Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

1 
 
 
Material elaborado por Genesis da Silva Honorato 
@materiasdedireito.doc 
2 
 
SUMÁRIO 
 
 
Material elaborado por Genesis da Silva Honorato 
@materiasdedireito.doc 
3 
 
CONSTITUIÇÃO: 
1. DEFINIÇÃO: 
Constituição não é conceito unívoco, constituição é conceito equívoco. Não tem 
apenas um sentido, mas tem pelo menos 3 sentidos (sociológico, político e jurídico). 
 
 
 
1) SENTIDO SOCIOLÓGICO: 
Constituição como folha em branco e como fator real de poder. 
Este conceito pertence à Sociologia Jurídica. 
 
2) SENTIDO POLÍTICO: 
Schmitt voltou a ser estudado hoje em dia em alguns pontos. Segundo ele, deveria haver 
uma separação entre Estado e Sociedade. A constituição seria a decisão política que 
fundamentaria o fato de o Estado existir. 
Este conceito pertence à Ciência Política. 
 
3) SENTIDO JURÍDICO: 
Este sentido é próprio do Direito Constitucional. Em Kelsen havia a separação entre 
norma fundamental hipotética e lei fundamental do Estado. A primeira, pertence à 
filosofia (fundamentação da Constituição). A Constituição é a lei fundamental do Estado. 
Material elaborado por Genesis da Silva Honorato 
@materiasdedireito.doc 
4 
 
A Constituição ocupa o ápice da pirâmide da hierarquia das normas. Ela é o fundamento 
comum de validade das normas que o Estado vier a produzir. 
 
Vamos adotar, portanto, este último conceito, pois é um conceito jurídico. 
 
ATENÇÃO: Mesmo entendendo a Constituição com sentido jurídico, é possível ainda 
distinguir em FORMAL e MATERIAL. 
 
Lembre-se que norma formalmente constitucional é qualquer norma que está constando 
do texto da Constituição. Por outro lado, norma materialmente constitucional é aquela que trata 
de tema próprio de constituição (Direitos Fundamentais, Organização do Estado, Poderes etc.). 
Diante disso, nasce uma distinção entre a Constituição formal (reunião de normas 
formalmente constitucionais) e a Constituição material (Reunião de normas 
materialmente constitucionais – não tem manifestação física, é uma construção 
hipotética). A Constituição material não se limita a um diploma. 
 
BLOCO DE CONSTITUCIONALIDADE: 
Nasce da doutrina de LOUIS FAVOREU 
 
 
Bloco de constitucionalidade nada mais é do que a constituição material aplicada a 
controle de constitucionalidade. 
O parâmetro do controle ultrapassa a própria constituição formal e alcança 
outras normas (que podem ser legais ou até mesmo internacionais, desde que as matérias 
venham ser próprias de Constituição). Assim, seria possível controle de 
constitucionalidade em face do Código Civil quando alude ao direito ao nome. 
 
Material elaborado por Genesis da Silva Honorato 
@materiasdedireito.doc 
5 
 
Em relação ao tema, vamos fazer algumas considerações: 
 
1) Bloco no Direito Comparado: 
Em todo o mundo há tendência a esse modelo de controle de constitucionalidade. 
MARK TUSHNET fala do alargamento da parametricidade constitucional. Ou seja, 
uma ampliação dos parâmetros de controle de constitucionalidade para além da constituição 
formal. 
 
2) Bloco no Direito brasileiro: 
Há quem mencione o Art. 5º, §3º da CF na forma que lhe deu a EC 45/04. 
Aqui temos a ideia de EQUIVALÊNCIA entre o tratado e a emenda, da mesma forma 
que o bloco não é a constituição, mas é equivalente à constituição em tema de controle. 
O STF já chegou a citar o bloco, mas nunca o aplicou. Isso pelo fato de que o bloco de 
constitucionalidade está mais relacionado às constituições sintéticas e não as analíticas (como 
é o caso brasileiro). 
Assim, no Brasil temos em nossa constituição diversas regras. Além disso, temos também 
os princípios constitucionais que são grandes parâmetros de constitucionalidade. 
 
 
2. OBJETO: 
 
O objeto tem por propósito indicar o que é propriamente matéria de Constituição 
(materialmente constitucional). Assim, se a matéria estiver nestes pontos, será materialmente 
constitucional. 
Material elaborado por Genesis da Silva Honorato 
@materiasdedireito.doc 
6 
 
1) DIVISÃO DO PODER POLÍTICO: 
Aqui é importante observar duas grandes questões: 
 
a) O poder político é uno e indivisível. Assim O QUE SE DIVIDE É A FORMA DE 
EXERCÍCIO e não a sua essência; 
 
b) A tripartição de poderes não é a única forma pela qual o exercício do poder 
político pode ser exercido: Em federações, temos aqui também a forma de divisão 
territorial (em forma vertical) e outra forma de divisão funcional (horizontal). 
 
Aqui devemos lembrar das lições do Direito Administrativo quando firma as diferenças 
entre órgãos e entidades, pois quando há a divisão territorial temos a divisão de poder 
político entre entidades (Título III da nossa CF – União, Estados, DF e Municípios). 
No âmbito funcional, temos a divisão entre órgãos (Título IV da nossa CF – Poderes). 
 
 
2) DIREITOS, GARANTIAS E REMÉDIOS CONSTITUCIONAIS: 
 
2 considerações: 
a) Isso traz objetivos do Estado com a ideia de intervenção do Estado na ordem 
econômica e social. Nossa constituição não é liberal, mas social. 
 
b) Distinção entre Direito, Garantia e Remédio: A ideia de “proteção” é o ponto 
de contado entre eles. O que distingue é o tempo. 
Assim, primeiro a ordem jurídica afirma que o Direito existe. Depois, visando efetivar 
o direito, disponibiliza uma garantia. Enfim, visando efetivar a garantia, prescreve um 
remédio. Assim, “a todo direito corresponde uma garantia que o assegura e a 
toda garantia corresponde um remédio que a torna eficaz”. 
Como exemplo: Direito de ir, vir e ficar. Para que fosse assegurado esse direito, a 
CF disponibilizou garantias a exemplo da formalidade da prisão provisória. Não sendo 
respeitada essa garantia caberá o remédio do Habeas Corpus. 
 
Material elaborado por Genesis da Silva Honorato 
@materiasdedireito.doc 
7 
 
Assim, a Constituição deve tratar desses dois eixos. 
 
OBS: DISTINÇÃO ENTRE PARTE ORGÂNICA E A PARTE DOGMÁTICA: 
 
a) Orgânica: Aquela que organza o Estado; e 
b) Dogmática: Aquela que trata do dogma da dignidade da pessoa humana 
(Direitos, garantias e remédios constitucionais). 
 
No Brasil, inclina-se, no séc. XXI, ao esvaziamento da parte orgânica em 
detrimento da parte dogmática. Isso tem demonstração na ciência jurídica e no Direito 
positivo. Como exemplo, cada vez é mais raro encontrar obras novas sobre Estado e sua 
organização. No Direito positivo também é visível isso, tendo em vista que na atual Constituição 
a ordem de abordagem dos temas foi invertida, ou seja, primeiro se fala dos Direitos e depois 
do Estado. Assim, não é mais o Estado o ator principal, mas os Direitos limitam a atuação deste. 
 
A partir disso, surge uma rediscussão sobre os elementos da Constituição. 
 
3. ELEMENTOS: 
O estudo pertence aqui a JOSÉ AFONSO DA SILVA. Vejamos: 
 
 
1) ORGÂNICO: 
É o mesmo que a parte orgânica já apontada (Títulos III e IV). 
Material elaborado por Genesis da Silva Honorato 
@materiasdedireito.doc 
8 
 
2) LIMITATIVO: 
Está compreendido na parte dogmática. A principal limitação ao Estado é justamente 
ideia consagrada nos Direitos, Garantias e Remédios (Título II). 
 
3) SÓCIO-IDEOLÓGICO: 
Diz respeito à parte de intervenção do Estado da ordem econômica e social 
(lembre-se que decorre da parte dogmática). Estampadas nos Títulos VII e VIII. 
 
4) ESTABILIZAÇÃO CONSTITUCIONAL: 
Aqui temos novidade. 
Esse elemento trata de qualquer norma da CF sobre solução de conflitos constitucionais 
(envolvendo diretamente a constituição ou ainda de forma indireta), que estabilizam a ordem 
constitucional. 
Como exemplo: Controle de Constitucionalidade e a Intervenção Federal. 
 
5) FORMAL DE APLICABILIDADE: 
Tudo que o texto traga sobre forma de aplicação da Constituição. São exemplos: o 
preâmbulo e o ADCT (segundo o próprio JOSÉ AFONSO). 
O que regula a forma do corpo permanente é o que vem antes dele (preâmbulo) e o que 
vem depois dele (ADCT). 
 
ATENÇÃO:NATUREZA JURÍDICA DO PREÂMBULO: 
 
Há controvérsia. Temos 2 posições: 
 
1) TEORIA JURÍDICA: JOSÉ AFONSO E TUPINAMBÁ CASTRO: 
Preâmbulo pertence à Constituição como elemento formal de aplicabilidade da 
Constituição. É peça de Direito, produto do Direito Constitucional. 
 
2) TEORIA POLÍTICA: ALEXANDRE DE MORAES E PINTO FERREIRA: 
Não pertence à CF. Não é peça de Direito, mas peça de política. É produto da 
ciência política. Assim, é um punhado de proclamações jurídicas. 
Material elaborado por Genesis da Silva Honorato 
@materiasdedireito.doc 
9 
 
O STF, na ADI 2076/AC, acolheu a teoria política, não tendo, portanto, eficácia própria 
do Direito. Embora auxilie a interpretação, não é peça de Direito. 
Assim, não pertence à Constituição. 
 
Efeitos de não pertencer à CF: 
i) Não se aceita modificação do preâmbulo por emenda (pois esta altera a 
Constituição); 
 
ii) Não pode ser parâmetro de controle de Constitucionalidade. 
 
 
4. CLASSIFICAÇÃO DA CONSTITUIÇÃO ou TIPOLOGIA: 
 
1) ORIGEM: 
a) Outorgada: Estabelecida por declaração unilateral de vontade do AGENTE do 
poder constituinte (modo autoritário). 
 
b) Promulgada: Estabelecida por declaração majoritária de vontades dos agentes 
do poder constituintes (é legitimada pela maioria – modo democrático). 
 
ATENÇÃO: 
A principal questão aqui tem relação com o NOVO CONSTITUCIONALISMO LATINO-
AMERICANO. Lembre-se que aqui temos o renascimento das formas bonapartistas 
ou cesaristas. A Constituição será imposta e depois sujeita a consulta popular. 
 
2) FORMA: 
Cuidado: Não tem relação com ser redigida ou não, mas sim ser sistematizada em um 
documento formal ou não. 
 
a) Escrita: Sistematizada em um documento formal. Toda constituição formal está 
reunida em um documento único. 
 
Material elaborado por Genesis da Silva Honorato 
@materiasdedireito.doc 
10 
 
b) Não escrita: Não está inteiramente sistematizada em um único documento formal, 
mas decorre da reunião do somatório de documentos. 
 
A principal questão é que temos 4 exemplos de constituições não escritas: 
a) Reino Unido; 
b) Arábia saudita; 
c) Israel; e 
d) Nova Zelândia 
 
 
3) HISTÓRICO: 
a) Liberal: Estado liberal é o não intervencionista. O Estado não propõe intervenção na 
ordem econômica e na ordem social. A constituição que não possui normas sobre 
intervenção do Estado na ordem econômica ou social, temos uma constituição liberal 
(própria do Estado liberal). 
 
b) Social: O estado social é o intervencionista. A constituição social é aquela que é 
própria do Estado social e apresenta normas específicas sobre a intervenção nas 
ordens econômica e social. Nossa constituição possui títulos específicos sobre estas 
intervenções. 
 
ATENÇÃO: Quando se deu a mudança da Constituição Liberal para a 
Constituição Social? 
A passagem do padrão liberal para o social ocorreu a partir da Constituição do MÉXICO 
(1917). Posteriormente tivemos a Constituição de Weimar (Alemanha) (1919), a da 
Espanha e a do Brasil (1934). 
 
4) MODO DE ELABORAÇÃO: 
a) Dogmática: Aquela que retrata a ideia política preponderante no momento de 
sua elaboração. Nossa constituição é dessa forma classificada. Toda e qualquer 
constituição ESCRITA É DOGMÁTICA, pelo fato de estar reduzida a um documento e 
revelar a ideia preponderante na época de sua elaboração. 
Material elaborado por Genesis da Silva Honorato 
@materiasdedireito.doc 
11 
 
 
b) Histórica: Retrata as ideias (sucessão de ideais ao longo da história). Toda e qualquer 
constituição NÃO ESCRITA É HISTÓRICA, pois decorre da reunião de vários 
documentos que não são da mesma época. 
 
5) ESTABILIDADE: 
a) Rígida: Inteiramente modificável por reforma constitucional (emenda e revisão). 
Como exemplo temos a atual Constituição Federal. 
 
ATENÇÃO: O conceito de constituição “super rígida” (não admitiria qualquer mudança) 
está defasado. Temos dois motivos: 
Razão Teórica: Contraria a ideia de Direito. O Direito é uma ciência social e se adequa 
à nova realidade social. Não se pode impor a vontade de uma geração sobre a outra. 
Razão Prática: Não há nenhum caso prático no mundo que possua essa forma de 
Constituição. 
 
OBS: Não há incompatibilidade entre a constituição ser rígida e houver cláusula 
pétrea. 
 
b) Flexível: Inteiramente modificável por processo legislativo ordinário (modificável 
por LEI). Este padrão está em desuso, pois DIFICULTA (mas não impede) o controle 
de constitucionalidade. 
 
c) Semirrígida: Em parte rígida e em parte flexível. A própria Constituição dispões sobre 
a forma de modificação. 
 
 
6) EXTENSÃO: 
a) Sintética: Só regula as normas próprias de Constituição, ou seja, não possui normas 
meramente formais. 
 
Material elaborado por Genesis da Silva Honorato 
@materiasdedireito.doc 
12 
 
b) Analítica: Além das matérias próprias, temos outras normas sobre matérias estranhas 
às matérias próprias de Constituição quase sempre para dar maior grau de estabilidade 
a elas. A nossa Constituição se enquadra aqui. 
 
OBS: CANOTILHO faz alusão à Constituição Garantia (aproxima-se da Sintética) e a 
Dirigente (aproxima-se da analítica). Não são sinônimos, mas há uma grande 
aproximação entre elas. 
 
ATENÇÃO: NATUREZA JURÍDICA DA CF/88: 
a) Promulgada; 
b) Escrita; 
c) Social; 
d) Dogmática; 
e) Rígida; 
f) Analítica (ou Dirigente). 
 
 
NORMAS CONSTITUCIONAIS: 
 
5. INTRODUÇÃO – CONCEITOS INICIAIS RELEVANTES: 
 
5.1. VIGÊNCIA: 
Conforme KELSEN, é o mesmo que EXISTÊNCIA. 
 
Questão relevante é o seguinte: Qual o termo INICIAL da vigência? A partir de quando 
temos a conversão do projeto em lei? 
Como veremos no estudo do processo legislativo, temos o seguinte esquema do processo 
legislativo ordinário (lembrando que temos processo legislativo especial): 
Material elaborado por Genesis da Silva Honorato 
@materiasdedireito.doc 
13 
 
 
 
Conforme o Art. 66, §1º da CF: 
§ 1º Se o Presidente da República considerar o projeto, no todo ou em 
parte, inconstitucional ou contrário ao interesse público, vetá-lo-á total ou 
parcialmente, no prazo de QUINZE DIAS ÚTEIS, contados da data do 
recebimento, e comunicará, dentro de quarenta e oito horas, ao 
Presidente do Senado Federal os motivos do veto. 
 
Assim, o dispositivo fala em projeto no intervalo entre a VOTAÇÃO e a SANÇÃO/VETO. 
Todavia, vejamos o §7º: 
§ 7º Se a LEI não for promulgada dentro de quarenta e oito horas pelo 
Presidente da República, nos casos dos § 3º e § 5º, o Presidente do 
Senado a promulgará, e, se este não o fizer em igual prazo, caberá ao 
Vice-Presidente do Senado fazê-lo. 
 
OBS: Norma constitucional imperfeita: Temos aqui um caso de norma constitucional 
imperfeita (conforme ensino de PONTES DE MIRANDA), pois não contempla uma solução 
para um caso que poderia acontecer e que não existe nenhum outro lugar para se 
buscar solução. 
 
Material elaborado por Genesis da Silva Honorato 
@materiasdedireito.doc 
14 
 
Perceba que a norma trata do intervalo entre a SANÇÃO ou rejeição do Veto e a 
promulgação. Assim, o termo inicial da vigência da norma da lei é da SANÇÃO ou da 
DERRUBADA DO VETO. 
 
5.2. VALIDADE: 
Quer dizer COMPATIBILIDADE com uma norma que lhe seja superior. 
 
OBS: Validade é sinônimo de LEGALIDADE e de CONSTITUCIONALIDADE, a depender 
de qual norma superior estou levando em consideração. Assim, se uma Lei X for compatível com 
a Constituição, será válida, ou seja, constitucional. Todavia, se um decreto for compatível com 
a lei a que deve obediência, será válido, ou seja, legal. 
Assim, CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE É CONTROLE DE VALIDADE!! 
 
Uma questão relevante é: Qual a distinção técnica entre REVOGAÇÃO e DECLARAÇÃO DE 
INCONSTITUCIONALIDADE? Tem efeito prático? Vejamos... 
 
Aqui devemos lembrar da seguinte relação: 
 
Revogação: É a supressão da VIGÊNCIA e por isso só se dá por outra norma jurídica 
(de igualou superior estatura). Aqui se afeta a também a eficácia por decorrência dos efeitos 
práticos. 
 
Material elaborado por Genesis da Silva Honorato 
@materiasdedireito.doc 
15 
 
Declaração de Inconstitucionalidade: Atinge a norma no seu âmbito de VALIDADE. 
A norma continua em vigor, mas não é válida. 
A explicação lógica está no Art. 2º da CF. Não poderia o Poder Judiciário, que não 
tem legitimidade popular do voto, tirar a vigência de ato normativo que foi elaborado por outros 
poderes que possuem essa legitimidade. Isso decorre do chamado “déficit democrático do poder 
judiciário”. 
Como efeito prático, temos que: É POSSÍVEL HAVER REVOGAÇÃO DE NORMA 
DECLARADA INCONSTITUCIONAL. Isso pelo fato de que para que haja revogação basta que 
haja vigência. 
 
 
5.3. EFICÁCIA: 
APTIDÃO da norma jurídica para produção de efeitos que lhe são próprios. 
 
A principal questão aqui diz respeito à “vacatio”. 
“Vacatio” quer dizer intervalo de tempo durante o qual a norma tem vigência, presume-
se válida (pois validade não tem prazo de validade), mas ineficaz por enquanto. Após a vacatio, 
a norma continua a ter vigência, validade e passa a ter eficácia. 
 
ATENÇÃO: O termo inicial de eficácia é, no mínimo a publicação, se não houver a 
vacatio. Se houver vacatio, será ao final dela. 
 
5.4. APLICABILIDADE: 
Aqui é importante vincular o conceito a JOSÉ AFONSO DA SILVA. 
 
ATENÇÃO: Trata-se de uma qualidade da eficácia. Não é um conceito autônomo ao ponto de 
estar ao lado da vigência, validade e eficácia. 
 
Conforme JOSÉ AFONSO, aplicabilidade é a qualidade da norma que pode ser aplicada a 
casos concretos. Trata-se de um conceito umbilicalmente ligado à SUBSUNÇÃO. 
Assim, é impossível afirmar ou negar aplicabilidade sem um caso concreto, pois 
necessária a operação da subsunção da norma ao caso concreto. 
Material elaborado por Genesis da Silva Honorato 
@materiasdedireito.doc 
16 
 
Assim, é possível termos norma com eficácia e com aplicabilidade e norma com eficácia, 
mas sem aplicabilidade. 
Assim, diz JOSÉ AFONSO: “eficácia é ligada à potencialidade, mas a aplicabilidade 
é ligada à realizabilidade”. 
 
5.5. EFETIVIDADE 
Aqui é importante vincular o conceito a LUIS ROBERTO BARROSO. 
ATENÇÃO: Trata-se de uma qualidade da eficácia. Não é um conceito autônomo ao ponto de 
estar ao lado da vigência, validade e eficácia. 
 
Em KELSEN já havia uma distinção entre eficácia jurídica (aquela que chamamos 
atualmente de eficácia) e eficácia social (qualidade da norma que seria EFETIVAMENTE 
CUMPRIDA pelo meio social). Há normas que o meio social cumpre e outras que não. 
Como exemplo de norma que não possui eficácia social: LEP quando prevê o estado do 
cárcere. 
 
BARROSO importa o conceito de KELSEN e o chama de “efetividade”. Essa nomenclatura 
vem justamente do que dizia Kelsen (“efetivamente cumprida”). 
Assim, a eficácia é JURÍDICA enquanto a efetividade é SOCIOLÓGICA. 
 
Fechados os conceitos, passemos adiante... 
 
6. CLASSIFICAÇÃO DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS: 
Temos o seguinte cenário quando consideramos a eficácia e a aplicabilidade: 
 
Material elaborado por Genesis da Silva Honorato 
@materiasdedireito.doc 
17 
 
6.1. EFICÁCIA PLENA: 
É aquela cuja aplicabilidade não depende da produção de norma legal. Ou seja, não 
depende de interposição legislativa. 
Será aplicada a casos concretos a despeito da produção de norma legal e a partir da sua 
produção. 
Em rigor técnico, essa norma possui 3 atributos: 
 
a) Aplicabilidade Direta: Se aplica diretamente ao caso concreto. 
 
b) Aplicabilidade Integral: Não aceita contenção de sua eficácia por força de norma 
legal. 
 
c) Aplicabilidade imediata: Não aguarda nada para ser aplicada. Ou seja, se aplica a 
partir de sua produção. 
 
Exemplos: 
Art. 1º, §único; 
Art. 2º 
 
6.2. EFICÁCIA CONTIDA: 
Temos aqui o mesmo conceito. É aquela cuja aplicabilidade não depende da produção de 
norma legal. Ou seja, não depende de interposição legislativa. 
Será aplicada a casos concretos a despeito da produção de norma legal e a partir da sua 
produção. 
 
ATENÇÃO: Aqui se aceita um fenômeno: CONTENÇÃO DE EFICÁCIA. Ou seja, afastar a 
aplicação da norma constitucional de alguns casos por força de norma legislativa. Não temos 
aqui uma obrigação de norma a ser produzida para lhe dar aplicabilidade, mas a norma somente 
PODE ser produzida para afastar a norma constitucional de determinados casos. 
 
a) Aplicabilidade Direta: Se aplica diretamente ao caso concreto. 
Material elaborado por Genesis da Silva Honorato 
@materiasdedireito.doc 
18 
 
b) Aplicabilidade imediata: Não aguarda nada para ser aplicada. Ou seja, se aplica a 
partir de sua produção. 
 
Ela não tem aplicabilidade integral tendo em vista a contenção de eficácia. 
 
Exemplos: 
Art. 5º, XIII (trabalho, ofício e profissão – livres); 
Art. 93, IX (sigilo de justiça). 
 
6.3. EFICÁCIA LIMITADA: 
Aplicabilidade DEPENDE da produção de norma legal. Só pode ser aplicada a casos 
concretos se houver produção da norma legal e desde quando for feita a norma. 
 
Sendo assim, não tem aplicabilidade direta nem imediata. 
 
6.3.1. Princípio institutivo ou organizatório: 
Seu conteúdo é a instituição ou organização de órgão público. 
Como exemplo: Art. 134, §1º (sendo regulado pela LC 80/94) 
 
6.3.2. Princípio programático: 
Se conteúdo é programa de ação do governo a ser colocada em prática no futuro. Temos 
aqui uma relação com a Constituição dirigente. 
Exemplo: Art. 201 (previdência social – Regime Geral) regulado pelas leis 8.212 e 8.213. 
 
Esta é classificação que até hoje o STF adota. 
Passemos agora a uma crítica: 
 
ATENÇÃO: CRÍTICA À TEORIA: 
Essa classificação é moderna, mas não é contemporânea. No Séc. XXI recebe uma crítica. 
A crítica pressupõe 3 condições: 
a) Se tivermos uma norma de eficácia limitada; 
b) Que consubstancia direito fundamental; 
Material elaborado por Genesis da Silva Honorato 
@materiasdedireito.doc 
19 
 
c) Não havendo interposição legislativa. 
Se levarmos em conta a teoria como produzida, negaremos exercício do direito 
fundamental enquanto a norma legal não é implementada. Assim, temos a titularidade do 
direito, mas a impossibilidade do exercício. 
 
Uma questão atual é do Direito à saúde do Art. 196: 
Art. 196. A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante 
políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e 
de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços 
para sua promoção, proteção e recuperação. 
 
Diante desse texto, seria possível a obtenção de remédios pela via judicial, já que não 
temos lei regulando a matéria da relação entre o Estado-tutor (União, Estado, Municípios) e o 
cidadão individualmente? 
No fundo, temos aqui o CONTROLE JUDICIAL DAS POLÍTICAS PÚBLICAS. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Material elaborado por Genesis da Silva Honorato 
@materiasdedireito.doc 
20 
 
JURISPRUDÊNCIA CORRELATA 
CONSTITUCIONAL. CONSTITUIÇÃO: PREÂMBULO. NORMAS CENTRAIS. Constituição do Acre. I. 
- Normas centrais da Constituição Federal: essas normas são de reprodução obrigatória na 
Constituição do Estado-membro, mesmo porque, reproduzidas, ou não, incidirão sobre a ordem 
local. Reclamações 370-MT e 383-SP (RTJ 147/404). II. - Preâmbulo da Constituição: não 
constitui norma central. Invocação da proteção de Deus: não se trata de norma de reprodução 
obrigatória na Constituição estadual, não tendo força normativa. III. - Ação direta de 
inconstitucionalidade julgada improcedente (STF - ADI: 2076 AC, Relator: CARLOS VELLOSO, 
Data de Julgamento: 15/08/2002, Tribunal Pleno, Data de Publicação: DJ 08-08-2003 PP-00086 
EMENT VOL-02118-01 PP-00218). 
 
 
 
 
 
 
Material elaborado por Genesis da Silva Honorato 
@materiasdedireito.doc 
21 
 
LEGISLAÇÃO CORRELATA 
 
 
	1. DEFINIÇÃO:
	2. OBJETO:
	3.ELEMENTOS:
	4. CLASSIFICAÇÃO DA CONSTITUIÇÃO ou TIPOLOGIA:
	NORMAS CONSTITUCIONAIS:
	5. INTRODUÇÃO – CONCEITOS INICIAIS RELEVANTES:
	5.1. VIGÊNCIA:
	5.2. VALIDADE:
	5.3. EFICÁCIA:
	5.4. APLICABILIDADE:
	5.5. EFETIVIDADE
	6. CLASSIFICAÇÃO DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS:
	6.1. EFICÁCIA PLENA:
	6.2. EFICÁCIA CONTIDA:
	6.3. EFICÁCIA LIMITADA:
	6.3.1. Princípio institutivo ou organizatório:
	6.3.2. Princípio programático:
	JURISPRUDÊNCIA CORRELATA
	LEGISLAÇÃO CORRELATA

Mais conteúdos dessa disciplina