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Entendendo os Resíduos e sua Problemática Tratamento de Resíduos Sólidos Diretor Executivo DAVID LIRA STEPHEN BARROS Gerente Editorial CRISTIANE SILVEIRA CESAR DE OLIVEIRA Projeto Gráfico TIAGO DA ROCHA Autoria MARYELLA JÚNNIA FERREIRA E SILVA AUTORIA Maryella Júnnia Ferreira e Silva Sou formada em Engenharia Florestal, com uma experiência técnico-profissional na área de Gestão Ambiental e Tecnologia da madeira de mais de 5 anos. Sou Mestre em Ciência e Tecnologia da Madeira pela UFLA. Juntamente com a empresa Klabin passei por estudos voltados ao desenvolvimento de materiais resistentes e biodegradáveis, que diminuem a poluição ambiental e aumentam a efetividade na degradação, diminuindo o acúmulo de resíduos sólidos. Sou apaixonada pelo que faço e adoro transmitir minha experiência de vida àqueles que estão iniciando em suas profissões. Por isso fui convidada pela Editora Telesapiens a integrar seu elenco de autores independentes. Estou muito feliz em poder ajudar você nesta fase de muito estudo e trabalho. Conte comigo! ICONOGRÁFICOS Olá. Esses ícones irão aparecer em sua trilha de aprendizagem toda vez que: OBJETIVO: para o início do desenvolvimento de uma nova compe- tência; DEFINIÇÃO: houver necessidade de se apresentar um novo conceito; NOTA: quando forem necessários obser- vações ou comple- mentações para o seu conhecimento; IMPORTANTE: as observações escritas tiveram que ser priorizadas para você; EXPLICANDO MELHOR: algo precisa ser melhor explicado ou detalhado; VOCÊ SABIA? curiosidades e indagações lúdicas sobre o tema em estudo, se forem necessárias; SAIBA MAIS: textos, referências bibliográficas e links para aprofundamen- to do seu conheci- mento; REFLITA: se houver a neces- sidade de chamar a atenção sobre algo a ser refletido ou dis- cutido sobre; ACESSE: se for preciso aces- sar um ou mais sites para fazer download, assistir vídeos, ler textos, ouvir podcast; RESUMINDO: quando for preciso se fazer um resumo acumulativo das últi- mas abordagens; ATIVIDADES: quando alguma atividade de au- toaprendizagem for aplicada; TESTANDO: quando o desen- volvimento de uma competência for concluído e questões forem explicadas; SUMÁRIO Caracterização dos Resíduos ................................................................. 12 O que são Resíduos Sólidos? ................................................................................................. 12 Classificação de Resíduos ........................................................................................................ 14 Resíduos Classe I – Perigosos ............................................................................ 15 Resíduos Classe II – Não Perigosos ............................................................... 16 Origem dos Resíduos Sólidos ................................................................................................ 16 Resíduos Domésticos ............................................................................................... 16 Resíduos de Estabelecimentos Comerciais ............................................. 18 Resíduos Industriais.................................................................................................... 18 Resíduos de Limpeza Pública ............................................................................ 18 Resíduos de Construção Civil ............................................................................. 18 Resíduos de Serviços de Saúde ....................................................................... 19 Resíduos Rurais ............................................................................................................ 20 Características dos Resíduos................................................................................................. 20 Resíduos Orgânicos ................................................................................................... 20 Resíduos Inorgânicos ................................................................................................ 21 Resíduos Recicláveis ................................................................................................. 21 Resíduos não Recicláveis .......................................................................................22 Outras Características ...............................................................................................22 Definição de Lixo e Resíduos Sólidos .................................................24 Diferença entre Lixo e Resíduo Sólido? ..........................................................................24 Princípio dos 3 R’s ...........................................................................................................................25 Reduzir .................................................................................................................................27 Reutilizar/Reaproveitar ............................................................................................29 Reciclar ................................................................................................................................ 31 Problemática da Geração de Resíduos .............................................36 Fontes de Dados da Geração de Resíduos................................................................. 36 ISWA...................................................................................................................................... 36 ABRELPE ........................................................................................................................... 38 Geração de Resíduos Sólidos no Mundo ..................................................................... 40 Geração de Resíduos Sólidos no Brasil ..........................................................................43 A Problemática dos Resíduos de Serviço de Saúde .....................46 Resíduos de Serviços de Saúde ..........................................................................................47 Resíduos da Construção Civil ................................................................................................. 51 Resíduos Diversos ..........................................................................................................................53 Embalagens de Agrotóxicos ................................................................................53 Pneus ................................................................................................................................... 56 Pilhas e Baterias ........................................................................................................... 59 Óleos Lubrificantes .................................................................................................... 59 Óleo Vegetal ...................................................................................................................60 Lâmpadas Fluorescentes e de Descarga Gasosa ...............................62 9 UNIDADE 01 Tratamento de Resíduos Sólidos 10 INTRODUÇÃO Com a Revolução Industrial e o desenvolvimento humano, veio o crescimento desordenado da população das grandes cidades e com isso o consumo desenfreado, como consequência diversos problemas ambientais vêm sendo causados. No Brasil, a cultura do desperdício de materiais diversos é apontada como um entrave à Gestão de Resíduos (SILVA e ANDREOLI, 2010) que é um dos temas mais importantes quando se trata do cuidado com o meio ambiente e com a sociedade. A gestão de resíduos sólidos abrange um vasto número de tópicos, como o cumprimento da legislação vigente, a busca pela aplicação das melhorias práticas, a classificação e destinação correta dos resíduos, entre tantos outros. Tratamento de Resíduos Sólidos 11 OBJETIVOS Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade 1. Até o término desta etapa de estudos, nossoobjetivo é auxiliar você no desenvolvimento das seguintes competências profissionais: 1. Classificar os tipos de resíduos com base em suas características físicas e funcionais. 2. Diferenciar lixo de resíduos sólidos. 3. Discernir sobre a problemática da geração de resíduos. 4. Identificar e avaliar os impactos dos resíduos de serviço de saúde, embalagens de agrotóxicos, pneus, pilhas e baterias, resíduos da construção civil, óleos lubrificantes, óleo vegetal e lâmpadas. Tratamento de Resíduos Sólidos 12 Caracterização dos Resíduos OBJETIVO: Ao término deste capítulo você será capaz de classificar os tipos de resíduos com base em suas características físicas e funcionais. Isto será fundamental para o exercício de sua profissão. As pessoas que tentaram classificar os tipos de resíduos para descarte sem a devida instrução tiveram problemas na correta classificação, o que pode acarretar problemas legais. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então vamos lá! O que são Resíduos Sólidos? Diversos problemas ambientais estão surgindo com o consumo desenfreado, desencadeado pelo crescimento desordenado da população, e desse consumo tem sido gerado grandes quantidades de resíduos sólidos. O que vemos é que os resíduos domiciliares são dispostos sem controle algum, e esses resíduos são de difícil gestão, visto que são compostos por vários tipos de materiais. A prática do mal descarte traz graves consequências, como a contaminação do ar, do solo, das águas de modo geral, lugar propício para a proliferação de organismos patogênicos, e também são vetores de doenças, trazendo sérios impactos à saúde pública. A presença de resíduos sólidos oriundos das indústrias e dos serviços de saúde em geral nos depósitos destinados aos resíduos domésticos, agrava ainda mais o quadro de contaminação ambiental. Diante disso, é necessário buscar formas de descartes que favoreçam o desenvolvimento sustentável, diminuindo assim a degradação ambiental que esses resíduos trazem ao meio ambiente. Mas antes de tudo, devemos saber o que são esses resíduos sólidos, que são gerados a todo momento em nosso cotidiano? Tratamento de Resíduos Sólidos 13 Segundo a PNRS – Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei nº 12.305/2010), são considerados resíduos sólidos todo material, substância, objeto ou bem descartado resultante de atividades humanas em sociedade, cuja destinação final se procede, se propõe proceder ou se está obrigado a proceder, nos estados sólido ou semissólido, bem como gases contidos em recipientes e líquidos cujas particularidades tornem inviável o seu lançamento na rede pública de esgotos ou em corpos d’água, ou exijam para isso soluções técnica ou economicamente inviáveis em face da melhor tecnologia disponível. De acordo com a NBR 10004/2004 a definição para resíduos sólidos é resíduos nos estados sólido e semissólido, que resultam de atividades de origem industrial, doméstica, hospitalar, comercial, agrícola, de serviços e de varrição. Ficam incluídos nesta definição os lodos provenientes de sistemas de tratamento de água, aqueles gerados em equipamentos e instalações de controle de poluição, bem como determinados líquidos cujas particularidades tornem inviável o seu lançamento na rede pública de esgotos ou corpos de água, ou exijam para isso soluções técnica e economicamente inviáveis em face à melhor tecnologia disponível. A NBR 10004 ainda classifica os resíduos quanto aos riscos potenciais ao meio ambiente e à saúde pública. Outras normas utilizadas para completar essa classificação são as seguintes: EXEMPLO: • Resolução ANTT 420/2004 – Regulamento do transporte terrestre de produtos perigosos. • ABNT NBR 10005/2004 – Procedimento para obtenção de extrato lixiviado de resíduos sólidos. • ABNT NBR 10007/2004 – Amostragem de resíduos sólidos. • ABNT NBR 12808/1993 - Resíduos de serviço de saúde – Classificação. • ABNT NBR 14725 – Ficha de informação de Segurança de Produtos Químicos (FISPQ). Tratamento de Resíduos Sólidos 14 • ABNT NBR 10157 – Aterros de resíduos perigosos - Critérios para projeto, construção e operação. • ABNT NBR 10006/2004 – Procedimentos para obtenção de extrato solubilizado de resíduos sólidos. • ABNT NBR 14598/2000 – Produtos de petróleo – Determinação do ponto de fulgor. • ABNT NBR 11174 – Armazenamento de resíduos inertes (II b) e não inertes (II a). • ABNT NBR 12235 – Armazenamento de resíduos sólidos perigosos. Classificação de Resíduos De acordo com a NBR 10004/2004, para uma correta classificação de resíduos, envolve-se a identificação do processo ou atividade que deu origem a seus constituintes e características, e a comparação destes constituintes com listagens de resíduos e substâncias cujo impacto à saúde e ao meio ambiente é conhecido. A identificação dos constituintes a serem avaliados na caracterização do resíduo deve ser criteriosa e estabelecida de acordo com as matérias-primas, os insumos e o processo que lhe deu origem. VOCÊ SABIA? Os resíduos são classificados pela NBR 10004/2004 em: a. Resíduos classe I – Perigosos. b. Resíduos classe II - Não perigosos. • Resíduos classe II A – Não inertes. • Resíduos classe II B – Inertes. Tratamento de Resíduos Sólidos 15 Resíduos Classe I – Perigosos Esses resíduos apresentam como características inflamabilidade, corrosividade, reatividade, toxicidade e patogenicidade, eles apresentam riscos à saúde pública e ao meio ambiente. Figura 1 – Aviso de atenção ácido/corrosivo Fonte: Pixabay (2013). Esse tipo de resíduo provoca, direta ou indiretamente, o aumento da mortalidade e também gera o aumento de doenças, pode além disso tudo, causar efeitos adversos ao meio ambiente quando manuseados de forma errada. Tratamento de Resíduos Sólidos 16 Resíduos Classe II – Não Perigosos Resíduos classe II A – Não inertes Aqueles que não se enquadram nas classificações de resíduos classe I - Perigosos ou de resíduos classe II B - Inertes, nos termos desta Norma. Os resíduos classe II A – Não inertes podem ter propriedades, tais como: biodegradabilidade, combustibilidade ou solubilidade em água. Resíduos classe II B - Inertes Quaisquer resíduos que, quando amostrados de uma forma representativa, segundo a ABNT NBR 10007, e submetidos a um contato dinâmico e estático com água destilada ou desionizada, à temperatura ambiente, conforme ABNT NBR 10006, não tiverem nenhum de seus constituintes solubilizados a concentrações superiores aos padrões de potabilidade de água, excetuando-se aspecto, cor, turbidez, dureza e sabor, conforme anexo G. ACESSE: Para saber mais da NBR 10004/2004 e sobre os anexos com os materiais que compõem os resíduos sólidos acesse aqui. Origem dos Resíduos Sólidos Os resíduos sólidos urbanos têm diversas origens, iremos falar um pouco sobre cada um deles. Resíduos Domésticos Esse resíduo é gerado em residências, em sua maior parte composto de resíduos orgânicos como restos de alimentos, cascas de frutas e verduras, como também embalagens em geral e rejeitos, como jornais, revistas, papéis em geral, fraldas descartáveis, embalagens, garrafas, latas e plásticos em geral. Tratamento de Resíduos Sólidos http://www.abnt.org.br/ 17 Figura 2 – Garrafas plásticas Fonte: Pixabay (2013). IMPORTANTE: Resíduos domésticos tais como embalagens de alimentos feitas de plástico, vidro e alumínio, podem e devem ser higienizados antes de serem descartados, e de preferência descartados separadamente. Assim as embalagens higienizadas evitam o acúmulo de podridão e degradação de resto de alimentos, assim como a proliferação de pequenos bichos, além de que essas embalagens separadas podem ser reaproveitadas e/ou recicladas, diminuindo o acúmulo de resíduos. Tratamento de Resíduos Sólidos 18 Resíduos de Estabelecimentos Comerciais Dependendo da atividade do estabelecimento, como hotéis, barese restaurantes, a predominância dos resíduos são orgânicos, como os domésticos. Já em escritórios, bancos e lojas, a predominância dos resíduos são secos, como papéis, caixas de papelão, plástico, vidros, entre outros. Resíduos Industriais A composição e características dos resíduos industriais são extremamente variadas, pois suas origens são de diversas fontes, como indústrias metalúrgicas, alimentícias, químicas, celulose, pneumática entre outras. Nos resíduos gerados vêm borrachas, metal, óleos, fibras, cinzas entre tantos outros. Resíduos de Limpeza Pública Os resíduos de limpeza pública são provenientes dos serviços de limpeza urbana, limpeza de ruas, calçadas, praças e parques, presença de animais mortos, resíduos de limpeza de jardins, podas de árvores, veículos abandonados, máquinas e entulhos em geral. A limpeza de praias, galerias, córregos e terrenos também geram bastantes resíduos sólidos, principalmente de embalagens em geral. Resíduos de Construção Civil A construção civil é geradora de muitos tipos de resíduos sólidos e de várias maneiras, por exemplo, reformas, demolições, reparos, preparação de construção e escavação de terrenos. Tratamento de Resíduos Sólidos 19 Figura 3 – Resíduos sólidos Fonte: Pixabay (2021). Seus resíduos podem ser subdivididos em quatro classes, de acordo com o tipo de resíduo gerado. Na Classe A, que são resíduos reutilizáveis e recicláveis, englobam os tijolos, telhas, solos entre outros. Na Classe B, que são resíduos recicláveis apenas, englobam os papéis, plásticos, gesso, metais, papelão entre outros. Na Classe C, que são resíduos não recicláveis, englobam materiais como lã de vidro. Já na última classe, a Classe D, que são os resíduos perigosos, englobam materiais como amianto, tintas, solventes entre outros. Resíduos de Serviços de Saúde Os serviços de saúde geradores de resíduos sólidos são diversos, e envolvem toda e qualquer atividade de natureza médico-assistencial, entre eles estão os serviços de assistência humana ou animal, como clínicas veterinárias, odontológicas, farmácias, centro de pesquisa, funerárias, necrotérios, medicina geral e agências sanitárias. Os resíduos de serviços de saúde são subdivididos em cinco grupos. O Grupo A são os resíduos com possível presença de agentes biológicos, como lâminas Tratamento de Resíduos Sólidos 20 e placas de laboratório, peças anatômicas, entre outros. O Grupo B são os resíduos que contêm substâncias químicas, como medicamentos vencidos, reagentes de laboratórios, produtos químicos em geral. O Grupo C são os resíduos que contenham radionuclídeos, aqueles materiais que tem radioatividade alta, usados em medicina nuclear, como em raio-x. O Grupo D são os resíduos que não apresentam risco, equiparados ainda a resíduos domiciliares, tais como restos alimentares, papéis e plásticos. O Grupo E são os materiais perfuro-cortantes como agulhas, ampolas de vidro, lâminas de bisturi entre outros. Resíduos Rurais Os resíduos rurais incluem todo e qualquer resíduo gerado pelas atividades produtivas nas zonas rurais, sejam elas atividades agrícolas, florestais e/ou pecuárias. Os resíduos das atividades agrícolas são resultantes de colheitas agrícolas, como cascas, palhas, colmos, ramas, raízes, caroços, sabugo. Os resíduos das atividades florestais são resultantes de corte e poda de árvores, como casca de árvore, folhas, ramos, galhos. Os resíduos das atividades pecuárias são resultantes de alimentação do gado, como restos de alimentos espalhados, dejetos de animais, entre outros. Esses resíduos são deixados no solo e servem de proteção e/ou nutrientes recicláveis para o solo. Dessas atividades também originam resíduos não recicláveis, tais como embalagens de agrotóxicos, rações e adubos. Características dos Resíduos Os resíduos sólidos também podem ser classificados quanto às suas características, demonstraremos algumas delas aqui. Resíduos Orgânicos Resíduos de origem animal ou vegetal. Em sua grande maioria esse tipo de resíduo pode ser usado em compostagem sendo transformados em fertilizantes ou corretivos do solo, esse uso contribui para o aumento de taxa de nutrientes e melhora a qualidade da produção agrícola. Tratamento de Resíduos Sólidos 21 Figura 4 - Compostagem Fonte: Pixabay (2021). Um exemplo desse tipo de resíduo, são os resíduos rurais, e também resíduos domésticos, e até mesmo de estabelecimentos comerciais. Podemos listar entre esses resíduos os restos de alimentos, cascas de alimentos, folhagens, pó de café e até madeiras. Resíduos Inorgânicos Esses tipos de resíduos são materiais transformados pelo homem e não possuem origem biológica, quando lançados ao meio ambiente, sua degradação pode demorar gerações de vida para acontecer. Como exemplo temos vidros, plásticos, metais, borrachas, cinzas, tecidos sintéticos, entre outros. O tempo de degradação desses resíduos pode variar, sendo de 20 anos para náilon, mais de 1000 anos para vidro, chegando até em tempo indeterminado como para borracha. Resíduos Recicláveis Os resíduos recicláveis são aqueles que mesmo após sofrerem transformação física ou química, ainda assim podem ser reutilizados, pode ser tanto na forma original como na forma de material para fins de outros produtos diversos. Após a seleção do lixo, separação de papéis, vidros, metais, plásticos, orgânicos e não recicláveis, e higienização, os resíduos Tratamento de Resíduos Sólidos 22 são encaminhados para coleta seletiva municipal, que sofre outra triagem e são levados à reciclagem. Para isso tudo acontecer o município deve estar apto a receber esse material coletado para reciclá-los. Resíduos não Recicláveis Os resíduos não recicláveis são aqueles que após sofrerem transformação física ou química não podem ser reutilizados. Em alguns casos ocorre a recuperação do material por meio de processos tecnológicos disponíveis, porém quando não há a possibilidade de recuperação, mesmo após todas as tentativas, e quando a presença desses materiais pode prejudicar o produto reciclado ou o equipamento de reciclagem, o que resta é dispensarem esses resíduos nos aterros sanitários. Figura 5 - Embalagem Fonte: Pixabay (2021). Entre esses resíduos não recicláveis estão itens como cabo de panela, isopor, fita crepe, papel carbono, fotografias, e tantos outros. Alguns resíduos ainda devem ser separados, pois contém substâncias tóxicas que não devem ser dispensadas em aterros. Dentre esses resíduos estão pilhas, baterias, latas de tintas e equipamentos eletrônicos. Outras Características Características Físicas Composição gravimétrica: diz respeito a qual percentual representa cada componente individualmente em relação a todo o peso do lixo. Tratamento de Resíduos Sólidos 23 Peso específico: diz respeito ao peso que cada componente tem em função o seu volume, é expresso em kg/m³. É importante determinar o peso específico para saber o dimensionamento dos equipamentos e depósitos. Teor de umidade: influenciado diretamente pelas estações do ano e frequência de chuvas, essa característica é importante para destinar o resíduo para o tratamento ou destinação final do lixo. Grau de compactação: também conhecido como compreensividade, indica até quanto o volume da massa de lixo pode reduzir, quando submetido à pressão. É utilizado para determinar o dimensionamento de equipamentos compactadores. Chorume: líquido originado da decomposição de material orgânico. RESUMINDO: Até agora tivemos a oportunidade de refletir sobre a geração exagerada de resíduos sólidos e a problemática que isso causa em nosso meio ambiente, e que temos que buscar formas de gerenciar de forma sustentável esses resíduos. Pudemos ver também que para a gestão desses resíduos sólidos devemos primeiro caracterizá-los, e também classificá-los, para melhor gerir seus descartes. Vimos que existem resíduos recicláveise não recicláveis, orgânicos e inorgânicos, e onde os resíduos são gerados, como os domésticos, os de estabelecimentos comerciais, os industriais, os de limpeza pública, os da construção civil, os de serviços de saúde, também os rurais. Vimos também que é de extrema importância classificar os resíduos sólidos, e para isso existe até a NBR 10004/2004, que classifica os resíduos como: resíduos perigosos (Classe I) e os não perigosos (Classe II). Este último está dividido em duas subclasses: Classe II A (não inertes, exemplo: resíduo doméstico) e Classe II B (inertes, exemplo: caliças). E ainda características físicas que são importantes para optar pelo melhor tratamento e descarte final. Vamos agora descobrir qual a diferença entre lixos e resíduos? Tratamento de Resíduos Sólidos 24 Definição de Lixo e Resíduos Sólidos OBJETIVO: Neste capítulo estudaremos sobre a diferença entre lixo e resíduos sólidos e sua gestão. Hoje em dia os resíduos sólidos são tantos, que existe uma problemática quanto à sua destinação final, e não podemos simplesmente destinar tudo ao mesmo local como o aterro sanitário. Isso obriga os gestores a encontrar soluções para a destinação final de cada situação, visando a diminuição de contaminação dos aterros sanitários que é destinado aos resíduos domésticos. Os gestores hoje contam com tecnologias melhores desenvolvidas de forma que ajudam a reduzir a geração de resíduos, e também a buscar melhores formas de reaproveitar e reciclar os resíduos sólidos. Vamos descobrir como gerir melhor esses resíduos? Diferença entre Lixo e Resíduo Sólido? Para gerir de forma correta os resíduos, o profissional do meio ambiente deve compreender a diferença entre lixo e resíduo. IMPORTANTE: O que é lixo? Lixo é qualquer material ou objeto que perdeu sua utilidade ou valor durante o uso, e precisa ser descartado. Considera-se lixo porções de materiais sem significado econômico, sobras de processamentos industriais ou domésticos a serem descartados, qualquer coisa que se precise jogar fora. Tratamento de Resíduos Sólidos 25 Concluímos que não há separação entre lixo e resíduo. Portanto todo material descartado deve ser denominado resíduo, porque sempre haverá uma forma de utilizar esse “lixo”. Em uma gestão eficiente esse resíduo será sempre reaproveitado, reutilizado ou reciclado. Com isso trazemos o princípio dos 3 R’s. DEFINIÇÃO: O que é resíduo? Resíduo também é algo que já não serve mais, à primeira vista, porém, ele pode ser reaproveitado de várias formas, seja reciclando ou reutilizando o material, também para gerar energia por meio da queima, pode virar composto orgânico e adubar lavouras e hortas, por meio da sua degradação biológica. Princípio dos 3 R’s A geração de resíduos sólidos no Brasil é um dos grandes problemas enfrentados pelo poder público. Atualmente, pensando em combater esse acúmulo e diminuir a agressão feita ao meio ambiente, muito tem se falado sobre sustentabilidade, e muitas vezes os pensamentos sobre a sustentabilidade é que isso é uma coisa quase inalcançável, que requer grandes atitudes. Muitos pensam que para ser sustentável, o desembolso financeiro é grande, que demora, que requer tempo, mas não é bem assim. Simples atitudes no nosso cotidiano tornam nossos atos sustentáveis, como reduzir o consumo, separar o lixo corretamente, fechar a torneira enquanto escova os dentes... Isso mostra que para ser sustentável não precisa de muito, simples atos rotineiros são suficientes. Tratamento de Resíduos Sólidos 26 Figura 6 – 3 Rs – Reutilizar, reduzir, reciclar Fonte: Freepik (2021). A humanidade enxerga como um desafio o ato de ser sustentável e colocar em prática ações fundamentais para a preservação do meio ambiente. O princípio dos 3 R’s da Sustentabilidade – reduzir, reutilizar/ reaproveitar e reciclar – vem para mudar esse pensamento e ajudar a resolver esse problema. Esse princípio é um conjunto de práticas cotidianas que visam minimizar o impacto ambiental provocado pelo desperdício de materiais e produtos oriundos de recursos naturais, assim evitamos que a extração dos recursos naturais seja infindável e mantemos uma relação harmoniosa com a natureza. Além de reduzirmos gastos desnecessários e contribuir para o desenvolvimento sustentável. O princípio dos 3 R’s objetiva a reflexão da população sobre o ciclo de vida dos produtos, e deve ser aplicado em sua ordem de importância, da seguinte forma: reduzir, reutilizar/reaproveitar e reciclar. Reduzir o consumo desnecessário, também o desperdício de recursos naturais, como água e energia. Reutilizar/reaproveitar produtos e materiais de forma que ganhem novas utilidades, assim evita-se que jogue fora coisas ainda úteis e o desperdício de água, como o reaproveitamento de água da lavagem de roupas para lavar o quintal. Reciclar tudo que não for possível reduzir ou reutilizar/reaproveitar, assim o resíduo será utilizado como matéria prima para a geração de outro produto, como o uso de cascas de frutas e verduras como fertilizante em casa. Tratamento de Resíduos Sólidos 27 Os 3 R’s serão inevitáveis a longo prazo, apesar de ainda serem apenas condutas voluntárias, porque o problema da degradação do meio ambiente está aí, a escassez dos recursos naturais, a poluição ambiental e o aumento do volume de resíduos só vem aumentando com o tempo. Então coloque em prática esse princípio em seu cotidiano, visando a redução da produção de lixo, para vivermos em uma sociedade que tenha consumo consciente. Para entender melhor vamos detalhar cada R, e entender o que podemos fazer e como colocar em prática no nosso dia a dia cada um deles. Reduzir O que se entende por reduzir? DEFINIÇÃO: REDUZIR: tornar menos numeroso, tornar menor, resumir, abreviar, abrandar, minorar, converter, transformar, mudar, trocar. Existem diversas formas e finalidades de redução, mas que todas acabam possuindo o mesmo intuito, reduzir o volume final de resíduos sólidos. Sabemos então que o cidadão deve ser estimulado a reduzir a quantidade de resíduos que gera. E como podemos fazer isso? Reordenando os materiais usados em seu dia a dia, combatendo o desperdício, visto que esse gera ônus para o poder público e, indiretamente para o contribuinte, ou seja, o próprio cidadão gerador de resíduos. Essa redução irá favorecer não apenas o poder público e o cidadão, como também favorecer e, principalmente, a preservação dos recursos naturais. Podemos reduzir o volume produzido de resíduos por meio da “economia”, ao comprar produtos mais duráveis e evitar trocá-los assim que uma novidade ou atualização surja no mercado. Por exemplo, quando você compra um telefone móvel com a última tecnologia, é preciso estabelecer uma meta a longo prazo para troca desse telefone móvel e não o trocar a cada ano e nova tecnologia lançada. Tratamento de Resíduos Sólidos 28 Figura 7 – Telefone móvel quebrado Fonte: Pixabay (2017). A redução deve ser feita não somente pelo cidadão consumidor, mas também pode e deve ocorrer com a minimização do resíduo na fonte, concluindo assim que o resíduo não seja produzido. Dessa forma, a redução será não somente na geração de resíduos, mas também econômica, pois o produto requer grande quantidade de energia, matérias primas e recursos naturais para serem produzidos, e também diminuindo o gasto despendido com as etapas de coleta, transporte e disposição final. Mas como isso pode ser feito? Por meio de instrumentos legais que o Governo pode criar e incentivar na redução de resíduos. A indústria pode reduzir a quantidade de material que chega até o consumidor, diminuindo o excesso de embalagens em seus produtos. Os consumidores podem reduzir a geração de resíduos evitando a compra de produtos que carreguem muitas embalagens, ou até mesmo utilizando sacolas retornáveis, evitando o uso de sacolas plásticas descartáveis. Dicas práticaspara ajudar a reduzir a geração de resíduos: • Utilizar o modo de impressão em frente e verso. Tratamento de Resíduos Sólidos 29 • Tirar cópias e imprimir o que for realmente necessário. • Preferir produtos que tenham a possibilidade de recarga ou usem menos embalagens. • Pensar antes de comprar: “eu realmente preciso desse produto?”. • Cancelar correspondência inútil e propaganda que recebe via correio. • Ao utilizar o cartão de crédito/débito, se não utilizar a sua via, informar que essa impressão não será necessária. É impossível que se consuma ou leve para casa produtos que não irão acabar gerando resíduo, e quanto a isso é possível que se aplique o segundo princípio: reutilizar/reaproveitar. Reutilizar/Reaproveitar O que significa reutilizar ou reaproveitar algo? DEFINIÇÃO: REUTILIZAR: reciclar; dar um novo uso a; atribuir uma nova utilização a alguma coisa. Reusar; utilizar novamente. REAPROVEITAR: tornar a aproveitar; usufruir ou desfrutar novamente; reutilizar algo que seria descartado; reusar, reciclar, recuperar. A reutilização é qualquer prática, ou técnica, que permite o reuso do resíduo sem que ele seja submetido a um tratamento que altere suas características físico-químicas (CETESB, 2001). Objetos nem sempre são descartáveis, e de alguns deles pode-se tirar uma segunda e até terceira utilidade, então antes de pensar em jogar fora algo, olhe para ele e pense: “será que não posso utilizá-lo para mais nada?” Se a resposta for sim, você terá um objeto reutilizado/reaproveitado. É de extrema importância procurar sempre por objetos que possam ser reaproveitados posteriormente ao seu objetivo principal, como garrafas retornáveis de vidro, ou qualquer outro tipo de embalagem que Tratamento de Resíduos Sólidos 30 seja retornável, ou até mesmo criar novas utilidades para coisas que você não precisa mais. O correto descarte dos resíduos também pode gerar bons frutos em seu reaproveitamento. Existem muitos artesãos hoje em dia que confeccionam peças a partir de resíduos descartados, como pet, tampinha de garrafa, tecido de roupas velhas, pneu e ferro velhos, entre tantos materiais que são reutilizados. Portanto, para a reutilização dos resíduos requer criatividade e também consciência. Assim damos novas funções aos objetos que se tornariam resíduos sólidos e seriam apenas descartados em aterros sanitários, e em consequência diminuímos o uso de recursos naturais nos processos de fabricação. IMPORTANTE: Dicas práticas para ajudar a reaproveitar os materiais: • Considerar a durabilidade de um produto antes de comprá-lo. • Preferir produtos reutilizáveis ao invés de descartáveis. • Adotar sacolas retornáveis para ir às compras. • Usar um mesmo recipiente para consumo de água ao longo do dia (squeeze, moringa, caneca etc.). • Reaproveitar os vidros de conserva, caixas de papel e papelão e potes plásticos. • Doar roupas e objetos que não lhe interessem mais e que ainda tenham utilidade. • Usar o verso em branco do papel para rascunho ou bloco de anotações. • Resíduos da construção civil frequentemente podem ser reaproveitados na própria obra em bases e sub-bases de pavimentação, elementos de concreto não estrutural, entre outros. Tratamento de Resíduos Sólidos 31 Após analisar as formas de reaproveitamento de resíduos, e ainda assim não encontrou uma forma de reutilizar algum objeto, podemos pensar: será que é possível transformar esse objeto em outros? Se sim, então partimos para a prática do terceiro princípio: reciclar. Reciclar O que é reciclar? DEFINIÇÃO: RECICLAR: adquirir uma nova formação para reciclagem. Recuperação e reaproveitamento da parte utilizável dos dejetos, colocando-os novamente no ciclo do qual fazem parte, por exemplo a reciclagem do papel. Quando não for possível reduzir ou reutilizar algum objeto ou material reciclável, você pode separá-lo, higienizá-lo quando necessário, e entregá-lo nos pontos de coleta seletiva. A reciclagem é de extrema importância para evitar o acúmulo de rejeitos e também para diminuir a extração de recursos naturais para obtenção de algum novo objeto, pois consiste em transformar um produto-resíduo em outro, com a finalidade de diminuir a extração de matéria prima da natureza. Então isso significa que reciclar é o método de retornar o material à indústria e assim fazer com que ele torne a entrar no ciclo produtivo. Após a separação dos resíduos entre aproveitáveis ou não, e a higienização dos aproveitáveis, devemos separar os materiais de acordo com sua categoria, para então entregarmos nos pontos de coleta seletiva, ou fazer o descarte correto, para o recolhimento ser de acordo com sua categoria. Tratamento de Resíduos Sólidos 32 Figura 8 - Lixeiras Fonte: Pixabay (2021). Ao retornar para as indústrias, esse material reciclado será recuperado em forma de outros objetos, por isso as indústrias recicladoras são também chamadas de indústrias secundárias. Um exemplo desse produto reciclado ser diferente do produto que o originou são os copos de papéis descartáveis. Esses são feitos de papéis oriundos de várias fontes como, papéis de jornais, revistas e caixas de papelão. Esses por sua vez, são triturados, preparados e processados, originando copos novos por exemplo. E qual a vantagem nisso? Além de diminuir o volume nos aterros sanitários, a produção de objetos reciclados utiliza muito menos energia quando em comparação à produção de produtos novos. Quando reciclamos uma tonelada de alumínio, é gasto 95% menos energia do que produzir a mesma quantidade. A reciclagem de 50 quilos de papel, evita o corte de uma árvore. O reaproveitamento do vidro quebrado é 100%, então com um quilograma de vidro quebrado, é possível produzir exatamente um quilograma de vidro novo, com uma vantagem a mais, o vidro pode ser reciclado inúmeras vezes (FERREIRA, 2000). Tratamento de Resíduos Sólidos 33 VOCÊ SABIA? Você sabia que a tampinha que você joga fora pode virar uma doação de amor? O Hospital do Amor tem pontos de coletas espalhados por todo o Brasil, eles arrecadam tampinhas de plásticos e anéis de metal, para a troca de cadeiras de rodas. E essas cadeiras de rodas são utilizadas não somente dentro dos hospitais, como também ajudam pessoas necessitadas. Acesse aqui para conhecer mais sobre essa iniciativa inovadora. E o que pode ser reciclado? Papel: jornais e revistas, listas telefônicas, papel sulfite/rascunho, papel de fax, folhas de caderno, formulários de computador, caixas em geral (ondulado), aparas de papel, fotocópias, envelopes, rascunhos, cartazes velhos, caixa de pizza, cartolinas e papel cartão, embalagens longa vida, tipo Tetrapak. Figura 9 – Jornal para reciclagem Fonte: Pixabay (2021). Tratamento de Resíduos Sólidos https://g1.globo.com/to/tocantins/noticia/2019/10/09/casal-junta-milhoes-de-tampinhas-de-lacre-para-ajudar-na-construcao-do-hospital-do-amor.ghtml 34 Plástico e isopor: copos, garrafas, sacos/sacolas, frascos de produtos, embalagens pet (refrigerantes, óleo, vinagre), canos e tubos de PVC, caneta (sem a tinta), tampas, embalagens tipo Tupperware, embalagens de produto de limpeza. Vidro: potes de conservas, embalagens, frascos de remédios vazios, copos, cacos dos produtos citados, vidros, especiais (tampa de forno e micro-ondas), garrafas. Metal: tampinhas de garrafas, latas, enlatados, panelas sem cabo, ferragens, arames, chapas, canos, pregos, cobre, embalagem térmica para alimentos, papel alumínio limpo, aerossóis. E existe algum resíduo que não pode ser reciclado? Tem sim e vamos listar por material. Papel: papéis sanitários (papel higiênico), papéis plastificados, papéis engordurados, etiquetas adesivas, papéis parafinados, papel carbono, papel celofane, guardanapos, bitucas de cigarros, fotografias. Plástico e isopor: embalagem metalizada (café e salgadinho), isopor, cabos depanelas, espuma, bandejas de plástico, acrílico. Vidro: espelhos, boxes temperados, louças, óculos, cerâmicas, porcelanas, pirex, tubos de tv e monitores, para-brisa de carros. Metal: clipes, grampos, esponja de aço, latas de inseticidas, latas de verniz, latas de solventes químicos. ACESSE: Neste link você terá mais informações de como descartar as tampinhas e ajudar ao próximo. Disponível em aqui. Dicas práticas para ajudar a reciclar os materiais: • Criar o hábito da coleta seletiva, colocando cada resíduo em sua lixeira correspondente. Tratamento de Resíduos Sólidos https://www.opantaneiro.com.br/saude/hospital-de-amor-arrecada-tampinhas-descartaveis-para-trocar-em/153253/. 35 • Guardar o óleo usado em garrafas PET para encaminhar para reciclagem. • Remover o excesso de restos de produtos das embalagens e recipientes recicláveis antes de destiná-los, garantindo a segurança dos catadores e a viabilidade da reciclagem. RESUMINDO: Neste capítulo pudemos ver a diferença e a ligação entre lixo e resíduo. Aprendemos sobre a aplicação dos 3Rs: primeiro reduzir, a fim de diminuir o volume de resíduos gerados, depois reutilizar/reaproveitar, a fim de diminuir o volume de resíduos descartados nos aterros sanitários, e por fim, reciclar, assim, mesmo que não dê para reutilizar, podemos destinar o resíduo para outro fim que não o aterro sanitário. A reciclagem promove a inclusão social com geração de emprego e renda, por isso tem uma grande importância no contexto brasileiro. Vimos também quais materiais podem ser reciclados e quais não, entre os materiais que não podem ser reciclados vamos destacar os mais utilizados como etiquetas adesivas, papel carbono, papéis sanitários, papéis metalizados, parafinados ou plastificados, esponjas de aço, espelhos, clipes, latas de inseticidas, entre tantos outros. Concluímos que o sucesso da Gestão de Resíduos só será possível por meio da coleta seletiva aliada aos 3Rs quando a participação dos geradores de resíduos, nós, se fizermos presentes, seja separando, coletando, reduzindo, participando de forma efetiva na redução dos resíduos, por isso a educação ambiental é importante a todos. Tratamento de Resíduos Sólidos 36 Problemática da Geração de Resíduos OBJETIVO: Neste capítulo conheceremos a problemática da geração de resíduos, pois eles constituem hoje um grande obstáculo à administração pública. A gestão de resíduos sólidos cada vez mais vem chamando a atenção ao redor do mundo, visto que está se tornando um assunto gradativamente complexo nos últimos tempos, além do acúmulo de resíduos sólidos que gera grande risco à saúde pública. Veremos então a problemática na geração de resíduos sólidos e como podemos gerir essa situação.. Fontes de Dados da Geração de Resíduos Para conhecermos a problemática da geração de resíduos, temos que obter dados e informações fornecidos por alguma fonte de confiança, internacionalmente essa é a função da ISWA, aqui no Brasil representada pela ABRELPE. Então antes de falarmos sobre a problemática da geração de resíduos sólidos, vamos conhecer mais sobre as duas associações sem fins lucrativos, destinadas à promoção e desenvolvimento no setor de resíduos sólidos. ISWA A International Solid Waste Association (ISWA) é uma associação internacional, não governamental e sem fins lucrativos, que atua pelo interesse público de promover e desenvolver o setor de resíduos sólidos ao redor do mundo para uma sociedade sustentável, da qual a ABRELPE é Representante no Brasil. É a única associação mundial que atua exclusivamente para o setor de resíduos sólidos. Seu principal objetivo é proporcionar a máxima troca de informações e experiências em âmbito global em todos os aspectos Tratamento de Resíduos Sólidos 37 da gestão de resíduos sólidos, por meio da pesquisa e implementação de ações, tais como, organização de conferências e seminários especializados, estabelecimento de grupos de trabalho, edição de publicações periódicas de caráter científico, livros, relatórios e conclusões de encontros profissionais. Figura 10 - ISWA IS W A PNUMA OMS Grupos de trabalho Fonte: Elaborado pelo autor (2021). O associado da ISWA, entre outros benefícios, tem acesso às organizações internacionais, tais como, PNUMA (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente), OMS (Organização Mundial da Saúde) e União Europeia, nas quais a ISWA é a entidade acreditada para os assuntos ligados aos resíduos sólidos. Através dos seus Grupos de Trabalho, a ISWA auxilia esses organismos internacionais com relatórios técnicos e opiniões sobre as práticas de resíduos sólidos. Contando atualmente com mais de 1.200 associados em cerca de 70 países, é a única associação mundial que permite ao seu associado estabelecer um network com técnicos, professores, representantes de empresas e órgãos públicos ligados aos resíduos sólidos, do mundo. A maioria das atividades técnicas da ISWA são desenvolvidas pelos Grupos de Trabalho, que estão focados para prover as experiências e dados técnicos para os encontros, projetos, relatórios e conferências da ISWA, cumprindo sua missão declarada de: “Promover e Desenvolver a Gestão Sustentável e Profissional de Resíduos Sólidos em todo o Mundo”. Tratamento de Resíduos Sólidos 38 VOCÊ SABIA? A ISWA cumpre com sua missão por meio de: • Eficiência em termos de práticas ambientais. • Aceitabilidade social e eficiência em termos de viabilidade econômica. • Avanço na gestão de resíduos por meio de educação e treinamento profissional. • Apoio para países em desenvolvimento por meio do Programa de Desenvolvimento da ISWA. • Capacitação Técnica de alto nível por meio de um exclusivo programa em qualificação profissional. A ISWA tem sua própria publicação científica, Waste Management & Research, que conta com incomparável respeitabilidade no meio acadêmico. Sua revista periódica, Waste Management World, um newsletter ISWA e a newsletter da União Europeia. Construiu seu perfil técnico em torno das Políticas Técnicas da ISWA, Trabalhos sobre temas chave e Documentos com o Posicionamento da ISWA. Também produziu um grande número de relatórios, elaborados com extrema competência pelos seus Grupos de Trabalho e Forças Tarefa. ACESSE: Para mais informações, visite o site da ISWA, clicando aqui. ABRELPE A ABRELPE – Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais - é uma associação não governamental e sem fins lucrativos, fundada em 1976, por um grupo de empresários pioneiros Tratamento de Resíduos Sólidos https://www.iswa.org/. 39 nas atividades de coleta e transporte de resíduos sólidos. Ao longo de sua atuação, a entidade conquistou a representação da International Solid Waste Association (ISWA) no Brasil e foi escolhida para ser sede da Secretaria Regional para a América do Sul da IPLA (Parceria Internacional para desenvolvimento da gestão de resíduos junto a autoridades locais), um programa reconhecido e mantido pela ONU por meio da UNCRD – Comissão das Nações Unidas para o Desenvolvimento Regional. Para alcançar seus objetivos, a associação organiza conferências e cursos de treinamento, estudos e pesquisas com relação ao setor de resíduos e troca de informações em bases nacionais e internacionais. A associação tem membros com grande expertise técnica e científica, todos envolvidos no campo da Gestão de Resíduos Sólidos. A missão da ABRELPE é promover o desenvolvimento técnico e operacional do setor de gestão de resíduos, sempre com base em orientações ambientais e sustentáveis. Em suas ações, a ABRELPE mantém estrita cooperação com as entidades Públicas e Privadas, Universidades e outras organizações, desenvolvendo pesquisas, publicações eventos de qualificação, desenvolvimento regulatório e legislativo. Figura 11 - ABRELPE Fonte: Elaborado pelo autor (2022). Além das atividades institucionaise de relacionamento, a ABRELPE também desenvolve outras iniciativas relevantes. Neste contexto, é possível destacar algumas ações importantes, tais como, o Panorama dos Tratamento de Resíduos Sólidos 40 Resíduos Sólidos no Brasil, Prêmio ABRELPE de Reportagem e a Revista Conexão Academia. Nesse universo de atuação, desde 2003 o Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil conquistou espaço como a principal fonte de dados do setor, constituindo-se como uma referência para todos aqueles que buscam conhecer sobre resíduos sólidos no Brasil. ACESSE: Para mais informações, visite o site da ABRELPE. Para acessar, clique aqui. Geração de Resíduos Sólidos no Mundo Anualmente são gerados mais de 1,4 bilhão de toneladas de resíduos sólidos urbanos por toda população mundial, que conta com sete bilhões de pessoas produzindo diariamente uma média de 1,2 kg per capita. Os países mais desenvolvidos do mundo, isso é menos de 30 países no total, são responsáveis por gerar quase a metade desse total de resíduos. Segundo estudos da ONU (Organização das Nações Unidas) e do Banco Mundial, daqui a quatro anos a produção pode chegar a 2,2 bilhões de toneladas anuais, um número que é ainda mais assustador do que o apresentado para o cenário atual. Com esse ritmo, podemos chegar à 2050 com 9 bilhões de habitantes gerando cerca de 4 bilhões de toneladas de lixo urbano por ano. Há pouco tempo não se gerava mais que dezenas de quilos de resíduos por habitante por ano. Hoje, com o avanço de novas tecnologias e o desenvolvimento crescente, nos países mais industrializados, o volume gerado chega a mais de 600 quilos anuais per capita de lixo. Ao longo dos últimos anos o crescimento populacional é superado pelo aumento do volume de lixo produzido, este chega a ser três vezes maior que o crescimento populacional no mundo. Dados apontados em relatório do Banco Mundial, mostram que o índice per capita de geração de resíduos sólidos nos países mais ricos aumentou 14% desde 1990. Geralmente, esse crescimento fica pouco abaixo do aumento do produto interno bruto (PIB). Tratamento de Resíduos Sólidos https://www.abrelpe.org.br/. 41 A maior parte desses resíduos sólidos gerados no mundo, que somam cerca de 800 milhões de toneladas/ano, é descartada em aterros. A geração de resíduos sólidos tem um elevado custo ambiental e financeiro, e não dá nem para mensurar que prejuízos causam e causarão ao meio ambiente. Esse custo está sendo cobrado por meio da inutilização do solo, da contaminação da água e também da poluição do ar. Mesmo que não se possa mensurar esse prejuízo, ele pode ser sentido com a redução da qualidade de vida e a destruição do meio ambiente. Figura 12 – Aterro sanitário Fonte: Pixabay (2021). Nos lixões e aterros sanitários, a degradação da matéria orgânica, produz gases como metano e dióxido de carbono, contribuindo para o aumento nas temperaturas e poluição do ar. O gás metano é mais perigoso em comparação ao gás carbono, visto que a mesma quantidade de gás metano chega a ter 25 vezes mais impacto sobre o aquecimento global que o gás carbono. Em estimativa pelo Conselho de Pesquisa em Tecnologia de Geração de Energia a partir de Resíduos dos Estados Unidos, um metro quadrado de terreno é perdido para sempre, para cada dez toneladas de lixo aterrado. Segundo estudo da ONU, há comprometimento de 20% a 30% dos orçamentos municipais com a coleta e destinação desses resíduos. Porém Tratamento de Resíduos Sólidos 42 só metade da população mundial é atendida por coleta, de acordo com a Associação Internacional de Resíduos Sólidos (ISWA). Regiões ainda em desenvolvimento, como a África, Sudeste Asiático e a América Latina, são as regiões onde essa coleta é mais carente, e segundo estimativa da ISWA seria necessário investimento anual de US$40 bilhões (cerca de R$217 bilhões) apenas para garantir que o lixo nessas regiões seja recolhido. Essa situação, além de prejudicar a economia, representa riscos à saúde e ao meio ambiente. Para o presidente da ISWA, David Newman, a explicação é simples: a população, além de crescer rapidamente desde o século passado, também tem cada vez mais acesso à renda, o que aumenta o consumo e a produção de lixo. Países desenvolvidos produzem mais RSU por habitante porque têm níveis mais elevados de consumo. À medida que os países vão se tornando mais ricos, há uma redução gradual dos componentes orgânicos no lixo, ou seja, a proporção de plásticos, metais e papel no lixo doméstico fica maior. SAIBA MAIS: Para ver a quantidade de resíduos sólidos gerados em cada país, acesse aqui. Tratamento de Resíduos Sólidos https://www.reciclasampa.com.br/interatividade/globo/ 43 Geração de Resíduos Sólidos no Brasil Nas cidades brasileiras, a crescente geração desse tipo de resíduo e as práticas de descarte estabelecidas, aliados ao ainda alto custo de armazenagem, resultaram em volumes crescentes de resíduos sólidos urbanos acumulados e, historicamente, em sérios problemas ambientais e de saúde pública. Ao longo dos anos, a disposição irregular de resíduos sólidos tem causado a contaminação de solos, cursos d’água e lençóis freáticos, e também doenças como dengue, leishmaniose, leptospirose e esquistossomose, entre outras, cujos vetores encontram nos lixões um ambiente propício para sua disseminação (ANTENOR & SZIGETHY, 2020). A ABRELPE – Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais - faz anualmente edições do Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil. Em 2019 foi feita uma retrospectiva dos últimos 10 anos na geração de resíduos sólidos urbanos, e puderam ver que a geração de resíduos sólidos no país apresenta uma curva ascendente e tem registrado aumento tanto nas quantidades totais, quanto nos valores per capita, reflexo dos padrões de consumo e descarte da população, e também do crescimento vegetativo. Além disso, a variação do poder aquisitivo da população, vem exercendo influência comprovada na geração de resíduos sólidos urbanos, isso é representado pelos índices do produto interno bruto (PIB). ACESSE: Para conhecer mais sobre a ABRELPE, acesse aqui. No Panorama 2020 da ABRELPE, foi constatado que entre 2010 e 2019, a geração de resíduos sólidos no Brasil teve um aumento considerável, antes registrado 67 milhões de toneladas por ano em 2010, em 2019 apresentou a geração de 79 milhões de toneladas por ano. Já a geração per capita aumentou de 348 kg/ano para 379 kg/ano em 10 anos. Desse total, a região Sudeste tem representatividade de quase 50% na geração de resíduos no Brasil, considerando ainda que é a região mais populosa do país. Já o estado de Minas Gerais representa quase 9% na geração de resíduos em território brasileiro, e do total da região Sudeste, Tratamento de Resíduos Sólidos https://abrelpe.org.br/ 44 o estado fica em terceiro lugar, gerando 17% do montante da região. O Brasil é campeão em geração de lixo em comparação com os países da América Latina, correspondendo a 40% do total gerado na região, que teve 541 milhões de toneladas por dia. Com a situação já fora de controle no Brasil, o governo federal, após cerca de 20 anos de conversas e debates, promulgou em 2010 a lei 12.305, que estabeleceu a PNRS (Política Nacional de Resíduos Sólidos), prevendo a gestão integrada e o gerenciamento de resíduos sólidos, inicialmente contava com o prazo de quatro anos para a disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos, ficando a responsabilidade por seus resíduos gerados para cada município. O prazo inicial para a adequação à legislação dos municípios expirou em 2014, mas dados coletados pela ABRELPE mostram que mais da metade das cidades do país ainda não cumpriram a determinação legal, ficando em torno de 53% dos municípios brasileiros fora da adequação exigida. A ABRELPE destaca que a coleta seletiva está longe de ser universalizada, e os índices dereciclagem estão parados há quase dez anos. A Associação deixa claro que, enquanto mundialmente é falado em economia circular e alternativas mais avançadas de destinação e/ou reaproveitamento dos resíduos gerados, no Brasil ainda aponta lixões em todas as regiões, e precisa ainda enfrentar um problema de atitudes da população, pois o brasileiro ainda está aprendendo a jogar o lixo na lixeira, e também a fazer a separação e higienização do resíduo com potencial de reciclagem. “Na questão da reciclagem, para que ela aconteça, a primeira etapa começa justamente com o cidadão, que precisa estar conscientizado da necessidade de separar o lixo dentro de casa, estar educado de como fazer essa separação de maneira correta e a grande maioria da sociedade brasileira não tem essa consciência. A partir do momento que não há essa preparação dentro de casa, toda a sequência na cadeia da reciclagem acaba sendo prejudicada”, avaliou o presidente da ABRELPE. Para a reversão desse quadro, é fundamental, na ótica da gestão integrada e do gerenciamento, a adoção de tecnologias que promovam o desenvolvimento sustentável e criem oportunidades para resgatar Tratamento de Resíduos Sólidos 45 e elevar o valor incorporado nos resíduos, aproveitando-os antes de chegarem aos aterros. ACESSE: Leia esta reportagem do site do Ipea em 09 de julho de 2020 a respeito dos resíduos sólidos urbanos. Para acessar, clique aqui. RESUMINDO: Neste capítulo vimos que a geração de resíduos sólidos é um problema enfrentado mundialmente, e não apenas no Brasil. E para que saibamos mais sobre e tenhamos acesso a dados importantes, contamos com algumas associações responsáveis por adquirir esses dados e divulgar, além de promoverem o desenvolvimento técnico no setor de gestão de resíduos, sempre com base em orientações ambientais e sustentáveis. Internacionalmente contamos com a ISWA - International Solid Waste Association (Associação Internacional de Resíduos Sólidos), associação não governamental e sem fins lucrativos, tendo como principal objetivo: “Promover e Desenvolver a Gestão Sustentável e Profissional de Resíduos Sólidos em todo o Mundo”. No Brasil podemos contar com a ABRELPE – Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais, representante da ISWA no Brasil. Foi fundada em 1976, também não governamental sem fins lucrativos, conta com ações importantes como o Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil. Vimos também que a problemática na geração de resíduos vem crescendo a cada dia mais, e a estimativa do volume gerado daqui alguns anos é assustadora. Isso degrada o meio ambiente e limita os nossos recursos naturais, além de contaminar o solo, poluir as águas e o ar. Por isso se faz necessário a educação ambiental, para entender mais da problemática da geração de resíduos, e ter consciência nas nossas escolhas. Tratamento de Resíduos Sólidos https://www.ipea.gov.br/cts/pt/central-de-conteudo/artigos/artigos/217-residuos-solidos-urbanos-no-brasil-desafios-tecnologicos-politicos-e-economicos#:~:text=Em%20seu%20%C3%BAltimo%20relat%C3%B3rio%20sobre,milh%C3%B5es%20de%20toneladas%2C%20dos%20quais 46 A Problemática dos Resíduos de Serviço de Saúde OBJETIVO: Neste capítulo iremos aprender mais sobre os resíduos classe I – perigosos, de acordo com a classificação da NBR 10004/2004. Esses resíduos apresentam como características inflamabilidade, corrosividade, reatividade, toxicidade e patogenicidade, eles apresentam riscos à saúde pública e ao meio ambiente. As atividades capazes de proporcionar dano, doença ou morte para os seres vivos são caracterizadas como atividades de risco. Focaremos aqui nos resíduos de serviço de saúde, embalagens de agrotóxicos, pneus, pilhas e baterias, resíduos da construção civil, óleos lubrificantes, óleo vegetal e lâmpadas. Iremos ver as orientações específicas com relação ao manuseio, acondicionamento, armazenamento e transporte desses resíduos sólidos.. Cada um desses materiais tem destinação própria e deve ser observado pelo consumidor nas embalagens e nos manuais de fabricação sobre o local de coleta mais apropriado àqueles rejeitos. É importante observar tais procedimentos, pois o descarte inapropriado desses e outros materiais podem gerar sanções penais de acordo com a Lei de Crimes Ambientais, em seu artigo 54. IMPORTANTE: Se o crime de poluição ocorrer por lançamento de resíduos sólidos, líquidos ou gasosos, ou detritos, óleos ou substâncias oleosas, em desacordo com as exigências estabelecidas em leis ou regulamentos, a pena é de reclusão de um a cinco anos. Tratamento de Resíduos Sólidos 47 Resíduos de Serviços de Saúde A Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) ANVISA nº 222/2018 e a Resolução CONAMA nº 358/2005 abordam sobre o gerenciamento dos Resíduos do Serviço da Saúde (RSS) em todas as suas etapas. Definem a conduta dos diferentes agentes da cadeia de responsabilidades pelos RSS. Refletem um processo de mudança de paradigma no trato dos RSS, fundamentada na análise dos riscos envolvidos, em que a prevenção passa a ser eixo principal e o tratamento é visto como uma alternativa para dar destinação adequada aos resíduos com potencial de contaminação. Com isso, exigem que os resíduos recebam manejo específico, desde a sua geração até a disposição final, definindo competências e responsabilidades para tal. A Resolução CONAMA nº 358/2005 trata do gerenciamento sob o prisma da preservação dos recursos naturais e do meio ambiente. Promove a competência aos órgãos ambientais estaduais e municipais para estabelecerem critérios para o licenciamento ambiental dos sistemas de tratamento e destinação final dos RSS. Figura 13 – Resolução Conama Resolução CONAMA nº 358/2005 Gerenciamento sob o prisma da preservação dos recursos naturais e do meio ambiente; Competência aos órgãos ambientais dos Estados e dos Municípios. Fonte: Elaborado pelo autor (2022). Por outro lado, a RDC ANVISA nº 222/2018 concentra sua regulação no controle dos processos de segregação, acondicionamento, armazenamento, transporte, tratamento e disposição final. Estabelece procedimentos operacionais em função dos riscos envolvidos e concentra seu controle na inspeção dos serviços de saúde. Tratamento de Resíduos Sólidos 48 DEFINIÇÃO: De acordo com a RDC ANVISA nº 222/2018 e a Resolução CONAMA nº 358/2005, são definidos como geradores de RSS todos os serviços relacionados com o atendimento à saúde humana ou animal, inclusive os serviços de assistência domiciliar e de trabalhos de campo; laboratórios analíticos de produtos para a saúde; necrotérios, funerárias e serviços nos quais se realizem atividades de embalsamamento, serviços de medicina legal, drogarias e farmácias inclusive as de manipulação; estabelecimentos de ensino e pesquisa na área da saúde, centro de controle de zoonoses; distribuidores de produtos farmacêuticos, importadores, distribuidores produtores de materiais e controles para diagnóstico in vitro, unidades móveis de atendimento à saúde; serviços de acupuntura, serviços de tatuagem, entre outros similares. A RDC ANVISA nº 222/2018 dispõe o seguinte sobre coleta, armazenamento e transporte: Coleta e transporte interno Art. 25 O transporte interno dos RSS deve ser realizado atendendo a rota e a horários previamente definidos, em coletor identificado de acordo com o Anexo II desta Resolução. Art. 26 O coletor utilizado para transporte interno deve ser constituído de material liso, rígido, lavável, impermeável, provido de tampa articulada ao próprio corpo do equipamento, cantos e bordas arredondados. Parágrafo Único. Os coletores com mais de quatrocentos litros de capacidade devem possuir válvula de dreno no fundo. Armazenamento interno, temporário e externo. Nessa perspectiva, a mencionada RDC ainda dispõe acerca do armazenamento temporário e externo de RSS, segundo o qual é obrigatórioque os sacos acondicionados sejam mantidos dentro dos coletores com a tampa fechada. Assim, o artigo 29 dispõe que: Tratamento de Resíduos Sólidos 49 Art. 29 O abrigo temporário de RSS deve: I - ser provido de pisos e paredes revestidos de material resistente, lavável e impermeável; II - possuir ponto de iluminação artificial e de água, tomada elétrica alta e ralo sifonado com tampa; III - quando provido de área de ventilação, esta deve ser dotada de tela de proteção contra roedores e vetores; IV - ter porta de largura compatível com as dimensões dos coletores; e V - estar identificado como “ABRIGO TEMPORÁRIO DE RESÍDUOS”. (BRASIL, 2018) Além disso, a mencionada RDC esclarece que o armazenamento temporário pode ser dispensado nas hipóteses em que o fluxo de recolhimento e de transporte forneça justificativa suficiente para isso. Também é determinado que o abrigo externo precisa ter, pelo menos, um ambiente destinado ao armazenamento dos coletores dos RSS do Grupo A, sendo facultativo o armazenamento para o grupo E, sendo também necessário que seja criado um ambiente exclusivo para o armazenamento de coletores de RSS do grupo D. A RDC ANVISA nº 222/2018 apresenta ainda disposições acerca de como deve ser o abrigo externo, conforme disposto no artigo 35, e explica ainda como deve ser o abrigo externo do RSS do grupo B, no artigo 36 do mencionado RDC. Art. 35 O abrigo externo deve: I - permitir fácil acesso às operações do transporte interno; II - permitir fácil acesso aos veículos de coleta externa; III - ser dimensionado com capacidade de armazenagem mínima equivalente à ausência de uma coleta regular, obedecendo à frequência de coleta de cada grupo de RSS; IV - ser construído com piso, paredes e teto de material resistente, lavável e de fácil higienização, com aberturas para ventilação e com tela de proteção contra acesso de vetores; V - ser identificado conforme os Grupos de RSS armazenados; VI - ser de acesso restrito às pessoas envolvidas no manejo de RSS; VII - possuir porta com abertura para fora, provida de proteção inferior contra roedores e vetores, com dimensões compatíveis com as dos coletores utilizados; VIII - ter ponto de iluminação; IX - possuir canaletas para o escoamento dos efluentes de lavagem, direcionadas para a rede de esgoto, com ralo sifonado com tampa; X - possuir área coberta para pesagem dos RSS, quando Tratamento de Resíduos Sólidos 50 couber; XI - possuir área coberta, com ponto de saída de água, para higienização e limpeza dos coletores utilizados. Art. 36 O abrigo externo dos RSS do Grupo B deve, ainda: I - respeitar a segregação das categorias de RSS químicos e incompatibilidade química, conforme os Anexos III e IV desta Resolução; II - estar identificado com a simbologia de risco associado à periculosidade do RSS químico, conforme Anexo II desta Resolução; III - possuir caixa de retenção a montante das canaletas para o armazenamento de RSS líquidos ou outra forma de contenção validada; IV - possuir sistema elétrico e de combate a incêndio, que atendam aos requisitos de proteção estabelecidos pelos órgãos competentes. Art. 37 É proibido o armazenamento dos coletores em uso fora de abrigos. Parágrafo Único. O armazenamento interno de RSS químico ou rejeito radioativo pode ser feito no local de trabalho onde foram gerados. (BRASIL, 2018) A RDC ANVISA nº 222/2018 também apresenta disposições acerca da coleta e do transporte externos, sendo esses abordados dos artigos 38 ao 45 como pode ser visto a seguir: Art. 38 Os veículos de transporte externo dos RSS não podem ser dotados de sistema de compactação ou outro sistema que danifique os sacos contendo os RSS, exceto para os RSS do Grupo D. Art. 39 O transporte externo de rejeitos radioativos, deve seguir normas específicas, caso existam e as normas da CNEN Destinação Art. 40 Os RSS que não apresentam risco biológico, químico ou radiológico podem ser encaminhados para reciclagem, recuperação, reutilização, compostagem, aproveitamento energético ou logística reversa. Art. 41 Os rejeitos que não apresentam risco biológico, químico ou radiológico devem ser encaminhados para disposição final ambientalmente adequada Art. 42 As embalagens primárias vazias de medicamentos cujas classes farmacêuticas constem no Art. 59 desta Resolução devem ser descartadas como rejeitos e não precisam de tratamento prévio à sua destinação. Tratamento de Resíduos Sólidos 51 Art. 43 Sempre que não houver indicação específica, o tratamento do RSS pode ser realizado dentro ou fora da unidade geradora. Parágrafo único. Os RSS tratados devem ser considerados como rejeitos. Art. 44 O tratamento dos RSS que apresentem múltiplos riscos deve obedecer à seguinte sequência: I - na presença de risco radiológico associado, armazenar para decaimento da atividade do radionuclídeo até que o nível de dispensa seja atingido; II - na presença de risco biológico associado contendo agente biológico classe de risco 4, encaminhar para tratamento; e III - na presença de riscos químicos e biológicos, o tratamento deve ser compatível com ambos os riscos associados. Parágrafo único. Após o tratamento, o símbolo de identificação relativo ao risco do resíduo tratado deve ser retirado. Art. 45 A destinação dos medicamentos recolhidos ou apreendidos, objetos de ações de fiscalização sanitária, deve seguir a determinação prevista no art. 59 desta Resolução. Parágrafo Único. É responsabilidade do serviço providenciar o tratamento previsto no Art. 59 desta resolução. (BRASIL, 2018) Resíduos da Construção Civil A Resolução CONAMA nº 307/2002, última vez alterada pela Resolução nº 469/2015 estabelece diretrizes, critérios e procedimentos para a gestão dos resíduos da construção civil. DEFINIÇÃO: Segundo a resolução é adotada a seguinte descrição para resíduos da construção civil: são os provenientes de construções, reformas, reparos e demolições de obras de construção civil, e os resultantes da preparação e da escavação de terrenos, tais como: tijolos, blocos cerâmicos, concreto em geral, solos, rochas, metais, resinas, colas, tintas, madeiras e compensados, forros, argamassa, gesso, telhas, pavimento asfáltico, vidros, plásticos, tubulações, fiação elétrica etc., comumente chamados de entulhos de obras, caliça ou metralha. Tratamento de Resíduos Sólidos 52 São classificados como resíduos da construção civil da seguinte forma: I - Classe A - são os resíduos reutilizáveis ou recicláveis como agregados: a) de construção, demolição, reformas e reparos de pavimentação e de outras obras de infraestrutura, inclusive solos provenientes de terraplanagem; b) de construção, demolição, reformas e reparos de edificações: componentes cerâmicos (tijolos, blocos, telhas, placas de revestimento etc.), argamassa e concreto; c) de processo de fabricação e/ou demolição de peças pré-moldadas em concreto (blocos, tubos, meios-fios etc.) produzidas nos canteiros de obras. II - Classe B - são os resíduos recicláveis para outras destinações: plásticos, papel, papelão, metais, vidros, madeiras, embalagens vazias de tintas imobiliárias e gesso. III - Classe C - são os resíduos para os quais não foram desenvolvidas tecnologias ou aplicações economicamente viáveis que permitam a sua reciclagem ou recuperação. IV - Classe D - são resíduos perigosos oriundos do processo de construção, tais como: tintas, solventes, óleos e outros ou aqueles contaminados ou prejudiciais à saúde oriundos de demolições, reformas e reparos de clínicas radiológicas, instalações industriais e outros, bem como telhas e demais objetos e materiais que contenham amianto ou outros produtos nocivos à saúde. Segundo a Resolução CONAMA Nº 307/2002, os resíduos da construção civil deverão ser destinados: I - Classe A: deverão ser reutilizados ou reciclados na forma de agregadosou encaminhados a aterro de resíduos classe A de reserva de material para usos futuros. II - Classe B: deverão ser reutilizados, reciclados ou encaminhados a áreas de armazenamento temporário, sendo dispostos de modo a permitir a sua utilização ou reciclagem futura. III - Classe C: deverão ser armazenados, transportados e destinados em conformidade com as normas técnicas específicas. Tratamento de Resíduos Sólidos 53 IV - Classe D: deverão ser armazenados, transportados e destinados em conformidade com as normas técnicas específicas. Algumas empresas vêm adotando a reciclagem do entulho, em forma de pavimentação, usando como base, sub-base ou revestimento primário, na forma de brita corrida ou misturados com o solo. Esses entulhos podem ainda ser usados como agregados ao concreto, diminuindo assim o uso de areia e brita. Resíduos Diversos Embalagens de Agrotóxicos A destinação final das embalagens vazias de agrotóxicos é um procedimento complexo que requer a participação efetiva de todos os agentes envolvidos na fabricação, comercialização, utilização, licenciamento, fiscalização e monitoramento das atividades relacionadas com o manuseio, transporte, armazenamento e processamento dessas embalagens (ANDAV, 2000). Com respeito às embalagens, existem restrições legais relacionadas ao meio ambiente e aos fatores econômicos. A Lei Federal n° 7.802 de 11/07/89, regulamentada pelo Decreto nº 98.816, no seu artigo 2, inciso I, define assim o termo “agrotóxicos”: DEFINIÇÃO: São os produtos e os agentes de processos físicos, químicos ou biológicos destinados ao uso nos setores de produção, no armazenamento e beneficiamento de produtos agrícolas, nas pastagens, na proteção de florestas nativas ou implantadas e de outros ecossistemas e também em ambientes urbanos, hídricos e industriais. Cuja finalidade seja alterar a composição da flora e da fauna, a fim de preservá-la da ação danosa de seres vivos considerados nocivos, e, substâncias e produtos empregados como desfolhantes, dessecantes, estimuladores e inibidores do crescimento. Tratamento de Resíduos Sólidos 54 Para minimizar o problema em torno das embalagens desses produtos químicos, a legislação brasileira, por meio da Lei 12.305/2010 trata do descarte de embalagens vazias de defensivos. A Política Nacional de Resíduos Sólidos estabeleceu como instrumento de desenvolvimento econômico e social a implantação de sistemas de logística reversa. O sistema consiste em um conjunto de ações, procedimentos e meios destinados a viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial, para aproveitamento em seu ciclo produtivo, ou para destinação final ambientalmente adequada, conforme a lei. A aplicação da logística reversa requer integração entre União, Estados, Municípios e instituições particulares, que irão somar investimentos e esforços com a preocupação da conservação do meio ambiente. A Logística Reversa do Pós-Consumo (aplicada no caso das embalagens de agrotóxicos), abrange os bens que, após serem produzidos e utilizados, passam a ser de pós-consumo, e devido a isso podem ser enviados a destinos finais tradicionais, por exemplo, incineração e aterros sanitários, ou também podem retornar ao ciclo produtivo, por meio da reciclagem ou reuso. Destinação das embalagens vazias conforme o Decreto 4074/2002: A destinação de embalagens vazias, de sobras de agrotóxicos e afins deverá atender às recomendações técnicas apresentadas na bula ou folheto complementar, adquirido junto à compra do produto. Os usuários de agrotóxicos e afins deverão efetuar a devolução das embalagens vazias, e respectivas tampas, aos estabelecimentos comerciais em que foram adquiridos, no prazo de até um ano, contado da data de sua compra. Tratamento de Resíduos Sólidos https://sinir.gov.br/ https://www.vgresiduos.com.br/blog/desafios-da-logistica-reversa/ 55 Figura 14 – Pesticidas, herbicidas Fonte: Freepik (2021) Após o uso, antes da devolução, cabe ao agricultor realizar a lavagem das embalagens no campo, armazenando-as temporariamente para entrega posterior na unidade de recebimento indicada. A NBR 13968/1997 define a chamada “tríplice lavagem” e a lavagem sob pressão, no qual os resíduos contidos nas embalagens podem ser removidos e reutilizados na lavoura. Os estabelecimentos comerciais deverão dispor de instalações adequadas para recebimento e armazenamento das embalagens vazias devolvidas pelos usuários, até que sejam recolhidas pelas respectivas empresas titulares do registro, produtoras e comercializadoras, responsáveis pela destinação final dessas embalagens. Tratamento de Resíduos Sólidos 56 Os estabelecimentos comerciais, postos de recebimento e centros de recolhimento de embalagens vazias fornecerão comprovante de recebimento das embalagens no qual deverão constar, no mínimo: I- Nome da pessoa física ou jurídica que efetuou a devolução. II- Data do recebimento. III- Quantidades e tipos de embalagens recebidas. Os estabelecimentos destinados ao desenvolvimento de atividades que envolvem embalagens vazias de agrotóxicos, componentes ou afins, bem como produtos em desuso ou impróprios para utilização, deverão obter licenciamento ambiental. As empresas titulares de registro, produtoras e comercializadoras de agrotóxicos, seus componentes e afins, são responsáveis pelo recolhimento, transporte e destinação final das embalagens vazias, devolvidas pelos usuários aos estabelecimentos comerciais ou aos postos de recebimento, bem como dos produtos por elas fabricados e comercializados: I- Apreendidos pela ação fiscalizatória. II- Impróprios para utilização ou em desuso, com vistas à sua reciclagem ou inutilização, de acordo com normas e instruções dos órgãos registrantes e sanitário-ambientais competentes. Pneus No Brasil, em 1993, 0,5% do lixo urbano brasileiro eram de pneus velhos e fora de uso. Hoje são descartados no país cerca de 17 milhões de pneus por ano. Os fabricantes nacionais de pneus destinaram de forma ambientalmente correta 471 toneladas de pneus inservíveis em 2019. De 1999 a 2019 foram recolhidos e destinados adequadamente mais de 5,23 milhões de toneladas de pneus inutilizáveis, o equivalente a 1,04 bilhão de pneus de passeio. O número de pneus descartados é mapeado pelo número de pneus vendidos para reposição. A meta de logística reversa de pneus exigida pelo Ibama em nível nacional. Tratamento de Resíduos Sólidos https://www.vgresiduos.com.br/blog/o-que-e-um-acordo-setorial-e-qual-a-relacao-com-os-residuos-das-empresas/ 57 ACESSE: Para saber tudo sobre o ciclo sustentável do pneu acesse aqui. Os pneus podem ser recuperados e regenerados, e para isso é necessário que se separe a borracha vulcanizada de outros componentes, como metais e tecidos. Os pneus são cortados em lascas e purificados por um sistema de peneiras. As lascas são moídas e depois submetidas à digestão em vapor d’água e produtos químicos, como álcalis e óleos minerais, para desvulcanizá-las. O produto obtido pode ser então refinado em moinhos até a obtenção de uma manta uniforme ou extrudado para obtenção de grânulos de borracha. A borracha resultante desse processo apresenta duas diferenças básicas do composto original, ela possui características inferiores à original, porque nenhum processo consegue desvulcanizar a borracha completamente, e também tem composição indefinida, já que é um mix de vários componentes presentes. Apesar disso, esse material tem várias utilidades, como cobrir áreas de lazer e quadras de esporte, fabricar tapetes para automóveis; passadeiras; saltos e solados de sapatos; colas e adesivos; câmaras de ar; rodos domésticos; tiras para indústrias de estofados; buchas para eixos de caminhões e ônibus, entre outros. Figura 15 - Pneus Fonte: Freepik (2021). Tratamento de Resíduos Sólidos https://www.reciclanip.org.br/. 58 Os pneus podemser usados como reaproveitamento energético (fornos de cimento e usinas termoelétricas) – cada quilograma de pneu libera entre 8,3 a 8,5 kilowatts por hora de energia. Essa energia é até 30% maior do que a contida em 1 quilo de madeira ou carvão. As indústrias de papel e celulose e as fábricas de cal também são grandes usuárias de pneus em caldeiras, usando a carcaça inteira e aproveitando alguns óxidos contidos nos metais dos pneus radiais. IMPORTANTE: A queima de pneus para aquecer caldeiras é regulamentada por lei. Ela determina que a fumaça emanada (contendo dióxido de enxofre, por exemplo) se enquadre no padrão I da escala de Reingelmann para a totalidade de fumaças. Dicas para o melhor descarte de pneus: Manter os pneus em lugar abrigado ou cobri-los para evitar que a água entre e se acumule. Antes de jogar pneus num aterro, furar as carcaças para deixar escorrer a água ou cortá-las em muitos pedaços, para diminuir seu volume. RECICLAR, porque: economiza energia – para cada meio quilo de borracha feita de materiais reciclados, são economizados cerca de 75% a 80% da energia necessária para produzir a mesma quantidade de borracha virgem (nova); economiza petróleo (uma das fontes de matéria- prima); reduz o custo final da borracha em mais de 50%. REDUZIR o consumo dos pneus, mantendo-os adequadamente cheios e alinhados, fazendo rodízio e balanceamento a cada dez mil quilômetros e procurar usar pneus com tiras de aço, que têm uma durabilidade 90% maior do que o normal. Tratamento de Resíduos Sólidos 59 Pilhas e Baterias Pilhas e baterias, são um risco para o meio ambiente, e também para a saúde pública, quando descartadas de maneira indevida, pois esses objetos podem ter metais pesados em seu interior. Além de correrem o sério risco de explodir, ao serem esmagadas ou perfuradas durante a coleta e o processamento dos resíduos. Pilhas e baterias são também causa de centenas de incêndios por ano em depósitos de lixos e locais de reciclagem. Para fazer o descarte das pilhas e baterias inutilizadas, deve ser feita a armazenagem sem misturá-las a outros tipos de materiais, em recipientes de plásticos resistentes para evitar contato com umidade e assim evitar vazamentos. Procure o posto de recolhimento mais próximo de sua residência ou local de trabalho para o descarte correto, assim as pilhas e baterias serão enviadas de forma segura para as usinas de reciclagem. Óleos Lubrificantes A Resolução CONAMA nº 362/2005 dispõe sobre o recolhimento, coleta e destinação final de óleo lubrificante usado ou contaminado. Segue alguns artigos que falam sobre a destinação do óleo usado: Art. 3º Todo o óleo lubrificante usado ou contaminado coletado deverá ser destinado à reciclagem por meio do processo de rerrefino. Art. 4º Os óleos lubrificantes utilizados no Brasil devem observar, obrigatoriamente, o princípio da reciclabilidade. Art. 5º O produtor, o importador e o revendedor de óleo lubrificante acabado, bem como o gerador de óleo lubrificante usado, são responsáveis pelo recolhimento daquilo que foi consumido ou contaminado, nos limites das atribuições previstas nesta Resolução. Art. 6º O produtor e o importador de óleo lubrificante acabado deverão coletar ou garantir a coleta e dar a destinação final ao óleo lubrificante consumido ou contaminado, em conformidade com esta Tratamento de Resíduos Sólidos 60 Resolução, de forma proporcional em relação ao volume total de óleo lubrificante acabado que tenham comercializado. Art. 7º Os produtores e importadores são obrigados a coletar todo óleo disponível ou garantir o custeio de toda a coleta de óleo lubrificante consumido ou contaminado efetivamente realizado, na proporção do óleo que colocarem no mercado conforme metas progressivas intermediárias e finais a serem estabelecidas pelos Ministérios de Meio Ambiente e de Minas e Energia em ato normativo conjunto, mesmo que superado o percentual mínimo fixado. Art. 12º Ficam proibidos quaisquer descartes de óleos usados ou contaminados em solos, subsolos, nas águas interiores, no mar territorial, na zona econômica exclusiva e nos sistemas de esgoto ou evacuação de águas residuais. Art. 17. São obrigações do revendedor: I - receber dos geradores o óleo lubrificante usado ou contaminado. Art. 18. São obrigações do gerador: I - recolher os óleos lubrificantes usados ou contaminados de forma segura, em lugar acessível à coleta, em recipientes adequados e resistentes a vazamentos, de modo a não contaminar o meio ambiente. Assim, fique de olho na hora de trocar o óleo do carro. Procure sempre oficinas confiáveis e questione sobre o destino que darão ao produto usado no momento da troca. Óleo Vegetal Os óleos de cozinha mais utilizados são os óleos virgens e extra virgens (azeites), óleos vegetais (soja, milho, girassol, linhaça, canola) e gordura animal (manteiga e banha de porco) — que se diferem pelos processos de extração e purificação dos óleos vegetais. De acordo com dados da Associação Brasileira das Indústrias de Óleo (Abiove), o Brasil produz mais de 3 bilhões de litros de óleos vegetais por ano. O descarte incorreto de 1 litro de óleo pode contaminar até 25 mil litros de água potável. Dos 500 mil litros de óleo descartados ao mês no Brasil, apenas 10% são reciclados . Tratamento de Resíduos Sólidos 61 Vamos falar de algumas medidas que podem ser empregadas para a destinação adequada do produto. Figura 16 - medidas que podem ser empregadas para a destinação adequada do produto Filtragem do óleo Armazenamento em garrafas PET Reciclagem do óleo Logística Reversa Fonte: Elaborado pelo autor (2022). 1. Filtrar o óleo depois de usá-lo: ao utilizar o óleo para frituras, é necessário filtrá-lo assim que ele esfriar para retirada dos restos de comida. 2. Armazenar em garrafas PET e realizar o descarte correto: após filtrar o óleo, armazene-o em uma garrafa PET. Essa atitude reduz os riscos de entupimento de tubulações e conserva o óleo para que ele seja encaminhado para reciclagem. Existem muitas empresas e ONGs especializadas nesse tipo de coleta seletiva, que utilizam o resíduo para produção de biodiesel, tintas a óleo, entre outros produtos. Procure um ponto de entrega voluntário próximo à sua residência, ou deixe o recipiente junto à lixeira para ser coletado. 3. Recicle o óleo: uma das grandes utilidades do óleo usado é a reutilização para fazer biodiesel, lubrificantes, entre outros produtos. Sem dúvidas, a reciclagem no Brasil é algo que deve ser incentivado constantemente, e esse é o melhor destino dado para o óleo após o seu uso. 4. Logística reversa: o CONAMA, mediante diversas resoluções, determina que empresas (como oficinas) recolham e destinem corretamente óleos e demais produtos químicos que possam causar danos ao meio ambiente. Esses agentes recolhem o produto utilizado para que ele não passe pelo processo de “rerrefino”. Tratamento de Resíduos Sólidos https://blog.brkambiental.com.br/reciclagem-no-brasil/ 62 Lâmpadas Fluorescentes e de Descarga Gasosa Lâmpadas de alta eficiência, lâmpadas fluorescentes e de descarga gasosa, possuem em seu interior mercúrio, sódio ou outros vapores metálicos. Vem em formatos tubulares, circulares ou compactas. O manuseio deve ser feito com muito cuidado e atenção para que a quebra da lâmpada seja evitada. Quando substituídas, as lâmpadas devem ser acondicionadas em embalagem original, ou o mais similar possível, os pinos de contato elétrico não devem ser empurrados de forma alguma, é recomendável que a lâmpada seja protegida por grades, a fim de evitar sua queda e a ocorrência de acidentes. Para o acondicionamento, as lâmpadas jamais devem ser quebradas, mas que já estiverem quebradas, devem ser separadas das demais e acondicionadas em tambores ou bombonas com tampa. É de extrema importância salientar que jamais acondicione lâmpadas juntoao coletor de vidros, a fim de evitar a contaminação do material reciclável. Para transportar esse material é preciso protege-lo contra choques, assim evitando que as lâmpadas quebrem. RESUMINDO: Vimos neste capítulo os resíduos considerados perigosos pela NBR 10004/2004 e que eles possuem características como inflamabilidade, corrosividade, reatividade, toxicidade e patogenicidade, além de apresentarem riscos à saúde pública e ao meio ambiente. E para que o descarte desses resíduos não gere nenhum risco à saúde pública ou poluição ambiental, eles devem receber formas específicas de manuseio, acondicionamento, armazenamento, transporte e descarte. Aqui falamos dos materiais descartados na área da saúde humana e animal, dos resíduos da construção civil, das embalagens de agrotóxicos, Tratamento de Resíduos Sólidos 63 pneus, pilhas e baterias, óleos lubrificantes, óleos vegetais e lâmpadas. Vimos que alguns desses resíduos são recicláveis e até reutilizáveis, e ganham novos usos tanto nos mesmos setores onde foram gerados, como em outras áreas que nada tem a ver com sua origem. Como os resíduos da construção civil, que podem ser utilizados na própria construção, evitando o uso de novos recursos naturais. Os pneus que são reciclados e utilizadas as suas borrachas para novos fins, também evitando a retirada de matéria-prima da natureza. Concluímos que com ideias e pesquisas podemos tornar a vida mais sustentável com simples atos do nosso dia a dia. Tratamento de Resíduos Sólidos 64 REFERÊNCIAS ANTENOR, S. & SZIGETHY, L. Resíduos sólidos urbanos no Brasil: desafios tecnológicos, políticos e econômicos. Disponível em:https:// www.ipea.gov.br/cts/pt/central-de-conteudo/artigos/artigos/217- residuos-solidos-urbanos-no-brasil-desafios-tecnologicos-politicos-e- economicos#:~:text=Em%20seu%20%C3%BAltimo%20relat%C3%B3rio%20 sobre,milh%C3%B5es%20de%20toneladas%2C%20dos%20quais. Acesso em: 08 jan 2021. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10.004/2004: Resíduos Sólidos – Classificação. 2ª ed. Rio de Janeiro, 2004. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10.007/2004: Amostragem de resíduos sólidos. 2ª ed. Rio de Janeiro, 2004a. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 12.235/1992: Armazenamento de resíduos sólidos perigosos. Rio de Janeiro, 1992. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 13.968/1997: Embalagem rígida vazia de agrotóxico – procedimentos de lavagem. Rio de Janeiro, 1997. BRASIL. Resolução da diretoria colegiada. RDC NO 222 de 28 de Março de 2018. Regulamenta as Boas Práticas de Gerenciamento dos Resíduos de Serviços de Saúde e dá outras providências. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Diário Oficial da União, Brasília, DF, Ed. 61, Seção: 1, pag. 76, 2018. Disponível em: https://bvsms. saude.gov.br/bvs/saudelegis/anvisa/2018/rdc0222_28_03_2018.pdf. Acesso em: 08 jan 2021. COMPANHIA DE TECNOLOGIA DE SANEAMENTO AMBIENTAL – CETESB. Inventário estadual de resíduos sólidos domiciliares – Relatório síntese 1999. São Paulo, 2000. 64p. Tratamento de Resíduos Sólidos https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/anvisa/2018/rdc0222_28_03_2018.pdf https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/anvisa/2018/rdc0222_28_03_2018.pdf 65 CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE – CONAMA. Resolução 307/2002: Estabelece diretrizes, critérios e procedimentos para a gestão dos resíduos da construção civil. Disponível em: http:// www.mma.gov.br/port/conama/. Acesso em: 10 jan 2021. CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE – CONAMA. Resolução 358/2005: Dispõe sobre o tratamento e a disposição final dos resíduos dos serviços de saúde e dá outras providências. Disponível em: http:// www.mma.gov.br/port/conama/. Acesso em: 10 jan 2021. CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE – CONAMA. Resolução 362/2005: Dispõe sobre o recolhimento, coleta e destinação final de óleo lubrificante usado ou contaminado. Disponível em: http://www. mma.gov.br/port/conama/. Acesso em: 10 jan 2021. CORUMBÁ. Concessões S.A. Cartilha de Gerenciamento de Resíduos Sólidos. Corumbá Concessões S.A. Brasília: Ecodata, 2012. 28 p.: il. SCHALCH, V.; LEITE, W. C. A.; FERNANDES JR., J. L; CASTRO, M. C. A. A. Gestão e gerenciamento de resíduos sólidos. São Carlos: USP, 2002. 97p. SOUZA, L. Brasil gera 79 milhões de toneladas de resíduos sólidos por ano. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/ noticia/2019-11/brasil-gera-79-milhoes-de-toneladas-de-residuos- solidos-por-ano. Acesso em: 07 jan 2021. Tratamento de Resíduos Sólidos https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2019-11/brasil-gera-79-milhoes-de-toneladas-de-residuos-solidos-por-ano https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2019-11/brasil-gera-79-milhoes-de-toneladas-de-residuos-solidos-por-ano https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2019-11/brasil-gera-79-milhoes-de-toneladas-de-residuos-solidos-por-ano Caracterização dos Resíduos O que são Resíduos Sólidos? Classificação de Resíduos Resíduos Classe I – Perigosos Resíduos Classe II – Não Perigosos Origem dos Resíduos Sólidos Resíduos Domésticos Resíduos de Estabelecimentos Comerciais Resíduos Industriais Resíduos de Limpeza Pública Resíduos de Construção Civil Resíduos de Serviços de Saúde Resíduos Rurais Características dos Resíduos Resíduos Orgânicos Resíduos Inorgânicos Resíduos Recicláveis Resíduos não Recicláveis Outras Características Definição de Lixo e Resíduos Sólidos Diferença entre Lixo e Resíduo Sólido? Princípio dos 3 R’s Reduzir Reutilizar/Reaproveitar Reciclar Problemática da Geração de Resíduos Fontes de Dados da Geração de Resíduos ISWA ABRELPE Geração de Resíduos Sólidos no Mundo Geração de Resíduos Sólidos no Brasil A Problemática dos Resíduos de Serviço de Saúde Resíduos de Serviços de Saúde Resíduos da Construção Civil Resíduos Diversos Embalagens de Agrotóxicos Pneus Pilhas e Baterias Óleos Lubrificantes Óleo Vegetal Lâmpadas Fluorescentes e de Descarga Gasosa