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AVALIAÇÃO II – SEMÂNTICA PROF. VANESSA FABÍOLA SILVA DE FARIA Esta avaliação incide sobre os conteúdos dos módulos III e IV QUESTÃO 01 Qual dos termos grifados abaixo NÃO pode ser considerado um quantificador: a) ( ) Nem tudo são flores. b) ( ) Toda a água do rio secou. c) ( ) Encontrei uma chave perdida na rua. d) ( ) O João só convidou a Maria para ir ao cinema. e) ( ) Tudo o que eu mais queria agora é um pouco de café. QUESTÃO 02 Como é entendida a negação para a Semântica da Enunciação: a) ( ) Como um operador que frequentemente causa ambiguidade. b) ( ) Como um advérbio modificador de um substantivo. c) ( ) Como um fenômeno de polissemia. d) ( ) Como um item de escopo amplo. e) ( ) Como um operador argumentativo. QUESTÃO 03 – Leia a tira abaixo e responda: Estão corretas as afirmativas, EXCETO: a) O humor se instaura no jogo entre informação posta e pressuposta. b) Há uma pressuposição de que governos não fazem absolutamente nada. c) As mães se preocupam com a bagunça que as crianças e os governos fazem. d) O conteúdo posto é de que elas, as crianças, estavam brincando de governo. e) O conteúdo pressuposto é o seguinte: se as crianças estavam brincando de governo e governos não fazem nada, então não haveria bagunça; pois também, assim como o governo, nada farão. QUESTÃO 04 No famoso provérbio “O sol nasce para todos”, temos um exemplo de: a) Metaftonímia b) Acarretamento c) Polissemia d) Metáfora e) Metonímia QUESTÃO 05 (FUVEST 2002 -1ª fase). Considere o anúncio abaixo: Reflorestar as margens dos rios Pinheiros e Tietê, arborizar praças, ruas e escolas, criar novos parques, melhorar a qualidade do ar e da vida das pessoas, aumentar a consciência ecológica dos adultos e das futuras gerações. (...) Logo, logo você vai ver o Pomar em cada canto da cidade. Projeto Pomar. Concreto aqui, só os resultados (adaptado de IstoÉ, 19/9/2001). Considerando-se o contexto deste anúncio, o tipo de efeito de sentido que ocorre na expressão “deixa no ar” também se verifica em: a) Reflorestar as margens dos rios Pinheiros e Tietê. b) Melhorar a qualidade do ar. c) Consciência ecológica dos adultos e das futuras gerações. d) Em cada canto da cidade. e) Concreto aqui, só os resultados QUESTÃO 06 - Leia os textos e responda: Em 1978 descobriu-se que, a 150 km da cidade de São Paulo, num lugarejo chamado Cafundó, vivia um grupo de 80 negros que usavam uma estranha língua. Linguistas e antropólogos pesquisaram a comunidade e descobriram que eles eram descendentes de escravos falantes de uma língua banto, uma das muitas famílias linguísticas da África. Tanto os adultos quanto as crianças do Cafundó eram falantes do português, mas, em algumas situações, todos preferiam usar a cupópia, uma língua formada por apenas 150 palavras: tudo o que restou da língua original na memória dos mais velhos integrantes da comunidade. Para poder se expressar nessa língua de tão poucas palavras, os negros do Cafundó tiveram que inventar um modo de dizer, em cupópia, as coisas para as quais não havia palavras. Criaram assim várias figuras de linguagem, utilizando, principalmente, dois processos básicos para construí-las: relacionando palavras por semelhança e por proximidade. (Cassiano Machado. In Folha de S. Paulo, 18/10/96.) Em cupópia, não havia uma palavra para designar sabonete; os moradores do Cafundó criaram então a expressão obiquanga do vavá que significa, literalmente, "tijolo de água". (Ana Luisa Marcondes. In: Olhe a Língua, 2004) Apesar do léxico extremamente limitado, o sistema do Cafundó é vivo e produtivo. Do ponto de vista estritamente lexical, observa-se de fato uma constante expansão do vocabulário (...). Essa expansão se dá em geral através do uso de palavras do léxico africano, que concorrem para a formação de novas expressões cuja estrutura gramatical é, grosso modo, a de nome + preposição + nome. Para expressar um novo significado, parte-se de um nome e particulariza- se, através do genitivo português, gramaticalmente falando, um novo significado. (Carlos Vogt e Peter Fry. In: As formas de expressão na “língua” africana do Cafundó.) Os mecanismos apontados nos textos acima permitem a construção dos seguintes vocábulos em cupópia: 1. tenhora da mucanda = enxada da escrita (caneta) 2. mutombo do injequê = mandioca do saco (amendoim) 3. injó da marrupa = casa do sono (quarto) 4. ngombe do andaru = boi de fogo (carro) 5. injequê do vava = saco de água (nuvem) 6. obiquanga do avero = tijolo de leite (queijo) 7. obiquanga do vava = tijolo de água (sabonete) Pode-se dizer que as palavras em cupópia se formam por meio de: I) Acarretamento e pressuposição II) Inferência e Polissemia III) Metáfora e Metonímia Estão corretas: a) Apenas I está correta. b) Apenas II está correta. c) Apenas III está correta. d) Nenhuma alternativa está correta. e) Todas as alternativas estão corretas. QUESTÃO 07 Lakoff fala em metáforas orientacionais, que organizam todo um sistema de conceitos a partir de orientações espaciais do tipo "para cima/para baixo", "frente/trás", "dentro/fora", entre outros casos. Essas orientações são também consequentes da estrutura do nosso corpo e sua atuação no mundo físico. São exemplos desse fenômeno as frases que contêm metáforas do tipo: FELIZ É PARA CIMA; TRISTE É PARA BAIXO São exemplos desta ideia as frases abaixo, EXCETO: a) Ele é um cara para cima. b) Ele tem estado pra baixo esses últimos dias. c) Pensar em dinheiro levanta o meu astral. d) Empurre a alavanca para baixo a fim de abrir o compartimento de cargas. e) Velórios são tão tristes que até a pessoa mais feliz sai de lá meio para baixo. QUESTÃO 08 Baseando-se na mesma orientação, encontramos as informações abaixo, associadas aos termos "frente" e "trás", que também exemplificam a noção anterior, EXCETO: a) “São 120 milhões em ação, prá frente Brasil, salve a Seleção” (trecho de “hino” da seleção brasileira na Copa de 1970) b) Traga o pacote e o leve para trás daquele galpão. c) Minha mãe disse que não queria meu irmão namorando aquela menina, pois achava que a garota era muito “pra frente”. d) Não dá pra pensarmos em sucesso com tanta gente nos puxando para trás. e) Meu pai, desde muito jovem, sempre apoiou minha mãe e meus irmãos em seus estudos. Ele sempre foi um homem pra frente, bem diferente dos homens de seu tempo. QUESTÃO 09 5) Uma metáfora comum em várias línguas é a metáfora DISCUSSÃO É GUERRA. As frases abaixo exemplificam esse caso: I) Seus argumentos são indefensáveis. II) Destruí sua argumentação. III) As pessoas encaram as defesas de opinião, nas redes sociais, como um campo de batalha! Estão corretas: a) I e III b) II e III c) I e II d) Nenhum dos exemplos estão corretos e) Todos os exemplos estão corretos QUESTÃO 10) Leia o texto abaixo e responda Conceitos da vida cotidiana A metáfora é, para a maioria das pessoas, um recurso da imaginação poética e um ornamento retórico – é mais uma questão de linguagem extraordinária do que de linguagem ordinária. Mais do que isso, a metáfora é usualmente vista como uma característica restrita à linguagem, uma questão mais de palavras do que de pensamento ou ação. Por essa razão, a maioria das pessoas acha que pode viver perfeitamente bem sem a metáfora. Nós descobrimos, ao contrário, que a metáfora está infiltrada na vida cotidiana, não somente na linguagem, mas também no pensamento e na ação. Nosso sistema conceptual ordinário, em termos do qual não só pensamos, mas também agimos, é fundamentalmente metafórico por natureza. Os conceitos que governam nosso pensamento não são meras questões do intelecto. Eles governam também a nossa atividade cotidiana até nos detalhes mais triviais. Eles estruturam o que percebemos, a maneira como nos comportamosno mundo e o modo como nos relacionamos com outras pessoas. Tal sistema conceptual desempenha, portanto, um papel central na definição de nossa realidade cotidiana. Para dar uma ideia de como um conceito pode ser metafórico e estruturar uma atividade cotidiana, comecemos pelo conceito de DISCUSSÃO e pela metáfora conceitual DISCUSSÃO É GUERRA. Essa metáfora está presente em nossa linguagem cotidiana numa grande variedade de expressões: Seus argumentos são indefensáveis. Ele atacou todos os pontos da minha argumentação. É importante perceber que não somente falamos sobre discussão em termos de guerra. Podemos realmente ganhar ou perder uma discussão. Vemos as pessoas com quem discutimos como um adversário. Atacamos suas posições e defendemos as nossas. Planejamos e usamos estratégias. Se achamos uma posição indefensável, podemos abandoná-la e colocar-nos numa linha de ataque. Muitas das coisas que fazemos numa discussão são parcialmente estruturadas pelo conceito de guerra. Esse é um exemplo do que queremos dizer quando afirmamos que um conceito metafórico estrutura (pelo menos parcialmente) o que fazemos quando discutimos, assim como a maneira pela qual compreendemos o que fazemos. (LAKOFF, G. & JOHNSON, M. Texto adaptado de Metáforas da vida cotidiana. Campinas: Mercado de Letras; São Paulo: Educ, 2002, p. 45-47.) Ao longo do texto, percebe-se um posicionamento dos autores acerca do conceito de metáfora. Para eles, trata-se de algo que: a) está associado apenas a um recurso da imaginação poética ou de retórica. b) deve ser visto como um traço restrito à organização do pensamento humano. c) revela o imaginário da natureza humana, como também o de outras espécies. d) não está centrado só na linguagem, mas também interfere em ações do cotidiano. e) não deve ser associado a elementos linguísticos, mas a ações extraordinárias. QUESTÃO 11: Observe a charge abaixo, publicada no momento da intervenção nas atividades de segurança do Rio de Janeiro, em março de 2018. Há uma série de informações implícitas na charge; NÃO pode, no entanto, ser inferida da imagem e das frases a seguinte informação: a) A classe social mais alta está envolvida nos crimes cometidos no Rio; b) A tarefa da investigação criminal não está sendo bem-feita; c) A linguagem do personagem mostra intimidade com o interlocutor; d) A presença do orelhão indica o atraso do local da charge; e) As imagens dos tanques de guerra denunciam a presença do Exército. QUESTÃO 12 Intertextualidade e polifonia O conceito de polifonia é mais amplo que o de intertextualidade. Enquanto nesta faz-se necessária a presença de um intertexto, cuja fonte é explicitamente mencionada ou não, o conceito de polifonia, tal como elaborado por Ducrot (1980, 1984), a partir da obra de Bakhtin (1929), em que este denomina de polifônico o romance de Dostoievski, exige apenas que se representem, encenem (no sentido teatral), em dado texto, perspectivas ou pontos de vista de enunciadores (reais ou virtuais) diferentes. Ducrot, ao apresentar a teoria polifônica da enunciação, postula a existência, em cada texto/enunciado, de mais de um enunciador, que representam perspectivas, pontos de vista diferentes, sendo uma delas aquela a que o locutor adere em seu discurso. Isto é, no discurso de um locutor, encenam-se, representam -se pontos de vista diversos. Segundo Ducrot, são os seguintes os principais índices de polifonia: negação; marcadores de pressuposição; determinados operadores argumentativos; futuro do pretérito com valor de metáfora temporal; operadores concessivos; operadores conclusivos; aspas; e expressões do tipo parece que, segundo X; entre outros. Tanto a polifonia como a intertextualidade são atestações cabais da presença do outro em nossos discursos, do dialogismo tal como postulado por Bakhtin e da incontornável argumentatividade inerente aos jogos de linguagem. KOCH, Ingedore G. Villaça; BENTES, Anna Christina; CAVALCANTE, Mônica Magalhães. Intertextualidade: diálogos possíveis. São Paulo: Cortez, 2007. p.79-83 [Adaptado] Verifique se as afirmativas abaixo estão em consonância com o texto 7 e identifique as verdadeiras ( V ) e as falsas ( F ). ( ) Para que haja polifonia não é necessária a menção direta ou indireta a determinados textos. ( ) A polifonia se realiza através de determinados recursos linguísticos que operam introduzindo diferentes vozes sociais no texto. ( ) O conceito de polifonia de Ducrot e de Bakhtin implica uma relação hierárquica entre os enunciadores, sendo que a voz do locutor é a dominante. ( ) A polifonia é uma categoria discursiva e, por isso mesmo, não se materializa em elementos linguísticos, cabendo a sua identificação à prática da interpretação. ( ) Os conceitos de polifonia e de intertextualidade se diferem: enquanto o primeiro é de caráter mais discursivo, o segundo é mais textual. QUESTÃO 13 Após o jogo do Brasil contra Gana pelas oitavas-de-final da Copa do Mundo, o jornal "Folha de S. Paulo" do dia 28 de junho de 2006 publicou a seguinte manchete na primeira página: Suponha que o jornal tivesse optado por uma manchete ligeiramente diferente: "O Brasil vence de 3 a 0, ... bate recordes, ... ... mas Parreira não gosta." Sobre as diferenças entre essas duas manchetes, é correto afirmar: 1. A oposição entre "vencer", "bater recordes" e "não gostar", destacada na manchete original, não é explicitada no texto modificado. 2. A manchete original apresenta a imagem de Parreira como um técnico mais exigente que a manchete modificada. 3. A manchete original deixa implícito que a atuação da seleção desagradou não apenas Parreira, mas muitas outras pessoas. Assinale a alternativa correta. a) Somente a afirmativa 1 é verdadeira. b) Somente a afirmativa 2 é verdadeira. c) Somente a afirmativa 3 é verdadeira. d) Somente as afirmativas 1 e 2 são verdadeiras. e) Somente as afirmativas 2 e 3 são verdadeiras. QUESTÃO 14: Leia a tira abaixo e responda: Estão corretas as afirmativas, EXCETO: a) O humor se instaura no jogo entre informação posta e pressuposta. b) Há uma pressuposição de que governos não fazem absolutamente nada. c) As mães se preocupam com a bagunça que as crianças e os governos fazem. d) O conteúdo posto é de que elas, as crianças, estavam brincando de governo. e) O conteúdo pressuposto é o seguinte: se as crianças estavam brincando de governo e governos não fazem nada, então não haveria bagunça; pois também, assim como o governo, nada farão. QUESTÃO 15: Leia a tira abaixo e responda: Considerando-se o conteúdo implícito na tira, é correto inferir: I. Calvin não sabe o que escrever, por isso tenta disfarçar com um discurso elegante, mas vazio. II. Sob o ponto de vista de Calvin, a escrita acadêmica se resume a um discurso obscuro que visa disfarçar a falta de ideias. III. Só é possível ingressar na academia se for capaz de disfarçar sua falta de clareza e argumentação pobre com uma escrita rebuscada e obscura. Assinale a alternativa correta: a) Apenas I está correta. b) Apenas II está correta c) Apenas III está correta. d) Estão corretas I, II e III. e) Estão corretas II e III. QUESTÃO 16: Observe o meme abaixo e responda: Sobre o meme, estabelecem-se duas asserções: I. O conteúdo posto do meme é uma ironia sobre uma fala comum ouvida por professores; PORQUE II. O conteúdo pressuposto causa indignação ao sugerir que docência não é trabalho. Sobre essas duas asserções é correto afirmar que: a) A primeira asserção é verdadeira, a segunda é falsa. b) Ambas asserções são falsas; c) A primeira asserção é falsa e a segunda é verdadeira; d) Ambas asserções são verdadeiras, mas a segunda não é uma justificativa válida para a primeira; e) Ambas asserções são verdadeiras e a segunda é uma justificativa válida para a primeira. QUESTÃO17: Leia os textos abaixo e responda: Texto 1: Para que nasça a ironia, é necessário que toda marca de relato desapareça, é necessário “fazer como se” este discurso fosse realmente sustentado, e sustentado na própria enunciação. Esta é a ideia que procuro deixar dizendo que o locutor “faz ouvir” um discurso absurdo, mas que o faz ouvir como o discurso de um outro, como um discurso distanciado [...] é essencial à ironia que L não coloque em cena um outro enunciador, E’, que sustentaria o ponto de vista razoável. Se L deve marcar que é distinto de E, é de uma maneira totalmente diferente, recorrendo, por exemplo, a uma evidência situacional, a entonações particulares, e também a certos torneios especializados na ironia [...] (1987, p. 198) Texto 2: Texto 3: “ A noção de polifonia concebida, aqui, equivale a uma metáfora musical. Ela evoca a imagem de um conjunto de vozes orquestradas na língua. As abordagens ditas polifônicas procuram mostrar que o sentido dos enunciados e dos discursos não consistem apenas em expressar o pensamento de um sujeito falante empírico, mas consistem, sobretudo, em evidenciar uma pluralidade de vozes enunciativas abstratas. Assim, o significado se apresentaria em diferentes níveis, como um conjunto de falas ou pontos de vista, mais ou menos heterogêneos, do qual o interprete se incumbiria de organizar para compreender o que é dito.” (PERRIN, 2004, p.266) Analisando o meme, a partir das considerações de DUCROT (1987) e PERRIN (2004), podemos afirmar: □ A ironia do meme se instaura no jogo entre enunciados posto e pressuposto apresentados por L como um discurso absurdo; □ L apresenta um ponto de vista1 com o qual concorda □ L apresenta um ponto de vista2, no enunciado do meme, com o qual se compromete. □ A diferença que O. Ducrot estabelece entre locutor e enunciador permite explicar o mecanismo da ironia pelas palavras mas não do ponto de vista da ironia, tarefa deixada para o enunciador. □ Há dois pontos de vista em choque: pdv1 = professor não trabalha e pdv2 = professor trabalha muito e é irritante ver pessoas desmerecendo à docência como trabalho; □ L apresenta um ponto de vista, com o qual não concorda. com o recurso a que chamamos de ironia. É, pois, um recurso semelhante à negação (embora não sejam exatamente a mesma coisa). □ Apesar da semelhança com a negação, a ironia tem maior efeito persuasivo no jogo argumentativo. □ A ironia evidencia o jogo polifônico das vozes no texto. □ A metáfora do concerto de vozes, para definir a polifonia, não se aplicaria ao meme em questão. □ L se responsabiliza pelo enunciado, mas não se compromete com o ponto de vista expresso. Em outras palavras: L apresenta um conteúdo proposicional, mas não se apresenta como um autor do conteúdo proposicional. QUESTÃO 18 É muito comum, na linguagem do dia a dia, a criação de expressões de sentido abstrato a partir de termos designativos de partes do nosso corpo. São exemplos disso expressões como "dar uma mãozinha" (= oferecer ajuda) e "ser o cabeça do grupo" (= ser o líder). São exemplos de expressões formadas a partir de partes do corpo humano, EXCETO: a) na ponta dos pés (iniciativa), b) dar ouvidos (prestar atenção) c) custar olho da cara (algo muito caro) d) quebrar a cara (se decepcionar) e) dar o braço a torcer (ceder) QUESTÃO 19: Leia o texto e responda: O frame designa um sistema de conceitos relacionados de tal forma que, para se compreender qualquer um deles, é necessário entender toda a estrutura na qual ele se insere (FILLMORE, 1982); é também denominado cena ou enquadre, auxiliando na compreensão adequada de um conceito. O significado das palavras é subordinado a frames, uma vez que somente a interpretação da cena pode dar suporte para a compreensão de um termo. Ex.: os verbos comprar, vender, pagar, gastar, custar e cobrar são interpretados porque acessamos o frame de “evento comercial” (em que temos os elementos mercadoria, comprador, valor e vendedor). Com base na noção de frame, defina quais os frames acionados na leitura da charge: a) Os frames acionados são: pandemia, busca por formação acadêmica e desemprego; b) Os frames acionados são: internacionalização dos currículos acadêmicos, escassez de mão de obra qualificada e políticas educacionais; c) Os frames acionados são: crise, desemprego e precarização de profissões tradicionais; d) Os frames acionados são: independência financeira, não viver preso a agendas e compromissos profissionais e formação profissional de alto nível. e) Os frames acionados são: pandemia, internacionalização dos currículos acadêmicos e independência financeira. QUESTÃO 20: Leia o texto da propaganda e responda: “Fuja enquanto é tempo” – Honda – Sobre o texto e a imagem desta propaganda é correto o que se afirma sobre o conjunto de correspondências conceituais que resulta no conceito metafórico MESA DE REUNIÕES É ESTRADA □ A mescla conceitual que dá origem ao conceito metafórico é o resultado da articulação de 2 inputs cuidadosamente arquitetados pelo criador do texto. □ Podemos considerar que a imagem é o resultado de uma metáfora visual na qual a mesa é compreendida em termos de pista asfaltada livre para tráfego. Esse é o espaço mental do input 1. □ A mesa de reuniões funciona como ativadora do modelo cognitivo idealizado das grandes corporações empresariais, evocando o espaço mental das reuniões em que se discutem o desejo de liberdade contido em pilotar uma moto Honda numa estrada livre. □ No anúncio em análise, predominam semelhanças morfológicas entre uma mesa de reuniões vista em perspectiva e uma pista asfaltada: o espaço ou local onde estão situadas, o fato de ambas possuírem texturas, serem longas, retas e passarem a impressão de continuidade, bem como o fato de estarem divididas ao centro por formas que sugerem um tracejamento (no caso da mesa, a sequência de papéis). □ Os papéis organizados em fileira de folhas ao centro da mesa convocam também o espaço mental do desmatamento e dos estragos causados pela indústria de produção de papéis. □ O modo como determinados estereótipos socioculturais participam do contexto interpretativo, como resultado dos modelos cognitivos convocados pela imagem: pessoas vestidas formalmente e reunidas ao redor de uma grande mesa, estão sempre planejando a próxima viagem e encontro de motocicletas. □ A fotografia é constituída por elementos que ativam o espaço mental da reunião empresarial e, tendo em vista suas expressões sérias, provavelmente desagradável. □ Participar de reuniões é uma tarefa considerada atraente e instigante. Além disso, pessoas que vivem nesta rotina de reuniões muitas vezes são consideradas arrojadas, destemidas e amantes da liberdade. □ A ideia de liberdade é o resultado da convocação de outro espaço mental, ativado pela assinatura visual do anunciante, composta do símbolo: uma asa, e do logotipo da Honda. □ As pessoas sentadas de cada lado da mesa, aparentemente estáticas e vestidas de modo bastante formal e com a mesma postura rígida, convocam o espaço mental de motociclistas em seus encontros anuais de motocicletas. □ Este espaço mental da liberdade se aproveita da associação socioculturalmente estabelecida de que motocicletas representam rebeldia e juventude. O fato do símbolo apresentar-se como uma asa, um iconograma associado à liberdade, realça aspectos subjetivos como a liberdade e emoção de dirigir uma motocicleta. □ O leitor imediatamente lembra de que o conceito de liberdade tem sido recorrente na trajetória de comunicação da marca (e de anúncios para veículos, em geral), ativando lugares argumentativos como “pessoas que dirigem motocicleta são livres e aproveitam mais a vida, têm menos preocupações”. □ Podemos considerar que a imagem é o resultado de uma metáfora visual na qual a mesa é compreendidaem termos de pista asfaltada livre para tráfego. □ Outros aspectos evocam também a ideia de viagens: aspectos como a verticalidade e a rigidez das pessoas sentadas à mesa equivale à imagem do movimento nas estradas. □ No espaço mental da estrada, o input 2, encontramos o espaço aberto, a estrada asfaltada, a linha tracejada pintada no asfalto, os postes de transmissão de energia e as paisagens que a circundam, a tranquilidade de uma pista vazia, o destino e a sensação de continuidade provocada pela perspectiva. □ O leitor-modelo da propaganda não percebe as imagens evocadas em termos denotativos, mas como parte da rede de conotações que a metáfora visual codifica, isto é: embora não estejam efetivamente representados na imagem, são recuperáveis por um processo de implicações e enriquecimento perceptivo por similaridades de forma, direção, textura e composição visual. □ A tarefa de relacionar os dois inputs (reunião e estrada) não é tarefa do leitor, mas do criador do texto publicitário relaciona os dois inputs e desempacota um conjunto de correspondências conceptuais que resulta no conceito metafórico MESA DE REUNIÕES É ESTRADA: a mesa seria a pista asfaltada, os papéis seriam a linha tracejada que divide as pistas e indica ultrapassagem autorizada, os empresários seriam os postes de energia elétrica encontrados nas rodovias. □ Alguns elementos do input 1 (a secretária e o presidente da empresa, por exemplo) não encontrariam sua contraparte equivalente no input 2 e vice-versa, como seria o caso das placas de sinalização e das paisagens no espaço mental das estradas. □ No espaço de mescla, emerge uma estrutura que considera a mesa de reuniões em termos de estrada: a mesa é percebida também como uma pista asfaltada livre, cuja divisória são os papeis; os integrantes das reuniões são compreendidos em termos de postes estáticos; a finalidade da reunião poderá até ser compreendida em termos de destino da estrada.