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Disponibilização: Eva Tradução: Silvia Revisão: Lu Marriot Formatação: Eva Janeiro/2022 CENA DELETADA 1 - FINAL EXTENDIDO Havia originalmente outro capítulo entre o final do livro e o epílogo. Eu o tirei, porque meu editor e eu achamos que parecia um epílogo e deixaria vocês confusos quando chegasse o epílogo real. Mas isso não era terrivelmente importante. Mas mostra mais de seu HEA depois que Misha vai em sua turnê de verão e Ryen vai para a faculdade, então espero que gostem! ------------------------------------ Ryen Dez meses depois… “Então Alexandre, o Grande, como vocês sabem, tinha um relacionamento muito próximo com sua mãe, que foi extremamente influente na sua vida”, ensina o professor. Eu bato meu lápis, olhando para o relógio, desejando que o ponteiro dos minutos se mova mais rápido. Não que eu não esteja interessada, mas devo receber um pacote de Misha hoje, e quero voltar para o meu dormitório. “O filme está correto?” Uma jovem mulher no corredor à minha direita pergunta. “Ela realmente gostava de cobras tanto quanto eles retrataram?” Filme? Sorrio para mim mesma. Uma garota com os mesmos interesses e opiniões que eu. Embora tenha aprendido a ser mais tolerante e paciente. Eu li todos os artigos e outra leitura designada. Além de ver o filme, é claro. O professor idoso está sentado em sua mesa na frente, as pernas balançando acima do chão. “Isso está correto. Ela amava cobras. Demais, dizem alguns.” Eu pisco e finalmente olho para ele, minha curiosidade atingiu o pico agora. Demais? O professor Jacobson vê os olhares vazios ao redor da sala e ri, dando-nos uma dica maior quanto ao seu significado. “Ela gostava de cobras, e... cobras... gostam... de... lugares... quentes...” Eu estremeço, finalmente entendendo. “Ai credo.” A classe inteira cai na gargalhada, todos nós nos contorcendo em nossos assentos. Isso não pode ser verdade. Ele sorri, sempre parecendo gostar de brincar com a gente, e olha para o relógio. “Tudo bem, vamos encerrar o dia,” ele diz. “Tenham todos um bom fim de semana. Estarei no meu escritório até às seis, se alguém precisar de mim.” Sim. Tiro meu teclado e iPad da mesa, meu coração começa a acelerar antecipadamente. Enfiando tudo na bolsa, pulo da cadeira e corro as escadas, cruzando a frente da sala de aula e empurrando as portas. Não vejo Misha há meses – desde o Natal – e mesmo que ele mande cartas e faça ligações no Skype o tempo todo, são os pacotes que ele me envia que me provocam, eu os antecipo quase tanto quanto a perspectiva de vê-lo. Gosto de verificar meu correio e ver qualquer coisa dele. Às vezes é divertido, como fitas mistas, lembranças de suas turnês ou coisas que ele pensa que preciso, como livros de receitas engraçadas como Thug Kitchen, quando reclamo que estou cansada de comer nas salas de jantar. Outras vezes, entro no meu dormitório e encontro flores ou o teto coberto com balões, como no meu aniversário. E eu escrevo para ele todas as semanas, mesmo que ele não esteja sempre no mesmo lugar e só receba as cartas mais tarde. Mas ele insiste. Sem e-mails. Depois de todo esse tempo, ainda somos amigos por correspondência. Sua turnê no verão passado terminou melhor do que o esperado. Ele pensou que terminaria, viria pra casa, e continuaria escrevendo músicas, tentando fazer um acordo, mas depois de toda a exposição do ano passado, eles estavam batendo em sua porta antes mesmo de a turnê terminar. Nos meses desde então, ele e os rapazes gravaram um álbum, e embora eu o ouça todo dia, não consigo passar um período de vinte e quatro horas sem ouvir isso vindo do iPod, o som do carro ou a televisão de outra pessoa. Estou muito orgulhosa dele. Passando pelo grêmio dos estudantes e descendo a calçada alinhada com árvores recém-brotadas, atravesso a rua e entro no Campbell Hall, minha casa nos últimos sete meses. Descendo os degraus rapidamente, pego minhas chaves na bolsa e encontro minha caixa de correio, destranco-a. Pego a correspondência, mas faço uma pausa quando não vejo outra chave. Minha caixa de correio é pequena, então sempre que Misha envia pacotes, há uma chave para uma caixa maior, onde vou encontrar a caixa que ele enviou. Eu rapidamente folheio a correspondência, vendo um cartão da minha mãe, minha conta de telefone – que eu não vou olhar hoje – e algumas ofertas de cartão de crédito. Nada de Misha. Meu coração entristece. Ele não disse que algo estava chegando hoje? Eu deveria fazer um FaceTime com ele no meio de qualquer coisa que ele esteja fazendo por ter aumentado minhas esperanças assim, caramba. Fecho minha caixa de correio e coloco minha correspondência em minha bolsa. Caminhando de volta para a escada, algo na parede chama minha atenção, no entanto, e eu paro, lendo. — Dizem que não somos bons e estamos bem com isso, somos os líderes dos que não voltam. — O Sharpie preto está escrito na madeira ao lado do batente da porta, e eu quebro em um sorriso com a letra de Five Seconds of Summer, meu coração alojando-se em minha garganta. Eu corro escada acima e vejo uma pequena placa pendurada na parede, também com uma letra. — Está escuro por dentro. É onde meus demônios se escondem. — Oh, meu Deus. De repente, não consigo recuperar o fôlego. Ele está aqui. Eu corro para o meu andar. — Pinte-o de preto e leve-o de volta. — ... Outra mensagem quando eu passo pela porta, levando ao meu andar. Ando rapidamente pelo corredor bem iluminado, vendo a mensagem depois mensagem escrita para mim, levando direto para o meu quarto. — Olá, anjo do meu pesadelo.— E eu sorrio ainda mais, vendo uma letra de Eminem em várias cores, pintada na parede. — Você não tem outra chance. A vida não é um jogo da Nintendo.— — Num minuto eu quero cortar sua garganta, no outro eu quero...— Sorrio, cobrindo meu sorriso, porque sim. Mordendo meu lábio, destranco minha porta com as mãos trêmulas e abro, instantaneamente avistando Misha. Borboletas disparam em meu estômago. “Você sabe”, ele começa, recostando-se na cadeira da minha escrivaninha, com as mãos atrás da cabeça, "Eu poderia ver mais você se você decidisse frequentar a The New York School of Design.” Eu sorrio, entrando e fechando minha porta. Droga, ele parece bem. Jeans escuro que caem na cintura apenas o suficiente para me deixar com ciúmes de um par de calças e uma camiseta cinza sobre seu torso longo e largo. Olho ao redor para ter certeza de que minha colega de quarto não está aqui. Eu me aproximo dele, deixando cair minha bolsa. “Você viu a biblioteca de Cornell? Filas e filas de lugares escuros escondidos para se perder.” Claro que eu poderia ter tido mais oportunidades de vê- lo se eu fosse para a escola na cidade, mas ele estaria em todo lugar, e Cornell era o que era melhor para mim, então eu aproveitei. “Então é por isso que você escolheu esta universidade?” Ele pergunta, abrindo as pernas e pegando meus quadris quando chego perto. Eu concordo. Certamente foi um dos motivos. Fantasiar sobre as visitas de Misha e todos os pequenos lugares em que poderíamos nos perder. Eu toco seu rosto, vendo que ele finalmente trocou seu piercing de lábio preto por um prateado. “Senti a sua falta.” “Senti sua falta também.” Ele levanta a barra da minha camisa e beija minha barriga, enviando arrepios até entre as minhas coxas. “Você está linda”, diz ele. “Feliz.” “Isso não vai te deter, vai?” Eu provoco, referindo-me a como sempre conseguimos apimentar qualquer ocasião com um pouco de brincadeira. “Eu posso ter alguns problemas.” Ele enterra o nariz e a boca na minha pele, sua voz abafada. “Sem problemas.” “Ouvi dizer que você é famoso agora.” Seus ombros tremem com uma pequena risada. “Na minha pequena fatia do mundo pelos próximos quinze minutos, talvez.”Eu trago seu rosto para cima, forçando-o a encontrar meus olhos. “Sua música... você foi incrível. eu ouço todos os dias.” “Você é suspeita.” Eu encolho os ombros. “Provavelmente.” Inclinando-me, eu o beijo, amando como fico imediatamente aquecida por todo o corpo. Espero que ele não queira ficar aqui esta noite. Eu vou me sentir culpada expulsando minha colega de quarto enquanto tentamos nos espremer na minha cama de solteiro. Hotel, por favor. “Quanto tempo você tem?” Eu o beijo de novo e de novo, sentando e montando em sua volta enquanto nós dois ficamos sem fôlego. “Você vai sair em turnê em breve ou algo?” Ele balança a cabeça, falando entre beijos. “Eu acho... talvez, eu não esteja pronto para o mundo da música ainda. Pensei em ir para a faculdade, sem pressa...” Eu paro e me afasto. “Isso... isso não tem nada a ver comigo, não é?” Eu o questiono. “Eu não quero que você perca suas oportunidades.” “Você é minha oportunidade”, afirma. “Eu cresci com você, e como disse, você fez parte de quase tudo que fiz e que amo. Eu posso fazer música a qualquer hora, em qualquer lugar, e as oportunidades estarão lá quando estivermos prontos para elas.” Mas- “Embora você possa ter que se transferir”, ele interrompe antes que eu tenha a chance de responder. “Eu não tenho certeza se posso entrar em Cornell.” E então sou arrebatada pela realidade do que ele está dizendo e abro um sorriso. Misha e eu. Aqui juntos. Ver um ao outro todos os dias. Eu tenho que admitir, estou totalmente nisso. Por mais que eu ame as cartas e a expectativa de vê-lo depois de muito tempo faltas, quero seguir em frente, não voltar, como se ainda fôssemos amigos por correspondência na quinta série. Não que eu não gostasse de ser amigos por correspondência, mas isso foi antes de me apaixonar por ele, e a perspectiva de sermos apenas nós dois agora parece boa demais. E nós temos apenas dezenove anos. Se ele quiser desacelerar e demorar, eu não posso invejá-lo por isso. Eu olho para ele. “Um astro do rock best-seller e neto de senador que trará de graça publicidade para a universidade?” Eu medito. “Tenho certeza de que vai funcionar.” Se Cornell não o admitir, então não vou conseguir ficar em uma universidade tão ruim. Envolvo meus braços em torno dele, sussurrando em seus lábios. “Mal posso esperar para ter você por aí todos os dias. Sem pais. Sem drama. Sem travessuras. Só nós.” Mas então eu ouço alguém atrás de mim irromper pela porta, e torço minha cabeça ao redor, vendo Dane parado na porta, com as mãos para cima e parecendo preocupado. “Vamos ter que alugar uma casa”, diz ele a Misha, sem fôlego. “Não tem como caber todas as minhas guitarras e amplificadores nesses quartos.” Eu me viro, inclinando minha cabeça para Misha. Mas ele apenas bufa. “Ele meio que vai aonde eu vou. Não teremos problemas. Eu prometo.” Mmm-hmm. CENA DELETADA 2 - MISHA E RYEN MATAM AULA Esta cena se passa no capítulo 12, creio eu, após a diretora tirar Ryen do colo de Misha e ele sair. Na versão original, ela se juntou a ele, escapando da escola. A cena foi cortada porque, no geral, não foi necessária. ------------------------------------ Ryen Dois minutos depois, eu o encontro sentado em sua caminhonete. O estacionamento está cheio de carros, sendo apenas hora do almoço, mas está livre de qualquer pessoa. Acho que a diretora não o deteve por muito tempo. “Você realmente está conectado errado, não é?” Eu grito pelo lado do passageiro com a porta meio aberta. Ele sorri, ligando o motor, e eu abro a porta, entrando. “Estou falando sério. Ela pode tornar sua vida miserável até a formatura, Masen. Não foi você quem quis ficar fora do radar da autoridade?” “Não estou com medo dela.” Bem, eu estou. Eu nunca mato a escola, simplesmente porque prefiro estar aqui do que em casa, e, nervosamente, olho ao meu redor uma última vez enquanto ele sai do estacionamento. Pensei em inventar uma mentira para meus amigos, mas em vez disso, apenas joguei meu almoço fora e fui para o meu armário para pegar minha carteira. Eu não sabia se ele voltaria para a escola hoje, e não tinha o número do celular dele. Eu tinha que sair com ele se eu quisesse ter certeza de que o veria novamente. “Tacos, hambúrgueres, sanduíches...?” Ele pergunta, parando. Eu olho para o outro lado da rua, vejo os Franks do Falcon e aponto. “Cachorros quentes.” Faz uma eternidade que não vou lá e, de repente, não me sinto mais com vontade de comer uma salada. Masen entra no drive-thru e para na frente do menu. “Bem-vindo ao Falcon”, diz a pessoa no interfone. “Vá em frente quando você estiver pronto.” Masen olha para mim, e me inclino sobre o console central em minhas mãos e joelhos para provocá-lo. “Oi”, grito, “quero um cachorro-quente comum e uma garrafa de água, por favor?” Masen zomba e aperta a parte de trás da minha coxa, gritando no interfone: “Isso significa que ela vai querer um cachorro-quente com chili e queijo e uma Coca.” Faço uma carranca, virando minha cabeça em direção a ele. “Como você sabia que eu gostava do meu cachorro- quente desse jeito?” “Porque você está agindo como uma florzinha recatada com o apetite de um pássaro?” Reviro meus olhos, sentando no meu assento. Mas secretamente estou feliz. Eba, cachorro-quente com chili. Como diabos ele sabia disso? Ainda bem que o restaurante dá balas com a refeição. Eu vou querer beijá-lo hoje, com cebolas ou não. Ele paga pela nossa comida e fico feliz em ver dinheiro em sua carteira. Eu não tenho ideia do que ele e eu somos ou o que esperar dele, mas não posso deixar de me preocupar um pouco. The Cove não é uma casa. E não importa o quão duro ele aja, o estresse de qualquer situação em que ele esteja, está ali em algum lugar. Enterrado bem fundo ou logo abaixo da superfície. Estou ficando cada vez mais curiosa sobre isso, embora tente dizer a mim mesma que não me importo. Ele para no lava-rápido vazio onde viemos algumas semanas atrás, e eu permaneço em silêncio enquanto ele estaciona em uma baia e sai. O que ele está fazendo? Eu vejo quando ele liga a mangueira e pula no degrau, colocando-a no telhado e deixando a água derramar no para- brisa. Qualquer luz que entra na caminhonete escura é agora esmaecida, e a suave rajada de água faz parece que estou em uma caverna. Tremores se espalham sob a minha pele com a memória da última vez que estivemos aqui. Ele abre a porta e recolhe a comida, dizendo-me: “Vá para o banco de trás”. Ele bate a porta e abre a de trás, entrando. Pulando sobre o console, eu alcanço e pego minha comida e bebida, mas ele pega minha Coca e coloca no porta- copos na porta. “Venha aqui”, ele direciona. Segurando minhas coxas, ele me guia em seu colo, e eu monto nele. Ele se senta e pega seu cachorro-quente e começa a comer quando começo a relaxar. A caminhonete está escura e ninguém sabe onde estamos. Ninguém pode nos ver. E graças à mangueira, não podemos ver ou ouvir nada lá fora. A fuga perfeita. “Sabe, você está desperdiçando água”, provoco, tirando meu cachorro quente da embalagem. “Você sabe, não estamos no deserto.” Sorrio para mim mesma e dou uma mordida. Eu gosto dele. “Você sabia que há tanta água no planeta agora como quando o planeta se formou bilhões de anos atrás?” Ele pergunta, olhando para mim e tomando um gole de seu refrigerante. “Sim, fiz ciências do segundo ano.” Eu dou uma mordida no cachorro quente, segurando o gemido enquanto o sabor me atinge. Já fazia muito tempo. “Você sabia que 70% da água engarrafada não é regulamentada pelo FDA1, ao contrário da água da torneira, que é?” Balanço minha cabeça, dando outra mordida. “Você sabia que a luz solar é a nossa fonte de energia renovável mais importante e ainda, apenas cerca de um por cento da eletricidade do mundo égerada pelo sol?” Meu estômago treme com uma risada silenciosa. Eu engulo e tomo um gole do seu refrigerante. Tem chili derramado no meu dedo, e eu não tenho mãos suficientes para desembrulhar o canudo para minha Coca. “Eu não sabia disso”, finalmente respondo. Dou outra mordida, limpando o chili do canto da minha boca. “Você sabia que suas coxas abertas são diretamente responsáveis por minha fonte de energia?” 1 A Food and Drug Administration (FDA ou USFDA) é responsável pela proteção e promoção da saúde pública através do controle e supervisão da segurança alimentar, produtos de tabaco, suplementos dietéticos, prescrição de medicamentos farmacêuticos (medicamentos), vacinas, biofarmacêuticos, transfusões de sangue, dispositivos médicos, radiação eletromagnética (ERED), cosméticos e alimentos para animais e produtos veterinários. Eu bufo, o cachorro-quente fica preso na minha garganta, e tento não rir enquanto o forço para baixo e procuro outro gole de bebida. Deixo meus olhos caírem para seu jeans. “Estou me perguntando se todo mundo está começando a notar isso.” Ele enfia o último pedaço de cachorro-quente na boca e engole um pouco, voltando a cabeça para trás. Eu coloco o meu em cima da sacola no assento e pego o meu refrigerante, acompanhando minha última mordida. “Então, como você sabe de tudo isso?” “Pensou que eu fosse um punk idiota, hein?” “Não”, eu respondo honestamente. “Pelo contrário…” Suas mãos sobem e descem pelas minhas coxas, e ele fica quieto por um momento. “Minha irmã era uma enciclopédia.” “Sua irmã?” Era uma enciclopédia? Era? “Eu não quero falar sobre isso, ok?” Ele fala baixinho e eu forço um encolher de ombros. “Tanto faz. Você trouxe isso à tona.” O que deveria dizer? Não, não, eu quero saber. Fale-me sobre ela. Fale-me sobre você. Fale-me o que você está fazendo aqui, onde está sua família, e deixe-me encontrar seus amigos. Fale-me do que você gosta em mim. Diga-me que iremos ao jogo de beisebol e faremos piadas com nossos amigos e nos beijaremos em público e vamos rir como adolescentes normais. Diga-me que sou louca por pensar que você está se escondendo de mim tanto quanto eu estou me escondendo de você. Ficamos ali, o silêncio pesando muito dentro da caminhonete, e eu me pergunto se deveríamos voltar para a escola. A quinta aula já teria começado. Mas eu olho para baixo e vejo algo prateado no compartimento da porta. Abaixando-me, eu o arranco e o seguro. O pequeno objeto triangular brilha, e posso sentir as ranhuras de linha onde seus dedos devem agarrar. “Uma palheta de violão?” Eu olho para ele. “Você toca?” Ele olha para ela, e algo que não consigo identificar passa por seus olhos. Quase como medo. Mas ele balança a cabeça lentamente. “Não. Provavelmente é de um dos meus amigos.” CENA BÔNUS – VERÃO PÓS COLÉGIO *Esta cena se passa no outono seguinte, depois que Misha e Ryen terminam o ensino médio. JD, Ten, e Manny estão em casa para as férias de outono. Embora os personagens da Devils Night não apareçam, para fins da linha do tempo, esta noite ocorreria na mesma noite que o confronto na casa de Kai.* ------------------------------------ MANNY “Eu juro, não posso te levar a lugar nenhum”, Ten diz, saindo do meu carro. Bato a porta e dou a volta no veículo, prendendo o cabelo atrás da orelha. “Tudo bem”, eu murmuro. “Estou muito feliz com nosso acordo – você falando sobre vinho, filmes independentes e queijos artesanais enquanto estou fora, feliz passando meu tempo... evitando tudo isso.” Ele me mostra o dedo do meio, correntes de umidade me atingindo enquanto caminhamos para a porta da frente. Deveria estar frio agora — o sol do final de outubro se pondo rapidamente —, mas o conforto familiar da brisa quente não está pedindo mais do que uma camiseta esta noite. Mas não é a minha camiseta que estou usando, no entanto. Olho para o meu kilt preto na altura do joelho, correntes e ganchos de prata segurando-o fechado. Coloco meu braço em volta do pescoço dele. “Nós nos divertimos às vezes, certo?” Apesar das nossas diferenças? Mas ele responde: “Eu me divirto o tempo todo.” Verdade. Nada jamais atrapalha seu estilo. Nem os sussurros no final do nosso último ano quando ele estava em cima de mim o tempo todo. Não quando eu me assumi para os meus pais pela última vez no verão. Nem a separação, quando ambos partimos para universidades em lados opostos do país alguns meses atrás – ele na Califórnia e eu em Nova York Seu investimento emocional em qualquer coisa é como redemoinhos de leite no café. Você vê. E então você não vê mais. Ten nunca luta por nada realmente. Ele apenas se adapta. “Você teve notícias de Ryen?” Ele pergunta. Puxo meu braço dele, sabendo que sua camisa de linho vai enrugar se eu ficar lá por muito tempo. “Misha está fazendo um show em Boston.” Estico meus braços sobre minha cabeça, minha camiseta preta subindo. “Ela foi com ele neste fim de semana.” “Droga”, ele resmunga. “Você vai se certificar de que ele não beba também muito então.” Ele. Ten não precisa esclarecer de quem está falando. Eu olho para ele. “Onde você estará?” “Vou beber muito.” Reviro meus olhos. Certo. JD não precisa de festa. Ele precisa levar um tapa. Ao longo dos últimos meses, nós o vimos no seu melhor. E no seu pior. E seu pior era mais frequente. Ele perdeu sua garota e seu melhor amigo, duas malditas coisas, com as quais ele estava bem melhor sem, se me perguntar, mas ainda não o entendo. Você pensaria que ele se sentiria como um novo homem, livre do peso de suas mentiras. Mas ele também é como leite no café. Exceto que ele não se adapta. Ele simplesmente desaparece. E eu certamente não voltei no Fall Break para ser babá enquanto eles ficam bêbados. “Minha irmã me convidou para Hilton Head neste fim de semana, sabe?” Eu digo a Ten enquanto caminhamos até a porta de JD. Eu poderia estar sentado em uma varanda, ouvindo as ondas agora. “Ouvi.” Ele passa o braço em volta de mim, me puxando para dentro. “E eu amo você por estar aqui. Você não queria ficar preso na Carolina do Norte com três pirralhos gritando.” “Essa é minha outra irmã, Aracely”, eu digo. “Este é o cara que vai se casar em duas semanas.” “Oh, certo, certo.” Ele toca a campainha. “Verônica.” Valentina. Ela e seu marido se juntaram ao Corpo da Paz, então decidiram ter sua lua de mel antes do casamento. Todos estão convidados. Como de costume, deixei Ten me envolver em algo que eu não queria fazer em vez disso. Eu odeio essa cidade. Não há nada para mim aqui. “Mas, falando sério...” Ele dá um tapa no meu saiote preto, o tecido escovando a parte de baixo dos meus joelhos. “Você não vai usar isso esta noite. Você faz isso só para irritar o pai dele.” “Como se eu não tivesse coisas melhores com que ficar obcecado.” Eu gosto do kilt. Está quente. E combina bem com minhas botas de combate. “Foi você que sentou com Sr. York na mesa de jantar por duas horas da última vez, delineando sua ‘agenda homossexual’ e o assustando. E então você nem mesmo disse a ele que estava brincando!” Ten bufa, as memórias da cara assustada do pai de JD provavelmente estão correndo através de sua cabeça. Ele adora brincar com os boomers.2 A porta se abre e o pai de JD, cabelos brancos e camisa xadrez, fica parado, olhando para nós. “Oi”, eu digo, forçando um sorriso. Ele não gosta de mim. Ele não gosta de nós. “Sr. Cortez.” Ele acena para mim, os lábios apertados enquanto ele se vira para Ten. “Sr. Nielsen. O que eu posso fazer por vocês dois?” Como se ele não soubesse por que estamos aqui. Mas Ten não será contido. “Ber-nard!” Ele exclama, amplificando o fogo estereótipo homossexual, aumentando sua voz e inclinando a cabeça como se estivesse treze anos. “Como vai você?” Mordo meu sorriso quando Ten entra,empurrando o cara para fora do caminho enquanto o sigo. “Por favor, me diga que você ainda está namorando aquela instrutora de ioga da loja Greens & Proteins”, Ten pede informações como se fossem duas melhores amigas, 2 A geração dos Baby Boomers recebeu esse nome em referência ao aumento no número de nascimentos de bebês após o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945. atualizando as fofocas. “E você pintou.” Ele olha em volta para o foyer. “Você chamaria isso de laranja ou tangerina?” O Sr. York ergue uma sobrancelha e minha mandíbula estremece com diversão que não consigo deixar escapar. Ten se ajusta. Graças a Deus. Em vez de responder, o pai de JD mantém a mão na porta, virando os olhos em mim. Seu olhar azul gelo percorre minhas roupas, demorando-se no kilt. “Cortez não é nome escocês”, ele me informa. Mm hmm. Eu me recuso a satisfazer o homem como Ten faz. Eu poderia agradecer ao meu amigo por me mostrar uma forma de sair da miséria em que estive no colégio, e apreciei Ten por me dar coragem de me tornar o homem que eu queria ser, mas já passei tempo suficiente da minha vida enfrentando com um sorriso. E então perdi ainda mais tempo escapando para produtos químicos domésticos quando sorrir doeu demais. Sem mais fingimentos. Nem mesmo pelo bem de JD. Quando o pai de JD e eu não quebramos o contato visual, Ten aparece. “Oh, você conhece... América, a Bela. Um grande caldeirão.” Então Ten olha para mim. “Quero dizer, ele pode ter escocês nele mais cedo ou - ” Coloco meu braço em torno de Ten e coloco a mão em sua boca, chicoteando-o em direção às escadas. Jesus. Ele ri, nós dois tropeçando escada acima. “Ele está no banho!” O Sr. York rosna atrás de nós. “Vamos esperar no quarto dele!” Ten grita de volta. Subimos até o topo, fora de vista, e caminhamos em direção ao quarto de JD. “Você foi longe demais”, advirto. “Oh, ele mereceu”, Ten retruca. “E todas aquelas piadas passaram direto por sua cabeça. Prometo.” Entramos no quarto de JD e, antes mesmo que a porta se feche, Ten late uma ordem. “Tire essa camisa. Agora.” Eu lanço um olhar para ele, sabendo o que ele diria se eu tentasse vesti-lo todas as vezes que estivéssemos juntos. Aguentei na primavera passada, porque eu tinha um mundo totalmente novo se abrindo para mim e porque... bem, porque eu gostava de transar. Ten gostava de me ensinar coisas. E por um tempo gostei de aprender. Ele caminha até o armário de JD e o abre, inspecionando as opções, e eu olho ao redor, observando a cama bagunçada e o leve cheiro de fumaça de cigarro que eu conheço e o sr. York certamente não aprovaria. Por que JD voltou esta semana? Ele deve ter amigos e todo tipo merda que o prende no Texas, e não é como se Misha estivesse aqui de qualquer maneira. A porta se abre e eu viro minha cabeça, vendo JD entrar com uma toalha cinza enrolada em torno de sua cintura. “Ei”, Ten grita. JD aponta o queixo para nós, mas se afasta rapidamente. “Ei.” “Como tá indo?” Ten pergunta. JD fecha a porta e atravessa o quarto, gotas de água pontilhando seu peito, costas, e torso enquanto ele esfrega a nuca, provavelmente ainda tentando se livrar de uma ressaca antes que mergulhe em outra esta noite. “Estou chegando lá.” Ele suspira. “Já passaram pelo meu pai, pelo que vejo.” Ten puxa uma camisa branca de botões. “Tenho certeza que ele não vai nos deixar passar pela porta novamente.” JD ri, vasculhando a pilha de roupas amassadas em sua cama. “Tire a camisa”, Ten diz novamente, aproximando-se de mim. Eu olho para JD. Ele não está olhando para mim, apenas ainda tentando encontrar o que quer que esteja procurando. “Nós estamos indo para Thunder Bay”, eu aponto. “Não é o jantar.” Eu olho para a camisa de mauricinho. “E eu não vou usar isso.” Ten volta para JD. “Diga a ele que ele parece um peru moído.” JD continua procurando em suas roupas, mas depois de um momento, para e olha com o canto do olho. Seu olhar percorre minha forma, a dureza em seu rosto me fazendo engolir. Lembro-me muito bem daquele olhar. “Ele parece bem”, ele murmura, desviando o olhar. “Além disso, estou maior. Ele vai se afogar nessa camisa.” Ele joga uma calça jeans que pegou e vai até o armário, sua testa estava franzida com raiva. Ele desliza os cabides, um após o outro, e finalmente puxa uma camisa preta com bolsos no peito, quase militar. “Aqui.” Ele entrega para Ten. “De quando eu tinha quatorze anos.” Haha Um sorriso surge em seus lábios, mas pego a camisa de Ten em vez disso. “Eu faço isso.” Na verdade, não foi uma escolha ruim. Gostei da camisa. Parecia algo que um gótico muito velho para ser identificado como o Emo de uma banda de Nu Metal usaria. Mas provavelmente não vai caber de qualquer maneira. Posso ser mais magro que JD e não tão largo, mas também não tinha quatorze anos. Somos quase da mesma altura. “Eu tenho que mijar”, diz Ten, deixando-me com isso. Ele sai e fecha a porta, e eu vejo enquanto JD veste o jeans e, em seguida, desliza a toalha, fechando o zíper da calça, mas sem abotoá-la. Puxando um maço de cigarros da mesa de cabeceira, ele acende um e caminha até a janela, deslizando-a para cima. Aproveito o momento e deslizo minha camiseta pela cabeça, puxando a preta de JD, me apresso, sentindo seus olhos em mim. Abotoo e coloco no kilt, confortável, mas perfeito. “Você tem uma gravata preta?” Pergunto-lhe. Se eu tiver que me vestir bem, então vamos em frente. JD abre uma gaveta e vasculha, finalmente puxando uma de seda preta, amassada com rugas. Claro que estaria. JD não se preocupava com roupas. As meninas só queriam o que estava por baixo. A pele e os músculos perfeitos e ensolarados. O cabelo castanho chocolate. O sorriso infantil e as mãos que pareciam lindas em volta de uma bola de futebol. O cachorro que elas podiam conduzir pelo nariz e que faria o que elas queriam e agiria como se não pudesse transar com uma dúzia de pessoas melhores a uma curta distância e que iria tratá-lo com muito mais respeito. Ele joga para mim, e eu coloco em volta do meu pescoço, tentando colocá-lo sob a gola. “Aqui”, JD me diz. Com o cigarro pendurado na boca, ele se aproxima de mim e puxa meu colarinho, situando a gravata antes de dobrar a gola de volta para baixo. Suas pálpebras estreitam contra os redemoinhos de fumaça que chegam aos seus olhos, e eu pego o cigarro de sua boca e coloco na beirada da mesa ao nosso lado. Ele pode arruinar corpo dele. Não quero essa merda na minha cara. Ele amarra minha gravata e eu deixo cair meus olhos, o cabelo da minha nuca se arrepiando. Não tenho certeza se algum dia estarei confortável com ele. Eu não o odeio. Eu só… Eu simplesmente não o tinha perdoado. Sinto seus olhos em mim, seus dedos roçando meu pescoço. “Sabe, você pode dizer não a ele”, diz ele. “Se você está feliz com quem você é, e você se sente bem em suas roupas, defenda-se. Você não é o animal de estimação dele.” “E se eu não estiver feliz?” Seus dedos param por um momento e levanto meus olhos, vendo a confusão nos seus. “E se eu não quiser perder uma oportunidade que pode me abrir para algo que vai me fazer feliz?” Eu o desafio. Ele continua com a minha gravata, puxando-a com mais força agora. “Nem todas as oportunidades são boas, Manny.” “Mas alguns são.” Levanto meu queixo. “A experiência ensina a diferença.” Ok, sim. Ten e eu nos divertimos. E aprendi muito rapidamente que eu não era a única diversão que ele estava tendo também. Não me sinto bem, mas não tenho mais nada, então deixo Ten me empurrar e me puxar e dobrar meu cérebro durante todo o verão até que finalmente percebi que estou aprendendo e sou grato por isso. Aprendi a falar com as pessoas e a me abraçar um pouco mais. Eu não tenho nenhum segredo agora. Considerando todas as besteiras imprudentesde Ten, ele pode ter acabado de salvar minha vida também. E JD York não é ninguém para falar sobre isso. “Você tem visto Lyla desde que voltou?” Eu cutuco. “Eu a vi trabalhando no Dashell's Boutique esta tarde.” Ela estava organizando as vitrines na calçada em frente à loja no centro da cidade. JD olha fixamente para minha gravata. “Lembra quando ela fez Trey me segurar, tirar minhas roupas e depois colocar maquiagem em mim?” Pergunto-lhe. Fim do primeiro ano. Eu estava tão chapado naquele dia, e graças a Deus, porque poderia não ter visto a manhã seguinte se não tivesse estado tão fora de mim. Mas eu me lembro disso. “Você sempre ficava parado lá.” Cerro meus dentes, estreitando meus olhos para ele. “E você continua voltando para ela como se não soubéssemos o que você está fazendo e como se ela fosse o único pedaço de bunda entre aqui e o Texas.” Ela é um lixo. Ela trata a todos como lixo, incluindo ele, e ele continua escorregando de volta para a cama dela como se estivesse apaixonado ou algo assim, mas eu sei que ele não está. Ten não olha perto o suficiente. Eu vejo JD claramente. “Por que você é tão fraco?” Pergunto-lhe. “Você é tão inseguro e desesperado pelo amor de uma mulher na ausência da mamãe que você não pode suportar que Lyla ou qualquer mulher não ame você, não é?” Eu procuro seu rosto. “Mesmo que ela seja um pedaço de merda.” JD puxa a gravata, apertando até que ela cava na minha garganta, e um gemido me escapa. Então, ele encontra meus olhos. Ele para e me empurra no peito, e eu sugo uma respiração, batendo na parede enquanto um sorriso amargo aparece no canto de sua boca. “E, coincidentemente, aqui está você”, diz ele, “ainda usando maquiagem com homens e se despindo.” Ele se move e eu olho de volta através da porra do delineador que eu uso. Não, eu não odeio JD. Eu simplesmente não confio nele. Se ele tivesse seus amigos de volta, eu seria de repente um lixo sob o sapato dele de novo? Eu realmente não tenho certeza, e esse é o problema. Ele é um atleta talentoso. Inteligente. Boa aparência. E apesar de sua falta de coragem, ele pode ser muito gentil. Não tão enterrado ali no fundo está um bom homem. Por que ele está com tanto medo? “Você gosta que eles ainda prendam você, também?” Ele provoca, seus olhos azuis de repente ficam claros. Eu sorrio de volta. “Às vezes.” JD sustenta meu olhar, duro e firme, e tento não vacilar, mas ele está muito perto. Minha pele vibra, e quase sinto suas mãos na parede de ambos os lados da minha cabeça, mas elas não estão lá. Elas estão pendurados ao seu lado. Seus olhos caem e eu sinto o calor na minha boca. Meu pau estremece e eu pisco. Que porra é essa? “Tudo bem, você tem licor, certo?” Ten entra, e JD dá um passo para trás, para longe mim de novo. “Vamos fazer um esquenta!” Eu inalo, apenas percebendo que parei de respirar. Endireito minha espinha com sangue correndo para minha virilha, mas meu coração ainda martela e o calor inunda meu corpo como cal derramando-se na areia. Flexiono minha mandíbula. “Vocês estão bem?” Ten pergunta, olhando entre nós. JD olha para mim, eu olho para ele, e então ele pega seu cigarro, o centímetro de cinza queimou quando caiu em seu tapete. “Sim”, eu respiro, arrancando a gravata e respirando fundo. “Vamos festejar.” *** J.D. Às vezes. Olho para Manny no meu espelho retrovisor, seus olhos castanhos escuros encontrando os meus por um momento antes de ele se virar e olhar pela janela. Um pouco de apreço seria necessário, seu merdinha. Eu não tinha que voltar para casa essa semana. Como se eles conseguissem entrar nessa festa sem mim. E não, eu não vi Lyla. Acabei de chegar esta manhã. Por que ele se importa com quem eu fodo? Não é como se fôssemos amigos de verdade. Manny e eu não ligamos um para o outro. Nós não saímos sozinhos. Ryen é a cola e a única razão pela qual estivemos perto um do outro na última primavera e verão. Ten é um rosto familiar e sempre me dei bem com ele. Manuel Cortez é apenas um lembrete de coisas que quero esquecer. Ele está prendendo a respiração por um pedido de desculpas? Eu nunca fiz nada com ele. Esfrego meus olhos, os faróis vindo em minha direção me fazendo estremecer. Ok, isso não é verdade. Eu fui um idiota com ele em algumas ocasiões ao longo do ensino médio. Eu não deveria ter feito isso, mas às vezes… Às vezes eu sentia que ele merecia. Constantemente atrasado para a aula. Matava aula o tempo todo. Aparecia chapado. Ignorava professores e colegas de classe. Encarando seu próprio mundo dos sonhos e sem fazer nenhum esforço para não se destacar com cada merda que ele fez e vestiu ao longo dos anos. Quer dizer, até a porra do delineador o tempo todo. Jesus. Ele era capaz de fazer algo que não chamava o tipo errado de atenção? Mas é isso que ele quer, não é? Atenção. Estamos todos infelizes, garoto. Nem todos temos que chorar por causa disso. Algo me puxa de novo e não consigo resistir. Verifico meu espelho, vendo seus olhos em mim novamente como se soubesse que eu estava falando merda na minha cabeça. Como se ele fosse melhor. Deixar Ten foder ele contra uma árvore no dia 4 de Julho e depois ficar quieto enquanto seu namorado flerta com outra pessoa o resto da noite não faz Manny melhor do que eu. Ele corre de volta para o que quer que o deixe perdido por alguns minutos. Trafegamos pela Thunder Bay, as calçadas e ruas fervilhando de atividades sob o brilho suave das lanternas e o farfalhar das folhas ao soprar na rua. Chegando a lua cheia, aperto o botão, fechando minha janela e ainda sentindo o cheiro de decadência que esta vila sempre parece carregar. Uma mistura de maçãs podres, terra, e madeira queimada. Eu meio que amo isso. Eu realmente nunca quis vir para a escola aqui. Eu não pude pagar a mensalidade, o time de futebol deles é uma merda, e o corpo estudantil é ainda mais letal que o do Falcon Bem, mas… eu amo a cidade. Não há cadeias de lojas ou restaurantes corporativos, sem condomínios… Tudo é original. Pessoal. Velho. Eu gosto de velho. Parando no teatro, noto o saguão lotado através das portas de vidro e a rua repleta de carros, pára-choque contra o pára-choque. O quadrado, ou melhor, semicírculo que marca o centro da cidade, vibra com pedestres, luzes vermelhas piscam em postes de luz, e as decorações de Halloween balançam ao vento. Sticks transborda de crianças, e ouço música encher a vila. Máscaras vestem todos os rostos enquanto as pessoas dançam nas ruas e se divertem. Sim, de jeito nenhum eles iriam entrar nessa festa sem mim. Ten não é impopular, mas conheço essas pessoas. Nossos times de basquete são rivais, mas jogamos bem fora da temporada. Contorno a catedral e entro no estacionamento, aproveitando a chance de não conseguir ser rebocado. Provavelmente não irei dirigindo para casa de qualquer maneira. Ten sai pelo lado do passageiro e eu saio do lado do motorista, Manny juntando-se a nós na parte traseira do carro. Gritos e o zumbido baixo da música preenchem o ar enquanto puxo o meu capuz e tranco o carro. Atravessamos a rua e saímos da calçada, e abro as portas do teatro, entrando primeiro. Pessoas, algumas usam máscaras e outras não, lotam o saguão, tetos altos e paredes com papel de parede dourado fazem um contraste hilário com os barris e as vagabundas. Eu olho para a direita, percebendo o cara na porta pegando dinheiro. Seus olhos brilham. “E aí, cara.” Max Mikkelsen estende a mão e eu sorrio ao pegá-la. “Como você tem estado?” Ele diz enquanto Ten entrega a ele o dinheiro de todos nós. “Aquele jogo contra o Ohio State… Merda, cara. Eu estava gritando, ‘Eu o conheço!’” Eu sorrio. Um dos meus melhores dias na Texas A&M. Eu ainda estou apenas começando como Running Back3 por pura sorte e pela recuperaçãode ressaca do meu colega de quarto. “Veja, vocês têm ótimos atletas mesmo quando não são pagos,” provoco. “Oh, foda-se.” Ele devolve o troco de Ten. “Nosso time de basquete—” “É uma merda sem Michael Crist”, eu interrompo. Thunder Bay cria bons jogadores de basquete, mas eles não podem nem pagar por um time de futebol. Eles perderam para nós nos últimos oito de nove anos. “Falando nisso...” Eu pergunto, olhando ao redor para o novo local. “Ele comprou St. Killian?” Não é onde todo mundo costuma festejar na Noite do Diabo? “Sim, o filho da puta”, ele resmunga. “As catacumbas são propriedade privada agora. Aparentemente, ele e sua noiva estão reformando o lugar para ser a casa deles.” Eles estão morando lá? Quantos corpos estão enterrados nas fundações daquele lugar? Jesus. 3 Significado: O Running Back é uma posição do futebol americano e do futebol canadense que normalmente se alinha no backfield. O principal papel de um running back é correr com a bola que pode ser passada para ele pelo quarterback ou em um snap direto do center, sendo que ele também pode receber e também ajudar no bloqueio Sem mencionar toda a merda que aconteceu lá nos últimos setenta anos. Claro. Lugar perfeito para criar filhos. “Mas não se preocupe”, Max acrescenta. “Temos muitos esconderijos em Thunder Bay. Divirta-se.” Eu aceno e sigo em frente, Manny e Ten me seguem enquanto vagueio no espaço. Muitos Esconderijos. Todo mundo tinha um segredo nesta cidade. Talvez Manny tivesse sido mais feliz crescendo aqui em vez disso. Talvez eu também. “Oh, e quando as luzes se apagarem”, Max grita de volta para nós. “É como Sete Minutos no Paraíso. Encontre um parceiro, um recanto isolado e fique lá até que elas voltem.” Inclino meu queixo para ele, segurando meu revirar de olhos. Eu fiz essa merda no ensino fundamental e passei o que parecia uma eternidade sentado no chão do armário com Tara Sheehy, reunindo coragem para beijá-la, porque ela não era bonita, mas eu não queria ferir seus sentimentos. Isso foi um erro. Ela pensou que estávamos apaixonados três semanas depois. Pegamos algumas cervejas, deixamos as bobas da corte sensuais maquiadas de palhaço, maria-chiquinhas e shorts- saias pintarem o rosto de Ten, e então passeamos pelo teatro, apreciando a atividade enquanto Manny se move de uma cerveja para a outra, tirando uma garrafa de uma das banheiras de cervejas espalhadas por todo o lugar. Afasto meus olhos dele. Ele nunca bebe mais rápido do que eu. Acho que vou dirigir esta noite, afinal. “Merda”, Ten respira enquanto entramos no teatro. “Quem diabos é o dono deste lugar?” Balanço minha cabeça, olhando para as três fileiras de assentos de camarote ao nosso redor e área de chão cheia de gente também. Uma banda toca no palco, a seção da orquestra trovejando com adolescentes pulando para cima e para baixo, alguns surfando na multidão. Levo minha garrafa aos lábios. “Alguém com um adolescente a quem não podem dizer não.” Como deve ser bom conseguir tudo o que você deseja. Alguém da família de Misha é dono do cinema do outro lado da rua, mas o teatro é mais uma casa de ópera. Guarnições douradas decoram as paredes e caixas, cortinas vermelhas cobrem os dois lados do palco, e apenas a luz mortiça do único lustre no alto brilha sobre tudo que está embaixo dele. Além de peças de teatro e óperas, eles apresentam sinfonias e balés aqui também. Nunca me senti obrigado a pisar no local até esta noite. Eu engulo o resto do conteúdo da garrafa, jogo na lixeira e pego mais da banheira de gelo, entregando uma para Manny e uma para Ten. Descemos para o poço, o álcool mal esquentando minhas veias ainda, porque minha tolerância é muito mais forte do que na primavera passada. Eu tomo mais alguns goles. A música bate sob minhas botas, as sombras da banda tocando seus instrumentos que se estendem como os galhos retorcidos de uma árvore contra o pano de fundo da cortina do palco, e Ten balança a cabeça, observando a multidão. “Oi”, alguém diz Viro minha cabeça, vendo uma menina com orelhas de rato em seu cabelo castanho claro e preto pintado na ponta do nariz. Bigodes esticados em suas bochechas em ambos os lados. Eu a conheço. Ela veio ao Falcon’s Well para ver sua equipe jogar contra a minha no outono passado e ficou para festejar com os vencedores. Lyla certificou-se de que sabia o que estava fora dos limites da noite. E quem. Aparentemente, eu era o único no relacionamento que não tinha permissão para sair. “Tara”, eu abordo Mas ela me corrige. “Tamsyn.” “Hã?” Eu grito acima da banda. “Não consigo ouvir você!” Eu a ouço, mas a irritação está beliscando o canto do meu cérebro por algum motivo, e não sei porquê. Eu olho para Manny e Ten, ambos fechados em uma conversa mais próxima. Voltando-me para Tara, vejo seu sorriso e balanço a cabeça para mim. Ela pode ser quem ela quiser ser para mim esta noite, eu acho. Deixo meu olhar permanecer em seu rosto, sua pele esticada e o rubor em suas bochechas. A pequena verruga sob seu olho e os lábios úmidos dela. Qualquer um aqui pensaria que ela é gostosa. Mas ela parece que está com frio. Atirando meu olhar novamente, observo Ten se inclinar mais perto do ouvido de Manny, dizendo a ele algo. Mas, em vez de sorrir, Manny flexiona a mandíbula, e eu estreito meus olhos quando outra pessoa se aproxima deles. Um estranho com cabelo loiro espetado e dourado, peito tatuado nu começa a decorar o rosto de Manny. Eu estreito meus olhos. Ten olha, sorrindo quando o cara se aproxima, seus lábios se movendo e dizendo coisas para ele. “Você ouviu falar da brincadeira?” Tara pergunta. Pisco algumas vezes, afastando-me dos caras. “Sim”, digo a ela, forçando a garrafa na minha boca enquanto olho novamente para Cortez. “Quando as luzes se apagarem, encontro você neste assento”, ela me diz. “G-1.” O cara com pintura corporal sussurra no ouvido de Manny, a ponta do nariz roçando no lóbulo de Manny antes de seus lábios se separarem, fazendo uma trilha sobre a mandíbula do garoto. Avisto a ponta da sua língua mergulhando para prová-lo. Ten olha, prendendo a respiração enquanto seus olhos brilham com animação. Algo borbulha dentro de mim, e vejo como o babaca dourado puxa uma caneta e escreve algo no braço de Manny. “Apenas sente-se”, diz Tara, “e eu vou te encontrar”. Os olhos de Manny se voltam para mim, o idiota dourado e Ten conversando, e eu desvio o olhar. Hã? Eu olho para a garota. Oh, a brincadeira. Sete minutos no céu. “E se eu encontrar outra pessoa nesse meio tempo?” Eu provoco Ela sorri. “Apenas economize espaço para mim.” Fofa. “E se eu quiser mais do que sete minutos?” Ela se inclina no meu ouvido enquanto a música muda, o baixo soprando no ar esfumaçado acima de nós. “Espero que você queira.” Eu sinto os olhos de Manny, mas não olho, vendo-a ir em vez disso e deixo meus olhos caírem descendo por seu corpo na roupa de dominadora preta perfeita e meias pretas transparentes. Quando volto para os caras, Ten e o outro estão desaparecendo na pista de dança, e Manny fica ali assistindo, com as costas rígidas desde que Ten sussurrou em seu ouvido um minuto atrás. Hesito por um momento, mas... quero ver a porra do rosto dele. Seguindo para o lado dele, deixo cair meus olhos, vendo os dez dígitos em seu antebraço, mas eu nem mesmo tenho a chance de ver a dor em seu rosto antes que ele pegue minha cerveja da minha mão, sabendo que era eu sem nem mesmo olhar. Virando a garrafa de volta, ele engole o nó em sua garganta subindo e descendo três vezes. “Isso é meu”, eu murmuro. E essa é a terceira. Eu sabia que Manny tinha usado drogas, mas não o tinha visto usar desde então, e nunca o tinha visto beber tão rápido. Ten tira a camisa, enfiando-a no bolso de trás, ele e o cara se inclinando um aooutro, ficando quente. Manny os observa, e eu o observo, vendo-o desviar o olhar para baixo, olhando o resto da cerveja. Balanço minha cabeça. “Você pode ficar com a camisa, na verdade”, eu digo a ele, mudando de assunto. “Eu deveria ter me livrado dela há muito tempo.” “Sim, parece que nunca foi usada.” Ele tira quatro tubos de shots da garota que passa deslizando com uma bandeja. “Não é o seu estilo, tenho certeza”, ele brinca, ele vira um, dois, e depois três. “Um presente de alguém?” Pego a última dose dele e a jogo na lata de lixo próxima. Estendo minha mão. “Dê-me sua carteira.” Ele olha para mim. “Por quê?” “Apenas me dê isso, porra.” Um presente de alguém... Como se ele fosse tão inteligente que sabia tudo que tinha para saber sobre mim. Puxando sua pequena carteira do bolso da camisa, ele a entrega para mim. Abro, abro o bolso para pegar dinheiro e tiro o preservativo que ele colocou dentro. Devolvo a carteira a ele, colocando a camisinha no bolso da calça jeans enquanto caminho para banheira de cerveja e retiro outra garrafa. “Vou precisar disso de volta”, ele diz. “Como diabos você vai.” Eu torço a tampa, observando-o me lançar um olhar furioso enquanto puxa uma garrafa, deslizando-a em seu bolso e, em seguida, puxando outra, destampando-a. “Tenho certeza de que ela tem os seus”, diz ele maliciosamente. “Ou qualquer garota com quem você sossegar esta noite.” Eu sorrio. “É difícil para você assumir uma posição moral elevada, sabendo o que está reservado para você mais tarde.” Como se Ten não estivesse trabalhando os dois, então ele poderia sair assistindo eles se pegarem. Eu gosto um pouco de Ten, mas sei que ele não brinca cuidadosamente com o coração das pessoas. E Manny ainda não se defende. Ele segue meu olhar para Ten e o outro cara se esfregando na pista, a pele bem cuidada do peito dourado e abdômen brilhando de suor. E com um pouco da pintura corporal do cara. “Por que você concorda com isso?” Eu provoco. “Talvez eu goste.” Então essa era a primeira vez que Ten o convenceu a fazer um ménage à trois? Aperto minha mandíbula, olhando para minha garrafa. “Não vai acontecer”, digo a ele. Ele não vai ser puxado para essa merda. Mas ele apenas zomba, bebendo um pouco mais. “Ainda o valentão...” O que quer que funcione. “Ei, venha aqui.” Ten chega atropelando e agarrando Manny enquanto o viado pintado com trilhas douradas está atrás dele. “Você vai gostar disso.” Olhando para Manny, o cara dourado abre a boca, exibindo a bala em sua língua e, em seguida, bate seus lábios em Manny, enfiando a língua em sua boca deslizando-lhe a pílula. Manny não se afasta, pega a droga e vira na língua enquanto se vira para olhar para mim antes de engolir. “Você nunca deu a mínima para o que eu fiz antes”, ele me diz. “Não se incomode. Você é a razão de tudo isso acontecer.” Tudo o que? As drogas? O sexo? Algo explode dentro de mim e não consigo impedir. Eu pego a cabeça do pau de ouro, apertando sua mandíbula enquanto os espectadores se voltam para nós. Eu empurro o merdinha de volta com tanta força quanto posso, e ele voa, batendo na multidão de dançarinos e caindo de bunda. Ten fica com os olhos arregalados, e então eu estapeio Manny e tiro a bala de sua língua, caindo em algum lugar no chão. “JD, Jesus!” Ten grita, correndo para o cara no chão. “Que porra é essa?” Eu deixo cair uma mão, olhando para os dois, mas mantenho meu outro punho apertado em torno da gola de Manny. E eu não vou desistir. Ten olha para mim enquanto ajuda o outro cara a se levantar, seu olhar preocupado disparando entre mim e Cortez. Manny apenas fica ali, a sugestão de um sorriso em seus lábios como se ele simplesmente gostasse de me irritar. “Manny, vamos lá”, Ten diz a ele. “Deixe-o se acalmar.” Mas eu não o libero. Em vez disso, empurro meu queixo para Ten. Vaza. Os olhos azuis de Ten se estreitam em mim, mas então... ele se vira, empurrando o cara para longe e então o segue. Ele sabe que não vou machucar Manny. Ele acha que não estou chateado por causa de Manny. “Me solta”, diz Manny. Eu o puxo, segurando minha camisa em seu corpo com as duas mãos, porque ele merece isso. Todos nós temos problemas. Eu não vou culpar meu pai, porque escolhi importuná-lo na escola, e não é minha culpa que ele procure escapar em seus malditos vícios. Não me dê tanto poder. Rasgando minha camisa, eu a puxo para baixo de seus braços enquanto ele fica congelado, olhando para longe como ele sempre o fazia, tentando deixar sua cabeça e fingir que não estava acontecendo. Eu o deixo com o peito nu em um mar de outros festeiros mal vestidos e o empurro para longe, alguns espectadores ainda nos lançando olhares. Ele tropeça, outro sussurro de um sorriso persistente em seus lábios, porque era isso ou chorar, e ele aprendeu a não chorar nos últimos quatro anos. Eu não vou machucar Manny. Mas é com Manny que eu estou chateado. All his fucking talk, and he was going to get high and let things happen to his body tonight that… Toda a porra de sua conversa, e ele ia ficar chapado e deixar as coisas acontecerem com seu corpo esta noite que… O pânico cresce em meu peito, o fiapo de constatação oscilando na borda do meu cérebro enquanto eu olhei para seu queixo quadrado e mandíbula estreita, ignorando seu peito magro e os músculos começando a se formar sob a pele. Ele está malhando. Balanço minha cabeça. Ninguém vai usá-lo esta noite. É isso. Uma garota com shots passa e Manny arranca a bandeja de suas mãos, virando um shot e pegando mais dois antes de devolvê-lo e se virar. Ele sai com raiva, em direção à saída, sua cabeça tombando para trás enquanto ele engole as outras duas bebidas e desaparece pela porta para o corredor. Os dois shots vazios voam para o chão atrás dele. Olhando para a camisa em meu punho, sabendo que não cabia mais em mim – sabendo que não cabia em mim há anos –, mas todas as memórias voltam de uma vez, e todas de repente, eu era aquele cara de novo. Aquele que o humilha na frente de todos. Alguém deveria dar um basta. Alguém deveria se cansar disso e suar e encontrá-lo amassado na areia e descartado no chão de um carro. Eu empurro, indo logo atrás de Manny, mas não consigo conter a urgência e uma vez que estou no corredor, começo a correr. Ao alcançá-lo no saguão lotado, agarro seu braço e o puxo. Mas seus olhos mal encontram os meus antes que ele se solte do meu aperto e me empurre, se afastando. “Sai, porra. Jesus!” Eu tropeço para trás, percebendo a raiva em seus olhos, o calor cruzando suas bochechas, e o suor em seu pescoço. Tão esguio, mas tão forte, a veia saliente sob sua pele ali. Ele está chateado. Algo zumbe sob meus dedos, e eu cerro meus punhos para fazer parar. Quero devolver a camisa a ele, embora os botões tenham sumido. Quero contar para ele que eu sou um idiota, e eu sei disso. Quero me desculpar. Eu não quero que ele vá embora. Mas balanço minha cabeça, jogando a camisa nele em vez disso, porque ele me irritou esta noite também. “Você deveria ter ido para Hilton Head”, eu digo. “Você pode beber e tomar todas pílulas que você quiser.” Como se eu estivesse interessado em vê-lo se autodestruir e tentar me culpar por isso. Ele mostra os dentes, jogando a camisa de volta para mim. Me dá um tapa na cara antes que eu o pare. “Eu te odeio”, ele rosna baixo. “Eu odeio você mais do que Lyla. Mais do que Trey. Você é a minha pior memória no colégio.” Eu estreito meus olhos. “Você é menos do que nada.” Ele começa a recuar. “Você não importa.” Cabelo caindo em seu rosto e oscilando em sua cicatriz, ele gira e se mantém caminhando, e eu amasso a camisa na minha mão, olhando para suas costas nuas. Eu nunca coloquei minhas mãos naquela merdinha, mas Deus, eu quero agora. Mais do que Trey?Mais do que Lyla? Eu não era tão ruim, sua pequena vadia chorona. Cavando em meus calcanhares, eu corro atrás dele, agarrando-o pelo ombro assim que ele começa em outra calçada. Parando-o, eu o giro e bato com ele de volta no muro. “Ohhhh”, algumas pessoas próximas dizem, pegando suas bebidas e se afastando. “Qual é o seu problema, porra?” Eu falo. “Por que você diria isso?” Eu tenho sido legal com ele. Ele começou essa merda esta noite. Ele está no meu pé desde que me pegou na minha casa. Mas ele não olha na minha cara. Ou vai embora. Ele sorri. “Porque eu sabia que você não seria capaz de suportar isso. Você veio correndo. Você não pode tolerar que alguém não goste de você.” Eu agarro seu pescoço e o prendo contra a parede. Seu babaca. Inclinando-me para perto, quase roço meu nariz no dele, fervendo enquanto tento manter minha raiva sob controle. Ele apenas ri um pouco mais, no entanto. “Você me odeia”, ele me diz. “Mas eu sou tudo que você tem esta noite, não sou? Eu conheço você. Foder comigo vai fazer você se sentir muito melhor do que ela vai.” Você não me conhece. I slam him into the wall again, his brown eyes gazing at me from behind the tendrils of his hair hanging down, and I ball my fist, but then… Eu o bato na parede novamente, seus olhos castanhos olhando para mim por trás das mechas de seu cabelo solto, e eu fecho meu punho, mas então… “Pegue-o, campeão”, alguém diz. “Droga.” Eu faço uma pausa, a voz afundando em meus ouvidos, a presença atrás de mim parece rastejar na minha espinha. Virando a cabeça, vejo Trey com Raoul Bower e Tony Fallbrook, que também se formaram com a gente. Estou paralisado por um momento. Trey se aproxima. “E aí cara?” Eu fico ali, tentando fazer meu corpo se mover. Depois de um momento, libero Manny e endireito minha coluna, incapaz de evitar que meu rosto olhe outra coisa senão com nojo. Na primavera passada, Trey Burrowes estava na merda enquanto metade da escola se apresentava, detalhando coisas sobre ele mesmo que eu não sabia. Ataques que foram muito além do seu padrão assédio moral. E as garotas... Jesus, as garotas que ele perseguia. Ele deveria ter sido preso, mas aqui está ele, andando por aí, um pouco mal vestido embora, mas saudável e livre. Ele e Misha compartilham uma irmã, mas é Trey que ela conhece. Não é o irmão que ela deveria ter. Como caras assim sempre ganham? “Vamos.” Trey se aproxima, tirando o capuz de sua jaqueta do colégio e lançando seus olhos entre Manny e eu. “Faz meses. Todos nós crescemos.” Eu zombo. “Nem todos nós. Como está a faculdade comunitária?” Depois que a LSU rescindiu seu convite, o último recurso, cerca de dez milhas para o interior, o aceitou. Acho que ele ainda mora com a família, no entanto. Vestido com uma camiseta marrom sob uma flanela aberta, ele fecha a distância entre nós, festeiros subindo e descendo o beco entre nós e a parede, alheios. “Eu não invejo você”, ele sussurra, inclinando-se. “Você sempre foi pequeno. O enxerido. O ajudante. O estranho.” Ele balança a cabeça. “O herói de ninguém.” Tento inalar, mas meus pulmões encolheram. Não consigo respirar fundo. “Lyla estava tão entediada com você”, continuou ele. “Ela me disse que você sempre teve que deixar as luzes apagadas para foder com ela.” Raoul e Tony riem atrás dele, e eu levanto meu queixo, me preparando. Ela discutiu nossa vida sexual. Com ele. Eu ignorei quando os peguei juntos no vestiário. Não me importei. Dormir com ela era a porra de um pesadelo, e eu estava feliz que ela estava conseguindo em outro lugar. A única coisa que me deixou com raiva era que era com Trey que ela estava brincando. Meu amigo. Éramos todos amigos, no entanto. O que eu vou fazer? Fazer novos? “Você era tímido?” Raoul incita. Eu fiz novos amigos, no entanto. Foi um bom dia. O dia em que fui embora e me sentei ao lado de Ryen no refeitório. Todos os dias desde então tinham sido ainda piores quando percebi que precisava descobrir quem eu era sem Trey, e sempre que chegava ao limite – à dica de que poderia ser mais difícil, não mais fácil quando percebi quem eu era – recuei. “Você nunca se perguntou como ela já estava tão molhada quando você começava a usá-la?” Trey provoca. “Molhada, mas não apertada depois que eu saia.” Sinto Manny se distanciar da parede, em minha direção. Ele não vai embora. O sorriso viscoso de Trey se espalha enquanto ele olha para mim, embora eu seja um centímetro mais alto. “E a melhor parte é que você continuou correndo de volta para ela.” Ele dá uma risadinha. “Pessoas podem pensar que sou feito de cuspe e merda, mas pelo menos sou feito de alguma coisa.” Eu cambaleio, mas algo pressiona meu estômago, e sinto o calor do corpo de Manny enquanto ele se inclina para o meu braço. “Ele não é nada,” Manny me diz. “Apenas recue.” Eu faço uma carranca, meu sangue tremendo sob minha pele enquanto olho para Trey. Nada mudou para ele. Ele ainda é o líder da matilha. Ainda confiante, está no comando e sempre vence, e posso não ter sido um herói, mas não era o vilão. Por que eu estava sozinho? Por que não estava cercado por pessoas que me amavam? Era admirado na escola, mas é tudo mentira. Eu faço a parte do que eles querem que eu faça. “JD.” O sussurro baixo de Manny, um pedido silencioso, desce pelos meus braços, sob a pele como água morna. “Ele não é nada, JD. Olhe para mim." Eu deixo cair meu queixo, exalando, e então olho para Manny ao meu lado. Meus olhos baixam para a mão dele no meu moletom, sobre meu abdômen, não me empurrando para trás, mas me impedindo de ir em frente, e então olho de volta para ele. Estou aquecido em todos os lugares, mas franzo minhas sobrancelhas, carrancuda para ele, porque meu estômago está tremendo e meus pulmões estão encolhendo ainda mais, e não sei por quê. Ele não é nada. E eu sou? Eu mantenho o olhar de Manny, suavizado e firme, a raiva vai embora de sua voz agora, e eu agora sei por que me permiti tratá-lo tão mal por tanto tempo. Em vez disso, ele suportou todo o castigo que eu sabia que merecia. Machucá-lo me machucou. Isso me machucava toda vez que eu o via chorar. Eu odiava vê-lo chorar. E ainda assim, ele cuida de mim agora. Jesus. “Bem, merda.” Eu ouço a voz de Trey e, em seguida, uma risada. “Eu acho que estou entendendo agora. Porra. Você só pode estar brincando.” Minhas mãos tremem e Manny segura meus olhos, um fio invisível tentando me puxar enquanto seus risos tiram o ar de mim. Acho que estou entendendo agora. Não. Meu peito desaba, o calor florescendo lá em vez disso, e eu dou um tapa no braço de Manny e me viro para Trey, cerrando os punhos. Lançando-me para Trey, agarro seu colarinho, uma corrente elétrica surgindo sob minha pele, e eu sou imparável. É aqui que Manny e eu somos diferentes. Eu vou quebrar antes de me dobrar. Bato meu punho no rosto de Trey, limpando aquele sorriso de merda, e continuo batendo até que os nós dos meus dedos estão gritando. “JD!” Manny grita. Mas eu jogo o babaca no chão e monto nele, indo cada vez mais forte até que estou sem fôlego e posso sentir o sangue do meu corpo disparar, a raiva ficando cada vez mais quente. Algo toma conta, e não sei de onde está vindo, mas pela primeira vez em meses, quero cuspir fogo. Eu não consigo parar. Até que a ponta de uma bota pousa na minha têmpora, o chute vem forte e cortante enquanto eu vou para o lado e tombo. Meu ouvido vibra enquanto Trey se esforça para colocar as mãos e os pés embaixo dele. Tony entra e me agarra, mas eu o puxo para baixo, sabendo que não há como ganhar três contra um. Mesmo assim, não consigo parar. Me matem. Um punho pousa na minha mandíbula, o interior da minha bochecha cortando meus dentes, mas atiro meu joelho no estômago de Tony, vendo-o rosnar e cair no chão aomeu lado. E a próxima coisa que sei é que estamos uma bagunça. Punhos, braços e pernas balançando em todos os lugares, a conversa ficando mais alta ao nosso redor conforme as pessoas começam a se aglomerar para ver os três contra um, alguns gritos disparando. Eles pegam meus braços, segurando-os bem abertos, e os nós dos dedos pousam em meu intestino, fazendo com que a bile suba. Eu me curvo por um momento, mas, em seguida, agarro a perna de Trey, puxando-a de baixo dele. Eu fico pairando sobre ele, batendo nele de novo e de novo, empurrando as mãos tentando me puxar e os punhos caindo com força na minha cabeça. O sangue derramou pela minha bochecha, o corte no meu rosto está doendo, mas não estou pensando em tudo que dói e isso é bom. Ele não é nada. Ele não é nada. As palavras de Manny passam pela minha cabeça e eu o vejo lá. Sozinho nos corredores da escola. Parecendo que ele estava prestes a morrer quando Trey e eu o deixamos lá. Meus olhos transbordam. Eu bato mais e mais forte, golpes vindo sem parar. Eu só queria que ele desaparecesse! Tudo é culpa dele! Mas não me refiro a Trey. Assim que olho para Manny, olhando enquanto minha luta morre, e eu volto minha atenção, escuridão nos consome. Todas as luzes se apagam rapidamente e eu volto minha atenção para Trey, mas então… Eu hesito. Sentindo todos correrem ao meu redor, risos e gritos ecoando na escuridão enquanto os casais desaparecem em caixas ou se escondem em pequenos recantos por sete minutos no paraíso, eu largo Trey e me levanto. As formas no corredor preto mal são visíveis. Mas ainda posso senti-lo atrás de mim. Eu me viro, enfrentando a forma escura de Manny. “Ache um companheiro!” Alguém grita um último aviso à distância. Eu me aproximo dele, suas costas pressionadas contra a porta atrás dele. “Vá”, digo a ele. “Encontre Ten.” Ele fica parado, o nariz bem à frente. Não consigo ver seu rosto, mas ele não se move. Tudo é culpa dele. Tudo isso. Ele precisa desaparecer. “Eu vou”, eu o advirto. “Eu tenho alguém na orquestra esperando por mim. Então vá.” “Eu não quero ir.” Sua voz baixa faz meu estômago embrulhar, e eu engulo, cerrando os dentes para que não sinta. Trey tosse atrás de mim, sua respiração irregular, mas não estou mais preocupado com ele. “Eu não sou fraco.” Eu baixo minha voz para Manny. “Não sou da sua conta.” Ele enfia a camisa no meu peito, mas eu agarro seu pulso em vez disso e abro a porta atrás dele, empurrando nós dois para dentro. Agarrando sua mandíbula, eu o giro e o bato na parte de trás da porta, pressionando meu corpo no dele e segurando-o lá. O suficiente. Já é o suficiente. Sua respiração aquece meus lábios, e ele apenas fica ali, me deixando fazer o que eu quero. Eu cavo meu polegar em sua pele. “Meu pai me deu dinheiro para comprar roupas de escola antes do primeiro ano começar”, eu sussurro enquanto a comoção e a música continuam lá fora. “Minha mãe havia se separado alguns meses antes, e ele não tinha ideia de como me levar ao shopping. A camisa não era um presente. Eu mesmo comprei.” Estendo minha outra mão e pego a camisa em meu punho, puxando-a para longe dele, lembrando-me da primeira e última vez que a usei. “Ele disse que eu parecia uma bicha.” Eu fico olhando para o contorno fraco dos olhos de Manny. “Como o tipo de criança que atiraria em uma escola. ‘Eu não era um homem.’ Ele precisava me fazer virar um homem.” Manny permanece em silêncio, e não sei se estou tão perto até sentir seu peito sob o meu. “Uma manhã ele me acordou”, digo a ele, “disse-me para me vestir bem e me puxou para a caminhonete. Dirigimos pelo que pareceu uma hora.” O calor sobe para minhas bochechas, lembrando o dia. Quantas vezes eu pensei que minha vida seria muito melhor se eu pudesse suportar todas as humilhantes e constrangedores momentos e apagá-los da minha vida. Eu ficaria feliz então. Eu continuo. “Meu pai nunca me forçou a ir caçar com ele antes. Ele não queria o trabalho de uma criança acompanhando, assustando a caça.” Dores atingem meu estômago e vejo a morte em minha cabeça. Eu empurro. “Ele disse que eu iria me acostumar. Ele disse que depois de um tempo, você os vê como comida. ‘Eles não têm sentimentos. Eles não sentem dor.’’ Eu tremo. Não sinto o peito de Manny subir ou descer sob mim. “‘Faça’, disse ele. ‘Pare de chorar’.” Eu solto a mandíbula de Manny e bato em sua cabeça, sentindo que meu pai bateu no meu próprio. “‘Pare de chorar, sua bicha. Endureça.’” Eu bati nele novamente e de novo e de novo. “‘Vamos, seja homem. Seja homem.’” Lágrimas bem, vendo o veado em sua cabeça. “Seja um homem, sua garota de merda. O que você é, uma garotinha?” Eu zombo. “‘Você está chorando como uma garotinha?’” Eu bato na lateral da cabeça dele novamente. “Você é uma garotinha? Quer um vestido? Atire novamente. Não está morto.” Eu aperto seu pescoço com as duas mãos. “‘Não está morto! Atire de novo!’” Eu tremo, vendo o sangue e a respiração úmida do animal abatido e sabendo disso estava sofrendo, mas eu não poderia fazer isso de novo. Eu não queria matá-lo. “Mas eu continuei perdendo”, eu digo, “e não consegui dar o tiro mortal, e só queria colocar uma flecha em meu pai em vez disso.” Fecho meus olhos, encostando minha testa em seu rosto. “Eu queria colocar a flecha nele.” Eu não consigo me segurar. Eu não conseguia nem usar uma espingarda. Ele me fez usar um arco. “O cervo levou oito minutos para sangrar”, digo a Manny, mas não consigo olhar para ele. “E ele colocou a cabeça na porra do saguão da nossa casa.” Lágrimas picam como agulhas minha garganta. “Ele colocou a cabeça no foyer.” Porque comprei uma camisa. Porque eu estava… “Eu nunca usei a camisa”, sussurro. “Eu não poderia deixar ninguém descobrir.” Ainda sem se mover ou me afastar, ele pergunta: “Descobrir o quê?” Abro a boca, mas nenhuma palavra sai. Uma vez que eu diga isso, eu não posso desdizer, e enquanto eu estava tão cansado de cambalear à beira de mudar minha vida para sempre, o medo paralisa-me. Não podia deixar ninguém descobrir que gostei da camisa. Que eu tinha visto esse garoto na orientação do primeiro ano do ensino médio e não conseguia parar de olhar para ele. Que ele usava preto e tinha cabelos pretos ondulados para combinar com os que caíam sobre os ombros, e que ele usava piercings e delineador, e era tão quieto e pálido e gostei do jeito que as cavidades de suas bochechas destacavam a escuridão em seus olhos. Eu amei o jeito dele, as roupas estavam penduradas nele e como as correntes da carteira caíam em sua perna. Que por um momento, me convenci de que estava com ciúme da sua aparência. Eu queria ter aquele visual. E com o tempo, percebi que não queria me parecer com ele. Eu só queria olhar para ele. Abro meus olhos e olho para cima, encontrando os dele enquanto deixo cair minhas mãos. “Eu não poderia deixar ninguém descobrir que eu não era um homem.” Eu não queria Lyla. O que eu queria, não poderia ter. “Você é um homem”, ele murmura, tirando a camisa da minha mão e colocando-a. “Você é um homem. JD, você defendeu Misha com Trey. Você defendeu Ryen. Você escolheu um lado. O lado certo, apesar de seus amigos.” Ele pega meu pulso, segurando-o com força. “Você é um homem.” Eu fico rígido instantaneamente, sentindo seu calor. É quase doloroso e não consigo respirar. Mas então... eu não sei se é ele ou eu ou como isso acontece, mas caio e seus braços estão em volta do meu pescoço, me segurando perto. Eu planto minha mão na parede, fechando meus olhos, e abraçando-o de volta com o outro braço, exalando pelo que pareceu uma eternidade. Não sei se estou tremendo mais ou menos, mas é tão bom que não quero mais soltar. Lyla foi provavelmente a última pessoa a me abraçar, mas não foi assim. O cheiro de cedro e sabãoatinge meu nariz e coloco meu rosto nele, segurando-o com força. E se eu tivesse sido melhor? E se eu o protegesse na escola? Enfrentasse Trey? E não só o enfrentasse, mas quem ditava as regras? Fosse o líder? Manny nunca teria sido tocado se eu tivesse me levantado. E talvez naquela noite depois do jogo em que eu perdi o passe e o treinador me fez correr até às malditas onze e meia, muito depois que todos tivessem ido embora, eu não teria visto Manny debaixo da arquibancada, se escondendo de casa, e simplesmente o deixasse lá. Se eu fosse um homem forte, soubesse o que queria e pedisse desculpas por conhecer um, eu teria falado com ele. Eu teria pegado sua mão e sentado com ele para deixá-lo saber que ele não estava sozinho. Que ele me tinha. As cristas de seu corpo pressionam rente ao meu – a cutucada em suas costelas, a parte plana de seu estômago, inspirando e expirando – e é mais do que posso aguentar. O peso das minhas pálpebras fica mais pesado, eu paro de respirar e o calor se acumula na minha virilha, meu corpo querendo mais. MANNY Meus olhos se abrem, sentindo isso. A crista dura roçando contra a minha, o sangue agitando entre minhas pernas, apesar do fato de que eu gostaria que não estivesse. J.D.? Jesus Cristo. Ele está duro. Engulo o nó que cresce na minha garganta, uma leve camada de suor esfriando a pele sob a camisa. Fecho meus olhos novamente, seu hálito quente roçando minha orelha e calafrios se espalhando pelo meu corpo, me fazendo querer me enrolar mais nele. Que porra é essa? Eu deixo cair meus braços, congelado. Sinto-me atraído por J.D., estaria mentindo se dissesse que não, mas fui atraído por muitos caras heterossexuais. Eu sigo a vida, porque isso é tudo que posso fazer. Nunca me ocorreu que J.D. não seja hetero, no entanto. Mas mesmo se ele não for, ele não está pronto para ser qualquer outra coisa fora desta sala. Eu me afasto dele. Eu não vou ser seu segredinho sujo, seja lá o que for. Eu começo a me virar para abrir a porta. “Eu deveria encontrar Ten.” Ele estende a mão, batendo na porta e me fazendo pular. “Não”, ele diz. “Você não deveria.” Seu nariz roça o meu, sua respiração pesada aquece minha pele enquanto sua boca paira, e eu não consigo respirar. Eu cerro os dentes e agarro a marçaneta atrás de mim, mas ele segura meu pescoço em uma mão e me bate contra a porta. Eu rosno, ofegando por ar. “Eu não quero que ele toque em você”, ele sussurra, e posso sentir o cheiro da bebida em seu hálito,como cascas de laranja secas. Minha boca enche de água. “Eu nunca quis.” Eu sufoco uma risada amarga. Você nunca quis. Excelente. “E você não toca nele.” Eu balanço minha cabeça, cobrindo meus olhos enquanto olho para o maldito atleta. “O que você quer que aconteça aqui?” Eu pergunto, inclinando-me para ele, brincando, nossos lábios a centímetros de distância. “Você quer me tocar? Me ver?” Começaremos devagar. Por que não? Eu largo a camisa pelos meus braços, vendo seus olhos azuis caírem para o meu peito. Os pulmões dele vazios, e o calor emana dele em ondas enquanto ele brinca e provoca, prestes a entrar em mim, mas se segura, a tortura escrita em seus olhos. “Você quer me assistir?” Eu provoco Serei seu brinquedo esta noite enquanto você se vira e me bate amanhã? Vamos ver então. Eu me abaixo, espalmando meu pau através do meu kilt, observando seu rosto enquanto eu esfrego devagar e com força. Meu pau se contorce, mexendo-se mais e mais, porque seus olhos não deixam minha mão enquanto eu brinco e… Eu engulo em seco. E eu meio que gosto. Eu gosto que ele goste. Meu pau tensiona no meu kilt, implorando para me livrar dele, e eu sei quando JD vê meu pau ereto e pronto, porque suas sobrancelhas cavam como se ele estivesse com dor. Mas eu não sou mais seu entretenimento. Afasto minha mão de mim mesmo. “Mais”, ele rosna, forçando minha mão de volta e inclinando-se em minha boca. “Deixe-me ver você fazer isso.” Eu resisto. “Não.” “Faça isso”, ele range para fora. Eu me liberto de sua mão e o bato no peito com as duas palmas. Ele tropeça para trás. “Eu não sou a porra do seu brinquedo!” Eu grito, sem me importar com quem me ouve. “Você acha que eu vou me masturbar para você esta noite? Talvez chupe seu pau amanhã e deixe você me foder no banco de trás quando você finalmente quiser ir um pouco mais longe?” Eu olho para ele, seu cabelo castanho ainda no lugar e estilizado, sempre fazendo-o parecer muito bonito. “Você sabe por que eu prefiro foder qualquer um em vez você? Porque você me esconderia. Você me faria sentir como se estivesse no ensino médio! Envergonhado, nojento e inútil demais para esperar algo melhor! Vai se foder, J.D.! Seu filho da puta, filho da puta, filho da puta! Eu deixaria qualquer um me levar para a cama em vez de você!” Ele rosna, a raiva perfurando seu olhar enquanto ele estende as mãos e empurra o vaso de flores falsas da mesa contra a parede. Ele cai no tapete, e então tomba sobre uma das poltronas acolchoadas. Pirralho mimado. Como de costume, ele quer o que quer, quando quer, e talvez no último ano, eu o teria deixado fazer o que quisesse comigo, porque eu estava desesperado por atenção, mas aprendi que valia muito mais desde então. Foda-se J.D. York. Foda-se essa cidade. E foda-se todos eles. Foda-se. Virando, giro a maçaneta e abro a porta, mas é puxada da minha mão e empurrada fechada novamente. Eu me viro, pronto para separá-lo, mas quando viro, ele está puxando o moletom de sua cabeça e parado lá, seus olhos sem encontrar os meus. Mas eles brilham, e posso dizer que estão prestes a transbordar. Eu paro quando ele se aproxima, cerrando a mandíbula. “Por favor, use isso”, ele murmura, ainda sem olhar para mim. “Está frio.” Eu fico boquiaberto com ele. Ele avança lentamente, enfiando as mãos no buraco da cabeça. Estou prestes a empurrar ele se afasta, mas então ele fala novamente. “Sinto muito”, ele mal consegue sussurrar. “Eu não sei o que estou fazendo. Eu não estou bem.” Sim, todo mundo sabe disso. “Faz muito tempo que não estou bem, mas ...” Ele respira algumas vezes. “Eu não queria estar em qualquer outro lugar que não aqui com você agora.” Minhas sobrancelhas despencam, tentando manter minha emoção sob controle. Isso é como ele. “Eu queria estar assim com você há muito tempo.” Minha garganta se estica, vendo todos os anos que ele manteve as coisas trancadas e como a merda simplesmente se acumula, porque eu sei como é. Antes que eu possa impedi-lo, ele desliza o moletom pela minha cabeça e puxa para baixo. Eu deslizo meus braços, seu cheiro me envolvendo. “Sinto muito”, ele me diz, baixando a cabeça. “Sinto muito por tudo isso.” Uma lágrima escorre por sua bochecha, e ele rapidamente se abaixa e tira a camisa preta do chão, então não vou notar, mas assim que ele volta para cima, eu agarro seu punho, sentindo a camisa. Se ele tivesse pressionado um pouco mais forte, eu poderia ter cedido. Ainda anseio por atenção. Ainda estou fraco, e ainda tenho problemas de autoestima. Ele é gostoso e eu quero isso. Mas ele não insistiu. Ele me vestiu e não consegue olhar para mim. “Eu quero a camisa”, digo a ele. Em vez de pegá-la, porém, observo seu rosto e passo meus dedos por seu braço. O macio da pele do lado de baixo, alguns arranhões de um jogo de futebol sem dúvida, as veias salientes através de sua pele dourada. Ele realmente quer isso? Ele não está pronto. Mas algo passa por mim, e eu mergulho, correndo meus lábios pelo lado de seu pescoço sentindo seu peito desmoronar bem antes de ele agarrar minha cabeça, me segurando contra ele e nós dois caindo na porta. Eu acaricio meu nariz em sua pele, aproveitando o convite para mais e traço a ponta do meu em seguida, a língua em seu pescoço, puxando-o,provando-o e comendo-o – mordendo, beijando e chupando. Ele geme, e eu imediatamente sinto seu pau endurecer novamente e pressionar no meu. “Isso poderia ter sido nós”, eu sussurro, “anos atrás.” Eu coloco sua orelha entre os meus dentes, lentamente puxando-a para baixo. “Eu gostava de olhar para você no chuveiro.” Arrasto minhas mãos sob sua camisa, a porra do seu corpo incrível me excitando. “Deus, você ficava bem molhado.” Ele respira com dificuldade e eu o vejo mostrar os dentes. “Eu quero estar no chuveiro agora”, digo a ele. “Tocando em você.” “Manny...” ele geme. “Leve-me para casa”, eu digo. “Leve-me para casa, para sua cama. Você pode ver isso? Eu nu em seus lençóis? Eu me barbeando na sua pia com apenas uma toalha, porque para que se preocupar em estar vestido. Eu vou te foder de novo daqui a pouco.” Eu o provoco, e seu corpo está ficando selvagem, porque provavelmente nunca lhe ocorreu que eu seria rude com ele também, e ele poderia gostar dessa ideia. E então ele está nisso. Agarrando a parte de trás do meu cabelo, sua respiração pesada caindo sobre minha boca, ele cobre meus lábios com os dele, me segurando rápido e me dominando com força. Eu gemo e não sei se é porque não consigo respirar ou porque sinto tudo através da porra do meu corpo, mas de qualquer forma, eu não me afasto. Pegando a camisa, eu o beijo de volta e inclino minha cabeça enquanto ele empurra meu queixo para cima e me pressiona contra a porta, sua boca descendo pela minha garganta. Eu gemo. Porra, ele é bom. Ele cobre minha boca novamente e posso sentir o sorriso em seus lábios. E uma certa satisfação por gostar disso. Que ele queira. “Leve-me para casa esta noite”, eu exijo. “Eu serei seu a noite toda.” Ele vacila, sua respiração instável atinge meu pescoço. A hesitação, embora esperada, dói. Ele nunca vai me levar para casa com o papai. Mas eu o pressiono, porque eu mereço saber. “Não me curve”, eu sussurro. “Fique em cima de mim, porra, e segure meu olhar enquanto você faz isso.” Ele fica ali, congelado por um minuto, e eu só posso imaginar a realidade fria se infiltrando em seu corpo. Ele se afasta. Eu forço um sorriso, afastando a dor no meu estômago. “Bundão, filhinho de papai, filho da puta.” Ele ergue o queixo, desafiador. Eu não serei sua merda. Eu posso foder Ten, e isso não importa. Se J.D. me quer, então ele terá que pertencer a mim. Segurando a camisa, eu empurro a parede. “Vou chamar um Uber.” E eu me viro, abrindo a porta. “Vá direto para casa”, eu o ouço dizer, sua voz é uma mordida fria. “Para sua própria cama. Sozinho.” Eu rio, sem me virar para encará-lo. “Isso não é mais o colégio. Eu não tenho medo de você.” “Você viu meu lado suave esta noite”, ele me diz. “Não me faça lembrar que eu tenho outro.” Meu estômago se agita um pouco, lembrando muito bem. “Quero dizer, realmente Manny.” Sua voz fica brincalhona, mas sinistra. “Não me empurre assim. Isto me machuca mais do que te machuca.” Eu posso sentir o sangue drenando meu rosto, mas só paro um momento antes de bater a porta fechada e empurro a multidão, em direção ao saguão e saída. Uma semana inteira em casa. Ten está aqui. Trey está aqui. J.D. está aqui. Porra.