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FUNDAMENTOS BÁSICOS 
DO SISTEMA ÚNICO DE 
ASSISTÊNCIA SOCIAL (SUAS)
FUNDAMENTOS BÁSICOS 
DO SISTEMA ÚNICO DE 
ASSISTÊNCIA SOCIAL (SUAS)
BY NC ND
GOVERNO FEDERAL
MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO E ASSISTÊNCIA SOCIAL, 
FAMÍLIA E COMBATE À FOME
SECRETARIA NACIONAL DE ASSISTÊNCIA SOCIAL
DEPARTAMENTO DE GESTÃO DO SISTEMA ÚNICO DE 
ASSISTÊNCIA SOCIAL
COORDENAÇÃO-GERAL DE GESTÃO DO TRABALHO E EDUCAÇÃO 
PERMANENTE
Todo o conteúdo do curso Fundamentos Básicos do Sistema Único de 
Assistência Social (SUAS), da Secretaria Nacional de Assistência Social, do 
Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate 
à Fome do Governo Federal - 2023, está licenciado sob a Licença Pública 
Creative Commons Atribuição-Não Comercial-Sem Derivações 4.0 
Internacional. Para visualizar uma cópia desta licença, acesse: 
https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/deed.pt_BR
QR Code
No decorrer do livro aparecerão códigos como este ao lado que darão 
acesso a conteúdos extras. Para acessá-los, basta apontar a câmera do seu 
dispositivo móvel (smartphone ou tablet) para o código (obs.: é necessário 
estar conectado à internet).
https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/deed.pt_BR
Siglas
BPC - Benefício de Prestação Continuada 
CadSUAS - Cadastro do Sistema Único de Assistência Social
CadÚnico - Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal
Centro POP - Centro de Referência Especializado para População em 
Situação de Rua 
CFESS - Conselho Federal de Serviço Social 
CIT - Comissão Intergestores Tripartite 
CLT - Consolidação das Leis do Trabalho 
CNAS - Conselho Nacional de Assistência Social
CNEAS - Cadastro Nacional de Entidades de Assistência Social 
CONANDA - Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente 
CRAS - Centro de Referência de Assistência Social 
CREAS - Cadastro Nacional de Entidades de Assistência Social
CRESS - Conselho Regional de Serviço Social 
DIEESE - Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos
ECA - Estatuto da Criança e do Adolescente 
ESF - Estratégia Saúde da Família 
IAPs - Institutos de Aposentadorias e Pensões 
IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística 
IGD - Índice de Gestão Descentralizada 
INSS - Instituto Nacional do Seguro Social 
LA - Liberdade Assistida 
LBA - Legião Brasileira de Assistência 
LGBTQIAPN+ - Lésbicas, gays, bissexuais, transsexuais e travestis, queer, 
interssexo, assexuais, panssexuais, não-binário
LOAS - Lei Orgânica de Assistência Social 
NIS - Número de Identificação Social 
NOB/SUAS - Norma Operacional Básica do Sistema Único de Assistência Social 
NOB-RH/SUAS - Norma Operacional Básica de Recursos Humanos do 
Sistema Único de Assistência Social 
ONGs - Organizações Não Governamentais
OSC - Organização da Sociedade Civil 
PAEFI - Serviço de Proteção e Atendimento Especializado a Famílias e Indivíduos 
PAF – Plano de Acompanhamento Individual ou Familiar
PAIF - Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família 
PBF - Programa Bolsa Família
PcD – Pessoa com Deficiência 
PETI - Programa de Erradicação do Trabalho Infantil 
PNAS - Política Nacional de Assistência Social 
PNEP - Política Nacional de Educação Permanente 
PSB - Proteção Social Básica 
PSC - Prestação de Serviços à Comunidade 
PSE - Proteção Social Especial 
RF - Responsável Familiar 
RMA - Registro Mensal de Atendimento 
SAGICAD -Secretaria de Avaliação, Gestão da Informação e Cadastro Único 
SCFV - Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos 
SEAS - Serviço Especializado de Abordagem Social 
SGD - Sistema de Garantia dos Direitos da Criança e do Adolescente 
SICON - Sistema de Condicionalidades do Programa Bolsa Família
SISC - Sistema de Informações do Serviço de Convivência e Fortalecimento 
de Vínculos
SIS Acessuas - Sistema de Acompanhamento do Programa de Promoção 
do Acesso ao Mundo do Trabalho 
SNAS - Secretaria Nacional de Assistência Social 
SUAS - Sistema Único de Assistência Social 
SUS - Sistema Único de Saúde 
 
Sumário
MÓDULO 2 
2. O Sistema Único de Assistência Social . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6
2.1 Princípios . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .9
2.2 Objetivos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10
2.3 Principais diretrizes do SUAS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10
2.4 Seguranças afiançadas pelo SUAS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25
2.5 Proteções sociais e os serviços socioassistenciais do SUAS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32
Referências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 67
O Sistema Único de 
Assistência SocialMÓDULO
MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL7
O Módulo 2, que se inicia, traz informações gerais sobre o SUAS, 
seus princípios, objetivos, seguranças afiançadas e principais 
diretrizes que fundamentam esse sistema complexo, parte da 
proteção social brasileira. Além disso, a partir da Tipificação 
Nacional dos Serviços Socioassistenciais, expõe a concepção das 
proteções sociais: Proteção Social Básica e Proteção Social Especial 
(média e alta complexidade), seus serviços e equipamentos. 
Por fim, apresenta os benefícios socioassistenciais e os programas 
de transferência de renda que compõem o SUAS. 
Vamos, então, conhecer o Sistema Único de Assistência Social do 
Brasil, o SUAS.
O que é o SUAS? 
O Sistema Único de Assistência Social (SUAS), instituído a partir 
da Lei Orgânica de Assistência Social (1993 e alterada em 2011) 
e da Política Nacional de Assistência Social (2004), é fruto do 
movimento democrático e da garantia de direitos presentes na 
Constituição Federal de 1988. De acordo com Lopes (2016, p. 271), o 
SUAS é:
“[...] o Sistema Público estatal brasileiro que regula, organiza, 
estrutura, planeja, coordena e executa a oferta dos serviços 
socioassistenciais em todo o território nacional, sob a 
responsabilidade de todos os entes federativos: União, Distrito 
Federal, Estados e Municípios. O SUAS concretiza e põe em ação a 
Política Nacional de Assistência Social; portanto, constitui-se em 
instrumento técnico, político e administrativo essencial à garantia 
do direito e acesso à assistência social pela população, preconizados 
pela primeira vez na Constituição Brasileira de 1988, no capítulo da 
ordem social, integrando o tripé da Seguridade Social brasileira.”
O SUAS compreende um conjunto de ações, serviços, programas 
e benefícios que buscam garantir a proteção social aos cidadãos, 
apoiando indivíduos, famílias e comunidades no enfrentamento 
de suas vulnerabilidades. Nesse sentido, o SUAS busca fortalecer 
os diferentes sujeitos sociais no desenvolvimento da autonomia 
para uma vida mais integral. Os serviços ofertados por essa rede 
de proteção social contribuem na prevenção das violações de 
direitos, bem como na proteção daqueles que estão sob ameaça ou 
já tiveram seus direitos violados.
 
MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL8
processode desenvolvimento. Todo sistema deve responder 
às necessidades e às demandas da realidade, dos indivíduos e 
das instituições de seu território. Todo sistema está envolto em 
contextos históricos, políticos, econômicos e sociais que devem 
ser considerados, bem como as diversidades, especificidades, 
cultura e características do território. Assim, Lopes (2016, p. 272) 
nos auxilia a compreender que um sistema único não significa ser 
uniforme. Um sistema busca “assegurar a unidade, perenidade, 
qualidade nos serviços prestados, construindo uma identidade 
comum e orgânica, com reconhecimento social”.
GESTÃO EFETIVA
O SUAS se constitui na regulação e organização das ações 
socioassistenciais em todo o território nacional. Sua gestão 
segue um modelo de gestão descentralizado e participativo, 
ou seja, a gestão é compartilhada entre a União, os estados e 
os municípios e cofinanciada por essas três esferas de governo. 
Prevê a participação e a mobilização da sociedade civil, que 
também atua para sua a implantação e efetivação da política de 
assistência social brasileira (BRASIL, 2005a).
O SUAS estabelece um novo modelo de estruturação, com enfoque 
na proteção social e organizado por níveis de complexidade: 
a Proteção Social Básica e a Proteção Social Especial, de média e alta 
complexidade (BRASIL, 2013a). Para sua efetivação, o SUAS define 
e organiza os elementos essenciais e os eixos estruturantes para a 
execução da política de assistência social, conforme descritos na 
PNAS 2004 e apresentados na seção 1.3.
E por que um sistema? 
De acordo com Ferreira (1986, apud LOPES, 2016, p. 272):
“Sistema é conceituado como aquilo que permanece junto ou, ainda, 
a combinação de partes reunidas, para concorrerem a um resultado, 
ou de modo a formarem um conjunto. E, ainda, o conjunto de meios 
e processos empregados para alcançar determinado fim; conjunto de 
métodos ou processos didáticos.”
Há, portanto, de acordo com o olhar de Lopes (2016), elementos 
constitutivos de qualquer sistema, que orientam e dão 
consistência às suas finalidades, não sendo diferente com o SUAS. 
Dentre tais elementos, destacam-se: 
 ■ Articulação
 ■ Unidade
 ■ Regras
 ■ Fluxos
 ■ Procedimentos comuns
 ■ Hierarquia
 ■ Continuidade
 ■ Base conceitual e legal
 ■ Objetivos
 ■ Metodologias
 ■ Processos relacionais e interinstitucionais
Os elementos apresentados como parte de qualquer sistema, 
seja ele mais ou menos complexo, de âmbito regional ou federal, 
público ou privado, são imprescindíveis/indispensáveis no seu 
MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL9
QR CODE
Aponte a câmera do seu dispositivo móvel 
(smartphone ou tablet) para o QR Code ao 
lado para assistir ao vídeo de animação que 
trata da introdução ao SUAS ou acesse o link: 
https://youtu.be/5iGLxmeSPzM. 
SAIBA MAIS 
Assista o vídeo que trata da PNAS e do 
SUAS para conhecer um pouco mais 
sobre esse sistema de proteção social. 
Disponível em: https://www.youtube.com/
watch?v=WtxrxLHWsyg.
Na sequência, serão apresentados os princípios, 
os objetivos e as principais diretrizes que 
fundamentam o SUAS como parte da proteção 
social brasileira.
2.1 Princípios organizativos do SUAS
De acordo com a NOB/SUAS (BRASIL, 2012a), 
os princípios organizativos do SUAS ajudam a 
compreender a complexidade de um sistema que 
pretende ser referência na prestação de serviços 
no campo da proteção social. Conheça um pouco 
mais sobre os princípios do SUAS a partir do 
artigo 3 da NOB/SUAS, que segue:
Universalidade: 
todos têm direito à proteção socioassistencial, prestada a quem dela necessitar, com 
respeito à dignidade e à autonomia do cidadão, sem discriminação de qualquer espécie ou 
comprovação vexatória da sua condição.
Integralidade da proteção social: 
oferta das provisões em sua completude, por meio de conjunto articulado de serviços, 
programas, projetos e benefícios socioassistenciais.
Equidade: 
respeito às diversidades regionais, culturais, socioeconômicas, políticas e territoriais, 
priorizando aqueles que estiverem em situação de vulnerabilidade e risco pessoal e social.
Gratuidade: 
a assistência social deve ser prestada sem exigência de contribuição ou contrapartida, observado 
o que dispõe o art. 35, da Lei nº 10.741, de 1º de outubro de 2003 - Estatuto do Idoso. 
Intersetorialidade: 
integração e articulação da rede socioassistencial com as demais políticas e órgãos setoriais.
https://youtu.be/5iGLxmeSPzM
https://www.youtube.com/watch?v=WtxrxLHWsyg
https://www.youtube.com/watch?v=WtxrxLHWsyg
MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL10
2.3 Principais diretrizes do SUAS
O SUAS possui diversas diretrizes. Apresentaremos neste tópico 
as principais: a primazia da responsabilidade do Estado na 
condução da política de assistência social; a descentralização 
político-administrativa e a territorialização; a matricialidade 
sociofamiliar, que institui a centralidade na família para 
concepção e implementação dos benefícios, serviços, programas e 
projetos; e controle social e participação popular.
2.3.1 Primazia da responsabilidade do Estado na condução da 
política de assistência social
A política de assistência social brasileira, conforme apresentado 
O Módulo 1 deste curso, é de responsabilidade do Estado. 
Como parte da Seguridade Social brasileira, constitui-se como 
política pública, na qual o Estado é o primeiro responsável 
por sua gestão, operacionalização e financiamento. Isto está 
posto no artigo 5º da LOAS (1993), a qual reafirma a primazia 
da responsabilidade do Estado na condução da política de 
assistência social em cada esfera de governo.
Primazia
Significa dar preferência, primar, dar prioridade.
2.2 Objetivos do SUAS
A NOB-SUAS de 2012 (BRASIL, 2012a, art. 2º) descreve os 
seguintes objetivos do SUAS: 
“I - consolidar a gestão compartilhada, o cofinanciamento e a 
cooperação técnica entre os entes federativos que, de modo articulado, 
operam a proteção social não contributiva;
II - integrar a rede pública e privada de serviços, programas, projetos e 
benefícios de assistência social, na forma do art. 6º -C;
III - estabelecer as responsabilidades dos entes federativos na 
organização, regulação, manutenção e expansão 
das ações de assistência social;
IV - definir os níveis de gestão, respeitadas as diversidades regionais e 
municipais;
V - implementar a gestão do trabalho e a educação permanente na 
assistência social;
VI - estabelecer a gestão integrada de serviços e benefícios; e
VII - afiançar a vigilância socioassistencial e a garantia de direitos.”
 
MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL11
Essa primazia instaura um novo momento da política social 
no âmbito dos direitos, que enfrenta a histórica relação que a 
assistência social possui com a caridade e a filantropia. 
Neste sentido, ressignifica a relação com as organizações da 
sociedade civil numa perspectiva de parceria em detrimento das 
ações de substituição do Estado, caracterizadas historicamente na 
área (ROCHA, 2016). 
O fato de o Estado ser condutor da política de assistência social 
não significa dizer que outras instituições não poderão prestar 
serviços para a garantia do cumprimento dos objetivos do SUAS. 
No entanto, o Estado necessita manter sua responsabilidade pela 
operacionalização e financiamento da política de assistência 
social, sendo esta uma função eminentemente pública, que 
institui o caráter estatal da Seguridade Social brasileira, bem 
como o acesso não contributivo às ações e benefícios da política de 
assistência social.
2.3.2 Descentralização político-administrativa e territorialização
O art. 6º da Lei Orgânica de Assistência Social (LOAS, 1993) afirma 
que as ações na área devem ser organizadas em um sistema 
descentralizado e participativo, constituído pelas entidades e 
organizações de assistência social, articulando meios, esforços 
e recursos, e por um conjunto de instâncias deliberativas, 
compostas pelos diversos setores envolvidos na área. Nesse 
sentido, a União, os estados,o Distrito Federal e os municípios 
deverão fixar suas respectivas políticas de assistência social a 
partir de suas responsabilidades, bem como das diretrizes e 
princípios estabelecidos na LOAS.
A política de assistência social é de responsabilidade de todos os 
entes da Federação. O art. 11 da LOAS reforça, ainda, que as ações 
das três esferas de governo na área da assistência social devem 
ser realizadas de forma articulada, cabendo a coordenação e as 
normas gerais à esfera federal e a coordenação e execução dos 
programas, em suas respectivas esferas, aos estados, ao Distrito 
Federal e aos municípios. Dessa forma, cabe a cada esfera de 
governo, em seu âmbito de atuação (BRASIL, 2005a): 
coordenarco�nanciar
monitorar
sistematizar 
capacitar
formular avaliar
GESTÃO EFETIVA
Os entes responsáveis pela operacionalização da rede de 
proteção socioassistencial do SUAS devem atuar mediados 
pelos conselhos paritários, por uma efetiva gestão do 
Fundo de Assistência Social e pelo Plano de Assistência 
Social. Portanto, conselho, plano e fundo são os elementos 
fundamentais de gestão da política pública de assistência social.
MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL12
Os conselhos paritários serão apresentados na seção 2.3.4, a 
partir da discussão sobre o controle social e participação popular 
no SUAS. Na sequência, vamos conhecer o que são os planos e o 
fundo de assistência social.
A respeito do Plano de Assistência Social:
Os Planos de Assistência Social são instrumentos 
estratégicos para a descentralização democrática 
da assistência social. São elaborados a cada quatro 
anos. Os planos são elaborados com o envolvimento 
das organizações da sociedade civil, privilegiando a 
participação das organizações populares e associações 
coletivas de usuários, tradicionalmente excluídas 
de representação nas decisões. A elaboração dos 
planos (municipais, estaduais, distrital e federal) é 
responsabilidade comum dos entes federados, conforme 
disposto na NOB-SUAS/2012. É um instrumento de 
planejamento fundamental nas mediações entre governos 
e sociedade. Depois da elaboração, os planos seguem para 
a fase de implementação. Passam por acompanhamento e 
monitoramento de gestores e dos conselhos (BRASIL, 2021a).
Já sobre o Fundo de Assistência Social:
A NOB/SUAS 2012, no seu artigo 49, estabelece que os 
fundos de assistência social são instrumentos de gestão 
orçamentária e financeira da União, dos estados, 
do Distrito Federal e dos municípios, nos quais devem 
ser alocadas as receitas e executadas as despesas relativas 
ao conjunto de ações, serviços, programas, projetos e 
benefícios de assistência social.
A descentralização político-administrativa visa fortalecer o 
caráter nacional e universal da política de assistência social. Torna 
acessíveis as ações propostas em todo o território brasileiro. Para 
desenvolver a diretriz de descentralização político-administrativa, a 
Política Nacional de Assistência Social – PNAS 2004 (BRASIL, 2005b) 
sugere uma forma de caracterizar os grupos territoriais brasileiros 
a partir da utilização de referências do Instituto Brasileiro de 
Geografia e Estatística (IBGE), que divide os municípios brasileiros 
em pequeno, médio e grande porte: 
MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL13
Legenda:
Fonte: IBGE (2015).
Pequeno Porte 1
Pequeno Porte 2
Médio Porte
Grande Porte 1
Grande Porte 2
UF
Países América do Sul
Divisão dos municípios brasileiros
 ■ Municípios de pequeno porte 1: entende-se 
por município de pequeno porte 1 aquele 
cuja população chega a 20.000 habitantes (até 
5.000 famílias em média).
 ■ Municípios de pequeno porte 2: municípios 
com população que varia de 20.001 a 50.000 
habitantes (cerca de 5.000 a 10.000 famílias em 
média).
 ■ Municípios de médio porte: aqueles cuja 
população está entre 50.001 e 100.000 
habitantes (cerca de 10.000 a 25.000 famílias).
 ■ Municípios de grande porte: municípios 
cuja população é de 101.000 habitantes até 
900.000 habitantes (cerca de 25.000 a 250.000 
famílias).
 ■ Metrópoles: são considerados metrópoles os 
municípios com mais de 900.000 habitantes 
(atingindo uma média superior 
a 250.000 famílias cada).
Essa classificação tem o propósito de servir 
de base para a instituição do SUAS em cada 
município. Assim, as ações e os serviços são 
implantados de acordo com o porte de cada 
município. Além desse aspecto, devem ser 
considerados a realidade local/regional, 
a capacidade gerencial e de arrecadação 
dos municípios, e o aprimoramento dos 
instrumentos de gestão (BRASIL, 2005a).
MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL14
De acordo com a NOB (2012), a lógica territorial sob a qual se 
estrutura o SUAS tem por embasamento a descentralização 
político-administrativa. Essa lógica orienta a transferência 
dos recursos para o financiamento da política, de acordo com o 
nível de gestão municipal (inicial, básica e plena). A distribuição 
dos recursos públicos também leva em consideração os 
índices de vulnerabilidade e risco, avaliados a partir de dados 
sociodemográficos, dentre eles: população, renda per capita, 
mortalidade infantil e concentração de renda. Outro aspecto 
que interfere no cofinanciamento e repasse dos recursos entre 
as esferas é a disponibilidade de serviços, programas, projetos e 
benefícios existentes no território (SANTOS, 2016, p. 79).
No processo de descentralização, conforme com o art. 17 
da NOB/SUAS (2012a), foram definidas como 
responsabilidades dos municípios:
“I - destinar recursos financeiros para custeio dos benefícios 
eventuais de que trata o art. 22, da LOAS, mediante critérios 
estabelecidos pelos Conselhos Municipais de 
Assistência Social - CMAS;
II - efetuar o pagamento do auxílio-natalidade e o auxílio-funeral;
III - executar os projetos de enfrentamento da pobreza, incluindo a 
parceria com organizações da sociedade civil;
IV - atender às ações socioassistenciais de caráter de emergência; 
 Fonte: © [rafapress] / Shutterstock.
MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL15
V - prestar os serviços socioassistenciais de que trata 
o art. 23, da LOAS;
VI - cofinanciar o aprimoramento da gestão e dos serviços, 
programas e projetos de assistência social, em âmbito local;
VII - realizar o monitoramento e a avaliação da política de 
assistência social em seu âmbito;
VIII - aprimorar os equipamentos e serviços socioassistenciais, 
observando os indicadores de monitoramento 
e avaliação pactuados;
IX - organizar a oferta de serviços de forma territorializada, em 
áreas de maior vulnerabilidade e risco, de acordo com o diagnóstico 
socioterritorial;
X - organizar, coordenar, articular, acompanhar e monitorar a rede 
de serviços da Proteção Social Básica e Especial;
XI - alimentar o Censo SUAS;
XII - assumir as atribuições, no que lhe couber, no processo de 
municipalização dos serviços de Proteção Social Básica;
XIII - participar dos mecanismos formais de cooperação 
intergovernamental que viabilizem técnica e financeiramente os 
serviços de referência regional, definindo as competências na gestão 
e no cofinanciamento, a serem pactuadas na CIB;
XIV - realizar a gestão local do BPC, garantindo aos seus 
beneficiários e famílias o acesso aos serviços, programas e projetos 
da rede socioassistencial;
XV - gerir, no âmbito municipal, o Cadastro Único e o Programa 
Bolsa Família [relançado por meio da Medida Provisória 
nº 1.164/2023];
XVI - elaborar e cumprir o plano de providências, no caso de 
pendências e irregularidades do Município junto ao SUAS, aprovado 
pelo CMAS e pactuado na CIB;
XVII - prestar informações que subsidiem o acompanhamento 
estadual e federal da gestão municipal;
XVIII - zelar pela execução direta ou indireta dos recursos 
transferidos pela União e pelos Estados aos Municípios, inclusive no 
que tange a prestação de contas;
XIX - proceder o preenchimento do sistema de cadastro de entidades 
e organizações de assistência social de que trata o inciso XIdo art. 19 
da LOAS;
XX - viabilizar estratégias e mecanismos de organização para 
aferir o pertencimento à rede socioassistencial, em âmbito local, 
de serviços, programas, projetos e benefícios socioassistenciais 
ofertados pelas entidades e organizações de acordo com as 
normativas federais.
MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL16
XXI - normatizar, em âmbito local, o financiamento integral dos 
serviços, programas, projetos e benefícios de assistência social 
ofertados pelas entidades vinculadas ao SUAS, conforme §3º do art. 
6º B da LOAS e sua regulamentação em âmbito federal.” 
Uma direção estratégica da política de assistência social para o 
SUAS é pensar na sua operacionalização a partir dos territórios. 
Os territórios são a esfera local, onde vivem as pessoas. Isso 
tem exigido dos gestores cada vez mais um reconhecimento da 
dinâmica do cotidiano das populações. De acordo com a PNAS 
(2004), ao agir nos territórios e se confrontar com a dinâmica 
do real, a política de assistência social brasileira torna visíveis 
aqueles setores da sociedade brasileira tradicionalmente tidos 
como invisíveis ou excluídos das estatísticas – população em 
situação de rua, adolescentes em conflito com a lei, indígenas, 
quilombolas, idosos, pessoas com deficiência.
Fonte: © [Markus Mainka] / Shutterstock. 
MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL17
Yazbek (2004, p. 16) afirma que a descentralização vem 
contribuindo para:
“[...] o reconhecimento das particularidades e interesses próprios do 
município, possibilitando-lhe uma ação fiscalizatória mais efetiva, 
permite maior racionalidade nas ações, economia de recursos e maior 
possibilidade de ação intersetorial e interinstitucional.”
Os territórios podem ser compreendidos em suas várias 
dimensões, tais como: território físico, sendo o espaço geográfico, 
visível e delimitado; território como espaço-processo, dinâmico 
e construído socialmente; território existencial, relacionado às 
diversas relações presentes nos diferentes contextos, bem como 
por meio das conexões produzidas pelos indivíduos e grupos 
(BRASIL, 2012a). Essa concepção dialoga com o conceito de 
território abordado por Santos (2011, p. 46):
“O território é o chão e mais a população, isto é, uma identidade, o 
fato e o sentimento de pertencer àquilo que nos pertence. 
O território é a base do trabalho, da residência, das trocas materiais 
e espirituais e da vida, sobre os quais ele influi. Quando se fala em 
território deve-se, pois, de logo, entender que se está falando em 
território usado, utilizado por uma dada população.”
Apoiando-se no entendimento de Santos (2011) sobre território, 
podemos apreender que os diferentes atores da política de 
assistência social necessitam incorporar esse amplo conceito para 
entender os territórios para além de um limite geográfico ou uma 
área física delimitada. Trata-se de um espaço habitado, marcado 
pela subjetividade humana, pelas relações afetivas, relações de 
pertencimento. De acordo com Sacardo e Gonçalves (2007), o 
território deve ser apreendido em uma noção dinâmica, fluida, 
viva, pulsante e mutante. 
GESTÃO EFETIVA
Conhecer detalhadamente o território onde a equipe atua é 
condição essencial para o planejamento de estratégias, bem 
como a implementação e implantação de ações e políticas 
públicas nas diferentes áreas, incluindo a assistência social. 
Portanto, é fundamental conhecer o local, quem habita 
o território, reconhecer as relações afetivas, as trocas, as 
tensões, as necessidades, enfim, o emaranhado de informações 
que compõem os territórios, espaço de atuação do SUAS. 
2.3.3 Centralidade na família para concepção e 
implementação dos benefícios, serviços, programas e 
projetos: a matricialidade sociofamiliar
A família tem centralidade na política de assistência social. 
Isso ocorre por se reconhecer as fortes pressões que os 
processos de exclusão sociocultural geram sobre as famílias 
brasileiras, acentuando suas fragilidades e contradições. A 
família é também reconhecida como espaço privilegiado e 
insubstituível de proteção e socialização primárias, provedora 
de cuidados aos seus membros, mas que precisa também ser 
cuidada e protegida (BRASIL, 2005a). 
MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL18
Essa percepção está em harmonia com 
a tradução da família na condição de 
sujeito de direitos, conforme estabelece a 
Constituição Federal de 1988, o Estatuto da 
Criança e do Adolescente, a Lei Orgânica de 
Assistência Social e o Estatuto do Idoso. 
Para pensar a matricialidade sociofamiliar, é 
importante retomarmos o conceito de família 
apresentado na Unidade 1 deste módulo. 
Já vimos, então, que a família é entendida 
como núcleo central das ações e serviços 
da política de assistência social e deve ser 
entendida de forma complexa, considerando 
seus diversos formatos e arranjos. Mioto 
(2004) reforça que o grupo considerado 
família expressa um certo empenho entre os 
seus membros para a manutenção e defesa 
de suas futuras gerações; portanto, há entre 
seus membros organização e relações mútuas. 
MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL19
O trabalho social no SUAS é direcionado para 
fortalecer a família como espaço de proteção e 
referência para os serviços sociais no sentido de 
superação da ação fragmentada. A assistência 
social prioriza a atenção às famílias e a seus 
membros a partir do seu território, especialmente 
daqueles com registros de fragilidades, 
vulnerabilidades e violações de direitos. 
A atenção às famílias tem por perspectiva 
fazer avançar o caráter preventivo da proteção 
social, de modo a fortalecer vínculos sociais 
de pertencimento entre seus membros para a 
concretização de direitos humanos e sociais 
(BRASIL, 2021a). 
A concepção de matricialidade sociofamiliar não 
implica imputar à família a responsabilidade total 
pela proteção de seus membros. 
Pelo contrário, a família deve receber condições 
de exercer a sua capacidade protetiva, o que 
reforça a responsabilidade do Estado no papel de 
zelar pela proteção social com vistas à superação 
de vulnerabilidades que ameaçam as famílias 
(BRASIL, 2021a).
Foto: Freepik.com.
MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL20
Ainda, conforme a PNAS 2004, a centralidade da 
família é garantida à medida que a assistência 
social, com base em indicadores das necessidades 
familiares e considerando as diferentes realidades, 
se desenvolve como uma política de cunho 
universalista. Isso significa dizer que ela deve 
alcançar a todos que dela necessitarem, 
e que as transferências de renda caminhem junto 
com o trabalho das redes socioassistenciais, 
cuidando e valorizando a convivência familiar e 
comunitária (BRASIL, 2005a).
Foto: Freepik.com. 
MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL21
Nesse sentido, de acordo com a PNAS/2004, para a proteção social 
de assistência social, o eixo estruturante de matricialidade 
sociofamiliar significa que: 
 ■ “ a família é o núcleo social básico de acolhida, convívio, 
autonomia, sustentabilidade e protagonismo social; 
 ■ a defesa do direito à convivência familiar [...] a entende como 
núcleo afetivo, vinculado por laços consanguíneos, de aliança 
ou afinidade, que circunscrevem obrigações recíprocas e 
mútuas, organizadas em torno de relações de geração e de 
gênero;
 ■ a família deve ser apoiada e ter acesso a condições para 
responder ao seu papel no sustento, na guarda e na educação 
de suas crianças e adolescentes, bem como na proteção de seus 
idosos e portadores de deficiência;
 ■ o fortalecimento de possibilidades de convívio, educação 
e proteção social, na própria família, não restringe as 
responsabilidades públicas de proteção social para com os 
indivíduos e a sociedade.” (BRASIL, 2005a, p. 90). 
A afirmação da matricialidade sociofamiliar na assistência social 
pode contribuir para a ampliação dos direitos. Pode-se caminhar 
no sentido da construção da assistência social como uma política 
“para as famílias”,nos termos apresentados por Goldani (2005 
apud MIOTO; CAMPOS, 2016, p. 176). Se efetivado de forma 
integral, esse empenho na efetivação de uma política “para as 
famílias” é capaz de ofertar apoio e sustentação a elas. Mais 
dotadas de cuidado e investimentos, as famílias podem exercer 
junto ao Estado o papel de cuidado e proteção de seus membros 
(MIOTO; CAMPOS, 2016).
GESTÃO EFETIVA 
A matricialidade sociofamiliar tem um papel de destaque no 
SUAS. A política de assistência social parte do pressuposto 
de que, para a família prevenir, proteger, promover e incluir 
seus membros, é necessário, em primeiro lugar, garantir 
condições de sustentabilidade para tal e que ela seja apoiada 
para que consiga exercer seu papel protetivo. 
SAIBA MAIS
Assista o vídeo que trata de diferentes olhares sobre as 
famílias, disponível em: https://www.youtube.com/
watch?v=bOTowHh2Icw. 
https://www.youtube.com/watch?v=bOTowHh2Icw
https://www.youtube.com/watch?v=bOTowHh2Icw
MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL22
2.3.4 Controle social e participação popular 
O que lhe vem à mente quando ouve falar em controle social? 
Nas ciências políticas e econômicas, a expressão controle 
social pode ser abordada sob diferentes perspectivas, tanto 
relacionada ao controle do Estado sobre os cidadãos quanto ao 
controle que os cidadãos exercem sobre o Estado (MANNHEIM, 
1971 apud BIASI, 2016, p. 65).
Cidadãos Estado
Perspectiva de controle social
O que nos interessa discutir e apresentar nesta seção é o controle 
social exercido pelos cidadãos sobre o Estado, a ação capaz de 
interferir na gestão das políticas sociais. O ano de 1988 ficou 
marcado pela aprovação da Constituição Federal. Foi ela que 
definiu a participação permanente da sociedade na gestão pública, 
tanto na formulação das políticas quanto na fiscalização dos 
recursos públicos, por meio da institucionalização de espaços de 
participação social.
Cidadãos
Estado
Controle social na perspectiva do SUAS
MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL23
Na política de assistência social, o controle social perpassa todas 
as normativas importantes do campo, desde a Constituição 
Federal de 1988, a LOAS, a PNAS e a NOB/SUAS. Couto (2016), 
ao relatar sobre os direitos socioassistenciais aprovados na 
5ª Conferência Nacional de Assistência Social, realizada em 
2005, inclui o controle social como um desses direitos. Assim, 
considera que os direitos sociais devem ser sempre submetidos 
ao controle social da população, que, por sua vez, pode 
acompanhá-los, através das estruturas dos conselhos locais, dos 
grupos de famílias de serviços como os Centros de Referência 
de Assistência Social (CRAS) e os Centros de Referência 
Especializado de Assistência Social (CREAS), dos conselhos nas 
diversas instâncias, mantendo-se vigilantes ao cumprimento 
desses direitos.
O tema do controle social tem sido estudado por diversos autores 
brasileiros, sendo um tema importante no contexto das políticas 
públicas. Para Raichelis (2000, p. 9), o controle social
“[...] implica o acesso aos processos que informam decisões da 
sociedade política, viabilizando a participação da sociedade civil 
organizada na formulação e na revisão das regras que conduzem 
as negociações e arbitragens sobre os interesses em jogo, além da 
fiscalização daquelas decisões, segundo critérios pactuados.”
Assim, o controle social é capaz de contribuir com o 
planejamento, o acompanhamento, a avaliação e a fiscalização 
dos serviços socioassistenciais, buscando garantir a participação 
dos usuários na gestão pública do SUAS. 
As principais instâncias de participação e exercício do controle 
social no SUAS são os conselhos e as conferências, presentes 
no âmbito municipal, estadual e federal. São espaços formais 
de participação de usuários, trabalhadores, representantes de 
instituições e gestores. 
Os Conselhos de Assistência Social são espaços de 
participação e composição paritária com representantes 
do Estado e da sociedade civil. Suas principais 
competências, nas respectivas esferas, são deliberar 
sobre a política pública de assistência social, normatizar 
e regular a prestação de serviços de natureza pública e 
privada, apreciar e aprovar propostas orçamentárias, 
bem como zelar pela efetivação do SUAS (BIASI, 2016). 
Então, o controle social somente acontece se os cidadãos, que 
representam diversos segmentos da sociedade, conseguem acessar 
os espaços de participação e tenham voz ativa, interferindo no 
planejamento, na fiscalização e na gestão dos recursos públicos. 
MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL24
No olhar de Raichelis (2016), para que os conselhos cumpram 
seu papel, é fundamental que os sujeitos que participam como 
representantes sejam submetidos ao controle das bases sociais e 
representem a opinião e vontade de um coletivo. Nesse sentido, 
somente a existência de um espaço formal de participação 
não garante uma efetiva representação e concretização de sua 
função na perspectiva de uma construção coletiva da política de 
assistência social. Considerando que a existência do conselho 
é requisito para o recebimento de recursos para a área, muitas 
vezes ele pode ser criado e mantido somente com este objetivo, 
sem que ocupe lugar de destaque e seja influenciador na gestão e 
avaliação da política pública. 
Outro espaço importante de participação e exercício do controle 
social são as conferências de assistência social. De acordo com 
Raichelis (2016), as conferências
“[...] são instâncias deliberativas que têm a atribuição de 
conferir, como o nome indica, ou seja, de avaliar o estágio de 
desenvolvimento da política setorial específica e propor diretrizes 
para seu aperfeiçoamento, o que implica garantir voz e voto 
a distintos segmentos sociais, para que possam se expressar e 
deliberar sobre definições, princípios e diretrizes que devem 
produzir impactos nas agendas governamentais.” (RAICHELIS, 
2016, p. 61). 
As conferências reúnem um grande número de pessoas para 
discutir, deliberar, avaliar e sugerir a continuação e/ou novos 
caminhos para a política de assistência social, seja ela municipal, 
estadual, distrital, ou nacional. Na efetivação das conferências 
em todo o território brasileiro, acontece um rico e complexo 
processo participativo que mobiliza muitos usuários, grupos 
locais, trabalhadores, gestores, prestadores de serviços, 
militantes e pesquisadores (RAICHELIS, 2016). 
Pré-conferências descentralizadas (municipais) 
Conferências estaduais e distrital
Conferência nacional
Processos das Conferências 
da Assistência Social
MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL25
Mesmo que tenhamos uma história de participação social a contar, 
a participação social e o controle social no SUAS ainda encontram 
muitos desafios e limites para sua concretização, podendo-
se considerar como algo recente na política pública e alvo de 
disputas, pois envolve poderes. Nesse sentido, exige esforços para 
sua concretização, sendo um processo em constante construção, 
apresentando diferentes níveis nos municípios brasileiros, uma vez 
que requer a compreensão da participação dos cidadãos como um 
dos seus pilares (BIASI, 2016).
Para uma participação social mais efetiva e que gere mudanças, 
é necessária a mobilização da sociedade civil para ocupação 
dos espaços de participação, a garantia de representantes nos 
conselhos e conferências que dialoguem com sua base e que 
defendam a política pública de assistência social. 
GESTÃO EFETIVA 
Gestores, trabalhadores e outros atores que atuam na política 
de assistência social devem se constituir como sujeitos que 
estimulem e sensibilizem a população usuária a ocupar seu 
lugar enquanto cidadão de direito, assumindo um papel 
protagonista. Ações como essa podem ser capazes de 
aumentar a diversidade de participantes, garantir os direitos 
socioassistenciais, bem como produzir novos olhares sobre os 
diversos desafios da assistência social, efetivando o verdadeiro 
controle socialdo que é público. 
2.4 Seguranças afiançadas pelo SUAS
O conceito de segurança refere-se a “estado, qualidade ou 
condição de seguro” (FERREIRA, 2004 apud MACHADO, 2016, 
p. 256). Pensar em seguranças a serem ofertadas pela política de 
assistência social é pensar em acesso a direitos fundamentais, os 
quais garantiriam reais seguranças às famílias e indivíduos. Essa 
ideia de segurança, conforme Machado (2016, p. 256), 
“[...] se apresenta na contramão da mera promoção de ações 
individuais, fragmentadas, benemerentes e focalizadas, que 
reduzem ao assistencialismo àquilo que é de direito.”
Segurança demanda a garantia dos direitos humanos, que 
corresponde ao acesso “a necessidades essenciais da pessoa 
humana” (DALLARI, 2004, p. 13). Assim, nenhuma pessoa poderá 
ter o acesso aos direitos inviabilizado por critério de raça, etnia, 
geração, credo, capacidade física e/ou psicológica, orientação 
sexual, identidade de gênero, território, opinião política, entre 
outros. Esse olhar se assemelha à discussão sobre os direitos 
humanos, sendo estes “ligados à vida em sociedade sob a chancela 
da dignidade humana. Neles, o social precede o econômico” 
(SPOSATI, 2007 apud MACHADO, 2016, p. 256).
MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL26
A proteção social proposta pelo SUAS a partir da NOB/SUAS 
(2012) prevê as seguintes seguranças: 
 ■ Segurança de acolhida
 ■ Segurança de renda
 ■ Segurança de convívio ou vivência familiar, comunitária 
e social
 ■ Segurança de desenvolvimento de autonomia
 ■ Segurança de apoio e auxílio
2.4.1 Segurança de acolhida
A segurança de acolhida, uma das seguranças primordiais 
da Política Nacional de Assistência Social, prevê ações de 
abordagem em territórios de incidência de situações de risco, 
bem como a oferta de uma rede de serviços e de locais de 
permanência de indivíduos e famílias sob curta, média e longa 
permanência – alojamentos, vagas de albergagem e abrigos, 
entre outros espaços de acolhimento, cuidado e proteção da 
vida. Esta segurança atua a partir da provisão de necessidades 
humanas, como direitos à alimentação, ao vestuário e ao abrigo, 
próprios à vida humana em sociedade.
MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL27
Os espaços e serviços onde se realiza a segurança de acolhida 
devem ter instalações físicas e ação profissional preparadas 
para oferecer:
1. Condições de recepção
2. Escuta profissional qualificada
3. Informação
4. Referência
5. Concessão de benefícios
6. Aquisições materiais e sociais
7. Abordagem em territórios de incidência 
de situações de risco
8. Oferta de uma rede de serviços e de locais de 
permanência de indivíduos e famílias sob curta, média 
e longa permanência 
Situações que podem demandar acolhida referem-se às 
necessidades de proteção em caso de separação da família ou 
da parentela por múltiplas situações, como violência familiar 
ou social, uso prejudicial de drogas, violência doméstica, 
desemprego prolongado e criminalidade. Além dessas, situações 
de desastre ou acidentes naturais, além da profunda destituição 
e abandono, podem ser experiências que demandem tal 
provisão (BRASIL, 2005).
Portanto, a segurança da acolhida se constitui como um ambiente 
motivador e mobilizador do diálogo e da estimulação à expressão 
e relação da família/pessoa. Esta segurança atua na perspectiva de 
reparação e/ou minimização dos danos causados por vivências de 
violação de riscos sociais (FIOROTTI; MAIA, 2016).
QR CODE
Aponte a câmera do seu dispositivo móvel (smartphone 
ou tablet) no QR Code ao lado para assistir o vídeo sobre a 
‘Segurança de acolhida’, uma das cinco seguranças previstas na 
NOB/SUAS ou acesse o link: https://youtu.be/81iP5N6OQyU.
2.4.2 Segurança de renda 
A NOB/SUAS (2012) apresenta a segurança de renda. Esta segurança 
é operada por meio da concessão de auxílios financeiros e da 
concessão de benefícios continuados para cidadãos que apresentem 
vulnerabilidades decorrentes do ciclo de vida e/ou de incapacidade 
para a vida independente e para o trabalho, e que não estejam 
incluídos no sistema contributivo de proteção social.
https://youtu.be/81iP5N6OQyU
MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL28
 
De acordo com a PNAS/2004, a segurança de rendimentos não é 
uma compensação do valor do salário mínimo inadequado, mas a 
garantia de que todos tenham uma forma monetária de garantir 
sua sobrevivência, independentemente de suas limitações para o 
trabalho ou do desemprego. É o caso de pessoas com deficiência, 
idosos, desempregados, famílias numerosas, famílias desprovidas 
das condições básicas para sua reprodução social em padrão 
digno e cidadão (BRASIL, 2005a).
Nesse sentido, a segurança de renda utiliza-se principalmente 
dos auxílios e benefícios socioassistenciais do SUAS como forma 
de garantir renda e sobrevivência para os cidadãos que dela 
necessitarem. O Programa Bolsa Família, relançado pelo Governo 
Federal em março de 2023 (BRASIL, 2023a), e o Benefício de Prestação 
Continuada (BPC) estão entre as principais estratégias para a garantia 
de renda nesta segurança.
2.4.3 Segurança de convívio ou vivência familiar, 
comunitária e social 
A segurança de convívio ou vivência familiar, comunitária e social 
é mais uma das necessidades a serem trabalhadas pela política de 
assistência social. Supõe a não aceitação de situações de reclusão 
e/ou de situações de perda das relações. O ser humano se realiza 
e se constitui de relações sociais, sendo próprio da natureza 
humana o comportamento de constituir grupos. A vivência 
familiar e/ou comunitária é o lugar onde os cidadãos criam sua 
identidade e reconhecem a sua subjetividade, desenvolvendo 
potencialidades, construções culturais, políticas e, sobretudo, 
os processos civilizatórios. Nesse sentido, reconhece-se também 
que as barreiras relacionais criadas por questões individuais, 
grupais, sociais por discriminação ou múltiplas inaceitações 
ou intolerâncias estão no campo do convívio humano, mas 
a dimensão multicultural, intergeracional, interterritorial, 
intersubjetiva, entre outras, devem ser ressaltadas na perspectiva 
do direito ao convívio (BRASIL, 2005a).
MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL29
 A família de origem ou a família ampliada ou, ainda, uma 
instituição, um ambiente de convivência familiar, são 
reconhecidamente espaços de convívio, prática cotidiana 
de relações sociais, lugar de trocas e (re)construção de 
pertencimento, experiências que fortalecem e buscam garantir 
a segurança de convívio. De acordo com Fiorotti e Maia (2016), 
investir no processo de resgate ou construção de vínculos 
familiares, comunitários e sociais implica trazer à tona a 
possibilidade de um projeto de vida baseado na convivência 
familiar e comunitária, capaz de ressignificar o ambiente de 
violação de direitos. 
Para a operacionalização desta segurança, de acordo com a NOB/
SUAS (2012), é necessária a oferta pública de uma rede continuada 
de serviços que garantam oportunidades e ação profissional para:
 ■ A construção, restauração e fortalecimento de 
laços de pertencimento (de natureza geracional, 
intergeracional, familiar, de vizinhança e interesses 
comuns e societários).
 ■ O exercício capacitador e qualificador de vínculos 
sociais e de projetos pessoais e sociais da vida em 
sociedade (BRASIL, 2012a).
MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL30
Portanto, para a garantia do cumprimento da segurança de 
convívio, três questões são fundamentais:
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“a) o desenvolvimento de capacidades e habilidades para o exercício 
do protagonismo, da cidadania;
b) a conquista de melhores graus de liberdade, respeito à dignidade 
humana, protagonismo e certeza de proteção social para o cidadão e 
a cidadã, a família e a sociedade;
c) conquista de maior grau de independência pessoal e qualidade, nos 
laços sociais, para os cidadãos e as cidadãs 
sob contingências e vicissitudes.”
Vicissitudes 
Neste contexto, significa situações ou circunstâncias consideradas contrárias e 
desfavoráveis às famílias.
2.4.4 Segurança de desenvolvimento de autonomia 
A segurança de desenvolvimento de autonomia, de acordo com 
a NOB/SUAS (BRASIL, 2012a, p. 17), exige ações profissionais e 
sociais que visem: 
MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL31
 
Fiorotti e Maia (2016) consideram que o trabalho de 
acompanhamento desenvolvido pelos serviços do SUAS 
deve contribuir com o desenvolvimento da autoestima das 
pessoas e famílias, sensibilizando-as para o seu envolvimento 
e participação no processo de desenvolvimento e conquista 
de autonomia. Inclui-se, nesta segurança, a necessidade 
de viabilizar o acesso à renda por meio dos benefícios de 
transferência de renda ou, ainda, através da inserção nas outras 
políticas de emprego e renda, que é questão central para a 
garantia de autonomia e independência.
2.4.5 Segurança de apoio e auxílio
A segurança de apoio e auxílio é também descrita na NOB/SUAS 
(BRASIL, 2012a). Esta segurança deve ser acionada quando, sob 
riscos circunstanciais (momentos específicos da vida), 
as situações exigem a oferta de auxílios em bens materiais e em 
pecúnia, em caráter transitório, denominados de Benefícios 
Eventuais para as famílias, seus membros e indivíduos.
Pecúnia
O termo “pecúnia” é apresentado como um tipo de auxílio, quer dizer, 
auxílio em forma de dinheiro. 
MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL32
Os Benefícios Eventuais são ofertados em caso de nascimento, 
morte, vulnerabilidade temporária ou calamidade pública. Esses 
benefícios serão abordados na seção 2.5.6, que tratará dos benefícios 
socioassistenciais e programas de transferência de renda.
Por fim, ao estudarmos as seguranças afiançadas pela política 
de Assistência Social e operacionalizadas por meio do SUAS, 
reconhecemos que estas estão intimamente relacionadas à 
garantia de direitos fundamentais, referenciados na Constituição 
Federal de 1988 e na Declaração dos Direitos Humanos. Assim, 
as seguranças sociais, no âmbito da Política Nacional de 
Assistência Social, se constituem em direito social, imprescindível 
ao desenvolvimento do ser humano como cidadão. Sua 
materialização depende, então, de provisões sociais públicas e 
intersetoriais, com responsabilidade estatal e controle social 
exercido pelos diferentes atores sociais e pela sociedade civil 
organizada (MACHADO, 2016). 
2.5 Proteções sociais e os serviços socioassistenciais do SUAS
De acordo com a NOB/SUAS (BRASIL, 2012a), a proteção social 
instituída pela política de assistência social consiste em um
“[...] conjunto de ações, cuidados, atenções, benefícios e auxílios 
ofertados pelo SUAS para redução e prevenção do impacto das 
vicissitudes sociais e naturais ao ciclo da vida, à dignidade humana 
e à família como núcleo básico de sustentação afetiva, biológica e 
relacional.” (BRASIL, 2012a, p. 90).
Essa oferta de cuidado e atenção deve considerar as 
características dos cidadãos, sua realidade e necessidades, para 
que consiga alcançar seu objetivo, bem como proteger pessoas 
que, em algum momento da vida, se encontrem fragilizadas.
Mas, afinal, o que é estar protegido?
“[...] estar protegido significa ter forças próprias ou de terceiros, 
que impeçam que alguma agressão/precarização/privação 
venha a ocorrer deteriorando uma dada condição. Porém, estar 
protegido não é uma condição nata, ela é adquirida não como 
mera mercadoria, mas pelo desenvolvimento de capacidades e 
possibilidades. No caso, ter proteção e/ou estar protegido não 
significa meramente portar algo, mas ter uma capacidade de 
enfrentamento e resistência.” (SPOSATI, 2009, p. 17).
Assim, em suas ações, a proteção social do SUAS produz 
aquisições materiais, sociais, socioeducativas ao cidadão e 
à cidadã e suas famílias, para suprir suas necessidades de 
reprodução social de vida individual e familiar; buscando ainda 
desenvolver capacidades e talentos para a convivência social, 
protagonismo e autonomia. 
Portanto, o SUAS busca a garantia de proteção social ativa, 
não submetendo o usuário ao princípio de tutela; ao contrário, 
estimula para a 
MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL33
“[...] conquista de condições de autonomia, 
resiliência e sustentabilidade, protagonismo, 
acesso a oportunidades, capacitações, serviços, 
condições de convívio e socialização, de acordo 
com sua capacidade, dignidade e projeto pessoal e 
social.” (BRASIL, 2005b, p. 14).
Importante lembrar que:
GESTÃO EFETIVA
O SUAS não alcançará êxito se atuar de forma 
isolada. Assim, a PNAS 2004 trata a questão 
da proteção social em uma perspectiva de 
articulação com outras políticas do campo social 
que são dirigidas a uma estrutura de garantias de 
direitos e de condições dignas de vida. 
Apresenta-se, assim, de forma essencial, o aspecto 
da intersetorialidade no SUAS, que será abordado 
no Módulo 3 deste curso.
As proteções sociais do SUAS são divididas 
por níveis: Proteção Social Básica e Especial 
(de média e alta complexidade), que serão 
apresentados detalhadamente nas seções 2.5.2 
a 2.5.4 deste curso. 
 
Proteção Social Básica 
Proteção Social Especial 
Serviço de Proteção 
Social do SUAS
Proteção Social Especial 
de Média Complexidade
Proteção Social Especial 
de Alta Complexidade
Níveis de Proteções Sociais
MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL34
Os serviços socioassistenciais são meios de acesso a seguranças 
sociais e resultam em aquisições pessoais e sociais aos seus 
usuários. Esses serviços operam de forma integrada às funções de 
proteção social – defesa de direitos e Vigilância Socioassistencial 
– por meio de um conjunto de provisões, recursos e atenções 
profissionalizadas. Localizam-se em unidades físicas, com 
abrangência nacional e um público definido (BRASIL, 2013a).
De acordo com Colin e Silveira (2016), os serviços socioassistenciais 
são atividades continuadas que visam à melhoria de vida da 
população. As ações desenvolvidas por esses serviços devem 
observar os objetivos, princípios e diretrizes estabelecidos na 
LOAS, conforme seu art. 23. 
Na sequência, será apresentada a organização da rede de proteção 
social, a partir da elaboração da Tipificação Nacional dos Serviços 
Socioassistenciais (BRASIL, 2009) e da institucionalização das 
proteções sociais do SUAS.
2.5.1 A padronização dos serviços socioassistenciais do SUAS
Diante do desafio na consolidação de uma referência nacional para 
padronização de nomenclaturas e respectivas provisões dos serviços 
socioassistenciais, nasceu a Tipificação Nacional dos Serviços 
Socioassistenciais (BRASIL, 2009). Os serviços padronizados pela 
tipificação são hierarquizados e organizados por proteções, sendo 
estas a Proteção Social Básica e a Proteção Social Especial (de média 
e alta complexidade), conforme o quadro apresentado na sequência.
MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL35
 Serviços socioassistenciais por nível de proteção social
PROTEÇÃO SOCIAL BÁSICA
PROTEÇÃO SOCIAL 
ESPECIAL
Média 
Complexidade
Alta
Complexidade
1. Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família (PAIF)
2. Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos
3. Serviço de Proteção Social Básica no Domicílio para Pessoas Com De�ciência e Idosas
1. Serviço de Proteção e Atendimento Especializado a Famílias e Indivíduos (PAEFI)
2. Serviço Especializado em Abordagem Social
3. Serviço de proteção social a adolescentesem cumprimento de medida socioeducativa de Liberdade Assistida 
(LA) e de Prestação de Serviços à Comunidade (PSC)
4. Serviço de Proteção Social Especial para Pessoas com De�ciência, Idosas e suas Famílias
5. Serviço Especializado para Pessoas em Situação de Rua
1. Serviço de Acolhimento Institucional
2. Serviço de Acolhimento em República
3. Serviço de Acolhimento em Família Acolhedora
4. Serviço de Proteção em Situações de Calamidades Públicas e de Emergências
MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL36
Os serviços socioassistenciais apresentados no quadro se 
desdobram por modalidades (BRASIL, 2014a), que são:
 ■ Serviços de convivência: por ciclo de vida – criança, 
adolescentes, jovens, idosos e famílias.
 ■ Serviços de acolhimento institucional em diferentes 
equipamentos: 
 ■ Unidade residencial e unidade institucional: 
crianças e adolescentes
 ■ Unidade institucional tipo residência e unidade de 
passagem: adultos e famílias
 ■ Unidade institucional: mulheres
 ■ Residências inclusivas: jovens e adultos com deficiência
 ■ Unidade residencial e unidade institucional: idosos.
De acordo com Colin e Silveira (2016), o trabalho social 
desenvolvido no âmbito dos serviços tipificados visa a garantia do 
acesso aos direitos socioassistenciais, bem como outros direitos, 
buscando, ainda:
“[...] o fortalecimento de vínculos sociais nos espaços de convivência 
primária, considerando os diferentes arranjos familiares, e de 
sociabilidade, visando ao desenvolvimento de capacidade protetiva, 
a aquisição de conhecimentos, de bens materiais e imateriais, 
a produção e troca de aprendizados e saberes, na direção do 
protagonismo e da participação cidadã.” (COLIN; SILVEIRA, 2016, p. 
265).
São muitos os serviços, ações, objetivos e desafios impostos 
aos serviços socioassistenciais e a seus trabalhadores. Afinal, 
atuar sobre as questões sociais não se trata de algo simples, 
considerando a complexidade das diversas situações e realidades 
atendidas diariamente nos serviços do SUAS. Nesse sentido, além 
do esforço coletivo em produzir um serviço de referência para as 
pessoas que dele necessitem, é necessário garantir a qualidade 
dos serviços oferecidos. Nas próximas seções, você conhecerá 
com detalhes os serviços socioassistenciais, divididos por níveis 
de complexidade.
SAIBA MAIS
Para conhecer a Tipificação Nacional dos Serviços 
Socioassistenciais na íntegra, acesse o documento 
disponível em: https://aplicacoes.mds.gov.br/snas/
documentos/livro%20Tipificaca%20Nacional%20
-%2020.05.14%20%28ultimas%20atualizacoes%29.
pdf?msclkid=23eb67b5afc811ec86892a34c924d025. 
2.5.2 Proteção Social Básica – concepção, serviços, programas e 
equipamentos de referência
A NOB/SUAS exprime a concepção da Proteção Social Básica 
do SUAS como um conjunto de serviços, projetos, programas e 
benefícios que
https://aplicacoes.mds.gov.br/snas/documentos/livro%20Tipificaca%20Nacional%20-%2020.05.14%20%28ultimas%20atualizacoes%29.pdf?msclkid=23eb67b5afc811ec86892a34c924d025
https://aplicacoes.mds.gov.br/snas/documentos/livro%20Tipificaca%20Nacional%20-%2020.05.14%20%28ultimas%20atualizacoes%29.pdf?msclkid=23eb67b5afc811ec86892a34c924d025
https://aplicacoes.mds.gov.br/snas/documentos/livro%20Tipificaca%20Nacional%20-%2020.05.14%20%28ultimas%20atualizacoes%29.pdf?msclkid=23eb67b5afc811ec86892a34c924d025
https://aplicacoes.mds.gov.br/snas/documentos/livro%20Tipificaca%20Nacional%20-%2020.05.14%20%28ultimas%20atualizacoes%29.pdf?msclkid=23eb67b5afc811ec86892a34c924d025
MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL37
visam prevenir situações de risco, por meio do 
desenvolvimento de potencialidades, aquisições e o 
fortalecimento de vínculos familiares e comunitários, para 
isso, necessita de um conhecimento prévio do território, 
das famílias que o compõem, das demandas e dos níveis de 
desproteção social das famílias (BRASIL, 2005b, p. 13). 
A Proteção Social Básica atua no enfrentamento de 
vulnerabilidades, riscos, vitimizações, fragilidades e contingências 
ocasionadas a indivíduos e famílias. Essas situações, em geral, 
podem ser consideradas consequências das questões sociais, 
econômicas, políticas ou de qualquer forma de ataque ou violação à 
dignidade humana (MAZALI et al., 2015). Nesse sentido, 
as questões sociais contemporâneas acabam por expor famílias e 
indivíduos a experiências de violências e fragilidades que podem 
levar à violação de direitos sociais básicos.
Aqui surge o papel preventivo da Proteção Social Básica, que é 
caracterizada especialmente pelo aspecto antecipador e proativo 
para evitar o agravamento de vulnerabilidades, atuando na 
redução do risco social evidenciado em determinadas situações 
potencialmente problemáticas e previamente avaliadas. 
Essa proteção atua, portanto, por meio de um conjunto de 
ações fortalecedoras dos recursos que indivíduos e famílias 
devem utilizar para enfrentar os desafios de seu cotidiano, 
de modo a prevenir a violação de direitos, bem como reduzir 
vulnerabilidades e riscos (MAZALI et al., 2015). 
 
Foto: © [Andrii Yalanskyi] / Shutterstock.
Compõem também a Proteção Social Básica: os Benefícios 
Eventuais, o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e os 
programas de transferência de renda, assuntos que serão 
detalhados na seção 2.5.5.
A quem se destina a Proteção Social Básica?
A partir do reconhecimento do que é a Proteção Social Básica, 
podemos afirmar que ela se destina à população que vive em 
situação de vulnerabilidade social, decorrente da pobreza, 
privação (ausência de renda, precário ou nulo acesso aos serviços 
públicos, entre outros) e/ou fragilização de vínculos afetivos – 
relacionais e de pertencimento social (BRASIL, 2005a). 
MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL38
Foto: © [Ralf Geithe] / Shutterstock.
Conforme definido na LOAS e na PNAS 2004, a Proteção 
Social Básica desenvolve serviços, programas e projetos 
locais de acolhimento, convivência e socialização de famílias 
e de indivíduos, buscando garantir a convivência familiar e 
comunitária e responder às situações de vulnerabilidade social a 
que essas pessoas estão expostas.
Os serviços de Proteção Social Básica são executados de forma direta 
nos Centros de Referência da Assistência Social (CRAS) e em 
outras unidades públicas estatais de assistência social, bem como de 
forma indireta nas entidades e organizações da sociedade civil (OSC) 
da área de abrangência dos CRAS e inscritas no Conselho Municipal 
de Assistência Social (BRASIL, 2005a).
O Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) é o 
principal equipamento da Proteção Social Básica e conta com 
o trabalho da rede de serviços socioeducativos direcionado 
para grupos específicos, entre eles, os Centros de Convivência 
distribuídos nos territórios. 
O CRAS, serviço de referência para a Proteção Social 
Básica, é uma unidade pública estatal de base territorial, 
localizado em áreas de vulnerabilidade social, que 
abrange um total de até 1.000 famílias por ano. Executa 
serviços de Proteção Social Básica, bem como organiza e 
coordena a rede de serviços socioassistenciais locais da 
política de assistência social. O CRAS atua com famílias 
e indivíduos em seu contexto comunitário, visando a 
orientação e o convívio sociofamiliar e comunitário. 
Nesse sentido, é responsável pela oferta do Programa 
MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL39
de Atenção Integral às Famílias. Na proteção básica, 
o trabalho com famílias deve considerar novas 
referências para a compreensão dos diferentes arranjos 
familiares, superando o reconhecimento de um modelo 
único baseado na família nuclear, e partindo do suposto 
de que são funções básicas das famílias: prover a proteção 
e a socialização dos seus membros; constituir-se como 
referências morais, de vínculos afetivos e sociais, de 
identidade grupal; além de ser mediadora das relações 
dos seus membros com outras instituições sociais e com o 
Estado (BRASIL, 2005a). 
De acordo com a Tipificação Nacionaldo Serviços 
Socioassistenciais (BRASIL, 2009), os serviços desenvolvidos pela 
Proteção Social Básica de assistência social são:
 ■ Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família (PAIF) 
 ■ Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV)
 ■ Serviço de Proteção Social Básica no domicílio para pessoas 
com deficiências e idosas
2.5.2.1 Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família (PAIF)
O PAIF consiste no trabalho social com famílias, de caráter 
continuado, com a finalidade de fortalecer a função protetiva 
das famílias, prevenir a ruptura de seus vínculos, promover seu 
acesso e usufruto de direitos e contribuir na melhoria de sua 
qualidade de vida. Busca o desenvolvimento de potencialidades 
e aquisições das famílias e o fortalecimento de vínculos 
familiares e comunitários, por meio de ações de caráter 
preventivo, protetivo e proativo. Esse serviço foi concebido 
a partir do reconhecimento de que as vulnerabilidades e 
riscos sociais que atingem as famílias extrapolam a dimensão 
econômica, exigindo intervenções que trabalhem aspectos 
objetivos e subjetivos relacionados à função protetiva da família 
e ao direito à convivência familiar (BRASIL, 2012b).
 
De acordo com a Tipificação Nacional do Serviços 
Socioassistenciais (BRASIL, 2009), o público atendido pelo 
PAIF são
“as famílias em situação de vulnerabilidade social decorrente 
da pobreza, do precário ou nulo acesso aos serviços públicos, da 
fragilização de vínculos de pertencimento e sociabilidade e/ou qualquer 
outra situação de vulnerabilidade e risco social residentes nos territórios 
de abrangência dos CRAS, em especial: famílias beneficiárias de 
programas de transferência de renda e benefícios assistenciais; famílias 
que atendem os critérios de elegibilidade a tais programas ou benefícios, 
MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL40
mas que ainda não foram contempladas; famílias em situação de 
vulnerabilidade em decorrência de dificuldades vivenciadas por algum 
de seus membros; pessoas com deficiência e/ou pessoas idosas que 
vivenciam situações de vulnerabilidade e risco social”.
O PAIF TEM COMO OBJETIVOS:
 ■ O fortalecimento da função protetiva da família.
 ■ A prevenção da ruptura dos vínculos 
familiares e comunitários.
 ■ A promoção de ganhos sociais e materiais às famílias.
 ■ A promoção do acesso a benefícios, programas de 
transferência de renda e serviços socioassistenciais.
As ações do PAIF que estruturam o trabalho social com famílias 
são: acolhida; oficinas com famílias; ações comunitárias; ações 
particularizadas; encaminhamentos. Além disso, elas podem ser 
individualizadas ou coletivas. 
2.5.2.2 Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV)
O Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos 
(SCFV) é ofertado de forma complementar ao trabalho social 
com famílias realizado por meio do Serviço de Proteção e 
Atendimento Integral às Famílias (PAIF) e do Serviço de Proteção 
e Atendimento Especializado às Famílias e Indivíduos (PAEFI). 
O SCFV realiza atendimentos em grupo, sendo promovidas 
atividades artísticas, culturais, de lazer e esportivas, entre outras, 
de acordo com a idade dos usuários.
 
Trata-se de uma forma de intervenção social planejada que 
cria situações desafiadoras, estimula e orienta os usuários 
na construção e reconstrução de suas histórias e vivências 
individuais, coletivas e familiares. Estimula o fortalecimento 
das relações familiares e comunitárias, além de promover a 
integração e a troca de experiências entre os participantes, 
valorizando o sentido de vida coletiva (BRASIL, 2022a).
O SCFV pode ser ofertado no Centro de Referência da 
Assistência Social (CRAS) ou nos Centros de Convivência, e 
podem participar das suas ações pessoas de diferentes faixas 
etárias, entre elas, crianças, jovens e adultos; pessoas com 
deficiência; pessoas que sofreram violência, vítimas de trabalho 
infantil, jovens e crianças fora da escola, jovens que cumprem 
medidas socioeducativas, idosos sem amparo da família e da 
comunidade ou sem acesso a serviços sociais, além de outras 
pessoas inseridas no Cadastro Único do governo federal 
(BRASIL, 2022a).
MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL41
Os usuários do SCFV são organizados em grupos, 
a partir de faixas etárias:
Crianças de até 6 anos
Crianças e adolescentes de 6 a 15 anos
Adultos de 30 a 59 anos
Pessoas idosas
Adolescentes de 15 a 17 anos
Jovens de 18 a 29 anos
2.5.2.3 Serviço de Proteção Social Básica no domicílio para 
pessoas com deficiência e idosas 
O Serviço de Proteção Social Básica no Domicílio 
tem como finalidade:
“[...] a prevenção de agravos que possam provocar o rompimento 
de vínculos familiares e sociais dos usuários. Visa a garantia de 
direitos, o desenvolvimento de mecanismos para a inclusão social, a 
equiparação de oportunidades e a participação e o desenvolvimento 
da autonomia das pessoas com deficiência e pessoas idosas, a 
partir de suas necessidades e potencialidades individuais e sociais, 
prevenindo situações de risco, a exclusão e o isolamento.” (BRASIL, 
2014a, p. 25).
O serviço contribui com a promoção do acesso de pessoas com 
deficiência e pessoas idosas a serviços como o PAIF e o SCFV, bem 
como a toda a rede socioassistencial. Além disso, procura auxiliar 
para que esse público acesse os serviços de outras políticas 
públicas, como educação, trabalho, saúde, transporte especial 
e programas de desenvolvimento de acessibilidade, serviços 
setoriais e de defesa de direitos e programas especializados de 
habilitação e reabilitação. Também são desenvolvidas atividades 
de apoio, informação, orientação para familiares, com objetivo 
de promover qualidade de vida, exercício da cidadania e inclusão 
na vida social, sempre ressaltando o caráter preventivo do serviço 
(BRASIL, 2014a). 
MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL42
Foto: © [Pikselstock] / Shutterstock.
O serviço busca prever as seguranças de acolhida, convívio ou 
vivência familiar, comunitária e social, e de desenvolvimento da 
autonomia. Como o próprio nome revela, é direcionado a idosos 
e pessoas com deficiência e pretende impactar na prevenção da 
ocorrência de situações de risco social, tais como o isolamento, 
situações de violência e violações de direitos, e demais riscos 
identificados pela proteção básica, bem como na ampliação do 
acesso aos direitos socioassistenciais (BRASIL, 2014a).
O conjunto de ações ofertadas pela Proteção Social Básica será 
operado por intermédio dos seguintes equipamentos:
Centros de Referência de Assistência Social (CRAS), territorializados de 
acordo com o porte do município. 1
Centros de Convivência para crianças, jovens e idosos.3
Rede de serviços socioeducativos direcionados para grupos geracionais, 
intergeracionais, grupos de interesse, entre outros. 2
Por fim, é importante lembrar que os serviços, programas, 
projetos e benefícios de Proteção Social Básica deverão 
estabelecer articulações com as demais políticas públicas 
locais, de forma a garantir a sustentabilidade das ações 
desenvolvidas e o protagonismo das famílias e indivíduos 
atendidos. Deverá, ainda, articular-se aos serviços de proteção 
especial, de média e alta complexidade, buscando garantir a 
efetivação dos encaminhamentos necessários e a efetivação do 
trabalho em rede (BRASIL, 2005a).
MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL43
2.5.3 Proteção Social Especial de Média Complexidade – 
concepção, serviços, programas e equipamentos de referência
A Proteção Social Especial é o nível de proteção social do 
SUAS que organiza a oferta de serviços, programas e projetos 
de caráter especializado. A atenção no âmbito da Proteção 
Social Especial ocorre mediante intervenções especializadas, 
continuadas, operacionalizadas por equipes de referência 
que realizam plano de atendimento para atuar nas demandas 
dos indivíduos e famílias que apresentam, entre suas 
características, situações de violação de direitos e vínculos 
familiares fragilizadosou rompidos (BRASIL, 2011a).
Na Proteção Social Especial, é realizado trabalho social 
com famílias e indivíduos que estão em situação de risco 
pessoal e social em decorrência de violência e ou violação de 
direitos. Considera-se que alguns grupos são particularmente 
vulneráveis à vivência de violência, como situação de rua, 
trabalho infantil, abandono de idosos, afastamento do 
convívio familiar, LGBTfobia, abuso e exploração, violência 
física, situações que atingem crianças, adolescentes, idosos, 
pessoas com deficiência, populações LGBTQIA+ (lésbicas, gays, 
bissexuais, travestis, transexuais, queer, intersexo, assexual 
e mais) [Sigla posteriormente alterada para LGBTQIAPN+: 
lésbicas, gays, bissexuais, transsexuais e travestis, queer, 
interssexo, assexuais, panssexuais, não-binário], mulheres e 
suas famílias (BRASIL, 2011a). 
De acordo com a NOB-SUAS/2005:
“A Proteção Social Especial tem por objetivos prover atenções 
socioassistenciais a famílias e indivíduos que se encontram em 
situação de risco pessoal e social, por ocorrência de abandono, 
maus tratos físicos e/ou psíquicos, abuso sexual, uso de substâncias 
psicoativas, cumprimento de medidas socioeducativas, situação de 
rua, situação de trabalho infantil, entre outras.” (BRASIL, 2005b, p. 
13).
As equipes de referência são responsáveis pelo atendimento de 
determinada família e indivíduo. De acordo com Ferreira 
(2011, p. 26), a referência tem a natureza de “[...] produzir para o 
cidadão a certeza de que ele encontrará acolhida, convívio e meios 
para o desenvolvimento de sua autonomia.” Os profissionais que 
compõem as equipes de referência são responsáveis por promover 
a articulação necessária entre os serviços socioassistenciais 
executados na Proteção Social Básica e Especial.
De acordo com a Norma Operacional Básica de Recursos Humanos 
do SUAS – NOB-RH/SUAS de 2006 e a Resolução nº 17/2011 do 
Conselho Nacional de Assistência Social, as equipes de referência 
da Proteção Social Especial para o atendimento nos serviços 
socioassistenciais são formadas obrigatoriamente por assistentes 
sociais, psicólogos e advogados (BRASIL, 2011b). Outras categorias 
profissionais de nível superior que preferencialmente poderão 
atender as especificidades dos serviços socioassistenciais são: 
antropólogo, economista doméstico, pedagogo, sociólogo, 
terapeuta ocupacional e musicoterapeuta. 
MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL44
1
2
Profissionais que formam as equipes de 
referência da Proteção Social Especial
Assistentes sociais
Psicólogos
Advogados
(obrigatoriamente)
Antropólogo
Economista Doméstico
Pedagogo
Sociólogo
Terapeuta ocupacional
Musicoterapeuta
(também podem atender as 
especi�cidades dos serviços 
socioassistenciais)
A norma estabelecida considerou essas profissões de nível 
superior que são regulamentadas em lei para o exercício das 
funções nos serviços socioassistenciais e para função na gestão 
do SUAS. Entretanto, o trabalho no SUAS também é desenvolvido 
por áreas de ocupações profissionais de ensino médio e 
fundamental completo, em consonância com a NOB-RH/SUAS e 
a Resolução nº 9, de 15 de abril de 2014, do Conselho Nacional de 
Assistência Social/CNAS. 
As ocupações e funções desenvolvidas pelos profissionais 
de ensino médio que compõem as equipes de referência 
no SUAS são: cuidadores sociais e orientadores ou 
educadores sociais. 
Esses profissionais desempenham funções de apoio aos serviços 
e atuam auxiliando nas atividades cotidianas e recreativas com 
crianças, pessoas com deficiência e idosos em situações de risco e 
vulnerabilidade social. Ainda, há outras ocupações profissionais 
de ensino médio que desempenham funções administrativas, 
funções de gestão financeira e orçamentária e funções de gestão 
da informação, monitoramento e avaliação que, de forma 
administrativa, promovem a operacionalização da estrutura dos 
equipamentos e desenvolvimento da política de assistência social 
com vistas à promoção das seguranças afiançadas pelo SUAS 
(BRASIL, 2014b).
A respeito da Proteção Social Especial, esse nível de 
proteção se estrutura em Proteção Social Especial de 
Média Complexidade e Proteção Social 
Especial de Alta Complexidade.
MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL45
Na Proteção Social de Média Complexidade são atendidos 
famílias e indivíduos que sofreram alguma violação de direito, 
mas há a preservação dos vínculos familiares. O objetivo do 
atendimento na média complexidade é a reconstrução dos 
vínculos familiares e comunitários e o fortalecimento das 
potencialidades dos indivíduos com a finalidade de promover a 
proteção e segurança na convivência familiar.
 
Foto: © [Chris Miles] / Shutterstock.
Os objetivos dos serviços da média complexidade são:
 ■ “O fortalecimento da função protetiva da família;
 ■ A construção de possibilidades de mudança e transformação 
em padrões de relacionamento familiares e comunitários com 
violação de direitos;
 ■ A potencialização dos recursos para a superação da situação 
vivenciada e a reconstrução de relacionamentos familiares, 
comunitários e com o contexto social, ou construção de novas 
referências, quando for o caso; 
 ■ O empoderamento e a autonomia; 
 ■ O exercício do protagonismo e da participação social; 
 ■ O acesso das famílias e indivíduos a direitos socioassistenciais 
e à rede de proteção social; e
 ■ A prevenção de agravamentos e da institucionalização.” 
(BRASIL, 2011a p. 51).
A atuação na média complexidade acontece em interface com os 
Sistemas de Garantias de Direitos, ou seja, em consonância com 
a política de atendimento prevista no contexto das leis especiais 
de proteção aos segmentos, como o Estatuto da Criança e do 
Adolescente (Lei nº 8.069/1990), o Estatuto do Idoso (Lei 
nº 10.741/2003), a Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006). 
MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL46
Desse modo, exige-se uma gestão mais complexa e 
compartilhada com o Poder Judiciário, Ministério 
Público e outros órgãos (BRASIL, 2005a).
Ressalta-se que a rede de atendimento parte do 
Sistema de Garantia de Direitos e Sistema de 
Justiça (Conselho Tutelar, Juizados da Violência 
Doméstica, Juizado da Infância e Juventude, 
Ministério Público). Esses são os principais órgãos 
encaminhadores das notificações de violação de 
direitos e/ou violência para os serviços de média 
complexidade. 
Os encaminhamentos desses órgãos, em virtude 
da atuação específica no Sistema de Justiça, 
geralmente são de situações de elevado risco 
pessoal e social em decorrência de violências. 
Outros serviços como Disque Denúncia, Conselho 
de Direitos, rede de atendimento de saúde e 
educação também realizam encaminhamentos, à 
medida que identificam situações de risco pessoal 
e social por violação de direitos ou indicativos e 
suspeita de violência. 
Rede de atendimento para 
a Garantia de Direitos e 
Sistema de JustiçaGarantia de Direitos
Sistema de Garantia de Direitos
MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL47
No âmbito da Proteção Social Especializada de Média Complexidade, 
os serviços socioassistenciais são ofertados nos territórios em 
equipamentos públicos, como apresenta-se a seguir. 
Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS)
O CREAS é definido como: 
“[...] a unidade pública estatal de abrangência municipal ou 
regional que tem como papel constituir-se em lócus de referência, 
nos territórios, da oferta de trabalho social especializado no SUAS 
a famílias e indivíduos em situação de risco pessoal ou social, por 
violação de direitos. Seu papel no SUAS define, igualmente, seu papel 
na rede de atendimento.” (BRASIL, 2011a, p. 23). 
É o equipamento da Proteção Social Especial de Média 
Complexidade que atende situações complexas com violações de 
direitos no âmbito familiar ocasionadas por tensões familiares e 
comunitárias, gerando fragilidades ou até mesmo o rompimento 
de vínculos familiares. No CREAS é realizado o trabalho social 
especializado para indivíduose suas famílias, e requer-se dos 
profissionais que compõem as equipes de referência habilidades 
técnicas e conhecimentos específicos, considerando-se as 
demandas apresentadas e as características dos serviços ofertados 
(BRASIL, 2011a).
O CREAS deve, obrigatoriamente, ofertar o Serviço 
de Proteção e Atendimento Especializado a Famílias e 
Indivíduos (PAEFI). 
Outros serviços que são desenvolvidos no CREAS são o Serviço 
de Proteção Social a Adolescentes em Cumprimento de Medida 
Socioeducativa de Liberdade Assistida (LA) e de Prestação 
de Serviços à Comunidade (PSC); Serviço Especializado em 
Abordagem Social; e Serviço de Proteção Social Especial para 
Pessoas com Deficiência, Idosas e suas Famílias. 
2.5.3.1 Serviço de Proteção e Atendimento Especializado 
a Famílias e Indivíduos (PAEFI)
O PAEFI é serviço de proteção e atendimento especializado a 
famílias com pessoas em situação de ameaça ou violação de direitos 
e com seus vínculos familiares e comunitários fragilizados. O 
serviço realiza o trabalho social para o fortalecimento da função 
protetiva da família e preservação da integridade e condições 
de autonomia dos sujeitos para o rompimento de padrões 
violadores de direitos no âmbito familiar. É um serviço de apoio, 
orientação e acompanhamento que atua em articulação com a rede 
socioassistencial, as políticas setoriais e os órgãos do Sistema de 
Garantia de Direitos. 
As famílias e seus membros devem ser inseridos 
em serviços socioassistenciais e em programas de 
transferência de renda para a promoção de direitos e 
qualificação das intervenções visando o fortalecimento 
da autonomia dos sujeitos, reparação de danos e de 
violações de direitos (BRASIL, 2014a). 
MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL48
O público-alvo do PAEFI são famílias e indivíduos que vivenciam 
violações de direitos por ocorrência de:
 ■ “Violência física, psicológica e negligência; 
 ■ Violência sexual: abuso e/ou exploração sexual; 
 ■ Afastamento do convívio familiar devido à aplicação de 
medida socioeducativa ou medida de proteção; 
 ■ Tráfico de pessoas; 
 ■ Situação de rua e mendicância; 
 ■ Abandono; 
 ■ Vivência de trabalho infantil; 
 ■ Discriminação em decorrência da orientação 
sexual e/ou raça/etnia; 
 ■ Outras formas de violação de direitos decorrentes de 
discriminações/submissões a situações que provocam danos 
e agravos a sua condição de vida e os impedem de usufruir 
autonomia e bem estar;
 ■ Descumprimento de condicionalidades do Programa 
Bolsa Família (PBF) e do Programa de Erradicação do 
Trabalho Infantil (PETI) em decorrência de violação de 
direitos.”(BRASIL, 2014a, p. 29).
As formas de acesso ao PAEFI são: por demanda espontânea; por 
identificação e encaminhamento dos serviços de proteção e vigilância 
social; por encaminhamento de outros serviços socioassistenciais, das 
demais políticas públicas setoriais e órgãos do Sistema de Garantia de 
Direitos e do Sistema de Segurança Pública. 
2.5.3.2 Serviço de Proteção Social a Adolescentes em Cumprimento de 
Medida Socioeducativa de Liberdade Assistida (LA) e de Prestação de 
Serviços à Comunidade (PSC)
O Serviço de Proteção a Adolescentes em Cumprimento de 
Liberdade Assistida (LA) e de Prestação de Serviços à Comunidade 
é realizado em interface com a política de atendimento prevista 
no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Trata-se do 
acompanhamento da medida aplicada para adolescentes de 12 
a 18 anos incompletos ou jovens de 18 a 21 anos que estiveram 
em conflito com a lei. Denomina-se de LA e PSC a medida 
socioeducativa em meio aberto determinada judicialmente. 
No âmbito dos serviços da Proteção Social Especial, esse 
serviço tem por finalidade prover atenção socioassistencial 
e acompanhamento social aos adolescentes e jovens durante 
o cumprimento da medida, visando a sua inserção em outros 
serviços socioassistenciais e em políticas setoriais, como, por 
exemplo, educação, saúde, emprego e renda.
De acordo com a Tipificação Nacional dos Serviços 
Socioassistenciais, as intervenções especializadas 
têm por objetivo criar condições para a construção/
reconstrução de projetos de vida e rompimento com a 
prática de ato infracional, assim como possibilitar 
MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL49
acessos e oportunidades para a ampliação do 
universo informacional, cultural, e também para o 
desenvolvimento de habilidades e competências desses 
jovens (BRASIL, 2014a).
A forma de acesso ao serviço é através de encaminhamento da 
Vara da Infância e da Juventude ou, na ausência desta, pela Vara 
Civil correspondente.
2.5.3.3 Serviço de Proteção Social Especial para Pessoas com Deficiência, 
Idosas e suas Famílias
É o serviço que realiza atendimento especializado para famílias 
com pessoas com deficiências e idosos que apresentam algum 
grau de dependência e sofreram violação de direito, tais como: 
“[...] exploração da imagem, isolamento, confinamento, atitudes 
discriminatórias e preconceituosas no seio da família, falta de 
cuidados adequados por parte do cuidador, alto grau de estresse 
do cuidador, desvalorização da potencialidade/capacidade da 
pessoa, dentre outras que agravam a dependência e comprometem o 
desenvolvimento da autonomia.” (BRASIL, 2014a, p. 37).
Conforme estabelecido no Estatuto do Idoso (BRASIL, 2003), 
entende-se como idoso a pessoa com 60 anos ou mais, e pessoa 
com deficiência aquela que tem impedimento de longo prazo 
de natureza física, mental, intelectual ou sensorial de qualquer 
idade, conforme preconiza o Estatuto da Pessoa com deficiência, 
Lei nº 13.146/2015 (BRASIL, 2015a). 
Ressalta-se que o Serviço de Proteção Social Especial para Pessoas 
com Deficiência, Idosas e suas Famílias também atende famílias 
em que exista uma sobrecarga e estresse da pessoa que exerce o 
papel de cuidador, considerando que tal condição pode gerar ou 
potencializar riscos. 
O serviço tem por finalidade a promoção da autonomia, 
da inclusão social e da melhoria da qualidade de vida 
das pessoas atendidas. As ações devem: prevenir a 
institucionalização; promover acessos a benefícios, 
programas de transferência de renda e outros serviços 
socioassistenciais, das demais políticas públicas setoriais 
e do Sistema de Garantia de Direitos; possibilitar a 
interrupção e a superação das violações de direitos 
(BRASIL, 2014a).
Confira, na sequência, como se dá o acesso dos indivíduos e 
famílias ao Serviço de Proteção Social Especial para Pessoas com 
Deficiência, Idosas e suas Famílias:
 ■ Busca espontânea de membros da família e/ou da comunidade. 
 ■ Busca ativa para inclusão no Cadastro Único e nos serviços 
mediante contato com associações locais, obtenção 
de informações de outros serviços socioassistenciais, 
deslocamento das equipes para conhecimento do território. 
 ■ Encaminhamento dos demais serviços socioassistenciais e das 
demais políticas públicas setoriais. 
 ■ Encaminhamento dos demais órgãos do Sistema 
de Garantia de Direitos.
MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL50
2.5.3.4 Serviço Especializado em Abordagem Social 
De acordo com a Tipificação dos Serviços Socioassistenciais 
(2009), o Serviço Especializado em Abordagem Social é ofertado 
de forma continuada e programada, realizando abordagem 
e busca ativa que identifiquem, nos territórios, incidência de 
trabalho infantil, exploração sexual de crianças e adolescentes, 
situação de rua, entre outras. Atende crianças, adolescentes, 
jovens, adultos, idosos e famílias que utilizam os espaços públicos 
como forma de moradia e/ou sobrevivência (BRASIL, 2013b). 
 
Foto: © [Salty View] / Shutterstock.
Esse serviço tem como objetivo o trabalho social para construir 
o processo de saída das ruas e inserção na rede de serviços 
socioassistenciais e das demais políticas públicas para a garantia 
dos direitos. O trabalho em rede é fundamental. 
A forma de acesso é por identificação da equipe do serviço, 
que tem a sede de trabalho no Centro de Referência Especializadode Assistência Social (CREAS) ou na Unidade Específica 
Referenciada ao CREAS (BRASIL, 2014a).
2.5.3.5 Centro de Referência Especializado para População 
em Situação de Rua (Centro POP)
O Centro de Referência Especializado para População 
em Situação de Rua é uma unidade pública e estatal, de 
abrangência municipal, que oferta, obrigatoriamente, o Serviço 
Especializado para Pessoas em Situação de Rua. Pontua-se que 
o Serviço Especializado em Abordagem Social, apresentando 
anteriormente como serviço ofertado no CREAS, conforme 
definição da gestão municipal, pode ser ofertado também no 
Centro POP (BRASIL, 2011c).
2.5.3.6 Serviço Especializado para Pessoas em Situação de Rua
O Serviço Especializado para Pessoas em Situação de Rua realiza 
atendimento a jovens, adultos, idosos e famílias que utilizam as 
ruas como espaço de moradia e/ou sobrevivência. 
“Particularmente em relação às pessoas em situação de rua, a oferta da 
atenção especializada na PSE tem como objetivo a construção de novos 
projetos e trajetórias de vida, visando à construção do processo de saída 
das ruas e o alcance da referência como sujeitos de direitos na sociedade 
brasileira.” (BRASIL, 2011c, p. 37).
MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL51
O serviço proporciona endereço institucional de referência 
para os usuários. Deve ofertar locais para a guarda de 
pertences, realização de higiene pessoal, refeições e 
providenciar documentação civil. As intervenções profissionais 
ocorrem de forma individual e grupal, bem como mediante 
encaminhamentos a outros serviços socioassistenciais e 
das demais políticas públicas. Tem por finalidade realizar 
atendimento para o desenvolvimento de sociabilidades, visando 
o fortalecimento de vínculos interpessoais e/ou familiares e a 
construção de novos projetos de vida (BRASIL, 2014a).
As formas de acesso ao serviço são por demanda espontânea ou por 
encaminhamentos do Serviço Especializado em Abordagem Social, 
de outros serviços socioassistenciais, das demais políticas públicas 
setoriais e dos demais órgãos do Sistema de Garantia de Direitos. 
2.5.3.7 Centro-Dia
O Centro-Dia é uma unidade pública, que pode ser governamental 
ou não governamental, referenciada ao CREAS, prevista na 
Tipificação Nacional de Serviços Socioassistenciais (2009). O Centro-
Dia pode ofertar em sua unidade o Serviço de Proteção Especial para 
Pessoas com Deficiência, Idosas e suas Famílias (BRASIL, 2014a).
O equipamento desenvolve o trabalho na modalidade de 
atendimento integral durante o dia para as pessoas idosas e pessoas 
com deficiência que tenham algum grau de dependência de 
cuidados e sua condição tenha sido agravada pela convivência em 
situações de risco ou violação de direitos, tais como o isolamento 
social, o abandono, alto grau de estresse do cuidador familiar entre 
outras violações de direitos (BRASIL, 2014a).
O Centro-Dia está em consonância com o Plano Nacional dos 
Direitos da Pessoa com Deficiência (Decreto 7.612/2011), com 
a Política Nacional do Idoso (Lei nº 8.842/1994) e o Estatuto do 
Idoso (Lei nº 10.741/2003). É uma unidade de atendimento para 
o idoso dependente e que necessita de assistência médica ou de 
assistência multiprofissional. 
Como já exposto, a Proteção Social Especial atua na interface da 
política de assistência social e das políticas de proteção à criança, 
idosos, mulheres e pessoas com deficiência. 
Importante ressaltar que Centro-Dia é uma unidade 
de atendimento diferente dos Serviços de Convivência 
previstos na Proteção Social Básica. O Centro-Dia é 
um espaço de referência especializado da assistência 
social no âmbito da Proteção Social Especial de Média 
Complexidade, portanto, que atende situações mais 
graves, considerando que seu público-alvo já teve algum 
direito violado. 
2.5.3.8 Programa de Erradicação do Trabalho Infantil – PETI
O Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PETI) é 
responsável por coordenar ações integradas e complementares com 
o objetivo de enfrentamento ao trabalho infantil. É um programa de 
caráter intersetorial, integrante da Política Nacional de Assistência 
Social e, conforme previsto pela LOAS, compreende transferência 
de renda, trabalho social com famílias e oferta de serviços 
socioeducativos para crianças e adolescentes que se encontrem em 
situação de trabalho infantil (BRASIL, 2018).
MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL52
O PETI atende crianças e adolescentes em idade 
inferior a 16 (dezesseis) anos que estão em 
situação de violação de direito em decorrência 
do trabalhado infantil, ressalvada a condição de 
aprendiz a partir dos 14 (quatorze) anos.
O que pode ser considerado trabalho infantil?
O trabalho infantil refere-se às 
atividades econômicas e/ou atividades de 
sobrevivência, com ou sem finalidade de 
lucro, remuneradas ou não, realizadas 
por crianças ou adolescentes de até 16 
anos, exceto quando da condição de jovem 
aprendiz (BRASIL, 2018). 
A proibição do trabalho infantil está prevista 
na Constituição Federal de 1988 e no Estatuto da 
Criança e do Adolescente (BRASIL, 2018), devendo 
ser compromisso de todos zelar contra este tipo 
de exploração.
 
Foto: © [Tinnakorn jorruang] / Shutterstock.
MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL53
A gestão do PETI no SUAS está na Proteção Social Especial, que 
acompanha a operacionalização e execução das ações de combate 
e prevenção ao trabalho infantil nos níveis de Proteção Social 
Básica e Proteção Social Especial, integrando ações, serviços e 
benefícios (BRASIL, 2018).
O enfrentamento ao trabalho infantil coordenado pelo PETI no 
âmbito do SUAS é potencializado nos serviços socioassistenciais 
através de ações permanentes como:
 ■ Oferta de atendimento às crianças e adolescentes no Serviço 
de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV).
 ■ Trabalho social com famílias por meio dos serviços 
continuados do PAIF/CRAS (Serviço de Proteção a 
Atendimento Integral à Família) e PAEFI/CREAS (Serviço 
de Proteção e Atendimento Especializado a Famílias e 
Indivíduos). encaminhamento ao Programa Nacional 
de Promoção do Acesso ao Mundo do trabalho (Acessuas 
Trabalho) e/ou de outros programas de inclusão produtiva.
 ■ Registro no Cadastro Único e inclusão da família em 
programa de transferência de renda.
SAIBA MAIS
Para conhecer melhor o Programa de Erradicação do Trabalho 
Infantil, você pode consultar o “Caderno de Orientações 
Técnicas para o Aperfeiçoamento da Gestão do PETI”, 
disponível em: http://blog.mds.gov.br/redesuas/caderno-
de-orientacoes-tecnicas-do-peti/. 
Importante lembrar que as novas diretrizes para a prevenção e 
erradicação do trabalho infantil no território nacional exigem 
articulação intersetorial e comportam cinco eixos: 
Informação e Mobilização 
Proteção
Monitoramento
Identi�cação
Defesa e Responsabilização
http://blog.mds.gov.br/redesuas/caderno-de-orientacoes-tecnicas-do-peti/
http://blog.mds.gov.br/redesuas/caderno-de-orientacoes-tecnicas-do-peti/
MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL54
2.5.4 Proteção Social Especial de Alta Complexidade – 
concepção, serviços e equipamentos de referência 
A Proteção Social Especial de Alta Complexidade atende indivíduos 
que sofrem ameaças, violências e violações de direitos e precisam 
ser retirados do seu núcleo familiar e comunitário. 
Na alta complexidade, é realizado o atendimento 
integral dos indivíduos na modalidade de serviços de 
acolhimento, garantindo moradia, alimentação, convívio 
social e demais garantias preconizadas pela política de 
atendimento para os indivíduos que estão com vínculos 
familiares extremamente fragilizados ou rompidos 
(BRASIL, 2005a). 
Os serviços de acolhimento institucional são desenvolvidos na 
rede socioassistencial, composta por serviços ofertados pelo 
poder público ou organizações não governamentais. 
Os serviços de acolhimento são serviços de proteção e garantia de 
atendimento integral para os indivíduos que deles necessitam, 
de forma excepcional e provisória,como no caso de crianças 
e adolescentes que precisam ser retirados do núcleo familiar 
e recebem medida protetiva prevista no Estatuto da Criança 
e do Adolescente; pessoas em situação de rua; mulheres que 
sofrem violência; idosos em vulnerabilidade social ou violação 
de direitos, que necessitam residir em Instituições de Longa 
Permanência – ILPI (BRASIL, 2014a).
A seguir, serão apresentados os serviços da Proteção Social 
Especial de Alta Complexidade e as unidades de acolhimento. 
2.5.4.1 Serviço de Acolhimento Institucional
O acolhimento institucional pode ser ofertado em diferentes 
tipos de equipamentos conforme o público ao qual se destina, 
atendendo famílias e indivíduos com vínculos familiares 
rompidos ou fragilizados, visando garantir proteção integral. 
As unidades devem estar inseridas nas comunidades e ter 
características residenciais, ambiente acolhedor e estrutura física 
adequada, para o desenvolvimento de relações mais próximas do 
ambiente familiar (BRASIL, 2014a).
Conforme a Tipificação Nacional dos Serviços Socioassistenciais 
(BRASIL, 2014a), os Serviços de Acolhimento Institucionais são 
previstos:
MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL55
Para crianças e adolescentes em situação de risco pessoal e social em decorrência de suas famílias 
ou responsáveis não realizarem os cuidados adequados. O acolhimento institucional de crianças e 
adolescentes é uma das medidas de proteção previstas no art. 101 do Estatuto da Criança e do 
Adolescente. Desse modo, os serviços de acolhimento institucional são ofertados em consonância com 
o que prevê Estatuto da Criança e do Adolescente e as “Orientações Técnicas: Serviços de Acolhimento 
para Crianças e Adolescentes”. As unidades que ofertam o serviço são: Casa-Lar e Abrigo Institucional. 
Para mulheres em situação de violência acompanhadas ou não de seus �lhos, em
situação de risco de morte ou ameaças em razão da violência doméstica e familiar, 
causadora de lesão, sofrimento físico, sexual, psicológico ou dano moral. A unidade que 
oferta o serviço é o Abrigo Institucional. 
Para adultos e famílias em situação de rua e desabrigo por abandono, migração e 
ausência de residência ou pessoas em trânsito e sem condições de autossustento.
As unidades que ofertam o serviço são: Abrigo institucional e Casa de Passagem. 
Para jovens e adultos com de�ciência com vínculos familiares rompidos ou fragiizados
e que não dispõem de condições de autossustentabilidade, de retaguarda familiar 
temporária ou permanente ou que estejam em processo de desligamento de instituições de 
longa permanência. As unidades que ofertam o serviço são as Residências Inclusivas.
Para idosos com 60 anos ou mais, independentes ou com diversos graus de dependência 
quando esgotadas as possibilidades de autossustento e convívio com os familiares. Também 
para idosos que não dispõem de condições para permanecer com a família em decorrência de 
situações de violência e negligência, em situação de rua e de abandono. As unidades que 
ofertam o serviço são: Casa-Lar e Abrigo em Instituição de Longa Permanência para Idosos - ILPI. 
SAIBA MAIS
Para saber mais sobre o Serviço de 
Acolhimento para Crianças e Adolescentes, 
acesse o documento com as orientações 
técnicas, disponível em: http://www.mprs.
mp.br/areas/infancia/arquivos/conanda_
acolhimento.pdf. 
2.5.4.2 Serviço de Acolhimento em República 
O Serviço de Acolhimento em República oferece 
moradia subsidiada para grupos de pessoas 
maiores de 18 anos em estado de abandono, 
situação de vulnerabilidade e risco pessoal e 
social, com vínculos familiares rompidos ou 
extremamente fragilizados e sem condições 
de moradia e autossustentação. O serviço é 
destinado, prioritariamente, para atender jovens 
entre 18 e 21 anos após desligamento de serviços de 
acolhimento para crianças e adolescentes; pessoas 
adultas com vivência de rua em fase de reinserção 
social e idosos que tenham capacidade de residir 
em moradia coletiva e tenham condições de 
desenvolver, de forma independente, as suas 
atividades da vida diária (BRASIL, 2014a).
A equipe técnica de referência deve contribuir 
http://www.mprs.mp.br/areas/infancia/arquivos/conanda_acolhimento.pdf
http://www.mprs.mp.br/areas/infancia/arquivos/conanda_acolhimento.pdf
http://www.mprs.mp.br/areas/infancia/arquivos/conanda_acolhimento.pdf
MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL56
com a gestão coletiva da moradia e para acompanhamento 
psicossocial dos usuários e encaminhamento para outros 
serviços, programas e benefícios da rede socioassistencial e das 
demais políticas públicas (BRASIL, 2014a).
2.5.4.3 Serviço de Acolhimento em Família Acolhedora 
Este serviço é responsável pelo acolhimento, por meio de famílias 
acolhedoras, de crianças e adolescentes que receberam medida 
protetiva prevista no Estatuto da Criança e do Adolescente. 
O serviço é responsável por selecionar, capacitar, cadastrar e 
acompanhar as famílias acolhedoras, a criança e o adolescente 
acolhido e sua família de origem (BRASIL, 2014a).
De acordo com a Tipificação dos Serviços Socioassistenciais 
(BRASIL, 2014a, p. 54) “o serviço é particularmente adequado ao 
atendimento de crianças e adolescentes cuja avaliação da equipe 
técnica indique possibilidade de retorno à família de origem, 
nuclear ou extensa.”
2.5.4.4 Serviço de Proteção em Situações de 
Calamidades Públicas e Emergência
O serviço oferta alojamentos provisórios, atenções e provisões 
materiais, promove o apoio e proteção à população atingida por 
situações de emergência e calamidade pública. Atende famílias 
e indivíduos que, por situações de incêndios, desabamentos, 
deslizamentos, alagamentos, entre outras, tiveram perdas 
parciais ou totais de moradia, objetos e utensílios pessoais e se 
encontram temporariamente ou definitivamente desabrigados. 
Também atende famílias e indivíduos removidos de áreas 
consideradas de risco, por prevenção ou determinação do Poder 
Judiciário. Assegura a articulação e participação em ações 
conjuntas de caráter intersetorial para a minimização dos danos e 
provimento das necessidades (BRASIL, 2014a).
 
Foto: © [Joa Souza] / Shutterstock.
Considerando os diferentes municípios brasileiros, sabemos que, 
MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL57
embora exista parâmetros para a implantação e a operacionalização 
dos serviços socioassistenciais, as diferenças regionais dão um 
contorno diferenciado aos serviços, considerando-se, ainda, 
as estruturas formais, as particularidades de formação, de 
investimento e cultural de cada ente. 
Neste sentido, algumas ações e serviços previstos no SUAS 
não podem ser estruturados apenas na escala dos municípios, 
considerando-se duas questões importantes: 
 ■ Muitos municípios não possuem em seu território condições 
de oferecer serviços de alta e média complexidade.
 ■ Há municípios que apresentam serviços de referência como 
polos regionais que garantem o atendimento não só da sua 
população mas também de habitantes de municípios vizinhos.
Frente a essa realidade, a cooperação entre os executores dos 
serviços socioassistenciais é essencial em pelo menos duas 
hipóteses do desenvolvimento de serviços de referência regional: 
a. Nos casos em que a demanda do município não justifique a 
disponibilização, em seu âmbito, de serviços continuados nos 
referidos níveis de proteção social. 
b. Nos casos em que o município, devido ao seu porte ou nível 
de gestão, não tenha condições de gestão individual de um 
serviço em seu território.
2.5.5 Benefícios socioassistenciais e programas de 
transferência de renda
Os benefícios socioassistenciais integram a política de assistência 
social, compondo a Proteção Social Básica, dada a natureza de sua 
realização. Dividem-se em duas modalidades: o Benefício de Prestação 
Continuada da Assistência Social (BPC) e os Benefícios Eventuais.
 
Política de Assistência Social
Proteção Social Básica
Benefícios Socioassistenciais
Benefício de Prestação Continuada da 
AssistênciaSocial (BPC)
Benefícios Eventuais
O BPC é um direito assegurado constitucionalmente, constituindo-
se em direito de cidadania. De caráter não contributivo, está 
desvinculado da condição de trabalhador e de contribuições 
prévias à previdência social. É o primeiro benefício de prestação 
continuada instituído no âmbito do sistema de proteção social nesta 
modalidade. Confira a definição na Lei nº 12.435/2011 sobre o BPC: 
MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL58
“Art. 20. O benefício de prestação continuada é a garantia de um 
salário-mínimo mensal à pessoa com deficiência e ao idoso com 65 
(sessenta e cinco) anos ou mais que comprovem não possuir meios de 
prover a própria manutenção nem de tê-la provida por sua família.”
O BPC está previsto na LOAS (BRASIL,1993) e no Estatuto do 
Idoso (BRASIL, 2003). Constitui-se como transferência de renda, 
sendo provido pelo governo federal diretamente ao beneficiário. 
A gestão desse benefício é realizada pelo Ministério do 
Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, 
por intermédio da Secretaria Nacional de Assistência Social 
(SNAS), que é responsável pela implementação, coordenação, 
regulação, financiamento, monitoramento e avaliação do 
benefício. De acordo com Freitas (2016), a operacionalização é 
realizada pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), a quem 
compete o requerimento, manutenção e cessação do benefício. 
O BPC é um benefício individual, não vitalício e intransferível, que 
assegura a transferência mensal de um salário mínimo à pessoa 
idosa, com sessenta e cinco anos ou mais, e à pessoa com deficiência, 
de qualquer idade. Os requerentes devem comprovar não possuir 
meios de garantir o próprio sustento, nem de tê-lo provido por sua 
família. A renda mensal familiar per capita deve ser inferior a um 
quarto do salário mínimo vigente (FREITAS, 2016).
É importante saber que o BPC:
 ■ Pode ser concedido a pessoas em situação de rua.
 ■ Pode ser reavaliado a cada dois anos.
 ■ Dá direito ao beneficiário de obter a tarifa social de 
energia elétrica.
 ■ Não é uma aposentadoria.
 ■ Não paga 13º salário e não deixa pensão por morte.
Os Benefícios Eventuais, conforme previstos no art. 22 da 
LOAS, podem ser entendidos como provisões suplementares 
e provisórias que integram organicamente as garantias do 
SUAS e são prestadas aos cidadãos e às famílias em virtude de 
nascimento, morte, situações de vulnerabilidade temporária e de 
calamidade pública, conforme detalhados no site do Ministério 
do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à 
Fome e apresentados na sequência:
 ■ Nascimento: objetiva atender às necessidades do bebê que vai 
nascer; apoiar a mãe nos casos em que o bebê nasce morto ou 
morre logo após o nascimento; e apoiar a família 
em caso de morte da mãe. 
 ■ Morte: tem como objetivo atender às necessidades urgentes da 
família após a morte de um de seus provedores ou membros; 
atender as despesas de urna funerária, velório e sepultamento, 
desde que não haja no município outro benefício que garanta o 
atendimento a estas despesas.
 ■ Vulnerabilidade temporária: benefício disponibilizado 
para o enfrentamento de situações de riscos, perdas e danos 
à integridade da pessoa e/ou de sua família e outras situações 
sociais que comprometam a sobrevivência.
 ■ Calamidade pública: auxilia na garantia dos meios 
necessários à sobrevivência da família e do indivíduo, com 
o objetivo de assegurar a dignidade e a reconstrução da 
autonomia dos indivíduos e famílias afetadas. 
MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL59
A gestão dos Benefícios Eventuais deve ser realizada pelos 
municípios e Distrito Federal, sendo seus critérios e valores 
estabelecidos pelos conselhos municipais ou distrital. Tais 
benefícios são financiados pelos municípios 
e cofinanciados pelo Estado.
SAIBA MAIS
Para conhecer mais sobre os Benefícios Eventuais, acesse 
a cartilha do Ministério da Cidadania sobre o assunto, 
disponível em: https://www.gov.br/cidadania/pt-br/
acoes-e-programas/assistencia-social/beneficios-
assistenciais/copy_of_Perguntasfrequentes_Beneficios_
Eventuais_SUAS2.pdf.
De acordo com a NOB/SUAS, os programas de transferência 
de renda
“[...] visam o repasse direto de recursos dos fundos de Assistência 
Social aos beneficiários, como forma de acesso à renda, visando 
o combate à fome, à pobreza e outras formas de privação de 
direitos, que levem à situação de vulnerabilidade social, criando 
possibilidades para a emancipação, o exercício da autonomia das 
famílias e indivíduos atendidos e o desenvolvimento local.” (BRASIL, 
2005b, p. 15)
Esse direito à renda se constitui como um dos aspectos centrais 
da assistência social, efetivando, portanto, o caráter de política 
não contributiva de responsabilidade do Estado. Os programas 
de transferência de renda tratam de uma prestação direta de 
competência do governo federal, presente em todos os municípios.
No Brasil, os principais programas federais de transferência de 
renda no âmbito da assistência social são:
 
 ■ Programa Bolsa Família
 ■ Programa de Aquisição de Alimentos
 ■ Benefício de Prestação Continuada da Assistência Social 
– BPC (apresentado anteriormente junto aos benefícios 
socioassistenciais)
 ■ Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PETI)
O governo federal, com intuito de estabelecer medidas de 
enfrentamento excepcionais de proteção social para a crise de 
emergência de saúde pública iniciada no ano de 2019, promulgou 
a Lei nº 13.982, de 2 de abril de 2020, que prevê, entre outras 
deliberações, o pagamento do Auxílio Emergencial para os 
brasileiros. Este auxílio exigia o cumprimento de critérios elegíveis, 
seguindo a legislação, e suspendia, em caráter temporário, o 
pagamento do Programa Bolsa Família (BRASIL, 2020).
Após cessar o pagamento do Auxílio Emergencial, passou a 
vigorar no país o Programa Auxílio Brasil através da Medida 
Provisória nº 1.061, de 9 de agosto de 2021 (BRASIL, 2021b), e 
sua regulamentação foi proposta na data de 8 de novembro 
de 2021, através da publicação do Decreto 10.852 (BRASIL, 
2021c). Esse programa foi reafirmado e instituído pela Lei nº 
14.284/2021(BRASIL, 2021d), que também criou o Programa 
Alimenta Brasil.
https://www.gov.br/cidadania/pt-br/acoes-e-programas/assistencia-social/beneficios-assistenciais/copy_of_Perguntasfrequentes_Beneficios_Eventuais_SUAS2.pdf
https://www.gov.br/cidadania/pt-br/acoes-e-programas/assistencia-social/beneficios-assistenciais/copy_of_Perguntasfrequentes_Beneficios_Eventuais_SUAS2.pdf
https://www.gov.br/cidadania/pt-br/acoes-e-programas/assistencia-social/beneficios-assistenciais/copy_of_Perguntasfrequentes_Beneficios_Eventuais_SUAS2.pdf
https://www.gov.br/cidadania/pt-br/acoes-e-programas/assistencia-social/beneficios-assistenciais/copy_of_Perguntasfrequentes_Beneficios_Eventuais_SUAS2.pdf
MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL60
Em março de 2023, o Governo Federal relançou o Programa 
Bolsa Família, no âmbito do Ministério do Desenvolvimento e 
Assistência Social, Família e Combate à Fome, em substituição 
ao Programa Auxílio Brasil. Por meio da Medida Provisória nº 
1.164/23 (BRASIL, 2023a), foram estabelecidas as diretrizes do 
novo programa.
Foto: © [MDAS] / Divulgação.
2.5.5.1 Programa Bolsa Família
O Programa Bolsa Família caracteriza-se como um programa 
de transferência direta e condicionada de renda e tem como 
objetivos (BRASIL, 2023a):
I - combater a fome, por meio da transferência direta de renda às 
famílias beneficiárias;
II - contribuir para a interrupção do ciclo de reprodução da pobreza 
entre as gerações; e
III - promover o desenvolvimento e a proteção social das famílias, 
especialmente das crianças, dos adolescentes e dos jovens em 
situação de pobreza.
Os destinatários do programa são famílias cuja renda familiar 
per capita mensal seja igual ou inferior a R$ 218,00 (duzentos e 
dezoito reais) e que estejam inscritas no CadÚnico.
Sobre o entendimento de família, alegislação converge com a 
instrução de família como núcleo composto por uma ou mais 
pessoas que formem um grupo doméstico, com residência 
no mesmo local, que contribuam para renda e/ou que desta 
dependam para suas despesas. A seguir, consideremos outras 
definições importantes:
MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL61
Soma dos rendimentos brutos de todos os membros familiares 
recebidos no mês de referência, excluídos aqueles rendimentos 
indicados em regulamento. 
RENDA FAMILIAR
Local que serve de moradia à família.
DOMICÍLIO
Razão entre a renda familiar bruta mensal e o total de 
seus indivíduos.
RENDA PER CAPITA MENSAL
Os benefícios financeiros do Programa Bolsa Família, destinados 
à transferência de renda, são apresentados no quadro a seguir 
(BRASIL, 2023a). 
Benefícios de transferência de renda - Bolsa Família
Nomenclatura do 
benefício Beneficiário Valor financeiro 
do benefício
Benefício de Renda 
de Cidadania
 Destinado a todas as 
famílias beneficiárias do 
Programa Bolsa Família.
 valor de R$ 142,00 (cento 
e quarenta e dois reais) por 
integrante da família.
Benefício 
Complementar
Destinado às famílias beneficiárias 
do Programa Bolsa Família cuja 
soma dos valores relativos aos 
Benefício de Renda de Cidadania 
recebidos seja inferior a R$ 
600,00 (seiscentos reais), que será 
calculado pela diferença entre 
este valor e a referida soma.
É calculado pela diferença entre 
o valor de referência e a soma 
dos valores recebidos pelo 
Benefício de Renda Cidadania.
Benefício 
Primeira Infância
Contempla famílias com crianças 
na idade de zero a sete anos 
incompletos incompletos.
Valor de R$ 150,00 (cento e 
cinquenta reais) por criança.
Benefício Variável 
Familiar
Destinado às famílias que 
possuam gestantes ou pessoas 
com idade entre 7 (sete) e 18 
(dezoito) anos incompletos. 
Pago mensalmente no valor de 
R$ 50,00 (cinquenta reais) por 
integrante da família que se 
enquadrar como beneficiário.
Benefício 
Extraordinário 
de Transição
Destinado às famílias que constarem 
como beneficiárias do Programa 
Auxílio Brasil na data de entrada 
em vigor da Medida Provisória nº 
1.164/23. Terá duração limitada.
Benefício financeiro calculado 
pela diferença entre o valor 
recebido pela família em 
maio de 2023 e o que vier a 
receber em junho de 2023.
MÓDULO 2 – O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL62
SAIBA MAIS
Para conhecer mais detalhes do programa Bolsa Família, 
seus benefícios, condicionalidades, valores, entre outras 
informações, acesse na íntegra a Medida Provisória nº 
1.164/2023, disponível em: https://www.in.gov.br/en/
web/dou/-/medida-provisoria-n-1.164-de-2-de-marco-
de-2023-46744943 
2.5.5.2 Programa de Aquisição de Alimentos
A Medida Provisória nº 1.166/2023 (BRASIL, 2023b), institui 
o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), que tem por 
finalidades:
 ■ Incentivar a agricultura familiar e a inclusão econômica 
e social, com fomento à produção sustentável, ao 
processamento de alimentos, à industrialização e à geração 
de renda.
 ■ Fomentar a produção familiar de povos indígenas, 
comunidades quilombolas e tradicionais, assentados da 
reforma agrária, negros, mulheres e juventude rural.
 ■ Contribuir com o acesso à alimentação pelas pessoas em 
situação de insegurança alimentar e nutricional.
 ■ Incentivar hábitos alimentares saudáveis em âmbito local 
e regional.
 ■ Terão prioridade de acesso ao Programa de Aquisição 
de Alimentos os agricultores familiares incluídos no 
Cadastro Único (CadÚnico) e os agricultores familiares 
pertencentes a povos indígenas, comunidades quilombolas 
e tradicionais, assentados da reforma agrária, negros, 
mulheres e juventude rural.
 2.5.5.3 Transferência de renda vinculada ao Programa de Erradicação do 
Trabalho Infantil (PETI)
Outro programa de transferência de renda às famílias é o 
Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PETI), 
já introduzido na seção 2.5.3.8. O PETI constitui-se como 
um programa de transferência direta de renda articulado ao 
acompanhamento socioassistencial da família pelos serviços 
da assistência social (CRAS e CREAS). É direcionado às famílias 
com crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil e 
contribui na proteção de crianças e adolescentes contra qualquer 
forma de trabalho, garantindo que frequentem a escola e 
atividades socioeducativas.
As ações do PETI e seu benefício às famílias buscam erradicar 
todas as formas de trabalho infantil no país, em um processo de 
resgate da cidadania, com a inclusão social de seus beneficiários e 
o desenvolvimento do trabalho social com famílias. 
De acordo com a LOAS, o PETI tem abrangência nacional e será 
desenvolvido de forma articulada pelos entes federados com a 
participação da sociedade civil.
67
Referências
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direitos e sua participação na Política Pública de Assistência 
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Resolução nº 24, de 16 de fevereiro de 2006. Brasília, DF: CNAS, 
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no 17, de 20 de junho de 2011. Ratificar a equipe de referência 
definida pela Norma Operacional Básica de Recursos Humanos 
do Sistema Único de Assistência Social – NOB-RH/SUAS e 
Reconhecer as categorias profissionais de nível superior para 
atender as especificidades dos serviços socioassistenciais e das 
funções essenciais de gestão do Sistema Único de Assistência 
Social – SUAS. Brasília, DF: Conselho Nacional de Assistência 
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9, de 15 de abril de 2014. Ratifica e reconhece as ocupações e as 
áreas de ocupações profissionais de ensino médio e fundamental 
do Sistema Único de Assistência Social – SUAS, em consonância 
com a Norma Operacional Básica de Recursos Humanos do 
SUAS – NOBRH/SUAS. Brasília, DF: CNAS, 2014b. Disponível em: 
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8.742, de 7 de dezembro de 1993, para dispor sobre parâmetros 
adicionais de caracterização da situação de vulnerabilidade 
social para fins de elegibilidade ao benefício de prestação 
continuada (BPC), e estabelece medidas excepcionais de proteção 
social a serem adotadas durante o período de enfrentamento 
da emergência de saúde pública de importância internacional 
decorrente do coronavírus (Covid-19) responsável pelo surto 
de 2019, a que se refere a Lei nº 13.979, de 6 de fevereiro de 2020. 
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Deidvid de Abreu
Francielle Lopes Alves
Maria Gabriela da Rocha
Equipe de ajuste (modelo EaD autoinstrucional) do 
curso FUNDAMENTOS BÁSICOS DO SISTEMA ÚNICO DE 
ASSISTÊNCIA SOCIAL (SUAS)
COORDENAÇÃO GERAL
Susan Aparecida de Oliveira
FINANCEIRO
Rafael Pereira Ocampo Moré
CONSULTORIA TÉCNICA EAD
Giovana Schuelter
COORDENAÇÃO DE PRODUÇÃO
Waldoir Valentim Gomes Junior
CONTROLE DE QUALIDADE
Luciano PatrícioSouza de Castro
COORDENAÇÃO DE AVEA
Wilton José Pimentel Filho
Isaías Scalabrin Bianchi
DESIGN INSTRUCIONAL
Supervisão: Joyce Regina Borges
Samuel Girardi
DESIGN GRÁFICO
Supervisão: Sonia Trois
Vinicius Costa Pauli
Vinicius Leão da Silva
REVISÃO TEXTUAL
Supervisão: Fábio Bianchini Mattos
PROGRAMAÇÃO
Supervisão: Bruno Fuhrmann Kehrig Silva
Cleberton de Souza Oliveira
Luan da Silva Moraes
AUDIOVISUAL
Supervisão: Dilney Carvalho da Silva
Italo Coelho Zaccaron
Maycon Douglas da Silva
SECRETARIA
Murilo Cesar Ramos
NARRAÇÃO/APRESENTAÇÃO
Áureo Mafra de Moraes
INTÉRPRETE LIBRAS
Vitória Cristina Amancio
CONTEUDISTAS DE AJUSTES
Ana Paula Campos Braga Franco
Daniele Cima Cardoso
Gissele Carraro
Luziele Maria de Souza Tapajós
Marcilio Marquesini Ferrari
FUNDAMENTOS BÁSICOS 
DO SISTEMA ÚNICO DE 
ASSISTÊNCIA SOCIAL (SUAS)
	O Sistema Único de Assistência Social
	2.1 Princípios
	2.2 Objetivos
	2.3 Principais diretrizes do SUAS
	2.4 Seguranças afiançadas pelo SUAS
	2.5 Proteções sociais e os serviços socioassistenciais do SUAS
	Referências

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