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Aula5_MIP_CUPINS unlocked

Notas de aula sobre manejo integrado de cupins: cobre introdução e importância econômica, nomes populares e termiteiros, origem e evolução dos isópteros, detalhes da asa e sutura basal, além de desenvolvimento (ovos, instares e diferenciação de castas).

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Notas de Aula de Entomologia 
Prof. Ronald Zanetti - DEN/UFLA, CP 3037, 37200-000, Lavras, MG. zanetti@ufla.br 
1 
MANEJO INTEGRADO DE CUPINS 
 
 
RONALD ZANETTI1 
GERALDO ANDRADE CARVALHO1 
ALAN SOUZA-SILVA2 
ALEXANDRE DOS SANTOS3 
MAURÍCIO SEKIGUCHI GODOY2 
 
1. INTRODUÇÃO 
 
Os cupins ou térmitas são insetos da ordem Isoptera, que contêm 
cerca de 2.750 espécies descritas no mundo. Mais conhecidos por sua 
importância econômica como pragas de pastagens, madeira e de outros 
materiais celulósicos; estes insetos também têm atraído a atenção de 
cientistas devido ao seu singular sistema social. Além dos consideráveis danos 
econômicos provocados em áreas urbanas e rurais, os cupins também são 
importantes componentes da fauna do solo de regiões tropicais, exercendo 
papel essencial nos processos de decomposição e de ciclagem de nutrientes. 
Existem vários nomes atribuídos popularmente a esses insetos em 
certas regiões do Brasil, tais como, cupins, termitas ou térmitas, formigas-
brancas, formigas de asas, aleluias, sarassará, siriri, siriluia e siri-siri (Lara, 
1977; Carrera, 1980; Gallo et al., 1988; Buzzi & Miyazaki, 1999). Vários nomes 
também são atribuídos aos termiteiros, que são pequenas elevações de terra 
produzidas pelos cupins, como, por exemplo, aterroada ou itapecuim (na 
Amazônia), munduru (no Ceará), murundu, tacuri ou tacuru (no Rio Grande do 
Sul) e cupim, este último mais conhecido por ser o nome do inseto que 
também é atribuído ao montículo de terra por ele produzido. 
O desenvolvimento deste inseto é por paurometabolia (ovo-ninfa-
adulto). As espécies dos cupins, sem exceção, são sociais, vivendo em 
sociedades ou colônias mais ou menos populosas, nas quais há uma divisão 
de tarefas (reprodução, segurança, cuidados com a rainha, com a limpeza e 
com os “jardins” de fungos etc), realizada por determinado grupo de 
indivíduos, denominados castas, representadas por cupins ápteros ou alados, 
que vivem alojados em ninhos chamados normalmente de cupinzeiros ou 
termiteiros. 
 
 
 
1 Professor Adjunto do Departamento de Entomologia da Universidade Federal de 
Lavras. CP. 37, 37200-000, Lavras, Minas Gerais. zanetti@ufla.br; gacarval@ufla.br 
2 Mestrando em Agronomia/Entomologia, Universidade Federal de Lavras. CP. 37, 
37200-000, Lavras, Minas Gerais. alandesouza@hotmail.com 
3 Graduando em Engenharia Florestal, Universidade Federal de Lavras. CP. 37, 37200-
000, Lavras, Minas Gerais. alexandresantosbr@yahoo.com.br 
Notas de Aula de Entomologia 
Prof. Ronald Zanetti - DEN/UFLA, CP 3037, 37200-000, Lavras, MG. zanetti@ufla.br 
2 
2. ORIGEM 
 
Dados relativos à origem dos isópteros ainda são bastante discutidos 
entre pesquisadores, pois alguns mostram que eles só podem ter descendido 
de baratas com hábitos idênticos aos de Cryptocercus e não de Problattodea, 
como acreditam certos autores. Há também suposições de que toda a ordem 
Isoptera, incluindo o gênero Mastodermes, provavelmente deve ter evoluído de 
uma forma semelhante a Pycnoblattina. 
Durante a evolução dos isópteros observaram-se algumas 
importantes linhas de transformação, tais como, redução do pronoto, 
alongamento das asas, redução da área anal da asa anterior, estreitamento 
das partes basais da asa e desenvolvimento da sutura humeral ou basal, ao 
longo da qual as asas se destacam após a revoada, restando, adjacente ao 
corpo do inseto, uma escama com importância taxonômica (Figura 1). 
 
 
 
 
FIGURA 1. Detalhe da sutura basal presente na base da asa de um cupim 
(Berti Filho, 1993). 
 
 
 
 
Notas de Aula de Entomologia 
Prof. Ronald Zanetti - DEN/UFLA, CP 3037, 37200-000, Lavras, MG. zanetti@ufla.br 
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3. ASPECTOS BIOLÓGICOS 
 
3.1 Desenvolvimento 
 
Os isópteros são ovíparos, sendo os ovos, geralmente reniformes, 
colocados isoladamente apresentando-se tanto maiores quanto mais primitiva 
for a espécie. Mastodermes darwiniensis Froggatt, 1896, é a espécie mais 
primitiva conhecida na Austrália, sendo que a fêmea põe de 16 a 24 ovos em 
duas séries, reunidos em massa por uma substância gelatinosa, cujo aspecto 
lembra o das ootecas de algumas baratas (Figura 2). O período de 
desenvolvimento embrionário é bastante longo, podendo variar de 24 a 90 dias 
em algumas espécies. 
 
 
 
FIGURA 2. Massa de ovos de Mastodermes darwiniensis. (Fonte: Gay, 
1970). 
 
As formas jovens do 1o estádio são aparentemente iguais, mas no 2o 
estádio elas se diferenciam em dois tipos principais: as larvas de cabeça 
pequena e as de cabeça grande. Esta diferenciação é que resultará na divisão 
entre os indivíduos estéreis ou neutros dos reprodutores. 
O desenvolvimento de todas estas formas se processa mediante 
transformações sem metamorfose. O número de ínstares varia nas diferentes 
espécies, de acordo com as condições ambientais, idade, tamanho e também 
com a composição das castas de uma colônia. Normalmente há sete ínstares 
pelos membros das colônias estabelecidas e em famílias mais primitivas. 
Em geral, o desenvolvimento é por paurometabolia, ou seja, insetos 
com metamorfose incompleta (ovo-ninfa-adulto) (Figura 3), entre os quais as 
ninfas vivem no mesmo hábitat dos adultos. 
 
 
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FIGURA 3. Ciclo de vida de cupim segundo Kofoid (1934), citado por 
Berti Filho (1993). 
 
 
3.1.1 Castas 
 
Assim como em todos os insetos sociais (formigas, abelhas etc.), 
existem divisões morfo-fisiológicas de indivíduos dentro de uma colônia de 
cupins, na qual existem grupos responsáveis por desempenharem 
determinadas tarefas, como por exemplo, reprodução, segurança da colônia, 
cuidados com a prole, com a limpeza, com o forrageamento etc., sendo esses 
grupos denominados castas (Figura 4). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O 
p 
e 
r 
á 
r 
i 
o Ovos 
Jovem 
Jovem 
Ninfa 
Reprodutores de substituição 
Rei 
R 
a 
i 
n 
h 
a 
Soldado 
Reprodutores alados ou imagos Reprodutores após perda das asas 
 
 
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5 
CASTAS 
 
Temporárias 
(alados sexuados) 
 
Permanentes 
(ápteros sexuados) 
 
 (férteis) (estéreis) 
 
 
 
 
Fêmeas 
(aleluias) 
 
 
Machos 
(aleluias) 
 
Rainha e Rei 
(reproduzir) 
 
 
 
 
Ninfas de 
Substituição 
(substituir a rainha e 
o rei caso morram) 
 
Operários 
(coletar, transportar o 
alimento e construir o 
ninho) 
 
Soldados 
(defender a colônia 
e auxiliar os 
operários) 
 
FIGURA 4. Castas da colônia de acordo com a função na sociedade. 
 
 
Nas colônias, além das formas jovens mencionadas anteriormente, 
nos vários estágios de desenvolvimento, há sempre duas categorias de 
indivíduos adultos formadas por castas bem distintas. A primeira compreende 
os indivíduos reprodutores, sexuados alados, machos e fêmeas, que 
propagarão a espécie. A segunda é constituída pelas formas ápteras de 
ambos os sexos, férteis ou estéreis. Estes últimos constituem a categoria de 
indivíduos que apresentam os seus órgãos reprodutores não completamente 
desenvolvidos. Nesta categoria há indivíduos de duas castas, a dos obreiros 
ou operários e a dos soldados (Figura 5). 
 
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FIGURA 5. Castas e principais estruturas externas do corpo de cupins (Buzzi 
& Miyazaki, 1999). 
 
A origem das castas pode ser explicada por duas teorias, ainda não 
comprovadas. A primeira recorre a uma questão hereditária, ou seja, na fase 
embrionária da blastogênese se daria a definição da casta a que pertenceria o 
Ordem Isoptera. Castas: A. reprodutor suplementar; B. operário; C. soldado 
nasuto; D. soldado; E. forma alada reprodutora; F. forma alada reprodutora logo 
após a perda das asas; G. rainha fisogástrica;1. cabeça; 2. antenas; 3. rostro; 
4. olho composto; 5. aparelho bucal mastigador; 6. mandíbulas; 7. pronoto; 8. 
mesonoto; 9. metanoto; 10. perna anterior; 11. perna mediana; 12. perna 
posterior; 13. asa anterior; 14. asa posterior; 15. escama da asa anterior; 16. 
escama da asa posterior; 17. abdome; 18. abdome cheio de ovos; 19. cercos; 
20. vaso dorsal; 21. tergos abdominais. 
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indivíduo. A segunda teoria baseia-se em questões nutricionais, ou seja, 
insetos que, na fase de ninfa, recebem alimento proctodeal contendo saliva, 
têm uma inibição na permanência de protozoários no intestino, o que daria 
espaço para o desenvolvimento normal do aparelho reprodutor, originando as 
formas reprodutoras (aleluias). 
 
 
3.1.1.1 Reprodutores sexuados alados 
 
As formas aladas são produzidas em grandes quantidades e ficam 
no cupinzeiro durante algum tempo, às vezes até três meses. Anualmente, no 
início do período chuvoso ocorre nas colônias de cupins um fenômeno 
conhecido como enxamagem ou enxameagem, caracterizado pelo surgimento 
desses reprodutores alados (siriris ou aleluias) em grande número. 
Os adultos alados voam do ninho preferencialmente no crepúsculo 
de dias claros e tardes nubladas e com alta umidade do ar, sendo que durante 
o vôo não há o acasalamento, diferente do que acontece com formigas e 
abelhas. Ao caírem no solo livram-se de suas asas membranosas e só então 
estarão aptos para realizarem a primeira cópula após a procura por um 
parceiro sexual. Após a formação do casal real, eles encontram um local 
adequado e iniciam a escavação do cupinzeiro, que se inicia com uma galeria 
e termina na “câmara nupcial”, onde o casal copula e a fêmea inicia as 
posturas. Cerca de um mês após, aparecem as primeiras formas jovens, que 
serão criadas pelo casal real. Após algum tempo estas formas jovens 
começam a se locomover e passam a desempenhar todas as funções da 
colônia, exceto a procriação. 
Essa casta possui os indivíduos mais desenvolvidos sexualmente 
dentro da colônia, apresentando o tegumento bem mais esclerotizado do que 
os demais das outras castas. Possuem grandes olhos facetados, ocelos bem 
desenvolvidos e antenas com o número máximo de artículos, de acordo com a 
espécie. Ambos os sexos possuem quatro asas membranosas, subiguais, que 
apresentam perto da base uma sutura (basal) ou linha de ruptura transversal, 
ao nível da qual se processa o destacamento da asa (Figura 1). 
A rainha, quando completamente desenvolvida, possui o abdome 
muito volumoso, chegando a ter duzentas vezes o volume do resto do corpo, 
sendo esse processo conhecido por fisogastria ou fisiogastria (Figuras 5G e 6). 
Em Bellcositermes bellicosus , cupim africano, o abdome pode chegar até 15 
cm de comprimento (Buzzi & Miyazaki, 1999). O número de ovos postos 
depende da espécie, da idade e condições do meio em que vivem; em média 
as rainhas ovipositam cerca de 50 mil ovos durante aproximadamente 6 a 10 
anos de vida. 
Geralmente, há somente um casal real por termiteiro, porém existem 
espécies com dois casais reais verdadeiros num mesmo termiteiro e, em 
outros casos, duas ou mais rainhas e um só rei. 
 
 
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FIGURA 6. Rainhas fisogástricas de Microcerotermes subtilis; a - rainha de 
substituição com asas ninfais; b - rainha real (Harris, 1971). 
 
 
3.1.1.2 Operários e soldados 
 
Estas duas formas são as mais conhecidas pelo nome de cupins, 
devido à sua presença constante no termiteiro. São ninfas e adultos de ambos 
os sexos que realizam a maior parte do trabalho de uma colônia. 
Desempenham todas as funções na comunidade, menos a de procriação, uma 
vez que essas duas castas são, em regra, completamente estéreis. 
Os operários, também conhecidos por obreiros, geralmente são 
esbranquiçados ou de cor amarelo-pálida, ápteros, possuem mandíbulas 
pequenas e, normalmente, são desprovidos de olhos compostos e ocelos. 
Pelo fato de não possuírem olhos compostos e de serem fototrópicos 
negativos, desenvolvem as suas atividades sempre na obscuridade, sendo 
que ao forragearem um material mais ou menos longe do ninho, estabelecem 
comunicações mediante galerias ou túneis construídos de partículas de terra e 
dejeções cimentadas pela saliva. 
Geralmente, os operários são responsáveis por buscar o alimento, 
alimentar as rainhas e os soldados jovens, construir ninhos, túneis e galerias. 
Desta forma, são eles os responsáveis pelos danos às culturas. Além disso, 
eles cooperam com os soldados na defesa da comunidade. 
Os soldados são bem semelhantes aos operários por serem, na 
maioria das espécies, ápteros e cegos, diferindo daqueles essencialmente por 
apresentarem a cabeça muito mais volumosa e esclerotizada, de cor amarelo- 
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pálida; apresentam mandíbulas bastante desenvolvidas, porém incapazes de 
servir na mastigação (Figura 7). Assim, exercem a função de defenderem a 
comunidade contra qualquer intruso, além de proteger o trabalho dos 
operários, podendo agarrar-se ao inimigo durante o ataque, quando possuem 
mandíbulas robustas. 
 
 
 
 
 
FIGURA 7. Soldado de Syntermes sp. com suas estruturas corporais externas 
(Constantino, 2002). 
 
 
Em várias espécies de isópteros encontra-se uma casta de soldados 
que possuem mandíbulas pequenas ou atrofiadas, havendo uma 
compensação através de um prolongamento agudo na região frontal da 
cabeça, com uma abertura na extremidade, por onde é expelida uma 
substância viscosa tóxica aos inimigos. Esses indivíduos são chamados de 
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soldados nasutiformes ou nasutos, que geralmente são menores que os 
operários (Figura 8). 
Em Rhynotermes latilabrum Snyder, 1926, há dois tipos de nasutos, 
um de cabeça maior com mandíbulas robustas e outro de cabeça menor com 
mandíbulas atrofiadas. Em ambos, o labro é consideravelmente alongado e 
sobre ele escorre a secreção emitida pela fontanela, tóxica para as formigas 
(Figura 9). Porém, em Armitermes os soldados nasutos são de um tipo 
intermediário e apresentam, além do labro em forma de nasuto, as mandíbulas 
bem desenvolvidas. 
Em algumas espécies de cupins primitivos há somente duas castas, 
a dos reprodutores e a dos soldados, onde o trabalho da colônia é realizado 
pelas formas imaturas das duas castas, ocorrendo, por exemplo, nos gêneros 
Archotermopsis, Zootermopsis, Kalotermes e Porotermes. 
 
 
 
 
 
FIGURA 8. Soldado nasuto de Syntermes sp. com suas estruturas corporais 
externas (Constantino, 2002). 
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FIGURA 9. Dois tipos de cabeças de soldados encontrados na mesma colônia 
de Rhinotermes latilabrum Snyder, 1926, na bacia do Amazonas. 
A - cabeça grande com mandíbulas desenvolvidas; B - cabeça 
pequena com mandíbulas vestigiais (Costa Lima, 1938). 
 
 
Os operários e os soldados ocasionalmente podem apresentar 
órgãos reprodutores funcionais, podendo excepcionalmente colocar ovos. Uma 
mesma espécie pode ter somente soldados grandes ou pequenos, sendo que 
em outras espécies pode haver grandes e pequenos soldados e um só tipo de 
operário, ou, então, grandes e pequenos operários e um só tipo de soldado. 
 
 
3.1.1.3 Reprodutores de substituição 
 
Quando em um cupinzeiro falta um dos representantes do casal real, a 
proliferação da colônia é mantida à custa de indivíduos que, embora se 
apresentem como formas jovens providas de tecas alares, são sexualmente 
bem desenvolvidos, constituindo, assim, uma outra casta de reprodutores 
chamados reis e rainhas de reserva, de substituição,de complemento ou 
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complementares. Em geral, são indivíduos que se originam de um tipo 
especial de jovens, diferentes dos que dão origem às formas aladas. 
Tais indivíduos distinguem-se das ninfas que originarão os 
reprodutores alados por apresentarem o tegumento menos esclerotizado e 
pigmentado, além de possuírem tecas alares mais curtas (Figura 10). Existem 
casos em que podem ser encontrados indivíduos reprodutores de substituição 
oriundos de jovens de operários e até mesmo de soldados. 
 
 
 
 
A existência de indivíduos de substituição só ocorre após o 
desaparecimento de um ou de ambos os representantes do par real. Mas em 
algumas espécies, também pode ocorrer normalmente a substituição por 
indivíduos sexuados complementares, sendo que Holmgren, em 1906, citado 
por Costa Lima (1938), encontrou até 100 rainhas de substituição e um só rei 
verdadeiro em ninho de Armitermes neotenicus . 
Além da reprodução sexuada, novas colônias de cupins podem 
também ser formadas assexuadamente, através da fragmentação de uma 
colônia adulta por quebra natural ou provocada por animais ou pelo homem. 
Isso ocorre porque os reis e rainhas de substituição tomam o lugar do casal 
real na parte fragmentada, formando nova colônia. Por essa razão não se 
deve fragmentar um cupinzeiro antes de controlá-lo, pois isso poderá 
multiplicá-lo. 
 
 
 
 
 
 
a 
 
 
 
 
 
 
 
 
FIGURA 10. Castas de Armitermes 
hastatus: a- operário; b- soldado; c- 
rainha primária (real); d- rainha 
secundária (substituição); e- rainha 
terciária (substituição); f- ovo. 
Desenhados na mesma proporção (Berti 
Filho, 1993). 
c 
b 
d e 
f 
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3.2 Anatomia externa 
 
Muitas vezes os cupins são denominados formigas-brancas ou 
formigas -de-asas, embora seja um grupo bem diferente das formigas, as quais 
pertencem à ordem Hymenoptera. Nenhum parentesco existe entre esses dois 
insetos (Figura 11). A seguir, as principais diferenças entre cupins e formigas 
estão relacionadas: 
 
Cupins (Isoptera) Formigas (Hymenoptera) 
1. Desenvolvimento paurometábolo 
(ovo-ninfa-adulto) 
Desenvolvimento holometábolo 
(ovo-larva-pupa-adulto) 
2. Tegumento mole e de cor clara Tegumento duro e geralmente escuro 
3. Antenas moniliformes Antenas geniculadas 
4 Asas I e II semelhantes Asas II menores que as asas I 
5 Abdome ligado largamente ao tórax 
(séssil) 
Abdome ligado ao tórax por estreito 
pedúnculo (peciolado) 
6. Operários e soldados estéreis dos 
dois sexos. 
Operários e soldados são fêmeas 
estéreis. 
7. Ninfas trabalham como operários 
(pernas funcionais) 
Ninfas não trabalham (ausência de 
pernas funcionais) 
8. Ausência de ferrão Com ferrão na extremidade do 
abdome 
9. Machos (reis) na casta reprodutora 
permanente 
Machos só aparecem na casta 
reprodutora temporária 
10. Acasalamento após o vôo e 
periódico 
Acasalamento no vôo 
 
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FIGURA 11. Comparação esquemática entre formigas (A) e cupins (B); em 
cima, pela forma do adulto e, em baixo, pelo desenvolvimento 
(Hegh, 1922), citado por Carrera (1980). 
 
 
3.2.1 Cabeça 
 
Cupins apresentam a cabeça livre, sendo a forma e o tamanho 
variáveis, não só nas várias espécies, como também em uma espécie. Os 
olhos são facetados e geralmente estão presentes em indivíduos alados. Nas 
formas ápteras podem estar atrofiados ou mesmo ausentes. 
Na cabeça também existem ocelos que estão sempre presentes nas 
formas providas de olhos. Nos termitas superiores, existe no lugar dos ocelos 
uma depressão chamada de fontanela ou fenestra, que possui um pequeno 
orifício (poro frontal) que secreta um fluido espesso e viscoso, devido a tal 
poro estar ligado a uma glândula cefálica, servindo como estratégia de defesa. 
As antenas são do tipo moniliforme, podendo apresentar de 9 a 32 
antenômeros idênticos. Em número de duas, as antenas são inseridas nos 
lados da cabeça numa depressão pouco profunda, acima da base da 
mandíbula. 
O aparelho bucal é do tipo mastigador, sendo que as mandíbulas 
geralmente apresentam-se bem desenvolvidas; em algumas formas (soldados) 
são robustas, podendo ser conspícuas ou mesmo disformes. Os palpos 
maxilares são longos, apresentando normalmente 5 segmentos. Os palpos 
labiais apresentam normalmente três segmentos (Figuras 7, 12 e 13). 
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FIGURA 12. Vista ventral da cabeça de um soldado mandibulado 
(Constantino, 2002). 
 
 
 
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FIGURA 13. Detalhes da cabeça e do aparelho bucal de um cupim (Harri, 
1971). 
 
 
3.2.2 Tórax 
 
Geralmente, apresenta-se um tanto achatado, sendo que o protórax 
é distinto, podendo ser considerado livre, enquanto que o mesotórax e o 
metatórax apresentam-se mais ou menos reunidos (Figura 14). O pronoto 
pode ou não apresentar projeção anterior em forma de “sela”. 
As pernas são todas semelhantes e do tipo cursorial, apresentando 
tarsos pequenos de quatro artículos (tetrâmeros), com exceção do gênero 
Mastodermes, que é pentâmero. Nas tíbias anteriores podem estar presentes 
órgãos auditivos, através dos quais estes insetos comunicam-se mediante 
vibrações sonoras. 
 
 
Antena 
Mandíbula 
Labro 
Clípeo 
Ocelo 
Fontanela 
Olho 
CABEÇA 
PRONOTO 
Lacínia 
Gálea 
Palpo 
Estipe 
Cardo 
MAXILA 
LÁBIO 
Lígula 
Palpo 
Prémento 
Pósmento 
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FIGURA 14. Vista dos detalhes do tórax de um soldado (Romoser, 1981). 
 
 
As asas, em número de quatro, estão presentes somente nos 
indivíduos reprodutores adultos, onde são muito semelhantes em tamanho e 
forma, exceto em Mastotermitidae, os quais possuem asas diferentes. Em 
geral, as asas apresentam um sistema de nervação relativamente simples, 
com venação um tanto reduzida, sem veias transversais (Figura 15), porém 
variável nos diversos gêneros. 
 
 
 
 
FIGURA 15. Venação simples da asa anterior de um cupim (Harris, 1971). 
 
 
Quando em repouso, as asas se dispõem sobre o corpo, 
superpondo-se horizontalmente os dois pares e ambos excedem o ápice do 
abdome. Próximo à base das asas há uma sutura um tanto curvada, chamada 
Protórax 
Mesotórax Metatórax 
Subcostal radial Mediana Cubital Setor radial 
 
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de sutura basal ou humeral (Figura 1), ao nível da qual a asa se rompe, 
destacando-se do corpo do inseto, sendo que após a queda das asas restam 
presos ao corpo quatro manguitos coriáceos chamados de escamas. 
 
 
3.3.3 Abdome 
 
Aderente ao tórax, apresenta-se volumoso constando de 10 
segmentos (Figura 16), sendo que no último há um par de cercos curtos com 1 
a 8 segmentos. A genitália em geral é ausente ou rudimentar, em ambos os 
sexos. 
No bordo posterior de 9o esternito, há um par de pequenos estiletes, 
chamados de subanais, que estão presentes geralmente em todas as formas, 
exceto nas fêmeas aladas. 
 
 
 
FIGURA 16. Vista ventral dos segmentos abdominais terminais: esquerda - 
macho; direita - fêmea (Gay, 1970). 
 
 
4. ASPECTOS BIOECOLÓGICOS 
 
Um cupinzeiro típico é constituído das seguintes partes: 
 
• Camada externa: camada de terra endurecida pela saliva dos 
cupins e de consistência quase pétrea, que protege a colônia do meio externo 
e dá forma ao cupinzeiro. 
• Endoécia ou câmara nupcial: é a câmara onde vive o casal real e 
onde são depositados os ovos. 
• Periécia ou canaisde comunicação: são as galerias periféricas 
que se comunicam com o exterior e com as fontes de alimento. 
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• Paraécia ou bolsas de manutenção climática: é o espaço que 
existe entre o cupinzeiro e o solo que o circunda, destinado à manutenção de 
umidade e temperatura constantes no interior do ninho. 
• Câmara de celulose: é o local onde é depositada matéria orgânica 
e criadas as formas jovens, constituindo a maior parte do ninho. 
 
Os cupins podem construir vários tipos de ninhos, como galerias e 
câmaras simples (cupins de madeira seca), ninhos subterrâneos (cupim-de-
terra-solta), ninhos arborícolas (túneis cobertos) ou de montículos 
("murunduns") (Figura 17). 
 
 
 
FIGURA 17. Tipos de ninhos de cupins (Berti Filho, 1993). 
 
 
 
 
 
Coptotermes 
Nasutitermes 
Heterotermes 
Nasutitermes 
Cornitermes 
Amitermes 
Anoplotermes 
 
Syntermes 
 
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5. CUPINS NO BRASIL 
 
No Brasil ocorrem quatro famílias de cupins: 
 
• Kalotermitidae: cupins considerados primitivos que não possuem 
fontanela, atacam madeira seca e nunca constroem ninhos; não apresentam 
operárias; alimentam-se exclusivamente de madeira; possuem no interior do 
intestino simbiontes (protozoários flagelados). Os principais gêneros são 
Cryptotermes, Neotermes e Rugitermes (Figura 18); 
 
• Rhinotermitidae: cupins com fontanela; alados possuem asas com 
as escamas alares anteriores longas, cobrindo ou pelo menos tocando a base 
das escamas posteriores; as formas ápteras têm o pronoto plano, sem lobo ou 
projeção anterior no tórax; soldados não apresentam dentes basais nas 
mandíbulas; constroem ninhos subterrâneos, atacando plantas vivas e 
madeira morta. Os principais gêneros são Coptotermes e Heterotermes 
(Figura 18); 
 
• Termitidae: é a principal família dos cupins; presença de 
fontanela; asas com as escamas alares anteriores curtas ou do mesmo 
tamanho das posteriores; soldados com projeção ou lobo anterior no pronoto 
em forma de “sela”; apresentam dentes mandibulares basais desenvolvidos; 
constroem diferentes tipos de ninhos e possuem hábitos alimentares variados, 
como, por exemplo, madeira, folhas, húmus etc. Existem espécies que são 
cultivadores de fungos; no entanto, em condições brasileiras isto não ocorre. 
Os principais gêneros são Cornitermes, Nasutitermes, Syntermes e 
Anoplotermes (Figura 18). 
 
• Serritermitidae: até recentemente continha uma única espécie, 
Serritermes serrifer, que ocorre apenas no Brasil. Novas evidências indicam 
que Glossotermes oculatus , espécie da Amazônia previamente incluída em 
Rhinotermitidae, também pertence a Serritermitidae. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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FIGURA 18. Chave para identificação das principais famílias de cupins 
ápteros e alados (Zucchi et al., 1992). 
 
 
Estas famílias podem ser agrupadas em três grupos: 
 
A. Xilófagos 
 
São os cupins que vivem no interior do tronco das árvores ou de 
madeiras tratadas (móveis, mourões de cercas etc.) e não entram em contato 
com o solo. Todos os cupins deste grupo pertencem à família Kalotermitidae. 
 
Famílias de Isoptera 
Kalotermitidae 
Fontanela 
ausente 
Fontanela geralmente 
presente 
Soldado 
 Adultos alados 
Tórax com projeção anterior Escama 
anterior curta 
Escama 
anterior 
longa 
Termitidae 
Rhinotermitidae 
Tórax sem 
projeção 
anterior 
 
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B. Arborícolas 
 
Esse grupo refere-se aos cupins que constroem ninhos nos troncos 
das árvores ou em paus podres, mas se comunicam com o solo através de 
galerias superficiais, de onde saem para buscar o alimento, voltando depois 
para o ninho. Além da madeira, eles se alimentam de húmus, sendo que no 
intestino há presença de microrganismos bacterianos. 
A família Rhynotermitidae é a família mais comumente encontrada 
nesse grupo, seguida pela Serritermitidae. 
 
 
C. Humívoros 
 
São aqueles cupins que vivem em ninhos feitos no chão e nunca em 
cima de árvores, os quais alimentam-se de húmus. No intestino também há a 
presença de microrganismos do grupo das bactérias. 
A principal família é a Termitidae, encontrada em todo o Brasil, 
construindo ninhos grandes e complexos. Essa família é bastante diversificada 
e compreende cerca de 85% das espécies de cupins conhecidas do Brasil. 
 
 
Os cupins podem consumir vários tipos de alimento, como húmus, 
madeira, vegetais vivos, couro, lã, matéria orgânica etc., graças à simbiose 
que apresentam com bactérias e protozoários, que excretam enzimas capazes 
de transformar esses produtos em substâncias que podem ser assimiladas 
pelos cupins. Esses simbiontes vivem junto à membrana do intestino posterior 
(proctodeo). Como essa membrana é eliminada durante o processo de ecdise 
ou troca de tegumento, os cupins perdem parte de sua fauna intestinal. Para 
repor os simbiontes, os cupins desenvolveram o comportamento de trofalaxia 
anal, que corresponde à troca de alimento proctodeico entre indivíduos. Outra 
forma de troca de alimento é através da boca, conhecida como alimento 
estomodeico, que é um líquido claro, usado para alimentar as formas 
reprodutoras e os soldados. 
Além disso, há um comportamento típico, conhecido como 
"grooming" (limpeza), através do qual os indivíduos lambem-se uns aos outros. 
Isso parece funcionar como forma de comunicação, mas, principalmente, age 
na eliminação de partículas estranhas ou de patógenos que podem causar 
doenças em indivíduos de uma colônia. A trofalaxia, o “grooming” e o 
acentuado canibalismo são muito importantes quando se introduz algum 
agente de controle desses insetos, pois irão potencializar a ação controladora 
entre os indivíduos da colônia. 
As principais famílias, subfamílias e espécies de cupins que ocorrem 
no Brasil, atualmente, estão relacionadas logo a seguir. No entanto, é 
importante lembrar que para a maioria dos gêneros existem várias espécies 
que ocorrem no Brasil e que ainda não foram registradas na literatura, várias 
delas espécies novas. 
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Assim, o número real de espécies por gênero pode ser maior que o 
indicado. Além disso, outros gêneros, além dos listados a seguir, podem 
eventualmente ser encontrados no território brasileiro. 
 
Família Kalotermitidae [28 espécies]; principais gêneros: 
Cacaritermes Eucryptotermes Incisitermes Rugitermes 
Cryptotermes Glyptotermes Neotermes Tauritermes 
 
Família Rhinotermitidae [13 espécies]; principais gêneros: 
Coptotermes Dolichorhinotermes Heterotermes Rhinotermes 
 
Família Serritermitidae; principais gêneros: 
Glossotermes Serritermes 
 
Família Termitidae [246 espécies]; principais gêneros: 
 
Subfamília Apicotermitinae [15 espécies] 
Anoplotermes Aparatermes Grigiotermes Ruptitermes 
Tetimatermes 
 
Subfamília Nasutermitinae [171 espécies] 
Agnathotermes Caetetermes Curvitermes Ibitermes 
Angularitermes Coatitermes Cyranotermes Labiotermes 
Anhangatermes Coendutermes Cyrilliotermes Nasutitermes 
Araujotermes Constrictotermes Diversitermes Rhynchotermes 
Armitermes Cornitermes Embiratermes Syntermes 
Atlantitermes Cortaritermes Ereymatermes Velocitermes 
 
Subfamília Termitinae [60 espécies] 
Amitermes Cylindrotermes Inquilinitermes Planicapritermes 
Cavitermes Dentispicotermes Microcerotermes Spinitermes 
Cornicapritermes Dihoplotermes Neocapritermes Synhamitermes 
Crepititermes Genuotermes Orthognathotermes Termes 
 
 
5.1 Grupos de importância agro-florestal 
 
a) Cupins subterrâneos 
 
à Heterotermes tenuis (Hagen, 1858) e Heterotermes longiceps(Snyder, 
1858) (Rhinotermitidae). 
 
• Características: ninhos subterrâneos e difusos; operárias pequenas, 
esbranquiçadas e de aspecto vermiforme; 
• Prejuízos: provocam o tunelamento das raízes, colo e caule, causando 
perda do poder germinativo e prejudicando o desenvolvimento das plantas. 
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à Syntermes molestus (Burmeister, 1839), Syntermes obtusus Holmgren, 
1911 e Syntermes insidians Silvestri, 1945 (Termitidae). 
 
• Características: ninhos subterrâneos com pequenas câmaras 
semelhantes às das formigas "lava-pés"; há comunicação entre as câmaras, e 
entre estas e o exterior, por meio de canais estreitos e tortuosos, que se 
abrem na superfície do solo como "olheiros", com diâmetro de 5 a 8 cm, 
principalmente à noite; 
• Prejuízos: exercem o forrageamento da cultura, cortando as plantas na 
altura do coleto, prejudicando o seu crescimento. Atacam também as raízes, 
podendo causar o secamento das plantas. 
 
 
b) Cupins de montículo 
 
à Cornitermes cumulans (Kollar, 1832) e Cornitermes bequaerti Emerson, 
1952 (Termitidae). 
 
• Características: ninhos em montículos; formato variado; 50 a 100cm de 
altura; câmara externa de terra, de 6 a 10cm de espessura, cimentada com 
saliva; parte interna de celulose e terra, menos dura, com galerias horizontais 
superpostas e separadas por paredes verticais, revestidas por camada escura; 
• Prejuízos: ocupam espaço na cultura, dificultando os tratos culturais e o 
manejo, dependendo do nível de tecnologia adotado. Com relação ao 
consumo de plantas, é mais importante na fase inicial da cultura, quando pode 
reduzir o estande. Quando a cultura já está estabelecida, o cupim-de-
montículo causa pouco dano às plantas, surgindo recentemente o conceito de 
que ele é uma "praga estética", ou seja, causa aspecto visual desagradável ao 
produtor. 
 
 
6. ESTRATÉGIAS E TÁTICAS DO MANEJO DE CUPINS 
 
a) Controle cultural 
 
• Adubação: plantas bem nutridas apresentam maior resistência ao ataque 
de cupins. 
• Época de plantio: fazer o plantio em época chuvosa para acelerar o 
desenvolvimento das plantas e escapar da fase de danos por cupins. 
 
b) Controle biológico 
 
A utilização de fungos entomopatogênicos no controle de cupins, 
tem-se mostrado altamente promissora. A estratégia utilizada é aplicar grande 
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quantidade de fungos sobre os insetos, através de polvilhadeira, adaptada 
com uma câmara na mangueira de descarga para melhorar a distribuição do 
fungo dentro do ninho (Figura 19), ou através da impregnação em iscas de 
material celulósico. 
 
 
 
 
FIGURA 19. Polvilhadeira manual utilizada na aplicação de fungos em 
cupinzeiros. A - câmara adaptada à mangueira; B - orifício de 
aplicação no cupinzeiro; C - câmara de celulose; D - camada 
externa (Moino Júnior, 1998). 
 
 
Essas iscas ou armadilhas atrativas são impregnadas com conídios 
de entomopatógenos ou a associação destes com inseticidas para controlar os 
cupins subterrâneos. Essa técnica consiste na ação lenta do material 
impregnado sobre a população de cupim quando eles se alimentam das iscas. 
Além do controle, podem-se usar essas iscas, sem os agentes impregnantes, 
para o monitoramento das populações desses insetos. 
Vários tipos de materiais de origem celulósica têm demonstrado 
eficiência na atratividade dos cupins, como, por exemplo, blocos de madeira 
de baixa densidade, papel toalha, papel filtro, rolo de papel higiênico e papelão 
ondulado. Outros estudos demonstraram que a atratividade intensifica-se 
quando esses materiais celulósicos foram associados com outros produtos, 
como, por exemplo, bagaço de cana-de-açúcar “in natura”, rolão de milho, 
fezes secas e frescas de bovinos e folhas de celulose picadas. 
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É importante salientar que essa técnica de monitoramento e controle 
encontra-se em fase experimental, não sendo ainda comercializada. 
 
c) Controle químico 
 
• Tratamento do cupinzeiro: no caso de cupins de montículo, que são 
facilmente encontrados, pode-se fazer o controle diretamente nos ninhos, 
bastando perfurar o montículo com uma lança de ferro até atingir a câmara de 
celulose e aplicar o inseticida por meio de uma mangueira acoplada a um funil. 
Fazer o controle dos cupins de montículo de 30 a 60 dias antes do preparo do 
solo, para evitar a reprodução por fragmentação. Não é necessário fechar o 
orifício após a aplicação do produto. 
 
Grupo químico Nome técnico Nome comercial 
Nitroguanidinas imidacloprid Confidor 700 GrDA 
Organofosforado clorpirifós Lakree Fogging 
Organofosforado fention Lebaycid 500 CE 
Fenil pirazol fipronil Regent 20 G 
 
Se forem encontrados cupinzeiros do gênero Syntermes (cupim 
subterrâneo) pode-se controlá-los diretamente através da aplicação de 
inseticidas em pó ou por termonebulização, semelhante à aplicação de 
formicidas. Porém, existem poucos produtos registrados e os ninhos são 
profundos e difíceis de serem localizados, o que dificulta esse tipo de controle. 
 
• Tratamentos das plantas: no caso de cupins subterrâneos, que são 
dificilmente encontrados, pode-se fazer o controle preventivo através do 
tratamento de sementes ou das plantas antes ou após o plantio. 
 
• Sementes: pode-se tratar as sementes usando máquinas 
específicas para misturá-las ao inseticida antes do plantio ou aplicar o produto 
no sulco de plantio, com auxílio de uma granuladeira acoplada a semeadeira-
adubadeira, cobrindo com terra a seguir. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Grupo químico Nome técnico Nome comercial 
Carbamato carbofuran 
Fudaran 350 TS, 
Furazin 310 TS, Ralzer 
350 SC 
Carbamato 
carbofuran+ 
carboxin+tiram 
Furazin 310 TS e 
Vitamax-Thiram 200 SC 
Carbamato tiodicarb 
Futur 300, Semevin 350 
RPA 
Nitroguanidinas imidacloprid Gaucho, Gaucho FS 
Carbamato carbosulfan 
Marshal TS, Marshal 
350 TS, Marzinc 250 TS 
Organofosforado terbufós Counter 50 G 
 
 
• Plantas: podem ser tratadas antes ou após o plantio, imergindo-
as ou regando-as com calda química, ou aplicando a calda sobre a planta no 
sulco de plantio, ou, ainda, aplicando o produto no sulco de plantio com auxílio 
de granuladeira, misturando-o ao solo. 
 
 
Grupo químico Nome técnico Nome comercial 
Nitroguanidinas imidacloprid Confidor 700 GRDA 
Organofosforado tebufós 
Counter 50 G, Counter 
150 G 
Éster do ácido Sulfuroso endosulfan 
Dissulfan CE, Dissulfan 
350 CE, Thiodan CE 
Carbamato carbofuran Furadan 100 G 
Fenil pirazol fipronil 
Regent 20 G, Regent 
800 WG, Tuit NA 
 
 
7. CONSIDERAÇÕES GERAIS 
 
Os cupins são considerados, atualmente, como uma das mais 
importantes pragas agrícolas e urbanas, principalmente pela sua dificuldade 
de controle, uma vez que são insetos subterrâneos. Porém, novas tecnologias 
têm sido desenvolvidas dentro de programas de manejo integrado de pragas 
minimizando os impactos causados por esses insetos. Espera-se que num 
futuro próximo tais tecnologias possam estar disponíveis para o manejo 
eficiente destes organismos. 
 
 
 
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