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COPYRIGHT © 2024 MILENA SEYFILD
Todos os direitos reservados
Estão proibidos o armazenamento e/ou a reprodução de qualquer parte desta obra, através de
quaisquer meios ― tangível ou intangível ― sem o devido consentimento. A violação dos direitos
autorais é crime estabelecido pela lei nº 9.610/98 e punido pelo artigo 184 do Código Penal.
Caso esteja lendo este livro por quaisquer meios senão a sua plataforma original de publicação
(Amazon), fique ciente de que é um produto pirateado. Pirataria é crime. Não contribua com a
distribuição ilegal.
Esta obra literária é uma ficção. Qualquer nome, lugar, personagens e situações mencionadas são
produtos da imaginação da autora. Qualquer semelhança com pessoas e acontecimentos reais é mera
coincidência.
CAPA
Thais Alves
DIAGRAMAÇÃO
Milena Seyfild
REVISÃO
Gabrielle Andrade
ILUSTRAÇÃO
@olhosdtinta
Crime Favorito
[Recurso Digital] / Milena Seyfild
— 1ª Edição; 2024
1. Romance Contemporâneo 2. Literatura Brasileira
3. Jovens Adultos
4. Ficção I. Título
Esta obra foi revisada conforme o Novo Acordo Ortográfico.
SUMÁRIO
DEDICATÓRIA
PLAYLIST
CAPÍTULO 1
CAPÍTULO 2
CAPÍTULO 3
CAPÍTULO 4
CAPÍTULO 5
CAPÍTULO 6
CAPÍTULO 7
CAPÍTULO 8
CAPÍTULO 9
CAPÍTULO 10
CAPÍTULO 11
CAPÍTULO 12
CAPÍTULO 13
CAPÍTULO 14
CAPÍTULO 15
CAPÍTULO 16
CAPÍTULO 17
CAPÍTULO 18
CAPÍTULO 19
CAPÍTULO 20
CAPÍTULO 21
CAPÍTULO 22
CAPÍTULO 23
CAPÍTULO 24
CAPÍTULO  25
CAPÍTULO 26
CAPÍTULO 27
CAPÍTULO 28
CAPÍTULO 29
CAPÍTULO 30
EPÍLOGO
AGRADECIMENTOS
Para Luise Verônica, o anjo mais lindo voando no céu. Dizer que eu te amo é um eufemismo perto de
tudo que vivemos juntas nos seus vinte e nove anos de vida. Mal posso esperar pra te encontrar de
novo e chorar de tanto rir, como fazíamos todos os dias aqui em casa. 
Te amo, irmã.
Não podemos ser amigos
Mas eu gostaria de apenas fingir
Você se apega aos seus papéis e canetas
Espero até você gostar de mim novamente
we can’t be friends | Ariana Grande
doze anos de idade
Meu coração parecia saltar pela boca quando eu o vi com ela.
Nós tínhamos combinado de almoçarmos juntos hoje, então
naturalmente saí mais cedo da minha aula de pintura e fui até Seth. Ele
estava sorrindo para Megan, uma garota da minha turma de Matemática, e
ambos pareciam muito entretidos na conversa.
Seth era o meu melhor amigo. Meu! Ele não tinha que conversar
com outras garotas assim.
Não conseguia me mover. Fiquei parada, sentindo o meu coração
tão disparado que coloquei a mão sobre o peito em uma tentativa de
acalmá-lo.
Não funcionou.
Eu deveria ir até lá e falar com eles, certo? Não haveria problema
nisso.
Exceto que…
Uma sensação estranha estava começando a subir pelo meu corpo.
Era quente, raivosa e deixava as minhas mãos formigando. 
Era a mesma coisa que eu senti quando vi fotos do Justin Bieber
beijando meninas pela primeira vez na televisão. 
Me senti traída.  
— Marjorie! — ele gritou assim que me viu. Seus olhos pareciam
ainda maiores ao notar a minha presença, e depois que Seth começou a me
chamar com o dedo, não tive outra opção a não ser ir até ele.
Com certeza ambos conseguiam ver a estranheza em meu
semblante. Eu não costumava fazer amigos tão facilmente, definitivamente
não como ele. 
Sempre me sentia deslocada, como se não pertencesse a lugar
nenhum. Com Seth, isso não acontecia.
— Oi — balbuciei, meio sem graça.
Megan me lançou um sorriso forçado. Ela não estava fazendo por
mal, assim como eu. Nós duas só não tínhamos afinidade.
— Megan estava me convidando para a festa de aniversário de onze
anos dela. Nós podíamos ir juntos! 
Virei o pescoço tão rápido que acabei ficando constrangida
segundos depois. Para a minha sorte, Megan também teve a mesma reação.
As bochechas dela estavam coradas, os olhos arregalados.
— Na verdade, o convite era só pra você… — Ela encarou os
próprios pés por alguns segundos. 
Seth nos encarou, meio confuso.
— Desculpa, Megan. Eu não posso ir se a Marjorie não for.
Uma sensação estranha de satisfação começou a me encher.
Precisei esconder a minha felicidade ao notar os ombros caídos da garota
ao meu lado.
Não queria ser esse tipo de garota. A que fica feliz e pisando nas
nuvens por ter sido escolhida por um menino.
— Você não precisa fazer tudo comigo, Seth. Tenho certeza que a
festa da Megan vai ser bem legal — respondi.
Ele franziu o cenho.
Megan, à minha direita, parecia prestes a explodir de felicidade.
— Vejo você sexta à noite, Seth! — Ela se inclinou para dar um
beijo na bochecha dele. 
Quando Megan foi embora, eu vi as bochechas de Seth coradas. Ele
estava sem graça.
— Você e a Megan são superamigos agora, né? — perguntei, me
esforçando ao máximo para parecer desinteressada.
Ele balançou a cabeça na mesma hora, negando.
— Nós estamos na mesma aula de Marcenaria. Ela precisava de
ajuda e então começamos a conversar. 
— Eu acho legal você ter outros amigos.
— Acha?
— Claro! Assim, quando a minha família se mudar, você não vai
ficar sozinho.
Os ombros de Seth caíram ao ouvir sobre a minha mudança.
Meu avô era dono de um acampamento de verão que
constantemente rivalizava com o do avô de Seth, que também possuía um.
Era sempre um inferno conseguir campistas, pois o acampamento da
família dele era bem maior e tinha o dobro de atividades que o nosso.
Nossas famílias foram rivais por muito tempo por causa disso.
Até as nossas mães irem para a faculdade e se tornarem melhores
amigas. Minha mãe não tinha o sonho de engravidar e assistiu à distância
enquanto sua melhor amiga criava duas crianças barulhentas e cheias de
energia. Quando ela engravidou do terceiro e último filho, minha mãe
acabou ficando grávida de mim.
Seth e eu temos fotos juntos desde bebês. Como não morávamos
perto, não tínhamos tanto contato. Normalmente, eu o via nas férias de
verão por uma semana antes de cada um ser obrigado a ir para o
acampamento da sua própria família. 
Quando minha mãe conseguiu a transferência para San Diego, tudo
pareceu se encaixar. Nós dois começamos a nos ver regularmente, e assim
como nossas mães, nos tornamos melhores amigos.
A casa do Seth sempre pareceu mais cheia de vida. Ele tinha uma
irmã mais velha, Samantha, que sempre me deixava usar as maquiagens
dela. O irmão dele, Scott, gostava de brincar de esconde-esconde com a
gente. E o avô do Seth, contrariando tudo o que vovô já disse sobre ele, era
um dos adultos mais legais que eu já conheci.  
— Você já sabe quando a sua mãe vai se mudar?
— Não. Meu pai ainda não conseguiu a transferência permanente.
Eu espero que não demore muito — respondi.
Pude perceber o brilho magoado em seu olhar, mas não podia
mentir.
Eu odiava precisar me mudar com frequência. Odiava não
conseguir criar raízes, ter um ciclo maior de amizades, porque, no final das
contas, eu não conseguiria manter ninguém por perto.
— Nós ainda vamos continuar nos vendo sempre, Seth — frisei,
contendo a vontade de passar os dedos pelos fios de cabelo que caíam
sobre seus olhos. 
Ele colocou as mãos por dentro do casaco esportivo que estava
usando. Seu avô estava pressionando-o para que entrasse para o time de
beisebol, mas eu sabia que ele preferia o basquete. 
— Eu sei. Mas eu gosto de ver você todos os dias.
Meu coração pareceu parar. Eu não entendia muito bem o motivo
de, do nada, as minhas mãos começarem a suar quando ele estava por
perto. Às vezes, eu tinha dificuldade até de conversar com ele normalmente,
como se a minha voz não me obedecesse mais.
Antes não era assim.
Forcei um sorriso.
— Meu pai me deu um celular de presente de aniversário. Ele disse
que estou grandinha o suficiente para usar as redes sociais. Você podia
pedir um para o seu avô, assim a gente conseguiria conversar toda hora. 
Seth sorriu de volta, embora não parecesse genuinamente feliz.
— Vou pedir. E assim podemos marcar de nos encontrar também. 
Assenti rapidamente com a cabeça.
Depois disso, nos despedimos rapidamente para irmos até às nossas
salas.
Naquela noite, meu pai conseguiu a transferência.
Uma semana depois, eu já tinha me mudado para onde eu passaria
os próximosanos: Santa Bárbara.
Mais de três horas de diferença para a cidade dele. Para muitas
pessoas, esse tempo pode não ser grande coisa. Para adolescentes, era uma
eternidade.
dias atuais
O suor está escorrendo pelo meu pescoço. 
Meu tornozelo provavelmente sentiria essa pancada na manhã
seguinte, mas eu estou muito cheia de endorfina para ligar para isso agora.
Nós estamos treinando muito duro para conseguirmos chegar até as
nacionais. Ganhar aquele troféu para a nossa universidade está sendo uma
motivação diária para chegar tão cedo no ginásio e começar a ensaiar a
nossa nova sequência.
— Eu odeio quando a gente precisa animar em outra universidade
— Charlotte, uma das minhas melhores amigas, murmura. 
Alguns fios do cabelo dela estão grudados em sua testa brilhante, e
aposto que estou do mesmo jeito.
Nós começamos nosso dia na academia, correndo por quase uma
hora na esteira. Depois que chegamos aqui, usamos os colchonetes para nos
aquecer. Eu cronometrava as piruetas de Charlotte, e depois era a vez dela
fazer o mesmo comigo. 
Eu odiava ter que treinar ginástica quando era mais nova, porque
embora fosse boa no esporte e o praticasse desde criança, não era algo que
eu gostasse de fazer de verdade. Eu estava no segundo ano do ensino médio
quando decidi usar o meu talento para me tornar uma líder de torcida, e
depois de conseguir uma bolsa para estudar na UCLA, agradeci meus pais
todos os dias por terem insistido tanto para que eu me tornasse uma ginasta.
— Eu também odeio, mas não podemos evitar. Faz parte do treino
— respondo, apreciando a sensação deliciosa dos meus músculos exaustos. 
— Pelo menos você tem o gato do Chad para dar seu prêmio de
consolação quando chegar em casa cansada…
— Você sabe que nós estamos indo devagar — rebato, colocando as
mãos na cintura. — Ao contrário de você e do Simon, que parecem estar
prontos para morar juntos. 
Ela faz uma careta, colocando a língua para fora.
— Simon não faz muito o meu tipo.
— É mesmo? Não parecia isso quando eu vi ele com a língua
enfiada na sua boca outro dia.
— Todo mundo se pega em festas, Marjorie. Isso não significa nada.
— Sei…
— Eu quero saber mais detalhes sobre a sua nova amizade com a
garota de Stanford. Diana Miller. Está confraternizando com o inimigo
agora, Campbell? — Ela arqueia a sobrancelha.
Reviro os olhos, me agachando para pegar a minha garrafa de água.
— Diana é uma garota legal. As universidades podem ser rivais,
mas as pessoas não precisam ser.
Charlotte semicerra os olhos.
— Só espero que você não esqueça que essa amizade aqui — ela
aponta para si mesma e depois para mim — é mais importante do que
qualquer outra. 
Essa frase imediatamente me leva para a primeira vez que eu
realmente senti que tinha um amigo. 
Seth Samuels, o neto mais novo de Sam, um velhinho nervoso que
vivia apontando a sua espingarda para os campistas que saíam tarde da
noite dos chalés do Acampamento Frozen Lake.
Eu não o via há cinco anos. 
Nosso último encontro tinha acontecido quando decidimos fugir, um
pouco antes de nossas famílias decidirem que se odiavam. Antes de tudo se
transformar em uma bagunça.
— Eu sei, sua ciumenta. Diana é legal, e também é bom conhecer
pessoas novas.
— Ou rever antigas, não é? — sugere ela, franzindo a sobrancelha.
Eu decido ignorá-la deliberadamente.
Seth tentou entrar em contato comigo nos últimos anos, mas meus
pais controlavam as minhas redes sociais. No fim, eu não queria arranjar
mais problemas para ninguém. Ele estava passando por muita coisa por
causa da batalha do avô contra o câncer, e um tempo depois Sam se foi.
Implorei para a minha mãe me levar até o enterro, porque eu só queria
abraçar Seth e confortá-lo um pouco. Ela até tentou convencer o meu pai,
mas ele não confiava mais em mim depois da fuga. 
Chorei a noite inteira com ódio do mundo por nos afastar no
momento em que ele mais precisava de mim.
Foi uma surpresa e tanto receber a notícia de que Seth estava
jogando no time de basquete de Stanford. Principalmente porque eu sabia
que ele só tinha entrado de cabeça nos esportes porque seus próprios pais
queriam isso para ele.
Mas no fim das contas, acredito que a influência de Logan Moreau,
um astro do beisebol que acabou conhecendo Seth em um dos verões no
acampamento Frozen Lake, acabou levando-o para esse caminho. 
Acho também que o fato da irmã mais velha de Seth ter se casado
com um outro astro (dessa vez do futebol americano), Lance Moreau — e
irmão mais velho de Logan —, acabou sendo o empurrão final para que ele
também perseguisse uma carreira esportiva.
Fiquei genuinamente feliz por ele quando vi as notícias. Ninguém
merece mais felicidade do que a família Samuels. 
Da última vez que fui a um jogo em Stanford, ele não havia
aparecido para jogar. Depois descobri que o motivo da sua ausência é
porque Seth na verdade era o reserva.
Uma pontada de decepção inundou o meu peito por não vê-lo na
quadra, logo sendo substituída por alívio. Evitar vê-lo seria o melhor, eu
repetia para mim mesma.
O que eu não poderia dizer de hoje, no entanto. Depois que um dos
jogadores titulares foi transferido, Seth passou a ser parte do time principal.
Sendo assim, amanhã à noite eu encontrarei com ele.
Depois de cinco anos.
— Você vai contar pra ele sobre o seu novo namorado? — pergunta
Charlotte, estendendo a mão para dar um gole bem generoso na minha
água.
Balançando a cabeça, eu reviro os olhos mais uma vez.
— Chad não é o meu namorado.
— Ainda. E antes de você descobrir que a sua paixonite de infância
é um jogador de basquete que frequentemente disputa com a gente, seu
discurso não era esse.
Dou de ombros.
— Nós ganhamos na maioria das vezes.
— Você sabe que não é do jogo que eu estou falando, Marjorie.
Suspiro.
— Olha, Seth e eu éramos crianças. Fomos melhores amigos e nos
ajudamos muito naquela época, mas foram cinco anos sem contato. Eu
espero que ele tenha seguido em frente igual eu fiz.
Ela me lança um olhar altivo, como quem sabe das coisas.
— Você superou ele?
— Superei. E agora eu preciso que você pare de tagarelar e me
ajude com o meu próximo alongamento.
Charlotte não parece tão convencida, mas acaba cedendo e mudando
de assunto no fim. 
Quando Charlotte e eu finalizamos nosso treino, ela acaba me dando
uma carona até o meu alojamento. Estou parcialmente nua e pronta para me
enfiar em um banho quente quando meu celular vibra com uma mensagem
de Chad. Ele quer saber se eu tenho planos para amanhã.
Chad e eu não somos um casal oficial ainda. Por muitos anos, eu fui
bastante relutante em me envolver com qualquer outra pessoa porque eu
ainda acreditava em contos de fadas. Realmente pensava que Seth e eu
estávamos destinados um para o outro e que forças místicas fariam todo o
trabalho.
Eu ia para as festas com as minhas amigas e nunca dava bola para
ninguém que chegava em mim. Ficava observando a vida passar ao meu
redor sem nunca me entregar por causa de uma pessoa que eu não conhecia
mais. Sendo assim, quando eu finalmente entrei na universidade, me fiz
uma promessa de que começaria a viver.
Meus pais não podiam mais me arrancar daqui e me levar para outro
Estado de uma hora para outra, então tudo bem fazer amizades. Tudo bem ir
a encontros.
Tudo bem realmente criar vínculos.
Foi assim que eu acabei conhecendo Chad Duncan, um calouro de
Economia que está lutando e fazendo de tudo para recuperar a empresa
falida do pai. A relação dos dois me admirou desde o início, principalmente
porque ele cuida das irmãs com tanta adoração e carinho que fez o meu
coração derreter.
Estar com ele é fácil. Ele não tem expectativas gigantes sobre mim,
assim como eu também não tenho sobre ele. Dessa forma, Chad pode viajar
todos os finais de semana e feriados para ficar com a família, enquanto eu
me tranco no ginásio para treinar até a exaustão. Nunca escondi meu vício
por competir e ganhar troféus como líder de torcida, e ele me apoia
incondicionalmente. 
É por isso também que eu não recebo uma resposta decepcionada
quando o aviso sobre o jogo em Stanford de amanhã.A universidade fica a
mais de seis horas de distância, o que significa que vou precisar sair daqui
por volta das cinco da manhã. 
Chad:
Sem problemas. Podemos jantar juntos no dia seguinte para compensar.
Eu:
perfeito. Te aviso quando voltar.
Chad:
;)
Suspiro.
É inevitável pensar em como vai ser o meu reencontro com Seth
amanhã. 
Será que ele vai me reconhecer? 
Será que está muito diferente? 
Será que ainda é o mesmo garoto que eu cresci amando?
A chuva caiu, bem forte
Quando estava me afogando, finalmente consegui respirar
Ao amanhecer, qualquer traço seu havia ido embora
Acho que estou finalmente limpa
Clean | Taylor Swift
quinze anos
Meu avô não iria sobreviver. 
Meus irmãos se recusaram a conversar comigo sobre isso, mas eu
os escutei sussurrando por chamada de vídeo uma noite. Samantha fungava
baixinho, fazendo planos de como eles iriam contornar os gastos no
acampamento. Scott estava sendo realista sobre a possibilidade de
precisarem vendê-lo.
Achei que meu coração iria saltar pela boca. Me senti sufocado,
traído, irritado.
Cheio de ódio.
Meu avô me prometeu que ficaria bem. Ele disse que não deixaria
essa doença maldita levá-lo de mim.
Ele. Prometeu.
E agora todos estavam escondendo a verdade de mim. Estavam me
tratando como uma criança.
Estava farto disso.
Sem pensar duas vezes, mandei uma mensagem para a Marjorie.
Ela era a minha melhor amiga desde os oito anos e, recentemente,
estávamos começando a conversar sobre a possibilidade de nos tornar algo
a mais. Ainda éramos muito novos, mas eu não conseguia tirar da cabeça a
vontade de chamá-la por aí de “namorada”.
Quando ela atendeu o telefone, sua voz sussurrada me trouxe uma
sensação de paz inexplicável.
— Seth, minha mãe não quer mais que você ligue pra cá — disse,
parecendo cansada.
Mais um soco no estômago.
Tia Billie, a melhor amiga da minha mãe e também a responsável
por eu ter Marjorie na minha vida, acabou se tornando uma grande
decepção.
Desde que o vovô suspendeu as atividades no acampamento por
causa da doença que o prendia a uma cama, Bob, o avô da Marjorie,
aproveitou para fazer propaganda para o seu próprio acampamento de
verão, o Frozen Sun. Isso acabou fazendo com que as famílias voltassem ao
seu ódio original e, por alguma razão, todos achavam que Marjorie e eu
deveríamos parar de nos falar também.
Nem ferrando.
— Marjorie, eles não podem separar a gente. Isso não é justo.
— É verdade, mas nós só temos quinze anos. Dependemos deles.
Engoli em seco, olhando para os lados rapidamente para conferir
se eu não estava sendo observado. Quando me certifiquei de que não havia
ninguém por perto, abaixei o tom de voz:
— Não é verdade. Meu avô criou uma poupança para cada neto
quando nascemos. Meus próprios pais também colocavam bastante
dinheiro, e a quantia é o suficiente para vivermos bem.
Ela pareceu engasgar do outro lado da linha.
— Seth!
— Podemos morar onde você quiser, Marjorie. Sem precisar nos
despedir nunca mais.
— Mas e a escola?
— Nós podemos nos matricular na escola que quisermos. Você nem
gosta tanto de ginástica… Eu não gosto muito de beisebol e nem sei se
basquete é pra mim. Podemos ser o que quisermos.
— Nossos pais vão descobrir.
— Não vão, não. Nós podemos mudar de nome. Você confia em
mim?
Meu coração estava disparado enquanto eu esperava uma resposta
dela.
E parecia que fogos de artifícios explodiam ao meu redor quando
ela murmurou que “sim”, mesmo sem estar totalmente convencida.
Nós fomos até o acampamento naquela primeira noite.
Foi difícil sair de casa durante a madrugada, mas acabei
encontrando Marjorie em uma rodoviária. Nosso plano inicial era sair do
Estado, mas não podia ir embora sem encontrar uma forma de me despedir
do meu avô primeiro.
O Frozen Lake ficava a poucas horas de San Diego, então assim
que encontrei Marjorie, nós embarcamos em um ônibus que nos deixou bem
perto do acampamento. Alguns dos funcionários do vovô trabalhavam ali
perto e nos ofereceram uma carona, mesmo achando estranho dois
adolescentes vagando por aquelas bandas sozinhos.
Quando chegamos no acampamento, já passava das quatro da
manhã. Eu a levei para o antigo chalé da minha família, o mesmo que eu
costumava dividir com meus irmãos quando tínhamos que passar as férias
juntos.
— A última vez que estivemos aqui nem faz tanto tempo, mas parece
que foi anos atrás — balbuciou Marjorie.
Eu entendia ela.
Da última vez que estivemos aqui, eu admiti para mim mesmo que
estava apaixonado por Marjorie. Que todas as borboletas no estômago e
nó na garganta não eram normais. Que vê-la flertando com outros garotos
não deveria parecer uma adaga perfurando o meu coração, tampouco
deveriam me fazer imaginar cenários homicidas envolvendo esses mesmos
caras.
Logan Moreau, o grande astro do beisebol dos Red Sox, passou as
férias de verão com a gente. Tudo isso porque a melhor amiga de infância
dele, Calliope Romano, era a nossa instrutora do acampamento e ele não
queria deixá-la sozinha. Antes de ver com os meus próprios olhos os dois
admitindo estar apaixonados um pelo outro, eu pensava que seria
impossível fazer Marjorie gostar de mim desse jeito.
Virei o pescoço, vendo-a ir até a varanda do chalé. 
— As estrelas são sempre tão lindas aqui — murmurou.
Meu coração estava batendo tão rápido que eu não consegui
responder nada à altura. Apenas balancei a cabeça, erguendo o rosto para
encarar o céu salpicado de estrelas que parecia iluminado somente para
nós dois.
— É verdade. Mas a estrela mais brilhante de todas está bem aqui,
no chão — respondi, fazendo uma careta logo em seguida.
Tinha como eu ser mais cafona?
Mas para a minha sorte, ela apenas soltou uma risadinha. Quando
nossos olhos se encontraram, milhares de borboletas pareciam querer alçar
voo no meu estômago.
Eu a amava tanto. Se ela apenas soubesse…
— Você já se apaixonou, Seth? — perguntou, dessa vez ainda mais
baixo do que o comentário que fez sobre as estrelas.
Não hesitei.
— Já sim.
— E você acha que valeu a pena contar para a garota?
Minhas mãos começaram a suar. Esfreguei-as suavemente dentro do
bolso da minha calça, sem saber muito bem o que fazer.
— Eu ainda não contei. Não com todas as palavras. Mas tenho
certeza que, no fundo, ela sabe.
— Ela pode achar só que você a acha bonita. Ou que você a ama.
Não que você esteja apaixonado…
— O amor não é mais importante que a paixão?
Marjorie deu de ombros.
— Acho que estou ficando com frio — desconversou, colocando as
mãos protetoramente sobre os próprios braços.
Ela estava usando uma regata e uma saia curta demais para esse
horário da noite. Eu deveria ter avisado que planejava dar uma passada
aqui antes de convidá-la para fugir comigo.
Marjorie estava mesmo fugindo comigo?
O pensamento não deveria colocar um sorriso bobo nos meus
lábios, mas eu não conseguia evitar. Eu estava completamente apaixonado
por essa garota.
— Você está sorrindo — observou ela, semicerrando os olhos.
— Estou sim.
— Tem algo diferente em você, Seth. Não sei dizer o que é.
— Eu cresci alguns centímetros desde que você me viu.
Ela bufou.
— Nós nos vimos no casamento do Logan e da Callie há um mês.
Era verdade. Minha irmã mais velha, Samantha, nos levou para o
casamento deles a pedido do próprio Logan, que me queria por perto. 
— Mas eu cresci um pouco mais. Meu cabelo também. — Apontei
para os fios caindo sobre os meus olhos, que toda hora eu precisava
empurrar para o lado.
Marjorie mordeu o lábio, se aproximando um pouco mais de mim.
O cheiro doce dela era tudo o que eu conseguia sentir. Sua
respiração estava rarefeita, e ela me observava como se estivesse prestes a
fazer algo que não deveria.
— O que foi? — perguntei, confuso.
Ela balançou a cabeça.
— Nada. Eu só estive pensando na última conversa que tivemos
nesse acampamento. Antes dos meus pais me levarem embora…
Uma risada escapou de mim.
É, eu também me lembrava.
— Você me beijou pela primeira vez. E depois disse que não
aceitaria sair com mais nenhum garoto — relembrei, sentindo o meu
coração acelerar. — Isso tudo antes de me ameaçar.Ela colocou a língua para fora, ultrajada.
— Eu não te ameacei!
— Ameaçou sim. Você disse que se eu começasse a sair com alguma
líder de torcida depois de entrar para o time de basquete, você iria cortar
uma parte minha bem específica.
As bochechas dela começaram a enrubescer. 
— Não me lembro de ter usado essas palavras.
— Não importa. O sentido continua o mesmo.
Marjorie arqueou a sobrancelha para mim.
— E você saiu com alguém, Seth?
— O que você acha?
— Acho que você não estaria aqui se tivesse — disse ela.
Balancei a cabeça em afirmação.
— Eu não tenho olhos para mais ninguém, Marjorie. Nenhuma
outra garota me atraiu da mesma forma que você. É até chato.
Ela jogou a cabeça para trás, sorrindo.
— É, eu também não gosto muito. Meu coração começa a acelerar
quando eu te vejo.
— Minhas mãos ficam suadas e pegajosas. Eu odeio.
— Minha pele fica arrepiada depois que eu te abraço. É sempre tão
constrangedor.
— Eu fiquei morrendo de vergonha quando tentei cumprimentar
você no verão passado e a minha voz falhou. A sorte é que eu tenho a
desculpa da puberdade.
Os ombros dela estavam tremendo de tanto que ela estava dando
risada. Eu também não estava muito diferente.
— Acho que essa é a diferença da paixão para o amor — ponderou
ela. — Nós estamos apaixonados. É por isso que não temos controle das
nossas ações ou de como reagimos. Depois que isso virar amor, nós
seremos como Callie e Logan.
Um sorriso bobo cresceu em meus lábios, o mundo ao meu redor
girando lentamente.
— Então você quer que sejamos como Calliope e Logan?
Ela corou novamente.
— Você não?
— Eu quero. Muito. Só não tinha certeza se você queria…
Revirando os olhos, ela se inclinou na minha direção mais uma vez.
E então, para me deixar ainda mais nas nuvens, Marjorie grudou a boca na
minha. Seu cheiro doce invadiu meus sentidos mais uma vez, nossos lábios
apenas pressionados um contra o outro.
Antes de nos afastarmos totalmente, eu colei nossas testas,
respirando no mesmo ritmo que ela.
— Deveríamos dormir. Amanhã nós temos que entrar no ônibus bem
cedo. 
Ela concordou, ainda sorrindo.
E por poucos segundos, enquanto dormíamos abraçados dentro
daquele chalé, eu realmente cheguei a pensar que tudo daria certo.
Adolescentes realmente pensam que as coisas vão acontecer
conforme as nossas expectativas. A verdade é que nem conseguimos entrar
no ônibus, já que a minha família conseguiu me rastrear e nos encontrou na
rodoviária.
Os pais de Marjorie estavam furiosos. Eu nunca os vi com tanta
raiva antes. Seguravam-na pelos ombros enquanto gritavam para os meus
pais que eu era uma péssima influência para ela.
Naquele mesmo dia, Samantha fez uma chamada de vídeo comigo.
Ela estava aos prantos, desesperada por estar em outro Estado
trabalhando enquanto minha família precisava lidar comigo sem ela. 
— Não está sendo fácil para ninguém, Seth — desabafou o meu
irmão mais velho, Scott. — Mas você agir desse jeito só vai deixar tudo
ainda mais complicado. A família da Marjorie não quer mais que vocês se
vejam.
Minha respiração começou a falhar.
— Eles não podem fazer isso!
— Eles podem, Seth. Eles são os pais dela. E acabaram de pegar a
garota prestes a fugir com você para outro Estado. Eles monitoram as
redes sociais dela — Scott me estendeu um print de uma das nossas últimas
conversas. Engoli em seco. — Você convenceu Marjorie a fugir. Realmente
pensou que ninguém descobriria?
Sim, eu pensei.
E agora estava tudo arruinado. 
dias atuais
— Nós queremos assistir um jogo seu, Seth — diz Logan, através da
chamada de vídeo no celular. — Eu posso pesquisar o período em que a
temporada começa na internet, sabia?
Revirando os olhos, eu experimento novamente o molho de queijo
que estou preparando para o meu jantar. Normalmente, carboidrato não é o
meu jantar ideal, mas estou com muita preguiça de pensar em um cardápio
mais elaborado.
— Você pode pesquisar. Mas não vou enviar um convite formal até
eu me sentir pronto.
— Seth, você já é incrível! — a voz fina de Callie berra ao fundo da
ligação. Abro um sorriso. — Vou ligar para o Lance. A Samantha está
louca para assistir um jogo seu ao vivo.
Quase me encolho ao ouvir o nome da minha irmã.
Tenho sido um péssimo irmão mais novo. Péssimo tio. E péssimo
amigo, se Logan fosse sincero a respeito disso. 
Desde que comecei a focar na minha carreira esportiva tem sido
assim. Eu me convenci a princípio de que seria temporário, mas mesmo
agora como jogador titular, eu não consigo dar atenção para a minha família
como antes.
— Eu só não quero passar vergonha na frente de vocês — explico,
abrindo um meio-sorriso.
Logan bufa.
— Se você faz parte do time, isso significa que você é bom. Stanford
não colocaria qualquer um como jogador titular.
— Um dos jogadores foi transferido, Logan. É por isso que eu
consegui entrar.
— Seth, não estou acostumado com essa sua versão modesta. Não
parecia o mesmo cara que arranjava qualquer desculpa para tirar a
camisa na festa de aniversário da Calliope.
Meus ombros estão tremendo por causa das gargalhadas. Ele não
está errado.
— A culpa não é minha se o aquecedor estava quebrado e aquele
lugar parecia um forno. Você deveria pedir seu dinheiro de volta — bufo.
Logan semicerra os olhos.
— Era por isso mesmo que você estava se exibindo, Seth? Pensei
que fosse pela vizinha. — Arqueia a sobrancelha. 
Balanço a cabeça, nada a fim de continuar aquele assunto.
A vizinha de Calliope era uma tenista novata que tinha acabado de
se mudar. Ela corava com facilidade e eu também havia reparado em como
ela estava me secando enquanto eu brincava com meu sobrinho, Sam.
— Estou totalmente focado no basquete, cara. Sem tempo para
relacionamento.
Logan me encara intensamente através da tela do celular. Sei que ele
quer fazer algum comentário do tipo “já se passaram cinco anos”, mas
assim como das outras vezes, ele se contém.
Demorei muito tempo para superar a raiva que eu comecei a sentir
ao ser separado da minha melhor amiga. Éramos adolescentes que não
podiam manter a amizade por causa de erros que adultos à nossa volta
cometeram. Eu a procurei por um bom tempo, tentando driblar as regras e
encontrar uma forma de me comunicar com ela. Mas depois de um tempo,
entendi que a minha insistência só pioraria as coisas.
— Você não escapa da gente esse mês, Seth. Quero ver você jogar. 
— Eu sei.
Nós nos despedimos rapidamente e eu voltei a me concentrar no
jantar.
O meu apartamento tem ficado cada vez mais a minha cara. Não é
tão grande como poderia ser, mas é muito maior do que qualquer quarto em
um alojamento. Aprendi a ficar sozinho por muito tempo e dividir um
espaço com um estranho não seria uma boa ideia.
As paredes são cinzas, e os móveis todos em preto e branco. Eu não
dou a mínima para a decoração, mas Samantha fez questão de contratar uma
designer de interiores para cuidar dessa parte. Não vou negar, ficou bem
impressionante. 
Viver em Palo Alto não é difícil. Na verdade, foi fácil demais me
acostumar com o ritmo da cidade. Stanford não era a minha primeira opção,
mas Lance e Logan conseguiram mexer uns pauzinhos para conseguir uma
vaga no time de basquete. Agora eu preciso correr atrás do tempo perdido,
mesmo que eu tenha sido o melhor jogador da minha escola no ensino
médio.
Depois de jantar, vou até a academia do prédio para descontar a
minha ansiedade na esteira. Fico mais ou menos uma hora antes de voltar
para casa, tomar uma ducha fria e me jogar na cama para uma noite de sono
sem sonhos.
Minha rotina é prática. Eu não penso no passado enquanto treino,
jogo, cozinho, me exercito ou assisto os programas de esporte na televisão.
No entanto, quando eu fecho os olhos…
Só consigo ver o rosto de Marjorie por todos os lugares.
Eu tentei procurar rostos nas ruas
Quais são as chances de você estar
No centro da cidade, centro da cidade, centro da cidade
É bom não me conhecer?
I Look in People’s Windows | Taylor Swift
Quando eu desço do ônibus, sentindo o clima gostoso de Palo Alto,
a minha pele parece derreter. Não consigo controlar os meus sentimentossabendo quem estou prestes a encontrar.
Charlotte boceja ao meu lado.
— Não podemos negar que o campus é lindo.
— É mesmo.
— É uma pena que os atletas não sejam do mesmo nível —
desdenha, a faísca de competição começando a surgir.
Reviro os olhos.
— Eles não são os nossos inimigos, Charlotte.
— Você diz isso porque se aproximou daquela menina ruiva. Vai
sair com ela depois do jogo ou vai voltar para Los Angeles?
Dou de ombros, sem querer pensar na resposta. A verdade é que, por
dentro, estou torcendo para Diana me convidar para alguma coisa hoje à
noite. Não sinto que ver Seth por dez minutos seja o suficiente para
colocarmos o papo em dia.
Charlotte suspira.
— Só me prometa que não vai fazer nenhuma besteira, Marjorie.
— Eu sou uma boa garota. Não vou mudar agora.
— Acho bom. Porque o Chad é um cara legal e já tem muitas coisas
com as quais se preocupar. Ele não deveria ter que lutar pela garota que ele
já pensa que é dele.
— Chad e eu não somos um casal, Charlotte. Não estou enganando
ninguém.
— Não estou dizendo isso. Mas é sempre bom ter empatia pelas
pessoas — observa, arqueando a sobrancelha.
Eu prendo a respiração.
Ela é uma boa amiga. E Chad, de fato, é um cara bem legal. Sei que
a sua única preocupação é para que ninguém saia machucado, e por isso
serei sempre grata a ela.
Mas Seth e eu temos assuntos inacabados. Nós não paramos de nos
falar porque decidimos que nos odiávamos, apenas… Apenas fomos
arrancados da vida um do outro.
De repente.
Do nada.
Quando você é uma adolescente supercontrolada pelos pais, não
resta muito o que fazer além de aceitar as regras que eles impõem. E eu
sabia que embora me magoasse, tudo o que ambos decidiam era para o meu
bem. 
— Você planeja falar com ele antes ou depois do jogo? — volta a
perguntar, insistente.
Dou de ombros mais uma vez. Provavelmente vou acabar ficando
com dor nas costas por repetir sempre o mesmo gesto.
— Acho que vou procurá-lo agora. É melhor puxar o band-aid de
uma vez.
— Quer que eu vá com você?
— É melhor eu ir sozinha.
— Marjorie…
— A gente se encontra na quadra, pode ser? Eu prometo que não
vou fazer nenhuma besteira. É sério — asseguro, embora o meu coração
esteja mais acelerado do que o normal.
Ela acena rapidamente com a cabeça, mesmo que seus olhos me
digam o contrário. Charlotte não acha que eu seja capaz de me controlar
perto dele.
Fiz minhas pesquisas antes de chegar em Stanford. Não consegui
encontrar muitas informações sobre o paradeiro de Seth porque a família
dele acabou se tornando bastante reservada. Parte disso é pela conexão com
os Moreaus, principalmente Logan e Lance, que são atletas famosos. Pensei
em mandar uma mensagem para a irmã de Seth, mas não queria ter que
encará-los. Talvez me odiassem. Talvez pensassem que eu o abandonei
porque eu quis.
E talvez, apenas talvez, eles tenham um pouco de razão em
continuarem afastados de mim.
A única coisa que eu consegui descobrir através da internet foi a
respeito da transferência de Michael. Aparentemente, ele acabou se
envolvendo em alguma polêmica na universidade e por isso precisou ser
transferido, deixando assim sua vaga como jogador titular livre. Não
demorou muitas semanas para o rosto de Seth entrar no site oficial da
universidade como o novo jogador.
E se a foto em questão fizesse jus, ele está mais lindo do que eu me
lembro.
Preciso respirar fundo algumas vezes ao rondar o vestiário
masculino. Os jogadores devem estar vestindo os uniformes agora. 
Fico do lado de fora, olhando para ambos os lados com a esperança
de alguém sair. Qualquer um. Qualquer um mesmo…
Minhas preces logo são atendidas, pois um homem de quase dois
metros de altura e uma expressão emburrada sai pela porta. Preciso me
controlar para não soltar um gritinho alegre.
— Ei! Você é o Jason, não é?
Ele olha para todos os lados, alarmado. Parece não ter se dado conta
de onde está vindo esse som.
Franzindo o nariz, eu pigarreio.
— Aqui em baixo — respondo, irritada. Não sou baixinha. Tenho
um e setenta, pelo amor de Deus.
Mas para ser justa, esse cara parece mesmo estar distraído. Até um
pouco triste, se o olhar cabisbaixo estiver refletindo com clareza as suas
emoções.
— Já nos conhecemos?
— Não oficialmente. Sou Marjorie. Amiga da Diana — explico, um
pouco impaciente. 
Ao ouvir o nome da minha amiga, ele parece querer se esconder.
Caramba… Alguma coisa deve ter acontecido entre os dois. 
Eu só os vi juntos oficialmente uma vez, e foi depois de um jogo na
minha universidade. Diana parecia bastante enciumada quando viu Jason
conversando com as estudantes da UCLA, e cheguei a convidá-la para sair,
mas ela recusou. 
Não entendia muito bem o que rolava entre os dois, mas ambos
certamente tinham química. Ele é um pouco tímido, retraído, sempre
ajeitando os óculos sobre o rosto. Ela é expansiva, brincalhona, quebrando
pescoços por onde passa com os cabelos vermelhos. Soube por alto que o
grande impasse entre os dois era o irmão gêmeo da Diana, Derek, que por
acaso também é melhor amigo de infância do Jason.
— Eu não sei onde ela está — responde, com a expressão azeda.
— Não estou procurando pela Diana. Não agora, pelo menos. —
Cruzo os braços, empinando um pouco o queixo para não ficar em
desvantagem contra a sua altura. — Preciso que você chame uma pessoa lá
dentro pra mim.
— Do vestiário?
— Sim.
— Mas você nem estuda aqui. — Ele inclina o pescoço para o lado,
parecendo estudar a situação. 
— Isso não significa que eu não conheça pessoas aqui. Ele é um
velho amigo, e só quero cinco minutos do tempo dele.
Jason estreita os olhos.
— Isso não é uma pegadinha dos jogadores de vocês para nos
desestabilizar, é?
— E se fosse, você acha mesmo que eu te contaria?
Ele aperta os lábios.
— Boa tentativa, Marjorie, mas eu não caio nessa.
Jason se vira para ir embora, mas eu agarro seu braço por reflexo.
Ele arqueia as sobrancelhas, sem conseguir acreditar na minha audácia.
— Eu realmente preciso conversar com ele, Jason. Você pode até
assistir se quiser. Vai ser muito pior se ele der de cara comigo no meio da
quadra. Acredite em mim.
O que Jason acaba de ver em meu olhar parece convencê-lo de me
ajudar. Bufando, ele acena rapidamente com a cabeça, e uma sensação de
alívio parece me dominar.
— Quem você quer que eu chame?
— Seth. Seth Samuels.
O sorriso de escárnio não demora para aparecer.
— O Samuels? Tem certeza que você não é uma das fãs do Lance
Moreau tentando a sorte? Porque, acredite em mim, eu mesmo já tentei
conseguir um autógrafo e não tive sucesso.
Abro um meio-sorriso.
— Você pode dizer o meu nome pra ele. Se ele disser que não me
conhece, então eu vou embora.
Jason parece ponderar sobre as minhas palavras por alguns
segundos. Então, quando finalmente se dá por vencido, ele entra no
vestiário novamente.
E eu não consigo mais sentir que tenho controle sobre o meu corpo.
Meu coração está martelando em meus ouvidos.
Minhas mãos, suando frio.
Mentalmente, eu digo a mim mesma que vou respeitar a decisão de
Seth. Caso ele decida não conversar comigo, tudo bem. Vou encarar isso
com uma forma de seguir em frente sem culpa. Sem essa carga extra nos
ombros, esse estigma de ter abandonado-o quando Seth mais precisava de
mim.
Mas não tenho muito tempo para pensar nessa possibilidade. Porque
em menos de um minuto, Seth irrompe pela porta da frente.
Ele está mais bonito do que eu um dia imaginei alguém ser. Os
ombros estão imensos, e… Meu Deus. Ele também deve medir quase dois
metros de altura, já que é praticamente do tamanho de Jason.
Seth está com a expressão incrédula, como se seus olhos não
conseguissem acreditar na visão à sua frente. Jason aparece alguns
segundos depois, afobado, como se tivesse tido que correr para alcançá-lo
com tanta rapidez.
— Você voltou — é o que ele diz, em transe.
E então, como se anos não tivessem passado entre nós, ele
simplesmente corre na minha direção. Seu abraço é reconfortante, embora
muito diferente da sensação que eu costumava me lembrar. 
O corpo dele está maior.
Seth é um homem agora. Um homem alto, corpulento,com fios de
cabelo preto caindo charmosamente sobre o rosto. Os olhos estão ainda
mais verdes do que eu costumava me lembrar, mas o sorriso… Continua o
mesmo. 
Ele ainda tem a aura do garoto inocente que eu conheci e que
acabou se tornando o meu melhor amigo.
Por alguns segundos, me permito relaxar em seus braços. Me
acomodo em seu corpo imediatamente, e é tão fácil, tão familiar, que sinto
vontade de chorar. 
Jason, atrás de nós, limpa a garganta.
— Vou deixar vocês sozinhos.
Mas nenhum de nós responde.
Quando Seth finalmente me deixa ir, percebo seus olhos marejados.
Os meus devem estar do mesmo jeito, e por alguns minutos, não fazemos
mais do que avaliar um ao outro. Notar as mudanças. Todas as pequenas
coisas que costumavam nos conectar, hoje está diferente.
Não tenho mais o problema de visão que me incomodava. Precisei
usar óculos por um período e realmente odiei, então minha família decidiu
pagar uma cirurgia de correção para mim.
Ele não possui mais aquele ar travesso de menino. Seus olhos são
sombrios demais.
Eu não sou mais a garota tímida que se encolhe para falar e tem
medo de ser o centro das atenções.
Mas mesmo com todas as mudanças da vida, nós ainda somos nós.
Ainda somos Seth e Marjorie.
— Eu senti a sua falta — murmura ele, mais para si mesmo do que
para mim.
Mas eu escuto com clareza.
— Eu também.
— Achei que Jason estava me pregando uma peça. Não sabia que
você tinha voltado para a Califórnia.
— Voltei por causa da faculdade. Meus pais passaram alguns anos
na…
— Itália. Eu sei.
Arregalo os olhos, surpresa.
— Você me procurou, não foi?
Seth dá de ombros. O uniforme vermelho de Stanford lhe cai muito
bem, diga-se de passagem. Espero que ele pense o mesmo de mim quando
me vir usando o de líder de torcida da UCLA.
— Sua família conseguiu te esconder muito bem.
— Eles ficaram apavorados depois que eu… Que nós… Bem…
— Que nós tentamos fugir. — Sua voz parece ansiosa. — Eu
sempre me perguntei o que aconteceu com você depois daquela noite. Sua
família parecia tão furiosa. Eles…?
Dou um passo para trás, surpresa.
— Eles nunca me bateram na vida. Só fiquei de castigo porque
quebrei a confiança deles — explico. — Foi por isso que decidiram sair do
país por um tempo. Nós fomos muito inconsequentes naquela época, Seth,
mas éramos adolescentes. 
Sua expressão parece relaxar.
— Sim. Eu não sei muito bem o que eu tinha na cabeça naquela
época.
Tomo coragem para colocar uma mão sobre o seu ombro. Não me
passa despercebido quando ele vira o rosto para encarar nossas peles se
tocando, quase como se assistisse a algo divino.
— Seu avô estava passando por uma situação difícil. Sua irmã mais
velha precisou se mudar para trabalhar e pagar as despesas da família. Você
só estava reagindo ao turbilhão de coisas que estava acontecendo na sua
vida, Seth. Não se culpe por isso… — Engulo em seco, me preparando para
dizer as palavras que estavam entaladas há tanto tempo. — Prometi para o
Jason que esse encontro não passaria dos cinco minutos, então preciso ser
rápida. Eu quero me desculpar. Você não tem noção de como me senti
péssima por não ter estado com você quando o senhor Sam morreu. Tenho
plena consciência de que os nossos avôs se odiavam e que isso acabou
separando as nossas famílias, mas eu realmente o amava. Ele era um ser
humano maravilhoso. O verão que eu passei no acampamento Frozen Lake
foi melhor do que qualquer um que eu passei no acampamento da minha
própria família. Grande parte disso tinha a ver com você, claro, mas eu
precisava te dizer isso. Se eu pudesse, eu teria estado lá. E eu fico realmente
orgulhosa e feliz de saber que você está bem. De que todos vocês estão
bem. Sempre acompanho a Samantha pelo Instagram e… Meu Deus. Você
tem um sobrinho! E ele é a sua cara. — Respiro fundo, evitando encará-lo
nos olhos. — Eu realmente estou muito feliz por todos vocês.
Seth fica em silêncio por alguns segundos. Segundos esses que
parecem horas, até que…
— Eu tenho uma moto.
Levanto o rosto na mesma hora, em choque.
— Uma moto?
Ele abre um meio-sorriso.
— E eu uso uma jaqueta de couro na maior parte do meu dia.
— Ai, meu Deus.
— Também escuto AC/DC mais do que é recomendado para uma
pessoa.
Começo a gargalhar. Na mesma hora.
Com muita intensidade.
Uma vez nós assistimos The Vampire Diaries juntos e ele sempre
resmungava quando eu suspirava pelo Damon. Dizia que ele não passava de
um projeto de bad boy irritante e que jaqueta de couro era muito cafona.
Eu não sabia na época, mas acho que ele estava começando a sentir
ciúmes de mim.
— O mundo realmente gira — desdenho, arqueando a sobrancelha
para ele.
— Sim. — Ele me puxa para mais um abraço. Dessa vez, eu me
derreto quase instantaneamente contra ele. — Nada mudou, Marjorie. Nada.
E eu não culpo você por não ter conseguido estar ao meu lado quando o
vovô morreu. Você era só uma menina.
Fecho os olhos, deixando-me enganar com essas palavras doces.
Sim, Seth. Tudou mudou. Tudo está diferente agora.
Nós crescemos.
— Você veio até aqui por mim? — pergunta, dessa vez com os
lábios assustadoramente próximos da minha bochecha.
Suspiro, pensando na primeira desculpa que me vem à mente.
— Não. Nós temos que animar aqui de vez em quando. E eu tenho
uma amiga que estuda em Stanford. Ela é líder de torcida também.
Seth solta uma risadinha, apertando ainda mais os braços ao meu
redor. Quando nos separamos, ele está com uma expressão arrogante no
rosto. Tão parecido com o Seth que eu conheci anos atrás…
— Quero conhecer essa amiga. 
Estreito os olhos.
— Eu posso apresentar vocês dois depois do jogo, se não acredita
em mim…
— É óbvio que eu acredito em você, Marjorie. Mas estou torcendo
para essa história não ser real. — Ele aperta os olhos, me encarando
intensamente. — Vou ficar feliz pra caralho se você estiver aqui por mim.
A líder de torcida ruiva está acenando loucamente na minha direção.
Abro um sorriso, feliz por conseguir reencontrar Diana aqui.
Vou até ela, notando de imediato a expressão apreensiva no rosto
dela.
— Ei! — Coloco a mão carinhosamente em seu ombro. — Nos
encontramos de novo.
— Marjorie?
— Eu mesma. — Abro um sorriso condescendente para ela. —
Como você está?
Diana força um sorriso.
— Estou ótima. Obrigada por perguntar.
Mas eu não acredito nem um pouco. Suspirando, eu a rodeio,
puxando-a para um abraço rápido.
— Eu reconheço um olhar preocupado e ansioso quando vejo um.
Eu já estive no seu lugar e pelo que eu me recordo, uma garota veio me
perguntar se estava tudo bem.
Ela deixa seus ombros caírem.
— É complicado.
— Eu imagino que seja. Mas nós temos um tempinho antes de você
precisar entrar lá.
— São só problemas do coração. O garoto que eu gosto e que eu
provavelmente destruí está prestes a jogar. Não quero encontrá-lo.
— Uau.
— Uau?
— Uau. — Arregalo os olhos. — Essa é uma história bem familiar
pra mim. 
Diana abre um sorriso de canto.
— É verdade. Você encontrou o garoto, por acaso?
— Encontrei.
— E deu tudo certo?
Abro outro sorriso.
— É complicado. As coisas entre nós sempre serão assim, mas é a vida. —
Dou de ombros. — Ele estava no banco reserva da última vez que vim até
aqui, mas hoje conseguiu virar um membro titular do time. Um dos
jogadores principais acabou saindo. Foi transferido, se não me engano.
Diana franze o cenho.
— Eu não fiquei sabendo disso.
— Puxa, parece que eu sei mais sobre o time da sua universidade do
que você mesma.
— Não banque a espertinha, Marjorie. Quero nomes.
— Michael Old.
— O quê?!
— Pois é. — Sorrio novamente. — Por isso estou aqui. Quero ver
Seth jogar.
— Esse é o nome do seu cara? Seth?
— Seth Samuels. E ele não é o meu cara.
— Aham, tá bom.
— Estou falando sério! Nem conheço ele mais, pra ser sincera.
Definitivamente, não é mais o garoto fofo que me trazia flores quando
éramos crianças. Hoje vive por aí com uma jaqueta de couro e… Sei lá.
Acho que não gosto da nova versão dele — minto, sem saber mais o que
fazer.
Diana arqueia a sobrancelha.
— E quem é ele, por acaso? — pergunta, como quem não quer nada.
— É o camisa 25. Quando ele entrar,pode procurar por ele.
— Tudo bem. Mas só a título de curiosidade… Por que você veio
até aqui hoje se não gosta mais dele?
— Não é que eu não goste dele, Diana. É só que Seth e eu não
funcionamos como um casal. De qualquer forma, eu devo uma pra ele.
Prometi que estaria ao seu lado sempre e não cumpri essa promessa. Estou
tentando me redimir.
Toco seu ombro carinhosamente.
— Isso é fofo. Depois do jogo podemos sair para beber juntas e
afogar as mágoas, o que acha?
— Você é uma deusa.
— Vou entender isso como um sim.
Nós duas começamos a rir novamente. A equipe de Diana está
prestes a entrar, então ela acena com a mão rapidamente.
— Vejo você mais tarde — grita por cima da música alta.
Aceno rapidamente com a cabeça, mesmo sabendo que não vou a
lugar nenhum essa noite.
Pelo menos, não com Diana.
Pois ela é tão superior
Muito acima de mim
Ela é tão amável
Ela é tão superior
Como Cleopatra, Joana D'arc ou Afrodite
She’s So High | Tal Bachman
Ela estuda na UCLA.
Porra.
Ela não veio para cá atrás de mim. Ela está aqui como líder de
torcida do time rival. É impossível não ser atingido por isso, porque uma
das últimas vezes que conversei com Marjorie, ela fez questão de me alertar
sobre o que aconteceria comigo caso eu chegasse perto de uma líder de
torcida.
E agora ela é uma. Uma muito boa, tendo em vista os saltos e
piruetas que ela conseguiu realizar durante a última hora.
O meu cérebro ainda não conseguiu assimilar o fato de que ela está
aqui. No mesmo ambiente que eu. Dançando enquanto eu preciso me
concentrar no jogo que se desenrola à minha frente e que não está indo tão
bem para gente nesse momento.
Preciso acordar, cacete. Preciso acordar.
Jason me lança um olhar exasperado quando perco a chance de
roubar a bola do time adversário. Provavelmente estou dando um grande
vexame, o que não é nada bom para um garoto que praticamente conseguiu
entrar no time somente agora.
— Seth, o que está acontecendo? — questiona ele, durante um dos
intervalos.
Mas eu só balanço a cabeça, nada a fim de entrar em detalhes sobre
a confusão que está na minha cabeça.
Marjorie Campbell está aqui. Depois de tantos anos, ela realmente
me encontrou.
Não que eu não tivesse movido céus e terra para encontrá-la. Em
determinado momento, Lance e Logan começaram a me ajudar na procura,
mas é realmente difícil encontrar alguém quando essa pessoa em questão
está se escondendo de você.
Chega uma hora que é necessário seguir em frente.
Esquecer.
Praticamente bufo com esse pensamento. Isso não funcionou para
mim.
— É aquela garota, não é? A que pediu para falar com você no
vestiário — insiste ele, franzindo o cenho. — Eu sabia que não deveria ter
te chamado. Ela te desestabilizou. Deve ser parte de um plano para…
Mas eu me viro para ele na mesma hora, a expressão zangada. 
— Não sugira algo assim sobre ela, Jason. É sério. 
Ele arregala os olhos.
— Puta merda. Você gosta dessa garota?
Travando o maxilar, eu me abaixo para pegar uma das garrafas de
água mineral disponíveis no vestiário. Bebo tudo em longos goles, de olhos
fechados, deliberadamente ignorando os murmúrios do meu companheiro
de time ao fundo.
— Isso não vai acabar bem.
Isso me faz encará-lo.
— Você não sabe do que está falando.
— Mulheres são uma confusão do caralho. Isso eu posso te garantir
— murmura ele, parecendo irritado. — Estou cansado delas.
Arqueio uma sobrancelha.
— Delas no geral ou especificamente de uma? — Jason não
responde, mas o olhar endurece. — Ah, já sei. Deve ser aquela ruiva que te
secava a cada dois segundos na quadra. Muito bonita… E líder de torcida.
Confesso que estou surpreso. Pensei que você gostava mais das certinhas.
— Ela me apostou.
— O quê?
— É. Ela fez uma aposta com a melhor amiga sobre conseguir me
fazer apaixonar por ela em troca de um carro. Mas acabou me contando
para pedir a minha ajuda e eu concordei.
— Vocês trapacearam.
— Chame do que quiser. O fato é que ela venceu. — Jason dá de
ombros.
Devo estar com a expressão retorcida em uma careta, pois o olhar de
Jason logo se torna ferido. Irônico, ele abre um sorriso.
— Não preciso da sua pena, Seth. Eu sabia onde estava me enfiando
e me apaixonei pela garota mesmo assim. Vou sofrer as consequências
como um adulto.
Ergo as mãos em sinal de rendição, intrigado pela história que
acabei de ouvir. Não conheço Jason tão bem como eu gostaria, mas espero
que isso mude daqui para frente. Como um jogador titular, vamos ter muito
contato a partir de agora.
Suspirando, coloco minha mão sobre o seu ombro em sinal de apoio.
— Resolve isso, cara. Não deixe esse sentimento entre vocês morrer.
É óbvio que os dois acabaram deixando os sentimentos falarem mais alto.
Jason bufa, sem me dar muita atenção. No entanto, consigo perceber
um brilho determinado em seu olhar ao entrarmos na quadra novamente.
Nós vencemos por dois pontos de diferença. Chame de milagre,
sorte ou destino, eu vou dizer apenas que Jason Doyle irritado consegue
deixar qualquer jogador rival para trás.
O cara parecia uma máquina. Toda vez que tocava na bola, parecia
pronto para destruir qualquer um que cruzasse o seu caminho.
É, Diana, você fez um estrago e tanto.
Depois que a partida termina, eu o encontro no vestiário. Ele está
todo molhado depois do banho e parece com um pouco de pressa.
— Preciso correr. Vou encontrar Diana agora — explica, parecendo
afobado.
Sorrio.
— Então vocês se resolveram?
Ele revira os olhos.
— Claro que não. Pedi ajuda para o irmão dela, Derek. Não sei se
você o conhece…
— Derek Miller? O que está na quadra? — Balanço a cabeça. — Ele
é uma lenda do basquete universitário. Literalmente o mais promissor.
— É, ele mesmo.
— Porra, cara. Seu cunhado é o Derek Miller? — Minha voz
provavelmente está falhando, mas quem liga para isso? — Não deixa essa
garota escapar.
Jason abre um meio-sorriso.
— Estou tentando. Eu consegui fechar um restaurante para nós dois
essa noite. Vou me declarar e dizer que quero estar com ela de verdade.
— Você tem todo o meu apoio. 
— Obrigado. — Ele vira as costas para ir embora, mas antes me
lança um olhar por cima do ombro. — Eu digo o mesmo pra você, Seth. A
garota ainda está por aqui. Não deixe ela escapar, se é isso que o seu
coração está pedindo.
Minha pulsação acelera com essas palavras.
Não tinha certeza se Marjorie ainda estava em Stanford quando o
jogo encerrou, então acabei vindo para o vestiário com todos os outros. 
Depois que Jason vai embora, eu não perco mais tempo. Corro até a
quadra, assistindo admirado as pessoas se abraçando e comemorando a
vitória que eu mesmo não acreditava ser possível.
O som da risada dela é inconfundível para mim. Ela está
gesticulando muito, animada, enquanto conversa com a líder de torcida
ruiva.
Diana.
A coincidência me faz sorrir. Lá estava eu dando conselhos para
Jason e agora vejo as duas sussurrando uma com a outra.
Em determinado momento, Diana é puxada para trás pelo irmão,
Derek Miller. Meu coração de fã quer ir até lá e pedir uma foto, mas eu me
contenho. Aproveito a chance para puxar Marjorie para um canto reservado,
ansioso por estar a sós com ela mais uma vez.
— O quê? — Ela parece atordoada, sem saber direito o que está
acontecendo. Quando finalmente percebe que sou eu, abre um sorriso
aliviado. — Nos encontramos mais uma vez.
Eu devo parecer um adolescente ansioso, porque não estou
conseguindo me controlar. A impressão que eu tenho é que Marjorie vai
desaparecer a qualquer segundo.
Evaporar para sempre.
— Você pode sair comigo hoje à noite? — pergunto sem rodeios.
Marjorie é pega de surpresa, porque arregala levemente os olhos
castanhos. Em seguida, vira o pescoço para o lado, tentando não me
encarar.
— Não posso, Seth.
— E amanhã?
— Já vou estar em Los Angeles. Mas eu queria te parabenizar pelo
jogo, viu? Seu avô ficaria muito orgulhoso — diz, com a voz trêmula.
A menção ao meu avô quase me faz desabar.
Fungo baixinho, percebendo só então a vontade incontrolável de
chorar.
— Valeu. Nós conseguimos o acampamento de volta, aliás. Logan e
Lance compraramele de volta para gente. Meus irmãos mais velhos vão
abrir novamente para o verão, e eu pensei…
— Pensou…?
— Que você poderia ir comigo. Como nos velhos tempos — arrisco,
sem saber direito de onde aquela ideia surgiu.
Só preciso de algo convincente o bastante para que ela diga sim.
Mas Marjorie não é a mesma garota que eu vi crescer. Ela está mais
chorosa, parecendo culpada e até mesmo um pouco desconfortável.
— Seth… Não acho que seja uma boa ideia.
— Você adorava passar os verões com a gente, Marjorie. Meus
irmãos vão amar ver você de novo.
Decido apelar para o golpe mais baixo que eu conheço. Nossas
famílias podem não se dar bem hoje, mas teve uma época em que éramos
como uma só. Marjorie vivia com a gente, considerava os meus irmãos
como se fossem dela.
— Você me deve um jantar — uma voz doce nos interrompe, e
acabo dando de cara com Diana. Provavelmente veio até aqui para resgatar
a amiga. — Pronta?
— Pronta. Ah, Diana, esse aqui é o Seth. Seth, essa é a minha amiga
Diana.
Ela nos apresenta rapidamente, e eu forço um sorriso. Não quero ser
mal-educado, mas também não estou feliz com a interrupção.
E não é que ela realmente tem uma amiga na equipe rival por aqui?
Sem conseguir me conter, eu sorrio.
— Desculpa, mas eu achei que na verdade você não existia —
confesso. Ela franze o cenho, virando o rosto para encarar nós dois.
— Como assim?
— Marjorie me disse que estava aqui porque tinha uma amiga na
torcida, mas achei que era uma desculpa para vir me ver. Acho que meu ego
me sabotou.
Diana lança um olhar confuso para Marjorie, que sussurra algo
inaudível em resposta.
Não quero mais ser inconveniente, então me despeço rapidamente
das duas e vou embora. 
Antes, é claro, eu faço questão de pegar o novo número da Marjorie.
Não vou jogar fora essa chance. 
Minha moto está estacionada do lado de fora da quadra, então
depois de tomar banho e me trocar, eu coloco o capacete sobre a cabeça.
Fico alguns minutos ali, na esperança de vê-la.
Não quero parecer um lunático, então quando percebo que Marjorie
não parece prestes a sair, decido ir para casa.
Eu a chamei para o acampamento do meu avô. Eu realmente fiz
isso, não fiz?
Porra. Ela deve pensar que eu continuo o mesmo adolescente
inconsequente que a convenceu a fugir quando tínhamos quinze anos. Eu só
queria que ela soubesse que o nosso chalé continua lá, do mesmo jeito que o
deixamos tantos anos atrás.
Nossa família quase perdeu o Frozen Lake. Depois que o vovô foi
diagnosticado com câncer, o tratamento dele nos cobriu com dívidas.
Parecia impossível sair dessa com o acampamento, já que vender era a
única recomendação que recebíamos dos advogados.
Tudo mudou depois que a minha irmã mais velha, Samantha,
conseguiu o emprego dos seus sonhos. Ela acabou se tornando relações
públicas do jogador de futebol americano mais problemático do Texas,
Lance Moreau. Um fato engraçado é que os dois eram ex-namorados.
Minha irmã encarou essa situação mesmo sabendo que precisaria lidar com
ele todos os dias.
Bom, eu julgo que no fim das contas tudo deu certo. Minha irmã
ficou grávida naquele mesmo ano, e pouco tempo depois eles se casaram.
Hoje meu sobrinho tem quase cinco anos de idade e adora quando eu passo
um tempo com ele. 
Com o passar dos dias, a vida pareceu se ajeitar. Meu irmão Scott
também acabou se casando com o seu namorado. Hoje os dois moram em
Las Vegas, e eu costumo passar alguns dias com eles durante o ano. Nós
todos só nos reunimos nos feriados agora.
Nunca me considerei uma pessoa solitária. Fui popular na escola,
tenho muitos amigos na faculdade, faço parte de uma família grande.
Durante os nossos verões no acampamento, eu me isolava com o meu
videogame para manter as pessoas longe. 
Hoje, ao finalmente reencontrar Marjorie, percebo o quanto fui
ficando cada vez mais sozinho.
Como eu sempre fui sozinho.
Eu amo minha família. Amo os meus amigos. Todas as pessoas que
sempre me rodearam são importantes para mim de alguma forma.
Mas só Marjorie me enxergava.
Só ela conseguia fazer eu me sentir importante. Visto. Valioso.
Ela não me tratava diferente. Não parecia me aturar só por eu ser
quem eu era. 
Nossas mães sempre reviravam os olhos e sorriam quando me viam
agir de forma superprotetora com ela enquanto crescíamos. Nossos pais
balançavam a cabeça, achando engraçado. 
Mas conforme nós dois íamos ficando mais velhos, esse sentimento
foi ficando maior. Mais potente. E se transformou em algo que eu nunca
mais consegui encontrar em ninguém.
Ninguém.
Só ela.
Para sempre.
Agora quero vender minha casa
e colocar fogo em todas as minhas roupas
E contratar um padre para vir exorcizar meus demônios
Mesmo se eu morrer gritando
The Black Dog | Taylor Swift
Diana é maluca.
Importante frisar isso, porque daqui para frente as coisas ficam
ainda mais confusas.
O irmão gêmeo dela, Derek, nos chamou para experimentarmos uma
comida italiana em um restaurante famoso que inaugurou naquela semana.
Topamos ir na mesma hora, principalmente por não estar tão a fim de
esbarrar em Seth em alguma festa.
Acontece que, na verdade, Derek e a melhor amiga de Diana, Kelly,
estavam tramando uma surpresa para ela. Tudo orquestrado por Jason, é
claro.
Foi uma missão e tanto fazer com que ela entrasse no local, mas
depois que isso aconteceu, era fato que Diana não iria voltar tão cedo.
O que me deixa sozinha na presença de um casal. 
Derek e Kelly estão namorando, pelo que eu pude absorver da
última conversa que tiveram com Diana. Acho que isso é bom, porque
teoricamente ele também fazia parte da aposta das duas.
— Eu sabia que eles iriam se resolver! — Kelly bate palmas,
sorridente. — O amor sempre ganha no fim.
Mas Derek faz uma careta, colocando a língua para fora.
— Ela é a minha irmã e ele, o meu melhor amigo. Não sei se vou
conseguir superar isso.
Kelly faz um gesto de desdém com as mãos.
— Você se acostuma sim. A gente cria os filhos para o mundo, meu
amor. Seus pais com certeza não ficaram enchendo o seu saco enquanto
você pegava todo mundo, então você não tem que fazer isso com ela.
— E quem disse que eu vou fazer, caramba? Eu só quero vomitar
quando penso em Jason com as mãos nela. Eu devia ter raspado o cabelo
dele naquela última vez que dormimos no mesmo lugar.
— Pelo amor de Deus, Derek! Pra que diabos você fica imaginando
a sua irmã com o seu melhor amigo?
Derek faz uma cara enojada, e eu não consigo mais me controlar.
Começo a gargalhar na mesma hora, colocando as mãos sobre a
barriga para conseguir algum apoio. Meus ombros estão tremendo enquanto
as longas lufadas de ar entram em meus pulmões.
— Me… — guincho, sem conseguir me conter. — Desculpem!
Ignorem que eu estou aqui! Podem continuar!
Mas agora dois pares de olhos me encaram, confusos. 
Derek pisca lentamente, enquanto Kelly estreita os olhos.
— Nós somos a sua carona, Marjorie. Não deveria estar rindo da
nossa cara desse jeito — diz Kelly.
Torço o nariz, já no controle das minhas emoções. Foram
necessárias muitas sessões de terapia enquanto eu crescia para não me
tornar refém dos meus sentimentos.
— Desculpem.
Mas agora são os dois que caem na risada.
— A gente só está brincando, Campbell — responde ela, sorrindo.
— Diana vai demorar um pouco lá dentro. O que acha de nos ter como a
sua companhia hoje?
— Eu fico muito grata, mas na verdade… Acho melhor eu voltar
para Los Angeles. Além do mais, vocês são um casal. Aposto que não
querem ficar de babá — respondo, tentando soar brincalhona.
— Nós não vamos deixar você voltar sozinha para Los Angeles essa
hora, Marjorie. Sem chance — rebate Kelly, como se fosse muito absurda a
ideia de me deixarem desacompanhada. — Eu sei que você queria sair com
a Diana, mas está rolando uma festa para comemorar o pós-jogo e eu acho
que deveríamos ir.
Derek finge estremecer ao nosso lado.
— Eca. Uma festa para comemorar a vitória de Stanford.
Ele é um grande jogador de basquete na universidade de Duke, o
que explica a sua aversão ao time local.
— Digo o mesmo — respondo.
Kelly joga um punhado de cabelo por cima do ombro,sorrindo
diabolicamente para nós dois.
— Vocês estão com recalque porque a minha universidade venceu e
a de vocês não. 
Ele cruza os braços na frente do peito.
— Isso porque o meu time não estava jogando, gatinha. Se eu
estivesse naquela quadra, vocês não teriam chance.
Sou obrigada a concordar. E não apenas porque Derek é um jogador
excelente — o que obviamente ele é —, mas sim porque todo o time tem
mostrado um progresso absurdo.
— Tá, eu não posso ir contra o talento do meu namorado. — Revira
os olhos, se dando por vencida. — Mas vocês têm a chance de se
mostrarem superiores indo a essa festa comigo. Marjorie, você pode acabar
encontrando um jogador solteiro…
Abro um sorriso sem graça.
— Tenho namorado — digo, embora essa não seja exatamente a
verdade.
— Pode fazer novos amigos, então.
Nessas poucas horas convivendo com a Kelly, chego a uma
conclusão: a garota é insistente. Não é à toa que Diana concordou em
apostar Jason pelo carro dela. Ela é aquele tipo de pessoa que parece capaz
de fazer você concordar com qualquer plano maluco que ela tiver.
Em poucos minutos, estamos todos no carro de Diana, mais
especificamente na Mercedes que ela ganhou depois de fazer Jason se
apaixonar por ela. É inevitável pensar em quem eu posso acabar
encontrando por lá. Meu coração acelera só de imaginar a reação de Seth ao
me ver naquela festa.
E se ele estiver com outra pessoa?
Seth com certeza não está sozinho. Diana comentou mais de uma
vez como ele parecia um deus grego, e eu não posso discordar. É injusto
que um ser humano seja tão bonito como ele. As covinhas que aparecem
sempre que sorri continuam sendo um charme especial dele. Quando eu era
mais nova, odiava quando Seth sorria para outra garota justamente por
causa delas.
Elas eram minhas. Só minhas. Ele podia abrir um sorriso de canto,
mas gargalhar ao ponto de deixá-las à mostra para qualquer pessoa? Isso me
deixava muito, muito brava.
Só de pensar nele com outras garotas… Não dá para mim. Meu
coração não vai conseguir aguentar.
O que é bastante hipócrita da minha parte, eu sei. Afinal, eu segui a
minha vida nestes últimos cinco anos. Fui à festas. Fiquei com garotos.
Deixei que eles me beijassem, que me tocassem. 
E agora estou tentando fazer dar certo com Chad.
Chad. O garoto gentil que vive para conseguir dar uma boa vida
para a própria família. 
De repente, me sinto a pior pessoa do mundo. Como eu posso estar
me sentindo tão possessiva sobre Seth quando Chad está planejando me
levar para jantar na casa dos seus pais na próxima semana?
— Marjorie? Chegamos — avisa Kelly do banco da frente.
Pisco os olhos, voltando para a realidade.
Merda. Nem percebi o carro estacionando. Para ser honesta, só
agora me dou conta do barulho ensurdecedor saindo de uma das casas de
fraternidade do campus.
Meus ombros caem, decepcionados, quando vejo a multidão de
pessoas e nenhum rosto familiar.
Droga. Eu sabia que isso seria uma má ideia…
— Ei, não faça essa cara ainda. A noite mal começou — me adverte
Kelly, com uma sobrancelha arqueada.
Forço um sorriso animado em resposta, embora eu só sinta vontade
de ligar para Charlotte e implorar por uma carona até em casa. Será que ela
já está na estrada?
O lugar está repleto de fãs de Stanford. Eles estão rindo, cantando
músicas de comemoração a plenos pulmões, dançando com os jogadores. É
uma pena que a estrela do time não esteja presente, mas para ser sincera,
aposto que Jason Doyle está exatamente onde ele mais queria.
— Vou apresentar você para algumas amigas — diz Kelly, me
puxando pelo braço até uma rodinha de garotas que conversam
animadamente sobre alguma coisa. Reconheço a maioria delas por causa do
esporte.
São líderes de torcida.
De Stanford.
— Pessoal, essa aqui é a Marjorie. Ela é amiga da Diana e está
longe de casa, então é tarefa nossa ser legal — explica ela, sorrindo.
As garotas se entreolham, confusas.
Meu coração acelera com a possibilidade de ser excluída mais uma
vez. Flashbacks da minha época de adolescente voltam com força, quando
minha única qualidade pelos corredores da escola era ser amiga de Seth.
Mas depois de alguns segundos de silêncio, a primeira garota abre
um sorriso amigável, me estendendo a mão.
— Sou Dove. É um prazer conhecer você!
Me esforço ao máximo para não transparecer o aparente alívio em
meu rosto. 
— É um prazer conhecer todas vocês. 
Em poucos segundos, eu começo a me sentir confortável. Essas
garotas são incríveis, engraçadas e totalmente malucas.
Me desafiam para uma partida de beer pong quando um dos
jogadores de basquete começa a desdenhar sobre ser invencível. Eu topo na
mesma hora, escolhendo Kelly como a minha dupla para esse desafio.
A essa altura, não sabemos mais onde Derek se enfiou. Mas se a
namorada dele não parece preocupada, eu também não fico.
— Nós vamos acabar com esses idiotas — zomba ela, sorrindo.
Eu assinto.
— Eles não sabem o quanto você é boa com desafios, não é? —
brinco, fazendo referência à aposta que ela fez com Diana.
Kelly fica boquiaberta. Em seguida, balança a cabeça, achando
graça.
— Quer saber de uma coisa, garota do Bruins? Eu gosto de você.
Então eu permito que você faça piadas sobre isso.
Deixo escapar uma risadinha.
A torcida ao nosso redor está enlouquecida enquanto tentamos
acertar as bolinhas dentro dos copos dos idiotas à nossa frente. Nós temos
uma pontaria muito melhor do que eles, que mais tentam nos desestabilizar
com palavras nada gentis. 
— Só apela quem não sabe jogar — provoca Kelly, colocando a
língua entre os dentes antes de arremessar uma bolinha em um dos copos de
cerveja deles.
Nós pulamos, animadas, felizes por estarmos vencendo-os na frente
de todos.
— Que bom que vocês são jogadores de basquete. Nisso aqui são
péssimos — zombo, me sentindo mais à vontade.
Depois que o jogo termina, estou me sentindo incrível. Na verdade,
a sensação é que eu poderia começar a dançar em cima das mesas a
qualquer momento. Fico feliz por ter aceitado o convite de Kelly ao invés
de voltar para Los Angeles.
— Então… — começa ela, apoiando o cotovelo no meu ombro. —
Você e seu suposto namorado. A coisa é séria?
— Essa pergunta surgiu do nada?
— É só uma curiosidade. Acho que a Diana me contou uma coisa
sobre você ter um caso com um garoto de Stanford…
— Não tenho um caso com ele. Éramos amigos, mas não nos vimos
nos últimos cinco anos.
Kelly estreita os olhos.
— Você ainda não respondeu a minha pergunta.
Suspiro.
— Chad e eu não somos um casal oficialmente. Pelo menos não
ainda. Estou naquele limbo entre receber o pedido de namoro ou dizer pra
ele que não estou mais a fim de esperar.
Os olhos de Kelly se iluminam como se ela estivesse de frente para
as luzes de Natal. Acho estranho para dizer o mínimo, mas não digo nada.
— Ah, menos mal. Então vocês não estão sérios…
— Kelly.
— É só uma curiosidade. Sério. — Ela dá de ombros. — Um amigo
perguntou.
— Um amigo?
— Sim. Aquele ali. — Kelly faz um meneio de cabeça em direção à
porta da casa, e meu coração para.
Seth.
Ele está usando uma jaqueta de couro. Seus olhos verdes estão fixos
em mim, intensos, incríveis, expressivos. O sorriso no rosto parece
aumentar duas vezes mais ao perceber que estou encarando-o de volta.
Pisco algumas vezes, quebrando o encanto.
— Não preciso nem perguntar. Com certeza é ele o seu amigo… —
murmura Kelly, sugestiva. — Eu acho que nunca vi um homem tão bonito
assim. Derek que me perdoe, mas esse garoto parece um deus grego. E
aquele sorriso? Meu Deus, como deve ser a vida de uma pessoa que tem
essa aparência?
Incrivelmente fácil, penso, embora meus lábios permaneçam
selados.
Seth sempre teve todas as garotas da nossa escola jogadas aos seus
pés. Era muito difícil lidar com o ciúmes quando parecia que todas as
meninas da nossa cidade queriam chamar a atenção dele de alguma forma.
Não que ele me deixasse insegura. Nós éramos amigos antes de
qualquer coisa, e ele sempre fez questão de mostrar para qualquer um o
quanto a nossa ligação era especial.
— Ele cresceu — é o que eu respondo, dando de ombros. — Maseu
também.
Kelly me lança uma piscadinha.
— Você é linda pra caralho, Marjorie. 
Pisco novamente, desviando o rosto para ela. Fui totalmente pega de
surpresa com essa afirmação.
Kelly lentamente enrola um dedo entre as mechas do meu cabelo.
— É só pra te lembrar que você é uma gata. Não sei o que aquele
cara fez, nem ao menos entendo o motivo de vocês não serem mais do que
amigos, porque, honestamente… — Ela vira o pescoço para encarar Seth
novamente e então finge estremecer. — O jeito que ele te olha… Tem tanta
admiração, desejo, paixão. Nunca vi algo assim. Então se ele foi um babaca
com você, ele perdeu uma mulher incrível.
Solto uma risada pelo nariz, pega de surpresa com a sua explicação.
— Não se preocupe. Ele é um cara incrível. Espero mesmo que um
dia consiga encontrar alguém que o mereça. 
— Foi você que vacilou?
Balanço a cabeça em negação.
— Nossos pais eram amigos até decidir que não eram mais. Éramos
jovens demais para aceitar o que os adultos estavam fazendo, então
fugimos. Durou apenas uma madrugada, porque nos encontraram pela
manhã. E depois disso, nunca mais o vi — suspiro. — Eu o deixei quando
ele mais precisava de mim. Só quero conseguir me redimir.
Uma mão quente repousa sobre o meu ombro, e quando encaro o
rosto de Kelly, vejo a preocupação latente em seu olhar.
— Você sabe que não tem culpa de não ter conseguido estar lá com
ele, não sabe?
Forço um sorriso.
— É claro que sim.
Mas ela não acredita em mim. Continua me encarando como se eu
fosse um filhotinho abandonado no meio da estrada, uma criaturinha que
ela quer pegar e cuidar. 
— Eu juro que não me culpo. Eu só precisava que ele soubesse o
quanto eu senti falta dele. Mas a vida precisou seguir em frente, sabe? Nos
filmes, as pessoas sacrificam a própria vida em prol de algo que quase
viveram, mas na vida real não dá pra parar no tempo e deixar seus dias
passarem. A gente nem sabe se vai estar vivo no dia seguinte.
— Você tem razão. Não julgo você por estar conhecendo alguém —
explica, erguendo as mãos. — Mas acho que evitá-lo agora que se
reencontraram tem outro nome. E isso pode acabar gerando um
arrependimento enorme pra você no futuro.
Estreito os olhos, sem ter certeza sobre o que ela está me dizendo.
Antes mesmo que eu possa questioná-la um pouco mais, Kelly me segura
pelo pulso, puxando-me para perto de uma pilastra.
Ela fica parada na minha frente, virando o pescoço para trás
algumas vezes. Confusa, começo a abrir a boca para perguntar o que ela
está tentando fazer, mas é então que Kelly passa um gloss sobre os meus
lábios com uma destreza impressionante. Em seguida, joga meu cabelo para
frente, ajeitando-o para emoldurar o meu rosto.
— Não acho que você precise disso, mas não tem problema ter uma
ajudinha extra, não é?
— Kelly…
— Ele está vindo. Mantenha essa pose de garota misteriosa e
descolada da universidade rival. Amanhã eu quero saber de todos os
detalhes.
E então ela vai embora, me deixando cara a cara com ele.
Seth Samuels.
Ele arqueia a sobrancelha, parecendo intrigado pela interação que
acabou de assistir.
Meu Deus, vou matar essa garota.
— Pensou que poderia escapar de mim novamente, Marjorie? 
Ainda me lembro do nosso último verão
Ainda vejo tudo
Passeios ao longo do Sena
Rindo na chuva
Nosso último verão
Memórias que ficam
Our Last Summer | ABBA
Ela pisca, pega totalmente desprevenida. 
— Na verdade, eu esperava ver você de novo. Só não achei que
fosse acontecer tão cedo — explica, dando de ombros.
Não consigo deixar de reparar em como seus ombros parecem
tensos. Sou eu que estou causando todo esse efeito nela?
Marjorie gruda as costas na parede, e eu não perco a oportunidade
de apoiar minha mão acima da sua cabeça, cobrindo-a dos olhares de
qualquer um que passar. Escutei piadinhas o suficiente desses babacas para
saber que uma garota como ela não passaria despercebida.
E eu prefiro morrer ao vê-la com alguém.
— Seth… — Sua voz parece surpresa, mas eu não consigo mais
aguentar.
— Quando nós vamos parar com isso?
— Isso o quê?
— De fingir que somos estranhos. Somos você e eu, Marjorie.
Sempre fomos tudo um para o outro.
Ela suspira, desviando o rosto do meu. Abaixo a cabeça, querendo
manter seus olhos em mim.
— Se passaram muitos anos, Seth. Nós não nos conhecemos mais.
— Eu conheço você sim, Marjorie. 
— Nós mudamos.
— A conexão que criamos quando crianças não mudou. Vai me
dizer que você não está sentindo tudo como se fosse a primeira vez?
Marjorie não me responde, mas morde o lábio inferior. Eu a conheço
como a palma da minha mão. Sei que quando ela está hesitante, coloca a
pele da boca entre os lábios, mordendo devagar para se distrair. Ela gagueja
quando está querendo contar uma mentira. Sempre foi verdadeira demais
para conseguir me enganar.
— Eu sempre vou amar você — diz cuidadosamente. — Sempre.
Mas não podemos fingir que cinco anos não aconteceram.
Dou de ombros.
— Eu prefiro esquecer.
— Seth.
— Senti sua falta. Senti sua falta demais, Marjorie. Se você ao
menos soubesse o quan…
— Estou com uma pessoa — solta em uma lufada de ar.
Dou um passo para trás, como se tivesse acabado de receber uma
bofetada no rosto. 
Não… Acho que isso não chega aos pés de descrever o que eu sinto
ao ouvi-la confessar o meu maior medo.
Ela seguiu em frente.
Ela me esqueceu.
Ela não me ama mais.
— Seth. — Marjorie tenta se aproximar, mas eu recuo
minimamente. Ela recolhe a mão, um olhar ferido em seu rosto. — Eu
queria te contar.
Pisco os olhos, tentando controlar as minhas emoções. Uma onda de
ciúme irrompe pelo meu corpo. 
Gosto de pensar que não sou uma pessoa violenta. Meu único
rompante de raiva aconteceu quando descobri o diagnóstico do vovô, o que
resultou em uma árvore recebendo socos até todo o sentimento de ódio
dissipar.
Mas agora eu só consigo pensar em como gostaria de ir até a casa
desse cara — que não faço ideia de quem seja — apenas para reivindicar
Marjorie.
Ela é minha.
Sempre foi minha.
Não mais, cara.
Nunca mais.
— O nome dele é Chad. Ele tem duas irmãs mais novas e é ótimo
com elas. Eu aposto que vocês dois se dariam superbem — gagueja ela,
parecendo querer amenizar as coisas.
Solto uma risada anasalada.
— Eu sou mesmo um idiota.
— Seth, eu…
— Passei todos esses anos achando que você também estava me
procurando. Que sentia a minha falta.
— Eu passei. Eu senti!
Balanço a cabeça, sem acreditar nem por um segundo.
Marjorie deixa os ombros caírem. O olhar angustiado lentamente
começa a ser substituído por uma espécie de raiva.
— O que você queria que eu fizesse, Seth? Esperasse cinco anos por
você, sem me envolver com ninguém, enquanto assistia de longe a sua
família ficar cada vez mais rica e famosa? Eu deveria confiar que você
mesmo não teria mais ninguém?
— Sim. Porque tudo o que eu disse pra você era real.
Marjorie cruza os braços. Em seguida, franze o nariz, como sempre
fez quando ficava irritada. Porra, eu senti tanta falta dessa expressão no
rosto dela. Eu costumava provocar situações estressantes só para vê-la com
ciúmes de mim.
Eu ficava nas nuvens com isso.
— Tudo o que eu disse pra você era real também, Seth. — Ela range
os dentes. — Vai me dizer que você não ficou com ninguém?
— Nenhuma delas significou nada. Nunca assumi um compromisso
com alguém.
— Bom, isso aí é um problema seu, não acha? — Marjorie ergue o
queixo. — Você não pode esperar que eu siga a minha vida da mesma
forma que você, Seth. Eu nunca julguei nenhuma das suas escolhas, então
eu só peço que você tenha a mesma consideração por mim.
Sinto vontade de gritar.
Isso só pode ser um pesadelo.
Mas uma partezinha irritante em mim reconhece que Marjorie tem
total razão. Ela não deveria ter parado de viver para esperar por mim.
Termos nos reencontrado na faculdade foi uma puta sorte, mas e se nunca
mais nos víssemos? 
Uma vida não vivida é o pior tipo de morte, já dizia o meu avô.
Suspiro.
— Me desculpa. Você tem razão. Eu só… — Abaixo a cabeça,
deixando meus dedos passearem pelos fios despenteados. — Acho que
esperei demais quando vi você de novo. 
Marjorierelaxa.
— Está tudo bem. Eu também não sabia como te contar — confessa,
passando a mão carinhosamente por cima de seu braço. — Eu amo você,
Seth. Sempre vou te amar. Você foi o meu melhor amigo e eu não quero
perder você novamente.
Engulo em seco.
Amigos.
Somos apenas amigos.
— Eu prefiro ter a sua amizade do que não ter nada — respondo,
rouco.
Ela abre um sorriso fraco para mim.
— Eu também penso assim. E além do mais… Sentimentos
profundos complicam as coisas, Seth. Éramos crianças demais para
perceber tudo aquilo. Se a gente não… Se não tivéssemos… É, quero
dizer… — ela se embola, sem graça.
Coloco as mãos dentro do bolso da minha calça jeans.
— Se nós não tivéssemos nos apaixonado — completo.
Ela arregala os olhos.
— Isso. Se esses sentimentos não tivessem surgido, nada daquilo
teria acontecido. Nossas famílias iam continuar se detestando, mas não
seríamos impulsivos o bastante para tentar fugir. Foi essa decisão que nos
afastou.
— Talvez você tenha razão — respondo com sarcasmo.
Marjorie estreita os olhos.
Qualquer outra pessoa teria pensado que eu realmente estava
concordando, mas ela me conhece bem demais. 
— Pode ir cortando a ironia, Seth Samuels. Eu continuo detestando
quando você faz isso.
E aí está.
Essa é a Marjorie que eu conheci e me apaixonei.
A garota que sempre me colocou no meu lugar. Que detestava
quando eu flertava com alguma outra garota, que sempre pareceu a minha
dona. Eu era apenas um menino, mas, porra, como eu adorava sentir que
pertencia a alguém.
— Eu quero mesmo ser seu amigo. Prometo que vou tentar. Mas…
— Fecho os olhos. — Vai ser difícil fingir.
— Fingir?
— Que não sou completamente louco por você.
Marjorie fica em silêncio por alguns segundos e depois parece
relaxar. Seus olhos estão um pouco marejados, assim como os meus.
— Não vai ser fácil se você continuar falando coisas como essa.
— Foi a última vez. Eu juro.
Ela abre um sorriso satisfeito dessa vez, e isso faz meu coração
acelerar.
Porra.
Como eu vou conseguir ser apenas amigo da Marjorie Campbell?
Nunca fomos apenas amigos. Sempre houve uma promessa de algo a mais,
mesmo quando eu me obrigava a convidar outras garotas para tomar
sorvete. Meus amigos achavam estranho pra caralho quando eu afastava
qualquer garota que se aproximava de mim, mas eu não dava a mínima. 
— Nós temos muita conversa para pôr em dia. — Ela levanta as
sobrancelhas, divertida. — Podemos pegar uma bebida e ir para o quintal.
Eu deveria recusar. Deveria agarrar a primeira garota que quiser a
minha companhia e me afogar em outra pessoa, querendo arrancar qualquer
sentimento romântico que pulsa dentro de mim por ela.
Mas eu sou só a merda de um viciado. Um cara que não consegue
ficar longe dessa mulher por mais nem um segundo. Então se tudo o que ela
pode me oferecer é amizade, foda-se, eu aceito.
Uma brisa fria nos abraça quando Marjorie e eu vamos para fora.
Ela se senta em um dos balanços de um gazebo usado para tirar fotos, e eu a
acompanho.
Ficamos em silêncio por alguns instantes, e então ela quebra o
silêncio.
— Como está a Samantha?
Sorrio. É claro que ela perguntaria sobre a Sam. As duas
costumavam ser bem próximas.
— Ela está superbem. Muito feliz. Ela e o Lance foram feitos um
para o outro, e são pais incríveis para o meu sobrinho. 
— Meu Deus. A Samantha é mãe… 
— Uma mãe maravilhosa. Morro de orgulho dela.
— Eu aposto que sim. — Ela coloca o lábio inferior entre os dentes.
— E o Scott?
— Ele também casou. Oscar o pediu em casamento pouco tempo
depois de Samantha dar à luz. Os dois moram em Las Vegas, e eu estou
sempre passando finais de semana por lá.
— Scott e Samantha casados, você jogando basquete na faculdade…
Como nós nos tornamos todos crescidos assim? Parece que foi ontem que
passávamos nossos verões no acampamento… — murmura, nostálgica.
Dou de ombros.
— A vida é assim. Não tem para onde correr.
Marjorie suspira.
— E você, Seth? Como passou os últimos cinco anos?
Como eu passei os meus últimos cinco anos? Me pego pensando em
todas as vezes que eu me sentia péssimo, sem conseguir parar de pensar em
como minha vida estaria se não tivesse decidido me despedir do Frozen
Lake. Se Marjorie e eu tivéssemos saído da cidade como planejamos desde
o início…
— Eu realmente me concentrei no basquete. Meu avô queria muito
que eu me tornasse um atleta, e eu decidi fazer isso por ele. Não sou o
melhor do time, mas não foi tão ruim quanto eu pensava. Eu gosto de jogar.
Gosto de ter uma disciplina. E ser tão dedicado a um esporte me ajudou a
lidar com a ansiedade e vários outros problemas, então eu aprendi a amá-lo.
Hoje eu não consigo me ver fazendo outra coisa.
Ela abre um sorriso.
— Fico feliz. De verdade.
— Valeu. — Limpo a garganta. — Mas e você, Marjorie? Como a
garota que me proibia de falar com todas as líderes de torcida da nossa
escola acabou se tornando uma?
Ela coloca a língua para fora, fazendo uma careta.
— Eu proibia mesmo, não era? Meu Deus, fui uma adolescente
difícil. Tinha tanto ciúmes de você que queria te dar ordens. Demorou até
eu entender que você não era um animal de estimação que meus pais me
deram de presente, mas sim uma pessoa.
Solto uma risada anasalada.
— Realmente. Lembro que você franzia o nariz e apontava o dedo
pra mim e eu sabia que estava encrencado. Mas eu nunca me importei…
Até que gostava, pra ser sincero. 
Ela semicerra os olhos.
— Acho que você fazia de propósito muitas coisas só pra me ver
marcando território.
— É claro que sim.
Marjorie me dá um soco no ombro, e eu finjo gemer de dor. 
— Você também era terrível, Seth — diz, incrédula. — Mas só para
você saber, meus pais realmente insistiram na ginástica. Eu odiava, mas
igual o basquete foi pra você, o esporte acabou se tornando uma válvula de
escape. Quando eu mudei de escola, decidi tentar a vaga para líder de
torcida e nunca mais parei. Gosto muito de fazer isso. Penso seriamente em
seguir profissionalmente depois que a universidade acabar. Já consigo me
imaginar animando no Super Bowl — divaga, com um microssorriso.
Cruzo os braços, me esparramando no assento do balanço ao seu
lado. Não posso deixar de notar como os olhos de Marjorie parecem
acompanhar cada movimento que eu faço.
Espero que ela esteja reparando também em como o meu tamanho
dobrou desde que nos vimos pela última vez. 
Sempre fui alto, mas agora estou medindo um e noventa e sete
aproximadamente. Além da altura, ser comprometido com o basquete
acabou me rendendo alguns quilos de músculo a mais que me deixam muito
satisfeito.
Posso dizer o mesmo sobre Marjorie. Ela sempre foi alta — bem
menor do que eu, mas com seus um e setenta e três ela se destacava entre a
maioria das outras meninas que eu conhecia —, mas agora, além da altura,
suas coxas torneadas eram realmente uma visão e tanto.
— Enfim, eu me arrependo solenemente de todas as ofensas que eu
atirei contra as líderes de torcida enquanto crescia. Elas são bem legais. —
Marjorie encolhe os ombros. 
— Você mudou mesmo.
Ela começa a balançar os pés para frente e para trás, fazendo o
balanço se mover um pouco.
— Mudei para melhor, eu espero. 
— Com certeza sim.
O silêncio ensurdecedor recai sobre nós mais uma vez. Não é
desconfortável, no entanto. É só o que é.
— Eu realmente gosto dele, Seth.
Abro um sorriso fraco, encarando o céu estrelado acima da minha
cabeça. Posso mentir para mim mesmo e dizer que não me importo, que só
ligo para a felicidade de Marjorie e se estar com ele a faz feliz, então estou
satisfeito. Mas por que parece que ela acabou de enfiar uma faca no meu
coração?
— Você o ama? — pergunto, desesperado para entender se eu posso
seguir em frente ou não.
Ela hesita, encolhendo os ombros.
— Não.
Uma onda de alívio percorre o meu corpo, e eu me odeio por isso.
Eu deveria torcer para ela ser feliz com a pessoa que está, mas aqui estou
eu, sentindo como se uma dúzia de fogos de artifício tivessem acabado de
explodir dentro do meu peito de tanta felicidade com essa resposta.
— Não entendo o motivo de você estar com ele, então — arrisco,
mesmo sabendoque é uma péssima ideia voltar a esse assunto.
Marjorie suspira longamente.
— Chad e eu não somos um casal ainda. Estamos naquela fase de
nos conhecer, mas eu já prometi jantar na casa do pai dele. As irmãzinhas
estão ansiosas para me encontrar pessoalmente… — Detecto um tremor em
sua voz. Com certeza ela está se lembrando de quando eu a levei para
conhecer os meus irmãos.
Dou de ombros, abrindo um sorriso com a intenção de amenizar a
situação. Não preciso tornar as coisas mais difíceis, ainda mais se eu
realmente quiser a amizade de Marjorie novamente.
— Eles vão amar você. Todos eles — friso. — Não tem nada em
você que não seja completamente amável. Meus pais sofrem todos os dias
por não terem mais contato contigo.
Ao fazer menção à minha família, noto seu queixo tremendo. Sou
muito egoísta quando se trata de Marjorie, mas a verdade é que ela também
perdeu contato com todos os Samuels, e eles costumavam ser tudo pra ela.
— Eu sinto muito falta de todos eles. Mas a sua mãe e a Samantha
me tratavam como se eu fosse uma Samuels, entende? 
Sorrio.
— Elas tinham certeza que você se tornaria uma um dia.
Marjorie ergue o rosto triste para encarar o meu, e então tomo uma
decisão. Não vou desistir dela. Não posso entregar a batalha sem tentar
vencer a guerra primeiro, e se isso incluir a tortura de vê-la tentar se
apaixonar por outro, que seja. Nunca fui conhecido por aceitar uma derrota
tão facilmente.
— Então… Amigos — sugiro, erguendo a mão para ela.
Seu olhar recai sobre o meu braço estendido e não leva mais que um
segundo para ela aceitar o aperto. Quando nossos dedos se tocam, um
choque delicioso parece acordar cada célula do meu corpo.
Marjorie arfa, arregalando os olhos para mim. Sorrio,
completamente embasbacado com o que acabou de acontecer.
Até nossos corpos entendem que fomos feitos um para o outro.
— Amigos — concorda Marjorie, embora seu tom de voz não
pareça mais tão seguro assim.
Oh, espero que você esteja feliz
Mas não como você era comigo
Sou egoísta, eu sei, não consigo te esquecer
Então encontre alguém bem legal, mas não melhor
Espero que você esteja feliz, mas não seja mais feliz
happier | Olivia Rodrigo
Charlotte ainda está tagarelando ao fundo enquanto eu estou
concentrada no espelho da minha penteadeira. Não quero exagerar na
maquiagem, mas faço questão de me arrumar quando estou prestes a
encontrar Chad.
— Você vai usar aquele vestido azul? — pergunta ela, fuçando no
meu guarda-roupa.
— Talvez. Estava pensando em colocar aquela minha saia de couro
com um cardigã bege. Algo com mais personalidade.
— Você vai conhecer o pai dele, Marjorie. Coloque um vestidinho
com mangas bufantes e toma cuidado com esse delineado. A primeira
impressão é a que fica e você tem que estar angelical.
Sorrio.
— Angelical?
Charlotte abre um sorriso malicioso.
— Para o pai dele e as irmãs, sim. Depois, vai levá-lo para o quarto
e deixar ele arrancar essa roupa de você. O que nos leva à parte mais
importante de todas… — Ela começa a fuçar na minha gaveta. — A sua
lingerie. Precisamos caprichar nisso.
— Isso está ficando pessoal demais, Lottie. 
— Amigas estão aqui pra isso. Além do mais, não tenho nada mais
interessante pra fazer.
— Jura? E o seu encontro?
Charlotte resmunga algo inaudível e eu entendo isso como um sinal
para não dizer mais nenhuma palavra sobre a sua vida amorosa. 
Ela está sempre com alguém, mas nunca se entrega de verdade.
Quando os caras começam a cobrar por compromisso… As coisas sempre
acabam terminando mal. 
— Só sinto falta do bad boy original. O que te leva pra cama e te usa
à vontade e depois some da sua vida. Um pau amigo. É pedir muito?
Ergo as mãos na defensiva.
— Achava que a maioria dos homens era assim.
— Eu também! Mas já é o terceiro cara que me pede em namoro em
menos de dois meses. Tô cansada, Marjorie. Estamos nos matando de
treinar para conseguir vencer as nacionais, sempre com rotinas tão cheias. É
pedir demais alguém que só queira trepar?
— Você pode sugerir isso antes de irem pra cama.
Ela estreita os olhos.
— Acha mesmo que eu nunca deixei claro? Porra, é aí que eles
sentem que tem o dever de me amarrar. É um saco. De agora em diante, eu
só quero o meu vibrador. Vai ser a minha única companhia nas próximas
semanas.
Suas palavras acendem um sinal de alerta na minha cabeça.
Vibrador.
Nunca tive um. Minhas mãos sempre conseguiram me satisfazer
muito bem. Mas ouvir Charlotte comentar sobre o objeto aguça a minha
curiosidade.
— É mesmo tão bom assim?
— Sexo?
Reviro os olhos.
— Não. O vibrador.
Minha amiga abre a boca em formato de “O”. Se eu pudesse
escolher uma palavra para descrever sua expressão agora seria
“horrorizada”.
— Você nunca usou um?
— Nós temos dedos por uma razão, né?
— Porra, Marjorie. Isso é inadmissível. — Ela balança a cabeça. —
Vou comprar um pra você. E dos bons.
Minhas bochechas devem estar mais vermelhas do que um
pimentão. De repente, quero poder voltar no tempo e retirar minhas últimas
palavras da equação.
— Não precisa, Charlotte.
— Precisa sim. Você pode estar usando o pau do Chad, que
convenhamos, é bem melhor do que um de borracha, mas uma garota
precisa se divertir e relaxar, e não é sempre que vocês estão juntos.
Tento persuadir Charlotte a esquecer essa ideia. Mas a minha melhor
amiga é obstinada, então quando coloca algo na cabeça, não descansa até
realizar.
Aparentemente, vou ganhar um brinquedinho novo.
Ótimo.
Mas a presença dela enquanto me arrumo para encontrar Chad não é
ruim. Na verdade, ela me arranca boas risadas e faz o meu nervosismo se
dissipar. Não tenho certeza se hoje é o dia, mas algo me diz que sim.
Ele vai me pedir em namoro.
Quero dizer, nenhum cara convida você para um jantar na casa do
pai se não tem interesse em levar isso adiante, não é?
Quando ele chega no alojamento, abro um sorriso ao ver seu sorriso
de orelha a orelha.
Ele é lindo.
Nem de longe tão lindo como Seth, mas muito bonito.
O pensamento é tão automático que é seguido por um sentimento de
culpa. Chad não está em uma competição com Seth. Eu não preciso avaliar
todas as diferenças que eles possuem.
Ou a forma como cada um me faz sentir…
— Eu nunca vou me cansar de dizer isso pra você, Marjorie —
sussurra ele, com o rosto enterrado no meu cabelo. — Você está linda. Você
é linda.
Fecho os olhos, deixando o elogio fazer o seu trabalho e me abraçar
como um cobertor quentinho.
— Você até que está ajeitado — brinco, apertando meus braços ao
redor dos ombros dele.
Chad solta uma risada descontraída.
— É melhor irmos agora. A casa do meu pai fica a duas horas de
Los Angeles.
Meu coração dispara. Eu vou mesmo conhecer a família dele, não é?
Criar laços com pessoas ligadas a Chad. Talvez até mesmo gostar dessas
pessoas. 
Ele está dirigindo o carro com uma das mãos no volante enquanto a
outra passeia despretensiosamente pela minha coxa à mostra. O vestido
subiu um pouco quando entrei no banco do carona, e a sensação de sua
palma quente contra a minha pele devia me deixar nervosa.
Ansiosa.
Excitada.
Mas não causa nada. 
Sinto um pouco de conforto por saber que ele se importa o bastante
para deixar a mão ali, mas não chega nem perto de ser parecido com o que
senti ao tocar na mão de Seth quando nos despedimos.
E falando nele…
Meu celular apita, uma mensagem chegando via SMS. Um sorriso
involuntário escapa quando vejo o nome “Samuels” nas notificações.
Samuels:
Estou indo p/ casa da Calliope e do Logan agora. Eles vão adorar saber
que nos encontramos de novo.
Eu:
Por favor, diga a eles o quanto quero vê-los de
novo.
Samuels:
Falar? Eu vou passar seu número de telefone e deixar que eles mesmos te
encontrem. Só pra vc saber, estou tentando fugir dos dois tem mt tempo,
mas eles sempre conseguem me encontrar de novo.
Eu:
hahahaha! Eu consigo ser muito mais
escorregadia que você, Seth. Mas sério, manda
um beijo pra eles.
Samuels:
Você tb poderia vir. Eu compro a sua passagem.
Meu coração volta a martelar como um louco.
Desvio meu olhar rapidamente para Chad, que continua concentrado
na estradaà sua frente. 
Não estou fazendo nada demais, mas mesmo assim o sentimento de
culpa vem com toda a força.
Eu: Na verdade, tenho planos. Estou no carro com o Chad. Vou conhecer o
pai dele, finalmente.
Envio de uma vez antes de perder a coragem. Acho que posso
acabar desmaiando de tanta ansiedade, principalmente quando Seth
simplesmente para de responder. 
Ignoro o celular em cima do meu colo, tentando focar em qualquer
outra coisa que não o meu ex-melhor amigo.
Os dedos de Chad começam a traçar linhas invisíveis pela minha
pele, se aproximando perigosamente da minha calcinha. Desconfortável, eu
cruzo as pernas, afastando-o.
Ele parece entender o sinal, porque recolhe a mão e não tenta mais
nada durante o nosso caminho até a casa de seu pai. Quando estacionamos,
a resposta de Seth finalmente chega:
Samuels:
Ele vai amar você, Marjorie. espero que vcs tenham uma boa noite. Não
vou mais atrapalhar :)
— E elas conseguem te girar e te jogar pra cima? — A voz inocente
de Juliet vem acompanhada de olhos arregalados e uma expressão surpresa.
Me aproximo do seu rosto, fingindo cochichar como se fosse um
segredo só nosso.
— Eu não sou jogada pra cima porque não sou uma flyer. Eu fico na
base, ajudando a garota que vai ser arremessada. 
Ela abre um sorriso cúmplice.
— E essa garota é boa?
— Ela é a melhor. O nome dela é Charlotte, e ela é a minha melhor
amiga. Vocês duas se dariam muito bem. — O elogio é muito bem-recebido
por ela, que estufa o peito como quem diz: “tá vendo? Eu e a Charlotte nos
daríamos bem”.
Ao virar meu rosto para frente, me deparo com os olhares de Chad e
seu pai. Ele parece maravilhado ao assistir a minha interação com a sua
irmã. 
— Ela quer muito ser líder de torcida. Ficou ansiosa o dia inteiro
quando soube que você vinha até aqui para jantar — explica o pai dela,
fazendo-a corar até a raiz dos cabelos.
Solto uma risadinha.
— Juliet tem boa postura. Vocês deviam incentivá-la a praticar o
esporte. Sou um pouco suspeita pra falar porque eu amo, mas treinar desde
nova abre muitas portas — digo.
Os olhos de Chad brilham conforme vou explicando para o pai dele
as diferenças entre competições regionais e nacionais. Quando deixo
escapar meu passado como uma ginasta, um burburinho recomeça na mesa
de jantar.
Quem faz a pergunta agora é Janet, a outra gêmea.
— Você poderia ter tentado ir para as olimpíadas! Por que desistiu
da ginástica?
Engulo o meu purê de batata com toda a calma do mundo antes de
responder. Já estou acostumada com essa pergunta.
— Eu não gostava muito. É claro que me ajudou pra caramba como
animadora e por isso sempre vou ter um carinho pelo esporte, mas eu
costumava chorar à beça quando meus pais me colocavam no carro na
época em que eu treinava. — Faço uma pausa. — Acho que eu posso ter
acertado um chute bem na cara do meu pai uma vez. Depois daquilo ficou
decidido que eu não precisava mais ser ginasta.
As meninas começam a rir, os ombros sacudindo enquanto espirros
de suco eram despejados para todos os lados. Lanço um olhar por cima do
ombro para espiar a reação de Chad, que continua maravilhado ao nos
assistir.
É muito bom sentir que você está agradando. 
Juliet e Janet me lembram de quando eu tinha essa idade e conheci
Samantha Samuels pela primeira vez. Ela tinha essa expressão meio
fechada, mas quando sentava para conversar comigo… Era pura magia.
Os cabelos longos e escuros chegavam em sua cintura. Ela estava
sempre com uma camiseta de uma banda legal e tinha piadinhas prontas na
ponta da língua. Eu adorava vê-la discutindo com Scott, porque
mentalmente eu anotava todas aquelas respostas. 
Um dia, depois de eu ter implorado para ela me maquiar, Samantha
cedeu. Enquanto aplicava o blush na minha bochecha, Sam me disse que
ficou muito feliz por me ter por perto. “Eu sempre quis uma irmã. Amo o
Scott e o Seth, mas você e eu temos uma conexão especial”. Escutar aquilo
me trouxe um sentimento de pertencimento que eu não consegui encontrar
com mais ninguém.
Até Charlotte entrar na minha vida. Intrometida, fala alto, gosta de
se desafiar mais do que o necessário e de vez em quando coloca a minha
vida em risco. Ainda assim, por ser filha única, conseguiu criar um vínculo
único comigo.
— Está ficando tarde, pai. É melhor Marjorie e eu voltarmos para a
cidade — diz Chad, depois de mais uma rodada de perguntas sobre a vida
de animadora de torcida.
As duas meninas protestam, parecendo nada felizes por não terem
mais sua fonte de informações sobre “arremessar garotas para o alto”.
O pai delas intervém, com um meio-sorriso:
— Meninas, com certeza o seu irmão vai trazer Marjorie aqui mais
vezes. O que acham de anotar as perguntas que pretendem fazer na próxima
visita?
Os rostinhos parecem se iluminar com essa sugestão. Ambas pulam
da cadeira, se jogando ao meu redor. Sou pega desprevenida, mas logo me
recomponho. Retribuo o abraço, sussurrando promessas que, no fundo, bem
no fundo mesmo, eu me questiono se serei mesmo capaz de cumprir.
— Podemos esperar você para a Ação de Graças? — pergunta Juliet,
o rosto cheio de esperança.
Arrisco um olhar para Chad, que dá de ombros. Algo em sua
expressão me diz que ele mesmo espera pela resposta.
Diante de tanta pressão, não tenho escolha a não ser dizer:
— Vou tentar estar aqui. Prometo.
Por favor
Eu estive de joelhos
Mude a profecia
Não quero dinheiro
Apenas alguém que queira a minha companhia
The Prophecy | Taylor Swift
Confiro o aquecedor da cobertura do Logan mais uma vez antes de
me juntar à Calliope na cozinha. Ela está despedaçando um pobre pedaço de
queijo enquanto bebe uma taça de vinho branco. 
Não disse uma palavra sobre Marjorie desde que cheguei. Com
certeza esse é o motivo de Logan parecer pisar em ovos quando vem falar
comigo, e também tenho consciência de que precisarei dar o braço a torcer
a qualquer momento e finalmente despejar o que aconteceu entre nós essa
semana.
A verdade é que eu não quero pensar.
Me recuso a imaginar Marjorie com outra pessoa. Beijando-o.
Tocando-o. Deixando que ele tenha tudo o que deveria ser meu.
Fecho minhas mãos em punho, me sentindo o babaca dos babacas
por pensar assim. Ela não é uma propriedade que eu comprei, não tenho
direito algum sobre ela. Ainda assim, sempre senti que eu mesmo pertencia
a ela.
Coloco a mesa enquanto Logan e Callie trazem a comida. É
bonitinho como ele sempre deixa a esposa tentar cozinhar, mesmo que na
maioria das vezes tenhamos que pedir comida chinesa por delivery. 
— Então… Como estão as coisas entre você e a Marjorie? — é
Logan o responsável por trazer o assunto à tona.
Mastigo o frango agridoce o mais lentamente possível. 
— Eu a reencontrei depois do jogo. Foi legal.
Ambos se entreolham, como se estivessem tendo uma espécie de
conversa mental. 
Estreito os olhos.
Eu costumava ter essa ligação com a Marjorie também. Acho que
esse é o superpoder que melhores amigos obtêm com o passar dos anos.
Logan e Calliope se conheceram muitos jovens. Enquanto cresciam,
se apaixonaram loucamente. Ambos achavam que era platônico, até
perderem a virgindade juntos pouco antes de Callie partir para a faculdade.
Acontece que, por causa de um mal-entendido, eles acabaram voltando à
estaca zero. Levou muito tempo até entenderem que eles realmente haviam
sido feitos um para o outro.
— Vocês não precisam me encarar assim. Não preciso da pena de
ninguém — murmuro. — Nós crescemos.
Callie pisca lentamente.
— Nós sabemos, querido. Não estamos sentindo pena. É só familiar.
— Ela tem um namorado? — pergunta Logan, na lata.
Ignoro solenemente o olhar astuto de Calliope se transformando de
pacífico para mortificado. Balançando a cabeça, eu me sirvo um pouco mais
do vinho branco que ela deixou estrategicamente em cima da mesa.
— Sutil, hein? — debocho, recebendo um olhar altivo em resposta.
Tanto faz. — Ela tem o direito de seguir em frente. Parece gostar de
verdade do cara.
As palavras saem engasgadas de mim. É como se meu corpo se
recusasse a admitir isso.
Marjorie com outra pessoa. 
Logan cruza os braços.
— O lance com eleé sério?
— Logan! — Calliope lhe desfere um tapa.
— É uma pergunta válida. Se ela estiver namorando, é hora dele
recuar. Mas se a garota ainda estiver sendo conquistada, vale a pena entrar
na disputa. Eu amo a nossa história, Callie. Amo mesmo. Mas se eu pudesse
voltar no tempo e impedir todos os outros que vieram antes de mim, com
certeza eu faria. 
Ela suspira. Parece encará-lo com uma expressão de “ele não tem
jeito”, mas no fundo é nítido o quanto ela está derretida por ele.
— Marjorie diz que não é sério ainda — respondo. — Mas ela
aparentemente quer tentar, e eu não posso interferir nisso. É a vida dela.
Ambos me encaram por mais alguns instantes.
— E o que acha de convidarmos Marjorie para um final de semana
no acampamento? — sugere Calliope. 
Os olhos de Logan parecem brilhar.
— É uma boa ideia!
Estreito os olhos. Isso não está me cheirando bem.
— Eu realmente amo o fato de vocês estarem tentando me ajudar,
mas eu realmente não preciso de tudo isso. Se Marjorie ainda quiser tentar
algo comigo, estarei aqui. Até lá, vou fazer o que eu já deveria ter feito.
Começar a viver.
Callie abre um sorriso para mim.
— E você está certo. Mas acredito que vocês dois precisam de um
encerramento. A forma como foram arrancados da vida um do outro deixa
marcas. Ir para o acampamento pode ser o ponto final que vocês
precisam…
Pondero sobre suas palavras por alguns segundos.
Ela tem razão sobre a nossa “separação” traumática, se é que
podemos chamar assim. Talvez o melhor a ser feito é realmente colocar um
ponto final. 
A campainha começa a tocar, e uma ruga se aprofunda na testa de
Calliope.
— Suzan disse que viria hoje, acho que esqueci de avisá-la que
estamos com visita.
Logan abre um sorrisinho de canto.
— Ela com certeza vai adorar o nosso convidado. Quer que eu
atenda ou você vai?
— Eu vou, amor. Não conversem nada importante até eu voltar!
Sorrio.
Suzan é a mais nova vizinha de Calliope e Logan. Uma jovem
tenista que está entrando agora no mundo das competições de torneio.
Calliope a adotou como sua pupila, o que significa que ela passa bastante
tempo ao redor.
É nítido o quanto Suzan está a fim de mim. Nunca tentou esconder.
Sempre procurando desculpas para me tocar, abrindo sorrisos até para as
maiores bobagens que eu dizia. 
— Ela é uma garota legal — murmura Logan, como quem não quer
nada. — Talvez seja o que você precisa agora.
Arqueando uma sobrancelha, eu cruzo os braços.
— Pensei que você seria o cara a me dizer que eu não deveria
procurar um relacionamento agora. Algo sobre precisar me concentrar no
esporte. Ou na faculdade.
— E eu concordo com isso. Mas a Marjorie está seguindo a vida
dela, Seth, e você precisa fazer o mesmo.
Bufo, contrariado.
— Eu sei disso.
— Então, posso sugerir que você a leve até o mercado? Ela está sem
carro e Calliope iria dar uma carona pra ela hoje.
Eu o encaro.
— Vocês não desmarcaram por uma razão, não é?
— Eu sou apenas um homem de idade, Seth. Às vezes, a nossa
memória não funciona tão bem…
Estreito os olhos para ele.
— Velho? Você acabou de fazer trinta anos.
— E você está agindo como um pirralho irritante. Não me faça ligar
para a Samantha.
Ao fazer menção à minha irmã, dou um pulo da cadeira. Eu poderia
usar a mesma cartada com Logan, já que a irmã mais velha dele, Lydia,
consegue ser bastante assustadora quando quer. Mas a verdade é que eu já
estou cansado de toda essa conversa, então vou aproveitar qualquer brecha
que tiver.
Calliope está conversando agitadamente com Suzan, que parece
desapontada. Assim que eu surjo em seu campo de visão, ela abre um
sorriso animado.
— Seth! Não sabia que você estava aqui!
Coloco uma mão sobre o ombro de Callie, amigavelmente.
— É só até amanhã, depois volto para a Califórnia. Fiquei sabendo
que você precisa de uma carona até o mercado.
Suzan parece se iluminar com o toque sugestivo na minha voz.
— Sim! Mas a Callie me explicou que vocês estão almoçando e…
— Eu já acabei. Posso levar você, se não se importar com a
substituição de última hora — brinco.
Calliope nos encara como se fosse um jogo de pingue-pongue. Por
fim, limpa a garganta, sorridente.
— Eu acho uma ótima ideia. Assim vocês também conseguem
conversar e se conhecer melhor.
Sutil, Callie. Bem sutil.
— Bom, sendo assim, vou voltar para o meu marido. — Ela se
inclina para mim ao passar e sussurra baixinho: — Não esqueça que essa
garota tem sentimentos. Cuidado.
Depois de mais uma despedida, eu acompanho Suzan até o carro.
Calliope nos emprestou o Audi, então vamos andando com calma até o
estacionamento do prédio luxuoso que os dois estão morando agora.
A última frase dela não sai da minha cabeça. O que ela pensa que
vou fazer com essa garota? Iludir, enganar? Mesmo nos meus dias mais
estressados, eu não seria capaz de mentir para alguém com o intuito de
levá-la para cama. E sendo sincero, eu nunca tive problema nesse
departamento. Como atleta titular em Stanford, não é preciso mais que
estalar os dedos para conseguir qualquer garota no campus.
— Estou curiosa, Seth.
Eu franzo o cenho, prestando atenção em Suzan pela primeira vez
desde que entramos no carro.
— Com o quê?
— Com o motivo de você estar sendo tão receptivo assim. Eu não
estava esperando uma carona sua até o mercado.
Enrugo a testa.
— Já fui grosso com você alguma vez?
Suzan solta uma risadinha.
— Não é isso. E não, você nunca foi grosso. — Ela se ajeita melhor
no banco do carona. — É só que nunca pareceu interessado. Eu já estava
preparada para jogar a toalha e desistir de você, mas então…
— Eu ofereci a carona.
— Isso mesmo. — Suzan parece incrédula. — Me diz aí, Logan e
Calliope o ameaçaram de alguma forma?
— Não. Eu só decidi me libertar dos fantasmas do passado.
— Uma ex-namorada pegajosa?
— Quem me dera.
Ela esquadrilha meu rosto em busca de respostas. Felizmente, não
preciso continuar encarando-a. Volto meu olhar para o Walmart à minha
frente, sentindo o alívio lentamente se infiltrar nos meus sentidos.
— Isso parece uma história interessante. 
— Nem tanto, na verdade. 
— Então existe uma garota na jogada? — Suzan ergue a
sobrancelha. — Você é bem gostoso e tal, não me entenda mal. Mas se
realmente existir alguém ocupando a sua mente agora, não vou tentar a
sorte. 
Abro um sorriso de canto.
— Isso significa que você nem entraria na disputa?
— Disputa? Eu? — Ela joga um punhado do cabelo por cima do
ombro. — Com todo o respeito, sou gata demais para ficar competindo com
outra mulher pela atenção de um cara. Ou ele é obcecado por mim e beija o
chão que eu piso, ou pode cair fora.
Uau. Não fazia ideia de como Suzan é autoconfiante e engraçada.
Com certeza eu teria puxado-a para uma conversa muito antes se soubesse
desse seu lado.
Estaciono rapidamente o carro antes de me virar em sua direção,
sorrindo.
— E se eu não estiver a fim de compromisso? Se eu quiser só te
beijar e levar você para andar na minha moto de vez em quando?
Mordiscando o lábio inferior, ela se inclina sugestivamente para
frente.
— Aí eu te diria que eu também gosto muito de sexo sem
compromisso. E com isso eu concordaria, com certeza.
O fim de semana passa voando. Calliope e Logan continuam
fazendo piadinhas sempre que Suzan e eu ficamos sozinhos, o que eu devo
dizer, acontece pouquíssimas vezes. Nós dois nos beijamos algumas vezes,
uma dessas enquanto assistíamos alguma comédia romântica genérica que
Callie insistiu para vermos. Fingi não perceber quando a vi cutucando
Logan sem parar, parecendo uma criancinha, quando Suzan se inclinou
sobre mim e me beijou.
Parecíamos dois casais ali. Suzan encostou a bochecha no meu
ombro, se aninhando melhor contra mim no sofá imenso da casa de Logan.
De vez em quando, eu virava o rosto só para ver ambos perdidos em um
momento só deles. Trocando beijos, soltando risadinhas, murmurando
piadas internas e…
Eu nunca me senti tão vazio.
Meu coração não acelerava quando Suzan me tocava. Não arranha
nem a superfície de tudo o que o simples toque dos dedos de Marjorie me
causaram.
Antes de Logan me levar até o aeroporto, ela aparece umaúltima
vez no apartamento. Me dá um abraço apertado, mas não tenta me beijar de
novo.
— Espero ver você em breve, Seth. Espero que esteja mais
emocionalmente disponível da próxima vez… — Dá de ombros, sorrindo.
— Ou que consiga a garota de volta. Ela é sortuda por ter fisgado seu
coração.
Minha garganta arde com a vontade de gritar. Por que eu não posso
simplesmente começar a gostar dela? Por que eu preciso continuar tão
obcecado por Marjorie, mesmo depois de anos?
Isso não é normal.
Quando Logan estaciona o mais perto possível do meu portão de
embarque, coloca a mão sobre o meu ombro.
— Estou orgulhoso de você, Seth. Está tentando seguir em frente.
—                             Sorri. — Embora eu saiba que a sua paixão pela Marjorie
continua sendo maior do que qualquer tentativa que você faça. É por isso
que Calliope conseguiu convencê-la a ir até o acampamento. — Meus olhos
devem ter dobrado de tamanho, porque ele ergue a mão, pedindo para que
eu continue em silêncio. — Callie não precisou de muito para ela ser
convencida. Será no próximo feriado. Uma última tentativa. Caso não
funcione…
Ele não precisa continuar.
Essa resposta eu já sei, embora não queira aceitar.
Vou ter que aprender a viver sem ela.
Mais um verão, nos protegendo, trovejando
Ele não me entende
Estilhaçados no inverno, jantares silenciosos, amargos
Ele estava com ela nos sonhos
Fresh Out the Slammer | Taylor Swift
Eu sei que não é a ideia mais inteligente. Sei até o quanto é
arriscado concordar com isso, mas é mais forte do que eu. 
Estou com tanta saudades daquele lugar. Tantas saudades de todas as
pessoas envolvidas com aquele acampamento, com a minha infância, que
eu não consigo nem me sentir culpada ao dizer para a Calliope que sim,
estava disponível durante o feriado para ir até lá.  
A parte mais complicada de tudo isso não é nem dizer ao Chad a
respeito. Mas contar para a minha melhor amiga, Charlotte, que até o final
do meu monólogo sobre o motivo de ter aceitado já está me encarando com
a expressão de julgamento que me faz estremecer.
— Não me olha assim — peço, sem graça.
— Assim como?
— Com essa expressão de que não aprova.
— Ué, mas eu não aprovo mesmo. Estamos mentindo uma para
outra agora? Porque se sim, eu posso fingir que isso não é um erro.
Ai.
Mesmo sabendo que a intenção de Charlotte não é me ferir, não
consigo evitar como se ela tivesse acabado de enfiar um punhal no meu
coração.
— Não gosto quando você age assim, Lottie — reclamo.
Ela suspira.
— Desculpa, mas não consigo evitar. Escutei você falar sobre esse
garoto em todas as oportunidades que tinha. E, do nada, você vai para um
acampamento com ele. O mesmo acampamento que você concordou em ir
depois de ter fugido com ele. — Charlotte balança a cabeça, incrédula. —
Isso não está me cheirando bem.
— Eu não vou enganar o Chad.
— Tenho certeza que não. Mas você quer o Seth, Marjorie. Não
quer? — Eu não respondo, e ela ergue a sobrancelha. — Olha, eu sou
totalmente a favor de você seguir o seu coração. Só não acho justo você
enganar uma pessoa durante o processo. Se você quer mesmo ir para esse
acampamento, nada melhor do que ter uma conversa séria com o Chad
sobre o assunto.
E nisso ela está coberta de razão.
— Eu vou falar com ele.
— Espero mesmo.
— Até parece que você não me conhece. — Estreito os olhos. —
Não faz parte da minha personalidade trair. Você até pode ir comigo no
acampamento se quiser…
Os olhos de Charlotte parecem dobrar de tamanho. 
— Isso é sério?
Dou de ombros.
— Você vai gostar de lá. Eu conseguiria te apresentar para os meus
amigos, talvez até pudesse convencer Diana a trazer alguém de Stanford
para te fazer companhia…
Ela ergue a mão, me silenciando.
— Não preciso de um homem para aproveitar alguns dias na
natureza com a minha melhor amiga, Marjorie. Faça-me o favor. Ainda
mais se ele é o inimigo.
Finjo minha melhor expressão inocente.
— Só queria aumentar as chances de você aceitar, Lottie. Mas sério,
acho que vai ser bom pra gente se afastar desse clima de competitividade e
estresse por causa das competições.
Ela apenas balança a cabeça em concordância.
Charlotte é a flyer e também a nossa líder. Faço um trabalho de co-
capitã, embora odeie esse título. A responsabilidade de lidar com garotas da
minha idade não é para mim. Ainda assim, jamais conseguiria deixá-la
sozinha nessa. 
Nós ficamos juntas por mais algumas horas, e então Chad me avisa
que está pronto para me buscar. Marcamos um jantar para compensar o final
de semana que não passamos juntos, e vou aproveitar esse encontro para
contar sobre os meus planos para o feriado.
— Você vai voltar para o alojamento ou pretende dormir no
apartamento dele? — pergunta Charlotte, com o tom de voz mais sugestivo
possível.
Reviro os olhos.
— Amanhã nós temos treino muito cedo. Não tem como eu passar a
noite com ele.
— Você sabe que eu facilmente te liberaria do treino, não sabe?
— Sei sim, mas isso não seria justo com todas as garotas que se
privam de uma noite de bebedeira para evitar seus gritos durante um
ensaio. 
Ela se vira para mim.
— Justo.
Ele me trouxe flores.
Ele. Me. Trouxe. Flores.
Como eu vou conseguir dispensar um cara que me traz flores e abre
a porta do carro para mim sempre que saímos juntos?
— Esse restaurante é um dos preferidos do meu melhor amigo, o
Peter — diz ele, com um meio-sorriso. — O que é engraçado, porque ele
nem mora aqui. Ele estuda em Stanford, mas de vez em quando passa os
finais de semana em Los Angeles.
Aproveito o gancho para puxar assunto, secretamente aliviada por
termos algo em comum para conversar.
— Ah, que legal. Será que ele conhece a minha amiga Diana?
Chad dá de ombros.
— Acho improvável. O campus é bem grande, e ele não é muito
esportivo. Está trabalhando no desenvolvimento de um dispositivo
eletrônico que promete auxiliar em cirurgias médicas. 
— Meu Deus. Isso é incrível. E como isso está indo?
— Bem. Peter perdeu a mãe para o câncer de mama quando era bem
novo, assim como eu, então tem um motivo bem pessoal para fazer o
projeto dar certo.
Engulo em seco, sentindo um nó apertado na garganta.
Não consigo parar de pensar em Seth e em como ele teve que lidar
com o avô sofrendo com o câncer numa cama de hospital. Vivenciar algo
assim é terrível, ainda mais quando se é um pré-adolescente. 
Nem conheço o amigo de Chad, mas gostaria de poder dar um
abraço bem apertado nele agora.
— Enfim, vamos parar de conversar sobre algo tão triste. Quero
saber mais sobre a sua semana — pede Chad, sorrindo com os olhos.
Concordo lentamente com a cabeça.
O restaurante é lindo. Escolhemos uma mesa na varanda, então
temos a visão incrível de um céu estrelado. O arredor é repleto de árvores,
que por sua vez, estão lindamente decoradas com luzes brilhantes. 
Um ambiente de contos de fadas.
Nós fazemos os nossos pedidos com calma. Peço uma taça de vinho,
e Chad pede apenas um pouco de água. Ele me faz rir quando conta a
última conversa que teve com suas irmãs, que agora só querem saber de
assistir filmes sobre líderes de torcida e tentar fazer piruetas pela casa. 
— Você se tornou uma espécie de heroína pra elas — diz ele, rindo.
— Meu Deus. Sinto muito por vocês. Quando comecei a treinar em
casa, costumava deixar os meus pais loucos. 
— É, não está sendo fácil pro meu pai, mas ele está feliz de vê-las
tão empolgadas com alguma coisa. Acho que vai acabar colocando as
gêmeas na ginástica, assim como você sugeriu. — Ele me encara
intensamente com um brilho no olhar. — Você mal entrou na minha vida e
já conseguiu transformá-la para melhor. Às vezes, acho que você é um anjo.
Minhas bochechas esquentam com o apelido.
Anjo? Eu? Se ele soubesse os pensamentos impuros que eu estive
tendo com o meu ex-melhor amigo, provavelmente não pensaria isso.
Quando nossos pratos chegam, concentro toda a minha atenção no
ato de mastigar. Chad continua tentando puxar assunto, mas eu aproveito a
chance de me esquivar enfiando o máximo de comida possível na boca.
Minha mãe morreria se me visse agora.
E pelo nervosismo aparenteem seu rosto, algo me diz que o final
desse jantar me trará uma surpresa não tão boa. 
— O que acha de pedirmos uma sobremesa? — pergunta ele,
tentando agir de maneira casual.
— Na verdade, eu estou satisfeita. Normalmente não como tanto
assim…
Ele estremece com uma risada.
— Isso me deixa feliz. Significa que acertei mesmo na escolha do
restaurante.
— A comida é incrível.
— É verdade. Por isso eu insisto em pedir uma sobremesa. — Pisca
ele, puxando o cardápio mais uma vez.
Sorrio em resposta, embora esteja balançando a perna feito louca
por baixo da mesa. 
Ele não vai fazer o que eu acho que ele vai, não é?
Tento me convencer de todas as maneiras possíveis que não, mas
então o garçom aparece trazendo uma espécie de mousse de chocolate que
ao redor está coberto com calda quente que…
Ai. Meu. Deus.
A calda forma a frase: Quer namorar comigo?
O garçom coloca o prato bem na minha frente, lançando uma
piscadinha antes de se retirar.
Parece infinito o tempo que levo para desviar o olhar da pergunta na
minha sobremesa até encarar Chad, que esbanja um sorriso nervoso.
Ele ergue as mãos para me mostrar uma caixinha.
Merda. Um anel de compromisso? De onde surgiu esse cara?
— Marjorie, desde o primeiro dia que eu te vi, sabia que você era
especial. A cada segundo ao seu lado só me dá mais certeza de que quero
construir uma vida com você. — Ele deve ter notado o olhar de desespero
em meu rosto, pois solta uma risada divertida. — Não, isso não é um pedido
de casamento. Pelo menos não ainda. Só não suporto a ideia de dividir você
com outra pessoa, então quero oficializar o nosso relacionamento.
Oficializar.
O.
Nosso.
Relacionamento.
Alguém deveria me dar um tapa na cara agora mesmo. Um daqueles
que faz qualquer um acordar para a vida real. 
Chad me encara com o olhar cheio de esperança. Depois de alguns
segundos em silêncio, finalmente parece notar que algo não está certo.
Retraído, ele deixa a caixinha com o anel cair em seu colo.
— Ah. — Chad desvia o rosto. — Não estamos na mesma página,
estamos?
— Chad…
Mas ele já está com a expressão derrotada em seu rosto. Mal
consegue erguer o olhar para me encarar.
Um sentimento terrível de culpa parece se alastrar por todo o meu
corpo. Não deveria ter incentivado suas investidas, não deveria ter aceitado
o seu primeiro convite para sair.
Mas eu também não poderia viver presa ao passado. Condenada a
sofrer por uma relação que nunca chegou a ser real de verdade.
Eu mereço ser feliz.
Deus, como eu mereço fazer o que eu quero de verdade pelo menos
uma vez…
— Eu sabia.
Estremeço com o tom rouco de sua voz. Ao encará-lo, não vejo uma
expressão ruim. Apenas contentamento e mortificação.
— Sabia?
Chad balança a cabeça.
— Sempre soube que você era boa demais pra mim.
Ai.
Sou o pior ser humano que já pisou na Terra. Isso não é uma
hipérbole, é a pura verdade.
— Eu não sou boa demais pra ninguém, Chad. Ultimamente, nem
mesmo pra mim.
— Existe outra pessoa?
Bem, lá vamos nós. Estamos prestes a ter a conversa que tenho
evitado desde que reencontrei Seth.
— Sim e não.
Ele franze o cenho.
— Como assim?
Suspirando, eu faço o possível para me ajeitar melhor na cadeira do
restaurante. É engraçado como estive tão confortável aqui há poucos
segundos.
— É uma pessoa do meu passado. Mas não estou saindo com ele, só
nos vimos uma vez. 
— Mas você está apaixonada por ele?
Reunindo toda a coragem que sinto, eu balanço a cabeça.
— Não. Mas já estive. E esse pensamento me assombra mais do que
deveria.
Chad passa os dedos pelos fios do cabelo, frustrado. Gostaria de
abraçá-lo e dizer que vai ficar tudo bem.
Mas nem eu sei se isso é verdade.
— Você está terminando comigo?
Resisto ao impulso de murmurar um “é difícil terminar algo que
nunca começou”, porque sei que isso não é justo. Ele me apresentou para a
família dele, caramba.
— Eu não usaria essa palavra.
—  Então o que você está pedindo
Ergo meu rosto para encará-lo.
— Um tempo. Alguns dias para entender melhor os meus
sentimentos. Eu vou entender se você não quiser. Minha intenção não é te
prender.
Passando os dedos pelos fios antes tão certinhos e alinhados de seus
cabelos, Chad me encara com um brilho triste no olhar.
— De quanto tempo estamos falando
Suspiro.
— Uma semana. — Alguma coisa no tom da minha voz parece
denunciar que estou omitindo informações. Ele nem precisa abrir a boca,
porque começo a despejar toda a verdade: — Vou passar o feriado em um
acampamento de verão. É um lugar que faz parte da minha infância, muito
especial pra mim. Faz muitos anos desde que pisei lá pela última vez.
— E esse cara também vai, eu suponho.
Estremeço com o tom melancólico em sua voz.
— Sim.
Pelos próximos cinco minutos, ficamos em silêncio. Está difícil até
para respirar, minha mente traiçoeira murmurando as piores ofensas
possíveis para mim mesma.
Como pôde ser tão cruel, Marjorie?
Você sempre estraga tudo…
Seus pais fizeram a coisa certa ao levar você embora. Sempre
destrói tudo o que toca.
Chad vai conhecer alguém que o mereça de verdade, assim como
Seth, e você ficará sozinha.
Não percebo que estou chorando até sentir os braços de Chad ao
meu redor. Tão carinhoso, tão protetor, tão familiar.
Familiar.
Um toque que eu aprendi a reconhecer há tão pouco tempo…
— Marjorie, não chore.
Mas eu não consigo. Essa merda parece maior do que eu. 
Aprendi muito nova a não cair na pilha de outras pessoas. A opinião
dos outros nunca foi tão capaz de me magoar como eu mesma. Como meus
próprios pensamentos cruéis a meu respeito.
Consigo me destruir como ninguém.
— Eu espero você, Marjorie. — Chad me desgruda de seu aperto
com cuidado, encarando meus olhos inchados. Com delicadeza, ele segura
meu rosto com ambas as mãos, tão carinhoso. — Espero que você volte pra
mim. Inteira. Mas se a parte que o ama for muito maior, quero que sejamos
amigos. Você pode me prometer isso?
Balanço a cabeça rapidamente, aliviada por conseguir mantê-lo. Sou
uma pessoa egoísta. Isso não é uma crítica a mim mesma, mas apenas a
verdade.
— É uma promessa, Chad.
Este mundo te machuca
Te corta profundamente e deixa uma cicatriz
As coisas desmoronam
Mas nada se parte como um coração
Nothing Breaks Like a Heart | Mark Ronson feat. Miley Cyrus
O cabelo ruivo de Diana está começando a me irritar. É tão grande,
tão cheio e volumoso que toda vez que ela se vira com rapidez, alguns
fiapos acabam entrando na minha boca.
Estou tendo que retirar os fios a cada dois minutos, e de repente sou
apresentado à vida de uma pessoa que mora com cem gatos. 
— Você acaba se acostumando — murmura Jason, enfiando o dedo
para puxar o maior fio de cabelo do rosto que eu já vi.
Porra.
Quando pensei em vir até o acampamento, sabia que precisaria de
reforços. Não sou tão próximo de nenhum outro cara do time, mas
realmente queria estreitar os laços com Jason. Ele topou na mesma hora,
convidando também sua namorada. Ela e a Marjorie são amigas, o que eu
acredito ter sido uma peça pregada pelo destino.
Sempre nos empurrando na direção um do outro.
— Meu primo disse que se perdeu, mas já voltou para a estrada. Não
deve demorar mais do que quinze minutos — me informa Jason, distraído
com a visão de Diana passando protetor solar.
Ele perguntou se podia convidar o primo para passar o feriado com a
gente, e topei na mesma hora. O nome dele é Peter e aparentemente o cara é
uma espécie de gênio. O protótipo dele tem tido tantos resultados positivos
que propostas milionárias já estão sendo feitas para uma possível patente.
Nós acordamos cedo para pegar a estrada. Scott deixou a
caminhonete do vovô para mim, então fomos os três nela. Ao chegar no
acampamento, fomos recebidos pelo meu irmão e pelo seu marido. Os dois
nos levaram até o único chalé disponível no Frozen Lake para esse verão, o
que fez meu sorriso morrer aos poucos.
Ficar preso em um alojamento com o casal apaixonado não parece
uma boa ideia. 
Na verdade, parece a pior ideia de todas.
O chalé é bem espaçoso, no entanto. São duas camas de casal perto
da varanda, e um segundo andar com duas camasde solteiro. Tem um
banheiro dentro do próprio alojamento e até uma minicozinha com todos os
equipamentos necessários para fazermos as nossas refeições. Isso me deixa
mais tranquilo, porque sempre odiei comer com os campistas no refeitório.
Estar de volta no acampamento que meu avô lutou tanto para
construir me traz uma sensação de paz inexplicável. Estar aqui com
Marjorie finalmente vai me fazer seguir em frente.
—  Seth! Jason! Venham aqui — Diana nos chama com o indicador,
nos levando até o único banheiro disponível na cabana. — Esse lugar é
incrível, mas talvez essa questão do banheiro seja um problema. Estão
vendo isso aqui? — Ela aponta para a tampa do vaso sanitário, e de repente
minhas bochechas parecem estar pegando fogo. — Mantenham sempre
abaixada. E Deus salve vocês caso eu encontre fios de cabelo na pia ou no
ralo da banheira. Sou capaz de catar tudo e fazer os dois engolirem. — E
depois, como se não tivesse acabado de proferir as piores ameaças possíveis
contra nós dois, ela abre um sorriso gentil. — Agora me ajudem a desfazer
a minha mala.
Jason e eu nos encaramos. Somos dois jogadores de basquete de
Stanford com mais de um e noventa de altura e estamos mesmo recebendo
ordens de uma garota que mal alcança o meu ombro?
Deixando os ombros caírem, nós dois murmuramos:
— Sim, senhora.
— Tem alguém aí? — A voz suave de Marjorie é seguida por um
gritinho surpreso ao ser atacada por uma Diana muito feliz.
As duas se atracam na entrada do chalé, muito felizes por finalmente
estarem juntas. Estão falando tão rápido que eu não consigo entender. Pesco
palavras-chave como “saudades”, “gostosa”, “animada” e, é claro, “equipe
de torcida”.
Jason e eu acabamos de desfazer as nossas malas. Não tenho a
menor pressa para ver Marjorie novamente. Sei muito bem como o meu
coração vai reagir ao vê-la. 
Sem poder adiar mais, entro em seu campo de visão com um meio-
sorriso. Ela está radiante. Mais linda do que nunca, com um sorriso de tirar
o fôlego.
— Oi — diz, acanhada.
Coloco as mãos no bolso da calça, me encostando no batente perto
da entrada da cozinha.
— Oi.
Só então reparo na garota ao seu lado. Acho que não a conheço. Ela
tem cabelos castanhos, a mesma altura de Marjorie e está com os olhos
arregalados para mim.
Franzo o cenho.
— Cacete. Esse é o Seth, não é? Agora eu entendi tudo…
Marjorie enrubesce.
— Charlotte!
Meu sorriso amplia ainda mais.
— Só estou falando a verdade, ué. Ele parece um poste de tão alto!
— Ela ergue as sobrancelhas sugestivamente. — Mas se Deus fez é porque
cabe!
— Charlotte. — O tom cortante de Marjorie me faz arrepiar. Me
lembra na hora a forma como ela costumava me ameaçar quando eu
chegava perto de outras garotas.
E que eu, nem tão secretamente assim, amava.
— Eu sou o Seth. Prazer, Charlotte — me apresento, embora esteja
gostando bastante dessa interação.
— É ótimo finalmente ver o rosto por trás de toda a história de amor
juvenil. Marjorie foi bem modesta sobre a sua aparência. 
— Ela sempre foi assim — lamento, com divertimento na voz. —
Precisam de ajuda para carregar as malas? 
As duas acenam lentamente que sim. Eu me abaixo para pegar uma
das bagagens, assoviando baixinho ao reconhecer uma figura precisar se
abaixar para entrar dentro do chalé. 
Ele usa óculos, tem cabelos ondulados jogados para todos os lados e
está com os olhos arregalados ao entrar no chalé. Pela semelhança com
Jason, sei exatamente quem é.
Abro um sorriso simpático.
— Peter! — Jason Doyle abre os braços, convidando o primo para
entrar. — Estava só faltando você.
O cara parece bem desconfortável. Todos os olhos estão focados em
sua fisionomia e principalmente na altura dele.
Porra, Jason só pode estar de sacanagem. Ele deve ter mais de dois
metros de altura e não está no time de basquete? Como pôde ter deixado
isso passar?
— Fiquei preso na estrada. Esse acampamento é bem grande.
Charlotte deixa um suspiro escapar.
— Tá, eu aceito. Esse pode ser o meu — diz, com os olhos
brilhando de cobiça.
Isso vai ser bem engraçado.
Peter, por outro lado, parece notá-la pela primeira vez apenas agora.
— Quem é você? — pergunta lentamente.
Charlotte lambe os lábios.
— A sua futura esposa. 
Peter franze o cenho, confuso pra caramba. Em seguida, pisca e se
vira completamente para mim. 
— Quer ajuda com as malas? 
Sorrindo, eu aceno com a cabeça. Ele joga a própria mochila pelo
ombro e estende a mão para pegar a mala de Charlotte de mim. Eu devia
contar a quem a mochila pertence, não?
Jason nega lentamente com a cabeça, parecendo se divertir com a
cena.
Então tá.
— Essa é a minha! — Charlotte quase saltita até chegar ao seu mais
novo pretendente. — Se isso não é uma prova de que somos almas gêmeas,
então não sei mais o que são sinais do destino!
— Charlotte, para de assustar ele. Você nem o conhece — murmura
Marjorie.
Mas a amiga parece focada demais em conquistar seu “futuro
marido” para ligar. Continua guiando Peter até o segundo andar sem se
importar com o olhar exasperado que ele lança para todos nós por cima do
ombro. 
— Ele vai ficar bem — diz Jason, ajeitando os próprios óculos sobre
o rosto. — E nem me pergunte sobre chamá-lo para o time. Peter tem
aversão a todos os tipos de esporte do mundo. Quando eu entrei no basquete
ainda no ensino médio, ele parou de jogar videogame comigo por uma
semana inteira.
Marjorie suspira.
— Quando Charlotte contar que é líder de torcida…
— Ele vai fugir dela — completa Jason.
Diana, parecendo ultrajada, abre a boca.
— Líderes de torcida são as melhores! Esse Peter vai ver só!
Jason alcança a namorada em poucos passos e a agarra pela nuca.
Eles não perdem tempo até começarem a se beijar, e eu desconfio que essa
tática foi usada para aliviar o estresse e a raiva de Diana. Pelo sons que ela
solta conforme Jason desce as mãos por todo o seu corpo, é bem-sucedida.
Marjorie e eu nos encaramos, meio sem graça.
— Onde é o meu quarto? — pergunta.
Sorrindo, eu a encaminho para o único quarto do primeiro andar.
São duas camas de casal, ao contrário das duas se solteiro do andar de cima
que provavelmente estão sendo ocupadas por Peter e Charlotte.
— Posso falar com Jason sobre dividir a cama com ele, assim você
fica com a Diana. Não me importo — digo.
Ela parece genuinamente chocada ao ver a única cama disponível no
alojamento. Mas ao ouvir a minha sugestão, nega lentamente.
— Não faz sentido. Eles são um casal, o melhor é ficarem juntos.
Além do mais, não é como se fosse a primeira vez que dividimos uma
cama. 
As bochechas de Marjorie ficam vermelhas. Não consigo evitar
abrir um sorriso.
— É, você tem razão.
Eu não discordaria de um arranjo desses. Ainda mais depois de
sentir seu cheiro doce sobre mim outra vez. Talvez seja a oportunidade
perfeita para relembrarmos os velhos tempos.
— Acho que vou desfazer a mala — diz, dando de ombros.
— Precisa de ajuda?
— Não. Só preciso saber onde ficam os armários. 
Eu a levo para o outro lado do quarto, mostrando as gavetas
disponíveis e as partes não ocupadas do guarda-roupa. Marjorie assente, os
olhos se movendo rapidamente enquanto esquadrinha todo o local. 
— Beleza. Não trouxe muita coisa, então vai ser rápido. — Pisca os
olhos rapidamente, desviando o rosto para encarar o meu. — Será que você
pode trazer um copo de água?
Assinto.
— Já volto.
Ela acena rapidamente com a mão, e uma coisa me deixa intrigado.
Marjorie parece meio envergonhada, lançando olhares sem graça enquanto
eu saio para buscar o que me pediu. 
Jason e Diana ainda estão se beijando enlouquecidamente contra a
parede, as pernas dela enroladas na cintura dele. Arqueio a sobrancelha,
surpreso em como ainda estão controlados. Se fosse eu com a Marjorie,
provavelmente arrastaria-a para algum lugar mais reservado e finalizaria o
serviço.
Sorrio ao pensar nessa possibilidade.
Eles nem notam a minha presença. Depois de pegar a água, vou
caminhando até o quarto compartilhado. Escuto algumas risadinhas vindas
do andar de cima, feliz por ver que Peter e Charlotte parecem estar se dando
bem.
— Marjorie, eu…
Ela solta um gritinho,derrubando tudo o que estava dando um jeito
de enfiar por baixo das roupas dentro do armário.
Franzindo o cenho, me aproximo um pouco mais.
— Seth, não!
Dou um passo para trás, mas é tarde demais.
Eu já vi.
Por que diabos Marjorie trouxe um vibrador e algemas para o
acampamento?
Basta dizer quando, eu jogaria de novo
Ele era meu melhor amigo
Lá no terreno baldio
Eu senti mais quando brincamos de fingir
My Boy Only Breaks His Favorite Toys | Taylor Swift
Vou matar a Charlotte.
Minhas bochechas ainda estão queimando por ter sido pega no
flagra por Seth. Ele não está me encarando com julgamento, tampouco
diversão. Mas ainda assim…
Meu Deus, o que será que eu fiz em uma vida passada para merecer
um constrangimento desses?
— Hã… Eu posso explicar — balbucio, finalmente saindo do transe
para correr até os objetos espalhados no chão.
Seth ergue a mão, se agachando para me ajudar.
Ai. Meu. Deus.
Ele segura o vibrador, examinando-o minuciosamente. 
— Você não precisa me explicar nada, Marjorie.
— Eu preciso sim. Isso é estranho. Não fui eu que trouxe, foi a
Charlotte que colocou na minha mala. Só soube disso quando chegamos
aqui. Ela achou que cada um de nós teria um quarto individual e quis fazer
uma graça. Me avisou só quando chegamos, e eu estava tentando guardar
isso sem ninguém perceber.
Os olhos de Seth se arregalam.
— Tudo bem. Eu posso guardar na minha parte se isso for fazer
você se sentir melhor… — Ergue as sobrancelhas.
Mordendo o lábio inferior, eu nego lentamente com a cabeça.
— Não precisa. Vou dar um jeito de enfiar isso nas roupas de
Charlotte durante esse final de semana. Ela vai ver só.
Seth joga a cabeça para trás, sorrindo.
— Imagina quando o Peter der de cara com isso. — Ele levanta o
vibrador, balançando-o para frente e para trás.
— Seth, para com isso!
— É meio estranho, né? Ainda mais um desse tamanho… —
continua brincando, me deixando cada vez mais corada e envergonhada.
— Você continua com o mesmo espírito de criança atentada. 
— E você continua corando por qualquer coisinha que eu faça ou
diga. 
Dou de ombros.
— Nem mudamos tanto assim.
Os olhos castanhos de Seth me encaram intensamente.
— Não mudamos quase nada.
A atmosfera entre nós muda subitamente. O que antes estava sendo
pautado em uma energia leve e brincalhona, agora está pesado e eletrizante.
Seth deixa o vibrador de lado, erguendo a mão para colocar uma mecha do
meu cabelo atrás da orelha.
Sei que deveria me afastar. Mas é mais forte do que eu.
Fecho os olhos, inspirando seu perfume com mais força. 
— Marjorie.
— Seth, eu…
Mas somos interrompidos pela voz estridente de Charlotte, que entra
tempestivamente no quarto sem avisar:
— Marjorie, conseguiu guardar?!
Abro os olhos, nervosa, instintivamente dando alguns passos para
trás. Seth, no entanto, continua imóvel e com os olhos nublados em cima de
mim. Só depois de alguns segundos é que ele limpa a garganta, desviando o
olhar para a minha amiga que nos encara agora completamente em choque.
Charlotte ajeita a postura.
— Vocês não perderam tempo, hein?
Dou um passo à frente, evitando cruzar o olhar com Seth.
— Não é nada do que você está pensando.
— Sei.
— Ele estava me ajudando a arranjar um lugar para os seus
brinquedinhos. — Aponto para o vibrador e algema, agora esquecidos no
chão. — Obrigada por quase ter me matado de vergonha, aliás.
Charlotte dá de ombros, abrindo um sorrisinho de quem sabe das
coisas.
— De nada. Você pode arrumar um campista pra usar esse negócio,
agora que terminou tudo com Chad — atira, olhando propositalmente para
o garoto ao meu lado.
Vou esfolar Charlotte viva. Essa é uma promessa.
Não olho para Seth, mas quase posso sentir o clima mudando entre
nós. Minha amiga, satisfeita com tudo o que causou, acena rapidamente e
rodopia para ir embora.
Ele não espera Charlotte estar longe o suficiente antes de murmurar
com a voz rouca:
— Quando você pretendia me contar?
Cruzando os braços, finalmente me viro para encará-lo. Seth não
parece irritado. Os olhos castanhos estão franzidos, demonstrando uma
profunda… Decepção.
Abro a boca diversas vezes, mas as palavras não saem.
Suspiro.
— Eu ia te contar. Só não queria que você pensasse que…
— Que você terminou com ele por minha causa? — arrisca, abrindo
um sorriso irônico. — Você já deixou claro que não quer continuar de onde
paramos, Marjorie. E eu não sou um babaca. Não vou te forçar a nada. —
Balançando a cabeça, ele senta na cama que vamos dividir durante o final
de semana. — Você não estar com ele não te obriga a estar comigo. E se
tudo o que quiser de mim é amizade, eu entendo. Também segui em frente.
Suas palavras são um golpe duro de ouvir. Meus olhos disparam até
o seu rosto, buscando, ansiando qualquer sinal que prove o contrário.
Não. Ele não pode ter seguido em frente.
Ele é meu.
Uma onda violenta de ciúmes vem sobre mim, mas consigo
controlar bem mais do que antes. Ainda assim, não consigo deixar de notar
os olhos semicerrados de Seth para mim.
Ele está me testando? Quer saber se eu ainda tenho sentimentos por
ele?
Porque duas pessoas podem jogar esse jogo.
Ah, se podem…
— Fico feliz por você, Seth. Estou doida para conhecê-la. Com
certeza deve ser uma garota incrível.
— Ela é. Assim como o Chad.
— Chad e eu estamos dando um tempo. Ele me pediu em namoro —
confesso, notando-o se sobressaltar. Seth limpa a garganta, passando a mão
suavemente sobre a testa. Uma estranha sensação de satisfação me invade.
— Talvez eu volte diretamente para a casa dele. 
Seu maxilar está travado. Pela forma que seu peito sobe e desce
rapidamente, aposto que está se concentrando em respirar para não causar
algum problema. 
— Ele é um cara de sorte.
Pisco rapidamente. Não esperava por isso.
— A sua garota…
— Suzan.
Outro golpe.
— Suzan também é uma garota de sorte — digo entredentes. 
Seth levanta rapidamente da cama. Depois, pega o vibrador e as
algemas do chão e os guarda do seu lado do guarda-roupa. Antes de ir
embora, no entanto, se aproxima de mim e sussurra:
— Ainda gosto de você, Marjorie. Mas não posso mais viver em
função de esperar. Já fiz isso a minha vida inteira.
Sinto vontade de gritar que eu também.
Quero puxá-lo e me banquetear com seus lábios macios.
Bagunçar ainda mais seus cabelos tão certinhos.
Arrastá-lo para um lugar afastado o bastante para que possamos
ficar a sós. 
Mas não o faço.
Apenas assisto Seth se afastar, a blusa preta marcando cada parte
dos seus braços musculosos.
Em seguida, miro a cama de casal que em outras circunstâncias
pareceria gigante. Agora, eu só consigo pensar que esse espaço é pequeno
demais para Seth e eu.
— É sério que tem gente que faz isso porque gosta? — resmunga
Charlotte, levantando a perna o máximo que consegue, tentando
acompanhar o ritmo dos demais.
Lanço um olhar para ele por cima do ombro.
— Eu avisei para não colocar esse salto. Estamos fazendo trilha,
Lottie.
Ela estreita os olhos para mim.
— Não vivo sem salto. Faz parte do meu corpo, Marjorie. É por isso
que eu preciso de um homem bem alto — arrisca, se apoiando em Peter.
O garoto está mais vermelho do que um pimentão. Eu também
ficaria se a cada dois segundos recebesse uma investida da forma que
Charlotte está fazendo com ele.
Diana e Jason sugeriram uma trilha para aproveitarmos o pôr do sol
perto do lago. Concordei na mesma hora, ansiosa para me exercitar. Escolhi
um short jeans de cintura alta, uma blusa de alcinha, coloquei meu boné e
meu tênis preferido. Não consegui esconder o olhar de cobiça ao ver Seth
com a roupa esportiva, deixando os braços gigantes à mostra.
Vai ser uma tortura tentar me controlar perto dele.
O que me salvou foi ver Charlotte descer as escadas com um salto
alto, minissaia e cropped. Ela tem um corpo de matar, isso é inegável. Peter
ficou sem palavras quando a viu, mas não sei se tem a ver com o visual ou
com a escolha para se embrenhar dentro do mato. Pensei em avisar sobre as
cobras e as aranhas, mas não quis desencorajá-la.
E para ser sincera, estava curiosa para ver Charlotte fazer a trilha
vestida assim.— Estamos quase chegando — anuncia Seth. 
Peter resmunga.
— Graças a Deus.
Preciso morder a bochecha para controlar o riso. Ele está grunhindo
a cada dez segundos porque Charlotte está sempre derrapando ou se
desequilibrando na estrada de terra. Mesmo assim, ele não consegue deixá-
la sozinha.
— Meu tornozelo está doendo — choraminga Charlotte, baixinho.
Desconfio que a reclamação seja mais para o Peter do que para o
restante de nós. Troco um olhar rápido com Seth, que também parece estar
pensando a mesma coisa.
Diana solta um risinho.
— Se continuar usando esses saltos, vai acabar se machucando de
verdade. Vai ser horrível vencer você nas nacionais por causa disso. — Ela
faz uma pausa. — Na verdade, continue assim. Retiro o que eu disse.
Charlotte estreita os olhos.
— Não vou te dar o gostinho de uma vitória fácil, Stanford — ela
diz o nome da universidade como se fosse um xingamento.
Todos os olhos se voltam para nós duas.
Abro um sorriso sem graça.
Nós somos as únicas da UCLA aqui, e como minoria, não quero
sofrer retaliações.
— Charlotte — a repreendo, rangendo os dentes. — Quer que
joguem a gente numa vala?
Ela bufa.
— Eles não têm coragem. Não se arriscam. Por isso nosso time é o
melhor. Eles só vencem a gente no basquete quando os nossos jogadores
cometem erros graves.
Desvio o olhar para encarar Jason e Seth, que não parecem nada
felizes com a análise feita por Charlotte.
Embora tenha um fundo de verdade, devo admitir.
— Posso afogar essa garota? — pergunta Diana, irritada.
Charlotte ergue o queixo.
— Quero ver você tentar. Você não é tão boa nisso pelo que eu me
lembro. Levou um tombo tão grande em um dos ensaios que conseguiu um
roxo enorme na perna um dia antes da apresentação da equipe para a
classificação — diz Charlotte, jogando um punhado do cabelo por cima do
ombro.
Peter a segura pela cintura para evitar que ela pise em falso,
enquanto eu prendo a respiração ao ouvir Diana soltar um “ah!” chocado.
— Como você sabe disso?
Ela dá de ombros, convencida.
— Tenho informantes em todos os lugares. Até na sua equipe.
Isso me pega de surpresa. Viro o pescoço para encará-la, que acena
rapidamente para mim.
— Isso é antiético e imoral! — Diana bate o pé, ultrajada. — Vocês
não podem fazer isso!
— Tudo é válido no amor e na guerra.
— Mas isso… — de repente, Diana para de falar. Em seguida, solta
os gritos e grunhidos mais horripilantes que eu já ouvi. Pula no colo de
Jason, que a segura, sem entender o que está acontecendo. 
Meus olhos voam até Seth, que está com o cenho franzido.
— O que foi?! — questiona Charlotte, com os olhos arregalados.
Diana, com a voz trêmula e sem muita firmeza de seus movimentos,
aponta lentamente para o chão.
— Uma… Uma… — gagueja, sem conseguir formar uma frase.
Prendo a respiração. — Uma cobra!
Charlotte começa a gritar. Peter precisa segurá-la, mas não é tão
eficaz. A garota começa a escalá-lo, arranhando seu peitoral enquanto tenta
se distanciar o máximo possível do chão.
Minhas mãos estão tremendo, mas continuo parada. Não consigo
reagir. 
Seth, por outro lado, se agacha. A cobra se aproxima dele, e arquejo
ao vê-lo enrolá-la ao redor do pulso. 
— Missy!
Pisco, confusa. Demoro alguns segundos para entender que essa
cobra é a Missy, o animal de estimação que Seth tanto infernizou o falecido
avô para ter.
— Me disseram que você continuava por aqui, garota. Estou feliz
que deixem você dar uma voltinha — murmura ele para o animal, como se
estivesse conversando com um cachorro.
Diana, Jason, Charlotte e Peter estão estáticos. Não esboçam
nenhuma reação enquanto Seth continua conversando com a cobra,
perguntando sobre o seu dia e dizendo que vai visitá-la mais tarde.
Em seguida, como quem não quer nada, coloca o animal em cima de
uma árvore e faz carinho em seu corpo com a ponta dos dedos. Missy
mostra a língua algumas vezes, calma.
— Ela é minha. É dócil — explica ele, como se ter uma cobra de
estimação fosse a coisa mais comum do mundo. — Podemos seguir nessa
direção e virar a esquerda. Já chegamos no lago.
Todos nós o seguimos em silêncio.
Escorregando pelos meus dedos o tempo todo
Eu tento capturar cada minuto
O sentimento nele
Escorregando pelos meus dedos o tempo todo
Eu realmente vejo o que está em sua mente?
Slipping Through My Fingers | ABBA
Ela não reconheceu a Missy.
Mas não posso negar que mesmo sem saber que era a minha cobra,
Marjorie não começou a gritar e se esconder. Cara, não consigo acreditar
que a garota que vivia resmungando ao ver a Missy realmente não se
desesperou por vê-la rastejando no chão tão perto de nós.
É isso que dá crescer comigo.
— É sério que não vamos conversar sobre isso? — resmunga Diana,
a voz lacônica. — Porra, tinha uma cobra ali!
Jason suspira.
— A cobra é do Seth e não fez mal pra ninguém, fez? Não temos o
que conversar.
— Esse garoto é estranho.
— Por que ele gosta de uma cobra?
— Sim!
Os dois continuam murmurando, o que me faz soltar uma risadinha. 
Marjorie me alcança, ficando do meu lado quando finalmente temos
um vislumbre do lago. O pôr do sol transforma esse lugar em um
verdadeiro espetáculo visual. Não que ele esteja menos bonito agora, mas
mal posso esperar para ver todos os presentes sem palavras.
— Senti falta desse lugar — murmura Marjorie.
Olho rapidamente para ela.
— É… Eu também.
Ela não me diz, mas eu consigo sentir. 
Está pensando o mesmo que eu.
Da última vez que estivemos aqui juntos, as coisas deram
terrivelmente errado. Eu tinha acabado de descobrir sobre a doença do meu
avô e não queria ser encontrado. Não queria estar com mais ninguém a não
ser ela.
Então, no meio da noite, invadi o dormitório feminino e a chamei.
Ela veio até aqui comigo, me oferecendo todo o apoio que eu nem sabia que
precisava. 
— Eu queria que fosse diferente, sabe? — Marjorie murmura. —
Que você não precisasse passar por tudo aquilo. Foi duro assistir.
Meus olhos enchem de lágrimas.
Ela não está olhando para mim. O rosto de Marjorie continua focado
no lago à nossa frente, o semblante saudoso.
— É. Foi duro viver — respondo.
Memórias surgem como navalhas. Cortam e machucam tudo o que
vem pela frente.
Como pode uma lembrança tão boa de repente se tornar uma arma
poderosa? Se tornar algo tão insuportavelmente doloroso?
aos doze anos
Escalar a janela até encontrar a cama de Marjorie foi a parte mais
fácil. Difícil mesmo foi conseguir entrar, principalmente porque algumas
das meninas ainda estavam acordadas.
Todas arquejaram, em choque com a minha audácia.
Inclusive Marjorie, que foi a primeira a gritar. Demorou mais do
que eu esperava até ela se dar conta de que era eu.
— Seth? — Piscou os olhos rapidamente, confusa. Provavelmente
achando que eu era uma miragem. — O que está fazendo aqui?
Nem eu sabia.
A única coisa que eu tinha consciência era de que eu tinha ouvido
algo que não deveria. 
Uma ligação.
Minha irmã chorando porque meu avô se recusava a começar o
tratamento. Meu irmão estava irritado, acusando-o de deixar a família.
Vovô sendo, como sempre, irredutível em sua decisão.
As palavras “câncer” e “terminal” juntas causaram um arrepio de
medo na minha espinha. Processei tudo com um bolo na garganta. Uma
vontade absurda de gritar e socar a primeira coisa que me aparecesse.
E, depois, chorar até não poder mais.
Ninguém nesse lugar me entenderia.
Meu avô tinha mentido para mim.
Logan, que estava aqui para ajudar a nossa instrutora de tênis, era
um bom amigo, mas tínhamos acabado de nos conhecer.
Só uma pessoa conseguiria me acalmar agora.
— Preciso de você — murmurei, sentindo o meu queixo tremer.
Engoli o nó na garganta com raiva.
Não posso chorar aqui.
Uma nova onda de reclamações e murmúrios recomeçou entre as
meninas do acampamento, todas com o cenho franzido de irritação.
Estavam com sono, mas um sinal de alerta me atingiu.
Meu avô poderia acordar a qualquer momento.
Marjorie, entendendo o meu desespero silencioso, pulou para fora
da cama e me arrastou para longe do chalé.
— Você quer ir até o lago? — perguntou baixinho
Assenti rapidamente.
Só queriaque ela me arrastasse para qualquer lugar longe o
bastante daqui.
— Vem comigo.
Nós nos embrenhamos na vegetação escura. Marjorie sempre teve
medo de animais peçonhentos e insetos, então me senti tocado por tê-la ali,
entrando floresta adentro para chegarmos na minha parte do lago favorita.
A lua estava cheia e iluminava a noite escura. Uma brisa suave
soprava sobre nós, como se fosse a promessa de um beijo. Quando
avistamos o deque, ela inclinou a cabeça para o lado.
— Quer ficar sentado aqui ou pegar um dos botes?
Meus ombros caíram. Encarei-a, ainda sem conseguir vocalizar a
minha decisão.
Marjorie mordeu a bochecha, assumindo as rédeas. Pegou um dos
botes do chão, desatou o nó que o prendia e me fez entrar no barco. Eu a
ajudei em seguida, e nós começamos a remar.
Não queria ir para muito longe, mas também não queria estar perto
de ninguém.
— Acho melhor ficarmos aqui. Daquele lado a correnteza não é tão
confiável — disse e só então reparei nos olhos vermelhos.
Ela estava com muito sono.
De repente, a culpa me engolfou sem dó.
— Desculpa ter te acordado. Nós deveríamos voltar.
Ela estreita os olhos.
— Até parece que eu vou voltar. Alguma coisa está acontecendo e
eu quero saber o que é.
Não conseguia aguentar mais. A informação estava me corroendo
por dentro, e eu enlouqueceria se ela não soubesse de uma vez.
— Meu avô está morrendo.
Marjorie piscou os olhos rapidamente, pega de surpresa
Depois de alguns segundos em silêncio, ela se aproximou de mim o
bastante para alcançar a minha mão. Observei nossos dedos se
entrelaçarem sem nenhuma expressão.
— Minha mãe me disse sobre o câncer, mas Seth, isso não é uma
sentença de morte. Seu avô pode lutar.
— Você não entende, Marjorie. — Balancei a cabeça. — Minha
família escondeu isso de mim. É muito mais grave do que eles disseram.
Ouvi a palavra “terminal”. Você sabe o que isso significa? O tempo dele
está acabando. Ninguém me contou.
— Oh. — Ela engoliu em seco.
Pisquei várias vezes para afastar a vontade incontrolável de chorar.
— Eles acham que eu sou novo demais para lidar com essas coisas.
Isso não é justo.
— Sua família só quer o melhor pra você, Seth. Seu avô iria odiar
ver você assim tão pra baixo.
Fungando, limpo uma lágrima solitária que estava escorrendo pela
minha bochecha. Odiava que ela estivesse me vendo chorar.
Precisava ser mais forte.
Mas, ao mesmo tempo, estava grato por estar com ela nesse
momento tão vulnerável. 
— Você pode chorar. Estou aqui.
Como se ela estivesse me concedendo permissão, meus ombros
começaram a tremer. Escondi o rosto em seu pescoço macio, chorando por
todos os anos que não teria com o meu avô.
Por todas as memórias que eu não dei valor o suficiente quando
estavam sendo construídas.
Por todos os domingos que jamais seriam os mesmos sem ele.
Pela dor que seria ter que aprender a me acostumar com a sua
ausência.
Por me sentir inútil.
Impotente.
Por não conseguir fazer nada para mudar isso.
dias atuais
— Isso aqui é lindo. — A voz estridente de Charlotte nos desperta
do devaneio.
Marjorie pisca os olhos várias vezes, assustada. Minha expressão
deve estar espelhando a sua, porque Jason aparece no meu campo de visão
com um semblante curioso.
Limpo a garganta.
— Vai ficar mais lindo ainda quando o sol começar a se pôr —
respondo com a voz rouca.
Marjorie abre um sorriso.
— Seth tem razão. Só não fica melhor quando está sob a luz da lua e
das estrelas. 
É Diana que responde dessa vez, com ironia:
— Me arriscar nessa trilha com cobras durante a noite? Muito
obrigada, mas eu passo.
— Não acredito que estou dizendo isso, mas eu concordo com a
Diana — assente Charlotte, e eu sorrio.
Pelo menos isso fez com que essas duas se dessem bem.
Desconfio que ambas podem estar com ciúmes da Marjorie, mas não
vai ser eu a dizer em voz alta.
— Querem nadar? — sugiro, arqueando a sobrancelha.
— Eu estou dentro — diz Marjorie, já começando a passar as roupas
por cima da cabeça.
Meu cérebro pode estar derretendo. Vejo a pele bronzeada e me
pergunto se ela costuma ir com frequência até as praias de Los Angeles.
Está com um biquíni de bolinhas, bem no estilo anos sessenta.
Sorrio.
Não tem coisa mais Marjorie do que isso.
Ainda assim, não consigo desviar o olhar de suas curvas. Quando
ela termina de tirar o short e se abaixa, sua bunda fica perfeitamente
empinada no meu campo de visão.
Porra. Porra, porra, porra.
Arregalo os olhos, preocupado com o meu pau. Nunca me senti tão
agradecido por sempre escolher uma box apertada o suficiente para
esconder isso. Morreria de vergonha se Marjorie percebesse.
Ela me lança um olhar enviesado por cima do ombro.
— Vai ficar só me olhando, Samuels?
E então começa a andar lentamente pelo deque, virada de frente para
mim. Está quase alcançando a ponta quando vira de costas e acelera na
corrida, pulando com tudo na água gelada.
Charlotte faz a mesma coisa, seguindo-a. Quando as duas emergem,
começam a jogar água uma na outra.
Não perco tempo.
Tiro toda a minha roupa em tempo recorde e então corro em sua
direção, espirrando água para todos os lados. As duas reclamam, me
empurrando com certa força para não ficarem no meu caminho.
— Segure essas duas aí — grita Peter, e percebo que é a primeira
vez que ouço sua voz tão alta.
Charlotte arregala os olhos, nadando para trás da Marjorie.
— Ai, meu Deus. Ele é gigante. Vai afogar a gente — diz, com um
sorriso brincando nos lábios.
Lanço um olhar cúmplice para Marjorie, que parece entender tudo.
Assinto rapidamente com a cabeça, e enquanto Peter corre pelo deque, nós
dois seguramos Charlotte para usarmos ela como uma espécie de escudo.
Ela berra quando Peter pula com tudo na água, emergindo
rapidamente com um sorriso no rosto.
— Falsos! Traidores! — grita, embora esteja gargalhando. — Acho
que engoli água demais.
Marjorie franze o cenho, se aproximando da amiga.
— Quer sair?
Ela percebe tarde demais. Grito, tentando avisá-la, mas Charlotte
joga mais água em Marjorie, sem dar chance de defesa. 
As duas começam uma guerrinha na água, e logo Peter e eu
entramos na disputa também. É dois contra dois até que Jason e Diana
também estão por perto, um caos gostoso na água morna do lago.
Quando o sol começa a se pôr, todos nós saímos da água. Ofereço
minha mão para Marjorie, e ela aceita de bom grado. Pego a minha mochila
do chão e distribuo toalhas limpas para todos, meu olhar fixo em Marjorie.
— Ah! — Diana suspira com a visão à sua frente.
Charlotte também ofega, levando as mãos até o coração.
— Essa é a coisa mais linda que eu já vi.
Peter, parado ao seu lado, parece mais fascinado com ela do que
com a vista. Mas, ei, não vai ser eu a dizer alguma coisa.
— E você não se acostuma — murmuro, hipnotizado pela visão de
Marjorie banhada à luz do sol. Ela está com os olhos fechados, como se
absorvesse os raios solares.
Linda.
Linda de tirar o fôlego.
— Sua família está de parabéns, Seth — é Jason que diz, acenando
com os polegares.
Não consigo deixar de sorrir.
A família de Jason e Peter é absurdamente rica. Eles provavelmente
têm propriedades que valem dez vezes mais que o nosso acampamento, mas
estão agindo como se tivessem acabado de encontrar um tesouro perdido.
Deixo que aproveitem a vista por mais alguns minutos antes de
chamá-los para voltar até o chalé.
— Odeio estragar esse momento, mas se formos mais tarde, vai
estar escuro demais. Como as meninas se assustaram com a cobra, talvez
seja bom irmos agora.
Todos concordam, e voltamos pela mesma trilha que viemos.
Marjorie está andando um pouco atrás de mim. Espero até ela me
alcançar, empurrando-a levemente com o ombro.
— Está pensando no quê?
Ela parece se assustar com a minha pergunta. Pisca os olhos
rapidamente, forçando um sorriso.
— Em como a vida muda rápido. Estou meio nostálgica.
— Sei bem como é.
— Mas eu realmente precisava disso. Não sabia o quanto —
continua, encarando o chão. — Ei, será que ainda estão fazendo fogueira?
Abro um sorriso.
— Durante a noite sempre tem. Se quiser, podemos ir. Todos nós,
quero dizer — me corrijo rapidamente.Marjorie morde o lábio inferior.
— Seria bem legal.
— E ainda podemos fazer s’mores. Você ainda usa aquele truque
com o palito?
Ela solta uma risada, cobrindo a boca com a mão.
— Meu Deus, você ainda lembra disso?
— Não esqueci nada, Marjorie. Nada.
Os olhos dela finalmente encontram os meus. Uma compreensão
silenciosa acontecendo entre nós, como sempre. Não precisamos verbalizar,
porque ambos estão pensando o mesmo.
Continuamos iguais.
Por um momento, realmente chego a pensar que ela vai tentar me
beijar. Marjorie se inclina um pouco para frente, os olhos buscando
qualquer sinal de hesitação meu. Dou um passo à frente, pronto para
reclamar a boca que sempre foi minha. Mas antes mesmo de qualquer um
dos dois iniciarem um movimento, observo suas feições mudarem de
obstinação para… Apavorada? Horrorizada?
Franzindo o cenho, começo a perguntar:
— O que foi?
— A-aranha! — gagueja ela, desesperada.
E como aconteceu da última vez, de repente todos estão apavorados.
Gritando, pulando de um lado para o outro, tentando encontrar o pobre
animal.
Jason, com o olhar levemente assustado, me pergunta:
— Essa também é sua?
Balanço a cabeça.
— Nunca tive aranha na minha vida.
Charlotte choraminga.
— Isso quer dizer que podemos nos apavorar?
— Acho que não é uma boa ideia… — tento apaziguar, mas é em
vão.
Agora todos estão assustados. Meu primeiro impulso é ir atrás de
Marjorie, que simplesmente desapareceu do meu campo de visão. Começo
a gritar seu nome, temendo que ela acabe se perdendo entre as árvores.
Mas então Charlotte me puxa pelo braço, apontando para cima com
a expressão indecifrável.
É como se fosse uma daquelas cenas de filmes de comédia
romântica onde tudo para e as coisas acontecem em câmera lenta.
A primeira coisa que eu noto é que um dos sapatos de Marjorie está
jogado no chão. Me agacho para pegar, confuso pra caralho. 
Charlotte aponta novamente para cima, e eu finalmente ergo o rosto
para entender o que está acontecendo.
Meus olhos arregalam.
Que porra é essa?
Marjorie simplesmente escalou a árvore. A cena me faria rolar no
chão de tanto gargalhar, porque é engraçado pra cacete vê-la abraçada no
tronco como se fosse capaz de salvar a sua vida.
Cruzando os braços, arqueio a sobrancelha.
— Você sabe que uma aranha consegue escalar rápido, né? É melhor
descer.
— Eu não quero — choraminga. Franzo o cenho, notando o pavor
genuíno em seu olhar.
Merda.
Nunca vi Marjorie com tanto medo antes.
— Eu te carrego. Prometo. Mas você precisa descer, Marjorie. Se
escurecer, vai ser pior.
Diana e Charlotte aparecem ao meu lado, começando a incentivá-la
a descer. Ela gruda a testa no tronco da árvore, os olhos fechados.
Porra.
Ela está chorando?
Meu coração aperta com a visão de Marjorie tão pequena e
encolhida em um dos galhos da árvore. Sem conseguir ficar parado e sem
fazer nada por mais nenhum segundo, decido subir também.
— Vocês dois querem se matar, só pode! — diz Charlotte,
exasperada. — Peter, me ajuda a descer eles!
Não arrisco um olhar para trás para vê-los, mas escuto uns
resmungos em resposta.
Quando me aproximo o suficiente de Marjorie, estendo a mão.
— Vem. Prometo que não vou deixá-la cair. Mas você precisa
confiar em mim — peço, desesperado.
Os olhos castanhos mais lindos do mundo encaram os meus,
atônitos. 
— Você confia em mim? — repito a pergunta.
Marjorie não hesita.
Ela se lança de uma vez em minha direção, e eu me desespero
tentando pegá-la sem me desequilibrar.
Não funciona.
Escuto gritos, sinto uma mão me agarrar pelo ombro e então…
Nada.
O mundo, de repente, fica escuro.
Eu sei que você não é a pessoa certa para mim
Vamos desejar nunca termos nos conhecido quando eu for embora
Eu te deixei de joelhos
Porque dizem que o sofrimento ama companhia
Não é culpa sua eu ter arruinado tudo
Angels Like You | Miley Cyrus
Minha pele está queimando. 
Isso pode ser por causa da queda feia depois que Seth e eu
despencamos daquela árvore? Óbvio que sim.
Mas também pode ser culpa do enxame de abelhas que não
percebemos estar tão próximo. A nossa sorte é que Peter, Charlotte, Jason e
Diana vieram até nós e nos socorreram.
O lado ruim? Eles também receberam algumas picadas de brinde.
E agora cá estou eu, acamada, sem conseguir me mexer muito bem e
sentindo dor em todos os lugares.
Lá se foi o meu primeiro dia no acampamento.
Maravilha.
Seth e eu continuamos atraindo problemas, não importa a idade.
Estou morrendo de vergonha de falar com qualquer um deles. É
culpa minha se estamos nesta situação. Quero dizer, consegui perfeitamente
lidar com uma cobra, mas ao ver uma aranha, eu escalei a porra de uma
árvore.
— A culpa não é sua — diz Seth, o olhar resignado. — Eu não devia
ter subido. O melhor era acalmar você e te esperar descer.
Sinto a vergonha me queimar por dentro.
Seth, como sempre, tentando neutralizar os meus erros. Tentando
assumir parte da responsabilidade por eles.
Suspiro.
— A culpa é toda minha, Samuels.
— Você sentiu medo e reagiu, Marjorie. Não pegue tão pesado
consigo mesma.
Engulo em seco.
Será que ele pensa assim sobre todas as coisas erradas que eu fiz? 
Respiro fundo.
Nós dois estamos deitados lado a lado na cama que vamos dividir
pelos próximos dias. E pensar que antes eu estava preocupada em tê-lo tão
perto… Agora eu mal consigo me mover.
O chalé está bem mais moderno do que eu me lembrava. Agora tem
até televisão! Antigamente tínhamos que nos entreter com o bom e velho
jogo da garrafa. De vez em quando alguém trazia uns jogos de tabuleiro e
fazíamos competições.
— Quer assistir alguma coisa? — pergunta Seth.
— Quero. Mas vou deixar você escolher.
— Tem certeza?
— Contanto que não seja algum filme de ação, eu topo.
— Mas os filmes de ação são os melhores!
— Homens apontando armas e realizando manobras impossíveis só
para aumentar o ego dos atores? Eu passo.
— Já sei exatamente o filme que vamos assistir.
— Quero só ver…
Seth escolhe o primeiro filme da saga “Pânico”, e isso me arranca
uma risada sincera. É a cara dele se entreter com um filme de terror
justamente quando estamos no meio do mato. 
O cenário perfeito para os serial killers da ficção.
Como se quisesse piorar a situação, uma chuvinha de verão começa
a se formar. Arrisco um olhar para a janela e sorrio ao testemunhar as gotas
de água escorrendo pela janela.
Ao virar o rosto para Seth, encontro-o sorrindo.
— Juro que isso não foi programado.
Estreito os olhos.
— Conhecendo você, eu não descarto a possibilidade.
— Tenho meus truques, mas juro que não sabia que ia chover. —
Ele faz uma pausa. — Está com medo?
— É necessário mais do que conversas estranhas no telefone e um
mascarado esfaqueando pobres garotas na televisão para me assustar de
verdade, Samuels.
— Se sentir vontade de gritar, não vou te julgar.
De brincadeira, dou um cutucão em suas costelas. Seth estremece, e
eu me arrependo na mesma hora.
Com certeza está tão dolorido quanto  eu. Até mais, tendo em vista
que foi o responsável por amortecer boa parte da minha queda.
A culpa me engolfa de uma vez só.
— Merda. Desculpa, Seth. — Faço todo o esforço necessário para
conseguir me sentar. — O que eu posso fazer para recompensar você?
Ele me lança um olhar atento.
— Você pode me abraçar?
— É sério?
Seth dá de ombros.
— Sinto falta de abraçar você enquanto dormíamos. Não fizemos
isso com muita frequência.
Meu coração parece transbordar de tanto amor e saudade.
Seth e eu dormimos juntos algumas vezes enquanto crescíamos. Era
muito inocente, normalmente quando nossos pais colocavam colchões na
sala para que ficássemos assistindo TV até tarde. A gente caía no sono e
nem percebia. Mas, de alguma forma, eu sempre parecia procurá-lo durante
a noite.
Éramos sempre um emaranhado de braços e pernas quando
acordávamos. 
— Tem certeza? Você parece estar sentindo dor — constato, vendo-
o franzir o cenho de dor.
Mas Seth parece mesmo disposto a enfrentar essa dor para me ter
por perto.
Quando ele assente, não hesito. 
Com todo o cuidado do mundo, me aproximo o bastante para me
aconchegar a ele. Seth grunhe baixinho,o som fazendo minha garganta
apertar. Segundos depois, sinto seus braços lentamente me rodearem.
Prendo a minha respiração.
O cheiro dele é sobrepujante sobre mim. Fico tonta por alguns
segundos, e é necessária toda a minha força de vontade para não me virar e
afundar o meu rosto em seu pescoço. Poderia ficar horas inalando o cheiro
dele e jamais me cansaria.
Isso não pode ser normal.
Continuo com os olhos vidrados no filme. Tento prestar atenção no
que está acontecendo na tela, mas o meu corpo traidor só consegue focar na
ponta dos dedos de Seth, que raspam suavemente sobre a minha pele.
Engulo em seco.
A respiração dele está um pouco mais acelerada. Cada vez que o
peito sobe e desce, minha cabeça acompanha o movimento. 
Não saberia dizer com precisão quando começa, mas, de repente,
parece que a atmosfera entre nós muda. 
O assassino continua fazendo suas vítimas no filme que está
passando na televisão, no entanto, tudo o que eu consigo prestar atenção é
na mão de Seth passeando suavemente pelo meu braço nu.
Sem conseguir me controlar, suspiro.
E ele para.
A culpa vem sobre mim mais uma vez.
O que eu estou pensando? Ele mal se recuperou da queda e eu já
estou pensando em segundas intenções.
Merda.
Me forço a me concentrar no filme, irritada comigo mesma por
sentir tanta decepção agora que Seth não está mais com as mãos sobre
mim. 
A chuva começa a ficar um pouco mais forte do lado de fora,
criando um ambiente ainda mais romântico dentro do chalé. Não ligamos as
luzes, sendo iluminados apenas pelo brilho da televisão.
Começa a cena da grande revelação. Mal pisco quando Sidney
finalmente descobre a identidade do assassino. Levanto de supetão, no
entanto, quando a porta da frente do nosso chalé é aberta subitamente.
Que merda é essa?
Meu coração dispara, o medo finalmente dando as caras. 
E então eu grito.
— Puta merda! — Seth dá um pulo da cama, lembrando tarde
demais que seus músculos ainda não se recuperaram. Ele volta a deitar no
colchão, resmungando de dor.
— Quem está aí? — pergunto com a voz trêmula.
A pessoa não responde.
Só vejo a silhueta de um corpo grande e ameaçador. Já estou quase
berrando novamente quando as luzes finalmente são acesas.
E o alívio vem como ondas sobre mim.
No entanto, quem diz alguma coisa não sou eu. E sim o garoto que
agora está gemendo de dor no colchão atrás de mim:
— Logan? O que você está fazendo aqui?
Parado bem na nossa frente, Logan sorri.
— Soube que vocês dois já conseguiram se meter em confusão. Eu
sabia que isso ia acontecer, mas não achava que chutariam o balde logo no
primeiro dia.
A expressão mortificada de Seth provavelmente deve refletir a
minha própria.
Sinto minhas orelhas esquentarem ao ver a expressão convencida de
Logan. Estou prestes a perguntar sobre sua esposa quando Calliope aparece
logo atrás dele, com um sorriso fofo nos lábios.
— Desculpem por aparecer de surpresa. Não planejamos vir, mas
Samantha ligou e pediu para darmos uma passada. Scott só vai conseguir
aparecer aqui na semana que vem e você sabe como a sua irmã é
controladora quando se trata do Frozen Lake, Seth. — Ela pisca para ele.
Seth resmunga.
— Se fosse só sobre o acampamento…
Depois do que parecem ser longos minutos, Callie finalmente parece
me reconhecer.
Ela abre um sorriso enorme, a expressão se transformando. 
— Meu Deus! É você, Marjorie? Caramba, eu mal consegui te
reconhecer. Você está enorme! — E então Callie me puxa para um abraço
apertado.
Não consigo esconder a careta de dor ao sentir suas mãos sobre
mim. Gemendo, tento me desvencilhar sem parecer grossa.
— Callie, ela está machucada — intervém Seth, exasperado.
Ela dá um passo para trás, parecendo golpeada. Seu semblante
culpado me deixa pior ainda.
— Merda. Mil desculpas — pede ela, com os olhos brilhando de
constrangimento. 
Faço um movimento com a cabeça, minimizando o que acabou de
acontecer.
De repente, me sinto como a peça de um quebra-cabeça. Logan vira
o pescoço para encarar Seth e depois eu, como se conseguisse encaixar
todas as pecinhas.
Arqueando a sobrancelha, ele sorri.
— Bom, qual dos dois vai explicar o que aconteceu?
Depois de mais de meia hora de conversa, onde explico nos
mínimos detalhes como o meu medo irracional por aranhas acabou nos
colocando nessa situação, escuto passos e resmungos vindos do andar de
cima do chalé.
Peter surge na porta do nosso quarto, o cabelo bagunçado e a pele
levemente avermelhada. O fato dele estar sem camisa é um dos menores
problemas.
Ele franze o cenho.
— Está tudo bem? Ouvi gritos.
Sorrio, acenando com a mão.
— Sim. Logan e Calliope são amigos — digo, sem graça.
Ele coça o peito, despreocupado.
— Charlotte ficou preocupada. Está até agora trancada no banheiro,
passando repelente sem parar. — Peter revira os olhos. — Está murmurando
sem parar sobre o cabelo dela. Disse que está arruinado.
Fecho os olhos.
É como se garras invisíveis cravassem ainda mais fundo no meu
coração.
Charlotte é muito segura de si. Mas ninguém merece ficar com
marcas de picadas.
— Vou falar com ela mais tarde. Obrigada, Peter — digo, sem jeito.
Ele acena.
— Ela me pediu para pegar um copo d’água e verificar se vocês
estão bem. Vou dar uma passada no quarto do Jason e da Diana agora —
comunica.
Seth deixa uma risada irônica escapar.
— Se Logan e Callie fossem serial killers, Marjorie e eu já seríamos
apenas boas lembranças — zomba, ainda sem conseguir se mover.
Lanço um olhar afiado em sua direção.
Peter, no entanto, parece inabalável.
— Vocês não pediram socorro. — Ele dá de ombros, se despedindo
logo em seguida.
Calliope parece muito preocupada com Seth. Ela pede ajuda para
Logan colocá-lo em uma posição mais confortável na cama, prepara um chá
com um dos saquinhos que encontra nos armários e me faz prometer que
ligarei caso algo aconteça com ele.
— É sério, Marjorie. Não importa o horário — relembra, com o
semblante preocupado.
Eu aceno, concordando.
Seth não para de resmungar que está bem e não precisa de todo esse
cuidado excessivo. Logan bufa, cutucando um dos seus braços só para
arrancar um gemido de dor do mesmo.
— Isso aqui me diz o contrário.
— Você é um babaca.
— Um babaca que quer ver você melhor amanhã. Não faça nenhum
tipo de esforço, Seth. Entendeu?
Contrariado, ele concorda.
Logan e Callie se despedem dele como dois irmãos mais velhos.
É impossível não sorrir. Fico feliz por ele ter essa conexão com
ambos. Logan é um jogador de beisebol famoso e definitivamente não
precisava manter contato com a família Samuels por tantos anos.
Tirando o fato de que seu irmão mais velho se casou com a irmã
mais velha do Seth, claro.
—  Ah, eu já ia me esquecendo… — Calliope coloca a mão sobre a
testa, virando o rosto para Seth. — Suzan está aqui.
Um balde de água fria é jogado sobre mim.
Quero dizer, não literalmente. Mas é exatamente assim que eu me
sinto.
Os olhos de Seth parecem dobrar de tamanho. Seu primeiro reflexo
é buscar pelo meu olhar, mas eu desvio. Lentamente é instaurado um
silêncio constrangedor. É possível escutar até o barulho dos grilos do lado
de fora se fizermos um esforço.
Ele se remexe desconfortavelmente na cama.
— Suzan? O que ela veio fazer aqui?
Calliope e Logan se entreolham.
— Ela é uma jogadora de tênis, Seth. Lembra? E o acampamento do
seu avô sempre precisa de voluntários extras. — Ela aponta para si mesma.
É verdade. Calliope já trabalhou aqui como instrutora de tênis.
O que só me deixa ainda mais incomodada. Seth está saindo com
uma atleta. E ela não é qualquer atleta, é amiga de Calliope e Logan. Faz
parte do círculo íntimo da família. 
Eles a conhecem.
Até a convidaram para vir ao Frozen Lake.
Não é algo passageiro.
De repente, parece que meu coração está prestes a explodir. 
Vou conhecê-la, não vou?
E provavelmente serei obrigada a vê-los trocando beijos e carinhos
durante todo o feriado. 
Bile sobe pela minha garganta ao fantasiar sobre as imagens. Não
vou conseguir fingir que está tudo bem.
— Marjorie? — A voz de Seth está preocupada. As sobrancelhas
estão erguidas. — Você pode levá-losaté a porta?
Pisco os olhos rapidamente, ainda sem conseguir processar tudo o
que acabei de ouvir.
Forço um sorriso.
— Posso, claro.
Logan me lança um sorriso educado. Calliope, por outro lado,
parece me examinar com atenção enquanto me esforço para manter meus
sentimentos em segredo.
— Fico feliz por ver você, Marjorie. De coração. — Ela me puxa
para um abraço. Eu retribuo, com um sorriso brincando nos lábios. Quando
nos separamos, seu olhar parece um pouco… Triste. — Seth sentiu muito a
sua falta. Esse garoto não deixou de te amar nem um dia, Marjorie. 
— Eu também o amo — digo, firme.
Calliope assente.
— Vocês sempre foram tão unidos. É muito mais do que algo físico.
A conexão que construíram durante todos esses anos jamais pode ser
quebrada. — Ela faz uma pausa. — Mas o Seth já sofreu demais, Marjorie.
Você mais do que ninguém sabe sobre isso. — Logan se afasta sutilmente
de nós, dando-nos privacidade. — A única coisa que eu peço é que tomem
cuidado. Não só por causa dele, mas por você mesma. 
Por alguma razão, sinto um incômodo fora do comum ao ouvi-la
dizer isso.
— Eu jamais o machucaria.
— Assim como ele prefere morrer a ferir você — rebate ela,
sorrindo. — É por isso mesmo que eu peço que tomem cuidado. Às vezes, a
amizade é mais preciosa do que um romance. Se não for pra valer, talvez
não seja uma boa ideia abrir essa caixa.
Engulo em seco.
— Isso não importa, Calliope. Seth está com outra pessoa. Nada vai
acontecer entre a gente agora.
Ela arqueia a sobrancelha.
— Ele está? Porque, da última vez que eu soube, era você a
comprometida — retruca ela.
Mordo o lábio inferior, desviando o olhar do dela.
— Eu estava conhecendo uma pessoa, mas terminei o que tínhamos
antes de vir para o acampamento. 
De repente, um sorriso diferente parece brincar nos lábios dela. Os
olhos se arregalam, animados. Está parecendo uma criancinha na manhã de
Natal.
Estreito os olhos.
— Por que está sorrindo assim?
Callie acena.
— Por nada. Fico feliz que esteja aqui, Marjorie. Tenha uma boa
noite!
E então ela me dá as costas, saltitando até o Logan como se tivesse
acabado de ouvir a melhor notícia de todas.
Franzindo o cenho, fecho a parte do chalé com calma.
Calliope é um pouco estranha. E definitivamente muito confusa.
Agora ele está pensando em mim todas as noites, oh
Não é fofo? eu acho que sim
Diga que você não consegue dormir, amor, eu sei
Sou eu, expresso
Espresso | Sabrina Carpenter
No dia seguinte, acordo revigorado.  
Marjorie não está por perto quando me levanto. Primeiro testo os
movimentos da minha perna, temendo sentir a dor dilacerante de ontem. Por
sorte, meus músculos não estão mais doloridos.
A minha pele, no entanto, ainda está coçando um pouco devido às
picadas das abelhas. Provavelmente vou ter que passar alguma pomada para
aliviar, mas é necessário resolver um problema de cada vez.
— Bom dia — murmura Jason, aparecendo na porta do meu quarto
com uma xícara fumegante nas mãos.
Não consigo esconder o agradecimento em meu olhar quando ele
estende o café na minha direção.
— Obrigado.
— De nada. Está se sentindo melhor?
Dou de ombros.
— Um pouco. Marjorie saiu?
Jason estreita os olhos.
— Saiu. Ela foi levar Charlotte para conhecer todo o acampamento
agora que amanheceu. Diana foi convidada, mas ela se recusa a levantar da
cama antes das dez.
— Uma garota sábia.
— Sem dúvidas. — Ele sorri. — Precisamos conversar, Seth.
Meu estômago embrulha com o tom severo em sua voz. Jason
normalmente é o cara mais blasé que eu conheço.
— O que eu não fiz?
— Na verdade, é o que você fez. Caramba, Seth. Se jogar de cima
de uma árvore para chamar atenção da garota? Você acabou de conseguir
uma vaga de titular no time, cara. Não estrague as coisas assim.
— Não fiz de propósito. Só fiquei um pouco desesperado.
Ele bufa.
— Um pouco? Cara, você sequer pensou na melhor forma de pegar
a garota daquele galho. Só começou a subir, feito louco.
— Já aprendi a minha lição. Minhas pernas estão me matando. Não
preciso de sermão.
— Isso não diz respeito somente a você, Seth. O time inteiro está
contando com a gente — frisa, lançando um daqueles olhares arrogantes
que me tiram do sério. Jason é bom e sabe muito bem disso. — Vou ficar de
olho em você daqui pra frente.
Revirando os olhos, eu beberico um pouco do café.
— Tá bom, pai. Quer me dar mais alguma ordem?
Os olhos de Jason escrutinam o quarto, o julgamento silencioso me
tirando do sério.
— Sim. Limpe esse quarto e arrume essa cama. 
Não consigo segurar a risada.
— Você é um babaca.
— E você é teimoso pra caralho. Acho que isso nos deixa quites. —
Seus olhos encontram os meus por trás dos óculos. — Espero não precisar
ter essa conversa com você de novo, Samuels.
Meu corpo parece se transformar em gelo.
— Isso é uma ameaça?
— Vamos colocar apenas como um aviso. Gosto de você, cara. Mas
se não estiver comprometido com o time, infelizmente vamos precisar te
substituir.
Observo Jason voltar para o seu quarto com um gosto amargo na
boca. Basquete não é a minha paixão, mas aprendi a amar esse esporte
durante os últimos anos e não penso em fazer nada diferente.
Com pesar, digo a mim mesmo que Jason tem total razão por estar
chateado. Não comecei a temporada mostrando todo o meu potencial e
conseguir lesões durante o feriado definitivamente não vai me ajudar nesse
quesito.
Consigo tomar banho sem problemas. Minha pele arde um pouco,
mas nada que eu não consiga relevar. Estou terminando de arrumar o cabelo
quando escuto as risadas de Marjorie e Charlotte, que estão comentando
sobre os campistas que esbarraram pelo caminho.
— Ai, meu Deus. Eu não acredito que eu ligava para essas besteiras
quando era adolescente — resmunga Marjorie, rindo.
— E aquele garoto nem é tão bonito assim. Aquelas duas vão
precisar aprender que brigar por um homem não vale a pena nem se ele for
o Harry Styles — rebate a amiga, fazendo uma careta.
Marjorie parece ponderar.
— Calma aí. Mas é o Harry Styles no auge da One Direction ou a
versão dele agora?
— E faz diferença?
— É claro que faz. Ele é maravilhoso nas duas versões, mas eu
tenho um fraco pelo One Direction até hoje — Marjorie suspira. Ouvir essa
conversa não deveria me deixar enciumado. Porra, ela está falando de um
cantor britânico que nem sabe da existência dela. Mesmo assim, ouvi-la
sonhar acordada por outro cara… É irritante pra caralho. — Mas concordo
com você. Brigar por causa de um cara é tão dois mil e um.
— Não é?!
As duas continuam fofocando sobre todas as dinâmicas entre os
adolescentes que escutaram enquanto faziam seu tour pelo acampamento.
Um casal na casa dos dezesseis anos foi encontrado aos beijos depois do
toque de recolher na escuridão. Aparentemente, os pais foram chamados
para lidar com a situação. 
Tem também a história das duas amigas que se envolveram com o
mesmo garoto. Ele está se divertindo pra caramba com a disputa, enquanto
elas atiram faíscas uma contra a outra sempre que se encontram.
Marjorie e Charlotte nem percebem a minha presença quando entro
na cozinha. Só quando Diana aparece, usando uma máscara verde no rosto e
uma touca no cabelo, é que ambas finalmente ficam em silêncio.
— Isso é café? — pergunta Diana, apontando para a garrafa na
minha mão.
Assinto, e ela me estende uma caneca. Arqueando a sobrancelha, eu
começo a encher. Diana assiste, sem piscar, e somente quando o líquido está
quase alcançando a borda é que levanta a mão.
— Bom dia — resmunga, entornando a bebida de uma vez só.
Caramba.
Marjorie arregala os olhos quando ela coloca a caneca na pia
novamente. 
— Bom dia, Di — diz ela, estática. — Está se sentindo melhor?
Diana abre um sorriso.
— Nada que uma boa hidratação no cabelo e uma máscara potente
no rosto não resolva. Se precisarem de ajuda com isso, estou à disposição.
— Seu olhar começa a avaliar as feridas na minha mão. — Você vem
comigo. Agora.
Balanço a cabeça, dispensando a ajuda.
— Vou resolver isso sozinho. Mas obrigado.
Diana bufa, batendo o pé.
— Não é um pedido educado, Samuels. Você não vai ficar desse
jeito. Esqueceuque seu próximo jogo é daqui duas semanas?
Merda. E não é que ela tem razão?
Mas, porra… Passar o dia sendo submetido a procedimentos
estéticos com Diana Miller não é exatamente o que eu estava planejando
para o meu dia. Abro a boca, tentando pensar em qualquer desculpa para
fugir dessa furada, mas nada me vem à mente.
— Você está atrasada nessa, Diana. Seth já prometeu que passaria o
dia comigo — intervém Marjorie. — Não é, Samuels?
Pisco várias vezes, atordoado. Mesmo com a surpresa de sua
intromissão, não sou louco de deixar uma oportunidade dessas passar.
— É. Sinto muito, Diana. Talvez mais tarde.
Mas ela não parece totalmente convencida. Estreita os olhos,
alternando o olhar entre Marjorie e eu. E então, erguendo a unha vermelha,
ela sibila:
— Acho bom vocês darem um jeito nessa pele. Estou falando para
os dois. E que Deus nos ajude se isso acabar se transformando em outra
tragédia.
E então ela nos dá as costas, ainda resmungando sobre a nossa
irresponsabilidade na floresta.
— Acho que vou acordar o Peter — diz Charlotte, do nada. — Ele
cuidou de mim ontem à noite. Um fofo. Talvez eu devesse retribuir o favor.
Ergo as sobrancelhas, cruzando os braços.
— Ele deve estar cansado.
Ela sorri.
— É por isso mesmo que aposto que ele vai adorar receber um café
da manhã na cama.
Marjorie e eu nos encaramos. Nenhum de nós tem coragem de
contrair Charlotte, então só assistimos em silêncio quando ela sobe até o
segundo andar, carregando uma bandeja com várias frutas e sanduíches. 
— Essa sua amiga… Isso tudo é normal? — pergunto, gesticulando
na direção em que ela desapareceu.
Marjorie suspira.
— Ela é bem intensa. Quando gosta de alguém é pra valer. Só
espero que Peter não despedace o coração dela.
Dou de ombros.
— Ele não parece totalmente desinteressado. Ontem estava
preocupado de verdade.
— Não sei. Acho que ele só está fazendo o que sente que deve fazer.
Mas Charlotte é grandinha o bastante para não ser passada para trás. —
Marjorie arqueia a sobrancelha. — Me mostre a sua mão.
Pisco novamente, confuso com a mudança súbita de assunto.
— Estou falando sério, Samuels. Preciso dar uma olhada.
Ainda em transe, faço exatamente o que ela mandou. As linhas de
expressão de Marjorie se acentuam enquanto ela examina as manchas com
cuidado. 
— Você tem alergia à picada de insetos?
— Como é que eu vou saber?
— Seth! Isso aqui não é normal! — Ela estende o próprio braço,
mostrando a diferença da picada na pele dela. De fato, não é nada parecida
com a minha. 
Engulo em seco.
— Vai passar. Já fiquei assim outras vezes.
Marjorie estreita os olhos.
— Foi mesmo. Se não estou enganada, você foi picado por aqueles
bichinhos quando viemos para o acampamento da última vez. Demorou
semanas até começar a cicatrizar. — Ela franze o cenho. — Vou conversar
com o Logan sobre arrastar você até um médico. 
— Não sou mais criança, Marjorie. Posso ir até o médico sozinho.
Ela abre um sorriso irônico.
— Poder você pode. Mas eu duvido que você vá.
Não posso negar que ela tem um ponto.
— Estou. Bem. — respondo pausadamente. 
Mas Marjorie não acredita em mim.
Começa a me puxar pelo pulso até o nosso quarto. Continuo
resmungando sobre tudo isso ser um exagero, mas é como se eu estivesse
falando com a parede. Ela está obstinada e nada vai ser capaz de pará-la.
Uma parte presunçosa minha se vangloria por vê-la tão preocupada
comigo. Sorrio, seguindo-a com o olhar enquanto Marjorie abre todas as
suas gavetas atrás de medicamentos.
— Marjorie…
— Não, Seth. Nem tente me impedir — manda com aquele tom de
voz decidido que sempre me fez obedecer sem pensar duas vezes.
Quando ela termina de selecionar todos os produtos que vai usar em
mim, percebo uma coisinha caindo de sua gaveta. Me agacho para pegar,
achando ser o vibrador que Charlotte enfiou em suas coisas, mas o que eu
encontro é dez mil vezes melhor.
Um ursinho.
Um ursinho rosa segurando uma placa gasta.
A placa está praticamente desbotada. Ainda assim, é possível ler
“de seu melhor amigo, Seth”.
Minhas mãos se fecham ao redor da pelúcia, sem palavras. 
Escuto um barulhinho engasgado e viro o rosto para encarar
Marjorie com os olhos fixos no brinquedo.
— Você ainda tem isso? — pergunto, chocado.
Ela morde o lábio inferior, sem conseguir me encarar. 
— O Senhor Alegria continua sendo o meu melhor amigo —
responde ela, logo depois de limpar a garganta. — Me dê ele.
Mas eu não consigo. Ainda estou muito confuso para fazer qualquer
coisa que não seja encarar o ursinho que eu dei para Marjorie tantos anos
atrás.
Eu o peguei em uma quermesse. Ela estava tão irritada por não
conseguir ficha o bastante para nenhum bichinho de pelúcia que pediu para
os pais a levarem embora mais cedo. Também quis ir, mas meus irmãos não
deixaram. Me fizeram ir em todos os brinquedos, então eu transformei a
noite em uma missão para conseguir fichas o bastante para trocar por um
dos ursos que ela tanto queria.
Quando eu apareci com todas as fichas, o senhor sentiu pena. Me
ofereceu o menorzinho e ainda disse que eu poderia escrever uma
mensagem caso quisesse dar de presente para alguém especial. 
Marjorie não conseguiu parar de gritar quando eu apareci na sua
casa no dia seguinte com o presente. Me deu um beijo na bochecha, dizendo
que eu era mesmo o melhor amigo do mundo inteiro.
Passei a semana toda com o rosto vermelho depois disso.
— Não é nada demais, tá legal? — continua ela, agora com
impaciência. — Eu tenho milhares desses ursinhos. Comecei uma coleção.
Não é como se ele fosse o único…
— Mas você o trouxe pra cá. Por quê?
Ela é pega de surpresa com a minha pergunta direta. Mas se
recompõe rapidamente, irritada.
— Porque ele é o meu ursinho de dormir. Tá feliz?
Balanço a cabeça, confuso.
— Seu ursinho de dormir?
— Sim. Você tem algum problema com isso?
— Espera… Você dorme agarrada com esse urso?
Ela range os dentes.
— Sim, Samuels. Eu durmo com esse ursinho. Pode me zoar o
quanto quiser, mas o Senhor Alegria nunca deixou nenhum monstro puxar o
meu pé durante a noite. Agora se você puder me devolver, eu vou…
Juro que eu tento com todas as forças. Juro mesmo.
Mas é impossível segurar a risada ao vê-la defender o seu ursinho de
pelúcia com tanto afinco.
Começo a rir, sem conseguir evitar.
Marjorie rosna, tal qual uma mamãe urso, pronta para pegar o seu
brinquedo de mim à força se necessário.
— Você é um pé no saco! — xinga ela, vindo em minha direção
com raiva no olhar. — Me devolve, Seth.
Sorrindo, eu levanto o urso de pelúcia o máximo que eu posso.
Nunca fiquei tão feliz com a nossa diferença de altura.
— Tenta pegar de mim.
— Seu filho da mãe. Você tem o tamanho de uma geladeira.
— E você de um freezer. — Reviro os olhos. — Você passou todos
esses anos com o Senhor Alegria. Acho que agora está na minha vez de ser
protegido desses monstros horríveis.
Bufando, ela começa a bater os pés no chão como se estivesse
pensando em todas as formas horríveis que quer acabar comigo.
Nunca me diverti tanto como agora.
— Me. Dê. Agora! — exige, começando a levantar os pés. — Seth!
— Já disse, Marjorie. Quero ser protegido por um tempo…
— Que monstro masoquista vai ter a coragem de ir atrás de você,
hein? Ele vai pedir perdão para o próprio diabo depois que você acabar com
a paciência dele!
Explodo em uma gargalhada.
— Acho que eu nunca recebi um elogio tão certeiro como esse,
Marjorie. Obrigado.
Ela rosna de novo. Eu deveria ficar com medo, mas ela fica linda
demais quando está com raiva de mim.
Marjorie começa a tentar me escalar. Finca as unhas nos meus
ombros, e eu resmungo ao senti-la projetando todo o peso para me
desestabilizar. 
Por sorte, eu cresci com dois irmãos mais velhos. Eu recupero o
equilíbrio rapidamente, lançando um olhar enviesado quando ela prende as
coxas ao redor da minha cintura.
Seguro seus quadris com uma das mãos, erguendo a outra o máximo
que eu consigo para evitar que ela consiga puxar o Senhor Alegria de mim. 
Mas Marjorie está obstinada. Ela continua se projetando para frente,
até chegar ao ponto de estar com os peitos bemno meu rosto. Isso me
desestabiliza um pouco, e ela aproveita a distração para puxar seu ursinho
da minha mão.
— AH! — comemora, abrindo um sorriso convencido. — Você não
vai ficar com ele!
Eu não estou mais dando a mínima para o brinquedo.
Tudo o que eu consigo prestar atenção é em como o corpo de
Marjorie está perfeitamente encaixado no meu. As coxas fartas ao redor da
minha cintura, as longas pernas serpenteando ao redor do meu quadril.
Ao perceber o quanto os nossos rostos estão próximos, ela parece
arquejar.
Minha boca saliva ao vê-la tão perto de mim.
Estou em chamas.
O clima muda tão rápido que eu esqueço até mesmo o motivo de
estarmos brigando há poucos segundos.
Os olhos dela estão sobre a minha boca. Ela não diz uma palavra,
mas também não faz menção de querer sair do meu colo.
— Marjorie — murmuro, rouco. Só preciso que ela diga “sim”.
— Seth… — Ela engole em seco. 
De repente, parece se lembrar de alguma coisa.
E é como se um grande balde de água fria fosse despejado sobre
nós.
Seu rosto se transforma. O olhar, antes praticamente nublado de
desejo, agora parece frio.
Ela pisca os olhos rapidamente, mortificada. Em seguida, desce do
meu colo com o rosto corado.
Não conversamos sobre o que acabou de acontecer.
Marjorie guarda o Senhor Alegria em uma das gavetas que está
usando. Depois, me faz sentar bem na sua frente, passando pomadas e
cremes dermatológicos sobre a minha pele sem dizer uma palavra.
Sem. Dizer. Uma. Palavra.
Como se não fosse importante o fato dela continuar guardando o
maldito ursinho que eu dei para ela quando tínhamos onze anos.
Como se ela não estivesse louca para me beijar do mesmo jeito que
eu estava maluco por ela.
Estamos agindo como se fôssemos a porra de dois estranhos.
E isso está me matando.
Todos os dias, está me matando.
Ele queria conforto, eu queria aquela dor
Ele queria uma noiva, eu estava criando meu próprio nome
Perseguindo aquela fama, ele permaneceu o mesmo
Tudo de mim mudou como meia-noite
Midnight Rain | Taylor Swift
— Estou me sentindo dentro de um filme dos anos noventa.
Jumanji, já ouviram falar? — zomba Seth, cruzando os braços.
Calliope se limita em lançar um olhar de advertência para as
gracinhas dele.
— Ninguém vai ficar preso em um jogo de tabuleiro. Só quero
poder passar um tempo de qualidade com você — argumenta ela, em uma
clara referência ao filme de Robin Williams.
Mas Seth não parece tão convencido. 
Diana, Jason, Charlotte e Peter saíram para um passeio de barco. Foi
uma recomendação de Seth, já que eles queriam apreciar as estrelas. 
A princípio, nós íamos também. Mas Calliope avisou que iria passar
mais tarde no chalé com alguns jogos para aproveitar a companhia de Seth,
já que ela e Logan precisam voltar para casa na manhã seguinte. Não
consegui esconder a minha empolgação, porque se ela está prestes a ir
embora, significa que Samantha vai aparecer a qualquer momento.
— Trouxe Banco Imobiliário e Twister. — Ela estendeu os jogos
para darmos uma olhada.
Encaro-a de relance.
— Onde está o Logan?
Callie bufa.
— Está conversando com Scott sobre a administração do
acampamento. Desde que nos tornamos sócios, ele gosta de dar sugestões
sobre novas construções para o Frozen Lake.
Não consigo disfarçar a surpresa.
Então eles não apenas tinham quitado as dívidas do acampamento
como também eram donos de uma parte dele…
Quem diria?
— Ele vai chegar daqui a pouco. Talvez Suzan apareça também.
Fecho a cara na mesma hora.
Suzan, a garota que supostamente está saindo com Seth. A vizinha
tenista de Calliope, que parece tratá-la como sua pupila.
Meu estômago embrulha de ansiedade.
— Talvez eu devesse ir até os nossos outros amigos — balbucio,
rezando para não parecer tão ansiosa.
Calliope abre um sorriso como quem sabe das coisas.
— Relaxa, Marjorie. É só uma possibilidade. Suzan ainda está
dando assistência para duas campistas.
Cruzo o olhar com Seth, que está me encarando atentamente. Seu
olhar curioso me deixa cada vez mais nervosa.
— O que vamos jogar? — insiste Calliope, sorrindo.
Seth cruza os braços.
— Eu nunca joguei esse aqui. Como funciona?
Callie abre a boca, em choque. Em seguida, joga a caixa no colo do
Seth, como se o que ele tivesse acabado de dizer fosse uma grande ofensa a
ela.
— Você nunca jogou Twister?
Eu abro um sorriso, culpada. Ela nem precisa refazer a pergunta —
já está estampada na minha cara a resposta.
— Ai, meu Deus. Vocês dois não conhecem o jogo mais humilhante
e divertido já criado? Que tipo de infância vocês tiveram?
Encolho os ombros, vendo Seth encará-la com a expressão mais
blasé do mundo. Tinha me esquecido como ele consegue mascarar bem seus
sentimentos.
— Nós não temos trinta anos, ué — rebate ele, com o sorrisinho
sacana tão característico dele.
Calliope abre a boca, ultrajada.
— Vamos jogar esse.
Não discutimos. Ela abre a caixa, tirando um tapete gigante com
quatro fileiras de cores. São elas: vermelho, azul, amarelo e verde. Nós o
estendemos no meio do chalé, enquanto Calliope explica as regras do jogo.
— Basicamente, nós giramos na roleta. E você precisa colocar as
mãos ou os pés nas cores que saírem. De vez em quando ficamos
emaranhados um no outro — zomba, com os olhos brilhando.
Seth lança um olhar para ela por cima do ombro.
— E como se vence esse jogo?
— Ficando de pé. O primeiro que cair está fora.
Bufo, cruzando os braços.
— Não confio em jogar esse jogo com o Seth. Me desculpe, mas ele
consegue ser bem traiçoeiro quando quer. 
— Ei!
— Você já trapaceou por menos — argumento, arqueando a
sobrancelha.
De repente, somos os adolescentes que viviam arranjando desculpa
para implicar um com o outro.
Ele rebate sobre como eu sempre preciso culpá-lo quando perco
algum jogo. Revido dizendo que é mentira, e nossa pequena discussão
continua por alguns segundos.
— Isso não vai dar certo — murmura Calliope, encarando o teto. —
Tenho uma ideia melhor. Já que estão com tanto medo de perder, posso ser
a juíza.
Nós dois viramos o pescoço para encará-la.
Callie ergue as mãos.
— Prometo ser imparcial. Vou ficar girando a roleta e prestando
bastante atenção para não acontecer nenhuma trapaça.
Pondero sobre suas palavras. 
Os olhos de Seth agora estão sobre mim, intensos. Ele abre um
sorrisinho arrogante, me encarando como um desafio.
Cretino.
— O que eu ganho se eu vencer? — pergunto.
Ele arqueia a sobrancelha.
— Não sabia que estávamos em uma competição, raio de sol.
— Agora estamos. — Ignoro deliberadamente o novo apelido que
ele inventou para mim. 
Seth me encara de cima a baixo.
— Preciso pensar no que eu quero de você.
Levanto a mão, cortando o flerte barato que eu sei que está na ponta
da sua língua.
— Tenho uma ideia melhor. O vencedor fica com uma vantagem.
Sendo assim, quando precisar de qualquer coisa que a outra pessoa puder
dar, vamos ter que concordar.
— Hm… Isso é interessante. Mas você tem o péssimo hábito de não
cumprir com todas as suas promessas.
O tom de voz está repleto de um sarcasmo engraçadinho, mas ainda
assim sinto suas palavras como facas me atravessando.
Ergo o queixo.
— Essa eu faço questão de cumprir.
Seth dá de ombros, o olhar convencido ainda examinando cada
pedaço meu.
— Feito.
Sorrio.
— Marjorie, pé direito no verde — diz Calliope. — Seth, pé
esquerdo no verde.
Nós dois nos encaramos, uma batalha silenciosa sendo travada entre
nós.
Seguimos todos os comandos de Callie. Como atletas, sei que não
vai ser fácil essa competição entre nós dois. Ainda mais quando Seth, de
propósito, esbarra de vez em quando em mim.
Mas não vou dar o gostinho a ele de reclamar. Vou permanecer
firme como uma rocha mesmo com todas as tentativas dele de me
desestabilizar.
— Pronta para cair, Marjorie? 
— Só nos seus sonhos, querido.
Ele arqueia a sobrancelha.
E meu mundo desaba quando Calliope diz:
— Marjorie, mão esquerda no azul.
Seth me lança um olhar enviesado, jorrando autoconfiança enquanto
eu espio por cima do ombro a minha distância até o azul.
Porra.
Preciso calcular mentalmente por alguns segundos antes de tentar
qualquermovimento. Uma das pernas de Seth está entre as minhas. 
Canalha, canalha, canalha.
Suspirando, decido apelar também. Com uma última olhada em sua
direção, faço uma espécie de mortal para trás, mantendo o meu pé na cor
verde. Agora estou praticamente deitada sobre o tapete, mas isso não o
desanima nem um pouco.
Os olhos de Seth parecem escurecer quando ele percebe a minha
nova posição. O verde está quase preto quando seus olhos percorrem o meu
pijama. 
É a minha vez de arquear a sobrancelha.
— Seth, sua mão direita no azul.
Ele engole em seco.
Merda.
Isso significa que ele… 
— Com medo, Marjorie? Sabe que pode desistir, não é?
— Você não vai vencer, Samuels. Pode parar.
Seth simplesmente dá de ombros, como se não se importasse de
ficar tão perto de mim.
Ele se abaixa, colocando a mão enorme ao lado da minha cabeça. 
Seu peito está a centímetros do meu.
Uma das suas pernas está entre as minhas coxas.
Nossos rostos tão perto um do outro que não sabemos distinguir
onde começa a sua respiração ou a minha.
Não consigo evitar. Meu olhar recai imediatamente até seus lábios
macios, que ao perceber meu movimento, levantam.
Ele está sorrindo.
— Oi.
— Oi.
— Vem sempre aqui?
— Na verdade, não. Eu prefiro o vermelho ali. — Inclino a cabeça.
— É uma pena que estejamos no azul. Fiquei sabendo que tem um
bistrô legal daquele lado.
Não consigo evitar.
Explodo em uma gargalhada, meu peito subindo e descendo sem
parar enquanto Seth começa a listar todos os lugares legais que podemos
visitar nas demais cores.
Calliope tenta nos dar novas instruções, mas quase sempre é
interrompida por algum comentário engraçadinho de Samuels.
Ele vai me vencer pela risada.
Maldito.
— Estamos chegando no fim, raio de sol. Não tem como sair dessa
situação.
— Tem sim. Você pode perder. — Sorrio, inocente.
— Nem pensar.
— Qual é, Samuels? Quer tanto que eu te deva um favor assim?
— Não é só essa a questão. Preciso manter a minha posição de
vencer invicta. Espero que entenda. Não é nada pessoal.
— Vou fazer você lavar a louça durante todos os nossos dias de
acampamento quando cair.
Ele ri.
— É sério que vai desperdiçar um pedido com isso?
— É um ótimo pedido. Por quê? Está planejando ser mais cruel
comigo?
— Na verdade, sim.
Arqueio a sobrancelha.
Não tenho certeza se quero saber de todos os seus planos para mim.
É por isso que me concentro em vencer.
Calliope me diz para colocar uma das mãos no vermelho, e eu sei
que não tenho chance de vencer se Seth não se mexer. 
Sinto o suor escorrer pelo meu pescoço quando me esforço para
alcançar a cor. Meus músculos já estão começando a doer por ficarem tanto
tempo na mesma posição, mas respiro fundo e faço o movimento capaz de
me condenar.
Um, dois, três… Conto mentalmente para me manter equilibrada.
Minha perna treme, quase colocando tudo a perder, mas graças aos céus ela
permanece firme.
O mesmo não pode ser dito de Seth.
Quando ele precisa colocar a perna direita também no vermelho,
tem que passá-la por cima da minha coxa. Chame de desatenção ou até
mesmo de karma, mas ele não consegue se manter por muito mais tempo
depois dessa jogada.
E quando ele cai sobre o tapete — me levando junto — eu não
seguro nenhum dos gritinhos de vitória.
— Dizem que a arrogância precede a queda — zombo.
Mas ele não parece irritado. Merda, ele não está nada abalado por
ter acabado de perder para mim.
— Você é boa mesmo, Marjorie. Nesse jogo em específico.
— Pode continuar choramingando, Samuels. Mas é um fato de que
tenho muito mais resistência.
Calliope logo intervém na nossa discussão, sugerindo uma
brincadeira “mais saudável”, de acordo com ela. É engraçado como ela
tenta nos entreter como se fôssemos adolescentes e não jovens adultos na
casa dos vinte e poucos anos.
Nós jogamos Banco Imobiliário por algum tempo, mas logo Seth
começa a resmungar e reclamar sobre estar com fome e então vamos todos
até a cozinha preparar algo para comermos. Já passa das onze da noite
quando Logan aparece no chalé, a expressão tranquila. Calliope se despede
com o olhar cheio de lágrimas, fazendo Seth prometer que não vai mais
sumir.
Antes de ir embora, ela se vira para mim, sorrindo:
— Você também, Marjorie. Sentimos a sua falta.
Preciso engolir o bolo que se forma na minha garganta. Mesmo
depois de tudo que a minha família fez, eles continuam me tratando como
se eu fosse um deles.
— Vou aparecer. Prometo.
Depois que os dois vão embora, não demora muito para que Peter,
Charlotte, Diana e Jason voltem do passeio noturno. As meninas estão com
os cabelos molhados, o que indica que pularam no lago hoje também.
— Você tinha que ter visto, Marjorie. É tão lindo! — Charlotte
parece uma criança, batendo palmas e contando em detalhes tudo o que
viram no passeio de canoa. — Acho que eu nunca vou superar a beleza
desse lugar.
— Que cheiro é esse? — pergunta Peter, aparecendo logo atrás dela.
Franzo a sobrancelha, chocada com a intimidade dos dois. — Estou
morrendo de fome.
Indico a cozinha com a cabeça.
— Fizemos macarrão com queijo. Acho que também tem nachos na
geladeira.
Os quatro correm até a cozinha para atacar toda a comida. Quando
terminam, cada um vai até o seu quarto, já que, nas palavras de Diana,
“parece que tentaram moer meus ossos para colocar no pão, mas eu resisti
até o último minuto e agora mal consigo me manter de pé”.
— Ela é bem gráfica — murmura Seth.
— Coloca “bem” nisso.
Ele diz que vai tomar um banho rápido e eu assinto com a cabeça.
Escolho um pijama para quando for a minha vez, sentindo um frio diferente
no estômago. É a segunda vez que dormimos juntos nessa cama, mas dessa
vez parece diferente. Talvez por tudo o que fizemos mais cedo, mas ainda
assim…
— Marjorie, ainda sobrou bastante água quente. Acho melhor você
ir antes que as suas amigas acabem com tudo — diz ele, brincalhão, saindo
do banheiro com uma toalha enrolada na cintura. 
Meu queixo praticamente vai ao chão.
Isso é tortura.
Piscando os olhos, eu desvio o olhar do seu e faço um sinal
afirmativo com a cabeça. Só consigo voltar a respirar quando a água quente
começa a escaldar a minha pele, tirando o foco dos meus pensamentos no
corpo de Seth e em como ele está incrivelmente irresistível.
Fico bastante tempo embaixo d’água, e depois que desligo o
chuveiro, demoro mais ainda para colocar o pijama. Passo todos os cremes,
faço a minha skincare, hidrato cada cantinho do meu corpo. Tudo isso com
uma esperança de voltar para o quarto e encontrar Seth adormecido, sem
chance de puxar uma conversa sobre o nosso quase beijo.
Respiro fundo, me encarando através do espelho do banheiro. Penso
em prender o cabelo, mas não o faço. Deixo as ondas caírem como cascatas
pelas minhas costas, admirando mais uma vez esse pijama indecente que
Charlotte insistiu para que eu trouxesse. A blusa é de alcinha, não passa de
um cropped, e o tecido é tão fino que não deixa quase nada para a
imaginação. O short não fica muito para trás.
Saio do banheiro na pontinha dos pés, fechando a porta bem devagar
atrás de mim. 
Com pressa, me afundo na cama ao lado de Seth. Olho para o teto,
respirando pesadamente, apenas rezando para que ele não esteja mais
acordado.
Como o universo adora pregar peças em mim, ouço a voz rouca dele
segundos depois de fechar os olhos:
— Isso tudo é pra mim?
Continuo lembrando de coisas que nunca fizemos
Beijo bagunçado
Como anseio por nossas viagens
Sem nunca tocar sua pele
Como posso ser culpada pra caramba?
Guilty as Sin? | Taylor Swift
O cheiro cítrico dela é tão forte que me atinge como um tapa.
Quando o lado esquerdo do colchão afundou, meu coração disparou.
O aroma fresco me deixou em alerta. O vislumbre do pedaço de pano que
Marjorie escolheu para passar a noite fez meu sangue ferver.
Não consegui me conter. Soltei um comentário bem-humorado, mas
que a deixou tensa ao meu lado.
Engulo em seco.
— É só uma brincadeira, raio de sol.
Ela respira fundo. Em seguida, vira o corpo na minha direção.
— Por que você começou a me chamar assim?
Não viro. Continuo encarando o teto, tentando conversar com o meucorpo sobre como seria deselegante se ela percebesse como estou ardendo
por ela.
— Você não gosta?
Marjorie suspira.
— Não disse isso. É só que você nunca usou esse apelido antes,
então…
— Então quer saber de onde eu tirei minha inspiração.
— Sim.
Mesmo sabendo que ela não consegue me ver por causa do quarto
escuro, dou de ombros.
— Fui visitar minha irmã em um dos meus períodos de férias na
escola. Meu sobrinho, Sam, adora ficar comigo. O marido dela, Lance,
conseguiu uns convites especiais para um dos jogos do seu time. E lá eu
conheci essa garota… — Faço uma pausa, esperando ouvir algum
comentário irritado sobre eu estar com alguém. Nada. — Ela pediu meu
número de telefone e eu me recusei a passar. Lance me provocou a noite
inteira por causa disso, mas a minha irmã respondeu algo como “Seth não
consegue enxergar mais o mundo porque ficou cego. Marjorie atingiu meu
irmão com um raio que vai ser difícil de superar”. — Dou risada. — Essa
história surgiu pra mim novamente durante esses dias. É por isso.
Ela fica em silêncio durante alguns minutos de tortura. É agoniante,
mas ao mesmo tempo reconfortante. Principalmente quando ela, bem
devagar, começa a procurar a minha mão por baixo dos cobertores pesados
que nos cobrem.
Meu corpo enrijece.
O que ela está fazendo?
— Desculpa — ela pede com a voz sussurrada.
Franzo a sobrancelha.
— Pelo quê?
— Por não ter lutado contra os meus pais o suficiente. Eu odeio
admitir isso, mas depois que me mandaram para longe, eu me vi pensando
que teria sido melhor não crescer com você. Não ter todos aqueles dias,
todos os verões, toda a conexão. Seria mais fácil seguir em frente.
Podíamos ter nos encontrado em outras circunstâncias. Termos sido só
amigos. Tanta coisa poderia ser evitada…
Ouvi-la confessar isso faz o meu peito apertar. Uma pontada de
raiva surge no meio da confusão de sentimentos, e eu finalmente giro o
corpo para encará-la de frente.
— Nunca mais repita isso.
— Seth…
— Eu preferiria sofrer todos os dias da minha vida, sem pausa, sem
cessar, a não ter conhecido você, Marjorie. 
Ela abaixa o olhar para encarar nossos dedos se tocando.
Lentamente, eu acaricio a sua mão.
Sua voz está mais grave do que o normal quando pergunta:
— Você acredita em almas gêmeas? Em destino?
— Não.
Isso parece pegá-la de surpresa.
— Mesmo? E em vidas passadas?
Dou de ombros.
— Gosto de pensar que fazemos nossas próprias escolhas.
Controlamos nossas vidas. Temos esse poder — murmuro. 
— Eu realmente espero que você esteja feliz, Seth. Quero muito
voltar a ser sua amiga.
Pisco rapidamente.
— Estou feliz. E com certeza quero a sua amizade de novo.
Marjorie suspira, se remexendo por um tempinho na cama. Quando
volta a falar, me pega completamente de surpresa:
— Como ela é?
— Quem?
— Suzan. A garota que está com você…
Abro um meio-sorriso. Talvez esse seja o momento ideal para deixá-
la saber que não estou com Suzan.
— Ela é bem legal, mas não estamos juntos.
Marjorie se empertiga ao meu lado.
— Não estão?
Balanço a cabeça suavemente.
— Acho que estou passando com ela a mesma coisa que você
passou com Chad. Pode ser que se transforme em algo mais sério no futuro,
mas ninguém está me esperando quando eu voltar.
Marjorie pragueja baixinho.
— Você me deixou pensar que estava quase namorando!
— Você não fez o mesmo? — provoco, com uma pontada de
diversão na voz.
— Isso não tem graça.
— Pra mim, teve. Você fica linda demais quando está irritada.
Principalmente se isso envolver seu ciúme por mim.
Marjorie me dá um soco no ombro, e embora ela não tenha tanta
força, o impacto me pega de surpresa. 
— Você é um babaca.
— E você continua com ciúmes.
— Não fala mais comigo! — Ela me empurra mais uma vez, me
dando as costas para em seguida.
Não consigo parar de sorrir.
Ela está morrendo de ciúmes sim. Agindo como se tivesse direito de
se importar com quem eu fico ou não.
Meu corpo inteiro treme de expectativa.
Com cuidado, me aproximo o suficiente do corpo de Marjorie. Me
abaixo apenas para conseguir sussurrar em seu ouvido:
— Não precisa ficar brava, Marjorie. Eu também odiei saber que
você estava saindo com outro cara. Às vezes, eu me imagino indo até Los
Angeles apenas para socar o babaca até ele perder a consciência.
— Chad não é um babaca — ela o defende, tensa. 
— Não tô nem aí. Ele colocou as mãos em você, e isso me mata por
dentro.
Ela estremece. Arrisco um olhar para seus braços nus e praticamente
gemo de agonia ao testemunhar o quanto ela parece excitada.
Santo Deus, que tortura…
— Você prometeu que seríamos só amigos, Seth — ela diz, com a
voz carregada de necessidade. — Não podemos arriscar perder tudo como
já aconteceu uma vez. Prefiro ser sua amiga a não ter nada de você.
O mundo parece congelar por alguns segundos.
E então, bem devagar, encosto meus lábios no cantinho entre seu
pescoço e seu ouvido. Marjorie congela, soltando um suspiro sofrido que
faz meu pau doer. 
Mesmo com um tesão do caralho, eu me afasto em seguida.
— Como quiser. Podemos continuar sendo só amigos. Ou…
— Ou…?
Sorrio.
Volto a me aproximar, percebendo-a muito mais receptiva do que
antes. A respiração está irregular, o corpo tenso de expectativa. 
— Ou podemos fingir que não dissemos isso. Podemos fingir que
nada deu errado. Continuamos próximos. Você continou sendo a minha
garota, eu continuei obcecado por você durante todo esse tempo… — Estou
rezando para que ela não perceba a minha própria ânsia a cada frase dita. —
E então podemos fingir que somos só mais um casal no mundo. Dormindo
juntos depois de passar uma noite com nossos amigos.
Marjorie lentamente começa a relaxar contra mim.
— Ah, é?
— Sim.
— E o que faríamos agora? — arrisca ela, a respiração ficando cada
vez mais errática.
Sutil como um felino, começo a deslizar minha mão entre as suas
omoplatas. Marjorie parece prender a respiração enquanto eu, o mais
delicadamente possível, pressiono novamente a minha boca contra a sua
pele.
Ela arqueia o corpo contra mim. Meu coração dispara, enlouquecido
por isso estar mesmo acontecendo. Por tê-la em meus braços.
Se isso for um sonho, não quero ser acordado nunca.
— Nós ficaríamos assim. Você deitada, eu beijando cada centímetro
da sua pele. Em determinado momento, eu faria você me olhar. — E como
se fosse um comando, Marjorie faz exatamente o que eu digo. Sorrio. —
Isso aí. Assim mesmo.
Ela engole em seco.
— E depois?
Em um movimento arriscado, circulo meu braço ao redor de sua
cintura. Não a pressiono contra mim, mas a abraço por trás, encaixando-a
perfeitamente contra mim.
— Eu a abraçaria assim. Adoro seu cheiro… — Esfrego meu nariz
em seu pescoço, me embriagando do perfume doce de Marjorie. — Ficaria
muito feliz por você ter se arrumado tanto pra mim. Ia admirar a sua
roupa… — Finalmente me livro dos cobertores pesados sobre nós, sem me
importar em jogar tudo no chão. Dessa vez, me permito encarar o pedaço de
pano que ela chama de pijama, sentindo meu pau contrair ainda mais dentro
da minha própria calça. 
Marjorie solta uma risadinha ao perceber a minha reação ao
shortinho que ela está vestindo. Para me provocar, a safada ainda esfrega a
bunda contra mim.
— Sem palavras, Samuels? Quero continuar ouvindo a sua
historinha…
Rindo, dou uma mordidinha na base do seu pescoço, fazendo-a
gemer em resposta.
— Estou sem palavras porque você é gostosa pra caralho. Não que
não saiba disso.
— Não usei isso para me insinuar pra você — garante ela, mesmo
com a voz entrecortada.
Novamente esfrego meu nariz na base do seu pescoço, sorvendo seu
aroma.
— Eu sei que não, Campbell.
— Mas o mesmo não pode ser dito de você, Seth. Está dormindo
sem camisa para me provocar?
Rio.
— Está funcionando?
Marjorie, em um ato de ousadia, desliza a mão entre nós e passa a
ponta dos dedos pelo meu abdômen. O gesto é delicioso demais, e me faz
grunhir baixinho em seu ouvido.
— Vou interpretar isso como um “sim” — digo, mortificado. —
Onde aprendeu a ser atrevida assim?
— No mesmo lugar que ensinou você a ser tão safado. Está tentando
me seduzir na maior cara de pau.
— Masvocê está gostando. Está toda arrepiada, se arqueando contra
mim. Ou vai dizer que prefere que eu pare?
Ela engole em seco, embora uma risadinha sarcástica apareça logo
em seguida.
— Você não está fazendo nada, para começar. Não tem o que eu
pedir para você parar — ela atiça , me desafiando.
Fico paralisado.
— Você não deveria me provocar tanto, Marjorie.
— Por quê? Vai pedir ajuda para os seus amigos de novo?
Espertinha.
Afundo meu rosto novamente em seu pescoço, dessa vez deixando
beijos molhados por toda a base dele. Subo o rosto para pressionar meus
lábios contra a sua bochecha, chegando perto o bastante da boca sem
realmente beijá-la.
Marjorie entreabre os lábios, ansiando pelo beijo tanto quanto eu.
Mas não vou entregar com tanta facilidade para ela. 
Deixo-a na expectativa, me deliciando com todo o resto do seu
corpo. Minha mão continua em sua barriga, fazendo um carinho sugestivo
contra a sua pele. O peito de Marjorie começa a subir e descer sem parar, a
atmosfera ficando cada vez mais nublada de tanto desejo entre nós.
Quando ela volta a falar, parece até um pouco irritada:
— Isso não é justo. Você só está me provocando.
Estremeço contra ela, rindo.
— Quer que a minha mão desça mais?
— Seth… Eu…
Ela parece procurar palavras para justificar o desejo e a atração que
sentimos um pelo outro. Decido que, dessa vez, vou facilitar as coisas para
ela:
— Relaxa, raio de sol. Tudo que fizermos durante essa madrugada
ficará só entre nós. Pela manhã você ainda pode fingir que não me quer.
Marjorie geme, dessa vez se inclinando ainda mais na minha
direção.
E então eu decido parar de torturar a nós dois.
Mergulho minha mão na calcinha de Marjorie, precisando trincar os
dentes para me impedir de gemer alto demais ao sentir o quão molhada ela
está. 
Ela, no entanto, não consegue impedir os suspiros e as súplicas
baixinhas que solta ao sentir meus dedos começando a se mover
lentamente.
Puxo-a contra mim, apertando-a firmemente. Marjorie suspira, sua
boca buscando a minha com desespero.
Dou tudo o que ela quer.
Tudo o que precisa.
Sua necessidade começa a se tornar a minha. 
Quando sua língua começa a se mover, perco tudo. Minha cabeça
vira gelatina, meu sangue parece lava. Meu corpo inteiro se arrepia com a
essência dela, com o fato de que estou beijando Marjorie.
Não qualquer outra garota.
Ela.
A única que parece conseguir despertar todas as células do meu
corpo apenas com um olhar.
Eu poderia muito bem incendiar todo esse lugar com um simples
toque dela.
— Seth… — suspira ela contra a minha boca, rebolando contra a
minha mão, que continua circulando seu clitóris.
Não tenho pressa. Esperei muito tempo para isso.
— É isso o que você precisava, não é? — provoco, vendo-a revirar
os olhos ao sentir meus dedos em sua boceta.
— Sim…
— Depois que eu fizer você gozar, quero sentir seu gosto. Talvez
você precise sentar na minha cara — sussurro comentários safados em seu
ouvido, vendo-a enrijecer em meus braços. Marjorie parece gostar muito
desse meu novo lado, já que encharca mais ainda meus dedos.
Interessante…
— Ai, meu Deus.
— Pode continuar rezando, raio de sol. Mas você só vai sair da
minha cama quando estiver completamente satisfeita. Ou esgotada —
murmuro. — É isso que você queria, não era? Queria conseguir provar que
eu continuo fazendo tudo o que você manda, sem exceção.
Ela engole em seco, os olhos vidrados na minha mão. Marjorie nem
pisca quando assiste, quase em transe, aos movimentos constantes do meu
braço ao masturbá-la. Então abre as pernas, me concedendo ainda mais
espaço.
Sorrio mais uma vez.
Com a minha mão livre, percorro a pele lisa de sua barriga até
encontrar os seios por baixo da blusa do pijama. 
Fecho os olhos, me sentindo o mais torturado dos homens.
— Você veio pra cama sem sutiã e ainda diz que não estava tentando
me seduzir? — atiço, com dor de tanto tesão.
Marjorie geme.
— Não esperava que você visse isso…
— Nós dois sabemos que esperava sim, Marjorie. Agora abre mais
ainda essas pernas pra mim — mando, sem deixar brechas para uma recusa.
E para provar que consegue ser bastante obediente, ela o faz.
— Vou te fazer gozar — prometo.
Começo a masturbá-la com o polegar. E então, bem lentamente,
enfio um dedo em sua entrada encharcada. Marjorie grunhe, soltando os
suspiros mais sensuais enquanto se esfrega em mim sem pudor algum.
Deixo um rastro de beijos do seu pescoço até a sua boca, capturando
os sussurros de prazer de Marjorie como uma recompensa particular.
Absorvo tudo como um louco, praticamente derretendo contra ela ao sentir
seus quadris se moverem com rapidez em torno dos meus dedos.
Só consigo imaginá-la me cavalgando…
Porra.
— Seth, eu preciso que vá mais rápido — implora ela, com a voz
abafada pela minha boca faminta.
Não a faço sofrer mais.
Aumento mais ainda a pressão dos meus dedos, agradecendo por
todos os treinos de basquete que me deixaram esgotados. Agora tenho
resistência o bastante para tocar Marjorie até que ela esteja satisfeita.
Ela parece aliviada quando a primeira descarga de prazer lhe
atravessa o corpo. Inclina as costas contra mim, a expressão retorcida em
prazer. Sua boca está entreaberta e eu não consigo resistir. Roubo mais um
beijo, sorvendo toda a necessidade enquanto os últimos resquícios de seu
orgasmo acontecem.
Quando a respiração de Marjorie volta ao normal, vira o pescoço
para conseguir me encarar.
— Isso foi incrível.
Sorrio.
— Quer dizer que vou poder repetir de novo?
Ela fecha os olhos, o rosto pegando fogo.
— Isso quer dizer que talvez eu deixe acontecer mais algumas
vezes. 
— É o bastante pra mim.
E então, como se esperasse que eu exigisse isso, Marjorie estende a
mão para segurar o meu pau por cima da minha calça xadrez que uso como
pijama.
Arqueio a sobrancelha.
— Não vou deixar você assim, Samuels — diz ela, começando a me
acariciar. — Nem eu sou tão cruel assim.
Sorrio.
— Não precisa fazer isso.
E então, para me provar que é mesmo o amor da minha vida,
Marjorie se levanta. Fica de frente para mim e então, só então, mergulha a
mão dentro da minha calça.
— Eu sei que não. Mas eu quero… Sem cueca, Samuels? — zomba,
usando as minhas palavras. — Foi tudo premeditado, não foi? Você sim
queria me seduzir.
Sorrio, exibindo os dentes.
— A diferença entre nós é que eu nunca neguei as minhas intenções.
Sempre foram as mais impuras possíveis.
Revirando os olhos, Marjorie cala a minha boca com um beijo que
me deixa tonto por vários minutos.
E então me faz ver estrelas com a mão.
Primeiro você quer ir pra esquerda e virar à direita
Quer discutir o dia todo e fazer amor a noite inteira
Primeiro você topa, depois não quer mais
E depois fica em cima do muro
What Do You Mean? | Justin Bieber
Acordo ouvindo os passarinhos cantando.
Um filete de luz entra por uma das janelas, mas a sensação boa logo
passa. Estou sozinha na cama, o espaço antes preenchido por Seth não
passando de uma lembrança.
O cheiro de café me atrai como uma formiguinha atrás de um doce.
Ao chegar na cozinha, com a cara inchada de sono, me deparo com Diana e
Charlotte sussurrando.
Charlotte é a primeira a me cumprimentar, com um sorriso imenso
no rosto.
— Bom dia, florzinha. Pensei que não ia levantar tão cedo —
provoca, se virando na pia da cozinha para encher uma xícara para mim.
Recebo de bom grado, agradecendo-a com o olhar.
— Valeu. Mas não entendi muito bem essa sua insinuação.
Ela arqueia a sobrancelha.
— Tem certeza? Porque Seth saiu daqui assobiando. Está feliz da
vida. Peter teve que alertar sobre o degrau aqui da frente, estava tão
distraído que quase caiu.
— Meu Deus. Mas ele está bem?
Charlotte lança um sorrisinho por cima da própria caneca
fumegante.
— Está sim. Só precisa se recuperar depois do que você fez com ele
na cama.
Revirando os olhos, decido deliberadamente ignorar seus
comentários sexuais. Charlotte e eu sempre conversamos sobre esse
assunto, mas não é como se isso lhe desse liberdade para comentar em
qualquer ocasião.
Diana é quem decide continuar a conversa:
— Os meninos saíram hoje pararesolver algumas questões do
acampamento. Seth disse que a irmã mais velha dele já chegou. Pediu para
você nos apresentar a ela.
Quase cuspo o líquido quente em cima das duas.
Meu Deus. Samantha está aqui?
— Ela já chegou?
Diana abre um sorriso sincero.
— Já sim. Não a vimos, mas é um dos motivos de Seth ter saído tão
depressa. Ele disse que preferia não acordar você, mas também parecia
aterrorizado com a ideia de deixar a irmã esperando.
Minhas mãos começam a formigar. A ansiedade parece me engolfar
de uma vez só quando penso que estou tão perto de encontrar Samantha
pessoalmente de novo.
Praticamente engulo o café da manhã que as meninas me forçam a
comer. Quando termino, coloco a primeira roupa que encontro dentro da
minha parte do armário.
Já estou praticamente saindo quando ouço as duas rindo por causa
da minha afobação. 
Charlotte parece até um pouco enciumada.
— Calma, Marjorie. Ela não vai sair correndo!
Mas não dou ouvidos a nenhum dos comentários.
Preciso vê-la.
Esquadrinho cada centímetro do acampamento Frozen Lake até
escutar a risada tão familiar.
Tão, mas tão familiar…
Samantha está de costas.
Uma criança está apoiada em seu colo, embora pareça muito irritada
por não estar no chão. Ela conversa com um homem imenso, com músculos
tão grandes que o braço parece duas vezes maior do que a cabeça dela.
Atrás de mim, Charlotte e Diana ofegam.
— Puta merda. Esse é Lance Moreau, não é? Meu pai é
completamente maluco por esse cara — exclama, animada. — Assiste todos
os jogos dele! 
— Eu nem sabia que um homem poderia ser tão grande assim —
murmura Diana.
Lanço um olhar enviesado para as duas.
— Como se Peter e Jason fossem muitos baixinhos — revido,
abrindo um sorriso.
Elas continuam conversando sobre tamanhos e diferenças entre os
esportes praticados entre os três homens citados, mas a minha atenção se
volta para a mulher que foi por tantos anos uma espécie de irmã mais velha
para mim.
Samantha parece mais madura. O cabelo, antes sempre na altura das
costas, hoje, alcança os ombros. O rostinho continua o mesmo, assim como
a expressão dura. Ela nem precisa falar para ser ouvida. Um olhar bravo
dessa mulher e qualquer um obedece.
— Vai falar com ela — incentiva Charlotte, acenando na direção de
Samantha. — Nós ficamos aqui.
Franzo o cenho.
— Tem certeza?
— Tenho. Agora vai. Nós vamos nadar um pouco.
Assinto rapidamente, começando a andar na direção de Sam. Preciso
respirar fundo algumas vezes antes de tomar coragem para cutucar seu
ombro.
Ela vira o pescoço para ver a responsável por desconcentrá-la, o
rosto se transformando de irritado para chocado em poucos segundos.
Abro um sorriso.
— Ah, meu Deus! — ela exclama, colocando a mão sobre a boca.
Depois, me puxa para um abraço que tira boa parte do meu equilíbrio. A
criança em seu quadril resmunga e rapidamente é retirada do caminho por
Lance. — Você está mesmo aqui! Como?
Dou de ombros.
— Calliope insistiu muito para que eu viesse. Não podia deixar
passar um verão nesse acampamento — respondo.
— Você cresceu tanto, Marjorie. Meu Deus! Isso não pode ser real.
— Você também cresceu muito! Eu sempre vejo notícias suas na
televisão. Tô muito feliz por você.
Samantha morde o lábio inferior. Quando seus olhos começam a
encher de lágrimas, ela pisca rapidamente, tratando isso como se fosse uma
grande inconveniência.
— Desde que eu me tornei mãe, fico fazendo isso. Eu choro. Não
consigo mais segurar. — Faz uma careta.
— Não precisa chorar. Vou ficar aqui até amanhã. Só vim para
passar o feriado.
— Ah não! Você precisa ficar mais tempo.
— Quem sabe um dia, hein?
Nós nos atualizamos rapidamente sobre tudo o que aconteceu
durante os últimos meses. Ela me conta sobre como conheceu Lance na
faculdade e se apaixonou por ele, mesmo sabendo que não tinha como um
relacionamento entre os dois funcionar naquela época. Depois sobre como
foi doloroso assistir Lance se tornando um grande astro do futebol pela
televisão, sempre metido em escândalos com mulheres e festas. Não
conseguiu evitar o sorrisinho convencido ao me explicar que acabou sendo
contratada como relações públicas dele e, de acordo com ela, ele passava a
maior parte do tempo mais preocupado em conquistá-la do que em melhorar
o desempenho no campo de futebol.
Lance intervém nessa parte, abrindo um sorriso sarcástico.
— Não vou mentir pra você, Marjorie. Essa mulher era escorregadia
pra caramba. 
— Ele me engravidou na primeira chance que teve — brinca ela,
semicerrando os olhos. — Mas esse garotinho aqui é o melhor presente que
eu poderia ter recebido da vida depois que o vovô se foi.
Meu olhar finalmente se cruza com o da criança, agora agarrada ao
pai. Ele está com a cabecinha deitada no imenso ombro de Lance, me
encarando com desconfiança.
Ofereço um sorriso amigável, sentindo a minha garganta apertar.
Ele é lindo.
Tem o cabelo enrolado do pai.
O tom preto puxado da mãe.
Os olhos verdes vindos de Lance.
A expressão intensa de Samantha.
Uma mistura perfeita dos dois.
— Ele é lindo demais — parabenizo, emocionada. — Tem quantos
anos?
A voz de Lance está repleta de orgulho quando ele responde, feliz:
— Acabou de completar quatro. Já estamos pensando em
encomendar o segundo.
Disparo um olhar chocado para Samantha, que dá de ombros como
se isso não fosse nada.
— Gosto de ser mãe. Lance vai se aposentar em breve, e queremos
aumentar ainda mais a família. 
Balanço a cabeça.
— A vida muda tão rápido, né? Ainda lembro de quando você me
usava de cobaia para testar todos os tutoriais de maquiagem que via no
YouTube. Seth sempre reclamava que você me monopolizava por horas
enquanto ele era obrigado a assistir corridas de Fórmula 1 com o Scott…
Ela joga a cabeça para trás, gargalhando.
— Seth era um pentelho. Ele sempre gostou de você, mas enquanto
cresciam, tratava você como se fosse um dos amigos de escola dele. Perdi a
conta de quantas vezes precisei improvisar nos curativos de machucados
quando você chegava com a pele toda machucada depois de cair de algum
lugar.
Sinto minhas bochechas esquentarem. O que ela pensaria de mim se
soubesse o que eu deixei o irmãozinho dela fazer comigo enquanto todos
dormiam no chalé?
— Eu adorava brincar com ele, mas amava mais ainda quando você
me chamava para um dia de princesa. Você foi a irmã que eu nunca tive.
O queixo de Samantha treme ao ouvir minha confissão. Me puxando
para um abraço apertado novamente, ela sussurra no meu ouvido:
— Eu sempre vi você como a minha irmãzinha, Marjorie. Sempre. E
por mais que isso não seja da minha conta, algo me diz que, um dia, você se
tornará parte da minha família pra sempre.
As palavras de Samantha continuam me assombrando durante o
resto do dia.
O pior foi ter que encará-la. Tive que conter toda a mortificação
enquanto ela continuou conversando sobre banalidades, agindo como se não
tivesse acabado de jogar uma bomba sobre mim.
Me lembrei das palavras de Seth quando conversamos na festa de
comemoração da vitória de Stanford.
Elas tinham certeza que você se tornaria uma Samuels um dia.
Ele não estava exagerando, não é?
Decido ir atrás de Diana e Charlotte. Preciso de alguns conselhos
sobre como lidar com tudo o que vem acontecendo entre Seth e eu. Por um
lado, estou morrendo de medo de começar algo entre nós e acabar perdendo
tudo.
Seth e eu ficamos cinco anos longe um do outro. Sem nenhum
contato, sem nenhuma espécie de aproximação. Pessoas mudam.
Sentimentos mudam. Não tem como saber se algo que deu certo antes, daria
agora.
E embora eu ame a companhia dele, prefiro mil vezes receber o
título de melhor amiga do que de ex-namorada. De “uma pessoa do passado
que eu amava muito”, quando ele mostra fotos nossas enquanto crianças
para alguém.
Uma risada rouca me tira dos meus pensamentos. Acompanho com
o olhar até chegar na quadra de tênis.
Imediatamente me sobressalto.
Seth está com uma garota na quadra.
Sozinho.
Ela está segurando a raquete e fazendo movimentos como se fosse
acertar sua cabeça. Ele gargalha, desviando do objeto enquanto parecia
imitar alguém. A garotacoloca a língua para fora, irritada, ameaçando
avançar nele a qualquer momento.
Meu estômago afunda. Sinto como se pudesse vomitar a qualquer
momento.
Eles parecem tão íntimos. Fazendo piadinhas internas, ela indo para
cima dele de brincadeira. Do mesmo jeito que eu fiz, da mesma forma como
nós costumávamos agir juntos.
Irritada, eu desvio o olhar da cena.
Principalmente porque, agora, ele puxa-a para um abraço apertado.
Depois, deixa um beijo carinhoso no topo de sua cabeça.
Não preciso nem perguntar o nome dela para saber exatamente
quem é.
Suzan.
A tenista que Calliope apadrinhou.
O corpo dela é de tirar o fôlego. O cabelo, o rosto angelical, até
mesmo o sorriso… Tudo nela parece perfeito demais. Lindo demais. 
Com certeza não deve ter pais supercontroladores que não pensam
duas vezes antes de arrancá-la dos braços dele. 
Ao contrário de mim, não deve ser tão complicada.
Eu deveria ficar feliz. Deveria soltar fogos de alegria por saber que
Seth está conhecendo uma pessoa nova e que parece se dar tão bem com
ela.
Mas por que eu não consigo? Por que a cada segundo que passa, eu
fico mais irritada, mais ansiosa, mais triste?
Isso não é normal. Essa obsessão não é normal.
E todo esse ciúmes não é saudável para ninguém.
Sem aguentar mais nenhum segundo dessa tortura, dou as costas
para os pombinhos, marchando feito louca até o chalé.
Vou fazer as minhas malas e implorar uma carona para Samantha.
Não tem a menor chance de eu passar um segundo a mais nesse lugar. 
Mas ele disse ontem que não está com ela, digo a mim mesma. 
Isso não é o suficiente para me acalmar.
Começo a jogar todas as roupas em cima da cama, sem me
preocupar em dobrar todas as peças antes de esvaziar o meu armário.
Quando guardo o Senhor Alegria, uma lágrima solitária escorre pela minha
bochecha. 
Ontem à noite foi como um sonho.
E hoje sou eu que vivencio esse pesadelo.
Estou terminando de fechar a mala com todos os meus pertences
quando escuto uma risada grave na porta do chalé. Uma risada
acompanhada de uma segunda voz.
Arregalo os olhos.
Merda.
Ele não a trouxe aqui, trouxe?
Em segundos, a minha melancolia se transforma em raiva. Pura e
simples.
Não acredito que Seth teve a audácia de trazer Suzan para o mesmo
lugar em que me fez juras de amor. O mesmo lugar que demos nosso
primeiro beijo, anos atrás. O mesmo lugar em que ele me tocou.
Canalha, canalha, canalha.
A raiva sobe borbulhando por todos os meus poros. Coloco a mala
em cima da cama, sem me preocupar em como vou passar por esses dois e
ignorar a presença de ambos.
— Esse é o lugar que estou ficando durante o feriado — ele diz,
como um bom anfitrião. — O chalé é particular da minha família, por isso é
tão grande. 
Suzan ri.
— Quanta injustiça. Enquanto vocês ganham esse lugar
superluxuoso, os funcionários precisam se virar com uma cama de solteiro e
um banheiro minúsculo.
— Veja pelo lado bom. Nós pelo menos temos um encanamento que
funciona. A maioria dos acampamentos te ofereceria um balde.
As risadas começam, os dois perdidos em um mundinho só deles.
Reviro os olhos, fazendo todo o esforço necessário para controlar a
minha respiração.
Não tenho raiva dela. Nem a conheço.
Meu ódio é todo voltado para ele.
Como ele ousa despejar todas aquelas palavras lindas e as juras de
amor em um dia e agir assim com outra mulher no dia seguinte?
Tem coisa que só homem é capaz de fazer mesmo.
Meu coração aperta com a lembrança de Chad.
Chad, que me ofereceu um anel. 
Chad, que me apresentou para a sua família e me fez sentir como se
eu fizesse parte dela. 
Chad, que sempre foi um cavalheiro e parecia disposto a se tornar o
melhor namorado do mundo.
Chad, que eu dispensei como se fosse nada.
Chad, que está agora com o coração partido.
Talvez eu mereça passar por isso. Talvez tudo não passe de karma,
que comigo veio na velocidade de um avião. 
Engulo toda a raiva, deixando que o remorso tome conta de mim.
Vou voltar para Los Angeles hoje à noite. Mandarei uma mensagem
pedindo, implorando, uma segunda chance para Chad. Mesmo que isso
signifique nunca mais ver Seth, estou disposta a tentar.
Eu vou…
— Marjorie? — A voz cautelosa de Seth me traz de volta para o
presente. Seu olhar imediatamente recai na mala fechada sobre a cama. Seu
cenho franzido. — Está indo embora?
Uma cabeleira loira surge atrás dele. 
Quando os olhos de Suzan encontram os meus, ela me oferece um
sorriso simpático.
É necessária toda a minha força de vontade para eu conseguir
retribuir.
— É. Vou precisar voltar mais cedo.
Os olhos de Seth disparam até mim.
— Agora? Tem certeza?
— Tenho. Então… Acho que eu já vou. 
Mas ele não sai do meu caminho. 
Seus olhos percorrem os meus, acusadores. Os meus também não
devem estar muito diferentes.
É Suzan que quebra o silêncio:
— Vou deixar vocês sozinhos. Foi um prazer te conhecer, Marjorie.
Seth nem espera a garota sumir completamente antes de arquear o
lábio e questionar, irritado:
— Vai me dizer a verdade agora?
Quando eu olho para você
Eu vejo perdão
Eu vejo a verdade,
Você me ama por quem eu sou
Como as estrelas abraçam a lua
When I Look At You | Miley Cyrus
Ela está furiosa.
O nariz está retorcido do jeito que costumava ficar quando eu estava
encrencado. A visão deveria me deixar em alerta, mas é muito pelo
contrário. Só consigo sentir o meu coração vibrar por vê-la fazer algo tão
familiar.
— Estou dizendo a verdade.
— Para de mentir pra mim. O que está acontecendo? 
Marjorie bufa.
— Você não sai da minha frente. É isso que está acontecendo.
Cruzo os braços, examinando-a de cima a baixo.
— E não vou sair daqui enquanto você continuar com essa atitude.
Se algo grave aconteceu, me deixe ajudá-la.
Isso é o suficiente para fazer Marjorie explodir. 
Ela estreita os olhos, se afastando da cama como se ela estivesse
queimando sua pele. Os olhos furiosos me atiram um milhão de acusações,
o que faz a minha pele arrepiar.
Merda.
Ela está puta da vida.
— Ah, claro! O perfeito Seth Samuels, sempre tão solícito para
resolver o problema de todos! Deixe-me contar uma novidade. Nem todo
mundo quer ou precisa da sua ajuda!
— Não é o que eu disse — argumento, exasperado.
— Mas é como você age! — atira de volta, os olhos furiosos
começando a encher de lágrimas. — Estou cansada de vestir essa máscara.
Fingir que sou tão perfeita como você ou sua família.
As palavras de Marjorie me atingem em cheio. Cambaleio para trás,
magoado. Não é possível que ela realmente pense assim.
— Você sabe que isso não é verdade. Não sou perfeito e nunca exigi
isso de você.
— Todos vocês são perfeitos. Com as suas famílias perfeitas, seu
acampamento perfeito, suas relações perfeitas. Que Deus ajude quando algo
não segue conforme o planejado, não é? Você estava sofrendo tanto porque
tinha perdido o avô que não pensou duas vezes antes de fugir comigo.
Sempre me perguntei se você me via como uma espécie de brinquedo, um
objeto que poderia levar para aonde quer que você fosse. Sequer pensou em
como isso me afetaria depois? — A voz dela fica trêmula, instável.
Lágrimas grossas começam a escorrer de seus olhos, e minha expressão
ameniza. — Meus pais nunca mais confiaram em mim. Tive uma
adolescência solitária, enquanto você continuava na sua vida perfeita.
Entrou para a família Moreau, teve todos os problemas resolvidos, até o
basquete que você vivia dizendo que não gostava tanto assim acabou se
tornando a porta de entrada para uma das melhores universidades do
mundo. 
— Marjorie.
— Não, é bom que você entenda de uma vez. Não sou sua, Seth.
Fomos amigos. Muito amigos. Por muito tempo, você era tudo o que eu
tinha. Tudo. E depois, foi arrancado de mim. — Os olhos dela estão
vermelhos, inchados. Quando me encaram, vejo toda a raiva e
ressentimento de anos separados refletidos ali. — Por que você tinha que
ser tão perfeito? Por que tinha que estabelecer um padrão tão alto para algo
que eu nunca mais vou ter? Sabe como foi difícil conhecer uma pessoa nova
depois de tudo o que você me fez sentir? Depois de todas as promessas? E o
pior é que não era só você.Eu amava a sua família. Amava mais do que a
minha. Amava esse acampamento, mesmo sabendo que vir até aqui era um
insulto à minha própria família. Seus amigos se tornaram meus amigos. Eu
perdi tudo quando meus pais me levaram. Você perdeu o seu avô, eu perdi
toda a vida que eu conhecia. — Marjorie morde o lábio inferior, o queixo
tremendo. — Eu disse que preferia ser só a sua amiga, Seth, e não estava
mentindo. Agora… Agora eu acho que não podemos ter nem mais isso.
Quero que você suma da minha vida antes que eu acabe machucada de
novo.
Nem percebo quando começo a chorar também. Quando abro a boca
para tentar formar uma frase, o bolo na minha garganta impede.
Porra… Como eu não fui capaz de perceber isso?
Como pude ser tão egoísta?
É claro que Marjorie sofreu com a nossa separação. Não só por ter
perdido o melhor amigo, mas porque perdeu tudo o que conhecia.
Dou um passo à frente, determinado.
— Eu não sou perfeito, Marjorie. Nunca fui e nem pretendo ser. Mas
eu quero você. E se você me quiser, eu prometo, eu juro, eu garanto que
nada vai nos separar. Mesmo que seus pais se oponham, mesmo que eu
tenha que lutar contra tudo e todos. Não vou deixar você escapar de novo.
Ela atira um olhar raivoso para mim. 
— Me poupe das suas promessas vazias, Seth. Estou cansada de
todas elas!
Enrugo a testa.
— Do que você está falando?
Marjorie ri, sarcástica.
—  Você não conseguiu cumprir a promessa de que nada aconteceria
com a gente se fugíssemos. Eu disse que não era uma boa ideia, falei para
não irmos, mas você me assegurou que nada aconteceria. 
— Marjorie, éramos crianças! Eu realmente acreditei que tudo daria
certo. Era o que eu precisava acreditar. Perder você foi o que me destruiu.
Por anos, eu me privei de viver tudo. Não era certo ir à festas, sair com
meus amigos, conhecer novas pessoas quando você não estava ao meu lado
— digo. 
— Isso não importa mais. Vou embora da sua vida de uma vez por
todas.
— Não vai.
— Vou sim. — Marjorie se empertiga, ainda mais brava. — E aí
finalmente você pode seguir em frente sem culpa. Pode chamar Suzan para
vir ao acampamento, apresentá-la para a família formalmente, sem se
preocupar comigo. Estou caindo fora.
Espera… O quê?
E é aí que a verdade me acerta em cheio.
Parece que eu acabei de levar um soco.
Balançando a cabeça, finalmente todas as peças desse quebra-cabeça
começam a se encaixar. E quando encaro a pintura de cima, tudo é tão
óbvio que eu preciso segurar a risada.
Marjorie franze a sobrancelha.
— Você está rindo de mim?
Olho para ela.
— Você está com ciúmes?
Ela se retesa instantaneamente.
— Você enlouqueceu?
— É só uma pergunta, Marjorie. Responda com “sim” ou “não”.
Dessa vez, ela trinca os dentes.
— Não vou me dar ao trabalho de responder uma pergunta tão
ridícula dessas!
Sorrio.
— Você está com ciúmes, não está? Porque me viu conversando
com a Suzan, e se eu me lembro bem, você odiava quando eu dava atenção
para qualquer garota que não fosse você.
— Saia. Da. Minha. Frente — é a resposta dela, entredentes, como
se me dar uma ordem falando pausadamente fosse o suficiente para me
fazer recuar.
Mas quer saber? Estou cansado pra caralho desses joguinhos.
— Não.
Marjorie pisca, atordoada.
— Como é?
Cruzo os braços.
— Isso mesmo que você ouviu. Não vou sair. Não enquanto você
não admitir que só está irritada porque me viu com a Suzan e está morrendo
de ciúmes.
— Você se transformou em um desses babacas arrogantes que acha
que todas as mulheres do mundo querem chamar a sua atenção? Esperava
mais de você, Seth.
— Todas as mulheres não. Só quero uma mulher ávida em conseguir
a minha atenção, e, para a sorte dela, é a única que a tem — respondo,
olhando-a intensamente. — Então quero que você admita, Marjorie. Porque
não vou deixar você ir embora até dizer.
Ela inspira lentamente, me lançando a expressão mais zangada que
eu já vi. Por um momento, chego mesmo a pensar que ela vai tentar passar
por cima de mim de qualquer jeito, mas então ergue o queixo, sustentando o
meu olhar e diz:
— Foda-se, Seth. Fiquei com ciúmes pra caralho. Porra, depois de
ontem, você sai por aí sendo carinhoso com outra garota em uma quadra
onde qualquer um pode ver vocês?
Estou sorrindo.
Estou sorrindo sem conseguir me segurar. Não importa o que ela
diga daqui para frente, nada mais vai tirar essa sensação de alívio e orgulho
ao ouvi-la admitir isso em voz alta.
— Eu não estava sendo “carinhoso com outra garota”. — Desenho
aspas no ar, o tom brincalhão. — Suzan é uma amiga. Estávamos
conversando, e seria muito chato da minha parte não falar com ela antes de
ir embora. 
Marjorie estreita os olhos.
— Não quero saber. Vocês pareciam juntos demais para esse
papinho de que ela é só uma amiga. Ou preciso lembrá-lo que era isso que
eu costumava ser para você antes de… — E então, ela para. 
Eu a instigo.
— Antes de você se tornar o quê, Marjorie?
Ela desvia o olhar.
— Esquece o que eu disse.
— Não, eu não esqueço. Antes de você se tornar o quê, exatamente?
— Me aproximo mais ainda de seu corpo. Em poucas passadas, estou
praticamente pressionando Marjorie contra a parede, ela bem mais baixa do
que eu. Olho para baixo, louco de vontade de beijá-la novamente. Ainda
assim, me contenho. — Pensei que você quisesse voltar a ser só a minha
amiga.
Ela se empertiga, olhando para cima.
Para mim.
— Eu quero voltar a ser sua amiga.
— Então é melhor se acostumar com essa visão. Vou ter que sair
para encontrar alguém eventualmente, Marjorie. 
Seu olhar se torna cada vez mais mortal.
— Sabe que vou precisar fazer o mesmo, não é? E ainda por cima te
contar sobre todos os encontros e coisas que esses caras fizeram. Está
preparado pra isso?
É a minha vez de ranger os dentes e enrijecer o maxilar.
— Se eles não forem legais, não forem os mais cavalheiros, se não
tratarem  você como uma princesa… Vou matar um por um. Você sabe
disso, né? Quer mesmo ter esse sangue nas mãos?
Ela lança o olhar feroz e repleto de desejo que eu tanto amo. O
único capaz de me desmontar e reconstruir, tudo na medida certa. 
— Digo o mesmo sobre você. Se eu souber que alguém partiu o seu
coração, não tem nada nesse mundo capaz de me parar. Ela vai se
arrepender.
Abro um sorriso triste.
— Porque você é a única que pode parti-lo. O meu coração, quero
dizer.
Ela soluça.
— Seth…
— Vou beijar você. Vou beijar você por muito tempo e sem parar.
Não quero ouvir mais nenhuma palavra sobre ir embora antes, Marjorie.
Você está com ciúmes e não tiro a sua razão. Mas quero que preste atenção
em mim agora. — Ela parece concentrada, embora o rosto esteja
avermelhado. — Eu amo você. Não a Suzan, nem qualquer outra garota. É
você. Sempre foi e sempre será. Uma palavra e serei seu. 
Não espero para saber se haverá uma resposta.
Eu simplesmente capturo a sua boca com a minha, sentindo a sua
ânsia e desespero a cada movimento da minha língua. Marjorie apoia as
mãos em cima do meu ombro, e essa é toda a brecha que eu preciso para
agarrar suas coxas torneadas.
Porra…
Meu sangue ferve ao sentir a carne macia contra os meus dedos.
Aperto com um pouco mais de intensidade, ouvindo-a arquejar baixinho. 
Sorvo cada suspiro, cada gemido, cada beijo, sem conseguir parar.
Ela é meu vício.
E eu sempre vou arranjar um jeito de conseguir a próxima dose.
Mesmo que isso tenha um custo alto, como o meu orgulho.
Marjorie se impulsiona para cima, circulando as pernas perfeitas ao
redor da minha cintura. Meu pau começa a doer, tão duro que é torturante
sentir seu centro tão quente se esfregando em mim.
Sinto a mão dela deslizar lentamente até alcançar o meu pescoço.
Arqueio a sobrancelha ao sentir sua mão me apertar, como se reivindicasse
uma posse.
— Continua com o mesmo temperamento de quando éramos mais
novos, pelo visto — zombo.
O aperto se intensifica.
— E você continua me deixando louca. As coisas não mudaram
tanto assim.
Roubo mais um beijo ávido de sua boca, sentindo como se
derretesse a cada toque dela. Quando afasto o rosto, ela me puxa de volta,
sorvendo meus lábios como se eles fossem seu doce preferido.Retribuo, pressionando suas costas contra a parede mais uma vez.
Eu poderia muito bem abaixar seu shortinho de corrida e deslizar para
dentro dela. Seria tão fácil, tão delicioso…
Mas quero ter tempo de provar seu gosto primeiro. Ela me deixou
tocá-la na noite passada, ter uma provinha, mas não foi nem de longe o
suficiente.
Quando finalmente me afasto, noto os olhos de Marjorie brilhando.
Sorrio, malicioso. E então a coloco no chão, ignorando
deliberadamente todos os protestos que ela faz quando me afasto alguns
centímetros de seu corpo.
Tiro a minha camisa, arremessando-a para longe. 
Os resmungos de Marjorie param na mesma hora.
Ela me viu sem roupa antes. Normalmente durmo sem, e quando
estávamos no lago, peguei-a me conferindo uma ou duas vezes enquanto
mergulhamos.
Mas agora estou nu da cintura para cima e muito perto dela.
As bochechas dela estão pegando fogo.
Agora não resta dúvidas do quanto eu cresci.
Quase não consigo resistir ao vê-la lamber o lábio inferior tão
lentamente. De repente, fico muito feliz por não ter desistido do basquete e
por todas as horas puxando ferro na academia. 
Ela faz menção de se aproximar, mas logo abaixa a mão.
Como se eu fosse algo proibido para ela.
— Pode tocar, Marjorie. Não tem nada aqui que não seja seu. 
Seus olhos disparam até mim.
Sua expressão esfomeada me deixa sem fôlego. Ela se aproxima
como se estivesse prestes a tocar algo precioso. Algo que desejou por tanto
tempo mas não achou que teria um dia.
As pontas dos dedos começam a passar sofregamente por todo o
meu abdômen. Contraio a barriga involuntariamente ao sentir a exploração
de Marjorie. Seus olhos estão nublados de desejo e quando eles me
encaram… Eu poderia simplesmente ficar de joelhos e implorar para me
deixar sentir seu gosto. Para beijá-la. Para me deixar sentir seu cheiro,
encostar em sua pele, para senti-la.
De qualquer maneira que Marjorie me permitir.
— Você é lindo.
Lentamente, abro um sorriso malicioso.
— Escuto bastante isso. Mas obrigado.
Ela ignora meu tom de voz sarcástico. Apenas inclina a cabeça o
suficiente para conseguir encostar a boca quente contra a pele da minha
barriga, fazendo uma pontada de adrenalina disparar por todo o meu corpo.
Ofego, pego de surpresa.
Marjorie, bastante incentivada pela minha reação, continua a
explorar meu corpo com a boca. 
Seus beijos provocantes começam a subir até o meu pescoço, onde
ela faz questão de me morder. Não é nada demais, apenas uma leve pressão
de seus dentes contra a minha pele. 
O prazer que isso causa no meu corpo é inacreditável.
Marjorie está me marcando como se eu fosse uma posse?
Caralho.
— Vou deixar uma marca em você também — aviso, arrancando
uma risada dela.
— Não me importo. Enquanto estivermos aqui, vou deixar você
fazer o que quiser.
Porra…
Praticamente grunho, arquejando por ar. Marjorie não parece ter
piedade quando continua usando sua língua habilidosa para traçar linhas
invisíveis pelo meu peitoral nu. Seus avanços vão ficando cada vez mais
ousados, com o rosto muito perto do meu pau.
E então, como se esperasse um comando, ela fica de joelhos.
De. Joelhos.
Bem na minha frente.
E então, sorrindo, coloca a língua para fora. 
Garota, só grite bem alto
Me diga o que você está pensando, oh
Quero ver você se despir agora
Quero ouvir você confessar agora, oh, oh
Meddle About | Chase Atlantic
Seth está tremendo quando, desajeitado pela surpresa, começa a
abrir o zíper da calça como se a sua vida dependesse disso. 
Ele liberta o pau duro, e eu não consigo esconder a surpresa.
É muito maior do que eu estava imaginando.
Arqueando a sobrancelha, lanço um sorriso malicioso para ele.
— Estava planejando esconder isso de mim por quanto tempo?
A risada de espanto dele ondula sobre nós.
— Você pode vir aqui e pegar o quanto quiser — responde, rouco.
Ele não precisa oferecer duas vezes.
Sem nunca quebrar o nosso contato visual, me aproximo do membro
duro e pulsante, que está prontinho para mim. 
Só fiz isso uma vez. Charlotte tinha me carregado para uma festa
muito longe do campus e acabamos dormindo em uma casa de fraternidade.
Um dos garotos passou a noite inteira dando em cima de mim, e depois de
algumas horas ignorando-o, decidi dar uma chance.
Acabamos em seu quarto minutos depois. Nos beijamos por muito
tempo em cima da sua cama, mas quando ele se inclinou para me chupar,
me esquivei. Parecia íntimo demais. No entanto, decidi saciar a minha
curiosidade com ele naquela noite. 
Seth estremece acima de mim quando seguro a base de seu pau,
colocando-o no ângulo certo para alcançar a minha boca. Passo a língua ao
redor da cabeça, sorvendo seu sabor como se fosse um doce.
Seus gemidos me deixam em alerta. Qualquer pessoa poderia entrar
e testemunhar isso.
— Porra… — pragueja baixinho.
Um sorriso involuntário escapa de mim.
Aposto que ele também não faz ideia de quanto eu cresci.
Abocanho o pau dele de uma vez, fechando os olhos para me
concentrar em engolir o máximo que eu puder. Seu corpo vibra, sua pele
está arrepiada, e ele solta os gemidos mais sensuais do mundo.
Um segundo depois, sinto os dedos trêmulos dele lentamente se
infiltrarem entre os fios bagunçados do meu cabelo. Não puxa, não aperta,
não força a minha cabeça ainda mais contra o próprio membro. Apenas
acaricia a minha cabeça, como se não pudesse manter as mãos longe o
bastante de mim.
— Você é perfeita.
O comentário deixa o meu ego nas alturas, mas decido ignorar o
elogio por enquanto. Preciso que ele goze na minha boca, e disso não vou
desistir.
Ergo meu rosto para encarar o rosto de Seth mais uma vez.
Suas pupilas estão dilatadas, a respiração pesada. O cenho está
franzido de prazer, os ombros tensos.
Ele está em choque com a cena à sua frente.
Estou adorando isso.
Começo a fazer movimentos de vai e vem com a cabeça, passando a
língua por toda a extensão do seu pau. Chupo, lambo, finco minhas unhas
em suas coxas para servir de apoio.
Não dou trégua.
Aumento cada vez mais a velocidade, ansiosa para levá-lo ao limite.
A cada toque da minha língua, os murmúrios e súplicas de prazer se
intensificam. Ele está se retorcendo, perdendo o equilíbrio, enquanto eu
continuo chupando-o, faminta.
Em determinado momento, Seth apoia uma das mãos na parede à
sua frente. Os olhos estão revirados de prazer, o corpo tenso. Quando ele
abre a boca, um suspiro escapa.
— Marjorie, eu vou…
Mas antes mesmo de terminar a frase, ele explode na minha boca.
O jato quente não me pega desprevenida. Engulo até a última gota,
usando a língua para prolongar o prazer dele. Seth não consegue segurar o
grito, piscando diversas vezes antes de voltar para a Terra.
Quando seus olhos me encontram, um brilho de admiração e amor
me pegam completamente de surpresa.
— Você é boa pra caralho nisso.
Passo a mão sobre a boca, limpando os últimos vestígios de seu
gozo na minha boca.
Ele me observa com devoção.
Minha pele arrepia com a intensidade de seu olhar.
Lentamente, fico de pé. Nossos rostos estão próximos pra caramba
agora, e se por um momento pensei que ele poderia ter nojo de me beijar
depois de eu ter engolido todo o seu gozo, não poderia estar mais errada.
Seth segura a minha nuca, me puxando para um beijo que me deixa
fora de órbita. A sua boca é quente contra mim, e a sua língua… Porra…
Ele me beija como se estivesse tentando memorizar cada pedaço meu.
É viciante. Inebriante.
Está acabando com todo o meu bom senso e dizimando o que resta
da minha vergonha na cara. Se continuarmos assim, não vou responder por
mim.
Suas mãos percorrem o meu corpo quase em desespero. Parece que
ele não tem o suficiente de mim e precisa de mais, mais, mais e mais.
— Você é tão gostosa.
Sorrio contra a sua boca, sorvendo seu gosto como uma maldita
viciada.
Seu pau continua duro contra a minha barriga. Quando Seth desce
seus beijos viciantes até o meu pescoço, jogo a cabeça para trás,
concedendo-lhe ainda mais acesso.
Escorrego minha mão entre nós, segurando seu pau com
possessividade. Começo a fazer movimentos de vai e vem lentamente, mas
Seth gemecontra a minha pele, se afastando com cuidado.
— Eu já me diverti. Está na sua vez.
— Mas quem disse que chupar você não está sendo divertido pra
mim?
Ofegando, ele fecha os olhos, encostando a testa no meu ombro. 
— Porra, Marjorie. Você não pode me dizer uma coisa dessa.
— Estou sendo sincera.
Ele me puxa contra o próprio corpo, me abraçando de maneira
protetora. Inalo seu cheiro, me afundando perdidamente nele.
— Eu sei, amor. E é por isso que você vai acabar sendo a minha
morte algum dia.
Sinto seus lábios macios no topo da minha cabeça um segundo
depois. Em seguida, ele me puxa até que estamos frente a frente. Segura
meu rosto com ambas as mãos, carinhoso. E então, só então, desce a boca
para deixar um beijo doce na minha testa.
Depois na minha bochecha esquerda.
Na bochecha direita.
Na pontinha do meu nariz.
E quando já estou ofegando, tomada pela expectativa, ele finalmente
gruda a boca na minha.
Capturo seus lábios como uma esfomeada. Aproveitando cada
segundo do seu beijo, me perco nele.
No cheiro amadeirado.
Nos cabelos rebeldes.
No corpo forte.
Nos braços imensos que agora rodeiam a minha cintura.
— Quero chupar você. — A voz dele está rouca, sensual. 
Sinto uma fisgada no meio das pernas, e tenho certeza que minha
expressão está retorcida em um pedido mudo.
Por favor, faça isso. Por favor. Por favor.
Sorrindo, ele me guia até a cama. Vou me deitando com cautela, sem
perder o contato visual com Seth nem por um segundo sequer.
— Você já fez isso antes? — pergunta ele, por fim. O tom de voz
parece casual, mas o brilho perigoso no olhar me mostra o quanto está
preocupado com a resposta.
Dou de ombros.
— Não. Sempre achei íntimo demais.
Seth sorri, aliviado.
Em seguida, se abaixa para mergulhar em mim. Sua boca está
pressionando a minha, e nós nos beijamos lentamente. Puxo seu lábio
inferior entre os dentes, enquanto Seth começa a me tocar.
Suas mãos vagueiam entre o vale dos meus seios, o que lentamente
começa a me causar desespero para senti-lo o mais perto humanamente
possível de mim.
Diferente de todas as outras vezes, nosso beijo parece quase casto. O
desespero, o fogo e a paixão continuam em algum cantinho, mas estamos
nos divertindo muito em aproveitar cada segundo dessa pegação.
Ele se afasta um pouco só para conseguir ler a minha expressão.
Estou com tanto tesão que começo a mover meus quadris, procurando
qualquer fricção para receber alívio.
Isso parece deixá-lo satisfeito pra caralho.
Sua boca busca a minha como se eu fosse uma necessidade. Seus
beijos lentos e provocantes às vezes se transformam em um punhado de
selinhos carinhosos, e só quando estou praticamente derretendo contra a
cama, tão louca de desejo por ele, é que Seth parece ter piedade de mim.
— Calma, Marjorie — ofega.
Meu estômago dá cambalhotas quando ele começa a levantar o meu
top. Meus seios estão à mostra, e o grunhido que ele solta é o suficiente
para me fazer inclinar o corpo em sua direção.
Seth se abaixa para colocar um mamilo na boca. O primeiro contato
de sua língua quente contra a minha pele me arranca um gemido. Isso o
deixa ainda mais empenhado e ele começa a chupar com vontade.
Porra…
Ele começa a revezar. Agarra meus dois seios com as mãos cheias,
alternando os beijos entre um e outro. A visão é o suficiente para me levar à
loucura, mas isso não parece ser o suficiente para ele.
Começo a me contorcer na cama, tão inebriada por seus beijos
provocantes que só consigo abrir as pernas, ansiosa para sentir seu pau
contra a minha intimidade latejante. Não será necessário mais do que umas
esfregadas até eu explodir de vez.
Então é assim que essas coisas são quando você realmente sente um
tesão absurdo na pessoa que está na sua cama?
— Poderia passar o dia todo fazendo isso — murmura ele,
abocanhando meu peito mais uma vez. — Você me deixa louco.
Olha quem fala…
Respirando fundo, eu puxo seu queixo. Seth está me encarando com
os olhos vidrados, a respiração ofegante.
— Chega de brincar — imploro, muito excitada. 
Respiro fundo quando ele finalmente parece pronto para continuar o
que começou. Devagar, Seth percorre o meu corpo com seu olhar faminto.
Os dedos traçam linhas invisíveis sobre a minha pele, causando arrepios por
onde passa.
Ele desabotoa o meu zíper. Seus polegares se prendem nos
passadores do meu short. Sem delicadeza, ele puxa a peça até os meus
tornozelos, arrancando-o de mim sem paciência.
Quando seu olhar recai na minha calcinha de renda, ele me lança um
olhar torturado.
— Você é a mulher mais bonita que eu já vi. Estou falando sério,
Marjorie. Não existe ninguém nesse mundo que se compare — diz, me
encarando intensamente.
O olhar poderoso me tira do eixo por alguns segundos. Não consigo
respirar, não consigo desviar o rosto, não consigo me concentrar em mais
nada que não seja como ele está me fazendo sentir.
E então, como se não pudesse esperar mais nenhum segundo, Seth
deixa um beijo molhado na minha barriga. Imediatamente me apoio nos
meus cotovelos, ávida para acompanhar cada movimento dele.
Seu cabelo ondulado faz cócegas na minha pele conforme vai
arrastando os beijos por todo o meu corpo. Primeiro na virilha, o que me faz
arquear de tanto tesão. Em seguida, na minha coxa esquerda. Seth vai
passando a língua por toda a extensão da minha perna, usando uma das
mãos para massagear a minha panturrilha.
Ele faz o mesmo com a perna direita, e só quando eu estou suada,
murmurando palavras inaudíveis e implorando por mais, é que finalmente
se concentra no lugar onde eu mais preciso dele.
Seth segura as minhas coxas, abrindo-as ainda mais para ele.
Franzindo o cenho, eu dou uma olhada em como ele fica perfeito com o
rosto entre as minhas pernas.
Ele logo abre um sorriso safado para mim, inspirando
profundamente o meu cheiro por cima da calcinha.
Minha boca fica seca.
Meu coração dispara.
Uma descarga de prazer irradia por todo o meu corpo. Nunca estive
tão excitada na vida, e ele mal me tocou.
Jamais imaginei que Seth poderia ser tão devasso assim.
Engasgo quando sinto sua boca quente pressionada contra mim.
Seth me beija por cima do tecido, um gesto tão carinhoso que praticamente
me faz fundir entre os lençóis da cama.
Estou muito quente.
Depois de mais um tempo me provocando, Seth finalmente se livra
da minha calcinha. Nem espera eu me recuperar totalmente de todas as
carícias deliciosas quando, sem aviso prévio, desliza a língua sobre a minha
pele.
Arquejo, ofegante com a sensação que me pega completamente de
surpresa. 
O rastro de sua boca contra a minha boceta parecia fogo. E a cada
passada de língua, cada sucção, cada raspar de dentes, eu me sentia mais
perdida. Mais adorada. Mais amada. Mais rendida… Por cada pedaço dele.
Seth não para. Ele não me dá trégua quando avança sobre a minha
pele, como um homem louco pela sua mulher. As mãos seguram a minha
coxa com firmeza, mantendo-me parada para o seu bel-prazer.
Lágrimas escorrem dos meus olhos enquanto me contorço em cima
da cama sem parar. Minhas mãos agarram seus cabelos, meus quadris
arqueiam. Estou balbuciando palavras sem sentido, frases que não
compreendo.
Posso muito bem morrer e ainda assim seria o dia mais feliz da
minha vida.
Ele move a boca pelo meu clitóris, arrancando um gritinho
estrangulado de mim. Arregalo os olhos, surpresa por suas habilidades com
a língua. 
— Seu gosto… — Seth deixa um beijo na parte interna da minha
coxa, erguendo o olhar faminto para mim. — É a melhor coisa que eu já
provei.
E então volta ao trabalho, usando a boca para me torturar.
Não consigo me conter dessa vez.
Movo os quadris, cavalgando o seu rosto desesperadamente. Preciso
gozar. Não vou durar muito tempo.
Seus cabelos se tornam rédeas em minhas mãos. Eu agarro e, por
um momento, pensei estar machucando-o. No entanto, quando faço menção
de soltá-lo, Seth resmunga “não para”.
Ele gosta disso tanto quanto eu.
Minhas pernas estão tremendo ao redor de seu rosto quando meu
orgasmo irrompe por cada parte minha. Reviro os olhos de prazer, sem me
importar com o barulho. Engasgo ao senti-loainda em mim, lambendo e
chupando a minha boceta até os tremores pararem por completo.
Ainda não estou totalmente recuperada quando ele começa a subir
beijos carinhosos por todo o meu corpo. 
Me sinto mole, acabada. Ainda assim, a sensação que se sobressai é
a satisfação.
Nunca me senti tão satisfeita antes.
Quando ele está em cima de mim novamente, trocamos mais um
beijo molhado. Passo os dedos por seus cabelos, agora ainda mais
despenteados do que antes.
— Espero que isso signifique que estou perdoado — é o que ele diz,
brincalhão.
Mas não tenho forças para brincar agora.
Estou dizimada. Morta.
E preciso desesperadamente comer alguma coisa.
— Você é muito bom nisso — uso as mesmas palavras que ele disse
para mim. — Já tinha feito alguma vez?
Seth dá de ombros.
— Uma vez. Foi recentemente, durante uma festa. — Sua expressão
parece dolorosa. Decido ignorar a pontada de ciúmes que me atinge. — Não
passou disso. Eu juro.
Sorrio.
— Foi a Suzan?
Ele coloca a língua para fora.
— Não. Nós dois só nos beijamos. Mas e você e o Chad?
Sinto minhas bochechas esquentarem.
— Nós não transamos, se é o que quer saber. Ele já… Você sabe…
— Meu Deus, como paramos nessa conversa? — Ele já usou os dedos em
mim. E eu… Já usei a boca em um cara. Mas já tem tempo.
O maxilar de Seth fica tenso.
— Mas ninguém me fez sentir o que eu senti hoje com você. Eu
nem sabia que era capaz de ter tanto prazer — confesso baixinho.
Ele passa o polegar carinhosamente pela minha bochecha, sério.
— Eu também não. Isso… — Seth engole em seco. — Nós fomos
feitos um para o outro. Você sabe disso, não sabe?
Fecho os olhos.
Embora eu tenha medo de admitir, sei que é verdade.
Seth Samuels foi feito sob medida para mim. E esse molde é tão
específico que só ele parece encaixar perfeitamente.
E, garota, você se apaixona de novo
Você me diz que está tudo acontecendo de novo
Estamos correndo ao luar
Você poderia me mostrar o caminho de novo?
MOONLIGHT | Chase Atlantic
Não quero mais levantar dessa cama.
Quero continuar exatamente onde estamos. Com Marjorie deitada
sobre o meu peito, respirando profundamente enquanto passo os dedos
carinhosamente por suas costas.
— Acha que fizemos uma besteira? — pergunta, depois de alguns
segundos em silêncio.
Me reteso.
— Está arrependida?
— Não, nem um pouco. Mas estou com medo.
— Vamos dar um jeito, Marjorie. Não estou mais disposto a perder
você.
Ela suspira.
— Eu sei… Mas ainda assim, fico preocupada. Tudo parece tão
perfeito, tão incrível. É o que dizem. Quando você está numa fase muito
boa, a única opção é decair.
— Não vamos decair. Estou aqui com você.
Marjorie vira o rosto até encostar os lábios macios sobre a minha
pele. Meu corpo arrepia na mesma hora, meu pau endurece. Não queria
fazer tudo em um único dia, mas se ela continuar me tocando assim, não
vou resistir.
— Hm… — murmura ela. — Ainda não consigo acreditar em como
você está gostoso. 
Estreito os olhos.
— Você costumava dizer que me achava bonito.
— E era verdade. Você sempre foi lindo e nunca precisou de mim
para saber disso.
Abro um sorriso convencido.
— É, tem razão.
É a vez da Marjorie me dar um tapa de brincadeira no abdômen.
— Convencido! Mas falando sério, você sempre foi mesmo um
gato. É só que a sua versão atleta é… — ela suspira, lambendo a minha
barriga sem vergonha nenhuma. Me contraio, sentindo o meu sangue ferver.
— Inacreditável. Irresistível. 
Engulo em seco.
— Se eu soubesse que para te seduzir era necessário só andar sem
camisa por aí, já estaríamos juntos desde o primeiro reencontro.
— Digo e repito: convencido. 
— Mas você gosta.
— Até que não é tão ruim. — Ela levanta o rosto perfeito para
encarar o meu. Seus olhos estão brilhando de alegria, e ela está tão linda
com o rosto satisfeito, os lábios inchados por causa dos beijos que
trocamos, a pele toda vermelha. É uma visão tão poderosa que me atinge
em cheio. 
Meu Deus, como eu amo essa garota.
Como sou loucamente apaixonado por ela.
Puxo-a para cima, grudando nossas bocas mais uma vez. Ela
corresponde na mesma intensidade, praticamente derretendo em cima de
mim. As mãos começam a bagunçar o meu cabelo, a respiração fica cada
vez mais rarefeita.
Ela está sentada sobre o meu colo, mexendo os quadris em cima do
meu pau quando alguém pigarreia atrás da porta:
— Vocês deveriam sair para comer alguma coisa antes!
Marjorie arregala os olhos, se separando de mim na mesma
velocidade que me agarrou.
Vou matar quem quer que esteja nos atrapalhando. Lenta e
dolorosamente.
Envergonhada, ela coloca a mão sobre a boca. 
Irritado, eu atiro de volta:
— Nos deixe em paz!
Uma sequência de risadinhas segue do lado de fora, e eu sei que não
tem como arrastar Marjorie de volta para a cama.
Suspirando, eu me coloco de pé.
— Fica calma. São só os nossos amigos.
Ela parece genuinamente preocupada.
— Será que nos escutaram?
Dou de ombros.
— Quem liga? Se ouviram, que bom. Assim todo mundo sabe que
você é minha.
Ela me dá um tapinha no braço.
— Estou falando sério!
— E eu também. Foda-se se nos escutaram. Acha mesmo que Diana
e Jason não estão transando enlouquecidamente desde que voltamos? Tenho
minhas dúvidas até sobre Charlotte e Peter. Então, quem liga se nos
escutaram?
Marjorie suaviza o olhar, embora ainda não pareça totalmente
relaxada.
— Deveríamos comer alguma coisa — desconversa.
Sorrindo, eu a puxo para um abraço. Adoro como a nossa diferença
de altura faz ela praticamente ser engolida por mim, escondida entre meus
braços.
— Você tem razão — respondo, e então beijo sua testa.
Eles não conseguem disfarçar.
Estão todos nos encarando na cozinha, os sorrisos sugestivos e as
sobrancelhas arqueadas. Acho um pouco engraçado, mas a minha real
preocupação é com a garota escondida atrás de mim.
Marjorie está com vergonha.
— É bom saber que vocês estão bem — é Diana que quebra o
silêncio. — Estávamos pensando em quem iria chamar vocês para o jantar.
Tento me manter o mais neutro possível.
— Achamos que não tinha mais ninguém em casa.
Jason ajeita os óculos sobre o rosto.
— Chegamos há quarenta minutos. Mas pelo barulho que estava
vindo do quarto, ninguém quis chamar vocês para uma noite de filme.
Estou pronto para abrir a boca e dizer que não queremos fazer parte
disso, quando Marjorie finalmente dá um passo à frente.
— Filme? Que tipo de filme?
Charlotte começa a bater palmas, animada.
— Eu pensei em Como Perder um Homem em Dez Dias.
Diana concorda com a cabeça.
— Ou Dez Coisas Que Eu Odeio em Você. 
Peter faz uma careta, a expressão exasperada praticamente pedindo
socorro.
— Por favor, nada de filme com sete palavras no título. 
— Nós somos maioria, gatinho. Você não vai ter vez aqui — rebate
Charlotte, altiva.
— Não fizemos nenhuma votação ainda.
— Pelo amor de Deus… Diana e eu estamos em concordância, e
Marjorie sendo minha melhor amiga com certeza vai me apoiar. Sendo
assim, já temos os votos de Jason e Seth a nosso favor.
Peter estreita os olhos.
— Eles não disseram nada disso.
— Acha mesmo que eles vão contra as próprias namoradas?
Meu olhar dispara até Marjorie. Ela abaixa a cabeça, um tanto
quanto sem graça por escutar Charlotte se referir a nós dessa forma.
Já eu, sinto como se pudesse dar cambalhotas por aí.
Puxo-a delicadamente em minha direção, deixando um beijo
carinhoso em sua bochecha.
Não quero deixar a discussão de Peter e Charlotte se estender por
muito tempo, eu intervenho:
— Ela tem razão, cara. As meninas sempre vão acabar escolhendo o
filme.
Charlotte acena na minha direção em sinal de aprovação.
— Não falei?
No final das contas, o filme escolhido é Todos Menos Você. Uma
comédia romântica entre duas pessoas que se conheceram, passaram um dia
incrível juntas e depois começaram a se odiar. Acabam indo parar em uma
casa por alguns dias por causa de um casamento e então decidem fingir um
envolvimento.
Diana e Jason ficaram responsáveis pela comida. Fizeram pipoca,
sanduíches e também esquentaram o restante das panquecas que fizemos
pela manhã. Enquanto isso, Marjorie e eu arrumamos a sala de estar.
Colocamostodos os travesseiros, cobertores e colchões disponíveis no
chalé. A Peter e Charlotte foi dada a missão de fazer a televisão funcionar.
As tomadas do acampamento estavam um pouco instáveis graças às chuvas
dos últimos dias, mas os dois conseguiram achar uma solução. 
As meninas decidiram tomar um banho antes de começarmos a
sessão de cinema, então nos restou aguardar. Marjorie me lançou um olhar
sugestivo antes de ir ao banheiro, e eu só consegui pensar em como terei
que beijar e chupar cada parte do seu corpo novamente quando formos
dormir apenas para marcá-la com o meu cheiro novamente.
Me sinto endurecer só de pensar nisso.
— Qual é o lance rolando entre você e a Charlotte, cara? —
pergunta Jason para Peter, atraindo a minha atenção.
Ao ouvir o nome dela, Peter revira os olhos.
— Quero distância dessa garota. É instável, tagarela e, ainda por
cima… Líder de torcida. 
Me empertigo assim que escuto o tom de desprezo em sua voz.
Jason também parece pronto para socá-lo.
Percebendo o erro que acabou de cometer, Peter ergue as mãos na
defensiva.
— Calma. Não tenho nada contra líderes de torcida… Só não gosto
de garotas como ela. — O maxilar dele fica tenso. — Antes de ir para a
faculdade, eu estudei em uma escola de elite. Jason sabe disso. Nunca fui de
me enturmar, de fazer parte do grupinho legal. Minha irmã mais nova a
mesma coisa. E essas líderes de torcida… — Meu olhar recai sobre sua
mão, que está abrindo e fechando. — Elas atormentaram muito a Peyton.
Fizeram da vida dela um verdadeiro inferno. Todas tinham o mesmo perfil
da Charlotte. Achavam que o mundo girava em torno delas, sempre com o
queixo erguido para nós dois. — Peter balança a cabeça, o rosto impassível.
— Não me importo de dividir o quarto com ela, mas não aconteceu entre
nós e nunca vai.
Quero soltar uma risada irônica e murmurar que não é isso que
parece. Tenho quase certeza que alguma coisa rolou entre esses dois,
embora Peter negue veementemente. 
Jason, no entanto, apenas lança um aceno de cabeça para o primo.
— Espero que você tenha sido honesto com ela, Peter. Por mais que
você tenha seus traumas, a garota não tem culpa.
Ele assente rapidamente, mudando de assunto logo em seguida.
Jason e eu nos entreolhamos, um silêncio desconfortável se
instalando entre nós.
Conversamos amenidades até as garotas voltarem. Charlotte sentou
do lado oposto de Peter, uma expressão muito contida. 
Marjorie não fez cerimônia ao vir diretamente para os meus braços.
Agarrei-a por trás, deixando uma trilha de beijos pela base do seu pescoço,
conforme ela nos embrulhava com uma das mantas. 
Enquanto assistimos a comédia romântica mais exagerada que eu já
tinha visto, só consegui me lembrar de quando estive assim com Suzan,
alguns dias atrás. Não chegou nem perto de ser tão bom como está sendo
agora. 
Estamos chegando nos minutos finais do filme quando ela sussurra
no meu ouvido:
— Vou dizer que estou com sono e ir para o quarto. Quer me
encontrar lá? — O tom malicioso não deixa espaço para outras
interpretações.
Ela é realmente o amor da minha vida mesmo.
Meu corpo inteiro parece estar formigando quando entro no quarto,
ávido por estar novamente com Marjorie. Tenho certeza que ninguém caiu
na conversa de que estávamos cansados, os garotos ergueram as
sobrancelhas enquanto as meninas trocavam risadinhas. 
Aposto que a minha expressão afobada não ajudou muito, mas não
estou nem aí.
Marjorie está apenas de lingerie quando a encontro, deitada na ponta
da cama. 
Meu coração dispara, secando-a dos pés à cabeça.
Sem conseguir me conter, abro um sorriso malicioso.
— Você trouxe isso pra cá? Pode assumir, Marjorie. Você estava
pronta para pegar o seu homem de volta — brinco.
Os olhos dela parecem dobrar de tamanho.
— A Charlotte colocou algumas peças mais sensuais na minha mala.
Tenho uma amiga terrível, sabe?
— Terrível nada. Você tem uma amiga incrível, isso sim.
Ela revira os olhos.
— Então está aprovado? — E como se a visão não fosse o suficiente
para me deixar de joelhos, ela fica de pé e dá uma volta, se exibindo para
mim.
Porra.
Em questão de segundos, eu a alcanço. 
Agarro-a sem parar, beijando sua boca gostosa enquanto desço as
mãos até a sua bunda. Marjorie suspira contra os meus lábios, tão receptiva
que me faz praticamente rosnar.
Preciso tê-la.
Mas não aqui.
Não antes de conversarmos sobre o nosso relacionamento. De
sermos francos um com o outro e nos tornarmos um casal de verdade.
Quando eu a afasto, seu olhar excitado quase me mata.
— O que foi?
Eu a abraço, tentando acalmá-la. Vai ser uma tarefa praticamente
impossível se ela estiver tão excitada quanto eu.
— Não precisamos fazer tudo em um dia só, Marjorie. 
Ela choraminga baixinho no meu ombro.
— Mas eu quero, Seth. Quero tanto você…
Merda, merda, merda. Se ela continuar falando isso…
— Calma, amor. Nós vamos ter o resto das nossas vidas para fazer
tudo o que quisermos. 
Mas ela não parece tão certa disso.
Segura a minha nuca e gruda nossas bocas, tão desesperada por mim
que quase me faz ceder. Mantenho-a parada sob o meu aperto enquanto
ofereço beijos lentos e carinhosos sem moderação. 
Isso não é o suficiente para ela, que tenta com afinco se libertar das
minhas mãos. Quando consegue, começa a passar os dedos por todo o meu
peito, afoita para se livrar das minhas roupas.
Paro novamente.
Ela grunhe, frustrada.
Seguro seus pulsos com delicadeza, deixando um beijo na palma da
sua mão.
— Se estamos mesmo juntos, vamos nos encontrar outras vezes. Eu
nunca fiz isso antes, Marjorie — confesso baixinho. — E eu gosto de
pensar que a nossa primeira vez merece mais do que uma casa com outras
pessoas no sofá. Acho que merecemos um espaço só nosso. Um lugar que
não vamos precisar nos conter, abafar os gemidos ou fazer a caminhada da
vergonha no dia seguinte. — Sorrio. — Sem contar que, quando eu tiver
você pela primeira vez, aposto que vou me viciar. E vou querer ficar pelado
vinte e quatro horas por dia. Quer mesmo dar essa visão para as suas
amigas?
A expressão de Marjorie suaviza, os olhos brilhando com
compreensão.
— Eu entendo.
Dou mais um beijo nela.
— É por isso que você é tão incrível.
Marjorie me encara intensamente quando diz as palavras mais lindas
do mundo para mim:
— Eu também nunca fiz. Você sabe… — Gesticula, sem graça. —
Estava esperando o momento certo com Chad. Nunca me senti pronta, mas
acho que não tem nada a ver com o lugar. Não seria certo com mais
ninguém além de você, Seth. Sempre soube disso.
Quero gritar de felicidade e alegria.
Gosto de pensar que sou muito mais maduro do que a maioria dos
neandertais possessivos que acham que uma mulher não pode ter uma vida
sexual ativa antes deles. Mas eu tive a sorte de encontrar o amor verdadeiro
antes mesmo de pensar em beijar uma garota, e saber que ela me esperou,
assim como eu por ela, me deixa contente pra caralho.
Sem conseguir aguentar, capturo sua boca com um beijo quente. Sua
língua encontra a minha, afoita, ansiosa, faminta. Minhas mãos começam a
passear por todo o seu corpo, nossas respirações ficam cada vez mais
pesadas. 
Marjorie geme baixinho, e eu sinto o meu corpo incendiar. 
— Eu realmente concordo com o que você acabou de sugerir, Seth.
Também quero que a nossa primeira vez seja especial. Mas estou morrendo
aqui. — Suas pupilas estão dilatadas, o corpo seminu arrepiado. — Preciso
de alívio.
Sorrindo, eu deixo um beijo em seu pescoço.
— Eu posso te dar isso. Deita na cama.
Ela me obedece sem pestanejar. A visão dela espalhada entre os
lençóis é tentadora demais para resistir, mas uma ideia me ocorre.
Vou até o guarda-roupa, ouvindo-a me chamar baixinho. 
No entanto, sou um homem com uma missão. 
Não é necessário muito esforço para encontrar o vibrador escondido
entre suas roupas. Quando me viro, segurando o brinquedo entre os dedos,
os olhos de Marjorie ficam maiores.
— Seth…
— Você confia em mim?
Ela morde o lábio inferior, assentindo lentamente com a cabeça.
— Confio, mas…
— Prometo que vai ser bom. 
Os olhos brilham de curiosidade. 
Quando aperto o botãozinhoque faz o aparelho vibrar na minha
mão, arqueio a sobrancelha para ela. Marjorie ri, afastando ainda mais as
coxas.
Um convite claro.
Lambo os lábios, sem conseguir acreditar em como a vida pode ser
incrível. 
Quando a minha boca encontra o clitóris de Marjorie, estou no céu.
Ouvi-la gemer e implorar por mais quando uso a vibração do brinquedo
para aumentar o seu prazer quase me faz gozar. 
Mas nada se compara à sensação de senti-la puxar o meu cabelo,
rebolando feito louca contra o meu rosto em busca do próprio orgasmo. 
Quando ergo a cabeça para encará-la, a visão de vê-la buscando por
ar, totalmente fora de órbita e bêbada de prazer, é o suficiente para me levar
ao limite.
Minha missão a partir de hoje é deixá-la assim sempre que eu puder.
É uma promessa.
Eu quero te abraçar quando não deveria
Quando estou deitada ao lado de outra pessoa
Você está preso na minha cabeça
E eu não consigo te tirar dela
Se eu pudesse fazer tudo outra vez
Eu sei que eu voltaria para você
Back To You | Selena Gomez
quatorze anos de idade
Sexta-Feira:
“Querido diário, Seth apareceu com uma marca de beijo na
bochecha hoje. Eu sei que foi obra da Mandy. Ela usa um gloss vermelho
que sai com muita facilidade, e é uma marca registrada quando algum
garoto aparece com ele no corpo. Ela é líder de torcida na minha antiga
escola — a mesma que o Seth continua frequentando — e eu só soube disso
porque meus pais decidiram fazer uma videochamada com a família dele
bem na hora que Seth chegou da escola.
Você precisava ver como ele tentou esconder de mim. Minha mãe
riu, achando bonitinho como ele se preocupava com isso.
Eu não.
Fiquei com raiva. Muita raiva. Tanta raiva, diário, que eu aceitei o
convite do Josh para tomar sorvete depois da aula. Ele disse que gostava
muito de mim e não entendia o motivo de eu ser tão fechada. Eu menti,
dizendo que não me sentia bem com a maioria das pessoas.
Ai, por que eu tive que inventar uma coisa dessa?
Agora ele está fazendo questão de me enturmar, diário. Em todos os
lugares possíveis. Me chamando para almoçar com ele, me apresentou para
todos os colegas do time de futebol, até pagou o almoço para mim! 
Levou quase uma semana para eu perdoar Seth totalmente pelo que
aconteceu. Quando aceitei uma ligação dele, nunca o vi tão nervoso.
Gaguejou, jurando de pé junto que não tinha nada com a Mandy. “Ela me
beijou na bochecha para me agradecer pelos livros que derrubou no chão e
eu peguei.” 
Quer dizer, agora além de tudo, eles ainda estão protagonizando
uma cena de filme, diário?! ME DIZ COMO ISSO PODE SER JUSTO? 
Todo mundo sabe que é ASSIM que começa toda história de amor
no ensino médio. Ela deixa os livros caírem, ele pega, os olhos deles se
cruzam E A MELHOR AMIGA QUE SE MUDOU NUNCA MAIS TEM
CONTATO COM O GAROTO.
Não que eu goste do Seth ou algo assim.
Garotos. ECA.”
Sábado:
“Querido Diário, acho que sou uma garota vingativa. Durante o
final de semana, meus pais decidiram ir para San Diego. A família do Seth
tem uma casa na praia que usamos de vez em quando e é bem legal.
Ele estava lá. Usando um boné para trás, com o cabelo despenteado
de sempre. Veio correndo ajudar o meu pai a tirar as malas do carro,
enquanto passei direto para o quarto que normalmente fico quando
estamos por lá. 
E é claro que sendo insensível como ele é, não respeitou o meu
momento de dor e decidiu ESMURRAR a porta do quarto.
Eu o ignorei, claro. Aprendi com a Samantha lições importantes
sobre como tratar os homens que magoam a gente.
Tá, ela me deu esses conselhos para eu usar no futuro com um
namorado, mas quem disse que melhor amigo não pode ser um saco
também? Talvez assim ele aprendesse a… A NÃO DEIXAR ESTRANHAS
BEIJAREM A BOCHECHA DELE.
Bom, voltando para a parte da vingança: você deveria ver como ele
ficou irritado quando eu disse que também tinha um novo amigo. 
Ele veio todo com desculpas, dizendo: “ah, Mandy tenta ser minha
amiga há muito tempo, e desde que você se foi, nunca mais tive uma amiga
mulher. Eu gosto da companhia feminina também”. EU PRECISEI ME
SEGURAR, DIÁRIO, PARA NÃO PARTIR PRA VIOLÊNCIA.
Eu apenas sorri. Disse que entendia e que também precisava de
uma amizade masculina para equilibrar o meu ciclo social (aprendi essas
palavras na revista Teen Magazine e já usei três vezes essa semana!).
Seth ficou vermelhinho. Nunca tinha visto ele assim (só aquele dia
em que ele comeu um pedaço de lagosta sem saber que era alérgico). 
Agora ele está assistindo Fórmula 1 com o Scott, o que eu sei que
ele odeia, e eu vou me arrumar para ir até a quermesse com os meus pais.
ELES DISSERAM QUE EU POSSO COMPRAR FICHAS PARA JOGAR E
TENTAR CONSEGUIR UM URSINHO DE PELÚCIA!”
Domingo:
“Querido diário, a vingança nem sempre compensa. Alguém tinha
que avisar a gente disso. Porque agora eu me sinto A PIOR PESSOA DO
MUNDO!
Ai, diário, você tinha que ver. Meus pais me levaram naquela
quermesse ontem à noite e eu vi todos aqueles ursos de pelúcia pendurados.
DE VÁRIAS CORES E TAMANHOS! Eu queria todos, óbvio. MAS EU SOU
MUITO RUIM COM JOGOS.
Meu pai até que foi bem legal, comprou várias fichas para eu tentar
acertar. Mas acho que a paciência tem limite e ele também ficou irritado
por ver todo aquele dinheiro indo embora.
“Eu posso comprar o urso para você, Marjorie” ele disse, já me
puxando em direção ao carro.
E então eu fiz uma coisa que uma menina da minha idade não
deveria fazer por causa de um ursinho: eu chorei.
E NÃO FOI UM CHORO BONITINHO, NÃO!
Foi um choro de boca aberta, onde a gente nem consegue falar
direito porque os soluços não deixam. Chorei que nem uma criança de oito
anos fazendo birra, diário. 
Mas a pior parte…
É QUE A FAMÍLIA DO SETH ESCOLHEU ESSE MOMENTO
PARA CHEGAR NA QUERMESSE!
Não tinha como eles serem mais atrasados. 
Samantha veio correndo para tentar me consolar. Scott ficou me
encarando com aquela expressão entediada dele, e Seth… Ele ficou
encarando o meu pai como se quisesse dar um soco nele.
Eu tentei explicar para eles o que estava acontecendo, mas a
verdade é que quando eles vieram todos preocupados comigo, aí é que eu
comecei a chorar de verdade.
Enfim, diário… Depois de minutos sem conseguir falar, finalmente
consegui explicar para eles o que aconteceu. Samantha se ofereceu para
comprar mais fichas para mim, mas acho que meu pai já estava muito
irritado com todo o interrogatório para concordar. 
Fomos embora.
Pensando bem, talvez o motivo dele ter me arrastado para o carro
tão rápido tenha sido aqueles tacos apimentados que comprou em uma das
barraquinhas. Minha mãe avisou que não parecia muito confiável, mas ele
é teimoso demais. Comeu dois de uma vez e foi correndo para o banheiro
quando chegamos.
Eca.
Graças a Deus não sou eu que dorme perto dele.
Eu estava trancada no meu quarto, triste e solitária (e não estou
sendo dramática), quando Samantha gritou para que eu descesse.
Seth estava com um sorriso suspeito. Os irmãos dele também, como
se esperassem que eu reagisse a alguma coisa.
E então, diário…
Ele mostrou o que estava segurando atrás das costas. 
E ERA O URSINHO MAIS FEIO QUE EU JÁ TINHA VISTO.
Eu nunca escolheria aquele ursinho. Ele era pequeno, de um azul
desbotado, e um dos olhos estava descosturado. Ainda assim, quando vi
aquele ursinho…
Comecei a chorar.
DE ALEGRIA.
Acho que agora eu acho ele a coisinha mais linda que eu já vi.
Vou chamá-lo de Senhor Alegria.”
Segunda:
“Querido diário, hoje nós vamos embora. Meus pais já foram bem
legais por me deixarem faltar aula (eu sei que é graças aos tacos
apimentados, já que meu pai não saiu do banheiro a noite inteira, mas
gosto de pensar que é por mim).
É horrível ter que dizer adeus. Odeio morar tão longe de todos eles,
odeio não poder sair com Seth sempre que eu quiser. Josh está sendo legal,
mas não é ele.
Eu dormi com o Senhor Alegria ontem à noite. O que ele tem de
feioso, tem de confortável. Seth veio com uma conversa estranha sobre eu
não precisar mais de uma companhia masculina, já que o urso iria suprir
essa vontade.
Ri muito disso. A Teen Magazine nosavisou sobre como os garotos
escondem o ciúme, mas eu nem precisei usar o artigo da revista para
entender isso.
ELE MESMO CONFESSOU.
Disse que odiava quando eu estava com outros garotos por aí. Eu
disse que odiava quando ele aparecia com marca de gloss de outras garotas
na bochecha.
E aí ele disse que se EU beijasse mais a bochecha dele, ele não
precisaria de outras garotas fazendo isso.
ELE TEM CORAGEM. Não posso negar. Mas o acordo pareceu
bem justo, então peguei o meu gloss favorito e passei até a minha boca
ficar da cor de uma cereja. Seth me ofereceu o rosto e ficou esperando
enquanto eu beijava. 
E beijava.
É, diário, beijei o rosto INTEIRO dele. Ficou todo marcado,
melecado com gloss por toda parte. 
Foi uma outra vingança minha.
QUE NÃO DEU CERTO! (Por que eu ainda tento?).
ELE ADOROU MINHAS MARCAS NO ROSTO DELE. NEM QUIS
LAVAR, DIÁRIO.
EU QUIS MORRER QUANDO A FAMÍLIA DELE VIU AQUILO. 
Meus pais vieram o caminho inteiro me dando sermão sobre ser
muito nova para sentir ciúmes de um garoto, que não é saudável, que é feio
e que garotas que deixam marcas em garotos não devem ser copiadas.
Eu só queria abrir a porta e me jogar no meio da rodovia.
EU JURO.”
Reler alguns dos meus pensamentos quando estava começando a
admitir para mim mesma que gostava do Seth me arranca uma risada
sincera. Eu era tão inocente naquela época…
Tudo isso aconteceu meses antes de irmos para o acampamento
Frozen Lake. Antes dele conhecer Logan e Calliope e decidir confessar sua
paixão por mim. Antes do diagnóstico do avô, antes de fugirmos juntos.
Parece outra vida.
Passar o feriado no acampamento Frozen Lake foi a melhor decisão
que eu poderia ter tomado. Me reconectar com Seth, decidir me entregar
para ele de uma vez por todas, foi incrível.
Mas como todo conto de fadas, uma hora é necessário encarar o
mundo real.
A volta para casa foi infinitamente mais dolorosa do que qualquer
outra vez que nos separamos. Seth não usou a palavra “adeus”, mas sou
bem realista. Charlotte, Diana e eu estamos nos preparando para uma
competição importante na próxima semana. Vamos ter que correr atrás dos
dias sem treino, nos concentrar totalmente no esporte.
Assim como Seth e Jason. Ouvi ambos conversarem sobre como o
treinador do time estava insatisfeito com o número de vitórias da temporada
passada. Algo sobre um dos melhores jogadores deles ter sido transferido e,
por conta disso, prejudicado todo o time.
— Vamos nos ver na próxima semana — prometeu Seth, dando um
beijo na minha testa.
Porém, quando nos afastamos, fui inflexível.
— Vamos nos concentrar no esporte, Seth. Você tem alguns jogos
pela frente e eu tenho duas competições.
Ele recuou, o olhar preocupado procurando desesperadamente o
meu. Tranquilizei-o, colocando a mão protetoramente sobre a sua bochecha.
— Não precisava ficar com medo. Nós vamos nos ver, mas só
quando nossas vidas estiverem nos eixos. Preciso mesmo me concentrar. —
E não estava mentindo.
Ele concordou, mesmo a contragosto.
Depois que ele e Jason nos ajudaram a carregar o carro com todas as
malas, Charlotte e eu pegamos a estrada até Los Angeles. Ela veio o
caminho inteiro reclamando de Peter e sobre como ele é um “babaca
arrogante que consegue ser um engenheiro brilhante, mas é um PORCO!”. 
Palavras dela, não minhas.
Hoje faz três dias desde que voltamos do acampamento. Meu corpo
ainda não se recuperou totalmente de tudo o que Seth me fez sentir, e sinto
borboletas no estômago só de pensar em vê-lo novamente.
Mas antes que isso aconteça, preciso ajeitar todas as pontas soltas da
minha vida. 
Começando por Chad.
Quando ele me ligou perguntando se eu já tinha voltado, quase
vomitei. Não consegui fazer mais do que murmurar um “já sim”, com a voz
mais neutra possível.
É claro que não foi o suficiente para ele. 
Chad me convidou para jantar. Recusei a princípio, me sentindo a
pior pessoa do mundo. Passei o feriado inteiro desejando Seth, beijando-o,
deixando que me tocasse. 
E agora estava pronta para me encontrar com outro?
Charlotte, por sua vez, tinha uma opinião diferente sobre o assunto:
— Eu acho que você deveria conversar com ele. Em um local
público, claro. Só explicar a situação, se desculpar e agradecer por tudo que
ele fez por você. O combo completo.
— Não sei, não…
— Marjorie, com todo o respeito do mundo, que porra é essa? —
Ela arqueia a sobrancelha. — Quer mesmo ser a garota que começa a se
privar de fazer o que quer por causa de um garoto? Seth é legal e tal, não
posso negar, mas ele não é seu dono.
— Seth não tem nada a ver com isso.
— Acho bom. Porque não vou aguentar uma melhor amiga que só
pensa em namorado, só fala de namorado e só faz o que o namorado quer.
Recuo um passo, ferida. Do que Charlotte está falando?
Percebendo o meu silêncio chocado, ela suspira. Os olhos exibem
uma expressão cansada.
— Foi mal. Só estou um pouco irritada essa semana. Não tem nada a
ver com você, ok? Eu sei que você jamais seria esse tipo de pessoa.
Embora nossa discussão tenha me deixado bem para baixo, não
pude deixar seus conselhos de lado. Liguei para Chad e concordei em
encontrá-lo para um café.
O sorriso que ele abre assim que me vê entrar me mata um pouco
por dentro.
O fato de chegar à mesa e dar de cara com meu café preferido
também. Ele escolheu cuidadosamente os meus doces preferidos.
Não mereço esse cara.
A culpa me engolfa de uma vez. É como um monstrinho, devorando
cada parte minha.
— Uau. Você está linda. — Ele arregala os olhos. — Está com um
brilho diferente…
Ai, cara, será que tem como isso piorar?
Sem graça, eu me sento à sua frente. E depois de segundos em um
silêncio enlouquecedor, ele finalmente diz:
— Eu sei que nós dois já acabamos, Marjorie. Pode voltar a respirar.
Arregalo os olhos.
— O quê?
Sorrindo, ele dá de ombros.
— Lembra do meu amigo que indicou o restaurante em que eu te
pedi em namoro? — Assinto, mortificada. — Você conheceu ele por uma
grande coincidência do destino. Vocês estavam no mesmo acampamento.
De repente, memórias me atingem como armas. 
Peter.
Peter é o amigo de Chad. 
Porra… Como eu pude deixar isso passar?
— Calma, Marjorie. Ele é bem reservado, então não diria que é meu
amigo. Não quando você parecia feliz com seu… Amigo.
— Chad, eu sinto…
— Você não precisa se desculpar. Eu não te chamei aqui pra jogar
isso na sua cara — brinca ele. — Muito pelo contrário. Quero agradecer.
— Agradecer?
— Sim. Minhas irmãs começaram a ginástica e estão amando. Não
param de falar como você é incrível. E sinceramente, Marjorie, não culpo
você por ter escolhido ele. Eu jamais poderia priorizar você. Não da
maneira como merece. — Seus olhos gentis encontram os meus. — Mas
gostaria de continuar com a sua amizade. Isso é algo que eu não abro mão.
A lufada de alívio não substitui o sentimento de culpa. Ainda me
sinto péssima por ter dado tanta esperança para Chad em vão. 
Mas saber que não vou perder contato com ele faz tudo ficar ainda
melhor.
Assinto rapidamente com a cabeça, sorrindo.
— Estarei sempre aqui quando precisar, Chad. É uma promessa.
E eu cumpro todas as minhas promessas.
Então, eu fiz o sinal da cruz sobre meu coração descuidado
Abri minhas asas como um paraquedas
Eu sou o albatroz
Eu cheguei para o resgate
The Albatross | Taylor Swift
Ficar três dias sem ver Marjorie é uma tortura.
Só não é pior que esperar ansiosamente por uma ligação o dia
inteiro. 
Ela não me atendeu mais cedo porque disse estar ocupada. “Assunto
urgente”, mandou via mensagem de texto, desligando o telefone em
seguida.
Meu dia estava muito cheio, então me preocupei em seguir Jason
dentro da quadra enquanto nosso treinador continuava berrando sobre como
estávamos sendo um bando de incompetentes.
Mesmo suado, exausto e com os músculos doloridos, minha cabeça
estava me pregando peças sobre as milhares de coisas que poderiam estar
acontecendo com Marjorie agora mesmo.
Depois de diversas ligações recusadas, ela finalmente me atende:
— Oi. Estava quase mandando a polícia atrás de você — brinco,
com um fundo de verdade.
Ela solta umarisadinha.
— Estou bem. Só tive um dia cheio.
— Eu também. O treinador está começando a pegar pesado —
resmungo.
— Nem me fale. Como temos competição na semana que vem, a
nossa treinadora também não está pegando leve. 
Ainda estou sujo por causa do treino, então vou direto para o
chuveiro. Coloco Marjorie no viva-voz antes de entrar embaixo da água.
— Você poderia pelo menos colocar em chamada de vídeo então —
zomba ela. — Seria uma visão e tanto.
— Se hackearem a minha câmera, esse vídeo vai parar em todos os
sites do mundo.
— E você por acaso fica entrando em sites suspeitos para correr
esse risco?
— Não. Mas não confio na tecnologia tanto assim. Prefere arriscar
que meu corpo nu esteja solto no mundão?
Marjorie grunhe.
— Hã, nem pensar. Continue conversando comigo só por voz.
— Ótimo.
Ela fica em silêncio por alguns segundos.
— Eu preciso te contar uma coisa. 
— Fique à vontade.
— Ontem… Quando eu não te atendi. Eu precisei encontrar o
Chad. Não aconteceu nada demais, eu só precisava explicar o motivo de
não poder mais sair com ele.
Paro de me ensaboar na hora.
Coloco a toalha na cintura, buscando outra para secar o corpo.
Marjorie ainda está se explicando, dizendo como nada aconteceu e como
Chad foi muito legal em dizer que quer continuar sendo amigo dela. No
entanto, eu não consigo parar de pensar que ela fez isso pelas minhas
costas.
— Seth? Você está aí?
Respondo, direto:
— Sim.
— Não está chateado, está?
— Por que deveria ficar chateado, Marjorie? Não é como se você
fosse ficar irritada caso eu fizesse o mesmo. Não é?
— O que está querendo dizer?
— Sei lá. Talvez Suzan também queira sair comigo uma última vez.
Precisamos encerrar as coisas.
Ela suspira audivelmente do outro lado da linha.
— Não pensei que isso fosse te incomodar tanto.
— É engraçado você pensar assim, quando sempre foi tão ciumenta.
— Chad e eu não temos mais nada. E sinto muito se você espera
que eu pare de viver a minha vida só porque não consegue estar presente
todos os dias. 
— Isso não tem nada a ver, Marjorie. A palavra é consideração. Já
ouviu falar? Nunca te impediria de encontrar Chad, mas quando você
ignora as minhas ligações e faz isso pelas minhas costas, eu fico chateado.
Marjorie fica em silêncio.
— Não tinha parado para pensar nisso.
— É claro que não. — Reviro os olhos, embora a raiva tenha
amenizado um pouco. — Olha, sei que não vai ser fácil e que precisamos
nos adaptar à nova rotina, mas preciso saber se você está tão disposta
quanto eu.
— É claro que estou! Não quero perder você de novo.
Sorrio.
— É, nem eu.
Nós conversamos por cerca de uma hora. Marjorie não me poupa
dos detalhes sobre a sua rotina na preparação para as nacionais, enquanto eu
confesso as minhas inseguranças sobre ser titular do time agora .
Antes mesmo de desligarmos, sinto meu coração apertar. 
Era horrível dormir sentindo saudades dela, sem saber como
Marjorie estava. No entanto, tê-la de volta na minha vida morando a tantas
horas de distância não é muito melhor.
E pensar em Chad, que está sempre tão perto…
Meu sangue ferve.
Pode ser só um ciúme bobo, mas não gosto de saber que ele está
sempre ao alcance dela.
Não gosto nem um pouco.
Me reviro na cama diversas vezes antes de chegar à conclusão de
que não vou conseguir dormir. 
Estou com muitas saudades.
Antes de me convencer do contrário, decido colocar a minha jaqueta
de couro, pegar o meu capacete e sair com a minha moto. Meu plano inicial
era apenas dar algumas voltas até me sentir cansado o suficiente e pronto
para cair na cama…
Mas, no fim das contas, dirigi mais de cinco horas. 
E não parei até estar quase amanhecendo. Até estar praticamente na
porta dela, com os ombros doloridos, as costas tensas, um cansaço infernal. 
Verdade, desafio, girar garrafas
Você sabe jogar bola, eu conheço Aristóteles
Novinho em folha, a toda velocidade
Toque-me enquanto seus amigos jogam Grand Theft Auto
So High School | Taylor Swift
— Seth? — Pisco diversas vezes, sem conseguir acreditar no que
meus olhos estão vendo. — São quase cinco da manhã.
Ele abre um sorriso sem graça.
— Pensei em aparecer para fazer companhia.
— De madrugada?
— Vai me convidar para entrar ou não?
Dou um passo para o lado, deixando o caminho livre para ele.
Talvez seja o sono, mas realmente não estou conseguindo encaixar
todas as peças. Como ele chegou até aqui tão rápido?
— Você veio com a sua moto?
Ele dá de ombros.
— Sim.
— Seth! Você sabe que isso é perigoso!
Mas ele não parece estar se importando com a minha preocupação.
Sorrindo, me puxa pela cintura, enlaçando seus braços ao meu redor.
— Não estou brincando — aviso, irritada.
Ele gruda os lábios na base do meu pescoço, carinhoso.
— Sei que não, mas estou acabado, Marjorie. Muito cansado.
Estreito os olhos.
— Por que será, né?
— Você poderia me oferecer um banho e então vir dormir comigo.
Não está sendo uma anfitriã gentil.
— Ah, me desculpe. Pessoas não costumam bater na minha porta às
cinco da manhã, sabe?
— Acho bom. Tem muita gente perigosa por aí.
Como se essa fosse a maior preocupação dele…
Mas decido ignorar deliberadamente todas as suas frases sugestivas. 
Levo Seth até o banheiro, preocupada em que desculpa vou usar
para não almoçar com Charlotte hoje. Nós sempre estamos juntas durante o
final de semana, e como eu não planejava estar com Seth hoje…
Ela deve pensar que estou em casa sozinha.
Merda.
— Marjorie! — ele me chama, segundos depois de ligar o chuveiro.
Vou correndo até 0 banheiro, preocupada com o tom urgente em sua
voz. Mas ao chegar lá, encontro-o completamente nu, molhado e…
É.
Digamos que ele parece muito feliz em me ver.
Arqueando a sobrancelha, eu o examino de cima a baixo.
— Preciso de uma toalha — pede, com uma expressão inocente. 
Qual era a minha preocupação de antes mesmo?
Balanço a cabeça, voltando para o planeta Terra.
Foco, Marjorie. Você não pode ficar toda desorientada por causa
de um homem…
Mas é um homem de quase dois metros de altura, braços do
tamanho das minhas coxas, sorrindo malicioso e nem preciso dizer nada do
instrumento incrível que ele possui bem no meio das pernas, preciso?
— Vou pegar — respondo, tentando soar firme.
Seth não consegue segurar a risada.
— Ou você pode me esquentar. É uma possibilidade.
E que possibilidade…
Realmente considero essa ideia, principalmente quando Seth dá um
passo ameaçador na minha direção.
No entanto, ainda estou um pouco brava com ele por ter viajado a
noite inteira em cima de uma moto. Ele poderia ter se machucado! 
— Espera aí — ordeno, me agachando para buscar uma toalha limpa
dentro do meu armário.
Seth geme, e eu sorrio ao constatar que ele provavelmente está
tendo uma visão e tanto da minha bunda.
— Você é uma garota muito cruel.
— Disso você sempre soube.
— Ai — resmunga ele, quando eu atiro a toalha sem muita
delicadeza. 
Reviro os olhos.
— Está com fome?
— Não. Acho que vou só dormir.
— Tudo bem. Vou arrumar o sofá pra você — provoco, vendo-o
arregalar os olhos.
— Você não seria tão má.
Cruzo os braços.
— Tem razão. Não teria coragem de fazer uma coisa dessas… Mas
na próxima vez que você viajar de madrugada sozinho em cima de uma
moto, juro por Deus que a sua família vai receber apenas os ossos.
Seth abre um sorriso tão grande que todos os seus dentes ficam à
mostra.
— Esse é o seu jeitinho carinhoso de dizer que se importa comigo?
— E desde quando eu não me importo, garoto?
— Tem razão. Sempre fui irresistível. Desde criança…
— Você acaba com a minha paciência mesmo. — Franzo o cenho.
— E ainda me acordou às cinco da manhã! 
— Em compensação, vou ser o seu travesseiro humano. Vamos ficar
agarradinhos a manhã toda. Quer coisa melhor?
É, pensando por esse lado…
Mas ainda preciso me fazer de durona, portanto, apenas balanço a
cabeça.
— Você trouxe roupa? — pergunto por fim.
Seth me olha.
— Decidi vir pra cá de última hora. Não deu tempo.
— Vai ter que dormir pelado até a gente conseguir ir ao shopping —
aviso, sentindo um formigamento começar a tomar conta de mim.
Ele ri.
— Não vai me oferecer uma roupa velhasua?
— Uma roupa minha não passa pela sua cabeça nem a pau. Mas
para a sua sorte, não me importo de dividir a cama. — Sorrio, erguendo o
queixo. — Agora vem. Ainda estou muito irritada com você e só tem uma
coisa que você pode fazer para mudar isso.
Os olhos dele escurecem ao notar o tom sugestivo da minha voz.
— Ah, é?
— Sim.
Nós nos encaramos por alguns segundos. Em seguida, Seth avança
em minha direção, me puxando para um beijo que me deixa sem fôlego. 
Quando nos arrasta para dentro do chuveiro, nem me lembro mais o
motivo de estar com raiva. Ao tirar a minha roupa, já sou apenas um misto
de sensações ambulante, precisando desesperadamente do seu toque.
E quando a língua dele entra na jogada…
Vejo estrelas.
aos quatorze anos
Segunda-Feira
“Querido diário, você não vai acreditar! Meus pais finalmente me
deixaram ir para o acampamento da família do Seth. EU NEM CONSIGO
ACREDITAR! Estou tão animada! 
Vamos passar vários dias juntos. Samantha não vai poder ir com a
gente, mas o avô do Seth vai, e ele é muito legal. Sempre deixa a gente
tomar sorvete à noite! Eu vivo falando para o Seth como ele é sortudo por
isso…
Mas infelizmente precisei escolher um esporte para eles
concordarem em me deixar ir até o acampamento. Eu acho que vou fazer
tênis, porque todos os outros parecem muito chatoooos.
Pelo menos o Seth vai estar lá, então acho que vai ser legal.
Bjos.”
Terça-Feira
“Diário, esquece o que eu falei. O Seth realmente está aqui, MAS
NÃO ESTÁ SENDO LEGAL.
Ele é o miss simpatia. Vive sorrindo e conversando com qualquer
pessoa que se aproxima. Até amizade com um jogador de beisebol que está
sendo instrutor ele inventou de fazer!
Minha mãe fica dizendo que eu sou ciumenta demais e que isso deve
ser horrível para quem convive comigo, mas eu sou só uma garota prática.
Se você é meu amigo, por que precisa de mais? EU NÃO SOU O
SUFICIENTE?
Além disso, escutei umas garotas comentando sobre ele ser gatinho.
Acho que uma delas vai convidar ele para sair, e então minhas férias
estarão arruinadas.
QUEM VAI ME ENSINAR A NADAR NO LAGO AGORA?
Quero voltar para casa.”
Quarta-Feira:
“Querido diário, você quase fica órfão.
É sério.
Seth quase me matou do coração. Ele simplesmente trouxe UMA
COBRA pro acampamento! Quero dizer, eu SABIA da existência da Missy
porque ele se gabou uma vez pra mim. Disse que os pais tinham deixado ele
adotar a cobra porque estava tirando notas altas na escola (exibido). Mas
eu não precisava ver, né?
Ele soltou ela no meio da floresta. Disse que ela precisava passear e
que viver na caixa a estressava.
Não vou comentar mais nada, porque a raiva que eu tô dele já é
grande.
Ps: a garota que disse que achou ele gatinho, voltou atrás. Nem ela
conseguiu superar uma coisa DESSA.”
Sábado:
“Diário, desculpa por todos esses dias sem atualizações. A verdade
é que eu esqueci de escrever em você. Mas vamos lá para as atualizações
mais importantes:
Seth estava segurando a mão de uma garota. Na minha frente. Ela
estava rindo e ele também parecia bem feliz.
Perguntei se ele gostava dela. A gente não costuma conversar sobre
essas coisas, mas acho que chegou a hora. 
Sabe o que ele fez? SABE O QUE ELE FEZ?
Só sorriu e murmurou: “ela é legal”. 
ELA. É. LEGAL.
ELA.
É.
LEGAL.
E foi nessa hora, diário… Que eu descobri. DESCOBRI DA PIOR
MANEIRA POSSÍVEL.
Que estou começando a gostar do Seth. Não como amigo. 
Ele até que é bem bonitinho. E está sempre com o cabelo
bagunçado, o que dá uns dez pontos a mais. 
Ai, diário. PRECISO VOLTAR PRA CASA.”
Segunda-Feira:
“Oi, diário. Hoje nós vamos ter que conversar sério aqui. Retiro
todas as acusações ou coisas ruins que eu já falei sobre o Seth. Juro.
Ontem à noite eu nunca o vi tão triste.
Ele invadiu o dormitório das meninas e me pediu ajuda. Nós fomos
para o lago. Estava tudo escuro, cheio de estrelas brilhantes e a lua era a
única luz que tínhamos.
Vou ser direta: o avô dele está morrendo.
Estou escrevendo isso enquanto soluço. Minha boca está cheia de
Cheetos, então a visão não é das melhores.
Mas, poxa… Como é que pode ser justo uma coisa dessas? O vovô
Sam é a melhor pessoa que eu já conheci. Ele é um adulto legal. ELE NOS
DEIXA TOMAR SORVETE DE MADRUGADA! Como ele pode estar
morrendo? Isso não é a coisa mais triste que você já ouviu?
Seth está arrasado. A pior parte de tudo isso é que ninguém contou
pra ele. Ele ouviu a irmã no telefone, então já pode imaginar como as
coisas estão ainda mais confusas. 
Decidi guardar aquele segredinho entre mim e você por enquanto.
Ele tem coisas mais importantes para lidar do que saber sobre a minha
paixão secreta.
Agora eu preciso ir, porque prometi que iria me encontrar com a
Calliope. Depois te explico quem ela é, longa história.”
Domingo:
“Ai, diário… Por onde começar?
Uma semana pode mudar tudo, e eu sou a prova viva disso.
Primeiro: ESTOU VOLTANDO PRA CASA! Eu sei que disse que
estava ansiosa para voltar, mas… Agora não quero mais ir embora.
(Tecnicamente eu JÁ estou no ônibus enquanto escrevo em você,
mas isso não vem ao caso).
Bom, eu acabei contando para o Seth sobre os meus sentimentos.
Não do jeito que eu contei pra você, mas agora ele sabe. 
E ELE GOSTA DE MIM TAMBÉM!
É claro que eu precisei colocar algumas regras agora que já
entendemos que nosso relacionamento vai virar uma coisa maior no futuro. 
Primeiro: ele está proibido de conversar com líderes de torcida. Eu
sei que é radical, mas ainda não superei a Mandy marcando ele com gloss
vermelho. 
Posso ter ameaçado ele caso isso aconteça, então vamos ver se Seth
Samuels é mesmo um garoto esperto.
NÃO ME JULGUE, DIÁRIO.
Já basta a minha mãe! (Ela disse que vou começar a frequentar o
psicólogo semana que vem, então talvez minha opinião mude daqui uns
dias. Vamos ver.).
Até a próxima!”
Diga que iremos juntos pelos mais escuro dos dias
O paraíso está a uma decepção de distância
Nunca te deixarei, nunca me decepcione
Oh, tem sido uma baita de uma jornada
Let Me Love You | Justin Bieber feat. DJ Snake
— Não vou subir nessa coisa — reclama Marjorie, retorcendo o
rosto. 
— Mais respeito com ela, por favor. Essa moto tem sentimentos.
— Estou falando sério, Samuels. Você não vai me levar na garupa
da sua moto como se eu fosse uma fãzinha desesperada. 
— Pensei que você gostasse dos garotos maus — zombo, arqueando
a sobrancelha.
Mas Marjorie permanece irredutível.
— Nem pensar. E eu gosto deles na ficção. Caso contrário, nunca
teria olhado pra você.
— Ei.
— Estou errada? Você é o garoto mais bonzinho que eu conheço —
ela provoca, adorando ver minhas bochechas ficarem vermelhas. — Meus
pais costumavam dizer que você era o amigo perfeito. Parecia tão
inofensivo que deixavam a gente horas no seu quarto sem se preocupar.
Arrisco um sorriso arrogante.
— O que eles diriam se soubesse o que eu fiz com você ontem à
noite, hein?
— Diriam que você fez uma coisa bem deselegante.
E talvez eles estivessem com a razão.
Marjorie me arrastou para o shopping assim que acordamos. Não
consegui dormir nem três horas direito porque ela estava tão gostosa deitada
ao meu lado que não deu para resistir.
Comprei algumas roupas e itens básicos para passar o final de
semana no dormitório dela. Quando estava quase dando a hora do almoço,
ela pediu para Charlotte nos encontrar no shopping.
E… Foi bem estranho. A garota obviamente queria passar um tempo
sozinha com a amiga, então eu aproveitei esse momento para visitar umas
lojas sozinho. Nem estava com grandes pretensões pelos próximos dias,
mas assim que vi a joalheria ao lado da loja de artigos esportivos, senti que
era um sinal.
E ao ver o pequeno diamante rosa naquela aliança, não pensei duas
vezes. Comprei o anel, desejando poder entregar para Marjorie o quanto
antes.
Não sou maluco. Somos jovens demais para pensarmos em
casamento, no entanto… Definitivamente quero oficializar a nossa relação.
Me mata por dentro não poder chamá-la de namorada.
— Marjorie, você precisa confiar em mim — insisto, puxando-a
delicadamente pela cintura. — Acha mesmo que eu colocaria você em
risco?— Ué, você fez isso com você mesmo ontem à noite. Não pense que
eu te perdoei totalmente, viu?
Suspiro.
— Tá bom, eu sou mesmo meio inconsequente. Mas só quando se
trata de mim. Jamais colocaria a sua vida em risco. Nisso você tem que
acreditar.
— Eu acredito. Mas podemos, por favor, por favor, usar o meu
carro? Ele é mais seguro, e eu posso dirigir!
— Se você realmente não quiser ir comigo, tudo bem. Mas eu juro
que sou um bom piloto, caso contrário, acha mesmo que Samantha me
deixaria andar por aí em uma moto?
Ela parece ponderar sobre as minhas palavras por um tempo.
Depois, suspira, finalmente se dando por vencida.
Uma das coisas que eu fiz questão de comprar na nossa ida ao
shopping foi um capacete para ela. Não consegui esconder a sacola ao
voltar para o restaurante em que ela e Charlotte estavam, então a reação de
ambas foi impagável.
— Me diz que você não comprou o que eu acho que comprou —
pediu ela, exasperada, com os olhos arregalados.
— Puta merda, Marjorie. Você vai ser uma daquelas garotas.
— Uma daquelas garotas? Como assim?
Charlotte se empolgou.
— É! Uma daquelas garotas meio bad girls, que usam jaqueta de
couro e gostam de passear de madrugada com o namorado. Vocês deveriam
criar uma conta no Pinterest.
Não entendi uma palavra do que Charlotte disse, mas se o sorriso
convencido de Marjorie for algum sinal, então era algo bom.
— Samuels, se você me derrubar daqui…
— Mais uma ameaça?
— Estou falando sério. Tenho uma competição importante na
próxima semana.
— Também tenho jogo, Marjorie. E se me lembro bem, da última
vez que eu me machuquei foi tentando salvar a sua pele.
Ela me mostra a língua. Depois, finalmente sobe na garupa da minha
moto.
Piloto com Marjorie agarrada a mim, suas coxas firmes me
abraçando. Sempre que paramos em algum sinal vermelho, faço questão de
acariciar suas pernas, para lembrá-la de que somos nós aqui.
Somos nós.
Não acelero muito. Não quero que ela odeie a experiência, mas se os
gritinhos de entusiasmo são algum sinal, acho que Marjorie pode realmente
estar aproveitando o passeio.
O pôr do sol em Santa Bárbara é uma das vistas mais lindas que eu
já vi. Estaciono em frente à praia, mantendo-a por perto. 
Marjorie suspira.
— É tão lindo, não é? Quer dizer, eu moro aqui e tal, mas nunca
parei realmente para admirar essas coisas. 
— Sei bem como é.
Quando ela vira o rosto lindo para mim, está sorrindo.
— Obrigada, Seth. Não só por ter me convencido a vir até aqui na
sua moto, mas também… Por tudo. Sabe? Eu não sabia o quanto eu sentia a
sua falta até encontrá-lo de novo.
— Eu amo você, Marjorie.
A declaração não a surpreende. 
— Eu sei.
Arqueio a sobrancelha.
— Convencida.
— Aprendi com o meu melhor amigo, sabe?
Sorrio.
— Ele deve ser um cara incrível. 
— Ele é o pior, mas gosta de pensar que é mesmo incrível.
Nós dois ficamos por ali apreciando a vista por mais algum tempo.
Só depois que o sol foi embora e as estrelas dominam o céu que eu a levo
para o nosso segundo destino.
Quando estamos chegando perto do parque de diversões, Marjorie
ri. Suas mãos me apertam por trás, as coxas me aprisionando da maneira
mais deliciosa possível.
— Você me trouxe para um parque de diversões.
— Isso. Acho que você me deve uma noite divertida depois do que
aconteceu na última vez em que estivemos em um.
— Primeiro, aquilo lá não era um parque de diversões. Inclusive,
deveria ser proibido ser chamado assim. Segundo, eu estava muito brava
com você.
— Por que não pode ser chamado de parque de diversões? Tinha uns
dois brinquedos. Acho que Scott me fez ir em um.
— Porque ele estava caindo aos pedaços, Seth. Meus pais só me
deixaram ir nas barraquinhas de tiro ao alvo. — Eu estaciono, e ela pula da
garupa. — Sabia que toda vez que eu me lembro de vocês chegando lá
enquanto eu estava morrendo de chorar, eu quero me enterrar de vergonha
alheia?
Meus olhos a percorrem.
— Isso é sério?
— Claro. Como eu disse, foi uma vergonha sem fim. Estava irritada
porque você deixou a Mandy beijar você com aquele gloss.
— Ah, eu me lembro disso. Paguei um preço alto por ajudar a pobre
garota. Você passou um dia inteiro sem querer falar comigo!
— Quem mandou ser tão cheio de gracinha? Todas as garotas da
escola tinham uma queda por você. 
Abro um sorriso convencido.
— Isso inclui você, né?
Ela sorri de volta.
— Eu não estava mais na sua escola naquela época. E meu maior
crush era o Harry Styles.
Fecho a cara na mesma hora.
— É melhor a gente ir. Quero levar você a um lugar — desconverso,
irritado.
Marjorie está sorrindo como uma criança feliz. Gostaria de saber por
que ela parece tão animada por me deixar puto.
É um talento especial dela.
— Não precisa ficar chateado, Seth. Embora eu goste mesmo do
Harry, foi você que eu levei pra cama ontem à noite.
E não é que ela tem razão?
Como num passe de mágica, toda a minha irritação some.
— Marjorie, calma.
— VOCÊ TINHA QUE VER! — Os olhos dela parecem
assustadoramente maiores do que há cinco minutos. — EU FUI
INCRÍVEL!
— Foi mesmo! — exclamo, tentando soar mais alto que a música
irritante do lugar. — Será que vamos conseguir trocar as fichas?
— QUEM LIGA? EU QUERO MAIS!
Sorrindo, eu balanço a cabeça.
Nós fomos direto ao tiro ao alvo. Os olhos de Marjorie brilharam ao
ver a quantidade de ursinhos pendurados na parte da frente da barraca, a
ânsia de conseguir algum evidente.
Mirei um dos alvos com precisão, por muito pouco não acertando
bem no meio. Ainda assim, consegui bons pontos para ela.
O que eu não esperava, no entanto, é que Marjorie fosse tão boa
nesse jogo. Os anos que passou remoendo por não ter conseguido ganhar o
ursinho devem ter sido o responsável por ela ter adquirido essa habilidade.
Fico responsável em comprar cada vez mais fichas, enquanto
Marjorie dizima qualquer pessoa que tenta jogar contra ela. Em
determinado momento, um garoto resmunga sobre ela estar monopolizando
a barraca, para o que ela simplesmente responde: “e eu não pretendo ir
embora tão cedo”.
Acho que criei um monstro.
Depois de muitas horas jogando e praticamente nenhuma derrota,
finalmente conseguimos trocar os pontos por um dos ursos. Temos o
bastante para um grande ou cinco pequenos, e, para a minha surpresa,
Marjorie escolhe a primeira opção.
Enquanto caminha ao meu lado agarrada ao urso gigante, eu
pergunto:
— Pensei que você colecionava esses bichinhos. Não seria melhor
levar os cinco?
— Eu coleciono. E não, não seria melhor. Quantidade nem sempre
equivale à qualidade. Quando eu olhar para esse aqui, vou me lembrar de
que ele tem o tamanho do meu talento.
Sorrio.
Então tá bom.
— Quer comer alguma coisa? — pergunto, animado. — Acho que
tem uma barraca de cachorro quente por aqui.
— Sim, por favor. E pretzels. Talvez um pouco de pipoca. E batata
frita também!
Nós fazemos quatro paradas para pegar toda a comida que Marjorie
quer. Depois, encontramos uma mesinha vazia na parte da alimentação. 
Ela coloca o urso sentado ao seu lado, enquanto ataca primeiro o
cachorro-quente. Na verdade, não é bem um cachorro-quente tradicional. É
uma salsicha em um espeto.
— Já sabe qual o nome vai dar pra ele? — pergunto, fazendo um
meneio de cabeça na direção de seu novo amigo.
Marjorie dá de ombros.
— Estou pensando em Senhor Vitorioso.
— É um padrão? Todos os seus ursos começam com Senhor?
Sorrindo, ela revira os olhos.
— Não, seu bobão. Só os ursos que eu ganho por sua causa. — Me
lança um olhar enviesado. — Portanto, apenas dois. Eles serão irmãos
agora.
— Isso faz de você a mamãe urso e eu o papai urso?
— Haha, que engraçado. — Mas ela realmente está sorrindo. 
— É estranho pensar que eu só dei dois ursos pra você. Temos que
mudar isso urgentemente.
— Não é querendo ser chata, mas eu concordo. Até a Charlotte me
deu mais ursinhos do que você.
Estreito os olhos.
— Toda vez que eu sair de Palo Alto para encontrar você aqui, vou
trazer um urso diferente. Pode começar a pensar em todas as variantes
possíveis usando a palavra “Senhor”, porque em breve vamos ter muitos
ursos.
Os olhos de Marjorie brilham com empolgação.Enquanto eu a assisto devorar a pipoca, batata frita e um pedaço do
meu pretzel, só continuo pensando em como ela é a garota mais linda que
eu já vi.
E não estou dizendo isso apenas pela aparência física.
Marjorie tem uma aura que cativa qualquer um. 
— O que foi? — ela pergunta, piscando os olhos rapidamente. —
Você está me encarando com um sorriso.
Dou de ombros.
— Só estou feliz de estar aqui com você. Existiu uma época em que
eu pensei que isso jamais aconteceria de novo.
Ela se encolhe na cadeira à minha frente.
— É, eu também. — Pigarreia. — Meus pais… Não foram justos.
Nos separar não foi para o meu próprio bem, como disseram. Quero dizer,
realmente éramos apenas adolescentes e fugir foi muito errado. Ainda
assim, estavam com raiva da sua família e me usaram para atingir vocês.
— Marjorie.
— Não, é sério. Seu avô estava enfrentando todos aqueles
problemas de saúde e o meu avô usou isso para conseguir mais campistas
para o próprio acampamento. É claro que a sua família ficaria chateada,
sabe? Não sei por que meus pais se sentiram tão ofendidos com isso — ela
suspira. — As coisas não ocorreram como eles imaginavam. O Frozen Lake
sempre foi amado demais, e os campistas fiéis não migraram para o Frozen
Sun.
— Então seu avô não conseguiu o que queria?
Ela pisca.
— Bom, não completamente. Tivemos novas inscrições e tudo, mas
não durou muito. A estrutura é bem diferente do acampamento de vocês.
— E como seus pais estão hoje?
Marjorie suspira.
— Acho que estão bem. Não conversamos com frequência —
confessa baixinho. — Nem me lembro da última vez em que conversamos
por mais de quinze minutos. Normalmente, eu mando algumas mensagens
atualizando-os sobre a minha vida. Na maioria das vezes, têm a ver com as
competições. Mas nossa relação nunca mais foi a mesma.
— Eles não queriam que você voltasse para a Califórnia, não é?
— De jeito nenhum. Quando eu recebi o e-mail dizendo que minha
aplicação tinha sido aceita pela UCLA, você precisa ver como eles
surtaram. Disseram que não iriam pagar as mensalidades — ela estremece.
— Mas o vovô tinha feito uma conta no banco pra mim quando eu tinha
apenas cinco anos com todo o dinheiro que queria que eu herdasse aos
dezoito anos. É bastante coisa. Consegui pagar todos os cursos da mudança,
além do alojamento.
— Então seus pais não sabem que estamos juntos?
— Se descobrirem, é capaz de aparecerem aqui em cinco segundos.
Minha mãe continua com muita raiva da sua mãe. 
— Bom, é uma pena.
— Realmente. Elas eram tão próximas, né?
Encaro Marjorie atentamente.
— Mas você está bem com isso? — pergunto, firme. — Estar
afastada dos seus pais não te incomoda?
— Se eu dissesse que sim, estaria mentindo. Depois que nós nos
mudamos, eles começaram a controlar tudo o que eu fazia. Monitoravam
meus e-mails, interceptavam ligações, não me deixavam sair. Em geral, se
recusavam a ser razoáveis. Pode parecer clichê de filho adolescente rebelde,
mas eu mal podia esperar para me tornar maior de idade e sair daquela casa.
Meu estômago afunda. Não consigo entender como os pais dela
puderam tratá-la dessa forma. Marjorie errou, nós erramos, mas não tinha
motivo para prenderem a filha dessa forma.
Pigarreio.
— Mesmo com tudo isso, você está feliz?
Ela ergue o queixo para me encarar.
— Que interrogatório é esse?
— Só responda a pergunta.
Marjorie me encara com desconfiança, mas logo volta a se
concentrar na batata frita coberta com queijo à sua frente.
— Eu me considero, sim, uma pessoa bem feliz. Quer dizer, acho
que estou realizando todos os meus sonhos. Entrar para o Bruins se tornou
uma obsessão quando eu fui para o ensino médio, e às vezes nem consigo
acreditar que isso realmente aconteceu. — Ela me atira um olhar
condescendente. — Mas e você, Seth? Você está feliz?
Sorrio.
Essa é a deixa perfeita.
— Eu sempre fui uma pessoa feliz, Marjorie. Sempre. Minha família
nunca deixou que eu me sentisse sozinho. Como você mesma faz questão
de lembrar, fui um garoto popular. Tinha amigos em todos os lugares. Sou
bom no basquete e hoje estou jogando em Stanford. Qualquer pessoa
olhando de fora pode muito bem dizer que tenho a vida perfeita. O que é
curioso, para dizer o mínimo, porque mesmo tendo tudo isso… Me sentia
incompleto. Às vezes, eu me olhava no espelho e me questionava porque eu
nunca estava plenamente satisfeito com a minha vida. Porra, eu tinha tudo!
Então por que nada era o suficiente? — Arrisco um olhar para Marjorie,
que parece estar prendendo a respiração. — A resposta está bem na minha
frente. Era você, Marjorie. Era a sua presença que fazia falta. A sua risada.
O seu ciúme louco, as suas ameaças bem-humoradas. O seu cheiro doce, o
seu cabelo macio. Os seus gritinhos escandalosos, seu olhar irritado quando
eu não sigo algo que você pediu à risca. — Muito lentamente, tiro de dentro
do bolso o anel que comprei na loja. Quando ela nota o que estou
segurando, ofega. — É por isso que eu sei que não consigo mais viver sem
poder chamá-la de minha. Minha namorada. Minha garota. Minha Marjorie.
— Fico em silêncio por algum tempo, e então… — Quer namorar comigo?
Sinta a chuva na sua pele
Ninguém mais pode senti-la por você
Só você pode deixar entrar
Ninguém mais, ninguém mais
Pode falar as palavras nos seus lábios
Unwritten | Natasha Bedingfield
Pisco furiosamente para afastar todas as lágrimas. 
Seth ainda está me encarando, a expressão ansiosa. Meu coração
parece prestes a explodir com todo o amor que estou sentindo por ele agora.
Começo a balançar a cabeça para cima e para baixo freneticamente,
sem conseguir acreditar na sorte que nós temos.
— Sim.
Ele me puxa para um abraço, o semblante aliviado refletindo
exatamente como me sinto.
Alívio.
Alívio porque Seth está aqui, eu o amo tanto.
— Você quase me mata com esse suspense, mulher.
Gargalho.
— E você quase me mata do coração ao puxar esse anel. Pensei que
fosse me pedir em casamento. — Arqueio a sobrancelha.
— Ainda não. Mas também pretendo fazer esse pedido bem em
breve.
Grudo minha boca na sua, sem conseguir acreditar que Seth
Samuels é mesmo o meu namorado.
Namorado.
A palavra mais linda do mundo.
— Você também sempre foi a parte que faltava, Samuels. Sempre
foi você — murmuro com o tom de voz rouco.
Ele me encara com os olhos marejados. 
— Isso parece um sonho.
— Nós seremos melhores do que um sonho — retruco. — Quero
tudo com você, Seth. Tudo. 
Ele sorri.
— Eu também.
Não sei muito bem como as coisas aconteceram tão rápido. De
repente, estava na garupa da moto do Seth, precisando agarrar seu peitoral
com toda a força para não cair. Ele parecia desesperado para chegar logo no
meu alojamento.
Fechei os olhos, aproveitando a brisa fresca que banhava a minha
pele. O capacete impedia que o meu cabelo voasse para todos os lados, mas
as minhas pernas estavam sentindo o efeito do frio. Não saberia dizer se a
pele arrepiada era por causa do vento ou porque Seth apertava a minha coxa
sempre que parávamos em algum sinal.
Assim que ele estacionou na frente do meu dormitório, meu coração
disparou.
— Você sabe que não precisamos fazer absolutamente nada, não é?
Só quero abraçar você um pouco — disse ele, com um meio-sorriso.
Mas meu corpo jamais admitiria isso. Estou muito apaixonada por
esse cara para não deixá-lo me comer essa noite.
Meu Deus. Vou transar.
Finalmente vai acontecer.
Enquanto encaro o meu reflexo no espelho, lanço um sorrisinho para
mim mesma. Entro no chuveiro, fazendo questão de usar o melhor
esfoliante corporal que eu tenho. Ao sair do box, espalho meu óleo e creme
sobre a pele. Escolho a minha lingerie preferida, borrifo o perfume mais
caro que eu tenho. Não lavei o cabelo, então passo o óleo capilar que eu
costumava usar quando éramos adolescentes.
Antes de sair do banheiro, respiro profundamente.
— Tudo bem, Marjorie. É só o Seth.
No entanto, assim que meus olhos encontram os dele do outro lado
do quarto, metade da minha confiança evapora. Porque, caramba, ele é o
cara mais gato que eu já vi.
Seth está sem camisa. Os músculos se contraem quando ele me
encara, a calçacaindo sobre os quadris. 
Ao ver toda a minha preparação, ele engasga.
— Marjorie…
— Eu sei que você disse que não precisamos fazer nada. Mas eu
realmente quero você essa noite, Seth — digo com convicção. — Se você
só quiser dormir, tudo bem. Vou ficar feliz. Mas caso você se sinta pronto…
Eu quero fazer isso.
Ele fecha os olhos, parecendo estar em um grande dilema. 
— Merda. Eu queria fazer isso ser especial pra você. — Balança a
cabeça, exasperado. — Pensei em alugar um quarto em algum hotel cinco
estrelas. Levá-la em uma viagem. 
— Eu não preciso de nada disso, Samuels. Se for com você, vai ser
perfeito.
Isso parece ser o suficiente para ele tomar uma atitude. 
Seth caminha até mim lentamente. Seus olhos verdes examinam
cada pedaço de pele à mostra com uma fome voraz. 
A cada passo em minha direção, sinto minha pele incendiar. Quando
ele está perto o suficiente para me tocar, parece que vou derreter a qualquer
momento.
— Você colocou tudo isso pra mim?
Sorrindo, não consigo evitar revirar os olhos.
— E pra quem mais seria, Samuels?
Seth ri, passando a língua suavemente entre os dentes.
— Você também se arrumou pra mim no acampamento. Admita.
Mordo o lábio inferior.
— Talvez.
— Safada. Você queria me deixar louco.
— Ainda quero. Está funcionando?
— Porra… — E então, como se não aguentasse mais ficar um
centímetro longe de mim, suas mãos imensas me puxam em sua direção. —
Você está tão cheirosa.
Ele desce a boca sobre a minha, sorvendo o meu sabor com calma.
Eu, por outro lado, pareço nunca ter o suficiente dele. 
Nossas línguas se encontram em um beijo lento. Tão lento e
delicioso que sinto o meu desejo pulsando em todos os lugares, meu centro
latejando de necessidade.
As mãos de Seth começam a subir e descer lentamente, fazendo um
carinho sôfrego nas minhas costas. Quando ele se afasta de mim, deixa um
beijo carinhoso na minha têmpora.
— Eu amo muito você.
— Também te amo.
Ele me carrega até a minha cama de solteiro. O tamanho dela pode
ser um problema, tendo em vista que Seth mede quase dois metros. Mas
mesmo que a gente acabe caindo, mesmo que não seja o ideal, ainda assim
será perfeito.
Porque é ele.
E ele é meu.
— Eu sempre fui a fim de você — diz, do nada.
Sorrio.
— Acho que eu sempre soube disso.
— Estou falando sério, Marjorie. Sei que sempre fomos amigos,
mas, no fundo, sempre soube que você seria mais. — Minhas costas
encontram o apoio do travesseiro. — Quando tínhamos doze anos e
assistimos aquele filme Muito Bem Acompanhada… Eu só conseguia
pensar como nada daquilo aconteceria comigo. Porque você e eu
provavelmente estaríamos casados logo depois da faculdade.
Franzindo o cenho, junto às sobrancelhas.
— Isso é sério?
— Sim. Pra mim era tão óbvio que seríamos marido e mulher que
nunca me permiti olhar para mais ninguém. Meus pais achavam que era
coisa de criança, e por muito tempo eu também. — Ele balança a cabeça. —
Demorou até eu entender que não éramos nada disso.
Me apoio sobre os cotovelos, me inclinando o suficiente para roubar
um beijo carinhoso de seus lábios.
— Você estava certo no fim das contas. Sou sua. Sempre fui e
sempre serei.
Os olhos de Seth parecem escurecer ao me ouvir dizer isso.
— Diga de novo.
— Sou sua.
— Mais uma vez.
— Seth Samuels, eu sou sua.
Grunhindo, ele avança sobre mim.
Seu peso me esmaga da forma mais deliciosa possível. Seus dedos
percorrem o meu corpo desesperadamente, sua boca deixa o rastro mais
delicioso contra a minha pele.
— Quero que isso seja perfeito pra você, mas acho que pode doer —
murmura ele, já sentindo culpa.
— Confio em você.
Os olhos de Seth escrutinam cada pedaço meu. Ele parece querer
decorar cada pedacinho do meu corpo.
— Você é tão linda. — E então, deixa um beijo perto da minha
virilha. — Linda pra caralho. — Um beijo agora perigosamente perto de
onde eu preciso de sua atenção. — Vou acabar ficando louco, Marjorie.
Eu também, penso, embora esteja muito concentrada em observar
Seth se inclinando sobre mim para vocalizar qualquer coisa agora.
— Vou chupar você primeiro. Tudo bem?
Assinto rapidamente, ansiosa por todas as sensações que eu sei que
só ele pode me fazer sentir.
Sua boca quente primeiro cobre a minha. Depois de me torturar com
um beijo que me deixa completamente sem fôlego, ele lambe meu queixo.
Vai descendo os lábios por entre o vão dos meus seios, barriga, virilha e
então… Ah!
Ele finalmente chega no destino final.
Com cuidado, Seth retira a minha calcinha. Parece fascinado com o
tecido, observando com curiosidade a peça enquanto eu o encaro, cheia de
expectativa e exalando tesão.
— Você fica linda com isso. Mas, porra, como você fica incrível
quando está completamente nua.
Ai, meu Deus.
Essa língua ainda vai ser o motivo da minha morte.
Abrindo um sorriso safado, Seth leva a minha calcinha até o rosto,
inspirando fundo antes de guardar no bolso de trás da calça.
Engulo em seco.
— Vou levar isso como um souvenir. Você não se importa, não é?
Sem conseguir responder, apenas balanço a cabeça.
— Boa menina.
Não consigo disfarçar a surpresa ao escutar o tom de voz malicioso
de Seth. 
No entanto, não tenho tempo para pensar em como ele parece
devasso falando sacanagens comigo. Porque logo a sua boca habilidosa
planta um beijo lento na minha boceta e… Sinto meu corpo inteiro
estremecer.
— Isso, amor. Abre mais essas pernas pra mim — ordena ele,
inflexível.
Faço exatamente o que ele mandou, deixando-o com ainda mais
acesso à minha carne.
Seth faz os barulhos mais sensuais que eu já ouvi quando passa a
língua por toda a minha extensão. Os lábios se fecham sobre o meu clitóris,
e eu não consigo controlar o gemido.
Ele balança a cabeça para cima e para baixo, me masturbando com a
sua boca. Não demora muito para eu agarrar seus cabelos, puxando com
força. É perceptível o quanto Seth gosta disso, pois também começa a
gemer.
— Adoro quando você me agarra assim. Como se eu fosse seu
brinquedinho sexual — confessa ele. — Me faça te dar um orgasmo,
Marjorie.
Enrugo a testa, sentindo uma descarga de prazer ao ouvi-lo falar
assim.
Um segundo depois, os dedos de Seth começam a entrar na jogada.
Primeiro, rodeando a minha entrada com uma promessa, os dedos
resvalando tão superficialmente que nem tenho certeza se realmente
estiveram lá.
Mas então, quando meus quadris começam a ondular em sua boca,
ele introduz um dedo com muito cuidado.
A dorzinha é muito tranquila. Sinto só um pequeno desconforto, que
logo é engolfado pelo prazer quando a língua de Seth começa a trabalhar no
meu clitóris.
Arqueio as costas, indo cada vez mais ao encontro de sua boca. 
Os dedos de Seth se fecham nas minhas coxas, agarrando a minha
carne com possessividade. Reviro os olhos de prazer, sentindo seu dedo se
mover devagar dentro de mim.
— Você é tão apertada… — murmura, em transe. 
Choramingo, desesperada para sentir o alívio.
Sinto minha pele enrubescer quando Seth, sem pudor algum, levanta
uma das minhas pernas. Ele a coloca apoiada em seu ombro, me deixando
ainda mais exposta para ele.
— Olha só como você é perfeita… 
— Seth.
— Shiu. Estou admirando a minha namorada.
Não consigo segurar a risada.
— O rosto da sua namorada fica aqui em cima, sabia?
— Sabia. Mas essa aqui… — Ela lambe lentamente a minha boceta.
— Precisa muito da minha atenção. Fui negligente com ela por tempo
demais.
— Isso é verdade.
— Mas não se preocupe. Vou chupar ela todos os dias. Até que ela
me perdoe. — E então começa a me lamber novamente, ainda mais forte
dessa vez.
Jogo a cabeça para trás, completamente bêbada no prazer que ele
está me fazendo sentir.
Gemo, grunho, mordo meu lábio inferior para abafar todos os sons
que o meu corpo quer soltar. 
Sem conseguir aguentar mais nenhum segundo dessa tortura, agarro
o cabelo de Seth, rebolando em seu rosto. Ele segura meus quadris, me
apoiando na cama enquanto eu começo a cavalgar a sua cara.
Meu centro começa a se contrair contra o dedo que ele muito
sabiamente mantém dentro de mim. Seth começa a movê-lo, me fodendo
com a mão e com a boca.
— Seth, vou gozar.
Ele aumentaainda mais o ritmo da língua, me lançando em
disparada até o meu orgasmo. Grito, ondulando sobre a cama como se
estivesse me desfazendo. Fogos de artifício parecem explodir em mim, por
toda a parte.
Seth não para de me chupar, ávido e faminto, enquanto meus
tremores cessam.
Quando termino de gozar, ele finalmente levanta o rosto molhado
para me encarar.
— Seu gosto é a melhor coisa que eu já provei.
Sorrio, preguiçosa.
— Você já me disse isso.
— E vou continuar dizendo. Você deveria experimentar, Marjorie —
sugere, com os olhos brilhando. — Quer?
Eu provavelmente deveria fazer uma careta e recusar.
Mas… Isso me deu muito tesão.
Assentindo lentamente, faço que sim. Seth engatinha sobre mim,
primeiro esfregando o rosto pelo meu pescoço para não me molhar
completamente.
E então a sua boca está sobre a minha. Meu gosto está em sua
língua. E eu não consigo evitar o gemido ao sentir suas mãos percorrerem a
minha pele. 
Seth agarra meus seios, apertando-os enquanto devora a minha boca.
Cruzo minhas pernas ao redor de seus quadris, puxando-o para mim. Minha
boceta está latejando mais uma vez, e só uma parte do corpo dele será capaz
de dar fim à minha tortura.
— Me come, Samuels — imploro.
Ele se afasta um pouco. 
— Eu vou comer você até não aguentar mais, Campbell. Mas você
precisa de paciência.
Bufo, já sentindo a irritação me dominar.
— Não quero ter paciência. Quero você dentro de mim.
— Merda, Marjorie. Você não pode falar assim.
— É claro que eu posso. — Puxo-o novamente sobre mim, adorando
sentir seu corpo sobre o meu. — Trouxe camisinha?
Seth pisca os olhos. O rubor em suas bochechas me pega de
surpresa.
— Inicialmente, eu não trouxe. Já te falei, não tinha planos de vir
até aqui. Mas hoje, enquanto você almoçava com a Charlotte, eu comprei.
— Bom menino — é a minha vez de usar o elogio.
Ele revira os olhos, embora o sorriso convencido esteja estampado
no rosto.
Quando Seth se abaixa novamente sobre mim, sinto uma paz difícil
de descrever. Quando sua boca procura a minha, eu o beijo lentamente.
Quando suas mãos começam a vaguear até o meio das minhas pernas, eu as
abro. E quando seus dedos me seguram ali, como se estivessem apenas
afirmando que podem, sinto como se pudesse desmoronar.
Amo tanto esse garoto.
Amo tanto que chega a doer.
— Vou dar exatamente o que você precisa, amor — me promete,
deixando um beijo carinhoso na base do meu pescoço.
E eu sei, apenas sei, que essa frase é sobre muito mais do que sexo. 
É sobre nós.
Para sempre.
Você está me causando arrepios a cem graus de temperatura
É melhor do que pílulas o jeito que você me põe para dormir
Chamando seu nome, o único idioma que consigo falar
Tirando meu fôlego, uma lembrança que você pode guardar
Souvenir | Selena Gomez
A visão é tão linda que me deixa sem fôlego.  
Marjorie me encara com tanta expectativa que me faz engolir em
seco. 
— Não quero te machucar.
Ela sorri.
— Você jamais faria isso, Seth.
Encosto nossas testas, inspirando profundamente seu cheiro doce. 
— Eu te amo — murmuro.
— Eu também te amo.
Marjorie fecha os olhos, prendendo a respiração. Beijo-a
novamente, dessa vez com mais intensidade, sentindo-a apertar os braços ao
redor do meu pescoço.
Quando ela segura a base do meu pau, é a minha vez de gemer. 
Ainda estou sobre ela, inclinado o suficiente para não esmagá-la.
Começo a murmurar que ela não precisa fazer nada por mim, mas Marjorie
me ignora solenemente. Acaricia meu membro até que estou ainda mais
excitado do que antes.
— Adoro fazer você se sentir bem — confessa ela.
Lanço mais um sorriso malicioso para Marjorie.
— Sou irresistível mesmo.
— Convencido.
Segundos depois, a conversa acaba. Marjorie me empurra com certa
força, e finalmente saio de cima dela. Quando me manda deitar sobre a
cama, apenas obedeço.
Ela está no comando agora.
Marjorie morde o lábio inferior, olhando para o meu corpo nu com
tanta cobiça que é uma tortura.
— Quero você amarrado pra mim qualquer dia desses — diz.
Arqueio a sobrancelha.
— É uma espécie de fetiche?
— É só um desejo. Quero você sentado em uma cadeira. As mãos
amarradas atrás das costas. Os olhos vendados… — enquanto ela lista, meu
pau vai ficando cada vez mais duro. — Acho que vai ser bem legal.
Engulo em seco.
— Nós vamos fazer isso acontecer — prometo com a voz falhando.
Seus olhos encontram os meus, arregalados.
— Você vai acabar me acostumando mal, Seth Samuels. Me dando
tudo o que eu quero assim…
Estou pronto para responder à sua provocação quando sinto sua
unha arranhar superficialmente a pele da minha coxa. É sutil, como uma
pena, e causa arrepios por todo o meu corpo.
Travo o maxilar.
— Merda.
Marjorie parece estar adorando cada segundo disso, porque a safada
faz questão de lamber o lábio inferior um segundo antes de deixar um beijo
na minha barriga.
Devolvendo na mesma moeda toda a provocação e tortura que eu a
fiz passar.
Mas, graças a tudo o que é mais sagrado, Marjorie é muito mais
misericordiosa do que eu. Ela finalmente segura a base do meu pau,
subindo e descendo o punho fechado sobre mim. Me masturba por alguns
segundos, me fazendo gemer e franzir o cenho de prazer.
Sua expressão devota é o que mais me mata. 
Mas quando penso que tudo já está intenso demais, rápido demais,
Marjorie finalmente me coloca na boca. Sua língua quente começa a
trabalhar em mim, e é uma das coisas mais excitantes que eu já vi.
Correção: é a coisa mais excitante que eu já vi.
Ela me suga com vontade, subindo e descendo a cabeça para me
proporcionar prazer. 
Engulo em seco ao ouvi-la gemer baixinho. Ao prestar mais atenção
na sua fisionomia, percebo que Marjorie começou a se masturbar também.
Porra.
— Marjorie — grunho, enlouquecido de tesão. — Vem aqui.
Mas ela, gulosa como está, não para de me chupar por nenhum
segundo. Continua me enfiando na boca o máximo que pode, dizimando o
restinho de autocontrole que eu ainda tinha.
Quando estou prestes a gozar, reúno forças para tirá-la de cima de
mim. Ela protesta, frustrada, e se meu pau pudesse falar, com certeza
acabaria comigo. Mas não consigo ignorar o fato dela estar com tanto tesão
a ponto de se tocar.
Preciso fazer algo a respeito.
Antes mesmo de Marjorie abrir a boca, seguro sua cintura, girando-a
sobre mim. Agora sua bunda está no meu rosto, e ao vê-la tão empinada,
não consigo resistir.
Dou um tapa, vendo-a estremecer acima de mim.
Em seguida, beijo-a bem ali, carinhoso.
Marjorie arqueia o corpo na minha direção. Sem conseguir me
controlar por mais nenhum segundo, abro as pernas dela, ficando
novamente cara a cara com a sua boceta. Lambo pela primeira vez,
adorando ouvir o gemido surpreso dela.
Logo a surpresa passa e ela volta a se concentrar em mim.
Nada nunca vai superar isso.
Acho que morri e fui para o céu.
A boca macia de Marjorie está me chupando sem parar, com
vontade e fome, enquanto eu me esbaldo em sua boceta molhada. Sua
excitação está espalhada por todo o meu rosto, enquanto começo a sentir
minhas bolas formigarem com a vontade de gozar.
Mas vou segurar, porque ela precisa estar mais satisfeita do que eu. 
Começo a erguer os quadris, metendo em sua boca gostosa, e
Marjorie rebola no meu rosto sem vergonha nenhuma. De vez em quando,
desfiro um tapa em sua bunda, ouvindo seu gemido desesperado um
segundo depois.
Merda.
Não vou conseguir durar tanto tempo assim.
Ela solta o meu pau por alguns segundos apenas para murmurar:
— Seth, vou gozar de novo.
E então aumento a velocidade, chupando seu clitóris enquanto testo
sua entrada mais uma vez. Enfio o dedo só na pontinha, e parece que isso é
o suficiente para Marjorie se desfazer em cima de mim.
Ela grita, geme, rebola contra mim e me deixa completamente
louco. Acho que estou viciado em fazer essa menina gozar.
— Seth…
Marjorie está fora de si. Demora um tempo para se recuperar e
voltar dos tremores, mas quando se recupera, não perde tempo.
Volta a me chupar feito louca, tão desesperada pelo meu prazer
como eu estava pelo dela.
Trinco os dentes, sentindo um novo acúmulo de prazer se
formando. 
As pernasde Marjorie ainda estão ao redor da minha cintura, a visão
de sua bunda empinada me dando cada vez mais tesão. Quero comê-la
nessa posição algum dia.
O corpo longilíneo dela foi feito para mim. Feito para eu chupar,
foder, acariciar, beijar e aproveitar cada segundo.
Meus músculos se retesam ao sentir sua língua na cabeça do meu
pau. Marjorie me suga com mais força e a fricção desencadeia uma série de
arrepios por todo o meu corpo.
Quando as mãos entram na jogada e começam o movimento de vai e
vem ritmado com a boca, não consigo mais segurar.
E então gozo.
Enlouquecidamente.
Nem dá tempo de avisar. Apenas agarro um punhado de lençol e
levanto meu tronco, grunhindo sons que eu nunca havia soltado antes. 
Marjorie, como a boa torturadora que é, não para de me chupar um
segundo. E depois que todo resquício do meu orgasmo desaparece, vejo-a
engolindo o meu gozo.
Deixo meu corpo cair novamente na cama, exausto.
Ela então sussurra:
— É salgado.
E eu não consigo me conter. Rio, sentindo os ombros tremerem com
a inocência da sua voz.
— Você, em compensação, é bem doce — digo, com a respiração
pesada. — Não precisava ter engolido.
Ela vem engatinhando por cima de mim, manhosa.
— Mas eu gosto de salgado. Na verdade, é meu sabor preferido.
Posso fazer de novo?
Gemendo, eu a puxo para mim, devorando sua boca com paixão.
— Talvez mais tarde. Agora eu quero comer você.
Ela concorda desesperadamente com a cabeça, abrindo as coxas
para eu me encaixar entre elas.
Seguro o rosto de Marjorie com ambas as mãos, encarando-a
intensamente nos olhos antes de nos girar novamente na cama. Estou por
cima dela novamente, meu pau duro roçando sua entrada encharcada.
— Ainda não consigo acreditar que você está molhada desse jeito
por minha causa.
Marjorie arqueia o corpo para frente, e eu aproveito a posição para
deixar um beijo na base do seu pescoço.
Ela trinca os dentes e fecha os olhos para me dizer que devo tentar
entrar nela. Nervoso, começo a mover o pau lentamente por ela, sentindo
sua excitação antes de penetrá-la.
Estou com medo pra caralho disso ser uma merda para ela, de
Marjorie chorar e se arrepender segundos depois.
E acredito que toda a minha preocupação fica evidente na expressão
do meu rosto, porque ela franze o cenho, puxando-me novamente em sua
direção.
— Eu confio em você, Seth. Eu juro — diz ela, com um sorriso no
rosto. — Esse já é o melhor dia da minha vida.
Capturo sua boca com a minha, precisando sentir o gosto dela.
Precisando tê-la comigo.
Nós nos beijamos por mais algum tempo, apreciando o gosto um do
outro com lentidão. Minha pele está arrepiada, meu corpo inteiro tremula, e
Marjorie é o meu reflexo.
Quando me afasto do seu corpo, vejo-a toda corada e excitada.
Linda.
Enquanto estou colocando a camisinha, não desvio o olhar do seu.
Marjorie morde a boca, encarando a cena sem nenhum pudor.
— O que foi? — pergunto, bem-humorado.
— Nada. É só que… Você é bem grande.
Solto uma risada.
— Você estava com ele na boca alguns segundos atrás.
— Eu sei, mas na boca é diferente. E se doer muito?
Paro imediatamente e encaro Marjorie.
— Você sabe que não precisamos fazer isso, não sabe?
Relaxando, ela assente.
— Eu sei, mas eu quero. Só… Podemos ir devagar?
Sorrio.
— É claro.
Ela pisca. Depois, abre um sorriso.
— Vou começar a usar anticoncepcional. Quero poder transar com
você sem camisinha — diz em um fôlego só.
Acho graça do comentário, mas logo trato de reforçar:
— Marjorie, você não precisa tomar nada por mim. 
Ela revira os olhos.
— É mais por mim do que pra você, na verdade. Sou uma garota
curiosa, e Charlotte me disse algumas vezes sobre o único garoto que ela já
levou pra cama sem camisinha. Foi o primeiro namorado dela, e até hoje
não consegue superar o cara.
Não vou negar que a ideia de comer Marjorie sem nenhuma barreira
entre nós é tentadora demais para deixar passar. No entanto,
anticoncepcional tem muitos efeitos colaterais e não dá certo com todas as
mulheres. Minha irmã mesmo odiou a experiência, e a variação de humor
causada pelos hormônios quase me deixou louco.
Eu amo a Samantha, mas não dava para aguentá-la por muito tempo
nessa época.
— Estou muito feliz, Seth. Por tudo o que aconteceu hoje — frisa,
sorrindo.
— Eu também. Você é a melhor coisa que eu poderia chamar de
minha.
Os olhos dela brilham de animação. Começo deixando uma trilha de
beijos por seu pescoço, marcando cada pedacinho de pele com meus lábios.
Desço-os até alcançar os seios perfeitos, chupando um mamilo na boca. 
Marjorie imediatamente leva as mãos até o meu cabelo. Sorrio,
sentindo meu pau se contrair ao senti-la puxar os fios com certa força.
Adoro quando ela faz isso.
Me concentro primeiro em deixá-la excitada de novo. Chupo um dos
seios, alterno com o outro, aperto-os, deixo os mamilos duros, arrancando
os gemidos e sons mais gostosos do mundo.
Quando ela começa a erguer os quadris desesperadamente, como se
estivesse em busca de algo, começo a esfregar meu pau em sua entrada
encharcada.
E então finalmente começo a entrar nela.
Quando meu pau passa da sua entrada, imediatamente paro. Ela arfa,
o peito subindo e descendo rapidamente.
— Pode continuar.
Mas eu permaneço do mesmo jeito. Me inclino sobre Marjorie mais
uma vez, beijando sua pele, tentando abstrair que é por minha causa que ela
está sentindo dor agora.
Quando finalmente ela solta o ar pela boca, empurro mais um
pouco. Não deslizo com facilidade, muito pelo contrário. Parece que tem
alguma coisa me empurrando de volta.
Ela range os dentes mais uma vez. 
— Sinto muito, amor — peço em um murmúrio.
Os olhos de Marjorie estão cheios de lágrimas e isso está me
matando por dentro. 
Nossas bocas se encontram mais uma vez, e eu aproveito essa
distração para mover os quadris para frente, precisando travar o maxilar
para não me perder nas sensações que o corpo dela me causa.
Hoje é tudo sobre ela. Nada para ou por mim.
Minutos depois dessa agonia torturando, finalmente posso dizer que
estou completamente dentro de Marjorie. A expressão dela está retorcida
em uma careta que mistura prazer e dor.
— É estranho — diz, engolindo em seco. — Sinto dor. Mas essa dor
também parece um pouco prazerosa…
— Vai melhorar. Prometo.
Ela assente, e então finalmente, finalmente, estou me movendo
dentro dela.
Puta.
Merda.
Se um dia eu pensei que sexo poderia ser bom, eu não fazia ideia do
que o sexo com Marjorie faria comigo.
Estou todo aceso. Em todos os lugares. Como uma maldita árvore de
natal, piscando a noite inteira.
Mordo o lábio inferior, aumentando a velocidade. Marjorie crava as
unhas nas minhas costas, levantando o pescoço lindo para conseguir me
encarar.
Nós dois ofegamos.
Ela geme quando eu meto de uma vez para me encaixar melhor nela.
— Desculpa — peço, afobado.
Mas não consigo mais parar.
Estou fodendo Marjorie Campbell.
Ela franze o cenho, parecendo confusa sobre o que está sentindo.
Não perco tempo e começo a masturbá-la, tocando seu clitóris em círculos. 
— Seth…
A cada estocada, mais perto me sinto do céu. E enquanto Marjorie
arqueia as costas, tão linda, percebo que esse é o motivo de eu ter nascido.
Esse é o motivo por ter conhecido-a tão novo e já ter me apaixonado
perdidamente por ela, antes mesmo de saber o que é amor.
É muito mais do que prazer. Do que orgasmos. O meu desespero
para estar cada vez mais dentro dela, senti-la o mais perto possível de mim,
supera qualquer outra sensação nesse momento.
E ao julgar pela forma que ela ergue os quadris, ansiosa para me
encontrar no meio do caminho, Marjorie se sente da mesma forma.
— Isso é surreal — balbucia, perdida em pensamentos.
Não consigo respondê-la. Minhas palavras parecem ter fugido de
mim, porque tudo o que eu sinto agora é ela.
Marjorie.
Marjorie.
Marjorie…
Quando seus olhos se abrem, o brilho indescritível de amor me
quebra em um milhão de pedaços. 
Sua boceta está me apertando com tanta força que eu não consigo
mais segurar. Gritos agudos escapam de mim, e quando gozo, sinto as
pontadas de prazer até nos ossos.
Estou me desmontando.
E merefazendo.
Tudo de uma única vez.
Minha visão escurece com a força do orgasmo que me atinge.
Demora mais do que o normal para eu voltar para o meu corpo de novo, tão
imerso na sensação que eu poderia morrer e não notaria.
Marjorie está fazendo um carinho nas minhas costas. 
Respirando fundo, me abaixo para beijar sua testa delicadamente.
— Eu te amo tanto — reforço. — Desculpa, eu não consegui
segurar.
Marjorie ri.
— Seth, tudo bem. Eu não estava esperando gozar na minha
primeira vez. E além do mais, você já me satisfez muito antes de
começarmos isso. — Ela abre um sorriso preguiçoso para mim. — Você me
desvirginou. Depois de tanto tempo, meus pais tinham razão sobre você.
Isso me pega de surpresa.
— Como assim?
Ela dá de ombros.
— Meu pai dizia que a nossa aproximação era bonitinha, mas um
dia poderia ficar perigosa. Ficou teorizando se nós dois fôssemos para a
faculdade juntos. Ele achava que eu ia ficar grávida a qualquer momento —
diz.
Meu coração fica apertado.
— Isso nós podemos adiar por um tempo, já sobre as outras
preocupações dele… — sussurro, saindo dela. Marjorie geme, e eu logo
trato de descer sobre o seu corpo. — Não posso garantir.
— Seth?
— Shiu.
E ela não diz mais nenhuma palavra enquanto eu lambo sua boceta
mais uma vez, ansioso para deixá-la ofegante e desesperada por mim. Para
vê-la chegar ao limite, explodir em um misto de sensações e chamar o meu
nome do jeito que só ela sabe fazer.
De agarrar o meu cabelo e puxar até que eu não tenha mais escolha
a não ser chupá-la até Marjorie praticamente perder a consciência. Até
sentir suas coxas torneadas apertarem o meu rosto, tão perdida no próprio
prazer que não consegue mais se controlar.
E mesmo depois que tudo isso acontece, mesmo depois de arrancar
lágrimas devido à força de seu orgasmo, depois de tudo… Eu ainda me
sinto pronto para recomeçar tudo de novo.
Sou um viciado.
Eu era mansa, era gentil, até que a vida de circo me deixou cruel
Não se preocupem, pessoal, nós arrancamos os dentes dela
Quem é que tem medo de mim? Eu, tão inofensiva?
Ah, você deveria ter (você deveria ter)
Who’s Afraid Of Little Old Me? | Taylor Swift
Ver Seth ir embora no domingo à noite provavelmente é uma das
piores coisas que eu preciso fazer. Ele também parece relutante, me
encarando com hesitação enquanto andamos até o estacionamento da
faculdade.
— É tão injusto. Por que você precisa morar tão longe? — reclamo.
Ele se vira para mim, sorrindo, e me puxa para mais um beijo
carinhoso.
— Essa distância é temporária, amor. 
E eu realmente quero acreditar nele. Quero acreditar que em breve
Seth e eu estaremos juntos todos os dias e essa fase será apenas uma
lembrança.
Ontem à noite pareceu um sonho. Depois de termos transado a
primeira vez, Seth e eu cochilamos por algumas horas. Quando acordamos,
entramos no chuveiro juntos. Ainda estava dolorida, então apenas nos
abraçamos e trocamos beijos. 
No dia seguinte, eu já estava me sentindo melhor. Acordei com
cheiro de café e com o sol brilhando forte em cima de mim. 
Seth tinha saído pela manhã e trouxe o café da manhã com todos os
bolinhos e doces que eu mais gostava. Me senti em uma comédia romântica
dos filmes quando levantei, enrolada no lençol da cama, e comi à mesa com
ele.
Por um segundo, tive um vislumbre de como seria a minha vida ao
lado dele. E meu coração quase explodiu de tanto amor.
Passamos o dia juntos e foi incrível. Charlotte me mandou
mensagem perguntando como estavam as coisas, mas eu decidi ignorá-la
por um tempo. Queria aproveitar esses dias com o meu melhor amigo — e
agora namorado.
— Provavelmente não vamos nos ver na próxima semana por causa
da minha competição — aviso, sentindo meu coração apertado.
Seth assente.
— Tenho jogo também. Mas vamos dar um jeito.
Nós nos beijamos uma última vez antes de ele se virar e ir embora. 
Volto para o alojamento, sentindo meu coração disparado, e quando
caio na cama, durmo profundamente.
Nunca estive tão feliz.
As próximas semanas passam voando. 
Charlotte e eu ficamos tão concentradas por causa da competição
das nacionais que eu nem tive tanto tempo para sentir saudades de Seth.
Quando ganhamos o segundo lugar, fiquei muito irritada.
— Fomos muito bem — disse minha amiga, tentando confortar as
líderes de torcida chorando nos bastidores depois. — Isso também é uma
vitória.
Mas aposto que no fundo ela não se sente assim.
— Se você diz… — resmungo.
O time de Stanford infelizmente não chegou nem no top cinco. Fico
triste por Diana, mas estou mais chateada por mim mesma.
Porque eu sei que seríamos capazes de ganhar o primeiro lugar.
Era para ser nosso.
Nosso.
Mas tento ignorar tudo isso. Porque agora, depois dessa derrota,
algo muito pior está prestes a acontecer.
Meus pais estão vindo para Los Angeles. Dizendo eles que “estão
com saudades” e que eu não mando mensagens o suficiente. Errados não
estão, mas existe um motivo para eu ser tão evasiva.
— Se precisar de ajuda, me manda uma mensagem que eu vou
correndo — promete Charlotte, com o semblante preocupado.
Assinto, despreocupada. Já sou grandinha demais para me importar
ativamente com o que eles falam sobre mim.
No entanto… Mesmo sabendo que eu não devo me preocupar, não
consigo evitar. Arrumo meu quarto e encaixo tudo milimetricamente.
Provavelmente eles vão querer sair para comer, então não me importo em
pedir comida. 
Estou terminando de aspirar a casa quando eles finalmente chegam.
— Marjorie! — Minha mãe abre um sorriso, me  puxando para um
abraço apertado.
Estática, faço o possível para não parecer incomodada. Abraço-a de
volta, me sentindo péssima por não ter vontade de estar com eles.
— Esse lugar até que não é tão ruim — brinca o meu pai, avaliando
meu dormitório de cima a baixo. — Na minha época, esses lugares eram
praticamente uma caixa de sapato. Mal tinha espaço para uma cama!
Eles fazem piada, me elogiam, oferecem um quarto de hotel no
mesmo lugar em que ficarão pelos próximos dias para que eu não fique
longe. Eles conversam amenidades. Me pedem para escolher o meu
restaurante favorito, oferecem um dia de compras para repor tudo o que está
em falta. 
São os pais perfeitos.
Porque eu estou agindo como a filha perfeita. A bonequinha que só
sabe sorrir, acenar e concordar. Que não pode ter opinião própria ou
vontades.
— Ficamos sabendo sobre a competição — minha mãe diz, entre
uma mastigada e outra, enquanto eu me forço a engolir os pedaços de carne
que meu pai cortou para mim. Como se eu fosse a porra de uma criança. —
O segundo lugar não é ruim, não é? E vocês já pegaram o primeiro no ano
passado. Se quiser continuar seguindo com a carreira de líder de torcida,
está muito bem encaminhada. Conversei com alguns amigos da área de
esportes e todos foram unânimes ao concordar.
Essa é a primeira vez que não reprimo a minha vontade de dizer
algo. Então, erguendo o queixo, eu finalmente falo:
— Não vou seguir a carreira de líder de torcida.
Ufa. Pronto, falei.
Os dois soltam os talheres em cima da mesa. Chega até ser
engraçado, uma coisa meio filme de comédia. Eles se entreolham, como se
eu fosse uma espécie de alienígena que não compreendem muito bem.
E então começam a rir.
— Mas você adora ser líder de torcida — é meu pai que diz, sucinto.
Concordo com a cabeça.
— Tem razão. Eu adoro mesmo. E também adorava ser ginasta. Mas
não é algo que eu pretendo fazer pelo resto da vida — bufo. — Quando eu
terminar a faculdade, vou tentar entrar para Medicina.
Os dois me encaram com olhos arregalados.
Há muito tempo eu não pensava mais nisso. Essa vontade surgiu
principalmente quando acompanhei a luta do senhor Sam contra o câncer.
Mas depois que meus pais me levaram para longe, a ideia se perdeu por um
tempo.
No fundo, sempre soube que uma hora eu mudaria de ideia. Quando
escolhi meu curso de formação, peguei um que é pré-requisito para
conseguir uma vaga na graduação de Medicina. Meus pais são tão
desatentos que nem isso perceberam.
Minha mãe pigarreia.
— Nós gostaríamos de saber disso antes. Estamos fazendo planos
sobre a sua carreiradesde o ano passado.
Meu pai concorda.
— Um pouco de consideração seria bom, Marjorie.
Estreito os olhos para eles.
— Sou uma mulher adulta. É o meu avô que paga as mensalidades
da minha faculdade. Não devo nada pra vocês — respondo, bem séria.
E é como se eu tivesse batido na cara dos dois. Porque a expressão
irritada que eles vestem é pior do que a careta decepcionada que me
lançaram quando foram me buscar na rodoviária quando eu estava tentando
fugir com Seth.
— Você não quer dizer isso — meu pai continua.
Dou de ombros.
— Quero sim. Estou apenas comunicando a minha decisão, não
estou pedindo a opinião de vocês sobre nada. — E então, mergulho o garfo
na minha salada, colocando um punhado das folhas na boca. Pela primeira
vez desde que entrei nesse restaurante, sinto como se pudesse respirar. —
Nunca foram para nenhuma competição minha. Foram contra eu vir para
Los Angeles, e agora querem decidir o que vou fazer depois de formar?
— Somos seus pais. — Minha mãe ajeita a postura, irritada. — Nós
podemos orientá-la a…
— A ser infeliz — completo. — Como meus pais, eu entendo a
necessidade de  quererem estar presente nas decisões que eu tomo, mas não
preciso mais dos conselhos de vocês.
Meu pai está tão vermelho que eu começo a me preocupar. A
respiração está entrecortada, o peito subindo e descendo rapidamente.
— Você não pode decidir isso. Nós somos seus pais!
Eu já sabia que eles não entenderiam e nem respeitariam a minha
escolha tão facilmente. Nunca fizeram isso antes. Ainda assim, no fundo,
estava tentando conquistar a compreensão deles com esse jantar. 
— Vocês são os meus pais e sou eternamente grata por tudo o que
fizeram. Mas agora eu posso cuidar da minha vida sozinha.
Minha mãe, assistindo tudo com olhos felinos, finalmente abre um
sorriso.
— A resposta é não.
Pisco rapidamente, confusa. Como é que é?
— Eu não fiz uma pergunta, mãe. Foi um comunicado — reforço.
Ela assente lentamente.
— Mas a resposta continua sendo não, Marjorie. Nós somos os seus
pais e não vou admitir que nos trate dessa maneira. Depois de tudo que
sacrificamos por você, depois de tudo que perdemos… Você NÃO vai nos
tratar desta forma. Não vai estragar a sua vida e nos dar as costas.
Simplesmente não.
Meu rosto deve estar tão vermelho como o deles agora.
Estou tão irritada.
Tão estressada.
Tão puta pra caralho com essa conversa que não consigo mais
segurar.
Apenas encaro ambos e digo, sem rodeios:
— Reencontrei o Seth. Estamos namorando. — E então, enquanto
ambos lentamente se encaram, bebo um gole da Coca Diet que escolhi. 
— Você não fez isso — meu pai diz, entredentes. — Vou denunciar
esse garoto. Isso é assédio. Talvez perseguição. Mesmo depois de anos, ele
continua importunando a nossa filha e…
— E vai denunciar como? Vou negar todas as acusações. Ele não me
perseguiu — digo, dando de ombros. — Nós fomos para o acampamento
juntos. Levei uma das minhas melhores amigas e ela presenciou tudo. Vai
poder testemunhar a favor dele.
Meu pai está furioso. Os ombros estão tensos, os olhos brilhando de
raiva. Abre a boca diversas vezes para tentar argumentar, mas nenhuma
palavra sai dela.
No entanto, quem realmente está me assustando é a minha mãe. O
rosto está estampando uma máscara fria. Não parece nada abalada, embora
a mordidinha no lábio inferior me diga o contrário.
Sempre foi a forma que encontrou para se controlar.
— Marjorie, isso não está em discussão. Não quero você com esse
garoto! — meu pai explode.
Mas eu permaneço calma.
— Bem, é uma pena. Porque Seth não vai a lugar nenhum.
— Acha que isso é uma brincadeira? Depois de tudo o que seu avô
fez por você, é assim que retribui? Transando com o neto arrogante do
maior inimigo dele? — O tom de voz é tão hostil que eu me encolho contra
a cadeira. Nunca vi meu pai desse jeito. — Não criei você dessa forma.
Nunca pensei que teria uma filha tão ingrata, tão fútil. 
— E eu nunca pensei que meus pais fossem tão egoístas — retruco.
— Tão preocupados com as próprias vidas que se esquecem que eu não sou
um objeto, mas  sim um ser humano com vontades!
Meu pai se inclina para frente, pronto para atirar mais algumas
frases dolorosas, quando a minha mãe coloca a mão sobre o seu ombro. 
Ele se cala na hora.
O olhar mortal dela finalmente está sobre o meu. Engulo em seco,
sentindo toda aquela frieza entrar pelos meus poros.
— Eu sabia que não deveria ter dado continuidade a essa gestação.
Sabia que não deveria ser mãe. Você é a minha maior decepção, Marjorie.
Soluço.
Não estava esperando por isso.
Meu olhar recai sobre ambos. Como eles podem ter se perdido tanto,
meu Deus? Como podem ter se transformado nisso?
Nessa confusão de ódio e rancor, prontos para passarem por cima de
qualquer um apenas para provar um ponto.
Eles não são os meus pais. Não os que me criaram, que me levaram
para todas aquelas viagens em família, todos os verões na casa de praia dos
Samuels. A mesma mulher que ria tão alto que me acordava no meio da
noite… Quando Seth e eu descíamos as escadas, encontrávamos as nossas
mães bebendo vinho e falando enrolado. 
Essas memórias enchem meus olhos de lágrimas. 
Não posso continuar presa a ela por causa desses momentos. 
Eles não existem mais.
Ela os extinguiu em nome de uma briga que não tem nada a ver com
a gente.
— Tudo bem, mãe. Se é assim que você se sente, eu respeito —
respondo. Ela continua me lançando o olhar mais triste que eu já recebi. —
Isso nos torna quites. Você também foi uma grande decepção. Mas não
porque fez algo que eu não queria ou esperava… Mas porque deixou que a
vida dos outros influenciasse a sua. Porque deixou uma amizade de anos ir
embora em nome do dinheiro. E porque preferiu perder a própria filha em
nome  do orgulho.
Me levanto da mesa, lançando um último olhar para o casal sentado
ali. Suspiro, me dando conta de que, finalmente, o cordão umbilical havia
sido cortado.
Estou sozinha agora.
Sempre estive.
De manhã, na casa dele
Torrada queimada, domingo
Você guarda a camisa dele
Ele mantém sua palavra
E, pela primeira vez, você esquece
Dos seus medos e seus fantasmas
You Are In Love | Taylor Swift
Marjorie não retornou a minha ligação hoje, mas tento não pensar
nisso agora. Estamos prestes a entrar na quadra, o clima de expectativa nos
deixando cada vez mais ansiosos.
Jason surge ao meu lado com um meio-sorriso.
— Está nervoso?
Dou de ombros.
— Um pouco, mas nada que eu já não esperasse.
— Relaxa, cara. Você esteve muito bom nos últimos treinos e com a
nossa vitória contra o time de Los Angeles, ainda podemos perder um ou
dois jogos que não vamos despencar no ranking.
— Eu sei.
— Marjorie veio?
A pergunta de um milhão de dólares.
Balançando a cabeça, eu nego.
— Não conseguiu. Ela estava planejando vir, mas os  pais decidiram
fazer uma visita.
Jason franze o cenho.
Depois que voltamos do acampamento, contei para ele mais sobre a
minha história com Marjorie. Ele ficou muito chocado com o fato dos pais
dela terem feito tanto para impedir nosso reencontro.
Ele assovia.
— Mas ela está bem?
— Espero que sim.
— Marjorie é uma menina legal. Não precisa se preocupar com isso
— diz, coçando a cabeça. — Diana me contou sobre as nacionais. O time da
UCLA ficou em segundo lugar.
Isso me faz abrir um sorriso.
— Ano passado elas ficaram em primeiro.
— Elas são muito boas.  Diana chorou a noite inteira porque o time
de Stanford ficou em sexto lugar. Estou pensando em levá-la para passar o
final de semana na casa da minha família em Saint Tropez para tentar
distraí-la um pouco.
— Uau. Você é rico mesmo, hein?
Ele pisca lentamente.
— Você também é.
Touché.
Ainda assim, não tenho nem dez por cento de todo patrimônio da
família de Jason. 
Nós conversamos por mais um tempo no vestiário. Isso até o
treinador chegar, nos motivar  com gritos de animação e eu sentir como se
meu coração pudesse sair do peito a qualquer momento.
Respira.
Inspira.
Respira.
Estamos esperando para entrar, enquanto as líderes de torcida
animam os torcedores. Quando os gritos aumentam excepcionalmente, sei
que chegou a hora.Entramos todos juntos, de cabeça erguida.
E então, não vejo mais nada.
Realmente Jason tinha razão. 
Nós ainda podíamos perder ou empatar dois jogos.
Isso não significa que estava disposto a perder.
Algumas semanas atrás, comentaristas disseram que eu teria sido
uma aposta muito arriscada para o time. “Tem um bom domínio da bola,
mas não parece comprometido o suficiente”. Não que estivessem errados,
mas, porra, quanto incentivo para um novato que passou tempo demais no
banco reserva.
Esqueci de tudo quando entrei na quadra. 
Me concentrei na bola e em todas as táticas que passei por semanas
treinando com meus companheiros de time. 
Quando o último tempo acaba, o placar me assombra.
Empatamos.
Porra.
Empatamos.
Coloco as mãos sobre os joelhos, inspirando profundamente para
tentar  me recompor.
Sinto uma mão pesada sobre o meu ombro e ergo o rosto para
encarar Jason.
Ele está sorrindo.
— Você fez um bom trabalho, Samuels. Com certeza vai ser o único
que não vai levar uma chamada do treinador — diz, estremecendo.
Mas eu não acredito nisso. Estou tão furioso com o empate que nem
consigo raciocinar.
— Fracassei com vocês.
Jason segura meu rosto.
— Não, Seth. Você foi o melhor jogador da noite. Sem você,
estaríamos perdendo por seis pontos. Por sua causa, essa derrota virou um
empate. Então não se culpe.
Empate também é derrota. Pelo menos para mim.
Mas não vocalizo isso. Embora Jason esteja sorrindo e tentando me
animar, sei o quanto isso deve estar sendo doloroso para ele também. 
Somos caras competitivos. Precisamos da vitória tanto quanto
precisamos de ar.
— Você deveria ir falar com a sua família — me aconselha.
E é então que vejo Samantha, Lance, Calliope, Logan e Suzan em
pé, me esperando no canto da quadra.
Minha expressão irritada logo se transforma em um sorriso de
felicidade.
Eles vieram.
— Meu irmãozinho cresceu — diz Sam, com um biquinho nos
lábios. — Você foi tão bem, Seth.
Deixo que ela me abrace, sentindo o perfume cítrico da minha irmã
enquanto ela continua dizendo o quanto sou incrível. 
Lance, meu cunhado, é o segundo a me puxar. Ele é um pouco
menor do que eu, mas como jogador de futebol americano, o tamanho dos 
braços é imenso. Praticamente  sou engolido por ele, que diz o quanto fui
decisivo para o resultado não ter sido desastroso.
Logan e Callie são os próximos. Estou um pouco sem graça em
conversar com ele, principalmente porque, quando conheci Logan, estava
começando a minha carreira como atleta.
O que ele deve estar pensando de mim depois do vexame dessa
noite?
— Você foi incrível, Seth. — Seu olhar orgulhoso me atinge como
um soco. — Empates são uma merda, eu sei. Mas todos nós já passamos
por isso. O meu aconteceu no primeiro jogo profissional. Me senti um lixo
por semanas, pensando que o time que me contratou estaria se
arrependendo dessa escolha. No fim das contas, foi aquele empate que nos
salvou de uma temporada ruim. Então acredite quando dissermos que você
foi bem.
Assinto lentamente.  Sei que vai demorar bastante até eu me sentir
minimamente bem comigo mesmo, mas vou treinar feito louco pelas
próximas semanas. O próximo jogo terá um resultado bem diferente.
O último rosto na fila de pessoas que vieram me apoiar é o de
Suzan. Ela ergue as mãos, como se não soubesse o que dizer.
— Estava na cidade com a Callie porque vou ter um torneio daqui a
alguns dias. Eles me convidaram para vir ao jogo e eu decidi aceitar pra não
ficar sozinha no hotel — murmura, sem graça.
Eu apenas a abraço.
— Não precisa se justificar, Suzan. Estou feliz por vocês terem
vindo. Todos vocês. Significa muito pra mim.
Nós conversamos por mais um tempinho, e então Calliope dá a ideia
de jantarmos em um restaurante perto da universidade. Concordo, pedindo
alguns minutos para tomar banho enquanto isso.
No vestiário, a primeira coisa que eu faço é verificar o meu celular.
Tem uma chamada perdida de Marjorie, e faço questão de retornar.
— Eu acabei de ver no Twitter que vocês empataram — é a primeira
coisa que ela diz ao atender. — Mas a melhor parte é saber que o meu
namorado foi o melhor jogador da noite. Estou irritada com os edits que eu
já vi no TikTok sobre a sua performance, mas ao mesmo tempo… Estou tão
orgulhosa de você, Seth.
Pela primeira vez durante toda a noite, eu finalmente acredito.
Meus olhos enchem de lágrimas. O peso da culpa finalmente parece
estar deixando meus ombros, e eu preciso me controlar.
Não estou sozinho aqui.
— Queria você aqui — digo em um fio de voz.
Ela suspira do outro lado da linha.
— Eu sei. Também quis muito você quando fui para os nacionais,
mas tudo é por uma boa causa, Seth. Em breve vamos nos formar e nunca
mais precisaremos ficar separados.
— Nunca mais.
— Estou pensando em ir até Palo Alto amanhã. Charlotte disse que
está a fim de dar uma passada aí, e tenho quase certeza que tem a ver com a
Diana. As duas estão sempre se enviando vídeos engraçados pelo
Instagram.
Solto uma risada anasalada.
— Diana vai adorar a surpresa.
— E você?
— Eu já estou praticamente pulando de alegria só de pensar em
dormir agarrado com você de novo. Não esqueci aquele pedido especial que
você me fez, viu?
De me ver amarrado a uma cadeira para que ela possa fazer o que
quiser comigo.
Um arrepio começa a subir pela base da minha espinha, deixando a
minha pele toda arrepiada.
Merda. Vou ter uma ereção por causa de Marjorie e ela nem está por
perto para me ajudar a cuidar  disso.
— Assim que eu sair daqui, mando uma mensagem para você me
buscar com a sua moto.
— Estou ansioso.
Desligo, já sentindo saudades de falar com ela.
E então vou para umas das duchas, tomando um banho frio para
acalmar meu corpo.
Uma pena que essa água não é capaz de frear o meu coração.
— Eles estão bem felizes que vocês dois finalmente se resolveram
— diz Suzan, cochichando para não ser ouvida pelos demais na mesa.
Samantha está conversando com Lydia no telefone, a irmã mais
velha de Logan e Lance, porque ela ficou de babá essa noite. O pequeno
Sam deve estar se divertindo muito, porque a cada grito horrorizado de
Samantha, podemos ouvir a risada estridente dele ao fundo.
Meu sobrinho é uma figura.
— Eu estou feliz também. Marjorie é a melhor pessoa que existe.
Suzan sorri.
— Isso dá pra notar. Todos vocês amam muito ela.
— Sim.
Ela suspira.
— Fico muito feliz por você, Seth. De coração mesmo. — Não
tenho certeza, mas talvez tenha notado um brilho triste em seu olhar.
Decido ignorar isso deliberadamente. — Calliope não vai mais ser a minha
mentora. Vou me mudar para a Itália no próximo verão.
Isso me pega de surpresa.
— Sério?
— Sim. Minha treinadora acha que é uma boa ideia, já que os
próximos torneios vão acontecer por toda a Europa. 
— Caramba, Suzan. Boa sorte.
— Obrigada. Desejo o mesmo pra você. — Ela arqueia a
sobrancelha. — Vai entrar para a NBA?
Dou de ombros.
Essa é uma pergunta que vem me assombrando nas últimas
semanas. Me esquivei dela quando Jason me perguntou, deixando todas as
decisões para o Seth do futuro.
Vamos nos formar ano que vem, então sei que essa é uma questão
importante. 
— Ainda não decidi. Vou esperar a Marjorie para tomarmos essa
decisão juntos.
Suzan arregala os olhos.
— Meu Deus. É tão sério assim?
— Vou casar com ela assim que eu me formar. Já estou ansioso para
uma vida inteira com essa garota. 
Suzan assobia baixinho, bebendo mais um gole do drink que pediu.
— Espero muito encontrar alguém que seja tão apaixonado por mim
igual você é apaixonado por ela. Marjorie é uma garota muito sortuda.
Quis corrigi-la e dizer que, na verdade, o sortudo nessa história toda
sou eu. Mas me contive, principalmente por perceber o quanto Suzan parece
um pouco para baixo.
Espero do fundo do coração que isso não tenha a ver comigo.
Sempre fui muito claro com ela a respeito dos meus sentimentos, mas ainda
assim… Não é possível controlar o que as pessoas sentem.
Depois de todos nós jantarmos, Lance me oferece uma carona para o
meu apartamento. Recuso, dizendo que prefiro ir embora de moto, e
Samantha revira os olhos.
— Vou conversarcom a Marjorie sobre isso. Só ela é capaz de fazer
você vender esse negócio.
Sorrindo, eu coloco o capacete.
— Marjorie agora ama a minha moto. 
— Então ela também é uma causa perdida — resmunga minha irmã.
— Seth, vocês bem que podiam passar uns dias lá em casa, né? Estou
morrendo de saudades de Marjorie, e tem tempo que você não passa uns
dias com o seu sobrinho.
— A casa é bem grande — diz Lance. — Tem espaço o bastante
para não escutarmos nem um barulho…
Samantha dá um tapa no braço do marido.
— Lance! Ele é o meu irmãozinho!
— Um irmãozinho que está namorando com uma garota que ele
sempre gostou. Nem quero imaginar o estado da cama depois que ele
terminou.
Fecho os olhos, sem conseguir segurar a risada. Lance Moreau é
mesmo uma figura.
— Ai, que nojo. Não preciso dessa visão — resmunga Samantha,
enrubescendo. — Juízo, Seth. E… Você sabe…
Lance intervém mais uma vez.
— Use camisinha, campeão. Crianças são incríveis, mas vocês dois
são novos demais. Têm muita coisa pra viver.
Samantha suspira.
— Isso. E, por favor, não esqueça de ir me visitar. Mamãe me disse
que você não a vê há meses, Seth. 
Engulo em seco.
— Eu vou compensar todos vocês. Prometo.
Sorrindo, ela me puxa para um abraço. 
Logan, Calliope e Suzan foram embora primeiro. Dei mais um
abraço nela, um que gritava despedida. Provavelmente nunca mais a verei.
Só espero que, apesar de tudo o que ela acha que sente por mim, o
verdadeiro amor a encontre.
E que ela não sinta medo dele por minha causa.
Este amor é bom, este amor é mau
Este amor está vivo de volta dos mortos, oh
Estas mãos tiveram que soltá-lo
E este amor voltou para mim, oh
This Love | Taylor Swift
Charlotte me lança um olhar preocupado.
Na verdade, é mais como um olhar receoso. Abaixa a cabeça
diversas vezes para conferir as mensagens no celular, como se não pudesse
me mostrar.
Isso desperta a minha curiosidade.
— O que está acontecendo?
Ela rapidamente esconde o celular atrás do próprio corpo.
— Não é nada.
Abro um sorriso.
— Me mostra, Charlotte.
— Não é nada, Marjorie. Juro.
— Se não fosse nada, você não estaria com esse sorriso estranho no
rosto. Tem algo a ver com os meus pais?
Ela soube de todos os detalhes da minha discussão com eles. De
acordo com ela, demorei muito para tomar uma atitude. “Eles precisavam
ser colocados no lugar deles”, disse, com a expressão orgulhosa.
Estava ansiosa para contar sobre tudo isso para o Seth. Ele também
vai ficar feliz por saber que eu finalmente me impus.
— Você não precisa se preocupar. Sério.
Estendo a mão para ela.
— Me mostre agora.
Suspirando, ela finalmente me entrega o aparelho.
E meu mundo desmorona de uma vez só.
É uma mensagem que Diana mandou. Na verdade, não foi bem uma
mensagem e sim uma foto. Ela enviou junto um ponto de interrogação,
como se não estivesse entendendo mais nada.
Bom, nem eu.
Porque é nítida a imagem de Seth, todo suado do pós-jogo,
abraçando a garota que eu conheci no acampamento.
A tal da Suzan.
— Marjorie…
— Não, Charlotte.
Continuo encarando aquela foto, sem saber muito bem como devo
me sentir. Ele está abraçando ela, isso é um fato. Mas o que mais me irrita é
perceber que ao redor de ambos estão Calliope, Logan, Samantha e Lance. 
Eles a levaram para o jogo do Seth? E por quê?
Sinto meu estômago embrulhar, a irritação sobe queimando por todo
o meu corpo.
Ciúme puro e simples.
Charlotte suspira atrás de mim.
— Quer cancelar a nossa ida para Palo Alto?
Endurecendo o maxilar, nego veementemente com a cabeça.
— Nem pensar. Quero encontrar esse cretino e perguntar o que é
isso — respondo, irritada.
— Marjorie, acho melhor você não ir.
— Já estou pronta.
— É sério, amiga. — Ela me encara. — Olha, eu não pretendia falar
isso pra ninguém, mas sabe qual é o motivo de eu não ter pedido o número
do Peter? Eu ouvi aquele babaca dizer o quanto jamais teria algo sério com
uma pessoa como eu. Falou com tanto nojo que eu não quis mais saber. 
— Não acredito nisso.
Ela abre um sorriso que não chega aos olhos.
— Eu também não queria acreditar, mas foi exatamente o que saiu
da boca dele quando Seth e Jason perguntaram sobre mim. — Charlotte
encolhe os ombros. — Sendo honesta, ele nunca demonstrou muito
interesse em mim. Parecia mais irritado por ter que tomar conta de mim, já
que estávamos em casais.
Meu coração aperta com essa declaração. Pobre Charlotte…
— Ele é um idiota por dizer isso de você. Peter não sabe ainda, mas
perdeu a melhor garota que ele poderia encontrar nessa vida.
— Mas agora eu sou apenas sua, Marjorie. Seremos nós duas contra
o mundo.
— Exato. Mas antes eu preciso matar o Seth.
— Marjorie…
— Espero você no carro. Ainda tem aquele taco de beisebol?
Arregalando os olhos, ela solta um “não!” desesperado.
Ergo as mãos em sinal de rendição.
— Foi só uma brincadeira, Charlotte. Não vou perder a minha
liberdade por isso.
Ela coloca a mão sobre o peito, parecendo aliviada.
— Você me assusta quando fala assim.
Sorrio.
— Eu sei.
Da Universidade de Los Angeles até Stanford é mais de cinco horas
de distância. Do meu dormitório até o apartamento de Seth são quase seis. 
Charlotte está dirigindo tão devagar que essas seis se transformam
em oito. Quando ela estaciona no endereço que ele me passou — porque,
obviamente, ainda não estive na casa dele —, estou mais cansada do que
qualquer outra coisa.
— Acho que vou entrar com você. Estou com medo de você
cometer alguma loucura na hora da raiva.
Reviro os olhos.
Mas não acho uma ideia ruim Charlotte ficar comigo durante os
próximos dias. Na verdade, pensando bem, essa é uma ótima ideia.
Envio uma mensagem de texto para Seth avisando que já cheguei.
Não é surpresa quando eu o encontro no elevador, sorrindo e com um brilho
de expectativa no olhar.
Cretino.
Seth está usando uma camiseta preta que marca todos os músculos
salientes. O cheiro gostoso de quem acabou de sair do banho, um buquê de
flores em uma das mãos.
O sonho de qualquer garota.
— Oi — diz Charlotte, quebrando o nosso contato visual intenso.
Ele pisca rapidamente, parecendo se dar conta só agora de que ela está bem
do nosso lado. — Tem problema eu ficar essa noite com vocês?
Ele abre um sorriso educado.
— Problema nenhum! Tenho um quarto de hóspedes.
Charlotte acena, me puxando para o seu lado. O movimento não
passa despercebido por Seth, que aperta o andar do apartamento em
seguida.
Encaro fixamente o nada. Não tem coisa mais cafona do que ter uma
discussão com o namorado na frente da melhor amiga.
Quando entramos no seu apartamento, somos recepcionados por
uma música ambiente e rastros de pétalas de rosas. As flores no chão levam
até uma pequena mesa na varanda, que está cercada de velas. 
Meu coração para.
Charlotte arfa atrás de mim.
E Seth, parecendo um pouco sem graça, surge do nosso lado.
— Não sabia que Charlotte estava vindo. Juro que eu teria feito algo
para nós três… Na verdade, ainda tem bastante comida. Decidi cozinhar
enquanto você não chegava para não precisarmos nos preocupar com isso
nos próximos dias.
Respiro fundo.
Não tem como ele ser mais perfeito. 
De repente, até esqueço daquela maldita foto. Toda a raiva e
decepção se esvaem, e tudo o que eu quero fazer é me afundar em Seth até
que todas as minhas inseguranças e medos sumam.
Charlotte dá um tapinha no meu ombro.
— Vou colocar as minhas coisas no quarto e então acho que vou
encontrar a Diana. Ela deve conhecer algum restaurante legal.
Seth se desculpa mais uma vez, e pelo olhar cauteloso que Charlotte
lança pra mim antes de sair, entendo que ela quer dizer: “não estrague
tudo”.
Engulo em seco.
Nós estamos a sós agora. Mesmo assim, nenhuma palavra é dita.
Depois de segundos nessa agonia, ele finalmente me pergunta:
— Eu fiz alguma coisa?
Pisco rapidamente.
— Não sei. Você fez?
Ele respira fundo.
— Tem certeza que quer recomeçar os joguinhos, Marjorie? Achei
que já tínhamos superado essa fase.
Fecho minhas mãos em punho.
— Eu também achei. Até a Charlotte receber uma foto sua
abraçando Suzan depois do jogo de ontem. — Seth recua um passo, o rosto
brilhando comentendimento. Depois, esse mesmo brilho se transforma em
algo que eu tenho sentido durante essas últimas horas: medo. — É, Seth. Eu
vi aquilo. Deixa eu te perguntar, você se importou comigo quando a
convidou para o seu jogo? Pelo visto não fui a primeira a te consolar pelo
empate.
Suspirando, ele coloca as mãos na cintura.
— Não é nada disso.
— Ah, não?
— Obviamente que não, Marjorie. Suzan e eu somos amigos. 
Passo o peso de um pé para o outro.
— Não sei se me sinto confortável com isso.
— Eu também não me sinto confortável com você e o Chad.
— Mas ele e eu nem estamos mais nos vendo.
Seus olhos normalmente sempre doces agora estão mais para
acusadores.
— Foi você mesma que disse que agora vocês são amigos. Lembra?
Pensei que isso fosse a sua forma de dizer que tudo bem mantermos os dois
na nossa vida.
Pensando por esse lado…
É, talvez eu tenha enlouquecido um pouco. Preciso urgentemente
começar a terapia.
Seth me encara, o semblante suavizando a cada passo que dá na
minha direção.
— Olha, eu entendo. Nós dois estamos inseguros depois de tudo o
que aconteceu. Acredite em mim, morro de medo de alguém nos separar
assim como os seus pais fizeram. Mas para a nossa relação dar certo de
verdade, Marjorie, precisamos confiar um no outro.
Suspirando, eu coloco minhas mãos sobre o rosto. Talvez eu tenha
começado a soluçar, mas parece que nem estou mais no meu corpo.
Sinto os braços de Seth me apertarem protetoramente contra ele e
literalmente desabo.
Começo a chorar compulsivamente, as lágrimas quentes escorrem
pelo meu rosto como uma cachoeira.
— Eu confio em você — digo com a voz trêmula. — Mas não sou
boa o bastante, Seth. E se você encontrar alguém melhor?
E é então que ele começa a rir.
Não apenas rir.
Ele começa a gargalhar. 
Seth está tremendo de tanto rir. Tanto que, em determinado
momento, me afasto para tentar acalmá-lo. Seus ombros estão tensos,
enquanto ele me encara como se eu fosse a garota mais tonta do mundo.
— Alguém melhor do que você, Marjorie? Ficou maluca?
Dou de ombros.
— Sou complicada, Seth.
— É, estou vendo isso. Mas mesmo com todos os seus defeitos,
nunca tive olhos para mais ninguém. Você roubou o meu coração antes
mesmo de eu saber o que era amor, Marjorie — Seth suspira, me encarando
com os olhos cheios de amor. — Costumava pensar que gostar de você
dessa forma arruinaria a nossa amizade. Que esperar por você todos esses
anos seria algo patético. Mas, mesmo assim, nunca me arrependi de nada.
Absolutamente nada. — Estou chorando de novo. Ele, sendo o cavalheiro
que é, passa os polegares suavemente sobre o meu rosto, enxugando as
lágrimas. — Samantha uma vez me disse que ter levado você comigo
aquele dia em que fugimos era um crime. Que nós eventualmente seríamos
pegos e eu estaria encrencado. Mas você, Marjorie, sempre foi o meu crime
favorito. Faria tudo aquilo novamente para não perder todos os anos que
foram arrancados de nós. Na verdade, eu faria diferente sim. Não teria ido
até o acampamento naquela noite. Talvez nunca tivessem nos achado.
Talvez agora você já fosse a minha esposa. 
Ainda chorando, ergo o rosto para encará-lo. E então, lentamente,
limpo as lágrimas com as costas das mãos.
— Odeio ter passado tantos anos afastada de você, Seth. Mas não
faria nada diferente — digo, ofegante. — Porque viver com medo de ser
pego não seria justo com a gente. Sem contar que esse tempo só nos fez
perceber como o que temos é especial. No fim das contas, acho que nunca
tive tanta certeza de algo como tenho de você.
Sem conseguir esperar mais nenhum segundo, ele me puxa para
mais um beijo. Nossas bocas se encontram e sinto fogos de artifício
explodindo em mim. Ele me abraça como se eu fosse sua âncora. A coisa
mais preciosa que ele já teve. 
Seu amor.
De repente, é como se tudo evaporasse. Nada mais importa, porque
agora estamos juntos e eu sei, apenas sei, que Seth vai estar do meu lado a
cada passo do caminho.
Ele encosta a sua testa na minha, respirando o mesmo ar que eu. Em
seguida, abre um microssorriso com aquela expressão de quem sabe das
coisas.
A que eu mais amo nele.
— Preparei um jantar romântico pra gente e você aparece pronta
para me dar uma surra. A vida com você vai ser uma grande aventura,
mulher.
Estreito os olhos, meio chorando, meio rindo.
— Passo algumas horas longe do celular e você aparece abraçando
outra garota. Vou precisar de muita paciência.
Seth me acompanha na risada, mas sua expressão logo fica mais
séria.
— Eu amo você, Marjorie. E sei que você me ama. Nós sempre
fomos ciumentos, mas acho que, de agora em diante, precisamos deixar
essa insegurança para trás. Temos que confiar um no outro. — Ele hesita
algumas vezes antes de continuar: — Você confia em mim? Confia que eu
jamais te trairia?
— É claro que sim.
— Que bom. Eu também confio pra caralho em você. — Em
seguida, arqueia a sobrancelha. — Sou bonito demais pra ser trocado por
qualquer um.
Seth Samuels, senhoras e senhores.
Sem conseguir segurar a risada, desfiro um tapa em seu ombro. Ele
segura meu pulso, me puxando para um beijo.
— Seth?
— Hm?
— Você também foi meu crime favorito. A única coisa que me fazia
seguir em frente era a esperança de reencontrá-lo um dia. — Abro um
sorriso. — Aquela noite pode ter sido um terror para as nossas famílias, mas
pra mim… Significou tudo. Tudo.
Todas as coisas que eu fiz
Só para eu poder te chamar de meu
Todas as coisas que você fez
Bem, espero que eu tenha sido seu crime favorito
favorite crime | Olivia Rodrigo
Meus pais me ensinaram a ser um cavalheiro.
É por isso que eu puxo a cadeira do jantar para Marjorie se sentar. A
noite está muito bonita e estrelada, então vê-la à luz de velas me deixa
ansioso para o que vai acontecer mais tarde.
No entanto, como eu disse anteriormente, aprendi a ser um bom
rapaz.
Sirvo o vinho que escolhi para essa noite. Depois, explico
minuciosamente o menu que preparei especialmente para ela.
Escuto sobre tudo o que ela quer conversar. A competição das
líderes de torcida, como foi perder para o time do Texas, as inseguranças
que sentiu naquele dia.
Então, vamos para o tópico mais sombrio: seus pais. Marjorie
desabafa como foi difícil se abrir para eles e contar sobre o nosso
relacionamento. Meu coração acelera ao ouvi-la descrever tão graficamente
sobre como eles tentaram controlá-la. Entretanto, agora a minha menina não
abaixa a cabeça tão facilmente.
Consolei quando ela me confessou se sentir ingrata por ter feito isso.
Por ter rompido o contato com eles. 
— Você acha que eu sou mesmo tão ruim assim, Seth?
— Seus pais não merecem a filha maravilhosa que têm, Marjorie. É
isso que eu acho.
Senti meu coração inchado de tanto amor ao ver o sorrisinho
aliviado que ela me lançou.
Depois que ela terminou de comer, não a deixei lavar a louça. Na
verdade, preparei um banho de espumas na banheira que eu praticamente
não uso, mostrando todas as essências que eu comprei no shopping hoje
mais cedo antes dela chegar.
— Seth Samuels, você está tentando me seduzir? — Ela finge uma
careta surpresa, arregalando os olhos.
Coloco as mãos dramaticamente sobre o meu coração.
— Droga, ficou tão na cara assim?
Balançando a cabeça, Marjorie entra no banheiro.
Termino de encher a lava-louças, ouvindo as músicas do álbum da
Taylor Swift tocarem no banheiro.
Não interrompo seu momento de relaxamento.
Enquanto ela se recupera da viagem que fez, vou até a cadeira que
coloquei estrategicamente na sala da casa.
E então, com um sorriso sem vergonha no rosto, eu termino de
preparar a sobremesa de Marjorie.
— Puta merda! — grita ela, pega totalmente de surpresa ao sair do
banho e se deparar com a seguinte cena: eu, com os pulsos amarrados sobre
a cadeira (dar esse nó sozinho foi difícil e provavelmente com um puxão
estaria solto, mas é a intenção que vale), lançando um sorrisinho de canto
para ela. — Meu Deus, Seth. O que é isso?
Forço meu sorriso mais inocente.
— Estou dando o que você me pediu, ué. Falta só a venda, mas
como você pode ver, não consigo amarrá-la daqui.
Marjorie balança a cabeçacom descrença.
— Você não existe.
— E você ainda não começou a fazer nada. Pensei que queria estar
no controle.
Ela murmura mais alguma coisa sobre eu ser maluco, mas logo
morde o lábio inferior, avaliando o meu corpo como se eu fosse uma
sobremesa exposta no mercado.
Em seguida, ajeita melhor a toalha sobre o corpo, caminhando até a
mesa para buscar a venda.
Quando ela está perto o bastante de mim, arqueio a sobrancelha.
— Vai mesmo usar isso?
— Shiu. Uma das coisas que eu fantasiava, além de ter você desse
jeito, é ver você caladinho — brinca. — Só gemidos a partir de agora.
— Sim, senhora.
Marjorie não brinca em serviço.
Depois de colocar a venda, começa a pairar sobre mim. 
Não está me tocando, mas eu consigo sentir a sua presença. O cheiro
forte está sobre mim, e a expectativa me deixa com muito tesão.
Primeiro, desce a boca macia para o meu pescoço. Deixa um beijo
ali, tão simples e casto que me pega de surpresa. Depois, escorrega esses
mesmos lábios para o meu peito. Seus cabelos fazem cócegas em mim, e
não consigo segurar uma risadinha.
— Eu disse que você podia rir?
Fecho a cara na mesma hora.
Não conhecia esse lado mais mandão de Marjorie.
E estou amando pra caralho.
Suas unhas vagueiam suavemente sobre a minha pele, e se eu a
conheço bem, é um jeito sutil de marcar seu território.
Gemo ao sentir seus dentes morderem um pedaço do meu pescoço. 
A cada novo toque, meu corpo reage ainda mais. Por não estar
conseguindo enxergar nada, meus outros sentidos estão mais aguçados.
Quando ela me beija, minha pele pega fogo.
Quando suas mãos me tocam, me arrepio inteiro.
Porra, até mesmo quando a sua toalha encosta no meu braço, eu
sofro. Mal começamos a brincar e eu já quero que ela arranque essas cordas
e me implore para fodê-la de uma vez.
Só de pensar nisso, começo a me remexer. Talvez tenha uma forma
de me soltar…
— Pode ficar paradinho, Seth. Nós mal começamos — ela diz com a
voz séria.
Frustrado, grunho.
— Se você parar de brincar, talvez possamos nos divertir.
— E quem disse que eu não estou me divertindo?
Diaba. É isso que ela é.
E muito, muito malvada.
Mas então, como se estivesse sentindo pena de mim, Marjorie se
senta no meu colo.
E eu praticamente derreto na cadeira.
Merda. Ela está nua, apenas com a toalha cobrindo seu corpo
perfeito. A boceta nua se esfrega contra o meu pau duro, e é só uma questão
de ângulo até eu estar dentro dela.
Se Marjorie apenas se sentasse um pouco mais para a direita…
— Em breve vou dar o que você precisa. Mas, antes, você vai fazer
o que eu quero — continua, mandona. 
E é então que sinto uma pele macia contra a minha boca. Sem
esperar por mais instruções, coloco a língua para fora, sentindo o mamilo de
Marjorie.
— Você pode chupá-los agora.
Graças aos céus.
Coloco um deles na boca, sugando com vontade. Os gemidos de
Marjorie são música para os meus ouvidos, e continuo chupando-os até
sentir seus quadris se movendo contra os meus.
Ela está nos masturbando.
— Isso, assim… — me incentiva, levando as mãos até os meus
cabelos. — Bom garoto.
Rosno contra a sua pele, querendo-a mais do que qualquer coisa.
Seus peitos na minha boca são mais doces que mel. Ela se retorce
sobre mim, louca de tesão, enquanto aproveita a posição para passar as
mãos sobre a minha pele.
— Você está tão lindo assim, Seth. Tão lindo…
Os elogios fazem bem pra caralho para o meu ego. Mas nada se
compara ao ouvi-la sussurrar baixinho o meu nome como se fosse uma
prece.
Isso é como alcançar o nirvana.
— Você quer me comer? — pergunta, com a voz trêmula de desejo.
— Mais do que qualquer coisa.
— Então vou deixar você entrar em mim. Apenas um pouco.
Essa conversa não deveria me excitar tanto, mas aqui estamos.
Estou prestes a gozar só de ouvi-la sussurrar no meu ouvido sobre como
ninguém pode nos ouvir. Como temos que fazer silêncio.
E então, de repente, sinto suas mãos segurarem a base do meu pau.
Marjorie começa a descer sobre mim, sua boceta quente me apertando mais
forte que um punho. No entanto, antes mesmo de chegar na metade do
caminho, ela para.
Merda.
— Espera só um segundo.
— Marjorie, você está me torturando. Vou acabar gozando antes da
hora.
— Eu confio no seu potencial Seth.
— Não com você dizendo coisas assim no meu ouvido.
Ela ri.
— Prefere que eu diga como você me comeu tão gostoso na minha
primeira vez? — Sua voz fica cada vez mais sensual. — Usei o vibrador
que a Charlotte me deu de presente algumas vezes. Imaginava que era você,
com essa boca tão talentosa. Não consigo esquecer de como foi bom ser
chupada por você.
Talvez eu esteja choramingando a esse ponto, mas quem se importa?
Estou duro pra caralho, preso, e essa garota mal está com a cabeça
do meu pau enterrada nela.
— Se eu morrer de tesão, a culpa é sua.
Marjorie ri novamente, começando a abaixar os quadris.
— Você não vai morrer de tesão, Seth. Como eu poderia gozar
assim?
Rosno, colocando o mamilo dela novamente na boca. Isso a cala, o
que é bom para o meu ego, mas é péssimo para a minha situação, já que só
me deixa ainda mais excitado.
Depois de longos minutos em que parece que vou enlouquecer, ela
finalmente termina de descer sobre o meu pau.
Nós dois gememos em uníssono.
— Porra — arfo, precisando me concentrar em qualquer coisa
menos no que está acontecendo aqui. Me sinto pronto para gozar a qualquer
momento.
Marjorie choraminga em cima de mim, a cabeça encostada no meu
ombro.
— Como isso pode ser tão bom? — pergunta, com a voz fraca.
Impulsiono o quadril para frente. O movimento faz nós dois
desabarmos, uma pontada de prazer crescendo sobre mim.
— Seth…
Estou pronto para fazer o movimento mais uma vez quando
Marjorie, de repente, arranca a venda dos meus olhos.
Merda, merda, merda, merda.
É muito pior do que não enxergar nada.
Na verdade, é melhor. 
Porque vê-la com o cabelo molhado, boca entreaberta, ofegante pra
caralho, vermelha e suada é o suficiente para me lançar em uma espiral de
prazer. 
Trinco os dentes, me obrigando a segurar o meu orgasmo.
— Me cavalga, amor — mando.
E ela obedece.
Mesmo sem saber muito bem o que fazer, Marjorie arrisca. Coloca
os braços ao redor do meu pescoço e então movimenta os quadris para cima
e para baixo, arrancando gemidos desesperados de nós dois.
Vejo um vislumbre da sua bunda perfeita subindo em mim e sinto
minhas mãos desesperadas para agarrar, bater, apertar. Mal posso esperar
para me livrar dessas cordas e comê-la em cima da mesa.
— Porra, Marjorie…
— Quer que eu solte suas mãos?
Eu deveria dizer que sim. Meu corpo não está aguentando não
segurá-la, tê-la o mais perto possível de mim.
No entanto…
Esse é o momento dela. Eu prometi que a deixaria estar no controle
e vou cumprir essa promessa.
Balançando a cabeça, apenas digo:
— Goza pra mim, amor. 
Ela assente, o rosto franzido de prazer. E então, começa a apoiar as
mãos nos meus ombros, me usando como suporte para conseguir cavalgar.
Sua boceta desliza para cima e para baixo, tão molhada que sinto
sua excitação encharcar minhas coxas. Já estou ansioso para provar mais
disso na minha língua.
Marjorie arqueia as costas, empinando os seios lindos na minha
direção. Capturo um deles com a boca novamente, vendo-a me usar para
alcançar o próprio prazer.
E quando seus olhos começam a se revirar nas órbitas, o prazer
dominando-a tão furiosamente, só consigo pensar em como sou sortudo pra
caralho por poder vê-la assim todos os dias daqui para frente.
— Vou gozar — me avisa, aumentando ainda mais a velocidade dos
quadris.
Agarro sua cintura, ajudando-a a manter o equilíbrio, enquanto
Marjorie me monta tão enlouquecidamente.
Ela arfa. Sua boca abre, então ela agarra o meu cabelo. Seu corpo
lindo e torneado começa a tremer em cima de mim, e então sussurra o meu
nome com devoção.
Está gozando.
E é uma visão tão linda, tão incrível, tão transcendental que eu não
consigo segurar.
Gozo logo depois, despejando todo o meu líquido dentro dela.
O orgasmo é tão violento que por um segundo chego a pensar que a
cadeira pode nos derrubar. Mas Marjorie coloca um dos pés sobre o

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