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UNIVERSIDADE DO ESTADO DE MATO GROSSO DEPARTAMENTO DE AGRONOMIA Campus Tangará da Serra Disciplina: Máquinas e Mecanização Agrícola Eng. Agrícola Rafael Cesar Tieppo UNEMAT - Universidade do Estado de Mato Grosso - Campus Tangará da Serra – MT - Departamento de Agronomia Eng. Agrícola Rafael Cesar Tieppo – http://rafaeltieppo.sites.uol.com.br Tratores Introdução 2 1 Introdução Os tratores tem por finalidade otimizar o trabalho do homem, desde atividades de preparo primário até as atividades mais complexas, como por exemplo a semeadura e atividades de silvicultura. Historicamente pode-se resumir a evolução dos tratores da seguinte forma: 1858: Trator à vapor para arar a terra; 1889: Trator com combustão interna (Henry Ford - Fergusson); 1911: Ocorreu a primeira mostra de tratores de Nebraska - E.U.A.; 1920: Surgiram dois tratores agrícolas: Massey Harris e Fergusson; Em 1932 as rodas de aço passam a ser substituídas por borracha; 1940: Surgiram tratores equipados com Tomada de Potência (TDP), Barra de Tração (BT) e Sistema de 3 Pontos (1º ponto: inferior esquerdo, 2º ponto: inferior direito e 3º ponto: superior); Em 1960 inicia a primeira fábrica de tratores no Brasil. Em 2007 temos 3 grandes fabricantes de tratores (AGCO, CASE-NH, JOHN DEERE), 3 pequenas (Agrale, Agritech, Landini) e grande número de fabricantes de implementos agrícolas Atualmente: Tratores com potência elevada e tecnologia avançada. Evolução dos tratores: a) b) c) FIGURA 1 a) Trator a vapor b) trator a gasolina c) trator com rodas de pneus Os tratores tem como funções básicas: Tracionar implementos de arrasto utilizando a barra de tração (arados, grades,...); Acionar máquinas estacionárias pela tomada de potência (trilhadeiras, bombas d’água, ...); UNEMAT - Universidade do Estado de Mato Grosso - Campus Tangará da Serra – MT - Departamento de Agronomia Eng. Agrícola Rafael Cesar Tieppo – http://rafaeltieppo.sites.uol.com.br Tratores Elementos Básicos de Mecânica 3 Tracionar máquinas por meio da barra de tração e/ou pelo engate 3 pontos e simultaneamente acionar os mecanismos das mesmas por meio da tomada de potência (pulverizadores, colhedoras, ...); Temos como causa e conseqüências da evolução dos tratores: 2 Elementos Básicos de Mecânica Mecânica é um ramo da Engenharia que procura estabelecer fórmulas e coeficientes compatíveis com a natureza e condição de cada material, com base nos princípios e leis básicas da mecânica teórica. Algumas definições: Trabalho: O trabalho está associado a um movimento e a uma força. Toda vez que uma força atua sobre um corpo produzindo movimento, realizou-se trabalho. T = F.d T=Trabalho F=força d=distância Torque: É um momento de força que tende a produzir ou que produz rotação. É o produto de uma força por um raio. t = F.r t = Torque F = Força r = raio 4- Potência: É definido como a quantidade de trabalho realizado numa unidade de tempo. P = F.V P = Potência F = Força V = Velocidade Inércia: É a resistência que todos os corpos materiais opõem a uma mudança de movimento. Capacidade de trabalho devido o êxodo rural. • Êxodo rural devido a evolução econômica que atravessa o país. •Emprego de tecnologia avançada. •Técnicas de preparo do solo e conservação do solo. •Organização do trabalho por meio do planejamento agrícola. Emprego para mão de obra não qualificada. • Trabalho árduo no campo. • Acomodação dos trabalhadores rural em relação a necessidade da busca do conhecimento. UNEMAT - Universidade do Estado de Mato Grosso - Campus Tangará da Serra – MT - Departamento de Agronomia Eng. Agrícola Rafael Cesar Tieppo – http://rafaeltieppo.sites.uol.com.br Tratores Elementos Básicos de Mecânica 4 Peso (carga): É a força gravitacional de atração exercida pela terra sobre um corpo. Força na vertical (carga). P = m.g (g = 9,8 m/s2) Força Centrífuga: É a força que aparece na direção radial, quando um corpo está em movimento curvilíneo. FC = m . V2 / r V = 2.π . r. n / 60 FV = m . 4 . π2 . r . n2 / 3600 2.1 Conversões 1 Kgf = 9,8 N 1 pe (ft) = 0,3048 m 1 lb = 0,4536 Kgf 1 pol (in) = 25,4 mm 1 cv = 75 Kgf. m/s 1 Hp = 76 Kgf. m/s 1 cv = 735.5 W = 0,7355 kW 1 Hp = 745,0 W = 0,745 kW 2.2 Exercícios 1) Sabendo-se que 1 Hp = 33.000 lb pe/min, determine seu valor correspondente em Kgf m/s? resposta: 76 Kgf m/s 2) Qual a massa do corpo cujo peso é 240 Kgf num local onde a aceleração da gravidade é 9,83 m/s2? Resposta: 239,41 Kg 3) Qual o torque aplicado ao parafuso pela chave de boca, quando é aplicada uma força de 200 N no cabo da referida chave? Resposta: 70 m N UNEMAT - Universidade do Estado de Mato Grosso - Campus Tangará da Serra – MT - Departamento de Agronomia Eng. Agrícola Rafael Cesar Tieppo – http://rafaeltieppo.sites.uol.com.br Tratores Elementos Básicos de Mecânica 5 4) Qual o torque de um trator de Pneus de potência nominal igual a 110 cv no momento em que ele trabalha com uma rotação de 2000 rpm. Resposta: 39,41 m.Kgf 5) Qual a potência (kW) consumida para tracionar um arado de discos, sabendo que a força necessária para a tração é 1200 Kgf, numa velocidade de trabalho igual a 6,0 Km/h. resposta: X = 19,65 kW 6) Um trator de potência igual a 80 cv gasta 2,0 min para tracionar uma grade num percurso de 250 m fazendo uma força correspondente a 1800 Kgf. Qual a percentagem de sua potência que é consumida nesta tração? Resposta: 50 cv ≅ 62,5% da sua potência. ` UNEMAT - Universidade do Estado de Mato Grosso - Campus Tangará da Serra – MT - Departamento de Agronomia Eng. Agrícola Rafael Cesar Tieppo – http://rafaeltieppo.sites.uol.com.br Tratores Transmissão de Potência 6 3 Transmissão de Potência A potência gerada por um motor é transmitida aos componentes do trator por meio de eixos, correias ou correntes, engrenagens e polias. No momento da transmissão de potência, conforme for o dimensionamento e função do sistema de transmissão, ou seja, do componente motor para o movido, é possível ocorrer o aumento ou redução de torque e potência, aumento ou redução da velocidade do eixo movido em relação ao eixo motor. Um dos componentes responsáveis pela transmissão e configuração de torque de um trator é a caixa de câmbio, que por meio de suas engrenagens configura a relação de transmissão de acordo com a solicitação do operador. Para estudo das relações que ocorrem na caixa de câmbio e nos demais componentes é necessário o conhecimento de alguns fundamentos que são explanados a seguir. Velocidade Angular w = (n * 3,14) / 30 w = velocidade angular (rad/s) n = rotação (rpm) Velocidade Perférica V = w * r V = velocidade tangencial (m/s) w = velocidade angular (rad/s) r = raio (m) Determinação do Diâmetro Polia Movida n1 * D1 = n2 * D2 n = rotação (rpm) D = Diâmetro (m) Determinação de dentes da Polia Movida n1 * D1 = n2 * D2 n = rotação (rpm) D = Dentes Cálculo do comprimento da correia: (Tanto para direta quanto para cruzada) t1 t2 Δf R Δf R w UNEMAT - Universidade do Estado de Mato Grosso - Campus Tangará da Serra – MT - Departamento de Agronomia Eng. Agrícola Rafael Cesar Tieppo – http://rafaeltieppo.sites.uol.com.br Tratores Transmissão de Potência 7 r = raio da polia maior r’ = raio da polia menor Exercícios: Calcule o comprimento da correia a seguir: Dimensionar os diâmetros das polias e comprimento da correia a ser adquirida. UNEMAT - Universidade do Estado de Mato Grosso - Campus Tangará da Serra – MT - Departamento de Agronomia Eng.Agrícola Rafael Cesar Tieppo – http://rafaeltieppo.sites.uol.com.br Tratores Transmissão de Potência 8 UNEMAT - Universidade do Estado de Mato Grosso - Campus Tangará da Serra – MT - Departamento de Agronomia Eng. Agrícola Rafael Cesar Tieppo – http://rafaeltieppo.sites.uol.com.br Tratores Transmissão de Potência 9 UNEMAT - Universidade do Estado de Mato Grosso - Campus Tangará da Serra – MT - Departamento de Agronomia Eng. Agrícola Rafael Cesar Tieppo – http://rafaeltieppo.sites.uol.com.br Tratores Elementos do Trator 10 4 Elementos do Trator A Figura a seguir ilustra os elementos básicos de um trator: FIGURA 2 Partes básicas de um trator Motor: Responsável pela transformação da energia potencial do combustível em energia mecânica, na forma de potência disponível no eixo de manivelas. Embreagem: Órgão receptor da potência do motor e responsável pela sua transmissão à caixa de mudança de marchas, sob o comando de um pedal ou alavanca acionável pelo operador (pedal de embreagem). Caixa de mudança de marchas: Órgão mecânico responsável pela transformação de movimento para o sistema de rodados do trator. É o responsável pela transformação de torque e velocidade angular do motor, sendo comandada pela alavanca de mudança de marchas. Coroa, pinhão e diferencial: Órgãos transformadores e transmissores de movimentos responsáveis pela transmissão do movimento da caixa de mudança de UNEMAT - Universidade do Estado de Mato Grosso - Campus Tangará da Serra – MT - Departamento de Agronomia Eng. Agrícola Rafael Cesar Tieppo – http://rafaeltieppo.sites.uol.com.br Tratores Elementos do Trator 11 marchas a cada uma das rodas motrizes; envolvendo uma redução proporcional de velocidade e uma mudança na direção do movimento de um ângulo de 90º. Redução final: Órgão que transmite os movimentos do diferencial às rodas motrizes com redução da velocidade angular e aumento do torque. Rodados: São os órgãos operadores responsáveis pela sustentação e direcionamento do trator, bem como sua propulsão desenvolvida através da transformação da potência do motor em potência na barra de tração. Tomada de potência (TDP): Órgão responsável pela transformação do movimento do motor para uma árvore de engrenagens, cuja extremidade externa está localizada na parte traseira do trator, local onde são acoplados sistemas mecânicos rotativos. Sistema hidráulico: Órgãos receptores, transformadores e transmissores da potência do motor através de um fluido sob pressão aos órgãos operadores, representados, principalmente, por cilindros hidráulicos. Sistema de engate de três pontos: Responsável pela tração e suspensão de implementos e máquinas agrícolas. Barra de tração (BT): Órgão responsável pela tração de máquinas e implementos. Detalhe do sistema hidráulico: FIGURA 3 A) Sistema hidráulico B)barra de tração C) TDP 4.1 Classificação Geral Tipo de Rodado Rodas Semi Esteiras Esteiras Tipo de Chassis (relação peso X potência ) Industrial Florestal Agrícola UNEMAT - Universidade do Estado de Mato Grosso - Campus Tangará da Serra – MT - Departamento de Agronomia Eng. Agrícola Rafael Cesar Tieppo – http://rafaeltieppo.sites.uol.com.br Tratores Conhecendo o Pneu Agrícola 12 5 Conhecendo o Pneu Agrícola O pneu é o elemento que faz o contato entre o trator e o solo, ele é responsável por suportar a estrutura do trator e transmitir esforços do trator para o solo, dessa forma ele torna-se responsável por parte do desempenho do trator na realização de uma determinada atividade. O uso de um pneu fora das suas especificações técnicas pode promover um desgaste precoce do mesmo, e ainda, minimizar a eficácia de realização de uma determinada operação, resultando em gastos desnecessários ao seu proprietário. 5.1 Tipos de Pneu Os pneus podem ser diagonais, radiais ou mistos (BPAF), por definição temos: Pneu Diagonal: o pneu é chamado diagonal ou convencional quando a carcaça é composta de lonas sobrepostas e cruzadas umas em relação às outras. Os cordonéis que compõem essas lonas são de fibras têxteis. Neste tipo de construção, os flancos são solidários à banda de rodagem. Quando o pneu roda, cada flexão dos flancos é transmitida à banda de rodagem, conformando-a ao solo. Pneu Radial: Neste tipo, os fios da carcaça estão dispostos em arcos perpendiculares ao plano de rodagem e orientados em direção ao centro do pneu. A estabilidade no piso é obtida através de uma cinta composta de lonas sobrepostas. Por ser uma carcaça única, não existe fricção entre lonas - apenas flexão -, o que evita a elevação da temperatura interna. Pneu BPAF, baixa pressão e alta flutuação (pneus com largura e diâmetro grandes): pneu agrícola que apresenta sua forma construtiva mista, tendo como forma construtiva uma mistura do pneu diagonal e do pneu radial. A carcaça do pneu é diagonal (malha diagonal), porém, com cintas ou lonas radiais Quanto às características: Diagonal •Desgaste mais rápido - Menor quilometragem; •Consumo da combustível mais elevado; •Aquecimento muito grande - Lixamento com o solo, fricção entre lonas e a má condução de calor do material têxtil; •Aderência não muito boa - Menor área de contato pneu/solo, deformações da Banda de Rodagem; •Estabilidade prejudicada - Perda da trajetória causada pelas deformações da Banda de Rodagem; •Maior possibilidade de cortes/furos - Carcaça rígida e material têxtil. Radial •Desgaste mais lento - Aumento na quilometragem; •Diminuição no consumo de combustível; •Redução do aquecimento - Não existe fricção entre lonas da carcaça, diminui o lixamento com o solo e o aço é um excelente condutor de calor; •Maior aderência - A área contato pneu/solo é maior e constante; •Estabilidade favorecida - Com a redução das deformações da Banda de Rodagem, o pneu segue uma trajetória definida; •Menor possibilidade de cortes/furos - Carcaça mais flexível BPAF •apresentam grandes áreas de contato com o solo, devido à grande largura da sua seção, o alto volume de ar, a constituição das carcaças e flancos com maior flexibilidade e, principalmente, a possibilidade de utilizar pressões de inflação muito baixas. UNEMAT - Universidade do Estado de Mato Grosso - Campus Tangará da Serra – MT - Departamento de Agronomia Eng. Agrícola Rafael Cesar Tieppo – http://rafaeltieppo.sites.uol.com.br Tratores Conhecendo o Pneu Agrícola 13 FIGURA 4 Diferenças entre pneu diagonal e radial FIGURA 5 Pneu BPAF FIGURA 6 Da esq. p/ direita: pneu radial, diagonal e BPAF UNEMAT - Universidade do Estado de Mato Grosso - Campus Tangará da Serra – MT - Departamento de Agronomia Eng. Agrícola Rafael Cesar Tieppo – http://rafaeltieppo.sites.uol.com.br Tratores Conhecendo o Pneu Agrícola 14 FIGURA 7 Regressão linear das áreas de contato em função das cargas para os pneus BPAF, diagonal Fonte: (Mazzeto et al. 2004) 5.2 Identificação Pneu Agrícola Para identificar um pneu agrícola é necessário observar as nomenclaturas indicadas no flanco ou lateral do pneu, conforme o fabricante pode-se encontrar as seguintes informações: Firestone 20.8-38 R-1 10PR SAT 230 • isto significa: Firestone = marca do fabricante 20.8 = largura do pneu em polegadas - (traço) =indica pneu de construção diagonal 38 = diâmetro do aro, em polegadas R-1 = pneu de tração regular (de uso geral) 10PR = é uma medida de resistência e/ou de carga, indica capacidade de lonas; PR é a abreviação da expressão inglesa Ply Rating; SAT = abreviatura da expressão inglesa Super All Traction, designação dada pelo fabricante e que caracteriza o modelo da banda de rodagem . 230 = ângulo das garras, na banda de rodagem Goodyear 18.4-34 10 PR DT II Pirelli 18.4-34 10 PRTM 95 •Goodyear e Pirelli = marcas dos fabricantes 18.4 = largura do pneu, em polegadas - = pneu de construção diagonal 34 = diâmetro do aro, em polegadas 10 PR = idem ao anterior DT II = abreviatura da expressão inglesa Dyna Torque II, designação dada pelo fabricante e que caracteriza o modelo da banda de rodagem; nesse caso, ela apresenta garras longas e curtas alternadas TM 95 = designação dada pelo fabricante para o modelo da banda de rodagem, que nesse caso, também apresenta garras longas e curtas alternadas, embora com desenho diferenciado do anterior. Michelin 650/75 R 32 X M28 •Michelin = marca do fabricante 650 = largura do pneu, em milímetro 75 = relação percentual entre a altura e a largura da secção do pneu R = pneu de construção radial 32 = Diâmetro do aro, em polegadas X = marca do fabricante para pneus radiais M28 = caracteriza o modelo da banda de rodagem . UNEMAT - Universidade do Estado de Mato Grosso - Campus Tangará da Serra – MT - Departamento de Agronomia Eng. Agrícola Rafael Cesar Tieppo – http://rafaeltieppo.sites.uol.com.br Tratores Conhecendo o Pneu Agrícola 15 TABELA 1 Tabela 1 - Classificação dos pneus quanto ao desenho da banda de rodagem. Fonte: Correa (2000). Tipo Desenho da banda de rodagem a) Pneus para tratores agrícolas - rodas de direção F1 Regular (1 raia) F2 Regular (2 ou 3 raias) F3 Multiraiado b) Pneus para tratores agrícolas - rodas de tração R-1 Tração regular R-2 Tração extra (raia profunda) R-3 Raia superficial (pouco profunda) R-4 Industrial c) Pneus para implementos agrícolas I-1 Multi-raiado I-2 Tração TABELA 2 Alguns dos símbolos de capacidade de carga e de velocidade. Fonte: Correa (2000). Símbolos para Capacidade de carga Capacidade de lona Símbolos para velocidade Velocidade (km/h) A 2 A1 5 B 4 A2 10 C 6 A3 15 D 8 A4 20 E 10 A5 25 F 12 A6 35 G 14 A7 40 H 16 A8 50 TABELA 3 Alguns índices de carga e correspondentes cargas máximas por pneu. Fonte: Correa (2000). I.C. Carga máxima (kg) 100 800 110 1060 120 1400 130 1900 140 2500 150 3350 160 4500 De acordo com Wanderley C. Marroni, supervisor técnico da Goodyear, deve-se levar em consideração algumas informações: UNEMAT - Universidade do Estado de Mato Grosso - Campus Tangará da Serra – MT - Departamento de Agronomia Eng. Agrícola Rafael Cesar Tieppo – http://rafaeltieppo.sites.uol.com.br Tratores Conhecendo o Pneu Agrícola 16 “De modo geral, pode-se escolher entre tração e flutuação. O que quer que você faça para melhorar um destes fatores diminuirá o desempenho do outro. Para flutuação, será necessário um pneu largo, baixa capacidade de lonas, baixa pressão de inflação e a carga incidente deve ser leve. Já a tração exige um pneu com alta capacidade de lona, operando com a pressão de inflação máxima e com carga suficiente para proporcionar a tração requerida. Isto porque a capacidade de tração que um pneu pode gerar, antes de começar a patinar, depende bastante da carga incidente sobre o pneu. Cuidado para não ultrapassar as recomendações do fabricante com relação à carga máxima por eixo e/ou peso do trator. A distribuição de peso é muito importante para o desempenho dos tratores. A distribuição de peso recomendada nos eixos dianteiro e traseiro está relacionada na tabela abaixo. Estas distribuições de carga se adaptam à maioria das tarefas”. 5.3 Efeito da Pressão nos Pneus A pressão interna nos pneus é influenciada pela quantidade de ar inserida no seu interior, quanto maior a pressão do pneu, menor é o contato da banda de rodagem com o solo, ou seja, a pressão do pneu é inversamente proporcional ao contato com o solo, conforme pode ser observado na figura abaixo. FIGURA 8 Efeito da pressão em pneus (6,0 // 14,0 // 23,0 psi) . Fonte: Monteiro L. A. (2007) A pressão dos pneus também pode influenciar em: Desgaste precoce dos pneus; Consumo de combustível elevado; Redução da capacidade operacional do trator. Pode-se observar duas situações na Tabela a seguir. TABELA 4 Avaliação de consumo de combustível em condições específicas. Monteiro L. A. (2007) Teste em solo com palhada Força (kgf) Consumo Específico (L/cv h) Caso 1 Pneu Traseiro 850/50-38 Dianteiro 660/60-35 Pressão (psi) 16 16 5000 0,283 Caso 2 Pneu Traseiro 850/50-38 Dianteiro 660/60-35 5000 0,335 Pressão (psi) 20 18 Aumento de 18 % consumo UNEMAT - Universidade do Estado de Mato Grosso - Campus Tangará da Serra – MT - Departamento de Agronomia Eng. Agrícola Rafael Cesar Tieppo – http://rafaeltieppo.sites.uol.com.br Tratores Lastragem 17 6 Lastragem Segundo o dicionário Aurélio, Lastro é pode ser definido como depósito em ouro que serve de garantia ao papel-moeda. Para os tratores, lastro não deixa de ser um depósito, porém é um depósito que pode ser em água e no interior do pneu ou um depósito em ferro nos rodados do trator. A lastragem nos tratores agrícolas é definida como sendo uma adição de peso no trator, com o intuito de minimizar a patinagem e consequentemente maximizar o rendimento do operacional do trator. O lastreamento com água consiste em colocar água nos pneus conforme recomendação do fabricante. O percentual de água nos pneus é determinado pela posição do bico em relação a superfície do solo. Os demais lastros são feitos de ferro fundido e instalados nas rodas e na parte frontal do trator: FIGURA 9 Tipos de lastros. Fonte ENG 338 (Dep. Eng. Agric. UFV ) FIGURA 10 Detalhes da lastragem líquda FIGURA 11 a) parte sup. (75%), 45˚ (60%), média (50%), 45˚ (40%), inf. (25%) UNEMAT - Universidade do Estado de Mato Grosso - Campus Tangará da Serra – MT - Departamento de Agronomia Eng. Agrícola Rafael Cesar Tieppo – http://rafaeltieppo.sites.uol.com.br Tratores Lastragem 18 Além de promover melhor rendimento nas operações agrícolas, a lastragem é responsável pela segurança na operações agrícolas, ou seja, é responsável por limitar a transferência de peso do eixo dianteiro para o eixo traseiro. A norma de segurança estabelece que o valor dessa transferência de peso deve ser menor ou igual a 80 %. Temos as seguintes forças atuando em um trator, conforme a figura a seguir. FIGURA 12Forças atuantes no trator Onde: FTM = Força de tração máxima, kgf; HB = Altura da barra, mm; PTE = Peso traseiro estático, kgf; PDE = Peso dianteiro estático, kgf; TP = Transferência de peso, kgf; DEE = Distância entre eixo, mm. 𝐹𝑇𝑀 .ℎ𝑏 𝐷𝐸𝐸 ≤ 80 % .𝑃𝐷𝐸 Lastragem Insuficiente •excessiva patinagem das rodas •perda de potência de tração •desgaste acentuado dos pneus •alto consumo de combustível •baixa produtividade Lastragem Excessiva •aumento da carga sobre a transmissão •perda de potência de tração •rompimento das garras dos pneus •compactação do solo •alto consumo de combustível •baixa produtividade UNEMAT - Universidade do Estado de Mato Grosso - Campus Tangará da Serra – MT - Departamento de Agronomia Eng. Agrícola Rafael Cesar Tieppo – http://rafaeltieppo.sites.uol.com.br Tratores Bitolas de Tratores 19 7 Bitolas de Tratores Bitola dos tratores agrícolas é a distância de centro a centro dos pneus dianteiros ou traseiros dos tratores. A finalidade de se regular a bitola é adequar o trator à cultura, ao implemento e à operação. FIGURA 13 Medição da bitola de um trator As bitolas podem ser: FIGURA 14 Tipos de bitolas As bitolas ajustáveis no eixo são encontradas nos tratores Farmal 11, John Deere, CBT, motocultivadores (Yanmar, Tobatta), etc. A variação da bitola é feita soltando a presilha e prendendo a roda no eixo. Permite obter grandes variações na bitola. As variações das bitolas pré-fixadas são obtidas alterando-se as posições de fixação da calota ao aro, podendo também efetuar alteraçãona posição do aro. No caso do MF 265 são possíveis 8 variações diferentes de cada lado, cada uma modificando em 2 polegadas o comprimento da bitola. Nas bitolas servo-ajustáveis a base do aro é dotada de guias helicoidais que permite o deslizamento e a fixação do aro na mesma. Soltando-se as presilhas e fazendo girar o aro ou o eixo do trator, consegue-se o aumento ou diminuição da bitola. UNEMAT - Universidade do Estado de Mato Grosso - Campus Tangará da Serra – MT - Departamento de Agronomia Eng. Agrícola Rafael Cesar Tieppo – http://rafaeltieppo.sites.uol.com.br Tratores Referências Bibliográficas 20 7.1 Cálculo da Bitola Deve-se ter o cuidado de ajustar a bitola de tal modo que as rodas do trator passem entre as fileiras da cultura. FIGURA 15 Exemplos de bitolas 8 Referências Bibliográficas HALLIDAY, D.& Resnick, R., “Física 3”, vol. 3, 4a. edição - Rio de Janeiro, Livros Técnicos e Científicos S.A.. Tradução: Antonio Máximo R. Luz et. al., Rio de Janeiro, RJ, 1984 319 p.. BONJORNO, A. R. BONJORNO, J. R. BONJORNO, V. Física Fundamental. FTD Editora. CORRÊA, I. M. Conheça o pneu agrícola que você usa. Revista UnespRural, nº 18, Ano 4. p. 21. FERNANDES, H.C., VILLIOTI, C. A. Práticas de ENG 338 – Mecânica e Mecanização Agrícola. Caderno didático 42. 2005, 55p. MAZETTO, F. R., et al. AVALIAÇÃO DO CONTATO PNEU-SOLO EM TRÊS MODELOS DE PNEUS AGRÍCOLAS. Eng. Agríc., Jaboticabal, v.24, n.3, p.750-757, set./dez. 2004. MIALHE, L.G Máquinas agrícolas: Ensaios e Certificação. 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