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Efeitos da temperatura no ciclo de vida, exigências térmicas e estimativas do número de gerações anuais de Aedes aegypti (Diptera, Culicidae)

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Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, 99(2):142-148, 30 de junho de 2009
BESERRA et al.
Efeitos da temperatura no ciclo de vida, exigências térmicas e
estimativas do número de gerações anuais de Aedes aegypti
(Diptera, Culicidae)
Eduardo B. Beserra1, Carlos R. M. Fernandes1, Suêide A. de O. Silva1, Lilian A. da Silva1 &
José W. dos Santos2
1. Departamento de Biologia, Universidade Estadual da Paraíba, Rua Juvêncio Arruda s/n, Bodocongó, 58109-753 Campina Grande, PB,
Brasil. (ebeserra@uol.com.br; ebarbosa@uepb.edu.br)
2. Centro Nacional de Pesquisa do Algodão, Embrapa Algodão, Rua Osvaldo Cruz, 1143, Centenário, 58107-720 Campina Grande, PB,
Brasil. (jwsantos@cnpa.embrapa.br)
ABSTRACT. Effects of temperature on life cicle, thermal exigency and number of generations per year estimation of Aedes
aegypti (Diptera, Culicidae). The present work aims at estimating, based on a biological study, the thermal exigencies to the
development and the number of generations per year of Aedes aegypti (Linnaeus, 1762) (Diptera, Culicidae) in field. The life cycle of
the A. aegypti populations has been studied at constant temperatures of 18, 22, 26, 28, 32 and 34 ± 2°C, and 12 hours photophase. The
low threshold temperature of development (Tb) and the thermal constant (K) have been determined. The number of generations per year
in laboratory and field has also been estimated. The favourable temperature to the A. aegypti development its between 22°C and 32ºC,
and to the longevity and fecundity A. aegypti adult its between 22°C and 28ºC. The egg to adult basal temperature, thermal constant and
the number of generations in field were, in order, 11.33; 8.99 and 13.61 ºC, 192.3; 213.2 and 116.5 graus-days, and 23; 24.6 and 30.3
generations to A. aegypti populations from Boqueirão (07º29’27’’S, 36º08’09’’W), Campina Grande (07º13’32’’S, 35º54’15’’W) and
Remígio (06º58’1’’S, 35º47’29’’W).
KEYWORDS. Insecta, Aedini, biology, thermal requeriments.
RESUMO. O trabalho teve por objetivo avaliar o efeito da temperatura sobre o ciclo de vida de Aedes aegypti (Linnaeus, 1762),
determinar as exigências térmicas para o desenvolvimento e estimar o número de gerações anuais do inseto em campo. O ciclo de vida das
populações de A. aegypti foi estudado nas temperaturas de 18, 22, 26, 28, 32 e 34 ± 2°C e fotofase de 12 horas, determinando-se ainda
os limites térmicos inferiores de desenvolvimento (Tb) e as constantes térmicas (K) e estimado o número de gerações anuais do inseto em
laboratório e em campo. A temperatura favorável ao desenvolvimento de A. aegypti encontra-se entre 22°C e 32ºC, e para a longevidade
e fecundidade dos adultos entre 22°C e 28ºC. As Tb, K
s
 de ovo a adulto, e o número de gerações anuais em campo foram de 11,33; 8,99
e 13,61ºC, 192,3; 213,2 e 116,5 graus-dias, e 23; 24,6 e 30,3 gerações para as populações de A. aegypti de Boqueirão (07º29’27’’S,
36º08’09’’W), Campina Grande (07º13’32’’S, 35º54’15’’W) e Remígio (06º58’1’’S, 35º47’29’’W), respectivamente.
PALAVRAS-CHAVE. Insecta, Aedini, biologia, exigências térmicas.
Aedes (Stegomyia) aegypti (Linnaeus, 1762) é o
mosquito mais importante na transmissão da febre amarela
e dos quatro sorotipos do vírus da dengue (LOZOVEI, 2001;
ALDAMA & GARCIA, 2001; FORATTINI, 2002). É um inseto
cosmopolita, bem adaptado ao ambiente urbano,
distribuindo-se nas áreas tropicais e subtropicais,
localizadas entre 45º de latitude Norte e 40º de latitude
Sul (LOZOVEI, 2001; FORATTINI, 2002).
Aedes aegypti desenvolveu em sua trajetória
evolutiva um comportamento estritamente sinantrópico
e antropofílico, sendo reconhecido entre os culicídeos
como a espécie mais associada ao homem (NATAL, 2002).
Múltiplos são os fatores envolvidos na dispersão de
culicídeos domiciliados. A expansão geográfica das
populações do A. aegypti sofre influência de fatores
sociais e ambientais, entre os quais a densidade
demográfica, a atividade econômica e o clima. A influência
do clima na distribuição e abundância dos insetos e na
epidemiologia das áreas de ocorrência de doenças
transmitidas por vetores em vários continentes e seu
agravamento tiveram, entre outros determinantes, o
aumento da temperatura do planeta, especialmente nos
últimos 100 anos (GLASSER & GOMES, 2002).
No estado de São Paulo foi verificada uma forte
associação entre a temperatura média de julho e o
estabelecimento das populações do A. aegypti, sendo
que a velocidade de ocupação de novos municípios foi
tanto maior quanto maior a faixa de temperatura. Em
regiões com temperaturas acima de 16-18ºC, em menos de
2 anos após o estabelecimento do vetor 10% dos
municípios estavam infestados, elevando-se para 90%
após cinco anos, como por exemplo as mesorregiões de
Araçatuba, Presidente Prudente, Ribeirão Preto e São José
do Rio Preto onde as isotermas de julho foram acima de
18ºC (GLASSER & GOMES, 2002). Em Nova Iguaçu (Rio de
Janeiro), a frequência de A. aegypti foi maior nos meses
de dezembro e fevereiro, os quais foram os meses mais
quentes, com temperaturas médias acima de 25º e de maior
precipitação pluviométrica no verão, sendo o menor
período de ocorrência os meses de inverno (HONORIO &
LOURENÇO-DE-OLIVEIRA, 2001). No estado da Paraíba a
amplitude de temperatura favorável ao ciclo de vida das
populações de A. aegypti encontra-se entre 22ºC e 30ºC,
podendo ocorrer sob essas condições acima de vinte
gerações do inseto ao longo do ano (BESERRA et al.,
2006).
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Efeitos da temperatura no ciclo de vida, exigências térmicas e...
A temperatura é um importante fator ecológico que
influencia o estabelecimento das populações de insetos,
seja diretamente através do seu desenvolvimento, ou
indiretamente através de sua alimentação (SILVEIRA-NETO et
al., 1976). Com base em estudos de temperatura que
determinem as exigências térmicas para o desenvolvimento
de A. aegypti e de representações climáticas das diversas
regiões de ocorrência do mosquito através de normais
climatológicas é possível se ter um melhor entendimento
da sua dinâmica populacional e prever o número de
gerações anuais, bem como as épocas de maior ocorrência
nas áreas de infestação. Dessa forma, é fundamental o
desenvolvimento de estudos bioecológicos que auxiliem
no entendimento da dinâmica populacional do mosquito,
para que se possa desenvolver modelos preditivos de
ocorrência de A. aegypti nas áreas vulneráveis a
infestações. Esta pesquisa objetivou avaliar o efeito da
temperatura sobre o ciclo de vida de A. aegypti, determinar
as exigências térmicas para o seu desenvolvimento e
estimar o número de gerações anuais do inseto em campo.
MATERIAL E MÉTODOS
As criações das populações de A. aegypti e os
bioensaios de laboratório foram conduzidos no
laboratório de Controle Biológico pertencente ao Núcleo
de Manejo Integrado de Pragas da Universidade Estadual
da Paraíba, utilizando-se a primeira geração de laboratório
de amostras de três populações do vetor coletadas nos
municípios de Boqueirão (07º29’27’’S, 36º08’09’’W),
Campina Grande (07º13’32’’S, 35º54’15’’W) e Remígio
(06º58’1’’S, 35º47’29’’W) (Fig. 1). As amostras das
populações do mosquito foram obtidas a partir de ovos
coletados em armadilhas ovitrampas instaladas no intra
e peridomicílio de residências escolhidas aleatoriamente
em dez quarteirões, sendo instaladas 50 armadilhas no
Bairro do Pedegral (Campina Grande) e 30 armadilhas no
Bairro Bela vista em Boqueirão e no Centro de Remígio.
As palhetas de eucatex das armadilhas ovitrampas
contendo ovos de campo de A. aegypti foram colocadas
para secar por um período de 48 horas sendo em seguida
acondicionadas em bandejas plásticas de cor branca
medindo 40 cm de comprimento x 27 cm de largura x 7,5
cm de profundidade com um terço da sua capacidade
preenchida com água desclorada. Após a eclosão, foi
oferecida ração para peixe ornamental na proporção de
100 mg/bandeja, a cada três dias e as bandejas cobertas
por uma tela de malha fina. As pupas foram sexadas
segundo FORATTINI(2002) e posteriormente transferidas
em copos descartáveis de 250 ml para as gaiolas de criação
dos adultos. Essas gaiolas, construídas de armação de
madeira e tecido tipo organza medindo 40 cm x 40 cm x 20
cm de fundo, receberam 100 indivíduos, na proporção de
um macho para cada fêmea. Aos adultos ofertou-se uma
solução de mel a 20% e às fêmeas foi permitido repasto
sanguíneo em codornas, Coturnix japonica (Temminck
& Schlegel, 1849) durante trinta minutos, três vezes por
semana. Após o repasto colocou-se, em cada gaiola, um
copo descartável de 250 ml com água desclorada, com
um funil plástico revestido por um papel filtro para servir
como substrato de oviposição.
Ciclo de vida de A. aegypti em seis temperaturas
constantes. O ciclo biológico de cada população foi
estudado em câmaras climatizadas reguladas a 18 ± 2°C,
22 ± 2°C, 26 ± 2°C, 28 ± 2°C, 32 ± 2°C e 34 ± 2°C e fotofase
de 12 horas. Para o estudo do desenvolvimento larval
foram colocados, para cada temperatura, 5 copos de
polietileno de 250 ml, contendo 10 larvas (F1 ) de 1° estádio
de cada população, repetidos cinco vezes. Para as larvas
ofertou-se, diariamente, 10 mg de ração para peixe. Duas
vezes ao dia foi aferida a temperatura da água dos copos,
usando-se um termômetro de mercúrio com variação de
0°C a 60°C. Os adultos foram mantidos em gaiolas de
madeira telada (20 cm3) contendo vinte casais, em cinco
repetições, sendo oferecida uma solução de mel a 20%,
além de permitir às fêmeas o repasto sanguíneo em
codornas durante 20 minutos, três vezes por semana. Para
a fase de ovo foram avaliadas as 20 primeiras posturas de
cada tratamento. Estas posturas foram acondicionadas
em Placa de Petri de vidro (15 cm de diâmetro x 2,5 cm de
profundidade) com água desclorada, considerando-se
como inviáveis os ovos que até o 20° dia não tiveram
larvas eclodidas. Foram avaliados o período de
desenvolvimento e a viabilidades das fases de ovo, larva
e pupa, a razão sexual e a longevidade e fecundidade da
fase adulta.
O delineamento experimental foi inteiramente
casualizado, sendo os dados analisados em esquema fatorial
3 x 6, três populações e seis temperaturas, para os estágios
de ovo, larva, pupa e adulto de A. aegypti. As variáveis
biológicas avaliadas foram submetidas à análise de variância
e as médias comparadas pelo teste de Tukey (p < 0,05).
Figura 1. Mapa do Estado da Paraíba indicando os locais de coleta de Aedes aegypti (Linnaeus, 1762).
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BESERRA et al.
Necessidades térmicas para o desenvolvimento e
estimativa do número de gerações anuais de A. aegypti.
Com base na duração do desenvolvimento dos imaturos
e do ciclo total obtido a 18 ± 2°C, 22 ± 2°C, 26 ± 2°C , 28 ±
2°C, 32 ± 2°C e 34 ± 2°C foram determinados os limites
térmicos inferiores de desenvolvimento (tb) e as
constantes térmicas (K) através do método da hipérbole
(HADDAD & PARRA, 1984) dado pela equação K= y (t - tb)
onde: K é a constante térmica, y o tempo de
desenvolvimento (dias), t a temperatura ambiente (ºC), e
tb a temperatura do limiar de desenvolvimento. A partir
dos dados biológicos obtidos na temperatura na qual o
ciclo foi completado em menor tempo e em função da
constante térmica do ciclo biológico, do total de graus-
dias disponíveis para o desenvolvimento e nas normais
térmicas das áreas de estudo, foi estimado o número de
gerações anuais do inseto, em laboratório e no campo. O
número de gerações anuais do inseto foi estimado com
base em suas exigências térmicas, através da equação
NG = T(tc – tb)/K, onde T é o tempo considerado em
anos e tc as temperaturas médias mensais das regiões de
estudo, sendo K e tb os parâmetros já definidos
anteriormente.
RESULTADOS
Ciclo de vida de A. aegypti em seis temperaturas
constantes. As temperaturas médias das águas em que
ocorreram os desenvolvimentos da fase de larva das três
populações de A. aegypti estudadas variaram de 17,5°C
a 17,7°C; 21°C a 21,4°C; 25°C a 25,5°C; 27°C a 27,8°C;
31°C a 31,5°C e de 32,5°C a 33°C para as temperaturas
ambientes de 18ºC, 22ºC, 26ºC, 28°C, 32ºC e 34ºC
respectivamente.
A duração e viabilidade das fases de ovo, larva,
pupa, de ovo à emergência do adulto, a longevidade dos
adultos e a fecundidade das fêmeas foram dependentes
do efeito conjunto da população e temperatura, revelando
serem estas populações distintas quanto aos seus
padrões de desenvolvimento e reprodução com relação à
temperatura (Tabs. I-IV).
Os períodos de desenvolvimento de ovo, larva,
pupa e de ovo a adulto diminuíram com a elevação
térmica, sendo registrados nos extremos de temperaturas
(18 e 34°C) os maiores e menores períodos de
desenvolvimentos, respectivamente (Tabs. I e III). O
período de incubação dos ovos das populações de A.
aegypti variaram de 13,66 dias a 18°C a 2,93 dias a 34°C.
Porém deve-se ressaltar que, embora tenha ocorrido
interação significativa entre população e temperatura, em
geral não houveram diferenças significativas com relação
ao período de desenvolvimento embrionário, sendo este
de 6,19; 5,73 e 6,44 dias para as populações de Boqueirão,
Campina Grande e Remígio, respectivamente. Para essas
populações só ocorreram diferenças significativas
quanto ao período de desenvolvimento embrionário nas
temperaturas de 32° e 34°C (Tab. I).
Embora não se tenha detectado diferenças
significativas com relação ao período de desenvolvimento
embrionário das populações de Boqueirão, Campina
Grande e Remígio, constatou-se que o tempo de
desenvolvimento para as fases de larva, pupa e ovo a
adulto diferiu significativamente entre estas em todas as
temperaturas avaliadas, sendo os menores períodos
observados para a população de Campina Grande (com
média geral de 4,69; 1,87 e 9,27 para as fases de larva,
pupa e ovo a adulto, respectivamente) (Tab. III).
A viabilidade da fase ovo de A. aegypti da
população de Remígio foi a mais afetada pelas
temperaturas extremas de 18ºC e 34ºC, ocorrendo em média
45,4% e 43,1% de sobrevivência respectivamente. Para a
população de Campina Grande a sobrevivência foi acima
de 70%, com média geral de 78,7% (Tab. II). Embora a
temperatura tenha afetado o desenvolvimento
embrionário de A. aegypti, teve pouco efeito sobre as
viabilidades das fases de larva e pupa e, com exceção da
viabilidade de 57,6% observada para a fase de pupa da
população de Campina Grande a 28°C, em todas as demais
temperaturas a sobrevivência foi alta, acima de 80%, com
média geral 90,7%; 99,8% e 99,4% para as fases de larva
e de 95,1%; 85,9% e 95,9% para a fase de pupa das
populações de Boqueirão, Campina Grande e Remígio,
respectivamente (Tab. II).
Constataram-se interações significativas entre
população e temperatura com relação a longevidade e
fecundidade dos adultos, havendo uma diminuição das
longevidades com o aumento da temperatura a partir dos
28°C, sendo significativamente maiores a 26°C para as
fêmeas e a 22° e 26°C para os machos das três populações.
Considerando-se a média geral das longevidades em
todos os tratamentos não se detectou diferenças
significativas entre as populações, sendo esta de 21,2;
21,1 e 22,6 para as fêmeas e de 20,1; 22,3 e 21,7 para os
machos das populações de Boqueirão, Campina Grande
e Remígio, respectivamente (Tab. IV). Os extremos de
temperatura de 18ºC e 34ºC diminuíram consideravelmente
o número de ovos por fêmea, principalmente para a
população de Campina Grande. Nesta localidade obteve-
se o menor número de ovos/fêmeas, cuja média a 18°C foi
de 3,9 ovos e a 34°C de 3,4 ovos, com média geral de 52
Tabela I. Duração (dias) (X ± EP) do desenvolvimento embrionário de populações de Aedes aegypti (Linnaeus, 1762) dos municípios de
Boqueirão, Campina Grande e Remígio na Paraíba, em seis temperaturas e fotofase de 12 horas (1, médias originais; para efeito da análise
estatística os dados foram transformados em 5,0+x ; 2, médias seguidas da mesma letra minúscula nas linhas e maiúsculas nas colunas, não
diferem entre si pelo teste de Tukey (p < 0,05)).
População Desenvolvimento embrionário (dias)/Temperatura1;218ºC 22ºC 26ºC 28°C 32ºC 34ºC Média Geral
Boqueirão 13,66±0,41aA 6,99±0,54bA 6,12±0,25bA 3,17±0,27dA 2,94±0,17dB 4,24±0,32cdB 6,19±0,13A
Campina Grande 11,32aA 8,82±0,64aA 4,77±0,20bA 3,11±0,19bA 3,43±0,43bB 2,93±0,77bB 5,73± 0,19A
Remígio 11,15±0,70aA 8,45±0,64aA 5,52±0,52cA 3,43±0,21cA 4,51±0,39cA 5,63±0,84bcA 6,44± 0,35A
CV (%) = 14,20
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Efeitos da temperatura no ciclo de vida, exigências térmicas e...
ovos/fêmeas. O maior número de ovos/fêmea foi
constatado a 26°C para as fêmeas da população de
Boqueirão, com média de 610,6 ovos. Considerando-se a
média geral de ovos/fêmeas de todas as populações, as
fêmeas da população de Boqueirão, com 156,7 ovos/
fêmea, foram mais fecundas (Tab. IV).
 Necessidades térmicas para o desenvolvimento e
estimativa do número de gerações anuais de A. aegypti.
Verificou-se que a velocidade de desenvolvimento em
função da temperatura ajustou-se ao modelo linear
determinado através da recíproca da equação da
hipérbole (HADDAD & PARRA, 1984). Os limites térmicos
inferiores de desenvolvimento (tb) para as fases de ovo,
larva, pupa e de ovo à emergência do adulto foram de
9,21; 10,05; 12,12°C e 11,33; 3,54; 11,84; 12,38 e 8,99°C e
14,74; 9,09; 6,73 e 13,61°C para as populações de A.
aegypti de Boqueirão, Campina Grande e Remígio,
respectivamente. Dentre as fases de desenvolvimento
do vetor, as fases de ovo e de ovo à emergência do adulto
da população de Campina Grande e de larva e pupa da
população de Remígio, demonstraram maiores tolerâncias
à baixa temperatura, pois apresentaram as menores
temperaturas bases. Essas fases também apresentaram
maiores velocidades de desenvolvimento se comparadas
às fases de desenvolvimento da população de Boqueirão,
o que é evidenciado pelos maiores coeficientes angulares
Tabela II. Viabilidade (%) das fases de ovo, larva e pupa de populações de Aedes aegypti (Linnaeus, 1762) dos municípios de Boqueirão,
Campina Grande e Remígio na Paraíba em seis temperaturas e fotofase de 12 horas (1, médias seguidas da mesma letra minúscula nas linhas
e maiúsculas nas colunas não diferem entre si pelo teste de Tukey (p < 0,05); 2, variação da temperatura da água em que ocorreu o
desenvolvimento larval de Aedes aegypti; 3, temperatura ambiente).
População 18ºC 22ºC 26ºC 28°C 32ºC 34ºC Média Geral
 Viabilidade (%)/temperatura1
 Fase ovo
Boqueirão 42,07±7,9cB 53,75±7,5bcA 89,98±3,1abA 100aA 97,35±0,97aA 70,01±4,8abcA 75,52±2,02A
Campina Grande 76,76±aA 79,42±5aA 93,71±4,14aA 87,82±5,9aA 64,81±10,7aB 70,0±23,80aA 78,75±2,99A
Remígio 45,46±8,56bB 69,66±5,8abA 84,26±4,42aA 90,39±4,89aA 69,73±6abAB 43,12±14,6bB 67,10±2,61A
CV = 33,66%
 Fase larva
(17,5-17,7oC)2 (21,0-21,4oC) (25,0-25,5oC) (27,0-27,8oC) (31,0-31,5oC) (32,5-33,0oC)2
Boqueirão 98,33±1,3abA 99,33±0,42aA 96,16±0,6abA 91,33±2,6bcB 72,00±6,3dB 87,53±2,1cB 90,75±1,95B
Campina Grande 100aA 99,66±0,33aA 99,66±0,3aA 100aA 100aA 100aA 99,88±0,77A
Remígio 100aA 99,66±0,33aA 98,33±0,8aA 100aA 99,00±0,44aA 99,66±0,33aA 99,44±4,39A
CV = 4,44%
 Fase de pupa
Boqueirão 92,12±3,2aA 94,86±1,5aAB 96,23±1,6aA 99,62±1,8aA 92,88±2,3aA 92,88±2,3aA 95,19±0,8A
Campina Grande 94,00±1,2aA 88,66±1,9aB 94,00±1,2aA 57,66±0,9bB 92,16±1,7aA 89,00±3,4aA 85,91±2,3B
Remígio 93,33±1,6aA 96,33±0,6aA 97,61±0,9aA 99,00±0,6aA 97,33±0,8aA 92,33±1,6aA 95,99±0,5A
CV = 5,18%
Tabela III. Duração (dias) das fases de larva, pupa e de ovo à emergência do adulto de populações de Aedes aegypti (Linnaeus, 1762) dos
municípios de Boqueirão, Campina Grande e Remígio na Paraíba em seis temperaturas e fotofase de 12 horas (1, médias seguidas da mesma
letra minúscula nas linhas e maiúsculas nas colunas, não diferem entre si pelo teste de Tukey (p < 0,05); 2, variação da temperatura da água
em que ocorreu o desenvolvimento larval de Aedes aegypti).
 Fases de desenvolvimento/temperatura1
População 18ºC 22ºC 26ºC 28°C 32ºC 34ºC Média Geral
(17,5-17,7oC)2 (21,0-21,4oC) (25,0-25,5oC) (27,0-27,8oC) (31,0-31,5oC) (32,5-33,0oC)
 Fase larval
Boqueirão 12,69±0,15aB 7,53±0,24bA 5,69±0,29cA 5,43±0,05cA 4,67±0,23dA 3,68±0,06cA 6,62±0,5A
Campina Grande 7,41±0,08aC 6,14±0,01bB 4,48±0,05cB 4,14±0,15cB 3,01±0,20dC 3,00±0,01dB 4,69±0,24C
Remígio 14,12±1,4aA 7,65±0,10bA 5,27±0,04cA 3,93±0,04dB 3,59±0,03dB 3,52±0,09dA 6,35±0,70B
CV = 6,03%
 Fase de pupa
Boqueirão 5,86±0,06aA 3,60±0,04bA 2,06±0,02cA 2,0±0,004cA 1,72±0,04cdA 1,49±0,01dA 2,79±0,25A
Campina Grande 3,46±0,14aB 2,79±0,27bB 1,16±0,10cB 1,2±0,11cB 1,11±0,02cB 1,50±0,09cA 1,87±0,16C
Remígio 5,61±0,25aA 3,30±0,03bA 1,91±0,07cA 1,8±0,03cdA 1,60±0,04cdB 1,35±0,06dA 2,59±0,25B
CV = 11,21%
 Ovo-adulto
Boqueirão 33,38±1,79aA 18,39±0,91bA 14,08±0,6bcA 10,19±0,14cA 9,39±0,40cA 9,53±0,59cAB 15,82±1,30A
Campina Grande 7,49±0,002bB 17,55±0,68aA 10,38±0,38bA 7,38±0,38bA 6,50±0,36bA 6,33±1,10bB 9,27±0,95B
Remígio 29,95±0,79aA 18,81±0,70bA 12,15±0,60cA 8,98±0,20cA 9,18±0,41cA 10,58±0,87cA 16,94±1,13A
CV = 19,35%
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Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, 99(2):142-148, 30 de junho de 2009
BESERRA et al.
estimados pelas equações de regressão (Tab. V). As
constantes térmicas estimadas para as fases de ovo, larva,
pupa e de ovo à emergência do adulto foram de 79,61;
89,76; 32,53 e 192,30 graus-dia (GD), 117,65; 69,20; 29,15 e
213,20 (GD) e 46,19; 71,89; 29,85 e 116,55 GD para as
populações de A. aegypti de Boqueirão, Campina Grande
e Remígio, respectivamente. A constante térmica
representa a somatória das temperaturas favoráveis ao
desenvolvimento dos insetos durante esse período, ou
seja, as temperaturas que estão acima da temperatura base.
Neste estudo foram requeridos 192,3; 213,2 e 116,5 GD
para completar os desenvolvimentos dos ciclos aquáticos
de A. aegypti provenientes de Boqueirão, Campina
Grande e Remígio, respectivamente.
Tomando-se por base as exigências térmicas para
o desenvolvimento e as normais térmicas de cada região,
o número de gerações anuais em campo é de 23; 24,6 e
30,3, sendo que em condições de laboratório, a 26°C, esse
número é de 27,8; 29,1 e 38,8 para as populações de
Boqueirão, Campina Grande e Remígio, respectivamente.
Por conseguinte, verificou-se que no município de
Remígio A. aegypti apresenta um maior número de
gerações anuais do que nas demais localidades. Tal fato
está associado à maior velocidade de desenvolvimento
da população de Remígio, como pode ser verificado pelo
maior coeficiente angular das equações de regressão
estimadas (Tab. V) possibilitando um maior número de
gerações ao longo do ano.
Tabela IV. Longevidade dos adultos (dias) e número de ovos/fêmea de populações de Aedes aegypti (Linnaeus, 1762) dos municípios de
Boqueirão, Campina Grande e Remígio na Paraíba em seis temperaturas e fotofase de 12 horas (1, médias seguidas da mesma letra
minúscula nas linhas e maiúsculas nas colunas não diferem entre si pelo teste de Tukey (p < 0,05); 2, 3, médias originais; para efeito da
análise estatística os dados foram transformados em log (x+1)).
 Temperatura1,2
População 18ºC 22ºC 26ºC 28°C 32ºC 34ºC Média Geral
 Longevidade dos machos
Boqueirão 22,50±1,9cAB 29,24±1,5abAB 33,31±1,3aB 14,22±07cdA 10,16±1,3dA 17,94±3,3cdA 21,22±0,76A
Campina Grande 6,40±1,6bcB 33,22±1,9aA 33,56±2,3aB 19,94±1,4bA 13,28±3,0bcA 10,30±0,9cB 21,11±1,90A
Remígio 25,78±2,1bA 23,70±3,4bB 47,08±1,9aA 20,64±1,3bA 10,06±0,7cA 8,84±0,6cB 22,68±2,20A
CV = 11,94%
 Longevidade de fêmeas
Boqueirão 21,90±1,6abA 27,52±2,4aA 25,46±4,2aB 13,81±0,5bB 13,44±0,6bA 13,48±1,2abA 20,10±1,1A
Campina Grande 15,71±2,5cA 27,30±1,9abA 40,54±2,1aA 21,44±1,5bcAB 16,76±3,6cA 12,16±1,4cA 22,31±2,0A
Remígio 22,67±0,3bA 24,74±1,7abA 38,36±2,7aA 22,36±2,3bA 11,22±1,1cA 10,92±0,7cA 21,71±1,7A
CV = 4,46%
 Número de ovos/fêmea3
Boqueirão 46,9±16,2bA 67,4±19,65bA 610,6±121,6bA 66,6±23,15bB 50,6±10,5bA97,9±16,1bA 156,7±23,35A
Campina Grande 3,9bB 117,9±37,6aA 89,4±24,7aB 84,1±29,8aAB 13,4±8,7bB 3,4±2,8bB 52,0±9,99B
Remígio 69,7±28,4bcA 14,8±7,1cdA 214,7±27,9abAB 389,2±150,8aA 25,3±11,1cdAB 1,8dB 119,2±28,58B
CV = 34,89%
Tabela V. Temperatura base (tb), constante térmica (K), intercepto (a) e coeficiente angular (b) da equação de regressão da velocidade de
desenvolvimento e coeficiente de determinação (R2) do desenvolvimento de populações de Aedes aegypti (Linnaeus, 1762) dos municípios
de Boqueirão, Campina Grande e Remígio na Paraíba e fotofase de 12 horas.
População Fases de Desenvolvimento
tb (°C) K (GD) a ± erro padrão b ± erro padrão R2
Fase de Ovo
Boqueirão 9,21 79,61 -0,11570 ± 0,13409 0,01256 ± 0,00492 0,62
Campina Grande 3,54 117,65 -0,03006 ± 0,13077 0,00850 ± 0,00480 0,44
Remígio 14,74 46,19 -0,31917 ± 0,07785 0,02165 ± 0,00260 0,93
Fase de Larva
Boqueirão 10,05 89,76 -0,11205 ± 0,03488 0,01114 ± 0,00132 0,95
Campina Grande 11,84 69,20 -0,17109 ± 0,04741 0,01445 ± 0,00180 0,94
Remígio 9,09 71,89 -0,12641 ± 0,04071 0,01391 ± 0,00153 0,95
Fase de pupa
Boqueirão 12,12 32,53 -0,37208 ± 0,07292 0,03074 ± 0,00268 0,97
Campina Grande 12,38 29,15 -0,42477 ± 0,08704 0,03430 ± 0,00320 0,97
Remígio 6,73 29,85 -0,22559 ± 0,41389 0,03350 ± 0,01520 0,55
Ovo-adulto
Boqueirão 11,33 192,30 -0,05893 ± 0,01574 0,00520 ± 0,000584 0,95
Campina Grande 8,99 213,20 -0,04226 ± 0,03406 0,00469 ± 0,00127 0,77
Remígio 13,61 116,55 -0,11679 ± 0,02243 0,00858 ± 0,000831 0,96
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Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, 99(2):142-148, 30 de junho de 2009
Efeitos da temperatura no ciclo de vida, exigências térmicas e...
DISCUSSÃO
Os resultados mostraram que as populações de A.
aegypti provenientes dos municípios de Boqueirão,
Campina Grande e Remígio apresentaram padrões de
desenvolvimento distintos em relação à temperatura e
que o desenvolvimento das fases imaturas, a longevidade
dos adultos e a fecundidade das fêmeas foram
influenciados pelas temperaturas de 18, 22, 26, 28, 32 e 34
± 2°C, coincidindo com os resultados de CALADO &
NAVARRO-SILVA (2002a) para Aedes (S.) albopictus Skuse,
1894. Aqueles autores verificaram uma relação inversa
entre tempo de desenvolvimento e temperatura onde os
menores períodos de duração das fases de ovo, larva e
pupa ocorreram com o aumento da temperatura. Para o
período de incubação dos ovos houve uma redução de
aproximadamente 27 dias quando os ovos foram mantidos
a 25°C e 30°C em relação à temperatura de 15°C. Essas
diferenças, quanto ao padrão de desenvolvimento
também foram detectadas para outras populações de A.
aegypti provenientes dos municípios de Boqueirão, Brejo
dos Santos, Campina Grande, Itaporanga e Remígio,
todos na Paraíba, onde as diferenças encontradas quanto
ao padrão de desenvolvimento foram consideradas
inerentes a cada população, surgidas como conseqüência
das adaptações ecológicas às suas regiões de origem
(BESERRA et al., 2006).
No presente estudo todas as temperaturas
permitiram o desenvolvimento das populações de A.
aegypti e não foram constatados efeitos negativos sobre
as viabilidades das fases de ovo, larva e pupa (embora
tenham influenciado o desenvolvimento das fases
imaturas). Com exceção das viabilidades de ovo das
populações de Boqueirão e Remígio a 18°, 22° e 34°C e da
fase de pupa da população de Campina Grande a 28°C,
em todos os demais tratamentos observou-se mais de
70% de sobrevivência, superando assim os 90% para toda
a fase larval de A. aegypti das populações de Campina
Grande e Remígio.
Os efeitos da temperatura sobre o ciclo de vida de
insetos vetores foram relatados por diversos autores
(COSTA et. al., 1994; RIBEIRRO et. al., 2001; CALADO &
NAVARRO-SILVA, 2002a,b,c; BESERRA et. al., 2006). Estudos
com Culex quiquefasciatus Say, 1823, demonstraram que
ocorria desenvolvimento embrionário em temperaturas
que oscilaram entre 10°C e 34°C, mas não a 5°C e a 40°C,
e o período de desenvolvimento larval diminuiu de 53,7
dias a 15°C para 7,4 dias a 30°C (COSTA et. al., 1994). Para
essa espécie também foi constatada uma viabilidade dos
ovos acima de 97,9% em temperaturas entre 15°C e 30°C
e uma diminuição no período de desenvolvimento larval
de 35,7 dias a 15°C para 7,5 dias a 30°C (RIBEIRRO et. al.,
2004). Contudo, deve-se ressaltar que temperaturas baixas
geralmente são deletérias ao desenvolvimento dos insetos
(e.g. A. albopictus, para o qual a temperatura de 20ºC
ocasionou 50% de mortalidades dos ovos) (CALADO &
NAVARRO-SILVA, 2002c). Para C. quinquefasciatus e A. aegypti
foram registradas baixas infestações em consequência
das baixas temperaturas do estado de São Paulo,
provavelmente devido à menor fecundidade das fêmeas
e ao aumento no período de desenvolvimento das fases
imaturas (GLASSER & GOMES, 2002). Em acréscimo, o maior
tempo de desenvolvimento pode acarretar um aumento
da mortalidade dos imaturos em condições naturais, dado
o maior tempo de exposição à predação, parasitismo e
doenças (TRIPS & SHEMANCHUK, 1970).
Conforme observado para as fases de
desenvolvimento dos imaturos de A. aegypti , a
temperatura teve efeito sobre a fase adulta e os extremos
térmicos de 18°C e 34°C diminuíram a longevidade dos
adultos e a fecundidade das fêmeas. Isto também foi
constatado para populações de A. aegypti provenientes
dos municípios de Boqueirão, Brejo dos Santos, Campina
Grande, Itaporanga e Remígio (onde verificou-se menor
longevidade dos adultos e menor fecundidade das fêmeas
quando foram submetidas a temperaturas de 18°C e 34°C)
(BESERRA et. al., 2006) e para A. albopictus cuja
longevidade média foi de 19,4 e 13,6 dias para fêmeas e
machos respectivamente (CALADO & NAVARRO-SILVA,
2002c).
Verificou-se que os limites térmicos (tb) de
desenvolvimento e as respectivas constantes térmicas
(K), expressas em graus-dias (GD), para as fases de ovo,
larva, pupa e de ovo à emergência do adulto, variaram de
acordo com os estágios de desenvolvimento e
populações estudadas, o que também foi verificado para
Ophyra aenescens Wiedemann 1830 (Diptera: Muscidae)
(RIBEIRRO et. al., 2001), A. albopictus (CALADO & NAVARRO-
SILVA, 2002b), C. quinquefasciatus (RIBEIRRO et. al., 2004)
e A. aegypti
 
(BESERRA et. al., 2006). Tais variações são
consequências das diferenças estruturais e fisiológicas
inerentes a cada estágio de desenvolvimento do inseto,
que garante à espécie a capacidade de adaptação às
variações ambientais (CALADO & NAVARRO-SILVA, 2002b).
Na presente pesquisa constatou-se que a
população de Remígio apresentou a maior temperatura
base para o desenvolvimento do inseto de ovo à
emergência do adulto, sendo as menores para a população
de Campina Grande. Tal fator não era esperado por
estarem esses dois municípios localizados em uma mesma
região biogeográfica, nordestino quente de seca
atenuada, com normais térmicas em média de 23,3°C
(Laboratório de Meteorologia, Recursos Hídricos e
Sensoriamento Remoto da Paraíba). Contudo, os
resultados obtidos estão de acordo com estudos feitos
com população de A. aegypti coletada em Remígio, para
a qual o limite térmico inferior para o desenvolvimento de
ovo a adulto foi de 13,5°C, sendo este superior ao que foi
constatado para outras populações como de Boqueirão
(9,5°C), Brejo dos Santos (8,5°C), Itaporanga e Campina
Grande (3,5°C) (BESERRA et. al., 2006).
Com base no tempo de desenvolvimento e
viabilidade das fases de ovo, larva e pupa e na
fecundidade dos adultos, verificou-se que a temperatura
favorável ao vetor encontra-se acima dos 22°C e abaixo
dos 32°C, portanto dentro da faixa de temperatura das
suas regiões de ocorrências. As temperaturas bases para
o desenvolvimento das diferentes fases do ciclo de vida
do inseto foram inferiores às temperaturas mínimas de
cada região. Assim, considerando-se a temperatura média
ambiente de cada região onde estão situados os
municípios de Boqueirão, Campina Grande e Remígio
(aproximadamente 25ºC) todas as localidades apresentam
condições favoráveis ao desenvolvimento e
estabelecimento das populações de A. aegypti, podendo
este apresentar acimade vinte gerações ao longo do ano.
148
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, 99(2):142-148, 30 de junho de 2009
BESERRA et al.
Recebido em fevereiro de 2007. Aceito em outubro de 2008. ISSN 0073-4721
Artigo disponível em: www.scielo.br/isz
Agradecimentos. Ás Secretarias Municipais de Saúde dos
Municípios de Boqueirão, Campina Grande e Remígio, Paraíba. À
Organização Pan-Americana de Saúde e Ministério da Saúde pelo
apoio financeiro através de carta acordo BR/LOA/0500008.002.
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