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#PERTENCEREMOS | WWW.PROJETOCAVEIRA.COM.BR | @PROJETOCAVEIRA
“Conhecer a si mesmo é o começo
de toda a sabedoria.”
Aristóteles
PÓS-EDITAL
PCGO
De acordo com o 1º Termo de Reticação do Edital 06/2022
Provas objetivas e discursivas
SIMULADO 02
COMENTADO
Victoria Maria Lopes
CPF: 073.764.413-36 110646620040
GABARITO 2º SIMULADO PCGO - Pós-edtial
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
C B A E D B D E A C
11 12 13 14 15 16 17 18 19 20
C B C E A D C E B E
21 22 23 24 25 26 27 28 29 30
A B C D A E B C D C
31 32 33 34 35 36 37 38 39 40
A C E B A C C D E A
41 42 43 44 45 46 47 48 49 50
E D B A B C E A B D
51 52 53 54 55 56 57 58 59 60
E A B C D E C B C D
61 62 63 64 65 66 67 68 69 70
A E D D C C E A B C
71 72 73 74 75 76 77 78 79 80
A A E B D E A E C A
Victoria Maria Lopes
CPF: 073.764.413-36 110646620040
1 
 
www.projetocaveira.com.br 
PROVA DISCURSIVA – PROJETO CAVEIRA 
TEMA 02 – PC-GO – PÓS-EDITAL 2022 
Com relação à prova, discorra, em uma dissertação, ao menos sobre os requisitos abaixo 
empregados: 
a) Conceitue prova e mencione ao menos dois princípios que norteiam a sua produção; 
b) Fale sobre os sistemas de valoração da prova e de que forma eles são aplicados no Brasil; 
c) Discorra sobre a utilização de provas ilícitas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Victoria Maria Lopes
CPF: 073.764.413-36 110646620040
2 
 
www.projetocaveira.com.br 
TEMA 02 – COMENTADO – PC-GO PÓS-EDITAL 2022 
 
a) Conceitue prova e mencione ao menos dois princípios que norteiam a sua produção; 
Olá, Caveira! Tudo bem? 
Vamos trabalhar com prova, tema previsto no artigo 155 e seguintes do Código de 
Processo Penal. 
Observe que o enunciado foi dividido em três comandos. O primeiro deles se subdivide 
em duas: na primeira, pede-se uma definição; na segunda, pede-se que seja feita uma citação 
(ou seja, não é necessário fazer uma explicação). Atentar-se a isso é muito importante, pois, 
além de ser necessário não deixar faltar nada que é pedido pela banca, isso te ajuda a se orientar 
sobre como organizar a abordagem adequada de cada tópico dentro das linhas disponibilizadas 
pela banca. 
Agora, sem mais delongas, vamos ao conceito de prova. Conforme NUCCI: 
"O termo prova origina-se do latim – probatio –, que significa ensaio, verificação, 
inspeção, exame, argumento, razão, aprovação ou confirmação. Dele deriva o verbo 
provar – probare –, significando ensaiar, verificar, examinar, reconhecer por experiência, 
aprovar, estar satisfeito com algo, persuadir alguém a alguma coisa ou demonstrar"1. 
 O termo é polissêmico, ou seja, tem mais de um significado. No processo penal, podemos 
entendê-la como todos aqueles instrumentos que são apresentados com o objetivo de atestar a 
verdade dos fatos alegados. Assim, resta evidenciado que ela é inerente ao desempenho dos 
direitos de defesa e de ação. Ademais, as provas têm como finalidade formar a convicção ou 
certeza em torno de um fato no espírito do julgador. 
Diante disso, importa mencionar os princípios que regem a produção probatória. 
Embora o enunciado não tenha pedido que você os explique, vamos trazer a noção geral de 
cada um para que você, Caveira, consiga compreender melhor a razão de eles se aplicarem a 
este assunto e, com isso, saiba qual pode melhor se encaixar ao seu texto. 
São eles: 
1. Princípio da autorresponsabilidade das partes 
A frustração ou o sucesso no processo estão ligados à conduta probatória das partes. 
Assim, elas assumem a responsabilidade pela inércia, erro ou negligência no que 
tange à comprovação do que alegam. 
 
2. Princípio do contraditório 
Todas as provas apresentadas no processo admitem a produção de uma contraprova 
pela parte contrária. Isso está relacionado à ideia de dialética processual e decorre do 
brocardo “audiatur et altera parte” (“ouça-se também a parte contrária”). 
 
3. Princípio da comunhão da prova 
 
1 NUCCI, Guilherme de Souza. Manual de processo e execução penal. 11. Ed. Rev., atual e ampl. Rio 
de Janeiro: Ed. Forense, 2014, p. 338. 
Victoria Maria Lopes
CPF: 073.764.413-36 110646620040
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A prova pertence ao processo e não à parte que a produziu. Assim, pode ser utilizada 
por qualquer das partes. 
 
4. Princípio da oralidade 
A palavra falada deve predominar sobre a escrita, sem que esta seja excluída. Está 
evidenciado, por exemplo, no art. 62, Lei 9.099/1995 (Lei dos Juizados Especiais): 
 
“Art. 62. O processo perante o Juizado Especial orientar-se-á pelos critérios da 
oralidade, simplicidade, informalidade, economia processual e celeridade, objetivando, 
sempre que possível, a reparação dos danos sofridos pela vítima e a aplicação de pena 
não privativa de liberdade”. 
 
5. Princípio da concentração 
A produção probatória deve ser centralizada em uma única audiência ou no menor 
número delas. É o que traz o art. 400, § 1º, Código de Processo Penal: 
“Art. 400. (...) 
§ 1o As provas serão produzidas numa só audiência, podendo o juiz indeferir as 
consideradas irrelevantes, impertinentes ou protelatórias”. 
6. Princípio do imediatismo 
O magistrado deve proceder diretamente à colheita de todas as provas, em contato 
imediato com as partes. Isso, porém, não impede que sejam produzidas provas por 
videoconferência. 
 
7. Princípio da identidade física do julgador 
O juiz que preside a instrução é também o que julgará o processo, salvo exceções 
previstas em lei, como em caso de promoção ou aposentadoria (art. 399, § 2º, Código 
de Processo Penal). 
“Art. 399. (...) 
2o O juiz que presidiu a instrução deverá proferir a sentença”. 
8. Princípio da publicidade 
Os atos que compõem o processo penal, em regra, não podem ocorrer de forma 
secreta, devido à importância das questões atinentes a esses procedimentos. Nesse 
sentido, a Súmula Vinculante nº 14 do Supremo Tribunal Federal afirma: 
 
“Súmula Vinculante 14/STF: É direito do defensor, no interesse do representado, ter 
acesso amplo aos elementos de prova que, já documentados em procedimento 
investigatório realizado por órgão com competência de polícia judiciária, digam respeito 
ao exercício do direito de defesa”. 
 
Todavia, há exceções a isso. A Constituição da República Federativa do Brasil de 
1988 e a legislação infraconstitucional asseguram o segredo de justiça em algumas 
situações, quando a preservação do direito à intimidade não prejudica o interesse 
público à informação (art. 93, IX, CF/1988)2 e/ou a divulgação das informações resulta 
em escândalo, inconveniente grave ou perigo de perturbação da ordem (art. 792, § 1º, 
Código de Processo Penal)3. Exemplo de imposição de segredo de justiça são os 
 
2 Leia mais sobre esse assunto clicando [aqui]. 
3 Leia mais sobre esse assunto clicando [aqui]. 
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casos de interceptações telefônicas (art. 1º, Lei 9.296/1996)4 e crimes contra a 
dignidade sexual (art. 234-B, Código Penal)5. 
 
9. Princípio do livre convencimento motivado 
O magistrado tem liberdade para decidir o caso conforme a apreciação que fez das 
provas, porém precisa fundamentar seu entendimento. Isso pode ser extraído do art. 
155, caput, Código de Processo Penal: 
 
“Art. 155. O juiz formará sua convicção pela livre apreciação da prova produzida em 
contraditório judicial, não podendo fundamentar sua decisão exclusivamente nos 
elementos informativos colhidos na investigação, ressalvadas as provas cautelares, não 
repetíveis e antecipadas”. 
 
10. Princípio da verdade real 
O julgador deve se dedicar a estar o mais próximo possível do que ocorreu, devendo 
manter um sentimento de busca pela verdade quando da aplicação da pena e da 
apuração dos fatos. Essa ação encontra algumas limitações,como a vedação ao uso 
de provas obtidas de forma ilícita ou mesmo a imposição de restrições à atuação 
estatal (garantias contra a autoincriminação do réu, vedação da tortura, nulidade de 
provas obtidas por meios ilícitos, limitações em depoimentos de testemunhas etc.)6. 
 
Por isso, assentou-se o entendimento de que é impossível o alcance da verdade 
absoluta, havendo apenas uma aproximação da verdade dos fatos. Nessa linha, a 
doutrina moderna tende a adotar o princípio da busca da verdade. Nos julgados 
Tribunais Superiores, a nomenclatura adotada ainda tem sido princípio da busca da 
verdade real: 
“Ementa: AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. COMPETÊNCIA 
TERRITORIAL. DIVERGÊNCIA QUANTO AO LOCAL DE CONSUMAÇÃO DO CRIME 
MAIS GRAVE. INCIDÊNCIA DA REGRA DO ART. 70, § 3º, DO CPP. PREVENÇÃO DE 
UMA DAS COMARCAS POSSIVELMENTE COMPETENTES. VIOLAÇÃO DO 
PRINCÍPIO DO JUIZ NATURAL. NÃO OCORRÊNCIA. INVIBILIDADE DE REEXAME 
DO CONTEXTO FÁTICO-PROBATÓRIO NA VIA DO HABEAS CORPUS. AGRAVO 
REGIMENTAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO. I – O art. 70 do Código de Processo 
Penal, que considera como local do crime aquele em que o delito se consumou, permite 
o abrandamento da norma, ao enunciar que a competência será, de regra, a do local em 
que a infração se consumar, tendo-se em conta os fins pretendidos pelo processo penal, 
em especial a busca da verdade real. II – No caso, o Tribunal de Justiça de origem 
decidiu que, à luz do que contido nos autos, “o suposto delito foi cometido na divisa de 
Sergipe e Bahia, ficando incerta a competência com base no lugar da infração, razão 
pela qual se aplicam as regras de competência da prevenção, do art. 70, § 3º, do CPP”. 
III – A prorrogação da competência em favor de uma das comarcas possivelmente 
competentes não importa em violação do princípio do juiz natural. IV – Para se chegar à 
conclusão diversa da que chegaram as instâncias antecedentes, como pretende a 
defesa, haveria a necessidade de reexame do contexto fático-probatório, o que é inviável 
na via do habeas corpus. V – Agravo regimental a que se nega provimento 
(STF. Agr. Reg. no HC 148.984. Sergipe. 2ª Turma. Relator: Min. Ricardo Lewandowski. 
Data do julgamento: 02/03/2018. Data da publicação: 09/08/2018)”. 
11. Princípio da não autoincriminação 
Ninguém que é acusado de ter cometido infração pode ser obrigado a produzir provas 
contra si mesmo, ou seja, “nemo tenetur se detegere” (“ninguém é obrigado a se 
descobrir”). Decorre do art. 5º, LXIII, CF/88: 
“Art. 5º (...): 
 
4 Leia mais sobre esse assunto clicando [aqui]. 
5 Leia mais sobre esse assunto clicando [aqui]. 
6 Leia mais sobre esse assunto clicando [aqui]. 
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LXIII - o preso será informado de seus direitos, entre os quais o de permanecer calado, 
sendo-lhe assegurada a assistência da família e de advogado”; 
Ademais, o art. 8º, 2, “g”, Pacto de San José da Costa Rica, promulgado pelo Decreto 
nº 678/1992 diz: 
“2. Toda pessoa acusada de delito tem direito a que se presuma sua inocência enquanto 
não se comprove legalmente sua culpa. Durante o processo, toda pessoa tem direito, 
em plena igualdade, às seguintes garantias mínimas: 
g) direito de não ser obrigado a depor contra si mesma, nem a declarar-se culpada; 
e” 
 
b) Fale sobre os sistemas de valoração da prova e de que forma eles são aplicados no 
Brasil; 
A segunda parte do enunciado traz, novamente, dois pedidos. Perceba, Caveira, que a 
mera descrição de cada um dos sistemas de valoração da prova não será suficiente para obter 
nota máxima no que diz respeito a este tópico. Você também precisa dizer de que forma eles se 
aplicam no Brasil – ou seja, se são ou não aplicáveis e em que contexto. 
Diante disso, vamos aos sistemas de apreciação das provas. 
O primeiro deles é o sistema da íntima convicção, da livre convicção, da prova livre ou 
da certeza moral do juiz. Por meio desse sistema, entende-se que a verdade jurídica reside na 
consciência do juiz, o qual tem liberdade plena e absoluta, não precisando motivar sua convicção. 
Ademais, conforme esse sistema, o juiz pode até mesmo se basear em elementos que 
não estão nos autos e julgar com base em seus conceitos preestabelecidos e suas crenças 
pessoais. 
Em regra, esse sistema não está presente no direito processual penal brasileiro. Pode-se, 
porém, perceber resquícios de sua existência no Tribunal do Júri, uma vez que os jurados julgam 
de acordo com a sua íntima convicção e votam os quesitos sem fundamentar. 
Nessa linha, afirmam CAPEZ e COLNAGO: "Esse sistema vigora entre nós, como 
exceção, nas decisões proferidas pelo júri popular, nas quais o jurado profere seu voto, sem 
necessidade de fundamentação"7. 
O segundo deles é o sistema da certeza legislativa, da prova tarifada, da certeza moral 
do legislador ou da certeza legal. Conforme esse entendimento, as provas têm valor inalterado 
e fixado; o valor de cada prova decorre da própria lei. É como se o magistrado, como um 
matemático, apenas aplicasse as regras, sem empregar nenhum tipo de senso crítico em sua 
atuação. 
Nesse sistema, não há qualquer margem para discricionariedade – o julgador não pode 
deixar de, rigorosamente, acatar às regras previamente estabelecidas. Não há, assim, convicção 
pessoal na valoração do contexto probatório, mas obediência estrita aos pesos e valores 
impostos por lei. Desse sistema, decorre o brocardo “testis unus, testis nullus”, pelo qual o 
 
7 CAPEZ, Fernando; COLNAGO, Rodrigo. Código de processo penal comentado. 1 ed. Ed. Saraiva, 
2015, p. 180. 
Victoria Maria Lopes
CPF: 073.764.413-36 110646620040
6 
 
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depoimento de uma só testemunha, por mais detalhado e verossímil que seja, não tem qualquer 
valor8. 
No Brasil, esse sistema vigora excepcionalmente em alguns casos. Um deles é o do art. 
158 do Código de Processo Penal, que diz: 
“Art. 158. Quando a infração deixar vestígios, será indispensável o exame de corpo de 
delito, direto ou indireto, não podendo supri-lo a confissão do acusado”. 
Observa-se que, em casos em que o crime deixe vestígio, a realização do exame de corpo 
de delito para demonstrar a materialidade da infração é imprescindível. Nem mesmo a confissão 
do réu supre a não realização do procedimento. 
Também é possível perceber esse sistema no art. 155, parágrafo único, Código de 
Processo Penal: 
“Art. 155. (...) 
Parágrafo único. Somente quanto ao estado das pessoas serão observadas as restrições 
estabelecidas na lei civil”. 
 
No caso supramencionado, o estado das pessoas somente é provado mediante certidão, 
não sendo admitida prova testemunhal. 
O terceiro e último sistema de valoração das provas é o sistema do livre convencimento 
motivado, da apreciação livre, da verdade real ou da persuasão racional. Preconiza que o 
juiz tem liberdade para decidir, devendo, todavia, motivar sua decisão. Justamente por isso, não 
promove uma hierarquia entre as provas – cabe ao próprio magistrado imprimir, em sua decisão, 
o grau de importância das provas que lhe foram apresentadas. 
Assim, temos que o juiz só pode decidir de acordo com a prova dos autos, mas pode 
apreciá-las com inteira liberdade. Por outro lado, o legislador freou sua atuação quando 
determinou que deve haver a fundamentação da decisão. Nesse sentido, lecionam CAPEZ e 
COLNAGO9 que esse sistema busca a verdade real, de modo a rejeitar o formalismo exacerbado 
e a impedir o absolutismo pleno do julgador, já que ele precisa justificar sua decisão. 
Esse é o sistema adotado pelo Brasil, conforme se observa no art. 93, IX, CF/1988: 
“Art. 93. (...) 
IX todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos, e 
fundamentadas todas as decisões, sob pena de nulidade, podendo a lei limitar a 
presença, em determinados atos, às próprias partese a seus advogados, ou somente a 
estes, em casos nos quais a preservação do direito à intimidade do interessado no sigilo 
não prejudique o interesse público à informação” 
Da mesma forma, pode-se perceber a opção do legislador por sua adoção no art. 155, 
caput, CPP: 
“Art. 155. O juiz formará sua convicção pela livre apreciação da prova produzida 
em contraditório judicial, não podendo fundamentar sua decisão exclusivamente nos 
elementos informativos colhidos na investigação, ressalvadas as provas cautelares, não 
repetíveis e antecipadas”. 
 
8 Leia mais sobre esse assunto clicando [aqui]. 
9 CAPEZ, Fernando; COLNAGO, Rodrigo. Código de processo penal comentado. 1 ed. Ed. Saraiva, 
2015, p. 181. 
Victoria Maria Lopes
CPF: 073.764.413-36 110646620040
7 
 
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Verifica-se que o juiz tem liberdade para formar sua convicção, uma vez que é ele quem 
determina, com base em cada contexto, a valoração a ser atribuída a cada prova produzida em 
contraditório judicial. Sua fundamentação não pode ter como base elementos estranhos aos 
autos, bem como não pode estar exclusivamente pautada nos elementos informativos colhidos 
na fase do inquérito, já que eles não foram passíveis de contraditório nem ampla defesa. 
Em relação à imprestabilidade dos elementos colhidos na fase preliminar na prolação da 
sentença, há três exceções. A primeira diz respeito às provas cautelares, que são produzidas 
devido à necessidade e à urgência, para que os elementos não venham a se perder (exemplo: 
oitiva de uma testemunha em estágio terminal). A segunda é quanto às provas não repetíveis, 
que, uma vez feitas, não podem ser refeitas na fase processual. A terceira e última é relativa às 
provas antecipadas, que visam a evitar o perecimento probatório e tramitam perante o 
magistrado, com colaboração das futuras partes, resguardando-se contraditório e a ampla 
defesa. 
Sobre isso, vale mencionar o que diz a jurisprudência: 
PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ORDINÁRIO EM 
HABEAS CORPUS. ROUBO MAJORADO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. 
CONDENAÇÃO BASEADA EM INFORMAÇÕES COLHIDAS NO INQUÉRITO E 
COMPLEMENTADAS POR PROVAS PRODUZIDAS EM JUÍZO. POSSIBILIDADE. 
JURISPRUDÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. 1. A controvérsia dos autos 
não foi apreciada pelo Superior Tribunal de Justiça. O que impede o imediato exame da 
matéria pelo Supremo Tribunal Federal (STF), sob pena de indevida supressão de 
instância. Precedente. 2. O entendimento do STF é no sentido de que o livre 
convencimento do juiz pode decorrer das informações colhidas durante o 
inquérito policial, nas hipóteses em que complementam provas que passaram pelo 
crivo do contraditório na fase judicial, bem como quando não são infirmadas por 
outras provas colhidas em juízo (RHC 118.516, Rel. Min. Luiz Fux). 3. No caso de que 
se trata, o Juízo de origem, em decisão corroborada pelo Tribunal estadual, ao condenar 
o acionante apontou que a sucessão de provas materiais produzidas na fase 
administrativa associada aos depoimentos colhidos perante a autoridade policial e 
aqueles que se realizaram sob o crivo do contraditório permitem concluir que os 
acusados Gilberto de Oliveira e Jeferson Pereira da Silva praticaram os crimes de roubo”. 
4. Agravo regimental desprovido. 
(STF - AgR RHC: 170101 SC - SANTA CATARINA 0088228-64.2018.3.00.0000, Relator: 
Min. ROBERTO BARROSO, Data de Julgamento: 04/10/2019, Primeira Turma, Data de 
Publicação: DJe-231 24-10-2019) 
 
c) Discorra sobre a utilização de provas ilícitas no processo penal brasileiro. 
O terceiro comando do enunciado pede que você fale sobre a utilização de provas ilícitas 
no processo penal brasileiro. Note que, implicitamente, a Banca espera que você traga uma 
noção do que são provas ilícitas, uma vez que, para falar sobre seu uso, você precisa explicar o 
que elas são. 
Nesse sentido, primeiramente, convém lembrar que a doutrina entende que as provas 
ilícitas são uma espécie do gênero provas proibidas. Em linhas gerais, as provas ilícitas são 
aquelas que violam princípios constitucionais penais (normas de direito material), enquanto as 
provas ilegítimas violam princípios constitucionais processuais (normas de direito 
formal/processual). Para facilitar: 
 
PROVAS PROIBIDAS 
Tipo de direito ofendido Classificação da prova 
Material Ilícitas 
Formal Ilegítima 
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Essa distinção, no entanto, é indiferente em termos de aplicação da lei. Sobre isso, o 
art. 5º, LVI, CF/1988 diz apenas que “LVI - são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas 
por meios ilícitos”. Na mesma linha, o art. 157, caput, Código de Processo Penal traz: 
 
“Art. 157. São inadmissíveis, devendo ser desentranhadas do processo, as provas 
ilícitas, assim entendidas as obtidas em violação a normas constitucionais ou legais”. 
Observa-se, assim, que o dispositivo não distingue provas ilícitas de provas ilegítimas, 
apenas considera como ilícita a prova que viola a norma constitucional ou infraconstitucional, 
pouco importando tratar-se de norma de direito material ou processual. 
Quanto à utilização de provas ilícitas no processo penal brasileiro, existem as 
seguintes teorias: 
a) Teoria da ponderação quanto à inadmissibilidade da prova ilícita ou da 
proporcionalidade ou da razoabilidade ou do sacrifício 
Entende que o magistrado deve, na ponderação de bens jurídicos, dar prevalência 
ao bem jurídico de maior importância. Em outras palavras, entende que, se a prova 
foi obtida para o resguardo de outro bem protegido pela Constituição, de maior valor 
do que aquele resguardado, não há que se falar em ilicitude, devendo ser afastada 
a restrição da inadmissibilidade da prova. 
Assim, alguns doutrinadores defendem o uso da prova ilícita em favor do acusado, 
para demonstrar sua inocência. A ideia é que o “status libertis do réu” é o bem de 
maior importância em casos do tipo. Ainda, destaca-se que prova ilícita não pode ser 
utilizada para demonstrar culpa, pois seus efeitos são limitados à obtenção da 
inocência do réu. É o que explicam TÁVORA e ALENCAR10, para quem a teoria da 
proporcionalidade deve ser invocada para preservar os interesses do acusado, em 
favor da absolvição (concepção da prova ilícita utilizada "pro reo"). 
Sobre o uso da prova ilícia “pro societate”, ensinam CAPEZ e COLNAGO11: 
 
"(...) consiste na admissibilidade das provas ilícitas, quando demonstrada a prevalência 
do interesse público na persecucáo penal, a tendência atual da jurisprudência dos 
Tribunais Superiores é a da sua não adoção. De acordo com esse entendimento, a não 
admissão de mecanismos de flexibilização das garantias constitucionais tem o objetivo 
de preservar o núcleo irredutível de direitos individuais inerentes ao devido processo 
legal, mantendo a atuação do Poder Público dentro dos limites legais. As medidas 
excepcionais de constrição de direitos não podem, assim, ser transformadas em práticas 
comuns de investigação." 
 
b) Teoria dos frutos árvore envenenada ("fruits of the poisonous tree") ou da 
prova ilícita por derivação 
 
Derivada do direito americano, é adotada no Brasil desde 1996, após o julgamento 
de um habeas corpus. Atualmente, a teoria dos frutos da árvore envenenada 
encontra previsão no art. 157, Código de Processo Penal, anteriormente 
mencionado. Ela defende que uma árvore envenenada provoca frutos envenenados; 
em outras palavras, diz que provas que decorrem de uma prova ilícita estão 
igualmente contaminadas. 
 
 
10 TÁVORA, Nestor; ALENCAR, Rosmar Rodrigues. Curso de direito processual penal. 8. Ed. Salvador: 
Ed. JusPODIVM, 2013. 
11 CAPEZ, Fernando; COLNAGO, Rodrigo. Código de processo penal comentado. 1 ed. Ed. Saraiva, 
2015, p. 185. 
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É da leitura do próprioart. 157, Código de Processo Penal, porém, que podem ser 
extraídas quatro teorias que se mostram como exceção. 
 
b1. Teoria da prova absolutamente independente ou limitação da fonte independente: 
o art. 157, § 1, 1ª parte do CPP estabelece que: 
 
“Art. 157. (...) 
§ 1º. São também inadmissíveis as provas derivadas das ilícitas, salvo quando não 
evidenciado o nexo de causalidade entre umas e outras (...)”. 
 
Assim, não havendo nexo de causalidade (relação de dependência) entre a prova ilícita e as 
demais provas que decorreram da ilícita, não haverá contaminação. O processo será 
aproveitado se houver outras provas válidas absolutamente independentes da prova ilícita, 
cabendo ao juiz deferir os limites de interdependência da prova. 
 
b2. Teoria da descoberta inevitável ("inevitable discovery") ou do curso hipotético de 
investigação: o art. 157, § 1º, parte final e § 2ºe § 3º, CPP dispõe: 
 
“Art. 157. (...) 
§ 1º São também inadmissíveis as provas derivadas das ilícitas, salvo quando não 
evidenciado o nexo de causalidade entre umas e outras, ou quando as derivadas 
puderem ser obtidas por uma fonte independente das primeiras. 
§ 2º Considera-se fonte independente aquela que por si só, seguindo os trâmites típicos 
e de praxe, próprios da investigação ou instrução criminal, seria capaz de conduzir ao 
fato objeto da prova. 
§ 3º Preclusa a decisão de desentranhamento da prova declarada inadmissível, esta 
será inutilizada por decisão judicial, facultado às partes acompanhar o incidente”. 
 
Logo, as provas que decorrem de uma prova ilícita não necessariamente estarão 
contaminadas. Assim, serão aproveitadas se ficar demonstrado que elas inevitavelmente 
seriam descobertas de outra maneira, por uma outra fonte autônoma e por meio válido. 
 
b3. Teoria da contaminação expurgada ou da conexão atenuada: defende que, se o 
vínculo entre a prova ilícita e a derivada for irrelevante ou tênue, não haverá contaminação. 
 
b.4 Teoria da boa-fé: busca evitar o reconhecimento da ilicitude da prova quando os agentes 
de polícia ou da persecução penal tiverem atuado destituídos do dolo de infringir a lei, 
pautados em situação de erro. 
 
c) Teoria da exclusão da ilicitude da prova 
 
Defende que a prova, aparentemente ilícita, deve ser tida como lícita quando a 
conduta do agente na sua captação está amparada pelo direito (excludentes de 
ilicitude). Exemplo disso ocorre se o réu violar o domicílio de alguém, conduta 
tipificada como crime nos termos do art. 150 do CP, para produzir prova fundamental 
em favor de sua inocência. A prova será tida como válida, pois ele agiu em estado 
de necessidade (art. 24, CP) ao suprimir bem jurídico alheio (tutela domiciliar) para 
salvaguardar outro bem jurídico (liberdade), em face de um perigo atual (existência 
de persecução penal), ao qual não deu causa, e cujo sacrifício não era razoável 
exigir12. 
 
 
 
 
 
 
 
 
12 Leia mais sobre esse assunto clicando [aqui]. 
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10 
 
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EXEMPLO DE REDAÇÃO 
Prova é tudo aquilo que se utiliza para comprovar o que se alega no processo e, assim, 
corroborar para que o juiz ou tribunal concorde sobre a existência ou inexistência de determinado 
fato. Em outras palavras, ela é um instrumento por meio do qual se tenta convencer o julgador a 
respeito da "verdade" que se está apresentando. Sua produção respeita o princípio do 
contraditório, já que as partes podem produzir contraprovas para questionar o que for 
apresentado. Ainda, é válido lembrar do princípio da comunhão das provas, que defende que a 
prova é do processo, não das partes, já que elas podem ser usadas por ambos os lados para 
convencer o juiz. 
Nesse sentido, convém também falar sobre os sistemas de valoração das provas e as 
formas como podemos reconhecê-los no processo penal brasileiro. O primeiro é o sistema da 
íntima convicção, que entende que a verdade jurídica reside na consciência do juiz, o qual tem 
liberdade plena e absoluta, não precisando motivar sua convicção. Assim, o magistrado pode até 
mesmo se basear em elementos que não estão nos autos e julgar com base em seus conceitos 
preestabelecidos e suas crenças pessoais. Os resquícios de sua existência estão presentes no 
Tribunal do Júri, uma vez que os jurados julgam de acordo com a sua íntima convicção e votam 
os quesitos sem fundamentar. 
O segundo é o sistema da certeza legislativa, que defende que as provas têm valor 
inalterado e fixado, que deriva de lei. Logo, o magistrado apenas aplica as regras, sem nenhum 
tipo de senso crítico. Não há margem para discricionariedade. Sua presença é exceção no 
processo penal brasileiro, sendo encontrada, por exemplo, no art. 158 do CPP, que determina 
que, em casos em que o crime deixe vestígio, é imprescindível a realização do exame de corpo 
de delito. Já o terceiro e último é o do livre convencimento motivado, no qual o juiz tem liberdade 
para decidir, devendo, todavia, motivar sua decisão. Não há hierarquia de importância entre as 
provas, e o juiz pode valorá-las conforme o seu próprio entendimento, precisando, apenas, 
explicar as razões de ter tomado tais decisões. Isso aponta a importância da produção cuidadosa 
das provas, pois seus efeitos são gravosos ao réu, uma vez que podem restringir o direito 
fundamental à liberdade. É o sistema adotado no Brasil. 
Para encerrar, é importante falar sobre a utilização de provas ilícitas. Convém destacar 
que, conforme o art. 5º, LVI da CF/88, as provas obtidas por meios ilícitos são inadmissíveis no 
processo. Algumas teorias, porém, preveem. Conforme a teoria da ponderação quanto à 
inadmissibilidade da prova ilícita, por exemplo, o magistrado deve, na ponderação de bens 
jurídicos, dar prevalência ao bem jurídico de maior importância. Assim, a prova ilícita deve ser 
aceita “pro reo” caso demonstre a inocência do acusado, pois o “status libertis do réu” é o bem 
mais relevante em casos do tipo. Já a teoria dos frutos da árvore envenenada entende que as 
provas obtidas a partir de provas ilícitas – ou seja, de provas obtidas em violação a normas 
constitucionais ou legais – estão contaminadas, sendo provas ilícitas por derivação. Em regra, 
também são inadmissíveis no processo, exceto quando não evidenciado o nexo de causalidade 
entre umas e outras ou quando as derivadas puderem ser obtidas por fontes independentes das 
primeiras (art. 157, § 1º, CPP). 
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1 
CONHECIMENTOS GERAIS 
 
Língua Portuguesa 
 
A gratidão tem o poder de salvar vidas (ou por que 
você deveria escrever aquela nota de agradecimento) 
Richard Gunderman. Tradução: Camilo Rocha 
 
A gratidão pode ser mais benéfica do que 
costumamos supor. Um estudo recente pediu que 
pessoas escrevessem uma nota de agradecimento para 
alguém e depois estimassem o quão surpreso e feliz o 
recebedor ficaria. Invariavelmente, o impacto foi 
subestimado. Outro estudo avaliou os benefícios para a 
saúde de se escrever bilhetes de obrigado. Os 
pesquisadores descobriram que escrever apenas três 
notas de obrigado ao longo de três semanas melhorava 
a satisfação com a vida, aumentava sentimentos de 
felicidade e reduziria sintomas de depressão. 
Existem múltiplas explicações para os benefícios 
da gratidão. Uma é o fato de que expressar gratidão 
encoraja os outros a continuarem sendo generosos, 
promovendo, assim, um ciclo virtuoso de bondade em 
relacionamentos. Da mesma maneira, pessoas 
agradecidas talvez fiquem mais propensas a retribuir com 
seus próprios atos de bondade. Falando de modo mais 
amplo, uma comunidade em que as pessoas se sentem 
agradecidas umas com as outras tem mais chancede ser 
um lugar agradável para se viver do que uma 
caracterizada por suspeição e ressentimento mútuos. 
Os efeitos benéficos da gratidão podem ir ainda 
mais longe. Por exemplo, quando muitas pessoas se 
sentem bem sobre o que outra pessoa fez por elas, elas 
sentem um senso de elevação, com um consequente 
reforço da sua consideração pela humanidade. Alguns se 
inspiram a tentar se tornar também pessoas melhores, 
fazendo mais para ajudar a trazer o melhor nos outros e 
trazendo mais bondade para o mundo à sua volta. 
É claro, atos de bondade também podem 
fomentar desconforto. Por exemplo, se pessoas sentem 
que não são merecedoras de bondade ou suspeitam que 
há algum motivo por trás da bondade, os benefícios da 
gratidão não se realizarão. Do mesmo modo, receber 
bondade pode fazer surgir um senso de dívida, deixando 
nos beneficiários uma sensação de que precisam pagar 
de volta a bondade recebida. A gratidão pode florescer 
apenas se as pessoas têm confiança o suficiente em si 
mesmas e nos outros para permitir que isso aconteça. 
Outro obstáculo para a gratidão é 
frequentemente chamado de senso de merecimento. Em 
vez de sentir um benefício como uma virada boa, as 
pessoas às vezes o veem como um mero pagamento do 
que lhes é devido, pelo qual ninguém merece nenhum 
crédito moral. Ainda que seja importante ver que a justiça 
está sendo feita, deixar de lado oportunidades por 
sentimentos genuínos e expressões de generosidade 
também podem produzir uma comunidade mais 
impessoal e fragmentada. 
Quando Defoe retratou a personagem Robinson 
Crusoe fazendo da ação de graças uma parte diária de 
sua vida na ilha, ele estava antecipando descobertas nas 
ciências sociais e medicina que não apareceriam por 
centenas de anos. Ele também estava refletindo a 
sabedoria de tradições religiosas e filosóficas que têm 
início há milhares de anos. A gratidão é um dos estados 
mentais mais saudáveis e edificantes, e aqueles que a 
adotam como hábito estão enriquecendo não apenas 
suas próprias vidas mas também as vidas daqueles à sua 
volta. 
 
Adaptado de: 
https://www.nexojornal.com.br/externo/2018/08/11/Agratid%C3%A3o-
tem-o-poder-de-salvar-vidas-ou-por-quevoc%C3%AA-deveria-
escrever-aquela-nota-de-agradecimento Acesso em: 04 fev. 2020. 
 
1 
Considere as ideias e informações apresentadas no 
texto e assinale a alternativa INCORRETA. 
 
(A) Os três primeiros parágrafos têm a função de 
apresentar os efeitos positivos da gratidão na vida das 
pessoas. 
(B) A sequência lógica do texto revela que não apenas 
aspectos positivos estão articulados à gratidão, pois, nos 
4º e 5º parágrafos, é apresentado um contraponto aos 
benefícios da gratidão. 
(C) Ocorre uma contradição interna no texto, visto que, 
primeiramente, é apresentada a serventia da gratidão, 
porém, em seguida, o autor se contradiz. 
(D) A referência à obra literária de Dafoe exemplifica, por 
meio da experiência de Robinson Crusoe, que a 
importância do hábito da gratidão não é recente. 
(E) O autor acredita que o atual individualismo na 
sociedade pode ser uma consequência da falta de 
atitudes de agradecimento nas relações pessoais. 
 
Gabarito: C 
 
COMENTÁRIO DO PROFESSOR: 
 
Vamos lá, Caveira. A questão solicita a INCORRETA, ou 
seja, uma só. Todas as outras estão corretas e são 
informações de acordo com o texto. 
 
Caveira, note que o autor não se contradiz, ele só diz que 
NEM SEMPRE “É claro, atos de bondade também podem 
fomentar desconforto. Por exemplo, se pessoas sentem 
que não são merecedoras de bondade ou suspeitam que 
há algum motivo por trás da bondade, os benefícios da 
gratidão não se realizarão.”. 
 
Ele só cita que há alguns atos que podem gerar 
desconforto, isso não significa que é uma contradição. 
 
O ato de individualismo exposto na letra E, apesar de 
estar escrito individualismo, fica claro no penúltimo 
parágrafo. 
 
“Outro obstáculo para a gratidão é frequentemente 
chamado de senso de merecimento. Em vez de sentir um 
benefício como uma virada boa, as pessoas às vezes o 
veem como um mero pagamento do que lhes é devido, 
pelo qual ninguém merece nenhum crédito moral. Ainda 
que seja importante ver que a justiça está sendo feita, 
deixar de lado oportunidades por sentimentos genuínos 
e expressões de generosidade também podem 
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2 
produzir uma comunidade mais impessoal e 
fragmentada.”. 
 
2 
Assinale a alternativa em que a substituição do verbo 
em destaque em “Existem múltiplas explicações para 
os benefícios da gratidão. ” Respeite as normas de 
concordância. 
 
(A) Faz múltiplas explicações para os benefícios da 
gratidão. 
(B) Há múltiplas explicações para os benefícios da 
gratidão. 
(C) A múltiplas explicações para os benefícios da 
gratidão. 
(D) Hão múltiplas explicações para os benefícios da 
gratidão. 
(E) Existe múltiplas explicações para os benefícios da 
gratidão. 
 
Gabarito: B 
 
COMENTÁRIO DO PROFESSOR: 
 
Caveira, vamos lá. 
A) Faz  errado, aqui tem que ser o FAZEM. O verbo 
FAZER tem algumas circunstâncias, porém, o FAZER, 
para ficar impessoal, a grosso modo, quando é tempo 
decorrido. 
 
B) Perfeito. HÁ. Nesse caso está substituindo o verbo 
EXISTEM. 
 
C) A? 
Fica bem sem nexo e o correto é o HÁ. 
 
D) Está errado o hão. Nesse caso o verbo deve vir 
juntamente de outro. Exemplos: hão de comer, hão de 
fazer. 
 
E) Erado. Se a banca já deu o EXISTEM, não tem como 
ser o EXISTE. 
 
3 
Considerando que a oração em destaque se 
classifica como reduzida por não apresentar 
conectivo e por apresentar um verbo em sua forma 
nominal, assinale a alternativa que apresenta um 
desenvolvimento dessa oração com sentido coerente 
e redação adequada. “Uma é o fato de que expressar 
gratidão encoraja os outros a continuarem sendo 
generosos, promovendo assim um ciclo virtuoso de 
bondade em relacionamentos.”. 
 
(A) […] porque promove, assim, um ciclo virtuoso de 
bondade em relacionamentos. 
(B) […] visto que promova, assim, um ciclo virtuoso de 
bondade em relacionamentos. 
(C) […] desde que promova, assim, um ciclo virtuoso de 
bondade em relacionamentos. 
(D) […] quando promove, assim, um ciclo virtuoso de 
bondade em relacionamentos. 
(E) […] se promove, assim, um ciclo virtuoso de bondade 
em relacionamentos. 
 
Gabarito: A 
 
COMENTÁRIO DO PROFESSOR: 
 
Direto ao ponto. 
Vamos lá, Caveira. Acontece ali uma explicação. 
 
Vamos ao trecho todo: “Existem múltiplas explicações 
para os benefícios da gratidão. Uma é o fato de que 
expressar gratidão encoraja os outros a continuarem 
sendo generosos, promovendo, assim, um ciclo virtuoso 
de bondade em relacionamentos. ” 
 
Perceba que ali diz que EXISTEM EXPLICAÇÕES. 
 
Ou seja, ali se tem uma causa para as múltiplas 
explicações. 
 
Portanto, vamos achar a conjunção causal. 
 
A e B são as únicas, porém a B possui um erro de 
concordância. 
 
Não seria o PROMOVA, seria o PROMOVE, como na lera 
A. 
 
Portanto a letra A é a única que se encaixa. 
 
Vamos lá pras outras. 
 
C) Desde que E) Se  ambas são condicionais. 
D) Quando  temporal. 
 
Aquele a mais. 
Caveira, vamos àquele resumo de orações 
subordinadas. 
 
● Oração subordinada adverbial causal. 
É uma oração que transmite a causa, o motivo da oração 
principal. 
Conjunções – Porque, que, porquanto, visto que, uma 
vez que, como. 
 
“O Caveira passou na prova, pois estudou.” [...] 
A causa de ter passado na prova foi ter estudado. 
 
● Oração subordinada adverbial comparativa. 
Como o próprio nome já diz: faz uma comparação. 
Conjunções – Como, mais do que, menos do que, assim 
como. [...] 
 
“Ele estuda mais do que ela”. 
Aqui ocorre uma comparação de quem estuda mais que 
quem. 
 
● Oração subordinada adverbial concessiva. 
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3 
Admite uma contradição ao fato da oração principal. É 
uma permissão, um contraste, uma oposição, porém a 
ação continua. Ou seja, o fato contraditório é incapaz de 
anular a ação. 
 
Conjunções – Embora, conquanto, ainda que, mesmo 
que, se bem que. [...] 
 
“Eu vou estudar, mesmo que no escuro”. 
Perceba que mesmo sem energia, tudo escuro, o Caveira 
se propôs a estudar. Ocorreu uma quebra de expectativa, 
uma adversidade, porém não impediu o autor da frase de 
estudar. 
 
● Oração subordinada adverbial condicional. 
Apresenta uma condição para o fato acontecer ou não. 
Conjunções – Se, salvo se, desde que, exceto se, caso, 
desde, contanto que. [...] 
 
“Caso ela vá, eu irei.”. 
Uma condição para a pessoa ir é que a outra vá. 
 
● Oração subordinada adverbial conformativa. 
Ideia de conformidade, uma regra, um modelo de 
concordância à oração principal. 
Conjunções – Conforme, como, consoante, segundo. [...] 
 
“Segundo o resultado da banca, passei.” 
“Farei o bolo, conforme a receita.” 
 
● Oração subordinada adverbial consecutiva. 
Exprime a consequência da ação. 
Conjunções – Que, tanto que, tão que, tal que, tamanho 
que, de forma que. [...] 
 
“Estudou tanto que passou.” 
A consequência de ter estudado muito foi a aprovação. 
 
● Oração subordinada adverbial final. 
É uma oração que expressa a finalidade, objetivo. 
Conjunções – A fim de que, para que, que. [...] 
 
“Estudou a fim de passar.” 
A finalidade, o objetivo, de estudar é passar. 
 
● Oração subordinada adverbial temporal. 
Exprime circunstância de tempo em relação à oração 
principal. 
Conjunções – Quando, enquanto, agora que, logo que, 
desde que, assim que, tanto que. 
 
Quando ela vier, eu irei. 
Mal li o edital e já saiu o local de prova. 
 
● Oração subordinada adverbial proporcional. 
Passa a ideia de proporção. 
Conjunções – À proporção que, à medida que, ao passo 
que, quanto mais ... que, quanto menos ... menos, quanto 
maior ... maior, quanto maior, menor. [...] 
 
“Ele aprende português à medida que estuda.” 
Ou seja, é uma proporção. De pouco em pouco chega lá. 
 
4 
De acordo com o contexto, a palavra em destaque em 
“[...] uma comunidade […] caracterizada 
por suspeição e ressentimento mútuos.” Significa: 
 
(A) afeição. 
(B) preconceito. 
(C) superstição. 
(D) rancor. 
(E) desconfiança. 
 
 
Gabarito: E 
 
COMENTÁRIO DO PROFESSOR: 
 
Caveira, questão de sinônimos / significados, não tem pra 
onde fugir. 
 
Suspeição  dúvida, suspeita, desconfiança. 
 
Portanto o gabarito é a letra E. 
 
5 
Considerando os usos do “se” no seguinte excerto, 
analise as assertivas e assinale a alternativa que 
aponta as corretas. 
 
“Por exemplo, se pessoas sentem que não são 
merecedoras de bondade ou suspeitam que há algum 
motivo por trás da bondade, os benefícios da 
gratidão não se realizarão. ” 
 
 
I. Nas duas ocorrências, o “se” é um pronome que 
integra o sentido do verbo. 
 
II. Na primeira ocorrência, o “se” tem valor 
condicional. 
 
III. Na segunda ocorrência, o “se” indica que a oração 
está na voz passiva. 
 
IV. Nas duas ocorrências, servem para indeterminar 
os sujeitos verbais. 
 
(A) Apenas I e IV. 
(B) Apenas II e IV. 
(C) Apenas I e II. 
(D) Apenas II e III. 
(E) Apenas I e III. 
 
Gabarito: D 
 
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4 
COMENTÁRIO DO PROFESSOR: 
 
Vamos lá, Caveira. 
 
“Por exemplo, se pessoas sentem que não são 
merecedoras de bondade ou suspeitam que há algum 
motivo por trás da bondade, os benefícios da gratidão 
não se realizarão.”. 
 
No primeiro caso é condição. 
Pode ser substituída por outra conjunção de igual valor. 
O sentido está de condição, exprime uma condição das 
pessoas sentirem ou não. 
 
No segundo caso está na voz passiva. 
 
Você pode substituir por  os benefícios serão 
realizados. 
 
Vamos àquele resumo sobre vozes verbais para 
entender mais do assunto de vozes verbais. 
 
Ação praticada pelo sujeito (VOZ ATIVA). 
Pode indicar uma ação sofrida pelo sujeito (VOZ 
PASSIVA). 
E também pode inferir uma ação praticada e sofrida pelo 
sujeito. (VOZ REFLEXIVA). 
 
 
VOZ ATIVA. 
Aqui o sujeito FAZ ação. 
João estudou pelo Projeto Caveira. 
Cadê o verbo? ESTUDOU, muito bem. 
Quem estudou pelo Projeto Caveira? JOÃO. – SUJEITO. 
 
Nesse caso ocorre uma ação por parte de João? Ou seja, 
ele fez algo ou sofreu algo? 
Ele fez, ele estudou pelo Projeto Caveira. 
Então a voz verbal é ATIVA. 
 
VOZ REFLEXIVA. 
Aqui o sujeito FAZ e SOFRE a ação. É formada por um 
verbo na voz ativa mais um pronome oblíquo reflexivo 
(me, te, se, nos, vos, se) 
Eu me barbeei. 
Cadê o verbo? Está na frase, muito bem. Mas qual é o 
verbo? BARBEEI. 
Show. Quem me barbeei? EU. 
Legal. 
Eu fiz a ação, BARBEEI-ME. E sofri a ação FUI 
BARBEADO. 
 
VOZ PASSIVA. 
Aqui o sujeito sofre a ação. 
 
Há dois tipos de voz passiva. 
Voz Passiva Analítica: sua marca principal é, 
normalmente, a locução verbal formada por 
ser/estar/ficar + particípio 
Exemplos – Eu fui vendido / Ele foi marcado / Nós 
fomos vendidos. 
 
Voz passiva sintética – Possui um verbo conjugado na 
3ª pessoa do singular ou plural juntamente com o 
pronome apassivador SE. 
 
EXEMPLOS – Vendem-se casas / Cantam-se músicas. 
Se você quiser decorar cada uma, apenas decore: (VOZ 
PASSIVA SEntética, pois terá que ter o SE). 
Aqui você pode transpor a voz. 
Casas são vendidas. 
Músicas são cantadas. 
 
Cuidado, somente em orações que sejam possíveis 
fazer essa troca. 
Precisa-se de garçonetes. 
Você não consegue transpor essa voz. 
De garçonetes são precisados. 
Não faz sentido. 
 
Resumo da ópera. 
Voz ativa – faz ação. 
Voz reflexiva – utiliza o pronome SE – faz e sofre a ação. 
Voz passiva SEntética (para lembrar do SE) – utiliza o 
pronome SE. 
Voz passiva analítica – Utiliza os verbos terminados em 
ADO e IDO. 
 
6 
Assinale a alternativa que o termo destacado difere 
dos demais. 
 
(A) Marcos, o novo professor, chegou? 
(B) Professor, você veio cedo? 
(C) Pedro, ex-imperador, sempre esteve presente. 
(D) Ele possui três filhas: Carla, Júlia e Ana. 
(E) O grupo de professores é incrível. 
 
Gabarito: B 
 
COMENTÁRIO DO PROFESSOR: 
 
Caveira, praticamente questão de vocativo e aposto. 
 
A única alternativa que não tem aposto é a letra B, que 
nesse caso é um VOCATIVO. 
 
Vocativo  você fala com alguém. 
Aposto  você fala de alguém. 
 
Vamos lá, letra por letra. 
 
(A) Marcos, o novo professor, chegou? 
APOSTO  eu explico quem é esse MARCOS. 
Caso eu removesse a vírgula depois de professor, tornar-
se-ia um VOCATIVO. 
 
(B) Professor, você veio cedo? 
VOCATIVO  aqui eu pergunto se o professor veio cedo. 
 
(C) Pedro, ex-imperador, sempre esteve presente. 
APOSTO  praticamente igual à letra A. 
 
(D) Ele possui três filhas: Carla, Júlia e Ana. 
APOSTO  explico quem são as três filhas. 
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5 
 
(E) O grupo de professores é incrível. 
Explico de que são os grupos de professores, nesse 
caso, um aposto. 
 
7 
Leia o trecho a seguir. 
“Atualmente, não é possível ter o que se pede. Hoje 
pela manhã, chegamos a um consenso e tudo foi 
liberado.” 
 
Analise os seguintes itens. 
 
I. A primeira vírgula é opcional. 
 
II. A primeira vírgula é obrigatória. 
 
III. A segunda vírgula é opcional. 
 
IV. A segunda vírgula é obrigatória. 
 
A assertiva correta é: 
 
(A) I e II. 
(B) II e IV. 
(C) II e III. 
(D) I e IV. 
(E) I e III. 
 
Gabarito: D 
 
COMENTÁRIO DO PROFESSOR: 
 
Caveira, vamos lá. 
 
● Adjuntoadverbial com até 2 palavras, a vírgula é 
opcional. (Geralmente, estudo – Geralmente estudo.) 
● Adjunto adverbial com 3 ou mais palavras, vírgula é 
obrigatória. (Nos dias atuais, eu estudo). 
 
Portanto fica claro que a primeira vírgula é opcional e a 
segunda é obrigatória. 
 
8 
Assinale a alternativa que a oração seja subordinada 
substantiva subjetiva. 
 
(A) Todos sabemos que choverá amanhã. 
(B) Maria gosta de que cozinhem sempre. 
(C) Eu tenho certeza de que passaremos de ano. 
(D) Meu desejo era que você passasse no concurso. 
(E) É importante que você trabalhe. 
 
Gabarito: E 
 
COMENTÁRIO DO PROFESSOR: 
 
Direto ao ponto. 
Sem enrolar, o resumo abaixo já dará a resposta, bem 
como explicará as outras orações subordinadas 
substantivas. 
 
Orações subordinadas substantivas 
Geralmente as orações subordinadas substantivas são 
acompanhadas das conjunções QUE ou SE. 
 
● Oração subordinada substantiva subjetiva. 
(Tem função de sujeito para a oração principal). 
 
É importante que você trabalhe. 
 
Vamos lá, separe a oração. Tem dois verbos? 
Sim. É e Trabalhe. 
Beleza. 
É importante, tem sujeito? Não, ainda não. 
Beleza, o trecho “é importante” é a oração principal. 
 
Agora veja como é fácil. 
Olhou para a oração principal, não achou sujeito, 
automaticamente a segunda oração é o sujeito. 
 
O sujeito da oração é “Que você trabalhe”. 
 
● Oração Subordinada Substantiva Objetiva Direta. 
Simples, ache o objeto direto. 
 
Todos sabemos que choverá amanhã. 
Separe a oração – verbos. 
Todos sabemos. – Oração Principal. 
Que choverá amanhã. – Oração S.S.O.D. 
 
Olha só: tem sujeito na primeira oração? Sim. 
Quem sabemos? TODOS. Já tem sujeito, então não é 
Subjetiva. 
 
Todos sabemos O QUÊ? – Objetiva direta. 
 
● Oração Subordinada Substantiva Objetiva Indireta. 
 
Maria gosta de que cozinhem sempre. 
 
Há dois verbos? Sim. 
Maria gosta – Oração principal. 
De que cozinhem sempre – Oração S.S.O.I. 
 
Vamos lá. 
Maria gosta, o sujeito é MARIA. Logo não é subjetiva. 
 
Pergunte pro verbo -> gosta de quê? De que cozinhem 
sempre. 
 
Tem preposição? Sim, há preposição. 
Logo se tem preposição é Objetiva Indireta. 
 
● Oração Subordinada Substantiva Completiva 
Nominal. 
 
É aquela que complementa o sentido de um substantivo 
abstrato com preposição. 
 
Eu tenho certeza de que passaremos de ano. 
Oração principal – Eu tenho certeza. 
Aqui até tem objeto direto – certeza. Mas até aí tudo bem. 
 
A outra oração está completando CERTEZA, e certeza é 
substantivo abstrato. 
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6 
 
● Oração Subordinada Substantiva Apositiva. 
 
Função de aposto e está ligado pelos dois pontos. Sim, 
dois pontos. 
Todos pensam a mesma coisa: que eu sou um vitorioso. 
 
● Oração Subordinada Substantiva Predicativa. 
 
Função de predicativo do sujeito. 
Exemplo: Meu desejo era que você passasse no 
concurso. 
 
Oração principal  Meu desejo era 
O predicativo é  que você passasse no concurso. 
 
9 
Assinale a alternativa que esteja no sentido figurado. 
 
(A) Do jeito que ela cozinha, vai fazer meu coração 
derreter. 
(B) O professor tinha mais de 200 provas pra corrigir. 
(C) Ela encarou o garoto. 
(D) A moça abriu a porta do carro e foi viajar. 
(E) Beatriz não tinha nada na sacola. 
 
Gabarito: A 
 
COMENTÁRIO DO PROFESSOR: 
 
Caveira, a única assertiva que passa sentido figurado, 
isto é, conotativo, é a letra A. 
 
Não significa que o coração da pessoa vai ser derretido 
na “frigideira”, mas sim que ele vai se apaixonar por ela. 
 
B) Sentido denotativo. O professor pode ter, sim, mais de 
200 provas, sem problemas nenhum. Aqui não ocorre um 
exagero. 
 
C) Nada de figurado ali. Apenas encarou mesmo. 
 
D) Nesse caso a moça entrou no carro e foi viajar. Utilizou 
o automóvel para fazer uma viagem, não há um sentido 
figurado. 
 
E) Nada na sacola não significa nada no sentido figurado. 
É algo comum, estava com uma sacola e não tinha nada. 
 
10 
Nos itens a seguir é dado uma frase e uma 
classificação delas entre parênteses. Leia-os. 
 
I. A moça está feliz. (Predicado Nominal). 
 
II. Ela chegou cansada. (Predicado Verbo-Nominal). 
 
III. Ela terminou cedo. (Predicado Verbal). 
 
Está correta a assertiva. 
 
(A) I e II. 
(B) II e III. 
(C) I, II e III. 
(D) I. 
(E) II. 
 
Gabarito: C 
 
COMENTÁRIO DO PROFESSOR: 
 
Caveira, o resumo abaixo já explica cada uma e diz o 
porquê de estar certo. Vejamos. 
 
PREDICADOS. 
 
Predicativo do sujeito. 
Simples, é a característica do sujeito. 
Essa característica pode ser ligada por um verbo de 
ligação ou um verbo que determina ação. 
 
Verbos de ligação – determinam a característica do 
sujeito SEM SER uma ação. 
Ela é linda. 
Ela está feliz. 
Ela continua estudiosa. 
Ela permanece alegre. 
 
Note que os verbos presentes não indicam uma ação, ou 
seja, o sujeito não está fazendo uma ação, os verbos são 
de ligação, ligam a característica do sujeito ao sujeito. 
 
Os principais verbos de ligação são: 
ser; 
estar; 
parecer; 
ficar; 
tornar-se; 
continuar; 
andar; 
permanecer. 
 
CUIDADO para não confundir esses verbos com ação. 
Por exemplo. 
 
Ela está linda X Ela está na cozinha. 
 
Note que há uma diferença. 
Ela está linda – ocorre uma característica do sujeito. 
Ela está na cozinha – indica uma ação, onde o sujeito 
está. 
Vamos pegar dois exemplos. 
 
1) Ela continua estudiosa. 
Sujeito? Você já sabe. Pergunte ao verbo. 
Quem continua estudiosa? 
Resposta – ELA. 
Beleza. 
 
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7 
Estudiosa é característica do sujeito, por isso é 
predicativo do sujeito. 
 
O verbo continua, no caso, não indica uma ação, mas 
sim uma ligação da característica do sujeito ao sujeito, 
logo é verbo de ligação. 
 
2) A criança ficou feliz. 
Sujeito? Quem ficou feliz? – Criança. 
 
Feliz – característica do sujeito, portanto, predicativo do 
sujeito. 
 
O verbo FICOU, no caso, não indica uma ação, o verbo 
apenas liga a característica do sujeito ao sujeito, 
consequentemente é verbo de ligação. 
 
Nesse caso, chamamos isso de PREDICADO NOMINAL. 
Ou seja, quando há VERBO DE LIGAÇÃO + 
PREDICATIVO DO SUJEITO = PREDICADO 
NOMINAL. 
 
O verbo nem sempre precisa ser de ligação para ter 
predicativo do sujeito. 
Vamos analisar. 
 
Ela chegou cansada. 
 
Note que o verbo indica uma ação. 
Sujeito – ELA. 
 
Chegou é uma ação, portanto não é verbo de ligação. 
 
Cansada é uma característica do sujeito, pode ser 
chamado de predicativo do sujeito. 
 
Nesse caso chamamos isso de Predicado Verbo-
Nominal, quando o verbo indica ação e característica. 
 
VERBO (AÇÃO) + PREDICATIVO DO SUJEITO = 
PREDICADO VERBO-NOMINAL. 
 
ATENÇÃO: a característica não precisa ser do sujeito. 
Pode ser do OBJETO. 
Achei a aluna calma. 
Quem achei? 
EU – Sujeito. 
Aluna – objeto direto (do verbo ACHAR). 
Calma – característica da aluna. 
 
Quando não há predicativo do sujeito e o verbo só indica 
ação, chamamos de PREDICADO VERBAL. 
 
Exemplo: 
Ela terminou cedo. 
Ela – sujeito. 
Terminou – verbo, indica só ação. 
Cedo – aqui seria predicativo do objeto, mas por hora, 
não precisam saber. Percebam que não há predicativo 
do sujeito. 
 
VERBO SÓ AÇÂO = PREDICADO VERBAL. 
 
Realidade étnica, social, histórica, geográfica, 
cultural, política e Econômica do Estado de Goiás 
 
11 
“Carro de boi ficou pra trás, o trem chegou, tic-tic-
tac cantou forte no quase inóspito cerrado goiano. 
Em 27 de maio de 1912, foi concluída a ponte 
Engenheiro Bethout, 287,5 metros de umaestrutura 
metálica entre os municípios de Araguari (MG) e 
Anhanguera (GO), fazendo a ligação entre os dois 
estados. O tic-tic-tac não chegou sozinho. 
Trouxe progresso. 
Da divisa entre territórios mineiros e goianos, 
os trilhos foram seguindo cerrado adentro. No início 
do século XX, o trem começava a chegar manso por 
essas bandas, correndo solto, deslizando nos trilhos, 
alimentando sonhos, esperanças, desbravando 
novas regiões, integrando o isolado Goiás às regiões 
mais desenvolvidas do Brasil”. 
 
(Mais Goiás. 27.05.2020. disponível em: 
https://www.maisgoias.com.br/ferrovia-goiana-
completa-108-anos-nesta-quarta-27/) . 
 
A construção da ferrovia goiana foi motivada, entre 
outros fatores, pela (o): 
 
(A) Necessidade de escoamento da soja do estado de 
Goiás para o porto de Santos-SP. 
(B) Urgência de uma infraestrutura de transporte para 
subsidiar as atividades da mineração no Centro-Oeste 
brasileiro. 
(C) Objetivo de disseminar a civilização pelo interior do 
país, de economizar tempo em percorrer as distâncias e 
pela importância de integridade do território nacional. 
(D) Carência de meios de transporte que conectem a 
capital federal Brasília a região Sudeste. 
(E) Apoio ao crescente processo de industrialização que 
o estado vivenciava no início do século XX. 
 
Gabarito: C 
 
COMENTÁRIO DO PROFESSOR: 
 
Alternativa A – Incorreta 
A construção da ferrovia goiana ocorreu no início do 
século XX. Na época, o Brasil ainda vivenciava o ciclo 
do café. A modernização da agricultura e a 
intensificação da produção de grãos (soja-milho) no 
estado de Goiás é um fenômeno mais recente, ocorre a 
partir da segunda metade do século XX. 
 
Alternativa B – Incorreta 
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8 
A mineração em Goiás teve o seu ápice em 1750, de 
1751 a 1770 a extração e exploração do ouro foi 
diminuindo drasticamente, do ano de 1770 adiante a 
mineração entrou em decadência. Assim, quando foi 
implantada a primeira linha ferroviária em Goiás, a 
mineração já havia entrado em decadência. 
 
Alternativa C – Correta 
Apesar da posição estratégica e do potencial produtivo 
de Goiás, somente em 1912 são construídos os 
primeiros trilhos no território goiano. 
 
A Estrada de Ferro Goiás (EFG) surge como forma de 
atender as necessidades locais de modernização, mas 
está ligada, sobretudo, à pressão externa exercida pelos 
empresários do Sudeste brasileiro e pelo capital 
internacional no país. 
 
Entre as justificativas para o processo de construção 
das ferrovias interioranas no país, estão: a de 
disseminar a civilização pelo interior de nosso país; 
economizar o tempo gasto em percorrer as 
distâncias; de harmonia com os altos interesses 
políticos e estratégicos; e a percepção de que a grandeza 
deste país está, antes de tudo, na integridade de seu 
território. 
 
A Estrada de Ferro simbolizou para o estado de Goiás 
mais que uma simples infraestrutura de circulação. Ela foi 
à ligação com a metrópole e tudo o que esta pode 
representar. 
 
A estrada de ferro ajudou a fundar municípios; a 
alterar a estrutura fundiária; influenciou a cultura por meio 
da modernização; e provocou mudanças no mercado 
de trabalho. Em outros termos, pode-se afirmar que a 
estrada de ferro alterou significativamente a dinâmica do 
território goiano, uma vez que viabilizou o advento da 
modernização territorial. 
 
Alternativa D – Incorreta 
Na década de 1910, quando foram inaugurados os 
primeiros trilhos em território goiano, a atual capital 
federal – Brasília - não existia. Brasília foi fundada em 
1960. 
 
Alternativa E – Incorreta 
A industrialização no estado de Goiás é um fenômeno 
recente, tornou-se mais evidente a partir da década de 
1970 e intensificou-se na década de 1990, favorecido 
pelos esforços estatais em atrais indústrias. 
 
12 
“O início do processo de ocupação e organização do 
espaço rural goiano dá-se pelo deslocamento 
populacional de Minas Gerais e do Nordeste, no 
início do século XIX, o que permitiu a incorporação 
da Província goiana ao sistema colonial. A primeira 
fase foi marcada pelo ciclo da mineração (1726 – 
1770). Após a decadência dessa atividade (1780) 
ocorreu à dispersão dos colonos pelo espaço rural, 
desenvolvendo a agricultura de subsistência e a 
pecuária extensiva. Essas atividades permitiram uma 
maior mobilidade das relações sociais de trabalho no 
campo. Gradativamente, vários produtos que antes 
eram importados de outras regiões passaram a ser 
produzidos, assim, houve também o 
desenvolvimento do setor artesanal, fortalecendo o 
mercado inter-regional. Todavia, essas mudanças 
não promoveram uma melhor distribuição das 
propriedades rurais”. 
 
(MENDES, E. de P. P. Ocupação e produção no 
Cerrado Goiano: do século XVIII ao XX. In: IX 
Simpósio Nacional do Cerrado. Brasília, 2008). 
 
Em relação aos séculos XIX e XX no território goiano, 
assinale a alternativa INCORRETA: 
 
(A) O fluxo de migrantes vindos de Minas Gerais e do 
Nordeste brasileiro para o Centro-Oeste contribuíram 
para ampliação do sistema econômico agrícola, 
pecuarista e comercial, desde o século XIX. 
(B) Os primeiros núcleos populacionais de Goiás foram 
constituídos por frentes colonizadoras de agricultores do 
Rio Grande do Sul com o objetivo de plantar soja no 
Centro-Oeste. 
(C) A implantação de infraestrutura de transporte e a 
construção de Goiânia e Brasília contribuíram para a 
expansão da fronteira agrícola no estado. 
(D) A região goiana se manteve como fornecedora de 
gado de engorda até o início da década de 1950. 
(E) Com a modernização da agropecuária, a agricultura 
goiana passou por transformações significativas, tendo 
como principal objetivo estreitar relações com o setor 
agrícola e o setor urbano-industrial. 
 
Gabarito: B 
 
COMENTÁRIO DO PROFESSOR: 
 
Caveiras, vamos lembrar que o enunciado pede para 
assinalar a alternativa INCORRETA. 
 
A alternativa ‘A’ apresenta uma afirmação correta. O 
estado de Goiás recebeu deslocamento populacional 
de Minas Gerais e do Nordeste (início do Século XIX) e 
houve dispersão dos colonos pelo espaço rural. 
 
A alternativa ‘B’ possui afirmação INCORRETA. Os 
primeiros núcleos populacionais de Goiás estão 
associados à mineração e foram fundados pelos 
bandeirantes. A expansão da fronteira agrícola na 
região Centro-Oeste e a intensificação do plantio de 
grãos (ex: soja) ocorrem a partir da segunda metade 
do século XX. 
 
A alternativa ‘C’ traz uma afirmação correta. A política 
de Estado de interiorização do desenvolvimento com a 
implantação de uma infraestrutura de transportes nas 
primeiras décadas do século XX e a construção de 
Goiânia e Brasília contribuiu para expansão da 
fronteira agrícola. A implantação de uma infraestrutura 
de transporte (rede ferroviária e construção de rodovias) 
permitiram uma articulação inter-regional e uma 
integração regional. 
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9 
 
A alternativa ‘D’ apresenta uma afirmação correta. 
Com a decadência da mineração e a dispersão dos 
colonos pelo espaço rural, a região goiana manteve-
se como fornecedora de gado de engorda até o início 
da década de 1950. Com a construção das rodovias 
ocorreu a integração regional, que consequentemente 
estimulou a formação de um complexo urbano/rural, que 
passou a consumir os excedentes agrários através do 
setor mercantil. 
 
A alternativa ‘E’ possui uma afirmação correta. A partir 
de segunda metade do século XX, com processo de 
modernização da agropecuária, a agricultura goiana 
passou por transformações significativas. Houve 
crescimentoe especialização da agropecuária em Goiás 
e o incremento do processo de urbanização. As relações 
entre o setor agrícola e o setor urbano-industrial 
ficaram mais estreitas. 
 
13 
“O decreto estadual nº 3359, de 18 de maio de 1933, 
determinou a escolha da região às margens do 
córrego Botafogo, compreendida pelas fazendas 
Crimeia, Vaca Brava e Botafogo, no então município 
de Campinas, para a edificação da nova capital de 
Goiás. Em 24 de outubro de 1933, em local definido 
pelo engenheiro, arquiteto, urbanista e paisagista 
Attilio Corrêa Lima, responsável pelo projeto 
urbanístico da nova capital, Pedro Ludovico lançou a 
pedra fundamental de Goiânia. 
De acordo com relatos históricos, o nome sugerido 
para a nova capital de Goiás teria sido “Petrônia”, em 
homenagem ao seu fundador Pedro Ludovico. O 
jornal O Social havia realizado um concurso cultural 
com seus leitores para o batismo da nova cidade. 
Dois nomes concorreram: Petrônia e Goiânia. O 
primeiro foi escolhido por 68 leitores do jornal, 
enquanto Goiânia obteve menos de 10 votos. Pedro 
Ludovico, no entanto, por razões que ele nunca 
revelou a ninguém, preferiu Goiânia e em decreto de 
2 de agosto de 1935 formalizou o nome da nova 
capital”. 
 
(Prefeitura Municipal de Goiânia. Disponível em: 
https://www.goiania.go.gov.br/sobre-
goiania/historia-de-goiania/). 
 
Antes da construção de Goiânia, a capital do estado 
de Goiás foi: 
 
(A) Campinas. 
(B) Caldas Novas. 
(C) Goiás. 
(D) Brasília. 
(E) Anápolis. 
 
Gabarito: C 
 
COMENTÁRIO DO PROFESSOR: 
 
A cidade Goiás foi a antiga capital do estado de Goiás. 
 
Conectada à Goiânia pela GO-070, a cidade de Goiás 
(popularmente chamada de Goiás Velho) foi fundada nos 
remotos tempos de 1736 por Bartolomeu Bueno da Silva, 
o Anhanguera, que foi um dos mais importantes 
bandeirantes a desbravar o interior do Brasil durante o 
período colonial, ou seja, foi fundada por bandeirantes 
que buscavam índios e ouro. 
 
Goiás cresceu às margens do Rio Vermelho, que corta o 
município - um dos primeiros fundados no Brasil colonial. 
 
14 
Construída inicialmente para 50 mil habitantes, 
Goiânia experimentou um crescimento moderado até 
1955. Entretanto, devido a uma série de fatores, cerca 
de 150 mil pessoas já habitavam a nova capital em 
1965. Apenas da década de 1960, Goiânia ganhou 
cerca de 125 novos bairros e tudo isso exigia mais 
infraestrutura, energia, transporte e escolas. 
Entre um dos fatores que contribuiu para o 
crescimento de Goiânia no período está: 
 
(A) A guerra fiscal desencadeada pela nova constituição 
federal. 
(B) A descoberta de jazidas de ouro no estado de Goiás. 
(C) O fim do ciclo do café no Brasil. 
(D) O processo de desconcentração industrial na região 
sudeste. 
(E) A construção de Brasília. 
 
Gabarito: E 
 
COMENTÁRIO DO PROFESSOR: 
 
Alternativa A – Incorreta 
A guerra fiscal consiste em um fenômeno que tem se 
intensificado a partir dos anos 90, apresentando como 
característica marcante, a disputa entre os Estados pela 
atração de empresas para seus territórios. O enunciado 
aborda o crescimento de Goiânia nas décadas de 
1950 e 1960. 
 
Alternativa B – Incorreta 
A descoberta de ouro no estado de Goiás ocorreu no 
século XVIII. A mineração em Goiás teve o seu ápice 
em 1750, de 1751 a 1770 a extração e exploração do 
ouro foi diminuindo drasticamente, do ano de 1770 
adiante a mineração entrou em decadência, o que 
provocou o abandono de muitos povoados goianos. 
Goiânia foi fundada apenas em 1933. 
 
Alternativa C – Incorreta 
O Ciclo do Café perdurou por mais de 100 anos, entre 
os anos de 1800 e 1930, a cafeicultura se manteve como 
a principal atividade econômica do Brasil. Os processos 
de urbanização e o início da indústria no Brasil estão 
ligados a esse produto. Entretanto, num primeiro 
momento, este processo tem impacto mais 
significativo no estado de São Paulo e na região 
Sudeste. 
 
Alternativa D - Incorreta 
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10 
Historicamente – e ainda nos dias atuais – a região mais 
industrializada do Brasil é o Sudeste, com destaque 
para o eixo Rio-São Paulo, além da região sul. São 
justamente essas áreas que mais perdem 
investimentos atualmente com a guerra fiscal e a 
desconcentração industrial, o que leva muitos 
analistas econômicos a chamar esse processo de 
desconcentração concentrada, haja vista que são poucas 
as áreas que perdem indústrias. A desconcentração 
industrial acontece do Sul e do Sudeste para as demais 
regiões, sobretudo o Nordeste. Mas é importante 
ressaltar que não ocorre apenas uma migração inter-
regional de fábricas, mas também uma interiorização, 
cujo principal efeito é o notável crescimento das 
chamadas cidades médias. A desconcentração 
industrial passa a acontecer, de fato, a partir da 
década de 1990. 
 
Alternativa E – Correta 
Construída inicialmente para 50 mil habitantes, Goiânia 
experimentou um crescimento moderado até 1955. 
Entretanto, devido a uma série de fatores, como a 
chegada da estrada de ferro, em 1951, a retomada da 
política de interiorização de Getúlio Vargas, de 1951 
a 1954, a inauguração da Usina do Rochedo, em 1955, 
e construção de Brasília, de 1954 a 1960, cerca de 150 
mil pessoas já habitavam a nova capital em 1965. Apenas 
da década de 1960, Goiânia ganhou cerca de 125 novos 
bairros e tudo isso exigia mais infraestrutura, energia, 
transporte e escolas. 
 
Raciocínio Lógico 
 
15 
Considere a proposição: “Se gosto de atirar, então 
gosto de comer carne.” Uma proposição logicamente 
equivalente a ela é: 
 
(A) “Não gosto de atirar ou gosto de comer carne.”. 
(B) “Gosto de atirar e de comer carne.”. 
(C) “Gosto de atirar ou não gosto de comer carne.”. 
(D) “Se não gosto de atirar, então não gosto de comer 
carne.”. 
(E) “Se gosto de comer carne, então gosto de atirar.”. 
 
Gabarito: A 
 
COMENTÁRIO DO PROFESSOR 
É necessário seguir as seguintes etapas: 
 
 • 1ª etapa: Analisando a proposição: 
 • Proposição: Se gosto de atirar, então gosto de 
comer carne. 
 • A = gosto de atirar. 
 • “→” = “Se, então”. 
 • B = gosto de comer carne. 
 • Proposição = A→B. 
 
DICA: Equivalência e negação da condicional: 
 
 
Logo, de acordo com a DICA acima, note que a 
proposição: A→B possui como equivalência as seguintes 
proposições: ~B→~A ou ~A∨B. 
 
Portanto: 
 • ~B→~A = Se não gosto de comer carne, então não 
gosto de atirar. 
 • ~A∨B = Não gosto de atirar ou gosto de comer carne. 
 
Os erros das demais alternativas estão sublinhados em 
vermelho (Caso tenha alguma parte que esteja faltando, 
esta estará escrita em caixa alta), veja: 
(B) Gosto de atirar e de comer carne – Totalmente 
errada, não condiz com nenhuma das duas 
equivalências possíveis. 
 
(C) NÃO Gosto de atirar ou não gosto de comer carne. A 
palavra maiúscula: “NÃO” deveria estar descrita na 
proposição e a palavra “não”, em minúsculo, não deveria 
estar descrita na proposição. 
 
(D) Se não gosto de atirar, então não gosto de comer 
carne – A condicional está invertida. 
 
(E) Se NÃO gosto de comer carne, então NÃO gosto de 
atirar - As palavras maiúsculas: “NÃO” deveriam estar 
descritas na proposição. 
 
 • 2ª etapa: Análise final 
Diante do exposto, a alternativa correta corresponde à 
letra A. 
 
 
 
 
 
 
 
 
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11 
16 
A respeito da proposição: “Todo crime tem solução”, 
três peritos apresentaram a negativa dessa 
proposição como segue: 
 
Perito A: “Algum crime não tem solução”. 
 
Perito B: “Todo crime nãotem solução”. 
 
Perito C: “Pelo menos um crime não tem solução”. 
 
Está(ão) correta(s): 
 
(A) Apenas A. 
(B) Apenas B. 
(C) Apenas C. 
(D) Apenas A e C. 
(E) Apenas A e B. 
 
Gabarito: D 
 
COMENTÁRIO DO PROFESSOR: 
 
Dica: Proposições categóricas: 
 
 
 
 
DICA: Negação do quantificador: “TODO”: 
 
 
 
É necessário seguir as seguintes etapas: 
 
 • 1ª etapa: Análise do item: 
 
>> Todo crime tem solução: 
 
 Supondo que A = crime e B = solução, temos: 
 
 
 
 • Proposição: “Todo crime tem solução”. 
 • A = crime. 
 • B = tem solução. 
 
DICA: Negações: 
 
 •Todo A é B → Negações: {
𝟏ª: Algum A não é B
𝟐ª: Pelo menos um A não é B
𝟑ª: Existe A que não é B
 
 
Tomando como base a dica acima, teremos a seguinte 
negação para essa proposição: 
 
 • 1ª Possibilidade: Algum crime não tem solução. 
 • 2ª Possibilidade: Pelo menos um crime não tem 
solução. 
 • 3ª Possibilidade: Existe crime que não tem solução. 
 
Portanto, a negação da proposição: “Todo crime tem 
solução” está corretamente expressa nas alternativas A 
e C. 
 
 • 2ª etapa: Análise final 
Diante do exposto, a alternativa correta corresponde à 
letra D. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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12 
17 
Quatro policiais estão em uma sala e um deles quebra 
um vaso. Ao serem perguntados sobre quem 
quebrou o vaso, eles respondem: 
 
• Joãozinho: Carlinhos quebrou o vaso; 
 
• Pedrinho: eu não quebrei o vaso; 
 
• Carlinhos: Paulinho quebrou o vaso; 
 
• Paulinho: Carlinhos está mentindo. 
 
Sabendo que apenas um dos policiais está mentindo, 
assinale a alternativa correta. 
 
(A) Joãozinho quebrou o vaso e Paulinho está mentindo. 
(B) Pedrinho quebrou o vaso e Paulinho disse a verdade. 
(C) Carlinhos quebrou o vaso e Joãozinho está falando a 
verdade. 
(D) Paulinho quebrou o vaso e Carlinhos disse a verdade. 
(E) Carlinhos quebrou o vaso e Joãozinho está mentindo. 
 
Gabarito: C 
 
COMENTÁRIO DO PROFESSOR 
É necessário seguir as seguintes etapas: 
 
 • 1ª etapa: Análise da alternativa: 
Note que a banca afirma que apenas um dos policiais 
está mentindo, ou seja, devemos procurar dentre as 
sentenças duas que se contradizem. 
 
Perceba que as declarações de Carlinhos e de Paulinho 
se contradizem: 
• Carlinhos: Paulinho quebrou o vaso. 
• Paulinho: Carlinhos está mentindo. (Logo, Paulinho 
não quebrou o vaso). 
 
Dessa forma devemos supor que a declaração de 
Carlinho é verdadeira ou falsa. Vamos iniciar supondo 
que seja verdadeira, caso haja uma contradição iremos 
supor que a declaração é falsa. Assim: 
 
>> Declaração de Carlinhos = Verdadeiro 
Ao supor que a declaração de Carlinhos é verdadeira, 
implicaria automaticamente que Paulinho é mentiroso, 
dessa forma, poderíamos afirmar que Joãozinho disse a 
verdade (“Carlinhos quebrou o vaso”), ou seja, teríamos 
dois policiais quebrando o vaso, o que significa que 
estamos diante de uma contradição. Dessa forma, 
devemos supor que a declaração de Carlinhos é falsa. 
>> Declaração de Carlinhos = Falso 
Não há contradição ao supor que a declaração de 
Carlinhos é falsa, dessa forma, podemos concluir que 
Calinhos é o mentiroso. (Logo, quem quebrou o vaso foi 
Carlinhos). 
 
Portanto, como Carlinhos é o mentiroso, todas as demais 
alternativas são verdadeiras, pois a banca afirma que 
apenas um dos policiais está mentindo. 
 
Logo, podemos concluir que: Carlinhos quebrou o vaso e 
que Joãozinho está falando a verdade, como descrito na 
alternativa C. 
 
 • 2ª etapa: Análise final 
Diante do exposto, a alternativa correta corresponde à 
letra C. 
 
18 
Determinada fábrica produz certo tipo de armamento. 
As armas produzidas são remetidas aos 
consumidores em lotes de 100 armas, mas é possível 
que esses lotes contenham armas defeituosas. 
 
A PCGO decidiu comprar algumas armas, nesse 
cenário avaliaram a qualidade das armas de certo 
lote, assim efetuaram uma amostragem aleatória 
simples sem reposição de 10 armas. 
 
Considerando que o lote examinado pelo cliente 
possui exatamente 4% de armas defeituosas, julgue 
o item subsequente. 
 
A probabilidade de não haver armas defeituosas na 
amostra corresponde a um número entre: 
 
(A) 20% e 30%. 
(B) 31% e 40%. 
(C) 41% e 50%. 
(D) 51% e 60%. 
(E) 61% e 70%. 
 
Gabarito: E 
 
COMENTÁRIO DO PROFESSOR 
 
DICA: Diferença entre arranjo e combinação: 
 
 
 
É necessário seguir as seguintes etapas: 
 
 • 1ª Etapa: Análise do item 
 
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13 
Note que a banca quer saber se a probabilidade de não 
haver armas defeituosas na amostra será inferior a 0,3. 
 
Sendo assim, é necessário seguir as seguintes etapas: 
 
Note que temos 100 armas no lote examinado e dentre 
essas armas, há exatamente 4% de armas defeituosas, 
logo: 
4% de 100 = 4 
 
Logo, são exatamente 4 armas defeituosas. 
 
 • 2ª etapa: Casos possíveis para compor a amostra: 
Como a ordem de escolha das armas para compor a 
amostra NÃO importa, teremos uma combinação. 
 
Como devemos escolher 10 armas em 100 disponíveis, 
teremos uma combinação de 𝐶100,10. Com isso: 
 
𝐶100,10 = 
100!
10! (100 − 10)! 
= 
100!
10! 90! 
 
 
 • 3ª etapa: Casos em que não há armas defeituosas 
para compor a amostra: 
 
Como a ordem de escolha das armas que não são 
defeituosas para compor a amostra NÃO importa, 
teremos uma combinação. 
 
São 4 armas defeituosos e ao total temos 100 armas, 
com isso, as armas não defeituosas serão iguais a 96, 
pois: 
 
100 – 4 = 96 armas. 
 
Dessa maneira, devemos escolher 10 armas dentre 96 
armas, logo teremos uma combinação de 𝐶96,10. Com 
isso: 
 
𝐶96,10 = 
96!
10! (96 − 10)! 
= 
96!
10! 86! 
 
 
 • 4ª etapa: Como a banca quer saber qual é a 
probabilidade de não haver armas defeituosas na 
amostra, temos: 
P = 
96!
10! 86! 
 
100!
10! 90! 
 
 
OBS: Quando for fazer a divisão de uma fração por outra 
fração, basta multiplicar a fração de cima, pelo inverso da 
fração de baixo. 
 
Exemplo 1: 
5
4 
2 
= 
5
4 
 x 
1
2 
= 
5
8 
. 
 
Note que nesse caso o 2 embaixo é como se fosse 
2
1
=
2, por isso o inverso de 
2
1
 é igual a 
1
2 
. 
 
Exemplo 2: 
4
3
5
4 
= 
4
3
 x 
4
5
= 
16
15 
. 
 
Voltando ao item, temos: 
 
P = 
96!
10! 86! 
 
100!
10! 90! 
= 
96!
10! 86! 
∗ 
10! 90!
 100!
 
 
P = 
96!
 86! 
∗ 
90 x 89 x 88 x 87 x 86!
100 x 99 x 98 x 97 x 96! 
 
 
P =
90 x 89 x 88 x 87
100 x 99 x 98 x 97 
= 
61324560
94109400 
 
 
P ≈ 0,651 ≈ 65,1% 
 
Portanto, a probabilidade de não haver armas 
defeituosas na amostra será igual a 65,1%. 
 
 • 5ª etapa: Análise final: 
Diante do exposto, a alternativa correta corresponde a 
letra E. 
 
19 
A Polícia Civil do Estado do Goiás estava no interior 
de uma mata na perseguição de um foragido 
chamado Lázaro. 
 
Os peritos estipularam que a sua possível localização 
estava descrita em uma circunferência com a 
seguinte equação: (𝒙 − 𝟏)𝟐 + (𝒚 + 𝟑)𝟐 = 𝟒. 
 
A área do círculo cuja circunferência tem a equação 
demonstrada acima corresponde a: 
 
(A) 16π. 
(B) 4π. 
(C) 3π. 
(D) 2π. 
(E) π. 
 
Gabarito: B 
 
COMENTÁRIO DO PROFESSOR: 
 
DICA: Equação reduzida da circunferência: 
 
 
 
É necessário seguir as seguintes etapas: 
 
 • 1ª etapa: Analisando o item: 
 
Note que a equação reduzida da circunferência possui a 
seguinte forma: 
 
(𝑥 − 𝑥𝑐)2 + (𝑦 − 𝑦𝑐)2 = 𝑟2 
 
(𝑥 − 1)2 + (𝑦 + 3)2 = 4 
 
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14 
Note que 𝑥𝑐 e 𝑦𝑐 correspondem as medidas do centro e r 
é a medida do raio. Logo, temos que: 
 
𝑟2 = 4 
𝑟 = √4 = 2 
 
Assim, temos que a área de um círculo com raio r 
corresponde a: 
Á𝑟𝑒𝑎 = 𝜋 𝑟2 
 
Á𝑟𝑒𝑎 = 𝜋 22 
 
Á𝑟𝑒𝑎 = 4 𝜋 
 
 • 2ª etapa: Análise final: 
Diante do exposto, a alternativa correta corresponde à 
letra B. 
 
CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS 
 
Noções de Direito Administrativo 
 
20 
Concernente à Lei n. º 14.133/2021 (Nova Lei de 
Licitações), notadamente acerca da modalidade 
diálogo competitivo, assinale a alternativa que 
apresenta as disposições corretas que deverão ser 
observadas. 
 
(A) A Administração apresentará, por ocasião da 
divulgação do edital em sítio eletrônico oficial, suas 
necessidades e as exigências já definidas e estabelecerá 
prazo mínimo de 20 (vinte) dias úteis para manifestação 
de interesse na participação da licitação. 
(B) O edital não poderá prever a realização de fases 
sucessivas, caso em que cada fase poderá restringir as 
soluções ou as propostas a serem discutidas. 
(C) A Administração deverá, ao declarar que o diálogo 
foi concluído, juntar aos autos do processo licitatório os 
registros e as gravações da fase de diálogo, iniciar a fase 
competitiva com a divulgação de edital contendo a 
especificação da solução que atenda às suas 
necessidades e os critérios objetivos a serem utilizados 
para seleção da proposta mais vantajosa e abrir prazo, 
não inferior a 30 (trinta) dias úteis, para todos os licitantes 
pré-selecionados na forma do inciso II deste parágrafo 
apresentarem suas propostas, que deverão conter os 
elementos necessários para a realização do projeto 
(D) O diálogo competitivo será conduzido por comissão 
de contratação composta de pelo menos 2 (dois) 
servidores efetivos ou empregados públicos 
pertencentes aos quadros permanentes da 
Administração, admitida a contratação de profissionais 
para assessoramento técnico da comissão 
(E) Os critérios empregados para pré-seleção dos 
licitantes deverão ser previstos em edital, e serão 
admitidos todos os interessados que preencherem os 
requisitos objetivos estabelecidos. 
 
Gabarito: E 
 
COMENTÁRIO DO PROFESSOR: 
 
Caveiras, a presente questão versa sobre o ponto 6 
Licitações e contratos administrativos: Lei Federal nº 
14.133/2021. (Através de retificação realizada no 
edital do certame). 
 
Alternativa A – incorreta. 
Devemos ficar atentos aos prazos expostos na Nova Lei 
de Licitações, conforme se observa: 
 
“Art. 32 (...) 
§1º Na modalidade diálogo competitivo, serão 
observadas as seguintes disposições: 
I - a Administração apresentará, por ocasião da 
divulgação do edital em sítio eletrônico oficial, suas 
necessidades e as exigências já definidas e estabelecerá 
prazo mínimo de 25 (vinte e cinco) dias úteis para 
manifestação de interesse na participação da licitação; ” 
 
Alternativa B – incorreta. 
Diverso do previsto na norma de regência, a saber: 
 
“Art. 32 (...) 
§1º Na modalidade diálogo competitivo, serão 
observadas as seguintes disposições: (...) 
 
“VII - o edital poderá prever a realização de fases 
sucessivas, caso em que cada fase poderá restringir as 
soluções ou as propostas a serem discutidas; ” 
 
Alternativa C – incorreta. 
Também diverso ao previsto na Nova Lei de Licitações, 
vejamos: 
 
“Art. 32 (...) 
§1º Na modalidade diálogo competitivo, serão 
observadas as seguintes disposições: (...) 
 
VIII - a Administração deverá, ao declarar que o diálogo 
foi concluído, juntar aos autos do processo licitatório os 
registros e as gravações da fase de diálogo, iniciar a fase 
competitiva com a divulgação de edital contendo a 
especificação da solução que atenda às suas 
necessidades e os critérios objetivos a serem utilizados 
para seleção da proposta mais vantajosa e abrir prazo, 
não inferior a 60 (sessenta) dias úteis, para todos os 
licitantes pré-selecionados na forma do inciso II deste 
parágrafo apresentarem suas propostas, que deverão 
conter os elementos necessários para a realização do 
projeto;” 
 
Alternativa D – incorreta. 
Fiquemos atentos também aos números de integrantes 
dispostos na Lei de Licitações, conforme se depreende: 
 
“Art. 32 (...) 
§1º Na modalidade diálogo competitivo, serão 
observadas as seguintes disposições: 
 
XI - o diálogo competitivo será conduzido por comissão 
de contratação composta de pelo menos 3 (três) 
servidores efetivos ou empregados públicos 
pertencentes aos quadros permanentes da 
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15 
Administração, admitida a contratação de profissionais 
para assessoramento técnico da comissão; ” 
 
Alternativa E – correta. 
Nos exatos termos da Lei n.º 14.133/2021, que aduz: 
 
“Art. 32 (...) 
§1º Na modalidade diálogo competitivo, serão 
observadas as seguintes disposições: 
 
II - os critérios empregados para pré-seleção dos 
licitantes deverão ser previstos em edital, e serão 
admitidos todos os interessados que preencherem 
os requisitos objetivos estabelecidos; ” 
 
21 
Acerca da Improbidade Administrativa, assinale a 
alternativa correta. 
 
(A) Os agentes políticos, com exceção do Presidente da 
República, encontram-se sujeitos a duplo regime 
sancionatório, de modo que se submetem tanto à 
responsabilização civil pelos atos de improbidade 
administrativa quanto à responsabilização político-
administrativa por crimes de responsabilidade. 
(B) Nas ações de ressarcimento ao erário e improbidade 
administrativa ajuizadas em face de eventuais 
irregularidades praticadas na utilização ou prestação de 
contas de valores decorrentes de convênio federal, o 
simples fato das verbas estarem sujeitas à prestação de 
contas perante o Tribunal de Contas da União, por si só, 
justifica a competência da Justiça Federal. 
(C) Comete ato de improbidade administrativa o médico 
que cobra honorários por procedimento realizado em 
hospital privado que também seja conveniado à rede 
pública de saúde, desde que o atendimento não seja 
custeado pelo próprio sistema público de saúde. 
(D) Ao particular não se aplica o mesmo regime 
prescricional previsto na lei de improbidade 
administrativa para os agentes públicos. 
(E) Para que o terceiro seja responsabilizado pelas 
sanções da Lei nº 8.429/92 é dispensável que seja 
identificado algum agente público como autor da prática 
do ato de improbidade. 
 
Gabarito: A 
 
COMENTÁRIO DO PROFESSOR: 
 
Caveiras, a questão versa sobre os pontos 7 
Improbidade administrativa. 9 Súmulas, 
jurisprudência dominante dos Tribunais Superiores e 
legislação relacionada com os temas. (Através de 
retificação realizada no edital do certame). 
 
Alternativa A – correta. 
Conforme jurisprudência, a saber: 
 
- A ação de improbidade contra agentes políticos é de 
competência do juízo de 1ª instância. 
Os agentes políticos, com exceção do Presidente da 
República, encontram-se sujeitos a DUPLO REGIME 
SANCIONATÓRIO, de modo que se submetem tanto 
à responsabilização civil pelos atos de improbidade 
administrativa quanto à responsabilização político-
administrativa por crimes de responsabilidade. 
O foro especial por prerrogativa de função previsto na 
Constituição Federal em relação às infrações penais 
comuns não é extensível às ações de improbidade 
administrativa. 
STF. Plenário. Pet 3240 AgR/DF, rel. Min. Teori Zavascki, 
red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso, julgado em 10/5/2018 
(Info 901). 
 
A ação de improbidade administrativa deve ser 
processada e julgada nas instâncias ordinárias, ainda 
que proposta contra agente político que tenha foro 
privilegiado no âmbito penal e nos crimes de 
responsabilidade. 
STJ. Corte Especial. AgRg na Rcl 12514-MT, Rel. Min. 
Ari Pargendler, julgado em 16/9/2013 (Info 527). 
 
Obs.: Em 2008,o STF havia decidido que a competência 
para julgar ação de improbidade administrativa proposta 
contra Ministro do STF seria do próprio STF (Pet 3211/DF 
QO). Entendeu-se que haveria um desvirtuamento do 
sistema se um juiz de grau inferior pudesse decretar a 
perda do cargo de um magistrado de Tribunal Superior. 
Assim, em regra, não há foro por prerrogativa de função 
em ação de improbidade administrativa, salvo no caso de 
Ministro do STF. 
Durante os debates da Pet 3240/DF, o STF não se 
manifestou expressamente sobre as ações de 
improbidade propostas contra Ministros do STF. Assim, 
para a maioria, essa exceção construída na Pet 3211/DF 
QO ainda persiste. 
 
Alternativa B – incorreta. 
Diverso ao disposto na jurisprudência, vejamos: 
 
- Improbidade e verbas transferidas pela União ao 
município. 
Nas ações de ressarcimento ao erário e improbidade 
administrativa ajuizadas em face de eventuais 
irregularidades praticadas na utilização ou prestação de 
contas de valores decorrentes de convênio federal, o 
simples fato das verbas estarem sujeitas à prestação de 
contas perante o Tribunal de Contas da União, por si só, 
NÃO justifica a competência da Justiça Federal. 
 
Igualmente, a mera transferência e incorporação ao 
patrimônio municipal de verba desviada, no âmbito civil, 
não pode impor de maneira absoluta a competência da 
Justiça Estadual. Se houver manifestação de interesse 
jurídico por ente federal que justifique a presença no 
processo, (v.g. União ou Ministério Público Federal) 
regularmente reconhecido pelo Juízo Federal nos termos 
da Súmula 150/STJ, a competência para processar e 
julgar a ação civil de improbidade administrativa será da 
Justiça Federal. 
As Súmulas 208 e 209 do STJ provêm da 3ª Seção do 
STJ e versam hipóteses de fixação da competência em 
matéria penal, em que basta o interesse da União ou de 
suas autarquias para deslocar a competência para a 
Justiça Federal, nos termos do inciso IV do art. 109 da 
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16 
CF. Logo, não podem ser utilizadas como critério para as 
demandas cíveis. 
Diante disso, é possível afirmar que a competência cível 
da Justiça Federal deve ser definida em razão da 
presença das pessoas jurídicas de direito público 
previstas no art. 109, I, da CF/88 na relação processual, 
seja como autora, ré, assistente ou oponente e não em 
razão da natureza da verba federal sujeita à fiscalização 
do TCU. 
Assim, em regra, compete à Justiça Estadual processar 
e julgar agente público acusado de desvio de verba 
recebida em razão de convênio firmado com a ente 
federal, salvo se houver a presença das pessoas 
jurídicas de direito público previstas no art. 109, I, da 
CF/88 na relação processual. 
STJ. 1ª Seção. CC 142354/BA, Rel. Min. Mauro Campbell 
Marques, julgado em 23/09/2015. 
STJ. 1ª Seção. AgRg no CC 133.619/PA, Rel. Min. Sérgio 
Kukina, julgado em 09/05/2018. 
 
Alternativa C – incorreta. 
Diverso ao disposto na jurisprudência, vejamos: 
 
- O agente público deve ter praticado o ato nessa 
qualidade. 
NÃO comete ato de improbidade administrativa o médico 
que cobra honorários por procedimento realizado em 
hospital privado que também seja conveniado à rede 
pública de saúde, desde que o atendimento não seja 
custeado pelo próprio sistema público de saúde. 
Em outras palavras, médico de hospital conveniado com 
o SUS que cobra do paciente por uma cirurgia que já foi 
paga pelo plano de saúde não pratica improbidade 
administrativa. 
STJ. 1ª Turma. REsp 1414669-SP, Rel. Min. Napoleão 
Nunes Maia Filho, julgado em 20/2/2014 (Info 537). 
 
Alternativa D – incorreta. 
Vejamos o que realmente dispõe o enunciado de súmula 
do STJ, que assevera: 
 
- Súmula nº 634, STJ: “Ao particular aplica-se o mesmo 
regime prescricional previsto na lei de improbidade 
administrativa para os agentes públicos. ” 
 
Alternativa E – incorreta. 
Fiquemos atentos aos termos nas alternativas, 
principalmente expressões sinônimas, que são as mais 
propícias a cairmos em uma leitura apressada no 
momento de resolução da prova. 
 
Vejamos: 
 
- Impossibilidade de ação apenas contra o terceiro. 
É possível imaginar que exista ato de improbidade com a 
atuação apenas do "terceiro” (sem a participação de um 
agente público)? É possível que, em uma ação de 
improbidade administrativa, o terceiro figure sozinho 
como réu? 
Para que o terceiro seja responsabilizado pelas sanções 
da Lei nº 8.429/92 é INDISPENSÁVEL que seja 
identificado algum agente público como autor da prática 
do ato de improbidade. 
Assim, não é possível a propositura de ação de 
improbidade exclusivamente contra o particular, sem a 
concomitante presença de agente público no polo 
passivo da demanda. 
STJ. 1ª Turma. REsp 1.171.017-PA, Rel. Min. Sérgio 
Kukina, julgado em 25/2/2014 (Info 535). 
 
22 
Consoante às disposições constitucionais referentes 
aos servidores públicos, bem como às súmulas, e 
jurisprudência dominante dos Tribunais Superiores 
acerca da temática em tela, assinale a alternativa 
incorreta. 
 
(A) O servidor reintegrado deve ser ressarcido dos 
vencimentos a que faria jus desde o desligamento 
indevido, a fim de restabelecer a situação injustamente 
desconstituída. 
(B) É inconstitucional a norma estadual pela qual se 
impõe demissão por ineficiência no serviço público, 
apurada em processo administrativo disciplinar, ainda 
que assegurada a ampla defesa. 
(C) O mero transcurso do período de 3 (três) anos do 
estágio probatório não gera, automaticamente, direito à 
estabilidade. 
(D) Nos processos perante o Tribunal de Contas da União 
asseguram-se o contraditório e a ampla defesa quando 
da decisão puder resultar anulação ou revogação de ato 
administrativo que beneficie o interessado, excetuada a 
apreciação da legalidade do ato de concessão inicial de 
aposentadoria, reforma e pensão. 
(E) Não cabe ao Poder Judiciário, que não tem função 
legislativa, aumentar qualquer verba de servidores 
públicos de carreiras distintas sob o fundamento de 
isonomia, tenham elas caráter remuneratório ou 
indenizatório. 
 
Gabarito: B 
 
COMENTÁRIO DO PROFESSOR: 
 
Combatentes, a questão versa sobre os pontos 8 
Agentes Públicos: disposições constitucionais 
referentes aos servidores públicos. 9 Súmulas, 
jurisprudência dominante dos Tribunais Superiores e 
legislação relacionada com os temas. (Através de 
retificação realizada no edital do certame). 
 
 
Alternativa A – correta. 
Conforme julgado a seguir: 
 
- Servidor reintegrado deve ser ressarcido dos 
vencimentos e vantagens devidas durante o período de 
afastamento. 
O servidor reintegrado deve ser ressarcido dos 
vencimentos a que faria jus desde o desligamento 
indevido, a fim de restabelecer a situação 
injustamente desconstituída. 
STJ. 2ª Turma. AgInt no AREsp 1285218/CE, Rel. Min. 
Mauro Campbell Marques, julgado em 11/09/2018. 
 
Alternativa B – incorreta. 
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17 
Vejamos o julgado recente que disciplina o tema da 
alternativa: 
 
- É CONSTITUCIONAL a norma estadual pela qual se 
impõe demissão por ineficiência no serviço público, 
apurada em processo administrativo disciplinar, 
assegurada a ampla defesa (nos termos do inc. II do § 1º 
do art. 41 da CF/88). 
 
No caso que chegou ao STF, havia uma lei estadual de 
São Paulo com a finalidade de avaliação de desempenho 
que pode resultar na anotação de elogio em prontuário, 
aferição do mérito dos integrantes da carreira para fins 
de promoção e demissão por ineficiência decorrente de 
descumprimento de dever funcional que, no caso, 
subsuma-se à hipótese doinc. II do § 1º do art. 41 da 
Constituição (perda do cargo por processo administrativo 
disciplinar, assegurada a ampla defesa). 
 
Cuidado: não se está disciplinando procedimento 
autônomo de avaliação periódica de desempenho 
prevista no inc. III do § 1º do art. 41 da Constituição da 
República o que contraria a repartição de competências, 
pois é de competência da União. 
No caso, trata-se de hipótese prevista no inc. II do § 1º 
do art. 41 da Constituição da República que não equivale 
à perda de cargo público por avaliação de desempenho 
a que se refere o inc. III do § 1º do art. 41 da Constituição 
da República. 
STF. Plenário. ADI 5437, Relatora Min. Carmem Lúcia, 
julgado em 23/11/2020. 
 
Alternativa C – correta. 
Vejamos: 
 
- O mero transcurso do período de 3 anos do estágio 
probatório não gera, automaticamente, direito à 
estabilidade. 
O art. 41 da Constituição Federal estabelece que são 
requisitos básicos a serem apurados no estágio 
probatório: 
"I - Idoneidade moral; II - assiduidade e pontualidade; III 
- disciplina; IV- eficiência; V - aptidão" (§ 1º). Dessa 
forma, findo o período do estágio probatório - três (3) 
anos de efetivo exercício, a estabilidade do servidor no 
serviço público não se dará de forma automática. Isso 
porque o § 4º do art. 41 da CF/88 impõe como condição 
obrigatória para a aquisição da estabilidade a avaliação 
especial de desempenho por comissão instituída para 
essa finalidade. 
STJ. 1ª Turma. AgInt no RMS 52.138/GO, Rel. Min. 
Benedito Gonçalves, julgado em 08/06/2020. 
 
Alternativa D – correta. 
Nos moldes da Súmula Vinculante n.º 3, do Supremo 
Tribunal Federal, que assim assevera: 
 
- Súmula Vinculante nº 3: “Nos processos perante o 
Tribunal de Contas da União asseguram-se o 
contraditório e a ampla defesa quando da decisão 
puder resultar anulação ou revogação de ato 
administrativo que beneficie o interessado, 
excetuada a apreciação da legalidade do ato de 
concessão inicial de aposentadoria, reforma e 
pensão. ” 
 
Alternativa E – correta. 
De acordo Tese n. º 600 de repercussão geral, vejamos: 
 
- A vedação da SV 37 se aplica tanto para as verbas 
remuneratórias como também para as parcelas de 
caráter indenizatório. 
Não cabe ao Poder Judiciário, que não tem função 
legislativa, aumentar qualquer verba de servidores 
públicos de carreiras distintas sob o fundamento de 
isonomia, tenham elas caráter remuneratório ou 
indenizatório. 
A vedação da Súmula Vinculante 37 se aplica tanto para 
as verbas remuneratórias como também para as parcelas 
de caráter indenizatório. Logo, a SV 37 também proíbe 
que Poder Judiciário equipare o auxílio-alimentação, ou 
qualquer outra verba desta espécie, com fundamento na 
isonomia. 
STF. Plenário. RE 710293, Rel. Luiz Fux, julgado em 
16/09/2020 (Repercussão Geral – Tema 600) (Info 998 – 
clipping). 
 
Imperioso colacionar o texto da súmula vinculante n. º 37 
para estudo e fixação, a seguir: 
 
- Súmula Vinculante nº 37: “Não cabe ao Poder 
Judiciário, que não tem função legislativa, aumentar 
vencimentos de servidores públicos sob fundamento de 
isonomia. ” 
 
23 
Acerca da Lei Estadual nº 20.756/2020, assinale a 
alternativa incorreta. 
 
(A) Os concursos para provimento de cargos que, pela 
especificidade de suas atribuições, com as exceções 
previstas em lei, sejam privativos de determinado órgão 
serão realizados sob a direção do respectivo titular, com 
a supervisão e homologação do titular do Órgão Central 
de Gestão de Pessoal. 
(B) Na hipótese de já editado o ato de remoção ou 
disposição e o servidor vier a se afastar por licença para 
tratamento de saúde, por motivo de doença em pessoa 
da família, maternidade ou paternidade, o prazo a que se 
refere este artigo será contado a partir do término do 
impedimento. 
(C) A ajuda de custo destina-se, entre outas, a 
compensar as despesas do servidor que, por iniciativa 
própria, tenha obtido bolsa de estudo ou inscrição em 
cursos fora do Estado ou no exterior, desde que a 
modalidade de que trate seja correlata à sua formação e 
atividade profissional no serviço público estadual, na 
forma do regulamento. 
(D) O substituto assumirá automática e cumulativamente, 
sem prejuízo daquele que ocupa, o exercício do cargo de 
direção, chefia e assessoramento integrante da estrutura 
básica ou complementar, nos afastamentos e 
impedimentos legais ou regulamentares do titular e fará 
jus à retribuição pelo exercício do mesmo, paga na 
proporção dos dias de efetiva substituição, em detrimento 
da contraprestação pelo cargo definitivamente ocupado 
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18 
pelo substituto, sendo - lhe facultada a opção pela 
remuneração ou subsídio apenas do cargo que ocupa 
(E) Uma vez encerrada a fase instrutória do processo 
administrativo de exoneração, com a apresentação do 
relatório final da comissão processante, será ele 
encaminhado, com a manifestação conclusiva do titular 
do órgão ou da entidade de origem do servidor, à decisão 
final do Chefe do Poder Executivo. 
 
Gabarito: C 
 
COMENTÁRIO DO PROFESSOR: 
 
Guerreiros(as), a questão versa sobre o ponto 8.1 Lei 
Estadual nº 20.756/2020. (Através de retificação 
realizada no edital do certame). 
 
Alternativa A – correta. 
Conforme do disposto na Lei Estadual n. º 20.756/2020, 
a saber: 
 
“Art. 17 (...) 
 
§ 3º Os concursos para provimento de cargos que, pela 
especificidade de suas atribuições, com as exceções 
previstas em lei, sejam privativos de determinado órgão 
serão realizados sob a direção do respectivo titular, com 
a supervisão e homologação do titular do Órgão Central 
de Gestão de Pessoal. ” 
 
Alternativa B – correta. 
Segundo o disposto na Lei Estadual n. º 20.756/2020, a 
seguir: 
 
“Art. 29 (...) 
 
§ 1º Na hipótese de já editado o ato de remoção ou 
disposição e o servidor vier a se afastar por licença para 
tratamento de saúde, por motivo de doença em pessoa 
da família, maternidade ou paternidade, o prazo a que se 
refere este artigo será contado a partir do término do 
impedimento. ” 
 
Alternativa C – incorreta. 
O erro da alternativa está pelo fato que referido texto fazia 
parte do inciso III, do artigo 107, ao qual fora revogado 
pela Lei n. 20.943, de 29 de dezembro de 2020. 
Logo, devemos ficar alertas às inovações e atualizações 
da legislação constante em nosso edital do certame. 
 
Vejamos: 
 
“Art. 107. A ajuda de custo destina-se a compensar as 
despesas: (...) 
 
III - do servidor que, por iniciativa própria, na forma do 
parágrafo único do art. 176, tenha obtido bolsa de estudo 
ou inscrição em cursos fora do Estado ou no exterior, 
desde que a modalidade de que trate seja correlata à sua 
formação e atividade profissional no serviço público 
estadual, na forma do regulamento; 
- Revogado pela Lei nº 20.943, de 29-12-2020, art. 3º, 
I, b. 
 
Alternativa D – correta. 
De acordo o disciplinado na Lei Estadual nº 20.756/2020, 
que aduz: 
 
“Art. 32 (...) 
 
§ 1º O substituto assumirá automática e 
cumulativamente, sem prejuízo daquele que ocupa, o 
exercício do cargo de direção, chefia e assessoramento 
integrante da estrutura básica ou complementar, nos 
afastamentos e impedimentos legais ou regulamentares 
do titular e fará jus à retribuição pelo exercício do mesmo, 
paga na proporção dos dias de efetiva substituição, em 
detrimento da contraprestação pelo cargo definitivamente 
ocupado pelo substituto, sendo - lhe facultada a opção 
pela remuneração ou subsídio apenas do cargo que 
ocupa.” 
 
Alternativa E – correta. 
Nos moldes da Lei Estadual n. º 20.756/2020, a saber: 
 
“Art. 35 (...) 
 
§ 2º Uma vez encerrada a fase instrutória do processo 
administrativo de exoneração, com a apresentação do 
relatório final da comissão processante, será ele 
encaminhado, com a manifestação conclusiva do titular 
do órgão ouda entidade de origem do servidor, à decisão 
final do Chefe do Poder Executivo. ” 
 
24 
Acerca do poder de polícia, assinale a alternativa 
correta. 
 
(A) Ele possibilita a aplicação de sanções dentro da 
estrutura administrativa, isto é, internamente, sendo este 
poder a base para a aplicação de penalidades aos 
servidores infratores bem como às pessoas sujeitas à 
disciplina administrativa. 
(B) Tem na autoexecutoriedade, a possibilidade de 
imposição unilateral da vontade administrativa. 
(C) Tem como um de seus ciclos (fases) as “sanções”, 
que são as normas gerais impostas para o exercício de 
determinadas atividades. 
(D) Pode ser delegado para uma pessoa jurídica de 
direito privado. Para isso, dentre outros requisitos, a 
pessoa jurídica precisa exercer serviços de atuação 
próprios do Poder Público, em caráter não concorrencial. 
(E) Depende de autorização prévia do Poder Judiciário 
para ser aplicado, pois apenas com autorização judicial é 
que pode haver limitação das atividades dos particulares. 
 
Gabarito: D 
 
COMENTÁRIO DO PROFESSOR: 
 
Caveiras, a questão aborda o ponto 4 Poderes 
administrativos. 4.1 Poder hierárquico. 4.2 Poder 
disciplinar. 4.3 Poder regulamentar. 4.4 Poder de 
polícia. 4.5 Uso e abuso do poder. 
 
Alternativa A – incorreta. 
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19 
Pois o poder de polícia não tem aplicação interna! Ele é 
a prerrogativa da Administração em limitar ou condicionar 
o exercício dos direitos individuais, como afirma o art. 78, 
CTN. E, a sua incidência é sobre pessoas que não 
possuam vínculo jurídico específico com a Administração 
Pública. 
 
Alternativa B – incorreta. 
Na verdade, é a coercibilidade a característica que 
possibilita a imposição unilateral das medidas oriundas 
do poder de polícia, podendo haver, inclusive, o emprego 
de força. 
 
Alternativa C – incorreta. 
As fases, ciclos ou aspectos materiais do poder de polícia 
são: ordem, consentimento, fiscalização e sanção. 
Dessas, a ordem revela as normas gerais da 
Administração, impondo condições ao exercício de 
atividades e ao uso de bens. 
 
Alternativa D – correta. 
O STF, no Informativo nº 996, assentou a possibilidade 
de delegação do poder de polícia para pessoa jurídica de 
direito privado, integrante da Administração Indireta, com 
capital social majoritariamente público, quando esta 
pessoa tem como objetivo exclusivo a prestação de 
serviço público, de atuação própria do Estado, em regime 
não concorrencial. Essa delegação será feita por Lei. 
 
Alternativa E – incorreta. 
Uma das características do poder de polícia é a 
autoexecutoriedade, traduzida na possibilidade de a 
Administração atuar independentemente da interferência 
do Judiciário. Todavia, por se tratar de intromissão nas 
liberdades de um particular, haverá autoexecutoriedade 
somente diante de uma previsão legal ou em caso de 
urgência. 
 
25 
Com base no entendimento dos Tribunais Superiores 
sobre o controle da administração pelo Poder 
Judiciário, assinale a alternativa correta. 
 
(A) O Poder Judiciário pode obrigar a Administração 
Pública a manter estoque mínimo de determinado 
medicamento utilizado no combate à doença grave. 
(B) Não é possível ao Poder Judiciário impor à 
Administração Pública obrigação de fazer consistente na 
execução de obras emergenciais em presídios. Tal 
decisão fere a separação de poderes prevista 
constitucionalmente, visto que depende de 
disponibilidade de verbas públicas e orçamento prévio. 
(C) A existência de recurso administrativo com efeito 
suspensivo sempre obsta o uso do mandado de 
segurança até sua decisão definitiva. 
(D) O Poder Judiciário pode, pelo controle de legalidade, 
avaliar a razoabilidade e proporcionalidade das notas 
atribuídas pela banca examinadora aos candidatos em 
certame público. 
(E) A Administração Pública e o Poder Judiciário podem 
anular e revogar os atos administrativos. 
 
Gabarito: A 
 
COMENTÁRIO DO PROFESSOR: 
 
Combatentes, a questão aborda o ponto 5 Controle e 
responsabilização da administração. 5.1 Controle 
administrativo. 5.2 Controle judicial. 5.3 Controle 
legislativo. 5.4 Responsabilidade civil do Estado. 
 
Alternativa A – correta. 
Conforme jurisprudência do STF a Administração Pública 
pode ser obrigada, por decisão do Poder Judiciário, a 
manter estoque mínimo de determinado medicamento 
utilizado no combate à doença grave, de modo a evitar 
interrupções no tratamento, sem que haja violação ao 
princípio da separação dos poderes. 
 
O Poder Judiciário não está determinando as metas nem 
prioridades da Administração Pública ou interferindo na 
gestão de suas verbas, o que se está a fazer é um efetivo 
controle da legitimidade de seus atos que violam o direito 
à saúde dos pacientes e importam em violação da própria 
dignidade da pessoa humana. 
 
Alternativa B – incorreta. 
Entende o STF que é lícito ao Judiciário impor à 
Administração Pública obrigação de fazer consistente na 
promoção de medidas ou na execução de obras 
emergenciais em estabelecimentos prisionais. A 
supremacia da dignidade da pessoa humana legitima a 
intervenção judicial que busca assegurar o respeito à 
integridade física e moral dos detentos, em observância 
ao art. 5º, XLIX, da Constituição Federal. Trata-se de 
norma constitucional de eficácia plena e aplicabilidade 
imediata. 
 
Alternativa C – incorreta. 
Conforme a Súmula 429, do STF, a existência de recurso 
administrativo com efeito suspensivo não impede o uso 
do mandado de segurança contra omissão da autoridade. 
 
Alternativa D – incorreta. 
Conforme jurisprudência do STF em sede de 
repercussão geral não compete ao Poder Judiciário, no 
controle de legalidade, substituir banca examinadora 
para avaliar respostas dadas pelos candidatos e notas a 
elas atribuídas. Excepcionalmente, é permitido ao 
Judiciário o juízo de compatibilidade do conteúdo das 
questões do concurso com o previsto no edital do 
certame. 
 
Alternativa E – incorreta. 
Nos termos da Súmula 473, do STF, a Administração 
pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios 
que os tornem ilegais, porque deles não se originam 
direitos; ou revogá-los, por motivo de conveniência ou 
oportunidade, respeitados os direitos adquiridos e 
ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial. 
 
No entanto, o Poder Judiciário deve limitar-se ao exame 
da legalidade do ato administrativo que pode resultar em 
sua anulação. A revogação é ato exclusivo da 
Administração Pública pois pressupõe a análise do 
mérito do ato administrativo. 
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20 
Noções de Direito Constitucional 
26 
A respeito dos remédios constitucionais, assinale a 
alternativa correta. 
 
(A) Pode o habeas corpus ser impetrado em favor de 
qualquer pessoa física ou jurídica, seja nacional ou 
estrangeira. 
(B) O mandado de segurança coletivo pode ser 
impetrado por partido político sem representação no 
Congresso Nacional. 
(C) O Habeas Corpus é o remédio constitucional que toda 
e qualquer pessoa pode utilizar para a proteção de direito 
líquido, certo e incontestável. 
(D) Caberá Habeas Data quando houver a recusa no 
fornecimento de certidões para a defesa de direitos ou 
esclarecimento de situações de interesse pessoal ou 
coletivo ou geral, próprio ou de terceiros. 
(E) Qualquer cidadão é parte legítima para propor ação 
popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público 
ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade 
administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio 
histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada 
má-fé, isentode custas judiciais e do ônus de 
sucumbência. 
 
Gabarito: E 
 
COMENTÁRIO DO PROFESSOR: 
 
Caveiras, a questão aborda o ponto 3 Direitos e garantias 
fundamentais. 3.1 Direitos e deveres individuais e 
coletivos, direitos sociais, direitos de nacionalidade, 
direitos políticos, partidos políticos, remédios 
constitucionais. (Através de retificação realizada no 
edital do certame). 
 
 
Alternativa A – incorreta. 
A pessoa jurídica pode impetrar habeas corpus, mas 
sempre a favor de pessoa física. Somente pessoas 
físicas podem ser pacientes de habeas corpus. 
 
Alternativa B – incorreta. 
O mandado de segurança coletivo pode ser impetrado 
por partido político com representação no Congresso 
Nacional. 
 
Alternativa C – incorreta. 
O habeas corpus destina-se a garantir o direito à 
liberdade de locomoção e não a proteção de direito 
líquido, certo e incontestável. 
 
Alternativa D – incorreta. 
De acordo com a CF, o remédio próprio é o mandado de 
segurança (MS), e não o habeas data quando houver a 
recusa no fornecimento de certidões para a defesa de 
direitos ou esclarecimento de situações de interesse 
pessoal ou coletivo ou geral, próprio ou de terceiros. 
 
Alternativa E – correta. 
De acordo com o art.5, LXXIII da CF “Qualquer cidadão 
é parte legítima para propor ação popular que vise a 
anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de 
que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao 
meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, 
ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de 
custas judiciais e do ônus de sucumbência. 
 
27 
No tocante ao tema poder constituinte, assinale a 
alternativa correta. 
 
(A) Quanto às dimensões, o poder constituinte originário 
pode ser considerado material ou formal. O poder 
constituinte material é o poder responsável por delimitar 
os valores que serão observados na Constituição, 
encontra-se atrelado a ideia do conteúdo de uma nova 
Constituição, sendo ele posterior ao poder constituinte 
formal. O poder constituinte formal, por sua vez, é aquele 
que formaliza a criação em si da norma jurídica. 
(B) Considera-se poder constituído decorrente, a 
capacidade conferida pelo Poder Constituinte Originário 
aos Estados membros para criarem suas constituições. 
(C) Considera-se poder constituído reformador, a função 
de alterar informalmente a Constituição, de modo a 
ajustar o texto constitucional a nova realidade. 
(D) O poder constituinte originário é um poder temporário, 
pois após a sua manifestação ele se esgota pela sua 
criação. 
(E) O poder constituinte originário é classificado como um 
poder inicial, ilimitado, condicionado e autônomo. 
 
Gabarito: B 
 
COMENTÁRIO DO PROFESSOR: 
 
Futuros e Futuras Policiais Civis do Estado de Goiás, a 
questão aborda o ponto 1.3 Poder Constituinte. 
(Através de retificação realizada no edital do 
certame). 
 
 
Alternativa A – incorreta. 
O único equívoco da questão reside no fato de mencionar 
o poder material como sendo POSTERIOR ao formal. Em 
verdade, o poder constituinte na dimensão material É 
ANTERIOR AO FORMAL. 
 
Corroborando ao exposto, explica Pedro Lenza (2021), 
poder constituinte formal: é o ato de criação propriamente 
dito e que atribui a “roupagem” com status constitucional 
a um “complexo normativo”; material: é o lado substancial 
do poder constituinte originário, qualificando o direito 
constitucional formal com o status de norma 
constitucional. Assim, será o orientador da atividade do 
constituinte originário formal que, por sua vez, será o 
responsável pela “roupagem” constitucional. O material 
diz o que é constitucional; o formal materializa e 
sedimenta como constituição. O material precede o 
formal, estando ambos interligados. 
 
Alternativa B – correta. 
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21 
Conforme leciona Nathália Masson, poder constituído 
decorrente é a capacidade conferida pelo poder originário 
aos Estados Membros, enquanto entidades integrantes 
da federação, para elaborarem suas próprias 
constituições. Sua missão, conforme propõe Lenza, é 
estruturar a Constituição dos Estados-Membros ou, em 
momento seguinte, havendo necessidade de adequação 
e reformulação, modificá-la. Tal competência decorre da 
capacidade de auto-organização estabelecida pelo poder 
constituinte originário. 
 
Em resumo: 
 
 
 
Alternativa C – incorreta. 
A mudança informal do texto constitucional é 
denominada de mutação constitucional. O poder 
constituinte reformador consagra a alteração FORMAL 
do texto constitucional. 
 
A manifestação do poder constituinte reformador verifica-
se através das emendas constitucionais (arts. 59, I, e 60 
da CF/88). 
 
Alternativa D – incorreta. 
O poder constituinte originário tem a característica de ser 
um poder PERMANENTE (e não temporário), o que 
significa dizer que ele não se esgota quando da 
conclusão da Constituição, permanecendo em estado de 
latência. 
 
Nesse sentido, explica Pedro Lenza (2021), o poder 
constituinte originário é “permanente, já que o poder 
constituinte originário não se esgota com a edição da 
nova Constituição, sobrevivendo a ela e fora dela como 
forma e expressão da liberdade humana, em verdadeira 
ideia de subsistência”. 
 
Alternativa E – incorreta. 
O poder constituinte é INCONDICIONADO. São 
características do constituinte originário o fato dele ser 
INICIAL, ILIMITADO, INCONDICIONADO e 
AUTÔNOMO. 
 
Conforme leciona Nathália Masson (2020), o poder 
constituinte originário inaugura uma nova ordem jurídica, 
sendo assim considerado INICIAL. É ilimitado do ponto 
de vista jurídico, pois não se limita pela ordem jurídica 
precedente. Além disso, o poder constituinte originário é 
INCONDICIONADO pois não se submete a qualquer 
regra ou procedimento pré-fixado no ordenamento 
jurídico que o antecede. 
 
Nessa esteira, leciona Pedro Lenza (2021): 
a) inicial, pois instaura uma nova ordem jurídica, 
rompendo, por completo, com a ordem jurídica anterior; 
b) autônomo, visto que a estruturação da nova 
constituição será determinada, autonomamente, por 
quem exerce o poder constituinte originário; 
c) ilimitado juridicamente, no sentido de que não tem de 
respeitar os limites postos pelo direito anterior, com as 
ressalvas a seguir indicadas e que passam a ser uma 
tendência para os concursos públicos; 
d) incondicionado e soberano na tomada de suas 
decisões, porque não tem de submeter-se a qualquer 
forma prefixada de manifestação; 
e) permanente, já que o poder constituinte originário não 
se esgota com a edição da nova Constituição, 
sobrevivendo a ela e fora dela como forma e expressão 
da liberdade humana, em verdadeira ideia de 
subsistência. 
 
28 
Concernente à Constituição: conceito; classificação; 
histórico e elementos, assinale a alternativa 
incorreta. 
 
(A) A Constituição classificada como rígida (quanto a sua 
estabilidade ou alterabilidade) não é considerada 
imutável, todavia para que seu texto seja alterado exige-
se um procedimento de reforma mais solene e dificultoso 
que o previsto para a legislação infraconstitucional. 
(B) O texto constitucional possui normas constitucionais 
de duas espécies, as chamadas normas constitucionais 
originárias e normas constitucionais derivadas. No 
tocante as normas constitucionais originárias, não podem 
ser objeto de controle de constitucionalidade. 
(C) Quanto à origem, a constituição pode ser classificada 
como democrática, outorgada, cesarista ou dualista. 
Considera-se cesarista a constituição que é constituída 
sem qualquer resquício da participação popular, sendo 
imposta de forma unilateral pelo governador. 
(D) Classifica-se como escrita, a Constituição formada 
por um conjunto de regras sistematizadas e organizadas 
em um único documento, estabelecendo as normas 
fundamentais de um Estado. Por outro lado, asconstituições não escritas são aquelas não trazem as 
regras em um único texto solene e codificado. É formada 
por textos esparsos, reconhecidos pela sociedade como 
fundamentais, e baseiam-se nos usos, costumes, 
jurisprudência, convenções. 
(E) Segundo o entendimento da Suprema Corte (STF), o 
preâmbulo não é considerado norma constitucional, 
adotou-se a chamada teoria da irrelevância jurídica do 
preâmbulo. 
 
Gabarito: C 
 
COMENTÁRIO DO PROFESSOR: 
 
Combatentes, a questão aborda os pontos 1.2 
Constituição: conceito; classificação; histórico e 
elementos. 13 Súmulas, jurisprudência dominante dos 
Tribunais Superiores e legislação relacionada com os 
temas. (Através de retificação realizada no edital do 
certame). 
 
Alternativa A – correta. 
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22 
A constituição rígida admite mudança em seu texto, 
contudo, exige um processo legislativo mais solene e 
dificultoso. 
 
Nesse sentido, explica Pedro Lenza (2020): 
 
“Rígidas são aquelas Constituições que exigem, para a 
sua alteração (daí preferirmos a terminologia 
alterabilidade), um processo legislativo mais árduo, mais 
solene, mais dificultoso do que o processo de alteração 
das normas não constitucionais. Lembramos que, à 
exceção da Constituição de 1824 (considerada 
semirrígida), todas as Constituições brasileiras foram, 
inclusive a de 1988, rígidas! 
A rigidez constitucional da CF/88 está prevista no art. 60, 
que, por exemplo, em seu § 2.º estabelece um quórum 
de votação de 3/5 dos membros de cada Casa, em dois 
turnos de votação, para aprovação das emendas 
constitucionais. Em contraposição, apenas para aclarar 
mais a situação lembrada, a votação das leis ordinárias e 
complementares dá-se em um único turno de votação 
(art. 65), com quórum de maioria simples (art. 47) e 
absoluta (art. 69), respectivamente para lei ordinária e 
complementar. Outra característica definidora da rigidez 
da CF/88 está prevista nos incisos I, II e III do art. 60, que 
estabelecem iniciativa restrita: a) de 1/3, no mínimo, dos 
membros da Câmara dos Deputados ou do Senado 
Federal; b) do Presidente da República; e c) de mais da 
metade das Assembleias Legislativas das unidades da 
Federação, manifestando-se, cada uma delas, pela 
maioria relativa de seus membros, enquanto a iniciativa 
das leis complementares e ordinárias é geral, de acordo 
com o art. 61. ” 
 
Corroborando ao exposto ainda, preleciona Nathália 
Masson (2020, pág. 50): 
 
A alteração desta Constituição é possível, mas exige um 
processo legislativo mais complexo e solene do que 
aquele previsto para a elaboração das demais espécies 
normativas, infraconstitucionais. Tais regras 
diferenciadas e rigorosas são estabelecidas pela própria 
Constituição e tornam a alteração do texto constitucional 
mais complicada do que a feitura das leis comuns. 
Temos como exemplo de Constituição rígida a 
Constituição Federal de 1988, que exige o respeito a um 
procedimento bem mais severo e rigoroso do que aquele 
estabelecido para a construção da legislação ordinária 
para a aprovação de suas emendas constitucionais — 
conforme dispõe o art. 60, CF/88, há que haver a 
aprovação em cada Casa do Congresso Nacional, 
Câmara dos Deputados e Senado Federal, em dois 
turnos, em cada qual sendo necessária a obtenção da 
maioria de 3/5 dos componentes da Casa respectiva. 
 
Alternativa B – correta. 
As normas constitucionais derivadas possuem a mesma 
hierarquia das normas constitucionais originárias e 
mesmo status normativo, contudo, as normas derivadas 
sujeitam-se ao controle de constitucional, ao passo que, 
as normas constitucionais originárias não passam pelo 
controle de constitucionalidade. 
 
Nesse sentido, leciona Pedro Lenza (2020), “as normas 
constitucionais fruto do trabalho do poder constituinte 
originário serão sempre constitucionais, não se podendo 
falar em controle de sua constitucionalidade. Os 
aparentes conflitos devem ser harmonizados por meio da 
atividade interpretativa, de forma sistêmica”. 
 
Corroborando ao exposto ainda, ensina Nathália Masson 
(2020, pág. 1123), “as normas constitucionais derivadas 
(emendas constitucionais) podem ser declaradas 
inconstitucionais, caso haja desrespeito às regras 
inscritas no art. 60, CF/88. Por outro lado, vale destacar 
que a jurisprudência do STF historicamente afastou tal 
concepção quanto às normas constitucionais originárias: 
eventuais conflitos entre as normas originárias serão 
meramente aparentes (nunca reais) e sanados por meio 
da tarefa hermenêutica (princípio da unidade da 
Constituição). Em razão disso, é inviável a declaração de 
inconstitucionalidade de uma norma constitucional 
originária em face de outra”. 
 
Lembrem-se, não há que se falar em hierarquia entre as 
chamadas normas constitucionais originárias e 
derivadas. Ambas são normas constitucionais. 
 
Alternativa C – incorreta. 
A alternativa trouxe a definição de constituição 
outorgada. A constituição cesarista, segundo José 
Afonso da Silva, “... não é propriamente outorgada, mas 
tampouco é democrática, ainda que criada com 
participação popular”. E continua o mestre definindo-a 
como aquela “... formada por plebiscito popular sobre um 
projeto elaborado por um Imperador (plebiscitos 
napoleônicos) ou um Ditador (plebiscito de Pinochet, no 
Chile). A participação popular, nesses casos, não é 
democrática, pois visa apenas ratificar a vontade do 
detentor do poder. 
 
Alternativa D – correta. 
Conforme leciona Nathália Masson (2020, pág. 52/53): 
 
Escrita é a Constituição na qual todos os dispositivos são 
escritos36 e estão inseridos de modo sistemático em um 
único documento, de forma codificada —por isso se diz 
que sua fonte normativa é única. A elaboração do texto 
pelo órgão constituinte se dá num momento único, “de 
um jato”, conforme o magistério da doutrina. 
 
Não escrita é aquela Constituição na qual as normas e 
princípios encontram-se em fontes normativas diversas, 
todas de natureza constitucional e de mesmo patamar 
hierárquico, sem qualquer precedência de uma sobre as 
demais. Contrariamente às Constituições escritas — 
onde todas as normas constitucionais podem ser 
encontradas em um único documento — nas 
Constituições não escritas, em razão de as fontes 
normativas constitucionais serem múltiplas, as normas 
constitucionais estão esparsas e podem ser encontradas 
tanto nos costumes e na jurisprudência dos Tribunais, 
como nos acordos, convenções e também nas leis. 
 
Alternativa E – incorreta. 
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23 
Nesse sentido, leciona Nathália Masson (2020, pág. 
1447), segundo a “tese da irrelevância jurídica, o 
preâmbulo não participa das características jurídicas da 
Constituição, situando-se no domínio da política ou da 
história, como mera diretriz (ou norte) interpretativo”. 
 
Em não sendo e possuindo características de norma 
constitucional, não pode ser utilizado como parâmetro do 
controle de constitucionalidade. 
 
29 
À luz da Jurisprudência do STF e da Constituição 
Federal, acerca do Poder Legislativo, assinale a 
alternativa incorreta. 
 
(A) A inviolabilidade parlamentar no Direito Constitucional 
brasileiro é restrita a palavras, opiniões e votos, ou seja, 
não abrange, por exemplo, atos de violência física. 
(B) Não é possível a recondução dos presidentes das 
casas legislativas para o mesmo cargo na eleição 
imediatamente subsequente, dentro da mesma 
legislatura, sendo permitido em caso de nova legislatura. 
(C) A norma da Constituição Estadual que preveja a 
possibilidade de a Assembleia Legislativa convocaro 
Presidente do Tribunal de Justiça ou o Procurador Geral 
de Justiça para prestar informações, sob pena de crime 
de responsabilidade é considerada inconstitucional por 
violação ao princípio da simetria e à competência 
privativa da União para legislar sobre o tema. 
(D) O fato de o parlamentar estar na Casa legislativa no 
momento em que proferiu as declarações afasta a 
possibilidade de cometimento de crimes contra a honra, 
nos casos em que as ofensas são divulgadas pelo próprio 
parlamentar na Internet. 
(E) Os Deputados Estaduais gozam das mesmas 
imunidades formais previstas para os parlamentares 
federais no art. 53 da CF/88. 
 
Gabarito: D 
 
COMENTÁRIO DO PROFESSOR: 
 
Caveiras, a questão aborda o ponto 7 Poder legislativo. 
7.1 Estrutura. 7.2 Funcionamento e atribuições. 7.3 
Processo legislativo. 
 
Alternativa A – correta. 
Segundo ensina a professora Nathália Masson (2020), a 
imunidade material também denominada de 
inviolabilidade, imunidade substancial ou real, possui o 
condão de neutralizar, na esfera penal e civil, a 
responsabilização do parlamentar por suas opiniões, 
palavras e votos. 
 
A imunidade material tem a finalidade de permitir que os 
congressistas, no exercício de seu mandato legislativo ou 
em função dele, opinem, discursem e possam votar com 
total liberdade sem que sofram pressões e eventuais 
constrangimentos. 
 
A imunidade parlamentar penal implica na inviolabilidade 
dos membros do Poder Legislativo por suas opiniões, 
palavras e votos, na medida em que exclui a 
caracterização da infração penal, não havendo a 
instalação de inquérito e processo penal. 
 
Nessa esteira, quanto ao campo de incidência – limitar-
se-á as OPINIÕES, PALAVRAS e VOTOS. 
 
Assim, não abarca condutas que consistem em atos de 
violência. 
 
Nesse sentido, o texto constitucional: 
 
“Art. 53. Os Deputados e Senadores são invioláveis, civil 
e penalmente, por quaisquer de suas opiniões, palavras 
e votos. ” (Imunidade material, inviolabilidade 
parlamentar ou INDENIDADE) 
 
Alternativa B – correta. 
Conforme prevê o art. 57, § 4º da CF, “cada uma das 
Casas reunir-se-á em SESSÕES PREPARATÓRIAS, a 
partir de 1º de fevereiro, no primeiro ano da legislatura, 
para a posse de seus membros e eleição das respectivas 
Mesas, para mandato de 2 (dois) anos, VEDADA a 
recondução para o mesmo cargo na eleição 
imediatamente subsequente”. 
 
Conforme texto constitucional, não é possível a 
recondução dos Presidentes da Câmara dos Deputados 
e do Senado Federal para o mesmo cargo na eleição 
imediatamente subsequente, dentro da mesma 
legislatura. Por outro lado, é possível a reeleição dos 
Presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado 
Federal em caso de nova legislatura. 
 
Ex: o mandato de Presidente da Câmara e de Presidente 
do Senado é de 2 anos. Cada legislatura tem a duração 
de 4 anos. Imagine que João foi eleito Deputado Federal 
para a legislatura de 2013 a 2016. Suponhamos que ele 
foi escolhido para ser Presidente da Câmara no período 
de 2013-2014. Significa que João não poderá ser reeleito 
como Presidente da Câmara para o biênio de 2015-2016. 
Isso porque seria uma reeleição dentro da mesma 
legislatura. 
 
Alternativa C – correta. 
É inconstitucional norma da Constituição Estadual que 
preveja a possibilidade de a Assembleia Legislativa 
convocar o Presidente do Tribunal de Justiça ou o 
Procurador-Geral de Justiça para prestar informações na 
Casa, afirmando que a sua ausência configura crime de 
responsabilidade. O art. 50 da CF/88, norma de 
reprodução obrigatória, somente autoriza que o Poder 
Legislativo convoque autoridades do Poder Executivo, e 
não do Poder Judiciário ou do Ministério Público. Não 
podem os Estados-membros ampliar o rol de autoridades 
sujeitas à convocação pelo Poder Legislativo e à sanção 
por crime de responsabilidade, por violação ao princípio 
da simetria e à competência privativa da União para 
legislar sobre o tema. STF. Plenário. ADI 2911, Rel. 
Carlos Britto, julgado em 10/08/2006. STF. Plenário. ADI 
5416, Rel. Gilmar Mendes, julgado em 03/04/2020 (Info 
977). 
 
Alternativa D – incorreta. 
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24 
O então Deputado Federal Wladimir Costa (SD-PA) 
proferiu discurso no Plenário da Câmara dos Deputados 
no qual afirmou que determinados artistas seriam 
“bandidos”, “membros de quadrilha”, “verdadeiros 
ladrões”, “verdadeiros vagabundos da Lei Rouanet”. 
 
Esses artistas ingressaram com queixa-crime contra o 
então Deputado afirmando que ele teria cometido os 
crimes de difamação (art. 139) e injúria (art. 140 do 
Código Penal). 
 
O STF recebeu esta queixa-crime. 
 
O fato de o parlamentar estar na Casa legislativa no 
momento em que proferiu as declarações não afasta a 
possibilidade de cometimento de crimes contra a honra, 
porque ele depois divulgou essas ofensas na Internet. 
 
Outro argumento está no fato de que a inviolabilidade 
material somente abarca as declarações que apresentem 
nexo direto e evidente com o exercício das funções 
parlamentares. No caso concreto, embora tenha feito 
alusão à Lei Rouanet, o parlamentar nada acrescentou 
ao debate público sobre a melhor forma de distribuição 
dos recursos destinados à cultura, limitando-se a proferir 
palavras ofensivas à dignidade dos querelantes. 
 
A liberdade de expressão política dos parlamentares, 
ainda que vigorosa, deve se manter nos limites da 
civilidade. 
 
STF. 1ª Turma. PET 7174/DF, rel. Min. Alexandre de 
Moraes, red. p/ o ac. Min. Marco Aurélio, julgado em 
10/3/2020 (Info 969). 
 
Alternativa E – correta. 
São constitucionais dispositivos da Constituição do 
Estado que estendem aos Deputados Estaduais as 
imunidades formais previstas no art. 53 da Constituição 
Federal para Deputados Federais e Senadores. 
 
A leitura da Constituição da República revela, sob os 
ângulos literal e sistemático, que os Deputados Estaduais 
também têm direito às imunidades formal e material e à 
inviolabilidade que foram conferidas pelo constituinte aos 
congressistas (membros do Congresso Nacional). Isso 
porque tais imunidades foram expressamente estendidas 
aos Deputados pelo § 1º do art. 27 da CF/88. STF. 
Plenário. ADI 5823 MC/RN, ADI 5824 MC/RJ e ADI 5825 
MC/MT, rel. orig. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. 
Marco Aurélio, julgados em 8/5/2019 (Info 939). 
 
30 
Acerca do meio ambiente, assinale a alternativa 
correta. 
 
(A) É constitucional a redução ou a supressão de 
espaços territoriais especialmente protegidos, como é o 
caso das unidades de conservação, por meio de medida 
provisória. 
(B) É constitucional a interpretação da legislação federal 
que possibilita o abate imediato de animais apreendidos 
em situação de maus-tratos. 
(C) É possível a responsabilização penal da pessoa 
jurídica por delitos ambientais independentemente da 
responsabilização concomitante da pessoa física que 
agia em seu nome. 
(D) Consideram-se cruéis as práticas desportivas que 
utilizem animais, ainda que sejam manifestações 
culturais, registradas como bem de natureza imaterial 
integrante do patrimônio cultural brasileiro. 
(E) As leis estaduais que proíbem o uso do amianto são 
inconstitucionais. 
 
Gabarito: C 
 
COMENTÁRIO DO PROFESSOR: 
 
Guerreiras(os), a questão aborda o ponto 11.3 Meio 
ambiente. 
 
Alternativa A – incorreta. 
- É inconstitucional a redução de unidade de conservação 
por meio de MP. 
 
É INCONSTITUCIONAL a redução ou a supressão de 
espaços territoriais especialmente protegidos, como é o 
caso das unidades de conservação, por meio de medida 
provisória. Isso viola o art. 225, § 1º, III, da CF/88. 
 
Assim, a redução ou supressão de unidade de 
conservação somente é permitida mediante lei em 
sentido formal. 
 
A medida provisória possui força de lei, mas o art. 225, § 
1º, III, da CF/88 exige lei em sentidoestrito. 
 
A proteção ao meio ambiente é um limite material 
implícito à edição de medida provisória, ainda que não 
conste expressamente do elenco das limitações previstas 
no art. 62, § 1º, da CF/88. 
 
STF. Plenário. ADI 4717/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, 
julgado em 5/4/2018 (Info 896). 
 
Alternativa B – incorreta. 
- Não é permitido o abate de animais apreendidos em 
situação de maus-tratos. 
 
É INCONSTITUCIONAL a interpretação da legislação 
federal que possibilita o abate imediato de animais 
apreendidos em situação de maus-tratos. 
 
O art. 225, § 1º, VII, da CF/88 impõe a proteção à fauna 
e proíbe qualquer espécie de maus-tratos aos animais. 
 
O art. 25, § 1º da Lei nº 9.605/98 afirma que os animais 
apreendidos serão prioritariamente libertados em seu 
habitat ou, sendo tal medida inviável ou não 
recomendável por questões sanitárias, entregues a 
jardins zoológicos, fundações ou entidades 
assemelhadas, para guarda e cuidados sob a 
responsabilidade de técnicos habilitados. 
 
Até que os animais sejam entregues às instituições, o 
órgão autuante zelará para que eles sejam mantidos em 
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25 
condições adequadas de acondicionamento e transporte 
que garantam o seu bem-estar físico. 
 
Assim, não é constitucionalmente adequada a 
interpretação segundo a qual os animais devam ser 
resgatados de situações de maus-tratos para, logo em 
seguida, serem abatidos. 
STF. Plenário. ADPF 640 MC-Ref/DF, Rel. Min. Gilmar 
Mendes, julgado em 17/9/2021 (Info 1030). 
 
Alternativa C – correta. 
- Responsabilidade penal da pessoa jurídica e abandono 
da dupla imputação. 
 
É possível a responsabilização penal da pessoa 
jurídica por delitos ambientais independentemente 
da responsabilização concomitante da pessoa física 
que agia em seu nome. 
 
A jurisprudência não mais adota a chamada teoria da 
"dupla imputação". 
STJ. 6ª Turma. RMS 39.173-BA, Rel. Min. Reynaldo 
Soares da Fonseca, julgado em 6/8/2015 (Info 566). 
STF. 1ª Turma. RE 548181/PR, Rel. Min. Rosa Weber, j. 
em 6/8/2013 (Info 714). 
 
Alternativa D – incorreta. 
Diversamente ao disposto na Constituição Federal, que 
aduz: 
 
“Art. 225 (...) 
 
§ 7º Para fins do disposto na parte final do inciso VII do § 
1º deste artigo, NÃO SE CONSIDERAM CRUÉIS as 
práticas desportivas que utilizem animais, desde que 
sejam manifestações culturais, conforme o § 1º do art. 
215 desta Constituição Federal, registradas como bem 
de natureza imaterial integrante do patrimônio cultural 
brasileiro, devendo ser regulamentadas por lei específica 
que assegure o bem-estar dos animais envolvidos. (EC 
Nº 96/2017 – PEC DA VAQUEJADA) 
 
Alternativa E – incorreta. 
- É proibida, em todo o Brasil, a utilização de qualquer 
forma de amianto. 
 
As leis estaduais que proíbem o uso do amianto são 
CONSTITUCIONAIS. 
 
O art. 2º da Lei federal nº 9.055/95, que autorizava a 
utilização da crisotila (espécie de amianto), é 
inconstitucional. 
 
Houve a inconstitucionalidade superveniente (sob a 
óptica material) da Lei nº 9.055/95, por ofensa ao direito 
à saúde (art. 6º e 196, CF/88); ao dever estatal de 
redução dos riscos inerentes ao trabalho por meio de 
normas de saúde, higiene e segurança (art. 7º, inciso 
XXII, CF/88); e à proteção do meio ambiente (art. 225, 
CF/88). 
 
Com isso, é proibida a utilização de qualquer forma de 
amianto. 
STF. Plenário. ADI 3937/SP, rel. orig. Min. Marco Aurélio, 
red. p/ o ac. Min. Dias Toffoli, julgado em 24/8/2017 (Info 
874). 
STF. Plenário. ADI 3406/RJ e ADI 3470/RJ, Rel. Min. 
Rosa Weber, julgados em 29/11/2017 (Info 886) 
 
31 
Acerca da segurança pública, assinale a alternativa 
correta. 
 
(A) O exercício do direito de greve, sob qualquer forma 
ou modalidade, é vedado aos policiais civis e a todos os 
Servidores públicos que atuem diretamente na área de 
segurança pública. 
(B) É inconstitucional a Lei que veda que ocupantes da 
carreira policial exerçam advocacia. 
(C) Há nulidade na ação penal instaurada a partir de 
elementos informativos colhidos em inquérito policial que 
não deveria ter sido conduzido pela Polícia Federal. 
(D) O Ministério Público, no exercício do controle externo 
da atividade policial, não pode ter acesso a ordens de 
missão policial. 
(E) É constitucional dispositivo da Constituição Estadual 
que confere foro por prerrogativa de função, no Tribunal 
de Justiça, para o Delegado Geral da Polícia Civil. 
 
Gabarito: A 
 
COMENTÁRIO DO PROFESSOR: 
 
Combatentes, a questão aborda o ponto 10 Defesa do 
Estado e das instituições democráticas. 10.1 Segurança 
Pública. 10.2 Organização da segurança pública. 
 
Alternativa A – correta. 
- Policiais são proibidos de fazer greve. 
 
O exercício do direito de greve, sob qualquer forma 
ou modalidade, é vedado aos policiais civis e a todos 
os servidores públicos que atuem diretamente na 
área de segurança pública. 
É obrigatória a participação do Poder Público em 
mediação instaurada pelos órgãos classistas das 
carreiras de segurança pública, nos termos do art. 165 do 
CPC, para vocalização dos interesses da categoria. 
STF. Plenário. ARE 654432/GO, Rel. orig. Min. Edson 
Fachin, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado 
em 5/4/2017 (repercussão geral) (Info 860). 
 
Alternativa B – incorreta. 
- É CONSTITUCIONAL a Lei que veda que ocupantes 
da carreira policial exerçam advocacia. 
 
A Lei que veda o exercício da atividade de advocacia por 
aqueles que desempenham, direta ou indiretamente, 
atividade policial, não afronta o princípio da isonomia. 
STF. Plenário. ADI 3541/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, 
julgado em 12/2/2014 (Info 735). 
 
Alternativa C – incorreta. 
- NÃO há nulidade na ação penal instaurada a partir 
de elementos informativos colhidos em inquérito 
policial que não deveria ter sido conduzido pela 
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26 
Polícia Federal considerando que a situação não se 
enquadrava no art. 1º da Lei 10.446/2002. 
 
Caso concreto: a Polícia Federal, sob a supervisão do 
Ministério Público estadual e do Juízo de Direito, 
conduziu inquérito policial destinado a apurar crimes de 
competência da Justiça Estadual. Entendeu-se que a 
Polícia Federal não tinha atribuição para apurar tais 
delitos considerando que não se enquadravam nas 
hipóteses do art. 144, § 1º da CF/88 e do art. 1º da Lei nº 
10.446/2002. 
 
A despeito disso, o STF entendeu que não havia nulidade 
na ação penal instaurada com base nos elementos 
informativos colhidos. 
 
O fato de os crimes de competência da Justiça Estadual 
terem sido investigados pela Polícia Federal não geram 
nulidade. Isso porque esse procedimento investigatório, 
presidido por autoridade de Polícia Federal, foi 
supervisionado pelo Juízo estadual (juízo competente) e 
por membro do Ministério Público estadual (que tinha a 
atribuição para a causa). 
 
O inquérito policial constitui procedimento administrativo, 
de caráter meramente informativo e não obrigatório à 
regular instauração do processo-crime, cuja finalidade 
consiste em subsidiar eventual denúncia a ser 
apresentada pelo Ministério Público, razão pela qual 
irregularidades ocorridas não implicam, de regra, 
nulidade de processo crime. 
 
O art. 5º, LIII, da Constituição Federal, afirma que 
“ninguém será processado nem sentenciado senão pela 
autoridade competente”. Esse dispositivo contempla o 
chamado “princípio do juiz natural”, princípio esse que 
não se estende para autoridades policiais, considerando 
que estas não possuem competência para julgar. 
 
Logo, não é possível anular provas ou processos em 
tramitação com baseno argumento de que a Polícia 
Federal não teria atribuição para investigar os crimes 
apurados. 
 
A desconformidade da atuação da Polícia Federal com 
as disposições da Lei nº 10.446/2002 e eventuais abusos 
cometidos por autoridade policial, embora possam 
implicar responsabilidade no âmbito administrativo ou 
criminal dos agentes, não podem gerar a nulidade do 
inquérito ou do processo penal. 
STF. 1ª Turma. HC 169348/RS, Rel. Min. Marco Aurélio, 
julgado em 17/12/2019 (Info 964). 
 
Alternativa D – incorreta. 
- O MP, no exercício do controle externo da atividade 
policial, pode ter acesso às OMPs. 
 
O Ministério Público, no exercício do controle 
externo da atividade policial, PODE TER ACESSO a 
ordens de missão policial (OMP). 
 
Ressalva: no que se refere às OMPs lançadas em face 
de atuação como polícia investigativa, decorrente de 
cooperação internacional exclusiva da Polícia Federal, e 
sobre a qual haja acordo de sigilo, o acesso do Ministério 
Público não será vedado, mas realizado a posteriori. 
STJ. 2ª Turma. REsp 1.365.910-RS, Rel. Min. Humberto 
Martins. Rel. para acórdão Min. Mauro Campbell 
Marques. Julgado em 05/04/2016 (lnfo 590). 
 
Alternativa E – incorreta. 
- É INCONSTITUCIONAL dispositivo da Constituição 
Estadual que confere foro por prerrogativa de função, 
no Tribunal de Justiça, para o Delegado Geral da 
Polícia Civil. 
 
Extrapola a autonomia do estado previsão, em 
constituição estadual, que confere foro privilegiado a 
Delegado Geral da Polícia Civil. 
 
A autonomia dos estados para dispor sobre autoridades 
submetidas a foro privilegiado não é ilimitada, não pode 
ficar ao arbítrio político do constituinte estadual e deve 
seguir, por simetria, o modelo federal. 
STF. Plenário. ADI 5591/SP, Rel. Min. Cármen Lúcia, 
julgado em 20/3/2021 (Info 1010). 
 
32 
No tocante à Constituição brasileira e os tratados 
internacionais de direitos humanos, assinale a 
alternativa correta. 
 
(A) Entende-se, majoritariamente, que todos os tratados 
de direitos humanos são normas constitucionais. 
(B) Os tratados sobre direitos humanos, aprovados nas 
mesmas condições das emendas constitucionais, serão 
considerados leis supraconstitucionais. 
(C) Para a teoria do duplo estatuto, tratados incorporados 
com quórum qualificado, são recebidos pelo 
ordenamento como emendas constitucionais. 
(D) Todos os tratados sobre direitos humanos estão 
acima da Constituição Federal. 
(E) Para a teoria do duplo estatuto, tratados 
internacionais aprovados pelo rito das emendas 
constitucionais, não funcionam como parâmetro da 
legislação interna. 
 
Gabarito: C 
 
COMENTÁRIO DO PROFESSOR: 
 
Caveiras, a questão aborda o ponto 12.2 A Constituição 
brasileira e os tratados internacionais de direitos 
humanos. 
 
Alternativa A – incorreta. 
Em que pese a doutrina minoritária acreditar que todos 
os tratados de direitos humanos devem ser entendidos 
como normas constitucionais, prevalece o entendimento 
de que somente os tratados que forem incorporados pelo 
quórum qualificado, conforme artigo 5°, §3° da CF, serão 
considerados normas constitucionais. 
 
Alternativa B – incorreta. 
Conforme artigo 5°, §3° da CF, os tratados de direitos 
humanos incorporados pelo quórum de 2 (dois) turnos, 
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27 
aprovados por 3/5 dos membros do Congresso Nacional, 
deverão ser incorporados como emendas 
constitucionais. 
 
Alternativa C – correta. 
A teoria do duplo estatuto entende que tratados 
incorporados com quórum qualificado, deverão ser 
recebidos como emendas constitucionais, já os tratados 
sobre direitos humanos incorporados pelo quórum 
simples, terão caráter supralegal. 
 
Alternativa D – incorreta. 
Essa foi uma teoria aventada antes da entrada em vigor 
da EC 45/2004. Entendia-se que devido a sua origem 
internacional os tratados estariam acima da constituição 
federal, ou seja, supraconstitucional. Essa não é a 
posição que prevalece atualmente. 
 
Alternativa E – incorreta. 
Para a teoria do duplo estatuto, todas as leis e atos 
normativos são validos se forem compatíveis, 
simultaneamente, com a Constituição e com os tratados 
internacionais de direitos humanos incorporados pelo rito 
das Emendas. 
 
Noções de Direito Penal 
 
33 
Acerca dos princípios aplicáveis ao direito penal, 
assinale a alternativa correta. 
 
(A) O direito penal possui, como uma de suas funções, a 
proteção de bens jurídicos relevantes indispensáveis à 
harmonia social. Nesse sentido, entende-se por bem 
jurídico o ente, necessariamente, material, de titularidade 
individual, reputado como essencial para o 
desenvolvimento do homem em sociedade. 
(B) A mínima periculosidade social da ação consiste em 
um dos requisitos objetivos necessários para a incidência 
do princípio da insignificância. 
(C) O princípio da bagatela imprópria, embora não 
previsto em Lei, foi introduzido ao ordenamento pela 
jurisprudência, hoje pacífica, quanto a sua aceitação, 
como causa supralegal de exclusão da punibilidade. 
(D) Por constituir afronta à função ressocializadora da 
pena, a reincidência impede, por si só, a aplicação do 
princípio da insignificância. 
(E) A infração bagatelar é assim definida com base na 
aplicação do princípio da insignificância, que se trata de 
causa supralegal de exclusão da tipicidade material. 
 
Gabarito: E 
 
COMENTÁRIO DO PROFESSOR: 
 
Combatentes, a questão versa sobre os pontos 1.11 
Princípios aplicáveis ao direito penal. 12 Súmulas, 
jurisprudência dominante dos Tribunais Superiores e 
legislação relacionada com os temas. (Inseridos após 
retificação do edital). 
 
Alternativa A – incorreta. 
Os bens jurídicos tutelados pelo Direito Penal não são 
necessariamente materiais, de modo que também gozam 
de proteção os bens jurídicos imateriais, de titularidade 
individual ou metaindividual. Sobre o tema, cumpre 
mencionar que o direito penal tem se distanciado de uma 
concepção clássica em que apenas direitos individuais 
eram tutelados, passando, assim, a também tutelar 
direitos metaindividuais, como o meio ambiente e as 
relações de consumo. 
Essa expansão da tutela penal é chamada de 
espiritualização/desmaterialização/dinamização do 
direito penal. 
 
Alternativa B – incorreta. 
Para que seja possível a aplicação do princípio da 
insignificância, é necessário que sejam preenchidos 
determinados requisitos objetivos e subjetivos. 
 
Os requisitos objetivos são os seguintes: 
Requisitos objetivos (relacionados ao fato praticado pelo 
agente): 
a) mínima ofensividade da conduta; 
b) ausência de periculosidade social da ação; 
c) reduzido grau de reprovabilidade do comportamento; 
d) inexpressividade da lesão jurídica. 
 
Como verificamos no enunciado, a periculosidade social 
da ação deve ser ausente, e não mínima. Por essa razão, 
a questão está incorreta. 
 
Por fim, vale mencionar que também devem ser 
observados requisitos subjetivos para a aplicação do 
princípio da insignificância, de modo que as 
características pessoais do indivíduo também 
recomendem a aplicação do princípio. 
 
Alternativa C – incorreta. 
O princípio da bagatela imprópria não é amplamente 
aceito pela jurisprudência pátria, sendo objeto de 
constantes divergências. O princípio da bagatela 
imprópria, diferentemente do princípio da bagatela 
própria (insignificância), aplica-se a um fato penalmente 
relevante, mas que, em virtude das circunstâncias 
envolvendo o fato e seu autor, a aplicação de pena torna-
se desnecessária. Há posições esparsas entre os juristas 
tendentes a aceitar a aplicação de tal princípio, de modo 
que este incidiria como causa excludente de punibilidade. 
Entretanto, conforme mencionamos no início desta 
explicação, prevalece pela inaplicabilidade do princípio 
da bagatela imprópria no ordenamento pátrio. 
 
Alternativa D – incorreta.Prevalece na jurisprudência que a reincidência, por si só, 
não impede a aplicação do princípio da insignificância. 
 
Vejamos julgados recentíssimos sobre o tema: 
 
É possível aplicar o princípio da insignificância para o 
furto de mercadorias avaliadas em R$ 29,15, mesmo que 
a subtração tenha ocorrido durante o período de repouso 
noturno e mesmo que o agente seja reincidente. STF. 2ª 
Turma. HC 181389 AgR/SP, Rel. Min. Gilmar Mendes, 
julgado em 14/4/2020 (Info 973). 
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É possível a aplicação do princípio da insignificância em 
face de réu reincidente e realizado no período noturno. 
Na espécie, trata-se de furto de R$ 4,15 em moedas, uma 
garrafa pequena de refrigerante, duas garrafas de 600 ml 
de cerveja e uma de 1 litro de pinga, tudo avaliado em R$ 
29,15. STF. 2ª Turma. HC 181389/SP, Rel. Min. Gilmar 
Mendes, julgado em 14/04/2020 (Info 973) 
 
A reincidência não impede, por si só, que o juiz da causa 
reconheça a insignificância penal da conduta, à luz dos 
elementos do caso concreto. STF. 1ª Turma. HC 
135164/MT, Rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ ac. Min. 
Alexandre de Moraes. Julgado em 23/4/2019 (Info 938). 
 
Alternativa E – correta. 
Infração bagatelar, ou crime de bagatela, é aquele sobre 
a qual houve incidência do princípio da insignificância. 
Esse princípio, por sua vez, foi desenvolvido por Claus 
Roxin e, embora não encontre previsão expressa na 
legislação pátria, é pacificamente admitido no âmbito dos 
Tribunais Superiores. 
 
Como consta na alternativa, o princípio da insignificância 
retira do delito sua tipicidade material, de modo que, 
ainda que haja a subsunção do fato praticado à norma 
penal (tipicidade formal), não haverá a prática de crime 
caso a lesão causada pela conduta seja insignificante, 
pois faltará assim um dos requisitos para a formação da 
tipicidade. 
 
34 
Concernente aos princípios aplicáveis ao direito 
penal assinale a alternativa correta. 
 
(A) Conforme a jurisprudência recente do STJ, que se 
aproximou da já pacificada jurisprudência do STF sobre 
o tema, há incidência do princípio da insignificância aos 
crimes tributários federais, estaduais e municipais 
quando o débito tributário verificado não ultrapassar o 
limite de R$ 20.000,00. 
(B) De acordo com a jurisprudência sumulada do STJ, 
não se aplica o princípio da insignificância a casos de 
transmissão clandestina de sinal de internet via 
radiofrequência. 
(C) Em razão das frequentes discussões midiáticas 
acerca da temática ambiental, as Cortes Superiores 
firmaram entendimento no sentido de que não se admite 
a aplicação do princípio da insignificância aos crimes 
ambientais. 
(D) Com base no princípio da adequação social, 
condutas que, embora tipificadas, sejam amplamente 
aceitas e difundidas pela sociedade, não configuram 
crime. Nesse sentido, decidiram as Cortes Superiores 
pela impossibilidade de criminalização da conduta de 
vender CDs e DVDs falsificados. 
(E) O fundamento para que o ordenamento jurídico não 
puna a autolesão está no princípio da ofensividade ou 
lesividade. 
 
Gabarito: B 
 
COMENTÁRIO DO PROFESSOR: 
 
Caveiras, a questão versa sobre os pontos 1.11 
Princípios aplicáveis ao direito penal. 12 Súmulas, 
jurisprudência dominante dos Tribunais Superiores e 
legislação relacionada com os temas. (Inseridos após 
retificação do edital). 
 
 
Alternativa A – incorreta. 
De fato, atualmente STJ e STF convergem no sentido de 
admitir a aplicação do princípio da insignificância aos 
crimes tributários que não ultrapassem o limite de R$ 
20.000,00 (vinte mil reais). Entretanto, esse 
posicionamento das Cortes Superiores diz respeito 
SOMENTE AOS CRIMES TRIBUTÁRIOS FEDERAIS, 
não se aplicando aos crimes relacionados a tributos 
estaduais e municipais. 
 
Qual é o valor máximo considerado insignificante no caso 
de crimes tributários e descaminho? 20 mil reais (tanto 
para o STF como para o STJ) Incide o princípio da 
insignificância aos crimes tributários federais e de 
descaminho quando o débito tributário verificado não 
ultrapassar o limite de R$ 20.000,00 (vinte mil reais), a 
teor do disposto no art. 20 da Lei n. 10.522/2002, com as 
atualizações efetivadas pelas Portarias n. 75 e 130, 
ambas do Ministério da Fazenda. STJ. 3ª Seção. REsp 
1688878- SP, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado 
em 28/02/2018 (recurso repetitivo). STF. 1ª Turma. HC 
137595 AgR, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 
07/05/2018. STF. 2ª Turma. HC 155347/PR, Rel. Min. 
Dias Tóffoli, julgado em 17/4/2018 (Info 898). 
 
Alternativa B – correta. 
Trata-se de entendimento sumulado do STJ, nos 
seguintes termos: 
 
Súmula 606-STJ: Não se aplica o princípio da 
insignificância a casos de transmissão clandestina de 
sinal de internet via radiofrequência, que caracteriza o 
fato típico previsto no art. 183 da Lei n. 9.472/1997. 
STJ. 3ª Seção. Aprovada em 11/04/2018, DJe 
17/04/2018. 
 
Alternativa C – incorreta. 
As Cortes superiores têm decidido pela POSSIBILIDADE 
de aplicação do princípio da insignificância aos crimes 
ambientais. Nesse sentido, vejamos: 
 
É possível a aplicação do princípio da insignificância aos 
crimes ambientais, devendo ser analisadas as 
circunstâncias específicas do caso concreto para se 
verificar a atipicidade da conduta em exame. 
STJ. 5ª Turma. AgRg no Arfsp 654.321/SC, Rel. Min 
Reynaldo Soares da Fonseca. Julgado em 09/06/2015. 
 
No entanto, há decisão no sentido de não admitir a 
aplicação do princípio da insignificância ao crime de 
pesca em período ou localidade proibida: O princípio da 
bagatela não se aplica ao crime previsto no art. 34, caput 
c/c parágrafo único, II, da Lei 9.605/98 (...) 
STF. 1ª Turma. HC 122560/SC, Rel. Min. Marco Aurélio, 
julgado em 8/5/2018 (Info 891). 
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Alternativa D – incorreta. 
A definição acerca do princípio da adequação social, 
trazida ao início da alternativa, está correta. Tal princípio 
funciona como causa supralegal de exclusão da 
tipicidade material, assim como o princípio da 
insignificância. No entanto, a definição do princípio, 
nesse caso, serviu apenas para maquiar a informação 
incorreta em sequência, dissonante de entendimento 
sumulado do STJ: 
 
“Súmula nº 502, STJ: Presentes a materialidade e a 
autoria, afigura-se típica, em relação ao crime previsto no 
artigo 184, parágrafo 2º, do Código Penal, a conduta de 
expor à venda CDs e DVDs piratas. ” 
 
Alternativa E – incorreta. 
O princípio que fundamenta a não punição à autolesão é 
o princípio da ALTERIDADE, que preceitua não haver 
crime na conduta que prejudique somente quem a 
praticou. Tal princípio foi elaborado pelo notável jurista 
Claus Roxin. 
 
A princípio da ofensividade ou lesividade, por sua vez, 
preceitua que o fato praticado represente lesão ou perigo 
de lesão ao bem jurídico tutelado, de modo que, por 
exemplo, não se admite a punição de atitudes internas 
como as ideias, convicções, e desejos dos homens. 
 
35 
Acerca da aplicação da lei penal, assinale a 
alternativa correta. 
 
(A) Na sucessão de leis penais no tempo, é aplicável 
aquela mais favorável ao réu, seja ela contemporânea ao 
crime, seja aquela em vigor na data da prolação da 
sentença. 
(B) Pelo princípio da extraterritorialidade, aplica-se a lei 
penal brasileira aos fatos puníveis praticados no território 
nacional, quando o agente for estrangeiro. 
(C) Não se consideram extensão do território nacional 
aeronaves privadas a serviço do governo brasileiro em 
espaço aéreo correspondente a outro país. 
(D) Lei posterior que deixe de considerarcrime 
determinado fato faz cessarem tanto os efeitos penais 
quanto os efeitos cíveis de eventual sentença 
condenatória. 
(E) Aplica-se a lei brasileira ao crime de homicídio 
cometido na Argentina contra o Presidente da República 
do Brasil. Trata-se de hipótese de extraterritorialidade 
incondicionada, dada a incidência do princípio da 
representação. 
 
Gabarito: A 
 
COMENTÁRIO DO PROFESSOR: 
 
Guerreiros(as), a questão aborda o ponto 1 Aplicação da 
lei penal. 1.1 Princípios da legalidade e da anterioridade. 
1.2 Lei penal no tempo e no espaço. 1.3 Tempo e lugar 
do crime. 1.4 Lei penal excepcional, especial e 
temporária. 1.5 Territorialidade e extraterritorialidade da 
lei penal. 1.6 Contagem de prazo. 1.7 Interpretação da lei 
penal. 1.8 Analogia. 1.9 Irretroatividade da lei penal. 
 
Alternativa A – correta. 
Conforme prevê o parágrafo único do art. 2º do CP: “A lei 
posterior, que de qualquer modo favorecer o agente, 
aplica-se aos fatos anteriores, ainda que decididos por 
sentença condenatória transitada em julgado. ” 
Lembrando que tal previsão encontra respaldo 
constitucional no art. 5º, XL, CFRB/88: “a lei penal não 
retroagirá, salvo para beneficiar o réu. ” 
 
Tal instituto trata da extra-atividade da lei penal mais 
benéfica ao réu, sendo a lei nova mais benéfica também 
chamada de novatio legis in mellius ou lex mitior. Este 
instituto permite tanto a RETROATIVIDADE quanto a 
ULTRA-ATIVIDADE de uma nova lei como verdadeira 
exceção à regra do tempus regit actum, vejamos: 
 
Em regra, os fatos praticados na vigência de uma lei 
devem ser por ela regidos (tempus regit actum). Como 
exceção à regra, é prevista a extra-atividade da lei penal 
mais benéfica (CF, art. 5º, XL, e CP, art. 2º), 
possibilitando a sua retroatividade (aplicação da lei penal 
a fato ocorrido antes de sua vigência) ou a sua ultra-
atividade (aplicação da lei após a sua revogação, mas a 
fato ocorrido durante a sua vigência), desde que ainda 
não esgotadas as consequências jurídicas do fato 
(AZEVEDO, SALIM, 2020, P. 112-113). 
 
Ressalta-se que a lei processual penal possui distinto 
regimento, aplicando-se de imediato sem exceções 
referentes à gravidade, como por exemplo uma lei que 
diminuísse o prazo para interpor apelação de 5 para 3 
dias seria aplicada a processo iniciado antes da 
alteração, visto ser puramente processual, enquanto uma 
lei penal não seria aplicável devido a irretroatividade da 
lei penal maléfica. 
 
“Caveiras, mas se a nova lei possuir conteúdo híbrido? ” 
Norma híbrida é o nome dado a lei que possui conteúdo 
penal e processual, devendo prevalecer a parte penal da 
dita lei, em verdadeiro prestígio ao princípio do favor rei 
ou in dubio pro reo, portanto retroagindo se mais benéfica 
ou não retroagindo se maléfica. 
 
Alternativa B – incorreta. 
A extraterritorialidade é exatamente o oposto, seria a 
aplicação da lei penal brasileira aos fatos praticados EM 
TERRITÓRIO ESTRANGEIRO. A aplicação da própria lei 
brasileira a fatos praticados sob a jurisdição brasileira é o 
próprio princípio da territorialidade (a regra) e não a 
extraterritorialidade (exceção trazida pelo art. 7º do CP). 
 
Alternativa C – incorreta. 
Vejamos literalidade do Art. 5º, § 1º - Para os efeitos 
penais, consideram-se como extensão do território 
nacional as embarcações e aeronaves brasileiras, de 
natureza pública ou a serviço do governo brasileiro onde 
quer que se encontrem, bem como as aeronaves e as 
embarcações brasileiras, mercantes ou de propriedade 
privada, que se achem, respectivamente, no espaço 
aéreo correspondente ou em alto-mar. 
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Alternativa D – incorreta. 
Tendo em vista que os efeitos cíveis não são cessados. 
Há os efeitos penais primários e secundários, aqueles 
referentes à sanção penal imediata e estes referentes às 
consequências posteriores ao ato condenatório, como a 
conhecida reincidência. 
 
Ocorre que, ambos os efeitos penais são removidos pela 
lei que não mais considera o fato como criminoso, 
entretanto, os efeitos civis/secundários de natureza 
extrapenal, como a obrigação de indenizar pelo dano 
causado, permanecem. 
 
Obs.: Súmula 631 do STJ: O indulto extingue os efeitos 
primários da condenação (pretensão executória), mas 
não atinge os efeitos secundários, penais ou extrapenais. 
 
Alternativa E – incorreta. 
O princípio da representação é aplicável às embarcações 
aeronaves, no caso da extraterritorialidade 
incondicionada se fala em princípio da defesa, proteção 
ou defesa real. 
 
36 
Concernente à teoria do erro, assinale a alternativa 
correta. 
 
(A) O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de 
crime exclui a culpabilidade. 
(B) O erro quanto à pessoa contra a qual o crime é 
praticado não isenta de pena. Não se consideram, neste 
caso, as condições ou qualidades da pessoa contra 
quem o agente queria praticar o crime, senão as da 
vítima. 
(C) O arrependimento posterior é circunstância de caráter 
objetivo, comunicável aos demais concorrentes do crime. 
(D) A desistência voluntária e o arrependimento posterior 
são chamados também de "ponte de ouro” do direito 
penal, pela oportunidade que o agente tem de "corrigir o 
seu percurso". 
(E) O agente que, voluntariamente, desiste de prosseguir 
na execução ou impede que o resultado se produza só 
responde pelos atos já praticados, ocorrendo assim a 
hipótese de arrependimento posterior. 
 
Gabarito: C 
 
COMENTÁRIO DO PROFESSOR: 
 
Caveiras, a questão aborda os pontos 3.7 Erro de tipo e 
erro de proibição. 3.8 Desistência voluntária, 
arrependimento eficaz, arrependimento posterior e 
crime impossível. (Incluídos após retificação do 
edital). 
 
Alternativa A – incorreta. 
O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime 
exclui o dolo, nos termos do art. 20, caput, do Código 
Penal, permitindo a punição por crime culposo, se 
previsto em lei. Trata-se do erro de tipo, que, caso exclua 
o dolo e a culpa (erro invencível ou escusável), afastará 
a própria tipicidade do comportamento, e não a 
culpabilidade. 
 
Alternativa B – incorreta. 
Há inversão de informações na alternativa. Isso porque, 
nos termos do art. 20, § 3º, do Código Penal, “o erro 
quanto à pessoa contra a qual o crime é praticado não 
isenta de pena. Não se consideram, neste caso, as 
condições ou qualidades da vítima, senão as da pessoa 
contra quem o agente queria praticar o crime”. Dessa 
forma, não se consideram as condições e qualidades da 
“vítima real”, mas sim da “vítima desejada”. 
 
Alternativa C – correta. 
Entendimento já consolidado pelos tribunais superiores: 
O arrependimento posterior (art. 16 do CP), por possuir 
natureza objetiva, deve ser estendido aos corréus. O 
benefício do arrependimento posterior comunica-se aos 
coautores e participes que não tenham participado da 
restituição da coisa ou da reparação do dano. Assim, uma 
vez reparado o dano integralmente por um dos autores 
do delito, a causa de diminuição de pena do 
arrependimento posterior, prevista no art. 16 do CP, 
estende-se aos demais coautores. STJ. 6ª Turma. REsp 
1.187.976-SP, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado 
em 07/11/2013. 
 
Alternativa D – incorreta. 
Na verdade, são chamados de ponte de ouro do direito 
penal a desistência voluntária e o arrependimento eficaz. 
 
Vejamos: 
 
Desistência voluntária: O agente inicia os atos 
executórios, mas por vontade própria, interrompe este 
processo, abandonando a prática dos demais atos 
necessários e que estavam à sua disposição para a 
consumação. Em regra, conduta negativa. 
 
Arrependimento eficaz ou resipiscência: Depois de já 
praticados todos os atos executórios suficientes à 
consumação do crime, o agente adota providências aptas 
a impedir a produção do resultado. Sendo assim, é 
cabível somente em crimes materiais.Em regra, conduta 
positiva. 
 
Características da desistência voluntária e do 
arrependimento eficaz: 
 
• Os motivos que levaram o agente a optar pela 
desistência voluntária ou arrependimento eficaz são 
irrelevantes. 
• Incompatíveis com os crimes culposos. 
• Incompatíveis com crimes formais e crimes de mera 
conduta! Isso porque, se o crime é formal ou de mera 
conduta, a simples realização da conduta já implica na 
automática consumação do delito, de modo a não 
cumprir a elementar “impede que o resultado se 
produza”. 
 
Quais as consequências da desistência voluntária e do 
arrependimento eficaz? R.: O agente NÃO responde pela 
forma tentada do crime inicialmente desejado, mas 
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31 
apenas pelos atos já praticados. Em outras palavras: a 
desistência voluntária e arrependimento eficaz 
ELIMINAM a tentativa. 
 
Por isso, são chamados de "ponte de ouro" - pela 
oportunidade que o agente tem de "corrigir o seu 
percurso", voltando à esfera da licitude. 
 
Alternativa E – incorreta. 
Diverso ao previsto na norma de regência. 
 
Conforme prevê o Art. 15 – Desistência voluntária e 
arrependimento eficaz “O agente que, voluntariamente, 
desiste de prosseguir na execução ou impede que o 
resultado se produza, só responde pelos atos já 
praticados. ” 
 
37 
Consoante à classificação dos crimes, assinale a 
alternativa correta. 
 
(A) Existem crimes sem resultado naturalístico ou 
jurídico. 
(B) É prescindível a ocorrência do resultado naturalístico 
nos crimes materiais. 
(C) Caso o resultado não ocorra para consumar um crime 
formal, poderá responder pela forma tentada. 
(D) Nos crimes de mera conduta o resultado previsto 
deve ser genérico. 
(E) É necessária a ocorrência do resultado naturalístico 
nos crimes formais. 
 
Gabarito: C 
 
COMENTÁRIO DO PROFESSOR: 
 
Combatentes, a questão aborda o ponto 2.1 
Classificação dos crimes. (Incluído após retificação 
do edital). 
 
 
Alternativa A – incorreta. 
Resultado jurídico é a lesão ao bem jurídico tutelado pela 
norma penal, sendo assim ele sempre estará presente. 
 
Alternativa B – incorreta. 
Nos crimes materiais se exige o resultado naturalístico. 
 
Alternativa C – correta. 
Mesmo que o resultado não ocorra para concretizar a 
consumação, os atos praticados até então podem ser 
punidos na forma tentada. Lembre-se que o crime formal 
não exige a produção do resultado para a sua 
consumação, ainda que seja possível que ele ocorra. 
 
Alternativa D – incorreta. 
Nos crimes de mera conduta não há previsão de 
resultado, a mera conduta do agente já consuma o crime. 
 
Alternativa E – incorreta. 
Nos crimes formais o resultado naturalístico pode ou não 
acontecer, não sendo assim imprescindível. 
 
38 
Consoante os crimes contra a pessoa, assinale a 
alternativa correta. 
 
(A) No delito de homicídio a idade da vítima (tenra ou 
avançada), por si só, caracteriza a qualificadora do 
recurso que impossibilitou a defesa da vítima. 
(B) O homicídio praticado contra agentes de polícia do 
Congresso Nacional atrai a qualificadora do art. 121, §2, 
VII. 
(C) Não é possível que o agente seja condenado pelas 
qualificadoras do motivo torpe e pelo feminicídio de forma 
simultânea, sem que isso caracterize bis in idem. 
(D) Com relação ao delito de homicídio, é correto afirmar 
que tanto a doutrina como a jurisprudência são pacíficas 
no sentido de que, a falta de motivo não caracteriza a 
qualificadora do motivo fútil. 
(E) Matar o namorado (a) por motivos de ciúmes, por si 
só, torna o homicídio qualificado por motivo torpe. 
 
Gabarito: D 
 
COMENTÁRIO DO PROFESSOR: 
 
Combatentes, a questão aborda o ponto 6 Crimes contra 
a pessoa. 
 
Alternativa A – incorreta. 
A idade da vítima por si só (tenra por ex. criança ou 
avançada por ex. idosa) não caracteriza tal qualificadora, 
porquanto constitui característica da vítima e não recurso 
utilizado pelo agente. Nesse sentido, Rogério Sanches. 
 
ATENÇÃO! Cuidado para não confundir essa assertiva 
acima com a seguinte decisão do STJ: “A tenra idade da 
vítima é fundamento idôneo para a majoração da pena-
base do crime de homicídio pela valoração negativa das 
consequências do crime” (Info 679 STJ). 
 
Observação: Sendo assim, temos o seguinte cenário, a 
tenra idade da vítima por si só, não caracteriza a 
qualificadora “recurso que impossibilitou a defesa da 
vítima no delito de homicídio”. No entanto, poderá ser 
utilizada como fundamento idôneo para a majoração da 
pena-base do crime de homicídio pela valoração negativa 
das consequências do crime. 
 
Alternativa B – incorreta. 
A alternativa está equívoca por uma razão muito simples, 
qual seja o art. 144 da CF, que como se sabe possui um 
rol taxativo, não lista os policiais do Congresso Nacional 
como os agentes de segurança, por isso, o homicídio 
praticado contra agentes de polícia do Congresso 
Nacional, não atrai a qualificadora do art. 121, §2, VII. 
Nesse sentido corrobora o professor Rogério Sanches: 
“A CF, em seus art. 51, IV e 52, XIII, estabelece competir 
privativamente a CD e ao SF dispor sobre sua polícia. 
Com base nessas disposições, A Câmara dos Deputados 
e o Senado Federal regulamentaram, por meio das 
Resoluções n. 18/03 e 59/02, suas respectivas polícias, 
que, portanto, não estão disciplinadas no art. 144 da 
Constituição. Sua abrangência pela qualificadora 
caracterizaria analogia in malam partem”. 
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32 
 
Alternativa C – incorreta. 
De acordo com o STJ, não caracteriza bis in idem o 
reconhecimento das qualificadoras de motivo torpe e de 
feminicídio no crime de homicídio praticado contra mulher 
em situação de violência doméstica e familiar. Então, o 
agente pode ser condenado pelas duas qualificadoras. 
 
Não caracteriza bis in idem o reconhecimento das 
qualificadoras de motivo torpe e de feminicídio no crime 
de homicídio praticado contra mulher em situação de 
violência doméstica e familiar. Isso se dá porque o 
feminicídio é uma qualificadora de ordem OBJETIVA - vai 
incidir sempre que o crime estiver atrelado à violência 
doméstica e familiar propriamente dita, enquanto que a 
torpeza é de cunho subjetivo, ou seja, continuará adstrita 
aos motivos (razões) que levaram um indivíduo a praticar 
o delito. STJ. 6ª Turma. HC 433898-RS, Rel. Min. Nefi 
Cordeiro, julgado em 24/04/2018 (Info 625). Não há 
dúvidas acerca da natureza subjetiva da qualificadora do 
motivo torpe, ao passo que a natureza do feminicídio, por 
se ligar à condição especial da vítima, é objetiva, não 
havendo, assim, qualquer óbice à sua imputação 
simultânea. É inviável o afastamento da qualificadora do 
feminicídio mediante a análise de aspectos subjetivos da 
motivação do crime, dada a natureza objetiva da referida 
qualificadora, ligada à condição de sexo feminino. STJ. 
5ª Turma. REsp 1739704/RS, Rel. Min. Jorge Mussi, 
julgado em 18/09/2018. 
 
Alternativa D – correta. 
Falta de motivo para o crime, não se confunde com 
motivo fútil. Assim tem se posicionado a doutrina (Cezar 
Roberto Bittencourt) e a Jurisprudência do STJ, como no 
precedente a seguir: REsp. 769651 SP 2005/0124029-6, 
Rel. Laurita Vaz, Quinta Turma. 
 
A ausência de motivo significa motivo fútil, ensejando a 
qualificadora do motivo fútil? 
Prevalece que a ausência de motivo não qualifica o 
homicídio, por constituir-se em analogia in malam 
partem, vedada pelo Ordenamento Jurídico Brasileiro. A 
ausência de motivo não deve ser equiparada ao motivo 
fútil, pois todo crime tem sua motivação. Na linha da 
jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: Nahipótese em apreço, a incidência da qualificadora 
prevista no art. 121, § 2º, inciso II, do Código Penal, é 
manifestamente descabida, porquanto motivo fútil não se 
confunde com ausência de motivos, de tal sorte que se o 
crime for praticado sem nenhuma razão, o agente 
somente poderá ser denunciado por homicídio simples. 
 
Alternativa E – incorreta. 
A alternativa está equivocada, pois, conforme a 
jurisprudência do STJ, o sentimento de ciúme pode tanto 
inserir-se na qualificadora do inciso I (motivo torpe) ou II 
(motivo fútil) do parágrafo 2º, ou mesmo no privilégio do 
parágrafo primeiro, ambos do art. 121 do CP, posto que, 
a análise deve ser feita concretamente pelo Tribunal do 
Júri, caso a caso. Sendo assim, o ciúme, sem outras 
circunstâncias, não caracteriza motivo torpe (STJ, AgRg 
no REsp 1457054/PR, DJe 29/06/2016). 
 
39 
Consoante à teoria do erro assinale a alternativa 
correta. 
 
(A) O desconhecimento da lei é inescusável. O erro sobre 
a ilicitude do fato, se inevitável, isenta de pena, e, se 
evitável, poderá diminui-la de um terço a dois terços. 
(B) O agente, quando em Erro de Proibição, equivoca-se 
quanto às circunstâncias fáticas da conduta delituosa. 
Nesse sentido, em linguagem popular pode-se dizer que 
o agente em Erro de proibição “não sabe o que faz”. 
(C) O Erro de Proibição invencível recai sobre o segundo 
substrato do conceito analítico de crime, haja vista, 
nesses casos, estar ausente a potencial consciência da 
ilicitude do fato. 
(D) O ordenamento jurídico pátrio adota a teoria limitada 
da culpabilidade, pela qual todas as espécies de 
descriminantes putativas são consideradas Erro de 
Proibição Indireto. 
(E) Fazendeiro que, para defender sua propriedade, mata 
posseiro que a invade, pensando estar nos limites de seu 
direito, atua em erro de proibição indireto. 
 
Gabarito: E 
 
COMENTÁRIO DO PROFESSOR: 
 
Caveiras, a questão aborda os pontos 3.7 Erro de tipo e 
erro de proibição. 3.8 Desistência voluntária, 
arrependimento eficaz, arrependimento posterior e 
crime impossível. 12 Súmulas, jurisprudência 
dominante dos Tribunais Superiores e legislação 
relacionada com os temas. (Incluídos após 
retificação do edital). 
 
 
Alternativa A – incorreta. 
A alternativa aborda a letra da Lei referente ao erro de 
proibição, com um pequeno erro em relação ao quantum 
diminuído. O correto seria um sexto a um terço. 
 
Vejamos a Lei: 
Art. 21 - O desconhecimento da lei é inescusável. O erro 
sobre a ilicitude do fato, se inevitável, isenta de pena; 
se evitável, poderá diminui-la de um sexto a um terço. 
Parágrafo único - Considera-se evitável o erro se o 
agente atua ou se omite sem a consciência da ilicitude do 
fato, quando lhe era possível, nas circunstâncias, ter ou 
atingir essa consciência. 
 
Alternativa B – incorreta. 
Na realidade, o agente em erro de proibição conhece 
perfeitamente as circunstâncias fáticas da ocasião, no 
entanto, pensa que tal conduta não é proibida. Em outras 
palavras, o agente em erro de proibição sabe o que faz, 
mas não sabe que não poderia fazê-lo. Sendo assim o 
agente se equivoca quando ao conteúdo de uma norma 
proibitiva. 
 
Alternativa C – incorreta. 
Na realidade, o Erro de Proibição está relacionado a 
potencial consciência da ilicitude do fato, que é um 
dos elementos da culpabilidade. A culpabilidade, por 
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33 
sua vez, é o terceiro substrato do crime (Fato típico, 
ilícito e culpável). Nesse sentido, o erro de proibição 
invencível isenta o agente de pena em decorrência da 
exclusão da culpabilidade, e não da ilicitude, conforme 
aponta a alternativa. 
 
Alternativa D – incorreta. 
O ordenamento pátrio adota, de fato, a teoria limitada da 
culpabilidade, entretanto, essa teoria preconiza que 
apenas os erros relativos à existência e aos limites de 
uma causa de exclusão de ilicitude é que serão tratados 
como Erro de Proibição Indireto. O Erro relativo aos 
pressupostos fáticos de uma causa de exclusão de 
ilicitude será tratado como Erro de Tipo Permissivo, 
havendo exclusão de dolo e culpa quando invencível, e 
punição a título de culpa quando vencível. 
 
Alternativa E – correta. 
Nesse caso, o agente tem plena consciência das 
circunstâncias fáticas, ou seja, sabe o que está fazendo. 
No entanto, por erro em relação à proibição do fato, 
supõe estar acobertado por uma excludente de ilicitude. 
Mais precisamente, nesse caso, o Fazendeiro erra em 
relação à existência de uma causa de exclusão da 
ilicitude, o que, segundo a teoria limitada da 
culpabilidade, traduz-se em erro de proibição indireto. 
 
40 
Com base na legislação e entendimentos dos 
Tribunais Superiores, em relação aos crimes contra a 
Administração Pública, assinale a alternativa 
incorreta. 
 
(A) O crime de exercício arbitrário das próprias razões 
consuma-se quando o agente consegue satisfazer a sua 
pretensão com o emprego do meio arbitrário. 
(B) Não comete crime de corrupção passiva o médico do 
SUS que cobra do paciente um valor pelo fato de utilizar, 
na cirurgia, a sua máquina particular de 
videolaparoscopia, a qual não é oferecida na rede 
pública. 
(C) O indivíduo que não atende a ordem dada pelo oficial 
de justiça na ocasião do cumprimento de mandado de 
entrega de veículo comete ato atentatório a dignidade da 
justiça e também incide em crime de desobediência. 
(D) A conduta de ingressar em estabelecimento prisional 
com chip de celular não configura o crime de 
favorecimento real. 
(E) O crime de corrupção passiva consuma-se ainda que 
a vantagem indevida esteja relacionada com atos que 
formalmente não se inserem nas atribuições do 
funcionário público. 
 
Gabarito: A 
 
COMENTÁRIO DO PROFESSOR: 
 
Futuros e Futuras Policiais Civis do Estado de Goiás, a 
questão versa sobre os pontos 10 Crimes contra a 
administração pública. 12 Súmulas, jurisprudência 
dominante dos Tribunais Superiores e legislação 
relacionada com os temas. (Incluído após retificação 
do edital). 
 
 
Alternativa A – incorreta. 
Conforme o entendimento do STJ no REsp 1860791 (Info 
685) o crime do art. 345 do Código Penal é um crime 
contra a administração da justiça e pune a conduta de 
“fazer justiça pelas próprias mãos, para satisfazer 
pretensão”. O tipo penal afirma que o sujeito age “para 
satisfazer”. Logo, conclui-se ser suficiente, para a 
consumação do delito, que os atos que buscaram fazer 
justiça com as próprias mãos tenham visado obter a 
pretensão, mas não é necessário que o agente tenha 
conseguido efetivamente satisfazê-la, por meio da 
conduta arbitrária. A satisfação, se ocorrer, constitui mero 
exaurimento da conduta. O crime está consumado 
mesmo o agente não tendo conseguido o resultado 
pretendido. Vejamos: 
 
“Exercício arbitrário das próprias razões 
 
Art. 345, CP. Fazer justiça pelas próprias mãos, para 
satisfazer pretensão, embora legítima, salvo quando a lei 
o permite. ” 
 
Alternativa B – correta. 
Segundo entendimento do STJ no HC 541.447-SP (Info 
709), a tipificação do art. 317 do Código Penal exige a 
comprovação de recebimento de vantagem indevida pelo 
médico, o que não se configura quando há mero 
ressarcimento ou reembolso de despesas. O uso do 
aparelho de videolaparoscopia acarreta custos de 
manutenção e reposição de peças, não sendo razoável 
obrigar que o médico suporte tais gastos. Para tipificação 
da corrupção passiva deve ser demonstrada a solicitação 
ou recebimento de vantagem indevida pelo agente 
público, não configurada quando há mero ressarcimento 
ou reembolso de despesa. Vejamos: 
 
“Corrupção passiva 
 
Art. 317, CP. Solicitar ou receber, para si ou para outrem, 
direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou 
antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem 
indevida, ou aceitar promessa de tal vantagem. ” 
 
Alternativa C– correta. 
Conforme entendimento do STF no HC 169417/SP (Info 
975) comete crime de desobediência (art. 330 do CP) o 
indivíduo que não atende a ordem dada pelo oficial de 
justiça na ocasião do cumprimento de mandado de 
entrega de veículo, expedido no juízo cível. A conduta do 
indivíduo, depositário do bem, que se recusa a entregar 
o veículo ou a indicar sua localização configura também 
ato atentatório à dignidade da justiça havendo a previsão 
de multa processual no CPC. Ocorre que a Lei afirma 
expressamente que a aplicação da multa ocorre sem 
prejuízo de responsabilização na esfera penal. Vejamos: 
 
“Desobediência 
 
Art. 330, CP. Desobedecer a ordem legal de funcionário 
público. ” 
 
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34 
Alternativa D – correta. 
Segundo o STJ no HC 619776/DF (Info 693) a conduta 
de ingressar em estabelecimento prisional com chip de 
celular não se subsome ao tipo penal previsto no art. 349-
A do Código Penal. Vejamos: 
 
“Favorecimento real 
 
Art. 349 - Prestar a criminoso, fora dos casos de co-
autoria ou de receptação, auxílio destinado a tornar 
seguro o proveito do crime. (...) 
 
Art. 349-A. Ingressar, promover, intermediar, auxiliar ou 
facilitar a entrada de aparelho telefônico de comunicação 
móvel, de rádio ou similar, sem autorização legal, em 
estabelecimento prisional. ” 
 
Alternativa E – correta. 
Conforme decisão do STJ no REsp 1745410-SP (Info 
635) o crime de corrupção passiva consuma-se ainda 
que a solicitação ou recebimento de vantagem indevida, 
ou a aceitação da promessa de tal vantagem, esteja 
relacionada com atos que formalmente não se inserem 
nas atribuições do funcionário público, mas que, em 
razão da função pública, materialmente implicam alguma 
forma de facilitação da prática da conduta almejada. 
 
41 
No tocante aos crimes contra a dignidade sexual, 
assinale a opção correta. 
 
(A) Pratica estupro de vulnerável aquele que induz menor 
de quatorze anos a satisfazer lascívia de outrem. 
(B) Aquele que prática na presença de menor de quatorze 
anos ato libidinoso para satisfazer lascívia própria, 
responderá por corrupção de menores. 
(C) O crime de estupro terá a pena aumentada de 1/3 a 
2/3, se o crime é praticado por agente que mantém ou 
tenha mantido relação intima de afeto com a vítima ou 
com o fim de vingança ou humilhação. 
(D) Incorre no crime de estupro aquele que prática ato 
libidinoso com menor de 14 anos, desde que não tenha 
relação amorosa prévia. 
(E) Aquele que prática ato libidinoso com adulto de 23 
anos poderá responder por estupro de vulnerável se a 
vítima embriagada não pode oferecer resistência. 
 
Gabarito: E 
 
COMENTÁRIO DO PROFESSOR: 
 
Caveiras, a questão versa sobre o ponto 8 Crimes contra 
a dignidade sexual. 
 
Alternativa A – incorreta. 
À luz do art. 218, do CP, aquele que induz menor de 
quatorze anos a satisfazer lascívia de outrem prática o 
crime de corrupção de menores. 
 
Alternativa B – incorreta. 
De acordo com o art. 218-A, do CP, aquele que prática 
ato libidinoso na presença de criança ou adolescente 
com o fim de satisfazer lascívia própria, responderá pelo 
crime de satisfação de lascívia mediante presença de 
criança ou adolescente. 
 
Alternativa C – incorreta. 
Essa causa de aumento refere-se ao crime de divulgação 
de cena de estupro de vulnerável, de cena de sexo ou de 
pornografia, conforme art. 218-C, §1º, do CP. 
 
Alternativa D – incorreta. 
Aquele que prática ato libidinoso com menor de quatorze 
anos incorrerá no crime de estupro de vulnerável, é 
irrelevante a relação amorosa prévia. É o que se extrai 
do art. 217-A, §5º, do CP. 
 
Alternativa E – correta. 
Conforme art. 217-A, do CP, prática estupro de 
vulnerável aquele que tem conjunção carnal ou prática 
ato libidinoso com alguém que por qualquer causa não 
pode oferecer resistência. 
 
42 
Acerca dos crimes contra a fé pública, assinale a 
alternativa correta. 
 
(A) Atribuir-se ou atribuir a terceiro falsa identidade para 
obter vantagem configura crime de estelionato, apenado 
com reclusão. 
(B) O crime de fraude em certames de interesse público 
configura-se pela divulgação de conteúdo de certame, 
ainda que não sigiloso. 
(C) A conduta de ceder o documento de identidade a 
terceiro, para que dele se utilize, é penalmente atípica, 
sendo crime apenas o uso, como próprio, de documento 
alheio. 
(D) O crime de supressão de documento consiste em 
destruir, suprimir ou ocultar, em benefício próprio ou de 
outrem, ou em prejuízo alheio, documento público ou 
particular verdadeiro, de que não podia dispor. 
(E) Falsificar, fabricando-o ou alterando-o, marca ou sinal 
empregado pelo poder público no contraste de metal 
precioso ou na fiscalização alfandegária, ou usar marca 
ou sinal dessa natureza, falsificado por outrem constitui 
crime apenado com detenção. 
 
Gabarito: D 
 
COMENTÁRIO DO PROFESSOR: 
 
Combatentes, a questão versa sobre o ponto 9 Crimes 
contra a fé pública. 
 
Alternativa A – incorreta. 
Conforme prevê o Art. 307 - Atribuir-se ou atribuir a 
terceiro falsa identidade para obter vantagem, em 
proveito próprio ou alheio, ou para causar dano a outrem: 
Pena - detenção, de três meses a um ano, ou multa, se 
o fato não constitui elemento de crime mais grave. 
 
Alternativa B – incorreta. 
Conforme prevê o Art. 311-A. Utilizar ou divulgar, 
indevidamente, com o fim de beneficiar a si ou a outrem, 
ou de comprometer a credibilidade do certame, conteúdo 
sigiloso de: (...). 
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35 
 
Alternativa C – incorreta. 
Conforme prevê o Art. 308 - Usar, como próprio, 
passaporte, título de eleitor, caderneta de reservista ou 
qualquer documento de identidade alheia ou ceder a 
outrem, para que dele se utilize, documento dessa 
natureza, próprio ou de terceiro. 
 
Alternativa D – correta. 
Nos exatos termos do Código Penal Brasileiro, que 
assevera: 
 
“Supressão de documento - Art. 305 - Destruir, suprimir 
ou ocultar, em benefício próprio ou de outrem, ou em 
prejuízo alheio, documento público ou particular 
verdadeiro, de que não podia dispor. ” 
 
Alternativa E – incorreta. 
Conforme prevê o Art. 306 Falsificar, fabricando-o ou 
alterando-o, marca ou sinal empregado pelo poder 
público no contraste de metal precioso ou na fiscalização 
alfandegária, ou usar marca ou sinal dessa natureza, 
falsificado por outrem: 
Pena - reclusão, de dois a seis anos, e multa. 
 
43 
Acerca do concurso de crimes, assinale a alternativa 
correta. 
 
(A) Chama-se de sistema da exasperação aquele no qual 
o juiz primeiramente individualiza a pena de cada um dos 
crimes praticados, somando-as posteriormente. 
(B) Em ocasião em que o agente estupra, e, 
posteriormente, rouba a vítima, estaremos diante de 
concurso material heterogêneo. 
(C) Quando o agente, mediante mais de uma ação ou 
omissão, pratica dois ou mais crimes, idênticos ou não, 
aplica-se-lhe a mais grave das penas cabíveis ou, se 
iguais, somente uma delas, mas aumentada, em 
qualquer caso, de um sexto até metade. 
(D) Configura concurso formal próprio quando o agente, 
mediante uma só ação ou omissão, pratica dois ou mais 
crimes, idênticos ou não, sem a intenção de praticar 
ambos os crimes. A esses casos, aplica-se a mais grave 
das penas cabíveis ou, se iguais, somente uma delas, 
mas aumentada, em qualquer caso, de um sexto a dois 
terços. 
(E) Aos crimes em concurso formal próprio aplicar-se-á a 
pena pelo sistema da exasperação, em qualquer 
hipótese. 
 
Gabarito: B 
 
COMENTÁRIO DO PROFESSOR: 
 
Guerreiros(as), a questão aborda o ponto 3.2 Concurso 
de crimes.Alternativa A – incorreta. 
O Código Penal prevê dois principais sistemas de 
aplicação da pena para o concurso de crimes: 
 
- Sistema do Cúmulo Material: Há individualização da 
pena para cada uma das condutas, somando-as todas ao 
final. Ou seja, a assertiva trata do CÚMULO MATERIAL, 
e não do sistema da exasperação. 
 
Onde se aplica o sistema do cúmulo material? 
- Concurso material (art. 69 do CP); 
- Concurso formal impróprio (Art. 70, caput, 2ª parte do 
CP); e 
- Concurso das penas de multa – concurso material e 
formal (Art.72 do CP). 
 
- Sistema da Exasperação: O magistrado, nesses 
casos, aplica a mais grave entre as penas cominadas 
para os crimes praticados pelo agente. Posteriormente, 
há aumento dessa pena no quantum anunciado pela 
Legislação. 
 
Onde se aplica o sistema da Exasperação? 
- Concurso formal próprio (art. 70, caput, 1ª parte, CP); e 
- Continuidade delitiva (art. 71, CP); e 
- Concurso das penas de multa - crime continuado 
(conforme jurisprudência do STJ). 
 
Alternativa B – correta. 
O Concurso material, conforme a doutrina, divide-se em 
homogêneo e heterogêneo. 
 
Concurso material homogêneo: Os crimes praticados 
são de mesma espécie (fazem parte do mesmo tipo 
penal e tutelam o mesmo bem jurídico). 
 
Sobre o concurso material homogêneo, descreve André 
Estefam (2020), há concurso material homogêneo 
“quando os crimes cometidos forem idênticos (dois 
roubos, dois estupros etc.). Para o reconhecimento desta 
modalidade de concurso material, em que as infrações 
penais são da mesma espécie, é preciso que sejam 
diversas as circunstâncias de tempo, local ou modo de 
execução, pois, caso contrário, a hipótese seria de crime 
continuado. Haverá, portanto, concurso material, se os 
dois roubos foram cometidos em datas distantes um do 
outro, ou em cidades diferentes, ou, ainda, se foram 
cometidos por modos de execução distintos”. 
 
Concurso material heterogêneo: Os crimes praticados 
não são de mesma espécie, como ocorre na alternativa: 
o crime de estupro e o crime de roubo estão em tipos 
penais distintos e tutelam bens jurídicos distintos. 
 
Conforme leciona Rogério Sanches (pág. 625), o 
concurso material heterogêneo acontece quando os 
crimes são de espécies distintas (ex.: estupro e roubo). 
Na aplicação da pena, o juiz seguirá o sistema do cúmulo 
material. 
 
Alternativa C – incorreta. 
A alternativa traz o conceito de concurso material, mas 
a segunda parte da assertiva traz o sistema da 
exasperação (aplicável aos casos de concurso formal). 
Vejamos como prevê o Código Penal: 
 
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36 
Art. 69 - Quando o agente, mediante mais de uma ação 
ou omissão, pratica dois ou mais crimes, idênticos ou 
não, aplicam-se cumulativamente as penas privativas 
de liberdade em que haja incorrido. No caso de aplicação 
cumulativa de penas de reclusão e de detenção, executa-
se primeiro aquela.” 
 
Ou seja, aos casos de concurso material (Art. 69 do CP), 
aplica-se o sistema do cúmulo material. 
 
Alternativa D – incorreta. 
O erro da alternativa é mencionar que o quantum de 
aumento da pena é de um sexto a dois terços, em 
verdade, é de 1/6 até metade (vide art. 70, CP). 
 
A alternativa traz o conceito de concurso formal próprio 
trazido pelo próprio Código Penal, mas se utiliza de outro 
vocabulário. 
 
Como sabemos, no concurso formal próprio, o agente 
pratica uma só conduta e atinge mais de um resultado 
criminoso, no entanto, os resultados múltiplos não eram 
desejados pelo agente, pois, se fossem, estaríamos 
diante de um concurso formal impróprio. 
 
Vejamos como dispõe o Código Penal: 
 
“Art. 70 - quando o agente, mediante uma só ação ou 
omissão, pratica dois ou mais crimes, idênticos ou não, 
aplica-se-lhe a mais grave das penas cabíveis ou, se 
iguais, somente uma delas, mas aumentada, em 
qualquer caso, de um sexto até metade (concurso formal 
próprio). As penas aplicam-se, entretanto, 
cumulativamente, se a ação ou omissão é dolosa e os 
crimes concorrentes resultam de desígnios autônomos, 
consoante o disposto no artigo anterior (concurso formal 
impróprio).” 
 
Alternativa E – incorreta. 
O Código Penal prevê a figura do concurso material 
benéfico, no Parágrafo Único do Art. 70. Vejamos: 
 
“Concurso formal 
Art. 70 - Quando o agente, mediante uma só ação ou 
omissão, pratica dois ou mais crimes, idênticos ou não, 
aplica-se-lhe a mais grave das penas cabíveis ou, se 
iguais, somente uma delas, mas aumentada, em 
qualquer caso, de um sexto até metade (concurso formal 
próprio). As penas aplicam-se, entretanto, 
cumulativamente, se a ação ou omissão é dolosa e os 
crimes concorrentes resultam de desígnios autônomos, 
consoante o disposto no artigo anterior (concurso formal 
impróprio). 
 
Parágrafo único - não poderá a pena exceder a que seria 
cabível pela regra do art. 69 (concurso material) deste 
Código. ” 
 
Ou seja, caso a aplicação do sistema da exasperação, 
previsto para o concurso formal, acabe sendo mais 
gravoso caso fosse aplicado o sistema do cúmulo 
material, deve-se aplicar, então, o sistema do cúmulo 
material benéfico. 
Noções de Direito Processual Penal 
 
44 
Acerca do acordo de não persecução penal assinale 
a alternativa correta. 
 
(A) Se o agente tiver sido beneficiado nos 5 anos 
anteriores ao cometimento da infração com uma 
transação penal, tal agente não poderá realizar o acordo 
de não persecução penal. 
(B) Será permitida a proposta de não persecução penal 
no crime de lesão corporal qualificada pela violência 
doméstica (art. 129, § 9º, CP). 
(C) Não sendo caso de arquivamento e tendo o 
investigado confessado formal e circunstancialmente a 
prática de infração penal sem violência ou grave ameaça 
e com pena máxima de 4 (quatro) anos, pode o Ministério 
Público propor acordo de não persecução penal. 
(D) Será aplicável o acordo de não persecução penal na 
hipótese de o investigado ser reincidente ou se houver 
elementos probatórios que indiquem conduta criminal 
habitual, reiterada ou profissional, com exceção da 
hipótese das infrações penais pretéritas serem 
consideradas insignificantes. 
(E) Não sendo caso de arquivamento e tendo o 
investigado confessado formal e circunstancialmente a 
prática de infração penal sem violência ou grave ameaça 
e com pena mínima inferior a 6 (seis) anos, o Ministério 
Público poderá propor acordo de não persecução penal, 
desde que necessário e suficiente para reprovação e 
prevenção do crime observados os requisitos legais 
exigidos. 
 
Gabarito: A 
 
COMENTÁRIO DO PROFESSOR: 
 
Caveiras, a questão aborda o ponto 1.4 Acordo de não 
persecução penal. (Inserido após a retificação do 
edital). 
 
Alternativa A – correta. 
Nos exatos termos do Código de Processo Penal, que 
assevera: 
 
“Art. 28-A (...) 
§ 2º O disposto no caput deste artigo não se aplica nas 
seguintes hipóteses: (...) 
III - ter sido o agente beneficiado nos 5 (cinco) anos 
anteriores ao cometimento da infração, em acordo de não 
persecução penal, transação penal ou suspensão 
condicional do processo; ” 
 
 
Alternativa B – incorreta. 
Conforme Art. 28-A do CPP, não será possível acordo de 
não persecução penal quando o crime for praticado 
mediante violência ou grave ameaça, 
consequentemente, não será cabível no caso de lesão 
corporal qualificada pela violência doméstica. Vejamos: 
 
“Art. 28-A. Não sendo caso de arquivamento e tendo o 
investigado confessado formal e circunstancialmente a 
Victoria Maria Lopes
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37 
prática de infração penal sem violência ou grave 
ameaça e com pena mínima inferior a 4 (quatro)anos, o 
Ministério Público poderá propor acordo de não 
persecução penal, desde que necessário e suficiente 
para reprovação e prevenção do crime, mediante as 
seguintes condições ajustadas cumulativa e 
alternativamente: (...).” 
 
Alternativa C – incorreta. 
Diverso ao previsto no Código de Processo Penal, que 
aduz: 
 
“Art. 28-A. Não sendo caso de arquivamento e tendo o 
investigado confessado formal e circunstancialmente a 
prática de infração penal sem violência ou grave ameaça 
e com pena MÍNIMA inferior a 4 (quatro) anos, o 
Ministério Público poderá propor acordo de não 
persecução penal, desde que necessário e suficiente 
para reprovação e prevenção do crime, mediante as 
seguintes condições ajustadas cumulativa e 
alternativamente: (...).” 
 
Alternativa D – incorreta. 
Contrário ao disciplinado no Código de Processo Penal, 
a saber: 
 
“Art.28-A (...) 
 
§ 2º O disposto no caput deste artigo NÃO se aplica nas 
seguintes hipóteses: 
I - se for cabível transação penal de competência dos 
Juizados Especiais Criminais, nos termos da lei; 
II - se o investigado for reincidente ou se houver 
elementos probatórios que indiquem conduta 
criminal habitual, reiterada ou profissional, EXCETO 
se insignificantes as infrações penais pretéritas; 
III - ter sido o agente beneficiado nos 5 (cinco) anos 
anteriores ao cometimento da infração, em acordo de não 
persecução penal, transação penal ou suspensão 
condicional do processo; e 
IV - nos crimes praticados no âmbito de violência 
doméstica ou familiar, ou praticados contra a mulher por 
razões da condição de sexo feminino, em favor do 
agressor.” 
 
Alternativa E – incorreta. 
A pena mínima inferior a 4 anos, e não de 6 (seis) anos 
como afirmado na alternativa. 
 
Vejamos: 
 
“Art. 28-A. Não sendo caso de arquivamento e tendo o 
investigado confessado formal e circunstancialmente a 
prática de infração penal sem violência ou grave ameaça 
e com pena mínima inferior a 4 (quatro) anos, o 
Ministério Público poderá propor acordo de não 
persecução penal, desde que necessário e suficiente 
para reprovação e prevenção do crime, mediante as 
seguintes condições ajustadas cumulativa e 
alternativamente: (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) 
 
I - reparar o dano ou restituir a coisa à vítima, exceto na 
impossibilidade de fazê-lo; (Incluído pela Lei nº 13.964, 
de 2019) 
II - renunciar voluntariamente a bens e direitos indicados 
pelo Ministério Público como instrumentos, produto ou 
proveito do crime; (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) 
III - prestar serviço à comunidade ou a entidades públicas 
por período correspondente à pena mínima cominada ao 
delito diminuída de um a dois terços, em local a ser 
indicado pelo juízo da execução, na forma do art. 46 do 
Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código 
Penal); (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) 
IV - pagar prestação pecuniária, a ser estipulada nos 
termos do art. 45 do Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de 
dezembro de 1940 (Código Penal), a entidade pública ou 
de interesse social, a ser indicada pelo juízo da 
execução, que tenha, preferencialmente, como função 
proteger bens jurídicos iguais ou semelhantes aos 
aparentemente lesados pelo delito; ou (Incluído pela Lei 
nº 13.964, de 2019) 
V - cumprir, por prazo determinado, outra condição 
indicada pelo Ministério Público, desde que proporcional 
e compatível com a infração penal imputada. (Incluído 
pela Lei nº 13.964, de 2019) 
 
45 
Consoante aos princípios aplicáveis ao processo 
penal assinale a alternativa correta. 
 
(A) O conceito de devido processo legal substancial 
refere-se à necessidade de previsão expressa dos ritos 
processuais aplicáveis ao caso concreto, no qual seja 
assegurado o contraditório e a ampla defesa ao acusado. 
(B) Atualmente, a doutrina aponta limitações à busca pela 
verdade real, de modo que, para parte desses 
doutrinadores, tem-se modernamente o que chamam de 
busca da verdade materialmente possível. 
(C) Em razão da adoção do princípio da verdade real, 
também chamada de verdade materialmente possível 
para a doutrina moderna, admite-se no ordenamento 
jurídico pátrio a valoração de provas ilícitas, desde que 
essas contribuam efetivamente para a elucidação da 
verdade buscada no processo. 
(D) A jurisprudência mais recente do Supremo Tribunal 
Federal passou a readmitir a execução provisória da 
pena, de modo que o princípio da presunção de 
inocência, atualmente, é objeto de grande relativização. 
(E) A regra de tratamento trazida pelo princípio da 
presunção de inocência estabelece que o ônus de provar 
a prática do crime é da acusação. 
 
Gabarito: B 
 
COMENTÁRIO DO PROFESSOR: 
 
Combatentes, a questão versa sobre os pontos 5 
Princípios aplicáveis ao processo penal; 11 Súmulas, 
jurisprudência dominante dos Tribunais Superiores e 
legislação relacionada com os temas. (Inseridos 
após a retificação do edital). 
 
 
Alternativa A – incorreta. 
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38 
Devido processo legal substancial, em verdade, refere-se 
à busca por decisões éticas e justas dentro dos ritos 
formais inerentes ao processo. A alternativa, por sua vez, 
refere-se ao conceito de devido processo legal 
procedimental, relacionado ao estabelecimento prévio 
de ritos para assegurar um processo isento e reforçado 
contra arbitrariedades. 
 
Alternativa B – correta. 
O conceito de “verdade materialmente possível”, 
cunhado por Guilherme Nucci, contrapõe-se ao conceito 
de busca pela verdade real e vem sendo objeto de 
discussão e aceitação por parte da doutrina. A verdade 
real, que consiste na busca do magistrado pela realidade 
dos fatos, passa atualmente por espécie de “choque de 
realidade”, haja vista ser patente a dificuldade que o 
julgador encontra para formar a verdade real, tendo em 
vista diversos fatores como até mesmo o esquecimento 
das testemunhas diante dos fatos. Por isso, atualmente 
admite-se a utilização do termo “verdade materialmente 
possível”, ainda em contraponto ao princípio da verdade 
formal (adotado pelo Processo Civil e limitado ao 
processo), mas agora dotada de maior razoabilidade. 
 
Alternativa C – incorreta. 
A valoração de provas ilícitas, no ordenamento pátrio, 
ocorrerá apenas em situações taxativamente 
especificadas no Código de Processo Penal, como, por 
exemplo, a teoria da fonte independente, prevista no 
Código de Processo Penal, que dispõe: 
 
“Art. 157. São inadmissíveis, devendo ser 
desentranhadas do processo, as provas ilícitas, assim 
entendidas as obtidas em violação a normas 
constitucionais ou legais. 
 
§ 1º São também inadmissíveis as provas derivadas das 
ilícitas, salvo quando não evidenciado o nexo de 
causalidade entre umas e outras, ou quando as 
derivadas puderem ser obtidas por uma fonte 
independente das primeiras. ” 
 
No mais, não há que se falar em aceitação de provas 
ilícitas pura e simplesmente porque levariam à 
elucidação da verdade. Desse modo, temos que o 
Código de Processo Penal aborda exatamente o 
contrário: ainda que a prova ilícita conduza à verdade, 
não será aceita se foi produzida em violação aos 
preceitos normativos vigentes. 
 
Alternativa D – incorreta. 
A situação vigente é exatamente oposta ao que prevê a 
alternativa. 
 
A última decisão emblemática do STF nesse sentido é a 
de voltar a INADMITIR o cumprimento provisório da 
pena, fortalecendo-se, assim, o princípio da presunção 
de inocência. 
 
Ao julgar as ações declaratórias de constitucionalidade 
43, 44 e 54, em 7/11/2019, o Plenário do STF firmou o 
entendimento de que não cabe a execução provisória da 
pena. 
 
A 1ª Turma do STF aplicou esse entendimento em um 
caso concreto no qual o réu estava preso unicamente 
pelo fato de o Tribunal de Justiça ter confirmado a sua 
condenação em 1ª instância, não tendo havido, contudo,ainda, o trânsito em julgado. Logo, o STF, afastando a 
possibilidade de execução provisória da pena, concedeu 
a liberdade ao condenado até que haja o esgotamento de 
todos os recursos. 
STF. 1ª Turma. HC 169727/RS, Rel. Min. Marco Aurélio, 
julgado em 26/11/2019 (Info 961). 
 
Alternativa E – incorreta. 
O princípio da presunção de inocência possui como duas 
consequências principais a concepção da (1) Regra de 
Tratamento e (2) Regra Probatória e de Julgamento. 
 
A alternativa traz o conceito da regra probatória e de 
julgamento (e não de tratamento). A regra de tratamento, 
por sua vez, pressupõe que o réu seja tratado 
efetivamente como inocente até o trânsito em julgado, 
não podendo as esferas de controle do Estado 
praticarem atos que indiquem o contrário. Além disso, a 
regra de tratamento também atua limitando as medidas 
restritivas de direito, de modo que as prisões cautelares 
devem ser entendidas como última medida, desde que 
fundamentais e essenciais para o desenvolvimento do 
processo. 
 
Conforme explica Leonardo Barreto Moreira Alves: 
 
Expressamente previsto na Constituição Federal de 1988 
no art. 5°, inciso LVII, é princípio por meio do qual se 
entende que ninguém será considerado culpado até o 
trânsito em julgado de sentença penal condenatória. Em 
outros termos, no Processo Penal, todo acusado é 
presumido inocente até a eventual sentença 
condenatória transitar em julgado. 
 
O princípio em comento contempla duas facetas, que 
consubstanciam duas regras fundamentais, a saber: 
 
Regra probatória (in dubio pro reo): Em decorrência da 
regra probatória, tem-se que o ônus da prova, em regra, 
cabe à acusação. Considerando que a pessoa já nasce 
inocente, para que esse estado seja alterado é preciso, 
em regra, que o autor da ação penal prove o contrário. 
Desde já, registre-se que esta consequência comporta 
importante exceção, tendo em vista que o ônus da prova 
das causas excludentes de ilicitude ou de culpabilidade 
compete ao acusado, embora o art. 386, inciso VI, do 
CPP autorize o juiz a absolver o réu mesmo se apenas 
houver fundada dúvida sobre a existência destas causas, 
em respeito ao princípio do in dubio pro reo. Ademais, 
também é ônus da defesa a prova de causas de extinção 
da punibilidade (art. 107 do CP) e de circunstâncias que 
mitiguem a pena. 
 
Regra de tratamento: Impõe-se que o Poder Legislativo, 
os operadores do Direito e a própria sociedade, de forma 
efetiva, tratem a pessoa humana como inocente até que 
ocorra o trânsito em julgado da sentença penal 
condenatória. É esse o fundamento, por exemplo, do teor 
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da Súmula nº 444 do STJ, segundo a qual “É vedada a 
utilização de inquérito policiais e ações penais em curso 
para agravar a pena-base.”. 
 
Consequências da regra de tratamento: 
 
- Excepcionalidade das prisões cautelares; 
- Toda medida constritiva de direitos individuais, na 
verdade, só pode ser decretada excepcionalmente. 
 
46 
Acerca dos sistemas do processo penal assinale a 
alternativa correta. 
 
(A) A publicidade, a imparcialidade, o contraditório e a 
ampla defesa são características marcantes do sistema 
processual inquisitivo. 
(B) Historicamente, o processo penal acusatório 
distinguia-se do inquisitório porque enquanto o primeiro 
era escrito e sigiloso, o segundo era oral e público. 
(C) O Sistema acusatório prega o respeito incondicional 
ao contraditório, à publicidade, à imparcialidade, à ampla 
defesa, bem como distribui a órgãos distintos as funções 
de acusar, defender e julgar. 
(D) No Direito pátrio, o sistema que vige no processo 
penal é o inquisitivo formal. 
(E) No sistema inquisitivo a atividade probatória é 
atribuição natural das partes. 
 
Gabarito: C 
 
COMENTÁRIO DO PROFESSOR: 
 
Caveiras, a questão versa sobre o ponto 6 Sistemas de 
processo penal. (Inserido no edital após retificação). 
 
Alternativa A – incorreta. 
Na realidade trata-se de sistema acusatório e não 
inquisitivo como apresentado na alternativa. 
 
Conforme explica o professor e doutrinador Noberto 
Avena, próprio dos regimes democráticos, o sistema 
acusatório caracteriza-se pela distinção absoluta entre as 
funções de acusar, defender e julgar, que deverão ficar a 
cargo de pessoas distintas. 
 
Nesse sistema existe uma clara separação entre os 
órgãos de acusação e julgamento. O juiz é um terceiro 
imparcial e a produção de provas está na mão das partes. 
O juiz é absolutamente inerte e imparcial, com 
contraditório e ampla defesa assegurados e com 
publicidade dos atos. 
 
No sistema acusatório, as funções serão exercidas por 
partes distintas. As funções de acusar, defender e julgar 
são atribuídas a pessoas diversas. No referido sistema 
haverá respeito ao contraditório. O acusado deixa de ser 
considerado mero objeto e passa a configurar como 
sujeito de direitos. A gestão da prova, em um sistema 
acusatório puro, o juiz não poderia produzir prova de 
ofício. Por outro lado, a outra parte da doutrina aduz que 
o juiz pode produzir prova de ofício na fase processual. 
Assim, na fase investigatória não é dada ao juiz produzir 
prova de ofício, porém, na fase processual lhe é 
permitido, desde que atue de forma residual. 
 
Alternativa B – incorreta. 
Enquanto o sistema acusatório é marcado pela oralidade 
e por ser público, o sistema inquisitorial tem a 
característica de ser escrito e sigiloso. 
 
Alternativa C – correta. 
Como bem explicitado na alternativa A, e com base nos 
ensinamentos do professor e doutrinador Noberto Avena, 
próprio dos regimes democráticos, o sistema acusatório 
caracteriza-se pela distinção absoluta entre as funções 
de acusar, defender e julgar, que deverão ficar a cargo 
de pessoas distintas. 
 
Nesse sistema, existe uma clara separação entre os 
órgãos de acusação e julgamento. O juiz é um terceiro 
imparcial e a produção de provas está na mão das partes. 
O juiz é absolutamente inerte e imparcial, com 
contraditório e ampla defesa assegurados e com 
publicidade dos atos. 
 
No sistema acusatório, as funções serão exercidas por 
partes distintas. As funções de acusar, defender e julgar 
são atribuídas a pessoas diversas. No referido sistema 
haverá respeito ao contraditório. O acusado deixa de ser 
considerado mero objeto e passa a configurar como 
sujeito de direitos. A gestão da prova, em um sistema 
acusatório puro, o juiz não poderia produzir prova de 
ofício. Por outro lado, a outra parte da doutrina aduz que 
o juiz pode produzir prova de ofício na fase processual. 
Assim, na fase investigatória não é dada ao juiz produzir 
prova de ofício, porém, na fase processual lhe é 
permitido, desde que atue de forma residual. 
 
Por adequado, cumpre destacarmos que o art. 3-A do 
Código de Processo Penal acrescido pela Lei 
133.964/2019, ora suspenso, deixou expresso a 
adoção do sistema acusatório. 
 
Alternativa D – incorreta. 
O nosso Ordenamento Jurídico adotou o sistema 
acusatório, o que foi reforçado pelo Pacote Anticrime ao 
teor do art. 3-A do CPP. 
 
O sistema acusatório é o adotado pela Constituição 
Federal. Vejamos: 
 
“Art. 129. São funções institucionais do Ministério 
Público: I - promover, privativamente, a ação penal 
pública, na forma da lei. ” 
 
A função de acusar nas ações penais públicas é do 
Ministério Público, sendo assim o sistema acusatório, 
não é a outra a conclusão que poderíamos ter, haja vista 
que a Constituição Federal outorgou a titularidade da 
persecução penal ao referido órgão, por excelência. 
 
Por fim, conforme destacamos acima, a adoção do 
sistema acusatório foi reafirmado com o advento do art. 
3-A do Código de Processo Penal, oriunda do Pacote 
Anticrime (Lei n. 13.964/2019). 
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40 
 
Corroborando ao exposto, Rogério Sanches e Ronaldo 
Batista: 
 
A Lei 13.964/19, obediente à Carta Maior, foi clara: o 
processo penal terá estrutura acusatória, vedadas a 
iniciativa do juiz na fase de investigação e a substituição 
da atuação probatória do órgão de acusação (art. 3-A do 
CPP). A suspensão deste artigo pelo STF não permite 
concluir que nosso ordenamento, sob o comando da 
Constituição Federal, adota sistema diverso do 
acusatório. 
 
Alternativa E – incorreta. 
Na realidade estamos diante do sistema acusatório, e 
não inquisitivo. 
 
Em síntese, podemos apontar como características do 
sistema acusatório: 
 
- A função de acusar, defender e julgar são atribuídas a 
pessoas distintas; 
- Juiz equidistante das partes e imparcial; 
- Observância do contraditório e da ampla defesa; 
- O processo é público; 
- Oralidade nos procedimentos; 
- O julgador possui iniciativa probatória residual (a 
atuação do juiz é de natureza supletiva); 
- O acusado é sujeito de direitos e possui garantais 
constitucionais. 
 
47 
Consoante à presidência, arquivamento e 
trancamento do inquérito policial, assinale a 
alternativa correta. 
 
(A) Extraordinária e fundamentadamente, a autoridade 
policial poderá mandar arquivar o inquérito para evitar 
lesão a direitos fundamentais do indiciado. 
(B) O delegado de polícia, se estiver convencido da 
ausência de elementos suficientes para imputar autoria a 
determinada pessoa, deverá mandar arquivar o inquérito 
policial, podendo desarquivá-lo se surgir prova nova. 
(C) Uma vez arquivado o inquérito policial por decisão 
judicial, a autoridade policial não poderá proceder a 
novas pesquisas, se tiver notícia de uma nova prova. 
(D) Do despacho da autoridade policial que indeferir 
requerimento de abertura de inquérito policial feito pelo 
ofendido ou seu representante legal é cabível, como 
único remédio jurídico, recurso ao juiz criminal da 
comarca onde, em tese, ocorreu o fato delituoso. 
(E) O arquivamento implícito é uma construção 
doutrinária. Ele seria, inicialmente, decorrente da 
omissão do Ministério Público que deixa de narrar na 
denúncia um fato investigado no inquérito ou um 
indiciado. 
 
Gabarito: E 
 
COMENTÁRIO DO PROFESSOR: 
 
Combatentes, a questão versa sobre o ponto 1.3 
Presidência, arquivamento e trancamento do 
inquérito policial. (Inserido no edital após 
retificação). 
 
Alternativa A – incorreta. 
O inquérito policial goza da característica de ser um 
procedimento indisponível, o que significa que uma vez 
iniciado o inquérito a autoridade policial não poderá 
encerrar esse inquérito. 
 
Nesse sentido, dispõe Távora e Alencar (2021): a 
persecução criminal é de ordem pública, e uma vez 
iniciado o inquérito, não pode o delegado de polícia dele 
dispor. 
 
Vejamos o texto normativo do Código de Processo Penal, 
que assevera: 
 
“Art. 17. A autoridade policial não poderá mandar 
arquivar autos de inquérito. ” 
 
Em síntese, Delegado de Polícia não pode mandar 
arquivar autos do Inquérito Policial. 
 
Alternativa B – incorreta. 
Nos termos do art. 17 do Código de Processo Penal, a 
autoridade policial não possui atribuição para mandar 
arquivar autos do inquérito policial, razão pela qual a 
alternativa encontra-se errada. 
 
Nessa esteira, vejamos a legislação pátria: 
 
“Art. 17. A autoridade policial não poderá mandar 
arquivar autos de inquérito. ” 
 
Alternativa C – incorreta. 
Conforme prevê o Código de Processo Penal, depois de 
ordenado o arquivamento do inquérito pela autoridade 
judiciária, por falta de base para a denúncia, a autoridade 
policial poderá proceder a novas pesquisas, se de outras 
provas tiver notícia. 
 
Na mesma linha, segundo a súmula nº 524 do Supremo 
Tribunal Federal, arquivado o inquérito policial, por 
despacho do juiz, a requerimento do Promotor de Justiça, 
não pode a ação penal ser iniciada sem novas provas. 
 
Observemos o disposto no Código de Processo Penal, a 
seguir: 
 
“Art. 18. Depois de ordenado o arquivamento do inquérito 
pela autoridade judiciária, por falta de base para a 
denúncia, a autoridade policial PODERÁ proceder a 
novas pesquisas, se de outras provas tiver notícia. ” 
 
Alternativa D – incorreta. 
Nos termos do art. 5º, §2º do Código de Processo Penal, 
caberá “recurso para o Chefe de Polícia”. 
 
Vejamos: 
 
“Art. 5º (...) 
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41 
§ 2º Do despacho que indeferir o requerimento de 
abertura de inquérito caberá recurso para o chefe de 
Polícia.” 
 
Alternativa E – correta. 
Conforme ensina o professor Noberto Avena, o 
fenômeno do arquivamento implícito pode ocorrer em 
duas hipóteses, a saber: 
 
I) Quando o Ministério Público deixa de incluir na 
denúncia algum dos fatos investigados no inquérito ou 
algum dos indivíduos nele indiciados, sem qualquer 
justificativa para tanto, quer no sentido de requerer 
diligências, quer no sentido de promover o arquivamento 
expresso quanto a fatos ou indiciados remanescentes. 
 
II) Quando o Ministério Público, diante de inquérito 
policial que indiciou mais de um investigado ou apurou 
mais de um fato criminoso, postula e tem deferido pelo 
juiz o arquivamento do procedimento policial, referindo-
se, todavia, a apenas um ou alguns investigados ou um 
ou alguns fatos, sem qualquer menção aos demais. 
 
48 
Acerca do tema competência, assinale a alternativa 
correta. 
 
(A) É de competência da justiça comum estadual o 
julgamento de contravenções penais, mesmo que 
conexas com crimes de competência da justiça comum 
federal de primeiro grau. 
(B) Viola as garantias do juiz natural, da ampla defesa e 
do devido processo legal a atração por continência ou 
conexão do processo do corréu ao foro por prerrogativa 
de função de um dos denunciados. 
(C) A competência constitucional do Tribunal do Júri não 
prevalece sobre o foro por prerrogativa de função 
estabelecido exclusivamente pela constituição estadual 
(D) Segundo entendimento do STJ, é de competência da 
justiça estadual processar e julgar crime contra 
funcionário público federal, estando ou não este no 
exercício da função. 
(E) Havendo conexão entre um crime federal e um crime 
estadual, prevalece a competência da justiça estadual. 
 
Gabarito: A 
 
COMENTÁRIO DO PROFESSOR: 
 
Guerreiros(as), a questão versa sobre os pontos 8 
Competência; 11 Súmulas, jurisprudência dominante 
dos Tribunais Superiores e legislação relacionada 
com os temas. (Inseridos após retificação no edital). 
 
Alternativa A – correta. 
Conforme dispositivos legais e jurisprudenciais a seguir: 
 
“Súmula 38 - STJ: Compete à Justiça Estadual Comum, 
na vigência da Constituição de 1988, o processo por 
contravenção penal, ainda que praticada em detrimento 
de bens, serviços ou interesse da União ou de suas 
entidades.” 
 
“Art. 109, IV da Constituição Federal: Aos juízes federais 
compete processar e julgar: IV - os crimes políticos e as 
infrações penais praticadas em detrimento de bens, 
serviços ou interesse da União ou de suas entidades 
autárquicas ou empresas públicas, excluídas as 
contravenções e ressalvada a competência da Justiça 
Militar e da Justiça Eleitoral; ” 
 
Alternativa B – incorreta. 
Conforme o enunciado de súmula do Supremo Tribunal 
Federal, que assevera: 
 
“Súmula 704, STF: NÃO VIOLA as garantias do juiz 
natural, da ampla defesa e do devido processo legal a 
atração por continência ou conexão do processo do 
corréu ao foro por prerrogativa de função de um dos 
denunciados. ” 
 
Alternativa C – incorreta. 
Vejamos o enunciado de súmula do Supremo Tribunal 
Federal, que aduz: 
 
“Súmula 721 STF. A competência constitucional do 
Tribunal do Júri PREVALECE sobre o foro por 
prerrogativa de função estabelecido exclusivamente pela 
constituiçãoestadual. ” 
 
Insta salientar que a Súmula 721 foi convertida na 
Súmula Vinculante 45. 
 
Alternativa D – incorreta. 
Vejamos o disposto no enunciado de súmula do Superior 
Tribunal de Justiça, a seguir: 
 
“Súmula 147 STJ: Compete à Justiça Federal processar 
e julgar os crimes praticados contra funcionário público 
federal, quando relacionados com o exercício da função. 
” 
 
Alternativa E – incorreta. 
Vejamos o disposto na súmula do Superior Tribunal de 
Justiça, que assevera: 
 
“Súmula 122-STJ: Compete à Justiça Federal o 
processo e julgamento unificado dos crimes conexos de 
competência federal e estadual, não se aplicando a regra 
do art. 78, II, "a", do Código de Processo Penal. ” 
 
49 
Concernente às Nulidades no processo penal, 
assinale a alternativa correta. 
 
(A) Dentre as diversas consequências que podem advir 
do desrespeito às normas processuais, entende a 
doutrina que tais irregularidades devem acarretar em, ao 
menos, sanções extraprocessuais, a fim de que seja 
vedado que uma irregularidade não gere ônus algum 
àquele que agiu em desrespeito aos ditames legais. 
(B) Os atos processuais penais devem observar os 
ditames legais quanto as formalidades e procedimentos 
aplicáveis, de modo que a inobservância desses fatores 
consiste em irregularidades que, a depender das 
consequências, pode gerar a nulidade de tais atos. 
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42 
(C) Nulidades absolutas decorrem da inobservância de 
normas de ordem pública, de modo que seu prejuízo é 
presumido, podendo ser arguidas a qualquer momento 
do processo, desde que anteriormente ao trânsito em 
julgado da ação. 
(D) Ao estabelecer que as nulidades relativas deverão 
ser alegadas em momento oportuno, o Código de 
Processo Penal incumbe aos magistrados a fixação de 
momento para alegação das nulidades dentro do 
processo. 
(E) Uma defesa técnica considerada deficiente constitui 
causa de nulidade absoluta, ainda que fique 
demonstrado não ter havido prejuízo para o réu. 
 
Gabarito: B 
 
COMENTÁRIO DO PROFESSOR: 
 
Guerreiros(as), a questão versa sobre os pontos 10 
Nulidades, recursos e ações autônomas de 
impugnação; 11 Súmulas, jurisprudência dominante 
dos Tribunais Superiores e legislação relacionada 
com os temas. (Inseridos no edital após retificação). 
 
 
Alternativa A – incorreta. 
O erro da alternativa se encontra no trecho “acarretar em, 
ao menos, sanções extraprocessuais”, uma vez que é 
possível que determinadas irregularidades não gerem 
qualquer consequência, como ocorre, por exemplo, em 
relação à abreviatura de nomes nos atos processuais. 
 
Sobre o tema, a doutrina menciona, ainda, as possíveis 
situações: 
 
Irregularidades que produzem sanções 
extraprocessuais: a irregularidade não acarreta em 
nulidade, mas resulta em sanções extraprocessuais. 
Exemplo: multa aplicada ao perito que não entre o laudo 
no prazo estipulado pelo Art. 277, parágrafo único do 
CPP). 
 
Irregularidade que pode acarretar a invalidação do 
ato processual (nulidade): Decorre de atos viciados que 
atentam contra o interesse público ou contra o interesse 
das partes, tornando o ato nulo. Exemplo: sentença 
condenatória sem fundamentação (art. 93, inciso XI da 
CF/88). 
 
Irregularidade que acarreta a inexistência do ato 
processual: Irregularidades tão latentes que o ato passa 
a ser considerado inexistente. Exemplo: sentença 
prolatada por um Promotor de Justiça. 
 
Alternativa B – correta. 
A alternativa aborda o conceito de tipicidade processual 
penal, que consiste na observância, pelas partes, dos 
dispositivos legais previstos na Lei processual penal, com 
a finalidade de assegurar às partes o desenvolvimento de 
um processo justo, sem vícios, e preservador dos direitos 
fundamentais do acusado. 
 
A parte final da alternativa “a depender das 
circunstâncias, pode gerar a nulidade de tais atos” se 
refere ao fato de que nem todos os atos praticados de 
forma atípica, ou seja, em inobservância às regras 
processuais penais, serão efetivamente considerados 
nulos pelo ordenamento, em razão da vigência de 
princípios como o princípio do prejuízo (pas de nullite 
sans grief). 
 
Nas palavras de Nestor Távora e Rosmar Rodrigues de 
Alencar (2021), a tipicidade processual penal é definida 
nos seguintes termos: 
 
“Tipicidade do ato processual é a qualidade consistente 
em sua prática em compasso com todas as disposições 
constitucionais e legais que o regem. Atipicidade do ato 
processual penal ocorre quando, ao revés, o ato é 
realizado sem a observância das exigências legais e/ou 
constitucionais. ” 
 
Alternativa C – incorreta. 
A alternativa aborda características fundamentais acerca 
das nulidades absolutas, mas peca ao dizer que as 
nulidades absolutas podem ser arguidas apenas 
anteriormente ao trânsito em julgado da ação. 
 
Na realidade, as nulidades absolutas podem ser arguidas 
a qualquer momento, inclusive após o trânsito em 
julgado, desde que em benefício do réu, via revisão 
criminal, ou via Habeas Corpus (em caso de 
condenações que resultem na restrição de liberdade do 
indivíduo, como condenações a penas privativas de 
liberdade). 
 
Ou seja, o entendimento correto sobre o tema seria: as 
nulidades absolutas podem ser arguidas a qualquer 
momento do processo, desde que anteriormente ao 
trânsito em julgado da ação, salvo quando a alegação for 
feita para beneficiar o réu. As alegações com o condão 
de prejudicar o réu são vedadas, em razão da vedação à 
revisão criminal “pro societate”. 
 
Alternativa D – incorreta. 
Na realidade, o Art. 571 do Código de Processo Penal 
possui previsões específicas acerca do momento de 
alegação das nulidades, de acordo com o procedimento 
processual aplicável a cada situação. 
 
Sendo assim, os magistrados devem obedecer a esses 
comandos legais, de modo a zelar para que, caso não 
sejam respeitados, haja convalescência das nulidades 
(para casos em que a convalidação é possível). 
 
Vejamos: 
 
“Art. 571. As nulidades deverão ser arguidas: 
 
I - as da instrução criminal dos processos da competência 
do júri, nos prazos a que se refere o art. 406; 
II - as da instrução criminal dos processos de 
competência do juiz singular e dos processos especiais, 
salvo os dos Capítulos V e Vll do Título II do Livro II, nos 
prazos a que se refere o art. 500; 
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43 
III - as do processo sumário, no prazo a que se refere o 
art. 537, ou, se verificadas depois desse prazo, logo 
depois de aberta a audiência e apregoadas as partes; 
IV - as do processo regulado no Capítulo VII do Título II 
do Livro II, logo depois de aberta a audiência; 
V - as ocorridas posteriormente à pronúncia, logo depois 
de anunciado o julgamento e apregoadas as partes (art. 
447); 
VI - as de instrução criminal dos processos de 
competência do Supremo Tribunal Federal e dos 
Tribunais de Apelação, nos prazos a que se refere o art. 
500; 
VII - se verificadas após a decisão da primeira instância, 
nas razões de recurso ou logo depois de anunciado o 
julgamento do recurso e apregoadas as partes; 
VIII - as do julgamento em plenário, em audiência ou em 
sessão do tribunal, logo depois de ocorrerem. ” 
 
Alternativa E – incorreta. 
A causa de nulidade absoluta é a ausência de defesa. A 
defesa deficiente, ou seja, a defesa insatisfatória, 
medíocre, ou até mesmo incompleta, só constituirá 
nulidade absoluta caso reste demonstrado o prejuízo 
para o réu. 
 
Trata-se inclusive de entendimento sumulado do 
Supremo Tribunal Federal: 
 
Súmula nº 523, STF: “No processo penal, a falta da 
defesa constituinulidade absoluta, mas a sua deficiência 
só o anulará se houver prova de prejuízo para o réu”. 
 
50 
A respeito do tema ação penal, assinale a alternativa 
correta. 
 
(A) Quando, em autos ou papéis de que conhecerem, os 
juízes ou tribunais verificarem a existência de crime de 
ação pública, determinarão a imediata instauração de 
inquérito policial ou procedimento administrativo para a 
cabal apuração dos fatos. 
(B) Nos crimes de ação pública, esta será promovida por 
denúncia do Ministério Público, e independerá, de 
requisição do Ministro da Justiça, ou de representação do 
ofendido ou de quem tiver qualidade para representá-lo. 
(C) Não será admitida ação privada nos crimes de ação 
pública, ainda que esta não seja intentada no prazo legal. 
(D) São causas de rejeição da denúncia ou queixa a 
inépcia, a falta de pressuposto processual ou condição 
para o exercício da ação penal e a falta de justa causa. 
(E) A legitimidade para a propositura de ação penal por 
crime contra a honra de servidor público em razão do 
exercício de suas funções é exclusiva do Ministério 
Público, condicionada à representação do ofendido. 
 
Gabarito: D 
 
COMENTÁRIO DO PROFESSOR: 
 
Caveiras, a questão aborda os pontos 7 Ação penal; 11 
Súmulas, jurisprudência dominante dos Tribunais 
Superiores e legislação relacionada com os temas. 
(Inseridos no edital após retificação). 
 
 
Alternativa A – incorreta. 
Nesse caso, remeterão ao Ministério Público as cópias e 
os documentos necessários ao oferecimento da 
denúncia. 
 
Vejamos: 
 
“Art. 40. Quando, em autos ou papéis de que 
conhecerem, os juízes ou tribunais verificarem a 
existência de crime de ação pública, remeterão ao 
Ministério Público as cópias e os documentos 
necessários ao oferecimento da denúncia. ” 
 
Alternativa B – incorreta. 
Contrário ao disciplinado no Código de Processo Penal, 
que assim dispõe: 
 
“Art. 24. Nos crimes de ação pública, esta será promovida 
por denúncia do Ministério Público, MAS DEPENDERÁ, 
quando a lei o exigir, de requisição do Ministro da 
Justiça, ou de representação do ofendido ou de quem 
tiver qualidade para representá-lo. 
 
§ 1°. No caso de morte do ofendido ou quando declarado 
ausente por decisão judicial, o direito de representação 
passará ao cônjuge, ascendente, descendente ou irmão. 
 
§ 2°. Seja qual for o crime, quando praticado em 
detrimento do patrimônio ou interesse da União, Estado 
e Município, a ação penal será pública. ” 
 
Alternativa C – incorreta. 
Observemos o que dispõe o Código de Processo Penal, 
a saber: 
 
“Art. 29. Será admitida ação privada nos crimes de ação 
pública, se esta não for intentada no prazo legal, cabendo 
ao Ministério Público aditar a queixa, repudiá-la e 
oferecer denúncia substitutiva, intervir em todos os 
termos do processo, fornecer elementos de prova, 
interpor recurso e, a todo tempo, no caso de negligência 
do querelante, retomar a ação como parte principal.” 
 
Alternativa D – correta. 
Nos exatos termos do Código de Processo Penal, que 
assim dispõe: 
 
“Art. 395. A denúncia ou queixa será rejeitada quando: 
I - for manifestamente inepta; 
II - faltar pressuposto processual ou condição para o 
exercício da ação penal; ou 
III - faltar justa causa para o exercício da ação penal.” 
 
Alternativa E – incorreta. 
É concorrente do ofendido, mediante queixa, e do 
Ministério Público, condicionada à representação do 
ofendido. 
 
Trata-se do entendimento da súmula 714 do STF. 
Vejamos: 
 
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44 
“Súmula 714 do STF: É concorrente a legitimidade do 
ofendido, mediante queixa, e do Ministério Público, 
condicionada à representação do ofendido, para a 
ação penal por crime contra a honra de servidor 
público em razão do exercício de suas funções.” 
 
51 
No tocante às nulidades, recursos e ações 
autônomas de impugnação, assinale a alternativa 
correta. 
 
(A) Caberá recurso em sentido estrito da decisão que 
receber a denúncia. 
(B) Caberá apelação no prazo de 5 (cinco) dias da 
sentença que pronunciar o réu. 
(C) Dentro de dez dias, contados da interposição do 
recurso, no sentido estrito, o recorrente oferecerá as 
razões e, em seguida, será aberta vista ao recorrido por 
igual prazo. 
(D) Caberá apelação no prazo de 20 (vinte) dias das 
sentenças definitivas de condenação ou absolvição 
proferidas por juiz singular. 
(E) Nos processos de contravenção, interposta a 
apelação, o prazo para arrazoar será de 03 (três) dias. 
 
Gabarito: E 
 
COMENTÁRIO DO PROFESSOR: 
 
Guerreiros(as), a questão versa sobre os pontos 10 
Nulidades, recursos e ações autônomas de 
impugnação; 11 Súmulas, jurisprudência dominante 
dos Tribunais Superiores e legislação relacionada 
com os temas. (Inseridos no edital após retificação). 
 
 
Alternativa A – incorreta. 
Conforme prevê o Código de Processo Penal, a saber: 
 
“Art. 581. Caberá recurso, no sentido estrito, da decisão, 
despacho ou sentença: 
I - que não receber a denúncia ou a queixa. ” 
 
Conforme prevê a legislação processual penal, caberá 
RESE (Recurso em Sentido Estrito) da decisão que 
não receber a denúncia ou queixa, e não da que receber. 
 
Qual o recurso cabível da decisão que recebe então 
professor, deve estar a se perguntar o(a) nosso(a) 
membro(a) Caveira? Em situações excepcionais, os 
Tribunais têm admitido a interposição de habeas corpus 
para trancamento do processo. 
 
Alternativa B – incorreta. 
Da decisão que pronunciar o réu, é cabível o RESE – 
Recurso em sentido Estrito. 
 
Conforme prevê o Código de Processo Penal, que 
dispõe: 
 
“Art. 581. Caberá RECURSO, NO SENTIDO ESTRITO, 
da decisão, despacho ou sentença: (...) 
IV – que pronunciar o réu.” 
 
Diante do exposto, contemplamos que o recurso cabível 
contra a pronúncia é o Recurso em Sentido Estrito. Art. 
581, IV, CPP: Caberá recurso, no sentido estrito, da 
decisão, despacho ou sentença que pronunciar o réu. 
 
Alternativa C – incorreta. 
O prazo é de 2 (dois) dias, e não 10 (dez) dias. 
 
Conforme prevê o Código de Processo Penal, que 
assevera: 
 
“Art. 588. Dentro de DOIS DIAS, contados da 
interposição do recurso, ou do dia em que o escrivão, 
extraído o traslado, o fizer com vista ao recorrente, este 
oferecerá as razões e, em seguida, será aberta vista ao 
recorrido por igual prazo. ” 
 
Alternativa D – incorreta. 
O prazo é de 5 (cinco) dias. 
 
Conforme prevê o Código de Processo Penal, que 
disciplina: 
 
“Art. 593. Caberá apelação no prazo de 5 (cinco) dias: 
I - das sentenças definitivas de condenação ou 
absolvição proferidas por juiz singular. ” 
 
Alternativa E – correta. 
Nos moldes do disposto no Código de Processo Penal, a 
saber: 
 
“Art. 600. Assinado o termo de apelação, o apelante e, 
depois dele, o apelado terão o prazo de oito dias cada um 
para oferecer razões, salvo nos processos de 
contravenção, em que o prazo será de TRÊS DIAS.” 
 
52 
A respeito do processo criminal de crimes comuns: 
procedimento comum ordinário, sumário e 
sumaríssimo, assinale a alternativa correta. 
 
(A) O procedimento comum será sumário, quando tiver, 
por objeto, crime cuja sanção máxima cominada seja 
inferior a 4 (quatro) anos de pena privativa de liberdade. 
(B) O procedimento comum será ordinário quando tiver, 
por objeto, crime cuja sanção máxima cominada seja 
inferior a 4 (quatro) anos de pena privativa de liberdade. 
(C) O procedimento comum será sumário para as 
infrações penais de menor potencial ofensivo, na forma 
da lei. 
(D) Aplica-se a todos os processos o procedimento 
sumário, salvo disposições em contrário do Código de 
Processo Penal ou de lei especial. 
(E) Os processos que apuram a prática de crime 
hediondo terão prioridade de tramitação em todas as 
instâncias apenas se houver réu preso. 
 
Gabarito: A 
 
COMENTÁRIO DO PROFESSOR: 
 
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Caveiras, a questão versa sobre o ponto 9 Processo 
criminal de crimes comuns: procedimento comum 
ordinário, sumário e sumaríssimo. (inserido após 
retificação do edital). 
 
Alternativa A – correta. 
Nos exatos termos do Código de Processo Penal, que 
assim dispõe: 
 
“Art. 394 […] 
§ 1º O procedimento comum será ordinário, sumário ou 
sumaríssimo: (…) 
II - SUMÁRIO, quando tiver por objeto crime cuja 
sanção máxima cominada seja inferior a 4 (quatro) 
anos de pena privativa de liberdade; 
 
Alternativa B – incorreta. 
Diverso do previsto no Código de Processo Penal, que 
assevera: 
 
“Art. 394 (…) 
 § 1º O procedimento comum será ordinário, sumário ou 
sumaríssimo: 
I - ORDINÁRIO, quando tiver por objeto crime cuja 
sanção máxima cominada for igual ou superior a 4 
(quatro) anos de pena privativa de liberdade. ” 
 
Alternativa C – incorreta. 
Nesse caso, será sumaríssimo. 
 
Vejamos: 
 
“Art. 394 (…) 
§ 1º O procedimento comum será ordinário, sumário ou 
sumaríssimo: (…) 
III - SUMARÍSSIMO, para as infrações penais de 
menor potencial ofensivo, na forma da lei. ” 
 
Alternativa D – incorreta. 
Na realidade é o procedimento comum e não o sumário 
como elencado na alternativa. 
 
Vejamos: 
 
“Art. 394 (...) 
§ 2°. Aplica-se a todos os processos o procedimento 
COMUM, salvo disposições em contrário deste Código 
ou de lei especial. ” 
 
Alternativa E – incorreta. 
Vejamos o que dispõe o Código de Processo Penal: 
 
“Art. 394-A. Os processos que apurem a prática de crime 
hediondo terão prioridade de tramitação em todas as 
instâncias. ” 
 
Diante o exposto, não existe ressalva de ser somente em 
casos de réu preso, sendo, portanto, o erro da alternativa. 
 
 
 
 
 
53 
De acordo com o atual Código de Processo Penal, 
assinale a alternativa correta. 
 
(A) A prisão domiciliar consiste no recolhimento do 
indiciado ou acusado em sua residência ou em casa de 
albergado, podendo dela ausentar-se com autorização 
judicial. 
(B) Não será concedida fiança nos crimes cometidos por 
grupos armados, civis ou militares, contra a ordem 
constitucional e o Estado Democrático. 
(C) Nos crimes de tortura, a fiança só poderá ser 
concedida por órgão judiciário colegiado. 
(D) A autoridade policial somente poderá conceder fiança 
nos casos de infração cuja pena privativa de liberdade 
máxima não seja superior a três anos. 
(E) Se assim recomendar a situação econômica do 
preso, a fiança poderá ser reduzida em dois terços ou 
suspensa, mas não dispensada. 
 
Gabarito: B 
 
COMENTÁRIO DO PROFESSOR: 
 
Combatentes, a questão versa sobre o ponto 3.5 
Liberdade provisória, fiança e medidas cautelares 
diversas da prisão. (Inserido após retificação do 
edital). 
 
Alternativa A – incorreta. 
Vejamos o que dispõe o Código de Processo Penal, a 
saber: 
 
“Art. 317 CPP: A prisão domiciliar consiste no 
recolhimento do indiciado ou acusado em sua 
residência, só podendo dela ausentar-se com 
autorização judicial. ” 
 
A legislação não faz menção a “casa de albergado”. 
 
Alternativa B – correta. 
Nos termos da Constituição Federal de 1988, a seguir: 
 
“Art. 5º XLIV CF: Constitui crime inafiançável e 
imprescritível a ação de grupos armados, civis ou 
militares, contra a ordem constitucional e o Estado 
Democrático. ” 
 
Alternativa C – incorreta. 
Vejamos o que disciplina a Carta Magna: 
 
“Art. 5º XLIII CF: a lei considerará crimes inafiançáveis e 
insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura, o 
tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o 
terrorismo e os definidos como crimes hediondos, por 
eles respondendo os mandantes, os executores e os que, 
podendo evitá-los, se omitirem. ” 
 
Ou seja, não faz nenhuma menção à fiança ser 
concedida por órgão colegiado. 
 
Alternativa D – incorreta. 
Nos termos do Código de Processo Penal, que aduz: 
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46 
 
“Art. 322 CPP: A autoridade policial somente poderá 
conceder fiança nos casos de infração cuja pena 
privativa de liberdade máxima não seja superior a 4 
(quatro) anos. ” 
 
Alternativa E – incorreta. 
Vejamos o disposto na norma de regência, qual seja, 
Código de Processo Penal: 
 
“Art. 325 § 1º CPP: Se assim recomendar a situação 
econômica do preso, a fiança poderá ser: 
I - dispensada, na forma do art. 350 deste Código. ” 
 
54 
Acerca do inquérito policial assinale a alternativa 
correta. 
 
(A) O indiciamento é ato obrigatório para a conclusão do 
inquérito policial e necessário para o oferecimento da 
denúncia. 
(B) Conforme entendimento mais recente do STF, é 
constitucional a determinação de afastamento 
automático de servidor público indiciado em inquérito 
policial instaurado para apuração de crimes de lavagem 
ou ocultação de bens, direitos e valores. 
(C) À luz da jurisprudência sumulada do STF, uma vez 
arquivado o inquérito policial, por despacho do juiz, a 
requerimento do Promotor de Justiça, não pode a ação 
penal ser iniciada sem novas provas 
(D) Conforme prevê o código de processo penal, todas 
as peças do inquérito policial serão, num só processo, 
reduzidas a escrito ou digitadas e, neste caso, há 
dispensa de serem todas as páginas rubricadas pela 
autoridade. 
(E) Quanto à suspeição, é possível sua oposição contra 
o delegado de polícia nos autos do inquérito policial. 
 
Gabarito: C 
 
COMENTÁRIO DO PROFESSOR: 
 
Caveiras, a questão versa sobre o ponto 1 Inquérito 
policial. 1.1 Histórico, natureza, conceito, finalidade, 
características, fundamento, titularidade, grau de 
cognição, valor probatório, formas de instauração, notitia 
criminis, delatio criminis, procedimentos investigativos, 
indiciamento, garantias do investigado. 1.2 Conclusão, 
prazos. 
 
Alternativa A – incorreta. 
O indiciamento não é ato obrigatório. Uma das 
características do inquérito policial é sua 
dispensabilidade, portanto, se todo o inquérito é 
dispensável, o mesmo entendimento se aplica ao 
indiciamento. 
 
Alternativa B – incorreta. 
É INCONSTITUCIONAL a determinação de afastamento 
automático de servidor público indiciado em inquérito 
policial instaurado para apuração de crimes de lavagem 
ou ocultação de bens, direitos e valores. [...] O 
afastamento do servidor somente se justifica quando ficar 
demonstrado nos autos que existe risco caso ele 
continue no desempenho de suas funções e que o 
afastamento é medida eficaz e proporcional para se 
tutelar a investigação e a própria Administração Pública. 
Tais circunstâncias precisam ser apreciadas pelo Poder 
Judiciário. [STF. Plenário. ADI 4911/DF, rel. orig. Min. 
Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, 
julgado em 20/11/2020 (Info 1000). 
 
Alternativa C – correta. 
Vejamos: 
 
“Súmula 524 do STF: Arquivado o inquérito policial, por 
despacho do juiz, a requerimento do Promotor de Justiça, 
não pode a ação penal ser iniciada, sem novas provas. 
 
Observação!! Para a diferença: 
 
“CPP, Art. 18. Depois de ordenado o arquivamento do 
inquérito pela autoridade judiciária, por falta de base para 
a denúncia, a autoridade policial poderá proceder a 
novas pesquisas, se de outras provas tiver notícia. ” 
 
Alternativa D – incorreta. 
Observem o disposto no Código de Processo Penal, a 
saber: 
 
“Art. 9º. Todas as peças do inquérito policial serão, num 
só processado, reduzidas a escrito ou datilografadas e, 
neste caso, rubricadas pela autoridade. ” 
 
Alternativa E – incorreta. 
Vejamos o que dispõe o Código de Processo Penal: 
 
“Art. 107. Não se poderá opor suspeição às autoridades 
policiais nos atos do inquérito, mas deverão elas 
declarar-se suspeitas, quando ocorrer motivolegal. ” 
 
Legislação Especial 
 
55 
João portava arma de fogo de uso permitido em via 
pública quando, ao amarrar seu calçado, ela 
disparou, sem, no entanto, atingir ninguém. Devido 
ao barulho provocado, a polícia foi acionada e 
abordou João, localizando o armamento e 
constatando que o seu registro de cautela estava 
vencido. 
 
Nessa situação hipotética, João: 
 
(A) Deverá responder pelos crimes de porte ilegal de 
arma de fogo de uso permitido e disparo de arma de fogo, 
em concurso formal. 
(B) Ante a atipicidade de sua conduta, não deverá ser 
processado por nenhum crime. 
(C) Deverá responder pelos crimes de porte ilegal de 
arma de fogo de uso permitido e disparo de arma de fogo, 
em concurso material. 
(D) Deverá responder unicamente pelo crime de porte 
ilegal de arma de fogo de uso permitido. 
(E) Ante a ocorrência da consunção, deverá responder 
unicamente pelo crime de disparo de arma de fogo. 
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47 
Gabarito: D 
 
COMENTÁRIO DO PROFESSOR: 
 
A) Errada. Caveira, muita atenção a esta explicação, 
vamos dividir em duas partes: 1- de acordo com o 
entendimento mais recente dos tribunais superiores, no 
caso de (POSSE DE ARMA DE FOGO), o agente que já 
procedeu ao registro da arma, a expiração do prazo é 
mera irregularidade administrativa que autoriza a 
apreensão do artefato e aplicação de multa. Porém, a 
conduta não caracteriza ilícito penal. Todavia, O PORTE 
DE ARMA DE FOGO COM REGISTRO VENCIDO 
caracteriza ilícito penal. 
 
Posse + registro vencido = mera irregularidade 
administrativa 
 
Porte + registro vencido = CRIME 
 
2- De acordo com o Professor Rogério Sanches, o 
elemento subjetivo do crime de disparo de arma de armo 
de fogo é DOLO, ou seja, a vontade livre e consciente de 
disparar arma de fogo ou acionar munição. No caso da 
assertiva, o disparo da arma de fogo foi acidental, 
portanto, o crime não será punido, haja vista a 
inexistência da figura culposa no art. 15 do Estatuto do 
Desarmamento. Vale destacar que se tal conduta atingir 
alguém, esse agente poderá responder pelo delito de 
lesão corporal culposa ou homicídio culposo. 
 
B) Errada. Como vimos acima, o agente responderá 
apenas pelo crime de porte ilegal de arma de fogo. Valos 
relembrar: 
 
A posse em residência de arma de fogo com registro 
vencido é conduta atípica. 
 
Caracteriza ilícito penal o PORTE de arma de fogo 
com registro de cautela vencido. 
 
C) Errada. Negativo, caveira. Responderá apenas pelo 
porte ilegal de arma de fogo. Por outro lado, o disparo de 
arma de fogo não caracterizou crime, tendo em vista a 
inexistência do dolo em disparar a munição. 
 
D) Correta. Isso mesmo, caveira. Caracteriza ilícito penal 
o porte de arma de fogo com registro de cautela 
vencido. Todavia, como já foi esclarecido, o crime de 
disparo de arma de fogo só é punido a título de dolo. 
Assim, o agente responderá unicamente pelo crime de 
porte ilegal de arma de fogo. 
 
E) Errada. Negativo!! Responderá unicamente pelo crime 
de porte ilegal de arma de fogo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
56 
A Lei 8.072/90, conhecida por “Lei dos Crimes 
Hediondos”, tem fundamento constitucional no art. 5, 
XLIII de nossa Constituição Federal e sofreu 
modificações em razão do “Pacote Anticrime”, Lei 
13.964/19. O critério adotado no Brasil, para se definir 
se um crime é hediondo ou não, é o Critério Legal, 
por meio do qual será hediondo apenas aquele que o 
legislador o definir como tal, ou seja, a Lei 8.072/90 
trata de “numerus clausulus” as condutas 
criminosas tidas por hediondas. 
Diante disso, é CORRETO afirmar: 
(A) O feminicídio (art. 121, § 2º, VI), o Tráfico de 
entorpecentes, o Terrorismo e a Tortura são exemplos de 
crimes hediondos. 
(B) O roubo qualificado pelo emprego de explosivo ou de 
artefato análogo que cause perigo comum é um exemplo 
de crime hediondo. 
(C) Os crimes hediondos, assim definidos pela Lei 
8.072/90, são insuscetíveis de anistia, graça e indulto, 
sendo permitida apenas a liberdade provisória mediante 
fiança. 
(D) O femicídio, o aborto e o furto mediante o emprego 
de explosivo. 
(E) São exemplos de crimes hediondos o roubo 
circunstanciado pela restrição de liberdade da vítima, o 
estupro, o estupro de vulnerável e a epidemia com 
resultado morte. 
 
Gabarito: E 
 
COMENTÁRIO DO PROFESSOR: 
 
 
A) Errada. Caveira, esse é o tipo de assertiva que busca 
pegar o candidato desatento, não vamos cair nessa 
pegadinha. Observe: de fato o feminicídio, bem como 
todos os homicídios qualificados são considerados 
hediondos. Por outro lado, o Tráfico de Drogas, o 
terrorismo e tortura não são crimes hediondos, mas 
sim crimes equiparados à hediondo. Ou seja, a 
assertiva erra ao fazer essa afirmação. A lei de crimes 
hediondo possui um rol taxativo (numerus clausus), 
dessa forma, só pode ser considerado hediondo o que 
está previsto na Lei 
8.072/90. 
 
CF: XLIII - a lei considerará crimes inafiançáveis e 
insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura, o 
tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o 
terrorismo e os definidos como crimes hediondos, por 
eles respondendo os mandantes, os executores e os que, 
podendo evitá-los, se omitirem; 
 
B) Errada. Vamos revisar quais hipóteses que envolvam 
o crime de roubo são consideradas hediondo: 
 
Art. 1º São considerados hediondos os seguintes crimes, 
todos tipificados no Decreto-Lei no 2.848, de 7 de 
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48 
dezembro de 1940 - Código Penal, consumados ou 
tentados: 
 
II - Roubo: 
 
a) circunstanciado pela restrição de liberdade da vítima 
(art. 157, § 2º, inciso V); 
 
b) circunstanciado pelo emprego de arma de fogo (art. 
157, § 2º-A, inciso I) ou pelo emprego de arma de fogo 
de uso proibido ou restrito (art. 157, § 2º-B); 
 
c) qualificado pelo resultado lesão corporal grave ou 
morte (art. 157, § 3º). 
 
 
C) Errada. Art. 2º Os crimes hediondos, a prática da 
tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins e 
o terrorismo são insuscetíveis de: 
 
I - Anistia, graça e indulto; 
 
II - Fiança. 
 
Obs: De acordo com o entendimento do STF, a proibição 
de liberdade provisória pelo legislador com base na 
gravidade em abstrato é inconstitucional, cabendo ao 
juiz, levando em conta as peculiaridades do caso 
concreto, deliberar pela concessão, ou não, da liberdade 
provisória. Portando, o magistrado diante do caso 
concreto pode conceder liberdade provisória sem 
fiança. 
 
D) Errada. Caveira, não confunda: o FEMICÍDIO (é o 
homicídio de uma mulher, sem ser por razões de gênero 
ou pela condição de ser mulher). Por outro lado, 
FEMINICÍDIO (é uma qualificadora do homicídio, quando 
praticado contra a mulher por razões da condição de sexo 
feminino). Portando, o único crime que é considerado 
hediondo, de acordo com a Lei 8.072/90, é o furto 
qualificado pelo emprego de explosivo. 
 
Art.1]: IX - Furto qualificado pelo emprego de 
explosivo ou de artefato análogo que cause perigo 
comum (art. 155, § 4º-A). 
 
Obs: é a única modalidade de furto que é considerada 
hediondo. 
 
E) Correta. Art. 1º São considerados hediondos os 
seguintes crimes, todos tipificados no Decreto-Lei no 
2.848, de 7 de dezembro de 1940 - Código Penal, 
consumados ou tentados: (Redação dada pela Lei nº 
8.930, de 1994) (Vide Lei nº 7.210, de 1984) 
 
II - Roubo: 
 
a) circunstanciado pela restrição de liberdade da 
vítima (art. 157, § 2º, inciso V); 
 
V - Estupro (art. 213, caput e §§ 1º e 2°); 
 
VI - Estupro de vulnerável (art. 217-A, caput e §§ 1º,2º, 
3º e 4º); 
 
VII - Epidemia com resultado morte (art. 267, § 1º). 
 
57 
A conduta de submeter uma vítima com 61 anos de 
idade, sob seu poder, com emprego de violência, a 
intenso sofrimento físico, como forma de aplicar 
castigo pessoal constitui: 
 
(A) Crime de tortura qualificada. 
(B) Crime de lesão corporal cumulado com maus-tratos, 
previsto no estatuto do idoso. 
(C) Crime de tortura com causa de aumento de pena. 
(D) Crime de tortura na modalidade simples. 
(E) Crime especificado no Estatuto do Idoso. 
 
Gabarito: C 
 
COMENTÁRIO DO PROFESSOR: 
 
Inicialmente, vamos revisar algumas modalidades de 
tortura. 
 
Tortura-Prova ou Tortura Persecutória = constranger 
alguém com o emprego de violência ou grave ameaça, 
causando-lhe sofrimento físico ou mental com a 
finalidade de obter informação, declaração ou confissão 
da vítima ou de terceiros. 
 
Tortura-Crime = constranger alguém com o emprego de 
violência ou grave ameaça, causando-lhe sofrimento 
físico ou mental para provocar ação ou omissão de 
natureza criminosa. 
 
Tortura-Discriminatória ou Tortura-Racismo = 
constranger alguém com o emprego de violência ou 
grave ameaça em razão de discriminação racial ou 
religiosa. 
 
Tortura-Castigo = submeter alguém, sob sua guarda, 
poder ou autoridade, com o emprego de violência ou 
grave ameaça, a intenso sofrimento físico ou mental, 
como forma de aplicar castigo pessoal ou medida de 
caráter preventivo. 
 
A) Errada. Caveira, questão que demanda conhecimento 
da letra de lei. O crime de tortura será qualificado quando 
ocorrer lesão corporal de natureza grave ou gravíssima 
ou quando ocorrer resultado morte. A assertiva traz uma 
hipótese de causa de aumento de pena. 
 
Art.1º: § 3º Se resulta lesão corporal de natureza grave 
ou gravíssima, a pena é de reclusão de quatro a dez 
anos; se resulta morte, a reclusão é de oito a dezesseis 
anos. 
 
B) Errada. Negativo, caveira. O agente responderá pelo 
crime de tortura com causa de aumento de pena, previsto 
na Lei 9.455/97. 
 
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49 
Art.1º: § 4º Aumenta-se a pena de um sexto até um 
terço: 
 
I - Se o crime é cometido por agente público; 
 
II – Se o crime é cometido contra criança, gestante, 
portador de deficiência, adolescente ou maior de 60 
(sessenta) anos; 
 
III - Se o crime é cometido mediante sequestro. 
 
 
C) Correta. Art.1º: § 4º Aumenta-se a pena de um sexto 
até um terço: 
 
I - Se o crime é cometido por agente público; 
 
II – Se o crime é cometido contra criança, gestante, 
portador de deficiência, adolescente ou maior de 60 
(sessenta) anos; 
 
III - Se o crime é cometido mediante sequestro. 
 
D) Errada. Negativo, o crime será de tortura com causa 
de aumento de pena de um sexto até um terço. 
 
E) Errada. O agente responde pelo crime de tortura, com 
base na Lei 9.455/97. 
 
Art.1º: § 4º Aumenta-se a pena de um sexto até um 
terço: 
 
I - Se o crime é cometido por agente público; 
 
II – Se o crime é cometido contra criança, gestante, 
portador de deficiência, adolescente ou maior de 60 
(sessenta) anos; 
 
III - Se o crime é cometido mediante sequestro. 
 
58 
A Lei nº 12.850/2013 define o crime de organização 
criminosa e dispõe sobre a investigação criminal e os 
meios de obtenção da prova. Tal diploma legal 
estabelece que: 
 
 
(A) A intervenção policial poderá ser retardada, mediante 
ação controlada, reclamando prévia autorização judicial. 
(B) A infiltração de agentes exige prévia autorização 
judicial, assim como oitiva do Ministério Público em caso 
de representação da autoridade policial. 
(C) Poderá ser realizada colaboração premiada, 
participando das negociações do acordo o juiz, o 
Ministério Público e o acusado assistido por advogado. 
(D) O sigilo da investigação poderá ser determinado pela 
autoridade policial para garantia da celeridade e eficácia 
das diligências investigatórias, impedindo, nessa 
hipótese, acesso da defesa aos elementos produzidos. 
(E) O crime de organização criminosa se configura 
quando quatro ou mais pessoas se associam de forma 
estruturada e com divisão de tarefas para a prática de 
crimes que exijam pena mínima igual ou superior a quatro 
anos. 
 
Gabarito: B 
 
COMENTÁRIO DO PROFESSOR: 
 
A) Errada. Caveira, ação controlada é uma técnica de 
investigação, a qual é postergada a ação dos órgãos 
de segurança pública para intervir em um melhor 
momento, e, assim, conseguir mais informações. A ação 
controlada, para a sua efetivação, não necessita de 
prévia autorização judicial. Porém, o juiz deverá ser 
comunicado, podendo, inclusive, estabelecer limites para 
a operação. 
 
Art. 8º Consiste a ação controlada em retardar a 
intervenção policial ou administrativa relativa à ação 
praticada por organização criminosa ou a ela vinculada, 
desde que mantida sob observação e acompanhamento 
para que a medida legal se concretize no momento mais 
eficaz à formação de provas e obtenção de informações. 
 
§ 1º O retardamento da intervenção policial ou 
administrativa será previamente comunicado ao juiz 
competente que, se for o caso, estabelecerá os seus 
limites e comunicará ao Ministério Público. 
 
§ 2º A comunicação será sigilosamente distribuída de 
forma a não conter informações que possam indicar a 
operação a ser efetuada. 
 
§ 3º Até o encerramento da diligência, o acesso aos autos 
será restrito ao juiz, ao Ministério Público e ao delegado 
de polícia, como forma de garantir o êxito das 
investigações. 
 
§ 4º Ao término da diligência, elaborar-se-á auto 
circunstanciado acerca da ação controlada. 
 
Art. 9º Se a ação controlada envolver transposição de 
fronteiras, o retardamento da intervenção policial ou 
administrativa somente poderá ocorrer com a 
cooperação das autoridades dos países que figurem 
como provável itinerário ou destino do investigado, de 
modo a reduzir os riscos de fuga e extravio do produto, 
objeto, instrumento ou proveito do crime. 
 
B) Correta. Caveira, por se tratar de uma técnica 
extremamente delicada, faz-se necessária a autorização 
prévia do Juiz. 
 
Art. 10. A infiltração de agentes de polícia em tarefas de 
investigação, representada pelo delegado de polícia ou 
requerida pelo Ministério Público, após manifestação 
técnica do delegado de polícia quando solicitada no curso 
de inquérito policial, será precedida de circunstanciada, 
motivada e sigilosa autorização judicial, que estabelecerá 
seus limites. 
 
§ 1º Na hipótese de representação do delegado de 
polícia, o juiz competente, antes de decidir, ouvirá o 
Ministério Público. 
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50 
 
§ 2º Será admitida a infiltração se houver indícios de 
infração penal de que trata o art. 1º e se a prova não 
puder ser produzida por outros meios disponíveis. 
 
§ 3º A infiltração será autorizada pelo prazo de até 6 
(seis) meses, sem prejuízo de eventuais renovações, 
desde que comprovada sua necessidade. 
 
§ 4º Findo o prazo previsto no § 3º, o relatório 
circunstanciado será apresentado ao juiz competente, 
que imediatamente cientificará o Ministério Público. 
 
§ 5º No curso do inquérito policial, o delegado de polícia 
poderá determinar aos seus agentes, e o Ministério 
Público poderá requisitar, a qualquer tempo, relatório da 
atividade de infiltração. 
 
C) Errada. Caveira, de acordo com Art. 4º, § 6º, O juiz 
não participará das negociações realizadas entre as 
partes para a formalização do acordo de colaboração, 
que ocorrerá entre o delegado de polícia, o investigado e 
o defensor, com a manifestação do MinistérioPúblico, ou, 
conforme o caso, entre o Ministério Público e o 
investigado ou acusado e seu defensor. 
 
D) Errada. Caveira, vamos analisar o Art. 23 da lei 
12.850/2013: 
 
Art. 23. O sigilo da investigação poderá ser decretado 
pela autoridade judicial competente, para garantia da 
celeridade e da eficácia das diligências investigatórias, 
assegurando-se ao defensor, no interesse do 
representado, amplo acesso aos elementos de prova que 
digam respeito ao exercício do direito de defesa, 
devidamente precedido de autorização judicial, 
ressalvados os referentes às diligências em andamento. 
 
E) Errada. Vejamos abaixo o conceito de organização 
criminosa para a lei 12.850/2013: 
 
Art. 1, § 1º: Considera-se organização criminosa a 
associação de 4 (quatro) ou mais pessoas 
estruturalmente ordenada e caracterizada pela divisão de 
tarefas, ainda que informalmente, com objetivo de obter, 
direta ou indiretamente, vantagem de qualquer natureza, 
mediante a prática de infrações penais cujas penas 
máximas sejam superiores a 4 (quatro) anos, ou que 
sejam de caráter transnacional. 
 
59 
Tendo em vista que, no processo penal, as provas 
são de suma importância na busca da verdade, seja 
para demonstrar ao julgador a existência da infração 
penal, seja para negá-la, assinale a opção correta 
acerca das provas, da interceptação telefônica e de 
institutos correlatos. 
 
(A) O juiz poderá determinar a interceptação telefônica 
quando houver indícios razoáveis de autoria de crime 
punido com reclusão ou detenção, desde que inexista a 
possibilidade de obtenção desses indícios por outros 
meios de provas. 
(B) O juiz não poderá admitir que o pedido seja formulado 
verbalmente, mesmo que estejam presentes os 
pressupostos que autorizem a interceptação. 
(C) Não comete o crime do art. 10 da Lei 9.296/96 
(realizar interceptação de comunicações telefônicas, de 
informática ou telemática, promover escuta ambiental ou 
quebrar segredo da Justiça, sem autorização judicial ou 
com objetivos não autorizados em lei) o advogado que 
grava escondido o depoimento do seu cliente prestado 
em procedimento de investigação criminal. 
(D) Como regra, a solicitação da interceptação telefônica 
será feita por escrito e, em casos excepcionais, o juiz 
poderá admitir que seja formulado verbalmente e, em 
ambos os casos, deverá ser decidido em 48 (quarenta e 
oito) horas. 
(E) é inviolável o sigilo da correspondência e das 
comunicações telegráficas, de dados e das 
comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por 
ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei 
estabelecer para fins de investigação criminal, instrução 
processual penal, investigação de processo 
administrativo e cível. 
 
Gabarito: C 
 
COMENTÁRIO DO PROFESSOR: 
 
A) Errada. Caveira, a interceptação telefônica é um meio 
de prova subsidiário, ou seja, deve ser encarada como 
instrumento de ultima ratio. Não será utilizada se existir 
outra medida menos invasiva para a produção de 
determinada prova. Outro ponto, para a utilização da 
interceptação o crime deve ser, necessariamente, 
punido com reclusão. 
 
Art. 2° Não será admitida a interceptação de 
comunicações telefônicas quando ocorrer qualquer das 
seguintes hipóteses: 
 
I - Não houver indícios razoáveis da autoria ou 
participação em infração penal; 
 
II - A prova puder ser feita por outros meios disponíveis; 
 
III - O fato investigado constituir infração penal 
punida, no máximo, com pena de detenção. 
 
B) Errada. Caveira, em regra, o pedido será feito por 
escrito e conterá a demonstração de que a sua realização 
é necessária à apuração de infração penal, com 
indicação dos meios a serem empregados. Todavia, 
excepcionalmente, o juiz poderá admitir que o pedido 
seja formulado verbalmente, desde que estejam 
presentes os pressupostos que autorizem a 
interceptação, caso em que a concessão será 
condicionada à sua redução a termo. 
 
Art. 4° O pedido de interceptação de comunicação 
telefônica conterá a demonstração de que a sua 
realização é necessária à apuração de infração penal, 
com indicação dos meios a serem empregados. 
 
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51 
§ 1° Excepcionalmente, o juiz poderá admitir que o 
pedido seja formulado verbalmente, desde que 
estejam presentes os pressupostos que autorizem a 
interceptação, caso em que a concessão será 
condicionada à sua redução a termo. 
 
C) Correta. Isso mesmo, caveira. De acordo com o 
entendimento do STJ, embora não se afigure ética e 
moralmente louvável a realização de gravação 
clandestina, contrária às diretrizes preconizadas pela 
autoridade incumbida para o ato, a realidade é que, 
nessa conjuntura, não se revelou ilegal, muito menos 
criminosa a ação do advogado. (HC n. 662.690/RJ, 
relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado 
em 17/5/2022, DJe de 19/5/2022.). fonte: dizer o direito. 
D) Errada. O Juiz tem um prazo de 24 horas para decidir 
sobre o pedido. 
 
Art. 3° A interceptação das comunicações telefônicas 
poderá ser determinada pelo juiz, de ofício ou a 
requerimento: 
 
I - Da autoridade policial, na investigação criminal; 
 
II - Do representante do Ministério Público, na 
investigação criminal e na instrução processual penal. 
 
Art. 4° O pedido de interceptação de comunicação 
telefônica conterá a demonstração de que a sua 
realização é necessária à apuração de infração penal, 
com indicação dos meios a serem empregados. 
 
§ 1° Excepcionalmente, o juiz poderá admitir que o 
pedido seja formulado verbalmente, desde que estejam 
presentes os pressupostos que autorizem a 
interceptação, caso em que a concessão será 
condicionada à sua redução a termo. 
 
§ 2° O juiz, no prazo máximo de vinte e quatro horas, 
decidirá sobre o pedido. 
 
 
E) Errada. Negativo, caveira. A interceptação telefônica 
é limitada pelo texto constitucional, uma vez que ele só 
poderá autorizar a escuta para fins de investigação 
criminal ou instrução penal. Assim, caso ocorra uma 
autorização judicial para interceptação telefônica 
destinada a viabilizar uma investigação administrativa ou 
civil (em um processo administrativo disciplinar ou numa 
ação de improbidade administrativa, por exemplo), será 
flagrantemente inconstitucional. 
 
60 
A respeito da Lei de Improbidade Administrativa (Lei 
nº 8.429/1992), analise as assertivas e assinale a 
alternativa que aponta as corretas. 
 
I. O agente público que frustra a licitude de concurso 
público está sujeito às cominações dos atos de 
improbidade administrativa que atentam contra os 
princípios da Administração Pública. 
 
II. Será punido, com pena de suspensão, o agente 
público que se recusar a prestar declaração dos bens 
dentro do prazo determinado. 
 
III. A perda da função pública e a suspensão dos 
direitos políticos só se efetivam com o trânsito em 
julgado da sentença condenatória. 
 
IV. De acordo com as recentes novidades, para 
configurar ato de improbidade administrativa, faz-se 
necessário o dolo específico. 
 
(A) Apenas I e IV. 
(B) Apenas II e III. 
(C) Apenas I, II e III. 
(D) Apenas I, III e IV. 
(E) Apenas II, III e IV. 
 
Gabarito: D 
 
COMENTÁRIO DO PROFESSOR: 
 
Caveira, a leitura dos artigos 9º, 10, 11, 12 e 13 são 
obrigatórias, mais de 70% das questões de improbidade 
administrativas vão cobrar esses artigos. Dito isto, vamos 
analisar as assertivas. 
 
Item I (Correto). Art. 11. Constitui ato de improbidade 
administrativa que atenta contra os princípios da 
administração pública a ação ou omissão dolosa que 
viole os deveres de honestidade, de imparcialidade e de 
legalidade, caracterizada por uma das seguintes 
condutas: 
 
V - Frustrar, em ofensa à imparcialidade, o caráter 
concorrencial de concurso público, de chamamento ou 
de procedimento licitatório, com vistas à obtenção de 
benefício próprio,direto ou indireto, ou de terceiros; 
(Redação dada pela Lei nº 14.230, de 2021) 
 
 
Item II (Errado). Caveira, nesse caso, a pena será de 
DEMISSÃO. 
 
Art. 13. A posse e o exercício de agente público ficam 
condicionados à apresentação de declaração de imposto 
de renda e proventos de qualquer natureza, que tenha 
sido apresentada à Secretaria Especial da Receita 
Federal do Brasil, a fim de ser arquivada no serviço de 
pessoal competente. 
 
§ 3º Será apenado com a pena de demissão, sem 
prejuízo de outras sanções cabíveis, o agente público 
que se recusar a prestar a declaração dos bens a que se 
refere o caput deste artigo dentro do prazo determinado 
ou que prestar declaração falsa. 
 
 
Item III (Correto). Caveira, de acordo com o art.20 da Lei 
8.429/92, a perda da função pública e a suspensão 
dos direitos políticos só se efetivam com o trânsito em 
julgado da sentença condenatória. 
 
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52 
 
Item IV (Correto). Isso mesmo, caveira. Há necessidade 
de dolo específico para configuração da improbidade, o 
que importou na superação da jurisprudência do STJ, 
que se contentava com o dolo genérico. Outro ponto 
importante é que não é mais possível o cometimento de 
improbidade administrativa de forma culposa. Agora, 
mesmo as condutas que importem em prejuízo ao erário, 
só poderão ser punidas a título de dolo. 
 
61 
Ivo foi preso em flagrante pela prática de delito de 
roubo com emprego de arma de fogo. Mesmo após 
24 horas do flagrante, e sem qualquer justificativa, a 
autoridade policial (com animus abutendi) ainda não 
havia feito a necessária comunicação da prisão em 
flagrante à autoridade judiciária. Nessa hipótese, é 
correto afirmar que: 
 
(A) A atitude da autoridade policial configura crime 
previsto na lei de abuso de autoridade; crime omissivo 
próprio que inadmite tentativa, consumando-se com a 
mera omissão. 
(B) A atitude da autoridade policial configura crime 
previsto na lei de abuso de autoridade, mas na 
modalidade tentada, pois o prazo para a comunicação da 
prisão ainda não expirou com as 24 horas. 
(C) A autoridade policial não praticou crime algum, mas a 
prisão em flagrante será considerada ilegal e, portanto, 
deverá ser imediatamente relaxada. 
(D) A autoridade policial não praticou crime algum, mas 
será possível ao defensor de Ivo entrar com pedido de 
habeas corpus em virtude da ilegalidade da prisão. 
(E) A autoridade policial praticou crime de 
constrangimento ilegal e cárcere privado; além disso, a 
prisão será considerada ilegal e poderá anular todo o 
processo. 
 
Gabarito: A 
 
COMENTÁRIO DO PROFESSOR: 
 
A) Correta. Caveira, animus abutendi é uma expressão 
em latim, que significa (dolo de abusar). Dito isso, vamos 
dividir a explicação em duas partes. 1- Primeiramente, a 
questão cobrou conhecimento do crime de abuso de 
autoridade previsto no art.12 da Lei 13.86910, vejamos 
abaixo: 
 
Art. 12. Deixar injustificadamente de comunicar 
prisão em flagrante à autoridade judiciária no prazo 
legal: (A comunicação da prisão em flagrante deve 
ocorrer imediatamente). 
 
Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e 
multa. 
 
Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem: 
 
I - Deixa de comunicar, imediatamente, a execução de 
prisão temporária ou preventiva à autoridade 
judiciária que a decretou; 
 
II - Deixa de comunicar, imediatamente, a prisão de 
qualquer pessoa e o local onde se encontra à sua família 
ou à pessoa por ela indicada; 
 
III - Deixa de entregar ao preso, no prazo de 24 (vinte e 
quatro) horas, a nota de culpa, assinada pela autoridade, 
com o motivo da prisão e os nomes do condutor e das 
testemunhas; 
 
IV - Prolonga a execução de pena privativa de liberdade, 
de prisão temporária, de prisão preventiva, de medida de 
segurança ou de internação, deixando, sem motivo justo 
e excepcionalíssimo, de executar o alvará de soltura 
imediatamente após recebido ou de promover a soltura 
do preso quando esgotado o prazo judicial ou legal. 
 
2- Trata-se de um crime omissivo próprio ou puro, ou 
seja, a omissão está expressa no tipo penal, portanto, é 
inadmissível a figura tentada. A consumação ocorre com 
a simples omissão. 
 
B) Errada. Caveira, vamos revisar os crimes que não 
admitem tentativa: 
 
1- Crimes culposos: não cabe tentativa, pois não há 
dolo, são praticados devido a imprudência, negligência 
ou imperícia, (não se pode tentar aquilo que não se 
quer). 
 
2- Crimes habituais: não cabe, pois se exige uma 
conduta reiterada para que este crime se consume 
(habitualidade). 
 
3- Crimes omissivos próprios: não cabe tentativa, pois 
o crime se consuma no momento exato da omissão. 
 
4.- Crimes Unissubisistentes: não cabe tentativa, pois 
não há como fracionar o “iter criminis” (não tem como 
fracionar o crime). 
 
5.- Crimes preterdolosos: não cabe, pois, essa 
modalidade de crime prevê dolo no antecedente e culpa 
no consequente, (ex: tortura seguida de morte, se há 
culpa no resultado mais gravoso não há que se falar em 
crime tentado). 
 
6- Contravenções penais: é possível a tentativa nesse 
caso, mas ela não é punida por ser considerado um crime 
anão. 
 
7- Crimes de atentado: não cabe tentativa, pois nesse 
caso a tentativa é punida como se o crime já houvesse 
sido praticado. 
Fonte: jus.com.br 
 
C) Errada. Caveira, a prisão em flagrante foi legal, todavia 
a autoridade policial cometeu crime de abuso de 
autoridade, pois, de forma injustificada, deixou de 
comunicar imediatamente a prisão ao Juiz. 
 
D) Errada. Como já vimos acima, autoridade policial 
cometeu crime de abuso de autoridade. 
 
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E) Errada. Negativo, trata-se de um crime previsto na lei 
de abuso de autoridade: 
 
Art. 12. Deixar injustificadamente de comunicar 
prisão em flagrante à autoridade judiciária no prazo 
legal: (A comunicação da prisão em flagrante deve 
ocorrer imediatamente). 
 
Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e 
multa. 
 
62 
Assinale a opção correta à luz da Lei n. º 11.343/2006 
(Lei de Drogas), do CP, do CPP e da jurisprudência 
dos Tribunais Superiores. 
 
(A) Incide a causa de aumento de pena do art. 40, III, da 
Lei de Drogas se o crime foi praticado nas proximidades 
de escola fechada em razão da COVID-19. 
(B) A denúncia anônima da prática de tráfico de drogas 
somada à fuga do acusado, por si sós, autorizam o 
ingresso policial no domicílio do acusado. 
(C) O agente condenado por tráfico de drogas, que nega 
a prática desse crime, mas admite a posse ou a 
propriedade da droga para uso próprio, faz jus ao 
reconhecimento da atenuante da confissão. 
(D) Não se admite a substituição das penas privativas de 
liberdade por restritivas de direitos nas condenações por 
tráfico de drogas. 
(E) A concessão de prisão domiciliar às genitoras de 
menores de até 12 anos incompletos é legalmente 
presumida, não estando condicionada à comprovação da 
imprescindibilidade dos cuidados maternos. 
 
Gabarito: E 
 
COMENTÁRIO DO PROFESSOR: 
 
A) Errada. Caveira, de forma resumida, a razão de ser da 
causa de aumento de pena prevista no inciso III do art. 
40 da Lei n. 11.343/2006 é a de punir, com maior rigor, 
aquele que, nas imediações ou nas dependências dos 
locais a que se refere o dispositivo, dada a maior 
aglomeração de pessoas, tem como mais ágil e facilitada 
a prática do tráfico de drogas. Como as escolas estavam 
fechadas, não houve uma maximização do risco exposto 
àqueles que frequentam a escola (alunos, pais, 
professores, funcionários em geral), deve, 
excepcionalmente, emrazão das peculiaridades do caso 
concreto, ser afastada a incidência da referida majorante. 
(AgRg no HC n. 728.750/DF, relator Ministro Rogerio 
Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe de 19/5/2022.) 
 
B) Errada. Negativo, caveira. Vejamos o informativo 666 
do STJ: a denúncia anônima da prática de tráfico de 
drogas somada à fuga do acusado, por si sós, não 
autorizam o ingresso policial no domicílio do acusado 
 
C) Errada. Caveira, de acordo com o a Súmula 630 do 
STJ, para ter direito à atenuante da confissão, faz-se 
necessário o reconhecimento da traficância. 
 
 Súmula 630 do STJ: “A incidência da atenuante da 
confissão espontânea no crime de tráfico ilícito de 
entorpecentes exige o reconhecimento da traficância 
pelo acusado, não bastando a mera admissão da posse 
ou propriedade para uso próprio”. 
 
D) Errada. O Superior Tribunal Federal julgou 
inconstitucional a vedação à substituição da pena 
privativa de liberdade pela pena restritiva de direitos 
prevista no art. 33, §4º da Lei 11.343/2006. De acordo 
com o entendimento do STF, tal dispositivo viola o 
princípio da individualização da pena. 
 
E) Correta. Caveira, o Código de Processo Penal, em seu 
artigo 318, diz que o Juiz poderá substituir a prisão 
preventiva pela domiciliar quando a agente for mulher 
com filho de até 12 (doze) anos de idade incompletos. 
Por razões humanitárias e para proteção integral da 
criança, é cabível a concessão de prisão domiciliar a 
genitoras de menores de até 12 anos incompletos, nos 
termos do art. 318, V, do CPP, desde que (a) não se trate 
de crime cometido com violência ou grave ameaça, (b) 
não tenha sido praticado contra os próprios filhos e (c) 
não esteja presente situação excepcional a contraindicar 
a medida. Conforme art. 318, V, do CPP, a concessão 
de prisão domiciliar às genitoras de menores de até 
12 anos incompletos não está condicionada à 
comprovação da imprescindibilidade dos cuidados 
maternos, que é legalmente presumida. (AgRg no HC 
n. 731.648/SC, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, 
relator para acórdão Ministro João Otávio de 
Noronha, Quinta Turma, julgado em 7/6/2022, DJe de 
23/6/2022.) Fonte: dizer o direito. 
 
63 
Considerando as recentes alterações legislativas, 
assinale a alternativa incorreta sobre a Lei de 
Execução Penal. 
 
(A) O cometimento de falta grave durante a execução da 
pena privativa de liberdade interrompe o prazo para a 
obtenção da progressão no regime de cumprimento da 
pena, caso em que o reinício da contagem do requisito 
objetivo terá como base a pena remanescente. 
(B) O bom comportamento é readquirido após 1 (um) ano 
da ocorrência do fato, ou antes, após o cumprimento do 
requisito temporal exigível para a obtenção do direito. 
(C) Os condenados que cumprem pena em regime 
fechado ou semiaberto e os presos provisórios poderão 
obter permissão para sair do estabelecimento, mediante 
escolta, quando ocorrer falecimento ou doença grave do 
cônjuge, companheira, ascendente, descendente ou 
irmão. 
(D) As sanções disciplinares de advertência verbal, 
repreensão e inclusão no regime disciplinar diferenciado 
serão aplicadas por ato motivado do diretor do 
estabelecimento. 
(E) A Casa do Albergado destina-se ao cumprimento de 
pena privativa de liberdade, em regime aberto, e da pena 
de limitação de fim de semana. 
 
Gabarito: D 
 
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54 
COMENTÁRIO DO PROFESSOR: 
 
A banca instituto AOCP vem mudando um pouco o seu 
perfil, todavia, ela não abandou as questões que cobram 
letra de lei. Fique atento (a). 
 
A) Correta.Art.112: § 6º O cometimento de falta grave 
durante a execução da pena privativa de liberdade 
interrompe o prazo para a obtenção da progressão no 
regime de cumprimento da pena, caso em que o reinício 
da contagem do requisito objetivo terá como base a pena 
remanescente. 
 
B) Correta. Art.112, § 7º O bom comportamento é 
readquirido após 1 (um) ano da ocorrência do fato, ou 
antes, após o cumprimento do requisito temporal exigível 
para a obtenção do direito. 
 
C) Correta. Art. 120. Os condenados que cumprem pena 
em regime fechado ou semiaberto e os presos 
provisórios poderão obter permissão para sair do 
estabelecimento, mediante escolta, quando ocorrer um 
dos seguintes fatos: 
 
I - Falecimento ou doença grave do cônjuge, 
companheira, ascendente, descendente ou irmão; 
 
II - Necessidade de tratamento médico (parágrafo único 
do artigo 14). 
 
Parágrafo único. A permissão de saída será concedida 
pelo diretor do estabelecimento onde se encontra o 
preso. 
 
Art. 121. A permanência do preso fora do 
estabelecimento terá a duração necessária à finalidade 
da saída. 
 
D) Errada (Gabarito). Caveira, a sanção de regime 
disciplinar diferenciado, conhecido como (RDD) será 
aplicado por prévio e fundamentado despacho do juiz 
competente. Vejamos abaixo: 
 
Art. 53. Constituem sanções disciplinares: 
 
I - Advertência verbal; 
 
II - Repreensão; 
 
III - Suspensão ou restrição de direitos (artigo 41, 
parágrafo único); 
 
IV - Isolamento na própria cela, ou em local adequado, 
nos estabelecimentos que possuam alojamento coletivo, 
observado o disposto no artigo 88 desta Lei. 
 
V - Inclusão no regime disciplinar diferenciado. 
 
art. 54. As sanções dos incisos I a IV do art. 53 serão 
aplicadas por ato motivado do diretor do 
estabelecimento e a do inciso V, por prévio e 
fundamentado despacho do juiz competente. 
 
E) Correta. Art. 93. A Casa do Albergado destina-se ao 
cumprimento de pena privativa de liberdade, em 
regime aberto, e da pena de limitação de fim de 
semana. 
 
Art. 94. O prédio deverá situar-se em centro urbano, 
separado dos demais estabelecimentos, e caracterizar-
se pela ausência de obstáculos físicos contra a fuga. 
 
Art. 95. Em cada região haverá, pelo menos, uma Casa 
do Albergado, a qual deverá conter, além dos aposentos 
para acomodar os presos, local adequado para cursos e 
palestras. 
 
Parágrafo único. O estabelecimento terá instalações para 
os serviços de fiscalização e orientação dos condenados. 
 
64 
De acordo com a Lei nº 11.340/2006 - Lei Maria da 
Penha, analise os itens abaixo: 
 
I. É constitucional o art. 12-C da Lei Maria da Penha 
que autoriza, em algumas hipóteses, a aplicação, 
pela autoridade policial, de medida protetiva de 
urgência em favor da mulher. 
 
II. Afasta-se a incidência da Lei Maria da Penha na 
violência ocorrida em relações homoafetivas se o 
sujeito ativo é uma mulher. 
 
III. Ação no crime de lesão corporal leve é pública 
incondicionada à representação, enquanto o crime 
de ameaça é de ação pública condicionada à 
representação. 
 
Está(ão) CORRETO(S): 
 
(A) Somente o item I. 
(B) Somente o item II. 
(C) Somente o item III. 
(D) Somente os itens I e III. 
(E) Todos os itens estão corretos. 
 
Gabarito: D 
 
COMENTÁRIO DO PROFESSOR: 
 
Item I (Correto). Caveira, o plenário do STF, por 
unanimidade, declarou constitucionais dispositivos da lei 
Maria da Penha que autorizam autoridade policial 
(delegados e policiais) a afastar o suposto agressor do 
domicílio ou de lugar de convivência com a vítima quando 
verificada a existência de risco à vida ou à integridade da 
mulher. 
 
Art. 12-C. Verificada a existência de risco atual ou 
iminente à vida ou à integridade física ou psicológica da 
mulher em situação de violência doméstica e familiar, ou 
de seus dependentes, o agressor será imediatamente 
afastado do lar, domicílio ou local de convivência com a 
ofendida: 
 
I - Pela autoridade judicial; 
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55 
 
II - Pelo delegado de polícia,quando o Município não 
for sede de comarca; ou 
 
III - pelo policial, quando o Município não for sede de 
comarca e não houver delegado disponível no momento 
da denúncia. 
 
§ 1º Nas hipóteses dos incisos II e III do caput deste 
artigo, o juiz será comunicado no prazo máximo de 24 
(vinte e quatro) horas e decidirá, em igual prazo, sobre a 
manutenção ou a revogação da medida aplicada, 
devendo dar ciência ao Ministério Público 
concomitantemente. 
 
§ 2º Nos casos de risco à integridade física da ofendida 
ou à efetividade da medida protetiva de urgência, não 
será concedida liberdade provisória ao preso. 
 
Fonte:link:https://www.migalhas.com.br/quentes/362221
/stf-policiais-podem-determinar-medida-protetiva-na-lei-
maria-da-penha 
 
Item II (Errado). Negativo, caveira. Para incidir a lei Maria 
da Penha, o sujeito passivo (vítima) deve, 
necessariamente, ser mulher, independente se o 
sujeito ativo (agressor) for homem ou mulher. 
 
Obs: quando o sujeito ativo for a mulher estamos diante 
de uma presunção relativa de vulnerabilidade da mulher, 
ou seja, deve ser analisado no caso concreto a situação 
de vulnerabilidade da mulher. 
 
Item III (Correto). Isso mesmo, caveira, a ação penal nos 
crimes de lesão corporal leve cometidos em detrimento 
da mulher, no âmbito doméstico e familiar, é pública 
incondicionada. Essa foi a tese fixada pela 3ª seção do 
STJ. Por outro lado, o crime de ameaça é de ação 
pública condicionada à representação. 
 
65 
De acordo com a Lei nº 8.137/90, assinale a 
alternativa correta. 
 
(A) O agente que omitir informação, ou prestar 
declaração falsa às autoridades fazendárias estará 
sujeito a uma pena de detenção de 1 (um) a 3 (três) anos, 
e multa. 
(B) O agente que negar ou deixar de fornecer, quando 
obrigatório, nota fiscal ou documento equivalente, relativa 
à venda de mercadoria ou prestação de serviço, 
efetivamente realizada, ou fornecê-la em desacordo com 
a legislação estará sujeito uma pena de reclusão de 1 a 
4 anos, apenas. 
(C) São circunstâncias que podem agravar de 1/3 (um 
terço) até a metade: ocasionar grave dano à coletividade; 
ser o crime cometido por servidor público no exercício de 
suas funções; ser o crime praticado em relação à 
prestação de serviços ou ao comércio de bens essenciais 
à vida ou à saúde. 
(D) O agente que fizer declaração falsa ou omitir 
declaração sobre rendas, bens ou fatos, ou empregar 
outra fraude, para eximir-se, total ou parcialmente, de 
pagamento de tributo estará sujeito a pena de prisão 
simples e multa. 
(E) O agente que deixar de recolher, no prazo legal, valor 
de tributo ou de contribuição social, descontado ou 
cobrado, na qualidade de sujeito passivo de obrigação e 
que deveria recolher aos cofres públicos estará sujeito, 
unicamente, a pena de multa. 
 
Gabarito: C 
 
COMENTÁRIO DO PROFESSOR: 
 
A) Errada. Art. 1° Constitui crime contra a ordem tributária 
suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e 
qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: 
(Vide Lei nº 9.964, de 10.4.2000) 
 
I - omitir informação, ou prestar declaração falsa às 
autoridades fazendárias; 
 
Pena - reclusão de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa. 
 
B) Errada. Art. 1° Constitui crime contra a ordem tributária 
suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e 
qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: 
 
V - Negar ou deixar de fornecer, quando obrigatório, nota 
fiscal ou documento equivalente, relativa a venda de 
mercadoria ou prestação de serviço, efetivamente 
realizada, ou fornecê-la em desacordo com a legislação. 
 
Pena - reclusão de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa. 
 
C) Correta. Art. 12. São circunstâncias que podem 
agravar de 1/3 (um terço) até a metade as penas 
previstas nos arts. 1°, 2° e 4° a 7°: 
 
I - Ocasionar grave dano à coletividade; 
 
II - Ser o crime cometido por servidor público no exercício 
de suas funções; 
 
III - Ser o crime praticado em relação à prestação de 
serviços ou ao comércio de bens essenciais à vida ou à 
saúde 
 
D) Errada. Art. 2° Constitui crime da mesma natureza: 
(Vide Lei nº 9.964, de 10.4.2000) 
 
I - fazer declaração falsa ou omitir declaração sobre 
rendas, bens ou fatos, ou empregar outra fraude, para 
eximir-se, total ou parcialmente, de pagamento de tributo; 
 
Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e 
multa. 
 
E) Errada. Art. 2° Constitui crime da mesma natureza: 
(Vide Lei nº 9.964, de 10.4.2000) 
 
II - Deixar de recolher, no prazo legal, valor de tributo ou 
de contribuição social, descontado ou cobrado, na 
qualidade de sujeito passivo de obrigação e que deveria 
recolher aos cofres públicos; 
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Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e 
multa. 
 
Noções de Criminalística 
 
66 
Acerca das noções de criminalística, assinale a 
alternativa incorreta. 
 
(A) Um dos objetivos da Criminalística é dar a 
materialidade do fato típico, constatando a ocorrência do 
ilícito. 
(B) A Criminalística surgiu a partir dos trabalhos 
desenvolvidos pela Medicina Legal nos séculos 
passados. 
(C) Francis Galton é considerado o pai da criminalística. 
(D) A Criminalística tem por objetivo o reconhecimento e 
a interpretação dos indícios materiais extrínsecos. 
(E) A Criminalística tem por objetivo indicar a autoria do 
delito, quando possível. 
 
Gabarito: C 
 
COMENTÁRIO DO PROFESSOR: 
 
Caveiras, a questão versa sobre os pontos 1 Histórico e 
doutrina da Criminalística; 2. Postulados da 
criminalística; 3. Noções e princípios da Criminalística; 
 
Alternativa A – correta. 
Os objetivos da criminalística como ciências são: dar a 
materialidade do fato típico, constatando a ocorrência do 
ilícito penal; verificar os meios e os modos como foi 
praticado um delito, visando fornecer a dinâmica do 
fenômeno; indicar a autoria do delito, quando possível; 
elaborar a prova técnica, através da indiciologia material. 
 
Alternativa B – correta. 
A Criminalística é uma disciplina nova que surgiu a partir 
dos trabalhos desenvolvidos pela Medicina Legal nos 
séculos passados. 
 
Nos primórdios da fase técnico-científica, a partir do 
século XIX, cabia à Medicina Legal, além dos exames de 
integridade física do corpo humano, toda a pesquisa, 
busca e demonstração de outros elementos relacionados 
com a materialidade do fato penal, como o exame dos 
instrumentos do crime e demais evidências extrínsecas 
ao corpo humano. 
 
Com o advento de novos conhecimentos e 
desenvolvimento das áreas técnicas, como física, 
química, biologia, matemática, toxicologia etc, tornou-se 
necessidade real a criação de uma nova disciplina para a 
pesquisa, análise, interpretação dos vestígios materiais 
encontrados em locais de crime, tornando-se, assim, 
fonte imperiosa de apoio à polícia e à justiça. 
 
Alternativa C – incorreta. 
Na realidade, o nome Criminalística foi adotado pela 
primeira vez por Hans Gross, considerado o pai da 
criminalística. 
 
O Autor é reconhecido como o pai da Criminalística no 
mundo, publicou o livro Manual Prático de Instruções 
Jurídicas, que deu início ao estudo do sistema de 
Criminalística, no qual as ciências naturais e as artes 
eram usadas para a elucidação de crimes. 
 
Alternativa D – correta. 
De acordo JOSÉ DEL PICCHIA (1947) - Disciplina que 
tem por objetivo o reconhecimento e interpretação dos 
indícios materiais extrínsecos, relativos ao crime ou à 
identidade do criminoso. 
 
Os exames dos vestígios intrínsecos (na pessoa) são da 
alçada da Medicina Legal; 
 
Logo, a Criminalística é a disciplina que tem como 
objetivo o reconhecimento e a interpretação dos indícios 
materiais extrínsecos, relativos ao crime ou à identidade 
do criminoso. 
 
Alternativa E – correta. 
Criminalística é uma ciênciaque tem por objetivos: 
dar a materialidade do fato típico, constatando a 
ocorrência do ilícito penal; verificar os meios e os modos 
como foi praticado um delito, visando fornecer a dinâmica 
do fenômeno; O reconhecimento e a interpretação dos 
indícios materiais extrínsecos; indicar a autoria do 
delito, quando possível; Interpretar os elementos que 
conduzam à identificação do agente; elaborar a prova 
técnica, através da indiciologia material. 
 
67 
Concernente à cadeia de custódia, assinale a 
alternativa correta. 
 
(A) Vestígio é toda circunstância já conhecida, provada e 
documentada pela perícia criminal. 
(B) O procedimento de distinguir os elementos que 
tenham potencial relevância para a produção pericial é 
uma etapa do isolamento do local de crime. 
(C) O ambiente fechado que sofre alterações por 
interferência externa é considerado mediato e idôneo. 
(D) O poder judiciário deverá ser o responsável por 
documentar formalmente e detalhar os vestígios 
coletados no local do crime. 
(E) O perito oficial será o responsável por coletar os 
vestígios e fazer o encaminhamento necessário à central 
de custódia, mesmo quando for necessária a realização 
de exames complementares. 
 
Gabarito: E 
 
COMENTÁRIO DO PROFESSOR: 
 
Caveiras, a questão versa sobre o ponto 5. Métodos da 
Criminalística; 6. Corpo de Delito: conceito; 7. 
Classificação dos locais de crime: 7.1. Quanto à natureza 
do fato; 7.2. Quanto à natureza da área: local de crime 
interno e local de crime externo; 7.3. Quanto à divisão: 
local mediato, imediato e relacionado; 7.4. Quanto à 
preservação: idôneo e inidôneo; 7.5. Isolamento de local. 
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Alternativa A – incorreta. 
O vestígio é considerado como todo objeto ou material, 
visível ou latente, recolhido que se relaciona com o crime. 
Art. 158-A, §3º do CPP. Vejamos: 
 
“Art. 158-A. Considera-se cadeia de custódia o conjunto 
de todos os procedimentos utilizados para manter e 
documentar a história cronológica do vestígio coletado 
em locais ou em vítimas de crimes, para rastrear sua 
posse e manuseio a partir de seu reconhecimento até o 
descarte. (...) 
 
§ 3º Vestígio é todo objeto ou material bruto, visível 
ou latente, constatado ou recolhido, que se relaciona 
à infração penal.” 
 
Alternativa B – incorreta. 
É considerada a etapa de reconhecimento o ato de 
distinguir elementos para produção da prova pericial. Art. 
158-B, I do CPP. Vejamos: 
 
“Art. 158-B. A cadeia de custódia compreende o 
rastreamento do vestígio nas seguintes etapas: 
 
I - reconhecimento: ato de distinguir um elemento como 
de potencial interesse para a produção da prova pericial; 
” 
 
Alternativa C – incorreta. 
O ambiente que sofre alterações e interferências 
adjacentes é considerado inidôneo. 
 
Alternativa D – incorreta. 
O procedimento na esfera judicial é responsável pelo 
julgamento das provas que serão dependentes da fase 
investigatória. 
 
Alternativa E – correta. 
O item corresponde a dicção do art. 158-C do CPP, o qual 
explica que a coleta dos elementos materiais deve ser, 
preferencialmente, realizada por perito oficial 
(concursado e com diploma). Vejamos: 
 
“Art. 158-C. A coleta dos vestígios deverá ser realizada 
preferencialmente por perito oficial, que dará o 
encaminhamento necessário para a central de custódia, 
mesmo quando for necessária a realização de exames 
complementares.” 
 
68 
Acerca da cadeia de custódia, assinale a alternativa 
correta. 
 
(A) O início da cadeia de custódia dá-se com a 
preservação do local de crime ou com procedimentos 
policiais ou periciais nos quais sejam detectadas a 
existência de vestígio. 
(B) O agente público que reconhecer um elemento como 
de potencial interesse para a produção da prova pericial 
deverá entregá-lo para as autoridades competentes. 
(C) Considera-se cadeia de custódia o conjunto de todos 
os procedimentos utilizados para manter e documentar a 
história cronológica do vestígio coletado em locais ou em 
vítimas de crimes, mas não para rastrear sua posse e 
manuseio. 
(D) A etapa de isolamento consiste em distinguir um 
elemento como de potencial interesse para a produção 
da prova pericial. 
(E) A etapa de fixação consiste em recolher o vestígio 
que será submetido à análise pericial, respeitando suas 
características e natureza. 
 
Gabarito: A 
 
COMENTÁRIO DO PROFESSOR: 
 
Combatentes, a questão versa sobre o ponto 5. Métodos 
da Criminalística; 6. Corpo de Delito: conceito; 7. 
Classificação dos locais de crime: 7.1. Quanto à natureza 
do fato; 7.2. Quanto à natureza da área: local de crime 
interno e local de crime externo; 7.3. Quanto à divisão: 
local mediato, imediato e relacionado; 7.4. Quanto à 
preservação: idôneo e inidôneo; 7.5. Isolamento de 
local. 
 
Alternativa A – correta. 
De fato, o início da cadeia de custódia dá-se com a 
preservação do local de crime ou com procedimentos 
policiais ou periciais nos quais sejam detectadas a 
existência de vestígio, conforme art. 158-A, §1º, CPP. 
Vejamos: 
 
“Art. 158-A. Considera-se cadeia de custódia o conjunto 
de todos os procedimentos utilizados para manter e 
documentar a história cronológica do vestígio coletado 
em locais ou em vítimas de crimes, para rastrear sua 
posse e manuseio a partir de seu reconhecimento até o 
descarte. 
 
§ 1º O início da cadeia de custódia dá-se com a 
preservação do local de crime ou com procedimentos 
policiais ou periciais nos quais seja detectada a 
existência de vestígio.” 
 
Alternativa B – incorreta. 
O agente público que reconhecer um elemento como de 
potencial interesse para a produção da prova pericial fica 
responsável por sua preservação, conforme art. 158-A, 
§2º, CPP. Vejamos: 
 
“Art. 158-A. Considera-se cadeia de custódia o conjunto 
de todos os procedimentos utilizados para manter e 
documentar a história cronológica do vestígio coletado 
em locais ou em vítimas de crimes, para rastrear sua 
posse e manuseio a partir de seu reconhecimento até o 
descarte. (...) 
 
§ 2º O agente público que reconhecer um elemento como 
de potencial interesse para a produção da prova pericial 
fica responsável por sua preservação.” 
 
Alternativa C – incorreta. 
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Cadeia de custódia consiste no conjunto de todos os 
procedimentos utilizados para manter e documentar a 
história cronológica do vestígio coletado em locais ou em 
vítimas de crimes, inclusive para rastrear sua posse e 
manuseio a partir de seu reconhecimento até o descarte, 
conforme art. 158-A do CPP, a seguir: 
 
“Art. 158-A. Considera-se cadeia de custódia o conjunto 
de todos os procedimentos utilizados para manter e 
documentar a história cronológica do vestígio coletado 
em locais ou em vítimas de crimes, para rastrear sua 
posse e manuseio a partir de seu reconhecimento até o 
descarte. ” 
 
Alternativa D – incorreta. 
Na verdade, na etapa de reconhecimento deve-se 
distinguir um elemento como de potencial interesse para 
a produção da prova pericial, conforme art. 158-B, I, do 
CPP, que assevera: 
 
“Art. 158-B. A cadeia de custódia compreende o 
rastreamento do vestígio nas seguintes etapas: 
(Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) 
 
I - reconhecimento: ato de distinguir um elemento como 
de potencial interesse para a produção da prova pericial; 
” 
 
Alternativa E – incorreta. 
Na realidade, na etapa de coleta deve-se recolher o 
vestígio que será submetido à análise pericial, 
respeitando suas características e natureza, conforme 
art. 158-B, IV, do CPP, que aduz: 
 
“Art. 158-B. A cadeia de custódia compreendeo 
rastreamento do vestígio nas seguintes etapas: (...) 
 
IV - coleta: ato de recolher o vestígio que será submetido 
à análise pericial, respeitando suas características e 
natureza;” 
 
69 
Sobre locais do crime e suas classificações, analise 
as assertivas abaixo. 
 
I. Local preservado: Quando os indícios foram 
preservados desde a ocorrência dos fatos até o 
completo registro. 
 
II. Local relacionado: Quando duas áreas se 
associam ou se completam na configuração do 
delito. 
 
III. Local mediato: É considerado o local 
propriamente dito, ou seja, o local onde ocorreu o 
fato e comumente se encontra o corpo da vítima. 
 
Com base nas informações, assinale a alternativa 
correta. 
 
(A) Apenas a I está correta. 
(B) Apenas a I e a II estão corretas. 
(C) Apenas a I e a III estão corretas. 
(D) Apenas a II e a III estão corretas. 
(E) Apenas a III está correta. 
 
Gabarito: B 
 
COMENTÁRIO DO PROFESSOR: 
 
Caveiras, a questão aborda o ponto 7. Classificação dos 
locais de crime: 7.1. Quanto à natureza do fato; 7.2. 
Quanto à natureza da área: local de crime interno e local 
de crime externo; 7.3. Quanto à divisão: local mediato, 
imediato e relacionado; 7.4. Quanto à preservação: 
idôneo e inidôneo; 7.5. Isolamento de local. 
 
Vejamos os argumentos das assertivas: 
 
A assertiva I está correta. Local idôneo, preservado ou 
não violado é aquele no qual os peritos encontram os 
vestígios da mesma forma que foram deixados na ação 
delituosa. 
 
A assertiva II está correta. Local relacionado é aquele 
que tem relação do mesmo fato em outros locais. 
 
A assertiva III está errada. O local mediato compreende 
as adjacências da área reservada ao ambiente imediato, 
ou seja, toda área além da demarcada como área 
imediata. 
 
Para acréscimo de conhecimento, observemos: 
 
O local de crime pode ser definido como sendo uma área 
física onde ocorreu um fato esclarecido, ou não, até 
então, que apresente características e/ou configurações 
de um delito. 
 
Ou seja, trata-se de um espaço territorial, imediato ou 
mediato, de interesse público, onde tenha sido praticado 
um fato que configure uma infração penal exigindo, dessa 
forma, as providências legais por parte das autoridades 
competentes. É primordial a correta preservação desse 
local, pois dela dependerá a exatidão dos exames 
periciais que se sucederem. 
 
Dessa forma, os peritos passam a ter uma garantia legal 
para a preservação e o isolamento de locais de infrações 
penais, tarefa essa à cargo da autoridade policial, sob 
pena de responsabilização futura pelo juiz, conforme art. 
6º, incisos I e II, do CPP. 
 
Ao mesmo tempo em que o art. 6º e seus incisos I e II 
determinam a autoridade policial que preserve o local e o 
corpo de delito, também exige que o perito relate em seu 
laudo se preservação deixou de ser feita ou ocorreu com 
falhas, conforme art. 169 do CPP. 
 
Diante o exposto, a Alternativa B é a correta. 
 
70 
O perito designado para analisar um ambiente, ao 
chegar ao local do crime, se depara com um cenário 
todo revirado, com rastros de sangue, impressões 
digitais impregnadas nos móveis, além de diversos 
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59 
cartuchos e projéteis espalhados pelo chão. Diante a 
situação hipotética descrita, assinale a alternativa 
que corresponde aos sinais descritos no ambiente. 
 
(A) Prova Indireta. 
(B) Indícios. 
(C) Vestígios. 
(D) Evidências. 
(E) Circunstância de autoria. 
 
Gabarito: C 
 
COMENTÁRIO DO PROFESSOR: 
 
Combatentes, a questão versa sobre o ponto 4. Tipos de 
Provas: prova confessional, prova testemunhal, prova 
documental e prova pericial; 
 
O cenário descrito na situação hipotética corresponde a 
ideia de material que possibilita a análise de crime, ou 
seja, toda marca, impressão ou sinal por mais sensível 
que pareça se enquadra no conceito de vestígio. 
 
Alternativa A – incorreta. 
Para que toda análise seja prova, deverá antes ser 
confirmado os aspetos circunstanciais. Não sendo 
aplicado ao caso em tela. 
 
Alternativa B – incorreta. 
O indício é uma circunstância conhecida e já provada. 
Não sendo aplicado ao caso em tela. 
 
Alternativa C – correta. 
É considerado vestígio qualquer rastro, marca ou sinal 
deixado no local do crime. 
 
VESTÍGIO: é toda marca, objeto, sinal, rastro, substância 
ou elemento que seja detectado em local onde haja sido 
praticado um fato delituoso (DOREA et al., 2010). Na 
visão de Velho et al. (2012), é todo objeto ou material 
bruto constatado e/ou recolhido em local de crime ou 
presente em uma situação a ser periciada e que será 
analisado posteriormente. 
 
Alternativa D – incorreta. 
Após análise do vestígio é que falamos da evidência, pois 
o conjunto de elementos coletados devem ser tratados 
para que se afirme se há ligação do material examinado 
ao caso. 
 
Alternativa E – incorreta. 
A partir da análise dos vestígios materiais é que se visa 
identificar as circunstâncias e autoria do crime. 
 
Noções de Medicina Legal 
 
71 
Todas alternativas abaixo apresentam características 
de tiros a curta distância, a exceção de uma. 
 
(A) Sinal de Werkgaertner. 
(B) Halo de tatuagem. 
(C) Halo de enxugo. 
(D) Orla de esfumaçamento. 
(E) Zona de queimadura. 
 
Gabarito: A 
 
COMENTÁRIO DO PROFESSOR: 
 
Caveiras, a questão aborda o ponto 7. Traumatologia 
forense. 7.1 Energia de ordem física. 7.2 Energia de 
ordem mecânica. 7.3 Lesões corporais: leve, grave e 
gravíssima e seguida de morte. 
 
Alternativa A – incorreta. 
O sinal de Werkgaertner é aquele que se verifica pela 
marca da boca da arma de fogo, assim como da alça da 
mira sobre a pele, o que caracteriza o tiro como 
encostado e não a curta distância. 
 
Alternativa B – correta. 
Halo de tatuagem, característica do tiro a curta distância, 
varia de cor e intensidade conforma a pólvora, resultante 
da impregnação de grãos de pólvora incombustos que 
alcançam o corpo. 
 
Alternativa C – correta. 
O Halo de enxugo é explicado pela passagem do projetil, 
por meio dos tecidos, atritando e contundindo, limpando 
neles suas impurezas e ocorre nos tiros a curta distância. 
 
Alternativa D – correta. 
Orla de esfumaçamento, também é característica do tiro 
a curta distância, é decorrente do depósito deixado pela 
fuligem que circunscreve a ferida de entrada. Também 
chamada de zona de falsa tatuagem, pois, lavando-se ela 
desaparece. As roupas retêm essas fuligens. 
 
Alternativa E – correta. 
Característica do tiro a curta distância, a zona de 
queimadura consiste na ação superaquecida dos gases, 
que queimam e atingem o alvo. 
 
72 
No tocante aos sinais que decorrem de uma morte 
por afogamento, assinale a alternativa incorreta. 
 
(A) Não pode haver sinal de cogumelo de espuma. 
(B) Haverá sinal de manchas de Paltauf. 
(C) O afogamento apresenta, em regra, três momentos, 
quais sejam, resistência, exaustão e asfixia. 
(D) Haverá sinal de Bernt. 
(E) Haverá mancha verde de putrefação. 
 
Gabarito: A 
 
COMENTÁRIO DO PROFESSOR: 
 
Caveiras, a questão aborda o ponto 2. Noções de 
Asfixiologia Forense: 2.1. Por constrição cervical: 
enforcamento, estrangulamento, esganadura; 2.2. Por 
modificação do meio: afogamento, soterramento, 
confinamento; 2.3. Por sufocação: direta e indireta. 
 
Alternativa A – incorreta. 
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60 
Poderá haver sinal de cogumelo de espuma, o cogumelo 
de espuma é um sinal externo de afogamento. Como a 
questão pede para marcar a alternativa incorreta, deverá 
ser essa alternativa o nosso gabarito. 
 
Alternativa B – correta. 
As manchas de Paltauf é um dos sinaisde morte por 
afogamento. Nos afagamentos, internamentos, são 
encontrados os pulmões distendidos, enfisema aquoso, 
manchas de Paltauf (maiores de 2 cm, roturas das 
paredes alveolares e capilares sanguíneos, contornos 
irregulares). 
 
Alternativa C – correta. 
O afogamento possui três fases: da resistência, da 
exaustão e da asfixia. 
 
Alternativa D – correta. 
O sinal de Bernt está presente nas mortes por 
afogamento, em que ocorre os eriçamentos dos pelos. 
 
Alternativa E – correta. 
A mancha verde da putrefação também está presente 
nos afogamentos, ao nível do esterno ou parte inferior do 
pescoço. 
 
73 
Concernente às noções de agentes químicos, 
assinale a alternativa correta. 
 
(A) Sinergismo é o fenômeno caracterizado pela elevada 
resistência orgânica aos efeitos tóxicos dos venenos. 
(B) Os efeitos coagulantes dos cáusticos produzem 
escaras úmidas, translúcidas, moles e têm como modelo 
a soda, a potassa e a amônia. 
(C) Mitridatização, toxicidade, intolerância, sinergismo e 
equivalente tóxico são as fases do percurso do veneno 
através do organismo. 
(D) Equivalente tóxico é o fenômeno que desidrata os 
tecidos e causa escaras endurecidas e de tonalidade 
diversa. 
(E) Cáusticos são substâncias que, de acordo com sua 
natureza química, provocam lesões tegumentares mais 
ou menos graves, podendo resultar em efeitos 
coagulantes ou liquefacientes. 
 
Gabarito: E 
 
COMENTÁRIO DO PROFESSOR: 
 
Guerreiros(as), a questão aborda o ponto 4. Noções de 
agentes químicos; 
 
Alternativa A – incorreta. 
A alternativa aborda o tema da mitridatização, fenômeno 
obtido através da ingestão repetida e progressiva de 
substâncias de alto teor venenoso, onde alcança-se um 
estágio de resistência não encontrado em outros 
indivíduos. 
 
Alternativa B – incorreta. 
O erro da alternativa está no termo “coagulantes”. Na 
verdade, a questão trata-se dos efeitos “liquefacientes”. 
 
Alternativa C – incorreta. 
Não confunda “fases” com “fenômenos”. As fases do 
percurso do veneno através do organismo são: 
penetração, absorção, distribuição, fixação, 
transformação e eliminação. 
 
Alternativa D – incorreta. 
Na realidade, a questão refere-se ao efeito coagulante 
encontrado nos cáusticos, enquanto equivalente tóxico é 
um fenômeno que pode ocorrer após a penetração do 
veneno no organismo. 
 
Alternativa E – correta. 
A gravidade da lesão varia de acordo com a quantidade, 
a concentração e a natureza do cáustico, e seu 
prognóstico depende do seu desdobramento por 
infecção, cicatrizes retráteis ou lesões mais graves como 
a cegueira. 
 
74 
Acerca da sexologia forense, assinale a alternativa 
correta. 
 
(A) A síndrome da criança maltratada caracteriza-se por 
alterações e perturbações que podem ocorrer nas 
crianças quando o pai ou mãe guardião, por motivos 
injustificáveis, tenta isolá-la gradativamente do outro 
progenitor. 
(B) A acopulia, ou a incapacidade de a mulher manter o 
ato sexual, pode ser física ou psíquica, podendo ser 
motivo de anulação de casamento. 
(C) No transtorno da preferência sexual a pessoa se 
identifica sexualmente com o mesmo sexo, imitando o 
sexo oposto ou agindo como se fora igual. 
(D) Superfecundação é a fecundação de dois ou mais 
óvulos de ciclos diferentes. 
(E) Frotteurismo é um transtorno sexual pelo qual o 
indivíduo sente forte atração por bonecas e manequins. 
 
Gabarito: B 
 
COMENTÁRIO DO PROFESSOR: 
 
Combatentes, a questão aborda o ponto 6. Noções de 
sexologia forense. 
 
Alternativa A – incorreta. 
A alternativa traz o conceito da Síndrome da alienação 
parental ou Síndrome de Medeia. O conjunto de 
agressões, incluindo a sevícia e os maus-tratos a 
crianças que vão desde a prisão e o isolamento em 
ambientes insalubres até os espancamentos brutais 
seguidos de morte é denominado Síndrome da Criança 
Maltratada ou Síndrome de Silverman. 
 
Alternativa B – correta. 
As deformidades permanentes, ocultas ou simuladas, 
anteriores e desconhecidas ao casamento, assim como 
certas anomalias ligadas aos órgãos sexuais, são 
motivos de anulação de casamento. 
 
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61 
I) Deformidade física: cicatriz, aplasia, malformações, 
vaginas infantis e afecções localizadas. 
 
II) Deformidade psíquica: vaginismo, dispareunia ou 
cópula dolorosa, coitofobia. 
 
Alternativa C – incorreta. 
O transtorno da preferência sexual é quando o indivíduo 
faz opção por certas práticas sexuais que, na intimidade, 
são toleradas sem censuras mais graves como a 
mixoscopia e o onanismo. 
 
Alternativa D – incorreta. 
A alternativa traz o conceito de superfetação. Já a 
superfecundação ocorre quando dois ou mais óvulos são 
fecundados em um só coito ou em coitos diversos, com o 
mesmo homem ou homens diferentes, no mesmo ciclo. É 
um fenômeno raro (gravidez dupla – 1/100; tripla – 
1/7.000; quádrupla – 1/700.000). 
 
Alternativa E – incorreta. 
O conceito apresentado na alternativa refere-se ao 
transtorno sexual chamado Dolismo. Frotteurismo é 
quando o indivíduo sente prazer em esfregar o órgão 
sexual em outras pessoas. 
 
75 
É uma característica da morfologia de uma lesão 
causada por instrumento misto decorrente de 
acidente aéreo. 
 
(A) Pérfuro-incisa. 
(B) Cortocontusa. 
(C) Pérfuro-contusa. 
(D) Lácerocontusa. 
(E) Esquartejamento. 
 
Gabarito: D 
 
COMENTÁRIO DO PROFESSOR: 
 
Caveiras, a questão versa sobre o ponto 3. Noções de 
instrumentos de ação mecânica: 3.1. Ação cortante, 
perfurante, contundente e mista. 
 
Alternativa A – incorreta. 
A ferida pérfuro-incisa é causada por pressão e 
deslizamento, com instrumentos pontiagudos de um ou 
dois gumes. 
 
Alternativa B – incorreta. 
A ferida cortocontusa é causada por pressão e 
esmagamento, com instrumentos de grande massa. 
 
Alternativa C – incorreta. 
A ferida pérfuro-contusa é causada por pressão e 
penetração. É uma das mais cobradas em provas, visto 
se enquadrar nesta ferida, o projétil de arma de fogo. 
 
Alternativa D – correta. 
As feridas laceradas contusas são aquelas que 
aparecem em acidentes com trens e aviões. 
Diferentemente das demais lesões, a lesão 
lácerocontusa ocorre a destruição total de tecidos, o que 
impossibilita muitas vezes o reconhecimento dos corpos, 
sendo necessário assim a realização de exames de DNA. 
 
Alternativa E – incorreta. 
O esquartejamento é a separação por desarticulação ou 
amputação do corpo em quatro partes (cabeça, tronco e 
membros). É sugestivo de homicídio. 
 
Noções de Legislação Estadual 
 
76 
Conforme expressamente previsto na Lei Orgânica 
da Polícia Civil do Estado de Goiás, assinale a 
alternativa correta. 
 
(A) A função policial é incompatível com qualquer outra 
Atividade. Essa proibição se estende a todo o quadro da 
corporação, e independe da natureza cargo, ainda que 
haja compatibilidades de horários. 
(B) O exercício da função policial, por suas 
características e finalidades, fundamenta-se nos 
princípios da hierarquia. Todavia, a Polícia Civil, de 
acordo com o a lei 16.901/2010, não se fundamenta no 
princípio da disciplina, pois a disciplina deve ser 
observada apenas pela Polícia Militar. 
(C) De acordo com Lei orgânica da Polícia civil do Estado 
de Goiás, a hierarquia da função não prevalecerá sobre 
a hierarquia do cargo. 
(D) Cada Delegacia de Polícia terá 02 (dois) Chefes de 
Cartório, e 02 (dois) Chefes de Investigação, trabalhando 
em escala de revezamento. Eles serão indicados pela 
autoridade policial da referida delegacia, designados pelo 
Delegado Regional de Polícia, escolhidos entre os 
ocupantes dos cargos, respectivamente, de Escrivão de 
Polícia e de Agente de Polícia da Classe Especial. 
(E) São símbolos oficiais da Polícia Civil o hino, a 
bandeira, o brasão e o distintivo, conforme os modelos 
estabelecidos por ato do Chefe do Poder Executivo, 
medianteproposta do Secretário da Segurança Pública, 
ouvida a direção da Polícia Civil. 
 
Gabarito: E 
 
COMENTÁRIO DO PROFESSOR: 
 
Caveira, nessas questões, faz-se necessária a leitura 
constante dos dispositivos legais, não há outro caminho. 
Façam isso e terão êxito nesta disciplina. Vamos 
responder as alternativas de acordo com a Lei n.º 
16.901/2010 (Lei Orgânica da Polícia Civil do Estado 
de Goiás) 
 
 
A) Errada. Negativo, caveira. De acordo com a Lei 
16.901/2010, existe uma exceção: atividade técnico-
científica, sendo possível que o policial civil exerça um 
cargo de professor, público ou privado, desde que 
possua compatibilidades de horários. 
 
Art. 9º A função policial é incompatível com qualquer 
outra atividade, salvo, no caso daquela de natureza 
técnico-científica, com o exercício de um cargo de 
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62 
professor, privado ou público, respeitada a 
compatibilidade de horários entre este e o regime de 
trabalho definido nesta Lei. 
 
 
B) Errada. Art. 8º O exercício da função policial, por suas 
características e finalidades, fundamenta-se nos 
princípios da hierarquia e da disciplina, exceto em 
relação aos atos de autoridades próprios da atividade-
fim, e no cumprimento de leis, regulamentos e normas de 
serviço de acordo com os preceitos abaixo: 
 
I – A hierarquia da função prevalecerá sobre a hierarquia 
do cargo, na forma desta Lei; 
 
II – A precedência entre os integrantes das Classes dos 
Quadros de Pessoal da Polícia Civil será estabelecida 
pela subordinação funcional. 
 
C) Errada. Art. 8º O exercício da função policial, por suas 
características e finalidades, fundamenta-se nos 
princípios da hierarquia e da disciplina, exceto em 
relação aos atos de autoridades próprios da atividade-
fim, e no cumprimento de leis, regulamentos e normas de 
serviço de acordo com os preceitos abaixo: 
 
I – A hierarquia da função prevalecerá sobre a 
hierarquia do cargo, na forma desta Lei; 
 
D) Errada. Art. 47. Cada Delegacia de Polícia terá 01 
(um) Chefe de Cartório e 01 (um) Chefe de 
Investigação, indicados pela autoridade policial da 
referida delegacia, designados pelo Delegado Regional 
de Polícia, escolhidos entre os ocupantes dos cargos, 
respectivamente, de Escrivão de Polícia e de Agente de 
Polícia da Classe Especial. 
 
E) Correta. Art. 7º São símbolos oficiais da Polícia Civil 
o hino, a bandeira, o brasão e o distintivo, conforme 
os modelos estabelecidos por ato do Chefe do Poder 
Executivo, mediante proposta do Secretário da 
Segurança Pública, ouvida a direção da Polícia Civil. 
 
77 
Sobre o Código de Ética (Decreto Estadual nº 
9.837/2021), assinale a alternativa INCORRETA. 
 
(A) Os processos decorrentes da violação do presente 
Código classificam-se como públicos. 
(B) O processo de apuração desencadeia-se de ofício ou 
em razão de denúncias. 
(C) Do processo de apuração poderá resultar censura 
ética ou recomendação sobre a conduta adequada, sem 
prejuízo da apuração do fato em outras instâncias. 
(D) Toda apuração de conduta levará em consideração a 
situação fática na qual ocorrer a violação desse Código. 
(E) As possíveis condutas de violação desse Código 
serão apuradas pela Câmara de Compliance do 
Conselho de Governo. 
 
Gabarito: A 
 
COMENTÁRIO DO PROFESSOR: 
 
A) Errada (Gabarito). Caveira, são classificados com 
RESERVADOS. 
 
Art. 8º Os processos decorrentes da violação do presente 
Código classificam-se como reservados e pautam-se 
pelas determinações gerais da Lei estadual nº 13.800, de 
18 de janeiro de 2001. 
 
B) Correta. Art. 6º As possíveis condutas de violação 
deste Código serão apuradas pela Câmara de 
Compliance do Conselho de Governo, nos termos do seu 
regimento interno, de ofício ou em razão de denúncias, 
e poderão resultar em censura ética ou recomendação 
sobre a conduta adequada, sem prejuízo da apuração do 
fato em outras instâncias. 
 
C) Correta. Art. 6º As possíveis condutas de violação 
deste Código serão apuradas pela Câmara de 
Compliance do Conselho de Governo, nos termos do seu 
regimento interno, de ofício ou em razão de denúncias, e 
poderão resultar em censura ética ou recomendação 
sobre a conduta adequada, sem prejuízo da apuração 
do fato em outras instâncias. 
 
 
D) Correta. Art. 6º As possíveis condutas de violação 
deste Código serão apuradas pela Câmara de 
Compliance do Conselho de Governo, nos termos do seu 
regimento interno, de ofício ou em razão de denúncias, e 
poderão resultar em censura ética ou recomendação 
sobre a conduta adequada, sem prejuízo da apuração do 
fato em outras instâncias. 
 
§ 2º Toda apuração de conduta levará em 
consideração a situação fática na qual ocorrer a 
violação deste Código. 
 
E) Correta. Art. 6º As possíveis condutas de violação 
deste Código serão apuradas pela Câmara de 
Compliance do Conselho de Governo, nos termos do 
seu regimento interno, de ofício ou em razão de 
denúncias, e poderão resultar em censura ética ou 
recomendação sobre a conduta adequada, sem prejuízo 
da apuração do fato em outras instâncias. 
 
78 
Considere: 
 
I. De acordo com o que está expresso na Lei 
13.800/01, a Administração pública obedecerá, dentre 
outros, aos princípios da legalidade, finalidade, 
motivação, razoabilidade, proporcionalidade, 
moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança 
jurídica, interesse público e eficiência. 
 
II. Nos casos de processo eletrônico, o requerimento 
inicial de interessado não pertencente à 
Administração Pública Estadual pode ser formulado 
e inserido eletronicamente no sistema, via assinatura 
eletrônica, ou ainda, ser formulado por escrito, 
assinado pelo requerente ou representante, 
digitalizado e inserido no sistema de gerenciamento 
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eletrônico de documentos em conformidade com a lei 
específica. 
 
III. Considerando os procedimentos de instrução do 
processo administrativo no âmbito da Administração 
Pública, os interessados serão intimados de prova ou 
diligência ordenada, com antecedência mínima de 
três dias úteis, mencionando-se data, hora e local de 
realização. Além disso, quando deva ser 
obrigatoriamente ouvido um órgão consultivo, o 
parecer deverá ser emitido no prazo máximo de 
quinze dias, salvo norma especial ou comprovada 
necessidade de maior prazo. 
 
Considerando a regulamentação do processo 
administrativo no âmbito da Administração Pública 
do Estado de Goiás, está correto o que se afirma 
APENAS em: 
 
(A) II e III. 
(B) III. 
(C) I. 
(D) I e II. 
(E) I, II e III. 
 
Gabarito: E 
 
COMENTÁRIO DO PROFESSOR: 
 
Caveira, a Lei 13.800/01 Regula o processo 
administrativo no âmbito da Administração Pública do 
Estado de Goiás. Com base nessa lei vamos analisar as 
assertivas: 
 
Item I (Correto). Art. 2º – A Administração pública 
obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, 
finalidade, motivação, razoabilidade, 
proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, 
contraditório, segurança jurídica, interesse público e 
eficiência. 
 
 
Item II (Correto). Art. 6º – O requerimento inicial do 
interessado, salvo casos em que for admitida solicitação 
oral, deve ser formulado por escrito e conter os seguintes 
dados: 
 
I – Órgão ou autoridade administrativa a que se dirige; 
II – Identificação do interessado ou de quem o 
represente; 
III – Domicílio do requerente ou local para recebimento 
de comunicações; 
IV – Formulação do pedido, com exposição dos fatos e 
de seus fundamentos; 
V – Data e assinatura do requerente ou de seu 
representante. 
 
§ 2º Nos casos de processo eletrônico,o requerimento 
inicial de interessado não pertencente à Administração 
Pública Estadual pode ser formulado e inserido 
eletronicamente no sistema, via assinatura eletrônica, ou 
ainda, ser formulado por escrito, assinado pelo 
requerente ou representante, digitalizado e inserido no 
sistema de gerenciamento eletrônico de documentos em 
conformidade com a lei específica. 
 
Item III (Correto). Art. 41 – Os interessados serão 
intimados de prova ou diligência ordenada, com 
antecedência mínima de três dias úteis, mencionando-
se data, hora e local de realização. 
 
Art. 42 – Quando deva ser obrigatoriamente ouvido um 
órgão consultivo, o parecer deverá ser emitido no prazo 
máximo de quinze dias, salvo norma especial ou 
comprovada necessidade de maior prazo. 
 
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Referente à Lei Estadual nº 20.491/2019, que 
estabelece a organização administrativa do Poder 
Executivo, analise as assertivas e assinale a 
alternativa que aponta a(s) correta(s). 
 
I. O Conselho Consultivo de Gestão, que será 
presidido pelo Governador do Estado, terá a 
composição de no mínimo 3 (três) e no máximo 10 
(dez) membros por ele livremente escolhidos entre 
pessoas de notável qualificação nas mais diversas 
áreas do conhecimento. 
II. Para fins de cumprimento do disposto nesta Lei 
considera-se direção o conjunto de atribuições 
concernentes à aptidão para auxiliar, em razão de 
determinado conhecimento ou qualificação, na 
execução de atividades administrativas. 
 
III. A atribuição de função comissionada implica a 
obrigatoriedade de cumprimento de jornada de oito 
horas diárias de trabalho. 
 
IV. São órgãos colegiados da Secretaria de Estado de 
Segurança Pública, entre outros, o Conselho 
Estadual de Segurança Pública, o Conselho Estadual 
de Trânsito e o Conselho Superior da Polícia Civil. 
 
(A) Apenas III. 
(B) Apenas I e IV. 
(C) Apenas III e IV. 
(D) Apenas I, II e III. 
(E) Apenas II, III e IV. 
 
Gabarito: C 
 
COMENTÁRIO DO PROFESSOR: 
 
Item I (Errado). Art. 12. O Conselho Consultivo de Gestão 
funcionará junto à Governadoria com os objetivos de 
debater, avaliar, orientar e indicar melhores técnicas e 
estratégias para a implementação dos planos de ação 
definidos pelo Governador do Estado de Goiás: 
 
§ 2º O Conselho Consultivo de Gestão, que será 
presidido pelo Governador do Estado, terá a 
composição de no mínimo 5 (cinco) e no máximo 15 
(quinze) membros por ele livremente escolhidos 
entre pessoas de notável qualificação nas mais 
diversas áreas do conhecimento. 
 
Victoria Maria Lopes
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Item II (Errado). Caveira, a assertiva trouxe o conceito de 
assessoramento. Vamos analisar as diferenças entre 
essas funções: 
 
Art.62: § 2º Para fins de cumprimento do disposto nesta 
Lei considera-se: 
I –Direção: conjunto de atribuições que, desempenhadas 
nas posições hierárquicas mais elevadas de órgão ou 
entidade, dizem respeito ao cumprimento de atividades 
de dirigir, coordenar, controlar equipes, processos e 
projetos; 
 
II – Chefia: conjunto de atribuições que, desempenhadas 
na posição hierárquica mais elevada de unidade 
administrativa integrante da estrutura básica ou 
complementar, dizem respeito ao cumprimento de 
atividades de dirigir, coordenar, controlar equipes, 
processos e projetos; 
 
III– Assessoramento: conjunto de atribuições 
concernentes à aptidão para auxiliar, em razão de 
determinado conhecimento ou qualificação, na execução 
de atividades administrativas. 
 
 
 
Item III (Correto). A Assertiva encontra-se no artigo 59, 
inciso IV: 
 
Art. 59. As Funções Comissionadas (FC), destinadas ao 
atendimento das necessidades dos órgãos da 
administração direta e das entidades autárquicas e 
fundacionais do Poder Executivo, são as especificadas 
no Anexo VI desta Lei, observado o seguinte: 
 
I – as funções comissionadas são privativas de servidor 
ocupante de cargo efetivo ou emprego público 
permanente ou, ainda, de militar titular de posto ou 
graduação; 
 
II – com exceção dos quantitativos das funções 
comissionadas da Secretaria de Estado da Educação e 
da Função Comissionada de Administração Educacional 
Superior – FCAES, constantes das alíneas “c” e “d” do 
Anexo VI desta Lei, respectivamente, as demais funções 
comissionadas serão, por decreto do Governador do 
Estado, distribuídas entre os órgãos e as entidades, 
conforme as suas necessidades devidamente 
comprovadas em processo regular instruído com parecer 
técnico da Secretaria de Estado da Administração; 
 
III – são competentes para atribuir as FC os Secretários 
de Estado e seus equivalentes hierárquicos, no âmbito 
da administração direta, bem como os presidentes e seus 
equivalentes hierárquicos, no âmbito da administração 
autárquica e fundacional; 
 
IV – a atribuição de função comissionada implica a 
obrigatoriedade de cumprimento de jornada de 8 
(oito) horas diárias de trabalho. 
 
 
Item IV (Correto). Art. 30. Integram a estrutura básica da 
Secretaria de Estado da Segurança Pública: 
 
I – como órgãos autônomos: 
a) a Delegacia-Geral da Polícia Civil; 
b) a Polícia Militar; 
c) o Corpo de Bombeiros Militar; 
d) a Diretoria-Geral de Administração Penitenciária; 
 
II – como órgãos colegiados: 
 
a) o Conselho Estadual de Segurança Pública; 
b) o Conselho Estadual de Trânsito; 
c) o Conselho Estadual de Proteção a Vítimas e 
Testemunhas Ameaçadas no Estado de Goiás –
CONDEL/PROVITA-GO; 
d) o Conselho Superior da Polícia Civil, da Delegacia-
Geral da Polícia Civil; e 
e) o Conselho Penitenciário, da Diretoria-Geral de 
Administração Penitenciária. 
 
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Dentre os requisitos para celebração do acordo de 
leniência com as pessoas jurídicas responsáveis 
pela prática dos atos previstos na lei estadual n. 
18.672, de 13 de novembro de 2014, cita-se: 
 
(A) A proposta do acordo de leniência deverá ser 
apresentada formalmente pela pessoa jurídica 
interessada à autoridade competente, na forma escrita ou 
oralmente, desde que reduzida a termo, até o ato de 
intimação para as alegações finais, devendo conter as 
condições necessárias para assegurar a efetividade da 
colaboração e o resultado útil do processo. 
(B) A proposta do acordo de leniência deverá ser 
apresentada formalmente pela pessoa jurídica 
interessada à autoridade competente, somente na forma 
escrita, até o ato de intimação para as alegações finais, 
devendo conter as condições necessárias para 
assegurar a efetividade da colaboração e o resultado útil 
do processo. 
(C) A fase de negociação da proposta do acordo de 
leniência terá a duração de sessenta dias, a contar da 
data da sua apresentação, podendo ser prorrogada uma 
vez e por igual período mediante ato fundamentado da 
autoridade competente para celebrar o acordo. 
(D) A fase de negociação da proposta do acordo de 
leniência terá a duração de noventa dias, a contar da data 
da sua apresentação, podendo ser prorrogada uma vez 
e por igual período mediante ato fundamentado da 
autoridade competente para celebrar o acordo. 
(E) Os efeitos do acordo de leniência não serão 
estendidos às pessoas jurídicas que integram o mesmo 
grupo econômico, de fato e de direito. 
 
Gabarito: A 
 
COMENTÁRIO DO PROFESSOR: 
 
A) Correta. Art.23: § 2º A proposta do acordo de leniência 
deverá ser apresentada formalmente pela pessoa 
jurídica interessada à autoridade competente, na forma 
escrita ou oralmente, desde que reduzida a termo, até 
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o ato de intimação para as alegações finais, devendo 
conter as condições necessárias para assegurar a 
efetividade da colaboração e o resultado útildo processo. 
 
B) Errada. Como vimos acima, a proposta também pode 
ser apresentada de forma oral, desde que reduzida a 
termo. 
 
C) Errada.Art.23, § 3º A fase de negociação da proposta 
do acordo de leniência terá a duração de 30 (trinta) dias, 
a contar da data da sua apresentação, podendo ser 
prorrogada uma vez e por igual período mediante ato 
fundamentado da autoridade competente para celebrar o 
acordo. 
 
D) Errada. Como vimos, caveira, a fase de negociação 
terá a duração de trinta dias. 
 
Art.23, § 3º A fase de negociação da proposta do acordo 
de leniência terá a duração de 30 (trinta) dias, a contar 
da data da sua apresentação, podendo ser prorrogada 
uma vez e por igual período mediante ato fundamentado 
da autoridade competente para celebrar o acordo. 
 
E) Errada. Caveira, os efeitos do acordo de leniência 
serão estendidos às pessoas jurídicas que integram 
o mesmo grupo econômico. 
 
Art.23: § 4º Os efeitos do acordo de leniência serão 
estendidos às pessoas jurídicas que integram o 
mesmo grupo econômico, de fato e de direito, desde 
que firmem o acordo em conjunto, respeitadas as 
condições nele estabelecidas 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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