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1 Moluscos
O filo Mollusca (moluscos) é representado prin-
cipalmente por seres marinhos, embora haja algu-
mas espécies terrestres e outras de água doce. O 
corpo mole dá nome ao grupo (do latim mollis = mo-
le). Várias espécies do mar são utilizadas como ali-
mento pelo ser humano: polvo, lula, caracol, ostra, 
mexilhão, etc. Esses animais são popularmente co-
nhecidos como “frutos do mar” junto com os crus-
táceos, outro grupo que estudaremos mais adiante.
Os moluscos apresentam simetria bilateral, 
são triblásticos e celomados: isso significa que no 
embrião se forma uma cavidade no interior da me-
soderme. No adulto, o celoma origina a cavidade 
geral do corpo, situada entre a epiderme e o tubo 
digestório. Essa cavidade fornece espaço para o 
desenvolvimento de vários órgãos, além de facili-
tar o transporte de substâncias e de funcionar, em 
certos casos, como um esqueleto hidrostático. 
O corpo dos moluscos é dividido em três par-
tes: cabeça (ou região cefálica), pé e massa visce-
ral. Ao longo da evolução, essas partes sofreram 
transformações e passaram a ser diferentes em 
cada grupo de moluscos (figura 11.1).
 ◆ Quais são os animais popularmente conhecidos como “frutos do mar”?
 ◆ Você já deve ter visto vários tipos de conchas. Como são os animais que produzem 
essas carapaças?
 ◆ Em que ambiente é comum encontrar minhocas?
 ◆ Que outros grupos de animais são classificados como anelídeos? Quais as principais 
características desses animais?
Na cabeça estão os órgãos sensoriais e os gân-
glios cerebrais. O pé apresenta-se musculoso e, em 
alguns animais, pode estar transformado em braços, 
como nos polvos. 
A massa visceral contém os principais órgãos 
internos do animal. Ela é revestida por uma dobra 
da epiderme (manto ou pálio), que delimita uma 
cavidade entre ela e a massa visceral, chamada ca-
vidade palial ou cavidade do manto. Nessa cavidade 
estão as aberturas dos sistemas digestório e excre-
tor e as brânquias (nas espécies aquáticas) ou os 
pulmões (nas espécies terrestres).
Na epiderme do manto há glândulas que secretam 
uma concha calcária, estrutura rígida e resistente à 
decomposição. Na lesma e no polvo, a concha está 
ausente. Na lula, ela é interna e reduzida (figura 11.2).
brân quias
ânus
órgão excre tor
cora ção
estô ma go
con cha
pé
man to 
(no interior da concha)
glândula 
digestória
Caracol
rádu la
ten tá cu los
cabe ça
Figura 11.1 Representação do corpo dos moluscos (os elementos 
da ilustração não estão na mesma escala; cores fantasia).
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concha 
interna
boca
pé transformado 
em tentáculos
cavidade 
do manto
Lula
brânquias
ânus
sifão
tubo 
digestório
Figura 11.2 Corpo 
das lulas (os 
elementos da 
ilustração não estão 
na mesma escala; 
cores fantasia).
Moluscos e anelídeos 141
140_151_U04_C11_Bio_Hoje_vol_2_PNLD2018.indd 141 05/05/16 08:29
O tubo digestório é completo. A maioria dos mo-
luscos apresenta na boca uma estrutura característi-
ca do grupo, semelhante a uma língua com pequenos 
dentes de quitina, a rádula (do latim radula = peque-
no raspador; figura 11.3). Com esse órgão, o animal 
raspa algas e outros alimentos presos nas pedras e 
nas conchas de outros moluscos e os envia para o 
tubo digestório. 
Detalhe da cabeça
Figura 11.3 Os músculos da boca movimentam a rádula e permitem 
a trituração dos alimentos (os elementos da ilustração não estão na 
mesma escala; cores fantasia).
A maioria dos moluscos tem respiração bran-
quial. Localizadas em geral na cavidade do manto 
(reveja a figura 11.2), as brânquias retiram o oxigênio 
dissolvido na água, que é levado pelo sangue para 
todas as células do corpo. 
Em alguns caracóis (terrestres) e caramujos de 
água doce, a cavidade palial transforma-se em uma 
câmara cuja parede é irrigada de sangue. Essa câma-
ra funciona como um pulmão, retirando oxigênio do 
ar atmosférico. Em algumas lesmas, as trocas gaso-
sas ocorrem através da pele, que é permeável e deve 
estar sempre úmida. 
Na maioria dos moluscos, a circulação é aberta, 
ou seja, o sangue não fica restrito apenas aos vasos 
sanguíneos. O sangue oxigenado proveniente das 
brânquias passa pelo coração (órgão dorsal musculo-
so e contrátil), que o impulsiona por um sistema ra-
mificado de vasos e de lacunas chamados hemoceles. 
Os órgãos estão mergulhados nessas cavidades e são 
banhados por sangue (figura 11.4). O coração está si-
tuado em uma cavidade cheia de líquido, a cavidade 
pericárdica (do grego peri = ao redor), que é o que 
restou do celoma no adulto. 
coração cavidade pericárdica
rim
brânquias
veiahemocele
pé
artéria
estômago
Figura 11.4 Esquema geral da circulação aberta dos moluscos (os 
elementos da ilustração não estão na mesma escala; cores fantasia).
íris
lente (cristalino)
retina
nervo óptico
córnea
olho
cérebro
nervos
rádula
mús cu los
No polvo e na lula a circulação é fechada: o san-
gue circula sempre dentro de vasos, e as trocas de 
nutrientes e gases ocorrem entre os capilares e os 
tecidos. As excretas saem do sangue, caem na ca-
vidade pericárdica e são retiradas por um rim for-
mado por tubos, algumas vezes ciliados, os meta-
nefrídios, que as lança na cavidade palial pelo 
poro renal.
O sistema nervoso é formado por vários pares 
de gânglios unidos por cordões nervosos (figura 11.5). 
Figura 11.5 Sistema nervoso de moluscos e, 
no detalhe, ampliado, olho do polvo (um polvo 
pode medir de alguns centímetros a alguns 
metros de comprimento, conforme a espécie; 
cores fantasia). Na foto, os olhos do 
polvo-gigante-do-Pacífico (esse polvo 
atinge, em média, 4 m de comprimento).
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142 Capítulo 11
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O polvo e a lula têm olhos bem desenvolvidos, 
semelhantes aos dos vertebrados e capazes de formar 
imagens (figura 11.5). Em outros moluscos, como a 
ostra e o mexilhão, os órgãos visuais são mais simples 
e capazes apenas de captar a luz (células fotorrecep-
toras). Há também estatocistos (que funcionam como 
órgãos de equilíbrio), tentáculos táteis e osfrádios 
(receptores químicos próximos às brânquias, com a 
função de identificar e analisar as substâncias dissol-
vidas na água).
Há espécies hermafroditas e de sexos separados. 
Nas espécies hermafroditas raramente ocorre autofe-
cundação, sendo mais comum a fecundação cruzada. 
Em algumas espécies, o indivíduo produz, inicialmen-
te, só gametas masculinos, funcionando como macho. 
Mais tarde, produz gametas femininos, funcionando 
como fêmea.
A fecundação também pode ser externa e o de-
senvolvimento, direto ou indireto (sem ou com a 
formação de larvas, respectivamente).
Classificação
Vamos estudar apenas três grupos mais conheci-
dos de moluscos: Gastropoda (gastrópodes); Bivalvia 
(bivalves); e Cefalophoda (cefalópodes).
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 C
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g
ra
fo
Figura 11.6 Lesma-do-mar, um gastrópode (cerca de 4 cm de 
comprimento).
Gastrópodes
O nome gastrópode deve-se ao fato de o pé 
localizar-se na região ventral (do grego gaster = ven-
tre; podos = pés). São representados pelos caramu-
jos (aquáticos), pelas lesmas e pelos caracóis (ter-
restres e de água doce). Alguns possuem uma 
concha enrolada em espiral, mas outros, como cer-
tas lesmas terrestres, não têm concha. Em outros, 
como a lesma-do-mar, a concha é interna e reduzi-
da (figura 11.6).
Espécies invasoras
Uma causa importante da extinção de es-
pécies são as espécies invasoras, isto é, aque-
las que não estavam presentes em um ecossis-
tema e que, por não terem inimigos naturais 
nas áreas onde chegam, proliferam e atacam 
espéciesnativas, competindo com elas por re-
cursos naturais.
Na década de 1980, foi importado da África 
o caramujo-gigante-africano (Achatina fulica; 
figura 11.7) para substituir o escargot, um cara-
mujo comestível. O cultivo e a comercialização 
do caramujo fracassaram e eles escaparam dos 
locais de criação, espalhando-se pelo ambien-
te. Esse caramujo não possui inimigos naturais, 
alimenta-se da vegetação natural e se repro-
duz rapidamente, destruindo plantações e ser-
vindo de hospedeiro intermediário para vermes 
causadores de doenças no ser humano e em 
animais domésticos.
Biologia e ambiente
Figura 11.7 Caramujo-gigante-africano (até cerca de 15 cm 
de comprimento).
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Moluscos e anelídeos 143
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