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1 MARINHA DO BRASIL DIRETORIA DE PORTOS E COSTAS ENSINO PROFISSIONAL MARÍTIMO LEGISLAÇÃO E GESTÃO AMBIENTAL (LGA) 1ª edição Belém-PA 2009 2 © 2009 direitos reservados à Diretoria de Portos e Costas Autores: Prof. Dr. Gilmar Wanzeller Siqueira Prof. MSc. Reinaldo José de Aguiar Grana Revisão Pedagógica: Erika Ferreira Pinheiro Guimarães Suzana Revisão Ortográfica: Esmaelino Neves de Farias Digitação/Diagramação: Roberto Ramos Smith Coordenação Geral: CC. Maurício Cezar Josino de Castro e Souza ____________ exemplares Diretoria de Portos e Costas Rua Teófilo Otoni, no 4 – Centro Rio de Janeiro, RJ 20090-070 http://www.dpc.mar.mil.br secom@dpc.mar.mil.br Depósito legal na Biblioteca Nacional conforme Decreto no 1825, de 20 de dezembro de 1907 IMPRESSO NO BRASIL / PRINTED IN BRAZIL 3 SUMÁRIO CCOOMMOO UUSSAARR OO MMÓÓDDUULLOO ................................................................................. 5 1. LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA ........................................................................... 6 1.1- Atribuições do órgão responsável pela regulamentação das atividades nas hidrovias ............................................................................................ 6 1.2- requisitos para atividades de assistência e salvamento em águas interiores .................................................................................................. 8 1.3- requisitos para atividades de busca e salvamento em águas interiores .. 9 1.4- órgãos integrantes do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos .................................................................................................. 10 1.5- competência da Agência Nacional de Águas (ANA) como instrumento da Politica Nacional de Recursos Hídricos ................................................. 11 1.6- atribuições da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) e da ANA para autorização do uso de potencial de energia hidráulica. ................. 15 1.7- Cartão de Tripulação de Segurança ...................................................... 17 1.8- condicionantes da passagem de embarcações por eclusas .................. 18 1.9- situações em que a eclusagem é proibida ............................................. 19 1.10- atribuições da Autoridade Marítima no que diz respeito à Segurança do Trafégo Aquaviário ................................................................................. 19 1.11- obrigações dos armadores de embarcações fluviais no que diz respeito à inscrição na Capitania dos Portos ou ao registro da embarcação no Tribunal Marítimo ................................................................................... 22 1.12- processo de despacho de uma embarcação. ...................................... 23 2. ASPECTOS DA CARREIRA DOS AQUAVIÁRIOS ...................................... 26 2.1- Fluxo de carreira de aquaviários no Grupo de Fluviários ....................... 26 2.2- anotações obrigatórias na Caderneta de Inscrição e Registro (CIR) ..... 28 2.3- causas de cancelamento e de apreensão da CIR ................................. 29 2.4- procedimento de cômputo de tempo de embarque para aquaviários .... 30 2.5- finalidade do rol portuário e do rol de equipagem .................................. 31 2.6- requisitos dos candidatos à emissão dos certificados e documentos, conforme o artigo VI da Convenção Internacional sobre Normas de Treinamento de Maritimos, expedição de certificados e Serviço de Quarto (STCW-78/95) ............................................................................ 32 2.7- faltas disciplinares de tripulantes passíveis de penalidades .................. 35 2.8- atribuições dos aquaviários da seção de convés a bordo...................... 36 2.9- requisitos obrigatórios para certificação de aquaviários subalternos membros do quarto de serviço, conforme regra I/4 e seção A-I/4 do STCW-78/95 .......................................................................................... 50 2.10- princípios a serem observados na organização dos quartos de serviço com o intuito de prevenir fadiga, conforme as regras VIII-1 e VIII-2 do STCW-78/95 .......................................................................................... 51 2.11- responsabilidade da empresa de navegação, conforme a regra I/14 e seção A-I/14 as STCW-78/95 ................................................................ 53 2.12- normas das obrigações de trabalho e de regime de previdência social dos aquaviários. ..................................................................................... 54 3. LEGISLAÇÃO AMBIENTAL .......................................................................... 58 3.1- Classificação da IMO para cargas perigosas ......................................... 58 3.2- medidas gerais de segurança no manuseio de cargas perigosas ......... 61 3.3- sistemas de prevenção, controle e combate à poluição obrigatórios nas instalações portuárias ............................................................................ 61 4 3.4- procedimentos a serem cumpridos por embarcações que transportam óleo, substâncias nocivas e/ou perigosas .............................................. 63 3.5- procedimentos a serem cumpridos, em casos excepcionais previstos em lei, para descarga de óleo, misturas oleosas, substâncias nocivas ou perigosas de qualquer categoria, e lixo em águas sob jurisdição nacional 72 3.6- responsabilidade da Autoridade Marítima e dos órgãos do meio ambiente no cumprimento da legislação de prevenção, controle e fiscalização da poluição do meio fluvial ................................................. 75 4. OBRAS FLUVIAIS ........................................................................................ 78 4.1- Tipos de obras de melhoramento e de manutenção da via fluvial; ........ 78 4.2- definição de dragagem, derrocamento, canalização, dique, eclusa e fechamento de braço secundário ........................................................... 79 4.3- impacto de obras de melhoramento e de manutenção da via fluvial sobre o meio ambiente aquaviário ................................................................... 82 REFERÊNCIAS ................................................................................................ 93 5 CCOOMMOO UUSSAARR OO MMÓÓDDUULLOO II –– QQuuaall oo oobbjjeettiivvoo GGeerraall ddeessttee mmóódduulloo?? Proporcionar ao aluno conhecimentos básicos necessários sobre Legislação e Gestão Ambiental. IIII –– CCoommoo eessttáá oorrggaanniizzaaddoo oo mmóódduulloo?? O módulo Legislação e Gestão Ambiental foi elaborado em quatro unidades sequenciais de estudo. Os conteúdos obedecem a uma sequência lógica e, ao término de cada unidade, é apresentado um teste de auto-avaliação e a respectiva chave de resposta. III –– SSíímmbboollooss uuttiilliizzaaddooss Existem alguns símbolos utilizados em cada unidade para guiá-lo em seus estudos. Observe o que cada um quer dizer ou significa. EEssttee llhhee ddiizz qquuee hháá uummaa vviissããoo ggeerraall ddaa uunniiddaaddee ee ddoo qquuee eellaa ttrraattaa.. EEssttee llhhee ddiizz qquuee hháá,, nnoo tteexxttoo,, uummaa ppeerrgguunnttaa ppaarraa vvooccêê ppeennssaarr ee rreessppoonnddeerr aa rreessppeeiittoo.. EEssttee llhhee ddiizz ppaarraa aannoottaarr oouu lleemmbbrraarr--ssee ddee uumm ppoonnttoo iimmppoorrttaannttee.. EEssttee llhhee ddiizz qquuee hháá uummaa ttaarreeffaa aa sseerr ffeeiittaa ppoorr eessccrriittoo.. EEssttee llhhee ddiizz qquuee hháá uumm eexxeerrccíícciioo rreessoollvviiddoo.. EEsstteellhhee ddiizz qquuee hháá uumm tteessttee ddee aauuttoo--aavvaalliiaaççããoo ppaarraa vvooccêê ffaazzeerr.. EEssttee llhhee ddiizz qquuee eessttaa éé aa cchhaavvee ddaass rreessppoossttaass ddaass ttaarreeffaass ee ddooss tteesstteess ddee aauuttoo--aavvaalliiaaççããoo.. 6 1. LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA Nesta unidade, você vai: � Conhecer as atribuições do órgão responsável pela regulamentação das atividades nas hidrovias. � Conhecer ao requisitos para atividades de assistência e salvamento em águas interiores. � Conhecer os requisitos para atividades de busca e salvamento em águas interiores. � Identificar os órgãos integrantes do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hidricos. � Saber a competência da Agência Nacional de Águas (ANA) como instrumento da Politica Nacional de Recursos Hidricos. � Descrever as atribuições da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) e da Agência Nacional de Águas (ANA) para autorização do uso de potencial de energia hidráulica. � Conhecer a definição do Cartão de Tripulação de Segurança. � Descrever as condicionantes da passagem de embarcações por eclusas. � Citar em que situações a eclusagem é proibida. � Citar as atribuições da Autoridade Marítima no que diz respeito à Segurança do Trafégo Aquaviário. � Saber as obrigações dos armadores de embarcações fluviais no que diz respeito à inscrição na Capitania dos Portos ou ao registro da embarcação no Tribunal Marítimo. � Saber como se processa o despacho de uma embarcação. 1.1- Atribuições do órgão responsável pela regulamentação das atividades nas hidrovias As Administrações Hidroviárias exercem, em caráter transitório, por delegação, as atribuições operacionais estabelecidas pelo DNIT para as suas unidades regionais, conforme o Art. 123 do Regimento Interno do DNIT. Art. 123. - Às Administrações Hidroviárias, subordinadas às Superintendências Regionais, compete: I – desenvolver as atividades de execução e acompanhamento de estudos, obras, serviços e operação das vias navegáveis interiores, bem como os portos fluviais e lacustres que lhe sejam atribuídos; 7 II – determinar as medidas de controle e de acompanhamento de obras e serviços a serem fiscalizados pela administração; III – opinar sobre modificações de projetos executivos e prazos das obras e serviços em andamento; IV – aprovar os Termos Finais de Entrega e Recebimento das obras e serviços; V – propor o embargo de obras e serviços públicos ou particulares, quando julgados prejudiciais às atividades das vias navegáveis interiores; VI – fornecer elementos e determinar as medidas para coleta de dados, necessários a fixação dos gabaritos a serem obedecidos no melhoramento e aproveitamento das vias navegáveis interiores e na execução de obras ou serviços que tenham interferência com as vias navegáveis interiores; VII – promover a retirada de projetos que possam prejudicar a navegação interior; VIII – determinar prioridade e promover a execução de serviços de limpeza, desobstrução e conservação de vias navegáveis interiores; IX – determinar, coordenar e fiscalizar a operação de eclusas, barragens e portos fluviais e lacustres, que venha a ser atribuída pelo DNIT, de conformidade com as normas em vigor; X – autorizar a realização de despesa no limite de suas atribuições e de acordo com a sua competência e de conformidade com as normas em vigor; XI – autorizar a contratação de serviços em geral, dentro do limite de sua competência; XII – requisitar passagens e conceder diárias para afastamento de pessoal lotado na área de sua respectiva jurisdição; XIII – promover e fiscalizar os serviços de manutenção e recuperação de barragens, eclusas e portos fluviais e lacustres; XIV – propor a desapropriação de imóveis necessários à implantação e ao desenvolvimento das vias navegáveis interiores e portos fluviais e lacustres; XV – realizar, promover e acompanhar a coleta de dados estatísticos de tráfego nas eclusas e de movimento de mercadorias nos portos fluviais e lacustres, mantendo o registro cadastral de desempenho operacional, e das características das vias navegáveis interiores e dos portos fluviais e lacustres; XVI – manter atualizados os registros indicativos das condições de navegabilidade das vias navegáveis interiores, divulgando, quando necessário, dados 8 indicativos de alterações nas profundidades dos canais navegáveis, obstruções, novas construções e serviços de reparos e manutenção que interrompam o tráfego das vias navegáveis interiores; XVII – adquirir e alienar bens, adotando os procedimentos legais adequados para efetuar sua incorporação e desincorporação; XVIII – elaborar o relatório anual das atividades desenvolvidas, encaminhando-o à Diretoria Colegiada do DNIT; XIX – administrar pessoal, patrimônio, material e serviços gerais; XX – elaborar e submeter anualmente à Diretoria de Planejamento e Pesquisa a sua proposta orçamentária, nos termos da legislação em vigor, bem como as alterações orçamentárias que se fizerem necessárias no decorrer do exercício; XXI – executar outras atividades que lhe forem delegadas. 1.2- requisitos para atividades de assistência e salvamento em águas interiores O interessado na prestação dos serviços de assistência e salvamento deverá atender, basicamente, aos seguintes requisitos: a) ser pessoa jurídica, devidamente constituída; b) dispor dos necessários meios para execução de serviços, tais como, redesencalhe, reflutuação, içamento de pesos, transferência de cargas líquidas, granéis ou sólidas, eventualmente mergulho e outros que a situação exigir; c) dispor de pessoal devidamente habilitado para o exercício das diversas atividades requeridas; e d) ser cadastrado na Capitania, Delegacia ou Agência da área de jurisdição. 9 1.3- requisitos para atividades de busca e salvamento em águas interiores Art. 1°. A busca e salvamento, com propósito de salvaguarda da vida humana no mar, nos portos e nas vias navegáveis interiores, ficam submetidos às disposições desta lei. § 1º. Para efeitos desta lei, a expressão "busca e salvamento" significa todo ato ou atividade efetuados para prestar auxílio à vida humana em perigo no mar, nos portos e nas vias navegáveis interiores. § 2º. Para efeitos desta lei, a palavra "socorro" tem o mesmo significado que a expressão "busca e salvamento". Art. 2º. Compete à Marinha do Brasil adotar as providências para prover adequados serviços de busca e salvamento de vida humana em perigo no mar, nos portos e nas vias navegáveis interiores. Parágrafo único. A Marinha do Brasil poderá delegar a execução de tais serviços a outros órgão federais, estaduais, municipais e, por concessão, a particulares, em áreas definidas de jurisdição. Art. 3º. Qualquer pessoa é obrigada, desde que o possa fazer sem perigo para si ou para outrem, a prestar auxílio a quem estiver em perigo de vida no mar, nos portos e nas vias navegáveis interiores. § 1º. O auxílio poderá consistir em simples comunicação do fato à autoridade naval, ou em providências que possibilitem o recebimento da informação, em tempo hábil, por essa autoridade. § 2º. A obrigação de prestar auxílio cessa desde que o obrigado tenha conhecimento de que este serviço não é mais necessário, ou quando dispensado pelo Comandante da embarcação assistida ou pela autoridade naval. Art. 4º O pedido de auxílio será comunicado pela autoridade naval a todas as embarcações que estejam nas proximidades da área ou a uma embarcação em especial. Art. 5º. Todo Comandante é obrigado, desde que o possa fazer sem perigo sério para sua embarcação, tripulação, passageiro ou para outra pessoa, a utilizar sua 10 embarcação e meios sob sua responsabilidade para prestar auxílio a quem estiver em perigo de vida no mar, nos portos ou nas viasnavegáveis interiores. § 1º. Para efeitos desta lei, a palavra "Comandante" é empregada, genericamente, para designar a pessoa que comanda e que é responsável pela embarcação, seus equipamentos, seus passageiros e sua bagagem, acompanhada ou não, pelos tripulantes e seus pertences, pela carga e pela disciplina a bordo. § 2º. Para efeitos desta lei, a palavra "embarcação" é empregada, genericamente, para designar toda construção suscetível de se locomover na água, quaisquer que sejam suas características. Art. 6º. O Comandante de uma embarcação deverá adotar o seguinte procedimento ao tomar conhecimento de vida humana em perigo no mar, nos portos ou nas vias navegáveis interiores: I - dirigir sua embarcação, na maior velocidade possível, para o local onde se encontrem as pessoas em perigo; II - informar às pessoas em perigo e às embarcações próximas a hora prevista de chegada na área e os meios de que dispõe para a prestação dos serviços de busca e salvamento; e III - após um abalroamento, permanecer no local do acidente, até que esteja convencido de que não há necessidade de prestar auxílio, ou até que seja liberado de tal obrigação pelo Comandante da outra embarcação. 1.4- órgãos integrantes do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos Art. 33. Integram o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos I – o Conselho Nacional de Recursos Hídricos; I-A – a Agência Nacional de Águas; II – os Conselhos de Recursos Hídricos dos Estados e do Distrito Federal; III – os Comitês de Bacia Hidrográfica; IV – os órgãos dos poderes públicos federal, estaduais, do Distrito Federal e municipais cujas competências se relacionem com a gestão de recursos hídricos; V – as Agências de Água. 11 1.5- competência da Agência Nacional de Águas (ANA) como instrumento da Politica Nacional de Recursos Hídricos I – supervisionar, controlar e avaliar as ações e atividades decorrentes do cumprimento da legislação federal pertinente aos recursos hídricos; II – disciplinar, em caráter normativo, a implementação, a operacionalização, o controle e a avaliação dos instrumentos da Política Nacional de Recursos Hídricos; III – (VETADO) IV – outorgar, por intermédio de autorização, o direito de uso de recursos hídricos em corpos de água de domínio da União, observado o disposto nos arts. 5o, 6o, 7o e 8o; V - fiscalizar os usos de recursos hídricos nos corpos de água de domínio da União; VI - elaborar estudos técnicos para subsidiar a definição, pelo Conselho Nacional de Recursos Hídricos, dos valores a serem cobrados pelo uso de recursos hídricos de domínio da União, com base nos mecanismos e quantitativos sugeridos pelos Comitês de Bacia Hidrográfica, na forma do inciso VI do art. 38 da Lei no 9.433, de 1997; VII – estimular e apoiar as iniciativas voltadas para a criação de Comitês de Bacia Hidrográfica; VIII – implementar, em articulação com os Comitês de Bacia Hidrográfica, a cobrança pelo uso de recursos hídricos de domínio da União; IX – arrecadar, distribuir e aplicar receitas auferidas por intermédio da cobrança pelo uso de recursos hídricos de domínio da União, na forma do disposto no art. 22 da Lei no 9.433, de 1997; X – planejar e promover ações destinadas a prevenir ou minimizar os efeitos de secas e inundações, no âmbito do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos, em articulação com o órgão central do Sistema Nacional de Defesa Civil, em apoio aos Estados e Municípios; XI - promover a elaboração de estudos para subsidiar a aplicação de recursos financeiros da União em obras e serviços de regularização de cursos de água, de alocação e distribuição de água, e de controle da poluição hídrica, em consonância com o estabelecido nos planos de recursos hídricos; 12 XII – definir e fiscalizar as condições de operação de reservatórios por agentes públicos e privados, visando a garantir o uso múltiplo dos recursos hídricos, conforme estabelecido nos planos de recursos hídricos das respectivas bacias hidrográficas; XIII - promover a coordenação das atividades desenvolvidas no âmbito da rede hidrometeorológica nacional, em articulação com órgãos e entidades públicas ou privadas que a integram, ou que dela sejam usuárias; XIV - organizar, implantar e gerir o Sistema Nacional de Informações sobre Recursos Hídricos; XV - estimular a pesquisa e a capacitação de recursos humanos para a gestão de recursos hídricos; XVI - prestar apoio aos Estados na criação de órgãos gestores de recursos hídricos; XVII – propor ao Conselho Nacional de Recursos Hídricos o estabelecimento de incentivos, inclusive financeiros, à conservação qualitativa e quantitativa de recursos hídricos. XVIII - participar da elaboração do Plano Nacional de Recursos Hídricos e supervisionar a sua implementação. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.216-37, de 2001) XIX - regular e fiscalizar, quando envolverem corpos d'água de domínio da União, a prestação dos serviços públicos de irrigação, se em regime de concessão, e adução de água bruta, cabendo-lhe, inclusive, a disciplina, em caráter normativo, da prestação desses serviços, bem como a fixação de padrões de eficiência e o estabelecimento de tarifa, quando cabíveis, e a gestão e auditagem de todos os aspectos dos respectivos contratos de concessão, quando existentes. (Incluído pela Medida Provisória nº 437, de 2008). § 1o Na execução das competências a que se refere o inciso II deste artigo, serão considerados, nos casos de bacias hidrográficas compartilhadas com outros países, os respectivos acordos e tratados. § 2o As ações a que se refere o inciso X deste artigo, quando envolverem a aplicação de racionamentos preventivos, somente poderão ser promovidas mediante a observância de critérios a serem definidos em decreto do Presidente da República. § 3o Para os fins do disposto no inciso XII deste artigo, a definição das condições de operação de reservatórios de aproveitamentos hidrelétricos será efetuada em articulação com o Operador Nacional do Sistema Elétrico – ONS. 13 § 4o A ANA poderá delegar ou atribuir a agências de água ou de bacia hidrográfica a execução de atividades de sua competência, nos termos do art. 44 da Lei no 9.433, de 1997, e demais dispositivos legais aplicáveis. § 5o (VETADO) § 6o A aplicação das receitas de que trata o inciso IX será feita de forma descentralizada, por meio das agências de que trata o Capítulo IV do Título II da Lei no 9.433, de 1997, e, na ausência ou impedimento destas, por outras entidades pertencentes ao Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos. § 7o Nos atos administrativos de outorga de direito de uso de recursos hídricos de cursos de água que banham o semi-árido nordestino, expedidos nos termos do inciso IV deste artigo, deverão constar, explicitamente, as restrições decorrentes dos incisos III e V do art. 15 da Lei no 9.433, de 1997. § 8o No exercício das competências referidas no inciso XIX deste artigo, a ANA zelará pela prestação do serviço adequado ao pleno atendimento dos usuários, em observância aos princípios da regularidade, continuidade, eficiência, segurança, atualidade, generalidade, cortesia, modicidade tarifária e utilização racional dos recursos hídricos. (Incluído pela Medida Provisória nº 437, de 2008). Art. 5o Nas outorgas de direito de uso de recursos hídricos de domínio da União, serão respeitados os seguintes limites de prazos, contados da data de publicação dos respectivos atos administrativos de autorização: I – até dois anos, para início da implantação do empreendimento objeto da outorga; II – até seis anos, para conclusão da implantação do empreendimento projetado; III – até trinta e cinco anos, para vigência da outorga de direito de uso. § 1o Os prazos de vigência das outorgas de direito de uso de recursos hídricos serão fixadosem função da natureza e do porte do empreendimento, levando-se em consideração, quando for o caso, o período de retorno do investimento. § 2o Os prazos a que se referem os incisos I e II poderão ser ampliados, quando o porte e a importância social e econômica do empreendimento o justificar, ouvido o Conselho Nacional de Recursos Hídricos. § 3o O prazo de que trata o inciso III poderá ser prorrogado pela ANA, respeitando-se as prioridades estabelecidas nos Planos de Recursos Hídricos. § 4o As outorgas de direito de uso de recursos hídricos para concessionárias e autorizadas de serviços públicos e de geração de energia hidrelétrica vigorarão por 14 prazos coincidentes com os dos correspondentes contratos de concessão ou atos administrativos de autorização. Art. 6o A ANA poderá emitir outorgas preventivas de uso de recursos hídricos, com a finalidade de declarar a disponibilidade de água para os usos requeridos, observado o disposto no art. 13 da Lei no 9.433, de 1997. § 1o A outorga preventiva não confere direito de uso de recursos hídricos e se destina a reservar a vazão passível de outorga, possibilitando, aos investidores, o planejamento de empreendimentos que necessitem desses recursos. § 2o O prazo de validade da outorga preventiva será fixado levando-se em conta a complexidade do planejamento do empreendimento, limitando-se ao máximo de três anos, findo o qual será considerado o disposto nos incisos I e II do art. 5o. Art. 7o Para licitar a concessão ou autorizar o uso de potencial de energia hidráulica em corpo de água de domínio da União, a Agência Nacional de Energia Elétrica - ANEEL deverá promover, junto à ANA, a prévia obtenção de declaração de reserva de disponibilidade hídrica. § 1o Quando o potencial hidráulico localizar-se em corpo de água de domínio dos Estados ou do Distrito Federal, a declaração de reserva de disponibilidade hídrica será obtida em articulação com a respectiva entidade gestora de recursos hídricos. § 2o A declaração de reserva de disponibilidade hídrica será transformada automaticamente, pelo respectivo poder outorgante, em outorga de direito de uso de recursos hídricos à instituição ou empresa que receber da ANEEL a concessão ou a autorização de uso do potencial de energia hidráulica. § 3o A declaração de reserva de disponibilidade hídrica obedecerá ao disposto no art. 13 da Lei no 9.433, de 1997., e será fornecida em prazos a serem regulamentados por decreto do Presidente da República. Art. 8o A ANA dará publicidade aos pedidos de outorga de direito de uso de recursos hídricos de domínio da União, bem como aos atos administrativos que deles resultarem, por meio de publicação na imprensa oficial e em pelo menos um jornal de grande circulação na respectiva região. 15 1.6- atribuições da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) e da ANA para autorização do uso de potencial de energia hidráulica. - Implementar as políticas e diretrizes do governo federal para a exploração da energia elétrica e o aproveitamento dos potenciais hidráulicos, expedindo os atos regulamentares necessários ao cumprimento das normas estabelecidas pela Lei no 9.074, de 7 de julho de 1995; - promover, mediante delegação, com base no plano de outorgas e diretrizes aprovadas pelo Poder Concedente, os procedimentos licitatórios para a contratação de concessionárias e permissionárias de serviço público para produção, transmissão e distribuição de energia elétrica e para a outorga de concessão para aproveitamento de potenciais hidráulicos (redação dada pela Lei nº 10.848, de 2004); - gerir os contratos de concessão ou de permissão de serviços públicos de energia elétrica, de concessão de uso de bem público, bem como fiscalizar, diretamente ou mediante convênios com órgãos estaduais, as concessões, as permissões e a prestação dos serviços de energia elétrica (redação dada pela Lei nº 10.848, de 2004) - dirimir, no âmbito administrativo, as divergências entre concessionárias, permissionárias, autorizadas, produtores independentes e autoprodutores, bem como entre esses agentes e seus consumidores; - fixar os critérios para cálculo do preço de transporte de que trata o § 6o do art. 15 da Lei no 9.074, de 7 de julho de 1995, e arbitrar seus valores nos casos de negociação frustrada entre os agentes envolvidos; - articular com o órgão regulador do setor de combustíveis fósseis e gás natural os critérios para fixação dos preços de transporte desses combustíveis, quando destinados à geração de energia elétrica, e para arbitramento de seus valores, nos casos de negociação frustrada entre os agentes envolvidos; - estabelecer, com vistas a propiciar concorrência efetiva entre os agentes e a impedir a concentração econômica nos serviços e atividades de energia elétrica, restrições, limites ou condições para empresas, grupos empresariais e acionistas, quanto à obtenção e transferência de concessões, permissões e autorizações, à concentração societária e à realização de negócios entre si (incluído pela Lei nº 9.648, de 1998); 16 - zelar pelo cumprimento da legislação de defesa da concorrência, monitorando e acompanhando as práticas de mercado dos agentes do setor de energia elétrica (incluído pela Lei nº 9.648, de 1998); - fixar as multas administrativas a serem impostas aos concessionários, permissionários e autorizados de instalações e serviços de energia elétrica, observado o limite, por infração, de 2% (dois por cento) do faturamento, ou do valor estimado da energia produzida nos casos de autoprodução e produção independente, correspondente aos últimos doze meses anteriores à lavratura do auto de infração ou estimados para um período de doze meses caso o infrator não esteja em operação ou esteja operando por um período inferior a doze meses. (incluído pela Lei nº 9.648, de 1998); - estabelecer tarifas para o suprimento de energia elétrica realizado às concessionárias e permissionárias de distribuição, inclusive às Cooperativas de Eletrificação Rural enquadradas como permissionárias, cujos mercados próprios sejam inferiores a 500 (quinhentos) GWh/ano(Giga Watt Hora), e tarifas de fornecimento às Cooperativas autorizadas, considerando parâmetros técnicos, econômicos, operacionais e a estrutura dos mercados atendidos (redação dada pela Lei nº 10.848, de 2004); - estabelecer, para cumprimento por parte de cada concessionária e permissionária de serviço público de distribuição de energia elétrica, as metas a serem periodicamente alcançadas, visando a universalização do uso da energia elétrica (incluído pela Lei nº 10.438, de 2002); - efetuar o controle prévio e a posteriori de atos e negócios jurídicos a serem celebrados entre concessionárias, permissionárias, autorizadas e seus controladores, suas sociedades controladas ou coligadas e outras sociedades controladas ou coligadas de controlador comum, impondo-lhes restrições à mútua constituição de direitos e obrigações, especialmente comerciais e, no limite, a abstenção do próprio ato ou contrato (incluído pela Lei nº 10.438, de 2002); - aprovar as regras e os procedimentos de comercialização de energia elétrica, contratada de formas regulada e livre (incluído pela Lei nº 10.848, de 2004); - promover processos licitatórios para atendimento às necessidades do mercado (Incluído pela Lei nº 10.848, de 2004); - homologar as receitas dos agentes de geração na contratação regulada e as tarifas a serem pagas pelas concessionárias, permissionárias ou autorizadas de 17 distribuição de energia elétrica, observados os resultados dos processos licitatórios referidos no inciso XV do caput deste artigo (incluído pela Lei nº 10.848, de 2004); - estabelecer mecanismos de regulação e fiscalização para garantir o atendimento à totalidade do mercado de cada agente de distribuição e de comercialização de energia elétrica,bem como à carga dos consumidores que tenham exercido a opção prevista nos arts. 15 e 16 da Lei no 9.074, de 7 de julho de 1995 (incluído pela Lei nº 10.848, de 2004); - definir as tarifas de uso dos sistemas de transmissão e distribuição, sendo que as de transmissão devem ser baseadas nas seguintes diretrizes (incluído pela Lei nº 10.848, de 2004); a) assegurar arrecadação de recursos suficientes para cobertura dos custos dos sistemas de transmissão (incluído pela Lei nº 10.848, de 2004); e b) utilizar sinal locacional visando a assegurar maiores encargos para os agentes que mais onerem o sistema de transmissão (incluído pela Lei nº 10.848, de 2004); XIX - regular o serviço concedido, permitido e autorizado e fiscalizar permanentemente sua prestação (incluído pela Lei nº 10.848, de 2004); Parágrafo único. No exercício da competência prevista nos incisos VIII e IX, a ANEEL deverá articular-se com a Secretaria de Direito Econômico do Ministério da Justiça (incluído pela Lei nº 9.648, de 1998). 1.7- Cartão de Tripulação de Segurança Em primeiro lugar, deve-se conhecer quantos tripulantes são necessários, no mínimo, obrigatoriamente, para compor a tripulação de uma embarcação. Neste aspecto, a Autoridade Marítima é responsável pelo estabelecimento da chamada “tripulação de segurança” que é aquela que, no mínimo, deve estar embarcada para que a embarcação possa navegar. O cálculo da tripulação de segurança é feito com base no tipo de navegação que a embarcação se propõe a empreender, a área da navegação, o porte da embarcação e suas características, bem como o grau de automatização dos equipamentos de bordo (atestado por sociedade classificadora). Este cálculo é feito pelas Capitanias dos Portos, suas Delegacias ou Agências que emitem um laudo, que precisa ser ratificado pela DPC (somente nos casos de longo 18 curso, cabotagem SR e apoio marítimo SR). Após este procedimento, a Autoridade Marítima emite o chamado “Cartão de Tripulação de Segurança” (CTS) 1.8- condicionantes da passagem de embarcações por eclusas a) O trânsito das embarcações pelas eclusas das usinas hidrelétricas só ocorrerá quando não acarretar prejuízo à operacionalidade daquelas instalações, a critério da administração da eclusa. b) Só poderão trafegar pelas eclusas e canais da hidrovia, embarcações ou comboios em conformidade com o estabelecido pelo Agente da Autoridade Marítima e principalmente os que não ultrapassem as dimensões máximas permissíveis, previamente divulgadas por aquela autoridade tendo em vista as restrições físicas, impostas pelas obras de engenharia e pelas condições de navegação da hidrovia. As administrações devem divulgar, para cada eclusa, as seguintes dimensões, em unidades métricas, para as embarcações: - comprimento máximo; - boca máxima; - calado máximo; e - altura máxima do mastro acima da linha d’ água. c) A passagem de embarcações e comboios com altura de mastro ou calado superior aos valores estabelecidos pela administração só será permitida com autorização do operador da eclusa, quando as condições de nível d’ água imediatamente abaixo e acima da barragem forem adequadas. As informações referentes a estas condições devem ser solicitadas ao operador da eclusa, antes de ser iniciada a operação de eclusagem; d) Para observância das limitações citadas na subalínea b), as embarcações poderão possuir ponte de comando elevadiça ou mastro rebatíveis; e e) Para o cálculo do calado máximo da embarcação, previsto no item 0903 b), a Administração deverá considerar uma folga entre a quilha e a soleira da eclusa de pelo 19 menos 1(um) m para entrada da embarcação na eclusa e de pelo menos 0,5 (meio) m para sair da eclusa. 1.9- situações em que a eclusagem é proibida a) Não será permitida a passagem pelas eclusas, nos seguintes casos: 1) embarcações em perigo de naufragar; 2) embarcações que tenham cargas incorretamentes estivadas, ou com os petrechos de peiação ineficientes; 3) embarcações tendo cargas salientes de tal modo que possam danificar a eclusa; 4) embarcações tendo correias, cabos ou outros artefatos pendentes irregularmente para o lado de fora; 5) embarcações que apresentem defeitos nas máquinas, vazamento ou falhas no seu sistema de governo, ou que venham a comprometer a sua manobra na eclusagem ou ainda na saída ou entrada da eclusa; 6) embarcações que não tenham sistema de inversão da marcha funcionando perfeitamente; 7) embarcações com L menor ou igual a 5 m que disponham de propulsão própria a motor; e 8) embarcações sem equipamentos de comunicação para trocar informações com o operador da eclusa. b) Em circunstâncias especiais, a critério da administração, as embarcações com L menor ou igual a 5 m que disponham de propulsão própria a motor, poderão eclusar, desde que possuam a equipagem obrigatória constante do item 0904. 1.10- atribuições da Autoridade Marítima no que diz respeito à Segurança do Trafégo Aquaviário A Lei nº 9.537, de 11 de dezembro de 1997, que dispõe sobre a segurança do tráfego aquaviário em águas sob jurisdição nacional, estabelece o que segue. 20 Art. 4º. São atribuições da autoridade marítima: I - elaborar normas para: a) habilitação e cadastro dos aquaviários e amadores; b) tráfego e permanência das embarcações nas águas sob jurisdição nacional, bem como sua entrada e saída de portos, atracadouros, fundeadouros e marinas; c) realização de inspeções navais e vistorias; d) arqueação, determinação da borda livre, lotação, identificação e classificação das embarcações; e) inscrição das embarcações e fiscalização do Registro de Propriedade; f) cerimonial e uso dos uniformes a bordo das embarcações nacionais; g) registro e certificação de helipontos das embarcações e plataformas, com vistas à homologação por parte do órgão competente; h) execução de obras, dragagens, pesquisa e lavra de minerais sob, sobre e às margens das águas sob jurisdição nacional, no que concerne ao ordenamento do espaço aquaviário e à segurança da navegação, sem prejuízo das obrigações frente aos demais órgãos competentes; i) cadastramento e funcionamento das marinas, clubes e entidades desportivas náuticas, no que diz respeito à salvaguarda da vida humana e à segurança da navegação no mar aberto e em hidrovias interiores; j) cadastramento de empresas de navegação, peritos e sociedades classificadoras; l) estabelecimento e funcionamento de sinais e auxílios à navegação; m) aplicação de penalidade pelo Comandante; II - regulamentar o serviço de praticagem, estabelecer as zonas de praticagem em que a utilização do serviço é obrigatória e especificar as embarcações dispensadas do serviço; III - determinar a tripulação de segurança das embarcações, assegurado às partes interessadas o direito de interpor recurso, quando discordarem da quantidade fixada; IV - determinar os equipamentos e acessórios que devam ser homologados para uso a bordo de embarcações e plataformas e estabelecer os requisitos para a homologação; V - estabelecer a dotação mínima de equipamentos e acessórios de segurança para embarcações e plataformas; 21 VI - estabelecer os limites da navegação interior; VII - estabelecer os requisitos referentes às condições de segurança e habitabilidade e para a prevenção da poluição por parte de embarcações, plataformas ou suas instalações de apoio; VIII - definir áreas marítimas e interiores para constituir refúgios provisórios, onde as embarcações possam fundear ou varar, para execução de reparos; IX - executar a inspeção naval; X - executar vistorias, diretamente ou por intermédio de delegação a entidades especializadas. Art. 5º. A embarcação estrangeira, submetida à inspeção naval, que apresente irregularidades na documentação ou condições operacionais precárias,representando ameaça de danos ao meio ambiente, à tripulação, a terceiros ou à segurança do tráfego aquaviário, pode ser ordenada a: I - não entrar no porto; II - não sair do porto; III - sair das águas jurisdicionais; IV - arribar em porto nacional. Art. 6º. A autoridade marítima poderá delegar aos municípios a fiscalização do tráfego de embarcações que ponham em risco a integridade física de qualquer pessoa nas áreas adjacentes às praias, quer sejam marítimas, fluviais ou lacustres. Nota breve: A Lei 9.357/1997 é chamada de LESTA. O Decreto nº 2.596, de 18 de maio de 1998, que a regulamenta, é chamado de RELESTA. 22 1.11- obrigações dos armadores de embarcações fluviais no que diz respeito à inscrição na Capitania dos Portos ou ao registro da embarcação no Tribunal Marítimo 1 – A inscrição de uma embarcação é o seu cadastramento na Capitania dos Portos ou órgãos subordinado, com a atribuição do número de inscrição e a expedição do respectivo título de inscrição simplificada, para as embarcações miúdas; 2 – O registro da embarcação é o seu cadastramento no Tribunal Marítimo, com a atribuição do número de registro e a competente inscrição da provisão de registro da propriedade marítima; 3 – A embarcação brasileira, exceto a da Marinha, está obrigada á inscrição nas Capitanias dos Portos ou órgão subordinado, em cuja jurisdição for domicilíado o proprietário ou amador. 4 – Os pedidos de inscrição e de registro deverão ser feitos pelo interessado ou seu representante legal, na Capitania dos Portos, Delegacia ou Agências em cuja jurisdição for domicilíado o proprietário ou amador, no prazo de quinze dias, após a aquisição da embarcação ou a sua chegada ao Porto em que será inscrita, de acordo com as normas específicas da DPC. 5 – No caso de perda ou extravio do título de inscrição, o proprietário requererá a 2ª via do órgão onde a embarcação foi inscrita. 6 – Provado que inscrição ou registro foi obtido por fraude, a Capitania dos Portos ou órgão subordinado procederá a apreensão da embarcação, pondo-a à disposição da Diretoria de Portos e Costa mantendo-a sob sua guarda, até ser nomeado um depositário. 7 – A mudança de propriedade de embarcação não acarreta nova inscrição, salvo se o novo proprietário ou seu representante legal residir em juridição de outro órgão. 8 – A transferência deverá ser requerida até 30 dias após a aquisição da embarcação. 9 – O pedido de cancelamento de inscrição é obrigatório, devendo ser feito pelo proprietário ou seu representante legal, no prazo de 15 dias. 23 1.12- processo de despacho de uma embarcação. As embarcações com mais de vinte toneladas de Arqueação Bruta (AB) ao entrarem em qualquer porto onde tenha uma Capitania dos Portos ou suas Delegacias ou Agências, deverão comunicar sua chegada. Como medida de simplificação,essas organizações serão doravante denominadas de Órgão de Despacho (OD). Essa comunicação é denominada "Parte de Entrada".O pedido de despacho em tempo hábil, as embarcações solicitarão ao OD permissão para saída por meio de um Pedido de Despacho. Para obter tal autorização, elas deverão cumprir as prescrições regulamentares, cujo procedimento é denominado Despacho. Caso não haja tempo hábil, em virtude do período de estadia da embarcação no porto e do local da atracação na área do OD, a embarcação poderá ser liberada por meio do Despacho Como Esperado. Após a embarcação ser despachada, terá o prazo para saída de até 2 (dois) dias úteis. Não se concretizando essa saída, o Despacho deverá ser atualizado por meio da Revalidação do Despacho. No Passe de saída, as embarcações, após cumprirem as exigências do Despacho, serão liberadas pelo OD e receberão o Passe de Saída.Sendo que,a tramitação dos documentos , entre o OD e o Comandante da embarcação, Armador ou seu Preposto, deverá realizar-se, preferencialmente, por meio de fac-símile, exceto quando se tratar de embarcações de transporte de passageiros, empregadas na navegação interior, quando o despacho deverá ser solicitado pessoalmente no OD. Qualquer omissão de fato ou informação inverídica, que concorra para que o Despacho da embarcação seja feito com vício ou erro, será considerada falta grave a ser apurada, sendo o Comandante o principal indiciado; podendo, conforme o caso, ser retida a embarcação por período de tempo julgado conveniente pelo OD, para os esclarecimento necessários. Seguem as orientações específicas para despacho de embarcações. Embarcações obrigadas a dar a Parte de Entrada: 1) embarcações estrangeiras, exceto: as de esporte e/ou recreio e navios de guerra e de Estado não exercendo atividade comercial; 24 2) embarcações nacionais com mais de 20 (vinte) AB, exceto: as de esporte e/ou recreio, de pesca, quando saindo e retornando a um mesmo porto sem escalas intermediárias e os navios de guerra e de Estado não exercendo atividade comercial. Emissão A parte de entrada deve ser encaminhada ao OD pelo Comandante, Armador ou seu Preposto, preferencialmente, por meio de fac-símile, contendo, obrigatoriamente, Declaração Geral, cuja apresentação é obrigatória em todos os portos. Os demais apêndices, a seguir discriminados, deverão ser apresentados somente no primeiro e último porto, desde que não haja alteração de pessoal embarcado e passageiros: 1) Lista de Pessoal Embarcado; 2) Lista de Passageiros; e 3) Planilha de Dados do GMDSS. Os originais deverão ser arquivados a bordo da embarcação, para futura comparação quando solicitado. Os documentos abaixo listados deverão estar disponíveis a bordo para apresentação, quando exigido, à Autoridade competente: 1) Declaração de Carga; 2) Declaração de Bens da Tripulação; 3) Declaração Marítima de Saúde; e 4) Declaração de Provisões de Bordo. Prazos A chegada (Data-Hora) de uma embarcação, em fundeadouro ou área portuária, deverá ser comunicada ou remetida, por meio da Parte de Entrada, ao OD o mais rápido possível, por qualquer dos meios disponíveis (de preferência por fac-símile), no prazo máximo 06 (seis) horas após a atracação ou fundeio da embarcação. 25 Teste de autoavaliação da unidade 1 1ª – Quais os principais órgãos Integrantes do sistema nacional de gerenciamento dos recursos hídricos? ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ________________________________________________________________ 2ª – Cite 3 situações nas quais a eclusagem é proibida. ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ________________________________________________________________ 3ª – Quais as possíveis ordenações previstas no art. 5º da LESTA, para uma embarcação estrangeira, que submetida a uma inspeção naval, apresenta irregularidades na documentação ou condições operacionais precárias, representando ameaça de danos ao meio ambiente, à tripulação, a terceiros ou à segurança do trafégo aquaviário? ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ________________________________________________________________ 26 2. ASPECTOS DA CARREIRA DOS AQUAVIÁRIOS Nesta unidade, você vai: � Descrever o fluxo de carreira de aquaviáriosno Grupo de Fluviários. � Conhecer as anotações obrigatórias na Caderneta de Inscrição e Registro (CIR). � Explicar as causas de cancelamento e de apreensão da CIR. � Saber o procedimento de cômputo de tempo de embarque para aquaviários. � Saber a finalidade do rol portuário e do rol de equipagem. � Conhecer os requisitos dos candidatos à emissão dos certificados e documentos, conforme o artigo VI da Convenção Internacional sobre Normas de Treinamento de Maritimos, expedição de certificados e Serviço de Quarto (STCW-95). � Obter conhecimento sobre as faltas disciplinares de tripulantes passíveis de penalidades. � Saber as atribuições dos aquaviários da seção de convés a bordo. � Relacionar os requisitos obrigatórios para certificação de aquaviários subalternos membros do quarto de serviço, conforme regra I/4 e seção A-I/4 do STCW-95. � Relatar os princípios a serem observados na organização dos quartos de serviço com o intuito de prevenir fadiga, conforme as regras VIII-1 e VIII-2 do STCW-95. � Conhecer a responsabilidade da empresa de navegação, conforme a regra I/14 e seção A-I/14 as STCW-95. � Obter conhecimento sobre as normas das obrigações de trabalho e de regime de previdência social dos aquaviários. 2.1- Fluxo de carreira de aquaviários no Grupo de Fluviários 2º Grupo - Fluviários: tripulantes que operam embarcações classificadas para a navegação interior nos lagos, rios e de apoio portuário fluvial; assim definidos no Anexo I do RELESTA: b) Grupo de Fluviários 27 1) Seção de Convés CATEGORIA SIGLA Capitão Fluvial CFL Piloto Fluvial PLF Mestre Fluvial MFL Contramestre Fluvial CMF Marinheiro Fluvial de Convés MFC Marinheiro Fluvial Auxiliar de Convés MAF 2) Seção de Máquinas CATEGORIA SIGLA Supervisor Maquinista-Motorista Fluvial SUF Condutor Maquinista-Motorista Fluvial CTF Marinheiro Fluvial de Máquinas MFM Marinheiro Fluvial Auxiliar de Máquinas MMA 3) Seção de Câmara CATEGORIA SIGLA Cozinheiro CZA Taifeiro TAA 4) Seção de Saúde CATEGORIA SIGLA Auxiliar de Saúde ASA 28 2.2- anotações obrigatórias na Caderneta de Inscrição e Registro (CIR) CADERNETA DE INSCRIÇÃO E REGISTRO (CIR) A CIR é a documento que permanece na posse do aquaviário e que espelha sua situação profissional junto à Autoridade Marítima. Um dos elementos mais importantes nela encontrados são os lançamentos de embarques e desembarques que foram realizados pelo aquaviário. Tais lançamentos são totalizados e formam o chamado “tempo de embarque”, cuja contagem é fundamental para a ascensão na carreira. Os embarques e desembarques também são elementos que caracterizarão o vínculo de emprego do aquaviário ao armador das embarcações respectivas. O tempo de embarque é conhecido através de certidão fornecida pelo empregador (extraída da CIR ou do Rol de Equipagem). Outro aspecto a ser considerado é que a Previdência Social equipara cada 365 dias de embarque do aquaviário a um ano de efetivo serviço, conforme art. XXX do Regulamento dos Benefícios da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 2172/97, sendo assim fundamental para a aposentadoria do aquaviário. Mais especificamente, na CIR serão feitas, obrigatoriamente, as seguintes anotações: 1. dados de identificação do aquaviário; 2. averbação de cursos e outras certificações; 3. categoria profissional; 4. anexação de certificados, averbação de títulos de habilitação; 5. data e local do embarque ou desembarque; 6. dados da embarcação; e 7. histórico (anotações de carreira, elogios e atos de bravura, informações de saúde e outros dados julgados necessários). 29 As anotações dos itens 1, 2, 3 e 4 serão lançadas pela CP/DL/AG. As anotações dos itens 5, 6 e 7 serão lançadas pela empresa, proprietário, armador ou seu preposto (representante legal), ou pelo Comandante da embarcação. Na caderneta do Comandante, as anotações referidas nos itens 5, 6 e 7 serão lançadas pelo proprietário, armador ou seu preposto (representante legal). A identificação do aquaviário na CIR será conforme estabelece a Convenção 108 da Organização Internacional de Trabalho (OIT) – Documentos de Identidade dos Marítimos. Vale ainda dizer que o período em que o aquaviário brasileiro tiver efetivamente embarcado em navios de outras bandeiras, poderá ser computado como embarque. Neste caso, o tempo será contado desde que o país da bandeira seja signatário da Convenção IMO denominada STCW (Convenção Internacional Sobre Padrão de Treinamento, Certificação e Serviços de Quarto – 1978, em vigor a partir de 1984). Os mergulhadores, além da CIR, devem possuir o LRM (Livro de Registro de Mergulho) que poderá ser escriturado pelo próprio mergulhador ou seu empregador (mergulhos e exames). 2.3- causas de cancelamento e de apreensão da CIR O cancelamento da condição de aquaviário poderá se dar das seguintes formas: • mediante requerimento do próprio aquaviário; • por lei; • por medida disciplinar; • por falecimento; • por afastamento superior a 10 anos consecutivos sem licença; • aposentadoria por invalidez; • falsidade na documentação apresentada; e • roubo ou furto na embarcação por sentença transitada em julgado. Os oficiais que estejam afastados há mais de cinco anos devem fazer curso de atualização. 30 Relembra-se que a posse da CIR é pré-condição para o exercício da profissão. Entretanto, a CIR poderá ser apreendida nos seguintes casos: • posse de CIR que não lhe pertença; • alteração ou adulteração; • inscrição em mais de um órgão; • cumprimento de condenação; • falta de pagamento de multa; • suspensão; e • falsificação ou adulteração de documento base para anotação. 2.4- procedimento de cômputo de tempo de embarque para aquaviários O tempo de embarque do tripulante no cargo ou função a bordo deverá ser comprovado por documento expedido pela empresa, proprietário, armador ou seu preposto com firma reconhecida em cartório, mediante requerimento ou solicitação do aquaviário interessado, com base nas anotações da CIR e/ou do Rol da Embarcação. No documento expedido pela empresa, armador ou seu preposto deverá constar o nome do aquaviário, seu número de inscrição, sua categoria e os seguintes dados: • nome da empresa; • nome da embarcação; • função exercida a bordo; • datas e locais de embarques e desembarques; e • somatório dos dias de embarque. O cômputo de tempo de embarque é necessário para matrícula em curso, ascensão de categoria e comprovação de tempo de serviço para efeito de aposentadoria. No caso específico de documentos comprobatórios de tempo de embarque, expedidos para fim de comprovação de interstício na categoria, deverão constar o número de dias de embarque e tipo de navegação em que as embarcações foram empregadas. 31 Contagem do tempo de embarque: o tripulante conta o tempo de embarque em qualquer embarcação que esteja normalmente em serviço, desde que nela exerça o cargo ou função para a qual está habilitado. O tempo de embarque será computado em dias e o somatório transcrito no final do documento de comprovação do tempo de embarque. Para efeito da NORMAM-13/2003 é contado o tempo de embarque em navio de guerra, desde que o tripulante aquaviário esteja exercendo a sua profissão, em cargo ou função correlata a bordo. 2.5- finalidade do rol portuário e do rol de equipagem O Rol de Equipagem é o documento hábil para a garantia dos direitos decorrentes dos embarques e desembarques de tripulantes verificados em uma única embarcação, devendo conter as seguintes anotações: • dados da embarcação, do(s) proprietário(s) e do armador; • assinatura e nome legível do Comandante do navio, proprietário, armador ou seu preposto (representante legal); • dados dos tripulantes; e •dados dos embarques e desembarques dos tripulantes. O Rol de Equipagem será emitido pela CP ou DL ou AG em duas vias, mediante requerimento do Comandante, Proprietário, Empresa, Armador ou seu preposto ao Capitão dos Portos, Delegado ou Agente e, quando no estrangeiro, ao Cônsul do Brasil no local. É de responsabilidade do Comandante o correto preenchimento do Rol de Equipagem.Por ocasião da escrituração do Rol de Equipagem, o nome do Comandante constará somente na folha de abertura e todos os embarques e desembarques deverão ter a sua rubrica e carimbo. Deve estar obrigatoriamente a bordo, possuindo duas vias: uma, a bordo, e a outra, na empresa. 32 Já o Rol Portuário substitui o Rol de Equipagem, com idênticos efeitos legais, contendo os embarques e desembarques dos tripulantes de embarcações de uma mesma empresa, empregadas na navegação Interior. Esta modalidade do Rol visa a flexibilizar e desburocratizar o embarque e o desembarque do aquaviário, possibilitando ao Comandante, Empresa, Armador ou seu preposto ou ao Presidente da Colônia de Pesca movimentarem os tripulantes nas suas embarcações de acordo com a conveniência do serviço, desde que o tripulante figure no Rol Portuário das embarcações da Empresa ou Armador. Impõe-se, contudo, que se mantenha no Rol exclusivamente os tripulantes exercendo funções a bordo das embarcações da Empresa ou Armador, excluindo, sistematicamente, todo aquele que seja desviado para o exercício de funções em terra para a Empresa. O Rol Portuário é opcional para empresas que possuem diversas embarcações na navegação interior, inclusive pesca. Neste caso, o comandante deve registrar no Diário de Navegação ou no Livro da Embarcação os nomes dos tripulantes embarcados em cada embarcação. 2.6- requisitos dos candidatos à emissão dos certificados e documentos, conforme o artigo VI da Convenção Internacional sobre Normas de Treinamento de Maritimos, expedição de certificados e Serviço de Quarto (STCW-78/95) Esquemas de expedição de certificados alternativos Regra VII/1 Emissão de certificados alternativos 1 Não obstante os requisitos para expedição de certificados estabelecidos nos capítulos II e III deste anexo, as Partes poderão decidir pela emissão ou pela autorização para emissão de outros certificados além daqueles mencionados nas regras desses capítulos, desde que: 33 1.1 as funções pertinentes e os níveis de responsabilidade a constar dos certificados e dos endossos sejam selecionados e idênticos aos mencionados nas seções A-II/I; AII/2; A-II/3; A-II/4; A-III/l; A-III/2; A-III/3; A-III/4 e A-IV/2 do Código STCW; 1.2 os candidatos completem um período de instrução e treinamento aprovados e satisfaçam os requisitos para os padrões de competência previstos nas seções pertinentes do Código STCW, como estabelecido na seção A-VII/1 desse Código para as funções e níveis constantes dos certificados e endossos; 1.3 os candidatos completem um serviço aprovado a bordo de navio no mar, compatível com o desempenho das funções e níveis a constar dos certificados. A duração mínima desse serviço a bordo deve ser equivalente à duração do serviço a bordo prevista nos capítulos II e III deste anexo. No entanto, a duração mínima do serviço a bordo de navio no mar não deverá ser menor do que a prevista na seção A- VII/2 do Código STCW; 1.4 os candidatos ao certificado para o desempenho de funções de navegação no nível operacional satisfaçam os requisitos aplicáveis das regras do capítulo IV, conforme o caso, para executar os serviços de radiocomunicações, de acordo com o Regulamento de Radiocomunicações; e 1.5 os certificados sejam emitidos de acordo com os requisitos da regra I/9 e com as disposições estabelecidas no capítulo VII do Código STCW. 2 Nenhum certificado será emitido com amparo neste capítulo a menos que a Parte tenha comunicado à Organização, conforme dispõe o artigo IV e a regra I/7. Regra VII/2 Expedição de certificados de marítimos 1 Todo marítimo que exerce qualquer função ou grupo de funções especificado nas tabelas A-II/1, A-II/2, A-II/3 ou A-II/4 do capítulo II ou nas tabelas A-III/1, A-III/2 e A- III/4 do capítulo III ou A-IV/2 do capítulo IV do Código STCW, deve possuir um certificado apropriado. 34 Regra VII/3 Princípios que regem a expedição de certificados alternativos 1 Uma Parte que decida emitir ou autorize a emissão de certificados alternativos deve se assegurar de que os seguintes princípios são observados: 1.1 nenhum sistema de certificação alternativa será implantado a menos que assegure um grau de segurança no mar e que tenha um efeito preventivo com relação à poluição, pelo menos equivalente aos daqueles fornecidos pelos outros capítulos; e 1.2 qualquer esquema de certificação alternativa, de acordo com as disposições deste capítulo, deverá permitir o intercâmbio dos certificados com os emitidos com amparo nos outros capítulos. 2 O princípio que permite o intercâmbio citado no parágrafo 1 deve assegurar que: 2.1 os marítimos cujos certificados foram expedidos conforme as disposições dos capítulos II e/ou III e aqueles certificados com amparo no capítulo VII serão capazes de servir em navios que tenham as formas tradicionais ou outras formas de organização de bordo; e 2.2 os marítimos não serão treinados para específicas configurações de bordo, pois deste modo limitaria a sua capacidade de obter a qualificação em outro lugar. 3 Na emissão de qualquer certificado com amparo nas disposições deste capítulo, os seguintes princípios deverão ser considerados: 3.1 a emissão de certificados alternativos não deverá ser usada para: 3.1.1 reduzir o número de tripulantes a bordo; 3.1.2 diminuir a integridade da profissão ou as qualificações dos marítimos; 3.1.3 justificar a atribuição de serviços combinados afetos a oficiais de quarto no convés e nas máquinas a um único portador de certificado durante um quarto específico; e 3.2 as pessoas em função de comando serão designadas como comandante e a posição e autoridade legal do comandante e de outros tripulantes não serão afetadas contrariamente com a implantação de qualquer arranjo de certificação alternativa. 35 4 Os princípios contidos nos parágrafos 1 e 2 desta regra deverão assegurar que será preservada a competência, tanto dos oficias de convés quanto dos de máquinas. 2.7- faltas disciplinares de tripulantes passíveis de penalidades 1) Desrespeitar seus superiores hierárquicos, não cumprindo suas ordens, altercando com eles ou respondendo-Ihes em termos impróprios; 2) Recusar-se fazer o serviço determinado por seus superiores; 3) Apresentar-se embriagado para o serviço ou embriagar-se a bordo; 4) Faltar ao serviço nas horas determinadas; 5) Abandonar o posto quando em serviço de quarto, faina, vigilância ou trabalho para o qual tenha sido designado; 6) Sair de bordo sem licença, ou exceder à mesma; 7) Ser negligente na execução do serviço que Ihe compete; 8) Altercar, brigar ou entrar em conflitos; 9) Atentar contra as regras de moralidade, honestidade, disciplina e limpeza a bordo ou do local em que trabalha; e 10) Deixar de cumprir as disposições da Lei e das Normas em vigor. 36 2.8- atribuições dos aquaviários da seção de convés a bordo Segundo a NORMAM -13/2003 SEÇÃO DE CONVÉS DAS ATRIBUIÇÕES DO IMEDIATO Ao Imediato compete: 1) substituir, legalmente, o Comandante em todas as suas faltas e impedimentos. É a segunda autoridade de bordo, podendo, nessa qualidade, intervir em qualquer parte da embarcação no sentido de manter a ordem, disciplina, limpeza e conservação, sem que esta intervenção importe na diminuição da autoridade e responsabilidade de quaisquer outros integrantes da tripulação; 2) ser o encarregado das Seções de Convés e Câmara. É figuraimportante na Administração da embarcação, sua presença se faz sentir quer no porto, quer em viagem, com respeito à manutenção da carga (carga e descarga); 3) manter limpa e conservada a embarcação, com eficiência os aparelhos de manobra, salvatagem, incêndio, poleames e massames; 4) controlar os serviços extraordinários realizados e autorizados pelo Comandante, nas seções sob sua responsabilidade, observando rigorosamente o que determina a respeito as leis e regulamentos em vigor; 5) confeccionar as folhas extraordinárias das seções sob sua responsabilidade e submetê-las à apreciação do Comandante, para o devido visto; 6) conduzir e coordenar o programa de adestramento de bordo; 7) dirigir as fainas de convés, por ocasião de acidentes e exercícios, e auxiliar o Comandante em todas e quaisquer manobras que se fizerem necessárias; 8) verificar pessoal e diariamente, sempre que as condições o permitirem, o estado geral dos porões, ralos e pocetos, principalmente no inicio de carregamento; 9) inspecionar, diariamente, os locais designados para o estivamento das cargas inflamáveis, explosivas ou corrosivas, controlando as temperaturas dos contentores estivados no convés e verificando, constantemente, as pressões e a manutenção adequada e inertização dos compartimentos de carga; 10) preparar o convés, para o recebimento de carga, de maneira que sua estivagem não prejudique o aparelhamento da embarcação nele situado; 37 11) controlar, com a cooperação do Chefe de Máquinas, o serviço de abastecimento e distribuição de combustíveis e água, visando à segurança da embarcação; 12) fiscalizar a escrituração dos livros e documentos da Seção de Convés, executando a parte que lhe competir; 13) dirigir o serviço geral de distribuição das cargas dos porões, conveses, frigoríficas e tanques, levando em consideração o calado da embarcação, sua estabilidade, esforços máximos permissíveis e a estiva e desestiva da carga, fornecendo ao Comandante, com a antecedência necessária, todos os planos de carregamento, de movimentação de carga, de descarga, de lastro e de deslastro; 14) manter, devidamente inventariado, todo o material da seção de convés, podendo descarregar parte de sua responsabilidade pelos seus auxiliares, mediante o endosso da respectiva cautela; 15) dar andamento às sindicâncias que se fizerem necessárias a bordo para esclarecimento de quaisquer ocorrências; 16) inspecionar ou mandar inspecionar, por ocasião de embarque ou desembarque dos tripulantes, suas bagagens, recusando todo aquele que tentar introduzir a bordo armas proibidas, bebidas alcoólicas, substâncias tóxicas (drogas) ou qualquer outro material que possa prejudicar a disciplina da embarcação; 17) inspecionar, diariamente, as Seções de Convés e Câmara; 18) emitir os competentes pedidos de suprimento, reparo e revisões da Seção de Convés; 19) receber de seu antecessor o material sob sua responsabilidade, mediante conferência e inventário; 20) verificar e aprovar todas as alterações, revisões, reparos e quaisquer outros serviços feitos na Seção de Convés; 21) prestar a devida cooperação em tudo quanto se relacionar com o serviço de bordo; 22) em viagem, arejar corretamente os porões e manter a carga líquida ou seca nas condições específicas para seu transporte, usando os recursos existentes a bordo; 23) fiscalizar, auxiliado pelo oficial de divisão de convés, as operações de carga e descarga, lastro e deslastro da embarcação; 24) determinar o preparo dos documentos necessários e exigidos pelas autoridades dos portos de escala; 38 25) receber ou fazer receber, por oficial, as autoridades portuárias que vierem proceder a visita ou a inspeção da embarcação, dando os esclarecimentos necessários, e facilitar e abreviar as formalidades; 26) fazer, quando necessário, em face da composição da lotação, os quartos das 04:00 às 08:00 e das 16:00 às 20:00 horas, salvo determinação contrária do Comandante; 27) ter a seu cargo todos os serviços de carregamento, descarga, lastro e deslastro, bem como a distribuição das cargas líquidas pelos tanques, evitando a contaminação dos produtos carregados e mantendo sempre a embarcação dentro das condições adequadas de esforços, estabilidade e compasso; 28) programar, dirigir e fiscalizar a limpeza, a conservação e a desgaseificação dos tanques, redes e válvulas dos sistemas de carga da embarcação, tomando todas as providências que evitem a poluição do meio ambiente; 29) manter o navio dentro dos padrões corretos de inertização durante os carregamentos, travessias, estadias, descargas e nas fainas de limpeza dos tanques e movimentação de lastros; 30) apresentar, previamente, ao Comandante o plano de carregamento e, concluída a carga, entregar o plano final da distribuição por tanques dos produtos e quantidades embarcadas; 31) proceder a leitura dos calados no costado, na chegada e saída das embarcações, mesmo naquelas de equipamentos de leitura à distância; 32) determinar, antes da saída dos portos, inspeção da embarcação a fim de localizar clandestinos porventura existentes ou o transporte ilegal de mercadorias; 33) não permitir a permanência, na embarcação, de pessoas estranhas ao serviço de bordo; 34) comunicar ao Comandante, antes da saída da embarcação, das ausências porventura existentes de tripulantes das seções a si subordinados; e 35) conduzir a política contra o uso de álcool e drogas adotada a bordo. 39 DAS ATRIBUIÇÕES DOS OFICIAIS DE NÁUTICA, EM GERAL a) Genericamente: 1) integrar o Quarto de Navegação de bordo; 2) substituir o Oficial de Náutica do Quarto de Navegação e o Imediato (se for o mais antigo que a ele se segue) em todos os seus impedimentos legais; 3) auxiliar em todas as manobras da embarcação, no local determinado pelo Comandante; 4) ter sob sua responsabilidade o regimento de sinais e bandeiras, devidamente inventariado, artefatos pirotécnicos, lâmpadas, lanternas e outros sinais de emergência; 5) ter sob sua responsabilidade as embarcações auxiliares e de salvamento e suas palamentas, bem como seus aparelhos de lançamento; 6) receber e fazer entrega de malas postais, fiscalizar a sua estivagem em lugar seguro e providenciar os documentos necessários ao recebimento e entrega; 7) ter sob sua responsabilidade todo o material de controle de avarias e de controle a incêndio, em qualquer parte da embarcação; 8) assessorar o comandante de unidade marítima (navio ou plataforma) nas manobras de aproximação, amarração, ancoragem e desancoragem, acompanhamento de operações de carga e descarga de navios petroleiros em terminais oceânicos. b) Quando Oficial Encarregado de Quarto de Navegação, em viagem: 1) preparar o Passadiço e a casa de Navegação para a viagem; 2) executar a navegação, de acordo com as ordens do Comandante, avisando-o, imediatamente, de qualquer ocorrência que afete a segurança da navegação, assim como qualquer anormalidade que, a qualquer tempo, se verifique; 3) fazer os cálculos de posição da embarcação e azimute; dar corda nos cronômetros; manter atualizada a hora a bordo, registrando os estados absolutos e as marchas dos cronômetros, bem como preparar os boletins meteorológicos; 4) fornecer, ao Comandante, diariamente, a posição da embarcação às 12:00 horas, enviando cópia às seções da embarcação; 5) verificar, constantemente, a posição da embarcação, principalmente com terra à vista; 40 6) determinar, periodicamente, a posição da embarcação, plotando - a em carta náutica e utilizando os equipamentos disponíveis para esse fim; 7) ter sob a sua responsabilidade os instrumentos náuticos em geral, binóculos e todo o equipamento de navegação; 8) fiscalizar, frequentemente, o rumo e o governo da embarcação, tomar conhecimento das ordens do Comandante quando entrarde quarto e comunicar ao substituto as instruções recebidas; 9) observar os registros de todos os instrumentos auxiliares da navegação; 10) auxiliar no passadiço, na proa ou na popa, nas manobras de fundear, suspender, atracar, desatracar, entrada e saída de dique, e outras fainas; 11) escriturar o Diário de Navegação, livros de azimute, diário de cronômetros e outros livros, de acordo com as normas em vigor; efetuar correções oficiais nas publicações usadas na navegação, mantendo atualizadas as cartas náuticas a serem utilizadas; 12) verificar, constantemente, à noite, se as luzes de navegação estão acesas, sobretudo quando houver embarcações à vista; 13) providenciar as sondagens da área, quando determinado; 14) providenciar escada de quebra peito para prático e manobras de bandeira, observando o Cerimonial Marítimo; e 15) auxiliar nas distribuições de cargas, verificações de avarias na carga, protestos, declarações, mapas, pedidos e outros documentos legais; 16) tomar as necessárias providências com relação à segurança da carga de convés, material e equipamentos da embarcação, em caso de mau tempo iminente. 17) preparar os documentos necessários ao despacho da embarcação nas repartições competentes, responsabilizando-se pelo Rol de Equipagem, Cadernetas de Inscrição e Registro (CIR) e demais documentos exigidos, verificando, à saída dos portos, se os documentos foram entregues em ordem pelas Agências; 18) adestrar os praticantes e estagiários de náutica quando embarcados. c) Quando nos portos: 1) manter vigilância adequada e eficaz, para fins de segurança, todo o tempo em que o navio permanecer fundeado ou em bóia de amarração. Se o navio estiver transportando carga perigosa, o serviço de vigilância deverá levar em conta a natureza, 41 quantidade, embalagem e estivagem dessa carga e de quaisquer condições especiais predominantes a bordo; 2) agir, criteriosamente, com a urgência que se tornar necessária, em relação a todas as providências a serem tomadas, em caso de ocorrências anormais; 3) manter a ordem e a disciplina a bordo, fiscalizando e tornando efetiva a vigilância geral da embarcação; 4) cumprir o Cerimonial Marítimo; 5) informar o Comandante ou o Imediato, logo que cheguem a bordo, de tudo quanto tiver ocorrido de anormal na sua ausência; 6) não deixar a embarcação, quando em regime de quarto, sem ter transmitido o serviço e ordens ao seu substituto ou àquele que o Comandante determinar; e 7) executar os serviços de quarto ou divisão e manobras de acordo com a determinação do Comandante. ATRIBUIÇÕES DO OFICIAL DE NÁUTICA PARA O SERVIÇO DE RADIOCOMUNICAÇÕES a) Genericamente: 1) cumprir e fazer cumprir rigorosamente as normas constantes das Convenções Internacionais e dos regulamentos e instruções baixadas por autoridades brasileiras, sobre o Serviço de Radiocomunicações; 2) fornecer diariamente, ao Comandante, as previsões de tempo, Aviso aos Navegantes, comunicações de outras embarcações referentes a acidentes de navegação, sinais horários ou qualquer outra comunicação que possa interessar ao Comando da embarcação; 3) fazer a devida comunicação ao Imediato, de qualquer defeito que impossibilite o funcionamento dos equipamentos da Estação Radiotelegráfica da embarcação; 4) submeter, previamente, ao Comandante todo serviço de expedição e recepção da rádio, exceto o de natureza particular; 5) fazer entrega, sob recibo, ao Comandante das receitas arrecadadas com o serviço de expedição de rádios; 6) conservar em ordem e asseio o camarim da Estação Radiotelegráfica, zelando pela conservação e eficiência dos seus equipamentos sobressalentes, 42 ferramentas, aparelhos de medição, publicações, manuais, formulários e material burocrático utilizados na execução dos serviços: 7) manter devidamente inventariado todo o material fixo e de consumo da Estação Radiotelegráfica por cuja guarda é responsável, inclusive livros de registros; 8) impedir a entrada de pessoas não autorizadas na cabine dos aparelhos de radiocomunicações; 9) assistir às inspeções e vistorias que forem feitas nos aparelhos da Estação Radiotelegráfica, prestando as informações que lhe forem solicitadas; 10) manter o Diário de Serviço Radioelétrico devidamente escriturado e assinado no inicio e encerramento dos quartos de serviços, sem borrões, rasuras ou emendas, com o registro de todas as ocorrências verificadas no decurso de cada quarto, submetendo-o diariamente, ao visto do Comandante; 11) organizar os mapas demonstrativos referentes ao tráfego de radiocomunicações de cada viagem, com os respectivos comprovantes; 12) fazer pedidos de suprimento do material necessário ao serviço da estação de bordo entregando-o ao Imediato, para os devidos fins; 13) manter arquivadas em pastas especiais, as mensagens, radiotelegramas, comprovantes das conferências radiotelefônicas, Boletins Meteorológicos, Aviso aos 'Navegantes, Boletins de Observação Meteorológica (OSB), Boletins de Posição da embarcação e outras informações de interesse da embarcação; 14) testar diária e semanalmente os aparelhos de reserva e salvatagem, bem como o estado da carga e conservação das baterias, organizando as respectivas tabelas de carga e descarga para as mesmas; 15) escoar o tráfego radiotelefônico e radiotelegráfico, oficial e particular, dando seguimento às conferências radiotelefônicas, originárias ou destinadas a embarcações, transmitindo e recebendo radiotelegramas e operando o Telex; 16) receber os Boletins Meteorológicos (NX), em viagem e nos portos, especialmente nos dias que antecedem a saída da embarcação; 17) transmitir os Boletins de Observações Meteorológicas (OBS) de bordo, aos vários centros de coleta da região onde navegar; 18) transmitir mensagens ou recebê-las, conforme o caso, de organizações nacionais ou internacionais de proteção à navegação; 43 19) fazer a manutenção preventiva e corretiva dos equipamentos de radiocomunicações e radionavegação e seus acessórios, tais como antenas, baterias, conversores, etc, na escala exigida pela Carta de Habilitação de que seja possuidor; 20) orientar e fiscalizar a execução dos reparos dos aparelhos mencionados no item anterior, quando executados por oficinas terrestres, nos casos especiais; 21) fazer marcações radiogoniométricas nos casos de socorro e/ou quando o Comandante julgar necessário; 22) adestrar os Oficiais de Náutica de bordo no uso e manutenção do transceptor de baleeira ou assemelhado, transmissor de reserva e manipulador automático, para eventual utilização em emergências; 23) manter atualizadas as publicações de radiocomunicações, fazendo as respectivas correções, conforme os suplementos expedidos para esse fim; 24) manter o completo sigilo das radiocomunicações como preceituam os regulamentos; 25) efetuar a operação, manutenção e pequenos reparos da aparelhagem da Estação Radiotelegráfica da embarcação, tais como: conversores, baterias, receptores e transmissores radiotelegráficos e radiotelefônicos, bem como dos radiogoniômetros, consoante os níveis de conhecimentos técnicos exigidos pelas Convenções Internacionais de Telecomunicações e demais dispositivos jurídicos internacionais, ratificados pelo Brasil; e 26) manter um serviço de radiocomunicações contínuo nas frequências apropriadas, durante seus períodos de serviço. b) Nos Navios com GMDSS: Nos navios equipados com equipamentos do Sistema Marítimo Global de Socorro e Segurança (GMDSS), os Oficiais de Náutica com certificado de Radioperador Geral (EROG), previstos no Cartão de Tripulação de Segurança (CTS) cumprirão, conforme determinação do Comandante, as tarefas do serviço de Radiocomunicações. 44 DAS ATRIBUIÇÕES DO CONTRAMESTRE O Contramestre é o encarregado da guarnição de convés da embarcação ecomo tal, responsável perante o Imediato pela disciplina, limpeza e eficiência no serviço de seus subordinados. Ao Contramestre, compete: 1) as manobras da embarcação à proa, sob a ordem do oficial que as dirigir, e pela utilização do molinete nas operações que se fizerem necessárias, nas entradas e saídas dos portos, além da limpeza e conservação do mesmo; 2) cumprir serviço de quarto no passadiço, quando em viagem, e de divisões nas estadias, nos casos de imperiosa necessidade de substituição e por determinação do Comandante; 3) prumar, sempre que necessário, de acordo com as ordens do Comandante ou de Oficial que o substitua; 4) efetuar a distribuição da guarnição de convés, providenciando substituições, quando necessário, para os serviços de conservação, limpeza, pintura e demais trabalhos inerentes às respectivas funções, de acordo com as determinações do Imediato; 5) fazer cumprir todos os detalhes de serviço, sobretudo os que se relacionem com limpeza, arrumação e higiene dos alojamentos e paióis de convés, sanitários e banheiros dos marinheiros e moços; 6) controlar o licenciamento dos tripulantes da seção de convés, de acordo com as instruções do Imediato ou do Oficial que o substitua e comunicar ao Imediato ou ao Oficial de serviço, qualquer ocorrência verificada; 7) comunicar ao Imediato os reparos, substituições e suprimentos que se fizerem necessários, nos setores da embarcação de sua responsabilidade; 8) manter sob sua guarda e responsabilidade todo o material que lhe for entregue; 9) entregar ao Imediato a relação de saída de todo o material de convés de consumo diário, esclarecendo qual a sua aplicação, e fiscalizar a sua distribuição e arrecadação; 45 10) preparar todos os aparelhos de carga, com a devida antecedência, a fim de iniciar as operações ao atracar; na saída, preparar os mesmos aparelhos para a viagem; 11) auxiliar o Imediato nas verificações de estado das dalas, ralos e pocetos, bem como na abertura e fechamento dos porões; 12) auxiliar o Oficial de Náutica na conservação e manutenção do equipamento de salvatagem e combate a incêndio, existente na embarcação; 13) auxiliar o Imediato na faina de arrumação da carga no convés e na peação, proteção e reparo dos volumes de carga avariada, quando necessário, exceto aqueles que pela sua natureza, competirem à estiva: recolher aos locais determinados todo o material de peação por ocasião de descarga; 14) fechar as vigias que fiquem próximas à linha d'água e os rebordos de carga; zelar pelo vedamento de portas estanques, procedendo ao escoramento, tamponamento, percintagem e preparo de caixões de concretos; rebater as cunhas nas escotilhas e apertar as guardas dos porões; 15) encarregar-se da conservação das marcas de seguros e calados, abrir letras nos quadros ou em todos os lugares necessários, solicitando auxílio ao Imediato, sempre que preciso; 16) verificar o calado, terminadas as operações de estiva e antes da saída de cada porto, registrando seus valores nos quadros competentes e notificando ao Imediato; 17) manter a limpeza, arrumação e condições de higiene dos conveses, paióis, corredores, camarotes, alojamentos, banheiros e sanitários da seção de convés; 18) dirigir as tarefas de limpeza, lavagem e remoções de resíduos dos porões e tanques, bem como as tarefas de baldeação de conveses, anteparas, superestruturas gigantes, mastros etc.; 19) auxiliar o Imediato nas fainas de convés por ocasião de acidentes; 20) observar o tratamento dos guinchos, cabrestantes, amarras, âncoras, paus de carga, rodetes, tamancas, aparelhos de laborar, embornais, portas estanques, portas de madeira, corrimãos, escadas, vigias, dobradiças, balaústres, fechaduras, atracadores e maçanetas, zelando para que estejam, sempre, em bom estado de conservação para pronto uso; 21) dirigir os serviços de recebimento a bordo do material de rancho, de materiais diversos e demais peças da embarcação; e 46 22) entregar ao Imediato, no fim de cada viagem, a relação do material a ser recolhido ao local indicado pelo Armador. DAS ATRIBUIÇÕES DOS INTEGRANTES DO SERVIÇO GERAL DE CONVÉS a) Aos integrantes do Serviço Geral de Convés, compete: 1) atender às manobras da embarcação, ocupando os postos para os quais tenha sido escalado; 2) ajudar na execução das manobras de fundeio, suspender, atracar, desatracar, entrada e saída de diques e quaisquer outras fainas. 3) receber, no convés da embarcação, e transportar para os paióis respectivos o material de custeio pertencente à seção de convés; 4) operar os aparelhos de manobra e peso, nas fainas da embarcação (acionar guinchos, suspender e arriar paus de carga, guindastes, preparar cábreas, acunhar e desacunhar escotilhas, colocar dalas, rateiras, defensas e balões no costado, luz de bulbo, cabo de segurança de proa e popa) ou onde se fizer necessário; 5) executar os serviços necessários à conservação, ao tratamento, à limpeza e à pintura da embarcação, dos paióis (paiol da amarra, conveses, costado, escotilhas, amuradas, escadas, varandas, passarelas, superestruturas, mastros, guindastes, cábreas, gigantes, turcos, tetos, anteparas, balsas, berços, baleeiras, extratores de ar, ventiladores de gola) e dos demais compartimentos de sua responsabilidade; 6) executar todas as tarefas determinadas pelo Contramestre da embarcação, tais como limpeza, tratamento, pintura, lubrificação e quaisquer outras rotinas de manutenção do material de convés. 7) baldear e adoçar a embarcação; 8) executar os serviços necessários à conservação e pintura das embarcações auxiliares, mangueiras de incêndio, bombas, bóias, salva-vidas, balsas, bancos e todo material volante; 9) executar os serviços necessários à conservação dos estais, brandais, ovéns e amantes, pelos consertos em estropos e fundas, costura em lona e demais cabos de bordo; 10) auxiliar o Contramestre em todas as fainas do convés, inclusive nas sondagens; 11) executar os serviços necessários a conservação dos próprios camarotes; 47 12) auxiliar o Contramestre em todas as fainas do convés, efetuando pessoalmente a distribuição e o recolhimento do material necessário à faina diária, quando nas funções de Faroleiro; e 13) colocar na proa e popa, junto às tomadas de carga e combustível, e nos locais de embarque de cargas perigosas, o material móvel de combate a incêndio, quando determinado pelo Oficial responsável. DAS ATRIBUIÇÕES DO TIMONEIRO, VIGIA E VIGIA DE PORTALÓ a) Ao Subalterno integrante do Quarto de Navegação – Timoneiro e Vigia, compete: 1) fazer o serviço de leme procurando manter a embarcação no rumo indicado, fazendo, normalmente, quarto de quatro (4) horas, com revezamento de hora em hora no serviço de vigia, notificando imediatamente ao Oficial de quarto, qualquer ocorrência que se verifique na agulha ou no governo da embarcação; 2) colocar ou retirar a escada para embarque ou desembarque do prático, içar e arriar as bandeiras e sinais designados pelo Oficial de quarto, lançar e colher o odômetro e informar a sua leitura; 3) atender, em caso de mau tempo iminente, às manobras dos ventiladores do convés e efetuar o fechamento das portas e vigias; 4) estar atento às ordens de manobras recebidas do Comandante ou do Prático da embarcação e avisar, com antecedência necessária, aos Oficiais e Tripulantes que vão entrar em serviço; 5) preparar, içar e arriar as bandeiras e sinais regulamentares, em todas as ocasiões que se fizerem necessárias e acionar buzinas ou tocar sino, em caso de cerração; 6) fazer o serviço de vigia no passadiço, em quarto de quatro (4) horas, com revezamento de hora em hora com o Timoneiro; 7) observar, com atenção, ao movimento da embarcação, bem como pontos de terra, derelitos ou qualquer outra incidência, comunicandoao Oficial de quarto; 8) executar a limpeza diária do convés do passadiço, casa do leme, camarim de cartas, vidro das vigias fixas e rotativas e outros compartimentos nesse convés. 48 b) Ao subalterno integrante do Serviço Geral de Convés – Vigia de Portaló, compete: 1) permanecer em seu posto e só se afastar em cumprimento de obrigação inerente ao seu cargo, solicitando, sempre que possível, substituto; 2) apresentar-se sempre uniformizado e barbeado; manter-se em atitude respeitosa, tratando a todos que lhe pedirem informações com a máxima urbanidade e respeito; 3) impedir a entrada de pessoas estranhas a bordo, conforme as ordens que receber, dando ciência ao Oficial de serviço de qualquer anormalidade nesse sentido; 4) zelar pelas escadas de portaló e pranchas de desembarque, arriar, içar as escadas e pranchas de portaló, preparando as balaustradas e armando as redes de proteção; 5) comunicar aos seus superiores qualquer ocorrência que observar ou que tiver conhecimento, relativa à segurança da embarcação,; 6) anunciar as horas pelo sino, despertar a guarnição de convés e transmitir-lhe as instruções recebidas; 7) ter sob sua responsabilidade a guarda das chaves dos paióis de convés que lhe forem entregues; 8) inspecionar, periodicamente, quando a embarcação estiver atracada ou fundeada, a situação das amarras, cabos de amarração, rateiras, embarcações que porventura estejam a contrabordo, defensas, sinais e luzes regulamentares; 9) içar e arriar, no horário regulamentar, a Bandeira Nacional e os sinais de praxe; 10) observar e corrigir a posição dos ventiladores dos porões em ocasiões de chuvas e aguaceiros; 11) acender e apagar as luzes da embarcação; 12) fiscalizar as entradas e as saídas de volumes; 13) manter o quadro de saída da embarcação do porto devidamente escrito, assinalando data e hora da partida.O serviço de Vigia de Portaló será executado por Quarto ou Divisão, observando a legislação em vigor. 49 DAS ATRIBUIÇÕES DO FIEL DE PORÃO Ao Subalterno integrante do Serviço Geral de Convés - Fiel do Porão, compete: 1) fiscalizar a correta preparação dos pisos, anteparas, pés de carneiro, terminais de ventilação, tubos de detetor de fumaça, sistema de combate a incêndio, ralos dos pocetos, cobrindo-os com serrapilheiras, e dos porões e cobertas, antes do embarque das cargas; 2) preparar, no início ou término das operações de carga e descarga e, quando necessário, a cobertura e fechamento dos porões e cobertas; 3) fiscalizar para que as praças previamente designadas pelo Imediato ou seu substituto sejam ocupadas corretamente; 4) fiscalizar para que não se fume nos porões ou cobertas; quando tiver necessidade de ausentar-se, temporariamente, pedir substituto; 5) providenciar para que os volumes de cargas avariados sejam reparados, assim como no caso de existirem volumes com indício de violação comunicar tal fato a seus superiores, para as devidas providências; 6) opor-se a que sejam violados, danificados ou desviados os volumes de carga e, sempre que observar tal ocorrência ou da mesma for avisado, comunicar imediatamente aos seus superiores; 7) acompanhar o horário de refeições da estiva; 8) responder pela varredura dos porões, tendo em vista que a carga é da responsabilidade do armador; providenciar a iluminação dos porões, quando for necessário; 10) auxiliar na limpeza e inspeção dos porões, de acordo com as instruções do Mestre, tendo especial atenção aos pocetos e ralos, bocas de ventilação e sistema CO 2 ; e 11) providenciar, antes do início dos carregamentos, o material que se fizer necessário à operação. Os fiéis cumprirão horário de serviço de acordo com as operações de carga e descarga, observando-se a legislação em vigor. 50 2.9- requisitos obrigatórios para certificação de aquaviários subalternos membros do quarto de serviço, conforme regra I/4 e seção A-I/4 do STCW- 78/95 Regra I/4 Procedimentos de Controle 1 O controle exercido por um funcionário autorizado encarregado do controle, em conformidade com o artigo X, será limitado aos seguintes aspectos: 1.1 a verificação, de acordo com o artigo X(1), de que todos os marítimos servindo a bordo, para os quais a Convenção exige a expedição de certificado, possuem de fato um certificado apropriado ou uma licença válida, ou que mostrem um documento que comprove que submeteram à Administração uma solicitação de endosso, de acordo com o parágrafo 5 da regra I/10; 1.2 a verificação de que os números e certificados dos marítimos servindo a bordo estão de acordo com as exigências da Administração aplicáveis à tripulação de segurança; e 1.3 a avaliação, de acordo com a seção A-1/4 do Código STCW, quanto à habilidade dos marítimos do navio em manter os padrões de serviço de quarto, de acordo com as exigências da Convenção, se existirem claros indícios para se acreditar que esses padrões não estão sendo mantidos em razão da ocorrência de algum dos seguintes fatos: 1.3.1 o navio se envolveu em um abalroamento, encalhe ou varação; ou 1.3.2 ocorreu um derramamento de substâncias do navio quando em viagem, fundeado ou atracado, o que é ilegal de acordo com qualquer convenção internacional; ou 1.3.3 o navio manobrou de modo irregular ou inseguro, não cumprindo as medidas sobre rotas adotadas pela Organização, ou não seguiu as práticas e procedimentos de uma navegação segura; ou 1.3.4 o navio está, sob outros aspectos, sendo operado de modo a constituir um perigo para as pessoas, propriedades ou para o meio ambiente. 2 As deficiências que podem ser consideradas como um perigo para as pessoas, propriedades ou para o meio ambiente incluem as seguintes: 51 2.1 os marítimos não portarem um certificado ou não terem um certificado apropriado ou uma licença válida, ou ainda um documento que comprove que submeteram à Administração um pedido para endosso, de acordo com o parágrafo 5 da regra I/10; 2.2 o não-cumprimento de exigências da Administração aplicáveis à tripulação de segurança; 2.3 organização do serviço de quarto de navegação ou de máquinas que não atenda às exigências da Administração previstas para o navio; 2.4 a ausência, num quarto de serviço, de uma pessoa qualificada para operar equipamentos essenciais à segurança da navegação, segurança das radiocomunicações ou à prevenção da poluição do meio ambiente marinho; e 2.5 a incapacidade de guarnecer o primeiro quarto de serviço no começo de uma viagem e os subsequentes quartos de folga, com pessoas suficientemente descansadas e, dessa forma, aptas para o serviço. 3 Deixar de corrigir qualquer das deficiências referidas no parágrafo 2, na medida em que isto for detectado pela Parte encarregada da vistoria e que assim constituem um perigo para pessoas, propriedades ou o meio, será a única razão para que uma Parte possa determinar a retenção de um navio com base no artigo X 2.10- princípios a serem observados na organização dos quartos de serviço com o intuito de prevenir fadiga, conforme as regras VIII-1 e VIII-2 do STCW- 78/95 Regra VIII/1 Aptidão para o serviço Toda Administração deve, com intuito de prevenir a fadiga: 1 estabelecer e fazer com que sejam cumpridos períodos de descanso para o pessoal que faz o serviço de quarto; e 2 exigir que o sistema de serviços de quarto seja organizado de modo que a eficiência do pessoal que faz o serviço não seja prejudicada pela fadiga e que os quartos sejam organizados de tal modo que o primeiro quarto, no início da viagem, e os 52 subsequentes quartos de folga sejam suficientes para o descanso, de modo deixar o pessoal apto para o serviço. Regra VIII/2 Organização dos quartos e princípios a serem observados 1 As Administrações deverão exigir das empresas de navegação, comandantes, oficiais chefes de máquinase de todo o pessoal que faz o serviço de quarto, atenção para os requisitos, princípios e diretrizes estabelecidas no Código STCW, que deverão ser observados para assegurar que a vigilância contínua da segurança ou as vigilâncias adequadas às circunstâncias e condições predominantes, serão sempre mantidas em todos os navios que operam na navegação marítima. 2 As Administrações devem exigir que os comandantes dos navios assegurem que a organização dos serviços de quarto seja adequada para manter o serviço de vigilância de segurança ou serviços de vigilância em função das circunstâncias e condições predominante e que, sob a orientação geral do comandante: 2.1 os oficiais encarregados de serviço de quarto de navegação sejam responsáveis pela segurança da navegação durante seus períodos de serviço, quando deverão estar, o tempo todo, fisicamente presentes no passadiço ou em locais diretamente ligados ao passadiço, tais como o camarim de cartas ou a estação de controle do passadiço; 2.2 os operadores de radiocomunicações sejam responsáveis por manter um serviço de radiocomunicações contínuo nas frequências apropriadas, durante seus períodos de serviço; 2.3 os oficiais encarregados de serviço de quarto nas máquinas, como define o Código STCW, devem, sob a orientação do chefe de máquinas, estar disponíveis para atender imediatamente aos compartimentos de máquinas, sem qualquer aviso prévio e, quando necessário, devam estar fisicamente presentes nos compartimentos de máquinas durante o período em que for o responsável; e 2.4 sejam mantidos serviços de vigilância adequados e eficazes para fins de segurança todo o tempo em que o navio permanecer fundeado ou em bóia de amarração e, se o navio estiver transportando carga perigosa, a organização de tal quarto ou quartos de vigilância deverá levar em conta a natureza, quantidade, 53 embalagem e estivagem da carga perigosa e de quaisquer condições especiais predominantes a bordo, flutuando nas proximidades ou existentes em terra. 2.11- responsabilidade da empresa de navegação, conforme a regra I/14 e seção A-I/14 as STCW-78/95 Regra I/14 Responsabilidade das empresas de navegação 1 Toda Administração deve, em obediência às disposições da seção A-I/14, obrigar as empresas de navegação responsáveis pela contratação de marítimos para os serviços em seus navios a cumprirem as disposições da presente Convenção e exigir que todas as empresas de navegação se assegurem de que: 1.1 todo marítimo contratado para qualquer de seus navios porte um certificado apropriado de acordo com as regras da Convenção e como estabelecido pela Administração; 1.2 seus navios sejam tripulados em conformidade com os requisitos da Administração, aplicáveis a uma operação segura; 1.3 a documentação e os dados relevantes para todos os marítimos empregados em seus navios são mantidos e prontamente acessíveis, incluem, sem estar a isso limitado, a documentação e dados sobre sua experiência, treinamento, saúde e competência nas tarefas a eles atribuídas; 1.4 os marítimos, ao serem designados para qualquer de seus navios, estão familiarizados com seus serviços específicos e com toda a configuração do navio, instalações, equipamentos, procedimentos e características do navio que sejam importantes para suas rotinas ou serviços de emergência; 1.5 a tripulação do navio pode efetivamente coordenar suas atividades em uma situação de emergência, e na execução de funções vitais para a segurança e para a prevenção ou redução dos efeitos da poluição. 54 2.12- normas das obrigações de trabalho e de regime de previdência social dos aquaviários. Conforme exposto, as condições de trabalho especiais dos marítimos, fluviários e pescadores estão referidas na CLT (art. 248 a 252), nas convenções internacionais da OIT ratificadas e mesmo as não ratificadas que constem como anexo da Convenção nº 147 da OIT (neste caso a legislação nacional deve assegurar condições equivalentes) e, principalmente, as convenções e acordos coletivos de trabalho. No que tange às convenções internacionais, delas falaremos mais adiante quando tratarmos da inspeção em embarcações estrangeiras. Embora dedique uma seção especial ao trabalho dos marítimos, fluviários e pescadores, a CLT pouco ou nada adianta para o estabelecimento de condições de trabalho, já que o art. 248 foi superado pela STCW, estando nela contemplado, enquanto que os demais artigos (249 a 252) tratam da apuração das horas- extraordinárias, mais confundindo que elucidando, abrindo variadas exceções tanto ao cômputo de horas extras, como em relação ao trabalho em domingos e feriados; o que levou ao seu abandono e regulamentação autônoma em negociação coletiva. Praticamente todas as convenções e acordos coletivos estabelecem o pagamento de um número fixo mensal de horas-extraordinárias, estando em desuso o livro estabelecido no art. 252. Como dissemos, as condições são realmente traçadas nos acordos e convenções coletivas de trabalho. Desta forma, resumimos as condições mais frequentes. Como forma de orientar o AFT em sua inspeção. Mais comumente encontramos essas condições especiais de trabalho fixadas nos Acordos feitos com as grandes empresas, cada um com alguns detalhes ou nomenclaturas diferentes das parcelas remuneratórias, mas em relação aos tripulantes costumam existir características comuns a todos, ou seja: 1) Parcelas integrantes da remuneração normal e mensal: • Soldada básica; • Adicional de Periculosidade ou de Insalubridade; • Horas extras (estas são fixadas nos Acordos, em quantidade que varia de 60HE fixas mensais mais todos os adicionais, a 150HE fixas mensais, com acréscimo variando de 50% a 100%); 55 • Adicional Noturno (número mensal de horas e HE com AN fixado em Acordos); • Etapa (“in natura” quando embarcado e, em espécie, quando desembarcado); Além dessas, incluem-se todas as variáveis em função de Gratificação ou Acúmulo de Função, Vantagens Pessoais, etc. 2) Desembarque remunerado (para gozo de férias ou folgas remuneradas) são proporcionais ao tempo embarcado e definidas nos acordos; exemplos: • 1 dia desembarcado para cada 3 dias embarcados, na navegação marítima; • 1 dia desembarcado para cada 1 dia embarcado em navios Cisterna, Processo, Solda, Offshore ou Plataformas; • 1 dia desembarcado para cada dia embarcado em navios fora de tráfego, navegação fluvial e navios em alienação; • 1,5 dia desembarcado para cada dia embarcado em E&P (exploração e produção de petróleo) em Plataformas, FSO, FPSO e Offshore. Observamos que os dias de desembarque são somados, e o tripulante fica embarcado todo o tempo que consta no contrato, tendo tempo máximo de embarque fixado nos Acordos, como nos exemplos abaixo, e só gozará essas folgas quando autorizado a desembarcar: • tempo máximo de embarque de 7 meses para longo curso ou cabotagem; • tempo máximo de embarque de 14 a 28 dias para marítimo embarcado em Offshore, Processo, Sonda, Cisterna, Especiais e Plataforma; • desembarque a partir do 10º dia de embarque para embarcações fora de tráfego, navegação fluvial, etc. Existem nos Acordos outras disposições sobre desembarque, como o pagamento de passagem aérea no caso de morte de parente de 1º grau, previsões para compensações financeiras no caso de ultrapassar o tempo máximo de embarcado, Sistema de Compensação de Folgas, etc. Embarque: comunicado formalmente, definindo local e hora, para o endereço constante no cadastro do empregado. Viagem com cônjuge ou companheira: a maioria dos Acordos, principalmente em relação a longo curso, permite a todos os marítimos embarcados viajarem acompanhados de esposas ou companheiras, sem ônus para o trabalhador, desde que haja acomodação a bordo, a critério do Comandante. 56 Teste de autoavaliação da unidade 2 1ª – Cite as anotaçõesobrigatórias que devem ser realizadas na CIR. ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ________________________________________________________________ 2ª – Quais as formas nas quais ocorre o cancelamento da condição de aquaviário? ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ________________________________________________________________ 3ª – Defina o termo Tripulação de Segurança. ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ _________________________________________________________________ 57 4ª – Defina o Rol de Equipagem ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ________________________________________________________________ 5ª– Cite quatro faltas disciplinares de tripulantes passíveis de penalidades. ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ _________________________________________________________________ 58 3. LEGISLAÇÃO AMBIENTAL Nesta unidade, você vai: � Saber a classificação da IMO para cargas perigosas. � Conhecer as medidas gerais de segurança no manuseio de cargas perigosas. � Identificar os Sistemas de prevenção, controle e combate à poluição obrigatórios nas instalações portuária. � Conhecer os procedimentos a serem cumpridos por embarcações que transportam óleo, substâncias nocivas e/ou perigosas. � Conhecer os procedimentos a serem cumpridos, em casos excepcionais previstos em lei, para descarga de óleo, misturas oleosas, substâncias nocivas ou perigosas de qualquer categoria, e lixo em águas sob jurisdição nacional. � Saber a responsabilidade da Autoridade Marítima e dos órgãos do meio ambiente no cumprimento da legislação de prevenção, controle e fiscalização da poluição do meio. 3.1- Classificação da IMO para cargas perigosas As mercadorias perigosas se classificam, de acordo com suas características, em classes, como se segue: a) CLASSE 1 - Explosivos São as mercadorias mais perigosas que podem ser transportadas, razão pela qual as precauções que figuram para esta classe são particularmente estritas. A classe 1 se caracteriza pelo fato de que o tipo de embalagem/invólucro é, em muitos dos casos, um fator determinante do risco e, portanto, da determinação da divisão em que a substância se enquadra. Essa classe tem cinco subdivisões, que correspondem aos distintos riscos que apresentam, a saber: Divisão 1.1 - Substâncias ou produtos que apresentam um risco de explosão maciça. 59 Divisão 1.2 - Substâncias ou produtos que apresentam um risco de projeção, mas não um risco de explosão maciça. Divisão 1.3 - Substâncias e produtos que apresentam um risco de incêndio e um risco de que se produzam pequenos efeitos de onda de choque ou projeção, ou ambos os efeitos, mas que não apresentam um risco de explosão maciça. Divisão 1.4 - Substâncias e produtos que não apresentam nenhum risco considerável. Divisão 1.5 - Substâncias muito insensíveis e que apresentam um risco de explosão maciça. As substâncias desta divisão apresentam um risco de explosão maciça mas são tão insensíveis que, nas condições normais de transporte, apresentam pouca probabilidade em iniciar uma combustão ou que de sua combustão venha a dar origem a uma detonação. Nota: É mais provável que a combustão dê início a uma detonação, quando se transporta no navio grandes quantidades dessas substâncias. Nesses casos, considera-se a substância como pertencente à Divisão 1.1 no que diz respeito à estiva. Divisão 1.6 - Substâncias extremamente insensíveis que não apresentam um risco de explosão maciça. b) CLASSE 2 - Gases: comprimidos, liquefeitos ou dissolvidos sob pressão: Classe 2.1 - Gases inflamáveis; Classe 2.2 - Gases não inflamáveis e gases não tóxicos; e Classe 2.3 - Gases tóxicos. c) CLASSE 3 - Líquidos Inflamáveis São líquidos, misturas de líquidos ou líquidos contendo sólidos em solução ou suspensão (ex: tintas e vernizes) que desprendem vapores inflamáveis em temperaturas inferiores a 60ºC em prova de cadinho fechado ou 65ºC em prova de cadinho aberto: Classe 3.1 - Líquidos com ponto de fulgor baixo: inferior a -18ºC; Classe 3.2 - Líquidos com ponto de fulgor médio: entre -18ºC e 23ºC; e Classe 3.3 - Líquidos com ponto de fulgor elevado: entre 23ºC e 61ºC. 60 d) CLASSE 4 - Sólidos Inflamáveis Classe 4.1 - Sólidos inflamáveis (facilmente combustíveis); Classe 4.2 - Substâncias sujeitas a combustão espontânea; e Classe 4.3 - Substâncias que, em contato com água, emitem gases inflamáveis. e) CLASSE 5 - Substâncias Oxidantes e Peróxidos Orgânicos Classe 5.1 - Substâncias oxidantes - substâncias que, sozinhas, não sendo necessariamente combustíveis podem, em contato com o oxigênio, causar ou contribuir para a combustão de outros materiais; e Classe 5.2 - Peróxidos Orgânicos - são substâncias termicamente instáveis que podem produzir autodecomposição exotérmica. f) CLASSE 6 - Substâncias Tóxicas ou Infectantes Classe 6.1 - Substâncias tóxicas - são capazes de causar a morte, sérios ferimentos ou danos à saúde humana quando inaladas, ingeridas ou colocadas em contato com a pele; e Classe 6.2 - Substâncias infectantes - são as substâncias contendo microorganismos vivos ou suas toxinas que causam ou são suspeitas de causar doenças em animais ou no homem. g) CLASSE 7 - Substâncias Radioativas São substâncias que emitem radiação. Seu transporte deverá estar de acordo com as normas da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN). h) CLASSE 8 - Substâncias Corrosivas São as substâncias que, por ação química, causam danos quando em contato com tecido vivo ou, quando derramadas, causam danos ao navio ou a outras cargas. i) CLASSE 9 - Substâncias e Materiais Perigosos Diversos São as substâncias e materiais perigosos que não se enquadram nas demais classes. Incluem-se também os produtos classificados como "poluentes do mar", que representam risco à vida no meio aquático, caso ocorra derramamento. 61 3.2- medidas gerais de segurança no manuseio de cargas perigosas Nas operações com cargas perigosas devem ser obedecidas as seguintes medidas gerais de segurança: a) somente devem ser manipuladas, armazenadas e estivadas as substâncias perigosas que estiverem embaladas, sinalizadas e rotuladas de acordo com o código marítimo internacional de cargas perigosas(IMDG); b) as cargas relacionadas abaixo devem permanecer o tempo mínimo necessário próximas às áreas de operação de carga e descarga: I - explosivos em geral; II - gases inflamáveis (classe 2.1) e venenosos (classe 2.3); III - radioativos; IV - chumbo tetraetila; V - poliestireno expansível; VI - perclorato de amônia, e VII - mercadorias perigosas acondicionadas em contêineres refrigerados. c) as cargas perigosas devem ser submetidas a cuidados especiais, sendo observadas, dentre outras, as providências para adoção das medidas constantes das fichas de emergências. d) é vedado lançar na água, direta ou indiretamente, poluentes resultantes dos serviços de limpeza e trato de vazamento de carga perigosa. 3.3- sistemas de prevenção, controle e combate à poluição obrigatórios nas instalações portuárias Art. 5°°°°. Todo porto organizado, instalação portuária e plataforma, bem como suas instalações de apoio, disporá obrigatoriamente de instalações ou meios adequados para o recebimento e tratamento dos diversos tipos de resíduos e para o combate da poluição, observadas as normas e critérios estabelecidos pelo orgão ambiental competente. 62 § 1º. A definição das características das instalações e meios destinados ao recebimento e tratamento de resíduos e ao combate da poluição será feita mediante estudo técnico, que deverá estabelecer, no minimo: I – as dimensões das instalações; II – a localização apropriada das instalações; III – A capacidade das instalações de recebimento e tratamento dos diversos tipos de resíduos, padrões de qualidade e locais de descarga de seus efluentes; IV – os parâmetros e a metodologia de controle operacional; V - A quantidade e o tipo de equipamentos, materiais e meios de transporte destinados a atender situações emergenciais de poluição; VI – a quantidade e a qualificação do pessoal a ser empregado; VII – o cronograma de implantação e o início de operação das instalações. § 2°°°°. O estudo técnico a que se refere o parágrafo anterior deverá levar em conta o porte, o tipo de carga manuseada ou movimentada e outras características do porto organizado, instalação portuária ou plataforma e suas instalações de apoio. § 3°°°°. As instalações ou meios destinados ao recebimento e tratamento de resíduos e ao combate da poluição poderão ser exigidos das instalações portuárias especializadas em outras cargas que não óleo e substâncias nocivas ou perigosas, bem como dos estaleiros, marinas, clubes náuticos e similares, a critério do orgão ambiental competente. Art. 6°°°°. As entidades exploradoras de portos organizados e instalações portuárias e os proprietários ou operadores de plataforma deverão elaborar manual de procedimento interno para o gerenciamento dos riscos de poluição, bem como para gestão dos diversos resíduos gerados ou provenientes das atividades de movimentação e armazenamento de óleo e substâncias nocivas ou perigosas, o qual deverá ser aprovado pelo orgão ambiental competente, em comformidade com a legislação, normas e diretrizes técnicas vigentes. Art. 7°°°°. Os portos organizados, instalações portuárias e plataformas, bem como suas instalações de apoio, deverão dispor de planos de emergência individuais para o combate à poluição por óleo ou substâncias nocivas ou perigosas, os quais serão submetidos a aprovação do orgão ambiental competente. 63 §1°°°°. No caso de áreas onde se concentrem portos organizados, instalações portuárias ou plataformas, os planos de emergência individuais serão consolidados na forma de um único plano de emergência para toda a área sujeita ao risco de poluição, o qual deverá estabelecer os mecanismos de ação conjunta a serem implementados, observado o disposto nesta lei e nas demais normas e diretrizes vigentes. §2°°°°. A responsabilidade pela consolidação dos planos de emergência individuais em um único plano de emergência para a àrea envolvida cabe as entidades exploradoras de portos organizados e instalações portuárias, e aos proprietários ou operadoras de plataformas, sob a coordenação do orgão ambiental competente. Art. 8°°°°. Os planos de emergência mencionados no artigo anterior serão consolidados pelo órgão ambiental competente, na forma de planos de contigência locais ou regionais, em articulação com os orgãos de defesa civil. Parágrafo único. O órgão federal de meio ambiente, em consonância com o disposto na OPRC/90, consolidará os planos de contigência locais e regionais na forma do plano nacional de contigência, em articulação com os órgãos de defesa civil. Art. 9°°°°. As entidades exploradoras de portos organizados e instalações portuárias e os proprietários ou operadores de plataforma e suas instalações de apoio deverão realizar auditorias ambientais bienais, independente, com o objetivo de avaliar os sistemas de gestão e controle ambiental em suas unidades. 3.4- procedimentos a serem cumpridos por embarcações que transportam óleo, substâncias nocivas e/ou perigosas Requisitos para o transporte de cargas perigosas a) Mercadorias embaladas O transporte, embalagem, segregação, marcação, etiquetagem e rotulação de mercadorias perigosas embaladas são regidos pelo Código IMDG (Internation Maritime Dangerous Goods) da IMO.(Internation Maritime Organization). 64 1) Homologação das Embalagens As embalagens nacionais deverão estar homologadas pela DPC, que expedirá o competente certificado de homologação. Nesse certificado constará a marcação “UN” a ser feita nas embalagens.Uma cópia desse certificado deverá acompanhar cada carregamento, visando compor a documentação da carga. Quando a embalagem for procedente de outros países, deverá possuir a respectiva marcação “UN” de homologação pelo país de origem. 2) Declaração de Mercadorias Perigosas O expedidor de mercadoria perigosa deverá apresentar declaração de mercadorias perigosas de acordo com o modelo constante do anexo 5-A, que deverá acompanhar o manifesto de carga, sendo ele o responsável pela compatibilidade do produto envasado à embalagem homologada. Quando a carga for transportada em contentor ou em veículos, o responsável por sua arrumação também deverá assinar a declaração constante no campo apropriado do modelo do anexo 5-A. 3) Notificação Antecipada As embarcações que transportam mercadorias perigosas embaladas deverão informar antecipadamente a existência desse tipo de carga à CP, DL ou AG de jurisdição do porto, mediante notificação. Esta notificação deverá dar entrada no referido órgão com antecedência mínima de 24 horas da entrada ou saída do porto. 4) Concessão de Licença para o Transporte de Mercadorias Perigosas Essa licença é aplicável às embarcações classificadas para o transporte de carga geral e ou passageiros de bandeira brasileira. O comandante da embarcação deverá apresentar a solicitação de licença para o transporte através de um termo de responsabilidade conforme o anexo 5-C, onde declara que todos os requisitos de embalagem, embalador, documentação, marcação, etiquetagem, amarração e segregação referentes às mercadorias perigosas transportadas encontram-se cumpridos. A licença será o próprio termo de responsabilidade após emitido pela CP, DL ou AG. Essa concessão será válida para todos os portos subsequentes, desde que não haja embarque de outras mercadorias perigosas. 65 Caso a CP decida realizar a inspeção naval, serão verificados os seguintes itens: I) documentação completa e devidamente preenchida; II) arrumação e fixação da carga; III) marcação, etiquetagem e rotulagem de acordo com cada mercadoria perigosa transportada; IV) correta segregação; V) amarração; VI) correta sinalização dos locais onde estiverem armazenadas as cargas perigosas; e VII) disponibilidade de instruções sobre procedimentos de emergência para o caso de acidentes (para cadaclasse/tipo de mercadoria perigosa a bordo). 5) Manifesto de Mercadorias Perigosas (Manifesto de Carga) Deverá ser fornecido à CP, DL ou AG por ocasião do despacho da embarcação, uma relação de todas as mercadorias perigosas a bordo com as quantidades, tipo de embalagem, número “UN”, classe e localização. Um plano de estiva detalhado, que identifique por classe e indique a localização de todas as mercadorias perigosas a bordo, também será aceito. b) Substâncias a granel: sólidas, líquidas e gases liquefeitos Será exigido que toda embarcação que transporte cargas perigosas a granel mantenha a bordo o competente certificado de conformidade de acordo com o respectivo código emitido por organização reconhecida pelo governo brasileiro, que ateste que a embarcação se encontra apta para carregar os produtos os quais se propõe a transportar. Eventuais abrandamentos ou isenções poderão ser autorizados, a critério da DPC, mediante consulta prévia. 66 Requisitos operacionais a) Acesso à embarcação O acesso à embarcação deverá estar desimpedido, seja na situação de fundeio ou de atracação. b) Facilidade para reboque Toda embarcação com carga perigosa a bordo, que se encontre atracada ou fundeada, deverá dispor de cabos de reboque de dimensões adequadas na proa e na popa, prontos para uso imediato. Deverá também tomar providências para que haja facilidades para soltar as espias rapidamente, sem auxílio do pessoal de terra. c) Sinalização Toda embarcação que esteja efetuando operações de carga ou descarga de produtos inflamáveis ou explosivos deverá exibir, durante o dia, a bandeira BRAVO do código internacional de sinais e, durante a noite, uma luz circular encarnada com alcance de no mínimo 3 milhas para embarcações com AB maior que 50 e 2 milhas para embarcações com AB menor ou igual a 50. d) Condições meteorológicas adversas Não será permitida a movimentação de mercadorias perigosas quando as condições meteorológicas implicarem em aumento dos riscos às respectivas mercadorias, ou à integridade das embalagens, salvo mediante prévia autorização das CP, DL ou AG. e) Tripulação Em cada embarcação que efetue o transporte de cargas perigosas deverá haver tripulação habilitada para efetuar o correto manuseio dessa carga e também atuar nas situações de emergência. A tripulação deverá dispor de equipamentos de proteção individual (EPI) adequados para lidar com vazamentos e incêndios nas cargas perigosas transportadas. 67 Requisitos técnicos para mercadorias perigosas embaladas a) Acondicionamento 1) As embalagens ou unidades de carga para o acondicionamento de mercadorias perigosas deverão estar com sua integridade garantida, sem sinais de violação do fechamento ou lacre. As embalagens apresentando sinais de vazamento deverão ser rejeitadas. 2) Os arranjos de embalagens ou unidades de carga deverão ser feitos de maneira a preservar a integridade e segurança da carga e do pessoal que trabalhe ou transite nas imediações. 3) A altura de empilhamento de embalagens não deverá ser superior a 3m, salvo no caso de serem empregados dispositivos que permitam alcançar uma altura superior, sem sobrecarregar as embalagens e que evitem o comprometimento da segurança. 4) A arrumação das embalagens deverá ser feita de modo a permitir que uma face marcada e rotulada fique à vista para facilitar a identificação. 5) O fechamento das embalagens contendo substâncias umedecidas ou diluídas deve ser tal que, não haja vapor e ou vazamento. 6) As embalagens deverão atender os requisitos descritos no IMDG Code, quanto aos tipos e limites, assim como serem compatíveis com o produto embalado. b) Grupos de embalagem As mercadorias perigosas, exceto das classes 1, 2, 6.2 e 7 são divididas em três grupos de acordo com a periculosidade do produto envasado: Grupo I - Mercadorias que representam alta periculosidade; Grupo II - Mercadorias que representam média periculosidade; e Grupo III - Mercadorias que representam baixa periculosidade. 68 Isto influencia em todas as disposições relativas à construção e à prova de idoneidade dos diferentes tipos de embalagens/envasamentos normalizados e os invólucros que poderão ser aceitos para o transporte. c) Homologação para o transporte de mercadorias perigosas 1) As embalagens, contentores intermediários e tanques deverão estar homologados pela Autoridade Marítima do país de origem, caso a carga proceda do exterior. As embalagens brasileiras deverão estar homologadas pela DPC. 2) As CP, DL ou AG deverão possuir a relação dos materiais, equipamentos e serviços homologados pela DPC, onde constam todas as embalagens homologadas com o seus respectivos certificados de homologação e a data de validade de cada um. 3) O armador deverá apresentar uma cópia do certificado de homologação da DPC relativo à embalagem ou unidade de transporte, dentro da validade. d) Marcação das embalagens As embalagens contendo mercadorias perigosas deverão estar marcadas de modo duradouro, o qual permaneça por no mínimo 3 meses quando imerso em água. Deverá estar com o nome técnico correto (não serão aceitos apenas nomes comerciais), número “UN” correspondente e os caracteres que retratem a homologação da embalagem de acordo com o IMDG. (International Maritime Dangerous) A marcação deverá conter o símbolo das Nações Unidas “UN”, seguido de duas linhas contendo códigos. 1) A primeira linha conterá: I) O código do tipo da embalagem, conforme o anexo 5-D; II) A designação X, Y ou Z, sendo: • X para produtos dos grupos de embalagem I, II e III; • Y para produtos dos grupos de embalagem II e III; e • Z para produto do grupo de embalagem III, acompanhada da densidade relativa do líquido usado para teste, caso seja para líquidos. Este dado poderá 69 ser omitido se a densidade for inferior a 1,2. No caso de sólidos, deverá constar a massa bruta em kg; III) A letra “S” quando a embalagem for testada para o transporte de sólidos, ou o valor da pressão hidráulica em kPa(Kilo Pascal), arredondado para o múltiplo de 10 kPa (Kilo Pascal) mais próximo, quando a embalagem for homologada neste teste; e IV) Os dois dígitos do ano de fabricação da embalagem. Quando a embalagem for recondicionada, deverá conter a letra “R” e o ano do recondicionamento. 2) A segunda linha conterá: I) A sigla do país onde foram realizados os testes de homologação; II) A sigla do fabricante da embalagem;e III) O código da autoridade competente responsável pela homologação, seguida do número do certificado de homologação da embalagem. 3) Exemplo de marcação adotada no Brasil (figura 5.1): 1G/Y 145 / S/96 (ano de fabricação) R/VL/DPC-38/95 FIGURA 5-1: Exemplo de Marcação Trata-se de um tambor de papelão (1G) destinado ao transporte de mercadorias perigosas dos grupos de embalagem II e III (Y), testada com massa bruta de 145 kg (145), destinada a conter sólidos (S) e fabricada em 1996 (96). Homologada no Brasil (BR), fabricada pela VAN LEER (VL) e foi homologada pela DPC, possuindo o Certificado de Homologação nº 038/95 (DPC - 038/95). 70 4) A marcação deverá ser feita em pelo menos duas faces ou lados das embalagens ou unidades de carga. e) Rotulagem 1) A rotulagem deverá ser executada em conformidade com os símbolos padronizados pelas Nações Unidas, de acordo com o IMDG, seção 8 da introdução geral, conforme o anexo 5-E destas normas. 2) No caso de emprego de placas (reaproveitáveis) para a identificação de mercadorias perigosas em unidades de carga ou transporte, estas deverão ter a outra face em branco. f) Sinalização Os locais de armazenamento de mercadorias perigosas inflamáveis deverão estar sinalizados com cartazes determinando a proibiçãodo fumo, informando os cuidados especiais de manuseio da carga e para a proteção humana. g) Ficha de emergência A ficha de emergência deverá conter o símbolo da classe do produto, o nome técnico correto, o número “UN” e informações sobre as providências a serem tomadas nos casos de vazamento, incêndio e contato do produto com pessoas. Deverá ser seguido o modelo do anexo 5-F. Modelo de ficha de emergência EXPEDIDOR: NOME DO PRODUTO: SÍMBOLO DE RISCO: Tel.: Número ONU (UN) Aspecto do produto: Riscos em caso de fogo: Riscos para saúde: Riscos para o meio ambiente: ACIDENTES TIPOS PROVIDÊNCIAS 71 Vazamento Fogo Poluição Envolvimento de pessoas Informações do Médico h) Segregação As diversas classes e subclasses de mercadorias perigosas incompatíveis entre si ,deverão estar devidamente afastadas uma das outras. Tal medida visa evitar a interação dos conteúdos no caso de vazamento em acidente que, reagindo entre si, poderiam causar um dano ainda maior. Deverá ser seguida a tabela de segregação constante do anexo 5-G. Contentores intermediários para granéis (IBC) Normalmente estes contentores se aplicam ao transporte de produtos dos grupos de embalagem II e III. São comumente conhecidos pela sigla IBC, em inglês, que será adotada daqui por diante. a) Homologação Os IBC deverão estar homologados em conformidade com as prescrições do IMDG, pela Autoridade Marítima do país de origem, que no caso dos fabricados no Brasil é representada pela DPC. b) Marcação Os IBC são codificados para marcação como se segue: Dois numerais arábicos, que indicam o tipo de IBC, seguidos por uma ou mais letras maiúsculas em caracteres latinos, que indica a natureza do material, seguidas, se necessário, por um numeral arábico, que indica a categoria do IBC, dentro do tipo a que pertence. 72 No caso de IBC compostos, a segunda posição no código deve ser ocupada por duas letras maiúsculas, em caracteres latinos: a primeira para indicar o material do recipiente interno do IBC e a segunda, o material da embalagem externa. 3.5- procedimentos a serem cumpridos, em casos excepcionais previstos em lei, para descarga de óleo, misturas oleosas, substâncias nocivas ou perigosas de qualquer categoria, e lixo em águas sob jurisdição nacional Art. 15. É proibida a descarga, em águas sob jurisdição nacional, de substâncias nocivas ou perigosas classificadas na categoria "A", definida no art. 4º desta Lei, inclusive aquelas provisoriamente classificadas como tal, além de água de lastro, resíduos de lavagem de tanques ou outras misturas que contenham tais substâncias. § 1º. A água subsequentemente adicionada ao tanque lavado em quantidade superior a cinco por cento do seu volume total só poderá ser descarregada se atendidas cumulativamente as seguintes condições: I - a situação em que ocorrer o lançamento enquadre-se nos casos permitidos pela MARPOL 73/78; II - o navio não se encontre dentro dos limites de área ecologicamente sensível; III - os procedimentos para descarga sejam devidamente aprovados pelo órgão ambiental competente. § 2°. É vedada a descarga de água subsequentemente adicionada ao tanque lavado em quantidade inferior a cinco por cento do seu volume total. Art. 16. É proibida a descarga, em águas sob jurisdição nacional, de substâncias classificadas nas categorias "B", "C", e "D", definidas no art. 4o desta Lei, inclusive aquelas provisoriamente classificadas como tais, além de água de lastro, resíduos de lavagem de tanques e outras misturas que as contenham, exceto se atendidas cumulativamente as seguintes condições: I - a situação em que ocorrer o lançamento enquadre-se nos casos permitidos pela MARPOL 73/78; II - o navio não se encontre dentro dos limites de área ecologicamente sensível; III - os procedimentos para descarga sejam devidamente aprovados pelo órgão ambiental competente. 73 § 1°. Os esgotos sanitários e as águas servidas de navios, plataformas e suas instalações de apoio equiparam-se, em termos de critérios e condições para lançamento, às substâncias classificadas na categoria "C", definida no art. 4o desta Lei. § 2º. Os lançamentos de que trata o parágrafo anterior deverão atender também às condições e aos regulamentos impostos pela legislação de vigilância sanitária. Art. 17. É proibida a descarga de óleo, misturas oleosas e lixo em águas sob jurisdição nacional, exceto nas situações permitidas pela MARPOL 73/78, e não estando o navio, plataforma ou similar dentro dos limites de área ecologicamente sensível, e os procedimentos para descarga sejam devidamente aprovados pelo órgão ambiental competente. § 1º. No descarte contínuo de água de processo ou de produção em plataformas aplica-se a regulamentação ambiental específica. § 2º. (VETADO) § 3º. Não será permitida a descarga de qualquer tipo de plástico, inclusive cabos sintéticos, redes sintéticas de pesca e sacos plásticos. Art. 18. Exceto nos casos permitidos por esta Lei, a descarga de lixo, água de lastro, resíduos de lavagem de tanques e porões ou outras misturas que contenham óleo ou substâncias nocivas ou perigosas de qualquer categoria só poderá ser efetuada em instalações de recebimento e tratamento de resíduos, conforme previsto no art. 5º desta Lei. Art. 19. A descarga de óleo, misturas oleosas, substâncias nocivas ou perigosas de qualquer categoria, e lixo, em águas sob jurisdição nacional, poderá ser excepcionalmente tolerada para salvaguarda de vidas humanas, pesquisa ou segurança de navio, nos termos do regulamento. Parágrafo único. Para fins de pesquisa, deverão ser atendidas as seguintes exigências, no mínimo: I - a descarga seja autorizada pelo órgão ambiental competente, após análise e aprovação do programa de pesquisa; II - esteja presente, no local e hora da descarga, pelo menos um representante do órgão ambiental que a houver autorizado; 74 III - o responsável pela descarga coloque à disposição, no local e hora em que ela ocorrer, pessoal especializado, equipamentos e materiais de eficiência comprovada na contenção e eliminação dos efeitos esperados. Art. 20. A descarga de resíduos sólidos das operações de perfuração de poços de petróleo será objeto de regulamentação específica pelo órgão federal de meio ambiente. Art. 21. As circunstâncias em que a descarga, em águas sob jurisdição nacional, de óleo e substâncias nocivas ou perigosas, ou misturas que os contenham, de água de lastro e de outros resíduos poluentes for autorizada não desobrigam o responsável de reparar os danos causados ao meio ambiente e de indenizar as atividades econômicas e o patrimônio público e privado pelos prejuízos decorrentes dessa descarga. Art. 22. Qualquer incidente ocorrido em portos organizados, instalações portuárias, dutos, navios, plataformas e suas instalações de apoio, que possa provocar poluição das águas sob jurisdição nacional, deverá ser imediatamente comunicado ao órgão ambiental competente, à Capitania dos Portos e ao órgão regulador da indústria do petróleo, independentemente das medidas tomadas para seu controle. Art. 23. A entidade exploradora de porto organizado ou de instalação portuária, o proprietário ou operador de plataforma ou de navio, e o concessionário ou empresa autorizada a exercer atividade pertinente à indústria do petróleo, responsáveis pela descarga de material poluente em águas sob jurisdição nacional, são obrigados a ressarcir os órgãos competentes pelas despesas por eles efetuadas para o controle ou minimização da poluição causada, independentemente de prévia autorização e de pagamento de multa. Parágrafo único. No caso de descarga por navio não possuidor do certificado exigido pela CLC/69, a embarcação será retida e só será liberada após o depósito de cauçãocomo garantia para pagamento das despesas decorrentes da poluição. Art. 24. A contratação, por órgão ou empresa pública ou privada, de navio para realização de transporte de óleo ou de substância enquadrada nas categorias definidas no art. 4º desta Lei só poderá efetuar-se após a verificação de que a empresa 75 transportadora esteja devidamente habilitada para operar de acordo com as normas da autoridade marítima. 3.6- responsabilidade da Autoridade Marítima e dos órgãos do meio ambiente no cumprimento da legislação de prevenção, controle e fiscalização da poluição do meio fluvial No Brasil, a Autoridade Marítima é exercida pelo Comandante da Marinha, de acordo com o Art. 39 da Lei Federal nº 9.537, de 11/12/1997 – Lei de Segurança do Tráfego Aquaviário (LESTA). A lei reflete o costume, a tradição, a experiência, a participação efetiva e permanente da Marinha do Brasil (MB) nos assuntos marítimos de nosso país. De acordo com a citada Lei, a Diretoria de Portos e Costas (DPC) é o representante da AM e, em conjunto com outros setores da MB, cabe-lhe, além de outras competências, assegurar, no mar aberto e nas hidrovias interiores, a prevenção da poluição ambiental por parte de embarcações, plataformas ou suas instalações de apoio, no mar aberto e nas hidrovias interiores e a prevenção da poluição das águas jurisdicionais brasileiras no que tange ao Gerenciamento da Água de Lastro. Em coordenação com outros órgãos a Autoridade Marítima expede normas para a execução de obras, dragagens, pesquisa e lavra de minerais sob, sobre e às margens das águas sob jurisdição nacional, no que concerne ao ordenamento do espaço aquaviário e à segurança da navegação, sem prejuízo das obrigações frente aos demais órgãos competentes. Além disso, também são expedidas normas para o cadastramento e funcionamento das marinas, clubes e entidades desportivas náuticas, no que tange a salvaguarda da vida humana e à segurança da navegação, no mar aberto e em hidrovias interiores e celebra Convênios entre o Comandos de Distritos Navais e a Gerência Regional do IBAMA da área de jurisdição, para estabelecimento de ações coordenadas de fiscalização da pesca. 76 Tarefas da AM atinentes à preservação do meio ambiente A fim de atender as determinações e orientações internacionais previstas, a AM promulga as Normas da Autoridade Marítima, que estabelecem procedimentos, definem responsabilidades e regulam o tráfego aquaviário e suas atividades afetas nas águas jurisdicionais brasileiras. Decorrente da legislação acima citada, são atribuídas como de responsabilidade da Marinha do Brasil, atinentes à preservação do meio ambiente, as seguintes tarefas: • contribuir para a prevenção da poluição por parte de embarcações, plataformas e suas estações de apoio; • estabelecer os requisitos referentes às condições para a prevenção da poluição por parte das embarcações, plataformas ou suas instalações de apoio; e • coordenar as ações decorrentes da aplicação da legislação ambiental por parte dos Agentes da Autoridade Marítima. A Marinha do Brasil, por meio de suas Capitanias dos Portos, Delegacias e Agências subordinadas, tem buscado, de forma profícua e atuante, cumprir com as tarefas designadas, implementando e promovendo a fiscalização e o cumprimento de Leis e regulamentos no mar e águas interiores, nas suas respectivas áreas de jurisdição, em coordenação e apoio com outros órgão do Poder Executivo, federal, estadual e municipal. Cabe ressaltar que as ações levadas a cabo não consistem apenas em fiscalização de embarcações, plataformas e instalações de apoio, mas também em um diuturno trabalho de conscientização da importância da preservação do meio ambiente 77 Teste de autoavaliação da unidade 3 1ª – Quais as medidas que devem ser tomadas no manuseio de cargas perigosas? ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ________________________________________________________________ 2ª – Quais as tarefas designadas pela Autoridade Marítima atinentes à preservação do meio ambiente marinho? ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ________________________________________________________________ 3ª – Quais as cargas que devem permanecer o tempo mínimo necessário às áreas de operação de carga e descarga? ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ________________________________________________________________ 4ª – Quais os requisitos operacionais exigidos por embarcações que transportam óleo, substâncias nocivas e/ou perigosas? ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ________________________________________________________________ 78 4. OBRAS FLUVIAIS Nesta unidade, você vai: � Identificar os tipos de obras de melhoramento e de manutenção da via fluvial; � Saber a definição de dragagem, derrocamento, canalização, dique, eclusa e fechamento de braço secundário. � Saber explicar o impacto de obras de melhoramento e de manutenção da via fluvial sobre o meio ambiente aquaviário. 4.1- Tipos de obras de melhoramento e de manutenção da via fluvial; Para servirem como uma via de transporte, os cursos d’água necessitam, em menor ou maior proporção, de melhoramentos. Os de menores proporções são aqueles que têm por objetivo facilitar e manter as condições de circulação das embarcações que já trafegam em um determinado trecho de um curso d’água, sem, contudo, permitir a adoção de novos tipos de embarcações ou de comboios. Fazem parte desse tipo de melhoramento: • retirada de obstáculos visíveis ou invisíveis, como troncos ou pedras isoladas; • aprofundamento por dragagem de uma soleira formada numa cheia, em um curso d’água não canalizado; e • melhoria das condições de acesso dos barcos nas entradas de eclusas e de terminais. Os melhoramentos de maiores proporções são aqueles que estabelecem condições de navegação que antes não existiam ou que permitem o aumento da capacidade e o porte das embarcações que circulam em uma via. São eles: • canalização de um curso d’água para aumentar a profundidade disponível; • obras de grandes derrocamentos; • execução de canais laterais artificiais dotados de eclusas, para permitir, por exemplo, a travessia de uma zona de corredeiras; e • retificação de canais de navegação. 79 4.2- definição de dragagem, derrocamento, canalização, dique, eclusa e fechamento de braço secundário Dragagem Entende-se por dragagem a retirada, transporte e disposição final do material, resultante do derrocamento, como areias, siltes ou argilas do leito dos rios com equipamentos adequados em cada operação. (SILVA, 2004). Consiste na remoção de solo aluvionar do fundo do curso d`água que é transportado por arraste, mais precisamente, na retirada dos bancos ou baixios formados no leito de um canal navegável. A operação de dragagem aumenta a velocidade de escoamento das águas e diminui o nível d’água a montante. FIG-4.1 – Dragagem. 80 FIG-4.2 – Fonte: TEIXEIRA, 2006. Derrocamento a) O derrocamento é a operação que consiste no desmonte (fraturamento, rompimento) de rochas, particularmente do leito de riosou canais, para desobstruí-los com técnicas específicas, que consistem em romper o maciço, utilizando-se explosivos (ondas de choque), por percussão (marreta, soquete, aríete) ou por perfuração e percussão (martelete). Finalmente, o material rompido deve ser removido com o uso de dragas. b) O derrocamento é a retirada de um conjunto de pedras que alteram a capacidade de navegação em determinado trecho da hidrovia. Com as obras, espera- se que a hidrovia aumente o nível de profundidade em momentos de seca, que hoje seria de 1,5 metros, para 3,5 metros, além de permitir a navegação de comboios de 200 metros de comprimento por 32 metros de largura, e com capacidade de transporte de 20.000 toneladas. FIG-4.3 – Fonte: TEIXEIRA, 2006. 81 Canalização Segundo BRIGHETTI (2000), a canalização consiste na construção de represamentos e, consequentemente, em obras de transposição de desnível, como por exemplo, as eclusas. FIG-4.4 – Canalização. FIG-4.5 – Fonte: TEIXEIRA, 2006. Diques Os diques são estruturas longitudinais ao rio e, no caso de serem apoiados nas margens, constituem, de fato, proteções ou revestimentos de margens. Eclusas: Diques construídos de forma a permitir a elevação ou descida de embarcações em dois leitos de hidrovias (rios ou canais) que apresentam um grande desnível de altura entre eles. Represa, comporta. 82 Fechamento de braços secundários Esta obra é recomendada para aumentar a profundidade de algum trecho de rio que possua vários braços. O fechamento de alguns deles é efetuado através de obras permeáveis ou não, geralmente com altura até a cota mínima de navegação, ficando os braços submersos para vazões maiores. Isto pode ser feito por meio de soleiras de fundo ou de pequenas barragens que podem ser transpostas e construídas com enrocamento de pedras ou terra, ou ainda, em estaqueamento simples ou duplo. O primeiro passo para execução deste tipo de obra é a concentração das águas, no nível médio ou de estiagem, em um único leito. Para tanto, constroem-se diques (D1, D2, D3, D4) de fechamento dos braços secundários com coroamento aproximadamente no nível d’água adequado à navegação, como mostrado na figura abaixo: FIG-4.6 – Fechamento de braços secundários. 4.3- impacto de obras de melhoramento e de manutenção da via fluvial sobre o meio ambiente aquaviário A execução de obras e serviços de melhoramento da via provocam impactos negativos como poluição das águas, contaminação da fauna e flora aquática, erosão 83 das margens, assoreamentos e alterações na dinâmica fluvial e no regime hidráulico do curso d’água, destruição de patrimônio arqueológico e de áreas de preservação no caso de áreas inundadas. Os principais impactos ambientais dos trabalhos de regularização são: • poluição, • elevação da turbidez e redução da penetração da luz solar nas águas; • destruição da comunidade bentônica; • alterações na fauna aquática com possível perda de indivíduos; • poluição do ar e sonora; • acidentes com embarcações; • alterações na hidrologia fluvial; • interrupção das atividades de lazer e de outros usos múltiplos; • destruição da vegetação nas áreas de despejo do material dragado, • vibrações no meio aquático e terrestre no caso das obras de derrocamento; • deslocamento temporário da avifauna e ictiofauna; • destruição e perda de patrimônio arqueológico, dentre outros. 84 Teste de autoavaliação da unidade 4 1ª – Explique a diferença entre dragagem e derrocamento. ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ________________________________________________________________ 2ª – Cite três impactos ambientais causados pelos trabalhos de regularização em hidrovias. ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ________________________________________________________________ 3ª – Quais os melhoramentos de menores e maiores proporções que os cursos d’água necessitam durante a realização de obras fluviais? ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ________________________________________________________________ 85 CChhaavvee ddee rreessppoossttaass ddoo tteessttee ddee aauuttooaavvaalliiaaççããoo ddaa uunniiddaaddee 11 1ª Questão I – o Conselho Nacional de Recursos Hídricos; I-A. – a Agência Nacional de Águas; II – os Conselhos de Recursos Hídricos dos Estados e do Distrito Federal III – os Comitês de Bacia Hidrográfica; IV – os órgãos dos poderes públicos federal, estaduais, do Distrito Federal e municipais cujas competências se relacionem com a gestão de recursos hídricos; V – as Agências de Água. 2ª Questão 1) Embarcações em perigo de naufragar; 2) Embarcações que tenham cargas incorretamentes estivadas, ou com os petrechos de peiação ineficientes; 3) Embarcações tendo cargas salientes de tal modo que possam danificar a eclusa; 3ª Questão I - não entrar no porto; II - não sair do porto; III - sair das águas jurisdicionais; IV - arribar em porto nacional. 86 CChhaavvee ddee rreessppoossttaass ddoo tteessttee ddee aauuttooaavvaalliiaaççããoo ddaa uunniiddaaddee 22 1ª Questão 1. dados de identificação do aquaviário; 2. averbação de cursos e outras certificações; 3. categoria profissional; 4. anexação de certificados, averbação de títulos de habilitação; 5. data e local do embarque ou desembarque; 6. dados da embarcação; e 7. histórico (anotações de carreira, elogios e atos de bravura, informações de saúde e outros dados julgados necessários). 2ª Questão • através de requerimento do próprio aquaviário; • por lei, • por medida disciplinar; • pelo falecimento; • por afastamento superior a 10 anos consecutivos sem licença; • aposentadoria por invalidez; • falsidade na documentação apresentada; e • roubo ou furto na embarcação por sentença transitada em julgado. 3ª Questão O Rol de Equipagem é o documento hábil para a garantia dos direitos decorrentes dos embarques e desembarques de tripulantes verificados em uma única embarcação, devendo conter as seguintes anotações: 87 4ª Questão 1) Desrespeitar seus superiores hierárquicos, não cumprindo suas ordens, altercando com eles ou respondendo-Ihes em termos impróprios; 2) Recusar fazer o serviço determinado por seus superiores; 3) Apresentar-se embriagado para o serviço ou embriagar-se a bordo; 4) Faltar ao serviço nas horas determinadas; 5) Abandonar o posto quando em serviço de quarto, faina, vigilância ou trabalho para o qual tenha sido designado; 6) Sair de bordo sem licença, ou exceder à mesma; 7) Ser negligente na execução do serviço que Ihe compete; 8) Altercar, brigar ou entrar em conflitos; 9) Atentar contra as regras de moralidade, honestidade, disciplina e limpeza a bordo ou do local em que trabalha; e 10) Deixar de cumprir as disposições da Lei e das Normas em vigor. 88 CChhaavvee ddee rreessppoossttaass ddoo tteessttee ddee aauuttooaavvaalliiaaççããoo ddaa uunniiddaaddee 33 1ª Questão a) somente devem ser manipuladas, armazenadase estivadas as substâncias perigosas que estiverem embaladas, sinalizadas e rotuladas de acordo com o código marítimo internacional de cargas perigosas (IMDG); b) as cargas relacionadas abaixo devem permanecer o tempo mínimo necessário próximas às áreas de operação de carga e descarga: I - explosivos em geral; II - gases inflamáveis (classe 2.1) e venenosos (classe 2.3); III - radioativos; IV - chumbo tetraetila; V - poliestireno expansível; VI - perclorato de amônia, e VII -mercadorias perigosas acondicionadas em contêineres refrigerados; c) as cargas perigosas devem ser submetidas a cuidados especiais, sendo observadas, dentre outras, as providências para adoção das medidas constantes das fichas de emergências. d) é vedado lançar na água, direta ou indiretamente, poluentes resultantes dos serviços de limpeza e trato de vazamento de carga perigosa. 2ª Questão • contribuir para a prevenção da poluição por parte de embarcações, plataformas e suas estações de apoio; • estabelecer os requisitos referentes às condições para a prevenção da poluição por parte das embarcações, plataformas ou suas instalações de apoio; e 89 • coordenar as ações decorrentes da aplicação da legislação ambiental por parte dos Agentes da Autoridade Marítima. 3ª Questão I - explosivos em geral; II - gases inflamáveis (classe 2.1) e venenosos (classe 2.3); III - radioativos; IV - chumbo tetraetila; V - poliestireno expansível; VI - perclorato de amônia, e VII -mercadorias perigosas acondicionadas em contêineres refrigerados 4ª Questão a) Acesso à Embarcação O acesso à embarcação deverá estar desimpedido, seja na situação de fundeio ou de atracação. b) Facilidade para Reboque Toda embarcação com carga perigosa a bordo, que se encontre atracada ou fundeada, deverá dispor de cabos de reboque de dimensões adequadas na proa e na popa, prontos para uso imediato. Deverá também tomar providências para que haja facilidades para soltar as espias rapidamente, sem auxílio do pessoal de terra. c) Sinalização Toda embarcação que esteja efetuando operações de carga ou descarga de produtos inflamáveis ou explosivos deverá exibir, durante o dia, a bandeira BRAVO do código internacional de sinais e, durante a noite, uma luz circular encarnada com alcance de no mínimo 3 milhas para embarcações com AB maior que 50 e 2 milhas para embarcações com AB menor ou igual a 50. 90 d) Condições Meteorológicas Adversas Não será permitida a movimentação de mercadorias perigosas quando as condições meteorológicas implicarem em aumento dos riscos às respectivas mercadorias, ou à integridade das embalagens, salvo mediante prévia autorização das CP, DL ou AG. e) Tripulação Em cada embarcação que efetue o transporte de cargas perigosas deverá haver tripulação habilitada para efetuar o correto manuseio dessa carga e também atuar nas situações de emergência. A tripulação deverá dispor de equipamentos de proteção individual (EPI) adequados para lidar com vazamentos e incêndios nas cargas perigosas transportadas. 91 CChhaavvee ddee rreessppoossttaass ddoo tteessttee ddee aauuttooaavvaalliiaaççããoo ddaa uunniiddaaddee 44 1ª Questão Entende-se por dragagem a retirada, transporte e disposição final do material, resultante do derrocamento, como areias, siltes ou argilas do leito dos rios com equipamentos adequados em cada operação. O derrocamento é a operação que consiste no desmonte (fraturamento, rompimento) de rochas, particularmente do leito de rios ou canais, para desobstruílos com técnicas específicas, que consistem em romper o maciço, utilizando-se explosivos (ondas de choque), por percussão (marreta, soquete, aríete) ou por perfuração e percussão (martelete). Finalmente, o material rompido deve ser removido com o uso de dragas. 2ª Questão • poluição, • elevação da turbidez e redução da penetração da luz solar nas águas; • destruição da comunidade bentônica 3ª Questão Os de menores proporção são: • Retirada de obstáculos visíveis ou invisíveis, como troncos ou pedras isoladas; • Aprofundamento por dragagem de uma soleira formada numa cheia, em um curso d’água não canalizado; • Melhoria das condições de acesso dos barcos nas entradas de eclusas e de terminais. 92 Os de maiores proporção são: • Canalização de um curso d’água para aumentar a profundidade disponível; • Obras de grandes derrocamentos; • Execução de canais laterais artificiais dotados de eclusas, para permitir, por exemplo, a travessia de uma zona de corredeiras; • Retificação de canais de navegação. 93 REFERÊNCIAS BRASIL. Lei no 9.537, de 11 de dezembro de 1997. LESTA. Dispõe sobre a segurança do tráfego aquaviário em águas sob jurisdição nacional e dá outras providências. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Poder Executivo, Brasília, DF, 12 dez. 1997. BRASIL. Decreto nº 2596, de 18 de maio de 1998. RELESTA. Regulamenta a Lei nº 9.537, de 11 de dezembro de 1977, que dispõe sobre a segurança do tráfego aquaviário em águas sob jurisdição nacional. BRASIL. Lei no 9.966, de 28 de abril de 2000. Dispõe sobre a prevenção, o controle e a fiscalização da poluição causada por lançamento de óleo e outras substâncias nocivas ou perigosas em águas sob jurisdição nacional e dá outras providências. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Poder Executivo, Brasília, DF, 29 abr. 2000. BRASIL. Ministério da Defesa. Marinha do Brasil. Diretoria de Portos e Costas. Norma da Autoridade Marítima nº 2 (NORMAM 02). Rio de Janeiro, 2000. BRASIL. Ministério da Defesa. Marinha do Brasil. Diretoria de Portos e Costas. Norma da Autoridade Marítima nº 8 (NORMAM 08). Rio de Janeiro, 2000. BRASIL. Ministério da Defesa. Marinha do Brasil. Diretoria de Portos e Costas. Norma da Autoridade Marítima nº 13 (NORMAM 13). Rio de Janeiro, 2000. BRASIL. Marinha do Brasil. Diretoria de Portos e Costas. O transporte sem riscos de cargas perigosas, potencialmente perigosas e prejudiciais por via marítima. Rio de Janeiro, 1994. BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego.Secretaria de Segurança e Saúde no Trabalho. Norma reguladora de segurança e saúde no trabalho portuário – NR 29. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Poder Executivo, Brasília, DF, 17 dez. 1997. 94 BRIGHETTI, G. Obras Fluviais. Notas de aula: Curso de Pós-graduação na área de concentração – Engenharia Hidráulica. São Paulo: Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, 2000. FLOGLIATTI C. M, Avaliação de Impactos Ambientais. Editora Interciência. 2004 Rio de Janeiro. 249p. HIDROVIA DO TIETÊ PARANÁ. Desenvolvido pela Companhia Energética de São Paulo - CESP. Apresenta as características da Hidrovia do Tietê / Paraná. Disponível em: http://www.cesp.com.br. Acesso em 05 mar, 2002. INTERNATIONAL MARITIME ORGANIZATION. Consolidated text of the International Convention for the Safety of Life at Sea, 1974, and its protocol of 1988: articles, annexes and certificates. Incorporating all amendments in effect 1 january 2001. SOLAS-2001. 3. ed. London: IMO, 2001. INTERNATIONAL MARITIME ORGANIZATION. Convenção Internacional sobre normas de treinamento de marítimos, expedição de certificados e serviço de quarto. STCW-95. Londres: IMO, 1996. INTERNATIONAL MARITIME ORGANIZATION – IMO. Guidelines for ensurance the adequacy of port waste reception facilities. Londres, 2000. Disponível em <http://www1.imo.org/oilweb/port_guide.htm>. Acesso em: 05 mar, 2001. INTERNATIONAL MARITIME ORGANIZATION. Articles, protocol, annexes unified interpretations of International Convention for Prevention of Pollution from Ships, 1973, as modifies by protocol of 1978. Consolidated edition 1997. MARPOL-73/78. 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