Prévia do material em texto
Ana Clara Milagres Exame Psiquiátrico Estrutura A estrutura da consulta psiquiátrica é a seguinte: ✓ Anamnese ✓ Exame psíquico ✓ Evolução (texto dissertativo em linguagem simples) ✓ Súmula psicopatológica (texto técnico) ✓ Hipótese diagnóstica (deve ter muita atenção nesse momento -> analisar o critério temporal é muito importante) ✓ Conduta A anamnese psiquiátrica consiste em: ✓ Identificação ✓ Queixa principal ✓ HDA ✓ História pessoal (+ social, etc...) ✓ História familiar ✓ HPP Esses dados são muito importantes para caracterizar o perfil farmacogenético da psiquiatria Perfil farmacogenético: consiste nas características do indivíduo que irão ditar para ele como ele irá reagir a certos medicamentos Há um exame para verificar esses dados, porém é muito caro, logo, nesse contexto, o Histórico Familiar do paciente se torna importante para determinar a tendência do paciente a determinados fármacos Exame Psíquico Os sinais vitais do paciente psiquiátrico são os seguintes: ✓ Apresentação: aparência do paciente -> é nosso cartão de visita ✓ Consciência: pode ser quantitativa ou qualitativa ✓ Orientação: LOTE (lúcido e orientado no tempo e no espaço) ✓ Atenção: capacidade do paciente de captar e interpretar os estímulos do ambiente ✓ Memória: não confundir com atenção ✓ Inteligência: capacidade do paciente de interpretar as orientações médicas e segui- las ✓ Sensopercepção: noção psíquica relacionada aos sentidos; a alucinação é uma alteração da sensopercepção ✓ Pensamento + Juízo de Realidade: função psíquica que identificamos relações de forma e conteúdo, é o campo da ideia do paciente; o delírio é uma alteração do pensamento ✓ Linguagem: ecolalia ✓ Consciência do Eu: função psíquica que é deixada a parte por desconhecimento ✓ Afetividade: avalia o tônus afetivo e as emoções do paciente ✓ Humor: função psíquica bem atrelada a afetividade ✓ Psicomotricidade ✓ Vontade: hipobulia ou abolia em pacientes depressivos, por exemplo ✓ Pragmatismo: capacidade de executar as ações ✓ Autopercepção (Insight): capacidade do indivíduo de identificar que algo está acontecendo com ele e entender e interpretar isso Agora iremos discutir passo a passo desse exame psíquico: Observe Análise como paciente está entrando no consultório Observe a marcha, a fala, a gesticulação É importante para consulta clínica Apresentação Aparência: descrição física, cuidados, vestuário Comportamento: motilidade, expressões faciais Atitude diante do observador, se vai ser desconfiado, cooperativo, indiferente Responsividade: fala muito, fala pouco... Consciência Alterações quantitativas: relacionadas ao nível de consciência Alterações qualitativas: alterações no campo da consciência Ex.: Estreitamento, rebaixamento, turvação Analogia: indivíduo em um palco com as luzes voltadas para ele -> esse é o cenário da consciência Nível de consciência rebaixado indica que deve reduzir a intensidade dos holofotes, apagando todos os objetos de forma gradual O estreitamento do campo da consciência, a visão de túnel, crises de ausência são alteração qualitativas, na qual há foco somente no objeto principal Orientação Autopsíquica Alopsíquica Ex.: Somatopsíquica, temporal e espacial. Descrever: “O paciente sabe dizer onde se encontra, sua identificação, o motivo da consulta...” Pode estar alterada em pacientes com síndromes psicóticas ou em pacientes com transtornos neurocognitivos Atenção O paciente pode estar: ➢ Normovigil (euprosexia) ➢ Hiper ou hipo-vigil ➢ Hiper ou hipo-tenaz Ex.: “Paciente atento ao diálogo, sem se distrair com os ambientes adjacentes.” OBS: Não confundir distraibilidade com hipomnésia A atenção pode estar comprometida em síndromes como o TDAH, onde há alteração da tenacidade, ou seja, há dificuldade do indivíduo de sustentar o foco (hipo-tenaz) Memória O indivíduo pode ter amnésia: ➢ Anterógrada: perda de memórias recentes, não se lembra de informações novas ➢ Retrógrada: perda de memória de eventos anteriores ao evento estressor ➢ Retro-anterógrada: prejuízo para gravar e reter novas informações ➢ Lacunas amnésicas: comum em transtornos associativos -> paciente esquece sua identidade, sai andando sem rumo OBS: Não confundir com a atenção -> pessoa estava distraída e não esquecido Inteligência Para avaliar se o paciente tem algum transtorno neurocognitivo, se ele possui declínio cognitivo, transtorno relacionado ao desenvolvimento e para analisar a capacidade de entendimento do paciente Avaliar a autonomia do paciente Pode avaliar a autonomia do paciente aplicando alguns testes Para avaliar se o paciente possui oligofrenia (deficiência intelectual) ou transtorno neurocognitivo é necessário avaliar a memória e consciência desse indivíduo Isso porque nos transtornos neurocognitivos tem- se alterações de outras funções psíquicas, como memória e consciência Já na oligofrenia não há alteração da memória e da consciência Quadro organocerebral agudo Quadro organocerebral crônico Sensopercepção Relacionada aos sentidos Como alterações patológicas podemos ter: ➢ Alucinações verdadeiras: todas as características de uma percepção real, lúcida; ocorre nos transtornos do espectro da esquizofrenia ➢ Pseudo-alucinações: representações vagas, ecos do pensamento, falando em terceira pessoa ➢ Alucinose: há uma alteração orgânica por tras, ex -> “Vovó está vendo bichos na parede branca” ➢ Ilusões: interpretações erradas de um estímulo sensorial Pensamento / juízo de realidade Pensamento pode ser avaliado através da sua forma, fluxo e conteúdo Tem-se que: ✓ Fluxo: se está acelerado, devagar ou normal ✓ Forma: se há boas associações entre as ideias, como é a formulação de conceitos, como ele se expressa (arquitetura) ✓ Conteúdo: alterações no campo das ideias Ex.: Delirium, delírio, alterações frouxas, ... Avaliação de pensamento exige que a gente faça uma analise de: ➢ Conectividade / Organização ➢ Circunstancialidade ➢ Tangencialidade ➢ Associações frouxas ➢ Salada de palavras Exemplo: Organização Linear do Pensamento: paciente chega para consultar e você pergunta porque ele está no consultório e a resposta é a seguinte -> “Eu estava em casa, senti uma dor no peito, então falei para o meu filho e ele chamou a ambulância e é por isso que estou aqui” Tangencialidade: “Eu estava em casa e senti uma dor no peito, então chamei o meu filho, então, eu acho que você o conhece, ele também é médico, ele é muito preocupado sabe? O que eu estava dizendo mesmo?” Associações Frouxas: “Eu estava em casa e senti uma dor no peito, logo chamei meu filho, ele é um rapaz muito bom, se ele ao menos se casasse e me arrumasse uns netos, você já é vovô? Eu tenho onze filhos...” Salada de palavras: consiste em um conjunto de pensamentos desconexos, de falas Avalias essas questões é crucial para entender a psicopatologia de alguns transtornos Linguagem Dentre as possíveis alterações temos: ➢ Dislalia: “cebolinha” ➢ Disartria: articulação ➢ Disfemia: gagueira ➢ Neologismo: pc com transtorno esquizofrenia Descrever: “Expressa-se por meio de mensagens bem articuladas...” Análise de como o paciente se expressa Consciência do Eu É uma função psíquica deixada de lado devido sua complexidade Na consciência do eu pode haver alterações nos sentimentos de atividade, na unidade, na identidade e em oposição ao mundo exterior Sentimentos de Atividade (eu quem estou agindo): Consciência da existência: sinto-me sem nome, um nada... Consciência de execução: não sou eu quem pensei isso... A consciência da existência pode ser observada em pacientes com síndrome deCotard -> paciente acredita que está em decomposição, sentindo-se vazio Unidade: sou o Sr. Joaquim e Jesus também, ao mesmo tempo Identidade: depois da abdução eu não sou o mesmo Em oposição ao mundo exterior: meus pensamentos são transmitidos para o seu computador Afetividade Capacidade lidar com estresse ambiental Capacidade de lidar com frustrações, adversidades, e como o indivíduo se expressa A pessoa pode se expressar com: ✓ Incontinência emocional: ✓ Sensibilidade Humor Pode ser visto em conjunto com a afetividade O indivíduo pode ser: ➢ Normotímico ➢ Hipertímico ➢ Hipotímico ➢ Distímico: mal humor crônico Temos alguns termos: Emoção: resposta afetiva pontual Humor: é uma emoção predominante, por um período Sentimento: tributo afetivo que tem um significado, como por exemplo, saudade Afeto: é tônus emocional do paciente Paixão: paralisa a vida do indivíduo, domina Psicomotricidade Flexibilidade cérea: paciente fica na mesma posição Ecopraxia: consiste na repetição de movimentos Automatismos: ficar abotoando uma camisa sem botão Tiques motores: movimentos repetidos Estereotipias: pacientes do espectro autista Maneirismos: jeito de ficar Paciente pode estar com psicomotricidade: normal, diminuída, exaltada, acelerada, agitado, inquieto Vontade Ela patológica pode ser alterada para: ➢ Hiperbulia: excesso de animo ➢ Hipobulia: pouco animo ➢ Abolia: nenhum animo Dentro da vontade temos as compulsões e os impulsos que irão levar a um processo volitivo e de deliberação resultando em uma ação, que é o pragmatismo (outra noção psíquica) OBS: Alguns autores consideram o Julgamento como função psíquica separada, e não como parte da estrutura do processo volitivo O julgamento está relacionado com a capacidade de tomar decisões Pragmatismo Capacidade de auto-cuidado, auto-preservação, comer, trabalhar Autopercepção (insight) “Compreendeu a estrutura de seu transtorno, os eventos associados à ele e a necessidade de tratamento.” “Expectativas de tempo de melhora...” “Demonstrou resistência ao uso de neurolépticos, mas não ao de ISRS...” Exemplo de Estrutura Psicopatológica Pensamento -> Humor -> Vontade Ex: no TOC há uma obsessão, logo, paciente tem alteração de pensamento, o que afeta seu humor e por esse motivo, ele desenvolve uma ansiedade, que tem por consequência a convulsão (rituais de repetição) ATENÇÃO! Texto técnico descrevendo o quadro clínico (evolução): “Fulano, x anos, lúcido e orientado auto e alopsiquicamente. Vestido adequadamente, boa aparência. Cooperativo. Normovigil. Inteligência mantida. Hipertenaz e hipovigilante. Sensopercepção alterada com alucinações auditivas complexas, congruentes com atividade delirante sistematizada (seus vizinhos são da Polícia Científica e estão implantando mensagens de áudio no seu cérebro, com as quais ele conversa). Padrão distímico, com afeto normomodulado, e não embotado como há 1 ano atrás.” A hipótese diagnóstica -> Ex.: F20.0: Esquizofrenia paranóide (em tempo, transtorno esquizofreniforme) Conduta Tratamento farmacológico Tratamento não-farmacológico ✓ Psicoterapia ✓ Internação Hospitalar ✓ Comunidade Terapêutica Ana Clara Milagres História e Reforma Psiquiátrica Introdução Diferentemente de outras áreas da medicina, onde diversos sistemas/aparelhos (p.ex. locomotor, respiratório, cardiovascular, etc) estão relativamente esmiuçados em sua anatomia e fisiologia, o aparelho Mental permanece uma “caixa preta”, não explicável nem mesmo pelos mais sofisticados exames laboratoriais ou radiológicos que vasculham o cérebro humano O diagnóstico do sistema mental é categorial, utiliza-se critérios diagnósticos para fechar o diagnóstico O cérebro humano é um órgão altamente complexo, mas, mais obscuro ainda, é o salto de funções cerebrais para funções mentais Sabe-se que o Cérebro em seu desenvolvimento mantém uma estreita relação de duas vias com o meio e acredita-se que esta também seja uma das formas do desenvolvimento da mente de um indivíduo Para o individuo se desenvolver ele não precisa somente das características genéticas para se desenvolver Memória evolutiva é um padrão da neuroarquitetura que se desenvolve desde os períodos mais precoces da criança, porém esses outros valores também interferem no desenvolvimento da mente Logo, o indivíduo para se desenvolver precisa dos fatores biológicos, das experiências emocionais e dos valores sociais Medicina na Antiguidade Índia Antiga Ayurveda: Veda = textos religiosos originários da Índia Antiga; ciência / Ayur = Vida Considerado o sistema médico mais antigo do mundo Conhecimento médico desenvolvido há 5-7 mil anos Teoria dos três humores: apresenta uma teoria em que as doenças são decorrentes do desequilíbrio entre os três humores (tridosa) Vertente assimilada pela cultura budista / hindu Então tem-se que: a) Vento: Coração, pulmão e cólon Regula a mente e as emoções através do controle do calor da Bile e da circulação do Flegma b) Bile: Fígado, vesícula biliar e metabolismo em geral Regula a digestão, a nutrição, as transformações teciduais e a temperatura do corpo através do controle da água que compõe o Flegma c) Flegma/Fleuma: Baço, rins e cérebro (líquor) Proporciona o sustento do corpo com o fluxo de sua energia, “resfriando” a Bile A partir dessa noção passa se orientar padrão alimentar, uso de dietas, equilíbrio do corpo Medicina Helenística Hipócrates (460 a.C. a 370 a.C.) Galeno (129 a 217) Tendência a uma explicação “racional” da saúde e da doença Século IV a.C. ao século XVII Escola de Cós: a vida depende do equilíbrio entre “quatro” humores Os quatro humores: a) Sangue: Sistema cardiovascular Sanguíneo (instável, sentimental) b) Bile Negra: Baço Melancólico (perfeccionista, rancoroso) c) Bile Amarela: Fígado Colérico (enérgico, “guarda raiva”) d) Fleuma (Flegma): Sistema respiratório – Fleumático (sereno, sensato) Delírio febril -> paranóia (para = ao lado; fora // noia = de si A complexidade, a imponderabilidade, inefabilidade e a insondabilidade (pelo menos de forma direta) da mente faz com que ela se torne objeto de especulação das mais variadas ordens e com os mais variados propósitos, ao longo do tempo Ex.: Apesar de Hipócrates (460–370 aC) haver tentado relacionar os transtornos mentais (p.ex.: epilepsia, paranóia, psicose pós-parto, fobias, depressão e histeria ou mesmo na constituição do caráter do indivíduo) com alterações orgânicas (desequilíbrio dos humores: fleuma, bile amarela, bile negra e sangue) as crenças e valores de uma época, fizeram com que este paradigma de entender a doença mental fosse “esquecido” por séculos, p.ex.: a epilepsia foi considerada um mal externo, e não interno (logo alheio ao tratamento médico) por mais de 500 anos Renascimento Apesar das críticas a René Descartes (1596- 1650), sua proposta de separar o corpo da alma foi, naquele momento, o que permitiu a que a ciência voltasse a estudar o corpo (p.ex.: dissecações anatômicas), uma vez que a Igreja poderia seguir ocupando-se da alma A separação do Divino do Humano, da Igreja do Estado possibilitaram a retomada de avanços sociais e científicos O Iluminismo trouxe a valorização do Homem e da Razão -> o que, de uma certa forma, manteve o doente mental mais uma vez fora do processo, já que este prescinde – por definição– desta última, a razão!) Apesar disto, Pinel (1745- 1826) percebeu que muitas pessoas que apresentavam alterações de conduta e que se encontravam em prisões (ou vagando pelas ruas), o faziam em razão de algum transtorno mental, assim, reuniu-as em umainstituição própria, para cuidados médicos e estudo Isso ainda é visto nos dias de hoje Estudos mostram que 60% da população carcerária dos EUA possuem algum tipo de transtorno mental Estudiosos e suas Teorias a) Benedict Augustin Morel (1860): Caracterizou a demência precoce: ✓ Herdabilidade ✓ Agravo com o uso de toxinas ✓ Degeneração através das gerações b) Ewald Hecker (1871): Distinção de Hebefrenia e Ciclotimia x Psicose Unitária existência de apenas uma única doença mental com várias manifestações, evoluindo de forma progressiva por estágios em cada indivíduo - reutilizada mais recentemente por Timothy Crow e sua teoria de espectro continuum de psicoses A psiquiatria ainda hoje trabalha com espectros c) Kahlbaum (1874): Die Katatonie Síndrome de Kahlbaum Distimia, ciclotimia, catatonia, parafrenia, hebefrenia Jovens hebóides que na adolescência começa a apresentar sintomas psiquiátricos -> jovens agressivos, alterações de personalidade, caráter d) Emil Kraepelin (1899): Demência precoce (doença neurodegenerativa) = Hebefrenia Hebefrenia: doença psicótica que acomete os indivíduos mais jovens Parafrenia: evolução psicótica acontece, mas o afeto é mais preservado, melhor prognóstico, pessoas mais velhas Psicose maníaco-depressiva: TAB (transtorno afetivo bipolar) Definiu os tipos de parafrenia: ✓ Sistemática: paranoico, delirante ✓ Expansiva: delírio megalomaníaco, hipertímico ✓ Confabulatória: delírio de memória, semelhante à síndrome de Korsakoff, paramnésias ✓ Fantástica: alucinatória, desorganizada, mais embotada ✓ Parafrenia tardia: início tardio, ou muito tardio (~60 anos), personalidade e afeto mais preservados, isso porque quanto mais cedo aparecia, mais crises ao longo da vida, mais graves ficam as alterações afetivas e o prognóstico é pior e) Eugen Bleuler (1911): Descreveu a esquizofrenia Os sintomas fundamentais de Bleuler: os 4 A’s de Bleuler ✓ Embotamento afetivo, autismo (isolamento, pouca empatia), associações frouxas do pensamento, ambivalência (afetos opostos em um mesmo momento) ✓ Acessórios: alucinações e delírios Ataques de deterioração (doença neurodegenerativa) -> epilepsia é uma doença que piora com o passar das crises OBS: alterações cognitivas (memória, atenção...) ✓ Pode ter sintomas depressivos, de mania, etc... ✓ O que difere do TAB é a prevalência dos sintomas psicóticos e a intensidade deles OBS: Os pacientes com autismo possuem 20% de chance de ter esquizofrenia Algumas características do espectro autista são: isolamento social, prejuízo na linguagem, sociabilidade (tendem a não demonstrar empatia) f) Kurt Schneider (a partir de 1920...): Importanteeee!!! Os sintomas de primeira ordem ✓ Percepção delirante ✓ Alucinações auditivas que comentam a própria atitude ✓ Alucinações auditivas que dialogam entre si ✓ Sonorização ou Eco do pensamento ✓ Vivência de influência corporal ✓ Roubo do pensamento ✓ Vivência de influência sobre o pensamento (alterações do eu) ✓ Difusão ou irradiação do pensamento (alterações do eu) Sintomas de segunda ordem: ✓ Delírios ✓ Alucinações ✓ Perplexidade 5 a 8% da população pode ter alguma vez na vida delírio ou alucinação g) Karl Jaspers (1883-1969): Importanteeee!! Fases do delírio: ✓ Trema (pré-surto): paciente demonstra sinais de uma desorganização conceitual, onde apresenta alteração do humor, ansiedade, inquietude, sem ter o diagnóstico, tem histórico de síndromes psicóticas e esquizofrenia na família ✓ Fase de Apofania (revelação): “estava ansioso e inquieto e agora eu sei que é porque meus vizinhos eram do FBI e estavam me monitorando” ✓ Fase apocalíptica: desorganização, perda de sentido com o mundo, paciente fica retraído, sem demonstrar sintomas afetivos ✓ Fase de Consolidação: estabilização, finalmente me deixaram em paz”, “paciente volta a si, mas ainda mantém a convicção das ideias anteriores ✓ Fase residual: distanciamento, isolamento, pode manifestar sintomas depressivos Isso tudo é observado na prática clínica h) Foucault (1926-1984, Loucura e Civilização): As instituições da Era Moderna passaram a predominar o “olhar” médico científico, transformando a loucura em “doença mental”, passível assim, de um tratamento Esse movimento de apropriação da loucura pela medicina, tinha na figura de Pinel sua principal expressão Pinel, que fora considerado o libertador dos doentes mentais, passou a ser visto por alguns pensadores como seu algoz: essa visão desses outros pensadores sobre Pinel é meio deturpada, porque ele fez uma instituição para cuidados e estudo, mas várias delas acabam por utilizar esses locais para outras finalidades (déposito de pessoas subversivas) -> reforma que precisava ser feita, porém achar que Pinel olhava pro paciente como objeto de estudo, é errado Tais ideais são facilmente absorvidos por uma sociedade cansada dos excessos ditatoriais da 1ª metade do século XX Na psiquiatria, o repudio ao autoritarismo associado às péssimas condições de alguns hospitais psiquiátricos, motivou dois movimentos, nos anos 60 e 70, que começaram na Europa (principalmente na Itália, Basaglia e a lei 180) e se estendeu aos Estados Unidos (e depois, inspirou o Brasil) Isso veio para o Brasil com a Reforma Psiquiátrica Assim, a complexidade da mente e a falta de exames documentais, permitem que o entendimento acerca da doença mental se veja novamente dividido O gesto de Pinel ao liberar os loucos das correntes, não possibilita sua inscrição em espaço de liberdade, mas, pelo contrário, funda a ciência que os classifica e acorrenta como objeto de estudos... -> o objetivo do Pinel não era pegar cobaias e sim tratamento e busca por tratamento No Brasil O mesmo processo se inicia e segue até hoje Ao logo dos anos 60 a 80: reforma sanitarista → SUS, influenciando os paradigmas de assistência em diversas especialidades médicas redirecionando os cuidados dos hospitais para junto às comunidades Na psiquiatria, em 1989, surge o “projeto de lei Paulo Delgado” (PL.PD), que propunha (basicamente): ➢ Regulamentação da internação psiquiátrica compulsória ➢ A extinção progressiva dos manicômios e sua substituição por outros recursos assistenciais”, onde ficaria “proibida, em todo o território nacional, a construção de novos hospitais psiquiátricos públicos e a contratação ou financiamento, pelo setor governamental, de novos leitos em hospital psiquiátrico" Algumas décadas depois ➢ 1989: projeto de Lei 3.657 do Deputado Paulo Delgado ➢ 1999: substitutivo do senador Sebastião Rocha ➢ 2000: substitutivo do Senador Lucidio Portela ➢ 2001: é assinada a Lei da reforma, pelo então presidente Fernando H. Cardoso O PL-Paulo Delgado, por embasar-se mais em substratos ideológicos que técnicos, é rejeitado na Câmara por 23 votos contrários (4 a favor) Posteriormente surgem os substitutivos Sebastião Rocha e Portela, até que, doze anos depois, em 2001 é sancionada uma nova lei Em 2001, é sancionada a Lei 10.216, que: ➢ Dispõem sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos psíquicos ➢ Redireciona o modelo assistencial em saúde mental, para a intervenção menos restritiva possível, junto à comunidade ➢ E faculta a internação em instituições que não tenham características asilares ➢ Direciona os rumos da assistência em saúde mental no país Parece que, em alguns momentos de sua implementação, esta foi deturpada em sua essência por atitudes, documentos, relatórios e inclusive por portarias contrárias a Lei Como por exemplo, na Lei 10.216 ... ✓ Não existe o termo ‘MANICÔMIO’ ✓ Não existe o termo ‘REFORMA PSIQUIÁTRICA’✓ Não fala em ‘Fechamento de Leitos’ Existe sim ‘reforma do MODELO de Assistência em Saúde Mental’ Ocorreu uma asfixia econômica e um sucateamento dos hospitais, causando um prejuízo a população ao acesso aos tratamentos especializados quando era necessário ATENÇÃO! Asfixia Econômica: ➢ Mesmos antes dos “mecanismos claros e eficazes” para o fechamento de leitos, milhares já haviam deixado de existir, seja porque realmente não tinham condições humanas para seguir existindo, seja pelo mecanismo não claro, mas extremamente eficaz, de asfixia econômica. Ou seja, exige-se N condições e paga-se menos da metade do custo operacional p/ mantê-las ➢ Em 1999, a Fundação Getúlio Vargas havia calculado o custo operacional diário, p/ se manter um paciente internado (em um hosp. de 240 leitos psiquiátricos) em R$41,98. Na mesma época, o Governo Federal repassava pouco mais da metade deste valor. ➢ Inquirido na justiça acerca desta discrepância, o MS acabou tendo que admitir que não tinha uma planilha orçamentária, para o cálculo das diárias (próximas 2 imagens) Somos plenamente favoráveis a reforma preconizada na lei 10.216 Ela trouxe um grande avanço para a SM no país, na medida em que focou o atendimento para junto das comunidades e deixou o hospital como recurso de ponta. Todavia, diversas evidências apresentadas levam a crer que parte de sua implementação: ✓ Fere o espírito da Lei ✓ Produz dano a população ✓ Produz dano a Psiquiatria, a Medicina e as suas instituições Com o fechamento das clínicas psiquiátricas, foram criadas instituições para atender esses pacientes, como o CAPS, residência terapêutica Porém essas instituições não foram criadas em números suficientes -> elevado número de doentes mentais nas ruas, cadeias e prisões Entendemos que, sem dúvidas, a atenção ao portador de transtornos mentais deva ser predominantemente fora dos hospitais, mas nos perguntamos: Em se fechando 80mil leitos, onde foi parar o dinheiro “economizado”? Quanto foi gasto p/ a criação de menos de 1/3 dos CAPS necessários (segundo dados do MS)? Quanto a ONG “Franco Basaglia” recebeu dos Governos, para auxiliar na implementação de um sistema já falido inclusive em seu país? Quem são os profissionais indicados pelo MS para “treinar” as equipes de SM que irão atender nos CAPS? Em quanto aumentou o número de doentes mentais nas ruas e nas cárceres? Onde e quando foi feito um ensaio do sistema CAPS (antes de sua implementação no País) e qual sua eficiência ? (porque não houve prática da medicina baseada em evidências) Ana Clara Milagres Políticas de Saúde no Brasil Crise na Assistência: Paciente psiquiátrico no Brasil não é atendido nas unidades e sim no CAPS -> é uma questão cultural O CAPS não comporta o número de pacientes psiquiátricos existentes no pais, por isso geralmente atentem casos mais graves Pacientes psiquiátricos em surtos são atendidos pelo SAMU e depois para a UPA O fluxo é: avaliação pelo médico da triagem na UPA -> depois se direcionar para o CAPS A asfixia econômica ainda ocorre no dia de hoje Os hospitais psiquiátricos não recebem verba suficiente para manter os leitos e realizar suas atividades Internar ou Não? ✓ Se o CAPS oferece atendimento por que internar? ✓ Em casos que o paciente oferece risco Interna em hospital geral Deve mudar a o caráter/mentalidade asilar de hospitais psiquiátricos Assistência Psiquiátrica no Brasil A história da assistência psiquiátrica no Brasil estende-se por quatro grandes períodos: 1. Período Colonial até o Primeiro Reinado (até 1852) 2. Período do Segundo Reinado até o Estado Novo (1852 a 1934) 3. Período da II Grande Guerra até a Abertura Democrática (1941 a 1987) 4. Período Contemporâneo, pós Constituição de 1988 (1988 até os dias atuais) Segundo Reinado: acolhimento dos pacientes por instituições de caridade Depois da segunda guerra: boom dos hospitais psiquiátricos -> captura de pacientes considerados subversivos, sem serem psiquiátricos, questões de uso de eletrochoque, entre outros ATENÇÃO! Observe os fatos históricos no quadro a seguir: Eliminação Nazista Seres considerados “sem valor” Fortaleceu o questionamento sob o tratamento que esses pacientes mereciam Aktion T4: eutanásia como misericórdia de pacientes com transtornos psiquiátricos Eutanásia Experiências Cruéis Código de Nuremberg: conjunto de princípios éticos que regem a pesquisa com seres humanos, sendo considerado como uma das consequências dos Processos de Guerra de Nuremberg, ocorridos no fim da Segunda Guerra Mundial. Psiquiatria do Pós – Guerra Criação de políticas visassem auxiliar esse tipo de paciente Alguns eventos foram importantes como: ✓ Comunidades Terapêuticas https://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%89tica https://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Pesquisa_com_seres_humanos&action=edit&redlink=1 https://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Pesquisa_com_seres_humanos&action=edit&redlink=1 https://pt.wikipedia.org/wiki/Processos_de_Guerra_de_Nuremberg https://pt.wikipedia.org/wiki/Processos_de_Guerra_de_Nuremberg https://pt.wikipedia.org/wiki/Segunda_Guerra_Mundial https://pt.wikipedia.org/wiki/Segunda_Guerra_Mundial ✓ Psiquiatria Comunitária ✓ Movimento “Saúde Mental” ✓ Psiquiatria Dinâmica: psicanálise ✓ Anti-Psiquiatria ✓ Psiquiatria Social ✓ Desinstitucionalização ✓ Advento dos Antipsicóticos Advento dos anti-psicóticos + mudanças políticos- sociais para tratamento do paciente: aumento do número de altas e diminuição das readmissões O advento dos anti-psicóticos coincide com o início da reforma -> desmerecimento da reforma em detrimento dos remédios Pontos Importantes da Psiquiatria no Brasil Getúlio a Figueiredo – 1934 a 1987 -> “Indústria da Loucura” Holacausto Brasileiro em Barbacena Ocorreu uma abertura democrática na Constituição de 1988 (surgimento do SUS) Legislação Lei 10.216: reorientação da assistência psiquiátrica Portaria Ministerial 3088: rede de atenção psicossocial; criação da RAPS (2011) -> consolidação Três formas de internação psiquiátrica: 1) Voluntária: consentimento do paciente 2) Involuntária: pedidos de terceiros 3) Compulsória: mandado judicial A lei 10.216, publicada em dezembro de 2001, regulamenta a proteção dos portadores de transtornos mentais e consolida a reorientação da assistência psiquiátrica com a orientação para uma desinstitucionalização e constituição de uma rede de serviços de base comunitária A Portaria Ministerial 3088 de 23 de Dezembro de 2011, do Ministério da Saúde, institui a RAPS – Rede de Atenção Psicossocial, que define seus componentes e “pontos de atenção”, e configura os serviços integrantes da RAPS em diferentes níveis, desde a atenção básica até a reabilitação psicossocial Uma rede de atenção psicossocial, voltada a assistência psiquiátrica, deve conter serviços ou “pontos de atenção”, constituídos por, equipes de saúde mental na atenção básica e saúde da família, centros de convivência, centros de atenção psicossocial (CAPS I, CAPS II, CAPS III, CAPS Ad, e CAPS i), emergências psiquiátricas, enfermarias em hospital geral, entre outros A legislação brasileira, na lei 10.216 de 2001, prevê três formas de internação psiquiátrica: 1) voluntária (com consentimento escrito do paciente); 2) involuntária (a pedido de terceiros) e, 3) compulsória (por mandato judicial). Em qualquer caso se requer um laudo médico circunstanciado e deve haver autorização médica para as internações voluntárias e involuntárias Componentes da RAPS É de suma importância saber os as divisões da seguinte foto: Ana Clara Milagres Transtornos DSM -V Introdução Diagnóstico da psiquiatria é categorial Avalia as funções psíquicas, quais funções estão alteradase qual categorias de diagnóstico o paciente preenche Pode-se analisar sinais e sintomas, o tipo de apresentação clínica e do tempo de evolução O mais utilizado hoje é o Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais e Comportamentais V (DSM – V) - 2013 O DSM – V não deve ser usado como manual de conduta e sim como manual de diagnóstico Transtornos Do Neurodesenvolvimento Aborda transtornos que acometem o feto no útero até completar o processo de neurodesenvolvimento (29 anos) Não tem como reverter esse transtorno, logo, o tratamento é em cima de sinais e sintomas e tentativa de melhora das condições sociais do indivíduo Deficiências intelectuais a) Deficiência Intelectual: Q.I. Leve, moderada (requer assistência), grave (requer supervisão), profunda (totalmente dependente) Avalia pragmatismo, contagem e inteligência Oligofrenia: diminuição da capacidade intelectual b) Atraso Global do Desenvolvimento: Menores de 5 anos Atraso nos marcos do desenvolvimento Os marcos do desenvolvimento são: dentição, fala, engatinhar, andar Requer reavaliação futura Transtornos da comunicação a) Transtorno da Linguagem: Dificuldade na aquisição e uso da linguagem (fala, escrita) Quantifica a perda b) Transtorno da Fala: Dificuldade na produção da fala c) Transtorno da Fluência com Início na Infância: Disfemia (gagueira) d) Transtorno da Comunicação Social: Déficit no uso social da comunicação, com prejuízo na capacidade de adaptar a comunicação em ambientes variados É muito subjetivo Transtorno do espectro autista Pode ser com ou sem comprometimento da linguagem e com ou sem comprometimento intelectual Os níveis são: ✓ Nível 1: exige apoio, interesse reduzido por interações sociais ✓ Nível 2: exige apoio substancial, comunicação acentuadamente estranha ✓ Nível 3: exige apoio muito substancial, resposta mínima à interação social Transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH) Há os subtipos: ✓ Desatenção ✓ Hiperatividade e impulsividade ✓ Apresentação combinada É uma característica do indivíduo, não uma doença Precisa estar com os sintomas manifestando prejuízo social ou funcional em pelo menos dois ambientes diferentes Transtorno específico da aprendizagem Transtorno relacionado a: ✓ Leitura ✓ Interpretação ✓ Grafia ✓ Expressão escrita ✓ Cálculo ✓ Raciocínio Transtornos motores a) Transtorno do Desenvolvimento da Coordenação: Lentidão, imprecisão, prejuízo ao operar mecanismos Dificuldade para fazer movimentos b) Transtorno do Movimento Estereotipado Autolesivo ou não, não explicado por outros transtornos Início precoce no período de desenvolvimento Ex.: exposição intrauterina ao álcool Faz o diagnóstico quando não há nenhum outro transtorno que justifique a presença desses sintomas (ex: descarta antes autismo para depois considerar esse transtorno) c) Transtorno de Tique: Ex.: Tourette Tiques podem ser verbais ou motores Há tratamentos Piora com ambientes estressantes Tiques para avaliar ansiedades Espectro da Esquizofrenia e Outros Transtornos Psicóticos Os tipos são: Transtorno delirante Transtorno psicótico breve/psicoses adulta transitório: 1 dia a 1 mês, recuperação completa Transtorno esquizofreniforme: 1 mês a 6 meses Esquizofrenia: > 6 meses, prejuízo funcional progressivo Transtorno esquizoafetivo: está na intercessão entre os grupos de transtornos afetivos e de humor e transtornos do espectro da esquizofrenia ou bipolar Transtorno psicótico induzido por substância Catatonia: associada a qualquer outro transtorno mental, a pessoa poder ter: ✓ Catalepsia: paciente fica na mesma posição sem interação com o meio ✓ Cataplexia: atonia muscular súbita que provoca a queda doente (indivíduo desmonta) Em geral o diagnóstico diferencia pelo TEMPO Transtorno Bipolar É um transtorno de humor a) Bipolar i: Apresenta ciclos de humor Mania + hipomania ou mania + depressão b) Bipolar ii: Hipomania + depressão c) Transtorno Ciclotímico: 2 anos É ciclo/oscilação Fase de sintomas hipomaníacos e fase de sintomas depressivos, sem preencher totalmente os critérios de hipomania ou depressão c) Transtorno Bipolar Induzido por Substância Hipomania: não necessariamente causa consequências para o paciente, mas sim uma agitação Muitas vezes o bipolar do tipo ii procura ajuda na fase da depressão, por isso na maioria das vezes o diagnóstico é confundido Tratamento: psicoterapia + tratamento farmacológico Transtornos Depressivos Alguns tipos: Transtorno disruptivo da regulação do humor ✓ Explosões de raiva, +3x semana ✓ Com pelo menos 1 ano ou mais de duração ✓ Entre 6-18 anos de idade ✓ Acontece com crianças e adolescente Transtorno depressivo maior Transtorno depressivo persistente (distimia) ✓ 2 anos ✓ Como se fosse uma depressão crônica Transtorno disfórico pré-menstrual (TPM) Transtorno depressivo induzido por substância Transtornos de Ansiedade Os tipos são: Transtorno de ansiedade de separação Mutismo seletivo: pessoa para de falar por algum motivo estressor Fobia específica: de aranha, escuro, altura Transtorno de ansiedade social: fobia social Transtorno de pânico Especificador de ataques de pânico Agorafobia: indivíduo mostra o estado ansioso em pelo menos 2 situações diferentes, como por ex: lugares fechados e multidões -> é diferente de fobia específica Transtorno de ansiedade generalizada: 6 meses Transtornos que sofrem para o humor ansioso: ✓ TOC ✓ Transtorno dissociativo Transtorno Obsessivo Compulsivo e Transtornos Relacionados Os tipos são: Toc (transtorno obsessivo compulsivo): ✓ Humor ansioso ✓ Humor depressivo pode aparecer também ✓ Obsessão que altera humor e faz o indivíduo procurar uma compulsão para contornar essa situação Transtorno Dismórfico Corporal: insatisfação com o próprio corpo, procura defeitos que muitas vezes não existem Transtorno de Escoriação Transtorno de Acumulação: acumulação excessiva Tricotilomania: ✓ “Rancar” o cabelo ✓ Pessoa desconta no próprio corpo Transtornos Relacionados a Trauma e a Estressores Os tipos são: Transtorno de apego reativo (idade: 9 meses a 5 anos) Transtorno de interação social desinibida Tept (> 1 mês): transtorno de estresse pós traumático Transtorno de estresse agudo (> 3 dias < 1 mês): morte, abuso Transtornos de adaptação (3 meses) Critério de tempo é essencial Ex: Brumadinho -> 1 semana depois, população estava com Tept? Não!! Transtornos Dissociativos Os tipos são: Transtorno dissociativo de identidade Amnésia dissociativa Transtorno de despersonalização/desrealização Indivíduos que sofreram algum evento estressor e sofrem algum desligamento Transtorno de Sintomas Somáticos e Transtornos Relacionados Os tipos são: Transtorno de sintomas somáticos Transtorno de ansiedade de doença (> 6 meses) Transtorno conversivo: desligamento como mecanismo de defesa Transtorno factício (munchhausen) Transtorno Alimentares Os tipos são: Pica: transtorno de desejar comer coisas que não tem valor nutricional Transtorno de ruminação: > 1 mês Transtorno alimentar restritivo/evitativo Anorexia nervosa (imc): restrição Bulimia nervosa: culpa Transtorno de compulsão alimentar: pelo menos 1x por semana, durante 3 meses Transtornos da Eliminação Pode ser: enurese (> 5 anos de idade): urina encoprese (> 4 anos de idade): fezes Idade que é o critério de avaliação transtornos do sono-vigília Os tipos são: Transtorno de insônia: 3x semana por > 3 meses Transtornode hipersonolência Narcolepsia Transtornos do sono relacionados à respiração ✓ Apneia e hipopneia obstrutivas do sono ✓ Apneia central do sono (secundária a dcv, dn, dp) Parassonias (sonambulismo, terrores no sono) Síndrome das pernas inquietas Disfunções Sexuais Os tipos são: Ejaculação retardada Transtorno erétil Transtorno do orgasmo feminino Transtorno do interesse/excitação sexual feminino Transtorno da dor gênito-pélvica Transtorno do desejo sexual masculino hipoativo Ejaculação precoce Disforia de Gênero Sofrimento por estar em um corpo diferente do gênero O gênero da cabeça é diferente do corpo Transtornos Disruptivos, do Controle de Impulsos e da Conduta Os tipos são: Transtorno de oposição desafiante Transtorno explosivo intermitente: resposta do paciente é desproporcional ao sofrimento sentido Transtorno de conduta Piromania Cleptomania Transtornos Relacionados a Substâncias e Transtornos Aditivos Transtorno por uso, intoxicação, abstinência: ✓ Álcool ✓ Cafeína ✓ Cannabis: alucinógeno -> proporção do THC ✓ Alucinógenos ✓ Inalantes ✓ Opioides ✓ Sedativo, hipnótico ou ansiolítico ✓ Estimulantes ✓ Tabaco ✓ Transtorno do jogo Transtornos Neurocognitivos Os tipos são: Delirium: ✓ É diferente de delírio ✓ Delírio: alteração do pensamento ✓ Delirium: síndrome psico-orgânica Transtorno neurocognitivo ✓ leve: sintomas são percebidos, mas não interferem na autonomia ✓ Maior: interfere na autonomia Alzheimer Doença fronto-temporal Doença de lewy Doença vascular Lesão cerebral traumática Uso de substância/medicamento Infecção por hiv Doença priônica Doença de parkinson Doença de huntington Transtornos de Personalidade Alguns tipos: Cluster (grupo) A: ✓ Paranoide (desconfiança) ✓ Esquizóide (distanciamento social, expressão emociona restrita) ✓ Esquizotípico (desconforto com relações íntimas, distorções cognitivas e comportamento excêntrico) Cluster (grupo) B: ✓ Antissocial: violação dos direitos ✓ Borderline: instabilidade dos relacionamentos, na autoimagem, nos afetos, com impulsividade acentuada -> muito dramático; instabilidade emocional; é confundido com bipolar ✓ Histriônica: emocionalidade e busca de atenção em excesso; busca atenção; carência emocional ✓ Narcisista: grandiosidade, necessidade de admiração e falta de empatia Cluster (grupo) C: ✓ Evitativa: inibição social, inadequação, hipersensibilidade a avaliação negativa ✓ Dependente: comportamento submisso e apegado, necessidade de ser cuidado ✓ Obsessivo-compulsiva / anancástica: preocupação com ordem, perfeccionismo e controle Transtornos Parafílicos Os tipos são: Voyeurista (observação): coloca em prática ou causa sofrimento ou déficit funcional ao paciente Exibisionista: coloca em prática ou causa sofrimento ou déficit funcional ao paciente Frotteurista (ônibus): coloca em prática ou causa sofrimento ou déficit funcional ao paciente Masoquismo sexual (sofrer dor ou humilhação): coloca em prática ou causa sofrimento ou déficit funcional ao paciente transtornos parafílicos Sadismo sexual (causar dor ou humilhação): coloca em prática ou causa sofrimento ou déficit funcional ao paciente Transtorno pedofílico (paciente > 16 anos, vítima < 13 anos): coloca em prática ou causa sofrimento ou déficit funcional ao paciente Fetichsta (objetos, partes do corpo ou fantasias): coloca em prática ou causa sofrimento ou déficit funcional ao paciente Transvéstico: coloca em prática ou causa sofrimento ou déficit funcional ao paciente Condições para Estudos Posteriores Os tipos são: Transtorno por jogo pela internet Mobofobia / nomofobia Transtorno do comportamento suicida Autolesão não suicida Ana Clara Milagres Síndromes Ansiosas Introdução Iremos ter várias doenças Representam os transtornos mentais mais frequentes Prevalência na vida em torno de até 17% a 30% Ansiedade não é patológica, é fisiológica (forma de aumentar nossa capacidade adaptativo) A ansiedade não é facilmente controlada, causando sofrimento, prejuízo ou incapacitações importantes na vida do indivíduo O excesso de preocupação pode ser acompanhado por inquietude, dificuldade de concentração, lapsos de memória (“brancos”), alterações no sono, fadiga, irritabilidade e tensão muscular, além de outros sintomas somáticos É normal provocar alterações de atenção -> relacionado com memória Os transtornos das síndromes ansiosa podem ser: • Transtornos Obsessivos-Compulsivos • Transtornos Dissociativos • Transtornos de Sintomas Somáticos • Transtornos Alimentares Alguns outros exemplos: ✓ Onicofagia ✓ Transtorno de Acumulação ✓ Fobia Específica: fobia de coisas específicas ✓ Anorexia ✓ Tricotilomania Curva: ✓ Gráfico: desempenho x estresse ✓ Estresse: ação do ambiente sob o indivíduo ✓ A curva mostra a ansiedade que o indivíduo necessita para realizar suas atividades ✓ Quanto maior o estresse ambiental, maior a ansiedade, maior o desempenho ✓ Só que isso é “bom” até a Performance máxima ✓ A partir desse ponto a performance do paciente cai e ele tem desintegração, nesse momento a ansiedade se torna patológica OBS: Procrastinação é uma estratégia adaptativa evolutiva -> acumular ansiedade para garantir a performance máxima, entretanto, em pouco tempo o indivíduo chega ao ponto máximo, causando desintegração Os transtornos de ansiedade são> TAG Transtorno do Pânico Agorafobia Transtorno de Ansiedade de Separação Transtorno Fóbico Ansioso (Fobia Específica) Transtorno de Ansiedade Social (Fobia Social) Transtorno da Ansiedade Generalizada (TAG) TAG é bastante prevalente 6-7% da população Prevalência 2x mais em mulheres Depressão é a principal comorbidade ocorrendo em 3 de 5 pacientes com o transtorno TAG sozinho já causa prejuízo ao paciente e pode ser considerado como fator de risco para outros transtornos psiquiátricos como depressão ou TUSs (transtorno por uso de substâncias), álcool ou BZD o que reforça a importância de um tratamento adequado e focado na remissão TOTAL dos sintomas Tratar -> melhorar os sintomas do indivíduo -> manutenção -> dar alta ao paciente A fase de manutenção corresponde em um mecanismo de neuroadaptação para fazer o trabalho correto No DSM-5m, os critérios para caracterização da TAG são: ✓ Nunca esquecer do critério temporal ✓ Precisa ter pelo menos três critérios ✓ Mente começa a despertar sintomas para proteger o indivíduo do estresse -> fugir da realidade ✓ Quase todos transtornos apresentam a letra D como critério Abordagem terapêutica: 1. Fármaco: antidepressivo com propriedade ansiolítico 2. Psicoterapia 3. Fármaco + terapia: é o ideal, mas muitos pc não estão preparados para iniciar a terapia Transtorno de Pânico (Transtorno de Ansiedade Paroxística episódica) Transtorno de ansiedade que tem características paroxística Paroxística: a ansiedade vivida é desproporcional ao evento vivenciado Transtorno de pânico se refere a ataques de pânico inesperados recorrentes (Critério A) Um ataque de pânico é um surto abrupto de medo ou desconforto intenso que alcança um pico em minutos e durante o qual ocorrem quatro ou mais de uma lista de 13 sintomas físicos e cognitivos O termo recorrente significa literalmente mais de um ataque de pânico inesperado O termo inesperado se refere a um ataque de pânico para o qual não existe um indício ou desencadeante óbvio no momento da ocorrência – ou seja, o ataque parece vir do nada, como quando o indivíduo está relaxando ou emergindo do sono (ataque de pânico noturno) Para ser síndromedeve ser inesperado, porém se for ataque pode ser esperado/inesperado Em contraste, os ataques de pânico esperados são ataques para os quais existe um indício ou desencadeante óbvio, como uma situação em que os ataques de pânico ocorrem geralmente A determinação de os ataques de pânico serem esperados ou inesperados é feita pelo clínico, que faz esse julgamento com base na combinação de um questionamento cuidadoso quanto à sequência dos eventos que precederam ou conduziram ao ataque e do próprio julgamento do indivíduo do quanto o ataque lhe pareceu ocorrer sem razão aparente ✓ Necessita de 4 dos sintomas ✓ Pode diminuir o limiar proprioceptivo do paciente: diminuir os estímulos do paciente ✓ Indivíduo começa a perceber sensações como a respiração e batimentos cardíacos ATENÇÃO! Ataque cardíaco x Crise de ansiedade: ➢ Histórico ➢ Local da dor ➢ Irradiação ➢ Realização de ECG (principalmente) ➢ Enquanto não souber a causa deve considerar como urgência médica OBS: Transtorno do pânico x Ataque de pânico (pessoa não tem critérios para caracterizar o transtorno do pânico, mas tem sintomas -> deve ser tratado de forma temporária) Transtornos Fóbicos (Fobia Específica) As síndromes ou transtornos fóbicos caracterizam-se por medos intensos e irracionais, desproporcionais, desencadeados por situações, objetos ou animais que objetivamente não oferecem ao indivíduo perigo real e proporcional à intensidade de tal medo Reação de fobia “um degrau abaixo” do pânicio Tomar cuidado com a palavra situação Ex: cobra, medo de altura, lugar fechado, avião,... Agorafobia Medo de lugares e situações que possam causar pânico, impotência ou constrangimento Agorafobia é um transtorno de ansiedade que muitas vezes se desenvolve após um ou mais ataques de pânico Os sintomas incluem medo e evitar lugares e situações que possam causar sensação de pânico, aprisionamento, impotência ou constrangimento Tratamento é o mesmo do TOC -> terapia de exposição e intervenção de respostas É diferente da fobia específica Pode ter remissão espontânea No critério 1 -> deve ter 2 ou mais situações, ao contrário da fobia específica Transtorno de Ansiedade de Separação Sobretudo em crianças, pode haver medo e ansiedade importantes relacionados a separar-se de pessoas significativas, percebidas como protetoras (mães, avós, pais, entre outras) Tipicamente, a criança tem muito medo e ansiedade de, para ir à escola, separar se da mãe ou de outros membros da família A criança geralmente chora muito, fica muito ansiosa e amedrontada, tem medo de que algo muito ruim ocorra A criança muitas vezes pede ou exige que a mãe fique com ela na sala de aula Também pode ter dificuldades em dormir sozinha e/ou ter pesadelos relacionados à separação Em adultos, isso pode ocorrer com o(a) companheiro(a) romântico(a) (separar-se do[a] namorado[a] ou esposo[a]) Síndrome Ansiosas de Base Orgânica Os quadros de ansiedade podem ser de origem orgânica, isto é, pode ocorrer uma síndrome ansiosa (em crises de pânico ou ansiedade generalizada) que é claramente resultante de doença física, uso de fármacos, substâncias ou outra condição orgânica Nesses casos, a síndrome ansiosa associa-se temporalmente à instalação de uma doença orgânica (p. ex., hipertireoidismo, doença pulmonar obstrutiva crônica, câncer, entre outras) ou ao uso de medicamentos, como corticoides, antiparkinsonianos, antihipertensivos, ou substâncias tóxicas, como cocaína, álcool, maconha, gasolina, chumbo ou mercúrio Substâncias que produzem ou desencadeiam quadros ansiosos: Corticosteroides, simpatomiméticos (ou outros broncodilatadores), cafeína, hormônios tireoidianos, antiparkinsonianos, anticolinérgicos, anti- hipertensivos, inseticidas organofosforados, gases asfixiantes, dióxido e monóxido de carbono, gasolina, tinta, cocaína, álcool, Cannabis, alucinógenos Conversão Na conversão, ocorrem tipicamente alterações das funções sensoriais ou das funções motoras, que lembram sintomas neurológicos, mas que são, na realidade, claramente distintos das condições neurológicas Há, assim, a conversão de um conflito psíquico inconsciente (desejos, temores inconscientes e inaceitáveis para o indivíduo) para o corpo; conversão aqui significa, portanto, “salto” do plano psíquico para o plano de sintomas corporais Em relação às funções sensoriais, pode haver anestesias de partes do corpo, perda da visão, do olfato ou da audição. Em relação às funções motoras, pode haver fraqueza ou paralisias, contraturas, movimentos anormais, perturbações do andar e no ficar de pé (astasia-abasia) e rouquidão psicogênicas ou perda total da voz (afonia conversiva) Transtorno Conversivo (la belle indifférence) Chama atenção, eventualmente, nesses pacientes, o fato de, ao notarem seus distúrbios corporais aparentemente muito graves (paralisias, cegueira, anestesias, entre outros), reagirem com certa indiferença A isso, os clínicos antigos denominaram la belle indifférence des hystériques (a bela indiferença das histéricas) Essa indiferença seria devida, talvez, à noção (mesmo que inconsciente) de que tal alteração (paralisia, cegueira, entre outras) é, na realidade, transitória e passageira Transtorno conversivo com ataques semelhantes a uma convulsão epiléptica (DSM-5) Trata-se de crises de curta duração (minutos a poucas horas), com turvação mais ou menos profunda da consciência, espasmos, tremores, abalos, hipertonia ou atonia muscular O paciente range os dentes, saliva pela boca, às vezes geme ou grita Em geral, são crises desencadeadas por situação estressante, as quais ocorrem após discussão ou briga pessoal, recebimento de uma notícia inesperada ou ao presenciar cena emocionalmente carregada É raro durarem mais do que algumas horas, praticamente nunca surgem durante o sono e quase nunca ocorrem sem a presença de outras pessoas No DSM-5 os transtornos conversivos são de: 1.fraqueza ou paralisia (das pernas, de um braço, de uma mão); 2.movimentos anormais, como tremores, distonias, mioclonias, distúrbios da marcha; 3.dificuldades ou impossibilidade de deglutição; 4.alterações da fala, como afonia ou disfonia, rouquidão ou fala arrastada; 5.ataques semelhantes a uma convulsão epiléptica (“crise histérica”); 6.anestesia ou perda sensorial (cegueira ou visão em túnel, perda auditiva ou olfativa); 7.sintomas mistos. Transtornos Dissociativos Os transtornos dissociativos se caracterizam por perda na continuidade da experiência subjetiva e perturbação da integração normal (por isso, dissociação), da consciência, da memória, da identidade, das emoções, das percepções, da representação corporal, do controle motor e/ou do comportamento. Em decorrência de traumas emocionais graves ou conflitos psíquicos, o paciente “necessita” cindir parte de suas funções mentais, rechaçando os elementos consciente ou inconscientemente temidos ou indesejados. Amnésia Dissociativa / Fuga Dissociativa: Na amnésia dissociativa (DSM-5 e CID-11), em geral o indivíduo esquece elementos seletivos e significativos do ponto de vista psicológico (amnésia psicologicamente seletiva). Do ponto de vista temporal, trata-se, geralmente, de uma amnésia retrógrada, com o indivíduo esquecendo ou apagando todos ou alguns aspectos seletivos do passado ou de um evento passado particular (em geral traumático ou inaceitável psicologicamente) Associada à amnésia dissociativa, pode ocorrer a chamada fuga dissociativa, na qual o indivíduo perambula sem rumo, por horas ou dias, em estado parcialmente alterado da consciência (e pode apresentar o chamado estado crepuscular da consciência) Transtorno Dissociativo de Identidade No transtorno dissociativo de identidade, háruptura da identidade e presença de dois ou mais estados de personalidade distintos (identidades dissociadas) A ruptura da identidade implica, geralmente, marcante descontinuidade no senso de si mesmo, no senso de agência e no domínio das próprias ações O comportamento é observado por outras pessoas ou é relatado pelo indivíduo Pelo menos duas “personalidades distintas” recorrentemente tomam o controle da consciência e do funcionamento do paciente e atuam em áreas específicas da vida diária, como na família ou no trabalho Mudanças da personalidade são acompanhadas de alterações correlatas na sensopercepção, na cognição, no afeto, no controle motor, na memória e nos comportamentos Há, tipicamente, episódios de amnésia associados a tais dissociações Despersonalização/Desrealização Despersonalização, que se revela como sensação de a cabeça ficar leve, de o corpo ficar estranho, sensação de perda do controle, estranhar-se a si mesmo. Pode ocorrer também a Desrealização, ou seja, a sensação de que o ambiente, antes familiar, parece estranho, diferente, não familiar, onírico. Ana Clara Milagres Transtorno Depressivo Maior – TDM Introdução Transtorno depressivo que causa prejuízo funcional Segundo a OMS, a depressão é a primeira causa de incapacidade ou invalidez no mundo Prejuízo para o paciente, pra economia, pro Estado, financeiro Prevalência ao longo mundo: ✓ EUA: 15% ✓ França: 20% ✓ China: 5% - subdiagnósticos Países nórdicos: depressão associada ao frio, devido a falta de sol na região (papel da vitamina K) Epidemiologia O termo depressão designa várias condições Depressão é diferente de TDM Tristeza é uma emoção Quando a tristeza é constante temos o humor deprimido Diferenciar sintoma, de síndrome e de transtorno mental Depressão é diferente de transtorno depressivo maior Transtorno depressivo maior: preenche todos os pré-requisitos Depressão maior – prevalência ao longo da vida de 17% Transtorno depressivo persistente (distimia) prevalência de 4 a 6% 10 a 15 milhoes de deprimidos nos EUA por ano Morbidade comparável à doença cardiovascular – logo tem um impacto significativo na saúde, por isso é importante o diagnóstico precoce 70% dos suicidas consultaram seus clínicos gerais no período de 6 meses antes do suicídio Mulheres têm o risco 2 a 3 vezes maior que homens – devido ao estresse hormonal Histórico familiar positivo aumenta o risco de 1.5 a 3 vezes No puerpério, o risco aumenta durante um período de 6 meses após o parto Gravidez pode ser um fator de proteção contra o suicídio, mas não é um fator de prevenção de depressão É mais prevalente na faixa etária de 60-64 anos, porque está relacionado a aposentadoria, não “faz nada”, fica com muito tempo ocioso A morbidade das depressões se expressa pela recorrência, incapacitação 50% dos deprimidos apresentam um período prodrômico (ansiedade e sintomas depressivos leves) Um episódio leve a moderado pode durar de 4 a 30 semanas sem tratamento Existe chance de remissão espontânea – mas não deve acreditar nessa chance, deve começar o tratamento Um episódio grave pode durar 6 a 8 meses sem tratamento; E destes 25 % são sintomáticos por 12 meses Comorbidades mais comuns associadas ao TDM: DPOC, enxaqueca, doenças CV, ELA Transtorno depressivo maior é fator de risco para doenças cardiovasculares, principalmente em jovens ATENÇÃO! TDM: mente apresentando mecanismos de defesa para indivíduo se afastar do evento estressor – é multifatorial Suicídio Não é tão impressível: sinais de alerta, sinais prodrômicos Mortalidade por suicídio elevada quando não tratada 20-40% dos pacientes com transtorno afetivo apresentam comportamento suicida 15% das pessoas hospitalizadas por depressão tentam suicídio 50% sofrerão recorrência e 20 % são persistentes 8 a 15% das pessoas com transtorno depressivo tentam suícidio 2-3% dos pacientes com t. Depressivo maior morrem por suicídio 50 a 60% dos suicidas têm doença depressiva Comportamento suicida: é prejuízo do índice de autopreservação “13 reasons why”: efeito Werther-> “incentivaram” ao invés de conscientizar Registram-se mais de 800.000 a 900.000 óbitos/ano por suicídio em todo o mundo. 49% de todas as mortes por causas externas no mundo 1 morte por suicídio/ segundo, 3000 mortes por suicídio/dia e 60.000 tentativas/dia por dia no mundo Os maiores índices estão em torno de 35/100.000 na: ✓ Bielorússia ✓ Rússia ✓ Casaquistão ✓ Letônia ✓ Correa do Sul ✓ Lituânia ✓ Hungria ✓ Japão E as menores taxas 2,5/100.000 nos países islâmicos Entretanto, em números absolutos: ✓ Índia: 258 mil óbitos ✓ China: 120,7 mil óbitos ✓ EUA: 43 mil óbitos ✓ Rússia: 31 mil óbitos ✓ Japão: 29 mil óbitos 90 a 98 % das pessoas que cometeram suicídio tinha um transtorno mental Diagnóstico de transtorno de humor pode ser feito entre 20.8 a 35.8% dos suicídios, segundo a OMS A comorbidade mais frequente ao transtorno do humor é o transtorno por abuso e dependência de substância psicoativas O suicídio no Brasil: É um problema que precisa ser discutido É necessário de iniciativa para tratar o suicídio Faixa etária: mais de 65 anos O Brasil tem uma média de 24 suicídios oficialmente registrados por dia A média nacional de suicídio é de 5,7/100.000 habitantes Posição de 72º lugar no mundo quanto a taxa por 100.000 hab/ano Porém, em números absolutos o Brasil está em oitavo lugar no ranking de morte por suicídio Entre 2000 e 2012, aumento de 10,4% de mortes (alta de 17,8% em mulheres e 8,2% em homens) No Brasil: o A taxa de suicídio aumenta progressivamente, 21% no intervalo de 20 anos Homens brasileiros suicidam 4 a 2 vezes mais que as mulheres Homem morre mais por suicídio apesar de mulheres terem mais depressão -> homem mais impulsivo (testosterona) A faixa etária que mais se suicida é acima de 65 anos Embora uma tendência crescente na faixa etária de 45-54 anos Entre 5 a 14 anos, é raro, mas teve um aumento de 10 vezes entre 15 a 24 anos Envenenamento e intoxicação são as formas mais utilizadas na forma de tentativa de suicídio O número de suicídios é subnotificado porque muitas vezes não são declarados no atestado de óbito ATENÇÃO! Indígenas da américa apresentam maiores índices de mortalidade (fatores culturais podem estar envolvidos + idade + isolamento) Outras informações: 90 a 98 % das pessoas que cometeram suicídio tinha um transtorno mental Diagnóstico de transtorno de humor pode ser feito entre 20.8 a 35.8% dos suicídios, segundo a OMS A comorbidade mais frequente ao transtorno do humor é o transtorno por abuso e dependência de substância psicoativas Dentre essas substâncias tem principalmente o álcool, que é um inibidor e faz o indivíduo agir por impulso Fatores predisponentes principais: ✓ Presença de desesperança ✓ Abuso físico, emocional ou sexual na infâncoa ✓ Estar desempregado ou aposentado ✓ Isolamento social ✓ História familiar ✓ Tentativas prévias ✓ Sexo: H – suicídio; M – tentativa ✓ Presença de transtornos mentais Fatores precipitantes: ✓ Separação conjugal ✓ Ruptura de relação amorosa ✓ Perturbações familiares ✓ Rejeição afetiva e/ou social ✓ Gravidez indesejada ✓ Vergonha OBS: Esquizofrenia é a principal doença do grupo das psicoses, que é caracteriza pela alteração do conteúdo do pensamento, da sensopercepção, da psicomotricidade -> O estado de humor após o primeiro surto e a impulsividade pode levar o paciente a cometer o suicídio Tentativa de suicídio é urgência médica Abordagem do Risco de Suicídio Falsas crenças: ✓ “Se eu perguntar sobre idéias de suicídio, não estarei induzindo um suicídio?” ✓ “Quem quer morrer mesmo, consegue” ✓ “ Fez para aparecer”Mitos e fatos envolvendo o suicídio: Pessoas que falam de suicídio não fazem ✓ Pessoas que falam de suicídio estão buscando ajuda ou apoio. Um número significativo de pessoas que falam sobre o suicídio são experimentando ansiedade, depressão e desesperança. E sentem que não há outra opção O suicídio é sempre impulsivo e acontece sem aviso ✓ Morrer pelas suas próprias mãos pode parecer ter sido impulsivo, mas o suicídio pode ter sido ponderado durante algum tempo Não devemos falar sobre suicídio, pois isso pode aumentar o risco ✓ Falar sobre suicídio não aumenta o risco. Muito pelo contrário, falar com alguém sobre o assunto pode aliviar a angústia e a tensão que esses pensamentos trazem É proibido que a mídia aborde o tema suicídio ✓ A mídia tem obrigação social de tratar desse importante assunto de saúde pública e abordar esse tema de forma adequada. Isto não aumenta o risco de uma pessoa se matar; ao contrário, é fundamental dar informações à população sobre o problema, onde buscar ajuda etc Após uma pessoa cometer suicídio uma vez, nunca voltará a tentar novamente ✓ Na verdade, as tentativas de suicídio são um preditor cruciado suicídio Os indivíduos que querem mesmo morrer não avisam ✓ A maioria das pessoas que se sentem suicidas partilham os seus pensamentos com pelo menos uma outra pessoa, ou ligam para uma linha telefónica de emergência ou para um médico, o que constitui prova de ambivalência, e não de empenhamento em se matar O suicídio é sempre hereditário ✓ Nem todos os suicídios podem ser associados à hereditariedade e estudos conclusivos são limitados. Uma história familiar de suicídio, no entanto, é um fator de risco importante para o comportamento suicida, particularmente em famílias onde a depressão é comum Quando um indivíduo mostra sinais de melhoria ou sobrevive a uma tentativa de suicídio, está fora de perigo ✓ Na verdade, um dos períodos mais perigosos é imediatamente depois da crise, ou quando a pessoa está no hospital, na sequência de uma tentativa As crianças não cometem suicídio dado que não entendem que a morte é final e são cognitivamente incapazes de se empenhar num ato suicida ✓ Embora seja raro, as crianças cometem suicídio e, qualquer gesto, em qualquer idade, deve ser levado muito seriamente Sobre a abordagem no risco de suicídio: Objetivos na abordagem do risco de suícidio: Identificar o risco Proteger o paciente Remover ou tratar os fatores de risco Além disso é necessário: ✓ Reconhecer fatores de riscos e de proteção ✓ Intencionalidade. ✓ Meio ✓ Tentativas prévias ✓ Reconhecer mecanismos de defesa e adaptação ✓ Falsas crenças e pensamentos automáticos ✓ Fazer vínculo ATENÇÃO! Abordagem do Risco de Suicídio na Emergência 1. Tem obtido prazer nas coisas que tem realizado? Pode demonstrar sinais e sintomas 2. Sente se útil na vida que está levando? 3. Sente que a vida perdeu o sentido? 4. Tem esperanças que as coisas vão melhorar? 5. Pensou que seria melhor morrer? 6. Pensamentos de por fim a própria vida? 7. São idéias passageiras ou persistentes? 8. Pensou como se mataria? 9. Tem conseguido resistir a esses pensamentos? 10. Tem esperança de ser ajudado? Perguntar discretamente, não tão direto assim, pra ir conquistando a confiança do paciente Fatores protetores do pensamento suicida: ✓ Ausência de transtorno mental ✓ Gravidez ✓ Suporte social positivo ✓ Religiosidade ✓ Estar empregado ✓ Responsabilidade para com a família Fatores sociodemográficos de risco para suicídio: ✓ Sexo masculino ✓ Entre 19 e 49 anos e acima de 65 anos ✓ Separados/divorciados > solteiros > viúvos > casados ✓ Estratos econômicos mais rico e mais pobre ✓ Áreas urbanas ✓ Desempregados, aposentados ✓ Ateus e protestantes > católicos e judeus ✓ Isolamento social Fatores psicológicos de risco para suicídio: ✓ Perda recente ✓ Perda dos pais na infância ✓ Instabilidade familiar ✓ Datas importantes (reações de aniversario) ✓ Traços de personalidade: impulsividade, agressividade e labilidade de humor ✓ Historia familiar de doença afetiva/alcoolismo/suicídio Fatores psiquiátricos de risco para suicídio: ✓ Depressão, alcoolismo, drogadição, esquizofrenia e síndromes organico- cerebrais ✓ Transtornos da personalidade ✓ Tentativa de suicídio pregressa ✓ Doenças físicas incapacitantes, dolorosas ou terminais OBS: Os Ds do suicídio (sinal vermelho!): Desespero Desesperança Desamparo Dependência química Delirum Depressão Graduação das ações do paciente suicída: 1.Idéias de Morte: “Morrer poderia ser um alívio.” “Quero dormir e não acordar mais.” 2. Idéias Suicidas: Pensamentos sobre morte, muitas vezes intrusivas, esparsas que podem ser tornar frequentes 3.Desejo de suicídio: Pensamentos suicidas persistentes sem planejamento 4.Intenção de suicídio: Ameaça por fim a vida, mas sem planejamento concreto 5. Plano de suicídio: Intenção e planejamento suicida. 6. Tentativas de suicídio: As tentativas são atos auto-agressivos não fatais. Não há necessariamente intenção de morrer (ex. vingança, culpar, chamar atenção dos familiares) 7. Atos impulsivos: Atos repentinos e sem planejamento OBS: Paciente crônico que tem uma melhora súbita -> ou está tendo uma fase de mania (bipolar) ou ele está sentindo um alivio porque já organizou todos os pontos para realizar o suicídio Manejo do paciente com risco iminente de suícidio: Deve fazer: Internação hospitalar mesmo que involuntária -> CAPS3 Afastar objetos perfurocortantes, os que possam ser utilizados como corda, isqueiros, outros Vigiar ingestão de medicamentos Observação em espaço aberto e vigiado Cuidado com as trocas de turno nos plantões Ouvir Aceitar Confortar Como se comunicar: ✓ Ouvir atentamente, ficar calmo ✓ Entender os sentimentos da pessoa (empatia) ✓ Dar mensagens não-verbais de aceitação e respeito ✓ Expressar respeito pelas opiniões e valores da pessoa ✓ Conversar honestamente e com autenticidade ✓ Mostrar sua preocupação, cuidado e afeição ✓ Focalizar nos sentimentos da pessoa Como não se comunicar: ✓ Interromper muito freqüentemente ✓ Ficar chocado ou muito emocionado ✓ Dizer que você está ocupado ✓ Tratar o paciente de maneira que o coloca numa posição de inferioridade ✓ Fazer comentários invasivos e pouco claros ✓ Fazer perguntas indiscretas Tratamento: Além das medidas já citadas há o tratamento medicamentoso exposto no quadro a seguir Transtorno Depressivo Maior A depressão grave incapacita social e/ou profissionalmente -> causa comprometimento grave e o tratamento é farmacológico Os tipos de depressão e o tratamento: a) Depressão leve: Não incapacita, mas causa sofrimento importante O indivíduo consegue funcionar apesar de lhe exigir um esforço extra O tratamento: psicoterapia b) Depressão moderada: Afeta parcialmente as funções do indivíduo O existe comprometimento das funções e incapacitação parcial O tratamento: farmacológico e/ou psicoterapia c) Depressão grave: Incapacita social e/ou profissionalmente. O comprometimento funcional grave Tratamento: farmacológico Para ser depressão precisa preencher o DSM V (analise a imagem abaixo) A função psíquica comprometida é a volia -> paciente de anedolia (ausência de todo prazer para realizar atividades que antes eram prazerosas) É obrigatório a pessoa ter o critério 1 OU 2 Pode ter depressão sem ter tristeza Há vários especificadores: atípico, depressivo melancólico, estado misto, depressão catatônica, depressão com ataque de pânico Peculiaridades na depressão na criança e adolescentes 2 -4 anos: sintomas físicos: dor, tremor 5 -7 anos:sintomas psicossomáticos, pobre desempenho e recusa escolar, dificuldade de concentração, ansiedades, fobias, irritabilidade e retraimento social 8 -12 anos: anedonia e tristeza, desesperança, variação diurna do humor, ansiedade, recusa escolar, desejo de morte 13 -18 anos:(sintomas semelhantes aos adultos): irritabilidade (mascarar tristeza), inquietação, isolamento social, recusa em participar de eventos da família, sintomas agressivos, problemas com drogas, ideação e atos suicidas Crianças apresentam geralmente sentimentos SOMÁTICOS a) Episódio depressivo na infância Em torno de 2% de prevalência Relação 1:1 entre gênero Duração: 8 a 13 meses Melhora clínica: 90% Recaída: 30 a 70% b) Episódio depressivo na adolescência Em torno de 11% de prevalência entre 13 a 17 anos Relação 2:1 mulheres e homens. Duração: 3 a 9 meses Melhora clínica: 50 a 90% Recaída: 20 a 54% Transtorno Disruptivo da Desregulação do Humor Manifestação do humor com irritação, acesso de raiva Explosões de Raiva ≥ 3 vezes por semana Humor persistentemente irritável Duração ≥ 1 ano 7 a 18 anos Prevalência: 0,12% a 8,2% Curso: Transtornos depressivos unipolares e/ou Ansiedade Transtorno Disfórico Pré-Menstrual A existência de sintomas de disfunção serotoninérgica comuns para TDPM, ansiedade e depressão, tais como diminuição do controle dos impulsos, humor depressivo, irritabilidade e aumento da necessidade de consumo de carboidratos Esta relação é uma forte evidência de que o sistema serotoninérgico estaria envolvido na gênese da maioria dos sintomas Estudos mostram que de 70% a 80% das mulheres em idade reprodutiva apresentam algum desses sintomas A prevalência no último ano foi de 5,8% (5,3% se excluídos os casos com comorbidade atual com depressão e distimia) A prevalência aumenta para 18,6% se o critério restritivo de incapacitação não for aplicado A incidência cumulativa ao longo de um ano foi de 7,4% Não é TPM normal Sobre o nervosismo: é de irritabilidade ou de ansiedade? Tratamento: Aco isolado: sem evidencias Aco combinado: polemico trabalhos sugerem melhora com a combinaçao com drospirenona. Revisao da cochrene 2009: sem evidencias Isrs uso contínuo e na fase lutéa Calcio e vitamina d Vitamina b6 (piridoxina): baixa evidência OBS: Excesso de vitamina D pode levar a calcificação Peculiaridades na Depressão do Idoso Idosos: maior faixa etária de suicídios Não há critérios especificos no DSM-5 para Depressão no Idoso Negam a maioria dos critérios de depressão, mas aparentam triste, apático e receioso Perda de Interesse nas atividades usuais Irritabilidade e pensamentos ruminantes Sintomas Somaticos Considerar o relato e opinião dos familiares e cuidadores Homens: 5-12% Mulheres: 10-25% Idosos 1-2% de prevalência em idosos 6-10% em ambiente de cuidados de saúde primários 12-20% num ambiente de lar 11-45% na configuração de internamento Depressão de início tardio: secundária à etiologia vascular Etiopatologia da Depressão Logo, a depressão depende de fatores ambientais, fatores genéticos e disfunções neuroendócrinas Temos algumas hipóteses: a) Teoria monoaminérgica: Mais conhecida Diminuição das nas fendas sinápticas: serotonina e dopamina no catecolaminas noradrenalina, sistema límbico Não é que há falta de serotonina -> envolve glutamato, gaba, noradrenalina No cérebro os corpos celulares dos neurônios serotoninérgicos localizam-se no núcleo da rafe Cortex pré-frontal => regulação do humor/motivação Gânglios da base => toc, acatisia e agitação Sistema límbico => ansiedade Hipotálamo => apetite/bulimia Centro do sono => insônia ➢ medula espinhal => disfunção sexual OBS: Por que leva de 2 a 3 semanas para os antidepressivos fazerem efeito, uma vez que os neurotransmissores estão presentes na fenda sináptica após 3 horas do uso? Efeito de compensação -> retira da fenda Nunca foi consistentemente demonstrada a deficiência de noradrenalina e/ou de serotonina, assim como de seus metabólitos no líquido cefalorraquidiano (lcr), no sangue ou na urina em pacientes depressivos, apesar dos múltiplos esforços nesse sentido 60% dos deprimidos não remitem aos antidepressivos atuais b) Teoria dos receptores das monoaminas c) Teoria monoaminergica da expressao genética Todos os antidepressivos afetam os sistemas serotonérgicos (5ht) ou catecolaminérgicos (dopamina ou norepinefrina ) do sistema nervoso central: ➢ Bloqueio da recaptação pré-sináptica assim aumenta a liberação na fenda, ➢ Inibição do catabolismo ➢ Ação agonistas ou antagonistas nos receptores Não é o aumento de serotonina que provoca a redução de danos O aumento da disponibilidade destes neurotransmissores na fenda sináptica é imediato, mas o efeito clínico em geral demora várias semanas ➢ Por que? -> Devido ao efeito neuroquímico: ➢ Down regulation de autoreceptores pré- sinápticos, responsáveis por modularem a liberação dos neurotransmissores na fenda sináptica Receptores ligados à proteína g, substância envolvida numa cascata de eventos intracelulares relacionada com a síntese protéica, como a transcrição genética Postula-se que através da ação prolongada dos antidepressivos sobre os receptores haveria uma modulação da proteína g e de outros sistemas de segundos mensageiros. Isso resulta na dessensibilização, a qual poderia contribuir tanto para a ação terapêutica dos antidepressivos como para o desenvolvimento de tolerância a muitos dos seus efeitos colaterais Redução dos niveis de bndf resultando hipotrofia do hipocampo Polimorfismos do gene transportador de serotonina ✓ Gene adenilciclase(adcy3). ✓ Galanina(gal). ✓ Gene do subtipo de canal de cálcio de baixa voltagem subtipo alfa (cacna1c) – o achado atual mais robusto no tab Hipóteses complementares: ➢ O alterações da serotonina e do cortisol são resultados de um processo de estresse celular ➢ O processos inflamatórios e imunoneuronais – hipótese da citocinas na depressão ➢ O ativação das células t e aumento das citocinas próinflamatórias – il6, tnf-α e inf- γ O aumento dos radicais livres e dos níveis da peroxidase lípidica que levam ao dano oxidativo do dna ✓ O desregulação do eixo hipotalámo hipófise adrenal ✓ Fatores estressores principalmente na infância desregulam a resposta da corticotropina no eixo hha ✓ Metade dos deprimidos têm a hiperatividade do eixo hha que acarretam disfunção e apoptose dos neurônios do hipocampo Antidepressivos Indicações: transtorno do humor, transtornos de humor orgânicos, transtorno esquizoafetivo, transtornos de ansiedade, incluindo transtorno obsessivo-compulsivo, pânico, fobia social, PTSD, transtorno disfórico prémenstrual e impulsividade associada a transtornos de personalidade Classificação dos antidepressivos: Os Antidepressivos Tricíclicos (ADTs) Inibidores da monoamina oxidase (IMAO) Inibidores da Seletivos Recaptação da serotonina (SSRSs) A Inibidores da Recaptação de serotonina / norepinefrina (IRSN) A Inibidores da Recaptação de norepinefrina/dopamina (IRND) Outros mecanismo de ação dos Antidepressivos (Trazodona, Mirtazapina, Agomelatina, Vortioxetina) Para entender o tratamento durante a fase de manutenção (sustentar a mente do paciente durante a fase de remissão): Importância da fase de recuperação: ✓ Na fase de recuperação, 25% apresentam recidiva dentro de 6 meses, 58% em cinco anos e 85% no período de quinze anos ✓ Individuos que desenvolveram 2 episodios depressivos prévios têm 70% de risco deter novo episodio. Os que tiveram mais de 3 episodios têm a chance de mais de 90% de recorrência ✓ Á medida que a doençaprogride, o intervalo entre os episódios se encurta e a gravidade aumenta ✓ 15% dos deprimidos cometem suícidio Qual antidepressivo escolher? ✓ O existem mais de 30 antidepressivos no mundo ✓ Destes 25 são comercializados no brasil ✓ Então qual escolher? Tratamento individualizado! Eficácia do tratamento antidepressivo: 50% não chegam a remissão no primeiro tratamento 30% a 50% não apresentam resposta. 10% a 30% mesmo adequadamente tratados desenvolverão depressão crônica 12% a 20% apresentarão depressão resistente Escolha dos antidepressivos de acordo com: ✓ Perfil dos efeitos colaterais ✓ Resposta anterior ou de algum familiar ✓ Preferência do paciente ✓ Evidências disponíveis ✓ Custo ✓ Apresentação clínica dos sintomas depressivos ✓ Entretanto, estudo de uma grande metanalise – lancet 2009 – mostrou como mais eficazes os ads: escitalopram, sertralina, venlafaxina e mirtazapina ✓ Neste estudo, agomelatina e desvenlafaxina não foram incluídas OBS: Os Benzodiazepínicos devem ser evitados para o tratamento da depressão a longo prazo porque ele vicia (aumenta a tolerância) e o mecanismo de ação está relacionado a modulação da via gabaérgica Se não houver resposta ou remissão entre 4 a 6 semanas (alguns até 12 semanas), deve-se: ➢ Verificar adesão ➢ Fatores farmacocinéticos e farmacodinâmicos ➢ Reavaliação do diagnóstico ➢ Aumentar a dose ➢ Trocar por ad mais eficaz ➢ Potencializar com litio ou tri-iodotironina (t3) ➢ Associação de antidepressivo ➢ Associar com antipsicótico atípico Tratamento Farmacológico do Transtorno Depressivo Refratário Buspirona A buspirona é um agente ansiolítico que age como agonista parcial dos receptores 5-HT1A Potencialmente, esse agente pode incrementar a neurotransmissão serotoninérgica ECR negativo: estudos indicam que os efeitos não são tão positivos Ela tem muita ação sobre os efeitos adversos que o fármaco do tratamento principal causa ✓ Ex: eliminar diminuição ou perda de libido Pindolol O pindolol é um antagonista não seletivo dos receptores β-adrenérgicos aprovado para o tratamento de hipertensão arterial. Esse fármaco atua como um antagonista dos autorreceptores 5- HT1A ECRs negativos Pramipexol Usado para tratamento de Parkinson Usado como adjuvante na depressão bipolar O pramipexol é um agonista dopaminérgico com afinidade aos receptores D2 e é um agonista pleno dos receptores D3 Pode bloquear os receptores 5-HT1A e aumentar a afinidade de alguns SRSs ECR negativo Psicoestimulantes Metilfenidato na potencialização de antidepressivos: ? ✓ Metilfenidato é a ritalina, é um estimulante ✓ Paciente hipoativo fica normoativo ✓ Induz um estado de hiperativação, podendo eliminar o estado hipobulia (pouca vontade de fazer as atividades), sintomas de fadiga e até mesmo até a adenoia ✓ Tem efeito até mesmo euforizante ✓ Deve ter cuidado com uso indiscriminado (efeito dura 4h) Atomoxetina: ECR negativo Modafinila: ECR melhora da fadiga, sono e outros sintomas depressivos Lisdexanfentamina: Ensaio clinico aberto: ? ✓ É o venvance ✓ Dura 13/15h o efeito ✓ Mesma situação do Metilfenidato Nutracêuticos S-adenosil metionina (SAMe) e do L-metilfolato Dois ECRs duplo cego e multicêntricos recentes fornecem evidências da eficácia na depressão refratária L-metifolato é o principal: ácido fólico ✓ Baixo risco de efeito adverso ✓ É considerado suplemento ✓ Muito dos pacientes com TDM tem uma hipoatividade de uma enzima que converte o ácido fólico da dieta na sua forma ativa ✓ Melhora de forma surpreendente o paciente ✓ Grávidas usam A creatina está em estudo Cetamina Anestésico dissociativo Dose subcutânea é mais fácil Indicado para depressão recorrente com risco de virar refratária OBS: ECR – estudos randomizados Ana Clara Milagres Transtorno Bipolar Introdução Emil Kraepelin (1856-1926): ✓ Fez a primeira grande separação dos grandes transtornos ✓ Demência precoce: termo antigo para esquizofrenia em adultos jovens, adolescentes. ✓ Parafrenia: início aos ~60 anos ✓ Psicose maníaco-depressiva (bipolar) Epidemiologia Principais Causas de Incapacitação no Mundo projetadas para 2020 (OMS): 1. Depressão Maior 2. Anemias por insuficiência de ferro 3. Quedas 4. Abuso de álcool 5. Doenças pulmonares obstrutivas crônica 6. Transtorno Afetivo Bipolar 7. Anomalias congênitas 8. Osteoartrites 9. Esquizofrenia 10. Transtorno Obsessivo-compulsivo Muitas pessoas diagnosticadas com TDM pode ser bipolar -> diagnostico errôneo Prevalência elevada: 1 a 8,3% TAB tipo I - 1%; TAB tipo II - 1,1%; Espectro bipolar - 2,4 a 8,3% ATENÇÃO! Informações importantes: ➢ TAB tipo I: mania ciclando com depressão ou hipomania ➢ TAB tipo II: sem mania, ciclos de depressão ou hipomanias (subnotificado) Gênero: TAB I: H=M TAB II: M>H Mistos: M>H Interação de múltiplos fatores: genéticos, biológicos, ambientais, psicológicos familiares e sociais Sintomas da dimensão afetiva: sintomas e síndrome depressiva, mania/hipomania, episódio misto Dimensão não afetiva: sintomas e síndrome ansiosa/somática, psicótica, e cognitiva Genética: Risco para a população geral: 1 a 2%; Risco para parentes de 1º grau: 9%; Razão de risco: 7 a 9x; Concordância gêmeos dizigóticos: 4 a 6%; Concordância gêmeos monozigóticos: 40 a 45%; Herdabilidade: 80 a 85% (concordância entre genótipo e fenótipo) OBS: Herdabilidade é a junção do genótipo com fenótio e é diferente de hereditariedade Características: ✓ Probabilidade cumulativa de recorrência de mais de 90% ✓ Predominância de depressão em sua evolução (fator responsável pelos subdiagnosticos) ✓ Persistência de sintomas subsindrômicos. ✓ Idade de início precoce Possui elevada prevalência de comorbidades psiquiátricas e clínicas: ✓ Transtornos de ansiedade e/ou abuso ou dependência de substâncias. ✓ Cardiovasculares e obesidade ✓ Tentativas de suicídio no TAB I 36,3% e no TAB II 32,4% Incidência semelhante em homens e mulheres. Mulheres apresentam maior risco de desenvolverem ciclagem rápida. Mulheres apresentam maior risco de internação nas fases maníacas. O diagnóstico pode demorar até dez anos Neuropsicopatologia O que pode ser encontrado de alteração no paciente Diminuição: ✓ Volume de substância branca – cíngulo anterior e ínsula; ✓ Hipocampo e lobo frontal; ✓ Volume e densidade de neurônios e células da glia ✓ Córtex PFDL, giro do cíngulo, hipocampo e amígdala Aumento: ✓ Glutamato – córtex PFDL, giro do cíngulo anterior e hipocampo OBS: Córtex PFDL -> córtex pré-frontal dorso lateral Neurotransmissores: Na mania há uma hiperatividade adrenérgica e dopaminérgica; Já na depressão há hipoatividade serotonérgica e noradrenérgica; Ocorre alterações gabaérgicas, glutamatérgicas e de neuropeptídeos Transdução de sinais intracelulares: Aumento: níveis e atividade da proteína G Aumento de inositol intracelular Ativação de GSK 3-beta: ✓ Metabolismo energético ✓ Desenvolvimento neuronal ✓ Resposta ao tratamento com lítio GSK 3- beta é uma das chaves para o entendimento do TAB O gene que codifica a GSK 3-beta ao sofrer polimorfismo pode desenvolver chances consideráveis de se desenvolver TAB Há fatores relacionados a neurotrofinas e fatores inflamatórios, são eles: Processos inflamatórios sistêmicos x transtornos afetivos; Níveis elevados de cortisol e acth e hiperatividade do eixo hpa; Elevação de citocinas pró-inflamatórias; Diminuição de BDNF (fator neutrófico derivado do cérebro): ✓ Diminuição da neurogênese ✓ Diminuição da neuroplasticidade ✓ Diminuição da memória de longo-prazo Não é a diminuiçãode quantidade de BDNF, mas sim diminuição das vias que modulam esse BDNF Comorbidades Psiquiátricas Pelo menos uma comorbidade: 65% Três ou mais comorbidades: 25% As comorbidades mais frequentes são: ✓ Transtornos ansiosos (pânico e TOC) – 32 a 92% ✓ Fobia social: 16% ✓ Ataques de pânico: 20,8% (especificador) ✓ TOC (espectro): 8 a 21% Abuso/dependência de substâncias – 21 a 46%; TDAH e TOD: 9 a 78% Transtornos alimentares – 7 a 18%; Transtornos de personalidade – 12 a 89% (37,7%) ✓ Cluster B, transtorno de personalidade borderline, TAB II Prevalência de doenças clínicas em TAB é mais alta do que na população geral: Enxaqueca 23,7% Asma 19,2% Hiperlipidemia 19,2% Hipertensão 15% Taxas de mortalidade por causas naturais são mais altas do que na população geral ✓ Doença cardiovascular ✓ Prevalência de obesidade e síndrome metabólica: mais alta do que na população geral Características Clínicas DSM-V - Transtorno bipolar e transtornos relacionados: TAB tipo I TAB tipo II Transtorno Ciclotímico (transtorno clínico com alteração do humor) TAB induzido por substância TAB associado a outra condição médica Mania/hipomania Há 7 critérios de diagnóstico Autoestima Elevada/Grandiosidade/Bem estar com si mesmo Necessidade de sono diminuída Verborragia Fuga de ideias: paciente perde a linha de raciocínio Distraibilidade Aumento de energia direcionada para uma determinada atividade: ✓ Ex: Paciente cisma que deseja fazer faculdade de Direito, mas no segundo semestre desiste Impulsividade/Impaciência/Irritabilidade Aproximadamente 2/3 dos episódios maníacos são psicóticos, com delírios e alucinações a) Mania: Um período distinto de humor anormal e persistentemente elevado, expansivo ou irritável e energia e atividade Persistentemente aumentadas durando pelo menos uma semana (ou qualquer duração, se a hospitalização é necessária) b) Hipomania: Um período distinto de humor persistentemente elevado, expansivo ou irritável e energia e atividade persistentemente aumentadas durando todo o tempo ao longo de, pelo menos, quatro dias consecutivos Depressão bipolar Humor deprimido Anedonia Sensação de inutilidade/Culpa excessiva Dificuldade de concentração Fadiga Distúrbios do sono Distúrbio psicomotor Distúrbio alimentar. Ideação suicida Geralmente o TAB inicia-se com um episódio depressivo Taxa de conversão de diagnóstico de unipolar para bipolar: 15 a 30%, dependendo do período observado. Embora não existam sintomas patognomômicos, há alguns que sugerem bipolaridade: Idade de início mais precoce Maior número de episódios depressivos, com períodos curtos de recuperação Presença de delírios. Pensamento acelerado com conteúdo melancólico Presença de sintomas de hiperativação, irritabilidade excessiva, pensamentos acelerados, aumento da libido e da impulsividade no período do transtorno depressivo História familiar positivo de TAB para parente de primeiro grau Psicose e depressão pós parto Mistos Mania ou hipomania com pelo menos 3 sintomas depressivos Depressão com pelo menos 3 sintomas maniformes Cicladores rápidos 4 episódios de mania e/ou depressivos em 12 meses Pode chegar a 12 a 24%/ano nos centros especializados Maior prevalência em mulheres Ciclotímicos Perturbação crônica e flutuante do humor Duração mínima de 2 anos ATENÇÃO! Espectro bipolar segundo Akistal: Tratamento Mania – fase aguda: ✓ Tratamento de primeira linha para tratamento de mania aguda inclui o Lítio ✓ Lítio é o principal estabilizador de humor do mundo e não é uma droga e sim um elemento químico ✓ Segundo de escolha é o ácido valpróico ✓ Segunda linha é a Carbamazepina, ECT Depressão bipolar – fase aguda: ✓ Primeira linha é o Lítio ✓ Não existe tratar com antidepressivo ✓ Lamotrigina é usada para tratamento da depressão bipolar aguda e não para mania ✓ Lamotrigina é um estabilizador de humor que diminui recaída depressiva ✓ Lítio e Divalproato são teratogênicos, logo, não podem ser usados na da gravidez ✓ A Lamotrigina não é teratogênica, logo, pode ser usada na gravidez OBS: Lítio – modula o humor pela ação sobre a GSK3 beta ATENÇÃO! Paciente chega no pronto socorro em surto maníaco deve fazer contenção clínica (sedetativo, Diazepam) e pode fazer doses de ataque com o ácido valproico. Não pode fazer uso de Lítio, por exemplo Manutenção: ✓ Primeira linha: lítio ✓ Primeira linha: ácido valpróico ✓ Esses dois de primeira linha se forem usados em associação são segunda linha ✓ Lamotrigina em monoterapia ✓ Eletroconvulsoterapia: segunda linha ✓ Clozapina: antipsicótico neurolépitico, segunda geração -> é o melhor para tratamento de casos refratários Uso de antidepressivo: Riscos: ✓ Ciclagem para mania ou hipomania ✓ Ciclagem rápida (pelo menos 4 ciclos diferentes no período de 1 ano) ADs podem ser usados na depressão bipolar tipo I e tipo II caso tenha história pregressa positiva ADs devem ser evitados na presença de dois sintomas maniacos concomitantes, ciclagem rapida e agitação psicomotora ✓ Ex: Paciente na fase depressiva, mas ainda tem dois sintomas de hiperativação (irritabilidade/agitação/fuga de ideiais/...), se usa antidepressivo potencializa esses sintomas de hiperativação ADs em monoterapia sempre evitados ADs não podem ser usados indiscriminadamente, em alguns casos individuais podem beneficiar Dar preferência PARA trazodona (donaren), bupropiona e ISRS (inibidor seletivo da recaptação da serotonina) ✓ Donaren: antidepressivo com efeito adverso de sonolência e trata muito bem irritabilidade ✓ PEC ABP recomenda paroxetina como ISRS com menor risco de virada tratamento Não se usa antidepressivo para tratar TAB -> por causa do risco de ciclagem da mania para hipomania ✓ Se não visa a estabilização do humor, há alteração significativa do humor do paciente ✓ Ele pode ter ume esgotamento do humor significativo ATENÇÃO! Informações importantes: ➢ Lítio é o tratamento de primeira linha para todas as fases ➢ Divalproalto (ácido valproico) também é o tratamento de primeira linha para todas as fases ➢ Espirodona usado em todas as fases ➢ Via de regra antidepressivos não são utilizados para TAB Mania refratária: ECT: eletroconvulsoterapia Clozapina ✓ Clozapina + Aripiprazol ✓ Clozapina + Olanzapina Alopurinol: Evidências de disfunção do sistema de neurotransmissão purinérgico no transtorno bipolar Agonistas purinérgicos têm efeito similar a antagonistas dopaminérgicos Dois estudos controlados com associação com Lítio mostraram efeito estatisticamente significativo Tamoxifeno: Antagonista de receptor de estrógeno Inibidor da proteína quinase C Dois estudos ECR (ensaios clínicos randomizados) com placebos mostraram eficácia associado ao lítio Depressão bipolar refratária: ECT: eletroconvulsoterapia Clozapina Lurasidona Modafinila e Armodafinila Pramipexol: tratar Parkinson Cetamina: é experimental Hormônios tireoidianos: pouco evidência e alto risco Omega-3 Lítio Única medicação que reduz a taxa de suicídio Eficaz na profilaxia de episódios de mania e de depressão em 70% dos pacientes com TAB O Lítio é muito pouco prescrito porque os médicos tem MEDO de prescrever (intoxicação) Fatores preditores de resposta positiva ao lítio: Resposta a longo prazo Membro da família com boa resposta Mania pura Mania seguida por depressão Antes de iniciar deve: ✓ Obtenha a creatinina basal, TSH, hemograma e ECG ✓ Nas mulheres verificar um teste de gravidez, durante o primeiro trimestre está associado com anomalia de Ebstein 1/1000) ✓ Creatinina basal: não é porque o Lítioataca os rins e sim porque se a taxa de filtração está reduzida, a chance de intoxicação é maior, pois pode depurar menos e se acumular Monitoramento: A litemia e alcançada após 5 dias de uso Verifique após 12 horas da última dose Objetivo: nível litemia entre 0,5-1,2 mMol/L Os efeitos colaterais mais comuns são: Desconforto GI, incluindo diminuição do apetite, náuseas / vômitos, diarreia. Anormalidades da tireóide Leucocitose não significativa Poliúria / polidipsia secundária a antagonismo ADH Num pequeno número de pacientes pode causar fibrose renal intersticial (rara, após mais de 10 anos de uso) Alopécia e acne Reduz o limiar convulsivo Tremor de extremidades Intoxicação pelo lítio: Aguda em Tratamento Crônico: Naúsea, Vômitos, Leucocitose, Aumento do intervalo QT, Tremor fino, Fraqueza, Apatia, Disartria, Discinesia coreiforme, Parkinsonismo, Confusão Mental, Neuropatia e Miopatia No Tratamento Crônico: Hipotireoidismo, Polidipsia, Poliúria, Risco de diabetes insipidus nefrogênico e DRC, Eczemas, Psoríase, Hipercalcemia com hiperplasia de paratireóide. Fatores que influenciam no risco de intoxicação pelo Lítio: Aumentam a litemia: AINE, IECA, tiazídicos, tetraciclina, ciclosporina, teofilina, infecções Abaixam a litemia: cafeína, diuréticos de alça, inibidores da anidrase carbônica (Acetazolamida) Não alteram a litemia: Losartan, aspirina Risco de intoxicação pelo lítio: ICC, Cirrose Hepática, DRC, DM, Infecções, Desidratação Dose Terapêutica no Adulto: 0.5 a 1.2 mEq/ml Classificação da Intoxicação: Leve a moderada: litemia 1.5 a 2.0 mEq/ml – Náusea, vômitos, dor abdominal, diarréia persistente, boca seca, ataxia, letargia e fraqueza muscular Moderada a grave: litemia 2.0 a 2.5 mEq/ml – Anorexia, visão turva, movimento clônicos dos membros, delirium, arritmias, falência circulatória Grave: acima de 2.5 mEq/ml – Convulsões generalizadas, insuficiência renal aguda, oligúria e morte Tratamento: Proteção das vias aéreas. Hidratação venosa com SF 0.9% Hemodiálise se: ✓ Litemia > 6 mEq/L : a cada 6-10h ✓ Litemia > 4 mEq/L: qualquer paciente em tratamento crônico. (Algumas referências indicam diálise para todos com litemia>4) ✓ Litemia entre 2,5 e 4 mEq/L: sintomas neurológicos graves e insuficiência renal ✓ Litemia menor 2,5: para pacientes com nefropatia terminal ou os que aumentam a litemia após admissão Revisão Saúde Mental I- P1 ❖ Na década de 60 houve um aumento do número de altas e uma redução nas readmissões. Quais foram os fatores envolvidos nessa redistribuição? ➢ Comunidades terapêuticas ➢ Psiquiatria comunitária ➢ Movimento “saúde mental” ➢ Psiquiatria dinâmica ➢ Antipsiquiatria ➢ Psiquiatria social ➢ Desinstitucionalização*: mudança do regime asilar para assistencial ➢ Advento dos antipsicóticos*: redução do número de internações → tratamento domiciliar ❖ Reforma psiquiátrica ➢ Ao longo dos anos 60 a 80: reforma sanitarista → SUS ▪ Influenciando os paradigmas de assistência em diversas especialidades médicas redirecionando os cuidados dos hospitais para junto às comunidades ➢ Projeto de Lei Paulo Delgado***: ▪ Foi rejeitado: mais ideológica do que técnica ▪ Regulamentação da internação psiquiátrica compulsória ▪ Diferença entre internação voluntária, compulsória e involuntária • Na internação compulsória, mesmo com um documento jurídico, existe a necessidade da presença de um médico psiquiatra para atestar a necessidade de internação • A internação involuntária é um ato médico que incide sobre um paciente em um momento crítico e se dá sem o consentimento do usuário e a pedido de outra pessoa ▪ Extinção progressiva dos manicômios e sua substituição por outros recursos assistenciais, onde ficaria proibida a construção de novos hospitais psiquiátricos públicos e a contratação ou financiamento pelo setor governamental, de novos leitos em hospitais psiquiátricos (colocar os pacientes em locais com serviço de atendimento laboratorial) ▪ No Brasil, isso não foi feito de forma eficiente, não foram criados nem 1/3 do número de CAPS necessários para atender a população ➢ Devido a asfixia econômica o número de leitos reduziu, não abrangendo todos as pessoas que necessitavam. Fazendo com que houvesse aumento de pacientes psiquiátricos morando nas ruas e nos presídios ➢ Lei 10.216***: lei da reforma psiquiátrica ▪ Dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos psíquicos ▪ Redireciona o modelo assistencial em saúde mental, para a intervenção menos restritiva possível, junto a comunidade ▪ Faculta a internação em instituições que não tenham características asilares ▪ Pincelada no projeto Paulo Delgado para então aplicar a lei chamada de Reforma Psiquiatrica (lei 10.216) ▪ Mesmo objetivos do projeto Paulo Delgado ▪ A consequência direta disso foi aumento do número de presidiários e de moradores de rua ❖ O número de suicídios aumentaram devido aos hábitos sociais e consumo de alimentos ultra processados. Sabe-se que existem fatores de risco e fatores de proteção ➢ A partir dos anos 70 houve uma mudança social muito grande, as mulheres começaram a ocupar postos de trabalhos que antes não eram aceitos, isso de certa forma desvalorizava os perfis de homens machistas e, por isso, havia revoltas, sintomas depressivos, abuso de substâncias e suicídios ➢ Então foi observada a queda de fertilidade a partir dos anos 70 e o aumento do número de suicídios ➢ O número de suicídios não tem relação com a acessibilidade a armas de fogo ➢ A mulher tenta mais vezes e falha mais, já o homem tenta menos vezes, mas é mais assertivo que a mulher ❖ O artigo – estudo nos EUA mostra que a desinstitucionalização gerou um aumento desproporcional de pacientes psiquiátricos nas cadeias e prisões ❖ A rede de atenção psicossocial foi restruturada no Brasil a partir da Lei da Reforma Psiquiátrica ➢ Componentes da RAPS: ▪ Atenção Básica em Saúde: • UBS • NASF • Consultório na rua • Apoio aos serviços do componente Atenção residencial de caráter transitório • Centros de convivência e cultura ▪ Atenção psicossocial estratégica***** (CAPS) • CAPS I: acima de 20.000 hab • CAPS II: acima de 70.000 hab • CAPS III: acima de 200.000 hab; funciona 24hrs • CAPS AD: acima de 70.000 hab • CAPS AD III: acima de 200.000 hab; funciona 24hrs • CAPS i: crianças/adolesc; acima de 150.000 hab • Obs: quanto maior o número populacional maior será o nível de complexidade do CAPS ▪ Atenção de urgência e emergência • SAMU 192 (deve ser acionado em situações complexas) • Sala de estabilização • UPA 24h, pronto socorro ➢ Porque Muriaé possui CAPS III sendo que sua população é menor que 200.000? Pois a região que é abrangida e maior ➢ O que diferencia ser CAPS I, II e III são os funcionários Funções psíquicas- nosologia psiquiátrica ❖ Orientação ➢ Pode estar alterada em paciente em surtos psicóticos ou com transtornos cognitivos ➢ Autopsiquicas: em relação a si mesmo ➢ Alopsiquicas: em relação ao mundo ➢ Tempo e espaço ❖ Atenção: ➢ Reconhecimento e processamento de informações ambientais que vai gerar uma resposta do individuo ➢ Tenacidade (hipo ou hiper): capacidade de fixar a atenção ▪ Ex: TDAH com déficit de atenção usa ritalina pois causa uma hipertenacidade ➢ Vigilância: atenção despertada por algo, mudança de foco ➢ Prosexia: atenção global ➢ Distração: superconcentração ativa sobre algo, com inibição dos demais objetos ▪ Hipertenacidade com hipovigilancia ❖ Afetividade ➢ Tem autor que separa afetividade e humor ➢ Emoções: reações afetivasmomentâneas (alegria, tristeza, raiva, medo) ➢ Humor: estado emocional basal, animo ▪ Emoção predominante ▪ Disfórico, elevado, deprimido, expansivo, irritável, ansioso ▪ Uma pessoa com uma tristeza prolongada (emoção) pode desenvolver um humor depremido ▪ Uma pessoa que sofre episódios de ansiedade constantes, pode desenvolver um humor ansioso ▪ É um estado PERSISTENTE ➢ Afeto: tônus emocional, componente emocional de uma ideia, observado por manifestações objetivas ou a expressão do humor (forma como a pessoa se expressa e manifesta essas emoções) ▪ Hipomodulado ou hipermodulado (bipolar, borderline); alegre, triste, embotado (não esboçam emoção de acordo com o contexto) ▪ Ex: paciente autista ou esquizofrênico pode apresentar embotamento emocional -> fica indiferente para situações de problema ➢ Sentimentos: fenômenos mais mental que somático, associado a conteúdos intelectuais (saudade, confiança, amizade) ➢ Paixões: intensidade, dirige a atenção ▪ Indivíduo age por impulso ▪ Prevalece sobre a razão ❖ Sensopercepção (não confundir com pensamento) ➢ Capacidade dos seres vivos de reagir, através de órgãos dos sentidos e estruturas próprio-sensitivas, a diferentes estímulos ambientais e internos, de maneira a produzir uma representação mental desses ambientes ➢ Os estímulos podem ser: auditivos, visuais, olfativos, táteis, gustativos ou proprioceptivos e cinestésicos ➢ Sensação: reações físico-químicas geradas pelos estímulos sensoriais ➢ Percepção: tomada de consciência do estímulo sensorial ➢ Apercepção: gnosia, pleno reconhecimento do objeto percebido ➢ ESTÁ ALTERADA NAS ALUCINAÇÕES E ILUSÕES ➢ Pode apresentar alterações quantitativas e qualitativas ➢ Alterações quantitativas: hipoestesia, disestesia, parestesia ➢ Alterações qualitativas: ilusão, alucinações ➢ Não confundir com PENSAMENTO! ❖ Pensamento ➢ Três pontos: forma, fluxo e conteúdo ➢ Forma do pensamento: arquitetura, estrutura básica ▪ Oligonefrenia, demências ▪ Afrouxamento das associações, descarrilhamento, desagregação do pensamento ➢ Fluxo do pensamento: velocidade, ritmo ▪ Aceleração, lentificação, segmentado ➢ Conteúdo do pensamento: ideias, temas, assuntos ▪ Persecutório, depreciativo, ruína, grandeza ➢ ESTÁ ALTERADO NOS QUADROS DE DELÍRIO (CONTEÚDO) ➢ Alterações patológicas do pensamento: ▪ Ideia obsessiva ▪ Ideia supervalorizada ▪ Delírio primário: ✓ Simples: monotemático ✓ Complexo: pluritemático ✓ Não sistematizado: oligóide ✓ Sistematizado: concatenação de ideias ✓ Trema: clima ameaçador, mal definido ✓ Apofania: verdadeira revelação ✓ Fase apocalítipica: desorganização do indivíduo ✓ Consolidação: estabilização ✓ Resíduo: isolamento ▪ Delírio secundário Delírio de ruína: depressão Delírio de grandeza: mania ➢ Delirium está no grupo de transtornos neurocognitivos, secundário a uma etiologia orgânica. Síndrome psico-orgânica Transtornos de Ansiedade Generalizada ❖ Transtorno de ansiedade generalizada precisa durar pelo menos seis meses de evolução de humor ansioso, causando prejuízo social e funcional, causando um sofrimento intenso ❖ Transtorno do pânico: transtorno de ansiedade paroxística episódica ➢ Crises de pânico que acontecem do nada e não precisa ter um objeto estressor ❖ Agorafobia: medo ou ansiedade marcantes acerca de duas ou mais situações ❖ Fobia específica: medo de objeto ou uma situação bem especifica, é restrita OBS: diferenciar agorafobia de fobia específica Transtorno Depressivo Maior ❖ Para ser depressão precisa de pelo menos 15 dias de evolução com 5 dos sintomas, sendo que um deles é o humor deprimido e o outro é a perda de interesse ou prazer. Precisa de causar prejuízo social e funcional além de um sofrimento intenso ➢ Anedonia ➢ Alteração de peso ➢ Alteraçoes do sono ➢ Agitação ou retardo psicomotor ➢ Fadiga ou perda de energia ➢ Sentimentos de ruína ➢ Distraibilidade ➢ Pensamentos recorrentes de morte ❖ Comparação entre TDM e TAB: critérios diagnósticos ❖ Tratamento de TDM: paciente está com muita depressão e com ideações suicidas. Por que não se deve usar antidepressivo primeiro? ➢ Primeiro melhora o estado volitivo (função psíquica pragmatismo) e só depois o humor começa a melhorar. Assim, a princípio o paciente cria coragem para fazer e o humor continua deprimido ➢ Por isso é usado o tratamento adjuvante: oferta o antidepressivo em doses subterapeuticas e um agente protetor (estabilizador do humor ou neuroléptico- lítio, quetiapina) Transtorno afetivo bipolar ❖ São dois tipos: ➢ TAB tipo I (se precisou de internar é tipo I): tem que ter mania, alternando com estados de hipomania ou depressão ➢ TAB tipo II: estado depressivo, intercalando com episódios de hipomania ou depressão ❖ Características clínicas- mania/hipomania ➢ Autoestima elevada/grandiosidade/bem estar com si mesmo ➢ Necessidade de sono diminuída ➢ Verborragia ➢ Fuga de ideias ➢ Distraibilidade ➢ Aumento de energia direcionada para uma determinada atividade ➢ Impulsividade/impaciência/irritabilidade ❖ Mania ➢ Período distinto de humor anormal e persistentemente elevado, durando pelo menos UMA SEMANA ❖ Hipomania ➢ Período distinto de humor persistentemente elevado, expansivo ou irritável, durando pelo menos QUATRO DIAS CONSECUTIVOS ❖ Depressão bipolar ➢ Humor deprimido ➢ Anedonia ➢ Sensação de inutilidade/culpa excessiva ➢ Dificuldade de concentração ➢ Fadiga ➢ Distúrbios do sono ➢ Distúrbio psicomotor ➢ Distúrbio alimentar ➢ Pensamentos de morte/ideação suicida Ana Clara Milagres Transtornos: Dissociativos, de Sintomas Somáticos, Conversivo e Factício Transtornos Dissociativos Definição Perturbação e/ou descontinuidade da integração normal de: ▪ Consciência ▪ Memoria ▪ Identidade ▪ Emoção ▪ Percepção ▪ Representação corporal: propriocepção ▪ Controle motor: psicomotricidade ▪ Comportamento Ocorre uma dissociação das funções psíquicas, que deveria estar funcionando de forma harmônica, normalmente, secundária a um evento estressor São encontrados com frequência como consequência de traumas e eventos estressores Muitos desses sintomas, incluindo constrangimento e confusão acerca dos sintomas ou um desejo de ocultá-los, são influenciados pela proximidade ao trauma ▪ Se localizam, temporalmente, próximos ao evento traumático ▪ Quando mais distante do evento estressor, melhor é para a clinica do paciente Tanto o transtorno de estresse agudo quanto o transtorno de estresse pós-traumático contêm sintomas dissociativos: ✓ Amnesia: pode ser anterógrada ou retrograda ✓ Flashbacks ✓ Entorpecimento ✓ Despersonalização/desrealização Transtorno Dissociativo de Identidade Critérios diagnósticos A maioria dos indivíduos com transtorno dissociativo de identidade não exibe abertamente a descontinuidade da identidade por períodos prolongados; apenas uma minoria se apresenta ao atendimento clínico com alternância observável de identidade Mais de 70% dos pacientes ambulatoriais com transtorno dissociativo de identidade tentaram suicídio Tratamento Psicoterapia, terapia de grupo O objetivo é reunir todas as facetas do pessoal em um único indivíduo Amnésia Dissociativa Critérios diagnósticos Pode ou não ter fuga dissociativa OBS.: Indivíduos com amnésia dissociativa com frequência não percebem (ou percebem apenas parcialmente) seus problemas de memória ▪ Andam pelas ruas ou estradas “procurando por coisas das quais se lembre” Tratamento Psicoterapia e Entrevista facilitada por farmacoterapia ✓ Administração de fármaco para relaxamento do paciente paraque faça uma entrevista Exemplo: “Amytal interview” (amobarbital): “...foi planejada no quinto dia de admissão. A preparação para o procedimento foi realizada com cuidado da seguinte forma: 1. Reafirmar com uma explicação simplificada da teoria por trás do procedimento (por exemplo, que esse tipo de amnésia pode estar protegendo contra a lembrança de uma experiência angustiante) 2. Reafirmar que o lorazepam administrado em uma maneira particular poderia ajudá- la a recuperar sua memória. 3. Garantia de que o procedimento provavelmente não causará danos. 4. Colocação de acesso intravenoso por uma enfermeira. Lorazepam foi administrado por via intravenosa pelo psiquiatra em bolus de 2 mg, e o paciente foi observado para relaxamento e sonolência. A dosagem parou quando o paciente ficou com sono. Foram necessários seis miligramas. Usando chamados de alerta e estímulos táteis, ela foi mantida acordada e reorientada, pedindo-lhe que reafirmasse o nome de seu médico Ela foi levada de volta em sonho ao posto de gasolina onde foi apanhada e foi solicitada a nomeá-lo. Quando ela se lembrou de uma igreja perto do posto de gasolina, isso foi usado como um objeto de associação e lhe perguntaram se ela frequentava a igreja. Ela foi convidada a dar o nome e a localização de sua igreja. Depois de nomear com sucesso um local de sua história pessoal, ela foi levada a fornecer seu nome, cidade natal, aniversário, número de previdência social, emprego, maternidade e estado civil. Nenhum esforço foi feito para reunir outros dados clínicos no momento, mas o paciente recebeu sugestões para continuar dormindo e recuperar todos esses dados pessoais ao acordar.” Transtorno de Despersonalização e Desrealização Critérios diagnósticos Pessoa sente como se estivesse fora de si e fosse um observador Podem ser vistos como sintoma dentro de algum outro transtorno Teste de realidade Teste de realidade permanece intacto Exemplo: pessoa procura provas de que está na realidade, como olhar relógio, olhar no espelho ou olhar a própria mão Esse teste acontece para verificar se o paciente está na realidade, uma vez que no sonho não dá para fazer essas coisas Tratamento Os tratamentos são pouco eficazes., mas são utilizados psicoterapia, ISRS, estabilidade, afastamento de interações traumáticas/estressantes Tratamento Geral para Transtornos Dissociativos Neurolépticos atípicos (Aripiprazol, Olanzapina, Quetiapina, Ziprazidona ISRS e não seletivos (Duloxetina, Venlafaxina) Anti-convulsivantes: Levetiracetam, Lamotrigina Transtornos de Sintomas Somáticos A confiabilidade para determinar que um sintoma somático é clinicamente inexplicado é limitada Estabelecer um diagnóstico na ausência de uma explicação é algo problemático e reforça a dicotomia mente-corpo Não é apropriado dar a um indivíduo um diagnóstico de transtorno mental unicamente por não se conseguir demonstrar uma causa médica Está associado a comprometimento marcante do estado de saúde Muitas pessoas com transtorno de sintomas somáticos grave tendem a ter pontuações de estado de saúde comprometido mais de dois desvios-padrão abaixo do padrão da população Causas: ▪ Vulnerabilidade genética e biológica (p. ex., maior sensibilidade à dor) ▪ Experiências traumáticas precoces (p. ex., violência, abuso, privação) Critérios diagnósticos ✓ Ex: Pessoa tem uma hérnia de disco → sente uma dor tremenda ✓ Ansiedade em relação ao sentimento é muito exagerada ✓ O sofrimento é desproporcional ✓ A pessoa tem o sintoma, é real, tem um gatilho, porém o sintoma é AMPLIADO Tratamento ▪ Psicoterapia ▪ ISRS ✓ Tratar síndrome depressiva ou ansiosa subjacente ▪ Citalopram + paliperidona ✓ Citalopram: antidepressivo ✓ Paliperidona: neuroléptico ▪ Benzodiazepínicos (sedação aguda): evitar uso prolongado ▪ Analgesia aguda ▪ TCC, intervenção psicossocial, psicoeducação ▪ Atividades físicas ▪ Manter a funcionalidade ▪ ISRS, Clomipramina/Imipramina, Propranolol, Pimozida (Orap) (ilusões hipocondríacas), Risperidona, Olanzapina Transtornos de Ansiedade de Doença Critérios diagnósticos Transtorno de ansiedade da doença pode ter algum outro sintoma associado, como síndrome depressiva ou ansiosa Sintomas somáticos não tem sintomas A pessoa não tem NADA e fica preocupada em ter aquela doença Alto nível de ansiedade em relação a saúde Tem dois subtipos: busca de cuidado e evitação de cuidado Transtorno Conversivo Transtorno do Sintoma Neurológico FUNCIONAL que afeta: ▪ Visão ▪ Motricidade ▪ Tato ▪ Vestibular ▪ Consciência: perda ▪ Responsividade: irresponsividade ▪ Convulsões não-epiléticas Transtornos neurológicos SEM ter uma causa orgânica ✓ Atributos neurológicos da função psíquica ficam alterados ✓ Secundário a evento estressor ou traumas Com ou sem evento estressor psicológico AGUDO Precisa afastar causa orgânica, antes de diagnosticar transtorno conversivo Sinais Sinal de Hoover, no qual a fraqueza da extensão do quadril retorna à força normal com flexão do quadril contralateral contra resistência. Fraqueza acentuada da flexão plantar do tornozelo quando testada no leito em um indivíduo capaz de caminhar na ponta dos pés. Achados positivos no teste diagnóstico do tremor: “Distrair” o paciente pedindo para fazer movimentos com o membro não afetado faz com que o tremor do membro afetado pare; fenômeno da propagação (segurar a mão, faz o tremor se propagar para o antebraço, etc.) Em ataques que se assemelham a epilepsia ou síncope (ataques não epiléticos “psicogênicos”), a presença de olhos fechados com resistência à abertura ou um eletroencefalograma simultâneo normal (embora isso por si só não exclua todas as formas de epilepsia ou síncope). Quando relata sintomas visuais: campo visual tubular (só é orgânico no glaucoma); mandar olhar parar a mão; mandar assinar o nome Tratamento Psicoterapia (TCC): terapia cognitiva comportamental Tratar os sintomas afetados: ✓ Fisioterapia ✓ Fonoaudiologia ✓ Terapia Ocupacional ✓ Outros Abordagem sindrômica/sintomática ECT Transtorno Factício Síndrome Munchaüsen: pessoa simula sintomas ou força o aparecimento de doenças ▪ Possui presença de simulação, diferente do transtorno conversivo que tem sofrimento intenso e NÃO é simulação ▪ Ex: mãe inventa sintomas para o filho Os sinais e sintomas podem ser físicos ou psicológicos Transtorno factício é SIMULAÇÃO, diferente do conversivo, que não é simulação, o sintoma existe de fato Peregrinações, fantasias (pseudologia fantástica – credenciais falsas, relacionamento com pessoas famosas, etc) Objetivos: ▪ Gratificação emocional ▪ Ganho secundário financeiro ▪ Carência afetiva ▪ Outros Letícia Huguenin Saúde Mental Disfunção Sexual e Disforia de Gênero DEFINIÇÃO A resposta sexual tem uma base biológica essencial Mas é vivenciada em um contexto intrapessoal, interpessoal e cultural A função sexual envolve uma interação complexa entre fatores biológicos, socioculturais e psicológicos. O diagnóstico de uma disfunção sexual requer a exclusão de problemas que são mais bem explicados por algum transtorno mental não sexual, pelos efeitos de uma substância (p. ex., droga ou medicamento), por uma condição médica (p. ex., devido a alguma lesão no nervo pélvico) ou por perturbação grave no relacionamento, violência do parceiro ou outros estressores Nos casos em que a essência da disfunção sexual for explicável por outro transtorno mental não sexual (p. ex., transtorno depressivo ou transtorno bipolar, transtorno de ansiedade,transtorno de estresse pós-traumático, transtorno psicótico), deve-se, então, diagnosticar apenas o outro transtorno mental Ejaculação Retardada Transtorno Erétil Testes de intumescência peniana noturna e a medição da turgidez erétil durante o sono podem ser empregados para fazer a distinção entre problemas eréteis orgânicos e psicogênicos Ereções adequadas durante o sono REM indicam uma etiologia psicológica para o problema Transtorno do Orgasmo Feminino Transtorno do Interesse/Excitação sexual feminino Transtorno da Dor Gênito-pélvica/Penetração Transtorno do Desejo Sexual Masculino Hipoativo Ejaculação Prematura (Precoce) Tratamento ▪ Tratar a causa orgânica! ▪ Reposição hormonal ▪ Psicoterapia ▪ Terapia de casal ▪ Condicionamento físico / ambientação favorável ▪ Tratamento da dor ▪ Mudanças no estilo de vida ▪ Tratamentos pró-eretivos (auto explicativo) ▪ Transtorno do interesse/excitação sexual feminino: Bremelanotida (1,75mg SC antes do ato, máximo 1x/dia, não mais do que 8 meses) = agonista receptor melanocortina (mas mecanismo de ação incerto. Modulação dopaminérgica?) Disforia de Gênero ▪ Sofrimento O termo gênero é utilizado para denotar o papel público desempenhado (e em geral juridicamente reconhecido) Designação de gênero refere-se à designação inicial como homem ou mulher Atípicas com o gênero refere-se a características somáticas ou comportamentais não típicas (estatisticamente falando) de indivíduos com a mesma designação de gênero em determinada sociedade em determinado momento histórico Transgênero refere-se ao amplo espectro de indivíduos que, de forma transitória ou persistente, se identificam com um gênero diferente do de nascimento: Transexuais, travestis, crossdressers Crossdressers (transformismo) é diferente de orientação sexual ou transexualidade. Se deve a qualquer uma de muitas razões, desde vivenciar uma faceta feminina (para os homens) ou masculina (para as mulheres), motivos profissionais, para obter gratificação sexual, ou outras. Transexual indica um indivíduo que busca ou que passa por uma transição social de masculino para feminino ou de feminino para masculino, o que, em muitos casos (mas não em todos), envolve também uma transição somática por tratamento hormonal e cirurgia genital (cirurgia de redesignação sexual). Neste caso, é chamado de Redesignação de gênero. ✓ Busca transição de gênero Redesignação de gênero denota uma alteração oficial (e geralmente legal) de gênero (cirurgia, hormonioterapia) Disforia de gênero, como termo descritivo geral, refere-se ao descontentamento afetivo/cognitivo de um indivíduo com o gênero designado, ou seja, ao sofrimento que pode acompanhar a incongruência entre o gênero experimentado ou expresso e o gênero designado de uma pessoa, quando as intervenções físicas desejadas por meio de hormônios e/ou de cirurgia não estão disponíveis ▪ Pessoa tem sofrimento Identidade de gênero (orientação) é uma categoria de identidade social e refere-se à identificação de um indivíduo como homem, mulher ou, ocasionalmente, alguma categoria diferente de masculino ou feminino TRATAMENTO Redesignação sexual, Terapia de reposição hormonal (casos selecionados!!!) Psicoterapia, Terapia de grupo - quando será submetido a redesignação sexual/terapia de reposição hormonal, OU quando há sofrimento psíquico (disforia de gênero, estresse emocional/social) Ana Clara Milagres Esquizofrenia e outros transtornos psicóticos História Hipócrates (370 a. C.) ▪ Teoria dos humores: ✓ Bile Amarela (fogo): fígado ✓ Bile Negra (terra): baço ✓ Sangue (ar): coração ✓ Fleuma (água): cérebro ▪ Descrição do DELÍRIO FEBRIL: PARANÓIA (para = ao lado; fora // noia = de si) Benedict Augustin Morel (1860) ▪ Demência precoce ▪ Identificava características como: ✓ Herdabilidade: atributo que depende do fator genético e ambiental ✓ Agravo com o uso de toxinas ✓ Degeneração através das gerações Kahlbaum (1874) ▪ Obra: Die Katatonie ▪ Descreveu a síndrome de Kahlbaum ▪ Descreveu as seguintes entidades nosológicas: distimia, ciclotimia, catatonia, parafrenia, hebefrenia ✓ ATENÇÃO! Quanto mais precoce os sintomas, pior o prognóstico ▪ Jovens hebóides: jovens com síndrome precoce → comportamento violento, abuso de substâncias Ewald Hecker (1871) ▪ Diferenciou Hebefrenia e ciclotimia de Psicose unitária Emil Kraepelin (1899) ▪ Demência precoce (doença neurodegenerativa) = hebefrenia → definiu a hebefrenia ▪ Parafrenia: afeto mais preservado, melhor prognóstico. ▪ Psicose maníaco-depressiva: TAB ▪ Definiu os tipos de parafrenia: ✓ Sistemática: paranoico, delirante ✓ Expansiva: delírio megalomaníaco, hipertímico ✓ Confabulatória: delírio de memória, semelhante à síndrome de Korsakoff, paramnésias. ✓ Fantástica: alucinatória, desorganizada, mais embotada ✓ Parafrenia tardia: início tardio, ou muito tardio (~60 anos) → Personalidade e afeto mais preservados Eugen Bleuler (1911) ▪ Descreveu a ESQUIZOFRENIA ▪ Os sintomas fundamentais de Bleuler: os 4 A’s de Bleuler 1. Embotamento afetivo 2. Autismo: pessoas com característica de isolamento, pouca empatia → não é espectro autista 3. Associações frouxas do pensamento 4. Ambivalência: afetos opostos em um mesmo momento → alterações de forma, fluxo e conteúdo do pensamento ▪ Primeira forma de categorizar a Esquizofrenia ▪ Acessórios: alucinações e delírios ▪ Ataques de deterioração: doença neurodegenerativa ▪ Alterações cognitivas: memória, atenção... ▪ Pode ter alterações de humor: sintomas depressivos, de mania, etc... ✓ Quando tem esses sintomas precisa-se investigar outros transtornos ✓ O que difere do TAB é a prevalência dos sintomas psicóticos e a intensidade deles ▪ Transtorno do espectro autista = 20% de chance de ter esquizofrenia: isolamento social, prejuízo na linguagem, sociabilidade (tendem a não demonstrar empatia → embotamento afetivo) Kurt Schneider (a partir de 1920...) ▪ Ampliou critérios de diagnóstico do paciente com esquizofrenia ▪ Sintomas de primeira ordem: 1. Percepção delirante 2. Alucinações auditivas que comentam a própria atitude 3. Alucinações auditivas que dialogam entre si 4. Sonorização ou Eco do pensamento 5. Vivência de influência corporal 6. Roubo do pensamento 7. Vivência de influência sobre o pensamento (alterações do eu) 8. Difusão ou irradiação do pensamento (alterações do eu) ▪ Sintomas de segunda ordem: ✓ Delírios ✓ Alucinações ✓ Perplexidade ▪ OBS: 5 a 8% da população pode ter alguma vez na vida delírio ou alucinação Karl Jaspers (1883-1969): ▪ IMPORTANTE ▪ Descreve as Fases do delírio ✓ Trema: pré-surto Desorganização: sofre de angustia, ansiedade ✓ Apofania: revelação Convicção de uma ideia ✓ Fase apocalíptica: desorganização, perda de sentido com o mundo Fase do surto ✓ Consolidação: estabilização, finalmente me deixaram em paz. ✓ Fase residual: distanciamento, isolamento Epidemiologia Prevalência da esquizofrenia: 1% Sexo: Gênero masculino: mais precoce Gênero feminino: mais tardio Hipótese de que o estrogênio é fator de proteção, reduz a sensibilidade dos receptores D2 Razão M:F = 1,4 25% dos leitos de hospitais psiquiátricos. 50% das admissões Está entre as 10 principais causas de incapacidade no mundo (Obs.: depressão, alcoolismo, bipolar e TOC são as incapacidades psiquiátricas mais comuns) Esquizofrenia é doença do neurodesenvolvimento: ▪ Início intra-útero, fase de migração dos neurônios ▪ Ao longo da vida torna-se doença neurodegenerativa (piora quanto maior o número de surtos e se houver atraso no tratamento1/3 tem história familiar positiva → parentes de primeiro e segundo grau Concordância entre parentes de primeiro grau = 10-15%; entre gêmeos MZ 40-50%. Fatores de Risco Rubéola no 1º trimestre: risco 10 a 20x maior) Influenza no 1º trimestre: risco 7x; no 2º trimestre: risco 3x Toxoplasmose: risco 2,5x Meio urbano Segunda geração de imigrantes Abuso e trauma na infância Uso de cannabis: aumenta de 7 a 13x a chance; quanto mais precoce, intenso e frequente for o uso, pior Deficiência de vitamina D OBS: COMT metaboliza a dopamina → mutação valina-valina aumenta o risco se comparada a mutação metionina-metionina Altas taxas de suicídio: ▪ 10% de chance ao longo da vida, maior risco no 1º mês de tratamento Fisiopatologia Não tem sintoma patognômico Pode ser encontrado como achados: ▪ Alargamento dos ventrículos, atrofia cortical, reduções volumétricas do sistema límbico (hipocampo), córtex frontal e temporal ✓ NÃO é patognomônico: tem na depressão também, por exemplo Principais neurotransmissores: dopamina, serotonina, glutamato, GABA → não é que está em falta ou em alta, é apenas um distúrbio nessas vias Quanto mais surtos, mais lesões cerebrais Hipótese Dopaminérgica Fase aguda (sintomas positivos): hiperatividade DA na via mesolímbica receptores D2 Fase crônica (sintomas negativos): hipoatividade DA na via mesocortical receptores D1 Alterações patológicas nas seguintes vias: 1. Via mesolímbica: origem dos sintomas positivos (hiperatividade DA em algumas áreas) 2. Via mesocortical: origem dos sintomas negativos e distúrbios cognitivos (disfunção executiva) (hipoatividade DA em algumas áreas) 3. Via nigroestriatal: sintomas motores, acatisia (inquietude), distonia. DA inibe a atividade da ACh 4. Via tuberoinfundibular: DA regula a liberação de prolactina (bloqueio DA = hiperprolactinemia, ginecomastia, galactorreia, diminuição da libido, disfunção menstrual) → sintomas hormonais Hipótese Glutamatérgicas Hipoativação do receptor NMDA, levam a uma Hiperativação da via dopaminérgica mesolímbica OBS: Esse tópico é muito importante Sintomatologia Clássica Sintomas positivos: 1. Delírios 2. Alucinações Sintomas negativos: 1. Alogia: falta de lógica 2. Embotamento afetivo ou afeto plano 3. Abulia: falta de vontade 4. Anedonia: falta de prazer 5. Isolamento social 6. Apatia Desorganização do pensamento: ▪ Alteração formal: laços associativos frouxos e com perda de lógica, discurso tangencial, circunstancial e incoerente ▪ Alteração positiva: neologismo e descarrilamento ▪ Alteração negativa: pensamento concreto, falta de espontaneidade → indivíduo enxergar tudo muito ao pé da letra, não entender metáforas, ironias e sacarmos, a pessoa entende tudo de forma muito literal Sintomas agressivos/hostis: paciente acredita muito na sua crença, o que pode deixa-lo perturbado, gerando agressividade Sintomas de humor: depressão (no pródromo, na fase aguda e depressão pós psicótica), ansiedade; suicídio; piora com uso de drogas (acentua os extremos do humor) Sintomas motores: lentificação, hiperatividade, catatonia (paciente fica parado), catalepsia (paciente cai) Sintomas cognitivos: déficit de atenção (distrabilidade), disfunção executiva, perda da memória de trabalho Delírio polimórfico = temas inconsistentes e contraditórios, que mudam em breves unidades de tempo. Se contrapõe ao delírio sistematizado ou paranoia, porque no delírio sistematizado o paciente encaixa/organiza bem o delírio com a realidade (paciente consegue trazer um pouco de lógica), já no polimórfico não → um dos sintomas bizarros ATENÇÃO! NÃO exige obrigatoriamente sintomas bizarros para ser considerado esquizofrenia Fases da Esquizofrenia Percepção vai sendo alterada ao longo do tempo: gatos de Wain (exemplo do pintor) As fases são: ▪ Fase pré-mórbida: atraso no desenvolvimento neuropsicomotor ▪ Fase prodrômica; adolescentes reclusos, trema, etc... ✓ Trema: fase se estranheza → não consegue expressar o que está sentindo direito ✓ Tratar com doses menores, PRECOCEMENTE ▪ Fase progressiva: surtos ▪ Fase crônica ou até a recuperação funcional: paciente não fica zerado como era antes do transtorno – Jonh Nash do filme uma mente brulhante Traços de personalidade que podem aumentar o risco de esquizofrenia: ✓ Transtorno esquizoide: isolado, recluso ✓ Transtorno esquizotípica: estravagante → Lady Gaga Dentre os traços de personagem, o que tem mais chances de desenvolver esquizofrenia é o esquizotipo As fases: ✓ SEMPRE há perda de funcionalidade ✓ Nunca retorna ao nível pré-morbido que a pessoa tinha antes ✓ Há perda progressiva de tecido cerebral ✓ Tratamento precoce: atenuar os efeitos da perda de funcionalidade DSM-5 1) Transtorno Delirante 2) Transtorno Psicótico Breve (1 Dia A 1 Mês) ✓ Recuperação Completa. 3) Transtorno Esquizofreniforme (1 Mês A 6 Meses) 4) Esquizofrenia (> 6 Meses) ✓ Prejuízo Funcional Progressivo 5) Transtorno Esquizoafetivo 6) Transtorno Psicótico Induzido Por Substância 7) Catatonia (*Associada a qualquer outro transtorno mental) Esquizofrenia Critérios Diagnósticos A) Sintomas: pelo menos dois desses por 1 mês (pelo menos 1 precisa ser 1, 2, ou 3) 1. Delírios 2. Alucinações 3. Discurso desorganizado 4. Comportamento totalmente desorganizado ou catatônico 5. Sintomas negativos ATENÇÃO! PODE ter esquizofrenia sem delírios ou alucinações B) Prejuízo funcional ou social C) Distúrbio persiste no mínimo por 6 meses: critério temporal ▪ Critério temporal é um dos critérios que diferencia os transtornos ▪ Paciente continua com sintomas residuais D) Esquizoafetivo e Transtorno de humor foram descartados E) Transtorno orgânico ou induzido por substância foi descartado F) Se houver transtorno do neurodesenvolvimento, só será também esquizofrenia se houverem alucinações ou delírios proeminentes Transtorno Psicótico Breve A. Um ou mais dos seguintes sintomas: 1. Delírios 2. Alucinações 3. Fala desorganizada (ex., descarrilhamento ou incoerência frequente) 4. Comportamento altamente desorganizado ou catatônico Obrigatório pelo menos 1 dos sintomas 1, 2, ou 3 A. A duração de um episódio do distúrbio é pelo menos de um dia e não mais que um mês, com eventual retorno total ao nível pré-mórbido de funcionamento. ✓ Com ou Sem Estressor(es) Marcante(s) ✓ Com Início Pós-parto: quando o início ocorre dentro de 4 semanas pós-parto OBS: 1 dia a 1 mês, com RECUPERAÇÃO COMPLETA → único com recuperação completa Transtorno Esquizofreniforme A. Satisfaz critérios A, D, E e F de Esquizofrenia: exceto critério temporal B. O episódio do distúrbio (incluindo fases prodrômicas, ativa e residual) dura menos de seis meses Recuperação do nível pré-mórbido pode ocorrer, mas não é citada como um achado Sinais que indicam bom prognóstico: início abrupto, perplexidade, boa funcionalidade e socialização pré-mórbidos, sem alterações do afeto ▪ 2 ou + é bom prognóstico ▪ < 2 é mau prognóstico ▪ O mau prognóstico não é tão ruim igual na esquizofrenia Transtorno Esquizoafetivo A. Um episódio durante o qual há um episódio depressivo maior ou episódio maníaco simultâneo com sintomas psicóticos que satisfazem o critério A para Esquizofrenia. B. Durante o mesmo episódio, houve um período de delírios ou alucinações durante pelo menos duas semanas na ausência de sintomas de humor proeminentes. ✓ Pacientes tem sintomas de humor proeminentes, mas tem período de pelo menos 2 semanas SEM sintomas de humor ✓ Diferente de pacientes com transtorno depressivo maior que apresenta sintomas psicóticos ou paciente com transtorno bipolar com sintomas psicóticos C. Sintomas de humor estão majoritariamentepresentes durante a fase ativa e residual Pode ser: ▪ Tipo Bipolar ▪ Tipo Depressivo No TAB, os delírios e alucinações ocorrem exclusivamente durante o período de alteração afetiva e tendem a ser congruentes com humor Os esquizoafetivos apresentam maior perda funcional; sintomas negativos mais intensos, sintomas depressivos mais graves e maior duração dos sintomas psicóticos que no TAB ✓ Tem sintomas psicóticos SEM congruência com sintomas de humor por um período ✓ No TAB todo sintoma psicótico está associado a alterações do humor História familiar de esquizofrenia é mais frequente no esquizoafetivo. OBS: ➢ Mania > 1 semana, COM comprometimento funcional ou social ➢ Hipomania > 4 dias, SEM comprometimento funcional ou social ➢ Se houver sintoma psicótico, obrigatoriamente será Mania ➢ Depressão > 2 semanas. Durante estudo longitudinal de 2 anos com pacientes com diagnóstico inicial de esquizoafetivo, somente 36% (12/33) mantiveram o diagnóstico de transtorno esquizoafetivo ▪ Por isso a avaliação deve ser seriada: tempo de observação longitudinal permite avaliar nuances que não foram avaliadas anteriormente Outro trabalho constatou que após dois anos o diagnóstico de transtorno esquizoafetivo muda para transtorno depressivo em 26%; para TAB em 17% e para esquizofrenia em 8% ▪ Colocar HD (hipótese diagnóstica): nunca afirmar de primeira Estudo retrospectivo de 5 anos com 61 pacientes com diagnóstico prévio de esquizoafetivo, 61% foram posteriormente classificados como TAB Num grande estudo com 500 pacientes com transtornos psicóticos, o diagnóstico de transtorno esquizoafetivo foi o que mudou mais vezes ao longo de 2 anos, em torno de 53% Transtorno Delirante Persistente A. Delírios (alteração do conteúdo do pensamento) por mais um mês B. Ausência de outras características da fase ativa da Esquizofrenia (não preenche o critério A) ✓ Se há alucinações, não são proeminentes e são congruentes com o delírio ✓ A pessoa tem delírio, ou seja, alteração no CONTEÚDO do pensamento C. Além do impacto dos delírios ou suas ramificações, o funcionamento não é marcantemente prejudicado e o comportamento não é obviamente estranho ou bizarro → a pessoa consegue ir tocando a vida dela, consegue trabalhar SUBTIPOS: ▪ Subtipo persecutório: mais frequente ✓ IMPORTANTE ▪ Subtipo ciumento: mais comum em indivíduos do sexo masculino ▪ Erotomaníaco (Clerambault) ▪ Ciumento (Otelo) ✓ IMPORTANTE ▪ Somático (Ekbom):. Infestação, alucinações táteis) ▪ Sensitivo de Kretschmer: hipersensível, se sente inferior, sente que as pessoas não gostam dele ▪ Dismorfofobia: não tem crítica, como no transtorno dismórfico corporal, do TOC ▪ Delírio Heautoscópico: acredita ser 2 sujeitos; estar em 2 lugares ao mesmo tempo ▪ Cotard (= ECT): paciente acredita que está morto ou em decomposição ✓ Tratamento: eletroconvulsoterapia → pouca resposta ✓ IMPORTANTE ✓ Sintoma antecipatório de doenças neurodegenerativas ✓ É raro ▪ Charles Bonnet: alucinose visual em pacientes com perda progressiva da visão, com insight positivo, responde à psicoeducação ▪ Capgras: parente foi substituído por outra pessoa; dissociação entre memória visual e afeto ▪ Fregoli: pessoas próximas mudaram de aparência, se disfarçaram de outros, para o perseguir ▪ Intermetamorfose: “meu perseguidor se transformou na minha esposa, mas a esposa existe e está em outro lugar” NÃO há prejuízo funcional marcante e não há alucinações frequentes ▪ Se tiver alucinações serão congruentes com o tema do delírio Prevalência ao longo da vida: 0,2 – 0,3% Sem diferenças de gênero na frequência geral do transtorno delirante Pouco diagnosticado porque os pacientes não procuram assistência → paciente tem uma crença inabalável, para ele não tem nenhuma doença Incidência: 1-3 casos / 100.000 pessoas/ano Cerca de 4% da admissões psiquiátricas / ano Idade média de início: 40 anos (entre 18 e 90 anos) Muitos acometidos são casados e tem emprego → pessoas tem um ambiente saudável e agradável Fatores de risco: ▪ Ser imigrante ▪ Ser membro de uma minoria étnica ▪ Surdez ▪ Traços de personalidade: pessoas muito sensíveis, cautelosas em seus relacionamentos, que se ofendem facilmente ▪ Anormalidades físicas, diferenças sociais ou culturais em relação ao meio ▪ Ser solteiro, divorciado ou viúvo Transtorno Psicótico Partilhado: Folie a deux A. Um delírio se desenvolve em um indivíduo no contexto de um relacionamento próximo com outra(s) pessoa(s) que apresenta um delírio já estabelecido. B. O delírio é semelhante em conteúdo à pessoa que já apresenta o delírio estabelecido. C. Não se explica por um outro Distúrbio Psicótico. Psicose na Infância Catatonia e delírios sistematizados são raros Antes dos 13 anos = 0,9/10.000; antes dos 18 anos = 17,6/10.000 Esquizofrenia de início na infância é co-mórbido com transtorno invasivo do desenvolvimento em 30 a 50% dos casos 16% dos transtornos invasivos do desenvolvimento com retardo mental preenchem critérios para esquizofrenia Existe uma relação entre transtorno do desenvolvimento e a Esquizofrenia Autismo é fator de risco para esquizofrenia: 8% autistas tem esquizofrenia; 34% de autismo atípico tem esquizofrenia ATENÇÃO! Jovem hebóide: é aquele indivíduo que começa a manifestar pensamentos agressivos, impulsivos, pensamentos desorganizados, abuso de substâncias, tendência a infração, afeto alterado → pior prognóstico Esquizofrenia no Idoso: Parafrenia Tardia Parafrenia tardia (> 65 anos); esquizofrenia tardia (> 40 anos) 12,6 indivíduos/ 100.000 habitantes/ano para esquizofrenia tardia Prevalência na comunidade acima de 65 anos: 0,1% a 0,5%. Personalidade preservada; praticamente não tem sintomas negativos ▪ Mais comum nas mulheres: perda do fator de proteção (estrogênio) ▪ Mais delírios que alucinações ▪ Poucos sintomas afetivos (como alogia – falta de lógica, apatia ou embotamento) ▪ Poucos sintomas cognitivos ou catatônicos; pensamento mais organizado Genética familiar influencia mais na esquizofrenia de início precoce do que na esquizofrenia tardia Déficits auditivos e visuais ligados a alucinações Delírios persecutórios = 90%; alucinações auditivas = 65% Cognição: prejuízo na atenção. Difere do transtorno delirante pois na parafrenia/esquizofrenia tardia são delírios mais bizarros Difere do Delirium pois este tem início abrupto e tem alteração da consciência Difere do Alzheimer pois neste há comprometimento da memória Difere do Lewy pois este tem Parkinsonismo e é flutuante Tratamento Principal classe de fármaco para tratamento: Neurolépticos (antipsicóticos) Hipótese Dopaminérgica Receptores de dopamina: ▪ D1 e D5 = excitatórios ▪ D2, D3, D4 = inibitórios Hipoatividade D1 no córtex pré-frontal (via mesocortical) ▪ Sintomas negativos e cognitivos: apatia, embotamento afetivo, disfunção executiva → sintomas de embotamento afetivo Hiperatividade D2 subcortical e límbica (via mesolímbica) ▪ Sintomas Positivos: alucinações, delírios, agitação psicomotora → sintomas produtivos Via mesocortical: ▪ Sintomas negativos e cognitivos, disfunção executiva Via mesolímbica: ▪ Sintomas positivos: alucinações, delírios, agitação psicomotora Via nigroestriatal: ▪ Está envolvida na regulação do movimento ▪ Hipoatividade: Parkinson, rigidez, bradicinesia, tremores, acatisia, distonia. Via tuberoinfundibular ▪ A mais curta ▪ Dopamina inibe a liberação de prolactina ▪ Bloqueio dopaminérgico Vias Dopaminérgicas Via mesocortical ▪ Projeções da área tegmentar ventral para o córtex pré-frontal ▪ Cognição e funções executivas (CPFDL), emoções e afeto (CPFVM) ▪ Hipofunção da via mesocortical está relacionada aos sintomas cognitivose negativos da esquizofrenia (hipoativação D1) Via mesolímbica ▪ Projeções da área tegmentar ventral para o núcleo accumbens ▪ Motivação, emoções, recompensa, sintomas positivos da esquizofrenia ▪ O antagonismo D2 REDUZ os sintomas positivos da esquizofrenia Via nigroestriatal ▪ Projeções da substância negra ao corpo estriado ▪ Estímulo aos movimentos voluntários ▪ O antagonismo D2 induz sintomas extrapiramidais (pseudoparkinsonismo) Via Tuberoinfudibular ▪ Projeções do hipotálamo para a região infundibular ▪ Dopamina é depositada na circulação porta ▪ Dopamina inibe a secreção de prolactina Antipsicóticos Típicos O antagonismo D2 leva à hiperprolactinemia São antagonistas do receptor de dopamina D2 São classificados como de alta potência e baixa potência Os antipsicóticos de alta potência se ligam ao receptor D2 com elevada afinidade. ▪ Ex.: Haloperidol (Haldol), Flufenazina (Anatensol), Pimozida (Orap) Os antipsicóticos de baixa potência tem menos afinidade para os receptores D2, mas tendem a interagir com os outros receptores não dopaminérgicos, resultando em efeitos adversos mais cardiotóxicos e anticolinérgicos. ▪ Ex.: Clorpromazina (Amplictil), Levomepromazina (Neozine), Tioridazina (Melleril) ▪ Efeitos adversos podem ser usados a favor do paciente para gerar efeito terapêutico, como a utilização de clorpromazina para sonolência Antipsicóticos Atípicos: 2ª geração Os antipsicóticos atípicos são antagonistas da serotonina e da dopamina. Eles são considerados atípicos na forma como eles afetam a neurotransmissão de dopamina e a de serotonina nas quatro principais vias dopaminérgicas no cérebro. ▪ Ex.: Clozapina (Pinazan), Risperidona (Risperdal), Quetiapina (Seroquel), Olanzapina (Zyprexa), Aripiprazol (Aristab) Efeitos Terapêuticos Bloqueio 5HT2: Melhora de sintomas negativos Bloqueio D: Efeito antipsicótico Bloqueio M: Efeito anticolinérgico Bloqueio alfa: Efeito hipotensor Bloqueio H1: Sedação Antipsicóticos e Doses Tradicionais de alta potência Doses diárias em mg/dia: ✓ Haloperidol (Haldol): 5-15 ✓ Flufenazina (Anatensolo) 2-20 ✓ Pimozida (Orap): 2-6 Tradicionais de média potência Doses diárias em mg/dia: ✓ Trifluoperazina (Stelazine): 5-30 Tradicionais de baixa potência Doses diárias em mg/dia: ✓ Clorpromazina (Amplictil): 200-1200 Mais antigo e mais efetivo para tratamento para pacientes refratários ✓ Levomepromazina (Neozine): 200-800 ✓ Tioridazina (Melleril): 150-800 Atípicos Doses diárias em mg/dia: ✓ Sulpirida (Equilid®) 200-1000 ✓ Clozapina (Leponex®) 300-900 ✓ Risperidona (Risperdal®) 2-8 ✓ Olanzapina (Zyprexa®) 10-20 ✓ Quetiapina (Seroquel®) 300-750 ✓ Aripiprazol (Abilify®) 6-30 MG Efeitos Adversos SEP: Síndrome Extrapiramidal SNM: Síndrome neuroléptica maligna Abordagem da Esquizofrenia Quanto menos surtos, menos pior o prognóstico Tratamento Tratamento do primeiro episódio: primeiro surto Antipsicótico TÍPICO de primeira geração por 4-6 semanas Exemplo: iniciar com Haldol ▪ Se NÃO houver melhora, trocar (melhora 70%) Troca para segunda linha: típico ou atípico ▪ Se em mais 4-6 semanas não melhorar, é REFRATÁRIA = iniciar Clozapina. Refratária = não funciona após a segunda tentativa. 30% são refratários Não se usa a Clozapina de primeira porque o cérebro do esquizofrênico no primeiro surto é diferente, e por isso ela não funciona muito no primeiro surto Em pacientes com esquizofrenia de Início insidioso pode utilizar primeira ou segunda geração como tratamento inicial Esquizofrenia super refratária (10%): ▪ Tratamento: eletroconvulsoterapia + associação medicamentosa Clozapina associada a Lamotrigina (200mg ou mais) + ECT OU (pouca evidência) associar Aristab, Riss ou Amissulpirida OU (pouca evidência) associar lítio. Lítio + clozapina = neurotoxicidade, mas protege contra leucopenia Estudos mais fracos: topiramato, ácido valpróico, ômega 3, memantina Tabagismo diminui nível sérico do Haldol e da Clozapina Tratamento indicado para esquizofrenia super refratária: eletroconvulsoterapia Clozarpina Iniciar dose baixa (porque os efeitos adversos são sedação e hipotensão importantes) 12,5-25mg. Aumentar 25mg a cada 2-3 dias. Troca gradual em duas semanas. Dose máxima: 900mg/dia Risco de agranulocitose = 1% Efeitos adversos raros: cardiomiopatia ou miocardite eosinofílica (= ICC aguda) Efeitos adversos comuns: metabólicos, elevação de transaminases ▪ Utilizado em caso de hiper-refratário ▪ Controle seguiado por risco de granulocitose Associações contra-indicadas: Carbamazepina, Propiltiouracil (aumenta chances de agranulocitose), captopril (aumenta a toxicidade do captopril) 95% das agranulocitoses ocorrem nos primeiros 6 meses. 70% ocorrem nas primeiras 18 semanas Para tratar a sialorréia: colírio de atropina, buscopam Efeito adverso benigno: leucocitose Primeiras 18 semanas: neutrófilos <1500 ou leucócitos <3000 = suspender; Após 18 semanas: neutrófilo <1000 ou leucócitos <2500 ou plaquetas <50.000 = suspender O risco de agranulocitose não é dose-dependente A diminuição do limiar convulsígeno é dose- dependente (principalmente acima de 400mg). Tratamento da agranulocitose: suspensão gradual da clozapina. Se suspender de forma abrupta faz síndrome colinérgica (bradicardia, miose, hipersalivação, diarreia, vômitos). Se tiver neutrófilos < 500 não voltar com a clozapina; caso contrário, voltar após 30 dias Síndrome Neuroléptica Maligna ▪ Efeito adverso causado pelo uso de qualquer antipsicótico ▪ Muito raro Incidência de 0,02 a 2,44% com neurolépticos típicos. Pelo DSM, 0,07 a 1,4%. QUADRO CLÍNICO: Rigidez muscular severa e hipertermia acompanhado rebaixamento do nível de consciência, diaforese, disfagia, tremor, incontinência, instabilidade postural, mutismo, sintomas autonômicos e evidências laboratoriais de lesão muscular – aumento de CPK. ✓ Rebaixamento do nível de consciência = emergência médica Embora não elucidada, o provável mecanismo fisiológico da SNM é o bloqueio súbito dos receptores D2 com a depleção aguda de dopamina ✓ Depleção aguda da dopamina nas vias Geralmente ocorre após 2 semanas do aumento ou introdução do neuroléptico ▪ NÃO contraindica antipsicóticos, mesmo apesar da síndrome neuroléptica ▪ Causada mais por antipsicóticos típicos (1ª geração) Achados clínicos: ✓ CPK elevado em 95% em torno de 16.000 UI ✓ Hipertermia de origem central em 90% dos casos ✓ Leucocitose de 10.000 a 20.000 cel/mm3 e aumento das transaminases hepáticas em 75% Ana Clara Milagres Transtornos do Neurodesenvolvimento Deficiência Inteletual Afastar-se de confiar exclusivamente em escores de QI e em usar medidas adicionais de funcionamento adaptativo Os critérios do DSM-IV exigiam um escore de QI de 70 como o ponto de corte para o diagnóstico Os novos critérios do DSM – 5 recomendam testes de QI e descrevem “déficits no funcionamento adaptativo que resultam em falhas no cumprimento de padrões de desenvolvimento e socioculturais para a independência pessoal e responsabilidade social”. Variabilidades de teste do QI não são confiáveis, porque são subjetivas e há interferência de fatores socioculturais Déficits na capacidade mental geral, envolvem: ✓ Raciocínio ✓ Solução de problemas ✓ Planejamento ✓ Pensamento abstrato ✓ Julgamento ✓ Aprendizagem Acadêmica ✓ Aprendendo com a experiência Esses são os atributos que devem ser avaliados no paciente com déficit intelectual Impactos do funcionamento adaptativo (prejuízos funcionais): ✓ Conceitual ✓ Social ✓ Prático: pragmatismo → capacidade de desenvolver atividades diárias Os déficits no funcionamento adaptativosão atendidos quando pelo menos um domínio de funcionamento adaptativo suporte contínuo para que a pessoa tenha um desempenho adequado em um ou mais cenários de vida Mudança de níveis de severidade ao longo da vida: ✓ As avaliações diagnósticas devem determinar se as habilidades adaptativas aprimoradas são o resultado de uma aquisição estável e generalizada de habilidades (nesse caso, o diagnóstico de deficiência intelectual pode não ser mais apropriado) ✓ Este aprimoramento depende da presença de apoios e intervenções contínuas (caso em que o diagnóstico de deficiência intelectual pode ser apropriado) → abordagem multidisciplinar Se o paciente possui capacidade de desenvolver suas características intelectuais ao longo do tempo, ele não tem deficiência intelectual ✓ Os três critérios devem ser preenchidos ✓ Se não é no período do desenvolvimento deve-se pensar em características adquiridas ✓ As vezes é possível descobrir deficiência intelectual na idade adulta quando o indivíduo irá realizar alguma atividade intelectual e não consegue atingir a meta ✓ Paciente com inteligência intelectual moderada no domínio social o risco é do indivíduo ser manipulado, principalmente na adolescência → paciente susceptível a criminalidade ✓ É importante saber a diferença entre esses domínios Atraso de Desenvolvimento Global Reservado para indivíduos com idade inferior a 5 anos Condição clínica na qual a criança não atinge os marcos de desenvolvimento esperados em várias áreas do funcionamento intelectual e não pode ser avaliada O nível de gravidade clínica NÃO pode ser avaliado de modo confiável durante a primeira infância Quando indivíduo fracassa ao atingir os marcos do desenvolvimento Não faz diagnóstico → não podem ainda ser avaliados pelos critérios Incapacidade Intelectual Não Especificada Este diagnóstico é apropriado para indivíduos com mais de 5 anos de idade, em que a avaliação formal é comprometida por deficiência física, como cegueira ou debilidades locomotoras Transtornos da Comunicação Distúrbios da comunicação incluem déficits na linguagem, fala e comunicação e incluem o seguinte: distúrbio de linguagem, distúrbio do som da fala, distúrbio de fluência na infância, distúrbio de comunicação social (pragmático) e outros distúrbios de comunicação especificados e não especificados Gagueira: disfenia Distúrbio = transtorno Transtornos da Linguagem Dificuldades na aquisição e uso de linguagem devido a déficits na compreensão ou produção de estrutura sentenciosa ou discurso do vocabulário Geralmente afeta vocabulário e gramática: ✓ As primeiras palavras e frases estão atrasadas; ✓ O tamanho do vocabulário é menor e menos variado ✓ Frases são mais curtas e menos complexas Diagnóstico é baseado na síntese da história do indivíduo, observações clínicas em diferentes contextos e pontuações de testes padronizados de habilidade de linguagem Encaminha ao fonoaudiólogo para fazer diagnóstico Os distúrbios de linguagem surgem durante o período inicia do desenvolvimento. Aos 4 anos de idade diferenças na habilidade de linguagem são mais estáveis e tipicamente persistem na idade adulta Quando a criança preenche os critérios para uma deficiência intelectual, o diagnóstico separado de Transtorno da Linguagem não é dado, a menos que os déficits linguísticos estejam claramente acima das limitações intelectuais Transtorno da Fala Dificuldade com o conhecimento fonológico dos sons da fala ou a capacidade de coordenar movimentos para a fala em diferentes graus. Diagnosticado quando a produção do som da fala não é o que seria esperado com base na idade da criança e no estágio de desenvolvimento ✓ Não é resultado de uma deficiência física, estrutural, neurológica ou auditiva ✓ Idade mental diferente da idade da fala O transtorno da linguagem pode co-ocorrer com o transtorno da fala ✓ O domínio da produção de sons da fala deve resultar em fala inteligível na maior parte do tempo ao redor dos idade 3 anos Transtorno da Fluência com Início da Infância (Gagueira Ou Disfemia) Distúrbios na fluência normal e no padrão de tempo da fala, bem como a ansiedade sobre as limitações de fala na comunicação eficaz e socialização Transtorno da fluência na infância PODE ocorrer aos 6 anos em até 80% dos indivíduos A severidade do distúrbio de fluência aos 8 anos de idade prediz recuperação ou persistência até a adolescência e além A evolução até 8 anos → recuperou boa parte, o prognóstico é bom Transtorno da Comunicação Social (Pragmática) Essa classificação foi criada para categorizar as crianças que têm déficits severos em comunicação social e interação, mas que não possuem os padrões de comportamento restritivo e repetitivo necessários para o TEA Quando paciente não preenche os critérios diagnóstico para o autismo Dificuldade em seguir as regras para as nuances sociais na comunicação, como as regras sociais para o discurso ou a incapacidade de seguir pistas não-verbais (intuições) Diagnóstico diferencial de TEA deve ser baseado na presença de padrões repetitivos / restritos de comportamento, interesses ou atividades Causa comprometimento do pensamento concreto, criança não entende metáfora → basicamente o domínio social, se mostra IMATURO nas relações sociais Paciente com inteligência intelectual moderada no domínio social o risco é do indivíduo ser manipulado, principalmente na adolescência → paciente susceptível a criminalidade Transtorno do Espectro Autista O embotamento afetivo do autismo é comum no transtorno do espectro esquizofrenia Quem é portador de autismo tem cerca de 9x mais chances de desenvolverem esquizofrenia → transtorno da esquizofrenia tem pontos relacionados aos transtornos do neuro desenvolvimento Paciente possui características e habilidades que o diferenciam da maioria É necessário procurar e ajudar as pessoas que são marginalizadas por causa disso Padrão intelectual está na média ou abaixo da média se não for estimulado da forma correta A mudança mais debatida e antecipada é a consolidação dos critérios do DSM-IV para Autismo - Asperger, transtorno desintegrativo da infância, e transtorno invasivo do desenvolvimento - sem outra especificidade - em uma categoria diagnóstica ÚNICA denominada transtorno do espectro autista (TEA) No DSM-V isso passou a ser especificado apenas para o espectro autista Critérios diagnósticos (características que definem o paciente com espectro autista): Para o TEA, os novos critérios identificam duas categorias principais de sintomas para o diagnóstico de TEA, em vez de três do DSM-IV, são elas: a) déficits na comunicação social e interação social; b) comportamento restritivo e padrões repetitivos A partir de dois anos já pode se identificar e desde então deve começar a estimular o paciente Níveis de severidade (nível de suporte que o paciente necessita): Os níveis de gravidade para ambos os sintomas principais indicam o nível de serviços de suporte requeridos por um paciente individual. Os três níveis são: a. “ Exige apoio” b. “Requerendo suporte substancial” c. “Requerendo suporte muito substancial” Especificadores incluem: ✓ Gravidade ✓ Com ou sem deficiência intelectual ✓ Com ou sem problemas de linguagem ✓ Associado a condições médicas ou genéticas conhecidas ou a fatores ambientais OBS: O diagnóstico de autismo está aumentando, porque os critérios de diagnósticos foram AMPLIADOS, a fim de não deixar de ninguém de fora, antes era muito subdiagnosticado Categoria inclusiva O espectro autista engloba transtornos anteriormente referidos como autismo infantil de início precoce, transtorno invasivo do desenvolvimentoN/E, transtorno desintegrativo da infância e transtorno (síndrome) de Asperger Prejuízos na comunicação e interação social são difusos e sustentados TEA e déficits na comunicação Os déficits latentes variam desde a completa falta de fala até atrasos de linguagem, ecolalia ou linguagem excessivamente literal (pensamento concreto) O uso da linguagem para comunicação social recíproca é prejudicado no TEA Os déficits na comunicação não-verbal incluem o uso ausente, reduzido ou atípico de contato visual, gestos, expressões faciais, orientação corporal ou entonação → incluem todos os tipos de comunicação não verbal que podemos ter Defictos de relacionamento interpessoal Déficits nas relações interpessoais devem ser julgados de acordo com as normas de idade, gênero e cultura a. Em crianças pequenas, muitas vezes há uma falta de brincadeiras sociais compartilhadas e a insistência em brincar com regras muito fixas → deve ser daquele jeito ou não funciona b. Dificuldades na compreensão da ironia, metáforas e mentiras (pensamento concreto) c. Às vezes uma preferência por se relacionar com pessoas muito mais velhas ou muito mais jovens do que elas Todos os déficits devem ser avaliados considerando as condições sociais e culturais do indivíduo Não pode rotular as características clínicas sem analisar os fatores subjetivos envolvidos Estereotipia É a parte motora Os comportamentos repetitivos estereotipados incluem comportamentos motores simples, como moedas ou canudos nas mãos, ou fala repetitiva Resistência à mudança e tendência a comportamento ritualizados → se sair fora do padrão, gera muito sofrimento, tudo deve ser muito engessado Muitos adultos com TEA sem comprometimento intelectual ou deficiências de linguagem aprendem a suprimir o comportamento repetitivo em público, logo, a história da infância de tais sintomas DEVEM ser avaliadas Indicadores de diagnóstico de TEA Os sintomas são normalmente reconhecidos a partir do segundo ano de vida Deve-se procurar atrasos no desenvolvimento inicial ou qualquer perda de habilidades sociais ou de idiomas Um “sinal vermelho” para o TEA é a deterioração dos comportamentos sociais ou o uso da linguagem durante os primeiros dois anos de vida para alguns indivíduos → como se o indivíduo conquistasse uns marcos do desenvolvimento e depois “perdesse” eles ✓ As habilidades conquistadas são prejudicadas pelas vias patológicas que surgiram depois Os primeiros sintomas de TEA envolvem atraso no desenvolvimento da linguagem e / ou falta de interesse ou interações sociais fora da rotina Progressões de desenvolvimento TEA não é um distúrbio degenerativo - os ganhos de desenvolvimento são típicos na infância tardia Apenas uma minoria de indivíduos com TEA vivem e trabalham de forma independente na idade adulta, e aqueles que evoluem dessa forma tendem a ter habilidades linguísticas ou intelectuais superiores. Diagnóstico diferencial de TEA TEA é 4x mais prevalente em homens do que mulheres Quando um indivíduo apresenta prejuízo na comunicação social, mas não comportamento ou interesses restritivos e repetitivos, transtorno de comunicação social (pragmática) deve ser questionado Deficiência intelectual é o diagnóstico apropriado quando não há aparente discrepância entre o nível de habilidades sócio-comunicativas e outras habilidades intelectuais TDAH deve ser considerado quando os sintomas de TDAH excedem os tipicamente vistos em indivíduos com idade mental comparável Critérios Diagnósticos – DSM – 5 ✓ Déficits na comunicação e interação social: 1, 2 E 3 ✓ Deve ter essas características em diversos contextos ✓ Adesão INFLEXÍVEL a rotinas e padrões ✓ Sofrimento extremo a mudança de pensamentos → não é teimosia, é uma crença absoluta para ele ✓ Hipo ou hiper-reatividade a barulhos, luz, sensibilidade a determinadas texturas ✓ Não confundir com deficiência intelectual Tratamento Abordagem não farmacológica: Necessário fornecer estímulos Precisa de uma Abordagem multidisciplinar Comportamental, educacional, psicológica ✓ Fonoaudiologia ✓ Psicoterapia ✓ Terapia Ocupacional ✓ Fisioterapia Abordagem medicamentosa: Para tratar sintomas que causam prejuízo funcional ou as comorbidades Combinações são feitas para obter melhor resultado terapêutico a) Tratamento simultâneo com 2 ou mais AP (Risperidona, Aripiprazol, Ziprasidona): Agitação/irritabilidade Agressividade física Autoagressividade b) ISRS (Fluoxetina, Citalopram, Escitalopram): Comportamentos repetitivos Compulsões c) Estimulantes (Metilfenidato): Hiperatividade Mesma coisa que usa no tratamento para TDAH d) Agonistas alfa-2 (Clonidina): Desatenção Hiperatividade Impulsividade TDAH - Trastorno de Dificit de Atenção / Hiperatividade É uma condição do indivíduo Padrão de desatenção e / ou hiperatividadeimpulsividade Hiperatividade refere-se a atividade motora excessiva Impulsividade refere-se a ações que ocorrem sem previsão e resultam em um alto potencial de dano (processo volitivo comprometido) Comportamentos impulsivos podem se manifestar como intrusão Com a hiperatividade a função psíquica prejudicada é a psicomotricidade Com a compulsão a função psíquica prejudicada é vontade Critérios diagnósticos e características associadas TDAH começa na infância e os sintomas devem estar presentes antes dos 12 anos Os sintomas devem estar presentes em mais de um ambiente → não somente na escola Normalmente, os sintomas variam dependendo do contexto dentro de cada ambiente Atrasos leves na linguagem, desenvolvimento motor ou social geralmente co-ocorrem com o TDAH → porque o indivíduo talvez não absorve os estímulos que irão favorecer seu neurodesenvolvimento Características associadas podem incluir baixa tolerância à frustração, irritabilidade ou instabilidade emocional (ATENÇÃO!!!) → isso pode aparecer no transtorno afetivo bipolar Hipotenacidade é déficit de atenção Distraibilidade é de transtorno do humor Prevalência de TDAH TDAH ocorre na maioria das culturas em cerca de 5% das crianças e em cerca de 2,5% dos adultos É 2x mais prevalente em homens que em mulheres → é decorrente do efeito desestabilizador da testosterona As mulheres são mais propensas do que os homens para apresentar principalmente características desatentas Padrões de desenvolvimento Mais geralmente são diagnosticados em crianças O distúrbio é relativamente estável durante a adolescência, mas alguns desenvolvem sintomas de distúrbio de conduta (ATENÇÃO!!!) → distúrbio de conduta é um transtorno do impulso, predispõe traços que a criança irá ter na idade adulta Na idade adulta, juntamente com desatenção e inquietação, a impulsividade pode permanecer problemática mesmo quando a hiperatividade diminui (ATENÇÃO!!!) Diagnóstico diferencial do TDAH Com transtorno desafiador de oposição pode ser complicado, porque alguns indivíduos com TDAH desenvolvem atitudes/respostas secundárias em relação a tarefas que são desafiadoras e requerem atenção O Transtorno Explosivo Intermitente reflete uma séria tendência de agressão contra os outros, o que não é uma característica clássica do TDAH. Crianças com TDAH podem causar mudanças significativas no humor no mesmo dia (!!!); tal flexibilidade é distinta de um episódio maníaco, que deve durar 4 ou mais dias O transtorno bipolar é RARO em préadolescentes, mesmo quando a irritabilidade grave e a raiva são proeminentes. Neste caso, predominam os sintomas psicossomáticos As crianças com TDAH também podem ser diagnosticadas com Transtorno disruptivo da desregulação do humor DSM – V: critérios de diagnóstico Precisa ter um padrão dedesatenção e/ou hiperatividade/impulsividade Desatenção é necessário de ter 6 meses e 6 ou mais dos sintomas descritos Critérios diagnósticos são muito amplos É preciso ter um padrão de prejuízo social, cognitivo, funcional em pelo menos dois ambientes Tratamento Estimulantes: Metilfenidato (ritalina), Lisdexanfetamina (Vevance) Antidepressivos: Bupropiona, Venlafaxina Imipramina Agonistas alfa-2: Clonidina Tratamento do TDAH é continuo, não deve parar nas férias, por exemplo Transtorno Específico do Aprendizado A consolidação de distúrbios de aprendizagem separados que apareceram no DSM-IV - distúrbio de leitura, desordem matemática e desordem da expressão escrita - foram UNIDOS em um diagnóstico chamado distúrbio específico de aprendizado Dificuldades para aprender e usar habilidades acadêmicas em leitura, escrita e matemática Pode incluir déficits de reconhecimento, compreensão e fluência Dificuldade de aprender conhecimentos acadêmicos específicos Os distúrbios de aprendizagem não podem ser melhor explicados por deficiência intelectual, déficits visuais ou auditivos, deficiências neurológicas ou oportunidades educacionais inadequadas (!!!) → paciente precisa ter PROBLEMA para fazer aquilo, é diferente de outros, a pessoa não consegue aprender aquela área acadêmica específica Especificadores Cada área acadêmica que é prejudicada deve ser especificada A gravidade (leve, moderada, severa) também deve ser especificada para cada domínio prejudicado Se trata de um distúrbio neurológico com uma origem biológica que é a base de anomalias a nível cognitivo Tem certo critério de herdabilidade envolvido Considerações diagnósticas de transtornos específicos de aprendizagem Não é simplesmente uma consequência da falta de oportunidade ou de uma instrução inadequada. O desempenho do indivíduo nas habilidades acadêmicas afetadas está bem abaixo da média para a idade Eles são tipicamente aparentes nos primeiros anos escolares. Os distúrbios de aprendizagem específicos afetam a aprendizagem em indivíduos que, de outra forma, demonstram níveis normais de funcionamento intelectual, e podem ocorrer em intelectualmente talentosos (celulares, computadores, música...) → criança entende tudo de computador e não consegue entender matemática, por exemplo O diagnóstico é feito com base na história médica, de desenvolvimento, educacional e familiar Um perfil desigual de habilidades acadêmicas é comum Prevalência e prognóstico Os transtornos de aprendizagem afetam de 5 a 15% das crianças em idade escolar A prevalência em adultos é de 4% É mais comum em homens do que em mulheres (2:1-3:1) Distúrbio específico de aprendizagem é vitalício A comorbidade com o TDAH é preditiva de pior desfecho de saúde mental do que a associada sem TDAH A instrução individualizada pode melhorar ou melhorar as dificuldades de aprendizagem em alguns indivíduos DSM – V: critérios de diagnóstico Os critérios estão presentes no quadro a seguir Transtornos Motores São eles: ➢ Transtorno do desenvolvimento da coordenação ➢ Transtorno de Movimento Estereotípico ➢ O Transtornos de Tique 1. Transtorno Do Desenvolvimento Da Coordenação Adulto estabanado Habilidades prejudicadas que exigem coordenação motora, interferindo significativamente no desempenho de atividades diárias (vestir-se, comer, usar ferramentas específicas, esportes, etc.); pode afetar habilidades motoras grossas e finas Normalmente não diagnosticado antes dos 5 anos de idade Comorbidades: Se a deficiência intelectual está presente, as dificuldades motoras são superiores às esperadas para a idade mental Tanto o TDAH quanto o TEA podem ser diagnosticados com Transtorno do Desenvolvimento da Coordenação Problemas de coordenação não são melhores atribuíveis à falta de atenção ou impulsividade A pessoa realmente tem problema na coordenação de movimentos finos ou grossos 2. Transtorno do movimento estereotipado Comportamento motor repetitivo, aparentemente dirigido e sem propósito Especifique com ou sem comportamento autoagressivo Especifique com uma condição médica conhecida, desordem de neurodesenvolvimento ou fator ambiental Especifique se é leve, moderado ou grave Diagnóstico diferencial: Quando o TEA está presente, o distúrbio do movimento estereotípico é diagnosticado somente quando há autolesão ou os comportamentos pré- estereotipados são o foco do tratamento Os estereótipos têm uma idade de início mais precoce (antes dos 3 anos) do que os tiques, que têm uma idade média de início entre os 5-7 anos) Eles são mais consistentes e fixados em seus padrões em comparação com os tiques 3. Transtorno de Tique Pode ser: ✓ Síndrome de Tourette ✓ Transtorno de Tique Motor ou Vocal Persistente ✓ Transtorno de Tique Transitório O diagnóstico de qualquer transtorno do tique é baseado na presença de sintomas motores e/ou vocais DSM-V os critérios de diagnóstico estão no quadro abaixo: ✓ Movimento rápido, repentino, recorrente e não ritmado Diagnóstico diferencial: Os sintomas de tiques não podem ser atribuídos aos efeitos fisiológicos de uma substância ou de outra condição médica. Ter encontrado previamente critérios diagnósticos para o distúrbio de Tourette nega um possível diagnóstico de tiques persistentes ou distúrbio de tiques vocais. Diferenciar os tiques dos comportamentos de TOC pode ser difícil, mas o TOC geralmente tem uma motivação baseada na cognição e requer comportamentos repetidos igualmente em ambos os lados do corpo Os comportamentos aparecem mais direcionados para objetivos. (pensamentos obsessivos e rituais compulsivos objetivando a neutralizar ou diminuir a ansiedade provocada por tais pensamentos) a) Transtorno de Tourette (Síndrome de Gilles de la Tourette) De la Tourette notou em diversos pacientes uma síndrome que incluía múltiplos tiques motores, coprolalia e ecolalia Tiques vocais simples: tossir, pigarrear, grunhir, fungar, roncar e latir Tiques vocais complexos: repetição de palavras ou frases fora de contexto, coprolalia (uso de palavras ou frases obscenas), palilalia (uma pessoa repetindo suas palavras) e ecolalia (repetição da última palavra ouvida de outros) Tiques motores simples: contrações repetitivas rápidas de grupos musculares de funcionalidade semelhante – por exemplo, piscar os olhos, puxar o pescoço, dar de ombros e contrair o rosto Tiques motores complexos: parecem ser mais propositados e ritualísticos do que simples tiques. Os mais comuns são cuidados com a aparência, cheirar objetos, pular, comportamentos de toque, ecopraxia (imitação de comportamento observado) e copropraxia (exibição de gestos obscenos) Metade a dois terços das crianças com transtorno de Tourette exibem redução ou completa remissão dos sintomas de tique durante a adolescência Mais de metade das crianças com Tourette também se enquadram nos critérios para TDAH Relação entre transtorno de Tourette e TOC: 20 a 40% dos pacientes com o primeiro enquadrando-se em todos os critérios para o segundo Até metade de todos os pacientes com transtorno de Tourette tem TDAH, e até 40% das pessoas com a síndrome também têm TOC * Disfunção em núcleos da base (como no TOC) Tratamento: ✓ Psicoterapia ✓ Haloperidol ✓ Pimozida ✓ Risperidona ✓ Aripiprazol ✓ Clonidina ✓ Topiramato ✓ THC ✓ CZP ✓ Boto Ana Clara Milagres Transtornos do Neurocognitivos Epidemiologia População brasileira (e do mundo) está envelhecendo → inversão da pirâmide demográfica Em 2030 haverão cerca de 70 milhoesde idosos nos EUA (referências dos estudos) → Hoje existem aproximadamente 35 milhões. Prevalência de demência em +65 anos: 6-8% Prevalência de demência em +80 anos: 30% O tipo mais comum é demência de Alzheimer Terminologia Derivado do latim (demens = louco) Em psiquiatria, o termo utilizado “demência” foi substituído por “transtorno neurocognitivo” Início precoce – início antes dos 60 anos, geralmente familiar, cujo tipo mais comum é a demência frontotemporal Início tardio – depois dos 60 Diagnóstico: Critérios do DSM-V para Transtornos Neurocognitivos Para fazer o diagnóstico precisa ter A e B A. Evidência de declínio significante de performance em comparação com um nível prévio em um dos domínios: Aprendizado e memória Atenção Linguagem Percepção/motricidade Funções executivas Inteligência social Paciente que tem problema de reconhecimento dos objetos, agnosia, começa a perceber que o paciente está com algum déficit cognitivo É necessário ter declínio de perfomace B. O deficit cognitivo interfere na prática de atividades cotidianas. Pode ser necessária assistência para atividades instrumentais complexas ou atividades da vida diária (pagar contas) → declínico PROGRESSIVO que causa prejuízo functional Geralmente o paciente percebe depois e a família percebe antes C. Os deficits não ocorrem no contexto de um delirium D. Tais deficits não são justificados por outro transtorno OBS: Quanto mais cedo o diagnóstico, melhor o prognóstico A evidência de declínio deve ser constatada pelo indivíduo, ou por um informante, ou pelo médico, preferencialmente documentada por testes neuropsiológicos. Subtipos Início precoce: antes dos 60, mais comumente demência frontotemporal. ✓ Forte correlação genética ✓ Tendência a rapida progressão Início tardio: depois dos 60 ✓ Representa a maioria dos casos Síndromes Comumente Encontradas nas Demências Afasia, apraxia, agnosia Comprometimento de funções executivas: dificuldade em planejar, iniciar sequenciar, monitorar, ou em interromper comportamentos ou atitudes complexas Tudo isso contribui para uma perda na capacidade de realizar atividades instrumentais na vida diária (AVDs) Afasia Problemas na linguagem; compreensão Habilidade para iniciar ou manter conversas Sintaxe e gramática intacta, mas diálogo vago, com frases pouco específicas (“aquilo, aquele negócio…”) Tardiamente a linguagem pode ficar severamente prejudicada, como com mutismo ou ecolalia Pessoa perde capacidade de indentificar objetos e situações Palavras e frases que fazem referência vagas Apraxia Praxe: pragmatismo Falta de habilidade em executar atividades motoras previamente capazes de serem executadas (mas mantém a motricidade preservada; prejuízo apenas na execução/elaboração de movimentos coordenados) Comprometimento para realização da atividades diárias Contribuem para o prejuízo na realização das AVDs Não tem prejuízo psicomotor propriamente dito, porque não tem prejuízo motor, mas prejuízo cognitive Agnosia Gnose: reconhecimento Falta de habilidade em reconhecer ou identificar objetos mesmo com a sensopercepção preservada ✓ Ocorre mais comumente nas fases tardias ✓ Pode ser visual ou tátil Funcionalidade As atividades da vida diária (AVD), são: Banho Vestir-se Arrumar-se Higiene Micção Locomoção As atividades instrumentais da vida diária (AIVD), são: Usar telefone Viajar Comprar Preparar refeições Atividades domésticas Administrar medicações Administrar o dinheiro O indivíduo pode ter deficiência nesses dois Declínio cognitivo associado a sintomas neuropsiquiátricos (alterações no afeto, sensopercepção, psicomotricidade, juízo de realidade) → aumento da dependência de terceiros e eventualmente à institucionalização Paciente que tem AIVD E AVD tem dendência a ir para ambientes asiliares → porque os pacientes precisam de cuidados de terceiros Transtorno Cognitivos na Atenção Básica Paciente com problemas cognitivos surge na unidade básica de saúde → o que deve fazer? Conduta: História completa (médica, psiquiátrica, neurológica…) AVD OU AIVD estão comprometidas? Exame físico/neurológico Testes cognitivos Exames laboratoriais e de imagem (excluir causas reversíveis) Considerar teste neuropsicológico ou referenciar para psiquiatra/neurologista Determinar a etiologia / diagnóstico Tratar (ou encaminhar) É importante fazer exame neurológico direcionado O transtorno que é possivelmente reversível é o delirium → exames laboratoriais e de imagem é para exclui-lo Ao chegar esse tipo de paciente é importante saber quando começou, saber a evolução completa do déficit cognitivo Indivíduo com infecção urinária pode ser um quadro de delirium Testes Cognitivos Esses testes são para avaliar a função cognitive Os tipos são: ➢ Mini-mental ➢ Montreal Cognitive Assessment (MoCA) ➢ Mini-Cog – teste do relógio + memorização de 3 palavras Mini-mental Teste rápido Útil para documentar o estado inicial Pode acompanhar a evolução ao longo do tempo No Alzheimer, o paciente geralmente perde 3 pontos por ano Atentar para falsos positivos em pacientes com baixa escolaridade ✓ Baixa escolaridade → falso positivo Atentar para falsos negativos em pacientes com alto nível funcional pré-mórbido Pontuação: ➢ Sem estudo: <18 ➢ Pelo menos 4 anos de estudo: <24 ➢ Com 11 anos de estudo ou mais: <28 ✓ É fácil de calcular ✓ Total de 30 pontos ✓ Avalia: qual dia da semana, dia do mês, qual ano, qual local específico, o tipo de instituição, bairro, rua próxima ✓ Pede o paciente repetir 3 palavras distintas ✓ MoCA Compreensível, mas não de fácil aplicação Ideal para aqueles com alto nível de performance pré-mórbido Mocatest.org Para o brasil esse teste é inválido → ensino falho, logo, mistura deficit cognitive com prejuízo do ensino Mini-Cog Instruir o paciente a ouvir atentamente e a memorizar 3 palavras diferentes ✓ Ex.: banana, cadeira, feliz (vaso, carro e tijolo) Não faz pegadinha, pede para o paciente ouvir bem atento Pedir o paciente para desenhar um relógio, e depois de colocados os números, pedir para desenhar os ponteiros em um horário Pedir o paciente para evocar as 3 palavras memorizadas É possível fazer esse teste dentro do mini mental Não especifica tanto qual é o deficit → tratamento é o mesmo Pontuação do Mini-Cog: Avalia: psicomotricidade, atenção e memória Exames Realizados Exames laboratoriais: Bioquímica Hemograma Transaminases TSH: problemas da tireóide podem causar delirium B12, ácido fólico, 25OHD (vitamina D) VDRL (síflis), HIV Outros de acordo com o exame clínico Exames de imagem: TC de crânio sem contraste É O PADRÃO RNM caso suspeite de demência vascular → é possível ver o comprometimento antigo e o atual SPECT ou PET – usualmente não está indicado Quadros Demenciais “Reversíveis” Dentre eles temos: Toxicidade de substâncias Alterações metabólicas Hidrocefalia de pressão normal: alteração de pressão dos ventrículos → faz TAP teste e retíra o liquor Efeito de massa (tumor, hematoma subdural) Infecção (meningite, sífilis) Transtorno endocrinometabólico (tireóide, paratireóide) Carências nutricionais (B12, tiamina, ácido fólico) Outros (DPOC, doenças hepáticas, apnéia…) Apenas 9% são potencialmente reversíveis Apenas 0,6% são totalmente reversíveis com o tratamento Essas porcentagens são de todos os transtornos cognitivoa Síndromes Demenciais São elas: ✓ Doença de Alzheimer ✓ Demência (doença) cerebrovascular ✓ Demência por Corpos de Lewy ✓ Demência na Doença de Parkinson ✓ Demência Fronto Temporal ✓ Demênciasmistas ✓ Korsakoff, CJD Doença de Alzheimer Início insidioso, progressão gradual, incidência relacionada à idade Problemas com a memória de curto prazo na apresentação inicial Causa mais comum das demências É “fácil” diagnóstico → muitas pessoas recebem diagnóstico sem de fato ter a doença Diagnóstico definitivo baseado na análise histopatológica dos compexos neurofibrilares e placas senis → baseado na análise de biópsia (mas não é feito, é pós morte) Aumento do número de casos porque a população está envelhecendo mais Geralmente o paciente more por sepse, IR, pneumonia Etiologia Bioquímica caracterizada por deficiência de acetilcolina afetando cortex, amigdala e hipocampo. Análise do LCR (liquid cefalorradiquiano) com comprovação de beta-amilóide e tau fosforilada É OBRIGATÓRIA (2018) Em uma minoria dos casos há herança autossômica dominante ligada aos cromossomos 1, 4 ou 21 (início precoce) Gene da apolipoproteina E, codificada no cromossomo 19, quando homozigoto no alelo E4, aumenta o risco para Alzheimer de início tardio Curso da doença Leve (mini-mental 20-24) – primariamente deficits na memória e capacidade visuoespacial, leve comprometimento nas funções executivas Moderado (11-20) – afasia mais pronunciada, apraxia, prejuízo nas AIVDs, pode necessitar de assistência com as AVDs, frequentemente apresenta sintomas neuropsiquiátricos. Severa (0-10) – prejuízos na linguagem, manifestações neuropsiquiátricas mais pronunciadas, sintomas neurológicos (rigidez, incontinência, disfagia, distúrbios na marcha) Morte 8-12 anos após o diagnóstico (NEM SEMPRE) Institucionalização comum com o aumento dos sintomas neuropsiquiátricos, perda de capacidade para as AVDs, estresse do cuidador Demência vascular 10-20% dos casos de demência (10-15% casos de doença de Alzheimer na verdade são MISTOS – vascular + Alzheimer) Comum em pacientes com DM, DCV Os critérios utilizados são clínicos, definidos pela presença de: ✓ Quadro demencial ✓ Doença cerebrovascular (sinais focais em exames de neuroimagem ou evidências de doença cerebrovascular) ✓ Relação entre os dois itens: a) Início do quadro demencial dentro de 3 meses desde um AVC documentado e/ou b) Deterioração abrupta nas funções cognitivas ou em “degraus”, com progressão flutuante dos deficits cognitivos É muito comum confundir o diagnóstico com Alzheimer Isso porque os sintomas são muito variados, vagos Subtipo Cortical Sintomas relacionados às áreas afetadas pelos infartos: Fronto-medial: funções executivas, hipobulia, or apatia. Parietal esquerdo: afasia, apraxia, ou agnosia. Parietal direito: heminegligência, confusão, agitação, deficit visuoespacial. Temporal medial: amnesia anterógrada Subtipo Subcortical Menos sintomas na memória Classico caso do idoso envelhecendo Infartos lacunares e isquemia crônica na substância branca: Sinais motores focais Presença precoce de distúrbios na marcha História de desequílíbrio e quedas Alteração na frequência urinária, urgência e outros sintomas urinários Paralisia pseudobulbar (labilidade emocional + disartria, disfonia e disfagia) Alterações na personalidade e no humor: hipobulia, apatia, depressão, incontinência emocional Transtorno cognitivo caracterizado por deficit relativamente leve na memória, retardo psicomotor, e funções executivas anormais Demência por Corpos de Lewy 4-33% dos casos de demência são por corpos de Lewy (quando há autópsia, maior frequência é encontrada) A presença dos corpos de Lewy é sinal fundamental Difícil diagnosticar, especialmente nos casos mistos Diagnóstico é primordial devido às particularidades do tratamento! → precisa diagnosticar O paciente apresenta sinais neurolépticos Diagnóstico Apresentação clínica é flutuante Demência Presença de flutuação na cognição/no estado de alerta, parkinsonismo, e alucinações visuais Achados sugestivos são distúrbios no sono REM (pesadelo, choro, chutes e socos), sensibilidade importante a neurolépticos, e baixa captação de dopamina nos núcleos da base (SPECT ou PET) Quedas, síncope, disfunção autonômica, depressão, delírios são comuns mas NÃO patognomônicos Diferença do paciente com Alzheimer do paciente com doença de Lewy: ✓ Atrofia do hipocampo ✓ Presença da tromba do elefante Demência na Doença do Parkinson 31-41% dos pacientes com Doença de Parkinson têm quadro demencial Teoria da disfunção colinérgica envolvida Caracterizada por disfunção executiva, comprometimento visuoespacial, prejuízos na memória verbal, alucinações visuais Paciente apresentar parkisonismo em evolução e durante o desenvolvimento da doença pode apresentar deficit cognitive Demência Frontotemporal Também conhecida como doença de Pick Outro tipo é afasia progressiva Usualmente de início precoce (40-60 anos) Comprometimento da memória NÃO é comum no início, mas pode acontecer Imagem caracterizada por franca atrofia fronto- temporal ou por diminuição do metabolismo nos lobos fronto-temporais nas imagens funcionais Mas essa caracteristica também pode ser encontrado no transtorno depressivo maior → achados inespecíficos “Walnut brain” ✓ Atrofia cortical ✓ Aumento dos sulcos Características comportamentais da demência fronto-temporal I) Aspectos nucleares do diagnóstico: Início insidioso e progressão gradual Declínio precoce nas relações sociais Comprometimento precoce na regulação das condutas Embotamento afetivo precoce Perda precoce na autopercepção (insight) II) Aspectos que enfatizam o diagnóstico (secundários): Desordem comportamental – declínio na higiene, pensamento concreto, distraibilidade, hiperoralidade. Alterações na fala e na linguagem – estereotipias, ecolalia, mutismo Sinais físicos – reflexos primitivos, incontinência, rigidez, tremor… EEG normal, anormalidades predominantes nas imagens dos lobos frontais e temporais anteriores Tratamento É necessário: Definir a disfunção cognitiva Definir os sintomas neuropsiquiátricos Definir as necessidades de cuidador e as relações entre paciente e cuidador Abordar o ambiente/rotina de vida do paciente Quando o paciente fica na mesma rotina, melhora o prognóstico Tratamento da Disfunção Cognitiva Inibidores da acetilcolinesterase – utilizados em todos os estágios da doença de Alzheimer; quanto mais precoce, melhor (mas não tanto no comprometimento moderado/avançado) Memantina – para estágios moderados e avançados da doença NÃO se usa inibidores da acetilcolinesterase na doença frontotemporal Considerar abordagens cognitivas multidisciplinares (treinamento, reabilitação, estimulação) Exercícios físicos!!! Dieta do mediterrâneo tem a melhor evidência Atenção aos efeitos adversos. Inibidores da acetilcolinesterase causam bradicardia, diarreia, nausea → ajuste gradual da dosagem recomendado. Memantina é relativamente livre de tais efeitos adversos Ajustar a dose de acordo com a função hepatica e renal Sintomas Neuropsiquiátricos Os sintomas são: Agitação (psicomotricidade) Agressividade Depressão (afetividade) Ansiedade (afetividade) Psicoses (sensopercepção e juízo de realidade/pensamento) Tais sintomas afetam tanto o paciente quanto o cuidador Agitação e agressividade são os principais motivos para hospitalização/institucionalização. Suporte ao cuidador e psicoeducação podem prevenir tais desfechos Tratamento dos sintomas neuropsiquiátricos Tratamento não farmacológico deve ser a primeira abordagem, logo, deve-se: Afastar causas psiquiátricas e medicamentosas de agitação psicomotora Identificar fatores precipitantes para ansiedade e agitação psicomotora Ensinar aos cuidadores como lidar com a situação Resolver as necessidades ainda não abordadas do paciente Permitir ao paciente permanecer independente (o quanto possível) provendo auxílio para realizar as AVDs Utilizar as medicações quando os métodos não farmacológicos falharem, ou quando há riscos (p. ex. violência, agressividade) Tratamento da agitação psicomotora Inibidores da acetilcolinesterase e memantina – não muito eficazes quando há necessidade de efeito rápido Antipsicóticos atípicos (não aprovados pelo FDA, aumenta o risco de mortalidade – mas há alguma eficácia) Antidepressivos – citalopram (considerar prolongamento do QT), trazodona Carbamazepina – não muitas evidências (considerar efeitos adversos e interações) Propranolol, prazosina – evidência muito limitada, mais promissora com a prazosina (considerar risco de quedas) Benzodiazepínicos – uso em ultimo caso Tratamento da depressão e sintomas psicóticos • Antidepressivos para a depressão nas demências são controversos. Há pouca evidência no tratamento do humor ansioso. • Para depressão grave ou risco de suicídio, considerar hospitalização e ECT • Tratamento de delírios e alucinações nem sempre são necessários – mas quando houver necessidade, iniciar AP atípicos lentamente e gradualmente • Usar quetiapina preferencialmente na doença de Lewy e na demência por Parkinson → porque tem menos efeito extra pyramidal Outras opções de tratamento para sintomas neuropsiquiátricos> • Psicoterapia, exercícios físicos, atividades prazerosas, terapias de grupo… • Minimizar mudanças de cuidadores e de ambientes • Musicoterapia está ganhando força como intervenção (baseada em fortes evidências) para o tratamento, inclusive da ansiedade Considerações finais É primordial o diagnóstico dos transtornos neurocognitivos Sempre obtenha o feedback dos cuidadores, e forneça-os suporte e educação Avaliar as funções cognitivas é fundmental Tratamento precoce preserva a funcionalidade Diagnóstico correto evita desfechos desfavoráveis – como medicar com haloperidol pacientes com doença por corpos de Lewy Sintomas neuropsiquiátricos são melhor abordados com estratégias não farmacológicas. Usar medicações para ansiedade e agitação psicomotora quando não houverem alternativas. Revisão Saúde Mental – P2 Transtornos Neurocognitivos Transtornos das síndromes? Diferença de delirium x delírio: Delirum: síndrome psicorgânica de causa irreversível Delírio: alteração do pensamento (função psíquica) Critérios do DSM-V para Transtornos Neurocognitivos Subtipos de transtornos: Inicio precoce antes dos 60, pior evolução, forte relação genética Inicio tardio maioria dos casos, maior de 60 anos, evolução lenta As síndromes demenciais:??? Causas reversíveis do delirium: Toxicidade de substâncias Alterações merabólicas Hidrocefalia de pressão normal ... Doença de Alzheimer: Afeta principalmente a memória Inicio insidioso Progressão gradual Função psíquica prejudicada: MEMÓRIA (principalmente recente) Memória remota é menos prejudicada Como é feito o diagnóstico É o mais comum Demência por Corpos de Lewy: Corpos de lewy é essencial para diagnóstico Muito difícil de diagnosticar PARTICULARIDADE no tratamento sensibilidade aos NEUROLÉPITICOS (por isso é essencial diagnosticar) Apresentação clínica FLUTUANTE Demência frontotemporal: Doença de Pick Rapidamente progressiva Principalmente sintomas COMPORTAMENTAIS No início não há comprometimento da MEMÓRIA Transtornos Dissociativos Comum em pacientes que sofreram TRAUMAS e eventos estressores Quanto MAIS longe do evento estressor, menor os sintomas Necessário saber diferenciar esses transtornos!!!!!!!!! Transtorno Dissociativo de Identidade Alteração na identidade do EU e personalidade Filme: Fragmentado Raramente isso é identificável pelo indivíduo não percebe que está acontecendo NÃO exibe abertamente a descontinuidade da identidade por períodos prolongados Tratamento: reunir todas as facetas da pessoa em um único indivíduo Amnésia Dissociativa Incapacidade de recordar informações autobiográficas importantes Pode se apresentar com fuga dissociativa Não percebem ou apenas parcialmente seus problemas de memória Fuga dissociativa: indivíduos andam pelas ruas ou estradas “procurando por coisas das quais se lembre” Transtorno de Despersonalização/Desrealização Indivíduo sentindo FORA de si ou com ESTRANHEZA de si = despersonalização Distanciamento em relação ao ambiente ao redor = desrealização Para conferir deve fazer teste realidade Ex de questão: cite dois exemplos de transtornos dissociativos e diferencie-os Transtorno de Sintoma Somáticos Indivíduo tem o sintoma, mas esses são AMPLIADOS, exagerados Pessoa sofreu algum evento estressor (mesmo que subjetivo) e a percepção de algum sintoma passa a ser exagerada Pode ser um GRUPO de sintomas Causam ansiedade Prejuízo social, funcional e sofrimento intenso Causa muita preocupação Tratamento: psicoterapia, ISRS, ATIVIDADES FÍSICAS, benzodiazepínicos Transtorno de Ansiedade e Doença Paciente tem preocupação de CONTRAIR uma doença grave Sintomas não estão presentes Preocupação excessiva e desproporcional em relação a saúde pessoal É o indivíduo hipocondríaco Existe dois tipos: Busca de cuidado: consultas frequentes, procura sempre, faz múltiplos exames Evitação de cuidado: medo de procurar ajuda e achar alguma alteração Espectro da Esquizofrenia Sintomas positivos: delírios, alucinações Sintomas negativos: alogia, embotamento afetivo, abulia, ... Sintomas agressivos/hostis Sintomas de humor Sintomas motoros Sintomas cognitivos NÃO EXIGE A PRESENÇA DE SINTOMAS BIZARROS Diferença entre o transtorno psicótico breve, transtorno esquizofreniforme, esquizofrenia: critério temporal e prejuízo FUNCIONAL (não tem, pode ter, tem) satisfazem o critério A de diagnóstico de Esquizofrenia Critério de diagnóstico de Esquizofrenia Pode ter esquizofrenia sem delírio e sem alucinação Hipótese dopaminérgica Via mesocortical: sintomas negativos e cognitivos, disfunção executiva Via mesolímbica: sintomas positivos: alucinações, delírios, agitação psicomotora Via Nigroestiatal: está envolvida na regulação do movimento, hipoatividade (Parkinson, rigidez, bradicinesia, tremores, acatisia, dsitonia) Via tuberoinfundilar?/ Antipsicótios típicos: Primeira geração Alta potência e baixa potência Antipsicótios atípicos Segunda geração São antagonistas da serotinina e da dopamina Clozapina usa em casos refratários porque funcionam melhor no cérebros que já foram modulados Afetam a neurotrasmissão de dopamina e da serotonina nas quatro principais vias dopaminérgicas no cérebro Tratamento da esquizofrenia já tem no trabalho Clozapina: Iniciar dose BAIXA Devido aos efeitos adversos de sedação, hipotensão e AGRANULOCITOSE Se tiver agranulocitose deve SUSPENDER o tratamento deve suspender devagar se a dose for maior que 100mg Esquema terapêutico!!!!!!!!!!! Deve avaliar os níveis de neutrófilos, leucócitos, plaquetas Síndrome Neuroléptica Maligna Acontece por uso de neurolépticos Rigidez muscular severa, hipertemia, febre, leucocitose, aumento das trasaminases hepáticas Aumento SIGNIFICATIVO de CPK Possível causa: bloqueio súbito dos receptores D2 Diminuição do ferro sérico Tratamento: suporte de vida Transtornos do Neurodesenvolvimento do SNC Depende de fatores: Biólogicos Fatores emocionais ??? Deficiência intelectual Definição é importante Transtorno do espectro autista Critérios diagnósticos: déficits na comunicação sociale interação social e comportamentos restritivos e padrões repetitivos Se for só A TRANSTORNO DA COMUNICAÇÃO PRAGMÁTICA Não entende linguagem NÃO verbal Sintomas reconhecidas durante o segundo ano de vida Estar atento a QUALQUER perda de habilidade social ou de idioma NÃO é um distúrbio degenerativo Possível recuperar com alguns estímulos A e B Tratamento: estímulo PRECOCE, abordagem multidisciplinar Abordagem medicamentosa: tratamento simultâneo com 2 ou mais AP, ISRS, estimulantes, agonistas alta-2 TDAH Padrão de desatenção e/ou hiperativade- impulsivividade Déficit de atenção = hipotenacidade Começa na infância e os sintomas devem estar presentes antes dos 12 anos Sintomas devem estar presentes em mais de um ambiente Características associadas podem incluir baixa tolerância a ???? Tratamento: estimulantes, antidepressivos, agonistas alfa-2