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Agência de inteligência Prof. Reinaldo Brito Descrição Você vai entender o funcionamento das agências de inteligência, sua estrutura e regulamentação, além de sua importância na produção de conhecimentos que visam fomentar a tomada de decisões. Propósito O entendimento acerca do funcionamento e da estrutura das agências de inteligência é uma competência de suma importância para os profissionais que irão atuar na investigação forense, uma vez que dados coletados por esses profissionais constituem uma importante fonte de produção de conhecimento por parte desses órgãos. Objetivos Módulo 1 Ciclo de produção de conhecimento Analisar o ciclo de produção de conhecimento, as etapas envolvidas no processo, os tipos de documentos e a classificação do grau de sigilo. Módulo 2 Criando uma agência de inteligência Reconhecer a estrutura das agências e sua regulamentação. Introdução As agências de inteligência são, geralmente, órgãos governamentais, que tratam principalmente da produção de conhecimento e do processamento de informações, visando à prevenção contra ameaças à segurança do país bem como à manutenção do Estado Democrático de Direito. A atividade de inteligência remete a períodos bem anteriores, quando sequer existia o conceito moderno de Estado. Grandes lideranças — como Alexandre, o Grande (356 AEC - 323 AEC), e Gengis Khan (1162-1227) — ficaram conhecidas por utilizar informações de espionagem para salvaguardar o interesse de seus impérios. Foi no período entreguerras (1918 a 1939) que a atividade de inteligência vivenciou seu auge, favorecendo posteriormente a criação das principais agências de inteligência do mundo, como a Agência Central de Inteligência (CIA), nos Estados Unidos, e o Comitê de Segurança do Estado da URSS (KGB), na antiga União Soviética. No Brasil, o Serviço Federal de Informação e Contrainformação (SFICI) foi o primeiro órgão oficial de inteligência criado especificamente para esse fim. Idealizado em 1946, pelo presidente Eurico Gaspar Dutra, foi efetivado somente em 1956, pelo presidente Juscelino Kubitschek. No período da ditadura militar, o SFICI foi substituído pelo Serviço Nacional de Informações (SNI), no governo Castelo Branco. Posteriormente, em 1990, foi criada a Secretaria de Assuntos Estratégicos, pelo presidente Fernando Collor de Mello, mas logo foi extinta, em 1992, dando lugar à Subsecretaria de Inteligência, quando, finalmente, em 1999, foi criado o Sistema Brasileiro de Inteligência (Sisbin), pela Lei nº 9.883, de 7 de dezembro de 1999 — agência que permanece até a atualidade e cuja estrutura será objeto de estudo. 356 AEC - 323 AEC O uso das siglas AEC (antes da Era Comum) e EC (Era Comum) tem como objetivo uma escrita inclusiva, sem distinção de crença ou cultura. São equivalentes aos termos antes de Cristo (a.C.) e depois de Cristo (d.C.). Material para download Clique no botão abaixo para fazer o download do conteúdo completo em formato PDF. Download material javascript:CriaPDF() 1 - Ciclo de produção de conhecimento Ao �nal deste módulo, você será capaz de analisar o ciclo de produção de conhecimento, as etapas envolvidas no processo, os tipos de documentos e a classi�cação do grau de sigilo. O que é a produção de conhecimento? Neste vídeo, você saberá o que é o ciclo de produção de conhecimento, os significados de inteligência, investigação e verdade. A produção de conhecimento nada mais é do que o processamento de dados obtidos por agentes de inteligência fazendo uso de determinada metodologia. Ao final desse processo, é elaborado um documento no qual o profissional expõe a relevância e os impactos da informação, além de previsões, visando subsidiar o ato decisório de autoridades. Nesse primeiro momento, é importante que criemos familiaridade com alguns termos utilizados durante todo esse procedimento, para que, com isso, possamos adentrar o ciclo de produção de conhecimento. Vamos dedicar um tempo à compreensão de alguns conceitos que seguem. Inteligência e investigação Apesar de similares, os conceitos de inteligência e investigação não se confundem. Tais atividades possuem diferentes finalidades: enquanto a primeira visa produzir conhecimento por meio de metodologia própria, objetivando a fomentação de decisões, a segunda se ocupa, em geral, de atribuir autoria e materialidade de infração penal ou administrativa para posterior julgamento da autoridade competente. Confira a tabela a seguir para entender e comparar melhor! Administrativa Modalidade de investigação no âmbito da administração pública chamada sindicância investigativa, um procedimento pré-processual que objetiva investigar falta disciplinar praticada por servidor ou empregado público. Atividades Pressupostos Meios Fin Inteligência Demanda de informações Metodologia própria Proce decis Investigação Infração penal/ administrativa Diligências Processo adminis Tabela: Atividades, pressupostos, meios e fins. Reinaldo Brito Signi�cado da verdade Outra diferenciação importante entre as atividades de inteligência e investigação é o conceito de verdade. Vamos entendê-la a partir de duas perspectivas distintas! Ao término de sua análise, o agente de inteligência elaborará um documento no qual há uma síntese de sua convicção acerca dos dados coletados, e o conhecimento produzido poderá ser tomado como verdade por quem irá tomar decisões, ou seja, a verdade na atividade de inteligência é a perfeita adequação entre o conteúdo do pensamento com o fato. Verdade na atividade de inteligência Exemplo: Um agente de inteligência reúne dados acerca de uma organização terrorista que pretende cometer um atentado contra uma sede do governo. Acontece que, durante a produção do conhecimento, a rede da agência é atacada por hackers e são perdidos os dados referentes a esse ato. Ainda assim, pode o analista emitir seu relatório e encaminhá-lo a autoridade competente para a adoção de medidas. No trabalho de investigação, seja no âmbito penal ou no administrativo, o conteúdo do relatório só pode ser considerado verdade quando for possível prová-lo por meios admitidos no direito. Em outras palavras, o agente só pode alegar aquilo que pode provar por meios legais, ainda que tenha a plena convicção do fato. Dessa forma, a autoridade julgadora só ficará restrita a considerar verdade aquilo que o conteúdo probatório fornece. A verdade, na atividade de investigação, é o que mostra as provas. Exemplo: Um perito criminal constata a presença de material genético do suspeito de um estupro nas vestes da vítima. Após realizar o exame de DNA, acaba, por descuido, deixando o material perecer e perde a prova antes da emissão do laudo. Mesmo tendo a íntima convicção do resultado de sua perícia, deve emitir um laudo inconclusivo por falta de conteúdo probatório. Dado e conhecimento Outra diferenciação importante que devemos fazer é entre os conceitos de dado e conhecimento. Entenda como a doutrina os separa! Dado É a informação bruta acerca do fato, ou seja, ainda não processada pelo analista. São exemplos: fotografias, gravações, relatos e documentos, entre outros. Ademais, quando os dados possuem algum tipo de restrição de acesso, podemos classificá-los da seguinte forma, acompanhe! Dado protegido Aquele que requer permissão ou credenciamento para ser acessado. Verdade na investigação Dado negado Aquele que necessita de alguma técnica ou ação de busca para ser conhecido. Quando o dado não possui restrições de acesso, simplesmente dizemos que ele é um dado de livre acesso e sua obtenção é feita por meio de coleta. Conhecimento É o relatório emitido pelo agente de inteligência após o processamento dos dados. Pode ser expresso de forma escrita ou oral. A informação é um tipo de conhecimento que estudaremos mais adiante. Classi�cação das fontes de dados As fontes de dados de uma agência de inteligência podem ser pessoas, instituições, documentos etc. Quantoà classificação de sua natureza, a doutrina preconiza que podem ser da seguinte forma, confira! Fontes abertas Quando possuem dados de livre acesso. Fontes fechadas Quando detêm dados protegidos ou negados. Meios de obtenção de dados A extração dos dados de determinada fonte pode ser feita de diversas maneiras, mas podemos classificá-las basicamente de duas formas, entenda quais! Inteligência humana Quando os meios utilizados são habilidades humanas, como interrogatórios, espionagem etc. Inteligência eletrônica Quando é feito o uso de recursos tecnológicos, como sistemas informatizados, softwares, inteligência artificial etc. Cognição na produção de conhecimento Neste vídeo, você compreenderá o papel da cognição na produção de conhecimento, os estados da mente perante a verdade e os processos intelectuais. Sabemos que o dado, após ser processado, torna-se um conhecimento que pode ser encarado como verdade pelo tomador de decisão. Entretanto, o trabalho de inteligência, como qualquer outro, está suscetível a equívocos, que podem ocorrer no todo ou em parte. Em face disso, o que dizer a respeito desse conhecimento produzido? É isso que veremos a partir de agora. Vamos nos aprofundar no conceito de verdade, identificar os estágios da mente perante ela e discutir os processos intelectuais para sua obtenção. Verdade como contrária ao erro A verdade, na atividade de inteligência, pode ser definida como a perfeita adequação entre o conteúdo do pensamento com o fato. Entretanto, nem sempre a concordância entre esses fatores é perfeita, gerando um conhecimento equivocado acerca de determinado assunto. Nesse caso, dizemos que tal conhecimento é errôneo, pois, para a atividade de inteligência, o contrário da verdade é o erro e não a mentira. Logicamente a busca da verdade é um dos principais objetivos da atividade de inteligência, portanto, o profissional desse setor deve zelar com primazia para que, durante o ciclo de produção de conhecimento, os dados sejam bem interpretados e o resultado de seu relatório corresponda à realidade. Estados da mente perante a verdade O nível da relação entre o conteúdo do pensamento com o fato pode ser autoavaliado pelo analista, ou seja, o agente de inteligência, ao analisar essa concordância, pode estabelecer o que chamamos de estados da mente perante a verdade. Nessa situação, a mente pode se encontrar em quatro estados, confira! Estado que consiste na total adequação entre a projeção mental do indivíduo acerca de um fato ou situação e a respectiva realidade. Estado em que a mente define uma interpretação, mas reconhece que existe a possibilidade de um equívoco. Nesse estado, é fundamental a expressão por meio de indicadores probabilísticos. Estado mental de equilíbrio, no qual a mente encontra, igualmente, razões para aceitar e rejeitar a própria interpretação do fato. Certeza Opinião Dúvida Estado no qual há o reconhecimento da ausência de qualquer pensamento sobre determinado objeto. É importante notarmos que a produção de conhecimento se torna inviável apenas no estado mental de ignorância, pois, apesar de o estado de certeza ser a grande aspiração nesse quesito, os conhecimentos produzidos nos estados de opinião e dúvida, ressalvadas suas limitações, são igualmente capazes subsidiar atos decisórios. Vale ressaltar que a classificação do estado mental é algo intrínseco ao profissional que produz o conhecimento e leva em consideração, entre outras coisas, as suas experiências prévias. De acordo com a percepção de Rosito (2006), entenda! Numa visão fenomenológica da Metodologia de Produção de Conhecimentos, os chamados estados da mente perante a verdade podem ser descritos como o tipo de experiência vivida pelo analista de Inteligência no contato com o fenômeno acompanhado. Assim sendo, os fatos analisados não podem ser dissociados daquele que produz o conhecimento. Quando a mente posiciona-se perante a verdade, o que de fato ocorre é um processo ativo de autorregulação entre uma pessoa, seus conhecimentos pré-existentes (a priori) e um novo fato que se apresenta. O quanto essa pessoa conhece o que já viveu, o que sente, e o vocabulário de que dispõe, estão entre as variáveis inerentes ao processo de produção de um Conhecimento acerca desse novo fato. O Relatório de Inteligência traz consigo o dado, agregando a este as experiências distintas do observador (a fonte, o agente operacional) e do analista, transferindo-as para o processo decisório do usuário final. Ignorância (Rosito, 2006, p. 24) A compreensão dos estados mentais durante o ciclo de produção de conhecimento bem como a sua relação com o analista que o produz são primordiais para uma avaliação das técnicas utilizadas, além de serem determinantes para a classificação dos tipos de conhecimento. Processos intelectuais Veremos agora outras classificações importantes que surgem no ciclo de produção de conhecimento. O profissional de inteligência, durante a produção de seu relatório, realiza alguns processos intelectuais preconizados pela doutrina, veja como! Ideia É simplesmente a concepção mental de determinado objeto, sem qualificá-lo. Juízo Ocorre quando o analista realiza a comparação entre as ideias, estabelecendo relações entre elas. Raciocínio Ocorre quando, a partir de dois ou mais juízos, o indivíduo elabora outro, por decorrência lógica. Processamento e produção Neste vídeo, você saberá os tipos de conhecimento e as diferentes metodologias para a sua produção. Neste momento, estamos aptos a compreender efetivamente o ciclo de produção de conhecimento e a analisar todo o mecanismo envolvido nesse importante processo. Tipos de conhecimento O conhecimento pode ser produzido nos estados mentais de certeza, opinião e dúvida, sendo apenas impossível a sua concepção no estado de ignorância, pois, nessa situação, o analista não detém qualquer conteúdo mental acerca do fato ou situação. Para classificar os diferentes tipos de conhecimento, temos que levar em consideração os seguintes fatores, veja! O estado mental de sua produção (certeza, opinião e dúvida). Os processos intelectuais envolvidos (ideia, juízo e raciocínio). Se o trabalho faz análise de fatos ou situações do passado, presente ou futuro. Considerando esses fatores, podemos classificar os conhecimentos em quatro tipos distintos, entenda! É obtido quando o profissional de inteligência se encontra no estado mental de certeza ou opinião e formula um juízo acerca de determinado fato ou situação passado(a) ou presente. O informe é uma narração de um fato ou situação e não faz nenhuma interpretação ou projeção sobre o futuro. Resulta do raciocínio do analista que se encontra no estado de certeza perante a verdade que envolve fato ou situação passado(a) ou presente. Informe Informação É mais que uma simples narração, contendo a interpretação do profissional acerca dos fatos ou situações. Resulta do raciocínio elaborado pelo profissional que expressa o estado de opinião frente à verdade sobre fato ou situação passado(a) ou presente. Como a informação, a apreciação também contém a interpretação do analista, embora seja feita por meio de estimativas em concordância com o estado de opinião. Resulta do raciocínio do profissional de inteligência que se encontra no estado mental de opinião frente à verdade sobre o desdobramento futuro de um fato ou de uma situação. Por tratar do futuro, a estimativa tem natureza probabilística. Logo, só faz sentido a produção desse conhecimento no estado mental de opinião. Metodologia de produção de conhecimento Para melhor compreender o ciclo de produção de conhecimento, uma pergunta faz-se necessária: Quando o conhecimento é produzido? O conhecimento é produzido pela agência de inteligência nas seguintes situações, veja! Em decorrência de um plano de inteligência Quando a agência possui um plano com metas estabelecidas, entre elas, aprodução do conhecimento. Em atendimento a uma solicitação Apreciação Estimativa Quando a agência recebe uma solicitação de outro órgão ou autoridade. Iniciativa própria Quando a agência, nos limites de sua autonomia, decide produzir determinado conhecimento que julga importante para a tomada de decisão. Ciclo de produção de conhecimento Trata-se de um processo contínuo e sequencial composto por quatro etapas: planejamento, reunião de dados, processamento e utilização. Agora, vamos nos aprofundar em cada uma dessas etapas, acompanhe! Planejamento Fase em que o agente de inteligência esquematiza o trabalho que será realizado, confira alguns exemplos! Reunião de dados Momento no qual ocorre a obtenção dos dados essenciais para a produção do conhecimento. Divide-se em duas fases, confira! Determinação do assunto. Faixa temporal considerada. Finalidade do conhecimento. Destinatário do conhecimento. Ocorre por meio da extração dos dados, seja por ações de busca, quando se tratar de dados protegidos ou negados, ou pela simples coleta, quando os dados forem de livre acesso. Diz respeito a um tipo específico de ação de busca, quando os dados protegidos ou negados só podem ser obtidos por meio de autorização judicial. Processamento É a fase do ciclo em que os dados efetivamente se tornam conhecimentos. É também o momento no qual é exigido o maior número de processos mentais por parte do agente, que deve implementá-los a partir das seguintes etapas. Etapa em que o agente deve avaliar os dados quanto à sua pertinência e credibilidade a fim de selecionar aqueles que serão utilizados na produção do conhecimento. Etapa na qual o analista ordena os dados que terão maior impacto no conhecimento. Etapa em que os dados são ordenados em uma estrutura lógica e cronológica, facilitando a produção do conhecimento. Primária Secundária Avaliação sobre o conhecimento produzido Análise Integração Etapa em que o profissional expõe sua convicção, obtida durante a produção do conhecimento. É importante ressaltar que a etapa de intepretação é suprimida quando se tratar da produção de conhecimento do tipo informe. Utilização ou difusão Etapa final do ciclo na qual ocorre a formalização do conhecimento produzido por meio de um documento de inteligência, o qual será difundido para seus destinatários por meio de sistemas seguros, resguardado o sigilo. Documentos de inteligência Neste vídeo, você saberá quais são os documentos de inteligência, diferenciando os internos dos externos e tratando do sigilo. Ao final do ciclo de produção de conhecimento, mais precisamente na etapa de utilização, é elaborado o documento de inteligência que formaliza o conhecimento produzido. Esse documento deve apresentar um texto simples e objetivo e conter todas as informações necessárias para subsidiar o ato decisório. Atenção! Nem sempre a autoridade a quem o documento de inteligência é direcionado é especialista na área de inteligência. Deve-se, portanto, evitar uma linguagem muito técnica e o uso de jargões ou códigos. Tipos de documentos Interpretação A doutrina de inteligência divide os documentos em dois gêneros, confira! Documentos internos Documentos que circulam internamente à agência de inteligência, visando subsidiar demandas do próprio órgão. Documentos externos Documentos destinados a um usuário externo à agência de inteligência. A seguir, vamos entender melhor cada um desses tipos de documentação. Documentos internos São divididos em três espécies distintas de documentos, entenda cada uma! Documento produzido por iniciativa própria de uma agência de inteligência ao tomar conhecimento de fatos ou situações que podem ser úteis na produção de determinado conhecimento. Documento utilizado para solicitar a busca de dados, no âmbito da própria agência de inteligência. Documento utilizado para responder a uma ordem de busca. Deve conter os dados solicitados e os procedimentos adotados Relatório interno Ordem de busca Relatório de busca para sua obtenção, bem como a justificativa da impossibilidade de obtê-los quando for o caso. Documentos externos Apresentaremos cinco espécies de documentos externos, veja! Documento externo no qual o agente de inteligência revela o conhecimento produzido a uma autoridade ou a outra agência de inteligência. Documento análogo à ordem de busca, mas o destinatário, nesse caso, é outra agência de inteligência, não necessariamente subordinada, que detém determinado dado ou conhecimento. Trata-se de uma solicitação entre agências. Documento externo e padronizado que descreve, de forma técnica e objetiva, determinado fato ou situação visando subsidiar seu destinatário. Documento utilizado para expor assuntos de interesse das agências de inteligência para outros órgãos. Relatório de inteligência Pedido de busca Relatório técnico Mensagem Documento utilizado para difundir fatos e situações que são do interesse da segurança pública como um todo. Classi�cação do sigilo Antes de sua difusão, os documentos de inteligência devem receber uma classificação de acordo com o grau de sigilo dos assuntos abordados. Essa identificação deve estar bem visível no documento, constando em cada página, centralizada, acima do cabeçalho e no rodapé. Além disso, deve-se utilizar uma fonte diferente, em caixa alta (letras maiúsculas) e normalmente na cor vermelha. O sigilo das informações de inteligência, no Brasil, possui respaldo na Constituição Federal, vamos entender melhor! XIV - é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional; XXXIII - todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu interesse particular, ou de interesse coletivo ou geral, que serão prestadas no prazo da lei, sob pena de responsabilidade, ressalvadas aquelas cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e do Estado. (Constituição da República Federativa do Brasil, 1988) O direito de acesso à informação, garantido pelo referido inciso XXXIII do art. 5º, é regulamentado pela Lei nº 12.527, de 18 de novembro de 2011, a Lei de Acesso à Informação, que prevê as classificações do grau de sigilo, sua duração máxima e as autoridades competentes para tal. Confira! Sumário Vejamos o que diz a Lei de Acesso à Informação, em seu art. 21º. Classi�cação: Ultrasecreto Prazo máximo: 25 anos, renovável por igual período Autoridade competente: Presidente da República, vice-presidente da República, ministros de Estado e autoridades com as mesmas prerrogativas, comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, chefes de missões diplomáticas e consulares permanentes no exterior. Classi�cação: Secreto Prazo máximo: 15 anos, não renovável Autoridade competente: Autoridades mencionadas no grau ultrassecreto mais: titulares de autarquias, fundações ou empresas públicas e sociedades de economia mista. Classi�cação: Reservado Prazo máximo: 5 anos, não renovável Autoridade competente: Autoridades mencionadas no grau ultrassecreto e reservado mais: as que exercem funções de direção, comando ou chefia, de hierarquia equivalente ou superior ao nível DAS 101.5; as que compõem o grupo Direção e Assessoramento Superior, conforme regulamentação específica de cada órgão ou entidade. Parágrafo único. As informações ou documentos que versem sobre condutas que impliquem violação dos direitos humanos praticada por agentes públicos ou a mando de autoridades públicas não poderão ser objeto de restrição de acesso (Lei nº 12.527/2011) Notamos que, apesar de o sigilo ser inerente à atividade de inteligência, ele vai de encontro a um direito fundamental expresso na Carta Magna e, por isso, deve possuir caráter temporário. Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 As agências de inteligência constituem importantes órgãos que contribuem paraa manutenção do Estado Democrático de Direito. Os profissionais que atuam nesse setor devem possuir características como discrição, imparcialidade, senso crítico etc. Além disso, no ciclo de produção de conhecimento, é fundamental que o analista identifique corretamente seu estado mental perante a verdade. Assinale a alternativa que descreve corretamente um desses estados. A O estado de certeza é aquele no qual o pensamento do agente está quase completamente adequado à realidade. B Parabéns! A alternativa C está correta. A opinião é o estado mental no qual a mente cria uma projeção da verdade, mas existe o receio de engano. Por isso, o valor do estado de opinião se expressa por meio de indicadores de probabilidades. Questão 2 A produção de conhecimento para subsidiar o ato decisório é a tarefa fundamental de uma agência de inteligência. Por isso, é de grande importância que o profissional desse setor domine e compreenda todas as etapas e os conceitos envolvidos nesse processo. A respeito do ciclo de produção de conhecimento e dos conceitos envolvidos, assinale a alternativa correta. O estado de ignorância é quando o analista produz uma imagem equivocada do objeto. C O estado de opinião se configura quando o agente reconhece a possibilidade de equívoco em seu pensamento e, por isso, expressa-o por meio de indicadores probabilísticos. D O estado de dúvida ocorre com a perfeita concordância entre o conteúdo do pensamento com o fato ou a situação. E O estado de certeza deve ser evitado por sempre existir a possibilidade de equívoco. A Dado é o conhecimento processado expresso em um relatório contendo a interpretação do analista por meio de indicadores. B Conhecimento é a informação bruta acerca de determinado fato ou situação ainda não processado(a) pelo analista. Parabéns! A alternativa D está correta. Para a obtenção de um dado protegido, é necessário um credenciamento ou uma autorização; o dado negado necessita de uma ação de busca; e o dado de livre acesso é obtido por meio de coleta. 2 - Criando uma agência de inteligência Ao �nal deste módulo, você será capaz de reconhecer a estrutura das agências e sua regulamentação. Sistema Brasileiro de C Dado negado é aquele que necessita de uma ação de coleta para sua obtenção. D Dado protegido é aquele que necessita de um credenciamento ou autorização para seu acesso. E Os dados de livre acesso são aqueles que não possuem restrição, bastando apenas uma ação de busca para sua obtenção. Inteligência (Sisbin) Neste vídeo, você conhecerá o Sisbin, seus objetivos, sua atuação e composição, assim como a famosa Abin. Acompanhe! Sabendo o que é uma agência de inteligência e como se efetua o ciclo de produção de conhecimento, discutiremos a estrutura dos órgãos de inteligência no Brasil. A atividade de inteligência no Brasil passou por muitas modificações com a reiterada criação e extinção de órgãos, e isso deve-se, em parte, às diversas reviravoltas políticas que ocorreram durante a história da democracia brasileira. O fato é que, em 1999, com o advento da Lei nº 9.883/1999, fica instituído o Sistema Brasileiro de Inteligência (Sisbin) e seu órgão central, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), os quais permanecem em atividade até hoje. De�nição, objetivos e atuação O Sisbin é a principal agência do país e atua em âmbito federal. Vamos conferir seus principais objetivos! Fornecer subsídios ao presidente da República em assuntos de interesse nacional. Salvaguardar os conhecimentos produzidos contra o acesso de pessoas ou órgãos não autorizados. A lei que institui o Sisbin e cria a Abin, em seu art. 1º, estabelece, de maneira concisa, alguns fundamentos. Vejamos! § 1º O Sistema Brasileiro de Inteligência tem como fundamentos a preservação da soberania nacional, a defesa do Estado Democrático de Direito e a dignidade da pessoa humana, devendo ainda cumprir e preservar os direitos e garantias individuais e demais dispositivos da Constituição Federal, os tratados, convenções, acordos e ajustes internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte ou signatário, e a legislação ordinária. (Lei nº 9.883/1999) Um ponto importante desse parágrafo que merece nossa atenção é a inclusão do dever de cumprir e preservar direitos e garantias individuais, ou seja, a atividade de inteligência no Brasil não se restringe à proteção do Estado, mas se estende também ao indivíduo. Outro ponto relevante é o conceito de inteligência contido na lei, ainda no art. 1º. Veja! § 2º Para os efeitos de aplicação desta Lei, entende-se como inteligência a atividade que objetiva a obtenção, análise e disseminação de conhecimentos dentro e fora do território nacional sobre fatos e situações de imediata ou potencial influência sobre o processo decisório e a ação governamental e sobre a salvaguarda e a segurança da sociedade e do Estado (Brasil, 1999, grifo nosso). (Lei nº 9.883/1999) Nesse caso, chamamos a atenção para a extraterritorialidade da atividade de inteligência prevista pela lei. Isto é, a produção de conhecimento pode ocorrer dentro e fora do território nacional, favorecendo assim a cooperação com outros países. Composição É regulamentada pelo Decreto nº 4.376, de 13 de setembro de 2002, que, inicialmente, previu o sistema com 22 órgãos, mas, ao decorrer dos anos, foram incorporados outros e, atualmente, somam-se 48 órgãos em sua estrutura. Não seria conveniente, além de não possuir muito valor acadêmico, listarmos todos os 48 órgãos; por isso, vamos nos limitar a citar os principais apenas para evidenciar o caráter multidisciplinar do sistema. Vamos lá! Ministério da Defesa MD Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação MCTI Ministério da Economia ME Gabinete de Segurança Institucional GSI Agência Brasileira de Inteligência Abin Controladoria Geral da União CGU Ministério da Educação MEC Ministério do Meio Ambiente MMA Ministério da Saúde MS Para desenvolver uma atividade de inteligência, é necessária a cooperação entre diversos órgãos federais de diferentes áreas de atuação — mas não somente, pois o decreto, em seu art. 4º, parágrafo único, também prevê a participação de órgãos estaduais: “Mediante ajustes específicos e convênios, ouvido o competente órgão de controle externo da atividade de inteligência, as unidades da Federação poderão compor o Sistema Brasileiro de Inteligência” (Decreto nº 4.376/2002). Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Entre os órgãos que compõem o Sisbin, a Abin foi positivada como seu órgão central. Vejamos, a seguir, o que compete à Abin, de acordo com o que consta na Lei nº 9.883/1999. Planejar e executar ações, inclusive sigilosas, relativas à obtenção e análise de dados para a produção de conhecimentos destinados a assessorar o Presidente da República. Planejar e executar a proteção de conhecimentos sensíveis, relativos aos interesses e à segurança do Estado e da sociedade. Avaliar as ameaças, internas e externas, à ordem constitucional. Promover o desenvolvimento de recursos humanos e da doutrina de inteligência, e realizar estudos e pesquisas para o exercício e aprimoramento da atividade de inteligência. Ministério da Infraestrutura MInfra A inteligência na segurança pública Neste vídeo, você conhecerá o Subsistema de Segurança Pública, as agências estaduais e a Doutrina Nacional de Inteligência de Segurança Pública. Acompanhe! O Sisbin é a principal agência do país, possuindo uma estrutura bem heterogênea que abrange órgãos com atuações distintas, como o Ministério da Defesa (MD) e o Ministério da Educação (MEC). É bem verdade que a segurança pública é um dos setores que mais demandam o conhecimento produzido pela atividade de inteligência, portanto, para suprir essa necessidade, foi criado o Subsistema de Inteligência de Segurança Pública (Sisp), cuja estrutura vamos conhecer. Subsistema de Segurança Pública (Sisp) O Sisp fica instituídopelo Decreto Executivo n° 3.695, de 21 de dezembro de 2000, e tem como finalidade coordenar e integrar as atividades de inteligência de segurança pública em todo o país bem como suprir os governos federal e estaduais de informações que subsidiem a tomada de decisão nesse campo. Composição De acordo com o Decreto nº 3.695/2000, os seguintes órgãos integram o Sisp, confira! Ministério da Justiça Ministério da Fazenda O Decreto n° 3.695/2000 também institui a Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) do Ministério da Justiça como órgão central do Sisp. Atenção! Em consonância com o § 2º do art. 2º da Lei nº 9.883/1999, poderão integrar o Sisp, os órgãos de Inteligência de Segurança Pública dos Estados e do Distrito Federal, mais notadamente os órgãos que pertencem às instituições da polícia civil e polícia militar e, em alguns estados, também Detran, corpo de bombeiros e polícia penal. Tipos de agências estaduais Os sistemas estaduais de inteligência de segurança pública são divididos pela doutrina em dois tipos, veja quais! Agências efetivas São agências subordinadas ao Poder Executivo que atuam direta e exclusivamente na produção de conhecimento de interesse da segurança pública. Agências especiais São agências subordinadas ao Poder Executivo que participam indiretamente na busca de conhecimento de interesse da segurança Ministério da Defesa Ministério da Integração Nacional Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI) pública. Doutrina Nacional de Inteligência de Segurança Pública (Dnisp) Você deve ter percebido que, durante nosso estudo, utilizamos muito a expressão doutrina. Isso se deve ao fato de a atividade de inteligência possuir algumas especificidades que não favorecem sua codificação, como seu caráter não processual e sua autonomia na produção de conhecimento. Em outras palavras, conceitos, termos e metodologias envolvidos na atividade de inteligência possuem fundamentos principalmente doutrinários e não puramente legislativos, fugindo assim do formalismo das leis e favorecendo a integração do conhecimento. Talvez você já tenha ouvido diversas vezes esse termo, mas nunca se preocupou em obter uma definição aprofundada sobre o tema. Por isso, antes de entrarmos na Doutrina Nacional de Inteligência Pública, vamos rapidamente solidificar nosso conhecimento sobre o conceito de doutrina. Japiassu e Marcondes trazem uma definição concisa, confira! Conjunto sistemático de concepções de ordem teórica ensinadas como verdadeiras por um autor, corrente de pensamento ou mestre. (Japiassu; Marcondes, 2006, p. 78) A Senasp formalizou, no ano de 2009, sua doutrina sobre inteligência nomeando-a Doutrina Nacional de Inteligência de Segurança Pública (Dnisp) — um manual metodológico para os trabalhos de inteligência, baseado inclusive em diretrizes internacionais visando otimizar a integração entre agências no combate à criminalidade. Vejamos o que diz a recente Política Nacional de Inteligência de Segurança Pública (Pnisp), por meio do Decreto nº 10.777, de 24 de agosto de 2021, acerca da doutrina na atividade de inteligência de segurança pública, entenda! A atividade de inteligência de segurança pública é técnica e especializada, de natureza sigilosa, e tem o seu exercício alicerçado em conjunto sólido de princípios e valores profissionais com a utilização de metodologia própria estabelecida em doutrina comum às agências de inteligência, sem prejuízo da autonomia doutrinária conferida às instituições de segurança pública. A atividade de inteligência de segurança pública é realizada sob estrito amparo legal e busca, por meio do emprego de técnicas especializadas, a produção do conhecimento. (Decreto nº 10.777/2021) A Pnisp é um importante programa que visa ao fortalecimento da atividade de inteligência no país. Atividades de Inteligência de Segurança Pública (ISP) Neste vídeo, você conhecerá a Inteligência de Segurança Pública (ISP), suas finalidades, características, diferentes atividades e princípios. Confira! Vamos conhecer, de maneira sucinta, os conceitos trazidos pela Dnisp que são utilizados durante a atividade de inteligência de segurança pública. O reconhecimento desses conceitos é muito importante para estudos posteriores e extremamente relevante para a contextualização de todo conhecimento adquirido até o momento. Conceito, �nalidade e características Na sequência, você vai entender melhor cada um desses três pontos. Vamos lá! Conceito A atividade de inteligência de segurança pública consiste no exercício de ações que visam à produção e à salvaguarda de conhecimentos necessários para prever, prevenir e reprimir atos delituosos. Finalidade Assessorar a atividade de segurança pública e defesa social, bem como a formulação e a efetivação de seus respectivos planos estratégicos. Características A atividade de inteligência de segurança pública possui as seguintes características, confira! É a característica fundamental de qualquer atividade de inteligência. Consiste na busca e na coleta de dados que são, por meio de uma metodologia específica, processados e transformados em conhecimentos. É a característica que define o caráter de assessoramento da atividade, evidenciando sua importância na segurança pública. É a característica que torna a atividade de inteligência de segurança pública uma produtora de conhecimentos precisos, Produção de conhecimento Assessoria Verdade com significado claros e imparciais. É a característica da atividade de inteligência de segurança pública de obter dados protegidos ou negados, uma vez que os dados de atos delituosos se encontram, no mínimo, protegidos. É a característica que exige, dos profissionais desse setor, formação específica e permanente. É a característica que permite a otimização dos recursos disponíveis, o que é obtido pela produção de conhecimentos objetivos, precisos e relevantes. É a característica que permite a produção de conhecimento por iniciativa própria. É a característica que permite a utilização dos conhecimentos produzidos em qualquer área da segurança pública. É a característica que possibilita à atividade de inteligência de segurança pública adequar-se às inovações tecnológicas. Busca de dados protegidos Ações especializadas Economia de meios Iniciativa Integração e abrangência Dinâmica É a característica que permite à atividade de inteligência de segurança pública salvaguardar os conhecimentos produzidos. Princípios da inteligência de segurança pública Os profissionais que atuam na atividade de inteligência de segurança pública devem ter suas ações norteadas por princípios. Vamos entendê- los! Respeito As ações dos profissionais devem respeitar a dignidade do indivíduo e os interesses coletivos. Imparcialidade As ações devem ser imparciais, sempre em prol do interesse do Estado e da sociedade brasileira, sem se deixar influenciar por ideologias preconcebidas, interesses particulares ou de terceiros. Cooperação O compartilhamento, de forma sistemática e proativa, de dados e conhecimentos entre órgãos governamentais deve ser incentivado no ambiente de inteligência de segurança pública. Discrição O agente de inteligência de segurança pública deve guardar sigilo, visando a proteger e a preservar as instituições, seus integrantes e conhecimentos produzidos. Segurança Senso crítico Os agentes devem analisar as implicações morais de suas ações e decisões. Excelência Os profissionais devem buscar realizar suas atribuições com dedicação, profissionalismo e qualidade. Ramos da atividade de inteligência de segurança pública De acordo com a Pnisp, a atividade de inteligência de segurança pública divide-se, fundamentalmente, em dois ramos, são eles: Inteligência de segurança pública, que visa à produção e à difusão de conhecimentos para assessoramento às autoridades de segurança pública competentes, de modo a subsidiaro processo decisório no curso do planejamento e da execução das políticas de segurança pública. Contrainteligência de segurança pública, que visa à prevenção, à detecção, à neutralização e à obstrução de ações e atividades que constituam ameaça à consecução plena da atividade de inteligência de segurança pública e à atuação livre dos órgãos de segurança pública e de suas estruturas de inteligência, nas quais se incluem os dados e o conhecimento sensíveis em poder do Estado. A contrainteligência é um importante ramo da atividade de inteligência que envolve complexas ações para neutralizar a inteligência adversa e proteger as agências contra ataques. Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 Leia o texto a seguir. “O Sistema Brasileiro de Inteligência (SISBIN) foi instituído pela Lei 9.883, de 7 de dezembro 1999, com o objetivo de integrar as ações de planejamento e execução das atividades de Inteligência do Brasil. É um espaço que reúne órgãos federais para a troca de informações e conhecimentos de Inteligência. Sob a coordenação da ABIN, estabelecida por lei como seu órgão central, o SISBIN é responsável pelo processo de obtenção e análise de informações e produção de conhecimentos de Inteligência necessários ao processo decisório do Poder Executivo. Também atua na proteção das informações sensíveis e estratégicas do Estado brasileiro” (Brasil. Agência Brasileira de Inteligência. Sisbin, 2020). Considerando o caráter motivacional do texto acerca do Sistema Brasileiro de Inteligência (Sisbin) e da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), assinale a alternativa correta. A A Abin é a principal agência de inteligência do país e tem o Sisbin como seu órgão central. Por ser uma agência federal, é composta exclusivamente por órgãos federais. B A Abin é a principal agência de inteligência do país e tem o Sisbin como seu órgão central. Mesmo sendo uma agência federal, podem fazer parte de sua composição, órgãos das unidades federativas, desde que cumpridos os requisitos. C Sisbin é a principal agência de inteligência do país e tem a Abin como seu órgão central. Por ser uma agência federal, é composta exclusivamente por órgãos federais. Parabéns! A alternativa D está correta. O Sisbin foi instituído pela Lei nº 9.883, de 7 de dezembro 1999, que o estabelece como principal agência de inteligência do país, bem como também determina a criação da Abin como seu órgão central. Apesar de o texto motivacional não citar, a lei prevê que, mediante ajustes específicos e convênios, ouvido o competente órgão de controle externo da atividade de inteligência, as unidades da federação poderão compor o Sisbin. Questão 2 Leia o texto a seguir. “A Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) é um órgão da Presidência da República, vinculada à Casa Civil, responsável por fornecer ao presidente da República e a seus ministros informações e análises estratégicas, oportunas e confiáveis, necessárias ao processo de decisão. Na condição de órgão central do Sistema Brasileiro de Inteligência (SISBIN), a ABIN tem por missão assegurar que o Executivo Federal tenha acesso a conhecimentos relativos à segurança do Estado e da sociedade, como os que envolvem defesa externa, relações exteriores, segurança interna, desenvolvimento socioeconômico e desenvolvimento científico-tecnológico” (Brasil. Agência Brasileira de Inteligência. A ABIN. Sisbin, 2020). Sobre a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), considere as seguintes afirmativas: I. Cabe à Abin planejar e executar ações, inclusive sigilosas, relativas à obtenção e à análise de dados para a produção de D Sisbin é a principal agência de inteligência do país e tem a Abin como seu órgão central. Mesmo sendo uma agência federal, podem fazer parte de sua composição órgãos das unidades federativas, desde que cumpridos os requisitos. E Sisbin é a principal agência de inteligência do país e tem a Abin como seu único órgão. conhecimentos destinados a assessorar o presidente da República. II. Compete à Abin planejar e executar a proteção de conhecimentos sensíveis, relativos aos interesses e à segurança do Estado e da sociedade. III. Avaliar as ameaças, internas e externas, à ordem constitucional, é da competência exclusiva do Ministério da Defesa e não constitui um objetivo da Abin. IV. Constituem atribuições da Abin promover o desenvolvimento de recursos humanos e da doutrina de inteligência, e realizar estudos e pesquisas para o exercício e o aprimoramento da atividade de inteligência. Está correto o que se afirma em: Parabéns! A alternativa C está correta. De acordo com a Lei nº 9.883, de 7 de dezembro 1999, constituem objetivos da Agência Brasileira de Inteligência (Abin): “I - planejar e executar ações, inclusive sigilosas, relativas à obtenção e à análise de dados para a produção de conhecimentos destinados a assessorar o presidente da República; II - planejar e executar a proteção de conhecimentos sensíveis, relativos aos interesses e à segurança do Estado e da sociedade; III - avaliar as ameaças, internas e externas, à ordem constitucional; IV - promover o desenvolvimento de recursos humanos e da doutrina de inteligência e realizar estudos e pesquisas para o exercício e aprimoramento da atividade de inteligência. Portanto, A I e II. B Apenas I. C I, II e IV. D II e IV. E Apenas IV. vemos que à Abin também compete a defesa contra ameaças e a manutenção da ordem”. Considerações �nais Encerramos nosso estudo acerca das agências de inteligência. Você é capaz agora de reconhecer o ciclo de produção de conhecimento e todos os conceitos envolvidos. Você pode ainda conhecer a estrutura e a regulamentação das agências de inteligência no Brasil, sistema esse que se mostra complexo diante do fato de estarmos ante uma divisão de competências federais e estaduais. Explore + Conheça a Estratégia Nacional de Inteligência brasileira, aprovada pelo presidente Michel Temer, por meio do Decreto de 15 de dezembro de 2017, publicado em 18 de dezembro do mesmo ano no Diário Oficial da União. Veja como a agência de inteligência britânica MI6, juntamente com o cientista Alan Turing, foi capaz de interceptar e decifrar mensagens dos alemães durante a Segunda Guerra Mundial, evitando milhares de mortes, no filme Jogo da imitação, vencedor do Oscar de Melhor Roteiro Adaptado. Referências BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF: Senado Federal, Coordenação de Edições Técnicas, 2016. BRASIL. Decreto nº 3.695, de 21 de dezembro de 2000. Cria o Subsistema de Inteligência de Segurança Pública, no âmbito do Sistema Brasileiro de Inteligência, e dá outras providências. Brasília, DF: Presidência da República, 2000. Consultado na internet em: 10 jul. 2023. BRASIL. Decreto nº 4.376, de 13 de setembro de 2002. Dispõe sobre a organização e o funcionamento do Sistema Brasileiro de Inteligência. Brasília, DF: Presidência da República, 2002. BRASIL. Decreto nº 10.777, de 24 de agosto de 2021. Institui a Política Nacional de Inteligência de Segurança Pública. 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Regula o acesso a informações previsto no inciso XXXIII do art. 5º, no inciso II do § 3º do art. 37 e no § 2º do art. 216 da Constituição Federal; altera a Lei nº 8.112,de 11 de dezembro de 1990; revoga a Lei nº 11.111, de 5 de maio de 2005, e dispositivos da Lei nº 8.159, de 8 de janeiro de 1991; e dá outras providências. Brasília, DF: Presidência da República, 2011. Consultado na internet em: 5 jul. 2023. BRASIL. Ministério da Justiça. Curso de introdução à atividade de inteligência – CIAI. Brasília, DF: Diretoria de Ensino e Pesquisa. Coordenação de Doutrina e Capacitação em Inteligência, 2020. BRASIL. Ministério da Justiça. Doutrina Nacional de Inteligência de Segurança Pública – DNISP. 4. ed. rev. e atual. Brasília, DF: Ministério da Justiça, 2015. KENT, S. Informações estratégicas. Trad. Cel. Hélio Freire. Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército, 1967. JAPIASSÚ, H.; MARCONDES, D. Dicionário básico de filosofia. 4. ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2006, p. 78. ROSITO, G. A. 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