Prévia do material em texto
FUNDAMENTOS BÁSICOS DO SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL (SUAS) FUNDAMENTOS BÁSICOS DO SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL (SUAS) BY NC ND GOVERNO FEDERAL MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO E ASSISTÊNCIA SOCIAL, FAMÍLIA E COMBATE À FOME SECRETARIA NACIONAL DE ASSISTÊNCIA SOCIAL DEPARTAMENTO DE GESTÃO DO SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL COORDENAÇÃO-GERAL DE GESTÃO DO TRABALHO E EDUCAÇÃO PERMANENTE Todo o conteúdo do curso Fundamentos Básicos do Sistema Único de Assistência Social (SUAS), da Secretaria Nacional de Assistência Social, do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome do Governo Federal - 2023, está licenciado sob a Licença Pública Creative Commons Atribuição-Não Comercial-Sem Derivações 4.0 Internacional. Para visualizar uma cópia desta licença, acesse: https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/deed.pt_BR QR Code No decorrer do livro aparecerão códigos como este ao lado que darão acesso a conteúdos extras. Para acessá-los, basta apontar a câmera do seu dispositivo móvel (smartphone ou tablet) para o código (obs.: é necessário estar conectado à internet). https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/deed.pt_BR Siglas BPC - Benefício de Prestação Continuada CadSUAS - Cadastro do Sistema Único de Assistência Social CadÚnico - Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal Centro POP - Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua CFESS - Conselho Federal de Serviço Social CIT - Comissão Intergestores Tripartite CLT - Consolidação das Leis do Trabalho CNAS - Conselho Nacional de Assistência Social CNEAS - Cadastro Nacional de Entidades de Assistência Social CONANDA - Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente CRAS - Centro de Referência de Assistência Social CREAS - Cadastro Nacional de Entidades de Assistência Social CRESS - Conselho Regional de Serviço Social DIEESE - Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos ECA - Estatuto da Criança e do Adolescente ESF - Estratégia Saúde da Família IAPs - Institutos de Aposentadorias e Pensões IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IGD - Índice de Gestão Descentralizada INSS - Instituto Nacional do Seguro Social LA - Liberdade Assistida LBA - Legião Brasileira de Assistência LGBTQIAPN+ - Lésbicas, gays, bissexuais, transsexuais e travestis, queer, interssexo, assexuais, panssexuais, não-binário LOAS - Lei Orgânica de Assistência Social NIS - Número de Identificação Social NOB/SUAS - Norma Operacional Básica do Sistema Único de Assistência Social NOB-RH/SUAS - Norma Operacional Básica de Recursos Humanos do Sistema Único de Assistência Social ONGs - Organizações Não Governamentais OSC - Organização da Sociedade Civil PAEFI - Serviço de Proteção e Atendimento Especializado a Famílias e Indivíduos PAF – Plano de Acompanhamento Individual ou Familiar PAIF - Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família PBF - Programa Bolsa Família PcD – Pessoa com Deficiência PETI - Programa de Erradicação do Trabalho Infantil PNAS - Política Nacional de Assistência Social PNEP - Política Nacional de Educação Permanente PSB - Proteção Social Básica PSC - Prestação de Serviços à Comunidade PSE - Proteção Social Especial RF - Responsável Familiar RMA - Registro Mensal de Atendimento SAGICAD -Secretaria de Avaliação, Gestão da Informação e Cadastro Único SCFV - Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos SEAS - Serviço Especializado de Abordagem Social SGD - Sistema de Garantia dos Direitos da Criança e do Adolescente SICON - Sistema de Condicionalidades do Programa Bolsa Família SISC - Sistema de Informações do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos SIS Acessuas - Sistema de Acompanhamento do Programa de Promoção do Acesso ao Mundo do Trabalho SNAS - Secretaria Nacional de Assistência Social SUAS - Sistema Único de Assistência Social SUS - Sistema Único de Saúde Sumário MÓDULO 2 2. O Sistema Único de Assistência Social . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6 2.1 Princípios . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .9 2.2 Objetivos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10 2.3 Principais diretrizes do SUAS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10 2.4 Seguranças afiançadas pelo SUAS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25 2.5 Proteções sociais e os serviços socioassistenciais do SUAS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32 Referências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 67 O Sistema Único de Assistência SocialMÓDULO MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL7 O Módulo 2, que se inicia, traz informações gerais sobre o SUAS, seus princípios, objetivos, seguranças afiançadas e principais diretrizes que fundamentam esse sistema complexo, parte da proteção social brasileira. Além disso, a partir da Tipificação Nacional dos Serviços Socioassistenciais, expõe a concepção das proteções sociais: Proteção Social Básica e Proteção Social Especial (média e alta complexidade), seus serviços e equipamentos. Por fim, apresenta os benefícios socioassistenciais e os programas de transferência de renda que compõem o SUAS. Vamos, então, conhecer o Sistema Único de Assistência Social do Brasil, o SUAS. O que é o SUAS? O Sistema Único de Assistência Social (SUAS), instituído a partir da Lei Orgânica de Assistência Social (1993 e alterada em 2011) e da Política Nacional de Assistência Social (2004), é fruto do movimento democrático e da garantia de direitos presentes na Constituição Federal de 1988. De acordo com Lopes (2016, p. 271), o SUAS é: “[...] o Sistema Público estatal brasileiro que regula, organiza, estrutura, planeja, coordena e executa a oferta dos serviços socioassistenciais em todo o território nacional, sob a responsabilidade de todos os entes federativos: União, Distrito Federal, Estados e Municípios. O SUAS concretiza e põe em ação a Política Nacional de Assistência Social; portanto, constitui-se em instrumento técnico, político e administrativo essencial à garantia do direito e acesso à assistência social pela população, preconizados pela primeira vez na Constituição Brasileira de 1988, no capítulo da ordem social, integrando o tripé da Seguridade Social brasileira.” O SUAS compreende um conjunto de ações, serviços, programas e benefícios que buscam garantir a proteção social aos cidadãos, apoiando indivíduos, famílias e comunidades no enfrentamento de suas vulnerabilidades. Nesse sentido, o SUAS busca fortalecer os diferentes sujeitos sociais no desenvolvimento da autonomia para uma vida mais integral. Os serviços ofertados por essa rede de proteção social contribuem na prevenção das violações de direitos, bem como na proteção daqueles que estão sob ameaça ou já tiveram seus direitos violados. MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL8 processode desenvolvimento. Todo sistema deve responder às necessidades e às demandas da realidade, dos indivíduos e das instituições de seu território. Todo sistema está envolto em contextos históricos, políticos, econômicos e sociais que devem ser considerados, bem como as diversidades, especificidades, cultura e características do território. Assim, Lopes (2016, p. 272) nos auxilia a compreender que um sistema único não significa ser uniforme. Um sistema busca “assegurar a unidade, perenidade, qualidade nos serviços prestados, construindo uma identidade comum e orgânica, com reconhecimento social”. GESTÃO EFETIVA O SUAS se constitui na regulação e organização das ações socioassistenciais em todo o território nacional. Sua gestão segue um modelo de gestão descentralizado e participativo, ou seja, a gestão é compartilhada entre a União, os estados e os municípios e cofinanciada por essas três esferas de governo. Prevê a participação e a mobilização da sociedade civil, que também atua para sua a implantação e efetivação da política de assistência social brasileira (BRASIL, 2005a). O SUAS estabelece um novo modelo de estruturação, com enfoque na proteção social e organizado por níveis de complexidade: a Proteção Social Básica e a Proteção Social Especial, de média e alta complexidade (BRASIL, 2013a). Para sua efetivação, o SUAS define e organiza os elementos essenciais e os eixos estruturantes para a execução da política de assistência social, conforme descritos na PNAS 2004 e apresentados na seção 1.3. E por que um sistema? De acordo com Ferreira (1986, apud LOPES, 2016, p. 272): “Sistema é conceituado como aquilo que permanece junto ou, ainda, a combinação de partes reunidas, para concorrerem a um resultado, ou de modo a formarem um conjunto. E, ainda, o conjunto de meios e processos empregados para alcançar determinado fim; conjunto de métodos ou processos didáticos.” Há, portanto, de acordo com o olhar de Lopes (2016), elementos constitutivos de qualquer sistema, que orientam e dão consistência às suas finalidades, não sendo diferente com o SUAS. Dentre tais elementos, destacam-se: ■ Articulação ■ Unidade ■ Regras ■ Fluxos ■ Procedimentos comuns ■ Hierarquia ■ Continuidade ■ Base conceitual e legal ■ Objetivos ■ Metodologias ■ Processos relacionais e interinstitucionais Os elementos apresentados como parte de qualquer sistema, seja ele mais ou menos complexo, de âmbito regional ou federal, público ou privado, são imprescindíveis/indispensáveis no seu MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL9 QR CODE Aponte a câmera do seu dispositivo móvel (smartphone ou tablet) para o QR Code ao lado para assistir ao vídeo de animação que trata da introdução ao SUAS ou acesse o link: https://youtu.be/5iGLxmeSPzM. SAIBA MAIS Assista o vídeo que trata da PNAS e do SUAS para conhecer um pouco mais sobre esse sistema de proteção social. Disponível em: https://www.youtube.com/ watch?v=WtxrxLHWsyg. Na sequência, serão apresentados os princípios, os objetivos e as principais diretrizes que fundamentam o SUAS como parte da proteção social brasileira. 2.1 Princípios organizativos do SUAS De acordo com a NOB/SUAS (BRASIL, 2012a), os princípios organizativos do SUAS ajudam a compreender a complexidade de um sistema que pretende ser referência na prestação de serviços no campo da proteção social. Conheça um pouco mais sobre os princípios do SUAS a partir do artigo 3 da NOB/SUAS, que segue: Universalidade: todos têm direito à proteção socioassistencial, prestada a quem dela necessitar, com respeito à dignidade e à autonomia do cidadão, sem discriminação de qualquer espécie ou comprovação vexatória da sua condição. Integralidade da proteção social: oferta das provisões em sua completude, por meio de conjunto articulado de serviços, programas, projetos e benefícios socioassistenciais. Equidade: respeito às diversidades regionais, culturais, socioeconômicas, políticas e territoriais, priorizando aqueles que estiverem em situação de vulnerabilidade e risco pessoal e social. Gratuidade: a assistência social deve ser prestada sem exigência de contribuição ou contrapartida, observado o que dispõe o art. 35, da Lei nº 10.741, de 1º de outubro de 2003 - Estatuto do Idoso. Intersetorialidade: integração e articulação da rede socioassistencial com as demais políticas e órgãos setoriais. https://youtu.be/5iGLxmeSPzM https://www.youtube.com/watch?v=WtxrxLHWsyg https://www.youtube.com/watch?v=WtxrxLHWsyg MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL10 2.3 Principais diretrizes do SUAS O SUAS possui diversas diretrizes. Apresentaremos neste tópico as principais: a primazia da responsabilidade do Estado na condução da política de assistência social; a descentralização político-administrativa e a territorialização; a matricialidade sociofamiliar, que institui a centralidade na família para concepção e implementação dos benefícios, serviços, programas e projetos; e controle social e participação popular. 2.3.1 Primazia da responsabilidade do Estado na condução da política de assistência social A política de assistência social brasileira, conforme apresentado O Módulo 1 deste curso, é de responsabilidade do Estado. Como parte da Seguridade Social brasileira, constitui-se como política pública, na qual o Estado é o primeiro responsável por sua gestão, operacionalização e financiamento. Isto está posto no artigo 5º da LOAS (1993), a qual reafirma a primazia da responsabilidade do Estado na condução da política de assistência social em cada esfera de governo. Primazia Significa dar preferência, primar, dar prioridade. 2.2 Objetivos do SUAS A NOB-SUAS de 2012 (BRASIL, 2012a, art. 2º) descreve os seguintes objetivos do SUAS: “I - consolidar a gestão compartilhada, o cofinanciamento e a cooperação técnica entre os entes federativos que, de modo articulado, operam a proteção social não contributiva; II - integrar a rede pública e privada de serviços, programas, projetos e benefícios de assistência social, na forma do art. 6º -C; III - estabelecer as responsabilidades dos entes federativos na organização, regulação, manutenção e expansão das ações de assistência social; IV - definir os níveis de gestão, respeitadas as diversidades regionais e municipais; V - implementar a gestão do trabalho e a educação permanente na assistência social; VI - estabelecer a gestão integrada de serviços e benefícios; e VII - afiançar a vigilância socioassistencial e a garantia de direitos.” MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL11 Essa primazia instaura um novo momento da política social no âmbito dos direitos, que enfrenta a histórica relação que a assistência social possui com a caridade e a filantropia. Neste sentido, ressignifica a relação com as organizações da sociedade civil numa perspectiva de parceria em detrimento das ações de substituição do Estado, caracterizadas historicamente na área (ROCHA, 2016). O fato de o Estado ser condutor da política de assistência social não significa dizer que outras instituições não poderão prestar serviços para a garantia do cumprimento dos objetivos do SUAS. No entanto, o Estado necessita manter sua responsabilidade pela operacionalização e financiamento da política de assistência social, sendo esta uma função eminentemente pública, que institui o caráter estatal da Seguridade Social brasileira, bem como o acesso não contributivo às ações e benefícios da política de assistência social. 2.3.2 Descentralização político-administrativa e territorialização O art. 6º da Lei Orgânica de Assistência Social (LOAS, 1993) afirma que as ações na área devem ser organizadas em um sistema descentralizado e participativo, constituído pelas entidades e organizações de assistência social, articulando meios, esforços e recursos, e por um conjunto de instâncias deliberativas, compostas pelos diversos setores envolvidos na área. Nesse sentido, a União, os estados,o Distrito Federal e os municípios deverão fixar suas respectivas políticas de assistência social a partir de suas responsabilidades, bem como das diretrizes e princípios estabelecidos na LOAS. A política de assistência social é de responsabilidade de todos os entes da Federação. O art. 11 da LOAS reforça, ainda, que as ações das três esferas de governo na área da assistência social devem ser realizadas de forma articulada, cabendo a coordenação e as normas gerais à esfera federal e a coordenação e execução dos programas, em suas respectivas esferas, aos estados, ao Distrito Federal e aos municípios. Dessa forma, cabe a cada esfera de governo, em seu âmbito de atuação (BRASIL, 2005a): coordenarco�nanciar monitorar sistematizar capacitar formular avaliar GESTÃO EFETIVA Os entes responsáveis pela operacionalização da rede de proteção socioassistencial do SUAS devem atuar mediados pelos conselhos paritários, por uma efetiva gestão do Fundo de Assistência Social e pelo Plano de Assistência Social. Portanto, conselho, plano e fundo são os elementos fundamentais de gestão da política pública de assistência social. MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL12 Os conselhos paritários serão apresentados na seção 2.3.4, a partir da discussão sobre o controle social e participação popular no SUAS. Na sequência, vamos conhecer o que são os planos e o fundo de assistência social. A respeito do Plano de Assistência Social: Os Planos de Assistência Social são instrumentos estratégicos para a descentralização democrática da assistência social. São elaborados a cada quatro anos. Os planos são elaborados com o envolvimento das organizações da sociedade civil, privilegiando a participação das organizações populares e associações coletivas de usuários, tradicionalmente excluídas de representação nas decisões. A elaboração dos planos (municipais, estaduais, distrital e federal) é responsabilidade comum dos entes federados, conforme disposto na NOB-SUAS/2012. É um instrumento de planejamento fundamental nas mediações entre governos e sociedade. Depois da elaboração, os planos seguem para a fase de implementação. Passam por acompanhamento e monitoramento de gestores e dos conselhos (BRASIL, 2021a). Já sobre o Fundo de Assistência Social: A NOB/SUAS 2012, no seu artigo 49, estabelece que os fundos de assistência social são instrumentos de gestão orçamentária e financeira da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios, nos quais devem ser alocadas as receitas e executadas as despesas relativas ao conjunto de ações, serviços, programas, projetos e benefícios de assistência social. A descentralização político-administrativa visa fortalecer o caráter nacional e universal da política de assistência social. Torna acessíveis as ações propostas em todo o território brasileiro. Para desenvolver a diretriz de descentralização político-administrativa, a Política Nacional de Assistência Social – PNAS 2004 (BRASIL, 2005b) sugere uma forma de caracterizar os grupos territoriais brasileiros a partir da utilização de referências do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que divide os municípios brasileiros em pequeno, médio e grande porte: MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL13 Legenda: Fonte: IBGE (2015). Pequeno Porte 1 Pequeno Porte 2 Médio Porte Grande Porte 1 Grande Porte 2 UF Países América do Sul Divisão dos municípios brasileiros ■ Municípios de pequeno porte 1: entende-se por município de pequeno porte 1 aquele cuja população chega a 20.000 habitantes (até 5.000 famílias em média). ■ Municípios de pequeno porte 2: municípios com população que varia de 20.001 a 50.000 habitantes (cerca de 5.000 a 10.000 famílias em média). ■ Municípios de médio porte: aqueles cuja população está entre 50.001 e 100.000 habitantes (cerca de 10.000 a 25.000 famílias). ■ Municípios de grande porte: municípios cuja população é de 101.000 habitantes até 900.000 habitantes (cerca de 25.000 a 250.000 famílias). ■ Metrópoles: são considerados metrópoles os municípios com mais de 900.000 habitantes (atingindo uma média superior a 250.000 famílias cada). Essa classificação tem o propósito de servir de base para a instituição do SUAS em cada município. Assim, as ações e os serviços são implantados de acordo com o porte de cada município. Além desse aspecto, devem ser considerados a realidade local/regional, a capacidade gerencial e de arrecadação dos municípios, e o aprimoramento dos instrumentos de gestão (BRASIL, 2005a). MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL14 De acordo com a NOB (2012), a lógica territorial sob a qual se estrutura o SUAS tem por embasamento a descentralização político-administrativa. Essa lógica orienta a transferência dos recursos para o financiamento da política, de acordo com o nível de gestão municipal (inicial, básica e plena). A distribuição dos recursos públicos também leva em consideração os índices de vulnerabilidade e risco, avaliados a partir de dados sociodemográficos, dentre eles: população, renda per capita, mortalidade infantil e concentração de renda. Outro aspecto que interfere no cofinanciamento e repasse dos recursos entre as esferas é a disponibilidade de serviços, programas, projetos e benefícios existentes no território (SANTOS, 2016, p. 79). No processo de descentralização, conforme com o art. 17 da NOB/SUAS (2012a), foram definidas como responsabilidades dos municípios: “I - destinar recursos financeiros para custeio dos benefícios eventuais de que trata o art. 22, da LOAS, mediante critérios estabelecidos pelos Conselhos Municipais de Assistência Social - CMAS; II - efetuar o pagamento do auxílio-natalidade e o auxílio-funeral; III - executar os projetos de enfrentamento da pobreza, incluindo a parceria com organizações da sociedade civil; IV - atender às ações socioassistenciais de caráter de emergência; Fonte: © [rafapress] / Shutterstock. MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL15 V - prestar os serviços socioassistenciais de que trata o art. 23, da LOAS; VI - cofinanciar o aprimoramento da gestão e dos serviços, programas e projetos de assistência social, em âmbito local; VII - realizar o monitoramento e a avaliação da política de assistência social em seu âmbito; VIII - aprimorar os equipamentos e serviços socioassistenciais, observando os indicadores de monitoramento e avaliação pactuados; IX - organizar a oferta de serviços de forma territorializada, em áreas de maior vulnerabilidade e risco, de acordo com o diagnóstico socioterritorial; X - organizar, coordenar, articular, acompanhar e monitorar a rede de serviços da Proteção Social Básica e Especial; XI - alimentar o Censo SUAS; XII - assumir as atribuições, no que lhe couber, no processo de municipalização dos serviços de Proteção Social Básica; XIII - participar dos mecanismos formais de cooperação intergovernamental que viabilizem técnica e financeiramente os serviços de referência regional, definindo as competências na gestão e no cofinanciamento, a serem pactuadas na CIB; XIV - realizar a gestão local do BPC, garantindo aos seus beneficiários e famílias o acesso aos serviços, programas e projetos da rede socioassistencial; XV - gerir, no âmbito municipal, o Cadastro Único e o Programa Bolsa Família [relançado por meio da Medida Provisória nº 1.164/2023]; XVI - elaborar e cumprir o plano de providências, no caso de pendências e irregularidades do Município junto ao SUAS, aprovado pelo CMAS e pactuado na CIB; XVII - prestar informações que subsidiem o acompanhamento estadual e federal da gestão municipal; XVIII - zelar pela execução direta ou indireta dos recursos transferidos pela União e pelos Estados aos Municípios, inclusive no que tange a prestação de contas; XIX - proceder o preenchimento do sistema de cadastro de entidades e organizações de assistência social de que trata o inciso XIdo art. 19 da LOAS; XX - viabilizar estratégias e mecanismos de organização para aferir o pertencimento à rede socioassistencial, em âmbito local, de serviços, programas, projetos e benefícios socioassistenciais ofertados pelas entidades e organizações de acordo com as normativas federais. MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL16 XXI - normatizar, em âmbito local, o financiamento integral dos serviços, programas, projetos e benefícios de assistência social ofertados pelas entidades vinculadas ao SUAS, conforme §3º do art. 6º B da LOAS e sua regulamentação em âmbito federal.” Uma direção estratégica da política de assistência social para o SUAS é pensar na sua operacionalização a partir dos territórios. Os territórios são a esfera local, onde vivem as pessoas. Isso tem exigido dos gestores cada vez mais um reconhecimento da dinâmica do cotidiano das populações. De acordo com a PNAS (2004), ao agir nos territórios e se confrontar com a dinâmica do real, a política de assistência social brasileira torna visíveis aqueles setores da sociedade brasileira tradicionalmente tidos como invisíveis ou excluídos das estatísticas – população em situação de rua, adolescentes em conflito com a lei, indígenas, quilombolas, idosos, pessoas com deficiência. Fonte: © [Markus Mainka] / Shutterstock. MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL17 Yazbek (2004, p. 16) afirma que a descentralização vem contribuindo para: “[...] o reconhecimento das particularidades e interesses próprios do município, possibilitando-lhe uma ação fiscalizatória mais efetiva, permite maior racionalidade nas ações, economia de recursos e maior possibilidade de ação intersetorial e interinstitucional.” Os territórios podem ser compreendidos em suas várias dimensões, tais como: território físico, sendo o espaço geográfico, visível e delimitado; território como espaço-processo, dinâmico e construído socialmente; território existencial, relacionado às diversas relações presentes nos diferentes contextos, bem como por meio das conexões produzidas pelos indivíduos e grupos (BRASIL, 2012a). Essa concepção dialoga com o conceito de território abordado por Santos (2011, p. 46): “O território é o chão e mais a população, isto é, uma identidade, o fato e o sentimento de pertencer àquilo que nos pertence. O território é a base do trabalho, da residência, das trocas materiais e espirituais e da vida, sobre os quais ele influi. Quando se fala em território deve-se, pois, de logo, entender que se está falando em território usado, utilizado por uma dada população.” Apoiando-se no entendimento de Santos (2011) sobre território, podemos apreender que os diferentes atores da política de assistência social necessitam incorporar esse amplo conceito para entender os territórios para além de um limite geográfico ou uma área física delimitada. Trata-se de um espaço habitado, marcado pela subjetividade humana, pelas relações afetivas, relações de pertencimento. De acordo com Sacardo e Gonçalves (2007), o território deve ser apreendido em uma noção dinâmica, fluida, viva, pulsante e mutante. GESTÃO EFETIVA Conhecer detalhadamente o território onde a equipe atua é condição essencial para o planejamento de estratégias, bem como a implementação e implantação de ações e políticas públicas nas diferentes áreas, incluindo a assistência social. Portanto, é fundamental conhecer o local, quem habita o território, reconhecer as relações afetivas, as trocas, as tensões, as necessidades, enfim, o emaranhado de informações que compõem os territórios, espaço de atuação do SUAS. 2.3.3 Centralidade na família para concepção e implementação dos benefícios, serviços, programas e projetos: a matricialidade sociofamiliar A família tem centralidade na política de assistência social. Isso ocorre por se reconhecer as fortes pressões que os processos de exclusão sociocultural geram sobre as famílias brasileiras, acentuando suas fragilidades e contradições. A família é também reconhecida como espaço privilegiado e insubstituível de proteção e socialização primárias, provedora de cuidados aos seus membros, mas que precisa também ser cuidada e protegida (BRASIL, 2005a). MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL18 Essa percepção está em harmonia com a tradução da família na condição de sujeito de direitos, conforme estabelece a Constituição Federal de 1988, o Estatuto da Criança e do Adolescente, a Lei Orgânica de Assistência Social e o Estatuto do Idoso. Para pensar a matricialidade sociofamiliar, é importante retomarmos o conceito de família apresentado na Unidade 1 deste módulo. Já vimos, então, que a família é entendida como núcleo central das ações e serviços da política de assistência social e deve ser entendida de forma complexa, considerando seus diversos formatos e arranjos. Mioto (2004) reforça que o grupo considerado família expressa um certo empenho entre os seus membros para a manutenção e defesa de suas futuras gerações; portanto, há entre seus membros organização e relações mútuas. MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL19 O trabalho social no SUAS é direcionado para fortalecer a família como espaço de proteção e referência para os serviços sociais no sentido de superação da ação fragmentada. A assistência social prioriza a atenção às famílias e a seus membros a partir do seu território, especialmente daqueles com registros de fragilidades, vulnerabilidades e violações de direitos. A atenção às famílias tem por perspectiva fazer avançar o caráter preventivo da proteção social, de modo a fortalecer vínculos sociais de pertencimento entre seus membros para a concretização de direitos humanos e sociais (BRASIL, 2021a). A concepção de matricialidade sociofamiliar não implica imputar à família a responsabilidade total pela proteção de seus membros. Pelo contrário, a família deve receber condições de exercer a sua capacidade protetiva, o que reforça a responsabilidade do Estado no papel de zelar pela proteção social com vistas à superação de vulnerabilidades que ameaçam as famílias (BRASIL, 2021a). Foto: Freepik.com. MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL20 Ainda, conforme a PNAS 2004, a centralidade da família é garantida à medida que a assistência social, com base em indicadores das necessidades familiares e considerando as diferentes realidades, se desenvolve como uma política de cunho universalista. Isso significa dizer que ela deve alcançar a todos que dela necessitarem, e que as transferências de renda caminhem junto com o trabalho das redes socioassistenciais, cuidando e valorizando a convivência familiar e comunitária (BRASIL, 2005a). Foto: Freepik.com. MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL21 Nesse sentido, de acordo com a PNAS/2004, para a proteção social de assistência social, o eixo estruturante de matricialidade sociofamiliar significa que: ■ “ a família é o núcleo social básico de acolhida, convívio, autonomia, sustentabilidade e protagonismo social; ■ a defesa do direito à convivência familiar [...] a entende como núcleo afetivo, vinculado por laços consanguíneos, de aliança ou afinidade, que circunscrevem obrigações recíprocas e mútuas, organizadas em torno de relações de geração e de gênero; ■ a família deve ser apoiada e ter acesso a condições para responder ao seu papel no sustento, na guarda e na educação de suas crianças e adolescentes, bem como na proteção de seus idosos e portadores de deficiência; ■ o fortalecimento de possibilidades de convívio, educação e proteção social, na própria família, não restringe as responsabilidades públicas de proteção social para com os indivíduos e a sociedade.” (BRASIL, 2005a, p. 90). A afirmação da matricialidade sociofamiliar na assistência social pode contribuir para a ampliação dos direitos. Pode-se caminhar no sentido da construção da assistência social como uma política “para as famílias”,nos termos apresentados por Goldani (2005 apud MIOTO; CAMPOS, 2016, p. 176). Se efetivado de forma integral, esse empenho na efetivação de uma política “para as famílias” é capaz de ofertar apoio e sustentação a elas. Mais dotadas de cuidado e investimentos, as famílias podem exercer junto ao Estado o papel de cuidado e proteção de seus membros (MIOTO; CAMPOS, 2016). GESTÃO EFETIVA A matricialidade sociofamiliar tem um papel de destaque no SUAS. A política de assistência social parte do pressuposto de que, para a família prevenir, proteger, promover e incluir seus membros, é necessário, em primeiro lugar, garantir condições de sustentabilidade para tal e que ela seja apoiada para que consiga exercer seu papel protetivo. SAIBA MAIS Assista o vídeo que trata de diferentes olhares sobre as famílias, disponível em: https://www.youtube.com/ watch?v=bOTowHh2Icw. https://www.youtube.com/watch?v=bOTowHh2Icw https://www.youtube.com/watch?v=bOTowHh2Icw MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL22 2.3.4 Controle social e participação popular O que lhe vem à mente quando ouve falar em controle social? Nas ciências políticas e econômicas, a expressão controle social pode ser abordada sob diferentes perspectivas, tanto relacionada ao controle do Estado sobre os cidadãos quanto ao controle que os cidadãos exercem sobre o Estado (MANNHEIM, 1971 apud BIASI, 2016, p. 65). Cidadãos Estado Perspectiva de controle social O que nos interessa discutir e apresentar nesta seção é o controle social exercido pelos cidadãos sobre o Estado, a ação capaz de interferir na gestão das políticas sociais. O ano de 1988 ficou marcado pela aprovação da Constituição Federal. Foi ela que definiu a participação permanente da sociedade na gestão pública, tanto na formulação das políticas quanto na fiscalização dos recursos públicos, por meio da institucionalização de espaços de participação social. Cidadãos Estado Controle social na perspectiva do SUAS MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL23 Na política de assistência social, o controle social perpassa todas as normativas importantes do campo, desde a Constituição Federal de 1988, a LOAS, a PNAS e a NOB/SUAS. Couto (2016), ao relatar sobre os direitos socioassistenciais aprovados na 5ª Conferência Nacional de Assistência Social, realizada em 2005, inclui o controle social como um desses direitos. Assim, considera que os direitos sociais devem ser sempre submetidos ao controle social da população, que, por sua vez, pode acompanhá-los, através das estruturas dos conselhos locais, dos grupos de famílias de serviços como os Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) e os Centros de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS), dos conselhos nas diversas instâncias, mantendo-se vigilantes ao cumprimento desses direitos. O tema do controle social tem sido estudado por diversos autores brasileiros, sendo um tema importante no contexto das políticas públicas. Para Raichelis (2000, p. 9), o controle social “[...] implica o acesso aos processos que informam decisões da sociedade política, viabilizando a participação da sociedade civil organizada na formulação e na revisão das regras que conduzem as negociações e arbitragens sobre os interesses em jogo, além da fiscalização daquelas decisões, segundo critérios pactuados.” Assim, o controle social é capaz de contribuir com o planejamento, o acompanhamento, a avaliação e a fiscalização dos serviços socioassistenciais, buscando garantir a participação dos usuários na gestão pública do SUAS. As principais instâncias de participação e exercício do controle social no SUAS são os conselhos e as conferências, presentes no âmbito municipal, estadual e federal. São espaços formais de participação de usuários, trabalhadores, representantes de instituições e gestores. Os Conselhos de Assistência Social são espaços de participação e composição paritária com representantes do Estado e da sociedade civil. Suas principais competências, nas respectivas esferas, são deliberar sobre a política pública de assistência social, normatizar e regular a prestação de serviços de natureza pública e privada, apreciar e aprovar propostas orçamentárias, bem como zelar pela efetivação do SUAS (BIASI, 2016). Então, o controle social somente acontece se os cidadãos, que representam diversos segmentos da sociedade, conseguem acessar os espaços de participação e tenham voz ativa, interferindo no planejamento, na fiscalização e na gestão dos recursos públicos. MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL24 No olhar de Raichelis (2016), para que os conselhos cumpram seu papel, é fundamental que os sujeitos que participam como representantes sejam submetidos ao controle das bases sociais e representem a opinião e vontade de um coletivo. Nesse sentido, somente a existência de um espaço formal de participação não garante uma efetiva representação e concretização de sua função na perspectiva de uma construção coletiva da política de assistência social. Considerando que a existência do conselho é requisito para o recebimento de recursos para a área, muitas vezes ele pode ser criado e mantido somente com este objetivo, sem que ocupe lugar de destaque e seja influenciador na gestão e avaliação da política pública. Outro espaço importante de participação e exercício do controle social são as conferências de assistência social. De acordo com Raichelis (2016), as conferências “[...] são instâncias deliberativas que têm a atribuição de conferir, como o nome indica, ou seja, de avaliar o estágio de desenvolvimento da política setorial específica e propor diretrizes para seu aperfeiçoamento, o que implica garantir voz e voto a distintos segmentos sociais, para que possam se expressar e deliberar sobre definições, princípios e diretrizes que devem produzir impactos nas agendas governamentais.” (RAICHELIS, 2016, p. 61). As conferências reúnem um grande número de pessoas para discutir, deliberar, avaliar e sugerir a continuação e/ou novos caminhos para a política de assistência social, seja ela municipal, estadual, distrital, ou nacional. Na efetivação das conferências em todo o território brasileiro, acontece um rico e complexo processo participativo que mobiliza muitos usuários, grupos locais, trabalhadores, gestores, prestadores de serviços, militantes e pesquisadores (RAICHELIS, 2016). Pré-conferências descentralizadas (municipais) Conferências estaduais e distrital Conferência nacional Processos das Conferências da Assistência Social MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL25 Mesmo que tenhamos uma história de participação social a contar, a participação social e o controle social no SUAS ainda encontram muitos desafios e limites para sua concretização, podendo- se considerar como algo recente na política pública e alvo de disputas, pois envolve poderes. Nesse sentido, exige esforços para sua concretização, sendo um processo em constante construção, apresentando diferentes níveis nos municípios brasileiros, uma vez que requer a compreensão da participação dos cidadãos como um dos seus pilares (BIASI, 2016). Para uma participação social mais efetiva e que gere mudanças, é necessária a mobilização da sociedade civil para ocupação dos espaços de participação, a garantia de representantes nos conselhos e conferências que dialoguem com sua base e que defendam a política pública de assistência social. GESTÃO EFETIVA Gestores, trabalhadores e outros atores que atuam na política de assistência social devem se constituir como sujeitos que estimulem e sensibilizem a população usuária a ocupar seu lugar enquanto cidadão de direito, assumindo um papel protagonista. Ações como essa podem ser capazes de aumentar a diversidade de participantes, garantir os direitos socioassistenciais, bem como produzir novos olhares sobre os diversos desafios da assistência social, efetivando o verdadeiro controle socialdo que é público. 2.4 Seguranças afiançadas pelo SUAS O conceito de segurança refere-se a “estado, qualidade ou condição de seguro” (FERREIRA, 2004 apud MACHADO, 2016, p. 256). Pensar em seguranças a serem ofertadas pela política de assistência social é pensar em acesso a direitos fundamentais, os quais garantiriam reais seguranças às famílias e indivíduos. Essa ideia de segurança, conforme Machado (2016, p. 256), “[...] se apresenta na contramão da mera promoção de ações individuais, fragmentadas, benemerentes e focalizadas, que reduzem ao assistencialismo àquilo que é de direito.” Segurança demanda a garantia dos direitos humanos, que corresponde ao acesso “a necessidades essenciais da pessoa humana” (DALLARI, 2004, p. 13). Assim, nenhuma pessoa poderá ter o acesso aos direitos inviabilizado por critério de raça, etnia, geração, credo, capacidade física e/ou psicológica, orientação sexual, identidade de gênero, território, opinião política, entre outros. Esse olhar se assemelha à discussão sobre os direitos humanos, sendo estes “ligados à vida em sociedade sob a chancela da dignidade humana. Neles, o social precede o econômico” (SPOSATI, 2007 apud MACHADO, 2016, p. 256). MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL26 A proteção social proposta pelo SUAS a partir da NOB/SUAS (2012) prevê as seguintes seguranças: ■ Segurança de acolhida ■ Segurança de renda ■ Segurança de convívio ou vivência familiar, comunitária e social ■ Segurança de desenvolvimento de autonomia ■ Segurança de apoio e auxílio 2.4.1 Segurança de acolhida A segurança de acolhida, uma das seguranças primordiais da Política Nacional de Assistência Social, prevê ações de abordagem em territórios de incidência de situações de risco, bem como a oferta de uma rede de serviços e de locais de permanência de indivíduos e famílias sob curta, média e longa permanência – alojamentos, vagas de albergagem e abrigos, entre outros espaços de acolhimento, cuidado e proteção da vida. Esta segurança atua a partir da provisão de necessidades humanas, como direitos à alimentação, ao vestuário e ao abrigo, próprios à vida humana em sociedade. MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL27 Os espaços e serviços onde se realiza a segurança de acolhida devem ter instalações físicas e ação profissional preparadas para oferecer: 1. Condições de recepção 2. Escuta profissional qualificada 3. Informação 4. Referência 5. Concessão de benefícios 6. Aquisições materiais e sociais 7. Abordagem em territórios de incidência de situações de risco 8. Oferta de uma rede de serviços e de locais de permanência de indivíduos e famílias sob curta, média e longa permanência Situações que podem demandar acolhida referem-se às necessidades de proteção em caso de separação da família ou da parentela por múltiplas situações, como violência familiar ou social, uso prejudicial de drogas, violência doméstica, desemprego prolongado e criminalidade. Além dessas, situações de desastre ou acidentes naturais, além da profunda destituição e abandono, podem ser experiências que demandem tal provisão (BRASIL, 2005). Portanto, a segurança da acolhida se constitui como um ambiente motivador e mobilizador do diálogo e da estimulação à expressão e relação da família/pessoa. Esta segurança atua na perspectiva de reparação e/ou minimização dos danos causados por vivências de violação de riscos sociais (FIOROTTI; MAIA, 2016). QR CODE Aponte a câmera do seu dispositivo móvel (smartphone ou tablet) no QR Code ao lado para assistir o vídeo sobre a ‘Segurança de acolhida’, uma das cinco seguranças previstas na NOB/SUAS ou acesse o link: https://youtu.be/81iP5N6OQyU. 2.4.2 Segurança de renda A NOB/SUAS (2012) apresenta a segurança de renda. Esta segurança é operada por meio da concessão de auxílios financeiros e da concessão de benefícios continuados para cidadãos que apresentem vulnerabilidades decorrentes do ciclo de vida e/ou de incapacidade para a vida independente e para o trabalho, e que não estejam incluídos no sistema contributivo de proteção social. https://youtu.be/81iP5N6OQyU MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL28 De acordo com a PNAS/2004, a segurança de rendimentos não é uma compensação do valor do salário mínimo inadequado, mas a garantia de que todos tenham uma forma monetária de garantir sua sobrevivência, independentemente de suas limitações para o trabalho ou do desemprego. É o caso de pessoas com deficiência, idosos, desempregados, famílias numerosas, famílias desprovidas das condições básicas para sua reprodução social em padrão digno e cidadão (BRASIL, 2005a). Nesse sentido, a segurança de renda utiliza-se principalmente dos auxílios e benefícios socioassistenciais do SUAS como forma de garantir renda e sobrevivência para os cidadãos que dela necessitarem. O Programa Bolsa Família, relançado pelo Governo Federal em março de 2023 (BRASIL, 2023a), e o Benefício de Prestação Continuada (BPC) estão entre as principais estratégias para a garantia de renda nesta segurança. 2.4.3 Segurança de convívio ou vivência familiar, comunitária e social A segurança de convívio ou vivência familiar, comunitária e social é mais uma das necessidades a serem trabalhadas pela política de assistência social. Supõe a não aceitação de situações de reclusão e/ou de situações de perda das relações. O ser humano se realiza e se constitui de relações sociais, sendo próprio da natureza humana o comportamento de constituir grupos. A vivência familiar e/ou comunitária é o lugar onde os cidadãos criam sua identidade e reconhecem a sua subjetividade, desenvolvendo potencialidades, construções culturais, políticas e, sobretudo, os processos civilizatórios. Nesse sentido, reconhece-se também que as barreiras relacionais criadas por questões individuais, grupais, sociais por discriminação ou múltiplas inaceitações ou intolerâncias estão no campo do convívio humano, mas a dimensão multicultural, intergeracional, interterritorial, intersubjetiva, entre outras, devem ser ressaltadas na perspectiva do direito ao convívio (BRASIL, 2005a). MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL29 A família de origem ou a família ampliada ou, ainda, uma instituição, um ambiente de convivência familiar, são reconhecidamente espaços de convívio, prática cotidiana de relações sociais, lugar de trocas e (re)construção de pertencimento, experiências que fortalecem e buscam garantir a segurança de convívio. De acordo com Fiorotti e Maia (2016), investir no processo de resgate ou construção de vínculos familiares, comunitários e sociais implica trazer à tona a possibilidade de um projeto de vida baseado na convivência familiar e comunitária, capaz de ressignificar o ambiente de violação de direitos. Para a operacionalização desta segurança, de acordo com a NOB/ SUAS (2012), é necessária a oferta pública de uma rede continuada de serviços que garantam oportunidades e ação profissional para: ■ A construção, restauração e fortalecimento de laços de pertencimento (de natureza geracional, intergeracional, familiar, de vizinhança e interesses comuns e societários). ■ O exercício capacitador e qualificador de vínculos sociais e de projetos pessoais e sociais da vida em sociedade (BRASIL, 2012a). MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL30 Portanto, para a garantia do cumprimento da segurança de convívio, três questões são fundamentais: ���������������������������������������������� ���������� ���� ��� � ��������������������������� ��������������������������� ���������������������� ����������������������1 �������������������������������� ���������� �������������������� ���� �������� ���� ��������������������������������������������� ��� ������������������ ��������������������� �����3 ����� ������� ������������� � ������������������������������������ ����� ������������������������������������������������ �� ����� ������ ������� ���������������������������������������� � ������������� � ������������������ ��������� � �������������������� 2 “a) o desenvolvimento de capacidades e habilidades para o exercício do protagonismo, da cidadania; b) a conquista de melhores graus de liberdade, respeito à dignidade humana, protagonismo e certeza de proteção social para o cidadão e a cidadã, a família e a sociedade; c) conquista de maior grau de independência pessoal e qualidade, nos laços sociais, para os cidadãos e as cidadãs sob contingências e vicissitudes.” Vicissitudes Neste contexto, significa situações ou circunstâncias consideradas contrárias e desfavoráveis às famílias. 2.4.4 Segurança de desenvolvimento de autonomia A segurança de desenvolvimento de autonomia, de acordo com a NOB/SUAS (BRASIL, 2012a, p. 17), exige ações profissionais e sociais que visem: MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL31 Fiorotti e Maia (2016) consideram que o trabalho de acompanhamento desenvolvido pelos serviços do SUAS deve contribuir com o desenvolvimento da autoestima das pessoas e famílias, sensibilizando-as para o seu envolvimento e participação no processo de desenvolvimento e conquista de autonomia. Inclui-se, nesta segurança, a necessidade de viabilizar o acesso à renda por meio dos benefícios de transferência de renda ou, ainda, através da inserção nas outras políticas de emprego e renda, que é questão central para a garantia de autonomia e independência. 2.4.5 Segurança de apoio e auxílio A segurança de apoio e auxílio é também descrita na NOB/SUAS (BRASIL, 2012a). Esta segurança deve ser acionada quando, sob riscos circunstanciais (momentos específicos da vida), as situações exigem a oferta de auxílios em bens materiais e em pecúnia, em caráter transitório, denominados de Benefícios Eventuais para as famílias, seus membros e indivíduos. Pecúnia O termo “pecúnia” é apresentado como um tipo de auxílio, quer dizer, auxílio em forma de dinheiro. MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL32 Os Benefícios Eventuais são ofertados em caso de nascimento, morte, vulnerabilidade temporária ou calamidade pública. Esses benefícios serão abordados na seção 2.5.6, que tratará dos benefícios socioassistenciais e programas de transferência de renda. Por fim, ao estudarmos as seguranças afiançadas pela política de Assistência Social e operacionalizadas por meio do SUAS, reconhecemos que estas estão intimamente relacionadas à garantia de direitos fundamentais, referenciados na Constituição Federal de 1988 e na Declaração dos Direitos Humanos. Assim, as seguranças sociais, no âmbito da Política Nacional de Assistência Social, se constituem em direito social, imprescindível ao desenvolvimento do ser humano como cidadão. Sua materialização depende, então, de provisões sociais públicas e intersetoriais, com responsabilidade estatal e controle social exercido pelos diferentes atores sociais e pela sociedade civil organizada (MACHADO, 2016). 2.5 Proteções sociais e os serviços socioassistenciais do SUAS De acordo com a NOB/SUAS (BRASIL, 2012a), a proteção social instituída pela política de assistência social consiste em um “[...] conjunto de ações, cuidados, atenções, benefícios e auxílios ofertados pelo SUAS para redução e prevenção do impacto das vicissitudes sociais e naturais ao ciclo da vida, à dignidade humana e à família como núcleo básico de sustentação afetiva, biológica e relacional.” (BRASIL, 2012a, p. 90). Essa oferta de cuidado e atenção deve considerar as características dos cidadãos, sua realidade e necessidades, para que consiga alcançar seu objetivo, bem como proteger pessoas que, em algum momento da vida, se encontrem fragilizadas. Mas, afinal, o que é estar protegido? “[...] estar protegido significa ter forças próprias ou de terceiros, que impeçam que alguma agressão/precarização/privação venha a ocorrer deteriorando uma dada condição. Porém, estar protegido não é uma condição nata, ela é adquirida não como mera mercadoria, mas pelo desenvolvimento de capacidades e possibilidades. No caso, ter proteção e/ou estar protegido não significa meramente portar algo, mas ter uma capacidade de enfrentamento e resistência.” (SPOSATI, 2009, p. 17). Assim, em suas ações, a proteção social do SUAS produz aquisições materiais, sociais, socioeducativas ao cidadão e à cidadã e suas famílias, para suprir suas necessidades de reprodução social de vida individual e familiar; buscando ainda desenvolver capacidades e talentos para a convivência social, protagonismo e autonomia. Portanto, o SUAS busca a garantia de proteção social ativa, não submetendo o usuário ao princípio de tutela; ao contrário, estimula para a MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL33 “[...] conquista de condições de autonomia, resiliência e sustentabilidade, protagonismo, acesso a oportunidades, capacitações, serviços, condições de convívio e socialização, de acordo com sua capacidade, dignidade e projeto pessoal e social.” (BRASIL, 2005b, p. 14). Importante lembrar que: GESTÃO EFETIVA O SUAS não alcançará êxito se atuar de forma isolada. Assim, a PNAS 2004 trata a questão da proteção social em uma perspectiva de articulação com outras políticas do campo social que são dirigidas a uma estrutura de garantias de direitos e de condições dignas de vida. Apresenta-se, assim, de forma essencial, o aspecto da intersetorialidade no SUAS, que será abordado no Módulo 3 deste curso. As proteções sociais do SUAS são divididas por níveis: Proteção Social Básica e Especial (de média e alta complexidade), que serão apresentados detalhadamente nas seções 2.5.2 a 2.5.4 deste curso. Proteção Social Básica Proteção Social Especial Serviço de Proteção Social do SUAS Proteção Social Especial de Média Complexidade Proteção Social Especial de Alta Complexidade Níveis de Proteções Sociais MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL34 Os serviços socioassistenciais são meios de acesso a seguranças sociais e resultam em aquisições pessoais e sociais aos seus usuários. Esses serviços operam de forma integrada às funções de proteção social – defesa de direitos e Vigilância Socioassistencial – por meio de um conjunto de provisões, recursos e atenções profissionalizadas. Localizam-se em unidades físicas, com abrangência nacional e um público definido (BRASIL, 2013a). De acordo com Colin e Silveira (2016), os serviços socioassistenciais são atividades continuadas que visam à melhoria de vida da população. As ações desenvolvidas por esses serviços devem observar os objetivos, princípios e diretrizes estabelecidos na LOAS, conforme seu art. 23. Na sequência, será apresentada a organização da rede de proteção social, a partir da elaboração da Tipificação Nacional dos Serviços Socioassistenciais (BRASIL, 2009) e da institucionalização das proteções sociais do SUAS. 2.5.1 A padronização dos serviços socioassistenciais do SUAS Diante do desafio na consolidação de uma referência nacional para padronização de nomenclaturas e respectivas provisões dos serviços socioassistenciais, nasceu a Tipificação Nacional dos Serviços Socioassistenciais (BRASIL, 2009). Os serviços padronizados pela tipificação são hierarquizados e organizados por proteções, sendo estas a Proteção Social Básica e a Proteção Social Especial (de média e alta complexidade), conforme o quadro apresentado na sequência. MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL35 Serviços socioassistenciais por nível de proteção social PROTEÇÃO SOCIAL BÁSICA PROTEÇÃO SOCIAL ESPECIAL Média Complexidade Alta Complexidade 1. Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família (PAIF) 2. Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos 3. Serviço de Proteção Social Básica no Domicílio para Pessoas Com De�ciência e Idosas 1. Serviço de Proteção e Atendimento Especializado a Famílias e Indivíduos (PAEFI) 2. Serviço Especializado em Abordagem Social 3. Serviço de proteção social a adolescentesem cumprimento de medida socioeducativa de Liberdade Assistida (LA) e de Prestação de Serviços à Comunidade (PSC) 4. Serviço de Proteção Social Especial para Pessoas com De�ciência, Idosas e suas Famílias 5. Serviço Especializado para Pessoas em Situação de Rua 1. Serviço de Acolhimento Institucional 2. Serviço de Acolhimento em República 3. Serviço de Acolhimento em Família Acolhedora 4. Serviço de Proteção em Situações de Calamidades Públicas e de Emergências MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL36 Os serviços socioassistenciais apresentados no quadro se desdobram por modalidades (BRASIL, 2014a), que são: ■ Serviços de convivência: por ciclo de vida – criança, adolescentes, jovens, idosos e famílias. ■ Serviços de acolhimento institucional em diferentes equipamentos: ■ Unidade residencial e unidade institucional: crianças e adolescentes ■ Unidade institucional tipo residência e unidade de passagem: adultos e famílias ■ Unidade institucional: mulheres ■ Residências inclusivas: jovens e adultos com deficiência ■ Unidade residencial e unidade institucional: idosos. De acordo com Colin e Silveira (2016), o trabalho social desenvolvido no âmbito dos serviços tipificados visa a garantia do acesso aos direitos socioassistenciais, bem como outros direitos, buscando, ainda: “[...] o fortalecimento de vínculos sociais nos espaços de convivência primária, considerando os diferentes arranjos familiares, e de sociabilidade, visando ao desenvolvimento de capacidade protetiva, a aquisição de conhecimentos, de bens materiais e imateriais, a produção e troca de aprendizados e saberes, na direção do protagonismo e da participação cidadã.” (COLIN; SILVEIRA, 2016, p. 265). São muitos os serviços, ações, objetivos e desafios impostos aos serviços socioassistenciais e a seus trabalhadores. Afinal, atuar sobre as questões sociais não se trata de algo simples, considerando a complexidade das diversas situações e realidades atendidas diariamente nos serviços do SUAS. Nesse sentido, além do esforço coletivo em produzir um serviço de referência para as pessoas que dele necessitem, é necessário garantir a qualidade dos serviços oferecidos. Nas próximas seções, você conhecerá com detalhes os serviços socioassistenciais, divididos por níveis de complexidade. SAIBA MAIS Para conhecer a Tipificação Nacional dos Serviços Socioassistenciais na íntegra, acesse o documento disponível em: https://aplicacoes.mds.gov.br/snas/ documentos/livro%20Tipificaca%20Nacional%20 -%2020.05.14%20%28ultimas%20atualizacoes%29. pdf?msclkid=23eb67b5afc811ec86892a34c924d025. 2.5.2 Proteção Social Básica – concepção, serviços, programas e equipamentos de referência A NOB/SUAS exprime a concepção da Proteção Social Básica do SUAS como um conjunto de serviços, projetos, programas e benefícios que https://aplicacoes.mds.gov.br/snas/documentos/livro%20Tipificaca%20Nacional%20-%2020.05.14%20%28ultimas%20atualizacoes%29.pdf?msclkid=23eb67b5afc811ec86892a34c924d025 https://aplicacoes.mds.gov.br/snas/documentos/livro%20Tipificaca%20Nacional%20-%2020.05.14%20%28ultimas%20atualizacoes%29.pdf?msclkid=23eb67b5afc811ec86892a34c924d025 https://aplicacoes.mds.gov.br/snas/documentos/livro%20Tipificaca%20Nacional%20-%2020.05.14%20%28ultimas%20atualizacoes%29.pdf?msclkid=23eb67b5afc811ec86892a34c924d025 https://aplicacoes.mds.gov.br/snas/documentos/livro%20Tipificaca%20Nacional%20-%2020.05.14%20%28ultimas%20atualizacoes%29.pdf?msclkid=23eb67b5afc811ec86892a34c924d025 MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL37 visam prevenir situações de risco, por meio do desenvolvimento de potencialidades, aquisições e o fortalecimento de vínculos familiares e comunitários, para isso, necessita de um conhecimento prévio do território, das famílias que o compõem, das demandas e dos níveis de desproteção social das famílias (BRASIL, 2005b, p. 13). A Proteção Social Básica atua no enfrentamento de vulnerabilidades, riscos, vitimizações, fragilidades e contingências ocasionadas a indivíduos e famílias. Essas situações, em geral, podem ser consideradas consequências das questões sociais, econômicas, políticas ou de qualquer forma de ataque ou violação à dignidade humana (MAZALI et al., 2015). Nesse sentido, as questões sociais contemporâneas acabam por expor famílias e indivíduos a experiências de violências e fragilidades que podem levar à violação de direitos sociais básicos. Aqui surge o papel preventivo da Proteção Social Básica, que é caracterizada especialmente pelo aspecto antecipador e proativo para evitar o agravamento de vulnerabilidades, atuando na redução do risco social evidenciado em determinadas situações potencialmente problemáticas e previamente avaliadas. Essa proteção atua, portanto, por meio de um conjunto de ações fortalecedoras dos recursos que indivíduos e famílias devem utilizar para enfrentar os desafios de seu cotidiano, de modo a prevenir a violação de direitos, bem como reduzir vulnerabilidades e riscos (MAZALI et al., 2015). Foto: © [Andrii Yalanskyi] / Shutterstock. Compõem também a Proteção Social Básica: os Benefícios Eventuais, o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e os programas de transferência de renda, assuntos que serão detalhados na seção 2.5.5. A quem se destina a Proteção Social Básica? A partir do reconhecimento do que é a Proteção Social Básica, podemos afirmar que ela se destina à população que vive em situação de vulnerabilidade social, decorrente da pobreza, privação (ausência de renda, precário ou nulo acesso aos serviços públicos, entre outros) e/ou fragilização de vínculos afetivos – relacionais e de pertencimento social (BRASIL, 2005a). MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL38 Foto: © [Ralf Geithe] / Shutterstock. Conforme definido na LOAS e na PNAS 2004, a Proteção Social Básica desenvolve serviços, programas e projetos locais de acolhimento, convivência e socialização de famílias e de indivíduos, buscando garantir a convivência familiar e comunitária e responder às situações de vulnerabilidade social a que essas pessoas estão expostas. Os serviços de Proteção Social Básica são executados de forma direta nos Centros de Referência da Assistência Social (CRAS) e em outras unidades públicas estatais de assistência social, bem como de forma indireta nas entidades e organizações da sociedade civil (OSC) da área de abrangência dos CRAS e inscritas no Conselho Municipal de Assistência Social (BRASIL, 2005a). O Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) é o principal equipamento da Proteção Social Básica e conta com o trabalho da rede de serviços socioeducativos direcionado para grupos específicos, entre eles, os Centros de Convivência distribuídos nos territórios. O CRAS, serviço de referência para a Proteção Social Básica, é uma unidade pública estatal de base territorial, localizado em áreas de vulnerabilidade social, que abrange um total de até 1.000 famílias por ano. Executa serviços de Proteção Social Básica, bem como organiza e coordena a rede de serviços socioassistenciais locais da política de assistência social. O CRAS atua com famílias e indivíduos em seu contexto comunitário, visando a orientação e o convívio sociofamiliar e comunitário. Nesse sentido, é responsável pela oferta do Programa MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL39 de Atenção Integral às Famílias. Na proteção básica, o trabalho com famílias deve considerar novas referências para a compreensão dos diferentes arranjos familiares, superando o reconhecimento de um modelo único baseado na família nuclear, e partindo do suposto de que são funções básicas das famílias: prover a proteção e a socialização dos seus membros; constituir-se como referências morais, de vínculos afetivos e sociais, de identidade grupal; além de ser mediadora das relações dos seus membros com outras instituições sociais e com o Estado (BRASIL, 2005a). De acordo com a Tipificação Nacionaldo Serviços Socioassistenciais (BRASIL, 2009), os serviços desenvolvidos pela Proteção Social Básica de assistência social são: ■ Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família (PAIF) ■ Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV) ■ Serviço de Proteção Social Básica no domicílio para pessoas com deficiências e idosas 2.5.2.1 Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família (PAIF) O PAIF consiste no trabalho social com famílias, de caráter continuado, com a finalidade de fortalecer a função protetiva das famílias, prevenir a ruptura de seus vínculos, promover seu acesso e usufruto de direitos e contribuir na melhoria de sua qualidade de vida. Busca o desenvolvimento de potencialidades e aquisições das famílias e o fortalecimento de vínculos familiares e comunitários, por meio de ações de caráter preventivo, protetivo e proativo. Esse serviço foi concebido a partir do reconhecimento de que as vulnerabilidades e riscos sociais que atingem as famílias extrapolam a dimensão econômica, exigindo intervenções que trabalhem aspectos objetivos e subjetivos relacionados à função protetiva da família e ao direito à convivência familiar (BRASIL, 2012b). De acordo com a Tipificação Nacional do Serviços Socioassistenciais (BRASIL, 2009), o público atendido pelo PAIF são “as famílias em situação de vulnerabilidade social decorrente da pobreza, do precário ou nulo acesso aos serviços públicos, da fragilização de vínculos de pertencimento e sociabilidade e/ou qualquer outra situação de vulnerabilidade e risco social residentes nos territórios de abrangência dos CRAS, em especial: famílias beneficiárias de programas de transferência de renda e benefícios assistenciais; famílias que atendem os critérios de elegibilidade a tais programas ou benefícios, MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL40 mas que ainda não foram contempladas; famílias em situação de vulnerabilidade em decorrência de dificuldades vivenciadas por algum de seus membros; pessoas com deficiência e/ou pessoas idosas que vivenciam situações de vulnerabilidade e risco social”. O PAIF TEM COMO OBJETIVOS: ■ O fortalecimento da função protetiva da família. ■ A prevenção da ruptura dos vínculos familiares e comunitários. ■ A promoção de ganhos sociais e materiais às famílias. ■ A promoção do acesso a benefícios, programas de transferência de renda e serviços socioassistenciais. As ações do PAIF que estruturam o trabalho social com famílias são: acolhida; oficinas com famílias; ações comunitárias; ações particularizadas; encaminhamentos. Além disso, elas podem ser individualizadas ou coletivas. 2.5.2.2 Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV) O Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV) é ofertado de forma complementar ao trabalho social com famílias realizado por meio do Serviço de Proteção e Atendimento Integral às Famílias (PAIF) e do Serviço de Proteção e Atendimento Especializado às Famílias e Indivíduos (PAEFI). O SCFV realiza atendimentos em grupo, sendo promovidas atividades artísticas, culturais, de lazer e esportivas, entre outras, de acordo com a idade dos usuários. Trata-se de uma forma de intervenção social planejada que cria situações desafiadoras, estimula e orienta os usuários na construção e reconstrução de suas histórias e vivências individuais, coletivas e familiares. Estimula o fortalecimento das relações familiares e comunitárias, além de promover a integração e a troca de experiências entre os participantes, valorizando o sentido de vida coletiva (BRASIL, 2022a). O SCFV pode ser ofertado no Centro de Referência da Assistência Social (CRAS) ou nos Centros de Convivência, e podem participar das suas ações pessoas de diferentes faixas etárias, entre elas, crianças, jovens e adultos; pessoas com deficiência; pessoas que sofreram violência, vítimas de trabalho infantil, jovens e crianças fora da escola, jovens que cumprem medidas socioeducativas, idosos sem amparo da família e da comunidade ou sem acesso a serviços sociais, além de outras pessoas inseridas no Cadastro Único do governo federal (BRASIL, 2022a). MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL41 Os usuários do SCFV são organizados em grupos, a partir de faixas etárias: Crianças de até 6 anos Crianças e adolescentes de 6 a 15 anos Adultos de 30 a 59 anos Pessoas idosas Adolescentes de 15 a 17 anos Jovens de 18 a 29 anos 2.5.2.3 Serviço de Proteção Social Básica no domicílio para pessoas com deficiência e idosas O Serviço de Proteção Social Básica no Domicílio tem como finalidade: “[...] a prevenção de agravos que possam provocar o rompimento de vínculos familiares e sociais dos usuários. Visa a garantia de direitos, o desenvolvimento de mecanismos para a inclusão social, a equiparação de oportunidades e a participação e o desenvolvimento da autonomia das pessoas com deficiência e pessoas idosas, a partir de suas necessidades e potencialidades individuais e sociais, prevenindo situações de risco, a exclusão e o isolamento.” (BRASIL, 2014a, p. 25). O serviço contribui com a promoção do acesso de pessoas com deficiência e pessoas idosas a serviços como o PAIF e o SCFV, bem como a toda a rede socioassistencial. Além disso, procura auxiliar para que esse público acesse os serviços de outras políticas públicas, como educação, trabalho, saúde, transporte especial e programas de desenvolvimento de acessibilidade, serviços setoriais e de defesa de direitos e programas especializados de habilitação e reabilitação. Também são desenvolvidas atividades de apoio, informação, orientação para familiares, com objetivo de promover qualidade de vida, exercício da cidadania e inclusão na vida social, sempre ressaltando o caráter preventivo do serviço (BRASIL, 2014a). MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL42 Foto: © [Pikselstock] / Shutterstock. O serviço busca prever as seguranças de acolhida, convívio ou vivência familiar, comunitária e social, e de desenvolvimento da autonomia. Como o próprio nome revela, é direcionado a idosos e pessoas com deficiência e pretende impactar na prevenção da ocorrência de situações de risco social, tais como o isolamento, situações de violência e violações de direitos, e demais riscos identificados pela proteção básica, bem como na ampliação do acesso aos direitos socioassistenciais (BRASIL, 2014a). O conjunto de ações ofertadas pela Proteção Social Básica será operado por intermédio dos seguintes equipamentos: Centros de Referência de Assistência Social (CRAS), territorializados de acordo com o porte do município. 1 Centros de Convivência para crianças, jovens e idosos.3 Rede de serviços socioeducativos direcionados para grupos geracionais, intergeracionais, grupos de interesse, entre outros. 2 Por fim, é importante lembrar que os serviços, programas, projetos e benefícios de Proteção Social Básica deverão estabelecer articulações com as demais políticas públicas locais, de forma a garantir a sustentabilidade das ações desenvolvidas e o protagonismo das famílias e indivíduos atendidos. Deverá, ainda, articular-se aos serviços de proteção especial, de média e alta complexidade, buscando garantir a efetivação dos encaminhamentos necessários e a efetivação do trabalho em rede (BRASIL, 2005a). MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL43 2.5.3 Proteção Social Especial de Média Complexidade – concepção, serviços, programas e equipamentos de referência A Proteção Social Especial é o nível de proteção social do SUAS que organiza a oferta de serviços, programas e projetos de caráter especializado. A atenção no âmbito da Proteção Social Especial ocorre mediante intervenções especializadas, continuadas, operacionalizadas por equipes de referência que realizam plano de atendimento para atuar nas demandas dos indivíduos e famílias que apresentam, entre suas características, situações de violação de direitos e vínculos familiares fragilizadosou rompidos (BRASIL, 2011a). Na Proteção Social Especial, é realizado trabalho social com famílias e indivíduos que estão em situação de risco pessoal e social em decorrência de violência e ou violação de direitos. Considera-se que alguns grupos são particularmente vulneráveis à vivência de violência, como situação de rua, trabalho infantil, abandono de idosos, afastamento do convívio familiar, LGBTfobia, abuso e exploração, violência física, situações que atingem crianças, adolescentes, idosos, pessoas com deficiência, populações LGBTQIA+ (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais, queer, intersexo, assexual e mais) [Sigla posteriormente alterada para LGBTQIAPN+: lésbicas, gays, bissexuais, transsexuais e travestis, queer, interssexo, assexuais, panssexuais, não-binário], mulheres e suas famílias (BRASIL, 2011a). De acordo com a NOB-SUAS/2005: “A Proteção Social Especial tem por objetivos prover atenções socioassistenciais a famílias e indivíduos que se encontram em situação de risco pessoal e social, por ocorrência de abandono, maus tratos físicos e/ou psíquicos, abuso sexual, uso de substâncias psicoativas, cumprimento de medidas socioeducativas, situação de rua, situação de trabalho infantil, entre outras.” (BRASIL, 2005b, p. 13). As equipes de referência são responsáveis pelo atendimento de determinada família e indivíduo. De acordo com Ferreira (2011, p. 26), a referência tem a natureza de “[...] produzir para o cidadão a certeza de que ele encontrará acolhida, convívio e meios para o desenvolvimento de sua autonomia.” Os profissionais que compõem as equipes de referência são responsáveis por promover a articulação necessária entre os serviços socioassistenciais executados na Proteção Social Básica e Especial. De acordo com a Norma Operacional Básica de Recursos Humanos do SUAS – NOB-RH/SUAS de 2006 e a Resolução nº 17/2011 do Conselho Nacional de Assistência Social, as equipes de referência da Proteção Social Especial para o atendimento nos serviços socioassistenciais são formadas obrigatoriamente por assistentes sociais, psicólogos e advogados (BRASIL, 2011b). Outras categorias profissionais de nível superior que preferencialmente poderão atender as especificidades dos serviços socioassistenciais são: antropólogo, economista doméstico, pedagogo, sociólogo, terapeuta ocupacional e musicoterapeuta. MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL44 1 2 Profissionais que formam as equipes de referência da Proteção Social Especial Assistentes sociais Psicólogos Advogados (obrigatoriamente) Antropólogo Economista Doméstico Pedagogo Sociólogo Terapeuta ocupacional Musicoterapeuta (também podem atender as especi�cidades dos serviços socioassistenciais) A norma estabelecida considerou essas profissões de nível superior que são regulamentadas em lei para o exercício das funções nos serviços socioassistenciais e para função na gestão do SUAS. Entretanto, o trabalho no SUAS também é desenvolvido por áreas de ocupações profissionais de ensino médio e fundamental completo, em consonância com a NOB-RH/SUAS e a Resolução nº 9, de 15 de abril de 2014, do Conselho Nacional de Assistência Social/CNAS. As ocupações e funções desenvolvidas pelos profissionais de ensino médio que compõem as equipes de referência no SUAS são: cuidadores sociais e orientadores ou educadores sociais. Esses profissionais desempenham funções de apoio aos serviços e atuam auxiliando nas atividades cotidianas e recreativas com crianças, pessoas com deficiência e idosos em situações de risco e vulnerabilidade social. Ainda, há outras ocupações profissionais de ensino médio que desempenham funções administrativas, funções de gestão financeira e orçamentária e funções de gestão da informação, monitoramento e avaliação que, de forma administrativa, promovem a operacionalização da estrutura dos equipamentos e desenvolvimento da política de assistência social com vistas à promoção das seguranças afiançadas pelo SUAS (BRASIL, 2014b). A respeito da Proteção Social Especial, esse nível de proteção se estrutura em Proteção Social Especial de Média Complexidade e Proteção Social Especial de Alta Complexidade. MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL45 Na Proteção Social de Média Complexidade são atendidos famílias e indivíduos que sofreram alguma violação de direito, mas há a preservação dos vínculos familiares. O objetivo do atendimento na média complexidade é a reconstrução dos vínculos familiares e comunitários e o fortalecimento das potencialidades dos indivíduos com a finalidade de promover a proteção e segurança na convivência familiar. Foto: © [Chris Miles] / Shutterstock. Os objetivos dos serviços da média complexidade são: ■ “O fortalecimento da função protetiva da família; ■ A construção de possibilidades de mudança e transformação em padrões de relacionamento familiares e comunitários com violação de direitos; ■ A potencialização dos recursos para a superação da situação vivenciada e a reconstrução de relacionamentos familiares, comunitários e com o contexto social, ou construção de novas referências, quando for o caso; ■ O empoderamento e a autonomia; ■ O exercício do protagonismo e da participação social; ■ O acesso das famílias e indivíduos a direitos socioassistenciais e à rede de proteção social; e ■ A prevenção de agravamentos e da institucionalização.” (BRASIL, 2011a p. 51). A atuação na média complexidade acontece em interface com os Sistemas de Garantias de Direitos, ou seja, em consonância com a política de atendimento prevista no contexto das leis especiais de proteção aos segmentos, como o Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei nº 8.069/1990), o Estatuto do Idoso (Lei nº 10.741/2003), a Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006). MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL46 Desse modo, exige-se uma gestão mais complexa e compartilhada com o Poder Judiciário, Ministério Público e outros órgãos (BRASIL, 2005a). Ressalta-se que a rede de atendimento parte do Sistema de Garantia de Direitos e Sistema de Justiça (Conselho Tutelar, Juizados da Violência Doméstica, Juizado da Infância e Juventude, Ministério Público). Esses são os principais órgãos encaminhadores das notificações de violação de direitos e/ou violência para os serviços de média complexidade. Os encaminhamentos desses órgãos, em virtude da atuação específica no Sistema de Justiça, geralmente são de situações de elevado risco pessoal e social em decorrência de violências. Outros serviços como Disque Denúncia, Conselho de Direitos, rede de atendimento de saúde e educação também realizam encaminhamentos, à medida que identificam situações de risco pessoal e social por violação de direitos ou indicativos e suspeita de violência. Rede de atendimento para a Garantia de Direitos e Sistema de JustiçaGarantia de Direitos Sistema de Garantia de Direitos MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL47 No âmbito da Proteção Social Especializada de Média Complexidade, os serviços socioassistenciais são ofertados nos territórios em equipamentos públicos, como apresenta-se a seguir. Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) O CREAS é definido como: “[...] a unidade pública estatal de abrangência municipal ou regional que tem como papel constituir-se em lócus de referência, nos territórios, da oferta de trabalho social especializado no SUAS a famílias e indivíduos em situação de risco pessoal ou social, por violação de direitos. Seu papel no SUAS define, igualmente, seu papel na rede de atendimento.” (BRASIL, 2011a, p. 23). É o equipamento da Proteção Social Especial de Média Complexidade que atende situações complexas com violações de direitos no âmbito familiar ocasionadas por tensões familiares e comunitárias, gerando fragilidades ou até mesmo o rompimento de vínculos familiares. No CREAS é realizado o trabalho social especializado para indivíduose suas famílias, e requer-se dos profissionais que compõem as equipes de referência habilidades técnicas e conhecimentos específicos, considerando-se as demandas apresentadas e as características dos serviços ofertados (BRASIL, 2011a). O CREAS deve, obrigatoriamente, ofertar o Serviço de Proteção e Atendimento Especializado a Famílias e Indivíduos (PAEFI). Outros serviços que são desenvolvidos no CREAS são o Serviço de Proteção Social a Adolescentes em Cumprimento de Medida Socioeducativa de Liberdade Assistida (LA) e de Prestação de Serviços à Comunidade (PSC); Serviço Especializado em Abordagem Social; e Serviço de Proteção Social Especial para Pessoas com Deficiência, Idosas e suas Famílias. 2.5.3.1 Serviço de Proteção e Atendimento Especializado a Famílias e Indivíduos (PAEFI) O PAEFI é serviço de proteção e atendimento especializado a famílias com pessoas em situação de ameaça ou violação de direitos e com seus vínculos familiares e comunitários fragilizados. O serviço realiza o trabalho social para o fortalecimento da função protetiva da família e preservação da integridade e condições de autonomia dos sujeitos para o rompimento de padrões violadores de direitos no âmbito familiar. É um serviço de apoio, orientação e acompanhamento que atua em articulação com a rede socioassistencial, as políticas setoriais e os órgãos do Sistema de Garantia de Direitos. As famílias e seus membros devem ser inseridos em serviços socioassistenciais e em programas de transferência de renda para a promoção de direitos e qualificação das intervenções visando o fortalecimento da autonomia dos sujeitos, reparação de danos e de violações de direitos (BRASIL, 2014a). MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL48 O público-alvo do PAEFI são famílias e indivíduos que vivenciam violações de direitos por ocorrência de: ■ “Violência física, psicológica e negligência; ■ Violência sexual: abuso e/ou exploração sexual; ■ Afastamento do convívio familiar devido à aplicação de medida socioeducativa ou medida de proteção; ■ Tráfico de pessoas; ■ Situação de rua e mendicância; ■ Abandono; ■ Vivência de trabalho infantil; ■ Discriminação em decorrência da orientação sexual e/ou raça/etnia; ■ Outras formas de violação de direitos decorrentes de discriminações/submissões a situações que provocam danos e agravos a sua condição de vida e os impedem de usufruir autonomia e bem estar; ■ Descumprimento de condicionalidades do Programa Bolsa Família (PBF) e do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PETI) em decorrência de violação de direitos.”(BRASIL, 2014a, p. 29). As formas de acesso ao PAEFI são: por demanda espontânea; por identificação e encaminhamento dos serviços de proteção e vigilância social; por encaminhamento de outros serviços socioassistenciais, das demais políticas públicas setoriais e órgãos do Sistema de Garantia de Direitos e do Sistema de Segurança Pública. 2.5.3.2 Serviço de Proteção Social a Adolescentes em Cumprimento de Medida Socioeducativa de Liberdade Assistida (LA) e de Prestação de Serviços à Comunidade (PSC) O Serviço de Proteção a Adolescentes em Cumprimento de Liberdade Assistida (LA) e de Prestação de Serviços à Comunidade é realizado em interface com a política de atendimento prevista no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Trata-se do acompanhamento da medida aplicada para adolescentes de 12 a 18 anos incompletos ou jovens de 18 a 21 anos que estiveram em conflito com a lei. Denomina-se de LA e PSC a medida socioeducativa em meio aberto determinada judicialmente. No âmbito dos serviços da Proteção Social Especial, esse serviço tem por finalidade prover atenção socioassistencial e acompanhamento social aos adolescentes e jovens durante o cumprimento da medida, visando a sua inserção em outros serviços socioassistenciais e em políticas setoriais, como, por exemplo, educação, saúde, emprego e renda. De acordo com a Tipificação Nacional dos Serviços Socioassistenciais, as intervenções especializadas têm por objetivo criar condições para a construção/ reconstrução de projetos de vida e rompimento com a prática de ato infracional, assim como possibilitar MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL49 acessos e oportunidades para a ampliação do universo informacional, cultural, e também para o desenvolvimento de habilidades e competências desses jovens (BRASIL, 2014a). A forma de acesso ao serviço é através de encaminhamento da Vara da Infância e da Juventude ou, na ausência desta, pela Vara Civil correspondente. 2.5.3.3 Serviço de Proteção Social Especial para Pessoas com Deficiência, Idosas e suas Famílias É o serviço que realiza atendimento especializado para famílias com pessoas com deficiências e idosos que apresentam algum grau de dependência e sofreram violação de direito, tais como: “[...] exploração da imagem, isolamento, confinamento, atitudes discriminatórias e preconceituosas no seio da família, falta de cuidados adequados por parte do cuidador, alto grau de estresse do cuidador, desvalorização da potencialidade/capacidade da pessoa, dentre outras que agravam a dependência e comprometem o desenvolvimento da autonomia.” (BRASIL, 2014a, p. 37). Conforme estabelecido no Estatuto do Idoso (BRASIL, 2003), entende-se como idoso a pessoa com 60 anos ou mais, e pessoa com deficiência aquela que tem impedimento de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial de qualquer idade, conforme preconiza o Estatuto da Pessoa com deficiência, Lei nº 13.146/2015 (BRASIL, 2015a). Ressalta-se que o Serviço de Proteção Social Especial para Pessoas com Deficiência, Idosas e suas Famílias também atende famílias em que exista uma sobrecarga e estresse da pessoa que exerce o papel de cuidador, considerando que tal condição pode gerar ou potencializar riscos. O serviço tem por finalidade a promoção da autonomia, da inclusão social e da melhoria da qualidade de vida das pessoas atendidas. As ações devem: prevenir a institucionalização; promover acessos a benefícios, programas de transferência de renda e outros serviços socioassistenciais, das demais políticas públicas setoriais e do Sistema de Garantia de Direitos; possibilitar a interrupção e a superação das violações de direitos (BRASIL, 2014a). Confira, na sequência, como se dá o acesso dos indivíduos e famílias ao Serviço de Proteção Social Especial para Pessoas com Deficiência, Idosas e suas Famílias: ■ Busca espontânea de membros da família e/ou da comunidade. ■ Busca ativa para inclusão no Cadastro Único e nos serviços mediante contato com associações locais, obtenção de informações de outros serviços socioassistenciais, deslocamento das equipes para conhecimento do território. ■ Encaminhamento dos demais serviços socioassistenciais e das demais políticas públicas setoriais. ■ Encaminhamento dos demais órgãos do Sistema de Garantia de Direitos. MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL50 2.5.3.4 Serviço Especializado em Abordagem Social De acordo com a Tipificação dos Serviços Socioassistenciais (2009), o Serviço Especializado em Abordagem Social é ofertado de forma continuada e programada, realizando abordagem e busca ativa que identifiquem, nos territórios, incidência de trabalho infantil, exploração sexual de crianças e adolescentes, situação de rua, entre outras. Atende crianças, adolescentes, jovens, adultos, idosos e famílias que utilizam os espaços públicos como forma de moradia e/ou sobrevivência (BRASIL, 2013b). Foto: © [Salty View] / Shutterstock. Esse serviço tem como objetivo o trabalho social para construir o processo de saída das ruas e inserção na rede de serviços socioassistenciais e das demais políticas públicas para a garantia dos direitos. O trabalho em rede é fundamental. A forma de acesso é por identificação da equipe do serviço, que tem a sede de trabalho no Centro de Referência Especializadode Assistência Social (CREAS) ou na Unidade Específica Referenciada ao CREAS (BRASIL, 2014a). 2.5.3.5 Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua (Centro POP) O Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua é uma unidade pública e estatal, de abrangência municipal, que oferta, obrigatoriamente, o Serviço Especializado para Pessoas em Situação de Rua. Pontua-se que o Serviço Especializado em Abordagem Social, apresentando anteriormente como serviço ofertado no CREAS, conforme definição da gestão municipal, pode ser ofertado também no Centro POP (BRASIL, 2011c). 2.5.3.6 Serviço Especializado para Pessoas em Situação de Rua O Serviço Especializado para Pessoas em Situação de Rua realiza atendimento a jovens, adultos, idosos e famílias que utilizam as ruas como espaço de moradia e/ou sobrevivência. “Particularmente em relação às pessoas em situação de rua, a oferta da atenção especializada na PSE tem como objetivo a construção de novos projetos e trajetórias de vida, visando à construção do processo de saída das ruas e o alcance da referência como sujeitos de direitos na sociedade brasileira.” (BRASIL, 2011c, p. 37). MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL51 O serviço proporciona endereço institucional de referência para os usuários. Deve ofertar locais para a guarda de pertences, realização de higiene pessoal, refeições e providenciar documentação civil. As intervenções profissionais ocorrem de forma individual e grupal, bem como mediante encaminhamentos a outros serviços socioassistenciais e das demais políticas públicas. Tem por finalidade realizar atendimento para o desenvolvimento de sociabilidades, visando o fortalecimento de vínculos interpessoais e/ou familiares e a construção de novos projetos de vida (BRASIL, 2014a). As formas de acesso ao serviço são por demanda espontânea ou por encaminhamentos do Serviço Especializado em Abordagem Social, de outros serviços socioassistenciais, das demais políticas públicas setoriais e dos demais órgãos do Sistema de Garantia de Direitos. 2.5.3.7 Centro-Dia O Centro-Dia é uma unidade pública, que pode ser governamental ou não governamental, referenciada ao CREAS, prevista na Tipificação Nacional de Serviços Socioassistenciais (2009). O Centro- Dia pode ofertar em sua unidade o Serviço de Proteção Especial para Pessoas com Deficiência, Idosas e suas Famílias (BRASIL, 2014a). O equipamento desenvolve o trabalho na modalidade de atendimento integral durante o dia para as pessoas idosas e pessoas com deficiência que tenham algum grau de dependência de cuidados e sua condição tenha sido agravada pela convivência em situações de risco ou violação de direitos, tais como o isolamento social, o abandono, alto grau de estresse do cuidador familiar entre outras violações de direitos (BRASIL, 2014a). O Centro-Dia está em consonância com o Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Decreto 7.612/2011), com a Política Nacional do Idoso (Lei nº 8.842/1994) e o Estatuto do Idoso (Lei nº 10.741/2003). É uma unidade de atendimento para o idoso dependente e que necessita de assistência médica ou de assistência multiprofissional. Como já exposto, a Proteção Social Especial atua na interface da política de assistência social e das políticas de proteção à criança, idosos, mulheres e pessoas com deficiência. Importante ressaltar que Centro-Dia é uma unidade de atendimento diferente dos Serviços de Convivência previstos na Proteção Social Básica. O Centro-Dia é um espaço de referência especializado da assistência social no âmbito da Proteção Social Especial de Média Complexidade, portanto, que atende situações mais graves, considerando que seu público-alvo já teve algum direito violado. 2.5.3.8 Programa de Erradicação do Trabalho Infantil – PETI O Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PETI) é responsável por coordenar ações integradas e complementares com o objetivo de enfrentamento ao trabalho infantil. É um programa de caráter intersetorial, integrante da Política Nacional de Assistência Social e, conforme previsto pela LOAS, compreende transferência de renda, trabalho social com famílias e oferta de serviços socioeducativos para crianças e adolescentes que se encontrem em situação de trabalho infantil (BRASIL, 2018). MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL52 O PETI atende crianças e adolescentes em idade inferior a 16 (dezesseis) anos que estão em situação de violação de direito em decorrência do trabalhado infantil, ressalvada a condição de aprendiz a partir dos 14 (quatorze) anos. O que pode ser considerado trabalho infantil? O trabalho infantil refere-se às atividades econômicas e/ou atividades de sobrevivência, com ou sem finalidade de lucro, remuneradas ou não, realizadas por crianças ou adolescentes de até 16 anos, exceto quando da condição de jovem aprendiz (BRASIL, 2018). A proibição do trabalho infantil está prevista na Constituição Federal de 1988 e no Estatuto da Criança e do Adolescente (BRASIL, 2018), devendo ser compromisso de todos zelar contra este tipo de exploração. Foto: © [Tinnakorn jorruang] / Shutterstock. MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL53 A gestão do PETI no SUAS está na Proteção Social Especial, que acompanha a operacionalização e execução das ações de combate e prevenção ao trabalho infantil nos níveis de Proteção Social Básica e Proteção Social Especial, integrando ações, serviços e benefícios (BRASIL, 2018). O enfrentamento ao trabalho infantil coordenado pelo PETI no âmbito do SUAS é potencializado nos serviços socioassistenciais através de ações permanentes como: ■ Oferta de atendimento às crianças e adolescentes no Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV). ■ Trabalho social com famílias por meio dos serviços continuados do PAIF/CRAS (Serviço de Proteção a Atendimento Integral à Família) e PAEFI/CREAS (Serviço de Proteção e Atendimento Especializado a Famílias e Indivíduos). encaminhamento ao Programa Nacional de Promoção do Acesso ao Mundo do trabalho (Acessuas Trabalho) e/ou de outros programas de inclusão produtiva. ■ Registro no Cadastro Único e inclusão da família em programa de transferência de renda. SAIBA MAIS Para conhecer melhor o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil, você pode consultar o “Caderno de Orientações Técnicas para o Aperfeiçoamento da Gestão do PETI”, disponível em: http://blog.mds.gov.br/redesuas/caderno- de-orientacoes-tecnicas-do-peti/. Importante lembrar que as novas diretrizes para a prevenção e erradicação do trabalho infantil no território nacional exigem articulação intersetorial e comportam cinco eixos: Informação e Mobilização Proteção Monitoramento Identi�cação Defesa e Responsabilização http://blog.mds.gov.br/redesuas/caderno-de-orientacoes-tecnicas-do-peti/ http://blog.mds.gov.br/redesuas/caderno-de-orientacoes-tecnicas-do-peti/ MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL54 2.5.4 Proteção Social Especial de Alta Complexidade – concepção, serviços e equipamentos de referência A Proteção Social Especial de Alta Complexidade atende indivíduos que sofrem ameaças, violências e violações de direitos e precisam ser retirados do seu núcleo familiar e comunitário. Na alta complexidade, é realizado o atendimento integral dos indivíduos na modalidade de serviços de acolhimento, garantindo moradia, alimentação, convívio social e demais garantias preconizadas pela política de atendimento para os indivíduos que estão com vínculos familiares extremamente fragilizados ou rompidos (BRASIL, 2005a). Os serviços de acolhimento institucional são desenvolvidos na rede socioassistencial, composta por serviços ofertados pelo poder público ou organizações não governamentais. Os serviços de acolhimento são serviços de proteção e garantia de atendimento integral para os indivíduos que deles necessitam, de forma excepcional e provisória,como no caso de crianças e adolescentes que precisam ser retirados do núcleo familiar e recebem medida protetiva prevista no Estatuto da Criança e do Adolescente; pessoas em situação de rua; mulheres que sofrem violência; idosos em vulnerabilidade social ou violação de direitos, que necessitam residir em Instituições de Longa Permanência – ILPI (BRASIL, 2014a). A seguir, serão apresentados os serviços da Proteção Social Especial de Alta Complexidade e as unidades de acolhimento. 2.5.4.1 Serviço de Acolhimento Institucional O acolhimento institucional pode ser ofertado em diferentes tipos de equipamentos conforme o público ao qual se destina, atendendo famílias e indivíduos com vínculos familiares rompidos ou fragilizados, visando garantir proteção integral. As unidades devem estar inseridas nas comunidades e ter características residenciais, ambiente acolhedor e estrutura física adequada, para o desenvolvimento de relações mais próximas do ambiente familiar (BRASIL, 2014a). Conforme a Tipificação Nacional dos Serviços Socioassistenciais (BRASIL, 2014a), os Serviços de Acolhimento Institucionais são previstos: MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL55 Para crianças e adolescentes em situação de risco pessoal e social em decorrência de suas famílias ou responsáveis não realizarem os cuidados adequados. O acolhimento institucional de crianças e adolescentes é uma das medidas de proteção previstas no art. 101 do Estatuto da Criança e do Adolescente. Desse modo, os serviços de acolhimento institucional são ofertados em consonância com o que prevê Estatuto da Criança e do Adolescente e as “Orientações Técnicas: Serviços de Acolhimento para Crianças e Adolescentes”. As unidades que ofertam o serviço são: Casa-Lar e Abrigo Institucional. Para mulheres em situação de violência acompanhadas ou não de seus �lhos, em situação de risco de morte ou ameaças em razão da violência doméstica e familiar, causadora de lesão, sofrimento físico, sexual, psicológico ou dano moral. A unidade que oferta o serviço é o Abrigo Institucional. Para adultos e famílias em situação de rua e desabrigo por abandono, migração e ausência de residência ou pessoas em trânsito e sem condições de autossustento. As unidades que ofertam o serviço são: Abrigo institucional e Casa de Passagem. Para jovens e adultos com de�ciência com vínculos familiares rompidos ou fragiizados e que não dispõem de condições de autossustentabilidade, de retaguarda familiar temporária ou permanente ou que estejam em processo de desligamento de instituições de longa permanência. As unidades que ofertam o serviço são as Residências Inclusivas. Para idosos com 60 anos ou mais, independentes ou com diversos graus de dependência quando esgotadas as possibilidades de autossustento e convívio com os familiares. Também para idosos que não dispõem de condições para permanecer com a família em decorrência de situações de violência e negligência, em situação de rua e de abandono. As unidades que ofertam o serviço são: Casa-Lar e Abrigo em Instituição de Longa Permanência para Idosos - ILPI. SAIBA MAIS Para saber mais sobre o Serviço de Acolhimento para Crianças e Adolescentes, acesse o documento com as orientações técnicas, disponível em: http://www.mprs. mp.br/areas/infancia/arquivos/conanda_ acolhimento.pdf. 2.5.4.2 Serviço de Acolhimento em República O Serviço de Acolhimento em República oferece moradia subsidiada para grupos de pessoas maiores de 18 anos em estado de abandono, situação de vulnerabilidade e risco pessoal e social, com vínculos familiares rompidos ou extremamente fragilizados e sem condições de moradia e autossustentação. O serviço é destinado, prioritariamente, para atender jovens entre 18 e 21 anos após desligamento de serviços de acolhimento para crianças e adolescentes; pessoas adultas com vivência de rua em fase de reinserção social e idosos que tenham capacidade de residir em moradia coletiva e tenham condições de desenvolver, de forma independente, as suas atividades da vida diária (BRASIL, 2014a). A equipe técnica de referência deve contribuir http://www.mprs.mp.br/areas/infancia/arquivos/conanda_acolhimento.pdf http://www.mprs.mp.br/areas/infancia/arquivos/conanda_acolhimento.pdf http://www.mprs.mp.br/areas/infancia/arquivos/conanda_acolhimento.pdf MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL56 com a gestão coletiva da moradia e para acompanhamento psicossocial dos usuários e encaminhamento para outros serviços, programas e benefícios da rede socioassistencial e das demais políticas públicas (BRASIL, 2014a). 2.5.4.3 Serviço de Acolhimento em Família Acolhedora Este serviço é responsável pelo acolhimento, por meio de famílias acolhedoras, de crianças e adolescentes que receberam medida protetiva prevista no Estatuto da Criança e do Adolescente. O serviço é responsável por selecionar, capacitar, cadastrar e acompanhar as famílias acolhedoras, a criança e o adolescente acolhido e sua família de origem (BRASIL, 2014a). De acordo com a Tipificação dos Serviços Socioassistenciais (BRASIL, 2014a, p. 54) “o serviço é particularmente adequado ao atendimento de crianças e adolescentes cuja avaliação da equipe técnica indique possibilidade de retorno à família de origem, nuclear ou extensa.” 2.5.4.4 Serviço de Proteção em Situações de Calamidades Públicas e Emergência O serviço oferta alojamentos provisórios, atenções e provisões materiais, promove o apoio e proteção à população atingida por situações de emergência e calamidade pública. Atende famílias e indivíduos que, por situações de incêndios, desabamentos, deslizamentos, alagamentos, entre outras, tiveram perdas parciais ou totais de moradia, objetos e utensílios pessoais e se encontram temporariamente ou definitivamente desabrigados. Também atende famílias e indivíduos removidos de áreas consideradas de risco, por prevenção ou determinação do Poder Judiciário. Assegura a articulação e participação em ações conjuntas de caráter intersetorial para a minimização dos danos e provimento das necessidades (BRASIL, 2014a). Foto: © [Joa Souza] / Shutterstock. Considerando os diferentes municípios brasileiros, sabemos que, MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL57 embora exista parâmetros para a implantação e a operacionalização dos serviços socioassistenciais, as diferenças regionais dão um contorno diferenciado aos serviços, considerando-se, ainda, as estruturas formais, as particularidades de formação, de investimento e cultural de cada ente. Neste sentido, algumas ações e serviços previstos no SUAS não podem ser estruturados apenas na escala dos municípios, considerando-se duas questões importantes: ■ Muitos municípios não possuem em seu território condições de oferecer serviços de alta e média complexidade. ■ Há municípios que apresentam serviços de referência como polos regionais que garantem o atendimento não só da sua população mas também de habitantes de municípios vizinhos. Frente a essa realidade, a cooperação entre os executores dos serviços socioassistenciais é essencial em pelo menos duas hipóteses do desenvolvimento de serviços de referência regional: a. Nos casos em que a demanda do município não justifique a disponibilização, em seu âmbito, de serviços continuados nos referidos níveis de proteção social. b. Nos casos em que o município, devido ao seu porte ou nível de gestão, não tenha condições de gestão individual de um serviço em seu território. 2.5.5 Benefícios socioassistenciais e programas de transferência de renda Os benefícios socioassistenciais integram a política de assistência social, compondo a Proteção Social Básica, dada a natureza de sua realização. Dividem-se em duas modalidades: o Benefício de Prestação Continuada da Assistência Social (BPC) e os Benefícios Eventuais. Política de Assistência Social Proteção Social Básica Benefícios Socioassistenciais Benefício de Prestação Continuada da AssistênciaSocial (BPC) Benefícios Eventuais O BPC é um direito assegurado constitucionalmente, constituindo- se em direito de cidadania. De caráter não contributivo, está desvinculado da condição de trabalhador e de contribuições prévias à previdência social. É o primeiro benefício de prestação continuada instituído no âmbito do sistema de proteção social nesta modalidade. Confira a definição na Lei nº 12.435/2011 sobre o BPC: MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL58 “Art. 20. O benefício de prestação continuada é a garantia de um salário-mínimo mensal à pessoa com deficiência e ao idoso com 65 (sessenta e cinco) anos ou mais que comprovem não possuir meios de prover a própria manutenção nem de tê-la provida por sua família.” O BPC está previsto na LOAS (BRASIL,1993) e no Estatuto do Idoso (BRASIL, 2003). Constitui-se como transferência de renda, sendo provido pelo governo federal diretamente ao beneficiário. A gestão desse benefício é realizada pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, por intermédio da Secretaria Nacional de Assistência Social (SNAS), que é responsável pela implementação, coordenação, regulação, financiamento, monitoramento e avaliação do benefício. De acordo com Freitas (2016), a operacionalização é realizada pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), a quem compete o requerimento, manutenção e cessação do benefício. O BPC é um benefício individual, não vitalício e intransferível, que assegura a transferência mensal de um salário mínimo à pessoa idosa, com sessenta e cinco anos ou mais, e à pessoa com deficiência, de qualquer idade. Os requerentes devem comprovar não possuir meios de garantir o próprio sustento, nem de tê-lo provido por sua família. A renda mensal familiar per capita deve ser inferior a um quarto do salário mínimo vigente (FREITAS, 2016). É importante saber que o BPC: ■ Pode ser concedido a pessoas em situação de rua. ■ Pode ser reavaliado a cada dois anos. ■ Dá direito ao beneficiário de obter a tarifa social de energia elétrica. ■ Não é uma aposentadoria. ■ Não paga 13º salário e não deixa pensão por morte. Os Benefícios Eventuais, conforme previstos no art. 22 da LOAS, podem ser entendidos como provisões suplementares e provisórias que integram organicamente as garantias do SUAS e são prestadas aos cidadãos e às famílias em virtude de nascimento, morte, situações de vulnerabilidade temporária e de calamidade pública, conforme detalhados no site do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome e apresentados na sequência: ■ Nascimento: objetiva atender às necessidades do bebê que vai nascer; apoiar a mãe nos casos em que o bebê nasce morto ou morre logo após o nascimento; e apoiar a família em caso de morte da mãe. ■ Morte: tem como objetivo atender às necessidades urgentes da família após a morte de um de seus provedores ou membros; atender as despesas de urna funerária, velório e sepultamento, desde que não haja no município outro benefício que garanta o atendimento a estas despesas. ■ Vulnerabilidade temporária: benefício disponibilizado para o enfrentamento de situações de riscos, perdas e danos à integridade da pessoa e/ou de sua família e outras situações sociais que comprometam a sobrevivência. ■ Calamidade pública: auxilia na garantia dos meios necessários à sobrevivência da família e do indivíduo, com o objetivo de assegurar a dignidade e a reconstrução da autonomia dos indivíduos e famílias afetadas. MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL59 A gestão dos Benefícios Eventuais deve ser realizada pelos municípios e Distrito Federal, sendo seus critérios e valores estabelecidos pelos conselhos municipais ou distrital. Tais benefícios são financiados pelos municípios e cofinanciados pelo Estado. SAIBA MAIS Para conhecer mais sobre os Benefícios Eventuais, acesse a cartilha do Ministério da Cidadania sobre o assunto, disponível em: https://www.gov.br/cidadania/pt-br/ acoes-e-programas/assistencia-social/beneficios- assistenciais/copy_of_Perguntasfrequentes_Beneficios_ Eventuais_SUAS2.pdf. De acordo com a NOB/SUAS, os programas de transferência de renda “[...] visam o repasse direto de recursos dos fundos de Assistência Social aos beneficiários, como forma de acesso à renda, visando o combate à fome, à pobreza e outras formas de privação de direitos, que levem à situação de vulnerabilidade social, criando possibilidades para a emancipação, o exercício da autonomia das famílias e indivíduos atendidos e o desenvolvimento local.” (BRASIL, 2005b, p. 15) Esse direito à renda se constitui como um dos aspectos centrais da assistência social, efetivando, portanto, o caráter de política não contributiva de responsabilidade do Estado. Os programas de transferência de renda tratam de uma prestação direta de competência do governo federal, presente em todos os municípios. No Brasil, os principais programas federais de transferência de renda no âmbito da assistência social são: ■ Programa Bolsa Família ■ Programa de Aquisição de Alimentos ■ Benefício de Prestação Continuada da Assistência Social – BPC (apresentado anteriormente junto aos benefícios socioassistenciais) ■ Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PETI) O governo federal, com intuito de estabelecer medidas de enfrentamento excepcionais de proteção social para a crise de emergência de saúde pública iniciada no ano de 2019, promulgou a Lei nº 13.982, de 2 de abril de 2020, que prevê, entre outras deliberações, o pagamento do Auxílio Emergencial para os brasileiros. Este auxílio exigia o cumprimento de critérios elegíveis, seguindo a legislação, e suspendia, em caráter temporário, o pagamento do Programa Bolsa Família (BRASIL, 2020). Após cessar o pagamento do Auxílio Emergencial, passou a vigorar no país o Programa Auxílio Brasil através da Medida Provisória nº 1.061, de 9 de agosto de 2021 (BRASIL, 2021b), e sua regulamentação foi proposta na data de 8 de novembro de 2021, através da publicação do Decreto 10.852 (BRASIL, 2021c). Esse programa foi reafirmado e instituído pela Lei nº 14.284/2021(BRASIL, 2021d), que também criou o Programa Alimenta Brasil. https://www.gov.br/cidadania/pt-br/acoes-e-programas/assistencia-social/beneficios-assistenciais/copy_of_Perguntasfrequentes_Beneficios_Eventuais_SUAS2.pdf https://www.gov.br/cidadania/pt-br/acoes-e-programas/assistencia-social/beneficios-assistenciais/copy_of_Perguntasfrequentes_Beneficios_Eventuais_SUAS2.pdf https://www.gov.br/cidadania/pt-br/acoes-e-programas/assistencia-social/beneficios-assistenciais/copy_of_Perguntasfrequentes_Beneficios_Eventuais_SUAS2.pdf https://www.gov.br/cidadania/pt-br/acoes-e-programas/assistencia-social/beneficios-assistenciais/copy_of_Perguntasfrequentes_Beneficios_Eventuais_SUAS2.pdf MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL60 Em março de 2023, o Governo Federal relançou o Programa Bolsa Família, no âmbito do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, em substituição ao Programa Auxílio Brasil. Por meio da Medida Provisória nº 1.164/23 (BRASIL, 2023a), foram estabelecidas as diretrizes do novo programa. Foto: © [MDAS] / Divulgação. 2.5.5.1 Programa Bolsa Família O Programa Bolsa Família caracteriza-se como um programa de transferência direta e condicionada de renda e tem como objetivos (BRASIL, 2023a): I - combater a fome, por meio da transferência direta de renda às famílias beneficiárias; II - contribuir para a interrupção do ciclo de reprodução da pobreza entre as gerações; e III - promover o desenvolvimento e a proteção social das famílias, especialmente das crianças, dos adolescentes e dos jovens em situação de pobreza. Os destinatários do programa são famílias cuja renda familiar per capita mensal seja igual ou inferior a R$ 218,00 (duzentos e dezoito reais) e que estejam inscritas no CadÚnico. Sobre o entendimento de família, alegislação converge com a instrução de família como núcleo composto por uma ou mais pessoas que formem um grupo doméstico, com residência no mesmo local, que contribuam para renda e/ou que desta dependam para suas despesas. A seguir, consideremos outras definições importantes: MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL61 Soma dos rendimentos brutos de todos os membros familiares recebidos no mês de referência, excluídos aqueles rendimentos indicados em regulamento. RENDA FAMILIAR Local que serve de moradia à família. DOMICÍLIO Razão entre a renda familiar bruta mensal e o total de seus indivíduos. RENDA PER CAPITA MENSAL Os benefícios financeiros do Programa Bolsa Família, destinados à transferência de renda, são apresentados no quadro a seguir (BRASIL, 2023a). Benefícios de transferência de renda - Bolsa Família Nomenclatura do benefício Beneficiário Valor financeiro do benefício Benefício de Renda de Cidadania Destinado a todas as famílias beneficiárias do Programa Bolsa Família. valor de R$ 142,00 (cento e quarenta e dois reais) por integrante da família. Benefício Complementar Destinado às famílias beneficiárias do Programa Bolsa Família cuja soma dos valores relativos aos Benefício de Renda de Cidadania recebidos seja inferior a R$ 600,00 (seiscentos reais), que será calculado pela diferença entre este valor e a referida soma. É calculado pela diferença entre o valor de referência e a soma dos valores recebidos pelo Benefício de Renda Cidadania. Benefício Primeira Infância Contempla famílias com crianças na idade de zero a sete anos incompletos incompletos. Valor de R$ 150,00 (cento e cinquenta reais) por criança. Benefício Variável Familiar Destinado às famílias que possuam gestantes ou pessoas com idade entre 7 (sete) e 18 (dezoito) anos incompletos. Pago mensalmente no valor de R$ 50,00 (cinquenta reais) por integrante da família que se enquadrar como beneficiário. Benefício Extraordinário de Transição Destinado às famílias que constarem como beneficiárias do Programa Auxílio Brasil na data de entrada em vigor da Medida Provisória nº 1.164/23. Terá duração limitada. Benefício financeiro calculado pela diferença entre o valor recebido pela família em maio de 2023 e o que vier a receber em junho de 2023. MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL62 SAIBA MAIS Para conhecer mais detalhes do programa Bolsa Família, seus benefícios, condicionalidades, valores, entre outras informações, acesse na íntegra a Medida Provisória nº 1.164/2023, disponível em: https://www.in.gov.br/en/ web/dou/-/medida-provisoria-n-1.164-de-2-de-marco- de-2023-46744943 2.5.5.2 Programa de Aquisição de Alimentos A Medida Provisória nº 1.166/2023 (BRASIL, 2023b), institui o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), que tem por finalidades: ■ Incentivar a agricultura familiar e a inclusão econômica e social, com fomento à produção sustentável, ao processamento de alimentos, à industrialização e à geração de renda. ■ Fomentar a produção familiar de povos indígenas, comunidades quilombolas e tradicionais, assentados da reforma agrária, negros, mulheres e juventude rural. ■ Contribuir com o acesso à alimentação pelas pessoas em situação de insegurança alimentar e nutricional. ■ Incentivar hábitos alimentares saudáveis em âmbito local e regional. ■ Terão prioridade de acesso ao Programa de Aquisição de Alimentos os agricultores familiares incluídos no Cadastro Único (CadÚnico) e os agricultores familiares pertencentes a povos indígenas, comunidades quilombolas e tradicionais, assentados da reforma agrária, negros, mulheres e juventude rural. 2.5.5.3 Transferência de renda vinculada ao Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PETI) Outro programa de transferência de renda às famílias é o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PETI), já introduzido na seção 2.5.3.8. O PETI constitui-se como um programa de transferência direta de renda articulado ao acompanhamento socioassistencial da família pelos serviços da assistência social (CRAS e CREAS). É direcionado às famílias com crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil e contribui na proteção de crianças e adolescentes contra qualquer forma de trabalho, garantindo que frequentem a escola e atividades socioeducativas. As ações do PETI e seu benefício às famílias buscam erradicar todas as formas de trabalho infantil no país, em um processo de resgate da cidadania, com a inclusão social de seus beneficiários e o desenvolvimento do trabalho social com famílias. De acordo com a LOAS, o PETI tem abrangência nacional e será desenvolvido de forma articulada pelos entes federados com a participação da sociedade civil. 67 Referências ALVES, J. Assistência Social. In: FERNANDES, R. M. C; HELLMANN, A. (org.). Dicionário crítico: política de assistência social no Brasil. Porto Alegre: Ed. UFRGS, 2016. p. 22-25. BAROZET, E. Relecturas de la noción de clientelismo: una forma diversificada de intermediación política y social. Ecuador Debate, Quito, n. 69, p. 77-101, dic. 2006. BEHRING, E. R.; BOSCHETTI, I. Política social: fundamentos e história. 5. ed. São Paulo: Cortez, 2008. BIASI, L. M. F. Controle social. In: FERNANDES, R. M. C.; HELLMANN, A. (org.). Dicionário crítico: política de assistência social no Brasil. Porto Alegre: Ed. UFRGS, 2016. p. 65-68. BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil. Organizado por Juarez de Oliveira. 4. ed. São Paulo: Saraiva, 1990. 168 p. (Série Legislação Brasileira). BRASIL. Caderno de Orientações Técnicas para o aperfeiçoamento da gestão do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil - PETI. Brasília, DF: Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, 2018. 87 p. Disponível em: http://blog.mds.gov.br/redesuas/caderno-de-orientacoes- tecnicas-do-peti/. Acesso em: 19 mar. 2022. BRASIL. Capacita SUAS/PE. Atualização sobre a especificidade, interfaces e curso Proteção Social Básica no SUAS. Pernambuco, 2017a. Disponível em: https://www.sigas.pe.gov.br/ files/02012017115234-c5.recife.16.a.20.01.2017.t06.mod.2.pdf. Acesso em: 1 abr. 2022. BRASIL. CapacitaSUAS. Caderno 1. Assistência Social: Política de Direitos à Seguridade Social. Centro de Estudos e Desenvolvimento de Projetos Especiais da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Brasília, DF: MDS, 2013a. BRASIL. Casa Civil. Lei nº 12.435, de 6 de julho de 2011. Altera a Lei nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993, que dispõe sobre a organização da Assistência Social. Brasília, DF: Presidência da República, 2011d. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/_Ato2011-2014/2011/Lei/L12435.htm#art1. Acesso em: 20 mar. 2022. BRASIL. Casa Civil. Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990. Dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente e dá outras providências. Brasília, DF: Presidência da República, 1990. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8069. htm. Acesso em: 1 abr. 2022. http://blog.mds.gov.br/redesuas/caderno-de-orientacoes-tecnicas-do-peti/ http://blog.mds.gov.br/redesuas/caderno-de-orientacoes-tecnicas-do-peti/ https://www.sigas.pe.gov.br/files/02012017115234-c5.recife.16.a.20.01.2017.t06.mod.2.pdf https://www.sigas.pe.gov.br/files/02012017115234-c5.recife.16.a.20.01.2017.t06.mod.2.pdf http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2011/Lei/L12435.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2011/Lei/L12435.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8069.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8069.htm 68 BRASIL. Conselho Nacional de Assistência Social. Resolução nº 109, de 11 de novembro de 2009. Aprova a Tipificação Nacional de Serviços Socioassistenciais. Brasília, DF: MDF, 2014a. Disponível em: https://www.mds.gov.br/webarquivos/ publicacao/assistencia_social/Normativas/tipificacao.pdf. Acesso em: 24 abr. 2022. BRASIL. Conselho Nacional de Assistência Social. Resolução nº11, de 23 de setembro de 2015. Caracteriza os usuários, seus direitos e sua participação na Política Pública de Assistência Social e no Sistema Único de Assistência Social, e revoga a Resolução nº 24, de 16 de fevereiro de 2006. Brasília, DF: CNAS, 2015b. Disponível em: https://www.in.gov.br/materia/-/asset_ publisher/Kujrw0TZC2Mb/content/id/32870261. Acesso em: 6 abr. 2022. BRASIL. Conselho Nacional de Assistência Social. Resolução nº 13, de 12 de dezembro de 2012. Aprova a Norma Operacional Básica do Sistema Único de Assistência Social - NOB/SUAS. Brasília, DF: CNAS, 2012a. Disponível em: https://www.mds.gov. br/webarquivos/public/NOBSUAS_2012.pdf. Acesso em: 12 mar. 2022. BRASIL. Conselho Nacional de Assistência Social. Resolução nº 130, de 15 de julho de 2005. Aprova a Norma Operacional Básica da Assistência Social - NOB SUAS. Brasília, DF: CNAS, 2005b. Disponível em: https://www.blogcnas.com/_files/ ugd/7f9ee6_874c022e71264786ac86454d91c7c923.pdf. Acesso em: 22 fev. 2022. BRASIL. Conselho Nacional de Assistência Social. Resolução no 17, de 20 de junho de 2011. Ratificar a equipe de referência definida pela Norma Operacional Básica de Recursos Humanos do Sistema Único de Assistência Social – NOB-RH/SUAS e Reconhecer as categorias profissionais de nível superior para atender as especificidades dos serviços socioassistenciais e das funções essenciais de gestão do Sistema Único de Assistência Social – SUAS. Brasília, DF: Conselho Nacional de Assistência Social, 2011b. Disponível em: http://blog.mds.gov.br/redesuas/ resolucao-no-17-de-20-de-junho-de-2011/. Acesso em: 30 mar. 2022. BRASIL. Conselho Nacional de Assistência Social. Resolução nº 9, de 15 de abril de 2014. Ratifica e reconhece as ocupações e as áreas de ocupações profissionais de ensino médio e fundamental do Sistema Único de Assistência Social – SUAS, em consonância com a Norma Operacional Básica de Recursos Humanos do SUAS – NOBRH/SUAS. Brasília, DF: CNAS, 2014b. Disponível em: http://blog.mds.gov.br/redesuas/resolucao-no-9-de-15-de-abril- de-2014/. Acesso em: 22 mar. 2022. BRASIL. Decreto nº 10.852, de 8 de novembro de 2021. Regulamenta o Programa Auxílio Brasil. Brasília, DF: Presidência da República, 2021c. Disponível em: https://www. in.gov.br/en/web/dou/-/decreto-n-10.852-de-8-de-novembro- de-2021-357706502. Acesso em: 19 mar. 2022. https://www.mds.gov.br/webarquivos/publicacao/assistencia_social/Normativas/tipificacao.pdf https://www.mds.gov.br/webarquivos/publicacao/assistencia_social/Normativas/tipificacao.pdf https://www.in.gov.br/materia/-/asset_publisher/Kujrw0TZC2Mb/content/id/32870261 https://www.in.gov.br/materia/-/asset_publisher/Kujrw0TZC2Mb/content/id/32870261 https://www.mds.gov.br/webarquivos/public/NOBSUAS_2012.pdf https://www.mds.gov.br/webarquivos/public/NOBSUAS_2012.pdf https://www.blogcnas.com/_files/ugd/7f9ee6_874c022e71264786ac86454d91c7c923.pdf https://www.blogcnas.com/_files/ugd/7f9ee6_874c022e71264786ac86454d91c7c923.pdf http://blog.mds.gov.br/redesuas/resolucao-no-17-de-20-de-junho-de-2011/ http://blog.mds.gov.br/redesuas/resolucao-no-17-de-20-de-junho-de-2011/ http://blog.mds.gov.br/redesuas/resolucao-no-9-de-15-de-abril-de-2014/ http://blog.mds.gov.br/redesuas/resolucao-no-9-de-15-de-abril-de-2014/ https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/decreto-n-10.852-de-8-de-novembro-de-2021-357706502 https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/decreto-n-10.852-de-8-de-novembro-de-2021-357706502 https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/decreto-n-10.852-de-8-de-novembro-de-2021-357706502 69 BRASIL. Decreto nº 7.334, de 19 de outubro de 2010. Institui o Censo do Sistema Único de Assistência Social - Censo SUAS, e dá outras providências. Brasília, DF: Presidência da República, 2010. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ ato2007-2010/2010/decreto/d7334.htm. Acesso em: 28 mar. 2022. BRASIL. Decreto nº 6.135 de 2007. Dispõe sobre o Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal e dá outras providências. Brasília, DF: Presidência da República, 2007. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007- 2010/2007/decreto/d6135.htm. Acesso em: 25 abr. 2022. BRASIL. Lei nº 10.741, de 1º de outubro de 2003. Dispõe sobre o Estatuto do Idoso e dá outras providências. Brasília, DF: Presidência da República, 2003. Disponível em: http://www. planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/l10.741.htm. Acesso em: 22. mar. 2022. BRASIL. Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015. Institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência). Brasília, DF: Presidência da República, 2015a. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ ato2015-2018/2015/lei/l13146.htm. Acesso em: 30 mar. 2022. BRASIL. Lei nº 13.982, de 2 de abril de 2020. Altera a Lei nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993, para dispor sobre parâmetros adicionais de caracterização da situação de vulnerabilidade social para fins de elegibilidade ao benefício de prestação continuada (BPC), e estabelece medidas excepcionais de proteção social a serem adotadas durante o período de enfrentamento da emergência de saúde pública de importância internacional decorrente do coronavírus (Covid-19) responsável pelo surto de 2019, a que se refere a Lei nº 13.979, de 6 de fevereiro de 2020. Brasília, DF: Presidência da República, 2020. Disponível em: https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/lei-n-13.982-de-2-de-abril- de-2020-250915958. Acesso em: 17 mar. 2022. BRASIL. Lei nº 14.284, de 29 de dezembro de 2021. Institui o Programa Auxílio Brasil e o Programa Alimenta Brasil. Brasília, DF: Presidência da República, 2021d. Disponível em: https:// in.gov.br/en/web/dou/-/lei-n-14.284-de-29-de-dezembro- de-2021-370918498. Acesso em: 22 mar. 2022. BRASIL. Lei nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993. Dispõe sobre a organização da Assistência Social e dá outras providências. Brasília, DF: Presidência da República, 1993. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8742.htm. Acesso em: 29 abr. 2022. BRASIL. Medida Provisória nº 1.061, de 9 de agosto de 2021. Institui o Programa Auxílio Brasil e o Programa Alimenta Brasil, e dá outras providências. Brasília, DF: Presidência da República, 2021b. Disponível em: https://www.in.gov.br/en/ web/dou/-/medida-provisoria-n-1.061-de-9-de- agostode-2021-337251007. Acesso em: 16 mar. 2022. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2007/decreto/d6135.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2007/decreto/d6135.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/l10.741.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/l10.741.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13146.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13146.htm https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/lei-n-13.982-de-2-de-abril-de-2020-250915958 https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/lei-n-13.982-de-2-de-abril-de-2020-250915958 https://in.gov.br/en/web/dou/-/lei-n-14.284-de-29-de-dezembro-de-2021-370918498 https://in.gov.br/en/web/dou/-/lei-n-14.284-de-29-de-dezembro-de-2021-370918498 https://in.gov.br/en/web/dou/-/lei-n-14.284-de-29-de-dezembro-de-2021-370918498 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8742.htm 70 BRASIL. Medida Provisória nº 1.164, de 2 de março de 2023. Institui o Programa Bolsa Família e altera a Lei nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993, que dispõe sobre a organização da Assistência Social, e a Lei nº 10.820, de 17 de dezembro de 2003, que dispõe sobre a autorização para desconto em folha de pagamento. 2023a. Disponível em: https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/medida- provisoria-n-1.164-de-2-de-marco-de-2023-467449434. Acesso em: 26 maio 2023. BRASIL. Medida Provisória nº 1.166, de 22 de março de 2023. Institui o Programa de Aquisição de Alimentos e altera a Lei nº 12.512, de 14 de outubro de 2011, e a Lei nº 14.133, de 1º de abril de 2021. 2023b. Disponível em: https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/ medida-provisoria-n-1.166-de-22-de-marco-de-2023-472340845. Acesso em: 26 maio 2023.BRASIL. Ministério da Cidadania. Cadastro Nacional de Entidades de Assistência Social - CNEAS. Brasília, 2022c. Disponível em: https://www.gov.br/cidadania/pt-br/acesso- a-informacao/carta-de-servicos/desenvolvimento-social/ assistencia-social/cadastro-nacional-de-entidades-de-assistencia- social-2013-cneas-1#:~:text=O%20Cadastro%20Nacional%20 de%20Entidades,entidades%20e%20suas%20ofertas%20 socioassistenciais. Acesso em: 9 abr. 2022. BRASIL. Ministério da Cidadania. Guia: as organizações da sociedade civil e o SUAS. Brasília, DF: Ministério da Cidadania, 2021f. Disponível em: http://blog.mds.gov.br/redesuas/wp- content/uploads/2021/08/GUIA_OSC_SUAS.pdf. Acesso em: 23 mar. 2022. BRASIL. Ministério da Cidadania. O que é o Auxílio Brasil? Brasília, 2022b. Disponível em: https://www.gov.br/cidadania/pt- br/auxilio-brasil/auxilio-brasil. Acesso em: 3 abr. 2022. BRASIL. Ministério da Cidadania. Proteção e Atenção Integral à Família. Brasília, 2022a. Disponível em: https://www.gov.br/ cidadania/pt-br/acoes-e-programas/assistencia-social/servicos-e- programas-1/protecao-e-atencao-integral-a-familia. Acesso em: 2 abr. 2022 BRASIL. Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário. ACESSUAS trabalho: orientações técnicas. Programa Nacional de Promoção do Acesso do Mundo do Trabalho. Brasília, DF: Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, Secretaria Nacional de Assistência Social, 2017b. BRASIL. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Resolução nº 269, de 13 de dezembro de 2006. Aprova a Norma Operacional Básica de Recursos Humanos do Sistema Único de Assistência Social – NOB-RH/SUAS. Brasília, DF: Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, 2006. Disponível em: https://www.social.go.gov.br/files/arquivos-migrados/54ea65997b 6c44c14aa59c27bc4946a1.pdf. Acesso em: 22 mar. 2022. BRASIL. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Secretaria Nacional de Assistência Social. Política Nacional de Assistência Social/PNAS 2004. Brasília, DF: Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, 2005a, 178 p. Disponível em: https://www.mds.gov.br/webarquivos/ publicacao/assistencia_social/Normativas/PNAS2004.pdf. Acesso em: 20 mar. 2022. https://www.gov.br/cidadania/pt-br/acesso-a-informacao/carta-de-servicos/desenvolvimento-social/assistencia-social/cadastro-nacional-de-entidades-de-assistencia-social-2013-cneas-1# https://www.gov.br/cidadania/pt-br/acesso-a-informacao/carta-de-servicos/desenvolvimento-social/assistencia-social/cadastro-nacional-de-entidades-de-assistencia-social-2013-cneas-1# https://www.gov.br/cidadania/pt-br/acesso-a-informacao/carta-de-servicos/desenvolvimento-social/assistencia-social/cadastro-nacional-de-entidades-de-assistencia-social-2013-cneas-1# https://www.gov.br/cidadania/pt-br/acesso-a-informacao/carta-de-servicos/desenvolvimento-social/assistencia-social/cadastro-nacional-de-entidades-de-assistencia-social-2013-cneas-1# http://blog.mds.gov.br/redesuas/wp-content/uploads/2021/08/GUIA_OSC_SUAS.pdf http://blog.mds.gov.br/redesuas/wp-content/uploads/2021/08/GUIA_OSC_SUAS.pdf https://www.gov.br/cidadania/pt-br/auxilio-brasil/auxilio-brasil https://www.gov.br/cidadania/pt-br/auxilio-brasil/auxilio-brasil https://www.gov.br/cidadania/pt-br/acoes-e-programas/assistencia-social/servicos-e-programas-1/protecao-e-atencao-integral-a-familia https://www.gov.br/cidadania/pt-br/acoes-e-programas/assistencia-social/servicos-e-programas-1/protecao-e-atencao-integral-a-familia https://www.gov.br/cidadania/pt-br/acoes-e-programas/assistencia-social/servicos-e-programas-1/protecao-e-atencao-integral-a-familia https://www.social.go.gov.br/files/arquivos-migrados/54ea65997b6c44c14aa59c27bc4946a1.pdf https://www.social.go.gov.br/files/arquivos-migrados/54ea65997b6c44c14aa59c27bc4946a1.pdf https://www.mds.gov.br/webarquivos/publicacao/assistencia_social/Normativas/PNAS2004.pdf https://www.mds.gov.br/webarquivos/publicacao/assistencia_social/Normativas/PNAS2004.pdf 71 BRASIL. Orientações Técnicas sobre o PAIF: Trabalho Social com Famílias do PAIF. Brasília, DF: Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Secretaria Nacional de Assistência Social, 2012b, v. 2, p. 10. Disponível em: https:// www.mds.gov.br/webarquivos/publicacao/assistencia_social/ Cadernos/Orientacoes_PAIF_2.pdf. Acesso em: 23 mar. 2022. BRASIL. Orientações Técnicas: Centro de Referência Especializado de Assistência Social – CREAS. Brasília, DF: Gráfica e Editora Brasil LTDA, 2011a. BRASIL. Orientações Técnicas: Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua – Centro Pop SUAS e População em Situação de Rua. Brasília, DF: Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, 2011c. v. 3. BRASIL. Perguntas e respostas: Serviço Especializado em Abordagem social. SUAS e a população em situação de rua. Brasília, DF: Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Secretaria Nacional de Assistência Social, 2013b, 4 v. 52 p. Disponível em: https://www.mds.gov.br/webarquivos/ publicacao/assistencia_social/Cadernos/Perguntas_Servico_ AbordagemSocial.pdf. Acesso em: 29 abr. 2022. BRASIL. Política Nacional de Educação Permanente do SUAS. Brasília, DF: Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, 2013c. Disponível em: https://www.mds.gov.br/ webarquivos/publicacao/assistencia_social/Normativas/Politica- nacional-de-Educacao-permanente.pdf. Acesso em: 1 abr. 2022. BRASIL. Secretaria Nacional de Assistência Social. Comissão Intergestores Tripartite. Resolução nº 4, de 24 de maio de 2011. Institui parâmetros nacionais para o registro das informações relativas aos serviços ofertados nos Centros de Referência da Assistência Social - CRAS e Centros de Referência Especializados da Assistência Social - CREAS. Brasília, DF: SNAS, 2011. Disponível em: http://www.mds.gov.br/webarquivos/legislacao/ assistencia_social/resolucoes/2011/ResolucaoCITn4-2011.pdf. Acesso em: 24 maio 2022. BRASIL. Secretaria Nacional de Assistência Social. Comissão Intergestores Tripartite. Resolução nº 20 de dezembro de 2013. Altera a Resolução nº 4, de 24 de maio de 2011 da Comissão Intergestores Tripartite - CIT. Brasília, DF: SNAS, 2013. Disponível em: http://blog.mds.gov.br/redesuas/resolucao-no- 20-de-de-dezembro-de-2013/. Acesso em: 24 maio 2022. BRASIL. Serviços da proteção social especial do SUAS. 2. ed. Brasília, DF: Ministério da Cidadania, 2021a, 132 p. Versão preliminar. BRONZO, C. Vulnerabilidade, empoderamento e metodologias centradas na família: conexões e uma experiência para reflexão. In: UNESCO (org.). Concepção e gestão da proteção social não contributiva no Brasil. Brasília, DF: Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome; UNESCO, 2009. p. 171-204. https://www.mds.gov.br/webarquivos/publicacao/assistencia_social/Cadernos/Orientacoes_PAIF_2.pdf https://www.mds.gov.br/webarquivos/publicacao/assistencia_social/Cadernos/Orientacoes_PAIF_2.pdf https://www.mds.gov.br/webarquivos/publicacao/assistencia_social/Cadernos/Orientacoes_PAIF_2.pdf https://www.mds.gov.br/webarquivos/publicacao/assistencia_social/Cadernos/Perguntas_Servico_AbordagemSocial.pdf https://www.mds.gov.br/webarquivos/publicacao/assistencia_social/Cadernos/Perguntas_Servico_AbordagemSocial.pdf https://www.mds.gov.br/webarquivos/publicacao/assistencia_social/Cadernos/Perguntas_Servico_AbordagemSocial.pdf https://www.mds.gov.br/webarquivos/publicacao/assistencia_social/Normativas/Politica-nacional-de-Educacao-permanente.pdf https://www.mds.gov.br/webarquivos/publicacao/assistencia_social/Normativas/Politica-nacional-de-Educacao-permanente.pdf https://www.mds.gov.br/webarquivos/publicacao/assistencia_social/Normativas/Politica-nacional-de-Educacao-permanente.pdf http://www.mds.gov.br/webarquivos/legislacao/assistencia_social/resolucoes/2011/ResolucaoCITn4-2011.pdf http://www.mds.gov.br/webarquivos/legislacao/assistencia_social/resolucoes/2011/ResolucaoCITn4-2011.pdf http://blog.mds.gov.br/redesuas/resolucao-no-20-de-de-dezembro-de-2013/http://blog.mds.gov.br/redesuas/resolucao-no-20-de-de-dezembro-de-2013/ 72 CARMO, M. E.; GUIZARDI, F. L. O conceito de vulnerabilidade e seus sentidos para as políticas públicas de saúde e assistência social. Cadernos de Saúde Pública, v. 3, n. 34, p. 1-14, 2018. Disponível em: https://www.scielo.br/j/csp/a/ ywYD8gCqRGg6RrNmsYn8WHv/?lang=pt&format=pdf. Acesso em: 23 mar. 2022. CASTEL, R. As metamorfoses da questão social: uma crônica do salário. Petrópolis: Vozes, 1998. COLIN, D. R. A.; SILVEIRA, J. I. Serviços Socioassistenciais. In: FERNANDES, R. M. C; HELLMANN, A (org.). Dicionário crítico: política de assistência social no Brasil. Porto Alegre: Ed. UFRGS, 2016. p. 264-67. COUTO, B. R. Direitos Socioassistenciais. In: FERNANDES, R. M. C; HELLMANN, A. (org.). Dicionário crítico: política de assistência social no Brasil. Porto Alegre: Ed. UFRGS, 2016. p. 89-91. COUTO, B. R.; YAZBEK, M. C.; RAICHELIS, R. A política nacional de assistência social e o SUAS: apresentando e problematizando fundamentos e conceitos. In: COUTO, B. R. et al. O Sistema Único de Assistência Social no Brasil: uma realidade em movimento. 4 ed. São Paulo: Cortez, 2014. p. 55-88. DALLARI, D. A. Direitos Humanos e Cidadania. 2. ed. São Paulo: Moderna, 2004. (Coleção Polêmica). Edição Reformulada. DAMASCENO, R. Conheça a análise da música Comida dos Titãs. Letras, 2020. Disponível em: https://www.letras.mus.br/ blog/analise-musica-comida-titas/. Acesso em: 11 abr. 2022. DONZELOT, J. A polícia das famílias. 2. ed. Rio de Janeiro: Graal, 1986. ESPING-ANDERSEN, G. Fundamentos sociales de las economías postindustriales. Barcelona: Ariel, 2011. FERREIRA, G. N.; FERNANDES, M. F. L. Cidadão/Cidadania. In: GIOVANNI, G.; NOGUEIRA, M. A. (org.). Dicionário de políticas públicas. 3. ed. São Paulo: Ed. UNESP, 2018. p. 135-140. FERREIRA, S. S. NOB-RH Anotada e Comentada. Brasília, DF: Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Secretaria Nacional de Assistência Social, 2011. Disponível em: https://www.mds.gov.br/webarquivos/publicacao/assistencia_ social/Normativas/NOB-RH_SUAS_Anotada_Comentada.pdf. Acesso em: 2 abr. 2022. FIOROTTI, M. R. O.; MAIA, M. Centro de Referência Especializado de Assistência Social - CREAS. In: FERNANDES, R.M.C; HELLMANN, A (org.). Dicionário crítico: política de assistência social no Brasil. Porto Alegre: Ed. UFRGS, 2016. p. 47-50. https://www.scielo.br/j/csp/a/ywYD8gCqRGg6RrNmsYn8WHv/?lang=pt&format=pdf https://www.scielo.br/j/csp/a/ywYD8gCqRGg6RrNmsYn8WHv/?lang=pt&format=pdf https://www.letras.mus.br/blog/analise-musica-comida-titas/ https://www.letras.mus.br/blog/analise-musica-comida-titas/ https://www.mds.gov.br/webarquivos/publicacao/assistencia_social/Normativas/NOB-RH_SUAS_Anotada_Comentada.pdf https://www.mds.gov.br/webarquivos/publicacao/assistencia_social/Normativas/NOB-RH_SUAS_Anotada_Comentada.pdf 73 FLEURY, S. A seguridade social e os dilemas da inclusão social. Revista de Administração Pública, v. 3, n. 39, p. 449-469, 2005. Disponível em: http://app.ebape.fgv.br/comum/arq/ACFD1.pdf. Acesso em: 27 mar. 2022. FRANZONI, J. M. Arañando bienestar? Trabajo remunerado, protección social y familias en América Central. Buenos Aires: CLACSO, 2008. FREITAS, M. J. Benefícios socioassistenciais: eventuais e prestação. In: FERNANDES, R. M. C; HELLMANN, A (org.). Dicionário crítico: política de assistência social no Brasil. Porto Alegre: Ed. UFRGS, 2016. p. 33-36. GOHN, M. G. Conselhos gestores e participação sócio- política. 2. ed. São Paulo: Cortez, 2003. GUILHON, V. Política assistencial. In: GIOVANNI, G.; NOGUEIRA, M. A. (org.). Dicionário de políticas públicas. 3. ed. São Paulo: Editora UNESP, 2018. p. 706-710. GPETPS UFRGS. Educação Permanente no SUAS. 2019. 1 vídeo (6 min). Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=q- yL3nBTbuM & ab_channel=GPETPSUFRGS. Acesso em: 10 abr. 2022. HILLESHEIM, B.; CRUZ, L. R. Risco social. In: FERNANDES, R. M. C; HELLMANN, A (org.). Dicionário crítico: política de assistência social no Brasil. Porto Alegre: Ed. UFRGS, 2016. p. 242-245. HOUAISS, A. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. 1. ed. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001. IAMAMOTO, M. V.; CARVALHO, R. Relações sociais e Serviço Social no Brasil. 3. ed. São Paulo: Cortez, 1985. JACCOUD, L. B. Risco social. In: GIOVANNI, G.; NOGUEIRA, M. A. (org.). Dicionário de políticas públicas. 3. ed. São Paulo: Editora UNESP, 2018. p. 899-902. KNEVITZ, A. Trabalhadores da assistência social. In: FERNANDES, R. M. C.; HELLMANN, A (org.). Dicionário crítico: política de assistência social no Brasil. Porto Alegre: Ed. UFRGS, 2016. 320 p. (Coleção CEGOV: Transformando a administração pública). LAVINAS, L. A estrutura do financiamento da proteção social brasileira e as contas da proteção social. In: DEDECCA, C. S.; PRONI, M. W. (org.). Economia e proteção social: textos para estudo dirigido. Campinas: Unicamp, 2006. p. 249-274. LEWGOY, A. M. B. Interdisciplinaridade. In: FERNANDES, R. M. C.; HELLMANN, A (org.). Dicionário crítico: política de assistência social no Brasil. Porto Alegre: Ed. UFRGS, 2016. p. 153-156. LOPES, M. H. C. Sistema Único de Assistência Social. In: FERNANDES, R. M. C.; HELLMANN, A (org.). Dicionário crítico: política de assistência social no Brasil. Porto Alegre: Ed. UFRGS, 2016. p. 271-74. http://app.ebape.fgv.br/comum/arq/ACFD1.pdf https://www.youtube.com/watch?v=q-yL3nBTbuM https://www.youtube.com/watch?v=q-yL3nBTbuM 74 MACHADO, L. M. O. Seguranças sociais. In: FERNANDES, R. M. C.; HELLMANN, A. (org.). Dicionário crítico: política de assistência social no Brasil. Porto Alegre: Ed. UFRGS, 2016. p. 256-59. MAZALI, V. et al. LOAS - Comentários à Lei Orgânica da Assistência Social – Lei nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993. Escola da Advocacia-Geral da União Ministro Victor Nunes Leal, ano 7, n. 36, jan./fev. 2015. Disponível em: https://www.mds.gov.br/ webarquivos/publicacao/assistencia_social/Normativas/loas_ comentada_agu.pdf. Acesso em: 27 mar. 2022. MIOTO, R. C. T. Cuidados sociais dirigidos à família e segmentos sociais vulneráveis. In: CADERNOS CEAD, mod. 4. Brasília, DF: UNB, 2000. p. 216-224. MIOTO, R. C. T. Que família é essa? In: WANDERLEY, M. B.; OLIVEIRA, I. C. (org.). Trabalho com famílias: textos de apoio, v. 2, São Paulo: IEE-PUC-SP, 2004. p. 14-17. MIOTO, R. C. T. Famílias e políticas sociais. In: BOSCHETTI, I. et al. (org.). Política social no capitalismo: tendências contemporâneas. São Paulo: Cortez, 2008. p. 130-148. MIOTO, R. C. T.; CAMPOS, M. S. Matricialidade sociofamiliar. In: FERNANDES, R. M. C.; HELLMANN, A. (org.). Dicionário crítico: política de assistência social no Brasil. Porto Alegre: Ed. UFRGS, 2016. p. 174-77. NETTO, J. P. Capitalismo monopolista e Serviço Social. 8. ed. São Paulo: Cortez, 2011. NOGUEIRA, V. M. R. Políticas públicas e ação profissional: sinergias necessárias. In: NOGUEIRA, V. M. R. et al. (org.). Estado, políticas públicas e a ação profissional de assistentes sociais. Cascavel: Edunioeste, 2020. p. 117-136. OLIVEIRA, H. M. J. Cultura política e assistência social: uma análise das orientações de gestores estaduais. São Paulo: Cortez, 2003. OLIVEIRA, T.; ALVES, I. G. Legião Brasileira de Assistência e políticas sociais: primeiro-damismo, gênero e assistência social. Boletim Historiar, v. 7, n. 2, p. 16-32, 2020. Disponível em: https://seer.ufs.br/index.php/historiar/article/view/14379. Acesso em: 27 mar. 2022. ORTEGAL, L. Relações raciais no Brasil: colonialidade, dependência e diáspora. Serviço Social & Sociedade, n. 133, p. 413-431, 2018. Disponível em: https://doi.org/10.1590/0101- 6628.151. Acesso em: 26 mar 2022. PAOLI, M. C.; TELLES, V. S. Direitos sociais, conflitos e negociações no Brasil contemporâneo. In: ALVAREZ, S. E.; DAGNINO, E.; ESCOBAR, A. (org.). Cultura e política nos movimentos sociais latino-americanos: novas leituras. Belo Horizonte: UFMG, 2000. p. 103-148. PEREIRA, P. A. Necessidades humanas:subsídio à crítica dos mínimos sociais. São Paulo: Cortez, 2008. PERES, G. A. L. A organização das redes socioassistenciais no contexto do SUAS. Serviço Social & Realidade, Franca, v. 20, n. 1, p. 97-118, 2011. Disponível em: https://seer.franca.unesp.br/index. php/SSR/article/download/2408/2127. Acesso em: 20 mar. 2022. https://www.mds.gov.br/webarquivos/publicacao/assistencia_social/Normativas/loas_comentada_agu.pdf https://www.mds.gov.br/webarquivos/publicacao/assistencia_social/Normativas/loas_comentada_agu.pdf https://www.mds.gov.br/webarquivos/publicacao/assistencia_social/Normativas/loas_comentada_agu.pdf https://seer.ufs.br/index.php/historiar/article/view/14379 https://doi.org/10.1590/0101-6628.151 https://doi.org/10.1590/0101-6628.151 https://seer.franca.unesp.br/index.php/SSR/article/download/2408/2127 https://seer.franca.unesp.br/index.php/SSR/article/download/2408/2127 75 PRISCO, T. A proteção social básica da assistência social. Argumentum, v. 4, n. 2, p. 80-94, 2012. Disponível em: https:// periodicos.ufes.br/argumentum/article/view/3151. Acesso em: 20 mar. 2022. RAICHELIS, R. Desafios da gestão democrática das políticas sociais. In: CAPACITAÇÃO em Serviço Social e Política Social. Módulo 3. Programa de Capacitação Continuada para Assistentes Sociais. Brasília, DF: CFESS, ABEPSS, CEAD/NED-UNB, 2000. RAICHELIS, R. Conselhos e Conferências de Assistência Social. In: FERNANDES, R. M. C; HELLMANN, A. (org.). Dicionário crítico: política de assistência social no Brasil. Porto Alegre: Ed. UFRGS, 2016. p. 60-64. ROCHA, S. Certificação de Assistência Social. In: FERNANDES, R. M. C; HELLMANN, A. (org.). Dicionário crítico: política de assistência social no Brasil. Porto Alegre: Ed. UFRGS, 2016. p. 51-55. SACARDO, D. P. S.; GONÇALVES, C. C. M. Território: potencialidades na construção de sujeitos. In: FERNANDEZ, J. C. A.; MENDES, R. (org.) Promoção da saúde e gestão local. São Paulo: Aderaldo e Rothschild, 2007. p. 111-129. SANGLARD, G. Filantropia e política pública: Fernandes Figueira e a assistência à infância no Rio de Janeiro na Primeira República. In: SANGLARD, G. et al. Filantropos da nação: sociedade, saúde e assistência no Brasil e em Portugal. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2015. p. 133-148. SANGLARD, G. et al. Filantropos da nação: sociedade, saúde e assistência no Brasil e em Portugal. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2015. SANTOS, M. Por uma outra globalização: do pensamento único à consciência universal. 20. ed. Rio de Janeiro: Record, 2011. SANTOS, A. O aspecto jurídico e institucional do SUAS. In: OLIVINDO, K. A. F.; ALVES, S. M. C.; ALBUQUERQUE, S. A. Olhares sobre o direito à assistência social. Brasília, DF: Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome; Fiocruz, 2015. p. 45-72. Disponível em: https://www.mds.gov. br/webarquivos/publicacao/assistencia_social/Livros/olhares_ sobre_direito_assistencia_social.pdf. Acesso em: 26 mar. 2022. SANTOS, S. R. Diagnóstico socioterritorial. In: FERNANDES, R. M. C; HELLMANN, A. (org.). Dicionário crítico: política de assistência social no Brasil. Porto Alegre: Ed. UFRGS, 2016. p. 78-81. SARACENO, C.; NALDINI, M. Sociologia da família. Lisboa: Editorial Estampa, 2003. SPOSATI, A. Modelo brasileiro de proteção social não contributiva: concepções fundantes. In: UNESCO (org.). Concepção e gestão da proteção social não contributiva no Brasil. Brasília, DF: MDS; UNESCO, 2009. p. 13-55. https://periodicos.ufes.br/argumentum/article/view/3151 https://periodicos.ufes.br/argumentum/article/view/3151 https://www.mds.gov.br/webarquivos/publicacao/assistencia_social/Livros/olhares_sobre_direito_assistencia_social.pdf https://www.mds.gov.br/webarquivos/publicacao/assistencia_social/Livros/olhares_sobre_direito_assistencia_social.pdf https://www.mds.gov.br/webarquivos/publicacao/assistencia_social/Livros/olhares_sobre_direito_assistencia_social.pdf 76 SPOSATI, A. O. et al. A assistência na trajetória das políticas sociais brasileiras: uma questão em análise. São Paulo: Cortez, 1985. SUAS 10. Diversidade no SUAS: realidade, respostas, perspectivas. Brasília, DF: Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome; Secretaria Nacional de Assistência Social – SNAS, 2015. TEIXEIRA, S. M. F. Política social e democracia: reflexões sobre o legado da seguridade social. Cadernos de Saúde Pública, v. 1, n. 4, p. 400-417, 1985. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0102- 311X1985000400002. Acesso em: 27 mar. 2022. TELLES, V. S. Direitos sociais: afinal do que se trata. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 1999. YAZBEK, M. C. As ambiguidades da assistência social brasileira após dez anos de LOAS. Revista Serviço Social & Sociedade, São Paulo, ano 25, n. 77, mar. 2004. YAZBEK, M. C. Estado, Políticas Sociais e Implementação do SUAS. In: BRASIL. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. CapacitaSuas Volume 1. SUAS: Configurando os Eixos de Mudança. Brasília, DF: Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, 2008. p. 79- 136. Disponível em: https://www.mds.gov.br/webarquivos/ publicacao/assistencia_social/Cadernos/SUAS_Vol1_%20 Mudanca.pdf. Acesso em: 26 mar. 2022. ZAMBONI, M. Marcadores Sociais da Diferença. Sociologia: grandes temas do conhecimento (Especial Desigualdades), v. 1, p. 14-18, 2014. Disponível em: https://assets-dossies-ipg-v2. nyc3.digitaloceanspaces.com/sites/2/2018/02/ZAMBONI_ MarcadoresSociais.pdf. Acesso em: 23 mar. 2022. https://doi.org/10.1590/S0102-311X1985000400002 https://doi.org/10.1590/S0102-311X1985000400002 https://www.mds.gov.br/webarquivos/publicacao/assistencia_social/Cadernos/SUAS_Vol1_%20Mudanca.pdf https://www.mds.gov.br/webarquivos/publicacao/assistencia_social/Cadernos/SUAS_Vol1_%20Mudanca.pdf https://www.mds.gov.br/webarquivos/publicacao/assistencia_social/Cadernos/SUAS_Vol1_%20Mudanca.pdf https://assets-dossies-ipg-v2.nyc3.digitaloceanspaces.com/sites/2/2018/02/ZAMBONI_MarcadoresSociais.pdf https://assets-dossies-ipg-v2.nyc3.digitaloceanspaces.com/sites/2/2018/02/ZAMBONI_MarcadoresSociais.pdf https://assets-dossies-ipg-v2.nyc3.digitaloceanspaces.com/sites/2/2018/02/ZAMBONI_MarcadoresSociais.pdf UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA Equipe de desenvolvimento e produção dos cursos originais FORMAÇÃO BÁSICA NO SUAS PARA FUNÇÕES DE NÍVEL MÉDIO: COORDENAÇÃO GERAL Luciano Patrício Souza de Castro FINANCEIRO Fernando Machado Wolf CONSULTORIA TÉCNICA EAD Giovana Schuelter COORDENAÇÃO DE PRODUÇÃO Cristina Spengler Azambuja COORDENAÇÃO DE AVEA Andreia Mara Fiala DESIGN INSTRUCIONAL Supervisão: Milene Silva de Castro Christian Jean Abes Larissa Usanovich de Menezes Laura Tuyama DESIGN GRÁFICO Supervisão: Sonia Trois Airton Jordani Jardim Filho Lais dos Santos da Silva Laura Schefer Magnus Márcio Luz Scheibel Nicole Alves Guglielmetti Vinicius Costa Pauli Vinicius Leão da Silva REVISÃO TEXTUAL Supervisão: Evillyn Kjellin Guilherme Ribeiro Colaço Mäder PROGRAMAÇÃO Supervisão: Alexandre Dal Fabbro Bruno Fuhrmann Kehrig Silva Luiz Eduardo Pizzinatto AUDIOVISUAL Supervisão: Rafael Poletto Dutra Andrei Krepsky de Melo Daniele de Castro Iván Alexis Bustingorri Jeremias Adrian Bustingorri Monica Stein Rodrigo Humaita Witte SECRETARIA Murilo Cesar Ramos Waldoir Valentim Gomes Junior NARRAÇÃO/APRESENTAÇÃO Áureo Mafra de Moraes AUDIODESCRIÇÃO Vanessa Tavares Wilke Vivian Ferreira Dias NARRAÇÃO/AUDIODESCRIÇÃO Milene Silva de Castro INTÉRPRETE LIBRAS Vitória Cristina Amancio SUPERVISÃO TUTORIA Amanda Herzmann Vieira Diogo Félix de Oliveira João Batista de Oliveira Junior Thaynara Gilli Tonolli CONTEUDISTAS DO CURSO Deidvid de Abreu Francielle Lopes Alves Maria Gabriela da Rocha Equipe de ajuste (modelo EaD autoinstrucional) do curso FUNDAMENTOS BÁSICOS DO SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL (SUAS) COORDENAÇÃO GERAL Susan Aparecida de Oliveira FINANCEIRO Rafael Pereira Ocampo Moré CONSULTORIA TÉCNICA EAD Giovana Schuelter COORDENAÇÃO DE PRODUÇÃO Waldoir Valentim Gomes Junior CONTROLE DE QUALIDADE Luciano PatrícioSouza de Castro COORDENAÇÃO DE AVEA Wilton José Pimentel Filho Isaías Scalabrin Bianchi DESIGN INSTRUCIONAL Supervisão: Joyce Regina Borges Samuel Girardi DESIGN GRÁFICO Supervisão: Sonia Trois Vinicius Costa Pauli Vinicius Leão da Silva REVISÃO TEXTUAL Supervisão: Fábio Bianchini Mattos PROGRAMAÇÃO Supervisão: Bruno Fuhrmann Kehrig Silva Cleberton de Souza Oliveira Luan da Silva Moraes AUDIOVISUAL Supervisão: Dilney Carvalho da Silva Italo Coelho Zaccaron Maycon Douglas da Silva SECRETARIA Murilo Cesar Ramos NARRAÇÃO/APRESENTAÇÃO Áureo Mafra de Moraes INTÉRPRETE LIBRAS Vitória Cristina Amancio CONTEUDISTAS DE AJUSTES Ana Paula Campos Braga Franco Daniele Cima Cardoso Gissele Carraro Luziele Maria de Souza Tapajós Marcilio Marquesini Ferrari FUNDAMENTOS BÁSICOS DO SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL (SUAS) O Sistema Único de Assistência Social 2.1 Princípios 2.2 Objetivos 2.3 Principais diretrizes do SUAS 2.4 Seguranças afiançadas pelo SUAS 2.5 Proteções sociais e os serviços socioassistenciais do SUAS Referências