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1 CURSO DE PERÍCIA DOCUMENTOSCÓPICA MÓDULO I AULA 1 ASPECTOS LEGAIS ➢ Fé pública: É sinônimo de veracidade, ou, verdadeiro, neste caso, documento verdadeiro. Fé pública é um termo jurídico que denota um “crédito” (verdade) que deve ser dado, em virtude de lei expressa, aos documentos e certidões emitidos por alguns servidores públicos ou pessoas com delegação do poder público no exercício de suas funções, reconhecendo-os como fidedignos. ➢ Falsidade ideológica: O crime de falsidade ideológica está previsto no artigo 299 do Código Penal, que descreve à conduta criminosa como sendo o ato de omitir a verdade ou inserir declaração falsa, em documentos públicos ou particulares, com o objetivo de prejudicar o direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante. Exemplos: Transferir os pontos da CNH sem que o terceiro estivesse de fato dirigindo; declarar valor menor do que o real na Carteira de Trabalho; alterar ou omitir informações no Imposto de Renda. ➢ Estelionato: Fraude. Por exemplo, uma fraude praticada em contratos ou convenções, que induz alguém a uma falsa concepção de algo com o intuito de obter vantagem ilícita para si ou para outros, bem como a prática de cheque sem fundos. OBSERVE OS ARTIGOS DO CÓDIGO PENAL SOBRE FRAUDE a) Falsificação de documento público: Art. 297. Falsificar, no todo ou em parte, documento público, ou alterar documento público verdadeiro: Pena: reclusão, de dois a seis anos e multa. §1º - Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendo-se do cargo, aumenta-se a pena de sexta parte. §2º - Para os efeitos penais, equiparam-se a documento público todo o emanado de entidade paraestatal, o título ao portador ou transmissível por endosso, as ações de sociedade comercial, os livros mercantis e o testamento particular. §3º - Nas mesmas penas incorre quem insere ou faz inserir (incluído pela Lei nº 9.983/2000): 2 I- Na folha de pagamento ou em documento de informações que seja destinado a fazer prova perante a previdência social, pessoa que não possua a qualidade de segurado obrigatório; II- Na Carteira de Trabalho e Previdência Social do empregado ou em documento que deva produzir efeito perante a previdência social, declaração falsa ou diversa da que deveria ter sido escrita; III- Em documento contábil ou em qualquer outro documento relacionado com as obrigações da empresa perante a previdência social, declaração falsa ou diversa da que deveria ter constado. §4º - Nas mesmas penas incorre quem omite, nos documentos mencionados no §3º, nome do segurado e dados pessoais, a remuneração, a vigência do contrato de trabalho ou de prestação de serviços. b) Falsificação de documento: Art. 298. Falsificar, no todo ou em parte, documento particular ou alterar documento particular verdadeiro. Pena: reclusão, de um a cinco anos e multa. c) Falsificação de cartão: Parágrafo único. Para fins do disposto no caput, equipara-se a documento particular o cartão de crédito ou de débito. d) Falsidade ideológica: Art. 299. Omitir, em documento público ou particular, declaração que dele devia constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita, com fim de prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante. Pena: reclusão, de um a cinco anos e multa. Se o documento é público: reclusão de um a três anos e multa. Parágrafo único: Se o agente é funcionário público e comete o crime prevalecendo-se do cargo, ou se a falsificação ou alteração é de assentamento do registro civil, aumenta-se a pena de sexta parte. e) Falso reconhecimento de firma ou letra: Art. 300. Reconhecer, como verdadeira, no exercício de função pública, firma ou letra que não o seja: Pena: reclusão de um a cinco anos e multa, se o documento é público; e de um a três anos, e multa, se o documento é particular. 3 f) Certidão ou atestado ideologicamente falso: Art. 301. Atestar ou certificar falsamente, em razão de função pública, fato ou circunstância que habilite alguém a obter cargo público, isenção de ônus ou de serviço de caráter público, ou qualquer outra vantagem: Pena: detenção, de dois meses a um ano. g) Falsidade de material de atestado ou certidão: §1º Falsificar, no todo ou em parte, atestado ou certidão, ou alterar o teor de certidão ou de atestado verdadeiro, para prova de fato ou circunstância que habilite alguém a obter cargo público, isenção de ônus ou de serviço de caráter público, ou qualquer outra vantagem: Pena: detenção, de três meses a dois anos. §2º - Se o crime é praticado com o fim de lucro, aplica-se, além da pena privativa de liberdade, a de multa. h) Falsidade de atestado médico: Art. 302. Dar o médico, no exercício da sua profissão, atestado falso: Pena: detenção, de um mês a um ano. Parágrafo único. Se o crime é cometido com fim de lucro, aplica-se também multa. i) Reprodução ou adulteração de selo ou peça filatélica; Art. 303. Reproduzir ou alterar selo ou peça filatélica que tenha valor para coleção, salvo quando a reprodução ou alteração está visivelmente anotada na face ou no verso do selo ou peça: Pena: detenção, de um a três anos, e multa. j) Uso de documento falso: Art. 304. Fazer uso de qualquer dos papéis falsificados ou alterados, a que se referem os artigos 297 a 302: Pena: a cominada à falsificação ou à alteração. k) Supressão de documento: Art. 305. Destruir, suprimir ou ocultar, em benefício próprio ou de outrem, ou em prejuízo alheio, documento público ou particular verdadeiro, de que não podia dispor: 4 Pena: reclusão, de dois a seis anos, e multa, se o documento é público e reclusão, de um a cinco anos, e multa, se o documento é particular. AULA 2 ANÁLISE PERICIAL EM NOTAS DE REAL 01. Marcas d’água Imagem do animal homenageado em cada nota. Esta marca existe para dificultar a lavagem química das notas, onde o falsário pega uma nota de outro país, neste caso de valor menor que o real, e lava a nota, posteriormente imprime uma nota de real usando o mesmo papel, neste caso, é possível visualizar a falsificação apenas pela marca d’água, pois a mesma será de outro país, ou nem existirá. ➢ Observe ainda a marca d’água de todas as notas de real 5 02. Microimpressões São os dispositivos de segurança feito para que scanners ou impressoras não sejam capazes de duplicar as notas. ➢ Para visualizar as microimpressões é necessário de uma lupa de aumento 30x ou um microscópio digital. 6 03. Registro Coincidente Uma vez que a frente e o verso da nota são impressos de forma simultânea cada lado se encaixa quando a nota é colocada contra a luz. 04. Fio Escuro Próximo ao meio da nota, é possível observar um fio escuro, quando colocado contra a luz. Nele está escrito a palavra “REAIS”. Mas, este fio só está presente nas notas de 10, 20, 50, 100 e 200. 05. Imagem Latente É a imagem que é aparentemente oculta, mas a partir do momento que é colocada contra uma camada de luz, aparece uma imagem do valor da nota. Mas para conseguir visualizar esta marca é necessário “deitar” ou inclinar horizontalmente a nota na altura do nariz, bem em frente aos olhos, olhando contra a luz, na diagonal. 7 Segue abaixo a posição de visualização, e detalhe, nas notas antigas não aparece o valor das notas e sim a inscrição BC (Banco Central), por isso, se estiver BC e não o valor, não quer dizer que a nota é falsa, apenas é antiga. 06. Marca Tátil Como o próprio nome diz, é possível averiguar ou constatar apenas com o tato, criada especialmente para facilitar a análise por deficientes visuais, pois passando o dedo podem saber o valor da nota, e se é verdadeira ou não.8 07. Faixa Holográfica Presentes apenas nas notas de 20, 50, 100 e 200. É uma figura tridimensional obtida por registro em película própria dos efeitos de sobreposição de duas ondas, sendo uma onda direita e a outra refletida pelo objeto no filme. MÓDULO II AULA 3 CÉDULA DE IDENTIDADE Você perito verá alguns tipos de falsificações em cédulas de identidade, mas, já adianto, tais falsificações são normalmente em cédulas apresentadas por falsários para realizarem empréstimos pessoais em nomes de terceiros. 1. O preenchimento da cédula 1.1. Cadastramento no órgão expedidor pelo número chamado de registro geral. 1.2. A filiação traz o nome do pai, em seguida o nome da mãe (jamais o inverso). 1.3. A data de emissão tem que ser coerente com a data de nascimento e a atualidade da foto do portador. Confira sempre se a data de nascimento condiz com a imagem da pessoa que você está atendendo. Há casos de pessoas que portam identidades roubadas, com a foto trocada, cuja aparência não confere com a idade que consta na identidade. 9 2. Mas como detectar se um RG é falso? Vejamos as principais características: 2.1. A FOTO Primeiramente deve analisar a foto, se corresponde com a foto da parte contrária da ação (normalmente pela autora), o padrão de confronto é a própria Cédula de Identidade juntada pela parte autora nos autos, caso a mesma não esteja em boa resolução, basta solicitar que a parte junte aos autos uma cópia melhor. Vejamos um exemplo real: Na primeira foto temos uma Cédula de Identidade apresentada pela parte autora da ação, no qual alega que não realizou nenhum empréstimo alegado pela instituição bancária. Abaixo, temos a Cédula de Identidade juntada pela Instituição Bancária (apresentada juntamente com o suposto contrato de empréstimo), alegando então o banco, ser verdadeira a contratação e, que no momento da contratação, a pessoa apresentou a cédula abaixo... mas... 10 Por mais que a foto esteja em preto e branco, nota-se a divergência de pessoas na foto da cédula juntada pelo banco, com a cédula juntada pela autora da ação. Observação: Além disso, um perito papiloscópico conseguiria analisar a divergência nas digitais. 2.2. INFORMAÇÕES MUTÁVEIS E IMUTÁVEIS Algumas informações podem alterar de uma via para a outra, por isso, devem ser ignoradas se houverem alteração da 1ª via para a 2ª por exemplo, não querendo dizer então que seja falsa em caso de dados diferentes. Mas, há informações imutáveis, ou seja, que não se alteram, que mesmo que haja uma diferença de expedição de via, deveria constar a mesma informação. Um exemplo disto é o registro de nascimento no cartório, onde consta no verso da Cédula de Identidade apresentada pela autora, vejamos: 11 Agora, vejamos o verso da cédula apresentada pela parte ré: Como ambas trazem informação e dados de vias diferentes (uma é 2ª via e a outra é 3ª via), algumas informações divergentes não devem ser levadas em consideração (data de expedição, por exemplo), um exemplo e duas informações imutáveis que deveriam continuar as mesmas são: o “Registro Geral”, bem como o “Documento de Origem”, o registro continua o mesmo, mas o Documento de Origem não, trazendo assim mais um vestígio de falsificação. Observação! Algumas partes foram ocultadas com uma tarja preta, para fins de segurança. 2.3. DIVERGÊNCIA DE FORMATO DE LETRA A divergência de formato de letra se dá pelo tipo de falsificação, alguns falsários usam para alteração ou leitura de Cédulas falsas aquilo que era antigamente usado, as chamadas máquinas de datilografias, veja um exemplo abaixo de como é a letra em uma cédula antiga com máquina datilográfica: 12 Observação! A datilografia se manteve constantemente presente nos documentos pessoais entre 1941 e 1990, porém, alguns documentos ainda continuaram sendo datilografados em alguns estados até meados de 2006 (casos de extrema exceção em comarcas menos avançadas tecnologicamente). MÓDULO III AULA 4 DIFERENÇAS DE TINTAS – CANETA ESFEROGRÁFICAS E IMPRESSÕES Como saber se o elemento é feito à caneta ou impresso? Bem como qual a forma de impressão utilizada? Para isso, pode ser usado o microscópio digital, onde facilmente, com a aproximação, nota-se a característica da tinta do elemento. Vamos dividir os elementos como: a) Impressão tipográfica; b) Impressão de Jato de tinta; c) Impressão a laser; d) Caneta Esferográfica. É importante tal elucidação, pois, assim você pode distinguir se por exemplo, a assinatura presente em um documento submetido a análise é um elemento a base de tinta esferográfica, ou é fruto da impressão. Observa-se que quando é a caneta, logicamente não tem medida definida. Pois varia do punho subscritor. 13 AULA 5 DATAÇÃO DE TINTA 1. Conceitos e esclarecimentos: A datação de tinta é uma das partes mais importantes do estudo pericial documentoscópico, pois, a maioria das falsificações documentais se dão mediante complementos numéricos em valores de notas promissórias, cheque e recibos, na prática, aumentando valores mediante caneta esferográfica. Primeiramente, já informo que não existe no mundo ainda, um aparelho tão moderno que te oferece a data exata da tinta da caneta esferográfica, entretanto, existe aparelhos que te oferecem a distinção, uma vez adulterada uma grafia, desde que haja um período de tempo. Mas como é este período entre uma grafia e outra? Depende, o aparelho detecta aquela tinta/solvente que já secou e, impregnou e envelheceu no suporte (normalmente papel), ou seja, se a tinta/solvente, secou, impregnou e envelheceu no papel, se expandindo e se tornando parte do mesmo, faz com que haja luminescência quando entra em contato com a luz ultravioleta, raio infravermelho e luz de WOOD. Eis a questão! Sendo assim, os pontos principais são: 1º O SUPORTE: O tipo de papel, pois ele que vai fazer com que a tinta se impregne nele, ou seja, quanto mais “grosso” o papel mais tempo irá demorar. 2º A PRESSÃO: Usada pelo punho na escrita, pois, quanto mais pressão usada, mais tinta e solvente a caneta esferográfica soltará ao suporte, e, logicamente, quanto mais tinta/solvente mais tempo demora pra secar, impregnar e envelhecer. Sim, não é ciência realmente exata, pois tem subjetividades... ... Esta é uma explicação de forma simples, para que você que está entrando no tema, possa assimilar. Mas vejamos o que um renomado doutrinador disserta sobre o tema: “A quantidade inicial do solvente aposta no traço é dependente da pressão da escrita e do tamanho da esfera da caneta, pois isto influencia na profundidade e largura do traço, liberando mais ou menos 2-fenoxietanol, além do que existem diferenças no conteúdo relativo de 2-fenoxietanol entre diferentes tipos de tintas esferográficas. Alguns autores tentaram minizar este problema trabalhando com a razão entre as concentrações de dois compostos diferentes no mesmo lançamento a caneta.” E continua... “Na prática, é impossível garantir a homogeneidade da tinta aplicada no papel, assim a datação só será possível se os erros provocados pelas diferenças de quantidades de 1-fenoxietanol devido aos fatores acima comentados forem menores do que as reais diferenças de 14 quantidade de 2-fenoxietanol devido ao envelhecimento”. (Weyermann et. Al., 2011). Cabe ainda ressaltar sobre a subjetividade, que cada caneta pode ter um solvente produzido de forma diferente, fazendo com que envelheça mais ou menos rápido. Por estes e outros motivos, que geralmente os estudos de datação de tinta realizam experimentos sob condições laboratoriais de armazenamento, mas o ideal é que mais estudos contendo espécimes de casos reais fossem realizados, para que os efeitos destesfatores ambientais na concentração e evaporação de solventes pudessem ser testados. Mas, devido ao aumento de falsificações neste sentido, a área judicial trouxe um norte tal ciência, para tentar (o que a maioria dos casos consegue) solucionar as demandas nas quais o juiz não consegue sentenciar, ou, tem dúvida sobre a falsificação ou não. O que quero dizer com isso? Resumindo, tal exame de datação era, ou melhor, foi criado, para ser realizado apenas em DOCUMENTOS ANTIGOS/HISTÓRICOS ou QUASE HISTÓRICOS, no qual traz “com certeza” grafias originais já envelhecidas, fazendo com que qualquer adulteração ou complemento posterior e recente já seja facilmente visto com a análise e equipamento adequado. 2. Exemplo real de um caso judicial Vamos a um exemplo real sobre um caso pericial documentoscópico, mas antes, deve-se ressaltar dois pontos: 1º Por ser um caso real e conter nomes e dados, está página não deve ser enviada para pessoas de fora a este estudo, ou seja, acesso apenas aos alunos/futuros peritos integrantes deste curso, sendo assim, obviamente, esta parte não pode ser postada em nenhum artigo, trabalho acadêmico e principalmente em rede social. 2º Este caso terá vídeo aula dedicada ao tema, analisando os pontos da nota promissória, mostrando o uso do aparelho e falsificação apresentada. Dito isso, vamos ao caso: O caso trata-se de uma nota promissória no qual uma parte confessa que assinou e que realizou a compra do produto em uma loja de tintas, porém, afirma que quando assinou, não era o valor de R$ 4.852,00 e sim de R$ 852,00, alega ainda que apesar de o valor por extenso ir de encontro com o valor numérico, não se recorda se assinou com o campo do valor por extenso em branco ou não. Sendo assim, além dos demais, o perito já deve ficar atento a dois pontos importantes: Valor numérico e valor por extenso. 15 1º ponto analisado: Em primeiro momento, observa-se que realmente houve rasura grosseira no valor numérico, valor este se destacando aos demais devido a visível tonalidade maior e impregnação da tinta. 2º ponto analisado: O valor numérico está de acordo com o valor por extenso. VALOR NUMÉRICO AMPLIADO Pois bem, está é uma perícia de datação de tintas facilmente resolvida com o aparelho correto, para isso, usaremos o aparelho “HS525 magnifier”, um aparelho que dentre outras características emite raio UV, infravermelho e luz de WOOD ao mesmo tempo, fazendo com que, a grosso modo, para que você entenda, a tinta envelhecida se mostre, e a “tinta nova” desapareça. Vejamos: 16 Observe, o numeral “4” desaparece, o que isso quer dizer? Que na verdade, o valor real, antes da adição, rasura, falsificação, era na verdade R$ 852,00. Aí você talvez possa se perguntar, mas pera aí, por que o valor numérico “bate” com o valor por extenso? Na verdade, isso não quer dizer nada, pois a princípio, a pessoa pode ter assinado em branco e quando o falsário adicionou o número 4 adicionou também o valor por extenso. Essa é a conclusão inicial, maaas, é claro, vamos ver se ocorreu isso mesmo? Basta utilizar o mesmo instrumento e luzes no campo do valor extenso para ver o que aparece, vejamos: Conclusão: Sendo assim, basicamente, o laudo pericial deve esclarecer, detalhar e mostrar que, o valor real é R$ 852,00, bem como foi adicionado posteriormente o numeral “4” e como também o valor por extenso. MÓDULO IV AULA 6 FALSIFICAÇÕES MEDIANTE RASPAGEM OU COLAGEM São modos de falsificações comuns, especialmente usados em recibos, cheques e notas promissórias, para alterar principalmente valor e data. Ou é raspagem ou é colagem, os falsificadores não usam ambos em uma falsificação. O aparelho HS525 consegue notar tais falsificações, pois tem uma análise ampla e completa, mas não necessita dele necessariamente para chegar a conclusão, isso porque apenas com o microscópio digital, ou com uma lente de câmera (macro) do celular já se consegue averiguar se houve raspagem ou colagem. Sabendo assim, apesar de na maioria dos casos serem facilmente averiguados e analisados são falsificações comuns. 17 FALSIFICAÇÃO MEDIANTE RASPAGEM A raspagem é normalmente realizada com um material de metal (extrator de grampo, por exemplo) ou borracha comum (levemente molhada ou não). De qualquer forma a maneira não importa necessariamente, e sim a conclusão pericial. Antes da raspagem: Depois da raspagem: Foto aproximada da falsificação (câmera macro): 18 Neste caso, foi raspado o numeral “1” do campo “valor”, e escrito posteriormente o numeral “8”. Após, houve a escrita por extenso do valor, corroborando é claro com o numeral após a falsificação. Observe, quando uma pessoa assina um documento como este ou similar, com o valor por extenso em branco, abre margem para falsificações, sejam elas grosseiras ou não. FALSIFICAÇÃO MEDIANTE COLAGEM Mesmo exemplo acima, normalmente a colagem é realizada com cola bastão, pois deixa menos vestígios que a cola líquida. Vamos mostrar então como fica após a colagem: Neste exemplo, foi usado um fundo similar ao do recibo original (podendo ser cortado com estilete ou tesoura), e usado uma cola bastão para colagem, posteriormente, é escrito o numeral, ou, o recorte já é colado com o numeral presente na peça de colagem. Novamente, o modus operandi não importa, e sim a análise de conclusão do perito. Observe abaixo a foto aproximada, com câmera macro: 19 AULA 7 FALSIFICAÇÃO EM SELOS DE AUTENTICAÇÃO Os selos tem a finalidade de segurança, fé pública e controle/registro documental. Pois são eles que autenticam os documentos públicos. As falsificações em selos são mais comuns aqueles emitidos pelos Cartórios. Falsários usam dos mesmos para autenticar um documento no qual não passou pelo cartório. Mas como? Temos duas formas: 1ª – reutilização: Pegando um selo de autenticação já usado, o retirando do papel usado, delicadamente, com um auxilio de um estilete e colando novamente em outro documento (o mais comum); 2ª – nova impressão: Não é uma nova impressão de selo, e sim uma impressão no próprio selo, com as palavras que deseja, como “reconhecimento de firma” ou “reconhecimento por autenticidade” (raro, mas já visto). Qual a finalidade da falsificação? Autenticar e trazer fé pública a um documento que na verdade não foi emitido pelo cartório, como uma certidão de imóvel, importantíssimo para a compra e venda de um imóvel, ou até mesmo um reconhecimento de firma/assinatura. Como analisar se um selo é autêntico ou falso (reutilizado/nova impressão)? Vejamos: a) Selo com alteração impressa: Este é um selo referente a reconhecimento de firma, ou seja, reconhecimento da assinatura. A “olho nu”, é possível notar regiões esbranquiçadas onde está escrito “reconhecimento por autenticidade”, fazendo com que se tenha indícios de reutilização. Para análise usa-se o equipamento “HS525 magnifier”, usando a junção de Luz UV, Raio Infravermelho e Luz de WOOD, é possível notar que realmente foi falsificado mediante impressão. 20 Observe que sob o efeito das luzes, principalmente infravermelho, existe uma mancha preta, cobrindo a frase “reconhecimento por autenticidade”, uma mancha que parece de difícil autenticação, mas quando se tem um modelo de selo original é fácil saber o que se encontrava antes. Estes acima são os dois modelos originais dos selos, ou seja, o falsário tinha em mãos o selo com a descrição “FIRMA 2”, mas o falsário realizou uma raspagem ou um composto líquido na ponta de um cotonete com bicabornatoe água, retirando a frase “FIRMA 2” e realizando a impressão de “reconhecimento por autenticidade”. Entretanto, como vemos acima, o aparelho consegue identificar o que estava impresso antes da falsificação. b) Reutilização de selo A reutilização de selo é a falsificação mais comum, onde o falsário retira, cuidadosamente, com estilete o selo desejado, e o cola em um documento diverso, no qual ele, de forma criminosa, quer atribuir a “autenticidade” a aquele documento falso. Será realizada um vídeo aula sobre ambas as falsificações mencionadas. ** MODELO LAUDO ESTÁ BAIXADO.