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Histologia do Sistema Respiratorio, Endocrino, Fotorreceptor e Audiorreceptor

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DESCRIÇÃO
Sistemas respiratório, endócrino, fotorreceptor e audiorreceptor. Aspectos gerais, aspectos
histológicos e composição dos órgãos.
PROPÓSITO
Compreender os princípios gerais da estrutura de tecidos presentes nos sistemas respiratório,
endócrino, fotorreceptor e audiorreceptor é importante como base para, no futuro, conseguir
atuar na pesquisa, clínica ou em outras disciplinas como Patologia e Fisiologia.
OBJETIVOS
MÓDULO 1
Analisar as características morfológicas, estrutura e função do sistema respiratório
MÓDULO 2
Reconhecer as características morfológicas, estrutura e função do sistema endócrino
MÓDULO 3
Descrever as características morfológicas, estrutura e função dos sistemas fotorreceptor e
audiorreceptor
INTRODUÇÃO
Neste conteúdo você estudará os aspectos histológicos das diferentes partes que formam o
sistema respiratório humano, como cavidade nasal, garganta, laringe, traqueia, brônquios
e pulmões. Você também estudará o sistema endócrino, que é formado pelas glândulas
endócrinas. Os órgãos que formam esse sistema produzem e liberam hormônios na corrente
sanguínea, que são transportados pelo sangue para outras regiões do organismo, nas quais
atuam nos mais variados papéis. Você verá introdutoriamente o hipotálamo, a hipófise, a
glândula pineal, a tireoide, a , o timo, o pâncreas, as glândulas adrenais e algumas outras
estruturas importantes do sistema endócrino. Por fim, também iremos abordar o sistema
fotorreceptor e o sistema audiorreceptor.
MÓDULO 1
 Analisar as características morfológicas, estrutura e função do sistema respiratório
VISÃO GERAL DO SISTEMA RESPIRATÓRIO
O sistema respiratório é responsável pelas trocas de gases entre o meio ambiente e os
capilares pulmonares. Anatomicamente, ele está dividido em um trato respiratório superior,
que inclui a cavidade nasal, a faringe e a laringe, e um trato respiratório inferior, composto
pela traqueia, pela árvore brônquica e pelos pulmões. Além de conduzir o ar, outras
importantes funções do trato respiratório superior incluem aquecimento e umedecimento do ar,
preparando-o para as trocas gasosas, assim como sua filtragem para prevenir infecções e
bloqueio das vias aéreas menores, olfação e vocalização.
 Sistema respiratório humano.
O sistema respiratório é dividido em duas partes: uma porção condutora e uma porção
respiratória.
A porção condutora é na maior parte revestida internamente por um epitélio
pseudoestratificado cilíndrico ciliado, e é responsável pela transmissão do ar aos pulmões.
Essa porção abrange os ductos extra e intrapulmonares, ou seja, as fossas nasais,
nasofaringe, laringe, traqueia, brônquios e bronquíolos.
Já a porção respiratória é onde ocorrem as trocas gasosas durante a respiração. No final da
porção condutora da árvore respiratória estão os bronquíolos terminais. Todos os
componentes que vêm depois dos bronquíolos terminais pertencem à porção respiratória,
formada pelos bronquíolos respiratórios, ductos alveolares e alvéolos, que são as partes
responsáveis pela ocorrência das trocas gasosas.
 Principais estruturas pulmonares.
Histologicamente, o sistema respiratório apresenta um epitélio pseudoestratificado cilíndrico
(também chamado de colunar) ciliado com células caliciformes, característico da mucosa
respiratória, e por isso ele também pode ser denominado epitélio respiratório.
As células caliciformes são células especializadas na produção de muco e estão presentes no
revestimento do lúmen. São epiteliais cilíndricas, mas que possuem formato de cálice, devido à
presença de vários grânulos que contêm muco.
LÚMEN
Espaço interno ou cavidade dentro de uma estrutura num corpo.
javascript:void(0)
 Corte histológico mostrando o epitélio respiratório ciliado da traqueia.
Outro tipo celular encontrado no epitélio respiratório são as células basais. Essas células
também estão presentes na lâmina basal, mas estão “escondidas”, ou seja, elas são baixas e
não se estendem até a superfície do epitélio. Basicamente, elas são um tipo de célula-tronco,
que se multiplicam continuamente e dão origem aos outros tipos de células que estão
presentes no epitélio respiratório. As células granulares são bem parecidas com as células
basais e só é possível diferenciá-las porque elas contêm numerosos grânulos.
Desde as cavidades nasais até a laringe, existem algumas áreas em que o epitélio respiratório
é substituído por um epitélio estratificado pavimentoso, pois certas regiões no nosso sistema
respiratório ficam diretamente em contato com ar e alimentos, e por isso existe a necessidade
de um epitélio que ofereça uma proteção ao atrito, como é o caso do epitélio estratificado
pavimentoso.
Estímulos externos ambientais podem ser determinantes para fazer com que áreas do epitélio
pseudoestratificado cilíndrico se diferenciem em epitélio estratificado pavimentoso. A fumaça
dos cigarros, charutos e cachimbos induzem uma diminuição da quantidade de células ciliadas
e incremento do número das células caliciformes (ou seja, que produzem muco).
Os cílios na via respiratória superior movem o muco e as partículas aprisionadas para baixo,
em direção à faringe. Já os cílios na via respiratória inferior movem o muco e as partículas
aprisionadas para cima, em direção à laringe.
 VOCÊ SABIA
A síndrome dos cílios imóveis é a imobilidade ou os defeitos dos batimentos dos cílios e
flagelos. Essa condição causa esterilidade masculina e infecção crônica das vias respiratórias
em ambos os sexos. Uma das causas da síndrome é uma deficiência genética na proteína
dineína que está presente nos cílios.
As substâncias na fumaça do cigarro também inibem os movimentos dos cílios. Os cílios
têm função de mover o muco produzido pelas células caliciformes e de verificar se estão
paralisados. Apenas a tosse pode remover os grumos de muco e de pó das vias aéreas, é por
isso que os fumantes tossem tanto e são mais propensos a infecções respiratórias.
Agora que você teve uma visão geral do sistema respiratório, irá conhecer a particularidade de
cada porção. Vamos juntos?
ASPECTO HISTOLÓGICO DAS CAVIDADES
NASAIS, FARINGE, LARINGE E TRAQUEIA
CAVIDADE NASAL
A cavidade nasal é uma estrutura revestida quase na sua totalidade pelo epitélio respiratório,
que, como foi visto, é um epitélio pseudoestratificado cilíndrico ciliado e com células
caliciformes.
Ao observarmos as figuras, vemos uma fina camada verde na figura da esquerda, que
representa a membrana mucosa. Já na imagem da direita é possível ter uma ideia de como fica
o muco produzido pelas células caliciformes, acima da membrana mucosa.
 Esquema do epitélio pseudoestratificado cilíndrico ciliado com células caliciformes, que são
secretoras de muco.
 Cavidade nasal.
A cavidade nasal é dividida pelo septo nasal em cavidades direita e esquerda. Na narina está o
vestíbulo, que é revestido por epitélio estratificado pavimentoso contendo pelos espessos,
denominados vibrissas, que atuam como um filtro mais grosseiro contra poeira e
microrganismos que estão suspensos no ar.
Logo abaixo do epitélio encontra-se uma lâmina própria muito vascularizada que também
contém glândulas mucosas e serosas. Os vasos sanguíneos da lâmina própria são
responsáveis pelo fornecimento do calor para aquecimento do ar. A secreção das glândulas
presentes no vestíbulo também tem papel de proteção, pois constitui uma barreira contra
partículas nas vias respiratórias, além de manter um ambiente capaz de umidificar o ar.
Na lâmina própria da cavidade nasal existem muitas células de defesa. Os eosinófilos são
particularmente abundantes em pessoas com rinite alérgica.
Na região superior da cavidade nasal e nas conchas nasais superiores, o epitélio respiratório é
substituído pelo epitélio olfatório, cuja identificação se dá pela sua espessura e pela ausência
de células caliciformes.
 Micrografia da mucosa olfatória mostrando o epitélio olfatório e a lâmina própria com vasos
sanguíneos e nervos olfatórios.
Nessa regiãoestão presentes três tipos celulares, são eles:
Células receptoras olfatórias, que são neurônios bipolares e quimiorreceptores;
Células basais curtas;
Células sustentaculares (por vezes também chamadas de células de sustentação).
No entanto, essas células são difíceis de se diferenciar em preparações de rotina em histologia
que utilizam como coloração a hematoxilina-eosina (HE). As células de sustentação têm um
pigmento que é responsável pela cor amarelada do muco olfatório. As glândulas de Bowman
na lâmina própria produzem uma secreção aquosa que dissolve substâncias químicas e as
torna mais capazes de estimular os receptores.
 Mucosa olfatória da cavidade nasal.
FARINGE
A faringe faz parte tanto do sistema digestório como do sistema respiratório. Graças a esse
órgão, conseguimos respirar mesmo com nossas cavidades nasais bloqueadas. A faringe
humana é dividida em nasofaringe (localizada posteriormente à cavidade nasal), cujo epitélio é
pseudoestratificado cilíndrico ciliado com células caliciformes, e orofaringe (localizada
posteriormente à cavidade oral), que, por causa do constante atrito dos alimentos, é revestida
por epitélio estratificado pavimentoso.
Na região da nasofaringe existem estruturas chamadas tonsilas ou amígdalas. Essas
estruturas muito importantes são formadas por tecido linfático e têm papel importante no
processo de defesa do nosso corpo, pois atuam na produção de linfócitos.
 Amígdala humana com tecido linfoide abundante localizado sob o epitélio.
A parte inferior da faringe que se comunica com o esôfago é chamada de laringofaringe ou
hipofaringe.
LARINGE
A laringe está posicionada entre a faringe e a traqueia e não tem um revestimento epitelial
uniforme.
Ela é formada por uma estrutura cartilaginosa (majoritariamente formada por cartilagem
hialina, mas algumas peças também por cartilagem elástica) revestida por uma membrana
mucosa que consiste em epitélio pseudoestratificado cilíndrico ciliado e uma lâmina própria.
Além disso, a laringe conta com dois conjuntos de músculos do tipo estriado esquelético:
MÚSCULOS EXTRÍNSECOS
MÚSCULOS INTRÍNSECOS
MÚSCULOS EXTRÍNSECOS
Os músculos extrínsecos têm uma das inserções na laringe e outra em estruturas externas a
ela (como a mandíbula, por exemplo). Sua contração eleva ou abaixa a laringe durante e após
a deglutição.
MÚSCULOS INTRÍNSECOS
Os músculos intrínsecos têm como função modificar a abertura das cordas vocais e suas
inserções localizam-se apenas na laringe. Você estudará as cordas vocais a seguir.
Na região anterior e superior da laringe está a epiglote, que é formada por uma cartilagem
elástica em formato de folha recoberta por uma mucosa com epitélio estratificado pavimentoso
em sua parte superior (ou seja, fica em contato com o alimento durante a deglutição), e, na
face posterior, o epitélio é do tipo respiratório. A epiglote fecha a abertura da laringe para
impedir a entrada do alimento “pelo lugar errado” durante a deglutição.
 SAIBA MAIS
A cartilagem hialina é a variedade de cartilagem mais abundante no corpo humano. No humano
adulto, a hialina é encontrada principalmente no fêmur, nas costelas, na superfície dos ossos
longos, na traqueia e nos brônquios.
Além disso, na mucosa do interior da laringe encontram-se dois pares de pregas.
As pregas vocais (ou cordas vocais verdadeiras) têm papel na fonação (produção do som
durante a fala ou o canto, por exemplo) e formam o par inferior. Elas possuem ligamentos
elásticos que são estendidos entre peças de cartilagem aritenoide que são parecidas com
cordas de um violão. Essas peças de cartilagem aritenoide estão ligadas em músculos e,
portanto, quando os músculos se contraem, puxam fortemente os ligamentos elásticos. Esse
movimento puxa as pregas vocais verdadeiras em direção à via aérea.
 Esquema geral das cordas vocais e suas principais estruturas.
As cordas vocais vibram conforme o ar é empurrado contra as pregas vocais, e essa vibração
produz ondas sonoras no ar presente no nariz, na faringe e boca. A altura do som é
proporcional à pressão do ar que está sendo empurrado contra as pregas vocais, e o tom, por
sua vez, é controlado pela tensão aplicada das pregas vocais: elas vibram mais rapidamente se
muito esticadas e produzem um tom mais alto; se são pouco esticadas, o tom produzido é mais
grave.
As pregas vestibulares (também conhecidas como cordas vocais falsas) estão localizadas
logo acima e têm a função de manter a respiração mesmo com pressão na cavidade torácica,
como, por exemplo, quando você faz força para levantar um objeto pesado. Elas não produzem
som.
Os ligamentos vocais situam-se abaixo do epitélio estratificado pavimentoso das cordas
vocais verdadeiras. A ação muscular aumenta e diminui a tensão das pregas vocais para alterar
o timbre do som produzido.
TRAQUEIA
A traqueia é um órgão tubular situado anteriormente ao esôfago. Ela começa na junção com a
laringe e continua até seu desmembramento em dois brônquios primários. Anéis de
cartilagem hialina com formato da letra C fornecem suporte, enquanto o tecido conjuntivo
fibroso que preenche espaços entre eles fornece flexibilidade.
 Tecido cartilaginoso da traqueia de mamíferos.
Você pode fazer o teste: com a ponta dos dedos, toque a pele abaixo da sua laringe.
Você provavelmente poderá sentir os anéis de cartilagem sob a sua pele.
Além disso, nas extremidades dos anéis em forma de letra C existe a musculatura lisa, o
músculo traqueal, que une essa cartilagem. Os anéis de hialina que são em forma de C estão
voltados para o esôfago, e isso permite uma pequena dilatação em direção à traqueia durante
a deglutição. As partes sólidas dos anéis de hialina fornecem uma sustentação rígida para que
a parede traqueal não colapse e obstrua a via área.
Observando a imagem a seguir, vemos em A o tubo traqueal, que é formado por pedaços
empilhados de cartilagem hialina em forma da letra C. Em B é possível visualizar a organização
histológica da parede traqueal.
 Esquema mostrando a traqueia (a) e um corte histológico da traqueia (b).
A traqueia é revestida por uma mucosa em seu interior, uma submucosa (camada de tecido
conjuntivo logo abaixo da mucosa) e uma adventícia (é a camada mais externa), e sua
estrutura estabelece o plano básico para o restante da árvore respiratória.
A mucosa é composta de um epitélio respiratório típico ― um epitélio pseudoestratificado
cilíndrico ciliar alto com células caliciformes ― e uma lâmina própria fibrosa, frequentemente
contendo folículos linfoides. Uma lâmina elástica separa a lâmina própria da submucosa, que
é formada por um tecido conjuntivo denso não modelado, no qual glândulas serosas e mucosas
podem ser encontradas. A adventícia é um tecido conjuntivo fibroelástico que abriga os anéis
cartilaginosos.
 Histológico da traqueia.
O epitélio da traqueia é composto basicamente pelas células ciliadas, células mucosas
(caliciformes) e basais. No entanto, podemos encontrar também as células em escova (células
colunares com microvilosidade de extremidade arredondada) e as células de pequenos
grânulos, que secretam catecolaminas, serotonina e peptídeo liberador de gastrina.
 Corte histológico da traqueia, mostrando os três tipos celulares mais comuns: 1) células
colunares ciliadas, 2) células caliciformes secretoras de muco e 3) células basais próxima a
Membrana Basal (MB).
ASPECTO HISTOLÓGICO DOS BRÔNQUIOS,
BRONQUÍOLOS E ALVÉOLOS
Os brônquios são as primeiras ramificações que partem da traqueia, possuindo estrutura
similar à dela. Na verdade, como mencionado anteriormente, a traqueia se divide em dois
brônquios primários que, por sua vez, se direcionam para cada pulmão.
Vocês perceberão que durante o caminho pela árvore brônquica as tendências gerais são:
O diâmetro dos tubos diminui;
O epitélio como um todo torna-se mais baixo e as células tornam-se mais achatadas, indo
de um epitélio pseudoestratificado cilíndrico ciliado alto na traqueia até um epitélio
simplespavimentoso nos alvéolos;
Ocorre uma diminuição do tamanho das peças de cartilagem, indo de anéis em formato
da letra C na traqueia, passando por estruturas cartilaginosas em forma de placa nos
brônquios até a sua ausência nos bronquíolos;
Há um aumento (relativo ao tamanho do tubo) na quantidade de músculo liso e material
elástico;
O número de glândulas e de células caliciformes diminui.
Histologicamente os brônquios são bem parecidos com a traqueia. Suas cartilagens, porém,
têm formato de placa e não de letra C, sendo as placas encontradas por todos os lados. Não
há lado aberto como nos anéis cartilaginosos em forma de letra C, e sim pequenas peças
cartilaginosas de formato irregular que circundam o tubo inteiramente.
Além disso, há músculo liso e fibras elásticas presentes, assim como glândulas e folículos
linfoides, que são especialmente vistos em pontos de ramificação de vias aéreas.
 Esquema mostrando os feixes de músculo liso. Note os feixes contínuos.
 Corte histológico da parede de um brônquio. Note o epitélio respiratório pseudoestratificado
com células colunares ciliadas e células caliciformes.
O epitélio é pseudoestratificado cilíndrico ciliado com células caliciformes se torna
progressivamente mais curto, pois à medida que se segmentam, há simplificação na estrutura
da parede desse sistema, bem como diminuição da altura do epitélio e transformação do
epitélio pseudoestratificado em epitélio simples não ciliado (não estratificado). Tenha em mente
que essa simplificação é gradual e não há um ponto onde termina um segmento e começa o
outro. Sendo assim, por várias vezes você poderá se deparar com tecidos contendo uma
transição entre epitélios.
 Corte histológico da parede de um brônquio. Note o epitélio respiratório pseudoestratificado
com células colunares ciliadas e células caliciformes.
Os brônquios primários introduzem-se no pulmão a partir de uma estrutura chamada hilo, pelo
qual também entram artérias pulmonares e brônquicas e saem vasos linfáticos e veias. Uma
vez no pulmão, os brônquios primários dividem-se para formar os brônquios secundários.
Existem três brônquios secundários suprindo os três lobos do pulmão direito e dois brônquios
secundários suprindo os dois lobos do pulmão esquerdo, e porque cada brônquio secundário
supre um lobo pulmonar, também são chamados de lobares. Os brônquios secundários, por
sua vez, dividem-se para formar os brônquios terciários (ou segmentares), cada um
suprindo um segmento pulmonar distinto. Ramificações posteriores produzem, em ordem,
bronquíolos, bronquíolos terminais, bronquíolos respiratórios, ductos alveolares e sacos
alveolares (grupos de vários alvéolos).
 Esquema mostrando bronquíolos suprindo alvéolos com rede capilar.
Os bronquíolos são facilmente identificados devido à ausência de peças cartilaginosas e de
glândulas em sua parede. O epitélio é geralmente do tipo simples cilíndrico ciliado em
bronquíolos maiores, que muda para um epitélio simples cúbico ciliado, e, finalmente, para um
epitélio simples cúbico não ciliado nos bronquíolos menores.
 Células em clava.
Células caliciformes são vistas somente nos bronquíolos maiores e a musculatura dos
brônquios é mais espessa do que a musculatura dos bronquíolos. Células em clava ou
células exócrinas bronquiolares (anteriormente conhecidas como células de Clara) são
células encontradas no epitélio bronquiolar e identificadas pela sua superfície apical em
formato de cúpula.
 Células em clava.
 VOCÊ SABIA
O nome Células de Clara fazia referência a Max Clara, um membro do partido nazista que
utilizou amostras de pessoas executadas em suas pesquisas. Em 2012, esse nome foi
modificado, pois foi considerado um tipo de homenagem. Desde então, o nome do tipo celular
foi modificado para Club Cells , em inglês, e para Células em Clava, em português.
Elas fornecem uma fonte de novas células e produzem uma substância surfactante que reduz a
tensão superficial nos pulmões. Pesquisas mostraram que essas células ainda atuam como
células-tronco de células epiteliais, têm papel de proteção por meio da secreção de proteases
(enzimas que quebram ligações entre aminoácidos e proteínas), produzem substâncias
antimicrobianas, citocinas, dentre outras.
 Corte histológico da parede de um bronquíolo terminal. Note a ausência de cartilagem e a
existência de anéis de fibras musculares lisas.
A porção condutora da árvore brônquica termina com os bronquíolos terminais. O epitélio é
simples cúbico, com algumas células ciliadas e células em clava.
 Corte histológico da parede de um bronquíolo terminal. Note a ausência de cartilagem e a
existência de anéis de fibras musculares lisas.
 Corte histológico mostrando os bronquíolos terminais e respiratórios.
Os bronquíolos terminais dividem-se para formar os bronquíolos respiratórios, que representam
o início da porção respiratória da árvore brônquica.
 Corte histológico mostrando os bronquíolos terminais e respiratórios.
 Corte histológico do bronquíolo terminal mostrando células em clava (seta). Note a
espessura do tecido epitelial, demarcado pelo traço vermelho.
Esses bronquíolos têm sua superfície interna revestida por um epitélio simples que pode variar
de cilíndrico a cuboide e pode apresentar cílios na porção inicial. Apesar de poder conter
células em clava, esse epitélio não apresenta células caliciformes. Os bronquíolos respiratórios
se diferenciam dos bronquíolos terminais por terem uma parede formada por uma camada mais
delgada, composta de fibras elásticas e músculo liso.
 Corte histológico do bronquíolo terminal mostrando células em clava (seta). Note a
espessura do tecido epitelial, demarcado pelo traço vermelho.
 Transição entre bronquíolo e ducto alveolar. Note as células em clava, representadas pela
ponta das setas.
Cada bronquíolo se ramifica em dois ductos alveolares. Normalmente, a transição do
bronquíolo para o ducto alveolar ocorre quando a parede fica constituída quase unicamente por
intervalos que indicam as saídas para os alvéolos.
 Transição entre bronquíolo e ducto alveolar. Note as células em clava, representadas pela
ponta das setas.
 Esquema da porção terminal da arvore brônquica.
Os ductos alveolares possuem epitélio simples pavimentoso nas suas extremidades, mas são
revestidos por um epitélio simples cúbico. Uma célula muscular lisa está posicionada ao redor
da abertura de cada alvéolo, dando a aparência de nós na entrada do alvéolo no ducto alveolar.
Ao final do ducto alveolar existem alguns grupamentos de alvéolos denominados sacos
alveolares, que nada mais são do que o conjunto de alvéolos.
Cada bronquíolo terminal e suas ramificações (até os sacos alveolares) constituem um lóbulo
pulmonar. Os lóbulos têm forma aproximadamente piramidal, com sua base voltada para a
superfície pulmonar.
 Esquema da porção terminal da arvore brônquica.
 SAIBA MAIS
Os ácinos pulmonares são pequenas estruturas presentes nos lóbulos. Cada ácino consiste
em um bronquíolo terminal, nos bronquíolos respiratórios e nos alvéolos.
ÁCINOS
Um ácino refere-se a qualquer conjunto de células que se assemelha a muitos lóbulos "bagos",
como uma framboesa ou uva (acinus é o termo em latim para bagas).
Os alvéolos ocupam a maior parte do volume pulmonar, de modo que é praticamente
impossível falar sobre o pulmão sem falar da anatomia alveolar. Esses alvéolos podem ser
descritos como pequenas bolsas de ar e são revestidos por um epitélio simples pavimentoso,
que é difícil de ver claramente em preparações de cortes histológicos. Os septos
interalveolares ou parede celular, mais facilmente visíveis, são formados pelos epitélios de
alvéolos adjacentes.
 Histologia do pulmão.
Existem três tipos principais de células encontrados nos alvéolos: os pneumócitos do tipo I,
os pneumócitos do tipo II e os macrófagos alveolares.
javascript:void(0)
 Corte histológico mostrando as células pneumócitos do tipo I e II que compõem o epitélio do
alvéoloe macrófagos alveolares intra-alveolar. As setas indicam o septo alveolar.
PNEUMÓCITOS DO TIPO I
A maioria da superfície alveolar é coberta por um epitélio simples pavimentoso formado pelos
pneumócitos do tipo I, embora eles constituam somente cerca de 5% das células alveolares.
Eles são muito delgados com núcleo achatado, que raramente são vistos devido ao extenso
citoplasma das células. A principal função dos pneumócitos do tipo I é formar uma barreira bem
fina, de forma a possibilitar as trocas de gases e ao mesmo tempo barrar a passagem de
líquido para o lúmen alveolar.
PNEUMÓCITOS DO TIPO II
Os pneumócitos do tipo II (grandes células alveolares) localizam-se na superfície do
alvéolo, intercalados entre os pneumócitos do tipo I. Eles, assim como os pneumócitos do tipo
I, também se aderem entre si por meio de desmossomos e junções oclusivas. Os
pneumócitos do tipo II são células cuboides com uma superfície apical arredondada e um
núcleo central, frequentemente visualizados em grupos de duas ou três células no ponto em
que as paredes alveolares se tocam. Eles secretam uma substância surfactante que reduz a
tensão superficial e impede que os alvéolos colapsem durante a expiração.
Nos fetos, essa película surfactante lipoproteica aparece nas últimas semanas da gestação, na
mesma ocasião em que os corpos multilamelares surgem nos pneumócitos tipo II, e, por isso,
frequentemente é dito que crianças prematuras não têm o pulmão completamente formado.
Os pneumócitos do tipo II podem se replicar e se diferenciar em pneumócitos do tipo I.
Essa habilidade é muito importante para combater eventuais danos ao parênquima
pulmonar.
MACRÓFAGOS ALVEOLARES
Os macrófagos alveolares são frequentemente vistos na parede alveolar ou no seu lúmen.
Essas células são derivadas de monócitos do sangue e fagocitam pequenas partículas que
tenham escapado de outras defesas.
Os macrófagos são também chamados de células de poeira, pois frequentemente têm em seu
citoplasma fagossomos contendo partículas de carbono ou outras partículas inaladas e
fagocitadas, conforme podemos observar na imagem a seguir:
 Macrófagos (setas) com muitas partículas ingeridas localizadas na superfície do epitélio
bronquiolar.
Células dendríticas alveolares também podem estar presentes, mas em menor quantidade.
Essas células têm a função de processamento e apresentação de antígenos aos linfócitos T.
Como mencionamos, os alvéolos são responsáveis pelas trocas gasosas. No entanto, é
importante que não haja mistura entre o sangue dos vasos capilares e o ar alveolar.
Esse papel é feito pela barreira hematoaérea, que é composta por quatro estruturas: o
citoplasma do pneumócito tipo I, o citoplasma da célula endotelial do capilar sanguíneo,
a lâmina basal do pneumócito tipo I e a lâmina basal do capilar sanguíneo (que está
localizada no interior do septo interalveolar). O oxigênio se difunde por meio dessa estrutura
durante as trocas gasosas entre o ar presente nos sacos alveolares e o sangue presente nos
capilares.
 Esquema mostrando a estrutura de um alvéolo e oxigenação do sangue durante a
respiração.
O septo interalveolar é composto pelo epitélio de dois alvéolos separados por numerosos
capilares sustentados por fibras colágenas e elásticas.
Minúsculas aberturas denominadas poros alveolares unem alvéolos adjacentes pelo septo e
permitem o equilíbrio da pressão dentro dos vários compartimentos pulmonares. Além disso,
esses poros possibilitam a circulação colateral do ar quando um bronquíolo é bloqueado.
 Corte histológico do pulmão. Note o septo alveolar formado por células epiteliais.
O pulmão, do ponto de vista macroscópico, é dividido em lóbulos. O pulmão direito é dividido
em três lóbulos, enquanto o pulmão esquerdo é dividido em dois lóbulos, e estes, por sua vez,
são divididos em dez segmentos no pulmão direito e oito segmentos no pulmão esquerdo.
O parênquima pulmonar tem um aspecto esponjoso graças, justamente, aos sacos
alveolares. A superfície do pulmão é coberta por uma membrana serosa denominada pleura.
Entretanto, a pleura, na realidade, é formada por duas membranas: uma das membranas
reveste diretamente os pulmões e é chamada de pleura visceral, a outra membrana, chamada
de pleura parietal, fica logo acima, do lado de dentro da caixa torácica. Entre essas duas
membranas se forma a cavidade pleural, que é tomada pelo líquido pleural.
 A pleura visceral cobre a superfície dos pulmões.
Abordamos os diferentes aspectos histológicos dos brônquios, bronquíolos e alvéolos, e você
pôde ver que existem novos tipos celulares. No esquema ilustrado a seguir, conseguimos ver
um resumo dos principais tipos celulares que compõem os tecidos do trato respiratório inferior.
 Esquema da histologia do trato respiratório inferior.

HEMATOSE
O especialista Pedro Souto Rodrigues aborda o processo em que ocorrem as trocas gasosas
entre o sistema respiratório e o sangue.
VERIFICANDO O APRENDIZADO
MÓDULO 2
 Reconhecer as características morfológicas, estrutura e função do sistema endócrino
VISÃO GERAL DO SISTEMA ENDÓCRINO
Quando falamos do sistema endócrino, estamos falando de glândulas endócrinas e células
endócrinas. Para que possam secretar hormônios e distribuí-los por todo o corpo, as glândulas
e células endócrinas estão frequentemente muito próximas de capilares sanguíneos. Na figura
abaixo é possível visualizar as glândulas do sistema endócrino.
`
 Órgãos do sistema endócrino em humanos.
Mas antes precisamos saber que tecidos-alvo ou órgãos-alvo são os tecidos ou órgãos em
que determinado hormônio irá atuar (por exemplo, se determinado hormônio irá atuar no
fígado, o fígado é o órgão-alvo desse hormônio).
Um tecido ou órgão irá reagir especificamente a determinado hormônio porque as suas células
têm receptores que reconhecem especificamente esse hormônio. Essa é a principal razão pela
qual hormônios podem circular por todo o corpo e não afetar indiscriminadamente todas as
células.
 A presença de receptores é importante para que hormônios atuem apenas em células
específicas do nosso corpo.
Além disso, a presença de receptores dá às células-alvo a capacidade de responder a
determinado hormônio mesmo se ele estiver no sangue em concentrações muito pequenas.
Em alguns casos, as próprias glândulas ou células endócrinas são alvo de outras glândulas ou
células endócrinas. Dessa maneira o organismo pode controlar a secreção de hormônios por
um mecanismo de retroalimentação (também chamado de feedback ) e manter taxas
hormonais apropriadas dentro de limites muito precisos.
 Retroalimentação positiva (aumenta o efeito do estímulo) e negativa (reduz o efeito do
estímulo).
GLÂNDULAS ENDÓCRINAS, EXÓCRINAS E MISTAS
As glândulas endócrinas são tipicamente de origem epitelial e são formadas como resultado
da invaginação de células superficiais para tecidos situados mais profundamente. Ao contrário
das glândulas exócrinas (que secretam hormônios “para fora”) que mantêm sua conexão com
a superfície (por meio de seu ducto), a conexão das glândulas endócrinas é perdida durante o
seu desenvolvimento.
Glândulas endócrinas são estruturalmente diferentes entre si, porém possuem alguns aspectos
gerais em comum. As células secretoras são referidas, em conjunto, como formando o
parênquima. Existe também frequentemente uma cápsula de tecido conjuntivo e,
evidentemente, os numerosos capilares nos quais os hormônios são secretados. As glândulas
endócrinas podem ser classificadas em cordonal, que apresenta células que se organizam em
fileiras, ou folicular, que contém células secretoras que possuem pequenas esferas
denominadas folículos (que acumulam secreção no seu interior).
 A tireoide é uma glândula endócrina do tipo folicular. A secreção é transportada para o
interior destes folículos, onde é acumulada nesses grânulos rosas chamados de coloides.
ASPECTO HISTOLÓGICO DA GLÂNDULA
PINEAL
A glândula pineal é um pequeno prolongamento ou evaginação do teto doterceiro ventrículo.
Ela é recoberta pela pia-máter, da qual partem septos de tecido conjuntivo (que possuem
vasos sanguíneos e fibras nervosas) que penetram a glândula, dividindo-a em lóbulos de
formas irregulares. Existem dois tipos principais de células presentes na glândula pineal:
pinealócitos e astrócitos.
EVAGINAÇÃO
Uma projeção da membrana celular para fora da célula, formando os chamados pseudópodes.
PIA-MÁTER
É a camada mais interna e delicada das meninges, as membranas que envolvem o cérebro e a
medula espinhal.
 Corte histológico da glândula pienal (aumento de 40x). Setas pretas mostram pinealócitos e
setas vermelhas mostram astrócitos.
Os pinealócitos compreendem cerca de 95% da glândula pineal e são neurônios modificados
que secretam melatonina (um hormônio derivado da serotonina) e são caracterizados por
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núcleos arredondados com nucléolos proeminentes. Em lâminas histológicas coradas por HE,
os pinealócitos podem ser identificados por possuírem um citoplasma basófilo e grandes
núcleos irregulares ou lobados. Além disso, possuem numerosas e longas ramificações com as
extremidades dilatadas que só podem ser visualizadas com outros tipos de corantes. Já os
astrócitos possuem prolongamentos e grande quantidade de filamentos intermediários e têm
função de sustentação e nutrição.
 Corte histológico da glândula pienal (aumento de 40x). Setas pretas mostram pinealócitos e
setas vermelhas mostram astrócitos.
 Corte histológico da glândula pienal (aumento de 40x). Setas pretas indicam os corpos
arenáceos e setas vermelhas, os vasos sanguíneos.
Circulando os grupamentos de pinealócitos encontramos as células intersticiais, que são
estrutural e funcionalmente similares aos astrócitos. Além disso, são encontrados os corpos
arenáceos (ou areia cerebral), feitos de fosfato de cálcio e carbonato de cálcio.
 Corte histológico da glândula pienal (aumento de 40x). A seta preta indica os corpos
arenáceos e a seta vermelha, os vasos sanguíneos.
 SAIBA MAIS
Ao longo dos anos esses corpos tornam-se mais abundantes, porém sua função ainda é
desconhecida. Entretanto, os corpos arenáceos são radiopacas e tornam a pineal bem visível
nas radiografias, servindo como ponto de referência em radiografias do crânio.
 Corte histológico de glândula pineal humana (HE). Numerosos corpos arenáceos podem
ser vistos.
A pineal está envolvida no controle do ritmo circadiano, ou seja, o ciclo de sono e vigília com
duração de 24 horas. A atividade da glândula pineal é inibida pela luz (que é recebida pela
retina, transmitida ao córtex cerebral e retransmitida à pineal por nervos do sistema simpático)
e estimulada pela escuridão, provocando secreção de melatonina e de vários peptídeos, cuja
dose normalmente varia muito na circulação durante um ciclo diário de 24 horas.
 A produção de melatonina (o hormônio do sono) pela glândula pineal é inibida pela luz. Por
esse motivo, podemos ficar sonolentos em dias nublados.
ASPECTO HISTOLÓGICO DA GLÂNDULA
TIREOIDE
A glândula tireoide é encontrada anteriormente à laringe no pescoço. Ela é composta de dois
lobos (divididos por septos de tecido conjuntivo) e está circundada por cápsula de tecido
conjuntivo frouxo. A função da glândula tireoide é produzir os hormônios tiroxina (T4) e tri-
iodotironina (T3), que têm papel fundamental na regulação da taxa de metabolismo do corpo.
A tireoide é composta por milhares de folículos tireoidianos que contêm uma substância
gelatinosa chamada coloide em suas cavidades. Os septos se tornam gradualmente mais
estreitos ao alcançar os folículos, que se separam por fibras reticulares. A tireoide é um órgão
muito vascularizado por uma extensa rede capilar sanguínea e linfática, o que facilita o
transporte de substâncias produzidas pela tireoide e pelo sangue.
SEPTOS
Parede anatômica que divide duas cavidades ou massas de tecido mais mole.
COLOIDE
Substância constituída principalmente por uma glicoproteína denominada tireoglobulina, a qual
contém os precursores dos hormônios da tireoide T3 e T4.
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 A glândula tireoide tem formato semelhante ao de uma pequena borboleta e normalmente
pesa entre 15 e 25 gramas.
 VOCÊ SABIA
A tireoide é a única glândula endócrina que acumula o seu produto de secreção em grande
quantidade. O armazenamento é feito no coloide, e calcula-se que na espécie humana haja
quantidade suficiente de hormônio dentro dos folículos para suprir o organismo por cerca de 3
meses.
Em cortes histológicos, os folículos tireoidianos têm um aspecto muito variado, principalmente
devido aos diversos níveis funcionais exercidos por eles, além das diferentes maneiras pelas
quais eles foram seccionados.
 Folículos tireoidianos revestidos por um epitélio cúbico e preenchidos com coloide.
Diversos folículos são grandes, cheios de coloide e revestidos por epitélio cúbico ou
pavimentoso, enquanto existem alguns menores, com epitélio cilíndrico. De maneira geral, uma
glândula é considerada hipoativa quando a altura do epitélio de um número grande de folículos
é baixa, e é considerada hiperativa quando há diminuição da quantidade de coloide e do
diâmetro dos folículos, acompanhada do aumento na altura do epitélio folicular.
A célula parafolicular (também chamada de célula C) pode fazer parte do epitélio folicular
ou mais comumente formar agrupamentos isolados entre os folículos tireoidianos.
 Corte histológico da tireoide mostrando as células foliculares.
 Células C coradas imuno-histoquimicamente para o hormônio calcitonina (marrom).
Essas células são importantes para diminuir os níveis de cálcio no plasma do sangue, pois
produzem um hormônio que inibe a reabsorção do tecido ósseo chamado calcitonina (ou
tirocalcitonina). A secreção de calcitonina é estimulada quando ocorre aumento da
concentração de cálcio do plasma.
A liberação dos hormônios T3 e T4 acontece quando o coloide presente no interior dos folículos
tireoidianos é digerido por enzimas lisossômicas. T4 e T3 cruzam livremente a membrana da
célula e são liberados nos capilares sanguíneos. Cerca de 90% do hormônio circulante da
tireoide é o T4, entretanto, o T3 é até quatro vezes mais potente.
 A própria glândula tireoide regula a produção de hormônios por um mecanismo de
feedback.
A regulação da glândula tireoide no organismo ocorre principalmente pelas taxas de iodo e do
hormônio estimulante da tireoide (TSH, hormônio tireotrófico ou tireotrofina). O TSH
estimula a captação de iodeto circulante pelos receptores presentes na membrana de células
foliculares e a produção e liberação de hormônios da tireoide. O iodo plasmático e os
hormônios tireoidianos que são secretados inibem a síntese do TSH, estabelecendo um
equilíbrio que mantém o organismo com níveis adequados de T3 e T4. O hormônio liberador
de tireotrofina (TRH) que vemos na imagem anterior é importante, pois estimula a hipófise
(glândula que veremos mais à frente) a sintetizar e liberar o THS que ,por sua vez, estimula a
tireoide a produzir T3 e T4.
IODETO
É a forma química na qual o iodo que ingerimos na dieta é reduzido e assim pode ser absorvido
pela parede do intestino e transportado pelo sangue para a glândula tireoide.
O iodeto de potássio pode ser usado em emergências de radiação que envolvam iodo
radioativo. A glândula tireoide não consegue diferenciar entre as formas estável e radioativa de
iodo, então ela absorve ambas. O iodeto de potássio funciona de forma a evitar que o iodo
radioativo penetre a glândula tireoide, onde possa causar danos. Quando uma pessoa ingere
iodeto de potássio, a tireoide absorve o iodo estável presente no medicamento, fazendo com
que a tireoide fique “cheia” e não consiga absorver mais iodo – estável ou radioativo – pelas
próximas 24 horas.
Uma dieta carente em iodo pode causar a diminuição da síntese de hormônios tireoidianos.
Em consequência, a menor taxa de T3 e T4 circulantes estimula a secreção deTSH, que por
sua vez causa hipertrofia da tireoide. Esse aumento de volume da glândula, chamado de bócio
por deficiência de iodo (bócio endêmico), ocorre em regiões do mundo em que o suprimento de
iodo na alimentação e na água é baixo. Por isso, a Lei nº 6.150, de 3 de dezembro de 1974,
tornou obrigatória no Brasil a adição de iodo no sal de cozinha, destinado ao consumo humano.
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ASPECTO HISTOLÓGICO DA GLÂNDULA
PARATIREOIDE
As glândulas paratireoides estão localizadas na região posterior da glândula tireoide,
geralmente na cápsula que reveste os lobos dessa glândula. São quatro pequenas glândulas
localizadas na região posterior da glândula tireoide, geralmente na cápsula que reveste os
lobos dessa glândula.
 Glândula paratireoide embutida e fixada na glândula tireoide.
Cada uma é envolvida por uma cápsula de tecido conjuntivo fibroso que envia septos para
dentro da glândula e a divide em lóbulos.
 As paratireoides (para = ao lado) encontram-se em número de quatro, medem até seis
milímetros em seu maior eixo e pesam cerca de 0,4 gramas.
O parênquima da paratireoide é composto de células principais secretoras de hormônio da
paratireoide (ou paratormônio) e células oxífilas de função desconhecida. As células
principais são pequenas, com núcleos arredondados e com citoplasma fracamente acidófilo. As
células oxífilas são maiores e mais claras que as células principais.
 Corte histológico da glândula paratireoide.
 O processo de remodelação óssea. Em um corpo saudável, os osteoclastos e os
osteoblastos trabalham juntos para manter o equilíbrio entre a perda e a formação óssea.
O hormônio da paratireoide, o paratormônio, está envolvido na regulação dos níveis de cálcio e
fosfato no sangue, visto que ele é antagônico à calcitonina. Ele se liga a receptores em
osteoblastos. Essa ligação induz à produção de osteoclastos que, por sua vez, aumenta o
número e a atividade dessas células. Assim acontece a reabsorção de matriz óssea calcificada
e a consequente liberação de cálcio no sangue.
 O processo de remodelação óssea. Em um corpo saudável, os osteoclastos e os
osteoblastos trabalham juntos para manter o equilíbrio entre a perda e a formação óssea.
Como já aprendemos, as células parafoliculares da tireoide produzem calcitonina e com isso
inibem os osteoclastos, diminuindo a reabsorção óssea e, consequentemente, a concentração
de cálcio no sangue.
O cálcio presente no sangue se liga a receptores presentes na superfície das células
principais e essa ligação inibe a produção de paratormônio, ou seja, quanto maiores os níveis
de cálcio no sangue, menor é a produção de paratormônio.
Sendo assim, o paratormônio é produzido em resposta às baixas concentrações de cálcio
no sangue, aumentando os seus níveis plasmáticos.
ASPECTO HISTOLÓGICO DAS GLÂNDULAS
SUPRARRENAIS
As glândulas suprarrenais (ou adrenais) estão localizadas sobre os rins. Elas possuem uma
cápsula fibrosa que circunda o parênquima, que é dividido em um córtex externo e uma medula
interna. As adrenais são encapsuladas e divididas nitidamente em duas camadas: uma
periférica espessa, de cor amarelada (devido à presença de colesterol), denominada camada
cortical ou córtex adrenal; e outra central menos volumosa, acinzentada, a camada medular
ou medula adrenal. Alguns autores consideram essas duas camadas como órgãos distintos,
pois têm origens embriológicas diferentes.
 As adrenais dividem-se em córtex adrenal e medula adrenal.
Embora seu aspecto histológico geral seja típico de uma glândula endócrina, a camada cortical
e a camada medular apresentam funções e morfologia diferentes.
As adrenais são recobertas por uma cápsula de tecido conjuntivo denso com delgados septos
projetados para o seu interior.
O estroma é uma rede de tecido conjuntivo repleto de fibras reticulares que sustentam as
células secretoras.
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ESTROMA
Estroma é um tecido conjuntivo vascularizado que forma o tecido nutritivo e de sustentação de
um órgão, uma glândula ou de estruturas patológicas, como um tumor maligno.
O córtex suprarrenal está dividido em três camadas:
zona glomerulosa
zona fasciculada
zona reticulada
 Córtex suprarrenal.
ZONA GLOMERULOSA
ZONA FASCICULADA
ZONA GLOMERULOSA
A zona glomerulosa é uma delgada camada logo abaixo da cápsula. Suas células estão em
grupamentos arredondados e possuem núcleos intensamente corados. Elas secretam o
hormônio aldosterona, que aumenta a pressão arterial por aumento da reabsorção de sódio
nos túbulos renais. A aldosterona age na absorção de sódio pelas células dos túbulos
contorcidos distais dos rins (que são revestidos por epitélio cúbico simples), na mucosa
gástrica e nas glândulas salivares e sudoríparas.
ZONA FASCICULADA
A zona fasciculada está abaixo da zona glomerulosa e é a mais espessa das três camadas
corticais. Suas células estão organizadas em fileiras e são denominadas espongiócitos devido
à sua aparência (possuem abundantes gotículas lipídicas citoplasmáticas). Secretam
principalmente os glicocorticoides, dentre os quais um dos mais importantes é o cortisol, que
agem no organismo inteiro, regulando o metabolismo de carboidratos, proteínas e lipídios, e
têm a função de supressão da resposta imune. Isso acontece porque o cortisol tem
propriedades anti-inflamatórias, visto que é capaz de inibir a atividade de leucócitos, suprimir
citocinas e tem ação imunossupressora.
 Corte histológico da zona fasciculada.
ZONA RETICULADA
ZONA RETICULADA
A zona reticulada é a camada cortical mais interna. Os núcleos e o citoplasma de suas células
coram-se mais intensamente do que os dos espongiócitos. Essas células secretam pequenas
quantidades de hormônios sexuais, os andrógenos, e mineralocorticoides (em menor
quantidade).
Essas camadas ocupam, respectivamente, em torno de 15%, 65% e 7% do volume total das
glândulas adrenais.
 Esquema e corte histológico mostrando as zonas que formam o córtex adrenal.
A medula suprarrenal é essencialmente um gânglio do sistema nervoso simpático. Suas células
são equivalentes, do ponto de vista do desenvolvimento e funcional, a neurônios pós-
ganglionares simpáticos. Elas secretam catecolaminas, especialmente os hormônios
adrenalina (epinefrina) e noradrenalina (norepinefrina), que agem conjuntamente com a
inervação simpática direta preparando o corpo para lidar com situações de estresse.
 Glândulas adrenais mostrando a medula central, rodeada pelo córtex.
Como aprendemos, as adrenais secretam diferentes tipos de hormônios, conforme observado
na figura a seguir.
 As glândulas adrenais produzem diferentes tipos de hormônios.
Apesar de as células do córtex não armazenarem hormônios, as células da medula
armazenam os seus hormônios em grânulos. As células secretoras são basófilas e têm
núcleos grandes.
ASPECTO HISTOLÓGICO DO PÂNCREAS
O pâncreas é um órgão associado ao sistema digestivo, mas possui componentes endócrinos
e exócrinos (ou seja, é uma glândula mista). As ilhotas de Langerhans constituem a porção
endócrina e são estruturas vistas ao microscópio como grupos circulares de células de
coloração menos intensa.
 Ilhota de Langerhans aparecendo como uma estrutura pálida e redonda.
As ilhotas são constituídas por células poligonais, em volta das quais existe uma vasta rede de
capilares sanguíneos com células endoteliais fenestradas. A ilhota é separada do tecido
pancreático por uma camada de tecido conjuntivo que a envolve.
 Corte histológico da ilhota de Langerhans aumentada. Note o tecido conjuntivo (seta).
Na ilhota, a maior parte das células (cerca de 70%) é constituída de células beta (β),
secretoras de insulina.
As células alfa (α), secretoras de glucagon, estão situadas na periferia da ilhota e constituem
cerca de 20% das células. Insulina e glucagon diminuem e aumentam os níveis de glicose no
sangue, respectivamente.
Além disso, temos as células delta (Δ), que produzem o hormônio somatostatina e células
PP, que produzem polipeptídeopancreático. As células acinares indicadas na imagem abaixo
pertencem ao pâncreas exócrino e secretam enzimas digestivas.
 Esquema mostrando as células da ilhota de Langerhans.
As colorações histológicas de rotina não fazem distinção entre os tipos celulares, porém elas
podem ser diferenciadas por colorações imunocitoquímicas específicas para suas secreções.
ASPECTO HISTOLÓGICO DA HIPÓFISE E
DO HIPOTÁLAMO
Por muitos anos, a hipófise (também conhecida como pituitária) foi considerada a glândula
endócrina “mestra” por secretar diversos hormônios que controlam outras glândulas
endócrinas. Sabemos agora que a própria hipófise possui um “mestre”: o hipotálamo.
Essa pequena região do encéfalo é a principal conexão entre o sistema nervoso e as glândulas
endócrinas. Diversos hormônios são sintetizados pelas células do hipotálamo (cerca de nove) e
pela hipófise (cerca de sete). Esses hormônios desempenham papéis importantes na regulação
de processos envolvidos no crescimento, desenvolvimento, metabolismo e homeostase do
organismo.
A glândula hipófise está localizada abaixo do hipotálamo e ocupa a sela túrcica (que nada
mais é que uma pequena depressão em forma de taça no osso esfenoide) e tem a função de
regulação das glândulas adrenais, tireoide, dos testículos e dos ovários. Além de produzir
hormônios importantes como a vasopressina e o hormônio do crescimento.
 A adeno-hipófise e a neuro-hipófise.
A glândula hipófise é dividida em duas regiões diferentes: a adeno-hipófise e a neuro-
hipófise. A adeno-hipófise é originária de células epiteliais enquanto a neuro-hipófise é
originária de células nervosas, ou seja, cada uma dessas regiões tem origens diferentes.
 Corte histológico mostrando a divisão da adeno-hipófise.
Por sua vez, a adeno-hipófise é dividida em pars distalis , pars tuberalis e pars
intermedia , enquanto a neuro-hipófise é dividida em pars nervosa e infundíbulo (este
último liga a hipófise ao hipotálamo). A adeno-hipófise constitui o lobo anterior da hipófise
junto com a pars intermedia , enquanto a neuro-hipófise constitui o lobo posterior.
Dois tipos celulares principais são identificados na adeno-hipófise usando-se métodos de
coloração tradicionais: as cromófilas (contêm grânulos bem corados) e as cromófobas (muito
pouco coradas, pois têm poucos ou nenhum grânulo).
As cromófilas são posteriormente diferenciadas em acidófilas e basófilas, dependendo de sua
afinidade por corantes ácidos e básicos, respectivamente.
Técnicas imuno-histoquímicas levaram à classificação dessas células baseando-se em sua
secreção: os somatotrofos e os mamotrofos secretam hormônio do crescimento e prolactina,
respectivamente, e são acidófilas.
Os corticotrofos, tireotrofos e gonadotrofos, que são células basófilas, secretam diversos
hormônios, incluindo o hormônio estimulante da tireoide (TSH), hormônio folículo-
estimulante (FSH) e hormônio luteinizante.
 Corte histológico da hipófise. Note as células cromófilas acidófilas (rosa) e basófilas (azuis)
e as células cromófobas.
 Corpúsculos de Nissl são acumulações basófilas, que se encontram no citoplasma de
células nervosas.
A neuro-hipófise consiste em fibras amielínicas de células neurossecretoras cujos corpos
celulares estão localizados no hipotálamo. A neuro-hipófise possui axônios de neurônios
secretores com todas as características de neurônios típicos, mas apresentam corpos de
Nissl (estruturas relacionadas com a produção de neurossecreção).
 Corpúsculos de Nissl são acumulações basófilas, que se encontram no citoplasma de
células nervosas.
A neurossecreção (que só pode ser observada por colorações especiais) migra pelos axônios e
se acumula nas suas extremidades, situadas na pars nervosa . Quando os grânulos são
liberados, a secreção entra nos capilares sanguíneos fenestrados e os hormônios chegam ao
sangue, para então serem distribuídos por meio da circulação. Essa neurossecreção consiste
em dois hormônios: a ocitocina e a vasopressina.
A ocitocina apresenta como funções principais promover as contrações musculares uterinas,
reduzir o sangramento durante o parto e estimular a libertação do leite materno. Já as funções
principais da vasopressina são o aumento e a permeabilidade dos túbulos coletores do rim à
água, resultando na saída de água do lúmen desses túbulos em direção ao tecido conjuntivo
que os envolve, onde a água migra para os vasos sanguíneos, elevando a pressão sanguínea.
OUTROS ÓRGÃOS DO SISTEMA
ENDÓCRINO
O timo é um órgão linfático localizado tanto na parte anterior quanto superior da cavidade
torácica, próximo ao coração. Sua cor é variável, pois é vermelha na fase de desenvolvimento
fetal, branco-acinzentada nos primeiros anos de vida e progressivamente vai se tornando
amarelada ao longo da vida. Quando plenamente desenvolvido, é de forma piramidal,
encapsulado e dividido em dois lóbulos.
O timo pode ser dividido em três partes principais: medula (a parte mais interna do timo),
córtex (envolve a medula) e cápsula (o revestimento externo do timo).
 Esquema mostrando a estrutura do timo.
Histologicamente, a cápsula é constituída de tecido conjuntivo denso não modelado, o qual
emite septos que dividem o parênquima do órgão em lóbulos incompletos. Esses lóbulos são
separados por tecido conjuntivo frouxo.
Em cada lóbulo há uma região cortical, mais densa, e uma medular, mais clara. Em ambas
predominam os linfócitos T. Na camada medular, as células epiteliais frequentemente formam
estruturas concêntricas, os corpúsculos de Hassall, que podem sofrer queratinização e
calcificação no centro, conforme observamos na figura a seguir:
 Corte histológico de uma glândula timo corada com HE (esquerda) e corpúsculo de Hassall
(direita) em maior aumento.
Essa glândula está envolvida na produção e maturação dos linfócitos T durante o crescimento
fetal e na infância, e por isso é um órgão muito importante no sistema imune. O timo é o local
em que os linfócitos T se desenvolvem antes de migrarem para os gânglios linfáticos do corpo.
 VOCÊ SABIA
O timo diminui de tamanho ao longo da vida, até que na idade adulta é gradualmente
substituído por tecido adiposo, o que provoca a diminuição da produção de linfócitos T.
 Corte histológico (HE) do testículo.
Os testículos têm uma função citógena (produção de espermatozoides) e uma função
endócrina, ou seja, assim como o pâncreas, são uma glândula mista. O testículo é envolvido
por uma cápsula de tecido conjuntivo denso modelado denominada albugínea.
Histologicamente, os testículos apresentam inúmeros túbulos seminíferos, e, entre esses
túbulos, há um tecido conjuntivo frouxo e células intersticiais.
 Corte histológico (HE) do testículo.
 As células de Leydig possuem um núcleo vesicular, arredondado, e um citoplasma granular.
No tecido conjuntivo frouxo vascularizado localizado entre os túbulos seminíferos dos testículos
estão presentes as células intersticiais de Leydig. Elas são responsáveis pela secreção de
testosterona, o hormônio sexual masculino. As células possuem um núcleo arredondado com
um ou dois nucléolos excêntricos e gotículas lipídicas no citoplasma.
 As células de Leydig possuem um núcleo vesicular, arredondado, e um citoplasma granular.
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ASPECTOS HISTOLÓGICOS DO SISTEMA
REPRODUTOR MASCULINO
O especialista Pedro Souto Rodrigues aborda os principais aspectos histológicos do sistema
reprodutor masculino.
Como os testículos, os ovários também são uma glândula mista com uma função citógena
(produção de óvulos) e uma função endócrina.
No ovário identificamos duas porções distintas: a medula do ovário, que é constituída por tecido
conjuntivo frouxo, rico em vasos sanguíneos e células hilares (intersticiais); e o córtex do
ovário, rico em folículos ovarianos, corpo lúteo e células intersticiais.
Na região cortical predominam os folículos ovarianos, os quais são formados por ovócitos
envolvidos por células epiteliais (células foliculares ou da granulosa). A superfície do ovárioé
revestida por um epitélio (de origem celomática) que varia do tipo pavimentoso ao cilíndrico
simples (denominado impropriamente de epitélio germinativo).
 Corte histológico corado com HE do ovário.
Logo abaixo deste epitélio há uma camada de tecido conjuntivo denso, a túnica albugínea. O
estroma do ovário, entre as estruturas medulares e corticais, possui algumas células
fusiformes, denominadas de células intersticiais ou de Leydig.
 Corte histológico do ovário corado com HE. Note a albugínea.
 Corte histológico corado com HE mostrando o folículo maduro.
À medida que os folículos ovarianos se desenvolvem, o ovócito sofre meiose e as células
foliculares circunjacentes proliferam. As células da teca interna dos folículos ovarianos em
desenvolvimento produzem estrógeno, um dos hormônios sexuais femininos.
Após a ovulação, o folículo ovariano passa por modificações e se transforma em um corpo
lúteo. As células luteínicas da granulosa secretam progesterona e pequena quantidade de
estrógeno. Se ocorrer gravidez, o corpo lúteo continua crescendo e secretando hormônios até o
primeiro trimestre, degenerando-se depois desse período, e a placenta assume o papel da
produção de hormônios. Se não ocorrer gravidez, o corpo lúteo degenera dentro de duas
semanas após a ovulação.
 Corte histológico corado com HE do ovário mostrando o corpo lúteo.
VERIFICANDO O APRENDIZADO
MÓDULO 3
 Descrever as características morfológicas, estrutura e função dos sistemas
fotorreceptor e audiorreceptor
INTRODUÇÃO
Para sobreviver, um organismo precisa reagir ao perigo e se aproveitar das oportunidades.
Respostas apropriadas exigem informações sobre o ambiente externo, a fisiologia interna do
corpo e experiências prévias. Os resultados de experiências prévias são registrados no sistema
nervoso como memória, mas os receptores sensoriais monitoram o ambiente interno e
externo.
A maioria de nós tem consciência da informação sensitiva para o Sistema Nervoso Central
(SNC) a partir das estruturas associadas ao olfato, à gustação, à visão, à audição e ao
equilíbrio. Esses cinco sentidos são conhecidos como especiais.

Os outros sentidos são chamados de gerais e incluem os somáticos e os viscerais. Os
sentidos somáticos incluem as sensações táteis (toque, pressão, vibração), sensações
térmicas (calor e frio), sensações de dor e sensações proprioceptivas (sentido de posição da
articulação e do músculo, movimentos dos membros e da cabeça).
Os receptores sensoriais gerais são de estrutura simples e estão amplamente distribuídos pelo
corpo. Os sentidos especiais têm receptores mais complexos em termos estruturais e são de
localização mais específica. Dentre esses estão a visão e a audição, que abordaremos neste
módulo.
 Células receptoras: bastonete e cone (visão), corpúsculo de Meissner (toque), receptor
olfativo (cheiro), célula capilar (audição) e célula gustativa (paladar).
Mais da metade dos receptores sensitivos no corpo humano está localizada nos olhos, e uma
grande parte do córtex cerebral é dedicada ao processamento da informação visual. Entretanto,
os audiorreceptores podem converter as vibrações sonoras em sinais elétricos mil vezes mais
rápido do que os fotorreceptores podem responder à luz.
SISTEMA FOTORRECEPTOR
 Anatomia do olho humano.
O globo ocular é o local de fotorreceptores responsáveis pela visão e é composto por três
camadas básicas. Da mais externa para a mais interna, elas são a túnica fibrosa, a túnica
vascular e a túnica nervosa. Veremos cada uma dessas túnicas, pois elas contêm os
elementos do globo ocular, elementos esses que nos permitem enxergar. Além disso, existem
duas cavidades no olho.
A cavidade anterior localiza-se anteriormente à lente (ou cristalino) e contém o líquido
denominado humor aquoso.
A cavidade posterior está posteriormente à lente e ocupa o maior volume do olho. Ela contém
o corpo vítreo (ou humor vítreo) retrátil e de consistência gelatinosa, que é o que mantém a
forma esférica do olho. É formado principalmente por água, fibras e ácido hialurônico.
A túnica fibrosa é composta em sua maior parte pela esclera e pela córnea. A esclera é
formada por fibras colágenas densamente organizadas, que são responsáveis por sua
aparência branca, ou seja, o “branco do olho”.
 Corte histológico mostrando a esclera e a conjuntiva.
 Visão microscópica do nervo óptico.
A esclera é um local de fixação para os músculos oculares e é contínua com a dura-máter do
nervo óptico.
A partir da figura observamos a arquitetura do nervo óptico. Histologicamente, ele apresenta
lóbulos de tecido mais frouxo separados por traves mais densas. Ele é constituído por feixes de
axônios envolvidos por células gliais (astrócitos e oligodendrócitos), e entre os feixes há traves
de tecido fibroso onde ficam os vasos, dando ao tecido o aspecto de ilhotas.
A córnea é transparente e avascular, com cinco camadas distintas. Na superfície anterior, o
epitélio da córnea é um delgado epitélio estratificado pavimentoso não queratinizado, que é
contínuo com o revestimento da conjuntiva da superfície interna da pálpebra. A córnea
possui numerosas terminações nervosas.
Para você se localizar e compreender melhor, a córnea está sobre a íris e a pupila, mas não
impede a visualização delas por ser transparente. Abaixo do epitélio da córnea encontra-se a
membrana de Bowman, uma delgada lâmina basal formada por colágeno. O estroma é a
camada mais espessa e é composto por cerca de 250 lamelas de fibras colágenas. As fibras
em cada lamela são paralelas, mas as fibras de lamelas adjacentes estão orientadas em
diferentes direções.
 Corte histológico mostrando as camadas internas da córnea do olho.
Na figura anterior note o estroma com fibras de colágeno, fibroblastos intercalados, uma
membrana de Descemet espessa e um capilar com endotélio muito fino.
O canal de Schlemm (que nada mais é do que um tubo de endotélio, que se assemelha ao de
um vaso linfático) é encontrado no estroma na região da junção esclerocorneal. A camada de
Dua é uma camada da córnea humana com apenas 15 micrômetros de espessura.
O canal está situado entre o estroma da córnea e a membrana de Descemet, e apesar da sua
estrutura delgada, a camada é muito resistente e impermeável ao ar. A membrana de
Descemet é uma membrana basal espessa localizada entre o estroma e o endotélio da córnea.
A superfície posterior da córnea é revestida com um epitélio simples pavimentoso, o endotélio
da córnea. Entre outras funções, o endotélio corneal mantém o estroma desidratado de modo
a manter as qualidades ópticas.
 Esquema com a estrutura da córnea, observe as 6 camadas, que permitem a passagem da
luz de fora para dentro do olho e protegem a íris e o cristalino.
 VOCÊ SABIA
A camada de Dua foi descrita apenas em 2013 e pode ter importantes implicações médicas,
pois ela pode ajudar os cirurgiões a melhorarem os resultados atingidos por pacientes com
transplantes de córnea. Durante a cirurgia, pequenas bolhas de ar são injetadas no estroma da
córnea numa intervenção conhecida como "técnica da bolha grande". Por vezes, a bolha
estoura, danificando o olho do paciente. Se a bolha de ar for injetada sob a camada de Dua, e
não por cima desta, a resistência dessa camada pode reduzir o risco de deslocamento.
Profundamente à túnica fibrosa encontra-se a túnica vascular. Ela é composta pela coroide,
pelo corpo ciliar, pelo músculo ciliar, pela íris e pela pupila. A coroide é formada por tecido
conjuntivo frouxo, é altamente vascularizada e contém quantidade abundante de melanina, um
pigmento preto.
 Corte histológico mostrando a retina e a coroide. Note a coroide pigmentada e com vasos
sanguíneos dilatados.
Graças à coroide existe o reflexo vermelho do olho, que rotineiramente aparece em fotos com
uso de flash.
O corpo ciliar é uma expansão circular da túnica vascular associada à lente. Os processos
ciliares estendem-se do corpo ciliar e produzem o humor aquoso, que ocupa a cavidadeanterior do olho. Histologicamente eles são revestidos por uma camada epitelial dupla, com o
epitélio interno não pigmentado e o epitélio pigmentado repousando sobre um estroma
altamente vascularizado.
 Corte histológico mostrando o corpo ciliar e os processos ciliares.
Os ligamentos suspensórios da lente também se estendem dos processos ciliares e se
inserem na lente. O músculo ciliar, um músculo liso no interior do corpo ciliar, ajusta a tensão
sobre os ligamentos suspensórios e, por sua vez, sobre a lente, mudando assim seu formato e
permitindo que ela focalize luz sobre a retina.
A íris é a parte colorida do olho. Ela separa a câmara anterior da câmara posterior na
cavidade anterior. O orifício em seu centro é a pupila.
Na superfície posterior da íris está uma camada de melanócitos, e quanto mais abundantes
eles forem, mais escuros serão os olhos. Internamente, existem músculos lisos arranjados
circularmente e radialmente ao redor da pupila.
O primeiro é o músculo esfíncter da pupila (constritor), responsável pelo fechamento da
pupila em condições de alta intensidade de luz.

O último é o músculo dilatador da pupila, responsável por sua dilatação quando está mais
escuro.
A camada epitelial interna é pigmentada, mas a camada externa, constituída por células
achatadas, não apresenta pigmento.
Os termos para esse aumento ou redução da pupila são midríase para a dilatação, e miose
para a redução da pupila.
 Corte histológico da íris. Note os vasos sanguíneos (pontas das setas), o músculo
constritor, o músculo dilatador e epitélios da camada interna e externa.
O humor aquoso é derivado de capilares nos processos ciliares. Ele flui da câmara posterior,
por meio da pupila, para dentro da câmara anterior, e é devolvido ao sangue pelo canal de
Schlemm. O humor aquoso supre a lente e a córnea com oxigênio e nutrientes.
A lente (ou cristalino) é um disco biconvexo transparente. Sua flexibilidade permite que ela
mude de forma (como resultado de mudanças de tensão causadas por contração e
relaxamento do músculo ciliar) e focalize imagens na retina.
A lente consiste em três camadas.
Na superfície encontra-se uma cápsula da lente, um revestimento acelular, transparente, rico
em colágeno do tipo IV e glicoproteínas.
A segunda camada é um epitélio subcapsular simples cúbico situado abaixo da cápsula na
superfície anterior.
Finalmente, cerca de 3 mil fibras, alongadas e hexagonais, formam a maior parte da lente.
Conforme elas amadurecem, alongam-se ao longo do eixo anteroposterior da lente e perdem
suas organelas. A capacidade refratária das fibras deriva do acúmulo da proteína cristalina
contida nelas.
 Corte histológico anterior do cristalino.
 SAIBA MAIS
Com o envelhecimento, a lente perde um pouco de sua elasticidade e, assim, sua capacidade
de acomodação diminui. Em torno dos 40 anos de idade, as pessoas que não usavam óculos
começam a precisar deles para visão de perto (como na leitura, por exemplo). Essa condição é
chamada de presbiopia (presbys = velho, opia = pertencente aos olhos).
 Estrutura da retina mostrando os cones e bastonetes.
A túnica interna, apesar de todas as outras túnicas serem importantes, tem uma importância
especial. Isso porque ela é composta pela retina, a camada do olho formada por tecido
nervoso. As células fotorreceptoras da retina são denominadas bastonetes e cones. Seu
formato complexo inclui uma região nuclear (corpo celular), que contém o núcleo.
Estendendo-se posteriormente a partir da região nuclear estão os segmentos interno e
externo. O formato do segmento externo, que contém pigmentos, é a base para a
denominação dos bastonetes e cones. Estendendo-se anteriormente a partir da região nuclear
está a região sináptica.
 Esquema das células presentes na retina em uma seção transversal.
Funcionalmente, os bastonetes e cones diferem na quantidade de luz necessária para
estimulá-los. Os bastonetes são estimulados em baixa intensidade de luz e são responsáveis
pela visão monocromática (o “preto e branco”). Os cones são estimulados por intensidades
mais altas de luz e são responsáveis pela visão em cores. Existem aproximadamente 6 milhões
de cones em cada olho humano, concentrados na região fóvea, que você conhecerá a seguir.
Como parte da retina, as células bipolares existem entre os fotorreceptores (bastonetes e
cones) e as células ganglionares (é um tipo de neurônio localizado próximo à superfície
interna da retina). As células bipolares agem, direta ou indiretamente, para transmitir sinais dos
fotorreceptores para as células ganglionares.
Os humanos normalmente têm três tipos de cones. O primeiro responde à luz de comprimentos
de onda longos, resultando numa cor vermelha. Já o segundo tipo responde à luz de
comprimento de onda médio, atingindo um máximo de uma cor verde. Finalmente, o terceiro
tipo responde mais a curto comprimento de onda de luz, de cor azulada. A diferença entre os
sinais recebidos a partir dos três tipos de cone permite que o cérebro perceba todas as cores
possíveis.
 VOCÊ SABIA
Tetracromatismo é uma mutação genética que permite enxergar cerca de 10 milhões de
cores, enquanto um ser humano normal enxerga apenas 1 milhão de cores. É uma condição
mais comum em primatas, mas, apesar de rara, pode ocorrer em seres humanos também.
Entretanto, acomete apenas mulheres, pois depende de mutação genética nos dois
cromossomos X. Pessoas afetadas por essa mutação possuem um tipo de célula cone extra
(são quatro cones).
A retina consiste em dez camadas. Com seus formatos complexos e sua orientação
perpendicular à retina, diferentes partes dos bastonetes e cones são observadas em diferentes
camadas. As camadas de fora para dentro são observadas na figura a seguir:
 Corte histológico (a) mostrando as camadas da retina e em (b) um esquema dos tipos
celulares encontrados.
Conheça melhor as camadas da retina:
EPITÉLIO PIGMENTAR
CAMADA DE FOTORRECEPTORES
MEMBRANA LIMITANTE EXTERNA
CAMADA NUCLEAR EXTERNA
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javascript:void(0)
javascript:void(0)
javascript:void(0)
CAMADA PLEXIFORME EXTERNA
CAMADA NUCLEAR INTERNA
CAMADA PLEXIFORME INTERNA
CAMADA DE CÉLULAS GANGLIONARES
CAMADA DE FIBRAS DE NERVO ÓPTICO
MEMBRANA LIMITANTE INTERNA
 Atenção! Para visualização completa da tabela utilize a rolagem horizontal
EPITÉLIO PIGMENTAR
É limítrofe à coroide e é composto de células cilíndricas curtas que acumulam melanina. A
melanina, por sua vez, absorve luz que não foi absorvida pelos bastonetes e cones e evita
reflexão de volta para dentro do olho. As células pigmentadas também circundam os
segmentos externos dos bastonetes e cones.
CAMADA DE FOTORRECEPTORES
Contém os segmentos externos dos bastonetes e cones.
MEMBRANA LIMITANTE EXTERNA
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javascript:void(0)
javascript:void(0)
javascript:void(0)
javascript:void(0)
javascript:void(0)
A membrana delgada e acidófila não é de fato uma membrana. Esta é uma região de junções
de oclusão entre as células de Muller (grandes células gliais) e os bastonetes e cones.
CAMADA NUCLEAR EXTERNA
Consiste em corpos celulares dos bastonetes e cones densamente compactados e seus
núcleos.
CAMADA PLEXIFORME EXTERNA
É a região de sinapses axodendríticas entre os bastonetes e cones e a próxima camada de
neurônios (bipolares).
CAMADA NUCLEAR INTERNA
Contém corpos celulares de neurônios bipolares (também chamados de células bipolares), de
outros neurônios e células de Muller.
CAMADA PLEXIFORME INTERNA
Região de sinapses axodendríticas entre os neurônios bipolares e os neurônios da próxima
camada (células ganglionares).
CAMADA DE CÉLULAS GANGLIONARES
Contém corpos celulares de neurônios ganglionares (também chamados de células
ganglionares), cujos axônios formam o nervo óptico.
CAMADA DE FIBRAS DE NERVO ÓPTICO
É composta por axônios de células ganglionares que convergem para o disco óptico e
emergem como nervo óptico.
MEMBRANA LIMITANTE INTERNA
É a camada mais interna da retina e consistena lâmina basal. Estende-se da membrana
limitante interna até a membrana limitante externa, onde elas formam junções de oclusão com
os bastonetes e cones. As células de Muller, do ponto de vista físico e metabólico, sustentam
os bastonetes e cones.
No local de emersão do nervo óptico no olho, não há retina, e este é o ponto cego. A alguns
milímetros lateral e levemente inferior ao ponto cego existe uma pequena depressão na retina
onde a acuidade visual é máxima, chamada de fóvea central.
A pálpebra apresenta seu suporte estrutural em uma placa de tecido fibroelástico denominado
tarso e em fibras musculares dos músculos orbiculares dos olhos e elevador das
pálpebras (pálpebra superior). Anteriormente, a pálpebra é coberta por uma pele delgada.
Posteriormente, ela é revestida por um epitélio estratificado cilíndrico com células caliciformes,
formando a conjuntiva palpebral. A conjuntiva palpebral dobra-se e recobre a porção exposta
da esclera como a conjuntiva bulbar. As secreções mucosas lubrificam as pálpebras e a
superfície do olho.
 Esquema ilustrando a pálpebra.
As glândulas lacrimais são constituídas por células serosas que contêm no seu ápice grânulos
de secreção que se coram fracamente. A sua porção secretora é envolvida por células
mioepiteliais.
 Corte histológico da glândula lacrimal. Note os ductos com um epitélio pavimentoso
estratificado não queratinizado.
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PRINCIPAIS ASPECTOS DO SISTEMA
FOTORRECEPTOR
O especialista Pedro Souto Rodrigues falará sobre os principais aspectos do sistema
fotorreceptor.
SISTEMA AUDIORRECEPTOR
O ouvido possui três partes principais:
Ouvido externo
Ouvido médio
Ouvido interno
 Anatomia do ouvido.
O ouvido externo consiste na orelha (aurícula) e no meato auditivo externo. A orelha é
composta de um arcabouço estrutural de cartilagem elástica coberto por pele. Ela coleta as
ondas sonoras e as conduz a partir do meato auditivo externo até o tímpano. A parte proximal
do meato auditivo externo é formada por cartilagem elástica, enquanto a porção distal é óssea.
Ambas são revestidas por pele contendo glândulas que secretam cerúmen (cera de ouvido). A
membrana timpânica, de consistência fibrosa, forma a divisão entre o ouvido externo e o
ouvido médio.
A cavidade do ouvido médio é um espaço no interior do osso temporal e é revestida por um
epitélio que varia de simples cúbico a simples pavimentoso. Ela se abre na nasofaringe a partir
da tuba auditiva (“trompa de Eustáquio”). Os ossículos são três pequenos ossos (martelo,
bigorna e estribo) que ligam a membrana timpânica ao ouvido interno. As vibrações na
membrana timpânica causadas por ondas sonoras são amplificadas pelos ossículos.
O ouvido interno (também chamado de labirinto) é formado por pequenas cavidades e canais
escavados no osso temporal. Conjuntamente, estes constituem o labirinto ósseo. O labirinto
membranoso está contido em seu interior e se adapta ao formato do labirinto ósseo. Ambos
são preenchidos com fluidos. O labirinto ósseo contém perilinfa, enquanto o labirinto
membranoso contém endolinfa. Existem três regiões no ouvido interno: o vestíbulo, os canais
semicirculares e a cóclea.
 Mácula do utrículo do vestíbulo da orelha interna de um embrião de rato. O espessamento
do epitélio (seta) mostra dois tipos de células: células de suporte e pilosas sensitivas.
O vestíbulo é a porção intermediária do labirinto ósseo. Em seu interior estão o utrículo e o
sáculo, constituintes do labirinto membranoso. Eles são revestidos por um epitélio simples
cúbico, e cada um contém uma mácula. As máculas estão orientadas em ângulo reto uma em
relação à outra, e são compostas de células receptoras usadas na manutenção do equilíbrio e
da postura.
 Mácula do utrículo do vestíbulo da orelha interna de um embrião de rato. O espessamento
do epitélio (seta) mostra dois tipos de células: células de suporte e pilosas sensitivas.
 Microscopia eletrônica de varredura mostrando células pilosas sensitivas no ouvido. É
possível ver diversos estereocílios e um quinocílio.
Nessa região temos dois tipos celulares, as células de suporte e as pilosas sensitivas. Os
receptores de fato são células pilosas sensitivas (frequentemente chamadas de células
sensoriais ciliadas) que possuem estereocílios e um único quinocílio que se projeta para
dentro de uma camada gelatinosa de glicoproteínas. Os otólitos, constituídos por carbonato de
cálcio, estão também embebidos na camada glicoproteica. Movimentos da cabeça resultam em
dobramento dos estereocílios e em estimulação de células pilosas. O complexo estímulo
sensorial a partir de células pilosas é processado pelo encéfalo e usado para determinar a
posição da cabeça no espaço.
 Microscopia eletrônica de varredura mostrando células pilosas sensitivas no ouvido. É
possível ver diversos estereocílios e um quinocílio.
Estendendo-se em direção posterior a partir do vestíbulo estão três canais semicirculares
orientados em ângulo reto um em relação ao outro. Os ductos semicirculares são parte do
labirinto membranoso em cada canal, cujas ambas as extremidades se abrem no utrículo. A
ampola é uma dilatação em uma extremidade de cada ducto. Ela contém a crista ampular que
possui células pilosas sensitivas similares àquelas da mácula.
A cúpula é uma camada glicoproteica gelatinosa que se superpõe a cada crista. Os
movimentos corporais resultam em inércia na endolinfa, que pressiona as cúpulas e estimula
as células pilosas. O complexo padrão da estimulação das células pilosas é interpretado pelo
encéfalo como movimento em uma direção particular a uma velocidade particular.
O vestíbulo é excitado pelo deslocamento dos otólitos sobre a mácula, isso ocorre quando a
cabeça e o corpo são deslocados seguindo uma linha, como se deslocar para frente ou para
trás, ou para cima e para baixo. Já quando giramos a cabeça, o ducto se move, mas a
endolinfa fica atrasada devido à inércia. Isso desvia a cúpula e inclina o estereocílio para
dentro. Resumidamente, a crista ampular nos dá informações sensoriais de rotação enquanto
os órgãos otólitos nos dão as informações de deslocamento.
 Esquema do funcionamento do sistema vestibular.
 SAIBA MAIS
Algumas coisas melhoram com a idade, mas a audição não é uma delas. Os danos às células
pilosas que convertem ondas sonoras em impulsos nervosos acumulam-se ao longo da vida, e,
quando a perda auditiva é descoberta, já ocorreu prejuízo irreversível. A exposição ao ruído
excessivo é a causa mais comum de dano celular.
A cóclea contém os receptores da audição. Ela consiste em um canal espiral que se estende
anteriormente a partir do vestíbulo. O labirinto ósseo está dividido em dois canais separados
pela escala média, de estrutura membranosa, que é preenchida com endolinfa. A escala
vestibular e a escala timpânica estão a cada lado da escala média e contêm perilinfa. Uma
vez que a escala média não se estende ao longo de toda a extensão da cóclea, a escala
vestibular e a escala timpânica são contínuas no ápice da cóclea. O modíolo forma o eixo
ósseo da cóclea.
 Corte transversal da cóclea mostrando a escala vestibular, timpânica e média.
Em corte transversal, a escala média tem aspecto triangular, com as membranas vestibular e
basilar separando-a da escala vestibular e da escala timpânica, respectivamente. Disposto
sobre a membrana basilar está o órgão de Corti, que contém células pilosas e células de
suporte. As células pilosas são os verdadeiros receptores para os sons e apresentam
estereocílios embebidos na membrana tectória que repousa sobre eles.
A seguir, veja um esquema detalhado desse órgão.
 Esquema ilustrando o órgão de Corti.
A vibração de determinada frequência (relacionada ao comprimento de onda sonora que
produz) resulta no movimento de determinada porção da membrana basilar. Isso estimula as
células pilosas, as quais por sua vez estimulam os neurônios bipolares sensitivos que ocupam
o gânglio espiral. Seus axônios formam o nervo auditivo.

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