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Introdução O que é o número? Como distinguimos um de muitos ou, por exemplo, o número dois do três? Um corvo, perturbado por quatro homens com armas de fogo indo esconder-se debaixo de sua árvore, voará para longe e cuidadosamen te os contará à distância, antes de retomar a salvo para o ninho, enquanto eles voltam para casa novamente, um por um, cansados e famintos. Mas e se fossem cinco homens? Os corvos perdem a conta no número cinco. Todos nós sabemos certas coisas sobre determinados números: que seis cír culos cabem em torno de um; que há sete notas em uma escala musical; que contamos em dezenas,- que três pernas fazem um banquinho ou cinco péta las formam uma flor. Algumas dessas descobertas elementares são realmente as primeiras verdades universais com que deparamos, tão simples que nos es quecemos delas. Crianças em planetas distantes estão provavelmente tendo as mesmas experiências com essas quantidades elementares. A ciência do número, e seu estudo, é das mais antigas na Terra, com sua ori gem perdida nas brumas do tempo. Culturas primitivas inscreviam números em cerâmica, em padrões de tecelagem, em ossos entalhados, em nós e monumen tos de pedra, e associavam números aos seus deuses. Sistemas posteriores inte graram os mistérios sob o mágico Quadrivium medieval da aritmética, geometria, música e astronomia - as quatro artes liberais necessárias para uma verdadeira compreensão das qualidades do número. Toda ciência tem sua origem na magia,1 e, nas escolas antigas, não havia ma gos sem conhecimento sobre o poder dos números. Nos dias atuais, a ciência do número sagrado foi usurpada por uma maré de números quantitativos, não previstos nestas páginas. O Livro I do Quadri vium é um guia para iniciantes sobre a aritmologia2 mística, uma pequena tentativa de desvendar alguns dos muitos segredos e qualidades essenciais do número contido na Unidade. Livro I -13 A MONADA Uma unidade Unidade. O Uno. Deus. O Grande Espírito. Espelho de maravilhas. A eter nidade imóvel. Permanência. Há incontáveis nomes para descrevê-lo. De acordo com certa perspectiva, não se pode realmente falar do Uno, por que falar dele é tomá-lo um objeto, o que implica estar separado dele, deturpan do, assim, a essência da unidade desde o princípio - que é um enigma misterioso. O Uno é o limite de todas as coisas: o primeiro antes do princípio e o último depois do fim,* alfa e ômega; o molde que dá forma a todas as coisas e a única coisa formada por todos os moldes,- a origem a partir da qual o universo emerge,- é o próprio universo e o centro para o qual este retorna. É ponto, semente e destino. O Uno ecoa em todas as coisas e trata a todos da mesma forma. Sua estabilida de entre os números é sem igual, permanecendo ele mesmo quando multiplicado ou dividido por si mesmo,- e a unidade de qualquer coisa é unicamente aquela coisa. O Uno é, por si só, um todo, e não pode existir nada que o descreva. Todas as coisas estão imersas no oceano sem fim da Unidade. A qualidade da unidade a tudo permeia, e, enquanto não há nada sem ela, também não há nada dentro dela - como ocorre até com uma comunicação ou uma ideia que necessita de partes que se relacionem entre si. Como a luz do sol ou a chuva suave, o Uno é incondicional em seu amor, mas sua majestade e mistério per manecem velados e fora do alcance da compreensão, pois somente o Uno pode compreender-se a si mesmo. O Uno é, por si só, um todo, e não pode existir nada que o descreva. O Uno é simultaneamente círculo, centro e o mais puro som.