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4 Uma das características da produção literária de Marina Colasanti é o detalhamento, a escolha cuida- dosa de cada palavra. Releia o trecho a seguir: Arou e plantou. Muitas e muitas vezes sujou- se de terra. E manchou-se do sumo das frutas e da seiva das plantas. A roupa já não era branca, embora ele a lavasse no regato. Plantou e colheu. A roupa rasgou-se, o tecido puiu-se. O jovem pequenino emendou os rasgões com fios de lã, costurou remendos onde o pano cedia. Quando a neve veio, prendeu em sua roupa mangas mais grossas para se aquecer. a) O trecho mostra que a autora escolheu formar um parágrafo com frases curtas para apresentar esse momento da narrativa. Qual é o efeito de sentido provocado por essa sequência de frases curtas no conto? Converse com os colegas e, depois, registre no caderno as conclusões a que vo- cês chegaram. b) Identifique as orações do parágrafo. Indique um caso em que as orações são separadas por vírgula e um caso em que as orações são separadas por alguma palavra. 5 Releia este trecho em voz alta. Depois, responda às perguntas no caderno. [...] sujou-se de terra. E manchou-se do sumo das frutas e da seiva das plantas. [...] a) Que som se destaca nessas frases? O som /s/ apresentado pela letra s. b) Que efeito é produzido por essa repetição de sons? 5b. É possível relacionar essa repetição com a ideia de movimento ou de passagem do tempo ou, ainda, com a mudança das estações. 6 A linguagem empregada no conto difere da linguagem usada no dia a dia. Copie um exemplo que em- prega uma linguagem mais formal. 7 Copie em seu caderno a(s) alternativa(s) que corresponde(m) às características da linguagem do texto. a) Linguagem mais elaborada, diferente da forma usada no dia a dia com pessoas próximas. X b) Vocabulário selecionado com termos usados no dia a dia com pessoas próximas. c) Construções de frases que não são comuns no uso cotidiano. X d) Linguagem menos monitorada, com uso de gírias. 8 As vozes do discurso dizem respeito às falas e aos pensamentos dos personagens e também à voz do narrador, nas narrativas de ficção. Nesse conto, qual é a voz que predomina? A voz do narrador. 9 Releia o único diálogo do texto: — Senhor, como devemos vestir-nos? — Vistam-se como os campos — respondeu o sábio. Esse trecho é construído por discurso direto, por uma conversa entre duas ou mais pessoas, em que há uma troca dos turnos de fala. Responda: a) De quem é a primeira fala? Dos jovens que acompanhavam o sábio. b) Essas falas foram indicadas por verbos de dizer, empregados antes ou após a fala do personagem. Copie-os. Perguntaram, respondeu. 10 Considerando que, no discurso indireto, o personagem não fala diretamente, é o narrador que conta o que o personagem falou, reescreva a fala deste trecho empregando o discurso indireto: “[...] aqueles jovens [...] dele se aproximaram e perguntaram: — Senhor, como devemos vestir-nos?”. Aqueles jovens dele se aproximaram e perguntaram como deveriam se vestir. 4a. Sugestão: As frases curtas dão ritmo à leitura e destacam ações que se sucedem progressivamente no tempo, produzindo o efeito de sentido de empenho e dedicação, que também é reforçado pelas escolhas de palavras no texto, como o uso da expressão “muitas e muitas vezes”. Possibilidades: “[...] com o adiantar-se do outono [...]”, “[...] E entremearam fios de ouro no amarelo dos trigais [...]”, “[...] foram recriando em longas vestes os campos arados [...]”. 4b. Orações separadas por vírgula: “A roupa rasgou-se, o tecido puiu-se”. Orações separadas por palavras (conjunções): “Arou e plantou”; “A roupa já não era branca, embora ele a lavasse no regato”; “Plantou e colheu”. N ik N ev es /A rq ui vo d a ed ito ra 191 191 Reprodução do Livro do Estudante em tamanho reduzido. Atividade 4 a) Propor que um estudante leia em voz alta o trecho do tex- to e pedir aos demais que observem as pausas que são feitas durante a leitura. É importante que os estudantes percebam que o trecho é formado por frases curtas. b) Pedir aos estudantes que contem quantas frases há no parágrafo (8 frases); depois, com a identificação das orações usadas no trecho, mostrar que quase todas as frases do parágrafo são formadas por mais de uma ora- ção, divididas por vírgulas ou palavras (conjunções). Comentar que a construção do parágrafo em frases curtas, com orações justapostas ou ligadas por conjunções em perí- odos compostos por coordenação, cria a ideia de sucessão e progressão de ações ou fatos. O termo coordenação refere- -se ao caráter de independência entre as orações, que se dá pelo fato de não haver entre elas uma dependência sintática. Atividade 6 Certamente os estudantes não se reconhecerão como usuários desse tipo de linguagem, que tem um vocabulá- rio e uma forma de construção mais elaborados. Devem re- fletir sobre o porquê da escolha da autora: referir-se a um sábio que, pelos detalhes do conto, pertence a um tempo mais remoto e, por esse motivo, optar por uma linguagem com características mais formais, o que reforça a ambien- tação do conto e a atmosfera fantástica. Assim, os estudantes devem refletir sobre as diferenças entre a linguagem do conto e a que empregam no cotidiano, fazendo um exercício de pensar como falariam hoje frases como essas, e so- bre a intencionalidade das escolhas de linguagem no conto. Atividades 8 a 10 Recordar com os estudantes as vo- zes do discurso. ⓿ Discurso direto: nas narrativas de ficção, o diálogo é uma sequência conversacional. Explorar a categoria dos verbos de dizer – verbos de elocução, também conhecidos como verbos dicendi –, mostrando os papéis e as funções que eles podem desempenhar: a) introduzir falas, permitindo que descrevam entonações, tons, altura de voz, etc., da fala, que não podem ser reproduzidos na língua escrita (sussur- rar; sibilar; gritar; pedir num gemido; chamar desesperado, feliz, ansioso, calmamente, etc.); b) dizer o tipo de fala que se produz (perguntar, responder, redarguir, etc.); c) instituir perspectivas em que se deve tomar a fala (segredar, instilar, acalmar, etc.). TRAVAGLIA, Luiz C. Gramática: ensino plural. São Paulo: Cortez, 2003. p. 164. ⓿ Discurso indireto: embora não es- teja presente no texto, é importante que o estudante transforme discur- so direto em indireto e vice-versa, o que poderá servir de apoio para as produções de gêneros narrativos. ⓿ Discurso indireto livre: costuma ser o mais difícil para o estudante por- que é caracterizado pela simultanei- dade. Junta o discurso direto e o in- direto. Sugere-se conversar com os estu- dantes sobre esse emprego em que a fala do narrador e a fala da persona- gem se mesclam. Nessa modalidade de discurso, as frases são construídas em continuidade, como se aquilo que foi proferido pelos outros irrompesse sem mediação no discurso do narrador. Ex.: A mãe não o deixara sair... Mas vou pe- dir ao pai... Ele me deixará... E saiu à procura do pai. Graças ao estilo indireto livre, ve- mos coisas através dos olhos e da lin- guagem da personagem, mas também através dos olhos e da linguagem do autor. Habitamos, simultaneamente, a onisciência e a parcialidade. WOOD, James. Como funciona a ficção. São Paulo: Cosac Naify, 2012. p. 23. 186-217_Telaris7_LP_MPU_U06_PNLD24.indd 191186-217_Telaris7_LP_MPU_U06_PNLD24.indd 191 8/5/22 1:46 PM8/5/22 1:46 PM Elementos e estrutura da narrativa 1 Releia o texto “Como os campos” e copie no caderno a alternativa que corresponde à característica do narrador nesse conto. a) Narrador-personagem – em 1ª pessoa, participa dos acontecimentos da história. b) Narrador observador – em 3ª pessoa, conta os fatos com distanciamento, sem participar da história. X c) Narrador intruso – não participa da história, mas comenta e emite opiniões sobre os fatos narrados. 2 Copie no caderno um trecho que comprove sua escolha sobre o tipo de narrador. Ao escreveruma narrativa, o autor escolhe o tipo de narrador que a história vai ter. O narrador pode ser: 2. Há várias possibilidades de resposta no texto, pois a maioria dos verbos está no pretérito perfeito conjugado em 3ª- pessoa. ⓿ Narrador-personagem ou narrador em 1ª pessoa – o narrador é um dos personagens da história. Ao mesmo tempo que conta os fatos, participa deles, mostra-se. Percebemos sua presença pelo uso da 1ª pessoa: eu ou n—s. ⓿ Narrador observador, neutro ou narrador em 3ª pessoa – não participa da história, limita-se a contar os fatos, sem interferir nem manifestar opiniões. O leitor não percebe a presença dele no texto. ⓿ Narrador intruso – não participa dos acontecimentos, mas comenta os fatos, expressando senti- mentos e opiniões sobre eles. 3 O conto “Como os campos” apresenta os elementos principais de uma narrativa. Copie no caderno o quadro a seguir e complete-o respondendo às perguntas sobre o conto. Elementos da narrativa Conto ÒComo os camposÓ Personagens Quem participa da história? Narrador Qual é o tipo de narrador? Espaço Onde a história acontece? Tempo Quando os fatos acontecem? Enredo (ações) O que acontece? Como os fatos se desenrolam? 4 O enredo do conto se desenvolve em alguns momentos. Copie no caderno o quadro da página a seguir e transcreva estas frases nas partes adequadas: Um dos jovens não faz sua roupa como os demais. Jovens acompanham o sábio e ouvem os ensinamentos dele. Um pássaro confunde as roupas do jovem com o campo e pousa em seu ombro, deixando o sábio satisfeito com a ação do jovem. Jovens perguntam ao sábio sobre como se vestir nos dias frios e saem à procura de material para suas vestes. Personagens: o sábio, os jovens, um jovem pequenino. Narrador: narrador observador, em 3ª- pessoa. Espaço: campo. Tempo: no passado, marcado pelas estações do ano: outono, inverno e primavera. Enredo (ações): Jovens perguntam a um sábio como vestir-se no final do outono. O sábio responde à pergunta dos jovens, e as interpretações deles são diferentes: alguns produzem vestes suntuosas imitando as cores do campo e um deles entrega-se ao trabalho com a roupa de algodão que teceu. 192 192 Reprodução do Livro do Estudante em tamanho reduzido. 186-217_Telaris7_LP_MPU_U06_PNLD24.indd 192186-217_Telaris7_LP_MPU_U06_PNLD24.indd 192 8/5/22 1:46 PM8/5/22 1:46 PM