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ORIENTAÇÕES ESPECÍFICAS | 193 Explorando (p. 32) 1. a) Segundo Weber, o desenvolvimento da racio- nalidade capitalista seria o ponto central de distinção em relação ao “impulso aquisitivo” que se configurou em outros momentos histó- ricos e diferentes sociedades. No entanto, essa racionalidade capitalista é fruto de algo novo e próprio de um tempo histórico específico: “a ética profissional ascética de inspiração religiosa, estabelecida com base nas doutrinas da Igreja Reformada, em particular, do calvinismo”. Nesse sentido, Weber considera que a formação e a consolidação do capitalismo se dariam por conta de um elemento histórico específico e que ainda não havia surgido: a ética protestante. A racionalidade do capitalismo moderno tem, assim, como seu elemento distintivo a conduta ascética baseada na ética do protestante. b) Segundo Weber, a forma pela qual o protestante, sobretudo, calvinista encara o trabalho caracteriza o elemento central da racionalidade capitalista. Na tentativa de obter sinais divinos de que é um es- colhido por Deus, o protestante organiza sua vida e seu trabalho de maneira metódica e regrada, pa- ra, com isso, obter sucesso profissional ou nos ne- gócios. É este sucesso, e não o seu empenho no trabalho, que se apresenta como sinal de sua sal- vação divina. 2. a) Aqui seria importante atentar para dois ele- mentos: 1. A disciplina e o controle sobre o trabalho, na maioria das vezes, são prescritos pela gerência da empresa. 2. A disciplina e o controle, que eram fundamentalmente exerci- dos por supervisores e gerentes, passam a ser incorporados pelos próprios trabalhadores, que são “motivados” a se gerenciarem e a gerenciar os grupos de trabalho nos quais estão inseridos. Esse último vem acontecendo cada vez mais nos dias atuais. b) É importante fomentar a ideia de que essa disci- plina do protestante deu o impulso formador pa- ra o capitalismo. No entanto, o próprio Weber re- conhece que depois de estruturada a sociedade capitalista, a racionalidade se move muito mais baseada na economia e na burocracia. Assim, o autocontrole e disciplina protestante não tem na- da a ver com as imposições empresariais aos tra- balhadores. Estas imposições têm por objetivo não uma ética religiosa, mas, sobretudo, a ampliação do lucro. Aprimorando o conhecimento (p. 33) 1. A As novas classes sociais da sociedade capitalista, aquelas que dão forma à sociedade, são a burguesia (ou classe capitalista) e o proletariado (ou classe trabalhadora). 2. C A mais-valia é um dos conceitos centrais da obra de Marx e explica a relação de exploração do tra- balho pelo capital na qual o que é feito pela classe trabalhadora é pago apenas em parte. 3. D Para Durkheim, os laços sociais, ou seja, laços mo- rais, são cada vez mais adensados com o aprofun- damento da divisão do trabalho. Atividades complementares 1. Considere as categorias propostas por Émile Dur- kheim e leia abaixo um trecho de uma obra do sociólogo britânico Antony Giddens. Depois, res- ponda: Solidariedade mecânica e solidariedade orgânica [...] Na solidariedade mecânica cada indivíduo permanece largamente inconsciente de seu “isolamento” como individuo já que, dominado pela conscience collective [consciência coletiva], ele compartilha traços similares com outros membros da sociedade; os limites da sua autonomia estão estritamente confinados. A força da integração moral da conscience collective estava diretamente relacionada à força dos laços que prendiam o indivíduo ao grupo: como um organismo simples, tal sociedade podia dispensar os indivíduos, e até segmentos inteiros de si mesma, sem dificuldade. A característica da solidariedade orgânica, por outro lado, estava no fato de que o vínculo do indivíduo com a conscience collective era mediado pelos seus laços com outros grupos: especialmente, é claro, os criados pela especialização ocupacional na divisão do trabalho. GIDDENS, Anthony. Durkheim e a questão do individualismo. In: GIDDENS, Anthony. Política, Sociologia e Teoria Social. São Paulo: Unesp, 1998. p. 149. a) Em que medida a interpretação de Durkheim so- bre a divisão do trabalho se faz presente nas so- ciedades contemporâneas? É possível observarmos a partir da lente de Durkheim que atualmente os laços de solida- riedade orgânica estariam esgarçados frente ao MPE_vol4_Cie_HUM_Igor_g21Sc_184a256.indd 193MPE_vol4_Cie_HUM_Igor_g21Sc_184a256.indd 193 29/09/2020 17:3829/09/2020 17:38 194 desenvolvimento do individualismo egoísta. Isso quer dizer que mesmo com o aprofunda- mento da divisão do trabalho, que estimularia a interdependência, foi desenvolvido nas so- ciedades contemporâneas um processo de iso- lamento dos indivíduos. De um lado, as formas da consciência coletiva relativas à solidarieda- de mecânica ficaram mais restritas ao direito punido. De outro, o desenvolvimento da espe- cialização proporcional, apesar de criar laços de interdependência se mostra ambivalente em relação às formas de isolamento social dos indivíduos. b) Reflita sobre o tema e indique três exemplos de divisão do trabalho (locais e tipos de trabalho) nos quais haveria a criação positiva de uma inter- dependência funcional. Como exemplos, os estudantes podem citar: Os trabalhos escolares em grupo nos quais se dividem tarefas para que o conjunto consiga atingir os objetivos pretendidos; trabalhos co- munitários em que os indivíduos se engajam em várias frentes para sanar um problema social; os tipos de trabalho dos teleoperadores. Na lente de Durkheim, esses trabalhos seriam uma forma de divisão do trabalho positiva, ocorrendo uma especialização profissional que contribuiria com a sociedade como um todo. c) Os trabalhadores envolvidos nos exemplos que você imaginou concordariam com a pro- posição de Durkheim, isto é, de que a divisão do trabalho reforça os laços sociais de solidarie- dade orgânica? É preciso olhar para as condições desses teleo- peradores, cujo trabalho é intensificado e alta- mente controlado, com pressões gerenciais e tecnológicas que os levam muitas vezes a aban- doná-lo. Esse tipo de divisão do trabalho pode- ria ser considerado por Durkheim como anô- mica. 2. Leia atentamente o texto a seguir. Depois, faça o que se pede. Euforia com aplicativos de serviços dá lugar à frustração de trabalhadores Em novembro do ano passado, um protesto de centenas de motoboys e ciclistas da Rappi trancou a avenida Paulista. Os entregadores da startup colombiana, um dos incontáveis aplicativos de delivery na cidade de São Paulo, reivindicavam aumento na remuneração das corridas — o valor mínimo fica na casa dos R$ 5. As queixas se estendiam ao prazo para as tarefas e às penalidades em caso de atraso ou recusa do serviço. Além de bloqueios temporários, os entregadores estão sujeitos a dívidas se o aplicativo não processa a tempo o cancelamento de uma viagem. [...] Embaladas por um “tecnofetichismo”, as plataformas oferecem de faxina a passeio com cachorro e têm lado numa das batalhas ideológicas em curso no país: a aprovação de reformas de orientação liberal sob os mantras do corte de custos e da alergia à regulação do Estado. O presidente Jair Bolsonaro já afirmou que as leis trabalhistas devem “se aproximar da informalidade”. Em geral, os aplicativos se apresentam como meros intermediadores entre consumidores e fornecedores. Apesar de seus algoritmos estipularem preços, controlarem a prestação do serviço e aplicarem penalidades, as empresas argumentam que os trabalhadores são autônomos. Assim, motoboys do iFood, faxineiras da Parafuzo e motoristas da 99, para citar algumas das mais conhecidas startups brasileiras, são considerados clientes, e não empregados. A chamada “uberização”, referência à plataforma de transporte mais popular do mundo, é a mais recentee significativa das “mutações neoliberais” do mercado de trabalho desde a década de 1970, na definição de Veena Dubal, professora da faculdade de Direito da Universidade da Califórnia. Um sistema de gestão de mão de obra que se ancora no discurso de liberdade e autonomia para transfer ir a “empreendedores de si mesmos” os riscos da atividade econômica de gigantes digitais. BARROS, Carlos Juliano. Euforia com aplicativos de serviços dá lugar à frustração de trabalhadores. Folha de S.Paulo, São Paulo, 3 mar. 2019. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/ ilustrissima/2019/03/euforia-com-aplicativos-de-servicos-da- lugar-a-frustracao-de-trabalhadores.shtml. Acesso em: 7 set. 2020. O cenário acima descrito não é ilustrativo apenas do Brasil. Ele está acontecendo em vários lugares do mundo e necessita de soluções, debates e análises. Estudamos quatro autores cujas temáticas centrais são o trabalho. Assim, analisando este tipo de trabalho por aplicativo via plataformas digitais, qual seria a opinião de cada um desses autores? Faça um debate em grupo e procure sintetizar em quatro frases o que cada um deles diria sobre o trabalho de entrega por aplicativo. Cada um dos autores deve ser trabalhado no senti- do de recompor os principais conceitos abordados no capítulo. Smith com base na ideia de que a divisão do trabalho é parte integrante da natureza humana e que o mercado pode se autorregular; MPE_vol4_Cie_HUM_Igor_g21Sc_184a256.indd 194MPE_vol4_Cie_HUM_Igor_g21Sc_184a256.indd 194 29/09/2020 17:3829/09/2020 17:38