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1.
0
HEMATOPOIESE E 
MEDULA ÓSSEA
2
Tatiane Marques
Londrina 
Editora e Distribuidora Educacional S.A. 
2023
 HEMATOPOIESE E MEDULA ÓSSEA
1ª edição
3
2023
Editora e Distribuidora Educacional S.A.
Avenida Paris, 675 – Parque Residencial João Piza
CEP: 86041-100 — Londrina — PR
Homepage: https://www.cogna.com.br/
Diretora Sr. de Pós-graduação & OPM
Silvia Rodrigues Cima Bizatto
Conselho Acadêmico
Alessandra Cristina Fahl
Ana Carolina Gulelmo Staut
Camila Turchetti Bacan Gabiatti
Camila Braga de Oliveira Higa
Giani Vendramel de Oliveira
Gislaine Denisale Ferreira
Henrique Salustiano Silva
Mariana Gerardi Mello
Nirse Ruscheinsky Breternitz
Priscila Pereira Silva
Coordenador
Camila Braga de Oliveira Higa
Revisor
Janainna Grazielle Pacheco Olegario
Editorial
Beatriz Meloni Montefusco
Carolina Yaly
Márcia Regina Silva
Paola Andressa Machado Leal
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)_____________________________________________________________________________ 
Marques, Tatiane
Hematopoiese e medula óssea / Tatiane Marques, – 
Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S.A., 2023.
32 p.
ISBN 978-65-5903-388-1
1. Hematologia. 2. Hematopoiese. 3. Medula óssea. I. 
Título.
CDD 616.150092
_____________________________________________________________________________ 
 Raquel Torres – CRB 8/10534
M357h 
© 2023 por Editora e Distribuidora Educacional S.A.
Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou 
transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, eletrônico ou mecânico, incluindo 
fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e transmissão de 
informação, sem prévia autorização, por escrito, da Editora e Distribuidora Educacional S.A.
4
SUMÁRIO
Apresentação da disciplina __________________________________ 05
Hematopoiese _______________________________________________ 07
Interpretação das alterações hematopoiéticas ______________ 18
Análise laboratorial da hematopoiese _______________________ 28
Interpretação clínica das alterações na hematopoiese _______ 38
HEMATOPOIESE E MEDULA ÓSSEA
5
Apresentação da disciplina
Olá, seja bem-vindo(a)! Hematopoiese, ou Hematopoese, é o nome 
dado ao processo de produção das células sanguíneas na medula 
óssea, a partir de células-tronco pluripotentes. No interior dos ossos, 
mais especificamente na medula vermelha, todas as células sanguíneas 
são produzidas mediante estímulos específicos para multiplicação, 
diferenciação e maturação das células-tronco. Inicialmente, são 
formadas duas linhagens principais: linhagem linfoide, da qual se 
originam os linfócitos T e B e as células NK, e linhagem mieloide, da qual 
se originam os eritrócitos, as plaquetas, os monócitos e os granulócitos 
(eosinófilos, neutrófilos e basófilos).
Inicialmente, nesta disciplina, você compreenderá o processo de 
hematopoiese e como, a partir de uma única célula indiferenciada, 
podem ser formadas todas as células sanguíneas. Você verá também 
que este processo pode ser subdividido em três eventos principais: 
eritropoese, que se refere à produção de eritrócitos; leucopoiese, 
nome dado à diferenciação nos diversos tipos de células de defesa; 
trombopoiese, que é a formação de plaquetas a partir da fragmentação 
dos megacariócitos.
Os processos que ocorrem na medula óssea para formação e 
diferenciação das diferentes linhagens celulares refletem diretamente na 
população celular presente no sangue periférico. Nesta disciplina, você 
aprenderá a reconhecer como as alterações na hematopoiese podem 
ser identificadas no hemograma, um exame que analisa o repertório 
celular do sangue periférico. Será que toda alteração está relacionada 
a um processo patológico? Ou será que podem ocorrer alterações 
fisiológicas sem danos ao organismo?
6
Falando em hemograma, não é apenas este exame que pode ser realizado 
para avaliar o repertório celular sanguíneo, mesmo porque nem sempre 
as células alteradas estão presentes na circulação sanguínea. Para avaliar 
diretamente as células-tronco hematopoiéticas e detectar a presença 
de populações clonais mutantes, é preciso avaliar o repertório celular 
presente na medula óssea. O exame que faz esta análise é chamado de 
mielograma e, para que ele possa ser realizado, devem ser coletadas 
amostras diretamente da medula vermelha, por aspiração em ossos 
chatos. Se necessário, ainda, pode ser feita uma biópsia, para avaliação de 
possíveis infiltrados celulares e neoplasias na matriz óssea. Vai ser muito 
legal estudar como é feito este exame, não é mesmo?
Imagine só saber interpretá-lo e identificar alterações em populações 
celulares específicas. Sim, esta parte é fundamental em hematologia, 
pois, a partir das linhagens e subpopulações celulares alteradas, é 
possível realizar a triagem e até mesmo o diagnóstico de leucemias, 
anemias e síndromes mielodisplásicas! Nesta disciplina, você adquirirá 
todos esses novos conhecimentos. Bons estudos!
7
Hematopoiese
Autoria: Tatiane Marques
Leitura crítica: Janainna Grazielle Pacheco Olegário
Objetivos
• Compreender o processo de produção de células 
sanguíneas na medula óssea e os fatores envolvidos 
neste processo.
• Diferenciar as fases da hematopoiese conforme o 
desenvolvimento do organismo humano.
• Compreender a importância da correta 
identificação de cada linhagem celular no processo 
hematopoiético.
8
1. Hematopoiese
Hematopoiese é o processo de divisão, diferenciação e maturação 
das células sanguíneas. Talvez, você conheça este processo como 
hemopoiese, um sinônimo que é atribuído a esta importante função 
dos organismos vivos. Durante a vida adulta, ocorre, principalmente, na 
medula óssea, mas, como você aprenderá nesta leitura, outros órgãos 
hematopoiéticos podem assumir esta função (Antunes, 2019).
O termo hematopoiese refere-se ao processo geral de produção de 
todas as células sanguíneas (Figura 1). No entanto, para a hematologia, 
é importante diferenciar os processos de divisão, maturação e 
diferenciação de cada uma das células sanguíneas. Dá-se a estes 
processos diferentes nomes, conforme a linhagem celular que está se 
diferenciando (Hoffbrand; Moss, 2018), conforme você verá a seguir:
• Eritropoiese: produção de eritrócitos.
• Granulopoiese: produção de granulócitos (neutrófilos, basófilos e 
eosinófilos).
• Monopoiese: produção de monócitos.
• Linfopoiese: produção de linfócitos.
• Trombocitopoiese: produção de trombócitos (plaquetas).
9
Figura 1 – Células sanguíneas e hematopoiese
Fonte: Shutterstock.com.
Independentemente da linhagem a que pertençam, as células 
sanguíneas possuem características comuns a todas elas, que incluem 
a vida-média curta, de horas a dias, e a origem medular a partir das 
células-tronco hematopoiéticas. Estas células são as mais imaturas no 
processo de hematopoiese e, a depender do fator de crescimento ao 
qual sejam expostas, se multiplicarão e se diferenciarão em uma das 
linhagens de células descritas anteriormente.
O processo de hematopoiese ocorre ao longo de toda a vida do ser 
humano, iniciando-se na vida intrauterina e perpetuando-se até 
10
o momento de sua morte. O conjunto de eventos de multiplicação e 
diferenciação celulares que ocorre durante este processo tem três funções 
fisiológicas: automanutenção do pool de células indiferenciadas, geração 
e manutenção do pool de células precursoras comprometidas com 
determinada linhagem celular e proliferação e diferenciação de células 
precursoras em células diferenciadas que se encontram na corrente 
sanguínea (Rodrigues, 2019).
As células-tronco hematopoiéticas são classificadas em duas 
subpopulações, conforme Hoffbrand e Moss (2018): LT-HSC e ST-HAC. As 
células-tronco hematopoiéticas de longa duração (LT-HSC) são células de 
longa sobrevida, imaturas e indiferenciadas, que se multiplicam e mantêm 
o pool de células hematopoiéticas indiferenciadas e imaturas. Estas 
células estão,em geral, na fase G0 do ciclo celular e se multiplicam por 
divisões binárias mitóticas por toda a vida do indivíduo. As células-tronco 
hematopoiéticas de curta duração (ST-HSC) também são linhagens imaturas 
e indiferenciadas. Sua origem é derivada de divisões celulares assimétricas 
das células-tronco, dando origem a células-filhas LT-HSC e ST-HSC, estas 
últimas com maior potencial de proliferação e comprometimento para 
gerar precursores de diferentes linhagens. A diferenciação das ST-SHC 
resulta em células formadoras de colônias (UFC), e estas se diferenciaram 
em linhagens hematopoiéticas específicas, conforme o estímulo de 
crescimento ao qual são expostas.
1.1 Microambiente e fatores de crescimento
Fisiologicamente, para que a hematopoiese ocorra normalmente, os órgãos 
hematopoiéticos precisam apresentar um microambiente favorável a este 
processo, garantindo a síntese e a secreção de substâncias que possibilitem 
a sobrevivência das células-tronco e das outras células progenitoras. Este 
microambiente é composto por outros tipos celulares, além das células 
progenitoras, que incluem as células do estroma medular: fibroblastos, 
osteoblastos, osteoclastos, células-tronco mesenquimais, adipócitos, 
11
macrófagos, linfócitos e células endoteliais dos sinusoides medulares. 
Componentes acelulares, como as citocinas, os fatores de crescimento e as 
proteínas da matriz extracelular, favorecem a organização e a estrutura do 
órgão hematopoiético e são essenciais para manter a produção de células 
da linhagem sanguínea (Antunes, 2019).
A regulação da hematopoiese depende, além dos fatores de crescimento 
solúveis secretados no microambiente, da interação célula-célula, por meio 
de ligação a receptores específicos em sua superfície. Estes fatores de 
crescimento, de natureza glicoproteica, são essenciais para a sobrevivência, 
a proliferação e a diferenciação das células-tronco hematopoiéticas. 
Ao se ligar a receptores específicos na superfície celular, os fatores de 
crescimento induzem a maturação e diferenciação das células-tronco em 
células precursoras comprometidas com uma das linhagens celulares. 
Além disso, citocinas e hormônios exercem atividade modulatória sobre a 
divisão celular e diferenciação, permitindo sua proliferação e diferenciação 
ou agindo em sinergismo na proliferação de uma subpopulação celular 
específica. O Quadro 1, a seguir, resume os principais fatores solúveis da 
hematopoiese e sua função hematopoiética:
Quadro 1 – Glicoproteínas reguladoras da hematopoiese na medula 
óssea
Fator de 
Crescimento
Função na Hematopoiese
G-CSF Fator estimulador de colônias de granulócitos
GM-CSF Fator estimulador de colônias de macrófagos e 
granulócitos
IL-6 Estimula a sobrevivência e diferenciação de células-tronco 
hematopoiéticas
IL-3 Regulação da mielopoiese
Eritropoietina Regulação da eritropoiese
IL-7 Regulação da linfopoiese
TPO Diferenciação de megacariócitos e produção de plaquetas
Fonte: elaborado pela autora.
12
Estes são alguns exemplos dos principais fatores que regulam o processo 
de hematopoiese na medula óssea. No entanto, é importante que você 
saiba que, além destes estímulos, a quantidade de células na circulação 
periférica e outras demandas fisiológicas, como a presença de uma 
infecção, exercem forte influência na diferenciação celular. Além disso, os 
fatores estimuladores do desenvolvimento de células sanguíneas podem 
sofrer leve variação conforme o órgão hematopoiético envolvido neste 
processo.
2. Fases da hematopoiese
A hematopoiese, como já mencionado anteriormente, ocorre, 
principalmente, na medula óssea, um processo que se inicia ainda 
na vida intrauterina. No entanto, fisiologicamente, a produção e a 
diferenciação de células sanguíneas podem ser realizadas em outros órgãos 
hematopoiéticos, como o fígado, a placenta e o saco vitelínico. Em algumas 
situações patológicas, como na aplasia de medula, a medula óssea pode se 
tornar incapaz de realizar a hematopoiese, função que é, então, assumida 
pelo fígado. A hematopoiese extramedular também pode se desenvolver 
na metaplasia, quando há expansão de tecido hematopoiético para regiões 
extramedulares, como o fígado e o baço (Rodrigues, 2019).
Nos seres humanos, a hematopoiese inicia-se no saco vitelínico, a partir 
do trigésimo dia de formação do embrião e, durante esta fase primitiva, 
as células-tronco hematopoiéticas diferenciam-se apenas em eritrócitos. 
A partir da quarta semana de gestação, inicia-se a fase definitiva, quando 
o nicho hematopoiético passa a localizar-se na mesoderme. Nesta fase, a 
região da aorta-gônadas-mesonefro (AGM) do embrião é composta por 
células capazes de autorrenovação e diferenciação em todas as células 
hematopoiéticas (Rodrigues, 2019).
Em torno da quinta semana de gestação, a hematopoiese migra para a 
placenta e para o fígado fetal, onde permanece por algumas semanas. Em 
torno da décima segunda semana de gestação, ocorre a migração para a 
13
medula óssea em formação, onde permanece até o término do período 
gestacional e por toda a vida extrauterina (Antunes, 2019). Durante a 
infância, nos primeiros anos de vida, todos os ossos apresentam medula 
óssea vermelha e podem realizar a hematopoiese. Conforme a criança vai 
crescendo, até o período da puberdade, a medula ativa é gradualmente 
substituída pela medula amarela, composta por tecido gorduroso, fato que 
ocorre, principalmente, nos ossos longos. Segundo Rodrigues (2019), até o 
início da vida adulta, a medula óssea ativa fica restrita às epífises dos ossos 
longos e aos ossos chatos (pélvis, crânio, vértebras, costelas e esterno).
Conforme a fase de vida do ser humano, a hematopoiese classifica-se em 
diferentes fases, conforme o órgão que assume esta função. As três fases 
são: mesoblástica, hepática e medular (Portilho, 2017). A Figura 2 traz as 
principais características de cada uma dessas fases:
Figura 2 – Fases da hematopoiese
Fonte: elaborada pela autora.
A fase mesoblástica é conhecida também como fase extraembrionária, 
pois, nesta fase, as células mesodérmicas se agrupam no saco vitelínico 
do embrião e iniciam a produção de eritrócitos. Neste órgão, as células 
chamadas de hemangioblastos têm potencial para se diferenciar em 
células vasculogênicas ou células hematopoiéticas, ou seja, os eritroblastos 
primitivos. Esta fase perdura até a sexta semana de vida do embrião 
(Portilho, 2017).
14
Após este período, o coração e os vasos sanguíneos já estão formados 
e é possível ouvir os batimentos cardíacos fetais. Nesta fase, inicia-se a 
circulação sanguínea fetal e as células-tronco hematopoiéticas migram para 
o fígado, entre a quarta e a sexta semanas de gestação, marcando o início 
da fase hepática. Baço, timo e linfonodos auxiliam o fígado no processo 
de hematopoiese e resultam na produção de eritrócitos e megacariócitos 
no baço, granulócitos, monócitos e células linfoides no timo e linfonodos. 
Todas estas células passam a fazer parte da circulação sanguínea fetal 
(Portilho, 2017).
A hematopoiese no fígado e nos demais órgãos acessórios declina 
gradualmente durante o avanço da gestação e, ao nascimento, as células 
sanguíneas são produzidas integralmente na medula óssea. As células-
tronco hematopoiéticas iniciam a colonização da medula óssea por volta 
da décima primeira semana de gestação e aumenta gradativamente até o 
nascimento (Portilho, 2017).
Na vida extrauterina, ou seja, no período pós-natal, as células sanguíneas 
são produzidas exclusivamente na medula óssea, mas podem sofrer 
maturação em outros órgãos linfoides. Os linfócitos T, por exemplo, 
migram ativamente para o timo, onde sofrem diferenciação. Conforme a 
criança cresce e completa seu desenvolvimento, estas células alojam-se nos 
linfonodos, junto aos linfócitos B (Portilho, 2017).
Agora que você já compreendeu a importância do processo hematopoiético 
e conhece os órgãos responsáveis pela produção das células sanguíneas 
na vida intrauterina e após o nascimento, você conheceráas linhagens 
celulares.
3. Linhagens celulares
As células-tronco hematopoiéticas, denominadas também hemocitoblastos, 
são células pluripotentes, a partir das quais se originam todas as células 
15
sanguíneas. Estas se multiplicam por divisão binária, em sucessivos 
processos de mitose, mantendo a população de células-tronco 
pluripotentes, característica essa que é denominada autorrenovação. 
Conforme o estímulo para sua diferenciação, dependente da secreção de 
glicoproteínas e hormônios, estas células-tronco são capazes de diferenciar-
se nas diferentes linhagens sanguíneas. Outra importante característica 
atribuída a estas células é a capacidade de colonizar a medula óssea e 
reconstituir o sistema hematopoiético, por exemplo, após a realização de 
um transplante de medula óssea (Silva, 2016).
As células tronco pluripotentes, após sua diferenciação inicial, diferenciam-
se em duas linhagens celulares principais: células mieloides e células 
linfoides, que são também chamadas de células progenitoras multipotentes 
(Silva, 2016). Observe a Figura 3 e veja que, a partir da linhagem linfoide, 
formam-se os Linfócitos B e Linfócitos T. A linhagem mieloide, por outro 
lado, além dos granulócitos e monócitos, também pode se diferenciar em 
eritrócitos e megacariócitos, as células que dão origem às plaquetas.
Figura 3 – Linhagens celulares mieloide e linfoide
Fonte: Shutterstock.com.
16
As células progenitoras também são dotadas da propriedade de 
autorreplicação por mitose, para manter a população celular. Mediante 
estímulo de crescimento e diferenciação, estas células se diferenciam 
em células precursoras imaturas, os blastos. Este último tipo celular não 
é capaz de autorreplicar-se e já está comprometido com a diferenciação 
em um tipo celular específico, determinado pelas citocinas e pelos 
hormônios secretados pelo organismo (Antunes, 2019).
Eritropoiese, nome dado ao processo de produção dos eritrócitos, 
inicia-se a partir da diferenciação das células progenitoras mieloides 
em proeritroblasto, na presença do hormônio eritropoetina, secretado 
pelos rins. Logo após, segue o processo de diferenciação nos seguintes 
tipos celulares: proeritroblasto  eritroblasto basófilo  eritroblasto 
policromático  eritroblasto acidófilo (ortocromático)  reticulócito  
eritrócito maduro, que é liberado na corrente sanguínea (Silva, 2016).
Os granulócitos, derivados também de uma célula progenitora mieloide, 
diferenciam-se em um processo chamado de granulocitopoiese ou 
mielopoiese (Melo; Silveira, 2019). Os leucócitos granulócitos são assim 
chamados devido à presença de grânulos (azurófilos e específicos) 
em seu citoplasma. São três os tipos celulares com esta classificação: 
basófilos, eosinófilos e neutrófilos. O processo de diferenciação destas 
células segue esta ordem: mieloblasto  promielócito  mielócito  
metamielócito  granulócito com núcleo em bastão  mielócito 
maduro (basófilo ou eosinófilo ou neutrófilo).
As plaquetas não são células, e sim fragmentos celulares resultantes 
da fragmentação do megacariócito, o último tipo celular derivado 
dos progenitores mieloides. A trombocitopoiese inicia-se a partir da 
diferenciação do progenitor em megacarioblasto, a célula mais imatura 
já comprometida com a formação das plaquetas. O megacarioblasto se 
diferencia diretamente em megacariócito, que, após a fragmentação de 
seu citoplasma, dá origem a milhares de plaquetas (Melo; Silveira, 2019).
17
O progenitor linfoide é comprometido apenas com a formação de 
Linfócitos T e Linfócitos B (Melo; Silveira, 2019). Estas células seguem a 
seguinte sequência de maturação: progenitor linfoide  linfoblasto  
prolinfócitos  Linfócitos T ou Linfócitos B. Os Linfócitos T migram para 
o timo, onde completam sua maturação, e o Linfócitos B permanecem 
na medula óssea até sua ativação (Portilho, 2017).
Hematopoiese é um processo complexo estimulado por diferentes 
citocinas, quimiocinas e até mesmo hormônios, que ocorre, na vida 
extrauterina, essencialmente na medula óssea dos ossos chatos e 
ossos longos. A medula vermelha é colonizada por células-tronco 
pluripotentes, que são autorreplicativas e podem se diferenciar em 
progenitores mieloide e linfoide. A partir destes progenitores, são 
formadas todas as células sanguíneas do organismo, inclusive aquelas 
responsáveis pelo sistema de defesa (Portilho, 2017).
Referências
ANTUNES, S. R. Hematologia Clínica. Porto Alegre: SAGAH, 2019.
HOFFBRAND, A. V.; MOSS, P. A. H. A. Fundamentos em Hematologia de 
Hoffbrand. 7. ed. Porto Alegre: Artmed, 2018.
MELO, W.; SILVEIRA, C. M. Laboratório de Hematologia. Teoria, Técnicas e Atlas. 2. 
ed. Rio de Janeiro: Rubio, 2019.
PORTILHO, N. A. O papel da placenta na ontogenia do sistema hematopoiético: 
origem, distribuição espacial e perfil fenotípico e de expressão de células 
comprometidas com a hematopoiese. 2017. Tese (Doutorado em Biologia Celular e 
Molecular) – FIOCRUZ, Rio de Janeiro, 2017.
RODRIGUES, A. D. Hematologia Básica. 2. ed. Porto Alegre: SAGAH, 2019.
SILVA, P. H. Hematologia Laboratorial: teoria e procedimentos. Porto Alegre: 
Artmed, 2016.
18
Interpretação das alterações 
hematopoiéticas
Autoria: Tatiane Marques
Leitura crítica: Janainna Grazielle Pacheco Olegário
Objetivos
• Conhecer as principais alterações na hematopoiese 
das séries branca e vermelha.
• Correlacionar as alterações na hematopoiese a 
patologias sanguíneas e medulares.
• Interpretar as alterações na hematopoiese e 
estabelecer uma correlação com doenças não 
hematológicas.
19
1. Alterações da hematopoiese
Hematopoiese é um processo que ocorre na medula óssea, responsável 
pela maturação e diferenciação das células que mantêm o repertório 
sanguíneo, tanto para a série vermelha quanto para a série branca. 
Diariamente, a medula óssea libera bilhões de células e plaquetas 
na corrente sanguínea e, embora este processo seja rigorosamente 
regulado por fatores de crescimento e maturação, pode haver situações 
em que se observa uma desregulação da hematopoiese na medula 
óssea. O organismo humano possui métodos de controle e eliminação 
destes erros de multiplicação, porém, na presença de mutações 
genéticas, fatores ambientais e até mesmo infecções, células mutantes 
ou defeituosas podem ser produzidas (Antunes, 2019).
Fisiologicamente, algumas alterações na produção de células 
sanguíneas, principalmente eritrócitos e plaquetas, podem ser 
observadas, por exemplo, após um quadro hemorrágico. Nestas 
ocasiões, para compensação da perda de sangue, a medula intensifica a 
produção de eritrócitos e megacariócitos, sendo comum o encontro de 
formas imaturas destas células na corrente sanguínea. Na presença de 
infecções por bactérias e vírus, é comum o aumento de células da série 
branca, pois o organismo está se preparando para combater e eliminar 
os possíveis patógenos. É preciso ressaltar que, neste último caso, o 
aumento populacional será direcionado para os clones específicos para 
o antígeno reconhecido (Antunes, 2019).
E será que podem ocorrer alterações na hematopoiese que estejam 
diretamente relacionadas a patologias sanguíneas e medulares? Com 
certeza, sim! Você, provavelmente, pensou em alterações neoplásicas 
malignas, como leucemias, mielomas e síndromes mielodisplásicas. Estas 
são neoplasias em que se observa a expansão clonal de determinados 
tipos celulares e se forma um câncer de células sanguíneas. Ainda com 
relação às neoplasias, pode haver infiltração da medula por células 
20
tumorais, um evento muito comum no câncer de mama e nos linfomas, 
mas que pode ocorrer com outros tipos também (Silva, 2017).
As alterações hematopoiéticas da medula óssea podem, ainda, ser 
consequência de fatores externos e ambientais, que resultem na 
diminuição numérica das células progenitoras da medula ou até mesmo 
na aplasia medular, ou seja, na não produção destas células. Algumas 
classes de medicamentos e o tratamento por radiações ionizantes 
podem levar a esta aplasia intencionalmente,com a finalidade 
de preparar a medula para o recebimento de um enxerto, para 
tratamento de neoplasias sanguíneas. Outros fatores, como tratamento 
quimioterápico, infecções e intoxicações por metais pesados, como o 
chumbo, também podem causar estas alterações (Cazarin, 2005).
De acordo com Silva (2017), estudos realizados nas últimas décadas, 
por diversos grupos de pesquisa, evidenciam que o envelhecimento 
hematopoiético pode estar relacionado à expansão celular, conservando 
mutações em uma hematopoiese clonal. Anteriormente, segundo o 
mesmo autor, estas mutações clonais já haviam sido correlacionadas 
como fatores causais de neoplasias sanguíneas, como a leucemia. A 
Síndrome Mielodisplásica também já foi atribuída a essa expansão clonal 
de células mutadas, levando à pancitopenia por falta de maturação 
celular. É importante ressaltar que, não raro, essas mutações podem 
estar presentes em pessoas sem alterações na população celular do 
sangue periférico e, além disso, sem sinais do desenvolvimento de 
patologias sanguíneas.
2. Alterações na hematopoiese e doenças 
hematológicas medulares e periféricas
A hematopoiese se inicia na medula óssea vermelha ainda na vida 
intrauterina e, após o nascimento, este é o único órgão responsável 
21
por toda a produção do repertório sanguíneo de um indivíduo. Até 
o segundo ano de vida, toda a medula óssea é capaz de realizar este 
processo e, a partir de então, parte da região medular é gradativamente 
substituída por tecido adiposo, restringindo os sítios de maturação e 
diferenciação celular. No indivíduo adulto, apenas o esqueleto central e 
as extremidades proximais da cabeça do fêmur ainda possuem alguma 
atividade hematopoiética (Hoffbrand; Moss, 2018).
Durante o processo hematopoiético, ao longo da vida do ser humano, 
mutações aleatórias podem ocorrer nas células-tronco pluripotentes e 
se perpetuarem como uma população clonal. Com o passar do tempo, 
as mutações podem ser acumular e o envelhecimento e os fatores 
ambientais podem contribuir para o desenvolvimento de neoplasias 
e outras malignidades. Curiosamente, estas mutações estão, em sua 
maioria, ligadas ao Cromossomo X, e podem ser facilmente detectadas 
pelo sequenciamento de DNA (Silva, 2017).
2.1 Doenças clonais
A perpetuação e multiplicação de uma célula-tronco hematopoiética 
pluripotente pode ser, segundo dados da Organização Mundial da 
Saúde (OMS), o fator inicial para o desenvolvimento de diversas 
doenças hematológicas derivadas de mutações somáticas. Dentre 
essas doenças, a Síndrome Mielodisplásica, a Anemia Aplástica e a 
Leucemia Mieloide Aguda são as mais frequentemente diagnosticadas 
(Papaemmanuil et al., 2013).
Síndrome Mielodisplásica aguda refere-se a um conjunto de doenças 
com manifestações em comum, na qual ocorrem displasia medular, 
hematopoiese ineficaz e pancitopenia. Observa-se, ainda, um maior risco 
para desenvolvimento de Leucemia Mieloide Aguda (Zerbini et al., 2011). 
Veja a seguir, no Quadro 1, os subtipos de Síndrome Mielodisplásica 
Aguda reconhecidos pela OMS e suas características principais.
22
Quadro 1 – Classificação das Síndromes Mielodisplásicas segundo a 
OMS
Tipo Sangue Periférico Medula Óssea 
Anemia Refratária (AR) Anemia; Blastos 1% Displasia da linhagem eritroblástica; < 5% Blastos
Anemia Refratária com 
Sideroblastos em Anel 
(ARSA)
Anemia; Ausência de 
blastos
Displasia na linhagem 
eritroblástica; < 5% Blastos; 
< 15% Sideroblastos em 
anel
Citopenia refratária com 
displasia multilinhagem 
(CRDM)
Bi ou pancitopenia; < 1% 
blastos
Displasia em > 10% das 
células de duas ou mais 
linhagens; < 5% blastos
Citopenia refratária com 
displasia multilinhagem 
e sideroblastos em anel 
(CRDMSA)
Bi ou pancitopenia; < 1% 
blastos
Displasia em > 10% das 
células de duas ou mais 
linhagens; < 5% blastos; > 
15% sideroblastos em anel
Anemia refratária com 
excesso de blastos-1 (AREB-
1)
Bi ou pancitopenia; < 5% 
blastos
Displasia uni ou 
multilinhagem; 5%-9% 
blastos
Anemia refratária com 
excesso de blastos-2 (AREB-
2)
Bi ou pancitopenia; < 5%-
19% blastos; Monócitos 
<1.000mm3
Displasia uni ou 
multilinhagem; 10%-19% 
blastos
Síndrome Mielodisplásica 
Inclassificável (SMD-I)
Neutropenia ou 
plaquetopenia; blastos 
raros ou ausentes
Displasia unilinhagem, < 5% 
Blastos
Síndrome Mielodisplásica 
com del(5q) isolada
Anemia; plaquetas normais 
ou elevadas; <5% Blastos
Megacariócitos em número 
normal ou elevado com 
núcleos unilobulados; < 5% 
Blastos, 5q-
Síndrome Mielodisplásica 
da Infância (SMD-P)
Bi ou pancitopenia; 2%-
19% Blastos; Monócitos 
<1.000mm3
Displasia uni ou 
multilinhagem; 10%-19% 
Blastos 
Fonte: adaptado de Silva (2017).
A análise minuciosa do Quadro 1 nos permite fazer algumas importantes 
inferências, que podem influenciar na suspeita clínica e no diagnóstico 
de uma Síndrome Mielodisplásica. Nota-se que todas as síndromes 
descritas apresentam alterações no perfil hematológico, tanto no sangue 
23
periférico quanto na medula óssea. Além disso, a pancitopenia e os 
blastos, em porcentagens variáveis, são um achado bastante comum 
no sangue periférico. Essas alterações podem ser evidenciadas pela 
realização do hemograma.
Já na medula óssea, a displasia da linhagem portadora do gene mutante 
é obrigatória e variará conforme a classificação das síndromes. A 
presença de blastos também é variável, assim como a de sideroblastos 
em anel. Curiosamente, apenas na Síndrome Mielodisplásica com del(5q) 
isolada nota-se a alteração na série plaquetária. Observe, a seguir, na 
Figura 1, como você verá o esfregaço sanguíneo de um paciente com 
Síndrome Mielodisplásica e Leucemia Mieloide Aguda.
Figura 1 – Esfregaço sanguíneo na Síndrome Mielodisplásica Aguda
Fonte: Shutterstock.com.
A Figura 2 ressalta a aparência de um Sideroblasto em Anel, alteração 
muito comum em esfregaços do sangue periférico de pacientes com 
Síndrome Mielodisplásica.
24
Figura 2 – Sideroblasto em Anel em esfregaço sanguíneo
Fonte: Shutterstock.com.
Silva (2017) ressalta que todas as síndromes mielodisplásicas 
discriminadas no quadro apresentam elevadas chances de evolução 
para Leucemia Mieloide Aguda, que pode ser observada tanto no sangue 
periférico quanto na medula óssea.
3. Alterações na hematopoiese e fatores 
ambientais
A exposição a produtos químicos e poluentes, o uso indiscriminado de 
medicamentos e até mesmo a recorrência de algumas infecções são 
considerados fatores ambientais que interferem na hematopoiese. Eles 
são isolados ou associados e podem induzir mutações genéticas nas 
25
células-tronco pluripotentes. Uma vez que estas células sobrevivam e 
se multipliquem, tem-se o primeiro fator desencadeante das alterações 
hematológicas. Os fatores ambientais apenas potencializam a ocorrência 
de tais alterações, acelerando o desenvolvimento de síndromes 
mielodisplásicas e aplasia medular (Cazarin, 2005).
Já no século XIX, segundo Cazarin (2005), as doenças hematológicas 
resultantes de alterações na hematopoiese eram causas constantes 
de morte entre trabalhadores. A exposição a carboidratos aromáticos, 
como o benzeno, o tolueno e o xileno, levava a síndromes hemorrágicas 
que resultavam na morte prematura. Ainda segundo o autor, no século 
XX, conheceu-se o potencial leucemogênico do benzeno, que também 
pode levar à aplasia de medula.
As radiações ionizantes complementam a lista de fatores ambientais 
potencializadores das alterações na hematopoiese. Utilizadas também 
como importante método quimioterápico no combate a neoplasias, 
a exposição prolongada ou indevida pode levar à destruição da 
medula óssea ou ao acúmulo de mutações em células-tronco ou em 
células já diferenciadas. A exposição ocupacional e bélica, mesmo que 
inconsciente, também pode contribuir para aumentar as estatísticas 
de doenças hematológicas consequentes à exposição às radiações 
(Cazarin, 2005).
No ano de 2020, o Ministério da Saúde atualizou a portaria que lista as 
inúmeras doenças que podemser desenvolvidas como consequência da 
exposição a fatores ambientais no trabalho. A Portaria nº 2.309, de 28 de 
agosto de 2020, lista as doenças relacionadas ao trabalho e, dentre elas, 
as doenças hematológicas resultantes da exposição a produtos químicos 
(Brasil, 2020). Esse Sistema de Vigilância foi estruturado pelos Programas 
de Saúde do Trabalhador na década de 1980, no estado de São Paulo, 
e estendido posteriormente para outros estados do país. Confira, no 
Quadro 2, a lista de doenças e neoplasias sanguíneas relacionadas ao 
trabalho segundo a Portaria nº 2.309.
26
Quadro 2 – Doenças e neoplasias sanguíneas relacionadas ao 
trabalho segundo a Portaria nº 2.309
Doenças e Neoplasias Risco Ocupacional
Leucemias
Benzeno; radiação ionizante; óxido 
de etileno; campos eletromagnéticos; 
inseticidas organoclorados
Síndromes Mielodisplásicas Benzeno; radiação ionizante
Anemias devido a transtornos enzimáticos Chumbo e seus compostos tóxicos
Anemia hemolítica não autoimune induzida 
por drogas Derivados nitrados e aminados do benzeno
Anemia aplástica devida a agentes externos 
e anemia aplástica não especificada Benzeno; radiação ionizante
Anemia sideroblástica secundária a toxinas Chumbo e seus compostos tóxicos
Púrpura e outras manifestações 
hemorrágicas
Benzeno; cloreto de vinila; radiação 
ionizante
Agranulocitose Benzeno; radiação ionizante; herbicida a base de pentaclorofenol
Transtornos específicos dos glóbulos 
brancos: leucocitose; reação leucemoide Benzeno; radiação ionizante
Metahemoglobinemia Aminas aromáticas e seus derivados
Fonte: elaborado pela autora.
Dentre os produtos químicos potencialmente lesivos para a saúde 
do homem, os agrotóxicos têm assumido lugar de destaque na lista 
atualizada na década atual. O fato mais preocupante é que, vários destes 
produtos químicos baseiam suas fórmulas em derivados do petróleo, 
como os organofosforados, os carbamatos e os piretróides. Todas essas 
substâncias são potencialmente lesivas ao ser humano e possuem 
efeitos negativos para a saúde da medula óssea (Brasil, 2020).
As alterações hematopoiéticas refletem-se não apenas na medula 
óssea, onde podem ser diagnosticadas tardiamente. O profissional 
hematologista, principalmente na área laboratorial e clínica, deve 
sempre estar atento à presença de anormalidades no sangue periférico, 
pois é aí que podem ser encontrados traços sugestivos de mutações 
e alterações na hematopoiese. As mutações nas células-tronco são 
cumulativas e, frequentemente, podem resultar no desenvolvimento de 
27
síndromes mielodisplásicas e neoplasias, geralmente diagnosticadas de 
modo tardio após uma punção medular.
Referências
ANTUNES, S. R. Hematologia Clínica. Porto Alegre: SAGAH, 2019.
BRASIL. Portaria nº 2.309, de 28 de agosto de 2020. Altera a Portaria de 
Consolidação nº 5/GM/MS, de 28 de setembro de 2017, e atualiza a Lista de Doenças 
Relacionadas ao Trabalho (LDRT). Brasília: Ministério da Saúde, [2023]. Disponível 
em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2020/prt2309_01_09_2020.html. 
Acesso em: 5 set. 2023.
CAZARIN, G. Doenças hematológicas e ambiente: estudo do registro de condições 
de risco em serviço especializado. 2005. 159 f. Dissertação (Mestrado em Saúde 
Pública) – FIOCRUZ, Recife, 2005.
HOFFBRAND, A. V.; MOSS, P. A. H. A. Fundamentos em Hematologia de 
Hoffbrand. 7. ed. Porto Alegre: Artmed, 2018.
PAPAEMMANUIL, E. et al. Clinical and biological implications of driver mutations in 
myelodysplastic syndromes. Blood, Washington, v. 22, n. 122, p. 3616-3627, set. 
2013.
SILVA, J. S. Descrição da hematopoiese clonal de potencial indeterminado como 
diagnóstico diferencial para pacientes hematológicos. 2017. 19 f. Trabalho de 
Conclusão de Curso (Graduação em Biomedicina) – Centro Universitário de Brasília, 
Brasília, 2017.
SILVA-JÚNIOR, J. S.; BANDINI, M.; BAÊTA. K. F.; DIAS, E. C. Atualização 2020 da Lista 
de Doenças Relacionadas ao Trabalho no Brasil. Rev. Bras. Saúde Ocupacional, v. 
47, p. 1-10, 2022.
ZERBINI, M. et al. Classificação da Organização Mundial da Saúde para os tumores 
dos tecidos hematopoético e linfoide, 4ª edição, 2008 – principais modificações 
introduzidas em relação à 3ª edição, 2001. Revista da Associação Médica 
Brasileira, São Paulo, v. 57, n. 1, p. 6-73, fev. 2011.
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2020/prt2309_01_09_2020.html
28
Análise laboratorial da 
hematopoiese
Autoria: Tatiane Marques
Leitura crítica: Janainna Grazielle Pacheco Olegário
Objetivos
• Listar os exames para avaliação laboratorial da 
hematopoiese.
• Correlacionar os exames do sangue periférico com 
as alterações na hematopoiese.
• Explicar as alterações na hematopoiese em função 
da análise laboratorial da medula óssea.
29
1. Avaliação laboratorial da hematopoiese
A avaliação laboratorial da hematopoiese consiste na coleta de amostras 
sanguíneas e de medula óssea para estudo de sua população celular, 
com a finalidade de pesquisar anomalias na multiplicação, maturação 
e diferenciação destas células (Sossela; Zoppas; Weber, 2017). Deste 
modo, esta avaliação pode ter a finalidade tanto de triagem diagnóstica 
quanto de avaliação global do estado de saúde de um paciente.
Amostras de sangue coletadas por punção do sangue periférico são 
analisadas para pesquisa de alterações numéricas e morfofuncionais. O 
exame realizado neste caso é o hemograma. Alterações nas populações 
eritrocitária, leucocitária e plaquetária podem indicar a presença de 
doenças hematológicas ou sugerir a presença de infecções, por exemplo. 
Algumas neoplasias sanguíneas também podem apresentar alterações 
no hemograma (Hoffbrand; Moss, 2018).
O mielograma, por outro lado, é um exame bem mais complexo e 
delicado, em que são coletadas amostras da medula óssea por meio 
de uma biópsia. A análise do esfregaço de medula óssea evidencia 
as populações celulares imaturas presentes predominantemente ou 
alterações globais na população celular. A partir da cultura do aspirado 
medular, podem ser isoladas as células alteradas para tipagem genética 
e avaliação mais detalhada de sua morfofisiologia (Vicari et al., 2021).
As alterações na hematopoiese podem ter diferentes significados 
clínicos, conforme a população celular ou a linhagem alterada. 
Mutações nas células-tronco pluripotentes, por exemplo, resultam 
em multiplicação e diferenciação de populações clonais mutantes e, 
posteriormente, no desenvolvimento de alterações multilinhagens. 
Por outro lado, caso estas mutações sejam induzidas tardiamente, nas 
linhagens progenitoras linfoides ou mieloides, tem-se o aparecimento 
de alterações na hematopoiese em linhagens únicas (Vicari et al., 2021). 
Alterações na linhagem linfoide, por exemplo, podem resultar no 
desenvolvimento de quadros de leucemia linfoide.
30
Caso a mutação selecionada tenha ocorrido em um progenitor 
mieloide, tem-se o desenvolvimento de uma leucemia mieloide ou 
até mesmo uma mielodisplasia, com a presença de alterações em 
uma ou mais linhagens celulares. Nestas linhagens, podem ocorrer 
a produção de eritrócitos alterados, levando a quadros de anemias 
ou hemoglobinopatias, conforme a mutação prevalente nas células 
progenitoras. De todo modo, estas alterações podem ou não estar 
presentes no sangue periférico, observadas através do exame de 
hemograma, dificultando o diagnóstico apenas pela realização deste 
exame. A biópsia de medula óssea, se requisitada diante de menor 
suspeita de alteração na hematopoiese, pode possibilitar o diagnóstico 
precoce da patologia, antes mesmo do surgimento de sintomas clínicos, 
e a rápida intervenção clínica, se necessário (Rosenfeld, 2000).
2. Avaliação do sangue periférico
O exame para avaliação das células sanguíneas realizado em 
hematologia é o hemograma. Para a sua realização, uma amostra 
de sangue periférico é coletada por punção venosa em tubo a 
vácuo contendo o anticoagulante EDTA. A coleta pode ser feita sem 
que o paciente seja submetido ao jejum obrigatório ou à outra 
preparação especial.É desejável apenas que seja interrompida, com o 
consentimento do especialista que o acompanha, a administração de 
quaisquer medicações que possam alterar o exame. Amostras lipêmicas 
e hemolisadas também podem causar alterações no hemograma, não 
sendo recomendadas suas análises (Hoffbrand; Moss, 2018).
O sangue coletado e homogeneizado é encaminhado para o setor 
de Hematologia do laboratório clínico, onde será analisado em um 
hemocitômetro, para avaliação das populações eritrocitária, leucocitária 
e plaquetária. O esfregaço em lâmina de vidro para análise de alterações 
morfológicas nos eritrócitos e a contagem diferencial de leucócitos 
em câmara de Neubauer também fazem parte do procedimento de 
31
avaliação laboratorial. O laudo do exame de hemograma pode ser 
dividido em três partes, conforme a população celular avaliada (Sossela; 
Zoppas; Weber, 2017):
• Eritrograma: exibe resultados referentes à análise da população de 
células vermelhas, os eritrócitos. Nesta parte do laudo, são exibidos 
dados referentes à contagem global de células, à sua morfologia, 
à sua coloração e à quantidade de hemoglobina intraeritrocitária. 
Alterações relativas à forma, ao agrupamento e à presença de 
inclusões podem sugerir alterações na hematopoiese de eritrócitos, 
a partir de progenitores mieloides com mutações conservadas.
• Leucograma: refere-se à contagem total e diferencial de células da 
série branca, ou seja, os leucócitos. Em um exame normal, contam-
se monócitos, linfócitos, eosinófilos, neutrófilos e basófilos. 
Contagens elevadas destas populações celulares podem indicar 
infecções virais, bacterianas, fúngicas ou parasitárias, ou ainda 
reações alérgicas. A presença de células imaturas ou atípicas, como 
blastos, bastonetes e linfócitos atípicos, é indicativa de alterações 
na população celular imatura e, como você verá em seguida, pode 
ter diferentes significados clínicos.
• Plaquetograma: revela a quantidade total de plaquetas por mililitro 
(ml) de sangue. Resultados que apresentem plaquetopenia devem 
ser confirmados manualmente, pois indicam déficits de coagulação 
ou problemas nos megacariócitos, as células precursoras destes 
fragmentos celulares.
Portanto, as alterações no hemograma podem sugerir ou indicar 
alterações na hematopoiese ou apenas a presença de infecções e 
processos alérgicos? É fato que o exame do sangue periférico tem 
sua principal aplicação na avaliação de infecções e inflamações, mas 
é importante que você saiba que a presença de elementos imaturos é 
uma observação que requer especial atenção do hematologista clínico. 
A presença destas células na corrente sanguínea é sugestiva de um 
32
aumento de sua produção na medula óssea, seja por maior demanda 
fisiológica, seja pela existência de uma patologia que está estimulando sua 
produção. Em ambos os casos, todas as alterações devem ser relatadas 
no laudo do hemograma, para serem contrastadas com o quadro 
clínico do paciente. Veja, a seguir, no Quadro 1, algumas alterações no 
hemograma que têm correlação com distúrbios na hematopoiese.
Quadro 1 – Alterações no hemograma e sua correlação com 
distúrbios na hematopoiese
Alterações no hemograma Distúrbio na hematopoiese
Eritrograma
Drepanócitos Eritrócitos com mutação no gene codificador da hemoglobina S.
Eliptócitos Eritrócitos com mutação no gene codificador da hemoglobina C, E ou S.
Eritrócitos Policromáticos
Eritrócitos contendo RNA em seu interior 
(imaturos).
Aumento de demanda na produção pela 
medula óssea.
Eritrócitos em Roulex
Mutações no gene codificador de 
globulinas, macroglobulinemia ou mieloma 
múltiplo.
Eritrócitos com pontilhados basófilos Eritrócitos com mutação no gene codificador da hemoglobina C, E ou S.
Leucograma
Linfoblasto
Aumento na maturação e diferenciação de 
linfócitos. 
Leucemia Linfoide Aguda. 
Linfoma de Burkitt.
Mieloblasto
Aumento na maturação e diferenciação de 
mielócitos. 
Leucemia Mieloide. 
Síndrome Mielodisplásica. 
Reação Leucemoide (infecção grave).
33
Monoblasto
Aumento na maturação e diferenciação de 
monócitos. 
Leucemia Mielomonocítica Aguda. 
Leucemia Monocítica Aguda.
Bastonetes Aumento na produção e diferenciação de neutrófilos em resposta a infecções.
Plaquetograma
Megacariócitos Aumento na produção e diferenciação por demanda do organismo.
Fonte: elaborado pela autora.
Lembre-se de que, isoladamente, a presença de uma ou mais destas 
alterações pode não ter um significado claro ao analisar o hemograma. 
No entanto, em infecções e em neoplasias, é comum que mais de uma 
destas alterações estejam presentes e, associadas ao quadro clínico do 
paciente, podem direcionar a uma suspeita diagnóstica. Por outro lado, 
no caso das hemoglobinopatias, quando a mutação está presente no 
gene codificador da hemoglobina, a presença de uma destas alterações 
eritrocitárias já direciona o hematologista para um diagnóstico mais 
específico (Vicari et al., 2021).
Uma vez que a suspeita clínica foi levantada, novas investigações são 
necessárias para a confirmação do quadro patológico e, em grande parte, 
elas são feitas por análise direta da população celular da medula óssea.
3. Avaliação da medula óssea
A análise da população celular da medula óssea pode ser realizada por 
dois procedimentos que, erroneamente, são tidos como sinônimos: o 
mielograma e a biópsia de medula óssea. Você sabe a diferença entre 
eles? Eles diferem no tipo de material coletado. Mielograma refere-se 
à coleta apenas de amostra líquida após punção óssea, ou seja, são 
34
isoladas apenas as populações celulares ali presentes. A biópsia de 
medula óssea é um procedimento mais delicado e, além da amostra 
de células, é retirado também um fragmento ósseo, para análise pelo 
profissional hematologista. Ambos os procedimentos são realizados em 
campo estéril, com anestesia local e rigorosos protocolos para evitar 
contaminação do paciente (Alves, 2009) e da amostra (Figura 1).
Figura 1 – Biópsia e aspiração de medula óssea para avaliação 
diagnóstica
Fonte: Shutterstock.com.
As amostras coletadas nestes procedimentos são analisadas para 
pesquisa de alterações na população de células-tronco hematopoiéticas 
pluripotentes. Para que esta análise seja feita, no momento da coleta, 
são realizados esfregaços secos em lâminas para microscopia, como 
ilustrado na Figura 1. Estas lâminas são coradas, e a população celular é 
analisada ao microscópio, com a finalidade de identificação de alterações 
nas populações celulares, para diagnóstico de desordens hematológicas 
e neoplasias sanguíneas. Este procedimento também pode ser realizado 
para monitoramento de quimioterapia e análise da viabilidade de 
amostras para transplante de medula óssea (Alves, 2009).
35
O Quadro 2 lista mais algumas indicações clínicas e algumas 
contraindicações para coleta de mielograma ou biópsia da medula óssea.
Quadro 2 – Indicações e contraindicações para citologia e histologia 
de medula óssea
Indicações Contraindicações
Investigação de anemia inexplicada e outras 
citopenias Trombocitopenia grave
Investigação de alterações morfológicas no 
sangue periférico sugestivas de alterações 
na hematopoiese
Deficiência de fatores da coagulação
Diagnóstico, monitoramento 
e estadiamento de doenças 
oncohematológicas
Infecção no local da punção
Investigação de suspeita de infiltração por 
células metastáticas
Uso de medicações antiagregantes 
plaquetárias
Investigação de lesões ósseas de etiologia 
desconhecida -
Exclusão de doenças hematológicas em 
potenciais doadores alogênicos de células 
hematopoiéticas
-
Fonte: elaborado pela autora.
3.1 Mielograma
O mielograma, ou exame de aspirado da medula óssea, é indicado 
apenas quando há forte suspeita clínica de desordens na produção, 
diferenciação e maturação das células-tronco hematopoiéticas, após 
detecção de alterações no hemograma. A coleta e análise deste material 
é importante para confirmar ou descartar o diagnóstico de citopenias, 
como anemias, leucopenias e trombocitopenias(Alencar et al., 2002). 
Além disso, até mesmo com maior relevância clínica, este procedimento 
possibilita o estadiamento de neoplasias sanguíneas e medulares.
A coleta de amostras para o mielograma é realizada em campo estéril, 
apenas com anestesia local, em ossos chatos do corpo humano. Na 
maioria das vezes, é coletada uma amostra da fossa supra ilíaca, mas 
36
também pode ser coletada do esterno ou de outro osso chato. Após 
higienização local, a área de coleta pode receber uma pequena incisão 
para facilitar a entrada da agulha de coleta, que deve penetrar no osso 
por movimentos rotacionais até que a agulha esteja fixada ao osso de 
forma bem firme. O mandril é removido e, em seu lugar, é acoplada 
a agulha contendo o anticoagulante EDTA. A coleta do aspirado de 
medula é feita por pressão negativa e, após a coleta, o material deve ser 
homogeneizado para não coagular. Após a seringa ser desconectada da 
agulha, o aspirado da medula é dispensado em uma placa de petri para 
avaliação do material coletado e realização do esfregaço sanguíneo. As 
lâminas são fixadas em metanol e coradas por Giemsa, Leishman ou 
outra coloração padrão do laboratório (Alencar et al., 2002).
3.2 Biópsia de medula óssea
A biópsia, ou histologia de medula óssea, é o procedimento que 
consiste na retirada de um fragmento do osso após punção para 
análises histopatológicas. Este procedimento é recomendado em 
suspeita de alterações medulares não confirmadas por coleta 
aspirativa e na avaliação do envolvimento neoplásico medular, como 
o estadiamento do linfoma. A análise de um fragmento ósseo também 
é ideal para determinar e identificar a presença de alterações do 
estroma medular, como mielofibrose, mieloma múltiplo, avaliação 
adequada da celularidade, anemia aplástica e acúmulo focal de células 
neoplásicas (Alencar et al., 2002).
Por se tratar de um fragmento ósseo que será submetido ao 
processamento histológico, após a coleta, a amostra deve ser 
armazenada em formaldeído 10% antes de seu processamento. 
É recomendável, ao coletar a amostra, realizar um esfregaço por 
rolamento, antes de incluí-la em formol, para avaliação comparativa 
da população celular. Dentre outras etapas, a preparação do material 
para análise histopatológica envolve a desidratação e a descalcificação 
37
cuidadosas do material. A preservação da população celular e de seu 
repertório antigênico será um diferencial nas análises microscópicas 
após a coloração e, se necessário, um possível exame imuno-
histoquímico (Alencar et al., 2002).
A análise laboratorial da medula óssea é importante não apenas para 
diagnóstico de doenças hematológicas mas também para realizar o 
estadiamento de neoplasias e monitorar quimioterapias específicas. A 
suspeita de desordens na hematopoiese pode, inicialmente, ser levantada 
após a identificação de alterações no hemograma, com a presença de 
células imaturas. Nestes casos, é recomendada a realização da aspiração de 
medula óssea para análise do mielograma, em que as populações celulares 
alteradas serão identificadas com maior precisão. Caso esta análise seja 
inconclusiva, realiza-se a biópsia de medula óssea, com coleta de um 
fragmento, que será submetido às análises imunogênica e histopatológica.
Referências
ALENCAR, N. X. de; kohayagawa, A.; CAMPOS, K. C. H. de; TAKAHIRA, R. K. 
Mielograma. Parte I: Indicações e Colheita do Material. Rev. Educ. Cont. em Med. 
Vet. e Zootec. do CMRV-SP, v. 5, n. 2, p. 157-163, 2002.
ALVES. A. C. Histologia da Medula Óssea. Rev. Bras. Hematol. Hemoter., v. 31, n. 3, 
p. 183-188, 2009.
HOFFBRAND, A. V.; MOSS, P. A. H. A. Fundamentos em Hematologia de 
Hoffbrand. 7. ed. Porto Alegre: Artmed, 2018.
ROSENFELD, R. Estudo histológico das partículas medulares obtidas por punção 
aspirativa de medula óssea e sua importância clínica. 2000. 71 f. Dissertação 
(Mestrado em Medicina de Urgência) – Universidade Federal de São Paulo, São 
Paulo, 2000.
SOSSELA, F. R.; ZOPPAS, B. C. A.; WEBER, L. P. Leucemia Mieloide Crônica: aspectos 
clínicos, diagnóstico e principais alterações observadas no hemograma. RBAC, v. 49, 
n. 2, p. 127-130, 2017.
VICARI, P.; QUEIROZ, V. C.; STHELL, V. M.; LOGUY, S. S.; LACERDA, K. M. S.; CABRAL, 
C. C.; TUKIK, S. Avaliação de Aspirado de Medula Óssea: Perfil de Exames Realizados 
em Laboratório de Grande Porte em São Paulo. Hematol. Transf. and Cell 
Teraphy, v. 43, n. 1, p. S420-S421, 2021.
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Interpretação clínica das 
alterações na hematopoiese
Autoria: Tatiane Marques
Leitura crítica: Janainna Grazielle Pacheco Olegário
Objetivos
• Identificar patologias hematológicas relacionadas a 
alterações na hematopoiese.
• Reconhecer o significado clínico de alterações 
no hemograma relativas às desordens na 
hematopoiese.
• Explicar alterações no mielograma e correlacioná-las 
a patologias que envolvam alterações na população 
celular da medula óssea.
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1. Patologias associadas a alterações na 
hematopoiese
Os distúrbios na hematopoiese podem ser fisiológicos, por exemplo, 
quando há aumento da demanda do organismo após um evento 
hemorrágico ou durante a fase de maior desenvolvimento da criança. 
Falhas no processo hematopoiético e acúmulo de mutações ao longo 
da vida também são comuns em indivíduos idosos. Há situações não 
fisiológicas em que falhas na diferenciação de uma única linhagem 
celular podem ter correlação com doenças genéticas transmitidas de 
geração em geração. Nestes casos, é comum a doença manifestar-se já 
ao nascimento, com alterações detectáveis no hemograma e citopenia 
persistente (Naoum; Naoum, 2015).
Por outro lado, distúrbios na hematopoiese podem ser adquiridos, ou 
seja, desenvolvem-se silenciosamente durante semanas, meses ou 
anos. Os sinais e sintomas se manifestam tardiamente, sinalizando 
a ocorrência de processos patológicos medulares, cursando com 
hipercelularidade ou hipocelularidade em uma ou mais linhagens 
de células. A exposição a radiações ionizantes e produtos químicos 
potencialmente tóxicos, como hidrocarbonetos derivados do petróleo 
e inseticidas organofosforados, podem induzir à ocorrência e seleção 
destas mutações e, consequentemente, favorecer o surgimento destes 
distúrbios (Silva; Nascimento, 2018).
A avaliação da função hematopoiética e da população celular na medula 
óssea pode ser feita, inicialmente, por um exame de hemograma, em 
busca de populações celulares imaturas e anomalias morfológicas. 
Uma vez que alterações clinicamente significativas sejam identificadas 
neste exame, o hematologista pode solicitar a coleta de uma amostra 
do aspirado de medula óssea e a avaliação por mielograma, para 
determinar alterações morfológicas e no percentual relativo de células. 
Em caso de resultados inconclusivos, pode, ainda, ser solicitada uma 
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biópsia de medula óssea, para investigação de neoplasias e infiltrados 
metastáticos (Ferreira; Ferreira, 2021).
A análise quantitativa realizada no mielograma refere-se à celularidade 
da medula óssea e resultará na classificação em normocelular, 
hipercelular ou hipocelular. Nesta avaliação, é estabelecida também a 
relação entre células mieloides (M) e células eritroides (E) para obtenção 
da relação M/E, que deve variar entre 2:1 e 4:1 em uma análise medular 
normal. O percentual de linfócitos deve concentrar-se próximo a 10% 
da população celular total, e são observadas também alterações na 
formação e fragmentação de megacariócitos. Achados incomuns, como 
a presença de microrganismos (bactérias, vírus, fungos e parasitos) 
e células sugestivas de neoplasias, devem ser relatados (Ferreira; 
Ferreira, 2021). Veja, no quadro a seguir, os valores de referência para o 
mielograma normal de um adulto.
Quadro 1 – População celular esperada em um mielograma normal 
no adulto
Célula Percentual Médio (%) Valor de Referência
Mieloblasto 3 0,5 – 5,5
Pró-mielócito 5 1,5 – 8,0
Mielócito Neutrófilo 12 4,5 – 18,0
Mielócito Eosinófilo 2 0,0 – 3,0
Mielócito Basófilo 0,5 0,0 – 1,0
Metamielócito Neutrófilo 27 12,0 – 42,0
MetamielócitoEosinófilo 2 0,5 – 3,5
Metamielócito Basófilo 0 0,0 – 0,1
Bastão Neutrófilo 24 15,0 – 33,0
Bastão Eosinófilo 1 0,0 – 2,0
Bastão Basófilo 0,2 0,0 – 0,5
Segmentado Neutrófilo 25 14,0 – 35,0
Segmentado Eosinófilo 4 1,0 – 7,0
Segmentado Basófilo 0,2 0,0 – 0,5
Linfócito 22 7,0 – 38,0
Monócito 3 0,0 – 5,0
Pró-Eritroblasto 3 0,0 – 6,0
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Célula Percentual Médio (%) Valor de Referência
Eritroblasto Basófilo 3 1,0 – 6,0
Eritroblasto Policromatófilo 15 5,0 – 26,0
Eritroblasto Acidófilo 11 2,0 – 21,0
Célula Reticular 1 0,0 – 2,0
Célula Plasmática 1 0,0 – 3,0
Megacariócito 0,5 0,0 – 1,0
Relação M/E 3/1 2/1 – 4/1
Mitoses Raras Raras
Fonte: elaborado pela autora.
O laudo liberado após a realização do mielograma e a análise detalhada 
da população celular na medula óssea direcionará para a triagem 
específica ou o descarte de um determinado diagnóstico. Neste laudo, 
devem constar a celularidade da amostra, o tipo celular predominante e 
as linhagens cujas alterações foram observadas.
2. Leucemias
Leucemia é um conjunto de patologias do sangue em que há distúrbios 
na hematopoiese, os quais resultam na proliferação descontrolada de 
um único tipo celular. Essa linhagem alterada surge em decorrência 
de mutações gênicas em células-tronco hematopoiéticas, que, por 
seleção clonal, se sobressaem em relação às células não alteradas 
e se multiplicam acentuadamente, podendo até mesmo perder sua 
capacidade de maturação (Dorfman et al., 2018).
As leucemias são doenças malignas, ou seja, são neoplasias 
hematológicas em que há predomínio de uma ou mais linhagens 
celulares alteradas que se multiplicam na medula óssea e migram, pela 
corrente sanguínea, para outros órgãos (fígado, rins e baço). Uma outra 
característica que contribui para o caráter de maior malignidade destas 
células é sua sobrevida aumentada em relação às células normais, 
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resultando em uma elevação sistemática da população celular no 
sangue periférico (Naoum; Naoum, 2015). Estas doenças classificam-se, 
em função de seu tempo de evolução, em leucemias agudas e crônicas, 
e em função da linhagem alterada, em linfoide e mieloide (Figura 1).
Figura 1 – Classificação das leucemias de acordo com seu tempo de 
evolução e linhagem celular alterada
Fonte: elaborada pela autora.
Observando o esquema da Figura 1, nota-se que as leucemias agudas 
ainda são divididas em alguns subtipos, conforme a população celular 
alterada, de modo que, na verdade, existem doze tipos de leucemia, 
classificados inicialmente como quatro tipos primários: Leucemia 
Mieloide Aguda (LMA) e seus subtipos, Leucemia Linfoide Aguda 
(LLA) e seus subtipos, Leucemia Mieloide Crônica (LMC) e Leucemia 
Linfoide Crônica (LLC).
As leucemias agudas recebem esta classificação pois progridem 
rapidamente, resultando em um rápido aumento de leucócitos na 
circulação periférica e acúmulo de blastos (células imaturas). São 
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doenças comuns em crianças e adultos jovens, que se agravam muito 
rapidamente, colocando o paciente em risco de morte, e há predomínio 
de medula hiperplásica. Ao exame de sangue periférico, encontram-se 
anemia normocítica e normocrômica, granulocitopenia e plaquetopenia 
(Dorfman et al., 2018). Sinais e sintomas sugestivos incluem febre 
e infecções recorrentes, púrpuras e hemorragias frequentes, 
esplenomegalia, linfadenopatia e leucostase (dores ósseas).
Leucemias crônicas são mais comuns em adultos a partir dos quarenta 
anos de idade, em idosos e em pessoas do sexo masculino. A seleção e 
a multiplicação desordenadas de células alteradas ocorrem como nas 
demais neoplasias, mas, neste caso, é mais lenta. A doença pode demorar 
meses ou anos para manifestar sinais e sintomas clínicos e, quando 
presentes, manifestam-se como inchaço nos linfonodos e infecções 
recorrentes por microrganismos oportunistas. Outros sinais sugestivos 
que podem ou não estar presentes incluem esplenomegalia discreta 
(LMC), adenopatia (LLC) e anemia. Não raro a doença pode progredir sem 
que haja alterações de células da série branca nos esfregaços sanguíneos. 
Muitas vezes, o diagnóstico destas patologias ocorre ao acaso, quando o 
paciente realiza exames de rotina (Dorfman et al., 2018).
A confirmação do distúrbio da hematopoiese é feita pelo mielograma ou 
pela biópsia da medula. No entanto, para melhor definição do diagnóstico 
e direcionar o correto manejo do paciente, é necessária a classificação da 
leucemia, a qual se faz com a análise citoquímica da população celular. 
Para isso, podem ser feitas provas citoquímicas com Ácido Periódico de 
Schiff (PAS), provas da Peroxidase, coloração com Sudan Black e marcador 
TdT (Terminal deoxinucleotidil transferase) em leucemias agudas. 
Finalmente, pode ser realizada a imunofenotipagem de marcadores de 
superfície celular por citometria de fluxo (Naoum; Naoum, 2015).
As leucemias crônicas podem ser confirmadas por dosagem de 
imunoglobulinas, através da técnica de eletroforese, e por cariotipagem, 
para pesquisa e detecção de translocações gênicas, como o cromossomo 
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Philadélfia (translocação t(9;22) (q34.1;q11.21)). O tratamento, em 
geral, é realizado por quimioterapia, para depleção da medula óssea e 
eliminação das células mutantes, e transplante de medula óssea doada 
por doador compatível (Dorfman et al., 2018).
3. Síndrome Mielodisplásica
Síndrome Mielodisplásica é um grupo heterogêneo de desordens 
da hematopoiese que, apesar de suas vastas manifestações clínicas 
e patológicas, apresentam um ponto em comum: trata-se de uma 
alteração que resulta em hematopoiese inefetiva, resultando em 
citopenia no sangue periférico e hipercelularidade medular. Esta 
patologia é mais comum em adultos, principalmente do sexo masculino, 
com idade entre 65 anos e 80 anos. Muito rara em crianças abaixo de 14 
anos, quando ocorre, é majoritariamente em portadores da Síndrome de 
Down (Maioli; Souza; 2012).
Assim como outras doenças relacionadas a defeitos na hematopoiese, a 
Síndrome Mielodisplásica é desencadeada pela seleção clonal de células-
tronco hematopoiéticas que sofreram mutações genéticas e alterações 
citogenéticas, sendo as adições e deleções de grandes segmentos 
cromossômicos as mais frequentes, por exemplo, -7, -5q ou -5, +8 e +20q 
(Maioli; Souza; 2012). Essas alterações cromossômicas resultam, além 
da hematopoiese ineficaz, no aumento da susceptibilidade à apoptose, 
resultando em citopenias, que são comuns na fase inicial da doença. No 
entanto, é preciso ressaltar que, além dos fatores genéticos, os fatores 
ambientais, como exposição a produtos químicos, radiações e algumas 
infecções virais, podem acelerar o desenvolvimento dessas patologias 
(Silva; Nascimento, 2018).
As síndromes mielodisplásicas são classificadas pela Organização 
Mundial de Saúde (OMS) através de critérios que avaliam as alterações 
morfológicas da população celular, os antígenos determinados por 
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imuno-histoquímica e as alterações citogenéticas. Os subtipos da 
doença são classificados segundo alguns achados no hemograma e no 
mielograma: linhagens displásicas medulares, citopenias periféricas, 
percentual de blastos, presença de sideroblastos em anel e pelas 
anomalias citogenéticas, principalmente a del(5q-). Silva e Nascimento 
(2018) ressaltam que, apesar de tantos critérios avaliados, alguns 
subtipos não se encaixam nas categorias já existentes, sendo incluídos 
na categoria dos subtipos inclassificáveis, ou idiopathic cytopenia of 
uncertain signficance (ICUS).
O diagnóstico e a classificação desta desordem não são fáceis, visto que 
as anomalias medulares e sanguíneas são muito variáveis e nem sempre 
os achados citogenéticos são claros. Deste modo, os hematologistas 
adotam alguns critérios para identificação e triagem diagnóstica desta 
síndrome (Silva; Nascimento, 2018), como descrito na Figura 2:
Figura 2 – Critérios para triagem, diagnóstico e classificação da 
Síndrome Mielodisplásica
Fonte: elaborada pela autora.
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A análise por citometria de fluxo, embora ainda não seja utilizadana 
rotina diagnóstica para a Síndrome Mielodisplásica, é uma técnica 
com grande potencial de aplicação. Apesar de ser considerada de alto 
custo e requerer equipamento e equipe técnica especializados, é um 
método altamente confiável para avaliações qualitativas e quantitativas 
da população de células hematopoiéticas. Em estudos multicêntricos 
já realizados, segundo Maioli e Souza (2012), a imunofenotipagem por 
esta técnica permitiu a identificação de anormalidades na medula óssea 
comumente observadas na Síndrome Mielodisplásica.
Uma doença tão complexa também não apresenta um esquema 
terapêutico muito simples, pois é preciso levar em conta o tipo de 
displasia apresentado, a idade e as condições clínicas do paciente e o 
prognóstico de evolução para LMA. Em sua vasta maioria, os pacientes 
são monitorados e tratados apenas para amenizar os sintomas da 
doença, melhorando sua qualidade de vida. Casos mais graves podem 
requerer transfusões sanguíneas recorrentes e a administração de 
drogas imunomoduladoras (alenalidomida), agentes estimuladores da 
eritropoetina (epoetina α ou dabepoetina), terapia imunossupressora 
com globulina antitimócitos, com ou sem ciclosporina. O transplante de 
células-tronco hematopoiéticas é recomendado apenas para pacientes 
com elevado risco de morte, pois pode haver complicações graves, 
como o risco de desenvolver a doença do enxerto versus hospedeiro ou 
anemias hemolíticas autoimunes (Silva; Nascimento, 2018).
As doenças relacionadas a alterações na hematopoiese são 
multifatoriais e, muitas vezes, até mesmo silenciosas, manifestando-se 
clinicamente quando já apresentam uma certa gravidade. É fato que 
as mutações genéticas e as alterações cromossômicas são essenciais 
para que os clones mutantes sejam preservados, mas, não raro, 
fatores ambientais atuam como plano de fundo para acelerar este 
processo. Saber interpretar e reconhecer as alterações no hemograma 
e no mielograma é essencial para a triagem e o correto diagnóstico 
das doenças hematológicas, principalmente para realizar a correta 
classificação necessária para a intervenção terapêutica.
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Referências
DORFMAN, L.; FLORIANI, M.; OLIVEIRA, T.; CUNEGATTO, B.; ROSA, R.; ZEN, P. The role 
of cytogenetics and molecular biology in the diagnosis, treatment and monitoring 
of patients with chronic myeloid leucemia. J. Bras. Patol. e Med. Lab., v. 54, n. 2, p. 
83-91, 2018.
FERREIRA, P. B.; FERREIRA, S. B. Patologias Hematológicas. Santa Maria: Arco 
Editores, 2021.
MAIOLI, M. C. P.; SOUZA, M. H. F. O. de. Síndromes Mielodisplásticas (SMD). Rev. 
Hosp. Univ. Pedro Ernesto., Rio de Janeiro, n. 11, p. 24-36, 2012.
NAOUM, F. A.; NAOUM, P. C. Hematologia Laboratorial–Leucócitos. 3. ed. São José 
do Rio Preto: Academia de Ciência e Tecnologia, 2015.
SILVA, E. B. da.; NASCIMENTO, J. A. O diagnóstico das síndromes mielodisplásicas: 
revisão da literatura. Rev. Bras. Anal. Clin., v. 50, n. 4, p. 315-320, 2018.
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	Sumário
	Apresentação da disciplina 
	Hematopoiese 
	Objetivos 
	1. Hematopoiese 
	2. Fases da hematopoiese 
	3. Linhagens celulares 
	Referências 
	Interpretação das alterações hematopoiéticas 
	Objetivos 
	1. Alterações da hematopoiese 
	2. Alterações na hematopoiese e doenças hematológicas medulares e periféricas 
	3. Alterações na hematopoiese e fatores ambientais 
	Referências 
	Análise laboratorial da hematopoiese 
	Objetivos 
	1. Avaliação laboratorial da hematopoiese 
	2. Avaliação do sangue periférico 
	3. Avaliação da medula óssea 
	Referências 
	Interpretação clínica das alterações na hematopoiese 
	Objetivos 
	1. Patologias associadas a alterações na hematopoiese 
	2. Leucemias 
	3. Síndrome Mielodisplásica 
	Referências

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