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Tentativas anteriores de unificação já tinham sido feitas desde as revoluções de 1848 na Alemanha. As aspirações da Prússia, de agrupar os estados sob sua lideran- ça, eram vistas como um problema para os franceses. Devido a isso, houve a Guerra Franco-prussiana. Vencedora, a Prússia promoveu a união dos reinos alemães: foi proclamado o II Reich (1871-1918) alemão, em Versalhes, com a união dos Estados soberanos, tendo como imperador Guilherme I (1797-1888), rei da Prússia. Porém, segundo o sociólogo Norbert Elias (1897-1990): A unificação política dos Estados alemães, a elevação do rei da Prússia a impe- rador (Kaiser) da Alemanha, e a promoção de Berlim, a capital da Prússia, a capital do Kaiserreich, certamente não realizaram de uma só vez a integração de muitas “boas sociedades” locais e regionais e a padronização de seu código de comporta- mento e sentimento. Mas criaram uma estrutura institucional para a sua integra- ção; e deram um forte impulso à formação de uma classe alta alemã mais uniforme. ELIAS, Norbert. Os alemães: a luta pelo poder e a evolução do habitus nos séculos XIX e XX. Rio de Janeiro: Zahar: 1997. p. 60. Do ponto de vista do nacionalismo, a Guerra Franco-prussiana foi decisiva por pelo menos dois motivos: para a França, significou uma união expressiva do povo em torno de um sentimento nacional comum, de revanche diante da derrota e perda dos territórios da Alsácia e da Lorena; para os estados germânicos, a guerra significou a união de estados em torno de um inimigo comum, cujas desavenças remontavam à ocupação napoleônica. Os estados germânicos já tinham ligações econômicas, pois compuseram a Confederação Germânica, desde o Congresso de Viena, e, depois, se reuniram na Confederação Germânica do Norte, desde 1866. Do mesmo modo que a guerra com a Áustria, a Guerra dos Ducados, de 1864, contra a Dinamarca e com apoio da Áustria, também pode ser entendida como iniciadora do processo de unificação alemã, visto que elas envolveram anexações de territórios. Itália De forma similar à Alemanha, a Itália também não estava unificada no século XIX. As divisões da península remontavam longe. Já no século XVI, a região estava dividi- da em cinco reinos. As Guerras Napoleônicas modificaram profundamente o mapa da península Itálica e, do mesmo modo como ocorrera na Alemanha, marcaram o sentimento nacional italiano, no contexto da unificação. Tal sentimento nacional foi construído em torno de um inimigo comum, visto que poucos elementos étni- cos e culturais aproximavam os diferentes povos. No período posterior às Guerras Napoleônicas e à realização do Congresso de Viena, a Itália estava dividida em sete regiões: Reino do Piemonte-Sardenha, Reino de Veneza-Lombardia, Ducado de Parma, Ducado da Toscana, Ducado de Mode- na, Reino das Duas Sicílias e Estados Pontifícios. Houve diversas tentativas frustradas de unificação, nos movimentos de 1830 e 1848. Tais empreitadas prosseguiram nas décadas seguintes, como por ocasião da anexação do Reino das Duas Sicílias, em 1860, dominadas por Giuseppe Ga- ribaldi (1807-1882) e repassadas aos domínios do Reino do Piemonte-Sardenha. Garibaldi foi um militar, guerrilheiro e ativista italiano que lutou pela unificação da península Itálica e atuou em movimentos na América, como a Revolução Far- roupilha, no sul do Brasil. Com a esposa, Anita Garibaldi, ajudou a proclamar a República, no Rio Grande do Sul, durante o período regencial brasileiro, momen- to em que as províncias requeriam mais autonomia política e econômica. Kaiserreich: império do Kaiser, título próprio do imperador alemão. 103 V1_Cie_HUM_Igor_g21Sc_Cap4_088-111.indd 103V1_Cie_HUM_Igor_g21Sc_Cap4_088-111.indd 103 26/09/2020 12:3126/09/2020 12:31 Entre 1866 e 1871, cidades que ainda não tinham sido anexadas passaram a integrar o Reino da Itália, como Roma. Como na Alemanha, foi longo o proces- so de unificação política italiana, finalizando somente no ano de 1871. Além disso, a anexação das terras da Igreja criou um grande conflito, que só foi solucionado em 1929, com a assinatura do Tratado de Latrão. Nações recém-nascidas Vimos que, antes do final do século XIX, nem a Alemanha e nem a Itália existiam como as conhece- mos hoje, como Estados-nações, e que suas fronteiras nem sempre foram as mesmas. Logo, pensarmos na existência de um povo alemão ou italiano antes desse contexto não é algo pertinente, visto que os alemães e os italianos, como povos, foram “criados” a partir de seus processos de unificação. Tais processos coloca- ram um grande número de culturas, línguas e iden- tidades diferentes em um mesmo território. Foi a ne- cessidade de unir esses povos em torno de referenciais comuns que impulsionou a criação dessas nações. A unidade nacional, que funcionaria como um vínculo que une a todos e na qual todos se reconhe- ceriam, teria, assim, uma dimensão de artificialidade. A identidade cultural e linguística se constituiria, por- tanto, após a própria criação dos Estados-nações e de seus territórios, e não ao contrário. A nação, deste modo, se sustenta de “tradições in- ventadas” no passado, com lendas e mitos fundantes que ganham implicações no presente e, também, nos projetos de futuro. Unidades cultural e linguística defi- niram uma identidade coletiva, em princípio, partilha- da por todos, o que fez das nações daquele contexto e as de hoje, grandes comunidades. 1. Você estudou que a Alemanha e a Itália se tornaram nações após os processos de unificação que ocorreram nesses países no século XIX. Cada nação tem suas particularidades, uma cultura, uma língua, um território delimitado, por exemplo. Junte-se a um colega e façam uma pesquisa para identificar, pelo menos, cinco elementos que caracterizam as nações alemã e italiana atualmente. Elaborem um cartaz para expor as informações e compartilhe-o com os colegas. 2. Leia o trecho abaixo, do livro A invenção das tradições, de Eric Hobsbawm, e responda à questão. Naturalmente, muitas instituições políticas, movimentos ideológicos e gru- pos, inclusive o nacionalismo – sem antecessores – tornaram necessária a invenção de uma continuidade histórica, por exemplo, através da criação de um passado antigo que extrapola a continuidade histórica real, seja pela lenda [...] ou pela invenção. HOBSBAWM, Eric. A invenção das tradições. In: HOBSBAWM, Eric J.; RANGER, Terence (org.). A invenção das tradições. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1984. p. 14. a) Baseando-se no texto anterior e nos conteúdos estudados até este momen- to, seja no contexto das unificações, seja no contexto atual, responda: o que é uma nação? b) Atualmente, em diferentes países, sobretudo na Europa, existem vários mo- vimentos regionais que buscam independência, mais autonomia ou o direito de anexação a outros territórios, comumente motivados por disparidades de riquezas em relação aos seus contextos nacionais. É o caso das regiões de Vêneto, Lombardia e Tirol do Sul, na Itália, por exemplo. Pensando nisso, faça uma pesquisa na internet e responda: quais são as motivações separatistas das regiões italianas e quais são as suas reivindicações? Professor, no Manual você encontra orientações sobre estas atividades.Explorando NÃO ESCREVA NO LIVRO 104 V1_Cie_HUM_Igor_g21Sc_Cap4_088-111.indd 104V1_Cie_HUM_Igor_g21Sc_Cap4_088-111.indd 104 26/09/2020 12:3126/09/2020 12:31