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Segunda e terceira gerações do Romantismo em Portugal

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DESCRIÇÃO
As segunda e terceira gerações românticas em Portugal, sua contextualização histórico-social, principais características e autores
de maior expressividade.
PROPÓSITO
Compreender o contexto e as obras das segunda e terceira gerações do Romantismo em Portugal para ampliar o conhecimento
literário.
PREPARAÇÃO
Tenha em mãos um dicionário de literatura para compreender o vocabulário específico da área. Na internet, você acessa
gratuitamente o E-Dicionário de Termos Literários, de Carlos Ceia, e o Dicionário de Cultura Básica, de Salvatore D’Onofrio.
OBJETIVOS
MÓDULO 1
Identificar o contexto e as características da segunda geração romântica
MÓDULO 2
Identificar o contexto e as características da terceira geração romântica
INTRODUÇÃO
O Romantismo em Portugal é um período literário formado por três gerações. Mais conhecidas por gerações românticas, cada uma
delas se expressa de maneira variada e diversa. Vamos abordar, neste conteúdo, os dois momentos finais – a segunda e a terceira
gerações românticas.
Em um primeiro momento, no Módulo 1, veremos de que modo o contexto histórico influenciou as manifestações literárias da época,
sendo essas um reflexo das mudanças vivenciadas não só em Portugal, como também em toda Europa.
Continuando nossa jornada, iremos aprofundar nossos estudos em autores de grande expressividade para o período.
O primeiro a ser analisado será Camilo Castelo Branco. Conheceremos, a partir de sua vida e obra, de que forma o romancista
marcou sua geração.
Por fim, no Módulo 2, veremos dois grandes nomes da terceira geração: Júlio Dinis, no romance, e João de Deus, na poesia. Vamos
verificar, também, como o Romantismo tomou novos caminhos e abriu espaço para um novo movimento que surgia, o Realismo.
MÓDULO 1
 Identificar o contexto e as características da segunda geração romântica
O CONTEXTO E O CONCEITO DE ROMANTISMO
Inicialmente, vamos relembrar o que foi o movimento romântico de uma forma mais ampla, seu conceito e as condições de seu
surgimento.
Todos nós já usamos palavras como romantismo ou romântico algumas vezes e com variados significados, geralmente fazendo
referência a uma atitude ligada à manifestação amorosa ou idealista. Não é ao acaso essa conexão. De fato, o movimento estético
romântico trouxe, como uma de suas muitas características, a representação do amor de modo intenso, incondicional, como
também, por vezes, exibiu uma visão idealizada da vida.
Contudo, o conceito denominado de Romantismo, assim como o Barroco ou o Renascimento, a rigor, diz respeito a um período
histórico, ou ainda, a um fenômeno de alcance internacional e de grande complexidade. A complexidade romântica acontece devido
a expressões de múltiplas características e, por vezes, até contraditórias encontradas dentro do mesmo movimento.
Para entendermos essa contradição, precisamos levar em conta dois fatores:
A experiência nova de liberdade artística, fruto das ideias liberalistas que provocavam nos artistas da época um desejo de deixar
sua marca no mundo, promovendo uma ebulição de obras diversificadas.
Conflito de sentimentos gerados pela vigorosa mudança que a sociedade via acontecer. Como toda mudança muito intensa, os
sentimentos predominantes são o medo, pelo novo que surge, e o entusiasmo, derivado de uma espécie de otimismo revolucionário.
IDEIAS LIBERALISTAS
Ideias que têm como base a defesa das liberdades individuais nos diferentes campos, como na economia, política e religião, sem
interferência do Estado. Assim, as ideias liberalistas correspondem à doutrina do liberalismo.
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CONDIÇÕES DE SURGIMENTO DO ROMANTISMO
O Romantismo não pode ser pensado de maneira descontextualizada, afinal ele surge na conjunção de fatos históricos que não
apenas oferece terreno fértil para o seu desenvolvimento, como é também a sua expressão, o espírito do tempo.
ESPÍRITO DO TEMPO
Expressão que corresponde ao termo alemão Zeitgeist (Zeit - época/tempo e Geist - alma/espírito). Trata-se, na verdade, da
tradução da expressão em latim genius seculi, que significa espírito guardião do tempo. Assim, espírito do tempo é um
sentimento/clima intelectual e cultural de uma época compartilhado por um povo.
No caso do Romantismo, é um estado de espírito que busca uma afirmação de si mesmo, sobretudo em uma realização pessoal, o
que, em parte, justifica seu princípio subjetivo contemplado na arte
 Sessão das Cortes de Lisboa, Oscar Pereira da Silva, 1922.
Por conta disso, vamos abordar os fatos históricos mais importantes e a sua influência no movimento romântico. Do progresso
econômico, consequente da Revolução Francesa, à urbanização, provocada pela Revolução Industrial, cada país teve o seu
movimento romântico acompanhado dessas mudanças.
Em Portugal, o primeiro contato com a escola romântica literária se dá por meio de traduções de novelas estrangeiras. Comparado a
outros países, como Alemanha, França e Inglaterra, o Romantismo como movimento difuso chega com um certo atraso devido às
particularidades sociais e econômicas portuguesas, pois vem atrelado a marcos históricos portugueses, como a Revolução Liberal
de 1820.
REVOLUÇÃO LIBERAL DE 1820
Conhecida também como Revolução do Porto, por ter acontecido nessa cidade portuguesa, teve sua origem ou motivação na vinda
da Família Real portuguesa para o Brasil, em 1808, e em certa equiparação administrativa entre Lisboa e suas colônias. A
Revolução Liberal ou do Porto se deu por meio de fortes disputas políticas entre os interesses de Portugal e do Brasil.
Todas essas mudanças não são recebidas uniformemente pela sociedade portuguesa, que se encontra ainda dividida entre a
nostalgia do passado e o deslumbramento pelo progresso trazido pelo novo regime, acendendo a esperança de Portugal reviver,
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depois de tanto tempo de decadência, o seu passado glorioso. Com o tempo, a esperança se transforma em decepção, sentida
principalmente pelos espíritos mais idealistas, devido a uma experiência revolucionária que não se concretiza completamente.
No campo literário e em outras formas artísticas, o Romantismo português aparece como resultado das novas necessidades
apresentadas por uma burguesia letrada. Essa burguesia via na arte um instrumento de formação de identidade e a possibilidade de
se ver representada, o que acabou acontecendo com a ascensão do gênero romance. Por conta dessa necessidade e para se ter
um largo alcance, a linguagem utilizada, tanto nos textos literários quanto no jornalismo, sofre uma reforma, tornando-se mais
coloquial e popular.
Nesse contexto, o Romantismo surge com as seguintes características:
Liberdade de criação: culto da originalidade
Subjetivismo
Individualismo
Idealização da mulher
Disseminação dos valores burgueses
Sentimentalismo
Exaltação do belo
Preferência pelos temas tradicionais e nacionais
Adoção do novo modelo trágico (teatro de Shakespeare)
Efervescência de temas e estilos na expressão literária
Desejo de fuga (escapismo)
A SEGUNDA GERAÇÃO ROMÂNTICA E O
ULTRARROMANTISMO
Se a primeira geração romântica portuguesa é marcada, sobretudo, por temáticas nacionalistas e pela busca de uma identidade
nacional, a segunda geração caracteriza-se pelo caráter de extremo sentimentalismo.
 SAIBA MAIS
A idealização da mulher, o culto ao amor e o desejo de fuga, embora não sejam exclusividade da segunda geração, são temas
elevados ao ápice nesse período. Esses temas nos passam claramente a sensação de desequilíbrio e de exagero, daí vem a
denominação de ultrarromantismo.
O teórico e escritor Massaud Moisés (1928-2018) argumenta que os autores da segunda geração eram livres para desfrutar a
aventura no mundo da imaginação e da anarquia, por isso acabaram “tomando atitudes extremas e transformando-se em
românticos descabelados” (MOISÉS, 1972, p.173). Eles praticavam de forma integral o ideal romântico no tocante à sensibilidade e
à liberdade moral. Por serem totalmente românticos, eles ultrapassaramos limites da estética e vieram a ser chamados de
ultrarromânticos.
Entretanto, o entusiasmo diminui mediante a experiência de liberdade nunca antes vivenciada, e abre espaço para o pessimismo
trazido pela presença de uma nova e temerosa realidade que se apresenta. A promessa de felicidade, que acompanhava os ideais
revolucionários, não se cumpre, e as ideias liberalistas são percebidas, então, como uma nova vestimenta para velhas práticas,
como a desigualdade, o conservadorismo e a corrupção.
 O Anjo da morte, de Horace Vernet, obra característica do Romantismo sentimental da segunda metade do século XIX.
O desencantamento faz da melancolia o sentimento mais presente nas obras ultrarromânticas, manifestando-se por enredos e
espaços sombrios de luto. O espaço tanto da poesia quanto da narrativa concretiza esse sentimento por meio de ambientes
sombrios, soturnos, por vezes macabros e até cemiteriais. A morte e o desejo de deixar a vida se torna um tema recorrente, pois
passa a ser o último refúgio, a única saída que pode pôr fim ao sofrimento do herói.
Vejamos um poema que retrata de modo muito evidente o clima sombrio e o escapismo da realidade através do mergulho subjetivo
e introspectivo do amor que sobrevive à morte. O poema é “Noivado do sepulcro”, escrito por Soares de Passos, poeta de grande
expressividade durante o período do ultrarromantismo. É o seu poema mais conhecido, inclusive por conta dos escritores realistas
que o resgataram para satirizá-lo em vista do seu exagero sentimentalista.
Vamos ler o poema:
O Noivado do sepulcro
Vai alta a lua! na mansão da morte 
Já meia-noite com vagar soou; 
Que paz tranquila; dos vaivéns da sorte 
Só tem descanso quem ali baixou. 
Que paz tranquila!... mas eis longe, ao longe 
Funérea campa com fragor rangeu; 
Branco fantasma semelhante a um monge, 
D'entre os sepulcros a cabeça ergueu. 
[...]
Chegando perto duma cruz alçada, 
Que entre ciprestes alvejava ao fim, 
Parou, sentou-se e com a voz magoada 
Os ecos tristes acordou assim: 
"Mulher formosa, que adorei na vida, 
E que na tumba não cessei d'amar, 
Por que atraiçoas, desleal, mentida, 
O amor eterno que te ouvi jurar?”
[...]
"Abandonado neste chão repousa 
Há já três dias, e não vens aqui... 
Ai, quão pesada me tem sido a lousa 
Sobre este peito que bateu por ti!” 
[...]
– "Oh nunca, nunca!" de saudade infinda, 
Responde um eco suspirando além... 
– "Oh nunca, nunca!" repetiu ainda 
Formosa virgem que em seus braços tem. 
[...]
"Não, não perdeste meu amor jurado: 
Vês este peito? reina a morte aqui... 
É já sem forças, ai de mim, gelado, 
Mas inda pulsa com amor por ti. 
"Feliz que pude acompanhar-te ao fundo 
Da sepultura, sucumbindo à dor: 
Deixei a vida... que importava o mundo, 
O mundo em trevas sem a luz do amor?” 
[...]
“Oh vem! se nunca te cingi ao peito, 
Hoje o sepulcro nos reúne enfim... 
Quero o repouso de teu frio leito, 
Quero-te unido para sempre a mim!" 
[...]
Porém mais tarde, quando foi volvido 
Das sepulturas o gelado pó, 
Dois esqueletos, um ao outro unido, 
Foram achados num sepulcro só.
(SOARES DE PASSOS, A. A. Poesias. 2. ed. Porto: Casa de Cruz Coutinho, 1858, p. 14-18.)
Deixando um pouco de lado a fuga da realidade, manifestada pelo sentimentalismo amoroso, é possível encontrar na poesia de
Soares de Passos a expressão melancólica provocada pelo desencantamento do mundo: “Que paz tranquila; dos vaivéns da sorte /
Só tem descanso quem ali baixou”. Nesses versos, encontramos a condição do destino incerto e a noção de que o descanso só é
possível de ser alcançado através da morte que se evidencia.
O pessimismo diante da vida, os pensamentos autodestrutivos e o consolo na morte são alguns dos sintomas do mal do século,
considerado como a doença que acometia artistas em meados do século XIX.
Soares de Passos foi o poeta que melhor expressou a chancela ultrarromântica do mal do século. Sua poesia, embora encarne o
pessimismo de modo piegas, é a que melhor reflete o sentimento de vazio existencial herdado pelas ideias iluministas.
O que é o mal do século, afinal?
O termo mal do século está relacionado ao pessimismo extremo, ao desencanto diante do mundo, à melancolia difusa, à nostalgia,
à tristeza, ao tédio, à depressão, ao culto ao mistério, à atração pelo infinito e a outros estados da alma que podem até mesmo
acometer o corpo de males físicos e levar à morte precoce ou ao suicídio (MOISÉS, 1978, p. 464).
Todo esse cenário aterrador é resultado do vazio existencial deixado pelas ideias iluministas. Isso se deve, principalmente, ao
movimento racionalista que afirma a ciência e o pensamento racional, negando a existência de um mundo transcendente, de valores
e crenças já enraizadas. A burguesia ascendente, que ao mesmo tempo escrevia e consumia a literatura romântica, esperava ver na
arte produzida alguma espécie de consolo, qualquer coisa que ocupasse o lugar deixado pelos dogmas religiosos e políticos
passados. No entanto, a herança é o mundo desencantado tomado pela ausência de sentido, que, como doença finissecular, se
prende ao ânimo dos artistas e reflete em suas obras.
O HERÓI ULTRARROMÂNTICO PORTUGUÊS
Junto com a nova geração, nasce um novo herói. Podemos classificar os protagonistas ultrarromânticos como personagens nada
convencionais, dos quais as atitudes possuem menor valor do que a expressão dos seus sentimentos, ou seja, o subjetivismo é
fundamental para compreendê-los. Não é mais um herói inserido em um tempo histórico representando um povo, suas raízes e
tradições. Agora é um personagem desenraizado buscando um sentido para um mundo desencantado ou se entregando ao vazio
existencial.
 ATENÇÃO
Tendo em vista a importância da subjetividade para esse período literário, é preciso entender como e por que os personagens se
sentem e pensam de determinadas maneiras.
Eterno estrangeiro em vida, ao se deparar com um mundo sem vínculos, totalmente indiferente, o herói da segunda geração exibe
sua insatisfação e inadequação ao se voltar para si, para sua interioridade. O refúgio interior do homem romântico, em alguns casos,
alcança o fantasioso, como ocorre no poema “O noivado do sepulcro”, em que o amor se realiza após a morte.
O personagem rebelde surge como figura contrária à ordem, é transgressor, podendo ser autodestrutivo e cheio de falhas.
Apresenta, também, questões de sociabilidade e, por vezes, chega a praticar crimes.
Um grande exemplo dessa imagem que segue na contramão do que se entendia até então como herói é Simão, protagonista do
romance Amor de perdição, de Camilo Castelo Branco. Simão, por conta do amor extremado que sente por Teresa, é levado a
cometer um crime. Esse mesmo amor que é sua perdição torna-se também sua redenção.
É importante ressaltar que, em um período em que o sujeito se descobre dilacerado e desamparado, o que o torna único ou
diferenciado dos outros é justamente a manifestação do amor descomedido.
O ROMANCE COMO FORMA ELEITA PELA BURGUESIA
O estabelecimento do gênero romance, no Romantismo português, deve ser visto a partir da relação de dependência entre o
romance e o mundo moderno. Nesse sentido, o romance é uma invenção do Romantismo. É o Romantismo que vai codificar o
romance como a grande expressão da modernidade (MAGRIS, 2009).
Há uma relação de oferta e demanda pelo romance, agenciada pela burguesia ascendente. Afinal, ao criar e protagonizar aquele
tempo histórico e consequentemente os romances produzidos, a arte reproduzia o demônio do mundo moderno: o consumo.
Com produção em massa e satisfazendo os desejos de uma burguesia letrada e desejante de leitura, o nível estético das produções
literárias acabaria ficando comprometido. A massa de leitores não possuía senso estético refinado, logo o que lhe era oferecido era
uma cópia barata da literatura da elite, por isso o melodrama e o chavão sentimental geralmente dominavam essas obras (MAGRIS,
2009).
À medida que se estreitava a relação de consumo e literaturae quanto mais as obras eram feitas sob demanda, por encomenda ou
para se alcançar o maior número de leitores, menor era essa literatura. Em Portugal, quem rapidamente entendeu e respondeu a
essa demanda burguesa foi Camilo Castelo Branco, não apenas nos temas e na linguagem palatável para aquele público,
mas também no gênero que mais o interessou, o romance. Não à toa, as novelas camilianas caíram nas graças do grande
público, tornando-se o primeiro best-seller em Literatura Portuguesa.
CONTEXTO DA SEGUNDA GERAÇÃO ROMÂNTICA
O professor Luís Cláudio Dallier Saldanha faz um resumo do contexto e das características da Segunda Geração Romântica,
destacando o ultrarromantismo.
CAMILO CASTELO BRANCO: A ARTE IMITA A VIDA
Camilo Castelo Branco é considerado o autor de maior expressividade da segunda geração romântica portuguesa. Ele é o
representante típico e superior dessa geração, tanto por sua personalidade quanto pelo seu alcance popular (SARAIVA; LOPES,
2005).
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Nascido em Lisboa no ano 1825, desde muito pequeno fica órfão de pai e mãe. Por conta disso, tem uma educação irregular.
Primeiro, é acolhido por uma tia e, logo em seguida, deixado aos cuidados de sua irmã mais velha. Sua instrução se dá através de
dois padres de aldeia, com os quais obteve seus primeiros contatos com a literatura. A eles se deve seu conhecimento eclesiástico e
o contato com os clássicos portugueses e de outras línguas latinas. Próximo de fazer vinte anos, ingressa em um curso de Medicina
por influência de seu cunhado médico. Embora não conclua o curso, adquire um considerável conhecimento acerca de doenças e
drogas, aproveitado em suas obras literárias posteriormente.
Após abandonar a Medicina e passar por algumas desventuras provocadas por sua vida boêmia e conturbada, Camilo se dedica
exclusivamente à escrita. É o primeiro autor de língua portuguesa a viver apenas de seus escritos. Esse fato terá bastante influência
no teor e na linguagem do que produzia, afinal precisava cair no gosto popular para daí tirar seu sustento.

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Sua vida amorosa é um caso que merece atenção à parte. Digna de um romance escrito pelo próprio Camilo, ainda que seus
romances de cunho passional não sejam autobiográficos, eles refletem muito a sua história.
Em 1841, Camilo Castelo Branco se casa com Joaquina Pereira, com quem teve uma filha que morreu aos cinco anos de idade.
Antes de enviuvar de Joaquina, de quem já teria se enfastiado, conhece e se apaixona por Patrícia Emília. Essa paixão o conduz ao
ato de raptá-la, rendendo uns dias na prisão. Camilo tem outra filha, agora com Patrícia, de quem rapidamente se cansa. Outros
amores passam pelo romancista, mas o de maior repercussão é seu caso com Ana Plácido.


Enamorado por Ana Plácido, que se casara com um comerciante brasileiro, uma das razões pela qual o escritor português esboça
nos textos uma espécie de antipatia por essa nacionalidade, Camilo decide ir para o Seminário e se dedicar à vida religiosa, como
forma de amenizar o sofrimento de ver sua amada casada com outro. Decisão de curta duração. Ana Plácido, que corresponde a
essa paixão, decide então deixar o marido e fugir com Camilo. Por conta do escândalo e de problemas financeiros, o casal não
consegue se estabelecer em lugar algum. Sofrem perseguição judicial pelo crime de adultério e acabam os dois presos. Na prisão,
Camilo escreve seu texto de maturidade e considerado sua obra prima, Amor de perdição.
A prisão de Camilo e Ana Plácido tem grande repercussão, seu teor simbólico, fato que renderia uma novela ultrarromântica,
comove seus compatriotas. Enquanto preso, Castelo Branco é contemplado com a visita do rei D. Pedro. Por fim, o caso do amor
proibido recebe absolvição jurídica. Contudo, a vida de Camilo permanece na desventura. Ainda que absolvido e tenha recebido, um
tempo depois, o direito de se casar com Ana Plácido, as sequelas da vida conturbada que vivera já estavam avançadas.
Encontrava-se com problemas financeiros e por consequência rendia-se à mercantilização de seu trabalho, escrevendo sob
demandas de editoras, que chegavam a lhe cobrar obras moralizantes. A sífilis já estava avançada, e Camilo já estava desenganado
de recuperar sua visão muito comprometida. Assim, dá cabo de sua vida com um tiro de pistola. Final trágico e simbólico para seu
tempo.

A OBRA DE CAMILO
A obra de Camilo é bastante vasta e diversa. Escreveu de poesias líricas e satíricas a folhetos, críticas literárias e políticas
virulentas. Suas críticas eram principalmente voltadas ao Brasil, como também a romances ou novelas. De todas as suas
produções, as de maior destaque, sem dúvida, são os seus romances e as suas novelas. Entre seus textos ficcionais, destacamos
Amor de perdição, sua obra prima.
A seguir, confira as características da obra camiliana:
O amor é sua religião e seu objeto é a mulher
É recorrente em seus romances alguns tipos de personagens, como o herói de bom caráter que se deixa corromper pelos vícios
mundanos e encontra no amor irrealizável a redenção para suas falhas. Geralmente, o que impede a concretização desse amor é a
distinção da condição social ou o fato de sua amada estar prometida a um tipo rico e repugnante. A mulher inalcançável e a figura
do rival são também figuras recorrentes.
Inclinação ao melodrama
Com estilo que responde aos apelos populares, a novela camiliana pesa a mão no sentimentalismo, o que se deve muito à
influência do pré-romantismo inglês. Algumas das características dessa influência reproduzidas na obra camiliana são:
Fatalismo
Condição imutável que conduz o personagem ao desespero, uma espécie de destino/sina moderno.
Isolamento
Seja em seminários, conventos, prisões ou até confinados em seu lar, o isolamento espacial é o simbolismo de um estado de
espírito. A solidão dos personagens é muito mais um sentimento, determinado por uma inadequação ao mundo mesquinho, do
que propriamente o fato de não estar rodeado por pessoas.
Hiperbolização ou exagero do sentimento
O amor cultuado é o único espaço de sentido, porém conflitos impedem sua concretização, e a necessidade de reafirmação
do sentimento de forma contundente aparece como espaço de realização.
Negação do trágico clássico e reverência ao trágico shakespeariano
Os romances camilianos receberam muita influência do teatro de Shakespeare, que rompe com o modelo clássico e por isso é
considerado pelos românticos, ao mesmo tempo, símbolo da genialidade e expressão da liberdade de criação. Camilo segue
o fluxo da tragédia, ou seja, da narrativa progressiva atravessada por conflitos e exacerbações sentimentais que caminham
para um desfecho trágico.
Sentimentos contraditórios
Um forte exemplo é o constante conflito entre razão e emoção.
 Atenção! Para visualização completa da tabela utilize a rolagem horizontal
Rejeição à literatura crítico-social
Os contemporâneos de Camilo, em meados da década de 1850, já se encaminhavam para uma guinada mais realista na literatura,
onde já se notavam sinais de uma arte mais preocupada com a crítica social, o que não é visto nas novelas camilianas. Para
Saraiva e Lopes (2005), é significativo que Camilo tenha se esquivado de qualquer crítica social, afinal já havia declarado algumas
vezes sua antipatia a esse tipo de literatura. O que vemos em suas obras é a personalização de atitudes e sentimentos humanos,
como o amor, o ódio, o remorso e a caridade. Encontramos a exploração de vícios e virtudes humanas vistos sob uma perspectiva
subjetiva e individualizada, nunca como resposta a uma questão social. Como o próprio Camilo se autointitula, era um romancista,
mas no sentido estrito da escrita e da estética.
O papel da mulher na novela camiliana
Mulher na obra camiliana detém um espaço etéreo, sua representação poderá ser tanto angelical (figura que redime os pecados
daquele que a ama, desprovida de vícios e recoberta de virtudes) quanto demoníaca (aquela que leva a figura masculina à
perdição). O que se observa de mais marcantenessas imagens tão intensas é que, embora sejam figuras simbolicamente potentes,
esvaziam-se na ação, pois são sempre a representação de um imaginário masculino. Segundo Saraiva e Lopes (2005), é uma saída
para elevar o amor à categoria do sagrado, da desmedida que entra em choque com a razão.
AMOR DE PERDIÇÃO
Amor de perdição, novela considerada a mais célebre obra de Camilo Castelo Branco, foi escrita durante sua estadia na prisão, em
1862, enquanto esperava julgamento pelo crime de adultério. Não à toa, a trama inspirada na obra shakespeariana Romeu e Julieta,
como também no conturbado romance do próprio Camilo com Ana Plácido, representa a trágica relação de um casal apaixonado
que tem como impedimento de sua concretização o ódio entre as famílias. Simboliza a rejeição pelos casamentos arranjados em
nome da liberdade de amar. O romance, já adaptado para o cinema, é considerado a versão portuguesa de Romeu e Julieta.
A seguir, conheça os detalhes da obra Amor de perdição:
Enredo
Teresa Albuquerque e Simão Botelho são dois jovens que se apaixonam e precisam manter sua relação em segredo por conta da
rivalidade entre suas famílias.
Personagens
- Simão Botelho: típico exemplo de herói ultrarromântico, um jovem de personalidade forte, engajado pelas ideias revolucionárias
de sua época, de sangue quente, envolve-se com frequência em brigas. Ao enamorar-se por Teresa, muda seu comportamento,
tornando-se, então, um rapaz virtuoso.
- Teresa Albuquerque: moça tímida e virginal. Apaixonada por Simão, deixa-se consumir por esse amor impossível. Acaba sendo
conduzida pelos conflitos.
- Mariana: jovem melancólica que se apaixona por Simão quando o conhece, ao tratar dos ferimentos dele. É o exemplo do amor
incondicional e abnegado. Sabendo do amor de Simão por Teresa e da impossibilidade de eles se encontrarem, torna-se a
mediadora das correspondências.
- Baltasar Coutinho: comerciante e primo de Teresa, junto à rivalidade familiar, atua como antagonista à concretização do amor de
Teresa e Simão.
O melodrama camiliano
A sucessão de conflitos prende a atenção do leitor que se aflige pelo destino dos protagonistas. De leitura fácil, a fluidez da narrativa
gira em torno de clichês românticos como:
Amor irrealizável
A rivalidade entre as famílias Albuquerque e Botelho impede a concretização do amor do casal.
Culto ao amor
O casal luta pela liberdade de amar, relacionando-se às escondidas e principalmente através de cartas, onde esse amor é
enaltecido e idealizado.
Casamento arranjado
O casamento marcado às pressas com o primo Baltasar é mais um empecilho para o casal.
Exílio/isolamento
Teresa é enviada para o convento, e Simão é condenado ao exílio na Índia.
Herói transgressor
Simão arquiteta o rapto de Teresa e comete um crime de assassinato. Mata brutalmente o primo Baltasar.
Trágico/fatalidade
Teresa não suporta o sofrimento e morre de amor. Simão, ao saber da morte da amada, não vê mais sentido em sua vida e
morre de febre a bordo do navio, tendo seu corpo lançado ao mar. Mariana comete suicídio atirando-se ao mar junto ao corpo
de Simão.
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AINDA SOBRE A VIDA E A OBRA DE CAMILO
Camilo Castelo Branco é de fato uma figura controversa, sua vida e sua obra se misturam em um imbróglio sentimental, onde é
inegável ver um certo tipo de caráter autobiográfico. Sua aventura romântica com Ana Plácido lhe rende a consagrada novela Amor
de perdição, novela que o consagra, e ao mesmo tempo o conduz à ruína financeira, ao adoecimento e, por fim, ao suicídio.
Romancista em estilo e estética, ignora conscientemente os movimentos em direção a uma literatura crítica e se aprimora na
constituição de uma narrativa romanesca fluida, muito próxima da linguagem jornalística, cuja renovação discursiva levou a cabo
seu projeto de estabelecimento do gênero romanesco em Portugal.
Proletarização da escrita ou estilo, a verdade é que a sua estrutura narrativa, levando a lógica das tragédias para o romance,
alcançou a massa burguesa. Até hoje, Camilo é considerado um dos autores mais importantes da Literatura Portuguesa.
 RESUMINDO
Nessa jornada, conhecemos um pouco da biografia de Camilo Castelo Branco e algumas particularidades das suas obras, como o
culto ao amor, a idealização feminina, a presença do trágico, o exagero sentimental, o subjetivismo, entre outros. Analisamos
também, à luz do movimento romântico, sua obra mais significativa. Amor de perdição é, em todos os sentidos, um melodrama
camiliano que carrega o espírito do seu tempo e a história trágica de seu autor.
A OBRA DE CAMILO CASTELO BRANCO
No vídeo a seguir, a professora Elaine Zeranze Bruno apresenta as principais características da obra camiliana inclusive
problematizando sua relação com a biografia do autor.
VERIFICANDO O APRENDIZADO
MÓDULO 2
 Identificar o contexto e as características da Terceira Geração Romântica
BREVE CONTEXTO DA TERCEIRA GERAÇÃO ROMÂNTICA
Terceira geração romântica, terceiro momento do Romantismo ou pré-Realismo são terminologias que dizem respeito a mais
uma das escolas formadas durante o período romântico. Seus primeiros indícios datam de meados do século XIX pela voz de
poetas como João de Deus, Pinheiro Chagas e Xavier de Novais, dentre outros nomes, cujo objetivo era depurar o Romantismo de
seus excessos, o que se dá concomitantemente à escola ultrarromântica.
 ATENÇÃO
Já sabemos que no ultrarromantismo da segunda geração uma importante característica é o exagero sentimentalista, por vezes até
piegas, além do pessimismo e da tragicidade de seus romances. Mas algumas mudanças nas feições românticas, como a
preocupação de retratar a dinâmica social burguesa, era já percebida em Camilo Castelo Branco. Embora Camilo não fizesse de
forma contundente uma crítica social e não tivesse o propósito de uma literatura mais realista, ele estava inserido no seu tempo
histórico e social, não deixando de exibir na sua obra essas sementes.
A descrição da vida burguesa com suas particularidades, fraquezas e seus vícios fez com que essa mesma burguesia se
enxergasse na literatura camiliana e reconhecesse o autor como seu representante legítimo. Seus romances se popularizaram
exatamente por alcançarem essa massa que tinha sede de representatividade, tornando-o um cronista da sociedade burguesa.
Em outras escolas, entretanto, a mudança na prática romântica se deu de maneira mais densa e efetiva. O que incide nessa onda
na direção realista é a busca de uma espécie de purificação das características românticas, ou seja, um abandono dos exageros,
mas mantendo a liberdade e autonomia de criação.
CAMINHOS PARA UMA CONSTRUÇÃO REALISTA
A caminhada rumo a uma arte que represente a realidade se dá muito por influência de Victor Hugo (1802-1885), escritor e ativista
francês que lutou pelos direitos humanos, o que consequentemente se torna uma virada em direção a uma literatura mais social e
engajada.
O contraste entre a literatura ultrarromântica e uma bruxuleante tendência realista se dá em três centros citadinos e culturais
portugueses: Porto, Coimbra e Lisboa. A juventude acadêmica de Coimbra foi a maior fonte dessa virada. Era uma juventude que
encarnava o ideário liberal e progressista no qual fora educada, por isso “não podia deixar de se chocar com a realidade das
instituições, hostis, na prática, a um liberalismo real e ao progressivismo que lhes servia de tabuleta” (SARAIVA; LOPES, 2005, p.
798).
O liberalismo se consolida em Portugal, por isso a preocupação dos primeiros românticos em estabelecer as ideias liberalistas na
arte, ou seja, defender a liberdade de criação e lutar por uma literatura nacional e laica não é mais preeminente. No entanto, outras
questões se mostram urgentes. Na proporção que o progresso econômico e tecnológico ou mesmo a urbanização avançavam, o
mesmo movimento não acontecia com as questões sociais. Desse modo, autores como João de Deus (1830-1896) e JúlioDinis
(1839-1871) reagem afetivamente a essas desigualdades.
 Torre da Universidade de Coimbra, Antonio Canevari, 2011.
JOÃO DE DEUS
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Em 1830, nasce em Algarve o poeta João de Deus, filho do pequeno comerciante Pedro José dos Ramos. De família humilde e
numerosa, para prosseguir seus estudos decidiu entrar para o Seminário, embora não possuísse vocação. Foi lá que obteve as
condições que permitiram, mais tarde, seu ingresso no curso de Direito da Universidade de Coimbra, cuja duração se estendeu por
longos dez anos. Pobre, boêmio e sem vocação também para o Direito, tentou o jornalismo como colaborador e redator de alguns
periódicos, vivendo da escrita e de traduções.
João de Deus possuía um caráter amigável, de personalidade cativante e com dons diversos, como o improviso. Eram seus amigos
que redigiam, selecionavam e publicavam seus versos declamados ou cantados à companhia da viola que tocava (SARAIVA;
LOPES, 2005, p. 915).
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O pouco dinheiro que ganhava gastava em tertúlias nos cafés que frequentava, de onde veio a ideia de candidatar-se a deputado
nas eleições gerais de 1868.
Vencida a eleição, João de Deus tem uma vida política inexpressiva, não prestou serviços como deputado ou mesmo seguiu
carreira. No mesmo ano em que se torna parlamentar, casa-se com Guilhermina das Mercês Battaglia, e dessa união nascem quatro
filhos. Com uma vida razoavelmente estável, casado e na política, sai uma sequência de publicações de suas obras. Nessa época,
é publicado Flores do Campo.
Em 1876, inicia sua carreira na educação com a publicação do método de leitura e escrita em Cartilha Maternal.
“Inicia-se deste modo a sua carreira de pedagogo, que lhe acarretou sérios desgostos até ao fim da vida, fazendo-o reagir com
polêmicas e sátiras, mas que também lhe valeu em 1895, a poucos meses do falecimento, uma das mais entusiásticas
consagrações públicas de que foi alvo um escritor português.” (SARAIVA; LOPES, 2005, p.915)
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Em 1893, o poeta e político Teófilo Braga (1843-1924), seu grande admirador, edita a maior coleção que reúne obras de João de
Deus, Campo de Flores; em 1905, publica O Festival de João de Deus, com biografia e críticas.
TERTÚLIAS
Reunião de amigos com uma certa periodicidade para discutir questões literárias, políticas ou filosóficas.
A POESIA DE JOÃO DE DEUS
Enquanto os exageros ultrarromânticos dos poetas finisseculares agonizam, um suspiro é sentido através da lírica de João de Deus,
conhecida pela beleza e simplicidade de seus versos. João de Deus gabava-se de seus improvisos, de onde, segundo afirmava,
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vinham suas obras, frutos da mais pura inspiração de que era tomado. Contudo, é desmentido pelo poeta Eugénio de Castro (1869-
1944), ao afirmar que os poemas de João de Deus eram lapidados com apuro, a fim de aperfeiçoá-los dando a eles ritmo
harmonioso e naturalidade típicos da oralidade (BERARDINELLI, 2013).
 João de Deus de Nogueira Ramos, 1878.
Destoando de seus contemporâneos, sua lírica amorosa não se encontrava carregada de sentimentalismos exacerbados. É como
se a poesia romântica passasse por uma depuração e ganhasse ares mais singelos. Passava distante, inclusive, nas suas sátiras,
do estilo panfletário corrente. Expunha preocupações políticas e sociais, criando caricaturas das instituições e daqueles que as
perpetuavam.
Sua temática mais abundante é o amor tanto à mulher como a Deus, este último influenciado por sua formação católica.
Na forma, sua fluência rítmica e formalidade o fez ser equiparado a Camões nas redondilhas.
Sua poesia apresenta como principais características:
Simplicidade de versos
Espontaneidade
Fluência
Desatavio
Vamos ler a seguir um de seus poemas.
DEUS?
A Marco Antonio Canini
Quem me terá trazido a mim suspenso,
Atônito, alheado... ou a quem devo,
Enfim, dizer que em nada mais me enlevo,
A ninguém mais do coração pertenço?
Se desço ao vale, ao alcantil me elevo,
Quem é que eu busco, em que será que eu penso?
És tu memória do horizonte imenso
Que me encheu alma d’um eterno enlevo?...
Segues-me sempre... e só por ti suspiro!
Vejo-te em tudo... terra e céu te esconde!
Nunca te vi... cada vez mais te admiro!
Nunca essa voz à minha voz responde...
E eco fiel até do ar que respiro,
Sinto-te o hálito!... em minha alma ou onde?
(DE DEUS, João apud BERARDINELLI, C. Cinco séculos de sonetos portugueses. Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2013, p. 88-
89)
Berardinelli (2013, p. 261) identifica na poesia de João de Deus um novo reflorescimento da velha árvore romântica, insistindo que
na obra do poeta se vê um “romantismo mais sadio [...] que vinha prolongar-lhe a vida”.
João de Deus, assim, aparece para reformar o Romantismo, que padecia, então, de excessos. O soneto “Deus?” segue uma
estrutura regular na obra do poeta, cuja métrica é predominantemente escrita em redondilha maior ou versos decassílabos, verso
popular, pois confere um ritmo falado ao poema, que facilita sua memorização e declamação. Outra característica da sua obra que
podemos observar nesse poema é a temática do amor a Deus.
Declamando despretensiosamente a sua devoção, essa simplicidade não se refere apenas ao rompimento com os exageros
ultrarromânticos, mas também é percebida por meio de uma linguagem prosaica, pela qual seus leitores conseguem se identificar e
compartilhar do sentimento.
Vamos a mais um poema do João de Deus:
REDONDILHA MAIOR
Verso que conta com sete sílabas poéticas.
VERSOS DECASSÍLABOS
Verso que conta com dez sílabas poéticas.
BEIJO NA FACE
Beijo na face
Pede-se e dá-se:
 Dá?
Que custa um beijo?
Não tenha pejo:
 Vá!
Um beijo é culpa
Que se desculpa:
 Dá?
A borboleta
Beija a violeta:
 Vá!
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Um beijo é graça
Que a mais não passa:
 Dá?
Teme que a tente?
É inocente...
 Vá!
Guardo segredo,
Não tenha medo...
 Vê?
Dê-me um beijinho,
Dê de mansinho,
 Dê!
[...]
Guardo segredo;
Não tenhas medo
 Pois!
Um mais na face
E a mais não passe!
 Dois...
Oh! dois? piedade!
Coisas tão boas...
 Vês?
Quantas pessoas
Tem a Trindade?
 Três!
[...]
Três, sim. Não cuides
Que te desgraças:
 Vês?
Três são as Graças,
Três as Virtudes,
 Três.
[...]
(DE DEUS, João. Flores do campo. Salt Lake City-UT: Project Gutenberg, 2008. p. 49-52)
No poema “Beijo na face” notamos a influência herdada do lirismo medieval. Das cantigas de amor, mantém, por exemplo, a sua
oralidade, por meio de versos simples e repetições. Também notamos uma relação com o trovadorismo pelo sentimento amoroso
expresso através do desejo por um beijo que denota leve malícia e sensualidade.
Percebemos ainda nesse poema o que difere João de Deus de seus contemporâneos ultrarromânticos. O amor, na sua poesia, vem
pelo gracejo, na possibilidade de um ou três beijos para sua concretização, sem exageros ou tragicidade da relação amorosa.
Em uma leitura mais atenta é possível atinar para o caminho ascendente percorrido pelo poema, que vai do simples beijo carnal e
terreno em direção ao terceiro beijo, que eleva, conduz ao divino, pois três é a Trindade, três são as Graças, três são as Virtudes,
nas palavras do poeta.
Vamos a um terceiro poema de João de Deus, lendo aqui apenas as três primeiras estrofes:
Amores, amores
Não sou eu tão tola,
Que caia em casar;
Que tenha um só par:
Eu tenho um moreno,
Tenho um de outra cor,
Tenho um mais pequeno,
Tenho outro maior.
Que mal faz um beijo
Se apenas o dou,
Desfaz-se-me o pejo,
E o gosto ficou?
Um d’eles por graça
Deu-me um, e depois,
Gostei da chalaça,
Paguei-lhe com dois.
[...]
(DE DEUS, João. Flores do campo. Salt Lake City-UT: Project Gutenberg, 2008. p. 72)
No poema “Amores, amores” identificamos a mesma tendência maliciosa no tratar do amor. A voz que canta é feminina, influência
das cantigas de amigo, nas quais o eu lírico é representado pela voz de uma mulher.
A busca de João de Deus tentando entender a subjetividade da mulher por meioda representação do sentimento feminino rompe de
vez com a imagem da mulher casta e inalcançável do ultrarromantismo.
 RESUMINDO
Fruto de inspiração ou do burilamento cuidadoso, o que é certo afirmar é que a poesia de João de Deus trouxe novo ânimo para o
período romântico. Todo peso e exagero cede espaço para a poesia sóbria e sensual, permitindo que o amor a Deus, ao amado ou
à amada fosse agora uma linguagem de todo o mundo.
A contribuição de João de Deus vai além da beleza despretensiosa de sua poesia. O poeta também deixou para a Pedagogia um
legado através da Cartilha Maternal, livro no qual apresenta um método de alfabetização para crianças.
JÚLIO DINIS
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Júlio Dinis, pseudônimo de Joaquim Guilherme Gomes Coelho, nasceu na cidade do Porto em 1839. Foi escritor, médico pela
Universidade do Porto e professor dessa instituição, carreira que pouco exerceu por conta da tuberculose. Por conta de sua doença,
precisava de longas estadias longe de sua cidade em busca de um clima salutar.
De ascendência anglo-irlandesa, teve uma educação com base nos costumes ingleses. Sua formação literária se deve muito a essa
escola, o que é perceptível em seus romances.
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Falece em 1871, aos 31 anos, vítima da tuberculose, doença que levara também a vida de sua mãe, avó materna e seus oito
irmãos.
Seus romances ocorrem predominantemente no espaço campesino, excetuando-se apenas a obra Uma família inglesa, passada no
espaço urbano. Trata-se de um romance de costumes que retrata a vida de uma família inglesa que vive na cidade do Porto. O
restante de suas obras, tanto romances como contos, são ambientados no campo.
Sua temática é o amor, mas diverge do amor ultrarromântico. Em Júlio Dinis, em vez de provocar insensatez, o amor é seu extremo
oposto, representando elevação e aprendizado.
Em 1866, é publicado no Jornal do Porto, em folhetins, o romance As Pupilas do Senhor Reitor. No ano seguinte, o romance é
editado em um volume e provoca um sucesso estrondoso. O escritor e historiador português Alexandre Herculano (1810-1877) o
considerou como o primeiro romance do século (SARAIVA; LOPES, 2005).
O que seguiu a esse célebre romance foi uma produção impressionante para o pouco tempo que viveu Júlio Dinis.
 Estátua do escritor português Júlio Dinis no Porto, Portugal.
O AMOR TRANSFORMADOR EM JÚLIO DINIS
Nos romances de Júlio Dinis, a ideia do dever condiciona o amor. O amor não é desvairado, e sim comedido, trazendo a
semente de grandes venturas ou infelicidades (FIGUEIREDO, 1966).
Desse modo, Júlio Dinis vai na contramão dos ultrarromânticos na representação do amor em suas narrativas. O romancista evitava
os excessos não apenas por questão estilística, como também por uma questão de moral. Dizia, a respeito de seus temas e
personagens, que só estudava aquilo que não ferisse a sua sensibilidade (FIGUEIREDO, 1966).
Júlio Dinis é mais uma faceta da fase “amoruda” do Romantismo. Há no romancista a representação de uma crença no amor
verdadeiro e puro, cuja corrupção é provocada por um desequilíbrio, normalmente por um terceiro elemento que desequilibra a
ordem natural. A trama só encerra após essa normalidade retornar.
Um elemento importante que provoca desequilíbrio no mundo ficcional de Dinis é a melancolia.
No romance A Morgadinha dos Canaviais, temos um enredo que gira em torno do protagonista Henrique de Souselas, jovem
proprietário que, desencantado com a vida urbana, vai para o campo por indicação médica como forma de curar sua melancolia.
O sentimento melancólico, sintoma secular devido ao desencantamento do mundo e a uma falta de sentido para vida, é muito bem
descrito nesse romance por meio do protagonista Henrique.
Confira no pequeno trecho do romance a seguir:
“A postura de abatimento que lhe tomara o corpo, o olhar melancólico, fito nas orelhas do macho, a indiferença, a taciturnidade ou o
manifesto do mau humor que nem as belezas e acidentes da paisagem natural conseguiam já desvanecer, o obstinado silêncio que
apenas de vez em quando interrompia com uma frase curta, mas enérgica, com uma pergunta impaciente sobre o termo da jornada
[...]
Tudo lhe causava fastio.”
(DINIS, J. A morgadinha dos canaviais. Lisboa: Amargo, 2015, p. 5, 9)
Enquanto o ultrarromântico reage a esse sentimento de maneira sombria e busca escapar através da exacerbação sentimental, em
Dinis há uma jornada de autoconhecimento. Henrique busca na aldeia, em sua memória de infância, a cura para esse vazio, na
esperança de uma reconciliação com o futuro.
Vemos aí a mensagem de esperança passada do romancista para seu leitor que compartilha daquele sentimento de desamparo.
Para o autor, a própria literatura pode ser uma fonte educativa a promover a reconciliação.
O protagonista segue então para a casa de uma tia, em uma aldeia do Minho, onde conhece Madalena Adelaide de Mesquita, a
Morgadinha, mulher jovem e elegante:
“Aquela mulher parara ali para ler a essa gente pobre e ignorante as cartas que haviam recebido pelo correio.”
(DINIS, J. A morgadinha dos canaviais. Lisboa: Amargo, 2015, p. 73)
A imagem daquela mulher impressiona o protagonista. Essa imagem não se resume à beleza estética e à elegância, embora
descritas com minúcias na trama, sendo destacada também pelo ato de caridade feito, como o narrador qualifica, com bons modos
e carinho.
Aqui notamos um papel fundamental exercido pela representação do feminino no romance dinisiano. Em contraponto à vida vazia
e sem propósito de Henrique na cidade, aparece Madalena, jovem do campo com elevações morais. A conduta de Madalena e a
de sua prima, Cristina, de caráter também puro e virtuoso, transformarão Henrique. Elas serão as guias de modificação do caráter
do protagonista.
Henrique apaixona-se por Madalena, que não corresponde a esse amor. Madalena também é amada secretamente por Augusto.
Desse imbróglio amoroso, em uma briga com Augusto, Henrique se machuca e fica aos cuidados de Cristina, por quem acaba se
apaixonando e com quem se casa. Logo em seguida, o amor de Augusto é desvelado e correspondido por Madalena.
É com a reconciliação do amor que Júlio Dinis encerra a trama pouco dramática e sem muitos sobressaltos de intriga amorosa.
 COMENTÁRIO
Em muito a novela de Dinis se aproxima do romance de formação (bildungsroman) no que diz respeito ao caráter do herói ser
moldado por meio da aprendizagem.
Sobre o romance de formação, Bakhtin argumenta que “o homem se forma ao mesmo tempo que o mundo, reflete em si mesmo a
formação histórica do mundo” (BAKHTIN, 2011, p. 205).
Com base nas ideias do filósofo francês Rousseau (1712-1778), Dinis acreditava no caráter naturalmente bom e educável do ser
humano. A esperança de que um mundo reencantado fosse possível se mostra bastante clara em suas obras, todas muito similares
em enredo e tomadas de sentimentos sadios.
Henrique é um jovem com questões existenciais, que no campo passa por um caminho de autoconhecimento e encontra um sentido
para sua vida. Para além da elevação provocada pelo amor verdadeiro, a reconciliação com o mundo desencantado se dá por meio
de um projeto de modernização agrícola do qual se torna transmissor, um exemplo de ideal burguês, de busca do sentido no
trabalho e na produtividade.
ROMANCE DE COSTUMES
O romance de costumes está relacionado com a influência da Literatura Inglesa em Dinis. Essa influência aparece através do tempo
lento e do caráter popular e educativo de suas novelas. Vemos impressa nos personagens a ética burguesa, prudente e idealista.
Se há um desarranjo moral, como o do personagem Henrique de Souselas, ele é reparado no contato com pessoas de caráter
moralmente superior.
 SAIBA MAIS
Além da moral burguesa, Dinis é também um grande representante de seus costumes. Ele cria várias situações e formas que
refletem o contexto social e que contribuem para a formação de uma consciência burguesa (FRANÇA, 1993).
Essa característica é mais evidente no romance Uma Família Inglesa, escrito no auge da juventude deDinis. O romance foi escrito
de forma didática, organizado em capítulos, como espécie de lições.
O primeiro capítulo traz o seguinte título: “Capítulo I: Espécie de prólogo que se faz uma apresentação para o leitor.”
Esse primeiro capítulo, cujo título é autoexplicativo, é dedicado à apresentação lenta e monótona do personagem Mr. Whitestone:
como se vestia, como se portava, seus modos com os outros indivíduos, sua pronúncia do inglês e como perdia a cabeça caso o
contradissessem na pronúncia de uma palavra de língua inglesa, entre outras descrições.
Confira um pequeno trecho descritivo do personagem:
“A delicadeza que ele praticava não era de facto essa. Fazia-a consistir toda, a sua, nos sentimentos e nas ações inspiradas pelos
eternos e invariáveis ditames da consciência e da razão, superiores portanto às flutuações caprichosas da moda. Era uma
delicadeza natural.”
(DINIS, J. Uma família Inglesa, Porto: Porto Editora, 2015, p. 4)
O segundo capítulo traz o seguinte título: “Capítulo II: Mais duas apresentações e acaba o prólogo.” Nesse capítulo, Dinis faz a
apresentação de mais dois personagens: Jenny e Carlos, filhos de Mr. Whitestone.
Confira um trecho desse capítulo a seguir:
“E nem por isso se julgue frio e insensível o carácter dela; animavam-no também os raios vivificadores dos sentimentos que nos
prendem à terra; [...]
Ainda que um tanto estouvado, não deixava por isso Carlos de possuir um generoso e compassivo coração, alma sensível a todos
os infortúnios, olhos a que a piedade não permitia serem estranhas as lágrimas.”
(DINIS, J. Uma família Inglesa, Porto: Porto Editora, 2015, p. 12-13)
Em todas as descrições ficam claras as virtudes e o bom coração dos personagens, que participarão de narrativas centradas no
Porto, no centro comercial. A narrativa gira em torno do conflito amoroso entre Carlos e Cecília, filha de um guarda-livros da casa.
Embora nessa obra, como em outras, o autor também não se valha de grandes emoções, o texto vale, principalmente, como registro
primoroso do cotidiano burguês.
Vale destacar que os romances de Júlio Dinis se organizam a partir de uma tese moral e da finalidade do mundo ou da vida, pois se
pressupõe que a espécie humana experimenta uma melhoria, ainda que remota. Tal postura se contrapõe à “desesperação e ao
amoralismo cético” dos ultrarromânticos (MOISÉS, 1972, p.189).
 RESUMINDO
A terceira geração romântica, rechaçando os exageros de seus contemporâneos ultrarromânticos, buscou retratar um amor possível,
transformador. Na forma, procurou ser mais direta e sem adornos, cultivando uma linguagem mais limpa.
João de Deus na poesia e Júlio Dinis na prosa apresentam proximidades em suas características. Os dois autores obtiveram largo
alcance em diferentes esferas da sociedade burguesa por conta da linguagem clara que se aproxima dos sentimentos reais.
João de Deus busca nas cantigas trovadorescas inspiração para cantar o amor de modo mais leve, cheio de malícia e sensualidade.
Já Júlio Dinis vê no amor um percurso evolutivo e paga tributo à escola literária inglesa, do romance de costumes.
Tanto o corte de exageros, a palavra límpida, como a representação do cotidiano burguês através de um arranjo caseiro são cisões
que demarcam uma mudança do fazer romântico, nesse caso, para um Romantismo que caminha na direção Realista.
A TERCEIRA GERAÇÃO DO ROMANTISMO
No vídeo a seguir, a professora Elaine Zeranze Bruno apresenta uma síntese das principais características, autores e obras da
Segunda Geração Romântica em Portugal, com destaque para a lírica de João de Deus e a prosa de Júlio Dinis.
VERIFICANDO O APRENDIZADO
CONCLUSÃO
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Por meio deste conteúdo, você conheceu as duas últimas escolas que formam o movimento romântico. Pôde verificar que a
segunda e a terceira gerações românticas, embora possuam características divergentes, fazem parte de um mesmo período
histórico marcado por fatos políticos, sociais e filosóficos.
Você também aprendeu que, no contexto do Romantismo, a sociedade portuguesa se formava a partir de princípios liberais, cuja
expressão e representação de mudança ficaram registradas na Literatura.
Além disso, você conheceu autores que marcaram época e se tornaram porta-vozes do que acontecia, das angústias, dos
costumes, entre outros sentimentos e práticas que marcaram a sociedade durante o Romantismo.
 PODCAST
Agora, a professora Elaine Zeranze Bruno encerra o tema falando sobre a segunda e a terceira gerações do Romantismo em
Portugal.
AVALIAÇÃO DO TEMA:
REFERÊNCIAS
BAKHTIN, M. Estética da criação verbal. 6. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2011.
BERARDINELLI, C. Cinco séculos de sonetos portugueses. Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2013.
FIGUEIREDO, F. História Literária de Portugal (séculos XII - XX). 3. ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1966.
FRANÇA, J. A. O Romantismo em Portugal. Lisboa: Livros Horizonte, 1993.
MOISÉS, M. A Literatura Portuguesa. 10. ed. São Paulo: Cultrix, 1972.
MOISÉS, M. Dicionário de termos literários. 2. ed. São Paulo: Cultrix, 1978.
MAGRIS, C. O romance é concebível sem o mundo moderno? In: MORETTI, F. (Org.). A cultura do romance. São Paulo: Cosac
Naify, 2009.
SARAIVA, A. J.; LOPES, O. História da Literatura Portuguesa. 17. ed. Lisboa: Porto Editora, 2005.
EXPLORE+
Leia na íntegra os poemas, as novelas e os romances analisados brevemente neste conteúdo. A maior parte das obras comentadas
ou mencionadas podem ser lidas ou baixadas gratuitamente em bibliotecas virtuais como: Biblioteca Digital Camões, Domínio
Público e Project Gutenberg.
Conheça uma análise do papel masculino em Amor de Perdição lendo o artigo O mundo dos homens do século XIX: Uma análise
das masculinidades em Amor de Perdição de Camilo Castelo Branco, de Dora Grisel Aranda, publicado na Revell (Revista de
Estudos Literários da UEMS).
Avance no seu conhecimento sobre a obra de João de Deus lendo o artigo A crítica brasileira em torno da lírica de João de Deus ou
acerca dos resíduos mediévicos de Campo de Flores”, de José Willian Craveiro Torres, disponível no repositório digital da UFC.
Assista aos filmes:
Amor de Perdição (1978), de Manoel de Oliveira, disponível no portal do CINEPT.
A Morgadinha dos Canaviais (1949), de Caetano Bonucci e Amadeo Ferrari, disponível no portal do CINEPT.
CONTEUDISTA
Elaine Zeranze Bruno
 CURRÍCULO LATTES
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