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CONTEÚDO - Conceito - Objeto da Economia - Divisão da Economia - Formação dos Preços - Sistema de Preços - Curva de Oferta - Curva de Procura - Atividade Econômica - Aspectos Demográficos - Processo Produtivo - Sistema Econômico - Curva de Demanda - Teoria Elementar de Produção - O Mercado - Função, Estruturas, Conceito - Pesquisa Mercadológica - Poupança - Inflação - Moeda e suas Funções - Taxa e Balanço - Sistema Monetário Internacional Economia de Mercado 2 Módulo I ECONOMIA e MERCADO FASE A Conceito Economia do grego oikonomia, de oikos (casa), e nomos (administração) Para os antigos a Economia era apenas uma disciplina confinada à esfera da administração doméstica. Hoje, mais do que nunca, atenta a esta necessidade de vinculação com outros ramos, a Economia, embora sem perder de vista sua característica de um ramo autônomo do conhecimento humano, está partindo para uma aproximação cada vez maior com as outras ciências sociais pois, o conhecimento econômico exige a interpretação de uma série de ocorrências históricas, políticas, geográficas, antropológicas, sociais, jurídicas e até mesmo religiosas. A economia pode ser definida como: “Ciência que estuda as relações humanas denominadas econômicas, avaliáveis em moeda, e tendo por fim um consumo.” “Processo que combina fatores de produção para criar bens e serviços.” A conceituação da Economia pode ser entendida a partir de vários autores. Adam Smith: “A Economia... é uma investigação sobre a natureza e as causas da riqueza das Nações”. Alfred Marshall: “A Economia... é a ciência da administração dos recursos escassos numa sociedade humana: estuda as formas assumidas pelo comportamento humano na ordenação onerosa do mundo exterior em decorrência da tensão existente entre os desejos ilimitados e os meios limitados dos agentes econômicos”. J. Petrelli Gastaldi: “... É a ciência que trata das leis que governa a produção, a circulação e o consumo das riquezas”. Gastaldi conclui que a Economia é, simultaneamente, arte e ciência. Como ciência, procura estabelecer as relações constantes existentes entre os fenômenos econômicos; como arte, visa indicar os meios para promover o bem estar econômico. Inter-relacionamento da Economia com os demais ramos do conhecimento: 1. Economia e Política: - No mundo grego: a Economia, a Política e a Moral eram uma única ciência. - No mundo romano: subordinou-se inteiramente à Política. Em uma economia estável, a política também o será, e as crises políticas, mostrando que a recíproca é sempre verdadeira, gerarão, fatalmente, crises econômicas. 2. Economia e Sociologia: “A ordem econômica harmônica é fator importante para que haja ordem social.” (Confúcio) - Na Idade Média: as lutas entre classes eram consequências de interesses econômicos conflitantes. 3. Economia e Psicologia Social: A Psicologia Social estuda o comportamento do homem, portanto, liga-se à Economia que estuda a luta empreendida pelo homem para satisfazer as suas necessidades (ilimitadas), utilizando recursos escassos. Economia de Mercado 3 4. Ligação entre Ciência Econômica e Ciência Jurídica: É marcante o conflito permanente entre os agentes da ação econômica em face de seus interesses serem contraditórios. Apelou-se, portanto, para a Ciência Jurídica na solução dos litígios constantes causados pelo que chamamos de Racionalismo Econômico. 5. Racionalismo Econômico: Comportamento das empresas de um lado, desejando a maximização de seus lucros e o comportamento dos consumidores do outro, buscando obter a maior quantidade de bens com o mínimo de dispêndio. 6. Ligação entre a Economia e a História: Na compreensão dos economistas historiadores, o estudo dos dados históricos deveria ser aplicado à Economia, assim criou-se a Economia Aplicada. 7. Economia e Antropologia: A Antropologia Cultural estuda as crenças e os costumes e a influência desta cultura na estrutura social. OBJETO DA ECONOMIA “O objeto de estudo da Economia é a atividade humana denominada econômica e dirigida no sentido de escolher, entre as várias alternativas, o que fazer com os recursos escassos existentes no mundo”. As ciências podem ser classificadas em dois grupos: a) Ciências Físicas da Natureza: tratam das relações entre as coisas, entre fenômenos naturais. b) Ciências Sociais (ciências dos homens): dizem respeito às ações do homem, às relações entre os homens e as coisas e às relações dos homens entre si. A Economia pertence ao grupo das Ciências Sociais. Cada uma das ciências sociais exprime apenas um aspecto da realidade social, diversa e complexa. Alfred Marshall caracteriza o aspecto da realidade social, pelo qual se interessa a Economia, da seguinte maneira: “A Economia examina a parte da atividade individual e social essencialmente preocupada em alcançar e utilizar as condições materiais do bem estar”. O aspecto da realidade social pelo qual se interessa a Economia, portanto, está ligado à utilização de recursos para atendimento de necessidades humanas. Noção de necessidade Necessidade: “Desejo de dispor de meio capaz de prevenir ou interromper a sensação penosa, de provocar, conservar a sensação agradável” – Maffeo Pantaleoni. A noção econômica de necessidade é subjetiva: somente o indivíduo pode dizer se ela existe e com que intensidade se manifesta. As necessidades são infinitas e ilimitadas: à quantidade de necessidades sentidas por um indivíduo esta sempre variando e nunca são realmente satisfeitas. As necessidades podem ser divididas em: a) Privadas b) Sociais c) Meritórias Entendemos por necessidade privada aquelas que são atendidas pelo mercado e sujeitas ao princípio de exclusão, ou seja, a pessoa, caso não disponha de recursos para adquirir o bem ou serviço que necessita, será excluída do prazer de usufruir-lo. Economia de Mercado 4 As necessidades sociais são definidas por Musgrave como “aquelas que devem ser satisfeitas através de serviços que precisam ser consumidos por todos em quantidades iguais. As pessoas que não pagam pelos serviços não podem ser excluídas, jamais se disporão a pagar voluntariamente”. A noção de necessidade social envolve a noção de consumo conjunto, mas não vice-versa; segurança externa é um exemplo desse tipo de necessidade. Já as necessidades meritórias são entendidas como aquelas que, sujeitas ao princípio de exclusão e podendo ser atendidas pelo mercado, são atendidas também pelo governo, através do orçamento público, dada a importância junto à sociedade. Educação gratuita é um exemplo. Essa classificação de necessidade é importante para o entendimento do papel a ser desempenhado pelo Estado e pelas empresas. Noção de recurso Recurso: “Qualquer coisa, seja na forma de objetos físicos, ou de serviços humanos, que possa ser usada diretamente, ou através de transformações em outras coisas, para satisfazer nossa necessidade.” – Richardson. Ao contrário das necessidades, os recursos são infinitos e limitados: sua quantidade (a curto prazo) e suas possibilidades de atender necessidades podem ser avaliadas (escassez). Essa característica dos recursos nos dá a idéia de escassez: os recursos são escassos em relação aos fins a que se destinam (atendimento das necessidades humanas). Uma noção, mais profunda de recursos será possível na unidade seguinte, quando tratarmos dos fatores de produção e dos bens e serviços econômicos. Atividade humana e luta contra a escassez Quando os recursos se apresentam escassos, deparando-nos com o problema de como utilizá-lo de maneira a que venham satisfazer mais plenamente as nossas necessidades. Entretanto, não estamos limitados apenas pela escassez dos recursos suscetíveis de satisfazerem nossas necessidades. SegundoRaymond Barre, o homem experimenta, ainda, três limitações: a) Sua natureza orgânica e psíquica. O homem não pode desfrutar tudo ao mesmo tempo: alguns recursos (certos tipos de alimentos, por exemplo) não podem ser usados pelo homem porque lhe causam indisposição orgânica (em algumas pessoas). b) Os meios de que dispõe para fazer face às suas necessidades. A aquisição de recursos para o atendimento de nossas necessidades, nos dias atuais, é feita mediante o uso da moeda, e a sua distribuição pelos indivíduos é desigual, limitando a quantidade de recursos que pode ser adquirida. c) O tempo A vida é curta; não temos tempo suficiente para atender a todas as necessidades que gostaríamos. Segundo Raymond Barre, estas limitações levam o homem a resolver problemas de escassez e fazer escolhas no tempo: é a luta contra a escassez, que assim se manifesta; inicialmente, os indivíduos experimentam a sensação de pena ou de insatisfação (necessidade), conhecendo, em seguida, os meios possíveis de aliviá-la (recursos); praticam, então, uma série de atos (de produção e ou/de troca), a fim de consegui-los (consumo). Economia de Mercado 5 O problema econômico A luta contra a escassez pode ser resumida em três questões fundamentais, que caracterizam o problema econômico: a) O que e quanto se deve produzir? Devemos produzir camisas, alimentos ou tratores, máquinas, etc.? Devemos produzir uma quantidade maior ou menor do que na vez anterior? b) Como produzir? Quem irá produzir? Que recursos serão utilizados na produção? Que tecnologia deverá ser utilizada? c) Para quem produzir? Como a produção será distribuída à sociedade? As respostas para estas questões são fornecidas pelo Mercado e pelas Unidades Produtoras (empresa, principalmente), quem decide o que, quanto e como produzir é o empresário, o mercado; o mercado responde para quem se destina a produção. Síntese a) A Ciência Econômica está voltada para a atividade social essencialmente preocupada em resolver as questões decorrentes dos desejos ilimitados dos indivíduos e os meios limitados dos agentes econômicos. b) “A promoção simultânea do progresso e da satisfatória repartição de seus frutos parece consubstanciar o objeto da economia moderna”. – J. P. Rossetti. c) “Vivendo a crise dos anos 30, Keynes deslocou, a partir de então, para a análise das flutuações da atividade econômica o objeto central da economia. A correção dos ajustamentos e desequilíbrios parece ser, com efeito, a preocupação fundamental das Ciências Econômicas na atualidade. Esse objeto, aliás, está intimamente ligado à procura de maior normalidade para a ação econômica, fator que muito auxilia a tarefa do desenvolvimento das nações” J. Rossetti. DIVISÃO DA ECONOMIA O prof. J. P. Rosseti, acompanhando corrente predominante, a seguinte divisão para a Economia: Economia - Economia descritiva Positiva - Teoria Econômica Economia Economia - Política econômica Normativa - Programação Econômica Segundo Richard G. Lipsey, “ a capacidade de separar os juízos normativos dos positivos deve ser vista como uma das principais razões do progresso e do êxito da ciência econômica e também de outros ramos de conhecimento humano”. Para o professor Rosseti, a economia positiva trata do que é, era ou será: não se limita a descrever e teorizar. Economia de Mercado 6 Já a economia normativa cuida exatamente da fixação de normas de conduta, procedendo aos julgamentos correspondentes aos procedimentos práticos que venham a ser recomendados e desencadeados. Ao estabelecer normas, os agentes que aplicam, na realidade prática, os ensinamentos da economia positiva não podem deixar de avaliar conseqüências e de refletir sobre quais as melhores alternativas de ação. Metodologia Segundo o prof. J. P. Rossetti, a elaboração da Economia baseia-se sobre três princípios legítimos de conhecimento e de raciocínio: a) O Reconhecimento – constitui a descrição e classificação adequadas dos fatos reais. b) A Indução – Generalização da experiência; parte do conhecimento de fatos particulares para estabelecer determinada hipótese de validade geral. c) A Dedução – o raciocínio parte do geral para o particular; das causas para os efeitos. “Partindo do conhecimento de determinados aspectos da realidade, levanta hipótese sobre o comportamento de outros aspectos não inteiramente conhecidos ou, então, sobre as relações entre os fatos conhecidos e outros ainda desconhecidos. Se as deduções puderem ser posteriormente provadas pela experiência passam a ser reais ou factíveis” – Rossetti. Sistema Econômico: reunião dos diversos elementos participantes da produção de bens e serviços que satisfazem as necessidades da sociedade, organizados não só sob o ponto de vista econômico, mas também social, jurídico etc. Microeconômica: Trata dos problemas do indivíduo e da empresa dentro do Sistema Econômico. Preocupa-se em estudar o consumidor individual que se dirige ao mercado com uma determinada renda para adquirir bens e serviços, e, também, a maneira como a empresa emprega os fatores de produção para obter o maior lucro possível. Macroeconomia: Estuda o conjunto dos consumidores de uma sociedade, assim como o conjunto de empresas desta mesma sociedade. Seu interesse é determinar os fatores que influenciam o nível total de renda e do produto do Sistema Econômico. Considera a economia do país no geral. CONCEITOS EM ECONOMIA NECESSIDADES HUMANAS: Necessidade, no sentido econômico, é o sentimento de privação de um bem externo que se tende a possuir. Podem ser: Individuais: precisam ser satisfeitas para garantir a sobrevivência dos indivíduos. Ex.: alimentação, habitação, higiene, etc. Coletivas: são decorrentes da vida do indivíduo em sociedade. Ex.: educação, transporte coletivo, segurança, etc. Economia de Mercado 7 Devido a essas necessidades coletivas ou sociais exigirem um volume de recursos muito elevado, cabe ao Estado encarregar-se de satisfazê-las, através dos serviços públicos, que podem ser de duas espécies: Serviços públicos gerais: aqueles prestados para uso global pela população. Ex.: serviço policial e saúde pública. Serviços públicos especiais: os consumidos individualmente pelo cidadão. Ex.: transporte ferroviário. BENS: Chama-se bem toda coisa útil, capaz e própria, para satisfazer mediata ou imediatamente as necessidades do homem. Podem ser classificados: a) Quanto à raridade: - Bens não econômicos ou livres: aqueles que existem em abundância na natureza e cuja utilização pelo homem não é controlada (gratuita). Ex.: ar atmosférico, luz solar, etc. - Bens econômicos: aqueles escassos e que precisam ser produzidos pelo homem com esforço, tendo valor de troca. Ex.: alimentos industrializados, vestuário, brinquedos, etc. b) Quanto ao destino: - Bens de consumo: aqueles prontos para serem consumidos e que sofrem desgaste quando utilizados. Ex.: combustíveis, remédios, etc. - Bens de produção: aqueles empregados para a obtenção de outros bens. Ex.: ferramentas, máquinas, matéria-prima utilizada e transformada pelas indústrias. Um mesmo bem, dependendo de seu destino, pode ser de consumo ou de produção. c) Quanto à natureza: - Bens materiais: aqueles que ocupam lugar no espaço. Ex.; lápis, giz, sapato, veículo, etc. - Bens imateriais: aqueles que não têm matéria, são intangíveis. Ex.: serviços em geral (comunicações, comércio, financeiros, etc.) SERVIÇOs: Serviços são bens intangíveis e pessoais. UTILIDADE: Utilidade econômica é a qualidade que têm os bens de corresponderem às nossas necessidades, de forma que: - Possuam as qualidades físicas necessárias (utilidade de forma). - Estejam no lugar onde são necessários (utilidadede lugar). - Estejam disponíveis enquanto for preciso (utilidade de tempo). - Estejam de posse da pessoa que deles necessita (utilidade de posse). A utilidade é o elemento fundamental do valor. Economia de Mercado 8 VALOR: A noção de valor é de grande importância na economia. O conceito de valor pode ser dividido em: a) Valor de uso de um bem: capacidade que ele tem de satisfazer as necessidades de cada um. Cuidado, é muito comum confundir-se o conceito de valor de uso com o conceito de utilidade. b) Valor de troca: capacidade do bem de poder ser trocado por outro. A FORMAÇÃO DOS PREÇOS Conceito de Preço “O preço das coisas é o seu valor calculado em termos de uma unidade monetária padrão…”. “O preço é expressão do valor de troca. Em seu sentido mais geral e abstrato, a noção de preço surge desde que se trate de troca de duas mercadorias”. “Os preços pelos quais são transacionados os bens e serviços produzidos por um sistema econômico constituem em linguagem elementar – a expressão monetária de seus valores”. O que determina o valor de um bem? Teorias do Valor Escola Clássica Inglesa O valor de um bem poderia ser expresso como função do trabalho necessário para obtê-lo. A análise do valor foi conduzida para o terreno da oferta e dos custos de produção. Escola Marginalista A escassez relativa dos bens e a sua utilidade, somadas às escalas das preferências individuais, é que seriam os verdadeiros determinantes do valor. A análise do valor foi conduzida para o terreno da procura e da utilidade. Escola de Cambridge A explicação do valor e, portanto, dos preços, está em função tanto da procura (baseada na utilidade) como da oferta (baseada nos custos de produção). “Da mesma forma que não se pode afirmar se é a lâmina inferior ou superior de uma tesoura que corta uma folha de papel, também não se pode discutir se o valor e os preços são governados pela utilidade ou pelo custo de produção” – Alfred Marshall. O Sistema de Preços A oferta Definição “A oferta de determinado produto pode ser definida como as várias quantidades que os produtores estarão dispostos e aptos a oferecer no mercado, em função dos vários níveis de preços possíveis, em determinado período do tempo” – J. P. Rossetti. A oferta representa o comportamento dos produtores. Economia de Mercado 9 A Curva da Oferta Princípio Geral: as quantidades ofertadas aumentam sucessivamente em função dos aumentos também sucessivos nos níveis gerais dos preços. Existe uma relação funcional de dependência entre as quantidades de oferta (QQ) de um determinado bem e o seu preço (P). Matemáticamente, QQ = F (P). A relação de dependência está evidenciada no gráfico acima: a elevação do preço de P para P1 provocará uma redução na quantidade procurada de Q para Q1. A explicação mais lógica para esse comportamento dos produtores está na estrutura dos custos de produção. A expansão dos níveis de preços significa uma modificação positiva na margem de remuneração empresarial, o que incentiva os produtores a aumentar o volume da produção. Elasticidade preço da oferta Elasticidade preço da oferta é um conceito criado para indicar o grau de sensibilidade de quantidade ofertada de um determinado produto, em razão de alterações no mercado. A oferta será considerada elástica quando as variações nos preços provocarem variações proporcionalmente maiores nas quantidades ofertadas. A oferta será considerada inelástica quando as variações nos preços provocarem variações proporcionalmente menores nas quantidades ofertadas. A oferta será considerada de elasticidade unitária quando as variações nos preços provocarem variações exatamente iguais nas quantidades ofertadas. Leia-se: a elasticidade preço da oferta é igual à mudança e percentual da quantidade ofertada dividida pela mudança percentual do preço, quando a mudança no preço é pequena. No cálculo da elasticidade da oferta o sinal é, em geral, positivo, pois quantidade e preço variam na mesma direção. Quando, EQ > 1 = Oferta elástica EQ = 1 = Oferta elasticidade unitária EQ < 1 = Oferta inelástica P1 A B O O 0 Q Q1 Quant. Ofertas (Q0) Preço (P) Economia de Mercado 10 A procura Definição “Chama-se procura, em dado mercado, a quantidade de um bem ou serviço que os agentes econômicos estão dispostos a adquirir a certo preço, quer agindo racionalmente, e quer sofrendo a influência do meio”. – Raymond Barre. A procura representa o comportamento dos consumidores. A curva da procura Principio geral: quando mais baixos apresentarem-se os preços, mais altas serão as quantidades procuradas; quanto mais altos apresentarem-se os preços, mais baixas serão as quantidades procuradas. Existe uma relação que funciona, de dependência entre a quantidade procurada (QP) de um determinado bem e o seu preço (P). Matematicamente, QP = f (P) A relação de dependência está evidenciada no gráfico acima: a elevação do preço de P para P1 provocará uma sedução na quantidade procurada, de Q para Q1 A explicação para esse comportamento dos consumidores pode ser assim resumidas: a) Efeito – Renda: a baixa do preço acarreta o acréscimo do poder de compra b) Efeito – Substituição: o consumidor tende a substituir a mercadoria, cujo preço subiu, por outra mercadoria mais barata. c) Utilidade Marginal: à medida que o consumidor passa a dispor de mais unidades de um mesmo produto, a utilidade de cada unidade adicional certamente irá decrescer. Elasticidade – preço da procura Elasticidade = preço da procura é um conceito criado para indicar o grau de sensibilidade da quantidade procurada de um determinado produto, em razão de alterações no preço de mercado. B P1 P Preços (P) Quant. Procuradas (QP) Q1 Q D D A Economia de Mercado 11 A procura será considerada elástica quando variações no preço provocarem variações proporcionalmente maiores nas quantidades procuradas. A procura será considerada inelástica quando as variações provocarem variações proporcionalmente menores nas quantidades procuradas. A procura será considerada de elasticidade unitária quando as variações no preço provocarem variações exatamente iguais nas quantidades procuradas. Leia-se: a elasticidade preço é igual à mudança percentual da quantidade procurada, dividida pela mudança percentual do preço é pequena. No cálculo da elasticidade – preço da procura, o sinal é necessariamente negativo porque preço e quantidade variam em direções opostas; para facilitar a interpretação, consideramos o coeficiente (EP) em seu valor absoluto. Quando: EP 1 = procura elástica EP 1 = procura de elasticidade EP 1 = procura inelástica O preço de equilíbrio “O preço de equilíbrio, que ajusta os interesses dos que realizam a oferta e dos que exercem procura, é o resultado de um prolongamento do jogo de ensaios e de erros. Partindo da hipótese de que o mercado está submetido a uma situação de concorrência perfeita, o preço de equilíbrio será determinado pela livre manifestação da oferta e da procura” – J. P. Rossetti Analisando o gráfico a) Ao preço P reais, as quantidades ofertadas e procuradas se igualam (Q) e atinge-se o ponto de equilíbrio (E); b) A redução de preço P para P1 levará os consumidores a desejarem aumentar suas compras, elevando-as de Q para Q1; essa redução de preço, entretanto, desestimulará os produtores, que estarão dispostos a colocar no mercado apenas Q2 quantidade provocando um déficit (escassez) no mercado de Q2 Q1 quantidades do produto, o que levará os consumidores a oferecerem um preço mais alto, até retornar à posição de equilíbrio; c) A elevação depreço P para P2 incentivará os produtores, que elevarão de preço e levará os consumidores a reduzirem suas compras; diminuindo as quantidades procuradas de Q para Q4, resultando num excedente de Q4 Q3, quantidade do produto, o que deverá forçar uma redução no preço, no sentido de “E”, pois cada produtor acredita que, a um preço menor que o de seus concorrentes, poderá dispor de seu excedente. Economia de Mercado 12 ECONOMIA de MERCADO FASE B O PRODUTO DA ATIVIDADE ECONÔMICA TEORIA ECONÔMICA Para compreendermos melhor as implicações históricas sobre a economia e como esses fatos determinaram as conclusões dos analistas e estudiosos, enunciamos alguns fatos de nossa história recente: Após a 1ª Guerra Mundial, vários países europeus recomeçaram suas atividades industriais, ocasionando para os Estados Unidos um excedente de produção. Caracteriza-se como excedente, o produto da economia de um país que não consegue ser absorvido internamente. Uma solução imediata seria a redução brusca dos níveis de atividade produtiva, acarretando crise econômica e social a curto prazo, reduzindo a lucratividade das empresas e consequentemente gerando desemprego. Nesta época, os Estados Unidos passaram a emprestar capitais excedentes a países carentes, para que pudessem comprar seus produtos. Ocorre que estes países começaram a adquirir máquinas e acessórios com vistas ao reequipamento de seu parque industrial. Com relação à produção agrícola americana, esta ficou estocada, criando grandes dívidas dos fazendeiros juntos aos agentes financeiros. Na segunda metade de 1929, houve uma queda sensível nas exportações americanas, acentuadas pela volta da Inglaterra e da França ao mercado internacional. Como conseqüência destes fatos, as fazendas passaram a ser propriedades dos bancos, a redução da produção industrial aumentou o nível de desemprego, generalizando-se séria crise econômico-social. O reflexo na Bolsa de Valores foi imediato: na quinta-feira, dia 24 de outubro de 1929, foram colocadas à venda 13 milhões de ações. No dia 29 de outubro, deu-se o famoso “crack” de Wall Street. O O D Quant. Ofertadas e Procuradas E Preço de Equilíbrio Q4 Q2 Q Q1 Q3 D Preço P2 P P1 Déficit Excedente Economia de Mercado 13 Após a análise desta cronologia de fatos, chegamos à conclusão anunciada, na época do crack da Bolsa de Nova York, com muita precisão pelo economista, psicólogo e matemático John Maynard Keynes: “o pleno emprego não é necessariamente o nível de equilíbrio da economia”. Em outras palavras, não há forças automáticas existentes para salvar a economia da depressão e restaurar o pleno emprego, como se acreditava na teoria clássica, pensamento dominante até então. Dessa forma, para complementar sua teoria Keynes propõe a divisão da economia em macro e microeconomia. PRINCIPAIS AGREGADOS ECONÔMICOS Com a divisão da economia em duas partes, o processo produtivo numa visão macroeconômica, passou a ser analisado através de três setores: - Primário: responsável pela extração, ligado diretamente á terra ou à natureza (matérias-primas). - Secundário: responsável pela transformação (indústrias). - Terciário: responsável pela distribuição de bens e serviços (comércio em geral). Cada um desses setores isoladamente forma uma agregação de fatores da produção, daí originando o aparelho produtivo. OBTENÇÃO DOS GRANDES AGREGADOS MACRO-ECONÔMICOS Valor Agregado: valor adicionado à economia, em cada estágio da produção, ou seja, é a remuneração paga pelo uso dos fatores de produção que deverá equivaler à renda da economia. Valor Bruto da Produção: soma do valor agregado das diferentes fases do processo produtivo. ASPECTOS DEMOGRÁFICOS: População Total de habitantes de determinado território nacional e de estrangeiros. Divisão da População A demografia também se preocupa com a população como elemento fundamental no fenômeno da produção, dividindo a população em duas partes: - População dependente: aquela que não tem condições de oferecer força de trabalho e está compreendida entre 0-14 anos e acima dos 60. - População produtiva: parcela da população total que está em idade de trabalhar, ou seja, está inserida entre 15 e 59 anos. Convém salientar que a população produtiva tem subdivisões, que são as seguintes: - População inativa: parcela da população produtiva que, embora esteja em idade de trabalhar, não o faz, por exercer alguma outra atividade não remunerada. - População economicamente ativa: parte da população produtiva que, embora tenha qualificação profissional e idade de trabalhar, pode estar ou não trabalhando. - Desempregados: parte da população economicamente ativa que não tem lugar no mercado de trabalho. Economia de Mercado 14 - População ocupada: parcela da população total que, realmente, produz para o sistema, ou seja, parte da população economicamente ativa que está trabalhando. Assim sendo, podemos obter este quadro-resumo: População Total População Produtiva População Economicamente Ativa População Ocupada TAXA DE OCUPAÇÃO: População Ocupada X 100 = % População Total Processo Produtivo Conceito Entende-se por produtivo (produção), a integração dos fatores de produção e das unidades produtoras visando à obtenção de bens e/ou serviços econômicos. “É importante entender que a palavra produção não se resume em identificar transformações físicas e materiais. Seu sentido é mais amplo, abrangendo também a oferta de serviços, como transporte, financiamentos e atividades comerciais” – Garófalo e Carvalho. Fatores de Produção Conceito “Chama-se fator de produção qualquer coisa que contribua para o processo produtivo” – J. Petrelle Gastaldi. Classificação A análise tradicional classifica os fatores de produção em três categorias: recursos naturais, trabalho e capital. Autores contemporâneos, entretanto, classificam os fatores de produção em cinco categorias, denominando-as “recursos básicos”. São eles: a) População economicamente mobilizável b) Recursos de capital c) Capacidade tecnológica d) Capacidade empresarial e) Reservas naturais A população de um país divide-se em: I) Economicamente mobilizável (ou produtiva): é o contingente de população na faixa etária apta para o exercício de atividade de produção; II) Dependente: é o contingente da população que ainda não ingressou ou já se retirou das funções produtivas. Os limites de faixa etária variam em função do estágio de desenvolvimento da economia B) Recursos de capital São riquezas obtidas através do trabalho e dos recursos naturais e que se destinam a uma sucessiva reprodução (bens duráveis). Economia de Mercado 15 Modernamente, os recursos de capital são representados por um variado e complexo conjunto de instrumentos e de elementos infra-estruturais que dão suporte às operações produtivas. C) Capacidade tecnológica A tecnologia pode ser entendida como a técnica de combinação dos demais fatores; é um fator de produção de natureza qualitativa. A Capacidade tecnológica refere-se ao “saber fazer”, cuja capacidade acumula- se, transforma-se e evolui pela permanente transmissão de conhecimentos. A evolução e modernização dos recursos de capital estão em função da evolução tecnológica. D) Capacidade empresarial Trata-se, também, de um fator de produção de natureza qualitativa. É o espírito empreendedor que movimenta e anima o processo produtivo Essa capacidade pode ser assumida tanto pelo Estado como pelos empresários, em suas respectivas esferas de atuação. E) Reservasnaturais São as dádivas da natureza: terra, subsolo, forças motrizes, clima, etc. O SISTEMA ECONÔMICO Definição: Reunião de diversos elementos que entram na produção de bens e serviços para satisfazer as necessidades da sociedade. ECONOMIA de MERCADO FASE C COMPOSIÇÃO DO SISTEMA ECONÔMICO: O Sistema Econômico compõe-se de três setores fundamentais: - Setor Primário: onde acontecem todas as atividades de extração. Pode ser de origem animal, vegetal ou mineral. - Setor Secundário: responsável pela transformação. Neste setor, utiliza-se em maior quantidade, o fator de produção capital, combinado com o trabalho. - Setor Terciário: distribuição de tudo o que foi produzido na economia. Basicamente é representado pelos estabelecimentos comerciais, bancos, escolas, serviços em geral, etc. FLUXOS DO SISTEMA ECONÔMICO: Fluxo real: formado pelos bens e serviços produzidos no sistema e que também recebe o nome de produto. Fluxo nominal ou monetário: formado pelo pagamento que os fatores de produção recebem durante o processo produtivo, também denominado renda. O fluxo real constitui a oferta da economia que corresponde a toda produção à disposição dos consumidores. Economia de Mercado 16 O fluxo monetário é a demanda (procura) da Economia, ou seja, aquilo que é procurado para a satisfação das necessidades e dos desejos. A oferta e a procura são as duas funções mais importantes de um sistema econômico, elas formam o mercado, lugar onde se realizam as trocas. O termo mercado refere-se a todas as compras e vendas realizadas no sistema econômico, tanto de bens de consumo, intermediários e de capital como de serviços. SISTEMA ECONÔMICO CAPITALISTA: Em um sistema capitalista, a maioria dos meios de produção é possuído, de modo privado, por indivíduos e por organizações, não pelo governo. Os indivíduos têm liberdade para vender seus recursos em quantidades que julgarem adequados, e pelos mais altos preços que puderem obter. Eles também têm liberdade para gastar sua renda a fim de comprarem bens e serviços que maximizem sua satisfação. A concorrência pura ou perfeita supõe a existência no mercado de muitos vendedores e compradores, cada qual muito pequeno para influir no preço dos bens e serviços. As funções do governo são estritamente limitadas à posição para a defesa de alguns serviços básicos e à imposição de regras gerais para protegerem as liberdades econômicas e políticas. Nas economias modernas há aspectos importantes: - Uso de mão de obra especializada, uma grande quantidade de equipamento de capital e tecnologia avançada para produzir bens e serviços com um mínimo de treinamento. - Divisão do trabalho e especialização na produção permite grandes aumentos em produtividade. - Uso da moeda como um meio de facilitar as trocas. Em uma economia de escambo, cada indivíduo teria de procurar outros indivíduos que desejam o que ele deseja trocar (vender) como tenham exatamente o que ele deseja comprar (através de permuta). A CIRCULAÇÃO DO SISTEMA ECONÔMICO: Existem diversos comportamentos do mecanismo de preços em diferentes tipos de economia. - Em uma economia de livre empresa, somente as mercadorias pelas quais os consumidores estão dispostos a pagar um preço unitário suficientemente alto para cobrir, pelo menos, o custo total da produção é que, a longo prazo, serão ofertadas pelos produtores. Pagando um preço mais alto, os consumidores podem induzir os produtores a aumentar a quantidade de mercadoria ofertada em qualquer período de tempo. Por outro lado, uma redução de preço resultará em uma redução na quantidade ofertada. - Em uma economia mista, como a nossa, o governo (por intermédio de impostos, subsídios, suas próprias despesas, etc.), modifica e, em alguns casos substitui a operação do mecanismo de preços como um meio de determinar o que deve ser produzido. Economia de Mercado 17 - Em uma economia completamente centralizada, a autoridade central ou mais comumente o comitê de planejamento determina exatamente o que produzir. A EVOLUÇÃO DA TEORIA MICROECONÔMICA O consumidor é o agente econômico que necessita de bens e serviços para satisfazer as suas necessidades e o empresário é aquele que produz estes bens ou serviços. A microeconomia é dividida em Teoria do Consumidor, que estuda o comportamento das pessoas quando compram bens e serviços, e Teoria da Empresa, que estuda o comportamento do empresário ao produzir os bens e serviços que serão vendidos aos consumidores. A utilidade de um bem ou serviço é a sua qualidade de satisfazer as necessidades das pessoas. O consumidor, agindo racionalmente, tentará obter o máximo de utilidade a partir de sua renda que é limitada. Esta renda também chamada de orçamento será usada na aquisição de bens e serviços, denominada cesta de mercadorias. Teoria Cardinal Esta teoria afirmava que a utilidade podia ser medida cardinalmente, em “utis” e que a utilidade de um bem não era influenciada pelo consumo de outros bens. A utilidade total da cesta de mercadorias seria igual à soma das utilidades de cada bem. Teoria Ordinal Conhecida como a Teoria Ordinal do comportamento do consumidor, considera que a utilidade é decorrente do consumo combinado e não individual dos bens. Além disso, a utilidade não é medida, mas sim, ordenada. Os economistas Edgeworth, Antonelli, Fischer e Pareto, que deram forma à Teoria Ordinal, ao reconhecer que o consumidor prefere alguns bens e serviços a outros, assimilaram que existe uma ordem de preferência ou prioridade, para qualificar a utilidade. Assim sendo, podemos dizer que um bem tem mais utilidade do que os outros, mas não se estabelece a quantidade de utilidade correspondente a cada um. Além da utilidade, devemos ressaltar como elementos determinantes na procura de um bem, a renda das pessoas e os preços dos bens. ECONOMIA de MERCADO FASE D CURVA DA DEMANDA A escala de demanda de um indivíduo mostra as quantidades de uma mercadoria que ele está disposto a comprar e pode comprar, em dado período de tempo, a vários preços alternativos. A representação gráfica de demanda do indivíduo é sua curva de demanda. Economia de Mercado 18 LEI DA PROCURA (DEMANDA) “Quanto maior for o preço de um bem, menor será a quantidade procurada desse bem”. Isto significa que existe uma relação inversa entre o preço de um bem e a quantidade procurada desse bem. Elasticidade – Preço da Demanda A elasticidade preço estabelece qual a reação dos consumidores em relação a um aumento ocorrido no preço de determinado bem. Sob o ponto de vista da elasticidade preço, a demanda pode ser classificada como: - Demanda com elasticidade unitária: bens cuja elasticidade preço da demanda é igual a 1. - Demanda inelástica: bens cuja elasticidade preço da demanda é menor do que 1. - Demanda elástica: bens cuja elasticidade preço da demanda é maior do que 1. BENS SUBSTITUTOS E BENS COMPLEMENTARES Os bens substitutos são aqueles que, do ponto de vista do consumidor, podem ser trocados no momento do consumo, proporcionando igual satisfação, ou satisfação semelhante. Ex.: café substituído pelo chá, carne de vaca por carne de porco, etc. Dois ou mais bens são considerados complementares do ponto de vista do consumidor, quando precisam ser consumidos juntos, para que a satisfação do consumidor seja máxima. Ex.: pão com manteiga, arroz e feijão etc. Elasticidade cruzada da procura A elasticidade cruzada da procura mede as reações dos consumidores em relação à quantidade demandada de um bem, quando há variação no preço de outro bem. Estas reações derivam exatamente do estado de complementaridade ou de substituição dos produtos. TEORIA ELEMENTAR DA PRODUÇÃO A Teoria da Produção preocupa-se com o lado da oferta do mercado, comos produtores que vão oferecer aos consumidores os bens e serviços por eles produzidos. A produção pode ser definida como o processo que combina e transforma os fatores de produção adquiridos pela empresa, visando a criar bens e serviços que serão oferecidos ao mercado. Função da produção É a relação técnica entre as quantidades empregadas dos fatores de produção e as quantidades produzidas do bem ou de serviço. Custos de produção: Na produção, o empresário ao adquirir os fatores de produção, efetua despesas para remuneração ou pagamento destes fatores. Os custos de produção são apurados pelo cálculo dos gastos dos empresários com os fatores de produção. Economia de Mercado 19 Receita: É a quantidade produzida, multiplicada pelo preço de mercado do bem. Lucro: Elemento que estimula a atividade empresarial é a diferença entre os custos de produção e a receita do empresário. CURVA DA OFERTA Os economistas, ao estabelecerem uma relação entre a quantidade ofertada de um bem e o seu preço de mercado, obtiveram uma curva de oferta. LEI DA OFERTA “Quanto maior for o preço de um bem, maior será a quantidade ofertada desse bem”. Isto significa que existe uma relação direta entre o preço de um bem e a quantidade ofertada desse bem. Elasticidade preço da oferta A elasticidade preço neste caso, mede a reação dos empresários às variações de preço de um determinado bem. Sob o ponto de vista da elasticidade preço, a oferta pode ser classificada como: - Oferta com elasticidade unitária: é a curva de oferta de bens, cuja resposta em termos de produção, é proporcional à variação do preço do bem, sendo a elasticidade preço da oferta igual a 1. - Oferta inelástica: é a curva de oferta de bens, cuja resposta em termos de produção, é proporcionalmente menor do que a variação do preço do bem, sendo a elasticidade preço menor do que 1. - Oferta elástica: é a curva de ofertas de bens, cuja resposta em termos de produção, é proporcionalmente maior do que a variação do preço do bem, sendo a elasticidade preço maior do que 1. ECONOMIA de MERCADO FASE E O MERCADO O circuito econômico A produção e a circulação das riquezas, em uma economia liberada, podem ser visualizadas através do seguinte diagrama: Economia de Mercado 20 De um lado, tem-se o aparelho produtivo, responsável pela produção; de outro lado, tem-se a comunidade, proprietária dos fatores de produção (RN, K, T). Para que os fatores de produção se desloquem até o aparelho produtivo, onde os organizadores da produção os combinarão para obter uma quantidade de bens ou serviços, é preciso que a comunidade os ofereça (oferta) para tal fim; por outro lado, a disposição do aparelho produtivo em adquirir os fatores de produção deverá ser expressa através da procura desses fatores (procura essa baseada em dinheiro). Do encontro dessas duas forças (oferta e procura dos fatores de produção) surge o preço (preço do capital; preço dos recursos naturais; preço do trabalho), que, por sua vez, possibilita a troca, fazendo com que os fatores de produção se desloquem para o aparelho produtivo e o dinheiro que lastreava sua procura se desloque para a comunidade com retribuição aos proprietários dos fatores pela sua contribuição no processo produtivo. Ao encontro da oferta e da procura dos fatores de produção, dá-se o nome de “mercado primário dos fatores de produção”. De posse dos fatores de produção, as unidades produtoras os combinam, obtendo bens e ou serviços econômicos, que fornecem à comunidade (oferta); a comunidade, desejando adquirir esses bens, para a satisfação de suas necessidades, expressa esse desejo através da procura desses bens, procura esta lastreada pelo dinheiro que recebeu pela venda dos fatores de produção ao aparelho produtivo. Do encontro dessas duas forças (oferta e procura dos bens e serviços) surge o preço (preço de alimentos , preço de sapatos, preço do cinema, etc.), que, por sua vez, possibilita a troca, fazendo com que os bens se dirijam às unidades produtoras, que o usarão para novamente adquirir os fatores de produção e dar início a um novo ciclo de produção. Do encontro da oferta e da procura dos bens e serviços econômicos dá-se o nome “mercado secundário dos bens produzidos”. A partir dessa visão do circuito econômico fica mais fácil entender o “conceito de mercado”. Conceito de mercado “Mercado é o lugar onde compradores e vendedores encontram-se para comprar e vender seus recursos, seus bens e serviços” – Richard Bilas. A expressão lugar onde “não condicionada necessariamente uma dimensão geográfica ao mercado, uma vez que as comunicações modernas permitem o contato entre compradores e vendedores sem que eles se vejam. Procura de RN, K, T Receitas das Firmas Procura de Bens/Serv. Mercado Secundário Aparelho Produtivo Comunidade Remuneração aos proprietários Mercado Primário Economia de Mercado 21 Assim, o conceito de J. Petrelli Gastaldi nos parece mais elucidativo, ou seja “mercado, em sentido genérico, é o local onde se encontram os produtores e os consumidores de determinada zona ou região econômica, no seu sentido econômico, quer referir-se à situação de continuado ajustamento entre a oferta, realizada ou possível, de bens e serviços e a demanda, efetiva ou esperada desses mesmos bens e serviços”. Funções do Mercado a) Estabelecer valores b) Organizar a produção c) Distribuir o produto d) Racionar o consumo corrente à produção disponível e) Prover para o futuro (poupança e investimento) Estrutura do Mercado Dois Elementos caracterizam a estrutura de um mercado: a) Quantidade de agentes vendedores e compradores atuando no mercado (interessa, em certos casos, mais o comportamento desses agentes do que o seu número). b) Natureza da mercadoria ou fator de produção, objetivo de negociação (grau de homogeneidade ou de diferença). Mercado secundário dos bens produzidos “É uma situação de mercado que representa o caso limite em que existe um único vendedor de um produto que não possui substitutos próximos e na qual existem restrições à entrada de novas firmas…” – Guilherme Von Calmbach. Nessa situação de mercado, o poder do monopolista sobre a formação do preço é considerável. Concorrência monopolista É uma situação de mercado em que: a) Tanto do lado da oferta quanto do lado da procura, existe grande número de unidades econômicas (compradores e vendedores) e nenhuma dentre elas dispões de dimensões ou poder suficiente para exercer influência sobre a produção, preço da dimensão ou poder suficiente para exercer influência sobre a produção e o preço da indústria considerada. b) O produto transacionado possui substitutos próximos, não perfeitos, mas diferenciados; essa diferenciação pode ser imaginária, ou seja, só existe para o comprador. A preferência do consumidor por um bem em detrimento a outro, apesar de idêntico, pode estar relacionada com a cortesia do atendimento, localização geográfica, facilidade de acesso e estacionamento, horário de funcionamento, etc. Nessa situação de mercado os vendedores se ajustam ou adaptam-se ao preço resultante das forças impessoais do mercado, ao qual acreditam que consegue vender toda a sua produção. Os exemplos mais clássicos da concorrência monopolista estão no ramo de prestação de serviços (conserto de eletrodomésticos, salão de beleza, venda e administração de imóveis, etc.). Economia de Mercado 22 Oligopólio “Situação de mercado em que existem alguns vendedores de um determinado produto (ou serviço) ou produtos substitutos próximos, mas em tão pequeno número que cada vendedor individualmente representa parcela substancial da oferta do mercado”. – Guilherme Calmbach. Nessa situação de mercado,o oligopolista entende que, se desejar aumentar suas vendas, deverá baixar o preço; e se elevá-lo, poderá diminuir suas vendas. Como acentua Garáfolo, “cada vendedor assemelha – se a um jogador de xadrez que, antes de qualquer lance, necessita considerar as possíveis reações por parte de seu antagonista e as maneiras potencialmente factíveis de diminuí-las”. A tendência de oligopólio é um acordo entre os produtos (vendedores), objetivando o monopólio. Esse acordo, dependendo de suas características, pode assumir a forma de um cartel, de um conluio etc. Mercado primário dos fatores de produção Monopolista “É o regime ou estrutura de mercado em que um único comprador, ou grupo de compradores, atuando como um todo concentra em suas mãos a totalidade da compra dos fatores de produção, não obstante se defronte com grande número de vendedores ou ofertantes de tais fatores” – Garáfalo e Carvalho. Monopólio bilateral Situação de mercado em que existe apenas um único comprador do determinado fator de produção e também um único vendedor desse fator. Um exemplo dessa situação de mercado é a negociação de empresários; de outro lado, o síndico da classe dos trabalhadores. Oligopsônio “O regime de mercado denominado oligopsônio é aquele em que um ou mais compradores concentram em suas mãos a compra dos fatores de produção, em condições de influenciar nos preços dos mesmos” – Garáfalo e Carvalho Exemplo mais comum dessa situação de mercado é a atuação dos frigoríficos. No Brasil, que adquirem sua matéria-prima (gado) de grande número de vendedores. Concorrência monopsônística Situação de mercado em que existe grande número de compradores e vendedores, mas os fatores de produção são diferenciados, ou seja, possuem substitutos próximos (não perfeitos). Análise de Mercado Potencial de Mercado Do ponto de vista de vendas, o potencial do mercado é definido pela American Marketing Association com “a oportunidade máxima de venda de todos os vendedores de determinado tipo de produto ou serviço”. Este conceito é utilizado para se determinar o comportamento dos consumidores de determinado produto ou serviço, durante certo tempo, independentemente da ocorrência de alguns fatores como, por exemplo, elevação dos preços, alterações de hábitos, etc. Assim, a determinação do potencial de mercado leva em consideração: - Poder aquisitivo do grupo consumidor; Economia de Mercado 23 - A vontade de comprar; - A possibilidade de acesso ao produto ou serviço. - Segundo Marcos Cobra, “o potencial pode ser alcançado quando todos os possíveis compradores estão comprando a plena capacidade”. Potencial de vendas Do conceito de potencial do mercado deriva-se o conceito de potencial de vendas da empresa, que pode ser entendida como o índice de participação que a empresa pode vir a ter no potencial de mercado. Difere, portanto, do conceito de quota de mercado que é entendido como a parcela de vendas já conquistadas pela empresa. Segmentação de mercado Segmentação e dividir são palavras sinônimas. Assim, segmentação de mercado significa uma parte do mercado, com características básicas do mercado. A segmentação de mercado é importante para a empresa na formulação de sua estratégia de vendas, principalmente no que se refere à previsão de vendas, cotas de vendas e zoneamento. Previsão de vendas: a previsão de vendas pode ser entendida como a estimativa do comportamento futuro da empresa, e indica o esforço de vendas a ser por ela empreendido, em determinado prazo. Uma previsão baixa não permite à empresa a maximização do lucro, refletindo um fraco desempenho que permite ganhos extras a seus concorrentes: se, entretanto, a previsão for superestimada, implicará em gastos desnecessários, os quais elevarão os seus custos de produção, o que a colocará em posição desvantajosa com relação aos seus concorrentes. Zoneamento: uma zona de vendas é um dado conjunto de territórios de vendas, entendendo-se por território de vendas uma segmentação geográfica no mercado; esta segmentação é justificada pela quantidade potencial de clientes, o que recomenda visitas periódicas do vendedor. Cotas de vendas: a cota de vendas pode ser entendida como a parcela (em termos físicos ou de faturamento) da previsão de vendas, a ser atingida por vendedor. A pesquisa mercadológica a) Definição “A coleta, o registro e análise de todos os fatos referentes aos problemas relacionados à transferência e venda de mercadorias e serviços do produto ao consumidor” – Boyd e Westfall. b) Abrangência A pesquisa mercadológica abrange: Novas oportunidades de vendas - Pesquisa de novos produtos - Pesquisa de novos mercados Aumento de eficiência da situação atual - Pesquisa para aumentar a eficiência do departamento de vendas - Pesquisa para melhores das vias de distribuição - Pesquisa para melhoria dos meios de programa Economia de Mercado 24 C) Métodos Experimental Partindo da suposição de que as condições encontradas durante os testes se repetirá no futuro, o método adota o chamado “mercado – piloto”, que é uma amostra representativa de uma área mais extensa, à qual se objetiva atingir. Questionário Consulta direta ao mercado, através de entrevista, que tanto podem ser pessoais, pelo correio, ou, ainda, por telefone. Observação Registro e interpretações de comportamentos dos consumidores, através de observadores humanos ou mecânicos. Painel de consumidor “Consiste em escolher, de forma permanente, um grupo de consumidores do qual se recolhe permanentemente observações sobre seu comportamento e gastos em função de um dado produto. O painel é selecionado através de uma amostra que seja representativa de determinada população” – Roberto Simões. DETERMINAÇÃO DO PREÇO DE EQUILÍBRIO Já vimos que existem curvas representativas da oferta e da procura de um mercado, expressando uma relação entre preços e quantidades. Apesar disso, ao estudarmos isoladamente cada uma das curvas, não poderemos determinar a quantidade e o preço pelo qual cada bem será comprado e vendido. Preço de equilíbrio ou de mercado é aquele cujo valor é igual tanto para a oferta como para a procura. CIRCULAÇÃO A circulação tem por objetivo a movimentação dos bens e serviços em direção ao consumo. Pode ser: a) Circulação social: onde não há necessidade da movimentação material, havendo somente a transferência de propriedade. Ex.: imóveis e terrenos. b) Circulação real: onde há transporte do bem transacional. Ex.: alimentos, sapatos, máquinas, etc. CONSUMO Pode ser considerado como a fase final do processo econômico. Consumo pessoal: consumo para a satisfação das necessidades dos consumidores, tanto por parte dos indivíduos como do governo. Consumo empresarial: (privado e governamental) é caracterizado pela não utilização direta dos bens, mas o aproveitamento das matérias-primas pelas empresas industriais privadas ou estatais. Este aproveitamento é chamado de consumo reprodutivo ou insumo. POUPANÇA A parte da renda não consumida tem o nome de poupança. Economia de Mercado 25 INVESTIMENTO São os gastos realizados para aumentar a capacidade produtiva do sistema econômico. Trata-se da aplicação das empresas ou do governo, na aquisição de novos capitais. Os investimentos realizados por pessoas físicas podem ser classificados como imobiliários (casas, apartamentos, terrenos) ou mobiliários (ações, títulos etc). As variáveis que influenciam no nível de investimento são a liquidez, a rentabilidade como fator estimulante ao investimento e a propensão ao consumo, existente nas economias abertas, onde os bens de consumo são abundantes. PADRÃO DE VIDA É o grau de conforto em que vide uma classe de pessoas, em dado momento, em determinado local. Esse conforto pode ser medidopela soma de utilidades econômicas e serviços à disposição das pessoas, necessários a sua subsistência e bem-estar. Se houver um aumento na produção, proporcionalmente maior do que o aumento da população, a renda per-capita também será maior, implicando num padrão de vida melhor. Isto se acompanhada de uma distribuição de renda mais igualitária, é claro. CUSTO DE VIDA Consequência do nível dos preços dos bens e serviços indispensáveis à população. No caso de um aumento generalizado de preços, sem um aumento proporcional nos salários, existirá fatalmente uma queda no poder aquisitivo das pessoas, resultando em queda do padrão de vida. Assim sendo, o padrão de vida e o custo de vida dependem um do outro. O custo de vida está condicionado a vários fatores, sendo o mais importante a inflação. CUSTO VARIÁVEL MÉDIO É a razão entre o custo fixo total pelas quantidades produzidas. A INFLAÇÃO DEFINIÇÃO E MEDIDA DA INFLAÇÃO A inflação é definida como uma situação em que há um “aumento contínuo e generalizado de preços”, isto a torna um processo e não um acontecimento isolado ou mesmo passageiro. Desta maneira, quando ocorre uma alta nos preços de determinados bens por um curto período de tempo, normalizando-se em seguida, não se caracteriza um processo inflacionário. Uma economia é inflacionada quando os preços aumentam continuamente e por um longo período de tempo. A inflação vem sendo medida através de diversos métodos. No nosso país, são muito utilizados os seguintes números índices, que são fórmulas matemáticas indicadoras do percentual de aumento nos preços dos bens e serviços, num determinado período de tempo: Índice de custo de vida (ICV): mede a evolução dos gastos de família, com renda até 5 salários mínimos, com as despesas realizadas para que ela supra suas necessidades básicas. Economia de Mercado 26 Índice de preços por atacado (IPA): considera a evolução dos preços a nível de comercialização no atacado. Índice da construção civil (ICC): acompanha a evolução dos preços dos materiais, equipamentos e da mão de obra empregados na construção civil. Índice geral de preços (IGP): média ponderada dos índices anteriores, sendo que o IPA tem peso 6, o ICV peso 3 e o ICC peso 1. É a medida oficial da inflação no Brasil. CONSEQUÊNCIAS DA INFLAÇÃO: Dentre as principais podemos destacar: 1. Efeito sobre a distribuição de renda. 2. Efeito sobre a balança comercial. 3. Diminuição de investimento pelas empresas, reduzindo a capacidade produtiva do sistema econômico. Inflação da demanda: É causada pelo crescimento dos meios de pagamentos, que não é acompanhado pelo crescimento do produto. Como a demanda é exercida através da moeda, pois é com o dinheiro que as pessoas realizam suas compras, a inflação de demanda pode ser entendida como excesso de dinheiro na economia. Entretanto, para que a inflação possa ser identificada como de demanda, é necessário que a economia esteja próxima do pleno emprego. Para combater este tipo de inflação, o governo pode adotar duas medidas: a) Política monetária que se resume em medidas que visam a reduzir a quantidade de moeda em circulação na economia. b) Política fiscal que consiste em medidas que objetivam diminuir a demanda através da carga tributária. Inflação de custos Esta tem suas causas nas condições de oferta de bens e de serviços da economia; assim, a demanda permanece inalterada, enquanto aumentam os custos de produção, que são repassados para os preços das mercadorias. Os oligopólios e monopólios estão associados à inflação de custos. A política econômica mais adotada para combater este tipo de inflação é o controle de preços. ECONOMIA de MERCADO FASE F MOEDA Moeda é tudo aquilo que serve como meio de troca em um sistema econômico. No sistema bancário atual, o Banco Central, que é a autoridade máxima do sistema bancário do país, determina em lei a percentagem dos depósitos de um banco que pode ser emprestada ou empregada em qualquer negócio, devendo ficar como garantia ou lastro, o que é chamado de encaixe. As funções da Moeda A moeda pode ser utilizada em três funções distintas: Economia de Mercado 27 - Meio de troca: a unidade monetária é usada para pagar os recursos econômicos por serviços prestados, passando, assim a ser o mecanismo para a distribuição final da produção de bens e de serviços. - Padrão de valor: a unidade monetária é o denominador comum para medir preços, custos, receitas e rendas. - Reserva de valor: a unidade monetária pode ser armazenada para possível uso no futuro. - A OFERTA DE MOEDA Se, num dado período, a emissão for superior ao crescimento do produto, ou seja, se houver excesso de liquidez, podemos ter inflação. Por outro lado, se o aumento na oferta da moeda for menor do que o crescimento do produto podemos ter entre outras conseqüências, crise na economia, porque a falta de moeda, também chamada crise de liquidez, dificulta as transações, prejudicando o sistema econômico, ocasionando queda no produto. TAXA DE JUROS DE EQUILÍBRIO É determinada no mercado monetário, onde se encontram a oferta e a demanda de moeda. O processo é idêntico ao que determina o preço de uma mercadoria no mercado de bens e de serviços, pois a taxa de juros é o preço da moeda. O CRÉDITO E O SISTEMA FINANCEIRO Crédito é a troca de um bem disponível, no momento, pela promessa de um pagamento, no futuro. O crédito não envolve apenas a troca de um bem, pois pode envolver também, a troca de dinheiro pela mesma promessa de pagamento futuro, modalidade esta praticada pelo sistema financeiro. A operação de crédito envolve dois elementos: - Credor: pessoa que empresta a uma outra pessoa. - Devedor: pessoa que deve efetuar o pagamento no futuro. O sistema financeiro realiza a intermediação da moeda entre os agentes econômicos. TAXA DE CÂMBIO Se dois países que possuem moedas diferentes transacionam entre si, é necessário descobrir uma proporção de valor entre essas moedas, para que seja possível a troca de bens e de serviços pelas mesmas. Pelo fato de ser um preço, a taxa de câmbio é determinada pela oferta e pela procura de divisas. BALANÇO DE PAGAMENTOS A partir do momento em que um país começa a comercializar com outros, surge à necessidade de se estabelecer um controle sobre o fluxo de pagamentos e recebimentos, realizados nas relações comerciais internacionais. Para realizar este controle e o de outros fluxos monetários existe o balanço de pagamentos, que é o registro contábil de todas as transações de um país com outros, num determinado período de tempo. Economia de Mercado 28 SISTEMA MONETÁRIO INTERNACIONAL Tem seu funcionamento dentro do esquema das taxas flutuantes de câmbio, que são determinadas no mercado de divisas pela oferta e pela demanda de moedas estrangeiras. Termos importantes: Taxa de câmbio: preço em moeda doméstica de uma unidade de moeda estrangeira. Sistema de taxa de câmbio fixa: sistema em que as moedas domésticas e estrangeiras são fixadas. Sistema de taxa de câmbio flexível: a taxa de câmbio flutua livremente para encontrar seu nível de equilíbrio na interseção das curvas de demanda e de oferta do mercado de divisas. Tarifa de importação: imposto sobre importações. Termos de troca: razão de intercâmbio comercial ou a taxa à qual uma mercadoria é trocada por outra. Vantagem comparativa: capacidade de uma nação de produzir uma mercadoria a um custo relativamente baixo ou a um custo de oportunidade mais baixo que de uma outra nação. Sistema monetário internacional: conjunto de regras que definem o padrão dos pagamentos internacionais. Padrão ouro: sistema monetário no qual a unidade monetária de cada país está lastreada em ouro. Foiencerrado em 1973. CONTABILIDADE NACIONAL Termos importantes: Depreciação: é o valor de mercado, do capital consumido na obtenção de um produto corrente. Investimento bruto (IB): soma de todo o dispêndio do setor privado em novas instalações, máquinas e adições ao estoque durante um ano. Investimento líquido (IL): soma do dispêndio bruto do setor privado, conforme acima, menos a depreciação. Produto nacional bruto (PNB): valor total de mercado de todos os bens finais e de serviços produzidos em uma economia durante um ano. Produto nacional líquido (PNL): valor de mercado de todos os bens finais e serviços produzidos em uma economia durante um ano, ao alcance da sociedade para o seu consumo ou adição ao estoque de capital. Produto real: nas contas da renda nacional é a produção agregada medida em unidades monetárias constantes. Renda nacional: soma da renda dos (ou pagamento aos) fatores de produção. Mede o custo, para a economia, de obter o produto final durante um ano. Renda pessoal: nas contas da renda nacional, é a soma da renda recebida pelas famílias durante um ano, antes do pagamento dos impostos pessoais. Renda pessoal disponível: nas contas da renda nacional é a soma da renda que as famílias têm para despender, depois do pagamento dos impostos pessoais.