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Fichamento da Palestra sobre o papel do Ministério Público na defesa da
ordem urbanística e ambiental
A palestra foi realizada pelo promotor de justiça do Ministério Público do Estado
de São Paulo na cidade de Santo André, Fábio Henrique Franchi. O intuito da
palestra é de informar sobre a atuação do Ministério Público na defesa da ordem
urbanística e ambiental e abranger pontos como: o que é o Ministério Público,
inquérito civil, ação civil pública, TAC (Termo de Ajuste de Conduta) e casos práticos.
1. Ministério Público
O Ministério Público é uma instituição permanente e grande defensor dos
interesses da sociedade. Abrange o Ministério da União e Ministérios Públicos dos
Estados e desempenha um papel crucial na defesa dos interesses públicos e na
manutenção da ordem urbana através do processo legal. É o órgão responsável
pela investigação e atuação contra irregularidades urbanas e crimes administrativos.
O Ministério Público do Estado de São Paulo é o maior do país e suas áreas
de atuação são: criminal, patrimônio público e social, meio ambiente, habitação e
urbanismo, infância e juventude, idosos, pessoas com deficiência, direitos humanos,
saúde pública, educação, consumidor.
Os membros do Ministério Público são agentes políticos, não hierarquizados,
que decidem e atuam com independência nos assuntos e sua competência. O
controle na atuação dos membros é feito através da própria população,
corregedoria-geral e CNMP - controle de administração e financeiro do Ministério
Público e dos cumprimentos dos deveres funcionais.
O promotor menciona o papel do Ministério Público na investigação de
irregularidades no planejamento urbano. As investigações sobre tais assuntos nunca
param e todos os procedimentos necessários devem ser seguidos. O envolvimento
do Ministério Público é necessário para garantir que os projetos de desenvolvimento
urbano cumpram os regulamentos e respeitem as contribuições da comunidade.
Apesar de alguns desafios e críticas, é destacado a importância do papel do
Ministério Público na manutenção da ordem e na garantia do bom funcionamento da
sociedade.
2. Inquérito Civil
Sobre a defesa da ordem urbanística e ambiental, o primeiro instrumento é o
inquérito civil, uma investigação administrativa, um procedimento público, salvo
quando decretado sigilo, criado pela Lei 7.347/1985, por responsabilidade por danos
causados ao meio ambiente e ao consumidor e do Art. 129, III, CF, são funções
institucionais do Ministério Público promover o inquérito civil e a ação civil pública.
O inquérito civil é privativo do Ministério Público, não tem caráter acusatório, é
investigado um fato determinado, que pode ter várias causas. É necessário
investigar a causa, o causador e as providências a serem tomadas. Visa colher
elementos de prova para responsabilização de danos a interesses difusos ou
coletivos. Não está sujeito ao controle do Poder Judiciário, mas de órgãos
superiores do Ministério Público e é dispensável se já existir elementos para uma
propositura de Ação Civil Pública. É uma ação informal e pode servir de base para
ação penal. Apresenta o próprio regramento: IC-MPSP, Ato Normativo 484/06/CPJ.
Apresenta três fases: instauração, instrução e conclusão ou encerramento. A
instauração é feita por meio de ofício ou mediante representação. Pode haver
suspeição ou impedimento do Ministério Público, mas caso a investigação continue
seguirá para a instrução, ou seja, coleta de provas. Há instrumentos para a instrução
ser realizada: notificação, conduta corretiva, requisição, inspeções, vistorias,
audiências públicas, provas (documental, testemunhal, pericial), oitiva do investigado
e recomendação. Por fim, o processo segue para a conclusão. O destino pode ser:
arquivamento simples, arquivamento com recomendação, compromisso de
ajustamento de conduta ou propositura de ação civil pública (proposto por outro
promotor e não o responsável pelo caso).
3. Termo de Ajuste de Conduta
Após a finalização do inquérito civil, se não for caso de arquivamento, será
caso para propositura de ação civil pública ou celebração de compromisso de
ajustamento de conduta, um acordo entre o causador do dano e o Ministério Público.
O TAC (Termo de Ajuste de Conduta) é o instrumento por meio do qual o
órgão público toma do causador do dano o compromisso de aderir sua conduta à lei,
sob pena de multa. A eficácia ficará condicionada à homologação pelo CSMP.
É um processo mais trabalhoso do que uma ação civil pública, mas é mais
vantajoso uma vez que o TAC é o título executivo extrajudicial.
4. Ação Civil Pública
A Ação Civil Pública é outra opção após a finalização do inquérito civil e está
prevista na Lei Federal 7.345/1985 - LACP.
É uma ação coletiva para a proteção do patrimônio público e social, do meio
ambiente e de outros interesses difusos e coletivos. Pode ser legitimada por:
Ministério Público, Defensoria Pública, União, os Estados, o Distrito Federal e os
Municípios, autarquia, empresa pública, fundação ou sociedade de economia mista
e associação que, concomitantemente esteja constituída há pelo menos um ano nos
termos da lei e inclua, entre suas finalidades institucionais, a proteção ao patrimônio
público e social, ao meio ambiente, ao consumidor, à ordem econômica, à livre
concorrência, aos direitos de grupos raciais, étnicos ou religiosos ou ao patrimônio
artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico. O Ministério Público sempre
atuará nesse processo, se não for o autor, será o fiscal da lei. E se houver
desistência do autor, o Ministério Público ou outro legitimado assumirá a titularidade
ativa.
O pedido desta ação é de responsabilidade por danos morais coletivos e
patrimoniais causados ao meio ambiente, ao consumidor, a bens e direitos de valor
artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico, a qualquer outro interesse difuso
ou coletivo, por infração da ordem econômica, à ordem urbanística, à honra e à
dignidade de grupos raciais, étnicos ou religiosos, ao patrimônio público e social.
Poderá ter objeto a condenação em dinheiro ou o cumprimento da obrigação
de fazer ou não fazer (apenas quando é possível a reversão da situação).
No início da ação civil pública, o juiz pode conceder ordem limiar e fixar multa
para hipótese de não cumprimento. Havendo condenação em dinheiro, a
indenização pelo dano causado reverterá a um fundo gerido por um Conselho
Federal ou por Conselhos Estaduais de que participarão necessariamente o
Ministério Público e representantes da comunidade, sendo seus recursos destinados
à reconstituição dos bens lesados.
Existem dificuldades na ação civil pública, como dúvida quanto a realização
de perícia, custos de honorários periciais, o pedido inicial é de extrema importância
para o decorrer e finalização do processo. Além disso, o prazo é incerto, há
incerteza na execução e, diferente do TAC, o resultado também é incerto, uma vez
que a decisão judicial é incontestável.
Desta palestra, é possível notar a complexidade diária da atuação. Os
instrumentos jurídicos estão à disposição, mas o promotor Fábio nota que a
dificuldade é em colocá-los em prática.

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