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FUNDAÇÃO PRESIDENTE ANTÔNIO CARLOS DE UBÁ 
FACULDADE DE DIREITO – 2021
OS LIMITES DO PODER DIRETIVO DO EMPREGADOR NO MONITORAMENTO DE MEIOS DE COMUNICAÇÃO UTILIZADOS PELO EMPREGADO E A PROTEÇÃO A INTIMIDADE DO EMPREGADO
Nome do aluno[footnoteRef:0] [0: Constar currículo sucinto do autor, com vinculação corporativa e endereço eletrônico de contato (NBR 6022, item 5.1.2)] 
 Nome do orientador[footnoteRef:1] [1: Constar currículo sucinto do orientador, com vinculação corporativa e endereço eletrônico de contato (NBR 6022, item 5.1.2)
(Times New Roman, fonte 10, justificado, espaçamento simples)] 
RESUMO
A monografia aborda a evolução do uso da internet e seus desafios em relação à proteção dos direitos fundamentais, especialmente no ambiente de trabalho. Inicia-se com uma reflexão sobre o trabalho ao longo da história, relacionando-o inicialmente a um castigo, como mencionado na Bíblia, e posteriormente discute o poder diretivo do empregador e seus limites no contexto do monitoramento dos meios de comunicação utilizados pelo empregado, focando no e-mail corporativo. O direito à intimidade e privacidade é destacado como essencial nas relações de trabalho, respaldado por instrumentos legais como a Constituição Federal e tratados internacionais. Aspectos como a proteção da vida pessoal, familiar e digital são abordados, ressaltando-se os desafios contemporâneos relacionados à era digital e à coleta massiva de dados. A dignidade da pessoa humana é apresentada como princípio basilar da Constituição Federal, permeando todo o ordenamento jurídico brasileiro. A distinção entre direitos fundamentais e direitos humanos é discutida, assim como a importância dos direitos fundamentais na limitação do poder estatal e na promoção de ações concretas para sua efetivação. No contexto específico do e-mail corporativo, são consideradas questões como a comunicação eficiente, o monitoramento e controle por parte do empregador, a proteção de dados e privacidade dos empregados, a responsabilidade por conteúdos e a elaboração de políticas internas e normas contratuais.
Palavras-chave: internet, direitos fundamentais, poder diretivo, privacidade, dignidade humana.
ABSTRACT
The monograph addresses the evolution of internet use and its challenges in relation to the protection of fundamental rights, especially in the workplace. It begins with a reflection on work throughout history, initially relating it to a punishment, as mentioned in the Bible, and later discusses the employer's directive power and its limits in the context of monitoring the means of communication used by the employee, focusing on corporate email. The right to intimacy and privacy is highlighted as essential in work relationships, supported by legal instruments such as the Federal Constitution and international treaties. Aspects such as the protection of personal, family and digital life are addressed, highlighting contemporary challenges related to the digital era and massive data collection. The dignity of the human person is presented as a basic principle of the Federal Constitution, permeating the entire Brazilian legal system. The distinction between fundamental rights and human rights is discussed, as well as the importance of fundamental rights in limiting state power and promoting concrete actions to implement them. In the specific context of corporate email, issues such as efficient communication, monitoring and control by the employer, data protection and employee privacy, responsibility for content and the development of internal policies and contractual standards are considered.
Keywords: internet, fundamental rights, directive power, privacy, human dignity.
1 INTRODUÇÃO
Com o passar dos anos, o uso intenso e crescente da internet se tornou mais vulnerável e suscetível a fragilidades, o que gerou a necessidade de uma intermediação segura de dados e informações, assegurando a proteção dos direitos humanos fundamentais. O avanço tecnológico e a crescente digitalização dos processos de trabalho trouxeram novos desafios para a gestão empresarial e para a proteção dos direitos dos trabalhadores. No início dos tempos, o trabalho era visto como uma punição. Alem disso, baseado na referência a textos bíblicos, (MARTINS, 2013, apud BIBLIA SAGRADA) afirma:
Inicialmente, o trabalho foi considerado na Bíblia como castigo. Adão teve de trabalhar para comer em razão de ter comido o fruto proibido.‘E ao homem disse: Porquanto deste ouvidos à voz de tua mulher, e comeste da árvore de que te ordenei dizendo: Não comerás dela; maldita é a terra por tua causa; em fadiga comerás dela todos os dias da tua vida. 18: Ela te produzirá espinhos e abrolhos; e comerás das ervas do campo. 19: Do suor do teu rosto comerás o teu pão, até que tornes à terra, porque dela foste tomado; porquanto és pó, e ao pó tornarás. (MARTINS, 2013, apud BIBLIA SAGRADA, p. 113).
A relação de trabalho é intrinsecamente marcada pela subordinação do empregado ao empregador, o que confere a este último um conjunto de prerrogativas que se convencionou chamar de poder diretivo. Esse poder diretivo, não é absoluto e encontra limites na proteção dos direitos fundamentais do empregado, especialmente no que tange à sua intimidade e privacidade. Assim, (CASSAR, 2011), consolida-se:
Do ponto de vista histórico e etimológico a palavra trabalho decorre de algo desagradável: dor, castigo, sofrimento, tortura. O termo trabalho tem origem no latim – tripalium. Espécie de instrumento de tortura ou canga que pesava sobre os animais. Por isso, os nobres, os senhores feudais ou os vencedores não trabalhavam, pois consideravam o trabalho uma espécie de castigo (CASSAR, 2011, p. 03).
Uma das áreas em que esse conflito de interesses se torna mais evidente é no monitoramento dos meios de comunicação utilizados pelo empregado no ambiente de trabalho. O monitoramento das comunicações pode ser justificado sob o prisma da proteção dos interesses empresariais, tais como a segurança da informação, a proteção contra vazamento de dados confidenciais, e a verificação do cumprimento das obrigações laborais. No entanto, esse controle não pode ser exercido de forma arbitrária e deve respeitar a esfera de privacidade do empregado. A legislação trabalhista[footnoteRef:2], a Constituição Federal e as normas de proteção de dados, como a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), estabelecem parâmetros e limites para o exercício do poder diretivo no contexto do monitoramento eletrônico. [2: foi criada pelo Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943 para regular as relações de trabalho no Brasil. A legislação trabalhista é o conjunto de normas que regem as relações individuais e coletivas de trabalho e essas normas estão estabelecidas CLT , pela Constituição Federal e por outras leis da Justiça do Trabalho.] 
Nessa conjuntura, a análise dos limites do poder diretivo do empregador no monitoramento dos meios de comunicação utilizados pelo empregado e a proteção à intimidade do trabalhador é de suma importância. Este estudo visa compreender as bases legais, doutrinárias e jurisprudenciais que norteiam essa temática, oferecendo subsídios para a construção de políticas empresariais que respeitem a dignidade do trabalhador e assegurem um ambiente de trabalho equilibrado e produtivo.
2 O DIREITO A INTIMIDADE
O direito à intimidade é um dos direitos fundamentais mais importantes e está profundamente relacionado à dignidade humana. Ele garante às pessoas a proteção contra interferências indevidas em sua vida privada, assegurando que aspectos pessoais de sua existência, como pensamentos, sentimentos, relações e atividades íntimas, permaneçam resguardados do conhecimento público e do escrutínio alheio.
O direito à intimidade refere-se ao direito que toda pessoa tem de se resguardar dos sentidos alheios, ou seja, o direito de salvaguardar os aspectos íntimos de sua vida abrangendo a proteção da vida pessoal e familiar e à intimidade do lar dos indivíduos (BACELLAR, 2003).
2.1 Fundamentos e Contexto Legal
O direitoà intimidade é consagrado em diversos instrumentos legais internacionais e nacionais. Especificamente, no Brasil, a Constituição Federal de 1988 garante, no artigo 5º, inciso X, que - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação. Alem disso, no âmbito internacional, a Declaração Universal dos Direitos Humanos[footnoteRef:3] e o Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos[footnoteRef:4] estabelecem a proteção da privacidade como um direito fundamental. [3: DUDH] [4: PIDCP] 
2.2 Aspectos do Direito à Intimidade
O direito à intimidade abrange uma variedade de aspectos essenciais da vida pessoal. A privacidade pessoal significa ter o direito de não ser observado por pessoas não autorizadas, ter correspondência e comunicação protegidas e manter o controle sobre a propagação de informações pessoais. Na Constituição Federal de 1988, expressão “dignidade humana” é contemplada logo em seu artigo primeiro, como se pode verificar: 
Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos: [...] III - a dignidade da pessoa humana [...] 
A intimidade familiar envolve garantir que assuntos familiares e domésticos não sejam expostos ou interferidos indevidamente. A proteção da privacidade na era digital se estende para o ambiente online, incluindo dados pessoais, comunicações eletrônicas e o uso de informações coletadas por meio de tecnologias digitais.
2.3 Desafios Contemporâneos
A proteção da intimidade enfrenta desafios crescentes na era digital. A coleta massiva de dados por empresas e governos, o uso de tecnologias de vigilância, e a facilidade com que informações podem ser compartilhadas online complicam a garantia desse direito. Isso requer um equilíbrio delicado entre segurança, interesses comerciais e a proteção dos direitos individuais.
3 DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA PELAS GARANTIAS DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL.
A dignidade da pessoa humana é um dos princípios fundamentais da Constituição Federal de 1988, representando um valor supremo que orienta toda a ordem jurídica brasileira. Este princípio é um dos pilares do Estado Democrático de Direito e está explicitamente mencionado no artigo 1º, inciso III, da Constituição, que estabelece a dignidade da pessoa humana como fundamento da República Federativa do Brasil.
A Constituição Federal[footnoteRef:5] utiliza diferentes termos sinônimos para se referir aos "direitos fundamentais". Entre eles estão: (a) direitos humanos (art. 4º, II); (b) direitos e garantias fundamentais (epígrafe do Título II); (c) direitos e liberdades constitucionais (art. 5º, LXXI); e (d) direitos e garantias individuais (art. 60, § 4º, IV) (JÚNIOR, 2009). [5: lei fundamental e suprema do Brasil, servindo de parâmetro de validade a todas as demais espécies normativas, situando-se no topo do ordenamento jurídico.] 
De acordo com Filho, citado por (JÚNIOR, 2008), que:
os direitos fundamentais devem ser considerados como aqueles reconhecidos pelo Estado na ordem interna como necessários à dignidade da pessoa humana; já os direitos humanos podem ser definidos como um conjunto de direitos voltados à garantia do respeito da dignidade humana por todos os estados, todos os povos em todos os lugares, independentemente de sua declaração em constituições, leis e tratados internacionais (JÚNIOR, 2008, p. 20).
Distinção entre direitos do homem e direitos fundamentais, argumentando que os direitos do homem são universais, aplicáveis a todos os povos e em todas as épocas feita por (CANOTILHO APUD JÚNIOR, 2009), acrescentando também que esses direitos
de caráter inviolável e oriundos da própria natureza humana, enquanto os direitos fundamentais são os direitos do homem, jurídico-institucionalmente garantidos e limitados no tempo e no espaço; seriam os direitos objetivamente vigentes em uma determinada ordem jurídica. Quanto às liberdades públicas, leciona que estão ligadas a um status negativo e através delas se visa defender a esfera dos cidadãos perante a intervenção do estado (CANOTILHO APUD JÚNIOR, 2009, P. 13).
Júnior (2009) destaca a mesma ideia, ressaltando que os direitos fundamentais não apenas têm o papel de limitar o poder estatal em relação à interferência na esfera individual dos cidadãos (prestação negativa), mas também exigem do Estado ações concretas para garantir a realização desses direitos.
4 PODER DIRETIVO
O poder diretivo é uma prerrogativa conferida ao empregador no contexto das relações de trabalho, permitindo-lhe organizar, dirigir e fiscalizar as atividades laborais dos empregados. Essa atribuição está prevista na legislação trabalhista e é essencial para o gerenciamento eficiente das atividades empresariais.
[...] o conjunto de prerrogativas, tendencialmente concentradas no empregador, dirigidas à organização da estrutura e espaços empresariais internos, inclusive o processo de trabalho adotado no estabelecimento e na empresa, como a especificação e orientação cotidianas, no que tange à prestação de serviços (MAURÍCIO GODINHO DELGADO, 2013).
A prerrogativa assegurada juridicamente ao seu titular, no sentido de que possa obter efeitos jurídicos de seu interesse através do exercício exclusivo de sua própria vontade, de modo unilateral, próprio e automático (DELGADO APUD FERREIRA, 2013, P. 68).
5 UTILIZAÇÃO DO E-MAIL CORPORATIVO E OS LIMITES DO PODER DIRETIVO DO EMPREGADOR.
A utilização do e-mail corporativo é uma prática comum nas empresas modernas, sendo uma ferramenta importante para a comunicação interna e externa, o compartilhamento de informações e o gerenciamento de tarefas. No entanto, essa prática também levanta questões sobre os limites do poder diretivo do empregador em relação ao monitoramento e controle do uso do e-mail por parte dos empregados.
(...) não se trata de atos de privacidade e de intimidade da pessoa trabalhadora, porém de atos jurídicos profissionais em cumprimento do contrato de trabalho, em nome do empregador e inclusive sob completa responsabilidade deste empregador. De toda maneira, é prudente que o empregador ao fornecer o email corporativo, esclareça sob a vedação de seu uso para fins particulares ou irregulares, lembrando que os atos de privacidade, intimidade e congêneres a serem naturalmente realizados pelos trabalhadores devem ser veiculados no respectivo email pessoal, porém não no corporativo (DELGADO, 2013).
5.1 Legislação e Jurisprudência
A legislação trabalhista e a jurisprudência[footnoteRef:6] têm estabelecido parâmetros para o uso do e-mail corporativo e o exercício do poder diretivo do empregador. Questões como a privacidade no ambiente de trabalho, o respeito aos direitos fundamentais e a proteção de dados pessoais são consideradas nas análises judiciais e nas normas legais. [6: Termo jurídico que designa o conjunto das decisões sobre interpretações das leis feitas pelos tribunais de uma determinada jurisdição.] 
5.2 Poder Diretivo e E-mail Corporativo
a. Diretrizes da Empresa: O empregador tem o direito de estabelecer diretrizes e políticas internas para o uso do e-mail corporativo, definindo regras sobre o conteúdo das mensagens, o horário de uso, a finalidade das comunicações, entre outros aspectos.
b. Monitoramento: O empregador pode realizar o monitoramento do e-mail corporativo, desde que respeite os limites legais e éticos. Isso inclui o respeito à privacidade dos empregados e a não violação de direitos fundamentais, como o direito à intimidade e à privacidade.
c. Finalidade Profissional: O uso do e-mail corporativo deve ser pautado pela finalidade profissional, ou seja, as comunicações devem estar relacionadas às atividades laborais e aos interesses da empresa.
6 REFLEXOS NO CONTRATO DE TRABALHO
É possível acessar as informações postadas pelos empregados e estes exporem publicamente sobre a empresa na qual trabalham e até formarem comunidades,e desta forma, novos problemas jurídicos decorrem dessa utilização (BELMONTE, 2014).
Os reflexos do uso do e-mail corporativo no contrato de trabalho são diversos e podem impactar diferentes aspectos da relação entre empregador e empregado. Vamos explorar alguns desses reflexos:
6.1 Comunicação e Eficiência
O uso do e-mail corporativo facilita a comunicação entre empregador e empregado, agilizando o fluxo de informações e contribuindo para a eficiência no desempenho das atividades laborais. Isso pode refletir em uma melhor organização do trabalho e na otimização dos processos internos da empresa.
6.2 Monitoramento e Controle
O empregador pode utilizar o e-mail corporativo como uma ferramenta de monitoramento e controle das atividades dos empregados. Isso pode incluir o acompanhamento da produtividade, a verificação do cumprimento das políticas internas da empresa e a identificação de eventuais condutas inadequadas.
6.3 Proteção de Dados e Privacidade
É importante destacar que o uso do e-mail corporativo também envolve questões relacionadas à proteção de dados e privacidade dos empregados. O empregador deve garantir a segurança das informações transmitidas por e-mail e respeitar os direitos de privacidade e confidencialidade dos empregados, evitando o acesso indevido a conteúdos pessoais ou sensíveis.
6.4 Responsabilidade por Conteúdos
O conteúdo das mensagens trocadas por e-mail corporativo pode ter impacto legal e disciplinar. Os empregados devem ter cuidado ao redigir e enviar mensagens, evitando a divulgação de informações confidenciais da empresa, o uso inadequado da comunicação interna e o envio de conteúdos que possam configurar condutas impróprias ou ilícitas.
6.5 Políticas Internas e Normas Contratuais
É comum que as empresas estabeleçam políticas internas de uso do e-mail corporativo, definindo regras, diretrizes e restrições para sua utilização. Essas políticas devem ser comunicadas aos empregados e podem fazer parte do contrato de trabalho, estabelecendo os deveres e responsabilidades das partes em relação ao uso dessa ferramenta.
7 METODOLOGIA
	A metodologia adotada nesta monografia é de natureza qualitativa e se baseia em uma abordagem exploratória e descritiva. Inicialmente, foi realizada uma revisão bibliográfica abrangente para fundamentar o estudo, abrangendo doutrinas jurídicas, artigos acadêmicos, legislações nacionais e internacionais, bem como jurisprudências pertinentes ao tema. Este levantamento bibliográfico teve como objetivo fornecer um embasamento teórico sólido sobre a evolução histórica do trabalho, o poder diretivo do empregador, e a proteção da intimidade e privacidade do empregado.
Em seguida, foram analisados documentos legais e normativos, como a Constituição Federal de 1988, o Código Civil, a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), além de tratados e convenções internacionais que tratam dos direitos fundamentais e da privacidade no ambiente de trabalho. Esta análise teve como propósito identificar os dispositivos legais que limitam o poder diretivo do empregador e protegem a intimidade do empregado. A metodologia também incluiu a análise de casos concretos e decisões judiciais, com foco em como os tribunais brasileiros têm interpretado e aplicado as normas relativas ao monitoramento de meios de comunicação utilizados pelos empregados. Esta análise jurisprudencial buscou compreender as tendências e direções adotadas pelos julgadores em relação ao equilíbrio entre o poder diretivo do empregador e a proteção dos direitos fundamentais dos empregados.
Além disso, foram considerados estudos de caso de empresas que implementaram políticas internas de monitoramento de e-mails corporativos, a fim de verificar as práticas adotadas e suas conformidades com os princípios legais e éticos discutidos. A metodologia culminou na elaboração de uma análise crítica dos dados obtidos, considerando os desafios contemporâneos relacionados à era digital, à coleta massiva de dados e à necessidade de proteção da vida pessoal, familiar e digital dos empregados. A dignidade da pessoa humana, como princípio basilar da Constituição Federal, permeou toda a análise, guiando as reflexões sobre a distinção entre direitos fundamentais e direitos humanos e a importância da limitação do poder diretivo do empregador para garantir a efetivação desses direitos. Esta metodologia permitiu uma compreensão abrangente e aprofundada dos limites do poder diretivo do empregador no monitoramento dos meios de comunicação utilizados pelo empregado e da proteção à intimidade no ambiente de trabalho, proporcionando subsídios teóricos e práticos para a elaboração de políticas internas e normas contratuais adequadas.
8 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A utilização do e-mail corporativo e os limites do poder diretivo do empregador são questões cruciais nas relações de trabalho modernas. O avanço tecnológico trouxe consigo uma série de desafios relacionados à proteção da privacidade e dos direitos dos trabalhadores, enquanto o poder diretivo do empregador busca garantir a eficiência e a segurança das operações empresariais. Essa dinâmica gera reflexos significativos no contrato de trabalho e na forma como as empresas lidam com a comunicação e o monitoramento de seus colaboradores.
No contexto atual, em que a digitalização e a comunicação eletrônica são partes integrantes do ambiente de trabalho, é fundamental encontrar um equilíbrio entre as necessidades empresariais e o respeito aos direitos individuais dos trabalhadores. As legislações trabalhista e de proteção de dados estabelecem parâmetros e diretrizes que devem ser seguidos pelas empresas, visando proteger a privacidade, a intimidade e a dignidade dos empregados.
A análise dos limites do poder diretivo do empregador no monitoramento dos meios de comunicação utilizados pelos empregados é essencial para garantir o cumprimento das normas legais e o respeito aos direitos fundamentais. Questões como a segurança da informação, a proteção de dados pessoais, o uso adequado do e-mail corporativo e o estabelecimento de políticas internas claras são aspectos-chave a serem considerados.
Além disso, é importante destacar que o uso do e-mail corporativo também tem impactos no desempenho e na eficiência das atividades laborais, na comunicação entre empregador e empregado, na organização do trabalho e na responsabilidade por conteúdos veiculados. Portanto, é fundamental que as empresas adotem práticas transparentes, éticas e alinhadas com as normativas vigentes, garantindo um ambiente de trabalho equilibrado, produtivo e respeitoso aos direitos e à dignidade de todos os envolvidos.
REFERÊNCIAS 
BACELLAR, Margareth de Freitas. O direito do trabalho na era virtual. Rio de Janeiro: Renovar, 2003.
BELMONTE, Alexandre Agra. O Monitoramento da Correspondência Eletrônica das Relações de trabalho. São Paulo: Editora LTr, 2004.
BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF, Senado, 1998.
CASSAR, Vólia Bomfim. Direito do trabalho. Niterói: Impetus, 2011.
DELGADO, Maurício Godinho. Curso de Direito do Trabalho. São Paulo: Ltr 2013. 
JUNIOR, Floriano B. Direito à intimidade como direito fundamental e humano nas relações de emprego. São Paulo: LTr, 2008. 
JÚNIOR, Eugênio, H. Direito à privacidade e poder diretivo do empregador: o uso do e-mail no trabalho. São Paulo: Atlas, 2009.
MARTINS, Sérgio Pinto. Direito do Trabalho. São Paulo: Atlas, 2013.
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