retido.
Deus continuou: “proclamarei o nome do SENHOR diante de ti”.
Antes que um rei entre na sala do trono, os servos anunciam seu
nome. As trombetas soam, e então ele entra na sala do trono em
todo o seu esplendor. A grandeza do rei é revelada, e na corte não
há nenhuma dúvida de quem é o rei. Contudo, se o monarca
estivesse usando roupas normais e andando em uma cidade de sua
nação sem seus servos, talvez as pessoas passassem por ele sem
ao menos o reconhecer. Resumindo, foi exatamente isso que Deus
fez por Moisés. Ele estava dizendo: “Eu proclamarei Meu nome e
passarei diante de você com todo o Meu esplendor”.
A glória do Senhor é revelada na face de Jesus Cristo (ver 2
Coríntios 4:6). Muitos dizem ter contemplado visões de Jesus e visto
a Sua face. Isso é bastante possível, mas não em toda a Sua glória.
Paulo escreveu: “Agora, pois, vemos apenas um reflexo obscuro,
como em espelho; mas, então, veremos face a face” (1 Co 13:12).
Sua glória é coberta como em um reflexo obscuro, pois nenhum
homem é capaz de olhar para Sua glória e permanecer vivo.
Os discípulos olharam para a face de Jesus após Sua
ressurreição dos mortos, mas Ele não revelou abertamente a Sua
glória. Algumas pessoas viram o Senhor, mesmo no Antigo
Testamento, mas Ele não Se revelou em Sua glória. O Senhor
apareceu para Abraão nos carvalhos de Manre, mas não em Sua
glória (ver Gênesis 18:1-2). Jacó lutou com Deus, mas não em Sua
glória (ver Gênesis 32:24-30).
Josué olhou para a face do Senhor antes de invadir Jericó (ver
Josué 5:13-15). O Senhor apareceu a ele como um homem de
guerra. Josué não O reconheceu, pois perguntou quem Ele era:
“Você é por nós, ou por nossos inimigos?” (v. 13). O Senhor
respondeu que Ele era o Comandante do exército do Senhor e que
Josué deveria retirar as sandálias dos pés, pois o lugar onde ele
pisava era santo. Lembre-se do exemplo do rei, não em sua glória,
mas vestindo roupas comuns em uma rua do seu reino. As pessoas
poderiam passar por ele sem reconhecer sua identidade. Isso
retrata o que aconteceu com Josué.
O mesmo é verdade em relação aos acontecimentos após a
Ressurreição. Maria Madalena foi a primeira pessoa com a qual
Jesus falou, mas ela pensou que Ele fosse o jardineiro (ver João
20:15-16). Os discípulos comeram peixe com Jesus na praia (ver
João 21:9-13). Dois discípulos andaram com Jesus no caminho para
Emaús, “mas os olhos deles foram impedidos de reconhecê-Lo” (Lc
24:16). Todos eles viram Sua face porque Ele não revelou
abertamente a Sua glória.
Por outro lado, João, o apóstolo, viu o Senhor no Espírito e teve
um encontro totalmente diferente daquele em que ele comeu peixe
na praia com Jesus, pois João O viu em Sua glória. Ele descreveu
Jesus:
 
Um semelhante ao Filho do Homem, vestido até aos pés de
uma roupa comprida, e cingido pelos peitos com um cinto de
ouro. E a Sua cabeça e cabelos eram brancos como lã
branca, como a neve, e os Seus olhos como chama de fogo;
E os Seus pés, semelhantes a latão reluzente, como se
tivessem sido refinados numa fornalha, e a Sua voz como a
voz de muitas águas... o Seu rosto era como o sol, quando na
sua força resplandece. E eu, quando vi, caí a Seus pés como
morto.
Apocalipse 1:13-17, ACF
“Seu rosto era como o sol, quando na sua força resplandece”.
Como João pôde olhar para Ele? Ele estava no Espírito.
A glória do Senhor é tudo aquilo que faz Deus ser Deus. Todas as
Suas características, Sua autoridade, Seu poder e Sua sabedoria —
literalmente, todo o esplendor imensurável e a magnitude de Deus.
Nada é escondido ou encoberto. Esse é Aquele que desceu naquela
montanha no terceiro dia.
Israel estava preparado? Como esse povo reagia a Sua glória? E
nós, estaremos preparados no terceiro milênio? Como reagiremos à
vinda da Sua glória?
CAPÍTULO 5
M
A Passagem para a Montanha
Deus está nos chamando para a Sua
montanha, para que O conheçamos intimamente.
A passagem para essa montanha é a santidade que
nasce de um coração temente a Deus.
uitos dos filhos de Israel provavelmente pensaram que
estavam prontos para a terceira manhã. Eles tinham visto o
poder libertador de Deus trabalhando em seu favor inúmeras vezes.
Mas eles nunca tinham visto a Sua glória revelada. A resposta deles
foi como eles imaginaram que seria?
 
Vendo-se o povo diante dos trovões e dos relâmpagos, e do
som da trombeta e do monte fumegando, todos tremeram
assustados. Ficaram a distância e disseram a Moisés: “Fala tu
mesmo conosco, e ouviremos. Mas que Deus não fale
conosco, para que não morramos”.
Êxodo 20:18-19
O povo tremeu e ficou a distância. Eles não queriam ouvir a voz
audível de Deus nem desejavam permanecer de pé na Sua gloriosa
presença. Os filhos de Israel tinham visto alguns dos maiores
milagres que qualquer geração presenciou. Quantos pregadores
você já viu abrindo um lago, para não falar de um mar? Quantos
pregadores oram o suficiente para que caia pão dos Céus para
alimentar três milhões de pessoas? Estudiosos estimam que o maná
necessário para alimentar aquele povo era suficiente para encher os
vagões de dois trens, cada um com cento e dez vagões!
Retirando-se da Sua glória
O povo não era tão diferente da nossa Igreja Moderna. Com
relação à salvação, eles saíram do Egito, o que tipifica a experiência
do novo nascimento. Com relação à libertação, eles experimentaram
a libertação de seus opressores. Nesse mesmo aspecto, “Ele nos
resgatou do domínio das trevas e nos transportou para o Reino do
Seu Filho amado” (Cl 1:13). Com relação aos milagres, eles viram
os benefícios dos milagres de Deus, assim como muitos veem hoje
na Igreja.
E quanto à prosperidade? Eles experimentaram a riqueza do
ímpio que Deus acumula para o justo: “Ele tirou de lá Israel, que
saiu cheio de prata e ouro” (Sl 105:37).
E o que dizer da cura? A Bíblia registra: “Todos eram fortes e
cheios de saúde” (Sl 105:37, NTLH). Moisés deixou o Egito com três
milhões de pessoas fortes e saudáveis. Você consegue imaginar
uma cidade com três milhões de habitantes sem que ninguém
estivesse doente ou no hospital? Os israelitas haviam sofrido
durante quatrocentos anos. Imagine os milagres e as curas que
aconteceram quando eles comeram do cordeiro pascal!
O povo não desconhecia a salvação, a cura, o milagre nem o
poder libertador de Deus. Eles celebravam com entusiasmo quando
Deus Se movia miraculosamenteem favor deles. Eles dançavam e
louvavam a Deus como nós fazemos na Igreja hoje (Êx 15:1,20).
Então é interessante notarmos que eles se achegavam às Suas
manifestações miraculosas porque se beneficiavam delas, mas se
afastaram e estremeceram quando Sua glória foi revelada.
Por que o povo se sentia confortável e até mesmo entusiasmado
na atmosfera de milagres, mas se sentiu desconfortável a ponto de
se retirar na presença da Sua glória? Porque na atmosfera de
milagres eles podiam esconder o pecado.
Uma multidão dirá a Jesus: “‘Senhor, Senhor, não profetizamos
em Teu nome? Em Teu nome não expulsamos demônios e não
realizamos muitos milagres?’ Então Eu lhes direi claramente: ‘Nunca
os conheci. Afastem-se de Mim vocês, que praticam o mal!’” (Mt
7:22-23). A multidão estava familiarizada com os sinais e prodígios
de Deus, e alguns até mesmo os realizavam, mas durante todo esse
tempo eles mantiveram pecados escondidos em suas vidas. Mas
ninguém pode esconder pecados quando está na presença da Sua
glória, pois a Sua luz expõe todas as coisas.
Jesus nos diz no Novo Testamento:
 
Meus amigos: Não tenham medo dos que matam o corpo e
depois nada mais podem fazer. Mas Eu lhes mostrarei a
quem vocês devem temer: temam Aquele que, depois de
matar o corpo, tem poder para lançar no inferno. Sim, Eu lhes
digo, Esse vocês devem temer.
Lucas 12:4-5
Por que Jesus disse isso? A razão aparece nos versículos que
antecedem a exortação para temermos a Deus: “Não há nada
escondido que não venha a ser descoberto, ou oculto que não
venha a ser conhecido. O que vocês disseram nas trevas será
ouvido à luz do dia” (Lc 12:2-3).
Nós podemos viver com pecados escondidos quando estamos
envoltos pela atmosfera do miraculoso, mas o pecado não se
esconde na luz da Sua glória revelada! Adão e Eva se esconderam
da glória do Senhor no Jardim do Éden após terem desobedecido.
Houve um tempo em que andavam com Ele qundo soprava a brisa
do dia (ver Gênesis 2-3). Jesus explica: “Quem pratica o mal odeia a
luz e não se aproxima da luz, temendo que as suas obras sejam
manifestas” (Jo 3:20).
Moisés incitou o povo: “‘Não tenham medo! Deus veio prová-los,
para que o temor de Deus esteja em vocês e os livre de pecar’. Mas
o povo permaneceu a distância, ao passo que Moisés aproximou-se
da nuvem escura em que Deus Se encontrava” (Êx 20:20-21).
Você deve estar pensando: Moisés se aproximou da nuvem
escura, e não à luz. Lembre-se de que Deus é tão brilhante que Ele
precisa Se cobrir com uma nuvem escura. Moisés se aproximou à
luz de Deus, enquanto o povo se retirou. Alguns versículos de
Deuteronômio mostram a reação do povo: “O Senhor, o nosso Deus,
mostrou-nos Sua glória e Sua majestade, e nós ouvimos a Sua voz
vinda de dentro do fogo” (Dt 5:24). Você pode imaginar o que
aconteceria se a nuvem não fosse espessa e escura? Sua face era
tão brilhante que eles O descreveram como um fogo consumidor,
embora Ele estivesse coberto por uma nuvem espessa e escura!
Moisés rapidamente advertiu o povo: “Não tenham medo”,
encorajando-o a voltar à presença de Deus, de onde a vida
verdadeira emanava. Ele disse ao povo que Deus viera para testá-
lo. Por que Deus nos testa? Para ver o que há em nós? Não, Ele já
sabe. Ele nos testa para que nós saibamos o que há em nossos
corações. Os filhos de Israel precisava reconhecer se eles temiam
ou não a Deus. Se eles temessem a Deus, não pecariam. O pecado
é o resultado que surge todas as vezes que nos afastamos Dele.
Moisés disse: “Não tenham medo”, e então enfatizou que o
Senhor viera “para que o temor de Deus esteja em vocês”. Ele
claramente estabeleceu a diferença entre ter medo de Deus e temer
a Deus. Moisés temia a Deus, mas o povo amava a si mesmo.
Temer a Deus é amá-Lo acima de todas as coisas! É o desejo de
obedecer a Deus mesmo quando parece mais vantajoso realizar o
próprio desejo e desobedecer à Sua Palavra. Aqueles que amam a
si mesmos não podem temer a Deus. Esta é uma verdade
comprovada: se não temermos a Deus, teremos medo Dele e da
revelação da Sua glória, e nos retrairemos diante dela. Lembre-se
de que o povo se afastou da glória do Senhor, mas Moisés se
aproximou a ela.
O livro de Deuteronômio registra o que aconteceu anos depois,
com a geração posterior antes que entrou na terra prometida. Ele
revela um ponto que Êxodo não nos mostra. Moisés lembrou ao
povo o que aconteceu quando a glória de Deus se manifestou na
nuvem escura. Eles pediram a Moisés: “Aproxime-se você, Moisés,
e ouça tudo o que o Senhor, o nosso Deus, disser; você nos relatará
tudo o que o Senhor, o nosso Deus, lhe disser. Nós ouviremos e
obedeceremos” (Dt 5:27).
Eles queriam que Moisés ouvisse por eles, e prometeram ouvir
tudo que Deus dissesse por meio dele. Assim, eles poderiam
continuar em contato com Deus, mas sem ter de lidar com as trevas
e os pecados escondidos em seus corações. Boas intenções nem
sempre produzem resultados corretos, pois essa nação tentou esse
caminho durante mil e quinhentos anos, mas isso não lhe deu a
capacidade de andar nos caminhos de Deus.
Quantos de nós somos como eles? Recebemos a Palavra de
Deus por intermédio de outros, mas nós mesmos nos afastamos da
montanha de Deus? Será que temos medo de ouvir Sua voz que
expõe a condição do nosso coração? Será que nossa preocupação
é que, se chegarmos perto demais, alguma coisa que preferiríamos
que continuasse em segredo possa ser revelada? Se isso continuar
em segredo, não teremos de confrontá-lo, e nós nunca queremos
confrontar algo de que ainda gostamos.
A Hora Mais Obscura Deles
Moisés ficou desapontado com a resposta de Israel. Ele não podia
entender a falta de sede da presença de Deus que eles tinham.
Como eles podiam ser tão tolos? Como podiam ser tão cegos? Por
que alguém recusaria ter um encontro com o Deus vivo?
Moisés trouxe sua profunda preocupação perante o Senhor na
esperança de uma solução. Mas ouça o que aconteceu entre ele e o
Senhor: “O Senhor ouviu quando vocês me falaram e me disse:
‘Ouvi o que este povo lhe disse, e eles têm razão em tudo o que
disseram” (Dt 5:28).
Moisés deve ter ficado espantado com a resposta de Deus. Ele
certamente pensou: O quê? Eles estavam certos? Será que pelo
menos uma vez eles estavam certos? Ele deve ter clamado em seu
coração a Deus: “Por que eles não podem vir até a Sua presença,
como Tu desejas que eles façam?” Antes de Moisés terminar, Deus
respondeu, e nós podemos sentir a tristeza em Suas palavras:
“Quem dera eles tivessem sempre no coração esta disposição para
temer-Me e para obedecer a todos os Meus mandamentos. Assim
tudo iria bem com eles e com seus descendentes para sempre!” (Dt
5:29).
O Senhor queria que eles viessem à Sua montanha santa para
contemplá-Lo. Ele queria revelar-Se a eles, mas faltava-lhes o que é
necessário para habitar em Sua presença: santo temor. Agora, nós
podemos realmente sentir a tristeza de Deus quando Ele diz a
Moisés: “Vá, diga-lhes que voltem às suas tendas” (Dt 5:30).
Que momento tão decepcionante! Essa foi a hora mais obscura
deles! Muitos pensam que a pior hora deles foi quando eles
apresentaram um relatório negativo que os deixou de fora da terra
prometida, ou quando eles construíram um bezerro de ouro. Não,
meus amigos, essa foi a pior hora deles. Se eles tivessem
santificado seus corações, teriam sido capazes de entrar na
presença gloriosa de Deus. Então o bezerro de ouro e o relatório
negativo que os privou de entrar na terra prometida nunca teriam
acontecido.
Isso acontece ainda hoje. A pior hora de um homem não é quando
ele vai para cama com uma mulher que não é sua esposa ou rouba
dinheiro de seu patrão. É quando ele recusa o convite do Senhor de
deixar os desejos deste mundo e ir até o recôndito do Rei para ter
comunhão com Ele. Se tivessem se aproximado a Ele, nada daquilo
teria acontecido.
A pior hora de um jovem não é quando ele fica bêbado ou
drogado. Não é quando ele é preso por roubo. É quando Deus o
chama para se aproximar, mas manter sua popularidade entre os
amigos sobrepõe-se ao convite do Rei. Externamente, não parece
ser algotão obscuro, mas todo o Céu chora quando o chamado de
Deus é ignorado.
Deus disse aos filhos de Israel para que voltassem a suas tendas,
mas Ele disse àquele que O temia: “Tu, porém, fica-te aqui comigo,
Eu te direi todos os mandamentos” (Dt 5:31, ARA).
Moisés podia permanecer com Deus e ouvir Suas palavras por
causa de seu temor ao Senhor. Qualquer outra pessoa poderia ter
ficado ali também, se tivesse se limpado da imundícia do Egito com
o temor do Senhor. Moisés lhes disse mais tarde: “O Senhor falou
com você face a face, do meio do fogo, no monte. Naquela ocasião
eu fiquei entre o Senhor e você para declarar-lhe a palavra do
Senhor, porque você teve medo do fogo e não subiu o monte” (Dt
5:4-5).
Eles acreditavam que não conseguiriam ver seus corações
expostos à luz da Sua glória, então se retiraram para um lugar em
que se sentiriam seguros. Se eles tivessem decidido se aproximar, a
luz de Deus teria simplesmente curado o que fosse revelado, mas
eles amavam a condição em que estavam e não queriam mudar.
Vamos dar um passo atrás e olhar para o quadro completo a partir
da perspectiva de Deus. Deus fez coisas indescritíveis para libertar
Seu povo do cativeiro da escravidão através de milagres, sinais e
maravilhas. A Bíblia conta que Ele fez tudo isso com forte mão e
com braço estendido. Ele cuidadosamente os guiou e os preparou
para o Seu propósito principal, que era trazê-los para Si mesmo. Ele
disse a cada um deles que Seu desejo era que eles fossem
sacerdotes diante Dele e que Ele habitaria entre eles, que Ele seria
seu Deus, e que eles seriam o Seu povo escolhido. Que plano
amoroso Ele arquitetou! Mas quando Ele os trouxe para Si mesmo,
todos eles fugiram!
Quando Ele se tornou Pai? Quando Jesus nasceu? Não! Ele
sempre teve um coração paterno. Você pode imaginar como o
coração de Deus ficou, quando Ele cuidadosamente guiou o povo
até Si Próprio, para Se revelar a eles, e todos eles fugiram? Foi de
partir o coração!
Um Relance da Glória
Agora que vimos a partir do registro de Deuteronômio a razão pela
qual o povo se retirou, voltemos para a cena em que Deus desceu
sobre a montanha. Assim que o povo se retraiu, Deus determinou
que se iniciasse o sacerdócio. Ele selecionaria um homem que viria
até Sua gloriosa presença em favor do povo. Ele escolheu Arão
para que fosse esse sacerdote. Depois de escolher Arão, “o Senhor
respondeu [a Moisés]: ‘Desça e depois torne a subir, acompanhado
de Arão (Êx 19:24).
No entanto, Arão não se aproximou da presença de Deus. Em vez
disso, ele permaneceu a distância juntamente com o povo (Êx
20:21).
Deus veio novamente a Moisés e disse: “‘Subam o monte para
encontrar-se com o Senhor, você e Arão, Nadabe e Abiú, e setenta
autoridades de Israel. Adorem à distância. Somente Moisés se
aproximará do Senhor; os outros não. O povo também não subirá
com ele’” (Êx 24:1-2).
Deus chamou Arão, seus filhos e os líderes de Israel, entre os
quais estava Josué. Deus não chamou Arão para ir até o cume do
monte; ele deveria ir a um lugar da montanha acima do
acampamento. Ele já havia se retirado da presença de Deus uma
vez porque não temeu ao Senhor, portanto, ele só seria capaz de
adorar de longe. Muitos hoje adoram ao Senhor de longe, porque
isso é seguro. Essas pessoas evitam santificar seus corações, mas
satisfazem a necessidade interior de adorar ao Senhor.
Em sua adoração, esses homens viram o Deus de Israel: “E viram
o Deus de Israel, sob cujos pés havia algo semelhante a um
pavimento de safira, como o Céu em seu esplendor” (Êx 24:10). Um
comentário de Matthew Henry diz algo que eu creio que aconteceu:
 
Eles viram o Deus de Israel (v. 10), isto é, eles tiveram algum
tipo de relance da glória de Deus, em luz e fogo, embora
nunca tenham visto algo semelhante. Eles viram o lugar onde
o Deus de Israel estava (de acordo com a Septuaginta), e o
compararam com algo que tinha alguma semelhança, mas
não era bem isso. Seja lá o que for que eles tenham visto,
certamente foi algo do qual não se poderia fazer nenhum
desenho ou imagem, mas mesmo assim os satisfez
suficientemente e os assegurou de que Deus certamente
estava presente ali.
 
Os homens tiveram um relance, mas eles não tiveram permissão
para entrar na presença gloriosa de Deus. O temor a Deus que
Moisés tinha foi a chave para que ele fosse convidado a se
aproximar da presença do Senhor. Deus o convidou: “Suba o monte,
venha até Mim, e fique aqui” (Êx 24:12).
Oh, como eu amo o que Deus disse a Moisés! Esse é o lugar
secreto onde Deus revela Seus pensamentos mais íntimos e Seus
caminhos. Esse é o lugar onde Seus tesouros são encontrados.
Isaías nos anuncia:
 
O Senhor é exaltado, pois habita no alto...
Ele será o firme fundamento nos tempos a que você pertence,
Uma grande riqueza de salvação, sabedoria e conhecimento;
O temor do Senhor é a chave desse tesouro.
Isaías 33:5-6
Há uma chave que abre o tesouro de conhecer a Deus. Nós lemos
que “Ele revelou os Seus planos a Moisés e deixou que o povo de
Israel visse os Seus feitos poderosos” (Sl 103:7, NTLH). Moisés
conheceu os caminhos de Deus; ele os aprendeu na montanha. O
restante do povo somente pôde conhecer a Deus pelos milagres e
feitos que Ele operou em suas vidas. Ah, quantos hoje conhecem o
Senhor somente pelos milagres que Ele tem feito em suas vidas?
Eles podem ter experimentado cura física, necessidades supridas,
reviravoltas financeiras ou terem tido outros pedidos concedidos.
Mas essas pessoas não foram até a montanha para aprender os
caminhos de Deus, pois elas desejam o que este mundo pode lhes
oferecer. Elas não temem ao Senhor.
Deus está nos chamando para Sua montanha, para que O
conheçamos intimamente. A passagem para essa montanha é a
santidade, que nasce de um coração que teme a Deus. Ele
claramente nos diz: “O Senhor confia os Seus segredos aos que O
temem, e os leva a conhecer a Sua aliança” (Sl 25:14).
CAPÍTULO 6
O
UMA DIVINDADE CONTROLÁVEL
Se subir à montanha, você é mudado.
Se permanecer ao pé dela, como Arão fez,
a imagem que você tem de Deus é que muda.
que acontece quando o povo ao qual Deus libertou do mundo
aprende a viver satisfeito longe da presença Dele? Neste
capítulo, descobriremos o resultado trágico desse afastamento.
Espere Até Que Nós Voltemos
Deus enviou o povo de volta para suas tendas no acampamento
ao pé da montanha. Moisés, Arão e os setenta líderes subiram até
certo ponto para adorarem de longe. Após algum tempo de
adoração, Deus disse a Moisés que somente ele se aproximasse do
cume da montanha, onde Ele estava. Moisés escolheu Josué para ir
um pouco mais longe com ele, mas deu uma diretriz precisa para
Arão e os demais líderes: “Esperem-nos aqui, até que retornemos”
(Êx 24:14). Então Moisés foi para o cume da montanha para o meio
da nuvem e ficou lá por quarenta dias e quarenta noites. Josué
esperou em algum outro lugar entre onde os líderes estavam e o
cume, onde Moisés estava. E o povo estava no acampamento, bem
mais abaixo, ao pé da montanha.
Como vimos antes, Deus originalmente havia requisitado que Arão
subisse com Moisés. Por que ele não foi? Ele achou mais
confortável ficar na presença do povo do que na presença de Deus.
Como eu sei disso? Por causa das inúmeras vezes em que ele se
afastou da glória do Senhor. Na próxima vez que Arão é
mencionado, o que aconteceu enquanto Moisés ainda está na
montanha durante os quarenta dias, ele está de volta ao
acampamento, e os demais líderes estão com ele!
O acampamento retrata familiaridade. É a Igreja que foi liberta do
Egito (do mundo) e está ao pé da montanha de Deus, mas longe o
suficiente da Sua presença para que seus corações não sejam
expostos. Chamo isso de familiaridade porque não era um retorno
ao Egito, e aparentava todas as maneiras de servir e caminhar com
Deus, mas, na realidade estava longe do coração do Pai. Arão
retrocedeu. Quantas pessoas não fazem o mesmo hoje?
Mudando a Imagem de Deus
Podemos ver na vida de Arão o que acontece quando alguém que
foi liberto do mundo pelo poder de Deus escolhe não andar na
presença Dele.Vamos ver o desenrolar dessa história trágica.
 
O povo, ao ver que Moisés demorava a descer do monte,
juntou-se ao redor de Arão e lhe disse: “Venha, faça para nós
deuses que nos conduzam, pois a esse Moisés, o homem que
nos tirou do Egito, não sabemos o que lhe aconteceu”.
Êxodo 32:1
Moisés estava na montanha há um bom tempo. Não havia
nenhuma atividade próxima ao pé da montanha, então o povo fez o
que pessoas religiosas sempre fazem quando Deus parece não
estar agindo: eles se juntam para fazer uma reunião. Embora essas
reuniões sejam realizadas em nome do Senhor, elas sempre
produzem o que é extremamente contra o coração de Deus, como
veremos.
O povo se ajuntou e foi a Arão, o homem que inicialmente deveria
estar com Moisés, mas não estava. Ele deveria estar em um nível
que lhe havia sido determinado e esperar por Moisés, mas também
não o fez. Por que o povo foi até esse homem? Porque ele lhes
daria o que queriam!
Arão tinha o dom chamado liderança. A liderança é um dom de
Deus (ver Romanos 12:8). Esse dom traz algumas qualidades, e
uma delas é a de atrair pessoas como um ímã. E essa qualidade
sempre atrairá pessoas, quer esse líder tenha estado na montanha
ou não! Isso explica como um homem pode ter uma igreja de cinco
mil pessoas e Deus simplesmente não aparecer nela! Ele usa os
dons dados por Deus para realizar os desejos do povo, e não os de
Deus. Esse homem não foi à montanha para ouvir de Deus, mas
mesmo assim possui muitos seguidores como resultado do dom que
tem! É um pensamento preocupante, não?
O povo pressionou Arão: “Venha, faça para nós deuses que nos
conduzam, pois a esse Moisés, o homem que nos tirou do Egito,
não sabemos o que lhe aconteceu”. Eles não disseram: “Quanto a
esse Deus, não sabemos o que Lhe aconteceu”. Na verdade, eles
queriam desqualificar ou desmerecer Moisés.
Ao estudar o que o povo disse na língua original, algumas vezes
penso que os tradutores ficaram um pouco nervosos com relação ao
significado verdadeiro da palavra em português, e decidiram usar a
palavra deuses. A palavra em hebraico para “deuses” é elohiym.
Essa palavra é encontrada aproximadamente 2.250 vezes no Antigo
Testamento. Cerca de duas mil vezes se referem ao Deus Todo-
Poderoso, ao qual servimos. Ela ocorre trinta e duas vezes em
Gênesis 1. Por exemplo, no primeiro versículo temos: “No princípio
Deus [elohiym] criou os Céus e a Terra” (v. l). Nesse versículo,
elohiym é traduzida como “Deus”. E todas as outras vezes que a
palavra “Deus” aparece no capítulo, a palavra no original é elohiym.
Aproximadamente 250 vezes no Antigo Testamento, elohiym é
usada para descrever um falso deus. Nós sempre temos de ler o
contexto para entender a referência.
Arão disse a eles: “Tirem os brincos de ouro de suas mulheres, de
seus filhos e de suas filhas e tragam-nos a mim” (Êx 32:2). Todo o
povo tirou os brincos e trouxe a Arão. “Ele os recebeu e os fundiu,
transformando tudo num ídolo, que modelou com uma ferramenta
própria, dando-lhe a forma de um bezerro” (Êx 32:4). Nesse
versículo, a palavra “modelou” é a palavra em hebraico yatsar. Ela
significa “moldar em formato de algo” (Dicionário de Strong).
A partir do momento que ele moldou o ouro em um bezerro, todo o
povo se ajuntou, “Eis aí o seu deus, ó Israel, que tirou vocês do
Egito!” (Êx 32:4). A palavra hebraica para “deus” é novamente
elohiym. Você provavelmente está começando a entender o que
está acontecendo.
“Vendo isso, Arão edificou um altar diante do bezerro e anunciou:
‘Amanhã haverá uma festa dedicada ao Senhor’” (Êx 32:5). A
palavra em hebraico para “Senhor” aqui é Jeová ou Yahweh.
Yahweh, a palavra mais sagrada do Antigo Testamento, é o nome
próprio do único e verdadeiro Deus. Ela nunca é usada para
descrever ou dar nome a falsos deuses. A palavra é tão sagrada,
que os escribas hebreus se recusavam a escrevê-la completamente.
Eles tiravam as vogais e escreviam YHWH. Essa forma de escrita é
chamada da tetragrama sagrado, as quatro letras indizíveis. Era o
nome não mencionado, o nome santo guardado da profanidade na
vida de Israel.
Em essência, Arão e os filhos de Israel fizeram um bezerro de
ouro, apontaram para ele e disseram: “Contemplai Yahweh, o único
verdadeiro Deus, que nos tirou da terra do Egito”. Eles não
disseram: “Contemplai Baal, que nos trouxe da terra do Egito”. Nem
atribuíram a libertação deles a nenhum outro falso deus. Eles
chamaram esse bezerro pelo nome do Senhor, reduzindo Sua glória
ao nível de uma imagem de um bezerro dourado. Eles
reconheceram que Yahweh os salvou e os libertou do Egito; eles
não negaram o poder de Deus. Eles reduziram a glória Dele!
“SURGIU ESSE BEZERRO!”
Enquanto isso, Moisés estava na montanha com Deus, sem
qualquer conhecimento das atividades do povo. Deus o ordenou:
“Desça, porque o seu povo, que você tirou do Egito, corrompeu-se”
(Êx 32:7). A ira de Deus estava bem intensa nesse ponto. Ele os
chamou de “seu povo” e não de “Meu povo”.
Deus disse que o povo “corrompeu-se”. A palavra corromper
literalmente significa “decair”. Quando nós brincamos de igreja ao pé
da montanha de Deus, iremos acabar decaindo, pois tudo que se
distancia do coração Dele certamente irá se deteriorar.
Mais tarde, Deus disse sobre Israel:
 
O Meu povo cometeu dois crimes:
Eles Me abandonaram, a Mim, a Fonte de Água Viva;
E cavaram as suas próprias cisternas, cisternas rachadas
que não retêm água.
Jeremias 2:13
Ele é a Fonte da Vida. Se tentarmos nos segurar ao que Ele nos
deu no passado e brincarmos de igreja em um lugar que está
distante do Seu coração, nós iremos retroceder e nos perder. Foi
por isso que Jesus enfatizou: “Se alguém quiser acompanhar-Me,
negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-Me” (Lc
9:23). Nós precisamos ir até a montanha diariamente!
Moisés desceu da montanha. Quando ele entrou no acampamento
e viu o bezerro, sua ira se acendeu. Ele questionou Arão: “Que lhe
fez esse povo para que você o levasse a tão grande pecado?” (Êx
32:21).
Arão se defendeu: “Não te enfureças, meu senhor; tu bem sabes
como esse povo é propenso para o mal. Eles me disseram: ‘Faça
para nós deuses [elohiym] que nos conduzam, pois não sabemos o
que aconteceu com esse Moisés, o homem que nos tirou do Egito’”.
O que ele falou era a verdade, mas ele acrescentou: “Então eu lhes
disse: ‘Quem tiver enfeites de ouro, traga-os para mim’. O povo
trouxe-me o ouro, eu o joguei no fogo e surgiu esse bezerro!” (Êx
32:22-24).
“Surgiu esse bezerro!” Você consegue acreditar que ele disse
isso? Nós lemos antes que ele trabalhou o ouro com uma
ferramenta própria! Ele mentiu. Uma coisa é mentir quando Deus
não está irado, outra coisa é mentir quando a ira Dele já está acesa.
Eu orei sobre isso: “Senhor, não que eu quisesse que ele fosse
julgado, mas não entendo. Como ele conseguiu escapar com essa
mentira mais lavada sem que a terra se abrisse para engoli-lo?
Parece que o Senhor não fez nada a respeito”.
A resposta do Senhor causou um grande impacto em minha vida e
fez nascer a visão para este livro. O que Ele me falou abriu um
entendimento totalmente novo para o que tem acontecido nas
igrejas hoje. Deus disse: “John, Arão não subiu até o topo da
montanha. Ele não me contemplou nem habitou ali como Moisés
fez. Portanto, a imagem interna que ele tinha de Mim era a que foi
moldada pela sociedade na qual ele cresceu. E foi isso que saiu de
dentro dele”.
Arão havia passado todo o tempo de sua vida, até aquele período,
cerca de oitenta anos, no Egito. Ele foi criado lá; seus pais
nasceram e morreram nesse lugar. Ele estava cercado pela cultura
egípcia, e o Egito tinha muitos objetos de culto. Pelo fato de não ter
subido até a montanha e não ter tido comunhão com Deus, nem O
ter contemplado, como Moisés fez, para Arão, a imagem de Yahweh
foi forjada pela sociedade na qual ele cresceu. Arão olhou para o
Senhor de longe, e viu os pés de Deus. Mas ele não entrou na
presença Dele, como Moisés fez.
Jesus falou sobre “ver” o Reino e “entrar” no Reino (ver João 3:3-
5). Nós temos de nascer de novo, o que significa sermoslibertos do
mundo, para ver o Reino. Mas não podemos parar por aí; fomos
chamados para entrar. Paulo disse a homens e mulheres que já
eram salvos das cidades de Listra, Icônio e Antioquia: “É necessário
que passemos por muitas tribulações para entrarmos no Reino de
Deus” (At 14:22). Deus prepara as pessoas já salvas para o que
elas terão de enfrentar para entrar no Reino.
Arão foi liberto do Egito, o que simboliza o nascer de novo, mas
ele não conhecia Deus intimamente. Ele brincou de igreja ao pé da
montanha, o que resultou em uma redução da imagem de Deus ao
que ele havia absorvido da sociedade.
Um Jesus Diferente?
No Novo Testamento, Paulo trata desse assunto:
 
Pois desde a Criação do mundo os atributos invisíveis de
Deus, Seu eterno poder e Sua natureza divina, têm sido
vistos claramente, sendo compreendidos por meio das coisas
criadas, de forma que tais homens são indesculpáveis;
porque, tendo conhecido a Deus, não O glorificaram como
Deus, nem Lhe renderam graças.
Romanos 1:20-21
Eles não O glorificaram como Deus. Em outras palavras, eles
conheciam a Deus, mas não Lhe davam a honra que Ele merece.
Os filhos de Israel reconheceram a libertação de Yahweh, mas não
Lhe deram a honra, a reverência e a glória que Lhe eram devidas.
Bem, as coisas não mudaram muito. Paulo continuou, falando
acerca das pessoas que viviam nos tempos do Antigo Testamento:
 
E mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da
imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes,
e de répteis.
Romanos 1:23
A imagem gloriosa do único e verdadeiro Deus é reduzida a
imagens de insetos, pássaros, animais e homens mortais. Por acaso
nossa cultura ocidental adora pássaros, quadrúpedes e répteis?
Certamente não! Se criássemos uma imagem de um bezerro de
ouro e colocássemos na fachada da nossa casa, as pessoas
provavelmente ririam e diriam: “Derreta isso, faça algumas joias e
venda-as!”.
O que nossa cultura adora? A resposta é o eu, que é o homem
corruptível! O povo de Israel estava cercado por uma sociedade que
adorava imagens de animais e insetos. A Igreja Moderna está
cercada por uma cultura que adora o próprio eu, ou seja, o homem
corruptível. Quando Arão e o povo se retiraram da gloriosa presença
de Deus, a imagem de Deus foi formada a partir do que o Egito
adorava: um animal. Hoje, quando cristãos se retirem da montanha
de Deus, a imagem que eles têm de Deus é formada pelo que a
nossa sociedade adora: o eu ou homem corruptível.
Um pensamento que não consigo evitar tem estado em minha
mente há alguns anos: nós temos servido a Jesus a partir da
imagem que criamos Dele. Nós O chamamos de Senhor; nós
reconhecemos o Seu poder salvador, curador e libertador. Mas
nosso Jesus é o mesmo que está assentado à direita da Majestade
nos Céus, ou é um Jesus que temos feito de acordo mais com a
imagem que nós temos, e ainda assim o chamamos de Senhor?
Uma Divindade Controlável
Idolatria é uma forma muito conveniente de adoração. Um ídolo dá
a seu criador aquilo que ele quer — os desejos do próprio coração,
pelo fato de ter sido ele quem o criou. E, ao mesmo tempo, satisfaz
a necessidade interna de adorar a um ser maior. Se o criador do
ídolo tem desejo por prazeres sexuais, então o ídolo lhe dará
ordenanças que gratificarão esses desejos. O Senhor deixou isso
claro quando disse por meio de Isaías: “Quem é que modela um
deus e funde uma imagem, que de nada lhe serve?” (Is 44:10).
Vamos considerar essa motivação em relação ao que Israel fez,
voltando ao ponto em que Arão criou o bezerro de ouro. Ele e o
povo olharam para o bezerro e o consideram como a imagem de
Yahweh, o qual os havia libertado do Egito. “Na manhã seguinte,
ofereceram holocaustos e sacrifícios de comunhão. O povo se
assentou para comer e beber, e levantou-se para se entregar à
farra” (Êx 32:6).
No dia seguinte eles foram para o culto da igreja ao pé da
montanha de Deus. Eles declararam o amor e a grandeza de
Yahweh. Eles trouxeram ofertas, cantaram hinos e pregaram seus
sermões. O Yahweh deles lhes deu uma mensagem que eles
amaram ouvir, pois satisfazia os desejos deles. Eles se assentaram
para comer, e depois se levantaram para se divertir. O divertimento
deles era de satisfazer os desejos da sua carne. Quando Moisés
chegou até eles, eles estavam desenfreados (ver Êxodo 32:25).
Esse cenário nos dá um grande entendimento da raiz da idolatria,
que é a rebelião. E a Palavra de Deus afirma isto: “Porque a
rebelião é como... iniquidade e idolatria” (1 Sm 15:23, ACF).
Tudo o que os egípcios tinham de fazer era construir um bezerro e
chamá-lo por algum nome, e ele lhes daria o que sabiam em seus
corações ser contra os desejos do Criador. (Todos os homens
conhecem os desejos Dele, pois Paulo diz: “Deus, entretanto,
mostra do Céu a sua ira contra todos os homens pecadores,
maldosos, que repelem a verdade. Pois a verdade sobre Deus é
revelada entre eles instintivamente; Deus pôs esse conhecimento
em seus corações ” [Rm 1:18-19, ABV]).
Para os israelitas que saíram do Egito, o conceito básico é o
mesmo, mas devemos observar uma pequena modificação. Os
israelitas sabiam o nome de Yahweh e já haviam sido tocados pelo
Seu poder. Se eles não quisessem abrir mão de seus caminhos
rebeldes para tomarem os caminhos do Senhor, então uma maneira
de satisfazerem tanto a sua consciência quanto seus apetites, era
criar uma imagem representando Yahweh, que lhes desse o que
eles desejavam. Isso foi feito muito sutilmente, sem que eles
estivessem plenamente conscientes disso.
Paulo advertiu a Igreja de Corinto:
 
O que receio, e quero evitar, é que assim como a serpente
enganou Eva com astúcia, a mente de vocês seja corrompida
e se desvie da sua sincera e pura devoção a Cristo. Pois, se
alguém lhes vem pregando um Jesus que não é Aquele que
pregamos, ou se vocês acolhem um espírito diferente do que
acolheram ou um Evangelho diferente do que aceitaram,
vocês o toleram com facilidade.
2 Coríntios 11:3-4
Gosto de uma versão contemporânea do versículo quatro: “Porque
vocês suportam com alegria qualquer um que chega e anuncia um
Jesus diferente daquele que nós anunciamos. E aceitam um espírito
e um evangelho completamente diferentes do Espírito de Deus e do
Evangelho que receberam de nós” (NTLH).
Se nós ainda desejamos o estilo de vida do mundo, o qual é
diferente do modelo de autoridade de Deus, podemos estar
seguindo-o inconscientemente ao servirmos ao “nosso Jesus”, cuja
vontade está em concordância com nossos próprios desejos. Sem
percebermos, nós temos uma espécie de divindade controlável!
Trata-se de um engano sutil, e não de uma mentira descarada.
Em nosso engano nos confortamos em dizer “Jesus é meu
amigo”, ou “Deus conhece meu coração”. É verdade que Deus
entende nosso coração muito mais do que podemos entender a nós
mesmos. Mas geralmente, quando fazemos esse comentário,
queremos nos justificar de ações que contradizem a aliança com
Ele. O fato é que isso é rebelião. Nossos lábios O honram, mas
nosso temor a Ele foi aprendido de acordo com os preceitos dos
homens: “O Senhor diz: ‘Esse povo se aproxima de Mim com a boca
e Me honra com os lábios, mas o seu coração está longe de Mim. A
adoração que Me prestam é feita só de regras ensinadas por
homens’” (Is 29:13).
Filtramos a Palavra e os mandamentos de Deus através do nosso
modo de pensar influenciado pela cultura. A imagem que temos da
Sua glória é formada pelas nossas percepções limitadas em vez de
ser formada pela Sua verdadeira imagem revelada por meio da Sua
Palavra viva na montanha.
Um Contraste Claro Entre
Duas Pessoas na Igreja
Permita-me dar a você alguns exemplos. Uma mulher me ligou e
confessou que estava em um relacionamento de adultério com um
homem de sua igreja. Seu esposo não era cristão e era verbalmente
(não fisicamente) abusivo com ela em relação à sua fé. Em outras
palavras, ele a perseguia.
Ela e o outro homem interromperam o relacionamento. Seus
“amigos cristãos” a aconselharam a se divorciar do esposo e se
casar com esse belo homem cristão que a amava, porque Deus a
chamoupara a paz. Minha pergunta é: a que “Jesus” esses amigos
dela servem? Certamente não é Àquele que está assentado à direita
de Deus. A imagem que têm Dele foi moldada pela sociedade,
porque a sociedade é inclinada ao divórcio. Muitos do que se
divorciaram não planejaram isso. Eles desejam uma vida feliz com
base em seus interesses egoístas. A aliança que fizeram com seus
cônjuges é significante apenas quando não interfere em sua
felicidade.
A mulher perguntou minha opinião sobre sua situação. Na
verdade, tudo que ela buscava era a permissão de um líder para
concretizar a decisão que já havia tomado. Seu esposo não havia
sido moralmente infiel; eu disse a ela que Deus odeia o divórcio
porque ele dilacera o espírito das pessoas e as cobre com violência
(ver Malaquias 2:16) De acordo com o Novo Testamento, o Senhor
ordena que a esposa não se separe do marido, e se ela se separar,
não deve se casar de novo (ver 1 Coríntios 7:10-11). A mulher me
ouviu, apenas mentalmente, porém mais tarde recebi a notícia de
que ela havia se divorciado do esposo e se casado com o outro
homem. Ela deve estar feliz, mas o povo ao pé da montanha
também estava, até Moisés descer!
Por outro lado, conheci muitas mulheres tementes a Deus que
continuaram casadas com homens não cristãos, porque elas tinham
o coração de Deus. Elas não estavam buscando prazeres; estavam
buscando servir. Muitos dos esposos acabaram sendo salvos por
causa do estilo de vida temente a Deus de suas esposas. Devo
acrescentar que alguns foram salvos após anos de oração de suas
esposas e por elas serem um testemunho vivo diante deles.
Uma situação diferente envolveu outra mulher que irradia o caráter
de Deus. Após vários anos de casamento, ela descobriu que seu
esposo era homossexual. Por dez anos ela viveu uma vida
terrivelmente difícil. Ele foi preso uma vez por convidar um policial
disfarçado para relações sexuais, e o filho mais velho do casal
recebeu a ligação informando que o pai estava na cadeia.
A esposa orou constantemente por ele. Quando a caminhada
parecia muito difícil, ela perguntou ao Senhor se devia se divorciar
dele. O Senhor respondeu: “Você tem bons motivos para se
divorciar dele, e se você escolher fazer isso, Eu a abençoarei. Mas
se você permanecer e lutar em oração por ele, Eu o trarei de volta e
você será duplamente abençoada”. (Não estou dizendo que Deus
sempre diria isso em uma situação moralmente infiel.) Ela escolheu
permanecer e lutar, e isso levou algum tempo. Seu esposo foi
gloriosamente liberto e está livre há quinze anos. Agora, ele é um
pastor muito compassivo e dedicado. Eu preguei na igreja deles, e
devo dizer que ela é uma das mulheres mais tementes a Deus que
já conheci.
Qual das mulheres foi à montanha para ser transformada? Uma se
divorciou do marido por acreditar que Jesus queria que ela tivesse
paz, ainda que a Palavra de Deus claramente mostrasse que o
desejo de Deus para ela era permanecer com ele. A outra tinha
fundamentos bíblicos para se divorciar, mas escolheu abrir mão de
seus direitos para lutar pela vida de seu esposo. Jesus abriu mão de
Seus direitos para vir a esta Terra e morrer por nós! Qual das
mulheres tinha mais o coração de Deus? Por quê? Ela subiu a
montanha!
Uma das duas coisas irá acontecer na vida de um crente: ou ele
irá se conformar à imagem de Jesus permitindo que a Palavra de
Deus, falada na presença do Senhor, o mude, ou ele irá conformar
Jesus à imagem do que o seu coração dita. Se você for à montanha,
você muda. Se permanecer ao pé da montanha, como Arão fez, a
imagem de Deus em você é que muda.
Quando Moisés desceu do monte após quarenta dias e quarenta
noites com Deus, ele estava transformado e sua face brilhava: “Ao
descer do monte Sinai com as duas tábuas da Aliança nas mãos,
Moisés não sabia que o seu rosto resplandecia por ter conversado
com o Senhor” (Êx 34:29).
A mulher que lutou por seu marido não tem consciência de sua
pureza. Todas as vezes que eu falo com ela, ela revela como Deus
está trabalhando em sua vida para transformá-la. Ela não sabe o
quanto resplandece. O mesmo é verdade para todos os que vivem
em verdadeira santidade. A Bíblia declara: “Os que olham para Ele
estão radiantes” (Sl 34:5). Aqueles que são capazes de olhar para
Ele são aqueles que removeram os desejos do Egito de seus
corações. Eles têm somente um desejo: conhecer o Senhor da
glória. Agora, então, precisamos olhar para nós mesmos e nos
perguntar: “O Jesus que nós servimos é Aquele que está assentado
à direita da Majestade, ou é um Jesus diferente, que foi moldado de
acordo com os desejos da sociedade na qual vivemos?”.
CAPÍTULO 7
T
INTENÇÕES OU DESEJOS?
Precisamos colocar nossos desejos em submissão à Cruz.
udo o que abordamos até agora é uma grande introdução à
palavra conformar. O Dicionário de Webster a define como
“reduzir à semelhança em maneiras, opiniões e qualidades morais”.
A palavra de Deus instrui: “Não se amoldem ao padrão deste
mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente” (Rm
12:2).
Para entendermos melhor o que o Espírito de Deus está
comunicando, vamos ao texto original. “Conformar” nesse versículo
é a palavra grega suschematizo. A definição de seu significado dá
uma ideia ainda melhor para essa palavra. O Dicionário de Strong a
define como “amoldar de maneira similar, isto é, conformar ao
mesmo padrão (figurativamente)”. O Dicionário de Vine também
define a palavra como “moldar ou dar forma a algo como outro”.
Ambos os dicionários enfatizam o pensamento de moldar uma coisa
para deixá-la semelhante à outra.
Arão “moldou” o ouro que lhe foi dado na forma de um bezerro. A
atitude exterior foi somente um reflexo do que estava em seu
interior. As influências do Egito, das quais ele obviamente não havia
se limpado, estavam forjadas em sua alma. O que estava dentro
dele se manifestou no exterior. Ele havia sido conformado de acordo
com o Egito e, como vimos no capítulo anterior, é visível que ele não
desejou se aproximar da presença gloriosa de Deus para ser
transformado, como Moisés o foi. E o povo seguiu o exemplo de
Arão. Deus disse sobre eles:
 
As suas impudicícias, que trouxe do Egito, não as deixou;
porque com ela [Israel] se deitaram na sua mocidade, e eles
apalparam os seios da sua virgindade e derramaram sobre
ela a sua impudicícia.
Ezequiel 23:8, ACF
De acordo como o dicionário, a palavra impudicícia significa
simplesmente “desejo”. A Bíblia na versão Amplificada ressalta esse
significado: “Eles derramaram sobre ela seus desejos pecaminosos”
(tradução livre). O desejo é o fator motivador para os seres
humanos. Nós sempre o seguiremos.
Desejos e Intenções Não São a Mesma Coisa
Desejos e intenções são duas coisas diferentes, embora muitos
creiam que seja a mesma coisa. Você pode ter intenções muito
boas, mas elas podem não ser seus desejos verdadeiros. Várias
pessoas já me disseram que queriam se afastar das influências do
mundo e se aproximar de Deus, mas não é isso que fazem. Elas
não estão em contato com seus desejos verdadeiros, pois Tiago
declara que “cada um, porém, é tentado pelo próprio mau desejo,
sendo por este arrastado e seduzido” (Tg 1:14). O desejo é um
caminho que uma pessoa seguirá, não importando quão boa sua
intenção venha a ser. Por essa razão, Tiago continua dizendo:
“Meus amados irmãos, não se deixem enganar” (Tg 1:16). (É claro
que existe um aspecto positivo no desejo, mas, nesse caso,
estamos lidando com o lado negativo.)
Foi um comediante, e não Deus, quem disse: “O diabo me fez
fazer isto”. O diabo não pode fazer um cristão fazer nada. Ele
somente pode seduzir, mas você não pode ser seduzido por algo
que não deseja. Se oferecessem uma trilha de cocaína ou algumas
bolinhas de LSD para os cristãos, a maioria não hesitaria em
recusar, pois eles não têm desejo por isso; portanto, eles não
podem ser seduzidos. Contudo, muitos cristãos, assim como Israel,
não exterminaram os desejos que o sistema do mundo lhes
transmitiu quando eles ainda não eram salvos. Por essa razão, eles
são facilmente seduzidos por essas coisas.Nós precisamos trazer nossos desejos em submissão à Cruz: “Os
que pertencem a Cristo Jesus crucificaram a carne, com as suas
paixões e os seus desejos” (Gl 5:24). Não é algo que Deus faz por
nós; é algo que nós precisamos fazer! Nós não podemos fazer isso
sem a graça de Deus, mas, mesmo assim, somos nós quem
devemos fazê-lo! Nós podemos ser seduzidos por qualquer desejo
errado que ainda não foi colocado sob a Cruz. Se não deixarmos de
lado nossos desejos pelas coisas do mundo, então poderemos
facilmente escorregar de volta para os seus caminhos, assim como
fez Israel. Por essa razão, Paulo confessa: “o mundo foi crucificado
para mim, e eu para o mundo” (Gl 6:14).
Após eu ter pregado uma mensagem de arrependimento em uma
igreja da Califórnia, o pastor me levou para almoçar e compartilhou
um testemunho pessoal. Quando ele foi salvo, deixou para trás
muitos pecados que o prendiam. Contudo, ele não conseguia largar
o hábito de fumar dois maços de cigarros por dia. Ele disse: “John,
eu fiz tudo o que a Bíblia me manda fazer para me livrar desse vício.
Orei, jejuei, confessei a Palavra e pedi a outros que orassem por
mim. Na verdade, respondi a todos os chamados ao altar para
receber oração de cada um dos pastores convidados que vieram
ministrar em nossa igreja. Eu confessei meu vício e pedi a eles que
orassem pela minha libertação. Eu fiz isso durante dois anos”.
Após dois anos de luta, ele levou um amigo para um culto
evangelístico em sua igreja. Seu amigo não era salvo, e ele também
era viciado em cigarro e fumava uns dois maços por dia. Naquela
noite, seu amigo respondeu ao chamado da salvação, e quando o
evangelista orou por ele, ele foi gloriosamente salvo e
instantaneamente liberto do vício do cigarro.
O pastor continuou: “John, eu fiquei feliz pelo meu amigo, mas
muito triste com Deus. Levei meu amigo para sua casa e expressei
minha felicidade com relação à sua salvação da melhor maneira que
pude. Depois fui para casa e disse a Deus o quão triste estava. Eu
sentei na sala da minha casa e disse: ‘Deus, eu jejuei, orei, me
humilhei diante da minha igreja e de todos os pastores que vieram à
nossa igreja, mas o Senhor não me libertou. Nesta noite eu levei
meu amigo, e o Senhor o salvou e o libertou instantaneamente do
vício do cigarro. Por que o Senhor não me libertou?’.”
Então ele me contou: “John, quando eu disse isso, Deus me
respondeu de forma audível. Se eu O ouvi com meus ouvidos
internos ou externos eu não sei, mas eu sei que foi Ele. Quando
perguntei a Ele: ‘Deus... por que o Senhor não me libertou?’ eu O
ouvi dizer firmemente: ‘Porque você ainda gosta disso!’.”
O pastor continuou: “Eu olhei para o cigarro que estava em minha
mão e joguei fora, e nunca mais toquei em um desde então!”.
Durante aqueles dois anos o pastor disse a si mesmo e aos outros
o quanto queria ser liberto, mas esse não era seu desejo verdadeiro,
somente sua intenção. É por isso que ele era tão facilmente levado
ao que dizia não querer. Então Deus expôs seus desejos
verdadeiros. Assim que ele se arrependeu desse desejo, colocando-
o debaixo da Cruz, a graça de Deus pôde libertá-lo. A libertação foi
um processo de cooperação entre ele e Deus.
Esse exemplo se aplica diretamente a Israel e os padrões,
caminhos e maneiras de ser do mundo que estão dentro da Igreja
de hoje. Lembre-se de que Israel é uma tipologia da Igreja. Deus
disse que Israel não havia deixado a prostituição que começou no
Egito durante a mocidade, quando ela se deitou com homens que
apalparam os seios da sua virgindade e derramaram sobre ela o seu
desejo. O povo poderia ter aberto mão disso, como Moisés, mas
eles não queriam fazê-lo.
O Desejo do Mundo
De todos os que foram libertos do Egito, Moisés era o que estivera
mais emaranhado em seus caminhos. Ele foi criado na casa do
faraó, foi ensinado segundo a sabedoria egípcia e todos os seus
amigos eram egípcios. Os outros homens e mulheres hebreus pelo
menos estavam rodeados pela própria comunidade dentro do Egito.
Eles eram maltratados pela sociedade, mas Moisés era bem tratado
em razão de seus tesouros e sua sabedoria. Eles não haviam se
envolvido com todo o sistema no nível em que Moisés havia se
envolvido. Então, se alguém pudesse dizer o quão difícil foi para se
libertar dos desejos do Egito, esse alguém seria Moisés. Mesmo
assim, ele não tinha desejo nenhum por nada do Egito, enquanto os
filhos de Israel continuavam circulando ao redor dessas coisas.
Hoje, nós suavizamos a mensagem da Cruz para aqueles que
vêm de Hollywood, dos esportes profissionais, da vida pública ou de
outra área da vida extremamente emaranhado com o sistema do
mundo. Nós fazemos concessões para eles e os justificamos por
suas maneiras e seus caminhos segundo os do mundo. Quando
fazemos isso, estamos cooperando para o mal deles, e não para o
bem. Quando pregamos um Evangelho mais suave para eles, nós
bloqueamos seu caminho até a montanha do Senhor. Eles
começam com empolgação, mas gradualmente passam a circular
de volta para o mundo. E quando não voltam para ele totalmente,
eles criam um “Jesus” que não tem nada a ver com Aquele que está
assentado à direita de Deus. Eles podem confessar que são salvos
e que desejam conhecer o Senhor, mas não estão em contato com
seus desejos verdadeiros. O desejo verdadeiro deles é o sistema do
mundo. Eles são cristãos declarados conformados com o mundo.
Israel confessava o desejo de conhecer a Deus e de andar com
Ele. Como você se lembra dos capítulos anteriores, antes que o
Senhor revelasse a Sua glória ao povo na montanha, Ele disse a
Moisés que informasse ao povo que o Senhor os havia trazido para
Si. Se eles obedecessem à Sua voz e guardassem os Seus
mandamentos, seriam para Ele um reino de sacerdotes. Moisés
desceu da montanha para informar as condições de Deus para o
povo. Aqui está a resposta deles:
 
Moisés voltou, convocou as autoridades do povo e lhes expôs
tudo o que o Senhor havia-lhe mandado falar. O povo todo
respondeu unânime: “Faremos tudo o que o Senhor ordenou”.
E Moisés levou ao Senhor a resposta do povo.
Êxodo 19:7-8
A resposta deles foi sincera, mas sabemos o que aconteceu. Eles
retrocederam, e a glória do Senhor foi mudada em seus corações e
suas mentes. Eles falaram de suas intenções e não de seus
desejos. Eles não conheciam seus desejos verdadeiros, os desejos
do Egito, os quais os impediriam de se aproximar a Deus.
Um Exemplo de Dois Grupos Dentro da Igreja
Por que o povo de Israel, que estava menos entrelaçado com o
sistema do Egito do que Moisés, sempre se movia de volta para ele,
enquanto Moisés não mostrava nenhum desejo de ter nada daquilo
de volta? Por que aquele que estava mais emaranhado com o
mundo se interessava menos por ele?
Se examinarmos os dois, encontraremos a diferença. E também
teremos uma imagem bem clara de dois grupos distintos de pessoas
que existem na Igreja hoje, sendo que Moisés representa um grupo
e os filhos de Israel, o outro. Nós veremos por que muitos na Igreja
hoje se conformam ao mundo, enquanto outros, embora muitas
vezes tenham vindo de um passado muito mais emaranhado com a
escravidão do mundo, não têm nenhum desejo de retornar a ele.
Durante séculos, os filhos de Israel oraram e pediram libertação
de seus opressores egípcios. Eles queriam retornar para a terra da
promessa. Deus enviou o seu libertador, Moisés. O Senhor disse a
Moisés: “Desci para livrá-los das mãos dos egípcios e tirá-los daqui
para uma terra boa e vasta, onde há leite e mel com fartura” (Êx
3:8). Deus então lhe deu Suas palavras e sinais para que o faraó
deixasse Seu povo ir.
Moisés entrou novamente no Egito pela primeira vez em quarenta
anos para levar a Palavra de Deus ao faraó. Contudo, ele foi
primeiro ao povo de Israel e lhes proclamou a mensagem de
libertação do Senhor. Quando eles ouviram as notícias, a Bíblia
relata: “e eles creram. Quando o povo soube que o Senhor decidira
vir em seu auxílio, tendo visto a sua opressão, curvou-se em
adoração” (Êx 4:3).
Você pode imaginar os sentimentos naquele encontro? Eles
haviam sido escravosdurante toda a vida. Seus pais, avós e
bisavós haviam sido escravos. A promessa de libertação e de uma
terra própria havia sido esperada por cerca de quatrocentos anos.
(Como ponto de referência, os Estados Unidos têm somente uns
duzentos e cinquenta anos de existência). E agora eles estavam
olhando para o seu libertador.
O povo experimentou uma alegria contagiante. Eles viram os
sinais que Moisés fez e creram entusiasmados naquele anúncio. Eu
posso ouvi-los chorando, gritando e bradando: “Que notícia
maravilhosa! Finalmente aconteceu! Deus irá nos libertar!”. O louvor
e a ação de graças deles os levaram a inclinar suas cabeças e
adorarem a Deus.
Moisés saiu daquele ambiente e foi ao faraó, e proclamou a
mesma mensagem do Senhor. Ele ordenou que o faraó deixasse
“Seu povo ir”. Mas o faraó respondeu aumentando ainda mais o
sofrimento do povo. A palha não mais seria providenciada para os
incontáveis tijolos que os israelitas produziam por dia. Eles teriam
de trabalhar de dia e colher de noite. O número total de tijolos não
seria diminuído, embora a palha não lhes fosse mais oferecida. A
Palavra de Deus sobre a liberdade havia aumentado a adversidade
e o sofrimento deles.
A atitude dos filhos de Israel começou a mudar. Eles reclamaram e
disseram a Moisés: “Deixe-nos em paz e pare de falar com o faraó;
você está tornando nossa vida ainda mais difícil”. Esses eram os
mesmos que haviam adorado a Deus alguns dias antes, quando
Moisés trouxera a notícia.
Quando Deus finalmente os libertou do Egito, o coração do faraó
se endureceu novamente, e ele foi atrás dos israelitas no deserto
com seus melhores cavalos e cavaleiros. Vendo que estavam sendo
perseguidos pelos egípcios e estavam presos diante do Mar
Vermelho, os hebreus novamente murmuraram: “Não é esta a
palavra que te falamos no Egito, dizendo: Deixa-nos, que sirvamos
aos egípcios? Pois que melhor nos fora servir aos egípcios, do que
morrermos no deserto” (Êx 14:12).
“Pois que melhor nos fora...”
Na verdade, eles estavam dizendo: “Por que nós fazemos o que
você diz que Deus mandou, quando isso está somente tornando
nossas vidas mais miseráveis? Nós estamos piores, e não
melhores”. Eles eram rápidos em comparar o estilo de vida anterior
com sua condição atual. Sempre que algo não saía bem, os
israelitas queriam voltar. Eles desejavam qualquer coisa que
parecesse trazer melhores resultados mais do que desejavam
cumprir a vontade de Deus. Ai, como eles precisavam do verdadeiro
desejo por Deus, em vez do amor pelas próprias vidas!
Deus dividiu o mar, e os filhos de Israel o cruzaram a pés secos e
viram seus opressores se afogando. Eles creram e celebraram a
bondade de Deus dançando e louvando perante Ele: “Então Miriã, a
profetisa, irmã de Arão, pegou um tamborim e todas as mulheres a
seguiram, tocando tamborins e dançando” (Êx 15:20). Você pode
imaginar um milhão de mulheres dançando e tocando tamborins?
Que culto de louvor!
Eles eram crentes firmes e nada poderia atraí-los a voltar atrás.
Eles estavam certos de que nunca mais duvidariam da bondade de
Deus! Mas eles não conheciam seus corações — suas intenções,
sim, mas não seus desejos. Outro teste surgiria e novamente
exporia a infidelidade deles. Três dias mais tarde eles murmuraram,
pois não queriam água amarga, mas doce (ver Êxodo 15:22-25).
Seus pensamentos já estavam retornando para todas as coisas que
eles tinham no Egito e que não tinham no deserto de Deus.
Alguns dias mais se passaram, e os filhos de Israel murmuraram
pela falta de comida: “Quem dera a mão do Senhor nos tivesse
matado no Egito!” (Êx 16:3). Eles incluíram Deus nas suas
murmurações sobre a própria vontade Dele. Que atitude religiosa!
Você pode ver a hipocrisia deles?
O mesmo comportamento continuou até alcançar seu ponto
máximo quando Deus os levou ao deserto de Parã. Lá o Senhor
instruiu Moisés a enviar doze líderes de cada tribo, para que
investigassem a terra que Ele havia prometido. Os líderes foram a
Canaã e ficaram ali por quarenta dias, e dez deles trouxeram de
volta um relatório muito ruim: “Não podemos atacar aquele povo; é
mais forte do que nós” (Nm 13:31).
Embora um líder, Calebe, tenha discordado firmemente dos outros
(com o apoio de Josué), a congregação deu ouvidos ao relatório
negativo e chorou e murmurou durante toda a noite: “Por que o
Senhor está nos trazendo para esta terra? Só para nos deixar cair à
espada? Nossas mulheres e nossos filhos serão tomados como
despojo de guerra. Não seria melhor voltar para o Egito?” (Nm 14:3).
Eles murmuravam sempre que encontravam situações que não os
agradavam. Enquanto as coisas estavam boas para eles, eles
cumpriam a Palavra de Deus e pareciam desejá-Lo. Mas se a
obediência significasse ir em uma direção que não agradava sua
carne, os israelitas murmuravam. “Não seria melhor?” — essas
palavras nos dão uma imagem clara de seus corações. “Pois a boca
fala do que está cheio o coração” (Mt 12:34). O que era sua
motivação principal ficou evidente por meio de seu comportamento e
das palavras faladas sob pressão: as motivações eram eles
mesmos. O foco deles estava em suas próprias vidas, não no
coração de Deus.
Um Foco Diferente
Moisés era bem diferente. Após ter se tornado grande no Egito,
ele escolheu sofrer com o povo de Deus em vez de desfrutar dos
benefícios do Egito. Os filhos de Israel não escolheram as suas
aflições, mas Moisés foi presenteado com o melhor de tudo que o
mundo podia oferecer, e recusou tudo aquilo: “Por amor de Cristo,
considerou sua desonra uma riqueza maior do que os tesouros do
Egito, porque contemplava a sua recompensa” (Hb 11:26).
Tendo rapidamente esquecido a opressão que sofrera, o povo de
Israel queria retornar ao Egito (o mundo). Eles somente se
lembravam das coisas que lhes davam prazer lá, as quais faltavam
no deserto da provação de Deus. Moisés, por outro lado, escolheu
as dificuldades “porque contemplava a sua recompensa”.
O que era aquela recompensa? A resposta é encontrada quando
Deus o presenteia com uma oferta de que daria a ele e ao povo a
promessa que esperaram por quatrocentos anos: a terra prometida.
(Isso aconteceu antes da saída dos líderes para espionar a terra. O
povo estava ainda procurando ansiosamente pela terra.)
O Senhor disse a Moisés:
 
Saia deste lugar, com o povo que você tirou do Egito, e vá
para a terra que prometi com juramento a Abraão, a Isaque e
a Jacó, dizendo: Eu a darei a seus descendentes. Mandarei à
sua frente um anjo e expulsarei os cananeus, os amorreus, os
hititas, os ferezeus, os heveus e os jebuseus.
Êxodo 33:1-2
A promessa que eles tanto esperavam estava diante deles. Após
quatrocentos anos em uma terra estrangeira, a oferta de uma terra
próspera havia sido colocada diante do líder. Mas havia uma
condição. Deus continuou: “Vão para a terra onde há leite e mel com
fartura. Mas Eu não irei com vocês, pois vocês são um povo
obstinado, e Eu poderia destruí-los no caminho” (Êx 33:3).
Deus disse a Moisés para levar o povo para a terra que Ele havia
prometido, a terra pela qual esperaram quatrocentos anos para
possuir. Deus até mesmo prometeu a Moisés que enviaria um anjo
para ir adiante deles, embora Ele mesmo não os acompanhasse.
Moisés rapidamente respondeu: “Se não fores conosco, não nos
envies” (Êx 33:15). Moisés não hesitou ou vacilou em responder. Ele
preferiria permanecer no deserto, lugar de tanto desconforto, com a
presença de Deus, do que ir para uma terra de vinhas, árvores
frutíferas e casas bonitas, mas sem a presença de Deus.
Fico feliz que a opção de entrar na terra prometida sem Deus não
foi dada aos filhos de Israel. Eles continuamente murmuravam por
causa das dificuldades encontradas e preferiam retornar. E se eles
voltariam para o Egito mesmo sem Deus, certamente teriam ido
felizes com o anjo para sua própria terra. A recompensa deles era
qualquer coisa que os beneficiasse mais. (É assim que o mundo
vive também, interessado em “o que é melhor para mim?”.)
Para Moisés, a promessa não significava nada sem a presença de
Deus. Ele recusou a oferta de Deus porque,embora tê-la aceitado
resultaria em uma vida muito mais confortável, seria vazia daquilo
pelo qual seu coração batia. Ele desejava acima de tudo conhecer a
Deus: “Se me vês com agrado, revela-me os Teus propósitos, para
que eu Te conheça” (Êx 33:13).
Ele não pediu por terra, prosperidade, honra ou qualquer outra
coisa tangível. Ele teve tudo isso no Egito e percebeu que essas
coisas não traziam satisfação verdadeira. Imediatamente depois de
recusar a oferta da terra prometida sem a presença de Deus, seu
coração clamou: “Peço-Te que me mostres a Tua glória” (Êx 33:18).
Moisés tomou uma firme decisão. Ele perseguiu a recompensa de
conhecer a Deus. Abster-se do mundo não significa um preço tão
grande assim em comparação com a recompensa da glória de
Deus. Pelo fato de haver decidido abandonar as recompensas do
sistema do mundo, ele foi capaz de se achegar a Deus na
montanha. O povo, contudo, não podia se aproximar de um Deus de
santidade. Os desejos do Egito ainda habitavam dentro deles. Eles
não haviam se separado do mundo em seus corações, o que
resultou na incapacidade deles em separar o que era do mundo e o
que era de Deus.
Se você deseja tanto o mundo quanto um relacionamento íntimo
com Deus, a imagem que você tem de Deus começa a ficar
distorcida. Você não O conhece verdadeiramente; você conhece um
Jesus diferente. O povo de Israel queria a libertação de Deus, mas
eles desejavam o Egito também. É por isso que o povo “não
abandonou a prostituição iniciada no Egito” (Ez 23:8). Eles estavam
conformados aos padrões do mundo, os desejos do Egito estavam
dentro deles. Embora o forte poder de libertação de Deus os tenha
tirado do Egito, eles não tomaram a decisão de tirar o Egito de
dentro deles.
A Motivação Principal para a Vida
O fator que distinguia Moisés do povo de Israel era sua motivação
interior de viver. Moisés queria Deus e pagaria alegremente
qualquer preço para conhecê-Lo. O povo de Israel queria o que era
melhor para eles. Se eles fossem beneficiados ao andarem no
caminho de Deus, então eles alegremente o fariam, mas se não
fossem, eles passavam a se mover de volta para os que lhes
parecia ser melhor. Conhecer os caminhos de Deus sempre
resultará no melhor para nós, pois Deus é o perfeito amor. Contudo,
muitas vezes esse conhecimento não é evidente aos nossos
sentidos naturais.
Moisés amava a Deus por quem Ele era; Israel amava a Deus
pelo que Ele podia fazer por eles. Se o que Deus estava fazendo
não supria os desejos deles, eles se moviam em direção ao que
lhes parecia melhor. A visão que Israel tinha da vida não era
diferente do principal fator motivador do mundo. João declarou:
“Pois tudo o que há no mundo — a cobiça [desejo] da carne, a
cobiça [desejo] dos olhos e a ostentação dos bens — não provém
do Pai, mas do mundo” (1 Jo 2:16).
Aqueles que estão no mundo desejam aquilo que lhes agrada e
satisfaz seus sentidos ou status. Era assim que Israel vivia, e se
obedecer a Deus mostrasse benefícios imediatos, eles alegremente
obedeciam.
Moisés e Israel ilustram perfeitamente os dois grupos de pessoas
que constituem a Igreja de hoje. Essa diferença fundamental é a
linha que divide a Igreja, a qual revela os adoradores genuínos e
aqueles que professam Jesus como Senhor, mas são egoístas.
Agora nós podemos entender mais claramente as palavras de
Jesus no Novo Testamento:
 
Então Ele chamou a multidão e os discípulos e disse: “Se
alguém quiser acompanhar-Me, negue-se a si mesmo, tome a
sua cruz e siga-Me. Pois quem quiser salvar a sua vida, a
perderá; mas quem perder a sua vida por Minha causa e pelo
Evangelho, a salvará”.
Marcos 8:34-35
A Cruz representa a morte completa dos nossos desejos e das
nossas vontades. Aqueles que abraçam a Cruz confiam que Deus é
fiel, justo e o Criador e Mestre amoroso. Eles sabem que toda a vida
procede Dele, e fora Dele não há vida verdadeira.
Moisés enxergou o quadro maior; Israel podia ver somente a si
mesmo. Moisés entendeu que Deus é Santo e para se aproximar
Dele é necessário abrir mão completamente do mundo e de sua
própria forma. Ele entendeu que ao negar a si mesmo, ganharia o
conhecimento de Deus. Paulo também enxergou o quadro maior, e
podemos vemos sua principal motivação de viver nestes
comentários a duas igrejas:
 
Quanto a mim, não permita Deus que eu me gabe de coisa
alguma, a não ser da Cruz de nosso Senhor Jesus Cristo. Por
causa dessa Cruz meu interesse por todas as coisas
atraentes do mundo já foi morto há muito tempo, e o interesse
do mundo em mim também há muito está morto.
Gálatas 6:14, ABV
Mas o que para mim era lucro, passei a considerar como
perda, por causa de Cristo. Mais do que isso, considero tudo
como perda, comparado com a suprema grandeza do
conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor, por quem perdi
todas as coisas. Eu as considero como esterco para poder
ganhar Cristo.
Filipenses 3:7-8
Paulo não estava enganado. Ele não tinha desejo pelo mundo. O
preço de abandonar os prazeres e benefícios não era nada
comparado com a grandeza sublime de conhecer e andar com
Aquele que é a própria Vida.
CAPÍTULO 8
O
CONTRACULTURA OU SUBCULTURA?
Nós não devemos imitar os padrões
e as maneiras do mundo
nem agir como o povo deste mundo.
povo não pôde suportar a manifestação de Deus no topo de
Sua montanha. Antes da glória de Deus ser revelada, o povo
professava desejá-Lo, mas isso não era verdade. Em seus
corações, eles não haviam se separado do Egito; não tinham
abandonado seus desejos pelas coisas do Egito. Mas quando lhes
foi oferecido “Deus” em uma embalagem similar aos modos de viver
e padrões de Egito, foi maravilhoso, eles pensaram, pois poderiam
ter Deus e ao mesmo tempo seu desejo verdadeiro: o Egito. Eles
poderiam permanecer conformados aos padrões do Egito e aos de
Yahweh também!
Inúmeros padrões e maneiras de viver são moldados pelo espírito
do mundo (satanás é chamado de “príncipe do poder do ar” [Ef 2:2],
e “deus desta era” [2 Co 4:4]). Se nós não escolhermos abandoná-
los, em troca da recompensa de nos achegarmos à presença de
Deus, nós continuaremos a constantemente nos mover de volta às
influências do espírito que governa o mundo. Mas Deus ordena:
“Não procedam como se procede no Egito, onde vocês moraram...
Não sigam as suas práticas” (Lv 18:3).
Nós não devemos imitar os padrões e as práticas de vida do
mundo nem agir como o povo deste mundo. Paulo reforça esse
ponto: “Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-
se pela renovação da sua mente” (Rm 12:2).
O Reino de Deus e o curso deste mundo correm em duas direções
opostas. Não existe harmonia entre os dois, como Jesus advertiu:
“Se o mundo os odeia, tenham em mente que antes Me odiou. Se
vocês pertencessem ao mundo, ele os amaria como se fossem dele.
Todavia, vocês não são do mundo, mas Eu os escolhi, tirando-os do
mundo; por isso o mundo os odeia” (Jo 15:18-19).
Jesus nos escolheu e nos retirou do padrão de vida do mundo, e
Ele explica que é por isso que o mundo nos odeia. Mas será que ele
realmente nos odeia? É quase como se a Igreja tivesse passado
décadas tentando provar que as palavras de Jesus aqui estavam
equivocadas. Nós temos nos esforçado ao máximo para nos
encaixar. Nós temos inconscientemente crido que podemos ter a
aprovação de Jesus e a do mundo também! Mas Jesus diz que o
mundo somente nos amaria se nós pertencêssemos a ele. Então,
será que temos lutado para pertencer a um lugar no qual, na
verdade, não deveríamos nos encaixar?
A Igreja Primitiva Comparada à Atual
Tenho lido bastante sobre a Igreja Primitiva, principalmente sobre
a Igreja dos séculos segundo e terceiro, e tenho descoberto uma
grande diferença entre elas e nós. A característica mais marcante
das igrejas desse período é seu modo de viver separado. Não se
pode encontrar maneiras de ser, métodos e caminhos do mundo
entre elas. Elas eram completamente diferentes da sociedade que
as cercava, pois viviam sob um conjunto de princípios e valores
totalmente diferente. A Palavra de Deus verdadeiramente as
moldava.
Os relatos sobre os fiéis dos primeirostempos feitos por não
cristãos dizem que os cristãos que viviam na comunidade eram
como visitantes, que embora vivessem na carne, eles não viviam
segundo a carne. Eles obedeciam às leis prescritas, mas, ao mesmo
tempo, eles ultrapassavam o que a lei exigia com seu modo de vida.
Tinham pouco interesse em prazeres, esporte e diversão. Eles
amavam a todos os homens, mas também eram perseguidos por
todos eles. Eram desonrados, mas, nessa mesma desonra, eram
glorificados. E aqueles que os odiavam eram incapazes de
descrever a razão de seu ódio.
Nos dias atuais, aqueles que nos odeiam não têm de procurar
muito tempo para encontrar razões válidas para seu ódio. Esses
relatos sobre os cristãos primitivos podem ser aplicados somente a
um pequeno segmento da Igreja de hoje. Nós temos visto inúmeros
escândalos em todos os níveis do ministério. Esses incidentes
trágicos têm ocorrido por causa dos nossos desejos egoístas. Não
somente líderes, mas muitos nas igrejas vivem uma vida materialista
em busca dos prazeres e tesouros deste mundo. Nós não paramos
para refletir no fato de que estamos na fila para assistir aos mesmos
filmes, divertimentos e prazeres que o mundo persegue.
Cipriano era um romano muito rico que entregou a vida a Jesus,
aos quarenta anos. Ele estava tão feliz por ter encontrado a Cristo
que vendeu todos os seus pertences e deu todo o dinheiro aos
necessitados. Depois ele se tornou um obreiro da Igreja. Cipriano
escreveu:
 
A única tranquilidade confiante e pacífica, a única segurança
que é sólida, firme e que nunca muda, é esta: um homem se
desviar das distrações deste mundo e ancorar-se firmemente
no solo da salvação, e levantar seus olhos da Terra para o
Céu (a montanha de Deus)...
Aquele que é maior do que o mundo não pode ansiar nada
nem desejar nada deste mundo.
Carta de Cipriano a Donato, século 14
Os cristãos primitivos criam que este mundo e o próximo eram
inimigos; portanto, não podemos ser amigos dos dois. Tiago afirma
sem meias-palavras: “Adúlteros, vocês não sabem que a amizade
com o mundo é inimizade com Deus? Quem quer ser amigo do
mundo faz-se inimigo de Deus” (Tg 4:4).
Por que ele chama de adúlteros os cristãos que querem ser
amigos deste mundo? Um adúltero tem aliança com um, mas busca
relacionamento com outro. Nós, como cristãos, temos uma aliança
com Deus, então por que desejamos possuir os padrões, modos de
ser e caminhos do mundo? Será que não somos diferentes de
Israel, que não podia abrir mão dos desejos do Egito pelo privilégio
de conhecer a Deus?
Contracultura ou Subcultura?
A Igreja Primitiva era uma contracultura. Hoje, a maioria das
igrejas são uma subcultura. Qual é a diferença? Uma contracultura é
um grupo de pessoas cujo estilo de vida rejeita ou se opõe aos
valores e padrões de comportamento dominantes na sociedade. Um
conjunto de leis completamente diferentes governa suas vidas. A
Igreja Primitiva demonstrava isso. Pedro diz aos primeiros
convertidos: “Salvem-se desta geração corrompida!” (At 2:40). A
versão da Bíblia A Mensagem reforça o significado das palavras de
Pedro: “Saiam enquanto podem! Saiam desta cultura doente e
vazia!”.
Uma subcultura, por outro lado, é um grupo distinto de pessoas
que ainda é parte de uma cultura total existente. Embora haja
alguma característica diferente nas pessoas desse grupo, ele ainda
está conectado ao restante da sociedade. A Igreja de hoje se
enquadra nessa descrição. Nós temos nossos rótulos de “nascido
de novo” ou “salvos”. Nós nos afiliamos a grupos ou círculos
específicos: evangélicos, pentecostais, carismáticos,
denominacionais, e por aí vai. Mas estamos muito bem presos à
sociedade.
Nossa sociedade engloba pessoas com estilos de vida muito
diferentes. Se desenhássemos um gráfico dos estilos de vida dos
norte-americanos, teríamos, em um extremo, liberais; e em outro
extremo, conservadores, com muitas variações entre os dois
extremos. No extremo liberal, encontramos pessoas como estrelas
do rock, celebridades e outros que vestem roupas incomuns, sendo
que alguns até vestem o que o sexo oposto veste. Essas pessoas
vivem uma vida excepcionalmente anormal, tendo atitudes
indecentes, tanto particular quanto publicamente. Alguns pintam
seus cabelos de preto e branqueiam a pele. Outros vivem uma vida
pervertida. Nós os consideramos um segmento extremo da
sociedade, ao qual a maioria na Igreja nunca busca imitar.
Do outro lado, temos os norte-americanos conservadores. Aqueles
homens e mulheres que vivem aquilo que chamamos de vida
normal. Embora esse segmento da sociedade veja a si mesmo
como “bom”, ele está perfeitamente ligado ao restante da cultura,
que anda sob a influência do príncipe do poder do ar. Ás vezes o
“bom” é o pior inimigo de Deus. Lembre-se de que a escolha de
Eva, que parecia ser boa, era totalmente contra o caminho de Deus.
Em vez de nós, cristãos, vivermos uma vida totalmente separada,
com base na autoridade governamental do Reino de Deus, muitos
de nós vivemos uma vida igual, que não difere em nada da vida dos
não cristãos conservadores. Nós dizemos que não somos deste
mundo, mas para muitos de nós isso é uma teoria, e não uma
realidade. Pelo fato de estarmos conectados, à medida que as
linhas que delimitam a sociedade se movem, nós nos movemos com
ela.
A Palavra de Deus instrui os cristãos: “Afastem-se de toda forma
de mal” (1 Ts 5:22). E somos exortados do seguinte modo: “Não
participem dos prazeres indignos do mal e das trevas mas, ao invés
disso, denunciem publicamente e reprovem esses prazeres. Seria
vergonhoso até mencionar aqui esses prazeres das trevas aos quais
os ímpios se entregam” (Ef 5:11-12, ABV). Mas será que temos
dado ouvidos a essas advertências?
Hoje a indústria cinematográfica estabelece uma classificação
para os filmes. A maioria dos cristãos, até os conservadores, não
pensa nada sobre ver filmes de classificação doze anos, desde que
o filme não contenha obscenidade ou nudez excessiva. Contudo,
muitos desses filmes, embora não tenham essas características,
são cheios de desrespeito, ira, ódio, violência ou relacionamentos
extraconjugais. Muitos cristãos assistem a tais comportamentos
ímpios sem pensar duas vezes.
Vamos escolher um desses filmes de classificação doze anos e
mostrá-lo para pessoas da década de 1940. Qual seria a reação
delas? A maioria teria ficado horrorizada com o conteúdo! O que
aconteceu? As linhas divisórias conservadoras foram se movendo
aos poucos, e a Igreja foi se movendo juntamente com elas. O que
teria assustado os cristãos nos Estados Unidos dos anos 1940 é
considerado normal pela maioria dos cristãos da Igreja de hoje. Nós
temos sido governados pelo Reino de Deus ou temos sido
influenciados pelos desejos do Egito?
Os meios e padrões do Reino de Deus são consistentes, pois
Deus não muda. A Bíblia declara que não há sombra de variação
Nele. Quando Deus nos ordena evitarmos toda forma de mal, e diz
que é vergonhoso o simplesmente falar sobre coisas que os ímpios
fazem, por que nós formamos filas e pagamos para ver tais atitudes,
modos de ser e padrões que foram moldados segundo a geração
perversa na qual vivemos? Um amigo me disse que estava em um
período de profunda oração quando ele ouviu o Senhor entristecido
perguntando: “Por que Meu povo se entretém com as mesmas
coisas que colocaram aqueles pregos em Minhas mãos?”.
Será que a indústria do entretenimento tem discernimento? Os
executivos e aqueles que tomam decisões conhecem os frutos que
Deus procura em Seu povo? Então, por que nós acreditamos nas
classificações da indústria e não no discernimento? Será que Deus
mudou com o passar dos anos e Se acomodou às tendências desta
geração? Certamente não! Se os padrões de Deus não mudaram,
por que a maioria dos padrões dos cristãos mudou? Nós estamos
ligados à cultura, e não ao Reino, com nosso estilo de vida. Nós não
abandonamos os desejos do Egito. Esse padrão é evidente em
todas as áreas da nossa vida: modo de vestir, cortes de cabelo, no
modo como lidamos com dinheiro e negócios, perspectiva política,
etc.
O povo da IgrejaPrimitiva era capaz de rejeitar atitudes, padrões e
entretenimentos que não eram de Deus, porque a cultura deles era
conformada segundo o Reino de Deus. Eles eram uma igreja
sedenta, que desejava conhecer seu Redentor mais do que
desejava conforto e prazeres. Os enlaces da cultura não tinham
poder sobre a maioria deles; por causa da paixão que tinham pelo
Senhor. O custo de abandonar essas coisas não se comparava com
a recompensa de conhecer o Redentor. Eles não somente
reconheciam isso, mas viviam isso também. O estilo de vida
produzia uma disciplina saudável entre eles.
Diferentemente de algumas denominações e grupos que surgiram
depois, a Igreja Primitiva geralmente não tentava criar leis para a
santidade através de regras excessivas e regulamentos. Eles
dependiam da doutrina sã, da direção genuína do Espírito, do
exemplo de temeridade a Deus e um firme compromisso de servi-
Lo. Igrejas que dependem de regulamentos extremos para promover
a santidade, geralmente acabam gerando legalistas religiosos. A
Igreja Primitiva enfatizava a importância de um coração
transformado, o qual produzia um estilo de vida santo. Maneirismos
externos eram considerados inúteis se não revelassem o que estava
acontecendo no interior da pessoa.
Estamos Provocando o Ciúme do Senhor?
Hoje, temos convidado o mundo para entrar em nossos lares
através da televisão, dos vídeos, das revistas e dos jornais, e por aí
em diante. Muitas vezes tenho chorado ao ver pôsteres de atletas,
fotos de estrelas do cinema penduradas nas paredes dos quartos de
crianças, e revistas das estrelas de Hollywood e ídolos da sociedade
nas casas de cristãos. Por que temos idolatrado esses homens e
mulheres venerados pela sociedade?
Falando sobre ídolos, Paulo disse: “Vocês não podem beber do
cálice do Senhor e do cálice dos demônios; não podem participar da
mesa do Senhor e da mesa dos demônios. Porventura
provocaremos o ciúme do Senhor?” (1 Co 10:21-22). Por que
estamos tão interessados no que interessa ao mundo?
Durante anos minha família tem tido contato com um lutador
profissional famoso. Sua família foi tocada profundamente por Deus
de muitas maneiras. A mãe, o filho e um parente foram salvos. O
lutador também ouviu o Evangelho através de nós; ele sabe que há
um preço a ser pago para seguir a Jesus e não quer deixar tudo
para segui-Lo. Em certo sentido, eu respeito sua honestidade, pois
hoje muitos na Igreja dizem que abandonam tudo para seguir Jesus,
mas não cumprem a palavra.
Eu tenho usado esse lutador como uma analogia quando falo
sobre força espiritual em minhas mensagens. Relato esse exemplo
em conferências e igrejas ao redor do país. Meu coração quase se
parte quando pessoas vêm até a mim com entusiasmo dizendo que
sabem de quem estou falando. Quando isso acontece, tenho
vontade de gritar: “Por que você deveria saber quem ele é? Por que
você tem assistido a isso?”. Pelo risco de parecer legalista, eu deixo
de falar. Talvez eu devesse falar. Eu me preocupo bastante com ele,
mas não consigo assistir-lhe na televisão, pois o ato que ele pratica
é cheio de escuridão. Eu penso: como um cristão pode assistir a
isso regularmente? Onde está o zelo pela presença de Deus?
Um Chamado A Despertar
Algum tempo atrás recebi um chamado para despertar que
acendeu minha paixão por esta mensagem. Eu havia ministrado em
uma igreja sobre buscar a Deus. O culto poderoso tocou
profundamente muitas pessoas.
No dia seguinte, foi um dia de descanso para mim. Eu estava
viajando com minha esposa e meus filhos, e naquele momento já
estávamos fora de casa há algum tempo. O pastor convidou todos
os líderes para um momento de comunhão. Nós comemos,
conversamos, e a maior parte da conversa foi sobre o toque de
Deus naquele culto do dia anterior. Após a refeição, decidimos
assistir a um filme. Alguém ali tinha o vídeo de um filme muito
popular. Eu achava que o ator principal era muito talentoso e,
embora fosse classificado para doze anos, eu disse que queria
assistir.
No começo do filme havia uma forte cena de assassinato. Fiquei
perturbado com aquilo, mas decidi continuar assistindo. Embora o
filme não tivesse mais assassinatos, aconteceram muitas lutas,
ódio, ira, raiva e engano. À medida que eu assistia, sentia
preocupação em meu coração. Eu continuava pensando no que
havíamos falado sobre as coisas de Deus, sentindo luz e vida, e
agora nós estávamos nos abrindo para as trevas. Senti que estava
sendo uma péssima testemunha.
Então um dos meus filhos entrou na sala no momento em que o
ator relembrava a cena do crime. Meu filho ficou horrorizado. Ele
correu até o quarto e ficou tão perturbado, que ele e seu irmão mais
velho foram até minha esposa (que havia saído dali no começo do
filme) buscando conforto. Ele não podia entender como seu pai
podia assistir a tal filme. Ele perguntou: “Mamãe, aquele filme é
realmente para doze anos? Por que Papai está assistindo àquilo?”.
Quando o filme acabou, eu me senti violado. Sabia que tinha feito
uma tolice. Eu me despedi dos líderes. Aquela foi a última vez que
os vi naquela viagem. Que maneira de me despedir! Pedi desculpas
à minha esposa, que me contou sobre o comentário do nosso filho.
Eu me desculpei com eles no dia seguinte e disse-lhes o quão
errado eu estava. Eu tinha pecado contra Deus, contra eles e contra
aqueles líderes. Eles foram graciosos e me perdoaram, mas
continuaram ainda processando o que havia acontecido.
Em outra cidade, nós ficamos hospedados com um casal muito
abençoado que eram nossos amigos muito íntimos. Quando eu fui
salvo, no final dos anos 1970, eles foram meus mentores. Ele era
um dos pesquisadores da Universidade de Purdue. Ele já levou
muitos a Deus e tem ajudado estudantes a crescerem no Senhor.
Ele ama conversar sobre as coisas do Reino.
Meu filho contou a esse casal sobre o filme que eu havia assistido
na casa de um pastor. Minha esposa mais tarde me contou que ele
havia feito isso. Eles eram tão puros que me senti envergonhado e
profundamente triste por meus velhos amigos ficarem sabendo o
que eu havia feito.
Imediatamente fui ao Senhor em oração. Deus falou comigo de
maneira a não deixar dúvidas, e me mostrou que aquilo era um
chamado para que eu despertasse. Se eu fiquei tão preocupado ao
saber que aquele casal ouvira sobre o que eu tinha feito, como eu
imaginava que Deus Se sentiu quando eu submeti a mim mesmo,
que sou templo do Espírito, a tão grandes trevas? Fui tomado de
arrependimento. Graças a Deus, Ele é gracioso e misericordioso em
perdoar!
Uma Revelação Esclarecedora
O Senhor usou esse incidente para me mostrar a Sua verdade
acerca da nossa responsabilidade de nos separarmos do mundo.
Sua revelação, como sempre, reformulou minha maneira de pensar
e viver. Dias depois, na mesma semana, o Senhor usou a vida de
Ló, sobrinho de Abrão, para ilustrar ainda mais essa verdade.
Deus disse a Abrão para deixar seus pais, seus parentes e a casa
de seu pai, pois Ele faria de Abrão uma grande nação e o
abençoaria. Abrão partiu, e seu sobrinho Ló foi com ele. A partida
deles é uma analogia da salvação, assim como a saída de Moisés e
Israel do Egito. Abrão deixou sua casa por causa da revelação de
Deus; mas Ló, não. Abrão tinha as mesmas motivações de Moisés,
enquanto Ló se parecia muito mais com o povo de Israel.
O resultado da partida de Ló, junto com Abrão, era que ele
participaria das bênçãos de Deus. Abrão prosperou e era rico em
gado, prata e ouro (Gn 13:2). E Ló, “que acompanhava Abrão,
também possuía rebanhos e tendas” (Gn 13:5). Contudo, sempre
que alguém busca benefícios próprios e segue alguém que busca
Deus, um conflito acontecerá, pois a carne sempre resistirá e
finalmente contenderá contra o espírito. E então sabemos que “...
surgiu uma desavença entre os pastores dos rebanhos de Abrão e
os de Ló” (Gn 13:7). Sendo alguém segundo o coração de Deus,
Abrão disse a seu sobrinho:
 
Não haja desavença entre mim e você, ou entre os seus
pastores e os meus; afinal somos irmãos! Aí está a terra
inteira diante de você. Vamos separar-nos. Se você for para a
esquerda,irei para a direita; se for para a direita, irei para a
esquerda.
Gênesis 13:8-9
O coração de Abrão era segundo o coração de Deus. Seu
interesse em ganho pessoal não era maior que a força que movia
sua vida. O que o mundo poderia oferecer não lhe importava,
porque “ele esperava a cidade que tem alicerces, cujo Arquiteto e
Edificador é Deus” (Hb 11:10). Seus olhos estavam postos sobre o
que é eterno, portanto escolher a melhor terra não era o que
importava para ele.
Aqueles que foram salvos, mas que lhes falta uma paixão por
Deus, como os filhos de Israel, buscarão seus melhores interesses
no sistema do mundo, pois é onde a recompensa deles está. Abrão
deu preferência a Ló ao dar-lhe a escolha da terra.
 
Olhou então Ló e viu todo o vale do Jordão, todo ele bem
irrigado, até Zoar; era como o jardim do Senhor, como a terra
do Egito. Isto se deu antes de o Senhor destruir Sodoma e
Gomorra. Ló escolheu todo o vale do Jordão e partiu em
direção ao leste. Assim os dois se separaram: Abrão ficou na
terra de Canaã, mas Ló mudou seu acampamento para um
lugar próximo a Sodoma.
Gênesis 13:10-12
A terra que Ló escolheu era bem convidativa. Ele podia ver
prosperidade e conforto esperando por ele naquelas planícies. Ele
estava familiarizado com o território, pois já havia passado por
aquela área antes (ver Gênesis 13:3). Ele provavelmente sabia que
“os homens de Sodoma eram extremamente perversos e pecadores
contra o Senhor” (Gn 13:13). Talvez isso explique a “olhada” que ele
deu. Eu imagino que ele tenha pesado na balança a bênção da terra
e a iniquidade que a acompanhava. Mas seu desejo por uma “boa
vida” era mais forte do que o amor por Deus, que era o que Abrão
tinha. Portanto, Ló ignorou a iniquidade da terra. Ele provavelmente
pensou que poderia permanecer não influenciado por tudo aquilo.
Creio que ele “mudou seu acampamento para um lugar próximo a
Sodoma” para se desviar do centro da sociedade ímpia. Ele
comportou-se como muitos cristãos hoje, pensando: eu posso me
envolver um pouco com o sistema do mundo, longe desses
segmentos perversos, e não me deixar ser sugado por ele. Esses
são pensamentos no mínimo tolos! O mundo possui uma força
atrativa em si chamada sedução, e se você tiver algum desejo por
ganho egoísta, ele o atrairá, assim como um ímã atrai certos metais,
e não atrai outros.
As intenções de Ló podem ter sido boas em ficar afastado da
cidade de Sodoma, porém, mais tarde, ele já não morava mais em
um acampamento perto da cidade. Ele havia se mudado para uma
casa dentro das portas da cidade de Sodoma! (ver Gênesis 19:1-3)
Ele foi atraído a ela. Eu tenho certeza de que os benefícios o
atraíram, mas lemos no Novo Testamento que sua alma justa foi
influenciada pela conduta iníqua dos ímpios: “Pois, vivendo entre
eles, todos os dias aquele justo [Ló] se atormentava em sua alma
justa por causa das maldades que via e ouvia” (2 Pe 2:8).
Eu nunca me esquecerei do que Deus me revelou naquela
semana. As palavras “as maldades que via e ouvia” saltaram aos
meus olhos. Ao ver e ouvir suas obras iníquas, Ló atormentou sua
alma justa.
Você deve estar pensando: Eu vejo e ouço maldades todos os
dias. Eu as vejo e ouço no trabalho, na escola, na rua. Como posso
me privar de atormentar minha alma? O Senhor me mostrou a
chave. Quando você vai ao trabalho, à escola ou a qualquer outro
lugar para exercer suas atividades diárias necessárias, você está
indo para seu campo missionário. Deus o está enviando como luz
para o meio das trevas. Você pode alcançar pessoas ali
testemunhando da ressurreição de Jesus, pessoas que talvez nunca
pisarão em um culto evangélico. Ao ver suas maldades, sua alma
não será atormentada.
Ló, por outro lado, escolheu habitar entre os iníquos para o próprio
benefício e prazer. Quando você, como cristão, escolhe assistir a
um vídeo cheio de maldades, ler uma revista banhada pelo espírito
do mundo ou escolhe ir a um lugar de diversão e entretenimento
que possui obras iníquas em si, você escolhe atormentar sua alma.
Mas, pior que isso, você na verdade abandona o privilégio de poder
se aproximar à montanha do Senhor.
Onde Encontramos Descanso
para Nossas Almas?
Você pode protestar: “Mas Jesus foi capaz de comer com
pecadores”. Sim, é verdade. Ele se encontrava com eles para
alcançá-los, algo que nós devemos fazer. Mas Ele não foi lá para Se
entreter ou relaxar. Você pode perguntar: “Então, onde um cristão
pode ir para descansar?”. Jesus ia para lugares desertos (ver
Marcos 6:31). Isso significa um lugar longe do sistema do mundo.
Meu lugar favorito para descanso costumava ser a praia. Mas
agora eu raramente encontro uma praia calma. Na maioria das
praias, pessoas desfilam com seus corpos quase nus, com o
espírito de sedução em ação. (Imagino o quanto as roupas
indecentes e minúsculas de hoje teriam assustado outros na década
de 1940. Elas teriam chocado e assustado até mesmo os não
crentes conservadores! Eu não estou tentando de forma alguma ser
legalista ou antiquado, mas me pergunto se estamos conectados
como subcultura mais do que nós mesmos percebemos.) Em vez de
ir a praias, eu vou para as montanhas, lugares muito arborizados ou
regiões de lagos para férias. Nessas áreas eu posso ficar longe do
sistema do mundo e verdadeiramente descansar minha alma.
Por que alguns cristãos precisam se divertir ou buscar descanso
em lugares onde o modo de ser e os padrões do mundo são mais
evidentes? Estamos tentando ficar longe da presença de Deus para
descansar ou vamos nos acalmar para poder desfrutar Sua
presença tão maravilhosa? Será que não percebemos que a
promessa da Sua presença espera por aqueles que se separam e
se achegam a Ele?1
1Alguns dos meus comentários neste capítulo foram inspirados nos capítulos 3 e 4 do livro
de David W. Bercot, Will The Real Heretics Please Stand Up? (Os verdadeiros heréticos
poderiam, por favor, ficar de pé?) (Tyler, TX.: Scroll Publishing, 1989).
CAPÍTULO 9
O
GRAÇA SALVADORA
Graça é definida como a capacidade de viver
livre da iniquidade e dos desejos do mundo.
É a essência do poder de viver uma
vida de santidade diante de Deus.
Antigo Testamento certamente não contém passagens
ultrapassadas. Ao contrário, Jesus disse: “Não pensem que
vim abolir a Lei ou os Profetas; não vim abolir, mas cumprir” (Mt
5:17). Como podemos saber o que Jesus cumpriu ou ainda cumpre
sem entender essa Lei? Agora que desenvolvemos um
entendimento do Antigo Testamento e do desejo de Deus de habitar
entre o Seu povo, voltemos à declaração de Paulo na Nova Aliança:
 
Não se ponham em jugo desigual com descrentes. Pois o que
têm em comum a justiça e a maldade? Ou que comunhão
pode ter a luz com as trevas? Que harmonia entre Cristo e
Belial? Que há de comum entre o crente e o descrente? Que
acordo há entre o templo de Deus e os ídolos? Pois somos
santuário do Deus vivo. Como disse Deus:
“Habitarei com eles
E entre eles andarei;
Serei o seu Deus,
E eles serão o Meu povo”.
2 Coríntios 6:14-16
Deus faz três promessas distintas. Primeiro, Ele habitará no nosso
meio e andará entre nós. Segundo, Ele será o nosso Deus. Terceiro,
nós seremos o Seu povo. Essas são as Suas promessas, mas elas
não se originaram no Novo Testamento. Paulo simplesmente repete
o que o Senhor disse a Israel; Seus desejos para nós são os
mesmos. Em uma ocasião, Suas palavras exatas a Israel foram:
“Andarei entre vocês e serei o seu Deus, e vocês serão o Meu povo”
(Lv 26:12). Esse tem sido Seu desejo desde o início.
Como aprendemos, Ele está falando sobre Seus desejos de
habitar entre nós em Sua glória. O Espírito Santo, por meio do
apóstolo Paulo, reafirma as mesmas palavras aos cristãos do Novo
Testamento. Ainda assim, como foi para Israel, existe uma condição:
 
Portanto, “saiam do meio deles
E separem-se”, diz o Senhor.
“Não toquem em coisas impuras,
E Eu os receberei
E lhes serei Pai, e vocês serão Meus filhos e Minhas filhas”,
Diz o Senhor Todo-Poderoso.
2 Coríntios 6:17-18
A condição não é diferente daquela dada a Moisés e aos filhos de
Israel. Nós devemos nos separar do sistemado mundo. Se
obedecermos, Deus nos receberá e Se revelará a nós! Mas se não
nos separarmos, nosso destino será pior do que o destino dos
hebreus.
Deus disse a Moisés para que consagrasse o povo. Ser
consagrado a Ele lhes permitiria contemplar a glória do Pai. Nós
recebemos a mesma instrução de nos separamos. Parafraseando,
Deus está dizendo: “Eu os livrei do mundo. Agora, retirem o mundo
de dentro de vocês!”. Obedecer a esse mandamento nos preparará
para a glória do Senhor.
Moisés instruiu Israel a “lavar suas vestes”. Eles deveriam se
limpar da iniquidade do Egito. A mesma coisa nos é dita: “Amados,
visto que temos essas promessas, purifiquemo-nos de tudo o que
contamina o corpo e o espírito, aperfeiçoando a santidade no temor
de Deus” (2 Co 7:1).
Nós devemos aperfeiçoar a santidade ao nos limparmos das
impurezas da carne e do espírito do mundo, que ainda estão em
nós. Assim como foi com Israel, devemos nos lavar da imundície do
mundo e tirá-la de nós. Paulo não nos diz: “Deus os limpará”, ou “o
sangue de Jesus dará conta de limpar vocês”. O significado é ainda
mais claro na linguagem original. A palavra grega para a expressão
“aperfeiçoando” é epiteleo. O Dicionário Grego de Thayer define a
palavra como “tomar sobre si a obrigação de terminar, aperfeiçoar,
executar ou completar algo”. Isso coloca sobre nós a
responsabilidade de iniciar o processo de limpeza e cuidar para que
sejamos purificados.
É claro, nunca poderíamos fazer isso sem a graça de Deus, pois a
graça do Senhor nos concede a capacidade de fazer o que Sua
verdade exige. Ela nos dá poder para obedecermos às Palavras de
Deus. Isso explica por que Paulo diz:
 
Como cooperadores de Deus, insistimos com vocês para não
receberem em vão a graça de Deus.
2 Coríntios 6:1
Receber algo em vão seria como não usar o que recebeu em seu
potencial pleno. Digamos que eu viva em uma montanha vulcânica.
É anunciado que o vulcão entrará em erupção nas próximas vinte e
quatro horas. Sem meios de transporte, eu não poderia escapar,
pois não chegaria longe o suficiente da montanha se saísse a pé,
em um período de vinte e quatro horas. Sem um automóvel eu
estaria condenado. Ao ver minha necessidade, uma pessoa
generosa e amável bate à minha porta e oferece-me um carro,
coloca as chaves em minhas mãos e diz: “O carro é seu, agora você
está salvo”.
Eu me alegro porque fui salvo. Pelo fato de estar sem dinheiro,
nunca teria comprado um carro. Essa pessoa voluntariamente me
deu um automóvel que me levará a um lugar seguro.
Cheio de entusiasmo, ligo para meus amigos e digo: “Eu fui salvo!
Não vou mais morrer! Uma pessoa muito compassiva me deu um
carro para escapar do desastre. Não é maravilhoso?”. Então eu
procuro meus mapas, e até leio um livro para aprender a dirigir
melhor.
Entretanto, durante as vinte e quatro horas seguintes, eu
permaneço dentro da casa. Eu não entro no carro para escapar.
Assim, o vulcão entra em erupção e eu sou aniquilado pela
destruição. O presente que me traria vida foi providenciado, mas eu
somente celebrei e não segui nenhuma ação. Mais tarde, todos
aqueles que sabiam do meu problema e do que eu havia ganhado,
diriam: “Ele ganhou um carro em vão!”.
Da mesma forma, receber a graça de Deus em vão significa que
Ele nos deu poder para andar em liberdade dos esquemas deste
mundo através da santidade, mas não fizemos uso dela.
Uma Graça Antibíblica
Um pensamento enganador está presente na Igreja de hoje. Esse
pensamento foi concebido e propagado por ensinamentos
desequilibrados sobre a graça. Frequentemente, refere-se à graça
para desculpar ou encobrir uma vida mundana. Falando mais
claramente, ela é usada como uma justificativa para uma maneira
de viver egoísta e carnal. Muitos grupos cristãos têm enfatizado
excessivamente a bondade do Senhor e negligenciado Sua
santidade e Sua justiça. Esse desequilíbrio tem feito com que muitos
tenham um entendimento deturpado sobre a graça de Deus. Assim,
muitos acabam recebendo-a em vão.
A graça de Deus não é uma mera cobertura. Sim, ela nos cobre,
mas vai além disso: ela nos capacita e nos dá poder para viver uma
vida de obediência. No sermão da montanha (ver Mateus 5), Jesus
repete as palavras: “Vocês ouviram o que foi dito aos seus
antepassados... mas Eu lhes digo...” (vv. 21-22). Esse padrão
continua até o final do capítulo por mais quatro vezes (vv. 27-28, 31-
32,33-34, 43-44). O que Jesus está fazendo? Ele cita a exigência da
Lei de Moisés: “Vocês ouviram o que foi dito...”. E então Ele introduz
o que Deus busca no crente que está debaixo da Nova Aliança:
“Mas Eu lhes digo...”. Ele contrasta a Lei Mosaica com a graça e a
verdade.
João diz: “Pois a Lei foi dada por intermédio de Moisés; a graça e
a verdade vieram por intermédio de Jesus Cristo” (Jo 1:17). Jesus
introduz a dimensão da graça que transmite a capacidade de Deus
dentro de nós, que nos liberta da fórmula morta da Lei. A Lei
consiste em comportamento exterior, enquanto a graça é a
transformação interior.
Muitas vezes eu ouço cristãos e pastores reclamarem sobre as
duras exigências da Lei, e então expressarem seu alívio por
estarem sob a graça, com uma vida não tão rígida. Bem, eu também
me alegro grandemente porque não vivo sob a Lei. Mas não porque,
agora, descobri que os padrões de santidade de Deus se tornaram
mais permissivos. O oposto é que é verdadeiro. Foi porque eu
acredito que o nível que Ele impõe sob a graça é maior ainda!
Vejamos melhor a comparação de Jesus no Sermão da Montanha:
 
Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; e, Quem
matar será réu de juízo. Eu, porém, vos digo que todo aquele
que se encolerizar contra seu irmão, será réu de juízo; e
quem disser a seu irmão: Raca, será réu diante do sinédrio; e
quem lhe disser: Tolo, será réu do fogo do inferno.
Mateus 5:21,22, AA
A palavra Raca significa “cabeça oca”. Era um termo de
repreensão muito usado entre os judeus nos tempos de Cristo. Se
alguém se irasse a ponto de chamar seu irmão de tolo, Jesus disse
que ele seria sujeito ao inferno. A palavra Tolo também significa
“sem Deus”. “Diz tolo em seu coração: ‘Deus não existe’” (Sl 14:1).
Chamar um irmão de tolo era uma acusação séria. Ninguém poderia
dizer isso sem que sua ira já não tivesse se transformado em ódio.
Dizer “Raca” ou “Tolo”, é comparável a alguém dizer hoje: “eu odeio
você”.
No Antigo Testamento, uma pessoa era culpada por homicídio se
tirasse a vida física. Sob a graça do Novo Testamento, Deus iguala
o ódio a um irmão à seriedade de se cometer homocídio: “Quem
odeia seu irmão é assassino, e vocês sabem que nenhum assassino
tem a vida eterna em si mesmo” (1 Jo 3:15).
Sob a Lei, você precisa passar a faca em alguém para ser
culpado. Sob a graça, se você recusar perdoar seu irmão ou permitir
que a ira ou qualquer forma de ódio reine em seu coração, é
evidente que a graça de Deus não habita em você ou que você a
negligenciou, portanto, recebeu a graça em vão. Então, será que
Jesus descreve a graça como justificativa ou Ele a revela como Seu
poder que nos capacita a viver uma vida santa?
Aqui está outra comparação que Jesus fez:
 
Vocês ouviram o que foi dito: “Não adulterarás”. Mas Eu lhes
digo: Qualquer que olhar para uma mulher e desejá-la, já
cometeu adultério com ela no seu coração.
Mateus 5:27-28
Um julgamento de culpa, na Aliança Antiga, acontecia quando
alguém cometia o ato de adultério físico. Em contraste, sob a Nova
Aliança, Deus considera um homem em adultério quando ele
meramente olha para uma mulher com desejo em seu coração. Sob
a Lei, você teria de praticar o ato para ser culpado; sob a graça,
tudo o que é necessário é que você simplesmente queira fazer isso!
Por acaso parece a graça que tem sido vivida e ensinada em nosso
meio? Será que isso soa como uma grande cobertura, ou como a
capacidade dada por Deus para se viver uma vida santa?
Se a graça é uma mera cobertura, então pareceria que Jesus
contradisse a graça que Ele veio dar. Mas isso não é verdade:
“Porque a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os
homens. Ela nos ensina a renunciarà impiedade e às paixões
mundanas e a viver de maneira sensata, justa e piedosa nesta era
presente” (Tt 2:11-12). A graça é definida como a capacidade de
viver livre da iniquidade e dos desejos do mundo. É a essência do
poder de viver uma vida de santidade perante Deus.
O escritor de Hebreus nos exorta a “retenhamos a graça, pela qual
sirvamos a Deus agradavelmente, com reverência e piedade” (Hb
12:28, ACF). Novamente, graça é definida nesse versículo não
como uma cobertura, mas como uma força que nos permite servir a
Deus de modo agradável. A graça que recebemos em vão resulta
em um coração não transformado, voltado para as impurezas do
mundo. Portanto, o fruto da santidade é a prova da nossa salvação.
Salvo por Obras?
Algumas pessoas podem argumentar: “Mas a Bíblia diz: ‘Nós
fomos salvos pela graça por meio da fé, não por nossas próprias
obras; isso é um dom de Deus’” (Ef 2:8-9, paráfrase do autor).
Sim, isso é verdade. É impossível viver uma vida digna de herdar
o Reino de Deus pela própria força, pois todos nós pecamos e
falhamos em viver de acordo com o padrão justo de Deus. Ninguém
nunca será capaz de permanecer diante de Deus e dizer que suas
obras, atos caridosos ou vida correta lhe deram o direito de herdar o
Seu Reino. Todos nós transgredimos e merecemos o lago de fogo
eternamente.
A resposta de Deus para nossas falhas é a dádiva da salvação por
meio do dom da Sua graça! Uma dádiva não pode ser conquistada.
Romanos 4:4 nos diz: “Ora, o salário do homem que trabalha não é
considerado como favor, mas como dívida”. Você não pode viver
uma vida correta o suficiente para merecer ou comprar a graça.
Você poderia dedicar toda a vida a sacrifícios e obras de caridade,
mas ainda assim não conseguiria merecê-la. É uma dádiva, e você
somente a recebe por meio da fé em Jesus.
Vamos completar o estudo e não parar por aqui. Lembre-se do
exemplo da pessoa ameaçada pela explosão de uma montanha
vulcânica, a quem foi dado um carro de presente. O carro não
poderia ter sido comprado; em nosso exemplo, a pessoa não tinha
dinheiro para isso. Mesmo assim, quando recebeu o presente, ela
não usou seu potencial pleno. Suas ações ou obras em dirigir para
longe daquela área a teriam salvado. Do mesmo modo, nenhum de
nós poderia comprar nossa própria graça. Ela foi dada a nós como
uma dádiva, pela qual nunca poderíamos pagar. Mas precisamos
usar todo o seu potencial.
É por isso que Tiago disse aos fiéis: “Assim também a fé, por si
só, se não for acompanhada de obras, está morta” (Tg 2:17). Tiago
não está contradizendo Paulo. Ele está detalhando e esclarecendo a
mensagem de Paulo. Ele está salientando que, assim como nosso
amigo poderia ter sido salvo se tivesse dirigido o carro, da mesma
forma a graça, sem as obras correspondentes, não tem efeito. Ela
teria sido recebida em vão.
Ele continua: “Mas alguém dirá: ‘Você tem fé; eu tenho obras’.
Mostre-me a sua fé sem obras, e eu lhe mostrarei a minha fé pelas
obras” (Tg 2:18). Tiago diz que uma vida de santidade é a evidência
de que a pessoa recebeu a dádiva da graça de Deus por meio da fé.
A graça, portanto, fornece o desejo de obedecer e a capacidade de
obedecer. É por isso que Paulo diz: “Fiel é esta palavra, e quero que
você afirme categoricamente essas coisas, para que os que creem
em Deus se empenhem na prática de boas obras” (Tt 3:8). Alguém
que diz ser cristão e constantemente desobedece à Palavra de
Deus, não recebeu verdadeiramente a graça de Deus, ou a recebeu
em vão.
Tiago enfatiza: “Vejam que uma pessoa é justificada por obras, e
não apenas pela fé” (Tg 2:24). Uau, que declaração! Eu me atrevo a
dizer que poucos fiéis evangélicos ou carismáticos estão cientes de
que esse versículo existe na Bíblia.
Há pouco tempo, iniciei a pregação de uma mensagem com a
leitura isolada desse versículo. O auditório ficou bem quieto após eu
ter feito a leitura. O povo estava tão acostumado com mensagens
que não exigem obras, que levou alguns minutos para que eles
digerissem o significado do versículo. E, claro, em seguida eu o li
em seu contexto, mas os corações estavam abertos e a atenção
deles já havia sido captada.
Tiago dá início a esse comentário usando Abraão, o pai da fé,
como exemplo:
 
Não foi Abraão, nosso antepassado, justificado por obras,
quando ofereceu seu filho Isaque sobre o altar? Você pode
ver que tanto a fé como as obras estavam atuando juntas, e a
fé foi aperfeiçoada pelas obras. Cumpriu-se assim a Escritura
que diz: “Abraão creu em Deus, e isso lhe foi creditado como
justiça”.
Tiago 2:21-23
O Que Jesus Busca em Nós
Há pouco tempo, enquanto eu estava em oração, o Senhor falou
comigo e fez afirmações tão contrárias ao que tem sido ensinado
em nossas igrejas, que me assustaram. Na verdade, eu questionei
se aquela havia sido de fato a voz de Deus. Mas identifiquei na
Bíblia o que Ele me disse.
Antes de compartilhar com você essas afirmações, preciso
descrever qual era o assunto em questão. No início do livro de
Apocalipse, Jesus dá sete mensagens diferentes para sete igrejas.
Essas são igrejas históricas, mas Deus nunca teria colocado essas
mensagens em Sua Palavra se elas não tivessem uma aplicação
profética. Em outras palavras, as mensagens se aplicam a nós
ainda hoje.
O primeiro comentário que o Senhor compartilhou comigo em
oração foi: “John, você notou que as primeiras palavras que saíram
da Minha boca em todas as cartas às sete igrejas no livro de
Apocalipse foram ‘conheço as tuas obras’”? Encontrei as seguintes
falas de Jesus no livro de Apocalipse:
Primeira Igreja: “Escreve ao anjo da igreja que está em
Éfeso... Conheço as tuas obras” (Ap 2:1-2, ACF).
Segunda Igreja: “E ao anjo da igreja em Esmirna, escreve...
Conheço as tuas obras” (Ap 2:8-9, ACF).
Terceira Igreja: “E ao anjo da igreja que está em Pérgamo
escreve... Conheço as tuas obras” (Ap 2:12-13, ACF).
Quarta Igreja: “E ao anjo da igreja de Tiatira escreve... Eu
conheço as tuas obras” (Ap 12:18-19, ACF).
Quinta Igreja: “E ao anjo da igreja que está em Sardes
escreve... Conheço as tuas obras” (Ap 3:1, ACF).
Sexta Igreja: “E ao anjo da igreja que está em Filadélfia
escreve... Conheço as tuas obras” (Ap 3:7-8, ACF).
Sétima Igreja: “E ao anjo da igreja que está em Laodiceia
escreve... Conheço as tuas obras” (Ap 3:14-15).
“Conheço as tuas obras” são as primeiras palavras que saíram de
Sua boca para todas as sete igrejas. Eu pensei: Será que nos
distanciamos tanto do que Jesus enfatiza e do que Ele procura em
nós?
Enquanto eu ponderava sobre isso ouvi o Senhor me dizer a
segunda afirmação, que foi a que me assustou: “Você notou que Eu
nunca disse para nenhuma das igrejas: ‘Conheço os seus
corações’”?
Eu me lembrei de quantas vezes estava sentado em uma reunião
ou em um encontro para aconselhamento com um cristão, que
estava vivendo uma vida impura ou mundana, e o ouvi dizer a
seguinte frase com a maior convicção de inocência: “Bem, Deus
conhece meu coração!”.
Jesus não está olhando para nossas intenções, nossos desejos
ou nosso conhecimento do que é certo. Ele está olhando para
nossas obras! Será que estamos permitindo que a graça de Deus
produza em nós uma vida santa ou temos recebido essa graça em
vão?
Um Mal Entendido da Palavra “Crer”
Uma das razões pela qual temos nos desviado para tão longe do
verdadeiro significado da graça são nossos ensinamentos incorretos
sobre a palavra crer. Nos dias de hoje, essa palavra está reduzida a
um reconhecimento mental. Multidões fizeram a oração de
arrependimento porque acreditaram que Jesus existe e foram
tocadas emocionalmente por mensagens não confrontadoras que
não incluíam um chamado ao arrependimento. Mas elas não
deixaram seu estilo de vida de buscar o que o mundo busca.
Continuam vivendo para si mesmas, confiando na salvação
intelectual ou emocional, que não é verdadeira.
Na Bíblia, crer significa não somente reconhecer a existência de
Jesus, mas também obedecer à Sua vontade e à Sua Palavra. Em
Hebreus 5:9 lemos: “E, uma vez aperfeiçoado, tornou-Se a Fonte da
salvação eterna para todos os que Lhe obedecem”. Creré
obedecer. A prova da fé de Abraão estava ligada aos seus atos de
obediência. Dando ouvidos ao chamado de santificação, ele deixou
sua família, seus amigos e sua nação. Depois ofereceu o que lhe
era mais precioso: seu filho. Absolutamente nada, nem mesmo seu
filho, significava mais para ele do que obedecer a Deus. Essa é a fé
verdadeira. É por isso que ele foi honrado como o “pai de nós todos”
(Rm 4:16). Será que vemos essa fé evidente na Igreja de hoje?
Como pudemos ser tão enganados?
Simplesmente dizer que você tem fé não prova sua salvação.
Como a fé pode ser real sem que haja atos de obediência
correspondentes a ela, os quais produzem a verdadeira santidade?
Vamos ouvir novamente as palavras de Tiago: “Vejam que uma
pessoa é justificada por obras, e não apenas pela fé”.
“Nem Todo Aquele Que Me Diz: ‘Senhor, Senhor’”
Nós conhecemos um verdadeiro cristão não pelo que ele professa,
mas por seu “fruto... que leva à santidade” (Rm 6:22). Jesus
esclarece isso ao dizer: “Assim, pelos seus frutos vocês os
reconhecerão! Nem todo aquele que Me diz: ‘Senhor, Senhor’,
entrará no Reino dos Céus, mas apenas aquele que faz a vontade
de Meu Pai que está nos Céus” (Mt 7:20-21).
Permita-me colocar essas palavras de maneira mais moderna:
“Você saberá quem é um cristão e quem não é, não pelo que a
pessoa professa, mas por sua submissão à vontade do Pai. Nem
todo aquele que diz: ‘Eu sou cristão’ e ‘Jesus é meu Senhor’,
entrará nos Céus, mas somente aqueles que obedecem à vontade
do Meu Pai”.
Jesus novamente diz: “Muitos Me dirão naquele dia: ‘Senhor,
Senhor, não profetizamos em Teu nome? Em Teu nome não
expulsamos demônios e não realizamos muitos milagres? Então Eu
lhes direi claramente: Nunca os conheci. Afastem-se de Mim vocês,
que praticam o mal! ” (Mt 7:22- 23).
Na nossa linguagem moderna: “Um grande número de pessoas
Me confessará como Senhor e orará a oração de arrependimento.
Muitos deles se considerarão ‘pentecostais’. Sim, mesmo aqueles
que fizerem milagres e expulsarem demônios em Meu nome, ficarão
surpresos com o que acontecerá naquele dia. Eles esperam entrar
no Reino dos Céus, mas somente Me ouvirão dizer: ‘Afastem-se de
Mim, os que não obedeceram à vontade de Meu Pai’.”
Essas não são minhas considerações ou minhas palavras. Não é
prazeroso pensar que muitos que proclamam o senhorio de Cristo
terão acesso negado ao Reino dos Céus. Sim, até mesmo os que
expulsaram demônios e fizeram milagres em Nome Dele!
Alguns comentaristas tentaram argumentar que Jesus Se referia
aos que não acreditavam Nele. Contudo, essa interpretação é
incorreta, pois aqueles que nunca professaram a salvação em nome
de Jesus não podem realizar obras sobrenaturais em nome Dele.
Um exemplo de alguns que tentaram fazer isso está em Atos. Os
sete filhos de Ceva tentaram invocar o nome do Senhor sobre
alguns que tinham espíritos malignos dizendo: “Em nome de Jesus,
a quem Paulo prega, eu lhes ordeno que saiam!” (At 19:13). O
espírito maligno que estava no homem respondeu: “‘Jesus, eu
conheço, Paulo, eu sei quem é; mas vocês, quem são?’. Então o
endemoninhado saltou sobre eles e os dominou, espancando-os
com tamanha violência que eles fugiram da casa nus e feridos” (At
19:13-16).
No fim dos anos 1980, enquanto estava em oração, recebi uma
visão espiritual. Vi uma multidão de pessoas, grande demais para
ser numerada, de uma grandeza que eu nunca havia visto antes. O
grupo estava amontoado em frente às portas celestiais, aguardando
para entrar e esperando ouvir do Mestre: “Venham, benditos de Meu
Pai! Recebam como herança o Reino que lhes foi preparado desde
a criação do mundo” (Mt 25:34). Mas, em vez disso, eles ouviram o
Mestre dizer: “Nunca os conheci. Afastem-se de Mim” (Mt 7:23).
Você pode questionar: “Se Jesus disse que nunca os conheceu,
como eles puderam expulsar demônios e fazer milagres em nome
Dele?”. A resposta é que essas pessoas se achegam a Jesus por
causa dos benefícios da salvação. Embora O tenham aceitado para
serem salvas, assim como os filhos de Israel, elas não buscaram
conhecer o coração de Deus; somente buscam Sua provisão.
Buscam a Deus para benefício próprio; seu culto tem motivação
egoísta, não é motivado pelo amor.
Na declaração de Jesus: “Nunca os conheci”, a palavra conhecer
vem do grego ginosko. No Novo Testamento ela é usada para
descrever a relação sexual entre homem e mulher (ver Mateus
1:25); portanto representa intimidade. Jesus está, na verdade,
dizendo: “Eu nunca os conheci intimamente”. Moisés conheceu
intimamente a Deus, mas Israel somente O conheceu pelos
milagres que Ele fez em suas vidas. Não é diferente de hoje.
Nós lemos em 1 Coríntios 8:3: “Mas quem ama a Deus, este é
conhecido por Deus”. Aqui a palavra conhecido é a mesma palavra
grega ginosko. Deus conhece intimamente aqueles que O amam.
Eles abrem mão de suas vidas por causa Dele (ver João 15:13).
Somente aqueles que fazem isso podem obedecer à Palavra de
Deus. Jesus ressalta essa verdade: “Aquele que não Me ama não
obedece às Minhas palavras” (Jo 14:24).
A verdadeira evidência do amor por Jesus não é o que é dito, mas
o que é vivido. João explica:
 
Sabemos que O conhecemos, se obedecemos aos Seus
mandamentos. Aquele que diz: “Eu O conheço”, mas não
obedece aos Seus mandamentos, é mentiroso [está
enganado], e a verdade não está nele. Mas, se alguém
obedece à Sua palavra, nele verdadeiramente o amor de
Deus está aperfeiçoado. Desta forma sabemos que estamos
Nele.
1 João 2:3-5 (grifo do autor)
Judas se achegou a Jesus. Ele parecia amá-Lo e deixou tudo para
segui-Lo. Judas permaneceu com Jesus durante perseguições, não
O deixando mesmo quando outros discípulos o deixaram (Jo 6:66).
Ele expulsou demônios, curou enfermos e pregou o Evangelho. Sim,
está escrito que “reunindo os Doze, Jesus deu-lhes poder e
autoridade para expulsar todos os demônios e curar doenças, e os
enviou a pregar o Reino de Deus e a curar os enfermos” (Lc 9:1-2).
O versículo não fala de apenas onze discípulos. Está escrito doze;
portanto, Judas estava incluído.
Contudo, as intenções de Judas não estavam certas desde o
início. Ele nunca se arrependia de seus caminhos egoístas. Seu
caráter é revelado na frase: “O que me darão se eu...” (Mt 26:15).
Ele mentiu e enganou para ganhar vantagem (ver Mateus 26:25),
ele pegou o dinheiro da tesouraria do ministério de Jesus para uso
pessoal (ver João 12:4-6), e a lista de desonestidades continua. Ele
nunca conheceu Jesus, embora tenha andado três anos e meio em
Sua companhia!
Quantos são como Judas hoje? Eles fizeram sacrifícios por causa
do ministério, pregaram o Evangelho e talvez até operaram nos
dons do Espírito, mas não O conhecem intimamente. Todo esse
trabalho é realizado a partir de motivações egoístas.
Jesus perguntou: “Por que vocês Me chamam ‘Senhor, Senhor’ e
não fazem o que Eu digo?” (Lc 6:46). “Senhor” nesse versículo vem
da palavra grega kurios. O Dicionário Grego de Strong define essa
palavra como “supremo em autoridade ou mestre”. Jesus explica
que muitos O confessariam como Senhor, mas Ele não é a suprema
autoridade para eles. Eles vivem de maneira não condizente com o
que confessam, obedecem à vontade de Deus quando ela não está
em conflito com os desejos de seu coração. Se a vontade de Deus
está em uma direção diferente do que desejam, eles escolhem um
caminho próprio, mas ainda assim chamam Jesus de “Senhor”.
Frequentemente o sucesso no ministério é medido meramente por
números. Essa mentalidade tem feito com que muitos façam o que
for preciso para encher seus altares de “convertidos” e suas igrejas
de “membros”. Para conseguir isso, essas pessoas têm pregado
Jesus como Salvador, mas não como Senhor. A mensagem implícita
tem sido: “Venha até Jesus e receba salvação, paz, amor, alegria,
prosperidade, sucesso, saúde e tudo o mais!”. Sim, Jesus é o
cumprimento de todas essas promessas, mas os benefícios têm
sido tão enfatizados, que o Evangelho puro foi reduzido a uma
resposta para todos os problemas da vida, juntamente com uma
garantia de entrada no Céu.
Esse tipo de pregação apenasatrai os pecadores. Eles ouvem
uma mensagem sobre vir a Deus vazia de arrependimento: “Dê a
Deus uma chance. Ele lhe dará amor, paz e alegria!”. Ao fazermos
isso, estamos distorcendo o arrependimento para ganharmos um
“convertido”. Os convertidos se juntam à Igreja, mas de que tipo eles
são? Jesus confrontou os pastores dos tempos em que viveu:
“Vocês... percorrem terra e mar para fazer um convertido e, quando
conseguem, vocês o tornam duas vezes mais filho do inferno do que
vocês” (Mt 23:15). Convertidos são facilmente arrebanhados, mas
são eles homens e mulheres com corações que seguem a Deus ou
às promessas? Nós temos visto a diferença entre Moisés e os filhos
de Israel.
Jesus deixou claro à multidão: “Então Ele chamou a multidão e os
discípulos e disse: Se alguém quiser acompanhar-Me, negue-se a si
mesmo, tome a sua cruz e siga-Me. Pois quem quiser salvar a sua
vida, a perderá; mas quem perder a sua vida por Minha causa e
pelo Evangelho, a salvará” (Mc 8:34-35). Tudo o que você deve
fazer é “querer” salvar sua vida, e você a perderá. Ele não disse:
“Se alguém quiser perder sua vida por amor de Mim”. O simples
“querer” perder a própria vida não é suficiente. Jesus não está
procurando por boas intenções.
O jovem rico queria apaixonadamente ser salvo. Ele veio correndo
a Jesus e se ajoelhou perante Ele suplicando pela vida eterna. Mas
seu desejo emocional não era suficiente. Jesus disse a ele: “Falta-
lhe uma coisa” (ver Marcos 10:17-22). O jovem rico se afastou
quando percebeu o preço da Cruz. Ao menos podemos respeitar
sua honestidade!
Milhares que não estão na Igreja receberiam alegremente os
benefícios da salvação, se eles simplesmente pudessem manter o
controle de suas vidas. De alguma forma eles parecem perceber o
que muitos na Igreja não estão cientes: é necessário se pagar um
preço para seguir a Deus. Eles são honestos com Deus; eles não
querem pagar esse preço. Por outro lado, existem aqueles que
estão enganados. Eles vão à igreja, chamam Jesus de “Senhor” e
declaram submissão a Seu senhorio, enquanto, na realidade, não se
submeteram.
Duas Mensagens Diferentes
Espero que você tenha visto a diferença entre a graça que Jesus
prega e a que nós temos crido. A mensagem dos dias de hoje
geralmente diz: “Creia em Jesus, ore a oração do arrependimento,
confesse-O como seu Salvador, e então você entrará no Reino dos
Céus”. Existe pouca menção a negar-se a si mesmo e ao mundo.
Depois, quando as pessoas passam a fazer parte da igreja, pouco é
dito sobre o poder que a graça nos dá para vivermos vidas santas.
Após as pessoas terem se convertido e sido ensinadas dessa
maneira, acreditam que qualquer modo de viver impuro ou
desobediência serão cobertos pela mal compreendida graça de
Deus. Será que essa situação é a razão para a falta do fogo de
Deus e do Seu poder em nossas igrejas?
Espero que você ouça esta mensagem no espírito em que ela
deve ser recebida. Eu amo o povo de Deus e desejo que ele
prospere tanto quanto prospera sua alma. Portanto, sinto-me
impelido em proclamar a verdade de Deus. Eu sei que doutrinas e
ensinamentos podem moldar a vida e a crença de um indivíduo.
Meu coração se parte por causa das multidões nas igrejas que têm
sido levadas a uma vida morna, ausente do fogo de Deus.
Paulo instruiu a Timóteo: “Atente bem para a sua própria vida e
para a doutrina, perseverando nesses deveres, pois, agindo assim,
você salvará tanto a si mesmo quanto aos que o ouvem” (1 Tm
4:16). Nós precisamos dar ouvidos a essa advertência. A verdade
distorcida pode parecer boa, e até mesmo apela para nossos
sentidos e nossa razão, mas nos levará ao engano.
A verdade da Palavra de Deus irá alimentá-lo e fortalecê-lo. Ela o
treinará para discernir entre o pensamento correto e o incorreto. A
verdade distorcida o desqualificará. É por isso que Deus nos
admoesta a dar atenção completa à Sua palavra, para que
possamos compreendê-la corretamente. Este capítulo produz ao
mesmo tempo advertência e encorajamento. A advertência: não
permita que doutrinas incorretas sobre a graça o desqualifiquem,
por recebê-la em vão. O encorajamento: existe força para viver uma
vida de santidade por intermédio da graça de Deus. Que a graça do
Senhor Jesus Cristo esteja com você.
CAPÍTULO 10
S
DIAS DIFÍCEIS
A partir deste amor por Ele é que vem o
fogo que alimenta sua paixão.
Eles se deleitam em obedecer a Ele.
Esforcem-se... para serem santos; sem santidade
ninguém verá o Senhor. Cuidem que ninguém
se exclua da graça de Deus...
— Hebreus 12:14-15
em santidade ninguém verá ao Senhor. Será que temos crido
nessas palavras, ou elas têm sido para nós apenas uma boa
citação da Bíblia? Será que a Igreja as vê como mandamento ou
meramente uma declaração de motivação poética que nos ajuda a
desejá-la como um alvo de estilo de vida, que certamente é
inatingível nestes dias? E o que o escritor de Hebreus queria dizer
com “cuidem que ninguém se exclua da graça de Deus”? Como
alguém poderia se excluir da graça de Deus, que tem sido pregada
nas igrejas nesses últimos vinte e cinco anos? Será que isso seria
somente uma declaração “exagerada” de Deus para nos fazer temer
e nos manter longe de problemas? Está claro que não!
Cristãos Que Não Foram Transformados
Como eu disse no capítulo anterior, para muitas pessoas, a graça
representa uma grande cobertura, que tem praticamente absolvido
os cristãos de qualquer responsabilidade de andar em obediência e
santidade. Mas essa crença tem novamente provado estar em
contradição com a Bíblia quando comparada a esse versículo, pois
alguém ser excluído da graça de Deus significa não andar em seu
potencial completo. Significa receber a dádiva de Deus em vão ao
permanecer sem ser transformado.
Paulo previu esse acontecimento, de que, nos últimos dias,
inúmeros cristãos permaneceriam os mesmos, sem mudar. Ao
descrever esses dias, ele disse que seriam “dias difíceis”. É
interessante ouvi-lo dizer isso em relação aos nossos dias de
liberdade religiosa, enquanto ele foi apedrejado, afligido com
chicotes, preso, algemado e açoitado por causa de sua firme
posição em favor do Evangelho. Mesmo assim ele escreveu que
nossos dias seriam difíceis, pois muitos que se dizem cristãos
amariam a si mesmos e ao dinheiro, e buscariam mais aos prazeres
do que a Deus. Alguns seriam orgulhosos; outros ingratos; outros,
ainda, não perdoariam. Entre os cristãos haveria aqueles que
seriam desobedientes e impuros, e muitos que não teriam domínio
próprio. Outros seriam obstinados.
Paulo diz que esses homens e mulheres teriam a aparência de
cristãos: “parecerão ser seguidores da nossa religião, mas com as
suas ações negarão o verdadeiro poder dela” (2 Tm 3:5, NTLH).
Eles não permitiriam que o poder da graça os transformasse de
pessoas que amam dinheiro e prazeres, em pessoas que amam a
Deus e ao povo. Permaneceriam impuros e receberiam a graça de
Deus em vão.
Ele então continua dizendo que esses “cristãos” “estão sempre
aprendendo, e jamais conseguem chegar ao conhecimento da
verdade” (v. 7). Hoje, nós temos mais ensinamentos cristãos do que
em qualquer época da história e mais que em outros países. Muito
dinheiro tem sido gasto para difundir o Evangelho por meio de livros,
mensagens em áudio, vídeos, programas de televisão via satélite,
sem mencionar inúmeros cultos de igrejas e conferências. Mas,
ainda assim, temos cultivado uma igreja mundana, que não se
separou dos desejos do Egito. Paulo não descreve seus dias de
perseguição física como difíceis, mas sim os nossos dias de
mundanismo na Igreja!
Almoçando com um amigo pastor, ouvi sobre sua viagem a uma
nação da África, que é predominante muçulmana. Atualmente eles
torturam e matam cristãos nessa região. Ele me contou que
conheceu homens que haviam sido torturados, mas que ainda assim
tinham paixão por pregar o Evangelho a seus conterrâneos. Quando
meu amigo ia pregar para os cristãos, todos os dias, ele passava
dirigindo em frente à forca usada para assassinar cristãos. Ele
disse: “John, eu gostaria de saber quantos norte-americanos
continuariama pregar o Evangelho se eles passassem diariamente
em frente ao lugar onde poderiam um dia ser enforcados por causa
de sua crença”. Então, ele fez um comentário que se alinha com o
que Paulo disse: “John, existe algo nos Estados Unidos que nós não
temos aqui, que é liberdade religiosa. Mas aqui nós temos liberdade
espiritual. Algo que não existe nos Estados Unidos”.
De acordo com Paulo, os últimos dias não seriam difíceis por
causa da perseguição aos santos, mas sim por causa do
mundanismo na Igreja. Será que nós estamos usando nossa
liberdade de maneira incorreta?
Em uma conferência na qual eu era um dos palestrantes, sentei
em uma mesa, em frente a uma pastora que acabara de retornar de
uma visita a um país comunista na Ásia. A perseguição na região
era tão severa que os fiéis tinham de se encontrar em segredo. O
pastor que organizava os cultos e seus líderes já haviam sido
presos inúmeras vezes. Na prisão, eles continuavam a pregar o
Evangelho para os criminosos, e muitos eram salvos. As
autoridades ficavam tão iradas que os colocavam em uma cela
isolada. O pastor já havia sido preso mais de cem vezes e tinha
passado mais de dez anos na prisão.
Eles fizeram seus cultos sem serem perturbados, até o último. A
polícia acabou descobrindo o lugar onde se encontravam, e se não
estivessem em alerta, eles teriam sido presos. Antes de se
despedirem, concordaram em se encontrar em um lugar remoto, na
manhã seguinte, antes de a pastora os deixar e voltar a seu país.
Na manhã seguinte eles apareceram e pediram oração. A pastora
me disse: “John, senti que eles que deveriam ter orado por mim, e
não eu por eles. Mas eu sabia que Deus honraria a fé deles”. No fim
desse culto, o pastor começou a chorar. Quando ela perguntou a
razão, ele respondeu que estava preocupado com o povo. Com
lágrimas nos olhos, ele disse:
— Eu temo a nossa liberdade.
A ministra ficou perplexa.
— Por que você teme a liberdade? — ela perguntou. — Você tem
sido perseguido, caçado e preso muitas vezes. Pense em todas as
coisas que você poderia fazer se você e seu povo fossem livres!
Ele continuou:
— Eu temo que estas pessoas se tornem materialistas e
mundanas quando tiverem liberdade, e se desviem como outros
fizeram em tantas igrejas ocidentais.
Como ela poderia argumentar com ele, vendo sua pura devoção a
Deus e ao povo de que ele cuidava? Seria essa a dedicação típica
que ela havia encontrado no mundo ocidental? Nós vemos esses
santos que são perseguidos como os que vivem dias difíceis, mas
quem, de acordo com a Bíblia, está vivendo tempos difíceis? Paulo
diz que somos nós, que temos liberdade religiosa e mundanismo na
Igreja.
A liberdade religiosa não nos faz mundanos, embora crie uma
atmosfera que cultive os desejos já existentes em nós, que nos
fazem desviar. Nosso verdadeiro problema, assim como foi
anteriormente com Israel, é a nossa falta de desejo pela glória de
Deus. Assim como aconteceu com Israel, esse problema é originado
por nossa atração pelos prazeres e apetites carnais.
A Mensagem de Jesus à Sua Igreja nos Últimos dias
No capítulo anterior, abordamos brevemente as sete cartas às
igrejas históricas do livro de Apocalipse, que tinham em si
mensagens proféticas. Muitos teólogos concordam que as sete
igrejas representam um padrão cronológico da Igreja de uma forma
geral, progredindo da Igreja Primitiva dos primeiros séculos, até a
Igreja que antecede a segunda vinda do Senhor.
Embora não conheçamos a hora da segunda vinda do Senhor,
Jesus disse que saberíamos a estação. Muitos estudiosos
concordam que estamos vivendo na estação do Seu retorno.
Portanto, a exortação à última igreja, Laodiceia, se aplica
profeticamente a nós: “E ao anjo da igreja que está em Laodicéia
escreve: Isto diz o Amém, a Testemunha Fiel e Verdadeira, o
Princípio da criação de Deus” (Ap 3:14, ACF).
Jesus chama a Si mesmo de Testemunha Fiel e Verdadeira. “Fiel”
significa que Ele é constante. “Verdadeira” significa que Ele fala
somente a verdade, mesmo que ela não seja prazerosa. “Fiel” e
“Verdadeira” significa que Ele será constantemente verdadeiro,
independentemente da reação ou da pressão.
Uma testemunha falsa mentirá e bajulará. Ela lhe dirá somente
aquilo que você deseja ouvir, à custa do que você na verdade
precisaria ouvir. Um homem de negócios querendo seu dinheiro lhe
tratará bem e lhe dirá exatamente o que você quer ouvir. Mas o
propósito dele é se aproveitar de você. Como Igreja, temos
abraçado pastores que nos têm dito somente o que queremos ouvir.
Queremos ouvir somente coisas boas e maravilhosas, e
negligenciamos a verdade que precisamos ouvir.
Jesus conforta e edifica, mas não deixa de nos dizer a verdade.
Ele ama e perdoa, mas também exorta e corrige! Observe Suas
palavras: “Conheço as suas obras, sei que você não é frio nem
quente” (Ap 3:15).
Ele diz “obras” e não “intenções”. O caminho para o inferno é
pavimentado por boas intenções. Como Ele conhece a condição das
igrejas? A resposta é clara: por suas obras ou ações.
As ações de pessoas frias são aquelas que claramente
desobedecem a Deus. Elas não fingem ser alguém que não são;
elas estão perdidas e sabem disso. Elas sabem que não estão
servindo a Deus. Elas servem a outros deuses como seu dinheiro,
seus negócios e a si mesmas. Elas vivem para o prazer do
momento, em farra e desordem. É a vida do pecador e daquele que
admite estar desviado.
Do outro lado, estão aqueles que são considerados quentes, os
que são consumidos pela paixão por Deus. Eles se purificam para
que possam se achegar bem perto da presença Dele. Santidade é o
desejo dessas pessoas; sem isso elas sabem que não podem ver o
Senhor. Jesus é o centro de seus corações e de suas vidas. O amor
que essas pessoas têm por Ele origina o fogo que alimenta essa
paixão. Elas se deleitam em obedecer-Lhe. Elas também
reconhecem sua verdadeira condição.
Jesus adverte que a Igreja dos últimos tempos estaria em uma
condição que não é fria nem quente. Então Ele diz: “Melhor seria
que você fosse frio ou quente!” (Ap 3:15).
O significado dessa frase me incomodou durante anos. Por que
Jesus disse para a Igreja, “Melhor seria que você fosse frio ou
quente”? Por que Ele não disse: “Melhor seria que você fosse
quente”? Ele nunca fala de maneira desonesta ou exagerada, então
isso significa que a sua condição atual (morna) é pior do que ser
frio. Como um pecador ou desviado assumido pode estar em melhor
condição do que esses “cristãos da Igreja”?
Ele responde na declaração seguinte: “Assim, porque você é
morno, não é frio nem quente, estou a ponto de vomitá-lo da Minha
boca” (Ap 3:16). Pessoas mornas são quentes demais para serem
frias e frias demais para serem consideradas quentes. Elas são
quentes o suficiente para se misturar com os quentes e ficarem
despercebidas, e são frias o suficiente para se misturarem com os
frios e ficarem também despercebidas. Pessoas mornas se tornam
como aqueles que estiverem ao seu redor. Ao redor dos seguidores
de Jesus, elas se misturam a eles. Conhecem a Bíblia, cantam as
músicas e falam como devem falar.
Ao redor dos seguidores do mundo, podem até não beber ou
fumar, mas pensam e conduzem suas vidas de maneira mundana,
isto é, egoísta. Obedecem a Deus somente quando isso lhes é
prazeroso ou lhes traz benefícios. Mas, na verdade, são motivados
pelos próprios interesses.
Jesus disse: “estou a ponto de vomitá-lo da Minha boca”. Por que
ele escolhe essa analogia tão vívida? Nós vomitamos o que o corpo
não consegue assimilar. Um dia, há anos, durante um almoço, dois
de meus filhos pediram um hambúrguer. Depois de uma hora,
ambos vomitaram o almoço, pois havia sido feito com uma carne
estragada. O corpo deles rejeitou a comida, pois seria prejudicial se
a assimilassem. O hambúrguer “ruim” parecia exatamente como os
hambúrgueres “bons” que eles já haviam comido inúmeras vezes
antes. Jesus, na verdade, está dizendo: “Eu vomitarei do Meu Corpo
aqueles que dizem que pertencem a Mim, mas que, na verdade, não
Me pertencem”.
Nem o frio nem o quente estão enganados com relação ao seu
relacionamentocom Deus, mas os mornos estão enganados. Eles
pensam que a condição deles é algo que realmente não é. Acham
que pertencem a Jesus. É por isso que eles são piores do que se
fossem pecadores assumidos. Pecadores sabem que não estão
servindo a Deus; por isso eles são mais fáceis de serem
alcançados. Pessoas mornas acham que estão servindo a Deus.
Elas confessam sua salvação, mas estão fora da graça de Deus que
professam. Elas são mais difíceis de serem convencidas.
Se as pessoas acham que estão salvas, elas não veem
necessidade de salvação. Jesus entra em detalhes sobre a
verdadeira condição dessas pessoas: “Você diz: ‘Estou rico, adquiri
riquezas e não preciso de nada’. Não reconhece, porém, que é
miserável, digno de compaixão, pobre, cego, e que está nu” (Ap
3:17).
As pessoas dessa igreja se gloriavam em serem abastadas e não
precisarem de nada. Elas se confortavam com o que pensavam que
eram as bênçãos de Deus. Essa poderia ser uma imagem das
nossas igrejas? Será que temos usado nossa liberdade e nossa
riqueza para intensificar nosso culto a Deus? Ou temos permitido
que essa liberdade e essa riqueza nos enganem? Acredito que a
maioria das igrejas ocidentais se encaixa na segunda opção.
Contudo, tenho encontrado pessoas fiéis nas igrejas ocidentais
que possuem uma verdadeira paixão por Deus e que buscam se
santificar. Elas são a minoria, e não a maioria. Essas pessoas são
verdadeiros soldados, que conhecem o campo de batalha e seu
inimigo. A paixão que elas possuem é visível através de suas obras,
e não somente por suas palavras.
Jesus declara aos que são mornos na Igreja: “Dou-lhe este
conselho: Compre de Mim ouro refinado no fogo, e você se tornará
rico; compre roupas brancas e vista-se para cobrir a sua vergonhosa
nudez; e compre colírio para ungir os seus olhos e poder enxergar”
(Ap 3:18).
Ele enfatiza que devemos comprar algo Dele, algo que
obviamente não é obtido simplesmente por meio do reconhecimento
do Seu senhorio. Lembre-se, a igreja professava a salvação em Seu
Nome. Mas lhes faltava algo que os verdadeiros cristãos deveriam
possuir. Mas como compramos algo de Jesus?
Deus nos diz em Provérbios 23:23 (ACF): “Compra a verdade, e
não a vendas”. Por intermédio de Isaías, o profeta, Ele diz:
 
Venham, todos vocês que estão com sede,
Venham às águas;
E vocês que não possuem dinheiro algum,
Venham, comprem e comam!
Isaías 55:1
Assim como na fala de Jesus, o foco está em comprar algo pelo
qual o dinheiro não pode pagar.
Jesus fala do Reino dos Céus aos Seus discípulos: “O Reino dos
Céus também é como um negociante que procura pérolas
preciosas. Encontrando uma pérola de grande valor, foi, vendeu
tudo o que tinha e a comprou” (Mt 13:45-46). Para comprar essa
pérola tão cara, que representa o Reino, foi necessário vender tudo
para ter o suficiente para pagar por ela. Em outras palavras, dê sua
vida completamente para servir a Ele e à Sua causa, sem reter nada
para si mesmo; viva completamente para Deus. Paulo diz isso do
seguinte modo: “E Ele morreu por todos para que aqueles que
vivem já não vivam mais para si mesmos, mas para Aquele que por
eles morreu e ressuscitou” (2 Co 5:15).
A Prudente e a Insensata
Algumas das parábolas de Jesus ilustram esse ponto. Uma delas
é encontrada nos primeiros doze versículos de Mateus 25. O Reino
dos Céus é comparado a dez virgens que tomaram suas candeias e
saíram para encontrar o Noivo, Jesus. Todas elas eram virgens, e
todas elas o chamavam de “Senhor”. Todas elas tinham suas
candeias, que simbolizam a luz, representando aqueles que
receberam a dádiva da vida eterna. Todas elas esperavam ir com
Ele em Sua segunda vinda. Ele não está falando sobre pessoas que
nunca ouviram o Evangelho ou nunca reconheceram crer Nele. Em
outras palavras, Jesus não está falando sobre os frios!
Das dez virgens, cinco eram prudentes e cinco eram insensatas. A
proporção é significativa. Jesus está falando de uma porção
considerável da Igreja.
O que distingue as prudentes das insensatas? As insensatas
tinham somente as candeias. As prudentes tinham vasilhas que
continham grande quantidade de azeite, para manter continuamente
suas candeias acesas. À meia-noite ouviu-se o clamor de que o
Noivo chegara e as virgens deveriam encontrar-se com Ele. Mas as
candeias das virgens insensatas estavam se apagando. Elas
imediatamente disseram às prudentes: “Deem-nos um pouco do seu
óleo, pois as nossas candeias estão se apagando” (v. 8).
As prudentes disseram: “Não, para que não nos falte a nós e a vós
outras! Ide, antes, aos que o vendem e comprai-o” (v. 9, ARA).
Eu já ouvi diferentes pastores falando sobre essa parábola, mas
ainda sentia que não havia compreendido seu verdadeiro sentido.
Então, uma manhã, enquanto estava em um lugar retirado, em
oração, eu fervorosamente clamei: “Senhor, por favor, ajuda-me a
entender essa parábola!”.
Naquele mesmo dia, Deus mostrou-me que a frase-chave dessa
parábola estava nas palavras das virgens prudentes às virgens
insensatas: “Ide, antes, aos que o vendem e comprai-o”. Imagine
isto: dez virgens, cinco prudentes e cinco insensatas, entram em
uma loja. As insensatas vão até o balcão, tiram algum dinheiro e
dizem ao vendedor: “Dá-me uma destas candeias. Eu quero ser
salva. Eu não quero ir para o inferno. Eu quero a bênção de Deus”.
Cada uma delas deixa o lugar com uma candeia queimando e diz:
“Graças a Deus, estou salva!”.
As virgens prudentes vão até o vendedor, tiram de seus bolsos
tudo o que têm. Elas liquidaram tudo o que tinham, trouxeram o
dinheiro que guardavam e investiram. Elas dizem ao vendedor: “Isto
representa tudo o que eu possuo, cada centavo que tenho. Eu não
tenho nada além disso. Por favor, dá-me uma candeia, e use cada
centavo restante para comprar todo o azeite que eu puder pagar”.
Cada uma delas deixa a loja com uma candeia e com uma grande
quantidade de azeite para alimentar a candeia.
A diferença é que as prudentes deram suas vidas inteiras e as
insensatas deram somente o que era necessário para serem salvas.
Elas reservaram para si uma parte de suas vidas. Embora elas
tenham saído com suas candeias acesas, e a luz delas pudesse ser
vista, não demoraria a chegar ao fim. Nessa parábola, as lâmpadas
começariam a apagar à meia-noite. Na hora mais obscura, quando a
tribulação alcançou o nível mais intenso, elas não puderam mais
continuar. É por isso que Jesus frequentemente diz: “Aquele que
perseverar até o fim será salvo” (Mt 24:13).
As virgens insensatas imediatamente saíram para comprar mais
azeite, mas enquanto elas estavam fora, o Noivo chegou. As
prudentes estavam prontas e entraram com Ele para as bodas, e as
portas foram fechadas. Ao retornarem, as virgens insensatas
clamaram: “Senhor! Senhor! Abra a porta para nós!” (v. 11). Mas Ele
respondeu, dizendo: “A verdade é que não as conheço!” (v. 12).
Novamente, o Senhor diz: “Eu não os conheço” àqueles que
confessam Seu senhorio. Os mornos não entregaram suas vidas
completamente. Estas palavras de Jesus certamente se aplicaram a
eles: “E quem não toma a sua cruz e não Me segue, não é digno de
Mim” (Mt 10:38).
Por que nós cremos em um Evangelho que nos dá provisões
vindas do poder da ressurreição, mas sem a Cruz? Esse Evangelho
tem nos levado a um estado de mornidão. Ele tem roubado de nós o
fogo de Deus que precisamos ter queimando em nosso coração.
Será que temos procurado entre os mortos por Aquele que vive?
Será que temos nos esquecido de Suas palavras, que tão
claramente nos dizem: “Pois quem põe os seus próprios interesses
em primeiro lugar nunca terá a vida verdadeira; mas quem esquece
a si mesmo por Minha causa terá a vida verdadeira” (Mt 16:25,
NTLH)?
CAPÍTULO 11
J
Ouro, ROUPAS E COLÍRIO
O processo de santificação é um esforço cooperativo
entre Deus e nós.
Dou-lhe este conselho: Compre de Mim ouro refinado
no fogo, e você se tornará rico; compre roupas brancas e
vista-se para cobrir a sua vergonhosa nudez; e compre
colírio para ungir os seus olhos e poder enxergar.
Apocalipse 3:18
esus aconselha àqueles que não possuem um coração ardentepor Ele a comprarem três coisas: ouro, roupas brancas e colírio
para os olhos. Vamos examinar cada uma dessas coisas
separadamente.
Ouro Refinado no Fogo
O profeta Malaquias nos diz que nos últimos dias o Senhor viria à
Sua Igreja como um fogo que refina: “Ele Se assentará como um
refinador e purificador de prata; purificará os levitas e os refinará
como ouro e prata. Assim trarão ao Senhor ofertas com justiça” (Ml
3:3).
A palavra levitas se refere profeticamente ao “sacerdócio real” (1
Pedro 2:9) que, como abordamos anteriormente, é a Igreja. O
profeta não tinha as terminologias do Novo Testamento. Ele não era
capaz de dizer: “Ele purificará os cristãos”, porque esses termos
ainda não haviam sido criados. Deus compara esse refinamento
com o processo de refinamento do ouro e da prata, então,
precisamos entender as características do ouro e da prata e como
eles são refinados. Jesus focou o ouro, portanto nós nos
concentraremos nele também.
O ouro é amplamente distribuído na natureza, mas sempre em
pequenas quantidades. Raramente o ouro é encontrado em seu
estado puro. Em sua forma mais pura, o ouro é maleável, macio e
livre de corrosões e de outras substâncias. Quando o ouro se
mistura com outros metais (por exemplo, ferro, cobre ou níquel), ele
se torna mais duro, menos maleável e mais corrosível. Essa mistura
é chamada de liga. Quanto maior for a porcentagem de cobre, ferro,
níquel ou outro metal, mais duro o ouro se torna. Da mesma forma,
quanto menor for a porcentagem da liga, mais macio e maleável é o
ouro.
Imediatamente percebemos o paralelo que Jesus estabeleceu: um
coração puro diante de Deus é como o ouro puro que foi refinado.
Um coração puro é macio, tenro e maleável. Paulo adverte que o
coração é endurecido pelo engano do pecado (ver Hebreus 3:13). O
pecado, que é o mesmo que a desobediência aos caminhos de
Deus ou à Sua autoridade, é a substância adicionada, que
transforma nosso ouro puro em liga, endurecendo o coração. Essa
falta de maleabilidade cria uma perda de sensibilidade que nos
impede de ouvir a Sua voz. Infelizmente, um número muito grande
de pessoas na Igreja tem aparência de santidade, mas sem um
coração maleável. Seus corações não mais queimam por Jesus.
Seu amor incandescente por Deus foi substituído por um amor
próprio frio, que busca somente o próprio prazer, conforto e
benefício. O seu ‘temor a Deus’ é um meio de benefício pessoal (ver
1 Timóteo 6:5), eles buscam somente os benefícios das promessas
e excluem Aquele que faz a promessa. Enganados, eles se deleitam
com o mundo, esperando também receberem o Céu. Eles são
mornos dentro da Igreja. Contudo, Tiago admoesta que o verdadeiro
e puro cristianismo é “não se deixar corromper pelo mundo” (Tg
1:27). Jesus está voltando para uma Igreja que é pura, sem ruga,
sem mácula, mancha ou qualquer impureza (ver Efésios 5:27), uma
Igreja cujo coração não foi contaminado pelo sistema do mundo!
Outra característica do ouro é sua resistência à corrosão. Embora
outros materiais se manchem como resultado das mudanças
atmosféricas, as mudanças da atmosfera não fazem com que o ouro
puro fique manchado. O latão (uma liga amarelada de cobre e
zinco), embora se pareça com o ouro, não se comporta como o
ouro. O latão se mancha facilmente. Ele tem a aparência do ouro,
mas não possui suas características. Quanto maior for a
porcentagem de substâncias estranhas no ouro, mais suscetível ele
é à corrupção e corrosão.
Nos dias de hoje, o sistema do mundo tem contaminado a Igreja.
Nós temos sido infiltrados por seus modos de vida, e temos sido
manchados. Na igreja ocidental nossos valores são poluídos pelo
mundanismo. Temos buscado nossos apetites carnais e os
chamamos de bênçãos de Deus. Ao pensar que estamos ricos com
essas bênçãos, tornamo-nos insensíveis e não percebemos nossa
necessidade de purificação.
Malaquias mostra que Jesus refinará Sua Igreja, limpando-a da
influência do mundo, assim como se refina o ouro. No processo de
refinação, o ouro moído é então misturado com uma substância
chamada fundente. Os dois são colocados em uma fornalha e
derretidos com a intensidade do fogo. As impurezas são atraídas
pelo fundente e sobem à superfície. O ouro, que é mais pesado,
permanece no fundo. As impurezas ou escórias (tais como cobre,
ferro, zinco junto ao fundente) são então removidas.
Observe o que Deus diz através de Isaías, o profeta: “Veja, Eu
refinei você, embora não como prata [ou ouro]; Eu o provei na
fornalha da aflição” (Is 48:10). A fornalha que Ele usa para nos
refinar é a aflição, o sofrimento, os problemas, e não uma fornalha
literal, de fogo físico, como aquele em que o ouro e a prata são
refinados. Pedro afirma isso ao dizer:
 
Nisso vocês exultam, ainda que agora, por um pouco de
tempo, devam ser entristecidos por todo tipo de provação.
Assim acontece para que fique comprovado que a fé que
vocês têm, muito mais valiosa do que o ouro que perece,
mesmo que refinado pelo fogo, é genuína e resultará em
louvor, glória e honra, quando Jesus Cristo for revelado.
1 Pedro 1:6-7
O fogo do Senhor, que refina, são as provações e tribulações. Seu
calor destaca as impurezas, separando-as do caráter de Deus em
nossas vidas.
Cresci em uma igreja denominacional que ensinava que tudo que
era preciso para ser salvo era aspergir água sobre sua cabeça
quando criança, frequentar os cultos e seguir as leis da igreja.
Quando eu fui salvo em minha fraternidade, na época em que
cursava a faculdade em 1979, imediatamente comecei a frequentar
uma igreja independente que enfatizava as bênçãos de Deus. A
santificação não era ensinada nessa igreja nem na igreja
denominacional que eu frequentara no passado.
Em 1985, Deus começou a lidar comigo em oração sobre a
necessidade de pureza, o que criou uma sede em minha vida. Eu
pedia a Deus apaixonadamente para que purificasse minha vida.
Após alguns meses Ele respondeu. Em dezembro daquele ano, Ele
me disse que iria me ensinar como negar a mim mesmo, tomar a
minha cruz e segui-Lo. Ele me mostrou que faria um trabalho de
santificação em minha vida.
Animado, eu disse à minha esposa: “Deus vai remover de mim
toda impureza”. Continuei dizendo a ela todas as coisas que Deus
iria tirar de mim. A maioria delas eram excessos relacionados à gula
por certos alimentos, muito tempo de televisão e excesso de foco
nos prazeres. Porém, durante os três meses que se seguiram, nada
aconteceu. Na verdade, as coisas pioraram. Era como se eu tivesse
me tornado duas vezes mais carnal.
Eu perguntei ao Senhor:
— Por que esses maus hábitos estão piorando e não
melhorando?
Ele respondeu:
— Filho, Eu disse que iria purificá-lo. Você tem tentado fazer isso
com sua própria força. Agora, Eu farei isso da Minha maneira.
Daquele ponto em diante, passei por provações intensas, às quais
nunca havia experimentado! E no meio de tudo aquilo, Deus parecia
estar a milhões de quilômetros de distância, embora não estivesse.
Defeitos em minha personalidade que antes ficavam escondidos
vieram à superfície, e a raiz de todos esses defeitos podia ser
resumida em uma só palavra: egoísmo! Eu era rude e duro com os
mais próximos de mim. Às vezes gritava com minha esposa e meus
filhos sem motivo. Eu murmurava sobre quase tudo. Eu não era uma
companhia agradável. Não demonstrava amor por minha família,
meus amigos e meu pastor, e os tratava como se eles fossem a
razão da angústia na minha alma. Eles começaram a me evitar por
causa da minha atitude e do meu comportamento.
Finalmente, clamei ao Senhor:
— De onde toda essa ira está vindo? Ela não estava aqui antes!
Ele me mostrou na Bíblia Sua Palavra sobre purificação, em
seguida respondeu minha pergunta:
— Filho, quando eles purificam o ouro, o colocam em uma
fornalha muito quente, e intensificam o calor para que ele se torne
líquido. Uma vez feito isso, as impurezas aparecem na superfície.
Ele me levou a olhar para minha aliança de casamento de ouro.
Ela possui quatorze quilates de ouro, o que significa que quatorze
de vinte e quatro partes da aliança eram de ouro, porém dezpartes
eram de outros metais. Isso significa que aproximadamente 60%
dessa aliança era de ouro.
Então Ele me fez as seguintes perguntas que mudaram minha
vida:
— Esse anel parece ser de ouro puro para você?
Eu respondi:
— Sim.
Ele retrucou:
— Mas ele não é de ouro puro, é?
Eu respondi:
— Não, Senhor.
Ele continuou:
— Você não pode ver as impurezas do ouro antes que ele seja
colocado no fogo, mas isso não significa que elas não estejam lá.
Eu respondi, dizendo:
— Sim, Senhor.
Então, Ele fez uma declaração que impactou meu coração como
uma bomba:
— Quando Eu coloco Meu fogo sobre você, essas impurezas vêm
à tona; embora estivessem despercebidas a seus olhos, elas eram
visíveis a Mim. Agora a escolha é sua; sua reação ao que for
exposto é que determinará seu futuro. Você pode permanecer irado,
culpar sua esposa, seus amigos, seu pastor ou as pessoas com as
quais você trabalha por sua condição. Você pode permitir que as
impurezas permaneçam, dando justificativas para seu
comportamento. Mais tarde, quando as provações diminuírem, elas
se esconderão novamente. Ou você pode ver sua condição como
ela é, arrepender-se, pedir perdão, e Eu, com as Minhas Mãos,
removerei essas impurezas de sua vida.
Deus não as removerá contra nossa vontade. Paulo sabia disso e
nos advertiu: “Amados, visto que temos essas promessas,
purifiquemo-nos de tudo o que contamina o corpo e o espírito,
aperfeiçoando a santidade no temor de Deus” (2 Co 7:1). E ele
escreveu a Timóteo sobre esse assunto:
 
“Afaste-se da iniquidade todo aquele que confessa o Nome do
Senhor”. Numa grande casa há vasos não apenas de ouro e
prata, mas também de madeira e barro; alguns para fins
honrosos, outros para fins desonrosos. Se alguém se purificar
dessas coisas, será vaso para honra, santificado, útil para o
Senhor e preparado para toda boa obra.
2 Timóteo 2:19-21
O processo de santificação é um esforço cooperativo entre Deus e
nós. Ele providencia a graça, mas nós precisamos querer e pedir
por Sua purificação. Então, quando Ele começa o processo, nós
precisamos cooperar por meio de humildade e obediência. Na
minha vida, eu podia ver somente os meus excessos externos como
o mau hábito de comer demais, ver televisão demais, muita
diversão, e assim por diante. Mas Deus podia ver as raízes mais
profundas, e depois que Ele tratou delas, as outras coisas se
alinharam. A purificação é um processo constante, contínuo e
muitas vezes doloroso, mas sabendo o que é produzido como
resultado, devemos dar boas-vindas a esse processo.
Outra característica do ouro em seu estado mais puro é a
transparência: “A rua principal da cidade era de ouro puro, como
vidro transparente” (Ap 21:21). Quando é purificado pelo fogo das
tribulações, você se torna transparente! Um recipiente transparente
não traz nenhuma glória para si mesmo, e sim glorifica o que
contém em seu interior. Quanto mais somos refinados, mais
claramente o mundo pode ver Jesus em nós. Aleluia!
Davi, que tinha um coração segundo o coração de Deus, clamou:
“Quem pode discernir os próprios erros? Absolve-me dos que
desconheço!” (Sl 19:12). Que esse seja o nosso clamor. Se
pedirmos a Deus para purificar nossos corações, Ele irá remover as
impurezas que estão ocultas aos nossos olhos. Deus conhece
nossos pensamentos e nossas intenções mais íntimas, até mesmo
aqueles que nós desconhecemos. Ao sermos refinados, serão
fortalecidas as coisas boas que temos, e serão removidas as coisas
que nos prejudicam ou nos enfraquecem. Por essa razão, Jesus
aconselha a Igreja dos nossos dias a comprar Dele ouro refinado no
fogo para que nos enriqueçamos, não com aquilo que o mundo
busca, mas com o que dura eternamente.
Roupas Brancas
Após aconselhar essa igreja a comprar ouro refinando, Jesus a
aconselha a comprar Dele roupas brancas, para que a vergonha da
sua nudez não seja revelada. Deus exorta Israel em termos
similares quando Isaías clama:
 
Desperte! Desperte, ó Sião!
Vista-se de força.
Vista suas roupas de esplendor,
ó Jerusalém, cidade santa.
Isaías 52:1
Sião é uma tipologia da Igreja. Deus não disse: “Eu a vestirei com
suas roupas”; Ele disse: “Vista suas roupas de esplendor”. De
maneira semelhante, Paulo diz à Igreja: “Revistam-se do Senhor
Jesus Cristo, e não fiquem premeditando como satisfazer os
desejos da carne” (Rm 13:14). Esses apelos são feitos porque
ninguém se achegará ao Senhor sem essas roupas brancas (ver
Apocalipse 7:9). Contudo, o ponto-chave em todas as três
passagens é que somos nós quem devemos vesti-las.
Novamente, Sua graça providencia para nós a capacidade de
comprar essas roupas. Não poderíamos providenciá-las por nós
mesmos, porque todos os “nossos atos de justiça são como trapo
imundo” (Is 64:6). Mas, como o profeta diz:
 
É grande o meu prazer no Senhor!
Regozija-se a minha alma em meu Deus!
Pois Ele me vestiu com as vestes da salvação
E sobre mim pôs o manto da justiça,
Qual noivo que adorna a cabeça como um sacerdote,
Qual noiva que se enfeita com joias.
Isaías 61:10
O Senhor providencia as vestes de salvação e as joias; nós nunca
poderíamos providenciar isso para nós mesmos. Mas, novamente,
essas provisões podem ser recebidas em vão. A noiva precisa
enfeitar a si mesma.
Considere este exemplo: uma mulher pobre é pedida em
casamento pelo filho de um grande rei. Ela não tem dinheiro e não
tem condição alguma de conseguir recursos para se preparar para o
casamento. Ela tem apenas farrapos, e não terá sua entrada
permitida na corte do rei se não estiver usando a vestimenta
apropriada. Em seu grande amor, o filho do rei dá a ela o necessário
para comprar um bonito vestido e joias para que ela use no dia da
cerimônia. Mas ela não usa nada do que recebeu para o casamento;
ela gasta o dinheiro com seus próprios prazeres. É um insulto ao
grande rei e a seu filho quando ela aparece para o casamento sem
as vestes apropriadas. A capacidade de conseguir as vestes foi
graciosamente dada a ela, mas ela recebeu a provisão em vão. Ela
não se preparou para o casamento.
Se ela tivesse usado o que ele lhe deu para comprar as vestes
para o casamento, então ela se orgulharia no rei. Ela teria
declarado: “Ele me vestiu com este vestido de casamento”. Embora
tenha recebido um presente pela graça, ela seria capaz de vestir a
si mesma. Teria sido algo dado totalmente pela provisão do rei. Mas
ela teria de se preparar ao comprar o traje e colocá-lo em si mesma.
Esse exemplo relata muito bem nossa preparação para o retorno
do Noivo. João descreve a cena que viu e ouviu:
 
Regozijemo-nos! Vamos alegrar-nos e dar-Lhe glória! Pois
chegou a hora do casamento do Cordeiro, e a Sua noiva já se
aprontou. Para vestir-se, foi-lhe dado linho fino, brilhante e
puro. O linho fino são os atos justos dos santos.
Apocalipse 19:7-8
A palavra grega para “atos de justiça” no versículo 8 é dikaioma. O
Dicionário de Strong define essa palavra como “um feito justo”. De
acordo com o Dicionário de Vine, essa palavra significa “um ato de
justiça, uma expressão concreta de retidão”. Deus nos dá Sua graça
para que possamos produzir obras de justiça. De acordo com a
Palavra de Deus, esses atos compram as roupas brancas com as
quais podemos nos vestir para as Bodas do Cordeiro. Mas será que
temos recebido essa graça em vão? Se são nossos atos de justiça
que produzem nossas roupas para as Bodas, então muitos de nós
seremos encontrados praticamente nus! A maioria das igrejas
ocidentais não possui obras suficientes para uma minissaia, quanto
mais para um vestido de casamento! Novamente, isso explica e
confirma o comentário de Tiago (colocado em forma de pergunta):
“Insensato! Quer certificar-se de que a fé sem obras é inútil?” (Tg
2:20). Será que perdemos de vista essa verdade na igreja ocidental
moderna?
Tiago dá dois exemplos que ilustram a verdadeira fé. Ele diz: “Não
foi Abraão, nosso antepassado, justificado por obras, quando
ofereceu seu filho Isaque sobre o altar?” (v. 21). Alguns podem
dizer: “Pensei que fôssemos justificados pela fé”. Nós somos. Mas
não pela fé e pela graça que têm sido pregadas nomundo ocidental
nas últimas décadas. A fé não é real, a menos que haja obras
correspondentes, e sem a graça de Deus não poderá haver atos
correspondentes.
Tiago continua:
 
Você pode ver que tanto a fé como as obras estavam atuando
juntas, e a fé foi aperfeiçoada pelas obras. Cumpriu-se assim
a Escritura que diz: “Abraão creu em Deus, e isso lhe foi
creditado como justiça”, e ele foi chamado amigo de Deus.
Vejam que uma pessoa é justificada por obras, e não apenas
pela fé.
Tiago 2:21-24
Na segunda ilustração, Tiago escreve: “Caso semelhante é o de
Raabe, a prostituta: não foi ela justificada pelas obras, quando
acolheu os espias e os fez sair por outro caminho? Assim como o
corpo sem espírito está morto, também a fé sem obras está morta”
(Tg 2:25-26). Outra tradução diz: “Assim também a fé sem ações
está morta” (NTLH).
A fé não é fé de fato se não for acompanhada por obras. Nós
podemos proclamar nossa fé, como a Igreja de Laodiceia fez, mas
será que temos as obras correspondentes que confirmam essa fé?
Vamos considerar duas parábolas que Jesus conta imediatamente
após a parábola das dez virgens. Lembre-se de que o ponto central
na parábola das dez virgens é que as insensatas não entregaram
suas vidas por inteiro, mas ainda assim chamavam Jesus de
“Senhor”. A entrada delas nas Bodas foi negada.
A parábola seguinte é com relação a um homem rico que fez uma
longa viagem. Esse homem rico representa Jesus. Ele chamou
todos os seus servos e lhes deu dinheiro para que investissem para
ele enquanto estivesse fora. Ele deu a eles quantidades diferentes,
de acordo com a capacidade deles, e então partiu. Dois dos servos
trabalharam diligentemente e dobraram a quantidade que lhes foi
dada. O terceiro, que havia recebido menos, cavou um buraco no
chão e escondeu o dinheiro que o senhor lhe dera, para mantê-lo
protegido. Ele não usou o que lhe foi dado; ele recebeu em vão.
Após um longo tempo, o senhor retornou de sua viagem e os
chamou para que prestassem conta do que haviam feito. O senhor
elogiou e recompensou os dois primeiros servos, que trabalharam
diligentemente com o que lhes havia sido confiado. Então o servo
que recebeu a menor quantia, disse: “Senhor, sei que o senhor é um
homem duro, que espera receber algo a troco de nada, por isso
fiquei com medo e escondi seu dinheiro na terra. Aqui está ele”
(paráfrase do autor). O senhor respondeu: “Servo mau e
preguiçoso!” (Mt 25:26, AA).
Ele diz “servo”. Ele não usa palavras como ímpio, estrangeiro,
forasteiro ou inimigo. Aqueles que não receberam Sua graça é que
são inimigos (ver Romanos 5:10). Aqueles que não foram salvos é
que são estrangeiros (ver Efésios 2:19). Aqueles que não creem em
Deus é que são ímpios. Esse homem não é chamado por nenhum
desses nomes, mas de servo do senhor. Jesus deixou claro: “Pois a
quem tem, mais será dado, e terá em grande quantidade. Mas a
quem não tem, até o que tem lhe será tirado” (Mt 25:29).
O julgamento do senhor para seus três servos se fundamentou em
como eles usaram o que lhes foi dado. O julgamento não tinha nada
a ver com o fato de crerem ou não que o mestre existia. É claro que
o terceiro servo acreditava que ele existia, pois havia recebido dele.
Ele também sabia que o senhor retornaria, pois escondeu o dinheiro
para mantê-lo a salvo. Contudo, ele viveu com uma atitude de
ignorar a volta do Senhor. Ele não redimiu o tempo; ele não fez atos
de justiça. O senhor pronunciou o julgamento desse servo inútil: “E
lancem fora o servo inútil, nas trevas, onde haverá choro e ranger
de dentes” (Mt 25:30).
Embora essa parábola fale de investir dinheiro e não de comprar
vestes, o mesmo princípio se aplica a ela: não houve atos de
obediência. O julgamento pronunciado ao servo preguiçoso está
relacionado ao julgamento que Jesus deu à igreja de Laodiceia. Eles
estavam nus, pois suas obras (e não a crença na existência de
Deus) eram mornas.
A parábola que Jesus conta em seguida está relacionada ao
Último Julgamento, que acontecerá quando Ele vier para julgar
todos os povos. Ele os separará como um pastor separa ovelhas de
bodes.
 
Então o Rei dirá aos que estiverem à Sua direita: “Venham,
benditos de Meu Pai! Recebam como herança o Reino que
lhes foi preparado desde a Criação do mundo. Pois Eu tive
fome, e vocês Me deram de comer; tive sede, e vocês Me
deram de beber; fui estrangeiro, e vocês Me acolheram;
necessitei de roupas, e vocês Me vestiram; estive enfermo, e
vocês cuidaram de Mim; estive preso, e vocês Me visitaram”.
Então os justos lhe responderão: “Senhor, quando Te vimos
com fome e Te demos de comer, ou com sede e Te demos de
beber? Quando Te vimos como estrangeiro e Te acolhemos,
ou necessitado de roupas e Te vestimos? Quando Te vimos
enfermo ou preso e fomos Te visitar?” O Rei responderá:
“Digo-lhes a verdade: o que vocês fizeram a algum dos meus
menores irmãos, a Mim o fizeram”.
Mateus 25:34-40
Jesus está Se referindo não somente aos enfermos, famintos ou
presos fisicamente. Ele está falando dos espiritualmente fracos
também. Na maior parte de Seu ministério, Jesus cuidou dos
espiritualmente pobres. Ele deu de comer aos que tinham fome
espiritual (ver Mateus 5:6). Ele deu de beber aos que tinham sede
espiritual (ver João 4:10). Aos doentes e aprisionados, Jesus disse:
 
O Espírito do Senhor está sobre Mim,
porque Ele Me ungiu
para pregar boas novas aos pobres.
Ele Me enviou para proclamar liberdade aos presos
e recuperação da vista aos cegos,
para libertar os oprimidos.
Lucas 4:18
Se Ele estivesse Se referindo somente a obras físicas nessa
parábola, então os doze apóstolos não teriam dito à Igreja: “Não é
certo negligenciarmos o ministério da Palavra de Deus, a fim de
servir às mesas” (At 6:2). De maneira alguma essa afirmação
implica desmerecer o cuidado com os pobres ou doentes
fisicamente; ambas as coisas são importantes.
O ponto-chave é fazer a obra de Jesus. Jesus é nosso Mestre e
Senhor, mas Ele não veio para ser servido ou viver Sua vida em
prazeres. Ele veio para servir e dar a Sua vida em favor de muitos
(ver Mateus 20:28). Os santos justos que foram recompensados
nessa parábola são os que deram a vida em favor da obra de Jesus.
Suas obras eram quentes, e não mornas.
 
Então Ele dirá aos que estiverem à Sua esquerda: “Malditos,
apartem-se de Mim para o fogo eterno, preparado para o
diabo e os seus anjos. Pois Eu tive fome, e vocês não Me
deram de comer; tive sede, e nada Me deram para beber; fui
estrangeiro, e vocês não Me acolheram; necessitei de roupas,
e vocês não Me vestiram; estive enfermo e preso, e vocês
não Me visitaram”. Eles também responderão: “Senhor,
quando Te vimos com fome ou com sede ou estrangeiro ou
necessitado de roupas ou enfermo ou preso, e não Te
ajudamos?”. Ele responderá: “Digo-lhes a verdade: O que
vocês deixaram de fazer a alguns destes mais pequeninos,
também a Mim deixaram de fazê-lo. E estes irão para o
castigo eterno, mas os justos para a vida eterna”.
Mateus 25:41-46
Nessa parábola, a única diferença entre os dois grupos é o que
fizeram e o que não fizeram. Em outras palavras, a única diferença
foram as obras. Aqueles que receberam um galardão agiram na
graça que lhes fora dada e produziram obras de justiça. As pessoas
que foram julgadas eram formadas por dois grupos: aqueles que
eram ímpios e os que eram servos, mas que não fizeram nada com
a graça que lhes foi dada. Eles não produziram atos de retidão; eles
receberam a graça de Deus em vão.
Ocasionalmente, faço perguntas durante minhas pregações em
grandes congregações e ouço respostas de partir o coração. Por
exemplo, eu pedi às mães viúvas e solteiras que se levantassem —
e há muitas delas — e lhes perguntei: “As pessoas da igreja chegam
até você no final do culto de manhã e perguntam: ‘Você e seus filhos
gostariam de vir à nossa casa para almoçar conosco? Nós sabemos
que seus filhos não têm um pai e precisam ver um exemplo de bom
pai’”. A resposta mais positiva que consegui ouvir até hoje foi de
duas pessoas em uma congregação de quase mil pessoas.
Eu continuo: “Se sua máquina de lavar,ou outro eletrodoméstico
importante em sua casa, quebra, você telefona para alguém de uma
das famílias da igreja e pede por ajuda e no mesmo dia esses
irmãos se oferecem para ajudar, certo?”. Elas olham para mim,
espantadas, algumas com lágrimas nos olhos, pois, sem saber, eu
falei de uma situação que passaram. Novamente, nenhuma
resposta positiva. Outras questões de cuidado básico têm a mesma
reação.
Eu enfatizo ao povo que esse cuidado e carinho não são
responsabilidade dos pastores. A responsabilidade deles é de
“preparar os santos para a obra do ministério, para que o Corpo de
Cristo seja edificado” (Ef 4:12).
Então eu mudo de assunto e pergunto à toda a congregação:
“Quantos de vocês ministram em uma prisão pregando o
Evangelho?”. Cinco a oito pessoas geralmente se levantam em uma
grande congregação. Quando eu pergunto: “Quantos de vocês
visitam hospitais ou asilos?”. Recebo a mesma resposta. Quando eu
pergunto: “Quantos de vocês vão aos bairros marginalizados para
levar a Palavra de Deus às pessoas?”. Vejo a mesma reação. A
razão para uma resposta tão pequena é porque cerca de 80% da
maioria das congregações vive basicamente em função de si
mesmas e de suas famílias. Mas os incrédulos é que fazem assim!
Por outro lado, quase todas as pessoas que não responderam
certamente iriam a um culto milagroso onde um “profeta” lhes diria
que elas iriam prosperar nos negócios e ser bem-sucedidas em
seus ministérios. Elas dirigiriam milhares de quilômetros para
receber “uma unção dobrada” ou ir a um “culto de renovação”. Por
quê? Na maioria das vezes não para ser mais útil para Jesus, e sim
para descobrir mais benefícios para si mesmas.
Recentemente assisti a um evangelista popular da televisão
ensinando uma enorme multidão sobre a unção. Ele compartilhou o
preço da unção e o povo ouvia atentamente. Não era difícil detectar
a paixão que eles tinham pelo poder de Deus. Alguns olhavam para
ele como se tivessem fogo nos olhos. Contudo, eu senti um
incômodo em meu espírito, o que foi confirmado quando um homem
colocou um cheque nas mãos desse evangelista. Era uma “oferta”.
Eu me lembrei de Pedro, quando lhe ofereceram dinheiro por causa
da unção, no livro de Atos. Eu me senti aliviado ao ver que o
evangelista devolveu o cheque ao homem.
Imediatamente fui para um lugar mais silencioso para orar.
— Senhor — eu questionei — sinto um incômodo. Eu acho que sei
o porquê, mas quero que o Senhor me explique.
Sua doce e suave voz falou ao meu coração:
— John, eles têm paixão pelo Meu poder, mas pelas razões
erradas. O poder pode fazer com que as pessoas se sintam
importantes. Ele lhes dá autoridade, valor ou lhes traz dinheiro. Eles
o desejam não para servir, mas para terem sucesso.
As palavras de Jesus à multidão no Dia do Julgamento vieram à
minha mente. Eles professavam Seu senhorio pelo fato de terem
feito milagres, expulsado demônios e profetizado em Nome Dele.
Mas Jesus virou-se para eles e disse: “Afastem-se de Mim, vocês
que não fazem a vontade do Meu Pai” (Mt 7:21-23, paráfrase do
autor).
O Senhor continuou:
— John, eles não disseram: “Senhor, Senhor, nós visitamos os
que estavam na prisão em Teu Nome, nós alimentamos os famintos
e vestimos os nus em Teu Nome”.
Eu respondi:
— Não, Senhor, eles não disseram.
A partir disso eu pude ver dois grupos de pessoas, que constituem
uma grande parte da Igreja. Um grupo, o maior dos dois, vem para a
igreja, mas vive sua vida buscando sucesso no mundo. O outro
grupo vem à igreja buscando sucesso em seus ministérios. Um
terceiro grupo muito menor é constituído por aqueles que buscam
apaixonadamente agradar a Jesus, servindo Seu povo e alcançando
os perdidos, com corações puros!
Ai, povo de Deus, você pode ver os caminhos perigosos tomados
pela igreja ocidental? Quando muitos vêm às nossas igrejas, ouvem
um sermão uma ou duas vezes por semana, e então vão para casa
para viverem em função de si mesmos no restante da semana, que
tipo de vestes ele têm? É como se a única forma de arrastar esses
“crentes” para a igreja, além dos dias usuais, é dizer que haverá
uma bênção que os beneficiará de uma forma egoísta. Eles usam
sua energia e seu esforço em buscar ganho e recompensa próprios.
A maioria dessas pessoas sabe as coisas certas a dizer e parece
ser amável, mas não está vivendo para o Mestre. O que eles farão
no Dia do Julgamento, quando forem chamados para prestar contas
da graça que lhes foi dada? Estarão nus ou estarão vestidos de atos
de justiça e retidão?
Paulo clamou:
 
Por isso, temos o propósito de Lhe agradar, quer estejamos
no corpo, quer o deixemos. Pois todos nós devemos
comparecer perante o tribunal de Cristo, para que cada um
receba de acordo com as obras praticadas por meio do corpo,
quer sejam boas quer sejam más. Uma vez que conhecemos
o temor ao Senhor, procuramos persuadir os homens.
2 Coríntios 5:9-11
Será que temos considerado o temor do Senhor? Ou zombamos
de Sua santidade ao ignorarmos o Dia do Julgamento? Será que
temos confiado em palavras vazias e sem nexo? Isso nos leva à
terceira coisa que Jesus aconselha aos mornos que comprem Dele.
Colírio para os Olhos
Após aconselhar à igreja para que compre ouro refinado e roupas
brancas, Jesus os aconselha a comprarem Dele colírio para os
olhos, para que possam enxergar. O colírio é um umectante para os
olhos, composto por várias substâncias e aplicado com propósitos
medicinais. A escola de medicina de Laodiceia era famosa por
causa de seu colírio.
Considerando que o povo da cidade estava familiarizado com
colírio para os olhos, Jesus usou-o para fazer a analogia de que
aquela igreja precisava de cura para sua cegueira espiritual. Embora
essa seja uma igreja histórica, isso tem uma aplicação profética.
Muitos teólogos acreditam que essa fala se aplica ao período
imediatamente anterior à volta de Jesus, que são os nossos dias. A
igreja alega que vê, mas Jesus identifica sua realidade e diz: “Não
reconhece, porém, que é miserável, digno de compaixão, pobre,
cego, e que está nu” (Ap 3:17).
Paulo escreve aos cristãos: “Oro também para que os olhos do
coração de vocês sejam iluminados” (Ef 1:18). Ser iluminado é
enxergar claramente. Nós precisamos ver ou enxergar da maneira
que Jesus vê. E somente podemos fazer isso ao passarmos tempo
na presença Dele, ouvindo Sua palavra, e servindo a Ele.
Esse princípio geral se aplica aos líderes naturais. Você aprende
qual é a visão de um líder ao servi-lo e passar tempo a seu lado.
Minha esposa passou mais tempo comigo do que qualquer outra
pessoa que trabalha conosco em nosso ministério. Ela é uma
mulher de Deus; ela se alegra em ser minha esposa e em servir a
Deus sob a minha autoridade. Ela é a pessoa que mais se dedica ao
trabalho em minha equipe. Já houve inúmeros incidentes em nosso
ministério durante os quais os membros da equipe precisavam de
uma decisão enquanto eu estava ausente, e ela foi capaz de dar
uma diretriz correta em todas as vezes.
Moisés passou mais tempo na presença de Deus do que qualquer
pessoa em seus dias: “Moisés tinha cento e vinte anos de idade
quando morreu; todavia, nem os seus olhos nem o seu vigor tinham
se enfraquecido” (Dt 34:7). Ele também se deleitou em servir a Deus
mais do que qualquer outra pessoa, e Deus o chamou de “Meu
servo... fiel” (Nm 12:7).
O povo de Israel, por outro lado, não tinha essa paixão pela
presença de Deus; eles desejavam somente Suas bênçãos. Eles
somente O serviriam se vissem os benefícios. Portanto, eles não
viam as coisas do modo como Deus as via.
Eles foram repetidamente corrigidos por causa de percepções
errôneas. O problema chegou ao auge quando os líderes entraram
na terra prometida. Ao retornarem, dez dos líderes disseram à
congregação: “éramos aos nossos olhos como gafanhotos, e assim
também éramos aos seus olhos” (Nm 13:33, ACF).
Calebe e Josué viram a situação de forma diferente. Eles
disseram ao povo: “Não sejam rebeldes contra o Senhor. E não
tenham medo do povo da terra, porque nós os devoraremos como
se fossem pão. A proteção deles se foi, mas o Senhor está conosco.Não tenham medo deles!” (Nm 14:9). Por que esses homens eram
tão diferentes quanto à maneira de ver a situação? Josué tinha
paixão por passar tempo com Deus. Josué foi o mais perto que lhe
fora permitido subir à montanha (ver Êxodo 24:13).
Mais tarde, antes que o tabernáculo fosse construído, Moisés
ergueu uma tenda longe do acampamento e a chamou de tenda do
encontro. Se alguém quisesse buscar ao Senhor, deveria ir para fora
do acampamento, até a tenda do encontro. Além de Moisés, a Bíblia
não menciona mais ninguém indo à tenda, a não ser Josué. Quando
Moisés foi ao lugar de encontro, todos se levantaram e ficaram de
pé à porta de suas tendas e adoraram de longe. Eles o respeitavam
por buscar a Deus, mas não se achegavam mais perto, pois seus
corações seriam revelados. Mas a Bíblia diz que quando Moisés
retornou ao acampamento, “Josué, filho de Num, que lhe servia
como auxiliar, não se afastava da tenda” (Êx 33:11).
Duas coisas são evidentes aqui. Primeira, Josué tinha paixão pela
presença de Deus. Josué permanecia ali, mesmo quando Moisés
deixava a tenda. Segunda, Josué era o servidor de Moisés. Ele,
também, era um servo fiel do Senhor; seus atos correspondiam à
sua fé. A percepção de Josué era clara, pois ele passava tempo
com Deus e produzia atos de justiça e retidão.
Hoje, algumas pessoas passam horas em oração, mas não são
servidoras. Elas estão sempre criando problemas em suas igrejas
por causa de sua cegueira. Elas são pessoas superespirituais que
não produzem frutos verdadeiros para o Reino. Elas são cegas, pois
não são pessoas que servem. É necessário tanto passar tempo com
o Senhor quanto ser um servidor.
Assim como a visão de Moisés era correta, a de Josué também.
Ambos passavam tempo com Deus e eram servos que mostravam
atos de justiça. Os filhos de Israel se viam como gafanhotos, e
diziam que o inimigo também os via da mesma forma. Josué e
Calebe disseram que a proteção e a força dos inimigos haviam sido
retiradas. Quem conseguiu ver corretamente? Quarenta anos mais
tarde, quando Josué enviou dois espiões à mesma terra, um dos
habitantes disse aos espias:
 
Pois temos ouvido como o Senhor secou as águas do mar
Vermelho perante vocês quando saíram do Egito, e o que
vocês fizeram a leste do Jordão com Seom e Ogue, os dois
reis amorreus que vocês aniquilaram. Quando soubemos
disso, o povo desanimou-se completamente, e por causa de
vocês todos perderam a coragem, pois o Senhor, o seu Deus,
é Deus em cima nos Céus e embaixo na Terra.
Josué 2:10-11
Josué viu perfeitamente, enquanto a percepção dos outros líderes
estava completamente equivocada. Essa situação é semelhante à
do servo preguiçoso, que recebeu a graça de seu senhor em vão.
Quando seu senhor retornou, o servo o viu como um homem duro,
que esperava receber algo do nada. A percepção dele estava
completamente enganada. Provavelmente, sua percepção errada
cresceu e piorou à medida que ele não produzia as obras que seu
senhor lhe havia ordenado fazer.
Como mencionei antes, hoje existem dois grupos de pessoas na
igreja, cuja visão é obscurecida; eles não veem do modo como
Jesus vê. O primeiro grupo inclui os que não buscam a Deus como
deveriam. Eles respeitam pregadores que buscam a Deus e trazem
a mensagem dos Céus, mas não vão para fora do acampamento
para se encontrar com Jesus. Eles não deram a atenção necessária
à exortação: “vamos para perto de Jesus, fora do acampamento”
(Hb 13:13, NTLH). As obras deles são mornas.
O segundo grupo inclui aqueles que buscam a Jesus, mas não
são pessoas que servem. Eles O buscam por causa do que Ele
pode fazer por eles. Falando francamente, eles geralmente são
aqueles que trazem mais dores de cabeça aos pastores tementes a
Deus do que qualquer outro membro! Eles têm um comportamento
“religioso” ou “espiritual”, mas suas obras são mornas.
Ai, povo de Deus, nós não precisamos de reavivamento ou
renovação na Igreja. Nós precisamos de reforma! A renovação
revigora o que já existe. A reforma traz uma mudança completa no
que já temos. Uma reforma é um chamado a uma mudança
completa na maneira de ver e viver. Nós temos acreditado por muito
tempo em uma falsa graça que leva nossas igrejas a um estado de
mornidão. Você pode ensinar algo errado por tanto tempo que
acaba crendo que é verdade. Então, quando a verdade é dita, você
a rejeita, chamando-a de extremo ou erro. A renovação, ou o
reavivamento, somente fortalecerá o que está errado em nossa
percepção. Nossos olhos precisam ser abertos para vermos como
Ele vê! Como o salmista diz: “Na Tua luz, vemos a luz” (Sl 36:9,
ARA).
CAPÍTULO 12
C
AQUELES QUE EU AMO...
Se quisermos ser como Jesus quando Ele retornar,
então um de nós vai ter de mudar.
omo vimos no capítulo anterior, Jesus diz à igreja de Laodiceia
para que compre Dele ouro refinado pelo fogo, roupas brancas
e colírios para os olhos. Depois disso, Ele diz: “Repreendo e
disciplino aqueles que Eu amo” (Ap 3:19).
É por causa do Seu amor que Ele nos repreende e disciplina. O
escritor de Hebreus explicou assim:
 
Meu filho, não despreze a disciplina do Senhor,
Nem se magoe com a Sua repreensão,
Pois o Senhor disciplina a quem ama,
E castiga todo aquele a quem aceita como filho.
Hebreus 12:5-6
Disciplinar significa “corrigir ou doutrinar”. Castigar significa
“punir”. Na verdade, a palavra grega para castigar é mastigoo. Essa
palavra aparece somente sete vezes no Novo Testamento. Em
todas as outras locais a palavra significa castigar fisicamente com
um chicote. Nosso Pai certamente não usa um chicote para nos
castigar; contudo, Sua disciplina pode ser severa. É por isso que o
escritor nos alerta a não desprezarmos a disciplina. Algumas vezes,
quando estava sendo corrigido por Ele, senti como se fosse morrer
por causa da dor interior, mas, ao me submeter, o resultado sempre
foi para o meu bem e aumentou a chama da santidade dentro do
meu coração.
Filhos de Deus
Mesmo os filhos de Deus mais dedicados precisam de correção.
Embora Deus possa permitir que outros continuem no erro ou no
pecado não detectado, Ele não permitirá isso a Seus filhos e Suas
filhas. Assim como um pai sábio nunca iria ignorar as falhas dos
próprios filhos, mesmo que venha a fazer isso com os filhos de
outros, assim o Senhor não permitirá que os Seus filhos continuem
naquilo que lhes trará ruína.
A permissão em continuar a pecar sem correção ou disciplina é
um sinal alarmante do afastamento de Deus. A Bíblia afirma
claramente que aqueles que não experimentam Sua correção são
filhos ilegítimos; não são verdadeiros filhos e filhas de Deus. Eles
podem chamá-Lo de Pai, mas essa declaração tem origem em uma
falsa conversão.
Eu tenho pregado mensagens fortes que vêm do coração de
Deus, e posteriormente visto duas reações completamente
diferentes. Muitas vezes uma pessoa recebe a correção do Pai;
enquanto outra permanece intocada, pois não era um verdadeiro
filho de Deus. Um incidente aconteceu em uma família. Após eu ter
pregado em um domingo de manhã, mais da metade da
congregação respondeu ao chamado de arrependimento ao altar no
final. O pastor e sua esposa me levaram à casa de um dos
membros para almoçarmos após o culto. A dona da casa não
parava de comentar como Deus a havia corrigido através da Sua
Palavra durante o culto. Seu semblante deixava evidente que ela
havia tido um encontro com o Senhor. O Espírito Santo a havia
disciplinado fortemente. Mas, durante a conversa, ela comentou
comigo com um ar intrigado: “Minha filha falou comigo após o culto:
‘Mãe, aquele homem fala alto, e a mensagem dele não fez sentido
nenhum’”.
Eu havia percebido, quando entrei na casa, que a filha dela não
era verdadeiramente salva. As palavras de sua mãe simplesmente
vieram a confirmar o que eu havia pensado antes. A mãe, que
amava ao Senhor profundamente, recebeu a disciplina, assim como
a maioria dos que estavam lá naquela manhã. Mas a filha, que se
sentara ao seu lado durante o culto, permaneceu intocada —
embora obviamente houvesse insubordinação em sua vida. As
palavras e o comportamento da jovem confirmaramque ela não era
uma verdadeira filha de Deus. Contudo, se eu tivesse perguntado à
filha se ela era cristã, ela teria respondido: “Sim”.
Deus disciplina os Seus. Seu primeiro desejo é falar-nos de forma
suave através da Sua Palavra, como no exemplo dessa mulher. Mas
se nós não estamos ouvindo, Ele usará a aflição e a dificuldade para
trazer correção. O salmista declara:
 
Antes de ser castigado, eu andava desviado,
Mas agora obedeço à Tua Palavra...
Sei, Senhor, que as Tuas ordenanças são justas,
E que por Tua fidelidade me castigaste.
Salmos 119:67, 75
Paulo diz em relação à disciplina do Pai: “É por isso que muitos de
vocês estão doentes e fracos, e alguns já morreram. Se
examinássemos primeiro a nossa consciência, nós não seríamos
julgados pelo Senhor. Mas somos julgados e castigados pelo
Senhor, para não sermos condenados junto com o mundo” (1 Co
11:30-32, NTLH).
Deus preferiria que déssemos ouvidos às Suas palavras de
correção; mas não importa como Ele nos corrige, o fato é que
nenhum método é prazeroso quando isso acontece. O escritor de
Hebreus confirma: “Nenhuma disciplina parece ser motivo de alegria
no momento, mas sim de tristeza” (12:11). Deus está mais
preocupado com nossa condição do que com nosso conforto. O
escritor observa que Deus nos corrige “para o nosso bem, para que
participemos da Sua santidade” (v. 10). O processo de santidade é o
propósito da Sua correção.
O escritor continua: “Portanto, fortaleçam as mãos enfraquecidas
e os joelhos vacilantes. Façam caminhos retos para os seus pés,
para que o manco não se desvie, antes, seja curado” (vv. 12-13). As
mãos simbolizam serviço ou as obras que produzimos para o
Senhor. Os joelhos simbolizam nosso caminhar ou a maneira que
vivemos. Fortalecer é não adular; é falar a verdade em amor. Jesus
não estava enfraquecendo a igreja de Laodiceia com Suas palavras
de advertência e correção. Ele estava dando aquilo que reacenderia
o fogo neles. Ele estava trazendo correção para que eles pudessem
compartilhar da Sua santidade. É claro, isso ocorreria somente se
eles recebessem a correção.
Por que temos nos retirado e evitado fortalecer o fraco na Igreja?
Por que não temos falado mensagens na mesma maneira que
Jesus falava? Por que a maioria das mensagens pregadas e
escritas nas igrejas ocidentais é sobre paz, prosperidade e
felicidade, quando desesperadamente precisamos ser confrontados
pela verdade? Deus falou por intermédio de Jeremias sobre os
pregadores de seu tempo, os quais estavam suavizando as
mensagens ao pregá-las para as pessoas mornas:
 
Se estivessem estado no Meu conselho,
Então teriam feito o Meu povo ouvir as Minhas palavras,
E o teriam feito voltar do seu mau caminho,
E da maldade das suas ações.
Jeremias 23:22, ACF
Será que estamos conduzindo e voltando os corações do povo
para a justiça e preparando nossa geração para se encontrar face a
face com um Deus santo, ou estamos acariciando seus ouvidos com
palavras que não chamam a uma mudança no sentido de temer a
Deus?
Pacificador ou Apaziguador?
Nós lemos em Hebreus: “Esforcem-se para viver em paz com
todos e para serem santos; sem santidade ninguém verá o Senhor.
Cuidem que ninguém se exclua da graça de Deus” (12:14-15). A
primeira coisa que o escritor declara é que devemos estar em paz
com todos.
Jesus nunca disse: “Bem-aventurados os que mantêm a paz”. Ele
disse: “Bem-aventurados os pacificadores” (Mt 5:9).
Você pode perguntar: “Existe diferença?”.
Muita diferença! Uma pessoa que tenta manter a paz, tenta
mantê-la a qualquer custo. Assim, ela compromete a verdade para
evitar o confronto. Um apaziguador, portanto, não trará as palavras
do coração de Deus para que haja mudança quando for necessário,
como Jesus fez quando precisou falar com a maioria das igrejas no
livro de Apocalipse. Então as pessoas continuarão confortáveis em
sua atual condição, quando, na verdade, precisam de uma mudança
que as faça temer ao Senhor.
Um pacificador, por outro lado, busca a verdadeira paz, e se for
necessário, ele insistentemente confronta as pessoas com a
verdade ou a justiça, a fim de produzir a paz verdadeira. Um
pacificador ama a justiça e odeia o pecado. Ele não recua. Ele
chama o pecado por seu verdadeiro nome: pecado, e não de erro ou
fraqueza. Sua repulsa pelo pecado vem do amor que ele tem por
Deus e por Seu povo. Seu desejo verdadeiro é que venha sobre o
povo o que lhes é melhor, não necessariamente o que lhes deixa
feliz. Ele está mais preocupado em trazer o que irá lhes ajudar, e
não em ser popular ou agradável aos olhos deles. Ele não tem
interesse em ter ganho pessoal. Ele se deleita na verdadeira
misericórdia e justiça. Ele ama a santidade: seu coração queima por
ela, pois seu coração queima por Deus!
Fortalecendo o Fraco para Possuir a Santidade
O escritor de Hebreus exorta aos leitores que possuam santidade,
porque “sem santidade ninguém verá o Senhor”. Anteriormente
aprendemos que os filhos de Israel confessaram o desejo de se
aproximar de Deus, que, na verdade, não existia. Essa era a
intenção, e não o verdadeiro desejo deles. Eles não podiam se
aproximar de Deus, como Moisés fez, pois não removeram os
desejos que o Egito havia transmitido a eles. Se eles tivessem se
aproximado de Deus, suas impurezas seriam reveladas, o que eles
não queriam.
O escritor de Hebreus esclarece o que Deus tem dito a Seu povo
através dos anos. Isaías escreveu algo similar: “Fortaleçam as mãos
cansadas, firmem os joelhos vacilantes” (Is 35:3).
Após as mãos e os joelhos serem fortalecidos, o profeta do Antigo
Testamento anuncia que os olhos dos cegos serão abertos e os
ouvidos dos surdos se abrirão. O deserto se tornará terra frutífera,
tudo porque Seu povo foi fortalecido a andar em santidade! Isaías
declara:
 
E ali haverá uma grande estrada, um caminho
Que será chamado Caminho de Santidade.
Os impuros não passarão por ele;
Servirá apenas aos que são do Caminho;
Os insensatos não o tomarão.
Isaías 35:8
Os caminhos de Deus são mais altos que os dos homens. Esse
elevado caminho de santidade simboliza o caminho da vida, o qual
Jesus diz que é estreito (ver Mateus 7:13-14). Isso fala do caminho
mais elevado da santidade. Nós alcançamos esse caminho de
santidade somente quando estamos abertos para receber a
correção do Pai.
De acordo com o profeta, o insensato não andará por ele. Um
insensato é alguém que vê seus próprios pensamentos e sua vida
como um exemplo de sabedoria. Provérbios 12:15 diz que “o
caminho do insensato parece-lhe justo”. E novamente vemos em
Provérbios que o insensato “é impetuoso e irresponsável” (14:16).
Provérbios 18:2 declara que “o tolo não tem prazer no
entendimento, mas sim em expor os seus pensamentos”. Um tolo ou
insensato, portanto, está enganado. Provérbios 14:8 diz que “a
insensatez dos tolos é enganosa”.
Os membros da igreja de Laodiceia estavam enganados. Eles
acreditavam que eram abençoados e prósperos. Mas lhes faltavam
as verdadeiras riquezas da vida: caráter, obras de justiça, a
capacidade de ver como Jesus vê. As palavras de repreensão,
disciplina e correção de Jesus, embora duras, os livrariam do
caminho da insensatez e os dirigiria ao caminho da santidade. Ele
estava fortalecendo suas mãos cansadas e firmando seus joelhos
vacilantes.
O Caminho para o Monte Sião
Aqueles que hoje não dão ouvidos à correção perderão o único
caminho que leva à Sua glória. A santidade não vem facilmente.
Existe a correção de ser refinado, purificado e limpo, mas todos
esses processos não produzem nenhum efeito se não houver
arrependimento. Por essa razão, Jesus disse à igreja de Laodiceia:
“Por isso, seja diligente e arrependa-se” (Ap 3:19).
O verdadeiro arrependimento é a mudança da mente e da atitude
com relação ao pecado e suas causas, não somente com relação às
consequências do pecado. Nós temos aprendido a nos arrepender
por causa das consequências do pecado, sem, contudo,
abandonarmos sua natureza. Ser diligente, como Jesus ordenou à
igreja, é desejar incansavelmente a mudança da nossa condição
atual para Sua natureza gloriosa. Vamosdiretamente ao ponto: se
nós pretendemos ser como Jesus quando Ele retornar (ver 1 Joao
3:2), então um de nós vai ter de mudar, e esse alguém não é Ele!
Somente por meio de Sua correção e disciplina seremos
conformados segundo a imagem Dele.
Isaías diz que aqueles que não permanecerem insensatos e
receberem a correção de Deus, serão resgatados pelo Senhor e
“voltarão. Entrarão em Sião com cantos de alegria; duradoura
alegria coroará sua cabeça” (Is 35:10). A referência a Sião é
importante.
O escritor de Hebreus desenha uma imagem vívida: “Vocês não
chegaram ao monte que se podia tocar, e que estava em chamas,
nem às trevas, à escuridão, nem à tempestade, ao soar da trombeta
e ao som de palavras tais, que os ouvintes rogaram que nada mais
lhes fosse dito” (Hb 12:18-19). Essa é a montanha sobre a qual
falamos nos capítulos anteriores deste livro. Novamente ouvimos o
triste testemunho de que o povo de Deus implorou para que Ele
parasse de falar. Eles rejeitaram Sua correção, pois ela expunha
seus corações. Que tolos!
Sofonias declara a respeito de Israel:
 
Não ouve a ninguém,
E não aceita correção.
Não confia no Senhor,
Não se aproxima do seu Deus.
Sofonias 3:2
Deus lamenta, dizendo: “Em vão castiguei os vossos filhos; eles
não aceitaram a correção” (Jr 2:30, ACF). Se eles tivessem buscado
santidade, estando abertos à correção e se arrependendo de seus
caminhos, então poderiam ter se achegado a Deus na montanha.
Nós agora temos a mesma oportunidade, embora não tenhamos
de ir a uma montanha visível ou palpável. Mas nós iremos a uma
montanha diferente, da qual Isaías fala:
Mas vocês chegaram ao monte Sião... à cidade do Deus vivo.
Hebreus 12:22
Ele ainda está em uma montanha, mas não na montanha física
chamada Sinai. É uma montanha eterna e ainda mais real, chamada
Sião. O único caminho é o caminho da santidade! Moisés andou por
esse caminho; ele renunciou ao Egito em seu coração e
rapidamente recebeu as Palavras de Deus, as quais incluíram
correção. O povo de Israel implorou para que Deus não mais
falasse, pois eles não desejavam Sua Palavra, pois ela exporia seus
corações e traria correção. À luz de suas ações somos
admoestados:
 
Cuidado! Não rejeitem Aquele que fala. Se os que se
recusaram a ouvir Aquele que os advertia na Terra não
escaparam, quanto mais nós, se nos desviarmos Daquele que
nos adverte dos Céus?
Hebreus 12:25
Deus falou na Terra a partir do monte Sinai; hoje Ele fala da Sua
montanha celestial chamada Sião. Que assustadoras palavras de
advertência ouvimos nessa exortação! Se o povo de Israel não
escapou quando Deus falou Sua palavra do monte Sinai, que
deveria trazer disciplina e correção a eles, muito menos nós
escaparemos se falharmos em darmos ouvidos às palavras que
também trarão correção e disciplina, quando Ele falar do Monte
Sião.
Os filhos de Israel não quiseram ouvir às palavras que Deus falou
em meio a Sua glória, pois elas teriam trazido à luz ao que poluía
seus corações, e então, eles recuaram. Porém, mais tarde, quando
Moisés estava no monte, eles criaram um “Jeová” que lhes falaria
através dos profetas somente aquilo que queriam ouvir — palavras
suaves que seriam agradáveis aos seus ouvidos e lhes concederiam
seus desejos carnais. Durante todo o tempo em que permaneceu no
cume da montanha, Moisés estava ouvindo a verdadeira Palavra do
Senhor, que o transformou. Quando ele desceu do monte, sua face
brilhava por causa da radiante luz de Deus.
Para Moisés, as palavras de Deus significavam transformação.
Para os filhos de Israel, Suas palavras sacudiram a montanha e o
chão sobre o qual pisavam, abalando-os ao ponto de recuarem. O
escritor de Hebreus continua:
 
Aquele cuja voz outrora abalou a Terra, agora promete: “Ainda
uma vez abalarei não apenas a Terra, mas também o Céu”.
As palavras “ainda uma vez” indicam a remoção do que pode
ser abalado, isto é, coisas criadas, de forma que permaneça o
que não pode ser abalado.
Hebreus 12:26-27
As palavras de correção de Jesus abalaram a igreja de Laodiceia.
Eles estavam confortáveis em seu cristianismo, tudo parecia estar
bem, mas a verdadeira Palavra do Senhor abalou seus
fundamentos. Deus novamente abalará Sua igreja, e então as
nações. O abalo remove o que não está construído sobre um
fundamento adequado. Ele remove o que está morto ou não é bom.
Ele purifica, a fim de que o que é puro e vivo permaneça. Os únicos
que precisam temer o abalo de Deus são aqueles que não temem o
Senhor.
Isaías fala sobre isso:
 
Em Sião os pecadores estão aterrorizados;
O tremor se apodera dos ímpios:
“Quem de nós pode conviver com o fogo consumidor?”.
“Quem de nós pode conviver com a chama eterna?”.
Aquele que anda corretamente e fala o que é reto,
Que recusa o lucro injusto,
Cuja mão não aceita suborno,
Que tapa os ouvidos para as tramas de assassinatos
E fecha os olhos para não contemplar o mal,
É esse o homem que habitará nas alturas;
Seu refúgio será a fortaleza das rochas;
Terá suprimento de pão,
E água não lhe faltará.
Isaías 33:14-16
Ele não diz “os pecadores no Egito”, e sim os pecadores “em
Sião”. Ele está se referindo aos que estão na igreja e que não têm o
temor do Senhor e não buscam santidade. Eles não estão seguros e
serão abalados. Esse terror somente tomará conta deles quando
Deus revelar Sua glória! O fogo consumidor e eterno se refere a
Deus.
O escritor de Hebreus conclui o capítulo: “Por isso, recebendo nós
um Reino inabalável, retenhamos a graça, pela qual sirvamos a
Deus de modo agradável, com reverência e santo temor, porque o
nosso Deus é fogo consumidor’” (Hb 12:28-29, ARA). Nosso Deus é
fogo consumidor! Embora muitas passagens do Antigo Testamento
tenham sido citadas neste livro, eu tenho, pela graça de Deus,
tentado trazer essa mensagem com base em passagens do Novo
Testamento. Nosso Deus é amor, mas também é fogo consumidor.
A descrição da Sua gloriosa presença não é algo para ser
considerado levianamente, como muitos de nós temos feito. Para
confirmar Sua glória maravilhosa, o escritor de Hebreus comenta: “O
espetáculo era tão terrível que até Moisés disse: ‘Estou apavorado e
trêmulo!’” (Hb 12:21). Isso corresponde ao que o apóstolo João
testemunhou quando viu Jesus: “Quando o vi, caí aos seus pés
como morto” (Ap 1:17).
Para que Sejamos Santos
Sim, Ele nos ama com um amor maior do que nossas mentes
podem compreender. Mas esse amor não diminui de modo algum
Sua santidade. É por isso que o escritor de Hebreus nos diz:
“Retenhamos a graça, pela qual sirvamos a Deus de modo
agradável, com reverência e santo temor” (Hb 12:28, ARA). Ai,
como precisamos da graça de Deus para andarmos no temor do
Senhor; para que sejamos santos como Ele é santo (ver Levítico
19:2, Mateus 5:48, 1 Pedro 1:16)!
Como aprendemos, somente os que temem a Deus e buscam a
santidade são capazes de habitar em Sua gloriosa presença.
Retornemos aos versículos que citamos no segundo capítulo deste
livro:
 
Pois somos santuário do Deus vivo. Como disse Deus:
“Habitarei com eles
E entre eles andarei;
Serei o seu Deus, e eles serão o Meu povo”.
Portanto,
“Saiam do meio deles
E separem-se”, diz o Senhor.
“Não toquem em coisas impuras,
E Eu os receberei”
E lhes serei Pai,
E vocês serão Meus filhos e Minhas filhas”,
Diz o Senhor Todo-Poderoso.
Amados, visto que temos essas promessas, purifiquemo-nos
de tudo o que contamina o corpo e o espírito, aperfeiçoando a
santidade no temor de Deus.
2 Coríntios 6:16-18; 7:1
Agora você conhece o contexto. Você não entrou nessa história
no meio do clímax, perdendo o contexto. Espero que o
entendimento dessa história tenha se tornado claro para você. Seu
coração arderá de paixão se você desejar a glória de Deus mais do
que qualquer outra coisa.
CAPÍTULO 13
T
FOGO SANTO INTERIOR
Somos chamados para sermos consumidos
com o fogo da Sua glória, assim como Moisés, Isaías,
Jeremias, João, Paulo e outros.
odo o povo de Deus necessitou de Sua correção de uma forma
ou de outra, desde os santos profetas até os apóstolos do Novo
Testamento. O mesmo acontece hoje. A chave, contudo, éo que
faremos com essa correção. O orgulho nos priva de recebermos a
correção de Deus; então, nós abrimos mão do benefício do
processo de Sua santidade. Mas se nós nos humilharmos e
aceitarmos a Sua correção, seremos capazes de ouvir a voz Dele
com mais nitidez e ver com maior clareza, posicionando-nos para
alcançar maior maturidade em nosso relacionamento com Deus.
Habacuque escreveu:
 
Sobre a minha guarda estarei,
E sobre a fortaleza me apresentarei
E vigiarei, para ver o que falará a mim,
E o que eu responderei quando eu for arguido.
Habacuque 2:1, ACF
Esse homem literalmente se posicionou para receber a correção
de Deus sabendo que isso lhe daria melhor visão e entendimento do
coração e dos caminhos de Deus. Então ele seria um servo ainda
melhor.
No Ano em que Morreu o Rei Uzias
Isaías, também, estava em posição de aceitar o que o Senhor lhe
diria. Ele relata: “No ano em que o rei Uzias morreu, eu vi o Senhor
assentado num trono alto e exaltado, e a aba de Sua veste enchia o
templo” (Is 6:1).
Há alguns anos, enquanto eu estava em oração com relação a
esse trecho da Palavra de Deus, o Senhor falou comigo. Eu estava
meditando no fato de que Isaías viu o Senhor em Sua glória. Eu
pensei: a Igreja precisa ter uma nova visão de Jesus em Sua glória.
Então ouvi o Senhor dizer: “Não é assim que comecei este
versículo”. Intrigado, retornei à minha Bíblia e li: “No ano em que o
rei Uzias morreu...”. O Senhor me parou e disse: “O rei Uzias teve
de morrer antes que Isaías tivesse uma visão de Mim!”. Ele
continuou: “Antes que a Igreja tenha uma nova visão de mim, Uzias
precisa morrer!”.
Eu pensei: Quem é este homem, Uzias, e que relação ele tem
com vermos Jesus? Procurei em uma concordância, e encontrei
diferentes referências a ele. Depois li os relatos sobre sua vida e
então descobri uma revelação significativa.
Uzias era um descendente do rei Davi. Ele foi coroado rei aos
dezesseis anos de idade. No início, ele buscava a Deus
diligentemente. Você também o faria, se fosse instituído rei de uma
nação aos dezesseis anos. Provavelmente ele estava entusiasmado
e humilde ao ver a magnitude daquela tarefa. Está escrito:
“Enquanto buscou o Senhor, Deus o fez prosperar” (2 Cr 26:5).
Pelo fato de que Uzias dependia completamente de Deus, ele foi
grandemente abençoado. Ele guerreou contra os filisteus,
derrotando-os em várias cidades, assim como árabes, meunitas e
amonitas. A nação se tornou cada vez mais forte, tanto econômica
quanto militarmente. O povo prosperou sob a liderança dele.
Seu sucesso era resultado da graça de Deus em sua vida. Mas
algo mudou. O excesso de confiança substituiu a humildade:
“Entretanto, depois que Uzias se tornou poderoso, o seu orgulho
provocou a sua queda. Ele foi infiel ao Senhor, o seu Deus, e entrou
no templo do Senhor para queimar incenso no altar de incenso” (2
Cr 26:16).
Não foi quando Uzias estava fraco, mas sim quando ele estava
forte, que seu coração se encheu de orgulho. Quando ele viu a
prosperidade e o sucesso que acompanhavam seu domínio, seu
coração cessou de buscar ao Senhor. Ele podia fazer por si próprio;
ele sabia como fazer. Suas realizações cresceram, então ele achou
que Deus abençoaria tudo o que fizesse; antes, ele era abençoado
porque humildemente buscava a Deus.
Isso não aconteceu da noite para o dia, e pode acontecer
facilmente com qualquer um. Deus me advertiu: “John, a maioria
das pessoas do Reino que caíram geralmente não o fez em
momentos difíceis, e sim, em momentos de abundância”. Por quê?
Porque quando nós alcançamos grandes realizações, torna-se mais
fácil perder de vista o fato de que Ele é quem nos tem dado todas as
coisas.
Muitas pessoas acabam caindo nesse padrão de ação. Quando
são salvas, elas têm sede por conhecer o Senhor e Seus caminhos.
A humildade que possuem é evidente porque elas buscam a Deus e
confiam Nele para tudo. Elas chegam à igreja com sede em seus
corações. “Senhor, eu quero Te conhecer!”. Elas se submetem à
autoridade direta de Deus e à autoridade delegada por Ele. Em
verdadeira humildade, elas recebem correção, não importa como ou
quem Deus usa para corrigi-las. Mas elas chegam a um ponto em
que já acumularam conhecimento e se envaideceram por meio das
experiências e das realizações, então a atitude delas muda. Em vez
de ler a Bíblia com a intenção de pedir: “Senhor, revela-Te a Ti
mesmo e os Teus caminhos a mim”, elas a usam para estabelecer
doutrinas e ler o que elas acreditam. Elas não mais ouvem a voz
celestial de Deus na voz de seus pastores; elas se sentam com os
braços cruzados em uma atitude de “Vejamos o que ele sabe”. Elas
são especialistas em Bíblia, mas abriram mão de sua humildade e
mansidão de coração. A graça de Deus se esvai, pois o orgulho a
substitui (ver Tiago 4:6).
Esse problema parece acontecer muito facilmente nas igrejas
ocidentais, pois existem tantos ensinamentos disponíveis a nós. Nós
lemos em 1 Coríntios 8:1: “Sabemos que todos temos
conhecimento. O conhecimento traz orgulho, mas o amor edifica”. O
amor não busca os próprios interesses, mas abandona sua vida
pelo seu Mestre e por aqueles aos quais é chamado para servir. O
orgulho busca seus próprios interesses por trás de uma máscara de
religião. Deus explicou que o conhecimento adquirido sem amor
resulta em orgulho.
Vamos fazer uma pergunta importante sobre o rei Uzias. Quando
o orgulho entrou em seu coração, ele se tornou mais religioso ou
menos religioso? A resposta assustadora é que ele se tornou mais
religioso! Seu coração se ergueu e ele entrou no templo para adorar.
O orgulho e o espírito religioso andam de mãos dadas. Um espírito
religioso pode fazer com que uma pessoa pense que é humilde em
razão de sua aparência de falsa espiritualidade. E a verdade é que
ela é orgulhosa. Por outro lado, o orgulho mantém uma pessoa
algemada por um espírito religioso, pois ela é orgulhosa demais
para admitir que é! O orgulho fica bem camuflado na igreja porque
ele se esconde atrás de uma máscara religiosa, carismática,
evangélica ou pentecostal.
Uzias foi então confrontado com a verdade:
 
O sumo sacerdote Azarias, e outros oitenta corajosos
sacerdotes do Senhor, foram atrás dele. Eles o enfrentaram e
disseram: “Não é certo que você, Uzias, queime incenso ao
Senhor. Isso é tarefa dos sacerdotes, os descendentes de
Arão consagrados para queimar incenso. Saia do santuário,
pois você foi infiel e não será honrado por Deus, o Senhor”.
2 Crônicas 26:17-18
Deus trouxe correção a Uzias por meio desses homens corajosos,
e a resposta dele certamente não foi santa: “Uzias, que estava com
um incensário na mão, pronto para queimar o incenso, irritou-se e
indignou-se contra os sacerdotes; e na mesma hora, na presença
deles, diante do altar de incenso no templo do Senhor, surgiu lepra
em sua testa” (2 Cr 26:19).
Uzias ficou irado. O orgulho sempre irá se justificar. A autodefesa
sempre virá acompanhada da ira. Uma pessoa orgulhosa culpa todo
mundo enquanto se isenta. Uzias dirigiu sua ira aos sacerdotes,
mas o problema estava na verdade dentro dele mesmo. O orgulho o
havia cegado! Em vez de se humilhar para receber a correção de
Deus através daqueles homens, ele permitiu que a ira fosse
combustível para o seu orgulho. Lepra surgiu em sua testa, onde
todos podiam ver. A lepra, nesse caso, era uma manifestação da
condição interior dele, e sua fonte era o orgulho.
O mesmo é verdade hoje. A lepra no Antigo Testamento é um
símbolo do pecado no Novo Testamento. Muitas vezes o pecado
externo não é nada mais do que uma manifestação do orgulho que
vem de dentro, que cega e impede que uma pessoa receba a
correção de Deus.
Após ouvir o que Deus disse ao meu coração quando estava
pesquisando sobre a vida de Uzias, eu percebi que o orgulho nos
cega e nos impede de ver Jesus. Nós precisamos vê-Lo, pois a
Bíblia declara que à medida que nós O contemplamos, somos
transformados à Sua imagem: “E todos nós, que com a face
descoberta contemplamos a glória do Senhor, segundo a Sua
imagem estamos sendo transformados com glória cada vez maior, a
qual vem do Senhor,que é o Espírito” (2 Co 3:18).
Nós precisamos vê-Lo para que sejamos moldados conforme a
imagem Dele, e assim receberemos a capacidade de ver como Ele
vê. O orgulho nos impede de vermos a Deus, cegando-nos e nos
colocando em uma arena perigosa de engano. O povo da igreja de
Laodiceia pensava que era espiritual, mas a correção do Senhor
mostrou o contrário. Eles tinham uma forma de cristianismo, mas
lhes faltavam as obras de Jesus correspondentes a esse
cristianismo.
Santo, Santo, Santo!
Isaías viu o Senhor em Sua glória. Nós sabemos que foi uma
visão espiritual, pois nenhum homem em seu corpo carnal veria a
face de Deus e viveria. Quando Isaías viu o trono de Deus, ele não
pôde deixar de notar os anjos imensos, aos quais chamou de
serafins. Ele escreveu que cada um deles tinha seis asas, com duas
delas cobrindo suas faces. E eles clamavam uns aos outros:
 
“Santo, santo, santo é o Senhor dos Exércitos,
A terra inteira está cheia da Sua glória”.
Ao som das suas vozes os batentes das portas tremeram, e o
templo ficou cheio de fumaça.
Isaías 6:3-4
Os anjos não estavam cantando um hino. Existe uma música que
se baseia nesse versículo, mas geralmente as pessoas a cantam
com uma voz monótona. Não, esses seres angelicais estavam
respondendo ao que viam, até mesmo com suas faces cobertas.
Cada momento em que outra faceta da glória de Deus era revelada,
eles clamavam: “Santo!”. Eles clamavam tão alto, que a arquitetura
dos Céus era abalada! É difícil imaginar a arquitetura da Terra sendo
abalada por um barulho, imagine então a dos Céus. Os anjos não
estavam cantando músicas, pensando: Eu já estou aqui perto do
trono de Deus há trilhões de anos. Eu gostaria de ter um intervalo
para visitar as outras partes dos Céus. Não, eles não queriam estar
em nenhum outro lugar, pois o Criador é muitas vezes mais
maravilhoso do que Sua criação. O salmista proclamou que
preferiria estar à porta da casa de Deus do que nas tendas dos
ímpios, onde a presença de Deus não habita (ver Salmo 84).
Por que os anjos clamavam: “Santo, Santo, Santo”? Por que três
vezes? Esse uso representa um estilo literário encontrado nas
formas de escrita hebraicas. A repetição é uma forma de ênfase.
Quando nós queremos enfatizar a importância de uma palavra ou
frase, nós temos vários métodos de fazê-lo. Nós podemos colocar
em negrito, em itálico, sublinhar, usar maiúscula ou adicionar um
ponto de exclamação.
Um escritor judeu somente podia usar ênfase repetindo as
palavras. Geralmente, suas palavras eram repetidas duas vezes.
Por exemplo, Jesus disse: “Nem todo aquele que me diz: ‘Senhor,
Senhor’, entrará no Reino dos Céus” (Mt 7:21). Jesus não disse
“Senhor” duas vezes; mas sim, colocou ênfase na palavra “Senhor”,
algo que o escritor quis ressaltar.
Somente algumas referências na Bíblia são enfatizadas três
vezes. Uma ocasião ocorre quando o anjo pronunciou o julgamento
contra aos habitantes da Terra no livro de Apocalipse: “Ai! Ai! Ai!”
(Ap 8:13). A mensagem incluída nessas repetições é que os
julgamentos que já haviam acontecido tinham sido terríveis, mas o
que estava por vir ia além da compreensão.
Contudo, somente uma vez na Bíblia um atributo de Deus é
mencionado três vezes seguidas. Esses anjos não estavam
clamando: “Poderoso, Poderoso, Poderoso!”. Nem estavam
dizendo: “Amor, Amor, Amor!”. Nem mesmo: “Fiel, Fiel, Fiel!”. Sim,
Deus é poderoso, Deus é amor, e Deus é fiel, mas a característica
que está acima de todas as outras é a Sua Santidade. É nessa
santidade que encontramos a maravilha de Sua pessoa e do fogo
de Deus!
Ai de Mim!
Ao vê-lo, Isaías não disse: “Uau, aí está Ele!”. Em vez disso, ele
disse:
 
Ai de mim! Estou perdido!
Pois sou um homem de lábios impuros
E vivo no meio de um povo de lábios impuros;
Os meus olhos viram o Rei,
O Senhor dos Exércitos!
Isaías 6:5
A palavra ai já perdeu força na linguagem de hoje. Essa é a
palavra usada para pronunciar o maior dos julgamentos de Deus.
Como foi dito, quando o anjo pronunciou os “ais” sobre os
habitantes da Terra, na verdade ele estava dizendo: “O julgamento
mais severo está prestes a vir sobre você”. Jesus usou essa palavra
com relação a Judas. A palavra é tão grave, que Ele disse: “Melhor
lhe seria não haver nascido” (Mc 14:21). Era algo raro um profeta
pronunciar a palavra ai sobre a vida de uma pessoa. O que é mais
assustador é o fato de um homem de Deus, como Isaías, pronunciar
essa palavra sobre si mesmo!
Imediatamente após seu pronunciamento de julgamento sobre si
mesmo, Isaías diz: “Estou perdido!”. Estar perdido significa sem
estrutura. Isaías estava diante de um Deus Santo. Pela primeira vez
em sua vida, ele realmente entendeu quem era Deus, e pela
primeira vez em sua vida ele realmente entendeu quem ele era.
Naquele momento único, toda sua autoestima se despedaçou.
Toda confiança em si próprio e na humanidade foi aniquilada. Se
havia algum orgulho, ele não poderia mais ser encontrado. Isaías se
prostrou com o rosto em terra, na sala do trono. Cada fibra de seu
ser tremia e estava exposta. Ele procurou um lugar para se
esconder, mas não pôde achar. Ele viu, mais do que nunca, sua
extrema necessidade de misericórdia e graça para que pudesse
sobreviver, e ainda mais diante de um Deus Santo, que é Senhor de
tudo e de todos!
Limpeza, Culto e Clareza de Visão
Quando sentiu que não podia suportar nem mais um momento,
Isaías descreve o que aconteceu em seguida:
 
Logo um dos serafins voou até mim trazendo uma brasa viva,
que havia tirado do altar com uma tenaz. Com ela tocou a
minha boca e disse:
“Veja, isto tocou os seus lábios;
Por isso, a sua culpa será removida,
E o seu pecado será perdoado”.
Isaías 6:6-7
Deus concede misericórdia e graça ao humilde. A brasa viva
purificou e refinou Isaías. Após ser purificado, ele ouviu a voz de
Deus dizendo: “Quem enviarei? Quem irá por nós?” (Is 6:8).
Por haver sido purificado, ele pôde ouvir a voz do Senhor
claramente: “Quem irá por nós?”. Em outras palavras: “Quem
produzirá atos de justiça e retidão?”. Isaías imediatamente
respondeu: “Eis-me aqui, envia-me!” (Is 6:8).
Isaías ouviu as palavras vindas do coração de Deus:
 
Vá, e diga a este povo [que era o Seu povo]:
“Estejam sempre ouvindo, mas nunca entendam;
Estejam sempre vendo, e jamais percebam”.
Isaías 6:9-10 (grifo do autor)
Incluindo no povo que Deus dizia ser cego e surdo, estavam os
profetas e mestres das Escrituras. Eles não estavam falando o que
Deus estava dizendo, pois não podiam ouvir claramente.
Deus está falando, mas será que estamos realmente ouvindo?
Esses versículos me lembram de uma conversa com uma pessoa
de Deus, um amigo meu. (Falei anteriormente sobre ele, o homem
que me discipulou na faculdade.) Ele me buscou no aeroporto
quando viajei até o local em que ele mora. Ele estava meditando e
orando por horas antes da minha chegada. Ele me disse, chorando:
“John, Deus tem tanto para dizer, mas Ele não tem encontrado
pessoas com quem possa falar”. Meu coração ardia com suas
palavras; eu sabia que eu estava longe de ser um embaixador do
Senhor. Imediatamente me lembrei de Isaías. Assim que ele foi
purificado e refinado, a voz de Deus se tornou mais clara e ele foi
capaz de proclamar o coração de Deus, não somente os princípios.
Eu pensei: Não é que não existem pessoas que podem falar dos
princípios verdadeiros da Palavra. A verdadeira questão é: será que
existem homens e mulheres que se separarão e se humilharão para
que o processo de purificação de Deus aconteça, para que ouçam
perfeitamente o coração de Deus, a fim de proclamá-Lo?
Ceando com Jesus
Voltemos à igreja de Laodiceia, que profeticamente nos
representa. Jesus firmemente corrige a igreja, e então lhe dá um
conselho. “Seja diligente e arrependa-se”. Depende do povo. Ou
deveria dizer depende de nós? Será que daremos ouvidos à
correção de Deus, ou seremos tão tolos quanto os filhos de Israel?
Jesus continuou: “Eis que estou à porta e bato. Se alguém ouvir a
Minha voz e abrir a porta, entrarei e cearei com ele, e ele comigo”
(Ap 3:20). Ai, ouça Suas palavras à Igreja dosÚltimos Dias! Ele diz
ao povo que prega e ensina: “Se alguém ouvir a Minha voz...”. Será
que isso não parte seu coração? Será que temos sido tão impuros
em nosso relacionamento com Ele devido ao nosso amor por prazer
e interesses pessoais, que não temos ouvido o Seu coração? Será
que temos sido tão influenciados pelo padrão do mundo e seus
desejos que nos tornamos um povo que diz ouvir Sua voz, quando,
na verdade, está longe do clamor de Seu coração?
Lembre-se de que Jesus disse à igreja que comprasse ouro
refinado, roupas brancas — que representam os atos de justiça — e
colírio, para que pudessem ver como Ele vê. Podemos ver esse
mesmo padrão no testemunho de Isaías. Quando se humilhou para
receber a correção de Deus, ele foi refinado. Após essa experiência,
ele tinha paixão em produzir atos de justiça ou obras de santidade.
Em seguida, ele proclamou que o povo não estava vendo
corretamente; eles estavam cegos! Eles precisavam de colírio. Deus
havia removido o véu dos olhos de Isaías através de sua humildade,
da correção e da purificação do Senhor, e também da disposição de
Isaías em produzir frutos de justiça.
Observe novamente as palavras de Jesus: “Se alguém ouvir a
Minha voz e abrir a porta, entrarei e cearei com ele, e ele comigo”.
Essa frase tem uma aplicação dupla. Sim, essa é a igreja anterior à
Sua Segunda Vinda, e, portanto se refere à volta de Jesus. Lucas
registra palavras similares de Jesus:
 
Estejam prontos para servir, e conservem acesas as suas
candeias, como aqueles que esperam seu senhor voltar de
um banquete de casamento; para que, quando ele chegar e
bater, possam abrir-lhe a porta imediatamente. Felizes os
servos cujo senhor os encontrar vigiando, quando voltar. Eu
lhes afirmo que ele se vestirá para servir, fará que se reclinem
à mesa, e virá servi-los.
Lucas 12:35-37
Nosso Mestre nos servirá, embora sejamos nós quem deveríamos
servi-Lo eternamente. Ele é um servo no sentido verdadeiro da
palavra. Ele não tem nenhuma dívida para conosco, e sim, nós é
quem temos para com Ele, mas mesmo assim Ele deseja servir aos
Seus fiéis. Ele nos servirá nas bodas do Cordeiro.
Existe uma segunda aplicação. Quando Jesus disse: “entrarei e
cearei com ele, e ele comigo”, Ele não está falando somente das
bodas do Cordeiro, mas sim de nos dar o verdadeiro maná, que é a
revelação de Si mesmo. Ele declara: “Eu sou o pão vivo que desceu
do Céu” (Jo 6:51). Ele é a Palavra viva de Deus, que nos sustenta
(ver Deuteronômio 8:2-3).
Jeremias fala do mesmo tema da seguinte maneira:
 
Achando-se as Tuas palavras, logo as comi,
E a Tua palavra foi para mim o gozo e alegria do meu coração
.
Jeremias 15:16, ACF
Jeremias foi alguém que, assim como Isaías, passou pelo
processo de purificação de Deus. E, como Moisés, ele não tinha
nenhum desejo pelo sistema do mundo. Ele havia se separado para
que pudesse conhecer a Deus. Seu prazer era a Palavra de Deus;
ela era seu alimento. Mas porque ele pregava o coração de Deus
para um povo que havia se desviado, Jeremias era perseguido:
 
Por isso a palavra do Senhor trouxe-me
insulto e censura o tempo todo.
Mas, se eu digo: “Não O mencionarei
nem mais falarei em Seu nome”,
É como se um fogo ardesse em meu coração,
um fogo dentro de mim.
Estou exausto tentando contê-lo;
já não posso mais!
Jeremias 20:8-9
João Batista foi outra pessoa que teve sede pela Palavra de Deus.
Ele havia se separado do mundo e da hipocrisia religiosa. Sua
herança era ser treinado em Jerusalém com outros filhos de
sacerdotes para ser um líder. Ele abriu mão do que os homens
haviam planejado para ele e obedeceu a Deus. No deserto, a
Palavra do Senhor veio a ele. Ele, também, foi alguém que
comunicou aquilo que estava no coração de Deus. Jesus disse
sobre ele: “era uma candeia que queimava e irradiava luz, e durante
certo tempo vocês quiseram alegrar-se com a sua luz” (Jo 5:35).
Nós fomos chamados para arder com o fogo da glória de Deus,
assim como Moisés, Isaías, João, Paulo e tantos outros. Mas isso
nunca acontecerá se nós não nos separarmos dos desejos do
mundo. Nós fomos chamados para viver como peregrinos e
estrangeiros neste mundo. Nossa verdadeira santificação virá
somente quando estivermos com nossos corações ardendo pela
Sua Palavra, a ponto de ela ser nossa meditação durante todo o dia.
Então o fogo de Deus arderá fortemente dentro e sobre nós.
Quando homens e mulheres se apaixonam, ninguém precisa dizer a
eles: “Pense em seu amado ou sua amada o dia inteiro”. Não é
preciso, pois a cada momento livre eles estão pensando naquele ou
naquela que amam.
Malaquias viu dois tipos de pessoas na Igreja dos últimos dias.
Ambos passaram pelo processo de refinação, que já discutimos nos
capítulos anteriores. O primeiro grupo irá reclamar, dizendo: “Que
benefício temos ao servir a Deus, se os ímpios se divertem mais do
que nós? Nós servimos a Deus e continuamos passando por provas
e tribulações” (Ml 3:14-15, paráfrase do autor).
A declaração do segundo grupo é diferente:
 
Depois, aqueles que temiam o Senhor conversaram uns
com os outros,
E o Senhor os ouviu com atenção.
Foi escrito um livro como memorial na Sua presença
Acerca dos que temiam o Senhor
E honravam o Seu nome.
Malaquias 3:16
Eles amavam a Palavra de Deus e Seus caminhos mais do que
qualquer tipo de sofrimento pudesse ofuscar. Mas o profeta falou
sobre o que irá acontecer:
 
“Pois certamente vem o dia,
Ardente como uma fornalha.
Todos os arrogantes e todos os malfeitores serão como palha,
E aquele dia, que está chegando, ateará fogo neles”,
Diz o Senhor dos Exércitos.
“Não sobrará raiz ou galho algum.
Mas para vocês que reverenciam o Meu Nome,
O Sol da Justiça Se levantará
Trazendo cura em Suas asas.
E vocês sairão
E saltarão como bezerros soltos do curral.
Depois esmagarão os ímpios,
Que serão como pó sob as solas dos seus pés,
No dia em que eu agir”,
Diz o Senhor dos Exércitos.
Malaquias 4:1-3
Ele não está falando do “Filho da Justiça”, mas do “Sol da Justiça”.
O sol é uma bola maciça de fogo. É assim que Jesus manifestará a
Si mesmo nos últimos dias àqueles que O temem. Eles meditarão
em Sua palavra por causa do amor puro que têm pelos caminhos do
Senhor. O fogo da Sua glória se acenderá sobre eles e serão vistos
pelos povos que habitam nas trevas. Como nunca antes, uma
colheita de almas se dará, como resultado da ministração desses
cujas candeias estão queimando e brilhando. Seus corações
estarão ardentes por Sua Palavra, e nenhuma treva se apoderará
deles.
Nós vemos um vislumbre disso com dois dos discípulos de Jesus,
após a Ressurreição do Senhor:
 
Naquele mesmo dia, dois deles estavam indo para um
povoado chamado Emaús, a onze quilômetros de Jerusalém.
No caminho, conversavam a respeito de tudo o que havia
acontecido. Enquanto conversavam e discutiam, o próprio
Jesus Se aproximou e começou a caminhar com eles.
Lucas 24:13-15
Uau! Eles estavam vivendo tempos difíceis, mas eles falavam das
coisas de Deus. Ao falarem, Jesus se aproximou. Quando
conversamos sobre nosso temor e amor pelo Senhor, Ele se
achega. Após Jesus ter Se aproximado, veja o que aconteceu: “E
começando por Moisés e todos os profetas, explicou-lhes o que
constava a respeito Dele em todas as Escrituras” (Lc 24:27).
Que banquete! Ai, como eu anseio ter uma maior revelação de
Jesus! Ele é a satisfação dos desejos da minha alma. Enquanto
conversavam sobre o que haviam refletido, Jesus se aproximou e
abriu seus olhos, para que pudessem vê-Lo nas Escrituras: “Então
os olhos deles foram abertos e O reconheceram” (Lc 24:31). Ai, Pai,
abra nossos olhos para vermos Jesus!
Eles perguntaram um ao outro: “Não estava queimando o nosso
coração, enquanto Ele nos falava no caminho e nos expunha as
Escrituras?” (Lc 24:32). Quando foi que o coração de Moisés
queimou e sua face brilhou? Quando ele ouviu a Palavra de Deus
na Sua presença. O que lhe deu capacidade de ouvir a Palavra
diante da Sua gloriosa presença? A decisão de Moisés de se
separar do Egito e obedecer Àquele a quem ele ansiava conhecer.
Ele considerava a repreensão de Cristomais valiosa do que os
tesouros do Egito, pois olhava para a recompensa. Ai, minha
esperança é que um anseio por Ele seja profundamente despertado
dentro da sua alma!
CAPÍTULO 14
N
E VERÃO A SUA FACE
Eles se colocarão de pé diante Dele, livres das
manchas do mundo, com seus corações
acesos com um desejo santo.
ossos melhores dias ainda estão por vir. Deus tem reservado
um povo para Si. Eles ouvirão o clamor do Seu coração e
andarão em santidade diante Dele. Eles serão a verdadeira
personificação dos cristãos: aqueles que ouvem e obedecem à voz
do Senhor sem duvidar. Eles se colocarão de pé diante Dele, livres
das manchas do mundo, com seus corações acesos com um desejo
santo. Assim como Ele tem ciúmes do Seu povo, o Seu povo terá
ciúmes Dele. Por intermédio do Seu povo, Ele revelará Sua glória ao
mundo perdido e moribundo.
Na vida de Jacó, neto de Abraão, encontramos um prenúncio do
que Deus fará para aqueles que O honrarem. Deus disse a Jacó:
“Suba a Betel e estabeleça-se lá, e faça um altar ao Deus” (Gn
35:1). Betel significa “casa de Deus”. Em outra ocasião, Jacó havia
encontrado com Deus ali. Deus o convidou: “Jacó, aproxime-se de
Mim, e Eu me aproximarei de você”. Jacó respondeu e deu
instruções aos que estavam em sua casa:
 
Livrem-se dos deuses estrangeiros que estão entre vocês,
purifiquem-se e troquem de roupa. Venham! Vamos subir a
Betel, onde farei um altar ao Deus que me ouviu no dia da
minha angústia e que tem estado comigo por onde tenho
andado.
Gênesis 35:2-3
Eles deveriam se livrar “dos deuses estrangeiros”. Lembre-se, um
ídolo é para quem damos nossa força e afeição, acima de Jesus. A
idolatria da igreja de Laodiceia era a ambição deles, que lhes
roubou a paixão necessária para produzir frutos eternos (ver
Colossenses 3:5). A instrução de Jacó “purifiquem-se e troquem de
roupa” reafirma a importância da pureza e da cobertura apropriada.
Jesus falou à igreja de Laodiceia de uma maneira similar.
Jacó e seu povo se achegaram a Deus: “Quando eles partiram, o
terror de Deus caiu de tal maneira sobre as cidades ao redor que
ninguém ousou perseguir os filhos de Jacó” (Gn 35:5). O temor do
Senhor os cobriu a tal ponto que o terror se espalhou pelas cidades
vizinhas por onde eles passavam em sua jornada. Quando nós nos
consagramos a Deus, a autoridade da Sua presença nos
acompanha e se torna evidente aos que nos rodeiam.
Entregue a Deus
Charles Finney era completamente entregue a Deus. Sua
consagração estava acima de qualquer outra coisa em sua vida. Era
possível vê-la por meio das mensagens de pureza que ele pregava.
Por exemplo, certa vez ele visitou uma fábrica de aproximadamente
três mil empregados. O proprietário e a maioria dos funcionários não
eram salvos. Finney tinha realizado uma cruzada na região, e uma
mulher o reconheceu e fez um comentário depreciativo.
Imediatamente, a convicção de Deus caiu sobre ela e se alastrou
sobre todos os que pararam o serviço para consolá-la. Dentro de
minutos, toda a produção foi parada, enquanto os funcionários e o
proprietário foram cativados pela pregação da Palavra de Deus feita
por Charles Finney. Em algumas horas a maioria deles foi salva.
Finney vestia a presença de Deus como uma roupa, e isso era
evidente a todos os que estavam a seu redor, quer fossem cristãos
ou ímpios.
Por que a Igreja não tem tido a autoridade desse tipo de presença
há várias décadas? Durante tanto tempo o mundo tem insultado a
Igreja e escarnecido dela, dizendo: “Onde está o seu Deus?”. Se
nós temos sofrido perseguição é por causa de nossos próprios
defeitos e mundanismo. Mesmo assim eu creio que Deus
novamente terá um povo totalmente consagrado a Ele. Meu coração
arde por isso. O seu, não? O Senhor habitará entre eles e os
cercará de uma forma evidente e poderosa. Novamente o temor de
Deus se apoderará de Seus filhos assim como nos dias da
antiguidade.
Ao longo deste livro eu me referi a Moisés e aos filhos de Israel. A
primeira geração não abriu mão dos desejos do Egito. Contudo, a
geração seguinte de hebreus vagou por desertos estéreis e se
consagrou ao Senhor. Foi a geração que seguiu Josué. No livro de
Josué, encontramos somente um incidente de desobediência e
idolatria, que envolveu apenas uma família, e toda a nação se
levantou contra eles, em oposição (ver Josué 7).
Quando eles se prepararam para atravessar o rio Jordão e
enfrentar seus inimigos, Moisés conta:
 
Ouça, ó Israel: Hoje você está atravessando o Jordão para
entrar na terra e conquistar nações maiores e mais poderosas
do que você, as quais têm cidades grandes, com muros que
vão até o Céu. O povo é forte e alto. São enaquins! Você já
ouviu falar deles e até conhece o que se diz: “Quem é capaz
de resistir aos enaquins?”. Esteja, hoje, certo de que o
Senhor, o seu Deus, Ele mesmo, vai adiante de você como
fogo consumidor. Ele os exterminará e os subjugará diante de
você. E você os expulsará e os destruirá, como o Senhor lhe
prometeu.
Deuteronômio 9:1-3
Será que somos uma geração como a de Josué? Estamos
dispostos a andar em tal pureza a ponto de Deus nos ungir para que
o mundo não nos vença? Que essa seja a nossa oração!
Uma Igreja Vencedora
A Igreja Primitiva andava na gloriosa presença de Deus. A Igreja
orava e os fundamentos se abalavam. Ananias e Safira trouxeram
uma oferta enganosa diante de Pedro e caíram mortos. A presença
de Deus era tão forte e evidente que a Bíblia diz:
 
Dos demais, ninguém ousava juntar-se a eles, embora o povo
os tivesse em alto conceito. Em número cada vez maior,
homens e mulheres criam no Senhor e lhes eram
acrescentados, de modo que o povo também levava os
doentes às ruas e os colocava em camas e macas, para que
pelo menos a sombra de Pedro se projetasse sobre alguns,
enquanto ele passava.
Atos 5:13-15
O mesmo não acontece hoje. Os impostores facilmente se
infiltram entre os verdadeiros porque nos faltam o temor e o fogo de
Deus. A morte do casal alertou a sociedade para que não brincasse
com Deus nem com Seu povo, e multidões se converteram (ver Atos
5:16). Aqueles que tinham sede de Deus O reconheciam entre os
cristãos, mas os hipócritas se afastavam com medo.
A Igreja Primitiva era uma igreja vencedora. Jesus prometeu à
igreja de Laodiceia, que é tão similar à Igreja de hoje: “Ao vencedor
darei o direito de sentar-se comigo em Meu trono, assim como Eu
também venci e sentei-Me com Meu Pai em Seu trono” (Ap 3:21).
A igreja que recebeu a mais forte exortação no Apocalipse
também recebeu a maior promessa. O salmista pediu para que
pudesse estar somente à porta da sala do trono de Deus. Mas
Jesus fez um convite não somente para entramos à sala, mas
também para nos assentarmos com Ele em Seu trono! Talvez
possamos agora entender melhor as palavras de Paulo:
 
Se perseveramos,
Com Ele também reinaremos.
Se O negamos,
Ele também nos negará.
2 Timóteo 2:12
Como alguém que professa Jesus como seu Senhor pode negá-
Lo? Nós encontramos a resposta neste versículo: “Eles afirmam que
conhecem a Deus, mas por seus atos O negam” (Tt 1:16).
Novamente vemos que as ações falam mais alto do que as
confissões. Paulo nos encorajou: “Se perseverarmos, com Ele
também reinaremos”.
A santidade envolve um compromisso de correr até o fim. Nós
temos a abençoada promessa que Deus nos deu a Sua graça para
perseverarmos e obtermos vitória! Esses são os vitoriosos, e Deus
promete a eles: “Eles verão a Sua face, e o Seu Nome estará em
suas testas. Não haverá mais noite. Eles não precisarão de luz de
candeia, nem da luz do sol, pois o Senhor Deus os iluminará; e eles
reinarão para todo o sempre” (Ap 22:4-5).
Moisés desejou acima de tudo ver a face de Deus. Aqueles que
vencerem verão Sua face ao reinar com Ele para todo o sempre.
Você está segurando este livro em suas mãos porque esse é o seu
desejo mais profundo, e é também o maior convite do Senhor.
Abrace esse chamado, deixe que a chama seja acesa e contemple-
O. Que a graça do Senhor Jesus Cristo seja abundante sobre você.
Amém.
 
 
 
SOBRE O AUTOR
 
 
JOHN BEVERE e sua esposa Lisa são osfundadores do Messenger
International. Pastor e autor de bestsellers, John prega mensagens
sobre a verdade sem concessões, com ousadia e paixão. Seu
desejo é apoiar a igreja local e oferecer recursos aos líderes
independentemente de sua localidade, idioma ou posição financeira.
Com esse objetivo, seus materiais têm sido traduzidos para mais de
noventa idiomas, e milhões de exemplares têm sido distribuídos a
pastores e líderes em todo o mundo. Quando está em casa, John
tenta convencer Lisa a jogar golfe e passa tempo com seus quatro
filhos, sua nora e seus netos.
	Folha de rosto
	Copyright
	Sumário
	Agradecimentos
	Introdução
	Capítulo 1
	Capítulo 2
	Capítulo 3
	Capítulo 4
	Capítulo 5
	Capítulo 6
	Capítulo 7
	Capítulo 8
	Capítulo 9
	Capítulo 10
	Capítulo 11
	Capítulo 12
	Capítulo 13
	Capítulo 14
	Sobre o autor

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