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Acao Popular - Inicial Processo n 0821895-59 2022 8 10 0001

Petição inicial (ação popular) por Isaac Newton Sousa Silva contra o Município de São Luís e empresas da Av. dos Holandeses, requerendo a adequação de calçada por descumprimento da Lei Municipal 6.292/2017 e das NBR 9050 e 16537, com pedido de intimação da SEMURH/Blitz Urbana.

Ferramentas de estudo

Questões resolvidas

Qual é o objetivo da presente ação popular descrita no documento apresentado?

a) Requerer a aplicação da Lei Municipal 6.292.2017 sobre a acessibilidade das calçadas.
b) Solicitar a manutenção das calçadas da região de São Luís.
c) Exigir a instalação de piso podotátil em todas as calçadas mencionadas.
d) Buscar a condenação dos demandados por descumprimento das normas de acessibilidade.

O que possibilitou o surgimento do Microssistema ou Minissistema de proteção dos interesses ou direitos coletivos amplo senso, com o qual se comunicam outras normas, como os Estatutos do Idoso e da Criança e do Adolescente, a Lei da Ação Popular, a Lei de Improbidade Administrativa e outras que visam tutelar direitos dessa natureza, de forma que os instrumentos e institutos podem ser utilizados para 'propiciar sua adequada e efetiva tutela'?

a) Os arts. 21 da Lei da Ação Civil Pública e 90 do CDC.
b) Os arts. 21 da Lei da Ação Civil Pública e 83 do CDC.
c) Os arts. 90 da Lei da Ação Civil Pública e 83 do CDC.

Qual é o microssistema que serve de parâmetro para toda e qualquer ação coletiva, podendo seus instrumentos processuais ser utilizados para a tutela dos direitos difusos, coletivos e individuais homogêneos?

a) Microssistema de diálogo das fontes.
b) Microssistema da Tutela Coletiva.
c) Microssistema de proteção da tutela coletiva.

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Questões resolvidas

Qual é o objetivo da presente ação popular descrita no documento apresentado?

a) Requerer a aplicação da Lei Municipal 6.292.2017 sobre a acessibilidade das calçadas.
b) Solicitar a manutenção das calçadas da região de São Luís.
c) Exigir a instalação de piso podotátil em todas as calçadas mencionadas.
d) Buscar a condenação dos demandados por descumprimento das normas de acessibilidade.

O que possibilitou o surgimento do Microssistema ou Minissistema de proteção dos interesses ou direitos coletivos amplo senso, com o qual se comunicam outras normas, como os Estatutos do Idoso e da Criança e do Adolescente, a Lei da Ação Popular, a Lei de Improbidade Administrativa e outras que visam tutelar direitos dessa natureza, de forma que os instrumentos e institutos podem ser utilizados para 'propiciar sua adequada e efetiva tutela'?

a) Os arts. 21 da Lei da Ação Civil Pública e 90 do CDC.
b) Os arts. 21 da Lei da Ação Civil Pública e 83 do CDC.
c) Os arts. 90 da Lei da Ação Civil Pública e 83 do CDC.

Qual é o microssistema que serve de parâmetro para toda e qualquer ação coletiva, podendo seus instrumentos processuais ser utilizados para a tutela dos direitos difusos, coletivos e individuais homogêneos?

a) Microssistema de diálogo das fontes.
b) Microssistema da Tutela Coletiva.
c) Microssistema de proteção da tutela coletiva.

Prévia do material em texto

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VILA EMBRATEL – PRAÇA JOÃO LISBOA – JARDIM ELDORADO 
(98) 3254-0945 - (98) 98123-7342; - E-mail: isaacnewtonss@gmail.com 
MM. AO JUÍZO DE DIREITO DA VARA DE INTERESSES DIFUSOS E COLETIVOS DA 
COMARCA DE SÃO LUÍS – PODER JUDICIÁRIO MARANHÃO 
 
 
 
 
Isento de custas (art. 10 da Lei 4.717/1965) 
PRIORIDADE LEGAL 
LEI MUNICIPAL 6.292.2017 Lei de mobilidade urbana 
 
 
 
 
 
 
 ISAAC NEWTON SOUSA SILVA – OAB/MA nº 18.165 - CPF: 992.483.953-
68, portador do título eleitoral nº 045790171155, brasileiro, advogado, com 
endereço profissional na Praça João Lisboa, nº 177, Sala 105-A, 1º Andar, 
Centro - CEP: 65010-310, São Luís, Estado do Maranhão, vem, 
respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, atuando em causa própria nos 
termos do art. 103, parágrafo único do CPC, motivo pelo qual dispensa-se 
procuração, onde recebe intimações, vem, mui respeitosamente, à presença 
de V. Exa., para promover a presente 
 
 
 AÇÃO POPULAR 
em face de: 
http://www.jusbrasil.com.br/topicos/28895571/artigo-103-da-lei-n-13105-de-16-de-marco-de-2015
http://www.jusbrasil.com.br/topicos/28895569/par%C3%A1grafo-1-artigo-103-da-lei-n-13105-de-16-de-marco-de-2015
http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/174276278/lei-13105-15
 
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VILA EMBRATEL – PRAÇA JOÃO LISBOA – JARDIM ELDORADO 
(98) 3254-0945 - (98) 98123-7342; - E-mail: isaacnewtonss@gmail.com 
1 - MUNICÍPIO DE SÃO LUÍS, pessoa jurídica de direito público, inscrito no CNPJ 
sob nº 06.307.102/0001-30, com endereço na Av. Pedro II, S/N° - PALÁCIO DE 
LA RAVARDIÈRE, Centro – São Luís/MA; 
 
2 – EVVIVA, CNPJ desconhecido, com endereço na Av. dos Holandeses, 6, A - 
Calhau, São Luís - MA, 65071-380; 
 
3 – ZEPHYR DESIGN E DECOR, CNPJ desconhecido, com endereço na Av. dos 
Holandeses, 6, B - Calhau, São Luís - MA, 65071-380; 
 
4 – HUB PEREIRA FEITOSA, CNPJ desconhecido, com endereço na Av. dos 
Holandeses, 7056 - Calhau, São Luís - MA, 65071-380; 
 
5 – ÓTICA DINIZ, CNPJ desconhecido, com endereço na Av. dos Holandeses, 03 - 
qd 05 - Calhau, São Luís - MA, 65071-380; 
 
6 – Ed. MARCUS BARBOSA INTELLIGENT OFFICE, CNPJ desconhecido, com 
endereço na Av. dos Holandeses, n°2 , QD 5 - Calhau, São Luís - MA, 65075-650, 
pelos motivos de fato e de direito a seguir expostos: 
 
I – PRELIMINAR – CITAÇÃO/INTIMAÇÃO 
 
• Requer intimação da SEMURH e/ou BLITZ URBANA; 
• Localização (na AV. HOLANDESES, Quadra 8, Pizza Hut). 
 
II – OBJETO 
 A presente ação popular tem por objetivo a calçada, no qual não se encontra 
de acordo com as normas técnicas que buscam assegurar o referido direito, não 
atendendo, assim, as condições mínimas de acessibilidade prevista na legislação 
municipal e NBR 9050 + 16537. 
 Então busca-se a tutela jurisdicional tendente à condenação dos demandados 
em se adequarem, mas a omissão do Município em aplicar a lei, na promoção de 
adaptações que suprimam as barreiras arquitetônicas existentes na referida área 
da Av. DOS HOLANDESES, a fim de que atenda as normas e padrões técnicos de 
acessibilidade da coletividade. 
 
 
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III - DOS FATOS 
Preliminarmente, é importante ressaltar que o conceito de acessibilidade diz 
respeito a possibilidade e condição de alcance para utilização, com segurança e 
autonomia, dos espaços, mobiliários e equipamentos urbanos, das edificações, dos 
transportes e dos sistemas e meios de comunicação, por qualquer pessoa. 
A caminhada é meio de locomoção muito comum e importante para a 
população. Caracteriza-se por estímulo ao meio ambiente sustentável, à saúde e 
à autonomia de mobilidade, alicerçada no direito fundamental de ir e vir (artigo 5º, 
inciso XV, da Constituição Federal). 
Atualmente encontram-se em vigor as LEI MUNICIPAL 6.292.2017, 
considerando que a propriedade urbana deve cumprir sua função social, entendida 
como tal aquela em que o uso e ocupação obedecem às exigências fundamentais da 
sociedade, consolidada nas diretrizes do Plano Diretor e a lei de zoneamento, 
parcelamento uso e ocupação do solo, em conformidade com os dispositivos de 
instrumentação legal, os muros, calçadas e vedação de imóveis de São Luís ficam 
sujeitos ao que dispõe esta lei. 
A ausência da calçada em condições acessíveis na área do demandado, 
localizado na Av. DOS HOLANDESES, compromete o direito de ir e vir dos pedestres 
e bagunça o conceito de acessibilidade tirando a autonomia, segurança e saúde da 
população. 
AUTONOMIA E SEGURANÇA 
 É visível que o local não segue a Lei 6292.2017 mais (Parâmetros técnicos da 
NBR 9050 e 16537). 
 Infelizmente a área demandada não observa essa norma e com isso a falta da 
calçada acessível. [FOTOS EM ANEXO] 
Data das fotos e vídeo: 23 de abril 2022. 
 O Código de Trânsito Brasileiro, em seu Anexo I, traz o conceito normativo de 
calçada, definindo-a como “parte da via, normalmente segregada e em nível 
diferente, não destinada à circulação de veículos, reservada ao trânsito de 
pedestres. 
 
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 A calçada ideal é aquela que garante o caminhar livre, seguro e confortável 
de todos os transeuntes. A calçada é o caminho que nos conduz ao lar. Ela é o lugar 
onde transitam os pedestres na movimentada vida cotidiana. É através dela que as 
pessoas chegam aos diversos pontos do bairro e da cidade. A calçada bem feita e 
bem conservada valoriza a casa e o bairro. 
2 – EVVIVA, por mais que a calçada tenha passado por recente reforma, nota-se que 
o passeio não tem o piso podotátil e durante a captura de provas, se enxergou uma 
inclinação incomum na calçada que poderá sem atestada pelo proprietário do 
imóvel, conforme Súmula 618-STJ: A inversão do ônus da prova aplica-se às ações 
de degradação ambiental. Os tribunais superiores entendem que a calçada é o meio 
ambiente artificial do pedestre; 
 
3 – ZEPHYR DESIGN E DECOR, igual ao descrito no imóvel acima; 
 
4 – HUB PEREIRA FEITOSA, imóvel sem manutenção na calçada, com obstáculos no 
passeio, sem rebaixamento na esquina e sem piso podotátil; 
 
5 – ÓTICA DINIZ, imóvel sem manutenção na calçada e sem piso podotátil; 
 
6 – Ed. MARCUS BARBOSA INTELLIGENT OFFICE, imóvel sem rebaixamento na 
esquina e com a instalação de piso podotátil irregular. No estacionamento lateral os 
veículos ficam em cima do piso tátil, e apesar das NBRs não tratarem do assunto, o 
autor irá explicar. 
 
Atualmente existem duas formas de fixação de piso tátil. O de PVC interno e o de 
ARGAMASSA externo. 
 
O de PVC com a fixação colada não pode ser na área da calçada devido ao sol. 
 
Existe um decreto municipal de Goiânia que explica isso. Vejamos: 
 
Seu piso tátil está quebrando ou "derretendo"? 
 
O Decreto de número 3.057 de 15 de dezembro de 2015 exige que toda 
calçada contenha o piso tátil de concreto, não poderia ser o de PVC, pois a taxa de 
descolamento seria grande, devido ao fato de não ser um produto apropriado para 
ambientes externos. 
 
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 Por isso foi cogitado o de concreto, pois quando colocado ele não iria “descolar”. 
 Porém, com o intuito de economizar, algumas pessoas optam por uma opção 
mais barata onde o piso acaba se dissolvendo, e tendo que ser reinstalado, e nesse 
caso o barato sai caro, devidoao fato de ter de retirar o piso, alugar uma caçamba e 
também mão de obra para a realização do serviço. 
Vejamos os dispositivos infringidos da Lei de mobilidade urbana: 
 
LeiMU Art. 48Os recuos frontais de edificações poderão 
ser utilizados como vagas de estacionamento, desde que 
autorizados pela Secretaria Municipal de Trânsito e 
Transportes - SMTT, em virtude de projeto apresentado 
e mediante as seguintes condições: I - serem 
implantados sempre em ângulo com relação ao meio-fio, 
respeitando as medidas mínimas de instalação neste 
caso; II - em caso de sobreposição parcial com a calçada, 
somente ocuparem faixa de paragem da calçada em 
contiguidade e não destinada a passagem e trânsito de 
pedestres (passeio). III - manterem inclinação 
transversal máxima de 2% (dois por cento) em relação 
ao meio-fio; IV - não obstruírem em qualquer 
circunstância o fluxo longitudinal de pedestres e 
cadeirantes, como também o acesso destes aos 
estabelecimentos que as contenham; V - estarem 
devidamente sinalizados ao transeunte quanto ao 
acesso transversal de veículos sobre o passeio, por meio 
de sinalizador luminoso e placa. 
 
LeiMU Art. 65 - As calçadas são parte da via, 
normalmente segregadas e em nível diferente, não 
destinada à circulação de veículos, reservada 
prioritariamente ao deslocamento peatonal e, quando 
possível, à implantação de mobiliário urbano, 
sinalização, vegetação e outros afins. 
 
LeiMU Art. 68º O pavimento das calçadas deverá 
atender as seguintes especificações: I – ser, sempre que 
possível, permeável às águas pluviais; II - não possuir 
 
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materiais soltos, escamados ou isolados, que impliquem 
alteração no nivelamento da calçada; III - possuir 
textura antiderrapante; IV - não possuir inclinações 
convergentes sem drenagem apropriada para as águas 
pluviais; e V - ter instalado piso podotátil nos 
passeios, conforme Normas Técnicas pertinentes. 
 
LeiMU Art. 69º As calçadas terão gabarito padronizado 
conforme a densidade da quadra que as contém. Em 
caso de larguras variáveis é desejável que as calçadas 
tenham um mínimo de 1,20 m destinado ao passeio. 
 
LeiMU Art. 70º O meio-fio ao longo das travessias de 
pedestres deverá ser rebaixado para favorecer o acesso 
de cadeirantes, portadores de necessidades especiais, 
carrinhos de bebê e outros, obedecendo às normas 
estabelecidas no NBR 9050 e especificações do Manual 
de Parâmetros para Projeto de Mobilidade Urbana a ser 
editado pela Instituto da Cidade, Pesquisa e 
Planejamento Urbano e Rural - INCID. 
 
 
LeiMU Art. 71º Os caminhos transversais ao trecho da 
calçada de acesso aos lotes e terrenos contíguos, são 
necessariamente continuidades da calçada, mantendo o 
mesmo pavimento e nivelamento. 
 
Observando as imagens percebe-se há necessidade na adequação da calçada, 
para que os pedestres transitem com segurança. 
 
 Quando o estado de conservação do revestimento das calçadas não oferecer 
as condições de segurança necessárias, o proprietário ou possuidor do imóvel 
deverá providenciar novo revestimento com o piso podotátil. 
 
AÇÃO POPULAR 
 
 A ação popular constitucional, decorrente de toda uma dialética histórica, 
hoje representa um instrumento popular democrático que garante a participação 
 
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ativa de qualquer cidadão nas funções de fiscalizar (a omissão do município) e de 
proteger o patrimônio público (calçada/passeio público). 
 
 Contudo, não obstante a ação popular ser integralmente resguardada pela a 
Carta Magna vigente, perceber-se-á que, apesar de todo avanço democrático, ela 
ainda não é perfeitamente difundida da forma que merece e nem explorada em todo 
seu potencial por parte dos cidadãos. 
 Nos dias atuais, mais do que nunca, a ação popular deve ser vista como uma 
ferramenta no combate à corrupção, ao mau uso do dinheiro público, assim como 
contra os atos imorais que mancham a moralidade e os princípios que norteiam ou, 
pelo menos, deveriam nortear a administração pública em geral. 
 A análise da dita ação constitucional demanda a exposição de vários aspectos 
históricos e positivados na lei, além do esclarecimento de pontos jurídicos 
controversos. 
 Tal instrumento democrático se inspira na necessidade de aprimorar 
(evolução do direito) a tutela do interesse público, ficando a cargo do cidadão a 
faculdade de provocar o provimento jurisdicional estatal para defesa de seus 
interesses, e o mais importante, interesses da sociedade em geral. 
 Nós poderíamos gastar aqui muito tempo com o surgimento da ação popular 
(direito romano) e como ela entrou no direito brasileiro de início somente no âmbito 
penal, porém como o direito sofre contate mutação (mutável), isso é a evolução do 
direito. 
 Finalmente, tratar-se-á agora da ação popular na Constituição Federal de 
1988, que segundo Rodolfo de Camargo Mancuso (2001), optou-se por um critério 
mais abrangente e analítico, possibilitando o questionamento de atos que ferem a 
moralidade administrativa, o meio ambiente e o patrimônio histórico e cultural. 
 O atual texto constitucional expressa o seguinte: 
“Art.5º, LXXIII – qualquer cidadão é parte legítima para 
propor ação popular que vise anular ato lesivo ao 
patrimônio público ou de entidade de que o Estado 
participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente 
e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo 
comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do ônus da 
sucumbência”. (BRASIL, 1988). 
 
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 Tal dispositivo constitucional é regulamentado pela Lei 4.717, de 29 de junho 
de 1965, conhecida como a Lei da Ação Popular – LAP. Lei essa que, apesar de ser de 
1965, ainda está em pleno vigor. 
 Lembramos que a Constituição Federal é posterior à Lei da Ação Popular e 
que esta passou pelo fenômeno da recepção. Destarte, a Lei deve ser interpretada 
em consonância com a Constituição e não vice-versa. (Evolução do direito) 
 AÇÃO POPULAR POR OMISSÃO LESIVA AO MÍNIMO EXISTENCIAL 
(MORALIDADE) E CONTROLE DE POLÍTICAS PÚBLICAS: novos horizontes 
desvelados pela jurisprudência do STJ e do STF no paradigma dos direitos 
fundamentais. (ISSN 2236-1617 Luciano Picoli Gagno, Camilo José d'Avila Couto) 
 A ação popular é um dos principais instrumentos da democracia moderna, 
por permitir ao cidadão participar diretamente nos atos da Administração Pública, 
fiscalizando a probidade que deve permeá-los e combatendo as irregularidades que 
prejudiquem bens e valores essenciais à nossa civilização, quais sejam: o erário, a 
moralidade administrativa, o meio ambiente e o patrimônio histórico e cultural. 
 Ela se mostra em total consonância com o paradigma dos direitos 
fundamentais, por permitir uma ampliação do direito fundamental de acesso à 
justiça para a tutela de direitos difusos (transindividuais e indivisíveis, 
pertencentes a pessoas indeterminadas e ligadas por circunstâncias fáticas, 
por exemplo: cidadãos de um Estado), além de permitir que essa tutela seja 
buscada pelo cidadão individualmente, ou seja, independentemente de qualquer 
associação ou órgão público. 
 Dessa maneira, pode-se dizer que a ação popular se mostrou um instrumento 
essencial numa democracia mista e num Estado Democrático de Direito, em que os 
direitos difusos são alçados à categoria de direitos fundamentais, devendo ser 
garantidos ou prestados pelo Estadona maior medida das possibilidades fáticas e 
jurídicas. 
 Sem embargos, não é possível extrair da mera leitura da lei, i.e., de uma 
simples interpretação literal das normas sobre ação popular, a possibilidade do seu 
manejo em casos de atos omissivos, uma vez que tais normas falam, genericamente, 
sobre atos anuláveis, o que, todavia, não deve ser razão para restringir o uso de 
tão salutar instrumento. 
 Em verdade, o cabimento da ação popular em casos omissivos mostra-se em 
total consonância com uma compreensão sistemática e finalística das normas 
 
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constitucionais, e com a teoria dos direitos fundamentais, especialmente se 
considerarmos, como dito acima, o acesso à justiça e os direitos difusos como 
direitos fundamentais, cuja garantia ou prestação deve se dar no maior nível 
possível. 
 Justamente nessa senda caminha a jurisprudência do STJ, quando consagra, 
desde a década de noventa, a possibilidade do manejo da ação popular em casos 
de omissão lesiva aos bens ou valores tuteláveis por meio da ação popular, 
corroborando um pensamento ampliativo a respeito do cabimento de tal 
ferramenta. 
 Nesse panorama, o problema que conduziu a presente pesquisa pode ser 
sintetizado na seguinte pergunta: seria cabível ação popular contra omissão lesiva 
ao mínimo existencial de direito fundamental, com base em lesão à moralidade 
administrativa? 
 Se a resposta for positiva, será considerada uma amplitude muito maior ao 
manejo das demandas populares, quase que as equiparando a uma ação civil pública, 
o que parece fortalecer nossa democracia, bem como os valores cívicos que gravitam 
em torno de nossa sociedade. 
 Para prosseguir nessa seara, além de fixarmos as premissas acima 
mencionadas, sobre a influência dos direitos fundamentais e da jurisprudência do 
STJ, teremos de investigar, também, se a omissão lesiva ao mínimo existencial 
caracterizaria lesão à moralidade administrativa, bem como de que maneira o 
Judiciário vem intervindo no controle de políticas públicas, para suprir as omissões 
do Estado, sem consagrar violação a outros valores constitucionais, como a 
separação dos poderes, por exemplo. 
 Dessa maneira, inicia-se este trabalho com uma análise da evolução da ação 
popular no sistema brasileiro, da compatibilidade dessa evolução com a 
transformação do papel do Estado — Estado Democrático de Direito — e da sua 
confluência com a Teoria dos Direitos Fundamentais, que preconiza a possibilidade 
de satisfação dessas normas em diferentes graus (mandamentos de otimização), 
tudo isso, com o objetivo de se alcançar um discernimento contextualizado com o 
ambiente jurídico, político e social vivenciado. 
Ação popular por omissão segundo a jurisprudência do STJ 
 
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 Como afirmado acima, o cabimento de ação popular em caso de ato omissivo 
lesivo aos valores preconizados constitucionalmente já se encontra em grande 
medida consolidado, ao menos na jurisprudência do STJ, que não encontra 
censura na jurisprudência do STF. 
 Nesse sentido, é possível se acrescer aos argumentos expendidos no tópico 
acima, de ordem sistemática, teleológica e substancial, alguns precedentes do STJ 
que vão ao encontro da admissão da ação popular em caso de ato omissivo e mais, 
dão guarida a uma interpretação do seu cabimento em consentaneidade plena com 
o paradigma dos direitos fundamentais, na medida em que preconizam uma 
amplitude máxima na admissibilidade dessas ações. 
 Para ilustrar nosso entendimento, merece referência o acórdão da lavra do 
Ministro Herman Benjamin, no qual pontua que: “A Ação Popular deve ser 
apreciada, quanto às hipóteses de cabimento, da maneira mais 
ampla possível, de modo a garantir, em vez de restringir, a atuação 
judicial do cidadão”. - Superior Tribunal de Justiça. REsp 1164710/MG. RECURSO ESPECIAL 
2009/0209255-1, 12 de abril de 2010. Diário da Justiça, Brasília, DF, 4 fev. 2015. 
 Mais recentemente, em decisão paradigmática, o STJ, em acórdão da lavra do 
Ministro Castro Meira, impôs ao Estado obrigação de não fazer voltada a proteção 
do meio ambiente, como consequência do ajuizamento de ação popular visando a tal 
fim, o que se observa no seguinte trecho: 
 4. A ação popular é o instrumento jurídico que deve ser utilizado 
para impugnar atos administrativos omissivos ou comissivos que 
possam causar danos ao meio ambiente. 
5. Pode ser proposta ação popular ante a omissão do Estado em 
promover condições de melhoria na coleta do esgoto da 
Penitenciária Presidente Bernardes, de modo a que cesse o 
despejo de elementos poluentes no Córrego Guarucaia 
(obrigação de não fazer), a fim de evitar danos ao meio ambiente. 
- . Superior Tribunal de Justiça. REsp889766/SP. RECURSO ESPECIAL 2006/0211354-5, 4 de outubro 
de 2007. Diário da Justiça, Brasília, DF, 18 out. 2007. 
 O acórdão transcrito é emblemático, porque ele oferece resposta à parte 
daquilo que se pretendeu pesquisar neste artigo, ou seja, ele garante a possibilidade 
de controle de políticas públicas por meio de uma ação popular contra omissão. 
 
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 No caso em tela, o fundamento da demanda concerne à omissão lesiva ao 
meio ambiente, bem que, expressamente, se encontra no rol de objetos da ação 
popular o que, no entanto, não constitui razão que justifique uma visão restritiva do 
cabimento da ação popular para o fim de controle de política pública. 
 Sem embargos, merece especial destaque a decisão em análise, pois, por meio 
dela, se garante o uso da ação popular para se determinar a realização de prestação 
pelo Poder Público (obrigação de não fazer), voltada à proteção do meio ambiente 
(interromper o despejo de resíduos de esgoto por penitenciaria estadual), o que, a 
priori, parece emprestar razões que sustentem a possibilidade de se determinar, por 
meio de ação popular, prestações tendentes à satisfação de outros direitos 
fundamentais que não apenas aqueles ligados ao meio ambiente, desde que se 
consiga ligar o exercício de tal atividade com o rol de objetos da ação popular, o que 
nos parece plausível em relação à moralidade administrativa, conforme se verá no 
tópico seguinte. 
 Por fim, nesta breve análise da jurisprudência do STJ sobre o cabimento da 
ação popular contra ato omissivo, deve-se registrar um precedente bem recente, 
publicado no ano de 2016, em que o STJ reiterou o cabimento de ação popular nos 
casos de omissão da Administração. No precedente em espécie, foi constatada 
uma omissão lesiva ao erário, já que a Municipalidade não adotou nenhuma 
providência diante de ato particular que provocou a incorporação de área 
pública em seu imóvel. - Superior Tribunal de Justiça. AgRg no AREsp 683379/SP. AGRAVO REGIMENTAL NO 
AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL 2015/0063856-4, ? abril de 2016. Diário de justiça, Brasília, DF, 19 abr. 2016. Disponível 
em: . Acesso em: 14 maio 2017 
 Nessa ação popular citada acima, o Juiz de base indeferiu com fundamentos 
de que a Ação Popular não é meio idôneo para a defesa do Patrimônio Público 
com o mesmo entendimento seguiu uma Seção Cível do TJSP, e ao chegar o recurso 
no Supremo Tribunal de Justiça, a 2ª turma que analisa esse tema decidiu neste 
sentido: 12. Agravo Regimental provido, de modo a acolher a pretensão 
veiculada no Recurso Especial, para que seja dado regular andamento à Ação 
Popular. - Votaram como Sr. Ministro Herman Benjamin os Srs. Ministros Mauro 
Campbell Marques, Assusete Magalhães (Presidente) e Og Fernandes. 
 
AÇÃO POPULAR POR OMISSÃO LESIVA AO MÍNIMO EXISTENCIAL 
(MORALIDADE E CONTROLE DE POLÍTICAS PÚBLICAS NO PARADIGMA DOS 
DIREITOS FUNDAMENTAIS E NA JURISPRUDÊNCIA DO STF 
 
 O atual paradigma dos direitos fundamentais impõe a prestação de direitos 
sociais, expressamente previstos em nossa Constituição por meio de normas de 
aplicabilidade plena e imediata, que prometem bens como: saúde, educação, 
 
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habitação e outros, que exigem ações fáticas positivas ligadas ao investimento de 
recursos limitados. 
 É cediço que as leis não podem conter palavras inúteis, sem valor, sendo certo 
que os princípios constitucionais relativos a direitos sociais não se limitam a 
estabelecer programas a serem perseguidos, impondo a realização de prestações 
positivas que, no mínimo, inviabilizem o esvaziamento do direito fundamental, 
caracterizado pela sua total inobservância ou pela sua observância num nível 
insuficiente. 
 Como as normas que impõem as prestações sociais correspondentes a 
direitos fundamentais são abertas, com termos vagos e cláusulas gerais, o que é 
necessário ante a impossibilidade de se estabelecer de maneira objetiva e definitiva 
como e quanto do valor será satisfeito, pois envolvem condições jurídicas e fáticas 
limitadoras e variáveis, por exemplo: prestações fáticas dependentes de recursos 
financeiros, cuja disponibilidade é limitada e variável, a teoria consente com a sua 
satisfação em diferentes níveis, dependendo das circunstâncias em concreto. 
 Não obstante, esses diferentes níveis não podem ficar aquém do mínimo 
existencial, sob pena de esvaziamento do direito fundamental e intervenção do 
Judiciário para a tutela da Constituição e dos direitos fundamentais, com o controle 
das políticas públicas desempenhadas pelo Estado. 
 Ainda que se argumente pela necessidade de proteção da separação dos 
poderes, tal intervenção não representará violação alguma, uma vez que ela se dará, 
justamente, quando os poderes se afastarem de suas funções constitucionalmente 
previstas, por descumprirem as normas constitucionais, ficando adstrita à garantia 
do mínimo, justamente para que não haja usurpação de competência, já que a 
elaboração e execução do programa político de cada Estado dependem, 
fundamentalmente, das funções legislativas e executivas. 
 Nesse sentido, é consolidado o entendimento sobre a possiblidade do 
controle de políticas públicas no âmbito do STF, quando ele determina, por exemplo, 
a adaptação de escola pública às necessidades especiais de alguns alunos, ou quando 
determina a construção ou a reforma de escola, tendo em vista a total ausência de 
condições de uso por parte do prédio em funcionamento, decisões proferidas no 
âmbito de ações civil públicas, mas que poderiam, perfeitamente, ter sido objeto de 
ação popular baseada na proposta do presente estudo, qual seja: do seu cabimento 
nos casos de omissão lesiva ao mínimo existencial de direitos fundamentais. 
 
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 Nessas hipóteses, como visto, ocorre verdadeiro ato omissivo lesivo à 
moralidade, que não depende de lesão ao erário e que se mostra inaceitável por 
constituir desrespeito à Constituição pátria e aos seus direitos fundamentais, dentre 
os quais à dignidade humana. 
 Percebe-se, assim, a plena possibilidade de, com base na norma 
constitucional garantidora da ação popular — art. 5º, inciso LXXIII —, ajuizar 
esse tipo de ação coletiva, para o combate de ato omissivo (omissão) da 
Administração Pública, lesivo a direito fundamental, em relação ao seu 
mínimo existencial, já que um dos objetos de tal demanda é, justamente, a 
omissão lesiva a moralidade. 
 Quando a Administração alega não ter dinheiro para adquirir medicamentos 
necessários ao atendimento da comunidade, ou não oferece um serviço de educação 
minimamente digno, utilizando prédios em ruínas ou sem a acessibilidade 
necessária, compete a qualquer cidadão provocar a atividade jurisdicional por meio 
de uma ação popular, baseada no ato omissivo lesivo à moralidade, para que a lesão 
cesse mediante decisão mandamental que imponha a realização da prestação 
devida. 
 Por fim, a ação popular é cabível contra omissão do poder público, ainda que 
os textos normativos não sejam expressos nesse sentido, devem ser assim 
interpretados quando mencionada a palavra “ato”, que pode ser tanto comissivo 
como omissivo. 
 Conforme jurisprudência sólida do STJ, firmada desde a década de 90, a ação 
popular é cabível contra a omissão da Administração que represente violação aos 
bens ou valores indicados nas normas sobre o assunto, devendo, conforme extraído 
de manifestação expressa em julgado aqui analisado, ter o seu cabimento 
compreendido de forma ampliativa. 
 A ação popular, quando ajuizada para a tutela da moralidade administrativa, 
dispensa a demonstração de violação à lei infraconstitucional, sendo necessário, 
todavia, que se demonstre a incompatibilidade do ato (omissivo ou comissivo) com 
as normas constitucionais, numa visão sistemática e teleológica. 
 Nesse sentido, percebe-se que a ação popular poderia ser manejada com a 
mesma amplitude das ações civis públicas, ao menos no que tange ao controle de 
políticas públicas, para impor prestações positivas à Administração em casos de 
risco de desabamento de escola pública, de falta de acessibilidade, de ausência de 
 
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estrutura para o funcionamento de conselho tutelar e para a aquisição e 
fornecimento de medicamentos indispensáveis a saúde pública. 
 Tal perspectiva se mostra em total consonância com o paradigma dos direitos 
fundamentais, uma vez que amplia a tutela dos direitos difusos e do direito 
fundamental de acesso à justiça, estando em confluência também com a 
jurisprudência do STF, que admite a intervenção jurisdicional para o controle de 
políticas públicas, entendendo que não há violação ao preceito da separação dos 
poderes, quando se intervém para a correção de uma conduta omissiva ou comissiva 
da Administração, que viola a Constituição e a distância de suas funções típicas. 
DA AUTORIZAÇÃO PARA INICIAR AS ADEQUAÇÕES SEM BUROCRACIA 
 Em nossas normas municipais, existe a Lei Municipal de Muros e Calçadas. 
Lei nº 4590 de 11 de janeiro de 2006 que DISPÕE SOBRE A CONSTRUÇÃO, 
RECONSTRUÇÃO E CONSERVAÇÃO DE MUROS E CALÇADAS E DÁ OUTRAS 
PROVIDÊNCIAS. 
 Nesta Lei, há um dispositivo que contorna o sistema de execuções da 
atividade pública. 
Art. 8º § 1º Independe de licença do órgão municipal 
competente a realização de intervenção pública ou privada 
que se refiram a serviços de manutenção, conservação e 
limpeza. 
 
DO POSSUIDOR DO IMÓVEL 
 
 A lei de muros e calçadas estabelece responsabilidades para o proprietário 
ou usuário do imóvel, já o STJ diz que o autor pode muito bem escolher o devedor 
de acordo com a teoria do melhor bolso profundo. 
 
Súmula 623 STJ - As obrigações ambientais possuem natureza 
propter rem, sendo admissível cobrá-las do proprietário ou 
possuidor atual e/ou dos anteriores, à escolha do credor. 
 
Teoria do bolso profundo 
 
Ao se estabelecer a responsabilidade solidária, aumenta-se a possibilidade de 
reparação, tendo em vista a indivisibilidade dos danos. Dessa forma, não se pode 
admitir que oréu alegue, como eximente, "o fato de não ser só ele o degradador, de 
 
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serem vários, e não se poder identificar aquele que, com seu obrar, desencadeou - 
como gota d'água - o prejuízo".[BENJAMIN, Antonio Herman Vasconcellos e. Responsabilidade civil pelo dano 
ambiental. Revista de direito ambiental, São Paulo, v. 3, n. 9, p. 5-52, jan./mar. 1998. Disponível 
em:<http://bdjur.stj.jus.br/dspace/handle/2011/44994>. Acesso em: 17 mar. 2018, p. 38.] 
 
É que, o dano ambiental não tem agentes identificados e vítimas certas, trata-
se de um risco anônimo, “podemos, genericamente, conceituar dano ambiental como 
a alteração, deterioração ou destruição, parcial ou total, de quaisquer dos recursos 
naturais, afetando adversamente o homem e/ou a natureza”. [BENJAMIN, Antonio Herman 
Vasconcellos e. Responsabilidade civil pelo dano ambiental. Revista de direito ambiental, São Paulo, v. 3, n. 9, p. 5-52, jan./mar. 
1998. Disponível em:<http://bdjur.stj.jus.br/dspace/handle/2011/44994>. Acesso em: 17 mar. 2018, p. 48.] 
 
Nem toda atividade humana que cause impacto ao meio ambiente irá 
configurar um dano ambiental, mas apenas quando a capacidade natural de 
absorção for ultrapassada. 
 
No direito ambiental vem ganhando destaque a teoria norte-americana do 
bolso profundo (Deep Pocket Doctrine). 
 
Além dos mecanismos analisados na responsabilidade que foram 
incorporados na jurisprudência para dar efetividade à reparação do dano ambiental, 
essa teoria busca, com fundamento na responsabilização solidária, atribuir àquele 
que tem mais condições econômicas os custos dos estragos gerados. 
 
Dessa forma, para que esse direito fundamental não fique sem amparo 
protetivo, ante a alegação de impossibilidade indenizatória, a teoria do bolso 
profundo pondera a multiplicidade de agentes infratores, de modo que a 
responsabilidade irá recair sobre aquele que possuir melhores condições 
financeiras de arcar com os despesas ambientais, podendo acionar os demais 
regressivamente, haja vista também a restrição jurisprudencial que se tem dado 
para os casos de denunciação à lide, em virtude da celeridade processual. 
 
 Há uma tendência específica no Direito Ambiental em buscar responsabilizar 
quem tem mais condições de arcar com os prejuízos ambientais, com base na 
doutrina americana do “bolso profundo”, uma vez que prevalece que todos os 
poluidores são responsáveis solidariamente pelos danos ambientais, conforme já se 
pronunciou o Superior Tribunal de Justiça. [AMADO, Frederico. Direito ambiental. 5. ed. rev. ampl. e atual. 
– Salvador: Editora JusPodivm, 2017, p. 285.] 
 
 
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https://conteudojuridico.com.br/consulta/Artigos/51475/responsabilizacao-solidaria-e-a-teoria-do-bolso-profundo-no-direito-ambiental#_ftn5
https://conteudojuridico.com.br/consulta/Artigos/51475/responsabilizacao-solidaria-e-a-teoria-do-bolso-profundo-no-direito-ambiental#_ftn5
 
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ACESSIBILIDADE E MEIO AMBIENTE 
 
Art 5º da CF/88, LXXIII: 
Qualquer cidadão é parte legítima para propor 
ação popular que vise a anular ato lesiva ao 
patrimônio público ou de entidade de que o Estado 
participe, à moralidade administrativa, ao meio 
ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, 
ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de 
custas judiciais e do ônus da sucumbência. 
 Para ilustrar o entendimento, merece referência o acórdão da lavra do 
Ministro Herman Benjamin, no qual pontua que: “A Ação Popular deve ser 
apreciada, quanto às hipóteses de cabimento, da maneira mais ampla possível, 
de modo a garantir, em vez de restringir, a atuação judicial do cidadão”.* 
*BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. REsp 1164710/MG. RECURSO ESPECIAL 2009/0209255-1, 12 de abril de 2010. 
Diário da Justiça, Brasília, DF, 4 fev. 2015. Disponível em: . Acesso em: 12 maio 2017. 
 O meio ambiente artificial é o construído ou alterado pelo ser humano, 
sendo constituído pelos edifícios urbanos, que são os espaços públicos fechados, e 
pelos equipamentos comunitários, que são os espaços públicos abertos, como as 
ruas, as praças e as áreas verdes. Esse aspecto do meio ambiente abrange também a 
zona rural, referindo-se simplesmente aos espaços habitáveis, visto que nela os 
espaços naturais também cedem lugar ou se integram às edificações artificiais. 
 
FIORILLO, Celso Antonio Pacheco. Curso de Direito Ambiental brasileiro. 10. ed. São Paulo: Saraiva, 2009, p. 21. 
 
Art. 225 da CF/88. Todos têm direito ao meio 
ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso 
comum do povo e essencial à sadia qualidade de 
vida, impondo-se ao Poder Público e à 
coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo 
para as presentes e futuras gerações. 
 ADEMAIS, CABE RESSALTAR QUE A ADEQUAÇÃO DE EQUIPAMENTOS 
URBANOS, A EXEMPLO DO CALÇAMENTO DE VIAS, SÃO DE USO GERAL, OU SEJA, 
DE BENEFÍCIO À TODA A POPULAÇÃO, DE MODO QUE NÃO SE RESTRINGE AOS 
 
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VULNERÁVEIS COMO CRIANÇAS, IDOSOS E PESSOAS COM NECESSIDADES 
ESPECIAIS, COMO ENTENDE O MPE. 
 
 Na oportunidade, requer o encaminhamento dos autos ao Núcleo 
Especializado da Pessoa com Deficiência no MPE, conforme entendimento 
recente dosPromotores do Meio Ambiente. 
 
DO DANO MORAL COLETIVO E AMBIENTAL 
 
 Em voto proferido no REsp nº 1.846.075/DF, o Ministro Herman Benjamin, 
do Superior Tribunal de Justiça, ressaltando a importância das calçadas para 
mobilidade urbana, assevera que elas integram o mínimo existencial de espaço 
público dos pedestres. 
 
 O valor da indenização pelos danos morais coletivos não pode ser 
insignificante, sob pena de não atingir o propósito educativo, mas também não 
deve ser exagerado e desproporcional a ponto de tornar-se excessivamente 
oneroso. 
 
Trecho da sentença prolatada por este Juízo: 
 
A requerida, sendo a maior empresa 
maranhense, deve dar o bom exemplo. O 
descumprimento de regras de acessibilidade 
para pessoas com deficiência no 
Supermercado Mateus afeta não apenas os 
consumidores que o frequentam, mas 
influencia negativamente outras empresas de 
menor porte. O pensamento do pequeno e 
médio empresário é simples, mas totalmente 
razoável. Se o Mateus, com todo poderio 
econômico, não é obrigado a cumprir as 
regras de acessibilidade? com que autoridade 
se cobrará conda reta dos pequenos 
empresários? Dito isto, entendo razoável o 
arbitramento da quantia de R$ 500.000,00 
(quinhentos mil reais), a título de danos 
morais coletivos, tendo em vista o grau de 
reprovabilidade da conduta e o porte 
econômico da ré. Número: 0859920-
83.2018.8.10.0001 - DOUGLAS DE MELO 
MARTINS - 29/05/2020. 
 
 
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Portanto, não há como afastar a ocorrência de dano moral coletivo e 
ambientais em decorrência da conduta da ré. Haja vista que qualquer pessoa pode 
a qualquer momento ser abalroado por um veículo, pela falta da calçada no imóvel. 
Dupla finalidade 
 Outra possibilidade é o ajuizamento de dupla demanda em âmbito de ação 
popular: uma para desconstituir o ato lesivo, e outra para condenar os responsáveis. 
Tal procedimento, segundo os ministros, está de acordo com o que prevê a 
legislação. 
Ao analisar os recursos, os ministros já firmaram o entendimento de que é possível 
aplicar a condenação na sentença para fixar o quantum das perdas e danos. Para os 
magistrados, as conclusões de tribunais de origem que verificaram ato ilegal e na 
mesma decisão estabeleceram danos ao erário são corretas em fixar as perdas e 
danos. 
Algumas ações análogas 
 
 
 
 
 
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Acima se observa uma calçada sinalizada e com piso podotátil no qual todos 
os vizinhos foram demandados e se ajustaram. 
 
 O piso tátil tem a função de orientar pessoas com deficiência visual ou com 
baixa visão, por isso é diferenciado com textura e cor para ser perceptível, 
destacando-se do restante do piso que estiver ao redor. 
 
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 Mas é preciso atenção ao instalar esse tipo de piso, em excesso ele pode 
confundir o deficiente visual. Também é importante utilizar pisos resistentes a 
fatores climáticos e a grandes movimentações. Esse revestimento é uma solução 
moderna, fácil, econômica e inclusiva. 
O Decreto nº 5.296/04, que regulamenta as Leis n° 10.048/00 e n° 10.098/00, que 
estabelecem normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade 
das pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida. Enfoque na mobilidade 
urbana, construção dos espaços e nos edifícios de uso público e legislação 
urbanística. 
 A Lei 10.098/00 estabelece as normas gerais e os critérios básicos para a 
promoção da acessibilidade mediante a supressão de barreiras e obstáculos nas vias 
e espaços públicos, no mobiliário urbano, na construção e reforma de edifícios e nos 
meios de transporte e de comunicação. 
EFEITO PEDAGÓGICO 
 A Terra Zoo Cohama foi objeto de demanda por adaptação na calçada. 
Consequentemente sem ação popular, adaptou sou loja do Calhau. 
 
 
 
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Dimensões mínimas de faixa livre 
 Calçadas, passeios e vias exclusivas de pedestres devem incorporar faixa livre 
com largura mínima de 1,20 m. 
• Possuir superfície regular, firme, contínua e antiderrapante sob 
qualquer condição. 
• Ser contínua, sem qualquer emenda, reparo ou fissura. Portanto, em 
qualquer intervenção o piso deve ser reparado em toda a sua largura 
seguindo o modelo original. 
NOVA ORDEM CONSTITUCIONAL - CONCURSO DE AÇÕES - INTERESSES 
TRANSINDIVIDUAIS - 
 No Brasil, as primeiras luzes do processo coletivo coincidem com a reforma 
de 1977 da Lei da Ação Popular (Lei Federal 4.717/1965), que, na origem, de 
finalidade meramente tutelar do patrimônio público, passou a prestigiar também a 
proteção de valores não econômicos, tais como os relacionados a bens e direitos de 
valor artístico, estético, histórico ou turístico (art. 2º, § 1º); a seguir, pela edição da 
Lei da Política Nacional do Meio Ambiente (Lei Federal 6.938/1981), que 
reconheceu expressamente a legitimação do Ministério Público para o ajuizamento 
de ação reparatória por danos infligidos ao meio ambiente (art. 14, § 1º); depois, 
pela Lei Federal 7.347/1985, disciplinadora da Ação Civil Pública de 
responsabilidade por danos causados ao meio ambiente, ao consumidor, a bens e 
direitos de valor artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico e pela 
promulgação da Constituição Federal de 1988, marco normativo de singular realce 
para a maturidade do processo coletivo, que incumbiu o Ministério Público de 
“promover o inquérito civil e a ação civil pública, para a proteção do patrimônio 
público e social, do meio ambiente e de outros interesses difusos e coletivos”, sem 
prejuízo da mesma atribuição a terceiros, nas mesmas hipóteses, segundo o disposto 
na lei; e, finalmente, pelo CDC- Código de Defesa do Consumidor (Lei Federal 
8.078/1990), cujas disposições processuais são aplicáveis à tutela de todo e 
qualquer interesse ou direito coletivo lato sensu, e dos chamados interesses 
individuais homogêneos (art. 117), estabelecendo-se, assim, um microssistema 
processual coletivo, com regras e princípios próprios, que lhe conferem a necessária 
autonomia em relação ao processo civil individual. Este verbete tem como objetivo 
apresentar os princípios constitutivos do processo coletivo. 
THECHOS DE ENTENDIMENTOS DO STJ: 
Oportuno sublinhar que, por força do princípio da 
integração das ações coletivas, as Leis ns. 4.717/1965, 
7.347/1985, 8.078/1990 e 8.429/1992, dentre outras, 
 
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compõem um microssistema processual, com o objetivo de 
propiciar uma adequada e efetiva tutela dos bens jurídicos 
nelas previstos (v.g.: AgRg no REsp 1.357.763/GO, 1ª 
Turma, Rel. Min. NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, DJe 
04.08.2014; REsp n. 1.598.110/RJ, 2ª Turma, Rel. Min. 
HERMAN BENJAMIN, DJe 17.10.2016). 
4. Primeiramente, não há dúvida de que é pacífico o 
entendimento no Superior Tribunal de Justiça segundo o 
qual por força do princípio da integração, as Leis n. 
4.717/65, 7.347/85, 8.078/90 e 8.429/92, dentre outras, 
compõem um microssistema processual coletivo, com o 
objetivo de propiciar uma adequada e efetiva tutela dos 
bens jurídicos por elas protegidos (AgInt no REsp. 
1.521.617/MG, Rel. Min. REGINA HELENA COSTA, DJe 
22.05.2017). 
2. A Carta de 1988, ao evidenciar a importância da 
cidadania no controle dos atos da Administração, com a 
eleição dos valores imateriais do art. 37, da CF/1988 como 
tuteláveis judicialmente, coadjuvados por uma série de 
instrumentos processuais de defesa dos interesses 
transindividuais, criou um microssistema de tutela de 
interesses difusos referentes à probidade da 
administração pública, nele encartando-se a Ação Cautelar 
Inominada, Ação Popular, a Ação Civil Pública e o Mandado 
de Segurança Coletivo, como instrumentos concorrentes 
na defesa desses direitos eclipsados por cláusulas pétreas. 
AgRg no AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 1.249.132 - SP 
(2009/0224885-0) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX. 
2. Os arts. 21 da Lei da Ação Civil Pública e 90 do CDC, como 
normas de envio, possibilitaram o surgimento do 
denominado Microssistema ou Minissistema de proteção 
dos interesses ou direitos coletivos amplo senso, com o 
qual se comunicam outras normas, como os Estatutos do 
Idoso e da Criança e do Adolescente, a Lei da Ação Popular, 
a Lei de Improbidade Administrativa e outras que visam 
tutelar direitos dessa natureza, de forma que os 
instrumentos e institutos podem ser utilizados para 
"propiciar sua adequada e efetiva tutela" (art. 83 do CDC). 
3. Apesar do reconhecimento jurisprudencial e 
doutrinário de que "A nova ordem constitucional erigiu 
um autêntico 'concurso de ações' entre os instrumentos de 
tutela dos interesses transindividuais" (REsp 
 
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700.206/MG, Rel. Min. LUIZ FUX, Primeira Turma, DJe 
19/3/10). 
 Assim, pela interpenetração de suas regras, esse microssistema deve servir 
de parâmetro para toda e qualquer ação coletiva, podendo seus instrumentos 
processuais ser utilizados para a tutela dos direitos difusos, coletivos e individuais 
homogêneos. 
DO ENTENDIMENTO DA SUPREMA CORTE FEDERAL SOBRE A POSSIBILIDADE 
DE AÇÃO POPULAR PARA TUTELAR DANOS PATRIMONIAIS QUE NÃO TENHAM 
CAUSADO PREJUÍZO AO ERÁRIO 
 Não obstante o sólido embasamento doutrinário acerca da integralidade do 
microssistema de proteção da tutela coletiva e de inúmeros casos de sua aplicação 
nos tribunais ainda há resistência de conferir à Ação Popular os meios das demais 
tutelas conferidas, por exemplo, pela Ação Civil Pública ou Mandado de Segurança 
Coletivo, para legitimar a proteção ao patrimônio público sem a comprovação de 
dano ao erário. 
 Tal entendimento restritivo já foi enfrentado por nada menos que a Suprema 
Corte Federal em Repercussão Geral assim ementado: 
 
REPERCUSSÃO GERAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO com 
AGRAVO 824.781 MATO GROSSO 
RELATOR :MIN. DIAS TOFFOLI 
RECTE.(S) :JOÃO BATISTA BENEVIDES DA ROCHA 
PROC.(A/S)(ES) :DEFENSOR PÚBLICO-GERAL DO ESTADO DO MATO 
GROSSO 
RECDO.(A/S): MUNICÍPIO DE CUIABÁ 
PROC.(A/S)(ES): PROCURADOR-GERAL DO MUNICÍPIO DE CUIABÁ 
EMENTA 
Direito Constitucional e Processual Civil. Ação popular. Condições da 
ação. Ajuizamento para combater ato lesivo à moralidade 
administrativa. Possibilidade. Acórdão que manteve sentença que 
julgou extinto o processo, sem resolução do mérito, por entender que é 
condição da ação popular a demonstração de concomitante lesão ao 
patrimônio público material. Desnecessidade. Conteúdo do art. 5º, 
inciso LXXIII, da Constituição Federal. Reafirmação de 
jurisprudência. Repercussão geral reconhecida. 
1. O entendimento sufragado no acórdão recorrido de que, para o 
cabimento de ação popular, é exigível a menção na exordial e a prova 
de prejuízo material aos cofres públicos, diverge do entendimento 
sufragado pelo Supremo Tribunal Federal. 
 
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2. A decisão objurgada ofende o art. 5º, inciso LXXIII, da Constituição 
Federal, que tem como objetos a serem defendidos pelo cidadão, 
separadamente, qualquer ato lesivo ao patrimônio material público ou 
de entidade de que o Estado participe, ao patrimônio moral, ao cultural 
e ao histórico. 
3. Agravo e recurso extraordinário providos. 
4. Repercussão geral reconhecida com reafirmação da jurisprudência. 
Decisão: O Tribunal, por maioria, reputou constitucional a questão, 
vencido o Ministro Marco Aurélio. Não se manifestaram os Ministros 
Gilmar Mendes e Rosa Weber. O Tribunal, por maioria, reconheceu a 
existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada, 
vencido o Ministro Marco Aurélio. Não se manifestaram os Ministros 
Gilmar Mendes e Rosa Weber. No mérito, por maioria, reafirmou a 
jurisprudência dominante sobre a matéria, vencidos os Ministros Marco 
Aurélio e Teori Zavascki. Não se manifestaram os Ministros Gilmar 
Mendes e Rosa Weber. Ministro DIAS TOFFOLI - Relator (Documento 
assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001,que 
institui a Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira - ICP-Brasil. O documento 
pode ser acessado no endereço 
eletrônico http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/ sob o número 9246366.) 
(destaquei em negrito) - Julgamento: 27/08/2015 
 
 
 Por fim, em respeito ao microssistema de diálogo das fontes para a tutela dos 
direitos coletivos é possível a aplicação da ação popular apto a a legitimar a defesa 
de direitos coletivos que são disciplinados em outras leis de modo a construir no 
caso concreto o melhor modelo de efetiva proteção a estes direitos constitucionais. 
O SURGIMENTO DA OBRIGAÇÃO DE FAZER EM AÇÃO POPULAR 
 
Como exemplo de implantação dessa segunda onda renovatória no Direito 
Brasileiro, poderíamos citar todo o microssistema da Tutela Coletiva, formada, em 
seu núcleo duro, pela Lei de Ação Civil Pública (Lei n. 7.347/85) e pelo Código de 
Defesa do Consumidor (Lei n. 8.072/90), e, em seu derredor, por diversas outras 
leis, tais como Lei n. 4717/65 – Ação Popular; Lei n. 6938/81 – política nacional 
do meio ambiente; Lei 7.513/86 – investidores dos mercados de valores mobiliários; 
Lei n. 7853/89 – pessoas portadoras de deficiência; Lei n. 8069/90 – ECA; Lei n. 
8492/92 – improbidade administrativa; Lei n. 10471/03 – estatuto do idoso; Lei n. 
10671/03 – estatuto do torcedor (equiparado a consumidor); Lei n. 12016 – MS, Lei 
n. 12846/13 – anticorrupção; Lei n. 13.300/16 – mandado de injunção. 
 
Oportuno sublinhar que, por força do princípio da integração 
das ações coletivas, as Leis ns. 4.717/1965, 7.347/1985, 
8.078/1990 e 8.429/1992, dentre outras, compõem um 
http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/
https://enciclopediajuridica.pucsp.br/verbete/377/edicao-1/principios-informadores-do-processo-coletivo#anchor-titulo-index-1
https://enciclopediajuridica.pucsp.br/verbete/377/edicao-1/principios-informadores-do-processo-coletivo#anchor-titulo-index-1
 
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microssistema processual, com o objetivo de propiciar uma 
adequada e efetiva tutela dos bens jurídicos nelas previstos 
(v.g.: AgRg no REsp 1.357.763/GO, 1ª Turma, Rel. Min. 
NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, DJe 04.08.2014; REsp n. 
1.598.110/RJ, 2ª Turma, Rel. Min. HERMAN BENJAMIN, DJe 
17.10.2016). 
 Sabendo como chegamos a essa microssistema atualmente existente, 
devemos entender que a Tutela Coletiva é um conjunto de normas que servem de 
instrumento para proteção de direitos materiais específicos. 
 
 E quais são esses direitos? São os direitos transindividuais, de titularidade 
coletiva. 
 
 Esses direitos são organizados em um gênero direitos coletivos lato sensu, 
cujas espécies são os direitos difusos, direitos coletivos stricto sensu e direitos 
individuais homogêneos. 
 
O conceito está no art. 81, parágrafo único, CDC: 
 
Art. 81. Parágrafo único. A defesa coletiva será exercida 
quando se tratar de: 
I – interesses ou direitos difusos, assim entendidos, para 
efeitos deste código, os transindividuais, de 
natureza indivisível, de que sejam titulares pessoas 
indeterminadas e ligadas por circunstâncias de fato; 
 
 Com efeito, o Código de Defesa do Consumidor, em seu artigo 83, prevê que 
“para a defesa dos direitos e interesses protegidos por este Código são admissíveis 
todas as espécies de ações capazes de propiciar sua adequada e efetiva tutela”. Como 
já dissemos acima, a definição de interesses difusos, coletivos e individuais 
homogêneos nos é dada pelo próprio Código de Defesa do Consumidor, o qual 
constitui hoje um verdadeiro microssistema jurídico, não podendo ser deixado de 
lado em uma interpretação sistêmica. 
 
Não se trata de mera enunciação de um princípio 
vazio e inócuo, de um programa a ser posto em 
prática por meio de outras normas legais. Cuida-
se, ao revés, de norma autoaplicável, no sentido de 
que dele se podem extrair desde logo várias 
consequências. (...) Uma outra consequência 
importante é o encorajamento da linha 
doutrinária, que vem se empenhando no sentido da 
mudança da visão do mundo, fundamentalmente 
economicística, impregnada no sistema 
 
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processual pátrio, que procura privilegiar o 'ter' 
mais que o 'ser', fazendo com que todos os 
direitos, inclusive os não patrimoniais, 
principalmente os pertinentes à vida, à saúde, à 
integridade física e mental e à personalidade 
(imagem, intimidade, honra etc.), tenham uma 
tutela processual mais efetiva e adequada. 
(GRINOVER, 2007, p. 854-855) 
 
 Assim, se qualquer ação (inclusive a popular) pode ser utilizada quando for 
capaz de propiciar a adequada e efetiva tutela, a fortiori, deve ser utilizada quanto 
tais direitos coletivos (sentido amplo) consubstanciarem-se em direitos 
fundamentais. 
 
 Outra inteligência vinda do CDC e anteriormente à reforma trabalhista e a 
incidente de desconsideração da personalidade jurídica no processo do trabalho 
com a responsabilização dos sócios por dívidas trabalhistas que está fundada no 
disposto no artigo 28, § 5º, do CDC, em que a mera insuficiência financeira da 
empresa implicaria na execução dos sócios. 
 
 Para os resistentes à causa, recomendo a leitura de temas jurisprudenciais do 
STJ “PRINCÍPIO DA INTEGRAÇÃO DAS AÇÕES COLETIVAS – CONCURSO DE 
AÇÕES – NOVA ORDEM CONSTITUCIONAL – DIREITO COLETIVO – DIREITO 
TRANSINDIVIDUAL - AÇÃO POPULAR COMO FONTE DO MICROSSISTEMA” e por 
fim, a leitura do Código de Defesa do Consumidor. 
 
DOS REQUERIMENTOS E PEDIDOS 
 
 Ante o exposto, requer-se: 
 
1. Seja citados os réus, na pessoa de suas respectivas procuradorias, para, 
querendo, contestar a presente ação; 
2 - A resolução do item abaixo/ Da Responsabilidade dos demandados: 
 
Requer que os demandados (2 – EVVIVA, 3 – ZEPHYR DESIGN E DECOR, 4 – HUB 
PEREIRA FEITOSA, 5 – ÓTICA DINIZ, 6 – Ed. MARCUS BARBOSA INTELLIGENT OFFICE) 
adequem suas calçadas, no que tange sua manutenção e sinalização, conforme 
LEI Nº 6.292, DE 28 DE DEZEMBRO DE 2017, com o auxílio da NBR 9050 e 
16537, sob pena de multa; 
 
 
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3. Seja intimado o ilustre representante do Núcleo Especializado da Pessoa 
com Deficiência - Ministério Público Estadual (art. 7, I da LAP, art.178 do CPC, 
art 202 da Lei no 8.069/90 e art. 5º, § 1º); 
4. Seja concedida a inversão do ônus da prova, a favor do autor, conforme 
previsão do art. 373, parágrafo primeiro do CPC e Súmula 618 do STJ; 
5. Seja julgada inteiramente procedente esta demanda, e a condenação do réu 
em honorários advocatícios, conforme (AgRg no Ag 827296/SP, Rel. Min. Luiz 
Fux, Primeira Turma, julgado em 16.10.2007, DJ 12.11.2007 e § 10 do art. 85, 
CPC/15; 
6. Da Responsabilidade do Município de São Luís: 
a) Na adoção de todas as medidas administrativas 
necessárias a obrigar os proprietários réu na presente 
ação a observarem as normas constitucionais 
ambientais correlatas, especialmente, o cumprimento 
da função social da propriedade urbana e do direito de 
vizinhança, e adoção das medidas punitivas previstas no 
Estatuto da Cidade (edificação compulsória, art. 5º, 
IPTU progressivo, art. 7, e desapropriação-sanção, art. 
8º, todos da Lei de n. 10.257/01); 
b) Notificar o Demandado na construção, sinalização e a 
manutenção da calçada. 
7 – Condenar os demandados (2 – EVVIVA, 3 – ZEPHYR DESIGN E DECOR, 4 – HUB 
PEREIRA FEITOSA, 5 – ÓTICA DINIZ, 6 – Ed. MARCUS BARBOSA INTELLIGENT OFFICE), 
ao pagamento de indenização no valor de R$ 100.000,00 (cem mil reais) CADA 
IMÓVÉL, perfazendo um total de R$ 500.000,00, (quinhentos mil reais) pelos 
danos ambientais e coletivos causados, a serem revertidos ao Fundo de 
Direitos Difusos e Coletivos; 
 
8 - Para qualquer medida de urgência requerida na presente petição, seja 
previsto preceito cominatório diário no valor de R$ 10.000,00 (dez mil reais), 
para cada réu, devendo o valor ser reforçado, caso a decisão seja descumprida. 
 
9 - A designação de audiência de conciliação (art. 319, VII do CPC), já que, 
embora sejam direitos indisponíveis os tratados nesta ação, é possível a 
 
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fixação de acordo quanto ao modo, prazos e formas de cumprimento das 
obrigações de fazer cujo cumprimento é aqui requerido; 
10 – Na condição de informante, Requer intimação da SEMURH e BLITZ URBANA. 
 
 Protesta provar tudo quanto alegado por todos os meios de provas admitidos 
em direito, notadamente mediante prova documental, testemunhal e pericial, 
estando, desde já, expressamente requerido. 
 Dá-se à causa o valor de R$ 500.000,00, para efeitos de custas e alçada. 
Nesses termos, pede deferimento. 
 São Luís, 27 de abril de 2022. 
ISAAC NEWTON SOUSA SILVA, Adv. 
OAB MA 18.165 
ISAAC RIBEIRO SILVA, Adv. 
OAB MA 9.232

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