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Cláudia Freitas de Oliveira | 119 
 
alguém que não ame, por ser mais rico que Leopoldo, coloca-se para 
si a hipótese de viver uma situação limite, ao afirmar: “Eu quero 
viver numa palhoça, quero lavar a minha roupa, quero cozinhar o 
meu pão, ligado ao homem que me ame, de preferência a viver no 
fausto e na grandeza, viúva do amor de meu marido” (MENEZES, 
2008, p,91). Amélia, quando cogita a possibilidade de trabalhar para 
se sustentar, também evidencia seu lugar de mulher pertencente à 
elite, ao conjecturar: “até me parece mais saboroso o pão ganho por 
honesto labutar do que o que se tem com o esforço único de abrir a 
bolsa” (MENEZES, 2008, p,130). 
“A Casa Assombrada” trata-se de uma obra ficcional, mas 
possuidora de sentidos políticos evidentes. Ela é defensora de dada 
ordem social, elitista e patriarcal, mas também contestadora de 
outra, quando pretende exaltar o espiritismo, expresso não apenas 
em seu título, como em passagens, como a pronunciada por 
Leopoldo: 
 
 ... As almas, Sr. Amorim, podem conviver conosco e nós 
convivermos com ela, espiritualmente. Dois amigos, separados 
pela morte de um, podem continuar a se comunicar, como quando 
ambos eram vivos, com a diferença somente de que o morto vê o 
vive o vivo não vê o morto (MENEZES, 2008, p,221). 
 
Por fim, “A Casa Assombrada” torna-se um exercício e uma 
boa oportunidade para a análise dos estudos sobre os costumes e a 
política oitocentistas no Brasil. Trata-se ainda do encontro de 
diversas narrativas em que a saúde, a doença e a loucura (OLIVEIRA, 
2015) são instigantes possibilidades de leitura e apropriações de 
sentidos, históricos e literários. 
 
Fontes 
 
BRASIL. Câmara dos Deputados. Decreto n º847, de 11 de outubro de 1890. 
http://www2.camara.leg.br/legin/fed/decret/1824-1899/decreto-847-11-
outubro-1890-503086-publicacaooriginal-1-pe.html 
 
http://www2.camara.leg.br/legin/fed/decret/1824-1899/decreto-847-11-outubro-1890-503086-publicacaooriginal-1-pe.html
http://www2.camara.leg.br/legin/fed/decret/1824-1899/decreto-847-11-outubro-1890-503086-publicacaooriginal-1-pe.html
120 | Saúde e Doenças no Brasil: Perspectivas entre a História e a Literatura 
 
MENEZES, Bezerra Adolfo. A Casa Assombrada – um romance espírita. Omni, 
Fortaleza, 2008. 
 
___________, A Loucura sob novo prisma - Estudo psíquico-fisiológico. (Sob o 
pseudônimo Max). Editora FEB – Federação Espírita Brasileira, 2012. 
 
Referências 
 
COSTA, Jurandir Freyre. Ordem médica e norma familiar. 3ª Ed. Rio de Janeiro: 
Edições Graal, 1989. 
 
DEL PRIORE, Mary (org.). História das Mulheres no Brasil. 7ª ed. São Paulo: 
Contexto, 2004. 
 
GOMES, Adriana. A Criminalização do Espiritismo no Código Penal de 1890: as 
discussões nos periódicos do Rio De Janeiro. Revista Ágora, Vitória, n. 17, 
2013, p. 62-76. 
 
ISAIAS, Artur Cesar. O Espiritismo nas Teses da Faculdade de Medicina do Rio de 
Janeiro. História Revista, Goiania, v. 12, n. 1 pp. 63-79, jan-jun 2007. 
 
luz, nádia. Ruptura na História da Psiquiatria no Brasil: espiritismo e saúde 
mental (1880-1970). Franca/SP: Unifran, 2006. 
 
OLIVEIRA, Cláudia Freitas de. Mulheres e a Loucura: invisibilidades e fragmentos 
de existências. In: NASCIMENTO, Dilene. (Org) Uma História Brasileira 
das Doenças. Fino Traço, Belo Horizonte, 2015, v. 5. 
 
OLIVEIRA, Marco Aurelio. Imprensa Espírita na Cidade do Rio de Janeiro: 
propaganda, doutrina e jornalismo (1880-1950 ). Dissertação de Metrado, 
UFF, Rio de Janeiro, 2014. 
 
SILVA, Márcia Pereira da. Os “Males a Mente”: o tratamento das doenças mentais 
entre o espiritismo e a psiquiatria na primeira metade do século XX no 
Brasil. Monções UFMS/CPCX - V. 3, N. 5, 2016, pp. 117-135.

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