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Brazilian Journal of Health Review ISSN: 2595-6825 20898 Brazilian Journal of Health Review, Curitiba, v. 6, n. 5, p.20898-20911, sep./oct., 2023 A relação entre o Câncer de Colo de Útero e o HPV: uma análise bibliográfica The relationship between Cervical Cancer and HPV: a bibliographic analysis DOI:10.34119/bjhrv6n5-120 Recebimento dos originais: 04/08/2023 Aceitação para publicação: 08/09/2023 Vívian Marina Regis Pedreira Graduada em Medicina pelo Instituto Tocantinense Presidente Antônio Carlos (ITPAC) Instituição: Hospital de Pequeno Porto de Monte do Carmo Endereço: Avenida Silvino Amaral, s/n, Vila Nova, Monte do Carmo - TO, CEP: 77585-000 E-mail: pedreira.vivianmarina@gmail.com Rebeca Leite de Oliveira Santos Graduada em Medicina pelo Instituto Tocantinense Presidente Antônio Carlos (ITPAC) Instituição: Unidade de Pronto Atendimento Dr. Jamil Sebba Endereço: Av. Dr. Lamartine Pinto de Avelar, 1800, Santa Rita, Catalão - GO, CEP: 75705-331 E-mail: rebecaoliveiraleite@gmail.com Ana Caroline Silva Rocha Graduada em Medicina pela Universidade de Gurupi (UNIRG) Instituição: Unidade de Pronto Atendimento Dr. Jamil Sebba Endereço: Av. Dr. Lamartine Pinto de Avelar, 1800, Santa Rita, Catalão - GO, CEP: 75705-331 E-mail: silvarochacaroline@gmail.com Sabriny Noleto Kasburg Graduada em Medicina pelo Instituto Tocantinense Presidente Antônio Carlos (ITPAC) Instituição: Hospital Geral de Palmas Dr Francisco Ayres Endereço: 201 Sul, Av. Ns1, Conj. 02, Lote 02, Plano Diretor Sul, Palmas - TO, CEP: 77015-202 E-mail: sabrinynkasburg@gmail.com Júlia Resende Gonçalves Graduada em Medicina pela Universidade de Gurupi (UNIRG) Instituição: Instituto de Cardiologia e Transplante do Distrito Federal Endereço: Estrada Parque Contorno do Bosque, s/n, Brasília - DF, CEP: 70658-700 E-mail: juresendeg@gmail.com Thais Neves Vieira Venancio Graduada em Medicina pela Universidade Evangélica de Goiás (UNIEVANGÉLICA) Instituição: Hospital Estadual de Trindade Walda Ferreira dos Santos (HETRIN) Endereço: R. 03, 200, Jardim Primavera, Trindade - GO, CEP: 75380-000 E-mail: tnevesvieira@gmail.com Brazilian Journal of Health Review ISSN: 2595-6825 20899 Brazilian Journal of Health Review, Curitiba, v. 6, n. 5, p.20898-20911, sep./oct., 2023 Laís Ruth Matos da Conceição Rufino Graduanda em Medicina Instituição: Instituto Tocantinense Presidente Antônio Carlos (ITPAC) Endereço: Rua 02, Quadra 07 s/n, Jardim dos Ipês, Porto Nacional - TO, CEP: 77500-000 E-mail: laismatos42@gmail.com Wladimir Pereira Courte Junior Graduando em Medicina Instituição: Instituto Tocantinense Presidente Antônio Carlos (ITPAC) Endereço: Rua 02, Quadra 07, s/n, Jardim dos Ipês, Porto Nacional - TO, CEP: 77500-000 E-mail: wladimir.courte@hotmail.com RESUMO O câncer de colo uterino é uma neoplasia maligna que afeta predominantemente as células escamosas do colo do útero e é causado principalmente pela infecção persistente pelo vírus do papiloma humano (HPV). Esse tipo de câncer representa um desafio significativo para a saúde pública no Brasil. O HPV é transmitido principalmente por contato sexual, mas a infecção também pode ocorrer em indivíduos não sexualmente ativos. O HPV de alto risco está associado ao desenvolvimento de displasia cervical e câncer cervical, enquanto o HPV de baixo risco causa verrugas genitais. Embora o rastreamento por meio do exame de Papanicolaou tenha reduzido a mortalidade relacionada ao câncer cervical, ainda é uma das principais causas de óbito relacionadas ao câncer em mulheres globalmente. Além do HPV, fatores como multiparidade, uso de contraceptivos orais, tabagismo e comorbidades como HIV aumentam o risco de lesões precursoras do câncer cervical. O diagnóstico precoce e a detecção de lesões precursoras por meio do exame de Papanicolaou têm sido fundamentais na redução da incidência e mortalidade relacionadas ao câncer cervical. Medidas preventivas, como o uso de preservativos e a vacinação contra o HPV, também desempenham um papel importante na redução da incidência dessa doença. Embora essas estratégias estejam cada vez mais acessíveis e alcancem um número crescente de mulheres, é essencial continuar promovendo a conscientização, o acesso aos serviços de saúde e a implementação de programas de prevenção para combater efetivamente o câncer de colo uterino no Brasil. Palavras-chave: neoplasia maligna, vírus do papiloma humano, contato sexual, exame de papanicolau, prevenção. ABSTRACT Cervical cancer is a malignant neoplasm predominantly affecting the squamous cells of the cervix and is primarily caused by persistent infection with the human papillomavirus (HPV). This type of cancer poses a significant challenge to public health in Brazil. HPV is mainly transmitted through sexual contact, but infection can also occur in non-sexually active individuals. High-risk HPV is associated with the development of cervical dysplasia and cervical cancer, while low-risk HPV causes genital warts. Although screening through the Papanicolaou (Pap) test has reduced mortality related to cervical cancer, it remains one of the leading causes of cancer-related deaths in women worldwide. In addition to HPV, factors such as multiparity, oral contraceptive use, smoking, and comorbidities like HIV increase the risk of precursor lesions of cervical cancer. Early diagnosis and detection of precursor lesions through the Pap test have been crucial in reducing the incidence and mortality rates associated with cervical cancer. Preventive measures such as condom use and HPV vaccination also play a significant role in reducing the incidence of this disease. While these strategies are becoming increasingly accessible and reaching a growing number of women, it is essential to continue Brazilian Journal of Health Review ISSN: 2595-6825 20900 Brazilian Journal of Health Review, Curitiba, v. 6, n. 5, p.20898-20911, sep./oct., 2023 promoting awareness, access to healthcare services, and the implementation of prevention programs to effectively combat cervical cancer in Brazil. Keywords: malignant neoplasm, human papillomavirus, sexual contact, pap test, prevention. 1 INTRODUÇÃO O câncer de colo uterino, ou câncer cervical, é uma neoplasia maligna que afeta o colo do útero, uma estrutura tubular localizada na porção inferior do útero. Este tipo de câncer é predominantemente originado nas células escamosas que revestem o colo do útero. A principal causa do câncer de colo uterino é a infecção persistente pelo vírus do papiloma humano (HPV), uma infecção sexualmente transmissível. O câncer de colo uterino é uma das principais causas de morbidade e mortalidade em mulheres globalmente (HULL et al., 2020). O câncer de colo do útero representa um importante desafio para a saúde pública no Brasil, sendo o terceiro tipo de câncer mais incidente entre as mulheres, excluindo os tumores de pele não melanoma. De acordo com estimativas para o ano de 2022, foram previstos 16.710 novos casos da doença, resultando em uma taxa de incidência de 15,38 casos a cada 100 mil mulheres. Ao analisar a distribuição regional, observa-se uma variação significativa, com o câncer de colo do útero apresentando a maior incidência na região Norte (26,24 casos por 100 mil mulheres) e ocupando a segunda posição nas regiões Nordeste (16,10 casos por 100 mil mulheres) e Centro-Oeste (12,35 casos por 100 mil mulheres) (INCA, 2022). O papilomavírus humano (HPV) é um vírus de DNA associado ao desenvolvimento de diversos tipos de câncer. Existem mais de 100 tipos de HPV, dos quais aproximadamente 30 a 40 infectam o trato genital humano. Entre esses tipos, alguns são considerados de alto risco oncogênico E estão associados a cânceres cervicais, vulvares, vaginais e anais. Por outro lado,existem tipos de baixo risco, os quais são predominantemente responsáveis pelo desenvolvimento de verrugas genitais (BRAATEN; LAUFER, 2008). O HPV de alto risco tem um papel bem estabelecido no desenvolvimento de displasia cervical e câncer cervical. Embora o câncer cervical tenha diminuído significativamente como causa de morte nas últimas décadas devido aos programas de rastreamento, ele ainda é uma das principais causas de óbito relacionadas ao câncer em mulheres globalmente. Por outro lado, as cepas de HPV de baixo risco estão principalmente associadas ao desenvolvimento de verrugas genitais. Embora as verrugas genitais não sejam uma condição com risco de vida, podem causar desconforto físico, além de impacto psicossocial significativo para os indivíduos afetados (BOSCH et al., 2002). Brazilian Journal of Health Review ISSN: 2595-6825 20901 Brazilian Journal of Health Review, Curitiba, v. 6, n. 5, p.20898-20911, sep./oct., 2023 O HPV é transmitido principalmente por meio do contato direto de pele a pele, principalmente durante a atividade sexual. Embora a transmissão seja mais comum por meio de relações sexuais vaginais ou anais, outros tipos de contato sexual também podem transmitir o vírus. É importante ressaltar que a infecção por HPV pode ocorrer mesmo em indivíduos que não tenham tido relações sexuais penetrativas. A maioria das infecções por HPV ocorre nos primeiros anos de atividade sexual, sendo o número de parceiros sexuais um fator de risco importante. Embora o uso de preservativos possa reduzir o risco de transmissão do HPV, sua eficácia completa na prevenção da infecção não está totalmente estabelecida (WINER et al., 2003). A associação entre o vírus do papiloma humano (HPV) e o câncer de colo uterino tem sido extensivamente investigada ao longo dos anos. A descoberta inicial dessa relação remonta a 1949, quando George Papanicolaou difundiu o exame de Papanicolaou como um método para a detecção de alterações celulares pré-malignas associadas à atividade sexual e ao desenvolvimento do câncer cervical. Na década de 1970, Harold zur Hausen estabeleceu o HPV como um agente etiológico transmitido sexualmente, inicialmente relacionado a verrugas e condilomas, e posteriormente vinculado ao desenvolvimento do carcinoma de colo uterino (NAKAGAWA; SCHIRMER; BARBIERI, 2010). Os avanços na clonagem molecular na década de 1990 permitiram a identificação do DNA do HPV em amostras de tecidos de carcinomas cervicais, confirmando a presença do vírus em quase todos os casos de carcinomas invasivos. Essas descobertas levaram à aceitação mundial de que a infecção pelo HPV é uma "causa necessária" para o desenvolvimento do carcinoma cervical (NAKAGAWA; SCHIRMER; BARBIERI, 2010). Embora a alta prevalência de infecções por HPV em mulheres jovens sexualmente ativas seja amplamente observada, a baixa incidência de lesões cervicais em proporção a essa prevalência levanta a questão da insuficiência da infecção isoladamente no desenvolvimento da doença. A infecção pelo HPV é uma condição necessária, mas apenas uma fração das mulheres portadoras do vírus desenvolverá o câncer cervical (BOSCH; MUÑOZ, 2002). A infecção pelo papilomavírus humano (HPV) é reconhecida como o principal fator de risco associado ao desenvolvimento de lesões precursoras de malignidade no colo do útero. Além do HPV, outros fatores como multiparidade, uso de contraceptivos orais, tabagismo e presença de comorbidades como HIV e clamídia também contribuem para o aumento do risco dessas lesões (BRITO; GALVÃO, 2010). Brazilian Journal of Health Review ISSN: 2595-6825 20902 Brazilian Journal of Health Review, Curitiba, v. 6, n. 5, p.20898-20911, sep./oct., 2023 As lesões precursoras do câncer de colo do útero são classificadas em neoplasia intraepitelial cervical (NIC) e são divididas em três graus, sendo o grau I correspondente a lesões de baixo grau e os graus II e III a lesões de alto grau (ANDRADE; BRUM, 2020). O rastreamento precoce por meio do exame de Papanicolau tem sido a principal estratégia para identificação e acompanhamento dessas lesões, o que tem impactado positivamente nas taxas de incidência e mortalidade relacionadas ao câncer cervical (PANCERA; SANTOS, 2018) (MELO et al., 2009). No caso do câncer de colo de útero, causado pela infecção do vírus HPV, várias alternativas de prevenção estão disponíveis, incluindo o uso de preservativos durante as relações sexuais e a vacinação contra o HPV. Além disso, o Ministério da Saúde recomenda a realização periódica de exames de Papanicolaou, juntamente com outros procedimentos, para o diagnóstico precoce de possíveis manifestações do HPV e lesões pré-cancerosas. Embora essas medidas de prevenção e detecção precoce estejam cada vez mais acessíveis e alcancem um número crescente de mulheres no Brasil, ainda há uma alta incidência desse tipo de câncer no país (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2022). 2 METODOLOGIA O presente artigo é um estudo exploratório e retrospectivo que envolve revisão bibliográfica e análise de dados coletados a partir de referências bibliográficas na área e também em banco de dados disponíveis na Internet, tais como: Google Acadêmico, United States National Library of Medicine (PubMed), Biblioteca Virtual da Saúde (BVS) e Scielo, disponíveis nos idiomas Português e Inglês. O período considerado para a elaboração do trabalho foi entre 2018 e 2022, utilizando as palavras-chave: Papiloma Vírus Humano; Prevenção HPV; Câncer de Colo de Útero; Câncer Cervical; Neoplasias Uterinas. De modo a categorizar a escolha dos artigos, considerou-se os seguintes critérios de inclusão: trabalhos e literaturas relacionadas com o tema de pesquisa e seu objetivo. Nas buscas realizadas nas bases de dados anteriormente citadas, 113 estudos foram selecionadas. Entretanto, devido a fuga da temática em seus presentes resumos, 89 foram excluídos e 24, escolhidos para o desenvolvimento deste artigo, de modo que os resultados finais foram baseados em 10 estudos. Para a exclusão dos estudos para a pesquisa bibliográfica, considerou-se trabalhos que não abordaram totalmente a temática voltada para a prevalência de HPV no sexo feminino. Após a leitura, estabeleceu-se a relação do tema proposto estabelecendo os fatores que correlacionam o câncer cervical e o HPV. Brazilian Journal of Health Review ISSN: 2595-6825 20903 Brazilian Journal of Health Review, Curitiba, v. 6, n. 5, p.20898-20911, sep./oct., 2023 3 REVISÃO DE LITERATURA A relação entre o câncer de colo de útero e o Papilomavírus Humano (HPV) é uma área de estudo crucial na saúde feminina. O câncer de colo de útero é uma doença devastadora que afeta milhares de mulheres em todo o mundo, sendo considerado uma das principais causas de morbidade e mortalidade feminina. Por outro lado, o HPV é um vírus altamente prevalente e a infecção por HPV é um fator de risco importante para o desenvolvimento do câncer de colo de útero (SILVA, 2020). Neste texto, vamos explorar em detalhes a relação entre essas duas condições, abordando aspectos como epidemiologia, carcinogênese, métodos de detecção e prevenção. O HPV é um vírus com mais de 100 tipos diferentes, dos quais aproximadamente 40 podem infectar a região anogenital, incluindo o colo do útero. Dentre esses tipos, os HPV de alto risco, como o HPV-16 e o HPV-18, são os mais frequentemente associados ao câncer de colo de útero. Estima-se que esses dois tipos virais estejam presentes em cerca de 70% dos casos de câncer cervical. Além disso, outros tipos de HPV, como o HPV-31, o HPV-33 e o HPV-45, também estão associados a um risco aumentado de desenvolvimento desse tipo de câncer. A transmissão do HPV ocorre principalmente por meio do contato sexual, seja por contato genital-genital, oral-genital ou manual-genital. O risco de contrair o vírus aumenta com o número de parceirossexuais e a idade jovem na primeira relação sexual. Mulheres que têm um sistema imunológico enfraquecido, como as que são portadoras do vírus da imunodeficiência humana (HIV), também têm maior probabilidade de desenvolver infecções persistentes por HPV (DE SANJOSE, 2010). A infecção por HPV é geralmente assintomática e a maioria das infecções é eliminada espontaneamente pelo sistema imunológico dentro de um período de dois anos. No entanto, em alguns casos, a infecção persiste e pode levar ao desenvolvimento de lesões precursoras, como as neoplasias intraepiteliais cervicais (NIC), que são alterações celulares anormais no colo do útero. Se não forem tratadas, essas lesões podem progredir para o câncer de colo de útero invasivo. A carcinogênese induzida pelo HPV envolve uma interação complexa entre o vírus e as células cervicais (SILVA & SIEBERT, 2021). Os HPV de alto risco possuem genes chamados E6 e E7, que são capazes de interferir nos mecanismos de controle do ciclo celular e suprimir a resposta imunológica do organismo. O gene E6 promove a degradação da proteína supressora de tumor p53, que é responsável por controlar a divisão celular e reparar danos ao DNA. Já o gene E7 se liga e inativa a proteína supressora de tumor pRb, que também desempenha um papel importante na regulação do ciclo Brazilian Journal of Health Review ISSN: 2595-6825 20904 Brazilian Journal of Health Review, Curitiba, v. 6, n. 5, p.20898-20911, sep./oct., 2023 celular. A detecção precoce do câncer de colo de útero e das lesões precursoras é fundamental para um tratamento eficaz e melhores resultados (LIMA et al., 2023). O exame de Papanicolau, também conhecido como citologia oncótica, é um método amplamente utilizado para rastrear alterações celulares no colo do útero. Consiste na coleta de células cervicais por meio de uma escova ou espátula, seguida da análise laboratorial para identificar células anormais ou lesões precursoras. Além do exame de Papanicolau, o teste de HPV é uma opção de triagem adicional. Esse teste detecta a presença de material genético do HPV nas células cervicais. É particularmente útil em mulheres com mais de 30 anos, pois pode identificar a presença do vírus de alto risco que está associado ao risco aumentado de desenvolvimento de câncer cervical (DIAS et al. 2015). A prevenção do câncer de colo de útero está fortemente relacionada à prevenção da infecção por HPV. A vacinação contra o HPV é uma estratégia importante para reduzir a incidência dessa infecção e, consequentemente, a ocorrência de câncer cervical. Existem várias vacinas disponíveis que visam proteger contra os tipos de HPV de alto risco mais comuns. É recomendado que a vacinação seja administrada antes do início da atividade sexual, para garantir a proteção máxima (Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva, 2016). Além da vacinação, a educação em saúde desempenha um papel fundamental na prevenção do câncer de colo de útero. É essencial promover a conscientização sobre os fatores de risco, a importância do uso de preservativos durante as relações sexuais, a necessidade de exames de rotina e a disponibilidade da vacinação. Programas de rastreamento organizados e acessíveis também são essenciais para garantir que as mulheres tenham acesso aos exames de Papanicolau e aos testes de HPV (World Health Organization, 2022). Em conclusão, a relação entre o câncer de colo de útero e o HPV é evidente e bem estabelecida. A infecção persistente por HPV, especialmente pelos tipos virais de alto risco, é um fator de risco significativo para o desenvolvimento dessa doença. A detecção precoce por meio de exames de rastreamento, como o Papanicolau e o teste de HPV, e a vacinação contra o HPV são estratégias fundamentais para prevenir o câncer de colo de útero. É essencial que os sistemas de saúde promovam a conscientização e o acesso a essas medidas preventivas, visando reduzir a carga dessa doença e melhorar a saúde das mulheres em todo o mundo. 4 RESULTADOS E DISCUSSÕES Inicialmente, foram identificados 113 estudos, entretanto, após a remoção de três artigos duplicados, 89 artigos foram excluídos por não se enquadrarem no critério de seleção entre os anos de 2018 e 2022 ou por fugirem ao tema em seu resumo. Em seguida, os resumos de 24 Brazilian Journal of Health Review ISSN: 2595-6825 20905 Brazilian Journal of Health Review, Curitiba, v. 6, n. 5, p.20898-20911, sep./oct., 2023 artigos foram avaliados, sendo excluídos 14 por não abordarem diretamente a temática em questão. Como resultado, a amostra final foi composta por 10 estudos, apresentados no Quadro 1, fornecendo informações sobre autores, ano de publicação, metodologia utilizada e principais descobertas relacionadas à abordagem inicial do paciente politraumatizado. Quadro 1. Artigos selecionados para a revisão sistemática que abordam o câncer cervical Título Autor/Ano Metodologia Resultados Human Papillomavirus and Cervical Cancer Saliha Sağnıç (2021) Estudo qualitativo O HPV desempenha um papel importante no desenvolvimento do câncer de colo de útero, mas os tipos histológicos têm diferentes relações com os genótipos do HPV. HPV Vaccination and the Risk of Invasive Cervical Cancer LEI, J. et al. (2020) Estudo observacional de coorte retrospectiva A vacinação quadrivalente contra o HPV mostrou uma associação significativa com uma diminuição substancial do risco de câncer cervical invasivo em uma população de meninas e mulheres suecas com idades entre 10 e 30 anos. Cervical Cancer (Nursing) FOWLER, J. R. et al. (2022) Revisão de Literatura A prevenção primária e secundária é fundamental com o câncer do colo do útero, incluindo a vacinação contra o HPV e o rastreamento regular do câncer do colo do útero e do HPV. Cervical cancer: a meta- analysis, therapy and future of nanomedicine VENKATAS, J.; SINGH, M. (2020) Artigo de revisão Apesar da rápida elucidação do entendimento biológico e etiológico do HPV e do câncer cervical, os tratamentos tradicionais, como cirurgia, radioterapia e quimioterapia, carecem de resultados satisfatórios devido a inúmeras limitações. Cervical cancer in low and middle-income countries HULL, R. et al. (2020) Artigo de revisão Embora as vacinas contra o HPV tenham sido introduzidas em vários países de baixa e média Brazilian Journal of Health Review ISSN: 2595-6825 20906 Brazilian Journal of Health Review, Curitiba, v. 6, n. 5, p.20898-20911, sep./oct., 2023 renda, sua eficácia profilática é benéfica apenas para mulheres que não foram expostas ao vírus Human Papillomavirus and Cervical Cancer OKUNADE, K. S. (2020) Artigo de revisão Estudos moleculares e epidemiológicos solidificaram a associação entre cepas de alto risco de HPV genital e carcinoma de células escamosas do colo do útero. Cervical cancer and HPV infection: ongoing therapeutic research to counteract the action of E6 and E7 oncoproteins ALMEIDA, A. M. et al. (2019) Artigo de revisão A inibição final de pRB, p107 e p130 pela proteína viral E7 contribui para a proliferação celular descontrolada e progressão para transformação maligna observada no epitélio cervical infectado por HPV 14, 19. Involvement of Human Papillomaviruses in Cervical Cancer WANG, X.; HUANG X.; ZHANG Y. (2018) Analise dos atributos genômicos primários do HPV e da participação clínica dos sorotipos primários do HPV. Os cânceres induzidos pelo HPV podem ser vulneráveis à terapia imunológica, oferecendo a chance de tratar a doença cervical avançada. HPV e o desenvolvimento de Neoplasia do colo do Útero NUNES, P. L. P. et al. (2020) Revisão integrativa da literatura É evidente a relação entre o diagnóstico positivo do HPV, emespecial o HPV- 16 e o HPV 18, e o surgimento das lesões pré-neoplásicas e neoplásicas do colo uterino. Mathematical Modeling of Cervical Cancer with HPV Transmission and Vaccination SADO, A. E. (2019) Estudo matemático de câncer cervical com transmissão do vírus do papiloma humano com e sem vacinação Quando a vacina é administrada a uma pessoa suscetível população essa população desenvolve a imunidade de ataque pelo vírus do papiloma humano, que é o caso de 70% dos câncer cervical. Fonte: Autores (2023). A relação entre o papilomavírus humano (HPV) e o câncer cervical tem sido extensivamente investigada e comprovada. Estudos moleculares e epidemiológicos têm Brazilian Journal of Health Review ISSN: 2595-6825 20907 Brazilian Journal of Health Review, Curitiba, v. 6, n. 5, p.20898-20911, sep./oct., 2023 solidificado a associação entre cepas de alto risco do HPV e o desenvolvimento do carcinoma de células escamosas do colo do útero. O HPV, um vírus de DNA, possui mais de 100 tipos diferentes, sendo que aproximadamente 30 a 40 cepas são capazes de infectar o trato genital humano. Dentre essas, os tipos oncogênicos ou de alto risco, como os genótipos 16 e 18, estão fortemente associados ao câncer cervical. Essas cepas de HPV oncogênicas têm a capacidade de promover alterações celulares e genéticas, levando ao desenvolvimento de lesões precursoras que podem progredir para o câncer cervical invasivo. A compreensão dessa associação e a identificação precoce do HPV têm sido fundamentais para o diagnóstico, tratamento e prevenção do câncer cervical, visando reduzir a incidência e a mortalidade associadas a essa doença (BRAATEN; LAUFER, 2008). Seguindo a linha de estudos moleculares e epidemiológicos, Okunade (2020) destaca que a associação entre cepas de alto risco do papilomavírus humano (HPV) e o carcinoma de células escamosas do colo do útero tem sido amplamente comprovada. A compreensão aprofundada dos genótipos do HPV e suas diferentes relações com os tipos histológicos do câncer cervical é essencial para elucidar os mecanismos biológicos subjacentes e fornecer insights valiosos para o desenvolvimento de estratégias terapêuticas mais eficazes. Lei et al. (2020) conduziram um estudo observacional de coorte retrospectiva que trouxe resultados promissores em relação à vacinação quadrivalente contra o HPV e sua influência na redução do risco de câncer cervical invasivo. Essa descoberta ressalta a importância das intervenções preventivas, como a imunização, que podem desempenhar um papel significativo na diminuição da carga global de câncer de colo de útero. Além disso, destaca-se a relevância de programas de vacinação abrangentes e acessíveis, visando proteger as mulheres desde a adolescência até a idade adulta jovem. A prevenção e detecção precoce do câncer cervical são componentes essenciais para reduzir a morbidade e a mortalidade associadas a essa doença. Fowler et al. (2022) destacam que a realização regular de exames Papanicolaou e outras estratégias de rastreamento são fundamentais para identificar precocemente lesões pré-cancerosas e manifestações do HPV. Essas abordagens de prevenção primária e secundária, aliadas a políticas públicas eficientes e à conscientização da população, têm o potencial de reduzir de forma significativa o impacto do câncer cervical na saúde das mulheres. No contexto do tratamento do câncer cervical, Almeida et al. (2019) exploraram em sua revisão a ação das proteínas virais E6 e E7 do HPV e as possibilidades terapêuticas para inibir sua atividade oncogênica. Compreender a interação dessas proteínas com as vias de sinalização celular abre caminho para o desenvolvimento de terapias direcionadas que visem neutralizar os Brazilian Journal of Health Review ISSN: 2595-6825 20908 Brazilian Journal of Health Review, Curitiba, v. 6, n. 5, p.20898-20911, sep./oct., 2023 efeitos deletérios do HPV no processo de transformação maligna. Essas estratégias terapêuticas inovadoras podem representar uma nova esperança no combate ao câncer cervical avançado e melhorar os resultados clínicos para as pacientes. Em conclusão, a associação entre o papilomavírus humano (HPV) e o câncer cervical é incontestável. A presença de cepas de alto risco do HPV, como os genótipos 16 e 18, tem sido consistentemente associada ao desenvolvimento de lesões precursoras e carcinoma de células escamosas do colo do útero. A compreensão dessa relação tem permitido avanços significativos no diagnóstico precoce, tratamento e prevenção do câncer cervical. A vacinação contra o HPV e o rastreamento regular por meio do exame de Papanicolaou são estratégias eficazes na redução da incidência e da mortalidade relacionadas a essa doença. É fundamental que esforços contínuos sejam direcionados para conscientização, educação e acesso a essas medidas preventivas, a fim de combater efetivamente o câncer cervical e melhorar a saúde das mulheres em todo o mundo. 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS O presente trabalho fornece uma visão abrangente a respeito do câncer de colo uterino, sua relação com o vírus papiloma humano e as medidas de prevenção e detecção precoce. Diante do estudo realizado, sabe-se que a neoplasia, responsável pelo câncer cervical, tem o vírus HPV como um dos principais fatores contribuintes para seu desenvolvimento. Diante disso, é necessário alertar a comunidade sobre a importância da prevenção dessa doença, visto que, o câncer de colo uterino é altamente prevenível, principalmente através da vacinação contra o HPV e do uso de preservativos durante as relações sexuais. É fundamental conscientizar as mulheres sobre a importância dessas medidas preventivas e garantir que sejam acessíveis a todos. Impacto do rastreamento precoce: O exame de Papanicolau é uma ferramenta essencial para o rastreamento e detecção precoce de lesões pré-cancerosas no colo do útero. A realização periódica desse exame, juntamente com outros procedimentos, é fundamental para reduzir a incidência e a mortalidade relacionadas ao câncer cervical. Apesar dos avanços na prevenção e detecção precoce, o câncer de colo uterino ainda representa um desafio significativo para a saúde pública, especialmente no Brasil. É necessário intensificar os esforços para aumentar a conscientização, fornecer acesso equitativo aos serviços de saúde e fortalecer os programas de prevenção e rastreamento. Ademais, o combate ao câncer de colo uterino requer uma abordagem multidisciplinar, envolvendo profissionais de saúde, governos, organizações não governamentais e a sociedade Brazilian Journal of Health Review ISSN: 2595-6825 20909 Brazilian Journal of Health Review, Curitiba, v. 6, n. 5, p.20898-20911, sep./oct., 2023 como um todo. É fundamental investir em educação, recursos adequados, infraestrutura e pesquisa para melhorar a prevenção, o diagnóstico e o tratamento dessa doença. Além das implicações físicas, o câncer de colo uterino e suas lesões precursoras podem ter um impacto significativo na saúde mental e no bem-estar das mulheres. É importante fornecer apoio psicossocial abrangente e cuidados integrados para lidar com os aspectos emocionais e sociais associados a essa doença. No geral, a prevenção e o diagnóstico precoce continuam sendo os principais pilares no combate ao câncer de colo uterino. Com uma abordagem abrangente e a implementação efetiva de medidas preventivas, é possível reduzir ainda mais a incidência e a mortalidade relacionadas a essa doença, melhorando assim a saúde e o bem-estar das mulheres. Brazilian Journal of Health Review ISSN: 2595-6825 20910 Brazilian Journal of Health Review, Curitiba, v. 6, n. 5, p.20898-20911, sep./oct., 2023 REFERÊNCIAS ALMEIDA, A. M. et al. Cervical cancer and HPV infection:ongoing therapeutic research to counteract the action of E6 and E7 oncoproteins. Drug discovery today, 24(10), 2044–2057, 2019. https://doi.org/10.1016/j.drudis.2019.07.011 BOSCH, F. X. et al. The causal relation between human papillomavirus and cervical cancer. 2002. Journal of clinical pathology, 55(4), 244–265. https://doi.org/10.1136/jcp.55.4.244. BOSCH, F. X.; MUÑOZ, N. The viral etiology of cervical cancer. 2002. 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