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1 LE G IS LA Ç Ã O , N O R M A S , P R O JE TO S E P LA N O S D E E N G E N H A R IA E M S C I - G R U P O P R O M IN A S 2 LE G IS LA Ç Ã O , N O R M A S , P R O JE TO S E P LA N O S D E E N G E N H A R IA E M S C I - G R U P O P R O M IN A S 3 LE G IS LA Ç Ã O , N O R M A S , P R O JE TO S E P LA N O S D E E N G E N H A R IA E M S C I - G R U P O P R O M IN A S Núcleo de Educação a Distância GRUPO PROMINAS DE EDUCAÇÃO Diagramação: Rhanya Vitória M. R. Cupertino PRESIDENTE: Valdir Valério, Diretor Executivo: Dr. Willian Ferreira. O Grupo Educacional Prominas é uma referência no cenário educacional e com ações voltadas para a formação de profissionais capazes de se destacar no mercado de trabalho. O Grupo Prominas investe em tecnologia, inovação e conhecimento. Tudo isso é responsável por fomentar a expansão e consolidar a responsabilidade de promover a aprendizagem. 4 LE G IS LA Ç Ã O , N O R M A S , P R O JE TO S E P LA N O S D E E N G E N H A R IA E M S C I - G R U P O P R O M IN A S Prezado(a) Pós-Graduando(a), Seja muito bem-vindo(a) ao nosso Grupo Educacional! Inicialmente, gostaríamos de agradecê-lo(a) pela confiança em nós depositada. Temos a convicção absoluta que você não irá se decepcionar pela sua escolha, pois nos comprometemos a superar as suas expectativas. A educação deve ser sempre o pilar para consolidação de uma nação soberana, democrática, crítica, reflexiva, acolhedora e integra- dora. Além disso, a educação é a maneira mais nobre de promover a ascensão social e econômica da população de um país. Durante o seu curso de graduação você teve a oportunida- de de conhecer e estudar uma grande diversidade de conteúdos. Foi um momento de consolidação e amadurecimento de suas escolhas pessoais e profissionais. Agora, na Pós-Graduação, as expectativas e objetivos são outros. É o momento de você complementar a sua formação acadêmi- ca, se atualizar, incorporar novas competências e técnicas, desenvolver um novo perfil profissional, objetivando o aprimoramento para sua atu- ação no concorrido mercado do trabalho. E, certamente, será um passo importante para quem deseja ingressar como docente no ensino supe- rior e se qualificar ainda mais para o magistério nos demais níveis de ensino. E o propósito do nosso Grupo Educacional é ajudá-lo(a) nessa jornada! Conte conosco, pois nós acreditamos em seu potencial. Vamos juntos nessa maravilhosa viagem que é a construção de novos conhecimentos. Um abraço, Grupo Prominas - Educação e Tecnologia 5 LE G IS LA Ç Ã O , N O R M A S , P R O JE TO S E P LA N O S D E E N G E N H A R IA E M S C I - G R U P O P R O M IN A S 6 LE G IS LA Ç Ã O , N O R M A S , P R O JE TO S E P LA N O S D E E N G E N H A R IA E M S C I - G R U P O P R O M IN A S Olá, acadêmico(a) do ensino a distância do Grupo Prominas! É um prazer tê-lo em nossa instituição! Saiba que sua escolha é sinal de prestígio e consideração. Quero lhe parabenizar pela dispo- sição ao aprendizado e autodesenvolvimento. No ensino a distância é você quem administra o tempo de estudo. Por isso, ele exige perseve- rança, disciplina e organização. Este material, bem como as outras ferramentas do curso (como as aulas em vídeo, atividades, fóruns, etc.), foi projetado visando a sua preparação nessa jornada rumo ao sucesso profissional. Todo conteúdo foi elaborado para auxiliá-lo nessa tarefa, proporcionado um estudo de qualidade e com foco nas exigências do mercado de trabalho. Estude bastante e um grande abraço! Professora: Adriana Penna 7 LE G IS LA Ç Ã O , N O R M A S , P R O JE TO S E P LA N O S D E E N G E N H A R IA E M S C I - G R U P O P R O M IN A S O texto abaixo das tags são informações de apoio para você ao longo dos seus estudos. Cada conteúdo é preprarado focando em téc- nicas de aprendizagem que contribuem no seu processo de busca pela conhecimento. Cada uma dessas tags, é focada especificadamente em partes importantes dos materiais aqui apresentados. Lembre-se que, cada in- formação obtida atráves do seu curso, será o ponto de partida rumo ao seu sucesso profisisional. 8 LE G IS LA Ç Ã O , N O R M A S , P R O JE TO S E P LA N O S D E E N G E N H A R IA E M S C I - G R U P O P R O M IN A S CAPÍTULO 01 INTRODUÇÃO 20 A Normalização em Segurança de Combate à Incêndio – Asso- ciações Internacionais _________________________________________ CAPÍTULO 02 LEGISLAÇÃO, NORMAS E INSTRUÇÕES Instituições de Pesquisa pelo Mundo ___________________________ 19 As Normas Brasileiras __________________________________________ 23 CAPÍTULO 03 RESPONSABILIDADES CIVIL E CRIMINAL CAPÍTULO 04 PROJETO DE ENGENHARIA EM SCI Noções Básicas do Projeto em SCI _____________________________ 29 Revisão Qualitativa do Projeto (RQP) ____________________________ 30 Análise Quantitativa (AQ) _____________________________________ 35 Erros de Projeto mais Frequentes _______________________________ 39 9 LE G IS LA Ç Ã O , N O R M A S , P R O JE TO S E P LA N O S D E E N G E N H A R IA E M S C I - G R U P O P R O M IN A S 43PSCIP para Instalações de Ocupação Temporária (PSCIP-IOT) __ CAPÍTULO 05 PLANOS DE SEGURANÇA Plano de Segurança contra Incêndio e Pânico (PSCIP) ___________ 42 PSCIP para Instalações de Ocupação Permanente (PSCIP-OTEP) __ 44 CAPÍTULO 06 PLANO DE INTERVENÇÃO DE INCÊNDIO – INSTRUÇÃO TÉCNICA DO CORPO DE BOMBEIROS CAPÍTULO 07 IMPACTOS AMBIENTAIS DECORRENTES DE INCÊNDIOS CAPÍTULO 08 BRIGADAS DE INCÊNDIO Referências ____________________________________________________ 60 10 LE G IS LA Ç Ã O , N O R M A S , P R O JE TO S E P LA N O S D E E N G E N H A R IA E M S C I - G R U P O P R O M IN A S Elaborar projetos e planos (sejam eles de segurança, de emer- gência, de intervenção) requer conhecer a legislação vigente, possuir dados que entrarão num sistema, serão processados e teremos na saí- da, grupos de soluções para atender um determinado objetivo. Em se tratando da área de estudo, o cerne da engenharia de segurança contra incêndio trata do estabelecimento de objetivos claros a ser alcançados para a segurança dos ocupantes da edificação, da criação de uma estratégia de segurança contra incêndio (considerando- -se todos os possíveis cenários de incêndio) e, finalmente, implementar essa estratégia condensada. Engenharia de segurança contra incêndio considera incêndios “reais”, em edificações “reais”, ocupadas por pes- soas “reais” (PANNONI; SILVA, 2008). Enfim, a engenharia de segurança contra incêndio considera a existência de um conjunto de medidas de segurança contra incêndio INTRODUÇÃO LE G IS LA Ç Ã O , N O R M A S , P R O JE TO S E P LA N O S D E E N G E N H A R IA E M S C I - G R U P O P R O M IN A S 10 11 LE G IS LA Ç Ã O , N O R M A S , P R O JE TO S E P LA N O S D E E N G E N H A R IA E M S C I - G R U P O P R O M IN A S (um “pacote global”), fornecendo uma solução mais abrangente, cientí- fica e, até mesmo mais econômica. Partindo da premissa de que todo risco necessita ser avaliado segundo a probabilidade de ocorrência e gravidade das consequências, então, nosso caminho neste módulo, passará pela legislação, normas, responsabilidades dos profissionais, projetos, planos de segurança e intervenção, os impactos ambientais decorrentes desses sinistros e o papel da Brigada de Incêndio, ressaltando que: 1) Os objetivos do projeto de segurança contra incêndio devem ser claramente definidos nos primeiros estágios do projeto. A proteção à vida sempre será o primeiro objetivo a ser alcançado, mas o impacto financeiro de um incêndio sobre o negócio, como resultadodireto das perdas da propriedade e da produção, também são importantes consi- derações (PANNONI; SILVA, 2008). 2) O Plano de Intervenção de Incêndio consiste num planeja- mento prévio para a provável ocorrência de uma emergência e visa a facilitar o reconhecimento da edificação por parte das equipes de emer- gência. Por meio dele busca-se garantir: a) a segurança da população do edifício; b) a segurança da população das edificações vizinhas; c) a segurança dos profissionais responsáveis pelo socorro, no caso de haver um incêndio; d) o controle da propagação de incêndios; e) a proteção do meio ambiente (IT nº 16/2004/CBMSP). Como se observa, ambos projeto e plano convergem para os mesmos objetivos: segurança! Ressaltamos em primeiro lugar que embora a escrita acadêmi- ca tenha como premissa ser científica, baseada em normas e padrões da academia, fugiremos um pouco às regras para nos aproximarmos de vocês e para que os temas abordados cheguem de maneira clara e objetiva, mas não menos científicos. Em segundo lugar, deixamos claro que este módulo é uma compilação das ideias de vários autores, in- cluindo aqueles que consideramos clássicos, não se tratando, portanto, de uma redação original e tendo em vista o caráter didático da obra, não serão expressas opiniões pessoais. Ao final do módulo, além da lista de referências básicas, en- contram-se outras que foram ora utilizadas, ora somente consultadas, mas que, de todo modo, podem servir para sanar lacunas que por ven- tura venham a surgir ao longo dos estudos. 12 LE G IS LA Ç Ã O , N O R M A S , P R O JE TO S E P LA N O S D E E N G E N H A R IA E M S C I - G R U P O P R O M IN A S Embora nosso interesse paire sobre as normas voltadas para segurança contra incêndios e pânico, precisamos dar uma brevíssima revisada na hierarquia das leis, para termos um mínimo de embasa- mento sobre legislação. A hierarquia das fontes formais no nosso sistema de direito é a seguinte: • 1° - constituição e leis constitucionais (emendas constitucionais); • 2° - leis complementares; • 3° - leis ordinárias e tratados internacionais incorporados ao direito interno. Dentre as leis, as federais predominam sobre as estadu- ais e estas sobre as municipais, enquanto a complementar prevalece sobre a lei ordinária; • 4° - costume; • 5° - contratos coletivos de trabalho, que, desde que não trans- LEGISLAÇÃO, NORMAS E INSTRUÇÕES LE G IS LA Ç Ã O , N O R M A S , P R O JE TO S E P LA N O S D E E N G E N H A R IA E M S C I - G R U P O P R O M IN A S 12 13 LE G IS LA Ç Ã O , N O R M A S , P R O JE TO S E P LA N O S D E E N G E N H A R IA E M S C I - G R U P O P R O M IN A S gridam norma de ordem pública, têm valor de lei ordinária; • 6° - regulamentos. Princípios gerais do direito, quando ine- xistir norma a ser aplicada ao caso concreto, isto é, no caso de lacuna; • essa hierarquia das fontes formais, ou seja, das normas do direito positivo, significa que o juiz, ao ter de decidir um caso, só deve aplicar uma fonte quando não existir outra imediatamente superior (GUSMÃO, 2011). Em resumo: • legislação – conjunto de leis acerca de determinada matéria; • lei – regra de direito ditada pela autoridade estatal e tornada obrigatória para manter, numa comunidade, a ordem e o desenvolvimento; • regulamento – conjunto de regras e normas. Quanto à legislação nacional de proteção contra incêndios, esta surgiu na década de 70, após algumas grandes catástrofes no país, nas quais acarretaram danos irremediáveis tanto à vida humana quanto à patrimonial. Falamos surgiu, mas na verdade e concordando com Seito (2009) que fala com muita propriedade sobre o assunto, essa legislação praticamente inexiste. O que temos de mais concreto, e mesmo assim requer muita crítica, são as normas reguladoras que no geral exige um local de trabalho seguro ao trabalhador. Para Seito (2009), essas normas precisam ser aperfeiçoadas com a participação de vários setores da sociedade. A primeira Norma Reguladora – voltada enfaticamente para in- cêndios é a NR 23 – Proteção Contra Incêndios, Portaria GM nº 3.214, de 08 de junho de 1978, que regulamenta a Lei Trabalhista de acordo com a Lei 6.514, de 22 de dezembro de 1977, estabeleceu os requisitos básicos referentes à proteção básica contra incêndios em edificações que são as saídas de emergência, equipamentos necessários, sendo eles fixos ou móveis, e treinamento adequado aos ocupantes. Fritsch (2011) nos lembra que cada Estado brasileiro, além do cumprimento da NR 23, possui a sua legislação específica, portanto para a elaboração do Projeto de Prevenção Contra Incêndios (PPCI), devemos consultar as mesmas. Temos também, para áreas específicas, as convenções e re- comendações de organismos internacionais como, por exemplo, a Or- ganização Internacional do Trabalho (OIT), outras normas regulamenta- doras (NR) fornecidas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), que regulamentam e fornecem orientações sobre procedimen- tos obrigatórios relacionados à segurança e medicina do trabalho no Brasil, a título de exemplo, a NR 18 – Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção (PCMAT). 14 LE G IS LA Ç Ã O , N O R M A S , P R O JE TO S E P LA N O S D E E N G E N H A R IA E M S C I - G R U P O P R O M IN A S Os regulamentos e normas técnicas existentes fornecem dire- trizes para a segurança contra o incêndio acidental, isto é, sinistro cau- sado por acidentes naturais (decorrentes de terremotos, tempestades, erupções vulcânicas) ou descuido sem intenção de causar o sinistro (curtos circuitos, superaquecimento de equipamentos, desconhecimen- to da combustibilidade do material e da existência de inflamável em local impróprio, entre outros). Mas por que se usam normas técnicas? Grosso modo, porque elas estabelecem as condições técnicas mínimas de qualidade e segu- rança, uma vez que todas as atividades estão relacionadas à melhoria da qualidade dos produtos e serviços prestados, buscando o aprimo- ramento das condições de segurança dos edifícios e demais locais e, consequentemente, de seus ocupantes. A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) também apresenta vários objetivos para a normalização, nos interessando a se- gurança, ou seja, a proteção da vida humana e da saúde que são con- siderados dois dos principais objetivos da normalização. As normas técnicas registradas da ABNT, mais conhecidas pela sigla NBR, são válidas em todo o território nacional. Elas apresentam os requisitos mínimos de qualidade e de desempenho que equipamentos, sistemas e elementos construtivos devem ter para garantir a segurança contra incêndio em determinadas condições. Entretanto, as normas da ABNT não são leis e não possuem a obrigatoriedade de cumprimento por si mesmas, mas servem de parâ- metros mínimos requeridos em leis federais, estaduais e municipais. As leis podem regular o uso das NBR’s e até estabelecer níveis de exigên- cias maiores. Ou seja: não tem força de lei, mas, torna-se lei quando for incluída numa legislação. Nesse sentido, Brentano (2007) salienta que seria importante que não existissem as leis municipais ou estaduais de proteção contra incêndio, e sim uma lei federal, fortemente apoiada nas normas brasileiras (NBR – ABNT), pois assim iria facilitar o trabalho de profissionais e também dos ór- gãos públicos responsáveis por todo o processo que envolve este sistema, por que as regras seriam universais e de conhecimento de todos. Ainda sobre as NR’s que tratam da prevenção de incêndio e pro- teção contra incêndio nos locais de trabalho, vejamos uma breve análise pela ótica de Seito (2009), frisando que elas não usam a terminologia “se- gurança contra incêndio” (sic) e no geral, é preciso fazer atualizações e re- formulações para se tornarem mais claras, objetivas e eficazes as normas. • NR4 – Serviços especializadosem engenharia de segurança e em medicina do trabalho. A NR 4 precisa especificar melhor a compe- tência do engenheiro de segurança do trabalho, que é um profissional 15 LE G IS LA Ç Ã O , N O R M A S , P R O JE TO S E P LA N O S D E E N G E N H A R IA E M S C I - G R U P O P R O M IN A S com curso de pós-graduação lato sensu, com várias disciplinas, inclusi- ve a de proteção contra incêndio. Outro ponto a se considerar é o risco à saúde que está associado com o ambiente, que é resolvido pela arqui- tetura quando for falta de ventilação e iluminação, enquanto o risco de incêndio deve ser minimizado com gestão, equipamentos de combate a incêndio, saídas de emergência e outras medidas. • NR 5 – Comissão Interna de Prevenção de Acidentes – CIPA. Esta não tem, em geral, um coordenador permanente e a cada novo coordenador pode haver mudanças na condução da segurança contra incêndio da empresa. • NR 8 – Edificações. A NR 8 trata da segurança contra incên- dio da edificação, mas falta tipificar as edificações quanto às dimensões e ocupações, pois esses fatores mudam o risco de incêndio do local. • NR 10 – Instalações e serviços em eletricidade. As principais causas de incêndios são de origem elétrica, portanto, a NR10 deve ser mais exigente. Em geral, o engenheiro de segurança do trabalho não é especialista em instalações elétricas e o engenheiro eletricista não o é em segurança contra incêndio. • NR 11 – Transporte, movimentação, armazenagem e ma- nuseio de Materiais. São três questões distintas na segurança contra incêndio: transporte, armazenagem e manuseio e devem ser tratadas separadamente. • NR 12 – Máquinas e Equipamentos. As máquinas e equipa- mentos elétricos devem ter orientações quanto ao risco de incêndio e meio de evitá-lo. • NR 13 – Caldeiras e vasos de pressão. Essa exigência de prédio separado, construído de material resistente ao fogo com duas saídas amplas e permanentemente desobstruídas, porém sem as por- tas corta-fogo, é uma exigência ineficaz para a proteção contra incêndio da edificação. • NR 14 – Fornos. São necessários os procedimentos opera- cionais e de equipamentos de combate a incêndio. Uma lista de ativida- des e operações perigosas irá auxiliar no entendimento desta NR. • NR 18 – Condições e meio ambiente de trabalho na indústria da Construção. As placas de proibição associadas aos extintores portá- teis e pessoas treinadas para usá-los deveriam ser exigidos nesta NR. • NR 19 – Explosivos. O sistema adequado para combater incên- dio não irá evitar a ignição dos materiais explosivos. É preciso implantar medidas de prevenção de incêndio e, consequentemente, da explosão. • NR 20 - Líquidos combustíveis e inflamáveis. Os líquidos combustíveis e inflamáveis possuem maiores riscos de incêndio dentre os materiais combustíveis. O risco de incêndio aumenta quando ocorre 16 LE G IS LA Ç Ã O , N O R M A S , P R O JE TO S E P LA N O S D E E N G E N H A R IA E M S C I - G R U P O P R O M IN A S vazamento acidental ou durante a transferência entre vasilhas, portan- to, mais orientações operacionais são necessárias na NR 20. • NR 23 - Proteção contra incêndios. O risco de incêndio em locais de trabalho de alguns setores é grande e necessita solução téc- nica com base em normas técnicas e regulamentações específicas. A terminologia precisa ser atualizada. • NR 25 – Resíduos industriais. Esta NR pode solucionar, apa- rentemente, a saúde dos trabalhadores da empresa que produziu o re- síduo, porém, pode colocar em risco a saúde e a segurança da popula- ção vizinha à área que o resíduo for depositado. • NR 26 – Sinalização de segurança. Incluir as sinalizações utilizadas na segurança contra incêndio. Temos ainda as Instruções Técnicas (IT’s) dos Corpos de Bom- beiros que regulamentam as medidas de segurança contra incêndio nas edificações e áreas de risco instituídas por lei estadual, normalmen- te decreto estadual. No Estado de São Paulo, por exemplo, foi o Dec. 47.076/2001 que instituiu 38 IT´s. As IT´s apresentam o “como fazer” para os projetistas e pro- prietários elaborarem o PT (Projeto Técnico) de segurança contra in- cêndio das edificações, tão necessário para obter o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB). Atualmente, os Estados de Minas Gerais, Espírito Santo, Para- ná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul possuem decretos que instituem as NPT (Normas de Procedimento Técnico), NT (Normas Técnicas) ou IN (Instruções Normativas), semelhantes as IT´s do CBPMESP (Corpo de Bombeiros da Polícia Militar do Estado de São Paulo). Costa (2011) lembra que a maioria das prefeituras exige o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB) para conceder o “Habite-se” e liberar o uso da área construída. Daí as soluções de última hora, tais como: instalação de certos tipos de proteção em excesso para com- pensar a falta de segurança contra incêndio estabelecida por um layout arquitetônico não funcional para as situações de emergência ou, até mesmo, mudanças grosseiras na arquitetura interna e externa. Seito (2009) acrescenta que a segurança imposta dessa forma, “como vai ficar mal feita, haverá sempre a questão da falha”. Seito (2009) explica que há locais que não há atividade huma- na, mas há alta concentração de material inflamável. Outros possuem baixa carga de incêndio, mas elevada concentração de pessoas. E ou- tros ainda, possuem ocupação mista. Daí a existência de diferentes “fi- losofias” de segurança. Enfim, as diferenças entre leis e normas sobre o mesmo as- sunto devem-se ao conceito de segurança adotado. Os regulamentos e 17 LE G IS LA Ç Ã O , N O R M A S , P R O JE TO S E P LA N O S D E E N G E N H A R IA E M S C I - G R U P O P R O M IN A S as normas técnicas baseiam-se em algum modelo ou padrão. Indepen- dente do conceito ou modelo, “os regulamentos sempre têm o objetivo a proteção à vida e a proteção à edificação” (SEITO, 2009). Os modelos básicos de regulamentos são dois: prescritivo ou compulsório e desempenho. Os demais são combinações de ambos. Segundo Pannoni e Silva (2008), as medidas de segurança contra incêndio costumeiramente utilizadas em edificações, têm sido historicamente especificadas, em todo o mundo, utilizando-se códigos prescritivos. Para muitos tipos de edificações, o emprego de tais có- digos fornece, aos seus projetistas, uma solução simples, segura e, o mais importante, conhecida. No Brasil, como em grande parte do mun- do, a ocupação e a altura da edificação são as variáveis empregadas na determinação de um Tempo Requerido de Resistência ao Fogo (TRRF), a ser obedecido por cada um dos componentes estruturais individuais da edificação (pilares, vigas, entre outros). A aplicação, sobre a estru- tura, de produtos de proteção térmica, testados em um ensaio normati- zado de resistência ao fogo (o “incêndio- padrão”), encerra o processo. Esses códigos são bastante gerais e atendem a uma grande variedade de edificações. Justamente pela sua generalidade, eles nem sempre oferecem uma solução ótima em termos de segurança da pes- soa, da propriedade e do meio ambiente. Além disso, os custos da pro- teção contra fogo também não são otimizados. Em trabalho bem anterior, Tavares, Silva e Duarte (2002) já ha- viam feito um contraponto entre os Códigos Prescritivos e os Códigos de Segurança contra Incêndio Baseado no Desempenho que surgem como uma possível alternativa em garantir a segurança contra incêndios. Por serem códigos dinâmicos, eles ditam o que deve ser alcançado quanto à segurança contra incêndios, ficando a critério do profissional responsável pela elaboração do projeto, bem como da autoridade que aprovará o pro- jeto, como obter a segurança da edificação, considerando o desempenho de todos os agentes envolvidos no processo: o fenômeno fogo, a edifica- ção em si, os materiais contidos na edificação e os ocupantes. Os autores acima ainda ponderaram sobre as dificuldadesen- contradas para a implementação deste tipo de código no Brasil, sobre- tudo devido aos fatores de ordens cultural e legislativa. Os códigos prescritivos dizem como alcançar a segurança contra incêndios sem deixar claro quais são as intenções destas recomendações sugeridas. Como consequência do uso desses códigos, o que se observa é que os custos dos projetos tendem a ser maiores devido à redundância e/ou excesso das medidas de segurança sugeridas pelo código. Soma-se a isto o fato de que muitas vezes, tais recomendações não garantem a se- gurança dos usuários e propriedade no evento de um incêndio. 18 LE G IS LA Ç Ã O , N O R M A S , P R O JE TO S E P LA N O S D E E N G E N H A R IA E M S C I - G R U P O P R O M IN A S Diferentemente dos Códigos Prescritivos, os Códigos basea- dos no Desempenho são códigos dinâmicos, pois se baseiam no de- sempenho de todos os agentes envolvidos no sistema, a saber: dinâ- mica do incêndio, a edificação e o comportamento das pessoas. Assim, os objetivos desejados são apresentados sendo deixados a critério dos projetistas a liberdade para escolher a solução que irá satisfazer os ob- jetivos especificados, propiciando uma maior flexibilidade no projeto, contanto que a segurança possa ser alcançada (BUCHANAN, s.d. apud TAVARES; SILVA; DUARTE, 2002). O quadro abaixo apresenta vantagens e desvantagens dos có- digos Prescritivo e Baseados no desempenho. 19 LE G IS LA Ç Ã O , N O R M A S , P R O JE TO S E P LA N O S D E E N G E N H A R IA E M S C I - G R U P O P R O M IN A S INSTITUIÇÕES DE PESQUISA PELO MUNDO Segundo Del Carlo (2008), existe ao redor no mundo, aqui es- pecificamente falaremos da França e no Reino Unido, laboratórios que possuem instalações para testes de resistência e reação ao fogo de materiais, componentes e sistemas construtivos o que permite o desen- volvimento e certificação de novos produtos, dando apoio ao desenvol- vimento, gerando emprego e competitividade para os países. Em se tratando do nosso continente, a PUC – Pontifícia Uni- versidade Católica do Chile – possui o laboratório de resistência ao fogo mais completo da América do Sul. Na França, o Centre Scientifique et Technique du Bâtiment (CSTB) tem seu desenvolvimento ligado à reconstrução da França, após a segunda guerra mundial. As construções feitas para a reconstru- ção com técnicas tradicionais mostraram-se inadequadas à nova reali- dade tecnológica e às exigências da sociedade. Assim, o CSTB na década de sessenta, dirigido por Gérard Blachère, propõe uma estrutura laboratorial de desempenho com qua- torze itens onde a segurança contra incêndio aparece como segundo item após estabilidade das construções. Esse modelo de desempenho aplicado na França torna-se a recomendação ISO 6241 – Desempenho das construções. Atualmente exerce a liderança da CE – Comunidade Europeia na pesquisa de desempenho e, portanto, de SCI nas construções. O CTBS tem por finalidade, a melhora do bem-estar e da segu- rança dentro das construções e no seu entorno, exercendo quatro áreas complementares: pesquisa, engenharia inovadora, avaliação da qualidade e difusão do conhecimento. Associada a estes domínios das especialida- des permite um enfoque global das edificações, ampliada para seu meio urbano, aos serviços e as novas tecnologias de informação e comunicação. O Laboratório de SCI desse Centro faz parte da divisão de Es- truturas e Segurança ao fogo e está dividido em três seções conforme o quadro a seguir: 20 LE G IS LA Ç Ã O , N O R M A S , P R O JE TO S E P LA N O S D E E N G E N H A R IA E M S C I - G R U P O P R O M IN A S Fonte: Adaptado de Del Carlo (2008). No Reino Unido, temos o BRE - Building Research Establish- ment /FRS - Fire Research Station. O BRE se define como uma organização líder mundial em pes- quisa, consultoria, treinamento, testes e organização de certificação, le- vando sustentabilidade e inovação ao ambiente construído, entre outros. A sua missão é construir um mundo melhor, esperando que seus clientes criem melhores edificações e comunidades, e resolvam os problemas com confiança. Os serviços do BRE, além de consultoria incluem: testes de produtos, certificação, pesquisas comissionadas, publicações, treina- mentos e educação. Na área de SCI, encontram-se vários laboratórios na Grã-Bre- tanha. Entre eles, o FRS contém instalações para teste de cabos, quími- ca do fogo, testes de extintores, resistência ao fogo, testes para a indús- tria naval, avaliação de toxicidade, reação ao fogo, painéis-sanduiche, testes de sistemas estruturais e proteção passiva ao fogo. Del Carlo (2008) cita também o NIST – National Institute of Standards and Technology/ BFRL – Building Fire Research Laboratory, fundados em 1901, que têm por missão promover a inovação e compe- titividade industrial americana por meio de medidas científicas avança- das, normas e tecnologia de maneira a ressaltar a segurança econômi- ca e melhorar nossa qualidade de vida. A divisão de pesquisa de incêndio desenvolve, verifica e utili- za medidas e métodos preditivos para quantificar o comportamento ao fogo e os meios para reduzir o impacto do fogo nas pessoas, propriedade e meio ambiente. Este trabalho envolve integração dos laboratórios de medidas, métodos aprovados de predição e experimentos de fogo em grande escala para demonstrar o uso e o valor dos produtos de pesquisa. A NORMALIZAÇÃO EM SEGURANÇA DE COMBATE A INCÊNDIO – ASSOCIAÇÕES INTERNACIONAIS Parece que vimos sendo redundantes ao longo do curso, mas é importante frisar que a normalização em SCI visa basicamente salvar vidas e evitar perdas patrimoniais em virtude da ocorrência de incên- dios. Indiretamente, a normalização mostra o estágio de desenvolvi- mento científico e tecnológico de uma área do conhecimento. Normalizar e certificar são ações importantes para garantir a qua- lidade e o desempenho dos materiais, componentes e sistemas construti- 21 LE G IS LA Ç Ã O , N O R M A S , P R O JE TO S E P LA N O S D E E N G E N H A R IA E M S C I - G R U P O P R O M IN A S vos, fornecendo um instrumento eficaz no controle da SCI das edificações. Para Del Carlo (2008), o envolvimento dos três segmentos da sociedade: poder público, consumidores e produtores têm sido pequeno, precisando ser ampliado. O número de normas precisa ser rapidamente ampliado, mas o esforço de poucos tem sobrecarregado sua atuação, resultando em menor velocidade tanto na revisão de normas existentes como de normas novas. O baixo crescimento econômico nacional, das últimas décadas, também dificulta a ampliação dos grupos de trabalho. Em se tratando das normas internacionais, estas são inúme- ras, as quais ocupariam no mínimo uma dúzia de páginas, portanto, em anexo, indicamos sítios da internet nos quais podem consultar todas elas e caso queiram, no Livro “A segurança contra incêndio no Brasil”, da página 431 à 446 encontrarão a lista completa. São associações internacionais: a) IAFSS - The International Association for Fire Safety Science O objetivo principal da associação é encorajar a pesquisa so- bre prevenção e minimização dos efeitos adversos dos incêndios. Ela procura cooperação com outras organizações com aplicações ou envol- vidas com a ciência que é fundamental para seus interesses em incên- dio. Procura promover altos padrões e normas para encorajar e estimu- lar cientistas a dedicar-se aos problemas de fogo, para dar fundamentos científicos e para facilitar as aplicações desejadas, a fim de reduzir as perdas humanas e materiais. A associação possui mais de quatrocentos membros, de mais de vinte e oito países, incluindo o Brasil e já realizou oito simpósios em diversos países. Os anais desses simpósios podem ser encontrados no site da associação. b) NFPA - National Fire Protection Association A missão dessa associação é reduzir as perdas devido a in- cêndiose a outros riscos para a qualidade de vida, fornecendo e defen- dendo por consenso: código, padrões, normas, pesquisa, treinamento e educação. Atualmente, a associação conta com mais de oitenta e um mil membros individuais em todo mundo, e mais de oitenta companhias americanas e organizações profissionais. Conta com os seguintes manuais: Código de segurança a vida e Código nacional de instalações elétricas NFPA 70. 22 LE G IS LA Ç Ã O , N O R M A S , P R O JE TO S E P LA N O S D E E N G E N H A R IA E M S C I - G R U P O P R O M IN A S Mais de duzentas normas em SCI foram produzidas pela NFPA, que é uma referência internacional. c) SFPE – Society of Fire Protection Engineers A associação dos engenheiros de proteção contra incêndios, conta com aproximadamente quatro mil e quinhentos membros e cin- quenta e sete sedes regionais. Tem como objetivo o desenvolvimento da ciência e a prática na engenharia de segurança contra incêndio e nos campos do conhecimento próximos, para manter altos padrões éticos entre seus membros e para alavancar a educação em engenharia de proteção a incêndios. É importante entre suas publicações o “Manual de Engenharia de Proteção a Incêndios”, uma obra de referência com sessenta e oito áreas de conhecimento organizadas em cinco capítulos. d) FPA - Fire Protection Association A associação de proteção contra incêndios, com sede no Reino Unido, é financiada principalmente pelas firmas de seguro, por meio da associação dos seguradores ingleses e dos lordes. Seus objetivos são: • proteção das pessoas, propriedade e meio ambiente por meio de técnicas avançadas de proteção a incêndio; • colaborar com os membros, seguradores, governo local e central, corpos de bombeiros e outros; • ajudar a focar a atenção tanto nacional como internacional- mente nessas questões; • influenciar nas decisões feitas por consumidores e negociantes; • coletar, analisar e publicar estatísticas, identificar tendências e promover pesquisa; • publicar guias, recomendações e códigos de treinamento; • disseminar aconselhamentos. Entre as publicações, é de particular importância o programa desenvolvido para computador de “Life saver Fire Software”, que pode ser acessado pela internet para teste e compra. Esse programa per- mite treinar os funcionários em segurança contra incêndio, por meio de processo interativo, repetitivo e contínuo, que permite a segurança contra incêndios nos postos de trabalho sem muito esforço e com bom custo-benefício. Existe um grande número de associações relacionadas à segurança contra incêndios (DEL CARLO, 2008). 23 LE G IS LA Ç Ã O , N O R M A S , P R O JE TO S E P LA N O S D E E N G E N H A R IA E M S C I - G R U P O P R O M IN A S AS NORMAS BRASILEIRAS Além das Normas Regulamentadoras do Ministério do Trabalho e emprego, a SCI no Brasil possui um total de 74 normas técnicas da ABNT e o Comitê Brasileiro de Segurança Contra Incêndio – CB-24-ABNT. As normas técnicas são elaboradas pela ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas –, que é o fórum nacional de normalização, reconhecida de Utilidade Pública pela Lei Federal nº 4.150 de 21/11/62. A ABNT é composta por Comitês Brasileiros. As NBR – Normas Brasileiras Registradas sobre segurança contra incêndio são discutidas e preparadas pelas CE – Comissões de Estudo do CB 24 – Comitê Brasileiro de Segurança contra incêndio. O texto preparado é disponibilizado para consulta nacional an- tes de se tornar uma NBR. As normas técnicas brasileiras podem ser classificadas quanto ao tipo em: 1) Especificação: fixa as condições exigíveis para aceitação e/ ou recebimento de matérias-primas, produtos semiacabados, produtos acabados. 2) Procedimento: fixa condições para: a) execução de cálculos, projetos, obras, serviços, instalações; b) empregos de materiais e produtos industriais; c) certos aspectos das transações comerciais (exemplo: rea- justamento de preços); d) a elaboração de documentos em geral, inclusive desenhos; e) segurança na execução ou na utilização de uma obra, equi- pamento, instalação, de acordo com o respectivo projeto. 3) Padronização: restringe a variedade, pelo estabelecimento de um conjunto metódico e preciso de condições a serem satisfeitas com o objetivo de uniformizar características geométricas, físicas ou outras, de elementos de construção, materiais, aparelhos, produtos in- dustriais, desenhos e projetos. 4) Método de ensaio: prescreve a maneira de verificar ou deter- minar características, condições ou requisitos exigidos: a) de um material ou produto, de acordo com a respectiva es- pecificação; b) de uma obra, instalação, de acordo com o respectivo projeto. 5) Classificação: ordena, designa, distribui e/ou subdivide con- ceitos, materiais ou objetos, segundo uma determinada sistemática. 6) Simbologia: estabelece convenções gráficas e/ou literais para conceitos, grandezas, sistemas ou partes de sistemas. 24 LE G IS LA Ç Ã O , N O R M A S , P R O JE TO S E P LA N O S D E E N G E N H A R IA E M S C I - G R U P O P R O M IN A S 7) Terminologia: define, relaciona e/ou dá a equivalência em diversas línguas de termos técnicos empregados em um determinado setor de atividade, visando o estabelecimento de uma linguagem unifor- me (SEITO, 2009). Destaque-se na tabela a seguir, que contempla todas estas normas, as normas NBR 12779, NBR 12962 e NBR 13485 que tratam de forma específica a manutenção e a norma de brigada de incêndio que estabelece a responsabilidade das equipes pela inspeção dos equi- pamentos de SCI. Vale destacar também as normas brasileiras: NBR 15219 (Pla- no de emergência contra incêndio), a NBR 14276 (Brigada de Emer- gências) e a NBR 14608 (Bombeiro Profissional Civil) como textos refe- rência para o melhor dimensionamento de recursos e preparação para resposta a incêndios. 25 LE G IS LA Ç Ã O , N O R M A S , P R O JE TO S E P LA N O S D E E N G E N H A R IA E M S C I - G R U P O P R O M IN A S 26 LE G IS LA Ç Ã O , N O R M A S , P R O JE TO S E P LA N O S D E E N G E N H A R IA E M S C I - G R U P O P R O M IN A S Fonte: ABNT (apud LINZMEYER; SILVA; ATIK, 2008). 27 LE G IS LA Ç Ã O , N O R M A S , P R O JE TO S E P LA N O S D E E N G E N H A R IA E M S C I - G R U P O P R O M IN A S O profissional técnico e o proprietário do imóvel incendiado têm a responsabilidade de ressarcir os danos materiais causados pelo sinis- tro, independente da existência da culpa (COSTA, 2011). De acordo o Código Civil: Art. 927 - Haverá obrigação de reparar o dano, independente- mente de culpa, nos casos especificados em lei, ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua nature- za, risco para os direitos de outrem (Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002, […] Parágrafo único). A isenção de culpa e o ressarcimento dos custos pelo repa- ro dos danos devem ser requeridos em juízo, apresentando-se meios comprobatórios. No Código de Defesa do Consumidor (CDC), também encon- tramos que se o desempenho dos meios de proteção contra incêndio do edifício não correspondem ao especificado pelos regulamentos para RESPONSABILIDADES CIVIL E CRIMINAL LE G IS LA Ç Ã O , N O R M A S , P R O JE TO S E P LA N O S D E E N G E N H A R IA E M S C I - G R U P O P R O M IN A S 27 28 LE G IS LA Ç Ã O , N O R M A S , P R O JE TO S E P LA N O S D E E N G E N H A R IA E M S C I - G R U P O P R O M IN A S aquele tipo de edifício, o comprador do imóvel é protegido pelo CDC (BRASIL, 1990). Trata-se de uma defesa do cidadão “comum” – pessoa física – que desconhece os critérios de qualidade e segurança contra incêndio de projetos, contra os profissionais que vendem ‘gato por lebre’ no mer- cado da Construção Civil (COSTA, 2011). Vejamos:Art. 12. O fabricante, o produtor, o construtor, nacional ou es- trangeiro, e o importador respondem, independentemente da existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos decorrentes de projeto, fabricação, construção, montagem, fór- mulas, manipulação, apresentação ou acondicionamento de seus pro- dutos, bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua utilização e riscos (BRASIL, 1990). Quanto às responsabilidades penais, de acordo com o artigo 250 do Código Penal, o incêndio é um crime de perigo comum, com pena de reclusão, de três a seis anos, e multa. A lei é aplicável a incên- dios intencionais (ou dolosos) e acidentais (ou culposos). A pena poderá ser aumentada em um terço se o crime for co- metido com intuito de obter vantagens, e se o incêndio for em casa habitada ou destinada a habitação; em edifício público ou destinado a uso público ou a obra de assistência social ou de cultura; em estação ferroviária ou aeródromo; em estaleiro, fábrica ou oficina; em depósito de explosivo, combustível ou inflamável; entre outros. Pires (2010) explica que o incêndio culposo previsto no segun- do parágrafo do artigo 250, se dá por negligência, imprudência ou im- perícia do agente e, para que seja caracterizado, reclama, da mesma maneira que o crime doloso, que haja evidente perigo concreto para pessoas ou patrimônio alheio. § 2º – Se culposo o incêndio, é pena de detenção, de seis me- ses a dois anos (Art. 250, § 2º, Código Penal. Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940). Ignorar aos regulamentos e normas técnicas existentes consti- tui imprudência ou negligência que pode caracterizar o crime, conforme o artigo dezoito do capítulo II do Código Penal. Não se pode desculpar o responsável técnico pelo projeto do imóvel, alegando-se a ignorância (ou o não-saber) de leis que regu- lamentam a segurança contra incêndio. Mesmo sendo acidental, o in- cêndio culposo possui as mesmas premissas do crime doloso, porque “o tipo penal visa proteger a coletividade como um todo, abrangendo, inclusive, a proteção aos bens relativos à vida, à integridade corporal e à saúde de todas as pessoas” (PIRES, 2010). 29 LE G IS LA Ç Ã O , N O R M A S , P R O JE TO S E P LA N O S D E E N G E N H A R IA E M S C I - G R U P O P R O M IN A S NOÇÕES BÁSICAS DO PROJETO EM SCI A engenharia de segurança contra incêndio considera a exis- tência de um conjunto de medidas de segurança contra incêndio (um “pacote global”), fornecendo uma solução mais abrangente, científica e, como dito anteriormente, muitas vezes, mais econômica do que aquela proporcionada pelo enfoque prescritivo (PANNONI; SILVA, 2008). Segundo a BS 7974, o enfoque deve ser aplicado utilizando-se três estágios, representados na figura abaixo, estágios estes que vere- mos a seguir: O processo básico de engenharia de segurança contra incêndio PROJETO DE ENGENHARIA EM SCI LE G IS LA Ç Ã O , N O R M A S , P R O JE TO S E P LA N O S D E E N G E N H A R IA E M S C I - G R U P O P R O M IN A S 29 30 LE G IS LA Ç Ã O , N O R M A S , P R O JE TO S E P LA N O S D E E N G E N H A R IA E M S C I - G R U P O P R O M IN A S Basicamente, teremos: - revisão qualitativa do projeto (RQP): o escopo e objetivos a se- rem alcançados são claramente definidos, os critérios de desempenho são estabelecidos e uma ou mais soluções potenciais de projeto são propostas; - análise quantitativa (AQ) – métodos de ciência e engenharia são utilizados para avaliar as soluções potenciais identificadas na RQP. A análise quantitativa pode ser uma análise temporal, utilizando-se sub- sistemas apropriados, de modo a refletir o impacto do incêndio sobre as pessoas e propriedade em diferentes estágios de seu desenvolvimento; - atendimento aos critérios previamente estabelecidos: a análi- se quantitativa é comparada aos critérios de aceitação identificados no RQP, para testar a aceitabilidade das propostas. Caso os critérios sejam atendidos, o projeto será considerado concluído. REVISÃO QUALITATIVA DO PROJETO (RQP) A revisão qualitativa do projeto (RQP) é um processo desenvolvi- 31 LE G IS LA Ç Ã O , N O R M A S , P R O JE TO S E P LA N O S D E E N G E N H A R IA E M S C I - G R U P O P R O M IN A S do a partir da experiência e conhecimento de uma equipe multidisciplinar. O escopo e os objetivos a serem alcançados no projeto de en- genharia de segurança contra incêndio são definidos por uma equipe que inclui os seguintes profissionais: 1. Engenheiro de segurança contra incêndio (coordenador). 2. Arquiteto. 3. Engenheiro de utilidades. 4. Engenheiro estrutural. 5. Gerenciador do empreendimento. 6. Representante do órgão aprovador (corpo de bombeiros). 7. Representante da seguradora. Projetos pequenos, ou nos quais a engenharia de segurança contra incêndio é aplicada de forma limitada e bem definida no projeto, a RQP pode ser desenvolvida por um grupo menor de profissionais que, em muitos casos, envolve somente o engenheiro de segurança contra incêndio e o arquiteto. O procedimento descrito na figura anterior deve, ainda assim, ser completamente realizado. A RQP é uma técnica que permite ao grupo refletir sobre como o incêndio pode ser iniciado e estabelecer certas estratégias para man- ter o risco em um nível aceitável. A RQP pode, então, ser avaliada quan- titativamente, comparando-se com os objetivos e critérios estabelecidos pela equipe. De forma ideal, a RQP deve ser levada a cabo já nos estágios iniciais de projeto, de modo que qualquer alteração substancial possa ser incorporada no projeto da edificação antes que o projeto executivo seja desenvolvido. Entretanto, na prática, o processo da RQP acaba envolvendo al- gumas interações, conforme o projeto passa de um grande conceito “abs- trato” para um grande nível de detalhamento (PANNONI; SILVA, 2008). Os principais estágios da RQP são: a) Revisão do projeto arquitetônico e características dos ocupantes: De forma ideal, o projeto arquitetônico deve ser revisto nos pri- meiros estágios do desenvolvimento conceitual, de modo a garantir que as medidas de segurança contra incêndio e o projeto arquitetônico se- jam desenvolvidos de forma harmônica. Toda a informação relevante sobre a edificação, seus ocupan- tes e usos, deve ser fornecida à equipe de RQP: 1. Estrutura da edificação e layout. 2. Usos e conteúdos da edificação. 32 LE G IS LA Ç Ã O , N O R M A S , P R O JE TO S E P LA N O S D E E N G E N H A R IA E M S C I - G R U P O P R O M IN A S 3. Acesso dos profissionais de combate ao incêndio na edificação. 4. Ocupantes (incluindo qualquer exigência particular para pes- soas com restrições). 5. Sistemas de ventilação. 6. Necessidades do proprietário (incluindo futuras opções). 7. Pessoas que poderão fornecer futuras informações, quando necessário. A tabela abaixo fornece uma lista dos itens que poderão ser considerados na revisão do projeto arquitetônico. Embora não esteja completa, ela serve como um guia dos fatores que necessitam de ava- liação (PANNONI; SILVA, 2008). 33 LE G IS LA Ç Ã O , N O R M A S , P R O JE TO S E P LA N O S D E E N G E N H A R IA E M S C I - G R U P O P R O M IN A S b) Objetivos da segurança contra incêndio: Os objetivos do projeto de segurança contra incêndio devem ser claramente definidos nos primeiros estágios do projeto. Sempre lembramos que a proteção à vida sempre será o primeiro objetivo a ser alcançado, mas o impacto financeiro de um incêndio sobre o negócio, como resultado direto das perdas da propriedade e da produção, tam- bém são importantes considerações. Alguns tipos de negócios, como, por exemplo, uma cadeia internacional de hotéis, podem sofrer perdas indiretas, como a de sua imagem perante a sociedade. Os objetivos da segurança contra incêndio que tipicamentefa- zem parte de um estudo de engenharia de segurança contra incêndio são: 1) segurança da vida. 2) controle das perdas. 3) impacto ambiental. c) Danos causados pelo incêndio: Uma revisão sistemática do projeto deve ser conduzida, de modo a estabelecer os danos relacionados ao incêndio dentro da edifi- cação e suas consequências potenciais. A revisão deve levar em consi- deração fatores tais como: 1. Fontes de ignição. 2. Conteúdo combustível. 3. Materiais de construção. 4. Natureza das atividades na edificação. 5. Fatores não usuais porventura existentes. A próxima tabela resume alguns dos principais itens a serem considerados na avaliação do perigo potencial. Fonte: PANNONI; SILVA (2008, p. 416). 34 LE G IS LA Ç Ã O , N O R M A S , P R O JE TO S E P LA N O S D E E N G E N H A R IA E M S C I - G R U P O P R O M IN A S As considerações relativas ao potencial de periculosidade não devem ser restritas à ignição e espalhamento do incêndio, mas devem incluir os danos que podem impedir a desocupação (por exemplo, um evento particularmente perigoso que pode acontecer na saída de emer- gência, ou um layout que não favorece a orientação). Cabe ainda falarmos dos “Projetos tentativos de SCI” ou gru- po de medidas que, no contexto dos parâmetros da edificação, poderá atender os objetivos da segurança contra incêndio. Segundo Pannoni e Silva (2008), para que uma solução ótima possa ser identificada, a equipe de RQP deve estabelecer um ou mais projetos “tentativos” de segurança contra incêndio. De modo geral, vá- rios dos projetos poderão fornecer uma solução aceitável. A equipe de RQP deve utilizar seu conhecimento e experiência, de modo a fazer um julgamento balizado das várias alternativas. Em muitos casos, o primei- ro projeto “tentativo” trata da aplicação do modelo prescritivo tradicional. Isso servirá como comparativo para os demais tratamentos. No desenvolvimento do RQP, a equipe não deve somente conside- rar a adição de sistemas de proteção adicionais, mas também deve revisar o projeto, no sentido de eliminar ou reduzir alguns dos perigos potenciais. Quando prático, a redução do potencial de danos por meio da alteração do projeto arquitetônico é sempre preferível à adição de qual- quer medida adicional de proteção contra incêndio. A tabela abaixo fornece uma lista de itens que podem ser con- siderados quando do desenvolvimento dos projetos “tentativos”. 35 LE G IS LA Ç Ã O , N O R M A S , P R O JE TO S E P LA N O S D E E N G E N H A R IA E M S C I - G R U P O P R O M IN A S Neste exemplo, o critério de desempenho foi ajustado em ter- mos determinísticos, mas as normas que tratam de engenharia de se- gurança contra incêndio permitem que a adequação de um projeto pos- sa ser demonstrado utilizando um dos três enfoques: 1. Comparativo (demonstra equivalência com códigos prescriti- vos estabelecidos, utilizando métodos determinísticos ou probabilísticos). 2. Determinístico (mostra que um conjunto definido de condi- ções não ocorrerá no pior cenário). 3. Probabilístico (estabelece que a frequência de um evento não desejado seja aceitavelmente pequena). O tipo de critério de aceitação adotado está intimamente ligado ao método de análise, e o engenheiro de segurança contra incêndio deve identificar o método de análise mais apropriado. Como parte do processo, deve-se considerar eventos do tipo “e se”. O objetivo é o de identificar possíveis falhas nos sistemas ou eventos não previstos, que podem influenciar de modo significativo o estudo. Alguns exemplos de “e se”: 1. Portas corta-fogo mantidas abertas. 2. Novos materiais combustíveis introduzidos em locais espe- cíficos. 3. Paredes de compartimentação que permitem a passagem de fogo ou fumaças. 4. Materiais de inflamabilidade acima do especificado. 5. A energia elétrica necessária ao acionamento de ventilado- res ou à criação de aberturas pode falhar. 6. Chuveiros automáticos que não funcionam devido à falta de manutenção. 7. Sistemas de detecção afetados adversamente pelo movi- mento do ar ventilado. 8. Incêndio localizado na saída, bloqueando-a. 9. O gerenciamento falha na implementação de medidas de segurança contra incêndio. ANÁLISE QUANTITATIVA (AQ) Seguida à análise qualitativa, uma análise quantitativa pode ser feita para verificar a aderência dos projetos “tentativos” desenvolvi- dos pelo RQP. É conveniente separar os procedimentos de análise em certo número de segmentos (ou subsistemas), cada um cobrindo um aspecto específico do projeto de segurança contra incêndio. Vejamos: 36 LE G IS LA Ç Ã O , N O R M A S , P R O JE TO S E P LA N O S D E E N G E N H A R IA E M S C I - G R U P O P R O M IN A S Subsistema 1: Iniciação e desenvolvimento do incêndio dentro do compartimento de origem Esse subsistema fornece informação sobre os fatores que afe- tam a ignição e o desenvolvimento do incêndio no compartimento de ori- gem e dá as razões para a escolha de um projeto de incêndio particular. O subsistema fornece uma direção de como as seguintes infor- mações podem ser avaliadas como função do tempo: • velocidade de liberação de calor; • velocidade de produção (mássica) de fumaça; • velocidade de produção (mássica) de efluentes, como o mo- nóxido de carbono; • dimensão e temperatura da chama; • temperatura dentro do compartimento; • tempo para atingir a inflamação generalizada; • área de implicação do fogo. No subsistema 1, assume-se que o incêndio cresce sem o im- pedimento das atividades de combate às chamas, como, por exemplo, a intervenção da brigada de incêndio ou dos chuveiros automáticos. Subsistema 2: Iniciação e desenvolvimento do incêndio dentro do compartimento de origem Utilizando-se os dados obtidos no subsistema 1, este subsiste- ma fornece um caminho para a avaliação e controle da movimentação dos efluentes do incêndio para fora da região sob influência direta das chamas. As principais áreas a serem analisadas são: • espalhamento da fumaça e de outros efluentes dentro e fora do compartimento de origem; • as características da fumaça em locais definidos: - massa; - volume; - temperatura; - velocidade; - densidade óptica; - concentração de particulados e gases efluentes. • métodos de controle da fumaça: - diluição; - sistemas de exaustão; - sistemas de pressão diferencial. • técnicas de modelamento. 37 LE G IS LA Ç Ã O , N O R M A S , P R O JE TO S E P LA N O S D E E N G E N H A R IA E M S C I - G R U P O P R O M IN A S Subsistema 3: Iniciação e desenvolvimento do incêndio dentro do compartimento de origem Ainda utilizando os dados gerados do subsistema 1, esse sub- sistema trata do espalhamento do incêndio para fora do compartimento de origem e da resposta estrutural da edificação (ou de seus elementos individuais) ao fogo. Deve-se considerar: • mecanismos de espalhamento do incêndio: - radiação; - movimentação dos gases quentes; - espalhamento de chama através de superfícies combustíveis; - queima de objetos ou gotículas combustíveis; - penetração e colapso de barreiras (paredes, pisos, portas, entre outros). • condições de exposição ao incêndio (severidade): - condições do ensaio do incêndio-padrão; - projetos de incêndio; - resposta estrutural; - resposta de materiais; - elementos simples; - dois ou mais elementos sob interação. Subsistema 4: Detecção do incêndio e ativação dos sistemas de proteção Esse subsistema utiliza primariamente os dados gerados do subsistema 2, fornecendo um caminho para a avaliação da resposta de detectores de incêndio, chuveiros automáticos, sistema de exaustão automatizados, entre outros, para o calor, fumaça e outros efluentes do incêndio. Ele também fornece um meio de se conhecer o impacto dos sistemas de extinção sobre o desenvolvimento do incêndio. A informação que pode ser obtida dos subsistemas 4 como função do tempo e/ou dimensões do incêndio inclui: • detecção do incêndio.• ativação dos equipamentos de controle de incêndio: - chuveiros; - sistemas de exaustão; - sistema magnético de fechamento de portas; - barreiras sob rodas. • notificação aos bombeiros; 38 LE G IS LA Ç Ã O , N O R M A S , P R O JE TO S E P LA N O S D E E N G E N H A R IA E M S C I - G R U P O P R O M IN A S • modificação dos parâmetros do incêndio: - chuveiros; - sistemas de extinção gasosa. Subsistema 5: Intervenção dos serviços de combate ao fogo O subsistema 5 fornece os meios de se estimar a provável res- posta e efetividade do serviço de combate ao incêndio, e pode ser utili- zado na obtenção dos seguintes parâmetros: • tempo de chegada; • tempo de intervenção; • capacidade de extinção; • reforço da capacidade de combate ao fogo; • tempo para controle do incêndio. Subsistema 6: Desocupação Esse subsistema trata do comportamento das pessoas em res- posta ao incêndio (ou a um alarme de incêndio) e aos efeitos físicos do calor, fumaça e gases tóxicos. A informação, que pode ser obtida neste subsistema, inclui: • parâmetros físicos de desocupação: - tempo para atingir uma saída de emergência; - tempo requerido para passar através de uma saída de emer- gência. • parâmetros fisiológicos de desocupação: - tempo pré-movimento; - efeito do tipo de sistema de alarme. • tempo de desocupação; • limites humanos atingíveis: - visibilidade; - produtos de combustão tóxicos e irritantes; - calor radiante; - temperatura do ar. Subsistema 7: Análise de risco O subsistema 7 trata de como quantificar o risco de um incên- dio associado à edificação e seus ocupantes, considerando os sistemas de proteção instalados. A informação que pode ser obtida nesse subsis- 39 LE G IS LA Ç Ã O , N O R M A S , P R O JE TO S E P LA N O S D E E N G E N H A R IA E M S C I - G R U P O P R O M IN A S tema inclui: • a frequência com que incêndios ocorrem; • probabilidade de falha dos sistemas de proteção a incêndio; • o nível do risco de incêndio associado à edificação, seu con- teúdo e ocupantes (PANNONI; SILVA, 2008). ERROS DE PROJETO MAIS FREQUENTES Um projeto de proteção contra incêndio deve iniciar-se juntamen- te com o projeto de arquitetura e perfeitamente integrado com o projeto de estrutura, projeto hidráulico, projeto elétrico, entre outros. (FEB/UNESP). Um bom projeto deve contar com proteção passiva (contenção da propagação vertical e horizontal), ativa (equipamentos de combate), sistemas de alarme, pessoal treinado e, principalmente, saídas de emer- gência com iluminação de segurança adequada. É muito importante a limitação da carga de materiais combustíveis no interior da edificação. Vejamos alguns erros mais frequentes em relação às NBR’s: a) Sistema de iluminação de emergência - NBR 10898: - dificuldade de diferenciação entre aclaramento e balizamen- to. A primeira é a luminosidade mínima para observação de objetos e obstruções à passagem; a segunda é a indicação clara e precisa das saídas e do sentido de fuga até local seguro; - não previsão de pontos de luz nas mudanças de direção, pa- tamares intermediários de escadas e acima das saídas; - quando adotado gerador, deve manter condições idênticas aos sistemas alimentados por baterias (tempo de autonomia, localiza- ção dos pontos de luz, altura, potência, funcionamento automatizado aceitando-se partida até 15 segundos - no conjunto por baterias admi- te-se até 5 segundos). b) Sistema de alarme - NBR 9441: - localização do painel central em locais como depósitos, sob escadas onde não há pessoas frequentemente ou isolados, de forma que não possam notar o aviso desencadeado dos acionadores desta- cados e tomar as providências necessárias imediatamente; ideal seria que houvesse até telefone com linha externa nas proximidades para acionamento imediato do Corpo de Bombeiros; 40 LE G IS LA Ç Ã O , N O R M A S , P R O JE TO S E P LA N O S D E E N G E N H A R IA E M S C I - G R U P O P R O M IN A S - falta de acionadores manuais onde há detecção automática (uma pessoa pode observar o surgimento de um foco de incêndio e não pode ficar esperando o sistema automático entrar em funcionamento, mas acionar o ponto manual imediatamente). c) Sistema de hidrantes: - localização de registro de recalque dentro do pátio interno de empresas, sendo que deveria estar no passeio público próximo à portaria; - falta de tubulação de retorno de 6 mm de diâmetro da expedição da bomba à sua introdução, para evitar superaquecimento quando funcio- nar sem vazão – é exigida somente para vazões superiores a 600 l/min; - falta de botoeira liga-desliga alternativa quando for projetado sistema automatizado de acionamento das bombas; - o acionamento nesse caso é automático, mas a parada da bomba principal dever ser exclusivamente manual – tal procedimento visa evitar que uma pessoa que possa estar combatendo um incêndio seja prejudicada pelo desligamento acidental; - não consideração de cotas altimétricas no dimensionamento da bomba de incêndio; - não localização de hidrantes próximo às portas, sendo que em alguns casos teria uma pessoa que passar pelo incêndio para che- gar até um hidrante que supôs-se utilizar para combater o mesmo. d) Saídas de emergência - NBR 9077/93: - inexistência de captação de ar externo para o duto de entrada de ar – erroneamente sai diretamente do térreo, na laje e em local fecha- do. Deve haver prolongamento na mesma área ou maior até o exterior do prédio de forma a aspirar ar puro que possa subir até os locais desejados; - falta de corrimãos em ambos os lados das escadas; - arco de abertura da porta corta-fogo secando a curvatura da escada, sendo que no máximo pode tangenciar a mesma; - a descarga de todos os pavimentos no pavimento térreo deve ser isolada da descida até os pavimentos mais baixos, a fim de evitar a descida até eles e permitir que mais rapidamente se alcance local seguro; - todas as portas de acesso às escadas de segurança devem ser do tipo corta-fogo, que devem abrir no sentido da saída dos ocupantes; - projeto de passagem de instalações elétricas, hidráulicas, dutos de lixo, gás combustível nas paredes da escada ou até mesmo dentro de- 41 LE G IS LA Ç Ã O , N O R M A S , P R O JE TO S E P LA N O S D E E N G E N H A R IA E M S C I - G R U P O P R O M IN A S las; as únicas permitidas são as instalações elétricas da própria escada; - falta de barras antipânico nas portas de emergência de locais de reunião como cinemas, teatros, casas de espetáculos, salões de bai- le, danceterias, “karaoke”, entre outros; - falta de dimensionamento da largura e caminhamento para as portas de saída de acordo com o cálculo da população máxima possível do local. e) Extintores portáteis e sobrerrodas (NBR 12692, 12693): - não previsão para riscos especiais como caldeiras, cabinas elétricas, casas de máquinas de elevadores, depósitos de gás combus- tível que deverão possuir aparelhos adequados e exclusivos para eles; - não previsão de tipos diferentes em um mesmo piso, de forma a atender princípios de incêndio em materiais diversos; - normalmente, quando é exigido o extintor sobrerrodas (car- retas) instala-se apenas um; sendo que deverão ser projetados aten- dendo à classe de material que vai queimar, caminhamento, área de cobertura e atendimento exclusivamente no piso em que se encontram (FERNANDES, s.d.). 42 LE G IS LA Ç Ã O , N O R M A S , P R O JE TO S E P LA N O S D E E N G E N H A R IA E M S C I - G R U P O P R O M IN A S PLANO DE SEGURANÇA CONTRA INCÊNDIO E PÂNICO (PSCIP) Um Plano de Segurança contra Incêndio e Pânico (PSCIP), por dedução, é um conjunto de medidas de segurança contra incêndio e pânico que deve ser apresentadas ao Corpo de Bombeiros, procurando identificar todos os riscos da edificação. Estes planos encampam o PS- CIP para instalações de ocupação temporária (IOT)e para instalações de ocupação permanente (OTEP). Segundo o Corpo de Bombeiros do Estado do Paraná, o PS- CIP deve ser utilizado para apresentação das medidas de Segurança Contra Incêndio e Pânico das seguintes edificações e áreas de risco: • edificações novas com área maior ou igual 200m² (exceto residências unifamiliares); PLANOS DE SEGURANÇA LE G IS LA Ç Ã O , N O R M A S , P R O JE TO S E P LA N O S D E E N G E N H A R IA E M S C I - G R U P O P R O M IN A S 42 43 LE G IS LA Ç Ã O , N O R M A S , P R O JE TO S E P LA N O S D E E N G E N H A R IA E M S C I - G R U P O P R O M IN A S • edificações antigas ou existentes de risco leve cuja área seja maior ou igual a 1.500m² ou com mais de 4 pavimentos; • edificação antiga – edificação construída anteriormente ao ano de 1976; • edificação existente – edificação construída ou possua alvará de construção emitido e aprovado anteriormente à vigência deste Código; • edificações antigas ou existentes de Risco Moderado ou Eleva- do, área maior ou igual a 1.000 m² ou que possua mais de 3 pavimentos; • edificações que forem submetidas a mudança de ocupação, reforma estrutural ou ampliação de área construída (desde que implique em novas medidas de segurança); • edificações e áreas de risco cuja ocupação pertencem aos Grupos “L” e “M” (Tabela 1 dos anexos do código); • edificações e áreas de risco cuja ocupação pertencem aos Gru- pos “E”, “F” e “H”, independentemente da área e/ou número de pavimentos; • edificações e áreas de risco que necessitem de proteção por sistemas fixos, tais como: hidrantes, chuveiros automáticos, alarme e detecção de incêndio, dentre outros, independentemente da área e/ou número de pavimentos (CBMPR, 2012). PSCIP PARA INSTALAÇÕES DE OCUPAÇÃO TEMPORÁRIA (PSCI- P-IOT) Consideram-se instalações temporárias os circos, parques de di- versão, feiras de exposições, feiras agropecuárias, rodeios, shows artísti- cos, entre outros, que devem ser desmontadas e transferidas para outros locais após o prazo máximo de 6 (seis) meses, e após este prazo, a edifi- cação e áreas de risco passam a ser regidas do PSCIP (CBMPR, 2012). No Estado do Mato Grosso, recebe o nome de Processo Téc- nico de Instalação e Ocupação Temporária (PTIOT), acrescentando-se eventos que são realizados em áreas abertas, sem a utilização de edi- ficações, instalações e locais de riscos com estruturas permanentes. A pasta documental é composta por: a) Etiqueta de identificação. b) Pasta vermelha. c) Requerimento de serviços técnicos. d) Procuração do proprietário, quando este transferir seu poder de signatário. e) Folha resumo para Processo Técnico de Instalação e Ocu- pação Temporária. f) Memorial descritivo das medidas de segurança contra incên- 44 LE G IS LA Ç Ã O , N O R M A S , P R O JE TO S E P LA N O S D E E N G E N H A R IA E M S C I - G R U P O P R O M IN A S dio e pânico. g) Anotação de responsabilidade técnica (ART) do responsável técnico pela elaboração do PTIOT, que deve ser juntada na via que per- manece nos Órgãos de Serviços Técnicos do CBMMT. h) Anotação de responsabilidade técnica (ART) do responsável técnico pela execução, conforme NTCB nº 06 – Eventos Temporários, que deve ser juntada na via que permanece nos Órgãos de Serviços Técnicos do CBMMT. i) Planta de instalação e ocupação temporária, com escala, que apresente as medidas de segurança contra incêndio e pânico. PSCIP PARA INSTALAÇÕES DE OCUPAÇÃO PERMANENTE (PSCI- P-OTEP) O PSCIP-OTEP, que no Estado do Mato Grosso é denominado Processo Técnico de Ocupação Temporária em Edificação Permanente (PTOTEP), deve ser adotado para evento temporário realizado no inte- rior da edificação, instalação e local de risco permanente e deve atender às seguintes exigências: a) O evento temporário deve possuir o prazo máximo de 6 (seis) meses de duração. b) A edificação, instalação e local de risco permanente deve atender às medidas de segurança contra incêndio e pânico previstas na Lei nº 8.399/05 e Decreto Estadual n° 857/84, juntamente com as exi- gências para a atividade temporária que se pretende nela desenvolver. c) A edificação, instalação e local de risco permanente deve estar devidamente regularizada junto ao CBMMT. d) Se for acrescida uma instalação temporária em área externa junto da edificação, instalação e local de risco permanente, devem ser atendidos os requisitos constantes no PTIOT (falado anteriormente). e) Se no interior da edificação, instalação e local de risco per- manente for acrescida estruturas provisórias, tais como box, estande, entre outros, prevalece à proteção da edificação, instalação e local de risco permanente desde que atenda aos requisitos para a atividade em questão e desde que não prejudiquem a eficiência das medidas de se- gurança contra incêndio e pânico. Não será necessária a apresentação de PTOTEP para os eventos realizados em locais que possuam PSCIP aprovado e APCIP vigente, desde que as estruturas provisórias instaladas para o evento não prejudiquem a eficiência das medidas de segurança contra incêndio e pânico ali existentes. 45 LE G IS LA Ç Ã O , N O R M A S , P R O JE TO S E P LA N O S D E E N G E N H A R IA E M S C I - G R U P O P R O M IN A S O prazo para protocolar o PTOTEP junto aos OST deverá ser de, no mínimo, 3 (três) dias úteis antes da realização do evento (CB- MMT, 2009). No Estado de Minas Gerais, vale a pena consultar a IT nº 01, disponível em: http://www.bombeiros.mg.gov.br/component/content/ar- ticle/488-regularizacao-de-eventos-temporarios-eventos-publicos.html 46 LE G IS LA Ç Ã O , N O R M A S , P R O JE TO S E P LA N O S D E E N G E N H A R IA E M S C I - G R U P O P R O M IN A S A Instrução Técnica nº 11 do CBMMG (2006) e IT nº 16, CB- MSP (2004) – Plano de Intervenção de Incêndio – traz em seu escopo os objetivos, a aplicação, as referências normativas e bibliográficas, além das definições e conceitos e procedimentos para tal situação. Esta IT estabelece princípios gerais para: a) O levantamento de riscos de incêndios. b) A elaboração de Planos de Intervenção Incêndio. c) Padronização das formas de intervenção operacional nos locais de risco. Aplica-se às edificações e áreas de risco onde, de acordo com as tabelas de exigências do Regulamento de Segurança Contra Incêndio e Pânico nas edificações e áreas de risco no Estado de Minas Gerais, é necessária a elaboração de um Plano de Intervenção de Incêndio. O Plano de Intervenção de Incêndio consiste num planejamento PLANO DE INTERVENÇÃO DE INCÊNDIO - INSTRUÇÃO TÉCNICA DO CORPO DE BOMBEIROS LE G IS LA Ç Ã O , N O R M A S , P R O JE TO S E P LA N O S D E E N G E N H A R IA E M S C I - G R U P O P R O M IN A S 46 47 LE G IS LA Ç Ã O , N O R M A S , P R O JE TO S E P LA N O S D E E N G E N H A R IA E M S C I - G R U P O P R O M IN A S prévio para a provável ocorrência de uma emergência e visa facilitar o reconhecimento da edificação por parte da população e das equipes de emergência, proporcionando sua utilização em simulados e treinamentos. Por meio do plano de intervenção de incêndio, busca-se garantir: a) A segurança da população fixa e flutuante do edifício. b) A segurança da população das edificações vizinhas. c) A segurança dos profissionais responsáveis pelo socorro, no caso de ocorrer um incêndio/sinistro. d) O controle da propagação de incêndios. e) A proteção do meio ambiente. f) Facilidade de encontrar os meios e rotas para retirada da população. O Plano de intervenção de incêndio de uma edificação contém os seguintes dados: a) Planilha de Levantamento de Dados, ou seja, a análise preli- minar de riscos que é o estudo prévio sobre a existência de riscos, elabo- rado durante a concepção e o desenvolvimento de um projeto ou sistema. b) Descriçãodas possíveis causas de incêndio. c) As ações a serem tomadas pelos responsáveis pelo uso e funcionários. d) A orientação aos usuários temporários. e) Os itinerários mais indicados para as viaturas do Corpo de Bombeiros. f) Outros dados julgados necessários, a critério do Corpo de Bombeiros. O Plano deverá ser confeccionado pelo Responsável Técnico habilitado com Assessoria do Corpo de Bombeiros e será avaliado por um Oficial do Serviço de Segurança Contra Incêndio e Pânico das Uni- dades e Frações de Bombeiros, responsável pela área da edificação. Uma vez elaborado e ratificado pelo Corpo de Bombeiros, o plano é arquivado em três vias: a) Uma via anexa ao Processo de Segurança Contra Incêndio e Pânico (Pscip). b) Uma via no acesso principal da edificação. c) Uma via em arquivo digitalizado em CD não regravável. Ainda vale observar que: • o Plano de Intervenção de Incêndio deverá ser de conheci- mento da população permanente da edificação; • o responsável pelo uso da edificação deverá entregar ao Cor- po de Bombeiros responsável pela área da edificação o Plano de Inter- venção para análise e aprovação; • o plano de intervenção deverá ser apresentado ao CBMMG, 48 LE G IS LA Ç Ã O , N O R M A S , P R O JE TO S E P LA N O S D E E N G E N H A R IA E M S C I - G R U P O P R O M IN A S no segundo ano consecutivo, na primeira renovação do AVCB da edifi- cação ou área de risco; • durante o período de validade do Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros, recomenda-se que se realize, no mínimo, um simulado com a participação integrada da brigada de emergências da edificação e do Corpo de Bombeiros. Este Plano de Intervenção de Incêndio deve ser objeto de uso frequentes em treinamentos e simulados; • as edificações e projetos já aprovados e liberados pelas leis municipais deverão adequar-se no contido desta Instrução Técnica (CBMMG, 2006). Abaixo temos um fluxograma do Plano de Intervenção de Incêndio 49 LE G IS LA Ç Ã O , N O R M A S , P R O JE TO S E P LA N O S D E E N G E N H A R IA E M S C I - G R U P O P R O M IN A S Nas últimas décadas, a proteção ambiental começou a ser considerada nos âmbitos da segurança contra o incêndio das edifica- ções, em países desenvolvidos, tais como a Austrália, a Nova Zelândia (BARNETT, 1994 apud COSTA; SILVA, 2006) e o Reino Unido (BAILEY, 2004 apud COSTA; SILVA, 2006). Os danos ao meio ambiente decorrentes do incêndio em edifi- cações são iminentes, uma vez que a emissão atmosférica dos produtos e subprodutos da combustão pode poluir o ar e a deposição das águas residuárias das ações de combate ao incêndio, o solo e os mananciais. No Brasil, a consideração do desempenho estrutural nos âm- bitos da segurança contra o incêndio das edificações é recente: as pesquisas e normas técnicas relacionadas ao projeto de estruturas em situação de incêndio são incipientes, comparadas àquelas em desen- volvimento em países como o Japão, o Reino Unido, a Suécia e os EUA IMPACTOS AMBIENTAIS DECORRENTES DE INCÊNDIOS LE G IS LA Ç Ã O , N O R M A S , P R O JE TO S E P LA N O S D E E N G E N H A R IA E M S C I - G R U P O P R O M IN A S 49 50 LE G IS LA Ç Ã O , N O R M A S , P R O JE TO S E P LA N O S D E E N G E N H A R IA E M S C I - G R U P O P R O M IN A S (COSTA; SILVA, 2006). Na maior parte dos países desenvolvidos, os custos das per- das devido a incêndios têm reduzido gradativamente. O progresso é mais evidente nos países que tiveram os maiores índices de vítimas fatais na década de 80 e naturalmente, investiram na segurança contra incêndio das edificações (WILMOT, 2003 apud COSTA; SILVA, 2006). Os mesmos autores afirmam que as maiores dificuldades para lidar com o incêndio têm sido observadas em diversos países em de- senvolvimento, em face das elevadas taxas de morte registradas, acima da média da maioria dos outros países no mesmo período. Mas volte- mos à questão dos impactos ambientais! Impacto ambiental é definido pela Resolução CONAMA nº 1/86 como [...] qualquer alteração das propriedades físicas, químicas e biológi- cas do meio ambiente, causada por qualquer forma de matéria ou energia resultante das atividades humanas que direta ou indiretamente, afetam: I – A saúde, a segurança e o bem-estar da população. II – As atividades sociais e econômicas. III – A biota. IV – As condições estéticas e sanitárias do meio ambiente. V – A qualidade dos recursos ambientais. Na identificação dos impactos causados ao meio ambiente, é relevante considerar os principais aspectos ambientais que interagem com os meios físicos, biótico e social, permitindo assim, propor as in- tervenções capazes de evitar conflitos, muitas vezes irreversíveis, que se interpõe na convivência da obra implantada e os atores direta ou indiretamente influenciados (SILVA; BRITO, 2014). A Norma ISO 14001 (2004) também fala sobre os aspectos ambientais como sendo todos os elementos das atividades, produtos e serviços de uma organização que possuam relação com o meio ambien- te, como, por exemplo, o consumo de água, energia, embalagens, com- bustíveis, geração de resíduos, descartes de efluentes, entre outros. Por conseguinte, os impactos ambientais são as mudanças que os aspectos podem provocar no meio ambiente. Dependendo da atividade da organi- zação, os impactos ambientais podem ser benéficos ou adversos. Nos interessa discorrer sobre as aspectos negativos dos produ- tos de um incêndio, seja sobre uma pessoa ou o meio ambiente, justifi- cando que as emissões (não só de gases tóxicos, mas também de par- tículas liberadas) dos incêndios provocam sérios impactos sobre o meio ambiente. Esses impactos ocorrem não apenas pelos gases tóxicos da combustão no local do incêndio, mas devido a grandes quantidades de partículas também liberadas pelo incêndio no meio ambiente. As emis- sões de partículas em um incêndio são normalmente de duas a quaren- 51 LE G IS LA Ç Ã O , N O R M A S , P R O JE TO S E P LA N O S D E E N G E N H A R IA E M S C I - G R U P O P R O M IN A S ta vezes maiores do que quando materiais combustíveis são queimados em condições controladas (ROCKWOOL, 2011 apud BARRADAS, 2011). Isso ocorre porque as partículas são compostas, entre outros, de fuligem, de alcatrão, dos materiais não queimados e dos detritos inorgânicos. Especialistas do SP Technical Research Institute of Sweden estimam que as emissões de hidrocarbonetos não queimados, de in- cêndios, devem ser da mesma magnitude que a poluição anual do trá- fego de veículos pesados. Quanto aos poluentes, estes apresentam características in- trínsecas (específicas) determinantes para os impactos ambientais que provocarão, tal como a sua toxicidade a curto (intoxicação aguda) e a longo (intoxicação crônica) prazos, a sua persistência no meio (atmos- fera, litosfera e hidrosfera), a sua facilidade de dispersão no meio, os produtos de sua decomposição química ou bioquímica, o seu potencial de acumulação na cadeia alimentar e a complexidade no seu controle e na sua biorremediação (BARRADAS, 2011). Os poluentes provocam danos ambientais com a sua estrutura original quando atingem o meio e também quando são modificados por processos físico-químicos naturais, frequentemente, provocando maio- res danos ambientais do que quando em suas formas originais (ex.: chu- vas ácidas, formando ácido nítrico - HNO3 e ácido sulfúrico - H2SO4). Sabemos que é difícil prever onde e como um incêndio irá acon- tecer, portanto, será igualmente difícil medi-lo e controlá-lo, assim, a única forma de se evitar ou ao menos de se mitigar os seus efeitos sobre o meio ambiente é fazendo o controle dos materiais especificados (utilizados) durante a fase de projeto, de construção e, principalmente, de ocupação (uso) das edificações. Atualmente, esta ação preventiva pode ser exerci- da através da análise da “reação dosmateriais, atualmente utilizados nas edificações, em situação de incêndio” como veremos a diante. Nos incêndios, devido à queima dos materiais orgânicos, à base de celulose ou de hidrocarbonetos, é comum a ocorrência de substâncias à base de COx (CO e CO2), NOx (NO e NO2), SOx (SO e SO2) e COVs (compostos orgânicos voláteis - hidrocarbonetos), além de outras substâncias como os materiais particulados. Aos poluentes citados, o dióxido de carbono (CO2), causa maior impacto global por ser o principal gás de efeito estufa na nossa atmosfera (MATOS, 2010). As fumaças são constituídas por materiais particulados com di- âmetros inferiores a 10 µm. Esses podem permanecer na atmosfera de 10 a 30 dias, podendo ser transportados por milhares de quilômetros, dependendo das condições de vento (MATOS, 2010). A presença de material particulado no ar, gerando a fumaça, pode trazer transtornos diversos ao ambiente, principalmente à visibili- 52 LE G IS LA Ç Ã O , N O R M A S , P R O JE TO S E P LA N O S D E E N G E N H A R IA E M S C I - G R U P O P R O M IN A S dade, além de alterações na qualidade do ar, podendo causar enfermi- dades e desconforto ao homem e à fauna local. A ocorrência de intensa fumaça pode levar a um maior risco de acidentes, principalmente quando associada ao transporte de cargas e de passageiros, além de prejudicar a observação visual das regiões próximas aos incêndios (MATOS, 2010). Os impactos ambientais provocados pela ação de poluentes gerados em incêndios podem ser: - locais (ex.: poluição do ar); - regionais (ex.: chuva ácida e danos a flora e a fauna); ou, - globais (ex.: efeito estufa), além dos problemas de saúde para a população exposta a esses poluentes. A ocorrência de incêndios provoca a formação de poluentes, que são transferidos ao meio ambiente através das emissões gasosas (gases e vapores), dos efluentes líquidos e dos resíduos sólidos. Um grupo muito importante de poluentes orgânicos são os Hi- drocarbonetos Aromáticos Polinucleares (HAPs), que são subprodutos de uma combustão, de uma pirólise ou de uma pirossíntese de mate- riais orgânicos. Os HAPs são substâncias lipofílicas (solúveis em gor- dura), podendo causar efeitos mutagênicos e carcinogênicos nos seres vivos. Plantas também podem ser contaminadas por esses compostos quando ocorre a sua deposição atmosférica (MATOS, 2010). Para minimizar a poluição pela queima de materiais em incên- dios, deve-se agir de forma preventiva, substituindo-se os materiais combustíveis, como madeiras e plásticos, por incombustíveis, como alumínio, aço e cerâmica, ou por materiais combustíveis de baixa com- bustibilidade, identificando-se os seus prováveis produtos de combus- tão. Um bom exemplo de uma atitude preventiva é a substituição de pisos plásticos por pisos cerâmicos (BARRADAS, 2011). Observem no quadro a seguir as substâncias indesejáveis e os impactos decorrentes de sua liberação no ar: 53 LE G IS LA Ç Ã O , N O R M A S , P R O JE TO S E P LA N O S D E E N G E N H A R IA E M S C I - G R U P O P R O M IN A S Fonte: Mariano (2005 apud BARRADAS, 2011, p. 31). Dentre os danos/consequências ao meio ambiente provocados pela liberação de gases/partículas podemos citar: - a exposição de plantas vegetais ao gás sulfídrico (H2S) pro- voca o chamuscamento das folhas, e ao combinar-se com as águas de chuvas dá origem ao ácido sulfúrico (H2SO4), provocando necrose nas partes superiores das folhas (MARIANO, 2005); - os materiais particulados, oriundos de fumaças, por exemplo, podem causar danos tanto diretos quanto indiretos à vegetação. Uma variedade de efeitos já foi observada, e entre eles: redução das colhei- tas, aumento na incidência de doenças, danos severos às células das folhas, supressão da fotossíntese e morte de árvores. Os danos podem resultar da formação de uma crosta espessa sobre as folhas, que supri- me a fotossíntese e/ou permite uma intoxicação alcalina/ácida quando se produzem tais soluções com as águas das chuvas; - esse último fator provoca alterações no pH do solo, muitas vezes danosos para as plantas. Várias espécies de vegetação e varie- dades dentro das espécies diferem na sua suscetibilidade aos produ- tos particulados. De um modo geral, como os outros poluentes do ar, a poluição por material particulado prejudica a agricultura, através da diminuição do valor do produto (a quantidade e/ou a qualidade podem ser afetadas e a época de venda pode ser adiantada ou atrasada) ou do aumento do custo de produção (necessidade do uso de fertilizantes, 54 LE G IS LA Ç Ã O , N O R M A S , P R O JE TO S E P LA N O S D E E N G E N H A R IA E M S C I - G R U P O P R O M IN A S irrigação, entre outros) (MARIANO, 2005); - os poluentes atmosféricos gasosos e particulados também impactam sobre os materiais, com ênfase para a corrosão em pedras- -mármore, pinturas, tecidos, borracha, couro e papel. Os materiais po- dem ser afetados através de mecanismos físicos e químicos. Os danos físicos podem resultar do efeito abrasivo dos materiais particulados, le- vados pelo ar sobre as superfícies. Reações químicas podem ocorrer quando os poluentes e os materiais entram em contato direto. Gases absorvidos podem agir diretamente sobre o material, ou podem primeiro ser convertidos em novas substâncias que serão as responsáveis pelos efeitos observados. A ação de substâncias químicas usualmente resulta em mudanças irreversíveis. Consequentemente, o dano químico nos materiais é um problema mais sério do que as mudanças físicas ocasio- nadas pelos materiais particulados (MARIANO, 2005); - igualmente, o lançamento de gases na atmosfera pela queima de materiais orgânicos em grandes incêndios, principalmente de óxidos de enxofre e de nitrogênio, contribui para o aumento da acidez das águas, formando as chuvas ácidas. Esses compostos, na atmosfera, transfor- mam-se em sulfatos e nitratos e, ao se combinarem com o vapor d’água, formam ácido sulfúrico (H2SO4) e ácido nítrico (HNO3) e provocam as chuvas ácidas, cujo pH é inferior a 5,6. A chuva ácida é um dos impactos ambientais mais relevantes, associada à polução atmosférica, causando corrosão ácida e deterioração. As modificações das características dos solos devidas à lavagem dos mesmos pelas chuvas ácidas podem ter consequências ecológicas irreversíveis (MOTA, 1997; MARIANO, 2005). Os principais efeitos das chuvas ácidas são: a diminuição do pH das águas superficiais e subterrâneas, com consequentes prejuízos para o abastecimento humano e outros usos; declínio da população de peixes e de outros organismos aquáticos, com reflexos nas atividades recreativas (pesca), econômicas e turísticas. A redução do pH também aumenta a solubilidade do alumí- nio e dos metais pesados, como o cádmio, zinco e mercúrio, sendo muitos deles extremamente tóxicos. Deste modo, podem ocorrer danos na saúde das pessoas que se alimentam de peixes contendo elevadas concentrações de metais em sua carne. Também promoverão danos às tubulações de chumbo e de cobre; redução de certos grupos de zoo- plânctons, algas e plantas aquáticas, provocando sérios desequilíbrios ecológicos (BARRADAS, 2011). 55 LE G IS LA Ç Ã O , N O R M A S , P R O JE TO S E P LA N O S D E E N G E N H A R IA E M S C I - G R U P O P R O M IN A S O fato de somente cerca de 15% dos municípios brasileiros (SE- NASP, 2014) possuírem bombeiros militares, deixa evidente a necessida- de e de imediato a recomendação de se investir em treinamento qualifica- do para que os próprios colaboradores de uma organização possam lidar com ocorrências de incêndio, ou seja, investir em Brigadas de Incêndio. A Brigada de Incêndio é um grupo organizado de pessoas volun- tárias ou não, adequadamente treinadas e capacitadas para atuar de for- ma eficaz com o suporte dos recursos necessários, na prevenção, aban- dono e combate a um “princípio” de incêndioe, se necessário, prestar os primeiros socorros, dentro de uma área limitada preestabelecida. Se tomarmos como exemplo o que diz a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA, 2014), em seu Manual de Segurança con- tra incêndios em Estabelecimentos de Saúde, a organização da Brigada de Incêndio deve considerar: BRIGADAS DE INCÊNDIO LE G IS LA Ç Ã O , N O R M A S , P R O JE TO S E P LA N O S D E E N G E N H A R IA E M S C I - G R U P O P R O M IN A S 55 56 LE G IS LA Ç Ã O , N O R M A S , P R O JE TO S E P LA N O S D E E N G E N H A R IA E M S C I - G R U P O P R O M IN A S a) Subdivisão em áreas de atuação. b) Selecionar os integrantes da Brigada e atribuir-lhes uma área de atuação. c) Definir o organograma das equipes integrantes da Brigada. d) Definir equipes de intervenção, de abandono e de suporte básico à vida. e) Definir membros efetivos x suplentes das equipes. f) Definir formalmente atribuições e responsabilidades. g) Prover meios e/ou recursos necessários às eventuais inter- venções. h) Planejar treinamentos, simulados (semestrais) e reciclagens (anuais). i) Manutenção das Equipes de Respostas, dos Recursos e Meios. j) Calendário de reuniões bimestrais (documentadas). Recomenda-se a divisão da Brigada de Incêndio nas seguintes equipes de atuação: • Equipe de Intervenção – tem por objetivo o atendimento a eventuais ocorrências, através da realização de procedimentos de com- bate a focos de incêndio e isolamento de área, salvando vidas e minimi- zando danos ao patrimônio e ao meio ambiente; • Equipe de Abandono – tem por objetivo proporcionar seguran- ça para o abandono organizado do estabelecimento, ajudando a saída de pessoas com mobilidade reduzida e orientando a saída disciplinada dos demais, evitando pânico; • Equipe de Suporte Básico à Vida – tem por objetivo prover uma rápida e eficiente intervenção no primeiro atendimento de vítimas de acidentes ou mal súbito até a chegada do resgate especializado, salvando vidas. Divisão da Brigada de Incêndio 57 LE G IS LA Ç Ã O , N O R M A S , P R O JE TO S E P LA N O S D E E N G E N H A R IA E M S C I - G R U P O P R O M IN A S Recomenda-se também que sejam estabelecidos critérios for- mais para seleção dos integrantes da Brigada de Incêndio do estabele- cimento (ANVISA, 2014). Assim, propõe-se a adoção dos seguintes parâmetros básicos, ou seja, o candidato a brigadista deve: a) Permanecer o maior tempo possível na edificação. b) Possuir experiência anterior como brigadista (preferível). c) Possuir (boas) condições físicas e psicológicas (passando por revisões periódicas de saúde). d) Não apresentar limitações de visão e/ou audição que limitem o desempenho em emergência. e) Gozar de boa saúde. f) Ser maior de 18 anos. g) Ser alfabetizado. Verifica-se que a carga horária mínima para treinamento dos brigadistas de incêndio é de 16 (dezesseis) horas totais e 8 (oito) ho- ras práticas, separadas conforme o disposto no Anexo A da ABNT NBR 14.276, para tanto, devem ser realizadas aulas teórica e práticas tanto de primeiros socorros (avaliação primária e suporte básico à vida), como também quanto à operação de equipamentos de combate a incêndio disponíveis na edificação. Sugere-se que as aulas práticas sejam reali- zadas em “pistas” aprovadas para tal, simulando condições similares às verificadas em princípios de incêndio em edificações dessa natureza. Deve ser estabelecido um organograma da Brigada de Incên- dio estabelecendo uma estrutura hierárquica de comando em situações de emergência, sendo caracterizado pela existência de um líder, um sub-líder, chefes de equipes e brigadistas de incêndio subdivididos em equipes de ação específica (ANVISA, 2014). Em situação normal, os brigadistas terão responsabilidades por ações prevencionistas, bem como pela manutenção das suas equipes, in- formando o líder da Brigada sobre quaisquer alterações nas respectivas equipes. Já em situação de emergência, os brigadistas serão efetivamente responsáveis pelas intervenções necessárias, conforme Plano de Emer- gência definido para o estabelecimento, provendo uma rápida resposta, adequadamente coordenada com os demais recursos e meios disponíveis. As atribuições e responsabilidades dos diversos integrantes de cada uma das 3 (três) equipes de resposta da Brigada de Incêndio do Estabelecimento Assistencial de Saúde variam fundamentalmente entre ações preventivas realizadas em situação de normalidade e as ações de emergência realizadas em situação de sinistro. De forma objetiva, em situação de normalidade, podemos sin- tetizar as responsabilidades da Brigada de Incêndio como um todo, na 58 LE G IS LA Ç Ã O , N O R M A S , P R O JE TO S E P LA N O S D E E N G E N H A R IA E M S C I - G R U P O P R O M IN A S efetivação das seguintes tarefas: a) Avaliação dos riscos existentes. b) Inspeção dos equipamentos de combate a incêndio. c) Inspeção geral de acessos e rotas de fuga. d) Apontar irregularidades encontradas. e) Providenciar solução das irregularidades. f) Orientação da população fixa e flutuante. g) Treinamentos e simulados. De maneira análoga, em situação de emergência, cabe à Bri- gada de Incêndio agir pronta e eficazmente na efetivação das seguintes tarefas, conforme as atribuições de cada uma das três equipes: a) Detecção. b) Alerta da Equipe de Resposta. c) Análise da Situação. d) Acionamento do Corpo de Bombeiros. e) Procedimentos: - isolamento; - abandono; - corte de energia (não fundamental); - combate a “princípio” de incêndio; - suporte básico à vida. O curso de treinamento e formação dos brigadistas do estabeleci- mento deve ser ministrado por profissionais comprovadamente habilitados para tal, em conformidade com a atribuição de função em razão da aloca- ção em uma das três equipes de resposta apresentadas anteriormente. Todos os brigadistas do estabelecimento devem ser subme- tidos a um curso básico, composto de duas partes – teórica e prática, conforme conteúdo programático mínimo apresentado na citada ABNT NBR 14.276. Propõe-se que a Equipe de Abandono, normalmente for- mada pelo maior contingente de brigadistas do estabelecimento, partici- pe somente desse primeiro treinamento. Já a Equipe de Intervenção deve ser submetida a treinamento prático avançado em “pistas de treinamento” devidamente aprovadas para tal, simulando condições similares às verificadas em princípios de incêndio em edificações dessa natureza. Recomenda-se que esse cur- so seja revalidado no máximo a cada um ano, realizando no mínimo: - lançamento e acoplagem de mangueiras à rede de hidrantes; - combate com uma e duas linhas de mangueiras (prática em trincheira e maracanã); - utilização das diversas classes de extintores portáteis em áre- as fechadas; - “casa da fumaça”. 59 LE G IS LA Ç Ã O , N O R M A S , P R O JE TO S E P LA N O S D E E N G E N H A R IA E M S C I - G R U P O P R O M IN A S Por sua vez, os integrantes da Equipe de Primeiro Atendimento devem receber treinamento em suporte básico à vida (SBV), incluindo práticas avançadas de avaliação secundária, reanimação cardiopulmo- nar e uso de desfibrilador externo automático (DEA). Recomenda-se que esse curso seja revalidado no máximo a cada dois anos (ANVISA, 2014). Ressalta-se que os simulados realizados devem contar com todos os ocupantes do estabelecimento, inclusive, se possível, com a participação de deficientes locomotores para que sejam verificadas as reais dificuldades nas operações programadas de abandono e, assim, providenciados os ajustes necessários no Plano de Abandono. Cabe lembrar que, para o desempenho de qualquer atividade profissional, deve o empregador fornecer, sem ônus a seus emprega- dos, os Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) necessários e o treinamento para o correto emprego desses. Assim, sugere-se ainda que sejam disponibilizadoskits específicos para cada uma das equipes com os materiais necessários para atuação em caso de emergência, bem como para todos os membros da brigada: - colete refletivo; - lanterna recarregável; - pochete com máscara RCP descartável + Óculos de seguran- ça e Par de luvas. A maioria das pessoas que sobrevivem às situações de emer- gência não é a mais jovial e forte, mas a que está mais consciente e preparada em como agir nessas situações (ARAÚJO, 2008). 60 LE G IS LA Ç Ã O , N O R M A S , P R O JE TO S E P LA N O S D E E N G E N H A R IA E M S C I - G R U P O P R O M IN A S ARAÚJO, G.H.S.; et al. Orientação Básica para Planejamento de Ações Preventivas em Sistemas de Gestão. Rio de Janeiro: CTEM/MCT, 2007. ARAÚJO, José Moacyr Freitas de. Comportamento humano em incên- dios. In: SEITO, Alexandre Itiu et al. A segurança contra incêndio no Brasil. São Paulo: Projeto Editora, 2008. ARAÚJO, Sérgio Baptista de. Comportamento humano nos incêndios, 1999. BARRADAS, Robson Santos. Análise da reação ao fogo em edifícios comerciais do centro da cidade do Rio de Janeiro: um estudo da evolu- ção dos materiais combustíveis. Rio de Janeiro: UFRJ, 2011. BRASIL, Ministério do trabalho e emprego. Norma Regulamentadora nº 23 – Proteção contra incêndios. 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