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Unificação da Alemanha e Itália

Texto sobre a unificação da Alemanha e da Itália no século XIX, descrevendo a Guerra Franco‑Prussiana e outros conflitos (1864, 1866), a proclamação do II Reich (1871), o papel de Garibaldi, anexações territoriais e a construção das identidades nacionais.

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Tentativas anteriores de unificação já tinham sido feitas desde as revoluções de 
1848 na Alemanha. As aspirações da Prússia, de agrupar os estados sob sua lideran-
ça, eram vistas como um problema para os franceses. Devido a isso, houve a Guerra 
Franco-prussiana. Vencedora, a Prússia promoveu a união dos reinos alemães: foi 
proclamado o II Reich (1871-1918) alemão, em Versalhes, com a união dos Estados 
soberanos, tendo como imperador Guilherme I (1797-1888), rei da Prússia. Porém, 
segundo o sociólogo Norbert Elias (1897-1990):
A unificação política dos Estados alemães, a elevação do rei da Prússia a impe-
rador (Kaiser) da Alemanha, e a promoção de Berlim, a capital da Prússia, a capital 
do Kaiserreich, certamente não realizaram de uma só vez a integração de muitas 
“boas sociedades” locais e regionais e a padronização de seu código de comporta-
mento e sentimento. Mas criaram uma estrutura institucional para a sua integra-
ção; e deram um forte impulso à formação de uma classe alta alemã mais uniforme.
ELIAS, Norbert. Os alemães: a luta pelo poder e a evolução do habitus nos séculos XIX e XX. 
Rio de Janeiro: Zahar: 1997. p. 60.
Do ponto de vista do nacionalismo, a Guerra Franco-prussiana foi decisiva por 
pelo menos dois motivos: para a França, significou uma união expressiva do povo 
em torno de um sentimento nacional comum, de revanche diante da derrota e 
perda dos territórios da Alsácia e da Lorena; para os estados germânicos, a guerra 
significou a união de estados em torno de um inimigo comum, cujas desavenças 
remontavam à ocupação napoleônica. 
Os estados germânicos já tinham ligações econômicas, pois compuseram a 
Confederação Germânica, desde o Congresso de Viena, e, depois, se reuniram na 
Confederação Germânica do Norte, desde 1866. Do mesmo modo que a guerra 
com a Áustria, a Guerra dos Ducados, de 1864, contra a Dinamarca e com apoio da 
Áustria, também pode ser entendida como iniciadora do processo de unificação 
alemã, visto que elas envolveram anexações de territórios.
Itália
De forma similar à Alemanha, a Itália também não estava unificada no século XIX. 
As divisões da península remontavam longe. Já no século XVI, a região estava dividi-
da em cinco reinos. As Guerras Napoleônicas modificaram profundamente o mapa 
da península Itálica e, do mesmo modo como ocorrera na Alemanha, marcaram o 
sentimento nacional italiano, no contexto da unificação. Tal sentimento nacional 
foi construído em torno de um inimigo comum, visto que poucos elementos étni-
cos e culturais aproximavam os diferentes povos.
No período posterior às Guerras Napoleônicas e à realização do Congresso de 
Viena, a Itália estava dividida em sete regiões: Reino do Piemonte-Sardenha, Reino 
de Veneza-Lombardia, Ducado de Parma, Ducado da Toscana, Ducado de Mode-
na, Reino das Duas Sicílias e Estados Pontifícios. 
Houve diversas tentativas frustradas de unificação, nos movimentos de 1830 
e 1848. Tais empreitadas prosseguiram nas décadas seguintes, como por ocasião 
da anexação do Reino das Duas Sicílias, em 1860, dominadas por Giuseppe Ga-
ribaldi (1807-1882) e repassadas aos domínios do Reino do Piemonte-Sardenha. 
Garibaldi foi um militar, guerrilheiro e ativista italiano que lutou pela unificação 
da península Itálica e atuou em movimentos na América, como a Revolução Far-
roupilha, no sul do Brasil. Com a esposa, Anita Garibaldi, ajudou a proclamar a 
República, no Rio Grande do Sul, durante o período regencial brasileiro, momen-
to em que as províncias requeriam mais autonomia política e econômica.
Kaiserreich: império do 
Kaiser, título próprio do 
imperador alemão.
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Entre 1866 e 1871, cidades que ainda não tinham 
sido anexadas passaram a integrar o Reino da Itália, 
como Roma. Como na Alemanha, foi longo o proces-
so de unificação política italiana, finalizando somente 
no ano de 1871. Além disso, a anexação das terras da 
Igreja criou um grande conflito, que só foi solucionado 
em 1929, com a assinatura do Tratado de Latrão.
Nações recém-nascidas
Vimos que, antes do final do século XIX, nem a 
Alemanha e nem a Itália existiam como as conhece-
mos hoje, como Estados-nações, e que suas fronteiras 
nem sempre foram as mesmas. Logo, pensarmos na 
existência de um povo alemão ou italiano antes desse 
contexto não é algo pertinente, visto que os alemães 
e os italianos, como povos, foram “criados” a partir de 
seus processos de unificação. Tais processos coloca-
ram um grande número de culturas, línguas e iden-
tidades diferentes em um mesmo território. Foi a ne-
cessidade de unir esses povos em torno de referenciais 
comuns que impulsionou a criação dessas nações. 
A unidade nacional, que funcionaria como um 
vínculo que une a todos e na qual todos se reconhe-
ceriam, teria, assim, uma dimensão de artificialidade. 
A identidade cultural e linguística se constituiria, por-
tanto, após a própria criação dos Estados-nações e de 
seus territórios, e não ao contrário.
A nação, deste modo, se sustenta de “tradições in-
ventadas” no passado, com lendas e mitos fundantes 
que ganham implicações no presente e, também, nos 
projetos de futuro. Unidades cultural e linguística defi-
niram uma identidade coletiva, em princípio, partilha-
da por todos, o que fez das nações daquele contexto 
e as de hoje, grandes comunidades.
1. Você estudou que a Alemanha e a Itália se tornaram nações após os processos 
de unificação que ocorreram nesses países no século XIX. Cada nação tem suas 
particularidades, uma cultura, uma língua, um território delimitado, por exemplo. 
Junte-se a um colega e façam uma pesquisa para identificar, pelo menos, cinco 
elementos que caracterizam as nações alemã e italiana atualmente. Elaborem um 
cartaz para expor as informações e compartilhe-o com os colegas. 
2. Leia o trecho abaixo, do livro A invenção das tradições, de Eric Hobsbawm, e 
responda à questão.
Naturalmente, muitas instituições políticas, movimentos ideológicos e gru-
pos, inclusive o nacionalismo – sem antecessores – tornaram necessária a 
invenção de uma continuidade histórica, por exemplo, através da criação de 
um passado antigo que extrapola a continuidade histórica real, seja pela lenda 
[...] ou pela invenção.
HOBSBAWM, Eric. A invenção das tradições. In: HOBSBAWM, Eric J.; RANGER, Terence (org.). 
A invenção das tradições. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1984. p. 14.
a) Baseando-se no texto anterior e nos conteúdos estudados até este momen-
to, seja no contexto das unificações, seja no contexto atual, responda: o que 
é uma nação?
b) Atualmente, em diferentes países, sobretudo na Europa, existem vários mo-
vimentos regionais que buscam independência, mais autonomia ou o direito 
de anexação a outros territórios, comumente motivados por disparidades de 
riquezas em relação aos seus contextos nacionais. É o caso das regiões de 
Vêneto, Lombardia e Tirol do Sul, na Itália, por exemplo. Pensando nisso, faça 
uma pesquisa na internet e responda: quais são as motivações separatistas 
das regiões italianas e quais são as suas reivindicações?
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orientações sobre estas atividades.Explorando
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