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_____________________________________________________________________________ VILA EMBRATEL – PRAÇA JOÃO LISBOA – JARDIM ELDORADO (98) 3254-0945 - (98) 98123-7342; - E-mail: isaacnewtonss@gmail.com MM. AO JUÍZO DE DIREITO DA VARA DE INTERESSES DIFUSOS E COLETIVOS DA COMARCA DE SÃO LUÍS – PODER JUDICIÁRIO MARANHÃO Isento de custas (art. 10 da Lei 4.717/1965) PRIORIDADE LEGAL LEI MUNICIPAL 6.292.2017 Lei de mobilidade urbana ISAAC NEWTON SOUSA SILVA – OAB/MA nº 18.165 - CPF: 992.483.953- 68, portador do título eleitoral nº 045790171155, brasileiro, advogado, com endereço profissional na Praça João Lisboa, nº 177, Sala 105-A, 1º Andar, Centro - CEP: 65010-310, São Luís, Estado do Maranhão, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, atuando em causa própria nos termos do art. 103, parágrafo único do CPC, motivo pelo qual dispensa-se procuração, onde recebe intimações, vem, mui respeitosamente, à presença de V. Exa., para promover a presente AÇÃO POPULAR em face de: http://www.jusbrasil.com.br/topicos/28895571/artigo-103-da-lei-n-13105-de-16-de-marco-de-2015 http://www.jusbrasil.com.br/topicos/28895569/par%C3%A1grafo-1-artigo-103-da-lei-n-13105-de-16-de-marco-de-2015 http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/174276278/lei-13105-15 _____________________________________________________________________________ VILA EMBRATEL – PRAÇA JOÃO LISBOA – JARDIM ELDORADO (98) 3254-0945 - (98) 98123-7342; - E-mail: isaacnewtonss@gmail.com 1 - MUNICÍPIO DE SÃO LUÍS, pessoa jurídica de direito público, inscrito no CNPJ sob nº 06.307.102/0001-30, com endereço na Av. Pedro II, S/N° - PALÁCIO DE LA RAVARDIÈRE, Centro – São Luís/MA; 2 – EVVIVA, CNPJ desconhecido, com endereço na Av. dos Holandeses, 6, A - Calhau, São Luís - MA, 65071-380; 3 – ZEPHYR DESIGN E DECOR, CNPJ desconhecido, com endereço na Av. dos Holandeses, 6, B - Calhau, São Luís - MA, 65071-380; 4 – HUB PEREIRA FEITOSA, CNPJ desconhecido, com endereço na Av. dos Holandeses, 7056 - Calhau, São Luís - MA, 65071-380; 5 – ÓTICA DINIZ, CNPJ desconhecido, com endereço na Av. dos Holandeses, 03 - qd 05 - Calhau, São Luís - MA, 65071-380; 6 – Ed. MARCUS BARBOSA INTELLIGENT OFFICE, CNPJ desconhecido, com endereço na Av. dos Holandeses, n°2 , QD 5 - Calhau, São Luís - MA, 65075-650, pelos motivos de fato e de direito a seguir expostos: I – PRELIMINAR – CITAÇÃO/INTIMAÇÃO • Requer intimação da SEMURH e/ou BLITZ URBANA; • Localização (na AV. HOLANDESES, Quadra 8, Pizza Hut). II – OBJETO A presente ação popular tem por objetivo a calçada, no qual não se encontra de acordo com as normas técnicas que buscam assegurar o referido direito, não atendendo, assim, as condições mínimas de acessibilidade prevista na legislação municipal e NBR 9050 + 16537. Então busca-se a tutela jurisdicional tendente à condenação dos demandados em se adequarem, mas a omissão do Município em aplicar a lei, na promoção de adaptações que suprimam as barreiras arquitetônicas existentes na referida área da Av. DOS HOLANDESES, a fim de que atenda as normas e padrões técnicos de acessibilidade da coletividade. _____________________________________________________________________________ VILA EMBRATEL – PRAÇA JOÃO LISBOA – JARDIM ELDORADO (98) 3254-0945 - (98) 98123-7342; - E-mail: isaacnewtonss@gmail.com III - DOS FATOS Preliminarmente, é importante ressaltar que o conceito de acessibilidade diz respeito a possibilidade e condição de alcance para utilização, com segurança e autonomia, dos espaços, mobiliários e equipamentos urbanos, das edificações, dos transportes e dos sistemas e meios de comunicação, por qualquer pessoa. A caminhada é meio de locomoção muito comum e importante para a população. Caracteriza-se por estímulo ao meio ambiente sustentável, à saúde e à autonomia de mobilidade, alicerçada no direito fundamental de ir e vir (artigo 5º, inciso XV, da Constituição Federal). Atualmente encontram-se em vigor as LEI MUNICIPAL 6.292.2017, considerando que a propriedade urbana deve cumprir sua função social, entendida como tal aquela em que o uso e ocupação obedecem às exigências fundamentais da sociedade, consolidada nas diretrizes do Plano Diretor e a lei de zoneamento, parcelamento uso e ocupação do solo, em conformidade com os dispositivos de instrumentação legal, os muros, calçadas e vedação de imóveis de São Luís ficam sujeitos ao que dispõe esta lei. A ausência da calçada em condições acessíveis na área do demandado, localizado na Av. DOS HOLANDESES, compromete o direito de ir e vir dos pedestres e bagunça o conceito de acessibilidade tirando a autonomia, segurança e saúde da população. AUTONOMIA E SEGURANÇA É visível que o local não segue a Lei 6292.2017 mais (Parâmetros técnicos da NBR 9050 e 16537). Infelizmente a área demandada não observa essa norma e com isso a falta da calçada acessível. [FOTOS EM ANEXO] Data das fotos e vídeo: 23 de abril 2022. O Código de Trânsito Brasileiro, em seu Anexo I, traz o conceito normativo de calçada, definindo-a como “parte da via, normalmente segregada e em nível diferente, não destinada à circulação de veículos, reservada ao trânsito de pedestres. _____________________________________________________________________________ VILA EMBRATEL – PRAÇA JOÃO LISBOA – JARDIM ELDORADO (98) 3254-0945 - (98) 98123-7342; - E-mail: isaacnewtonss@gmail.com A calçada ideal é aquela que garante o caminhar livre, seguro e confortável de todos os transeuntes. A calçada é o caminho que nos conduz ao lar. Ela é o lugar onde transitam os pedestres na movimentada vida cotidiana. É através dela que as pessoas chegam aos diversos pontos do bairro e da cidade. A calçada bem feita e bem conservada valoriza a casa e o bairro. 2 – EVVIVA, por mais que a calçada tenha passado por recente reforma, nota-se que o passeio não tem o piso podotátil e durante a captura de provas, se enxergou uma inclinação incomum na calçada que poderá sem atestada pelo proprietário do imóvel, conforme Súmula 618-STJ: A inversão do ônus da prova aplica-se às ações de degradação ambiental. Os tribunais superiores entendem que a calçada é o meio ambiente artificial do pedestre; 3 – ZEPHYR DESIGN E DECOR, igual ao descrito no imóvel acima; 4 – HUB PEREIRA FEITOSA, imóvel sem manutenção na calçada, com obstáculos no passeio, sem rebaixamento na esquina e sem piso podotátil; 5 – ÓTICA DINIZ, imóvel sem manutenção na calçada e sem piso podotátil; 6 – Ed. MARCUS BARBOSA INTELLIGENT OFFICE, imóvel sem rebaixamento na esquina e com a instalação de piso podotátil irregular. No estacionamento lateral os veículos ficam em cima do piso tátil, e apesar das NBRs não tratarem do assunto, o autor irá explicar. Atualmente existem duas formas de fixação de piso tátil. O de PVC interno e o de ARGAMASSA externo. O de PVC com a fixação colada não pode ser na área da calçada devido ao sol. Existe um decreto municipal de Goiânia que explica isso. Vejamos: Seu piso tátil está quebrando ou "derretendo"? O Decreto de número 3.057 de 15 de dezembro de 2015 exige que toda calçada contenha o piso tátil de concreto, não poderia ser o de PVC, pois a taxa de descolamento seria grande, devido ao fato de não ser um produto apropriado para ambientes externos. _____________________________________________________________________________ VILA EMBRATEL – PRAÇA JOÃO LISBOA – JARDIM ELDORADO (98) 3254-0945 - (98) 98123-7342; - E-mail: isaacnewtonss@gmail.com Por isso foi cogitado o de concreto, pois quando colocado ele não iria “descolar”. Porém, com o intuito de economizar, algumas pessoas optam por uma opção mais barata onde o piso acaba se dissolvendo, e tendo que ser reinstalado, e nesse caso o barato sai caro, devidoao fato de ter de retirar o piso, alugar uma caçamba e também mão de obra para a realização do serviço. Vejamos os dispositivos infringidos da Lei de mobilidade urbana: LeiMU Art. 48Os recuos frontais de edificações poderão ser utilizados como vagas de estacionamento, desde que autorizados pela Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes - SMTT, em virtude de projeto apresentado e mediante as seguintes condições: I - serem implantados sempre em ângulo com relação ao meio-fio, respeitando as medidas mínimas de instalação neste caso; II - em caso de sobreposição parcial com a calçada, somente ocuparem faixa de paragem da calçada em contiguidade e não destinada a passagem e trânsito de pedestres (passeio). III - manterem inclinação transversal máxima de 2% (dois por cento) em relação ao meio-fio; IV - não obstruírem em qualquer circunstância o fluxo longitudinal de pedestres e cadeirantes, como também o acesso destes aos estabelecimentos que as contenham; V - estarem devidamente sinalizados ao transeunte quanto ao acesso transversal de veículos sobre o passeio, por meio de sinalizador luminoso e placa. LeiMU Art. 65 - As calçadas são parte da via, normalmente segregadas e em nível diferente, não destinada à circulação de veículos, reservada prioritariamente ao deslocamento peatonal e, quando possível, à implantação de mobiliário urbano, sinalização, vegetação e outros afins. LeiMU Art. 68º O pavimento das calçadas deverá atender as seguintes especificações: I – ser, sempre que possível, permeável às águas pluviais; II - não possuir _____________________________________________________________________________ VILA EMBRATEL – PRAÇA JOÃO LISBOA – JARDIM ELDORADO (98) 3254-0945 - (98) 98123-7342; - E-mail: isaacnewtonss@gmail.com materiais soltos, escamados ou isolados, que impliquem alteração no nivelamento da calçada; III - possuir textura antiderrapante; IV - não possuir inclinações convergentes sem drenagem apropriada para as águas pluviais; e V - ter instalado piso podotátil nos passeios, conforme Normas Técnicas pertinentes. LeiMU Art. 69º As calçadas terão gabarito padronizado conforme a densidade da quadra que as contém. Em caso de larguras variáveis é desejável que as calçadas tenham um mínimo de 1,20 m destinado ao passeio. LeiMU Art. 70º O meio-fio ao longo das travessias de pedestres deverá ser rebaixado para favorecer o acesso de cadeirantes, portadores de necessidades especiais, carrinhos de bebê e outros, obedecendo às normas estabelecidas no NBR 9050 e especificações do Manual de Parâmetros para Projeto de Mobilidade Urbana a ser editado pela Instituto da Cidade, Pesquisa e Planejamento Urbano e Rural - INCID. LeiMU Art. 71º Os caminhos transversais ao trecho da calçada de acesso aos lotes e terrenos contíguos, são necessariamente continuidades da calçada, mantendo o mesmo pavimento e nivelamento. Observando as imagens percebe-se há necessidade na adequação da calçada, para que os pedestres transitem com segurança. Quando o estado de conservação do revestimento das calçadas não oferecer as condições de segurança necessárias, o proprietário ou possuidor do imóvel deverá providenciar novo revestimento com o piso podotátil. AÇÃO POPULAR A ação popular constitucional, decorrente de toda uma dialética histórica, hoje representa um instrumento popular democrático que garante a participação _____________________________________________________________________________ VILA EMBRATEL – PRAÇA JOÃO LISBOA – JARDIM ELDORADO (98) 3254-0945 - (98) 98123-7342; - E-mail: isaacnewtonss@gmail.com ativa de qualquer cidadão nas funções de fiscalizar (a omissão do município) e de proteger o patrimônio público (calçada/passeio público). Contudo, não obstante a ação popular ser integralmente resguardada pela a Carta Magna vigente, perceber-se-á que, apesar de todo avanço democrático, ela ainda não é perfeitamente difundida da forma que merece e nem explorada em todo seu potencial por parte dos cidadãos. Nos dias atuais, mais do que nunca, a ação popular deve ser vista como uma ferramenta no combate à corrupção, ao mau uso do dinheiro público, assim como contra os atos imorais que mancham a moralidade e os princípios que norteiam ou, pelo menos, deveriam nortear a administração pública em geral. A análise da dita ação constitucional demanda a exposição de vários aspectos históricos e positivados na lei, além do esclarecimento de pontos jurídicos controversos. Tal instrumento democrático se inspira na necessidade de aprimorar (evolução do direito) a tutela do interesse público, ficando a cargo do cidadão a faculdade de provocar o provimento jurisdicional estatal para defesa de seus interesses, e o mais importante, interesses da sociedade em geral. Nós poderíamos gastar aqui muito tempo com o surgimento da ação popular (direito romano) e como ela entrou no direito brasileiro de início somente no âmbito penal, porém como o direito sofre contate mutação (mutável), isso é a evolução do direito. Finalmente, tratar-se-á agora da ação popular na Constituição Federal de 1988, que segundo Rodolfo de Camargo Mancuso (2001), optou-se por um critério mais abrangente e analítico, possibilitando o questionamento de atos que ferem a moralidade administrativa, o meio ambiente e o patrimônio histórico e cultural. O atual texto constitucional expressa o seguinte: “Art.5º, LXXIII – qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência”. (BRASIL, 1988). _____________________________________________________________________________ VILA EMBRATEL – PRAÇA JOÃO LISBOA – JARDIM ELDORADO (98) 3254-0945 - (98) 98123-7342; - E-mail: isaacnewtonss@gmail.com Tal dispositivo constitucional é regulamentado pela Lei 4.717, de 29 de junho de 1965, conhecida como a Lei da Ação Popular – LAP. Lei essa que, apesar de ser de 1965, ainda está em pleno vigor. Lembramos que a Constituição Federal é posterior à Lei da Ação Popular e que esta passou pelo fenômeno da recepção. Destarte, a Lei deve ser interpretada em consonância com a Constituição e não vice-versa. (Evolução do direito) AÇÃO POPULAR POR OMISSÃO LESIVA AO MÍNIMO EXISTENCIAL (MORALIDADE) E CONTROLE DE POLÍTICAS PÚBLICAS: novos horizontes desvelados pela jurisprudência do STJ e do STF no paradigma dos direitos fundamentais. (ISSN 2236-1617 Luciano Picoli Gagno, Camilo José d'Avila Couto) A ação popular é um dos principais instrumentos da democracia moderna, por permitir ao cidadão participar diretamente nos atos da Administração Pública, fiscalizando a probidade que deve permeá-los e combatendo as irregularidades que prejudiquem bens e valores essenciais à nossa civilização, quais sejam: o erário, a moralidade administrativa, o meio ambiente e o patrimônio histórico e cultural. Ela se mostra em total consonância com o paradigma dos direitos fundamentais, por permitir uma ampliação do direito fundamental de acesso à justiça para a tutela de direitos difusos (transindividuais e indivisíveis, pertencentes a pessoas indeterminadas e ligadas por circunstâncias fáticas, por exemplo: cidadãos de um Estado), além de permitir que essa tutela seja buscada pelo cidadão individualmente, ou seja, independentemente de qualquer associação ou órgão público. Dessa maneira, pode-se dizer que a ação popular se mostrou um instrumento essencial numa democracia mista e num Estado Democrático de Direito, em que os direitos difusos são alçados à categoria de direitos fundamentais, devendo ser garantidos ou prestados pelo Estadona maior medida das possibilidades fáticas e jurídicas. Sem embargos, não é possível extrair da mera leitura da lei, i.e., de uma simples interpretação literal das normas sobre ação popular, a possibilidade do seu manejo em casos de atos omissivos, uma vez que tais normas falam, genericamente, sobre atos anuláveis, o que, todavia, não deve ser razão para restringir o uso de tão salutar instrumento. Em verdade, o cabimento da ação popular em casos omissivos mostra-se em total consonância com uma compreensão sistemática e finalística das normas _____________________________________________________________________________ VILA EMBRATEL – PRAÇA JOÃO LISBOA – JARDIM ELDORADO (98) 3254-0945 - (98) 98123-7342; - E-mail: isaacnewtonss@gmail.com constitucionais, e com a teoria dos direitos fundamentais, especialmente se considerarmos, como dito acima, o acesso à justiça e os direitos difusos como direitos fundamentais, cuja garantia ou prestação deve se dar no maior nível possível. Justamente nessa senda caminha a jurisprudência do STJ, quando consagra, desde a década de noventa, a possibilidade do manejo da ação popular em casos de omissão lesiva aos bens ou valores tuteláveis por meio da ação popular, corroborando um pensamento ampliativo a respeito do cabimento de tal ferramenta. Nesse panorama, o problema que conduziu a presente pesquisa pode ser sintetizado na seguinte pergunta: seria cabível ação popular contra omissão lesiva ao mínimo existencial de direito fundamental, com base em lesão à moralidade administrativa? Se a resposta for positiva, será considerada uma amplitude muito maior ao manejo das demandas populares, quase que as equiparando a uma ação civil pública, o que parece fortalecer nossa democracia, bem como os valores cívicos que gravitam em torno de nossa sociedade. Para prosseguir nessa seara, além de fixarmos as premissas acima mencionadas, sobre a influência dos direitos fundamentais e da jurisprudência do STJ, teremos de investigar, também, se a omissão lesiva ao mínimo existencial caracterizaria lesão à moralidade administrativa, bem como de que maneira o Judiciário vem intervindo no controle de políticas públicas, para suprir as omissões do Estado, sem consagrar violação a outros valores constitucionais, como a separação dos poderes, por exemplo. Dessa maneira, inicia-se este trabalho com uma análise da evolução da ação popular no sistema brasileiro, da compatibilidade dessa evolução com a transformação do papel do Estado — Estado Democrático de Direito — e da sua confluência com a Teoria dos Direitos Fundamentais, que preconiza a possibilidade de satisfação dessas normas em diferentes graus (mandamentos de otimização), tudo isso, com o objetivo de se alcançar um discernimento contextualizado com o ambiente jurídico, político e social vivenciado. Ação popular por omissão segundo a jurisprudência do STJ _____________________________________________________________________________ VILA EMBRATEL – PRAÇA JOÃO LISBOA – JARDIM ELDORADO (98) 3254-0945 - (98) 98123-7342; - E-mail: isaacnewtonss@gmail.com Como afirmado acima, o cabimento de ação popular em caso de ato omissivo lesivo aos valores preconizados constitucionalmente já se encontra em grande medida consolidado, ao menos na jurisprudência do STJ, que não encontra censura na jurisprudência do STF. Nesse sentido, é possível se acrescer aos argumentos expendidos no tópico acima, de ordem sistemática, teleológica e substancial, alguns precedentes do STJ que vão ao encontro da admissão da ação popular em caso de ato omissivo e mais, dão guarida a uma interpretação do seu cabimento em consentaneidade plena com o paradigma dos direitos fundamentais, na medida em que preconizam uma amplitude máxima na admissibilidade dessas ações. Para ilustrar nosso entendimento, merece referência o acórdão da lavra do Ministro Herman Benjamin, no qual pontua que: “A Ação Popular deve ser apreciada, quanto às hipóteses de cabimento, da maneira mais ampla possível, de modo a garantir, em vez de restringir, a atuação judicial do cidadão”. - Superior Tribunal de Justiça. REsp 1164710/MG. RECURSO ESPECIAL 2009/0209255-1, 12 de abril de 2010. Diário da Justiça, Brasília, DF, 4 fev. 2015. Mais recentemente, em decisão paradigmática, o STJ, em acórdão da lavra do Ministro Castro Meira, impôs ao Estado obrigação de não fazer voltada a proteção do meio ambiente, como consequência do ajuizamento de ação popular visando a tal fim, o que se observa no seguinte trecho: 4. A ação popular é o instrumento jurídico que deve ser utilizado para impugnar atos administrativos omissivos ou comissivos que possam causar danos ao meio ambiente. 5. Pode ser proposta ação popular ante a omissão do Estado em promover condições de melhoria na coleta do esgoto da Penitenciária Presidente Bernardes, de modo a que cesse o despejo de elementos poluentes no Córrego Guarucaia (obrigação de não fazer), a fim de evitar danos ao meio ambiente. - . Superior Tribunal de Justiça. REsp889766/SP. RECURSO ESPECIAL 2006/0211354-5, 4 de outubro de 2007. Diário da Justiça, Brasília, DF, 18 out. 2007. O acórdão transcrito é emblemático, porque ele oferece resposta à parte daquilo que se pretendeu pesquisar neste artigo, ou seja, ele garante a possibilidade de controle de políticas públicas por meio de uma ação popular contra omissão. _____________________________________________________________________________ VILA EMBRATEL – PRAÇA JOÃO LISBOA – JARDIM ELDORADO (98) 3254-0945 - (98) 98123-7342; - E-mail: isaacnewtonss@gmail.com No caso em tela, o fundamento da demanda concerne à omissão lesiva ao meio ambiente, bem que, expressamente, se encontra no rol de objetos da ação popular o que, no entanto, não constitui razão que justifique uma visão restritiva do cabimento da ação popular para o fim de controle de política pública. Sem embargos, merece especial destaque a decisão em análise, pois, por meio dela, se garante o uso da ação popular para se determinar a realização de prestação pelo Poder Público (obrigação de não fazer), voltada à proteção do meio ambiente (interromper o despejo de resíduos de esgoto por penitenciaria estadual), o que, a priori, parece emprestar razões que sustentem a possibilidade de se determinar, por meio de ação popular, prestações tendentes à satisfação de outros direitos fundamentais que não apenas aqueles ligados ao meio ambiente, desde que se consiga ligar o exercício de tal atividade com o rol de objetos da ação popular, o que nos parece plausível em relação à moralidade administrativa, conforme se verá no tópico seguinte. Por fim, nesta breve análise da jurisprudência do STJ sobre o cabimento da ação popular contra ato omissivo, deve-se registrar um precedente bem recente, publicado no ano de 2016, em que o STJ reiterou o cabimento de ação popular nos casos de omissão da Administração. No precedente em espécie, foi constatada uma omissão lesiva ao erário, já que a Municipalidade não adotou nenhuma providência diante de ato particular que provocou a incorporação de área pública em seu imóvel. - Superior Tribunal de Justiça. AgRg no AREsp 683379/SP. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL 2015/0063856-4, ? abril de 2016. Diário de justiça, Brasília, DF, 19 abr. 2016. Disponível em: . Acesso em: 14 maio 2017 Nessa ação popular citada acima, o Juiz de base indeferiu com fundamentos de que a Ação Popular não é meio idôneo para a defesa do Patrimônio Público com o mesmo entendimento seguiu uma Seção Cível do TJSP, e ao chegar o recurso no Supremo Tribunal de Justiça, a 2ª turma que analisa esse tema decidiu neste sentido: 12. Agravo Regimental provido, de modo a acolher a pretensão veiculada no Recurso Especial, para que seja dado regular andamento à Ação Popular. - Votaram como Sr. Ministro Herman Benjamin os Srs. Ministros Mauro Campbell Marques, Assusete Magalhães (Presidente) e Og Fernandes. AÇÃO POPULAR POR OMISSÃO LESIVA AO MÍNIMO EXISTENCIAL (MORALIDADE E CONTROLE DE POLÍTICAS PÚBLICAS NO PARADIGMA DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS E NA JURISPRUDÊNCIA DO STF O atual paradigma dos direitos fundamentais impõe a prestação de direitos sociais, expressamente previstos em nossa Constituição por meio de normas de aplicabilidade plena e imediata, que prometem bens como: saúde, educação, _____________________________________________________________________________ VILA EMBRATEL – PRAÇA JOÃO LISBOA – JARDIM ELDORADO (98) 3254-0945 - (98) 98123-7342; - E-mail: isaacnewtonss@gmail.com habitação e outros, que exigem ações fáticas positivas ligadas ao investimento de recursos limitados. É cediço que as leis não podem conter palavras inúteis, sem valor, sendo certo que os princípios constitucionais relativos a direitos sociais não se limitam a estabelecer programas a serem perseguidos, impondo a realização de prestações positivas que, no mínimo, inviabilizem o esvaziamento do direito fundamental, caracterizado pela sua total inobservância ou pela sua observância num nível insuficiente. Como as normas que impõem as prestações sociais correspondentes a direitos fundamentais são abertas, com termos vagos e cláusulas gerais, o que é necessário ante a impossibilidade de se estabelecer de maneira objetiva e definitiva como e quanto do valor será satisfeito, pois envolvem condições jurídicas e fáticas limitadoras e variáveis, por exemplo: prestações fáticas dependentes de recursos financeiros, cuja disponibilidade é limitada e variável, a teoria consente com a sua satisfação em diferentes níveis, dependendo das circunstâncias em concreto. Não obstante, esses diferentes níveis não podem ficar aquém do mínimo existencial, sob pena de esvaziamento do direito fundamental e intervenção do Judiciário para a tutela da Constituição e dos direitos fundamentais, com o controle das políticas públicas desempenhadas pelo Estado. Ainda que se argumente pela necessidade de proteção da separação dos poderes, tal intervenção não representará violação alguma, uma vez que ela se dará, justamente, quando os poderes se afastarem de suas funções constitucionalmente previstas, por descumprirem as normas constitucionais, ficando adstrita à garantia do mínimo, justamente para que não haja usurpação de competência, já que a elaboração e execução do programa político de cada Estado dependem, fundamentalmente, das funções legislativas e executivas. Nesse sentido, é consolidado o entendimento sobre a possiblidade do controle de políticas públicas no âmbito do STF, quando ele determina, por exemplo, a adaptação de escola pública às necessidades especiais de alguns alunos, ou quando determina a construção ou a reforma de escola, tendo em vista a total ausência de condições de uso por parte do prédio em funcionamento, decisões proferidas no âmbito de ações civil públicas, mas que poderiam, perfeitamente, ter sido objeto de ação popular baseada na proposta do presente estudo, qual seja: do seu cabimento nos casos de omissão lesiva ao mínimo existencial de direitos fundamentais. _____________________________________________________________________________ VILA EMBRATEL – PRAÇA JOÃO LISBOA – JARDIM ELDORADO (98) 3254-0945 - (98) 98123-7342; - E-mail: isaacnewtonss@gmail.com Nessas hipóteses, como visto, ocorre verdadeiro ato omissivo lesivo à moralidade, que não depende de lesão ao erário e que se mostra inaceitável por constituir desrespeito à Constituição pátria e aos seus direitos fundamentais, dentre os quais à dignidade humana. Percebe-se, assim, a plena possibilidade de, com base na norma constitucional garantidora da ação popular — art. 5º, inciso LXXIII —, ajuizar esse tipo de ação coletiva, para o combate de ato omissivo (omissão) da Administração Pública, lesivo a direito fundamental, em relação ao seu mínimo existencial, já que um dos objetos de tal demanda é, justamente, a omissão lesiva a moralidade. Quando a Administração alega não ter dinheiro para adquirir medicamentos necessários ao atendimento da comunidade, ou não oferece um serviço de educação minimamente digno, utilizando prédios em ruínas ou sem a acessibilidade necessária, compete a qualquer cidadão provocar a atividade jurisdicional por meio de uma ação popular, baseada no ato omissivo lesivo à moralidade, para que a lesão cesse mediante decisão mandamental que imponha a realização da prestação devida. Por fim, a ação popular é cabível contra omissão do poder público, ainda que os textos normativos não sejam expressos nesse sentido, devem ser assim interpretados quando mencionada a palavra “ato”, que pode ser tanto comissivo como omissivo. Conforme jurisprudência sólida do STJ, firmada desde a década de 90, a ação popular é cabível contra a omissão da Administração que represente violação aos bens ou valores indicados nas normas sobre o assunto, devendo, conforme extraído de manifestação expressa em julgado aqui analisado, ter o seu cabimento compreendido de forma ampliativa. A ação popular, quando ajuizada para a tutela da moralidade administrativa, dispensa a demonstração de violação à lei infraconstitucional, sendo necessário, todavia, que se demonstre a incompatibilidade do ato (omissivo ou comissivo) com as normas constitucionais, numa visão sistemática e teleológica. Nesse sentido, percebe-se que a ação popular poderia ser manejada com a mesma amplitude das ações civis públicas, ao menos no que tange ao controle de políticas públicas, para impor prestações positivas à Administração em casos de risco de desabamento de escola pública, de falta de acessibilidade, de ausência de _____________________________________________________________________________ VILA EMBRATEL – PRAÇA JOÃO LISBOA – JARDIM ELDORADO (98) 3254-0945 - (98) 98123-7342; - E-mail: isaacnewtonss@gmail.com estrutura para o funcionamento de conselho tutelar e para a aquisição e fornecimento de medicamentos indispensáveis a saúde pública. Tal perspectiva se mostra em total consonância com o paradigma dos direitos fundamentais, uma vez que amplia a tutela dos direitos difusos e do direito fundamental de acesso à justiça, estando em confluência também com a jurisprudência do STF, que admite a intervenção jurisdicional para o controle de políticas públicas, entendendo que não há violação ao preceito da separação dos poderes, quando se intervém para a correção de uma conduta omissiva ou comissiva da Administração, que viola a Constituição e a distância de suas funções típicas. DA AUTORIZAÇÃO PARA INICIAR AS ADEQUAÇÕES SEM BUROCRACIA Em nossas normas municipais, existe a Lei Municipal de Muros e Calçadas. Lei nº 4590 de 11 de janeiro de 2006 que DISPÕE SOBRE A CONSTRUÇÃO, RECONSTRUÇÃO E CONSERVAÇÃO DE MUROS E CALÇADAS E DÁ OUTRAS PROVIDÊNCIAS. Nesta Lei, há um dispositivo que contorna o sistema de execuções da atividade pública. Art. 8º § 1º Independe de licença do órgão municipal competente a realização de intervenção pública ou privada que se refiram a serviços de manutenção, conservação e limpeza. DO POSSUIDOR DO IMÓVEL A lei de muros e calçadas estabelece responsabilidades para o proprietário ou usuário do imóvel, já o STJ diz que o autor pode muito bem escolher o devedor de acordo com a teoria do melhor bolso profundo. Súmula 623 STJ - As obrigações ambientais possuem natureza propter rem, sendo admissível cobrá-las do proprietário ou possuidor atual e/ou dos anteriores, à escolha do credor. Teoria do bolso profundo Ao se estabelecer a responsabilidade solidária, aumenta-se a possibilidade de reparação, tendo em vista a indivisibilidade dos danos. Dessa forma, não se pode admitir que oréu alegue, como eximente, "o fato de não ser só ele o degradador, de _____________________________________________________________________________ VILA EMBRATEL – PRAÇA JOÃO LISBOA – JARDIM ELDORADO (98) 3254-0945 - (98) 98123-7342; - E-mail: isaacnewtonss@gmail.com serem vários, e não se poder identificar aquele que, com seu obrar, desencadeou - como gota d'água - o prejuízo".[BENJAMIN, Antonio Herman Vasconcellos e. Responsabilidade civil pelo dano ambiental. Revista de direito ambiental, São Paulo, v. 3, n. 9, p. 5-52, jan./mar. 1998. Disponível em:<http://bdjur.stj.jus.br/dspace/handle/2011/44994>. Acesso em: 17 mar. 2018, p. 38.] É que, o dano ambiental não tem agentes identificados e vítimas certas, trata- se de um risco anônimo, “podemos, genericamente, conceituar dano ambiental como a alteração, deterioração ou destruição, parcial ou total, de quaisquer dos recursos naturais, afetando adversamente o homem e/ou a natureza”. [BENJAMIN, Antonio Herman Vasconcellos e. Responsabilidade civil pelo dano ambiental. Revista de direito ambiental, São Paulo, v. 3, n. 9, p. 5-52, jan./mar. 1998. Disponível em:<http://bdjur.stj.jus.br/dspace/handle/2011/44994>. Acesso em: 17 mar. 2018, p. 48.] Nem toda atividade humana que cause impacto ao meio ambiente irá configurar um dano ambiental, mas apenas quando a capacidade natural de absorção for ultrapassada. No direito ambiental vem ganhando destaque a teoria norte-americana do bolso profundo (Deep Pocket Doctrine). Além dos mecanismos analisados na responsabilidade que foram incorporados na jurisprudência para dar efetividade à reparação do dano ambiental, essa teoria busca, com fundamento na responsabilização solidária, atribuir àquele que tem mais condições econômicas os custos dos estragos gerados. Dessa forma, para que esse direito fundamental não fique sem amparo protetivo, ante a alegação de impossibilidade indenizatória, a teoria do bolso profundo pondera a multiplicidade de agentes infratores, de modo que a responsabilidade irá recair sobre aquele que possuir melhores condições financeiras de arcar com os despesas ambientais, podendo acionar os demais regressivamente, haja vista também a restrição jurisprudencial que se tem dado para os casos de denunciação à lide, em virtude da celeridade processual. Há uma tendência específica no Direito Ambiental em buscar responsabilizar quem tem mais condições de arcar com os prejuízos ambientais, com base na doutrina americana do “bolso profundo”, uma vez que prevalece que todos os poluidores são responsáveis solidariamente pelos danos ambientais, conforme já se pronunciou o Superior Tribunal de Justiça. [AMADO, Frederico. Direito ambiental. 5. ed. rev. ampl. e atual. – Salvador: Editora JusPodivm, 2017, p. 285.] file:///C:/Users/ISAAC7/Desktop/selfit/%5bBENJAMIN,%20Antonio%20Herman%20Vasconcellos%20e.%20Responsabilidade%20civil%20pelo%20dano%20ambiental.%20Revista%20de%20direito%20ambiental,%20São%20Paulo,%20v.%203,%20n.%209,%20p.%205-52,%20jan./mar.%201998.%20Disponível%20em:%3chttp:/bdjur.stj.jus.br/dspace/handle/2011/44994%3e.%20Acesso%20em:%2017%20mar.%202018,%20p.%2038.%5d file:///C:/Users/ISAAC7/Desktop/selfit/%5bBENJAMIN,%20Antonio%20Herman%20Vasconcellos%20e.%20Responsabilidade%20civil%20pelo%20dano%20ambiental.%20Revista%20de%20direito%20ambiental,%20São%20Paulo,%20v.%203,%20n.%209,%20p.%205-52,%20jan./mar.%201998.%20Disponível%20em:%3chttp:/bdjur.stj.jus.br/dspace/handle/2011/44994%3e.%20Acesso%20em:%2017%20mar.%202018,%20p.%2038.%5d file:///C:/Users/ISAAC7/Desktop/selfit/%5bBENJAMIN,%20Antonio%20Herman%20Vasconcellos%20e.%20Responsabilidade%20civil%20pelo%20dano%20ambiental.%20Revista%20de%20direito%20ambiental,%20São%20Paulo,%20v.%203,%20n.%209,%20p.%205-52,%20jan./mar.%201998.%20Disponível%20em:%3chttp:/bdjur.stj.jus.br/dspace/handle/2011/44994%3e.%20Acesso%20em:%2017%20mar.%202018,%20p.%2038.%5d file:///C:/Users/ISAAC7/Desktop/selfit/%5bBENJAMIN,%20Antonio%20Herman%20Vasconcellos%20e.%20Responsabilidade%20civil%20pelo%20dano%20ambiental.%20Revista%20de%20direito%20ambiental,%20São%20Paulo,%20v.%203,%20n.%209,%20p.%205-52,%20jan./mar.%201998.%20Disponível%20em:%3chttp:/bdjur.stj.jus.br/dspace/handle/2011/44994%3e.%20Acesso%20em:%2017%20mar.%202018,%20p.%2048.%5d file:///C:/Users/ISAAC7/Desktop/selfit/%5bBENJAMIN,%20Antonio%20Herman%20Vasconcellos%20e.%20Responsabilidade%20civil%20pelo%20dano%20ambiental.%20Revista%20de%20direito%20ambiental,%20São%20Paulo,%20v.%203,%20n.%209,%20p.%205-52,%20jan./mar.%201998.%20Disponível%20em:%3chttp:/bdjur.stj.jus.br/dspace/handle/2011/44994%3e.%20Acesso%20em:%2017%20mar.%202018,%20p.%2048.%5d file:///C:/Users/ISAAC7/Desktop/selfit/%5bBENJAMIN,%20Antonio%20Herman%20Vasconcellos%20e.%20Responsabilidade%20civil%20pelo%20dano%20ambiental.%20Revista%20de%20direito%20ambiental,%20São%20Paulo,%20v.%203,%20n.%209,%20p.%205-52,%20jan./mar.%201998.%20Disponível%20em:%3chttp:/bdjur.stj.jus.br/dspace/handle/2011/44994%3e.%20Acesso%20em:%2017%20mar.%202018,%20p.%2048.%5d https://conteudojuridico.com.br/consulta/Artigos/51475/responsabilizacao-solidaria-e-a-teoria-do-bolso-profundo-no-direito-ambiental#_ftn5 https://conteudojuridico.com.br/consulta/Artigos/51475/responsabilizacao-solidaria-e-a-teoria-do-bolso-profundo-no-direito-ambiental#_ftn5 _____________________________________________________________________________ VILA EMBRATEL – PRAÇA JOÃO LISBOA – JARDIM ELDORADO (98) 3254-0945 - (98) 98123-7342; - E-mail: isaacnewtonss@gmail.com ACESSIBILIDADE E MEIO AMBIENTE Art 5º da CF/88, LXXIII: Qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesiva ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência. Para ilustrar o entendimento, merece referência o acórdão da lavra do Ministro Herman Benjamin, no qual pontua que: “A Ação Popular deve ser apreciada, quanto às hipóteses de cabimento, da maneira mais ampla possível, de modo a garantir, em vez de restringir, a atuação judicial do cidadão”.* *BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. REsp 1164710/MG. RECURSO ESPECIAL 2009/0209255-1, 12 de abril de 2010. Diário da Justiça, Brasília, DF, 4 fev. 2015. Disponível em: . Acesso em: 12 maio 2017. O meio ambiente artificial é o construído ou alterado pelo ser humano, sendo constituído pelos edifícios urbanos, que são os espaços públicos fechados, e pelos equipamentos comunitários, que são os espaços públicos abertos, como as ruas, as praças e as áreas verdes. Esse aspecto do meio ambiente abrange também a zona rural, referindo-se simplesmente aos espaços habitáveis, visto que nela os espaços naturais também cedem lugar ou se integram às edificações artificiais. FIORILLO, Celso Antonio Pacheco. Curso de Direito Ambiental brasileiro. 10. ed. São Paulo: Saraiva, 2009, p. 21. Art. 225 da CF/88. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações. ADEMAIS, CABE RESSALTAR QUE A ADEQUAÇÃO DE EQUIPAMENTOS URBANOS, A EXEMPLO DO CALÇAMENTO DE VIAS, SÃO DE USO GERAL, OU SEJA, DE BENEFÍCIO À TODA A POPULAÇÃO, DE MODO QUE NÃO SE RESTRINGE AOS _____________________________________________________________________________ VILA EMBRATEL – PRAÇA JOÃO LISBOA – JARDIM ELDORADO (98) 3254-0945 - (98) 98123-7342; - E-mail: isaacnewtonss@gmail.com VULNERÁVEIS COMO CRIANÇAS, IDOSOS E PESSOAS COM NECESSIDADES ESPECIAIS, COMO ENTENDE O MPE. Na oportunidade, requer o encaminhamento dos autos ao Núcleo Especializado da Pessoa com Deficiência no MPE, conforme entendimento recente dosPromotores do Meio Ambiente. DO DANO MORAL COLETIVO E AMBIENTAL Em voto proferido no REsp nº 1.846.075/DF, o Ministro Herman Benjamin, do Superior Tribunal de Justiça, ressaltando a importância das calçadas para mobilidade urbana, assevera que elas integram o mínimo existencial de espaço público dos pedestres. O valor da indenização pelos danos morais coletivos não pode ser insignificante, sob pena de não atingir o propósito educativo, mas também não deve ser exagerado e desproporcional a ponto de tornar-se excessivamente oneroso. Trecho da sentença prolatada por este Juízo: A requerida, sendo a maior empresa maranhense, deve dar o bom exemplo. O descumprimento de regras de acessibilidade para pessoas com deficiência no Supermercado Mateus afeta não apenas os consumidores que o frequentam, mas influencia negativamente outras empresas de menor porte. O pensamento do pequeno e médio empresário é simples, mas totalmente razoável. Se o Mateus, com todo poderio econômico, não é obrigado a cumprir as regras de acessibilidade? com que autoridade se cobrará conda reta dos pequenos empresários? Dito isto, entendo razoável o arbitramento da quantia de R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais), a título de danos morais coletivos, tendo em vista o grau de reprovabilidade da conduta e o porte econômico da ré. Número: 0859920- 83.2018.8.10.0001 - DOUGLAS DE MELO MARTINS - 29/05/2020. _____________________________________________________________________________ VILA EMBRATEL – PRAÇA JOÃO LISBOA – JARDIM ELDORADO (98) 3254-0945 - (98) 98123-7342; - E-mail: isaacnewtonss@gmail.com Portanto, não há como afastar a ocorrência de dano moral coletivo e ambientais em decorrência da conduta da ré. Haja vista que qualquer pessoa pode a qualquer momento ser abalroado por um veículo, pela falta da calçada no imóvel. Dupla finalidade Outra possibilidade é o ajuizamento de dupla demanda em âmbito de ação popular: uma para desconstituir o ato lesivo, e outra para condenar os responsáveis. Tal procedimento, segundo os ministros, está de acordo com o que prevê a legislação. Ao analisar os recursos, os ministros já firmaram o entendimento de que é possível aplicar a condenação na sentença para fixar o quantum das perdas e danos. Para os magistrados, as conclusões de tribunais de origem que verificaram ato ilegal e na mesma decisão estabeleceram danos ao erário são corretas em fixar as perdas e danos. Algumas ações análogas _____________________________________________________________________________ VILA EMBRATEL – PRAÇA JOÃO LISBOA – JARDIM ELDORADO (98) 3254-0945 - (98) 98123-7342; - E-mail: isaacnewtonss@gmail.com _____________________________________________________________________________ VILA EMBRATEL – PRAÇA JOÃO LISBOA – JARDIM ELDORADO (98) 3254-0945 - (98) 98123-7342; - E-mail: isaacnewtonss@gmail.com _____________________________________________________________________________ VILA EMBRATEL – PRAÇA JOÃO LISBOA – JARDIM ELDORADO (98) 3254-0945 - (98) 98123-7342; - E-mail: isaacnewtonss@gmail.com _____________________________________________________________________________ VILA EMBRATEL – PRAÇA JOÃO LISBOA – JARDIM ELDORADO (98) 3254-0945 - (98) 98123-7342; - E-mail: isaacnewtonss@gmail.com _____________________________________________________________________________ VILA EMBRATEL – PRAÇA JOÃO LISBOA – JARDIM ELDORADO (98) 3254-0945 - (98) 98123-7342; - E-mail: isaacnewtonss@gmail.com Acima se observa uma calçada sinalizada e com piso podotátil no qual todos os vizinhos foram demandados e se ajustaram. O piso tátil tem a função de orientar pessoas com deficiência visual ou com baixa visão, por isso é diferenciado com textura e cor para ser perceptível, destacando-se do restante do piso que estiver ao redor. _____________________________________________________________________________ VILA EMBRATEL – PRAÇA JOÃO LISBOA – JARDIM ELDORADO (98) 3254-0945 - (98) 98123-7342; - E-mail: isaacnewtonss@gmail.com Mas é preciso atenção ao instalar esse tipo de piso, em excesso ele pode confundir o deficiente visual. Também é importante utilizar pisos resistentes a fatores climáticos e a grandes movimentações. Esse revestimento é uma solução moderna, fácil, econômica e inclusiva. O Decreto nº 5.296/04, que regulamenta as Leis n° 10.048/00 e n° 10.098/00, que estabelecem normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida. Enfoque na mobilidade urbana, construção dos espaços e nos edifícios de uso público e legislação urbanística. A Lei 10.098/00 estabelece as normas gerais e os critérios básicos para a promoção da acessibilidade mediante a supressão de barreiras e obstáculos nas vias e espaços públicos, no mobiliário urbano, na construção e reforma de edifícios e nos meios de transporte e de comunicação. EFEITO PEDAGÓGICO A Terra Zoo Cohama foi objeto de demanda por adaptação na calçada. Consequentemente sem ação popular, adaptou sou loja do Calhau. _____________________________________________________________________________ VILA EMBRATEL – PRAÇA JOÃO LISBOA – JARDIM ELDORADO (98) 3254-0945 - (98) 98123-7342; - E-mail: isaacnewtonss@gmail.com Dimensões mínimas de faixa livre Calçadas, passeios e vias exclusivas de pedestres devem incorporar faixa livre com largura mínima de 1,20 m. • Possuir superfície regular, firme, contínua e antiderrapante sob qualquer condição. • Ser contínua, sem qualquer emenda, reparo ou fissura. Portanto, em qualquer intervenção o piso deve ser reparado em toda a sua largura seguindo o modelo original. NOVA ORDEM CONSTITUCIONAL - CONCURSO DE AÇÕES - INTERESSES TRANSINDIVIDUAIS - No Brasil, as primeiras luzes do processo coletivo coincidem com a reforma de 1977 da Lei da Ação Popular (Lei Federal 4.717/1965), que, na origem, de finalidade meramente tutelar do patrimônio público, passou a prestigiar também a proteção de valores não econômicos, tais como os relacionados a bens e direitos de valor artístico, estético, histórico ou turístico (art. 2º, § 1º); a seguir, pela edição da Lei da Política Nacional do Meio Ambiente (Lei Federal 6.938/1981), que reconheceu expressamente a legitimação do Ministério Público para o ajuizamento de ação reparatória por danos infligidos ao meio ambiente (art. 14, § 1º); depois, pela Lei Federal 7.347/1985, disciplinadora da Ação Civil Pública de responsabilidade por danos causados ao meio ambiente, ao consumidor, a bens e direitos de valor artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico e pela promulgação da Constituição Federal de 1988, marco normativo de singular realce para a maturidade do processo coletivo, que incumbiu o Ministério Público de “promover o inquérito civil e a ação civil pública, para a proteção do patrimônio público e social, do meio ambiente e de outros interesses difusos e coletivos”, sem prejuízo da mesma atribuição a terceiros, nas mesmas hipóteses, segundo o disposto na lei; e, finalmente, pelo CDC- Código de Defesa do Consumidor (Lei Federal 8.078/1990), cujas disposições processuais são aplicáveis à tutela de todo e qualquer interesse ou direito coletivo lato sensu, e dos chamados interesses individuais homogêneos (art. 117), estabelecendo-se, assim, um microssistema processual coletivo, com regras e princípios próprios, que lhe conferem a necessária autonomia em relação ao processo civil individual. Este verbete tem como objetivo apresentar os princípios constitutivos do processo coletivo. THECHOS DE ENTENDIMENTOS DO STJ: Oportuno sublinhar que, por força do princípio da integração das ações coletivas, as Leis ns. 4.717/1965, 7.347/1985, 8.078/1990 e 8.429/1992, dentre outras, _____________________________________________________________________________VILA EMBRATEL – PRAÇA JOÃO LISBOA – JARDIM ELDORADO (98) 3254-0945 - (98) 98123-7342; - E-mail: isaacnewtonss@gmail.com compõem um microssistema processual, com o objetivo de propiciar uma adequada e efetiva tutela dos bens jurídicos nelas previstos (v.g.: AgRg no REsp 1.357.763/GO, 1ª Turma, Rel. Min. NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, DJe 04.08.2014; REsp n. 1.598.110/RJ, 2ª Turma, Rel. Min. HERMAN BENJAMIN, DJe 17.10.2016). 4. Primeiramente, não há dúvida de que é pacífico o entendimento no Superior Tribunal de Justiça segundo o qual por força do princípio da integração, as Leis n. 4.717/65, 7.347/85, 8.078/90 e 8.429/92, dentre outras, compõem um microssistema processual coletivo, com o objetivo de propiciar uma adequada e efetiva tutela dos bens jurídicos por elas protegidos (AgInt no REsp. 1.521.617/MG, Rel. Min. REGINA HELENA COSTA, DJe 22.05.2017). 2. A Carta de 1988, ao evidenciar a importância da cidadania no controle dos atos da Administração, com a eleição dos valores imateriais do art. 37, da CF/1988 como tuteláveis judicialmente, coadjuvados por uma série de instrumentos processuais de defesa dos interesses transindividuais, criou um microssistema de tutela de interesses difusos referentes à probidade da administração pública, nele encartando-se a Ação Cautelar Inominada, Ação Popular, a Ação Civil Pública e o Mandado de Segurança Coletivo, como instrumentos concorrentes na defesa desses direitos eclipsados por cláusulas pétreas. AgRg no AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 1.249.132 - SP (2009/0224885-0) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX. 2. Os arts. 21 da Lei da Ação Civil Pública e 90 do CDC, como normas de envio, possibilitaram o surgimento do denominado Microssistema ou Minissistema de proteção dos interesses ou direitos coletivos amplo senso, com o qual se comunicam outras normas, como os Estatutos do Idoso e da Criança e do Adolescente, a Lei da Ação Popular, a Lei de Improbidade Administrativa e outras que visam tutelar direitos dessa natureza, de forma que os instrumentos e institutos podem ser utilizados para "propiciar sua adequada e efetiva tutela" (art. 83 do CDC). 3. Apesar do reconhecimento jurisprudencial e doutrinário de que "A nova ordem constitucional erigiu um autêntico 'concurso de ações' entre os instrumentos de tutela dos interesses transindividuais" (REsp _____________________________________________________________________________ VILA EMBRATEL – PRAÇA JOÃO LISBOA – JARDIM ELDORADO (98) 3254-0945 - (98) 98123-7342; - E-mail: isaacnewtonss@gmail.com 700.206/MG, Rel. Min. LUIZ FUX, Primeira Turma, DJe 19/3/10). Assim, pela interpenetração de suas regras, esse microssistema deve servir de parâmetro para toda e qualquer ação coletiva, podendo seus instrumentos processuais ser utilizados para a tutela dos direitos difusos, coletivos e individuais homogêneos. DO ENTENDIMENTO DA SUPREMA CORTE FEDERAL SOBRE A POSSIBILIDADE DE AÇÃO POPULAR PARA TUTELAR DANOS PATRIMONIAIS QUE NÃO TENHAM CAUSADO PREJUÍZO AO ERÁRIO Não obstante o sólido embasamento doutrinário acerca da integralidade do microssistema de proteção da tutela coletiva e de inúmeros casos de sua aplicação nos tribunais ainda há resistência de conferir à Ação Popular os meios das demais tutelas conferidas, por exemplo, pela Ação Civil Pública ou Mandado de Segurança Coletivo, para legitimar a proteção ao patrimônio público sem a comprovação de dano ao erário. Tal entendimento restritivo já foi enfrentado por nada menos que a Suprema Corte Federal em Repercussão Geral assim ementado: REPERCUSSÃO GERAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO com AGRAVO 824.781 MATO GROSSO RELATOR :MIN. DIAS TOFFOLI RECTE.(S) :JOÃO BATISTA BENEVIDES DA ROCHA PROC.(A/S)(ES) :DEFENSOR PÚBLICO-GERAL DO ESTADO DO MATO GROSSO RECDO.(A/S): MUNICÍPIO DE CUIABÁ PROC.(A/S)(ES): PROCURADOR-GERAL DO MUNICÍPIO DE CUIABÁ EMENTA Direito Constitucional e Processual Civil. Ação popular. Condições da ação. Ajuizamento para combater ato lesivo à moralidade administrativa. Possibilidade. Acórdão que manteve sentença que julgou extinto o processo, sem resolução do mérito, por entender que é condição da ação popular a demonstração de concomitante lesão ao patrimônio público material. Desnecessidade. Conteúdo do art. 5º, inciso LXXIII, da Constituição Federal. Reafirmação de jurisprudência. Repercussão geral reconhecida. 1. O entendimento sufragado no acórdão recorrido de que, para o cabimento de ação popular, é exigível a menção na exordial e a prova de prejuízo material aos cofres públicos, diverge do entendimento sufragado pelo Supremo Tribunal Federal. _____________________________________________________________________________ VILA EMBRATEL – PRAÇA JOÃO LISBOA – JARDIM ELDORADO (98) 3254-0945 - (98) 98123-7342; - E-mail: isaacnewtonss@gmail.com 2. A decisão objurgada ofende o art. 5º, inciso LXXIII, da Constituição Federal, que tem como objetos a serem defendidos pelo cidadão, separadamente, qualquer ato lesivo ao patrimônio material público ou de entidade de que o Estado participe, ao patrimônio moral, ao cultural e ao histórico. 3. Agravo e recurso extraordinário providos. 4. Repercussão geral reconhecida com reafirmação da jurisprudência. Decisão: O Tribunal, por maioria, reputou constitucional a questão, vencido o Ministro Marco Aurélio. Não se manifestaram os Ministros Gilmar Mendes e Rosa Weber. O Tribunal, por maioria, reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada, vencido o Ministro Marco Aurélio. Não se manifestaram os Ministros Gilmar Mendes e Rosa Weber. No mérito, por maioria, reafirmou a jurisprudência dominante sobre a matéria, vencidos os Ministros Marco Aurélio e Teori Zavascki. Não se manifestaram os Ministros Gilmar Mendes e Rosa Weber. Ministro DIAS TOFFOLI - Relator (Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001,que institui a Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira - ICP-Brasil. O documento pode ser acessado no endereço eletrônico http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/ sob o número 9246366.) (destaquei em negrito) - Julgamento: 27/08/2015 Por fim, em respeito ao microssistema de diálogo das fontes para a tutela dos direitos coletivos é possível a aplicação da ação popular apto a a legitimar a defesa de direitos coletivos que são disciplinados em outras leis de modo a construir no caso concreto o melhor modelo de efetiva proteção a estes direitos constitucionais. O SURGIMENTO DA OBRIGAÇÃO DE FAZER EM AÇÃO POPULAR Como exemplo de implantação dessa segunda onda renovatória no Direito Brasileiro, poderíamos citar todo o microssistema da Tutela Coletiva, formada, em seu núcleo duro, pela Lei de Ação Civil Pública (Lei n. 7.347/85) e pelo Código de Defesa do Consumidor (Lei n. 8.072/90), e, em seu derredor, por diversas outras leis, tais como Lei n. 4717/65 – Ação Popular; Lei n. 6938/81 – política nacional do meio ambiente; Lei 7.513/86 – investidores dos mercados de valores mobiliários; Lei n. 7853/89 – pessoas portadoras de deficiência; Lei n. 8069/90 – ECA; Lei n. 8492/92 – improbidade administrativa; Lei n. 10471/03 – estatuto do idoso; Lei n. 10671/03 – estatuto do torcedor (equiparado a consumidor); Lei n. 12016 – MS, Lei n. 12846/13 – anticorrupção; Lei n. 13.300/16 – mandado de injunção. Oportuno sublinhar que, por força do princípio da integração das ações coletivas, as Leis ns. 4.717/1965, 7.347/1985, 8.078/1990 e 8.429/1992, dentre outras, compõem um http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/ https://enciclopediajuridica.pucsp.br/verbete/377/edicao-1/principios-informadores-do-processo-coletivo#anchor-titulo-index-1 https://enciclopediajuridica.pucsp.br/verbete/377/edicao-1/principios-informadores-do-processo-coletivo#anchor-titulo-index-1 _____________________________________________________________________________ VILA EMBRATEL – PRAÇA JOÃO LISBOA – JARDIM ELDORADO(98) 3254-0945 - (98) 98123-7342; - E-mail: isaacnewtonss@gmail.com microssistema processual, com o objetivo de propiciar uma adequada e efetiva tutela dos bens jurídicos nelas previstos (v.g.: AgRg no REsp 1.357.763/GO, 1ª Turma, Rel. Min. NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, DJe 04.08.2014; REsp n. 1.598.110/RJ, 2ª Turma, Rel. Min. HERMAN BENJAMIN, DJe 17.10.2016). Sabendo como chegamos a essa microssistema atualmente existente, devemos entender que a Tutela Coletiva é um conjunto de normas que servem de instrumento para proteção de direitos materiais específicos. E quais são esses direitos? São os direitos transindividuais, de titularidade coletiva. Esses direitos são organizados em um gênero direitos coletivos lato sensu, cujas espécies são os direitos difusos, direitos coletivos stricto sensu e direitos individuais homogêneos. O conceito está no art. 81, parágrafo único, CDC: Art. 81. Parágrafo único. A defesa coletiva será exercida quando se tratar de: I – interesses ou direitos difusos, assim entendidos, para efeitos deste código, os transindividuais, de natureza indivisível, de que sejam titulares pessoas indeterminadas e ligadas por circunstâncias de fato; Com efeito, o Código de Defesa do Consumidor, em seu artigo 83, prevê que “para a defesa dos direitos e interesses protegidos por este Código são admissíveis todas as espécies de ações capazes de propiciar sua adequada e efetiva tutela”. Como já dissemos acima, a definição de interesses difusos, coletivos e individuais homogêneos nos é dada pelo próprio Código de Defesa do Consumidor, o qual constitui hoje um verdadeiro microssistema jurídico, não podendo ser deixado de lado em uma interpretação sistêmica. Não se trata de mera enunciação de um princípio vazio e inócuo, de um programa a ser posto em prática por meio de outras normas legais. Cuida- se, ao revés, de norma autoaplicável, no sentido de que dele se podem extrair desde logo várias consequências. (...) Uma outra consequência importante é o encorajamento da linha doutrinária, que vem se empenhando no sentido da mudança da visão do mundo, fundamentalmente economicística, impregnada no sistema _____________________________________________________________________________ VILA EMBRATEL – PRAÇA JOÃO LISBOA – JARDIM ELDORADO (98) 3254-0945 - (98) 98123-7342; - E-mail: isaacnewtonss@gmail.com processual pátrio, que procura privilegiar o 'ter' mais que o 'ser', fazendo com que todos os direitos, inclusive os não patrimoniais, principalmente os pertinentes à vida, à saúde, à integridade física e mental e à personalidade (imagem, intimidade, honra etc.), tenham uma tutela processual mais efetiva e adequada. (GRINOVER, 2007, p. 854-855) Assim, se qualquer ação (inclusive a popular) pode ser utilizada quando for capaz de propiciar a adequada e efetiva tutela, a fortiori, deve ser utilizada quanto tais direitos coletivos (sentido amplo) consubstanciarem-se em direitos fundamentais. Outra inteligência vinda do CDC e anteriormente à reforma trabalhista e a incidente de desconsideração da personalidade jurídica no processo do trabalho com a responsabilização dos sócios por dívidas trabalhistas que está fundada no disposto no artigo 28, § 5º, do CDC, em que a mera insuficiência financeira da empresa implicaria na execução dos sócios. Para os resistentes à causa, recomendo a leitura de temas jurisprudenciais do STJ “PRINCÍPIO DA INTEGRAÇÃO DAS AÇÕES COLETIVAS – CONCURSO DE AÇÕES – NOVA ORDEM CONSTITUCIONAL – DIREITO COLETIVO – DIREITO TRANSINDIVIDUAL - AÇÃO POPULAR COMO FONTE DO MICROSSISTEMA” e por fim, a leitura do Código de Defesa do Consumidor. DOS REQUERIMENTOS E PEDIDOS Ante o exposto, requer-se: 1. Seja citados os réus, na pessoa de suas respectivas procuradorias, para, querendo, contestar a presente ação; 2 - A resolução do item abaixo/ Da Responsabilidade dos demandados: Requer que os demandados (2 – EVVIVA, 3 – ZEPHYR DESIGN E DECOR, 4 – HUB PEREIRA FEITOSA, 5 – ÓTICA DINIZ, 6 – Ed. MARCUS BARBOSA INTELLIGENT OFFICE) adequem suas calçadas, no que tange sua manutenção e sinalização, conforme LEI Nº 6.292, DE 28 DE DEZEMBRO DE 2017, com o auxílio da NBR 9050 e 16537, sob pena de multa; _____________________________________________________________________________ VILA EMBRATEL – PRAÇA JOÃO LISBOA – JARDIM ELDORADO (98) 3254-0945 - (98) 98123-7342; - E-mail: isaacnewtonss@gmail.com 3. Seja intimado o ilustre representante do Núcleo Especializado da Pessoa com Deficiência - Ministério Público Estadual (art. 7, I da LAP, art.178 do CPC, art 202 da Lei no 8.069/90 e art. 5º, § 1º); 4. Seja concedida a inversão do ônus da prova, a favor do autor, conforme previsão do art. 373, parágrafo primeiro do CPC e Súmula 618 do STJ; 5. Seja julgada inteiramente procedente esta demanda, e a condenação do réu em honorários advocatícios, conforme (AgRg no Ag 827296/SP, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 16.10.2007, DJ 12.11.2007 e § 10 do art. 85, CPC/15; 6. Da Responsabilidade do Município de São Luís: a) Na adoção de todas as medidas administrativas necessárias a obrigar os proprietários réu na presente ação a observarem as normas constitucionais ambientais correlatas, especialmente, o cumprimento da função social da propriedade urbana e do direito de vizinhança, e adoção das medidas punitivas previstas no Estatuto da Cidade (edificação compulsória, art. 5º, IPTU progressivo, art. 7, e desapropriação-sanção, art. 8º, todos da Lei de n. 10.257/01); b) Notificar o Demandado na construção, sinalização e a manutenção da calçada. 7 – Condenar os demandados (2 – EVVIVA, 3 – ZEPHYR DESIGN E DECOR, 4 – HUB PEREIRA FEITOSA, 5 – ÓTICA DINIZ, 6 – Ed. MARCUS BARBOSA INTELLIGENT OFFICE), ao pagamento de indenização no valor de R$ 100.000,00 (cem mil reais) CADA IMÓVÉL, perfazendo um total de R$ 500.000,00, (quinhentos mil reais) pelos danos ambientais e coletivos causados, a serem revertidos ao Fundo de Direitos Difusos e Coletivos; 8 - Para qualquer medida de urgência requerida na presente petição, seja previsto preceito cominatório diário no valor de R$ 10.000,00 (dez mil reais), para cada réu, devendo o valor ser reforçado, caso a decisão seja descumprida. 9 - A designação de audiência de conciliação (art. 319, VII do CPC), já que, embora sejam direitos indisponíveis os tratados nesta ação, é possível a _____________________________________________________________________________ VILA EMBRATEL – PRAÇA JOÃO LISBOA – JARDIM ELDORADO (98) 3254-0945 - (98) 98123-7342; - E-mail: isaacnewtonss@gmail.com fixação de acordo quanto ao modo, prazos e formas de cumprimento das obrigações de fazer cujo cumprimento é aqui requerido; 10 – Na condição de informante, Requer intimação da SEMURH e BLITZ URBANA. Protesta provar tudo quanto alegado por todos os meios de provas admitidos em direito, notadamente mediante prova documental, testemunhal e pericial, estando, desde já, expressamente requerido. Dá-se à causa o valor de R$ 500.000,00, para efeitos de custas e alçada. Nesses termos, pede deferimento. São Luís, 27 de abril de 2022. ISAAC NEWTON SOUSA SILVA, Adv. OAB MA 18.165 ISAAC RIBEIRO SILVA, Adv. OAB MA 9.232