Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

Divisão internacional do trabalho
A expressão divisão do trabalho é usada nas teorias econômicas e so-
ciológicas para designar a separação de tarefas que ocorre em um sistema 
econômico, de modo que cada um dos indivíduos, instituições ou mesmo de 
parcelas do espaço geográfico se encarrega de um tipo específico de traba-
lho ou então de uma etapa do processo de produção. Na Antiguidade clássi-
ca, filósofos como Platão e Aristóteles relacionavam a formação da pólis com 
a atribuição de diferentes tarefas a seus habitantes. Mas é na época moder-
na que esse conceito se torna mais significativo, uma vez que o surgimento 
das manufaturas e, posteriormente, da industrialização e a racionalização da 
produção passaram a exigir a divisão social do trabalho.
Adam Smith (1723-1790), por exemplo, apresenta um exemplo particular-
mente marcante do modo como a divisão racional do trabalho pode levar ao 
aumento da produção. Trata-se de uma fábrica de alfinetes: um trabalhador 
sozinho, desempenhando todas as etapas da confecção de um alfinete, conse-
guiria produzir cerca de 20 unidades por dia, enquanto 10 trabalhadores, cada 
um responsável por uma etapa diferente, produziriam 48 mil alfinetes por dia!
Cena do filme Tempos modernos (1936), de Charles Chaplin (Estados Unidos, 87 min). Nesse 
emblemático filme, um trabalhador luta para viver e se adaptar à sociedade industrial moderna.
SMITH, Adam. Uma 
investigação sobre a 
natureza e a causa da 
riqueza das nações. São 
Paulo: Madras, 2009.
A divisão do trabalho manifesta-se espacialmente quando diferentes lu-
gares, regiões ou países se especializam na produção de determinado bem 
ou serviço. Nesse caso, pode-se dizer que há divisão territorial do trabalho. 
Um exemplo clássico do passado não muito distante é a diferenciação que 
se fazia do que é produzido no campo e na cidade. Quando esse processo 
ultrapassa as fronteiras de um país, dizemos que se trata de uma divisão 
internacional do trabalho.
A
lb
u
m
/F
o
to
a
re
n
a
/w
w
w
.f
o
to
a
re
n
a
.c
o
m
.b
r
71
V4_CIE_HUM_Claudio_g21Sa_Cap2_048a085.indd 71V4_CIE_HUM_Claudio_g21Sa_Cap2_048a085.indd 71 16/09/2020 11:5116/09/2020 11:51
A divisão internacional do trabalho tem suas origens no início da Idade 
Moderna. Caracterizava o pacto colonial: as colônias produziam matérias-
-primas e as metrópoles europeias produziam artigos manufaturados. 
Os europeus vinham à América em busca de metais preciosos, algodão, 
açúcar, tabaco, entre outros produtos, assim como iam à Ásia em busca 
de especiarias, seda, perfumes etc. Nesse contexto, era proibida a muitas 
das colônias a criação de manufaturas, para manter o predomínio metro-
politano nas trocas comerciais.
Pacto colonial
A palavra “pacto” quer dizer “acordo, combinação, contrato aceito entre as partes 
envolvidas”. No entanto, pacto colonial é a denominação que se dá à imposição colonizadora 
das metrópoles sobre as suas colônias. As Coroas europeias impunham às populações 
coloniais como as terras seriam divididas e cultivadas e a maneira como os bens 
seriam produzidos, a fim de obter sempre o maior lucro possível. A metrópole detinha a 
exclusividade de todo o comércio importante realizado em suas colônias e exercia um 
forte controle sobre toda a produção, quase sempre proibindo o desenvolvimento de 
manufaturas que pudessem concorrer com os produtos importados do reino.
Conceitos
A Revolução Industrial expandiu mundial-
mente o consumo e disseminou a padronização 
cultural e de valores, porém desenvolveu-se de 
forma desigual e combinada entre os países, 
contribuindo para diferenciá-los em desenvolvi-
dos e em desenvolvimento e acentuando a divi-
são internacional do trabalho.
Além de promover maior especialização do 
trabalhador e aumento da divisão social do tra-
balho, a industrialização também aumentou 
a divisão territorial do trabalho, acentuada ao 
longo de todo o processo. Se ocorreu a aglo-
meração industrial num primeiro momento 
em razão de isso ser vantajoso economicamente, as evoluções técnicas e 
também político-econômicas do capitalismo criaram novas condições e al-
teraram algumas regras do jogo, sempre mantendo sua premissa básica, a 
busca do lucro.
As novas fontes de energia, novas matérias-primas, novos hábitos de con-
sumo e comportamento, novos sistemas de gestão associados ao desenvol-
vimento das técnicas, tanto produtivas como de transporte e comunicação, 
transformaram as possibilidades de reprodução do capital e implicaram no-
vos arranjos sociais e territoriais.
A indústria passou a separar sua unidade de planejamento e gestão, o 
“escritório”, vamos assim chamar, da sua unidade produtiva, a fábrica pro-
priamente dita, onde se concentravam as máquinas e os operários.
Gravura da Revolução 
Industrial, Poluição das 
fábricas de cobre na 
Cornualha, Inglaterra, 
publicada em “História da 
Inglaterra”, por Rollins, 1887. 
Coleção particular.
P
h
o
to
 ©
 I
s
a
d
o
ra
/B
ri
d
g
e
m
a
n
 I
m
a
g
e
s
/E
a
s
y
p
ix
 B
ra
s
il
72
V4_CIE_HUM_Claudio_g21Sa_Cap2_048a085.indd 72V4_CIE_HUM_Claudio_g21Sa_Cap2_048a085.indd 72 16/09/2020 11:5116/09/2020 11:51
A partir de meados do século XX, as grandes empresas passaram a se 
distribuir mundialmente (multinacionais), instalando filiais em locais onde 
antes eram seus centros consumidores ou fornecedores de matéria-prima, 
expandindo-se para os países em desenvolvimento, atraídas por custo mais 
baixo de mão de obra, legislação e regime fiscal (impostos) mais favoráveis, 
ausência de regulamentação ambiental ou menos rigor nessa regulamen-
tação, entre outros fatores. Nessas localidades, o processo transcorreu de 
forma diferente daquela como se sucedeu nos países desenvolvidos, levan-
do ao rápido e caótico crescimento urbano, superpovoando algumas poucas 
cidades, que tiveram seus problemas socioespaciais acentuados, como po-
luição, falta de moradia, especulação mobiliária, etc., desafios presentes em 
todas as grandes cidades do mundo, mas bem mais acentuados naquelas 
localizadas nos países em desenvolvimento.
Desenvolvimento da Divisão Internacional do Trabalho (DIT)
Capitalismo comercial
Origem da DIT
Capitalismo industrial → financeiro (até a Segunda Guerra Mundial)
Consolidação da DIT
Capitalismo financeiro → informacional (após a Segunda Guerra Mundial)
DIT clássica
metrópoles
(expansão marítima)
colônias
(exploração)
colônias
(exploração)metrópoles
(Revolução industrial)
metais preciosos, 
especiarias, escravos, etc.
manufaturas
produtos primários: 
agrícolas, minerais e 
fósseis
produtos 
industrializados
países desenvolvidos
países desenvolvidos
países em desenvolvimento 
não industrializados
países em desenvolvimento 
industrializados emergentes
produtos industrializados e
capitais: investimentos e empréstimos
produtos industrializados
 (em geral de maior valor agregado), investimentos produtivos e 
especulativos, empréstimos e tecnologia
produtos primários: agrícolas, 
minerais e fósseis
F
ó
rm
u
la
 P
ro
d
u
ç
õ
e
s
/A
rq
u
iiv
o
 d
a
 e
d
it
o
ra
produtos primários, produtos industrializados,
capitais: juros, royalties e lucros
Nova DIT
Organizado pelos autores.
73
V4_CIE_HUM_Claudio_g21Sa_Cap2_048a085.indd 73V4_CIE_HUM_Claudio_g21Sa_Cap2_048a085.indd 73 16/09/2020 11:5116/09/2020 11:51
Na fase atual da industrialização, as indústrias passam a fragmentar 
sua produção, isto é, a instalar suas fábricas, agora divididas em muitas 
unidades superespecializadas, de acordo com as vantagens comparativas 
locacionais mais adequadas a cada etapa do processo produtivo. A cadeia 
produtiva se torna global, espalhada espacialmente, organizada por meio 
de unidades próprias ou de empresas contratadas, terceirizadas, para a 
fabricação de diferentes peças ou partes do produto. Nenhum bem de 
grande investimento tecnológico e produção em série, atualmente, como 
computadores, automóveis, televisores, celulares e smartphones,é pro-
duzido em apenas uma fábrica.
Com a indústria fragmentada em cadeias de produção especializadas, 
ela passa a se dispersar territorialmente segundo outras lógicas, levando 
os lugares à competição entre si na tentativa de atraí-las, na expectativa de 
geração de emprego, arrecadação de impostos e dinamização de suas eco-
nomias locais. Isso se revela nas transformações do espaço geográfico, ins-
talações técnicas e busca por desregulamentações políticas e econômicas 
com o objetivo de promover fluidez territorial e a consequente unificação dos 
lugares por meio do mercado.
Vista aérea da fábrica da Ford em Highland Park, em Detroit (Estados Unidos) na década de 
1940. Na época era considerada uma das maiores unidades industriais do mundo. Durante 
a Segunda Guerra Mundial, suas linhas de montagens foram adaptadas para a fabricação de 
aviões, motores de aviões, tanques e outros equipamentos de guerra.
K
e
y
s
to
n
e
-F
ra
n
c
e
/G
a
m
m
a
-K
e
y
s
to
n
e
 v
ia
 G
e
tt
y
 I
m
a
g
e
s
74
V4_CIE_HUM_Claudio_g21Sa_Cap2_048a085.indd 74V4_CIE_HUM_Claudio_g21Sa_Cap2_048a085.indd 74 16/09/2020 11:5116/09/2020 11:51

Mais conteúdos dessa disciplina