Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

Disponibilização: Eva 
Tradução: Silvia 
Revisão: Lu Marriot 
Formatação: Eva 
 
 
 
 
 
 
Janeiro/2022 
 
CENA DELETADA 1 - FINAL EXTENDIDO 
Havia originalmente outro capítulo entre o final do livro e o epílogo. Eu o 
tirei, porque meu editor e eu achamos que parecia um epílogo e deixaria 
vocês confusos quando chegasse o epílogo real. Mas isso não era 
terrivelmente importante. Mas mostra mais de seu HEA depois que Misha 
vai em sua turnê de verão e Ryen vai para a faculdade, então espero que 
gostem! 
------------------------------------ 
 
Ryen 
Dez meses depois… 
“Então Alexandre, o Grande, como vocês sabem, tinha 
um relacionamento muito próximo com sua mãe, que foi 
extremamente influente na sua vida”, ensina o professor. 
Eu bato meu lápis, olhando para o relógio, desejando 
que o ponteiro dos minutos se mova mais rápido. Não que eu 
não esteja interessada, mas devo receber um pacote de Misha 
hoje, e quero voltar para o meu dormitório. 
“O filme está correto?” Uma jovem mulher no corredor 
à minha direita pergunta. “Ela realmente gostava de cobras 
tanto quanto eles retrataram?” 
Filme? Sorrio para mim mesma. Uma garota com os 
mesmos interesses e opiniões que eu. 
Embora tenha aprendido a ser mais tolerante e 
paciente. Eu li todos os artigos e outra leitura designada. 
Além de ver o filme, é claro. 
O professor idoso está sentado em sua mesa na frente, 
as pernas balançando acima do chão. “Isso está correto. Ela 
amava cobras. Demais, dizem alguns.” 
Eu pisco e finalmente olho para ele, minha curiosidade 
atingiu o pico agora. Demais? 
O professor Jacobson vê os olhares vazios ao redor da 
sala e ri, dando-nos uma dica maior quanto ao seu 
significado. “Ela gostava de cobras, e... cobras... gostam... 
de... lugares... quentes...” 
Eu estremeço, finalmente entendendo. “Ai credo.” 
A classe inteira cai na gargalhada, todos nós nos 
contorcendo em nossos assentos. Isso não pode ser verdade. 
Ele sorri, sempre parecendo gostar de brincar com a 
gente, e olha para o relógio. “Tudo bem, vamos encerrar o 
dia,” ele diz. “Tenham todos um bom fim de semana. Estarei 
no meu escritório até às seis, se alguém precisar de mim.” 
Sim. Tiro meu teclado e iPad da mesa, meu coração 
começa a acelerar antecipadamente. Enfiando tudo na bolsa, 
pulo da cadeira e corro as escadas, cruzando a frente da sala 
de aula e empurrando as portas. 
Não vejo Misha há meses – desde o Natal – e mesmo 
que ele mande cartas e faça ligações no Skype o tempo todo, 
são os pacotes que ele me envia que me provocam, eu os 
antecipo quase tanto quanto a perspectiva de vê-lo. 
Gosto de verificar meu correio e ver qualquer coisa 
dele. 
Às vezes é divertido, como fitas mistas, lembranças de 
suas turnês ou coisas que ele pensa que preciso, como livros 
de receitas engraçadas como Thug Kitchen, quando reclamo 
que estou cansada de comer nas salas de jantar. 
Outras vezes, entro no meu dormitório e encontro flores 
ou o teto coberto com balões, como no meu aniversário. 
E eu escrevo para ele todas as semanas, mesmo que ele 
não esteja sempre no mesmo lugar e só receba as cartas mais 
tarde. Mas ele insiste. Sem e-mails. 
Depois de todo esse tempo, ainda somos amigos por 
correspondência. 
Sua turnê no verão passado terminou melhor do que o 
esperado. Ele pensou que terminaria, viria pra casa, e 
continuaria escrevendo músicas, tentando fazer um acordo, 
mas depois de toda a exposição do ano passado, eles estavam 
batendo em sua porta antes mesmo de a turnê terminar. Nos 
meses desde então, ele e os rapazes gravaram um álbum, e 
embora eu o ouça todo dia, não consigo passar um período de 
vinte e quatro horas sem ouvir isso vindo do iPod, o som do 
carro ou a televisão de outra pessoa. Estou muito orgulhosa 
dele. 
Passando pelo grêmio dos estudantes e descendo a 
calçada alinhada com árvores recém-brotadas, atravesso a 
rua e entro no Campbell Hall, minha casa nos últimos sete 
meses. Descendo os degraus rapidamente, pego minhas 
chaves na bolsa e encontro minha caixa de correio, 
destranco-a. 
Pego a correspondência, mas faço uma pausa quando 
não vejo outra chave. Minha caixa de correio é pequena, 
então sempre que Misha envia pacotes, há uma chave para 
uma caixa maior, onde vou encontrar a caixa que ele enviou. 
Eu rapidamente folheio a correspondência, vendo um 
cartão da minha mãe, minha conta de telefone – que eu não 
vou olhar hoje – e algumas ofertas de cartão de crédito. 
Nada de Misha. 
Meu coração entristece. Ele não disse que algo estava 
chegando hoje? Eu deveria fazer um FaceTime com ele no 
meio de qualquer coisa que ele esteja fazendo por ter 
aumentado minhas esperanças assim, caramba. Fecho minha 
caixa de correio e coloco minha correspondência em minha 
bolsa. 
Caminhando de volta para a escada, algo na parede 
chama minha atenção, no entanto, e eu paro, lendo. 
— Dizem que não somos bons e estamos bem com isso, 
somos os líderes dos que não voltam. — 
O Sharpie preto está escrito na madeira ao lado do 
batente da porta, e eu quebro em um sorriso com a letra de 
Five Seconds of Summer, meu coração alojando-se em minha 
garganta. 
Eu corro escada acima e vejo uma pequena placa 
pendurada na parede, também com uma letra. 
— Está escuro por dentro. É onde meus demônios se 
escondem. — 
Oh, meu Deus. De repente, não consigo recuperar o 
fôlego. 
Ele está aqui. 
Eu corro para o meu andar. 
— Pinte-o de preto e leve-o de volta. — ... Outra 
mensagem quando eu passo pela porta, levando ao meu 
andar. Ando rapidamente pelo corredor bem iluminado, 
vendo a mensagem depois mensagem escrita para mim, 
levando direto para o meu quarto. 
— Olá, anjo do meu pesadelo.— 
E eu sorrio ainda mais, vendo uma letra de Eminem em 
várias cores, pintada na parede. 
— Você não tem outra chance. A vida não é um jogo da 
Nintendo.— 
— Num minuto eu quero cortar sua garganta, no outro 
eu quero...— 
Sorrio, cobrindo meu sorriso, porque sim. 
Mordendo meu lábio, destranco minha porta com as 
mãos trêmulas e abro, instantaneamente avistando Misha. 
Borboletas disparam em meu estômago. 
“Você sabe”, ele começa, recostando-se na cadeira da 
minha escrivaninha, com as mãos atrás da cabeça, "Eu 
poderia ver mais você se você decidisse frequentar a The New 
York School of Design.” 
Eu sorrio, entrando e fechando minha porta. Droga, ele 
parece bem. Jeans escuro que caem na cintura apenas o 
suficiente para me deixar com ciúmes de um par de calças e 
uma camiseta cinza sobre seu torso longo e largo. Olho ao 
redor para ter certeza de que minha colega de quarto não está 
aqui. 
Eu me aproximo dele, deixando cair minha bolsa. “Você 
viu a biblioteca de Cornell? Filas e filas de lugares escuros 
escondidos para se perder.” 
Claro que eu poderia ter tido mais oportunidades de vê-
lo se eu fosse para a escola na cidade, mas ele estaria em 
todo lugar, e Cornell era o que era melhor para mim, então eu 
aproveitei. 
“Então é por isso que você escolheu esta universidade?” 
Ele pergunta, abrindo as pernas e pegando meus quadris 
quando chego perto. 
Eu concordo. Certamente foi um dos motivos. 
Fantasiar sobre as visitas de Misha e todos os pequenos 
lugares em que poderíamos nos perder. 
Eu toco seu rosto, vendo que ele finalmente trocou seu 
piercing de lábio preto por um prateado. “Senti a sua falta.” 
“Senti sua falta também.” Ele levanta a barra da minha 
camisa e beija minha barriga, enviando arrepios até entre as 
minhas coxas. 
“Você está linda”, diz ele. “Feliz.” 
“Isso não vai te deter, vai?” Eu provoco, referindo-me a 
como sempre conseguimos apimentar qualquer ocasião com 
um pouco de brincadeira. “Eu posso ter alguns problemas.” 
Ele enterra o nariz e a boca na minha pele, sua voz 
abafada. “Sem problemas.” 
“Ouvi dizer que você é famoso agora.” 
Seus ombros tremem com uma pequena risada. “Na 
minha pequena fatia do mundo pelos próximos quinze 
minutos, talvez.”Eu trago seu rosto para cima, forçando-o a encontrar 
meus olhos. “Sua música... você foi incrível. eu ouço todos os 
dias.” 
“Você é suspeita.” 
Eu encolho os ombros. “Provavelmente.” 
Inclinando-me, eu o beijo, amando como fico 
imediatamente aquecida por todo o corpo. Espero que ele não 
queira ficar aqui esta noite. Eu vou me sentir culpada 
expulsando minha colega de quarto enquanto tentamos nos 
espremer na minha cama de solteiro. Hotel, por favor. 
“Quanto tempo você tem?” Eu o beijo de novo e de 
novo, sentando e montando em sua volta enquanto nós dois 
ficamos sem fôlego. “Você vai sair em turnê em breve ou 
algo?” 
Ele balança a cabeça, falando entre beijos. “Eu acho... 
talvez, eu não esteja pronto para o mundo da música ainda. 
Pensei em ir para a faculdade, sem pressa...” 
Eu paro e me afasto. “Isso... isso não tem nada a ver 
comigo, não é?” Eu o questiono. “Eu não quero que você 
perca suas oportunidades.” 
“Você é minha oportunidade”, afirma. “Eu cresci com 
você, e como disse, você fez parte de quase tudo que fiz e que 
amo. Eu posso fazer música a qualquer hora, em qualquer 
lugar, e as oportunidades estarão lá quando estivermos 
prontos para elas.” 
Mas- 
“Embora você possa ter que se transferir”, ele 
interrompe antes que eu tenha a chance de responder. “Eu 
não tenho certeza se posso entrar em Cornell.” 
E então sou arrebatada pela realidade do que ele está 
dizendo e abro um sorriso. Misha e eu. Aqui juntos. Ver um 
ao outro todos os dias. Eu tenho que admitir, estou 
totalmente nisso. Por mais que eu ame as cartas e a 
expectativa de vê-lo depois de muito tempo faltas, quero 
seguir em frente, não voltar, como se ainda fôssemos amigos 
por correspondência na quinta série. 
Não que eu não gostasse de ser amigos por 
correspondência, mas isso foi antes de me apaixonar por ele, 
e a perspectiva de sermos apenas nós dois agora parece boa 
demais. 
E nós temos apenas dezenove anos. Se ele quiser 
desacelerar e demorar, eu não posso invejá-lo por isso. Eu 
olho para ele. “Um astro do rock best-seller e neto de senador 
que trará de graça publicidade para a universidade?” Eu 
medito. “Tenho certeza de que vai funcionar.” 
Se Cornell não o admitir, então não vou conseguir ficar 
em uma universidade tão ruim. 
Envolvo meus braços em torno dele, sussurrando em 
seus lábios. “Mal posso esperar para ter você por aí todos os 
dias. Sem pais. Sem drama. Sem travessuras. Só nós.” 
Mas então eu ouço alguém atrás de mim irromper pela 
porta, e torço minha cabeça ao redor, vendo Dane parado na 
porta, com as mãos para cima e parecendo preocupado. 
“Vamos ter que alugar uma casa”, diz ele a Misha, sem 
fôlego. “Não tem como caber todas as minhas guitarras e 
amplificadores nesses quartos.” 
Eu me viro, inclinando minha cabeça para Misha. Mas 
ele apenas bufa. “Ele meio que vai aonde eu vou. Não teremos 
problemas. Eu prometo.” 
Mmm-hmm. 
 
CENA DELETADA 2 - MISHA E RYEN 
MATAM AULA 
Esta cena se passa no capítulo 12, creio eu, após a diretora tirar Ryen do 
colo de Misha e ele sair. Na versão original, ela se juntou a ele, escapando 
da escola. A cena foi cortada porque, no geral, não foi necessária. 
------------------------------------ 
Ryen 
Dois minutos depois, eu o encontro sentado em sua 
caminhonete. O estacionamento está cheio de carros, sendo 
apenas hora do almoço, mas está livre de qualquer pessoa. 
Acho que a diretora não o deteve por muito tempo. 
“Você realmente está conectado errado, não é?” Eu 
grito pelo lado do passageiro com a porta meio aberta. 
Ele sorri, ligando o motor, e eu abro a porta, entrando. 
“Estou falando sério. Ela pode tornar sua vida miserável até a 
formatura, Masen. Não foi você quem quis ficar fora do radar 
da autoridade?” 
“Não estou com medo dela.” 
Bem, eu estou. Eu nunca mato a escola, simplesmente 
porque prefiro estar aqui do que em casa, e, nervosamente, 
olho ao meu redor uma última vez enquanto ele sai do 
estacionamento. Pensei em inventar uma mentira para meus 
amigos, mas em vez disso, apenas joguei meu almoço fora e 
fui para o meu armário para pegar minha carteira. Eu não 
sabia se ele voltaria para a escola hoje, e não tinha o número 
do celular dele. Eu tinha que sair com ele se eu quisesse ter 
certeza de que o veria novamente. 
“Tacos, hambúrgueres, sanduíches...?” Ele pergunta, 
parando. 
Eu olho para o outro lado da rua, vejo os Franks do 
Falcon e aponto. “Cachorros quentes.” 
Faz uma eternidade que não vou lá e, de repente, não 
me sinto mais com vontade de comer uma salada. 
Masen entra no drive-thru e para na frente do menu. 
“Bem-vindo ao Falcon”, diz a pessoa no interfone. “Vá 
em frente quando você estiver pronto.” 
Masen olha para mim, e me inclino sobre o console 
central em minhas mãos e joelhos para provocá-lo. 
“Oi”, grito, “quero um cachorro-quente comum e uma 
garrafa de água, por favor?” 
Masen zomba e aperta a parte de trás da minha coxa, 
gritando no interfone: “Isso significa que ela vai querer um 
cachorro-quente com chili e queijo e uma Coca.” 
Faço uma carranca, virando minha cabeça em direção 
a ele. “Como você sabia que eu gostava do meu cachorro-
quente desse jeito?” 
“Porque você está agindo como uma florzinha recatada 
com o apetite de um pássaro?” 
Reviro meus olhos, sentando no meu assento. Mas 
secretamente estou feliz. Eba, cachorro-quente com chili. 
Como diabos ele sabia disso? Ainda bem que o 
restaurante dá balas com a refeição. Eu vou querer beijá-lo 
hoje, com cebolas ou não. 
Ele paga pela nossa comida e fico feliz em ver dinheiro 
em sua carteira. Eu não tenho ideia do que ele e eu somos ou 
o que esperar dele, mas não posso deixar de me preocupar 
um pouco. The Cove não é uma casa. 
E não importa o quão duro ele aja, o estresse de 
qualquer situação em que ele esteja, está ali em algum lugar. 
Enterrado bem fundo ou logo abaixo da superfície. Estou 
ficando cada vez mais curiosa sobre isso, embora tente dizer 
a mim mesma que não me importo. 
Ele para no lava-rápido vazio onde viemos algumas 
semanas atrás, e eu permaneço em silêncio enquanto ele 
estaciona em uma baia e sai. 
O que ele está fazendo? 
Eu vejo quando ele liga a mangueira e pula no degrau, 
colocando-a no telhado e deixando a água derramar no para-
brisa. Qualquer luz que entra na caminhonete escura é agora 
esmaecida, e a suave rajada de água faz parece que estou em 
uma caverna. 
Tremores se espalham sob a minha pele com a 
memória da última vez que estivemos aqui. 
Ele abre a porta e recolhe a comida, dizendo-me: “Vá 
para o banco de trás”. Ele bate a porta e abre a de trás, 
entrando. 
Pulando sobre o console, eu alcanço e pego minha 
comida e bebida, mas ele pega minha Coca e coloca no porta-
copos na porta. 
“Venha aqui”, ele direciona. 
Segurando minhas coxas, ele me guia em seu colo, e eu 
monto nele. Ele se senta e pega seu cachorro-quente e 
começa a comer quando começo a relaxar. A caminhonete 
está escura e ninguém sabe onde estamos. Ninguém pode nos 
ver. 
E graças à mangueira, não podemos ver ou ouvir nada 
lá fora. A fuga perfeita. 
“Sabe, você está desperdiçando água”, provoco, tirando 
meu cachorro quente da embalagem. 
“Você sabe, não estamos no deserto.” 
Sorrio para mim mesma e dou uma mordida. Eu gosto 
dele. 
“Você sabia que há tanta água no planeta agora como 
quando o planeta se formou bilhões de anos atrás?” Ele 
pergunta, olhando para mim e tomando um gole de seu 
refrigerante. 
“Sim, fiz ciências do segundo ano.” Eu dou uma 
mordida no cachorro quente, segurando o gemido enquanto o 
sabor me atinge. Já fazia muito tempo. 
“Você sabia que 70% da água engarrafada não é 
regulamentada pelo FDA1, ao contrário da água da torneira, 
que é?” 
Balanço minha cabeça, dando outra mordida. 
“Você sabia que a luz solar é a nossa fonte de energia 
renovável mais importante e ainda, apenas cerca de um por 
cento da eletricidade do mundo égerada pelo sol?” 
Meu estômago treme com uma risada silenciosa. Eu 
engulo e tomo um gole do seu refrigerante. Tem chili 
derramado no meu dedo, e eu não tenho mãos suficientes 
para desembrulhar o canudo para minha Coca. 
“Eu não sabia disso”, finalmente respondo. Dou outra 
mordida, limpando o chili do canto da minha boca. 
“Você sabia que suas coxas abertas são diretamente 
responsáveis por minha fonte de energia?” 
 
1 A Food and Drug Administration (FDA ou USFDA) é responsável pela proteção e 
promoção da saúde pública através do controle e supervisão da segurança alimentar, produtos 
de tabaco, suplementos dietéticos, prescrição de medicamentos farmacêuticos 
(medicamentos), vacinas, biofarmacêuticos, transfusões de sangue, dispositivos médicos, 
radiação eletromagnética (ERED), cosméticos e alimentos para animais e produtos 
veterinários. 
Eu bufo, o cachorro-quente fica preso na minha 
garganta, e tento não rir enquanto o forço para baixo e 
procuro outro gole de bebida. 
Deixo meus olhos caírem para seu jeans. “Estou me 
perguntando se todo mundo está começando a notar isso.” 
Ele enfia o último pedaço de cachorro-quente na boca e 
engole um pouco, voltando a cabeça para trás. 
Eu coloco o meu em cima da sacola no assento e pego o 
meu refrigerante, acompanhando minha última mordida. 
“Então, como você sabe de tudo isso?” 
“Pensou que eu fosse um punk idiota, hein?” 
“Não”, eu respondo honestamente. “Pelo contrário…” 
Suas mãos sobem e descem pelas minhas coxas, e ele 
fica quieto por um momento. “Minha irmã era uma 
enciclopédia.” 
“Sua irmã?” 
Era uma enciclopédia? Era? 
“Eu não quero falar sobre isso, ok?” 
Ele fala baixinho e eu forço um encolher de ombros. 
“Tanto faz. Você trouxe isso à tona.” 
O que deveria dizer? Não, não, eu quero saber. Fale-me 
sobre ela. Fale-me sobre você. Fale-me o que você está 
fazendo aqui, onde está sua família, e deixe-me encontrar 
seus amigos. Fale-me do que você gosta em mim. Diga-me 
que iremos ao jogo de beisebol e faremos piadas com nossos 
amigos e nos beijaremos em público e vamos rir como 
adolescentes normais. 
Diga-me que sou louca por pensar que você está se 
escondendo de mim tanto quanto eu estou me escondendo de 
você. 
Ficamos ali, o silêncio pesando muito dentro da 
caminhonete, e eu me pergunto se deveríamos voltar para a 
escola. A quinta aula já teria começado. 
Mas eu olho para baixo e vejo algo prateado no 
compartimento da porta. Abaixando-me, eu o arranco e o 
seguro. 
O pequeno objeto triangular brilha, e posso sentir as 
ranhuras de linha onde seus dedos devem agarrar. 
“Uma palheta de violão?” Eu olho para ele. “Você toca?” 
Ele olha para ela, e algo que não consigo identificar 
passa por seus olhos. Quase como medo. 
Mas ele balança a cabeça lentamente. “Não. 
Provavelmente é de um dos meus amigos.” 
 
CENA BÔNUS – VERÃO PÓS COLÉGIO 
*Esta cena se passa no outono seguinte, depois que Misha e Ryen 
terminam o ensino médio. JD, Ten, e Manny estão em casa para as férias 
de outono. Embora os personagens da Devils Night não apareçam, para 
fins da linha do tempo, esta noite ocorreria na mesma noite que o 
confronto na casa de Kai.* 
------------------------------------ 
 
MANNY 
“Eu juro, não posso te levar a lugar nenhum”, Ten diz, 
saindo do meu carro. 
Bato a porta e dou a volta no veículo, prendendo o 
cabelo atrás da orelha. “Tudo bem”, eu murmuro. “Estou 
muito feliz com nosso acordo – você falando sobre vinho, 
filmes independentes e queijos artesanais enquanto estou 
fora, feliz passando meu tempo... evitando tudo isso.” 
Ele me mostra o dedo do meio, correntes de umidade 
me atingindo enquanto caminhamos para a porta da frente. 
Deveria estar frio agora — o sol do final de outubro se pondo 
rapidamente —, mas o conforto familiar da brisa quente não 
está pedindo mais do que uma camiseta esta noite. 
Mas não é a minha camiseta que estou usando, no 
entanto. Olho para o meu kilt preto na altura do joelho, 
correntes e ganchos de prata segurando-o fechado. 
Coloco meu braço em volta do pescoço dele. “Nós nos 
divertimos às vezes, certo?” 
Apesar das nossas diferenças? 
Mas ele responde: “Eu me divirto o tempo todo.” 
Verdade. Nada jamais atrapalha seu estilo. Nem os 
sussurros no final do nosso último ano quando ele estava em 
cima de mim o tempo todo. Não quando eu me assumi para 
os meus pais pela última vez no verão. 
Nem a separação, quando ambos partimos para 
universidades em lados opostos do país alguns meses atrás – 
ele na Califórnia e eu em Nova York 
Seu investimento emocional em qualquer coisa é como 
redemoinhos de leite no café. Você vê. 
E então você não vê mais. 
Ten nunca luta por nada realmente. Ele apenas se 
adapta. 
“Você teve notícias de Ryen?” Ele pergunta. 
Puxo meu braço dele, sabendo que sua camisa de linho 
vai enrugar se eu ficar lá por muito tempo. “Misha está 
fazendo um show em Boston.” Estico meus braços sobre 
minha cabeça, minha camiseta preta subindo. “Ela foi com 
ele neste fim de semana.” 
“Droga”, ele resmunga. “Você vai se certificar de que ele 
não beba também muito então.” 
Ele. Ten não precisa esclarecer de quem está falando. 
Eu olho para ele. “Onde você estará?” 
“Vou beber muito.” 
Reviro meus olhos. Certo. 
JD não precisa de festa. Ele precisa levar um tapa. Ao 
longo dos últimos meses, nós o vimos no seu melhor. 
E no seu pior. E seu pior era mais frequente. 
Ele perdeu sua garota e seu melhor amigo, duas 
malditas coisas, com as quais ele estava bem melhor sem, se 
me perguntar, mas ainda não o entendo. Você pensaria que 
ele se sentiria como um novo homem, livre do peso de suas 
mentiras. 
Mas ele também é como leite no café. Exceto que ele 
não se adapta. Ele simplesmente desaparece. 
E eu certamente não voltei no Fall Break para ser babá 
enquanto eles ficam bêbados. 
“Minha irmã me convidou para Hilton Head neste fim 
de semana, sabe?” Eu digo a Ten enquanto caminhamos até a 
porta de JD. 
Eu poderia estar sentado em uma varanda, ouvindo as 
ondas agora. 
“Ouvi.” Ele passa o braço em volta de mim, me 
puxando para dentro. “E eu amo você por estar aqui. Você 
não queria ficar preso na Carolina do Norte com três 
pirralhos gritando.” 
“Essa é minha outra irmã, Aracely”, eu digo. “Este é o 
cara que vai se casar em duas semanas.” 
“Oh, certo, certo.” Ele toca a campainha. “Verônica.” 
Valentina. 
Ela e seu marido se juntaram ao Corpo da Paz, então 
decidiram ter sua lua de mel antes do casamento. Todos 
estão convidados. 
Como de costume, deixei Ten me envolver em algo que 
eu não queria fazer em vez disso. Eu odeio essa cidade. Não 
há nada para mim aqui. 
“Mas, falando sério...” Ele dá um tapa no meu saiote 
preto, o tecido escovando a parte de baixo dos meus joelhos. 
“Você não vai usar isso esta noite. Você faz isso só para irritar 
o pai dele.” 
“Como se eu não tivesse coisas melhores com que ficar 
obcecado.” Eu gosto do kilt. Está quente. E combina bem com 
minhas botas de combate. “Foi você que sentou com Sr. York 
na mesa de jantar por duas horas da última vez, delineando 
sua ‘agenda homossexual’ e o assustando. E então você nem 
mesmo disse a ele que estava brincando!” 
Ten bufa, as memórias da cara assustada do pai de JD 
provavelmente estão correndo através de sua cabeça. Ele 
adora brincar com os boomers.2 
A porta se abre e o pai de JD, cabelos brancos e camisa 
xadrez, fica parado, olhando para nós. 
“Oi”, eu digo, forçando um sorriso. 
Ele não gosta de mim. 
Ele não gosta de nós. 
“Sr. Cortez.” Ele acena para mim, os lábios apertados 
enquanto ele se vira para Ten. “Sr. Nielsen. O que eu posso 
fazer por vocês dois?” 
Como se ele não soubesse por que estamos aqui. 
Mas Ten não será contido. “Ber-nard!” Ele exclama, 
amplificando o fogo estereótipo homossexual, aumentando 
sua voz e inclinando a cabeça como se estivesse treze anos. 
“Como vai você?” 
Mordo meu sorriso quando Ten entra,empurrando o 
cara para fora do caminho enquanto o sigo. 
“Por favor, me diga que você ainda está namorando 
aquela instrutora de ioga da loja Greens & Proteins”, Ten 
pede informações como se fossem duas melhores amigas, 
 
2 A geração dos Baby Boomers recebeu esse nome em referência ao aumento no número de 
nascimentos de bebês após o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945. 
atualizando as fofocas. “E você pintou.” Ele olha em volta 
para o foyer. “Você chamaria isso de laranja ou tangerina?” 
O Sr. York ergue uma sobrancelha e minha mandíbula 
estremece com diversão que não consigo deixar escapar. 
Ten se ajusta. Graças a Deus. 
Em vez de responder, o pai de JD mantém a mão na 
porta, virando os olhos em mim. 
Seu olhar azul gelo percorre minhas roupas, 
demorando-se no kilt. “Cortez não é nome escocês”, ele me 
informa. 
Mm hmm. 
Eu me recuso a satisfazer o homem como Ten faz. Eu 
poderia agradecer ao meu amigo por me mostrar uma forma 
de sair da miséria em que estive no colégio, e apreciei Ten por 
me dar coragem de me tornar o homem que eu queria ser, 
mas já passei tempo suficiente da minha vida enfrentando 
com um sorriso. 
E então perdi ainda mais tempo escapando para 
produtos químicos domésticos quando sorrir doeu demais. 
Sem mais fingimentos. Nem mesmo pelo bem de JD. 
Quando o pai de JD e eu não quebramos o contato 
visual, Ten aparece. “Oh, você conhece... América, a Bela. Um 
grande caldeirão.” Então Ten olha para mim. “Quero dizer, ele 
pode ter escocês nele mais cedo ou - ” 
Coloco meu braço em torno de Ten e coloco a mão em 
sua boca, chicoteando-o em direção às escadas. 
Jesus. 
Ele ri, nós dois tropeçando escada acima. 
“Ele está no banho!” O Sr. York rosna atrás de nós. 
“Vamos esperar no quarto dele!” Ten grita de volta. 
Subimos até o topo, fora de vista, e caminhamos em 
direção ao quarto de JD. 
“Você foi longe demais”, advirto. 
“Oh, ele mereceu”, Ten retruca. “E todas aquelas 
piadas passaram direto por sua cabeça. Prometo.” 
Entramos no quarto de JD e, antes mesmo que a porta 
se feche, Ten late uma ordem. “Tire essa camisa. Agora.” 
Eu lanço um olhar para ele, sabendo o que ele diria se 
eu tentasse vesti-lo todas as vezes que estivéssemos juntos. 
Aguentei na primavera passada, porque eu tinha um mundo 
totalmente novo se abrindo para mim e porque... bem, porque 
eu gostava de transar. 
Ten gostava de me ensinar coisas. 
E por um tempo gostei de aprender. 
Ele caminha até o armário de JD e o abre, 
inspecionando as opções, e eu olho ao redor, observando a 
cama bagunçada e o leve cheiro de fumaça de cigarro que eu 
conheço e o sr. York certamente não aprovaria. 
Por que JD voltou esta semana? Ele deve ter amigos e 
todo tipo merda que o prende no Texas, e não é como se 
Misha estivesse aqui de qualquer maneira. 
A porta se abre e eu viro minha cabeça, vendo JD 
entrar com uma toalha cinza enrolada em torno de sua 
cintura. 
“Ei”, Ten grita. 
JD aponta o queixo para nós, mas se afasta 
rapidamente. “Ei.” 
“Como tá indo?” Ten pergunta. 
JD fecha a porta e atravessa o quarto, gotas de água 
pontilhando seu peito, costas, e torso enquanto ele esfrega a 
nuca, provavelmente ainda tentando se livrar de uma ressaca 
antes que mergulhe em outra esta noite. 
“Estou chegando lá.” Ele suspira. “Já passaram pelo 
meu pai, pelo que vejo.” 
Ten puxa uma camisa branca de botões. “Tenho certeza 
que ele não vai nos deixar passar pela porta novamente.” 
JD ri, vasculhando a pilha de roupas amassadas em 
sua cama. 
“Tire a camisa”, Ten diz novamente, aproximando-se de 
mim. 
Eu olho para JD. Ele não está olhando para mim, 
apenas ainda tentando encontrar o que quer que esteja 
procurando. 
“Nós estamos indo para Thunder Bay”, eu aponto. “Não 
é o jantar.” Eu olho para a camisa de mauricinho. “E eu não 
vou usar isso.” 
Ten volta para JD. “Diga a ele que ele parece um peru 
moído.” 
JD continua procurando em suas roupas, mas depois 
de um momento, para e olha com o canto do olho. 
Seu olhar percorre minha forma, a dureza em seu rosto 
me fazendo engolir. Lembro-me muito bem daquele olhar. 
“Ele parece bem”, ele murmura, desviando o olhar. 
“Além disso, estou maior. Ele vai se afogar nessa camisa.” Ele 
joga uma calça jeans que pegou e vai até o armário, sua testa 
estava franzida com raiva. Ele desliza os cabides, um após o 
outro, e finalmente puxa uma camisa preta com bolsos no 
peito, quase militar. “Aqui.” Ele entrega para Ten. “De quando 
eu tinha quatorze anos.” 
Haha 
Um sorriso surge em seus lábios, mas pego a camisa de 
Ten em vez disso. “Eu faço isso.” 
Na verdade, não foi uma escolha ruim. Gostei da 
camisa. Parecia algo que um gótico muito velho para ser 
identificado como o Emo de uma banda de Nu Metal usaria. 
Mas provavelmente não vai caber de qualquer maneira. 
Posso ser mais magro que JD e não tão largo, mas também 
não tinha quatorze anos. Somos quase da mesma altura. 
“Eu tenho que mijar”, diz Ten, deixando-me com isso. 
Ele sai e fecha a porta, e eu vejo enquanto JD veste o 
jeans e, em seguida, desliza a toalha, fechando o zíper da 
calça, mas sem abotoá-la. 
Puxando um maço de cigarros da mesa de cabeceira, 
ele acende um e caminha até a janela, deslizando-a para 
cima. 
Aproveito o momento e deslizo minha camiseta pela 
cabeça, puxando a preta de JD, me apresso, sentindo seus 
olhos em mim. 
Abotoo e coloco no kilt, confortável, mas perfeito. 
“Você tem uma gravata preta?” Pergunto-lhe. 
Se eu tiver que me vestir bem, então vamos em frente. 
JD abre uma gaveta e vasculha, finalmente puxando 
uma de seda preta, amassada com rugas. 
Claro que estaria. JD não se preocupava com roupas. 
As meninas só queriam o que estava por baixo. 
A pele e os músculos perfeitos e ensolarados. O cabelo 
castanho chocolate. O sorriso infantil e as mãos que 
pareciam lindas em volta de uma bola de futebol. 
O cachorro que elas podiam conduzir pelo nariz e que 
faria o que elas queriam e agiria como se não pudesse transar 
com uma dúzia de pessoas melhores a uma curta distância e 
que iria tratá-lo com muito mais respeito. 
Ele joga para mim, e eu coloco em volta do meu 
pescoço, tentando colocá-lo sob a gola. 
“Aqui”, JD me diz. 
Com o cigarro pendurado na boca, ele se aproxima de 
mim e puxa meu colarinho, situando a gravata antes de 
dobrar a gola de volta para baixo. 
Suas pálpebras estreitam contra os redemoinhos de 
fumaça que chegam aos seus olhos, e eu pego o cigarro de 
sua boca e coloco na beirada da mesa ao nosso lado. Ele pode 
arruinar corpo dele. Não quero essa merda na minha cara. 
Ele amarra minha gravata e eu deixo cair meus olhos, o 
cabelo da minha nuca se arrepiando. 
Não tenho certeza se algum dia estarei confortável com 
ele. 
Eu não o odeio. Eu só… 
Eu simplesmente não o tinha perdoado. 
Sinto seus olhos em mim, seus dedos roçando meu 
pescoço. 
“Sabe, você pode dizer não a ele”, diz ele. “Se você está 
feliz com quem você é, e você se sente bem em suas roupas, 
defenda-se. Você não é o animal de estimação dele.” 
“E se eu não estiver feliz?” 
Seus dedos param por um momento e levanto meus 
olhos, vendo a confusão nos seus. 
“E se eu não quiser perder uma oportunidade que pode 
me abrir para algo que vai me fazer feliz?” Eu o desafio. 
Ele continua com a minha gravata, puxando-a com 
mais força agora. “Nem todas as oportunidades são boas, 
Manny.” 
“Mas alguns são.” Levanto meu queixo. 
“A experiência ensina a diferença.” 
Ok, sim. Ten e eu nos divertimos. 
E aprendi muito rapidamente que eu não era a única 
diversão que ele estava tendo também. 
Não me sinto bem, mas não tenho mais nada, então 
deixo Ten me empurrar e me puxar e dobrar meu cérebro 
durante todo o verão até que finalmente percebi que estou 
aprendendo e sou grato por isso. Aprendi a falar com as 
pessoas e a me abraçar um pouco mais. Eu não tenho 
nenhum segredo agora. 
Considerando todas as besteiras imprudentesde Ten, 
ele pode ter acabado de salvar minha vida também. 
E JD York não é ninguém para falar sobre isso. 
“Você tem visto Lyla desde que voltou?” Eu cutuco. “Eu 
a vi trabalhando no Dashell's Boutique esta tarde.” 
Ela estava organizando as vitrines na calçada em frente 
à loja no centro da cidade. 
JD olha fixamente para minha gravata. 
“Lembra quando ela fez Trey me segurar, tirar minhas 
roupas e depois colocar maquiagem em mim?” Pergunto-lhe. 
Fim do primeiro ano. Eu estava tão chapado naquele 
dia, e graças a Deus, porque poderia não ter visto a manhã 
seguinte se não tivesse estado tão fora de mim. 
Mas eu me lembro disso. 
“Você sempre ficava parado lá.” Cerro meus dentes, 
estreitando meus olhos para ele. “E você continua voltando 
para ela como se não soubéssemos o que você está fazendo e 
como se ela fosse o único pedaço de bunda entre aqui e o 
Texas.” 
Ela é um lixo. Ela trata a todos como lixo, incluindo 
ele, e ele continua escorregando de volta para a cama dela 
como se estivesse apaixonado ou algo assim, mas eu sei que 
ele não está. 
Ten não olha perto o suficiente. Eu vejo JD claramente. 
“Por que você é tão fraco?” Pergunto-lhe. “Você é tão 
inseguro e desesperado pelo amor de uma mulher na 
ausência da mamãe que você não pode suportar que Lyla ou 
qualquer mulher não ame você, não é?” Eu procuro seu rosto. 
“Mesmo que ela seja um pedaço de merda.” 
JD puxa a gravata, apertando até que ela cava na 
minha garganta, e um gemido me escapa. 
Então, ele encontra meus olhos. Ele para e me empurra 
no peito, e eu sugo uma respiração, batendo na parede 
enquanto um sorriso amargo aparece no canto de sua boca. 
“E, coincidentemente, aqui está você”, diz ele, “ainda 
usando maquiagem com homens e se despindo.” 
Ele se move e eu olho de volta através da porra do 
delineador que eu uso. 
Não, eu não odeio JD. 
Eu simplesmente não confio nele. Se ele tivesse seus 
amigos de volta, eu seria de repente um lixo sob o sapato dele 
de novo? Eu realmente não tenho certeza, e esse é o 
problema. 
Ele é um atleta talentoso. Inteligente. Boa aparência. 
E apesar de sua falta de coragem, ele pode ser muito 
gentil. 
Não tão enterrado ali no fundo está um bom homem. 
Por que ele está com tanto medo? 
“Você gosta que eles ainda prendam você, também?” 
Ele provoca, seus olhos azuis de repente ficam claros. 
Eu sorrio de volta. “Às vezes.” 
JD sustenta meu olhar, duro e firme, e tento não 
vacilar, mas ele está muito perto. Minha pele vibra, e quase 
sinto suas mãos na parede de ambos os lados da minha 
cabeça, mas elas não estão lá. Elas estão pendurados ao seu 
lado. 
Seus olhos caem e eu sinto o calor na minha boca. 
Meu pau estremece e eu pisco. 
Que porra é essa? 
“Tudo bem, você tem licor, certo?” Ten entra, e JD dá 
um passo para trás, para longe mim de novo. “Vamos fazer 
um esquenta!” 
Eu inalo, apenas percebendo que parei de respirar. 
Endireito minha espinha com sangue correndo para minha 
virilha, mas meu coração ainda martela e o calor inunda meu 
corpo como cal derramando-se na areia. 
Flexiono minha mandíbula. 
“Vocês estão bem?” Ten pergunta, olhando entre nós. 
JD olha para mim, eu olho para ele, e então ele pega 
seu cigarro, o centímetro de cinza queimou quando caiu em 
seu tapete. 
“Sim”, eu respiro, arrancando a gravata e respirando 
fundo. “Vamos festejar.” 
 
*** 
 
J.D. 
 
Às vezes. 
Olho para Manny no meu espelho retrovisor, seus 
olhos castanhos escuros encontrando os meus por um 
momento antes de ele se virar e olhar pela janela. 
Um pouco de apreço seria necessário, seu merdinha. 
Eu não tinha que voltar para casa essa semana. Como se eles 
conseguissem entrar nessa festa sem mim. 
E não, eu não vi Lyla. Acabei de chegar esta manhã. 
Por que ele se importa com quem eu fodo? Não é como se 
fôssemos amigos de verdade. Manny e eu não ligamos um 
para o outro. Nós não saímos sozinhos. 
Ryen é a cola e a única razão pela qual estivemos perto 
um do outro na última primavera e verão. 
Ten é um rosto familiar e sempre me dei bem com ele. 
Manuel Cortez é apenas um lembrete de coisas que quero 
esquecer. 
Ele está prendendo a respiração por um pedido de 
desculpas? Eu nunca fiz nada com ele. 
Esfrego meus olhos, os faróis vindo em minha direção 
me fazendo estremecer. 
Ok, isso não é verdade. Eu fui um idiota com ele em 
algumas ocasiões ao longo do ensino médio. Eu não deveria 
ter feito isso, mas às vezes… 
Às vezes eu sentia que ele merecia. Constantemente 
atrasado para a aula. Matava aula o tempo todo. Aparecia 
chapado. Ignorava professores e colegas de classe. 
Encarando seu próprio mundo dos sonhos e sem fazer 
nenhum esforço para não se destacar com cada merda que 
ele fez e vestiu ao longo dos anos. 
Quer dizer, até a porra do delineador o tempo todo. 
Jesus. Ele era capaz de fazer algo que não chamava o tipo 
errado de atenção? 
Mas é isso que ele quer, não é? Atenção. 
Estamos todos infelizes, garoto. Nem todos temos que 
chorar por causa disso. 
Algo me puxa de novo e não consigo resistir. Verifico 
meu espelho, vendo seus olhos em mim novamente como se 
soubesse que eu estava falando merda na minha cabeça. 
Como se ele fosse melhor. Deixar Ten foder ele contra 
uma árvore no dia 4 de Julho e depois ficar quieto enquanto 
seu namorado flerta com outra pessoa o resto da noite não 
faz Manny melhor do que eu. Ele corre de volta para o que 
quer que o deixe perdido por alguns minutos. 
Trafegamos pela Thunder Bay, as calçadas e ruas 
fervilhando de atividades sob o brilho suave das lanternas e o 
farfalhar das folhas ao soprar na rua. 
Chegando a lua cheia, aperto o botão, fechando minha 
janela e ainda sentindo o cheiro de decadência que esta vila 
sempre parece carregar. Uma mistura de maçãs podres, 
terra, e madeira queimada. 
Eu meio que amo isso. Eu realmente nunca quis vir 
para a escola aqui. Eu não pude pagar a mensalidade, o time 
de futebol deles é uma merda, e o corpo estudantil é ainda 
mais letal que o do Falcon Bem, mas… eu amo a cidade. Não 
há cadeias de lojas ou restaurantes corporativos, sem 
condomínios… Tudo é original. Pessoal. 
Velho. 
Eu gosto de velho. 
Parando no teatro, noto o saguão lotado através das 
portas de vidro e a rua repleta de carros, pára-choque contra 
o pára-choque. O quadrado, ou melhor, semicírculo que 
marca o centro da cidade, vibra com pedestres, luzes 
vermelhas piscam em postes de luz, e as decorações de 
Halloween balançam ao vento. 
Sticks transborda de crianças, e ouço música encher a 
vila. Máscaras vestem todos os rostos enquanto as pessoas 
dançam nas ruas e se divertem. 
Sim, de jeito nenhum eles iriam entrar nessa festa sem 
mim. 
Ten não é impopular, mas conheço essas pessoas. 
Nossos times de basquete são rivais, mas jogamos bem fora 
da temporada. 
Contorno a catedral e entro no estacionamento, 
aproveitando a chance de não conseguir ser rebocado. 
Provavelmente não irei dirigindo para casa de qualquer 
maneira. 
Ten sai pelo lado do passageiro e eu saio do lado do 
motorista, Manny juntando-se a nós na parte traseira do 
carro. Gritos e o zumbido baixo da música preenchem o ar 
enquanto puxo o meu capuz e tranco o carro. 
Atravessamos a rua e saímos da calçada, e abro as 
portas do teatro, entrando primeiro. 
Pessoas, algumas usam máscaras e outras não, lotam 
o saguão, tetos altos e paredes com papel de parede dourado 
fazem um contraste hilário com os barris e as vagabundas. 
Eu olho para a direita, percebendo o cara na porta pegando 
dinheiro. 
Seus olhos brilham. “E aí, cara.” 
Max Mikkelsen estende a mão e eu sorrio ao pegá-la. 
“Como você tem estado?” Ele diz enquanto Ten entrega 
a ele o dinheiro de todos nós. “Aquele jogo contra o Ohio 
State… Merda, cara. Eu estava gritando, ‘Eu o conheço!’” 
Eu sorrio. Um dos meus melhores dias na Texas A&M. 
Eu ainda estou apenas começando como Running Back3 por 
pura sorte e pela recuperaçãode ressaca do meu colega de 
quarto. “Veja, vocês têm ótimos atletas mesmo quando não 
são pagos,” provoco. 
“Oh, foda-se.” Ele devolve o troco de Ten. “Nosso time 
de basquete—” 
“É uma merda sem Michael Crist”, eu interrompo. 
Thunder Bay cria bons jogadores de basquete, mas eles 
não podem nem pagar por um time de futebol. Eles perderam 
para nós nos últimos oito de nove anos. 
“Falando nisso...” Eu pergunto, olhando ao redor para 
o novo local. “Ele comprou St. Killian?” 
Não é onde todo mundo costuma festejar na Noite do 
Diabo? 
“Sim, o filho da puta”, ele resmunga. “As catacumbas 
são propriedade privada agora. Aparentemente, ele e sua 
noiva estão reformando o lugar para ser a casa deles.” 
Eles estão morando lá? Quantos corpos estão 
enterrados nas fundações daquele lugar? Jesus. 
 
3 Significado: O Running Back é uma posição do futebol americano e do futebol canadense 
que normalmente se alinha no backfield. O principal papel de um running back é correr com a 
bola que pode ser passada para ele pelo quarterback ou em um snap direto do center, sendo 
que ele também pode receber e também ajudar no bloqueio 
Sem mencionar toda a merda que aconteceu lá nos 
últimos setenta anos. 
Claro. Lugar perfeito para criar filhos. 
“Mas não se preocupe”, Max acrescenta. “Temos muitos 
esconderijos em Thunder Bay. Divirta-se.” 
Eu aceno e sigo em frente, Manny e Ten me seguem 
enquanto vagueio no espaço. Muitos Esconderijos. Todo 
mundo tinha um segredo nesta cidade. Talvez Manny tivesse 
sido mais feliz crescendo aqui em vez disso. Talvez eu 
também. 
“Oh, e quando as luzes se apagarem”, Max grita de 
volta para nós. “É como Sete Minutos no Paraíso. Encontre 
um parceiro, um recanto isolado e fique lá até que elas 
voltem.” 
Inclino meu queixo para ele, segurando meu revirar de 
olhos. 
Eu fiz essa merda no ensino fundamental e passei o 
que parecia uma eternidade sentado no chão do armário com 
Tara Sheehy, reunindo coragem para beijá-la, porque ela não 
era bonita, mas eu não queria ferir seus sentimentos. Isso foi 
um erro. Ela pensou que estávamos apaixonados três 
semanas depois. 
Pegamos algumas cervejas, deixamos as bobas da corte 
sensuais maquiadas de palhaço, maria-chiquinhas e shorts-
saias pintarem o rosto de Ten, e então passeamos pelo teatro, 
apreciando a atividade enquanto Manny se move de uma 
cerveja para a outra, tirando uma garrafa de uma das 
banheiras de cervejas espalhadas por todo o lugar. 
Afasto meus olhos dele. Ele nunca bebe mais rápido do 
que eu. Acho que vou dirigir esta noite, afinal. 
“Merda”, Ten respira enquanto entramos no teatro. 
“Quem diabos é o dono deste lugar?” 
Balanço minha cabeça, olhando para as três fileiras de 
assentos de camarote ao nosso redor e área de chão cheia de 
gente também. Uma banda toca no palco, a seção da 
orquestra trovejando com adolescentes pulando para cima e 
para baixo, alguns surfando na multidão. 
Levo minha garrafa aos lábios. “Alguém com um 
adolescente a quem não podem dizer não.” 
Como deve ser bom conseguir tudo o que você deseja. 
Alguém da família de Misha é dono do cinema do outro 
lado da rua, mas o teatro é mais uma casa de ópera. 
Guarnições douradas decoram as paredes e caixas, cortinas 
vermelhas cobrem os dois lados do palco, e apenas a luz 
mortiça do único lustre no alto brilha sobre tudo que está 
embaixo dele. 
Além de peças de teatro e óperas, eles apresentam 
sinfonias e balés aqui também. Nunca me senti obrigado a 
pisar no local até esta noite. 
Eu engulo o resto do conteúdo da garrafa, jogo na 
lixeira e pego mais da banheira de gelo, entregando uma para 
Manny e uma para Ten. 
Descemos para o poço, o álcool mal esquentando 
minhas veias ainda, porque minha tolerância é muito mais 
forte do que na primavera passada. Eu tomo mais alguns 
goles. 
A música bate sob minhas botas, as sombras da banda 
tocando seus instrumentos que se estendem como os galhos 
retorcidos de uma árvore contra o pano de fundo da cortina 
do palco, e Ten balança a cabeça, observando a multidão. 
“Oi”, alguém diz 
Viro minha cabeça, vendo uma menina com orelhas de 
rato em seu cabelo castanho claro e preto pintado na ponta 
do nariz. Bigodes esticados em suas bochechas em ambos os 
lados. 
Eu a conheço. Ela veio ao Falcon’s Well para ver sua 
equipe jogar contra a minha no outono passado e ficou para 
festejar com os vencedores. Lyla certificou-se de que sabia o 
que estava fora dos limites da noite. E quem. 
Aparentemente, eu era o único no relacionamento que 
não tinha permissão para sair. 
“Tara”, eu abordo 
Mas ela me corrige. “Tamsyn.” 
“Hã?” Eu grito acima da banda. “Não consigo ouvir 
você!” 
Eu a ouço, mas a irritação está beliscando o canto do 
meu cérebro por algum motivo, e não sei porquê. Eu olho 
para Manny e Ten, ambos fechados em uma conversa mais 
próxima. 
Voltando-me para Tara, vejo seu sorriso e balanço a 
cabeça para mim. Ela pode ser quem ela quiser ser para mim 
esta noite, eu acho. Deixo meu olhar permanecer em seu 
rosto, sua pele esticada e o rubor em suas bochechas. A 
pequena verruga sob seu olho e os lábios úmidos dela. 
Qualquer um aqui pensaria que ela é gostosa. 
Mas ela parece que está com frio. 
Atirando meu olhar novamente, observo Ten se inclinar 
mais perto do ouvido de Manny, dizendo a ele algo. Mas, em 
vez de sorrir, Manny flexiona a mandíbula, e eu estreito meus 
olhos quando outra pessoa se aproxima deles. Um estranho 
com cabelo loiro espetado e dourado, peito tatuado nu 
começa a decorar o rosto de Manny. 
Eu estreito meus olhos. 
Ten olha, sorrindo quando o cara se aproxima, seus 
lábios se movendo e dizendo coisas para ele. 
“Você ouviu falar da brincadeira?” Tara pergunta. 
Pisco algumas vezes, afastando-me dos caras. “Sim”, 
digo a ela, forçando a garrafa na minha boca enquanto olho 
novamente para Cortez. 
“Quando as luzes se apagarem, encontro você neste 
assento”, ela me diz. “G-1.” 
O cara com pintura corporal sussurra no ouvido de 
Manny, a ponta do nariz roçando no lóbulo de Manny antes 
de seus lábios se separarem, fazendo uma trilha sobre a 
mandíbula do garoto. Avisto a ponta da sua língua 
mergulhando para prová-lo. Ten olha, prendendo a respiração 
enquanto seus olhos brilham com animação. 
Algo borbulha dentro de mim, e vejo como o babaca 
dourado puxa uma caneta e escreve algo no braço de Manny. 
“Apenas sente-se”, diz Tara, “e eu vou te encontrar”. Os 
olhos de Manny se voltam para mim, o idiota dourado e Ten 
conversando, e eu desvio o olhar. 
Hã? Eu olho para a garota. Oh, a brincadeira. Sete 
minutos no céu. 
“E se eu encontrar outra pessoa nesse meio tempo?” 
Eu provoco 
Ela sorri. “Apenas economize espaço para mim.” 
Fofa. “E se eu quiser mais do que sete minutos?” 
Ela se inclina no meu ouvido enquanto a música muda, 
o baixo soprando no ar esfumaçado acima de nós. “Espero 
que você queira.” 
Eu sinto os olhos de Manny, mas não olho, vendo-a ir 
em vez disso e deixo meus olhos caírem descendo por seu 
corpo na roupa de dominadora preta perfeita e meias pretas 
transparentes. 
Quando volto para os caras, Ten e o outro estão 
desaparecendo na pista de dança, e Manny fica ali assistindo, 
com as costas rígidas desde que Ten sussurrou em seu 
ouvido um minuto atrás. 
Hesito por um momento, mas... quero ver a porra do 
rosto dele. 
Seguindo para o lado dele, deixo cair meus olhos, 
vendo os dez dígitos em seu antebraço, mas eu nem mesmo 
tenho a chance de ver a dor em seu rosto antes que ele pegue 
minha cerveja da minha mão, sabendo que era eu sem nem 
mesmo olhar. 
Virando a garrafa de volta, ele engole o nó em sua 
garganta subindo e descendo três vezes. 
“Isso é meu”, eu murmuro. 
E essa é a terceira. Eu sabia que Manny tinha usado 
drogas, mas não o tinha visto usar desde então, e nunca o 
tinha visto beber tão rápido. 
Ten tira a camisa, enfiando-a no bolso de trás, ele e o 
cara se inclinando um aooutro, ficando quente. 
Manny os observa, e eu o observo, vendo-o desviar o 
olhar para baixo, olhando o resto da cerveja. 
Balanço minha cabeça. “Você pode ficar com a camisa, 
na verdade”, eu digo a ele, mudando de assunto. “Eu deveria 
ter me livrado dela há muito tempo.” 
“Sim, parece que nunca foi usada.” Ele tira quatro 
tubos de shots da garota que passa deslizando com uma 
bandeja. “Não é o seu estilo, tenho certeza”, ele brinca, ele 
vira um, dois, e depois três. “Um presente de alguém?” 
Pego a última dose dele e a jogo na lata de lixo próxima. 
Estendo minha mão. “Dê-me sua carteira.” 
Ele olha para mim. “Por quê?” 
“Apenas me dê isso, porra.” 
Um presente de alguém... Como se ele fosse tão 
inteligente que sabia tudo que tinha para saber sobre mim. 
Puxando sua pequena carteira do bolso da camisa, ele 
a entrega para mim. 
Abro, abro o bolso para pegar dinheiro e tiro o 
preservativo que ele colocou dentro. 
Devolvo a carteira a ele, colocando a camisinha no 
bolso da calça jeans enquanto caminho para banheira de 
cerveja e retiro outra garrafa. 
“Vou precisar disso de volta”, ele diz. 
“Como diabos você vai.” 
Eu torço a tampa, observando-o me lançar um olhar 
furioso enquanto puxa uma garrafa, deslizando-a em seu 
bolso e, em seguida, puxando outra, destampando-a. 
“Tenho certeza de que ela tem os seus”, diz ele 
maliciosamente. “Ou qualquer garota com quem você 
sossegar esta noite.” 
Eu sorrio. “É difícil para você assumir uma posição 
moral elevada, sabendo o que está reservado para você mais 
tarde.” 
Como se Ten não estivesse trabalhando os dois, então 
ele poderia sair assistindo eles se pegarem. Eu gosto um 
pouco de Ten, mas sei que ele não brinca cuidadosamente 
com o coração das pessoas. E Manny ainda não se defende. 
Ele segue meu olhar para Ten e o outro cara se 
esfregando na pista, a pele bem cuidada do peito dourado e 
abdômen brilhando de suor. 
E com um pouco da pintura corporal do cara. 
“Por que você concorda com isso?” Eu provoco. 
“Talvez eu goste.” 
Então essa era a primeira vez que Ten o convenceu a 
fazer um ménage à trois? 
Aperto minha mandíbula, olhando para minha garrafa. 
“Não vai acontecer”, digo a ele. 
Ele não vai ser puxado para essa merda. 
Mas ele apenas zomba, bebendo um pouco mais. 
“Ainda o valentão...” 
O que quer que funcione. 
“Ei, venha aqui.” Ten chega atropelando e agarrando 
Manny enquanto o viado pintado com trilhas douradas está 
atrás dele. “Você vai gostar disso.” 
Olhando para Manny, o cara dourado abre a boca, 
exibindo a bala em sua língua e, em seguida, bate seus lábios 
em Manny, enfiando a língua em sua boca deslizando-lhe a 
pílula. 
Manny não se afasta, pega a droga e vira na língua 
enquanto se vira para olhar para mim antes de engolir. 
“Você nunca deu a mínima para o que eu fiz antes”, ele 
me diz. “Não se incomode. Você é a razão de tudo isso 
acontecer.” 
Tudo o que? As drogas? O sexo? 
Algo explode dentro de mim e não consigo impedir. Eu 
pego a cabeça do pau de ouro, apertando sua mandíbula 
enquanto os espectadores se voltam para nós. Eu empurro o 
merdinha de volta com tanta força quanto posso, e ele voa, 
batendo na multidão de dançarinos e caindo de bunda. Ten 
fica com os olhos arregalados, e então eu estapeio Manny e 
tiro a bala de sua língua, caindo em algum lugar no chão. 
“JD, Jesus!” Ten grita, correndo para o cara no chão. 
“Que porra é essa?” 
Eu deixo cair uma mão, olhando para os dois, mas 
mantenho meu outro punho apertado em torno da gola de 
Manny. 
E eu não vou desistir. 
Ten olha para mim enquanto ajuda o outro cara a se 
levantar, seu olhar preocupado disparando entre mim e 
Cortez. 
Manny apenas fica ali, a sugestão de um sorriso em 
seus lábios como se ele simplesmente gostasse de me irritar. 
“Manny, vamos lá”, Ten diz a ele. “Deixe-o se acalmar.” 
Mas eu não o libero. Em vez disso, empurro meu 
queixo para Ten. Vaza. 
Os olhos azuis de Ten se estreitam em mim, mas 
então... ele se vira, empurrando o cara para longe e então o 
segue. Ele sabe que não vou machucar Manny. Ele acha que 
não estou chateado por causa de Manny. 
“Me solta”, diz Manny. 
Eu o puxo, segurando minha camisa em seu corpo com 
as duas mãos, porque ele merece isso. Todos nós temos 
problemas. Eu não vou culpar meu pai, porque escolhi 
importuná-lo na escola, e não é minha culpa que ele procure 
escapar em seus malditos vícios. Não me dê tanto poder. 
Rasgando minha camisa, eu a puxo para baixo de seus 
braços enquanto ele fica congelado, olhando para longe como 
ele sempre o fazia, tentando deixar sua cabeça e fingir que 
não estava acontecendo. Eu o deixo com o peito nu em um 
mar de outros festeiros mal vestidos e o empurro para longe, 
alguns espectadores ainda nos lançando olhares. 
Ele tropeça, outro sussurro de um sorriso persistente 
em seus lábios, porque era isso ou chorar, e ele aprendeu a 
não chorar nos últimos quatro anos. 
Eu não vou machucar Manny. 
Mas é com Manny que eu estou chateado. 
All his fucking talk, and he was going to get high and 
let things happen to his body tonight that… 
Toda a porra de sua conversa, e ele ia ficar chapado e 
deixar as coisas acontecerem com seu corpo esta noite que… 
O pânico cresce em meu peito, o fiapo de constatação 
oscilando na borda do meu cérebro enquanto eu olhei para 
seu queixo quadrado e mandíbula estreita, ignorando seu 
peito magro e os músculos começando a se formar sob a pele. 
Ele está malhando. 
Balanço minha cabeça. 
Ninguém vai usá-lo esta noite. É isso. 
Uma garota com shots passa e Manny arranca a 
bandeja de suas mãos, virando um shot e pegando mais dois 
antes de devolvê-lo e se virar. Ele sai com raiva, em direção à 
saída, sua cabeça tombando para trás enquanto ele engole as 
outras duas bebidas e desaparece pela porta para o corredor. 
Os dois shots vazios voam para o chão atrás dele. 
Olhando para a camisa em meu punho, sabendo que 
não cabia mais em mim – sabendo que não cabia em mim há 
anos –, mas todas as memórias voltam de uma vez, e todas de 
repente, eu era aquele cara de novo. Aquele que o humilha na 
frente de todos. 
Alguém deveria dar um basta. Alguém deveria se 
cansar disso e suar e encontrá-lo amassado na areia e 
descartado no chão de um carro. 
Eu empurro, indo logo atrás de Manny, mas não 
consigo conter a urgência e uma vez que estou no corredor, 
começo a correr. 
Ao alcançá-lo no saguão lotado, agarro seu braço e o 
puxo. 
Mas seus olhos mal encontram os meus antes que ele 
se solte do meu aperto e me empurre, se afastando. “Sai, 
porra. Jesus!” 
Eu tropeço para trás, percebendo a raiva em seus 
olhos, o calor cruzando suas bochechas, e o suor em seu 
pescoço. Tão esguio, mas tão forte, a veia saliente sob sua 
pele ali. Ele está chateado. Algo zumbe sob meus dedos, e eu 
cerro meus punhos para fazer parar. 
Quero devolver a camisa a ele, embora os botões 
tenham sumido. Quero contar para ele que eu sou um idiota, 
e eu sei disso. 
Quero me desculpar. 
Eu não quero que ele vá embora. 
Mas balanço minha cabeça, jogando a camisa nele em 
vez disso, porque ele me irritou esta noite também. “Você 
deveria ter ido para Hilton Head”, eu digo. “Você pode beber e 
tomar todas pílulas que você quiser.” 
Como se eu estivesse interessado em vê-lo se 
autodestruir e tentar me culpar por isso. 
Ele mostra os dentes, jogando a camisa de volta para 
mim. Me dá um tapa na cara antes que eu o pare. 
“Eu te odeio”, ele rosna baixo. “Eu odeio você mais do 
que Lyla. Mais do que Trey. Você é a minha pior memória no 
colégio.” 
Eu estreito meus olhos. 
“Você é menos do que nada.” Ele começa a recuar. 
“Você não importa.” 
Cabelo caindo em seu rosto e oscilando em sua cicatriz, 
ele gira e se mantém caminhando, e eu amasso a camisa na 
minha mão, olhando para suas costas nuas. Eu nunca 
coloquei minhas mãos naquela merdinha, mas Deus, eu 
quero agora. 
Mais do que Trey?Mais do que Lyla? Eu não era tão 
ruim, sua pequena vadia chorona. 
Cavando em meus calcanhares, eu corro atrás dele, 
agarrando-o pelo ombro assim que ele começa em outra 
calçada. Parando-o, eu o giro e bato com ele de volta no 
muro. 
“Ohhhh”, algumas pessoas próximas dizem, pegando 
suas bebidas e se afastando. 
“Qual é o seu problema, porra?” Eu falo. “Por que você 
diria isso?” 
Eu tenho sido legal com ele. Ele começou essa merda 
esta noite. Ele está no meu pé desde que me pegou na minha 
casa. 
Mas ele não olha na minha cara. Ou vai embora. 
Ele sorri. “Porque eu sabia que você não seria capaz de 
suportar isso. Você veio correndo. Você não pode tolerar que 
alguém não goste de você.” 
Eu agarro seu pescoço e o prendo contra a parede. Seu 
babaca. 
Inclinando-me para perto, quase roço meu nariz no 
dele, fervendo enquanto tento manter minha raiva sob 
controle. 
Ele apenas ri um pouco mais, no entanto. “Você me 
odeia”, ele me diz. “Mas eu sou tudo que você tem esta noite, 
não sou? Eu conheço você. Foder comigo vai fazer você se 
sentir muito melhor do que ela vai.” 
Você não me conhece. 
I slam him into the wall again, his brown eyes gazing at 
me from behind the tendrils of his hair hanging down, and I 
ball my fist, but then… 
Eu o bato na parede novamente, seus olhos castanhos 
olhando para mim por trás das mechas de seu cabelo solto, e 
eu fecho meu punho, mas então… 
“Pegue-o, campeão”, alguém diz. “Droga.” 
Eu faço uma pausa, a voz afundando em meus 
ouvidos, a presença atrás de mim parece rastejar na minha 
espinha. 
Virando a cabeça, vejo Trey com Raoul Bower e Tony 
Fallbrook, que também se formaram com a gente. Estou 
paralisado por um momento. 
Trey se aproxima. “E aí cara?” 
Eu fico ali, tentando fazer meu corpo se mover. Depois 
de um momento, libero Manny e endireito minha coluna, 
incapaz de evitar que meu rosto olhe outra coisa senão com 
nojo. 
Na primavera passada, Trey Burrowes estava na merda 
enquanto metade da escola se apresentava, detalhando coisas 
sobre ele mesmo que eu não sabia. Ataques que foram muito 
além do seu padrão assédio moral. 
E as garotas... Jesus, as garotas que ele perseguia. 
Ele deveria ter sido preso, mas aqui está ele, andando 
por aí, um pouco mal vestido embora, mas saudável e livre. 
Ele e Misha compartilham uma irmã, mas é Trey que 
ela conhece. Não é o irmão que ela deveria ter. Como caras 
assim sempre ganham? 
“Vamos.” Trey se aproxima, tirando o capuz de sua 
jaqueta do colégio e lançando seus olhos entre Manny e eu. 
“Faz meses. Todos nós crescemos.” 
Eu zombo. “Nem todos nós. Como está a faculdade 
comunitária?” 
Depois que a LSU rescindiu seu convite, o último 
recurso, cerca de dez milhas para o interior, o aceitou. Acho 
que ele ainda mora com a família, no entanto. 
Vestido com uma camiseta marrom sob uma flanela 
aberta, ele fecha a distância entre nós, festeiros subindo e 
descendo o beco entre nós e a parede, alheios. 
“Eu não invejo você”, ele sussurra, inclinando-se. “Você 
sempre foi pequeno. O enxerido. O ajudante. O estranho.” Ele 
balança a cabeça. “O herói de ninguém.” 
Tento inalar, mas meus pulmões encolheram. Não 
consigo respirar fundo. 
“Lyla estava tão entediada com você”, continuou ele. 
“Ela me disse que você sempre teve que deixar as luzes 
apagadas para foder com ela.” 
Raoul e Tony riem atrás dele, e eu levanto meu queixo, 
me preparando. 
Ela discutiu nossa vida sexual. Com ele. 
Eu ignorei quando os peguei juntos no vestiário. Não 
me importei. Dormir com ela era a porra de um pesadelo, e eu 
estava feliz que ela estava conseguindo em outro lugar. A 
única coisa que me deixou com raiva era que era com Trey 
que ela estava brincando. 
Meu amigo. 
Éramos todos amigos, no entanto. O que eu vou fazer? 
Fazer novos? 
“Você era tímido?” Raoul incita. 
Eu fiz novos amigos, no entanto. Foi um bom dia. O dia 
em que fui embora e me sentei ao lado de Ryen no refeitório. 
Todos os dias desde então tinham sido ainda piores 
quando percebi que precisava descobrir quem eu era sem 
Trey, e sempre que chegava ao limite – à dica de que poderia 
ser mais difícil, não mais fácil quando percebi quem eu era – 
recuei. 
“Você nunca se perguntou como ela já estava tão 
molhada quando você começava a usá-la?” Trey provoca. 
“Molhada, mas não apertada depois que eu saia.” 
Sinto Manny se distanciar da parede, em minha 
direção. Ele não vai embora. 
O sorriso viscoso de Trey se espalha enquanto ele olha 
para mim, embora eu seja um centímetro mais alto. “E a 
melhor parte é que você continuou correndo de volta para 
ela.” Ele dá uma risadinha. “Pessoas podem pensar que sou 
feito de cuspe e merda, mas pelo menos sou feito de alguma 
coisa.” 
Eu cambaleio, mas algo pressiona meu estômago, e 
sinto o calor do corpo de Manny enquanto ele se inclina para 
o meu braço. 
“Ele não é nada,” Manny me diz. “Apenas recue.” 
Eu faço uma carranca, meu sangue tremendo sob 
minha pele enquanto olho para Trey. 
Nada mudou para ele. Ele ainda é o líder da matilha. 
Ainda confiante, está no comando e sempre vence, e posso 
não ter sido um herói, mas não era o vilão. Por que eu estava 
sozinho? Por que não estava cercado por pessoas que me 
amavam? 
Era admirado na escola, mas é tudo mentira. Eu faço a 
parte do que eles querem que eu faça. 
“JD.” O sussurro baixo de Manny, um pedido 
silencioso, desce pelos meus braços, sob a pele como água 
morna. “Ele não é nada, JD. Olhe para mim." 
Eu deixo cair meu queixo, exalando, e então olho para 
Manny ao meu lado. Meus olhos baixam para a mão dele no 
meu moletom, sobre meu abdômen, não me empurrando para 
trás, mas me impedindo de ir em frente, e então olho de volta 
para ele. Estou aquecido em todos os lugares, mas franzo 
minhas sobrancelhas, carrancuda para ele, porque meu 
estômago está tremendo e meus pulmões estão encolhendo 
ainda mais, e não sei por quê. 
Ele não é nada. E eu sou? 
Eu mantenho o olhar de Manny, suavizado e firme, a 
raiva vai embora de sua voz agora, e eu agora sei por que me 
permiti tratá-lo tão mal por tanto tempo. 
Em vez disso, ele suportou todo o castigo que eu sabia 
que merecia. Machucá-lo me machucou. Isso me machucava 
toda vez que eu o via chorar. Eu odiava vê-lo chorar. 
E ainda assim, ele cuida de mim agora. Jesus. 
“Bem, merda.” Eu ouço a voz de Trey e, em seguida, 
uma risada. “Eu acho que estou entendendo agora. Porra. 
Você só pode estar brincando.” 
Minhas mãos tremem e Manny segura meus olhos, um 
fio invisível tentando me puxar enquanto seus risos tiram o 
ar de mim. 
Acho que estou entendendo agora. 
Não. Meu peito desaba, o calor florescendo lá em vez 
disso, e eu dou um tapa no braço de Manny e me viro para 
Trey, cerrando os punhos. 
Lançando-me para Trey, agarro seu colarinho, uma 
corrente elétrica surgindo sob minha pele, e eu sou 
imparável. É aqui que Manny e eu somos diferentes. Eu vou 
quebrar antes de me dobrar. 
Bato meu punho no rosto de Trey, limpando aquele 
sorriso de merda, e continuo batendo até que os nós dos 
meus dedos estão gritando. 
“JD!” Manny grita. 
Mas eu jogo o babaca no chão e monto nele, indo cada 
vez mais forte até que estou sem fôlego e posso sentir o 
sangue do meu corpo disparar, a raiva ficando cada vez mais 
quente. Algo toma conta, e não sei de onde está vindo, mas 
pela primeira vez em meses, quero cuspir fogo. 
Eu não consigo parar. 
Até que a ponta de uma bota pousa na minha têmpora, 
o chute vem forte e cortante enquanto eu vou para o lado e 
tombo. 
Meu ouvido vibra enquanto Trey se esforça para colocar 
as mãos e os pés embaixo dele. Tony entra e me agarra, mas 
eu o puxo para baixo, sabendo que não há como ganhar três 
contra um. 
Mesmo assim, não consigo parar. Me matem. 
Um punho pousa na minha mandíbula, o interior da 
minha bochecha cortando meus dentes, mas atiro meu joelho 
no estômago de Tony, vendo-o rosnar e cair no chão aomeu 
lado. 
E a próxima coisa que sei é que estamos uma bagunça. 
Punhos, braços e pernas balançando em todos os lugares, a 
conversa ficando mais alta ao nosso redor conforme as 
pessoas começam a se aglomerar para ver os três contra um, 
alguns gritos disparando. 
Eles pegam meus braços, segurando-os bem abertos, e 
os nós dos dedos pousam em meu intestino, fazendo com que 
a bile suba. Eu me curvo por um momento, mas, em seguida, 
agarro a perna de Trey, puxando-a de baixo dele. Eu fico 
pairando sobre ele, batendo nele de novo e de novo, 
empurrando as mãos tentando me puxar e os punhos caindo 
com força na minha cabeça. O sangue derramou pela minha 
bochecha, o corte no meu rosto está doendo, mas não estou 
pensando em tudo que dói e isso é bom. 
Ele não é nada. Ele não é nada. 
As palavras de Manny passam pela minha cabeça e eu 
o vejo lá. Sozinho nos corredores da escola. Parecendo que ele 
estava prestes a morrer quando Trey e eu o deixamos lá. 
Meus olhos transbordam. 
Eu bato mais e mais forte, golpes vindo sem parar. Eu 
só queria que ele desaparecesse! Tudo é culpa dele! 
Mas não me refiro a Trey. 
Assim que olho para Manny, olhando enquanto minha 
luta morre, e eu volto minha atenção, escuridão nos 
consome. Todas as luzes se apagam rapidamente e eu volto 
minha atenção para Trey, mas então… 
Eu hesito. 
Sentindo todos correrem ao meu redor, risos e gritos 
ecoando na escuridão enquanto os casais desaparecem em 
caixas ou se escondem em pequenos recantos por sete 
minutos no paraíso, eu largo Trey e me levanto. As formas no 
corredor preto mal são visíveis. 
Mas ainda posso senti-lo atrás de mim. 
Eu me viro, enfrentando a forma escura de Manny. 
“Ache um companheiro!” Alguém grita um último aviso 
à distância. 
Eu me aproximo dele, suas costas pressionadas contra 
a porta atrás dele. 
“Vá”, digo a ele. “Encontre Ten.” 
Ele fica parado, o nariz bem à frente. Não consigo ver 
seu rosto, mas ele não se move. 
Tudo é culpa dele. Tudo isso. Ele precisa desaparecer. 
“Eu vou”, eu o advirto. “Eu tenho alguém na orquestra 
esperando por mim. Então vá.” 
“Eu não quero ir.” 
Sua voz baixa faz meu estômago embrulhar, e eu 
engulo, cerrando os dentes para que não sinta. Trey tosse 
atrás de mim, sua respiração irregular, mas não estou mais 
preocupado com ele. 
“Eu não sou fraco.” Eu baixo minha voz para Manny. 
“Não sou da sua conta.” 
Ele enfia a camisa no meu peito, mas eu agarro seu 
pulso em vez disso e abro a porta atrás dele, empurrando nós 
dois para dentro. 
Agarrando sua mandíbula, eu o giro e o bato na parte 
de trás da porta, pressionando meu corpo no dele e 
segurando-o lá. 
O suficiente. Já é o suficiente. 
Sua respiração aquece meus lábios, e ele apenas fica 
ali, me deixando fazer o que eu quero. 
Eu cavo meu polegar em sua pele. “Meu pai me deu 
dinheiro para comprar roupas de escola antes do primeiro 
ano começar”, eu sussurro enquanto a comoção e a música 
continuam lá fora. “Minha mãe havia se separado alguns 
meses antes, e ele não tinha ideia de como me levar ao 
shopping. A camisa não era um presente. Eu mesmo 
comprei.” 
Estendo minha outra mão e pego a camisa em meu 
punho, puxando-a para longe dele, lembrando-me da 
primeira e última vez que a usei. 
“Ele disse que eu parecia uma bicha.” Eu fico olhando 
para o contorno fraco dos olhos de Manny. “Como o tipo de 
criança que atiraria em uma escola. ‘Eu não era um homem.’ 
Ele precisava me fazer virar um homem.” 
Manny permanece em silêncio, e não sei se estou tão 
perto até sentir seu peito sob o meu. 
“Uma manhã ele me acordou”, digo a ele, “disse-me 
para me vestir bem e me puxou para a caminhonete. 
Dirigimos pelo que pareceu uma hora.” 
O calor sobe para minhas bochechas, lembrando o dia. 
Quantas vezes eu pensei que minha vida seria muito melhor 
se eu pudesse suportar todas as humilhantes e 
constrangedores momentos e apagá-los da minha vida. Eu 
ficaria feliz então. 
Eu continuo. “Meu pai nunca me forçou a ir caçar com 
ele antes. Ele não queria o trabalho de uma criança 
acompanhando, assustando a caça.” 
Dores atingem meu estômago e vejo a morte em minha 
cabeça. Eu empurro. “Ele disse que eu iria me acostumar. Ele 
disse que depois de um tempo, você os vê como comida. ‘Eles 
não têm sentimentos. Eles não sentem dor.’’ Eu tremo. Não 
sinto o peito de Manny subir ou descer sob mim. “‘Faça’, 
disse ele. ‘Pare de chorar’.” Eu solto a mandíbula de Manny e 
bato em sua cabeça, sentindo que meu pai bateu no meu 
próprio. “‘Pare de chorar, sua bicha. Endureça.’” Eu bati nele 
novamente e de novo e de novo. “‘Vamos, seja homem. Seja 
homem.’” Lágrimas bem, vendo o veado em sua cabeça. “Seja 
um homem, sua garota de merda. O que você é, uma 
garotinha?” Eu zombo. “‘Você está chorando como uma 
garotinha?’” Eu bato na lateral da cabeça dele novamente. 
“Você é uma garotinha? Quer um vestido? Atire novamente. 
Não está morto.” Eu aperto seu pescoço com as duas mãos. 
“‘Não está morto! Atire de novo!’” 
Eu tremo, vendo o sangue e a respiração úmida do 
animal abatido e sabendo disso estava sofrendo, mas eu não 
poderia fazer isso de novo. Eu não queria matá-lo. 
“Mas eu continuei perdendo”, eu digo, “e não consegui 
dar o tiro mortal, e só queria colocar uma flecha em meu pai 
em vez disso.” Fecho meus olhos, encostando minha testa em 
seu rosto. “Eu queria colocar a flecha nele.” 
Eu não consigo me segurar. Eu não conseguia nem 
usar uma espingarda. Ele me fez usar um arco. 
“O cervo levou oito minutos para sangrar”, digo a 
Manny, mas não consigo olhar para ele. “E ele colocou a 
cabeça na porra do saguão da nossa casa.” Lágrimas picam 
como agulhas minha garganta. “Ele colocou a cabeça no 
foyer.” 
Porque comprei uma camisa. 
Porque eu estava… 
“Eu nunca usei a camisa”, sussurro. “Eu não poderia 
deixar ninguém descobrir.” 
Ainda sem se mover ou me afastar, ele pergunta: 
“Descobrir o quê?” 
Abro a boca, mas nenhuma palavra sai. Uma vez que 
eu diga isso, eu não posso desdizer, e enquanto eu estava tão 
cansado de cambalear à beira de mudar minha vida para 
sempre, o medo paralisa-me. 
Não podia deixar ninguém descobrir que gostei da 
camisa. 
Que eu tinha visto esse garoto na orientação do 
primeiro ano do ensino médio e não conseguia parar de olhar 
para ele. 
Que ele usava preto e tinha cabelos pretos ondulados 
para combinar com os que caíam sobre os ombros, e que ele 
usava piercings e delineador, e era tão quieto e pálido e gostei 
do jeito que as cavidades de suas bochechas destacavam a 
escuridão em seus olhos. Eu amei o jeito dele, as roupas 
estavam penduradas nele e como as correntes da carteira 
caíam em sua perna. 
Que por um momento, me convenci de que estava com 
ciúme da sua aparência. Eu queria ter aquele visual. 
E com o tempo, percebi que não queria me parecer com 
ele. Eu só queria olhar para ele. 
Abro meus olhos e olho para cima, encontrando os dele 
enquanto deixo cair minhas mãos. “Eu não poderia deixar 
ninguém descobrir que eu não era um homem.” 
Eu não queria Lyla. O que eu queria, não poderia ter. 
“Você é um homem”, ele murmura, tirando a camisa da 
minha mão e colocando-a. “Você é um homem. JD, você 
defendeu Misha com Trey. Você defendeu Ryen. Você 
escolheu um lado. O lado certo, apesar de seus amigos.” 
Ele pega meu pulso, segurando-o com força. “Você é 
um homem.” 
Eu fico rígido instantaneamente, sentindo seu calor. É 
quase doloroso e não consigo respirar. 
Mas então... eu não sei se é ele ou eu ou como isso 
acontece, mas caio e seus braços estão em volta do meu 
pescoço, me segurando perto. Eu planto minha mão na 
parede, fechando meus olhos, e abraçando-o de volta com o 
outro braço, exalando pelo que pareceu uma eternidade. 
Não sei se estou tremendo mais ou menos, mas é tão 
bom que não quero mais soltar. 
Lyla foi provavelmente a última pessoa a me abraçar, 
mas não foi assim. 
O cheiro de cedro e sabãoatinge meu nariz e coloco 
meu rosto nele, segurando-o com força. 
E se eu tivesse sido melhor? 
E se eu o protegesse na escola? Enfrentasse Trey? E 
não só o enfrentasse, mas quem ditava as regras? Fosse o 
líder? 
Manny nunca teria sido tocado se eu tivesse me 
levantado. 
E talvez naquela noite depois do jogo em que eu perdi o 
passe e o treinador me fez correr até às malditas onze e meia, 
muito depois que todos tivessem ido embora, eu não teria 
visto Manny debaixo da arquibancada, se escondendo de 
casa, e simplesmente o deixasse lá. 
Se eu fosse um homem forte, soubesse o que queria e 
pedisse desculpas por conhecer um, eu teria falado com ele. 
Eu teria pegado sua mão e sentado com ele para deixá-lo 
saber que ele não estava sozinho. 
Que ele me tinha. 
As cristas de seu corpo pressionam rente ao meu – a 
cutucada em suas costelas, a parte plana de seu estômago, 
inspirando e expirando – e é mais do que posso aguentar. 
O peso das minhas pálpebras fica mais pesado, eu paro 
de respirar e o calor se acumula na minha virilha, meu corpo 
querendo mais. 
MANNY 
 
Meus olhos se abrem, sentindo isso. A crista dura 
roçando contra a minha, o sangue agitando entre minhas 
pernas, apesar do fato de que eu gostaria que não estivesse. 
J.D.? Jesus Cristo. 
Ele está duro. Engulo o nó que cresce na minha 
garganta, uma leve camada de suor esfriando a pele sob a 
camisa. 
Fecho meus olhos novamente, seu hálito quente 
roçando minha orelha e calafrios se espalhando pelo meu 
corpo, me fazendo querer me enrolar mais nele. 
Que porra é essa? Eu deixo cair meus braços, 
congelado. 
Sinto-me atraído por J.D., estaria mentindo se dissesse 
que não, mas fui atraído por muitos caras heterossexuais. Eu 
sigo a vida, porque isso é tudo que posso fazer. 
Nunca me ocorreu que J.D. não seja hetero, no 
entanto. 
Mas mesmo se ele não for, ele não está pronto para ser 
qualquer outra coisa fora desta sala. 
Eu me afasto dele. Eu não vou ser seu segredinho sujo, 
seja lá o que for. 
Eu começo a me virar para abrir a porta. “Eu deveria 
encontrar Ten.” 
Ele estende a mão, batendo na porta e me fazendo 
pular. “Não”, ele diz. “Você não deveria.” 
Seu nariz roça o meu, sua respiração pesada aquece 
minha pele enquanto sua boca paira, e eu não consigo 
respirar. 
Eu cerro os dentes e agarro a marçaneta atrás de mim, 
mas ele segura meu pescoço em uma mão e me bate contra a 
porta. 
Eu rosno, ofegando por ar. 
“Eu não quero que ele toque em você”, ele sussurra, e 
posso sentir o cheiro da bebida em seu hálito,como cascas de 
laranja secas. Minha boca enche de água. “Eu nunca quis.” 
Eu sufoco uma risada amarga. Você nunca quis. 
Excelente. 
“E você não toca nele.” 
Eu balanço minha cabeça, cobrindo meus olhos 
enquanto olho para o maldito atleta. “O que você quer que 
aconteça aqui?” Eu pergunto, inclinando-me para ele, 
brincando, nossos lábios a centímetros de distância. “Você 
quer me tocar? Me ver?” 
Começaremos devagar. Por que não? 
Eu largo a camisa pelos meus braços, vendo seus olhos 
azuis caírem para o meu peito. Os pulmões dele vazios, e o 
calor emana dele em ondas enquanto ele brinca e provoca, 
prestes a entrar em mim, mas se segura, a tortura escrita em 
seus olhos. 
“Você quer me assistir?” Eu provoco 
Serei seu brinquedo esta noite enquanto você se vira e 
me bate amanhã? 
Vamos ver então. Eu me abaixo, espalmando meu pau 
através do meu kilt, observando seu rosto enquanto eu 
esfrego devagar e com força. 
Meu pau se contorce, mexendo-se mais e mais, porque 
seus olhos não deixam minha mão enquanto eu brinco e… 
Eu engulo em seco. E eu meio que gosto. Eu gosto que 
ele goste. 
Meu pau tensiona no meu kilt, implorando para me 
livrar dele, e eu sei quando JD vê meu pau ereto e pronto, 
porque suas sobrancelhas cavam como se ele estivesse com 
dor. 
Mas eu não sou mais seu entretenimento. Afasto minha 
mão de mim mesmo. 
“Mais”, ele rosna, forçando minha mão de volta e 
inclinando-se em minha boca. “Deixe-me ver você fazer isso.” 
Eu resisto. “Não.” 
“Faça isso”, ele range para fora. 
Eu me liberto de sua mão e o bato no peito com as 
duas palmas. 
Ele tropeça para trás. 
“Eu não sou a porra do seu brinquedo!” Eu grito, sem 
me importar com quem me ouve. “Você acha que eu vou me 
masturbar para você esta noite? Talvez chupe seu pau 
amanhã e deixe você me foder no banco de trás quando você 
finalmente quiser ir um pouco mais longe?” Eu olho para ele, 
seu cabelo castanho ainda no lugar e estilizado, sempre 
fazendo-o parecer muito bonito. “Você sabe por que eu prefiro 
foder qualquer um em vez você? Porque você me esconderia. 
Você me faria sentir como se estivesse no ensino médio! 
Envergonhado, nojento e inútil demais para esperar algo 
melhor! Vai se foder, J.D.! Seu filho da puta, filho da puta, 
filho da puta! Eu deixaria qualquer um me levar para a cama 
em vez de você!” 
Ele rosna, a raiva perfurando seu olhar enquanto ele 
estende as mãos e empurra o vaso de flores falsas da mesa 
contra a parede. Ele cai no tapete, e então tomba sobre uma 
das poltronas acolchoadas. 
Pirralho mimado. Como de costume, ele quer o que 
quer, quando quer, e talvez no último ano, eu o teria deixado 
fazer o que quisesse comigo, porque eu estava desesperado 
por atenção, mas aprendi que valia muito mais desde então. 
Foda-se J.D. York. 
Foda-se essa cidade. 
E foda-se todos eles. 
Foda-se. Virando, giro a maçaneta e abro a porta, mas 
é puxada da minha mão e empurrada fechada novamente. Eu 
me viro, pronto para separá-lo, mas quando viro, ele está 
puxando o moletom de sua cabeça e parado lá, seus olhos 
sem encontrar os meus. 
Mas eles brilham, e posso dizer que estão prestes a 
transbordar. 
Eu paro quando ele se aproxima, cerrando a 
mandíbula. “Por favor, use isso”, ele murmura, ainda sem 
olhar para mim. “Está frio.” 
Eu fico boquiaberto com ele. 
Ele avança lentamente, enfiando as mãos no buraco da 
cabeça. Estou prestes a empurrar ele se afasta, mas então ele 
fala novamente. 
“Sinto muito”, ele mal consegue sussurrar. “Eu não sei 
o que estou fazendo. Eu não estou bem.” 
Sim, todo mundo sabe disso. 
“Faz muito tempo que não estou bem, mas ...” Ele 
respira algumas vezes. “Eu não queria estar em qualquer 
outro lugar que não aqui com você agora.” 
Minhas sobrancelhas despencam, tentando manter 
minha emoção sob controle. Isso é como ele. 
“Eu queria estar assim com você há muito tempo.” 
Minha garganta se estica, vendo todos os anos que ele 
manteve as coisas trancadas e como a merda simplesmente 
se acumula, porque eu sei como é. 
Antes que eu possa impedi-lo, ele desliza o moletom 
pela minha cabeça e puxa para baixo. Eu deslizo meus 
braços, seu cheiro me envolvendo. 
“Sinto muito”, ele me diz, baixando a cabeça. “Sinto 
muito por tudo isso.” 
Uma lágrima escorre por sua bochecha, e ele 
rapidamente se abaixa e tira a camisa preta do chão, então 
não vou notar, mas assim que ele volta para cima, eu agarro 
seu punho, sentindo a camisa. 
Se ele tivesse pressionado um pouco mais forte, eu 
poderia ter cedido. Ainda anseio por atenção. Ainda estou 
fraco, e ainda tenho problemas de autoestima. Ele é gostoso e 
eu quero isso. 
Mas ele não insistiu. Ele me vestiu e não consegue 
olhar para mim. 
“Eu quero a camisa”, digo a ele. 
Em vez de pegá-la, porém, observo seu rosto e passo 
meus dedos por seu braço. O macio da pele do lado de baixo, 
alguns arranhões de um jogo de futebol sem dúvida, as veias 
salientes através de sua pele dourada. 
Ele realmente quer isso? 
Ele não está pronto. 
Mas algo passa por mim, e eu mergulho, correndo 
meus lábios pelo lado de seu pescoço sentindo seu peito 
desmoronar bem antes de ele agarrar minha cabeça, me 
segurando contra ele e nós dois caindo na porta. 
Eu acaricio meu nariz em sua pele, aproveitando o 
convite para mais e traço a ponta do meu em seguida, a 
língua em seu pescoço, puxando-o,provando-o e comendo-o – 
mordendo, beijando e chupando. 
Ele geme, e eu imediatamente sinto seu pau endurecer 
novamente e pressionar no meu. 
“Isso poderia ter sido nós”, eu sussurro, “anos atrás.” 
Eu coloco sua orelha entre os meus dentes, lentamente 
puxando-a para baixo. 
“Eu gostava de olhar para você no chuveiro.” Arrasto 
minhas mãos sob sua camisa, a porra do seu corpo incrível 
me excitando. “Deus, você ficava bem molhado.” 
Ele respira com dificuldade e eu o vejo mostrar os 
dentes. 
“Eu quero estar no chuveiro agora”, digo a ele. 
“Tocando em você.” 
“Manny...” ele geme. 
“Leve-me para casa”, eu digo. “Leve-me para casa, para 
sua cama. Você pode ver isso? Eu nu em seus lençóis? Eu me 
barbeando na sua pia com apenas uma toalha, porque para 
que se preocupar em estar vestido. Eu vou te foder de novo 
daqui a pouco.” 
Eu o provoco, e seu corpo está ficando selvagem, 
porque provavelmente nunca lhe ocorreu que eu seria rude 
com ele também, e ele poderia gostar dessa ideia. 
E então ele está nisso. 
Agarrando a parte de trás do meu cabelo, sua 
respiração pesada caindo sobre minha boca, ele cobre meus 
lábios com os dele, me segurando rápido e me dominando 
com força. 
Eu gemo e não sei se é porque não consigo respirar ou 
porque sinto tudo através da porra do meu corpo, mas de 
qualquer forma, eu não me afasto. 
Pegando a camisa, eu o beijo de volta e inclino minha 
cabeça enquanto ele empurra meu queixo para cima e me 
pressiona contra a porta, sua boca descendo pela minha 
garganta. Eu gemo. Porra, ele é bom. 
Ele cobre minha boca novamente e posso sentir o 
sorriso em seus lábios. 
E uma certa satisfação por gostar disso. Que ele queira. 
“Leve-me para casa esta noite”, eu exijo. “Eu serei seu a 
noite toda.” 
Ele vacila, sua respiração instável atinge meu pescoço. 
A hesitação, embora esperada, dói. 
Ele nunca vai me levar para casa com o papai. 
Mas eu o pressiono, porque eu mereço saber. “Não me 
curve”, eu sussurro. “Fique em cima de mim, porra, e segure 
meu olhar enquanto você faz isso.” 
Ele fica ali, congelado por um minuto, e eu só posso 
imaginar a realidade fria se infiltrando em seu corpo. 
Ele se afasta. 
Eu forço um sorriso, afastando a dor no meu estômago. 
“Bundão, filhinho de papai, filho da puta.” 
Ele ergue o queixo, desafiador. 
Eu não serei sua merda. Eu posso foder Ten, e isso não 
importa. Se J.D. me quer, então ele terá que pertencer a mim. 
Segurando a camisa, eu empurro a parede. “Vou 
chamar um Uber.” 
E eu me viro, abrindo a porta. 
“Vá direto para casa”, eu o ouço dizer, sua voz é uma 
mordida fria. “Para sua própria cama. Sozinho.” 
Eu rio, sem me virar para encará-lo. “Isso não é mais o 
colégio. Eu não tenho medo de você.” 
“Você viu meu lado suave esta noite”, ele me diz. “Não 
me faça lembrar que eu tenho outro.” 
Meu estômago se agita um pouco, lembrando muito 
bem. 
“Quero dizer, realmente Manny.” Sua voz fica 
brincalhona, mas sinistra. “Não me empurre assim. Isto me 
machuca mais do que te machuca.” 
Eu posso sentir o sangue drenando meu rosto, mas só 
paro um momento antes de bater a porta fechada e empurro 
a multidão, em direção ao saguão e saída. 
Uma semana inteira em casa. 
Ten está aqui. 
Trey está aqui. 
J.D. está aqui. 
Porra.

Mais conteúdos dessa disciplina