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“Conhecer a si mesmo é o começo
de toda a sabedoria.”
Aristóteles
PÓS-EDITAL
PCGO
De acordo com o 1º Termo de Reticação do Edital 06/2022
Provas objetivas e discursivas
SIMULADO 02
COMENTADO
Victoria Maria Lopes
CPF: 073.764.413-36 110646620040
GABARITO 2º SIMULADO PCGO - Pós-edtial
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
C B A E D B D E A C
11 12 13 14 15 16 17 18 19 20
C B C E A D C E B E
21 22 23 24 25 26 27 28 29 30
A B C D A E B C D C
31 32 33 34 35 36 37 38 39 40
A C E B A C C D E A
41 42 43 44 45 46 47 48 49 50
E D B A B C E A B D
51 52 53 54 55 56 57 58 59 60
E A B C D E C B C D
61 62 63 64 65 66 67 68 69 70
A E D D C C E A B C
71 72 73 74 75 76 77 78 79 80
A A E B D E A E C A
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PROVA DISCURSIVA – PROJETO CAVEIRA
TEMA 02 – PC-GO – PÓS-EDITAL 2022
Com relação à prova, discorra, em uma dissertação, ao menos sobre os requisitos abaixo
empregados:
a) Conceitue prova e mencione ao menos dois princípios que norteiam a sua produção;
b) Fale sobre os sistemas de valoração da prova e de que forma eles são aplicados no Brasil;
c) Discorra sobre a utilização de provas ilícitas.
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TEMA 02 – COMENTADO – PC-GO PÓS-EDITAL 2022
a) Conceitue prova e mencione ao menos dois princípios que norteiam a sua produção;
Olá, Caveira! Tudo bem?
Vamos trabalhar com prova, tema previsto no artigo 155 e seguintes do Código de
Processo Penal.
Observe que o enunciado foi dividido em três comandos. O primeiro deles se subdivide
em duas: na primeira, pede-se uma definição; na segunda, pede-se que seja feita uma citação
(ou seja, não é necessário fazer uma explicação). Atentar-se a isso é muito importante, pois,
além de ser necessário não deixar faltar nada que é pedido pela banca, isso te ajuda a se orientar
sobre como organizar a abordagem adequada de cada tópico dentro das linhas disponibilizadas
pela banca.
Agora, sem mais delongas, vamos ao conceito de prova. Conforme NUCCI:
"O termo prova origina-se do latim – probatio –, que significa ensaio, verificação,
inspeção, exame, argumento, razão, aprovação ou confirmação. Dele deriva o verbo
provar – probare –, significando ensaiar, verificar, examinar, reconhecer por experiência,
aprovar, estar satisfeito com algo, persuadir alguém a alguma coisa ou demonstrar"1.
O termo é polissêmico, ou seja, tem mais de um significado. No processo penal, podemos
entendê-la como todos aqueles instrumentos que são apresentados com o objetivo de atestar a
verdade dos fatos alegados. Assim, resta evidenciado que ela é inerente ao desempenho dos
direitos de defesa e de ação. Ademais, as provas têm como finalidade formar a convicção ou
certeza em torno de um fato no espírito do julgador.
Diante disso, importa mencionar os princípios que regem a produção probatória.
Embora o enunciado não tenha pedido que você os explique, vamos trazer a noção geral de
cada um para que você, Caveira, consiga compreender melhor a razão de eles se aplicarem a
este assunto e, com isso, saiba qual pode melhor se encaixar ao seu texto.
São eles:
1. Princípio da autorresponsabilidade das partes
A frustração ou o sucesso no processo estão ligados à conduta probatória das partes.
Assim, elas assumem a responsabilidade pela inércia, erro ou negligência no que
tange à comprovação do que alegam.
2. Princípio do contraditório
Todas as provas apresentadas no processo admitem a produção de uma contraprova
pela parte contrária. Isso está relacionado à ideia de dialética processual e decorre do
brocardo “audiatur et altera parte” (“ouça-se também a parte contrária”).
3. Princípio da comunhão da prova
1 NUCCI, Guilherme de Souza. Manual de processo e execução penal. 11. Ed. Rev., atual e ampl. Rio
de Janeiro: Ed. Forense, 2014, p. 338.
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A prova pertence ao processo e não à parte que a produziu. Assim, pode ser utilizada
por qualquer das partes.
4. Princípio da oralidade
A palavra falada deve predominar sobre a escrita, sem que esta seja excluída. Está
evidenciado, por exemplo, no art. 62, Lei 9.099/1995 (Lei dos Juizados Especiais):
“Art. 62. O processo perante o Juizado Especial orientar-se-á pelos critérios da
oralidade, simplicidade, informalidade, economia processual e celeridade, objetivando,
sempre que possível, a reparação dos danos sofridos pela vítima e a aplicação de pena
não privativa de liberdade”.
5. Princípio da concentração
A produção probatória deve ser centralizada em uma única audiência ou no menor
número delas. É o que traz o art. 400, § 1º, Código de Processo Penal:
“Art. 400. (...)
§ 1o As provas serão produzidas numa só audiência, podendo o juiz indeferir as
consideradas irrelevantes, impertinentes ou protelatórias”.
6. Princípio do imediatismo
O magistrado deve proceder diretamente à colheita de todas as provas, em contato
imediato com as partes. Isso, porém, não impede que sejam produzidas provas por
videoconferência.
7. Princípio da identidade física do julgador
O juiz que preside a instrução é também o que julgará o processo, salvo exceções
previstas em lei, como em caso de promoção ou aposentadoria (art. 399, § 2º, Código
de Processo Penal).
“Art. 399. (...)
2o O juiz que presidiu a instrução deverá proferir a sentença”.
8. Princípio da publicidade
Os atos que compõem o processo penal, em regra, não podem ocorrer de forma
secreta, devido à importância das questões atinentes a esses procedimentos. Nesse
sentido, a Súmula Vinculante nº 14 do Supremo Tribunal Federal afirma:
“Súmula Vinculante 14/STF: É direito do defensor, no interesse do representado, ter
acesso amplo aos elementos de prova que, já documentados em procedimento
investigatório realizado por órgão com competência de polícia judiciária, digam respeito
ao exercício do direito de defesa”.
Todavia, há exceções a isso. A Constituição da República Federativa do Brasil de
1988 e a legislação infraconstitucional asseguram o segredo de justiça em algumas
situações, quando a preservação do direito à intimidade não prejudica o interesse
público à informação (art. 93, IX, CF/1988)2 e/ou a divulgação das informações resulta
em escândalo, inconveniente grave ou perigo de perturbação da ordem (art. 792, § 1º,
Código de Processo Penal)3. Exemplo de imposição de segredo de justiça são os
2 Leia mais sobre esse assunto clicando [aqui].
3 Leia mais sobre esse assunto clicando [aqui].
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casos de interceptações telefônicas (art. 1º, Lei 9.296/1996)4 e crimes contra a
dignidade sexual (art. 234-B, Código Penal)5.
9. Princípio do livre convencimento motivado
O magistrado tem liberdade para decidir o caso conforme a apreciação que fez das
provas, porém precisa fundamentar seu entendimento. Isso pode ser extraído do art.
155, caput, Código de Processo Penal:
“Art. 155. O juiz formará sua convicção pela livre apreciação da prova produzida em
contraditório judicial, não podendo fundamentar sua decisão exclusivamente nos
elementos informativos colhidos na investigação, ressalvadas as provas cautelares, não
repetíveis e antecipadas”.
10. Princípio da verdade real
O julgador deve se dedicar a estar o mais próximo possível do que ocorreu, devendo
manter um sentimento de busca pela verdade quando da aplicação da pena e da
apuração dos fatos. Essa ação encontra algumas limitações,como a vedação ao uso
de provas obtidas de forma ilícita ou mesmo a imposição de restrições à atuação
estatal (garantias contra a autoincriminação do réu, vedação da tortura, nulidade de
provas obtidas por meios ilícitos, limitações em depoimentos de testemunhas etc.)6.
Por isso, assentou-se o entendimento de que é impossível o alcance da verdade
absoluta, havendo apenas uma aproximação da verdade dos fatos. Nessa linha, a
doutrina moderna tende a adotar o princípio da busca da verdade. Nos julgados
Tribunais Superiores, a nomenclatura adotada ainda tem sido princípio da busca da
verdade real:
“Ementa: AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. COMPETÊNCIA
TERRITORIAL. DIVERGÊNCIA QUANTO AO LOCAL DE CONSUMAÇÃO DO CRIME
MAIS GRAVE. INCIDÊNCIA DA REGRA DO ART. 70, § 3º, DO CPP. PREVENÇÃO DE
UMA DAS COMARCAS POSSIVELMENTE COMPETENTES. VIOLAÇÃO DO
PRINCÍPIO DO JUIZ NATURAL. NÃO OCORRÊNCIA. INVIBILIDADE DE REEXAME
DO CONTEXTO FÁTICO-PROBATÓRIO NA VIA DO HABEAS CORPUS. AGRAVO
REGIMENTAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO. I – O art. 70 do Código de Processo
Penal, que considera como local do crime aquele em que o delito se consumou, permite
o abrandamento da norma, ao enunciar que a competência será, de regra, a do local em
que a infração se consumar, tendo-se em conta os fins pretendidos pelo processo penal,
em especial a busca da verdade real. II – No caso, o Tribunal de Justiça de origem
decidiu que, à luz do que contido nos autos, “o suposto delito foi cometido na divisa de
Sergipe e Bahia, ficando incerta a competência com base no lugar da infração, razão
pela qual se aplicam as regras de competência da prevenção, do art. 70, § 3º, do CPP”.
III – A prorrogação da competência em favor de uma das comarcas possivelmente
competentes não importa em violação do princípio do juiz natural. IV – Para se chegar à
conclusão diversa da que chegaram as instâncias antecedentes, como pretende a
defesa, haveria a necessidade de reexame do contexto fático-probatório, o que é inviável
na via do habeas corpus. V – Agravo regimental a que se nega provimento
(STF. Agr. Reg. no HC 148.984. Sergipe. 2ª Turma. Relator: Min. Ricardo Lewandowski.
Data do julgamento: 02/03/2018. Data da publicação: 09/08/2018)”.
11. Princípio da não autoincriminação
Ninguém que é acusado de ter cometido infração pode ser obrigado a produzir provas
contra si mesmo, ou seja, “nemo tenetur se detegere” (“ninguém é obrigado a se
descobrir”). Decorre do art. 5º, LXIII, CF/88:
“Art. 5º (...):
4 Leia mais sobre esse assunto clicando [aqui].
5 Leia mais sobre esse assunto clicando [aqui].
6 Leia mais sobre esse assunto clicando [aqui].
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LXIII - o preso será informado de seus direitos, entre os quais o de permanecer calado,
sendo-lhe assegurada a assistência da família e de advogado”;
Ademais, o art. 8º, 2, “g”, Pacto de San José da Costa Rica, promulgado pelo Decreto
nº 678/1992 diz:
“2. Toda pessoa acusada de delito tem direito a que se presuma sua inocência enquanto
não se comprove legalmente sua culpa. Durante o processo, toda pessoa tem direito,
em plena igualdade, às seguintes garantias mínimas:
g) direito de não ser obrigado a depor contra si mesma, nem a declarar-se culpada;
e”
b) Fale sobre os sistemas de valoração da prova e de que forma eles são aplicados no
Brasil;
A segunda parte do enunciado traz, novamente, dois pedidos. Perceba, Caveira, que a
mera descrição de cada um dos sistemas de valoração da prova não será suficiente para obter
nota máxima no que diz respeito a este tópico. Você também precisa dizer de que forma eles se
aplicam no Brasil – ou seja, se são ou não aplicáveis e em que contexto.
Diante disso, vamos aos sistemas de apreciação das provas.
O primeiro deles é o sistema da íntima convicção, da livre convicção, da prova livre ou
da certeza moral do juiz. Por meio desse sistema, entende-se que a verdade jurídica reside na
consciência do juiz, o qual tem liberdade plena e absoluta, não precisando motivar sua convicção.
Ademais, conforme esse sistema, o juiz pode até mesmo se basear em elementos que
não estão nos autos e julgar com base em seus conceitos preestabelecidos e suas crenças
pessoais.
Em regra, esse sistema não está presente no direito processual penal brasileiro. Pode-se,
porém, perceber resquícios de sua existência no Tribunal do Júri, uma vez que os jurados julgam
de acordo com a sua íntima convicção e votam os quesitos sem fundamentar.
Nessa linha, afirmam CAPEZ e COLNAGO: "Esse sistema vigora entre nós, como
exceção, nas decisões proferidas pelo júri popular, nas quais o jurado profere seu voto, sem
necessidade de fundamentação"7.
O segundo deles é o sistema da certeza legislativa, da prova tarifada, da certeza moral
do legislador ou da certeza legal. Conforme esse entendimento, as provas têm valor inalterado
e fixado; o valor de cada prova decorre da própria lei. É como se o magistrado, como um
matemático, apenas aplicasse as regras, sem empregar nenhum tipo de senso crítico em sua
atuação.
Nesse sistema, não há qualquer margem para discricionariedade – o julgador não pode
deixar de, rigorosamente, acatar às regras previamente estabelecidas. Não há, assim, convicção
pessoal na valoração do contexto probatório, mas obediência estrita aos pesos e valores
impostos por lei. Desse sistema, decorre o brocardo “testis unus, testis nullus”, pelo qual o
7 CAPEZ, Fernando; COLNAGO, Rodrigo. Código de processo penal comentado. 1 ed. Ed. Saraiva,
2015, p. 180.
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depoimento de uma só testemunha, por mais detalhado e verossímil que seja, não tem qualquer
valor8.
No Brasil, esse sistema vigora excepcionalmente em alguns casos. Um deles é o do art.
158 do Código de Processo Penal, que diz:
“Art. 158. Quando a infração deixar vestígios, será indispensável o exame de corpo de
delito, direto ou indireto, não podendo supri-lo a confissão do acusado”.
Observa-se que, em casos em que o crime deixe vestígio, a realização do exame de corpo
de delito para demonstrar a materialidade da infração é imprescindível. Nem mesmo a confissão
do réu supre a não realização do procedimento.
Também é possível perceber esse sistema no art. 155, parágrafo único, Código de
Processo Penal:
“Art. 155. (...)
Parágrafo único. Somente quanto ao estado das pessoas serão observadas as restrições
estabelecidas na lei civil”.
No caso supramencionado, o estado das pessoas somente é provado mediante certidão,
não sendo admitida prova testemunhal.
O terceiro e último sistema de valoração das provas é o sistema do livre convencimento
motivado, da apreciação livre, da verdade real ou da persuasão racional. Preconiza que o
juiz tem liberdade para decidir, devendo, todavia, motivar sua decisão. Justamente por isso, não
promove uma hierarquia entre as provas – cabe ao próprio magistrado imprimir, em sua decisão,
o grau de importância das provas que lhe foram apresentadas.
Assim, temos que o juiz só pode decidir de acordo com a prova dos autos, mas pode
apreciá-las com inteira liberdade. Por outro lado, o legislador freou sua atuação quando
determinou que deve haver a fundamentação da decisão. Nesse sentido, lecionam CAPEZ e
COLNAGO9 que esse sistema busca a verdade real, de modo a rejeitar o formalismo exacerbado
e a impedir o absolutismo pleno do julgador, já que ele precisa justificar sua decisão.
Esse é o sistema adotado pelo Brasil, conforme se observa no art. 93, IX, CF/1988:
“Art. 93. (...)
IX todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos, e
fundamentadas todas as decisões, sob pena de nulidade, podendo a lei limitar a
presença, em determinados atos, às próprias partese a seus advogados, ou somente a
estes, em casos nos quais a preservação do direito à intimidade do interessado no sigilo
não prejudique o interesse público à informação”
Da mesma forma, pode-se perceber a opção do legislador por sua adoção no art. 155,
caput, CPP:
“Art. 155. O juiz formará sua convicção pela livre apreciação da prova produzida
em contraditório judicial, não podendo fundamentar sua decisão exclusivamente nos
elementos informativos colhidos na investigação, ressalvadas as provas cautelares, não
repetíveis e antecipadas”.
8 Leia mais sobre esse assunto clicando [aqui].
9 CAPEZ, Fernando; COLNAGO, Rodrigo. Código de processo penal comentado. 1 ed. Ed. Saraiva,
2015, p. 181.
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Verifica-se que o juiz tem liberdade para formar sua convicção, uma vez que é ele quem
determina, com base em cada contexto, a valoração a ser atribuída a cada prova produzida em
contraditório judicial. Sua fundamentação não pode ter como base elementos estranhos aos
autos, bem como não pode estar exclusivamente pautada nos elementos informativos colhidos
na fase do inquérito, já que eles não foram passíveis de contraditório nem ampla defesa.
Em relação à imprestabilidade dos elementos colhidos na fase preliminar na prolação da
sentença, há três exceções. A primeira diz respeito às provas cautelares, que são produzidas
devido à necessidade e à urgência, para que os elementos não venham a se perder (exemplo:
oitiva de uma testemunha em estágio terminal). A segunda é quanto às provas não repetíveis,
que, uma vez feitas, não podem ser refeitas na fase processual. A terceira e última é relativa às
provas antecipadas, que visam a evitar o perecimento probatório e tramitam perante o
magistrado, com colaboração das futuras partes, resguardando-se contraditório e a ampla
defesa.
Sobre isso, vale mencionar o que diz a jurisprudência:
PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ORDINÁRIO EM
HABEAS CORPUS. ROUBO MAJORADO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA.
CONDENAÇÃO BASEADA EM INFORMAÇÕES COLHIDAS NO INQUÉRITO E
COMPLEMENTADAS POR PROVAS PRODUZIDAS EM JUÍZO. POSSIBILIDADE.
JURISPRUDÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. 1. A controvérsia dos autos
não foi apreciada pelo Superior Tribunal de Justiça. O que impede o imediato exame da
matéria pelo Supremo Tribunal Federal (STF), sob pena de indevida supressão de
instância. Precedente. 2. O entendimento do STF é no sentido de que o livre
convencimento do juiz pode decorrer das informações colhidas durante o
inquérito policial, nas hipóteses em que complementam provas que passaram pelo
crivo do contraditório na fase judicial, bem como quando não são infirmadas por
outras provas colhidas em juízo (RHC 118.516, Rel. Min. Luiz Fux). 3. No caso de que
se trata, o Juízo de origem, em decisão corroborada pelo Tribunal estadual, ao condenar
o acionante apontou que a sucessão de provas materiais produzidas na fase
administrativa associada aos depoimentos colhidos perante a autoridade policial e
aqueles que se realizaram sob o crivo do contraditório permitem concluir que os
acusados Gilberto de Oliveira e Jeferson Pereira da Silva praticaram os crimes de roubo”.
4. Agravo regimental desprovido.
(STF - AgR RHC: 170101 SC - SANTA CATARINA 0088228-64.2018.3.00.0000, Relator:
Min. ROBERTO BARROSO, Data de Julgamento: 04/10/2019, Primeira Turma, Data de
Publicação: DJe-231 24-10-2019)
c) Discorra sobre a utilização de provas ilícitas no processo penal brasileiro.
O terceiro comando do enunciado pede que você fale sobre a utilização de provas ilícitas
no processo penal brasileiro. Note que, implicitamente, a Banca espera que você traga uma
noção do que são provas ilícitas, uma vez que, para falar sobre seu uso, você precisa explicar o
que elas são.
Nesse sentido, primeiramente, convém lembrar que a doutrina entende que as provas
ilícitas são uma espécie do gênero provas proibidas. Em linhas gerais, as provas ilícitas são
aquelas que violam princípios constitucionais penais (normas de direito material), enquanto as
provas ilegítimas violam princípios constitucionais processuais (normas de direito
formal/processual). Para facilitar:
PROVAS PROIBIDAS
Tipo de direito ofendido Classificação da prova
Material Ilícitas
Formal Ilegítima
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Essa distinção, no entanto, é indiferente em termos de aplicação da lei. Sobre isso, o
art. 5º, LVI, CF/1988 diz apenas que “LVI - são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas
por meios ilícitos”. Na mesma linha, o art. 157, caput, Código de Processo Penal traz:
“Art. 157. São inadmissíveis, devendo ser desentranhadas do processo, as provas
ilícitas, assim entendidas as obtidas em violação a normas constitucionais ou legais”.
Observa-se, assim, que o dispositivo não distingue provas ilícitas de provas ilegítimas,
apenas considera como ilícita a prova que viola a norma constitucional ou infraconstitucional,
pouco importando tratar-se de norma de direito material ou processual.
Quanto à utilização de provas ilícitas no processo penal brasileiro, existem as
seguintes teorias:
a) Teoria da ponderação quanto à inadmissibilidade da prova ilícita ou da
proporcionalidade ou da razoabilidade ou do sacrifício
Entende que o magistrado deve, na ponderação de bens jurídicos, dar prevalência
ao bem jurídico de maior importância. Em outras palavras, entende que, se a prova
foi obtida para o resguardo de outro bem protegido pela Constituição, de maior valor
do que aquele resguardado, não há que se falar em ilicitude, devendo ser afastada
a restrição da inadmissibilidade da prova.
Assim, alguns doutrinadores defendem o uso da prova ilícita em favor do acusado,
para demonstrar sua inocência. A ideia é que o “status libertis do réu” é o bem de
maior importância em casos do tipo. Ainda, destaca-se que prova ilícita não pode ser
utilizada para demonstrar culpa, pois seus efeitos são limitados à obtenção da
inocência do réu. É o que explicam TÁVORA e ALENCAR10, para quem a teoria da
proporcionalidade deve ser invocada para preservar os interesses do acusado, em
favor da absolvição (concepção da prova ilícita utilizada "pro reo").
Sobre o uso da prova ilícia “pro societate”, ensinam CAPEZ e COLNAGO11:
"(...) consiste na admissibilidade das provas ilícitas, quando demonstrada a prevalência
do interesse público na persecucáo penal, a tendência atual da jurisprudência dos
Tribunais Superiores é a da sua não adoção. De acordo com esse entendimento, a não
admissão de mecanismos de flexibilização das garantias constitucionais tem o objetivo
de preservar o núcleo irredutível de direitos individuais inerentes ao devido processo
legal, mantendo a atuação do Poder Público dentro dos limites legais. As medidas
excepcionais de constrição de direitos não podem, assim, ser transformadas em práticas
comuns de investigação."
b) Teoria dos frutos árvore envenenada ("fruits of the poisonous tree") ou da
prova ilícita por derivação
Derivada do direito americano, é adotada no Brasil desde 1996, após o julgamento
de um habeas corpus. Atualmente, a teoria dos frutos da árvore envenenada
encontra previsão no art. 157, Código de Processo Penal, anteriormente
mencionado. Ela defende que uma árvore envenenada provoca frutos envenenados;
em outras palavras, diz que provas que decorrem de uma prova ilícita estão
igualmente contaminadas.
10 TÁVORA, Nestor; ALENCAR, Rosmar Rodrigues. Curso de direito processual penal. 8. Ed. Salvador:
Ed. JusPODIVM, 2013.
11 CAPEZ, Fernando; COLNAGO, Rodrigo. Código de processo penal comentado. 1 ed. Ed. Saraiva,
2015, p. 185.
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É da leitura do próprioart. 157, Código de Processo Penal, porém, que podem ser
extraídas quatro teorias que se mostram como exceção.
b1. Teoria da prova absolutamente independente ou limitação da fonte independente:
o art. 157, § 1, 1ª parte do CPP estabelece que:
“Art. 157. (...)
§ 1º. São também inadmissíveis as provas derivadas das ilícitas, salvo quando não
evidenciado o nexo de causalidade entre umas e outras (...)”.
Assim, não havendo nexo de causalidade (relação de dependência) entre a prova ilícita e as
demais provas que decorreram da ilícita, não haverá contaminação. O processo será
aproveitado se houver outras provas válidas absolutamente independentes da prova ilícita,
cabendo ao juiz deferir os limites de interdependência da prova.
b2. Teoria da descoberta inevitável ("inevitable discovery") ou do curso hipotético de
investigação: o art. 157, § 1º, parte final e § 2ºe § 3º, CPP dispõe:
“Art. 157. (...)
§ 1º São também inadmissíveis as provas derivadas das ilícitas, salvo quando não
evidenciado o nexo de causalidade entre umas e outras, ou quando as derivadas
puderem ser obtidas por uma fonte independente das primeiras.
§ 2º Considera-se fonte independente aquela que por si só, seguindo os trâmites típicos
e de praxe, próprios da investigação ou instrução criminal, seria capaz de conduzir ao
fato objeto da prova.
§ 3º Preclusa a decisão de desentranhamento da prova declarada inadmissível, esta
será inutilizada por decisão judicial, facultado às partes acompanhar o incidente”.
Logo, as provas que decorrem de uma prova ilícita não necessariamente estarão
contaminadas. Assim, serão aproveitadas se ficar demonstrado que elas inevitavelmente
seriam descobertas de outra maneira, por uma outra fonte autônoma e por meio válido.
b3. Teoria da contaminação expurgada ou da conexão atenuada: defende que, se o
vínculo entre a prova ilícita e a derivada for irrelevante ou tênue, não haverá contaminação.
b.4 Teoria da boa-fé: busca evitar o reconhecimento da ilicitude da prova quando os agentes
de polícia ou da persecução penal tiverem atuado destituídos do dolo de infringir a lei,
pautados em situação de erro.
c) Teoria da exclusão da ilicitude da prova
Defende que a prova, aparentemente ilícita, deve ser tida como lícita quando a
conduta do agente na sua captação está amparada pelo direito (excludentes de
ilicitude). Exemplo disso ocorre se o réu violar o domicílio de alguém, conduta
tipificada como crime nos termos do art. 150 do CP, para produzir prova fundamental
em favor de sua inocência. A prova será tida como válida, pois ele agiu em estado
de necessidade (art. 24, CP) ao suprimir bem jurídico alheio (tutela domiciliar) para
salvaguardar outro bem jurídico (liberdade), em face de um perigo atual (existência
de persecução penal), ao qual não deu causa, e cujo sacrifício não era razoável
exigir12.
12 Leia mais sobre esse assunto clicando [aqui].
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EXEMPLO DE REDAÇÃO
Prova é tudo aquilo que se utiliza para comprovar o que se alega no processo e, assim,
corroborar para que o juiz ou tribunal concorde sobre a existência ou inexistência de determinado
fato. Em outras palavras, ela é um instrumento por meio do qual se tenta convencer o julgador a
respeito da "verdade" que se está apresentando. Sua produção respeita o princípio do
contraditório, já que as partes podem produzir contraprovas para questionar o que for
apresentado. Ainda, é válido lembrar do princípio da comunhão das provas, que defende que a
prova é do processo, não das partes, já que elas podem ser usadas por ambos os lados para
convencer o juiz.
Nesse sentido, convém também falar sobre os sistemas de valoração das provas e as
formas como podemos reconhecê-los no processo penal brasileiro. O primeiro é o sistema da
íntima convicção, que entende que a verdade jurídica reside na consciência do juiz, o qual tem
liberdade plena e absoluta, não precisando motivar sua convicção. Assim, o magistrado pode até
mesmo se basear em elementos que não estão nos autos e julgar com base em seus conceitos
preestabelecidos e suas crenças pessoais. Os resquícios de sua existência estão presentes no
Tribunal do Júri, uma vez que os jurados julgam de acordo com a sua íntima convicção e votam
os quesitos sem fundamentar.
O segundo é o sistema da certeza legislativa, que defende que as provas têm valor
inalterado e fixado, que deriva de lei. Logo, o magistrado apenas aplica as regras, sem nenhum
tipo de senso crítico. Não há margem para discricionariedade. Sua presença é exceção no
processo penal brasileiro, sendo encontrada, por exemplo, no art. 158 do CPP, que determina
que, em casos em que o crime deixe vestígio, é imprescindível a realização do exame de corpo
de delito. Já o terceiro e último é o do livre convencimento motivado, no qual o juiz tem liberdade
para decidir, devendo, todavia, motivar sua decisão. Não há hierarquia de importância entre as
provas, e o juiz pode valorá-las conforme o seu próprio entendimento, precisando, apenas,
explicar as razões de ter tomado tais decisões. Isso aponta a importância da produção cuidadosa
das provas, pois seus efeitos são gravosos ao réu, uma vez que podem restringir o direito
fundamental à liberdade. É o sistema adotado no Brasil.
Para encerrar, é importante falar sobre a utilização de provas ilícitas. Convém destacar
que, conforme o art. 5º, LVI da CF/88, as provas obtidas por meios ilícitos são inadmissíveis no
processo. Algumas teorias, porém, preveem. Conforme a teoria da ponderação quanto à
inadmissibilidade da prova ilícita, por exemplo, o magistrado deve, na ponderação de bens
jurídicos, dar prevalência ao bem jurídico de maior importância. Assim, a prova ilícita deve ser
aceita “pro reo” caso demonstre a inocência do acusado, pois o “status libertis do réu” é o bem
mais relevante em casos do tipo. Já a teoria dos frutos da árvore envenenada entende que as
provas obtidas a partir de provas ilícitas – ou seja, de provas obtidas em violação a normas
constitucionais ou legais – estão contaminadas, sendo provas ilícitas por derivação. Em regra,
também são inadmissíveis no processo, exceto quando não evidenciado o nexo de causalidade
entre umas e outras ou quando as derivadas puderem ser obtidas por fontes independentes das
primeiras (art. 157, § 1º, CPP).
Victoria Maria Lopes
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1
CONHECIMENTOS GERAIS
Língua Portuguesa
A gratidão tem o poder de salvar vidas (ou por que
você deveria escrever aquela nota de agradecimento)
Richard Gunderman. Tradução: Camilo Rocha
A gratidão pode ser mais benéfica do que
costumamos supor. Um estudo recente pediu que
pessoas escrevessem uma nota de agradecimento para
alguém e depois estimassem o quão surpreso e feliz o
recebedor ficaria. Invariavelmente, o impacto foi
subestimado. Outro estudo avaliou os benefícios para a
saúde de se escrever bilhetes de obrigado. Os
pesquisadores descobriram que escrever apenas três
notas de obrigado ao longo de três semanas melhorava
a satisfação com a vida, aumentava sentimentos de
felicidade e reduziria sintomas de depressão.
Existem múltiplas explicações para os benefícios
da gratidão. Uma é o fato de que expressar gratidão
encoraja os outros a continuarem sendo generosos,
promovendo, assim, um ciclo virtuoso de bondade em
relacionamentos. Da mesma maneira, pessoas
agradecidas talvez fiquem mais propensas a retribuir com
seus próprios atos de bondade. Falando de modo mais
amplo, uma comunidade em que as pessoas se sentem
agradecidas umas com as outras tem mais chancede ser
um lugar agradável para se viver do que uma
caracterizada por suspeição e ressentimento mútuos.
Os efeitos benéficos da gratidão podem ir ainda
mais longe. Por exemplo, quando muitas pessoas se
sentem bem sobre o que outra pessoa fez por elas, elas
sentem um senso de elevação, com um consequente
reforço da sua consideração pela humanidade. Alguns se
inspiram a tentar se tornar também pessoas melhores,
fazendo mais para ajudar a trazer o melhor nos outros e
trazendo mais bondade para o mundo à sua volta.
É claro, atos de bondade também podem
fomentar desconforto. Por exemplo, se pessoas sentem
que não são merecedoras de bondade ou suspeitam que
há algum motivo por trás da bondade, os benefícios da
gratidão não se realizarão. Do mesmo modo, receber
bondade pode fazer surgir um senso de dívida, deixando
nos beneficiários uma sensação de que precisam pagar
de volta a bondade recebida. A gratidão pode florescer
apenas se as pessoas têm confiança o suficiente em si
mesmas e nos outros para permitir que isso aconteça.
Outro obstáculo para a gratidão é
frequentemente chamado de senso de merecimento. Em
vez de sentir um benefício como uma virada boa, as
pessoas às vezes o veem como um mero pagamento do
que lhes é devido, pelo qual ninguém merece nenhum
crédito moral. Ainda que seja importante ver que a justiça
está sendo feita, deixar de lado oportunidades por
sentimentos genuínos e expressões de generosidade
também podem produzir uma comunidade mais
impessoal e fragmentada.
Quando Defoe retratou a personagem Robinson
Crusoe fazendo da ação de graças uma parte diária de
sua vida na ilha, ele estava antecipando descobertas nas
ciências sociais e medicina que não apareceriam por
centenas de anos. Ele também estava refletindo a
sabedoria de tradições religiosas e filosóficas que têm
início há milhares de anos. A gratidão é um dos estados
mentais mais saudáveis e edificantes, e aqueles que a
adotam como hábito estão enriquecendo não apenas
suas próprias vidas mas também as vidas daqueles à sua
volta.
Adaptado de:
https://www.nexojornal.com.br/externo/2018/08/11/Agratid%C3%A3o-
tem-o-poder-de-salvar-vidas-ou-por-quevoc%C3%AA-deveria-
escrever-aquela-nota-de-agradecimento Acesso em: 04 fev. 2020.
1
Considere as ideias e informações apresentadas no
texto e assinale a alternativa INCORRETA.
(A) Os três primeiros parágrafos têm a função de
apresentar os efeitos positivos da gratidão na vida das
pessoas.
(B) A sequência lógica do texto revela que não apenas
aspectos positivos estão articulados à gratidão, pois, nos
4º e 5º parágrafos, é apresentado um contraponto aos
benefícios da gratidão.
(C) Ocorre uma contradição interna no texto, visto que,
primeiramente, é apresentada a serventia da gratidão,
porém, em seguida, o autor se contradiz.
(D) A referência à obra literária de Dafoe exemplifica, por
meio da experiência de Robinson Crusoe, que a
importância do hábito da gratidão não é recente.
(E) O autor acredita que o atual individualismo na
sociedade pode ser uma consequência da falta de
atitudes de agradecimento nas relações pessoais.
Gabarito: C
COMENTÁRIO DO PROFESSOR:
Vamos lá, Caveira. A questão solicita a INCORRETA, ou
seja, uma só. Todas as outras estão corretas e são
informações de acordo com o texto.
Caveira, note que o autor não se contradiz, ele só diz que
NEM SEMPRE “É claro, atos de bondade também podem
fomentar desconforto. Por exemplo, se pessoas sentem
que não são merecedoras de bondade ou suspeitam que
há algum motivo por trás da bondade, os benefícios da
gratidão não se realizarão.”.
Ele só cita que há alguns atos que podem gerar
desconforto, isso não significa que é uma contradição.
O ato de individualismo exposto na letra E, apesar de
estar escrito individualismo, fica claro no penúltimo
parágrafo.
“Outro obstáculo para a gratidão é frequentemente
chamado de senso de merecimento. Em vez de sentir um
benefício como uma virada boa, as pessoas às vezes o
veem como um mero pagamento do que lhes é devido,
pelo qual ninguém merece nenhum crédito moral. Ainda
que seja importante ver que a justiça está sendo feita,
deixar de lado oportunidades por sentimentos genuínos
e expressões de generosidade também podem
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2
produzir uma comunidade mais impessoal e
fragmentada.”.
2
Assinale a alternativa em que a substituição do verbo
em destaque em “Existem múltiplas explicações para
os benefícios da gratidão. ” Respeite as normas de
concordância.
(A) Faz múltiplas explicações para os benefícios da
gratidão.
(B) Há múltiplas explicações para os benefícios da
gratidão.
(C) A múltiplas explicações para os benefícios da
gratidão.
(D) Hão múltiplas explicações para os benefícios da
gratidão.
(E) Existe múltiplas explicações para os benefícios da
gratidão.
Gabarito: B
COMENTÁRIO DO PROFESSOR:
Caveira, vamos lá.
A) Faz errado, aqui tem que ser o FAZEM. O verbo
FAZER tem algumas circunstâncias, porém, o FAZER,
para ficar impessoal, a grosso modo, quando é tempo
decorrido.
B) Perfeito. HÁ. Nesse caso está substituindo o verbo
EXISTEM.
C) A?
Fica bem sem nexo e o correto é o HÁ.
D) Está errado o hão. Nesse caso o verbo deve vir
juntamente de outro. Exemplos: hão de comer, hão de
fazer.
E) Erado. Se a banca já deu o EXISTEM, não tem como
ser o EXISTE.
3
Considerando que a oração em destaque se
classifica como reduzida por não apresentar
conectivo e por apresentar um verbo em sua forma
nominal, assinale a alternativa que apresenta um
desenvolvimento dessa oração com sentido coerente
e redação adequada. “Uma é o fato de que expressar
gratidão encoraja os outros a continuarem sendo
generosos, promovendo assim um ciclo virtuoso de
bondade em relacionamentos.”.
(A) […] porque promove, assim, um ciclo virtuoso de
bondade em relacionamentos.
(B) […] visto que promova, assim, um ciclo virtuoso de
bondade em relacionamentos.
(C) […] desde que promova, assim, um ciclo virtuoso de
bondade em relacionamentos.
(D) […] quando promove, assim, um ciclo virtuoso de
bondade em relacionamentos.
(E) […] se promove, assim, um ciclo virtuoso de bondade
em relacionamentos.
Gabarito: A
COMENTÁRIO DO PROFESSOR:
Direto ao ponto.
Vamos lá, Caveira. Acontece ali uma explicação.
Vamos ao trecho todo: “Existem múltiplas explicações
para os benefícios da gratidão. Uma é o fato de que
expressar gratidão encoraja os outros a continuarem
sendo generosos, promovendo, assim, um ciclo virtuoso
de bondade em relacionamentos. ”
Perceba que ali diz que EXISTEM EXPLICAÇÕES.
Ou seja, ali se tem uma causa para as múltiplas
explicações.
Portanto, vamos achar a conjunção causal.
A e B são as únicas, porém a B possui um erro de
concordância.
Não seria o PROMOVA, seria o PROMOVE, como na lera
A.
Portanto a letra A é a única que se encaixa.
Vamos lá pras outras.
C) Desde que E) Se ambas são condicionais.
D) Quando temporal.
Aquele a mais.
Caveira, vamos àquele resumo de orações
subordinadas.
● Oração subordinada adverbial causal.
É uma oração que transmite a causa, o motivo da oração
principal.
Conjunções – Porque, que, porquanto, visto que, uma
vez que, como.
“O Caveira passou na prova, pois estudou.” [...]
A causa de ter passado na prova foi ter estudado.
● Oração subordinada adverbial comparativa.
Como o próprio nome já diz: faz uma comparação.
Conjunções – Como, mais do que, menos do que, assim
como. [...]
“Ele estuda mais do que ela”.
Aqui ocorre uma comparação de quem estuda mais que
quem.
● Oração subordinada adverbial concessiva.
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3
Admite uma contradição ao fato da oração principal. É
uma permissão, um contraste, uma oposição, porém a
ação continua. Ou seja, o fato contraditório é incapaz de
anular a ação.
Conjunções – Embora, conquanto, ainda que, mesmo
que, se bem que. [...]
“Eu vou estudar, mesmo que no escuro”.
Perceba que mesmo sem energia, tudo escuro, o Caveira
se propôs a estudar. Ocorreu uma quebra de expectativa,
uma adversidade, porém não impediu o autor da frase de
estudar.
● Oração subordinada adverbial condicional.
Apresenta uma condição para o fato acontecer ou não.
Conjunções – Se, salvo se, desde que, exceto se, caso,
desde, contanto que. [...]
“Caso ela vá, eu irei.”.
Uma condição para a pessoa ir é que a outra vá.
● Oração subordinada adverbial conformativa.
Ideia de conformidade, uma regra, um modelo de
concordância à oração principal.
Conjunções – Conforme, como, consoante, segundo. [...]
“Segundo o resultado da banca, passei.”
“Farei o bolo, conforme a receita.”
● Oração subordinada adverbial consecutiva.
Exprime a consequência da ação.
Conjunções – Que, tanto que, tão que, tal que, tamanho
que, de forma que. [...]
“Estudou tanto que passou.”
A consequência de ter estudado muito foi a aprovação.
● Oração subordinada adverbial final.
É uma oração que expressa a finalidade, objetivo.
Conjunções – A fim de que, para que, que. [...]
“Estudou a fim de passar.”
A finalidade, o objetivo, de estudar é passar.
● Oração subordinada adverbial temporal.
Exprime circunstância de tempo em relação à oração
principal.
Conjunções – Quando, enquanto, agora que, logo que,
desde que, assim que, tanto que.
Quando ela vier, eu irei.
Mal li o edital e já saiu o local de prova.
● Oração subordinada adverbial proporcional.
Passa a ideia de proporção.
Conjunções – À proporção que, à medida que, ao passo
que, quanto mais ... que, quanto menos ... menos, quanto
maior ... maior, quanto maior, menor. [...]
“Ele aprende português à medida que estuda.”
Ou seja, é uma proporção. De pouco em pouco chega lá.
4
De acordo com o contexto, a palavra em destaque em
“[...] uma comunidade […] caracterizada
por suspeição e ressentimento mútuos.” Significa:
(A) afeição.
(B) preconceito.
(C) superstição.
(D) rancor.
(E) desconfiança.
Gabarito: E
COMENTÁRIO DO PROFESSOR:
Caveira, questão de sinônimos / significados, não tem pra
onde fugir.
Suspeição dúvida, suspeita, desconfiança.
Portanto o gabarito é a letra E.
5
Considerando os usos do “se” no seguinte excerto,
analise as assertivas e assinale a alternativa que
aponta as corretas.
“Por exemplo, se pessoas sentem que não são
merecedoras de bondade ou suspeitam que há algum
motivo por trás da bondade, os benefícios da
gratidão não se realizarão. ”
I. Nas duas ocorrências, o “se” é um pronome que
integra o sentido do verbo.
II. Na primeira ocorrência, o “se” tem valor
condicional.
III. Na segunda ocorrência, o “se” indica que a oração
está na voz passiva.
IV. Nas duas ocorrências, servem para indeterminar
os sujeitos verbais.
(A) Apenas I e IV.
(B) Apenas II e IV.
(C) Apenas I e II.
(D) Apenas II e III.
(E) Apenas I e III.
Gabarito: D
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4
COMENTÁRIO DO PROFESSOR:
Vamos lá, Caveira.
“Por exemplo, se pessoas sentem que não são
merecedoras de bondade ou suspeitam que há algum
motivo por trás da bondade, os benefícios da gratidão
não se realizarão.”.
No primeiro caso é condição.
Pode ser substituída por outra conjunção de igual valor.
O sentido está de condição, exprime uma condição das
pessoas sentirem ou não.
No segundo caso está na voz passiva.
Você pode substituir por os benefícios serão
realizados.
Vamos àquele resumo sobre vozes verbais para
entender mais do assunto de vozes verbais.
Ação praticada pelo sujeito (VOZ ATIVA).
Pode indicar uma ação sofrida pelo sujeito (VOZ
PASSIVA).
E também pode inferir uma ação praticada e sofrida pelo
sujeito. (VOZ REFLEXIVA).
VOZ ATIVA.
Aqui o sujeito FAZ ação.
João estudou pelo Projeto Caveira.
Cadê o verbo? ESTUDOU, muito bem.
Quem estudou pelo Projeto Caveira? JOÃO. – SUJEITO.
Nesse caso ocorre uma ação por parte de João? Ou seja,
ele fez algo ou sofreu algo?
Ele fez, ele estudou pelo Projeto Caveira.
Então a voz verbal é ATIVA.
VOZ REFLEXIVA.
Aqui o sujeito FAZ e SOFRE a ação. É formada por um
verbo na voz ativa mais um pronome oblíquo reflexivo
(me, te, se, nos, vos, se)
Eu me barbeei.
Cadê o verbo? Está na frase, muito bem. Mas qual é o
verbo? BARBEEI.
Show. Quem me barbeei? EU.
Legal.
Eu fiz a ação, BARBEEI-ME. E sofri a ação FUI
BARBEADO.
VOZ PASSIVA.
Aqui o sujeito sofre a ação.
Há dois tipos de voz passiva.
Voz Passiva Analítica: sua marca principal é,
normalmente, a locução verbal formada por
ser/estar/ficar + particípio
Exemplos – Eu fui vendido / Ele foi marcado / Nós
fomos vendidos.
Voz passiva sintética – Possui um verbo conjugado na
3ª pessoa do singular ou plural juntamente com o
pronome apassivador SE.
EXEMPLOS – Vendem-se casas / Cantam-se músicas.
Se você quiser decorar cada uma, apenas decore: (VOZ
PASSIVA SEntética, pois terá que ter o SE).
Aqui você pode transpor a voz.
Casas são vendidas.
Músicas são cantadas.
Cuidado, somente em orações que sejam possíveis
fazer essa troca.
Precisa-se de garçonetes.
Você não consegue transpor essa voz.
De garçonetes são precisados.
Não faz sentido.
Resumo da ópera.
Voz ativa – faz ação.
Voz reflexiva – utiliza o pronome SE – faz e sofre a ação.
Voz passiva SEntética (para lembrar do SE) – utiliza o
pronome SE.
Voz passiva analítica – Utiliza os verbos terminados em
ADO e IDO.
6
Assinale a alternativa que o termo destacado difere
dos demais.
(A) Marcos, o novo professor, chegou?
(B) Professor, você veio cedo?
(C) Pedro, ex-imperador, sempre esteve presente.
(D) Ele possui três filhas: Carla, Júlia e Ana.
(E) O grupo de professores é incrível.
Gabarito: B
COMENTÁRIO DO PROFESSOR:
Caveira, praticamente questão de vocativo e aposto.
A única alternativa que não tem aposto é a letra B, que
nesse caso é um VOCATIVO.
Vocativo você fala com alguém.
Aposto você fala de alguém.
Vamos lá, letra por letra.
(A) Marcos, o novo professor, chegou?
APOSTO eu explico quem é esse MARCOS.
Caso eu removesse a vírgula depois de professor, tornar-
se-ia um VOCATIVO.
(B) Professor, você veio cedo?
VOCATIVO aqui eu pergunto se o professor veio cedo.
(C) Pedro, ex-imperador, sempre esteve presente.
APOSTO praticamente igual à letra A.
(D) Ele possui três filhas: Carla, Júlia e Ana.
APOSTO explico quem são as três filhas.
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5
(E) O grupo de professores é incrível.
Explico de que são os grupos de professores, nesse
caso, um aposto.
7
Leia o trecho a seguir.
“Atualmente, não é possível ter o que se pede. Hoje
pela manhã, chegamos a um consenso e tudo foi
liberado.”
Analise os seguintes itens.
I. A primeira vírgula é opcional.
II. A primeira vírgula é obrigatória.
III. A segunda vírgula é opcional.
IV. A segunda vírgula é obrigatória.
A assertiva correta é:
(A) I e II.
(B) II e IV.
(C) II e III.
(D) I e IV.
(E) I e III.
Gabarito: D
COMENTÁRIO DO PROFESSOR:
Caveira, vamos lá.
● Adjuntoadverbial com até 2 palavras, a vírgula é
opcional. (Geralmente, estudo – Geralmente estudo.)
● Adjunto adverbial com 3 ou mais palavras, vírgula é
obrigatória. (Nos dias atuais, eu estudo).
Portanto fica claro que a primeira vírgula é opcional e a
segunda é obrigatória.
8
Assinale a alternativa que a oração seja subordinada
substantiva subjetiva.
(A) Todos sabemos que choverá amanhã.
(B) Maria gosta de que cozinhem sempre.
(C) Eu tenho certeza de que passaremos de ano.
(D) Meu desejo era que você passasse no concurso.
(E) É importante que você trabalhe.
Gabarito: E
COMENTÁRIO DO PROFESSOR:
Direto ao ponto.
Sem enrolar, o resumo abaixo já dará a resposta, bem
como explicará as outras orações subordinadas
substantivas.
Orações subordinadas substantivas
Geralmente as orações subordinadas substantivas são
acompanhadas das conjunções QUE ou SE.
● Oração subordinada substantiva subjetiva.
(Tem função de sujeito para a oração principal).
É importante que você trabalhe.
Vamos lá, separe a oração. Tem dois verbos?
Sim. É e Trabalhe.
Beleza.
É importante, tem sujeito? Não, ainda não.
Beleza, o trecho “é importante” é a oração principal.
Agora veja como é fácil.
Olhou para a oração principal, não achou sujeito,
automaticamente a segunda oração é o sujeito.
O sujeito da oração é “Que você trabalhe”.
● Oração Subordinada Substantiva Objetiva Direta.
Simples, ache o objeto direto.
Todos sabemos que choverá amanhã.
Separe a oração – verbos.
Todos sabemos. – Oração Principal.
Que choverá amanhã. – Oração S.S.O.D.
Olha só: tem sujeito na primeira oração? Sim.
Quem sabemos? TODOS. Já tem sujeito, então não é
Subjetiva.
Todos sabemos O QUÊ? – Objetiva direta.
● Oração Subordinada Substantiva Objetiva Indireta.
Maria gosta de que cozinhem sempre.
Há dois verbos? Sim.
Maria gosta – Oração principal.
De que cozinhem sempre – Oração S.S.O.I.
Vamos lá.
Maria gosta, o sujeito é MARIA. Logo não é subjetiva.
Pergunte pro verbo -> gosta de quê? De que cozinhem
sempre.
Tem preposição? Sim, há preposição.
Logo se tem preposição é Objetiva Indireta.
● Oração Subordinada Substantiva Completiva
Nominal.
É aquela que complementa o sentido de um substantivo
abstrato com preposição.
Eu tenho certeza de que passaremos de ano.
Oração principal – Eu tenho certeza.
Aqui até tem objeto direto – certeza. Mas até aí tudo bem.
A outra oração está completando CERTEZA, e certeza é
substantivo abstrato.
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6
● Oração Subordinada Substantiva Apositiva.
Função de aposto e está ligado pelos dois pontos. Sim,
dois pontos.
Todos pensam a mesma coisa: que eu sou um vitorioso.
● Oração Subordinada Substantiva Predicativa.
Função de predicativo do sujeito.
Exemplo: Meu desejo era que você passasse no
concurso.
Oração principal Meu desejo era
O predicativo é que você passasse no concurso.
9
Assinale a alternativa que esteja no sentido figurado.
(A) Do jeito que ela cozinha, vai fazer meu coração
derreter.
(B) O professor tinha mais de 200 provas pra corrigir.
(C) Ela encarou o garoto.
(D) A moça abriu a porta do carro e foi viajar.
(E) Beatriz não tinha nada na sacola.
Gabarito: A
COMENTÁRIO DO PROFESSOR:
Caveira, a única assertiva que passa sentido figurado,
isto é, conotativo, é a letra A.
Não significa que o coração da pessoa vai ser derretido
na “frigideira”, mas sim que ele vai se apaixonar por ela.
B) Sentido denotativo. O professor pode ter, sim, mais de
200 provas, sem problemas nenhum. Aqui não ocorre um
exagero.
C) Nada de figurado ali. Apenas encarou mesmo.
D) Nesse caso a moça entrou no carro e foi viajar. Utilizou
o automóvel para fazer uma viagem, não há um sentido
figurado.
E) Nada na sacola não significa nada no sentido figurado.
É algo comum, estava com uma sacola e não tinha nada.
10
Nos itens a seguir é dado uma frase e uma
classificação delas entre parênteses. Leia-os.
I. A moça está feliz. (Predicado Nominal).
II. Ela chegou cansada. (Predicado Verbo-Nominal).
III. Ela terminou cedo. (Predicado Verbal).
Está correta a assertiva.
(A) I e II.
(B) II e III.
(C) I, II e III.
(D) I.
(E) II.
Gabarito: C
COMENTÁRIO DO PROFESSOR:
Caveira, o resumo abaixo já explica cada uma e diz o
porquê de estar certo. Vejamos.
PREDICADOS.
Predicativo do sujeito.
Simples, é a característica do sujeito.
Essa característica pode ser ligada por um verbo de
ligação ou um verbo que determina ação.
Verbos de ligação – determinam a característica do
sujeito SEM SER uma ação.
Ela é linda.
Ela está feliz.
Ela continua estudiosa.
Ela permanece alegre.
Note que os verbos presentes não indicam uma ação, ou
seja, o sujeito não está fazendo uma ação, os verbos são
de ligação, ligam a característica do sujeito ao sujeito.
Os principais verbos de ligação são:
ser;
estar;
parecer;
ficar;
tornar-se;
continuar;
andar;
permanecer.
CUIDADO para não confundir esses verbos com ação.
Por exemplo.
Ela está linda X Ela está na cozinha.
Note que há uma diferença.
Ela está linda – ocorre uma característica do sujeito.
Ela está na cozinha – indica uma ação, onde o sujeito
está.
Vamos pegar dois exemplos.
1) Ela continua estudiosa.
Sujeito? Você já sabe. Pergunte ao verbo.
Quem continua estudiosa?
Resposta – ELA.
Beleza.
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7
Estudiosa é característica do sujeito, por isso é
predicativo do sujeito.
O verbo continua, no caso, não indica uma ação, mas
sim uma ligação da característica do sujeito ao sujeito,
logo é verbo de ligação.
2) A criança ficou feliz.
Sujeito? Quem ficou feliz? – Criança.
Feliz – característica do sujeito, portanto, predicativo do
sujeito.
O verbo FICOU, no caso, não indica uma ação, o verbo
apenas liga a característica do sujeito ao sujeito,
consequentemente é verbo de ligação.
Nesse caso, chamamos isso de PREDICADO NOMINAL.
Ou seja, quando há VERBO DE LIGAÇÃO +
PREDICATIVO DO SUJEITO = PREDICADO
NOMINAL.
O verbo nem sempre precisa ser de ligação para ter
predicativo do sujeito.
Vamos analisar.
Ela chegou cansada.
Note que o verbo indica uma ação.
Sujeito – ELA.
Chegou é uma ação, portanto não é verbo de ligação.
Cansada é uma característica do sujeito, pode ser
chamado de predicativo do sujeito.
Nesse caso chamamos isso de Predicado Verbo-
Nominal, quando o verbo indica ação e característica.
VERBO (AÇÃO) + PREDICATIVO DO SUJEITO =
PREDICADO VERBO-NOMINAL.
ATENÇÃO: a característica não precisa ser do sujeito.
Pode ser do OBJETO.
Achei a aluna calma.
Quem achei?
EU – Sujeito.
Aluna – objeto direto (do verbo ACHAR).
Calma – característica da aluna.
Quando não há predicativo do sujeito e o verbo só indica
ação, chamamos de PREDICADO VERBAL.
Exemplo:
Ela terminou cedo.
Ela – sujeito.
Terminou – verbo, indica só ação.
Cedo – aqui seria predicativo do objeto, mas por hora,
não precisam saber. Percebam que não há predicativo
do sujeito.
VERBO SÓ AÇÂO = PREDICADO VERBAL.
Realidade étnica, social, histórica, geográfica,
cultural, política e Econômica do Estado de Goiás
11
“Carro de boi ficou pra trás, o trem chegou, tic-tic-
tac cantou forte no quase inóspito cerrado goiano.
Em 27 de maio de 1912, foi concluída a ponte
Engenheiro Bethout, 287,5 metros de umaestrutura
metálica entre os municípios de Araguari (MG) e
Anhanguera (GO), fazendo a ligação entre os dois
estados. O tic-tic-tac não chegou sozinho.
Trouxe progresso.
Da divisa entre territórios mineiros e goianos,
os trilhos foram seguindo cerrado adentro. No início
do século XX, o trem começava a chegar manso por
essas bandas, correndo solto, deslizando nos trilhos,
alimentando sonhos, esperanças, desbravando
novas regiões, integrando o isolado Goiás às regiões
mais desenvolvidas do Brasil”.
(Mais Goiás. 27.05.2020. disponível em:
https://www.maisgoias.com.br/ferrovia-goiana-
completa-108-anos-nesta-quarta-27/) .
A construção da ferrovia goiana foi motivada, entre
outros fatores, pela (o):
(A) Necessidade de escoamento da soja do estado de
Goiás para o porto de Santos-SP.
(B) Urgência de uma infraestrutura de transporte para
subsidiar as atividades da mineração no Centro-Oeste
brasileiro.
(C) Objetivo de disseminar a civilização pelo interior do
país, de economizar tempo em percorrer as distâncias e
pela importância de integridade do território nacional.
(D) Carência de meios de transporte que conectem a
capital federal Brasília a região Sudeste.
(E) Apoio ao crescente processo de industrialização que
o estado vivenciava no início do século XX.
Gabarito: C
COMENTÁRIO DO PROFESSOR:
Alternativa A – Incorreta
A construção da ferrovia goiana ocorreu no início do
século XX. Na época, o Brasil ainda vivenciava o ciclo
do café. A modernização da agricultura e a
intensificação da produção de grãos (soja-milho) no
estado de Goiás é um fenômeno mais recente, ocorre a
partir da segunda metade do século XX.
Alternativa B – Incorreta
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8
A mineração em Goiás teve o seu ápice em 1750, de
1751 a 1770 a extração e exploração do ouro foi
diminuindo drasticamente, do ano de 1770 adiante a
mineração entrou em decadência. Assim, quando foi
implantada a primeira linha ferroviária em Goiás, a
mineração já havia entrado em decadência.
Alternativa C – Correta
Apesar da posição estratégica e do potencial produtivo
de Goiás, somente em 1912 são construídos os
primeiros trilhos no território goiano.
A Estrada de Ferro Goiás (EFG) surge como forma de
atender as necessidades locais de modernização, mas
está ligada, sobretudo, à pressão externa exercida pelos
empresários do Sudeste brasileiro e pelo capital
internacional no país.
Entre as justificativas para o processo de construção
das ferrovias interioranas no país, estão: a de
disseminar a civilização pelo interior de nosso país;
economizar o tempo gasto em percorrer as
distâncias; de harmonia com os altos interesses
políticos e estratégicos; e a percepção de que a grandeza
deste país está, antes de tudo, na integridade de seu
território.
A Estrada de Ferro simbolizou para o estado de Goiás
mais que uma simples infraestrutura de circulação. Ela foi
à ligação com a metrópole e tudo o que esta pode
representar.
A estrada de ferro ajudou a fundar municípios; a
alterar a estrutura fundiária; influenciou a cultura por meio
da modernização; e provocou mudanças no mercado
de trabalho. Em outros termos, pode-se afirmar que a
estrada de ferro alterou significativamente a dinâmica do
território goiano, uma vez que viabilizou o advento da
modernização territorial.
Alternativa D – Incorreta
Na década de 1910, quando foram inaugurados os
primeiros trilhos em território goiano, a atual capital
federal – Brasília - não existia. Brasília foi fundada em
1960.
Alternativa E – Incorreta
A industrialização no estado de Goiás é um fenômeno
recente, tornou-se mais evidente a partir da década de
1970 e intensificou-se na década de 1990, favorecido
pelos esforços estatais em atrais indústrias.
12
“O início do processo de ocupação e organização do
espaço rural goiano dá-se pelo deslocamento
populacional de Minas Gerais e do Nordeste, no
início do século XIX, o que permitiu a incorporação
da Província goiana ao sistema colonial. A primeira
fase foi marcada pelo ciclo da mineração (1726 –
1770). Após a decadência dessa atividade (1780)
ocorreu à dispersão dos colonos pelo espaço rural,
desenvolvendo a agricultura de subsistência e a
pecuária extensiva. Essas atividades permitiram uma
maior mobilidade das relações sociais de trabalho no
campo. Gradativamente, vários produtos que antes
eram importados de outras regiões passaram a ser
produzidos, assim, houve também o
desenvolvimento do setor artesanal, fortalecendo o
mercado inter-regional. Todavia, essas mudanças
não promoveram uma melhor distribuição das
propriedades rurais”.
(MENDES, E. de P. P. Ocupação e produção no
Cerrado Goiano: do século XVIII ao XX. In: IX
Simpósio Nacional do Cerrado. Brasília, 2008).
Em relação aos séculos XIX e XX no território goiano,
assinale a alternativa INCORRETA:
(A) O fluxo de migrantes vindos de Minas Gerais e do
Nordeste brasileiro para o Centro-Oeste contribuíram
para ampliação do sistema econômico agrícola,
pecuarista e comercial, desde o século XIX.
(B) Os primeiros núcleos populacionais de Goiás foram
constituídos por frentes colonizadoras de agricultores do
Rio Grande do Sul com o objetivo de plantar soja no
Centro-Oeste.
(C) A implantação de infraestrutura de transporte e a
construção de Goiânia e Brasília contribuíram para a
expansão da fronteira agrícola no estado.
(D) A região goiana se manteve como fornecedora de
gado de engorda até o início da década de 1950.
(E) Com a modernização da agropecuária, a agricultura
goiana passou por transformações significativas, tendo
como principal objetivo estreitar relações com o setor
agrícola e o setor urbano-industrial.
Gabarito: B
COMENTÁRIO DO PROFESSOR:
Caveiras, vamos lembrar que o enunciado pede para
assinalar a alternativa INCORRETA.
A alternativa ‘A’ apresenta uma afirmação correta. O
estado de Goiás recebeu deslocamento populacional
de Minas Gerais e do Nordeste (início do Século XIX) e
houve dispersão dos colonos pelo espaço rural.
A alternativa ‘B’ possui afirmação INCORRETA. Os
primeiros núcleos populacionais de Goiás estão
associados à mineração e foram fundados pelos
bandeirantes. A expansão da fronteira agrícola na
região Centro-Oeste e a intensificação do plantio de
grãos (ex: soja) ocorrem a partir da segunda metade
do século XX.
A alternativa ‘C’ traz uma afirmação correta. A política
de Estado de interiorização do desenvolvimento com a
implantação de uma infraestrutura de transportes nas
primeiras décadas do século XX e a construção de
Goiânia e Brasília contribuiu para expansão da
fronteira agrícola. A implantação de uma infraestrutura
de transporte (rede ferroviária e construção de rodovias)
permitiram uma articulação inter-regional e uma
integração regional.
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9
A alternativa ‘D’ apresenta uma afirmação correta.
Com a decadência da mineração e a dispersão dos
colonos pelo espaço rural, a região goiana manteve-
se como fornecedora de gado de engorda até o início
da década de 1950. Com a construção das rodovias
ocorreu a integração regional, que consequentemente
estimulou a formação de um complexo urbano/rural, que
passou a consumir os excedentes agrários através do
setor mercantil.
A alternativa ‘E’ possui uma afirmação correta. A partir
de segunda metade do século XX, com processo de
modernização da agropecuária, a agricultura goiana
passou por transformações significativas. Houve
crescimentoe especialização da agropecuária em Goiás
e o incremento do processo de urbanização. As relações
entre o setor agrícola e o setor urbano-industrial
ficaram mais estreitas.
13
“O decreto estadual nº 3359, de 18 de maio de 1933,
determinou a escolha da região às margens do
córrego Botafogo, compreendida pelas fazendas
Crimeia, Vaca Brava e Botafogo, no então município
de Campinas, para a edificação da nova capital de
Goiás. Em 24 de outubro de 1933, em local definido
pelo engenheiro, arquiteto, urbanista e paisagista
Attilio Corrêa Lima, responsável pelo projeto
urbanístico da nova capital, Pedro Ludovico lançou a
pedra fundamental de Goiânia.
De acordo com relatos históricos, o nome sugerido
para a nova capital de Goiás teria sido “Petrônia”, em
homenagem ao seu fundador Pedro Ludovico. O
jornal O Social havia realizado um concurso cultural
com seus leitores para o batismo da nova cidade.
Dois nomes concorreram: Petrônia e Goiânia. O
primeiro foi escolhido por 68 leitores do jornal,
enquanto Goiânia obteve menos de 10 votos. Pedro
Ludovico, no entanto, por razões que ele nunca
revelou a ninguém, preferiu Goiânia e em decreto de
2 de agosto de 1935 formalizou o nome da nova
capital”.
(Prefeitura Municipal de Goiânia. Disponível em:
https://www.goiania.go.gov.br/sobre-
goiania/historia-de-goiania/).
Antes da construção de Goiânia, a capital do estado
de Goiás foi:
(A) Campinas.
(B) Caldas Novas.
(C) Goiás.
(D) Brasília.
(E) Anápolis.
Gabarito: C
COMENTÁRIO DO PROFESSOR:
A cidade Goiás foi a antiga capital do estado de Goiás.
Conectada à Goiânia pela GO-070, a cidade de Goiás
(popularmente chamada de Goiás Velho) foi fundada nos
remotos tempos de 1736 por Bartolomeu Bueno da Silva,
o Anhanguera, que foi um dos mais importantes
bandeirantes a desbravar o interior do Brasil durante o
período colonial, ou seja, foi fundada por bandeirantes
que buscavam índios e ouro.
Goiás cresceu às margens do Rio Vermelho, que corta o
município - um dos primeiros fundados no Brasil colonial.
14
Construída inicialmente para 50 mil habitantes,
Goiânia experimentou um crescimento moderado até
1955. Entretanto, devido a uma série de fatores, cerca
de 150 mil pessoas já habitavam a nova capital em
1965. Apenas da década de 1960, Goiânia ganhou
cerca de 125 novos bairros e tudo isso exigia mais
infraestrutura, energia, transporte e escolas.
Entre um dos fatores que contribuiu para o
crescimento de Goiânia no período está:
(A) A guerra fiscal desencadeada pela nova constituição
federal.
(B) A descoberta de jazidas de ouro no estado de Goiás.
(C) O fim do ciclo do café no Brasil.
(D) O processo de desconcentração industrial na região
sudeste.
(E) A construção de Brasília.
Gabarito: E
COMENTÁRIO DO PROFESSOR:
Alternativa A – Incorreta
A guerra fiscal consiste em um fenômeno que tem se
intensificado a partir dos anos 90, apresentando como
característica marcante, a disputa entre os Estados pela
atração de empresas para seus territórios. O enunciado
aborda o crescimento de Goiânia nas décadas de
1950 e 1960.
Alternativa B – Incorreta
A descoberta de ouro no estado de Goiás ocorreu no
século XVIII. A mineração em Goiás teve o seu ápice
em 1750, de 1751 a 1770 a extração e exploração do
ouro foi diminuindo drasticamente, do ano de 1770
adiante a mineração entrou em decadência, o que
provocou o abandono de muitos povoados goianos.
Goiânia foi fundada apenas em 1933.
Alternativa C – Incorreta
O Ciclo do Café perdurou por mais de 100 anos, entre
os anos de 1800 e 1930, a cafeicultura se manteve como
a principal atividade econômica do Brasil. Os processos
de urbanização e o início da indústria no Brasil estão
ligados a esse produto. Entretanto, num primeiro
momento, este processo tem impacto mais
significativo no estado de São Paulo e na região
Sudeste.
Alternativa D - Incorreta
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10
Historicamente – e ainda nos dias atuais – a região mais
industrializada do Brasil é o Sudeste, com destaque
para o eixo Rio-São Paulo, além da região sul. São
justamente essas áreas que mais perdem
investimentos atualmente com a guerra fiscal e a
desconcentração industrial, o que leva muitos
analistas econômicos a chamar esse processo de
desconcentração concentrada, haja vista que são poucas
as áreas que perdem indústrias. A desconcentração
industrial acontece do Sul e do Sudeste para as demais
regiões, sobretudo o Nordeste. Mas é importante
ressaltar que não ocorre apenas uma migração inter-
regional de fábricas, mas também uma interiorização,
cujo principal efeito é o notável crescimento das
chamadas cidades médias. A desconcentração
industrial passa a acontecer, de fato, a partir da
década de 1990.
Alternativa E – Correta
Construída inicialmente para 50 mil habitantes, Goiânia
experimentou um crescimento moderado até 1955.
Entretanto, devido a uma série de fatores, como a
chegada da estrada de ferro, em 1951, a retomada da
política de interiorização de Getúlio Vargas, de 1951
a 1954, a inauguração da Usina do Rochedo, em 1955,
e construção de Brasília, de 1954 a 1960, cerca de 150
mil pessoas já habitavam a nova capital em 1965. Apenas
da década de 1960, Goiânia ganhou cerca de 125 novos
bairros e tudo isso exigia mais infraestrutura, energia,
transporte e escolas.
Raciocínio Lógico
15
Considere a proposição: “Se gosto de atirar, então
gosto de comer carne.” Uma proposição logicamente
equivalente a ela é:
(A) “Não gosto de atirar ou gosto de comer carne.”.
(B) “Gosto de atirar e de comer carne.”.
(C) “Gosto de atirar ou não gosto de comer carne.”.
(D) “Se não gosto de atirar, então não gosto de comer
carne.”.
(E) “Se gosto de comer carne, então gosto de atirar.”.
Gabarito: A
COMENTÁRIO DO PROFESSOR
É necessário seguir as seguintes etapas:
• 1ª etapa: Analisando a proposição:
• Proposição: Se gosto de atirar, então gosto de
comer carne.
• A = gosto de atirar.
• “→” = “Se, então”.
• B = gosto de comer carne.
• Proposição = A→B.
DICA: Equivalência e negação da condicional:
Logo, de acordo com a DICA acima, note que a
proposição: A→B possui como equivalência as seguintes
proposições: ~B→~A ou ~A∨B.
Portanto:
• ~B→~A = Se não gosto de comer carne, então não
gosto de atirar.
• ~A∨B = Não gosto de atirar ou gosto de comer carne.
Os erros das demais alternativas estão sublinhados em
vermelho (Caso tenha alguma parte que esteja faltando,
esta estará escrita em caixa alta), veja:
(B) Gosto de atirar e de comer carne – Totalmente
errada, não condiz com nenhuma das duas
equivalências possíveis.
(C) NÃO Gosto de atirar ou não gosto de comer carne. A
palavra maiúscula: “NÃO” deveria estar descrita na
proposição e a palavra “não”, em minúsculo, não deveria
estar descrita na proposição.
(D) Se não gosto de atirar, então não gosto de comer
carne – A condicional está invertida.
(E) Se NÃO gosto de comer carne, então NÃO gosto de
atirar - As palavras maiúsculas: “NÃO” deveriam estar
descritas na proposição.
• 2ª etapa: Análise final
Diante do exposto, a alternativa correta corresponde à
letra A.
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11
16
A respeito da proposição: “Todo crime tem solução”,
três peritos apresentaram a negativa dessa
proposição como segue:
Perito A: “Algum crime não tem solução”.
Perito B: “Todo crime nãotem solução”.
Perito C: “Pelo menos um crime não tem solução”.
Está(ão) correta(s):
(A) Apenas A.
(B) Apenas B.
(C) Apenas C.
(D) Apenas A e C.
(E) Apenas A e B.
Gabarito: D
COMENTÁRIO DO PROFESSOR:
Dica: Proposições categóricas:
DICA: Negação do quantificador: “TODO”:
É necessário seguir as seguintes etapas:
• 1ª etapa: Análise do item:
>> Todo crime tem solução:
Supondo que A = crime e B = solução, temos:
• Proposição: “Todo crime tem solução”.
• A = crime.
• B = tem solução.
DICA: Negações:
•Todo A é B → Negações: {
𝟏ª: Algum A não é B
𝟐ª: Pelo menos um A não é B
𝟑ª: Existe A que não é B
Tomando como base a dica acima, teremos a seguinte
negação para essa proposição:
• 1ª Possibilidade: Algum crime não tem solução.
• 2ª Possibilidade: Pelo menos um crime não tem
solução.
• 3ª Possibilidade: Existe crime que não tem solução.
Portanto, a negação da proposição: “Todo crime tem
solução” está corretamente expressa nas alternativas A
e C.
• 2ª etapa: Análise final
Diante do exposto, a alternativa correta corresponde à
letra D.
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12
17
Quatro policiais estão em uma sala e um deles quebra
um vaso. Ao serem perguntados sobre quem
quebrou o vaso, eles respondem:
• Joãozinho: Carlinhos quebrou o vaso;
• Pedrinho: eu não quebrei o vaso;
• Carlinhos: Paulinho quebrou o vaso;
• Paulinho: Carlinhos está mentindo.
Sabendo que apenas um dos policiais está mentindo,
assinale a alternativa correta.
(A) Joãozinho quebrou o vaso e Paulinho está mentindo.
(B) Pedrinho quebrou o vaso e Paulinho disse a verdade.
(C) Carlinhos quebrou o vaso e Joãozinho está falando a
verdade.
(D) Paulinho quebrou o vaso e Carlinhos disse a verdade.
(E) Carlinhos quebrou o vaso e Joãozinho está mentindo.
Gabarito: C
COMENTÁRIO DO PROFESSOR
É necessário seguir as seguintes etapas:
• 1ª etapa: Análise da alternativa:
Note que a banca afirma que apenas um dos policiais
está mentindo, ou seja, devemos procurar dentre as
sentenças duas que se contradizem.
Perceba que as declarações de Carlinhos e de Paulinho
se contradizem:
• Carlinhos: Paulinho quebrou o vaso.
• Paulinho: Carlinhos está mentindo. (Logo, Paulinho
não quebrou o vaso).
Dessa forma devemos supor que a declaração de
Carlinho é verdadeira ou falsa. Vamos iniciar supondo
que seja verdadeira, caso haja uma contradição iremos
supor que a declaração é falsa. Assim:
>> Declaração de Carlinhos = Verdadeiro
Ao supor que a declaração de Carlinhos é verdadeira,
implicaria automaticamente que Paulinho é mentiroso,
dessa forma, poderíamos afirmar que Joãozinho disse a
verdade (“Carlinhos quebrou o vaso”), ou seja, teríamos
dois policiais quebrando o vaso, o que significa que
estamos diante de uma contradição. Dessa forma,
devemos supor que a declaração de Carlinhos é falsa.
>> Declaração de Carlinhos = Falso
Não há contradição ao supor que a declaração de
Carlinhos é falsa, dessa forma, podemos concluir que
Calinhos é o mentiroso. (Logo, quem quebrou o vaso foi
Carlinhos).
Portanto, como Carlinhos é o mentiroso, todas as demais
alternativas são verdadeiras, pois a banca afirma que
apenas um dos policiais está mentindo.
Logo, podemos concluir que: Carlinhos quebrou o vaso e
que Joãozinho está falando a verdade, como descrito na
alternativa C.
• 2ª etapa: Análise final
Diante do exposto, a alternativa correta corresponde à
letra C.
18
Determinada fábrica produz certo tipo de armamento.
As armas produzidas são remetidas aos
consumidores em lotes de 100 armas, mas é possível
que esses lotes contenham armas defeituosas.
A PCGO decidiu comprar algumas armas, nesse
cenário avaliaram a qualidade das armas de certo
lote, assim efetuaram uma amostragem aleatória
simples sem reposição de 10 armas.
Considerando que o lote examinado pelo cliente
possui exatamente 4% de armas defeituosas, julgue
o item subsequente.
A probabilidade de não haver armas defeituosas na
amostra corresponde a um número entre:
(A) 20% e 30%.
(B) 31% e 40%.
(C) 41% e 50%.
(D) 51% e 60%.
(E) 61% e 70%.
Gabarito: E
COMENTÁRIO DO PROFESSOR
DICA: Diferença entre arranjo e combinação:
É necessário seguir as seguintes etapas:
• 1ª Etapa: Análise do item
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13
Note que a banca quer saber se a probabilidade de não
haver armas defeituosas na amostra será inferior a 0,3.
Sendo assim, é necessário seguir as seguintes etapas:
Note que temos 100 armas no lote examinado e dentre
essas armas, há exatamente 4% de armas defeituosas,
logo:
4% de 100 = 4
Logo, são exatamente 4 armas defeituosas.
• 2ª etapa: Casos possíveis para compor a amostra:
Como a ordem de escolha das armas para compor a
amostra NÃO importa, teremos uma combinação.
Como devemos escolher 10 armas em 100 disponíveis,
teremos uma combinação de 𝐶100,10. Com isso:
𝐶100,10 =
100!
10! (100 − 10)!
=
100!
10! 90!
• 3ª etapa: Casos em que não há armas defeituosas
para compor a amostra:
Como a ordem de escolha das armas que não são
defeituosas para compor a amostra NÃO importa,
teremos uma combinação.
São 4 armas defeituosos e ao total temos 100 armas,
com isso, as armas não defeituosas serão iguais a 96,
pois:
100 – 4 = 96 armas.
Dessa maneira, devemos escolher 10 armas dentre 96
armas, logo teremos uma combinação de 𝐶96,10. Com
isso:
𝐶96,10 =
96!
10! (96 − 10)!
=
96!
10! 86!
• 4ª etapa: Como a banca quer saber qual é a
probabilidade de não haver armas defeituosas na
amostra, temos:
P =
96!
10! 86!
100!
10! 90!
OBS: Quando for fazer a divisão de uma fração por outra
fração, basta multiplicar a fração de cima, pelo inverso da
fração de baixo.
Exemplo 1:
5
4
2
=
5
4
x
1
2
=
5
8
.
Note que nesse caso o 2 embaixo é como se fosse
2
1
=
2, por isso o inverso de
2
1
é igual a
1
2
.
Exemplo 2:
4
3
5
4
=
4
3
x
4
5
=
16
15
.
Voltando ao item, temos:
P =
96!
10! 86!
100!
10! 90!
=
96!
10! 86!
∗
10! 90!
100!
P =
96!
86!
∗
90 x 89 x 88 x 87 x 86!
100 x 99 x 98 x 97 x 96!
P =
90 x 89 x 88 x 87
100 x 99 x 98 x 97
=
61324560
94109400
P ≈ 0,651 ≈ 65,1%
Portanto, a probabilidade de não haver armas
defeituosas na amostra será igual a 65,1%.
• 5ª etapa: Análise final:
Diante do exposto, a alternativa correta corresponde a
letra E.
19
A Polícia Civil do Estado do Goiás estava no interior
de uma mata na perseguição de um foragido
chamado Lázaro.
Os peritos estipularam que a sua possível localização
estava descrita em uma circunferência com a
seguinte equação: (𝒙 − 𝟏)𝟐 + (𝒚 + 𝟑)𝟐 = 𝟒.
A área do círculo cuja circunferência tem a equação
demonstrada acima corresponde a:
(A) 16π.
(B) 4π.
(C) 3π.
(D) 2π.
(E) π.
Gabarito: B
COMENTÁRIO DO PROFESSOR:
DICA: Equação reduzida da circunferência:
É necessário seguir as seguintes etapas:
• 1ª etapa: Analisando o item:
Note que a equação reduzida da circunferência possui a
seguinte forma:
(𝑥 − 𝑥𝑐)2 + (𝑦 − 𝑦𝑐)2 = 𝑟2
(𝑥 − 1)2 + (𝑦 + 3)2 = 4
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14
Note que 𝑥𝑐 e 𝑦𝑐 correspondem as medidas do centro e r
é a medida do raio. Logo, temos que:
𝑟2 = 4
𝑟 = √4 = 2
Assim, temos que a área de um círculo com raio r
corresponde a:
Á𝑟𝑒𝑎 = 𝜋 𝑟2
Á𝑟𝑒𝑎 = 𝜋 22
Á𝑟𝑒𝑎 = 4 𝜋
• 2ª etapa: Análise final:
Diante do exposto, a alternativa correta corresponde à
letra B.
CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS
Noções de Direito Administrativo
20
Concernente à Lei n. º 14.133/2021 (Nova Lei de
Licitações), notadamente acerca da modalidade
diálogo competitivo, assinale a alternativa que
apresenta as disposições corretas que deverão ser
observadas.
(A) A Administração apresentará, por ocasião da
divulgação do edital em sítio eletrônico oficial, suas
necessidades e as exigências já definidas e estabelecerá
prazo mínimo de 20 (vinte) dias úteis para manifestação
de interesse na participação da licitação.
(B) O edital não poderá prever a realização de fases
sucessivas, caso em que cada fase poderá restringir as
soluções ou as propostas a serem discutidas.
(C) A Administração deverá, ao declarar que o diálogo
foi concluído, juntar aos autos do processo licitatório os
registros e as gravações da fase de diálogo, iniciar a fase
competitiva com a divulgação de edital contendo a
especificação da solução que atenda às suas
necessidades e os critérios objetivos a serem utilizados
para seleção da proposta mais vantajosa e abrir prazo,
não inferior a 30 (trinta) dias úteis, para todos os licitantes
pré-selecionados na forma do inciso II deste parágrafo
apresentarem suas propostas, que deverão conter os
elementos necessários para a realização do projeto
(D) O diálogo competitivo será conduzido por comissão
de contratação composta de pelo menos 2 (dois)
servidores efetivos ou empregados públicos
pertencentes aos quadros permanentes da
Administração, admitida a contratação de profissionais
para assessoramento técnico da comissão
(E) Os critérios empregados para pré-seleção dos
licitantes deverão ser previstos em edital, e serão
admitidos todos os interessados que preencherem os
requisitos objetivos estabelecidos.
Gabarito: E
COMENTÁRIO DO PROFESSOR:
Caveiras, a presente questão versa sobre o ponto 6
Licitações e contratos administrativos: Lei Federal nº
14.133/2021. (Através de retificação realizada no
edital do certame).
Alternativa A – incorreta.
Devemos ficar atentos aos prazos expostos na Nova Lei
de Licitações, conforme se observa:
“Art. 32 (...)
§1º Na modalidade diálogo competitivo, serão
observadas as seguintes disposições:
I - a Administração apresentará, por ocasião da
divulgação do edital em sítio eletrônico oficial, suas
necessidades e as exigências já definidas e estabelecerá
prazo mínimo de 25 (vinte e cinco) dias úteis para
manifestação de interesse na participação da licitação; ”
Alternativa B – incorreta.
Diverso do previsto na norma de regência, a saber:
“Art. 32 (...)
§1º Na modalidade diálogo competitivo, serão
observadas as seguintes disposições: (...)
“VII - o edital poderá prever a realização de fases
sucessivas, caso em que cada fase poderá restringir as
soluções ou as propostas a serem discutidas; ”
Alternativa C – incorreta.
Também diverso ao previsto na Nova Lei de Licitações,
vejamos:
“Art. 32 (...)
§1º Na modalidade diálogo competitivo, serão
observadas as seguintes disposições: (...)
VIII - a Administração deverá, ao declarar que o diálogo
foi concluído, juntar aos autos do processo licitatório os
registros e as gravações da fase de diálogo, iniciar a fase
competitiva com a divulgação de edital contendo a
especificação da solução que atenda às suas
necessidades e os critérios objetivos a serem utilizados
para seleção da proposta mais vantajosa e abrir prazo,
não inferior a 60 (sessenta) dias úteis, para todos os
licitantes pré-selecionados na forma do inciso II deste
parágrafo apresentarem suas propostas, que deverão
conter os elementos necessários para a realização do
projeto;”
Alternativa D – incorreta.
Fiquemos atentos também aos números de integrantes
dispostos na Lei de Licitações, conforme se depreende:
“Art. 32 (...)
§1º Na modalidade diálogo competitivo, serão
observadas as seguintes disposições:
XI - o diálogo competitivo será conduzido por comissão
de contratação composta de pelo menos 3 (três)
servidores efetivos ou empregados públicos
pertencentes aos quadros permanentes da
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15
Administração, admitida a contratação de profissionais
para assessoramento técnico da comissão; ”
Alternativa E – correta.
Nos exatos termos da Lei n.º 14.133/2021, que aduz:
“Art. 32 (...)
§1º Na modalidade diálogo competitivo, serão
observadas as seguintes disposições:
II - os critérios empregados para pré-seleção dos
licitantes deverão ser previstos em edital, e serão
admitidos todos os interessados que preencherem
os requisitos objetivos estabelecidos; ”
21
Acerca da Improbidade Administrativa, assinale a
alternativa correta.
(A) Os agentes políticos, com exceção do Presidente da
República, encontram-se sujeitos a duplo regime
sancionatório, de modo que se submetem tanto à
responsabilização civil pelos atos de improbidade
administrativa quanto à responsabilização político-
administrativa por crimes de responsabilidade.
(B) Nas ações de ressarcimento ao erário e improbidade
administrativa ajuizadas em face de eventuais
irregularidades praticadas na utilização ou prestação de
contas de valores decorrentes de convênio federal, o
simples fato das verbas estarem sujeitas à prestação de
contas perante o Tribunal de Contas da União, por si só,
justifica a competência da Justiça Federal.
(C) Comete ato de improbidade administrativa o médico
que cobra honorários por procedimento realizado em
hospital privado que também seja conveniado à rede
pública de saúde, desde que o atendimento não seja
custeado pelo próprio sistema público de saúde.
(D) Ao particular não se aplica o mesmo regime
prescricional previsto na lei de improbidade
administrativa para os agentes públicos.
(E) Para que o terceiro seja responsabilizado pelas
sanções da Lei nº 8.429/92 é dispensável que seja
identificado algum agente público como autor da prática
do ato de improbidade.
Gabarito: A
COMENTÁRIO DO PROFESSOR:
Caveiras, a questão versa sobre os pontos 7
Improbidade administrativa. 9 Súmulas,
jurisprudência dominante dos Tribunais Superiores e
legislação relacionada com os temas. (Através de
retificação realizada no edital do certame).
Alternativa A – correta.
Conforme jurisprudência, a saber:
- A ação de improbidade contra agentes políticos é de
competência do juízo de 1ª instância.
Os agentes políticos, com exceção do Presidente da
República, encontram-se sujeitos a DUPLO REGIME
SANCIONATÓRIO, de modo que se submetem tanto
à responsabilização civil pelos atos de improbidade
administrativa quanto à responsabilização político-
administrativa por crimes de responsabilidade.
O foro especial por prerrogativa de função previsto na
Constituição Federal em relação às infrações penais
comuns não é extensível às ações de improbidade
administrativa.
STF. Plenário. Pet 3240 AgR/DF, rel. Min. Teori Zavascki,
red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso, julgado em 10/5/2018
(Info 901).
A ação de improbidade administrativa deve ser
processada e julgada nas instâncias ordinárias, ainda
que proposta contra agente político que tenha foro
privilegiado no âmbito penal e nos crimes de
responsabilidade.
STJ. Corte Especial. AgRg na Rcl 12514-MT, Rel. Min.
Ari Pargendler, julgado em 16/9/2013 (Info 527).
Obs.: Em 2008,o STF havia decidido que a competência
para julgar ação de improbidade administrativa proposta
contra Ministro do STF seria do próprio STF (Pet 3211/DF
QO). Entendeu-se que haveria um desvirtuamento do
sistema se um juiz de grau inferior pudesse decretar a
perda do cargo de um magistrado de Tribunal Superior.
Assim, em regra, não há foro por prerrogativa de função
em ação de improbidade administrativa, salvo no caso de
Ministro do STF.
Durante os debates da Pet 3240/DF, o STF não se
manifestou expressamente sobre as ações de
improbidade propostas contra Ministros do STF. Assim,
para a maioria, essa exceção construída na Pet 3211/DF
QO ainda persiste.
Alternativa B – incorreta.
Diverso ao disposto na jurisprudência, vejamos:
- Improbidade e verbas transferidas pela União ao
município.
Nas ações de ressarcimento ao erário e improbidade
administrativa ajuizadas em face de eventuais
irregularidades praticadas na utilização ou prestação de
contas de valores decorrentes de convênio federal, o
simples fato das verbas estarem sujeitas à prestação de
contas perante o Tribunal de Contas da União, por si só,
NÃO justifica a competência da Justiça Federal.
Igualmente, a mera transferência e incorporação ao
patrimônio municipal de verba desviada, no âmbito civil,
não pode impor de maneira absoluta a competência da
Justiça Estadual. Se houver manifestação de interesse
jurídico por ente federal que justifique a presença no
processo, (v.g. União ou Ministério Público Federal)
regularmente reconhecido pelo Juízo Federal nos termos
da Súmula 150/STJ, a competência para processar e
julgar a ação civil de improbidade administrativa será da
Justiça Federal.
As Súmulas 208 e 209 do STJ provêm da 3ª Seção do
STJ e versam hipóteses de fixação da competência em
matéria penal, em que basta o interesse da União ou de
suas autarquias para deslocar a competência para a
Justiça Federal, nos termos do inciso IV do art. 109 da
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16
CF. Logo, não podem ser utilizadas como critério para as
demandas cíveis.
Diante disso, é possível afirmar que a competência cível
da Justiça Federal deve ser definida em razão da
presença das pessoas jurídicas de direito público
previstas no art. 109, I, da CF/88 na relação processual,
seja como autora, ré, assistente ou oponente e não em
razão da natureza da verba federal sujeita à fiscalização
do TCU.
Assim, em regra, compete à Justiça Estadual processar
e julgar agente público acusado de desvio de verba
recebida em razão de convênio firmado com a ente
federal, salvo se houver a presença das pessoas
jurídicas de direito público previstas no art. 109, I, da
CF/88 na relação processual.
STJ. 1ª Seção. CC 142354/BA, Rel. Min. Mauro Campbell
Marques, julgado em 23/09/2015.
STJ. 1ª Seção. AgRg no CC 133.619/PA, Rel. Min. Sérgio
Kukina, julgado em 09/05/2018.
Alternativa C – incorreta.
Diverso ao disposto na jurisprudência, vejamos:
- O agente público deve ter praticado o ato nessa
qualidade.
NÃO comete ato de improbidade administrativa o médico
que cobra honorários por procedimento realizado em
hospital privado que também seja conveniado à rede
pública de saúde, desde que o atendimento não seja
custeado pelo próprio sistema público de saúde.
Em outras palavras, médico de hospital conveniado com
o SUS que cobra do paciente por uma cirurgia que já foi
paga pelo plano de saúde não pratica improbidade
administrativa.
STJ. 1ª Turma. REsp 1414669-SP, Rel. Min. Napoleão
Nunes Maia Filho, julgado em 20/2/2014 (Info 537).
Alternativa D – incorreta.
Vejamos o que realmente dispõe o enunciado de súmula
do STJ, que assevera:
- Súmula nº 634, STJ: “Ao particular aplica-se o mesmo
regime prescricional previsto na lei de improbidade
administrativa para os agentes públicos. ”
Alternativa E – incorreta.
Fiquemos atentos aos termos nas alternativas,
principalmente expressões sinônimas, que são as mais
propícias a cairmos em uma leitura apressada no
momento de resolução da prova.
Vejamos:
- Impossibilidade de ação apenas contra o terceiro.
É possível imaginar que exista ato de improbidade com a
atuação apenas do "terceiro” (sem a participação de um
agente público)? É possível que, em uma ação de
improbidade administrativa, o terceiro figure sozinho
como réu?
Para que o terceiro seja responsabilizado pelas sanções
da Lei nº 8.429/92 é INDISPENSÁVEL que seja
identificado algum agente público como autor da prática
do ato de improbidade.
Assim, não é possível a propositura de ação de
improbidade exclusivamente contra o particular, sem a
concomitante presença de agente público no polo
passivo da demanda.
STJ. 1ª Turma. REsp 1.171.017-PA, Rel. Min. Sérgio
Kukina, julgado em 25/2/2014 (Info 535).
22
Consoante às disposições constitucionais referentes
aos servidores públicos, bem como às súmulas, e
jurisprudência dominante dos Tribunais Superiores
acerca da temática em tela, assinale a alternativa
incorreta.
(A) O servidor reintegrado deve ser ressarcido dos
vencimentos a que faria jus desde o desligamento
indevido, a fim de restabelecer a situação injustamente
desconstituída.
(B) É inconstitucional a norma estadual pela qual se
impõe demissão por ineficiência no serviço público,
apurada em processo administrativo disciplinar, ainda
que assegurada a ampla defesa.
(C) O mero transcurso do período de 3 (três) anos do
estágio probatório não gera, automaticamente, direito à
estabilidade.
(D) Nos processos perante o Tribunal de Contas da União
asseguram-se o contraditório e a ampla defesa quando
da decisão puder resultar anulação ou revogação de ato
administrativo que beneficie o interessado, excetuada a
apreciação da legalidade do ato de concessão inicial de
aposentadoria, reforma e pensão.
(E) Não cabe ao Poder Judiciário, que não tem função
legislativa, aumentar qualquer verba de servidores
públicos de carreiras distintas sob o fundamento de
isonomia, tenham elas caráter remuneratório ou
indenizatório.
Gabarito: B
COMENTÁRIO DO PROFESSOR:
Combatentes, a questão versa sobre os pontos 8
Agentes Públicos: disposições constitucionais
referentes aos servidores públicos. 9 Súmulas,
jurisprudência dominante dos Tribunais Superiores e
legislação relacionada com os temas. (Através de
retificação realizada no edital do certame).
Alternativa A – correta.
Conforme julgado a seguir:
- Servidor reintegrado deve ser ressarcido dos
vencimentos e vantagens devidas durante o período de
afastamento.
O servidor reintegrado deve ser ressarcido dos
vencimentos a que faria jus desde o desligamento
indevido, a fim de restabelecer a situação
injustamente desconstituída.
STJ. 2ª Turma. AgInt no AREsp 1285218/CE, Rel. Min.
Mauro Campbell Marques, julgado em 11/09/2018.
Alternativa B – incorreta.
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17
Vejamos o julgado recente que disciplina o tema da
alternativa:
- É CONSTITUCIONAL a norma estadual pela qual se
impõe demissão por ineficiência no serviço público,
apurada em processo administrativo disciplinar,
assegurada a ampla defesa (nos termos do inc. II do § 1º
do art. 41 da CF/88).
No caso que chegou ao STF, havia uma lei estadual de
São Paulo com a finalidade de avaliação de desempenho
que pode resultar na anotação de elogio em prontuário,
aferição do mérito dos integrantes da carreira para fins
de promoção e demissão por ineficiência decorrente de
descumprimento de dever funcional que, no caso,
subsuma-se à hipótese doinc. II do § 1º do art. 41 da
Constituição (perda do cargo por processo administrativo
disciplinar, assegurada a ampla defesa).
Cuidado: não se está disciplinando procedimento
autônomo de avaliação periódica de desempenho
prevista no inc. III do § 1º do art. 41 da Constituição da
República o que contraria a repartição de competências,
pois é de competência da União.
No caso, trata-se de hipótese prevista no inc. II do § 1º
do art. 41 da Constituição da República que não equivale
à perda de cargo público por avaliação de desempenho
a que se refere o inc. III do § 1º do art. 41 da Constituição
da República.
STF. Plenário. ADI 5437, Relatora Min. Carmem Lúcia,
julgado em 23/11/2020.
Alternativa C – correta.
Vejamos:
- O mero transcurso do período de 3 anos do estágio
probatório não gera, automaticamente, direito à
estabilidade.
O art. 41 da Constituição Federal estabelece que são
requisitos básicos a serem apurados no estágio
probatório:
"I - Idoneidade moral; II - assiduidade e pontualidade; III
- disciplina; IV- eficiência; V - aptidão" (§ 1º). Dessa
forma, findo o período do estágio probatório - três (3)
anos de efetivo exercício, a estabilidade do servidor no
serviço público não se dará de forma automática. Isso
porque o § 4º do art. 41 da CF/88 impõe como condição
obrigatória para a aquisição da estabilidade a avaliação
especial de desempenho por comissão instituída para
essa finalidade.
STJ. 1ª Turma. AgInt no RMS 52.138/GO, Rel. Min.
Benedito Gonçalves, julgado em 08/06/2020.
Alternativa D – correta.
Nos moldes da Súmula Vinculante n.º 3, do Supremo
Tribunal Federal, que assim assevera:
- Súmula Vinculante nº 3: “Nos processos perante o
Tribunal de Contas da União asseguram-se o
contraditório e a ampla defesa quando da decisão
puder resultar anulação ou revogação de ato
administrativo que beneficie o interessado,
excetuada a apreciação da legalidade do ato de
concessão inicial de aposentadoria, reforma e
pensão. ”
Alternativa E – correta.
De acordo Tese n. º 600 de repercussão geral, vejamos:
- A vedação da SV 37 se aplica tanto para as verbas
remuneratórias como também para as parcelas de
caráter indenizatório.
Não cabe ao Poder Judiciário, que não tem função
legislativa, aumentar qualquer verba de servidores
públicos de carreiras distintas sob o fundamento de
isonomia, tenham elas caráter remuneratório ou
indenizatório.
A vedação da Súmula Vinculante 37 se aplica tanto para
as verbas remuneratórias como também para as parcelas
de caráter indenizatório. Logo, a SV 37 também proíbe
que Poder Judiciário equipare o auxílio-alimentação, ou
qualquer outra verba desta espécie, com fundamento na
isonomia.
STF. Plenário. RE 710293, Rel. Luiz Fux, julgado em
16/09/2020 (Repercussão Geral – Tema 600) (Info 998 –
clipping).
Imperioso colacionar o texto da súmula vinculante n. º 37
para estudo e fixação, a seguir:
- Súmula Vinculante nº 37: “Não cabe ao Poder
Judiciário, que não tem função legislativa, aumentar
vencimentos de servidores públicos sob fundamento de
isonomia. ”
23
Acerca da Lei Estadual nº 20.756/2020, assinale a
alternativa incorreta.
(A) Os concursos para provimento de cargos que, pela
especificidade de suas atribuições, com as exceções
previstas em lei, sejam privativos de determinado órgão
serão realizados sob a direção do respectivo titular, com
a supervisão e homologação do titular do Órgão Central
de Gestão de Pessoal.
(B) Na hipótese de já editado o ato de remoção ou
disposição e o servidor vier a se afastar por licença para
tratamento de saúde, por motivo de doença em pessoa
da família, maternidade ou paternidade, o prazo a que se
refere este artigo será contado a partir do término do
impedimento.
(C) A ajuda de custo destina-se, entre outas, a
compensar as despesas do servidor que, por iniciativa
própria, tenha obtido bolsa de estudo ou inscrição em
cursos fora do Estado ou no exterior, desde que a
modalidade de que trate seja correlata à sua formação e
atividade profissional no serviço público estadual, na
forma do regulamento.
(D) O substituto assumirá automática e cumulativamente,
sem prejuízo daquele que ocupa, o exercício do cargo de
direção, chefia e assessoramento integrante da estrutura
básica ou complementar, nos afastamentos e
impedimentos legais ou regulamentares do titular e fará
jus à retribuição pelo exercício do mesmo, paga na
proporção dos dias de efetiva substituição, em detrimento
da contraprestação pelo cargo definitivamente ocupado
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18
pelo substituto, sendo - lhe facultada a opção pela
remuneração ou subsídio apenas do cargo que ocupa
(E) Uma vez encerrada a fase instrutória do processo
administrativo de exoneração, com a apresentação do
relatório final da comissão processante, será ele
encaminhado, com a manifestação conclusiva do titular
do órgão ou da entidade de origem do servidor, à decisão
final do Chefe do Poder Executivo.
Gabarito: C
COMENTÁRIO DO PROFESSOR:
Guerreiros(as), a questão versa sobre o ponto 8.1 Lei
Estadual nº 20.756/2020. (Através de retificação
realizada no edital do certame).
Alternativa A – correta.
Conforme do disposto na Lei Estadual n. º 20.756/2020,
a saber:
“Art. 17 (...)
§ 3º Os concursos para provimento de cargos que, pela
especificidade de suas atribuições, com as exceções
previstas em lei, sejam privativos de determinado órgão
serão realizados sob a direção do respectivo titular, com
a supervisão e homologação do titular do Órgão Central
de Gestão de Pessoal. ”
Alternativa B – correta.
Segundo o disposto na Lei Estadual n. º 20.756/2020, a
seguir:
“Art. 29 (...)
§ 1º Na hipótese de já editado o ato de remoção ou
disposição e o servidor vier a se afastar por licença para
tratamento de saúde, por motivo de doença em pessoa
da família, maternidade ou paternidade, o prazo a que se
refere este artigo será contado a partir do término do
impedimento. ”
Alternativa C – incorreta.
O erro da alternativa está pelo fato que referido texto fazia
parte do inciso III, do artigo 107, ao qual fora revogado
pela Lei n. 20.943, de 29 de dezembro de 2020.
Logo, devemos ficar alertas às inovações e atualizações
da legislação constante em nosso edital do certame.
Vejamos:
“Art. 107. A ajuda de custo destina-se a compensar as
despesas: (...)
III - do servidor que, por iniciativa própria, na forma do
parágrafo único do art. 176, tenha obtido bolsa de estudo
ou inscrição em cursos fora do Estado ou no exterior,
desde que a modalidade de que trate seja correlata à sua
formação e atividade profissional no serviço público
estadual, na forma do regulamento;
- Revogado pela Lei nº 20.943, de 29-12-2020, art. 3º,
I, b.
Alternativa D – correta.
De acordo o disciplinado na Lei Estadual nº 20.756/2020,
que aduz:
“Art. 32 (...)
§ 1º O substituto assumirá automática e
cumulativamente, sem prejuízo daquele que ocupa, o
exercício do cargo de direção, chefia e assessoramento
integrante da estrutura básica ou complementar, nos
afastamentos e impedimentos legais ou regulamentares
do titular e fará jus à retribuição pelo exercício do mesmo,
paga na proporção dos dias de efetiva substituição, em
detrimento da contraprestação pelo cargo definitivamente
ocupado pelo substituto, sendo - lhe facultada a opção
pela remuneração ou subsídio apenas do cargo que
ocupa.”
Alternativa E – correta.
Nos moldes da Lei Estadual n. º 20.756/2020, a saber:
“Art. 35 (...)
§ 2º Uma vez encerrada a fase instrutória do processo
administrativo de exoneração, com a apresentação do
relatório final da comissão processante, será ele
encaminhado, com a manifestação conclusiva do titular
do órgão ouda entidade de origem do servidor, à decisão
final do Chefe do Poder Executivo. ”
24
Acerca do poder de polícia, assinale a alternativa
correta.
(A) Ele possibilita a aplicação de sanções dentro da
estrutura administrativa, isto é, internamente, sendo este
poder a base para a aplicação de penalidades aos
servidores infratores bem como às pessoas sujeitas à
disciplina administrativa.
(B) Tem na autoexecutoriedade, a possibilidade de
imposição unilateral da vontade administrativa.
(C) Tem como um de seus ciclos (fases) as “sanções”,
que são as normas gerais impostas para o exercício de
determinadas atividades.
(D) Pode ser delegado para uma pessoa jurídica de
direito privado. Para isso, dentre outros requisitos, a
pessoa jurídica precisa exercer serviços de atuação
próprios do Poder Público, em caráter não concorrencial.
(E) Depende de autorização prévia do Poder Judiciário
para ser aplicado, pois apenas com autorização judicial é
que pode haver limitação das atividades dos particulares.
Gabarito: D
COMENTÁRIO DO PROFESSOR:
Caveiras, a questão aborda o ponto 4 Poderes
administrativos. 4.1 Poder hierárquico. 4.2 Poder
disciplinar. 4.3 Poder regulamentar. 4.4 Poder de
polícia. 4.5 Uso e abuso do poder.
Alternativa A – incorreta.
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Pois o poder de polícia não tem aplicação interna! Ele é
a prerrogativa da Administração em limitar ou condicionar
o exercício dos direitos individuais, como afirma o art. 78,
CTN. E, a sua incidência é sobre pessoas que não
possuam vínculo jurídico específico com a Administração
Pública.
Alternativa B – incorreta.
Na verdade, é a coercibilidade a característica que
possibilita a imposição unilateral das medidas oriundas
do poder de polícia, podendo haver, inclusive, o emprego
de força.
Alternativa C – incorreta.
As fases, ciclos ou aspectos materiais do poder de polícia
são: ordem, consentimento, fiscalização e sanção.
Dessas, a ordem revela as normas gerais da
Administração, impondo condições ao exercício de
atividades e ao uso de bens.
Alternativa D – correta.
O STF, no Informativo nº 996, assentou a possibilidade
de delegação do poder de polícia para pessoa jurídica de
direito privado, integrante da Administração Indireta, com
capital social majoritariamente público, quando esta
pessoa tem como objetivo exclusivo a prestação de
serviço público, de atuação própria do Estado, em regime
não concorrencial. Essa delegação será feita por Lei.
Alternativa E – incorreta.
Uma das características do poder de polícia é a
autoexecutoriedade, traduzida na possibilidade de a
Administração atuar independentemente da interferência
do Judiciário. Todavia, por se tratar de intromissão nas
liberdades de um particular, haverá autoexecutoriedade
somente diante de uma previsão legal ou em caso de
urgência.
25
Com base no entendimento dos Tribunais Superiores
sobre o controle da administração pelo Poder
Judiciário, assinale a alternativa correta.
(A) O Poder Judiciário pode obrigar a Administração
Pública a manter estoque mínimo de determinado
medicamento utilizado no combate à doença grave.
(B) Não é possível ao Poder Judiciário impor à
Administração Pública obrigação de fazer consistente na
execução de obras emergenciais em presídios. Tal
decisão fere a separação de poderes prevista
constitucionalmente, visto que depende de
disponibilidade de verbas públicas e orçamento prévio.
(C) A existência de recurso administrativo com efeito
suspensivo sempre obsta o uso do mandado de
segurança até sua decisão definitiva.
(D) O Poder Judiciário pode, pelo controle de legalidade,
avaliar a razoabilidade e proporcionalidade das notas
atribuídas pela banca examinadora aos candidatos em
certame público.
(E) A Administração Pública e o Poder Judiciário podem
anular e revogar os atos administrativos.
Gabarito: A
COMENTÁRIO DO PROFESSOR:
Combatentes, a questão aborda o ponto 5 Controle e
responsabilização da administração. 5.1 Controle
administrativo. 5.2 Controle judicial. 5.3 Controle
legislativo. 5.4 Responsabilidade civil do Estado.
Alternativa A – correta.
Conforme jurisprudência do STF a Administração Pública
pode ser obrigada, por decisão do Poder Judiciário, a
manter estoque mínimo de determinado medicamento
utilizado no combate à doença grave, de modo a evitar
interrupções no tratamento, sem que haja violação ao
princípio da separação dos poderes.
O Poder Judiciário não está determinando as metas nem
prioridades da Administração Pública ou interferindo na
gestão de suas verbas, o que se está a fazer é um efetivo
controle da legitimidade de seus atos que violam o direito
à saúde dos pacientes e importam em violação da própria
dignidade da pessoa humana.
Alternativa B – incorreta.
Entende o STF que é lícito ao Judiciário impor à
Administração Pública obrigação de fazer consistente na
promoção de medidas ou na execução de obras
emergenciais em estabelecimentos prisionais. A
supremacia da dignidade da pessoa humana legitima a
intervenção judicial que busca assegurar o respeito à
integridade física e moral dos detentos, em observância
ao art. 5º, XLIX, da Constituição Federal. Trata-se de
norma constitucional de eficácia plena e aplicabilidade
imediata.
Alternativa C – incorreta.
Conforme a Súmula 429, do STF, a existência de recurso
administrativo com efeito suspensivo não impede o uso
do mandado de segurança contra omissão da autoridade.
Alternativa D – incorreta.
Conforme jurisprudência do STF em sede de
repercussão geral não compete ao Poder Judiciário, no
controle de legalidade, substituir banca examinadora
para avaliar respostas dadas pelos candidatos e notas a
elas atribuídas. Excepcionalmente, é permitido ao
Judiciário o juízo de compatibilidade do conteúdo das
questões do concurso com o previsto no edital do
certame.
Alternativa E – incorreta.
Nos termos da Súmula 473, do STF, a Administração
pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios
que os tornem ilegais, porque deles não se originam
direitos; ou revogá-los, por motivo de conveniência ou
oportunidade, respeitados os direitos adquiridos e
ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial.
No entanto, o Poder Judiciário deve limitar-se ao exame
da legalidade do ato administrativo que pode resultar em
sua anulação. A revogação é ato exclusivo da
Administração Pública pois pressupõe a análise do
mérito do ato administrativo.
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Noções de Direito Constitucional
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A respeito dos remédios constitucionais, assinale a
alternativa correta.
(A) Pode o habeas corpus ser impetrado em favor de
qualquer pessoa física ou jurídica, seja nacional ou
estrangeira.
(B) O mandado de segurança coletivo pode ser
impetrado por partido político sem representação no
Congresso Nacional.
(C) O Habeas Corpus é o remédio constitucional que toda
e qualquer pessoa pode utilizar para a proteção de direito
líquido, certo e incontestável.
(D) Caberá Habeas Data quando houver a recusa no
fornecimento de certidões para a defesa de direitos ou
esclarecimento de situações de interesse pessoal ou
coletivo ou geral, próprio ou de terceiros.
(E) Qualquer cidadão é parte legítima para propor ação
popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público
ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade
administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio
histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada
má-fé, isentode custas judiciais e do ônus de
sucumbência.
Gabarito: E
COMENTÁRIO DO PROFESSOR:
Caveiras, a questão aborda o ponto 3 Direitos e garantias
fundamentais. 3.1 Direitos e deveres individuais e
coletivos, direitos sociais, direitos de nacionalidade,
direitos políticos, partidos políticos, remédios
constitucionais. (Através de retificação realizada no
edital do certame).
Alternativa A – incorreta.
A pessoa jurídica pode impetrar habeas corpus, mas
sempre a favor de pessoa física. Somente pessoas
físicas podem ser pacientes de habeas corpus.
Alternativa B – incorreta.
O mandado de segurança coletivo pode ser impetrado
por partido político com representação no Congresso
Nacional.
Alternativa C – incorreta.
O habeas corpus destina-se a garantir o direito à
liberdade de locomoção e não a proteção de direito
líquido, certo e incontestável.
Alternativa D – incorreta.
De acordo com a CF, o remédio próprio é o mandado de
segurança (MS), e não o habeas data quando houver a
recusa no fornecimento de certidões para a defesa de
direitos ou esclarecimento de situações de interesse
pessoal ou coletivo ou geral, próprio ou de terceiros.
Alternativa E – correta.
De acordo com o art.5, LXXIII da CF “Qualquer cidadão
é parte legítima para propor ação popular que vise a
anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de
que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao
meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural,
ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de
custas judiciais e do ônus de sucumbência.
27
No tocante ao tema poder constituinte, assinale a
alternativa correta.
(A) Quanto às dimensões, o poder constituinte originário
pode ser considerado material ou formal. O poder
constituinte material é o poder responsável por delimitar
os valores que serão observados na Constituição,
encontra-se atrelado a ideia do conteúdo de uma nova
Constituição, sendo ele posterior ao poder constituinte
formal. O poder constituinte formal, por sua vez, é aquele
que formaliza a criação em si da norma jurídica.
(B) Considera-se poder constituído decorrente, a
capacidade conferida pelo Poder Constituinte Originário
aos Estados membros para criarem suas constituições.
(C) Considera-se poder constituído reformador, a função
de alterar informalmente a Constituição, de modo a
ajustar o texto constitucional a nova realidade.
(D) O poder constituinte originário é um poder temporário,
pois após a sua manifestação ele se esgota pela sua
criação.
(E) O poder constituinte originário é classificado como um
poder inicial, ilimitado, condicionado e autônomo.
Gabarito: B
COMENTÁRIO DO PROFESSOR:
Futuros e Futuras Policiais Civis do Estado de Goiás, a
questão aborda o ponto 1.3 Poder Constituinte.
(Através de retificação realizada no edital do
certame).
Alternativa A – incorreta.
O único equívoco da questão reside no fato de mencionar
o poder material como sendo POSTERIOR ao formal. Em
verdade, o poder constituinte na dimensão material É
ANTERIOR AO FORMAL.
Corroborando ao exposto, explica Pedro Lenza (2021),
poder constituinte formal: é o ato de criação propriamente
dito e que atribui a “roupagem” com status constitucional
a um “complexo normativo”; material: é o lado substancial
do poder constituinte originário, qualificando o direito
constitucional formal com o status de norma
constitucional. Assim, será o orientador da atividade do
constituinte originário formal que, por sua vez, será o
responsável pela “roupagem” constitucional. O material
diz o que é constitucional; o formal materializa e
sedimenta como constituição. O material precede o
formal, estando ambos interligados.
Alternativa B – correta.
Victoria Maria Lopes
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Conforme leciona Nathália Masson, poder constituído
decorrente é a capacidade conferida pelo poder originário
aos Estados Membros, enquanto entidades integrantes
da federação, para elaborarem suas próprias
constituições. Sua missão, conforme propõe Lenza, é
estruturar a Constituição dos Estados-Membros ou, em
momento seguinte, havendo necessidade de adequação
e reformulação, modificá-la. Tal competência decorre da
capacidade de auto-organização estabelecida pelo poder
constituinte originário.
Em resumo:
Alternativa C – incorreta.
A mudança informal do texto constitucional é
denominada de mutação constitucional. O poder
constituinte reformador consagra a alteração FORMAL
do texto constitucional.
A manifestação do poder constituinte reformador verifica-
se através das emendas constitucionais (arts. 59, I, e 60
da CF/88).
Alternativa D – incorreta.
O poder constituinte originário tem a característica de ser
um poder PERMANENTE (e não temporário), o que
significa dizer que ele não se esgota quando da
conclusão da Constituição, permanecendo em estado de
latência.
Nesse sentido, explica Pedro Lenza (2021), o poder
constituinte originário é “permanente, já que o poder
constituinte originário não se esgota com a edição da
nova Constituição, sobrevivendo a ela e fora dela como
forma e expressão da liberdade humana, em verdadeira
ideia de subsistência”.
Alternativa E – incorreta.
O poder constituinte é INCONDICIONADO. São
características do constituinte originário o fato dele ser
INICIAL, ILIMITADO, INCONDICIONADO e
AUTÔNOMO.
Conforme leciona Nathália Masson (2020), o poder
constituinte originário inaugura uma nova ordem jurídica,
sendo assim considerado INICIAL. É ilimitado do ponto
de vista jurídico, pois não se limita pela ordem jurídica
precedente. Além disso, o poder constituinte originário é
INCONDICIONADO pois não se submete a qualquer
regra ou procedimento pré-fixado no ordenamento
jurídico que o antecede.
Nessa esteira, leciona Pedro Lenza (2021):
a) inicial, pois instaura uma nova ordem jurídica,
rompendo, por completo, com a ordem jurídica anterior;
b) autônomo, visto que a estruturação da nova
constituição será determinada, autonomamente, por
quem exerce o poder constituinte originário;
c) ilimitado juridicamente, no sentido de que não tem de
respeitar os limites postos pelo direito anterior, com as
ressalvas a seguir indicadas e que passam a ser uma
tendência para os concursos públicos;
d) incondicionado e soberano na tomada de suas
decisões, porque não tem de submeter-se a qualquer
forma prefixada de manifestação;
e) permanente, já que o poder constituinte originário não
se esgota com a edição da nova Constituição,
sobrevivendo a ela e fora dela como forma e expressão
da liberdade humana, em verdadeira ideia de
subsistência.
28
Concernente à Constituição: conceito; classificação;
histórico e elementos, assinale a alternativa
incorreta.
(A) A Constituição classificada como rígida (quanto a sua
estabilidade ou alterabilidade) não é considerada
imutável, todavia para que seu texto seja alterado exige-
se um procedimento de reforma mais solene e dificultoso
que o previsto para a legislação infraconstitucional.
(B) O texto constitucional possui normas constitucionais
de duas espécies, as chamadas normas constitucionais
originárias e normas constitucionais derivadas. No
tocante as normas constitucionais originárias, não podem
ser objeto de controle de constitucionalidade.
(C) Quanto à origem, a constituição pode ser classificada
como democrática, outorgada, cesarista ou dualista.
Considera-se cesarista a constituição que é constituída
sem qualquer resquício da participação popular, sendo
imposta de forma unilateral pelo governador.
(D) Classifica-se como escrita, a Constituição formada
por um conjunto de regras sistematizadas e organizadas
em um único documento, estabelecendo as normas
fundamentais de um Estado. Por outro lado, asconstituições não escritas são aquelas não trazem as
regras em um único texto solene e codificado. É formada
por textos esparsos, reconhecidos pela sociedade como
fundamentais, e baseiam-se nos usos, costumes,
jurisprudência, convenções.
(E) Segundo o entendimento da Suprema Corte (STF), o
preâmbulo não é considerado norma constitucional,
adotou-se a chamada teoria da irrelevância jurídica do
preâmbulo.
Gabarito: C
COMENTÁRIO DO PROFESSOR:
Combatentes, a questão aborda os pontos 1.2
Constituição: conceito; classificação; histórico e
elementos. 13 Súmulas, jurisprudência dominante dos
Tribunais Superiores e legislação relacionada com os
temas. (Através de retificação realizada no edital do
certame).
Alternativa A – correta.
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A constituição rígida admite mudança em seu texto,
contudo, exige um processo legislativo mais solene e
dificultoso.
Nesse sentido, explica Pedro Lenza (2020):
“Rígidas são aquelas Constituições que exigem, para a
sua alteração (daí preferirmos a terminologia
alterabilidade), um processo legislativo mais árduo, mais
solene, mais dificultoso do que o processo de alteração
das normas não constitucionais. Lembramos que, à
exceção da Constituição de 1824 (considerada
semirrígida), todas as Constituições brasileiras foram,
inclusive a de 1988, rígidas!
A rigidez constitucional da CF/88 está prevista no art. 60,
que, por exemplo, em seu § 2.º estabelece um quórum
de votação de 3/5 dos membros de cada Casa, em dois
turnos de votação, para aprovação das emendas
constitucionais. Em contraposição, apenas para aclarar
mais a situação lembrada, a votação das leis ordinárias e
complementares dá-se em um único turno de votação
(art. 65), com quórum de maioria simples (art. 47) e
absoluta (art. 69), respectivamente para lei ordinária e
complementar. Outra característica definidora da rigidez
da CF/88 está prevista nos incisos I, II e III do art. 60, que
estabelecem iniciativa restrita: a) de 1/3, no mínimo, dos
membros da Câmara dos Deputados ou do Senado
Federal; b) do Presidente da República; e c) de mais da
metade das Assembleias Legislativas das unidades da
Federação, manifestando-se, cada uma delas, pela
maioria relativa de seus membros, enquanto a iniciativa
das leis complementares e ordinárias é geral, de acordo
com o art. 61. ”
Corroborando ao exposto ainda, preleciona Nathália
Masson (2020, pág. 50):
A alteração desta Constituição é possível, mas exige um
processo legislativo mais complexo e solene do que
aquele previsto para a elaboração das demais espécies
normativas, infraconstitucionais. Tais regras
diferenciadas e rigorosas são estabelecidas pela própria
Constituição e tornam a alteração do texto constitucional
mais complicada do que a feitura das leis comuns.
Temos como exemplo de Constituição rígida a
Constituição Federal de 1988, que exige o respeito a um
procedimento bem mais severo e rigoroso do que aquele
estabelecido para a construção da legislação ordinária
para a aprovação de suas emendas constitucionais —
conforme dispõe o art. 60, CF/88, há que haver a
aprovação em cada Casa do Congresso Nacional,
Câmara dos Deputados e Senado Federal, em dois
turnos, em cada qual sendo necessária a obtenção da
maioria de 3/5 dos componentes da Casa respectiva.
Alternativa B – correta.
As normas constitucionais derivadas possuem a mesma
hierarquia das normas constitucionais originárias e
mesmo status normativo, contudo, as normas derivadas
sujeitam-se ao controle de constitucional, ao passo que,
as normas constitucionais originárias não passam pelo
controle de constitucionalidade.
Nesse sentido, leciona Pedro Lenza (2020), “as normas
constitucionais fruto do trabalho do poder constituinte
originário serão sempre constitucionais, não se podendo
falar em controle de sua constitucionalidade. Os
aparentes conflitos devem ser harmonizados por meio da
atividade interpretativa, de forma sistêmica”.
Corroborando ao exposto ainda, ensina Nathália Masson
(2020, pág. 1123), “as normas constitucionais derivadas
(emendas constitucionais) podem ser declaradas
inconstitucionais, caso haja desrespeito às regras
inscritas no art. 60, CF/88. Por outro lado, vale destacar
que a jurisprudência do STF historicamente afastou tal
concepção quanto às normas constitucionais originárias:
eventuais conflitos entre as normas originárias serão
meramente aparentes (nunca reais) e sanados por meio
da tarefa hermenêutica (princípio da unidade da
Constituição). Em razão disso, é inviável a declaração de
inconstitucionalidade de uma norma constitucional
originária em face de outra”.
Lembrem-se, não há que se falar em hierarquia entre as
chamadas normas constitucionais originárias e
derivadas. Ambas são normas constitucionais.
Alternativa C – incorreta.
A alternativa trouxe a definição de constituição
outorgada. A constituição cesarista, segundo José
Afonso da Silva, “... não é propriamente outorgada, mas
tampouco é democrática, ainda que criada com
participação popular”. E continua o mestre definindo-a
como aquela “... formada por plebiscito popular sobre um
projeto elaborado por um Imperador (plebiscitos
napoleônicos) ou um Ditador (plebiscito de Pinochet, no
Chile). A participação popular, nesses casos, não é
democrática, pois visa apenas ratificar a vontade do
detentor do poder.
Alternativa D – correta.
Conforme leciona Nathália Masson (2020, pág. 52/53):
Escrita é a Constituição na qual todos os dispositivos são
escritos36 e estão inseridos de modo sistemático em um
único documento, de forma codificada —por isso se diz
que sua fonte normativa é única. A elaboração do texto
pelo órgão constituinte se dá num momento único, “de
um jato”, conforme o magistério da doutrina.
Não escrita é aquela Constituição na qual as normas e
princípios encontram-se em fontes normativas diversas,
todas de natureza constitucional e de mesmo patamar
hierárquico, sem qualquer precedência de uma sobre as
demais. Contrariamente às Constituições escritas —
onde todas as normas constitucionais podem ser
encontradas em um único documento — nas
Constituições não escritas, em razão de as fontes
normativas constitucionais serem múltiplas, as normas
constitucionais estão esparsas e podem ser encontradas
tanto nos costumes e na jurisprudência dos Tribunais,
como nos acordos, convenções e também nas leis.
Alternativa E – incorreta.
Victoria Maria Lopes
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Nesse sentido, leciona Nathália Masson (2020, pág.
1447), segundo a “tese da irrelevância jurídica, o
preâmbulo não participa das características jurídicas da
Constituição, situando-se no domínio da política ou da
história, como mera diretriz (ou norte) interpretativo”.
Em não sendo e possuindo características de norma
constitucional, não pode ser utilizado como parâmetro do
controle de constitucionalidade.
29
À luz da Jurisprudência do STF e da Constituição
Federal, acerca do Poder Legislativo, assinale a
alternativa incorreta.
(A) A inviolabilidade parlamentar no Direito Constitucional
brasileiro é restrita a palavras, opiniões e votos, ou seja,
não abrange, por exemplo, atos de violência física.
(B) Não é possível a recondução dos presidentes das
casas legislativas para o mesmo cargo na eleição
imediatamente subsequente, dentro da mesma
legislatura, sendo permitido em caso de nova legislatura.
(C) A norma da Constituição Estadual que preveja a
possibilidade de a Assembleia Legislativa convocaro
Presidente do Tribunal de Justiça ou o Procurador Geral
de Justiça para prestar informações, sob pena de crime
de responsabilidade é considerada inconstitucional por
violação ao princípio da simetria e à competência
privativa da União para legislar sobre o tema.
(D) O fato de o parlamentar estar na Casa legislativa no
momento em que proferiu as declarações afasta a
possibilidade de cometimento de crimes contra a honra,
nos casos em que as ofensas são divulgadas pelo próprio
parlamentar na Internet.
(E) Os Deputados Estaduais gozam das mesmas
imunidades formais previstas para os parlamentares
federais no art. 53 da CF/88.
Gabarito: D
COMENTÁRIO DO PROFESSOR:
Caveiras, a questão aborda o ponto 7 Poder legislativo.
7.1 Estrutura. 7.2 Funcionamento e atribuições. 7.3
Processo legislativo.
Alternativa A – correta.
Segundo ensina a professora Nathália Masson (2020), a
imunidade material também denominada de
inviolabilidade, imunidade substancial ou real, possui o
condão de neutralizar, na esfera penal e civil, a
responsabilização do parlamentar por suas opiniões,
palavras e votos.
A imunidade material tem a finalidade de permitir que os
congressistas, no exercício de seu mandato legislativo ou
em função dele, opinem, discursem e possam votar com
total liberdade sem que sofram pressões e eventuais
constrangimentos.
A imunidade parlamentar penal implica na inviolabilidade
dos membros do Poder Legislativo por suas opiniões,
palavras e votos, na medida em que exclui a
caracterização da infração penal, não havendo a
instalação de inquérito e processo penal.
Nessa esteira, quanto ao campo de incidência – limitar-
se-á as OPINIÕES, PALAVRAS e VOTOS.
Assim, não abarca condutas que consistem em atos de
violência.
Nesse sentido, o texto constitucional:
“Art. 53. Os Deputados e Senadores são invioláveis, civil
e penalmente, por quaisquer de suas opiniões, palavras
e votos. ” (Imunidade material, inviolabilidade
parlamentar ou INDENIDADE)
Alternativa B – correta.
Conforme prevê o art. 57, § 4º da CF, “cada uma das
Casas reunir-se-á em SESSÕES PREPARATÓRIAS, a
partir de 1º de fevereiro, no primeiro ano da legislatura,
para a posse de seus membros e eleição das respectivas
Mesas, para mandato de 2 (dois) anos, VEDADA a
recondução para o mesmo cargo na eleição
imediatamente subsequente”.
Conforme texto constitucional, não é possível a
recondução dos Presidentes da Câmara dos Deputados
e do Senado Federal para o mesmo cargo na eleição
imediatamente subsequente, dentro da mesma
legislatura. Por outro lado, é possível a reeleição dos
Presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado
Federal em caso de nova legislatura.
Ex: o mandato de Presidente da Câmara e de Presidente
do Senado é de 2 anos. Cada legislatura tem a duração
de 4 anos. Imagine que João foi eleito Deputado Federal
para a legislatura de 2013 a 2016. Suponhamos que ele
foi escolhido para ser Presidente da Câmara no período
de 2013-2014. Significa que João não poderá ser reeleito
como Presidente da Câmara para o biênio de 2015-2016.
Isso porque seria uma reeleição dentro da mesma
legislatura.
Alternativa C – correta.
É inconstitucional norma da Constituição Estadual que
preveja a possibilidade de a Assembleia Legislativa
convocar o Presidente do Tribunal de Justiça ou o
Procurador-Geral de Justiça para prestar informações na
Casa, afirmando que a sua ausência configura crime de
responsabilidade. O art. 50 da CF/88, norma de
reprodução obrigatória, somente autoriza que o Poder
Legislativo convoque autoridades do Poder Executivo, e
não do Poder Judiciário ou do Ministério Público. Não
podem os Estados-membros ampliar o rol de autoridades
sujeitas à convocação pelo Poder Legislativo e à sanção
por crime de responsabilidade, por violação ao princípio
da simetria e à competência privativa da União para
legislar sobre o tema. STF. Plenário. ADI 2911, Rel.
Carlos Britto, julgado em 10/08/2006. STF. Plenário. ADI
5416, Rel. Gilmar Mendes, julgado em 03/04/2020 (Info
977).
Alternativa D – incorreta.
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O então Deputado Federal Wladimir Costa (SD-PA)
proferiu discurso no Plenário da Câmara dos Deputados
no qual afirmou que determinados artistas seriam
“bandidos”, “membros de quadrilha”, “verdadeiros
ladrões”, “verdadeiros vagabundos da Lei Rouanet”.
Esses artistas ingressaram com queixa-crime contra o
então Deputado afirmando que ele teria cometido os
crimes de difamação (art. 139) e injúria (art. 140 do
Código Penal).
O STF recebeu esta queixa-crime.
O fato de o parlamentar estar na Casa legislativa no
momento em que proferiu as declarações não afasta a
possibilidade de cometimento de crimes contra a honra,
porque ele depois divulgou essas ofensas na Internet.
Outro argumento está no fato de que a inviolabilidade
material somente abarca as declarações que apresentem
nexo direto e evidente com o exercício das funções
parlamentares. No caso concreto, embora tenha feito
alusão à Lei Rouanet, o parlamentar nada acrescentou
ao debate público sobre a melhor forma de distribuição
dos recursos destinados à cultura, limitando-se a proferir
palavras ofensivas à dignidade dos querelantes.
A liberdade de expressão política dos parlamentares,
ainda que vigorosa, deve se manter nos limites da
civilidade.
STF. 1ª Turma. PET 7174/DF, rel. Min. Alexandre de
Moraes, red. p/ o ac. Min. Marco Aurélio, julgado em
10/3/2020 (Info 969).
Alternativa E – correta.
São constitucionais dispositivos da Constituição do
Estado que estendem aos Deputados Estaduais as
imunidades formais previstas no art. 53 da Constituição
Federal para Deputados Federais e Senadores.
A leitura da Constituição da República revela, sob os
ângulos literal e sistemático, que os Deputados Estaduais
também têm direito às imunidades formal e material e à
inviolabilidade que foram conferidas pelo constituinte aos
congressistas (membros do Congresso Nacional). Isso
porque tais imunidades foram expressamente estendidas
aos Deputados pelo § 1º do art. 27 da CF/88. STF.
Plenário. ADI 5823 MC/RN, ADI 5824 MC/RJ e ADI 5825
MC/MT, rel. orig. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min.
Marco Aurélio, julgados em 8/5/2019 (Info 939).
30
Acerca do meio ambiente, assinale a alternativa
correta.
(A) É constitucional a redução ou a supressão de
espaços territoriais especialmente protegidos, como é o
caso das unidades de conservação, por meio de medida
provisória.
(B) É constitucional a interpretação da legislação federal
que possibilita o abate imediato de animais apreendidos
em situação de maus-tratos.
(C) É possível a responsabilização penal da pessoa
jurídica por delitos ambientais independentemente da
responsabilização concomitante da pessoa física que
agia em seu nome.
(D) Consideram-se cruéis as práticas desportivas que
utilizem animais, ainda que sejam manifestações
culturais, registradas como bem de natureza imaterial
integrante do patrimônio cultural brasileiro.
(E) As leis estaduais que proíbem o uso do amianto são
inconstitucionais.
Gabarito: C
COMENTÁRIO DO PROFESSOR:
Guerreiras(os), a questão aborda o ponto 11.3 Meio
ambiente.
Alternativa A – incorreta.
- É inconstitucional a redução de unidade de conservação
por meio de MP.
É INCONSTITUCIONAL a redução ou a supressão de
espaços territoriais especialmente protegidos, como é o
caso das unidades de conservação, por meio de medida
provisória. Isso viola o art. 225, § 1º, III, da CF/88.
Assim, a redução ou supressão de unidade de
conservação somente é permitida mediante lei em
sentido formal.
A medida provisória possui força de lei, mas o art. 225, §
1º, III, da CF/88 exige lei em sentidoestrito.
A proteção ao meio ambiente é um limite material
implícito à edição de medida provisória, ainda que não
conste expressamente do elenco das limitações previstas
no art. 62, § 1º, da CF/88.
STF. Plenário. ADI 4717/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia,
julgado em 5/4/2018 (Info 896).
Alternativa B – incorreta.
- Não é permitido o abate de animais apreendidos em
situação de maus-tratos.
É INCONSTITUCIONAL a interpretação da legislação
federal que possibilita o abate imediato de animais
apreendidos em situação de maus-tratos.
O art. 225, § 1º, VII, da CF/88 impõe a proteção à fauna
e proíbe qualquer espécie de maus-tratos aos animais.
O art. 25, § 1º da Lei nº 9.605/98 afirma que os animais
apreendidos serão prioritariamente libertados em seu
habitat ou, sendo tal medida inviável ou não
recomendável por questões sanitárias, entregues a
jardins zoológicos, fundações ou entidades
assemelhadas, para guarda e cuidados sob a
responsabilidade de técnicos habilitados.
Até que os animais sejam entregues às instituições, o
órgão autuante zelará para que eles sejam mantidos em
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condições adequadas de acondicionamento e transporte
que garantam o seu bem-estar físico.
Assim, não é constitucionalmente adequada a
interpretação segundo a qual os animais devam ser
resgatados de situações de maus-tratos para, logo em
seguida, serem abatidos.
STF. Plenário. ADPF 640 MC-Ref/DF, Rel. Min. Gilmar
Mendes, julgado em 17/9/2021 (Info 1030).
Alternativa C – correta.
- Responsabilidade penal da pessoa jurídica e abandono
da dupla imputação.
É possível a responsabilização penal da pessoa
jurídica por delitos ambientais independentemente
da responsabilização concomitante da pessoa física
que agia em seu nome.
A jurisprudência não mais adota a chamada teoria da
"dupla imputação".
STJ. 6ª Turma. RMS 39.173-BA, Rel. Min. Reynaldo
Soares da Fonseca, julgado em 6/8/2015 (Info 566).
STF. 1ª Turma. RE 548181/PR, Rel. Min. Rosa Weber, j.
em 6/8/2013 (Info 714).
Alternativa D – incorreta.
Diversamente ao disposto na Constituição Federal, que
aduz:
“Art. 225 (...)
§ 7º Para fins do disposto na parte final do inciso VII do §
1º deste artigo, NÃO SE CONSIDERAM CRUÉIS as
práticas desportivas que utilizem animais, desde que
sejam manifestações culturais, conforme o § 1º do art.
215 desta Constituição Federal, registradas como bem
de natureza imaterial integrante do patrimônio cultural
brasileiro, devendo ser regulamentadas por lei específica
que assegure o bem-estar dos animais envolvidos. (EC
Nº 96/2017 – PEC DA VAQUEJADA)
Alternativa E – incorreta.
- É proibida, em todo o Brasil, a utilização de qualquer
forma de amianto.
As leis estaduais que proíbem o uso do amianto são
CONSTITUCIONAIS.
O art. 2º da Lei federal nº 9.055/95, que autorizava a
utilização da crisotila (espécie de amianto), é
inconstitucional.
Houve a inconstitucionalidade superveniente (sob a
óptica material) da Lei nº 9.055/95, por ofensa ao direito
à saúde (art. 6º e 196, CF/88); ao dever estatal de
redução dos riscos inerentes ao trabalho por meio de
normas de saúde, higiene e segurança (art. 7º, inciso
XXII, CF/88); e à proteção do meio ambiente (art. 225,
CF/88).
Com isso, é proibida a utilização de qualquer forma de
amianto.
STF. Plenário. ADI 3937/SP, rel. orig. Min. Marco Aurélio,
red. p/ o ac. Min. Dias Toffoli, julgado em 24/8/2017 (Info
874).
STF. Plenário. ADI 3406/RJ e ADI 3470/RJ, Rel. Min.
Rosa Weber, julgados em 29/11/2017 (Info 886)
31
Acerca da segurança pública, assinale a alternativa
correta.
(A) O exercício do direito de greve, sob qualquer forma
ou modalidade, é vedado aos policiais civis e a todos os
Servidores públicos que atuem diretamente na área de
segurança pública.
(B) É inconstitucional a Lei que veda que ocupantes da
carreira policial exerçam advocacia.
(C) Há nulidade na ação penal instaurada a partir de
elementos informativos colhidos em inquérito policial que
não deveria ter sido conduzido pela Polícia Federal.
(D) O Ministério Público, no exercício do controle externo
da atividade policial, não pode ter acesso a ordens de
missão policial.
(E) É constitucional dispositivo da Constituição Estadual
que confere foro por prerrogativa de função, no Tribunal
de Justiça, para o Delegado Geral da Polícia Civil.
Gabarito: A
COMENTÁRIO DO PROFESSOR:
Combatentes, a questão aborda o ponto 10 Defesa do
Estado e das instituições democráticas. 10.1 Segurança
Pública. 10.2 Organização da segurança pública.
Alternativa A – correta.
- Policiais são proibidos de fazer greve.
O exercício do direito de greve, sob qualquer forma
ou modalidade, é vedado aos policiais civis e a todos
os servidores públicos que atuem diretamente na
área de segurança pública.
É obrigatória a participação do Poder Público em
mediação instaurada pelos órgãos classistas das
carreiras de segurança pública, nos termos do art. 165 do
CPC, para vocalização dos interesses da categoria.
STF. Plenário. ARE 654432/GO, Rel. orig. Min. Edson
Fachin, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado
em 5/4/2017 (repercussão geral) (Info 860).
Alternativa B – incorreta.
- É CONSTITUCIONAL a Lei que veda que ocupantes
da carreira policial exerçam advocacia.
A Lei que veda o exercício da atividade de advocacia por
aqueles que desempenham, direta ou indiretamente,
atividade policial, não afronta o princípio da isonomia.
STF. Plenário. ADI 3541/DF, Rel. Min. Dias Toffoli,
julgado em 12/2/2014 (Info 735).
Alternativa C – incorreta.
- NÃO há nulidade na ação penal instaurada a partir
de elementos informativos colhidos em inquérito
policial que não deveria ter sido conduzido pela
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Polícia Federal considerando que a situação não se
enquadrava no art. 1º da Lei 10.446/2002.
Caso concreto: a Polícia Federal, sob a supervisão do
Ministério Público estadual e do Juízo de Direito,
conduziu inquérito policial destinado a apurar crimes de
competência da Justiça Estadual. Entendeu-se que a
Polícia Federal não tinha atribuição para apurar tais
delitos considerando que não se enquadravam nas
hipóteses do art. 144, § 1º da CF/88 e do art. 1º da Lei nº
10.446/2002.
A despeito disso, o STF entendeu que não havia nulidade
na ação penal instaurada com base nos elementos
informativos colhidos.
O fato de os crimes de competência da Justiça Estadual
terem sido investigados pela Polícia Federal não geram
nulidade. Isso porque esse procedimento investigatório,
presidido por autoridade de Polícia Federal, foi
supervisionado pelo Juízo estadual (juízo competente) e
por membro do Ministério Público estadual (que tinha a
atribuição para a causa).
O inquérito policial constitui procedimento administrativo,
de caráter meramente informativo e não obrigatório à
regular instauração do processo-crime, cuja finalidade
consiste em subsidiar eventual denúncia a ser
apresentada pelo Ministério Público, razão pela qual
irregularidades ocorridas não implicam, de regra,
nulidade de processo crime.
O art. 5º, LIII, da Constituição Federal, afirma que
“ninguém será processado nem sentenciado senão pela
autoridade competente”. Esse dispositivo contempla o
chamado “princípio do juiz natural”, princípio esse que
não se estende para autoridades policiais, considerando
que estas não possuem competência para julgar.
Logo, não é possível anular provas ou processos em
tramitação com baseno argumento de que a Polícia
Federal não teria atribuição para investigar os crimes
apurados.
A desconformidade da atuação da Polícia Federal com
as disposições da Lei nº 10.446/2002 e eventuais abusos
cometidos por autoridade policial, embora possam
implicar responsabilidade no âmbito administrativo ou
criminal dos agentes, não podem gerar a nulidade do
inquérito ou do processo penal.
STF. 1ª Turma. HC 169348/RS, Rel. Min. Marco Aurélio,
julgado em 17/12/2019 (Info 964).
Alternativa D – incorreta.
- O MP, no exercício do controle externo da atividade
policial, pode ter acesso às OMPs.
O Ministério Público, no exercício do controle
externo da atividade policial, PODE TER ACESSO a
ordens de missão policial (OMP).
Ressalva: no que se refere às OMPs lançadas em face
de atuação como polícia investigativa, decorrente de
cooperação internacional exclusiva da Polícia Federal, e
sobre a qual haja acordo de sigilo, o acesso do Ministério
Público não será vedado, mas realizado a posteriori.
STJ. 2ª Turma. REsp 1.365.910-RS, Rel. Min. Humberto
Martins. Rel. para acórdão Min. Mauro Campbell
Marques. Julgado em 05/04/2016 (lnfo 590).
Alternativa E – incorreta.
- É INCONSTITUCIONAL dispositivo da Constituição
Estadual que confere foro por prerrogativa de função,
no Tribunal de Justiça, para o Delegado Geral da
Polícia Civil.
Extrapola a autonomia do estado previsão, em
constituição estadual, que confere foro privilegiado a
Delegado Geral da Polícia Civil.
A autonomia dos estados para dispor sobre autoridades
submetidas a foro privilegiado não é ilimitada, não pode
ficar ao arbítrio político do constituinte estadual e deve
seguir, por simetria, o modelo federal.
STF. Plenário. ADI 5591/SP, Rel. Min. Cármen Lúcia,
julgado em 20/3/2021 (Info 1010).
32
No tocante à Constituição brasileira e os tratados
internacionais de direitos humanos, assinale a
alternativa correta.
(A) Entende-se, majoritariamente, que todos os tratados
de direitos humanos são normas constitucionais.
(B) Os tratados sobre direitos humanos, aprovados nas
mesmas condições das emendas constitucionais, serão
considerados leis supraconstitucionais.
(C) Para a teoria do duplo estatuto, tratados incorporados
com quórum qualificado, são recebidos pelo
ordenamento como emendas constitucionais.
(D) Todos os tratados sobre direitos humanos estão
acima da Constituição Federal.
(E) Para a teoria do duplo estatuto, tratados
internacionais aprovados pelo rito das emendas
constitucionais, não funcionam como parâmetro da
legislação interna.
Gabarito: C
COMENTÁRIO DO PROFESSOR:
Caveiras, a questão aborda o ponto 12.2 A Constituição
brasileira e os tratados internacionais de direitos
humanos.
Alternativa A – incorreta.
Em que pese a doutrina minoritária acreditar que todos
os tratados de direitos humanos devem ser entendidos
como normas constitucionais, prevalece o entendimento
de que somente os tratados que forem incorporados pelo
quórum qualificado, conforme artigo 5°, §3° da CF, serão
considerados normas constitucionais.
Alternativa B – incorreta.
Conforme artigo 5°, §3° da CF, os tratados de direitos
humanos incorporados pelo quórum de 2 (dois) turnos,
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aprovados por 3/5 dos membros do Congresso Nacional,
deverão ser incorporados como emendas
constitucionais.
Alternativa C – correta.
A teoria do duplo estatuto entende que tratados
incorporados com quórum qualificado, deverão ser
recebidos como emendas constitucionais, já os tratados
sobre direitos humanos incorporados pelo quórum
simples, terão caráter supralegal.
Alternativa D – incorreta.
Essa foi uma teoria aventada antes da entrada em vigor
da EC 45/2004. Entendia-se que devido a sua origem
internacional os tratados estariam acima da constituição
federal, ou seja, supraconstitucional. Essa não é a
posição que prevalece atualmente.
Alternativa E – incorreta.
Para a teoria do duplo estatuto, todas as leis e atos
normativos são validos se forem compatíveis,
simultaneamente, com a Constituição e com os tratados
internacionais de direitos humanos incorporados pelo rito
das Emendas.
Noções de Direito Penal
33
Acerca dos princípios aplicáveis ao direito penal,
assinale a alternativa correta.
(A) O direito penal possui, como uma de suas funções, a
proteção de bens jurídicos relevantes indispensáveis à
harmonia social. Nesse sentido, entende-se por bem
jurídico o ente, necessariamente, material, de titularidade
individual, reputado como essencial para o
desenvolvimento do homem em sociedade.
(B) A mínima periculosidade social da ação consiste em
um dos requisitos objetivos necessários para a incidência
do princípio da insignificância.
(C) O princípio da bagatela imprópria, embora não
previsto em Lei, foi introduzido ao ordenamento pela
jurisprudência, hoje pacífica, quanto a sua aceitação,
como causa supralegal de exclusão da punibilidade.
(D) Por constituir afronta à função ressocializadora da
pena, a reincidência impede, por si só, a aplicação do
princípio da insignificância.
(E) A infração bagatelar é assim definida com base na
aplicação do princípio da insignificância, que se trata de
causa supralegal de exclusão da tipicidade material.
Gabarito: E
COMENTÁRIO DO PROFESSOR:
Combatentes, a questão versa sobre os pontos 1.11
Princípios aplicáveis ao direito penal. 12 Súmulas,
jurisprudência dominante dos Tribunais Superiores e
legislação relacionada com os temas. (Inseridos após
retificação do edital).
Alternativa A – incorreta.
Os bens jurídicos tutelados pelo Direito Penal não são
necessariamente materiais, de modo que também gozam
de proteção os bens jurídicos imateriais, de titularidade
individual ou metaindividual. Sobre o tema, cumpre
mencionar que o direito penal tem se distanciado de uma
concepção clássica em que apenas direitos individuais
eram tutelados, passando, assim, a também tutelar
direitos metaindividuais, como o meio ambiente e as
relações de consumo.
Essa expansão da tutela penal é chamada de
espiritualização/desmaterialização/dinamização do
direito penal.
Alternativa B – incorreta.
Para que seja possível a aplicação do princípio da
insignificância, é necessário que sejam preenchidos
determinados requisitos objetivos e subjetivos.
Os requisitos objetivos são os seguintes:
Requisitos objetivos (relacionados ao fato praticado pelo
agente):
a) mínima ofensividade da conduta;
b) ausência de periculosidade social da ação;
c) reduzido grau de reprovabilidade do comportamento;
d) inexpressividade da lesão jurídica.
Como verificamos no enunciado, a periculosidade social
da ação deve ser ausente, e não mínima. Por essa razão,
a questão está incorreta.
Por fim, vale mencionar que também devem ser
observados requisitos subjetivos para a aplicação do
princípio da insignificância, de modo que as
características pessoais do indivíduo também
recomendem a aplicação do princípio.
Alternativa C – incorreta.
O princípio da bagatela imprópria não é amplamente
aceito pela jurisprudência pátria, sendo objeto de
constantes divergências. O princípio da bagatela
imprópria, diferentemente do princípio da bagatela
própria (insignificância), aplica-se a um fato penalmente
relevante, mas que, em virtude das circunstâncias
envolvendo o fato e seu autor, a aplicação de pena torna-
se desnecessária. Há posições esparsas entre os juristas
tendentes a aceitar a aplicação de tal princípio, de modo
que este incidiria como causa excludente de punibilidade.
Entretanto, conforme mencionamos no início desta
explicação, prevalece pela inaplicabilidade do princípio
da bagatela imprópria no ordenamento pátrio.
Alternativa D – incorreta.Prevalece na jurisprudência que a reincidência, por si só,
não impede a aplicação do princípio da insignificância.
Vejamos julgados recentíssimos sobre o tema:
É possível aplicar o princípio da insignificância para o
furto de mercadorias avaliadas em R$ 29,15, mesmo que
a subtração tenha ocorrido durante o período de repouso
noturno e mesmo que o agente seja reincidente. STF. 2ª
Turma. HC 181389 AgR/SP, Rel. Min. Gilmar Mendes,
julgado em 14/4/2020 (Info 973).
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É possível a aplicação do princípio da insignificância em
face de réu reincidente e realizado no período noturno.
Na espécie, trata-se de furto de R$ 4,15 em moedas, uma
garrafa pequena de refrigerante, duas garrafas de 600 ml
de cerveja e uma de 1 litro de pinga, tudo avaliado em R$
29,15. STF. 2ª Turma. HC 181389/SP, Rel. Min. Gilmar
Mendes, julgado em 14/04/2020 (Info 973)
A reincidência não impede, por si só, que o juiz da causa
reconheça a insignificância penal da conduta, à luz dos
elementos do caso concreto. STF. 1ª Turma. HC
135164/MT, Rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ ac. Min.
Alexandre de Moraes. Julgado em 23/4/2019 (Info 938).
Alternativa E – correta.
Infração bagatelar, ou crime de bagatela, é aquele sobre
a qual houve incidência do princípio da insignificância.
Esse princípio, por sua vez, foi desenvolvido por Claus
Roxin e, embora não encontre previsão expressa na
legislação pátria, é pacificamente admitido no âmbito dos
Tribunais Superiores.
Como consta na alternativa, o princípio da insignificância
retira do delito sua tipicidade material, de modo que,
ainda que haja a subsunção do fato praticado à norma
penal (tipicidade formal), não haverá a prática de crime
caso a lesão causada pela conduta seja insignificante,
pois faltará assim um dos requisitos para a formação da
tipicidade.
34
Concernente aos princípios aplicáveis ao direito
penal assinale a alternativa correta.
(A) Conforme a jurisprudência recente do STJ, que se
aproximou da já pacificada jurisprudência do STF sobre
o tema, há incidência do princípio da insignificância aos
crimes tributários federais, estaduais e municipais
quando o débito tributário verificado não ultrapassar o
limite de R$ 20.000,00.
(B) De acordo com a jurisprudência sumulada do STJ,
não se aplica o princípio da insignificância a casos de
transmissão clandestina de sinal de internet via
radiofrequência.
(C) Em razão das frequentes discussões midiáticas
acerca da temática ambiental, as Cortes Superiores
firmaram entendimento no sentido de que não se admite
a aplicação do princípio da insignificância aos crimes
ambientais.
(D) Com base no princípio da adequação social,
condutas que, embora tipificadas, sejam amplamente
aceitas e difundidas pela sociedade, não configuram
crime. Nesse sentido, decidiram as Cortes Superiores
pela impossibilidade de criminalização da conduta de
vender CDs e DVDs falsificados.
(E) O fundamento para que o ordenamento jurídico não
puna a autolesão está no princípio da ofensividade ou
lesividade.
Gabarito: B
COMENTÁRIO DO PROFESSOR:
Caveiras, a questão versa sobre os pontos 1.11
Princípios aplicáveis ao direito penal. 12 Súmulas,
jurisprudência dominante dos Tribunais Superiores e
legislação relacionada com os temas. (Inseridos após
retificação do edital).
Alternativa A – incorreta.
De fato, atualmente STJ e STF convergem no sentido de
admitir a aplicação do princípio da insignificância aos
crimes tributários que não ultrapassem o limite de R$
20.000,00 (vinte mil reais). Entretanto, esse
posicionamento das Cortes Superiores diz respeito
SOMENTE AOS CRIMES TRIBUTÁRIOS FEDERAIS,
não se aplicando aos crimes relacionados a tributos
estaduais e municipais.
Qual é o valor máximo considerado insignificante no caso
de crimes tributários e descaminho? 20 mil reais (tanto
para o STF como para o STJ) Incide o princípio da
insignificância aos crimes tributários federais e de
descaminho quando o débito tributário verificado não
ultrapassar o limite de R$ 20.000,00 (vinte mil reais), a
teor do disposto no art. 20 da Lei n. 10.522/2002, com as
atualizações efetivadas pelas Portarias n. 75 e 130,
ambas do Ministério da Fazenda. STJ. 3ª Seção. REsp
1688878- SP, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado
em 28/02/2018 (recurso repetitivo). STF. 1ª Turma. HC
137595 AgR, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em
07/05/2018. STF. 2ª Turma. HC 155347/PR, Rel. Min.
Dias Tóffoli, julgado em 17/4/2018 (Info 898).
Alternativa B – correta.
Trata-se de entendimento sumulado do STJ, nos
seguintes termos:
Súmula 606-STJ: Não se aplica o princípio da
insignificância a casos de transmissão clandestina de
sinal de internet via radiofrequência, que caracteriza o
fato típico previsto no art. 183 da Lei n. 9.472/1997.
STJ. 3ª Seção. Aprovada em 11/04/2018, DJe
17/04/2018.
Alternativa C – incorreta.
As Cortes superiores têm decidido pela POSSIBILIDADE
de aplicação do princípio da insignificância aos crimes
ambientais. Nesse sentido, vejamos:
É possível a aplicação do princípio da insignificância aos
crimes ambientais, devendo ser analisadas as
circunstâncias específicas do caso concreto para se
verificar a atipicidade da conduta em exame.
STJ. 5ª Turma. AgRg no Arfsp 654.321/SC, Rel. Min
Reynaldo Soares da Fonseca. Julgado em 09/06/2015.
No entanto, há decisão no sentido de não admitir a
aplicação do princípio da insignificância ao crime de
pesca em período ou localidade proibida: O princípio da
bagatela não se aplica ao crime previsto no art. 34, caput
c/c parágrafo único, II, da Lei 9.605/98 (...)
STF. 1ª Turma. HC 122560/SC, Rel. Min. Marco Aurélio,
julgado em 8/5/2018 (Info 891).
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Alternativa D – incorreta.
A definição acerca do princípio da adequação social,
trazida ao início da alternativa, está correta. Tal princípio
funciona como causa supralegal de exclusão da
tipicidade material, assim como o princípio da
insignificância. No entanto, a definição do princípio,
nesse caso, serviu apenas para maquiar a informação
incorreta em sequência, dissonante de entendimento
sumulado do STJ:
“Súmula nº 502, STJ: Presentes a materialidade e a
autoria, afigura-se típica, em relação ao crime previsto no
artigo 184, parágrafo 2º, do Código Penal, a conduta de
expor à venda CDs e DVDs piratas. ”
Alternativa E – incorreta.
O princípio que fundamenta a não punição à autolesão é
o princípio da ALTERIDADE, que preceitua não haver
crime na conduta que prejudique somente quem a
praticou. Tal princípio foi elaborado pelo notável jurista
Claus Roxin.
A princípio da ofensividade ou lesividade, por sua vez,
preceitua que o fato praticado represente lesão ou perigo
de lesão ao bem jurídico tutelado, de modo que, por
exemplo, não se admite a punição de atitudes internas
como as ideias, convicções, e desejos dos homens.
35
Acerca da aplicação da lei penal, assinale a
alternativa correta.
(A) Na sucessão de leis penais no tempo, é aplicável
aquela mais favorável ao réu, seja ela contemporânea ao
crime, seja aquela em vigor na data da prolação da
sentença.
(B) Pelo princípio da extraterritorialidade, aplica-se a lei
penal brasileira aos fatos puníveis praticados no território
nacional, quando o agente for estrangeiro.
(C) Não se consideram extensão do território nacional
aeronaves privadas a serviço do governo brasileiro em
espaço aéreo correspondente a outro país.
(D) Lei posterior que deixe de considerarcrime
determinado fato faz cessarem tanto os efeitos penais
quanto os efeitos cíveis de eventual sentença
condenatória.
(E) Aplica-se a lei brasileira ao crime de homicídio
cometido na Argentina contra o Presidente da República
do Brasil. Trata-se de hipótese de extraterritorialidade
incondicionada, dada a incidência do princípio da
representação.
Gabarito: A
COMENTÁRIO DO PROFESSOR:
Guerreiros(as), a questão aborda o ponto 1 Aplicação da
lei penal. 1.1 Princípios da legalidade e da anterioridade.
1.2 Lei penal no tempo e no espaço. 1.3 Tempo e lugar
do crime. 1.4 Lei penal excepcional, especial e
temporária. 1.5 Territorialidade e extraterritorialidade da
lei penal. 1.6 Contagem de prazo. 1.7 Interpretação da lei
penal. 1.8 Analogia. 1.9 Irretroatividade da lei penal.
Alternativa A – correta.
Conforme prevê o parágrafo único do art. 2º do CP: “A lei
posterior, que de qualquer modo favorecer o agente,
aplica-se aos fatos anteriores, ainda que decididos por
sentença condenatória transitada em julgado. ”
Lembrando que tal previsão encontra respaldo
constitucional no art. 5º, XL, CFRB/88: “a lei penal não
retroagirá, salvo para beneficiar o réu. ”
Tal instituto trata da extra-atividade da lei penal mais
benéfica ao réu, sendo a lei nova mais benéfica também
chamada de novatio legis in mellius ou lex mitior. Este
instituto permite tanto a RETROATIVIDADE quanto a
ULTRA-ATIVIDADE de uma nova lei como verdadeira
exceção à regra do tempus regit actum, vejamos:
Em regra, os fatos praticados na vigência de uma lei
devem ser por ela regidos (tempus regit actum). Como
exceção à regra, é prevista a extra-atividade da lei penal
mais benéfica (CF, art. 5º, XL, e CP, art. 2º),
possibilitando a sua retroatividade (aplicação da lei penal
a fato ocorrido antes de sua vigência) ou a sua ultra-
atividade (aplicação da lei após a sua revogação, mas a
fato ocorrido durante a sua vigência), desde que ainda
não esgotadas as consequências jurídicas do fato
(AZEVEDO, SALIM, 2020, P. 112-113).
Ressalta-se que a lei processual penal possui distinto
regimento, aplicando-se de imediato sem exceções
referentes à gravidade, como por exemplo uma lei que
diminuísse o prazo para interpor apelação de 5 para 3
dias seria aplicada a processo iniciado antes da
alteração, visto ser puramente processual, enquanto uma
lei penal não seria aplicável devido a irretroatividade da
lei penal maléfica.
“Caveiras, mas se a nova lei possuir conteúdo híbrido? ”
Norma híbrida é o nome dado a lei que possui conteúdo
penal e processual, devendo prevalecer a parte penal da
dita lei, em verdadeiro prestígio ao princípio do favor rei
ou in dubio pro reo, portanto retroagindo se mais benéfica
ou não retroagindo se maléfica.
Alternativa B – incorreta.
A extraterritorialidade é exatamente o oposto, seria a
aplicação da lei penal brasileira aos fatos praticados EM
TERRITÓRIO ESTRANGEIRO. A aplicação da própria lei
brasileira a fatos praticados sob a jurisdição brasileira é o
próprio princípio da territorialidade (a regra) e não a
extraterritorialidade (exceção trazida pelo art. 7º do CP).
Alternativa C – incorreta.
Vejamos literalidade do Art. 5º, § 1º - Para os efeitos
penais, consideram-se como extensão do território
nacional as embarcações e aeronaves brasileiras, de
natureza pública ou a serviço do governo brasileiro onde
quer que se encontrem, bem como as aeronaves e as
embarcações brasileiras, mercantes ou de propriedade
privada, que se achem, respectivamente, no espaço
aéreo correspondente ou em alto-mar.
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30
Alternativa D – incorreta.
Tendo em vista que os efeitos cíveis não são cessados.
Há os efeitos penais primários e secundários, aqueles
referentes à sanção penal imediata e estes referentes às
consequências posteriores ao ato condenatório, como a
conhecida reincidência.
Ocorre que, ambos os efeitos penais são removidos pela
lei que não mais considera o fato como criminoso,
entretanto, os efeitos civis/secundários de natureza
extrapenal, como a obrigação de indenizar pelo dano
causado, permanecem.
Obs.: Súmula 631 do STJ: O indulto extingue os efeitos
primários da condenação (pretensão executória), mas
não atinge os efeitos secundários, penais ou extrapenais.
Alternativa E – incorreta.
O princípio da representação é aplicável às embarcações
aeronaves, no caso da extraterritorialidade
incondicionada se fala em princípio da defesa, proteção
ou defesa real.
36
Concernente à teoria do erro, assinale a alternativa
correta.
(A) O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de
crime exclui a culpabilidade.
(B) O erro quanto à pessoa contra a qual o crime é
praticado não isenta de pena. Não se consideram, neste
caso, as condições ou qualidades da pessoa contra
quem o agente queria praticar o crime, senão as da
vítima.
(C) O arrependimento posterior é circunstância de caráter
objetivo, comunicável aos demais concorrentes do crime.
(D) A desistência voluntária e o arrependimento posterior
são chamados também de "ponte de ouro” do direito
penal, pela oportunidade que o agente tem de "corrigir o
seu percurso".
(E) O agente que, voluntariamente, desiste de prosseguir
na execução ou impede que o resultado se produza só
responde pelos atos já praticados, ocorrendo assim a
hipótese de arrependimento posterior.
Gabarito: C
COMENTÁRIO DO PROFESSOR:
Caveiras, a questão aborda os pontos 3.7 Erro de tipo e
erro de proibição. 3.8 Desistência voluntária,
arrependimento eficaz, arrependimento posterior e
crime impossível. (Incluídos após retificação do
edital).
Alternativa A – incorreta.
O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime
exclui o dolo, nos termos do art. 20, caput, do Código
Penal, permitindo a punição por crime culposo, se
previsto em lei. Trata-se do erro de tipo, que, caso exclua
o dolo e a culpa (erro invencível ou escusável), afastará
a própria tipicidade do comportamento, e não a
culpabilidade.
Alternativa B – incorreta.
Há inversão de informações na alternativa. Isso porque,
nos termos do art. 20, § 3º, do Código Penal, “o erro
quanto à pessoa contra a qual o crime é praticado não
isenta de pena. Não se consideram, neste caso, as
condições ou qualidades da vítima, senão as da pessoa
contra quem o agente queria praticar o crime”. Dessa
forma, não se consideram as condições e qualidades da
“vítima real”, mas sim da “vítima desejada”.
Alternativa C – correta.
Entendimento já consolidado pelos tribunais superiores:
O arrependimento posterior (art. 16 do CP), por possuir
natureza objetiva, deve ser estendido aos corréus. O
benefício do arrependimento posterior comunica-se aos
coautores e participes que não tenham participado da
restituição da coisa ou da reparação do dano. Assim, uma
vez reparado o dano integralmente por um dos autores
do delito, a causa de diminuição de pena do
arrependimento posterior, prevista no art. 16 do CP,
estende-se aos demais coautores. STJ. 6ª Turma. REsp
1.187.976-SP, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado
em 07/11/2013.
Alternativa D – incorreta.
Na verdade, são chamados de ponte de ouro do direito
penal a desistência voluntária e o arrependimento eficaz.
Vejamos:
Desistência voluntária: O agente inicia os atos
executórios, mas por vontade própria, interrompe este
processo, abandonando a prática dos demais atos
necessários e que estavam à sua disposição para a
consumação. Em regra, conduta negativa.
Arrependimento eficaz ou resipiscência: Depois de já
praticados todos os atos executórios suficientes à
consumação do crime, o agente adota providências aptas
a impedir a produção do resultado. Sendo assim, é
cabível somente em crimes materiais.Em regra, conduta
positiva.
Características da desistência voluntária e do
arrependimento eficaz:
• Os motivos que levaram o agente a optar pela
desistência voluntária ou arrependimento eficaz são
irrelevantes.
• Incompatíveis com os crimes culposos.
• Incompatíveis com crimes formais e crimes de mera
conduta! Isso porque, se o crime é formal ou de mera
conduta, a simples realização da conduta já implica na
automática consumação do delito, de modo a não
cumprir a elementar “impede que o resultado se
produza”.
Quais as consequências da desistência voluntária e do
arrependimento eficaz? R.: O agente NÃO responde pela
forma tentada do crime inicialmente desejado, mas
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31
apenas pelos atos já praticados. Em outras palavras: a
desistência voluntária e arrependimento eficaz
ELIMINAM a tentativa.
Por isso, são chamados de "ponte de ouro" - pela
oportunidade que o agente tem de "corrigir o seu
percurso", voltando à esfera da licitude.
Alternativa E – incorreta.
Diverso ao previsto na norma de regência.
Conforme prevê o Art. 15 – Desistência voluntária e
arrependimento eficaz “O agente que, voluntariamente,
desiste de prosseguir na execução ou impede que o
resultado se produza, só responde pelos atos já
praticados. ”
37
Consoante à classificação dos crimes, assinale a
alternativa correta.
(A) Existem crimes sem resultado naturalístico ou
jurídico.
(B) É prescindível a ocorrência do resultado naturalístico
nos crimes materiais.
(C) Caso o resultado não ocorra para consumar um crime
formal, poderá responder pela forma tentada.
(D) Nos crimes de mera conduta o resultado previsto
deve ser genérico.
(E) É necessária a ocorrência do resultado naturalístico
nos crimes formais.
Gabarito: C
COMENTÁRIO DO PROFESSOR:
Combatentes, a questão aborda o ponto 2.1
Classificação dos crimes. (Incluído após retificação
do edital).
Alternativa A – incorreta.
Resultado jurídico é a lesão ao bem jurídico tutelado pela
norma penal, sendo assim ele sempre estará presente.
Alternativa B – incorreta.
Nos crimes materiais se exige o resultado naturalístico.
Alternativa C – correta.
Mesmo que o resultado não ocorra para concretizar a
consumação, os atos praticados até então podem ser
punidos na forma tentada. Lembre-se que o crime formal
não exige a produção do resultado para a sua
consumação, ainda que seja possível que ele ocorra.
Alternativa D – incorreta.
Nos crimes de mera conduta não há previsão de
resultado, a mera conduta do agente já consuma o crime.
Alternativa E – incorreta.
Nos crimes formais o resultado naturalístico pode ou não
acontecer, não sendo assim imprescindível.
38
Consoante os crimes contra a pessoa, assinale a
alternativa correta.
(A) No delito de homicídio a idade da vítima (tenra ou
avançada), por si só, caracteriza a qualificadora do
recurso que impossibilitou a defesa da vítima.
(B) O homicídio praticado contra agentes de polícia do
Congresso Nacional atrai a qualificadora do art. 121, §2,
VII.
(C) Não é possível que o agente seja condenado pelas
qualificadoras do motivo torpe e pelo feminicídio de forma
simultânea, sem que isso caracterize bis in idem.
(D) Com relação ao delito de homicídio, é correto afirmar
que tanto a doutrina como a jurisprudência são pacíficas
no sentido de que, a falta de motivo não caracteriza a
qualificadora do motivo fútil.
(E) Matar o namorado (a) por motivos de ciúmes, por si
só, torna o homicídio qualificado por motivo torpe.
Gabarito: D
COMENTÁRIO DO PROFESSOR:
Combatentes, a questão aborda o ponto 6 Crimes contra
a pessoa.
Alternativa A – incorreta.
A idade da vítima por si só (tenra por ex. criança ou
avançada por ex. idosa) não caracteriza tal qualificadora,
porquanto constitui característica da vítima e não recurso
utilizado pelo agente. Nesse sentido, Rogério Sanches.
ATENÇÃO! Cuidado para não confundir essa assertiva
acima com a seguinte decisão do STJ: “A tenra idade da
vítima é fundamento idôneo para a majoração da pena-
base do crime de homicídio pela valoração negativa das
consequências do crime” (Info 679 STJ).
Observação: Sendo assim, temos o seguinte cenário, a
tenra idade da vítima por si só, não caracteriza a
qualificadora “recurso que impossibilitou a defesa da
vítima no delito de homicídio”. No entanto, poderá ser
utilizada como fundamento idôneo para a majoração da
pena-base do crime de homicídio pela valoração negativa
das consequências do crime.
Alternativa B – incorreta.
A alternativa está equívoca por uma razão muito simples,
qual seja o art. 144 da CF, que como se sabe possui um
rol taxativo, não lista os policiais do Congresso Nacional
como os agentes de segurança, por isso, o homicídio
praticado contra agentes de polícia do Congresso
Nacional, não atrai a qualificadora do art. 121, §2, VII.
Nesse sentido corrobora o professor Rogério Sanches:
“A CF, em seus art. 51, IV e 52, XIII, estabelece competir
privativamente a CD e ao SF dispor sobre sua polícia.
Com base nessas disposições, A Câmara dos Deputados
e o Senado Federal regulamentaram, por meio das
Resoluções n. 18/03 e 59/02, suas respectivas polícias,
que, portanto, não estão disciplinadas no art. 144 da
Constituição. Sua abrangência pela qualificadora
caracterizaria analogia in malam partem”.
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Alternativa C – incorreta.
De acordo com o STJ, não caracteriza bis in idem o
reconhecimento das qualificadoras de motivo torpe e de
feminicídio no crime de homicídio praticado contra mulher
em situação de violência doméstica e familiar. Então, o
agente pode ser condenado pelas duas qualificadoras.
Não caracteriza bis in idem o reconhecimento das
qualificadoras de motivo torpe e de feminicídio no crime
de homicídio praticado contra mulher em situação de
violência doméstica e familiar. Isso se dá porque o
feminicídio é uma qualificadora de ordem OBJETIVA - vai
incidir sempre que o crime estiver atrelado à violência
doméstica e familiar propriamente dita, enquanto que a
torpeza é de cunho subjetivo, ou seja, continuará adstrita
aos motivos (razões) que levaram um indivíduo a praticar
o delito. STJ. 6ª Turma. HC 433898-RS, Rel. Min. Nefi
Cordeiro, julgado em 24/04/2018 (Info 625). Não há
dúvidas acerca da natureza subjetiva da qualificadora do
motivo torpe, ao passo que a natureza do feminicídio, por
se ligar à condição especial da vítima, é objetiva, não
havendo, assim, qualquer óbice à sua imputação
simultânea. É inviável o afastamento da qualificadora do
feminicídio mediante a análise de aspectos subjetivos da
motivação do crime, dada a natureza objetiva da referida
qualificadora, ligada à condição de sexo feminino. STJ.
5ª Turma. REsp 1739704/RS, Rel. Min. Jorge Mussi,
julgado em 18/09/2018.
Alternativa D – correta.
Falta de motivo para o crime, não se confunde com
motivo fútil. Assim tem se posicionado a doutrina (Cezar
Roberto Bittencourt) e a Jurisprudência do STJ, como no
precedente a seguir: REsp. 769651 SP 2005/0124029-6,
Rel. Laurita Vaz, Quinta Turma.
A ausência de motivo significa motivo fútil, ensejando a
qualificadora do motivo fútil?
Prevalece que a ausência de motivo não qualifica o
homicídio, por constituir-se em analogia in malam
partem, vedada pelo Ordenamento Jurídico Brasileiro. A
ausência de motivo não deve ser equiparada ao motivo
fútil, pois todo crime tem sua motivação. Na linha da
jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: Nahipótese em apreço, a incidência da qualificadora
prevista no art. 121, § 2º, inciso II, do Código Penal, é
manifestamente descabida, porquanto motivo fútil não se
confunde com ausência de motivos, de tal sorte que se o
crime for praticado sem nenhuma razão, o agente
somente poderá ser denunciado por homicídio simples.
Alternativa E – incorreta.
A alternativa está equivocada, pois, conforme a
jurisprudência do STJ, o sentimento de ciúme pode tanto
inserir-se na qualificadora do inciso I (motivo torpe) ou II
(motivo fútil) do parágrafo 2º, ou mesmo no privilégio do
parágrafo primeiro, ambos do art. 121 do CP, posto que,
a análise deve ser feita concretamente pelo Tribunal do
Júri, caso a caso. Sendo assim, o ciúme, sem outras
circunstâncias, não caracteriza motivo torpe (STJ, AgRg
no REsp 1457054/PR, DJe 29/06/2016).
39
Consoante à teoria do erro assinale a alternativa
correta.
(A) O desconhecimento da lei é inescusável. O erro sobre
a ilicitude do fato, se inevitável, isenta de pena, e, se
evitável, poderá diminui-la de um terço a dois terços.
(B) O agente, quando em Erro de Proibição, equivoca-se
quanto às circunstâncias fáticas da conduta delituosa.
Nesse sentido, em linguagem popular pode-se dizer que
o agente em Erro de proibição “não sabe o que faz”.
(C) O Erro de Proibição invencível recai sobre o segundo
substrato do conceito analítico de crime, haja vista,
nesses casos, estar ausente a potencial consciência da
ilicitude do fato.
(D) O ordenamento jurídico pátrio adota a teoria limitada
da culpabilidade, pela qual todas as espécies de
descriminantes putativas são consideradas Erro de
Proibição Indireto.
(E) Fazendeiro que, para defender sua propriedade, mata
posseiro que a invade, pensando estar nos limites de seu
direito, atua em erro de proibição indireto.
Gabarito: E
COMENTÁRIO DO PROFESSOR:
Caveiras, a questão aborda os pontos 3.7 Erro de tipo e
erro de proibição. 3.8 Desistência voluntária,
arrependimento eficaz, arrependimento posterior e
crime impossível. 12 Súmulas, jurisprudência
dominante dos Tribunais Superiores e legislação
relacionada com os temas. (Incluídos após
retificação do edital).
Alternativa A – incorreta.
A alternativa aborda a letra da Lei referente ao erro de
proibição, com um pequeno erro em relação ao quantum
diminuído. O correto seria um sexto a um terço.
Vejamos a Lei:
Art. 21 - O desconhecimento da lei é inescusável. O erro
sobre a ilicitude do fato, se inevitável, isenta de pena;
se evitável, poderá diminui-la de um sexto a um terço.
Parágrafo único - Considera-se evitável o erro se o
agente atua ou se omite sem a consciência da ilicitude do
fato, quando lhe era possível, nas circunstâncias, ter ou
atingir essa consciência.
Alternativa B – incorreta.
Na realidade, o agente em erro de proibição conhece
perfeitamente as circunstâncias fáticas da ocasião, no
entanto, pensa que tal conduta não é proibida. Em outras
palavras, o agente em erro de proibição sabe o que faz,
mas não sabe que não poderia fazê-lo. Sendo assim o
agente se equivoca quando ao conteúdo de uma norma
proibitiva.
Alternativa C – incorreta.
Na realidade, o Erro de Proibição está relacionado a
potencial consciência da ilicitude do fato, que é um
dos elementos da culpabilidade. A culpabilidade, por
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sua vez, é o terceiro substrato do crime (Fato típico,
ilícito e culpável). Nesse sentido, o erro de proibição
invencível isenta o agente de pena em decorrência da
exclusão da culpabilidade, e não da ilicitude, conforme
aponta a alternativa.
Alternativa D – incorreta.
O ordenamento pátrio adota, de fato, a teoria limitada da
culpabilidade, entretanto, essa teoria preconiza que
apenas os erros relativos à existência e aos limites de
uma causa de exclusão de ilicitude é que serão tratados
como Erro de Proibição Indireto. O Erro relativo aos
pressupostos fáticos de uma causa de exclusão de
ilicitude será tratado como Erro de Tipo Permissivo,
havendo exclusão de dolo e culpa quando invencível, e
punição a título de culpa quando vencível.
Alternativa E – correta.
Nesse caso, o agente tem plena consciência das
circunstâncias fáticas, ou seja, sabe o que está fazendo.
No entanto, por erro em relação à proibição do fato,
supõe estar acobertado por uma excludente de ilicitude.
Mais precisamente, nesse caso, o Fazendeiro erra em
relação à existência de uma causa de exclusão da
ilicitude, o que, segundo a teoria limitada da
culpabilidade, traduz-se em erro de proibição indireto.
40
Com base na legislação e entendimentos dos
Tribunais Superiores, em relação aos crimes contra a
Administração Pública, assinale a alternativa
incorreta.
(A) O crime de exercício arbitrário das próprias razões
consuma-se quando o agente consegue satisfazer a sua
pretensão com o emprego do meio arbitrário.
(B) Não comete crime de corrupção passiva o médico do
SUS que cobra do paciente um valor pelo fato de utilizar,
na cirurgia, a sua máquina particular de
videolaparoscopia, a qual não é oferecida na rede
pública.
(C) O indivíduo que não atende a ordem dada pelo oficial
de justiça na ocasião do cumprimento de mandado de
entrega de veículo comete ato atentatório a dignidade da
justiça e também incide em crime de desobediência.
(D) A conduta de ingressar em estabelecimento prisional
com chip de celular não configura o crime de
favorecimento real.
(E) O crime de corrupção passiva consuma-se ainda que
a vantagem indevida esteja relacionada com atos que
formalmente não se inserem nas atribuições do
funcionário público.
Gabarito: A
COMENTÁRIO DO PROFESSOR:
Futuros e Futuras Policiais Civis do Estado de Goiás, a
questão versa sobre os pontos 10 Crimes contra a
administração pública. 12 Súmulas, jurisprudência
dominante dos Tribunais Superiores e legislação
relacionada com os temas. (Incluído após retificação
do edital).
Alternativa A – incorreta.
Conforme o entendimento do STJ no REsp 1860791 (Info
685) o crime do art. 345 do Código Penal é um crime
contra a administração da justiça e pune a conduta de
“fazer justiça pelas próprias mãos, para satisfazer
pretensão”. O tipo penal afirma que o sujeito age “para
satisfazer”. Logo, conclui-se ser suficiente, para a
consumação do delito, que os atos que buscaram fazer
justiça com as próprias mãos tenham visado obter a
pretensão, mas não é necessário que o agente tenha
conseguido efetivamente satisfazê-la, por meio da
conduta arbitrária. A satisfação, se ocorrer, constitui mero
exaurimento da conduta. O crime está consumado
mesmo o agente não tendo conseguido o resultado
pretendido. Vejamos:
“Exercício arbitrário das próprias razões
Art. 345, CP. Fazer justiça pelas próprias mãos, para
satisfazer pretensão, embora legítima, salvo quando a lei
o permite. ”
Alternativa B – correta.
Segundo entendimento do STJ no HC 541.447-SP (Info
709), a tipificação do art. 317 do Código Penal exige a
comprovação de recebimento de vantagem indevida pelo
médico, o que não se configura quando há mero
ressarcimento ou reembolso de despesas. O uso do
aparelho de videolaparoscopia acarreta custos de
manutenção e reposição de peças, não sendo razoável
obrigar que o médico suporte tais gastos. Para tipificação
da corrupção passiva deve ser demonstrada a solicitação
ou recebimento de vantagem indevida pelo agente
público, não configurada quando há mero ressarcimento
ou reembolso de despesa. Vejamos:
“Corrupção passiva
Art. 317, CP. Solicitar ou receber, para si ou para outrem,
direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou
antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem
indevida, ou aceitar promessa de tal vantagem. ”
Alternativa C– correta.
Conforme entendimento do STF no HC 169417/SP (Info
975) comete crime de desobediência (art. 330 do CP) o
indivíduo que não atende a ordem dada pelo oficial de
justiça na ocasião do cumprimento de mandado de
entrega de veículo, expedido no juízo cível. A conduta do
indivíduo, depositário do bem, que se recusa a entregar
o veículo ou a indicar sua localização configura também
ato atentatório à dignidade da justiça havendo a previsão
de multa processual no CPC. Ocorre que a Lei afirma
expressamente que a aplicação da multa ocorre sem
prejuízo de responsabilização na esfera penal. Vejamos:
“Desobediência
Art. 330, CP. Desobedecer a ordem legal de funcionário
público. ”
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34
Alternativa D – correta.
Segundo o STJ no HC 619776/DF (Info 693) a conduta
de ingressar em estabelecimento prisional com chip de
celular não se subsome ao tipo penal previsto no art. 349-
A do Código Penal. Vejamos:
“Favorecimento real
Art. 349 - Prestar a criminoso, fora dos casos de co-
autoria ou de receptação, auxílio destinado a tornar
seguro o proveito do crime. (...)
Art. 349-A. Ingressar, promover, intermediar, auxiliar ou
facilitar a entrada de aparelho telefônico de comunicação
móvel, de rádio ou similar, sem autorização legal, em
estabelecimento prisional. ”
Alternativa E – correta.
Conforme decisão do STJ no REsp 1745410-SP (Info
635) o crime de corrupção passiva consuma-se ainda
que a solicitação ou recebimento de vantagem indevida,
ou a aceitação da promessa de tal vantagem, esteja
relacionada com atos que formalmente não se inserem
nas atribuições do funcionário público, mas que, em
razão da função pública, materialmente implicam alguma
forma de facilitação da prática da conduta almejada.
41
No tocante aos crimes contra a dignidade sexual,
assinale a opção correta.
(A) Pratica estupro de vulnerável aquele que induz menor
de quatorze anos a satisfazer lascívia de outrem.
(B) Aquele que prática na presença de menor de quatorze
anos ato libidinoso para satisfazer lascívia própria,
responderá por corrupção de menores.
(C) O crime de estupro terá a pena aumentada de 1/3 a
2/3, se o crime é praticado por agente que mantém ou
tenha mantido relação intima de afeto com a vítima ou
com o fim de vingança ou humilhação.
(D) Incorre no crime de estupro aquele que prática ato
libidinoso com menor de 14 anos, desde que não tenha
relação amorosa prévia.
(E) Aquele que prática ato libidinoso com adulto de 23
anos poderá responder por estupro de vulnerável se a
vítima embriagada não pode oferecer resistência.
Gabarito: E
COMENTÁRIO DO PROFESSOR:
Caveiras, a questão versa sobre o ponto 8 Crimes contra
a dignidade sexual.
Alternativa A – incorreta.
À luz do art. 218, do CP, aquele que induz menor de
quatorze anos a satisfazer lascívia de outrem prática o
crime de corrupção de menores.
Alternativa B – incorreta.
De acordo com o art. 218-A, do CP, aquele que prática
ato libidinoso na presença de criança ou adolescente
com o fim de satisfazer lascívia própria, responderá pelo
crime de satisfação de lascívia mediante presença de
criança ou adolescente.
Alternativa C – incorreta.
Essa causa de aumento refere-se ao crime de divulgação
de cena de estupro de vulnerável, de cena de sexo ou de
pornografia, conforme art. 218-C, §1º, do CP.
Alternativa D – incorreta.
Aquele que prática ato libidinoso com menor de quatorze
anos incorrerá no crime de estupro de vulnerável, é
irrelevante a relação amorosa prévia. É o que se extrai
do art. 217-A, §5º, do CP.
Alternativa E – correta.
Conforme art. 217-A, do CP, prática estupro de
vulnerável aquele que tem conjunção carnal ou prática
ato libidinoso com alguém que por qualquer causa não
pode oferecer resistência.
42
Acerca dos crimes contra a fé pública, assinale a
alternativa correta.
(A) Atribuir-se ou atribuir a terceiro falsa identidade para
obter vantagem configura crime de estelionato, apenado
com reclusão.
(B) O crime de fraude em certames de interesse público
configura-se pela divulgação de conteúdo de certame,
ainda que não sigiloso.
(C) A conduta de ceder o documento de identidade a
terceiro, para que dele se utilize, é penalmente atípica,
sendo crime apenas o uso, como próprio, de documento
alheio.
(D) O crime de supressão de documento consiste em
destruir, suprimir ou ocultar, em benefício próprio ou de
outrem, ou em prejuízo alheio, documento público ou
particular verdadeiro, de que não podia dispor.
(E) Falsificar, fabricando-o ou alterando-o, marca ou sinal
empregado pelo poder público no contraste de metal
precioso ou na fiscalização alfandegária, ou usar marca
ou sinal dessa natureza, falsificado por outrem constitui
crime apenado com detenção.
Gabarito: D
COMENTÁRIO DO PROFESSOR:
Combatentes, a questão versa sobre o ponto 9 Crimes
contra a fé pública.
Alternativa A – incorreta.
Conforme prevê o Art. 307 - Atribuir-se ou atribuir a
terceiro falsa identidade para obter vantagem, em
proveito próprio ou alheio, ou para causar dano a outrem:
Pena - detenção, de três meses a um ano, ou multa, se
o fato não constitui elemento de crime mais grave.
Alternativa B – incorreta.
Conforme prevê o Art. 311-A. Utilizar ou divulgar,
indevidamente, com o fim de beneficiar a si ou a outrem,
ou de comprometer a credibilidade do certame, conteúdo
sigiloso de: (...).
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35
Alternativa C – incorreta.
Conforme prevê o Art. 308 - Usar, como próprio,
passaporte, título de eleitor, caderneta de reservista ou
qualquer documento de identidade alheia ou ceder a
outrem, para que dele se utilize, documento dessa
natureza, próprio ou de terceiro.
Alternativa D – correta.
Nos exatos termos do Código Penal Brasileiro, que
assevera:
“Supressão de documento - Art. 305 - Destruir, suprimir
ou ocultar, em benefício próprio ou de outrem, ou em
prejuízo alheio, documento público ou particular
verdadeiro, de que não podia dispor. ”
Alternativa E – incorreta.
Conforme prevê o Art. 306 Falsificar, fabricando-o ou
alterando-o, marca ou sinal empregado pelo poder
público no contraste de metal precioso ou na fiscalização
alfandegária, ou usar marca ou sinal dessa natureza,
falsificado por outrem:
Pena - reclusão, de dois a seis anos, e multa.
43
Acerca do concurso de crimes, assinale a alternativa
correta.
(A) Chama-se de sistema da exasperação aquele no qual
o juiz primeiramente individualiza a pena de cada um dos
crimes praticados, somando-as posteriormente.
(B) Em ocasião em que o agente estupra, e,
posteriormente, rouba a vítima, estaremos diante de
concurso material heterogêneo.
(C) Quando o agente, mediante mais de uma ação ou
omissão, pratica dois ou mais crimes, idênticos ou não,
aplica-se-lhe a mais grave das penas cabíveis ou, se
iguais, somente uma delas, mas aumentada, em
qualquer caso, de um sexto até metade.
(D) Configura concurso formal próprio quando o agente,
mediante uma só ação ou omissão, pratica dois ou mais
crimes, idênticos ou não, sem a intenção de praticar
ambos os crimes. A esses casos, aplica-se a mais grave
das penas cabíveis ou, se iguais, somente uma delas,
mas aumentada, em qualquer caso, de um sexto a dois
terços.
(E) Aos crimes em concurso formal próprio aplicar-se-á a
pena pelo sistema da exasperação, em qualquer
hipótese.
Gabarito: B
COMENTÁRIO DO PROFESSOR:
Guerreiros(as), a questão aborda o ponto 3.2 Concurso
de crimes.Alternativa A – incorreta.
O Código Penal prevê dois principais sistemas de
aplicação da pena para o concurso de crimes:
- Sistema do Cúmulo Material: Há individualização da
pena para cada uma das condutas, somando-as todas ao
final. Ou seja, a assertiva trata do CÚMULO MATERIAL,
e não do sistema da exasperação.
Onde se aplica o sistema do cúmulo material?
- Concurso material (art. 69 do CP);
- Concurso formal impróprio (Art. 70, caput, 2ª parte do
CP); e
- Concurso das penas de multa – concurso material e
formal (Art.72 do CP).
- Sistema da Exasperação: O magistrado, nesses
casos, aplica a mais grave entre as penas cominadas
para os crimes praticados pelo agente. Posteriormente,
há aumento dessa pena no quantum anunciado pela
Legislação.
Onde se aplica o sistema da Exasperação?
- Concurso formal próprio (art. 70, caput, 1ª parte, CP); e
- Continuidade delitiva (art. 71, CP); e
- Concurso das penas de multa - crime continuado
(conforme jurisprudência do STJ).
Alternativa B – correta.
O Concurso material, conforme a doutrina, divide-se em
homogêneo e heterogêneo.
Concurso material homogêneo: Os crimes praticados
são de mesma espécie (fazem parte do mesmo tipo
penal e tutelam o mesmo bem jurídico).
Sobre o concurso material homogêneo, descreve André
Estefam (2020), há concurso material homogêneo
“quando os crimes cometidos forem idênticos (dois
roubos, dois estupros etc.). Para o reconhecimento desta
modalidade de concurso material, em que as infrações
penais são da mesma espécie, é preciso que sejam
diversas as circunstâncias de tempo, local ou modo de
execução, pois, caso contrário, a hipótese seria de crime
continuado. Haverá, portanto, concurso material, se os
dois roubos foram cometidos em datas distantes um do
outro, ou em cidades diferentes, ou, ainda, se foram
cometidos por modos de execução distintos”.
Concurso material heterogêneo: Os crimes praticados
não são de mesma espécie, como ocorre na alternativa:
o crime de estupro e o crime de roubo estão em tipos
penais distintos e tutelam bens jurídicos distintos.
Conforme leciona Rogério Sanches (pág. 625), o
concurso material heterogêneo acontece quando os
crimes são de espécies distintas (ex.: estupro e roubo).
Na aplicação da pena, o juiz seguirá o sistema do cúmulo
material.
Alternativa C – incorreta.
A alternativa traz o conceito de concurso material, mas
a segunda parte da assertiva traz o sistema da
exasperação (aplicável aos casos de concurso formal).
Vejamos como prevê o Código Penal:
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Art. 69 - Quando o agente, mediante mais de uma ação
ou omissão, pratica dois ou mais crimes, idênticos ou
não, aplicam-se cumulativamente as penas privativas
de liberdade em que haja incorrido. No caso de aplicação
cumulativa de penas de reclusão e de detenção, executa-
se primeiro aquela.”
Ou seja, aos casos de concurso material (Art. 69 do CP),
aplica-se o sistema do cúmulo material.
Alternativa D – incorreta.
O erro da alternativa é mencionar que o quantum de
aumento da pena é de um sexto a dois terços, em
verdade, é de 1/6 até metade (vide art. 70, CP).
A alternativa traz o conceito de concurso formal próprio
trazido pelo próprio Código Penal, mas se utiliza de outro
vocabulário.
Como sabemos, no concurso formal próprio, o agente
pratica uma só conduta e atinge mais de um resultado
criminoso, no entanto, os resultados múltiplos não eram
desejados pelo agente, pois, se fossem, estaríamos
diante de um concurso formal impróprio.
Vejamos como dispõe o Código Penal:
“Art. 70 - quando o agente, mediante uma só ação ou
omissão, pratica dois ou mais crimes, idênticos ou não,
aplica-se-lhe a mais grave das penas cabíveis ou, se
iguais, somente uma delas, mas aumentada, em
qualquer caso, de um sexto até metade (concurso formal
próprio). As penas aplicam-se, entretanto,
cumulativamente, se a ação ou omissão é dolosa e os
crimes concorrentes resultam de desígnios autônomos,
consoante o disposto no artigo anterior (concurso formal
impróprio).”
Alternativa E – incorreta.
O Código Penal prevê a figura do concurso material
benéfico, no Parágrafo Único do Art. 70. Vejamos:
“Concurso formal
Art. 70 - Quando o agente, mediante uma só ação ou
omissão, pratica dois ou mais crimes, idênticos ou não,
aplica-se-lhe a mais grave das penas cabíveis ou, se
iguais, somente uma delas, mas aumentada, em
qualquer caso, de um sexto até metade (concurso formal
próprio). As penas aplicam-se, entretanto,
cumulativamente, se a ação ou omissão é dolosa e os
crimes concorrentes resultam de desígnios autônomos,
consoante o disposto no artigo anterior (concurso formal
impróprio).
Parágrafo único - não poderá a pena exceder a que seria
cabível pela regra do art. 69 (concurso material) deste
Código. ”
Ou seja, caso a aplicação do sistema da exasperação,
previsto para o concurso formal, acabe sendo mais
gravoso caso fosse aplicado o sistema do cúmulo
material, deve-se aplicar, então, o sistema do cúmulo
material benéfico.
Noções de Direito Processual Penal
44
Acerca do acordo de não persecução penal assinale
a alternativa correta.
(A) Se o agente tiver sido beneficiado nos 5 anos
anteriores ao cometimento da infração com uma
transação penal, tal agente não poderá realizar o acordo
de não persecução penal.
(B) Será permitida a proposta de não persecução penal
no crime de lesão corporal qualificada pela violência
doméstica (art. 129, § 9º, CP).
(C) Não sendo caso de arquivamento e tendo o
investigado confessado formal e circunstancialmente a
prática de infração penal sem violência ou grave ameaça
e com pena máxima de 4 (quatro) anos, pode o Ministério
Público propor acordo de não persecução penal.
(D) Será aplicável o acordo de não persecução penal na
hipótese de o investigado ser reincidente ou se houver
elementos probatórios que indiquem conduta criminal
habitual, reiterada ou profissional, com exceção da
hipótese das infrações penais pretéritas serem
consideradas insignificantes.
(E) Não sendo caso de arquivamento e tendo o
investigado confessado formal e circunstancialmente a
prática de infração penal sem violência ou grave ameaça
e com pena mínima inferior a 6 (seis) anos, o Ministério
Público poderá propor acordo de não persecução penal,
desde que necessário e suficiente para reprovação e
prevenção do crime observados os requisitos legais
exigidos.
Gabarito: A
COMENTÁRIO DO PROFESSOR:
Caveiras, a questão aborda o ponto 1.4 Acordo de não
persecução penal. (Inserido após a retificação do
edital).
Alternativa A – correta.
Nos exatos termos do Código de Processo Penal, que
assevera:
“Art. 28-A (...)
§ 2º O disposto no caput deste artigo não se aplica nas
seguintes hipóteses: (...)
III - ter sido o agente beneficiado nos 5 (cinco) anos
anteriores ao cometimento da infração, em acordo de não
persecução penal, transação penal ou suspensão
condicional do processo; ”
Alternativa B – incorreta.
Conforme Art. 28-A do CPP, não será possível acordo de
não persecução penal quando o crime for praticado
mediante violência ou grave ameaça,
consequentemente, não será cabível no caso de lesão
corporal qualificada pela violência doméstica. Vejamos:
“Art. 28-A. Não sendo caso de arquivamento e tendo o
investigado confessado formal e circunstancialmente a
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37
prática de infração penal sem violência ou grave
ameaça e com pena mínima inferior a 4 (quatro)anos, o
Ministério Público poderá propor acordo de não
persecução penal, desde que necessário e suficiente
para reprovação e prevenção do crime, mediante as
seguintes condições ajustadas cumulativa e
alternativamente: (...).”
Alternativa C – incorreta.
Diverso ao previsto no Código de Processo Penal, que
aduz:
“Art. 28-A. Não sendo caso de arquivamento e tendo o
investigado confessado formal e circunstancialmente a
prática de infração penal sem violência ou grave ameaça
e com pena MÍNIMA inferior a 4 (quatro) anos, o
Ministério Público poderá propor acordo de não
persecução penal, desde que necessário e suficiente
para reprovação e prevenção do crime, mediante as
seguintes condições ajustadas cumulativa e
alternativamente: (...).”
Alternativa D – incorreta.
Contrário ao disciplinado no Código de Processo Penal,
a saber:
“Art.28-A (...)
§ 2º O disposto no caput deste artigo NÃO se aplica nas
seguintes hipóteses:
I - se for cabível transação penal de competência dos
Juizados Especiais Criminais, nos termos da lei;
II - se o investigado for reincidente ou se houver
elementos probatórios que indiquem conduta
criminal habitual, reiterada ou profissional, EXCETO
se insignificantes as infrações penais pretéritas;
III - ter sido o agente beneficiado nos 5 (cinco) anos
anteriores ao cometimento da infração, em acordo de não
persecução penal, transação penal ou suspensão
condicional do processo; e
IV - nos crimes praticados no âmbito de violência
doméstica ou familiar, ou praticados contra a mulher por
razões da condição de sexo feminino, em favor do
agressor.”
Alternativa E – incorreta.
A pena mínima inferior a 4 anos, e não de 6 (seis) anos
como afirmado na alternativa.
Vejamos:
“Art. 28-A. Não sendo caso de arquivamento e tendo o
investigado confessado formal e circunstancialmente a
prática de infração penal sem violência ou grave ameaça
e com pena mínima inferior a 4 (quatro) anos, o
Ministério Público poderá propor acordo de não
persecução penal, desde que necessário e suficiente
para reprovação e prevenção do crime, mediante as
seguintes condições ajustadas cumulativa e
alternativamente: (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
I - reparar o dano ou restituir a coisa à vítima, exceto na
impossibilidade de fazê-lo; (Incluído pela Lei nº 13.964,
de 2019)
II - renunciar voluntariamente a bens e direitos indicados
pelo Ministério Público como instrumentos, produto ou
proveito do crime; (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
III - prestar serviço à comunidade ou a entidades públicas
por período correspondente à pena mínima cominada ao
delito diminuída de um a dois terços, em local a ser
indicado pelo juízo da execução, na forma do art. 46 do
Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código
Penal); (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
IV - pagar prestação pecuniária, a ser estipulada nos
termos do art. 45 do Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de
dezembro de 1940 (Código Penal), a entidade pública ou
de interesse social, a ser indicada pelo juízo da
execução, que tenha, preferencialmente, como função
proteger bens jurídicos iguais ou semelhantes aos
aparentemente lesados pelo delito; ou (Incluído pela Lei
nº 13.964, de 2019)
V - cumprir, por prazo determinado, outra condição
indicada pelo Ministério Público, desde que proporcional
e compatível com a infração penal imputada. (Incluído
pela Lei nº 13.964, de 2019)
45
Consoante aos princípios aplicáveis ao processo
penal assinale a alternativa correta.
(A) O conceito de devido processo legal substancial
refere-se à necessidade de previsão expressa dos ritos
processuais aplicáveis ao caso concreto, no qual seja
assegurado o contraditório e a ampla defesa ao acusado.
(B) Atualmente, a doutrina aponta limitações à busca pela
verdade real, de modo que, para parte desses
doutrinadores, tem-se modernamente o que chamam de
busca da verdade materialmente possível.
(C) Em razão da adoção do princípio da verdade real,
também chamada de verdade materialmente possível
para a doutrina moderna, admite-se no ordenamento
jurídico pátrio a valoração de provas ilícitas, desde que
essas contribuam efetivamente para a elucidação da
verdade buscada no processo.
(D) A jurisprudência mais recente do Supremo Tribunal
Federal passou a readmitir a execução provisória da
pena, de modo que o princípio da presunção de
inocência, atualmente, é objeto de grande relativização.
(E) A regra de tratamento trazida pelo princípio da
presunção de inocência estabelece que o ônus de provar
a prática do crime é da acusação.
Gabarito: B
COMENTÁRIO DO PROFESSOR:
Combatentes, a questão versa sobre os pontos 5
Princípios aplicáveis ao processo penal; 11 Súmulas,
jurisprudência dominante dos Tribunais Superiores e
legislação relacionada com os temas. (Inseridos
após a retificação do edital).
Alternativa A – incorreta.
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38
Devido processo legal substancial, em verdade, refere-se
à busca por decisões éticas e justas dentro dos ritos
formais inerentes ao processo. A alternativa, por sua vez,
refere-se ao conceito de devido processo legal
procedimental, relacionado ao estabelecimento prévio
de ritos para assegurar um processo isento e reforçado
contra arbitrariedades.
Alternativa B – correta.
O conceito de “verdade materialmente possível”,
cunhado por Guilherme Nucci, contrapõe-se ao conceito
de busca pela verdade real e vem sendo objeto de
discussão e aceitação por parte da doutrina. A verdade
real, que consiste na busca do magistrado pela realidade
dos fatos, passa atualmente por espécie de “choque de
realidade”, haja vista ser patente a dificuldade que o
julgador encontra para formar a verdade real, tendo em
vista diversos fatores como até mesmo o esquecimento
das testemunhas diante dos fatos. Por isso, atualmente
admite-se a utilização do termo “verdade materialmente
possível”, ainda em contraponto ao princípio da verdade
formal (adotado pelo Processo Civil e limitado ao
processo), mas agora dotada de maior razoabilidade.
Alternativa C – incorreta.
A valoração de provas ilícitas, no ordenamento pátrio,
ocorrerá apenas em situações taxativamente
especificadas no Código de Processo Penal, como, por
exemplo, a teoria da fonte independente, prevista no
Código de Processo Penal, que dispõe:
“Art. 157. São inadmissíveis, devendo ser
desentranhadas do processo, as provas ilícitas, assim
entendidas as obtidas em violação a normas
constitucionais ou legais.
§ 1º São também inadmissíveis as provas derivadas das
ilícitas, salvo quando não evidenciado o nexo de
causalidade entre umas e outras, ou quando as
derivadas puderem ser obtidas por uma fonte
independente das primeiras. ”
No mais, não há que se falar em aceitação de provas
ilícitas pura e simplesmente porque levariam à
elucidação da verdade. Desse modo, temos que o
Código de Processo Penal aborda exatamente o
contrário: ainda que a prova ilícita conduza à verdade,
não será aceita se foi produzida em violação aos
preceitos normativos vigentes.
Alternativa D – incorreta.
A situação vigente é exatamente oposta ao que prevê a
alternativa.
A última decisão emblemática do STF nesse sentido é a
de voltar a INADMITIR o cumprimento provisório da
pena, fortalecendo-se, assim, o princípio da presunção
de inocência.
Ao julgar as ações declaratórias de constitucionalidade
43, 44 e 54, em 7/11/2019, o Plenário do STF firmou o
entendimento de que não cabe a execução provisória da
pena.
A 1ª Turma do STF aplicou esse entendimento em um
caso concreto no qual o réu estava preso unicamente
pelo fato de o Tribunal de Justiça ter confirmado a sua
condenação em 1ª instância, não tendo havido, contudo,ainda, o trânsito em julgado. Logo, o STF, afastando a
possibilidade de execução provisória da pena, concedeu
a liberdade ao condenado até que haja o esgotamento de
todos os recursos.
STF. 1ª Turma. HC 169727/RS, Rel. Min. Marco Aurélio,
julgado em 26/11/2019 (Info 961).
Alternativa E – incorreta.
O princípio da presunção de inocência possui como duas
consequências principais a concepção da (1) Regra de
Tratamento e (2) Regra Probatória e de Julgamento.
A alternativa traz o conceito da regra probatória e de
julgamento (e não de tratamento). A regra de tratamento,
por sua vez, pressupõe que o réu seja tratado
efetivamente como inocente até o trânsito em julgado,
não podendo as esferas de controle do Estado
praticarem atos que indiquem o contrário. Além disso, a
regra de tratamento também atua limitando as medidas
restritivas de direito, de modo que as prisões cautelares
devem ser entendidas como última medida, desde que
fundamentais e essenciais para o desenvolvimento do
processo.
Conforme explica Leonardo Barreto Moreira Alves:
Expressamente previsto na Constituição Federal de 1988
no art. 5°, inciso LVII, é princípio por meio do qual se
entende que ninguém será considerado culpado até o
trânsito em julgado de sentença penal condenatória. Em
outros termos, no Processo Penal, todo acusado é
presumido inocente até a eventual sentença
condenatória transitar em julgado.
O princípio em comento contempla duas facetas, que
consubstanciam duas regras fundamentais, a saber:
Regra probatória (in dubio pro reo): Em decorrência da
regra probatória, tem-se que o ônus da prova, em regra,
cabe à acusação. Considerando que a pessoa já nasce
inocente, para que esse estado seja alterado é preciso,
em regra, que o autor da ação penal prove o contrário.
Desde já, registre-se que esta consequência comporta
importante exceção, tendo em vista que o ônus da prova
das causas excludentes de ilicitude ou de culpabilidade
compete ao acusado, embora o art. 386, inciso VI, do
CPP autorize o juiz a absolver o réu mesmo se apenas
houver fundada dúvida sobre a existência destas causas,
em respeito ao princípio do in dubio pro reo. Ademais,
também é ônus da defesa a prova de causas de extinção
da punibilidade (art. 107 do CP) e de circunstâncias que
mitiguem a pena.
Regra de tratamento: Impõe-se que o Poder Legislativo,
os operadores do Direito e a própria sociedade, de forma
efetiva, tratem a pessoa humana como inocente até que
ocorra o trânsito em julgado da sentença penal
condenatória. É esse o fundamento, por exemplo, do teor
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da Súmula nº 444 do STJ, segundo a qual “É vedada a
utilização de inquérito policiais e ações penais em curso
para agravar a pena-base.”.
Consequências da regra de tratamento:
- Excepcionalidade das prisões cautelares;
- Toda medida constritiva de direitos individuais, na
verdade, só pode ser decretada excepcionalmente.
46
Acerca dos sistemas do processo penal assinale a
alternativa correta.
(A) A publicidade, a imparcialidade, o contraditório e a
ampla defesa são características marcantes do sistema
processual inquisitivo.
(B) Historicamente, o processo penal acusatório
distinguia-se do inquisitório porque enquanto o primeiro
era escrito e sigiloso, o segundo era oral e público.
(C) O Sistema acusatório prega o respeito incondicional
ao contraditório, à publicidade, à imparcialidade, à ampla
defesa, bem como distribui a órgãos distintos as funções
de acusar, defender e julgar.
(D) No Direito pátrio, o sistema que vige no processo
penal é o inquisitivo formal.
(E) No sistema inquisitivo a atividade probatória é
atribuição natural das partes.
Gabarito: C
COMENTÁRIO DO PROFESSOR:
Caveiras, a questão versa sobre o ponto 6 Sistemas de
processo penal. (Inserido no edital após retificação).
Alternativa A – incorreta.
Na realidade trata-se de sistema acusatório e não
inquisitivo como apresentado na alternativa.
Conforme explica o professor e doutrinador Noberto
Avena, próprio dos regimes democráticos, o sistema
acusatório caracteriza-se pela distinção absoluta entre as
funções de acusar, defender e julgar, que deverão ficar a
cargo de pessoas distintas.
Nesse sistema existe uma clara separação entre os
órgãos de acusação e julgamento. O juiz é um terceiro
imparcial e a produção de provas está na mão das partes.
O juiz é absolutamente inerte e imparcial, com
contraditório e ampla defesa assegurados e com
publicidade dos atos.
No sistema acusatório, as funções serão exercidas por
partes distintas. As funções de acusar, defender e julgar
são atribuídas a pessoas diversas. No referido sistema
haverá respeito ao contraditório. O acusado deixa de ser
considerado mero objeto e passa a configurar como
sujeito de direitos. A gestão da prova, em um sistema
acusatório puro, o juiz não poderia produzir prova de
ofício. Por outro lado, a outra parte da doutrina aduz que
o juiz pode produzir prova de ofício na fase processual.
Assim, na fase investigatória não é dada ao juiz produzir
prova de ofício, porém, na fase processual lhe é
permitido, desde que atue de forma residual.
Alternativa B – incorreta.
Enquanto o sistema acusatório é marcado pela oralidade
e por ser público, o sistema inquisitorial tem a
característica de ser escrito e sigiloso.
Alternativa C – correta.
Como bem explicitado na alternativa A, e com base nos
ensinamentos do professor e doutrinador Noberto Avena,
próprio dos regimes democráticos, o sistema acusatório
caracteriza-se pela distinção absoluta entre as funções
de acusar, defender e julgar, que deverão ficar a cargo
de pessoas distintas.
Nesse sistema, existe uma clara separação entre os
órgãos de acusação e julgamento. O juiz é um terceiro
imparcial e a produção de provas está na mão das partes.
O juiz é absolutamente inerte e imparcial, com
contraditório e ampla defesa assegurados e com
publicidade dos atos.
No sistema acusatório, as funções serão exercidas por
partes distintas. As funções de acusar, defender e julgar
são atribuídas a pessoas diversas. No referido sistema
haverá respeito ao contraditório. O acusado deixa de ser
considerado mero objeto e passa a configurar como
sujeito de direitos. A gestão da prova, em um sistema
acusatório puro, o juiz não poderia produzir prova de
ofício. Por outro lado, a outra parte da doutrina aduz que
o juiz pode produzir prova de ofício na fase processual.
Assim, na fase investigatória não é dada ao juiz produzir
prova de ofício, porém, na fase processual lhe é
permitido, desde que atue de forma residual.
Por adequado, cumpre destacarmos que o art. 3-A do
Código de Processo Penal acrescido pela Lei
133.964/2019, ora suspenso, deixou expresso a
adoção do sistema acusatório.
Alternativa D – incorreta.
O nosso Ordenamento Jurídico adotou o sistema
acusatório, o que foi reforçado pelo Pacote Anticrime ao
teor do art. 3-A do CPP.
O sistema acusatório é o adotado pela Constituição
Federal. Vejamos:
“Art. 129. São funções institucionais do Ministério
Público: I - promover, privativamente, a ação penal
pública, na forma da lei. ”
A função de acusar nas ações penais públicas é do
Ministério Público, sendo assim o sistema acusatório,
não é a outra a conclusão que poderíamos ter, haja vista
que a Constituição Federal outorgou a titularidade da
persecução penal ao referido órgão, por excelência.
Por fim, conforme destacamos acima, a adoção do
sistema acusatório foi reafirmado com o advento do art.
3-A do Código de Processo Penal, oriunda do Pacote
Anticrime (Lei n. 13.964/2019).
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Corroborando ao exposto, Rogério Sanches e Ronaldo
Batista:
A Lei 13.964/19, obediente à Carta Maior, foi clara: o
processo penal terá estrutura acusatória, vedadas a
iniciativa do juiz na fase de investigação e a substituição
da atuação probatória do órgão de acusação (art. 3-A do
CPP). A suspensão deste artigo pelo STF não permite
concluir que nosso ordenamento, sob o comando da
Constituição Federal, adota sistema diverso do
acusatório.
Alternativa E – incorreta.
Na realidade estamos diante do sistema acusatório, e
não inquisitivo.
Em síntese, podemos apontar como características do
sistema acusatório:
- A função de acusar, defender e julgar são atribuídas a
pessoas distintas;
- Juiz equidistante das partes e imparcial;
- Observância do contraditório e da ampla defesa;
- O processo é público;
- Oralidade nos procedimentos;
- O julgador possui iniciativa probatória residual (a
atuação do juiz é de natureza supletiva);
- O acusado é sujeito de direitos e possui garantais
constitucionais.
47
Consoante à presidência, arquivamento e
trancamento do inquérito policial, assinale a
alternativa correta.
(A) Extraordinária e fundamentadamente, a autoridade
policial poderá mandar arquivar o inquérito para evitar
lesão a direitos fundamentais do indiciado.
(B) O delegado de polícia, se estiver convencido da
ausência de elementos suficientes para imputar autoria a
determinada pessoa, deverá mandar arquivar o inquérito
policial, podendo desarquivá-lo se surgir prova nova.
(C) Uma vez arquivado o inquérito policial por decisão
judicial, a autoridade policial não poderá proceder a
novas pesquisas, se tiver notícia de uma nova prova.
(D) Do despacho da autoridade policial que indeferir
requerimento de abertura de inquérito policial feito pelo
ofendido ou seu representante legal é cabível, como
único remédio jurídico, recurso ao juiz criminal da
comarca onde, em tese, ocorreu o fato delituoso.
(E) O arquivamento implícito é uma construção
doutrinária. Ele seria, inicialmente, decorrente da
omissão do Ministério Público que deixa de narrar na
denúncia um fato investigado no inquérito ou um
indiciado.
Gabarito: E
COMENTÁRIO DO PROFESSOR:
Combatentes, a questão versa sobre o ponto 1.3
Presidência, arquivamento e trancamento do
inquérito policial. (Inserido no edital após
retificação).
Alternativa A – incorreta.
O inquérito policial goza da característica de ser um
procedimento indisponível, o que significa que uma vez
iniciado o inquérito a autoridade policial não poderá
encerrar esse inquérito.
Nesse sentido, dispõe Távora e Alencar (2021): a
persecução criminal é de ordem pública, e uma vez
iniciado o inquérito, não pode o delegado de polícia dele
dispor.
Vejamos o texto normativo do Código de Processo Penal,
que assevera:
“Art. 17. A autoridade policial não poderá mandar
arquivar autos de inquérito. ”
Em síntese, Delegado de Polícia não pode mandar
arquivar autos do Inquérito Policial.
Alternativa B – incorreta.
Nos termos do art. 17 do Código de Processo Penal, a
autoridade policial não possui atribuição para mandar
arquivar autos do inquérito policial, razão pela qual a
alternativa encontra-se errada.
Nessa esteira, vejamos a legislação pátria:
“Art. 17. A autoridade policial não poderá mandar
arquivar autos de inquérito. ”
Alternativa C – incorreta.
Conforme prevê o Código de Processo Penal, depois de
ordenado o arquivamento do inquérito pela autoridade
judiciária, por falta de base para a denúncia, a autoridade
policial poderá proceder a novas pesquisas, se de outras
provas tiver notícia.
Na mesma linha, segundo a súmula nº 524 do Supremo
Tribunal Federal, arquivado o inquérito policial, por
despacho do juiz, a requerimento do Promotor de Justiça,
não pode a ação penal ser iniciada sem novas provas.
Observemos o disposto no Código de Processo Penal, a
seguir:
“Art. 18. Depois de ordenado o arquivamento do inquérito
pela autoridade judiciária, por falta de base para a
denúncia, a autoridade policial PODERÁ proceder a
novas pesquisas, se de outras provas tiver notícia. ”
Alternativa D – incorreta.
Nos termos do art. 5º, §2º do Código de Processo Penal,
caberá “recurso para o Chefe de Polícia”.
Vejamos:
“Art. 5º (...)
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41
§ 2º Do despacho que indeferir o requerimento de
abertura de inquérito caberá recurso para o chefe de
Polícia.”
Alternativa E – correta.
Conforme ensina o professor Noberto Avena, o
fenômeno do arquivamento implícito pode ocorrer em
duas hipóteses, a saber:
I) Quando o Ministério Público deixa de incluir na
denúncia algum dos fatos investigados no inquérito ou
algum dos indivíduos nele indiciados, sem qualquer
justificativa para tanto, quer no sentido de requerer
diligências, quer no sentido de promover o arquivamento
expresso quanto a fatos ou indiciados remanescentes.
II) Quando o Ministério Público, diante de inquérito
policial que indiciou mais de um investigado ou apurou
mais de um fato criminoso, postula e tem deferido pelo
juiz o arquivamento do procedimento policial, referindo-
se, todavia, a apenas um ou alguns investigados ou um
ou alguns fatos, sem qualquer menção aos demais.
48
Acerca do tema competência, assinale a alternativa
correta.
(A) É de competência da justiça comum estadual o
julgamento de contravenções penais, mesmo que
conexas com crimes de competência da justiça comum
federal de primeiro grau.
(B) Viola as garantias do juiz natural, da ampla defesa e
do devido processo legal a atração por continência ou
conexão do processo do corréu ao foro por prerrogativa
de função de um dos denunciados.
(C) A competência constitucional do Tribunal do Júri não
prevalece sobre o foro por prerrogativa de função
estabelecido exclusivamente pela constituição estadual
(D) Segundo entendimento do STJ, é de competência da
justiça estadual processar e julgar crime contra
funcionário público federal, estando ou não este no
exercício da função.
(E) Havendo conexão entre um crime federal e um crime
estadual, prevalece a competência da justiça estadual.
Gabarito: A
COMENTÁRIO DO PROFESSOR:
Guerreiros(as), a questão versa sobre os pontos 8
Competência; 11 Súmulas, jurisprudência dominante
dos Tribunais Superiores e legislação relacionada
com os temas. (Inseridos após retificação no edital).
Alternativa A – correta.
Conforme dispositivos legais e jurisprudenciais a seguir:
“Súmula 38 - STJ: Compete à Justiça Estadual Comum,
na vigência da Constituição de 1988, o processo por
contravenção penal, ainda que praticada em detrimento
de bens, serviços ou interesse da União ou de suas
entidades.”
“Art. 109, IV da Constituição Federal: Aos juízes federais
compete processar e julgar: IV - os crimes políticos e as
infrações penais praticadas em detrimento de bens,
serviços ou interesse da União ou de suas entidades
autárquicas ou empresas públicas, excluídas as
contravenções e ressalvada a competência da Justiça
Militar e da Justiça Eleitoral; ”
Alternativa B – incorreta.
Conforme o enunciado de súmula do Supremo Tribunal
Federal, que assevera:
“Súmula 704, STF: NÃO VIOLA as garantias do juiz
natural, da ampla defesa e do devido processo legal a
atração por continência ou conexão do processo do
corréu ao foro por prerrogativa de função de um dos
denunciados. ”
Alternativa C – incorreta.
Vejamos o enunciado de súmula do Supremo Tribunal
Federal, que aduz:
“Súmula 721 STF. A competência constitucional do
Tribunal do Júri PREVALECE sobre o foro por
prerrogativa de função estabelecido exclusivamente pela
constituiçãoestadual. ”
Insta salientar que a Súmula 721 foi convertida na
Súmula Vinculante 45.
Alternativa D – incorreta.
Vejamos o disposto no enunciado de súmula do Superior
Tribunal de Justiça, a seguir:
“Súmula 147 STJ: Compete à Justiça Federal processar
e julgar os crimes praticados contra funcionário público
federal, quando relacionados com o exercício da função.
”
Alternativa E – incorreta.
Vejamos o disposto na súmula do Superior Tribunal de
Justiça, que assevera:
“Súmula 122-STJ: Compete à Justiça Federal o
processo e julgamento unificado dos crimes conexos de
competência federal e estadual, não se aplicando a regra
do art. 78, II, "a", do Código de Processo Penal. ”
49
Concernente às Nulidades no processo penal,
assinale a alternativa correta.
(A) Dentre as diversas consequências que podem advir
do desrespeito às normas processuais, entende a
doutrina que tais irregularidades devem acarretar em, ao
menos, sanções extraprocessuais, a fim de que seja
vedado que uma irregularidade não gere ônus algum
àquele que agiu em desrespeito aos ditames legais.
(B) Os atos processuais penais devem observar os
ditames legais quanto as formalidades e procedimentos
aplicáveis, de modo que a inobservância desses fatores
consiste em irregularidades que, a depender das
consequências, pode gerar a nulidade de tais atos.
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(C) Nulidades absolutas decorrem da inobservância de
normas de ordem pública, de modo que seu prejuízo é
presumido, podendo ser arguidas a qualquer momento
do processo, desde que anteriormente ao trânsito em
julgado da ação.
(D) Ao estabelecer que as nulidades relativas deverão
ser alegadas em momento oportuno, o Código de
Processo Penal incumbe aos magistrados a fixação de
momento para alegação das nulidades dentro do
processo.
(E) Uma defesa técnica considerada deficiente constitui
causa de nulidade absoluta, ainda que fique
demonstrado não ter havido prejuízo para o réu.
Gabarito: B
COMENTÁRIO DO PROFESSOR:
Guerreiros(as), a questão versa sobre os pontos 10
Nulidades, recursos e ações autônomas de
impugnação; 11 Súmulas, jurisprudência dominante
dos Tribunais Superiores e legislação relacionada
com os temas. (Inseridos no edital após retificação).
Alternativa A – incorreta.
O erro da alternativa se encontra no trecho “acarretar em,
ao menos, sanções extraprocessuais”, uma vez que é
possível que determinadas irregularidades não gerem
qualquer consequência, como ocorre, por exemplo, em
relação à abreviatura de nomes nos atos processuais.
Sobre o tema, a doutrina menciona, ainda, as possíveis
situações:
Irregularidades que produzem sanções
extraprocessuais: a irregularidade não acarreta em
nulidade, mas resulta em sanções extraprocessuais.
Exemplo: multa aplicada ao perito que não entre o laudo
no prazo estipulado pelo Art. 277, parágrafo único do
CPP).
Irregularidade que pode acarretar a invalidação do
ato processual (nulidade): Decorre de atos viciados que
atentam contra o interesse público ou contra o interesse
das partes, tornando o ato nulo. Exemplo: sentença
condenatória sem fundamentação (art. 93, inciso XI da
CF/88).
Irregularidade que acarreta a inexistência do ato
processual: Irregularidades tão latentes que o ato passa
a ser considerado inexistente. Exemplo: sentença
prolatada por um Promotor de Justiça.
Alternativa B – correta.
A alternativa aborda o conceito de tipicidade processual
penal, que consiste na observância, pelas partes, dos
dispositivos legais previstos na Lei processual penal, com
a finalidade de assegurar às partes o desenvolvimento de
um processo justo, sem vícios, e preservador dos direitos
fundamentais do acusado.
A parte final da alternativa “a depender das
circunstâncias, pode gerar a nulidade de tais atos” se
refere ao fato de que nem todos os atos praticados de
forma atípica, ou seja, em inobservância às regras
processuais penais, serão efetivamente considerados
nulos pelo ordenamento, em razão da vigência de
princípios como o princípio do prejuízo (pas de nullite
sans grief).
Nas palavras de Nestor Távora e Rosmar Rodrigues de
Alencar (2021), a tipicidade processual penal é definida
nos seguintes termos:
“Tipicidade do ato processual é a qualidade consistente
em sua prática em compasso com todas as disposições
constitucionais e legais que o regem. Atipicidade do ato
processual penal ocorre quando, ao revés, o ato é
realizado sem a observância das exigências legais e/ou
constitucionais. ”
Alternativa C – incorreta.
A alternativa aborda características fundamentais acerca
das nulidades absolutas, mas peca ao dizer que as
nulidades absolutas podem ser arguidas apenas
anteriormente ao trânsito em julgado da ação.
Na realidade, as nulidades absolutas podem ser arguidas
a qualquer momento, inclusive após o trânsito em
julgado, desde que em benefício do réu, via revisão
criminal, ou via Habeas Corpus (em caso de
condenações que resultem na restrição de liberdade do
indivíduo, como condenações a penas privativas de
liberdade).
Ou seja, o entendimento correto sobre o tema seria: as
nulidades absolutas podem ser arguidas a qualquer
momento do processo, desde que anteriormente ao
trânsito em julgado da ação, salvo quando a alegação for
feita para beneficiar o réu. As alegações com o condão
de prejudicar o réu são vedadas, em razão da vedação à
revisão criminal “pro societate”.
Alternativa D – incorreta.
Na realidade, o Art. 571 do Código de Processo Penal
possui previsões específicas acerca do momento de
alegação das nulidades, de acordo com o procedimento
processual aplicável a cada situação.
Sendo assim, os magistrados devem obedecer a esses
comandos legais, de modo a zelar para que, caso não
sejam respeitados, haja convalescência das nulidades
(para casos em que a convalidação é possível).
Vejamos:
“Art. 571. As nulidades deverão ser arguidas:
I - as da instrução criminal dos processos da competência
do júri, nos prazos a que se refere o art. 406;
II - as da instrução criminal dos processos de
competência do juiz singular e dos processos especiais,
salvo os dos Capítulos V e Vll do Título II do Livro II, nos
prazos a que se refere o art. 500;
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III - as do processo sumário, no prazo a que se refere o
art. 537, ou, se verificadas depois desse prazo, logo
depois de aberta a audiência e apregoadas as partes;
IV - as do processo regulado no Capítulo VII do Título II
do Livro II, logo depois de aberta a audiência;
V - as ocorridas posteriormente à pronúncia, logo depois
de anunciado o julgamento e apregoadas as partes (art.
447);
VI - as de instrução criminal dos processos de
competência do Supremo Tribunal Federal e dos
Tribunais de Apelação, nos prazos a que se refere o art.
500;
VII - se verificadas após a decisão da primeira instância,
nas razões de recurso ou logo depois de anunciado o
julgamento do recurso e apregoadas as partes;
VIII - as do julgamento em plenário, em audiência ou em
sessão do tribunal, logo depois de ocorrerem. ”
Alternativa E – incorreta.
A causa de nulidade absoluta é a ausência de defesa. A
defesa deficiente, ou seja, a defesa insatisfatória,
medíocre, ou até mesmo incompleta, só constituirá
nulidade absoluta caso reste demonstrado o prejuízo
para o réu.
Trata-se inclusive de entendimento sumulado do
Supremo Tribunal Federal:
Súmula nº 523, STF: “No processo penal, a falta da
defesa constituinulidade absoluta, mas a sua deficiência
só o anulará se houver prova de prejuízo para o réu”.
50
A respeito do tema ação penal, assinale a alternativa
correta.
(A) Quando, em autos ou papéis de que conhecerem, os
juízes ou tribunais verificarem a existência de crime de
ação pública, determinarão a imediata instauração de
inquérito policial ou procedimento administrativo para a
cabal apuração dos fatos.
(B) Nos crimes de ação pública, esta será promovida por
denúncia do Ministério Público, e independerá, de
requisição do Ministro da Justiça, ou de representação do
ofendido ou de quem tiver qualidade para representá-lo.
(C) Não será admitida ação privada nos crimes de ação
pública, ainda que esta não seja intentada no prazo legal.
(D) São causas de rejeição da denúncia ou queixa a
inépcia, a falta de pressuposto processual ou condição
para o exercício da ação penal e a falta de justa causa.
(E) A legitimidade para a propositura de ação penal por
crime contra a honra de servidor público em razão do
exercício de suas funções é exclusiva do Ministério
Público, condicionada à representação do ofendido.
Gabarito: D
COMENTÁRIO DO PROFESSOR:
Caveiras, a questão aborda os pontos 7 Ação penal; 11
Súmulas, jurisprudência dominante dos Tribunais
Superiores e legislação relacionada com os temas.
(Inseridos no edital após retificação).
Alternativa A – incorreta.
Nesse caso, remeterão ao Ministério Público as cópias e
os documentos necessários ao oferecimento da
denúncia.
Vejamos:
“Art. 40. Quando, em autos ou papéis de que
conhecerem, os juízes ou tribunais verificarem a
existência de crime de ação pública, remeterão ao
Ministério Público as cópias e os documentos
necessários ao oferecimento da denúncia. ”
Alternativa B – incorreta.
Contrário ao disciplinado no Código de Processo Penal,
que assim dispõe:
“Art. 24. Nos crimes de ação pública, esta será promovida
por denúncia do Ministério Público, MAS DEPENDERÁ,
quando a lei o exigir, de requisição do Ministro da
Justiça, ou de representação do ofendido ou de quem
tiver qualidade para representá-lo.
§ 1°. No caso de morte do ofendido ou quando declarado
ausente por decisão judicial, o direito de representação
passará ao cônjuge, ascendente, descendente ou irmão.
§ 2°. Seja qual for o crime, quando praticado em
detrimento do patrimônio ou interesse da União, Estado
e Município, a ação penal será pública. ”
Alternativa C – incorreta.
Observemos o que dispõe o Código de Processo Penal,
a saber:
“Art. 29. Será admitida ação privada nos crimes de ação
pública, se esta não for intentada no prazo legal, cabendo
ao Ministério Público aditar a queixa, repudiá-la e
oferecer denúncia substitutiva, intervir em todos os
termos do processo, fornecer elementos de prova,
interpor recurso e, a todo tempo, no caso de negligência
do querelante, retomar a ação como parte principal.”
Alternativa D – correta.
Nos exatos termos do Código de Processo Penal, que
assim dispõe:
“Art. 395. A denúncia ou queixa será rejeitada quando:
I - for manifestamente inepta;
II - faltar pressuposto processual ou condição para o
exercício da ação penal; ou
III - faltar justa causa para o exercício da ação penal.”
Alternativa E – incorreta.
É concorrente do ofendido, mediante queixa, e do
Ministério Público, condicionada à representação do
ofendido.
Trata-se do entendimento da súmula 714 do STF.
Vejamos:
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“Súmula 714 do STF: É concorrente a legitimidade do
ofendido, mediante queixa, e do Ministério Público,
condicionada à representação do ofendido, para a
ação penal por crime contra a honra de servidor
público em razão do exercício de suas funções.”
51
No tocante às nulidades, recursos e ações
autônomas de impugnação, assinale a alternativa
correta.
(A) Caberá recurso em sentido estrito da decisão que
receber a denúncia.
(B) Caberá apelação no prazo de 5 (cinco) dias da
sentença que pronunciar o réu.
(C) Dentro de dez dias, contados da interposição do
recurso, no sentido estrito, o recorrente oferecerá as
razões e, em seguida, será aberta vista ao recorrido por
igual prazo.
(D) Caberá apelação no prazo de 20 (vinte) dias das
sentenças definitivas de condenação ou absolvição
proferidas por juiz singular.
(E) Nos processos de contravenção, interposta a
apelação, o prazo para arrazoar será de 03 (três) dias.
Gabarito: E
COMENTÁRIO DO PROFESSOR:
Guerreiros(as), a questão versa sobre os pontos 10
Nulidades, recursos e ações autônomas de
impugnação; 11 Súmulas, jurisprudência dominante
dos Tribunais Superiores e legislação relacionada
com os temas. (Inseridos no edital após retificação).
Alternativa A – incorreta.
Conforme prevê o Código de Processo Penal, a saber:
“Art. 581. Caberá recurso, no sentido estrito, da decisão,
despacho ou sentença:
I - que não receber a denúncia ou a queixa. ”
Conforme prevê a legislação processual penal, caberá
RESE (Recurso em Sentido Estrito) da decisão que
não receber a denúncia ou queixa, e não da que receber.
Qual o recurso cabível da decisão que recebe então
professor, deve estar a se perguntar o(a) nosso(a)
membro(a) Caveira? Em situações excepcionais, os
Tribunais têm admitido a interposição de habeas corpus
para trancamento do processo.
Alternativa B – incorreta.
Da decisão que pronunciar o réu, é cabível o RESE –
Recurso em sentido Estrito.
Conforme prevê o Código de Processo Penal, que
dispõe:
“Art. 581. Caberá RECURSO, NO SENTIDO ESTRITO,
da decisão, despacho ou sentença: (...)
IV – que pronunciar o réu.”
Diante do exposto, contemplamos que o recurso cabível
contra a pronúncia é o Recurso em Sentido Estrito. Art.
581, IV, CPP: Caberá recurso, no sentido estrito, da
decisão, despacho ou sentença que pronunciar o réu.
Alternativa C – incorreta.
O prazo é de 2 (dois) dias, e não 10 (dez) dias.
Conforme prevê o Código de Processo Penal, que
assevera:
“Art. 588. Dentro de DOIS DIAS, contados da
interposição do recurso, ou do dia em que o escrivão,
extraído o traslado, o fizer com vista ao recorrente, este
oferecerá as razões e, em seguida, será aberta vista ao
recorrido por igual prazo. ”
Alternativa D – incorreta.
O prazo é de 5 (cinco) dias.
Conforme prevê o Código de Processo Penal, que
disciplina:
“Art. 593. Caberá apelação no prazo de 5 (cinco) dias:
I - das sentenças definitivas de condenação ou
absolvição proferidas por juiz singular. ”
Alternativa E – correta.
Nos moldes do disposto no Código de Processo Penal, a
saber:
“Art. 600. Assinado o termo de apelação, o apelante e,
depois dele, o apelado terão o prazo de oito dias cada um
para oferecer razões, salvo nos processos de
contravenção, em que o prazo será de TRÊS DIAS.”
52
A respeito do processo criminal de crimes comuns:
procedimento comum ordinário, sumário e
sumaríssimo, assinale a alternativa correta.
(A) O procedimento comum será sumário, quando tiver,
por objeto, crime cuja sanção máxima cominada seja
inferior a 4 (quatro) anos de pena privativa de liberdade.
(B) O procedimento comum será ordinário quando tiver,
por objeto, crime cuja sanção máxima cominada seja
inferior a 4 (quatro) anos de pena privativa de liberdade.
(C) O procedimento comum será sumário para as
infrações penais de menor potencial ofensivo, na forma
da lei.
(D) Aplica-se a todos os processos o procedimento
sumário, salvo disposições em contrário do Código de
Processo Penal ou de lei especial.
(E) Os processos que apuram a prática de crime
hediondo terão prioridade de tramitação em todas as
instâncias apenas se houver réu preso.
Gabarito: A
COMENTÁRIO DO PROFESSOR:
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Caveiras, a questão versa sobre o ponto 9 Processo
criminal de crimes comuns: procedimento comum
ordinário, sumário e sumaríssimo. (inserido após
retificação do edital).
Alternativa A – correta.
Nos exatos termos do Código de Processo Penal, que
assim dispõe:
“Art. 394 […]
§ 1º O procedimento comum será ordinário, sumário ou
sumaríssimo: (…)
II - SUMÁRIO, quando tiver por objeto crime cuja
sanção máxima cominada seja inferior a 4 (quatro)
anos de pena privativa de liberdade;
Alternativa B – incorreta.
Diverso do previsto no Código de Processo Penal, que
assevera:
“Art. 394 (…)
§ 1º O procedimento comum será ordinário, sumário ou
sumaríssimo:
I - ORDINÁRIO, quando tiver por objeto crime cuja
sanção máxima cominada for igual ou superior a 4
(quatro) anos de pena privativa de liberdade. ”
Alternativa C – incorreta.
Nesse caso, será sumaríssimo.
Vejamos:
“Art. 394 (…)
§ 1º O procedimento comum será ordinário, sumário ou
sumaríssimo: (…)
III - SUMARÍSSIMO, para as infrações penais de
menor potencial ofensivo, na forma da lei. ”
Alternativa D – incorreta.
Na realidade é o procedimento comum e não o sumário
como elencado na alternativa.
Vejamos:
“Art. 394 (...)
§ 2°. Aplica-se a todos os processos o procedimento
COMUM, salvo disposições em contrário deste Código
ou de lei especial. ”
Alternativa E – incorreta.
Vejamos o que dispõe o Código de Processo Penal:
“Art. 394-A. Os processos que apurem a prática de crime
hediondo terão prioridade de tramitação em todas as
instâncias. ”
Diante o exposto, não existe ressalva de ser somente em
casos de réu preso, sendo, portanto, o erro da alternativa.
53
De acordo com o atual Código de Processo Penal,
assinale a alternativa correta.
(A) A prisão domiciliar consiste no recolhimento do
indiciado ou acusado em sua residência ou em casa de
albergado, podendo dela ausentar-se com autorização
judicial.
(B) Não será concedida fiança nos crimes cometidos por
grupos armados, civis ou militares, contra a ordem
constitucional e o Estado Democrático.
(C) Nos crimes de tortura, a fiança só poderá ser
concedida por órgão judiciário colegiado.
(D) A autoridade policial somente poderá conceder fiança
nos casos de infração cuja pena privativa de liberdade
máxima não seja superior a três anos.
(E) Se assim recomendar a situação econômica do
preso, a fiança poderá ser reduzida em dois terços ou
suspensa, mas não dispensada.
Gabarito: B
COMENTÁRIO DO PROFESSOR:
Combatentes, a questão versa sobre o ponto 3.5
Liberdade provisória, fiança e medidas cautelares
diversas da prisão. (Inserido após retificação do
edital).
Alternativa A – incorreta.
Vejamos o que dispõe o Código de Processo Penal, a
saber:
“Art. 317 CPP: A prisão domiciliar consiste no
recolhimento do indiciado ou acusado em sua
residência, só podendo dela ausentar-se com
autorização judicial. ”
A legislação não faz menção a “casa de albergado”.
Alternativa B – correta.
Nos termos da Constituição Federal de 1988, a seguir:
“Art. 5º XLIV CF: Constitui crime inafiançável e
imprescritível a ação de grupos armados, civis ou
militares, contra a ordem constitucional e o Estado
Democrático. ”
Alternativa C – incorreta.
Vejamos o que disciplina a Carta Magna:
“Art. 5º XLIII CF: a lei considerará crimes inafiançáveis e
insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura, o
tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o
terrorismo e os definidos como crimes hediondos, por
eles respondendo os mandantes, os executores e os que,
podendo evitá-los, se omitirem. ”
Ou seja, não faz nenhuma menção à fiança ser
concedida por órgão colegiado.
Alternativa D – incorreta.
Nos termos do Código de Processo Penal, que aduz:
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“Art. 322 CPP: A autoridade policial somente poderá
conceder fiança nos casos de infração cuja pena
privativa de liberdade máxima não seja superior a 4
(quatro) anos. ”
Alternativa E – incorreta.
Vejamos o disposto na norma de regência, qual seja,
Código de Processo Penal:
“Art. 325 § 1º CPP: Se assim recomendar a situação
econômica do preso, a fiança poderá ser:
I - dispensada, na forma do art. 350 deste Código. ”
54
Acerca do inquérito policial assinale a alternativa
correta.
(A) O indiciamento é ato obrigatório para a conclusão do
inquérito policial e necessário para o oferecimento da
denúncia.
(B) Conforme entendimento mais recente do STF, é
constitucional a determinação de afastamento
automático de servidor público indiciado em inquérito
policial instaurado para apuração de crimes de lavagem
ou ocultação de bens, direitos e valores.
(C) À luz da jurisprudência sumulada do STF, uma vez
arquivado o inquérito policial, por despacho do juiz, a
requerimento do Promotor de Justiça, não pode a ação
penal ser iniciada sem novas provas
(D) Conforme prevê o código de processo penal, todas
as peças do inquérito policial serão, num só processo,
reduzidas a escrito ou digitadas e, neste caso, há
dispensa de serem todas as páginas rubricadas pela
autoridade.
(E) Quanto à suspeição, é possível sua oposição contra
o delegado de polícia nos autos do inquérito policial.
Gabarito: C
COMENTÁRIO DO PROFESSOR:
Caveiras, a questão versa sobre o ponto 1 Inquérito
policial. 1.1 Histórico, natureza, conceito, finalidade,
características, fundamento, titularidade, grau de
cognição, valor probatório, formas de instauração, notitia
criminis, delatio criminis, procedimentos investigativos,
indiciamento, garantias do investigado. 1.2 Conclusão,
prazos.
Alternativa A – incorreta.
O indiciamento não é ato obrigatório. Uma das
características do inquérito policial é sua
dispensabilidade, portanto, se todo o inquérito é
dispensável, o mesmo entendimento se aplica ao
indiciamento.
Alternativa B – incorreta.
É INCONSTITUCIONAL a determinação de afastamento
automático de servidor público indiciado em inquérito
policial instaurado para apuração de crimes de lavagem
ou ocultação de bens, direitos e valores. [...] O
afastamento do servidor somente se justifica quando ficar
demonstrado nos autos que existe risco caso ele
continue no desempenho de suas funções e que o
afastamento é medida eficaz e proporcional para se
tutelar a investigação e a própria Administração Pública.
Tais circunstâncias precisam ser apreciadas pelo Poder
Judiciário. [STF. Plenário. ADI 4911/DF, rel. orig. Min.
Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes,
julgado em 20/11/2020 (Info 1000).
Alternativa C – correta.
Vejamos:
“Súmula 524 do STF: Arquivado o inquérito policial, por
despacho do juiz, a requerimento do Promotor de Justiça,
não pode a ação penal ser iniciada, sem novas provas.
Observação!! Para a diferença:
“CPP, Art. 18. Depois de ordenado o arquivamento do
inquérito pela autoridade judiciária, por falta de base para
a denúncia, a autoridade policial poderá proceder a
novas pesquisas, se de outras provas tiver notícia. ”
Alternativa D – incorreta.
Observem o disposto no Código de Processo Penal, a
saber:
“Art. 9º. Todas as peças do inquérito policial serão, num
só processado, reduzidas a escrito ou datilografadas e,
neste caso, rubricadas pela autoridade. ”
Alternativa E – incorreta.
Vejamos o que dispõe o Código de Processo Penal:
“Art. 107. Não se poderá opor suspeição às autoridades
policiais nos atos do inquérito, mas deverão elas
declarar-se suspeitas, quando ocorrer motivolegal. ”
Legislação Especial
55
João portava arma de fogo de uso permitido em via
pública quando, ao amarrar seu calçado, ela
disparou, sem, no entanto, atingir ninguém. Devido
ao barulho provocado, a polícia foi acionada e
abordou João, localizando o armamento e
constatando que o seu registro de cautela estava
vencido.
Nessa situação hipotética, João:
(A) Deverá responder pelos crimes de porte ilegal de
arma de fogo de uso permitido e disparo de arma de fogo,
em concurso formal.
(B) Ante a atipicidade de sua conduta, não deverá ser
processado por nenhum crime.
(C) Deverá responder pelos crimes de porte ilegal de
arma de fogo de uso permitido e disparo de arma de fogo,
em concurso material.
(D) Deverá responder unicamente pelo crime de porte
ilegal de arma de fogo de uso permitido.
(E) Ante a ocorrência da consunção, deverá responder
unicamente pelo crime de disparo de arma de fogo.
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47
Gabarito: D
COMENTÁRIO DO PROFESSOR:
A) Errada. Caveira, muita atenção a esta explicação,
vamos dividir em duas partes: 1- de acordo com o
entendimento mais recente dos tribunais superiores, no
caso de (POSSE DE ARMA DE FOGO), o agente que já
procedeu ao registro da arma, a expiração do prazo é
mera irregularidade administrativa que autoriza a
apreensão do artefato e aplicação de multa. Porém, a
conduta não caracteriza ilícito penal. Todavia, O PORTE
DE ARMA DE FOGO COM REGISTRO VENCIDO
caracteriza ilícito penal.
Posse + registro vencido = mera irregularidade
administrativa
Porte + registro vencido = CRIME
2- De acordo com o Professor Rogério Sanches, o
elemento subjetivo do crime de disparo de arma de armo
de fogo é DOLO, ou seja, a vontade livre e consciente de
disparar arma de fogo ou acionar munição. No caso da
assertiva, o disparo da arma de fogo foi acidental,
portanto, o crime não será punido, haja vista a
inexistência da figura culposa no art. 15 do Estatuto do
Desarmamento. Vale destacar que se tal conduta atingir
alguém, esse agente poderá responder pelo delito de
lesão corporal culposa ou homicídio culposo.
B) Errada. Como vimos acima, o agente responderá
apenas pelo crime de porte ilegal de arma de fogo. Valos
relembrar:
A posse em residência de arma de fogo com registro
vencido é conduta atípica.
Caracteriza ilícito penal o PORTE de arma de fogo
com registro de cautela vencido.
C) Errada. Negativo, caveira. Responderá apenas pelo
porte ilegal de arma de fogo. Por outro lado, o disparo de
arma de fogo não caracterizou crime, tendo em vista a
inexistência do dolo em disparar a munição.
D) Correta. Isso mesmo, caveira. Caracteriza ilícito penal
o porte de arma de fogo com registro de cautela
vencido. Todavia, como já foi esclarecido, o crime de
disparo de arma de fogo só é punido a título de dolo.
Assim, o agente responderá unicamente pelo crime de
porte ilegal de arma de fogo.
E) Errada. Negativo!! Responderá unicamente pelo crime
de porte ilegal de arma de fogo.
56
A Lei 8.072/90, conhecida por “Lei dos Crimes
Hediondos”, tem fundamento constitucional no art. 5,
XLIII de nossa Constituição Federal e sofreu
modificações em razão do “Pacote Anticrime”, Lei
13.964/19. O critério adotado no Brasil, para se definir
se um crime é hediondo ou não, é o Critério Legal,
por meio do qual será hediondo apenas aquele que o
legislador o definir como tal, ou seja, a Lei 8.072/90
trata de “numerus clausulus” as condutas
criminosas tidas por hediondas.
Diante disso, é CORRETO afirmar:
(A) O feminicídio (art. 121, § 2º, VI), o Tráfico de
entorpecentes, o Terrorismo e a Tortura são exemplos de
crimes hediondos.
(B) O roubo qualificado pelo emprego de explosivo ou de
artefato análogo que cause perigo comum é um exemplo
de crime hediondo.
(C) Os crimes hediondos, assim definidos pela Lei
8.072/90, são insuscetíveis de anistia, graça e indulto,
sendo permitida apenas a liberdade provisória mediante
fiança.
(D) O femicídio, o aborto e o furto mediante o emprego
de explosivo.
(E) São exemplos de crimes hediondos o roubo
circunstanciado pela restrição de liberdade da vítima, o
estupro, o estupro de vulnerável e a epidemia com
resultado morte.
Gabarito: E
COMENTÁRIO DO PROFESSOR:
A) Errada. Caveira, esse é o tipo de assertiva que busca
pegar o candidato desatento, não vamos cair nessa
pegadinha. Observe: de fato o feminicídio, bem como
todos os homicídios qualificados são considerados
hediondos. Por outro lado, o Tráfico de Drogas, o
terrorismo e tortura não são crimes hediondos, mas
sim crimes equiparados à hediondo. Ou seja, a
assertiva erra ao fazer essa afirmação. A lei de crimes
hediondo possui um rol taxativo (numerus clausus),
dessa forma, só pode ser considerado hediondo o que
está previsto na Lei
8.072/90.
CF: XLIII - a lei considerará crimes inafiançáveis e
insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura, o
tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o
terrorismo e os definidos como crimes hediondos, por
eles respondendo os mandantes, os executores e os que,
podendo evitá-los, se omitirem;
B) Errada. Vamos revisar quais hipóteses que envolvam
o crime de roubo são consideradas hediondo:
Art. 1º São considerados hediondos os seguintes crimes,
todos tipificados no Decreto-Lei no 2.848, de 7 de
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48
dezembro de 1940 - Código Penal, consumados ou
tentados:
II - Roubo:
a) circunstanciado pela restrição de liberdade da vítima
(art. 157, § 2º, inciso V);
b) circunstanciado pelo emprego de arma de fogo (art.
157, § 2º-A, inciso I) ou pelo emprego de arma de fogo
de uso proibido ou restrito (art. 157, § 2º-B);
c) qualificado pelo resultado lesão corporal grave ou
morte (art. 157, § 3º).
C) Errada. Art. 2º Os crimes hediondos, a prática da
tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins e
o terrorismo são insuscetíveis de:
I - Anistia, graça e indulto;
II - Fiança.
Obs: De acordo com o entendimento do STF, a proibição
de liberdade provisória pelo legislador com base na
gravidade em abstrato é inconstitucional, cabendo ao
juiz, levando em conta as peculiaridades do caso
concreto, deliberar pela concessão, ou não, da liberdade
provisória. Portando, o magistrado diante do caso
concreto pode conceder liberdade provisória sem
fiança.
D) Errada. Caveira, não confunda: o FEMICÍDIO (é o
homicídio de uma mulher, sem ser por razões de gênero
ou pela condição de ser mulher). Por outro lado,
FEMINICÍDIO (é uma qualificadora do homicídio, quando
praticado contra a mulher por razões da condição de sexo
feminino). Portando, o único crime que é considerado
hediondo, de acordo com a Lei 8.072/90, é o furto
qualificado pelo emprego de explosivo.
Art.1]: IX - Furto qualificado pelo emprego de
explosivo ou de artefato análogo que cause perigo
comum (art. 155, § 4º-A).
Obs: é a única modalidade de furto que é considerada
hediondo.
E) Correta. Art. 1º São considerados hediondos os
seguintes crimes, todos tipificados no Decreto-Lei no
2.848, de 7 de dezembro de 1940 - Código Penal,
consumados ou tentados: (Redação dada pela Lei nº
8.930, de 1994) (Vide Lei nº 7.210, de 1984)
II - Roubo:
a) circunstanciado pela restrição de liberdade da
vítima (art. 157, § 2º, inciso V);
V - Estupro (art. 213, caput e §§ 1º e 2°);
VI - Estupro de vulnerável (art. 217-A, caput e §§ 1º,2º,
3º e 4º);
VII - Epidemia com resultado morte (art. 267, § 1º).
57
A conduta de submeter uma vítima com 61 anos de
idade, sob seu poder, com emprego de violência, a
intenso sofrimento físico, como forma de aplicar
castigo pessoal constitui:
(A) Crime de tortura qualificada.
(B) Crime de lesão corporal cumulado com maus-tratos,
previsto no estatuto do idoso.
(C) Crime de tortura com causa de aumento de pena.
(D) Crime de tortura na modalidade simples.
(E) Crime especificado no Estatuto do Idoso.
Gabarito: C
COMENTÁRIO DO PROFESSOR:
Inicialmente, vamos revisar algumas modalidades de
tortura.
Tortura-Prova ou Tortura Persecutória = constranger
alguém com o emprego de violência ou grave ameaça,
causando-lhe sofrimento físico ou mental com a
finalidade de obter informação, declaração ou confissão
da vítima ou de terceiros.
Tortura-Crime = constranger alguém com o emprego de
violência ou grave ameaça, causando-lhe sofrimento
físico ou mental para provocar ação ou omissão de
natureza criminosa.
Tortura-Discriminatória ou Tortura-Racismo =
constranger alguém com o emprego de violência ou
grave ameaça em razão de discriminação racial ou
religiosa.
Tortura-Castigo = submeter alguém, sob sua guarda,
poder ou autoridade, com o emprego de violência ou
grave ameaça, a intenso sofrimento físico ou mental,
como forma de aplicar castigo pessoal ou medida de
caráter preventivo.
A) Errada. Caveira, questão que demanda conhecimento
da letra de lei. O crime de tortura será qualificado quando
ocorrer lesão corporal de natureza grave ou gravíssima
ou quando ocorrer resultado morte. A assertiva traz uma
hipótese de causa de aumento de pena.
Art.1º: § 3º Se resulta lesão corporal de natureza grave
ou gravíssima, a pena é de reclusão de quatro a dez
anos; se resulta morte, a reclusão é de oito a dezesseis
anos.
B) Errada. Negativo, caveira. O agente responderá pelo
crime de tortura com causa de aumento de pena, previsto
na Lei 9.455/97.
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Art.1º: § 4º Aumenta-se a pena de um sexto até um
terço:
I - Se o crime é cometido por agente público;
II – Se o crime é cometido contra criança, gestante,
portador de deficiência, adolescente ou maior de 60
(sessenta) anos;
III - Se o crime é cometido mediante sequestro.
C) Correta. Art.1º: § 4º Aumenta-se a pena de um sexto
até um terço:
I - Se o crime é cometido por agente público;
II – Se o crime é cometido contra criança, gestante,
portador de deficiência, adolescente ou maior de 60
(sessenta) anos;
III - Se o crime é cometido mediante sequestro.
D) Errada. Negativo, o crime será de tortura com causa
de aumento de pena de um sexto até um terço.
E) Errada. O agente responde pelo crime de tortura, com
base na Lei 9.455/97.
Art.1º: § 4º Aumenta-se a pena de um sexto até um
terço:
I - Se o crime é cometido por agente público;
II – Se o crime é cometido contra criança, gestante,
portador de deficiência, adolescente ou maior de 60
(sessenta) anos;
III - Se o crime é cometido mediante sequestro.
58
A Lei nº 12.850/2013 define o crime de organização
criminosa e dispõe sobre a investigação criminal e os
meios de obtenção da prova. Tal diploma legal
estabelece que:
(A) A intervenção policial poderá ser retardada, mediante
ação controlada, reclamando prévia autorização judicial.
(B) A infiltração de agentes exige prévia autorização
judicial, assim como oitiva do Ministério Público em caso
de representação da autoridade policial.
(C) Poderá ser realizada colaboração premiada,
participando das negociações do acordo o juiz, o
Ministério Público e o acusado assistido por advogado.
(D) O sigilo da investigação poderá ser determinado pela
autoridade policial para garantia da celeridade e eficácia
das diligências investigatórias, impedindo, nessa
hipótese, acesso da defesa aos elementos produzidos.
(E) O crime de organização criminosa se configura
quando quatro ou mais pessoas se associam de forma
estruturada e com divisão de tarefas para a prática de
crimes que exijam pena mínima igual ou superior a quatro
anos.
Gabarito: B
COMENTÁRIO DO PROFESSOR:
A) Errada. Caveira, ação controlada é uma técnica de
investigação, a qual é postergada a ação dos órgãos
de segurança pública para intervir em um melhor
momento, e, assim, conseguir mais informações. A ação
controlada, para a sua efetivação, não necessita de
prévia autorização judicial. Porém, o juiz deverá ser
comunicado, podendo, inclusive, estabelecer limites para
a operação.
Art. 8º Consiste a ação controlada em retardar a
intervenção policial ou administrativa relativa à ação
praticada por organização criminosa ou a ela vinculada,
desde que mantida sob observação e acompanhamento
para que a medida legal se concretize no momento mais
eficaz à formação de provas e obtenção de informações.
§ 1º O retardamento da intervenção policial ou
administrativa será previamente comunicado ao juiz
competente que, se for o caso, estabelecerá os seus
limites e comunicará ao Ministério Público.
§ 2º A comunicação será sigilosamente distribuída de
forma a não conter informações que possam indicar a
operação a ser efetuada.
§ 3º Até o encerramento da diligência, o acesso aos autos
será restrito ao juiz, ao Ministério Público e ao delegado
de polícia, como forma de garantir o êxito das
investigações.
§ 4º Ao término da diligência, elaborar-se-á auto
circunstanciado acerca da ação controlada.
Art. 9º Se a ação controlada envolver transposição de
fronteiras, o retardamento da intervenção policial ou
administrativa somente poderá ocorrer com a
cooperação das autoridades dos países que figurem
como provável itinerário ou destino do investigado, de
modo a reduzir os riscos de fuga e extravio do produto,
objeto, instrumento ou proveito do crime.
B) Correta. Caveira, por se tratar de uma técnica
extremamente delicada, faz-se necessária a autorização
prévia do Juiz.
Art. 10. A infiltração de agentes de polícia em tarefas de
investigação, representada pelo delegado de polícia ou
requerida pelo Ministério Público, após manifestação
técnica do delegado de polícia quando solicitada no curso
de inquérito policial, será precedida de circunstanciada,
motivada e sigilosa autorização judicial, que estabelecerá
seus limites.
§ 1º Na hipótese de representação do delegado de
polícia, o juiz competente, antes de decidir, ouvirá o
Ministério Público.
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§ 2º Será admitida a infiltração se houver indícios de
infração penal de que trata o art. 1º e se a prova não
puder ser produzida por outros meios disponíveis.
§ 3º A infiltração será autorizada pelo prazo de até 6
(seis) meses, sem prejuízo de eventuais renovações,
desde que comprovada sua necessidade.
§ 4º Findo o prazo previsto no § 3º, o relatório
circunstanciado será apresentado ao juiz competente,
que imediatamente cientificará o Ministério Público.
§ 5º No curso do inquérito policial, o delegado de polícia
poderá determinar aos seus agentes, e o Ministério
Público poderá requisitar, a qualquer tempo, relatório da
atividade de infiltração.
C) Errada. Caveira, de acordo com Art. 4º, § 6º, O juiz
não participará das negociações realizadas entre as
partes para a formalização do acordo de colaboração,
que ocorrerá entre o delegado de polícia, o investigado e
o defensor, com a manifestação do MinistérioPúblico, ou,
conforme o caso, entre o Ministério Público e o
investigado ou acusado e seu defensor.
D) Errada. Caveira, vamos analisar o Art. 23 da lei
12.850/2013:
Art. 23. O sigilo da investigação poderá ser decretado
pela autoridade judicial competente, para garantia da
celeridade e da eficácia das diligências investigatórias,
assegurando-se ao defensor, no interesse do
representado, amplo acesso aos elementos de prova que
digam respeito ao exercício do direito de defesa,
devidamente precedido de autorização judicial,
ressalvados os referentes às diligências em andamento.
E) Errada. Vejamos abaixo o conceito de organização
criminosa para a lei 12.850/2013:
Art. 1, § 1º: Considera-se organização criminosa a
associação de 4 (quatro) ou mais pessoas
estruturalmente ordenada e caracterizada pela divisão de
tarefas, ainda que informalmente, com objetivo de obter,
direta ou indiretamente, vantagem de qualquer natureza,
mediante a prática de infrações penais cujas penas
máximas sejam superiores a 4 (quatro) anos, ou que
sejam de caráter transnacional.
59
Tendo em vista que, no processo penal, as provas
são de suma importância na busca da verdade, seja
para demonstrar ao julgador a existência da infração
penal, seja para negá-la, assinale a opção correta
acerca das provas, da interceptação telefônica e de
institutos correlatos.
(A) O juiz poderá determinar a interceptação telefônica
quando houver indícios razoáveis de autoria de crime
punido com reclusão ou detenção, desde que inexista a
possibilidade de obtenção desses indícios por outros
meios de provas.
(B) O juiz não poderá admitir que o pedido seja formulado
verbalmente, mesmo que estejam presentes os
pressupostos que autorizem a interceptação.
(C) Não comete o crime do art. 10 da Lei 9.296/96
(realizar interceptação de comunicações telefônicas, de
informática ou telemática, promover escuta ambiental ou
quebrar segredo da Justiça, sem autorização judicial ou
com objetivos não autorizados em lei) o advogado que
grava escondido o depoimento do seu cliente prestado
em procedimento de investigação criminal.
(D) Como regra, a solicitação da interceptação telefônica
será feita por escrito e, em casos excepcionais, o juiz
poderá admitir que seja formulado verbalmente e, em
ambos os casos, deverá ser decidido em 48 (quarenta e
oito) horas.
(E) é inviolável o sigilo da correspondência e das
comunicações telegráficas, de dados e das
comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por
ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei
estabelecer para fins de investigação criminal, instrução
processual penal, investigação de processo
administrativo e cível.
Gabarito: C
COMENTÁRIO DO PROFESSOR:
A) Errada. Caveira, a interceptação telefônica é um meio
de prova subsidiário, ou seja, deve ser encarada como
instrumento de ultima ratio. Não será utilizada se existir
outra medida menos invasiva para a produção de
determinada prova. Outro ponto, para a utilização da
interceptação o crime deve ser, necessariamente,
punido com reclusão.
Art. 2° Não será admitida a interceptação de
comunicações telefônicas quando ocorrer qualquer das
seguintes hipóteses:
I - Não houver indícios razoáveis da autoria ou
participação em infração penal;
II - A prova puder ser feita por outros meios disponíveis;
III - O fato investigado constituir infração penal
punida, no máximo, com pena de detenção.
B) Errada. Caveira, em regra, o pedido será feito por
escrito e conterá a demonstração de que a sua realização
é necessária à apuração de infração penal, com
indicação dos meios a serem empregados. Todavia,
excepcionalmente, o juiz poderá admitir que o pedido
seja formulado verbalmente, desde que estejam
presentes os pressupostos que autorizem a
interceptação, caso em que a concessão será
condicionada à sua redução a termo.
Art. 4° O pedido de interceptação de comunicação
telefônica conterá a demonstração de que a sua
realização é necessária à apuração de infração penal,
com indicação dos meios a serem empregados.
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§ 1° Excepcionalmente, o juiz poderá admitir que o
pedido seja formulado verbalmente, desde que
estejam presentes os pressupostos que autorizem a
interceptação, caso em que a concessão será
condicionada à sua redução a termo.
C) Correta. Isso mesmo, caveira. De acordo com o
entendimento do STJ, embora não se afigure ética e
moralmente louvável a realização de gravação
clandestina, contrária às diretrizes preconizadas pela
autoridade incumbida para o ato, a realidade é que,
nessa conjuntura, não se revelou ilegal, muito menos
criminosa a ação do advogado. (HC n. 662.690/RJ,
relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado
em 17/5/2022, DJe de 19/5/2022.). fonte: dizer o direito.
D) Errada. O Juiz tem um prazo de 24 horas para decidir
sobre o pedido.
Art. 3° A interceptação das comunicações telefônicas
poderá ser determinada pelo juiz, de ofício ou a
requerimento:
I - Da autoridade policial, na investigação criminal;
II - Do representante do Ministério Público, na
investigação criminal e na instrução processual penal.
Art. 4° O pedido de interceptação de comunicação
telefônica conterá a demonstração de que a sua
realização é necessária à apuração de infração penal,
com indicação dos meios a serem empregados.
§ 1° Excepcionalmente, o juiz poderá admitir que o
pedido seja formulado verbalmente, desde que estejam
presentes os pressupostos que autorizem a
interceptação, caso em que a concessão será
condicionada à sua redução a termo.
§ 2° O juiz, no prazo máximo de vinte e quatro horas,
decidirá sobre o pedido.
E) Errada. Negativo, caveira. A interceptação telefônica
é limitada pelo texto constitucional, uma vez que ele só
poderá autorizar a escuta para fins de investigação
criminal ou instrução penal. Assim, caso ocorra uma
autorização judicial para interceptação telefônica
destinada a viabilizar uma investigação administrativa ou
civil (em um processo administrativo disciplinar ou numa
ação de improbidade administrativa, por exemplo), será
flagrantemente inconstitucional.
60
A respeito da Lei de Improbidade Administrativa (Lei
nº 8.429/1992), analise as assertivas e assinale a
alternativa que aponta as corretas.
I. O agente público que frustra a licitude de concurso
público está sujeito às cominações dos atos de
improbidade administrativa que atentam contra os
princípios da Administração Pública.
II. Será punido, com pena de suspensão, o agente
público que se recusar a prestar declaração dos bens
dentro do prazo determinado.
III. A perda da função pública e a suspensão dos
direitos políticos só se efetivam com o trânsito em
julgado da sentença condenatória.
IV. De acordo com as recentes novidades, para
configurar ato de improbidade administrativa, faz-se
necessário o dolo específico.
(A) Apenas I e IV.
(B) Apenas II e III.
(C) Apenas I, II e III.
(D) Apenas I, III e IV.
(E) Apenas II, III e IV.
Gabarito: D
COMENTÁRIO DO PROFESSOR:
Caveira, a leitura dos artigos 9º, 10, 11, 12 e 13 são
obrigatórias, mais de 70% das questões de improbidade
administrativas vão cobrar esses artigos. Dito isto, vamos
analisar as assertivas.
Item I (Correto). Art. 11. Constitui ato de improbidade
administrativa que atenta contra os princípios da
administração pública a ação ou omissão dolosa que
viole os deveres de honestidade, de imparcialidade e de
legalidade, caracterizada por uma das seguintes
condutas:
V - Frustrar, em ofensa à imparcialidade, o caráter
concorrencial de concurso público, de chamamento ou
de procedimento licitatório, com vistas à obtenção de
benefício próprio,direto ou indireto, ou de terceiros;
(Redação dada pela Lei nº 14.230, de 2021)
Item II (Errado). Caveira, nesse caso, a pena será de
DEMISSÃO.
Art. 13. A posse e o exercício de agente público ficam
condicionados à apresentação de declaração de imposto
de renda e proventos de qualquer natureza, que tenha
sido apresentada à Secretaria Especial da Receita
Federal do Brasil, a fim de ser arquivada no serviço de
pessoal competente.
§ 3º Será apenado com a pena de demissão, sem
prejuízo de outras sanções cabíveis, o agente público
que se recusar a prestar a declaração dos bens a que se
refere o caput deste artigo dentro do prazo determinado
ou que prestar declaração falsa.
Item III (Correto). Caveira, de acordo com o art.20 da Lei
8.429/92, a perda da função pública e a suspensão
dos direitos políticos só se efetivam com o trânsito em
julgado da sentença condenatória.
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Item IV (Correto). Isso mesmo, caveira. Há necessidade
de dolo específico para configuração da improbidade, o
que importou na superação da jurisprudência do STJ,
que se contentava com o dolo genérico. Outro ponto
importante é que não é mais possível o cometimento de
improbidade administrativa de forma culposa. Agora,
mesmo as condutas que importem em prejuízo ao erário,
só poderão ser punidas a título de dolo.
61
Ivo foi preso em flagrante pela prática de delito de
roubo com emprego de arma de fogo. Mesmo após
24 horas do flagrante, e sem qualquer justificativa, a
autoridade policial (com animus abutendi) ainda não
havia feito a necessária comunicação da prisão em
flagrante à autoridade judiciária. Nessa hipótese, é
correto afirmar que:
(A) A atitude da autoridade policial configura crime
previsto na lei de abuso de autoridade; crime omissivo
próprio que inadmite tentativa, consumando-se com a
mera omissão.
(B) A atitude da autoridade policial configura crime
previsto na lei de abuso de autoridade, mas na
modalidade tentada, pois o prazo para a comunicação da
prisão ainda não expirou com as 24 horas.
(C) A autoridade policial não praticou crime algum, mas a
prisão em flagrante será considerada ilegal e, portanto,
deverá ser imediatamente relaxada.
(D) A autoridade policial não praticou crime algum, mas
será possível ao defensor de Ivo entrar com pedido de
habeas corpus em virtude da ilegalidade da prisão.
(E) A autoridade policial praticou crime de
constrangimento ilegal e cárcere privado; além disso, a
prisão será considerada ilegal e poderá anular todo o
processo.
Gabarito: A
COMENTÁRIO DO PROFESSOR:
A) Correta. Caveira, animus abutendi é uma expressão
em latim, que significa (dolo de abusar). Dito isso, vamos
dividir a explicação em duas partes. 1- Primeiramente, a
questão cobrou conhecimento do crime de abuso de
autoridade previsto no art.12 da Lei 13.86910, vejamos
abaixo:
Art. 12. Deixar injustificadamente de comunicar
prisão em flagrante à autoridade judiciária no prazo
legal: (A comunicação da prisão em flagrante deve
ocorrer imediatamente).
Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e
multa.
Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem:
I - Deixa de comunicar, imediatamente, a execução de
prisão temporária ou preventiva à autoridade
judiciária que a decretou;
II - Deixa de comunicar, imediatamente, a prisão de
qualquer pessoa e o local onde se encontra à sua família
ou à pessoa por ela indicada;
III - Deixa de entregar ao preso, no prazo de 24 (vinte e
quatro) horas, a nota de culpa, assinada pela autoridade,
com o motivo da prisão e os nomes do condutor e das
testemunhas;
IV - Prolonga a execução de pena privativa de liberdade,
de prisão temporária, de prisão preventiva, de medida de
segurança ou de internação, deixando, sem motivo justo
e excepcionalíssimo, de executar o alvará de soltura
imediatamente após recebido ou de promover a soltura
do preso quando esgotado o prazo judicial ou legal.
2- Trata-se de um crime omissivo próprio ou puro, ou
seja, a omissão está expressa no tipo penal, portanto, é
inadmissível a figura tentada. A consumação ocorre com
a simples omissão.
B) Errada. Caveira, vamos revisar os crimes que não
admitem tentativa:
1- Crimes culposos: não cabe tentativa, pois não há
dolo, são praticados devido a imprudência, negligência
ou imperícia, (não se pode tentar aquilo que não se
quer).
2- Crimes habituais: não cabe, pois se exige uma
conduta reiterada para que este crime se consume
(habitualidade).
3- Crimes omissivos próprios: não cabe tentativa, pois
o crime se consuma no momento exato da omissão.
4.- Crimes Unissubisistentes: não cabe tentativa, pois
não há como fracionar o “iter criminis” (não tem como
fracionar o crime).
5.- Crimes preterdolosos: não cabe, pois, essa
modalidade de crime prevê dolo no antecedente e culpa
no consequente, (ex: tortura seguida de morte, se há
culpa no resultado mais gravoso não há que se falar em
crime tentado).
6- Contravenções penais: é possível a tentativa nesse
caso, mas ela não é punida por ser considerado um crime
anão.
7- Crimes de atentado: não cabe tentativa, pois nesse
caso a tentativa é punida como se o crime já houvesse
sido praticado.
Fonte: jus.com.br
C) Errada. Caveira, a prisão em flagrante foi legal, todavia
a autoridade policial cometeu crime de abuso de
autoridade, pois, de forma injustificada, deixou de
comunicar imediatamente a prisão ao Juiz.
D) Errada. Como já vimos acima, autoridade policial
cometeu crime de abuso de autoridade.
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E) Errada. Negativo, trata-se de um crime previsto na lei
de abuso de autoridade:
Art. 12. Deixar injustificadamente de comunicar
prisão em flagrante à autoridade judiciária no prazo
legal: (A comunicação da prisão em flagrante deve
ocorrer imediatamente).
Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e
multa.
62
Assinale a opção correta à luz da Lei n. º 11.343/2006
(Lei de Drogas), do CP, do CPP e da jurisprudência
dos Tribunais Superiores.
(A) Incide a causa de aumento de pena do art. 40, III, da
Lei de Drogas se o crime foi praticado nas proximidades
de escola fechada em razão da COVID-19.
(B) A denúncia anônima da prática de tráfico de drogas
somada à fuga do acusado, por si sós, autorizam o
ingresso policial no domicílio do acusado.
(C) O agente condenado por tráfico de drogas, que nega
a prática desse crime, mas admite a posse ou a
propriedade da droga para uso próprio, faz jus ao
reconhecimento da atenuante da confissão.
(D) Não se admite a substituição das penas privativas de
liberdade por restritivas de direitos nas condenações por
tráfico de drogas.
(E) A concessão de prisão domiciliar às genitoras de
menores de até 12 anos incompletos é legalmente
presumida, não estando condicionada à comprovação da
imprescindibilidade dos cuidados maternos.
Gabarito: E
COMENTÁRIO DO PROFESSOR:
A) Errada. Caveira, de forma resumida, a razão de ser da
causa de aumento de pena prevista no inciso III do art.
40 da Lei n. 11.343/2006 é a de punir, com maior rigor,
aquele que, nas imediações ou nas dependências dos
locais a que se refere o dispositivo, dada a maior
aglomeração de pessoas, tem como mais ágil e facilitada
a prática do tráfico de drogas. Como as escolas estavam
fechadas, não houve uma maximização do risco exposto
àqueles que frequentam a escola (alunos, pais,
professores, funcionários em geral), deve,
excepcionalmente, emrazão das peculiaridades do caso
concreto, ser afastada a incidência da referida majorante.
(AgRg no HC n. 728.750/DF, relator Ministro Rogerio
Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe de 19/5/2022.)
B) Errada. Negativo, caveira. Vejamos o informativo 666
do STJ: a denúncia anônima da prática de tráfico de
drogas somada à fuga do acusado, por si sós, não
autorizam o ingresso policial no domicílio do acusado
C) Errada. Caveira, de acordo com o a Súmula 630 do
STJ, para ter direito à atenuante da confissão, faz-se
necessário o reconhecimento da traficância.
Súmula 630 do STJ: “A incidência da atenuante da
confissão espontânea no crime de tráfico ilícito de
entorpecentes exige o reconhecimento da traficância
pelo acusado, não bastando a mera admissão da posse
ou propriedade para uso próprio”.
D) Errada. O Superior Tribunal Federal julgou
inconstitucional a vedação à substituição da pena
privativa de liberdade pela pena restritiva de direitos
prevista no art. 33, §4º da Lei 11.343/2006. De acordo
com o entendimento do STF, tal dispositivo viola o
princípio da individualização da pena.
E) Correta. Caveira, o Código de Processo Penal, em seu
artigo 318, diz que o Juiz poderá substituir a prisão
preventiva pela domiciliar quando a agente for mulher
com filho de até 12 (doze) anos de idade incompletos.
Por razões humanitárias e para proteção integral da
criança, é cabível a concessão de prisão domiciliar a
genitoras de menores de até 12 anos incompletos, nos
termos do art. 318, V, do CPP, desde que (a) não se trate
de crime cometido com violência ou grave ameaça, (b)
não tenha sido praticado contra os próprios filhos e (c)
não esteja presente situação excepcional a contraindicar
a medida. Conforme art. 318, V, do CPP, a concessão
de prisão domiciliar às genitoras de menores de até
12 anos incompletos não está condicionada à
comprovação da imprescindibilidade dos cuidados
maternos, que é legalmente presumida. (AgRg no HC
n. 731.648/SC, relator Ministro Joel Ilan Paciornik,
relator para acórdão Ministro João Otávio de
Noronha, Quinta Turma, julgado em 7/6/2022, DJe de
23/6/2022.) Fonte: dizer o direito.
63
Considerando as recentes alterações legislativas,
assinale a alternativa incorreta sobre a Lei de
Execução Penal.
(A) O cometimento de falta grave durante a execução da
pena privativa de liberdade interrompe o prazo para a
obtenção da progressão no regime de cumprimento da
pena, caso em que o reinício da contagem do requisito
objetivo terá como base a pena remanescente.
(B) O bom comportamento é readquirido após 1 (um) ano
da ocorrência do fato, ou antes, após o cumprimento do
requisito temporal exigível para a obtenção do direito.
(C) Os condenados que cumprem pena em regime
fechado ou semiaberto e os presos provisórios poderão
obter permissão para sair do estabelecimento, mediante
escolta, quando ocorrer falecimento ou doença grave do
cônjuge, companheira, ascendente, descendente ou
irmão.
(D) As sanções disciplinares de advertência verbal,
repreensão e inclusão no regime disciplinar diferenciado
serão aplicadas por ato motivado do diretor do
estabelecimento.
(E) A Casa do Albergado destina-se ao cumprimento de
pena privativa de liberdade, em regime aberto, e da pena
de limitação de fim de semana.
Gabarito: D
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54
COMENTÁRIO DO PROFESSOR:
A banca instituto AOCP vem mudando um pouco o seu
perfil, todavia, ela não abandou as questões que cobram
letra de lei. Fique atento (a).
A) Correta.Art.112: § 6º O cometimento de falta grave
durante a execução da pena privativa de liberdade
interrompe o prazo para a obtenção da progressão no
regime de cumprimento da pena, caso em que o reinício
da contagem do requisito objetivo terá como base a pena
remanescente.
B) Correta. Art.112, § 7º O bom comportamento é
readquirido após 1 (um) ano da ocorrência do fato, ou
antes, após o cumprimento do requisito temporal exigível
para a obtenção do direito.
C) Correta. Art. 120. Os condenados que cumprem pena
em regime fechado ou semiaberto e os presos
provisórios poderão obter permissão para sair do
estabelecimento, mediante escolta, quando ocorrer um
dos seguintes fatos:
I - Falecimento ou doença grave do cônjuge,
companheira, ascendente, descendente ou irmão;
II - Necessidade de tratamento médico (parágrafo único
do artigo 14).
Parágrafo único. A permissão de saída será concedida
pelo diretor do estabelecimento onde se encontra o
preso.
Art. 121. A permanência do preso fora do
estabelecimento terá a duração necessária à finalidade
da saída.
D) Errada (Gabarito). Caveira, a sanção de regime
disciplinar diferenciado, conhecido como (RDD) será
aplicado por prévio e fundamentado despacho do juiz
competente. Vejamos abaixo:
Art. 53. Constituem sanções disciplinares:
I - Advertência verbal;
II - Repreensão;
III - Suspensão ou restrição de direitos (artigo 41,
parágrafo único);
IV - Isolamento na própria cela, ou em local adequado,
nos estabelecimentos que possuam alojamento coletivo,
observado o disposto no artigo 88 desta Lei.
V - Inclusão no regime disciplinar diferenciado.
art. 54. As sanções dos incisos I a IV do art. 53 serão
aplicadas por ato motivado do diretor do
estabelecimento e a do inciso V, por prévio e
fundamentado despacho do juiz competente.
E) Correta. Art. 93. A Casa do Albergado destina-se ao
cumprimento de pena privativa de liberdade, em
regime aberto, e da pena de limitação de fim de
semana.
Art. 94. O prédio deverá situar-se em centro urbano,
separado dos demais estabelecimentos, e caracterizar-
se pela ausência de obstáculos físicos contra a fuga.
Art. 95. Em cada região haverá, pelo menos, uma Casa
do Albergado, a qual deverá conter, além dos aposentos
para acomodar os presos, local adequado para cursos e
palestras.
Parágrafo único. O estabelecimento terá instalações para
os serviços de fiscalização e orientação dos condenados.
64
De acordo com a Lei nº 11.340/2006 - Lei Maria da
Penha, analise os itens abaixo:
I. É constitucional o art. 12-C da Lei Maria da Penha
que autoriza, em algumas hipóteses, a aplicação,
pela autoridade policial, de medida protetiva de
urgência em favor da mulher.
II. Afasta-se a incidência da Lei Maria da Penha na
violência ocorrida em relações homoafetivas se o
sujeito ativo é uma mulher.
III. Ação no crime de lesão corporal leve é pública
incondicionada à representação, enquanto o crime
de ameaça é de ação pública condicionada à
representação.
Está(ão) CORRETO(S):
(A) Somente o item I.
(B) Somente o item II.
(C) Somente o item III.
(D) Somente os itens I e III.
(E) Todos os itens estão corretos.
Gabarito: D
COMENTÁRIO DO PROFESSOR:
Item I (Correto). Caveira, o plenário do STF, por
unanimidade, declarou constitucionais dispositivos da lei
Maria da Penha que autorizam autoridade policial
(delegados e policiais) a afastar o suposto agressor do
domicílio ou de lugar de convivência com a vítima quando
verificada a existência de risco à vida ou à integridade da
mulher.
Art. 12-C. Verificada a existência de risco atual ou
iminente à vida ou à integridade física ou psicológica da
mulher em situação de violência doméstica e familiar, ou
de seus dependentes, o agressor será imediatamente
afastado do lar, domicílio ou local de convivência com a
ofendida:
I - Pela autoridade judicial;
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II - Pelo delegado de polícia,quando o Município não
for sede de comarca; ou
III - pelo policial, quando o Município não for sede de
comarca e não houver delegado disponível no momento
da denúncia.
§ 1º Nas hipóteses dos incisos II e III do caput deste
artigo, o juiz será comunicado no prazo máximo de 24
(vinte e quatro) horas e decidirá, em igual prazo, sobre a
manutenção ou a revogação da medida aplicada,
devendo dar ciência ao Ministério Público
concomitantemente.
§ 2º Nos casos de risco à integridade física da ofendida
ou à efetividade da medida protetiva de urgência, não
será concedida liberdade provisória ao preso.
Fonte:link:https://www.migalhas.com.br/quentes/362221
/stf-policiais-podem-determinar-medida-protetiva-na-lei-
maria-da-penha
Item II (Errado). Negativo, caveira. Para incidir a lei Maria
da Penha, o sujeito passivo (vítima) deve,
necessariamente, ser mulher, independente se o
sujeito ativo (agressor) for homem ou mulher.
Obs: quando o sujeito ativo for a mulher estamos diante
de uma presunção relativa de vulnerabilidade da mulher,
ou seja, deve ser analisado no caso concreto a situação
de vulnerabilidade da mulher.
Item III (Correto). Isso mesmo, caveira, a ação penal nos
crimes de lesão corporal leve cometidos em detrimento
da mulher, no âmbito doméstico e familiar, é pública
incondicionada. Essa foi a tese fixada pela 3ª seção do
STJ. Por outro lado, o crime de ameaça é de ação
pública condicionada à representação.
65
De acordo com a Lei nº 8.137/90, assinale a
alternativa correta.
(A) O agente que omitir informação, ou prestar
declaração falsa às autoridades fazendárias estará
sujeito a uma pena de detenção de 1 (um) a 3 (três) anos,
e multa.
(B) O agente que negar ou deixar de fornecer, quando
obrigatório, nota fiscal ou documento equivalente, relativa
à venda de mercadoria ou prestação de serviço,
efetivamente realizada, ou fornecê-la em desacordo com
a legislação estará sujeito uma pena de reclusão de 1 a
4 anos, apenas.
(C) São circunstâncias que podem agravar de 1/3 (um
terço) até a metade: ocasionar grave dano à coletividade;
ser o crime cometido por servidor público no exercício de
suas funções; ser o crime praticado em relação à
prestação de serviços ou ao comércio de bens essenciais
à vida ou à saúde.
(D) O agente que fizer declaração falsa ou omitir
declaração sobre rendas, bens ou fatos, ou empregar
outra fraude, para eximir-se, total ou parcialmente, de
pagamento de tributo estará sujeito a pena de prisão
simples e multa.
(E) O agente que deixar de recolher, no prazo legal, valor
de tributo ou de contribuição social, descontado ou
cobrado, na qualidade de sujeito passivo de obrigação e
que deveria recolher aos cofres públicos estará sujeito,
unicamente, a pena de multa.
Gabarito: C
COMENTÁRIO DO PROFESSOR:
A) Errada. Art. 1° Constitui crime contra a ordem tributária
suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e
qualquer acessório, mediante as seguintes condutas:
(Vide Lei nº 9.964, de 10.4.2000)
I - omitir informação, ou prestar declaração falsa às
autoridades fazendárias;
Pena - reclusão de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa.
B) Errada. Art. 1° Constitui crime contra a ordem tributária
suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e
qualquer acessório, mediante as seguintes condutas:
V - Negar ou deixar de fornecer, quando obrigatório, nota
fiscal ou documento equivalente, relativa a venda de
mercadoria ou prestação de serviço, efetivamente
realizada, ou fornecê-la em desacordo com a legislação.
Pena - reclusão de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa.
C) Correta. Art. 12. São circunstâncias que podem
agravar de 1/3 (um terço) até a metade as penas
previstas nos arts. 1°, 2° e 4° a 7°:
I - Ocasionar grave dano à coletividade;
II - Ser o crime cometido por servidor público no exercício
de suas funções;
III - Ser o crime praticado em relação à prestação de
serviços ou ao comércio de bens essenciais à vida ou à
saúde
D) Errada. Art. 2° Constitui crime da mesma natureza:
(Vide Lei nº 9.964, de 10.4.2000)
I - fazer declaração falsa ou omitir declaração sobre
rendas, bens ou fatos, ou empregar outra fraude, para
eximir-se, total ou parcialmente, de pagamento de tributo;
Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e
multa.
E) Errada. Art. 2° Constitui crime da mesma natureza:
(Vide Lei nº 9.964, de 10.4.2000)
II - Deixar de recolher, no prazo legal, valor de tributo ou
de contribuição social, descontado ou cobrado, na
qualidade de sujeito passivo de obrigação e que deveria
recolher aos cofres públicos;
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Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e
multa.
Noções de Criminalística
66
Acerca das noções de criminalística, assinale a
alternativa incorreta.
(A) Um dos objetivos da Criminalística é dar a
materialidade do fato típico, constatando a ocorrência do
ilícito.
(B) A Criminalística surgiu a partir dos trabalhos
desenvolvidos pela Medicina Legal nos séculos
passados.
(C) Francis Galton é considerado o pai da criminalística.
(D) A Criminalística tem por objetivo o reconhecimento e
a interpretação dos indícios materiais extrínsecos.
(E) A Criminalística tem por objetivo indicar a autoria do
delito, quando possível.
Gabarito: C
COMENTÁRIO DO PROFESSOR:
Caveiras, a questão versa sobre os pontos 1 Histórico e
doutrina da Criminalística; 2. Postulados da
criminalística; 3. Noções e princípios da Criminalística;
Alternativa A – correta.
Os objetivos da criminalística como ciências são: dar a
materialidade do fato típico, constatando a ocorrência do
ilícito penal; verificar os meios e os modos como foi
praticado um delito, visando fornecer a dinâmica do
fenômeno; indicar a autoria do delito, quando possível;
elaborar a prova técnica, através da indiciologia material.
Alternativa B – correta.
A Criminalística é uma disciplina nova que surgiu a partir
dos trabalhos desenvolvidos pela Medicina Legal nos
séculos passados.
Nos primórdios da fase técnico-científica, a partir do
século XIX, cabia à Medicina Legal, além dos exames de
integridade física do corpo humano, toda a pesquisa,
busca e demonstração de outros elementos relacionados
com a materialidade do fato penal, como o exame dos
instrumentos do crime e demais evidências extrínsecas
ao corpo humano.
Com o advento de novos conhecimentos e
desenvolvimento das áreas técnicas, como física,
química, biologia, matemática, toxicologia etc, tornou-se
necessidade real a criação de uma nova disciplina para a
pesquisa, análise, interpretação dos vestígios materiais
encontrados em locais de crime, tornando-se, assim,
fonte imperiosa de apoio à polícia e à justiça.
Alternativa C – incorreta.
Na realidade, o nome Criminalística foi adotado pela
primeira vez por Hans Gross, considerado o pai da
criminalística.
O Autor é reconhecido como o pai da Criminalística no
mundo, publicou o livro Manual Prático de Instruções
Jurídicas, que deu início ao estudo do sistema de
Criminalística, no qual as ciências naturais e as artes
eram usadas para a elucidação de crimes.
Alternativa D – correta.
De acordo JOSÉ DEL PICCHIA (1947) - Disciplina que
tem por objetivo o reconhecimento e interpretação dos
indícios materiais extrínsecos, relativos ao crime ou à
identidade do criminoso.
Os exames dos vestígios intrínsecos (na pessoa) são da
alçada da Medicina Legal;
Logo, a Criminalística é a disciplina que tem como
objetivo o reconhecimento e a interpretação dos indícios
materiais extrínsecos, relativos ao crime ou à identidade
do criminoso.
Alternativa E – correta.
Criminalística é uma ciênciaque tem por objetivos:
dar a materialidade do fato típico, constatando a
ocorrência do ilícito penal; verificar os meios e os modos
como foi praticado um delito, visando fornecer a dinâmica
do fenômeno; O reconhecimento e a interpretação dos
indícios materiais extrínsecos; indicar a autoria do
delito, quando possível; Interpretar os elementos que
conduzam à identificação do agente; elaborar a prova
técnica, através da indiciologia material.
67
Concernente à cadeia de custódia, assinale a
alternativa correta.
(A) Vestígio é toda circunstância já conhecida, provada e
documentada pela perícia criminal.
(B) O procedimento de distinguir os elementos que
tenham potencial relevância para a produção pericial é
uma etapa do isolamento do local de crime.
(C) O ambiente fechado que sofre alterações por
interferência externa é considerado mediato e idôneo.
(D) O poder judiciário deverá ser o responsável por
documentar formalmente e detalhar os vestígios
coletados no local do crime.
(E) O perito oficial será o responsável por coletar os
vestígios e fazer o encaminhamento necessário à central
de custódia, mesmo quando for necessária a realização
de exames complementares.
Gabarito: E
COMENTÁRIO DO PROFESSOR:
Caveiras, a questão versa sobre o ponto 5. Métodos da
Criminalística; 6. Corpo de Delito: conceito; 7.
Classificação dos locais de crime: 7.1. Quanto à natureza
do fato; 7.2. Quanto à natureza da área: local de crime
interno e local de crime externo; 7.3. Quanto à divisão:
local mediato, imediato e relacionado; 7.4. Quanto à
preservação: idôneo e inidôneo; 7.5. Isolamento de local.
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Alternativa A – incorreta.
O vestígio é considerado como todo objeto ou material,
visível ou latente, recolhido que se relaciona com o crime.
Art. 158-A, §3º do CPP. Vejamos:
“Art. 158-A. Considera-se cadeia de custódia o conjunto
de todos os procedimentos utilizados para manter e
documentar a história cronológica do vestígio coletado
em locais ou em vítimas de crimes, para rastrear sua
posse e manuseio a partir de seu reconhecimento até o
descarte. (...)
§ 3º Vestígio é todo objeto ou material bruto, visível
ou latente, constatado ou recolhido, que se relaciona
à infração penal.”
Alternativa B – incorreta.
É considerada a etapa de reconhecimento o ato de
distinguir elementos para produção da prova pericial. Art.
158-B, I do CPP. Vejamos:
“Art. 158-B. A cadeia de custódia compreende o
rastreamento do vestígio nas seguintes etapas:
I - reconhecimento: ato de distinguir um elemento como
de potencial interesse para a produção da prova pericial;
”
Alternativa C – incorreta.
O ambiente que sofre alterações e interferências
adjacentes é considerado inidôneo.
Alternativa D – incorreta.
O procedimento na esfera judicial é responsável pelo
julgamento das provas que serão dependentes da fase
investigatória.
Alternativa E – correta.
O item corresponde a dicção do art. 158-C do CPP, o qual
explica que a coleta dos elementos materiais deve ser,
preferencialmente, realizada por perito oficial
(concursado e com diploma). Vejamos:
“Art. 158-C. A coleta dos vestígios deverá ser realizada
preferencialmente por perito oficial, que dará o
encaminhamento necessário para a central de custódia,
mesmo quando for necessária a realização de exames
complementares.”
68
Acerca da cadeia de custódia, assinale a alternativa
correta.
(A) O início da cadeia de custódia dá-se com a
preservação do local de crime ou com procedimentos
policiais ou periciais nos quais sejam detectadas a
existência de vestígio.
(B) O agente público que reconhecer um elemento como
de potencial interesse para a produção da prova pericial
deverá entregá-lo para as autoridades competentes.
(C) Considera-se cadeia de custódia o conjunto de todos
os procedimentos utilizados para manter e documentar a
história cronológica do vestígio coletado em locais ou em
vítimas de crimes, mas não para rastrear sua posse e
manuseio.
(D) A etapa de isolamento consiste em distinguir um
elemento como de potencial interesse para a produção
da prova pericial.
(E) A etapa de fixação consiste em recolher o vestígio
que será submetido à análise pericial, respeitando suas
características e natureza.
Gabarito: A
COMENTÁRIO DO PROFESSOR:
Combatentes, a questão versa sobre o ponto 5. Métodos
da Criminalística; 6. Corpo de Delito: conceito; 7.
Classificação dos locais de crime: 7.1. Quanto à natureza
do fato; 7.2. Quanto à natureza da área: local de crime
interno e local de crime externo; 7.3. Quanto à divisão:
local mediato, imediato e relacionado; 7.4. Quanto à
preservação: idôneo e inidôneo; 7.5. Isolamento de
local.
Alternativa A – correta.
De fato, o início da cadeia de custódia dá-se com a
preservação do local de crime ou com procedimentos
policiais ou periciais nos quais sejam detectadas a
existência de vestígio, conforme art. 158-A, §1º, CPP.
Vejamos:
“Art. 158-A. Considera-se cadeia de custódia o conjunto
de todos os procedimentos utilizados para manter e
documentar a história cronológica do vestígio coletado
em locais ou em vítimas de crimes, para rastrear sua
posse e manuseio a partir de seu reconhecimento até o
descarte.
§ 1º O início da cadeia de custódia dá-se com a
preservação do local de crime ou com procedimentos
policiais ou periciais nos quais seja detectada a
existência de vestígio.”
Alternativa B – incorreta.
O agente público que reconhecer um elemento como de
potencial interesse para a produção da prova pericial fica
responsável por sua preservação, conforme art. 158-A,
§2º, CPP. Vejamos:
“Art. 158-A. Considera-se cadeia de custódia o conjunto
de todos os procedimentos utilizados para manter e
documentar a história cronológica do vestígio coletado
em locais ou em vítimas de crimes, para rastrear sua
posse e manuseio a partir de seu reconhecimento até o
descarte. (...)
§ 2º O agente público que reconhecer um elemento como
de potencial interesse para a produção da prova pericial
fica responsável por sua preservação.”
Alternativa C – incorreta.
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Cadeia de custódia consiste no conjunto de todos os
procedimentos utilizados para manter e documentar a
história cronológica do vestígio coletado em locais ou em
vítimas de crimes, inclusive para rastrear sua posse e
manuseio a partir de seu reconhecimento até o descarte,
conforme art. 158-A do CPP, a seguir:
“Art. 158-A. Considera-se cadeia de custódia o conjunto
de todos os procedimentos utilizados para manter e
documentar a história cronológica do vestígio coletado
em locais ou em vítimas de crimes, para rastrear sua
posse e manuseio a partir de seu reconhecimento até o
descarte. ”
Alternativa D – incorreta.
Na verdade, na etapa de reconhecimento deve-se
distinguir um elemento como de potencial interesse para
a produção da prova pericial, conforme art. 158-B, I, do
CPP, que assevera:
“Art. 158-B. A cadeia de custódia compreende o
rastreamento do vestígio nas seguintes etapas:
(Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
I - reconhecimento: ato de distinguir um elemento como
de potencial interesse para a produção da prova pericial;
”
Alternativa E – incorreta.
Na realidade, na etapa de coleta deve-se recolher o
vestígio que será submetido à análise pericial,
respeitando suas características e natureza, conforme
art. 158-B, IV, do CPP, que aduz:
“Art. 158-B. A cadeia de custódia compreendeo
rastreamento do vestígio nas seguintes etapas: (...)
IV - coleta: ato de recolher o vestígio que será submetido
à análise pericial, respeitando suas características e
natureza;”
69
Sobre locais do crime e suas classificações, analise
as assertivas abaixo.
I. Local preservado: Quando os indícios foram
preservados desde a ocorrência dos fatos até o
completo registro.
II. Local relacionado: Quando duas áreas se
associam ou se completam na configuração do
delito.
III. Local mediato: É considerado o local
propriamente dito, ou seja, o local onde ocorreu o
fato e comumente se encontra o corpo da vítima.
Com base nas informações, assinale a alternativa
correta.
(A) Apenas a I está correta.
(B) Apenas a I e a II estão corretas.
(C) Apenas a I e a III estão corretas.
(D) Apenas a II e a III estão corretas.
(E) Apenas a III está correta.
Gabarito: B
COMENTÁRIO DO PROFESSOR:
Caveiras, a questão aborda o ponto 7. Classificação dos
locais de crime: 7.1. Quanto à natureza do fato; 7.2.
Quanto à natureza da área: local de crime interno e local
de crime externo; 7.3. Quanto à divisão: local mediato,
imediato e relacionado; 7.4. Quanto à preservação:
idôneo e inidôneo; 7.5. Isolamento de local.
Vejamos os argumentos das assertivas:
A assertiva I está correta. Local idôneo, preservado ou
não violado é aquele no qual os peritos encontram os
vestígios da mesma forma que foram deixados na ação
delituosa.
A assertiva II está correta. Local relacionado é aquele
que tem relação do mesmo fato em outros locais.
A assertiva III está errada. O local mediato compreende
as adjacências da área reservada ao ambiente imediato,
ou seja, toda área além da demarcada como área
imediata.
Para acréscimo de conhecimento, observemos:
O local de crime pode ser definido como sendo uma área
física onde ocorreu um fato esclarecido, ou não, até
então, que apresente características e/ou configurações
de um delito.
Ou seja, trata-se de um espaço territorial, imediato ou
mediato, de interesse público, onde tenha sido praticado
um fato que configure uma infração penal exigindo, dessa
forma, as providências legais por parte das autoridades
competentes. É primordial a correta preservação desse
local, pois dela dependerá a exatidão dos exames
periciais que se sucederem.
Dessa forma, os peritos passam a ter uma garantia legal
para a preservação e o isolamento de locais de infrações
penais, tarefa essa à cargo da autoridade policial, sob
pena de responsabilização futura pelo juiz, conforme art.
6º, incisos I e II, do CPP.
Ao mesmo tempo em que o art. 6º e seus incisos I e II
determinam a autoridade policial que preserve o local e o
corpo de delito, também exige que o perito relate em seu
laudo se preservação deixou de ser feita ou ocorreu com
falhas, conforme art. 169 do CPP.
Diante o exposto, a Alternativa B é a correta.
70
O perito designado para analisar um ambiente, ao
chegar ao local do crime, se depara com um cenário
todo revirado, com rastros de sangue, impressões
digitais impregnadas nos móveis, além de diversos
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cartuchos e projéteis espalhados pelo chão. Diante a
situação hipotética descrita, assinale a alternativa
que corresponde aos sinais descritos no ambiente.
(A) Prova Indireta.
(B) Indícios.
(C) Vestígios.
(D) Evidências.
(E) Circunstância de autoria.
Gabarito: C
COMENTÁRIO DO PROFESSOR:
Combatentes, a questão versa sobre o ponto 4. Tipos de
Provas: prova confessional, prova testemunhal, prova
documental e prova pericial;
O cenário descrito na situação hipotética corresponde a
ideia de material que possibilita a análise de crime, ou
seja, toda marca, impressão ou sinal por mais sensível
que pareça se enquadra no conceito de vestígio.
Alternativa A – incorreta.
Para que toda análise seja prova, deverá antes ser
confirmado os aspetos circunstanciais. Não sendo
aplicado ao caso em tela.
Alternativa B – incorreta.
O indício é uma circunstância conhecida e já provada.
Não sendo aplicado ao caso em tela.
Alternativa C – correta.
É considerado vestígio qualquer rastro, marca ou sinal
deixado no local do crime.
VESTÍGIO: é toda marca, objeto, sinal, rastro, substância
ou elemento que seja detectado em local onde haja sido
praticado um fato delituoso (DOREA et al., 2010). Na
visão de Velho et al. (2012), é todo objeto ou material
bruto constatado e/ou recolhido em local de crime ou
presente em uma situação a ser periciada e que será
analisado posteriormente.
Alternativa D – incorreta.
Após análise do vestígio é que falamos da evidência, pois
o conjunto de elementos coletados devem ser tratados
para que se afirme se há ligação do material examinado
ao caso.
Alternativa E – incorreta.
A partir da análise dos vestígios materiais é que se visa
identificar as circunstâncias e autoria do crime.
Noções de Medicina Legal
71
Todas alternativas abaixo apresentam características
de tiros a curta distância, a exceção de uma.
(A) Sinal de Werkgaertner.
(B) Halo de tatuagem.
(C) Halo de enxugo.
(D) Orla de esfumaçamento.
(E) Zona de queimadura.
Gabarito: A
COMENTÁRIO DO PROFESSOR:
Caveiras, a questão aborda o ponto 7. Traumatologia
forense. 7.1 Energia de ordem física. 7.2 Energia de
ordem mecânica. 7.3 Lesões corporais: leve, grave e
gravíssima e seguida de morte.
Alternativa A – incorreta.
O sinal de Werkgaertner é aquele que se verifica pela
marca da boca da arma de fogo, assim como da alça da
mira sobre a pele, o que caracteriza o tiro como
encostado e não a curta distância.
Alternativa B – correta.
Halo de tatuagem, característica do tiro a curta distância,
varia de cor e intensidade conforma a pólvora, resultante
da impregnação de grãos de pólvora incombustos que
alcançam o corpo.
Alternativa C – correta.
O Halo de enxugo é explicado pela passagem do projetil,
por meio dos tecidos, atritando e contundindo, limpando
neles suas impurezas e ocorre nos tiros a curta distância.
Alternativa D – correta.
Orla de esfumaçamento, também é característica do tiro
a curta distância, é decorrente do depósito deixado pela
fuligem que circunscreve a ferida de entrada. Também
chamada de zona de falsa tatuagem, pois, lavando-se ela
desaparece. As roupas retêm essas fuligens.
Alternativa E – correta.
Característica do tiro a curta distância, a zona de
queimadura consiste na ação superaquecida dos gases,
que queimam e atingem o alvo.
72
No tocante aos sinais que decorrem de uma morte
por afogamento, assinale a alternativa incorreta.
(A) Não pode haver sinal de cogumelo de espuma.
(B) Haverá sinal de manchas de Paltauf.
(C) O afogamento apresenta, em regra, três momentos,
quais sejam, resistência, exaustão e asfixia.
(D) Haverá sinal de Bernt.
(E) Haverá mancha verde de putrefação.
Gabarito: A
COMENTÁRIO DO PROFESSOR:
Caveiras, a questão aborda o ponto 2. Noções de
Asfixiologia Forense: 2.1. Por constrição cervical:
enforcamento, estrangulamento, esganadura; 2.2. Por
modificação do meio: afogamento, soterramento,
confinamento; 2.3. Por sufocação: direta e indireta.
Alternativa A – incorreta.
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Poderá haver sinal de cogumelo de espuma, o cogumelo
de espuma é um sinal externo de afogamento. Como a
questão pede para marcar a alternativa incorreta, deverá
ser essa alternativa o nosso gabarito.
Alternativa B – correta.
As manchas de Paltauf é um dos sinaisde morte por
afogamento. Nos afagamentos, internamentos, são
encontrados os pulmões distendidos, enfisema aquoso,
manchas de Paltauf (maiores de 2 cm, roturas das
paredes alveolares e capilares sanguíneos, contornos
irregulares).
Alternativa C – correta.
O afogamento possui três fases: da resistência, da
exaustão e da asfixia.
Alternativa D – correta.
O sinal de Bernt está presente nas mortes por
afogamento, em que ocorre os eriçamentos dos pelos.
Alternativa E – correta.
A mancha verde da putrefação também está presente
nos afogamentos, ao nível do esterno ou parte inferior do
pescoço.
73
Concernente às noções de agentes químicos,
assinale a alternativa correta.
(A) Sinergismo é o fenômeno caracterizado pela elevada
resistência orgânica aos efeitos tóxicos dos venenos.
(B) Os efeitos coagulantes dos cáusticos produzem
escaras úmidas, translúcidas, moles e têm como modelo
a soda, a potassa e a amônia.
(C) Mitridatização, toxicidade, intolerância, sinergismo e
equivalente tóxico são as fases do percurso do veneno
através do organismo.
(D) Equivalente tóxico é o fenômeno que desidrata os
tecidos e causa escaras endurecidas e de tonalidade
diversa.
(E) Cáusticos são substâncias que, de acordo com sua
natureza química, provocam lesões tegumentares mais
ou menos graves, podendo resultar em efeitos
coagulantes ou liquefacientes.
Gabarito: E
COMENTÁRIO DO PROFESSOR:
Guerreiros(as), a questão aborda o ponto 4. Noções de
agentes químicos;
Alternativa A – incorreta.
A alternativa aborda o tema da mitridatização, fenômeno
obtido através da ingestão repetida e progressiva de
substâncias de alto teor venenoso, onde alcança-se um
estágio de resistência não encontrado em outros
indivíduos.
Alternativa B – incorreta.
O erro da alternativa está no termo “coagulantes”. Na
verdade, a questão trata-se dos efeitos “liquefacientes”.
Alternativa C – incorreta.
Não confunda “fases” com “fenômenos”. As fases do
percurso do veneno através do organismo são:
penetração, absorção, distribuição, fixação,
transformação e eliminação.
Alternativa D – incorreta.
Na realidade, a questão refere-se ao efeito coagulante
encontrado nos cáusticos, enquanto equivalente tóxico é
um fenômeno que pode ocorrer após a penetração do
veneno no organismo.
Alternativa E – correta.
A gravidade da lesão varia de acordo com a quantidade,
a concentração e a natureza do cáustico, e seu
prognóstico depende do seu desdobramento por
infecção, cicatrizes retráteis ou lesões mais graves como
a cegueira.
74
Acerca da sexologia forense, assinale a alternativa
correta.
(A) A síndrome da criança maltratada caracteriza-se por
alterações e perturbações que podem ocorrer nas
crianças quando o pai ou mãe guardião, por motivos
injustificáveis, tenta isolá-la gradativamente do outro
progenitor.
(B) A acopulia, ou a incapacidade de a mulher manter o
ato sexual, pode ser física ou psíquica, podendo ser
motivo de anulação de casamento.
(C) No transtorno da preferência sexual a pessoa se
identifica sexualmente com o mesmo sexo, imitando o
sexo oposto ou agindo como se fora igual.
(D) Superfecundação é a fecundação de dois ou mais
óvulos de ciclos diferentes.
(E) Frotteurismo é um transtorno sexual pelo qual o
indivíduo sente forte atração por bonecas e manequins.
Gabarito: B
COMENTÁRIO DO PROFESSOR:
Combatentes, a questão aborda o ponto 6. Noções de
sexologia forense.
Alternativa A – incorreta.
A alternativa traz o conceito da Síndrome da alienação
parental ou Síndrome de Medeia. O conjunto de
agressões, incluindo a sevícia e os maus-tratos a
crianças que vão desde a prisão e o isolamento em
ambientes insalubres até os espancamentos brutais
seguidos de morte é denominado Síndrome da Criança
Maltratada ou Síndrome de Silverman.
Alternativa B – correta.
As deformidades permanentes, ocultas ou simuladas,
anteriores e desconhecidas ao casamento, assim como
certas anomalias ligadas aos órgãos sexuais, são
motivos de anulação de casamento.
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I) Deformidade física: cicatriz, aplasia, malformações,
vaginas infantis e afecções localizadas.
II) Deformidade psíquica: vaginismo, dispareunia ou
cópula dolorosa, coitofobia.
Alternativa C – incorreta.
O transtorno da preferência sexual é quando o indivíduo
faz opção por certas práticas sexuais que, na intimidade,
são toleradas sem censuras mais graves como a
mixoscopia e o onanismo.
Alternativa D – incorreta.
A alternativa traz o conceito de superfetação. Já a
superfecundação ocorre quando dois ou mais óvulos são
fecundados em um só coito ou em coitos diversos, com o
mesmo homem ou homens diferentes, no mesmo ciclo. É
um fenômeno raro (gravidez dupla – 1/100; tripla –
1/7.000; quádrupla – 1/700.000).
Alternativa E – incorreta.
O conceito apresentado na alternativa refere-se ao
transtorno sexual chamado Dolismo. Frotteurismo é
quando o indivíduo sente prazer em esfregar o órgão
sexual em outras pessoas.
75
É uma característica da morfologia de uma lesão
causada por instrumento misto decorrente de
acidente aéreo.
(A) Pérfuro-incisa.
(B) Cortocontusa.
(C) Pérfuro-contusa.
(D) Lácerocontusa.
(E) Esquartejamento.
Gabarito: D
COMENTÁRIO DO PROFESSOR:
Caveiras, a questão versa sobre o ponto 3. Noções de
instrumentos de ação mecânica: 3.1. Ação cortante,
perfurante, contundente e mista.
Alternativa A – incorreta.
A ferida pérfuro-incisa é causada por pressão e
deslizamento, com instrumentos pontiagudos de um ou
dois gumes.
Alternativa B – incorreta.
A ferida cortocontusa é causada por pressão e
esmagamento, com instrumentos de grande massa.
Alternativa C – incorreta.
A ferida pérfuro-contusa é causada por pressão e
penetração. É uma das mais cobradas em provas, visto
se enquadrar nesta ferida, o projétil de arma de fogo.
Alternativa D – correta.
As feridas laceradas contusas são aquelas que
aparecem em acidentes com trens e aviões.
Diferentemente das demais lesões, a lesão
lácerocontusa ocorre a destruição total de tecidos, o que
impossibilita muitas vezes o reconhecimento dos corpos,
sendo necessário assim a realização de exames de DNA.
Alternativa E – incorreta.
O esquartejamento é a separação por desarticulação ou
amputação do corpo em quatro partes (cabeça, tronco e
membros). É sugestivo de homicídio.
Noções de Legislação Estadual
76
Conforme expressamente previsto na Lei Orgânica
da Polícia Civil do Estado de Goiás, assinale a
alternativa correta.
(A) A função policial é incompatível com qualquer outra
Atividade. Essa proibição se estende a todo o quadro da
corporação, e independe da natureza cargo, ainda que
haja compatibilidades de horários.
(B) O exercício da função policial, por suas
características e finalidades, fundamenta-se nos
princípios da hierarquia. Todavia, a Polícia Civil, de
acordo com o a lei 16.901/2010, não se fundamenta no
princípio da disciplina, pois a disciplina deve ser
observada apenas pela Polícia Militar.
(C) De acordo com Lei orgânica da Polícia civil do Estado
de Goiás, a hierarquia da função não prevalecerá sobre
a hierarquia do cargo.
(D) Cada Delegacia de Polícia terá 02 (dois) Chefes de
Cartório, e 02 (dois) Chefes de Investigação, trabalhando
em escala de revezamento. Eles serão indicados pela
autoridade policial da referida delegacia, designados pelo
Delegado Regional de Polícia, escolhidos entre os
ocupantes dos cargos, respectivamente, de Escrivão de
Polícia e de Agente de Polícia da Classe Especial.
(E) São símbolos oficiais da Polícia Civil o hino, a
bandeira, o brasão e o distintivo, conforme os modelos
estabelecidos por ato do Chefe do Poder Executivo,
medianteproposta do Secretário da Segurança Pública,
ouvida a direção da Polícia Civil.
Gabarito: E
COMENTÁRIO DO PROFESSOR:
Caveira, nessas questões, faz-se necessária a leitura
constante dos dispositivos legais, não há outro caminho.
Façam isso e terão êxito nesta disciplina. Vamos
responder as alternativas de acordo com a Lei n.º
16.901/2010 (Lei Orgânica da Polícia Civil do Estado
de Goiás)
A) Errada. Negativo, caveira. De acordo com a Lei
16.901/2010, existe uma exceção: atividade técnico-
científica, sendo possível que o policial civil exerça um
cargo de professor, público ou privado, desde que
possua compatibilidades de horários.
Art. 9º A função policial é incompatível com qualquer
outra atividade, salvo, no caso daquela de natureza
técnico-científica, com o exercício de um cargo de
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professor, privado ou público, respeitada a
compatibilidade de horários entre este e o regime de
trabalho definido nesta Lei.
B) Errada. Art. 8º O exercício da função policial, por suas
características e finalidades, fundamenta-se nos
princípios da hierarquia e da disciplina, exceto em
relação aos atos de autoridades próprios da atividade-
fim, e no cumprimento de leis, regulamentos e normas de
serviço de acordo com os preceitos abaixo:
I – A hierarquia da função prevalecerá sobre a hierarquia
do cargo, na forma desta Lei;
II – A precedência entre os integrantes das Classes dos
Quadros de Pessoal da Polícia Civil será estabelecida
pela subordinação funcional.
C) Errada. Art. 8º O exercício da função policial, por suas
características e finalidades, fundamenta-se nos
princípios da hierarquia e da disciplina, exceto em
relação aos atos de autoridades próprios da atividade-
fim, e no cumprimento de leis, regulamentos e normas de
serviço de acordo com os preceitos abaixo:
I – A hierarquia da função prevalecerá sobre a
hierarquia do cargo, na forma desta Lei;
D) Errada. Art. 47. Cada Delegacia de Polícia terá 01
(um) Chefe de Cartório e 01 (um) Chefe de
Investigação, indicados pela autoridade policial da
referida delegacia, designados pelo Delegado Regional
de Polícia, escolhidos entre os ocupantes dos cargos,
respectivamente, de Escrivão de Polícia e de Agente de
Polícia da Classe Especial.
E) Correta. Art. 7º São símbolos oficiais da Polícia Civil
o hino, a bandeira, o brasão e o distintivo, conforme
os modelos estabelecidos por ato do Chefe do Poder
Executivo, mediante proposta do Secretário da
Segurança Pública, ouvida a direção da Polícia Civil.
77
Sobre o Código de Ética (Decreto Estadual nº
9.837/2021), assinale a alternativa INCORRETA.
(A) Os processos decorrentes da violação do presente
Código classificam-se como públicos.
(B) O processo de apuração desencadeia-se de ofício ou
em razão de denúncias.
(C) Do processo de apuração poderá resultar censura
ética ou recomendação sobre a conduta adequada, sem
prejuízo da apuração do fato em outras instâncias.
(D) Toda apuração de conduta levará em consideração a
situação fática na qual ocorrer a violação desse Código.
(E) As possíveis condutas de violação desse Código
serão apuradas pela Câmara de Compliance do
Conselho de Governo.
Gabarito: A
COMENTÁRIO DO PROFESSOR:
A) Errada (Gabarito). Caveira, são classificados com
RESERVADOS.
Art. 8º Os processos decorrentes da violação do presente
Código classificam-se como reservados e pautam-se
pelas determinações gerais da Lei estadual nº 13.800, de
18 de janeiro de 2001.
B) Correta. Art. 6º As possíveis condutas de violação
deste Código serão apuradas pela Câmara de
Compliance do Conselho de Governo, nos termos do seu
regimento interno, de ofício ou em razão de denúncias,
e poderão resultar em censura ética ou recomendação
sobre a conduta adequada, sem prejuízo da apuração do
fato em outras instâncias.
C) Correta. Art. 6º As possíveis condutas de violação
deste Código serão apuradas pela Câmara de
Compliance do Conselho de Governo, nos termos do seu
regimento interno, de ofício ou em razão de denúncias, e
poderão resultar em censura ética ou recomendação
sobre a conduta adequada, sem prejuízo da apuração
do fato em outras instâncias.
D) Correta. Art. 6º As possíveis condutas de violação
deste Código serão apuradas pela Câmara de
Compliance do Conselho de Governo, nos termos do seu
regimento interno, de ofício ou em razão de denúncias, e
poderão resultar em censura ética ou recomendação
sobre a conduta adequada, sem prejuízo da apuração do
fato em outras instâncias.
§ 2º Toda apuração de conduta levará em
consideração a situação fática na qual ocorrer a
violação deste Código.
E) Correta. Art. 6º As possíveis condutas de violação
deste Código serão apuradas pela Câmara de
Compliance do Conselho de Governo, nos termos do
seu regimento interno, de ofício ou em razão de
denúncias, e poderão resultar em censura ética ou
recomendação sobre a conduta adequada, sem prejuízo
da apuração do fato em outras instâncias.
78
Considere:
I. De acordo com o que está expresso na Lei
13.800/01, a Administração pública obedecerá, dentre
outros, aos princípios da legalidade, finalidade,
motivação, razoabilidade, proporcionalidade,
moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança
jurídica, interesse público e eficiência.
II. Nos casos de processo eletrônico, o requerimento
inicial de interessado não pertencente à
Administração Pública Estadual pode ser formulado
e inserido eletronicamente no sistema, via assinatura
eletrônica, ou ainda, ser formulado por escrito,
assinado pelo requerente ou representante,
digitalizado e inserido no sistema de gerenciamento
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eletrônico de documentos em conformidade com a lei
específica.
III. Considerando os procedimentos de instrução do
processo administrativo no âmbito da Administração
Pública, os interessados serão intimados de prova ou
diligência ordenada, com antecedência mínima de
três dias úteis, mencionando-se data, hora e local de
realização. Além disso, quando deva ser
obrigatoriamente ouvido um órgão consultivo, o
parecer deverá ser emitido no prazo máximo de
quinze dias, salvo norma especial ou comprovada
necessidade de maior prazo.
Considerando a regulamentação do processo
administrativo no âmbito da Administração Pública
do Estado de Goiás, está correto o que se afirma
APENAS em:
(A) II e III.
(B) III.
(C) I.
(D) I e II.
(E) I, II e III.
Gabarito: E
COMENTÁRIO DO PROFESSOR:
Caveira, a Lei 13.800/01 Regula o processo
administrativo no âmbito da Administração Pública do
Estado de Goiás. Com base nessa lei vamos analisar as
assertivas:
Item I (Correto). Art. 2º – A Administração pública
obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade,
finalidade, motivação, razoabilidade,
proporcionalidade, moralidade, ampla defesa,
contraditório, segurança jurídica, interesse público e
eficiência.
Item II (Correto). Art. 6º – O requerimento inicial do
interessado, salvo casos em que for admitida solicitação
oral, deve ser formulado por escrito e conter os seguintes
dados:
I – Órgão ou autoridade administrativa a que se dirige;
II – Identificação do interessado ou de quem o
represente;
III – Domicílio do requerente ou local para recebimento
de comunicações;
IV – Formulação do pedido, com exposição dos fatos e
de seus fundamentos;
V – Data e assinatura do requerente ou de seu
representante.
§ 2º Nos casos de processo eletrônico,o requerimento
inicial de interessado não pertencente à Administração
Pública Estadual pode ser formulado e inserido
eletronicamente no sistema, via assinatura eletrônica, ou
ainda, ser formulado por escrito, assinado pelo
requerente ou representante, digitalizado e inserido no
sistema de gerenciamento eletrônico de documentos em
conformidade com a lei específica.
Item III (Correto). Art. 41 – Os interessados serão
intimados de prova ou diligência ordenada, com
antecedência mínima de três dias úteis, mencionando-
se data, hora e local de realização.
Art. 42 – Quando deva ser obrigatoriamente ouvido um
órgão consultivo, o parecer deverá ser emitido no prazo
máximo de quinze dias, salvo norma especial ou
comprovada necessidade de maior prazo.
79
Referente à Lei Estadual nº 20.491/2019, que
estabelece a organização administrativa do Poder
Executivo, analise as assertivas e assinale a
alternativa que aponta a(s) correta(s).
I. O Conselho Consultivo de Gestão, que será
presidido pelo Governador do Estado, terá a
composição de no mínimo 3 (três) e no máximo 10
(dez) membros por ele livremente escolhidos entre
pessoas de notável qualificação nas mais diversas
áreas do conhecimento.
II. Para fins de cumprimento do disposto nesta Lei
considera-se direção o conjunto de atribuições
concernentes à aptidão para auxiliar, em razão de
determinado conhecimento ou qualificação, na
execução de atividades administrativas.
III. A atribuição de função comissionada implica a
obrigatoriedade de cumprimento de jornada de oito
horas diárias de trabalho.
IV. São órgãos colegiados da Secretaria de Estado de
Segurança Pública, entre outros, o Conselho
Estadual de Segurança Pública, o Conselho Estadual
de Trânsito e o Conselho Superior da Polícia Civil.
(A) Apenas III.
(B) Apenas I e IV.
(C) Apenas III e IV.
(D) Apenas I, II e III.
(E) Apenas II, III e IV.
Gabarito: C
COMENTÁRIO DO PROFESSOR:
Item I (Errado). Art. 12. O Conselho Consultivo de Gestão
funcionará junto à Governadoria com os objetivos de
debater, avaliar, orientar e indicar melhores técnicas e
estratégias para a implementação dos planos de ação
definidos pelo Governador do Estado de Goiás:
§ 2º O Conselho Consultivo de Gestão, que será
presidido pelo Governador do Estado, terá a
composição de no mínimo 5 (cinco) e no máximo 15
(quinze) membros por ele livremente escolhidos
entre pessoas de notável qualificação nas mais
diversas áreas do conhecimento.
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Item II (Errado). Caveira, a assertiva trouxe o conceito de
assessoramento. Vamos analisar as diferenças entre
essas funções:
Art.62: § 2º Para fins de cumprimento do disposto nesta
Lei considera-se:
I –Direção: conjunto de atribuições que, desempenhadas
nas posições hierárquicas mais elevadas de órgão ou
entidade, dizem respeito ao cumprimento de atividades
de dirigir, coordenar, controlar equipes, processos e
projetos;
II – Chefia: conjunto de atribuições que, desempenhadas
na posição hierárquica mais elevada de unidade
administrativa integrante da estrutura básica ou
complementar, dizem respeito ao cumprimento de
atividades de dirigir, coordenar, controlar equipes,
processos e projetos;
III– Assessoramento: conjunto de atribuições
concernentes à aptidão para auxiliar, em razão de
determinado conhecimento ou qualificação, na execução
de atividades administrativas.
Item III (Correto). A Assertiva encontra-se no artigo 59,
inciso IV:
Art. 59. As Funções Comissionadas (FC), destinadas ao
atendimento das necessidades dos órgãos da
administração direta e das entidades autárquicas e
fundacionais do Poder Executivo, são as especificadas
no Anexo VI desta Lei, observado o seguinte:
I – as funções comissionadas são privativas de servidor
ocupante de cargo efetivo ou emprego público
permanente ou, ainda, de militar titular de posto ou
graduação;
II – com exceção dos quantitativos das funções
comissionadas da Secretaria de Estado da Educação e
da Função Comissionada de Administração Educacional
Superior – FCAES, constantes das alíneas “c” e “d” do
Anexo VI desta Lei, respectivamente, as demais funções
comissionadas serão, por decreto do Governador do
Estado, distribuídas entre os órgãos e as entidades,
conforme as suas necessidades devidamente
comprovadas em processo regular instruído com parecer
técnico da Secretaria de Estado da Administração;
III – são competentes para atribuir as FC os Secretários
de Estado e seus equivalentes hierárquicos, no âmbito
da administração direta, bem como os presidentes e seus
equivalentes hierárquicos, no âmbito da administração
autárquica e fundacional;
IV – a atribuição de função comissionada implica a
obrigatoriedade de cumprimento de jornada de 8
(oito) horas diárias de trabalho.
Item IV (Correto). Art. 30. Integram a estrutura básica da
Secretaria de Estado da Segurança Pública:
I – como órgãos autônomos:
a) a Delegacia-Geral da Polícia Civil;
b) a Polícia Militar;
c) o Corpo de Bombeiros Militar;
d) a Diretoria-Geral de Administração Penitenciária;
II – como órgãos colegiados:
a) o Conselho Estadual de Segurança Pública;
b) o Conselho Estadual de Trânsito;
c) o Conselho Estadual de Proteção a Vítimas e
Testemunhas Ameaçadas no Estado de Goiás –
CONDEL/PROVITA-GO;
d) o Conselho Superior da Polícia Civil, da Delegacia-
Geral da Polícia Civil; e
e) o Conselho Penitenciário, da Diretoria-Geral de
Administração Penitenciária.
80
Dentre os requisitos para celebração do acordo de
leniência com as pessoas jurídicas responsáveis
pela prática dos atos previstos na lei estadual n.
18.672, de 13 de novembro de 2014, cita-se:
(A) A proposta do acordo de leniência deverá ser
apresentada formalmente pela pessoa jurídica
interessada à autoridade competente, na forma escrita ou
oralmente, desde que reduzida a termo, até o ato de
intimação para as alegações finais, devendo conter as
condições necessárias para assegurar a efetividade da
colaboração e o resultado útil do processo.
(B) A proposta do acordo de leniência deverá ser
apresentada formalmente pela pessoa jurídica
interessada à autoridade competente, somente na forma
escrita, até o ato de intimação para as alegações finais,
devendo conter as condições necessárias para
assegurar a efetividade da colaboração e o resultado útil
do processo.
(C) A fase de negociação da proposta do acordo de
leniência terá a duração de sessenta dias, a contar da
data da sua apresentação, podendo ser prorrogada uma
vez e por igual período mediante ato fundamentado da
autoridade competente para celebrar o acordo.
(D) A fase de negociação da proposta do acordo de
leniência terá a duração de noventa dias, a contar da data
da sua apresentação, podendo ser prorrogada uma vez
e por igual período mediante ato fundamentado da
autoridade competente para celebrar o acordo.
(E) Os efeitos do acordo de leniência não serão
estendidos às pessoas jurídicas que integram o mesmo
grupo econômico, de fato e de direito.
Gabarito: A
COMENTÁRIO DO PROFESSOR:
A) Correta. Art.23: § 2º A proposta do acordo de leniência
deverá ser apresentada formalmente pela pessoa
jurídica interessada à autoridade competente, na forma
escrita ou oralmente, desde que reduzida a termo, até
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o ato de intimação para as alegações finais, devendo
conter as condições necessárias para assegurar a
efetividade da colaboração e o resultado útildo processo.
B) Errada. Como vimos acima, a proposta também pode
ser apresentada de forma oral, desde que reduzida a
termo.
C) Errada.Art.23, § 3º A fase de negociação da proposta
do acordo de leniência terá a duração de 30 (trinta) dias,
a contar da data da sua apresentação, podendo ser
prorrogada uma vez e por igual período mediante ato
fundamentado da autoridade competente para celebrar o
acordo.
D) Errada. Como vimos, caveira, a fase de negociação
terá a duração de trinta dias.
Art.23, § 3º A fase de negociação da proposta do acordo
de leniência terá a duração de 30 (trinta) dias, a contar
da data da sua apresentação, podendo ser prorrogada
uma vez e por igual período mediante ato fundamentado
da autoridade competente para celebrar o acordo.
E) Errada. Caveira, os efeitos do acordo de leniência
serão estendidos às pessoas jurídicas que integram
o mesmo grupo econômico.
Art.23: § 4º Os efeitos do acordo de leniência serão
estendidos às pessoas jurídicas que integram o
mesmo grupo econômico, de fato e de direito, desde
que firmem o acordo em conjunto, respeitadas as
condições nele estabelecidas
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