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CURSO DE PERÍCIA DOCUMENTOSCÓPICA 
 
MÓDULO I 
AULA 1 
 
ASPECTOS LEGAIS 
 
➢ Fé pública: É sinônimo de veracidade, ou, verdadeiro, neste caso, documento 
verdadeiro. Fé pública é um termo jurídico que denota um “crédito” (verdade) que 
deve ser dado, em virtude de lei expressa, aos documentos e certidões emitidos por 
alguns servidores públicos ou pessoas com delegação do poder público no exercício de 
suas funções, reconhecendo-os como fidedignos. 
 
➢ Falsidade ideológica: O crime de falsidade ideológica está previsto no artigo 299 do 
Código Penal, que descreve à conduta criminosa como sendo o ato de omitir a verdade 
ou inserir declaração falsa, em documentos públicos ou particulares, com o objetivo de 
prejudicar o direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente 
relevante. Exemplos: Transferir os pontos da CNH sem que o terceiro estivesse de 
fato dirigindo; declarar valor menor do que o real na Carteira de Trabalho; alterar ou 
omitir informações no Imposto de Renda. 
 
➢ Estelionato: Fraude. Por exemplo, uma fraude praticada em contratos ou convenções, 
que induz alguém a uma falsa concepção de algo com o intuito de obter vantagem 
ilícita para si ou para outros, bem como a prática de cheque sem fundos. 
 
OBSERVE OS ARTIGOS DO CÓDIGO PENAL SOBRE FRAUDE 
 
a) Falsificação de documento público: 
Art. 297. Falsificar, no todo ou em parte, documento público, ou alterar documento 
público verdadeiro: 
Pena: reclusão, de dois a seis anos e multa. 
§1º - Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendo-se do cargo, 
aumenta-se a pena de sexta parte. 
§2º - Para os efeitos penais, equiparam-se a documento público todo o emanado de 
entidade paraestatal, o título ao portador ou transmissível por endosso, as ações de 
sociedade comercial, os livros mercantis e o testamento particular. 
§3º - Nas mesmas penas incorre quem insere ou faz inserir (incluído pela Lei nº 
9.983/2000): 
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I- Na folha de pagamento ou em documento de informações que seja destinado a fazer 
prova perante a previdência social, pessoa que não possua a qualidade de segurado 
obrigatório; 
II- Na Carteira de Trabalho e Previdência Social do empregado ou em documento que 
deva produzir efeito perante a previdência social, declaração falsa ou diversa da que deveria 
ter sido escrita; 
III- Em documento contábil ou em qualquer outro documento relacionado com as 
obrigações da empresa perante a previdência social, declaração falsa ou diversa da que 
deveria ter constado. 
§4º - Nas mesmas penas incorre quem omite, nos documentos mencionados no §3º, nome 
do segurado e dados pessoais, a remuneração, a vigência do contrato de trabalho ou de 
prestação de serviços. 
 
b) Falsificação de documento: 
Art. 298. Falsificar, no todo ou em parte, documento particular ou alterar documento 
particular verdadeiro. 
Pena: reclusão, de um a cinco anos e multa. 
c) Falsificação de cartão: 
Parágrafo único. Para fins do disposto no caput, equipara-se a documento particular o 
cartão de crédito ou de débito. 
 
d) Falsidade ideológica: 
Art. 299. Omitir, em documento público ou particular, declaração que dele devia constar, 
ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita, com fim 
de prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente 
relevante. 
Pena: reclusão, de um a cinco anos e multa. Se o documento é público: reclusão de um a 
três anos e multa. 
Parágrafo único: Se o agente é funcionário público e comete o crime prevalecendo-se do 
cargo, ou se a falsificação ou alteração é de assentamento do registro civil, aumenta-se a 
pena de sexta parte. 
 
e) Falso reconhecimento de firma ou letra: 
Art. 300. Reconhecer, como verdadeira, no exercício de função pública, firma ou letra que 
não o seja: 
Pena: reclusão de um a cinco anos e multa, se o documento é público; e de um a três anos, 
e multa, se o documento é particular. 
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f) Certidão ou atestado ideologicamente falso: 
Art. 301. Atestar ou certificar falsamente, em razão de função pública, fato ou circunstância 
que habilite alguém a obter cargo público, isenção de ônus ou de serviço de caráter público, 
ou qualquer outra vantagem: 
Pena: detenção, de dois meses a um ano. 
 
g) Falsidade de material de atestado ou certidão: 
§1º Falsificar, no todo ou em parte, atestado ou certidão, ou alterar o teor de certidão ou de 
atestado verdadeiro, para prova de fato ou circunstância que habilite alguém a obter cargo 
público, isenção de ônus ou de serviço de caráter público, ou qualquer outra vantagem: 
Pena: detenção, de três meses a dois anos. 
§2º - Se o crime é praticado com o fim de lucro, aplica-se, além da pena privativa de 
liberdade, a de multa. 
 
h) Falsidade de atestado médico: 
Art. 302. Dar o médico, no exercício da sua profissão, atestado falso: 
Pena: detenção, de um mês a um ano. 
Parágrafo único. Se o crime é cometido com fim de lucro, aplica-se também multa. 
 
i) Reprodução ou adulteração de selo ou peça filatélica; 
Art. 303. Reproduzir ou alterar selo ou peça filatélica que tenha valor para coleção, salvo 
quando a reprodução ou alteração está visivelmente anotada na face ou no verso do selo ou 
peça: 
Pena: detenção, de um a três anos, e multa. 
 
j) Uso de documento falso: 
Art. 304. Fazer uso de qualquer dos papéis falsificados ou alterados, a que se referem os 
artigos 297 a 302: 
Pena: a cominada à falsificação ou à alteração. 
 
k) Supressão de documento: 
Art. 305. Destruir, suprimir ou ocultar, em benefício próprio ou de outrem, ou em prejuízo 
alheio, documento público ou particular verdadeiro, de que não podia dispor: 
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Pena: reclusão, de dois a seis anos, e multa, se o documento é público e reclusão, de um a 
cinco anos, e multa, se o documento é particular. 
 
AULA 2 
ANÁLISE PERICIAL EM NOTAS DE REAL 
 
01. Marcas d’água 
Imagem do animal homenageado em cada nota. Esta marca existe para dificultar a 
lavagem química das notas, onde o falsário pega uma nota de outro país, neste caso de 
valor menor que o real, e lava a nota, posteriormente imprime uma nota de real usando o 
mesmo papel, neste caso, é possível visualizar a falsificação apenas pela marca d’água, pois 
a mesma será de outro país, ou nem existirá. 
 
 
➢ Observe ainda a marca d’água de todas as notas de real 
 
 
 
 
 
 
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02. Microimpressões 
 São os dispositivos de segurança feito para que scanners ou impressoras não sejam 
capazes de duplicar as notas. 
 
 
➢ Para visualizar as microimpressões é necessário de uma lupa de aumento 30x ou um 
microscópio digital. 
 
 
 
 
 
 
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03. Registro Coincidente 
 Uma vez que a frente e o verso da nota são impressos de forma simultânea cada 
lado se encaixa quando a nota é colocada contra a luz. 
 
 
04. Fio Escuro 
 Próximo ao meio da nota, é possível observar um fio escuro, quando colocado 
contra a luz. Nele está escrito a palavra “REAIS”. Mas, este fio só está presente nas notas 
de 10, 20, 50, 100 e 200. 
 
05. Imagem Latente 
 É a imagem que é aparentemente oculta, mas a partir do momento que é colocada 
contra uma camada de luz, aparece uma imagem do valor da nota. Mas para conseguir 
visualizar esta marca é necessário “deitar” ou inclinar horizontalmente a nota na altura do 
nariz, bem em frente aos olhos, olhando contra a luz, na diagonal. 
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 Segue abaixo a posição de visualização, e detalhe, nas notas antigas não aparece o 
valor das notas e sim a inscrição BC (Banco Central), por isso, se estiver BC e não o valor, 
não quer dizer que a nota é falsa, apenas é antiga. 
 
06. Marca Tátil 
 Como o próprio nome diz, é possível averiguar ou constatar apenas com o tato, 
criada especialmente para facilitar a análise por deficientes visuais, pois passando o dedo 
podem saber o valor da nota, e se é verdadeira ou não.8 
 
07. Faixa Holográfica 
 Presentes apenas nas notas de 20, 50, 100 e 200. É uma figura tridimensional obtida 
por registro em película própria dos efeitos de sobreposição de duas ondas, sendo uma 
onda direita e a outra refletida pelo objeto no filme. 
 
 
MÓDULO II 
AULA 3 
CÉDULA DE IDENTIDADE 
 Você perito verá alguns tipos de falsificações em cédulas de identidade, mas, já 
adianto, tais falsificações são normalmente em cédulas apresentadas por falsários para 
realizarem empréstimos pessoais em nomes de terceiros. 
1. O preenchimento da cédula 
1.1. Cadastramento no órgão expedidor pelo número chamado de registro geral. 
1.2. A filiação traz o nome do pai, em seguida o nome da mãe (jamais o inverso). 
1.3. A data de emissão tem que ser coerente com a data de nascimento e a atualidade da 
foto do portador. Confira sempre se a data de nascimento condiz com a imagem da pessoa 
que você está atendendo. Há casos de pessoas que portam identidades roubadas, com a 
foto trocada, cuja aparência não confere com a idade que consta na identidade. 
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2. Mas como detectar se um RG é falso? 
Vejamos as principais características: 
2.1. A FOTO 
 Primeiramente deve analisar a foto, se corresponde com a foto da parte contrária da 
ação (normalmente pela autora), o padrão de confronto é a própria Cédula de Identidade 
juntada pela parte autora nos autos, caso a mesma não esteja em boa resolução, basta 
solicitar que a parte junte aos autos uma cópia melhor. 
Vejamos um exemplo real: 
 Na primeira foto temos uma Cédula de Identidade apresentada pela parte autora 
da ação, no qual alega que não realizou nenhum empréstimo alegado pela instituição 
bancária. 
 
 Abaixo, temos a Cédula de Identidade juntada pela Instituição Bancária 
(apresentada juntamente com o suposto contrato de empréstimo), alegando então o banco, 
ser verdadeira a contratação e, que no momento da contratação, a pessoa apresentou a 
cédula abaixo... mas... 
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 Por mais que a foto esteja em preto e branco, nota-se a divergência de 
pessoas na foto da cédula juntada pelo banco, com a cédula juntada pela autora da 
ação. 
Observação: Além disso, um perito papiloscópico conseguiria analisar a divergência nas 
digitais. 
2.2. INFORMAÇÕES MUTÁVEIS E IMUTÁVEIS 
 Algumas informações podem alterar de uma via para a outra, por isso, devem ser 
ignoradas se houverem alteração da 1ª via para a 2ª por exemplo, não querendo dizer então 
que seja falsa em caso de dados diferentes. 
 Mas, há informações imutáveis, ou seja, que não se alteram, que mesmo que haja 
uma diferença de expedição de via, deveria constar a mesma informação. 
 Um exemplo disto é o registro de nascimento no cartório, onde consta no 
verso da Cédula de Identidade apresentada pela autora, vejamos: 
 
 
 
 
 
 
 
 
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 Agora, vejamos o verso da cédula apresentada pela parte ré: 
 
 Como ambas trazem informação e dados de vias diferentes (uma é 2ª via e a outra 
é 3ª via), algumas informações divergentes não devem ser levadas em consideração (data 
de expedição, por exemplo), um exemplo e duas informações imutáveis que deveriam 
continuar as mesmas são: o “Registro Geral”, bem como o “Documento de Origem”, o 
registro continua o mesmo, mas o Documento de Origem não, trazendo assim mais um 
vestígio de falsificação. 
Observação! Algumas partes foram ocultadas com uma tarja preta, para fins de 
segurança. 
2.3. DIVERGÊNCIA DE FORMATO DE LETRA 
 A divergência de 
formato de letra se dá pelo tipo 
de falsificação, alguns falsários 
usam para alteração ou leitura de 
Cédulas falsas aquilo que era 
antigamente usado, as chamadas 
máquinas de datilografias, 
veja um exemplo abaixo de 
como é a letra em uma cédula 
antiga com máquina 
datilográfica: 
 
 
 
 
 
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Observação! A datilografia se manteve constantemente presente nos documentos pessoais 
entre 1941 e 1990, porém, alguns documentos ainda continuaram sendo datilografados em 
alguns estados até meados de 2006 (casos de extrema exceção em comarcas menos 
avançadas tecnologicamente). 
 
MÓDULO III 
AULA 4 
 
DIFERENÇAS DE TINTAS – CANETA ESFEROGRÁFICAS E IMPRESSÕES 
 
 Como saber se o elemento é feito à caneta ou impresso? Bem como qual a 
forma de impressão utilizada? Para isso, pode ser usado o microscópio digital, onde 
facilmente, com a aproximação, nota-se a característica da tinta do elemento. 
 Vamos dividir os elementos como: 
a) Impressão tipográfica; 
b) Impressão de Jato de tinta; 
c) Impressão a laser; 
d) Caneta Esferográfica. 
 
É importante tal 
elucidação, pois, assim 
você pode distinguir se 
por exemplo, a 
assinatura presente em 
um documento 
submetido a análise é 
um elemento a base de 
tinta esferográfica, ou é 
fruto da impressão. 
Observa-se que 
quando é a caneta, 
logicamente não tem 
medida definida. Pois 
varia do punho 
subscritor. 
 
 
 
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AULA 5 
DATAÇÃO DE TINTA 
 
1. Conceitos e esclarecimentos: 
 A datação de tinta é uma das partes mais importantes do estudo pericial 
documentoscópico, pois, a maioria das falsificações documentais se dão mediante 
complementos numéricos em valores de notas promissórias, cheque e recibos, na prática, 
aumentando valores mediante caneta esferográfica. 
 Primeiramente, já informo que não existe no mundo ainda, um aparelho tão 
moderno que te oferece a data exata da tinta da caneta esferográfica, entretanto, existe 
aparelhos que te oferecem a distinção, uma vez adulterada uma grafia, desde que haja um 
período de tempo. 
 Mas como é este período entre uma grafia e outra? Depende, o aparelho 
detecta aquela tinta/solvente que já secou e, impregnou e envelheceu no suporte 
(normalmente papel), ou seja, se a tinta/solvente, secou, impregnou e envelheceu no papel, 
se expandindo e se tornando parte do mesmo, faz com que haja luminescência quando 
entra em contato com a luz ultravioleta, raio infravermelho e luz de WOOD. 
 Eis a questão! Sendo assim, os pontos principais são: 
1º O SUPORTE: O tipo de papel, pois ele que vai fazer com que a tinta se impregne nele, 
ou seja, quanto mais “grosso” o papel mais tempo irá demorar. 
2º A PRESSÃO: Usada pelo punho na escrita, pois, quanto mais pressão usada, mais tinta 
e solvente a caneta esferográfica soltará ao suporte, e, logicamente, quanto mais 
tinta/solvente mais tempo demora pra secar, impregnar e envelhecer. Sim, não é ciência 
realmente exata, pois tem subjetividades... 
... Esta é uma explicação de forma simples, para que você que está entrando no tema, possa 
assimilar. Mas vejamos o que um renomado doutrinador disserta sobre o tema: 
“A quantidade inicial do solvente aposta no traço é dependente da 
pressão da escrita e do tamanho da esfera da caneta, pois isto 
influencia na profundidade e largura do traço, liberando mais ou 
menos 2-fenoxietanol, além do que existem diferenças no conteúdo 
relativo de 2-fenoxietanol entre diferentes tipos de tintas 
esferográficas. Alguns autores tentaram minizar este problema 
trabalhando com a razão entre as concentrações de dois compostos 
diferentes no mesmo lançamento a caneta.” 
E continua... 
“Na prática, é impossível garantir a homogeneidade da tinta aplicada 
no papel, assim a datação só será possível se os erros provocados 
pelas diferenças de quantidades de 1-fenoxietanol devido aos fatores 
acima comentados forem menores do que as reais diferenças de 
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quantidade de 2-fenoxietanol devido ao envelhecimento”. 
(Weyermann et. Al., 2011). 
 Cabe ainda ressaltar sobre a subjetividade, que cada caneta pode ter um solvente 
produzido de forma diferente, fazendo com que envelheça mais ou menos rápido. 
 Por estes e outros motivos, que geralmente os estudos de datação de tinta realizam 
experimentos sob condições laboratoriais de armazenamento, mas o ideal é que mais 
estudos contendo espécimes de casos reais fossem realizados, para que os efeitos destesfatores ambientais na concentração e evaporação de solventes pudessem ser testados. 
 Mas, devido ao aumento de falsificações neste sentido, a área judicial trouxe um 
norte tal ciência, para tentar (o que a maioria dos casos consegue) solucionar as demandas 
nas quais o juiz não consegue sentenciar, ou, tem dúvida sobre a falsificação ou não. O que 
quero dizer com isso? Resumindo, tal exame de datação era, ou melhor, foi criado, 
para ser realizado apenas em DOCUMENTOS ANTIGOS/HISTÓRICOS ou 
QUASE HISTÓRICOS, no qual traz “com certeza” grafias originais já 
envelhecidas, fazendo com que qualquer adulteração ou complemento posterior e 
recente já seja facilmente visto com a análise e equipamento adequado. 
2. Exemplo real de um caso judicial 
 Vamos a um exemplo real sobre um caso pericial documentoscópico, mas antes, 
deve-se ressaltar dois pontos: 
1º Por ser um caso real e conter nomes e dados, está página não deve ser enviada 
para pessoas de fora a este estudo, ou seja, acesso apenas aos alunos/futuros 
peritos integrantes deste curso, sendo assim, obviamente, esta parte não pode ser 
postada em nenhum artigo, trabalho acadêmico e principalmente em rede social. 
2º Este caso terá vídeo aula dedicada ao tema, analisando os pontos da nota 
promissória, mostrando o uso do aparelho e falsificação apresentada. 
Dito isso, vamos ao caso: 
 O caso trata-se de uma nota promissória no qual uma parte confessa que 
assinou e que realizou a compra do produto em uma loja de tintas, porém, afirma 
que quando assinou, não era o valor de R$ 4.852,00 e sim de R$ 852,00, alega ainda 
que apesar de o valor por extenso ir de encontro com o valor numérico, não se 
recorda se assinou com o campo do valor por extenso em branco ou não. 
 Sendo assim, além dos demais, o perito já deve ficar atento a dois pontos 
importantes: Valor numérico e valor por extenso. 
 
 
 
 
 
15 
 
1º ponto analisado: Em primeiro momento, observa-se que realmente houve rasura 
grosseira no valor numérico, valor este se destacando aos demais devido a visível 
tonalidade maior e impregnação da tinta. 
2º ponto analisado: O valor numérico está de acordo com o valor por extenso. 
VALOR NUMÉRICO AMPLIADO 
 
 
Pois bem, está é uma perícia de datação de tintas facilmente resolvida com o 
aparelho correto, para isso, usaremos o aparelho “HS525 magnifier”, um aparelho 
que dentre outras características emite raio UV, infravermelho e luz de WOOD ao 
mesmo tempo, fazendo com que, a grosso modo, para que você entenda, a tinta 
envelhecida se mostre, e a “tinta nova” desapareça. Vejamos: 
 
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Observe, o numeral “4” desaparece, o que isso quer dizer? Que na verdade, o valor 
real, antes da adição, rasura, falsificação, era na verdade R$ 852,00. 
Aí você talvez possa se perguntar, mas pera aí, por que o valor numérico “bate” 
com o valor por extenso? Na verdade, isso não quer dizer nada, pois a princípio, a pessoa 
pode ter assinado em branco e quando o falsário adicionou o número 4 adicionou também 
o valor por extenso. Essa é a conclusão inicial, maaas, é claro, vamos ver se ocorreu isso 
mesmo? Basta utilizar o mesmo instrumento e luzes no campo do valor extenso para ver o 
que aparece, vejamos: 
 
Conclusão: Sendo assim, basicamente, o laudo pericial deve esclarecer, detalhar e mostrar 
que, o valor real é R$ 852,00, bem como foi adicionado posteriormente o numeral “4” e 
como também o valor por extenso. 
 
MÓDULO IV 
AULA 6 
FALSIFICAÇÕES MEDIANTE RASPAGEM OU COLAGEM 
 
 São modos de falsificações comuns, especialmente usados em recibos, cheques e 
notas promissórias, para alterar principalmente valor e data. 
Ou é raspagem ou é colagem, os falsificadores não usam ambos em uma falsificação. 
 O aparelho HS525 consegue notar tais falsificações, pois tem uma análise ampla e 
completa, mas não necessita dele necessariamente para chegar a conclusão, isso 
porque apenas com o microscópio digital, ou com uma lente de câmera (macro) do celular 
já se consegue averiguar se houve raspagem ou colagem. 
 Sabendo assim, apesar de na maioria dos casos serem facilmente averiguados e 
analisados são falsificações comuns. 
 
 
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FALSIFICAÇÃO MEDIANTE RASPAGEM 
 A raspagem é normalmente realizada com um material de metal (extrator de 
grampo, por exemplo) ou borracha comum (levemente molhada ou não). De qualquer 
forma a maneira não importa necessariamente, e sim a conclusão pericial. 
Antes da raspagem: 
 
Depois da raspagem: 
 
Foto aproximada da falsificação (câmera macro): 
 
 
 
 
 
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 Neste caso, foi raspado o numeral “1” do campo “valor”, e escrito posteriormente o 
numeral “8”. 
 Após, houve a escrita por extenso do valor, corroborando é claro com o numeral 
após a falsificação. 
 Observe, quando uma pessoa assina um documento como este ou similar, 
com o valor por extenso em branco, abre margem para falsificações, sejam elas 
grosseiras ou não. 
 
FALSIFICAÇÃO MEDIANTE COLAGEM 
 
 Mesmo exemplo acima, normalmente a colagem é realizada com cola bastão, 
pois deixa menos vestígios que a cola líquida. 
Vamos mostrar então como fica após a colagem: 
 
 Neste exemplo, foi usado um fundo similar ao do recibo original (podendo ser 
cortado com estilete ou tesoura), e usado uma cola bastão para colagem, posteriormente, é 
escrito o numeral, ou, o recorte já é colado com o numeral presente na peça de colagem. 
Novamente, o modus operandi não importa, e sim a análise de conclusão do perito. 
Observe abaixo a foto aproximada, com câmera macro: 
 
 
 
 
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AULA 7 
FALSIFICAÇÃO EM SELOS DE AUTENTICAÇÃO 
 
 Os selos tem a finalidade de segurança, fé pública e controle/registro 
documental. Pois são eles que autenticam os documentos públicos. As falsificações em 
selos são mais comuns aqueles emitidos pelos Cartórios. 
 Falsários usam dos mesmos para autenticar um documento no qual não passou 
pelo cartório. 
Mas como? Temos duas formas: 
1ª – reutilização: Pegando um selo de autenticação já usado, o retirando do papel usado, 
delicadamente, com um auxilio de um estilete e colando novamente em outro documento 
(o mais comum); 
2ª – nova impressão: Não é uma nova impressão de selo, e sim uma impressão no próprio 
selo, com as palavras que deseja, como “reconhecimento de firma” ou “reconhecimento 
por autenticidade” (raro, mas já visto). 
Qual a finalidade da falsificação? Autenticar e trazer fé pública a um documento que na 
verdade não foi emitido pelo cartório, como uma certidão de imóvel, importantíssimo para 
a compra e venda de um imóvel, ou até mesmo um reconhecimento de firma/assinatura. 
Como analisar se um selo é autêntico ou falso (reutilizado/nova impressão)? 
Vejamos: 
a) Selo com alteração impressa: 
Este é um selo referente a reconhecimento de firma, ou seja, reconhecimento da assinatura. 
 
 A “olho nu”, é possível notar regiões esbranquiçadas onde está escrito 
“reconhecimento por autenticidade”, fazendo com que se tenha indícios de reutilização. 
 Para análise usa-se o equipamento “HS525 magnifier”, usando a junção de Luz 
UV, Raio Infravermelho e Luz de WOOD, é possível notar que realmente foi falsificado 
mediante impressão. 
 
 
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Observe que sob o efeito das luzes, principalmente infravermelho, existe uma mancha 
preta, cobrindo a frase “reconhecimento por autenticidade”, uma mancha que parece de 
difícil autenticação, mas quando se tem um modelo de selo original é fácil saber o que se 
encontrava antes. 
 
 
 Estes acima são os dois modelos originais dos selos, ou seja, o falsário tinha em 
mãos o selo com a descrição “FIRMA 2”, mas o falsário realizou uma raspagem ou um 
composto líquido na ponta de um cotonete com bicabornatoe água, retirando a frase 
“FIRMA 2” e realizando a impressão de “reconhecimento por autenticidade”. Entretanto, 
como vemos acima, o aparelho consegue identificar o que estava impresso antes da 
falsificação. 
b) Reutilização de selo 
 A reutilização de selo é a falsificação mais comum, onde o falsário retira, 
cuidadosamente, com estilete o selo desejado, e o cola em um documento diverso, no qual 
ele, de forma criminosa, quer atribuir a “autenticidade” a aquele documento falso. 
 Será realizada um vídeo aula sobre ambas as falsificações mencionadas. 
 
** MODELO LAUDO ESTÁ BAIXADO.

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