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www.nova-acropole.pt espiritos_natureza_miolo_finalissimo:01 07-03-2008 9:10 Page 1 Edições Nova Acrópole Jorge Angel Livraga OS ESPÍRITOS DA NATUREZA espiritos_natureza_miolo_finalissimo:01 07-03-2008 9:10 Page 5 CAPÍTULO III O QUE SÃO OS ELEMENTOS Segundo conceitos milenares acerca da constituição do Cosmos, es te estaria constituído na base de um único Elemento. Isto res pon - deria ao conceito de unidade que prima sobre posteriores processos de har monização de dualidades dos inteligíveis. Porém, sendo o Arquétipo uno, a Substância deve ser, forçosamente, una em essência. A isto se re - fe riam as publicações de Demócrito acerca do átomo como «parte» in - di visível sobre a qual assentava o Cosmos. O chamado «átomo» ao qual se referiam os antigos gregos, não é aquele que desde há meio século o Homem desintegra. Aquilo a que chamamos hoje «átomo» (que lite ral - mente significa sem partes e, por conseguinte indivisível) não é mais do que uma micromolécula integrada ao mesmo tempo nos variadíssimos ele mentos. O átomo dos clássicos está mais além de tudo o que a ciên - cia actual conhece. No entanto, no plano manifestado em que nos movemos e nos é dado perceber e entender, podemos afirmar que existem quatro Ele - men tos. A Terra, a Água, o Ar e o Fogo. Estes quatro formam duas cru - zes generativas interpenetradas, já que a Terra e o Ar têm movimento ho rizontal, e a Água e o Fogo, vertical. Assim a Terra é fecundada pela Água e o Ar é fecundado pelo Fogo. Destes cruzamentos surgem ele - men tos vitais que se caracterizam pelo seu impulso e acção benfazeja para o homem: a fertilidade material e a fertilidade energética. Estes 4 elementos não devem ser entendidos como a Terra física, Água física, Ar físico e Fogo físico, senão como grupos muito maiores 25 __________ espiritos_natureza_miolo_finalissimo:01 07-03-2008 9:10 Page 25 espiritos_natureza_miolo_finalissimo:01 07-03-2008 9:11 Page 26 27 __________ que se representam exotericamente pelos 4 atrás citados. Também se re - la cionam com os 4 planos inferiores da Natureza: a Terra com o Fí sico, a Água com o Energético, o Ar com o Psíquico e o Fogo com o Men - tal. Em alquimia são os 4 estratos que se plasmam no interior do Ata - nor. Na base, o Sal; no meio, as duas formas de Mercúrio, e na parte su perior o Enxofre coroado pela Fénix de Fogo, forma do 5º elemento que é impossível encontrar em estado natural, pois é muito instável por estar ainda na sua fase formativa. Os 4 Elementos influem nas características das coisas e assim, ou - vimos falar, ainda que nem sempre com conhecimento de causa, de ve - ge tais de Água, de pedras de Ar, e de signos zodíacais de Fogo. Na ver - dade, os 4 Elementos são como 4 impulsos ou notas musicais fun da - mentais da nossa Natureza, dentro da tónica da Unidade Dinâmica que a caracteriza e permite que estas 4 Modalidades se interpenetrem e sejam arquitectadas pelo Plano Divino que nos rege. O QUE SÃO OS ELEMENTAIS São Formas de Vida dentro dos Elementos. Obviamente, é muito difícil explicar as características básicas que deveriam defini-los, pois pe lo facto dos seus corpos não estarem no plano estritamente físico em que se desenvolve o nosso entorno visual e auditivo, ou melhor di zen - do, pelo facto dos seus corpos não estarem na «posição» em que nos é fácil ver as coisas, embora possam estar de algum modo no físico, apa - re cem-nos como fantasias inexistentes dos homens primitivos ou de crian ças desocupadas. Estas formas de vida têm os seus corpos no Plano Prânico e não abaixo deste. Mas, como os Planos não estão cortados como se fosse por uma navalha, existe sim uma gradação quase infinita entre eles, não sendo as circunstâncias da Natureza sempre as mesmas (com variações tais como o dia e a noite, as épocas do ano, a altura, a profundidade, a maior ou menor carga de electricidade estática, as diferentes pressões atmosféricas e as diversas temperaturas, os componentes passageiros do ar tais como as concentrações de água, de Ozono, etc., o todo terrestre somado às influências dos astros, especialmente do Sol e da Lua), os espiritos_natureza_miolo_finalissimo:01 07-03-2008 9:11 Page 27 Elementais em certas ocasiões caem numa maior materialização que os tor na simplesmente visíveis. Mas, mesmo nessas condições tão fa vo rá - veis não são observados normalmente. Demos um exemplo: uma folha de papel rígida que estivesse pen - du rada a 25 metros dos nossos olhos, em pleno dia, seria per fei ta mente vi sível se nos mostrasse alguma das suas faces, perpendicular ao nos so ân gulo de visão. Mas, se estivesse de perfil e imóvel, ou se se mo ves se ao mesmo tempo do que aquilo que lhe serve de fundo, seria na prá ti - ca invisível para os que não estivessem à espera da sua presença. Di fi - cil mente a poderia apreender quem a priori negasse a sua exis tência e não se esforçasse por descobri-la. Isto explicaria – embora mais adian - te voltemos ao tema para o explicar extensamente – por que é que as páginas dos velhos livros, as tabuínhas de argila, os papiros e per ga mi - nhos estão cheios de referências aos Espíritos da Natureza, e que em con trapartida, os elementos culturais da nossa forma de civilização ma - te rialista e «positiva» carecem dessas referências. Para um conjunto humano que chega a negar a alma aos vegetais e animais que vemos, tocamos e devoramos; para quem a fidelidade amorosa de um animal doméstico, ou a presença e a companhia vi vi fi - ca dora de uma árvore ou de uma roseira não diz nada mais além do que for mas e cores que atribui à casualidade, ou a mais ou menos in ven - tadas leis genéticas, enquanto que os despoja sistematicamente do todo atri buto metafísico, é difícil explicar a existência e a presença dos Es pí - ritos da Natureza. Daí que este intento não esteja dirigido a uma mi - no ria, nem tenha intenções «elitistas», mas que, oferecendo-se a todos, dê por descontado que, enquanto não variarem ainda mais as ca rac te - rís ti cas materialistas herdadas na actualidade, serão os próprios leitores que se auto-excluirão destes benefícios. QUE ANTIGUIDADE REGISTADA TÊM OS ELEMENTAIS Segundo os ensinamentos esotéricos, os Elementais são ainda mais velhos que o próprio Homem sobre a Terra. Eles – habitantes, guar - diões e consubstanciados com os Elementos – existem como formas 28 __________ espiritos_natureza_miolo_finalissimo:01 07-03-2008 9:11 Page 28 espiritos_natureza_miolo_finalissimo:01 07-03-2008 9:11 Page 29 ma nifestadas desde que o Mundo existe. Quando este não passava de uma massa de gases radioactivos e de matéria incandescente, os Ele - men tais do Fogo velaram-no; ao aparecerem os gases estáveis na sua com posição química e a época dos grandes ventos, os Elementais do Ar ze laram pela evolução desses incipientes gases e sua estratificação sobre o recém consolidado córtice terrestre, de modo a se tornar cada vez mais apta para as formas de vida física que estavam planeadas. Quando os gases se tornaram pesados e, precipitando-se sob a forma de pri - meiras águas, estas cobriram a quase totalidade do planeta, dando lugar às primeiras formas realmente materiais de vida, os Elementais da Água tra balharam e foram modificando o primitivo aspecto do líquido ele - men to, naquela época fortemente sobrecarregada de matérias pesadas em suspensão, coisa que lhe dava uma característica quase coloidal nos as sentamentos, enquanto que as altas vagas roçavam com as suas es pu - mas ainda não brancas as nuvens baixas e compactas. Mais tarde, como imen sas tartarugas aletargadas, surgiram as camadas continentais; sobre elas velaram os Elementais da Terra, dando-lhes características de fer ti - li dade e ajudando a enorme população florestal que possibilitou formas de vida superiores e a plasmação da própria Humanidade No Universo, cada coisa tem um Espírito Guardião. O planeta tam bém o tinha e a ele obedeciam as hierarquias dos Espíritos da Na - tu reza, quando começaram os dias e as noites. Ainda o tem e tê-lo-áaté ao seu desaparecimento. É o Dhyan-Choan do livro tibetano de Dzy an, a Alma Resplandecente que rege a Terra, ou a Anima Mundi dos la ti - nos (pois «anima» e move, e não deve ser confundida com o Espírito ou Ego Planetário do qual a Terra física seria o corpo). Este conhecimento é milenário e não sabemos quando começou. Desde o mencionado livro tibetano até todas as demais referências da antiguidade, falam-nos destes processos que à sombra da nossa alie na - ção científica podem parecer-nos contos para não dormir. Mas os Elementais, como esses que sendo pequenos e débeis, po - dem entrar em relação com os homens, também preenchem os velhos li vros. Desde a Suméria até ao Egipto, desde a China até ao pouco que sabemos das culturas da América e da África Negra, passando pela Polinésia e pelos habitantes das zonas próximas dos Polos, e chegando aos séculos que nos precederam na civilização da Europa, os Espíritos 30 __________ espiritos_natureza_miolo_finalissimo:01 07-03-2008 9:11 Page 30 espiritos_natureza_miolo_finalissimo:01 07-03-2008 9:11 Page 31 da Natureza têm um papel relevante naquelas formas de viver menos contaminadas e mais naturais. Narrações sobre Génios, Gnomos, Ondinas, Elfos e toda a extensa gama de Elementais, preenchem a história da Humanidade de tal mo - do que, sem eles, o desenvolvimento e narrativa não seriam iguais, co - mo podemos comprovar desde Enkidu e Gilgamesh, passando pela Odis seia homérica, as sagas de Artur e Merlin, até aos que ensinaram a dan çar a Isadora Duncan e inspiraram os vidros de Gallé. Até há bem pouco tempo, as suas representações adornaram as proas dos navios, e ainda existem centenas de estátuas no mundo, tanto nos parques como sobre os rochedos à beira-mar. As avózinhas (...no tempo em que as crianças eram crianças, os adul - tos eram adultos, e os anciãos, anciãos, quer possuíssem títulos uni ver si - tários, de nobreza, quer fossem simplesmente analfabetos) nar ra vam aos seus netinhos contos sobre os Espíritos da Natureza. De li cio sos contos onde as personagens eram ondinas, gnomos, fadas, elfos, dos quais se des creviam características de forma e de vida, prodígios e aparições. A própria crença católica num Anjo da Guarda que protege as crian - ças até aos sete anos, tem raízes muito mais antigas que o próprio cris - tianismo, e desde a Arcádia até à América, todos acreditavam que as crian ças, pela sua pureza e fragilidade, tinham um Espirito Guardião que lhes evitava muitos acidentes e as protegia das feras, dando-lhes igual mente orientações para regressarem às suas casas quando estavam perdidas. O mais curioso de tudo isto, é que, em povos tão heterogéneos, os Espíritos da Natureza eram representados de maneira semelhante nas suas distintas interpretações artísticas. Na tradição tanto se fala dos mes mos seres Elementais na Europa Central do século XV, como no coração da Índia do 2º milénio A. C. Se tivermos em conta que muitos destes grupos humanos não se conheciam e nem sequer suspeitavam das suas mútuas existências, o facto de haverem tantos pontos de coincidência nas descrições dos Ele - mentais, leva-nos a afastar toda a hipótese de causalidade. É evi dente que todos viram coisas iguais ou muito parecidas e que actuavam da mesma maneira. Eram atraídos, conjurados, repelidos ou temidos... po rém, sempre da mesma maneira. 32 __________ espiritos_natureza_miolo_finalissimo:01 07-03-2008 9:11 Page 32 espiritos_natureza_miolo_finalissimo:01 07-03-2008 9:11 Page 33 Isto reafirma que povos diferentes estavam ante o mesmo tipo de fe nómeno e que pela lógica unicidade humana, tratavam-no de forma se melhante. Tal como diante de um rio todos fizeram pontes mais ou menos sofisticadas, mas que não deixaram de ser pontes. E se todos os po vos antigos falavam dos rios e das pontes que construíram sobre elas, é evidente que os rios eram uma presença real. O mesmo é válido para os Elementais, que eram para todos os povos antigos uma presença real, que chega até aos nossos dias através do folclore e dos velhos tratados. 34 __________ espiritos_natureza_miolo_finalissimo:01 07-03-2008 9:11 Page 34 CAPÍTULO IV COMO SÃO OS ELEMENTAIS: SUAS FORMAS E MANIFESTAÇÕES Dada a finalidade deste pequeno livro, referir-nos-emos agora às Formas que os Elementais assumem para a visão e percepção humanas. Anteriormente dissemos que os Espíritos da Natureza tinham por cor pos formas de energia e que não eram estritamente físicos nem ma - teriais na versão comum do termo, embora a energia seja também ma - terial mostrando-nos diariamente os seus efeitos no plano mais denso de acção. O facto da chamada «electricidade» ser energia e nor mal men te in visível, não impede que ao correr pela superfície de um cabo me tá lico pro duza fenómenos materiais, traduzidos no movimento de pe sadas pe - ças de uma máquina, que por sua vez move ou translada to ne la das de ma téria. Todos nós conhecemos os fenómenos meteorológicos que se tra duzem em raios e relâmpagos, centelhas e «fogos de San tel mo». Por outro lado, a existência de estados vibratórios intermédios en tre a energia invisível e a matéria visível, faz com que a possibilidade de ob - servação humana dos Elementais seja potenciada, mesmo sem se pro - pôr, conforme se anulem essas fronteiras entre «cima» e «baixo». Mas, normalmente, os Elementais têm a sua parte mais densa ou corpo no Plano Energético, podendo em condições favoráveis já citadas re flec tir- -se, dentro de uma certa corporeidade, nas zonas etéricas que são mis - tura e enlace entre o que podemos chamar energia – cuja ca rac terística é a ca rên cia de forma perceptível pelos nossos sentidos – e a matéria – cujas ca racterísticas são para nós evidentes e facilmente registadas. 35 __________ espiritos_natureza_miolo_finalissimo:01 07-03-2008 9:11 Page 35 Disso podemos inferir que os Elementais têm como propriedade uma plasticidade muito mais «veloz» do que a nossa, sendo as suas for - mas mais instáveis e dinâmicas. Estas formas corporizam-se quando se len tificam e a sua visão torna-se mais fácil, quer seja por factores na - turais anteriormente mencionados ou pela vontade de quem os quer ver, von ta de que tem de ser forte mas não agressiva, pois qualquer ins - ta bilidade ne la repercute-se nos Espíritos da Natureza e afugenta-os pa - ra os seus «re fúgios» energéticos e os seus jogos ópticos, próprios do seu ex traor dinário poder para se dissimularem nos próprios Elementos em que habitam. Apesar das suas variedades serem praticamente infinitas, como aliás as de todos os seres vivos, podemos citar alguns exemplos clássicos de Elementais: OS DA TERRA: GNOMOS, FADAS E DUENDES Denominação extraída do Grego, genomos, ou «o que vive debaixo da Terra». A variedade destes Espíritos dos Elementos é, como em todos os demais, tão grande que abarca desde certos monstros (assim os poderíamos chamar baseando-nos no latim, no sentido de «pro dí - gios» ou «alterações do normal», e sendo para eles a terra sólida o âm - bito em que se movem tal como para os humanos o ar, não encontram maior resistência nas mais duras rochas, que nós perante as rajadas de ven to), até aos pequenos anões de que nos fala o folclore de todos os po vos. Dos primeiros podemos dizer que estão em contínuo mo vi men - to, em expansão e retracção, podendo alcançar tamanhos semelhantes aos dos maiores mamíferos conhecidos. Os segundos, de aspecto hu - ma nóide, não se levantam do solo mais do que dois palmos. Estes últimos são os mais conhecidos: anões ou homenzinhos ino - cen tes, bondosos e cruéis com as crianças. Carecem de toda a cons ciên - cia ética e não podemos dizer que são «bons» nem «maus». Travessos por natureza, gostam de zombar daqueles que os pro cu - ram torpemente e são, em contrapartida, submissos servidores dos ver - da deiros Magos. Embora tenham que existir de ambos os sexos, nem as narrações nem a minha própria observação registam fêmeas. O seu 36 __________ espiritos_natureza_miolo_finalissimo:01 07-03-20089:11 Page 36 espiritos_natureza_miolo_finalissimo:01 07-03-2008 9:11 Page 37 aspecto costuma aparentar uma idade madura, embora não represente aquilo que nós chamamos «idade», pois vivem séculos e não conhecem co mo nós os estados de infância, maturidade e velhice. As suas apa rên - cias são sempre as mesmas. Com excepção da cabeça, que é grande em relação ao corpo, como no caso dos anões humanos, são bem proporcionados. Estão sempre vestidos de acordo com um «padrão» à maneira cam - pe sina e copiam as modas humanas que lhes são contemporâneas quan - do nascem, guardando-as assim ao longo dos séculos que duram as suas vidas. Não há sinais de desgaste nessas roupas, ainda que não nos dêem a sensação de ser novas, mas sim enrugadas e usadas como se fossem muito velhas: porém, são indestrutíveis. Mesmo nos maiores graus de materialização, obtidos apenas em con dições especiais e em lugares não frequentados pelos humanos, não emi tem sons nem os entendem. Fogem do Sol e gostam da luz Lunar, das pequenas candeias e dos pirilampos. Aprazíveis, costumam estar muito tempo imóveis. Alguns, não são maiores do que a altura de um punho, pouco mais altos que um polegar, como referem os contos para crianças. Estes são mui to difíceis de captar pelos adultos, se bem que esses Elementais pen sem certamente o contrário. Pois na presença ou proximidade dos adul tos «escondem-se» atrás das coisas, nos cantos menos iluminados, ou aproveitando o seu poder de passar através da matéria, nas gavetas dos móveis que não são abertas há muito tempo. Gostam de estar pró - ximo das crianças e sugerem-lhes lugares e posições para as suas brin - ca deiras, bailes e cantos, rondas e jogos de esconderijo. Travessos, fazem en cantamentos psíquicos que impedem os adultos de encontrar pe - quenas coisas, lapiseiras, óculos, agulhas, pregos. Retirado o véu, divertem-se vendo como é que voltam a encontrar as coisas perdidas, às vezes em lugares diferentes daqueles em que es ta - vam, o que pressupõe neles uma certa capacidade de transladação, em - bora seja muito mais corrente que os seus próprios encantamentos uni - dos à confusão, angústia e apuros que provocam as suas travessuras nos hu manos, façam que sejam as próprias pessoas a levarem os objectos nas mãos e colocá-los noutros sítios sem estarem conscientes disso. 38 __________ espiritos_natureza_miolo_finalissimo:01 07-03-2008 9:11 Page 38 espiritos_natureza_miolo_finalissimo:01 07-03-2008 9:12 Page 39 Na época das Corporações Laborais, quando o homem ainda não tinha automatizado a sua possibilidade de trabalho e punha verdadeiro interesse nele – tal como voltam a fazer os artesãos – os pequenos Gno - mos eram os seus invisíveis companheiros de oficina, os seus ajudantes nas tarefas. Em casos excepcionais, alguns ocultistas conseguiram, com a sua magia, fazer trabalhar em seu auxílio exércitos de Gnomos ma - terializados pelo menos em parte; porém, tal tipo de trabalhos forçados de sagrada aos Elementais, visto que gostam de ter uma certa iniciativa equi valente ao jogo ou diversão. No Oriente, registou-se uma variedade de Gnomos, ou sim ples - men te mutações dos mesmos, que chegam a ter uma aparência hu ma - na normal, que ajudam os viajantes nos caminhos, podem falar e dar con selhos, embora não comam nem durmam como os humanos e nem se quer envelheçam. Nestes casos estão sempre sós e são confundidos com monges. Encontramos a mesma versão na antiga Grécia pois os «mo nakhós» eram os emissários de Hermes que, nas encruzilhadas dos ca minhos, tinham os seus esconderijos e cuidavam das primitivas er - midas. Dizia-se que eles não comiam nem amavam, quase não falavam, pre ferindo fazer-se entender por sinais. Segundo a tradição, a sua ana to - mia diferia em algo dos humanos: as pontas das orelhas, o que os apro - xi mava de um outro tipo de Elementais dos bosques, chamados de pois Sil vanos. O típico gorro de Hermes, servia para ocultar esta anor ma li - dade, que muitas vezes foi relacionada com o Mito do Rei com ore lhas de burro e dotado de poderes parapsicológicos, como Mi das. Os Gnomos ou homenzinhos podem, se o desejarem, transladar- -se com enorme velocidade e estar instantaneamente onde querem es - tar. E assim, fazem pequenos serviços aos Magos que estão em relação de tra balho com eles, como avisos através de ligeiros golpes dados nos mó veis e outros que veremos mais adiante. Apesar de não terem uma al ma em grau de diferenciação, como a humana, conseguem a apa rên - cia dela sob a influência de um ocultista prático que possa efec ti va - mente co mu ni car-se com eles. As Fadas são igualmente Elementais da Terra, embora as múltiplas va riedades e a tradição literária e popular as exalte de tal maneira que, em numerosos países, a denominação é sinónimo de feiticeira ou maga, co mo nas versões da Baixa Idade-Média e a Renascentista do Mito de 40 __________ espiritos_natureza_miolo_finalissimo:01 07-03-2008 9:12 Page 40 espiritos_natureza_miolo_finalissimo:01 07-03-2008 9:12 Page 41 42 __________ Merlin na saga de Artur, onde Morgana aparece como uma Fada. De aparência similar à humana, os seus tamanhos variam entre o diminuto e o de uma pessoa normal. Regidas igualmente pela Lua, gostam de reunir-se em lugares afas - ta dos de toda a presença humana e dançar em círculos nos prados en - vol tos pelos bosques. A especial forma de reprodução dos míscaros, que con figura uma expansão da espécie em forma de anel, aparentou estes ve getais, na tradição popular, com os círculos da Fadas. Isto porque as Fa das são peritas no conhecimento das virtudes ocultas das plan tas e dos minerais. Hábeis em encantamentos, magias e feitiçarias, ins piram aos terapeutas naturais as suas estranhas e rudes artes, onde se mis tura a intuição com a recordação mutilada de uma ciência perdida. Certa variedade está estreitamente ligada aos humanos, e nas velhas monarquias costumavam dar, aos recém-nascidos presentes em forma de bençãos, ou maldições se havia circunstâncias negativas pelo meio. Gos tam de crianças em geral, sugerindo-lhes os jogos e protegendo-as dos perigos, inspirando-lhes telepaticamente acções que as preservam vi vas e alegres. São atraídas pelas guloseimas e doces, cujo perfume e «duplo» as ten ta a correr para a – nem sempre grata para elas – companhia hu ma - na. Gos tam dos sons harmónicos e das figuras geométricas circulares. De aspecto feminino, não conheço se existem varões. Não são as con - trapartes femininas dos Gnomos, como vulgarmente se crê, pois as suas características e naturezas são distintas e «ignoram-se» uns aos outros, como acontece com animais de diferentes espécies. OS DA ÁGUA: SEREIAS, NEREIDAS, ONDINAS, NINFAS As chamadas Sereias, são as da superfície da água do mar. Sereias, do latim Siren, do grego Seiren são «as que encantam ou seduzem». Re - la cionadas com a música na antiguidade, consideravam-nas filhas de Mel pómene. Descrevem-se com cabeça de mulher e corpo de ave ou pei xe. Aliadas às formas elementais que regem as brisas marinhas, pro - duzem sons harmoniosos muito parecidos à voz humana, que podem imi tar pelos seus poderes telepáticos. Poderíamos colocá-las na cúspide espiritos_natureza_miolo_finalissimo:01 07-03-2008 9:12 Page 42 espiritos_natureza_miolo_finalissimo:01 07-03-2008 9:12 Page 43 espiritos_natureza_miolo_finalissimo:01 07-03-2008 9:12 Page 44 espiritos_natureza_miolo_finalissimo:01 07-03-2008 9:12 Page 45 espiritos_natureza_miolo_finalissimo:01 07-03-2008 9:12 Page 46 hierárquica de toda uma gama de Elementais que, sendo da água, ne - ces sitam da combinação com o Ar para viver. Noutro extremo estariam as pequeníssimas criaturas que vivem apenas na espuma, que nascem e se dissolvem com ela, sobretudo em noites de Lua Cheia. Segundo a an tiga medicina, estas últimas tinham a capacidade de realizar curas ex - traor dinárias naqueles que se banhassem nessas águas. Também ser - viam os Magos que podiam ler augúrios, através da reflexãoda luz Lunar ou «Caminho de Prata» da Lua Cheia sobre o mar calmo. Existe outra variedade de Sereias, que aparecem nas noites em que as ondas se tornam fosforescentes por estarem saturadas de formas ani - mais, como as chamadas Noctilucas. Trazem maus presságios e piores re cordações. Estão relacionadas com o antigo mistério da «Lua Sub - mer sa» do qual não falaremos. As Nereidas são poderosos Espíritos da Natureza femininos, que ser viam de escolta a Afrodite, a «Nascida da Espuma». Podem alcançar gran des profundidades e habitam em grutas submersas. A sua alta hie - rar quia fazia-as também, companheiras de Anfitrite, esposa de Po sei - dón, Rei do Mar e das grutas subterrâneas, antigo Senhor dos Ter ra mo - tos e dos Cavalos, pois as espumas, ondeadas, que levantam as vagas, iden tificam-se com as crinas dos «Cavalos de Poseidón». Tradicio nal - men te relacionadas com a realeza e a fidalguia, protegiam as difíceis ma nobras dos antigos barcos à vela dos reis e dos imperadores. As suas contrapartes masculinas são os Tritões, também do séquito de Nep - tuno: respondem ao Trino Poder do Reflexo do Logos sobre o Grande Es pelho ou Cristal Negro de origem Terrestre e Ígnea, guardado em Thu le para a Coroa do Rei do Mundo. Têm, como as Nereidas, o corpo na sua metade superior semelhante ao humano, e na sua metade in - ferior como peixe alargado, à maneira de serpente do mar. Adornados com algas e corais, pérolas e conchas, tocam supersónicos búzios eté - reos anunciando o passo dos triunfadores. Conhecem o segredo dos te - sou ros submersos e em certas ocasiões aparecem como violentos exe - cutores da vontade de seu Amo, que com seu tridente mágico, mantém os barcos sobre as águas, ou empurra-os sobre as rochas e afunda-os. Em épocas passadas, aconselhavam os viajantes humanos dedicados às Ciên cias perdidas, provenientes de Continentes submersos. 47 __________ espiritos_natureza_miolo_finalissimo:01 07-03-2008 9:12 Page 47 espiritos_natureza_miolo_finalissimo:01 07-03-2008 9:12 Page 48 As Ondinas devem o seu nome ao latim, unda, literalmente: onda. Ha bitam os rios, especialmente nas regiões em que estes correm entre as rochas e produzem cascatas e espumas rumorejantes. Outras va rie - da des são marinhas e vivem nas costas e praias, sempre em locais re co - lhi dos, onde haja espaços vazios. A sua forma parece-se com a de uma mu lher na parte superior, tendo o seu corpo indefinido da cintura para baixo ou aparentando túnicas sempre húmidas que o recobrem. De ca - belos muito longos, nadam a enorme velocidade e em muitas oca siões con fundem-se com as Nereidas. As tradições descrevem-nas pen tean do as suas longas cabeleiras em atitudes muito femininas e em geral dão uma sensação de debilidade e fragilidade se as compararmos à pu jan te e orgulhosa força das Nereidas. Na antiguidade atribuía-se a estas cria - turas o poder de encantar os viajantes que, em paragens solitárias, se detinham junto às torrentes, convidando-os às suas grutas para beber um licor mágico que os fazia enfrentar-se com os seus próprios mons - tros interiores. Só os puros e fortes podiam vencer e libertar-se de pe - ri go sos pactos com as Ondinas, de olhos hipnóticos e possuidoras de cer tas jóias, provavelmente anéis que ofereciam com intenção de que o ca va lhei ro que as aceitasse permanecesse afeiçoado e rendido a elas. As Ninfas, cujo nome provém do latim lynpha, água, e do grego nymphe em relação com as fontes e mananciais – são Elementais de apa rência feminina, muito belas, que habitam os lagos e águas tran qui - las. São guardiãs dos mananciais escondidos nas florestas. Às Ninfas atri bui-se-lhes um aspecto totalmente humano até ao extremo de não se diferenciarem das mulheres. Na antiguidade atribuía-se-lhes o ser guar diãs dos remoinhos e ser tanto maléficas como benéficas, mos tran - do um carácter ao mesmo tempo caprichoso e delicioso, já que podiam tentar até mesmo os Deuses. Desses tempos chega-nos a muito vivida ima gem de Aretusa coberta de jóias, reflectida nas cerâmicas de cul - turas helénicas da Magna Grécia, geralmente recipientes em relação com a água, só ou misturada com vinho. É característico o seu com pli - cado toucado de pérolas e faixas sobre trabalhados cabelos. Na Saga de Ar tur, semelhante à do Rei do Mundo e do Mago Merlin, é uma Ninfa quem devolve dos lagos as espadas mágicas que darão fé de realeza aos ga lantes cavaleiros. Aparecem também assim na chamada «mitologia ger mânica» em relação com Tannhauser. Emblemas de beleza ve nu sia - 49 __________ espiritos_natureza_miolo_finalissimo:01 07-03-2008 9:13 Page 49 espiritos_natureza_miolo_finalissimo:01 07-03-2008 9:13 Page 50 espiritos_natureza_miolo_finalissimo:01 07-03-2008 9:13 Page 51 espiritos_natureza_miolo_finalissimo:01 07-03-2008 9:13 Page 52 na, as Ninfas estão relacionadas com o amor sublimado e zeloso, con - trá rio ao amor carnal. As suas vinganças contra os cavaleiros que lhes são infiéis costumam ser terríveis. Eternamente formosas e jovens, pos - suem esse segredo de contínua juventude à qual estão condenadas, e cas tigam outorgando a tão discutida graça de não morrer. Mas, a sua imor talidade não é a espiritual e consciente, e sim a desumanizada, que rendo a tradição que os seus intentos amorosos tenham por fim o hu manizar-se e adquirir um sentido humano da vida e da morte. Cria - tu ras enigmáticas, são peritas em encantamentos, em metais má gi cos e pe dras preciosas no seio das quais se podem ver coisas distantes, pas sa - das e futuras. OS DO AR: SILFOS E ELFOS O nome das criaturas Elementais que denominamos «Silfos» é de difícil raiz etimológica, provavelmente galo-romana e derivada de sons que produziam os ventos nas arpas druídicas, que como as eólicas gre - gas, costumavam suspender-se das árvores sagradas, para interpretar uma música não humana. Estes Espíritos da Natureza caracterizam-se por viver exclusivamente no ar; são muito difíceis de percepcionar dada a sua natureza instável, fluídica, dotada de movimentos muito velozes, a ponto de o investigador ter de «cravá-los» em algo que não se mova para poder fazer o estudo mais elementar. Este sistema enfurece os Silfos e causa-lhes dor. Não tanto pela sujeição em si, mas porque ficam privados de movimento, sem o qual desfalecem e chegam a morrer. É sua necessidade constante correr e transladar-se. Apenas a sua cabeça tem aparência humana, pois o resto do corpo, de difícil estudo, é pa re - ci do com a imagem que temos dos anjos, mas menos tranquilos e nem sem pre só com duas asas. Essas asas, no caso dos Elementais do nível que descrevemos também não são brancas, agradáveis e emplumadas co mo as das imagens gregas, romanas e cristãs. Estas foram extraídas de ti pos de Elementais superiores aos quais nos referiremos mais adiante. Os Elfos (do celta Faeris) são Elementais de formas muito belas e muito pequeninos. À maneira de mariposas etéreas, vivem nas cer ca - nias e no interior das corolas das flores. Os seus corpos são an tro po - 53 __________ espiritos_natureza_miolo_finalissimo:01 07-03-2008 9:13 Page 53 espiritos_natureza_miolo_finalissimo:01 07-03-2008 9:13 Page 54 espiritos_natureza_miolo_finalissimo:01 07-03-2008 9:13 Page 55 espiritos_natureza_miolo_finalissimo:01 07-03-2008 9:14 Page 56 57 __________ mor fos e existem sob formas femininas ou masculinas, embora isso não te nha uma relação estrita com a sua reprodução, pois copiam formas hu manas. As suas vestes são semelhantes a túnicas curtas e leves. Os seus movimentos constantes assemelham-se aos das abelhas quando li - bam nas flores. Extremamente energéticos, têm grandes poderes cu ra - ti vos, ainda que nesse tipo de trabalho se extenuem até morrer. O seu raio de acção circunscreve-se à área abrangida pelo perfume da flor. As flo res sem perfume não têm Elfos deste tipo. São, em algumas das suas va riedades, muito afeiçoados aos humanos, sobretudo às crianças e àqueles que têm inocência e sensibilidade artística. A luzexcita-os e a obs curidade sossega-os. Gostam dos sons suaves, das cores e da luz re - flec tida nos espelhos não muito polidos. As suas graciosas figuritas com pletam-se com pequenas asas parecidas às asas das libélulas e bor - bo letas, mas mais formosas, etéreas e em constante movimento à ma - nei ra dos colibris. Unidos pelas mãos costumam fazer rodas de danças e promovem os encantamentos benéficos. Os seus tamanhos variam en tre um palmo de altura até menos de um centímetro. Às vezes aquie - tam-se, como se dormissem, em atitudes muito suaves. Outras vezes pa recem estar pensativos e a ouvir aquilo que os humanos não podem ouvir. São a graça angelical personificada. OS DO FOGO: AS SALAMANDRAS Estes Elementais são os mais afastados das formas humanas. O nome que recebem tem uma obscuríssima origem etimológica oriental, trazida pelos árabes, que os relaciona com a famosa Universidade de Sa - lamanca, que na Baixa Idade-Média Europeia, gozava do esplendor da ple nitude do Islão. Certamente ali efectuaram-se estudos e trabalhos so bre Alquimia, e sob este termo genérico ocultam-se múltiplos co nhe - ci mentos entre os quais os dos Espíritos da Natureza, em especial os que aquecem e também coroam o Atanor. No fogo das chaminés podem ser vistas, semelhantes a serpentes ne gras, geralmente em posição vertical, que se movem velozmente e se re tor cem sobre si mesmas. O tamanho das Salamandras varia, desde o de pequenas minhocas espiritos_natureza_miolo_finalissimo:01 07-03-2008 9:14 Page 57 espiritos_natureza_miolo_finalissimo:01 07-03-2008 9:14 Page 58 que se movem nos fogões ou fogueiras, até às enormes que plasmam as curiosas formas dos relâmpagos e dos raios. Ninguém que não tenha santidade e experiência deve atrever-se a in tentar algum contacto com estes poderosos Seres, pois também re gem os impulsos electrobiónicos que correm pelo sistema nervoso humano. Há metais que as adormecem e contêm, de maneira que podem co laborar na eficácia de um amuleto, com formas de Magia demasiado pe rigosas para serem comentadas sem os prévios compromissos que tor nam os homens incorruptíveis. OUTRAS VARIEDADES DE ELEMENTAIS Ainda que este tema seja desenvolvido noutro Capítulo, creio pru - den te assinalar que os Espíritos da Natureza descritos acima, são só os exem plos mais típicos daqueles que se têm reflectido fortemente no cha mado folclore e na tradição dos humanos. A gama de Elementais é imensa, desde os Regentes dos Planetas ou ainda das Estrelas, até aos que mantêm com a sua vida a dos átomos. Nos Mistérios da Antiguidade fazia-se referência a eles. Eram re - presentados por figuras geométricas, palavras sem aparente significado e cifras numéricas hoje incompreensíveis. As referências são veladas e in directas. É impossível classificá-los num só dos Elementos. São os que regem os momentos do nascimento e da morte de todos os Seres manifestados e também das coisas: a passagem das Almas pelos dis tintos umbrais; os que se movem num espaço-tempo que não é o que conhecemos e no qual vivemos. São os que vigiam a marcha do Relógio da História do lado de fora dessa maquinaria de causas e efeitos encadeados de maneira lógica; os que cuidam dos Anais onde se pode ler no passado e no futuro. São Anjos e Demónios; e também os Dragões cujo alento aquece a Terra. As almas dos cristais geológicos que reinam sobre a es tra ti fi ca - ção dos minerais e que condensaram a luz de estrelas desaparecidas à nos sa vista; os Génios das jóias. Outros, aprisionados em formas men - tais dos Deuses através dos eons, esperam o momento de comandar as de licadas operações do nascimento e da morte das galáxias; são os que 59 __________ espiritos_natureza_miolo_finalissimo:01 07-03-2008 9:14 Page 59 habitam nos cometas, tanto os que fecundam determinadas zonas do es paço para que nasçam novos mundos, como os que se convertem nos res tos de outros astros passados e derivam ao encontro dos cemitérios de estrelas. Igualmente, os cometas mais simples que ligam, como os elec trões de valência, um sistema solar a outro. E mais «perto» de nós, estão os que moram nas entranhas dos vul - cões e das nuvens; os que manejando pincéis invisíveis, pintam os ama - nhe ceres e entardeceres. São os que despertam a vegetação na Pri ma - vera e que a adormecem quando se aproxima o Inverno. Os que regem o destino nas encruzilhadas dos caminhos, nas grutas encantadas e em mon tanhas mágicas. São os «Génios» que dão e retiram dons. Os que tocam na fronte dos «eleitos» e os que fazem resvalar os pés daqueles que caíram em desgraça. Quem escreve estas linhas sabe que, no nosso materialista século XX, o que se acaba de mencionar soa a contos para crianças ou a ciên - cia-ficção. E assim deve ser, pois estes conhecimentos vêm do passado e do futuro ; são desconhecidos e ignorados no presente. Mas, no en - tan to, referem-se a realidades, algumas das quais se fazem sentir ni ti da - mente na vida e inspiração de muitas pessoas, embora a educação re ce - bi da lhes bloqueie a capacidade de perceber ou imaginar as causas, e acei tem o que se passa com estólida resignação com a característica amar gura ou a animalesca alegria que surge do facto de estarem sub me - tidas à «ananocracia». Quem não puder sair da jaula do materialismo, ja mais po derá perceber estas maravilhas ocultas na Natureza nem verá as mar cas dos Passos de Deus sobre a Terra. 60 __________ espiritos_natureza_miolo_finalissimo:01 07-03-2008 9:14 Page 60 espiritos_natureza_miolo_finalissimo:01 07-03-2008 9:14 Page 61 espiritos_natureza_miolo_finalissimo:01 07-03-2008 9:14 Page 62 espiritos_natureza_miolo_finalissimo:01 07-03-2008 9:14 Page 63 espiritos_natureza_miolo_finalissimo:01 07-03-2008 9:14 Page 64 << /ASCII85EncodePages false /AllowTransparency false /AutoPositionEPSFiles true /AutoRotatePages /All /Binding /Left /CalGrayProfile (Dot Gain 20%) /CalRGBProfile (sRGB IEC61966-2.1) /CalCMYKProfile (U.S. Web Coated \050SWOP\051 v2) /sRGBProfile (sRGB IEC61966-2.1) /CannotEmbedFontPolicy /Warning /CompatibilityLevel 1.4 /CompressObjects /Tags /CompressPages true /ConvertImagesToIndexed true /PassThroughJPEGImages true /CreateJDFFile false /CreateJobTicket false /DefaultRenderingIntent /Default 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