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1 Material elaborado por Genesis da Silva Honorato @materiasdedireito.doc 2 SUMÁRIO Material elaborado por Genesis da Silva Honorato @materiasdedireito.doc 3 CONSTITUIÇÃO: 1. DEFINIÇÃO: Constituição não é conceito unívoco, constituição é conceito equívoco. Não tem apenas um sentido, mas tem pelo menos 3 sentidos (sociológico, político e jurídico). 1) SENTIDO SOCIOLÓGICO: Constituição como folha em branco e como fator real de poder. Este conceito pertence à Sociologia Jurídica. 2) SENTIDO POLÍTICO: Schmitt voltou a ser estudado hoje em dia em alguns pontos. Segundo ele, deveria haver uma separação entre Estado e Sociedade. A constituição seria a decisão política que fundamentaria o fato de o Estado existir. Este conceito pertence à Ciência Política. 3) SENTIDO JURÍDICO: Este sentido é próprio do Direito Constitucional. Em Kelsen havia a separação entre norma fundamental hipotética e lei fundamental do Estado. A primeira, pertence à filosofia (fundamentação da Constituição). A Constituição é a lei fundamental do Estado. Material elaborado por Genesis da Silva Honorato @materiasdedireito.doc 4 A Constituição ocupa o ápice da pirâmide da hierarquia das normas. Ela é o fundamento comum de validade das normas que o Estado vier a produzir. Vamos adotar, portanto, este último conceito, pois é um conceito jurídico. ATENÇÃO: Mesmo entendendo a Constituição com sentido jurídico, é possível ainda distinguir em FORMAL e MATERIAL. Lembre-se que norma formalmente constitucional é qualquer norma que está constando do texto da Constituição. Por outro lado, norma materialmente constitucional é aquela que trata de tema próprio de constituição (Direitos Fundamentais, Organização do Estado, Poderes etc.). Diante disso, nasce uma distinção entre a Constituição formal (reunião de normas formalmente constitucionais) e a Constituição material (Reunião de normas materialmente constitucionais – não tem manifestação física, é uma construção hipotética). A Constituição material não se limita a um diploma. BLOCO DE CONSTITUCIONALIDADE: Nasce da doutrina de LOUIS FAVOREU Bloco de constitucionalidade nada mais é do que a constituição material aplicada a controle de constitucionalidade. O parâmetro do controle ultrapassa a própria constituição formal e alcança outras normas (que podem ser legais ou até mesmo internacionais, desde que as matérias venham ser próprias de Constituição). Assim, seria possível controle de constitucionalidade em face do Código Civil quando alude ao direito ao nome. Material elaborado por Genesis da Silva Honorato @materiasdedireito.doc 5 Em relação ao tema, vamos fazer algumas considerações: 1) Bloco no Direito Comparado: Em todo o mundo há tendência a esse modelo de controle de constitucionalidade. MARK TUSHNET fala do alargamento da parametricidade constitucional. Ou seja, uma ampliação dos parâmetros de controle de constitucionalidade para além da constituição formal. 2) Bloco no Direito brasileiro: Há quem mencione o Art. 5º, §3º da CF na forma que lhe deu a EC 45/04. Aqui temos a ideia de EQUIVALÊNCIA entre o tratado e a emenda, da mesma forma que o bloco não é a constituição, mas é equivalente à constituição em tema de controle. O STF já chegou a citar o bloco, mas nunca o aplicou. Isso pelo fato de que o bloco de constitucionalidade está mais relacionado às constituições sintéticas e não as analíticas (como é o caso brasileiro). Assim, no Brasil temos em nossa constituição diversas regras. Além disso, temos também os princípios constitucionais que são grandes parâmetros de constitucionalidade. 2. OBJETO: O objeto tem por propósito indicar o que é propriamente matéria de Constituição (materialmente constitucional). Assim, se a matéria estiver nestes pontos, será materialmente constitucional. Material elaborado por Genesis da Silva Honorato @materiasdedireito.doc 6 1) DIVISÃO DO PODER POLÍTICO: Aqui é importante observar duas grandes questões: a) O poder político é uno e indivisível. Assim O QUE SE DIVIDE É A FORMA DE EXERCÍCIO e não a sua essência; b) A tripartição de poderes não é a única forma pela qual o exercício do poder político pode ser exercido: Em federações, temos aqui também a forma de divisão territorial (em forma vertical) e outra forma de divisão funcional (horizontal). Aqui devemos lembrar das lições do Direito Administrativo quando firma as diferenças entre órgãos e entidades, pois quando há a divisão territorial temos a divisão de poder político entre entidades (Título III da nossa CF – União, Estados, DF e Municípios). No âmbito funcional, temos a divisão entre órgãos (Título IV da nossa CF – Poderes). 2) DIREITOS, GARANTIAS E REMÉDIOS CONSTITUCIONAIS: 2 considerações: a) Isso traz objetivos do Estado com a ideia de intervenção do Estado na ordem econômica e social. Nossa constituição não é liberal, mas social. b) Distinção entre Direito, Garantia e Remédio: A ideia de “proteção” é o ponto de contado entre eles. O que distingue é o tempo. Assim, primeiro a ordem jurídica afirma que o Direito existe. Depois, visando efetivar o direito, disponibiliza uma garantia. Enfim, visando efetivar a garantia, prescreve um remédio. Assim, “a todo direito corresponde uma garantia que o assegura e a toda garantia corresponde um remédio que a torna eficaz”. Como exemplo: Direito de ir, vir e ficar. Para que fosse assegurado esse direito, a CF disponibilizou garantias a exemplo da formalidade da prisão provisória. Não sendo respeitada essa garantia caberá o remédio do Habeas Corpus. Material elaborado por Genesis da Silva Honorato @materiasdedireito.doc 7 Assim, a Constituição deve tratar desses dois eixos. OBS: DISTINÇÃO ENTRE PARTE ORGÂNICA E A PARTE DOGMÁTICA: a) Orgânica: Aquela que organza o Estado; e b) Dogmática: Aquela que trata do dogma da dignidade da pessoa humana (Direitos, garantias e remédios constitucionais). No Brasil, inclina-se, no séc. XXI, ao esvaziamento da parte orgânica em detrimento da parte dogmática. Isso tem demonstração na ciência jurídica e no Direito positivo. Como exemplo, cada vez é mais raro encontrar obras novas sobre Estado e sua organização. No Direito positivo também é visível isso, tendo em vista que na atual Constituição a ordem de abordagem dos temas foi invertida, ou seja, primeiro se fala dos Direitos e depois do Estado. Assim, não é mais o Estado o ator principal, mas os Direitos limitam a atuação deste. A partir disso, surge uma rediscussão sobre os elementos da Constituição. 3. ELEMENTOS: O estudo pertence aqui a JOSÉ AFONSO DA SILVA. Vejamos: 1) ORGÂNICO: É o mesmo que a parte orgânica já apontada (Títulos III e IV). Material elaborado por Genesis da Silva Honorato @materiasdedireito.doc 8 2) LIMITATIVO: Está compreendido na parte dogmática. A principal limitação ao Estado é justamente ideia consagrada nos Direitos, Garantias e Remédios (Título II). 3) SÓCIO-IDEOLÓGICO: Diz respeito à parte de intervenção do Estado da ordem econômica e social (lembre-se que decorre da parte dogmática). Estampadas nos Títulos VII e VIII. 4) ESTABILIZAÇÃO CONSTITUCIONAL: Aqui temos novidade. Esse elemento trata de qualquer norma da CF sobre solução de conflitos constitucionais (envolvendo diretamente a constituição ou ainda de forma indireta), que estabilizam a ordem constitucional. Como exemplo: Controle de Constitucionalidade e a Intervenção Federal. 5) FORMAL DE APLICABILIDADE: Tudo que o texto traga sobre forma de aplicação da Constituição. São exemplos: o preâmbulo e o ADCT (segundo o próprio JOSÉ AFONSO). O que regula a forma do corpo permanente é o que vem antes dele (preâmbulo) e o que vem depois dele (ADCT). ATENÇÃO:NATUREZA JURÍDICA DO PREÂMBULO: Há controvérsia. Temos 2 posições: 1) TEORIA JURÍDICA: JOSÉ AFONSO E TUPINAMBÁ CASTRO: Preâmbulo pertence à Constituição como elemento formal de aplicabilidade da Constituição. É peça de Direito, produto do Direito Constitucional. 2) TEORIA POLÍTICA: ALEXANDRE DE MORAES E PINTO FERREIRA: Não pertence à CF. Não é peça de Direito, mas peça de política. É produto da ciência política. Assim, é um punhado de proclamações jurídicas. Material elaborado por Genesis da Silva Honorato @materiasdedireito.doc 9 O STF, na ADI 2076/AC, acolheu a teoria política, não tendo, portanto, eficácia própria do Direito. Embora auxilie a interpretação, não é peça de Direito. Assim, não pertence à Constituição. Efeitos de não pertencer à CF: i) Não se aceita modificação do preâmbulo por emenda (pois esta altera a Constituição); ii) Não pode ser parâmetro de controle de Constitucionalidade. 4. CLASSIFICAÇÃO DA CONSTITUIÇÃO ou TIPOLOGIA: 1) ORIGEM: a) Outorgada: Estabelecida por declaração unilateral de vontade do AGENTE do poder constituinte (modo autoritário). b) Promulgada: Estabelecida por declaração majoritária de vontades dos agentes do poder constituintes (é legitimada pela maioria – modo democrático). ATENÇÃO: A principal questão aqui tem relação com o NOVO CONSTITUCIONALISMO LATINO- AMERICANO. Lembre-se que aqui temos o renascimento das formas bonapartistas ou cesaristas. A Constituição será imposta e depois sujeita a consulta popular. 2) FORMA: Cuidado: Não tem relação com ser redigida ou não, mas sim ser sistematizada em um documento formal ou não. a) Escrita: Sistematizada em um documento formal. Toda constituição formal está reunida em um documento único. Material elaborado por Genesis da Silva Honorato @materiasdedireito.doc 10 b) Não escrita: Não está inteiramente sistematizada em um único documento formal, mas decorre da reunião do somatório de documentos. A principal questão é que temos 4 exemplos de constituições não escritas: a) Reino Unido; b) Arábia saudita; c) Israel; e d) Nova Zelândia 3) HISTÓRICO: a) Liberal: Estado liberal é o não intervencionista. O Estado não propõe intervenção na ordem econômica e na ordem social. A constituição que não possui normas sobre intervenção do Estado na ordem econômica ou social, temos uma constituição liberal (própria do Estado liberal). b) Social: O estado social é o intervencionista. A constituição social é aquela que é própria do Estado social e apresenta normas específicas sobre a intervenção nas ordens econômica e social. Nossa constituição possui títulos específicos sobre estas intervenções. ATENÇÃO: Quando se deu a mudança da Constituição Liberal para a Constituição Social? A passagem do padrão liberal para o social ocorreu a partir da Constituição do MÉXICO (1917). Posteriormente tivemos a Constituição de Weimar (Alemanha) (1919), a da Espanha e a do Brasil (1934). 4) MODO DE ELABORAÇÃO: a) Dogmática: Aquela que retrata a ideia política preponderante no momento de sua elaboração. Nossa constituição é dessa forma classificada. Toda e qualquer constituição ESCRITA É DOGMÁTICA, pelo fato de estar reduzida a um documento e revelar a ideia preponderante na época de sua elaboração. Material elaborado por Genesis da Silva Honorato @materiasdedireito.doc 11 b) Histórica: Retrata as ideias (sucessão de ideais ao longo da história). Toda e qualquer constituição NÃO ESCRITA É HISTÓRICA, pois decorre da reunião de vários documentos que não são da mesma época. 5) ESTABILIDADE: a) Rígida: Inteiramente modificável por reforma constitucional (emenda e revisão). Como exemplo temos a atual Constituição Federal. ATENÇÃO: O conceito de constituição “super rígida” (não admitiria qualquer mudança) está defasado. Temos dois motivos: Razão Teórica: Contraria a ideia de Direito. O Direito é uma ciência social e se adequa à nova realidade social. Não se pode impor a vontade de uma geração sobre a outra. Razão Prática: Não há nenhum caso prático no mundo que possua essa forma de Constituição. OBS: Não há incompatibilidade entre a constituição ser rígida e houver cláusula pétrea. b) Flexível: Inteiramente modificável por processo legislativo ordinário (modificável por LEI). Este padrão está em desuso, pois DIFICULTA (mas não impede) o controle de constitucionalidade. c) Semirrígida: Em parte rígida e em parte flexível. A própria Constituição dispões sobre a forma de modificação. 6) EXTENSÃO: a) Sintética: Só regula as normas próprias de Constituição, ou seja, não possui normas meramente formais. Material elaborado por Genesis da Silva Honorato @materiasdedireito.doc 12 b) Analítica: Além das matérias próprias, temos outras normas sobre matérias estranhas às matérias próprias de Constituição quase sempre para dar maior grau de estabilidade a elas. A nossa Constituição se enquadra aqui. OBS: CANOTILHO faz alusão à Constituição Garantia (aproxima-se da Sintética) e a Dirigente (aproxima-se da analítica). Não são sinônimos, mas há uma grande aproximação entre elas. ATENÇÃO: NATUREZA JURÍDICA DA CF/88: a) Promulgada; b) Escrita; c) Social; d) Dogmática; e) Rígida; f) Analítica (ou Dirigente). NORMAS CONSTITUCIONAIS: 5. INTRODUÇÃO – CONCEITOS INICIAIS RELEVANTES: 5.1. VIGÊNCIA: Conforme KELSEN, é o mesmo que EXISTÊNCIA. Questão relevante é o seguinte: Qual o termo INICIAL da vigência? A partir de quando temos a conversão do projeto em lei? Como veremos no estudo do processo legislativo, temos o seguinte esquema do processo legislativo ordinário (lembrando que temos processo legislativo especial): Material elaborado por Genesis da Silva Honorato @materiasdedireito.doc 13 Conforme o Art. 66, §1º da CF: § 1º Se o Presidente da República considerar o projeto, no todo ou em parte, inconstitucional ou contrário ao interesse público, vetá-lo-á total ou parcialmente, no prazo de QUINZE DIAS ÚTEIS, contados da data do recebimento, e comunicará, dentro de quarenta e oito horas, ao Presidente do Senado Federal os motivos do veto. Assim, o dispositivo fala em projeto no intervalo entre a VOTAÇÃO e a SANÇÃO/VETO. Todavia, vejamos o §7º: § 7º Se a LEI não for promulgada dentro de quarenta e oito horas pelo Presidente da República, nos casos dos § 3º e § 5º, o Presidente do Senado a promulgará, e, se este não o fizer em igual prazo, caberá ao Vice-Presidente do Senado fazê-lo. OBS: Norma constitucional imperfeita: Temos aqui um caso de norma constitucional imperfeita (conforme ensino de PONTES DE MIRANDA), pois não contempla uma solução para um caso que poderia acontecer e que não existe nenhum outro lugar para se buscar solução. Material elaborado por Genesis da Silva Honorato @materiasdedireito.doc 14 Perceba que a norma trata do intervalo entre a SANÇÃO ou rejeição do Veto e a promulgação. Assim, o termo inicial da vigência da norma da lei é da SANÇÃO ou da DERRUBADA DO VETO. 5.2. VALIDADE: Quer dizer COMPATIBILIDADE com uma norma que lhe seja superior. OBS: Validade é sinônimo de LEGALIDADE e de CONSTITUCIONALIDADE, a depender de qual norma superior estou levando em consideração. Assim, se uma Lei X for compatível com a Constituição, será válida, ou seja, constitucional. Todavia, se um decreto for compatível com a lei a que deve obediência, será válido, ou seja, legal. Assim, CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE É CONTROLE DE VALIDADE!! Uma questão relevante é: Qual a distinção técnica entre REVOGAÇÃO e DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE? Tem efeito prático? Vejamos... Aqui devemos lembrar da seguinte relação: Revogação: É a supressão da VIGÊNCIA e por isso só se dá por outra norma jurídica (de igualou superior estatura). Aqui se afeta a também a eficácia por decorrência dos efeitos práticos. Material elaborado por Genesis da Silva Honorato @materiasdedireito.doc 15 Declaração de Inconstitucionalidade: Atinge a norma no seu âmbito de VALIDADE. A norma continua em vigor, mas não é válida. A explicação lógica está no Art. 2º da CF. Não poderia o Poder Judiciário, que não tem legitimidade popular do voto, tirar a vigência de ato normativo que foi elaborado por outros poderes que possuem essa legitimidade. Isso decorre do chamado “déficit democrático do poder judiciário”. Como efeito prático, temos que: É POSSÍVEL HAVER REVOGAÇÃO DE NORMA DECLARADA INCONSTITUCIONAL. Isso pelo fato de que para que haja revogação basta que haja vigência. 5.3. EFICÁCIA: APTIDÃO da norma jurídica para produção de efeitos que lhe são próprios. A principal questão aqui diz respeito à “vacatio”. “Vacatio” quer dizer intervalo de tempo durante o qual a norma tem vigência, presume- se válida (pois validade não tem prazo de validade), mas ineficaz por enquanto. Após a vacatio, a norma continua a ter vigência, validade e passa a ter eficácia. ATENÇÃO: O termo inicial de eficácia é, no mínimo a publicação, se não houver a vacatio. Se houver vacatio, será ao final dela. 5.4. APLICABILIDADE: Aqui é importante vincular o conceito a JOSÉ AFONSO DA SILVA. ATENÇÃO: Trata-se de uma qualidade da eficácia. Não é um conceito autônomo ao ponto de estar ao lado da vigência, validade e eficácia. Conforme JOSÉ AFONSO, aplicabilidade é a qualidade da norma que pode ser aplicada a casos concretos. Trata-se de um conceito umbilicalmente ligado à SUBSUNÇÃO. Assim, é impossível afirmar ou negar aplicabilidade sem um caso concreto, pois necessária a operação da subsunção da norma ao caso concreto. Material elaborado por Genesis da Silva Honorato @materiasdedireito.doc 16 Assim, é possível termos norma com eficácia e com aplicabilidade e norma com eficácia, mas sem aplicabilidade. Assim, diz JOSÉ AFONSO: “eficácia é ligada à potencialidade, mas a aplicabilidade é ligada à realizabilidade”. 5.5. EFETIVIDADE Aqui é importante vincular o conceito a LUIS ROBERTO BARROSO. ATENÇÃO: Trata-se de uma qualidade da eficácia. Não é um conceito autônomo ao ponto de estar ao lado da vigência, validade e eficácia. Em KELSEN já havia uma distinção entre eficácia jurídica (aquela que chamamos atualmente de eficácia) e eficácia social (qualidade da norma que seria EFETIVAMENTE CUMPRIDA pelo meio social). Há normas que o meio social cumpre e outras que não. Como exemplo de norma que não possui eficácia social: LEP quando prevê o estado do cárcere. BARROSO importa o conceito de KELSEN e o chama de “efetividade”. Essa nomenclatura vem justamente do que dizia Kelsen (“efetivamente cumprida”). Assim, a eficácia é JURÍDICA enquanto a efetividade é SOCIOLÓGICA. Fechados os conceitos, passemos adiante... 6. CLASSIFICAÇÃO DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS: Temos o seguinte cenário quando consideramos a eficácia e a aplicabilidade: Material elaborado por Genesis da Silva Honorato @materiasdedireito.doc 17 6.1. EFICÁCIA PLENA: É aquela cuja aplicabilidade não depende da produção de norma legal. Ou seja, não depende de interposição legislativa. Será aplicada a casos concretos a despeito da produção de norma legal e a partir da sua produção. Em rigor técnico, essa norma possui 3 atributos: a) Aplicabilidade Direta: Se aplica diretamente ao caso concreto. b) Aplicabilidade Integral: Não aceita contenção de sua eficácia por força de norma legal. c) Aplicabilidade imediata: Não aguarda nada para ser aplicada. Ou seja, se aplica a partir de sua produção. Exemplos: Art. 1º, §único; Art. 2º 6.2. EFICÁCIA CONTIDA: Temos aqui o mesmo conceito. É aquela cuja aplicabilidade não depende da produção de norma legal. Ou seja, não depende de interposição legislativa. Será aplicada a casos concretos a despeito da produção de norma legal e a partir da sua produção. ATENÇÃO: Aqui se aceita um fenômeno: CONTENÇÃO DE EFICÁCIA. Ou seja, afastar a aplicação da norma constitucional de alguns casos por força de norma legislativa. Não temos aqui uma obrigação de norma a ser produzida para lhe dar aplicabilidade, mas a norma somente PODE ser produzida para afastar a norma constitucional de determinados casos. a) Aplicabilidade Direta: Se aplica diretamente ao caso concreto. Material elaborado por Genesis da Silva Honorato @materiasdedireito.doc 18 b) Aplicabilidade imediata: Não aguarda nada para ser aplicada. Ou seja, se aplica a partir de sua produção. Ela não tem aplicabilidade integral tendo em vista a contenção de eficácia. Exemplos: Art. 5º, XIII (trabalho, ofício e profissão – livres); Art. 93, IX (sigilo de justiça). 6.3. EFICÁCIA LIMITADA: Aplicabilidade DEPENDE da produção de norma legal. Só pode ser aplicada a casos concretos se houver produção da norma legal e desde quando for feita a norma. Sendo assim, não tem aplicabilidade direta nem imediata. 6.3.1. Princípio institutivo ou organizatório: Seu conteúdo é a instituição ou organização de órgão público. Como exemplo: Art. 134, §1º (sendo regulado pela LC 80/94) 6.3.2. Princípio programático: Se conteúdo é programa de ação do governo a ser colocada em prática no futuro. Temos aqui uma relação com a Constituição dirigente. Exemplo: Art. 201 (previdência social – Regime Geral) regulado pelas leis 8.212 e 8.213. Esta é classificação que até hoje o STF adota. Passemos agora a uma crítica: ATENÇÃO: CRÍTICA À TEORIA: Essa classificação é moderna, mas não é contemporânea. No Séc. XXI recebe uma crítica. A crítica pressupõe 3 condições: a) Se tivermos uma norma de eficácia limitada; b) Que consubstancia direito fundamental; Material elaborado por Genesis da Silva Honorato @materiasdedireito.doc 19 c) Não havendo interposição legislativa. Se levarmos em conta a teoria como produzida, negaremos exercício do direito fundamental enquanto a norma legal não é implementada. Assim, temos a titularidade do direito, mas a impossibilidade do exercício. Uma questão atual é do Direito à saúde do Art. 196: Art. 196. A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação. Diante desse texto, seria possível a obtenção de remédios pela via judicial, já que não temos lei regulando a matéria da relação entre o Estado-tutor (União, Estado, Municípios) e o cidadão individualmente? No fundo, temos aqui o CONTROLE JUDICIAL DAS POLÍTICAS PÚBLICAS. Material elaborado por Genesis da Silva Honorato @materiasdedireito.doc 20 JURISPRUDÊNCIA CORRELATA CONSTITUCIONAL. CONSTITUIÇÃO: PREÂMBULO. NORMAS CENTRAIS. Constituição do Acre. I. - Normas centrais da Constituição Federal: essas normas são de reprodução obrigatória na Constituição do Estado-membro, mesmo porque, reproduzidas, ou não, incidirão sobre a ordem local. Reclamações 370-MT e 383-SP (RTJ 147/404). II. - Preâmbulo da Constituição: não constitui norma central. Invocação da proteção de Deus: não se trata de norma de reprodução obrigatória na Constituição estadual, não tendo força normativa. III. - Ação direta de inconstitucionalidade julgada improcedente (STF - ADI: 2076 AC, Relator: CARLOS VELLOSO, Data de Julgamento: 15/08/2002, Tribunal Pleno, Data de Publicação: DJ 08-08-2003 PP-00086 EMENT VOL-02118-01 PP-00218). Material elaborado por Genesis da Silva Honorato @materiasdedireito.doc 21 LEGISLAÇÃO CORRELATA 1. DEFINIÇÃO: 2. OBJETO: 3.ELEMENTOS: 4. CLASSIFICAÇÃO DA CONSTITUIÇÃO ou TIPOLOGIA: NORMAS CONSTITUCIONAIS: 5. INTRODUÇÃO – CONCEITOS INICIAIS RELEVANTES: 5.1. VIGÊNCIA: 5.2. VALIDADE: 5.3. EFICÁCIA: 5.4. APLICABILIDADE: 5.5. EFETIVIDADE 6. CLASSIFICAÇÃO DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS: 6.1. EFICÁCIA PLENA: 6.2. EFICÁCIA CONTIDA: 6.3. EFICÁCIA LIMITADA: 6.3.1. Princípio institutivo ou organizatório: 6.3.2. Princípio programático: JURISPRUDÊNCIA CORRELATA LEGISLAÇÃO CORRELATA