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Linguagem Visual Gráfica Professora Victoria Carolina de Jesus EduFatecie E D I T O R A Reitor Prof. Ms. Gilmar de Oliveira Diretor de Ensino Prof. Ms. Daniel de Lima Diretor Financeiro Prof. Eduardo Luiz Campano Santini Diretor Administrativo Prof. Ms. Renato Valença Correia Secretário Acadêmico Tiago Pereira da Silva Coord. de Ensino, Pesquisa e Extensão - CONPEX Prof. Dr. Hudson Sérgio de Souza Coordenação Adjunta de Ensino Prof.ª Dra. Nelma Sgarbosa Roman de Araújo Coordenação Adjunta de Pesquisa Prof. Dr. Flávio Ricardo Guilherme Coordenação Adjunta de Extensão Prof. Esp. Heider Jeferson Gonçalves Coordenador NEAD - Núcleo de Educação a Distância Prof. Me. Jorge Luiz Garcia Van Dal Web Designer Thiago Azenha Revisão Textual Kauê Berto Projeto Gráfico, Design e Diagramação André Dudatt UNIFATECIE Unidade 1 Rua Getúlio Vargas, 333, Centro, Paranavaí-PR (44) 3045 9898 UNIFATECIE Unidade 2 Rua Candido Berthier Fortes, 2177, Centro Paranavaí-PR (44) 3045 9898 UNIFATECIE Unidade 3 Rua Pernambuco, 1.169, Centro, Paranavaí-PR (44) 3045 9898 UNIFATECIE Unidade 4 BR-376 , km 102, Saída para Nova Londrina Paranavaí-PR (44) 3045 9898 www.unifatecie.edu.br/site/ As imagens utilizadas neste livro foram obtidas a partir do site ShutterStock https://orcid.org/0000-0001-5409-4194 2021 by Editora EduFatecie Copyright do Texto © 2021 Os autores Copyright © Edição 2021 Editora EduFatecie O conteúdo dos artigos e seus dados em sua forma, correção e confiabilidade são de responsabilidade exclusiva dos autores e não representam necessariamente a posição oficial da Editora EduFatecie. Permitido o download da obra e o compartilhamento desde que sejam atribuídos créditos aos autores, mas sem a possibilidade de alterá-la de nenhuma forma ou utilizá-la para fins comerciais. EQUIPE EXECUTIVA Editora-Chefe Prof.ª Dra. Denise Kloeckner Sbardeloto Editor-Adjunto Prof. Dr. Flávio Ricardo Guilherme Assessoria Jurídica Prof.ª Dra. Letícia Baptista Rosa Ficha Catalográfica Tatiane Viturino de Oliveira Zineide Pereira dos Santos Revisão Ortográ- fica e Gramatical Prof.ª Esp. Bruna Tavares Fernades Secretária Geovana Agostinho Daminelli Setor Técnico Fernando dos Santos Barbosa Projeto Gráfico, Design e Diagramação André Dudatt www.unifatecie.edu.br/ editora-edufatecie edufatecie@fatecie.edu.br Dados Internacionais de Catalogação na Publicação - CIP J58L Jesus, Victoria Carolina de Linguagem visual gráfica / Victoria Carolina de Jesus. Paranavaí: EduFatecie, 2021. 94 p. : il. Color. ISBN 978-65-87911-17-5 1. Arquitetura – projetos e plantas. 2. CorelDraw (Programa de computador). I. Faculdade de Tecnologia e Ciências do Norte do Paraná - UniFatecie. II. Núcleo de Educação a Distância. III. Título. CDD : 23 ed. 728 Catalogação na publicação: Zineide Pereira dos Santos – CRB 9/1577 https://doi.org/10.33872/edufatecie.formsociocultural.2019 AUTORA Professora Victoria Carolina de Jesus ● Arquiteta e Urbanista ● Especialista em Design for Sustainability pela SCAD (Savannah College of Art and Design – Georgia, EUA) ● Bacharel em Arquitetura e Urbanismo pela PUCPR (Pontifícia Universidade Católica do Paraná, BR) através de Graduação Sanduíche pela SCAD (Savan- nah College of Art and Design – Georgia, EUA) ● Docente do curso de MBA em Design Thinking e Gestão de Pessoas pela Exa- me Academy. ● Planejadora Urbana pela Sasaki Consultoria ● Formadora de Conteúdo EAD pela Unifatecie. Tem experiência em Lean Construction, BIM Modelling e Sustainable Design pelo Civil Engineer Academic Training realizado na California State University Long Beach (2015). Atuou como Arquiteta Jr. no Smolka Arquitetura (2016-2018) e no BAU Design Studio (2018-2020), onde realizava documentação arquitetônica e acompanhamento de projetos. Atualmente colabora como Arquiteta em Planejamento Urbano (Planos Diretores Municipais - PDM) através da Sasaki Consultoria (2020). Lattes: https://wwws.cnpq.br/cvlattesweb/PKG_MENU.menu?f_cod=3982D19A5B- FB90C61EF39E266692E0B8# APRESENTAÇÃO DO MATERIAL Caro (a) aluno (a), seja bem-vindo à disciplina de Linguagem Visual Gráfica! A representação gráfica no projeto de arquitetura, determina a qualidade do produto final, um projeto bem representado, aumenta a visibilidade e lucratividade para os clientes. Com o avanço da tecnologia, os projetos de arquitetura enfrentam diariamente o desafio de representar os projetos com mais detalhamento e de forma mais clara. Convido você a conhecer os fundamentos e elementos de linguagens visuais e gráficas, a aplicar a composição como fundamentação da mensagem visual e finalmente a combinar técnicas compositivas gráficas na Arquitetura e nas Artes. Na unidade I, vamos conhecer os elementos que compõe a apresentação de projetos, quais são os desenhos utilizados na representação da arquitetura, como funcionam as relações de escala e finalmente como organizar esses elementos através da diagramação de pranchas. Em nossa unidade II, iremos iniciar nosso conhecimento da técnica de humanização de desenhos na arquitetura, quais são as diferenças entre o desenho técnico e o humanizado, e em quais casos apresentamos um ou outro. Para a realização do trabalho de humanização digital, iremos conhecer o software Corel Draw, uma ferramenta poderosa de desenho vetorial bidimensional utilizada por arquitetos e designers em todo o mundo. Ainda nesta unidade, iremos aprender como preparar os desenhos técnicos realizados nos softwares como Autocad e Sketchup para a apresentação e humanização. Já em nossa unidade III, você aprenderá o passo a passo de uma humanização, desde o início do desenho, até a sua exportação para outros formatos de apresentação digital. Que vão desde imagens estáticas e diagramas, até animações digitais. Iremos trabalhar com os principais desenhos da arquitetura, as plantas, cortes e elevações. Para finalizarmos, na unidade IV, veremos formas de organização do conteúdo, para composição dos desenhos em prancha, como colocar textos explicativos de forma a valorizar o projeto, e como transformar essas pranchas em ferramentas de apresentação. Espero que ao final dessa disciplina, você tenha adquirido o conhecimento necessário para apresentar seus projetos arquitetônicos de forma a valorizar os pontos fortes do projeto e garantir que o conceito e partido aplicados, sejam transferidos de forma clara. E que o conhecimento avançado na linguagem visual possa contribuir com o sucesso da sua carreira profissional. Muito obrigada e bons estudos! SUMÁRIO UNIDADE I ...................................................................................................... 6 Representação Gráfica na Arquitetura UNIDADE II ................................................................................................... 25 Humaninzação de Desenhos em Corel Draw UNIDADE III .................................................................................................. 45 Humanização de Desenhos em Corel Draw - Parte II UNIDADE IV .................................................................................................. 69 Diagramação de Pranchas em Corel Draw 6 Plano de Estudo: ● Elementos da linguagem visual e de apresentação; ● Desenhos de apresentação; ● Relações de desenho; ● Diagramação de pranchas. Objetivos da Aprendizagem: ● Conceituar e contextualizar elementos e desenhos de apresentação; ● Compreender os tipos de relações de desenhos e escalas; ● Estabelecer a importância da diagramação de pranchas. UNIDADE I Representação Gráfica na Arquitetura Professora Victoria Carolina de Jesus 7UNIDADE I Representação Gráfica na Arquitetura INTRODUÇÃO O desenho é a forma de expressão utilizada pela arquitetura, ele faz a ponte entre o projetoe a obra. As linhas no papel conseguem superar o caráter bidimensional e representar as ideias, a perspectiva, e o espaço. Neste sentido, como comunicamos arquitetura? A linguagem da arquitetura é o desenho, e ele transmite as informações de forma visual. Nesta unidade, iremos nos aprofundar na forma como nos comunicamos na arquitetura, iremos entender como funciona a representação gráfica para arquitetura, e quais são as formas de expressar o projeto. Na arquitetura, o desenho técnico representa a maior parte do material produzido para a elaboração dos projetos, são o que conhecemos como plantas, cortes, elevações e perspectivas. No entanto, com a evolução do mercado imobiliário e o advento da tecnologia assistindo o desenvolvimento de projetos, os desenhos passaram a adquirir mais complexidade e realismo, e o desafio da representação vem aumentando. Para tentar entender melhor esse desafio, primeiramente iremos identificar os elementos de apresentação e os desenhos que são mais utilizados para comunicar a arquitetura, é importante reconhecer em cada um desses elementos a mensagem principal que eles passam no projeto, e trabalhar para deixar esta mensagem expressada da forma mais clara possível. Seguiremos entendendo as relações dos desenhos, como cada um complementa as informações dadas previamente em outro desenho, como por exemplo a importância do corte na representação volumétrica da arquitetura e da planta no desenvolvimento espacial, também entenderemos as escalas dos desenhos, e como o fator de escala nos auxilia no nível de detalhamento. Por fim, iremos introduzir a diagramação de pranchas, ou seja, compreender como a distribuição desses desenhos, com textos e símbolos, podem transformar a forma como se enxerga o projeto e valorizar a apresentação. Ao final desta unidade, será possível compreender a interdisciplinaridade da arqui-tetura, pois estudaremos elementos e fundamentos da linguagem visual, também estudados por designers e publicitários. Você terá entendido que a qualidade de apresentação afeta diretamente na forma como seu projeto é percebido por clientes e investidores. 8UNIDADE I Representação Gráfica na Arquitetura 1. ELEMENTOS DA LINGUAGEM VISUAL E DE APRESENTAÇÃO Os desenhos que representam a arquitetura como já sabemos, vão desde diagramas até cortes elaborados. No entanto, antes de nos aprofundarmos nesses desenhos, precisamos entender os elementos que compõem tanto o próprio desenho, através da linguagem visual, como a apresentação deles. Como já vimos, o desenho é a linguagem da arquitetura, para lê-la precisamos conhecer a estrutura dessa linguagem, então vamos começar por ponto, linha, plano e volume: - Um ponto pode ser o encontro de duas retas, um centro de interesse na composição, um sinal ou uma marca, e basicamente o início de qualquer desenho; - Uma linha pode ser entendida como uma sucessão de pontos, pode ser infinito, ou ter um início e um fim, se tornando um segmento de reta; - Um plano é uma composição de linhas horizontais, verticais e diagonais, com seus respectivos ângulos, gerando formas bidimensionais; - E finalmente, o volume que é quando adicionamos tridimensionalidade às formas, através da luz e sombra. “[…] pontos e linhas formam a composição, apoiados por um plano original, que é definido por dois pares de linhas horizontais e verticais; nesse sentido o plano é outro elemento fundamental da linguagem visual […]” (VAZ; SILVA, 2016, p. 45). 9UNIDADE I Representação Gráfica na Arquitetura FIGURA 1 - PONTO QUE PRODUZ UMA LINHA Um desenho de representação arquitetônica, nada mais é do que uma composição desses elementos estruturais da linguagem visual. No entanto, um desenho isolado, por mais estruturado que esteja, não consegue transmitir todas as informações necessárias ao comunicarmos a arquitetura, dessa forma, é necessário acrescentarmos à apresentação outros elementos, são eles: imagens gráficas, símbolos gráficos e fontes: - As imagens gráficas são os desenhos e diagramas, estes têm por função, demonstrar o processo da concepção projetual e justificar as decisões tomadas, eles auxiliam os desenhos técnicos no esclarecimento da ideia; - Os símbolos gráficos auxiliam na comunicação de informações do projeto ou do desenho de forma sucinta e visual, são convenções que transmitem informações, como por exemplo as escalas gráficas, as setas de norte, as linhas de corte e de elevações; FIGURA 2 - EXEMPLOS DE SÍMBOLOS GRÁFICOS NA ARQUITETURA - As fontes são os elementos textuais que permitem que comuniquemos o que extrapola a capacidade de desenharmos. São eles os títulos, as legendas e o texto em geral que faz parte da composição da apresentação. Ao escolher as fontes, é preciso se atentar a sua legibilidade, espaçamento e tamanhos, para que a presença dos textos não interfira na leitura do desenho. Esse cuidado é essencial, pois aqui misturamos as duas linguagens, a escrita e a visual, e não podemos permitir que elas interfiram uma na outra. Em todos esses casos, é de extrema importância que seja feito um planejamento de como essas informações serão organizadas juntas. Deve-se considerar que cada um 10UNIDADE I Representação Gráfica na Arquitetura desses elementos, possuem cores, tamanhos, formatos, peso visual, posição e direção. É preciso entender que para ter uma apresentação forte e explicativa, é necessário que os elementos da linguagem visual se transformem em elementos de apresentação, e que estes sejam organizados levando em consideração a sua hierarquia e os outros pontos já citados. “O desenho não é simplesmente uma questão de técnica; é também um ato cognitivo que envolve percepção visual, avaliação e raciocínio de dimensões e relacionamentos espaciais.” (CHING, 2017, p. 6). Juntamente com esses elementos, devido a tridimensionalidade da arquitetura, apresentamos desenhos que tem a finalidade de superar a bidimensionalidade do papel, esses desenhos devem ser relacionados de forma clara, como um quebra-cabeça, facilmente “montado” no entendimento da apresentação. Agora que já entendemos os elementos da linguagem visual e os elementos de apresentação, vamos seguir entendendo os desenhos de apresentação da representação gráfica em arquitetura, e como devemos relacionar estes aos elementos que conhecemos neste tópico. 11UNIDADE I Representação Gráfica na Arquitetura 2. DESENHOS DE APRESENTAÇÃO Os desenhos de apresentação não são a finalidade da arquitetura, contudo, são a forma como a arquitetura expressa seu produto final, como o nome mesmo já diz, os desenhos são a forma gráfica de representação da arquitetura para que ela possa se transformar em um objeto construído. Eles são utilizados para apresentar a ideia, o projeto, para uma avaliação, ou seja, tem por objetivo apresentar a concepção do projeto de forma clara e convincente. E para que isso aconteça, é necessário que alguns pontos sejam observados, tanto na apresentação quanto nos desenhos: - Ao iniciar um desenho, a intenção deve ficar o mais claro possível, a definição de um ponto de vista elucidativo é fundamental para que o desenho cumpra seu objetivo de comunicar o projeto; - Ao escolher os elementos que compõe o desenho, seja eficiente, não permita que muitas informações ofusquem o objetivo principal do desenho; - Ao apresentar os desenhos, tenha em mente a clareza, cuidado para expor o desenho de forma que não se evidencie seus objetivos ou com muitas informações em volta; - Ao representar os elementos do projeto no desenho, é fundamentalque haja precisão, dessa forma as decisões projetuais tomadas a partir do desenho serão fundamentadas na representação da realidade e de suas consequências; 12UNIDADE I Representação Gráfica na Arquitetura - Ao escolher o tom da apresentação, tenha em mente que deve ser adequada ao público que será apresentado, e a partir disso, é importante seguir uma unidade, observando formatos, escalas, meios e técnicas; - Ao analisar a apresentação como um todo, é importante analisar a continuidade, os aspectos destacados devem se suportar durante todo o desenho e a apresentação deles. Todos esses aspectos devem ser incorporados aos desenhos e na forma como eles são apresentados. Os desenhos de arquitetura são apresentados em múltiplas vistas, como conhecemos, as plantas, cortes, elevações e perspectivas. Estas vistas permitem a compreensão do projeto de forma tridimensional, através da relação entre eles. Elas ainda representam diferentes objetivos no entendimento do projeto, de forma com que envolvemos um objeto em uma caixa e cada uma das vistas é o resultado da projeção ortográfica dessa vista nas faces da caixa. “[…] Estas vistas ortográficas ou ortogonais são abstratas, uma vez que não correspondem à realidade ótica; elas são uma forma conceitual de representação baseada naquilo que sabemos sobre uma coisa, e não em como ela talvez pareça aos nossos olhos.” (CHING, 2017, p. 50). As plantas são a representação ortogonal de um corte horizontal no objeto ou edificação. O que temos nas plantas baixas arquitetônicas geralmente é a representação de um corte horizontal realizado a 1,20 metros do chão, em que são mostradas as paredes e aberturas. É a visualização do projeto de cima para baixo, quando visualizamos em planta as relações de largura e comprimento e não de altura, verificamos as relações espaciais do projeto. Na arquitetura, temos vários tipos de plantas, e cada uma delas possuem um ponto de vista diferente, com o objetivo de demonstrar com clareza e eficiência o objetivo principal do desenho. Temos as plantas de implantação, cobertura, situação, planta baixa e planta de forro. FIGURA 3 - REPRESENTAÇÃO TRIDIMENSIONAL DE UMA PLANTA BAIXA 13UNIDADE I Representação Gráfica na Arquitetura Um corte é a representação ortográfica de um plano de intersecção vertical no desenho. Tem por objetivo revelar a relação dos elementos no interior do objeto em seus diferentes níveis de altura. Seguindo o padrão de todos os desenhos de arquitetura, os elementos são desenhados em suas proporções reais. Os cortes nos ajudam a entender a relação dos espaços com sua escala vertical. Este desenho ainda é fundamental para entender as camadas estruturais dos objetos e como elas interferem no espaço projetado, bem como a relação dos espaços internos e externos, pois o corte pode ser estendido pela área do terreno. FIGURA 4 - REPRESENTAÇÃO TRIDIMENSIONAL DE UM CORTE Uma elevação é uma representação ortográfica de um plano vertical paralelo a uma de suas faces. Este desenho é o que mais se aproxima do objeto final, pois ele evidencia suas características externas, como uma fotografia alinhada de forma paralela ao objeto, no entanto, diferentemente da fotografia, o desenho da elevação não consegue traduzir a profundidade, por isso ao desenharmos, precisamos usar técnicas de luz, sombra e traço para evidenciar esses aspectos. Nas elevações ainda, temos o destaque da materialidade do objeto, bem como seus volumes e aberturas, e como se relacionam em sua composição. Esse desenho pode ser feito da parte interna do objeto, evidenciando características do design de interiores. FIGURA 5 - REPRESENTAÇÃO DE LUZ, SOBRA E MATERIALIDADE EM ELEVAÇÕES 14UNIDADE I Representação Gráfica na Arquitetura Finalmente, temos as perspectivas, desenhos que permitem uma representação tridimensional do objeto através de técnicas como projeção paralela, cônica, isométrica, entre outros. Segundo Ching (2017, p.107), uma perspectiva pode referir-se a qualquer técnica gráfica para representar relações entre espaços e volumes em uma superfície plana, como a perspectiva de tamanho ou a paisagística. FIGURA 6 - PERSPECTIVA COM DOIS PONTOS DE VISTA Os desenhos que conhecemos neste tópico são os mais conhecidos por representar a arquitetura, contudo, com a evolução da tecnologia, temos animações e novas formas de expressar as ideias projetuais, até mesmo em colagens e diagramas. Para apresentação de projetos, podemos usar esses desenhos de diversas formas, sendo desenho técnico, artístico ou humanizado, o que devemos manter em mente sempre são os pontos que observamos no começo desse tópico para mantermos a apresentação coerente. 15UNIDADE I Representação Gráfica na Arquitetura 3. RELAÇÕES DE DESENHO Como já vimos anteriormente, todos os desenhos da arquitetura são a representação de uma parte que compõe um todo, ou seja, os desenhos se complementam através de sua relação com o objeto. As plantas juntamente com os cortes e as elevações auxiliam na construção do volume para a análise em perspectiva. Ao compreendermos essas relações, tornamos possível a apresentação destes desenhos de forma que facilite o entendimento do objeto final. No caso das plantas, para auxiliar no seu entendimento, é imprescindível o uso da indicação do norte, pois dessa forma sempre saberemos o posicionamento do objeto em relação ao seu terreno. Neste sentido, ao apresentar as plantas dos diferentes níveis, é fundamental que elas estejam sempre no mesmo posicionamento e alinhamento, para facilitar a leitura. As plantas são desenhos limitados na sua representação da realidade, assim as convenções de traço, hachura e texturas auxiliam no acréscimo de informações fundamentais para o desenho. 16UNIDADE I Representação Gráfica na Arquitetura FIGURA 7 - EXEMPLO DE APRESENTAÇÃO QUE VALORIZA A RELAÇÃO ENTRE OS DESENHOS Fonte: CHING, 2017, p. 205. Ao construirmos os cortes, estendemos linhas verticais a partir das plantas e linhas horizontais a partir das elevações, essas relações devem ser preservadas na hora da apresentação, assim, quando mantemos a escala dos cortes com relação às plantas e elevações, estes devem estar alinhados verticalmente e horizontalmente aos seus desenhos de origem. Segundo Ching (2017), o alinhamento e a sequência dos desenhos nos ajudam a reforçar visualmente as relações existentes entre eles. Mesmo entendendo essa relação fundamental entre os desenhos, muitas vezes na apresentação temos escalas diferentes para cada desenho, pois as escalas permitem que o nível de detalhamento dos desenhos seja diferenciado. Neste sentido, para manter a relação entre os desenhos, mesmo com as escalas diferentes, devemos alinhar os desenhos de forma coerente e utilizar mobiliários e pessoas para reforçar a diferenciação das escalas. É necessário o entendimento que os desenhos da arquitetura são fruto do que chamamos de geometria descritiva, ciência da matemática aplicada que auxilia na resolução de problemas de três dimensões em duas dimensões a partir da representação sobre o plano de figuras no espaço. Essa ciência matemática nos auxilia na construção do desenho técnico, e é estudada juntamente com outras disciplinas em arquitetura e engenharia. Esse estudo faz com que para um profissional de arquitetura ou engenharia, algumas relações de desenho com a realidade sejam óbvias, contudo, para a pessoa leiga, essas relações se tornam mais implícitas e todas essas relações que tentamos trazer na apresentação dos desenhos tem por objetivo tornar o projeto e arquitetura o mais legível possível. 17UNIDADE I Representação Gráfica na Arquitetura4. DIAGRAMAÇÃO DE PRANCHAS Ao entender a necessidade da organização dos desenhos da arquitetura para compreensão do projeto arquitetônico, entendemos também a importância da diagramação na representação gráfica arquitetônica, seja dentro do desenho ou na sua apresentação. Os tópicos anteriores já nos trouxeram importantes dicas sobre organização, relação entre os desenhos e elementos, e como devemos prestar atenção nos aspectos de unidade, clareza, eficiência, continuidade, entre outros, durante a apresentação de projetos. Podemos entender a diagramação na arquitetura como uma formação de conjuntos visuais de informações que devem estar apoiados em todos os conceitos que já citamos, mas ainda tem outros pontos importantes a serem observados. Os elementos da linguagem visual, da arquitetura e os desenhos de apresentação já nos foram apresentados, agora temos que aprender a como combiná-los. O espaçamento e o alinhamento destes desenhos individuais, assim como a semelhança de seu formato e tratamento, são os fatores-chave na leitura desses desenhos como um conjunto de informações relacionadas ou como figuras isoladas. (CHING, 2017, p. 207). Esses elementos, espaçamento e alinhamentos são diretamente ligados com proporção e tamanhos. A arquitetura trabalha com grandes formatos, devido a necessidade de apresentar desenhos em grandes escalas, e dessa forma pode ser um pouco mais difícil trabalhar com essas proporções, pois elas fogem aos formatos que estamos acostumados a observar, composições como em revistas e jornais. 18UNIDADE I Representação Gráfica na Arquitetura Pueyra (2018), afirma que a forma como organizamos as proporções em uma apresentação podem transmitir sensações aos espectadores, e interferir no objetivo final da comunicação da apresentação. Uma forma de organizar as ideias e informações com relação aos seus tamanhos e proporções em pranchas de grandes formatos é através da criação de grids, malhas imaginárias de tamanhos regulares que guiam a diagramação de uma página, que permitem que identifiquemos de maneira mais palpável os espaços dentro de uma prancha grande. Ainda que o grid assuma um formato de malha regular, não devemos entendê-lo como um bloqueio criativo, e sim como um guia de alinhamento e espaçamentos. FIGURA 8 - EXEMPLOS DO USO DE GRIDS Fonte: CHING, 2017, p. 214. Os espaçamentos devem ser usados como estratégia para orientar a leitura da apresentação. Se a intenção é que os desenhos sejam lidos juntos, ou seguidamente um do outro, o espaçamento entre eles deve ser menor, se a intenção é que a leitura seja feita de maneira distinta, aumentamos o distanciamento e ajustamos o alinhamento para dar destaque ao desenho a ser lido primeiro. A hierarquia é outra estratégia que deve ser usada na diagramação, ao observar os conteúdos devemos organizar de maneira que iremos dar mais destaque às informações mais relevantes, seja com cores, tamanhos e posicionamento dos elementos. Os planos de fundo podem ser usados para destacar desenhos e informações, através do uso do contraste, esse contraste faz com que os textos ou desenhos sejam 19UNIDADE I Representação Gráfica na Arquitetura percebidos de maneiras diferentes pelo leitor, seja por relevância do elemento ou por ser uma informação que foge do padrão das outras. Quando a apresentação possui mais de uma prancha, é importante considerar a repetição como estratégia de demonstração de unidade, elementos repetitivos geram a sensação de consistência, esses elementos podem ser decorativos, escolha de cores, mas principalmente as fontes, formato de apresentação e organização devem ser mantidos de forma consistente. FIGURA 9 - EXEMPLOS DE DIFERENTES FORMAS DE DIAGRAMAÇÃO Fonte: CHING, 2017, p. 215. A diagramação deve ser em consideração tanto nas apresentações à mão livre, quanto nas apresentações digitais, o ideal é antes de começar, ter todos os desenhos que você irá apresentar, fazer a composição dos textos explicativos, entender os símbolos gráficos que serão necessários para dar suporte ao desenho, e organizá-los levando em consideração tamanho, posicionamento e peso visual de cada um desses elementos. Se possível, faça uma espécie de modelo em tamanho menor com possibilidades de apresentação e organização, e após ter uma ideia definida, com grid, cores e formatos definidos. 20UNIDADE I Representação Gráfica na Arquitetura SAIBA MAIS Uma das formas de representação da arquitetura é o croqui. O croqui é um desenho rápido, um esboço que não exige precisão ou detalhamento. A palavra croqui é utilizada desde o século XIX e vêm da palavra francesa croquer, que significa simplesmente esboçar. É utilizada como instrumento de comunicação desde a arquitetura até a moda. “Nele está contido o raciocínio e a emoção do indivíduo criador, moldados pelo processo criativo próprio, a caminho de um resultado inesperado.” Fonte: ROMERO, Alexandre. REFLITA “De um traço nasce a arquitetura. E quando ele é bonito e cria surpresa, ela pode atingir, sendo bem conduzida, o nível superior de uma obra de arte.” Oscar Niemeyer. Arquiteto brasileiro. 21UNIDADE I Representação Gráfica na Arquitetura CONSIDERAÇÕES FINAIS Iniciamos nossos estudos procurando entender como comunicamos a arquitetura, e descobrimos que é através da linguagem visual, essa linguagem possui elementos que juntos compõem desenhos que são o objeto principal desta comunicação. Vimos que ao construirmos esses desenhos, é necessário estarmos atentos a aspectos como clareza, eficiência, ponto de vista, precisão, unidade e continuidade. Conhecemos os elementos de apresentação de projeto, e como a utilização deles devem ser feitas, de forma a dar apoio aos desenhos de arquitetura, o uso de diagramas, imagens, símbolos e textos, estes ajudam a comunicar as decisões projetuais que são limitadas nos desenhos. Também conhecemos os tipos de desenhos usados na arquitetura, e como eles se relacionam, já que são frutos da geometria descritiva, que é a ciência matemática que auxilia na tradução de elementos tridimensionais em bidimensionais. Cortes, plantas, elevações e perspectivas, cada um desses desenhos possui um objetivo específico na comunicação do projeto de arquitetura, e para que sejam entendidos da melhor maneira possível, é necessário que eles estejam apresentados de forma correta, e que as relações entre eles sejam respeitadas. Vimos que tanto no desenho à mão livre, quanto no computadorizado, termos normatizações que são necessárias para que os desenhos transmitam as informações, vimos ainda que o nível de detalhe está diretamente associado à escala do desenho e que as simbologias são resultados de convenções criadas para demonstrar pontos importantes no projeto. Finalmente, passamos por uma breve introdução sobre a importância da organização de todos os elementos citados anteriormente na hora da apresentação: a diagramação de pranchas, em que levamos em consideração espaçamentos, alinhamentos, hierarquia dos elementos, contrastes e repetições. E como devemos sempre manter a unidade durante uma apresentação, através da utilização das mesmas cores, fontes e formato de apresentação. Espero que essa unidade tenha esclarecido a importância da apresentação e da linguagem visual na arquitetura, para que nas próximas unidades, possamos nos aprofundar em métodos de apresentação dos desenhos. 22UNIDADE I Representação Gráfica na Arquitetura LEITURACOMPLEMENTAR Para complementar nossos estudos sobre representação, vamos ler um trecho do artigo do Designer Gráfico, Arquiteto e Urbanista Danilo Bio, fundador do VIAS Arq, que nos conta um pouco mais sobre a evolução das apresentações arquitetônicas. Por que a representação grá ica nas apresentações de arquitetura e urbanismo é tão importante? Desde os primórdios da arquitetura, o desenho é a forma de transmissão da informação. É nele que estão todos os dados relativos aos projetos para que possam ser executados. Vitrúvio já considerava sobre a formação do arquiteto e sobre o valor das representações gráficas para o projeto. Ao longo dos anos, houve um distanciamento entre projeto e obra, o que demandou cada vez mais projetos mais completos e mais detalhados para que não houvesse erros de execução. E junto com essa necessidade surgiram os programas e sistemas específicos para esse objetivo. A partir dos anos 80 surge o sistema CAD (Computer Aided Design), ou Projeto/ De-senho Assistido por Computador, ao mesmo tempo em que o microcomputador começa a ser comercializado em larga escala, popularizando-se como alternativa para as pranchetas de representação gráfica em arquitetura e urbanismo. Inicialmente restringiam-se ao 2D, executando a mesma função dos desenhos feitos à mão só que de maneira mais veloz. Posteriormente avançaram no campo do 3D, explorando novas interpretações e estudos que transformaram o uso da tecnologia nos processos de projeto arquitetônico. Na década de 90 surge o sistema BIM (Building Information Modeling) que traz os conceitos de para-metria, ampliando as possibilidades no campo da experimentação tridimensional, apesar de ser um sistema pouco utilizado pela maioria dos escritórios ainda nos dias de hoje. O desenho é uma forma natural de comunicação do ser humano, assim como a fala e a escrita, e, portanto, permite-nos transmitir e registrar nossas ideias. Em se tratando dos arquitetos, o desenho é primordial pois é através dele que colocamos no papel (ou seja, comunicamos e transmitimos aos outros) nossos raciocínios e concepções, desde as etapas iniciais e intermediárias, como os croquis de estudos, até as etapas finais, com os traços bem definidos dos desenhos técnicos para os canteiros de obras. 23UNIDADE I Representação Gráfica na Arquitetura Desde o surgimento da arquitetura, diferentes meios foram utilizados para representar objetos e espaços. Inicialmente, e por um bom período, os principais instrumentos foram lápis e papel, somados posteriormente ao uso de maquetes e fotografias. Entretanto, como já dito, a evolução tecnológica alcançou também a produção arquitetônica, e logo lápis, papel e maquetes começaram a ser substituídos por recursos computacionais, in-troduzindo novas formas de comunicação no que diz respeito aos projetos, como imagens fotorrealísticas, modelos tridimensionais virtuais e até multimídia interativa em tempo real. Essa mudança na produção se reflete também no ensino da arquitetura. As universidades e instituições de ensino tiveram -e ainda têm – de se adaptar às novas demandas, o que gerou um enorme debate sobre a qualidade do ensino entre profissionais e pesquisadores que discutem as consequências (a curto e a longo prazo) do uso dessas novas tecnologias diretamente aplicadas. Independentemente do debate gerado pelo uso das novas tecnologias nos proces-sos de projeto, é fato que o mercado de trabalho demanda uma mão de obra cada vez mais qualificada nesse quesito. As apresentações são cada vez mais completas, os modelos tridimensionais cada vez mais realistas, os projetos de interiores apresentam modelagens dos mobiliários inseridos nos projetos, apresentações dos modelos em tempo real, imagens 360º tem ganhado muito espaço atualmente, isso sem falar nas apresentações de realida-de virtual e realidade aumentada. E toda essa tecnologia deixa o cliente deslumbrado e impressionado, ocasionando muitas vezes na assinatura de contratos. Fonte: BIO, Danilo. “A importância da representação grá ica” 11 Jan 2019. Vias Arq. Acessado 11 Dez 2020. https://www.vias.arq.br/dicas/a-importancia-da-representacao-grafica/. 24UNIDADE I Representação Gráfica na Arquitetura MATERIAL COMPLEMENTAR LIVRO Título: Técnicas de Representação Autor: Lorraine Farrelly Editora: Bookman Sinopse: Este livro explora diversos conceitos e técnicas empregados para a representação em arquitetura, desde a maneira como os croquis são utilizados para desenvolver as ideias de conceito até desenhos do projeto executivo e maquetes necessárias para a construção de edificações. Técnicas de Representação cobre os métodos de representação bi e tridimensional e demonstra a variedade de técnicas e instrumentos disponíveis, como os empregados para fazer croquis à mão livre, desenhos e maquetes eletrônicas de última geração. Exemplos de arquitetos e projetistas de pres-tígio do mundo inteiro, e também trabalhos mais experimentais, feitos por estudantes de arquitetura, demonstram uma variedade de interpretações, possibilidades e aplicações. Esta obra é um recurso valioso para estudantes e profissionais de arquitetura, além de oferecer uma introdução didática para qualquer pessoa interessada em técnicas de comunicação gráfica e desenho. FILME/VÍDEO Título: David Sperling: Arquitetura: linguagens e representações Ano: 2017 Sinopse: David Sperling apresenta a disciplina de Linguagem e Representação, desde como se estrutura em si até como se relaciona com as outras disciplinas no curso da graduação. Fala ainda sobre alguns exercícios realizados: como se dão as propostas e que reflexões se espera que surjam, comentando um pouco sobre os produtos finais. Link do vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=kF2oI5-B8VY 25 Plano de Estudo: ● Introdução à humanização de desenhos; ● Introdução ao software Corel Draw; ● Entendendo a biblioteca de blocos; ● Preparando os arquivos em Autocad e Sketchup. Objetivos da Aprendizagem: ● Conceituar e contextualizar a humanização de desenhos; ● Conhecer o software Corel Draw; ● Aplicar o uso do software na humanização de desenhos. UNIDADE II Humaninzação de Desenhos em Corel Draw Professora Victoria Carolina de Jesus 26UNIDADE II Humanização de Desenhos em Corel Draw INTRODUÇÃO Em nossa primeira unidade, discutimos a importância da representação gráfica e como comunicamos a arquitetura previamente à construção das edificações, no entanto, por mais que o desenho seja tido como uma linguagem universal e de fácil leitura, o desenho arquitetônico possui características técnicas que são necessários anos de estudo e aperfeiçoamento para a interpretação e compreensão correta, então como aproximar o projeto de arquitetura do usuário/cliente? Neste sentido, quando o objetivo da apresentação de projetos na arquitetura é a explanação do projeto para leigos não podemos contar apenas com os desenhos técnicos, é necessário que se traduza a linguagem da arquitetura em algo palpável e com referências de fácil identificação. Comumente, a arquitetura está relacionada com habitação, e com isso à realização de sonhos, o sonho da casa própria, do empreendedorismo, do espaço público, dentre outros. Encantar o cliente ainda na fase do projeto, é um dos principais objetivos do arquiteto bem sucedido em comunicar de forma clara suas decisões projetuais. Com a evolução da tecnologia, foi possível a criação de estratégias de apresentação que se aproximavam mais dos usuários,como a renderização de maquetes eletrônicas que atualmente conferem realismo fotográfico aos desenhos e com a humanização de desenhos, que permitem a associação de realismo e texturas. Nesta unidade, iremos entender melhor a humanização de desenhos, as vantagens e ferramentas disponíveis no mercado para a confecção desses desenhos, veremos ainda como as ferramentas que já utilizamos para desenhar arquitetura se relacionam com as ferramentas de edição de imagem, como utilizar e pesquisar blocos de mobiliários e ainda conhecer o Corel Draw, um software de edição e diagramação utilizado por designers no mundo inteiro. Ao final desta unidade, teremos introduzido todos os componentes da humanização de desenhos e você terá todas as informações para potencializar as suas apresentações de projetos computadorizados. 27UNIDADE II Humanização de Desenhos em Corel Draw 1. INTRODUÇÃO À HUMANIZAÇÃO DE DESENHOS O arquiteto é o profissional responsável por idealizar as edificações antes da sua construção, ele é responsável pelo projeto de arquitetura, e como já vimos, esse projeto é apresentado por meio de desenhos. No entanto, a apresentação desse projeto geralmente é feita primeiramente ao cliente ou investidor, ou seja, apresentamos a concepção projetual a um leigo. Uma pessoa leiga tem dificuldades de interpretar as convenções do desenho técnico em arquitetura, e ainda, de compreender espacialmente o desenho, não conseguindo fazer alusão à realidade. Com a evolução das tecnologias e com a apresentação de projetos computadorizados, a cada dia, os desenhos vêm se aproximando cada vez mais da realidade para que esse cliente leigo possa compreender a proposta do arquiteto da maneira mais clara possível. Os desenhos humanizados são uma das formas encontradas na apresentação de projetos, eles têm o objetivo de afastar o projeto do desenho técnico e aproximá-lo da realidade. Humanizar, como o próprio termo já sugere, significa tornar humano e consequentemente tornar real, assim, um desenho humanizado é um desenho que possui elementos de apresentação que se assemelham ao objeto construído na vida real. Neste sentido, um desenho humanizado não pode contar apenas com linhas e formas, ele precisa se apoiar em texturas, luzes, sombras e elementos que trazem noções de escala, como pessoas, carros e mobiliários. Os desenhos humanizados têm ainda o poder de evidenciar decisões projetuais, trazendo para a compreensão do projeto, a importância da escolha de materiais, mobiliários 28UNIDADE II Humanização de Desenhos em Corel Draw e volumes, pois através desses desenhos o cliente consegue fazer uma associação de como a composição se revela fora do papel. É importante lembrar ainda, que os desenhos humanizados só são possíveis quando o arquiteto já fez a concepção completa do projeto, pois humanizar um desenho exige que o projeto já esteja avançado em relação às decisões projetuais. Por não ser um desenho técnico e por estar associado a uma imitação da realidade e não à representação fiel dela, os desenhos humanizados são utilizados com mais frequência por arquitetos e designers, pois eles não transmitem informações precisas do projeto. As vantagens de se fazer a humanização de desenhos são inúmeras, elas aproximam o cliente da linha de pensamento do arquiteto, permitem que as funções dos espaços fiquem claras e bem definidas, auxiliam na compreensão do tamanho do espaço, reforçam a necessidade de um projeto completo e alinhado e tornam a arquitetura atrativa e lucrativa. As imagens abaixo demonstram bem como o entendimento do projeto se torna mais palpável para os leigos quando adicionamos textura, luz e sombra aos objetos. FIGURA 1 – EXEMPLO DE PLANTA BAIXA FIGURA 2 - EXEMPLO DE PLANTA BAIXA HUMANIZADA REPRESENTAÇÃO EM PLANTA DE UM PROJETO EM DESENHO TÉCNICO E O OUTRO HUMANIZADO Podemos trabalhar a humanização de desenhos à mão livre e de forma computadorizada. No caso do desenho à mão livre, são feitas pinturas com aquarela, lápis de cor ou marcadores, que conferem ao desenho textura, luzes e sombras. Já as computadorizadas, trazem inúmeras possibilidades de softwares que podem ser usados e com diferentes formas de aplicação. Atualmente os softwares mais conhecidos de humanização de desenhos são o Autocad, Photoshop e o Corel Draw, este último será o software escolhido para desenvolvermos nosso estudo. 29UNIDADE II Humanização de Desenhos em Corel Draw 2. INTRODUÇÃO AO SOFTWARE COREL DRAW Para trabalharmos a humanização de desenhos de forma computadorizada vamos utilizar o Corel Draw, um software de desenho orientado a objetos (SCHWARTZ; PHYLLIS, 2013). Diferentemente dos softwares de edição de imagem que trabalham com a manipulação dos bitmaps, como o Adobe Photoshop, o Corel Draw trabalha com a construção de objetos (vetores). Os bitmaps são a junção de pontos de cores minúsculas denominados pixels, apesar de ser possível a construção de bitmaps digitalmente, comumente eles são imagens digitalizadas. Já os vetores, são objetos de caminho aberto ou fechado, esses caminhos são construídos a partir de nós, o software nos dá ferramentas para a manipulação desses nós, dessa forma, o Corel se adequa à arquitetura, pois quando importamos um desenho do Autocad, as linhas se transformam em caminhos com nós editáveis. À primeira vista o software parece complexo, pois possui muitos recursos, porém, se entendermos o princípio de seu funcionamento, que é a manipulação de vetores, fica mais claro como aplicar as ferramentas à humanização de desenho na arquitetura. Ainda é possível, dentro do Corel Draw, a importação de bitmaps, mas a manipulação destes é mais restrita a posicionamento e formato. Ao abrir o software, nos deparamos com a sua interface, a área de trabalho onde desenvolveremos a maior parte do trabalho. O software possui versões variadas, que são lançadas todos os anos com atualizações, no entanto, não temos diferenciação na forma de funcionamento, para o nosso estudo utilizaremos a versão 2019. Nesta versão, o que temos que destacar na interface do programa são os pontos abaixo: 30UNIDADE II Humanização de Desenhos em Corel Draw 1 - Barra de título: nome do software, e nome e local do arquivo. 2 - Barra de menus: menus padrão (Arquivo, Editar, Inserir etc.). 3 - Barra de ferramentas: barra de comandos com as ferramentas principais. 4 - Barra de propriedades: barra que muda de acordo com o objeto/ ferramenta selecionada, auxiliando na execução da ferramenta; 5 - Guia: barra que agrupa as janelas abertas dentro do software; 6 - Réguas: podem ser movidas para onde necessário e auxiliam na construção de objetos, ao clicar na régua e puxar, temos o surgimento de uma linha guia. 7 - Linha guia: linhas não imprimíveis, podendo ser verticais ou horizontais; 8 - Caixa de ferramentas: agrupa as ferramentas de edição de objetos; 9 - Janela de desenho: espaço dentro da área de trabalho não imprimível; 10 - Borda da página: define a área imprimível dentro da área de trabalho, simula o tamanho da página a ser impressa; 11 - Virador e Guia de página: adicione páginas de impressão ao arquivo e navegue entre elas; 12 - Paleta de cores do documento: cores que já foram utilizadas no arquivo; 13 - Barra de status do objeto: mostra características do objeto selecionado; 14 - Barra de dicas: pode ser fechada a qualquer momento, porém se altera de acordo com a ferramenta selecionada, dando dicas sobre as ferramentas; 15 - Paletas de cores padrão: utilize a paletade cores para adicionar preenchimento e contorno aos objetos. Objetos de caminho aberto não podem receber preenchimento, apenas cor de contorno. FIGURA 3 - INTERFACE DO SOFTWARE COREL DRAW 2019 Fonte: DE JESUS, 2021. 31UNIDADE II Humanização de Desenhos em Corel Draw É importante ressaltar a existência de área imprimível e não imprimível no Corel Draw, o que chamamos de borda de página é a nossa página de impressão, a prancha dentro do software, tudo que está desenhando dentro desta borda é imprimível, no entanto, o programa permite que você desenhe fora dessas bordas, e o que está fora navega de uma página para outra, porém não é imprimível, como se fosse o espaço da sua mesa de trabalho. As ferramentas de edição nos permitem criar objetos de caminho aberto, como por exemplo, a ferramenta mão livre, que cria nós de acordo com o caminho determinado pelo mouse, ou objetos de caminho fechado, que é o caso da ferramenta elipse, ou retângulo. Para modificar qualquer objeto criado na área de trabalho, é necessário selecioná-lo, ao clicar no objeto aparecerão pontos de controle que permitem esticar ou comprimir o objeto, ou se clicarmos novamente, girar ou distorcê-lo. Para mover qualquer objeto, basta apenas clicar sobre ele e arrastá-lo. FIGURA 4 - OBJETO SELECIONADO, PONTOS DE CONTROLE Fonte: DE JESUS, 2021. Para a humanização de desenhos, iremos utilizar as ferramentas de construção de formas, preenchimento, contorno e importação de imagens e texturas. O preenchimento de objetos de caminho fechado é realizado apenas pelo clique no objeto que deseja preencher e em seguida na cor escolhida na paleta de cores, para alteração da cor de contorno, o procedimento é o mesmo, porém o clique é realizado na cor com o botão direito do mouse. A ferramenta textos no Corel Draw funciona através de caixas de texto, ou textos artísticos, que são palavras ou frases soltas de um alinhamento específico, após a inserção do texto, ele se torna um objeto como qualquer outro, e dessa forma, pode ser manipulado em seu preenchimento, contorno e formato. 32UNIDADE II Humanização de Desenhos em Corel Draw FIGURA 5 - EXEMPLOS DA FERRAMENTA TEXTO NO SOFTWARE COREL DRAW Fonte: DE JESUS, 2021. O software ainda se utiliza de ícones para demonstrar as ferramentas, auxiliando no caráter intuitivo de sua utilização, as ferramentas ativas aparecem como um ícone pressionado e alteram a barra de propriedades ativa. Algumas ferramentas possuem ferramentas relacionadas e se apresentam no formato menu cascata, que ao manter pressionado o pequeno triângulo no canto inferior direito, revela opções de como utilizá-las. FIGURA 6 - FERRAMENTAS DE EDIÇÃO DE OBJETOS DO SOFTWARE COREL DRAW Fonte: SCHWARTZ, PHYLLIS, 2013. A partir dessa introdução conseguimos um entendimento básico do software para seguir com nossos estudos sobre desenhos humanizados, seguiremos entendendo como importar blocos e desenhos para dentro do software. 33UNIDADE II Humanização de Desenhos em Corel Draw 3. ENTENDENDO A BIBLIOTECA DE BLOCOS Para humanizar nossos desenhos, teremos que trabalhar com os vetores e bitmaps, fazendo uma composição de ambos, de forma que a combinação destes elementos nos ajude a conferir texturas, luz, sombra e cor para os desenhos arquitetônicos. No Corel Draw iremos trabalhar com a importação de blocos no formato png, que é um tipo de bitmap que possui fundo transparente, e dessa forma podemos montar dentro dos desenhos arquitetônicos esses blocos, inserindo mobiliário, carros, e vegetação realistas no desenho. Para esse curso, foi disponibilizado uma biblioteca de blocos, que possui esses bitmaps em png de diversos mobiliários, vegetação, carros etc. Na internet temos à disposição uma variedade de bibliotecas desse tipo de conteúdo que você pode acrescentar a essa que foi disponibilizada e potencializar os seus desenhos. A nossa biblioteca está organizada da seguinte forma: FIGURA 7 - ORGANOGRAMA ORGANIZAÇÃO DA BIBLIOTECA DE BLOCOS Fonte: DE JESUS, 2021. 34UNIDADE II Humanização de Desenhos em Corel Draw - Blocos em CDR: blocos de mobiliário em formato CDR, os desenhos estão em vetores e conferem menos realismo ao desenho, de forma mais artística. - Blocos em PNG: blocos de mobiliário em formato PNG, as imagens estão renderizadas, e conferem mais realismo ao desenho. - Texturas e Padrões: bitmaps realistas para serem utilizados como hachuras nos desenhos e dar textura e cor para os desenhos humanizados. FIGURA 8 - EXEMPLO DOS BLOCOS REALISTAS EM PNG Fonte: DE JESUS, 2021. Considerando que a inserção será feita no desenho de forma livre, é imprescindível que se tome cuidados com a escala dos blocos inseridos, pois eles podem gerar uma noção errada do tamanho dos espaços projetados nos desenhos arquitetônicos. Ao iniciar a humanização de desenhos e a colagem de blocos, é fundamental que ela seja feita em cima de um desenho técnico com o mínimo de elementos necessários para dar essa “noção de escala”. Baixe os arquivos de suporte desse curso para uma pasta conhecida no seu computador. No software Corel Draw, iremos abrir a tela inicial, um arquivo novo e importar nossos blocos para dentro da área de trabalho, para entender como será feito esse processo quando estivermos montando nossos desenhos humanizados: Abra o software Corel Draw 2019; Vá em Arquivo > Novo > Criar novo documento (defina o nome do arquivo e as dimensões); Vá em Arquivo > Importar; Na janela de importação, procure na pasta que você salvou a sua biblioteca de blocos e escolha um arquivo da pasta “Blocos em PNG”; 35UNIDADE II Humanização de Desenhos em Corel Draw Clique no nome do arquivo escolhido e em Importar; Utilize o cursor do mouse para posicionar e dimensionar o bitmap importado, ou clique a tecla enter e o software irá centralizar o bitmap na página. FIGURA 9 - TELA CRIAR NOVO DOCUMENTO, COREL DRAW 2019 Fonte: DE JESUS, 2021. FIGURA 10 - CURSOR DE IMPORTAÇÃO CONTÉM NOME DO ARQUIVO, DIMENSÕES E INSTRUÇÕES DE INSERÇÃO, COREL DRAW 2019 Fonte: DE JESUS, 2021. O uso dos blocos é fundamental para tornar ágil o processo de humanização dos desenhos, pois o que fazemos é aproveitar as ferramentas de edição do Corel Draw para fazer uma espécie de colagem sobre o desenho técnico. Seguiremos aprendendo como preparar os desenhos técnicos do Autocad para o Corel Draw. 36UNIDADE II Humanização de Desenhos em Corel Draw 4. PREPARANDO OS ARQUIVOS EM AUTOCAD E SKETCHUP O Autocad é um software de desenho assistido por computador em que utilizamos coordenadas para definir linhas e criar formas, apesar de ter evoluído graficamente, software ainda possui limitações em relação a representação gráfica, sendo ideal para desenhos de precisão, o desenho técnico, mas deixando a desejar no quesito montagem de apresentação. O Sketchup é uma ferramenta de modelagem 3D que possui uma interface intuitiva e com grande variedade de blocos disponíveis para incorporação no projeto. O próprio software disponibiliza uma ferramenta chamada Layout que auxilia na apresentação de projetos a partir do modelo construído, por ter a característica de uma planta tridimensional realista, é possível exportar do Sketchup plantas com textura, luz e sombra, é só colocarmos no Corel Draw para realizar a montagem e diagramação de pranchas e o acréscimo de textos informativos e símbolos gráficos. Neste tópico, vamos aprender a exportar os desenhos arquitetônicos de ambos softwares, com a diferença que do Autocad iremos exportar um desenho que se tornará vetores no Corel Draw e do Sketchup iremos exportar um bitmap paraser aprimorado em seguida. Para este tópico, foram disponibilizados os arquivos em DWG (extensão de arquivos Autocad e o SKP (extensão dos arquivos Sketchup, baixe os arquivos de suporte desse curso para uma pasta conhecida no seu computador. 37UNIDADE II Humanização de Desenhos em Corel Draw 4.1 Exportando do Autocad para o Corel Draw No Autocad, abra o arquivo PLANTA BAIXA, dentro desse arquivo, você verá duas plantas simples, uma com o layout de mobiliário solto e outra limpa, apenas com as paredes, pias e sanitários. É dessa forma que você deve preparar a sua planta para ser exportada para o Corel Draw, elimine hachuras, textos, cotas, blocos de vegetação etc. É importante que o desenho esteja com os layers corretos e feito de forma limpa e sem grande quantidade de linhas sobrepostas, assim, ao finalizar a limpeza da planta, deletando os elementos indesejados, siga os passos abaixo: Digite o comando Purge > Enter > Purge All; Em seguida, digite o comando Overkill > Selecione os desenhos > Enter; Finalmente, digite Zoom > All, verifique se não há desenhos soltos no projeto, temos que ter na tela só os desenhos que iremos exportar; FIGURA 11 - DESENHOS “LIMPOS” NO AUTOCAD Fonte: DE JESUS, 2021. Salve o arquivo no formato DWG. Abra o software Corel Draw 2019; Vá em Arquivo > Novo > Criar novo documento (defina o nome do arquivo e as dimensões); Vá em Arquivo > Importar; Na janela de importação, procure na pasta que você salvou; Clique no nome do arquivo “Planta Baixa” e em Importar e siga a tela abaixo; 38UNIDADE II Humanização de Desenhos em Corel Draw FIGURA 12 - TELA DE IMPORTAÇÃO DO ARQUIVO AUTOCAD NO COREL DRAW Fonte: DE JESUS, 2021 Utilize o cursor do mouse para posicionar e dimensionar o vetor importado, ou clique a tecla enter e o software irá centralizar o vetor na página, ATENÇÃO: no Autocad, nós desenhamos em tamanho real, logo se você apenas centralizar na página, o desenho ficará em tamanho real e muito maior do que a borda da página escolhida, utilize o cursor para redimensionar o desenho. Selecione o desenho > F12 > Mude a espessura do contorno para Hairline, con- forme abaixo; FIGURA 13 - TELA DE CONFIGURAÇÃO DE CONTORNO NO COREL DRAW Fonte: DE JESUS, 2021. Agora seu desenho está pronto para iniciarmos a humanização. 39UNIDADE II Humanização de Desenhos em Corel Draw 4.2 Exportando do Sketchup para o Corel Draw No sketchup, abra o arquivo do modelo desejado de exportação, e posicione ele na vista que você deseja exportar, se for uma planta como no caso do desenho anterior, será necessário fazer um plano de corte, e orientar a vista para: Alto. Vá em Câmera > Projeção Paralela; Vá em Arquivo > Exportar > Gráfico 2D; Na caixa de diálogo, escolha o local do arquivo e salvar; Abra o software Corel Draw 2019; Vá em Arquivo > Novo > Criar novo documento (defina o nome do arquivo e as dimensões); Vá em Arquivo > Importar; Na janela de importação, procure na pasta que você salvou; Clique no nome do arquivo e em Importar; Utilize o cursor do mouse para posicionar e dimensionar o bitmap importado, ou clique a tecla enter e o software irá centralizar o bitmap na página. Nosso foco nesse curso é a humanização de desenhos técnicos, por isso não iremos nos aprofundar na transformação de desenhos vindos do Sketchup, por já serem representações mais realísticas e artísticas. Como já vimos anteriormente, um bitmap não é manipulável no Corel Draw. Porém, a partir dessa importação podemos acrescentar textos e blocos em cima dessa imagem, bem como prepará-la para fazer parte de uma prancha diagramada no programa. Neste tópico, aprendemos como preparar os arquivos para trabalhar com eles no Corel Draw da melhor maneira possível, entendendo a diferença entre a importação de arquivos que se transformam em vetores e arquivos que se transformam em bitmaps. Seguiremos na próxima unidade, iniciando o passo a passo de como construir uma planta humanizada no Corel Draw, utilizando os princípios e ferramentas que aprendemos aqui. 40UNIDADE II Humanização de Desenhos em Corel Draw SAIBA MAIS O Corel Draw é o software pioneiro em diagramação e layout, criado em 1989, com as suas atualizações rapidamente em 1991 incorporou ilustração vetorial, layout de página, edição de fotos no mesmo software, tornando-se a primeira suíte de edição gráfica da história, atualmente é o software de edição mais usado no Brasil, e o principal software utilizado para produção de produtos gráficos. Fonte: CRISTIAN, 2013. REFLITA A humanização de plantas é a tradução da arquitetura para a linguagem do usuário. “A arquitetura só é considerada completa com a intervenção do ser humano que a experimenta”. Tadao Ando. Arquiteto. 41UNIDADE II Humanização de Desenhos em Corel Draw CONSIDERAÇÕES FINAIS Nesta unidade abordamos as diversas razões pelas quais, como arquitetos, devemos nos preocupar e aprimorar nossa forma de apresentar projetos, é importante reforçar que a representação gráfica em arquitetura é a forma como comunicamos o projeto, e da mesma forma que um jornalista precisa entender seu público para comunicar uma notícia da forma mais clara possível, assim também o arquiteto deve se esforçar para traduzir seu projeto de forma eficiente e atrativa. Na arquitetura, vendemos ideias e essas ideias precisam ser compreendidas antes mesmo de serem executadas, por isso o desenho e as formas de apresentação são de extrema importância. Com certeza antes de iniciar seus estudos nesta unidade, você já havia tido contato com as plantas humanizadas, por serem uma estratégia amplamente utilizada pelo mercado imobiliário, no entanto, como vimos no primeiro tópico há diversas formas de realizarmos essa humanização. No segundo tópico seguimos entendendo melhor sobre uma poderosa ferramenta de design, o Corel Draw. É importante conhecer essa ferramenta, pois além da confecção de desenhos humanizados e a diagramação de pranchas, é possível desenvolver nela diagramas e esquemas que auxiliem na apresentação de projetos. Já no terceiro tópico, entendemos um pouco mais sobre como vamos trabalhar a humanização de desenhos dentro do software e como utilizar o material de apoio disponibilizado para esse curso. E finalmente, no quarto tópico, iniciamos a preparação dos desenhos para importação deles dentro do Corel Draw, para iniciarmos nosso processo de humanização, reforçando a diferença entre vetores e bitmaps. Lembrando que nosso curso vai introduzir a humanização de desenhos, porém, esse é um mercado de grande importância na arquitetura hoje, assim como a renderização de imagens, e pode ser explorado como uma alternativa de área de atuação na arquitetura. 42UNIDADE II Humanização de Desenhos em Corel Draw LEITURA COMPLEMENTAR Como podemos perceber, a representação gráfica possui inúmeras técnicas, a humanização de desenhos é uma delas, da qual busca aproximar o cliente da linguagem de projeto. Atualmente, temos muitos sites e blogs de arquitetura que ajudam no aprimoramento da apresentação de projetos. O Portal 44 Arquitetura escreveu um artigo sobre essa técnica de representação que complementa o que estudamos nesta unidade. Como elaborar uma planta humanizada? Muitos não entendem o que significa o termo Humanizada ou Humanização de Desenhos. Apesar de parecer ser algo complicado, desenhos em formatos humanizados possuem cores, efeitos de luz, sombras e muita texturização. As plantas humanizadas ficam mais amigáveis para o cliente. Sendo assim, um projeto técnico ou arquitetônico é simplificado ao entendimento de leigos. O objetivo maior é o de transpassar clareza ao layout de um empreendimento,de uma planta interna ou até mesmo de uma fachada! A planta humanizada se destaca por seu colorido devido. Isto se deve a utilização dos componentes da biblioteca de mobiliário. Quanto maior a biblioteca com mais opções, melhor fica a representação. Mas claro, técnica e bom gosto juntas sempre formam um bom casamento. A UTILIZAÇÃO DE BLOCOS Utilizar blocos, principalmente na escala correta, além de deixar o seu projeto mais fiel à realidade, proporciona muito mais beleza! Quem nunca perdeu um longo tempo admirando uma planta humanizada? Quanto mais bem feitinha, maior o interesse sobre ela, consequentemente maior admiração pelo trabalho do ilustrado. O capricho faz parte do trabalho! Nunca se esqueçam disso! OS PROGRAMAS UTILIZADOS PARA PLANTA HUMANIZADA Algumas pessoas imaginam que somente é possível fazer plantas humanizadas em Corel Draw. Porém, além do Corel e Photoshop, podemos fazer humanizadas em qualquer programa que trabalhe com 3D. E isso tudo de uma forma muito simples. Dá pra fazer humanizadas com o AutoCAD, Sketchup, Max, Lumion, REVIT etc. Enfim, todos os programas 3D. Para isso, basta salvar uma cena com uma vista superior do seu trabalho e pronto! O resultado é uma planta menos técnica pronta pra proporcionar maior entendimento do seu projeto diante do cliente. 43UNIDADE II Humanização de Desenhos em Corel Draw Claro que a finalidade da humanizada vai determinar qual programa você vai utilizar. Por exemplo, para grandes empreendimentos com fins comerciais, principalmente as de alto padrão, não se utiliza humanizadas do AutoCAD ou Sketchup. Neste caso, utilizam-se programas de maior expressão gráfica como o Corel e Photoshop. A GOSTO DO PROFISSIONAL E CLIENTE Existem profissionais que só trabalham com plantas humanizadas. Nestes casos, o cliente envia o projeto técnico com a sugestão de layout ou não. A partir daí, o profissional irá desenvolver o projeto de acordo com o seu projeto mobiliário o profissional irá desenvolver o projeto de acordo com o seu projeto mobiliário, ou ao menos referencias dos móveis a serem utilizados, como estilo, cores etc. Isso já é pessoal, e vai de acordo com o projeto do cliente. É sempre melhor que o cliente forneça essas informações para que não haja problemas no resultado final da Humanizada. Geralmente o valor desse tipo de trabalho varia de acordo com a complexidade do projeto, o número de plantas ou ambas. O profissional deixa sempre especificado o número de revisões que poderão ser realizadas pra que seja evitado os eternos vai e vem de alterações no trabalho! É sempre bom perguntar antes de iniciar os trabalhos e principalmente na primeira revisão já passar todas as informações. Fonte: 44 Arquitetura. “Como elaborar uma planta humanizada?” 10 Mar 2014. 44 Arquitetura. Acessado em 11 Dez 2020. http://44arquitetura.com.br/2014/03/planta-hu- manizada-elaborar/. 44UNIDADE II Humanização de Desenhos em Corel Draw MATERIAL COMPLEMENTAR LIVRO Título: Corel Draw 2019 Autor: Marcos Serafim de Andrade Editora: Senac São Paulo Sinopse: O CorelDRAW 2019 é um software de edição vetorial que permite desenvolver projetos tanto para a impressão gráfica quanto para a web, tornando-se uma importante ferramenta para profissionais da área de design e de arte, entre outras. Com este livro, você aprenderá a utilizar as ferramentas e configurações básicas do programa para criar ilustrações, trabalhar com textos e tabelas, vetorizar imagens e gerenciar cores. Além disso, aprenderá uma série de recursos para organizar seu trabalho, bem como para imprimir e exportar os projetos da melhor forma. Tudo isso por meio de atividades explicadas passo a passo e com o apoio de arquivos-modelo disponibilizados on-line. FILME/VÍDEO Título: Por que utilizar o Corel para criar Plantas Humanizadas? Ano: 2018 Sinopse: Corel é um programa com ferramentas fáceis de utilizar para criação de plantas humanizadas, se você deseja conhecer mais sobre o nosso curso básico de corel plantas humanizadas para realizar seus projetos pessoais ou da faculdade. Link do vídeo: https://www.youtube.com/watch? v=KQZymHwT-My0&t=209s 45 Plano de Estudo: ● Inserindo texturas, portas e janelas no desenho de planta; ● Inserindo texturas, portas e janelas no desenho de cortes e elevações; ● Inserindo blocos no desenho humanizado; ● Exportando desenhos e criando animações em GIF. Objetivos da Aprendizagem: ● Conceituar e contextualizar a elaboração de desenhos Humanizados; ● Aplicar a utilização do software Corel Draw; ● Demonstração do funcionamento do software Corel Draw; ● Estabelecer a importância da Linguagem Visual na apresentação de Projetos. UNIDADE III Humanização de Desenhos em Corel Draw - Parte II Professora Victoria Carolina de Jesus 46UNIDADE III Humanização de Desenhos em Corel Draw - Parte II INTRODUÇÃO O desenho técnico em arquitetura tem por objetivo especificar e detalhar a forma como o projeto será construído, ele é concebido a partir de uma tela em branco, seja de forma manual ou digital, e é comunicado através dos elementos da linguagem visual que já conhecemos, como o ponto, a linha, a forma e o volume. No entanto, esse desenho é apresentado sem cores e texturas, para que essas informações não entrem em conflito com cotas e detalhamentos fundamentais para a obra. O curioso é que por mais preciso e detalhado que seja, o desenho técnico vem sempre acompanhado de uma outra forma de representação na arquitetura que geralmente possui cor, textura, luz e sombra, seja através de imagens, foto realísticas (renders), por desenhos humanizados, ou até mesmo maquetes. Isso porque, não é possível conceber a arquitetura sem cores e texturas, elas trazem para os projetos características de conforto ambiental, e nos ajudam a entender o propósito do projeto. Nesta unidade seguiremos estudando como aplicar cores, texturas, luz e sombra aos desenhos de arquitetura, como já vimos na unidade anterior, através da humanização dos desenhos. Iremos compreender o que muda ao trabalharmos com os diferentes desenhos da arquitetura, como plantas e elevações. Veremos também, a importância da inserção do mobiliário no desenho da arquitetura, na construção do layout e na noção de escala, que são obtidos a partir da leitura dos desenhos humanizados. Ainda nesta unidade, veremos como as texturas e os blocos escolhidos interferem no estilo de apresentação arquitetônico, podendo ir do mais realista, ao mais artístico, não deixando de cumprir com o objetivo de aproximar o cliente do projeto. Finalmente, estudaremos formas de aplicação dos desenhos, transformando o desenho humanizado criado no software Corel Draw em imagens que podem ser usadas em apresentações impressas e até mesmo na criação de animações para apresentações digitais. Ao final desta unidade, teremos a compreensão de como comunicar a arquitetura, a partir da prática do desenho humanizado por técnica computadorizada, mas também entenderemos mais sobre a importância de se projetar os espaços levando em consideração, cores, texturas, volumes, luz e sombra. 47UNIDADE III Humanização de Desenhos em Corel Draw - Parte II 1. INSERINDO TEXTURAS, PORTAS E JANELAS – PLANTAS O desenho humanizado com o qual temos mais contato costuma ser a planta baixa, é muito utilizado pelo setor imobiliário para a divulgação dos empreendimentos, dessa forma fica mais fácil a associação de como devem ser colocados os elementos nesse desenho, e também é mais comum achar materiais disponíveis na internet para a produção das plantas humanizadas. A imagem que abre esse tópico é um moodboard – que em tradução literal significaquadro de temperamento – e na arquitetura é uma colagem com texturas, materiais e imagens de referência que evidenciem a composição feita no projeto. Como já vimos anteriormente, a planta humanizada é criada no momento da apresentação do projeto, ou seja, já está definido no projeto as especificações, por isso é importante ao iniciar uma planta humanizada, que se tenha em mãos uma espécie de moodboard, para orientar a colocação das texturas no projeto. Se você seguiu o passo a passo da unidade anterior, já temos nosso desenho de planta baixa importado para dentro do software Corel Draw, e iremos iniciar nosso processo de humanização. Como os desenhos no Corel Draw não utilizam o sistema de penas (espessuras) do Autocad, é necessário trabalhar a hierarquia do desenho com as texturas, luz e sombra. Ao importar do Autocad, as linhas que estavam no mesmo layer no software, estarão agrupadas no Corel Draw, ou seja, as linhas de mesma cor, farão parte do mesmo grupo. 48UNIDADE III Humanização de Desenhos em Corel Draw - Parte II Isso nos ajuda a aplicar certas ferramentas que diminuem o tempo de trabalho, portanto, não desagrupe o desenho ao ser importado. FIGURA 1 - ÁREA DE TRABALHO DO COREL DRAW COM DESENHOS IMPORTADOS Fonte: DE JESUS, 2021. Vamos iniciar preenchendo as paredes, comumente as plantas humanizadas utilizam as partes em corte das estruturas, como paredes e pilares, pintadas em preto, para demonstrar que são limitadores de espaço e dar a impressão de hierarquia que é necessária ao desenho. Para preencher as paredes utilizaremos a ferramenta Preenchimento Inteligente (Smart Fill). Vá na Caixa de Ferramentas lateral, procure nas ferramentas relacionadas de Preenchimento Interativo, abra o menu cascata e clique em Preenchimento Inteligente; Escolha a cor do preenchimento e contorno na barra de propriedades, utilizaremos o preto; Clique na parte interna das paredes, elas se preencherão automaticamente, repita o processo em todas as paredes até termos o desenho completo conforme abaixo: 49UNIDADE III Humanização de Desenhos em Corel Draw - Parte II FIGURA 2 - PLANTA COM PAREDES PREENCHIDAS Fonte : DE JESUS, 2021. Note que estamos trabalhando na planta sem mobiliário, a planta com mobiliário é apenas para referência de escala; - Para os muros externos, trabalhamos com a cor cinza, e os contornos em preto, para dar a noção de que não estão na mesma altura das paredes internas. - Utilize a ferramenta Preenchimento Inteligente para colocar cores em qualquer parte do desenho, ou se for fazer uma planta colorida apenas com texturas, apenas esteja atento que é necessário que esteja fechado o caminho do objeto; As portas e janelas iremos trabalhar com essa mesma técnica de Preenchimento Inteligente, e apenas preencher as folhas das portas e os vidros das janelas, no entanto, essa é uma representação artística, você pode usar da criatividade para demonstrar as portas e janelas, com a colocação de texturas, ou a representação delas fechadas. Agora vamos aplicar as texturas, por textura em planta, entendemos a definição dos pisos, o que nos ajuda a determinar a característica dos ambientes, um exemplo disso é que ao colocarmos a textura de grama em um ambiente, o leitor do desenho entende que se trata de uma área externa. Para aplicar texturas, siga os passos abaixo: 50UNIDADE III Humanização de Desenhos em Corel Draw - Parte II Vá em Arquivo > Importar; Na janela de importação, procure na pasta que você salvou a sua biblioteca de blocos e escolha um arquivo da pasta “Texturas e Padrões”; Clique no nome do arquivo escolhido e em Importar; Utilize o cursor do mouse para posicionar e dimensionar o bitmap importado, ou clique a tecla enter e o software irá centralizar o bitmap na página. Clique na ferramenta Forma e ajuste a imagem ao espaço do desenho; FIGURA 3 - ANTES E DEPOIS DE UTILIZAR A FERRAMENTA FORMA PARA ENCAIXAR A TEXTURA Fonte: DE JESUS, 2021 Ao importar e posicionar as texturas, é necessário duplicar e “cortar” para que ela encaixe dentro da área designada, a ferramenta Forma permite que utilizemos os nós da imagem para trabalhar a forma, clicando e arrastando, excluindo os nós, ou tornando os caminhos em curvas se necessário. Ao posicionar as imagens, clique com o botão direito e ajuste a ordem das imagens, colocando a para trás (to back of layer) a textura que mais se aproxima da terra, por exemplo a ordem seria, do mais profundo para o mais aparente: piso, soleiras, paver e por último grama. - To Front of Layer: Enviar para frente da camada; - To Back of Layer: Enviar para trás da camada; FIGURA 4 - FERRAMENTA ORDEM DE CAMADAS Fonte: DE JESUS, 2021. 51UNIDADE III Humanização de Desenhos em Corel Draw - Parte II Agora você deve montar as texturas no ambiente de acordo com a sua criatividade e o que você entende que seria a textura apropriada para cada espaço, lembre-se que a escala é importante, então sempre associe o tamanho dos azulejos ou madeira a um elemento presente na planta, como por exemplo tamanhos de portas e janelas, ao final da construção da sua planta, você deve ter algo parecido com a imagem abaixo: FIGURA 5 - PLANTA COM TEXTURAS Fonte: DE JESUS, 2021 - Note que foram adicionadas sobreposições de texturas, como a grama e o paver; - As texturas utilizadas foram escolhidas a partir da biblioteca de apoio, porém temos na internet disponíveis milhares de texturas para trabalhar humanizações; - Também trabalhamos com soleiras e com a combinação de texturas de diferentes materiais. Porém, com tonalidades parecidas; Importante: O Corel Draw é um software que utiliza a placa de vídeo e o processador do computador para o seu funcionamento, salve seu arquivo com frequência para não perder trabalho. 52UNIDADE III Humanização de Desenhos em Corel Draw - Parte II 2. INSERINDO TEXTURAS, PORTAS E JANELAS – ELEVAÇÕES E CORTES O processo de humanização dos outros desenhos arquitetônicos são muito parecidos com o que já trabalhamos em planta, no entanto, para cortes e elevações, outras características importantes devem ser levadas em conta, como por exemplo o que chamamos de molho – a ambientação do desenho, árvores, céu, terra, figuras humanas etc. O processo para cortes e elevações é bem similar, vamos então exemplificar aqui uma elevação. Da mesma forma que trabalhamos em nosso primeiro tópico, iremos importar o desenho Elevação para dentro do Corel Draw, e iniciaremos a humanização desse desenho. Na elevação, vamos definir os materiais que compõem a fachada e ainda representar através das sombras os volumes que estão mais à frente. Iniciamos com o Preenchimento Inteligente (Smart Fill), agora para os vidros, vamos utilizar o preenchimento degradê: Vá na Caixa de Ferramentas lateral, procure nas ferramentas relacionadas de Preenchimento Interativo, abra o menu cascata e clique em Preenchimento Inteligente; Escolha a cor do preenchimento e contorno na barra de propriedades, utilizaremos o azul; Clique na parte interna das esquadrias, elas se preencherão automaticamente, repita o processo em todos os vidros conforme abaixo: 53UNIDADE III Humanização de Desenhos em Corel Draw - Parte II FIGURA 6 - JANELAS PREENCHIDAS Fonte: DE JESUS, 2021. Selecione todos os vidros e vá na barra de status do objeto > Clique duas vezes sobre a cor de preenchimento do objeto, uma caixa de diálogo abrirá para criarmos o preenchimento degradê conforme abaixo: FIGURA 7 - CAIXA DE DIÁLOGO EDITAR PREENCHIMENTO Fonte: DE JESUS, 2021 Utilize o preenchimento inteligente para colorir paredes e esquadrias que não necessitam de texturas. Inicie a colagemdas texturas de acordo com a sua criatividade, como fizemos no tópico anterior, o resultado deve ser algo parecido com a imagem abaixo: 54UNIDADE III Humanização de Desenhos em Corel Draw - Parte II FIGURA 8 - ELEVAÇÃO COM TEXTURAS Fonte: DE JESUS, 2021. Apesar das texturas dar ao desenho uma noção melhor da volumetria, a falta de profundidade faz com que seja difícil a associação dos volumes, sobre qual se destaca a frente do outro. Para obtermos o efeito de profundidade, usaremos a ferramenta Sombra Projetada (Drop Shadow). Vá na Caixa de Ferramentas lateral, e procure a ferramenta Sombra Projetada (Drop Shadow) ; Clique sobre o volume que está mais a frente e projete a sombra de acordo com a direção desejada, como na imagem abaixo: FIGURA 9 - ELEVAÇÃO COM TEXTURAS E SOMBRAS Fonte: DE JESUS, 2021. Com a ajuda das ferramentas de formas, iremos criar um plano de fundo para essa elevação, acrescentando céu e terra. Vá na Caixa de Ferramentas lateral, e procure a ferramenta Retângulo (Rectan-gle), desenhe um retângulo para o céu e outro para a terra; 55UNIDADE III Humanização de Desenhos em Corel Draw - Parte II Preencha-os com cores, degradê ou texturas, como desejar, você deve ter algo parecido com a imagem abaixo: FIGURA 10 - ELEVAÇÃO COM PLANO DE FUNDO Fonte: DE JESUS, 2021 - Não se esqueça de usar a ferramenta de ordem de camadas para ordenar os retângulos criados para última camada da página; 56UNIDADE III Humanização de Desenhos em Corel Draw - Parte II 3. INSERINDO BLOCOS – PLANTAS, CORTES E ELEVAÇÕES Para finalizar a humanização dos desenhos, temos que inserir elementos que trazem funcionalidade aos ambientes e noção de escala, pois a mente humana tende a fazer a leitura dos espaços de forma mais lógica quando associamos a objetos do cotidiano de tamanhos conhecidos, que vão desde um pássaro na elevação até a colocação de um carro na garagem em planta. Esses blocos ainda nos ajudam a imaginar possibilidades para os ambientes, podendo em uma mesma planta ser representado a utilização do espaço de diferentes maneiras. Voltamos então para nosso arquivo de planta com texturas no Corel Draw. Vamos iniciar a importação de blocos, baseando-se na planta mobiliada que tiramos do Autocad. Vá em Arquivo > Importar; Na janela de importação, procure na pasta que você salvou a sua biblioteca de blocos e escolha um arquivo da pasta “Blocos PNG”; Clique no nome do arquivo escolhido e em Importar; Utilize o cursor do mouse para posicionar e dimensionar o bitmap importado em cima da planta base mobiliada, dessa forma teremos o tamanho do objeto, e depois copie e cole definitivamente em nossa planta com texturas: 57UNIDADE III Humanização de Desenhos em Corel Draw - Parte II FIGURA 11 - DEMONSTRAÇÃO DO POSICIONAMENTO NA PLANTA BASE E DEPOIS NA PLANTA HUMANIZADA Fonte: DE JESUS, 2021. Utilize os passos que já aprendemos em nosso curso, selecionar o objeto e utilizar os pontos de controle para redimensioná-lo, clicar duas vezes para rotacionar o objeto, clicar sobre o objeto para movê-lo, clicar com o botão direito para ordenar camadas e sempre salvar o desenho com frequência. Repita o processo de colagem de blocos de acordo com a sua criatividade até a planta estar completa e todos os ambientes compreensíveis, você deve ter algo como o desenho abaixo: FIGURA 12 - DEMONSTRAÇÃO DA PLANTA HUMANIZADA Fonte: DE JESUS, 2021. 58UNIDADE III Humanização de Desenhos em Corel Draw - Parte II Para as elevações e cortes, temos que colocar blocos que auxiliem na criação do que chamamos de molho, iremos acrescentar vegetação e figuras humanas, repetindo os mesmos passos anteriores. Você deve ter algo parecido com a imagem abaixo: FIGURA 13 - DEMONSTRAÇÃO DE ELEVAÇÃO HUMANIZADA Fonte: DE JESUS, 2021. Com os desenhos finalizados, é possível perceber que a escolha de texturas e blocos deu um caráter diferente a cada humanização, a planta está com blocos e texturas mais realistas, tornando-a um desenho com caráter de renderização, por outro lado a elevação recebe cores puras e silhuetas ao invés de blocos realistas, conferindo ao desenho um caráter artístico, independente do estilo escolhido na hora da apresentação, veremos que em ambos, temos uma maior identificação por parte do leitor com o desenho. FIGURA 14 - ANTES E DEPOIS DA HUMANIZAÇÃO DO DESENHO Fonte: DE JESUS, 2021. 59UNIDADE III Humanização de Desenhos em Corel Draw - Parte II O software Corel Draw permite ainda que coloquemos textos sobre a imagem, dessa forma podemos identificar os ambientes, ou ainda explicar com palavras o que não fica claro no desenho. Vá na Caixa de Ferramentas lateral, e procure a ferramenta Texto (Text) ; Clique sobre o local desejado e digite o texto; Use a barra de propriedades para mudar fonte, tamanho e orientação do texto; Seguiremos nessa unidade aprendendo a exportar esses desenhos para imagem e ainda como fazer uma animação para apresentações digitais. 60UNIDADE III Humanização de Desenhos em Corel Draw - Parte II 4. EXPORTANDO OS DESENHOS E CRIANDO GIFS O Corel Draw é um software de edição completo e por isso possui grande compatibilidade com formatos de importação e exportação. Um arquivo do Corel Draw é salvo no formato .CDR e quando importado para dentro de outro software de edição compatível o desenho vai em forma de vetores. Neste sentido, para tornar os desenhos do Corel Draw compatíveis com os formatos de apresentação digital ou em papel que trabalhamos na arquitetura, ou até mesmo para enviá-los para um cliente, precisamos transformar esses vetores em bitmaps que possuem vários formatos como .jpg, .png, .tiff etc. No software essa transformação é chamada de exportação, assim, para exportar um desenho do Corel Draw com qualidade, temos os passos abaixo: Selecione o desenho desejado; Vá em Arquivo > Exportar ou Ctrl + E; Na caixa de diálogo, escolha o local de salvamento do arquivo, escolha o formato e clique na caixa correspondente ao Somente Selecionados (Select only), isso fará com que a exportação seja correspondente ao que você selecionou na área de trabalho e não a borda da página inteira; 61UNIDADE III Humanização de Desenhos em Corel Draw - Parte II FIGURA 15 - CAIXA DE DIÁLOGO EXPORTAR Fonte: DE JESUS, 2021. Clique em Exportar, e outra caixa de diálogo se abrirá, nessa iremos definir os parâmetros de qualidade da imagem: CMYK – sistema de cores utilizado para imagens que serão impressas, gera imagens de maior qualidade em pixelização; RGB – sistema de cores utilizados para imagens digitais, imagens de menor qualidade, porém cores mais vibrantes para a tela, que não são compatíveis com o papel; Para impressão é recomendado a configuração abaixo: FIGURA 16 - CAIXA DE DIÁLOGO EXPORTAR PARA JPEG EM CMYK Fonte: DE JESUS, 2021. 62UNIDADE III Humanização de Desenhos em Corel Draw - Parte II Essa forma de exportação irá gerar imagens estáticas que podem ser usadas em diversas formas de apresentação. Atualmente, com as apresentações digitais é possível apresentar animações que ajudam no entendimento do projeto, o passo a passo a seguir irá demonstrar como fazer uma animação com a ajuda de um site online, no formato .GIF, uma animação baseada na repetição das imagens. Exporte os desenhos que deseja fazer a animação, como será digital, podemos seguir a configuração RGB; FIGURA 17 - CAIXA DE DIÁLOGO EXPORTAR PARA JPEG EM RGB Fonte: DE JESUS, 2021. Entre no site: https://ezgif.com/maker; Faça upload das imagens que deseja animar; FIGURA 18 - INTERFACE SITE GIF MAKER Fonte: DE JESUS, 2021. Ajuste a ordem das imagens e siga a configuração abaixo: 63UNIDADE III Humanização de Desenhosem Corel Draw - Parte II FIGURA 19 - INTERFACE SITE GIF MAKER Fonte: DE JESUS, 2021. Clique em Make a GIF! (Faça um GIF); Role a página e confira o resultado da sua animação > Save (salvar); Agora você pode acrescentar essa animação nas suas apresentações, no caso deste estudo fizemos um antes e depois da elevação humanizada, com as imagens abaixo: FIGURA 20 - ELEVAÇÃO ANTES DA ANIMAÇÃO Fonte: DE JESUS, 2021. 64UNIDADE III Humanização de Desenhos em Corel Draw - Parte II FIGURA 21 - ELEVAÇÃO DEPOIS DA ANIMAÇÃO Fonte: DE JESUS, 2021. Use as ferramentas aprendidas nessa unidade para potencializar seus desenhos e criar apresentações claras e efetivas. SAIBA MAIS O modo como percebemos as cores e os materiais é resultado de uma interação desses elementos com a luz, neste sentido, a arquitetura propõe texturas a partir do seu entorno, levando em conta a interação das texturas com o todo. Essa interação gera uma percepção pelo homem da arquitetura, gerando emoções e aguçando sentidos, por isso cores e texturas são fundamentais ao perceber e entender a arquitetura. Fonte: NACCACHE, Reynaldo REFLITA É possível imaginar a arquitetura sem luz e sombra? “Arquitetura é o jogo .... dos volumes reunidos sob a luz” Le Corbusier. Arquiteto e Urbanista Francês 65UNIDADE III Humanização de Desenhos em Corel Draw - Parte II CONSIDERAÇÕES FINAIS Analisando seus conhecimentos anteriores a essa unidade, provavelmente você já conseguiria responder o questionamento inicial sobre a impossibilidade de imaginar a arquitetura sem cores e texturas. Porém, agora que foi possível visualizar o impacto desses elementos no desenho arquitetônico, provavelmente você possua uma resposta mais consistente. A experiência de se observar um desenho arquitetônico cria vida através da humanização, nos traz uma nova perspectiva ao projetar, fazendo que ao mesmo tempo que pensamos em volumetria e função dos espaços, também imaginamos as cores e texturas que vão compor essa ambientação. Nesta unidade construímos juntos alguns desenhos humanizados com a ajuda do software Corel Draw, que como já vimos é um mecanismo poderoso de edição da qual apenas conhecemos algumas de suas ferramentas. Por ser um software intuitivo, à medida que você trabalhar seus desenhos dentro dele, irá descobrir novas ferramentas e novas formas de melhorar sua apresentação de projetos. Ao criarmos os nossos desenhos, a partir da mesma base e com os mesmos materiais de apoio disponíveis, mas com a liberdade de podermos aplicar esses materiais de diferentes formas, provavelmente tivemos resultados diferentes ao final da nossa humanização, pois esse é um processo criativo e cada arquiteto faz uma leitura projetual diferente. Neste sentido, foi possível perceber as inúmeras possibilidades que temos na arquitetura, desde a aplicação das cores e texturas, até a escolha do mobiliário, bem como também nas formas e no estilo de apresentação. Finalizamos aprendendo como “tirar do papel”, ou melhor, do software Corel Draw, nossos desenhos e entendendo maneiras de apresentá-los de forma que o cliente tenha acesso da maneira mais clara e intuitiva possível. A evolução da tecnologia, incorporou a arquitetura diversas maneiras de materializar o projeto antes da construção da edificação, o que estudamos aqui foi uma dessas maneiras, no entanto, temos desde a humanização de desenhos, até a realidade virtual, tudo isso com o objetivo de simular a arquitetura, em uma linguagem visual universal: o desenho. 66UNIDADE III Humanização de Desenhos em Corel Draw - Parte II LEITURA COMPLEMENTAR Estamos estudando a Linguagem Visual na arquitetura com o objetivo de aprender a comunicar a arquitetura da melhor forma possível, pois apesar do arquiteto estudar anos para conceber seus projetos, o objetivo final da profissão passa por apresentar seus projetos para avaliadores, sejam clientes ou críticos. A Arquiteta e Urbanista Andreia de Paiva que é especializada em Neurociência, é consultora na FGV (Fundação Getúlio Vargas) desde 2014 e consultora de NeuroArquitetura no Athie Wohnrath, nos explica como a Neurociência pode ajudar na comunicação do projeto, e aprofunda um pouco nosso entendimento da apresentação de projetos através da Linguagem Visual. Comunicação com o Cliente: como a neurociência pode ajudar Você já teve que convencer um cliente que teimava em questionar seu projeto? Certamente sim. Esse é um dos maiores desafios enfrentados pelos arquitetos: a comunicação com o cliente. Como fazer com que as pessoas compreendam as escolhas do arquiteto e sua relevância para o projeto? No artigo de hoje vamos discutir como a neurociência pode nos ajudar a entender e enfrentar o desafio da comunicação! A comunicação nada mais é do que o processo de passar uma ideia que está ocorrendo em um determinado cérebro para outros cérebros. Ou seja, quando você se co-munica de forma eficiente com seu cliente, você está literalmente implantando uma ideia na cabeça dele. O neurocientista Uri Hasson estuda como ocorre o processo de comunicação e suas pesquisas revelam como o cérebro reage quando nos comunicamos [1]. Uri Hasson mediu as atividades cerebrais em vários grupos de pessoas enquanto estes se comunicavam. O que ele conseguiu perceber foi: quando a comunicação ocorria de forma eficiente, os cérebros do emissor e dos receptores passavam a apresentar os mesmos padrões de ativação, processo conhecido como neural entrainment [2]. Ou seja, a ideia na cabeça do emissor deixa o cérebro dele ativado de determinada forma. Ao se comunicar, ele codifica (transforma em palavras ou num sketch, por exemplo) essa ideia e a transmite através de um meio (sua própria voz ou o papel rabiscado) para o receptor. Este, por sua vez, ao receber a mensagem tem que decodificá-la para compreendê-la. Para isso, código tem que ser reconhecido, o que ocorre quando emissor e receptor falam a mesma língua, por exemplo. Dessa forma, o cérebro do receptor se ativará nos mesmos padrões que o cérebro daquele que enviou a mensagem. 67UNIDADE III Humanização de Desenhos em Corel Draw - Parte II Por isso os códigos e a estrutura narrativa são tão importantes. O processo de comunicação funciona quase como um espelho, o desafio é fazer a imagem na cabeça de outro ficar exatamente igual àquela que está em sua cabeça. Por isso é fundamental que, ao se comunicar com os clientes, os arquitetos utilizem uma linguagem que seja facilmente compreendida por estes. Termos mais específicos da arquitetura, por exemplo, não são necessariamente conhecidos. Eles podem até nos fazer parecer mais entendidos do assunto, mas isso não é útil quando queremos ser compreendidos. O mesmo vale para desenhos mais técnicos ou sketches: nem todo mundo tem o olhar treinado para interpretar desenhos. Isto é, esse código pode não ser processado como o esperado, resultando em erros de entendimento. Não é à toa que falhas de comunicação são tão comuns. Elas são as principais culpadas pelos questionamentos dos clientes. Na maioria das vezes nós estamos acostumados a passar para frente um conteúdo quando nosso objetivo deveria ser fazer com que os outros absorvam esse conteúdo. Nem sempre o que é tão óbvio para a gente vai ser para os outros. Sendo assim, o desafio dos arquitetos e neuroarquitetos é tornar o processo de comunicação com os clientes o mais eficiente possível. Por isso são tão importantes temas como a neurociência aplicada às soft skillse storytelling. Fonte: PAIVA, Andreia. “Comunicação com o Cliente: como a neurociência pode ajudar”. Blog Neuroau, 2019. Acessado em: 15 Jan 2021. Disponível em: https:// www.neuroau.com/post/comunicação-com-o-cliente-como-a-neurociência-pode-ajudar 68UNIDADE III Humanização de Desenhos em Corel Draw - Parte II MATERIAL COMPLEMENTAR LIVRO Título: Projetando espaços: Áreas residenciais Autor: Miriam Gurgem Editor: Senac Sinopse: Projetar e apresentar soluções diferenciadas são os principais desafios desse livro. Imprescindível para profissionais e alunos da área de design de interiores, apresenta de forma objetiva os conceitos e princípios básicos dessa área, e alia a exposição de informações técnicas e teóricas a aberturas criativas, que imprimem organicidade e consistência artística ao planejamento. FILME/VÍDEO Título: Como Animar Diagramas Ano: 2019 Sinopse: O diagrama explicativo na arquitetura é um produto final que chama muito a atenção e é fundamental para ajudar a explicar sua proposta, seja com relação ao processo de pensamento, fluxos e circulação, definição de usos e outros. Você provavelmente já pensou em criar uma animação básica do diagrama de seu projeto para evidenciar alguma informação ou seu processo de pensamento, mas teve dificuldade ou nem soube por onde começar? Quando falamos de uma apresentação impressa, é comum apresentarmos uma série de diagramas sequenciais que representam a informação que estamos tentando apresentar. Mas e quando queremos apresentar isso em uma plataforma multimídia? Seguindo o padrão de diagramas sequenciais, ao olhar em um dispositivo móvel, por exemplo, essa imagem pode não se adequar muito bem, já que as informações ficariam muito pequenas. É aí que vem a solução de criar essa sequência animada! Link do vídeo: https://youtu.be/b0VqcUITXyA 69 Plano de Estudo: ● Organizando conteúdos ● Inserindo imagens e desenhos ● Inserindo textos e formas ● Plotando pranchas Objetivos da Aprendizagem: ● Conceituar e contextualizar a diagramação de pranchas ● Aplicar a utilização do software Corel Draw ● Estabelecer a importância da diagramação de pranchas na apresentação de Arquitetura UNIDADE IV Diagramação de Pranchas em Corel Draw Professora Victoria Carolina de Jesus 70UNIDADE IV Diagramação de Pranchas em Corel Draw INTRODUÇÃO Uma boa apresentação de arquitetura é aquela em que o cliente ou avaliador do projeto compreende as decisões arquitetônicas apresentadas no projeto sem a necessidade de um interlocutor, neste sentido, os textos, diagramas e símbolos integrantes da apresentação devem fazer o papel do interlocutor e auxiliar no entendimento dessas questões. Em nossa primeira unidade, aprendemos os elementos da linguagem visual e de apresentação, compreendemos a importância da diagramação nas apresentações de arquitetura, entendemos os conceitos que diferenciam uma boa apresentação como: organização, hierarquia, espaçamento, contraste e repetição. Também vimos em nossa segunda unidade como o software Corel Draw possui inúmeras ferramentas que permitem a criação e a edição de objetos e imagens. Agora, vamos estudar técnicas de diagramação no Corel Draw, desde a criação de pranchas até a transformação em PDF. Vamos iniciar entendendo como devemos organizar os conteúdos a serem apresentados, o que é essencial na apresentação de projetos e como deve ser trabalhada a hierarquia do conteúdo. Seguiremos com técnicas para apresentação e organização de imagens e desenhos, como inseri-las e editá-las dentro do software, trabalhando transparências, inversão de cores e contrastes. Aprenderemos ainda a trabalhar com textos e formas, como justificar os textos, escolher as fontes, trabalhar as palavras-chave e utilizar formas geométricas para compor a apresentação e trabalhar o estilo da apresentação. Finalizaremos com a plotagem das pranchas, entendendo formas de compactar arquivos para apresentações digitais e formas de exportação que mantenham a qualidade para a impressão em grandes formatos. Essa unidade finaliza nossos estudos em Linguagem Visual, completando nossa jornada na busca de como comunicar a arquitetura, jornada essa que iniciamos desde a construção da linguagem do desenho com o ponto, e finalizaremos com uma apresentação visual construída a partir dos fundamentos aprendidos neste curso. 71UNIDADE IV Diagramação de Pranchas em Corel Draw 1. ORGANIZANDO CONTEÚDOS Definir o que incluir em uma apresentação de arquitetura pode ser considerada uma das tarefas mais complicadas, pois quando vamos apresentar nosso próprio trabalho esquecemos do simples fato de que conhecemos muito nosso projeto e as vezes deixamos de incluir elementos fundamentais para o entendimento das decisões projetuais, por isso é muito importante que você veja sua apresentação como se fosse uma pessoa vendo seu projeto pela primeira vez. Os desenhos básicos não podem faltar, é essencial apresentar todas as plantas, as elevações que demonstram melhor a volumetria e cortes que ajudem na compreensão dos principais espaços. Inclua diagramas que demonstrem as condicionantes do projeto, por exemplo: posicionamento do sol, dos ventos, fluxo de carros e de pessoas, e até mesmo limitações de parâmetros urbanísticos como taxa de ocupação, altura e afastamentos. As perspectivas são importantes para que seja possível o entendimento dos desenhos de forma tridimensional, bem como a interação das pessoas dentro do espaço, através das figuras humanas nos desenhos. “O caráter tridimensional e a forma de um projeto podem ser comunicados apenas por meio da apresentação coordenada de desenhos relacionados. De modo a explicar e esclarecer aspectos que escapam às possibilidades do desenho, recorremos a diagramas, símbolos gráficos, títulos e textos.” (CHING, 2017, p. 204). Durante nosso curso fomos entendendo os desenhos de apresentação, nos aprofundando em formas de melhorar a apresentação e agora iremos entender melhor como organizá-los de forma coerente e de fácil associação ao leitor. 72UNIDADE IV Diagramação de Pranchas em Corel Draw É importante seguir uma sequência de apresentação, parecida com a ordem das pranchas ao entregar um desenho técnico, em que iniciamos pela implantação, ou seja, pelo terreno, e finalizamos com detalhamentos e perspectivas. A apresentação conta uma história de como o projeto evoluiu, olhando de fora pra dentro, da sua localização e condicionantes até os detalhamentos e escolha de materiais. Assim, se formos seguir uma linha de apresentação nos baseando nas relações de desenho que já estudamos e nos elementos associados que precisam compor as apresentações teríamos uma ordem: Terreno: Imagens, diagramas, condicionantes naturais e antropológicas; Programa e Layout: Programa de necessidades, setorização, plantas de layout; Volumetria e Espacialidade: Elevações, perspectivas e cortes. Organizar esses conteúdos significa prepará-los para apresentação, criar os elementos que dão suporte aos desenhos de apresentação e por fim diagramá-los em prancha. Ching (2017) lembra que a forma como o leitor identifica os elementos em uma apresentação é o modo como fazemos uma leitura, da esquerda para direita, de cima para baixo, e mesmo em uma apresentação digital, como em slides, segue-se uma sequência de tempo. Neste sentido, devemos diagramar nossas apresentações para que a ordem que definimos como a ordem de apresentação esteja apresentada seguindo a sequência de leitura e identificá-las. FIGURA 1 - EXEMPLO DE APRESENTAÇÕES EM VÁRIAS PRANCHAS, SEGUINDO A ORDEM DE LEITURAFonte: CHING, 2017, p. 212. 73UNIDADE IV Diagramação de Pranchas em Corel Draw A imagem acima demonstra dois formatos de apresentações diferentes dentro do mesmo tamanho de prancha, vertical e horizontal, no entanto, ao organizar os conteúdos é fundamental termos definido o tamanho de prancha a ser utilizado na apresentação. A arquitetura trabalha com grandes formatos devido a escala dos desenhos, que pede pranchas maiores, porém, às vezes temos a padronização de tamanhos por parte da banca avaliadora do projeto e por isso temos que imaginar a apresentação dentro desse espaço pré-designado, em ambos devemos iniciar a organização da apresentação conhecendo o formato que iremos trabalhar. No Brasil, temos como padrão de formatos de folha as definições da ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas que define os tamanhos e formatos como os seguinte: FIGURA 2 - TABELA DE FORMATOS DE FOLHA DA ABNT Fonte: DE JESUS, 2021 Após a definição do formato da apresentação e da organização dos conteúdos a serem apresentados, o próximo passo é a definição do estilo da apresentação. Atualmente, estão disponíveis na internet, em sites como Pinterest, Google, Shutterstock entre outros, templates (modelos) que a partir da diagramação base oferecida por esses templates nos permitem encaixar nossos desenhos e informações, uma vantagem desses modelos é que eles já trazem elementos como plano de fundo, cores e fontes da apresentação. 74UNIDADE IV Diagramação de Pranchas em Corel Draw FIGURA 2 - EXEMPLO DE TEMPLATES DE APRESENTAÇÃO Como podemos ver na imagem, esses templates não têm exatamente todos os elementos que nossa apresentação precisa, mas tem uma diagramação que pode nos guiar na montagem da apresentação, como se o template fosse um grid com cores, fontes e formatação definidos. Agora que já entendemos o que precisamos organizar antes de iniciar nossa apresentação, vamos aprender a fazer a diagramação dentro do software Corel Draw, com as ferramentas que ele oferece. 75UNIDADE IV Diagramação de Pranchas em Corel Draw 2. INSERINDO IMAGENS E DESENHOS As imagens e os desenhos, como já vimos, são os elementos principais de comunicação da arquitetura, e por isso devem ser priorizados na diagramação da apresentação, logo depois de definirmos o formato e o estilo da apresentação devemos iniciar colocando as imagens para depois acrescentar os símbolos gráficos e os textos, para o nosso estudo vamos usar os desenhos humanizados que fizemos e criar uma apresentação em formato A4, baseando-se em um dos templates do tópico anterior. Abra o software Corel Draw 2019; Vá em Arquivo > Novo > Criar novo documento (defina o nome do arquivo e as dimensões); Escolha seu template > Copie > Cole na área de trabalho; Redimensione o template para o tamanho borda da página; Vá na Régua lateral ou acima, e puxe linhas-guia para criar o grid do template, se as formas forem irregulares, utilize as ferramentas de desenho para desenhar os limites, depois delete o template: 76UNIDADE IV Diagramação de Pranchas em Corel Draw FIGURA 3 - DEMONSTRAÇÃO DE GRID CRIADO A PARTIR DE UM TEMPLATE Fonte: DE JESUS, 2021. Inicie a importação dos desenhos e a distribuição deles na página, lembrando dos conceitos de diagramação que já discutimos, como grid, alinhamento, espaçamento etc. FIGURA 4 - INSERÇÃO DE IMAGENS E FORMAS SEGUINDO OS CONCEITOS DE DIAGRAMAÇÃO Fonte: DE JESUS, 2021. - Note que apenas foi inserido as imagens dentro de uma lógica escolhida no grid e o alinhamento e espaçamento respeitou as relações de desenho; - Para evidenciar a organização da prancha, foram criados retângulos com planos de fundo, a fim de trazer contraste aos desenhos; O Corel Draw possui inúmeras ferramentas de edição que auxiliam na diagramação, uma delas é a ferramenta Transparência (Transparency), podemos suavizar bordas de desenhos, ou até mesmo transformar uma imagem em uma marca d’água para criar um plano de fundo. Em nosso exemplo, iremos suavizar a borda da elevação. 77UNIDADE IV Diagramação de Pranchas em Corel Draw Vá na Caixa de Ferramentas lateral, procure nas ferramentas Transparência (Transparency) > Clique na borda da elevação debaixo para cima > Arraste de acordo com o efeito que deseja criar; FIGURA 5 - SETA QUE CONTROLA O EFEITO DE TRANSPARÊNCIA E RESULTADO DO EFEITO Fonte: DE JESUS, 2021. Esses pequenos efeitos de manipulação das imagens ajudam a criar um design atrativo para apresentação, que chame a atenção do leitor. Em nosso exemplo já é possível ver que foram acrescentados os desenhos que trazem informações do terreno, a planta que apresenta o espaço e a elevação que ajuda na interpretação da volumetria, no entanto, a apresentação apenas desses desenhos pode gerar vários questionamentos, que iremos resolver com a adição de pequenos textos explicativos. 78UNIDADE IV Diagramação de Pranchas em Corel Draw 3. INSERINDO TEXTOS E FORMAS Para compor nossa apresentação iremos acrescentar os textos, usamos textos para denominar o título dos desenhos, título do projeto e os textos explicativos. Também acrescentaremos formas que vão nos ajudar a dar contraste e hierarquia. Ao inserir os textos temos vários pontos a serem analisados, como tamanho, alinhamento, peso visual, mas principalmente a legibilidade deles, a escolha da fonte é o principal responsável em garantir a legibilidade. “O caráter da fonte que usamos deve ser adequado ao projeto que se está apresentando, sem prejudicar os desenhos. [...] As fontes, na apresentação de um projeto, devem ser cuidadosamente integradas na composição de desenhos situados em cada folha ou prancha.” (CHING, 2017, p. 211). As fontes possuem características em seu desenho como o uso das serifas, ou características que podem ser aplicadas a elas, como negrito, itálico e sublinhado, este segundo grupo de características é mais utilizado por nós nos meios digitais. Já as serifas não são de conhecimento geral, mas estão presentes ou não em todas as fontes que vemos, serifas são pequenos detalhes nas extremidades das letras. Puyera (2018) lembra que as serifas auxiliam na leitura, guiando o leitor e mantendo-o na linha do texto, no entanto, não garantem a legibilidade do texto. 79UNIDADE IV Diagramação de Pranchas em Corel Draw FIGURA 6 - EXEMPLO DE TIPOS DE FONTES Fonte: CHING, 2017, p. 209. Os títulos de desenho se juntam aos símbolos gráficos para trazer informações ao desenho, tipo de desenho, posicionamento, escala, entre outros. É comum alinharmos os títulos abaixo dos desenhos e do lado esquerdo, seguindo nossa linha de leitura. Os títulos auxiliam no enquadramento do desenho nos grids. Ao inserirmos os textos informativos, é fundamental relacionar o seu posicionamento com o elemento do qual ele está explicando, dessa forma criamos conjuntos visuais de informação, guiando o leitor a não somente fazer a leitura do desenho ou do texto, mas entendendo que são leituras complementares. O título do projeto vem acompanhado de várias informações como autoria do projeto, localização, especificações e até mesmo números de pranchas, no desenho técnico utilizamos o chamado carimbo para organizar essas informações, na apresentação em pranchas, podemos fazer uma espécie de carimbo menos formal, mas que precisa fazer parte do conjunto visual da apresentação. Dentro do software Corel Draw, é bem simples a inserção dos textos e a manipulação deles, iremos utilizar basicamente as mesmas técnicas de arrastar, redimensionar, colorir e na barra depropriedades alterar fonte, tamanho, alinhamentos etc. Vá na Caixa de Ferramentas lateral, e procure a ferramenta Texto (Text) ; Clique sobre o local desejado e digite o texto; Use a barra de propriedades para mudar fonte, tamanho e orientação do texto; 80UNIDADE IV Diagramação de Pranchas em Corel Draw FIGURA 7 - INSERÇÃO DE TEXTOS SEGUINDO OS CONCEITOS DE DIAGRAMAÇÃO Fonte: DE JESUS, 2021. - Acrescente os textos que você julgar necessários para explicar o projeto da nossa apresentação, trabalhe com os títulos de desenho, títulos de projeto e com os textos explicativos. Veja que ao inserir os textos, respeitamos o alinhamento à esquerda, pois ele cria um movimento nos blocos de texto, de forma que o leitor não identifica como um texto longo e extenso, incentivando a leitura. Ainda que a distribuição dos textos foi feita de forma limpa e respeitando os espaçamentos, é necessário trabalhar com as formas para dar contraste e hierarquia para algumas informações, para isso vamos utilizar a ferramenta Retângulo (Rectangle) e a ferramenta Formas Comuns (Common Shapes). Vá na Caixa de Ferramentas lateral, e procure a ferramenta Retângulo (Rectan- gle) , desenhe retângulos para os textos que deseja criar destaque; Vá na Caixa de Ferramentas lateral, e procure a ferramenta Formas Comuns (Common Shapes) , escolha na barra de propriedades a forma que deseja e dese- nhe ; 81UNIDADE IV Diagramação de Pranchas em Corel Draw FIGURA 8 - INSERÇÃO DE FORMAS SEGUINDO OS CONCEITOS DE DIAGRAMAÇÃO Fonte: DE JESUS, 2021. Ao posicionar as formas, clique com o botão direito e ajuste a ordem das camadas, colocando a para trás (to back of layer) ou para frente (to front of layer), conforme a necessidade do que precisa ser mostrado; É possível perceber que a inserção de formas reforça a relação entre os desenhos e a relação desenho com texto. Direcionando a atenção do leitor a uma sequência lógica de leitura e interpretação. Note que a paleta de cores também é fundamental para o sucesso da apresentação, não se sobressaindo aos desenhos principais. 82UNIDADE IV Diagramação de Pranchas em Corel Draw 4. PLOTANDO PRANCHAS Ao finalizar nossa apresentação temos que definir o formato de entrega ao cliente ou avaliador, os arquivos em formato PDF são muito utilizados na arquitetura, pois ele possui uma grande capacidade de compactação sem perder a qualidade e as informações vetoriais. O formato JPEG, também é muito utilizado, mas deve-se tomar cuidado para que não se perca a qualidade na compactação, pois nas apresentações digitais é comum a utilização da aproximação dos desenhos para entender detalhes, bem como nas apresentações impressas em grande formato, que também necessitam de alta qualidade de compactação. Da mesma forma que em Autocad é possível transformar um arquivo DWG em PDF, no software Corel Draw também possuímos essa opção, é o que chamamos de Publicar em PDF (Publish to PDF). Para salvar em JPEG, temos o processo Exportar (Export), como já aprendemos na unidade anterior, quando exportamos nossos desenhos humanizados. Vá em Arquivo > Publicar em PDF (Publish to PDF); Na caixa de diálogo > Escolha o local do arquivo e o nome > em PDF preset, escolha Prepress > Clique em Settings; 83UNIDADE IV Diagramação de Pranchas em Corel Draw FIGURA 9 - CAIXA DE DIÁLOGO PUBLISH TO PDF. Fonte: DE JESUS, 2021. Na caixa de diálogo > em General > Current Page (Página atual) > Clique em OK; FIGURA 10 - CAIXA DE DIÁLOGO PUBLISH TO PDF > SETTINGS Fonte: DE JESUS, 2021. Finalize clicando em Salvar. Com esse arquivo em PDF é possível realizar apresentações digitais ou impressas, para montar apresentação de slides, em softwares como o Power Point, é aconselhável exportar para JPEG. Lembre-se de salvar com frequência o seu arquivo de trabalho, pois travamentos no software são comuns e podem custar horas de trabalho. 84UNIDADE IV Diagramação de Pranchas em Corel Draw Assim finalizamos nossa introdução à humanização de desenhos e diagramação de pranchas dentro do software Corel Draw. As ferramentas deste software possuem todas o mesmo princípio de funcionamento, tornando-o intuitivo, uma vez que você tenha entendido onde buscar as ferramentas e como aplicá-las. O software oferece uma tela em branco, com ferramentas que possuem inúmeras possibilidades de transformação, um prato cheio para arquitetos exercerem sua criatividade e construir apresentações que chamem atenção através do impacto visual. SAIBA MAIS A representação gráfica de projetos no Brasil possui uma normatização, a NBR é uma norma de padrão de qualidade criada e distribuída pela ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas. A NBR 6492 trata sobre as condições exigíveis para a representação gráfica em arquitetura. Fonte: ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas. REFLITA Sobre a representação da arquitetura através de desenhos: “[...] estou mais interessado na história, como os desenhos e o layout podem ajudar a expressar as histórias e comunicá-las, que de certa forma a história é o objetivo e os desenhos um meio.” Bjarke Ingels. Arquiteto Dinamarquês. 85UNIDADE IV Diagramação de Pranchas em Corel Draw CONSIDERAÇÕES FINAIS Entender o que não pode faltar em uma apresentação passa pelo reconhecimento de que quando estamos apresentando o nosso projeto precisamos nos questionar sempre se estamos sendo os mais claros possíveis. As apresentações em arquitetura são livres e pode-se agregar a elas os mais diversos tipos de elementos que ajudem a responder esses questionamentos. No entanto, além de analisar e questionar a apresentação, é fundamental que ela possua o apelo visual necessário para torná-la atrativa e valorizar o projeto. Nesta unidade você aprendeu formas de organizar os conteúdos a serem apresentados de maneira com que o leitor construa o projeto juntamente com a sequência da apresentação. Vimos ainda que além de organizar os conteúdos a serem apresentados, temos que definir formato e estilos da apresentação, seguindo os conceitos de diagramação e layout, que nos ajudam a chamar a atenção do leitor aos pontos focais do projeto sem a necessidade de um interlocutor. Estudamos também algumas ferramentas de edição de objetos e imagens no software Corel Draw, que abre infinitas possibilidades de montagem de pranchas e manipulação dos conteúdos a serem apresentados. Entendemos a importância da escolha da tipografia correta, e a forma certa de alinhar e distribuir os textos de apresentação dentro da prancha, para que o leitor se sinta atraído pela leitura, pois estes textos tem o objetivo de esclarecer o que os desenhos não conseguem explicar. Por fim, vimos como transformar nossos arquivos digitais em arquivos de apresentação, seja para impressão ou até mesmo para apresentações virtuais, entendemos como exportar as apresentações para fora do software Corel Draw. Durante todo nosso estudo, foi possível compreender que a arquitetura não acaba com a finalização do projeto, a apresentação tem papel fundamental na avaliação da produção arquitetônica. Uma apresentação mal feita tem o poder de destruir um bom projeto, uma vez que os clientes ou avaliadores não conseguem interpretar as decisões projetuais. O papel do arquiteto não se resume somente a produzir a arquitetura, mas também saber como comunicá-la, e espero que este curso tenha contribuído para que você possa apresentar seus projetos com mais segurança e de forma mais eficaz. 86UNIDADE IV Diagramação de Pranchas em Corel Draw LEITURA COMPLEMENTARPranchas de apresentação de concurso são comumente usadas como referência de apresentação, pois englobam todos os elementos que uma boa apresentação de arquitetura necessita ter: foco no projeto, criatividade e caráter autoexplicativo, pois os projetos são enviados e os autores não podem explicar suas decisões, as pranchas falam por si só. Assim, podemos usar as pranchas de concurso como inspiração para nossas apresentações. Matheus Pereira, do Archdaily, escreveu um artigo com dicas de diagramação de pranchas de concurso, mas que podemos utilizar nas nossas apresentações: Diagramação de pranchas de concursos: o que fazer e o que evitar Participar de concursos de arquitetura pode ser uma boa chance para alavancar um escritório, ou sair um pouco da rotina desenvolvendo ideias que geralmente não passariam pelo crivo de um cliente. Mas para chamar a atenção dos membros do júri, entre centenas de trabalhos, a graficação do projeto desempenha um papel chave. Além de ideias pertinentes aos questionamentos e debates incumbidos, é imprescindível uma prancha organizada como síntese do processo. Na tentativa de reunir as ideias de maneira gráfica, uma série de dúvidas surgem quanto à maneira de apresentação e como a mesma ajudará na transmissão das ideias contidas no projeto de forma clara para o júri. Plantas, cortes, elevações, colagens, renderizações, diagramas, textos, elementos gráficos. As dimensões das pranchas não parecem comportar tantas informações. Pensando nisso, reunimos uma série de dicas essenciais para o desenvolvimento de suas pranchas em concursos de arquitetura. Confira a seguir: Composição - Você não precisa incluir tudo; - Adote um padrão de cores; - Evite interrupções visuais; Em pranchas de concurso insere-se a síntese do processo, apresentando apenas o necessário para a compreensão do trabalho desenvolvido pela limitação do espaço (número de folhas e dimensões) e tempo. A comissão julgadora necessita avaliar rapidamente o trabalho de cada equipe por conta do excessivo número de trabalhos recebidos, e quanto mais claras as ideias na prancha, melhor. Sabemos que inserir o conteúdo dentro do espaço em branco é, por vezes, a maior dificuldade, mas é ideal que o conteúdo seja disposto de modo hierárquico. 87UNIDADE IV Diagramação de Pranchas em Corel Draw Evite quebras ou interrupções visuais forçando o avaliador a dispor de pausas na leitura visual da prancha. É imprescindível que, em pranchas desta modalidade, a fácil leitura seja dirigida pelo intelecto de maneira contínua. Como a reunião de todas as informações para o completo entendimento da proposta, se mal composta, a prancha pode ser a responsável pelo insucesso da compreensão do projeto, mesmo que ele tenha qualidade. Expressão gráfica - Evite misturar técnicas gráficas na composição da prancha; Há uma gama de linguagens passíveis de serem adotadas na representação de seus desenhos e construção do painel. Da mesma forma, sabemos que não há fórmulas, “certo ou errado”, basta ter coerência. O princípio norteador é adotar a técnica que considerar adequada à transmissão das intenções projetuais. Desenhos - Disponha suas ideias graficamente através de desenhos; - Utilize vistas explodidas para a representação das diversas camadas de seu projeto, quando isso for necessário; - Croquis são sempre bem-vindos; - Detalhe de acordo com a escala; Desenhos são os principais artifícios na transmissão de ideias e atuam como síntese do processo. Neste âmbito, devemos entender que estas não são pranchas executivas e, portanto, os desenhos bidimensionais (plantas, cortes, elevações) além de transmitirem a ideia geral, devem dispor de maneira gráfica, a identidade da prancha. Desenhos tridimensionais também podem ir além das técnicas super realistas, permitindo representações axonométricas, colagens e intervenções sobre fotografias, por exemplo. Outro recurso frequentemente utilizado na composição de pranchas são as vistas explodidas. O processo exemplifica com clareza as técnicas construtivas adotadas, materialidades, espacialidades e fluxos. Nestas, o uso da variação de linhas, cores e texturas auxilia na criação da identidade visual. Croquis também podem ser inseridos nas pranchas, exemplificando o processo projetual. Contanto, posteriormente é interessante que sejam editados através dos recursos digitais de modo a harmonizarem-se à integridade da prancha. Intervenções gráficas sobre os croquis também são ótimos recursos através de um híbrido de técnicas. 88UNIDADE IV Diagramação de Pranchas em Corel Draw Diagramas - Adote diagramas como ferramentas transmissoras do processo; - Divida os diagramas por quesitos projetuais; Métodos de organização, análise e comunicação, a ferramenta ajuda profissionais e leigos a compreenderem de maneira prática e rápida o processo incumbido nas soluções adotadas no projeto. Ademais, os diagramas são um excelente dispositivo a comunicar de maneira criativa a síntese projetual e ainda auxiliam na expressão gráfica. Grandes escritórios adotam o instrumento ao processo criativo de seus projetos, como é o caso do Bjarke Ingels Group, 3XN Architects e Zaha Hadid Architects, por exemplo. No caso dos concursos, o método é ideal para a transmissão das ideias, uma vez que a maior parte dos envios finais são realizados por meio de plataformas eletrônicas, impossibilitando uma apresentação oral formal. Posto isso, a prancha deve “falar” por si, ou seja, esquemas como diagramas funcionam muito melhor para transmissão de ideias se comparado a longos textos. Com uma gama de possibilidades, é recorrente a adoção de diagramas para representação dos diferentes quesitos do partido projetual, tais como a distribuição programática, implantação, relações visuais, orientação solar e dos ventos, adoção estrutural, entre outros. Conteúdo textual - Evite textos demais; - Adote uma família tipográfica coerente; Arquitetos são indivíduos bastante ligados à estética e claramente visuais, portanto, utilize o mínimo de conteúdo textual possível. Em concursos, a comissão julgadora necessita avaliar todos os trabalhos de maneira rápida e prática, muitas vezes desconsiderando o conteúdo escrito. Utilize-se de textos apenas se necessário ou frases curtas e diretas explicativas ao longo dos desenhos. Também considere uma tipografia adequada à linguagem de sua prancha. Pesqui-se parte do histórico das tipografias que considerar pertinente ao trabalho, tendo em vista que seu design foi pensado para aguçar um conjunto de interesses estéticos e psíquicos dos leitores. Jamais considere uma miscelânea de tipografias. Se você não tiver muita se-gurança no tema, não ouse demais (e leia esse post). Tente não misturar muitas tipografias, considerando a hierarquia do conteúdo (títulos e subtítulos, texto e notas) ou variações de uma mesma família tipográfica. Em suma, o importante é colocar-se no lugar de alguém que não conhece o projeto e deve ter uma primeira boa impressão dele, entre tantas outras propostas interessantes. Ao 89UNIDADE IV Diagramação de Pranchas em Corel Draw diagramar uma prancha, você está contando uma história, levando o leitor a compreender didaticamente as proposições discutidas entre a equipe. Por isso, é importante que elas façam sentido e tenham uma ordem adequada. Também é importante que essas informações sejam expostas de maneira clara, direta e fácil. Não tente incluir tudo o que foi pensado, mas sintetize e filtre o que é maisimportante mostrar. Como anteriormente pontuado, não há regras, dado que cada projeto e/ou concurso possui qualidades específicas. Boa sorte! Fonte: PEREIRA, Matheus. “Diagramação de pranchas de concursos: o que fazer e o que evitar” 02 Ago 2020. ArchDaily Brasil. Acessado 21 Jan 2021. Disponível em: https:// www.archdaily.com.br/br/896138/diagramacao-de-pranchas-de-concursos-o-que-fazer-e-o-que-evitar. 90UNIDADE IV Diagramação de Pranchas em Corel Draw MATERIAL COMPLEMENTAR LIVRO Título: Dicionário visual de arquitetura Autor: Francis D. K. Ching Editora: WMF Martins Fontes Sinopse: Este é o primeiro dicionário de termos de arquitetura totalmente ilustrado. Para cada definição corresponde uma ilustração, o que facilita enormemente a compreensão de cada termo. Concebido para facilitar e enriquecer a consulta por arquitetos, estudantes de arquitetura, estudantes de arte, engenheiros etc., o dicionário comporta mais de 5.000 entradas organizadas por temas através de um índice completo. FILME/VÍDEO Título: Big Time Ano: 2017 Sinopse: Como um dos destaques da produção arquitetônica contemporânea, à frente do do escritório dinamarquês BIG, Bjarke Ingels é hoje considerado um dos maiores e mais promissores nomes do setor criativo. Com perfil inquieto, sempre na busca por novos desafios – tentando superá-los, e sobretudo criativamente inspirador, neste documentário Ingels é retratado do ponto de vista profissional e pessoal, na tentativa de entendimento ao universo que o estimula. 91 REFERÊNCIAS 44 Arquitetura. “Como elaborar uma planta humanizada?”. São Paulo: Portal 44 Arquitetura, 2014. Acessado em: 11 Dez 2020. Disponível em: http://44arquitetura.com.br/2014/03/planta-humanizada-elaborar/. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6492: Representação gráfica em Arquitetura. Rio de Janeiro, p. 01. 1994. BIO, Danilo. “A importância da representação gráfica”. Blog Vias Arq, 2019. Acessado em: 11 Dez 2020. Disponível em: https://www.vias.arq.br/dicas/a-importancia-da-representa- cao-grafica/. CHING, Francis D. K. Representação Gráfica em Arquitetura. São Paulo: Bookman, 2017. CRISTIAN, Liute. “A história do Corel Draw”. Blog Clube do Design, 2013. Acessado em: 15 JAN 21. Disponível em: https://clubedodesign.com/2013/a-historia-do-coreldraw/desenhar _em_liberdade.html EIDT, M. S. Representação gráfica. São Paulo: Grupo A, 2019. NACCACHE, Reynaldo. “A cor e os materiais no projeto arquitetônico”. São Paulo: Portal Vitruvius, 2016. Acessado em: 15 Jan 2021. Disponível em: https://vitruvius.com.br/revistas/ read/drops/07.016/1698. PAIVA, Andreia. “Comunicação com o Cliente: como a neurociência pode ajudar”. Blog Neuroau, 2019. Acessado em: 15 Jan 2021. Disponível em: https://www.neuroau.com/post/ comunicação-com-o-cliente-como-a-neurociência-pode-ajudar PEREIRA, Matheus. “Diagramação de pranchas de concursos: o que fazer e o que evi- tar”. Brasil: Blog ArchDaily, 2020. Acessado em: 21 Jan 2021. Disponível em: https://www. archdaily.com.br/br/896138/diagramacao-de-pranchas-de-concursos-o-que-fazer-e-o-que- -evitar. PERUYERA, Matias. Diagramação e Layout. Curitiba: Intersaberes, 2018. ROMERO, Alexandre. “Croquis: Desenhar em Liberdade”. Obvious Magazine, 2012. Aces- sado 13 Jan 2021. Disponível em: http://obviousmag.org/archives/2012/04/croquis_ 92 SCHWARTZ, Steve; PHYLLIS, Davis. Corel Draw: Passo a Passo Lite. São Paulo: Pearson, 2013. VAZ, Adriana; SILVA, Rosane. Fundamentos da Linguagem Visual. Curitiba: Intersaberes, 2016. 93 CONSIDERAÇÕES FINAIS Caro aluno (a), No decorrer deste curso procurei trazer uma sequência da evolução da linguagem visual da arquitetura, desde seus elementos estruturais como o ponto e a linha, até a diagramação e métodos de apresentação. Durante este curso, mostrei como o desenho precisa seguir alguns conceitos para que ele se aproxime do leitor e seja entendido de forma mais efetiva e atrativa. Começamos entendendo quais são os elementos utilizados para a composição dos desenhos e para a apresentação deles, ressaltando a importância individual de cada um desses elementos. Em seguida, vimos quais são os desenhos utilizados para representar a arquitetura, conhecemos as convenções aplicadas na representação desses desenhos e a mensagem que cada desenho precisa passar, continuamos compreendendo como os desenhos se relacionam e como essa relação é fundamental ser preservada durante a apresentação desses desenhos. E finalmente, conhecemos alguns conceitos de diagramação que nos ajudam a apresentar os desenhos de formar mais clara e efetiva. Seguimos conhecendo uma forma de representação muito utilizada na arquitetura comercial, o desenho humanizado, vimos suas vantagens e desvantagens e então tivemos uma introdução aos softwares que nos ajudam na transformação desses desenhos e como aplicar a utilização destes softwares na arquitetura. Concluímos nossos estudos conhecendo formas de organizar os conteúdos e apresentá-los seguindo os conceitos de diagramação que aprendemos anteriormente, colocando em prática a teoria que aprendemos. Entendemos formatos de apresentação, tanto impressos quanto digitais, e vimos formas de transformar os desenhos em arquivos acessíveis. Nosso estudo iniciou-se com a teoria e finalizamos colocando em prática conceitos de representação gráfica em arquitetura. Espero que ao final deste curso, você tenha entendido a importância da representação e que durante a sua carreira profissional você esteja buscando constante atualização nas formas de visualizar a arquitetura e melhorar a comunicação dos seus projetos com os clientes. Muito Obrigada! Até a próxima oportunidade. +55 (44) 3045 9898 Rua Getúlio Vargas, 333 - Centro CEP 87.702-200 - Paranavaí - PR www.unifatecie.edu.br/editora-edufatecie edufatecie@fatecie.edu.br EduFatecie E D I T O R A nova-ficha-catalográfica-2021.pdf _heading=h.gjdgxs _GoBack UNIDADE I História e Cultura Africana UNIDADE II O Negro no Brasil: Abolição e seu Legado UNIDADE III História e Cultura Indígena UNIDADE IV Relações Étnico-Raciais e Direitos Humanos