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QUESTÃO SOCIAL NO BRASIL PROFESSORA: ALINE MENEZES REVISITAR O CONCEITO • Entender a “questão social” é, de um lado, considerar a exploração do trabalho pelo capital e, de outro, as lutas sociais protagonizadas pelos trabalhadores organizados em face dessa premissa centra à produção e reprodução do capitalismo (Soares, 2012:133). • EXPLORAÇÃO DO TRABALHO PELO CAPITAL; • LUTAS SOCIAIS → Nós enquanto categoria de assistentes sociais precisamos nos esforçar para apontar as características e “formas de ser” de cada expressão da “questão social” enquanto FENÔMENO SINGULAR e, ao mesmo tempo UNIVERSAL, cujo fundamento comum é dado pela CENTRALIDADE DO TRABALHO na constituição da vida social (Soares, 2012:133) FORMAÇÃO DO CAPITALISMO BRASILEIRO • P ar ti cu la ri d ad e H is tó ri ca d o B ra si l Processo de colonização • séculos XVI e XIX; ACUMULAÇÃO ORIGINÁRIA, O COLONIALISMO E O IMPERIALISMO • são momentos de um sentido geral da formação da sociedade brasileira: Uma sociedade e uma economia que se organizam para fora e vivem ao sabor das flutuações de interesses de mercado longiquo; PESO DO ESCRAVISMO • marcado de forma deletéria a cultura, os valores, as ideias, a ética, a estética e os ritmos de mudança; DESENVOLVIMENTO DESIGUAL E COMBINADO • Formação social na qual se sobressaem ritmos irregulares e espasmódicos, desencontrados e contraditórios numa espécie de caleidescópio de muitas épocas. Boschetti e Behring, 2011 FORMAÇÃO DO CAPITALISMO BRASILEIRO Trabalho Escravo Trabalho Livre “COMPLEXA ARTICULAÇÃO DE PROGRESSO” ✓ Adaptação ao capitalismo; ✓ Conservação (permanência de importantes elementos da antiga ordem); Boschetti e Behring, 2011 FORMAÇÃO DO CAPITALISMO BRASILEIRO • Uma marca da nossa formação social é a HETERONOMIA, a dependência. Senhor Colonial se metamorfoseia-se em Senhor - Cidadão Assim, a democracia não era uma condição geral da sociedade: ESTAVA APRISIONADA NO ÂMBITO DA SOCIEDADE CIVIL, da qual faziam parte apenas as classes dominantes, as quais utilizavam o Estado nacional nascente para o patrocínio de seus interesses gerais. Boschetti e Behring, 2011 PARTICULARIDADE DA QUESTÃO SOCIAL NO BRASIL • Sistema Colonial→ Caracteriza o “atraso”; • Latifúndio de monocultura extensiva em vista a exportação; • A colonização foi um importante instrumento para a acumulação primitiva; • O capitalismo estava em transição da fase de cooperação para manufatura; • A disponibilidade de terras em geral, mas a disponibilidade de terras em particular para o capital, o que implica na não disponibilidade de terras em particular para os trabalhadores; Soares, 2012 1. (Prefeitura de Fortaleza/ Pref. De Fortaleza/2018) Assinale a alternativa correta quanto aos fenômenos históricos que caracterizam as particularidades constitutivas do capitalismo na formação social brasileira como elementos determinantes das particularidades da “questão social” assinalados por Santos (2010). • a) Caráter conservador da modernização capitalista no Brasil, os processos de “revolução passiva” e o específico desempenho do Estado na sociedade brasileira. • b) Natureza do Estado desenvolvimentista, reedição do sistema escravista e abertura gradual e segura da democracia. • c) Elevado grau de exploração da força de trabalho, industrialização restrita e participação popular nos processos de decisão política. • d) Crescimento público nacional, apropriação de alta tecnologia industrial e o Estado como agente econômico central. ORIGEM DA QUESTÃO SOCIAL NO BRASIL • “A emergência da “Q.S” no Brasil encontra-se enraizada no particular processo de transição da produção de base escravocrata para uma ancorada na efetiva generalização do trabalho livre” (Teixeira, p. 82,2016) “Revolução Burguesa no Brasil” → São transformações histórico-sociais que determinam a desagregação do regime escravocrata e a formatação de uma sociedade classista a partir de um padrão distinto daqueles que caracterizaram o modelo europeu, em particular o da Revolução Francesa ( Fernandes, 2005 apud Teixeira, 2016) FORMAÇÃO DA BURGUESIA BRASILEIRA • A composição da burguesia brasileira como classe dominante ✓ Não se deu a partir de nenhuma pactuação interclassista; ✓ Não alargou os horizontes da democracia para além dos interesses das oligarquias; ✓ Não promoveu avanços civilizatórios no campo das legislações e dos direitos sociais • Próprio a um país dependente e na periferia do capitalismo mundial; • Converteu-se em classe dominante forjando processos políticos e culturais de afastamento de qualquer perspectiva de mudança, mesmo aquelas denominadas por Florestam Fernandes como “revolucionárias dentro da ordem”, advindas de outras frações da burguesia (fora dos círculos oligárquicos), ou da classe trabalhadora (Teixeira, 2016, p. 82) RECONHECIMENTO DA QUESTÃO SOCIAL PELO ESTADO BRASILEIRO • A consolidação das legislações sociais decorrentes do movimento de reivindicação dos trabalhadores se manteve num quadro de reconhecimento dos direitos de seletos grupos de trabalhadores, majoritariamente vinculados aos gestores agroexportadores, que restringiam em muito os já conhecidos limites da “cidadania burguesa”. A organização de um polo industrial, sobretudo, no eixo Rio – São Paulo, diretamente associado ao processo de diversificação dos investimentos decorrentes do excedente advindo da produção e comercialização do café, fundou as bases sociais e econômicas a partir das quais a “questão social” se manifestou nos grandes centros urbanos – industriais como decorrência tanto da ampliação numérica como das formas de organização do proletariado (Teixeira, 2016:83). RESPOSTAS À QUESTÃO SOCIAL (ENFRENTAMENTO) • Ações repressivas do Estado • Iniciativa de grupos e frações de classe, que se manifestaram, principalmente, por intermédio da Igreja Católica. Obs.: O posicionamento e a atuação da Igreja Católica frente a “questão social” expressavam parte de seu esforço em RECUPERAR SUA HEGEMONIA NO CAMPO MORAL E INTELECTUAL, posicionando-se numa zona de confronto com as influências do LIBERALISMO, presente na conformação do Estado e do ideário comunista difundido por parcela do movimento sindical (Teixeira, 2016:83). SURGIMENTO DAS PRIMEIRAS ESCOLAS DE SERVIÇO SOCIAL NO BRASIL (METADE DOS ANOS DE 1930) SERVIÇO SOCIAL NO BRASIL • Primeiras escolas de Serviço Social no Brasil surgem na metade dos anos de 1930. Evidencia: Processo de luta protagonizada pelo proletariado urbano desencadeou TANTO REAÇÕES DE CUNHO REPRESSIVO, COMO A TENTAIVA DE COOPTAÇÃO E CONTROLE DOS TRABALHADORES a partir do corporativismo estatal e, ainda, a mobilização de setores da sociedade civil imbuída do forte propósito de ajustamento moral do operariado. Evidenciando os traços constitutivos do processo de construção da dominação burguesa, no qual as relações arcaicas e o conservadorismo constituem componente central do processo de modernização das relações capitalistas. Te ix e ir a, 2 0 1 6 :8 3 PARA REFLETIRMOS... • Nunca vi tanta miséria, tristeza e desolação. O Brasil é muito grande, pena que seus governantes não cuidam desta nação. Enquanto uns morrem de fome e a miséria os consome, outros andam de carrão. O pobre amanhece o dia sem ter o que merendar. O rico que se sacia, várias noites, vários dias, tudo deixar estragar. • REFERÊNCIA Behring, E., Boschetti., Política Social: Fundamentos e História. Editora Cortez, 9ª edição, 2011 (Biblioteca Básica do Serviço Social); Soares, J. S. Questão Social: Particularidades no Brasil. Editora Cortez, 1ª edição, 2012 (Biblioteca Básica do Serviço Social); Teixeira, N. Questão Social no Brasil in Serviço Social no Brasil: História de resistências e de ruptura com o conservadorismo. Editora Cortez, 2016.