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Panorama geral sobre a Amazônia e as possibilidades de criação de indicadores de Bem-Estar específicos para populações tradicionais
Dr. Luiz Felipe Lacerda
UNICAP/OLMA
AMAZÔNIA
7,8 milhões de km²,
12 macro-bacias e 158 sub-bacias hidrográficas,
1.497 municípios, 68 estados/departamentos/províncias e 9 países,
33 milhões de pessoas, 385 povos indígenas,
610 áreas nacionais de proteção e 2.344 terras indígenas ocupam 45% de seu território,
O Brasil possui 64,3% da Amazônia, com aproximadamente 5 milhões de Km², o que representa 58,8% do território nacional,
A Amazônia Legal, pela lei 1.806 de 1953, é composta por 9 estados: Acre, Amazonas, Amapá, Pará, Roraima, Rondônia, Tocantins, Mato Grosso e parte do Maranhão. 
(IBGE, 2010)
Entre os habitantes tradicionais das floresta os índios são aqueles que mais tempo habitam estes territórios. Mas quem são os índios? 
São mais de 350 milhões de pessoas localizadas em mais de 70 países em todo o mundo e representam mais de 5.000 idiomas e culturas. 
 
Os povos indígenas da América Latina
Estima-se que vivem cerca de 522 povos indígenas e 420 línguas indígenas em uso, com uma população de cerca de 32,5 milhões de habitantes.
246 povos, 150 línguas, 896.917 pessoas. Destes, 324.834 vivem em cidades e 572.083 em áreas rurais, o que corresponde aproximadamente a 0,47% da população total do país, 700 terras indígenas. 
Na Amazônia Legal são 433.363 indígenas 
(ONU,2014; IBGE, 2010).
 Os povos indígenas no Brasil
Quais os 5 maiores povos indígenas do Brasil e onde vivem? 
(ISA, 2015)
Kaingang 45.620 (PR, RS, SC)
Macuxi – 33.603 (RR)
Terena – 26.065 (MT, MS, SP)
Ticuna – 53.544 (AM)
Guarani – 68.457 (MS,SP,PR,RS,RJ,ES,PA,SC,TO)
AMAZÔNIA SOB PRESSÃO
Extração de Madeira
Exploração de Petróleo e gás
Mineração
Hidroelétricas
Desmatamento
Extração de Madeira na Amazônia brasileira
Existem 10 processos de concessão florestal para empresas privadas autorizadas pelo governo. 
Entre 2009 e 2010 a área total de extração foi de 1.205 km² (65% ilegal). 
 OBS: Recife possui 218 km², isto é, 5,5 Recife’s de desmatamento em 2 anos. 
84% da extração ilegal ocorre em áreas privadas.
Exploração de Petróleo e Gás na Amazônia brasileira
Brasil é o 5 maior explorador de petróleo da Amazônia, com 55 lotes. A maior parte ainda em prospecção. 
Na América Latina áreas de petróleo e gás estão sobrepostas a 13% de terras indígenas. (No Brasil, não se registram sobreposições).
Petrobrás é a segunda maior exploradora do continente com 72.131 km² no Brasil, Bolívia, Colômbia e Peru. (= 230 Recife’s). 
Mineração na Amazônia brasileira
Na América Latina o Brasil é o segundo país na lista de exploradores de minério amazônico, com 42.623 zonas ativas e solicitadas (27% do território amazônico).
88% destas zonas solicitadas estão sob terras indígenas.
A PL 1.610 tramita desde 1996 no Congresso Nacional, ela busca dar concessões a empresas para exploração de parte destes territórios indígenas. 
As principais empresas brasileiras envolvidas são Vale, Taboca e Alcoa.
Hidroelétricas na Amazônia brasileira
O Brasil possui o maior numero de hidroelétricas do continente, com 340 registros. (109 em operação e 231 em planejamento). 
33 Áreas de Proteção Natural do Brasil sofrem pressões. 
Belo Monte, no Xingu, é a terceira maior do mundo, a maior da Amazônia. 
O Brasil também lidera a lista de pressão de hidroelétricas sobre terras indígenas. 
Em 2009 o governo peruano autorizou o governo brasileiro a construir 6 hidroelétricas na Amazônia peruana. 
Desmatamento na Amazônia brasileira
Pecuária e Agricultura são as principais causas do desmatamento, seguidas de obras de infraestrutura e extração de madeira.
Entre 2000 e 2010, 4,5% da Amazônia total foi destruída. Brasil é o primeiro da lista, perdendo 6,2% de sua selva. Parte sul do Amazonas é a principal região. 
Rio Pardo, Jaci Paraná e Triunfo do Xingu são as áreas mais afetadas. 
As terras indígenas apresentam os menores índices de desmatamento entre todas as modalidades de superfícies jurídicas. 
 
Violência contra os povos indígenas
Relatório de Violência contra povos Indígenas – CIMI (2015-2016) 
Dados oficiais: 137 vítimas – 94% no MS (30% entre 15 e 19 anos). 
Maio incidência: (MS) Guarani e Kaiowá: 20 e (TO) Apinajé, Karajá, Krahô: 6
Dados oficiais: 18 conflitos por território, 10 deles no Mato Grosso do Sul.
PEC 215, em tramitação, retira do Executivo e passa ao Legislativo poder de demarcar as terras. Dos 513 deputados federais, 207 são da bancada Ruralista. 
Empobreceram as populações locais, degradando sua capacidade de autoregulação. 
Instalaram a monocultura de produção e a monetarização das relações sociais.
Por fim, estiveram a serviço da ocupação territorial e da incorporação mercantil da Amazônia, colocando-a em relação de serventia a outros territórios e interesses. 
Ao final desta análise os autores concordam ao afirmar que historicamente, as Políticas Públicas na Amazônia:
(Acosta, 2013; Alencar, 2008; Becker, 2000, Gaché, 2011 e Meirelles, 2013)
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Segundo nivel
Tercer nivel
Cuarto nivel
Quinto nivel
Porque os projetos sociais e as polícias públicas não se efetivam na Amazônia? 
Interesses secundários que não estão relacionados com as demandas locais. 
Planejamento, execução e avaliação sem a participação ativa das populações tradicionais. 
Projetos e Políticas Públicas que partem de diagnósticos equivocados. 
 Os indicadores hegemônicos
17
PIB
Produção Econômica
Problemas de delimitação de população ativa, trabalho e desemprego, não comporta a produção de subsistência.
IDH
Indicadores de necessidades satisfeitas.
Desenvolvimento enquanto número de banheiros por domicílio ou de cômodos para dormir, nível de alfabetização na língua nacional, etc. 
IDS
Indicador de qualidade de moradia, saneamento, e de renda
Aplica um nível exógeno de qualidade de moradia, centra-se nas grandes cidades como parâmetro comparativo, etc. 
As formas hegemônicas de avaliação das intervenções assumem padronizações conceituais exógenas e previamente estipuladas, que não se adaptam aos contextos tradicionais amazônicos. 
Avaliar desta forma, antes de um erro metodológico, é produzir a manutenção da ausência, rotulando sempre aquilo que é alternativo ao hegemônico como intangível, incapaz, inadequado ou insuficiente. 
(Acosta, 2013; Jannuzzi, 2001 e Ferrari, 2007)
Pode-se concluir que:
Não basta alterar as formas de intervir, mas também devemos pensar sobre as formas de avaliar tais intervenções. 
 Uma proposta alternativa: 
O INDÍCE DE BEM-ESTAR PARA POVOS TRADICIONAIS (IBPT)
(Parceria SINCHI/UEA/OLMA)
Indicadores de Bem Estar para Povos Tradicionais (IBPT)
O que são? São conceitos quantitativos e qualitativos desenvolvidos em conjunto com 22 comunidades indígenas da Amazônia colombiana, 3 comunidades indígenas e ribeirinhas da Amazônia brasileira e 1 Comunidade indígena peruana. 
Na base promove a substituição do conceito de desenvolvimento para o conceito de Bem Estar, subsidiado na ideia tradicional de Abundância. 
 Bem Estar: A ideia tradicional de abundância
Abundância é:
 Garantir comer bem e viver bem.
Ter uma vida em harmonia com a natureza.
Viver relações de respeito sem vaidade ou orgulho. 
Ter capacidade de produção que garante o acesso a recursos alimentares.
Ter acesso a roça, a caça, a pesca e colheita de espécies nativas das florestas. 
Manter vivo o conhecimento tradicional que fundamenta um diálogo entre a sociedade indígena e/ou ribeirinha com a natureza.
BEM ESTAR
As 5 capacidades fundamentais dos IBPT
	1.	Capacidade de Controle Coletivo do Território
	2.	Capacidade de Agenciamento Cultural Autônomo
	3.	Capacidade de Garantir Autonomia Alimentar
	4.	Capacidade de Construir um Ambiente Tranquilo
	5.	Capacidade de Autocuidado e Reprodução
 Aplicação do IBPT em território brasileiro
Comunidade São José ( Ribeirinha de Várzea),com 28 famílias. 
Comunidade São João de Veneza (Indígena, Ticuna de terra firme) com 43 famílias. 
Comunidade Nova Aliança (Indígena, Cocama de terra firme), com 72 famílias. 
Comunidade Indígena São João de Vezena
São João de Veneza é uma comunidade Ticuna de terras firme, e possui 43 famílias.
São João de Veneza
Bem Estar está na harmonia entre diferentes tendências culturais e religiosas sobre a perspectiva de um lugar comum.
Controle Coletivo do Território
- Unidade territorial através de autogestão e compartilhamento de jurisprudência entre diferentes lideranças. 
Agenciamento Cultural Autônomo
- Predominância da cultura Ticuna em pontos fundamentais.
- Grande parte da população não falar a língua materna co fluência.
-Ausência de festas e práticas tradicionais. 
Construção de um Ambiente Tranquilo
- Harmonia entre as diversas organizações locais, com respeito e colaboração entre lideranças. 
- Normas e estatuto próprio assumidos por todos. 
Autocuidado e Reprodução
- Equilíbrio entre a medicina formal e tradicional.
- Inexistência de mortalidade infantil . 
- Significativo numero de parteiras. 
- Dificuldade no acesso a água potável
Sustentabilidade de Autossuficiência Alimentar
- Alta diversificação alimentar. 
- Dependência externa de repasses sobre insumos importantes.
- Pouco armazenamento de sementes. 
- Evidencia de alguns casos de desnutrição. 
Conclusões
O Panorama geral sobre a Amazônia é preocupante, pois caminha para a destruição da natureza e dos povos tradicionais. 
A academia também faz parte deste processo na medida em que produz injustiça científica e conceitual, e assim, deve também ser parte da solução. 
Fortalecer a participação e o empoderamento comunitário é um caminho viável para auxiliarmos na reversão deste panorama. 
A criação de indicadores específicos, como os IBPT, representam possíveis ferramentas que empoderam, respeitam e podem influenciar nas efetivação das políticas públicas. 
Conclusões
Diferente do que demonstram os indicadores hegemônicos, através dos IBPT percebemos que: 
As comunidades se mostram sábias em equilibrar a tradição e as inovações oriundas dos tempos atuais. 
Constroem Bem Viver através de acordos internos e externos que garantem a autonomia e a abundancia através de práticas ambientais, culturais, sociais e produtivas harmonizadas com a cultura e a natureza.
Os conhecimentos tradicionais garantem Capacidades avançadas de autonomia e reprodução alimentar, cultural, territorial, de saúde e reprodução. 
Referências
ACOSTA, Luís Eduardo. Pueblos indígenas de la Amazonia e indicadores de bienestar humano en la encrucijada de la globalización: estúdio de caso Amazonia colombiana. Tese de Doutorado apresentada à Departamento de Economía Aplicada I Facultad de Ciencias Económicas y Empresariales. Universidade de Bilbao, Espanha, 2013. 
ALENCAR, Edna Ferreira. Gênero, políticas públicas e sustentabilidade social na várzea do Alto Solimões. Congresso Intersecções entre Gênero e Sociodiversidade Amazônica. Florianópolis, 2008.
BECKER, Bertha. K. Cenários de Curto Prazo para o Desenvolvimento da Amazônia. Cadernos do IPPUR, Vol. XIV nº 1, Jan/Jul 2000, UFRJ. 
GACHÈ. Jorge. Sociedade Bosquesina: Tomo I. Instituto de Investigaciones de la Amazonia Peruana, Iquitos- Perú, 2011. 
JANNUZZI, P. Indicadores sociais no Brasil: conceitos, fontes de dados e aplicações. Campinas, Ed. Alínea, 2001.
LACERDA, Luiz Felipe. Por uma Sociologia das Emergencias: erspectivas de emancipação nos erritoris de ausências amazônicas. 2016. Tese de Doutorado – UNISNOS. 
MEIRELLES, Wallace. Políticas Públicas e Sustentabilidade na Amazônia. VALER, Manaus, 2013
SANTOS, Boaventura. A Crítica da Razão Indolente: Contra a lógica do desperdício da experiência. Cortez, São Paulo – SP, 2007.
Fontes 
ONU – Declaração Diretos Indígenas
CIMI – Relatório de Violência Indígena
IBGE – Indígenas
ISA – Indígenas 
IHU – UNISINOS – LACERDA – INDICADORES - AMAZÔNIA
OBRIGADO!
			
Luiz Felipe Barboza Lacerda
Pesquisador/Secretário Executivo
OLMA@jesuitasbrasil.org.br
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