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161X
X LINGUAGEM, CÓDIGOS E SUAS TECNOLOGIASPORTUGUÊS
O discurso dos fi os naturais tem ganhado uma representação 
cada vez mais positiva, valorizando a volta dos cachos sem cair 
no estereótipo do “exótico”, muito comum no Brasil. O cabelo 
crespo, defi nitivamente, não é uma moda passageira. Torço que 
para Neymar também não seja.
Alexandra Loras é ex-consulesa da França em São Paulo, 
empresária, consultora de empresas e autora de livros.
LORAS, A. O craque crespo. http://diplomatique.org.br.
Considerando os procedimentos argumentativos presentes 
nesse texto, infere-se que o objetivo da autora é
A. valorizar a atitude do jogador ao aderir à moda dos cabelos 
crespos.
B. problematizar percepções identitárias sobre padrões de 
beleza.
C. apresentar as novas tendências da moda para os cabelos.
D. relatar sua experiência de redescoberta de suas origens.
E. evidenciar a infl uência dos ídolos sobre as crianças.
QUESTÃO 115 
(ENEM 2019 2º APLICAÇÃO)
As informações presentes na campanha contra o bullying 
evidenciam a intenção de
A. destacar as diferentes ofensas que ocorrem no ambiente 
escolar.
B. elencar os malefícios causados pelo bullying na vida de uma 
criança.
C. provocar uma refl exão sobre a violência física que acontece 
nas escolas.
D. denunciar a pouca atenção dada a crianças que sofrem 
bullying nas escolas.
E. alertar sobre a relação existente entre o bullying e 
determinadas brincadeiras.
QUESTÃO 116 
(ENEM 2019 2º APLICAÇÃO) As alegres meninas que passam na 
rua, com suas pastas escolares, às vezes com seus namorados. 
As alegres meninas que estão sempre rindo, comentando o 
besouro que entrou na classe e pousou no vestido da professora; 
essas meninas; essas coisas sem importância.
O uniforme as despersonaliza, mas o riso de cada uma as 
diferencia. Riem alto, riem musical, riem desafi nado, riem sem 
motivo; riem.
Hoje de manhã estavam sérias, era como se nunca mais voltassem 
a rir e falar coisas sem importância. Faltava uma delas. O jornal 
dera notícia do crime. O corpo da menina encontrado naquelas 
condições, em lugar ermo. A selvageria de um tempo que não 
deixa mais rir.
As alegres meninas, agora sérias, tornaram-se adultas de uma 
hora para outra; essas mulheres.
ANDRADE, C. D. Essas meninas. Contos plausíveis. Rio de Janeiro: José Olympio, 1985.
No texto, há recorrência do emprego do artigo “as” e do pronome 
“essas”. No último parágrafo, esse recurso linguístico contribui 
para
A. intensifi car a ideia do súbito amadurecimento. 
B. indicar a falta de identidade típica da adolescência. 
C. organizar a sequência temporal dos fatos narrados. 
D. complementar a descrição do acontecimento trágico.
E. expressar a banalidade dos assuntos tratados na escola.
X A U L A S
13
APOSTILAS: 01 RESUMOS + 107 QUESTÕES
CAIU NO ENEM: 47 | EXERCÍCIOS ONLINE: 30
1
INTERPRETAÇÃO 
DE TEXTO
1.3
VOZ AUTORAL, CRÍTICA 
E PERSPECTIVA DO 
EU-LÍRICO
QUESTÃO 01 
(ENEM 2009 1ª APLICAÇÃO) Serafi m da Silva Neto defendia 
a tese da unidade da língua portuguesa no Brasil, entrevendo 
que no Brasil as delimitações dialetais espaciais não eram tão 
marcadas como as isoglossas1 da România Antiga. Mas Paul 
Teyssier, na sua  História da Língua Portuguesa, reconhece que 
na diversidade socioletal essa pretensa unidade se desfaz. Diz 
Teyssier:
“A realidade, porém, é que as divisões dialetais’ no Brasil são 
menos geográfi cas que socioculturais. As diferenças na maneira 
de falar são maiores, num determinado lugar, entre um homem 
culto e o vizinho analfabeto que entre dois brasileiros do mesmo 
nível cultural originários de duas regiões distantes uma da outra.”
SILVA, R. V. M. O português brasileiro e o português europeucontemporâneo: alguns 
aspectos da diferença. www.uniroma.it. 1 isoglossa – linha imaginária que, em um mapa, 
une os pontos de ocorrência de traços e fenômenos linguísticos idênticos.
FERREIRA, A. B. H. Novo dicionário Aurélio da língua portuguesa.Nova Fronteira, 1986.
De acordo com as informações presentes no texto, os pontos de 
vista de Serafi m da Silva Neto e de Paul Teyssier convergem em 
relação:
A. à existência de delimitações dialetais geográfi cas pouco 
marcadas no Brasil, embora cada um enfatize aspectos 
diferentes da questão.
B. à infl uência dos aspectos socioculturais nas diferenças dos 
falares entre indivíduos, pois ambos consideram que pessoas 
de mesmo nível sociocultural falam de forma semelhante.
C. à diversidade da língua portuguesa na România Antiga, que 
até hoje continua a existir, manifestando-se nas variantes 
linguísticas do português atual no Brasil.
D. à variação sociocultural entre brasileiros de diferentes 
regiões, pois ambos consideram o fator sociocultural de 
bastante peso na constituição das variedades linguísticas no 
Brasil.
E. à delimitação dialetal no Brasil assemelhar-se ao que ocorria 
na România Antiga, pois ambos consideram a variação 
linguística no Brasil como decorrente de aspectos geográfi cos.
Importante: Esse arquivo digital pertence ao CPF: 706.034.921-93.
Proibida a reprodução e o compartilhamento
162 X
X LINGUAGEM, CÓDIGOS E SUAS TECNOLOGIASPORTUGUÊS
QUESTÃO 02 
(ENEM 2011 1ª APLICAÇÃO) A discussão sobre “o fim do livro de 
papel” com a chegada da mídia eletrônica me lembra a discussão 
idêntica sobre a obsolescência do folheto de cordel. Os folhetos 
talvez não existam mais daqui a 100 ou 200 anos, mas, mesmo 
que isso aconteça, os poemas de Leandro Gomes de Barros ou 
Manuel Camilo dos Santos continuarão sendo publicados e lidos 
- em CD-ROM, em livro eletrônico, em “chips quânticos”, sei lá o 
quê.
O texto é uma espécie de alma imortal, capaz de reencarnar 
em corpos variados: página impressa, livro em Braille, folheto, 
coffee-table book , cópia manuscrita, arquivo PDF... Qualquer 
texto pode se reencarnar nesse (e em outros) formatos, não 
importa se é Moby Dick ou Viagem a São Saruê, se é Macbeth ou O 
livro de piadas de Casseta& Planeta.
TAVARES, B. Disponível em: http://jornaldaparaiba.globo.com.
Ao refletir sobre a possível extinção do livro impresso e o 
surgimento de outros suportes em via eletrônica, o cronista 
manifesta seu ponto de vista, defendendo que:
A. os textos continuarão vivos e passíveis de reprodução em 
novas tecnologias, mesmo que os livros desapareçam.
B. o livro impresso permanecerá como objeto cultural veiculador 
de impressões e de valores culturais.
C. o surgimento da mídia eletrônica decretou o fim do prazer de 
se ler textos em livros e suportes impressos.
D. o cordel é um dos gêneros textuais, por exemplo, que será 
extinto com o avanço da tecnologia.
E. os livros impressos desaparecerão e, com eles, a possibilidade 
de ser ler obras literárias dos mais diversos gêneros.
QUESTÃO 03 
(ENEM 2011 1ª APLICAÇÃO) No Brasil, a condição da cidadã, 
embora dependa da leitura e da escrita, não se basta pela 
enunciação do direito, nem pelo domínio desses instrumentos, o 
que, sem dúvida, viabiliza melhor participação social. A condição 
cidadã depende, seguramente, da ruptura com o ciclo da pobreza, 
que penalizada um largo contigente populacional.
Formação de leitores e construção da cidadania, memória e presença do PROLER. FBN. 
Ao argumento de que a aquisição das habilidades de leitura e 
escrita não são suficientes para garantir o exercício da cidadania, 
o autor:
A. fala sobre o domínio da leitura e da escrita no Brasil.
B. critica os processos de aquisição da leitura e da escrita.
C. define instrumentos eficazes para elevar a condição social da 
população do Brasil.
D. faz uma avaliação crítica a respeito da condição cidadã do 
brasileiro.
E. incentiva a participação efetiva na vida da comunidade.
QUESTÃO 04 
(ENEM 2011 2ª APLICAÇÃO) — Adiante... Adiante... Não pares... 
Eu vejo. Canaã! Canaã!
Mas o horizonte da planície se estendia pelo seio da noite e se 
confundia com os céus.
Milkau não sabia para onde o impulso os levava: era o 
desconhecido que os atraía com a poderosa e magnética força da 
Ilusão. Começavaa sentir a angustiada sensação de uma corrida 
no Infinito...
— Canaã! Canaã!... suplicava ele em pensamento, pedindo à noite 
que lhe revelasse a estrada da Promissão.
E tudo era silêncio, e mistério... Corriam... corriam. E o mundo 
parecia sem fim, e a terra do Amor mergulhada, sumida na névoa 
incomensurável... E Milkau, num sofrimento devorador, ia vendo 
que tudo era o mesmo; horas e horas, fatigados de voar, e nada 
variava, e nada lhe aparecia... Corriam... corriam...
ARANHA, G. Canaã. São Paulo: Ática, 1998 (fragmento).
O sonho da terra prometida revela-se como valor humano que 
faz parte do imaginário literário brasileiro desde a chegada dos 
portugueses. Ao descrever a situação final das personagens 
Milkau e Maria, Graça Aranha resgata esse desejo por meio de 
uma perspectiva:
A. subjetiva, pois valoriza a visão exótica da pátria brasileira.
B. idealizada, pois relata o sonho de uma pátria acolhedora de 
todos.
C. crítica, pois retrata o desespero de quem não alcançou sua 
terra.
D. realista, pois traz dados de uma terra geograficamente 
situada.
E. simbólica, pois descreve o amor de um estrangeiro pelo Brasil.
QUESTÃO 05 
(ENEM 2012 1ª APLICAÇÃO) O sedutor médio
Vamos juntar
Nossas rendas e 
expectativas de vida 
querida, 
o que me dizes? 
Ter 2, 3 filhos 
e ser meio felizes?
VERISSIMO, L. F. Poesia numa hora dessas? Rio de Janeiro: Objetiva, 2002.
No poema O sedutor médio, é possível reconhecer a presença de 
posições críticas:
A. nos dois primeiros versos, em que “juntar rendas” indica que o 
sujeito poético passa por dificuldades financeiras e almeja os 
rendimentos da mulher.
B. no título, em que o adjetivo “médio” qualifica o sujeito poético 
como desinteressante ao sexo oposto e inábil em termos de 
conquistas amorosas.
C. nos três primeiros versos, em que “juntar expectativas de 
vida” significa que, juntos, os cônjuges poderiam viver mais, o 
que faz do casamento uma convenção benéfica.
D. no verso “e ser meio felizes?”, em que “meio” é sinônimo de 
metade, ou seja, no casamento, apenas um dos cônjuges se 
sentiria realizado.
E. na mensagem veiculada pelo poema, em que os valores da 
sociedade são ironizados, o que é acentuado pelo uso do 
adjetivo “médio” no título e do advérbio “meio” no verso final.
QUESTÃO 06 
(ENEM 2012 2ª APLICAÇÃO) “Eu quero ter um milhão de amigos” 
é o famoso verso da linda canção Eu quero apenas, de Roberto 
Carlos. Adaptado aos nossos tempos, o verso representa o anseio 
que está na base do atual sucesso das redes sociais. Desdeque 
Orkut, Facebook, MySpace, Twitter, LinkedIne outros estão entre 
nós, precisamos mais do que nunca ficar atentos ao sentido das 
nossas relações. Sentido que é alterado pelos meios a partir dos 
quais são promovidas essas mesmas relações.
163X
X LINGUAGEM, CÓDIGOS E SUAS TECNOLOGIASPORTUGUÊS
O fato é que as redes brincam com a promessa que estava contida 
na música do Rei apenas como metáfora. O que a canção põe em 
cena é da ordem do desejo cuja característica é ser oceânico e 
inespecífico. Desejar é desejar tudo, é mais que querer. Mas 
quem participa de uma rede social ultrapassa o limite do desejo 
e entra na esfera da potencialidade de uma realização que vem 
tornar problemática a relação entre o real e o imaginário.
TIBURI, M. Complexo de Roberto Carlos. In: Revista Cult,São Paulo: Bregantini, n. 154.
O verso da canção de Roberto Carlos é usado no artigo para 
explicar o sucesso mundial das redes sociais.
Para a autora, essas redes são eficazes, pois:
A. resolvem os problemas de solidão vivida pelos internautas.
B. ajudam na preservação de sentimentos básicos da pessoa 
humana.
C. confirmam os significados atribuídos a relacionamentos 
iniciados no mundo real.
D. promovem a idealização exacerbada de vontades individuais.
E. favorecem as relações interpessoais baseadas em vínculos 
afetivos fortes.
QUESTÃO 07 
(ENEM 2012 2ª APLICAÇÃO) Todo bom escritor tem o seu 
instante de graça, possui a sua obra-prima, aquela que congrega 
numa estrutura perfeita os seus dons mais pessoais. Para Dias 
Gomes essa hora de inspiração veio-lhe no dia que escreveu  O 
pagador de promessas. Em torno de Zé-do-Burro — herói ideal, por 
unir o máximo de caráter ao mínimo de inteligência, naquela zona 
fronteiriça entre o idiota e o santo — o enredo espalha a malícia e 
a maldade de uma capital como Salvador, mitificada pela música 
popular e pela literatura, na qual o explorador de mulheres se 
chama inevitavelmente Bonitão, o poeta popular, Dedé Cospe-
Rima, e o mestre de capoeira, Manuelzinho Sua Mãe. O colorido 
do quadro contrasta fortemente com a simplicidade da ação, 
que caminha numa linha reta da chegada de Zé-do-Burro à sua 
entrada trágica e triunfal na igreja — não sob a cruz, conforme 
prometera, mas sobre ela, carregado pelos capoeiras, “como um 
crucifixado”.
PRADO, D. A. O teatro brasileiro moderno. São Paulo: Perspectiva, 2008 (fragmento).
A avaliação crítica de Décio de Almeida Prado destaca as 
qualidades de O pagador de promessas.
Com base nas ideias defendidas por ele, uma boa obra teatral 
deve:
A. romper com a estrutura clássica da encenação.
B. valorizar a cultura local como base da estrutura estética.
C. dialogar a tradição local com elementos universais.
D. ressaltar o lugar do oprimido por uma forma religiosa.
E. reproduzir abordagens trágicas e pessimistas.
QUESTÃO 08 
(ENEM 2013 1ª APLICAÇÃO) Olá! Negro
Os netos de teus mulatos e de teus cafuzos
e a quarta e a quinta gerações de teu sangue sofredor
tentarão apagar a tua cor!
E as gerações dessas gerações quando apagarem
a tua tatuagem execranda,
não apagarão de suas almas, a tua alma, negro!
Pai-João, Mãe-negra, Fulô, Zumbi,
negro-fujão, negro cativo, negro rebelde
negro cabinda, negro congo, negro ioruba,
negro que foste para o algodão de USA
para os canaviais do Brasil,
para o tronco, para o colar de ferro, para a canga
de todos os senhores do mundo;
eu melhor compreendo agora os teus blues
nesta hora triste da raça branca, negro!
Olá, Negro! Olá, Negro!
A raça que te enforca, enforca-se de tédio, negro!
LIMA, J. Obras completas. Rio de Janeiro: Aguilar, 1958 (fragmento).
 
O conflito de gerações e de grupos étnicos reproduz, na visão do 
eu lírico, um contexto social assinalado por:
A. antagonismo entre grupos de trabalhadores e lacunas de 
hereditariedade.
B. modernização dos modos de produção e consequente 
enriquecimento dos brancos.
C. nivelamento social de descendentes de escravos e de senhores 
pela condição de pobreza.
D. preservação da memória ancestral e resistência negra à apatia 
cultural dos brancos.
E. superação dos costumes antigos por meio da incorporação de 
valores dos colonizados.
QUESTÃO 09 
(ENEM 2013 1ª APLICAÇÃO) Mal secreto
Se a cólera que espuma, a dor que mora
N’alma, e destrói cada ilusão que nasce,
Tudo o que punge, tudo o que devora
O coração, no rosto se estampasse;
Se se pudesse, o espírito que chora,
Ver através da máscara da face,
Quanta gente, talvez, que inveja agora
Nos causa, então piedade nos causasse!
Quanta gente que ri, talvez, consigo
Guarda um atroz, recôndito inimigo,
Como invisível chaga cancerosa!
Quanta gente que ri, talvez existe,
Cuja ventura única consiste
Em parecer aos outros venturosa!
CORREIA, R. In: PATRIOTA, M. Para compreender Raimundo Correia. Brasília: Alhambra.
 
Coerente com a proposta parnasiana de cuidado formal e 
racionalidade na condução temática, o soneto de Raimundo 
Correia reflete sobre a forma como as emoções do indivíduo são 
julgadas em sociedade.
Na concepção do eu lírico, esse julgamento revela que:
A. o sofrimento íntimo torna-se mais ameno quando 
compartilhado por um grupo social.
B. a capacidade de perdoar e aceitar as diferenças neutraliza o 
sentimento de inveja.
C. a necessidade de ser socialmente aceito leva o indivíduo a agir 
de forma dissimulada.
D. a transfiguração da angústia em alegria é um artifício nocivo 
ao convívio social.
E. o instinto de solidariedade conduz o indivíduo a apiedar-se do 
próximo.QUESTÃO 10 
(ENEM 2013 2ª APLICAÇÃO) Meu povo, meu poema
Meu povo e meu poema crescem juntos
Como cresce no fruto
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