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Análise do poema Os ombros que suportam o mundo 1 (2)

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“Os ombros suportam o mundo”: A angústia de Drummond 
através de seus versos livres 
 
“Os ombros suportam o mundo”: Drummond's anguish through his free 
verses 
 
“Os ombros suportam o mundo: La angustia de Drummond mediante tus 
versos libres 
 
Andréia Maria P. C. SILVA1, Luana Freire de MEDEIROS2 
 
Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), Mossoró-RN, Brasil 
 
Resumo 
O presente artigo visa à reflexão do poema para um âmbito social, instigando a 
percepção da dureza e das inquietações pessoais vividas durante a Segunda Guerra 
Mundial, uma provocação acerca dos problemas enfrentados naquele momento. 
Analisaremos de forma mais simples e madura as fragilidades e angústias presentes 
no seu contexto, viabilizando o reflexo de um tempo difícil sobre a temática social ao 
estudarmos suas características, estruturas e formas poéticas, usaremos o livro 
“Versos, Sons e Ritmos” (2005) de Norma Goldstein para análise do poema, buscando 
interagir com os leitores sobre a importância de dias melhores inclusa no poema, 
evidenciando sobre sua vida angustiante, relatada através de um acontecimento cruel 
no seu poema, em forma de poema. Debruçamos no “Os ombros suportam o mundo” 
(1940) sobre a forma de pensar daqueles indivíduos, tendo como sua maior 
preocupação, apenas a sobrevivência desse mundo cheio de descrenças e 
desesperanças. Conhecer de modo geral, o poema de Drummond, torna sua reflexão 
como uma faceta de posturas e fases para o mundo moderno, apresentando-se como 
exemplo para o contexto social atual, como forma de conflitos internos e individuas, 
onde são frequentes nas vidas e nas sociedades. Por fim, também buscamos trazer 
em nosso objetivo uma análise sobre o poema “Os Ombros Suportam o Mundo” 
(1940) de Carlos Drummond de Andrade. 
Palavras-chave: Desesperança, crise social, angústia, modernismo. 
 
Abstract 
This present article aims at reflecting the poem in a social context, instigating the 
perception of the hardness and personal concerns experienced during World War II, a 
provocation about the problems faced at that time. We will analyze in a simpler and 
more mature way the weaknesses and anguish present in its context, enabling the 
reflection of a difficult time on the social theme when we study its characteristics, 
 
1 Discente do Curso de Letras Língua Portuguesa da Universidade do Estado do Rio Grande do 
Norte (UERN). E mail: andreiamaria@alu.uern.br. 
2 Discente do Curso de Letras Língua Portuguesa da Universidade do Estado do Rio Grande do 
Norte (UERN). E mail: luanafreire@alu.uern.br. 
mailto:andreiamaria@alu.uern.br
mailto:luanafreire@alu.uern.br
structures and poetic forms, we will use the book “Versos, Sons and Ritmos” (2005) by 
Norma Goldstein to analyze the poem, seeking to interact with readers on the 
importance of better days included in the work, highlighting his distressing life, reported 
through a cruel event in his work, in the form of a poem. We look at “Os ombros que 
suportam o mundo” (1940) on the way of thinking of those individuals, having as their 
biggest concern, only the survival of this world full of disbelief and hopelessness. 
Knowing in general, Drummond's work, makes his reflection as a facet of postures and 
phases for the modern world, presenting himself as an example for the current social 
context, as a form of internal and individual conflicts, where they are frequent in lives in 
companies. Finally, we also seek to bring in our objective an analysis of the poem “Os 
ombros que suportam o mundo” (1940) by Carlos Drummond de Andrade. 
Keywords: Hopelessness, social crisis, anguish, modernism. 
 
Resumen 
El presente artículo pretende centrar la reflexión del poema para el ámbito social, 
instigando la percepción de la dureza y de las inquietudes vivido durante la Segunda 
Guerra Mundial, una provocación sobre los problemas que se enfrentan en ese 
momento. Examinaremos de manera más sencilla y madura la debilidades y angustia 
presentes en su contexto, posibilitando un reflejo de un tiempo difícil sobre temas 
sociales al estudiar tus características, estructuras y formas poéticas, utilizaremos el 
libro “Versos, sons y ritmos” (2005) de Norma Goldstein para analizar el poema, 
buscando contribuir con los lectores sobre la importancia días mejores dentro de la 
poema, evidenciando acerca de su vida angustiante, se informa a través de un suceso 
cruel en su poema, en forma de poesía. Examinamos en el “Os ombros que suportam 
o mundo” (1940) sobre el modo de pensar de aquellos individuos, teniendo en cuenta 
su mayor preocupación, sólo la supervivencia de este mundo lleno de incredulidad y 
desesperanza. Conocer en general, el poema del Drummond, hace su reflexión como 
una faceta de posturas y fases al mundo moderno, testificando como ejemplo para el 
contexto social actual, como forma y conflictos internos e individuales, donde son 
frecuentes en la vida, en las sociedades. Al final, también buscamos traer en nuestro 
propósito un análisis sobre el poema “Os ombros que suportam o mundo” (1940) del 
Carlos Drummond de Andrade. 
Palabras-clave: Desesperanza, crisis social, angustia, modernismo. 
 
1. Introdução 
 
 Sem dúvidas “Os Ombros Suportam o Mundo” é um poema singular, que 
nos relata os acontecimentos da sociedade durante a guerra. Drummond nos 
mostra uma hipótese interpretativa e analítica, trazendo pontos reflexivos de 
fatos sociais percebidos na época vivida. 
 O poema traz consigo fontes cruéis de tempos difíceis, porém mesmo 
perante esse momento de tristeza, Drummond faz a seguinte contribuição para 
os leitores ao transmitir na sua arte poética, sentimentos e dramas vividos no 
período difícil, beneficiando-nos com a emoção, comoção e reciprocidade ao 
compreendermos o quão difícil foi viver naquele momento. 
 Temos o objetivo geral através desse poema, provocar uma reflexão 
acerca dos problemas enfrentados naquela época e estudar suas 
características poéticas, através da perspectiva do autor Drummond, 
objetivando conhecer a sua biografia, explorar o estilo do poema e estudar as 
características poéticas dos versos, das estrofes e ritmos com base na autora 
Norma Goldstein3. 
 Lançando-nos para um mundo subjetivo através do poema, a justificativa 
da escolha desse poema se dá pela curiosidade, emoção e reflexão que o 
autor, Drummond, retrata através de sua angústia nos seus versos livres, 
apresentando por de versos situações enfrentadas durante tempos difíceis. 
 
2. Referencial teórico 
 
 O referencial teórico da análise foi estruturado em quatro tópicos, a 
conhecer: o autor do poema, Drummond, desvendar as características do 
poema “Os ombros suportam o mundo”, o estilo desse poema e analisar as 
características que ele apresenta. 
 
2.1 Biografia de Drummond 
 
 Carlos Drummond de Andrade nasceu dia 31 de outubro de 1902 em 
Itabira do Mato Dentro, no interior de Minas Gerais. Era descendente de uma 
família de fazendeiros tradicionais da região, foi o nono filho do casal Carlos de 
Paula Andrade e Julieta Augusta Drummond de Andrade. 
 “Em 1925 casou-se com Dolores Dutra de Morais, com quem teve dois 
filhos, Carlos Flávio (em 1926, que viveu apenas meia hora) e Maria Julieta 
Drummond de Andrade, nascida em 1928.” (DIANA, 2019)4 
 No ano de 1930 publicou seu primeiro poema “Alguma Poesia” fez parte 
da segunda geração modernista, foi precursor da chamada “poesia de 30” a 
partir da publicação do seu primeiro livro. 
 Drummond escreveu poesia, prosa, literatura infantil e realizou diversas 
traduções. De acordo com DIANA (2019) o autor ainda foi um poeta, contista e 
cronista brasileiro, considerado um dos maiores escritores do Brasil. 
Drummond faleceu em dia 17 de agosto de 1987 no Rio de Janeiro, com 85 
 
3 Doutora em Letras, professora do Ensino Superior em São Paulo (2005). 
4 Daniela Diana, Licenciada em Letras pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) em 2008 e 
Bacharelada em Produção Cultural pela UniversidadeFederal Fluminense (UFF) em 2014. 
anos, poucos dias após a morte de sua filha, a cronista Maria Julieta 
Drummond de Andrade. 
 Segundo DIANA (2019), entre os anos de 1988 e 1990, sua imagem 
esteve representada nas notas de cinquenta cruzados. 
 
2.2 O poema “Os ombros suportam o mundo” 
 
 Dentre as décadas de 1930 a 1940, o mundo estava enfrentando 
imensas crises, tanto econômicas quanto sociais, incluído no contexto da 
segunda guerra, sem nem se quer ter superado a primeira. Diante do presente 
momento “alguns autores deste período produziram obras carregadas por suas 
angústias perante os acontecimentos, [...]” (ARAUJO, SOUZA, RUFINO 2017, 
p. 01). 
 Foi o caso do poeta brasileiro Carlos Drummond de Andrade que 
“publica seu livro Sentimento do mundo, uma coleção de poemas que tratam 
da mesma angústia abordada por outros escritores da época.” (ARAUJO, 
SOUZA, RUFINO 2017, p. 01). 
 
 Ao escrever a obra Sentimento do mundo (1940), Carlos 
Drummond estava vivenciando o período pós-primeira guerra 
mundial e o início da segunda. Por ser um poeta de grande 
sensibilidade, conseguiu retratar excelentemente as angústias 
da época em seu livro, usando muitas vezes do eu-lírico para 
expressar as suas próprias angústias diante da guerra. 
(ARAUJO, SOUZA, RUFINO 2017, p. 03). 
 
Dos poemas desta obra, falaremos sobre o poema “Os ombros suportam o 
mundo” Segundo relata os autores (ARAUJO, SOUZA, RUFINO, 2017) 
Drummond, nos expressa que chegou um tempo em que o sentimento não 
mais importa, onde o tempo que o amor não mais se mantém, e que o 
companheirismo não mais pendura. Relata que já se perdeu o “saber” do 
sofrer, pois já se tornou “comum”, ou cotidiano tal experiência. 
 
A vida continua, em meio às guerras e sofrimento, e 
Drummond diz que não nos libertamos disto ainda, alguns se 
entregaram a morte, outros, apenas vivem, como se fosse uma 
ordem, sem prazer, sem ânimo para a vida, apenas 
sobrevivem. E o mesmo sofrimento que as pessoas carregam 
em seus ombros, torna o mundo fraco, e as crianças desse 
tempo são condenadas a terem uma vida sofrida, nesse mundo 
fraco. (ARAUJO, SOUZA, RUFINO 2017, p. 05). 
 
 
 Compreendemos que Drummond nos dirige em seu poema sobre um 
sentimento que lhe afeta vivido na época na Segunda Guerra Mundial, que já 
fez parte do seu cotidiano taxado como algo comum, as pessoas 
amedrontadas já não sabem mais lidar com a situação, resistindo apenas em 
sobreviver, um sentimento de desesperança que nada mais valeria a pena, um 
dilema que os coloca entre apenas sobreviver ou esperar a morte, transmitindo 
assim um sentimento épico daqueles acontecimentos. 
 Seria um sentimento de insegurança e medo refletindo em uma 
insignificância, onde “nada mais importa, nada parece demonstrar útil para o 
tempo em que ele vive, nem o amor ou mesmo a própria vida demonstram ter 
importância.” (ARAUJO, SOUZA, RUFINO 2017, p. 07). 
 Contudo mesmo diante de tantos problemas, o poeta nos aconselha que 
o momento presente precisa ser encarado, onde não se deve fugir do 
sofrimento, refletindo-nos uma faceta madura e universal do poema. 
 
2.3 Modernismo 
 
 O Modernismo no Brasil teve início na primeira metade do século XX, 
através do movimento artístico, cultural e literário, com o seu marco oficial na 
Semana de Arte Moderna de 1922. 
 De acordo com Dias (2018), o movimento modernista tinha como 
objetivo romper com o tradicionalismo e se livrar dos paradigmas e das regras 
sobre como fazer arte que prevaleciam no momento, surgindo no Brasil como 
um movimento no qual pregava pela independência e valorização da cultura 
cotidiana brasileira. 
 
Seguindo a essência do movimento modernista na Europa, o 
Modernismo no Brasil preservou características como o 
rompimento com a estética tradicional, valorização da 
expressão artística nacional, exploração de temáticas do 
cotidiano, uso de linguagem simples na literatura, além do 
desejo de representar a realidade brasileira através da arte. 
(DIAS, 2018). 
 
 Além disso, Dias (2018) fala que o Modernismo no Brasil reuniu 
gerações de artistas, que se assemelhassem pelas características de suas 
obras, embora alguns aspectos se divergiam entre si, o modernismo também 
deixou um legado de grande importância para a cultura brasileira. 
 As características do Modernismo são: a libertação estética, a ruptura 
com o tradicionalismo, as experimentações artísticas, a liberdade formal, na 
qual seriam (os versos livres, abandono das formas fixas e a ausência de 
pontuação). Também tem a linguagem com humor, e por último a valorização 
do cotidiano 
 O Modernismo no Brasil se divide em três fases das quais cada uma 
delas tem o seu destaque. 
 Sua primeira fase foi nos anos (1922-1930), fase conhecida como a 
"Fase Heroica", os artistas buscam a renovação estética inspirada nas 
vanguardas europeias, caracterizada como a fase mais radical. Onde se 
destaca os autores: Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Manuel Bandeira e 
Alcântara Machado. 
 A segunda fase foi nos anos (1930-1945), fase chamada de "Fase de 
Consolidação", caracterizado por temáticas nacionalistas e regionalistas, vista 
como um momento de amadurecimento. Essa fase se destaca os autores: 
Murilo Mendes, Jorge de Lima, Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meireles 
e Vinícius de Moraes (na poesia) e Graciliano Ramos, Rachel de Queiroz, José 
Lins do Rego, Jorge Amado, Érico Veríssimo e Dyonélio Machado. (Na prosa). 
Grupo conhecido como geração de 30. 
 A terceira fase foi nos anos (1945-1980), conhecida como "Pós 
Modernista", onde não há um consenso a respeito de seu término. Se 
destacando os autores: Guimarães Rosa, Clarice Lispector, Mário Quintana, 
João Cabral de Melo Neto, Lygia Fagundes Telles, Ariano Suassuna. 
 
2.4 Análise do Poema Os ombros suportam o mundo de Carlos 
Drummond de Andrade 
 
 O poema “Os ombros suportam o mundo”, escrito por Carlos Drummond 
de Andrade, manifesta uma estrutura irregular, com características da fase 
modernista5, ou seja, apresenta grande abrangência de temáticas: social, 
histórica, cultural, filosófica, religiosa, cotidiana, são considerados poemas 
brancos (sem rimas) e tem versos livres6. O eu-lírico do poema relata a posição 
resignada das dificuldades da vida7. Esse poema é composto por três estrofes, 
vinte e três versos, e dentro de cada estrofe, os versos não tem o número de 
sílabas poéticas. 
 
 
OS OMBROS SUPORTAM O MUNDO 
Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus. 
Tempo de absoluta depuração. 
Tempo em que não se diz mais: meu amor. 
Porque o amor resultou inútil. 
E os olhos não choram. 
E as mãos tecem apenas o rude trabalho. 
E o coração está seco. 
Em vão mulheres batem à porta, não abrirás. 
Ficaste sozinho, a luz apagou-se, 
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes. 
És todo certeza, já não sabes sofrer. 
E nada esperas de teus amigos. 
Pouco importa venha a velhice, que é a velhice? 
Teus ombros suportam o mundo 
e ele não pesa mais que a mão de uma criança. 
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios 
provam apenas que a vida prossegue 
e nem todos se libertaram ainda. 
Alguns, achando bárbaro o espetáculo 
prefeririam (os delicados) morrer. 
 
5 Foi um movimento cultural, artístico e literário da primeira metade do século XX. 
6 Sem número regular de sílabas poéticas. 
7 Fonte: Cultura Genial. 
Chegou um tempo em que não adianta morrer. 
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem. 
A vida apenas, sem mistificação. 
 
Carlos Drummond de Andrade. Sentimento do Mundo. 
São Paulo: Companhia de Letras, 2012. 
 
 O título “Os ombros suportam o mundo”, dá uma imaginação ao que o 
poema nos irá abordar de uma angustiosa realidade sofrida por Drummond 
durante a Segunda Guerra Mundial. O poema traz uma comparação a imagem 
de Atlas8, que na mitologia grega foi punido por enfrentar Zeus9, a batalha ficou 
conhecida como Titanomaquia10.Nessa batalha, o triunfo foi de Zeus e dos 
deuses do Olimpo. Como punição passou a eternidade carregando o planeta 
terra nas costas, desde então, seu nome passou a significar “sofredor” ou 
“portador”. Drummond trata esse poema sobre os “ombros” com o ser humano, 
um sofredor que não se liberta das dificuldades e angústias vividas, durante a 
Segunda Guerra Mundial, causando comoção e desesperança ao seu próximo, 
observando o peso do mundo carregado nos ombros, imposto pelos 
poderosos. 
 Ao abordarmos a primeira estrofe, há uma desesperança, as pessoas 
perderam a fé. Percebemos essa falta de fé no primeiro verso, “Chega um 
tempo que não diz mais: Meu Deus!”, ou seja, o tempo enfrentado pelas 
pessoas é de conformismo e que não esperam dias melhores. Mediante esse 
desencanto, a falta de amor vem reforçada no sétimo verso, mostrando que 
“coração está seco”, sendo assim, o ser humano perdeu a empatia ao próximo. 
No sexto verso, ele mostra um problema social das pessoas, abordando que só 
existe tempo para o “rude trabalho”, aumentando a sua angústia, uma vez que 
“nenhum castigo é mais terrível que o trabalho inútil e sem esperança” 
 
8 Atlas, também chamado Atlante, era um dos filhos dos titãs Japeto e Climene, irmão de 
Prometeu, e pertencia à geração divina dos seres desproporcionais, monstruosos, a 
encarnação de forças da natureza que atuava preparando a terra para receber a vida e os 
humanos. 
9 Zeus é o pai dos deuses, que exercia a autoridade sobre os deuses olímpicos na antiga 
religião grega. É o deus dos céus, raios, relâmpago que mantêm a ordem e justiça na mitologia 
grega. 
10 Fonte: Super interessante. 
(CAMUS, 2012, p.137), estavam no meio da Segunda Guerra Mundial, o 
trabalho continua, as explorações das pessoas não param. Realidade 
consequente aos problemas sociais, enfatizando o eu-lírico o “tempo” de 
absoluta depuração, ou seja, a exclusão de determinadas pessoas de classes 
sociais inferiores, tornando-as submissas aos de classes sociais superiores 
que buscam o poder acima das necessidades das outras pessoas. 
 Analisando a primeira estrofe, contabilizamos sete versos (septilha) que 
segundo Goldstein (2005, p. 19-20), 
 
A rima quando presente, acentua essa impressão. No entanto 
é a cadência do verso lido em voz ala que realmente indica a 
alternância de sílabas fortes e fracas. São regras de 
versificação ou de metrificação que estabelecem onde deve 
cair o acento tônico em cada tipo de verso. 
 
 
 Temos um claro exemplo de anáfora, ou seja, uma figura de linguagem 
que Drummond claramente enfatiza o sentido, que ele expressa, e essa 
palavra é “tempo”, nos três primeiros versos. Do quarto verso, nascido do verso 
anterior, que é o terceiro, dá se início a outra anáfora: “amor”, exemplo de 
sinestesia11 no último verso “coração está seco”. 
 
CHE12/ga um/TEM/po e13m/que/NÃO/se/DIZ/mais/MEU/DEUS. 
TEM/po/de ab/so/LU/ta/de/pu/ra/ÇÃO. 
TEM/po em/que/NÃO/se/DIZ/mais/MEU/a/MOR. 
Por/QUE o a/MOR/re/sul/TOU i/NÚ/til. 
E os/O/lhos/NÃO/cho/RAM. 
E as/MÃOS/TE/cem/a/PE/nas/o/RU/de/tra/BA/lho. 
E o /co/ra/ÇÃO/es/TÁ/SE/co. 
 
 O quarto, sexto e sétimo versos tem as últimas sílabas átonas, ou seja, 
não têm valor de sílaba poética, pois conta-se as sílabas poéticas até a última 
sílaba tônica. No primeiro verso observamos os ritmos, que segundo 
Goldestein (2005, p.7): 
 
 
11 Recurso que expressa diferentes impressões sensoriais, como “coração” e “seco”. 
12 Destaque em caixa alta para as sílabas tônicas, ou seja, sílabas fortes e ritmos. 
13 Destaque em itálico para a junção de sílabas poéticas através das vogais e também para casos de 
ditongos. 
A poesia tem um caráter de oralidade muito importante: ela é 
feita para ser falada, recitada. Mesmo que estejamos lendo um 
poema silenciosamente, perceberemos seu lado musical, 
sonoro, pois a nossa audição capta a articulação (modo de 
pronunciar) das palavras do texto. 
 
 Ao estudar a primeira estrofe e no verso um, com onze sílabas poéticas, 
e treze sílabas gramaticais, percebemos sílabas fortes e sílabas fracas, em que 
as sílabas um, três, seis, oito e dez são consideradas sílabas fortes, e as 
sílabas dois, quatro, cinco, sete e onze são as sílabas fracas, contendo uma 
alternância entre sílabas fortes e fracas, formando assim um ritmo específico 
dentro da sua estrutura modernista. O segundo verso nota dez sílabas poéticas 
e onze gramaticais, onde o ritmo se encontra na primeira, quinta, décima 
sílaba. 
 No terceiro verso, captamos nove sílabas poéticas e onze sílabas 
gramaticais, os ritmos são encontrados na sílaba um, quatro, seis, oito e nove, 
sendo. O quarto verso, verificamos onze sílabas gramaticais e sete sílabas 
poéticas, com a última sílaba átona, os ritmos aparecem nas sílabas dois, três, 
seis e sete. O quinto verso possui seis sílabas poéticas e sete sílabas 
gramaticais, percebe ritmo na segunda, quarta e sexta sílaba. 
 Para finalizar a primeira estrofe, o sexto verso possui quatorze sílabas 
gramaticais e doze sílabas poéticas com a penúltima sílaba tônica, seus ritmos 
se encontram na segunda, terceira, sexta, nona e décima segunda sílaba. O 
último verso da primeira estrofe possui nove sílabas gramaticais e seis sílabas 
poéticas, com a última sílaba átona e o ritmo está na quarta, quinta e sexta 
sílaba. 
 Iniciando a segunda estrofe, Drummond continua trazendo essa falta de 
amor e empatia ao próximo, no primeiro verso, “Em vão mulheres batem à 
porta, não abrirás.”, capaz de não ajudar as mulheres necessitadas, resultado 
de um coração seco, um desamor iniciado através de um desalento vivido na 
época da guerra. Esse desamor resultou a solidão, expressada no segundo 
verso do segundo verso, “ficastes sozinho, a luz apagou-se”. Luz que foi 
apagada pelas percas, impacto ocasionado da guerra, em que os amigos e 
familiares foram perdidos, trazendo angústia do autor ao sofrimento humano, 
apagando a luz, ou seja, aumentando cada vez mais a agonia pela falta de 
esperança, empurrando as pessoas para a sombra, para a solidão. Logo, “a 
solidão e a ausência de luz revelam o exílio, a condição de estrangeiro de si 
mesmo, quando do afastamento proposital dos homens e da realidade” 
(CÂNDIDO, 2014, p. 82), relatada no quarto verso “já não sabes sofrer”, sendo 
assim, as pessoas se encontram conformadas com as percas e sem 
perspectiva para o encerramento da guerra. Conformismo que o eu-lírico relata 
a sua “solidão” de estar num mundo e sendo excluído desse mundo. 
 A segunda estrofe, é chamada de sextilha, encontra-se no segundo 
verso, a construção sintática com o terceiro verso através de antítese14 entre 
“luz” e “sombra”. 
 
Em/VÃO/mu/LHE/res/BA/tem/À/POR/ta/NÃO/a/bri/RÁS. 
Fi/CAS/te/so/ZI/nho/a/LUZ/a/pa/GOU/se, 
mas/na/sOM/bra/TEUS/O/lhos/res/plan/DE/cem/e/NOR/mes. 
ÉS/TO/do/cer/TE/za/JÁ/NÃO/SA/bes/so/FRER. 
E/NA/da/es/PE/ras/de/TEUS/a/MI/gos. 
 
 O primeiro verso da segunda estrofe observamos que a última sílaba é 
oxítona15, com quatorze sílabas gramaticais e treze sílabas poéticas, contendo 
ritmos na segunda, quarta, sexta, oitava, nona, décima primeira e décima 
terceira sílabas poéticas. O segundo verso, contém doze sílabas gramaticais, 
onze sílabas poéticas, pois a sílaba tônica é paroxítona16, e seus ritmos podem 
ser encontrados nas sílabas poéticas dois, cinco, sete e dez. 
 O terceiro verso também percebe que a última sílaba paroxítona, e sua 
sílaba tônica é “NOR”, então possui treze sílabas poéticas, quatorze sílabas 
gramaticais, com ritmos nas sílabas poéticas três, cinco, seis, dez e treze. No 
quarto verso, a última sílaba é oxítona, possui doze sílabas poéticas, doze 
sílabas gramaticais, os ritmos são notados na primeira, segunda, quinta sétima, 
oitava, nona e décima segunda sílabas poéticas. 
 Ao final da segunda estrofe, o quinto verso tem sua última sílaba 
paroxítona, possuindo dez sílabas poéticas, onze sílabas gramaticais e seus 
ritmos estão nassílabas poéticas dois, quatro, sete e nove. 
 
14 Consiste na aproximação de ideias contrárias. 
15 Última sílaba tônica. 
16 Penúltima sílaba tônica. 
 A terceira e última estrofe se inicia com o questionamento do eu-lírico, 
relacionando seus sentimentos a respeito do que ele pensa da velhice, usando 
o seguinte apontamento: “Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?”. A 
partir desse posicionamento poderíamos dizer que o verso exprime sua relação 
psicológica com o contexto social, enfatizando um conformismo do poeta, se 
interligando ao segundo e o terceiro verso, possuindo um ar provocante, não 
importando a chegada de sua velhice. Segundo Cândido (2014), o homem 
nessa perspectiva seria como uma rocha, e o mundo não pesaria mais do que 
uma mão de uma criança, refletindo que o humano diante dessa sociedade 
carrega consigo tantos fardos e angústias. 
 Notamos sua indignação no quarto, quinto e sexto versos, sobre a 
realidade presente, viabilizando o “eu” menor que o mundo, em relação às 
guerras, violências e as fomes vivenciadas por aqueles que estão suportando o 
mundo nas costas, tornando algo natural, enquanto há discussões dos 
protegidos por seus edifícios enfatizando assim, aos seus leitores que a vida lá 
fora ainda prosseguia. De acordo com Cândido (2014), isso só prova que a 
rocha ainda rola, e que os homens ainda não transcenderam, apenas existem, 
pois, a vida continua, e que não poderia parar, gerando assim, uma situação de 
impotência, trazendo angústia ao autor. 
 No sétimo, oitavo e nono versos, existe uma distinção aos que suportam 
o mundo, em relação daqueles que apenas assistem “os espetáculos” 
nomeados de “delicados” e por sua vez, faz preferência por uma morte simples 
e rápida ao ter que enfrentar a situação de insensibilidade, guerras e 
violências. Diante desse contexto social o poeta ainda aborda que não adianta 
morrer, seria nesse caso apenas uma desculpa para não enfrentar sua cruel e 
triste realidade. 
 Os dois últimos versos abordam uma reflexão da vida diante da sua 
triste e dura realidade, o mesmo relata a vida, como uma ordem que não se 
pode tentar adiantar ou atrasar o tempo, para ele, o tempo seria uma forma de 
viver o simples, na qual não devemos pensar no futuro ou no passado, a vida é 
um ciclo, o tempo é matéria essencial, então a vida é apenas ela, sem 
mistificação. 
 Essa terceira estrofe, denominada irregular, pois possui onze versos, 
pode ver o tema central que a vida continua apesar das adversidades 
enfrentadas. O eu-lírico sentido na vida, pois apesar das dificuldades, 
adversidades, peso, desesperança, ela continua. 
 Explorando o primeiro verso, encontra-se exemplo de aliteração na 
palavra “velhice”, nos versos oito e nove através do termo “morrer”, e no verso 
dez com o onze repetindo o termo “vida”. 
 No segundo verso, encontramos metonímia17 em que “ombros”, que é a 
figura da pessoa. Essa figura de linguagem também aparece no terceiro verso 
com as palavras “guerras”, “fomes” e “discussões”, mostrando o declínio do ser 
humano. 
 O terceiro verso, tem o exemplo de comparação18 entre o “peso” e “mão 
de uma criança” através da conjunção comparativa “QUE”. Percebe-se rimas 
externas19 nos versos oito e nove, a sílaba “RER”, além de serem rimas 
consoantes20, rimas emparelhadas21, rimas agudas22 e rimas pobres23. 
 
POU/co im/POR/ta/VE/nha a/ve/LHI/ce,/que/É/a/ve/LHI/ce? 
TEUS/OM/bros/su/por/TAM/o/MUN/do 
e e/le/NÃO/PE/sa/mais/que a/MÃO/de u/ma/cri AN/ça. 
As/GUER/ras/as/FO/mes/as/dis/cus/SÕES/DEN/tro/dos/e/di/FÍ/cios. 
pro/VAM/a/PE/nas/que/a/VI/da/pros/SE/gue 
e/nem/TO/dos/se/li/ber/ta/RAM/AIN/da. 
Al/GUNS/a/CHAN/do/BÁR/ba/ro o es/pe/TÁ/cu/lo 
pre/fe/ri/ri/AM/os/de/li/CA/dos/mor/RER. 
Che/GOU um/TEM/po em/que/NÃO a/di/AN/ta/mor/RER. 
Che/GOU um/TEM/po em/que a/VI/da/É U/ma OR/dem. 
A/VI/da a/PE/nas,/sem/mis/ti/fi/ca/ÇÃO. 
 
 Ao explorar a terceira estrofe, iniciando pelo primeiro verso, percebe-se 
a penúltima sílaba tônica (paroxítona), devido a isso contabiliza-se quatorze 
sílabas poéticas, dezessete sílabas gramaticais, possuindo ritmos nas sílabas 
poéticas um, três, cinco, oito, onze e quatorze. No mesmo modo, o segundo 
verso apresenta nove sílabas gramaticais, oito sílabas poéticas, a penúltima 
 
17 É o emprego de um termo por outro, numa relação de ordem: causa pelo efeito. 
18 Figura que aproxima dois termos, através da locução conjuntiva. 
19 Semelhantes nos diferentes finais de versos. 
20 Semelhanças de vogais e consoantes (rer). 
21 Combinam entre duas seguidas (H-H). 
22 Última sílaba tônica (Oxítona). 
23 Mesma classe gramatical: verbo intransitivo (morrer). 
sílaba tônica (paroxítona), dispondo oito sílabas e com ritmos na primeira, 
segunda, sexta e oitava sílabas poéticas. 
 Dentro do terceiro verso, encontramos a penúltima sílaba tônica 
(paroxítona), somando doze sílabas poéticas, dezesseis sílabas gramaticais e 
possuindo ritmos na primeira, terceira, quarta, oitava, nona e décima segunda 
sílabas poéticas. O quarto verso, a última sílaba é paroxítona, com dezessete 
sílabas gramaticais, dezesseis sílabas poéticas com ritmos na segunda, quinta, 
décima, décima primeira e décima sexta sílabas poéticas. 
 No quinto verso, exibe a penúltima sílaba tônica (paroxítona), devido a 
isso tem dez sílabas poéticas, doze sílabas gramaticais, com ritmo nas sílabas 
poéticas dois, quatro, sete e dez. O sexto verso também apresenta dez sílabas 
poéticas, onze sílabas gramaticais com a última sílaba paroxítona, e tem três 
ritmos nas sílabas poéticas três, nove e dez. Percebe-se um diferencial na 
silaba tônica no sétimo verso, pois a antepenúltima sílaba é tônica 
(proparoxítona)24, completando dez sílabas poéticas e quatorze sílabas 
gramaticais e tendo ritmo na segunda, quarta, sexta e décima sílabas poéticas. 
 A respeito do oitavo verso, nota a última sílaba é oxítona, contendo doze 
sílabas poéticas e gramaticais, com os ritmos encontrados na quinta, nona e 
décima segunda sílabas poéticas, da mesma forma que no nono verso, 
apontando a última sílaba tônica (oxítona), mas dispondo onze sílabas 
poéticas, quatorze sílabas gramaticais e ritmos na segunda, terceira, sexta, 
oitava e décima primeira sílabas poéticas. 
 Para finalizar a análise da terceira estrofe, temos o décimo verso 
possuindo dez sílabas poéticas, com a última sílaba tônica (oxítona), quinze 
sílabas gramaticais, os ritmos encontrados na segunda, terceira, sexta, oitava, 
nona e décima sílabas poéticas. E o último verso, que é o décimo primeiro, 
trazendo onze sílabas poéticas, encontrando a última sílaba oxítona, contando 
com os ritmos na segunda, quarta e décima primeira sílaba poética. 
 Complementando a análise do poema, constatamos tipos de ditongos 
decrescentes orais “oi” e “eu”, ditongos decrescentes nasais “ão”, “em”, “ui” e 
“õe”, ditongos crescentes orais “ia”, “ea”, “io”, “eo”, “oe”, “eu” e ditongos 
crescentes nasais “ia”, “ua”, “ue”, “oi”. 
 
24 Penúltima sílaba tônica. 
 
3. Considerações finais 
 
 Diante das observações e pesquisas analisadas, foi possível 
compreender a situação angustiante do eu-lírico durante essa etapa difícil na 
sua vida. Ele expressou através de versos os problemas sociais, característica 
modernista, que as pessoas estavam enfrentando, relatando a resistência que 
o ser humano tem por suportar as dores do mundo. 
 Através da análise dos versos livres, pode se perceber um poema rico, 
com estilo rítmico e recheados de figuras de linguagens, mas a ênfase que ele 
nos traz através de pontos cruciais, nos trazendo a reflexão situações 
enfrentadas antes, podem ser vividas hoje, sendo necessária que o 
conformismo e a desesperança não são as melhores escolhas nos momentos 
difíceis. Devemos não fugir dos problemas pois a vida continua, mesmo com os 
dissabores apresentados cotidianamente. 
 
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