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INCONFIDÊNCIA MINEIRA Aula 39 175 Em Minas Gerais, ocorreu um movimento emancipacionista conhecido como Inconfidência Mineira (ou Conjuração Mineira), o primeiro a pregar a independência política. Para compreender os motivos que provocaram esse movimento, é preciso entender a crise da mineração. 1 Já em 1720, muito antes da Inconfidência Mineira, a população de Vila Rica (atual Ouro Preto) revoltou-se contra as fiscalizações e cobranças de impostos excessivos por parte da Coroa portuguesa, episódio que ficou conhecido como Revolta de Filipe dos Santos, demonstrando a insatisfação da população muito antes dos inconfidentes organizarem-se para o movimento. Durante o século XVIII, a produção do ouro passou a decair em razão do esgotamento das jazidas do metal. Com a produção mais baixa, os lucros do governo português seriam menores. A reação do governo, em vez de tentar buscar atividades econômicas alternativas, foi intensificar a fiscalização e a cobrança de impostos. Instituiu-se, assim, a derrama, a cobrança de impostos atrasados – na época, esses impostos acumulavam quase 600 arrobas de ouro. Essa medida gerou um clima de insatisfação crescente. Ao mesmo tempo, ideias iluministas de liberdade econômica e soberania popular encontravam espaço para sua propagação. As notícias sobre o sucesso da independência dos Estados Unidos da América contra a Inglaterra também influenciaram os brasileiros. Estudantes mineiros correspondiam-se com líderes revolucionários estadunidenses, em especial com Thomas Jefferson, pedindo apoio à revolução que se pretendia fazer em Minas Gerais, embora essa ajuda nunca tenha sido prestada. Vou pensar... Humm... Não! Foi nesse contexto, no início da década de 1780, que um grupo de intelectuais e letrados reuniu-se para organizar uma revolução diante das práticas abusivas do governo. Seus participantes representavam os interesses das camadas médias urbanas – militares, padres, estudantes, comerciantes – e os interesses da elite mineira. Fachadas coloniais na cidade de Ouro Preto, antiga Vila Rica, em Minas Gerais Entre eles, destacou-se Joaquim José da Silva Xavier, conhecido como Tiradentes, que, em virtude de uma de suas profissões, a de tropeiro, divulgava as ideias dos inconfidentes por onde passava e para pessoas de diferentes grupos da sociedade. Participaram, ainda, funcionários reais, como Cláudio Manuel da Costa e Tomás Antônio Gonzaga. Cláudio Manuel da Costa, Alvarenga Peixoto (proprietário de jazidas de ouro) e Tomás Antônio Gonzaga foram importantes participantes da Inconfidência e são, também, grandes representantes do Arcadismo (ou Neoclassicismo) no Brasil, movimento literário cuja poesia prega o retorno à Antiguidade Clássica e a um estilo de vida simples Cláudio Manuel da Costa Alvarenga Peixoto Tomás Antônio Gonzaga Das discussões influenciadas pelo Iluminismo, que combatia o Antigo Regime e propunha uma nova ordem política, econômica e social, os inconfidentes estabeleceram como objetivos a proclamação de uma república (embora alguns defendessem uma monarquia constitucional), a transferência da capital do Rio de Janeiro para São João del Rei, a liberação das manufaturas (que haviam sido proibidas pela Coroa portuguesa), a instalação de uma fábrica de pólvora, a criação da Universidade de Vila Rica e a anistia das dívidas. Resposta de Joaquim José da Silva Xavier (Tiradentes) ao desembargador Rocha, de Leopoldino de Faria. Óleo sobre tela. Museu da Inconfidência, Ouro Preto, Minas Gerais. Segundo os planos, a revolução iria estourar no dia da derrama. No entanto, o movimento não conseguiu ir além da discussão teórica, pois, às vésperas, o movimento foi traído por um dos inconfidentes, Joaquim Silvério dos Reis, que denunciou os planos ao governador das Minas Gerais – visconde de Barbacena –, em troca da suspensão do pagamento de suas dívidas. Assim, efetuou-se a prisão dos envolvidos, em março de 1789. Em abril de 1792, após o julgamento dos inconfidentes, a sentença condenou onze deles à morte. Em seguida, a decisão foi substituída por exílio perpétuo na África, exceto para Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, que foi executado na forca, tendo seu corpo sido esquartejado e espalhado na estrada que ligava Vila Rica (em Minas Gerais) ao Rio de Janeiro para servir de exemplo aos demais inconfidentes. Sua casa foi destruída; a terra, salgada; e seus descendentes, amaldiçoados. Tiradentes Esquartejado, originalmente chamado Tiradentes Supliciado, óleo sobre tela de 1893 do pintor brasileiro Pedro Américo de Figueiredo e Melo. image1.jpeg image2.png image3.png image4.png image5.jpeg image6.jpeg image7.png image8.png image9.jpeg image10.png image11.png image12.jpeg image13.png image14.png image15.jpeg image16.emf image17.png image18.jpeg image19.jpeg image20.png image21.jpeg image22.png image23.emf image24.jpeg image25.png image26.png image27.png image28.jpeg