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<p>Indaial – 2023</p><p>Importação e</p><p>exportação</p><p>Prof. José Luciano S. de Alencar</p><p>1a Edição</p><p>LegIsLação</p><p>aduaneIra de</p><p>Elaboração:</p><p>Prof. José Luciano S. de Alencar</p><p>Copyright © UNIASSELVI 2023</p><p>Revisão, Diagramação e Produção:</p><p>Equipe Desenvolvimento de Conteúdos EdTech</p><p>Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI</p><p>Ficha catalográfica elaborada pela equipe Conteúdos EdTech UNIASSELVI</p><p>Impresso por:</p><p>C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO LEONARDO DA VINCI.</p><p>Núcleo de Educação a Distância. ALENCAR, José Luciano S. de.</p><p>Legislação Aduaneira de Importação e Exportação. José Luciano S. de</p><p>Alencar. Indaial - SC: Arqué, 2023.</p><p>212p.</p><p>ISBN XXX-XX-XXX-XXXX-X</p><p>“Graduação - EaD”.</p><p>1. Legislação 2. Importação 3. Exportação</p><p>CDD XXXXX</p><p>Bibliotecário: João Vivaldo de Souza CRB- 9-1679</p><p>Olá, acadêmico! Seja bem-vindo ao Livro Didático Legislação Aduaneira</p><p>de Importação e Exportação. Neste material, você encontrará o conhecimento</p><p>necessário para colocar em prática as estratégias necessárias para alcançar os seus</p><p>objetivos. Com um olhar para os aspectos legais que regem as aduanas no Brasil, você</p><p>poderá compreender todas as atividades aduaneiras, bem como suas respectivas</p><p>regulamentações e fiscalizações.</p><p>Este Livro Didático está dividido em três unidades, que percorrem os pontos</p><p>fundamentais, conteúdos bases para a compreensão que envolve a legislação aduaneira,</p><p>seguido pelos conhecimentos sobre determinados regimes aduaneiros especiais – um</p><p>conhecimento dos preceitos que regem o comércio exterior brasileiro.</p><p>Na Unidade 1, abordaremos assuntos pertinentes aos principais regimes adua-</p><p>neiros especiais e suas características, que são regidas pelo comércio exterior brasileiro.</p><p>Além disso você irá explorar as áreas de livre comércio, as zonas de processamento, a</p><p>Zona Franca Verde e Zona Franca, relacionadas às áreas de franquias territoriais.</p><p>Em seguida, na Unidade 2, estudaremos a ferramenta indispensável para o</p><p>mundo dos negócios difundida pelo planejamento estratégico. Analisaremos o mercado</p><p>externo e sua atuação nas exportações de produtos e serviços. Por conseguinte, abor-</p><p>daremos os incentivos fiscais desenvolvidos pelo governo para fomentar as exportações.</p><p>Por fim, na Unidade 3, aprenderemos os aspectos operacionais que transpõem</p><p>o despacho nas operações de importação e exportação e sua sistematização</p><p>compreendidos nos serviços e atividades profissionais relacionados à alfândega.</p><p>Ao final, a partir do conteúdo deste livro, você compreenderá que profissionais</p><p>especialistas em todos os tipos de transações internacionais devem aperfeiçoar-se</p><p>nas estratégias de negócios, pesquisa de mercado, logística, ter conhecimento sobre</p><p>legislação aduaneira na importação e exportação, como também, entendimento da</p><p>economia global.</p><p>Bons estudos!</p><p>Prof. José Luciano S. de Alencar</p><p>APRESENTAÇÃO</p><p>Olá, acadêmico! Para melhorar a qualidade dos materiais ofertados a você – e</p><p>dinamizar, ainda mais, os seus estudos –, nós disponibilizamos uma diversidade de QR Codes</p><p>completamente gratuitos e que nunca expiram. O QR Code é um código que permite que você</p><p>acesse um conteúdo interativo relacionado ao tema que você está estudando. Para utilizar</p><p>essa ferramenta, acesse as lojas de aplicativos e baixe um leitor de QR Code. Depois, é só</p><p>aproveitar essa facilidade para aprimorar os seus estudos.</p><p>GIO</p><p>Olá, eu sou a Gio!</p><p>No livro didático, você encontrará blocos com informações</p><p>adicionais – muitas vezes essenciais para o seu entendimento</p><p>acadêmico como um todo. Eu ajudarei você a entender</p><p>melhor o que são essas informações adicionais e por que você</p><p>poderá se beneficiar ao fazer a leitura dessas informações</p><p>durante o estudo do livro. Ela trará informações adicionais</p><p>e outras fontes de conhecimento que complementam o</p><p>assunto estudado em questão.</p><p>Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos</p><p>os acadêmicos desde 2005, é o material-base da disciplina.</p><p>A partir de 2021, além de nossos livros estarem com um</p><p>novo visual – com um formato mais prático, que cabe na</p><p>bolsa e facilita a leitura –, prepare-se para uma jornada</p><p>também digital, em que você pode acompanhar os recursos</p><p>adicionais disponibilizados através dos QR Codes ao longo</p><p>deste livro. O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura</p><p>interna foi aperfeiçoada com uma nova diagramação no</p><p>texto, aproveitando ao máximo o espaço da página – o que</p><p>também contribui para diminuir a extração de árvores para</p><p>produção de folhas de papel, por exemplo.</p><p>Preocupados com o impacto de ações sobre o meio ambiente,</p><p>apresentamos também este livro no formato digital. Portanto,</p><p>acadêmico, agora você tem a possibilidade de estudar com</p><p>versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador.</p><p>Preparamos também um novo layout. Diante disso, você</p><p>verá frequentemente o novo visual adquirido. Todos esses</p><p>ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos</p><p>nas pesquisas institucionais sobre os materiais impressos,</p><p>para que você, nossa maior prioridade, possa continuar os</p><p>seus estudos com um material atualizado e de qualidade.</p><p>QR CODE</p><p>Acadêmico, você sabe o que é o ENADE? O Enade é um</p><p>dos meios avaliativos dos cursos superiores no sistema federal de</p><p>educação superior. Todos os estudantes estão habilitados a participar</p><p>do ENADE (ingressantes e concluintes das áreas e cursos a serem</p><p>avaliados). Diante disso, preparamos um conteúdo simples e objetivo</p><p>para complementar a sua compreensão acerca do ENADE. Confi ra,</p><p>acessando o QR Code a seguir. Boa leitura!</p><p>ENADE</p><p>LEMBRETE</p><p>Olá, acadêmico! Iniciamos agora mais uma</p><p>disciplina e com ela um novo conhecimento.</p><p>Com o objetivo de enriquecer seu conheci-</p><p>mento, construímos, além do livro que está em</p><p>suas mãos, uma rica trilha de aprendizagem,</p><p>por meio dela você terá contato com o vídeo</p><p>da disciplina, o objeto de aprendizagem, materiais complementa-</p><p>res, entre outros, todos pensados e construídos na intenção de</p><p>auxiliar seu crescimento.</p><p>Acesse o QR Code, que levará ao AVA, e veja as novidades que</p><p>preparamos para seu estudo.</p><p>Conte conosco, estaremos juntos nesta caminhada!</p><p>SUMÁRIO</p><p>UNIDADE 1 - INTRODUÇÃO COMPARADA DE LEGISLAÇÃO ADUANEIRA .......................... 1</p><p>TÓPICO 1 - ORDENAÇÃO ADUANEIRA ..................................................................................3</p><p>1 INTRODUÇÃO .......................................................................................................................3</p><p>2 ORGANIZAÇÃO ADMINISTRATIVA DA ADUANA NO BRASIL ............................................3</p><p>3 LEGISLAÇÃO E REGULAMENTO ADUANEIRO BRASILEIRO .............................................6</p><p>3.1 DECRETO QUE REGULAMENTA A ADMINISTRAÇÃO DAS ATIVIDADES</p><p>ADUANEIRAS ................................................................................................................................................8</p><p>3.2 DA FISCALIZAÇÃO ADUANEIRA ...................................................................................................... 10</p><p>3.3 O CONTROLE E A TRIBUTAÇÃO DAS OPERAÇÕES DE COMÉRCIO EXTERIOR ....................... 14</p><p>3.4 DA JURISDIÇÃO ADUANEIRA .......................................................................................................... 18</p><p>RESUMO DO TÓPICO 1 ........................................................................................................ 22</p><p>AUTOATIVIDADE ................................................................................................................. 23</p><p>TÓPICO 2 - REGIMES ADUANEIROS ESPECIAIS ............................................................... 25</p><p>1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................... 25</p><p>2 REGIMES ADUANEIROS ESPECIAIS E SUAS CARACTERÍSTICAS ................................ 25</p><p>2.1 TRÂNSITO ADUANEIRO ...................................................................................................................... 27</p><p>2.2 ADMISSÃO TEMPORÁRIA ..................................................................................................................29</p><p>ou despachada</p><p>para reexportação ou para exportação e conduzida em veículo com</p><p>destino ao exterior (BRASIL, 2009).</p><p>2.2 ADMISSÃO TEMPORÁRIA</p><p>Em cada aduana, a documentação de trânsito aduaneiro deve ser apresentada à</p><p>autoridade competente, com a possibilidade de incluir o formulário que cada país utiliza</p><p>para esse fim, como o conhecimento de embarque e a fatura comercial, por exemplo.</p><p>Não devemos esquecer que as alfândegas costumam ter processos previamente</p><p>definidos, como padrões, por motivos operacionais. O normal é que eles tenham a</p><p>documentação necessária a todas aquelas pessoas as quais desejam realizar um</p><p>trânsito aduaneiro.</p><p>Em complemento, abordaremos o Regime de Admissão Temporária. Você deve</p><p>se perguntar: o que significa esse tipo de operação? O regime aduaneiro e tributário, de</p><p>acordo com a legislação brasileira aplicável, é o que permite a entrada de mercadorias e/</p><p>ou bens provenientes do exterior sem encargos tributários decorrentes de operações de</p><p>importação ou com carga tributária reduzida proporcional ao período durante o qual as</p><p>mercadorias permanecerão no país. Essas mercadorias devem ser importadas para um</p><p>fim específico e devem ser destinadas à reexportação dentro de um prazo determinado e</p><p>sem que tenham sofrido qualquer alteração, exceto a depreciação normal pelo uso delas.</p><p>De acordo com o Siscomex, esse regime aduaneiro especial com suspensão</p><p>total do pagamento de tributos “é o que permite a importação de bens que devam</p><p>permanecer no País durante prazo fixado, com suspensão total do pagamento dos</p><p>tributos incidentes na importação” (REGIMES ADUANEIROS, 2022, s. p.).</p><p>O Decreto-Lei nº 37, no seu Art. 75, estabelece nas importações vinculadas à</p><p>exportação: “Poderá ser concedida, na forma e condições do regulamento, suspensão</p><p>dos tributos que incidam sobre a importação de bens que devam permanecer no país</p><p>durante prazo fixado” (BRASIL, 1966). Já o Decreto nº 6.759, no seu Art. 354, “estabelece o</p><p>regime aduaneiro especial de admissão temporária com suspensão total do pagamento</p><p>de tributos e permite a importação de bens que devam permanecer no País durante</p><p>prazo fixado” (BRASIL, 2009).</p><p>O Sebrae-RJ (2020) esclarece que, basicamente, existem três modalidades de</p><p>admissão temporária:</p><p>30</p><p>• Com	fi	ns	econômicos: os bens são importados para prestar serviços a terceiros ou</p><p>para fabricar outros bens que, posteriormente, serão vendidos. Tendo sido calculada a</p><p>carga tributária normal da mercadoria a qual está sendo importada, o empreendedor</p><p>recolherá os tributos em forma proporcional ao prazo de permanência do bem no Brasil.</p><p>• Sem	fi	ns	econômicos: opção utilizada em importações destinadas a diversos tipos</p><p>de eventos – shows, campeonatos e congressos internacionais, produção de obras</p><p>audiovisuais, pesquisa científi ca etc. – em que para a realização dessas atividades</p><p>será necessária a importação de bens.</p><p>• Para aperfeiçoamento passivo: nessa modalidade, é possível importar mercadorias</p><p>que sofrem uma ação industrial passível ou não de modifi car suas características</p><p>básicas e, fi nalizada a operação industrial, a mercadoria será reexportada. Haverá a</p><p>suspensão total dos tributos, e o objetivo dessa opção é possibilitar que empresas</p><p>estrangeiras contratem empresas nacionais para prestar diversos serviços industriais.</p><p>Os regimes de destinação suspensiva constituem um instituto de direito</p><p>aduaneiro. Este se justifi ca, entre outros, por motivos industriais, comerciais, de cortesia</p><p>internacional, culturais e educacionais.</p><p>Os bens/produtos sujeitos às admissões temporárias não são introduzidos</p><p>com o objetivo de os incorporar defi nitivamente ao consumo no território aduaneiro</p><p>nacional, mas para fi ns defi nidos em atividades úteis e/ou benéfi cas ao desenvolvimento</p><p>econômico do país.</p><p>2.3 DRAWBACK</p><p>Caro acadêmico, para fi nalizarmos a unidade, abordaremos a operação de</p><p>drawback, pois, nos últimos anos, o comércio exterior cresceu a níveis nunca antes</p><p>vistos. As economias dependem, em grande parte, de suas exportações e importações,</p><p>por isso é necessário conhecer o signifi cado de alguns termos que serão úteis ao falar</p><p>ou ler sobre o assunto.</p><p>Olá, acadêmico! Que tal uma pausa na leitura? Preparamos</p><p>um podcast bem interessante, especialmente para você.</p><p>Falaremos sobre um dos principais regimes aduaneiros</p><p>especiais – o drawback – uma excelente ferramenta à dis-</p><p>posição das exportações no Brasil. Aperte o play!</p><p>INTERESSANTE</p><p>31</p><p>O conceito de drawback foi originalmente elaborado nos EUA pelo Congresso</p><p>Continental de 1789. O seu escopo era limitado a artigos específicos importados ou</p><p>exportados diretamente.</p><p>A lógica por trás do programa de drawback é incentivar as empresas americanas</p><p>a competir em mercados estrangeiros sem sofrer desvantagem de preço por pagar</p><p>impostos sobre mercadorias importadas.</p><p>Nesse contexto, tecnicamente, o drawback corresponde à restituição de</p><p>direitos especialmente sobre um produto importado e, posteriormente,</p><p>exportado ou usado para produzir um produto voltado à exportação.</p><p>NOTA</p><p>Assim, podemos conceitualizar o drawback como a restituição de certos di-</p><p>reitos, impostos e certas taxas cobradas na importação de mercadorias e restituídas</p><p>quando a mercadoria é exportada ou destruída. A restituição é administrada após a ex-</p><p>portação ou destruição do produto importado/substituído ou do artigo fabricado a partir</p><p>desse produto. Formalmente, de acordo com o Siscomex, o drawback é:</p><p>Instituído pelo Decreto-Lei nº 37, de 1966, e aperfeiçoado por diver-</p><p>sas normas posteriores, é um regime aduaneiro especial que permite</p><p>a suspensão ou eliminação de tributos incidentes na aquisição de</p><p>insumos empregados na industrialização de produtos exportados. O</p><p>mecanismo funciona como um incentivo às exportações brasileiras,</p><p>pois reduz os custos de produção dos produtos exportáveis, tor-</p><p>nando-os mais competitivos no mercado internacional (DRAWBACK,</p><p>2023, s. p.).</p><p>Então, de acordo com o Decreto-Lei nº 37/1996, que regulamenta o Imposto de</p><p>Importação, bem como reorganiza os serviços aduaneiros dando outras providências:</p><p>Art. 78. Poderá ser concedida, nos termos e condições estabelecidas</p><p>no regulamento: I - Restituição, total ou parcial, dos tributos que</p><p>haja incidido sobre a importação de mercadoria exportada após</p><p>beneficiamento, ou utilizada na fabricação, complementação ou</p><p>acondicionamento de outra exportada.</p><p>II - Suspensão do pagamento dos tributos incidentes sobre a</p><p>importação de mercadoria a ser exportada após beneficiamento, ou</p><p>destinada à fabricação, complementação ou acondicionamento de</p><p>outra a ser exportada.</p><p>32</p><p>III - Isenção dos tributos que incidirem sobre importação de</p><p>mercadoria, em quantidade e qualidade equivalente à utilizada no</p><p>beneficiamento, fabricação, complementação ou acondicionamento</p><p>de produto exportado.</p><p>§ 1° - A restituição de que trata este artigo poderá ser feita mediante</p><p>crédito da importância correspondente, a ser ressarcida em</p><p>importação posterior (BRASIL, 1966).</p><p>As operações de drawback são muito comuns em países associados à Orga-</p><p>nização Mundial do Comércio (OMC) para que as mercadorias exportadas só paguem</p><p>impostos de importação no país onde serão consumidas ou utilizadas. “Atualmente,</p><p>existem três modalidades de drawback: suspensão, isenção e restituição de tributos.</p><p>As duas primeiras são administradas pela Secretaria de Comércio Exterior – Secex, ao</p><p>passo que a terceira é de competência da Receita Federal do Brasil – RFB” (DRAWBACK,</p><p>2023, s. p.).</p><p>De acordo com o Sebrae-RJ (2020, p. 15), o drawback representa um dos</p><p>principais regimes especiais aduaneiros, permitindo a importação “com suspensão</p><p>total dos tributos, tanto federais quanto estaduais; isenção ou restituição dos tributos</p><p>federais, de bens ou insumos destinados à produção ou ao emprego na industrialização</p><p>de bens a serem exportados ou que já foram exportados” e que:</p><p>• Drawback Integrado Suspensão: “o exportador solicita esse Ato Concessório</p><p>de Drawback antes de importar a mercadoria ou adquiri-la</p><p>no mercado interno”</p><p>(SEBRAE-RJ, 2020, p. 15).</p><p>• Drawback Integrado Isenção: a empresa solicita esse ato concessório a fim de</p><p>repor um estoque, ou seja, importou ou comprou no mercado interno, sem a intenção</p><p>de exportar, entretanto surgiu uma oportunidade e a empresa exportou. Pelo fato</p><p>de, na primeira operação de importação ou compra no mercado interno, os tributos</p><p>terem sido pagos, a empresa possui o benefício da nova compra do mesmo produto</p><p>com isenção, mas apenas dos tributos federais. O ICMS, o tributo estadual, não é</p><p>considerado para fins de compensação.</p><p>• Drawback Restituição: a empresa exportou, mas não havia solicitado benefício</p><p>de drawback, ou seja, pagou os tributos quando ocorreu a importação, mas, agora,</p><p>não mais fabricará este tipo de produto, isto é, não necessitará deste insumo. Ela</p><p>pode solicitar a restituição dos tributos pagos quando fizer a importação dos insumos</p><p>utilizados nos bens exportados.</p><p>Finalmente, o regime aduaneiro especial de drawback aduaneiro constitui no</p><p>reembolso de direitos aduaneiros, impostos e taxas pagos sobre itens importados que</p><p>são combinados com itens posteriormente exportados ou destruídos. A devolução</p><p>desses impostos ajuda, muitas vezes, a evitar uma bitributação. Para o contexto</p><p>empresarial, esse programa de devolução de impostos é capaz de aumentar a receita</p><p>da empresa, melhorando, assim, o seu fluxo de caixa. A devolução/restituição desses</p><p>direitos também pode melhorar a competitividade global, proporcionando a todas as</p><p>empresas condições de concorrência equitativas.</p><p>33</p><p>RESUMO DO TÓPICO 2</p><p>Neste tópico, você aprendeu:</p><p>• Identificar os conceitos e características dos regimes aduaneiros especiais.</p><p>• Entender a proposição e preceitos dos regimes aduaneiros correlatos ao comércio</p><p>exterior.</p><p>• Compreendeu que o regime aduaneiro especial de Drawback na importação fomenta</p><p>as exportações nacionais.</p><p>34</p><p>1 Os regimes aduaneiros especiais são tratamentos específicos destinados à</p><p>importação e à exportação de mercadorias de forma extraordinária. São regimes</p><p>com obrigações e controles fiscais tributários diferenciados dos Regimes Comuns</p><p>Aduaneiros, que ocorrem com isenção, suspensão parcial ou total de tributos, em</p><p>alguns casos mediante a garantia de tributos. Visam atender a circunstâncias e</p><p>requisitos específicos. Diante do exposto, assinale a alternativa CORRETA:</p><p>a) ( ) O regime aduaneiro especial de Drawback está reproduzido no regulamento</p><p>aduaneiro do Departamento de Operações de Comércio Exterior – DECEX, de</p><p>acordo com a portaria governamental.</p><p>b) ( ) A modalidade Drawback é um regime especial, no qual se pode importar sem o</p><p>pagamento de impostos, desde que o material importado seja transformado em</p><p>produtos que se destinem à exportação.</p><p>c) ( ) O regime aduaneiro Drawback permite a importação de bens e insumos em</p><p>caráter temporário sem o pagamento de tributos, com um prazo de três meses</p><p>na exportação do produto beneficiado.</p><p>d) ( ) O regime aduaneiro Drawback é permitido somente para empresas exportadoras.</p><p>2 Muitos países para evitar a incidência dos "tributos" nas exportações aplicam a</p><p>dinâmica de Drawback. No Brasil, o Drawback é normatizado por meio do Decreto Lei.</p><p>Consiste basicamente em eliminar ou suspender os tributos que possam incidir sobre</p><p>os insumos, matérias-primas e produtos importados que sejam usados na cadeia de</p><p>geração valor das mercadorias a serem exportadas. No que diz respeito ao regime</p><p>aduaneiro especial de importação Drawback, analise as sentenças a seguir:</p><p>I- A dinâmica do Drawback tem como objetivo incentivar a competitividade das expor-</p><p>tações por meio de desoneração tributária, reduzindo o peso dos tributos dentro da</p><p>estrutura de custos durante a cadeia produtiva dos produtos a serem exportados.</p><p>II- O incentivo de Ato Concessório de Drawback é concedido somente para o regime</p><p>especial Drawback isenção.</p><p>III- Na modalidade de isenção, é necessário que os insumos, matérias-primas e demais</p><p>produtos importados sejam fruto da reposição de outra importada anteriormente e</p><p>que já teve pagamento de tributos, sendo assim nesta modalidade sempre haverá</p><p>uma importação inicial que deu começo ao pagamento de tributos.</p><p>IV- A modalidade de suspensão é caracterizada pela suspensão de tributos antes</p><p>da importação de insumos com o comprometimento de uma exportação após</p><p>beneficiamento.</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>35</p><p>Assinale a alternativa CORRETA:</p><p>a) ( ) As sentenças I, III e IV estão corretas.</p><p>b) ( ) As sentenças I, II e III estão corretas.</p><p>c) ( ) As sentenças I e II estão corretas.</p><p>d) ( ) As sentenças II, III e IV estão corretas.</p><p>36</p><p>37</p><p>TÓPICO 3 -</p><p>ÁREAS ESPECIAIS DOS REGIMES</p><p>ADUANEIROS</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>Caro aluno! Nesta unidade, abordaremos regimes aduaneiros aplicados em</p><p>áreas especiais no contexto brasileiro, mas não deixando de lado o resto do mundo,</p><p>pois, como você sabe, vivemos em um mundo tão globalizado e super conectado. Per-</p><p>correremos um caminho muito interessante nas exportações; começaremos contextu-</p><p>alizando o tema desta unidade e, na sequência, os temas entreposto aduaneiro, áreas</p><p>de livre comércio, zonas de processamento, Zona Franca Verde e Zona Franca.</p><p>As áreas especiais dos regimes aduaneiros têm se mostrado um importante</p><p>instrumento à competitividade dos países, tornando-se canais para atrair investimentos,</p><p>gerar empregos, estimular a diversificação e produzir vínculos produtivos, bem como</p><p>transferir tecnologia. Este cenário é propício para aquelas empresas que buscam uma</p><p>forma de aumentar os seus lucros, minimizar os custos, reduzir o seu tempo e, assim,</p><p>enfrentar os desafios gerados por um mundo em mudança e com forte concorrência no</p><p>comércio exterior.</p><p>Nesse cenário, podemos indagar: por que, nos últimos anos, tem sido notório</p><p>o desenvolvimento desses locais no país, não só como geradoras de emprego, mas</p><p>também de investimento estrangeiro? A quem se destina a criação desses ambientes</p><p>produtivos? Quais os seus objetivos? Qual o interesse do governo nesses locais? Estas</p><p>e outras perguntas serão elucidadas no decorrer desta unidade.</p><p>2 REGIMES ADUANEIROS APLICADOS EM ÁREAS</p><p>ESPECIAIS</p><p>Os regimes aduaneiros são o conjunto de operações que buscam dar um destino</p><p>particular – local e finalidade específicos – a uma mercadoria, de acordo com o interesse</p><p>particular do importador ou exportador.</p><p>A importância desses regimes no comércio exterior pode ser definida a partir</p><p>dos seguintes pontos:</p><p>• Estabelecem regras gerais para tornar os processos de importação e exportação</p><p>mais eficientes.</p><p>• Permitem o controle aduaneiro de mercadorias que entram ou saem do país.</p><p>UNIDADE 1</p><p>38</p><p>Para atuar no mundo do comércio exterior, é preciso entender o fenômeno</p><p>que surge com a travessia transfronteiriça de mercadorias, onde atuam inúmeros fa-</p><p>tores que tornam essa atividade complexa e, claro, é muito importante conhecer os</p><p>principais requisitos, inclusive a análise de como é a legislação aduaneira e as suas</p><p>principais características.</p><p>Antes de começarmos, você se lembra o que é um regime aduaneiro? Ele pode ser definido</p><p>como o tratamento aplicado pelas alfândegas e sua administração às mercadorias</p><p>sujeitas ao controle aduaneiro. O conceito ou definição está de acordo com a Organização</p><p>Mundial das Alfândegas (OMA). Lembrando que, segundo o Capítulo 1 do Anexo Geral da</p><p>Convenção de Quioto (2010, p. 2):</p><p>• As Administrações Aduaneiras têm um papel a desempe-</p><p>nhar nas trocas mundiais. Elas têm como missão essencial</p><p>aplicar a lei, cobrar os direitos e taxas, desalfandegar rapida-</p><p>mente as mercadorias e assegurar o respeito pela legislação.</p><p>• A maneira como as Alfândegas executam as suas tarefas têm</p><p>repercussão sobre a circulação de pessoas e mercadorias</p><p>que são objeto de trocas internacionais.</p><p>• Para que a intervenção das Alfândegas seja reduzida ao</p><p>mínimo durante a circulação das mercadorias, as Adminis-</p><p>trações Aduaneiras modernas devem elaborar uma legis-</p><p>lação aduaneira compreensível e transparente.</p><p>A Convenção de Quioto foi um instrumento</p><p>jurídico produzido</p><p>em 1973, proposto pela Organização Mundial das Aduanas</p><p>(OMA) com o objetivo de desburocratizar os trâmites</p><p>aduaneiros e estabelecer procedimentos comuns às aduanas</p><p>do mundo. Revisada em 1999, uma nova versão da Convenção</p><p>(Convenção de Quioto Revisada – CQR) trouxe alguns avanços</p><p>em relação à versão original (AFFONSO, 2013, p. 1).</p><p>NOTA</p><p>A Convenção de Quioto representa uma Convenção Internacional sobre a Sim-</p><p>plificação e Harmonização dos Procedimentos Aduaneiros que entrou em vigor em 1974.</p><p>Desde então, o crescimento da carga internacional, os incríveis desenvolvimentos na</p><p>tecnologia da informação e um ambiente comercial internacional altamente competi-</p><p>tivo que se baseia na qualidade do serviço e na satisfação do cliente são influências as</p><p>quais criaram conflito com os métodos e procedimentos aduaneiros tradicionais.</p><p>A Organização Mundial de Aduanas revisou e atualizou, portanto, a Convenção</p><p>de Quioto, para assegurar que ela atenda às demandas atuais do comércio internacional.</p><p>O Conselho da OMA adotou a Convenção de Quioto, revisada em junho de 1999, como o</p><p>plano a procedimentos aduaneiros modernos e eficientes no século XXI.</p><p>39</p><p>Nesse contexto, essa convenção constitui-se em um mecanismo voltado a</p><p>auxiliar o desenvolvimento de procedimentos aduaneiros globais. Uma vez implementada</p><p>amplamente, ela proporcionará ao comércio internacional a previsibilidade e a eficiência</p><p>que o comércio moderno exige.</p><p>Observe, na Figura 6, os princípios fundamentais de governança.</p><p>Figura 6 – Princípios da Convenção de Quioto</p><p>Fonte: o autor</p><p>A figura apresenta, ao centro, uma logo da World Customs Organization, a qual, em</p><p>português, significa Organização Mundial das Alfândegas. Em torno dessa logo estão</p><p>descritos os seis princípios que regem essa organização. No hexágono superior,</p><p>vê-se o princípio da transparência e previsibilidade das ações das administrações</p><p>aduaneiras; nos dois hexágonos esquerdos estão, respectivamente, o princípio</p><p>da normalização e simplificação das declarações de mercadorias e respetivos</p><p>documentos comprovativos e o princípio dos procedimentos simplificados para</p><p>pessoas autorizadas. Nos dois hexágonos direitos, encontram-se os princípios do</p><p>uso máximo de tecnologias de TI e parceria com empresas, como também o princípio</p><p>de minimizar os controles alfandegários necessários para garantir a conformidade</p><p>com os regulamentos. No hexágono inferior, encontra-se o princípio da aplicação de</p><p>técnicas de gestão e avaliação de riscos em controles e coordenação de intervenções</p><p>com outros órgãos aduaneiros.</p><p>Transparência e</p><p>previsibilidade das</p><p>ações das administrações</p><p>aduaneiras</p><p>Aplicação de técnicas de</p><p>gestão e avaliação de riscos em</p><p>controles e coordenação de</p><p>intervenções com outros</p><p>órgãos aduaneiros</p><p>USO MÁXIMO DE</p><p>TECNOLOGIAS DE TI E</p><p>PARCERIA COM</p><p>EMPRESAS</p><p>Minimizar os controles</p><p>alfandegários necessários</p><p>para garantir a conformidade</p><p>com os regulamentos</p><p>Normalização e</p><p>simpli�cação das</p><p>declarações de mercadorias e</p><p>respetivos documentos</p><p>comprovativos</p><p>Procedimentos</p><p>simpli�cados para pessoas</p><p>autorizadas</p><p>ORGANIZAÇÃO MUNDIAL</p><p>DAS ALFÂNDEGAS</p><p>40</p><p>O processo de revisão incorporou importantes conceitos modernos. Estes</p><p>incluem a aplicação de nova tecnologia, a implementação de novas filosofias sobre o</p><p>controle aduaneiro e a disposição dos parceiros do setor privado em se engajar com a</p><p>alfândega em alianças mutuamente benéficas.</p><p>Dentre os novos princípios reguladores da Convenção de Quioto estão o com-</p><p>promisso das administrações aduaneiras de proporcionar transparência e previsibilidade</p><p>a todos os envolvidos em aspectos do comércio internacional. Além disso, a alfândega</p><p>compromete-se a adotar o uso de técnicas de gerenciamento de risco, a cooperar com</p><p>outras autoridades e comunidades comerciais relevantes, bem como a implementar pa-</p><p>drões internacionais apropriados.</p><p>A convenção revisada também contém regras novas e obrigatórias à sua apli-</p><p>cação, as quais todas as partes contratantes devem aceitar, sem reservas. Um comitê</p><p>de gestão deve ser estabelecido para assegurar que as disposições sejam mantidas</p><p>relevantes e atualizadas.</p><p>No Brasil, o Decreto nº 10.276 “promulga o texto revisado do Protocolo de</p><p>Revisão da Convenção Internacional para a Simplificação e a Harmonização dos</p><p>Regimes Aduaneiros - Convenção de Quioto, concluído em Bruxelas, em 26 de junho</p><p>de 1999” (BRASIL, 2020). Conforme preconiza esse decreto: “as Partes Contratantes</p><p>na Convenção Internacional para a Simplificação e a Harmonização dos Regimes</p><p>Aduaneiros, feita em Quioto, a 18 de maio de 1973, e que entrou em vigor a 25 de</p><p>setembro de 1974, a seguir designada ‘a Convenção’, elaborada sob os auspícios do</p><p>Conselho de Cooperação Aduaneira, a seguir designado ‘o Conselho’” (BRASIL, 2020).</p><p>A promulgação dele leva a algumas considerações, a fim de alcançar os objeti-</p><p>vos dessa convenção, como:</p><p>I. Eliminar as disparidades entre os regimes aduaneiros e as práticas</p><p>aduaneiras das Partes Contratantes, que podem dificultar o</p><p>comércio e as outras trocas internacionais.</p><p>II. Responder às necessidades do comércio internacional e</p><p>das Administrações Aduaneiras em matéria de facilitação,</p><p>simplificação e harmonização dos regimes aduaneiros e das</p><p>práticas aduaneiras.</p><p>II. Assegurar a elaboração de normas adequadas em matéria de</p><p>controle aduaneiro.</p><p>IV. Permitir que as Administrações Aduaneiras se adaptem às altera-</p><p>ções significativas ocorridas no comércio e nos métodos e técnicas</p><p>administrativas. E considerando também que a convenção alterada:</p><p>V. Deve assegurar que os princípios fundamentais dessa simplificação</p><p>e harmonização sejam vinculantes para as Partes Contratantes.</p><p>VI. Deve permitir às Administrações Aduaneiras dotar-se de procedi-</p><p>mentos apoiados em métodos de controle apropriados e eficazes.</p><p>VII. Permitirá alcançar um elevado grau de simplificação e</p><p>harmonização dos regimes aduaneiros e das práticas aduaneiras</p><p>– o que constitui um dos objetivos essenciais do Conselho de</p><p>Cooperação Aduaneira – contribuindo assim eficazmente para o</p><p>desenvolvimento do comércio internacional (BRASIL, 2020).</p><p>41</p><p>Agora, você pode se perguntar: qual seria o motivo da adesão do Brasil a essa</p><p>convenção? Veja o que afirma Deffenti (2023, s. p., tradução e grifo nosso):</p><p>O Brasil também possui regras próprias de preços de transferência</p><p>e conceitos complexos de zero. Muitas vezes, a responsabilidade</p><p>tributária é solidária e, em algumas circunstâncias, as dívidas do</p><p>governo podem ser compradas de outros credores para pagar</p><p>fiscais. O descumprimento das leis tributárias e alfandegárias</p><p>geralmente leva a pesadas sanções. Os procedimentos</p><p>alfandegários do Brasil são muito formalistas e os burocratas</p><p>brasileiros raramente estão dispostos a lidar de forma justa com os</p><p>erros contidos nos documentos.</p><p>Muitos novos entrantes no Brasil subestimam as dificuldades de lidar com a</p><p>alfândega brasileira. Para aqueles que desejam criar uma empresa (ou entrar em</p><p>acordos de compartilhamento de riscos) é importante ter boa compreensão dos</p><p>impostos corporativos e do regulamento aduaneiro, em particular dos regimes especiais</p><p>que constituem uma maneira de minimizar impactos tributários, a fim de melhorar a</p><p>competitividade das empresas e indústrias (DEFFENTI, 2023, s. p.).</p><p>Nesse cenário, surgem os regimes aduaneiros especiais aplicados em áreas</p><p>especiais, que são regimes com obrigações e controles tributários diferenciados dos</p><p>regimes aduaneiros comuns, que ocorrem com isenção, suspensão parcial ou total</p><p>de tributos, em alguns casos, mediante garantia de tributos. Eles visam a atender a</p><p>circunstâncias e requisitos específicos.</p><p>São bens que permanecem no país ou que saem dele em caráter temporário,</p><p>atendendo à necessidade de reparos, exposições, feiras, serviços, ensaios, materiais</p><p>para fins científicos, composição de outros bens destinados à exportação, como partes</p><p>e partes de produto acabado para uso no processo produtivo e outros.</p><p>Todo regime aduaneiro especial</p><p>depende de requerimento do importador ou</p><p>exportador, ficando sob responsabilidade da Secretaria de Comércio Exterior e da</p><p>Secretaria da Receita Federal do Brasil analisar o requerimento e os documentos que</p><p>comprovem as circunstâncias e requisitos legais, bem como proceder à homologação</p><p>do arguido, com o prazo de aplicação do regime.</p><p>Veja o que afirma a Receita Federal sobre os regimes aduaneiros especiais a</p><p>essas áreas:</p><p>Os regimes aduaneiros especiais, em suas mais variadas espécies,</p><p>apresentam como característica comum a exceção à regra geral de</p><p>aplicação de impostos exigidos na importação de bens estrangeiros</p><p>ou na exportação de bens nacionais (regimes comuns de importação</p><p>e de exportação), além da possibilidade de tratamento diferenciado</p><p>nos controles aduaneiros.</p><p>A importância econômica dos regimes aduaneiros especiais não</p><p>se restringe à desoneração de impostos na importação de bens</p><p>estrangeiros destinados à industrialização no País de produto final a</p><p>https://lawsofbrazil.com/tax-and-customs/#transferpricing</p><p>42</p><p>ser exportado, com seus efeitos positivos sobre a balança comercial</p><p>decorrentes de maior competitividade do produto nacional no</p><p>mercado internacional.</p><p>A utilização de regimes aduaneiros especiais, tendo em vista a natu-</p><p>reza de cada uma de suas espécies e respectivas aplicações, também</p><p>tem outros efeitos importantes na atividade econômica, tais como:</p><p>a) o armazenamento, no País, de mercadorias estrangeiras, por prazo</p><p>determinado, permitindo ao importador manutenção de estoques</p><p>estratégicos e o pagamento de tributos por ocasião do despacho</p><p>para consumo;</p><p>b) realização de feiras e exposições comerciais; e</p><p>c) o transporte de mercadorias estrangeiras com suspensão de</p><p>impostos, entre locais sob controle aduaneiro (REGIMES ADUANEIROS</p><p>ESPECIAIS, 2023, s. p.).</p><p>A permanência da mercadoria no regime está vinculada à finalidade para a qual</p><p>essa mercadoria foi importada, exportada ou adquirida no mercado interno. Antes de</p><p>finalizar o período de aplicação do regime, o importador ou exportador deverá formalizar a</p><p>extinção do regime com um dos regimes previstos na legislação pertinente, concluindo,</p><p>assim, o procedimento.</p><p>A atribuição de um regime especial tem um duplo efeito suspensivo, por meio</p><p>da isenção dos operadores de comércio exterior das obrigações normalmente inerentes</p><p>à importação ou exportação, ou seja, do pagamento de direitos e impostos aduaneiros,</p><p>do cumprimento de regras de política comercial e do econômico colocando esses</p><p>operadores em condições favoráveis para enfrentar a concorrência internacional.</p><p>Os regimes especiais são utilizados em todas as fases da atividade industrial</p><p>e comercial, como no desenvolvimento, armazenamento, produção, subcontratação,</p><p>prospecção e distribuição. Enquanto esses sistemas tinham, na origem, uma finalidade</p><p>essencialmente fiscal, a vertente econômica foi-se alargando gradualmente, de modo a</p><p>melhor responder à diversidade de situações empresariais e reforçar as suas posições</p><p>no mercado mundial. Por isso, cada regime econômico oferece variantes ou métodos</p><p>específicos, o que explica a relativa complexidade dessa regulação.</p><p>Affonso (2013, p. 1) argumenta que “no panorama econômico atual, o comércio</p><p>internacional exerce o importante papel de movimentar todo o fluxo de mercadorias entre</p><p>os países, utilizando-se das Aduanas como ferramenta para a realização destas trocas”.</p><p>Os regimes em áreas especiais são regimes aduaneiros e tributários especiais do Brasil,</p><p>aplicados em um âmbito territorial específico, constituídos por um conjunto de regula-</p><p>mentos, procedimentos e incentivos aduaneiros e tributários aplicáveis a uma delimitação</p><p>territorial, em geral, separada do território e sujeita ao regime aduaneiro geral.</p><p>Os regimes aduaneiros aplicados em áreas especiais foram desenvolvidos com</p><p>o objetivo de atender a certas peculiaridades em polos regionais específicos, tendo em</p><p>vista a grande extensão territorial brasileira.</p><p>43</p><p>Observe, na Figura 7, as principais características dos regimes aduaneiros</p><p>comum, especial e áreas especiais aduaneiras.</p><p>Figura 7 – Regimes aduaneiros comum, especial e áreas especiais aduaneiras</p><p>REGIME</p><p>ADUANEIRO</p><p>COMUM</p><p>REGIME</p><p>ADUANEIRO</p><p>ESPECIAL</p><p>ÁREAS</p><p>ESPECIAIS</p><p>Despacho para</p><p>o consumo;</p><p>Recolhimento</p><p>de Impostos</p><p>Incorporação à</p><p>atividade</p><p>econômica em</p><p>caráter</p><p>de�nitivo.</p><p>Despacho para</p><p>�nalidades</p><p>especí�cas;</p><p>Suspensão de</p><p>impostos;</p><p>Prazo pré-de-</p><p>terminado para</p><p>utilização.</p><p>Zona Franca de</p><p>Manaus (ZFM)</p><p>Áreas de Livre</p><p>Comércio</p><p>Zonas de</p><p>processamento</p><p>de exportações</p><p>São cobrados os</p><p>tributos incidentes na</p><p>importação, salvo casos</p><p>de imunidade, isenção</p><p>ou alíquota zero.</p><p>Em regra, o crédito</p><p>tributário tem sua</p><p>exigibilidade suspensa.</p><p>O Regulamento</p><p>Aduaneiro (art. 307 e</p><p>ss.) trata de 17 espécies.</p><p>VINCULADAS A</p><p>DETERMINADAS</p><p>REGIÕES DO BRASIL.</p><p>Fonte: adaptada de Assad (2017)</p><p>A figura esquematiza os regimes aduaneiros Comum, Especial e Áreas Especiais</p><p>Aduaneiras, descrevendo as suas principais características. Assim, há três estrutu-</p><p>ras separadas, sendo apresentado, na estrutura da esquerda para a direita, no pri-</p><p>meiro retângulo azul-escuro, o tema do Regime Aduaneiro Comum. Embaixo dele há</p><p>a descrição do processo: primeiro, o despacho para o consumo, há o recolhimento</p><p>de impostos e os produtos/mercadorias são para a incorporação à atividade econô-</p><p>mica em caráter definitivo. No último retângulo, o de cor amarela, é descrito que são</p><p>cobrados os tributos incidentes na importação, salvo casos de imunidade, isenção</p><p>ou alíquota zero. Já no segundo retângulo, também na cor azul-escuro, está esque-</p><p>matizado, no seu início, o tema Regime Aduaneiro Especial. Na sequência, há mais</p><p>três retângulos azuis-claros apresentando a descrição do processo: os despachos</p><p>são para finalidades específicas, havendo a suspensão de impostos por um prazo</p><p>predeterminado para utilização. No último retângulo, o de cor amarela, é descrito</p><p>que, em regra, o crédito tributário tem a sua exigibilidade suspensa. O Regulamento</p><p>Aduaneiro (Art. 307 e ss.) trata de 17 espécies. Por fim, no último esquema, vê-se o</p><p>terceiro retângulo na cor azul-royal, com a expressão Áreas Especiais e, na sequên-</p><p>cia, há mais três retângulos na mesma cor com as denominações Zona Franca de</p><p>44</p><p>Manaus (ZFM), Áreas de Livre Comércio e Zonas de Processamento de Exportações</p><p>(ZPE). Finalizando a relação em um retângulo na cor amarela, lê-se que são áreas</p><p>vinculadas a determinadas regiões do Brasil.</p><p>A finalidade dos regimes territoriais especiais é criar condições que favoreçam o</p><p>investimento num determinado território para promover a sua ativação econômica, pois</p><p>empresas instalam-se com a finalidade de produzir bens e prestar serviços ao mercado</p><p>externo, prioritariamente, e gozar de incentivos em matéria aduaneira.</p><p>A seguir, veja três justificativas para a criação dessas áreas:</p><p>• Cargas tributárias são um obstáculo para empresas que desejam exportar ou importar</p><p>no Brasil. Em alguns determinados ramos, a cobrança exagerada de tributos torna as</p><p>atividades no comércio exterior insustentáveis. E com a intenção de mudar o cenário</p><p>e melhorar a economia, o governo criou regimes aduaneiros em áreas especiais.</p><p>• Os regimes aduaneiros em áreas especiais são benefícios fiscais e tributários que</p><p>são concedidos a algumas empresas brasileiras nos seus processos de exportação</p><p>e importação. Existem diversos tipos de regimes aduaneiros em áreas especiais.</p><p>Dentre os incentivos que são previstos pelo regulamento aduaneiro, estão a isenção</p><p>ou suspensão parcial dos incidentes ou tributos.</p><p>• Aproveitar dos regimes aduaneiros em áreas especiais permite que empresas possam</p><p>expandir o seu alcance comercial para além do Brasil, entretanto diversos gestores</p><p>não possuem o conhecimento sobre o tema e tampouco compreendem se o seu</p><p>mercado de atuação pode usufruir destas isenções.</p><p>Figura 8 – Mapa do Brasil</p><p>Fonte: https://shutr.bz/3JjYpC4. Acesso em: 7 mar. 2023.</p><p>https://shutr.bz/3JjYpC4</p><p>45</p><p>Assim, os regimes aduaneiros aplicados em áreas especiais possuem regime</p><p>especial de tributação e comércio exterior, além de benefícios especiais para importação</p><p>de mercadorias com os controles necessários às suas entrada e saída.</p><p>A principal fi nalidade dessas áreas é promover o desenvolvimento econômico</p><p>e social em locais remotos e esquecidos do país, os quais, apesar de possuírem</p><p>recursos físicos adequados para a instalação de qualquer indústria, bem como para o</p><p>investimento estrangeiro, até então não foram promovidos e explorados por diversos</p><p>setores comerciais e industriais.</p><p>2.1 ENTREPOSTOS ADUANEIRO NA EXPORTAÇÃO</p><p>O entreposto aduaneiro é um entreposto onde as mercadorias são armazenadas</p><p>sob o controle e a segurança das alfândegas. As mercadorias fi cam armazenadas em</p><p>local designado sem pagamento de taxas e impostos de importação até que lhes seja</p><p>atribuído um regime defi nitivo. A legislação nacional de cada nação deverá designar os</p><p>locais onde as mercadorias devem ser alocadas no território aduaneiro.</p><p>No comércio exterior, o idioma mais utilizado é o inglês. Por isso, se faz</p><p>necessária a familiarização com a língua. No contexto aqui apresentado, a</p><p>tradução de entreposto aduaneiro em inglês é customs warehouse.</p><p>ATENÇÃO</p><p>Com o intuito de promover a atividade econômica, muitos países oferecem a</p><p>possibilidade de utilizar procedimentos especiais aduaneiros. Estes permitem que você</p><p>armazene, processe, conserte ou use temporariamente mercadorias, bem como receba</p><p>suspensão ou, até mesmo, isenção de taxas alfandegárias.</p><p>Os entrepostos aduaneiros são de propriedade privada, com uma área desig-</p><p>nada controlada pelas autoridades aduaneiras usada exclusivamente para mercado-</p><p>rias importadas. Essas mercadorias estão isentas de taxas, impostos e outros encargos</p><p>alfandegários até saírem do armazém. Este procedimento especial é benéfi co a todas</p><p>as empresas que utilizam centros de distribuição, em especial, a estoques que podem</p><p>permanecer na prateleira por mais tempo.</p><p>46</p><p>De acordo com o Sebrae-RJ (2020, p. 17), esse regime especial aduaneiro é</p><p>muito utilizado, tanto na importação como na exportação, “para armazenar mercadorias</p><p>em recintos alfandegados determinados, com suspensão do pagamento de tributos</p><p>sendo que a movimentação e o uso desses bens são controlados pela Receita Federal</p><p>do Brasil por meio virtual ou presencial”.</p><p>As mercadorias e/ou os bens armazenados sob o amparo desse regime podem</p><p>ser destinados, dentre outras operações, para:</p><p>• Fornecimento a bordo de aeronaves utilizadas no transporte aéreo comercial</p><p>internacional;</p><p>• Posterior desembaraço de importação; e</p><p>• Fabricação dentro das próprias instalações do local alfandegado de produtos a serem</p><p>posteriormente exportados e as opções disponíveis deste regime são:</p><p>1. Entreposto aduaneiro na importação – Permite armazenar</p><p>mercadoria importada sem cobertura cambial, ou seja, que ainda</p><p>não foi paga, destinada a ser posteriormente desembaraçada</p><p>em forma total ou parcial; as mercadorias importadas com</p><p>cobertura cambial ou já pagas só podem usufruir deste regime</p><p>se forem destinadas a uma futura exportação. O prazo inicial de</p><p>permanência dos bens é de 01 (um) ano e excepcionalmente esse</p><p>prazo pode ser prorrogado, não podendo ultrapassar os 03 (três)</p><p>anos contados a partir da data na qual foi realizado o desembaraço</p><p>aduaneiro que possibilitou a utilização deste regime.</p><p>2. Entreposto aduaneiro na exportação – Esta opção é dividida</p><p>em duas submodalidades:</p><p>a. Comum – permite armazenar, por um ano, mercadorias destinadas</p><p>ao mercado externo;</p><p>b. Extraordinário – utilizado exclusivamente por empresas comer-</p><p>ciais exportadoras (trading companies) quando se tratar de mer-</p><p>cadorias destinadas à exportação, podendo serem armazenadas</p><p>por um prazo máximo de 90 (noventa) dias, em recinto alfande-</p><p>gado público, no local do fabricante/vendedor ou no armazém da</p><p>empresa comercial exportadora (SEBRAE-RJ, 2020, p. 17).</p><p>Um entreposto aduaneiro é um espaço seguro ao armazenamento de merca-</p><p>dorias aduaneiras, e o titular do entreposto deve ter alvará de entreposto aduaneiro. A</p><p>principal vantagem é permitir que a empresa armazene mercadorias nas instalações</p><p>ou em outros locais aprovados, sem que tais mercadorias estejam sujeitas a obriga-</p><p>ções tributárias, a menos que proíbam a entrada ou saída de mercadorias do território</p><p>aduaneiro da União.</p><p>Conforme preconiza o Decreto nº 6.759, de 5 de fevereiro de 2009, no seu Art.</p><p>411, “o entreposto aduaneiro na exportação compreende as modalidades de regime</p><p>comum e extraordinário” (BRASIL, 2009) e:</p><p>47</p><p>§ 1º Na modalidade de regime comum, permite-se a armazenagem</p><p>de mercadorias em recinto de uso público, com suspensão do</p><p>pagamento dos impostos federais;</p><p>§ 2º Na modalidade de regime extraordinário, permite-se a</p><p>armazenagem de mercadorias em recinto de uso privativo, com</p><p>direito a utilização dos benefícios fiscais previstos para incentivo à</p><p>exportação, antes do seu efetivo embarque para o exterior;</p><p>§ 3º O regime de entreposto aduaneiro na exportação, na modalidade</p><p>extraordinário, somente poderá ser outorgado a empresa comercial</p><p>exportadora constituída na forma prevista no Art. 229, mediante</p><p>autorização da Secretaria da Receita Federal do Brasil;</p><p>§ 4º Na hipótese de que trata o § 3º, as mercadorias que forem</p><p>destinadas a embarque direto para o exterior, no prazo estabeleci-</p><p>do pela autoridade aduaneira, poderão ficar armazenadas em local</p><p>não alfandegado.</p><p>Os serviços de entreposto aduaneiro podem ser prestados por</p><p>empresas que possuam instalações de entreposto e que obtiveram</p><p>com sucesso uma licença de entreposto aduaneiro junto à Receita</p><p>Federal. Com relação aos prazos de permanência no entreposto, se</p><p>faz necessário observar o:</p><p>Art. 413 O entreposto aduaneiro na exportação subsiste:</p><p>I - na modalidade de regime comum, a partir da data da entrada da</p><p>mercadoria na unidade de armazenagem; e</p><p>II - na modalidade de regime extraordinário, a partir da data da saída</p><p>da mercadoria do estabelecimento do produtor-vendedor.</p><p>Art. 414 A mercadoria poderá permanecer no regime de entreposto</p><p>aduaneiro na exportação pelo prazo de:</p><p>I - um ano, prorrogável por período não superior, no total, a dois anos,</p><p>na modalidade de regime comum; e</p><p>II - cento e oitenta dias, na modalidade de regime extraordinário.</p><p>§ 1º Em situações especiais, na hipótese a que se refere o inciso I,</p><p>poderá ser concedida nova prorrogação, respeitado o limite máximo</p><p>de três anos.</p><p>§ 2º Na hipótese a que se refere o inciso II, a mercadoria poderá,</p><p>dentro do prazo nele previsto, ser admitida no regime de entreposto</p><p>aduaneiro, na modalidade de regime comum, caso em que prevalecerá</p><p>o prazo previsto no inciso I.</p><p>Art. 415 Observado o prazo de permanência da mercadoria no regime</p><p>[...], deverá o beneficiário adotar uma das seguintes providências</p><p>(BRASIL, 2009, grifos nossos).</p><p>As providências estão descritas, a seguir, na Figura 9.</p><p>48</p><p>Figura 9 – Hipóteses de extinção do regime</p><p>Fonte: adaptada de Brasil (2009)</p><p>A fi gura mostra um fl uxograma onde, no topo, está escrito “Decreto nº 6.759/2009.</p><p>Regulamenta a administração das atividades aduaneiras, e a fi scalização, o controle e</p><p>a tributação das operações de comércio exterior. Seção II - Do Entreposto Aduaneiro</p><p>na Exportação - Art. 415”. Do lado esquerdo, observa-se uma reprodução do Brasão</p><p>Ofi cial da República Federativa do Brasil. Embaixo, encontra-se um esquema que</p><p>aborda o regime extraordinário e o regime comum; ambos os temas estão em</p><p>um retângulo também na cor azul-royal e ligados a outro retângulo, agora na cor</p><p>amarela, onde está escrito “Observado o prazo de permanência da mercadoria no</p><p>regime, deverá o benefi ciário” adotar uma das seguintes providências”. A partir desse</p><p>contexto, há uma ligação a partir de um fl uxo o qual descreve o inciso I do artigo da</p><p>referida lei. O fl uxo começa o processo em um retângulo azul-royal que afi rma: “Iniciar</p><p>o despacho de exportação”. Em seguida, uma seta na cor amarela com borda azul-</p><p>royal</p><p>dá a segunda sequência por meio do inciso II, no formato de um retângulo na cor</p><p>amarela. No interior desse retângulo, lê-se: “No caso de regime comum, reintegrá-</p><p>la ao estoque do seu estabelecimento; ou”. Depois, outra seta amarela com borda</p><p>azul-royal direciona-se para o último retângulo na cor azul-royal que faz referência</p><p>ao inciso III da referida lei, por meio da seguinte afi rmação: “Em qualquer outro caso,</p><p>pagar os tributos suspensos e ressarcir os benefícios fi scais acaso fruídos em razão</p><p>da admissão da mercadoria no regime de admissão da mercadoria no regime”.</p><p>49</p><p>Agora, na perspectiva de Martins, Ramos e Cruz (2021, s. p.), o entreposto</p><p>aduaneiro na operação de exportação “é um regime aduaneiro especial que tem como</p><p>objetivo justamente facilitar a logística das exportações brasileiras. O regime especial</p><p>de entreposto aduaneiro na exportação é o que permite a armazenagem de mercadoria</p><p>destinada à exportação”.</p><p>Os serviços de entreposto aduaneiro destinam-se a empresas que operam</p><p>internacionalmente, assim, a todas as empresas orientadas para importação e</p><p>exportação. Elas podem manter mercadorias sob controle alfandegário em entrepostos</p><p>alfandegários em todo o mundo sem ter que pagar taxas alfandegárias por essas</p><p>mercadorias. Tais serviços também podem ser prestados por empresas que possuam</p><p>instalações de entreposto e que obtiveram, com sucesso, uma licença de entreposto</p><p>aduaneiro perante a Receita Federal do Brasil.</p><p>A instrução normativa SRF nº 241, a qual dispõe sobre o regime especial de</p><p>entreposto aduaneiro na importação e na exportação, estabelece, conforme grifo meu:</p><p>Art. 6º O regime de entreposto aduaneiro, na importação e na</p><p>exportação, será operado em recinto alfandegado de uso público ou</p><p>em instalação portuária, previamente credenciados pela Secretaria</p><p>da Receita Federal do Brasil (RFB);</p><p>§ 1º O regime poderá ser operado, ainda, em local não alfandegado,</p><p>de uso privativo, para depósito de mercadoria destinada a embarque</p><p>direto para o exterior, por empresa comercial exportadora, constituída</p><p>na forma do Decreto-Lei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e</p><p>autorizada pela SRF (BRASIL, 2002).</p><p>Um serviço de entreposto aduaneiro não só traz benefícios na área do ar-</p><p>mazenamento seguro das mercadorias, como também terá impacto significativo no</p><p>fluxo de caixa da empresa. Quando as mercadorias forem importadas e armazenadas</p><p>nesse entreposto, os direitos serão diferidos até que as mercadorias saiam dele e</p><p>sejam exportadas.</p><p>3 ÁREAS DE LIVRE COMÉRCIO</p><p>Prezado(a) acadêmico(a), neste item, abordaremos as áreas de livre comércio,</p><p>porém esse tema costuma abranger dois contextos relacionados ao comércio exterior.</p><p>Dessa forma, você pode perguntar: “como assim, professor”?</p><p>Simples: existem dois conceitos para o assunto e, o primeiro, talvez, seja o mais</p><p>conhecido: são as áreas de livre comércio (free trade zone), onde blocos econômicos</p><p>ou regiões do mundo fazem acordo bi ou multilaterais para o desenvolvimento regional,</p><p>como o Mercosul. O segundo conceito diz que são regiões específicas e/ou estratégicas</p><p>as quais determinado país – no nosso caso, o Brasil – implementam ao desenvolvimento</p><p>local, mas, em contrapartida, as utilizam para fomentar o comércio exterior, oferecendo</p><p>incentivos fiscais e tributários com o objetivo de atrair indústrias, empresas e investidores.</p><p>50</p><p>As zonas de livre comércio, na forma de portos francos, foram estabelecidas</p><p>pela primeira vez há mais de 2 mil anos. Ao longo do tempo, esse conceito foi drasti-</p><p>camente transformado. Na última metade do século XX, essas regiões sofreram tanto</p><p>mudanças quanto adaptações substanciais como resultado do crescimento exponen-</p><p>cial no comércio mundial e das melhorias na eficiência do transporte, em particular, no</p><p>setor portuário.</p><p>Como instrumento de política comercial e de desenvolvimento, elas foram</p><p>transformadas e adaptadas às realidades e condições locais de cada região. O conceito</p><p>continuará a evoluir com o tempo, adaptando-se às novas necessidades e exigências</p><p>do setor privado e público.</p><p>Ao explorar as zonas de livre comércio e as suas perspectivas relações que,</p><p>muitas vezes, conectam o desenvolvimento das zonas de comércio com o desenvolvi-</p><p>mento do interior, essas áreas tornam-se centros de referências para atrair investimen-</p><p>tos, bem como gerar e emprego e renda.</p><p>Começaremos abordando as áreas de livre comércio de blocos econômicos,</p><p>enfatizando o Mercosul. Como mencionado, essa área econômica é criada por países</p><p>que decidem eliminar as barreiras alfandegárias que impedem o comércio de bens e/</p><p>ou serviços. Ao contrário de uma união aduaneira, cada país permanece no controle de</p><p>suas relações comerciais com países fora da zona.</p><p>O objetivo de uma área de livre comércio é promover o comércio</p><p>mais equitativo entre os países mais próximos geograficamente, para</p><p>promover a especialização das economias e o crescimento econômico.</p><p>Um dos problemas das zonas de livre comércio é a questão da criação</p><p>comercial entre os países da zona e o desvio do comércio em relação a</p><p>outros países.</p><p>NOTA</p><p>Com efeito, eliminando os direitos aduaneiros entre as nações da zona, torna-</p><p>se mais vantajoso importar produtos dela em detrimento dos produtos fora dela que</p><p>não se beneficiam dessa vantagem. Os outros países podem, portanto, sentir-se</p><p>prejudicados porque os seus fluxos comerciais para as nações da zona diminuem.</p><p>Outro problema das zonas de comércio livre é a tendência de países terceiros</p><p>exportarem a países onde os direitos aduaneiros são mais baixos e, depois, reexportá-</p><p>los para o país da zona onde os direitos aduaneiros são mais elevados. Essa possibilidade</p><p>51</p><p>advém do fato de que, em uma zona de livre comércio, os países-membros podem ter</p><p>tarifas externas diferentes em relação a terceiros países. É com o objetivo de evitar</p><p>isso que os acordos têm a possibilidade de se transformar em união aduaneira ou ter</p><p>cláusulas limitando esses efeitos perversos.</p><p>Como em qualquer decisão de abrir uma nação ao mundo exterior, existem todas</p><p>as questões associadas à questão do livre comércio. Por exemplo, a especialização, os</p><p>ganhos desiguais do comércio, custos de ajuste, efeitos sobre o meio ambiente.</p><p>Assim como há a tendência ao livre comércio, há também a tendência ao</p><p>desenvolvimento desse tipo de acordo entre alguns países. Além de muitos acordos</p><p>bilaterais, as áreas de livre comércio mais importantes são EFTA (entre Noruega, Islândia,</p><p>Suíça e Liechtenstein), Nafta (Canadá, EUA e México desde 1994), Asean (entre Indonésia,</p><p>Malásia, Filipinas, Cingapura, Tailândia, Brunei Darussalam, Vietnã, Birmânia, Laos e</p><p>Camboja) e o Mercosul – Mercado Comum do Sul, cujos Estados-partes fundadores são</p><p>a Argentina, o Brasil, o Paraguai e o Uruguai, ou seja, os países signatários do Tratado</p><p>de Assunção (TA).</p><p>Veja, na Figura 10, o potencial socioeconômico do Mercosul.</p><p>M</p><p>ER</p><p>CO</p><p>SU</p><p>L</p><p>Seu território tem uma extensão de 14.869.775 km²,</p><p>no qual convivem diversos ecossistemas, tanto</p><p>continentais quanto marítimos, que possuem uma</p><p>das maiores reservas de biodiversidade do mundo.</p><p>É a quinta economia do mundo.</p><p>Sua população ultrapassa os 295.007.000 de</p><p>pessoas com uma diversidade formidável de povos</p><p>e culturas.</p><p>Tem recursos energéticos imensos, renováveis e</p><p>não renováveis.</p><p>Possui uma das mais importantes reservas de água</p><p>doce do planeta: o Aquífero Guarani.</p><p>Figura 10 – Dados do Mercado Comum do Sul</p><p>Fonte: adaptada de Em Poucas Palavras (2023)</p><p>52</p><p>A figura enfatiza o potencial do Mercosul ao elencar os seus principais atributos. Na</p><p>lateral, há um grande retângulo na cor azul, no qual está destacado, no seu interior,</p><p>em letras maiúsculas e em negrito, a palavra “Mercosul”. Partindo desse retângulo</p><p>maior, há mais cinco retângulos, em azul-claro, todos interligados. No primeiro</p><p>retângulo, de cima para baixo, está a afirmação “Seu território tem uma extensão de</p><p>14.869.775km², no qual convivem diversos ecossistemas, tanto continentais quanto</p><p>marítimos, que possuem uma das maiores</p><p>reservas de biodiversidade do mundo”.</p><p>No segundo retângulo, está a frase “É a quinta economia do mundo”. No terceiro</p><p>retângulo, a afirmação “Sua população ultrapassa os 295.007.000 de pessoas com</p><p>uma diversidade formidável de povos e culturas”. No quarto retângulo, lê-se: Tem</p><p>recursos energéticos imensos, renováveis e não renováveis”. Por fim, no quinto</p><p>retângulo, está a frase “Possui uma das mais importantes reservas de água doce do</p><p>planeta: o Aquífero Guarani”.</p><p>De acordo com Mercosul, como o Tratado de Assunção está aberto à adesão</p><p>de outros “Estados membros da Associação Latino-Americana de Integração (ALADI),</p><p>a Venezuela se constituiu no primeiro Estado Latino-americano em aderir ao tratado</p><p>constitutivo, em 2006; e, mais recentemente, a Bolívia, em 2015” (PAÍSES DO MERCO-</p><p>SUL, 2023, s. p.).</p><p>Acerca desse bloco econômico, podemos enfatizar:</p><p>• O Mercado Comum do Sul (Mercosul) é um processo de integração</p><p>regional conformado inicialmente pela Argentina, Brasil, Paraguai</p><p>e Uruguai ao qual a Bolívia, está em processo de adesão;</p><p>• Os idiomas oficiais do Mercosul são o espanhol e o português. A</p><p>versão oficial dos documentos de trabalho será a do idioma do país</p><p>sede de cada reunião. Desde 2006, por meio da Decisão CMC N°</p><p>35/06, foi incorporado o Guarani como um dos idiomas do bloco;</p><p>• O Mercosul é um processo aberto e dinâmico. Desde sua criação</p><p>teve como objetivo principal propiciar um espaço comum que</p><p>gerasse oportunidades comerciais e de investimentos mediante</p><p>a integração competitiva das economias nacionais ao mercado</p><p>internacional;</p><p>• Como resultado, concluiu múltiplos acordos com países ou grupos</p><p>de países, outorgando-lhes, em alguns casos, status de Estados</p><p>Associados – é a situação dos países sul-americanos [...];</p><p>• Eles participam de atividades e reuniões do bloco e contam com</p><p>preferências comerciais com os Estados Partes. O Mercosul</p><p>também tem assinado acordos de tipo comercial, político ou de</p><p>cooperação com um diverso número de nações e organismos nos</p><p>cinco continentes; e</p><p>• Ressalta-se que a República Bolivariana da Venezuela se encontra</p><p>suspensa de todos os direitos e obrigações inerentes à sua</p><p>condição de Estado Parte do Mercosul, em conformidade com</p><p>o disposto no segundo parágrafo do artigo 5° do Protocolo de</p><p>Ushuaia (EM POUCAS PALAVRAS, 2023, s. p.).</p><p>53</p><p>Figura 11 – Países do Mercosul</p><p>Fonte: https://shutr.bz/3L1AqJ6. Acesso em: 7 mar. 2023.</p><p>https://shutr.bz/3L1AqJ6</p><p>54</p><p>Desde a sua criação, o Mercosul impulsionou o crescimento do comércio de seus</p><p>Estados Partes. Em seus 30 anos de existência, o intercâmbio comercial intrabloco</p><p>se multiplicou por 12, medido em valores correntes, e por seis, descontando a</p><p>desvalorização do dólar. O comércio Intra-Mercosul entre os anos 2011-2020, foi,</p><p>em média, de US$ 41.041 milhões, sendo “Equipamentos de Transporte e Peças”</p><p>a Categoria Econômica com maior participação, com 34%, seguida por “Insumos</p><p>Industriais”, com 27% e “Alimentos e Bebidas”, com 16%. Estas três</p><p>grandes categorias econômicas representam 77% do comércio</p><p>Intra-Mercosul.</p><p>Fonte: CONQUISTA 13: Incremento do comércio intrazona. Mercosul, Monte-</p><p>vidéu, 2023. Disponível em: https://bit.ly/3F3bqO2. Acesso em: 13 jan. 2023.</p><p>IMPORTANTE</p><p>Quer saber um pouco mais a respeito de</p><p>estatísticas, comércio e acordos do Mercosul?</p><p>Então, acesse o QR Code.</p><p>DICA</p><p>Nessas áreas econômicas de livre comércio, os países que concluíram um</p><p>acordo começam a remover as barreiras alfandegárias ou tarifárias entre eles em de-</p><p>terminados setores comerciais. Este conceito difere daquele de união aduaneira, o qual</p><p>prevê que os Estados signatários apliquem uma pauta aduaneira comum a nações fora</p><p>do grupo de países signatários. Então, é um local onde foi feito um acordo comercial</p><p>entre dois ou mais países e que se concentra na eliminação de barreiras comerciais</p><p>dentro da área demarcada por essas nações, buscando mais harmonização entre as</p><p>suas economias.</p><p>Dentro dos diferentes níveis de integração econômica entre os países, a área</p><p>de livre comércio é considerada um dos estados iniciais ou menos desenvolvidos. Essa</p><p>remoção de barreiras comerciais, como tarifas, por exemplo, é uma prova disso.</p><p>Apesar da implementação de medidas comuns para promover o comércio,</p><p>no entanto os membros dessa relação continuam a manter as suas próprias barreiras</p><p>nacionais individuais sobre outros países onde existe um longo caminho a ser percorrido,</p><p>em termos de integração ou harmonização econômica. Na mesma linha, cada país,</p><p>individualmente, continuará, ao mesmo tempo, preservando a sua própria autonomia</p><p>monetária e fiscal.</p><p>55</p><p>Finalmente, a principal fi nalidade da criação de uma área de livre comércio é</p><p>estimular a transação comercial, bem como a troca de fatores de produção entre os</p><p>signatários. Como indicam os fundamentos do comércio internacional, este fato, nor-</p><p>malmente, serve para aproveitar as vantagens comparativas de cada região e alcançar</p><p>situações de mercado mais efi cientes.</p><p>Agora, com relação ao segundo conceito que falamos no início, uma zona de livre</p><p>comércio dentro do território de um país constitui-se em uma área onde não há barreiras</p><p>comerciais de natureza econômica – também conhecida como área de livre comércio é</p><p>aquela área de terra onde tarifas e impostos são mais baixos do que em outros países.</p><p>É importante ter em mente que vivemos em uma sociedade globalizada.</p><p>As inúmeras ações que ocorrem, por exemplo, nas bolsas de valores das</p><p>economias de diferentes países têm impacto em terceiros. Além desse</p><p>fato, também é importante notar a existência de nações onde certos</p><p>bens são exigidos, pois não elas não os possuem, por exemplo, para a fa-</p><p>bricação de automóveis. Esses produtos devem ser adquiridos por meio</p><p>de países estrangeiros.</p><p>ATENÇÃO</p><p>Na década de 1960, começaram a ser defi nidas as primeiras zonas francas</p><p>comerciais. Durante esses primeiros anos, a localização dessas áreas não era outra</p><p>senão os portos e aeroportos. Esses locais foram escolhidos principalmente para</p><p>responder à demanda de troca de mercadorias com outros estados vizinhos.</p><p>A partir da década de 1980, começou a ser registrado o aumento considerável</p><p>desse tipo de áreas comerciais. Tanto que existem, atualmente, mais de 5 mil zonas</p><p>as quais, por suas peculiaridades econômicas, são tratadas como zonas especiais.</p><p>Algumas das implicações mais interessantes da área de livre comércio são as seguintes:</p><p>• Diminuição dos custos tarifários e pagamento a esse tipo de tarifa.</p><p>• Barreiras comerciais mais baixas para a importação de mercadorias a serem exportadas.</p><p>• Mais facilidade de pagamento de impostos, reduzindo-os ou, até mesmo, eliminando-os.</p><p>As oportunidades sob a forma de vantagens oferecidas por uma área de</p><p>comércio livre são inúmeras. A seguir, estão detalhadas algumas das mais comuns, com</p><p>base em Calderon (2022, s. p.), para que você possa conhecê-las:</p><p>• Facilitar o investimento estrangeiro. É uma realidade que impostos</p><p>e tarifas afetam a capacidade de investimento das empresas</p><p>em diferentes países. Quando parte deles sãos reduzidos ou, até</p><p>mesmo, eliminados, as empresas têm mais capital para investir.</p><p>56</p><p>• Criação de emprego. Os custos das empresas aumentam quando</p><p>a tributação é mais alta em um país do que em outro. Geralmente,</p><p>com impostos mais altos, os recursos das empresas diminuem. As</p><p>diferentes opções para oferecer isenções fiscais às organizações</p><p>correm o risco de causar aumento no número de pessoas</p><p>contratadas por essas empresas.</p><p>• Redução de trâmites. Se você trabalha em uma organização do</p><p>setor privado, com certeza, já ouviu falar do conceito de burocracia.</p><p>Existem inúmeros procedimentos que as empresas devem realizar</p><p>com a maioria dos estados e, se questões como impostos ou tarifas</p><p>são progressivamente reduzidas, para citar alguns exemplos</p><p>possíveis, os procedimentos burocráticos também são menores.</p><p>• Aumento dos lucros das empresas. Às vezes, os estados podem</p><p>elaborar planos para atrair investimentos estrangeiros, por meio</p><p>de maiores benefícios às empresas. Existem muitas fórmulas</p><p>para atingir esse objetivo, no entanto uma das mais comuns é</p><p>oferecer vantagens fiscais. Se as taxas de impostos ou tarifas</p><p>forem reduzidas, as empresas estrangeiras, de modo geral, têm</p><p>lucros maiores.</p><p>Uma área de livre comércio é um tipo de zona econômica especial, é uma área</p><p>geográfica onde as mercadorias podem ser importadas, armazenadas, manuseadas, fa-</p><p>bricadas ou reconfiguradas e reexportadas sob regulamentação aduaneira específica e,</p><p>geralmente, não sujeitas a direitos aduaneiros. Essas regiões são, muitas vezes, organi-</p><p>zadas em torno dos principais portos marítimos, aeroportos internacionais e fronteiras</p><p>nacionais – áreas com muitas vantagens geográficas para o comércio – e, no Brasil:</p><p>As Áreas de Livre Comércio (ALCs) foram criadas para promover o</p><p>desenvolvimento das cidades de fronteiras internacionais localizadas</p><p>na Amazônia Ocidental e em Macapá e Santana, com o intuito de</p><p>integrá-las ao restante do País, oferecendo benefícios fiscais</p><p>semelhantes aos da Zona Franca de Manaus no aspecto comercial,</p><p>como incentivos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI)</p><p>e do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de</p><p>Serviços (ICMS). Os objetivos principais das ALCs são a melhoria</p><p>na fiscalização de entrada e saída de mercadorias, o fortalecimento</p><p>do setor comercial, a abertura de novas empresas e a geração de</p><p>empregos (ÁREA DE LIVRE COMÉRCIO, 2021, s. p.).</p><p>Nas ALCs, oportunidades de negócios ocorrem a partir de “investimentos</p><p>em matéria-prima local utilizando-se de incentivos fiscais semelhantes aos da Zona</p><p>Franca de Manaus ou até mesmo da instalação de comércios atacadistas de produtos</p><p>importados para atender às necessidades das populações locais e adjacentes” (ÁREA</p><p>DE LIVRE COMÉRCIO, 2021, s. p.).</p><p>No país, atualmente, as áreas de livre comércio abrangidas no perímetro do</p><p>modelo Zona Franca de Manaus são as seguintes:</p><p>• Área de livre comércio de Tabatinga (AM). A ALC de Tabatinga,</p><p>na fronteira com a cidade de Letícia (Colômbia), foi criada pela Lei</p><p>nº 7.965, de 22 de dezembro de 1989, com implantação em 1990.</p><p>57</p><p>Tem superfície demarcada de 20km2 no perímetro da cidade à</p><p>qual integra-se, também, a faixa de superfície dos rios adjacentes,</p><p>nas proximidades de seus portos.</p><p>• Área de livre comércio de Macapá/Santana (AP). Criada pela</p><p>Lei nº 8.387, de 30 de dezembro de 1991 e regulamentada pelo</p><p>Decreto nº 517, de 8 de maio de 1992, a ALC de Macapá e Santana</p><p>foi implantada oficialmente em março de 1993. Ambas as cidades</p><p>não se situam na Amazônia Ocidental, porém a ALC está localizada</p><p>em região de fronteira com a Guiana Francesa, um dos fatores</p><p>resultantes da criação dessa área cujas atividades são voltadas à</p><p>importação nacional e estrangeira.</p><p>• Área de livre comércio de Guajará-Mirim (RO). Esta ALC foi</p><p>criada pela Lei n° 8.210, de 19 de julho de 1991, e regulamentada</p><p>pelo Decreto n° 843, de 21 de junho de 1993, que estabeleceu os li-</p><p>mites da ALC dentro do município. Guajará-Mirim faz fronteira com</p><p>a cidade de Guayaramerin (Bolívia) e tem uma área de, aproxima-</p><p>damente, 24.856km2, sendo o segundo maior município de Ron-</p><p>dônia, perdendo em extensão apenas para a capital, Porto Velho.</p><p>•	 Áreas	de	livre	comércio	de	Boa	Vista	e	Bonfim	(RR). Criadas</p><p>pela Lei n º 8.256, de 25 de novembro de 1991, e implementadas no</p><p>ano de 2008, as ALCs de Boa Vista e Bonfim, em Roraima, foram</p><p>estabelecidas com a finalidade de promover o desenvolvimento</p><p>das regiões fronteiriças do extremo Norte daquele estado e</p><p>incrementar as relações bilaterais com os países vizinhos,</p><p>sobretudo Venezuela e Guiana, seguindo a política de integração</p><p>latino-americana.</p><p>• Áreas de livre comércio de Brasiléia, Epitaciolândia e</p><p>Cruzeiro do Sul (AC). As ALCs de Brasiléia com extensão à</p><p>Epitaciolândia e Cruzeiro do Sul, no estado do Acre, foram criadas</p><p>pela Lei nº 8.857/1994, de 8 de março de 1994, como áreas de livre</p><p>comércio de importação e exportação sob regime fiscal especial.</p><p>A regulamentação da lei ocorreu com o Decreto n° 1.357, de 30</p><p>de dezembro de 1994, que estabeleceu os limites das duas ALCs,</p><p>sendo uma área demarcada de 20km2 cada (ÁREA DE LIVRE</p><p>COMÉRCIO, 2021, s. p.).</p><p>Então, nunca se esqueça que uma ALC representa uma área especial dentro</p><p>de um país onde empresas estrangeiras são aptas a importar materiais, fabricar</p><p>mercadorias e exportar produtos sem estarem limitadas pelas regras e impostos usuais.</p><p>Ah! Lembrando que os direitos aduaneiros são aplicados quando as mercadorias são</p><p>enviadas para fora da área de livre comércio.</p><p>4 ZONAS DE PROCESSAMENTO DE EXPORTAÇÕES</p><p>Caro acadêmico, agora, falaremos de um tema de bastante relevância ao de-</p><p>senvolvimento do comércio exterior brasileiro, que são as ZPEs – Zonas de Processa-</p><p>mento de Exportações. À medida que a competição global por empregos e investimen-</p><p>tos estrangeiros se intensifica, as ZPEs estão se proliferando em todo o mundo.</p><p>58</p><p>Uma Zona de Processamento de Exportação (ZPE) pode ser definida</p><p>como sendo uma área aduaneira onde é permitida a importação de</p><p>produtos/insumos, máquinas, equipamentos e materiais à fabricação de</p><p>mercadorias de exportação com segurança, sem pagamento de direitos.</p><p>NOTA</p><p>As mercadorias importadas estão sujeitas ao controle aduaneiro na importação,</p><p>por meio do processo de fabricação, até o momento da venda/exportação ou pagamento</p><p>de imposto para consumo doméstico. Outros benefícios de operar tais empresas incluem:</p><p>condições de livre comércio, burocracia governamental simplificada, permitindo registro</p><p>e licenciamento únicos e, também, facilidade de concessão fiscal de longo prazo.</p><p>De acordo com Associação Brasileira de Zonas de Processamento de Exportação:</p><p>• As ZPEs são distritos industriais incentivados, onde as empresas ne-</p><p>les localizadas operam com suspensão de tributos, liberdade cam-</p><p>bial (podem manter no exterior, permanentemente, as divisas obtidas</p><p>nas exportações) e procedimentos administrativos simplificados.</p><p>• Quando as ZPEs passaram a ser mais largamente utilizadas,</p><p>sobretudo a partir da década de 1970 do século passado, elas se</p><p>destinavam exclusivamente à instalação de empresas industriais,</p><p>cuja produção era destinada preponderantemente ao exterior.</p><p>• Com o passar dos anos, os países foram se dando conta de</p><p>que o potencial desenvolvimentista das ZPEs aumentava</p><p>substancialmente se: (a) as vendas internas pudessem ser</p><p>admitidas, desde que, evidentemente, fossem pagos todos os</p><p>tributos incidentes nas importações; e (b) diversos tipos de</p><p>serviços também pudessem se instalar nas ZPEs.</p><p>• Com mais de três décadas de atraso (nossa primeira legislação</p><p>de ZPEs foi introduzida em 1988), o novo marco legal das ZPEs</p><p>(a Lei 14.184/2021) alinhou o Brasil aos mais de 150 países que</p><p>já vem adotando esse instrumento como parte essencial de suas</p><p>estratégias de desenvolvimento (O PROGRAMA, 2023, s. p.).</p><p>Conforme o Ministério da Economia, as Zonas de Processamento de Exportação</p><p>brasileiras são áreas de livre comércio destinadas a atrair a implantação de empresas</p><p>que se dedicam à produção de bens a serem comercializados mundialmente (REGIME</p><p>BRASILEIRO DE ZPE, 2021).</p><p>O regime ZPE revela-se uma oportunidade para o melhor aproveitamento do</p><p>potencial de capacidade produtiva brasileira no cenário internacional, considerando o</p><p>seu parque industrial diversificado e de alto perfil, bem como a posição relevante do</p><p>país na produção global e nas exportações mundiais de commodities. As empresas</p><p>localizadas em ZPEs serão beneficiadas com incentivos fiscais, como a isenção de</p><p>tributos federais:</p><p>59</p><p>• II: Imposto de Importação.</p><p>• IPI: Imposto sobre Produtos Industrializados.</p><p>• PIS: Contribuição Social sobre a Receita Bruta.</p><p>• Cofins: Contribuição Social – Lucro presumido.</p><p>• AFRMM: Adicional de Frete para Reforma da Marinha Mercante sobre matérias-primas</p><p>e bens de capital nacionais ou importados (novos ou usados).</p><p>Alguns estados do Brasil têm oferecido incentivos no ICMS (Imposto Estadual</p><p>de Valor Agregado). Além disso, essas empresas também têm a possibilidade de acessar</p><p>outros incentivos fiscais regionais, como a redução de 75% do imposto de renda para</p><p>novos empreendimentos nas regiões Norte e Nordeste.</p><p>O regime ZPE brasileiro proporciona benefícios administrativos nas operações</p><p>de exportação e importação, com isenção de licenças ou autorizações a importação</p><p>de matérias-primas e bens de capital, no entanto essas isenções não se aplicam às</p><p>medidas sanitárias, de segurança nacional e ambientais.</p><p>A segurança jurídica de longo prazo também é um atributo importante desse</p><p>regime, tendo em vista que os incentivos federais são concedidos por 20 anos com a</p><p>possibilidade de serem prorrogados por igual período.</p><p>Os projetos industriais estabelecidos na ZPE brasileira devem ser investimen-</p><p>tos greenfield, e essas empresas devem obter pelo menos 80% da receita bruta total</p><p>de vendas da empresa originada pelas exportações. A entrada em operação de uma</p><p>empresa na ZPE depende da aceitação do administrador da EPZ, a aprovação de pro-</p><p>jetos industriais pelo Conselho Nacional de Processamento de Exportação (CZPE) e a</p><p>prévia autorização das autoridades aduaneiras e ambientais brasileiras. Atualmente, o</p><p>Brasil possui 14 ZPEs autorizadas e que se encontram em efetiva implantação, como</p><p>você pode observar no mapa, a seguir.</p><p>ZPE do Acre (AC)</p><p>ZPE do Açú (RJ</p><p>ZPE de Araguaína (TO)</p><p>ZPE de Bataguassú (MS)</p><p>ZPE de Boa Vista (RR)</p><p>ZPE de Cáceres (MT)</p><p>ZPE de Ilhéus (BA)</p><p>ZPE de Imbituba (SC)</p><p>ZPE de Macaíba (RN)</p><p>ZPE de Parnaíba (PI)</p><p>ZPE de Pecém (CE)</p><p>ZPE de Suape (PE)</p><p>ZPE de Teó�lo Otoni (MG)</p><p>ZPE de Uberaba (MG)</p><p>Figura 12 – Zonas de processamento de exportação brasileiras</p><p>Fonte: o autor</p><p>60</p><p>Segundo o Ministério da Economia, para o nosso país espera-se que, além do</p><p>“impacto positivo sobre o balanço de pagamentos decorrente da exportação de bens</p><p>e da atração de investimentos estrangeiros diretos, [haja] benefícios como a difusão</p><p>tecnológica, a geração de empregos e o desenvolvimento econômico e social” (REGIME</p><p>BRASILEIRO DE ZPE, 2021).</p><p>Estudante, veja o infográfico, a seguir, o qual apresenta as principais</p><p>características do regime brasileiro de ZPE.</p><p>Figura 13 – Principais características do regime brasileiro de ZPE</p><p>As Zonas de Processamento de Exportação</p><p>- ZPE caracterizam-se como áreas de livre</p><p>comércio com o exterior, destinadas à</p><p>instalação de empresas voltadas para a</p><p>produção de bens a serem comercializados</p><p>no exterior, sendo consideradas zonas</p><p>primárias para efeito de controle aduaneiro.</p><p>As empresas que se instalam em ZPE têm</p><p>acesso a tratamentos tributário, cambiais e</p><p>administrativos especí�cos.</p><p>Em 2007, o referido Decreto-Lei foi</p><p>revogado pela Lei nº 11.508/2007, que</p><p>manteve a competência do Conselho para</p><p>de�nir as normas, os procedimentos e os</p><p>parâmetros do programa, segundo os</p><p>quais os agentes envolvidos devem</p><p>balizar suas ações. Para regulamentar a</p><p>Lei nº 11.508/2007 foram publicados os</p><p>Decretos nº 9.993/2019, que dispõe sobre</p><p>o CZPE, e o nº 6.814/2009, que dispõe</p><p>sobre o regime tributário, cambial e</p><p>administrativo das ZPE.</p><p>O regime aduaneiro especial das ZPE foi</p><p>instituído no País pelo Decreto-Lei nº 2.452,</p><p>de 29 de julho de 1988. Na época, esse</p><p>instrumento legal autorizou ao Poder</p><p>Executivo a criar ZPE por meio de edição de</p><p>decreto presidencial. Para traçar a orienta-</p><p>ção da política das ZPE, estabelecer</p><p>requisitos, analisar propostas, dentre outras</p><p>atividades, o normativo criou o Conselho</p><p>Nacional das Zonas de Processamento de</p><p>Exportação (CZPE).</p><p>ZONAS DE</p><p>PROCESSAMENTO</p><p>DE EXPORTAÇÃO -</p><p>ZPE</p><p>Fonte: o autor</p><p>O desenvolvimento de ZPEs é justificado por uma série de motivações: gerar</p><p>emprego e divisas, promover exportações, fomentar nas empresas locais certo efeito</p><p>catalisador a respeito de como exportar para o mercado mundial.</p><p>Os principais objetivos das ZPEs, de acordo com a Abrazpe, são:</p><p>61</p><p>a) Atrair investimentos estrangeiros voltados às exportações.</p><p>b) Colocar as empresas nacionais em igualdade de condições com</p><p>os seus concorrentes de outros países que dispõem de mecanismos</p><p>semelhantes.</p><p>c) Criar empregos.</p><p>d) Aumentar o valor agregado das exportações e fortalecer o balanço</p><p>de pagamentos.</p><p>e) Difundir novas tecnologias, bem como práticas mais modernas</p><p>de gestão.</p><p>f) Corrigir desequilíbrios regionais (O PROGRAMA, 2023, s. p.).</p><p>Assim, essas áreas são criadas com o intuito de aumentar as exportações co-</p><p>merciais e industriais, incentivando o crescimento econômico por meio de investimen-</p><p>tos de entidades estrangeiras. Os seus benefícios representam crescimento a partir de</p><p>divisas por meio de exportações, criação de empregos para auxiliar na geração de renda</p><p>e no desenvolvimento de habilidades de trabalho na atração de investimento estrangei-</p><p>ro direto e promoção da transferência de tecnologia.</p><p>Acesse o site do Siscomex sobre os regimes aduaneiros</p><p>aplicados em áreas especiais e faça um pequeno resumo</p><p>escrito acerca de uma das áreas. Você pode escolher entre</p><p>a Zona Franca de Manaus (ZFM), Áreas de Livre Comércio</p><p>(ALC) ou Zona de Processamento de Exportação (ZPE).</p><p>Para isso, basta acessar o QR Code.</p><p>DICA</p><p>5 ZONA FRANCA VERDE</p><p>Como abordado anteriormente, uma zona franca é considerada uma Zona Eco-</p><p>nômica Especial (ZEE), uma área designada para fins comerciais. Na referida área, o</p><p>comércio econômico está livre de quaisquer taxas relacionadas ao comércio, como im-</p><p>postos ou taxas. Além disso, quaisquer mercadorias fabricadas, armazenadas ou incor-</p><p>poradas estão sujeitas a várias preferências alfandegárias. Muitas dessas áreas ao redor</p><p>do mundo oferecem tanto incentivos quanto liberações para estimular o investimento.</p><p>Por que as organizações estariam interessadas nesses locais? Bem, essas</p><p>áreas trazem consigo muitos benefícios. O primeiro é: uma zona de livre comércio</p><p>promove, justamente. o comércio. Também oferece mais oportunidades de negócios,</p><p>especialmente no que diz respeito aos incentivos destinados a estimular o investimento.</p><p>No entanto, nesse contexto, o que seria uma Zona Franca Verde? De acordo</p><p>como a Suframa – Superintendência da Zona Franca de Manaus, a Zona Franca Verde</p><p>é um “novo incentivo, concedido pelo Governo Federal, para produção industrial nas</p><p>62</p><p>Áreas de Livre Comércio com preponderância de matéria-prima de origem regional,</p><p>que prevê a isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI)” (ZONA FRANCA</p><p>VERDE, 2020, s. p.), e, para Gouveia (2016, p. 8):</p><p>As Áreas de Livre Comércio (ALCs) foram criadas para promover o</p><p>desenvolvimento das cidades de fronteiras internacionais localiza-</p><p>das na Amazônia Ocidental e em Macapá e Santana, com o intui-</p><p>to de integrá-las ao restante do país, oferecendo benefícios fiscais</p><p>semelhantes aos da Zona Franca de Manaus no aspecto comercial,</p><p>como incentivos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e</p><p>do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços</p><p>(ICMS). Os objetivos principais das ALCs são a melhoria na fiscali-</p><p>zação de entrada e saída de mercadorias, o fortalecimento do setor</p><p>comercial, a abertura de novas empresas e a geração de empregos.</p><p>A Suframa é uma agência da Administração Pública filiada ao Ministério do</p><p>Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). Este órgão gerencia e controla</p><p>os incentivos fiscais concedidos às empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus,</p><p>além de promover estratégias de desenvolvimento para a Amazônia Ocidental. Tem,</p><p>portanto, o papel de promover investimento para a área.</p><p>A Zona Franca de Manaus é uma zona de livre comércio de importação e</p><p>exportação onde são aplicados incentivos fiscais especiais, criados com</p><p>o objetivo de originar, na região amazônica, um ambiente industrial e co-</p><p>mercial e um centro agrícola em condições econômicas as quais permi-</p><p>tam o seu desenvolvimento, dados os fatores locais e a grande distância</p><p>que separa essa região de seus mercados.</p><p>IMPORTANTE</p><p>A respeito da legislação aplicada à Zona Franca Verde:</p><p>• Foi criada pela Lei nº 11.898/2009</p><p>e regulamentada pelos Decretos</p><p>nº 8.597, de 18 de dezembro de 2015, e nº 6.614, de 28 de outubro</p><p>de 2008. A Zona Franca Verde prevê a isenção do Imposto sobre</p><p>Produto Industrializado (IPI) em todas as ALCs sob a jurisdição da</p><p>Suframa, para produtos em cuja composição haja preponderância</p><p>de matéria-prima regional, de origem vegetal, animal ou mineral,</p><p>resultante de extração, coleta, cultivo ou criação animal na região</p><p>da Amazônia Ocidental e do estado do Amapá.</p><p>• Trata-se de um marco regulatório estratégico à área de atuação</p><p>da Suframa, com reflexos positivos no incremento da indústria de</p><p>transformação e que repercutirá na maior união entre os estados</p><p>amazônicos envolvidos, em prol da defesa dos interesses regionais</p><p>(ZONA FRANCA VERDE, 2020, s. p.).</p><p>63</p><p>De acordo com a World Free Zones Organization – Organização Mundial de</p><p>Zonas Livres (GREEN ZONE, 2023, s. p.), o programa Zona Verde visa a promover práticas</p><p>ambientais e de sustentabilidade dentro das zonas francas e entre suas empresas</p><p>cadastradas. Por sua vez, Gouveia (2016) afirma:</p><p>• A partir da implantação da Zona Franca Verde (ZFV), os produtos industrializados nas</p><p>ALCs podem usufruir da isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) na</p><p>operação de venda do produto, quer se destinem ao consumo interno da ALC, quer à</p><p>comercialização em qualquer outro ponto do território nacional.</p><p>• Para usufruir do incentivo fiscal, é necessário que o produto seja composto, de forma</p><p>preponderante, por matéria-prima de origem regional, dentre outros requisitos e</p><p>condicionantes mais bem discutidos no tópico seguinte.</p><p>• Importante notar que o incentivo é concedido ao produto e não à empresa como um</p><p>todo. Isso se deve à natureza dos requisitos legais a serem avaliados individualmente</p><p>para cada processo produtivo. Logo, nada impede que determinada empresa realize a</p><p>industrialização de diversos produtos, mas que apenas alguns desses satisfaçam aos</p><p>requisitos legais, bem como usufruam da isenção do IPI, por exemplo.</p><p>A Zona Franca Verde constitui-se em um contexto destinado às indústrias e</p><p>aos seus processos produtivos, indústrias estas instaladas, por meio de incentivos</p><p>tributários, nas Áreas de Livre Comércio e na Amazônia Ocidental, onde:</p><p>• Esse sistema oferece incentivos tributários similares àqueles</p><p>previstos para a Zona Franca de Manaus, como a isenção do IPI ao</p><p>produto fabricado na região.</p><p>• O acesso aos benefícios foi facilitado pela Suframa em 2021,</p><p>dispensando o atendimento ao Processo Produtivo Básico.</p><p>• O acesso aos benefícios fica condicionado à utilização de matéria-</p><p>prima regional e ao atendimento dos seguintes requisitos:</p><p>I. Incremento da oferta de emprego na região;</p><p>II. Concessão de benefícios sociais aos trabalhadores;</p><p>III. Níveis crescentes de produtividade e competitividade;</p><p>IV. Reinvestimento de lucros na região; e</p><p>V. Investimento na formação e capacitação de recursos humanos para</p><p>o desenvolvimento científico e tecnológico (MILLER, 2022, s. p.).</p><p>Não é só no Brasil, contudo, que estão sendo desenvolvidas ações como essas.</p><p>O serviço da Zona Verde elaborado pela World Free Zones Organization – Organização</p><p>Mundial de Zonas Livres tem como objetivo promover a política verde para as zonas</p><p>livres e os seus atores. A organização da zona franca mundial atua como uma política de</p><p>defesa dessa política e promove junto às partes interessadas um pacote de ferramentas</p><p>desenvolvidas por seus parceiros (WORLD FZO, 2015). Além disso, a World FZO fornecerá</p><p>aos membros conselhos sobre as melhores práticas ambientais, bem como um pacote</p><p>de ferramentas desenvolvido em conjunto com os parceiros da organização que</p><p>permitirá às zonas francas avaliarem a sua eficiência e o seu desempenho verde. Em</p><p>última análise, a World Free Zones Organization também fornecerá certificações verdes</p><p>reconhecidas internacionalmente para zonas francas.</p><p>64</p><p>Essas ferramentas serão compostas por indicadores de desempenho e efi ci-</p><p>ência verde, certifi cação verde, um portfólio de melhores práticas e sessões de capa-</p><p>citação. Um portfólio de melhores práticas pode ser lançado internacionalmente para</p><p>cumprir a criação de uma Linha de Base Setorial Verde a Zonas Livres, por exemplo: a)</p><p>gestão do conhecimento; b) ferramentas para desempenho e efi ciência; c) modelos de</p><p>certifi cação verde e maturidade.</p><p>Os programas, ferramentas e atividades sugeridos pela organização baseiam-</p><p>se em estratégias subnacionais, nacionais, regionais e globais implementadas,</p><p>bem como classifi cadas em conjunto com as organizações das Nações Unidas e a</p><p>Conferência de Bretton Wood (WORLD FZO, 2015).</p><p>Olá, acadêmico! Que tal uma pausa na leitura? Preparamos</p><p>um podcast bem interessante especialmente para você, no</p><p>qual falaremos sobre a Zona Franca Verde. Para ouvir, basta</p><p>acessar o QR Code e apertar o play!</p><p>INTERESSANTE</p><p>6 ZONA FRANCA</p><p>Prezado(a) acadêmico, estamos chegando ao fi nal de mais uma unidade com</p><p>a certeza de que a sua trajetória de conhecimento foi enriquecedora. Agora, para</p><p>completar o conteúdo desta unidade, abordaremos a zona franca.</p><p>Uma zona franca é qualquer local onde as mercadorias podem ser</p><p>enviadas, manuseadas, fabricadas, reconfi guradas e reexportadas sem</p><p>o envolvimento de agências alfandegárias. Um grande porto marítimo,</p><p>um aeroporto internacional ou uma instalação de fronteira entre dois</p><p>ou mais países costumam ser designados como uma zona franca. Os</p><p>direitos aduaneiros são aplicados quando as mercadorias são enviadas</p><p>para fora dessa zona de livre comércio.</p><p>INTERESSANTE</p><p>65</p><p>As zonas francas são áreas geográficas delimitadas dentro de um território</p><p>e, nelas, desenvolvem-se atividades industriais de bens e serviços ou</p><p>atividades comerciais sob regulamentação especial em matéria tributária,</p><p>aduaneira e de comércio exterior. As mercadorias que entram nessas</p><p>zonas são consideradas fora do território aduaneiro nacional para efeitos</p><p>de imposto de importação e exportação.</p><p>NOTA</p><p>Somente quando as mercadorias são movidas para consumidores dentro do</p><p>país onde a zona está localizada, elas ficam sujeitas aos direitos aduaneiros vigentes.</p><p>Nessas áreas, as mercadorias fabricadas, armazenadas e manuseadas estão sujeitas a</p><p>diferentes preferências alfandegárias e, muitas vezes, são oferecidos alívios e incentivos,</p><p>visando a incentivar os investimentos.</p><p>Uma zona franca também está englobada em um tipo de Special Economic</p><p>Zone (SEZ), traduzido do inglês como Zona Econômica Especial. São áreas econômicas</p><p>designadas livres de taxas relacionadas ao comércio, bem como impostos.</p><p>As zonas econômicas especiais – áreas geograficamente delimitadas dentro</p><p>das quais os governos facilitam a atividade industrial por meio de incentivos fiscais e</p><p>regulatórios e, também, por infraestrutura de apoio – são amplamente utilizadas na</p><p>maioria das economias em desenvolvimento e em muitas economias desenvolvidas.</p><p>Embora o desempenho de muitas zonas permaneça abaixo das expectativas,</p><p>falhando em atrair investimentos significativos ou em gerar impacto econômico além</p><p>de seus limites, novas zonas continuam a ser desenvolvidas à medida que os governos</p><p>competem cada vez mais por atividade industrial móvel.</p><p>Os formuladores de políticas enfrentam não apenas os desafios tradicionais</p><p>de fazer ter sucesso, incluindo a necessidade de foco estratégico adequado,</p><p>regulamentação e governança modelos e ferramentas de promoção de investimentos,</p><p>mas também novos desafios trazidos pelo imperativo do desenvolvimento sustentável,</p><p>a nova revolução industrial e a mudança de padrões da produção internacional. Isso é</p><p>importante de ser destacado, pois o Brasil passa por um processo de debate político</p><p>para a criação da Zona Econômica Especial.</p><p>De acordo com a Convenção de Quioto (2006, p. 4), uma zona franca (ZF), para</p><p>a alfândega, “significa uma parte do território de uma Parte Contratante onde quaisquer</p><p>mercadorias introduzidas são geralmente consideradas, no que diz respeito aos direitos</p><p>e impostos de importação, como estando fora do território</p><p>2.3 DRAWBACK ............................................................................................................................................ 30</p><p>RESUMO DO TÓPICO 2 ........................................................................................................ 33</p><p>AUTOATIVIDADE ................................................................................................................. 34</p><p>TÓPICO 3 - ÁREAS ESPECIAIS DOS REGIMES ADUANEIROS ...........................................37</p><p>1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................................37</p><p>2 REGIMES ADUANEIROS APLICADOS EM ÁREAS ESPECIAIS ........................................37</p><p>2.1 ENTREPOSTOS ADUANEIRO NA EXPORTAÇÃO ...........................................................................45</p><p>3 ÁREAS DE LIVRE COMÉRCIO .......................................................................................... 49</p><p>4 ZONAS DE PROCESSAMENTO DE EXPORTAÇÕES .........................................................57</p><p>5 ZONA FRANCA VERDE ...................................................................................................... 61</p><p>6 ZONA FRANCA ................................................................................................................. 64</p><p>RESUMO DO TÓPICO 3 ........................................................................................................ 69</p><p>AUTOATIVIDADE ..................................................................................................................70</p><p>REFERÊNCIAS ......................................................................................................................72</p><p>UNIDADE 2 — DAS CARACTERÍSTICAS DE EXPORTAÇÃO NO ÂMBITO BRASILEIRO .......... 77</p><p>TÓPICO 1 — PROCEDIMENTOS NA EXPORTAÇÃO ..............................................................79</p><p>1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................................79</p><p>2 TRATAMENTOS DAS EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS ......................................................79</p><p>2.1 CONCEITUALIZANDO EXPORTAÇÃO ...............................................................................................82</p><p>2.2 VANTAGEM COMPARATIVA .............................................................................................................83</p><p>2.3 TRIBUTAÇÃO NO COMÉRCIO EXTERIOR .......................................................................................86</p><p>RESUMO DO TÓPICO 1 ........................................................................................................ 89</p><p>AUTOATIVIDADE ................................................................................................................. 90</p><p>TÓPICO 2 - ANÁLISE DE MERCADO PARA EXPORTAÇÃO ................................................ 93</p><p>1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................... 93</p><p>2 PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO NA EXPORTAÇÃO ...................................................... 93</p><p>3 EXPORTAÇÃO: CONHECENDO O MERCADO EXTERNO ..................................................99</p><p>3.1 EXPORTAÇÕES DE PRODUTOS ......................................................................................................104</p><p>3.2 EXPORTAÇÕES DE SERVIÇOS .......................................................................................................109</p><p>3.3 EXPORTAÇÕES TEMPORÁRIAS ......................................................................................................112</p><p>RESUMO DO TÓPICO 2 ....................................................................................................... 115</p><p>AUTOATIVIDADE ................................................................................................................ 116</p><p>TÓPICO 3 - TRIBUTAÇÃO NAS EXPORTAÇÕES ................................................................ 119</p><p>1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 119</p><p>2 INCENTIVOS FISCAIS PARA EXPORTAÇÃO .................................................................. 119</p><p>LEITURA COMPLEMENTAR ...............................................................................................123</p><p>RESUMO DO TÓPICO 3 ....................................................................................................... 127</p><p>AUTOATIVIDADE ................................................................................................................128</p><p>REFERÊNCIAS ....................................................................................................................130</p><p>UNIDADE 3 — DESPACHO DE IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO .........................................133</p><p>TÓPICO 1 — PROCEDIMENTOS NA IMPORTAÇÃO .............................................................135</p><p>1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................135</p><p>2 INTEGRAÇÃO ECONÔMICA .............................................................................................135</p><p>2.1 OPERAÇÕES DE IMPORTAÇÃO ....................................................................................................... 136</p><p>3 O DESPACHO NAS OPERAÇÕES DE IMPORTAÇÃO .......................................................138</p><p>4 PROCEDIMENTOS ADUANEIROS DE IMPORTAÇÃO NO BRASIL ................................. 144</p><p>5 LICENCIAMENTO DE IMPORTAÇÃO ...............................................................................149</p><p>6 DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO ....................................................................................155</p><p>7 DESEMBARAÇO ADUANEIRO ........................................................................................159</p><p>8 TRATAMENTO TRIBUTÁRIO NA IMPORTAÇÃO ..............................................................162</p><p>RESUMO DO TÓPICO 1 ....................................................................................................... 167</p><p>AUTOATIVIDADE ................................................................................................................168</p><p>TÓPICO 2 - PROCEDIMENTOS NA EXPORTAÇÃO .............................................................171</p><p>1 INTRODUÇÃO ....................................................................................................................171</p><p>2 CONDIÇÕES LEGAIS ........................................................................................................171</p><p>2.1 REQUISITOS DE EXPORTAÇÃO ....................................................................................................... 172</p><p>3 O DESPACHO NAS OPERAÇÕES DE EXPORTAÇÃO ...................................................... 174</p><p>4 INFRAÇÕES E PENALIDADES ........................................................................................189</p><p>4.1 PERDIMENTO DE VEÍCULO ...............................................................................................................191</p><p>4.2 PERDIMENTO DE MERCADORIAS ................................................................................................. 193</p><p>4.3 PERDIMENTO DE MOEDA ............................................................................................................... 196</p><p>5 DESPACHANTE ADUANEIRO.......................................................................................... 197</p><p>LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................. 202</p><p>RESUMO DO TÓPICO 2 ...................................................................................................... 206</p><p>AUTOATIVIDADE ............................................................................................................... 207</p><p>REFERÊNCIAS ................................................................................................................... 209</p><p>1</p><p>UNIDADE 1 -</p><p>INTRODUÇÃO COMPARADA</p><p>DE LEGISLAÇÃO</p><p>aduaneiro”.</p><p>66</p><p>Perceba como é definida, oficialmente, a zona franca no contexto brasileiro:</p><p>Área delimitada no interior de um país e beneficiada com incentivos</p><p>fiscais e tarifas alfandegárias reduzidas ou ausentes. Seu objetivo é</p><p>estimular o comércio e, às vezes, acelerar o desenvolvimento industrial</p><p>de uma região. Há zonas francas em Marselha (França), Hamburgo</p><p>(Alemanha), Hong Kong (China) e Copenhague (Dinamarca). A Zona</p><p>Franca de Manaus, criada em 1967 e fiscalizada pela Superintendência</p><p>da Zona Franca de Manaus (Suframa), atraiu para aquela área da</p><p>Amazônia muitas indústrias, sobretudo do ramo eletrônico avançado,</p><p>que se beneficiam das facilidades de importação de componentes</p><p>para aparelhos eletroeletrônicos (ZONA FRANCA, 2023, s. p.).</p><p>A principal zona franca brasileira é a Zona Franca de Manaus (ZFM), a qual</p><p>representa uma região industrial instituída pelo Estado brasileiro com a finalidade</p><p>principal de atrair indústrias para a região amazônica por meio de incentivos fiscais,</p><p>região que, como sabemos, possui baixa densidade demográfica.</p><p>Segundo a Suframa, a ZFM é:</p><p>• Um modelo de desenvolvimento econômico implantado pelo</p><p>governo brasileiro cujo objetivo é viabilizar uma base econômica</p><p>na Amazônia Ocidental e no Amapá, promover a melhor integração</p><p>produtiva e social entre essa região e o país, garantindo a soberania</p><p>nacional sobre as fronteiras.</p><p>• A mais bem-sucedida estratégia de desenvolvimento regional. O</p><p>modelo abrange os estados da Amazônia Ocidental (Acre, Amazo-</p><p>nas, Rondônia e Roraima), além das cidades de Macapá e Santana,</p><p>no Amapá, e leva desenvolvimento econômico aliado à proteção</p><p>ambiental, proporcionando melhor qualidade de vida às popula-</p><p>ções dessas regiões (ZONA FRANCA DE MANAUS, 2022, s. p.).</p><p>A Zona Franca de Manaus é a mais conhecida do Brasil, mas isso não significa</p><p>que não existam outras zonas no país.</p><p>Veja, no Quadro 5, quais são as principais zonas francas brasileiras.</p><p>ZONA FRANCA DE</p><p>MANAUS</p><p>• As empresas que operam na ZMF têm direito a: i) isenção de</p><p>imposto de importação sobre mercadorias destinadas ao uso</p><p>no estado do Amazonas; ii) redução de 88% na tarifa de im-</p><p>portação de matérias-primas; iii) isenção de imposto especial</p><p>de consumo para mercadorias comercializadas na ZMF.</p><p>• Abrange uma área de 10 milkm2 na capital do estado do</p><p>Amazonas. Esta pode ser acessada por transporte rodoviário,</p><p>terrestre e marítimo.</p><p>Quadro 5 – Zonas francas no Brasil</p><p>67</p><p>ZONA FRANCA DE</p><p>MANAUS</p><p>• Não oferece incentivos aos setores empresariais de muni-</p><p>ções, tabaco, produtos alcoólicos, perfumes e cosméticos.</p><p>• Convida multinacionais dos setores de negócios de</p><p>eletrônica, produção de veículos de duas rodas, química,</p><p>metalurgia e mecânica.</p><p>• Oferece boa infraestrutura de exportação, bem como uma</p><p>rede de energia elétrica e telecomunicações desenvolvida.</p><p>Além disso, as empresas estabelecidas nesta ZF têm acesso</p><p>à mão de obra qualificada e produtiva.</p><p>ZONA FRANCA DE</p><p>MACAPÁ</p><p>• As empresas que nela operam gozam de isenção da taxa</p><p>governamental sobre mercadorias importadas. As isenções</p><p>de impostos também estão disponíveis, dependendo da</p><p>natureza das mercadorias a serem importadas, das suas</p><p>origens e valor.</p><p>• Ocupa uma área de 220km2 na região limítrofe da Guiana</p><p>Francesa.</p><p>• Realiza operações comerciais e convida multinacionais dos</p><p>setores empresariais de atividades de importação nacionais</p><p>e internacionais.</p><p>ZONA FRANCA DE</p><p>TABATINGA</p><p>• Oferece redução de até 75% no imposto de renda pessoa</p><p>jurídica, no entanto este incentivo será concedido caso a</p><p>caso, com empresas que investem grandes quantidades de</p><p>capital em indústrias desejadas e mais propensas a obter</p><p>redução de impostos.</p><p>• Tem uma área total de 20km2 na fronteira com a Colômbia</p><p>e o Peru. Consequentemente, esta localização aprimora a</p><p>logística das atividades comerciais entre o Brasil e esses</p><p>dois países.</p><p>• Apenas realiza operações comerciais e convida multinacio-</p><p>nais dos setores empresariais de importação de bens nacio-</p><p>nais e internacionais para consumo no seu entorno.</p><p>68</p><p>Fonte: adaptado de Bin ([2023], s. p.)</p><p>O conceito de zonas francas mudou significativamente desde a criação do FTZ</p><p>(Free Trade Zone) em Shannon, na Irlanda. As zonas francas são classificadas, de modo</p><p>geral, de acordo com os seus conceitos e características nas Zonas de Uso Geral da</p><p>ZF (Zona Franca) e, geralmente, estão situadas em um parque industrial ou complexo</p><p>portuário cujas instalações estão disponíveis para uso do público em geral.</p><p>Originalmente, as zonas francas visavam a promover as exportações, criar</p><p>empregos e apoiar a transferência de tecnologia, mas, com a globalização, esta visão</p><p>passou a incluir a integração com o resto da economia, visando, principalmente,</p><p>à divulgação da modernização e da liberalização da produção e comércio de bens e</p><p>serviços em todo o território de um país ou região.</p><p>Diante dessa tendência mundial de utilização de Zonas Especiais, o Estado</p><p>brasileiro lançou as Zonas de Processamento de Exportação (ZPEs) em 1988, com a</p><p>ideia de que essa iniciativa ajudaria a promover as regiões menos desenvolvidas do país</p><p>ou de uma região, a reduzir os desequilíbrios e a fazer o desenvolvimento econômico e</p><p>social da região.</p><p>As ZPEs são as zonas primárias para controle alfandegário e caracterizam-se</p><p>como área de livre comércio a empresas voltadas à produção de bens para comercialização</p><p>no exterior. As empresas instaladas nas ZPEs têm acesso a um tratamento específico</p><p>nas áreas de vantagens fiscais e administrativas.</p><p>Para o Brasil, além do esperado impacto positivo sobre o balanço de pagamen-</p><p>tos da exportação de bens, espera-se que atraia investimentos estrangeiros diretos,</p><p>geração de empregos e desenvolvimento econômico e social.</p><p>ZONA FRANCA</p><p>DE BOA VISTA E</p><p>BONFIM</p><p>• As empresas que operam na ZCL da Boa Vista e do Bonfim</p><p>podem ter direito a i) isenção de impostos sobre produtos</p><p>importados para uso interno na ZCL; ii) isenção de contro-</p><p>les aduaneiros e administrativos a mercadorias importadas</p><p>e exportadas.</p><p>• Foi criada em 2008 com o objetivo de melhorar as relações</p><p>comerciais entre o Brasil e países vizinhos, como Venezuela</p><p>e Guiana.</p><p>• Apenas realiza operações comerciais que convidam multi-</p><p>nacionais dos setores empresariais de importação e expor-</p><p>tação nacional e internacional.</p><p>69</p><p>RESUMO DO TÓPICO 3</p><p>Neste tópico, você aprendeu:</p><p>• A Organização Mundial das Aduanas (OMA) com o objetivo de desburocratizar os</p><p>trâmites aduaneiros e estabelecer procedimentos comuns às aduanas do mundo.</p><p>• A Convenção de Quioto representa uma Convenção Internacional sobre a Simplifica-</p><p>ção e Harmonização dos Procedimentos Aduaneiros.</p><p>• Um dos objetivos do Mercosul está na junção de países na formação de blocos</p><p>econômicos ou acordos de integração, é fortalecer o comércio entre países, gerando</p><p>renda e proporcionando o desenvolvimento destes países.</p><p>• Zona Franca Verde é um “novo incentivo, concedido pelo Governo Federal, para</p><p>produção industrial nas Áreas de Livre Comércio.</p><p>70</p><p>1 A Organização Mundial de Aduanas (OMA) revisou e atualizou a Convenção de Quio-</p><p>to para assegurar que ela atenda às demandas atuais do comércio internacional. O</p><p>Conselho da OMA adotou a convenção d revisada em junho de 1999 como o plano</p><p>para procedimentos aduaneiros modernos e eficientes no século XXI. Dentre os no-</p><p>vos princípios reguladores da Convenção de Quioto, há um compromisso em ques-</p><p>tão. Com base nisso, assinale a alternativa CORRETA que apresente o compromisso</p><p>mencionado:</p><p>a) ( ) Os países industrializados e as economias em transição limitarem e reduzirem,</p><p>por meio de metas individuais, as emissões de gases de efeito estufa.</p><p>b) ( ) As administrações aduaneiras proporcionarem transparência e previsibilidade a</p><p>todos os envolvidos em aspectos do comércio internacional.</p><p>c) ( ) Elaborar os códigos de procedimento aduaneiro que identificam os regimes</p><p>aduaneiros e/ou impostos especiais de consumo das mercadorias.</p><p>d) ( ) Expedição/exportação temporária</p><p>ao abrigo de um regime aduaneiro de</p><p>aperfeiçoamento passivo diferente dos referidos nos códigos existentes.</p><p>2 Um entreposto aduaneiro é um espaço seguro ao armazenamento de mercadorias</p><p>aduaneiras, e o seu titular deve possuir alvará. A principal vantagem é permitir que</p><p>a empresa armazene mercadorias nas instalações ou em outros locais aprovados.</p><p>Com relação ao exposto, assinale a alternativa CORRETA em que as mercadorias</p><p>não tenham:</p><p>a) ( ) A sua aplicação de técnicas de gestão e avaliação de riscos em controles de</p><p>coordenação de intervenções com outros órgãos aduaneiros.</p><p>b) ( ) A sua entrada parcial para uso doméstico com entrada simultânea para livre</p><p>circulação e procedimento de armazenagem sob controle fiscal.</p><p>c) ( ) De ser importadas ao uso doméstico e sejam colocadas em livre prática nos</p><p>territórios especiais do Mercosul ou nos países que têm união aduaneira.</p><p>d) ( ) De estar sujeitas a obrigações tributárias, a menos que proíbam a entrada ou</p><p>saída de mercadorias do território aduaneiro da União.</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>71</p><p>3 A Zona Franca Verde é um “novo incentivo, concedido pelo Governo Federal, para</p><p>produção industrial nas Áreas de Livre Comércio com preponderância de matéria-prima</p><p>de origem regional, que prevê a isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados”</p><p>(ZONA FRANCA VERDE, 2020, s. p.). O serviço da Zona Verde elaborado pela World</p><p>Free Zones Organization – Organização Mundial de Zonas Livres tem como objetivo:</p><p>Fonte: ZONA FRANCA VERDE. Ministério do Desenvolvi-</p><p>mento, Indústria, Comércio e Serviços, Suframa, Brasília,</p><p>DF, 4 jun. 2020. Disponível em: https://bit.ly/3T2FuyT.</p><p>Acesso em: 16 jan. 2023.</p><p>a) ( ) Criar entreposto aduaneiro incluindo depósito em outras instalações.</p><p>b) ( ) Implantar lojas isentas de impostos em portos e aeroportos.</p><p>c) ( ) Promover a política verde para as zonas livres e os seus atores.</p><p>d) ( ) Fomentar a circulação em regime de aperfeiçoamento ativo numa zona franca.</p><p>72</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>ACORDO COM EUA pode adicionar US$ 50,2 bilhões às exportações brasileiras até</p><p>2035.	IPEA	–	Instituto	de	Pesquisa	Econômica	Aplicada, Brasília, DF, 10 set. 2021.</p><p>Disponível em: https://bit.ly/3ZtSuQt. Acesso em: 9 jan. 2023.</p><p>AFFONSO, J. G. B. Análise dos impactos em termos de modernização da</p><p>administração aduaneira brasileira: a convenção de Quioto revisada no âmbito da</p><p>organização mundial das aduanas. Campinas: Unicamp, 2013. 1 slide, color. Disponível</p><p>em: https://bit.ly/3yBoXZz. Acesso em: 13 jan. 2023.</p><p>ÁREA DE LIVRE COMÉRCIO. Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio</p><p>e Serviços, Suframa, Brasília, DF, 6 ago. 2021. Disponível em: https://bit.ly/3kToKxw.</p><p>Acesso em: 16 jan. 2023.</p><p>ASSAD, T. W. Regimes aduaneiros. JusBrasil, [s. l.], 1 jun. 2017. Disponível em: https://</p><p>bit.ly/2L4mZXC. Acesso em: 13 jan. 2023.</p><p>BRASIL. Decreto-Lei nº 37, de 18 de novembro de 1966. Dispõe sobre o imposto</p><p>de importação, reorganiza os serviços aduaneiros e dá outras providências. Brasília,</p><p>DF: Câmara dos Deputados, 1966. Disponível em: https://bit.ly/3JghlBD. Acesso em:</p><p>15 dez. 2022.</p><p>BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil</p><p>de 1988. Brasília, DF: Presidência da República, [2020]. Disponível em: https://bit.</p><p>ly/3ZyISEk. Acesso em: 15 dez. 2022.</p><p>BRASIL. Ministério da Fazenda. Secretaria da Receita Federal. Instrução Normativa</p><p>SRF nº 241, de 6 de novembro de 2002. Dispõe sobre o regime especial de entreposto</p><p>aduaneiro na importação e na exportação. Brasília, DF: SRF, 2002. Disponível em: https://</p><p>bit.ly/3mxgyn2. Acesso em: 13 jan. 2023.</p><p>BRASIL. Decreto nº 6.759, de 5 de fevereiro de 2009. Regulamenta a administração</p><p>das atividades aduaneiras, e a fiscalização, o controle e a tributação das operações de</p><p>comércio exterior. Brasília, DF: Presidência da República, 2009. Disponível em: https://</p><p>bit.ly/3YA8kYM. Acesso em: 15 dez. 2022.</p><p>BRASIL. Lei n° 13.008, de 26 de junho de 2014. Dá nova redação ao art. 334 do</p><p>Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 - Código Penal e acrescenta-lhe o</p><p>art. 334-A. Brasília, DF: Presidência da República, 2014b. Disponível em: https://bit.</p><p>ly/3JjbRGb. Acesso em: 9 jan. 2023.</p><p>73</p><p>BRASIL. Decreto nº 9.003, de 13 de março de 2017. Aprova a Estrutura Regimental</p><p>e o Quadro Demonstrativo dos Cargos em Comissão e das Funções de Confiança do</p><p>Ministério da Fazenda, remaneja cargos em comissão e funções de confiança e substitui</p><p>cargos em comissão do Grupo-Direção e Assessoramento Superiores – DAS por Funções</p><p>Comissionadas do Poder Executivo – FCPE. Brasília, DF: Câmara dos Deputados, 2017a.</p><p>Disponível em: https://bit.ly/3KXEDO2. Acesso em: 15 dez. 2022.</p><p>BRASIL. Ministério da Fazenda. Receita Federal do Brasil. Instrução Normativa RFB</p><p>nº 1702, de 21 de março de 2017. Disciplina o despacho aduaneiro de exportação</p><p>processado por meio de Declaração Única de Exportação (DU-E). Brasília, DF: RFB,</p><p>2017b. Disponível em: https://bit.ly/3Jlxwhh. Acesso em: 15 dez. 2022.</p><p>BRASIL. Decreto nº 10.276, de 13 de março de 2020. Promulga o texto revisado do</p><p>Protocolo de Revisão da Convenção Internacional para a Simplificação e a Harmonização</p><p>dos Regimes Aduaneiros – Convenção de Quioto, concluído em Bruxelas, em 26 de</p><p>junho de 1999. Brasília, DF: Presidência da República, 2020. Disponível em: https://bit.</p><p>ly/3Yx16EG. Acesso em: 13 jan. 2023.</p><p>BRASIL. Anuário do Comércio Exterior Brasileiro 2021. Brasília, DF: Ministério da</p><p>Economia, 2022a. Disponível em: https://bit.ly/3JgpBBD. Acesso em: 15 dez. 2022.</p><p>BRASIL. Ministério da Economia. Secretaria Especial da Receita Federal Portaria RFB</p><p>nº 143, de 11 de fevereiro de 2022. Estabelece normas gerais e procedimentos para</p><p>o alfandegamento de local ou recinto. Brasília, DF: Ministério da Economia; Secretaria</p><p>Especial da Receita Federal, 2022b. Disponível em: https://bit.ly/3Tazcxr. Acesso em:</p><p>15 dez. 2022.</p><p>BUENO, S. Entenda mais sobre os canais de parametrização na exportação.</p><p>Fazcomex, São Leopoldo, 22 ago. 2022. Disponível em: https://bit.ly/3KYLff3.</p><p>Acesso em: 15 dez. 2022.</p><p>CALDERON, A. Zona de libre comercio, ¿en qué consiste? Internacionalmente,</p><p>Barcelona, 3 jun. 2022. Disponível em: https://bit.ly/3JhPNMa. Acesso em: 13 jan. 2023</p><p>CAMPOS, E. C. El derecho aduanero y el comercio internacional. Lima: Universidad</p><p>Ricardo Palma, [201-?]. Disponível em: https://bit.ly/3kVrqKQ. Acesso em: 15 dez. 2022.</p><p>CONQUISTA 13: Incremento do comércio intrazona. Mercosul, Montevidéu, 2023.</p><p>Disponível em: https://bit.ly/3F3bqO2. Acesso em: 13 jan. 2023.</p><p>CONTRERAS, M. C. Derecho aduanero. 15. ed. Huixquilucan: Porrúa, 2009.</p><p>CONVENÇÃO DE QUIOTO: directivas relativas ao anexo específico D. Capítulo 1 – Zonas</p><p>Francas. Bruxelas: OMA, mar. 2006. p. 1-12. Disponível em: https://bit.ly/3ZtkPXe. Acesso</p><p>em: 13 jan. 2023.</p><p>74</p><p>CONVENÇÃO DE QUIOTO: anexo geral directivas. Capítulo 1 – princípios gerais. Bruxelas:</p><p>OMA, dez. 2010. p. 1-15. Disponível em: https://bit.ly/3IZWEsx. Acesso em: 13 jan. 2023.</p><p>DEFFENTI, F. Tax and customs. Laws of Brazil. [s. l.], c2023. Disponível em: https://bit.</p><p>ly/41SeWEn. Acesso em: 13 jan. 2023.</p><p>DISCOVER THE WCO. WCO, [s. l.], c2022. Disponível em: https://bit.ly/3SWEYCn. Acesso</p><p>em: 15 dez. 2022.</p><p>DRAWBACK. Siscomex, Brasília, DF, 15 fev. 2023. Disponível em: https://bit.ly/3yiCOnf.</p><p>Acesso em: 9 jan. 2023.</p><p>EM POUCAS PALAVRAS: o que é o Mercosul? Mercosul, Montevidéu, 2023. Disponível</p><p>em: https://bit.ly/2TJz6gw. Acesso em: 13 jan. 2023.</p><p>EQUIPE PORTAL TRIBUTÁRIO. Incidência de tributos na importação. Portal Tributário,</p><p>Curitiba, [2023]. Disponível em: https://bit.ly/41U2F2e. Acesso em: 9 jan. 2023.</p><p>ETAPAS do Despacho Aduaneiro de Importação. Ministério da Fazenda, Receita</p><p>Federal, Brasília, DF, 16 nov. 2022. Disponível em: https://bit.ly/3ZtPvYh. Acesso em: 15</p><p>dez. 2022.</p><p>FAZOLO, D. B. Direito aduaneiro. DBF, Curitiba, c2022. Disponível em: https://bit.</p><p>ly/3mrQmtT. Acesso em: 15 dez. 2022.</p><p>FINK, N. C. Meeting the challenge: a guide to united nations counterterrorism activities.</p><p>New York:</p><p>IPI, 2012. Disponível em: https://bit.ly/41TCOaY. Acesso em: 15 dez. 2022.</p><p>GODOY, J. E. P. Administração Aduaneira. Ministério da Fazenda, Receita Federal,</p><p>Brasília, DF, 1 set. 2015. Disponível em: https://bit.ly/41SuQib. Acesso em: 15 dez. 2022.</p><p>GOUVEIA, R. S. Zona franca verde: roteiro do incentivo fiscal. Manaus: Suframa; Cogec,</p><p>2016. Disponível em: https://bit.ly/41ONlUK. Acesso em: 16 jan. 2023</p><p>GREEN ZONE. World FZO, Dubai, c2023. Disponível em: https://bit.ly/3SV3ZxQ. Acesso</p><p>em: 16 jan. 2023.</p><p>GULARTE, C. Tributação sobre exportação de serviços: o que é e quais os impostos</p><p>incidem. Contabilizei, Curitiba, 27 dez. 2022. Disponível em: https://bit.ly/3mzp6tG.</p><p>Acesso em: 9 jan. 2023.</p><p>INTERNATIONAL TRADE BOOK. O que é comércio exterior e comércio internacional.</p><p>Assecex, Sorocaba, 9 ago. 2019. Disponível em: https://bit.ly/41TlUt6. Acesso em: 15</p><p>dez. 2022.</p><p>75</p><p>JURISDICCION ADUANERA. ALADI, Montevideo, c2023. Disponível em: https://bit.</p><p>ly/3ZNl53a. Acesso em: 9 jan. 2023.</p><p>LIMA, P. S. F. As Aduanas como áreas indispensáveis à segurança nacional: identificação,</p><p>propostas e critérios de utilização. Revista da Escola Superior de Guerra, Rio de</p><p>Janeiro, v. 24, n. 49, p. 160-178, jan./jun. 2008. Disponível em: https://bit.ly/3ZH3mtY.</p><p>Acesso em: 15 dez. 2022.</p><p>LUZ, R. Comércio internacional e legislação aduaneira. 6. ed. Rio de Janeiro:</p><p>Forense; São Paulo: Método, 2015.</p><p>LUZ, R. Comércio internacional e legislação aduaneira. 8. ed. Salvador:</p><p>JusPODIVM, 2022.</p><p>MARTINS, M. M. V. et al. Território e jurisdição aduaneira. Comex – FURG, Santa Vitória</p><p>do Palmar, 20 ago. 2021. Disponível em: https://bit.ly/3JhWv4O. Acesso em: 9 jan. 2023.</p><p>MARTINS, M. M. V.; RAMOS, T. M.; CRUZ, G. S. Regime aduaneiro especial: entreposto</p><p>aduaneiro. Comex – FURG, Santa Vitória do Palmar, 6 abr. 2021. Disponível em: https://</p><p>bit.ly/41ORlVb. Acesso em: 13 jan. 2023.</p><p>MILLER, I. Você conhece a Zona Franca Verde? Jornal Jurid, São Paulo, 22 fev. 2022.</p><p>Disponível em: https://bit.ly/3Ymvamo. Acesso em: 16 jan. 2023.</p><p>O PROGRAMA. ABRAZPE, Associação Brasileira de Zonas de Processamento de</p><p>Exportação, [s. l.], c2023. Disponível em: https://bit.ly/41UgVs7. Acesso em: 13 jan. 2023.</p><p>OECD. Economic Outlook. v. 21, 2. ed. Paris: OECD, 2021. (Preliminary Version, n. 110).</p><p>Disponível em: https://bit.ly/3F4kcen. Acesso em: 15 dez. 2022.</p><p>OLIVEIRA, L. H. Comércio exterior: fundamentos e organização. São João da Boa</p><p>Vista: Unifae, 2021.</p><p>PAÍSES DO MERCOSUL. Mercosul, Montevidéu, 2023 [2023b]. Disponível em: https://</p><p>bit.ly/2TWPmuN. Acesso em: 13 jan. 2023.</p><p>PARAMETRIZAÇÃO. Ministério da Economia, Receita Federal, Brasília, DF, 29 set.</p><p>2020. Disponível em: https://bit.ly/3KZbsKx. Acesso em: 15 dez. 2022.</p><p>REGIME BRASILEIRO DE ZPE. Ministério da Economia, Brasília, DF, 4 ago. 2021.</p><p>Disponível em: https://bit.ly/3ZOY2oD. Acesso em: 16 jan. 2023.</p><p>REGIMES ADUANEIROS. Siscomex, Brasília, DF, 25 mar. 2022. Disponível em: https://bit.</p><p>ly/3L3shUE. Acesso em: 9 jan. 2023.</p><p>76</p><p>REGIMES ADUANEIROS ESPECIAIS. Ministério da Economia, Receita Federal, Brasília,</p><p>DF, 2023. Disponível em: https://bit.ly/3ZQCnMN. Acesso em: 13 jan. 2023.</p><p>ROCHA, F. B. A. Entendendo o controle aduaneiro. Comex Thinking, [s. l.], c2022.</p><p>Disponível em: https://bit.ly/3JloqAW. Acesso em: 15 dez. 2022.</p><p>SEBRAE-RJ. Regimes aduaneiros especiais e logística internacional. Rio de</p><p>Janeiro: Sebrae, 2020. Disponível em: https://bit.ly/3JgQ7uF. Acesso em: 9 jan. 2023.</p><p>SELEÇÃO PARAMETRIZADA. Ministério da Fazenda, Receita Federal, Brasília, DF, 26</p><p>jul. 2016. Disponível em: https://bit.ly/3SUlbDG. Acesso em: 15 dez. 2022.</p><p>SINDIRECEITA. A aduana brasileira: o que esperar das aduanas do século 21. Brasília,</p><p>DF: Sindireceita, 2018. Disponível em: https://bit.ly/3SXfftu. Acesso em: 15 dez. 2022.</p><p>SISCOMEX: o que é, para que serve e como habilitar. FIA Business School, São Paulo,</p><p>6 set. 2019. Disponível em: https://bit.ly/3L1Ufjo. Acesso em: 15 dez. 2022.</p><p>VAZQUEZ, J. L. Comércio exterior brasileiro. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2009.</p><p>VIEIRA, J. Impostos na Importação: conheça quais são e como funcionam. Gett,</p><p>Blumenau, 21 out. 2021. Disponível em: https://bit.ly/3ZPr9bp. Acesso em: 9 jan. 2023.</p><p>WORLD FZO. World Free Zones Organization (World FZO). Brasília, DF: Comex, 2015.</p><p>40 slides, color. Disponível em: https://bit.ly/3ZQRIwR. Acesso em: 16 jan. 2023.</p><p>ZANINETTI, J. H. Exports to Brazil and their customs valuation rules. Lexicology, London,</p><p>15 jun. c2022. Disponível em: https://bit.ly/3ST1g8j. Acesso em: 15 dez. 2022.</p><p>ZONA FRANCA. Senado Federal, Manual de Comunicação da Secom, Item do Glossário,</p><p>Brasília, DF, c2023. Disponível em: https://bit.ly/3ZKd5j7. Acesso em: 16 jan. 2023.</p><p>ZONA FRANCA DE MANAUS. Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e</p><p>Serviços, Suframa, Brasília, DF, 28 out. 2022.</p><p>ZONA FRANCA VERDE. Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e</p><p>Serviços, Suframa, Brasília, DF, 4 jun. 2020. Disponível em: https://bit.ly/3T2FuyT.</p><p>Acesso em: 16 jan. 2023.</p><p>77</p><p>DAS CARACTERÍSTICAS DE</p><p>EXPORTAÇÃO NO ÂMBITO</p><p>BRASILEIRO</p><p>UNIDADE 2 —</p><p>OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM</p><p>PLANO DE ESTUDOS</p><p>A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:</p><p>• conhecer os aspectos gerais do planejamento no comércio internacional;</p><p>• compreender as questões relativas às exportações, principalmente no contexto</p><p>brasileiro.</p><p>• identifi car os parceiros do Brasil no Mercosul;</p><p>• analisar a importância das diferenças culturais e sua relação com as operações de</p><p>comércio exterior;</p><p>• entender por que os países precisam de reservas internacionais.</p><p>A Unidade 2 está dividida em três tópicos. Ao fi nal de cada um deles, você terá a</p><p>oportunidade de fi xar seus conhecimentos realizando as atividades propostas.</p><p>TÓPICO 1 – PROCEDIMENTOS NAS EXPORTAÇÕES</p><p>TÓPICO 2 – ANÁLISE DE MERCADO PARA EXPORTAÇÃO</p><p>TÓPICO 3 – TRIBUTAÇÃO NAS EXPORTAÇÕES</p><p>Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure</p><p>um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações.</p><p>CHAMADA</p><p>78</p><p>CONFIRA</p><p>A TRILHA DA</p><p>UNIDADE 2!</p><p>Acesse o</p><p>QR Code abaixo:</p><p>79</p><p>TÓPICO 1 —</p><p>PROCEDIMENTOS NA EXPORTAÇÃO</p><p>UNIDADE 2</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>Olá, caríssimo acadêmico! A partir de agora daremos início a nossa unidade. Nela</p><p>reforçaremos os seus conhecimentos e práticas, pois abordaremos as características</p><p>das exportações no âmbito brasileiro, buscando saber quais são os principais produtos</p><p>que são exportados, lembrando que a imensidão do território brasileiro e das suas terras</p><p>exploráveis constituem um dos primeiros ativos da nossa economia agrícola.</p><p>Falaremos do planejamento estratégico na exportação, ferramenta indispensá-</p><p>vel para quem quer ou já está exportando, afinal, ter conhecimento prévio do mercado</p><p>externo é fundamental para a consolidação dos negócios.</p><p>2 TRATAMENTOS DAS EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS</p><p>O comércio exterior contribui ao desempenho das relações em nível social,</p><p>político e comercial, promovendo o intercâmbio entre os países por meio de negociações</p><p>globais baseadas nas diferentes atividades no mercado internacional. Um profissional</p><p>de Comex deve desenvolver-se para gerenciar, planejar e implementar todos os tipos</p><p>de transações internacionais entre países ou regiões, especializar-se em importação e</p><p>exportação, economia global, pesquisa de mercado, logística, estratégias de negócios</p><p>e, principalmente, ter o conhecimento das políticas econômicas do seu país. Por isso é</p><p>que você está aqui, não é mesmo!?</p><p>Lembre-se sempre: a formação em comércio exterior é uma das profissões mais</p><p>demandadas no mundo, pois representa a troca entre uma ou mais nações em questão</p><p>de bens e serviços, contribuindo com o propósito de satisfazer às necessidades inter-</p><p>nas ou externas de um mercado. Isso significa que tudo o que nos rodeia já passou pela</p><p>alfândega, desde alimentos até produtos tecnológicos não originários do nosso país.</p><p>Por isso, conhecer a legislação e as ferramentas aduaneiras demanda profissio-</p><p>nais altamente qualificados</p><p>no domínio, em nível local, de diversos assuntos, liderança e</p><p>capacidade de negociação para materializar oportunidades globais e conhecimento da</p><p>aplicação dos dispositivos legais reguladores do comércio exterior.</p><p>80</p><p>Figura 1 – Escala de produção na cadeia global</p><p>Fonte: https://shutr.bz/3yroQQc. Acesso em: 24. Ago. 2022.</p><p>Nas próximas décadas, o destino do suprimento mundial de alimentos será</p><p>amplamente moldado por 9,3 bilhões de habitantes: esta é a população global projetada</p><p>para 2050. De acordo com a Organização das Nações Unidas para Agricultura e</p><p>Alimentação (FAO, 2009), estima-se que o mundo precisará aumentar a produção de</p><p>alimentos em 50% para atender à demanda global.</p><p>Segundo a Apex-Brasil, “Entre os principais produtores e exportadores de</p><p>produtos agrícolas do mundo, o Brasil se mostra na vanguarda deste desafio [...], o Brasil</p><p>é uma já realidade extraordinária na agricultura e pode realizar muito mais” (POTENCIAL</p><p>EXPORTADOR..., 2018, s. p.).</p><p>De acordo com a Confederação Nacional das Indústrias (CNI):</p><p>As exportações possibilitam o aumento da escala de produção, a</p><p>aquisição de conhecimento e o aproveitamento de ganhos com</p><p>especialização em etapas das cadeias globais de valor. Para que o</p><p>Brasil tenha maior participação no mercado exterior, é necessário</p><p>mudanças na política comercial que ampliem a demanda externa</p><p>pelos bens e serviços brasileiros e que melhorem o ambiente de</p><p>negócios (COMÉRCIO EXTERIOR..., 2023, s. p.).</p><p>81</p><p>Agora, fica a questão: onde você, acadêmico, se inclui nesse contexto? Simples</p><p>assim, “o profissional de comércio exterior atua no processo de importação e exportação</p><p>de produtos, na identificação	de	mercados	estratégicos,	na	elaborando	estra-</p><p>tégias de negócio, definindo toda a logística entre outras coisas” (COMÉRCIO EXTE-</p><p>RIOR..., 2023, s. p., grifo nosso).</p><p>Dessa forma, o seu papel é extremamente importante ao decidir o seguinte:</p><p>quais mercados estrangeiros oferecem as melhores chances de sucesso nas expor-</p><p>tações? Como exportador, faz sentido concentrar-se em apenas um país ou em um</p><p>pequeno número de países? Como determinar a opção mais adequada para a sua em-</p><p>presa? Faz-se necessário realizar uma análise de mercado e um plano de negócios de</p><p>exportação que permita um diagnóstico?</p><p>De acordo com o Export Enterprises S.A. (2023), embora o comércio exterior</p><p>tenha representado apenas 32,4% do seu PIB em 2020, o Brasil está entre os 30 maiores</p><p>exportadores e importadores do mundo e tem enorme potencial econômico.</p><p>O Brasil exporta, principalmente, soja (13,7%), minério de ferro (12,3%), óleos</p><p>de petróleo (9,4%), cana ou açúcar de beterraba (4,2%) e carne bovina congelada</p><p>(3,2%); enquanto as suas principais importações são: óleos de petróleo (4,8%), peças e</p><p>acessórios para tratores e veículos automotores (3,2%), aparelhos elétricos para telefonia</p><p>fixa (2,8%), circuitos integrados e microconjuntos eletrônicos (2,4%) e embarcações</p><p>flutuantes (2,3%).</p><p>Os principais parceiros comerciais do país são China, EUA, Argentina, Alemanha,</p><p>Holanda, Canadá, Coreia do Sul, Mercosul e UE. Em 2022, apesar de ser a maior econo-</p><p>mia da América Latina e a nona do mundo, o Brasil ainda é relativamente fechado em</p><p>relação a outras grandes economias, com baixa penetração comercial e baixo número</p><p>de exportadores em relação à população (o seu número absoluto de exportadores é,</p><p>aproximadamente, igual ao da Noruega, país com cerca de 5 milhões de habitantes,</p><p>comparado aos nossos 213 milhões).</p><p>O país, no entanto, vem implementando mudanças para melhorar o comércio,</p><p>como a redução do tempo de conformidade documental tanto para exportação quanto</p><p>para importação, por meio do aprimoramento de seu sistema de intercâmbio eletrônico</p><p>de dados (EXPORT ENTERPRISES S.A., 2023).</p><p>O Monitor do Comércio Exterior Brasileiro (2023, s. p.), referente ao período de</p><p>agosto de 2022, informa que o volume das exportações cresceu 2,2%. Com relação a</p><p>toda série histórica (atualmente, contando com 296 meses), o volume total exportado</p><p>alcançou o sexto maior resultado; em contrapartida, o volume das importações cresceu</p><p>5,5%, resultado que foi o sexto crescimento consecutivo recente.</p><p>82</p><p>Ficou interessado? Quer saber um pouco mais das caracterís-</p><p>ticas do nosso comércio exterior? Então, acesse o Monitor do</p><p>Comércio Exterior Brasileiro! Não importa o período que você</p><p>acesse, ele está sempre atualizado. Vá ao Informativo Comple-</p><p>to e faça um resumo do total, dos setores e dos principais</p><p>destinos das exportações e importações. Basta</p><p>acessar o QR Code apresentado. Faça uma análise</p><p>dos setores.</p><p>A exportação é um dos principais indutores do crescimento econômico e</p><p>certamente terá papel importante na recuperação da economia brasileira</p><p>após a superação do período mais crítico da pandemia do novo coronavírus.</p><p>O país enfrenta não apenas o desafio de elevar suas exportações,</p><p>mas também de diversificá-las e torná-las menos dependentes de um</p><p>conjunto limitado de commodities. As dificuldades competitivas do setor</p><p>industrial brasileiro, bem como as propostas para superá-las, vêm sendo</p><p>discutidas exaustivamente há vários anos – e o cenário pós-pandemia tende a</p><p>ser ainda mais desafiador para o setor.</p><p>Fonte: OLIVEIRA, I. et al. International integration as a vector for the Brazilian economic recovery:</p><p>proposals for stimulating exports. Revista Tempo do Mundo – RTM, Brasília, DF, n. 26, p. 103-143,</p><p>ago. 2021. p. 103. Disponível em: https://bit.ly/3l258Hy. Acesso em: 10 jan. 2023.</p><p>DICA</p><p>IMPORTANTE</p><p>2.1 CONCEITUALIZANDO EXPORTAÇÃO</p><p>Podemos definir as exportações como um componente fundamental do</p><p>comércio exterior de um país, são os bens e/ou serviços comprados por empresas de</p><p>um país estrangeiro. Em combinação com as importações, eles compõem a balança</p><p>comercial de um país. Uma nação tem um superávit comercial quando exporta mais</p><p>bens do que importa, e tem déficit comercial quando importa mais do que exporta.</p><p>Faremos uma ressalva aqui para lembrar que a balança comercial de uma na-</p><p>ção corresponde ao valor das exportações de um país menos as suas importações. É</p><p>o maior componente da balança de pagamentos que mede todas as transações inter-</p><p>nacionais. A balança comercial também representa a maior parte da conta corrente</p><p>da balança de pagamentos de um país, afinal, ela mede a renda líquida dele obtida em</p><p>ativos internacionais.</p><p>83</p><p>Voltemos, porém, às questões das exportações. As empresas exportam bens</p><p>e serviços quando têm vantagem competitiva, ou seja, quando são melhores do que</p><p>qualquer outra empresa no fornecimento deste produto específico. Essencialmente,</p><p>uma vantagem comparativa significa que um país pode produzir determinado bem ou</p><p>serviço a um custo de oportunidade menor do que outro. O custo de oportunidade mede</p><p>um trade-off, isto é, aproveita a oportunidade para ter algo, mas, a fim de conseguir isso,</p><p>deve desistir de outra coisa ou sacrificá-la.</p><p>Uma nação com vantagem comparativa superior faz com que a barganha va-</p><p>lha a pena, isso significa que os benefícios de comprar o seu bem ou serviço superam</p><p>as desvantagens. O país pode até não ser o melhor na produção de um produto ou na</p><p>oferta de um serviço, no entanto esse produto ou serviço poderá ter um baixo custo de</p><p>oportunidade (trade-off) para outros países que importam.</p><p>No comércio exterior, os países, geralmente, têm vantagens comparativas em</p><p>diferentes indústrias e por diferentes razões, relacionadas, por exemplo, a recursos na-</p><p>turais, trabalhadores, investimento do governo ou outros fatores. As nações, então, ne-</p><p>gociam com base nessas vantagens.</p><p>Vou exemplificar para melhor entendimento: veja, em relação a produtos tangí-</p><p>veis, as nações produtoras de petróleo, por exemplo, têm uma vantagem comparativa</p><p>em produtos petroquímicos. O óleo produzido localmente fornece uma fonte barata de</p><p>material para os produtos químicos quando comparado a países sem reservas petrolí-</p><p>feras. Muitos dos ingredientes brutos são produzidos no processo de destilaria de óleo.</p><p>Como resultado, os Emirados</p><p>Árabes tornaram-se competitivos com as empre-</p><p>sas de produção química dos EUA no início dos anos 1980. Os produtos petroquímicos</p><p>árabes são relativamente mais baratos, tornando o seu custo de oportunidade melhor</p><p>em relação a outros países.</p><p>Outro exemplo, mas agora relativo a serviços, são os call centers da Índia. Muitas</p><p>empresas ocidentais compram esse serviço porque a mão de obra e os custos são mais</p><p>baratos do que instalar o call center em seu país de origem.</p><p>Alguns clientes dessas empresas podem ter problemas de comunicação devido</p><p>a barreiras linguísticas com os representantes de call centers indianos, mas o serviço</p><p>oferecido é barato o suficiente para fazer a troca valer a pena às empresas que os</p><p>contratam. Essa teoria econômica foi originalmente aplicada ao comércio exterior, mas</p><p>ela pode ser aplicada a qualquer nível de negócios.</p><p>2.2 VANTAGEM COMPARATIVA</p><p>A teoria do comércio internacional, segundo Siqueira e Pinha (2011, p. 8),</p><p>84</p><p>surgiu com as ideias de Adam Smith sobre vantagens absolutas. Na</p><p>visão de Smith, para que duas nações comercializem entre si, de</p><p>forma voluntária, ambas devem ganhar. Isto ficou conhecido como</p><p>a Teoria das Vantagens Absolutas e postula que as nações deveriam</p><p>especializar-se na produção da commodity que produzissem com</p><p>maior vantagem absoluta e trocar parte de sua produção pela</p><p>commodity que produzissem com menor desvantagem absoluta.</p><p>Ou seja, para Smith, o comércio externo se baseava em diferenças</p><p>absolutas de custo de produção. Porém, essa teoria não explicava</p><p>totalmente as bases do comércio atual. Em 1817, David Ricardo</p><p>aprimorou o conceito de Adam Smith, desenvolvendo a Teoria das</p><p>Vantagens Comparativas.</p><p>Está curioso em saber mais sobre os principais aspectos da</p><p>vantagem comparativa? Acesse o QR Code e aprofunde-se</p><p>nesse tema!</p><p>DICA</p><p>Nas últimas décadas o Brasil tornou-se uma potência agroalimentar mundial. O</p><p>comércio agroalimentar brasileiro foi formado por vantagens comparativas de setores</p><p>agroalimentares específicos, como soja, café e carnes. Os países têm vantagens</p><p>comparativas em commodities com capacidade natural de produzir, como é o caso do</p><p>Brasil, o qual possui um clima propício para cultivar café, fornecendo aos agricultores</p><p>brasileiros uma vantagem na exportação cafeeira, por exemplo.</p><p>De acordo com Bonelli e Pinheiro (2015), o Brasil tem sido tradicionalmente</p><p>mais orientado para a exportação do que a maioria dos outros países latino-americanos</p><p>por causa de seu tamanho, vantagem comparativa decorrente da produção de bens</p><p>primários e, em períodos selecionados, da política econômica.</p><p>Segundo Marins (2015, s. p.), algumas vantagens (produtivas ou não) do Brasil</p><p>são estratégicas, como:</p><p>• não tem problemas étnicos ou religiosos sensíveis;</p><p>• não tem problemas de fronteira;</p><p>• é uma democracia constitucional consolidada;</p><p>• setor agropecuário e do agronegócio considerado um dos melhores do mundo;</p><p>• tem terra, sol e água em abundância para produzir alimentos, sem cataclismos</p><p>naturais, como terremotos, vulcões;</p><p>• tem um mercado interno pronto para consumir assim que as pessoas têm recursos;</p><p>• possui um único idioma.</p><p>85</p><p>Nesse caso, fica sempre a questão: por que as nações buscam incentivar as</p><p>exportações? A resposta é simples! Como em qualquer negócio, se não há venda, não</p><p>há receitas para cobrir as despesas. Sendo assim, a maioria dos países quer aumentar</p><p>as exportações.</p><p>As empresas nacionais querem vender mais e, quando já venderam tudo o que</p><p>puderam para a população de seu próprio país, querem vender no exterior. Sob essa</p><p>perspectiva, tais empresas ganham experiência na produção de bens e serviços, além</p><p>de conhecimento sobre como vender a mercados estrangeiros.</p><p>Figura 2 – Aumento das exportações</p><p>Fonte: https://shutr.bz/3JpH1fi. Acesso em: 26 ago. 2022.</p><p>Quanto mais um país exporta, maior é a sua vantagem competitiva. Os governos</p><p>incentivam as exportações porque elas aumentam os aspectos macroeconômicos com</p><p>o aumento do nível de empregos e de rendas, melhoria do padrão de vida dos residentes</p><p>e, é claro, aumento das receitas governamentais, por meio do recolhimento de impostos</p><p>e tributos.</p><p>As exportações também aumentam as reservas cambiais mantidas no banco</p><p>central de uma nação. Um país com grandes reservas pode usar isso para gerenciar</p><p>o valor de sua própria moeda e controlar as possíveis variações cambiais quando não</p><p>possui um câmbio fixo, como é o caso do Brasil.</p><p>Geralmente, os países utilizam de suas reservas cambiais para regular a sua</p><p>liquidez. Isso significa que eles têm a possibilidade de controlar melhor a inflação, que</p><p>é o resultado de muito dinheiro perseguindo poucos bens. Essas nações usam moeda</p><p>estrangeira para comprar a sua própria moeda, em um esforço de controle da inflação,</p><p>o que diminui a oferta de dinheiro, fazendo a moeda local valer mais.</p><p>86</p><p>É possível ter uma noção bem clara das características de exportação no âm-</p><p>bito brasileiro sob a ótica de Poyer e Roratto (2017) e, assim, você verá a importância de</p><p>estudar as exportações. Segundo os autores:</p><p>Embora o Brasil possua mais de 500 anos de história e as relações</p><p>de comércio internacional acompanhem o desenrolar desse tempo,</p><p>o comércio exterior brasileiro, tanto no passado como no presente,</p><p>ainda é pouco representativo quando comparado com os volumes</p><p>transacionados no mundo globalizado. O governo tem feito sua</p><p>parte, concede benefícios, elabora programas para o empresariado,</p><p>faz missões empresariais, mas o resultado não é significativo, pois</p><p>a carga tributária brasileira é muito alta, nossa estrutura logística</p><p>desanima qualquer empresa, nossa economia é instável, entre tantos</p><p>outros problemas que parecem nunca serão resolvidos. Por isso que</p><p>nossa participação no comércio internacional é pequena (POYER;</p><p>RORATTO, 2017, p. 22).</p><p>Nesse sentido, segundo Morella e Pamplona (2010), ainda é possível destacar</p><p>que as exportações permitem:</p><p>• A oportunidade de novos negócios. A diversificação de mercado e a integração</p><p>econômica transformaram o comércio exterior em uma atividade de muita importância</p><p>para o Brasil e o mundo.</p><p>• Às empresas e indústrias que querem ter excelência em seus produtos ou serviços</p><p>e que pretendem ser competitivas manterem-se atentas às tendências do mercado,</p><p>buscando, sempre, uma nova alternativa, mais eficiente e de menor custo de</p><p>produção, fornecimento e logística.</p><p>• O governo, por sua vez, alcança um lugar de prestígio no mercado internacional</p><p>por meio do auxílio nas questões burocráticas de financiamento e incentivo às</p><p>empresas nacionais, a fim de fazer essas empresas alcançarem o mercado mun-</p><p>dial, resultando no fortalecimento da economia nacional e na conquista de mer-</p><p>cados diversificados.</p><p>2.3 TRIBUTAÇÃO NO COMÉRCIO EXTERIOR</p><p>Segundo a CNI,</p><p>A complexa e elevada carga tributária sobre o comércio exterior e</p><p>a cumulatividade ao longo da cadeia produtiva geram aumento de</p><p>custos para as empresas brasileiras, que acabam exportando os</p><p>tributos embutidos no preço de seus produtos e serviços, reduzindo</p><p>a competitividade do país nos mercados externos (TRIBUTAÇÃO...,</p><p>2021, s. p.).</p><p>87</p><p>Acadêmico, você quer saber mais a respeito da tributação</p><p>no comércio exterior? Acesse o QR Code e aprofunde-se</p><p>no assunto!</p><p>DICA</p><p>Poyer e Roratto (2017, p. 21) enfatizam que “a política brasileira de exportações</p><p>se caracterizou, desde 1964, pela atuação do governo na concessão de incentivos e</p><p>benefícios fi scais e creditícios às exportações”. De acordo com os autores, para o</p><p>crescimento das exportações as políticas do Brasil, desde a década de 1960, foram</p><p>baseadas em incentivos fi scais e facilitação de crédito aos exportadores. Observe,</p><p>agora, no Quadro 1, quais são os principais produtos exportados pelo Brasil.</p><p>Quadro 1 – Principais produtos exportados pelo Brasil</p><p>Principais produtos exportados pelo Brasil em 2021 Valor FOB US$</p><p>1º Minério de ferro 42,2 bilhões</p><p>2º Soja 37,3 bilhões</p><p>3º Óleos brutos de petróleo 27,4 bilhões</p><p>4º Açúcares e melaços 8,5 bilhões</p><p>5º Carne bovina</p><p>7,4 bilhões</p><p>6º Farelos de soja 7,2 bilhões</p><p>7º Óleos combustíveis de petróleo 6,6 bilhões</p><p>8º</p><p>Demais produtos – Indústria de</p><p>transformação</p><p>6,4 bilhões</p><p>9º Carnes de aves 6,3 bilhões</p><p>10º Celulose 6,1 bilhões</p><p>Fonte: adaptado de ComexStat (2021 apud BUENO, 2022, s. p.).</p><p>88</p><p>Segundo o Siscomex, “Dentro do princípio de não exportar tributos, o governo</p><p>brasileiro tem procurado desonerar das exportações os tributos nacionais, permitindo às</p><p>empresas ofertarem seus produtos a preços mais competitivos no mercado internacio-</p><p>nal” (DESONERAÇÃO TRIBUTÁRIA..., 2022, s. p.). Assim, ainda de acordo com o Siscomex:</p><p>• O tratamento fiscal das exportações brasileiras segue a prática</p><p>mundial e busca a desoneração dos tributos indiretos sobre as</p><p>exportações. Dessa forma, a Constituição Federal de 1988 definiu</p><p>que não incidem sobre as exportações brasileiras o IPI (art. 153,</p><p>§3º, III), o ICMS (art. 155, §2º, X, “a”).</p><p>• As Contribuições Sociais e de Intervenção no Domínio Econômico,</p><p>tais como o Programa de Integração Social e o Programa de</p><p>Formação do Patrimônio do Servidor Público - PIS/PASEP e a</p><p>Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS</p><p>(art. 149, §2º, I).</p><p>• Além de não incidirem sobre o faturamento das exportações, o ex-</p><p>portador mantém o direito ao crédito gerado pela incidência des-</p><p>ses tributos sobre a aquisição dos insumos empregados nos pro-</p><p>dutos exportados. Portanto, os valores correspondentes a esses</p><p>tributos não devem compor o preço do produto final exportado.</p><p>• A desoneração fiscal ao longo da cadeia produtiva tem importância</p><p>fundamental na composição final do preço de exportação. Por isso,</p><p>é aconselhável que o exportador acompanhe continuamente a</p><p>legislação referente ao assunto (DESONERAÇÃO TRIBUTÁRIA...,</p><p>2022, s. p.).</p><p>Poyer e Roratto (2017) esclarecem que a política brasileira para incentivo das ex-</p><p>portações é caracterizada pela desoneração de impostos, principalmente no valor do pro-</p><p>duto, não incidindo, assim, carga tributária às vendas destinadas ao mercado internacional.</p><p>Veja, agora, quais são os dez principais países/parceiros comerciais com</p><p>as maiores participações nas exportações brasileiras:</p><p>1. China: US$ 87,696 bilhões (31,28%).</p><p>2. EUA: US$ 31,104 bilhões (11,09%).</p><p>3. Argentina: US$ 11,881 bilhões (4,24%).</p><p>4. Países Baixos (Holanda): US$ 9,304 bilhões (3,32%).</p><p>5. Chile: US$ 6,998 bilhões (2,50%).</p><p>6. Singapura: US$ 5,884 bilhões (2,10%).</p><p>7. México: US$ 5,559 bilhões (1,98%).</p><p>8. Coreia do Sul: US$ 5,536 bilhões (1,97%).</p><p>9. Japão: US$ 5,534 bilhões (1,97%).</p><p>10. Espanha: US$ 5,446 bilhões (1,94%)</p><p>Fonte: BALANÇA COMERCIAL: veja ranking dos principais parceiros do Brasil em</p><p>2021. G1 Economia, Rio de Janeiro, 4 jan. 2022. Disponível em: http://glo.bo/3yt-</p><p>c4Ao. Acesso em: 9 mar. 2023.</p><p>IMPORTANTE</p><p>http://glo.bo/3ytc4Ao</p><p>http://glo.bo/3ytc4Ao</p><p>89</p><p>RESUMO DO TÓPICO 1</p><p>Neste tópico, você aprendeu:</p><p>• O profissional de comércio internacional e as empresas devem ser flexíveis no</p><p>momento de uma negociação internacional.</p><p>• As políticas econômicas brasileiras são direcionadas para fomentar as exportações,</p><p>pois esta área do comércio proporciona um saldo positivo na balança comercial.</p><p>• Vantagem comparativa significa que um país pode produzir determinado bem ou</p><p>serviço a um custo de oportunidade menor do que outro.</p><p>90</p><p>1 Os avanços da tecnologia permitem comunicações imediatas com as mais distintas</p><p>regiões do planeta, possibilitando que os mais diversos negócios sejam efetuados,</p><p>diariamente, com empresas de variados e distantes países. No passado, a indústria</p><p>nacional era protegida por barreiras que hoje já não existem. Isso faz com que</p><p>empresas estrangeiras possam concorrer com as empresas brasileiras dentro de</p><p>nosso próprio país. A internacionalização leva ao desenvolvimento da empresa, pois</p><p>a obriga a modernizar-se, seja para conquistar novos mercados, ou para preservar</p><p>as suas posições no mercado interno. As exportações de mercadorias e serviços</p><p>são muito importantes para a geração de divisas (reservas internacionais), ajudam</p><p>a balança comercial de um país e representam as importações e as exportações de</p><p>bens entre os países. Com relação à exportação de produtos e serviços, analise as</p><p>sentenças a seguir:</p><p>I- Exportar um produto é o ato de vender mercadoria e serviços para outro país, isto é,</p><p>além do território nacional e/ou de nossas fronteiras.</p><p>II- A exportação não é apenas uma meta de faturamento: ela é uma importante aliada</p><p>na estratégia para a empresa se tornar mais competitiva.</p><p>III- Fazer vendas ao exterior significa interagir com culturas, costumes, mercados</p><p>e regras diferentes das que uma empresa está habituada, trazendo diferencial</p><p>competitivo e potencial de ganhos às empresas.</p><p>Assinale a alternativa CORRETA:</p><p>a) ( ) As sentenças I, II e III estão corretas</p><p>b) ( ) As sentenças II e III estão corretas.</p><p>c) ( ) Somente a sentença III está correta.</p><p>d) ( ) As sentenças I e II estão corretas.</p><p>2 As atividades de comércio exterior são diretamente relacionadas com a situação</p><p>econômica interna do país. As negociações de importação e exportação sofrem</p><p>diretamente a influência da taxa de câmbio. De acordo com a valorização ou a</p><p>desvalorização da nossa moeda, favorecerá as importações ou as exportações.</p><p>Acerca da influência econômica que as atividades de comércio exterior exercem</p><p>sobre o país, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas:</p><p>( ) O comércio exterior impacta na balança comercial e no Produto Interno Bruto.</p><p>( ) As importações geram melhores resultados para o país do que as exportações.</p><p>( ) As exportações contribuem para a geração de emprego e renda.</p><p>( ) O comércio exterior impacta somente na geração de impostos para o governo.</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>91</p><p>Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:</p><p>a) ( ) V – F – V – F.</p><p>b) ( ) F – V – F – F.</p><p>c) ( ) F – V – V – F.</p><p>d) ( ) F – F – F – V.</p><p>3 Ao iniciar um processo de exportação, a empresa já possui um diferencial competitivo</p><p>em relação às empresas que não exportam. São muitas as vantagens em exportar, e,</p><p>em resumo, o resultado é a geração de maiores receitas e lucros. Além disso, com a</p><p>facilidade da tecnologia, hoje é muito mais simples efetuar transações comerciais em</p><p>qualquer lugar do mundo. Algumas vantagens das exportações são: diversificação</p><p>de mercados, aumento da produtividade, melhoria da qualidade do produto, ou seja,</p><p>vários são os motivos e os incentivos que as empresas dispõem para comercializar</p><p>seus produtos internacionalmente. Sobre esses motivos, classifique V para as</p><p>sentenças verdadeiras e F para as falsas:</p><p>( ) Os exportadores obtêm benefícios financeiros por meio de incentivos governa-</p><p>mentais nas isenções tributárias, como ICMS, IPI, dentre outros.</p><p>( ) As vendas no exterior devem ocupar toda capacidade produtiva da empresa para</p><p>apresentar números expressivos em seu balanço.</p><p>( ) Para manter o mercado competitivo, a empresa exportadora sempre deve inovar e</p><p>aprimorar seu produto.</p><p>( ) Oportunidade de novos mercados, oportunizando, assim, melhoria na margem de lucro.</p><p>Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:</p><p>a) ( ) F – F – V – V.</p><p>b) ( ) V – V – F – F.</p><p>c) ( ) F – V – F – F.</p><p>d) ( ) V – F – V – V.</p><p>92</p><p>93</p><p>ANÁLISE DE MERCADO PARA EXPORTAÇÃO</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>No Tópico 2, vamos iniciar nossos estudos com uma reflexão sobre o planeja-</p><p>mento nas organizações que movimentam as transações comerciais no mercado exter-</p><p>no, com o objetivo geral de discutir a importância do planejamento nas exportações em</p><p>um ou vários mercados selecionados e a necessidade de analisá-lo como um processo,</p><p>contando, para tal, com o método de planejamento estratégico.</p><p>Neste tópico, veremos que exportar é a forma mais comum de empresas</p><p>entrarem em outros países e, geralmente, é a primeira fase do processo de comércio</p><p>exterior. A produção ocorre no mercado interno e os produtos vendidos e enviados para</p><p>o mercado externo.</p><p>Na realização do processo de exportação, veremos as exportações temporárias,</p><p>afinal, elas representam um regime aduaneiro especial, pelo qual uma mercadoria que está</p><p>em livre prática em um território aduaneiro está apta a ser exportada temporariamente,</p><p>para a sua transformação, elaboração ou reparo no exterior e, obrigatoriamente, é reim-</p><p>portada com o pagamento de impostos aduaneiros de importação sobre o valor agregado.</p><p>2 PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO NA EXPORTAÇÃO</p><p>Agora, caro acadêmico, feito esse relato das características da exportação no</p><p>âmbito brasileiro, não poderia ficar de fora o planejamento estratégico para as empresas</p><p>com perfil exportador.</p><p>Sabe-se que o comércio mundial assumiu importância até então desconhecida</p><p>à comunidade ou aldeia global. Nas últimas décadas, o comércio tem sido conduzido</p><p>internacionalmente, mas o impacto dele sobre nações, empresas ou indivíduos nunca</p><p>foi tão extenso e simultâneo como é hoje. Dessa forma, um dos processos mais</p><p>importantes e complexos que uma empresa pode enfrentar é analisar a viabilidade para</p><p>ultrapassar as fronteiras de seu próprio país com o objetivo de competir, assim, em</p><p>um novo mercado. Desse modo, ao assumir essa decisão, muitos aspectos devem ser</p><p>levados em consideração.</p><p>Um plano de exportação, com certeza, te ajudará a entender os principais fatores,</p><p>restrições e finalidade em torno de seu esforço de conquistar o mercado internacional.</p><p>Sugerimos, a você, acadêmico, criatividade e inovação para criar objetivos específicos;</p><p>estabeleça cronogramas a todas as fases de implementação. A motivação da equipe,</p><p>certamente, contribuirá muito para o atingimento das metas.</p><p>UNIDADE 2 TÓPICO 2 -</p><p>94</p><p>Os planos estratégicos de exportação têm um objetivo principal: colocar e man-</p><p>ter nas exportações em um ou vários mercados selecionados, um produto específico.</p><p>Para fins desses planos, as exportações são definidas como o conjunto de</p><p>atividades necessárias para entrar, estabelecer, consolidar e crescer nos mercados</p><p>mundiais, por meio do uso otimizado de todos os recursos humanos, tecnológicos,</p><p>financeiros, produtivos, administrativos e de marketing com pelos quais uma empresa</p><p>é responsável.</p><p>O plano estratégico pode criar a intenção de uma cultura de exportação à em-</p><p>presa, partindo da vontade de exportar, projetar e coordenar as atividades necessárias</p><p>para atingir, de maneira ideal, um produto no mercado de um ou vários países previa-</p><p>mente selecionados.</p><p>Esse plano estratégico é capaz de criar, também, a intenção de uma cultura</p><p>de exportação à empresa, partindo da vontade de exportar, projetar e coordenar as</p><p>atividades necessárias para atingir, de maneira ideal, um produto no mercado de um ou</p><p>vários países, previamente selecionados.</p><p>Para complementar, algumas dicas importantes são:</p><p>• Seja realista, o próprio esforço de planejamento inicial gera, gradualmente, mais</p><p>informações e insights. À medida que você aprender mais sobre exportação e a</p><p>posição competitiva de sua empresa, o plano de exportação ficará mais detalhado.</p><p>Lembre-se que os objetivos para medir o sucesso de diferentes estratégias devem</p><p>ser comparados com os resultados reais. Não hesite em modificar o plano à medida</p><p>que informações adicionais e experiência forem adquiridas.</p><p>• Procure criar uma ferramenta de gerenciamento flexível e mantenha-se sempre</p><p>informado de como está o seu nicho de mercado e a conjuntura político-econômica</p><p>do país de destino. Um plano detalhado é recomendado às empresas as quais</p><p>pretendem exportar diretamente, ou seja, vender para um usuário final em outro país.</p><p>Se optar por operações de exportação indireta ou vender por meio do seu site ou por</p><p>site de terceiros/revendedores, você poderá utilizar planos estratégicos de negócios</p><p>de exportação menos elaborados e mais simples.</p><p>O planejamento de exportação é a etapa fundamental para toda boa transação</p><p>de comércio exterior. É nessa hora que você tenta antever os principais obstáculos que</p><p>poderão surgir no seu caminho e de alguma forma se preparar para contorná-los.</p><p>De acordo com o Siscomex, “a primeira tarefa de uma empresa que pretende se</p><p>engajar no processo de exportação é refletir sobre os possíveis resultados decorrentes</p><p>da decisão de exportar” (DESONERAÇÃO TRIBUTÁRIA..., 2022, s. p.).</p><p>95</p><p>Ainda segundo o Siscomex, há algumas considerações importantes para quem</p><p>deseja começar a exportar, pois, a fim de ter vantagens, é necessário planejamento</p><p>(DESONERAÇÃO TRIBUTÁRIA..., 2022). Dessa forma, é necessário questionar-se: por</p><p>que exportar? O que exportar? Como fazer isso? Para onde?</p><p>Figura 3 – Planejamento no processo de exportação</p><p>Fonte: https://shutr.bz/3ZCWIW9. Acesso em: 31 ago. 2022.</p><p>A partir desses questionamentos, começaremos a procurar as respostas, mas,</p><p>antes, um fator muito importante a ser abordado é a internacionalização das empresas.</p><p>O que seria isso?</p><p>A internacionalização é o caminho que as empresas utilizam para realizar ativi-</p><p>dades de negócios no exterior, com vistas a complementar as vendas do mercado in-</p><p>terno. Tradicionalmente, para abordar os mercados internacionais, as empresas seguem</p><p>uma perspectiva baseada em processos. A internacionalização é um processo cada vez</p><p>mais importante na economia.</p><p>Na perspectiva de Magdin (2021), as exportações dão início a esse processo ao</p><p>colocarem em marcha a primeira fase da internacionalização dos negócios das empresas,</p><p>esperando tanto o crescimento quanto o desenvolvimento deles. Padrões precisam</p><p>96</p><p>ser cumpridos, métodos de produção aplicados, práticas de gestão e contabilidade</p><p>evoluídas, tudo para cumprir os acordos de parceiros e garantir que os produtos sejam</p><p>competitivos no mercado externo.</p><p>A internacionalização não afeta exclusivamente as grandes empresas, pois</p><p>as pequenas e médias também precisam fazê-lo. A internacionalização é crucial ao</p><p>crescimento e à sobrevivência delas, pois evita a concorrência doméstica e prossegue</p><p>na expansão do mercado, no entanto a internacionalização das PMEs em relação às</p><p>grandes empresas é diferente? Qual é a sua opinião sobre isso?</p><p>É importante lembrar que o tamanho das empresas não é decisivo para descartar</p><p>o desafio. Existem diferentes fórmulas para a internacionalização de negócios, no</p><p>entanto é uma decisão cujas questões, como maturidade do negócio ou conhecimento</p><p>intensivo do mercado que você quer entrar, são realmente importantes.</p><p>Existem diferentes tipos de entrada em mercados estrangeiros que também se</p><p>ajustam às particularidades dos diferentes tipos de sociedades. Ao embarcar em uma</p><p>aventura dessa magnitude, as empresas devem saber qual fórmula melhor adapta-se</p><p>aos seus objetivos e circunstâncias. As diferentes maneiras de internacionalizar são as</p><p>seguintes:</p><p>• Exportação: exportações indiretas, cooperativas e diretas.</p><p>• Acordos de associação ou cooperação: licenças e franquias.</p><p>• Investimento direto: subsidiárias de produção ou vendas por meio de joint ventures.</p><p>Seguir uma estratégia bem estabelecida é altamente recomendável para</p><p>que a internacionalização de uma empresa seja bem-sucedida. Uma boa estratégia,</p><p>normalmente, é dividida em três etapas: estudo preliminar, escolha de mercados e</p><p>execução da internacionalização.</p><p>Lembre-se, porém, que a internacionalização é mais do que uma expansão do</p><p>negócio do seu mercado local para o mercado externo. Levar produtos ao exterior não</p><p>é algo para ser feito de ânimo leve ou subestimado, na verdade, a internacionalização é</p><p>um processo que exige convicção, empenho e força de vontade.</p><p>A decisão de internacionalizar é uma das estratégias com mais impacto</p><p>em qualquer organização, bem como em todas as operações internas e externas e,</p><p>especialmente, na gestão. Os empresários, na crescente tendência exportadora, viram</p><p>ser um caminho de crescimento que abre portas. Nesse sentido, é interessante analisar</p><p>a exportação como sendo a primeira e mais fácil opção.</p><p>De acordo com o Connect Americas (2017), são inúmeras as razões pelas quais</p><p>uma empresa decide inserir os seus produtos no mercado internacional. Não é uma</p><p>tarefa difícil, mas como</p><p>qualquer negócio requer preparação e treinamento para ser</p><p>bem-sucedido.</p><p>97</p><p>Um plano de negócios de exportação é uma ferramenta útil que permite ao</p><p>empresário saber como se posicionar frente ao mercado externo. Isso serve como um</p><p>instrumento para analisar antecipadamente quais os riscos que pode encontrar e mon-</p><p>tar um plano de contingência sob medida.</p><p>Esse plano permitirá, também, compreender melhor os mercados de destino,</p><p>desenvolver uma estratégia de exportação e ajudar a melhorar as relações com forne-</p><p>cedores e agentes de vendas ou entidades financeiras.</p><p>Um plano de exportação não tem uma estrutura predeterminada, pois varia</p><p>de acordo com os produtos, serviços e características particulares de cada empresa.</p><p>Segundo Connect Americas (2017, s. p., tradução e grifos nossos), todo plano de</p><p>exportação deve ter alguns pontos-chave, por exemplo:</p><p>• A descrição do negócio: é importante expor informações</p><p>detalhadas sobre a empresa. Em particular, uma descrição de sua</p><p>capacidade, experiência e habilidades para implementar o projeto.</p><p>Conforme é detalhado no seu negócio, também é recomendado</p><p>definir os pontos fortes e fracos da empresa e, além disso, incluir</p><p>os objetivos em longo e curto prazo, se houver histórico de um</p><p>plano de negócios de exportação, a estratégia de inserção no</p><p>mercado-alvo e a descrição do produto ou serviço. Este último</p><p>ponto deve abranger desde classificações tarifárias, descrição</p><p>dos segmentos de consumo e mercado, principais produtos</p><p>concorrentes, tecnologias, padrões de qualidade, adaptações</p><p>de produtos, custos e preços para o cliente até a pesquisa e o</p><p>desenvolvimento de novos produtos.</p><p>• Análise de mercado: qualquer plano de exportação deve</p><p>incluir para onde você deseja exportar e as características desse</p><p>mercado, o que inclui aspectos políticos, legais, econômicos e</p><p>socioculturais. É importante incluir uma descrição da indústria no</p><p>mercado a ser exportado, análise da concorrência, segmentação</p><p>de mercado e barreiras tarifárias.</p><p>• Recursos humanos: é de grande valia expor o capital humano</p><p>que a empresa tem para enfrentar o projeto de exportação. Qual-</p><p>quer informação relacionada às experiência e competitividade nos</p><p>diferentes aspectos do comércio exterior, estrutura organizacional</p><p>da empresa e área internacional é benéfica. Além disso, é impor-</p><p>tante detalhar se a sua empresa possui assessores externos na</p><p>área de comércio internacional bem como alianças estratégicas.</p><p>• Plano operacional: esta é a parte principal do plano de expor-</p><p>tação. Nesta seção, é definida uma estratégia de penetração no</p><p>mercado-alvo compatível com os objetivos em longo prazo da</p><p>empresa. Deve-se afirmar que é viável realizar a operação do pon-</p><p>to de vista administrativo, técnico, financeiro e comercial.</p><p>Há a necessidade de incluir tudo que é relacionado aos aspectos internacionais</p><p>das operações e da produção, conforme descrito no Quadro 2.</p><p>98</p><p>Quadro 2 – Aspectos internacionais das operações e da produção</p><p>ASPECTOS INTERNACIONAIS</p><p>ASPECTOS</p><p>PRODUTIVOS</p><p>• Preço de exportação e logística internacional.</p><p>• Exigências formais para exportação/importação.</p><p>• Barreiras tarifárias e não tarifárias.</p><p>• Cotações (Incoterms).</p><p>• Contratos, formas de pagamento, negociações.</p><p>• Embalagens, seguros – Promoção – Distribuição.</p><p>• Atividades de desenvolvimento de mercado –</p><p>Contatos no exterior.</p><p>• Matérias-primas.</p><p>• Qualidade e padrões.</p><p>• Capacidade.</p><p>• Instalações.</p><p>• Localização.</p><p>• Mão de obra.</p><p>• Fornecedores.</p><p>• Tecnologia.</p><p>Fonte: adaptado de Connect Americas (2017)</p><p>Sem sombra de dúvida, um plano de exportação é uma ferramenta fundamental</p><p>para que as empresas consigam inserir-se e integrar-se, cada vez mais e melhor, no co-</p><p>mércio exterior. No Brasil, muitas empresas possuem a maioria dessas informações, no</p><p>entanto a desorganização e a falta de experiência podem levar à expansão malsucedida</p><p>no mercado externo, porém o planejamento prévio e a elaboração adequada de um pla-</p><p>no não só ajudarão do ponto de vista comercial, mas também permitirão que a empresa</p><p>se autoavalie, gerando mais participação e conhecimento da operação. Como qualquer</p><p>instrumento de gestão, o planejamento estratégico para exportação deverá ser tanto</p><p>fl exível quanto adaptável, permitindo a sua revisão à medida que as operações avancem.</p><p>Todas as exportações contribuem como um todo ao</p><p>desenvolvimento do país, pois aumentam a entrada</p><p>de divisas, a criação e conservação de emprego e</p><p>renda, melhorando o aprimoramento do capital</p><p>humano, o desenvolvimento e crescimento das</p><p>empresas. Então, quer fazer uma refl exão a respeito</p><p>desse tema? Acesse o QR Code para acessar o site</p><p>Por que Exportar?, lá você encontrará um jogo sobre</p><p>o tema. Aprenda se divertindo!</p><p>INTERESSANTE</p><p>99</p><p>3 EXPORTAÇÃO: CONHECENDO O MERCADO EXTERNO</p><p>Tornar-se um exportador poderá colocar as empresas no caminho certo à</p><p>sustentabilidade dos negócios, porém também arrisca ser um grande desafio começar e</p><p>alcançar o sucesso. Por meio dessa perspectiva, faz-se necessário analisar uma série de</p><p>fatores, desde a escolha do mercado-alvo certo até a logística bem como a adaptação</p><p>do produto, preços, questões alfandegárias e marketing.</p><p>Uma questão relevante que deve ser feita é: a sua empresa – ou a empresa</p><p>para a qual você trabalha – está pronta para exportar? Pois, não basta querer</p><p>vender os produtos internacionalmente, a organização também deve estar preparada a</p><p>esse novo empreendimento.</p><p>Embora os negócios de exportação sejam diferentes, todos compartilham certas</p><p>características, incluindo uma equipe de gerenciamento comprometida, capacidade de</p><p>produção e financeira. Assim, a longa lista de desafios parece intimidante, mas você e a</p><p>sua empresa terão a capacidade de a enfrentar por meio de medidas para preparar os</p><p>negócios e adotar uma abordagem estratégica.</p><p>De acordo com Bora (2021, s. p.), o mercado certo para exportar é aquele que ofe-</p><p>rece margens mais altas e conectividade perfeita. Ainda segundo a autora, os exportado-</p><p>res precisam garantir que a demanda seja consistente e que o mercado esteja crescendo.</p><p>É importante pensar em longo prazo. Ao invés de focar no principal país</p><p>importador, faz-se necessário considerar um país com um mercado comparativamente</p><p>menor, mas com potencial de mais crescimento. Existem diversos países para escolher</p><p>e encontrar o melhor mercado, mas tal ação requer uma séria consideração.</p><p>Independentemente de as empresas terem experiência anterior em exportação,</p><p>ou estarem entrando no mercado pela primeira vez, há riscos envolvidos na atividade.</p><p>É crucial que as empresas estabeleçam metas claras e estudem o mercado desejado,</p><p>antes de iniciar novas atividades de crescimento das vendas de exportação.</p><p>Veja o que esclarece o Siscomex a respeito da exportação e de conhecer o</p><p>mercado externo:</p><p>•	 A	correta	identificação	de	seu	mercado-alvo é uma das eta-</p><p>pas mais importantes caso você deseje exportar de forma susten-</p><p>tável e segura. Esta etapa envolve outras questões que vão além</p><p>do preço praticado.</p><p>• A existência de barreiras comerciais: o risco comercial apre-</p><p>sentado pelo país em questão, o custo do frete, a perspectiva de</p><p>estabelecer relações comerciais duradouras e não só uma ven-</p><p>da eventual, as condições que podem contribuir para consolidar</p><p>o seu produto e marca no referido mercado, dentre outros, são</p><p>aspectos importantes a serem pensados.</p><p>100</p><p>• A pesquisa de mercado é um instrumento que capaz de</p><p>te ajudar no processo de identificação de seu mercado-alvo</p><p>(IDENTIFICANDO MERCADOS, 2022, s. p.).</p><p>Para que a entrada em um novo mercado seja interessante a uma empresa,</p><p>deve-se considerar os custos que tal ação representará, não apenas em curto prazo,</p><p>mas também em médio e longo prazos. Evidentemente, antes de iniciar uma política de</p><p>penetração comercial, é necessário encontrar um método de seleção de mercados que</p><p>permita minimizar os custos mencionados.</p><p>As empresas que decidem entrar no mercado externo encontram-se, do ponto</p><p>de vista teórico, diante de 180 possibilidades diferentes,</p><p>ou seja, o número de países</p><p>os quais compõem a economia mundial. O primeiro problema sobre o qual empresa</p><p>deve refletir é decidir quais desses mercados atendem aos requisitos mínimos e têm</p><p>demanda suficiente para serem considerados interessantes e, assim, serem alvo de</p><p>uma investigação mais profunda.</p><p>Existem muitos fatores a serem considerados no momento de realizar um</p><p>projeto de exportação de sucesso, alguns são gerais para todos os negócios e outros</p><p>dependem do produto ou serviço, no entanto o certo é: devem estar disponíveis bases</p><p>de conhecimento que só podem ser obtidas por meio de rigorosa pesquisa de mercado.</p><p>Você poderia supor quais os fatores possíveis de serem detectados em uma</p><p>pesquisa mercadológica voltada ao mercado externo? Posso te adiantar que um desses</p><p>fatores se chama “distância cultural”, você sabe o que é isso?</p><p>A palavra “cultura” pode ser interpretada de muitas maneiras e, portanto, é im-</p><p>portante enfatizar o contexto a que se refere quando falamos de cultura. A interpretação</p><p>no comércio exterior sobre tal tema está baseada nos efeitos dele sobre as parcerias</p><p>comerciais. A cultura, portanto, representará crenças, normas e valores compartilhados</p><p>que dois parceiros comerciais possuem.</p><p>A distância cultural tem desempenhado um papel cada vez mais significativo no</p><p>comércio internacional. Na falta de informações sobre culturas de outros países, as em-</p><p>presas, muitas vezes, acham difícil entender o ambiente social, por exemplo, as crenças</p><p>e regras predominantes de determinada nação.</p><p>De acordo com Tonon (2020, s. p.), “a forma como nos comunicamos e inte-</p><p>ragimos com nossos fornecedores e clientes internacionais, bem como nosso com-</p><p>portamento diante deles, está diretamente ligada ao sucesso ou fracasso de uma ne-</p><p>gociação”. A autora ainda afirma: “no comércio internacional encontramos diferenças</p><p>culturais ‘gritantes’ entre países, e para que uma negociação possa ser bem-sucedida é</p><p>preciso fazer uso da Inteligência Cultural” (TONON, 2020, s. p.).</p><p>101</p><p>Observe, na Figura 4, algumas dicas e conceitos acerca da inteligência cultural</p><p>no comércio internacional.</p><p>Figura 4 – Inteligência cultural e comércio internacional</p><p>Fonte: adaptada de Tonon (2020, s. p.).</p><p>A fi gura apresenta um infográfi co com cinco retângulos azuis interligados. No topo,</p><p>como título, está o retângulo cujo interior traz a expressão “Inteligência cultural e o</p><p>comércio internacional”. Ele liga-se, por meio de uma linha reta, a um retângulo à</p><p>esquerda que apresenta a frase “Utilizando do conhecimento para conquistar novos</p><p>mercados, novos fornecedores, novos clientes e novas parcerias”. Este retângulo,</p><p>assim como o do título, interliga-se a outros três retângulos que estão posicionados</p><p>lado a lado. O primeiro, à esquerda, apresenta a frase “Inteligência cultural nada mais</p><p>é do que conhecer as características de cada cultura e suas particularidades...”. O</p><p>segundo retângulo, no centro, apresenta a frase “... compreendendo e respeitando</p><p>as diferenças existentes entre um país e outro e o seu povo, seus valores, crenças,</p><p>tradições e costumes”. O terceiro retângulo, à direita, mostra a frase “É a capacidade</p><p>de se adaptar a tantas diferenças existentes, desenvolvendo, assim, habilidades de</p><p>interação e comunicação necessárias para conduzir uma negociação em qualquer</p><p>ambiente cultural”.</p><p>Porém, como se resguardar desses entraves? Segundo Tonon (2020, s. p.), a</p><p>inteligência cultural poderá ser desenvolvida por meio de:</p><p>• Conhecimento: conheça a cultura do país com quem está</p><p>negociando. Procure saber detalhes dos lugares, da política do país,</p><p>da religião, das normas, condutas, restrições, comportamentos</p><p>comerciais etc. Não tente negociar às cegas porque você poderá</p><p>correr alto risco de ser mal interpretado. Atente-se para as</p><p>particularidades de cada povo, de cada país.</p><p>102</p><p>• Consciência: em se tratando de uma negociação internacional,</p><p>você precisa ter consciência de que as diferenças culturais</p><p>influenciam as negociações internacionais e que precisa estar</p><p>atento ao seu comportamento, à sua comunicação e à forma</p><p>como toma decisões importantes em um ambiente diferente do</p><p>seu, em situações inusitadas. Atente-se para as características</p><p>e traços das pessoas com quem esteja fazendo contato e tenha</p><p>consciência que uma negociação é uma via de mão dupla. Você</p><p>não poderá nem ser firme demais em suas convicções, nem ceder</p><p>demais. O que precisará é ter consciência das diferenças, aceitá-</p><p>las, respeitá-las acima de tudo e ter o famoso “jogo de cintura”.</p><p>Simplesmente analisar o contexto como um todo e conduzir a</p><p>negociação de forma inteligente e perspicaz.</p><p>• Habilidade: tenha a habilidade em usar o conhecimento adquirido</p><p>para um benefício maior. Não coloque tudo a perder por uma</p><p>atitude ou gesto impensado ou um tom de voz ríspido. Tenha a</p><p>capacidade de fazer algo em situações críticas, de modo a não</p><p>comprometer o seu negócio. Nunca desrespeite ou ofenda o</p><p>modo de pensar e agir do outro. Fique atento a certas sutilezas</p><p>existentes no comportamento e no modo de se comunicar, pois</p><p>essas sutilezas costumam fornecer informações preciosas e</p><p>decisivas em uma negociação.</p><p>Por isso, uma boa pesquisa é fundamental para conhecer o país de destino,</p><p>bem como as suas características.</p><p>Veja, no Quadro 3, dois exemplos práticos de como é importante conhecer o</p><p>mercado externo. Os	 selos/certificações	 halal	 e	 kosher	 são	 frequentemente</p><p>utilizados no contexto de carnes e laticínios. Esses termos referem-se ao que é</p><p>permitido pelas leis religiosas islâmicas e judaicas, respectivamente.</p><p>Quadro 3 – Selo islâmico Halal</p><p>CERTIFICAÇÃO HALAL O QUE É?</p><p>Fonte: https://cutt.ly/K4RlhWt. Acesso em: 31</p><p>ago. 2022.</p><p>Halal é uma palavra árabe que significa</p><p>“permitido”. Um produto com a certificação</p><p>halal indica ser permitido ou aceitável se-</p><p>gundo as leis islâmicas. Para que os produ-</p><p>tos recebam essa certificação, eles devem</p><p>ser de origem aceitável, como vaca ou fran-</p><p>go, e abatidos de acordo com essas leis.</p><p>Oferecer produtos certificados halal per-</p><p>mite que os consumidores muçulmanos</p><p>tenham certeza de que os produtos os</p><p>quais consomem estão alinhados com as</p><p>suas cultura e crenças.</p><p>Fonte: o autor</p><p>103</p><p>Quadro 4 – Selo Judaico Kosher</p><p>CERTIFICAÇÃO KOSHER O QUE É?</p><p>Fonte: https://cutt.ly/x4Rl3Qi. Acesso em: 31</p><p>ago. 2022.</p><p>A palavra kosher significa apropriado ou acei-</p><p>tável e entrou informalmente no idioma in-</p><p>glês com esse significado, mas as leis kosher</p><p>têm sua origem na Bíblia e são detalhadas no</p><p>Talmud bem como nos outros códigos das</p><p>tradições judaicas. Eles foram aplicados, ao</p><p>longo dos séculos, às situações em constan-</p><p>te mudança, essas regras, antigas e moder-</p><p>nas, regem a certificação kosher.</p><p>A Bíblia lista as categorias básicas de alimen-</p><p>tos que não são kosher. Estes incluem certos</p><p>animais, aves e peixes (como porco e coelho,</p><p>águia e coruja, peixe-gato e esturjão), a maio-</p><p>ria dos insetos e qualquer marisco ou réptil.</p><p>Além disso, as espécies kosher de carne e</p><p>aves devem ser abatidas de maneira prescrita,</p><p>carne e produtos lácteos não podem ser fabri-</p><p>cados ou consumidos juntos.</p><p>Fonte: o autor</p><p>No caso do selo Halal – cujo nosso país é um dos principais exportadores – de</p><p>acordo com o Siscomex, “é um documento fiel de garantia emitido por uma instituição</p><p>certificadora Halal reconhecida por países islâmicos, para atestar que a empresas,</p><p>processo e produtos seguem os requisitos legais e critérios determinados pela</p><p>jurisprudência islâmica (Sharia)” (CERTIFICAÇÃO HALAL, 2022, s. p.).</p><p>Veja a importância desse selo/certificação para quem deseja inserir-se no</p><p>mercado islâmico:</p><p>Atualmente a população islâmica no mundo situa-se em torno</p><p>de 1,6 bilhão de habitantes, correspondentes a cerca de 22% da</p><p>população mundial.</p><p>Estima-se que será a religião com maior crescimento nas próximas</p><p>quatro décadas, devendo atingir cerca 2,8 bilhões fiéis em 2050 e</p><p>cerca 30% da população mundial.</p><p>Um percentual considerável da população dos países da União</p><p>Europeia atualmente é</p><p>composto por muçulmanos como, por</p><p>exemplo, 5,8% da população da Alemanha, 7,5% da população da</p><p>França, 4,8% da população do Reino Unido.</p><p>Ao contrário do que muitos pensam, a maior parte da população</p><p>islâmica do mundo não está situada no Oriente Médio. Atualmente,</p><p>104</p><p>o maior país islâmico do mundo é a Indonésia, com cerca de 250</p><p>milhões de habitantes, dos quais cerca de 90% são muçulmanos.</p><p>Após a Indonésia, os maiores países islâmicos são Bangladesh,</p><p>Paquistão, Turquia e Irã e Egito. Entre os países citados, o único que</p><p>é um país árabe é o Egito.</p><p>Os países que integram a Liga dos Estados Árabes são 22 países,</p><p>situados predominantemente no Oriente Médio e Norte da África,</p><p>com uma população total que supera 380 milhões de habitantes, em</p><p>sua maioria, muçulmanos.</p><p>Trata-se de um vasto mercado a ser conquistado e está certificação</p><p>agrega ao produto vantagens competitivas tanto no curto como no</p><p>longo prazo, quando se considera o crescimento projetado deste</p><p>mercado (CERTIFICAÇÃO HALAL, 2022, s. p.).</p><p>A cultura de um país é o conhecimento, as crenças, os valores, os compor-</p><p>tamentos e as formas de pensar compartilhados pelos membros de uma sociedade.</p><p>Ela também é intangível, difundida, mas difícil de aprender, portanto as organizações</p><p>devem respeitá-la e compreendê-la. As culturas evoluem e mudam, o que é mais um</p><p>motivo para se manter em constante atualização em relação a elas.</p><p>Como as empresas exportadoras aprendem a conviver com outras culturas?</p><p>Simples, o primeiro passo é entender que existem culturas diferentes das suas, então,</p><p>as organizações precisam dar um passo além e aprender essas características, a fim de</p><p>se adaptar a elas.</p><p>Olá, caro acadêmico! Que tal uma pausa na leitura?</p><p>Preparamos um podcast bem interessante, especialmente</p><p>para você, no qual falaremos de distância cultural. Para</p><p>ouvir, basta acessar o QR Code e apertar o play!</p><p>DICA</p><p>3.1 EXPORTAÇÕES DE PRODUTOS</p><p>Agora, você é capaz de perceber que, antes de dar o salto para o exterior, toda</p><p>empresa precisa conhecer a fundo o mercado o qual deseja atender. Visando a garantir</p><p>o sucesso do produto em um país específico, informações de mercado precisas e</p><p>atualizadas devem estar disponíveis, o que permitirá a melhor análise de investimento.</p><p>A exportação envolve múltiplos fatores que devem se unir para entregar um produto</p><p>competitivo em condições ideais.</p><p>105</p><p>Reforçando, sempre, o seguinte: para entrar, com sucesso, em um novo mercado,</p><p>é importante considerar os custos em curto, médio e longo prazos. Faz-se necessário en-</p><p>contrar um método de seleção dos mercados que permita minimizar os custos e esforços.</p><p>A internacionalização é uma grande oportunidade ao crescimento do negócio,</p><p>mas também é um grande desafio, portanto uma estratégia bem-sucedida bem como</p><p>informações do mercado-alvo são essenciais à inserção no comércio exterior.</p><p>As exportações representam uma das mais antigas maneiras de transferência</p><p>econômica, ocorrendo em larga escala entre as nações. A exportação, se atingir novos</p><p>mercados, pode aumentar as vendas e os lucros e, até mesmo, representar uma</p><p>oportunidade de conquistar uma fatia significativa do mercado global.</p><p>As exportações de produtos reduzem a dependência do mercado interno,</p><p>além de protegê-lo das sazonalidades de mercado, no entanto, o que deve ser levado</p><p>em consideração para exportar um produto? Você precisará considerar os seguintes</p><p>fatores, a fim de analisar e priorizar os potenciais mercados de exportação:</p><p>• Características do mercado: tamanho, crescimento, setores, tendências sazonais</p><p>e questões de qualidade.</p><p>• Ambiente competitivo: quem são os seus concorrentes, são locais ou estrangeiros?</p><p>Qual será o desafio de distribuir o seu produto? Ou existem barreiras para os recém-</p><p>chegados ao mercado?</p><p>• Condições	 financeiras	 e	 econômicas: práticas de preços, condições de</p><p>pagamento, tarifas e outras barreiras ao comércio, além do impacto de situações</p><p>geopolíticas. A taxa de câmbio e a estabilidade da moeda também são fatores que,</p><p>obviamente, precisam ser considerados.</p><p>• Fatores culturais, políticos e legais: o idioma é uma consideração cultural</p><p>fundamental, mas a estabilidade política e o sistema legal local também devem ser</p><p>considerados bem como a legislação ambiental do consumidor e o investimento</p><p>estrangeiro, os procedimentos de registro e licenciamento, as leis trabalhistas locais</p><p>e a proteção de propriedade intelectual.</p><p>Segundo Bueno (2023, s. p.), “para exportar é preciso estar atento no mercado</p><p>internacional e a empresa precisa estar dentro da legalidade, além disso a empresa</p><p>precisa estar habilitada no Portal Siscomex, para que a Receita Federal possa acompanhar</p><p>como a empresa está dentro do Comércio Internacional”. Mais do que isso, afirma a</p><p>autora, a empresa necessita conhecer fortemente todas as etapas de exportação e,</p><p>assim, estar bem-preparada para realizar tal atividade.</p><p>De acordo com Bueno (2023, s. p., grifo nosso), as etapas para exportação de</p><p>produtos devem seguir este passo a passo:</p><p>106</p><p>• Juntar a documentação necessária.</p><p>• Elaborar uma estratégia integrada.</p><p>• Fazer cadastro no Siscomex.</p><p>• Conhecer os Incoterms.</p><p>• Explorar os incentivos fi scais.</p><p>• Diferenciar o produto.</p><p>• Realizar follow-up após o embarque.</p><p>As exportações de produtos infl uenciam o fl uxo comercial</p><p>de um país e podem impactar a economia dele e toda a</p><p>economia global. Se você estiver interessado em saber</p><p>mais acerca do sistema de comércio exterior (Siscomex)</p><p>brasileiro, basta acessar o QR Code . No comércio exterior,</p><p>o tamanho de uma empresa não é mais tão signifi cativo.</p><p>De fato, ela deve assumir sérios compromissos para</p><p>atingir esse objetivo, assim como pesquisar e explorar</p><p>novos mercados, planejar cuidadosamente e seguir uma</p><p>estratégia de vendas clara.</p><p>INTERESSANTE</p><p>Deve-se notar, aqui, que exportar requer o mesmo esforço de qualquer outra</p><p>iniciativa comercial, a diferença é: o seu mercado potencial, acadêmico, está crescendo,</p><p>mas os concorrentes e as exigências de qualidade e preço dos produtos também estão.</p><p>Vale ressaltar que os exportadores nunca terão um produto perfeito, afi nal,</p><p>os produtos estarão sempre à mercê de pressões competitivas, de mudanças nas</p><p>preferências do mercado e de novas tecnologias emergentes. O sucesso depende tanto</p><p>da compreensão quanto da antecipação da mudança, pela melhoria contínua.</p><p>Figura 5 – Novos mercados</p><p>Fonte: https://shutr.bz/3yqNFvx. Acesso em: 26 ago. 2022.</p><p>107</p><p>O desenvolvimento de produtos para novos mercados internacionais é um pro-</p><p>cesso contínuo. Manter-se competitivo e aumentar as vendas no comércio internacio-</p><p>nal significa investir no desenvolvimento, assim como na adaptação de novos produtos.</p><p>Esse investimento garante que os produtos atendam às regulamentações, necessida-</p><p>des e expectativas dos novos mercados, posicionando melhor o empreendimento em</p><p>direção ao sucesso.</p><p>Desenvolvimento e adaptação de produtos é o processo permanente de trazer</p><p>mercadorias a um novo mercado à medida que elas se movem ao longo do ciclo de vida,</p><p>por exemplo: substituir produtos descontinuados por novos ou adaptados. Diferentes</p><p>tipos de produtos podem servir a diferentes propósitos, bem como produtos inovadores</p><p>são um meio de entrar em um mercado existente.</p><p>A exportação é a forma mais tradicional e consolidada de estratégias de entrada</p><p>no mercado. Simplificando: refere-se à comercialização de bens produzidos em um país</p><p>para outro. Embora a exportação não exija fabricação direta em um país estrangeiro,</p><p>a exportação bem-sucedida garante a necessidade de investimentos significativos.</p><p>Segundo o Siscomex:</p><p>Para exportar, a empresa eventualmente precisará realizar ade-</p><p>quações ao seu produto, que podem ser necessárias para atender</p><p>exigências técnicas do mercado, condições de transporte, agregar</p><p>valor e vantagens competitivas, proporcionar uma melhor comuni-</p><p>cação com o consumidor e, assim, obter maior acesso ao mercado,</p><p>acompanhar a elevação dos padrões técnicos em constante evo-</p><p>lução, manter-se</p><p>ADUANEIRA</p><p>OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM</p><p>PLANO DE ESTUDOS</p><p>A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:</p><p>• conhecer as operações e os processos de importação e exportação brasileiros;</p><p>• compreender a administração aduaneira no Brasil;</p><p>• identifi car legislação e os regulamentos que ordenam a aduana brasileira;</p><p>• conhecer os regimes aduaneiros na importação e exportação.</p><p>A cada tópico desta unidade você encontrará autoatividades com o objetivo de</p><p>reforçar o conteúdo apresentado.</p><p>TÓPICO 1 – ORDENAÇÃO ADUANEIRA</p><p>TÓPICO 2 – REGIMES ADUANEIROS ESPECIAIS</p><p>TÓPICO 3 – REGIMES ADUANEIROS APLICADOS EM ÁREAS ESPECIAIS</p><p>Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure</p><p>um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações.</p><p>CHAMADA</p><p>2</p><p>CONFIRA</p><p>A TRILHA DA</p><p>UNIDADE 1!</p><p>Acesse o</p><p>QR Code abaixo:</p><p>3</p><p>ORDENAÇÃO ADUANEIRA</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>O comércio exterior, sem sombra de dúvidas, tornou-se uma atividade central</p><p>para países e regiões. As políticas comerciais que, até ontem, eram orientadas por decisões</p><p>internas sob premissas protecionistas, deram lugar a hipóteses de interdependência e</p><p>globalização. Esse setor ampliou o mercado para as produções de um país.</p><p>As exportações podem levar ao aumento da produção nacional e podem,</p><p>também, se tornar um motor de crescimento. A expansão do comércio exterior de um</p><p>país é capaz de energizar uma economia estagnada, conduzindo-a ao caminho do</p><p>crescimento econômico e da prosperidade.</p><p>Quando as mercadorias são importadas, muitas vezes, são cobrados impostos</p><p>e taxas de importação e, portanto, as importações contribuem à receita do governo.</p><p>Essas receitas fiscais são, posteriormente, utilizadas pelo governo com o intuito de</p><p>investimento em programas sociais, em infraestrutura e muito mais. São benefícios</p><p>indiretos para a sociedade.</p><p>Em suma, o comércio exterior promove o crescimento, o que aumenta o bem-</p><p>estar econômico, estimula a utilização mais eficiente das dotações de fatores de diferentes</p><p>regiões e permite que as pessoas obtenham bens de fontes eficientes de suprimento.</p><p>A partir dessa contextualização, você tem o conhecimento apropriado dos</p><p>preceitos que norteiam o comércio exterior no Brasil? Sabe qual é a diferença entre</p><p>o comércio exterior e o comércio internacional? Quais são os principais aspectos que</p><p>regem a legislação aduaneira no Brasil, quem fiscaliza? Quem regulamenta? Quais são</p><p>os principais regimes aduaneiros especiais na importação e na exportação?</p><p>2 ORGANIZAÇÃO ADMINISTRATIVA DA ADUANA NO</p><p>BRASIL</p><p>Operar no comércio exterior, geralmente, é um verdadeiro desafio tanto para as</p><p>organizações quanto para os profissionais dessa área, quando não há as verdadeiras</p><p>noção e amplitude e, principalmente, os conhecimentos necessários.</p><p>Nessa perspectiva, é fundamental conhecer melhor a administração aduaneira,</p><p>como ela funciona, como pode nos ajudar a reduzir custos e a melhorar todos os</p><p>processos de importação e exportação. Então, falaremos, um pouco, da organização</p><p>TÓPICO 1 - UNIDADE 1</p><p>4</p><p>administrativa da aduana no Brasil. A fim de prosseguir com esse tema, abordaremos</p><p>alguns conceitos utilizados na organização das aduanas. Comecemos conceituando o</p><p>que são alfândegas.</p><p>As alfândegas correspondem aos serviços do governo responsáveis pela</p><p>administração da lei aduaneira e pela cobrança de direitos e impostos e, também, pela</p><p>aplicação de leis correlatas, bem como pelos regulamentos relativos à exportação,</p><p>importação, a circulação e/ou armazenamento de mercadorias.</p><p>A administração aduaneira é o processo pelo qual são planejadas, organiza-</p><p>das e controladas as entradas e saídas de mercadorias, com o objetivo de proporcionar</p><p>segurança à população em geral. Com isso, evita-se a comercialização de mercadorias</p><p>ilícitas, a qual ameaça à integridade das pessoas.</p><p>Esta atividade é realizada pelo Estado em determinados pontos: costas,</p><p>aeroportos, fronteiras ou qualquer outro local de entrada ou saída de produtos. Um dos</p><p>principais objetivos da administração aduaneira é otimizar os processos de importação</p><p>e exportação nas alfândegas para agilizar e reduzir custos.</p><p>O Brasil faz parte da World Customs Organization (WCO) que, traduzida do</p><p>inglês, significa Organização Mundial das Alfândegas (OMA). Esta é uma organização</p><p>intergovernamental que visa a melhorar a coordenação entre as administrações</p><p>aduaneiras de todo o mundo, à medida que elas facilitam o comércio e garantem a</p><p>segurança das suas fronteiras. Ela foi criada em 1952, como Conselho de Cooperação</p><p>Aduaneira (CCC), um órgão intergovernamental independente cuja missão é aumentar</p><p>a eficácia e eficiência das administrações aduaneiras (DISCOVER THE WCO, 2022, s. p.).</p><p>Hoje, a OMA representa 184 administrações aduaneiras em todo o mundo que</p><p>processam, coletivamente, 98% do comércio mundial. Como centro global de especiali-</p><p>zação em alfândegas, a OMA é a única organização internacional com competência em</p><p>assuntos aduaneiros e pode, com razão, chamar-se a voz da comunidade aduaneira</p><p>internacional (DISCOVER THE WCO, 2022, s. p.).</p><p>Como missão, a OMA desenvolve padrões internacionais, fomenta a cooperação</p><p>e cria capacidade para facilitar o comércio legítimo, garantir uma cobrança justa de re-</p><p>ceitas e proteger a sociedade, fornecendo liderança, orientação e apoio às administra-</p><p>ções aduaneiras. Especificamente, ela tem como objetivo:</p><p>• Estabelecer normas internacionais para facilitar o comércio</p><p>transfronteiriço.</p><p>• Assegurar a cadeia de abastecimento do comércio internacional.</p><p>• Harmonizar e simplificar os procedimentos aduaneiros destina-</p><p>dos a facilitar o comércio.</p><p>• Reforçar a segurança da cadeia de abastecimento.</p><p>• Promover o intercâmbio de informações entre as administrações</p><p>aduaneiras.</p><p>• Fornecer capacitação por meio de formação e assistência (OMA</p><p>[s. d.] apud FINK, 2012, p. 135, tradução nossa).</p><p>5</p><p>Conforme esclarece o Sindicato Nacional dos Analistas-Tributários da Receita</p><p>Federal do Brasil (SINDIRECEITA, 2018, p. 5), os objetivos das Administrações Aduaneiras</p><p>previstos pela OMA são:</p><p>• A eliminação de duplicidades e demora no atendimento das</p><p>demandas de cadeias de suprimento internacionais, tais como:</p><p>exigências de múltiplos relatórios e inspeções.</p><p>• O apoio aos sistemas de comércio internacional por meio da cria-</p><p>ção de ambiente para negócios nos níveis global, local e regional.</p><p>• O fortalecimento da cooperação entre as administrações aduanei-</p><p>ras, assim como entre as aduanas e demais agências governamen-</p><p>tais, por meio da criação de parcerias significativas e benéficas.</p><p>A seguir, você poderá acompanhar, de maneira cronológica, uma breve descrição</p><p>dos principais eventos relacionados à evolução da administração aduaneira no Brasil.</p><p>Figura 1 – Principais eventos da evolução da administração aduaneira no Brasil</p><p>Fonte: adaptada de Godoy (2015)</p><p>1808</p><p>1934</p><p>1934</p><p>1957</p><p>1960</p><p>1968</p><p>No �nal do século XVIII, foi criado, em Portugal,</p><p>o cargo de Superintendente Geral dos</p><p>Contrabandos, que chegou a ser transferido para</p><p>o Brasil, em 1808, quando da fuga da Família Real</p><p>No começo da República, como já se</p><p>mencionou, o governo implantou um</p><p>Serviço de Repressão ao Contrabando</p><p>no Estado do Rio Grande do Sul</p><p>(Curiosamente, por volta de 1934, existia,</p><p>em Mato Grosso, um Serviço de Repressão</p><p>ao Contrabando</p><p>Em 1934, inserida na estrutura da Direção Geral</p><p>da Fazenda Nacional, fora instalada uma Diretoria</p><p>de Rendas Aduaneiras, mais tarde transformada</p><p>em Departamento. Na mesma época, surgiu o</p><p>Conselho Superior de Tarifas, tribunal</p><p>encarregado de julgar o contencioso</p><p>administrativo alfandegário;</p><p>Em 1957, o governo criou um novo órgão,</p><p>o Conselho de Política Aduaneira, para</p><p>assessorar o Ministro da Fazenda em</p><p>assuntos de alteração de alíquotas,</p><p>�xação de pautas de valor mínimo e</p><p>nomenclatura tarifária;</p><p>Na década de 1960, foi instituído o Serviço</p><p>Nacional de Fiscalização das Rendas Aduaneiras-</p><p>SENAFRA, que tinha a atribuição de zelar pela</p><p>legislação alfandegária na chamada "zona</p><p>secundária", fora</p><p>à frente da concorrência, dentre outros fatores</p><p>(PROMOVENDO OS PRODUTOS 2022, s. p.).</p><p>Há considerável redução da carga tributária para quem exporta produtos, sendo</p><p>possível compensar o pagamento de tributos nacionais por meio das operações de</p><p>exportação. Sabe o porquê? Segundo Sebrae-BA ([20--], p. 8), os motivos são:</p><p>• Receitas obtidas por meio de atividades relacionadas à exporta-</p><p>ção ficam isentas da contribuição com o Programa de Integração</p><p>Social (PIS) e com o Programa de Formação do Patrimônio do</p><p>Servidor Público (PASEP).</p><p>• Qualquer produto ou serviço exportado não terá nenhum tipo de</p><p>incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).</p><p>• Receitas advindas de atividades de exportação de produtos</p><p>industrializados, prestação de serviços, produtos primários ou</p><p>produtos semielaborados ficam isentas do Imposto sobre a</p><p>Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).</p><p>• Receitas provenientes de exportação também ficam isentas</p><p>na determinação da base de cálculo da Contribuição para</p><p>Financiamento da Seguridade Social (Cofins).</p><p>108</p><p>De acordo com a International Trade Administration (ITA, 2016), selecionar e</p><p>preparar o seu produto à exportação requer não apenas conhecimento do produto, mas</p><p>também conhecimento das características únicas de cada mercado-alvo. Pesquisas de</p><p>mercado e contatos com parceiros estrangeiros, compradores, clientes e outros devem</p><p>dar à sua empresa uma ideia de quais produtos podem ser vendidos e onde.</p><p>Antes que a venda possa ocorrer, a sua empresa, talvez, precisaria modificar de-</p><p>terminado produto para satisfazer os gostos do comprador, as necessidades em mer-</p><p>cados estrangeiros ou os requisitos legais do destino estrangeiro, no entanto, até que</p><p>ponto a sua empresa estará disposta a modificar os produtos vendidos para os mercados</p><p>de exportação, é uma questão política fundamental a ser abordada pela administração.</p><p>Alguns exportadores acreditam que os seus produtos domésticos podem ser</p><p>exportados sem mudanças significativas. Outros procuram desenvolver consciente-</p><p>mente produtos uniformes aceitáveis em todos os mercados. É muito importante fazer</p><p>pesquisas e ter certeza da estratégia certa a ser seguida. Por exemplo, você pode pre-</p><p>cisar reprojetar um produto elétrico, a fim de que ele funcione em uma voltagem espe-</p><p>cífica em determinados países ou reprojetar a embalagem para atender aos padrões de</p><p>rotulagem ou às preferências culturais.</p><p>Então, nunca esqueça que a adaptação do produto é o processo de modificação</p><p>de uma mercadoria existente para que ela seja adequada a diferentes clientes ou</p><p>mercados. Uma estratégia de adaptação é particularmente importante às empresas as</p><p>quais exportam os seus produtos, porque ela garante que a mercadoria atenderá aos</p><p>requisitos culturais e regulatórios locais.</p><p>Figura 6 – Estratégias para modificação de produto</p><p>Fonte: https://shutr.bz/3YDJHdq. Acesso em: 26 ago. 2022.</p><p>109</p><p>A adaptação também é fundamental a empresas que desejam lançar novos</p><p>produtos, mas não têm recursos ou fundos para desenvolver itens completamente</p><p>novos. Existem quatro fatores principais que costumam exigir a adaptação do produto:</p><p>cultura, desenvolvimento de mercado, concorrência e legislação.</p><p>As atividades de exportação proporcionam oportunidades significativas de</p><p>crescimento para as empresas, pois, além de produzir/vender ao mercado domésti-</p><p>co, começarão a produzir e a vender para o mercado exterior, o que, por conseguinte,</p><p>provocará o aumento da produção bem como a expansão das maneiras de produção e</p><p>comercialização.</p><p>Pense sempre na competição! Pois a adaptação do produto também é</p><p>uma estratégia importante para lidar com ameaças competitivas. Se os concorrentes</p><p>lançarem novos produtos que superem a sua oferta, eles serão capazes de tirar a sua</p><p>participação de mercado.</p><p>Para definir prioridades à adaptação do produto, você deve equilibrar as neces-</p><p>sidades do cliente e do mercado com o custo de desenvolvimento e com o provável</p><p>retorno do seu investimento. Uma empresa precisa sempre utilizar de uma estratégia</p><p>voltada a adequar rapidamente os produtos existentes a diferentes mercados, ajudando</p><p>a reduzir os custos de desenvolvimento e a acelerar a introdução de novos produtos.</p><p>3.2 EXPORTAÇÕES DE SERVIÇOS</p><p>O que são serviços e como ele são exportados? Não existe uma definição</p><p>universal de comércio de serviços. Eles são as partes não físicas e intangíveis da nossa</p><p>economia, em oposição aos bens, os quais podemos tocar ou manusear.</p><p>Devido, contudo, à ausência de uma definição universal, afirma González</p><p>(2021), a OMC (Organização Mundial do Comércio) estabelecida no Acordo Geral sobre</p><p>o Comércio de Serviços (GATS), em 1995, definiu quando acontece uma transação</p><p>internacional de serviços. Dessa forma, os países que fazem parte da OMC chegaram</p><p>a um conceito que, desde então, está sendo aceito internacionalmente e que, depois,</p><p>formou a base das negociações da OMC.</p><p>Essa organização estabeleceu o seguinte: o comércio exterior de serviços ocor-</p><p>re de forma radicalmente diferente do comércio de mercadorias e, também, as restri-</p><p>ções e barreiras que o afetam são substancialmente diferentes do comércio exterior de</p><p>bens físicos.</p><p>A esse respeito, a OMC estabeleceu que, ao contrário do comércio de mercado-</p><p>rias, o comércio de serviços envolve muito mais do que uma simples passagem “física”</p><p>de fronteiras, porque compreende mais de uma forma ou modo pelo qual é possível</p><p>110</p><p>prestar serviços em um ambiente internacional (GONZÁLEZ, 2021). De acordo com o Mi-</p><p>nistério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e a Secretaria de Comércio</p><p>e Serviços:</p><p>No sentido mais abrangente, adotado pela Organização Mundial do</p><p>Comércio – OMC, a exportação de serviços compreende diferentes</p><p>situações envolvendo a transposição de fronteiras, seja do serviço,</p><p>seja do consumidor ou da pessoa física prestadora do serviço,</p><p>seja mediante estabelecimento de presença comercial no exterior</p><p>da própria empresa prestadora do serviço. Estas situações são</p><p>denominadas modos de prestação de serviços (BRASIL, 2014, p. 7).</p><p>As quatro formas pelas quais um serviço pode ser prestado ou comercializado</p><p>internacionalmente – os modos de prestação dele – estão descritas no Quadro 5.</p><p>Quadro 5 – Modos de prestação de serviços</p><p>MODO CARACTERÍSTICAS EXEMPLOS</p><p>1</p><p>C</p><p>O</p><p>M</p><p>É</p><p>R</p><p>C</p><p>IO</p><p>T</p><p>R</p><p>A</p><p>N</p><p>S</p><p>F</p><p>R</p><p>O</p><p>N</p><p>T</p><p>E</p><p>IR</p><p>IÇ</p><p>O</p><p>Serviço prestado do ter-</p><p>ritório de um país ao ter-</p><p>ritório de outro país por</p><p>residente ou domiciliado</p><p>no Brasil a residente ou</p><p>domiciliado no exterior.</p><p>• Serviço vendido via internet por em-</p><p>presa brasileira à empresa domiciliada</p><p>no exterior.</p><p>• Serviços de corretagem de ações pres-</p><p>tados a cliente residente ou domiciliado</p><p>no exterior efetuados por empresa cor-</p><p>retora domiciliada no Brasil.</p><p>• Serviços de projeto e desenvolvimento</p><p>de estruturas e conteúdo de páginas ele-</p><p>trônicas realizados no Brasil para cliente</p><p>residente ou domiciliado no exterior.</p><p>• Serviços de transporte internacional de</p><p>cargas prestados por empresa domiciliada</p><p>no Brasil à empresa domiciliada no exterior.</p><p>• Serviços de transporte internacional de</p><p>passageiros prestados por empresa domi-</p><p>ciliada no Brasil a residentes no exterior.</p><p>2</p><p>C</p><p>O</p><p>N</p><p>S</p><p>U</p><p>M</p><p>O</p><p>N</p><p>O</p><p>B</p><p>R</p><p>A</p><p>S</p><p>IL</p><p>Serviço prestado por re-</p><p>sidente ou domiciliado no</p><p>Brasil e consumido no terri-</p><p>tório brasileiro por residente</p><p>ou domiciliado no exterior.</p><p>• Serviços educacionais presenciais pres-</p><p>tados no Brasil a residente no exterior.</p><p>• Capacitação no Brasil de funcionários de</p><p>pessoa jurídica domiciliada no exterior.</p><p>• Envio de equipamento de empresa es-</p><p>trangeira para reparo no Brasil.</p><p>• Serviços médicos especializados pres-</p><p>tados no Brasil a residente no exterior.</p><p>111</p><p>3</p><p>P</p><p>R</p><p>E</p><p>S</p><p>E</p><p>N</p><p>Ç</p><p>A</p><p>C</p><p>O</p><p>M</p><p>E</p><p>R</p><p>C</p><p>IA</p><p>L</p><p>N</p><p>O</p><p>E</p><p>X</p><p>T</p><p>E</p><p>R</p><p>IO</p><p>R Consiste na prestação de</p><p>serviço por pessoa jurídica</p><p>domiciliada no exterior re-</p><p>lacionada a uma pessoa ju-</p><p>rídica domiciliada no Brasil.</p><p>• Filial de empresa brasileira de construção</p><p>estabelecida no exterior para execução</p><p>de obra.</p><p>• Filiais</p><p>bancárias, no exterior, de banco</p><p>brasileiro.</p><p>• Controlada de empresa brasileira de</p><p>comércio varejista no exterior.</p><p>4</p><p>. M</p><p>O</p><p>V</p><p>IM</p><p>E</p><p>N</p><p>T</p><p>O</p><p>T</p><p>E</p><p>M</p><p>P</p><p>O</p><p>R</p><p>Á</p><p>R</p><p>IO</p><p>D</p><p>E</p><p>P</p><p>E</p><p>S</p><p>S</p><p>O</p><p>A</p><p>S</p><p>F</p><p>ÍS</p><p>IC</p><p>A</p><p>S</p><p>Residentes no Brasil des-</p><p>locam-se por tempo limi-</p><p>tado ao exterior com vis-</p><p>tas a prestar um serviço a</p><p>residente ou domiciliado</p><p>no exterior.</p><p>• Arquiteto residente no Brasil desloca-se</p><p>para desenvolver projeto de arquitetura</p><p>no exterior.</p><p>• Empreiteiras domiciliadas no Brasil en-</p><p>viam trabalhadores que mantêm vínculo</p><p>empregatício no Brasil para construção</p><p>de uma rodovia no exterior.</p><p>• Advogado residente no Brasil desloca-se</p><p>para o exterior, a fim de prestar consul-</p><p>toria jurídica.</p><p>Fonte: adaptado de Brasil (2014).</p><p>De acordo com a OECD (SERVICES TRADE..., 2023), os serviços são uma parte</p><p>importante da economia global, gerando mais de 2/3 do Produto Interno Bruto (PIB)</p><p>global, atraindo mais de 3/4 do investimento estrangeiro direto nas economias avan-</p><p>çadas ao empregar a maioria dos trabalhadores e criar, globalmente, a maioria dos</p><p>novos empregos.</p><p>A Organização Mundial do Comércio (SERVICES TRADE, 2023) afirma que os</p><p>recentes avanços tecnológicos facilitaram a prestação de serviços além-fronteiras,</p><p>abrindo, assim, novas oportunidades para as economias nacionais e para os indivíduos.</p><p>Embora cada vez mais comercializados por direito próprio, os serviços também servem</p><p>como insumos cruciais à produção de bens e mais:</p><p>• Variando de comunicações a transporte, finanças, educação, turismo e serviços</p><p>ambientais, o setor de serviços tornou-se a espinha dorsal da economia global e o</p><p>componente mais dinâmico do comércio internacional.</p><p>• Em termos de valor acrescentado, os serviços representam cerca de 50% do</p><p>comércio mundial.</p><p>• As políticas de comércio de serviços são um importante determinante do investi-</p><p>mento estrangeiro direto, da participação nas cadeias globais de valor, da produtivi-</p><p>dade e das exportações de produtos manufaturados (SERVICES TRADE, 2023).</p><p>112</p><p>As exportações de serviços são uma importante tendência emergente no</p><p>comércio global. Muitas exportações de produtos manufaturados tradicionais contêm</p><p>cada vez mais tecnologia que requer instalação, solução de problemas, manutenção e</p><p>reparos. O aumento dessas exportações é resultado natural do crescimento contínuo da</p><p>economia, assim, não existe um setor de serviços, mas muitos serviços com diferentes</p><p>modelos de negócios, desafios de concorrência e marcos regulatórios (SERVICES</p><p>TRADE..., 2023).</p><p>No Brasil, a formulação e a execução das políticas de</p><p>comércio exterior são de competência do Ministério</p><p>do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.</p><p>Existe na estrutura do MDIC uma Secretaria para tratar</p><p>de assuntos relacionados especificamente ao setor de</p><p>serviços, a Secretaria de Comércio e Serviços – SCS. A</p><p>SCS possui, dentre outras, a incumbência de formular,</p><p>coordenar, implementar, avaliar políticas públicas e</p><p>estabelecer normas para o desenvolvimento do sistema</p><p>produtivo nas áreas de comércio e de serviços, tanto</p><p>no mercado doméstico quanto no mercado externo.</p><p>Está interessado em saber mais do assunto? É simples:</p><p>acesse o QR Code para se aprofundar .</p><p>IMPORTANTE</p><p>3.3 EXPORTAÇÕES TEMPORÁRIAS</p><p>De acordo com o conceito estabelecido pela Associação Latino-Americana de</p><p>Integração, trata-se de regime aduaneiro destinado a facilitar a reimportação total ou</p><p>parcialmente isenta de direitos e taxas de importação de mercadorias exportadas com</p><p>suspensão, se for o caso, de taxas e impostos de exportação (EXPORTACIÓN TEMPO-</p><p>RAL, 2023). Há a possibilidade de exigir que as mercadorias sejam exportadas para uma</p><p>finalidade específica e reimportadas dentro de um prazo determinado.</p><p>Conceituando a exportação temporária, segundo a Convenção de Quioto (2006),</p><p>estabelece que a exportação temporária (de mercadorias) para aperfeiçoamento pas-</p><p>sivo é um regime aduaneiro segundo o qual as mercadorias em livre prática em um</p><p>território aduaneiro podem ser exportadas temporariamente para fabricação, proces-</p><p>samento ou reparo no exterior e, depois, reimportadas com isenção total ou parcial de</p><p>direitos de importação e impostos.</p><p>Sendo assim, é possível definir que se trata de um tipo de regime aduaneiro</p><p>destinado a facilitar a reimportação de mercadorias anteriormente exportadas em</p><p>caráter temporário, sem o pagamento total ou parcial dos direitos aduaneiros e demais</p><p>tributos que lhes corresponderiam, caso fossem importados sob o regime normal.</p><p>113</p><p>No Brasil, “considera-se a exportação temporária a saída do País de mercadoria</p><p>nacional ou nacionalizada, condicionando à reimportação em prazo determinado, no</p><p>mesmo estado ou após submetida a processo de conserto, reparo ou restauração”</p><p>(EXPORTAÇÃO TEMPORÁRIA, 2022, s. p.), onde esse regime pode ser aplicado em:</p><p>• Mercadorias destinadas a feiras, competições esportivas ou exposições, no exterior.</p><p>• Produtos manufaturados e acabados, inclusive para conserto, reparo ou restauração</p><p>ao seu uso ou funcionamento.</p><p>• Animais reprodutores para cobertura, em estação de monta, com retorno cheia, no</p><p>caso de fêmea, ou com cria ao pé bem como animais para outras finalidades.</p><p>• Veículos para uso de seu proprietário ou possuidor.</p><p>• Podendo ainda ser concedido, em caso de conveniência ao país, a:</p><p>◦ minérios de metais a fins de recuperação ou beneficiamento;</p><p>◦ matérias-primas ou insumos para fins de beneficiamento ou transformação.</p><p>Ainda conforme o Siscomex, existe outra possibilidade de exportação tempo-</p><p>rária cuja finalidade é o aperfeiçoamento passivo das empresas e que se constitui em:</p><p>Um sistema que permite a saída do País por tempo determinado, de</p><p>mercadoria nacional ou nacionalizada, para ser submetida à operação</p><p>de transformação, elaboração, beneficiamento ou montagem</p><p>no exterior e sua reimportação na forma de produto resultante</p><p>dessas operações, com pagamento do imposto incidente sobre o</p><p>valor agregado, quer dizer, são exigíveis os tributos incidentes na</p><p>importação dos materiais e serviços empregados naquelas operações</p><p>(EXPORTAÇÃO TEMPORÁRIA, 2022, s. p.).</p><p>Nesse regime, o bem permanece no exterior por determinado período de tem-</p><p>po e retorna ao território nacional. Esta alternativa implica uma série de formalidades</p><p>que devem ser conhecidas para evitar qualquer contratempo e, por isso, são imedia-</p><p>tamente colocadas como questões a serem ser consideradas.</p><p>Em ambos os casos, porém, não podemos deixar de averiguar quais são os</p><p>parâmetros legais da Receita Federal. Então, veja o que preconiza este órgão federativo</p><p>a respeito das exportações temporárias:</p><p>O regime de exportação temporária é o que permite a saída, do</p><p>País, com suspensão do pagamento do imposto de exportação, de</p><p>mercadoria nacional ou nacionalizada, condicionada à reimportação</p><p>em prazo determinado, no mesmo estado em que foi exportada</p><p>(Decreto-lei nº 37, de 1966, art. 92, caput; Regulamento Aduaneiro,</p><p>art. 431; IN RFB nº 1.600, de 2015, art. 90);</p><p>O regime será aplicado aos bens relacionados em ato normativo</p><p>da RFB e aos exportados temporariamente ao amparo de acordos</p><p>internacionais. (Regulamento Aduaneiro, art. 432);</p><p>A IN RFB nº 1.600, de 2015, disciplina a aplicação e o controle do regime</p><p>aduaneiro especial de exportação temporária, definindo as hipóteses</p><p>de aplicação do regime e os procedimentos para a concessão,</p><p>prorrogação, extinção e controle (Regulamento Aduaneiro, art. 448)</p><p>(BRASIL, 2020, p. 1).</p><p>114</p><p>Com relação à suspensão do pagamento do imposto de exportação, de acordo</p><p>com o “Manual de Exportação Temporária”,</p><p>As exportações amparadas pelos regimes aduaneiros especiais de</p><p>exportação temporária e exportação temporária para aperfeiçoamento</p><p>passivo encontram-se dentro do campo de incidência dos tributos</p><p>sobre o comércio exterior, não obstante a exigibilidade do pagamento</p><p>dos tributos permaneça suspensa</p><p>Ressalte-se que, embora não seja comum, as exportações de</p><p>determinadas mercadorias estão sujeitas à incidência do Imposto de</p><p>Exportação (Decreto-Lei nº</p><p>1.578, de 1977, art. 1º, caput).</p><p>Imposto de Exportação incidente sobre as exportações de tais</p><p>mercadorias fica com sua exigibilidade suspensa.</p><p>Outro incentivo do regime é o retorno ao país dos bens ou mercadorias</p><p>na condição de não incidência, ou seja, sem o pagamento dos tributos</p><p>incidentes na operação de importação, desde que bens retornem no</p><p>mesmo estado em que foram exportados (BRASIL, 2020, p. 1) .</p><p>Enquanto não for publicada a nova versão do “Manual de</p><p>Exportação Temporária” da Receita Federal do Brasil, cujas</p><p>alterações foram promovidas pela Instrução Normativa RFB</p><p>nº 1.989 de 2020, acesse o QR Code para ter acesso ao</p><p>manual simplificado .</p><p>DICA</p><p>115</p><p>RESUMO DO TÓPICO 2</p><p>Neste tópico, você aprendeu:</p><p>• A importância do planejamento estratégico nas comercializações internacionais.</p><p>• O planejamento estratégico para exportação deverá ser tanto flexível quanto</p><p>adaptável, permitindo a sua revisão à medida que as operações avancem.</p><p>• A internacionalização é o caminho que as empresas utilizam para realizar atividades</p><p>de negócios no exterior com vistas a complementar as vendas do mercado interno.</p><p>• As diferenças culturais, hábitos e comportamentos devem ser respeitados</p><p>116</p><p>1 O Brasil tem sido, tradicionalmente, mais orientado para a exportação do que a</p><p>maioria dos outros países latino-americanos por causa de seu tamanho, da sua</p><p>vantagem comparativa decorrente da produção de bens primários e, em períodos</p><p>selecionados, da política econômica (BONELLI; PINHEIRO, 2015). Algumas vantagens,</p><p>no contexto brasileiro, são estratégicas, sendo elas produtivas ou não. A partir desse</p><p>embasamento, assinale V para verdadeiro e F para falso.</p><p>Fonte: BONELLI, R.; PINHEIRO, A. C. New export activities</p><p>in Brazil: comparative advantage, policy or self-discovery?</p><p>Washington, DC: Inter-American Development Bank, 2015.</p><p>( ) O Brasil tem um mercado interno com alto poder aquisitivo, pronto para consumir</p><p>assim que as pessoas adquirem um bom conhecimento dos produtos chineses.</p><p>( ) Não tem problemas étnicos ou religiosos sensíveis bem como não tem problemas</p><p>de fronteira.</p><p>( ) Tem um setor agropecuário e do agronegócio considerado um dos melhores do</p><p>mundo. Terra, sol e água em abundância para produzir alimentos.</p><p>( ) É uma democracia constitucional consolidada com diversas fluências de idioma</p><p>cuja predominância é o inglês americano.</p><p>Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:</p><p>a) ( ) F – F – V – F.</p><p>b) ( ) F – V – V – F.</p><p>c) ( ) V – V – V – F.</p><p>d) ( ) V – F – V – F.</p><p>e) ( ) F – F – F – V.</p><p>2 São inúmeras as razões pelas quais uma empresa decide inserir os seus produtos</p><p>no mercado internacional. Não é uma tarefa difícil, mas, como qualquer negócio,</p><p>requer preparação e treinamento para ser bem-sucedido. Os planos estratégicos de</p><p>exportação têm um objetivo principal, ou seja, colocar e manter nas exportações em</p><p>um ou vários mercados selecionados, um produto específico. A partir desse contexto,</p><p>e para fins desses planos, as exportações são definidas como sendo o conjunto de</p><p>atividades necessárias para:</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>117</p><p>a) ( ) Se inserir no comércio internacional por meio de bens e serviços comprados pe-</p><p>los residentes de um país que são produzidos por uma nação estrangeira, onde</p><p>a combinação com as importações compõem a balança comercial de um país.</p><p>b) ( ) Que a maioria dos países aumentem as suas vendas por meios das indústrias</p><p>nacionais e, dessa forma, adquiram experiência na produção de bens e</p><p>serviços, ganhando os conhecimentos necessários a respeito de como vender</p><p>a mercados estrangeiros.</p><p>c) ( ) Melhorar o processo pelo qual empresas de um país vendem os seus bens e</p><p>serviços para empresas ou consumidores em um país diferente, trocando</p><p>energia e recursos naturais, matérias-primas (como alimentos ou têxteis) e</p><p>produtos de consumo acabados (como eletrônicos).</p><p>d) ( ) Entrar, estabelecer, consolidar e crescer nos mercados mundiais, por meio do uso</p><p>otimizado de todos os recursos humanos, tecnológicos, financeiros, produtivos,</p><p>administrativos e de marketing pelos quais uma empresa é responsável.</p><p>e) ( ) Descobrir quais países têm maior potencial para vender os seus produtos, o</p><p>que significa entender quais tipos de produtos os consumidores de um país</p><p>estrangeiro estão interessados bem como qual a concorrência existente no</p><p>mercado internacional.</p><p>3 A palavra “cultura” pode ser interpretada de muitas maneiras e, portanto, é importante</p><p>enfatizar o contexto a que se refere quando se fala nela. Ao discutir a cultura,</p><p>a interpretação dela no comércio exterior está baseada em seus efeitos sobre as</p><p>parcerias comerciais. De acordo com o exposto, a distância cultural/cultura:</p><p>a) ( ) São medidas adotadas pelos países com o objetivo de proteger as economias</p><p>nacionais e que bloqueiam, de certa forma, as importações de outros países.</p><p>b) ( ) Representa crenças, normas e valores compartilhados que dois parceiros</p><p>comerciais possuem.</p><p>c) ( ) São restrições temporárias às importações de determinado produto que os</p><p>países podem aplicar para proteger uma indústria doméstica específica.</p><p>d) ( ) Representa proteção da população em termos de saúde, de forma a garantir a</p><p>qualidade e a segurança dos alimentos e apoiar o exportador nacional.</p><p>e) ( ) São proteções à segurança pública, por meio da regulamentação ou proibição</p><p>da entrada de produtos que representem um perigo e permitindo a arrecadação</p><p>de receitas.</p><p>118</p><p>119</p><p>TÓPICO 3 -</p><p>TRIBUTAÇÃO NAS EXPORTAÇÕES</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>Nem tudo é um problema quando a decisão de ir para o exterior é tomada.</p><p>Aprender a trilhar o caminho da exportação não significa a inexistência de incentivos</p><p>e aspectos positivos que impliquem um impulso, como é o caso das vantagens fiscais.</p><p>Embora os incentivos fiscais variem consideravelmente, de forma mais ou menos</p><p>vantajosa, em função das políticas fiscais existentes, a exportação de mercadorias,</p><p>dentre outros efeitos jurídicos, produz uma série de direitos ao exportador que se</p><p>traduzem em incentivos fiscais para as empresas.</p><p>Conceitualmente, os incentivos destinados à exportação são instrumentos de</p><p>política econômica para estimular a exportação de determinados bens e/ou serviços.</p><p>Tais incentivos são contrários às barreiras tarifárias e não tarifárias. De fato, em muitos</p><p>casos, consistem em remover essas barreiras a fim de estimular o livre comércio.</p><p>Com relação às barreiras tarifárias e não tarifárias, vale a pena fazer uma</p><p>pequena ressalva, pois, no panorama atual de uma sociedade global e hiper conectada,</p><p>com mercados cada vez mais rápidos e eficientes voltados a satisfazer às necessidades</p><p>dos consumidores, é contraditório, em certa medida, que continuem existindo barreiras</p><p>ao comércio internacional de mercadorias, como as tarifas, no entanto essas medidas</p><p>também protegem as economias nacionais frágeis contra a concorrência desleal de</p><p>outros países e, como consequência, impulsionam a indústria nacional, bem como</p><p>apoiam os exportadores, além de serem a melhor forma de proteger os cidadãos – em</p><p>termos de saúde, ambiente e segurança – do contrabando de produtos perigosos.</p><p>Assim sendo, as barreiras tarifárias são o imposto sobre as mercadorias que</p><p>são comercializadas de/para o exterior. Pelo contrário, as barreiras não tarifárias são os</p><p>obstáculos ao comércio exterior, além das tarifas. São medidas administrativas imple-</p><p>mentadas pelo governo para desencorajar mercadorias trazidas de países estrangeiros</p><p>e promover itens produzidos internamente.</p><p>2 INCENTIVOS FISCAIS PARA EXPORTAÇÃO</p><p>Voltando aos incentivos fiscais, podem assumir muitas formas, dependendo</p><p>da visão estratégica da política econômica. De maneira geral, eles são divididos nas</p><p>seguintes categorias:</p><p>UNIDADE 2</p><p>120</p><p>• Tarifas e impostos: este segmento inclui medidas relacionadas a direitos aduaneiros.</p><p>• Não tarifário: estes incentivos são correlacionados nas fl exibilizações ou na elimi-</p><p>nação das restrições legais.</p><p>A legislação brasileira prevê vários incentivos e benefícios</p><p>fi scais em favor dos</p><p>exportadores de bens produzidos internamente, a fi m de evitar impostos de exportação e</p><p>melhorar a competitividade da indústria nacional. Alguns dos objetivos que os governos</p><p>querem alcançar com este tipo de política são:</p><p>• Promover o crescimento e o desenvolvimento econômico por meio da internaciona-</p><p>lização da economia.</p><p>• Melhorar a efi ciência e promover a modernização da indústria local a favor da dinami-</p><p>zação da competitividade das empresas nacionais.</p><p>• Promover o investimento privado tanto nacional quanto internacional.</p><p>• Promover o aumento da qualidade dos produtos para mais satisfação das necessida-</p><p>des dos consumidores.</p><p>O tratamento fi scal das exportações brasileiras segue a</p><p>prática mundial, portanto, ele busca a desoneração dos</p><p>tributos indiretos sobre as exportações. A Constituição</p><p>Federal de 1988 defi niu que não incidem sobre as</p><p>exportações brasileiras o IPI, o ICMS e as Contribuições</p><p>Sociais e de Intervenção no Domínio Econômico, tais como</p><p>o Programa de Integração Social e o PIS/Pasep, inclusive</p><p>a Cofi ns. Quer saber mais a respeito da desoneração das</p><p>exportações no Brasil? Basta acessar o QR Code .</p><p>DICA</p><p>De acordo com a Orbe (2021, s. p.), o Brasil é o “14º país do mundo com maior</p><p>tributação por porcentagem do PIB, ou seja, é de grande importância conhecer quais</p><p>tributos o exportador tem direito à isenção e, dessa forma, utilizar tais incentivos du-</p><p>rante o processo”. Nesse contexto, saiba um pouco mais acerca dos principais incen-</p><p>tivos fi scais relacionados à carga tributária brasileira pertinentes aos incentivos fi scais</p><p>para a exportação:</p><p>• ICMS: o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços é</p><p>um imposto estadual, cabem às unidades federativas e ao Distrito</p><p>Federal defi nir a sua alíquota para cada mercadoria e serviço</p><p>dentro do limite previsto na Constituição.</p><p>• IPI: o Imposto sobre Produtos Industrializados é federal e aplicado</p><p>sobre a grande maioria dos produtos industrializados no país. Este</p><p>imposto funciona de forma semelhante ao ICMS, ou seja, qualquer</p><p>produto industrializado destinado à exportação está isento de</p><p>incidência do IPI.</p><p>121</p><p>•	 PIS	e	Cofins: o PIS (Programas de Integração Social) e a Cofins</p><p>(Contribuição para Financiamento da Seguridade Social) são</p><p>calculados de formas bem similares. Basicamente, ambos os</p><p>tributos são contribuições a serem pagas, com algumas exceções</p><p>por pessoas jurídicas, com o objetivo de ajudar a financiar a</p><p>seguridade social. Os seus respectivos valores são calculados com</p><p>base no faturamento da empresa.</p><p>• Regimes aduaneiros especiais. alguns deles são: drawback,</p><p>drawback integrado, Recof e Recof Sped, admissão temporária,</p><p>depósito afiançado, entreposto aduaneiro.</p><p>• Acordos bilaterais: são de suma importância quando falamos</p><p>de incentivos à exportação no Brasil, pois eles oferecem alguns</p><p>benefícios específicos de país para país ou dentro de um bloco</p><p>de países, como no caso do Mercosul. A participação do Brasil</p><p>em um mercado comum com os seus vizinhos latino-americanos</p><p>beneficia a exportação em diversos sentidos: custo de logística</p><p>mais em conta, Tarifa Externa Comum (TEC), livre circulação de</p><p>bens e serviços (ORBE, 2021, s. p.).</p><p>Os incentivos à exportação são certos benefícios que os exportadores recebem</p><p>do governo como reconhecimento por trazer divisas e, também, como compensação</p><p>pelos custos incorridos no envio de bens e serviços para fora do país, todavia é bom</p><p>ficar atento, pois isso significa, às vezes, que os exportadores, devido a esse subsídio,</p><p>podem vender a preços inferiores ao custo de produção, ação conhecida como dumping</p><p>internacional, uma prática considerada ilegal.</p><p>Tais benefícios também poderiam ser considerados incentivos às exporta-</p><p>ções, mas são vistos como negativos devido aos efeitos de distorção que causam no</p><p>mercado. Por esta razão, os governos são muito rígidos com o desenvolvimento de</p><p>medidas antidumping.</p><p>Caro acadêmico, chegamos ao final da nossa unidade onde, como foi dito no</p><p>início de nossa trajetória, seria cheia de novas descobertas e de assuntos de extrema</p><p>relevância inerentes às operações de exportação.</p><p>Agora, você está lembrado dos questionamentos iniciais? Pois bem, foi indagado</p><p>o porquê de, nos últimos anos, ter sido notório o desenvolvimento de determinados</p><p>locais no país, não só como geradoras de emprego, mas também de investimento</p><p>estrangeiro, e a quem se destina a criação desses ambientes produtivos.</p><p>A resposta está clara: são regimes com obrigações e controles tributários</p><p>diferenciados dos regimes aduaneiros comuns, ocorrem com isenção, suspensão</p><p>parcial ou total de tributos, em alguns casos, mediante garantia de tributos, e se</p><p>destinam àquelas organizações as quais atuam no mercado internacional e que têm</p><p>essa disponibilidade para, dessa forma, competir internacionalmente.</p><p>122</p><p>Quais seriam os objetivos desses locais e qual o interesse do governo neles?</p><p>A resposta você já sabe: levantar novos investimentos de capital, ser um polo de</p><p>desenvolvimento para promover a competitividade das regiões, desenvolver processos</p><p>industriais altamente produtivos e competitivos, promover a geração de economias de</p><p>escala e simplificar os procedimentos de comércio de bens e serviços, a fim de facilitar</p><p>a comercialização deles.</p><p>123</p><p>A CULTURA ANTICORRUPÇÃO E O COMÉRCIO EXTERIOR</p><p>Diego Luiz Silva Joaquim</p><p>Com anos de atraso em relação aos países desenvolvidos, e após pressão</p><p>internacional para regularização e maior transparência em negociações - além da</p><p>pressão popular interna -, hoje em dia podemos contar com uma lei que dispõe sobre</p><p>a responsabilização administrativa e civil de pessoas jurídicas pelas práticas de atos</p><p>contra a administração pública, nacional ou estrangeira, em nosso ordenamento jurídico.</p><p>A chamada "Lei Anticorrupção".</p><p>São diárias as notícias relacionadas com corrupção no Brasil, e isso se dá pela</p><p>divulgação instantânea dos acontecimentos em nosso país. Vejamos, nesse contexto,</p><p>os julgamentos ocorridos no caso "Mensalão", as investigações ocorridas na operação</p><p>"Lava Jato", ou, ainda, a Operação "Zelotes", que deflagrou corrupção no Conselho</p><p>Administrativo de Recursos Fiscais.</p><p>Ora, uma vez que o CARF – a mais alta corte administrativa para as matérias</p><p>tributárias e aduaneiras – se viu investigado por atos de corrupção, não nos parece</p><p>incoerente a importância que se dá à Lei Anticorrupção nas operações de comércio</p><p>exterior e, por conta disso, buscamos endereçar alguns comentários a respeito da</p><p>relevância da legislação para as empresas importadoras e exportadoras e a mudança</p><p>de cultura que esta tem trazido para as operações.</p><p>"A ocasião faz o ladrão?" É sabido, pelos intervenientes do comércio exterior,</p><p>que o ambiente burocrático de importação e exportação e o constante relacionamento</p><p>entre empresa e poder público possibilita - para aqueles que veem esse fato como</p><p>oportunidade - a prática de atos ilícitos ou corruptos. Seja a pessoa jurídica ou seus</p><p>representantes. Aqueles que atuam no comércio exterior, com certeza, já ouviram</p><p>termos como "taxa de urgência" ou "cafezinho". Infelizmente o solo de corrupção ainda</p><p>é fértil em nosso país.</p><p>Não concordamos com isso e temos visto que o cenário, ou melhor, a cultu-</p><p>ra está mudando – o que é digno de aplausos. Talvez pela necessidade em apresentar</p><p>uma nova perspectiva aos países estrangeiros e garantir a continuidade dos investi-</p><p>mentos em nosso país, mas é possível notar que há programas aduaneiros buscando</p><p>pela transparência, relacionamento e assertividade nas operações de comércio exterior</p><p>LEITURA</p><p>COMPLEMENTAR</p><p>124</p><p>brasileiro, tais como: Portal Único de Comércio Exterior e Operador Econômico Auto-</p><p>rizado, mas, nesse contexto,  qual é a importância da Lei Anticorrupção para as</p><p>empresas importadoras?</p><p>Tema trazido pela  Lei nº 12.846/2013, teve seu Regulamento publicado após</p><p>dois anos, com a promulgação do  Decreto nº 8.420/2015, na busca de instituir o</p><p>comportamento empresarial íntegro, ético e responsável, baseado</p><p>nas boas práticas</p><p>e na cultura da prevenção. Resta evidente, em nossa opinião, que a transparência nas</p><p>operações é uma tendência na legislação aduaneira.</p><p>Temos percebido que as empresas - principalmente de pequeno e médio</p><p>porte – ainda olham com desconfiança para a aplicação da Lei Anticorrupção em suas</p><p>operações e a consideram distante de sua realidade, todavia, uma vez que a legislação</p><p>e seu respectivo Regulamento estejam em vigor, não será surpresa, em um futuro</p><p>próximo, que se iniciem os Processos Administrativos de Responsabilização (PAR) no</p><p>comércio internacional, responsabilizando de forma objetiva - que independe de dolo</p><p>ou culpa - aquelas pessoas jurídicas que praticarem um dos tipos infracionais descritos</p><p>pela Lei Anticorrupção.</p><p>Vale a ressalva que as condutas tipificadas como atos lesivos à administração</p><p>pública foram definidas de forma bastante ampla e, ainda que se veiculem notícias</p><p>sobre corrupção em licitações, pode atingir qualquer operação entre particular e</p><p>administração pública, inclusive no comércio exterior. Vejamos o disposto no artigo 5º</p><p>da Lei nº 12.846/2013:</p><p>Art. 5º Constituem atos lesivos à administração pública, nacional</p><p>ou estrangeira, para os fins desta Lei, todos aqueles praticados pelas</p><p>pessoas jurídicas mencionadas no parágrafo único do art. 1º, que</p><p>atentem contra o patrimônio público nacional ou estrangeiro, contra</p><p>princípios da administração pública ou contra os compromissos</p><p>internacionais assumidos pelo Brasil, assim	definidos:</p><p>I - prometer, oferecer ou dar, direta ou indiretamente, van-</p><p>tagem indevida a agente público, ou a terceira pessoa a ele</p><p>relacionada;</p><p>II	 -	 comprovadamente,	 financiar,	 custear,	 patrocinar	 ou</p><p>de qualquer modo subvencionar a prática dos atos ilícitos</p><p>previstos nesta Lei;</p><p>III - comprovadamente, utilizar-se de interposta pessoa física</p><p>ou jurídica para ocultar ou dissimular seus reais interesses ou</p><p>a	identidade	dos	beneficiários	dos	atos	praticados;</p><p>IV - no tocante a licitações e contratos:</p><p>a) frustrar ou fraudar, mediante ajuste, combinação ou qualquer</p><p>outro expediente, o caráter competitivo de procedimento licitatório</p><p>público;</p><p>b) impedir, perturbar ou fraudar a realização de qualquer ato de</p><p>procedimento licitatório público;</p><p>c) afastar ou procurar afastar licitante, por meio de fraude ou</p><p>oferecimento de vantagem de qualquer tipo;</p><p>d) fraudar licitação pública ou contrato dela decorrente;</p><p>file:///C:/Users/08256293900/Desktop/Livros%20em%20Andamento/Legisla%c3%a7%c3%a3o%20Aduaneira%20de%20Importa%c3%a7%c3%a3o%20e%20Exporta%c3%a7%c3%a3o/Links/javascript:link('1')</p><p>file:///C:/Users/08256293900/Desktop/Livros%20em%20Andamento/Legisla%c3%a7%c3%a3o%20Aduaneira%20de%20Importa%c3%a7%c3%a3o%20e%20Exporta%c3%a7%c3%a3o/Links/javascript:link('2')</p><p>file:///C:/Users/08256293900/Desktop/Livros%20em%20Andamento/Legisla%c3%a7%c3%a3o%20Aduaneira%20de%20Importa%c3%a7%c3%a3o%20e%20Exporta%c3%a7%c3%a3o/Links/javascript:link('3')</p><p>file:///C:/Users/08256293900/Desktop/Livros%20em%20Andamento/Legisla%c3%a7%c3%a3o%20Aduaneira%20de%20Importa%c3%a7%c3%a3o%20e%20Exporta%c3%a7%c3%a3o/Links/javascript:link('3')</p><p>125</p><p>e) criar, de modo fraudulento ou irregular, pessoa jurídica para</p><p>participar de licitação pública ou celebrar contrato administrativo;</p><p>f) obter vantagem ou benefício indevido, de modo fraudulento,</p><p>de modificações ou prorrogações de contratos celebrados com a</p><p>administração pública, sem autorização em lei, no ato convocatório</p><p>da licitação pública ou nos respectivos instrumentos contratuais; ou</p><p>g) manipular ou fraudar o equilíbrio econômico-financeiro dos</p><p>contratos celebrados com a administração pública;</p><p>V	 -	 dificultar	 atividade	 de	 investigação	 ou	 fiscalização	 de</p><p>órgãos, entidades ou agentes públicos, ou intervir em sua</p><p>atuação, inclusive no âmbito das agências reguladoras e dos</p><p>órgãos	de	fiscalização	do	sistema	financeiro	nacional.</p><p>Ora, uma vez que as empresas importadoras e exportadoras são sempre</p><p>representadas por funcionários ou terceiros em suas operações, não é incomum vermos</p><p>procedimentos desconhecidos pela diretoria e podem resultar em uma penalidade</p><p>severa trazida pela Lei Anticorrupção. Dessa forma, o risco a ser gerenciado se torna</p><p>grande, considerando que a multa pode atingir 20% sobre o faturamento bruto do último</p><p>exercício da empresa, sem contar a publicação extraordinária da decisão condenatória.</p><p>Evidente que o valor da multa poderá ser tão expressivo e a exposição tão devastadora</p><p>que a condenação poderá encerrar a atividade de empresas.</p><p>Ademais disso, analisando atentamente o Regulamento trazido pelo Decreto nº</p><p>8.420/2015, vemos que o disposto no artigo 3º estabelece a instauração e o julgamento do</p><p>Processo Administrativo de Responsabilização (PAR) como competência da autoridade</p><p>máxima da entidade em face da qual foi praticado o ato lesivo ou, no caso da Receita</p><p>Federal, do seu Ministro de Estado ou a quem for delegada. Ou seja, uma vez praticado</p><p>ato lesivo à administração pública, na pessoa da Secretaria da Receita Federal, esta</p><p>poderá ser responsável pela instauração, lavratura e julgamento do processo, fazendo</p><p>às vezes de juiz e parte.</p><p>Dessa forma, como	podem	as	empresas	importadoras	reagir	às	penali-</p><p>dades aplicáveis? As palavras que podem responder a essa pergunta são discipli-</p><p>na, prevenção e treinamento. A partir daí, ganha ênfase a necessidade do chamado</p><p>"Programa de Compliance" às empresas importadoras e exportadoras, o que, em li-</p><p>nhas gerais, pode ser descrito como "conjunto de normas internas para fazer a em-</p><p>presa agir de acordo com as regras vigentes". Ressaltamos que a legislação chama de</p><p>"Programa de Integridade", o que repercute a necessidade de atos praticados com</p><p>ética e responsabilidade.</p><p>Sua importância não está somente na prevenção, mas, também, na atenuante</p><p>prevista na lei. Uma vez concluído o PAR com a aplicação da penalidade à empresa, o</p><p>efetivo "Programa de  Compliance" poderá garantir maior atenuante à multa prevista</p><p>na legislação - "um por cento a quatro por cento para comprovação de a pessoa</p><p>jurídica possuir e aplicar um programa de integridade". Tal medida preventiva pode</p><p>reduzir até 4% (!) da multa a ser aplicada, desde que o programa seja efetivo e praticado</p><p>por meio de procedimentos internos, auditoria das operações, incentivo à denúncia de</p><p>file:///C:/Users/08256293900/Desktop/Livros%20em%20Andamento/Legisla%c3%a7%c3%a3o%20Aduaneira%20de%20Importa%c3%a7%c3%a3o%20e%20Exporta%c3%a7%c3%a3o/Links/javascript:link('4')</p><p>file:///C:/Users/08256293900/Desktop/Livros%20em%20Andamento/Legisla%c3%a7%c3%a3o%20Aduaneira%20de%20Importa%c3%a7%c3%a3o%20e%20Exporta%c3%a7%c3%a3o/Links/javascript:link('4')</p><p>126</p><p>irregularidades, constantes treinamentos das equipes e real aplicação de código de</p><p>ética e conduta, como medidas que impeçam a realização de atos corruptos por parte</p><p>de seus representantes.</p><p>É claro que, por conta disso, o comércio exterior brasileiro verá mudanças em</p><p>sua cultura e, por consequência, na cultura interna das empresas que atuam nessa área,</p><p>deixando estas de serem reativas, e se tornando proativas na luta contra a corrupção.</p><p>Concluímos, para tanto, que a mudança da cultura nas operações de importação</p><p>e exportação começa a se caracterizar quando há normativas que se caracterizam pela</p><p>importância dada à transparência, ao relacionamento e comportamento ético, íntegro e</p><p>responsável por parte dos intervenientes no comércio exterior.</p><p>Daí surge a necessidade e a relevância da prevenção, dos constantes</p><p>treinamentos de equipe e mapeamentos das operações que deverão ser realizados</p><p>pelas empresas importadoras –  frisamos, aqui, independentemente do tamanho de</p><p>suas operações – para que seja utilizado como mitigação dos riscos às penalidades.</p><p>Mudança de cultura dá-se por consequência da mudança de atitude, e essa, espera o</p><p>Poder Público, que ocorra por conta das pessoas jurídicas particulares.</p><p>Fonte: JOAQUIM, D. L. S. A cultura anticorrupção e o comércio exterior. Aduaneiras, São Paulo, 10 ago.</p><p>2015. Disponível em: https://bit.ly/3T3kIPP.</p><p>Acesso em: 6 mar. 2023.</p><p>127</p><p>RESUMO DO TÓPICO 3</p><p>Neste tópico, você aprendeu:</p><p>• Os países se protegem por meio de barreiras tarifárias e não tarifárias que são</p><p>estabelecidas no momento da entrada de produtos estrangeiros.</p><p>• As barreiras tarifárias são traduzidas por meio do aumento das alíquotas do imposto</p><p>de importação, aumentando o custo do produto e assim inviabiliza o produto</p><p>estrangeiro no mercado.</p><p>• Dumping é a prática de preços no mercado externo abaixo dos seus custos e/ou de</p><p>seu preço de venda no mercado de origem, buscando conquistar o mercado.</p><p>• Os incentivos fiscais promovem o crescimento e o desenvolvimento econômico do país.</p><p>128</p><p>1 Diversas medidas e ações formam as políticas comerciais que norteiam as</p><p>transações comerciais do nosso país com o mundo. O Governo Federal sanciona as</p><p>medidas e os ministérios e órgãos competentes responsáveis pelo gerenciamento.</p><p>As políticas comerciais determinam a abertura de mercado que pode ser maior ou</p><p>menor dependendo do período e situação do país. Com relação aos instrumentos</p><p>e ações desenvolvidos para os acordos comerciais, classifique V para as sentenças</p><p>verdadeiras e F para as falsas:</p><p>( ) São desenvolvidos subsídios para estimular as exportações.</p><p>( ) São desenvolvidos tarifas e cotas tarifárias.</p><p>( ) São desenvolvidas ações de liberdade cambial.</p><p>( ) São desenvolvidas barreiras não tarifárias para proteger a indústria nacional.</p><p>Agora, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:</p><p>a) ( ) F – V – V – V.</p><p>b) ( ) V – V – F – V.</p><p>c) ( ) V – F – V – V.</p><p>d) ( ) V – V – V – F.</p><p>2 A exportação é uma operação na qual um produto que se encontra em determinado</p><p>país é levado para outro local ou país, ultrapassando as barreiras físicas e alfandegá-</p><p>rias. Sobre a exportação, assinale a alternativa CORRETA:</p><p>a) ( ) As exportações ocorrem de forma exclusiva com o pagamento de mercadorias</p><p>e serviços e de forma definitiva.</p><p>b) ( ) As exportações proibidas requerem procedimentos especiais, dependendo da</p><p>análise prévia de algum órgão ou observar algum procedimento especial.</p><p>c) ( ) As exportações que não podem ser operacionalizadas, sejam em razão de acordo</p><p>interno ou internacional, são chamadas de exportações sujeitas a limitações.</p><p>d) ( ) Em razão de políticas aplicadas para regular o mercado interno ou em razão de</p><p>algum compromisso internacional que a nação brasileira tenha assumido, as</p><p>exportações podem ser suspensas.</p><p>3 As grandes organizações globais buscam locais para produzir com custo baixo,</p><p>principalmente de mão de obra, e com legislação ambiental mais branda. Para isso, é</p><p>comum escolherem países em desenvolvimento que apresentam essas características</p><p>para instalar suas plantas industriais, produzir e distribuir seus produtos pelo mundo.</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>129</p><p>Essa estratégia, no entanto, se apresenta como um desafio do ponto de vista social</p><p>e ambiental, a ser equacionado com o possível desenvolvimento que possa trazer</p><p>para a região. Considerando o contexto apresentado e os tipos de dumping, assinale</p><p>a alternativa CORRETA:</p><p>a) ( ) O termo dumping ambiental refere-se à geração de empregos pelas empresas</p><p>globais nas localidades onde se instalam e trazem equilíbrio ambiental.</p><p>b) ( ) A produção em países em desenvolvimento que possuem grandes reservas de</p><p>recursos naturais evita políticas antidumping entre os países desenvolvidos.</p><p>c) ( ) O dumping social ocorre quando as empresas globais remuneram pouco a</p><p>mão de obra em países em desenvolvimento para obterem baixos custos na</p><p>sua produção.</p><p>d) ( ) O dumping ambiental e o social ocorrem nos países desenvolvidos, onde a</p><p>demanda por produtos é maior que a oferta.</p><p>130</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>BALANÇA COMERCIAL: veja ranking dos principais parceiros do Brasil em 2021. G1</p><p>Economia, Rio de Janeiro, 4 jan. 2022. Disponível em: http://glo.bo/3ytc4Ao. Acesso</p><p>em: 9 mar. 2023.</p><p>BIN, L. W. 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G.; RORATTO, R. P. Introdução ao Comércio Exterior. Palhoça: UnisulVirtual,</p><p>2017. Disponível em: https://bit.ly/3mGZNpD. Acesso em: 10 jan. 2023.</p><p>SERVICES TRADE. World Trade Organization, Geneva, c2023. Disponível em: https://</p><p>bit.ly/2kEUi7l. Acesso em: 12 jan. 2023.</p><p>SERVICES TRADE in the global economy. OECD, Paris, c2023. Disponível em: https://bit.</p><p>ly/3yqZYI9. Acesso em: 11 jan. 2023.</p><p>SEBRAE-BA. #PraComeçarJa: primeiros passos para começar a exportar. Salvador:</p><p>Sebrae-BA, [20--]. Disponível em: https://bit.ly/3Lb2ycM. Acesso em: 16 jan. 2023.</p><p>SIQUEIRA, K. B.; PINHA, L. C. Vantagens comparativas reveladas do Brasil no</p><p>comércio internacional de lácteos. Juiz de Fora: Embrapa Gado de Leite, dez. 2011.</p><p>Disponível em: https://bit.ly/3T0NkZW. Acesso em: 10 jan. 2023.</p><p>TONON, A. Inteligência cultural e o comércio internacional. Andrea Tonon, [s. l.], 28 jan.</p><p>2020. Disponível em: https://bit.ly/3mFUYNe. Acesso em: 11 jan. 2023.</p><p>TRIBUTAÇÃO no comércio exterior. CNI, Assuntos Internacionais, Brasília, DF, 2021.</p><p>Disponível em: https://bit.ly/3Fdn1Kh. Acesso em: 16 jan. 2023.</p><p>UNCTAD. World investment report 2019: special economic zones. New York:</p><p>United Nations Publications, 2019. Disponível em: https://bit.ly/3ZyR8E1. Acesso em:</p><p>12 jan. 2023.</p><p>133</p><p>DESPACHO DE IMPORTAÇÃO</p><p>E EXPORTAÇÃO</p><p>UNIDADE 3 —</p><p>OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM</p><p>PLANO DE ESTUDOS</p><p>A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:</p><p>• compreender que as tecnologias digitais facilitaram o desenvolvimento de cadeias</p><p>de abastecimento internacionais complexas para a produção de bens físicos;</p><p>• entender que as mercadorias estão sujeitas a parâmetros de importação defi nidos</p><p>pelos canais fi scais;</p><p>• identifi car que o despacho de importação é um procedimento necessário antes que</p><p>as mercadorias possam ser importadas ou reexportadas internacionalmente;</p><p>• um licenciamento de importação e a sua respectiva autorização representam o ato</p><p>de cumprir os regulamentos de importação de um país importador;</p><p>• compreender que a exportação é um dos principais componentes dos negócios</p><p>internacionais e envolve a movimentação de bens e serviços entre as nações, bem</p><p>como a troca de moedas estrangeiras entre as partes envolvidas</p><p>• identifi car a infração aduaneira como qualquer violação ou tentativa de violação das</p><p>disposições legais ou regulamentares fornecidas por órgão aduaneiro;</p><p>• compreender o papel do despachante aduaneiro como representante de uma pessoa</p><p>ou empresa, exercendo as funções de exportador de mercadorias.</p><p>A cada tópico desta unidade você encontrará autoatividades com o objetivo de</p><p>reforçar o conteúdo apresentado.</p><p>TÓPICO 1 – PROCEDIMENTOS NA IMPORTAÇÃO</p><p>TÓPICO 2 – PROCEDIMENTOS NA EXPORTAÇÃO</p><p>Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure</p><p>um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações.</p><p>CHAMADA</p><p>134</p><p>CONFIRA</p><p>A TRILHA DA</p><p>UNIDADE 3!</p><p>Acesse o</p><p>QR Code abaixo:</p><p>135</p><p>TÓPICO 1 —</p><p>PROCEDIMENTOS NA IMPORTAÇÃO</p><p>UNIDADE 3</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>Caro acadêmico! Seja bem-vindo à Unidade 3 da disciplina de Legislação</p><p>Aduaneira de Importação e Exportação. Em mais uma etapa da sua trajetória na busca de</p><p>conhecimento e aperfeiçoamento profissional, entraremos no contexto do despacho de</p><p>importação no Brasil e, por conseguinte, no dinâmico mundo do comércio internacional.</p><p>Os benefícios do comércio exterior para o desenvolvimento de um país e</p><p>as oportunidades que são geradas às empresas, principalmente nas operações de</p><p>exportação, tendo em vista que essas constituem uma maneira de aumentar as vendas,</p><p>conquistando novos mercados e consumidores, no entanto não podemos nos esquecer</p><p>que as importações também fazem parte do comércio além-fronteiras das nações e são</p><p>tão importantes quanto as exportações.</p><p>Serão vários assuntos que permeiam esse tema, os quais enriquecerão o seu</p><p>aprendizado, porque há novos assuntos, principalmente sobre a proposta de Novo</p><p>Processo de Importação e o Programa Portal Único de Comércio Exterior. Afinal, é por</p><p>isso que estamos aqui, não é mesmo? Bons estudos!</p><p>2 INTEGRAÇÃO ECONÔMICA</p><p>A enorme expansão do comércio exterior nas últimas décadas foi impulsionada</p><p>por três fatores: a globalização da tecnologia, a política governamental e a geopolítica.</p><p>As tecnologias digitais tornaram muito mais serviços comercializáveis e, juntamente</p><p>com a queda dos custos de transporte, facilitaram o desenvolvimento de cadeias de</p><p>abastecimento internacionais complexas para a produção de bens físicos. Os governos</p><p>abriram mercados e liberalizaram regulamentações, tanto unilateralmente quanto por</p><p>meio de acordos comerciais bilaterais, regionais e multilaterais.</p><p>A globalização e o progresso tecnológico até agora aumentaram a prosperi-</p><p>dade material em todas as economias participantes, esta medida pelo Produto Interno</p><p>Bruto (PIB). Isso é positivo aos cidadãos porque mais prosperidade material é a base</p><p>para mais prosperidade imaterial, como: melhores oportunidades educacionais e maior</p><p>expectativa de vida.</p><p>136</p><p>Dentro de uma economia, no entanto, a divisão internacional do trabalho e o</p><p>progresso tecnológico também levaram ao declínio nas oportunidades de emprego e</p><p>renda para certos grupos de pessoas. Nas economias industriais desenvolvidas, tratam-</p><p>se, principalmente, de trabalhadores pouco qualificados e, com o objetivo de proteger</p><p>esses indivíduos, as nações industrializadas estão recorrendo, cada vez mais, a medidas</p><p>protecionistas, colocando o comércio internacional sob pressão.</p><p>Nesse contexto, você poderá se perguntar: como o comércio exterior poderá</p><p>se desenvolver no futuro? Como terei a oportunidade de me destacar nesse</p><p>cenário? Quais são os benefícios que terei? De que forma posso saber mais</p><p>sobre o despacho aduaneiro?</p><p>2.1 OPERAÇÕES DE IMPORTAÇÃO</p><p>Além do Banco Central do Brasil (Bacen), do Ministério da Economia, da Secretaria</p><p>Especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais (Secex) e da Secretaria da</p><p>Receita Federal do Brasil (RFB), existem outros órgãos, como a Agência Nacional de</p><p>Vigilância Sanitária (Anvisa), o Departamento de Polícia Federal (PF) e o Ministério</p><p>da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), que também estão envolvidos no</p><p>processo de importação, dependendo do tipo de produto e da classificação fiscal.</p><p>Embora exista um sistema informatizado integrado chamado Siscomex, o</p><p>qual gerencia e registra todas as informações relacionadas às operações de comércio</p><p>exterior, o processo de importação de produtos para o mercado brasileiro ainda é uma</p><p>tarefa complexa devido à miríade de leis, decretos e instruções normativas a respeito</p><p>do assunto. Certos procedimentos devem ser adotados mesmo antes da compra, da</p><p>colocação do pedido junto ao fornecedor até</p><p>a expedição, já que mercadorias específicas</p><p>requerem licenças mesmo antes de todo esse processo.</p><p>O importador ou a entidade que encomenda o produto deve registrar a sua</p><p>capacidade fiscal e financeira no Siscomex, no Sistema de Registro e Rastreamento das</p><p>Atividades dos Agentes Aduaneiros (Sistema Ambiente de Registro e Rastreamento da</p><p>Atuação dos Intervenientes Aduaneiros – Radar). As licenças de importação são obtidas</p><p>junto à Secex, esta, por sua vez, verifica as condições estabelecidas na Fatura Proforma.</p><p>A licença emitida pela Secex determina o tratamento fiscal aduaneiro, assim</p><p>como o tratamento cambial dado pelo Bacen. No momento da nacionalização, são</p><p>necessários vários documentos e ações, ou seja, ações que acontecem no curso do</p><p>despacho aduaneiro. Uma vez a declaração de despacho aduaneiro apresentada, a</p><p>mercadoria procederá pelo despacho aduaneiro.</p><p>137</p><p>No Brasil, além do registro dessa declaração, as mercadorias estão sujeitas a</p><p>parâmetros de importação definidos pelos canais fiscais (verde, amarelo, vermelho e</p><p>cinza). O despachante aduaneiro será notificado pelo Siscomex quando a mercadoria</p><p>tiver sido liberada, então, a prova de liberação é o Certificado de Importação (CI),</p><p>impresso por meio do Siscomex, pelo importador.</p><p>O importador precisa estar atento às mudanças nas leis e regulamentos, tendo</p><p>em vista o grande número de emendas que ocorrem na legislação brasileira. Um erro</p><p>operacional pode ser bastante dispendioso, uma vez que o Brasil é um país de dimensões</p><p>continentais. Assim, o planejamento logístico é muito importante para a distribuição</p><p>mais eficaz do mercado.</p><p>O governo brasileiro anunciou o lançamento de um novo módulo piloto de</p><p>seu Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), abrangendo determinadas</p><p>operações de importação sujeitas a requisitos de licenciamento, concebido como forma</p><p>de avançar no novo processo de importação anunciado pelas autoridades brasileiras em</p><p>outubro de 2018.</p><p>Espera-se que o “novo” módulo, eventualmente, permita aos importadores reali-</p><p>zar, de forma eletrônica, por meio do Siscomex, todas as operações de importação sujei-</p><p>tas a licenciamento e demais requisitos de licenciamento administrados pela Secretaria</p><p>de Comércio Exterior (Secex), embora o piloto concentre-se, inicialmente, em importa-</p><p>ções inscritas sob várias cotas tarifárias bem como importações de certos bens usados.</p><p>Outras operações de importação, incluindo operações</p><p>que requerem a intervenção de outros órgãos</p><p>governamentais, devem ser adicionadas ao piloto, ao</p><p>longo do ano. Ficou interessado? Quer saber um pouco</p><p>mais da proposta de Novo Processo de Importação</p><p>(NPI) e do Programa Portal Único de Comércio Exterior?</p><p>Então, leia o Item 3 – Proposta do Novo Processo de</p><p>Importação – 3.1 Introdução, páginas 25 a 29. Acesse o</p><p>QR Code para ter acesso ao conteúdo.</p><p>DICA</p><p>O governo também anunciou algumas mudanças no sistema de Pagamento</p><p>Centralizado de Comércio Exterior (PCCE) que devem facilitar o processamento de</p><p>operações de importação – sob a forma de Declaração de Importação (DI) ou Declaração</p><p>Única de Importação (Duimp) – as quais exigem o pagamento do Imposto sobre</p><p>Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).</p><p>138</p><p>No caso de um Duimp, por exemplo, o sistema atualizado não exigirá mais o</p><p>envio de determinada documentação adicional. Além disso, foi adotada uma nova rotina</p><p>para o pagamento dos impostos de comércio exterior, com base no Documento de Arre-</p><p>cadação da Receita Federal (DARF) numerado, rotina esta que as autoridades brasileiras</p><p>aconselham para simplificar o processo de pagamento e proporcionar mais segurança.</p><p>Por fim, foram feitas várias melhorias no módulo que auxilia os operadores</p><p>comerciais na classificação tarifária de importação e exportação. Dentre outras coisas,</p><p>funcionalidades adicionais permitirão aos usuários pesquisar eletronicamente as Notas</p><p>Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadorias.</p><p>3 O DESPACHO NAS OPERAÇÕES DE IMPORTAÇÃO</p><p>Você sabe que uma importação é um produto ou serviço trazido de um país para</p><p>outro. As importações permitem a compra bens e recursos que, por diversos motivos,</p><p>não podem ser produzidos internamente.</p><p>Figura 1 – Operações de importação</p><p>Fonte: https://shutr.bz/3JfsNfQ. Acesso em: 3 nov. 2022.</p><p>Às vezes, um país até produz um bem, contudo é mais barato importá-lo, o</p><p>que geralmente ocorre quando o custo do trabalho é mais acessível no exterior do que</p><p>no mercado interno. Por exemplo, os EUA terceirizam grande parte de seu trabalho de</p><p>fabricação para a China, graças aos custos trabalhistas mais baixos no país asiático. Em</p><p>seguida, os produtos acabados são importados para os EUA.</p><p>Em outros casos, certos países podem produzir bens específicos de forma</p><p>muito eficiente, seja porque investiram mais em determinado setor, seja porque têm</p><p>algum tipo de vantagem produtiva, como a abundância de determinado recurso natural.</p><p>Lembra-se das vantagens comparativas? Esta teoria foi desenvolvida baseada nas</p><p>nações, mas queira ou não, reflete nas empresas.</p><p>139</p><p>As empresas, hoje, precisam manter-se competitivas em escala global, é por</p><p>isso que a importação é mais importante do que nunca no mercado atual. Você conhece</p><p>os principais motivos para importar mercadorias? As principais razões são diversas,</p><p>porém mencionaremos algumas, como:</p><p>• Atendimento à demanda do cliente.</p><p>• Fornecimento de produtos que não existem nas fronteiras do país.</p><p>• O custo de importação é menor do que o custo de fabricação.</p><p>• A qualidade do produto é melhor quando importado.</p><p>Com tantos motivos para importar mercadorias, você descobrirá que trazer</p><p>produtos ao país costuma ser um benefício às empresas. As nações necessitam fazer</p><p>importação de bens ou serviços quando eles são:</p><p>• Primordiais ao seu desenvolvimento econômico.</p><p>• Não estão disponíveis no mercado interno.</p><p>• Fabricados a um custo mais barato em outro lugar.</p><p>• Vendidos a preços mais baixos quando produzido em outro país.</p><p>Você tem noção de quais os principais produtos importados pelo Brasil?</p><p>Lembrando que importar significa trazer um bem, um produto ou serviço de outro país</p><p>para o mercado interno, de maneira definitiva ou temporária.</p><p>De acordo com o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC),</p><p>o Brasil é o 29º maior importador do mundo (BUENO, 2022a), e os produtos que mais</p><p>compramos de outros países estão descritos no Quadro 1.</p><p>Quadro 1 – Os dez principais produtos importados pelo Brasil em 2021</p><p>PRODUTOS IMPORTADOS PELO BRASIL</p><p>Valor FOB</p><p>US$</p><p>1º Adubos ou fertilizantes. 13,4 bilhões</p><p>2º Óleos combustíveis de petróleo ou de minerais betuminosos. 12,1 bilhões</p><p>3º Demais produtos – Indústria de transformação. 8,9 bilhões</p><p>4º Medicamentos e produtos farmacêuticos, exceto veterinários. 7,3 bilhões</p><p>5º Válvulas e tubos termiônicos. 7,1 bilhões</p><p>6º Equipamentos de telecomunicações. 7,0 bilhões</p><p>7º Partes e acessórios dos veículos automóveis. 6,7 bilhões</p><p>140</p><p>8º Compostos orga-inorgânicos. 5,9 bilhões</p><p>9º Gás natural, liquefeito. 3,9 bilhões</p><p>10º Motores e máquinas não elétricos. 3,8 bilhões</p><p>Fonte: Bueno (2022a, s. p.).</p><p>O comércio exterior é fundamental para o desenvolvimento econômico brasileiro.</p><p>Com o arrefecimento da demanda interna, o mercado internacional é fundamental à</p><p>revitalização da indústria nacional, tornando-se um elemento central na geração de</p><p>emprego e renda.</p><p>Veja, no Quadro 2, quais são os principais parceiros comerciais do Brasil.</p><p>Quadro 2 – Principais origens das importações para o Brasil</p><p>RANKING</p><p>Origem de</p><p>importações</p><p>% Valor FOB</p><p>1º China 21% 35,3 bilhões</p><p>2º Estados Unidos 18% 30,1 bilhões</p><p>3º Argentina 6% 10,6 bilhões</p><p>4º Alemanha 6% 10,3 bilhões</p><p>5º Coreia do Sul 3% 4,7 bilhões</p><p>6º Índia 3% 4,3 bilhões</p><p>7º México 3% 4,2 bilhões</p><p>8º Japão 2% 4,1 bilhões</p><p>9º Itália 2% 4 bilhões</p><p>10º Rússia 2% 3,7 bilhões</p><p>Fonte: adaptado de Bueno (2022a, s. p.).</p><p>141</p><p>Analisando o termo mercadoria, no campo do Direito Aduaneiro, ele se</p><p>define como tudo aquilo que poderá ser comercializado.</p><p>Dessa forma, a</p><p>mercadoria, dentro dessa legislação, é o objeto da relação aduaneira e,</p><p>necessariamente, deverão ser aplicados os controles que o Estado tem à</p><p>disposição (TAVARES, 2011).</p><p>NOTA</p><p>Quando você observa os dados nos quadros demonstrados, não pense que é o</p><p>país Brasil, mas entenda que são importações de matéria-prima, bens de produção ou</p><p>insumos para abastecer o parque industrial brasileiro, ou seja, as empresas nacionais.</p><p>Muitas empresas esforçam-se para se tornarem mais competitivas em seu</p><p>mercado local e muitas também estão competindo em escala global. A fim de iniciar o</p><p>crescimento e a expansão, são necessárias decisões criativas que, muitas vezes, incluem</p><p>importação temporária ou definitiva. O crescimento dos negócios está, muitas vezes,</p><p>ligado à sustentabilidade e, assim que eles começam a operar internacionalmente, há</p><p>muitos fatores adicionais que podem ter um enorme impacto no seu sucesso.</p><p>A importação de matérias-primas ou insumos é um dos caminhos para</p><p>aumentar as margens de lucro das empresas. Há uma série de benefícios na importação</p><p>de mercadorias, como: alta qualidade, preços baixos, introdução de novos produtos no</p><p>mercado e redução de custos, tornando tais empresas líderes no setor.</p><p>Um dos principais benefícios em importar é a redução dos custos de fabricação.</p><p>Diversas empresas, atualmente, ponderam a respeito da importação de produtos</p><p>acabados ou semiacabados, dos insumos/componentes, bem como das matérias-</p><p>primas mais acessíveis. Há diversos casos cujas empresas conseguem encontrar</p><p>produtos de excelente qualidade com valor menor, mesmo quando os custos da</p><p>importação estão incluídos.</p><p>O importador é aquele empresário ou empresa que se dedica a comprar</p><p>produtos de clientes estrangeiros e, depois, vendê-los no mercado local, ou seja,</p><p>importador é aquela empresa ou pessoa que adquire a mercadoria do exterior. Mais</p><p>tarde, ele os vende em seu país, a fim de obter lucro. Deve-se notar que, quando falamos</p><p>em importador, há a possibilidade de nos referirmos a uma nação.</p><p>142</p><p>No dia 29 de outubro é comemorado o dia do importador,</p><p>data que teve início em 1992, quando foi suspensa a lei</p><p>de reserva do mercado, a qual limitava as importações</p><p>brasileiras a fi m de estimular a indústria nacional. Quer</p><p>saber um pouco mais do importador e as suas funções?</p><p>Então, acesse o QR Code .</p><p>INTERESSANTE</p><p>Assim, em vez de investir na criação de máquinas e equipamentos para um</p><p>novo processo ou setor produtivo, os gestores escolhem a importação como uma ma-</p><p>neira de reduzir os seus custos. Na maioria dos casos, encomendam grandes quantida-</p><p>des para obter um preço melhor e minimizar os custos.</p><p>Outro benefício da importação está relacionado à viabilidade de comercializar</p><p>produtos com melhor padrão de qualidade. Muitos empreendedores de sucesso viajam</p><p>ao exterior, visitam fábricas e outros vendedores altamente profi ssionais, visando a</p><p>encontrar produtos de alta qualidade e importá-los ao seu próprio país.</p><p>Se uma organização optar por basear o seu negócio na importação de produtos,</p><p>é provável que obtenha produtos de alta qualidade. Isso se deve ao fato de que as</p><p>empresas de manufatura estão muito conscientes de que a sua reputação depende,</p><p>em grande parte, da qualidade dos itens que produzem. Este é mais um motivo para</p><p>considerar a importação a essência do seu novo negócio.</p><p>Outro fator benéfi co da importação de produtos é a oportunidade de a empresa</p><p>se tornar líder de mercado no setor de interesse, o seja, o seu nicho de mercado. Com</p><p>a fabricação de produtos novos e aprimorados, muitas organizações em todo o mundo</p><p>aproveitam a chance de importar produtos novos e exclusivos antes que os concorrentes</p><p>o façam. Ser a primeira a apresentar uma nova mercadoria pode, facilmente, levar uma</p><p>empresa a tornar-se líder em determinado setor.</p><p>As operações de importações são um componente essencial ao comércio</p><p>exterior, proporcionando ao mercado nacional mais diversifi cados, além de abastecer os</p><p>insumos e as matérias-primas necessárias à produção interna.</p><p>Um termo muito importante no processo de importação é o import</p><p>clearance que, em português, signifi ca despacho de importação. Sem</p><p>saber o conceito e os procedimentos operacionais corretos, você, como</p><p>agente do comércio exterior, corre o risco de perder tempo e não cumprir</p><p>o prazo de entrega de um produto/mercadoria.</p><p>NOTA</p><p>143</p><p>Toda mercadoria que entra no Brasil deve passar pelo processo de despacho de</p><p>importação, que a permite ser liberada para sair do local no qual será recebida. Isso é um</p><p>processo que deve ser sempre realizado. Vamos saber mais sobre ele?</p><p>O despacho de importação é um procedimento necessário antes que as merca-</p><p>dorias possam ser importadas ou reexportadas internacionalmente. Se uma remessa for</p><p>liberada, o remetente fornecerá a documentação confirmando os direitos alfandegários</p><p>pagos, assim, a remessa está apta a ser processada. Isso é necessário para permitir que</p><p>mercadorias sejam transportadas para um país.</p><p>Dentro desse processo, há também informações sobre embarques com importa-</p><p>dor com as partes envolvidas no processo. De forma genérica, as etapas que compõem</p><p>esse processo são:</p><p>• Contato com o agente: o cliente que deseja importar e exportar contrata um</p><p>despachante para enviar e/ou receber determinada mercadoria de ou/para um país.</p><p>• Sincronização entre o despachante e a alfândega: inicia-se todo o trâmite</p><p>burocrático para a mercadoria passar pela alfândega de suas respectivas medidas e</p><p>controles estabelecidos por cada estado.</p><p>• Autorização aduaneira de desembarque: as autoridades aduaneiras autorizam o</p><p>desembarque de mercadorias, a fim de iniciar a sua saída ao destino de exportação.</p><p>• Transporte	 –	 fluxo	 de	 mercadorias: o trânsito de mercadorias por via aérea,</p><p>marítima e/ou terrestre inicia-se para que cheguem ao seu destino.</p><p>• Recepção da mercadoria: após tramitação da burocracia pelo despachante</p><p>aduaneiro local, as embalagens são encaminhadas aos pontos de armazenagem das</p><p>empresas solicitantes.</p><p>Figura 2 – Despacho de mercadoria</p><p>Fonte: https://shutr.bz/3ZURp42. Acesso em: 3 nov. 2022.</p><p>144</p><p>O que acontece na alfândega ao importar? Como dissemos, o despacho</p><p>consiste em uma série de atos e formalidades que devem ser cumpridos perante a</p><p>estância aduaneira, com o intuito de conseguir a introdução legal da mercadoria de</p><p>origem estrangeira no país. Para tanto, o despacho inicia-se assim que a mercadoria</p><p>entra no território nacional e está protegida em um entreposto controlado pelas</p><p>autoridades aduaneiras, denominado recinto fiscal.</p><p>É a partir desse momento, quando a empresa transportadora notifica o impor-</p><p>tador ou o seu despachante aduaneiro indicado da chegada da mercadoria ao território</p><p>nacional, que o agente autorizado se desloca às instalações, visando verificar que as</p><p>informações em sua posse sobre a mercadoria – a invoice (fatura do fornecedor), a lista</p><p>de embalagem e o documento de transporte – correspondem à mercadoria recebida.</p><p>Confirmada pelo agente autorizado que a mercadoria ingressou no território</p><p>nacional e, se for o caso, esclarecida qualquer divergência com o importador, o res-</p><p>ponsável procede à elaboração da petição aduaneira indicando os seguintes dados da</p><p>mercadoria: a fração tarifária, o regime aduaneiro ao qual ela será apresentada, o valor,</p><p>as contribuições e os benefícios que devem ser pagos.</p><p>Quando o pedido é autorizado pelo importador, o agente procede ao pagamento</p><p>das contribuições para, posteriormente, deslocar-se às instalações e recolher as mer-</p><p>cadorias, com o apoio de um transportador autorizado pelo SAT (Serviço de Atendimen-</p><p>to ao Transportador) da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), a fim de</p><p>as conduzir até os módulos de reconhecimento aduaneiro para validação do pedido e</p><p>posterior retirada da mercadoria da alfândega e embarque ao entreposto do importador.</p><p>4 PROCEDIMENTOS ADUANEIROS DE IMPORTAÇÃO</p><p>NO BRASIL</p><p>Os procedimentos de importação abrangem um conjunto de ações que devem</p><p>ser seguidas</p><p>em todas as suas etapas, envolvendo critérios relacionados às questões</p><p>tarifárias e alfandegárias. Nesta parte do conteúdo de nossa unidade, seguiremos esses</p><p>conceitos, critérios e etapas baseando-se nos aspectos legais que regem as operações</p><p>de importação no Brasil.</p><p>A importação é a entrada e, por conseguinte, a nacionalização de um produto</p><p>provindo do exterior no território aduaneiro. “Em termos legais, a mercadoria só é</p><p>considerada importada após sua internalização no país, por meio da etapa</p><p>de desembaraço aduaneiro e do recolhimento dos tributos exigidos em lei”</p><p>(OPERACIONALIZANDO A EXPORTAÇÃO, 2022, s. p., grifo nosso).</p><p>Em nosso país, o procedimento aduaneiro na importação divide-se em três</p><p>fases, de acordo com o Siscomex (OPERACIONALIZANDO A EXPORTAÇÃO, 2022):</p><p>145</p><p>• Fase administrativa: refere-se aos procedimentos e exigências de órgãos de</p><p>governo prévios à efetivação da importação e variam de acordo com o tipo de</p><p>operação e de mercadoria, ou seja, trata-se do licenciamento das importações.</p><p>• Fase	fiscal: compreende o tratamento aduaneiro, por meio do despacho de importa-</p><p>ção, procedimento mediante o qual é verificada a exatidão dos dados declarados pelo</p><p>importador em relação às mercadorias importadas, aos documentos apresentados e</p><p>à legislação específica, com vistas ao seu desembaraço aduaneiro. Esta etapa ocorre</p><p>em recintos próprios, logo após a chegada da mercadoria ao Brasil, e inclui o reco-</p><p>lhimento dos tributos devidos na importação. Feita a conclusão do desembaraço, a</p><p>mercadoria é considerada importada e pode ser liberada para o mercado interno.</p><p>• Fase cambial: refere-se à operação de compra de moeda estrangeira destinada</p><p>à efetivação do pagamento das importações (quando há esse pagamento) sendo</p><p>processada por entidade financeira autorizada pelo Banco Central do Brasil a operar</p><p>em câmbio.</p><p>Acadêmico, veja o infográfico, na Figura 3, que apresenta os aspectos gerais na</p><p>importação.</p><p>Figura 3 – Aspectos gerais na importação</p><p>ASPECTOS</p><p>GERAIS NA</p><p>IMPORTAÇÃO</p><p>IMPORTAÇÃO DEFINITIVA</p><p>A importação de�nitiva envolve regras de comércio</p><p>brasileiras, internacionais e do país de origem,</p><p>devendo ser efetuada via nacionalização do produto</p><p>ou serviço, que ocorre a partir de procedimentos</p><p>burocráticos ligados à Receita do país de destino,</p><p>bem como da alfândega, durante o desembaraço e</p><p>entrega, que pode se dar por via aérea, marítima,</p><p>rodoviária ou ferroviária. Quando mais de um tipo de</p><p>transporte é utilizado para entrega, chamamos de</p><p>transporte multimodal.</p><p>IMPORTAÇÃO NÃO DEFINITVA</p><p>As importações não de�nitivas são</p><p>aquelas em que não ocorre a</p><p>nacionalização. Temos como exemplo</p><p>mercadorias importadas sob o Regime</p><p>Aduaneiro Especial de Admissão</p><p>Temporária que é a entrada no País de</p><p>certas mercadorias, com uma</p><p>�nalidade e por um período de tempo</p><p>determinados, com o compromisso</p><p>de serem reexportadas.</p><p>NACIONALIZAÇÃO</p><p>A nacionalização são procedimentos</p><p>burocráticos que transfere a</p><p>mercadoria da economia estrangeira</p><p>para a economia nacional, por meio</p><p>da Declaração de Importação (DI).</p><p>Fonte: o autor</p><p>146</p><p>A Receita Federal faz algumas considerações antes do despacho de importa-</p><p>ção, “que se inicia com o registro da declaração de importação, o importador deve ha-</p><p>bilitar-se para operar no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), procedi-</p><p>mento regido pela Instrução Normativa RFB nº 1.603/2015” (CONSIDERAÇÕES GERAIS,</p><p>2021, s. p.).</p><p>Logo depois de a empresa ser habilitada, o representante legal dela poderá ca-</p><p>dastrar, pelo Portal Habilita, novos representantes para operar no exercício das ativida-</p><p>des com o despacho aduaneiro.</p><p>O Portal Habilita constitui-se em um novo canal da</p><p>Receita Federal do Brasil, permitindo que as empresas</p><p>possam solicitar, por meio da web, a habilitação/</p><p>autorização para operarem no comércio exterior. O</p><p>seu acesso é feito pelo Portal Único Siscomex, com a</p><p>utilização de um certificado digital. Quer saber mais</p><p>sobre esse portal? Então, acesse o QR Code .</p><p>DICA</p><p>Os controles de importação geralmente concentram-se na segurança dos</p><p>cidadãos ou da economia nacional, servem para regular quais produtos e tecnologias</p><p>podem circular livremente pelo mundo. Os controles econômicos de importação são,</p><p>com frequência, usados para impedir a ampla penetração no mercado interno de</p><p>produtos perigosos ou nocivos. Tais procedimentos são usados com o intuito de evitar</p><p>riscos, controlando, assim, com quais indivíduos ou empresas realizamos negócios.</p><p>A importação poderá ser submetida ao Controle Administrativo da Secretaria de</p><p>Comércio Exterior (Secex) do Ministério da Economia, nos termos da Portaria Secex nº</p><p>23/2011. A Portaria nº 23, de 14 de julho de 2011, visa a:</p><p>Art. 1º Consolidar, na forma desta Portaria, as normas e procedimentos</p><p>aplicáveis às operações de comércio exterior.</p><p>Art. 2º As operações no Sistema Integrado de Comércio Exterior</p><p>(SISCOMEX) poderão ser efetuadas pelo importador ou exportador,</p><p>por conta própria, mediante habilitação prévia, ou por intermédio de</p><p>representantes credenciados, nos termos e condições estabelecidos</p><p>pela Receita Federal do Brasil (RFB).</p><p>[...]</p><p>Art. 4º Os órgãos da administração direta e indireta que atuam como</p><p>intervenientes no comércio exterior serão credenciados nos módulos</p><p>administrativos SISCOMEX para se manifestarem acerca das</p><p>operações relativas às suas áreas de competência, quando previsto</p><p>em legislação específica. Parágrafo único. Consideram-se módulos</p><p>administrativos do SISCOMEX os módulos Importação, Exportação</p><p>Web e Drawback Web, relativamente ao registro, acompanhamento e</p><p>controle dos seguintes documentos gerados pelo Sistema:</p><p>147</p><p>I - Licenças de Importação;</p><p>II - Registros de Exportação;</p><p>III - Registros de Crédito; e</p><p>IV - Atos Concessórios de Drawback.</p><p>[...]</p><p>Art. 7º Para fins de alimentação no banco de dados do SISCOMEX,</p><p>os órgãos anuentes deverão informar ao Departamento de</p><p>Competitividade no Comércio Exterior os atos legais que irão</p><p>produzir efeito no licenciamento das importações e no registro das</p><p>exportações, indicando a finalidade administrativa, com antecedência</p><p>mínima de 30 (trinta) dias de sua eficácia, salvo em situações de</p><p>caráter excepcional (BRASIL, 2011a, p. 3-5).</p><p>Figura 4 – Controle de mercadoria</p><p>Fonte: https://shutr.bz/41WZhE5. Acesso em: 3 nov. 2022.</p><p>O despacho aduaneiro é o processo administrativo que permite a entrada,</p><p>trânsito e saída de mercadorias de um território aduaneiro. Esse processo baseia-se na</p><p>declaração de determinadas informações relacionadas com a importação ou exportação</p><p>perante a autoridade aduaneira correspondente, como os dados da mercadoria e das</p><p>pessoas ou empresas encarregadas de as enviar ou as receber.</p><p>Veja, no Quadro 3, quais são os tipos de despachos permitidos no Brasil.</p><p>Quadro 3 – Tipos de despacho aduaneiro</p><p>D</p><p>E</p><p>S</p><p>P</p><p>A</p><p>C</p><p>H</p><p>O</p><p>N</p><p>O</p><p>R</p><p>M</p><p>A</p><p>L O registro da DI é realizado após a chegada da mercadoria no recinto</p><p>alfandegado de zona primária ou secundária, onde é processado o</p><p>despacho de importação, conforme previsto no inciso III do Art. 15 da IN</p><p>SRF nº 680/2006.</p><p>148</p><p>D</p><p>E</p><p>S</p><p>P</p><p>A</p><p>C</p><p>H</p><p>O</p><p>A</p><p>N</p><p>T</p><p>E</p><p>C</p><p>IP</p><p>A</p><p>D</p><p>O</p><p>Na modalidade "Registro Antecipado", da DI relativa à mercadoria que</p><p>proceda diretamente do exterior, poderá ser registrada antes da sua</p><p>descarga na unidade da RFB de despacho nas seguintes situações (Art.</p><p>17 da IN SRF nº 680/2006):</p><p>• Mercadoria transportada a granel, cuja descarga deva se realizar</p><p>diretamente para terminais de oleodutos, silos ou depósitos próprios</p><p>ou veículos apropriados.</p><p>• Mercadoria inflamável, corrosiva, radioativa ou que apresente</p><p>características de periculosidade.</p><p>• Plantas e animais vivos, frutas frescas e outros produtos facilmente</p><p>perecíveis ou suscetíveis de danos causados por agentes exteriores.</p><p>• Papel para impressão de livros, jornais e periódicos.</p><p>• Órgão da administração pública direta ou indireta, federal, estadual</p><p>ou municipal, inclusive autarquias, empresas públicas, sociedades de</p><p>economia mista e fundações públicas.</p><p>• Mercadoria transportada por</p><p>dos limites das aduanas;</p><p>Em 1968, com a substituição da Direção</p><p>Geral pela Secretaria da Receita Federal,</p><p>o Departamento de Rendas Aduaneiras</p><p>foi abolido, passando suas atribuições a</p><p>serem exercidas especialmente pelos</p><p>Sistemas de Fiscalização e Tributação.</p><p>6</p><p>“A administração aduaneira no Brasil e, por conseguinte, “o controle do comércio</p><p>exterior está sob a autoridade do Ministério da Fazenda, por comando constitucional</p><p>expresso no artigo 237 da Constituição Federal” (SINDIRECEITA, 2018, p. 6). Esse artigo</p><p>determina que “a fiscalização e o controle sobre o comércio exterior, essenciais à defesa</p><p>dos interesses fazendários nacionais, serão exercidos pelo Ministério da Fazenda”</p><p>(BRASIL, 1988). Em complemento, podemos destacar que o Ministério da Fazenda</p><p>possui a sua estrutura regimental definida no Decreto nº 9.003/2017. Este, em seu Art.</p><p>2º, elenca os seus órgãos de assistência direta e imediata (BRASIL, 2017a).</p><p>Dessa forma, a correta administração aduaneira permite que um país consolide</p><p>a sua economia, pois promove boas relações comerciais e permite gerar uma fonte</p><p>de renda por meio dos impostos arrecadados. Assim, as operações e os processos de</p><p>importação e exportação dentro de um país são simplificados. Além disso, graças à</p><p>administração aduaneira, é possível eliminar ou reduzir trâmites burocráticos, bem como</p><p>simplificar procedimentos, facilitando as transações realizadas por meio do comércio</p><p>exterior e a resolução de consultas, reclamações, solicitações e muito mais.</p><p>3 LEGISLAÇÃO E REGULAMENTO ADUANEIRO BRASILEIRO</p><p>Caro acadêmico, fizemos uma introdução dos principais aspectos das aduanas,</p><p>bem como da estrutura organizacional aduaneira no Brasil, no entanto é inevitável que</p><p>falemos da legislação e os regulamentos que ordenam a aduana brasileira, tendo em vista</p><p>o seu caráter legal.</p><p>Nesse contexto, o Direito Aduaneiro é um ramo do direito público que rege e</p><p>regula a circulação de mercadorias, capitais e pessoas entre os Estados (países/nações).</p><p>Caracteriza-se por mover, mudar e evoluir o direito, está sujeito à adaptação constante,</p><p>a fim de responder aos desenvolvimentos e mudanças econômicas tanto no cenário</p><p>internacional quanto no nacional.</p><p>Figura 2 – Transporte de containers</p><p>Fonte: https://shutr.bz/3muosgU. Acesso em: 7 mar. 2023.</p><p>https://shutr.bz/3muosgU</p><p>7</p><p>Fazolo (2022, s. p.) explica que o Direito Aduaneiro é “[a] disciplina que estuda</p><p>o controle e fiscalização exercido sobre a entrada e saída de mercadorias, veículos ou</p><p>pessoas em determinado território aduaneiro, colocando em prática a política aduaneira</p><p>definida pelo país” e, também:</p><p>• É formado por três elementos principais: (a) entrada/saída, ou seja, importação ou</p><p>exportação: (b) de uma mercadoria (em sentido amplo, tudo aquilo pode ser objeto</p><p>de classificação aduaneira); (c) de um território aduaneiro (espaço delimitado com</p><p>entrada e saída controlada por um ou mais Estados).</p><p>• A legislação aduaneira, trata-se do conjunto de normas que regulam a importação e</p><p>exportação de mercadorias, abrangendo um sem-número de leis, decretos, decretos-</p><p>leis, instruções normativas, portarias, entre outros.</p><p>• A principal delas é o Decreto-Lei nº 37/1966, que dispõe sobre o imposto de</p><p>importação, reorganiza os serviços aduaneiros, bem como dá outras providências.</p><p>Vejamos, agora, quais são os principais artigos do Decreto-Lei nº 37. Dentre</p><p>eles, citamos:</p><p>Art. 1º O imposto de importação incide sobre mercadoria estrangeira</p><p>e tem como fato gerador sua entrada no território nacional. Parágrafo</p><p>único. Considerar-se-á entrada no território nacional, para efeito de</p><p>ocorrência do fato gerador, a mercadoria que constar como tendo</p><p>sido importada e cuja falta venha a ser apurada pela autoridade</p><p>aduaneira. [...]</p><p>Art. 8º O tratamento aduaneiro decorrente de ato internacional,</p><p>aplica-se exclusivamente a mercadoria originária do país beneficiário.</p><p>Art. 9º Respeitados os critérios decorrentes do ato internacional de</p><p>que o Brasil participe, entender-se-á por país de origem da mercadoria</p><p>aquele onde houver sido produzida ou, no caso de mercadoria</p><p>resultante de material ou mão de obra de mais de um país, aquele</p><p>onde houver recebido transformação substancial (BRASIL, 1966).</p><p>Acesse, pelo QR Code , o portal Aduana e Comércio Exterior</p><p>da Receita Federal do Brasil para ler os Manuais Aduaneiros.</p><p>O vídeo aborda como é feito o controle aduaneiro</p><p>transfronteiriço, indicando os principais manuais aduaneiros.</p><p>DICA</p><p>Dessa forma, por leis e regulamentos aduaneiros, entende-se a legislação</p><p>e as normativas relativas às missões da administração aduaneira, em particular, os</p><p>termos e condições para a avaliação e cobrança de direitos aduaneiros e as respectivas</p><p>obrigações decorrentes. Em suma, as operações alfandegárias, as quais correspondem</p><p>a todas as operações que devem ser realizadas pelos interessados e pelas alfândegas</p><p>para aplicação da legislação aduaneira.</p><p>8</p><p>3.1 DECRETO QUE REGULAMENTA A ADMINISTRAÇÃO DAS</p><p>ATIVIDADES ADUANEIRAS</p><p>Os governos fazem leis e regulamentos que regem o comércio exterior e, por</p><p>consequência, as empresas devem cumprir essas regulamentações. Tais ordenações</p><p>jurídicas também estabelecem quais são as autoridades, os seus poderes e recursos</p><p>destinados a facilitar e a exigir o atendimento das conformidades.</p><p>Nas últimas décadas, as visões sobre as funções das alfândegas se expandiram</p><p>consideravelmente e, agora, abrangem três questões básicas: tributação, segurança e</p><p>facilitação do comércio.</p><p>Cada país tem as suas próprias leis e regulamentos à importação e à expor-</p><p>tação de mercadorias para dentro e fora de um país, aplicadas por suas respectivas</p><p>autoridades alfandegárias; à importação/exportação de alguns bens pode ser restrin-</p><p>gida ou totalmente proibida. Uma ampla gama de penalidades é enfrentada por quem</p><p>infringe essas leis.</p><p>Um objetivo mais recente das alfândegas tem sido a facilitação do comércio, ou</p><p>seja, a racionalização do processamento de importação e exportação de mercadorias</p><p>para reduzir os custos das transações comerciais. Nessa perspectiva, reforçaremos, um</p><p>pouco mais, do que se trata o decreto que regulamenta a administração das atividades</p><p>aduaneiras no Brasil, pois ela está vinculada diretamente ao direito aduaneiro.</p><p>Assim, Campos ([201-?]) esclarece: deve-se entender o Direito Aduaneiro como</p><p>o ramo do direito que regula os controlos aduaneiros e indica as restrições existentes no</p><p>tráfego internacional de mercadorias. A fim de obter o conceito de Direito Aduaneiro, é</p><p>necessário apontar algumas definições descritas no Quadro 1.</p><p>Quadro 1 – Direito aduaneiro: conceitos e definições</p><p>DIREITO ADUANEIRO</p><p>São as normas legais e regulamentares que determinam o regime fiscal e que</p><p>são aplicadas aos importadores, exportadores, agentes marítimos, despachantes</p><p>aduaneiros e, em geral, agentes que realizam operações com mercadorias.</p><p>É o conjunto de regras que regulam e condicionam a passagem de mercadorias por</p><p>meio das águas jurisdicionais e das fronteiras, bem como o depósito dessas merca-</p><p>dorias no território do Estado em relação à sua origem (estrangeira ou nacional) e,</p><p>também, ao destino aduaneiro que os proprietários declaram para elas, com obriga-</p><p>ções, limites e controles impostos para a proteção dos diferentes interesses públicos.</p><p>9</p><p>É a parte essencial da legislação do comércio externo de um país. Esse sistema</p><p>normativo também diz respeito às relações entre importadores e exportadores, sejam</p><p>pessoas singulares, sejam coletivas, com as autoridades administrativas e financeiras.</p><p>É o conjunto de normas legais que determinam o regime fiscal ao qual os envolvidos</p><p>no tráfico internacional de mercadorias devem submeter-se, por meio das fronteiras</p><p>nacionais ou aduaneiras que organizam o serviço público destinado ao seu controle,</p><p>estabelecem as suas funções, indicam os tipos e formalidades das operações sobre</p><p>tais mercadorias.</p><p>Compreende um conjunto de normas legais, instituições e princípios de Direito</p><p>Público que se aplicam ao tráfego,</p><p>via terrestre, fluvial ou lacustre.</p><p>• Mercadoria importada por meio aquaviário, quando o importador for</p><p>certificado como operador econômico autorizado (OEA), na modalidade</p><p>OEA - Conformidade Nível 2, conforme disciplinado em ato da Coana.</p><p>• Outras situações ou mercadorias a serem definidas pelo chefe da</p><p>unidade da RFB de despacho, mediante justificativa, ou pela Coana,</p><p>mediante ato normativo próprio, quando relativas ao combate da</p><p>doença provocada pelo coronavírus identificado em 2019 (Covid-19),</p><p>enquanto perdurar a Espin.</p><p>Fonte: adaptado de Despacho de Importação (2022)</p><p>Esses documentos declaram a solvência do proprietário da remessa e são</p><p>complementares à declaração aduaneira. Tais procedimentos geralmente são realizados</p><p>pelo despachante aduaneiro, profissional que representa uma das partes (importador ou</p><p>exportador) perante a autoridade aduaneira, é responsável pela comunicação entre seu</p><p>cliente e alfândega e pelo pagamento de impostos e taxas em nome do representado.</p><p>Observe o que estabelece a Receita Federal acerca do despacho de importação:</p><p>Procedimento mediante o qual é verificada a exatidão dos dados</p><p>declarados pelo importador em relação à mercadoria importada, aos</p><p>documentos apresentados e à legislação específica, com vistas ao</p><p>seu desembaraço aduaneiro (Art. 542 do Regulamento Aduaneiro);</p><p>Toda mercadoria procedente do exterior, importada a título definitivo</p><p>ou não, sujeita ou não ao pagamento do imposto de importação,</p><p>deverá ser submetida a despacho de importação, que será realizado</p><p>com base em declaração apresentada à unidade aduaneira sob cujo</p><p>controle estiver a mercadoria.</p><p>O despacho aduaneiro de importação encontra-se basicamente</p><p>disciplinado pelas IN SRF nº 680/2006 e IN SRF n° 611/2006.</p><p>149</p><p>O despacho aduaneiro de importação é processado com base em</p><p>declaração. A declaração de importação, regra geral, é processada</p><p>no Siscomex, por meio de Declaração de Importação (DI), Declaração</p><p>Única de Importação (Duimp) ou Declaração Simplificada de</p><p>Importação (DSI eletrônica).</p><p>No entanto, existem exceções, em razão da natureza da mercadoria,</p><p>da operação e da qualidade do importador, em que o despacho de</p><p>importação é processado sem registro no Siscomex por meio de</p><p>Declaração Simplificada de Importação (DSI formulário).</p><p>O despacho de importação poderá ser efetuado em zona primária ou</p><p>em zona secundária. Tem-se por iniciado o despacho de importação</p><p>na data do registro da declaração de importação. O registro da</p><p>declaração de importação consiste em sua numeração pela RFB, por</p><p>meio do SISCOMEX.</p><p>O despacho de importação deverá ser iniciado em (Art. 546 do</p><p>Regulamento Aduaneiro):</p><p>Até 90 (noventa) dias da descarga, se a mercadoria estiver em recinto</p><p>alfandegado de zona primária.</p><p>Até 45 (quarenta e cinco) dias após esgotar-se o prazo de permanência</p><p>da mercadoria em recinto alfandegado de zona secundária ou</p><p>Até 90 (noventa dias), contados do recebimento do aviso de chegada</p><p>da remessa postal.</p><p>Para alguns produtos sujeitos à selagem na importação, o importador</p><p>terá o prazo para registro da declaração de importação contado a</p><p>partir da data de fornecimento do selo de controle pela Secretaria da</p><p>Receita Federal do Brasil.</p><p>Caso o importador não registre a declaração de importação no prazo</p><p>de 90 (noventa) dias, a contar do fornecimento dos selos de controle,</p><p>ficará sujeito às penalidades previstas na legislação aplicáveis às</p><p>hipóteses de uso indevido de selos de controle (Art. 586 do Decreto</p><p>nº 7.212/2010).</p><p>Está dispensada de despacho de importação a entrada, no País,</p><p>de mala diplomática, assim considerada a que contenha tão</p><p>somente documentos diplomáticos e objetos destinados a uso</p><p>oficial (Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas, Art. 27,</p><p>promulgada pelo Decreto nº 56.435/1965)</p><p>(DESPACHO DE IMPORTAÇÃO, 2022, s. p.).</p><p>5 LICENCIAMENTO DE IMPORTAÇÃO</p><p>O licenciamento de importação é a apresentação de todos os documentos ne-</p><p>cessários por uma empresa à autoridade responsável para aprovação da importação de</p><p>tipos específicos de mercadorias. Os requisitos a esse licenciamento são influenciados,</p><p>principalmente, pelo GATT (General Agreement on Tariffs and Trade), em português,</p><p>Acordo Geral de Tarifas e Comércio.</p><p>O Art. VIII do GATT (OMC, 1994), intitulado “Taxas e Formalidades Relacionadas à</p><p>Importação e Exportação”, trata, de forma não específica, dos procedimentos de licen-</p><p>ciamento de importação. O parágrafo 1º (c), estabelece uma obrigação geral relativa às</p><p>formalidades pelas quais os membros reconhecem a necessidade de minimizar a in-</p><p>cidência e complexidade das formalidades de importação e exportação e de di-</p><p>minuir	e	simplificar	os	requisitos	de	documentação	de	importação	e	exportação.</p><p>150</p><p>Já o parágrafo 2º exige que cada membro reveja a operação de suas leis e</p><p>regulamentos à luz das disposições no artigo) mediante solicitação de outro membro. O</p><p>parágrafo 3º proíbe os membros de impor sanções substanciais por pequenas violações</p><p>de regulamentos alfandegários ou requisitos processuais.</p><p>Os principais objetivos do acordo são: simplificar e trazer transparência</p><p>aos procedimentos de licenciamento de importação, garantir as suas aplicação e</p><p>administração justas e equitativas e evitar que os procedimentos aplicados para</p><p>concessão de licenças de importação tenham, por si mesmos, efeitos restritivos ou</p><p>distorcidos nas importações.</p><p>Já a Organização Mundial do Comércio (OMC) afirma que o licenciamento de</p><p>importação pode ser definido como os procedimentos administrativos que exigem a</p><p>apresentação de um pedido ou outra documentação – diferentemente dos exigidos</p><p>para fins aduaneiros – ao órgão administrativo competente como condição prévia à</p><p>importação de mercadorias (TECHNICAL INFORMATION..., 2023).</p><p>O acordo da WTO sobre procedimentos de licenciamento de importação</p><p>(Acordo de Licenciamento de Importação) estabelece regras a todos os membros</p><p>em relação ao uso de sistemas de licenciamento de importação para regular o seu</p><p>comércio (TECHNICAL INFORMATION..., 2023). Além do próprio licenciamento, o acordo</p><p>também abrange procedimentos associados a uma série de práticas que atendem a</p><p>essa definição, incluindo aprovações, permissões ou autorizações de importação e</p><p>licenças de atividade necessárias. As disposições do acordo incluem diretrizes para o</p><p>que constitui uma aplicação justa e não discriminatória de tais procedimentos, com o</p><p>objetivo de proteger os membros de exigências ou de atrasos não razoáveis associados</p><p>a um regime de licenciamento.</p><p>Essas obrigações visam garantir que os procedimentos de licenciamento de</p><p>importação não criem barreiras adicionais ao comércio além das medidas políticas</p><p>implementadas por meio do licenciamento. Além disso, o acordo estabelece requisitos</p><p>para notificações periódicas que descrevem quaisquer sistemas de licenciamento</p><p>aplicados às importações, juntamente com cópias da legislação pertinente, a fim de</p><p>aumentar a transparência e a previsibilidade dos regimes de licenciamento dos membros.</p><p>As disposições do Acordo de Licenciamento de Importação disciplinam os</p><p>procedimentos de licenciamento e não tratam diretamente da consistência da OMC</p><p>sobre as medidas subjacentes implementadas por meio dele. Os membros são obrigados</p><p>a ter justificativa da OMC para quaisquer requisitos de licenciamento estabelecidos.</p><p>Esse acordo abrange tanto os sistemas de licenciamento “automáticos” – os</p><p>quais se destinam apenas a monitorar as importações e não a regulá-las – quanto os</p><p>sistemas de licenciamento “não automáticos”, sob os quais certas condições devem ser</p><p>atendidas antes da emissão da licença. Os governos costumam usar o licenciamento não</p><p>151</p><p>automático para administrar restrições de importação, como cotas e cotas tarifárias, ou</p><p>para administrar segurança ou outros requisitos, por exemplo, a mercadorias perigosas,</p><p>armamentos ou antiguidades.</p><p>Os requisitos para permissão de importação que funcionam como licenças de</p><p>importação, certificação de normas e regulamentos sanitários e técnicos também estão</p><p>sujeitos às regras do Contrato de Licenciamento de Importação.</p><p>Figura 5 – Licença de importação</p><p>Fonte: https://shutr.bz/3FhtLaa. Acesso em: 3 nov. 2022.</p><p>Nas operações do comércio exterior, a licença de importação é um dos docu-</p><p>mentos oficiais mais relevantes quando nos referimos a todo o tipo de operações rea-</p><p>lizadas no domínio das importações e comércio internacional. Assim, esse documento</p><p>torna mais fácil para qualquer empresa ou organização realizar importações de acordo</p><p>com as suas necessidades e sob condições legais.</p><p>Nesse sentido, enfatizaremos a relevância de importar mercadorias, cumprir as</p><p>normas internacionais e de ter um conjunto de documentos os quais comprovem que</p><p>estamos importando de acordo com as normas as quais, nessa situação, especificam o</p><p>caso da LI, ou seja, da Licença de Importação.</p><p>Como enfatizado, anteriormente, o processo de importação é dividido em três</p><p>fases: administrativa, fiscal e cambial. De acordo com Campos (2020), o processo admi-</p><p>nistrativo das importações no Brasil envolve as seguintes modalidades ou licenciamentos:</p><p>152</p><p>• Importações	não	sujeitas	a	Licenças,	Permissões,	Certificados	e	Outros	Docu-</p><p>mentos (LPCO): a Declaração Única de Importação (Duimp) é registrada no Siscomex.</p><p>• Importações	 sujeitas	 a	 Licenças,	 Permissões,	 Certificados	 e	 Outros</p><p>Documentos (LPCO): é o tipo de registro que não necessita de anuência de qualquer</p><p>órgão brasileiro, ele é efetivado automaticamente no Sistema Integrado de Comércio</p><p>Exterior – Siscomex, caso os pedidos de registro tenham sido apresentados de forma</p><p>adequada e completa.</p><p>• Importações	 sujeitas	 à	 emissão	 de	 nota	 no	 Controle	 de	 Carga	 e	 Trânsito</p><p>(CCT) pelo depositário.</p><p>Antes, explicamos a definição de licença de importação, para que você tivesse</p><p>conhecimento desse termo em um sentido mais abrangente, ou seja, em nível mundial,</p><p>no entanto, devemos ter em mente a existência de diferentes economias com diferentes</p><p>restrições comerciais. Há, por exemplo, um conjunto de economias e mercados cujas</p><p>restrições são maiores e possuem uma série de vetos às exportações; no lado oposto,</p><p>encontramos aquelas as quais apresentam menos restrições ou são menos restritivas</p><p>em relação ao comércio exterior.</p><p>Então, nos voltemos, agora, ao cenário brasileiro das questões relacionadas ao</p><p>licenciamento de importação. Observe o que afirma o Ministério da Economia a respeito</p><p>do assunto:</p><p>Como regra geral, as importações brasileiras estão dispensadas de</p><p>licenciamento, devendo o importador apenas providenciar o registro</p><p>da Declaração de Importação (DI) no SISCOMEX, quando da chegada</p><p>da mercadoria em território nacional.</p><p>Em alguns casos, no entanto, exige-se o licenciamento, que poderá</p><p>ser automático ou não automático, conforme o produto ou operação</p><p>de comércio exterior realizada (Portaria SECEX nº 23/2011), sendo</p><p>necessária uma Licença de Importação (LI) com autorização prévia</p><p>de um ou mais órgãos anuentes.</p><p>A LI é um documento eletrônico registrado pelo importador no</p><p>SISCOMEX, que contém informações acerca da mercadoria a ser</p><p>importada e da operação de importação de maneira geral, tais como</p><p>importador, exportador, país de origem, procedência e aquisição,</p><p>regime tributário, cobertura cambial, dentre outras.</p><p>Para saber se a importação pretendida requer LI, é necessário</p><p>consultar o módulo “Tratamento Administrativo” da mercadoria no</p><p>SISCOMEX. Esse módulo tem o propósito de informar se a importação</p><p>pleiteada está sujeita a licenciamento de importação e, em caso</p><p>positivo, quais órgãos do governo são responsáveis pela anuência da</p><p>LI (vide “Órgãos Anuentes na Importação”).</p><p>Além disso, o importador deve verificar se a operação pretendida</p><p>está enquadrada nos termos dos artigos 14 e 15 da Portaria SECEX</p><p>nº 23/2011, que disciplinam as situações em que há licenciamento</p><p>automático e não automático (LICENCIAMENTO DE IMPORTAÇÃO,</p><p>2023, s. p.).</p><p>153</p><p>Nas importações, o tratamento administrativo corres-</p><p>ponde a um conjunto de procedimentos aplicados às</p><p>mercadorias pela RFB, onde deverá ser analisado e cum-</p><p>prido antes do seu embarque, mas, veja bem, quando</p><p>nos referimos a esse tipo de tratamento, não devemos</p><p>relacioná-lo ao tratamento tributário, ainda que, em vá-</p><p>rias situações, ambos possam ser aplicados, juntos, em</p><p>determinada mercadoria. Quer saber mais a respeito</p><p>do tratamento administrativo nas importações? Acesse</p><p>o QR Code.</p><p>DICA</p><p>De acordo com o Siscomex, “cada órgão anuente possui sua própria legislação.</p><p>A norma que contém as regras de importação no âmbito desta Secretaria de Comércio</p><p>Exterior é a Portaria SECEX nº 23/2011” (IMPORTAÇÃO, 2020, p. 1). Ainda segundo essa</p><p>entidade, caso a operação tenha dispensa de licenciamento, mesmo assim, o importador</p><p>“deve apenas registrar a Declaração de Importação (DI), que é de competência exclusiva</p><p>da RFB. Tanto para o registro da LI quanto da DI, o importador deve estar previamente</p><p>habilitado no SISCOMEX e tal habilitação deve ser obtida junto à RFB” (IMPORTAÇÃO,</p><p>2020, p. 1).</p><p>Preparamos um quadro que resume as principais informações relacionadas às</p><p>operações de importação no Brasil.</p><p>Quadro 4 – Conceitos gerais sobre importação</p><p>1.</p><p>C</p><p>o</p><p>m</p><p>o</p><p>p</p><p>ro</p><p>c</p><p>e</p><p>d</p><p>e</p><p>r</p><p>p</p><p>a</p><p>ra</p><p>re</p><p>a</p><p>li</p><p>za</p><p>r</p><p>u</p><p>m</p><p>a</p><p>im</p><p>p</p><p>o</p><p>rt</p><p>a</p><p>ç</p><p>ã</p><p>o</p><p>? Para realizar a importação de uma mercadoria ao Brasil, em primeiro</p><p>lugar, deve-se verifi car a classifi cação fi scal do produto (código NCM –</p><p>Nomenclatura Comum do Mercosul). A consulta inicial pode ser feita na</p><p>lista da Tarifa Externa Comum (TEC) no seguinte endereço eletrônico:</p><p>www.gov.br/produtividade-e-comercio-exterior/pt-br » Comércio</p><p>Exterior » Tarifa Externa Comum – TEC (NCM).</p><p>Nessa lista também consta a alíquota do imposto de importação de</p><p>cada produto. Caso haja dúvida em relação ao código NCM do produto</p><p>ou aos tributos federais envolvidos, orientamos encaminhar consulta à</p><p>Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB, o órgão responsável por</p><p>classifi cação fi scal e tributação.</p><p>2</p><p>. P</p><p>a</p><p>ra</p><p>im</p><p>p</p><p>o</p><p>rt</p><p>a</p><p>r</p><p>u</p><p>m</p><p>p</p><p>ro</p><p>d</p><p>u</p><p>to</p><p>, s</p><p>e</p><p>m</p><p>p</p><p>re</p><p>h</p><p>á</p><p>n</p><p>e</p><p>c</p><p>e</p><p>ss</p><p>id</p><p>a</p><p>d</p><p>e</p><p>d</p><p>e</p><p>li</p><p>c</p><p>e</p><p>n</p><p>c</p><p>ia</p><p>m</p><p>e</p><p>n</p><p>to</p><p>?</p><p>Como regra geral, as importações brasileiras estão dispensadas de</p><p>licenciamento, não sendo necessária uma Licença de Importação (LI)</p><p>com autorização prévia de órgãos anuentes.</p><p>Neste caso, o importador deverá, apenas, providenciar o registro</p><p>da Declaração de Importação (DI) no Siscomex, em regra quando da</p><p>chegada da mercadoria em território nacional.</p><p>Em alguns casos, no entanto, exige-se o licenciamento, o qual poderá</p><p>ser automático ou não automático, conforme o produto ou operação de</p><p>comércio exterior realizado (Portaria Secex nº 23/2011).</p><p>154</p><p>3</p><p>.	C</p><p>o</p><p>m</p><p>o</p><p>v</p><p>e</p><p>ri</p><p>fi</p><p>c</p><p>a</p><p>r</p><p>se</p><p>d</p><p>e</p><p>te</p><p>rm</p><p>in</p><p>a</p><p>d</p><p>a</p><p>im</p><p>p</p><p>o</p><p>rt</p><p>a</p><p>ç</p><p>ã</p><p>o</p><p>r</p><p>e</p><p>q</p><p>u</p><p>e</p><p>r</p><p>o</p><p>u</p><p>n</p><p>ã</p><p>o</p><p>li</p><p>c</p><p>e</p><p>n</p><p>c</p><p>ia</p><p>m</p><p>e</p><p>n</p><p>to</p><p>?</p><p>Para saber se a importação pretendida requer licenciamento, é</p><p>necessário consultar o “Tratamento Administrativo” do produto no</p><p>Siscomex ou no “Simulador de Tratamento Administrativo – Importação”</p><p>no endereço eletrônico www.siscomex.gov.br.</p><p>Por meio dessa consulta, o interessado verifica se a importação pleiteada</p><p>está sujeita a licenciamento de importação e, em caso positivo, quais</p><p>órgãos do governo são responsáveis pela anuência da LI. Além disso,</p><p>o importador deve verificar se a operação pretendida está enquadrada</p><p>nos termos dos Art. 14 e 15 da Portaria Secex nº 23/2011, os quais</p><p>disciplinam as situações em que há licenciamento automático e não</p><p>automático. Vale lembrar: uma LI tem a possibilidade de ser composta</p><p>por uma ou mais anuências.</p><p>4</p><p>. E</p><p>x</p><p>is</p><p>te</p><p>a</p><p>lg</p><p>u</p><p>m</p><p>a</p><p>o</p><p>p</p><p>e</p><p>ra</p><p>ç</p><p>ã</p><p>o</p><p>e</p><p>m</p><p>q</p><p>u</p><p>e</p><p>n</p><p>ã</p><p>o</p><p>h</p><p>a</p><p>ja</p><p>a</p><p>n</p><p>e</p><p>c</p><p>e</p><p>ss</p><p>id</p><p>a</p><p>d</p><p>e</p><p>d</p><p>e</p><p>li</p><p>c</p><p>e</p><p>n</p><p>c</p><p>ia</p><p>m</p><p>e</p><p>n</p><p>to</p><p>, e</p><p>m</p><p>b</p><p>o</p><p>ra</p><p>h</p><p>a</p><p>ja</p><p>tr</p><p>a</p><p>ta</p><p>m</p><p>e</p><p>n</p><p>to</p><p>a</p><p>d</p><p>m</p><p>in</p><p>is</p><p>tr</p><p>a</p><p>ti</p><p>vo</p><p>p</p><p>a</p><p>ra</p><p>o</p><p>p</p><p>ro</p><p>d</p><p>u</p><p>to</p><p>a</p><p>s</p><p>e</p><p>r</p><p>im</p><p>p</p><p>o</p><p>rt</p><p>a</p><p>d</p><p>o</p><p>? Existem algumas operações nas quais não há a necessidade de</p><p>licenciamento, embora haja tratamento administrativo para o produto</p><p>a ser importado: as importações</p><p>amparadas pelos regimes aduaneiros</p><p>especiais nas modalidades de loja franca, depósito afiançado, depósito</p><p>franco e depósito especial (Portaria Secex n° 23/2011, Art. 13, § 1°, III).</p><p>5</p><p>. Q</p><p>u</p><p>a</p><p>l é</p><p>a</p><p>d</p><p>if</p><p>e</p><p>re</p><p>n</p><p>ç</p><p>a</p><p>e</p><p>n</p><p>tr</p><p>e</p><p>li</p><p>c</p><p>e</p><p>n</p><p>c</p><p>ia</p><p>m</p><p>e</p><p>n</p><p>to</p><p>a</p><p>u</p><p>to</p><p>m</p><p>á</p><p>ti</p><p>c</p><p>o</p><p>e</p><p>li</p><p>c</p><p>e</p><p>n</p><p>c</p><p>ia</p><p>m</p><p>e</p><p>n</p><p>to</p><p>n</p><p>ã</p><p>o</p><p>a</p><p>u</p><p>to</p><p>m</p><p>á</p><p>ti</p><p>c</p><p>o</p><p>? Primeiramente, vale lembrar que tanto no licenciamento automático</p><p>quanto no não automático faz-se necessário registrar uma Licença</p><p>de Importação (LI) no Siscomex. O licenciamento automático pode ser</p><p>efetuado após o embarque da mercadoria no exterior, mas antes do</p><p>despacho aduaneiro de importação.</p><p>Neste caso, o deferimento da anuência será realizado sem restrição à</p><p>data de embarque. Por sua vez, o licenciamento não automático é prévio</p><p>ao embarque da mercadoria no exterior, salvo nas exceções previstas</p><p>na Portaria Secex nº 23/2011.</p><p>Nesta situação, o importador deve aguardar o deferimento da anuência</p><p>antes de embarcar a mercadoria, sendo esse deferimento com restrição</p><p>à data de embarque. Além da diferença em relação à restrição de</p><p>embarque, há diferença, também, em relação ao prazo que o órgão</p><p>anuente possui para se manifestar no Siscomex, ou seja, para dar o</p><p>resultado da análise em sua anuência na LI.</p><p>Enquanto no licenciamento automático o prazo à manifestação do</p><p>anuente é de até dez dias úteis, no licenciamento não automático, esse</p><p>prazo é de até 60 dias corridos.</p><p>Para realizar a importação de uma mercadoria ao Brasil, em primeiro lugar, deve-se verificar a</p><p>classificação fiscal do produto (código NCM – Nomenclatura Comum do Mercosul). A consulta</p><p>inicial costuma ser feita na lista da Tarifa Externa Comum (TEC).</p><p>Fonte: adaptado de NCM (2021)</p><p>155</p><p>A mera existência de restrições ao livre comércio tem forte impacto na economia</p><p>de qualquer país. Como consequência disso, é possível afirmar que, apenas naquelas</p><p>sociedades totalmente abertas ao comércio internacional, documentos como a licença</p><p>de importação, por exemplo, dentre muitos outros, não seriam necessários.</p><p>Certamente, gostemos ou não, devemos reconhecer que cada economia e,</p><p>claro, cada país, tem um sistema político diferente dos outros, exatamente o mesmo</p><p>acontece no caso de variáveis que influenciam a economia de alguns e de outros países.</p><p>Isso deve-se, em especial, à existência de diferentes motivações ou interesses para</p><p>controlar, de uma forma ou de outra, toda uma série de serviços e bens, o que implica</p><p>o desenvolvimento de uma série de regulamentos legais com impacto substancial nas</p><p>restrições a todos esses tipos de bens e serviços.</p><p>6 DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO</p><p>Um licenciamento de importação e a sua respectiva autorização representam o</p><p>ato de cumprir os regulamentos de importação de um país importador. De maneira geral,</p><p>os países exigem determinado tipo de DI (Declaração de Importação). Dependendo do</p><p>país e do produto, há a necessidade de documentação de apoio adicional, por exemplo,</p><p>os certificados de origem, a documentação consular e os certificados de saúde e</p><p>segurança relacionados ao produto.</p><p>Uma declaração de importação é um documento oficial no qual você específica</p><p>detalhes sobre as mercadorias que importa. As declarações são usadas pelos impor-</p><p>tadores, ou despachantes aduaneiros licenciados que atuam em seu nome, a fim de</p><p>liberar mercadorias importadas do controle aduaneiro.</p><p>De acordo com a American Chamber of Commerce for Brazil (AMCHAM BRASIL,</p><p>2022), a declaração de importação é um documento essencial ao processo de despa-</p><p>cho e deve conter a identificação do importador, assim como a identificação do produto,</p><p>a classificação, a origem e o valor alfandegário. O registro da DI consiste em sua nume-</p><p>ração pela Receita Federal, por meio do Siscomex, quando o processo de despacho de</p><p>importação é considerado iniciado.</p><p>A legislação brasileira estipula prazos para iniciar o processo de encaminha-</p><p>mento de até 90 dias a partir da descarga, se a mercadoria estiver em zona primária al-</p><p>fandegada, de até 120 dias a partir da entrada da mercadoria em zona secundária alfan-</p><p>degada e de até 90 dias a partir do recebimento do aviso de chegada da remessa postal.</p><p>A declaração de importação deve ser incluída com a cópia original do conhe-</p><p>cimento de embarque ou documento equivalente; a fatura comercial original, assinada</p><p>pelo exportador; o comprovante de pagamento dos impostos, se exigido; e outros docu-</p><p>mentos exigidos como resultado de acordos internacionais ou sob a lei, o regulamento</p><p>ou ato normativo.</p><p>156</p><p>Os impostos aduaneiros (II, IPI, PIS-Importação e Cofins-Importação) devem ser</p><p>pagos até o momento do registro da declaração de importação. Normalmente, o IVA</p><p>estadual (ICMS) também é pago antes de completar o processo de despacho aduaneiro.</p><p>No âmbito do Novo Processo de Importação, em 2018, a RFB (Receita Federal</p><p>do Brasil) iniciou a implementação da fase piloto da Declaração Única de Importação</p><p>(Duimp), no Portal Único de Comércio Exterior (Siscomex), um canal que reúne</p><p>informações relacionadas ao controle aduaneiro, fiscal e administrativo da operação</p><p>de importação, este último realizado concomitantemente ao controle aduaneiro. Uma</p><p>considerável inovação em relação à atual sistemática “licença de importação-declaração</p><p>de importação” (LI-DI).</p><p>O projeto-piloto que institui o NPI – Novo Processo de Importação foi divulgado</p><p>por meio da Importação nº 80 da Siscomex (2018, s. p.), a qual declara:</p><p>No âmbito do Portal Único de Comércio Exterior (Portal Siscomex),</p><p>entra o projeto-piloto do Novo Processo de Importação. Os</p><p>benefícios esperados são a simplificação e a desburocratização dos</p><p>procedimentos aduaneiros, com a decorrente redução de tempo e</p><p>custo para os operadores privados e órgãos de controle, num esforço</p><p>conjunto entre Administração Pública e sociedade em busca do</p><p>aperfeiçoamento do ambiente de negócios, o qual proporciona mais</p><p>competitividade às empresas brasileiras no cenário internacional.</p><p>Durante o piloto, as operações serão acompanhadas pela Secretaria</p><p>da Receita Federal do Brasil (RFB) e poderão participar empresas</p><p>certificadas pela RFB como Operador Econômico Autorizado (OEA)</p><p>– nas categorias Pleno e Conformidade Nível 2 – ou importadores</p><p>que operem por conta e ordem dessas empresas. As operações serão</p><p>limitadas ao modal aquaviário, com recolhimento integral dos tributos</p><p>federais incidentes e com controle exclusivamente aduaneiro, ou</p><p>seja, sem anuência de outros órgãos.</p><p>A Declaração Única de Importação (Duimp) é o novo documento</p><p>eletrônico do processo de importação e possui informações</p><p>de natureza aduaneira, administrativa, comercial, financeira,</p><p>fiscal e logística que caracterizam a operação de importação. Os</p><p>procedimentos relativos ao despacho aduaneiro das importações</p><p>abrangidas pelo projeto-piloto foram disciplinados na Instrução</p><p>Normativa RFB n° 1.833 e na Portaria da Coordenação-Geral de</p><p>Administração Aduaneira (Coana) n°.77, publicadas no Diário Oficial</p><p>da União em 27 e 28 de setembro de 2018, respectivamente.</p><p>O Novo Processo de Importação segue o desenvolvimento e a</p><p>implantação gradual com entregas progressivas no Portal Siscomex.</p><p>Essa estratégia permite agregar valor às operações de forma mais</p><p>rápida a partir da implantação de funcionalidades do novo sistema</p><p>que tiveram o seu desenvolvimento concluído, além de possibilitar</p><p>intensa participação do setor privado e frequente atualização da</p><p>ferramenta para que atenda às novas necessidades e tecnologias.</p><p>O Duimp substituirá a Declaração de Importação (DI), a Declaração Simplificada</p><p>de Importação (DSI), a Licença de Importação (LI) e a Licença Simplificada de Importação</p><p>(LSI), estas duas últimas com relação às inspeções. A expectativa é de as mudanças</p><p>157</p><p>proporcionarem redução de 40% no tempo médio de processamento à liberação das</p><p>mercadorias importadas, caindo de 17 para dez dias, o que reduzirá os custos na cadeia</p><p>logística das empresas.</p><p>A prova de importação é um documento utilizado como prova da operação de</p><p>importação,</p><p>emitido após o desembaraço aduaneiro do produto cuja declaração foi re-</p><p>gistrada no Siscomex. O desembaraço é a ação por meio da qual é registrada a conclu-</p><p>são do escrutínio aduaneiro. Após o desembaraço alfandegário, a entrega do produto ao</p><p>importador será autorizada.</p><p>O governo brasileiro continua a avançar no processo de aplicação da Declara-</p><p>ção Única de Importação (Duimp) nas suas alfândegas. Na sua essência, o Duimp será</p><p>o único documento que a alfândega necessitará para importar e ele fará parte do Portal</p><p>Único de Comércio Exterior.</p><p>Desde 2014, o governo brasileiro tem trabalhado para simplificar os procedi-</p><p>mentos e formalidades do comércio exterior. Esse programa centra-se na melhoria das</p><p>intervenções e fluxos de informação entre todos os intervenientes envolvidos na impor-</p><p>tação, exportação e trânsito de mercadorias.</p><p>Figura 6 – Mercadorias em trânsito</p><p>Fonte: https://shutr.bz/3ytTHeJ. Acesso em: 3 nov. 2022.</p><p>A menos que beneficiem de uma isenção, as importações comerciais devem</p><p>ser declaradas no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), o qual foi</p><p>redesenhado para se tornar um sistema consolidado.</p><p>158</p><p>Além disso, esse programa incluirá um módulo de catálogo para produtos</p><p>importados, no qual as suas características serão descritas por meio de folhas de</p><p>dados, desenhos e catálogos, por exemplo. Da perspectiva do governo brasileiro, tal</p><p>programa permitirá rever melhor as classifi cações tarifárias corretas durante o processo</p><p>de desalfandegamento.</p><p>A proposta do Novo Processo de Importação enfatiza o seguinte:</p><p>Conforme previsto no Art. 551 do Regulamento Aduaneiro (Decreto</p><p>nº 6.759, de 5 de fevereiro de 2009), “a declaração de importação é o</p><p>documento base do despacho de importação”. Ela deve conter:</p><p>• a identifi cação do importador; e</p><p>• a identifi cação, a classifi cação, o valor aduaneiro e a origem da</p><p>mercadoria.</p><p>O mesmo artigo prevê ainda que a Secretaria da Receita Federal do</p><p>Brasil poderá:</p><p>• exigir, na declaração de importação, outras informações, inclusive</p><p>as destinadas a estatísticas de comércio exterior; e</p><p>• estabelecer diferentes tipos de apresentação da declaração de</p><p>importação, apropriados à natureza dos despachos, ou a situações</p><p>específi cas em relação à mercadoria ou a seu tratamento tributário.</p><p>Será criada a Declaração Única de Importação (Duimp), que é o</p><p>documento balizador do novo processo de importação, substituindo</p><p>as atuais DI/DSI e diretamente integrada ao novo módulo de</p><p>licenciamento de importação. Ao atender também a outras exigências</p><p>administrativas além do despacho aduaneiro, a Duimp terá seu</p><p>escopo ampliado em relação a atual DI.</p><p>Assim, quando a mercadoria estiver sujeita à inspeção física em</p><p>recinto alfandegado a cargo de algum órgão distinto da RFB, a Duimp</p><p>substituirá as atuais LI no Siscomex. Nesse caso, o controle desses</p><p>órgãos anuentes 30 passará a ser efetuado no curso do despacho</p><p>de importação; o importador deverá registrar a Duimp para que</p><p>esses controles sejam realizados e sua operação concluída (PORTAL</p><p>SISCOMEX, 2017, p. 29).</p><p>A existência de múltiplos sistemas individuais, uma estrutura complexa e buro-</p><p>crática, um número excessivo de stakeholders e a gestão manual de riscos, que levam ao</p><p>aumento de custos e tempo de importação, são alguns dos motivos que levaram à criação</p><p>do Novo Processo de Importação. Além da celeridade, ou seja, da redução no lead time</p><p>de importação, podemos destacar outros benefícios: gerenciamento eletrônico de riscos,</p><p>menores custos de estoque e armazenamento com maior previsibilidade operacional.</p><p>Olá, caro acadêmico! Que tal uma pausa na</p><p>leitura? Preparamos um podcast bem interessante,</p><p>especialmente para você. Falaremos da proposta</p><p>do Novo Processo se Importação, e o foco será o</p><p>Programa Portal Único de Comércio Exterior. Para ouvir,</p><p>basta acessar o QR Code e apertar o play!</p><p>INTERESSANTE</p><p>159</p><p>7 DESEMBARAÇO ADUANEIRO</p><p>A entrada de diversos produtos importados no Brasil está sujeita a autorizações</p><p>emitidas pelas respectivas autoridades brasileiras que regulamentam tanto a entrada</p><p>quanto a comercialização desses bens. Estes, por sua vez, exigem licença de impor-</p><p>tação, portanto, requerem aprovação de uma ou mais das 16 autoridades, compostas,</p><p>principalmente, por ministérios ou agências reguladoras. Normalmente, essas licenças</p><p>devem ser solicitadas antes do embarque, mas, em certos casos, podem ser obtidas</p><p>após o embarque da mercadoria, porém antes do desembaraço aduaneiro.</p><p>Como falamos anteriormente, o despacho aduaneiro é a operação de declarar</p><p>mercadorias antes de passar pela alfândega. Refere-se ao procedimento que as mer-</p><p>cadorias devem sofrer para entrar ou sair legalmente do território brasileiro. Esse pro-</p><p>cedimento aduaneiro é realizado por prestadores de serviços externos ou pela própria</p><p>empresa e envolve a realização de certas formalidades de informações, dentre outras</p><p>coisas, da natureza das mercadorias exportadas/importadas e o seu valor bem como a</p><p>identidade do expedidor e do destinatário das mercadorias.</p><p>Qual seria a diferença entre desembaraço e despacho aduaneiro?</p><p>Embora as semelhanças possam confundir, o conceito começa pelos termos, pois</p><p>tanto o desembaraço aduaneiro quanto o despacho aduaneiro têm diferenças. A</p><p>fundamental delas é: o desembaraço corresponde a uma etapa posterior ao despacho,</p><p>pois constitui-se no ato em que é registrada a conclusão das conferências dos dados,</p><p>isto é, conclui-se a conferência aduaneira e, a partir de então, autoriza-se a entrega da</p><p>mercadoria ao importador.</p><p>Para melhor compreensão, veja, no Quadro 5, as principais diferenças entre</p><p>desembaraço e despacho aduaneiro.</p><p>O que é desembaraço aduaneiro? O que é despacho aduaneiro?</p><p>• No geral, é uma fase do processo de</p><p>despacho. É durante o desembara-</p><p>ço que há a liberação de entrada das</p><p>mercadorias (operação de importação)</p><p>ou saída, no caso das exportações.</p><p>• É no desembaraço aduaneiro que,</p><p>por exemplo, são verificados os do-</p><p>cumentos relacionados à carga e</p><p>todas as declarações exigidas pelas</p><p>autoridades do país.</p><p>• De acordo com a Receita Federal, é o pro-</p><p>cedimento fiscal realizado para qualquer</p><p>carga e mercadoria proveniente de outro</p><p>país ou destinada a ele.</p><p>• O objetivo é verificar se todos os docu-</p><p>mentos declarados estão regulares e de</p><p>acordo com a natureza da mercadoria</p><p>transportada.</p><p>Quadro 5 – Diferenças entre desembaraço e despacho aduaneiro</p><p>160</p><p>• Sendo atestada a inexistência de irre-</p><p>gularidades, a fiscalização aduaneira</p><p>realiza a liberação das mercadorias.</p><p>• O conceito moderno da declaração adua-</p><p>neira foi delimitado pelo Protocolo de Revi-</p><p>são da Convenção Internacional para a Sim-</p><p>plificação e a Harmonização dos Regimes</p><p>Aduaneiros – Convenção de Kyoto, concluí-</p><p>do em Bruxelas, em 26 de junho de 1999.</p><p>Etapas do desembaraço aduaneiro Etapas do despacho aduaneiro</p><p>• Segundo o regulamento aduaneiro</p><p>do Governo Federal, o desembaraço</p><p>é conceituado como o momento</p><p>em que é concluído o processo de</p><p>conferência alfandegária, o qual é</p><p>realizado nas seguintes etapas:</p><p>1. chegada da mercadoria: a carga</p><p>chega até a autoridade alfandegária</p><p>em porto e aeroportos e entra na fila</p><p>de espera para ser avaliada;</p><p>2. cadastro da carga: após a avaliação,</p><p>a mercadoria é cadastrada no portal</p><p>do Siscomex;</p><p>3. emissão do comprovante: o último</p><p>estágio do desembaraço é a emissão</p><p>do documento que comprova a re-</p><p>gularidade da carga está, deixando-a</p><p>seguir o seu destino.</p><p>• É no desembaraço aduaneiro que,</p><p>por exemplo, são verificados os do-</p><p>cumentos relacionados à carga e</p><p>todas as declarações exigidas pelas</p><p>autoridades do país.</p><p>• Registro de declaração: a primeira eta-</p><p>pa do despacho aduaneiro. Ocorre quan-</p><p>do são submetidos e discriminados os</p><p>dados e informações sobre o embarque, a</p><p>natureza da mercadoria, o exportador e o</p><p>importador, os responsáveis pelos trâmi-</p><p>tes, o regime de transação local e outros.</p><p>• Distribuição: a segunda etapa do des-</p><p>pacho. Começa com a escolha da autori-</p><p>dade fiscal que providenciará a conferên-</p><p>cia</p><p>física/liberação. Acompanhará todas</p><p>as etapas até o fim.</p><p>• Parametrização: momento no qual há</p><p>a primeira conferência, de maneira au-</p><p>tomatizada, das informações, com base</p><p>nos parâmetros do Siscomex (Sistema</p><p>Integrado de Comércio Exterior). Nela,</p><p>haverá a definição da regularidade dos</p><p>dados submetidos e, depois, dos proce-</p><p>dimentos necessários.</p><p>• Reentrega de documentos: no caso do</p><p>canal vermelho, o processo volta ao início,</p><p>então, são necessárias a adequação e a</p><p>reentrega de toda documentação.</p><p>• Conferência aduaneira: logo após a</p><p>parametrização, se a verificação e as aná-</p><p>lises dos documentos estiverem corretas,</p><p>a autoridade responsável estipula a data</p><p>para a conferência final física e de docu-</p><p>mentação do despacho.</p><p>161</p><p>Fonte: adaptado de Mendes (2022, s. p.).</p><p>Conforme estabelecido no Art. 571 do Regulamento Aduaneiro, “o desembaraço</p><p>aduaneiro na importação é o ato pelo qual é registrada a conclusão da conferência</p><p>aduaneira” (BRASIL, 2009). Após a conferência, a mercadoria é, no mesmo momento,</p><p>desembaraçada, conforme disposto no Art. 48 da Instrução Normativa SRF nº 680</p><p>(BRASIL, 2006).</p><p>Como esclarece a Receita Federal, são condições para o desembaraço aduaneiro:</p><p>• A apresentação do Certificado de Origem quando sua entrega foi</p><p>postergada com base em Termo de Responsabilidade nos termos</p><p>do § 2º do Art. 19 da IN SRF nº 680/2006 nas importações de</p><p>produtos a granel ou perecíveis originários dos demais países</p><p>integrantes do Mercado Comum do Sul (Mercosul).</p><p>• Na entrega fracionada, o desembaraço será registrado no</p><p>Siscomex por ocasião do despacho do último lote relativo à DI (§</p><p>4º do Art. 61 da IN SRF nº 680/2006).</p><p>• Em se tratando de entrega antecipada de mercadoria, nas</p><p>hipóteses previstas no Art. 47 da IN SRF nº 680/2006, o</p><p>desembaraço aduaneiro será realizado após 5 (cinco) dias úteis</p><p>da realização da entrega, ou do fim do prazo para a entrega dos</p><p>documentos de instrução da DI. Havendo exigência fiscal não</p><p>cumprida, será formalizado auto de infração e, depois da ciência do</p><p>auto pelo importador, a DI será desembaraçada (DESEMBARAÇO</p><p>ADUANEIRO, 2022, s. p.).</p><p>Já a proposta de Novo Processo de Importação – a qual abordamos anteriormente</p><p>– afirma que,</p><p>O desembaraço aduaneiro, ato privativo do Auditor-Fiscal da RFB, é</p><p>o ato pelo qual é registrada a conclusão da conferência aduaneira.</p><p>A legislação institui que não deverá ser desembaraçada a mercadoria:</p><p>I. Cuja exigência de crédito tributário no curso da conferência adua-</p><p>neira esteja pendente de atendimento, salvo nas hipóteses auto-</p><p>rizadas pelo Ministro de Estado da Fazenda, mediante a prestação</p><p>de garantia; e</p><p>II. Enquanto não apresentados os documentos instrutivos da decla-</p><p>ração, conforme previsto no Art. 553 do Regulamento Aduaneiro.</p><p>O Regulamento Aduaneiro, em seu Art. 574, prevê: Não serão desem-</p><p>baraçadas mercadorias que sejam consideradas, pelos órgãos com-</p><p>petentes, nocivas à saúde, ao meio ambiente ou à segurança pública,</p><p>ou que descumpram controles sanitários, fitossanitários ou zoossa-</p><p>nitários, ainda que em decorrência de avaria, devendo tais mercado-</p><p>rias ser obrigatoriamente devolvidas ao exterior ou, caso a legislação</p><p>• Sendo atestada a inexistência de irre-</p><p>gularidades, a fiscalização aduaneira</p><p>realiza a liberação da mercadoria.</p><p>• Desembaraço aduaneiro: última etapa</p><p>do processo e pelo qual é registrada a</p><p>conclusão da conferência aduaneira. A</p><p>mercadoria, a partir daí, está liberada para</p><p>transporte e entrega na alfândega.</p><p>162</p><p>permita, destruídas, sob controle aduaneiro, às expensas do obrigado.</p><p>Pretende-se, com a implantação do novo processo de importação,</p><p>estabelecer o paralelismo entre os procedimentos de controle adua-</p><p>neiro e os procedimentos administrativos dos órgãos competentes.</p><p>Desta forma, não mais será necessário aguardar a atuação dos ór-</p><p>gãos anuentes para se iniciar o despacho aduaneiro, contudo, caso</p><p>haja a conclusão da conferência aduaneira antes das autorizações a</p><p>cargo dos demais órgãos anuentes, o desembaraço fi cará sobrestado</p><p>até sua manifestação favorável. De toda sorte, a competência pelo</p><p>desembaraço aduaneiro permanecerá com a autoridade responsá-</p><p>vel, o Auditor-Fiscal da RFB.</p><p>Caso a Duimp seja indicada para o canal verde pelo gerenciamento de</p><p>riscos aduaneiros, o sistema registrará o desembaraço automático das</p><p>mercadorias após a concessão das eventuais autorizações por parte</p><p>dos demais órgãos anuentes (PORTAL SISCOMEX, 2017, p. 68-69).</p><p>As importações são monitoradas por leis aplicadas pelo departamento de</p><p>alfândega de um país, seguindo as políticas governamentais. Esse departamento –</p><p>órgão nomeado pelo governo – cobra direitos e tarifas sobre importações e tem o seu</p><p>próprio sistema de inteligência bem como métodos de investigação, infraestrutura para</p><p>patrulhamento, fi scalização e outras medidas preventivas. A alfândega de um país tem o</p><p>poder de confi scar mercadorias, eliminá-las conforme necessário ou fazer apreensões.</p><p>Todas as mercadorias importadas devem ser declaradas à alfândega. Para</p><p>importar mercadorias, o imposto aduaneiro especifi cado deve ser pago ao departamento</p><p>aduaneiro, a fi m de obter a liberação das mercadorias. Até que esse pagamento</p><p>seja efetuado e a mercadoria desembaraçada, esta será mantida em depósito pelo</p><p>departamento aduaneiro.</p><p>8 TRATAMENTO TRIBUTÁRIO NA IMPORTAÇÃO</p><p>O imposto de importação é cobrado sobre importações e algumas exportações</p><p>pelas autoridades alfandegárias de um país. O valor de uma mercadoria e a sua</p><p>classifi cação determinam esse imposto. Dependendo do contexto, o direito de importação</p><p>também pode ser conhecido como direito aduaneiro, tarifa, imposto de importação ou</p><p>tarifa de importação.</p><p>Os direitos de importação têm dois propósitos distintos: aumentar a ren-</p><p>da do governo local e dar uma vantagem de mercado a bens produzidos</p><p>localmente que não estão sujeitos a impostos de importação. Um ter-</p><p>ceiro objetivo relacionado é, às vezes, penalizar determinada nação por</p><p>meio da cobrança de altas taxas de importação sobre os produtos dela.</p><p>ATENÇÃO</p><p>163</p><p>Em todo o mundo, diversas organizações e tratados têm impacto direto nas</p><p>tarifas de importação. O valor do imposto a pagar varia muito, pois depende da mercadoria</p><p>importada, do país de origem e de vários outros fatores. Os direitos aduaneiros sobre as</p><p>importações de mercadorias são chamados de tarifas. Elas conferem uma vantagem</p><p>de preço aos bens produzidos localmente em relação aos bens similares importados e</p><p>aumentam as receitas para os governos (TARIFFS, 2023).</p><p>O sistema tributário brasileiro é muito complexo, pois engloba diversos tribu-</p><p>tos em diferentes níveis: federal, estadual e municipal. Além disso, o fisco também</p><p>criou muitas obrigações acessórias, o que traz mais complexidade a todo o sistema</p><p>tributário no Brasil.</p><p>A quantidade de tributos também agrega custos a determinadas transações</p><p>que, em alguns casos, dão origem a reajustes de preços ou, até mesmo, à implantação</p><p>de estruturas alternativas. Um bom exemplo de alta carga tributária é a importação de</p><p>serviços do Brasil.</p><p>De acordo com o site Invest & Export Brasil, o Tratamento Tributário na</p><p>Importação,</p><p>Refere-se à tributação incidente sobre a entrada de mercadorias</p><p>estrangeiras no território aduaneiro. Os tributos incidentes na</p><p>importação são:</p><p>• Imposto de Importação – II.</p><p>• Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI.</p><p>• Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins.</p><p>• Adicional de Frete para a Renovação da Marinha Mercante – AFRMM.</p><p>• CIDE – Combustíveis.</p><p>• Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços – ICMS.</p><p>• Taxa de Utilização do Siscomex.</p><p>Para a base de cálculos dos impostos incidentes na importação, faz-</p><p>se necessário conhecer o valor aduaneiro da mercadoria estrangeira.</p><p>De acordo com o Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 6.759, de 5 de</p><p>fevereiro de 2009), toda mercadoria submetida a despacho aduaneiro</p><p>de importação está sujeita ao controle do valor aduaneiro, de acordo</p><p>com as regras estabelecidas no Acordo Sobre Valoração Aduaneira</p><p>do GATT (TRATAMENTO</p><p>TRIBUTÁRIO..., 2023, s. p.).</p><p>Sob a perspectiva de Bueno (2022b, s. p.), “os maiores custos da compra de</p><p>mercadorias do exterior residem nos tributos na importação. Dessa forma, é importante</p><p>observar os tributos que são cobrados sobre cada mercadoria, pois eles exercem impacto</p><p>sobre os valores finais da operação”. Observe, no Quadro 6, os regimes tributários na</p><p>importação e as suas respectivas legislações.</p><p>164</p><p>Quadro 6 – Regimes tributários na importação</p><p>R</p><p>E</p><p>G</p><p>IM</p><p>E</p><p>D</p><p>E</p><p>T</p><p>R</p><p>IB</p><p>U</p><p>TA</p><p>Ç</p><p>Ã</p><p>O</p><p>S</p><p>IM</p><p>P</p><p>L</p><p>IF</p><p>IC</p><p>A</p><p>D</p><p>A</p><p>(</p><p>R</p><p>T</p><p>S</p><p>)</p><p>• O Regime de Tributação Simplificada (RTS) permite o pagamento</p><p>do imposto de importação quando são importados bens contidos</p><p>em encomenda internacional, destinada a pessoa física ou jurídica,</p><p>mediante a aplicação da alíquota única de 60%. Os bens contidos</p><p>em encomenda internacional deverão ter valor total de até US$ 3</p><p>mil ou o equivalente em outra moeda.</p><p>• No caso da importação por encomenda internacional, por pessoa</p><p>física para uso próprio ou individual, de produtos acabados</p><p>pertencentes às classes de medicamentos no valor de até US$ 10</p><p>mil ou o equivalente em outra moeda, a alíquota do imposto de</p><p>importação será de 0%, desde que cumpridos todos os requisitos</p><p>estabelecidos pelos órgãos de controle administrativo.</p><p>• Saliente-se que, embora os valores do frete e do seguro integrem</p><p>o valor tributável dos bens, estes não devem ser considerados para</p><p>fins de cálculo dos limites acima estabelecidos.</p><p>• As importações efetuadas por meio do RTS estão sujeitas ao</p><p>Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços</p><p>(ICMS), conforme legislação de cada unidade da federação, cabendo</p><p>a sua cobrança aos Correios (ECT) ou às empresas de courier.</p><p>R</p><p>E</p><p>G</p><p>IM</p><p>E</p><p>D</p><p>E</p><p>T</p><p>R</p><p>IB</p><p>U</p><p>TA</p><p>Ç</p><p>Ã</p><p>O</p><p>E</p><p>S</p><p>P</p><p>E</p><p>C</p><p>IA</p><p>L</p><p>(R</p><p>T</p><p>E</p><p>)</p><p>• Os bens tributáveis de bagagem desacompanhada que chegarem</p><p>ao país como encomenda internacional poderão, caso haja opção</p><p>pelo contribuinte, se submeter ao Regime de Tributação Especial</p><p>(RTE), desde que os bens estejam de acordo com os requisitos</p><p>previstos na norma específica de bagagem e que não tenha ocorrido</p><p>o desembaraço da declaração de importação em outro regime.</p><p>• O despacho ocorrerá mediante o registro de DSI no Siscomex</p><p>Importação.</p><p>• O destinatário deverá indicar aos Correios (ECT) ou à empresa de</p><p>courier a sua intenção de utilizar o RTE, mediante a comunicação</p><p>na forma prevista pelo serviço de atendimento ao cliente da res-</p><p>pectiva empresa.</p><p>165</p><p>R</p><p>E</p><p>G</p><p>IM</p><p>E</p><p>C</p><p>O</p><p>M</p><p>U</p><p>M</p><p>D</p><p>E</p><p>IM</p><p>P</p><p>O</p><p>R</p><p>TA</p><p>Ç</p><p>Ã</p><p>O</p><p>• Poderá ser aplicado aos bens contidos em encomenda internacional:</p><p>a) quando não forem cumpridos os requisitos para utilização do RTS</p><p>ou do RTE; ou b) por opção do destinatário, enquanto não ocorrido</p><p>o desembaraço da declaração de importação em outro regime.</p><p>• O regime comum de importação será aplicado mediante o registro</p><p>de Declaração de Importação (DI) ou Declaração Simplificada de</p><p>Importação (DSI) no Siscomex Importação e com observância das</p><p>regras gerais do despacho aduaneiro de importação, afastando-se</p><p>os benefícios próprios do RTS ou do RTE.</p><p>L</p><p>E</p><p>G</p><p>IS</p><p>L</p><p>A</p><p>Ç</p><p>Ã</p><p>O</p><p>• Decreto-Lei nº 1.804/1980.</p><p>• Decreto nº 6.759/2009.</p><p>• Portaria MF nº 156/1999.</p><p>• IN RFB nº 1.737/2017.</p><p>• Portaria Coana nº 81/2017.</p><p>• Portaria Coana nº 82/2017.</p><p>• Convênio ICMS nº 60/2018.</p><p>Fonte: adaptado de Tributação (2022)</p><p>No Brasil, todas as tributações de mercadorias</p><p>importadas são baseadas pela Nomenclatura Comum</p><p>do Mercosul (NCM) e, assim sendo, como o Brasil é</p><p>país-membro do Mercosul, utiliza a Tarifa Externa</p><p>Comum (TEC), que possui todas as alíquotas de</p><p>imposto de importação dos produtos. Caso queira</p><p>saber mais acerca da NCM e da TEC, basta acessar os</p><p>QR Codes, a seguir:</p><p>• NCM.</p><p>• TEC.</p><p>INTERESSANTE</p><p>Lembre-se, sempre, que o Imposto de Importação (II) é um imposto federal</p><p>devido no desembaraço aduaneiro de mercadorias estrangeiras. No momento do registro</p><p>Declaração de Importação (DI), o valor aduaneiro da mercadoria deve ser declarado de</p><p>acordo com o Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio (GATT).</p><p>166</p><p>Independentemente do modelo de importação, o contribuinte é o importador</p><p>que promove a entrada de mercadorias em território brasileiro. A alíquota II varia de</p><p>acordo com a classificação das mercadorias importadas segundo o Código Tarifário Ex-</p><p>terno Brasileiro (Tarifa Externa Comum – TEC), que inclui o mesmo sistema de classifi-</p><p>cação do Sistema Harmonizado (SH) determinado pela Organização Mundial de Adua-</p><p>nas (OMA). A taxa do imposto de importação é um imposto não recuperável, portanto, é</p><p>um custo ao importador.</p><p>Prezado acadêmico, com sucesso e esforço, você finalizou este tópico, no qual</p><p>abordamos o despacho na importação, mas, lembre-se que, no início, fizemos alguns</p><p>questionamentos a respeito de como o comércio exterior poderá se desenvolver</p><p>no futuro? Para essa questão, a resposta está no âmbito do Novo Processo de Im-</p><p>portação que, desde 2018, faz a implementação da Declaração Única de Importação</p><p>(Duimp), no Portal Único de Comércio Exterior (Siscomex). Este canal, futuramente, será</p><p>interativo e indispensável para os operadores de comércio exterior.</p><p>Como terei a oportunidade de me destacar nesse cenário? As suas</p><p>oportunidades serão infinitas, pois, com as ferramentas tecnológicas e processos</p><p>enxutos do Novo Processo de Importação no Portal Único de Comércio Exterior do</p><p>Siscomex, você terá muito mais tempo para fazer negócios e gerenciar melhor os</p><p>trâmites de suas importações.</p><p>Quais são os benefícios que terei e como saber mais sobre o despacho</p><p>aduaneiro? Acerca desta questão, você terá um canal que reunirá informações</p><p>relacionadas ao controle aduaneiro, fiscal e administrativo da operação de importação,</p><p>este último realizado concomitantemente ao despacho aduaneiro, uma considerável</p><p>inovação em relação à atual sistemática “Licença de Importação-Declaração de</p><p>Importação” (LI-DI).</p><p>Como dissemos, o Duimp substituirá a Declaração de Importação (DI), a De-</p><p>claração Simplificada de Importação (DSI), a Licença de Importação (LI) e a Licença</p><p>Simplificada de Importação (LSI), estas duas últimas com relação às inspeções. Com</p><p>isso, a expectativa é que as mudanças proporcionem a redução de 40% no tempo</p><p>médio de processamento à liberação das mercadorias importadas, caindo de 17 para</p><p>dez dias, reduzindo, assim, os custos na cadeia logística das empresas. Fique sempre</p><p>atento às alterações normativas e legais no Siscomex, pois, dessa forma, você será</p><p>um profissional dinâmico e atualizado em um mercado competitivo. Lembre-se: quem</p><p>tem mais informações está a um ou, talvez, vários passos à frente da concorrência.</p><p>167</p><p>RESUMO DO TÓPICO 1</p><p>Neste tópico, você aprendeu:</p><p>• Todas as mercadorias importadas devem ser declaradas à alfândega.</p><p>• As importações são monitoradas por leis aplicadas pelo departamento de alfândega</p><p>de um país, seguindo as políticas governamentais.</p><p>• O licenciamento de importação é a apresentação de todos os documentos necessários</p><p>por uma empresa à autoridade responsável para aprovação da importação de tipos</p><p>específicos de mercadorias.</p><p>• Um dos principais benefícios em importar é a redução dos custos de fabricação.</p><p>168</p><p>1 O despacho de importação é um procedimento necessário antes que as mercadorias</p><p>possam ser importadas ou reexportadas internacionalmente. Se uma remessa for</p><p>liberada, o remetente fornecerá a documentação confirmando os direitos alfandegários</p><p>que foram pagos e a remessa pode ser processada. Isso se faz necessário para</p><p>permitir que mercadorias sejam transportadas a um país. Dentro desse processo,</p><p>há também informações sobre embarques com importador e as partes envolvidas</p><p>no processo. A partir desse contexto, correlacione as etapas a seguir e as suas</p><p>respectivas descrições.</p><p>I- Transporte – fluxo de mercadorias.</p><p>II- Recepção da mercadoria.</p><p>III- Contato com o agente.</p><p>IV- Autorização aduaneira de desembarque.</p><p>V- Sincronização entre o despachante e a alfândega.</p><p>( ) Inicia-se todo o trâmite burocrático para a mercadoria passar pela alfândega</p><p>de</p><p>suas respectivas medidas e controles estabelecidos por cada Estado.</p><p>( ) O trânsito de mercadorias por via aérea, marítima e/ou terrestre inicia-se para que</p><p>elas cheguem ao seu destino.</p><p>( ) O cliente que deseja importar e exportar contrata um despachante para enviar e/</p><p>ou receber determinada mercadoria de ou/para um país.</p><p>( ) As autoridades aduaneiras autorizam o desembarque de mercadorias, a fim de</p><p>iniciar a sua saída ao destino de exportação.</p><p>( ) Após tramitação da burocracia pelo despachante aduaneiro local, as embalagens</p><p>são encaminhadas aos pontos de armazenagem das empresas solicitantes.</p><p>Assinale a sequência CORRETA:</p><p>a) ( ) IV, I, III, V, II.</p><p>b) ( ) IV, I, II, V, III.</p><p>c) ( ) V, I, III, II, IV.</p><p>d) ( ) V, I, III, IV, II.</p><p>e) ( ) V, II, I, IV, III.</p><p>2 Os governos costumam usar o licenciamento não automático para administrar</p><p>restrições de importação, como cotas e cotas tarifárias, ou para administrar</p><p>segurança ou outros requisitos, por exemplo, a mercadorias perigosas, armamentos</p><p>ou antiguidades. Os requisitos para permissão de importação que funcionam como</p><p>licenças de importação, certificação de normas e regulamentos sanitários e técnicos,</p><p>também estão sujeitos às regras do:</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>169</p><p>a) ( ) Despacho aduaneiro automático.</p><p>b) ( ) Desembaraço aduaneiro pelo Siscomex.</p><p>c) ( ) Pagamento dos tributos das mercadorias.</p><p>d) ( ) Contrato assinado pelo agente aduaneiro.</p><p>e) ( ) Contrato de licenciamento de importação.</p><p>3 A quantidade de tributos também agrega custos a determinadas transações que,</p><p>em alguns casos, dão origem a reajustes de preços ou, até mesmo, à implantação de</p><p>estruturas alternativas. Um bom exemplo de alta carga tributária é a importação de</p><p>serviços do Brasil. De acordo com o site da Receita Federal, o tratamento tributário</p><p>na importação “refere-se à tributação incidente sobre a entrada de mercadorias</p><p>estrangeiras no território aduaneiro” (DESPACHANTE ADUANEIRO, 2023). Com relação</p><p>ao tributo que não incide sobre o processo de importação, assinale a alternativa</p><p>CORRETA:</p><p>Fonte: DESPACHANTE ADUANEIRO. Ministério da</p><p>Economia, Receita Federal, Brasília, DF, 2023.Disponível</p><p>em: https://bit.ly/3Ldh03V. Acesso em: 20 jan. 2023.</p><p>a) ( ) Imposto de Importação – II.</p><p>b) ( ) Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI.</p><p>c) ( ) Contribuição para o sindicato dos despachantes.</p><p>d) ( ) Adicional de Frete para a Renovação da Marinha Mercante – AFRMM.</p><p>e) ( ) CIDE – Combustíveis.</p><p>170</p><p>171</p><p>PROCEDIMENTOS NA EXPORTAÇÃO</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>Nesta etapa final do seu processo de aprendizagem, estudaremos o despacho</p><p>de exportação. As exportações são de suma importância para as economias dos países,</p><p>tendo em vista que oferecem às empresas potenciais mercados aos produtos delas.</p><p>Exportar se constitui em um dos principais pilares do desenvolvimento econô-</p><p>mico de um país. Quando nos referimos a um “país”, saiba que o termo engloba as em-</p><p>presas, as indústrias ou qualquer outro tipo de organização que negocia com mercados</p><p>internacionais e busca alcançar maior capilaridade de seus negócios.</p><p>Você conhecerá os aspectos legais e os principais conceitos que regulamentam</p><p>o comércio exterior no Brasil e no mundo. Aprenderá o que é necessário para se apro-</p><p>fundar em tudo relacionado à exportação e ao comércio internacional, te permitindo,</p><p>assim, a aplicar os regulamentos legais na exportação de mercadorias bem como as-</p><p>sessorar e gerir operações aduaneiras.</p><p>2 CONDIÇÕES LEGAIS</p><p>As exportações representam os produtos e/ou serviços produzidos em uma</p><p>nação que são vendidos aos importadores de outra nação. As exportações, juntamente</p><p>com as importações, formam o comércio internacional de um país e fomentá-lo é uma</p><p>das funções centrais do comércio exterior, por meio do incentivo às exportações em</p><p>benefício de todas as partes comerciais.</p><p>O despacho aduaneiro, também conhecido como desembaraço aduaneiro, é um</p><p>dos termos essenciais no âmbito do comércio internacional. É um processo administrati-</p><p>vo que facilita, com as suas respectivas condições legais, a distribuição de mercadorias.</p><p>Sob essa perspectiva, te pergunto: você está ciente da importância do de-</p><p>sembaraço aduaneiro envolvido nos negócios internacionais? Para que serve um</p><p>despacho aduaneiro na exportação? Ou qual seria o seu papel no desembaraço?</p><p>UNIDADE 3 TÓPICO 2 -</p><p>172</p><p>2.1 REQUISITOS DE EXPORTAÇÃO</p><p>Os requisitos de exportação são as leis e normas pelas quais um país regula a</p><p>transação de bens e serviços. São burocracias necessárias para manter a segurança,</p><p>estabelecer padrões de qualidade e estimular a concorrência leal entre empresas</p><p>nacionais e estrangeiras. Além disso, eles são fundamentais à missão de estruturar os</p><p>dados gerais do comércio, encontrar lacunas nos processos e tecnologias à disposição</p><p>e garantir que os processos alfandegários sejam tão otimizados quanto ágeis. Conhecer</p><p>mais profundamente tais requisitos bem como pesquisar informações específicas pode</p><p>economizar dinheiro, mas também ajudar a encontrar diferentes oportunidades.</p><p>Existem diversos motivos para as empresas exportarem os seus produtos e</p><p>serviços. A principal delas é: com as exportações, as empresas poderão majorar as suas</p><p>receitas, caso os seus produtos consigam abrir novos mercados ou, então, expandir os</p><p>que já existem, com a possibilidade de, até mesmo, ter a oportunidade de conseguir</p><p>uma parte significativa do mercado mundial. As empresas que exportam, espalham o</p><p>risco do negócio, diversificando-se em vários mercados, e a exportação para mercados</p><p>estrangeiros, muitas vezes, reduz os custos por unidade, expandindo as operações e,</p><p>assim, atender ao aumento da demanda.</p><p>Dessa forma, o despacho compreende todos os serviços e atividades profissio-</p><p>nais relacionados à alfândega exportação, ou seja, é o processo burocrático com o qual</p><p>se produz a saída de mercadorias de determinado país para outros países.</p><p>Especificamente, estamos a falar do conjunto de formalidades e controles</p><p>pelos quais as mercadorias passam, tendo como principal objetivo que as autoridades e</p><p>órgãos competentes determinem o processo como legal e controlado.</p><p>Recentemente, o governo brasileiro centralizou os procedimentos de exporta-</p><p>ção e desenvolveu uma nova plataforma on-line para processar as operações de expor-</p><p>tação, a fim de as tornar mais eficientes e, em última análise, impulsionar a economia.</p><p>O novo “sistema unificado de exportação” é o primeiro aplicativo desenvolvido</p><p>como parte do projeto Portal Único do Brasil, iniciado em 2014, que visa a integrar</p><p>todos os processos de Tecnologia da Informação (TI) existentes atualmente, os quais</p><p>são utilizados pelos órgãos de fronteira para gerenciar os fluxos comerciais, permitindo</p><p>melhores coordenação e controles, ao mesmo tempo em que facilita a geração de</p><p>relatórios de dados aos comerciantes.</p><p>Com o objetivo de solucionar muitos dos problemas identificados e racionalizar</p><p>os procedimentos, uma plataforma do Portal Único foi projetada com a abordagem</p><p>preconizada pelo Centro das Nações Unidas para Facilitação do Comércio e Negócios</p><p>Eletrônicos (UN/CEFACT).</p><p>173</p><p>Ficou curioso em conhecer a plataforma do Portal Único?</p><p>Acesse o QR Code e conheça todas as funcionalidades do site.</p><p>DICA</p><p>A referida abordagem considera o ambiente desse tipo de portal como uma</p><p>medida chave de facilitação, juntamente com as orientações da OMA (Organização</p><p>Mundial de Aduanas) e a sua recomendação sobre a desmaterialização de documentos</p><p>comprovativos.</p><p>Ficou interessado? Quer saber um pouco mais da Proposta</p><p>de Novo Processo de Exportação (NPE)? Então, agora, leia</p><p>este documento e faça um resumo do Item 2 – Fluxo Geral</p><p>do Novo Processo de Exportação e do Item 3 – Licenças,</p><p>Permissões, Certificados e Outros Documentos Necessários</p><p>à Exportação (LPCO – Exportação) localizados das páginas 4 a</p><p>6. Para isso, basta acessar o QR Code.</p><p>DICA</p><p>Com o Projeto Janela Única Nacional, todos os requisitos, licenças ou autoriza-</p><p>ções diretamente aplicáveis às operações comerciais</p><p>devem ser exigidos dos operadores</p><p>por meio do Sistema Janela Única – Portal Único Siscomex. Assim, ao acessar o Portal</p><p>Siscomex, os operadores privados em operações de comércio exterior terão conheci-</p><p>mento de todos os requisitos que devem cumprir a fim de concluir as suas operações.</p><p>Ao disponibilizar todas as informações necessárias em um único local, seus</p><p>custos de obtenção são reduzidos. Além de construir a plataforma propriamente dita,</p><p>os procedimentos de exportação foram agilizados para trazer benefícios reais aos ex-</p><p>portadores, atender às necessidades dos stakeholders e reduzir os tempos e pro-</p><p>cessos dessas operações. No centro do novo sistema, está a Declaração Única de</p><p>Exportação (DU-E).</p><p>174</p><p>As informações mais relevantes da Declaração Única de</p><p>Exportação — que está no decorrer de todo o Capítulo 4 –</p><p>intitulado 4. Declaração Única de Exportação – DU-E, da</p><p>página 9 até a 14, do Novo Processo de Exportação (NPE).</p><p>Para isso, basta acessar o QR Code.</p><p>DICA</p><p>3 O DESPACHO NAS OPERAÇÕES DE EXPORTAÇÃO</p><p>Nos aprofundaremos nas operações de exportação, tendo em vista que expor-</p><p>tar se constitui em um dos principais pilares do desenvolvimento econômico de um</p><p>país. Quando nos referimos a um “país”, saiba que o termo engloba as empresas, as</p><p>indústrias ou qualquer outro tipo de organização que negocia com mercados interna-</p><p>cionais e busca alcançar maior capilaridade de seus negócios.</p><p>Agora, começaremos a nossa viagem pelas exportações e elaboraremos um</p><p>manual que será muito útil a você. Assim, gostaríamos de fazer algumas considerações</p><p>antes de falarmos do despacho de exportação. Garantimos que será de grande valia no</p><p>seu processo de aprendizagem e vivência nessa área.</p><p>Figura 7 – Operações de exportação</p><p>Fonte: https://shutr.bz/3JbjugV. Acesso em: 28 nov. 2022.</p><p>Exportar é o meio mais comum pelo qual as empresas iniciam as suas</p><p>atividades internacionais, ou seja, as empresas que entram na exportação o</p><p>fazem, principalmente, com o intuito de aumentar a sua receita de vendas,</p><p>alcançar economias de escala na produção e diversificar os locais de venda .</p><p>IMPORTANTE</p><p>175</p><p>Exportar é, simplesmente, vender no amplo mercado global, isto é, realizar a</p><p>venda de bens e serviços produzidos internamente em um país e consumidos em outro.</p><p>Como isso pode ser feito? De duas maneiras:</p><p>• Exportação direta: é determinada quando a empresa, movida por vários motivos,</p><p>toma a iniciativa de buscar uma oportunidade de exportação. Os motivos mais im-</p><p>portantes são a contração do mercado interno, a percepção do empresário em</p><p>relação	à	importância	de	certos	mercados,	fazendo-o	considerar	importante</p><p>assumir riscos comerciais pela exportação.</p><p>• Exportação indireta: utilizada por empresas que não têm muita experiência ou</p><p>que estão apenas começando a fazer negócios em mercados internacionais. Em</p><p>outras palavras, é a utilização, por um exportador, de outro exportador, mas como</p><p>intermediário. Dessa forma, há uma oportunidade, por meio de um distribuidor ou</p><p>intermediário, de entrar nos mercados internacionais, o que, por si só, constitui uma</p><p>vantagem competitiva, pois é utilizada toda a estrutura e expertise de um agente</p><p>para a detecção de novos negócios.</p><p>As empresas devem ser claras sobre as razões de buscar a internacionalização,</p><p>dentre elas: diversificar produtos e mercados, ganhar competitividade, vender em maio-</p><p>res volumes, tirar proveito de acordos preferenciais.</p><p>Veja, a seguir, algumas opções com chances de ajudar as empresas a identifi-</p><p>carem os fatores motivadores dessa decisão:</p><p>• Diversificar os produtos e mercados para enfrentar a concorrência internacional e a</p><p>situação da economia nacional.</p><p>• Ganhar competitividade pela aquisição de tecnologia, know-how e capacidade</p><p>gerencial obtida no mercado externo.</p><p>• Fazer alianças estratégicas com empresas estrangeiras visando a reduzir custos,</p><p>melhorar a eficiência e diversificar os seus produtos.</p><p>• Reduzir o risco de pertencer a um único mercado.</p><p>• Maximizar o volume de vendas e, assim, utilizar mais a sua capacidade de produção,</p><p>obtendo economias de escala.</p><p>• Explorar vantagens comparativas e expandir oportunidades de mercado por meio de</p><p>acordos preferenciais.</p><p>• Necessidade de se engajar no mercado mundial devido à globalização da economia.</p><p>• Buscar maior rentabilidade nos mercados internacionais e garantir a existência da</p><p>empresa em longo prazo.</p><p>Muitos dos erros cometidos por empresas que começam a exportar ou que</p><p>decidem expandir as suas operações para mercados estrangeiros foram o resultado da</p><p>falta de experiência e de conhecimento dos operadores, portanto, é necessário que os</p><p>exportadores estejam cientes desses erros e façam uma avaliação deles.</p><p>Você, como profissional do comércio exterior, deverá ficar sempre em alerta em</p><p>relação a tais equívocos. Aí vão alguns dos principais erros cometidos na exportação:</p><p>176</p><p>• Não ter um despachante aduaneiro especializado em seu produto.</p><p>• Falhar em avaliar a capacidade de internacionalização.</p><p>• Não considerar as diferenças culturais entre os países.</p><p>• Não realizar pesquisa de mercado do país para o qual se pretende exportar.</p><p>• Selecionar o parceiro comercial/agente errado.</p><p>• Selecionar errado o mercado-alvo.</p><p>• Elaborar de contratos sem considerar a legislação do país de destino.</p><p>• Não ter uma estrutura interna adequada para administrar a exportação.</p><p>• Não ter um plano de exportação e não procurar aconselhamento.</p><p>• Atrasar ou falhar no envio de cotações, ofertas e amostras.</p><p>• Não ter conhecimento e não utilizar os mecanismos existentes de apoio à exportação.</p><p>• Não enviar a documentação necessária exigida pelas autoridades alfandegárias e</p><p>sanitárias no mercado de destino.</p><p>• Não cumprir os acordos feitos na cotação ou negociação.</p><p>• Exportar produtos diferentes das amostras enviadas.</p><p>Uma empresa que produz e comercializa um conjunto de produtos localmente</p><p>pode querer vendê-los no exterior, no entanto, nem todos os produtos estão em</p><p>condições de serem comercializados em outro mercado. As razões são diversas e</p><p>estão ligadas, dentre outras coisas, às preferências dos consumidores, o grau deles de</p><p>conhecimento do produto, preço, condições de qualidade, assim como o cumprimento</p><p>de certos requisitos à entrada das autoridades do mercado de destino.</p><p>É necessário que a empresa identifique quais de seus produtos se adaptam me-</p><p>lhor às condições impostas pelo mercado de destino, ou seja, qual dos produtos ofereci-</p><p>dos melhores se adaptam às exigências da demanda e, portanto, está em condições de</p><p>ser exportado. Esta tarefa não é fácil e, muitas vezes, exige a ajuda de profissionais, no</p><p>caso, você, como profissional de comércio exterior, bem como de agências de promoção</p><p>de exportação, tanto locais quanto nacionais. As câmaras de negócios de determinado</p><p>setor também podem ajudar o empresário a avaliar as possibilidades de cada produto.</p><p>As atividades de promoção comercial são indispensáveis para que uma empresa</p><p>torne as características de seu produto conhecidas no mercado e devem estar ligadas</p><p>à estratégia de marketing ou à penetração de mercados externos. Dentre as atividades</p><p>mais comuns estão a participação em feiras e missões comerciais e em rodadas de</p><p>negócios, assim como a publicidade em diferentes canais.</p><p>Dito isso, temos a plena certeza de que você utilizará muito bem essas informa-</p><p>ções e se destacará, com excelência, no seu ambiente de trabalho.</p><p>Agora, iniciaremos outro assunto muito importante: o processo de exporta-</p><p>ção. Como faremos isso? Vamos nos atualizar por meio do Novo Processo De Expor-</p><p>tação (NPE), que o governo lançou com o objetivo de aumentar competitividade dos</p><p>produtos e das empresas brasileiras, por meio da criação do Programa Portal Único de</p><p>Comércio Exterior, que:</p><p>177</p><p>[...] é uma iniciativa de reformulação dos processos de importação,</p><p>exportação e trânsito aduaneiro e licenciamento. Com essa refor-</p><p>mulação, busca-se estabelecer processos mais eficientes, harmoni-</p><p>zados e integrados entre todos os intervenientes públicos e privados</p><p>no comércio exterior. Da reformulação dos processos, o Programa</p><p>Portal Único passa ao desenvolvimento e integração dos fluxos de</p><p>informações correspondentes e dos sistemas informatizados encar-</p><p>regados de gerenciá-los (PORTAL SISCOMEX, 2019, p. 3, grifo nosso).</p><p>Começaremos pelo início! O regime de exportação é um regime aduaneiro e isso</p><p>significa que, a menos que existam outros regulamentos específicos para as exportações,</p><p>os regulamentos gerais dos procedimentos aduaneiros também se aplicam ao procedi-</p><p>mento de exportação. Esse regime regula a saída das mercadorias do território aduaneiro.</p><p>A exportação é um dos principais componentes dos negócios internacionais</p><p>e envolve a movimentação de bens e serviços entre as nações, bem como a troca de</p><p>moedas estrangeiras entre as partes envolvidas. Este cenário torna a exportação um</p><p>processo complexo, por isso o exportador é obrigado a seguir as formalidades legais e</p><p>obrigatórias impostas pelo país exportador.</p><p>A exportação é basicamente a saída da mercadoria do território</p><p>aduaneiro, decorrente de um contrato de compra e venda</p><p>internacional, que pode ou não resultar na entrada de divisas. A</p><p>empresa que exporta adquire vantagens em relação aos concorrentes</p><p>internos, pois diversifica mercados, aproveita melhor sua capacidade</p><p>instalada, aprimora a qualidade do produto vendido, incorpora</p><p>tecnologia, aumenta sua rentabilidade e reduz custos operacionais.</p><p>A atividade de exportar pressupõe uma boa postura profissional,</p><p>conhecimento das normas e versatilidade (BRASIL, [2023], s. p.).</p><p>Nenhum país do mundo, hoje, quer entregar bens e serviços ilegais ou de má</p><p>qualidade a outras nações, pois, agora, o comércio internacional é regido pelas regras</p><p>estritas da Organização Mundial do Comércio, portanto, uma série de procedimentos</p><p>rigorosos devem ser seguidos pelo exportador antes que as mercadorias saiam das</p><p>fronteiras do país de origem.</p><p>O despacho de exportação é um procedimento aduaneiro que você deve</p><p>realizar caso venda no exterior qualquer produto ou mercadoria. Esse controle docu-</p><p>mental deve ser feito, seja você uma empresa, seja você um indivíduo e, para fazer</p><p>um despacho de exportação, é necessário apresentar as documentações necessárias</p><p>pela alfândega. Despacho de mercadorias significa o cumprimento das formalidades</p><p>aduaneiras necessárias para permitir que as mercadorias entrem no consumo, sejam</p><p>exportadas ou submetidas a outro regime aduaneiro.</p><p>O despacho aduaneiro inclui a preparação dos documentos necessários para</p><p>facilitar a exportação ou importação ao país. Se você está pensando em expandir seus</p><p>negócios no exterior, deve conhecer as etapas do desembaraço aduaneiro, antes de</p><p>enviar os produtos. Sempre se informe a respeito das regras de desembaraço/despacho</p><p>aduaneiro antes de exportar a sua mercadoria, porque, de acordo com a Wilson Sons:</p><p>178</p><p>O despacho aduaneiro é um processo obrigatório exigido pela Receita</p><p>Federal para realizar qualquer tipo de importação ou exportação de</p><p>produtos e bens.</p><p>Além de cumprir um papel de fiscalização e conferência desses itens,</p><p>o procedimento legal é realizado com objetivo de desembaraço de</p><p>mercadorias na chegada e na saída de nações diferentes, tornando</p><p>essas etapas mais padronizadas em cada ponta do transporte.</p><p>Por meio dessa visão simplificadora, o despacho aduaneiro concentra</p><p>todas as ações necessárias para resolver, em uma linha única,</p><p>as exigências e demandas inerentes a qualquer processo do tipo</p><p>(DESPACHO ADUANEIRO, 2019, s. p.).</p><p>Lee (2022, s. p.) enfatiza, também, ser possível conceituar o despacho adua-</p><p>neiro como o “procedimento fiscal realizado para qualquer carga e mercadoria que é</p><p>proveniente ou destinada para outro país e com o objetivo de verificar se todos os docu-</p><p>mentos declarados estão regulares e de acordo com a natureza do bem transportado”.</p><p>Agora, enveredaremos pelo Novo Processo de Exportação (NPE). Com</p><p>o intuito de enfrentar muitos dos desafios ao comércio eficiente, o Brasil iniciou, em</p><p>2013, discussões que levaram à criação de um Portal Único. Lançado formalmente em</p><p>abril de 2014, por meio de um decreto presidencial, o Portal Único tem como principal</p><p>tarefa tornar o Brasil mais competitivo nos procedimentos comerciais, aumentando a</p><p>transparência para todos os interessados.</p><p>O nosso país vem trabalhando para facilitar o comércio exterior. A meta é reduzir</p><p>o tempo médio de exportação em 38% (para oito dias de 13). Com um sistema integrado,</p><p>o Brasil reduziria a burocracia e os requisitos de papel, simplificaria os procedimentos e</p><p>tornaria o processo amigável (BAIN & COMPANY; ITC, 2015).</p><p>Por que essa mudança? De acordo com o estudo Doing Business, do Banco</p><p>Mundial, uma exportação de mercadorias conteinerizadas no Brasil demorava, em mé-</p><p>dia, 13 dias para ser concluída, com custos médios da ordem de US$ 2.200 por contê-</p><p>iner. Estes números colocaram o Brasil em 124º lugar no ranking do Doing Business de</p><p>comércio internacional (WORLD BANK GROUP, 2020).</p><p>No modelo antigo, para exportar, a empresa precisava registrar-se na Receita</p><p>Federal do Brasil (RFB). O registro deu acesso ao Sistema Integrado de Comércio Exterior</p><p>(Siscomex), plataforma de informática desenvolvida na década de 1990 como parte do</p><p>esforço da RFB em implementar procedimentos e controles informatizados. No sistema</p><p>antigo, o exportador ou o despachante aduaneiro tinha que apresentar, inicialmente, via</p><p>Siscomex, um “registro de exportação”. Este documento possibilitava que os órgãos de</p><p>controle governamentais relevantes avaliassem o cumprimento das regulamentações</p><p>especificamente responsáveis por fazer cumprir questões nucleares e cotas tarifárias,</p><p>assim como as relacionadas a questões sanitárias, segurança, fauna e flora.</p><p>Quando necessário, uma licença ou certificado também deveria ser obtido e</p><p>adicionado à documentação de exportação. Esses documentos foram emitidos como</p><p>formulários em papel ou por meio de sistemas eletrônicos independentes, significando</p><p>179</p><p>que o organismo em causa tinha de emitir, primeiro, os documentos solicitados pelo</p><p>comerciante com base nas informações fornecidas e, posteriormente, verificar se os</p><p>papéis emitidos justificavam, adequadamente, o pedido de exportação.</p><p>Concluída essa etapa, só então o exportador poderia, de fato, apresentar à RFB</p><p>a declaração de exportação juntamente com quaisquer outros documentos necessários</p><p>para dar início ao despacho aduaneiro. Dentre os papéis a serem apresentados, estavam:</p><p>a fatura comercial (contendo informações sobre a efetiva transação comercial), o</p><p>packing-list (com a quantidade de embalagens e o seu conteúdo) e o conhecimento de</p><p>embarque, ou seja, o contrato de transporte emitido por uma transportadora.</p><p>Conforme informa o Siscomex, “a partir de 2 de julho de 2018, o sistema Novoex</p><p>foi desligado para a maior parte das operações. Conforme Notícia Siscomex nº 54, de</p><p>27/06/18, alguns códigos permaneceram disponíveis para inclusões de novos registros</p><p>até 31 de julho de 2018” (OPERACIONALIZANDO A EXPORTAÇÃO, 2022, s. p., grifo nosso).</p><p>Você pode observar, na Figura 8, os aspectos principais do processo de exportação.</p><p>Nota Fiscal</p><p>Eletrônica</p><p>(SPED)</p><p>PROCESSO</p><p>DE EXPORTAÇÃO</p><p>DU-E - Declaração</p><p>Única de</p><p>Exportação</p><p>Controle de</p><p>Carga e Trânsito</p><p>(CCT)</p><p>LPCO (Licença,</p><p>Permissão, Certi�cado</p><p>e Outros Documentos),</p><p>para mercadorias e</p><p>operações sujeitas a</p><p>tratamento</p><p>administrativo.</p><p>Figura 8 – Aspectos principais do processo de exportação</p><p>Fonte: adaptada de DU-E (2020)</p><p>180</p><p>A figura apresenta, por meio de círculos e setas, os principais aspectos do Novo</p><p>Processo de Exportação. No centro, tem-se um círculo com o título da figura no seu</p><p>interior, “Processo de exportação”, dele saem setas em direção aos quatro pontos</p><p>cardeais: norte, sul, leste e oeste. Os pontos cardeais são pontos de referência</p><p>estabelecidos para a orientação. Nesses quatro pontos, há quatro círculos que</p><p>indicam os principais assuntos do processo de exportação. Posicionado à frente da</p><p>figura, está, na</p><p>posição norte, o círculo com a expressão “DU-E Declaração Única de</p><p>Exportação”, essa declaração é um documento eletrônico que contém informações de</p><p>natureza aduaneira, administrativa, comercial, financeira, tributária, fiscal e logística,</p><p>informações as quais caracterizam a operação de exportação dos bens por ela</p><p>amparados e definem o enquadramento dessa operação. A DU-E servirá de base ao</p><p>despacho aduaneiro de exportação. A oeste está o círculo com o termo “Nota Fiscal</p><p>de Serviços Eletrônica (NFS-e)”, este é um documento de existência digital, gerado</p><p>e armazenado eletronicamente em Ambiente Nacional pela RFB, prefeitura ou outra</p><p>entidade conveniada, para documentar as operações de prestação de serviços. Ao</p><p>sul, localiza-se o círculo com o texto “LPCO (Licença, Permissão, Certificado e Outros</p><p>Documentos) para mercadorias e operações sujeitas a tratamento administrativo”.</p><p>Por fim, a leste, vê-se o círculo com o termo “Controle de Carga e Trânsito – CCT”. Uma</p><p>das premissas dele é a adoção de uma única solução e um único fluxo para qualquer</p><p>tipo de carga e qualquer modal de transporte. As diversas mercadorias de um mesmo</p><p>despacho estarão vinculadas entre si pela DU-E, assim, comporão determinada carga</p><p>a ser submetida a despacho.</p><p>Embora o “velho modelo” brasileiro fosse uma inovação na época em que foi</p><p>criado, é evidente que esse modelo de exportação não era mais capaz de atender,</p><p>com eficiência, às necessidades dos atores privados e órgãos governamentais do país,</p><p>especialmente, diante da crescente globalização que levou ao fluxo mais intenso do</p><p>comércio mundial moderno.</p><p>Conforme afirma o Siscomex, a DU-E constitui-se na Declaração Única de</p><p>Exportação, que foi instituída pela Portaria Conjunta RFB/Secex nº 349/2017, e:</p><p>• Consiste em um documento eletrônico que define o enquadramen-</p><p>to da operação de exportação e subsidia o despacho aduaneiro de</p><p>exportação. Compreende informações de natureza aduaneira, ad-</p><p>ministrativa, comercial, financeira, fiscal e logística, que caracteri-</p><p>zam a operação de exportação dos bens por ela amparados.</p><p>• A Instrução Normativa nº 1.702, de 21 de março de 2017, disciplina</p><p>o despacho aduaneiro de exportação processado por meio de</p><p>Declaração Única de Exportação (DU-E) e estabelece, dentre</p><p>outros, que a Declaração Única de Exportação (DU-E) é um</p><p>documento eletrônico que:</p><p>◦ contém informações de natureza aduaneira, administrativa, co-</p><p>mercial, financeira, tributária, fiscal e logística, que caracterizam</p><p>a operação de exportação dos bens por ela amparados e defi-</p><p>nem o enquadramento dessa operação; e</p><p>181</p><p>◦ servirá de base para o despacho aduaneiro de exportação. Pa-</p><p>rágrafo único. As informações constantes da DU-E servirão de</p><p>base para o controle aduaneiro e administrativo das operações</p><p>de exportação.</p><p>• No que se refere à elaboração da DU-E, a referida Instrução Nor-</p><p>mativa defi ne que a DU-E será formulada em módulo próprio do</p><p>Portal Siscomex e consistirá na prestação, pelo declarante ou seu</p><p>representante, das informações necessárias ao controle da opera-</p><p>ção de exportação, de acordo com:</p><p>◦ a forma de exportação escolhida pelo exportador;</p><p>◦ os bens integrantes da DU-E; e</p><p>◦ as circunstâncias da operação.</p><p>• A DU-E terá como base a nota fi scal que amparar a operação de</p><p>exportação, exceto nas hipóteses em que a legislação de regência</p><p>dispensar a emissão desse documento e nas hipóteses de expor-</p><p>tação com base em nota fi scal em papel ou sem nota fi scal, todos</p><p>os dados necessários à elaboração da DU-E deverão ser forneci-</p><p>dos pelo declarante.</p><p>• O exportador poderá optar por uma destas três formas de realizar</p><p>sua exportação por meio de DU-E:</p><p>◦ exportação própria;</p><p>◦ exportação por meio de operador de remessa expressa ou</p><p>postal; ou</p><p>◦ exportação por conta e ordem de terceiro (DECLARAÇÃO</p><p>ÚNICA..., 2022, s. p.).</p><p>Os controles aduaneiro e administrativo de uma exporta-</p><p>ção realizada por meio de DU-E são efetuados por intermé-</p><p>dio de módulos especializados do Portal Siscomex. Para ter</p><p>acesso ao manual de preenchimento da Declaração Única</p><p>de Exportação, basta acessar o QR Code .</p><p>INTERESSANTE</p><p>A exportação exige atenção especial ao processo administrativo e aos docu-</p><p>mentos solicitados pelas autoridades locais. Segundo o Siscomex, o Novo Processo de</p><p>Exportação, efetivado pela Declaração Única de Exportação (DU-E), “busca adequar o</p><p>controle aduaneiro e administrativo ao processo logístico das exportações, de maneira</p><p>a realizá-los de maneira efi caz e segura, porém sem causar atrasos desnecessários ao</p><p>fl uxo das exportações” (DECLARAÇÃO ÚNICA..., 2022, s. p.).</p><p>Ainda de acordo com a Siscomex, a DU-E e o Novo Processo de Exportação</p><p>substituíram:</p><p>• O registo de exportação.</p><p>• O registro de crédito.</p><p>• A Declaração Simplifi cada de Exportação (DSE).</p><p>• A Declaração de Exportação (DE) (DECLARAÇÃO ÚNICA..., 2022, s. p.).</p><p>182</p><p>A consolidação do registro e da declaração de exportação em um único</p><p>documento, assim como as integração e reutilização de várias informações da Nota</p><p>Fiscal-e (classificação e descrição de mercadorias e quantidades, dentre outras)</p><p>reduziram drasticamente os dados a serem preenchidos pelos exportadores.</p><p>Com a integração das ações dos órgãos anuentes, surgiram várias oportunida-</p><p>des à automatização das etapas processuais, com significativa economia de tempo. A</p><p>mudança dos fluxos procedimentais do modelo sequencial atual para um modelo para-</p><p>lelo trouxe novos ganhos de tempo, pois etapas independentes podem ser realizadas ao</p><p>mesmo tempo, em vez de manter a conclusão de uma para iniciar outra.</p><p>Além disso, o novo Sistema de Controle de Carga e Trânsito também está</p><p>sendo desenvolvido, independentemente do modo de transporte que controlará o</p><p>inventário do pavilhão da alfândega, o registro baseado nos volumes transportados,</p><p>dentre outros.</p><p>Com relação ao CCTO, o Portal Siscomex (2019, p. 15) afirma:</p><p>O módulo de Controle de Carga e Trânsito (CCT) terá como uma de</p><p>suas premissas a adoção de uma única solução e um único fluxo para</p><p>qualquer tipo de carga e qualquer modal de transporte.</p><p>As diversas mercadorias de um mesmo despacho estarão vinculadas</p><p>entre si pela DU-E e comporão determinada carga a ser submetida a</p><p>despacho. Um dos elementos identificadores dela será a Referência</p><p>Única da Carga (RUC), a qual atenderá as recomendações da</p><p>Organização Mundial de Aduanas para a Unique Consignment</p><p>Reference. A RUC poderá ser criada pelo próprio exportador, segundo</p><p>regras específicas de formatação, ou ser criada, automaticamente,</p><p>pelo sistema, quando do registro da DU-E. A maior parte dos</p><p>controles realizados pelo CCT ocorrerá por meio da RUC. Além disso,</p><p>a RUC facilitará o rastreamento de dada carga até o seu destino final,</p><p>assim como facilitará o intercâmbio de informações entre a aduana</p><p>brasileira e as aduanas estrangeiras que utilizem esse mesmo</p><p>conceito. No futuro, a RUC permitirá, também, que dados de uma</p><p>DU-E sirvam de base à elaboração de uma declaração de importação</p><p>no exterior e, consequentemente, facilitará os controles bem como</p><p>agilizará a entrada dos produtos brasileiros em outros países. Na</p><p>eventualidade de haver consolidação de duas ou mais cargas, ela</p><p>deverá ser registrada no CCT pelo consolidador. Essa operação</p><p>gerará uma RUC master (MRUC), a qual atenderá às mesmas regras</p><p>de formatação aplicáveis à RUC.</p><p>O CCT conterá registros de todas as movimentações de cargas</p><p>despachadas para exportação, armazenadas ou não em recintos</p><p>aduaneiros, até o seu embarque ao exterior, inclusive quando</p><p>submetidas a trânsito aduaneiro, sendo os dados relevantes dessa</p><p>movimentação compartilhados entre esse módulo e a DU-E.</p><p>Haverá, também, a possibilidade de obter licenças,	certificados	e	permis-</p><p>sões para mais de uma operação, o que torna possível reduzir os controles a cada</p><p>embarque de mercadorias, pois, de acordo com o Portal Siscomex (2019, p. 4):</p><p>183</p><p>[...] o Fluxo Geral de Exportação inicia-se com a intenção de um ope-</p><p>rador privado em realizar uma exportação e finaliza com o embar-</p><p>que da</p><p>à execução de bens, às mercadorias, à tributação</p><p>ou aos efeitos que entram e saem de determinado país, bem como aos seus efeitos</p><p>socioeconômicos.</p><p>Fonte: adaptado de Contreras (2009)</p><p>A legislação aduaneira brasileira está alicerçada pelo Decreto nº 6.759 (BRASIL,</p><p>2009). Ele regulamenta a administração das atividades aduaneiras, a fiscalização, o</p><p>controle e a tributação das operações de comércio exterior, em que estabelece:</p><p>Art. 1° A administração das atividades aduaneiras, e a fiscalização,</p><p>o controle e a tributação das operações de comércio exterior serão</p><p>exercidos em conformidade com o disposto neste Decreto.</p><p>Art. 2° O território aduaneiro compreende todo o território nacional.</p><p>Art. 3° A jurisdição dos serviços aduaneiros estende-se por todo o</p><p>território aduaneiro e abrange (Decreto-Lei nº 37, de 18 de novembro</p><p>de 1966, Art. 33, caput):</p><p>I - a zona primária, constituída pelas seguintes áreas demarcadas</p><p>pela autoridade aduaneira local:</p><p>a) a área terrestre ou aquática, contínua ou descontínua, nos portos</p><p>alfandegados;</p><p>b) a área terrestre, nos aeroportos alfandegados; e</p><p>c) a área terrestre, que compreende os pontos de fronteira</p><p>alfandegados; e</p><p>II - a zona secundária, que compreende a parte restante do território</p><p>aduaneiro, nela incluídas as águas territoriais e o espaço aéreo.</p><p>[...]</p><p>Art. 5° Os portos, aeroportos e pontos de fronteira serão alfandegados</p><p>por ato declaratório da autoridade aduaneira competente, para que</p><p>neles possam, sob controle aduaneiro:</p><p>I - estacionar ou transitar veículos procedentes do exterior ou a ele</p><p>destinados;</p><p>II - ser efetuadas operações de carga, descarga, armazenagem</p><p>ou passagem de mercadorias procedentes do exterior ou a ele</p><p>destinadas; e</p><p>III - embarcar, desembarcar ou transitar viajantes procedentes do</p><p>exterior ou a ele destinados.</p><p>[...]</p><p>10</p><p>Art. 9° Os recintos alfandegados serão assim declarados pela</p><p>autoridade aduaneira competente, na zona primária ou na zona</p><p>secundária, a fim de que neles possam ocorrer, sob controle</p><p>aduaneiro, movimentação, armazenagem e despacho aduaneiro de:</p><p>I - mercadorias procedentes do exterior, ou a ele destinadas, inclusive</p><p>sob regime aduaneiro especial;</p><p>II - bagagem de viajantes procedentes do exterior, ou a ele destinados;</p><p>e</p><p>III - remessas postais internacionais. Parágrafo único. Poderão ainda</p><p>ser alfandegados, em zona primária, recintos destinados à instalação</p><p>de lojas francas.</p><p>De acordo com a Receita Federal, “entende-se por alfandegamento a autoriza-</p><p>ção, por parte da Receita Federal para que, nos locais ou recintos sob controle aduanei-</p><p>ro, possam ocorrer atividades como o estacionamento ou trânsito de veículos” (BRASIL,</p><p>2022b, s. p.). Também compreende “a movimentação, armazenagem e despacho adua-</p><p>neiro de mercadorias procedentes do exterior, ou a ele destinadas” (BRASIL, 2022b, s. p.).</p><p>3.2 DA FISCALIZAÇÃO ADUANEIRA</p><p>Existem alguns fatos no comércio exterior que se deve respeitar e acatar e que</p><p>fazem parte dos procedimentos operacionais dos negócios. Um desses fatos diz respeito</p><p>à fiscalização aduaneira. Ela define-se como a verificação de documentos alfandegários</p><p>relativos às operações no comércio exterior, por exemplo, as importações e exportações,</p><p>verificação na qual são necessárias as averiguações dos documentos, como também a</p><p>inspeção física de mercadorias realizadas pelas autoridades aduaneiras.</p><p>O principal objetivo de qualquer fiscalização alfandegária é impedir a exportação</p><p>ou importação de mercadorias contrabandeadas, falsificadas, declaradas indevidamente,</p><p>proibidas, embargadas ou quaisquer outras que não estejam em conformidade com</p><p>a legislação aduaneira. Nesse contexto, lembre-se que a fiscalização aduaneira se</p><p>constitui na ação realizada pela autoridade aduaneira competente, para determinar a</p><p>natureza, origem, situação, quantidade, valor, classificação tarifária, direitos aduaneiros,</p><p>regime aduaneiro e tratamento tributário aplicável a uma mercadoria.</p><p>Essa fiscalização, quando se tratar de reconhecimento de mercadorias, será</p><p>física e, quando for realizada, unicamente, com base nas informações contidas na</p><p>declaração e nos documentos que a acompanham, será documental.</p><p>Segundo Luz (2015, p. 23), “de acordo com a legislação aduaneira, mercadorias</p><p>procedentes do exterior (ou a ele destinadas) somente entram no Brasil (ou dele saem)</p><p>pela zona primária”. Ainda segundo o autor, ela é composta pelos portos, aeroportos e</p><p>pontos de fronteira alfandegados, ou seja, declarados pela Receita Federal como locais</p><p>com alfândega instalada, possibilitando a fiscalização das mercadorias.</p><p>De acordo com Luz (2015), a Secretaria da Receita Federal do Brasil:</p><p>11</p><p>• É um órgão específico singular cuja competência é a administração dos tributos</p><p>federais, incluindo as atividades de fiscalização, lançamento do crédito tributário,</p><p>cobrança e julgamento em primeira instância dos processos administrativo-fiscais.</p><p>Além desse controle fiscal (ou tributário), exerce, também, o controle aduaneiro.</p><p>• Dirige, supervisiona, orienta, coordena e executa os serviços de administração,</p><p>fiscalização e controle aduaneiros, inclusive no que diz respeito ao alfandegamento</p><p>de áreas e recintos.</p><p>O Sindireceita (2018, p. 11) ressalta que “[...] de acordo com o Decreto nº 6.7596,</p><p>de 5 de fevereiro de 2009, que regulamenta a administração das atividades aduaneiras,</p><p>e a fiscalização, o controle e a tributação das operações de comércio exterior”, a Receita</p><p>Federal brasileira tem superioridade em relação às demais autoridades/órgãos.</p><p>O Decreto nº 6.759/2009 definiu as regras para a atuação da aduana em seu</p><p>processo de fiscalização. Ele é informalmente referenciado como o “regulamento adu-</p><p>aneiro”, apesar de decreto e regulamento serem espécies distintas de atos administra-</p><p>tivos (LUZ, 2022).</p><p>Nessa perspectiva, fica a pergunta: mas por que tanto rigor nas fiscalizações</p><p>aduaneiras no Brasil? Para responder esse questionamento, vejamos alguns argumentos</p><p>pela ótica do comércio exterior brasileiro:</p><p>• O Brasil é, hoje, a 12ª maior economia global e, também, um dos</p><p>maiores mercados domésticos do mundo.</p><p>• No cenário do comércio exterior, caracteriza-se, predominantemen-</p><p>te, como grande exportador de commodities agrícolas e importador</p><p>de bens de consumo.</p><p>• A maioria dos fabricantes mundiais de bens de consumo tem par-</p><p>ticipação significativa de seu mercado global no mercado interno</p><p>brasileiro (ZANINETTI, 2022, s. p., tradução nossa).</p><p>Partindo desse princípio, veja, agora, pelo ponto de vista das empresas que</p><p>atuam no comércio exterior, por meio de exportações ou importações, como é importante</p><p>saber os aspectos e parâmetros reguladores desse tipo de comércio:</p><p>• A maioria dos fabricantes mundiais de bens de consumo partici-</p><p>pam do mercado interno brasileiro.</p><p>• Portanto, conhecer as regras de valoração aduaneira locais</p><p>aplicáveis às suas exportações para o Brasil é de fundamental</p><p>importância, mesmo que a tributação adicional resultante de</p><p>um processo de valoração aduaneira recaia, na prática, sobre as</p><p>empresas importadoras locais.</p><p>• Como consequência, o trabalho de compliance fiscal por parte dos</p><p>exportadores pode e deve ser feito, a fim de evitar a geração de</p><p>ineficiência tributária em relação aos seus negócios no mercado</p><p>brasileiro, principalmente, no caso de negócios locais com</p><p>empresas brasileiras relacionadas a eles.</p><p>• Não são somente as transações comerciais internacionais entre em-</p><p>presas do mesmo grupo econômico que devem observar preços se-</p><p>melhantes aos praticados nas transações realizadas com terceiros.</p><p>12</p><p>• Todas as mercadorias submetidas ao desembaraço aduaneiro</p><p>no Brasil estão sujeitas ao controle de valor aduaneiro, por meio</p><p>do qual as autoridades aduaneiras locais conseguem verificar a</p><p>veracidade do valor declarado pelo importador, de acordo com</p><p>normas internacionais preestabelecidas e as regulamentações</p><p>locais (ZANINETTI, 2022, s. p., tradução nossa).</p><p>Então, qual a importância da fiscalização aduaneira? Ela funciona como</p><p>a primeira barreira no controle</p><p>mercadoria para o exterior. Nesse ínterim, além de tratar com</p><p>seus parceiros comerciais e da cadeia logística, o exportador deverá,</p><p>mediante uma declaração específica, informar ao governo a opera-</p><p>ção a ser realizada. Ademais, a depender das características de sua</p><p>exportação, o exportador deverá atender a exigências oriundas de</p><p>legislação nacional, normas internacionais ou aquelas impostas pelo</p><p>país importador de sua mercadoria.</p><p>Essas exigências, em sua maioria, materializam-se pela obtenção de</p><p>licenças, autorizações, certificados, dentre outros documentos. No</p><p>sistema que abarca o Novo Processo de Exportação, será desenvol-</p><p>vido um módulo específico para essas necessidades, denominado Li-</p><p>cenças, Permissões, Certificados e Outros Documentos (LPCO). Esse</p><p>módulo estará pronto para receber solicitações de análise e emissão</p><p>de documentos de forma paralela e independente do registro de de-</p><p>claração sobre uma exportação, a qual também será efetivada em</p><p>novo módulo específico e denominada Declaração Única de Exporta-</p><p>ção (DU-E). Apesar de independentes, tais módulos, dentre outros do</p><p>sistema, darão suporte a um fluxo centralizado de informações bem</p><p>como guardarão relações de complementaridade e validação.</p><p>Caro acadêmico, observe, no Quadro 7, algumas considerações relativas ao LPCO.</p><p>Quadro 7 – Considerações sobre LPCO na exportação</p><p>LPCO – EXPORTAÇÃO</p><p>• Refere-se a Licenças,	 Permissões,	 Certificados	 e	 Outros	 Documentos</p><p>Necessários	à	Exportação (LPCO-Exportação).</p><p>• Além das formalidades aduaneiras, administradas pela Receita Federal, é possível</p><p>incidir sobre as exportações outras exigências, como a obtenção de licenças, auto-</p><p>rizações, certificados, dentre outros documentos que devem amparar a exportação</p><p>de certas mercadorias.</p><p>• Essas exigências podem ter origem na legislação nacional, em normas internacio-</p><p>nais ou serem impostas pelo país importador.</p><p>• Como exemplos, há os produtos controlados pela Polícia Federal, os certificados</p><p>CITES para mercadorias derivadas de espécies ameaçadas de extinção, os</p><p>certificados sanitários e fitossanitários internacionais, a autorização ao exercício da</p><p>atividade de exportação de petróleo, a autorização de exportação de substâncias</p><p>controladas pela Anvisa, o certificado do processo de Kimberley* para diamantes,</p><p>dentre outros.</p><p>• Visando ao cumprimento das exigências necessárias à obtenção de cada um</p><p>desses documentos, há, atualmente, mecanismos distintos de solicitação aos</p><p>órgãos responsáveis.</p><p>184</p><p>• Essas demandas ocorrem mediante formulários em papel ou sistemas eletrônicos</p><p>independentes. Como a maioria das formalidades presentemente é externa ao</p><p>Siscomex, esse sistema funciona apenas como ferramenta eletrônica de liberação</p><p>de mercadorias para o início do despacho aduaneiro.</p><p>• Devido à independência de sistemas em relação ao Siscomex, a atuação dos</p><p>órgãos competentes encontra-se, muitas vezes, duplicada. Isso ocorre porque há</p><p>a emissão, previamente à operação de exportação, de autorização, certificado ou</p><p>de outro documento semelhante.</p><p>• Posteriormente, no momento do registro da exportação, ocorre a segunda inter-</p><p>venção do órgão, a fim de verificar se a operação efetiva está devidamente ampa-</p><p>rada pelos documentos antes por ele emitidos.</p><p>• Com a implementação do Módulo de Licenças, Permissões, Certificados e Outros</p><p>Documentos de Exportação (LPCO-Exportação) do Portal Único de Comércio</p><p>Exterior, as solicitações aos órgãos de governo passam a ser feitas por meio de um</p><p>único ponto na internet, sendo possível, também, o envio de dados via web service.</p><p>*Processo que visa a certificar a origem de diamantes, a fim de evitar a compra de pedras</p><p>originárias de áreas de conflito. Foi criado em 2003 com o objetivo de evitar o financiamento</p><p>de armas em países africanos em guerra civil. Esse processo é retratado no filme Diamante</p><p>de Sangue (2006).</p><p>Fonte: adaptado de Oliveira (2021)</p><p>A disponibilidade oportuna de informações de qualidade aos órgãos governa-</p><p>mentais envolvidos no comércio exterior permitirá que os controles atualmente realiza-</p><p>dos com antecedência ou durante as operações migrem a momentos posteriores. Nes-</p><p>se sentido, com relação ao tratamento administrativo das exportações realizadas</p><p>por meio do Portal Único de Comércio Exterior, Oliveira (2021, p. 145) esclarece: “com a</p><p>inauguração do novo processo de exportação, os exportadores passaram a contar com</p><p>ferramentas acessíveis para identificar as eventuais restrições ou exigências especiais</p><p>de incidentes sobre determinada exportação”.</p><p>A respeito desse critério, o site Efficienza diz:</p><p>Consideram-se como tratamento administrativo das exportações</p><p>todos os procedimentos e exigências administradas por órgãos e</p><p>entidades da Administração Pública Federal, de cumprimento por</p><p>parte dos exportadores, como requisito para a realização de uma</p><p>operação de exportação.</p><p>Tal atividade será processada por meio do módulo de Licenças,</p><p>Permissões, Certificados e Outros Documentos de Exportação – LPCO,</p><p>integrado ao Portal Único de Comércio Exterior. Para exportações</p><p>185</p><p>que necessitarem de tratamento administrativo, o exportador, por</p><p>meio do LPCO, terá acesso, em um único lugar, a formulários de</p><p>pedidos de documentos referentes aos tratamentos administrativos</p><p>de competência de cada órgão anuente na exportação.</p><p>Além disso, também será disponível no módulo LPCO um formulário</p><p>específi co para fi nanciamento às exportações, de acordo com</p><p>a modalidade da operação de fi nanciamento. Esse formulário</p><p>substituirá o Registro de Operações de Crédito (RC) nas operações</p><p>de exportação processadas por meio da DU-E e fi nanciadas com</p><p>recursos do Programa de Financiamento às Exportações (Proex).</p><p>É vedado o embarque de mercadoria para o exterior quando não</p><p>estiver vinculada à DU-E a autorização, permissão ou licença de</p><p>exportação emitida por meio do LPCO, caso a legislação imponha</p><p>a obrigatoriedade da sua obtenção para a saída da mercadoria do</p><p>território aduaneiro (TRATAMENTO..., 2018, s. p.).</p><p>Dentre as principais ferramentas disponíveis no Portal</p><p>Único de Comércio Exterior, há a Consulta sobre Incidência</p><p>de Tratamento Administrativo, a qual possibilita que</p><p>os operadores de exportação, sem que haja nenhuma</p><p>habilitação prévia e, com base nos parâmetros que</p><p>distinguem uma exportação (como a NCM), o país de</p><p>destino e o enquadramento, verifi quem se há a incidência</p><p>de um ou mais tratamentos administrativos, de acordo com o fl uxo do</p><p>processo de exportação e LPCOs para exportação. Para saber mais, acesse</p><p>o QR Code e consulte a tabela do tratamento administrativo da exportação,</p><p>assim como demais tabelas com códigos para serem preenchidos na DU-E.</p><p>INTERESSANTE</p><p>Agora, veremos o quesito de despacho de exportação a partir da nova</p><p>perspectiva do Novo Processo de Exportação do Portal Único do Siscomex. O despacho</p><p>é uma etapa importante no transporte de mercadorias ou produtos, bem como uma</p><p>parte essencial do processo de embarque que permite a entrada ou saída de bens e</p><p>serviços dentro ou fora de um país.</p><p>Esse processo é relativamente semelhante em todas as nações, contudo pode</p><p>haver diferenças variadas em relação ao processo de avaliação dos produtos e ao</p><p>pagamento de impostos de importação de um país para outro.</p><p>Afi	nal,	o	que	é	Despacho	de	Exportação?</p><p>• É o procedimento mediante o qual é verifi cada a exatidão dos</p><p>dados declarados pelo exportador em relação à mercadoria, aos</p><p>documentos apresentados e à legislação específi ca, com vistas ao</p><p>seu desembaraço aduaneiro e à sua saída para o exterior.</p><p>• Toda mercadoria destinada ao exterior, inclusive a reexportada,</p><p>está sujeita a despacho de exportação, com as exceções estabe-</p><p>lecidas na legislação específi ca.</p><p>186</p><p>• O Decreto nº 6.759, de 5 de fevereiro de 2009 regulamenta a ad-</p><p>ministração das atividades aduaneiras, a fiscalização, o controle e</p><p>a tributação das operações de comércio exterior (DESPACHO DE</p><p>EXPORTAÇÃO, 2022, s. p.).</p><p>Recomendamos a leitura das Orientações Gerais sobre o</p><p>Novo Processo</p><p>de mercadorias que entram no país,</p><p>tendo reflexo direto na proteção às indústrias e, por consequência,</p><p>na manutenção dos níveis de empregos, evitando fraudes, coibindo</p><p>o contrabando, o descaminho e a entrada de mercadorias a preços</p><p>subfaturados (LIMA, 2008).</p><p>IMPORTANTE</p><p>O controle aduaneiro no comércio exterior é realizado de acordo com a parame-</p><p>trização da mercadoria, após essa etapa, a Receita Federal do Brasil (RFB) encaminha a</p><p>mercadoria para um dos canais de parametrização (verde, amarelo, vermelho ou cinza).</p><p>Os canais de parametrização nada mais são do que uma forma de análise da</p><p>Receita Federal do Brasil em relação ao desembaraço aduaneiro. Na prática, constitui-</p><p>se em um sistema de canais que o órgão adotou para a conferência das cargas que</p><p>entram (importação) ou saem (exportação) do país:</p><p>• Por meio desse sistema, a declaração de importação ou exportação é classificada em</p><p>um canal que indica o nível de verificação a ser aplicado pela autoridade aduaneira.</p><p>• Assim, a parametrização aponta se o desembaraço será de forma automática ou se</p><p>um fiscal da Receita Federal precisará verificar os documentos e os produtos.</p><p>• A classificação por canais é dividida em cores: quatro na importação e três na</p><p>exportação.</p><p>A Receita Federal do Brasil afirma que “as operações de importações no</p><p>Siscomex são processadas em diferentes etapas que devem ser executadas pela</p><p>fiscalização aduaneira, bem como pelo importador, depositário, e pelo transportador</p><p>da carga” (PARAMETRIZAÇÃO, 2020, s. p.). Assim, o Sistema Integrado de Comércio</p><p>Exterior (Siscomex) seleciona as DIs (Declaração de Importação) registradas para um dos</p><p>seguintes canais de conferência aduaneira, conforme estipulado no Art. 21 da Instrução</p><p>Normativa SRF nº 680/2006, a qual disciplina o despacho aduaneiro de importação,</p><p>conforme ilustrado no Quadro 2.</p><p>13</p><p>Quadro 2 – Parametrização na importação</p><p>CANAIS DE PARAMETRIZAÇÃO NA IMPORTAÇÃO</p><p>VERDE</p><p>Pelo qual o sistema registra o desembaraço automático da mercado-</p><p>ria, dispensados o exame documental e a verificação física dela. A DI</p><p>selecionada para canal verde, no Siscomex, poderá ser objeto de con-</p><p>ferência física ou documental quando forem identificados pelo AFRFB</p><p>(Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, que é o responsável por</p><p>essa atividade) elementos indiciários de irregularidade na importação.</p><p>AMARELO</p><p>Pelo qual deve ser realizado o exame documental e, não sendo</p><p>constatada irregularidade, efetuado o desembaraço aduaneiro,</p><p>dispensada a verificação física da mercadoria. Na hipótese de descrição</p><p>incompleta da mercadoria na DI que exija verificação física para a sua</p><p>perfeita identificação e, assim, confirmar a correção da classificação</p><p>fiscal ou da origem declarada, o AFRFB pode condicionar a conclusão</p><p>do exame documental a essa verificação física.</p><p>VERMELHO</p><p>Pelo qual a mercadoria somente é desembaraçada após a realização</p><p>do exame documental e da verificação física.</p><p>CINZA</p><p>Pelo qual devem ser realizados o exame documental, a verificação física</p><p>da mercadoria e a aplicação de procedimento especial de controle</p><p>aduaneiro, para verificar indícios de fraude, inclusive no que se refere</p><p>ao preço declarado da mercadoria.</p><p>Esses canais seguem uma ordem crescente de exigências de verificação da carga.</p><p>Fonte: adaptado de Parametrização (2020)</p><p>Já a parametrização na exportação “é a seleção para um dos canais de con-</p><p>ferência aduaneira. Após a apresentação da carga para despacho, a DU-E (Declaração</p><p>Única de Exportação) é submetida à análise de risco aduaneiro e então selecionado</p><p>um canal de parametrização” (BUENO, 2022, s. p.).</p><p>A Instrução Normativa RFB nº 1702 é a que disciplina o despacho aduaneiro de</p><p>exportação processado por meio de Declaração Única de Exportação (DU-E). Conforme</p><p>a RFB (SELEÇÃO PARAMETRIZADA, 2016, s. p.), “a seleção parametrizada poderá ser</p><p>executada de forma automática, em horários previamente estabelecidos pela URF</p><p>(Unidade da Receita Federal), ou de forma imediata a qualquer momento, a critério do</p><p>supervisor do recinto aduaneiro”. Nessa seleção, há três tipos de canais de conferência</p><p>à declaração de exportação (Quadro 3).</p><p>14</p><p>Quadro 3 – Parametrização na exportação</p><p>CANAIS DE PARAMETRIZAÇÃO NA EXPORTAÇÃO</p><p>VERDE</p><p>O sistema procederá ao desembaraço automático da declaração,</p><p>não sendo obrigatória a conferência aduaneira.</p><p>LARANJA</p><p>Procedimento obrigatório: exame documental (arts. 22-24 da Instrução</p><p>Normativa SRF nº 28 de 1994) efetuado pela fiscalização aduaneira.</p><p>VERMELHO</p><p>Procedimentos obrigatórios: exame documental (arts. 22-4 da</p><p>Instrução Normativa SRF nº 28 de 1994) e verificação da mercadoria</p><p>(arts. 25-28 da Instrução Normativa SRF nº 28 de 1994) efetuados</p><p>pela fiscalização aduaneira.</p><p>MUDANÇA DE CANAL: não é incomum que, durante o processo de parametrização,</p><p>ocorra o redirecionamento do canal selecionado. Isso acontece quando a autoridade</p><p>aduaneira verifica a necessidade de uma análise mais detalhada da operação, por</p><p>exemplo. Assim, uma mercadoria pode estar em análise fiscal, o que, naturalmente,</p><p>levaria a um canal verde, mas, no final, constar um canal vermelho. Neste caso, ocorre</p><p>o chamado “canal melancia”, como é popularmente conhecido no Comex.</p><p>Fonte: adaptado de Seleção Parametrizada (2016) e Bueno (2022)</p><p>No entanto, agora, você se pergunta: “como a RFB estabelece para qual</p><p>canal uma mercadoria deve ir?” A aduana classifica a carga por meio de um sistema</p><p>informatizado que combina modelos estatísticos e que também leva em consideração</p><p>alguns fatores, como: a origem e o destino da mercadoria, o operador, o tipo de</p><p>mercadoria e a possibilidade de realizar verificações aleatórias, entre outros. Tendo tudo</p><p>isso como base, a atribuição de canais ocorre, em muitos casos, de forma aleatória.</p><p>3.3 O CONTROLE E A TRIBUTAÇÃO DAS OPERAÇÕES DE</p><p>COMÉRCIO EXTERIOR</p><p>O segmento de Comércio Exterior é fundamental para a atuação de muitas</p><p>empresas em nosso país, pois é a área que gerencia tanto o fornecimento de insumos</p><p>e produtos acabados para o desenvolvimento das operações (importação) quanto a</p><p>comercialização de mercadorias no exterior (exportação).</p><p>O controle das operações no comércio exterior é o processo de análise, investi-</p><p>gação, controle e fiscalização de todas as mercadorias sujeitas a importação ou expor-</p><p>tação. O controle aduaneiro é efetuado no cumprimento de um conjunto de medidas</p><p>que são da responsabilidade das alfândegas, a fim de monitorar o trânsito de todas as</p><p>15</p><p>mercadorias que cruzam fronteiras terrestres, marítimas e aéreas. Incluem-se merca-</p><p>dorias de origem estrangeira, nacional ou nacionalizada. Além delas, o controle adua-</p><p>neiro também inclui o trânsito de pessoas. De acordo com Rocha (2022, s. p.), “o con-</p><p>trole aduaneiro é a fiscalização e o monitoramento das atividades de comércio exterior,</p><p>envolvendo o monitoramento da entrada e saída de veículos do país, mercadorias trans-</p><p>portadas e bens existentes a bordo, incluindo a bagagem de tripulantes e viajantes”.</p><p>Você, acadêmico, poderá ter uma noção observando a Figura 3.</p><p>Figura 3 – Fluxograma do controle aduaneiro no comércio exterior</p><p>CONTROLE</p><p>ADUANEIRO</p><p>Fiscalização e controle</p><p>sobre comércio exterior</p><p>Regulamento</p><p>Aduaneiro - art. 26</p><p>A entrada ou saída de</p><p>veículos procedentes</p><p>do exterior ou a ele</p><p>destinados só poderá</p><p>ocorrer em porto,</p><p>aeroporto ou ponto</p><p>de fronteira</p><p>alfandegado</p><p>Regulamento</p><p>Aduaneiro</p><p>art. 26 § 1°</p><p>O controle aduaneiro</p><p>do veículo será</p><p>exercido desde o seu</p><p>ingresso até a sai</p><p>efetiva saída, sendo</p><p>estendido a</p><p>mercadorias e outros</p><p>bens a bordo, inclusive</p><p>bagagem</p><p>Constituição Federal</p><p>art. 237</p><p>Principal</p><p>Instrumento:</p><p>DESPACHO</p><p>ADUANEIRO</p><p>A �scalização e o controle</p><p>sobre o comércio exterior...</p><p>serão exercidos pelo</p><p>Ministério da Fazenda</p><p>(atualmente Secretaria da</p><p>Receita Federal.</p><p>Fonte: adaptada de Rocha (2022, s. p.).</p><p>A figura ilustra, por meio de um fluxograma, o embasamento legal e como é feito o</p><p>controle aduaneiro no Brasil pela fiscalização e controle sobre comércio exterior. A</p><p>primeira seta indica o Art.</p><p>26 do Regulamento Aduaneiro, que preconiza o seguinte: a</p><p>entrada ou saída de veículos procedentes do exterior ou a ele destinados só poderá</p><p>ocorrer em porto, aeroporto ou ponto de fronteira alfandegado. Na sequência,</p><p>amparado no Art. 26 § 1° do mesmo regulamento, a seta esclarece que o controle</p><p>aduaneiro do veículo será exercido desde o seu ingresso até a efetiva saída, sendo</p><p>estendido a mercadorias e outros bens a bordo, inclusive bagagem. Nessa mesma</p><p>contextualização, a figura ilustra que o principal instrumento do despacho aduaneiro</p><p>está descrito na Constituição Federal, no Art. 237. Este determina que a fiscalização e</p><p>o controle sobre o comércio exterior serão exercidos pelo Ministério da Fazenda que,</p><p>atualmente, é responsável pela Secretaria da Receita Federal.</p><p>16</p><p>O principal objetivo desse controle é garantir o cumprimento das normas</p><p>vigentes pelos agentes para detectar ações como fraudes ou contrabando. Nesse</p><p>controle, pode-se evitar ambos os golpes por meio de técnicas de controle de risco. Isso</p><p>se deve ao fato de que o exame físico de todas as cargas não é logisticamente possível.</p><p>As etapas do desembaraço aduaneiro incluem a preparação dos documentos</p><p>necessários para exportação ou importação, avaliação, pagamento de taxa e entrega</p><p>conjunta da carga da alfândega após aprovação com os documentos fornecidos. Cada</p><p>país tem leis e regulamentos de desembaraço aduaneiro, embora um pouco diferentes.</p><p>Esteja você executando um negócio de importação ou exportação, é essencial</p><p>cumprir as etapas do desembaraço aduaneiro. Não importa em que lugar do mundo</p><p>você esteja enviando a sua carga e os contêineres, todos os portos os colocarão no</p><p>processo de desembaraço aduaneiro.</p><p>Rocha (2022, s. p.) afirma que “o controle aduaneiro é realizado pela Secretaria da</p><p>Receita Federal do Brasil e envolve o controle dos veículos, das mercadorias e dos locais</p><p>por onde elas transitam ou ficam armazenadas”. Nesse contexto, dentro do controle</p><p>aduaneiro, temos duas situações distintas para o despacho. Uma nas operações de</p><p>importação e a outra para exportação, nas quais:</p><p>A importação no Siscomex é processada em diversas etapas a</p><p>serem executadas pelo importador, pelo depositário, pela fiscalização</p><p>aduaneira e pelo transportador.</p><p>[...]</p><p>O despacho aduaneiro de exportação é processado, no Siscomex, em</p><p>diversas etapas a serem executadas pelo exportador, pelo depositário,</p><p>pela fiscalização aduaneira e pelo transportador (ETAPAS..., 2022, s. p.).</p><p>Quer saber um pouco mais de despacho</p><p>aduaneiro na importação e na exporta-</p><p>ção? Então, acesse o respectivo QR Code e</p><p>vá direto ao site da Receita Federal do Brasil.</p><p>Lá, você encontrará descrições detalhadas,</p><p>bem como o fluxograma de cada despacho.</p><p>DICA</p><p>Todas essas etapas nas atividades no comércio exterior brasileiro requerem</p><p>todo um sistema informatizado tanto para o controle quanto para a tributação das ope-</p><p>rações de importação e exportação. Para tanto, como já falamos, existe o Siscomex,</p><p>que, de acordo com a FIA, é o “Sistema Integrado de Comércio Exterior do governo bra-</p><p>sileiro, utilizado como instrumento exclusivo para as operações de comércio exterior do</p><p>país” (SISCOMEX, 2019, s. p.).</p><p>17</p><p>Agora, em se tratando de tributação, o Decreto nº 6.759 (BRASIL, 2009) é o que</p><p>regulamenta a administração das atividades aduaneiras e a fiscalização, o controle e</p><p>a tributação das operações de comércio exterior. O Art. 15 desse decreto, baseando-</p><p>se no Art. 237 da Constituição Federal (BRASIL, 1988), estabelece que: “o exercício</p><p>da administração aduaneira compreende a fiscalização e o controle sobre o comércio</p><p>exterior, essenciais à defesa dos interesses fazendários nacionais, em todo o território</p><p>aduaneiro”. Ainda no seu parágrafo único, afirma que “as atividades de fiscalização de</p><p>tributos incidentes sobre as operações de comércio exterior serão supervisionadas e</p><p>executadas por Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil” (BRASIL, 2009).</p><p>Segundo Gularte (2022, s. p.), “os impostos que incidem sobre a exportação de</p><p>serviços são o Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e a Contribuição Social sobre</p><p>o Lucro Líquido (CSLL). Quando a execução é feita no Brasil, há incidência de Imposto</p><p>Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN)”. Assim, quando se fala de tributação</p><p>dos impostos de exportação, o Decreto nº 6.759/2009, Capítulo II, aborda a incidência</p><p>e estabelece, no seu Art. 212, que o “imposto de exportação incide sobre mercadoria</p><p>nacional ou nacionalizada destinada ao exterior” (BRASIL, 2009).</p><p>No Livro II do Decreto nº 6.759, no Título I, que trata do Imposto de Importação,</p><p>em seu, define, no Art. 69 do Capítulo I, o qual aborda a incidência de tributos, que “o</p><p>imposto de que trata este Título, na importação, incide sobre produtos industrializados</p><p>de procedência estrangeira” (BRASIL, 2009). Por sua vez, Vieira (2021, s. p.) esclarece que</p><p>“os impostos na importação podem variar de acordo com o tipo de produto importado,</p><p>assim como a localidade da qual é importada ou algum benefício comercial existente”.</p><p>Por conseguinte, as operações de importação nem sempre poderão incidir</p><p>os mesmos tipos de impostos, porém incidem, sempre, sobre o valor da mercadoria/</p><p>produto importado. Segundo o Portal Tributário, os principais tributos incidentes são:</p><p>1. II (Imposto sobre Importação): calculado sobre o valor aduaneiro,</p><p>com alíquotas variáveis.</p><p>2. IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados): calculado conforme</p><p>a Tabela do IPI.</p><p>3. ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços):</p><p>alíquota variável segundo as alíquotas vigentes no Estado em que o</p><p>desembaraço aduaneiro é procedido.</p><p>4. PIS – Importação (Lei nº 10.865/2004): alíquota geral de 1,65%,</p><p>existindo alíquotas específicas para determinados produtos.</p><p>5. Cofins – Importação (Lei nº 10.865/2004): alíquota geral de 7,6%,</p><p>existindo alíquotas específicas para determinados produtos.</p><p>6. ISS (Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza): alíquota de</p><p>5% sobre a importação de serviços provenientes do exterior do país,</p><p>especificados na Lei Complementar nº 116/2003.</p><p>7. IOF – Imposto sobre Operações de Câmbio: devido sobre a compra</p><p>de moeda estrangeira, na liquidação da operação de câmbio para</p><p>pagamento da importação de serviços devido à alíquota de 0,38%.</p><p>8. Além dos tributos citados, há incidências de taxas, como o Adicional de</p><p>Frete para Renovação da Marinha Mercante – AFRMM – Lei nº 10.893/2004</p><p>e tarifas aduaneiras (EQUIPE PORTAL TRIBUTÁRIO, 2023, s. p.).</p><p>18</p><p>Para complementarmos os nossos conceitos, Luz (2022, p. 115), enfatiza que</p><p>“o controle aduaneiro é realizado pela Receita Federal. A instituição responsável pela</p><p>arrecadação tributária federal é também a que faz o controle da entrada de mercadorias</p><p>no país e a saída deste”. Agora, veja que interessante:</p><p>• No controle aduaneiro, o bem tutelado pelo Estado não é o tributo, mas a segurança</p><p>da sociedade. São fiscalizadas a entrada e a saída das mercadorias, evitando-se,</p><p>por exemplo, a falsa declaração de conteúdo ou a movimentação de mercadorias</p><p>falsificadas, proibidas ou que possam trazer riscos à vida e à saúde.</p><p>• Também se verifica se os tributos aduaneiros foram corretamente recolhidos, apesar</p><p>de eles não possuírem caráter arrecadatório, mas extrafiscal ou econômico.</p><p>• Em outras palavras, a função principal do controle e dos tributos aduaneiros não é</p><p>prover aumento de arrecadação, mas servir como instrumento de controle e proteção</p><p>da economia.</p><p>Por fim, a aduana fiscaliza a operação de comércio exterior mesmo quando o bem</p><p>é objeto de imunidade ou benefício fiscal ou quando os tributos têm a sua exigibilidade</p><p>suspensa em virtude da aplicação de um regime aduaneiro especial (LUZ, 2022).</p><p>3.4 DA JURISDIÇÃO ADUANEIRA</p><p>Caro acadêmico, agora, adentraremos nos aspectos jurisdicionais do comércio</p><p>exterior que envolvem os aspectos aduaneiros, mas antes, para podermos entender</p><p>melhor os conceitos de jurisdição aduaneira, é necessário, também, termos compreensão</p><p>do que é o território aduaneiro.</p><p>Sendo assim, é possível conceituar territórios aduaneiros como a área geografi-</p><p>camente definida na qual a administração aduaneira cobra taxas de entrada e saída de</p><p>produtos estrangeiros, bem como é responsável pela verificação da sua legalidade, ou</p><p>seja, é território em que se aplicam as disposições aduaneiras de um Estado/país.</p><p>O marco regulatório da administração das atividades aduaneiras, das</p><p>fiscalizações, controle e tributação das operações de comércio exterior é o Decreto n°</p><p>6.759 (BRASIL, 2009). Ele estabelece, no Art. 2º, que o território aduaneiro compreende</p><p>todo o território nacional, a única diferença, de acordo com Martins et al. (2021, s. p.),</p><p>é que o primeiro se refere a uma natureza administrativa, enquanto o segundo é de</p><p>natureza política.</p><p>19</p><p>Figura 4 – Navio de carga</p><p>Fonte: https://shutr.bz/3ZthqYi. Acesso em: 7 mar. 2023.</p><p>Agora que entendemos o que significa o território aduaneiro, conseguiremos</p><p>compreender quais são os limites da jurisdição aduaneira. Então, o que ela significa?</p><p>O conceito de jurisdição aduaneira no contexto de comércio exterior se constitui</p><p>no poder que o Estado (país) tem em todo o seu território, com plena autoridade para</p><p>controlar e fiscalizar, nos termos da lei, as operações de comércio exterior, a cobrança de</p><p>direitos aduaneiros, bem como de impostos de importação e exportação, quando for o</p><p>caso, por meio da sua alfândega. Constitui-se, também, na competência para conhecer</p><p>e resolver diversas outras causas, por exemplo, de descaminhos ou contrabando, bem</p><p>como outras relativas à impugnação dos atos das autoridades aduaneiras relacionados</p><p>com as operações de comércio exterior, nos termos das disposições legais em vigor.</p><p>Aqui, temos que fazer uma breve conceituação e deixar bem clara a diferença entre esses</p><p>dois delitos: descaminho e contrabando. No comércio exterior, segundo o que preconiza</p><p>o Código Penal:</p><p>Descaminho</p><p>Art. 334 Iludir, no todo ou em parte, o pagamento de direito ou imposto</p><p>devido pela entrada, pela saída ou pelo consumo de mercadoria: Pena</p><p>– reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos. § 1° - Incorre na mesma pena</p><p>quem:</p><p>I – pratica navegação de cabotagem, fora dos casos permitidos</p><p>em lei;</p><p>ATENÇÃO</p><p>https://shutr.bz/3ZthqYi</p><p>20</p><p>II – pratica fato assimilado, em lei especial, a descaminho; e</p><p>III – vende, expõe à venda, mantém em depósito ou, de qualquer</p><p>forma, utiliza em proveito próprio ou alheio, no exercício de atividade</p><p>comercial ou industrial, mercadoria de procedência estrangeira que</p><p>introduziu clandestinamente no País ou importou fraudulentamente</p><p>ou que sabe ser produto de introdução clandestina no território</p><p>nacional ou de importação fraudulenta por parte de outrem.</p><p>Contrabando</p><p>Art. 334-A Importar ou exportar mercadoria proibida: Pena – reclusão,</p><p>de 2 (dois) a 5 (cinco) anos. § 1° Incorre na mesma pena quem:</p><p>I - pratica fato assimilado, em lei especial, a contrabando;</p><p>II - importa ou exporta clandestinamente mercadoria que dependa de</p><p>registro, análise ou autorização de órgão público competente; e</p><p>III - reinsere no território nacional mercadoria brasileira destinada à</p><p>exportação (BRASIL, 2014).</p><p>Dito isso, voltemos à jurisdição aduaneira. O Art. 3º do Decreto n° 6.759 adverte</p><p>que o território nacional não é formado somente pela parte terrestre brasileira, mas</p><p>também pelo espaço aéreo, bem como pelas águas territoriais (BRASIL, 2009). Dessa</p><p>forma, toda essa extensão do Brasil está sujeita ao controle da aduana e, sob essa</p><p>perspectiva, não estão isentas/imunes de fiscalização.</p><p>Figura 5 – Containers</p><p>Fonte: https://shutr.bz/3YtphE6. Acesso em: 7 mar. 2023.</p><p>https://shutr.bz/3YtphE6</p><p>21</p><p>A Associação Latino-Americana de Integração (JURISDICCION ADUANERA,</p><p>2023, s. p.) reforça: é o poder o qual o Estado detém em todo o território do país que</p><p>controla e fiscaliza, nos termos da lei, as operações de comércio exterior, a cobrança de</p><p>direitos aduaneiros e de impostos de importação e exportação, quando for o caso, por</p><p>meio da Alfândega Nacional.</p><p>Enquanto instituição pública, a alfândega cumpre funções fundamentais ao</p><p>desenvolvimento do país, uma vez que ela tem um papel preponderante no comércio</p><p>externo, sobretudo na facilitação e agilização das operações de importação e exportação,</p><p>por meio da simplificação de procedimentos e processos.</p><p>22</p><p>Neste tópico, você aprendeu:</p><p>RESUMO DO TÓPICO 1</p><p>• O comércio exterior nada mais é do que o comércio entre os diferentes países do</p><p>mundo; é composto, principalmente, pelas importações e exportações, sob a égide</p><p>de uma legislação aduaneira, bem como os seus preceitos, atividades, modalidades</p><p>de operações.</p><p>• Os preceitos que regem o comércio exterior brasileiro estão alicerçados em parcerias</p><p>comerciais, principalmente aquelas voltadas ao incentivo às exportações.</p><p>• Conhecer e implementar as diferentes opções disponíveis no Brasil, relacionados</p><p>aos regimes aduaneiros especiais, que permitem reduzir os custos de exportação,</p><p>importação e da própria logística, sendo um fator primordial para que os produtos a</p><p>serem exportados e importados possam ter condições de concorrer.</p><p>23</p><p>1 Para satisfazer às necessidades de consumo e de produção, os países utilizam o</p><p>comércio exterior para comprar e vender produtos e serviços entre diferentes países.</p><p>Desta maneira, exportando produtos e serviços que não possua. Em consideração, o</p><p>processo de importação faz parte da dinâmica econômica dos países. Ele ajuda, entre</p><p>outras coisas, na aquisição de novas tecnologias, no combate à inflação e na inovação</p><p>dos processos produtivos. Com base no exposto, quais são as reais necessidades</p><p>para o pleno desenvolvimento das exportações?</p><p>2 Na busca pelo crescimento econômico, há uma enorme competição entre as nações.</p><p>Competir sozinho no comércio internacional é bastante árduo. Consequentemente,</p><p>os países com interesses em comum estruturam blocos econômicos, formando paí-</p><p>ses parceiros e estabelecendo relações comerciais e sociais com interesses mútuos,</p><p>facilitando o comércio entre eles e fortalecendo suas economias. Diante do exposto,</p><p>o que pode ser mais relevante no comércio exterior?</p><p>3 Diversas medidas e ações formam as políticas que norteiam as transações comerciais</p><p>do nosso país com o mundo. O Governo Federal sanciona medidas para estimular o</p><p>comércio exterior brasileiro, e seus ministérios e órgãos competentes são responsáveis</p><p>pelo seu gerenciamento. Além disso, as políticas comerciais determinam a abertura</p><p>de mercado que pode ser maior ou menor dependendo do período e situação do país.</p><p>Diante da situação política e econômica global, quais as perspectivas do futuro do</p><p>comércio exterior brasileiro?</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>24</p><p>25</p><p>REGIMES ADUANEIROS ESPECIAIS</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>As áreas especiais dos regimes aduaneiros têm se mostrado um importante ins-</p><p>trumento à competitividade dos países, tornando-se canais para atrair investimentos,</p><p>gerar empregos, estimular a diversificação e produzir vínculos produtivos, bem como</p><p>transferir tecnologia. Este cenário é propício para aquelas empresas que buscam uma</p><p>forma de aumentar os seus lucros, minimizar os custos, reduzir o seu tempo e, assim,</p><p>enfrentar os desafios gerados por um mundo em mudança e com forte concorrência no</p><p>comércio exterior.</p><p>Nesse cenário, podemos indagar: por que, nos últimos anos, tem sido notório</p><p>o desenvolvimento desses locais no país, não só como geradoras de emprego, mas</p><p>também de investimento estrangeiro? A quem se destina a criação desses ambientes</p><p>produtivos? Quais os seus objetivos? Qual o interesse do governo nesses locais? Estas</p><p>e outras perguntas serão elucidadas no decorrer desta unidade.</p><p>2 REGIMES ADUANEIROS ESPECIAIS E SUAS</p><p>CARACTERÍSTICAS</p><p>Agora, abordaremos os regimes aduaneiros especiais e as suas características.</p><p>Podemos definir esses regimes como o conjunto de operações que visam a dar um</p><p>destino aduaneiro específico, por exemplo, a destinação, origem ou finalidade claras</p><p>de uma mercadoria, de acordo com o interesse particular do importador ou exportador.</p><p>A importância</p><p>dos regimes aduaneiros no comércio exterior é definida a partir</p><p>dos seguintes pontos: i) eles estabelecem regras gerais para tornar os processos</p><p>de importação e exportação mais eficientes; ii) permitem o controle aduaneiro de</p><p>mercadorias que entram ou saem do país. Assim, tecnicamente, o regime aduaneiro é o</p><p>destino das mercadorias de comércio exterior que estão sujeitas ao controle aduaneiro,</p><p>bem como determina os procedimentos legais necessários a serem cumpridos pelo</p><p>exportador ou importador na comercialização internacional de mercadorias.</p><p>A existência de regimes aduaneiros especiais permite mais organização das</p><p>mercadorias sujeitas ao controle aduaneiro e, dessa forma, o fluxo delas torna-se mais</p><p>eficiente. Esses tratamentos especiais e diferenciados podem melhorar o comércio,</p><p>além de estimular o investimento privado.</p><p>UNIDADE 1 TÓPICO 2 -</p><p>26</p><p>No âmbito do comércio exterior, o governo disponibiliza</p><p>diversos incentivos, de forma a aquecer as relações</p><p>comerciais. No Brasil, alguns deles são chamados de</p><p>incentivos fiscais ou regimes aduaneiros especiais, que</p><p>nada mais são do que a dispensa ou desoneração do</p><p>pagamento de tributos incidentes no mercado interno</p><p>nas operações de comércio exterior. Saiba mais sobre os</p><p>regimes aduaneiros especiais pelo QR Code.</p><p>DICA</p><p>De acordo com Vazquez (2009, p. 219), “os regimes aduaneiros especiais são</p><p>assim chamados porque existe uma série de procedimentos fiscais, caracterizando-os</p><p>conforme a finalidade de cada um”. O autor ainda argumenta que as “obrigações fiscais</p><p>suspensas pela aplicação dos regimes aduaneiros especiais serão constituídas em termo</p><p>de responsabilidade firmado pelo beneficiário, de acordo com o que determina o Art. 71,</p><p>do Decreto-Lei n° 37/1966, alterado pelo Decreto-Lei nº 1.223/1972” (VAZQUEZ, 2009).</p><p>Dentre os principais benefícios, estão “a isenção ou a suspensão de tributos,</p><p>trânsito de produtos estrangeiros no Brasil sem o recolhimento de impostos, incentivos à</p><p>exportação e à redução dos custos financeiros do importador” (SEBRAE-RJ, 2020, p. 7).</p><p>Veja, no Quadro 4, a divisão dos regimes aduaneiros especiais.</p><p>Quadro 4 – Divisão dos regimes aduaneiros especiais</p><p>APLICADOS ÀS</p><p>OPERAÇÕES</p><p>LOGÍSTICAS</p><p>1. Trânsito aduaneiro.</p><p>2. Loja franca.</p><p>3. Depósito especial.</p><p>4. Depósito afiançado.</p><p>5. Depósito alfandegado certificado.</p><p>6. Depósito franco.</p><p>7. Regime tributário para incentivos à estrutura portuária.</p><p>ESPECIAIS DE</p><p>ADMISSÃO OU</p><p>EXPORTAÇÃO</p><p>TEMPORÁRIA</p><p>1. Admissão temporária.</p><p>2. Admissão temporária para aperfeiçoamento passivo.</p><p>3. Repex.</p><p>4. Repetro.</p><p>5. Exportação temporária.</p><p>6. Exportação temporária para aperfeiçoamento passivo.</p><p>27</p><p>APLICADOS À</p><p>INDÚSTRIA E AOS</p><p>SERVIÇOS</p><p>1. Entreposto aduaneiro.</p><p>2. Entreposto aduaneiro na exportação.</p><p>3. Entreposto aduaneiro na importação.</p><p>4. Drawback.</p><p>5. Recof.</p><p>6. Entreposto aduaneiro para a construção de bens</p><p>destinados ao Repetro.</p><p>7. Recom.</p><p>8. Zona Franca de Manaus.</p><p>9. Entreposto industrial da Zona Franca de Manaus.</p><p>10. Áreas de livre comércio.</p><p>11. Zona de processamento de exportação.</p><p>Obs.: nem todas as operações de exportação e importação necessariamente utilizam os regimes</p><p>aduaneiros especiais. Alguns são usados na importação, na exportação e, em alguns casos, nas</p><p>duas situações. Nas próximas unidades, apresentaremos os regimes mais utilizados.</p><p>Fonte: adaptado de Sebrae-RJ (2020)</p><p>Os regimes aduaneiros especiais são, sem dúvida, um elemento crucial da le-</p><p>gislação aduaneira que permite às empresas nacionais exercerem as suas atividades</p><p>nas condições mais favoráveis possíveis, colocando esses operadores em situações</p><p>oportunas para enfrentar a concorrência internacional.</p><p>De fato, esses regimes estabelecem mecanismos para armazenar os forneci-</p><p>mentos de mercadorias (insumos) provenientes de outros países sem pagamento de</p><p>direitos aduaneiros (pagamento de direitos e impostos/tributos aduaneiros) ou para</p><p>utilizar e processar essas mercadorias a fim de as reexportar nas melhores condições</p><p>possíveis, minimizando os custos associados aos direitos aduaneiros.</p><p>2.1 TRÂNSITO ADUANEIRO</p><p>Partindo desse contexto, abordaremos o trânsito aduaneiro: ele nada mais é do</p><p>que um regime aduaneiro que permite movimentar mercadorias por diferentes locais</p><p>que se encontram em determinado território aduaneiro ou, ainda, entre diferentes</p><p>territórios, sem pagar tarifas e impostos.</p><p>A utilização do procedimento de trânsito aduaneiro permite a suspensão tem-</p><p>porária de direitos, impostos e medidas de política comercial aplicáveis na importação.</p><p>Como tal, ele permite que as formalidades de desembaraço ocorram no ponto de destino</p><p>e não no ponto de entrada no território aduaneiro.</p><p>28</p><p>Enfatizaremos o conceito de trânsito aduaneiro, levando em conta que ele pode</p><p>ser tanto externo quanto interno. Para além desta questão, certamente, é importante</p><p>considerarmos essencial ter presente que esse procedimento não implica direitos</p><p>aduaneiros, apesar disso, envolve algumas despesas as quais devemos levar em</p><p>consideração. Normalmente, esse trânsito é utilizado como procedimento para realizar</p><p>transferências de produtos dentro do mesmo país.</p><p>Dependendo, no entanto, de um conjunto de tratados internacionais ou acordos</p><p>bilaterais entre países, bem como multilaterais, tal trânsito tem a chance de ser realizado</p><p>segundo circunstâncias muito específicas. Um exemplo típico é encontrado no caso</p><p>dos países que compõem a União Europeia. Veja alguns esclarecimentos dados pelo</p><p>Sebrae-RJ (2020):</p><p>• Ao amparo do trânsito aduaneiro é possível a circulação de mercadorias com</p><p>suspensão de tributos, por meio de transporte controlado pela Receita Federal do</p><p>Brasil de um ponto ao outro do território aduaneiro.</p><p>• Somente empresas de transporte exclusivamente habilitadas estão autorizadas a</p><p>fazer a movimentação das mercadorias, nesse regime.</p><p>• Nas operações de exportação, para utilizar o trânsito aduaneiro, a mercadoria deve</p><p>ser previamente desembaraçada, e a circulação pode ser de um recinto alfandegado</p><p>ou não de zona secundária para um recinto alfandegado de zona primária e entre</p><p>recintos alfandegados de zona primária.</p><p>• Já nas operações de importação, o trânsito aduaneiro é aplicado a mercadorias</p><p>ainda não nacionalizadas, porém a circulação só deve acontecer entre recintos</p><p>alfandegados de zona primária ou entre os recintos alfandegados de zona primária e</p><p>o recinto alfandegado de zona secundária.</p><p>No Brasil, um dos alicerces legais do trânsito aduaneiro é o Decreto nº 6.759 que</p><p>regulamenta a administração das atividades aduaneiras e a fiscalização, o controle e a</p><p>tributação das operações de comércio exterior. Conforme esse decreto, em seu Art. 315,</p><p>“o regime especial de trânsito aduaneiro é o que permite o transporte de mercadoria, sob</p><p>controle aduaneiro, de um ponto a outro do território aduaneiro, com a suspensão do</p><p>pagamento de tributos” (BRASIL, 2009). Já o Art. 318 define quais são as modalidades</p><p>do regime de trânsito aduaneiro:</p><p>I - O transporte de mercadoria procedente do exterior, do ponto de</p><p>descarga no território aduaneiro até o ponto onde deva ocorrer outro</p><p>despacho.</p><p>II - O transporte de mercadoria nacional ou nacionalizada, verificada</p><p>ou despachada para exportação, do local de origem ao local de</p><p>destino, para embarque ou armazenamento em área alfandegada</p><p>para posterior embarque.</p><p>III - O transporte de mercadoria estrangeira despachada para</p><p>reexportação, do local de origem ao local de destino, para embarque</p><p>ou armazenamento em área alfandegada para posterior embarque.</p><p>IV - O transporte de mercadoria estrangeira de um recinto alfandegado</p><p>situado na zona secundária a outro.</p><p>29</p><p>V - A passagem, pelo território aduaneiro, de mercadoria procedente</p><p>do exterior e a ele destinada.</p><p>VI - O transporte, pelo território aduaneiro, de mercadoria procedente</p><p>do exterior, conduzida em veículo em viagem internacional até o</p><p>ponto em que se verificar a descarga.</p><p>VII - O transporte, pelo território aduaneiro, de mercadoria</p><p>estrangeira, nacional ou nacionalizada, verificada</p>