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<p>1</p><p>DILIGÊNCIAS, QUESITOS E LAUDO PERÍCIAL CONTÁBIL</p><p>Disciplina de Perícia contábil – Prof. Me. Maicon Manoel Benin</p><p>Sumário</p><p>1 Diligências ............................................................................................................. 1</p><p>1.1 O que são e para que servem ......................................................................... 1</p><p>1.2 Início do trabalho pericial e Diligências ........................................................ 2</p><p>2 Quesitos ................................................................................................................. 3</p><p>2.1 Momento para apresentação dos Quesitos .................................................... 3</p><p>2.2 Categorias ou Classes e Tipos de Quesitos ................................................... 3</p><p>2.3 Lógica dos Quesitos ...................................................................................... 4</p><p>2.4 Requisitos das Respostas no Laudo ............................................................... 5</p><p>3 Laudo Pericial Contábil ......................................................................................... 6</p><p>3.1 Laudos Coletivos ........................................................................................... 6</p><p>3.2 Estrutura dos Laudos ..................................................................................... 7</p><p>3.3 Estética do Laudo .......................................................................................... 8</p><p>3.4 Anexos dos Laudos ....................................................................................... 8</p><p>3.5 Laudo Insuficiente ......................................................................................... 9</p><p>3.5.1 Esclarecimento de Laudo ........................................................................... 9</p><p>3.5.2 Nomeação de Novo Perito e Nova Perícia ............................................... 10</p><p>3.6 Esclarecimentos em Audiência ................................................................... 10</p><p>3.7 Limites da Pertinência a opinião no Laudo pericial .................................... 10</p><p>3.8 Entrega do Laudo ........................................................................................ 11</p><p>3.8.1 Prazo Para Entrega do Laudo ................................................................... 11</p><p>3.9 DICAS PARA O LAUDO .......................................................................... 12</p><p>1 DILIGÊNCIAS</p><p>1.1 O que são e para que servem</p><p>Por Diligências entende-se todo e qualquer ato executado pelo perito oficial e</p><p>pelos assistentes técnicos, com a finalidade de juntar provas e argumentos para</p><p>2</p><p>confeccionar o Laudo Pericial Contábil requerido, inclusive a confecção do próprio laudo,</p><p>sua entrega e demais atividades que se seguem à consignação do laudo.</p><p>1.2 Início do trabalho pericial e Diligências</p><p>Em data, hora e local determinados pelo juiz, os peritos devem iniciar seu</p><p>trabalho. A esta altura, os nomes dos peritos já são conhecidos uns dos outros.</p><p>Devem estar os três peritos presentes no ato do início das tarefas. Na prática e</p><p>conforme o caso, os assistentes podem combinar com o perito do juiz apenas o exame de</p><p>seu plano.</p><p>Em casos complexos, é dever do perito assistente acompanhar os trabalhos, ou,</p><p>pelo menos, os que dizem respeito aos quesitos básicos ou de maior relevância na decisão</p><p>(se existirem).</p><p>Quando o perito inicia seu trabalho, já deve estar de posse de seu plano de</p><p>trabalho. Deve requerer, então, livros, documentos, demonstrações, em suma o material</p><p>necessário ao desempenho de sua tarefa, através de TERMO DE DILIGÊNCIA,</p><p>conforme estabelece a NBC TP 01.</p><p>3</p><p>2 QUESITOS</p><p>O completo esclarecimento das dúvidas relacionadas com as controvérsias</p><p>suscitadas nos autos é de fundamental importância para a conclusão da fase de instrução.</p><p>E somente após a conclusão desta fase, o magistrado sentir-se-á preparado para reestudar</p><p>aos autos e prolatar sentença.</p><p>O objetivo dos quesitos deveria ser, unicamente o de ver esclarecidos os pontos</p><p>que cada parte considera relevantes segundo sua estratégia operacional, dentro do</p><p>processo.</p><p>2.1 Momento para apresentação dos Quesitos</p><p>Considerando que a prova pericial já deve ser requerida pelo Autor em sua peça</p><p>Inicial e, no caso do Réu, quando da apresentação de sua Contestação; é possível incluir</p><p>com estas duas peças processuais os quesitos sobre o que se quer ver esclarecido com o</p><p>trabalho pericial.</p><p>2.2 Categorias ou Classes e Tipos de Quesitos</p><p>A literatura técnica de Perícia Contábil classifica os quesitos para que se torne</p><p>mais fácil seu entendimento e propicia um enquadramento didático mais adequado.</p><p>Com o escopo, consegue-se definir 6 (seis) categorias e 12 (doze) tipos de</p><p>quesitos. Esta classificação tem o único objetivo de facilitar o entendimento e, como</p><p>consequência, facilitar o entendimento do tema quesitos.</p><p>CATEGORIAS OU CLASSES TIPOS</p><p>1. Quanto ao OBJETO a) Pertinentes</p><p>b) Impertinentes</p><p>2. Quanto à RELEVÂNCIA a) Relevantes</p><p>b) Irrelevantes</p><p>3. Quanto à LEGALIDADE a) Deferidos</p><p>b) Indeferidos</p><p>4. Quanto à INTENÇÃO do</p><p>perquirente</p><p>a) Claros</p><p>b) Dúbios</p><p>5. Quanto ao CONTEÚDO a) Técnico/contábeis</p><p>b) Jurídicos</p><p>6. Quanto à ORIGEM a) Formulados pelas partes</p><p>b) formulados pelo Magistrado e/ou</p><p>Promotor</p><p>4</p><p>Independentemente da categoria e do tipo de quesito, desde que deferidos pelo</p><p>MM. Juiz, devem ser respondidos pelo perito, inclusive quando a resposta for para dizer</p><p>que não apresentará resposta alguma, e, neste caso, deve dizer claramente por que não</p><p>responde. Por outro lado, são inadmissíveis as respostas do tipo SIM e NÃO. Seja em um</p><p>ou em outro caso, as respostas devem conter as razões de por que SIM e de por que NÃO.</p><p>O ideal é que as respostas sejam concisas sem serem do tipo SIM e NÃO.</p><p>2.3 Lógica dos Quesitos</p><p>Os quesitos devem ser redigidos de forma lógica e seriada, de maneira a conduzir</p><p>o raciocínio para se chegar a determinada conclusão desejada.</p><p>O perito deve orientar os quesitos, quando estiver atuando pelas partes. Os</p><p>quesitos devem resultar de um esforço conjunto entre o contador e o advogado de modo</p><p>a possuírem uma forma lógica competente para se chegar às conclusões desejadas como</p><p>provas.</p><p>Se, por exemplo, o que se deseja provar é que o registro realizado pela empresa</p><p>vale como prova de que um capital foi integralizado regularmente, com recursos dos</p><p>sócios, os quesitos podem ser:</p><p>1) A empresa .......... possui escrita regular, na forma da legislação do país e de acordo</p><p>com os preceitos contábeis?</p><p>2) Em ......... realizou registro de aumento de capital?</p><p>3) Tal registro está lastreado em documento hábil?</p><p>4) O registro está feito de acordo com as normas contábeis usuais?</p><p>5) O capital aumentado foi integralizado?</p><p>6) A integralização processou-se em dinheiro?</p><p>7) As contas usadas para o registro são adequadas?</p><p>8) O aumento de capital está regularmente comprovado e registrado na forma contábil?</p><p>O último quesito é a “conclusão” que se desejava. Para isto, redigiu-se o quesito</p><p>procurando mostrar:</p><p>1) Que a empresa tem escrita regular – logo com força de prova perante terceiros.</p><p>2) Que realizou aumento de capital.</p><p>3) Que há documento hábil do evento.</p><p>4) Que o registro contábil foi feito corretamente.</p><p>5) Que o capital foi integralizado.</p><p>5</p><p>6) Que as contas usadas para o registro da integralização foram as corretas e que se</p><p>processou em dinheiro.</p><p>7) Que o registro em dinheiro está registrado nas contas devidas.</p><p>Logo:</p><p>8) O aumento de capital foi regular, o registro também regular, logo, produzindo plena</p><p>prova.</p><p>Houve toda uma lógica conduzindo os quesitos. O que se necessita é “sequência</p><p>lógica”, ou ainda, organização mental para redigir quesitos.</p><p>2.4 Requisitos das Respostas no Laudo</p><p>As respostas aos quesitos que motivam um laudo devem ter os seguintes</p><p>requisitos:</p><p> Objetividade;</p><p> Justificação;</p><p> Rigor tecnológico;</p><p> Precisão;</p><p> Complementação (quando necessária);</p><p> Clareza</p><p>6</p><p>3 LAUDO PERICIAL CONTÁBIL</p><p>Laudo é o produto do trabalho pericial em que o especialista se pronuncia</p><p>sobre questões submetidas à sua apreciação.</p><p>O Laudo é a peça probante escrita, na qual o perito contador expõe, de</p><p>forma circunstanciada, as observações e estudos que fizeram e registram as conclusões</p><p>fundamentadas da perícia.</p><p>A redação do laudo deve ser abrangente e expor os pormenores ligados à</p><p>demanda. Deve esclarecer com base na Ciência Contábil a essência dos fatos colocados</p><p>à apreciação do perito.</p><p>O Juiz não está limitado ao Laudo Pericial Contábil, podendo formar a sua</p><p>convicção com outros elementos ou fatos provados nos autos. É importante frisar que o</p><p>Juiz é livre para apreciar as provas, pode inclusive aceitar um parecer técnico juntado com</p><p>a Inicial ou a Contestação e não o Laudo Pericial Contábil.</p><p>O laudo pericial contábil é peça técnica da lavra do perito nomeado. Pode</p><p>ser elaborado em cumprimento à determinação judicial, arbitral ou ainda por força de</p><p>contratação. No primeiro caso, surge o laudo pericial contábil judicial. Nos demais casos,</p><p>surge o laudo pericial contábil extrajudicial, um por solicitação de Tribunal Arbitral, e</p><p>outro em decorrência de contrato.</p><p>Laudo é uma palavra que provém da expressão verbal latina substantivada</p><p>laudare (laudo, laudare), no sentido de “pronunciar”.</p><p>O laudo é, de fato, um pronunciamento ou manifestação de um especialista, ou</p><p>seja, o que entende ele sobre uma questão ou várias, que se submetem a sua apreciação.</p><p>Laudo pericial contábil é uma peça tecnológica que contém opiniões do perito</p><p>contador, como pronunciamento, sobre questões que lhe são formuladas e que requerem</p><p>seu pronunciamento.</p><p>3.1 Laudos Coletivos</p><p>Em muitos casos, conforme exigência legal ou interesse de quem requer a</p><p>perícia, o trabalho é feito por mais de um profissional.</p><p>Como o trabalho é coletivo, podem ocorrer: concordância plena, concordância</p><p>parcial e ou discordância total entre os peritos.</p><p>Laudo Coletivo é aquele realizado por uma junta de peritos, ou seja, por mais</p><p>de um profissional e pode provocar concordância ou discordância entre eles.</p><p>7</p><p>Laudo Discordante ou Divergente é elaborado pelo perito contador assistente</p><p>quando discorda do laudo oficial, sempre embasado com razões da discordância.</p><p>No caso de “discordância”, é preciso que o perito não só apresente seu ponto de</p><p>vista, como também o justifique e argumente porque discorda.</p><p>Laudo de Consenso acontece quando os peritos assistentes concordam</p><p>totalmente com o laudo pericial do perito judicial, ratificam todas as informações,</p><p>respostas e observações efetuadas no laudo elaborado pelo perito oficial.</p><p>O consenso pode ser de apenas um dos peritos assistentes, com a discordância</p><p>do outro, o que pode ser consenso parcial.</p><p>3.2 Estrutura dos Laudos</p><p>Não existe um padrão de laudo, mas existem formalidades que compõem a</p><p>estrutura dos mesmos.</p><p>A Norma NBC TP 01 coloca que a estrutura do Laudo deve conter, no mínimo,</p><p>os seguintes itens:</p><p>a) identificação do processo e das partes;</p><p>b) síntese do objeto da perícia;</p><p>c) metodologia adotada para os trabalhos periciais;</p><p>d) identificação das diligências realizadas;</p><p>e) transcrição e resposta aos quesitos: para o laudo pericial contábil;</p><p>f) transcrição e resposta aos quesitos: para o parecer pericial contábil, onde houver</p><p>divergência, transcrição dos quesitos, respostas formuladas pelo perito-contador</p><p>e as respostas e comentários do perito-contador assistente;</p><p>g) conclusão;</p><p>h) anexos;</p><p>i) apêndices;</p><p>j) assinatura do perito: fará constar sua categoria profissional de contador e o seu</p><p>número de registro em Conselho Regional de Contabilidade, comprovada</p><p>mediante Declaração de Habilitação Profissional - DHP. É permitida a utilização</p><p>da certificação digital, em consonância com a legislação vigente e as normas</p><p>estabelecidas pela Infra-Estrutura de Chaves Públicas Brasileiras - ICP-Brasil.</p><p>8</p><p>3.3 Estética do Laudo</p><p>A estética do laudo pericial envolve dois aspectos a serem considerados pelo</p><p>perito.</p><p>O primeiro deles deve ter sempre presente que seu trabalho não será apreciado</p><p>apenas pelo que nele consta, mas também pela forma gráfica que adotou. Deve ser um</p><p>trabalho bonito de ver, atrativo para seus leitores.</p><p>O segundo deles refere-se a que o perito deve oferecer o laudo pericial contábil de</p><p>forma a possibilitar uma leitura fácil e é necessário levar em conta alguns aspectos</p><p>gráficos.</p><p>O texto deve ser disposto considerando uma margem esquerda de no mínimo três</p><p>centímetros e de 1,5 centímetros de margem direita e margens superiores e inferiores de</p><p>2,5 centímetros cada uma. Especial atenção para a margem esquerda, pois o laudo pericial</p><p>contábil, quando juntado aos autos, sem essa margem, sem espaço conveniente, tem sua</p><p>leitura prejudicada, já que parte do texto ficará encoberto.</p><p>Quando o laudo pericial contábil for construído por meio de perguntas e respostas,</p><p>é pertinente transcrever o quesito e sua resposta em folha específica, apresentando, em</p><p>destaque, nesta, a pergunta e pôr sua vez a resposta oferecida.</p><p>O texto deve ser datilografado ou digitado em espaço um e meio. Referido espaço</p><p>permite a leitura na horizontal, enquanto o texto com linhas muito juntas umas das outras</p><p>provoca leitura na forma oblíqua, obrigando o leitor a retornar ao início do texto.</p><p>O tamanho da letra utilizada no texto é outro aspecto a ser considerado. É</p><p>recomendado para o texto normal o tamanho 12, enquanto, para títulos de cada capítulo,</p><p>o tamanho 14.</p><p>Todas as recomendações tem um denominador comum. São recomendações todas</p><p>voltadas para permitir uma boa estética do trabalho pericial, transformando o ato de ler</p><p>num momento agradável.</p><p>3.4 Anexos dos Laudos</p><p>Os anexos de um laudo pericial são “esclarecimentos” ou “análises” das matérias</p><p>descritas nas respostas dos quesitos. Visam ensejar que sejam mais “concisas” as</p><p>respostas, deixando os detalhes para os anexos, ou apresentar comprovações da matéria</p><p>que se acha descrita.</p><p>9</p><p>O perito, todas as vezes que necessitar “esclarecer”, dar mais força a seus</p><p>argumentos, deve apelar para os anexos.</p><p>Pode-se também listar os anexos e os documentos. Exemplo:</p><p>Anexo nº 1: Cópia do contrato de compra e venda de quotas da sociedade.........</p><p>Anexo nº 2: Inventário de mercadorias na data .........</p><p>Anexo nº 3: Demonstração de valor da quota.........</p><p>Isto não dispensa a referência no texto que é o da resposta ao quesito, ao número</p><p>do anexo. Os anexos devem ser pertinentes ao assunto de cada quesito, ou seja, devem</p><p>referir-se à matéria objetivamente.</p><p>Como o perito deve guardar cópia de seu trabalho para seu controle, os anexos</p><p>ao laudo também devem fazer parte de seu arquivo.</p><p>3.5 Laudo Insuficiente</p><p>Laudo insuficiente é aquele que não esclarece tudo o que dele se espera como</p><p>meio de entendimento sobre uma questão ou várias que tenham sido formuladas,</p><p>Um laudo será insuficiente quando suas opiniões não forem satisfatoriamente</p><p>esclarecedoras para quem o requereu ou dele vai necessitar como prova.</p><p>Pequenos erros de cálculos, exclusões de detalhes e documentos irrelevantes,</p><p>falta de análises de particularidades não decisivas em face do julgamento são</p><p>imperfeições, mas não insuficiências competentes para que um laudo seja considerado</p><p>defeituoso por insuficiência de dados.</p><p>Não escapa de julgamento de laudo insuficiente aquele que tem como resposta a</p><p>evasiva ou uma declaração de incapacidade de apuração quando na realidade a apuração</p><p>era possível.</p><p>3.5.1 Esclarecimento de Laudo</p><p>O Laudo de Esclarecimento é o meio pelo qual o perito oficial responde às</p><p>críticas constantes nos pareceres técnicos divergentes ou parcialmente divergentes e/ou</p><p>responde às críticas apresentadas pelos procuradores das partes.</p><p>O laudo</p><p>insuficiente é geralmente o que omite ou distorce; o laudo que enseja</p><p>esclarecimento é o que não omite, não distorce, mas permite interpretação duvidosa.</p><p>Existem expressões que podem permitir duplo sentido ou que possam conduzir</p><p>a entendimentos opostos.</p><p>10</p><p>Por exemplo, a uma pergunta objetiva (quesito claro) pode corresponder uma</p><p>resposta “subjetiva” ou “duvidosa”:</p><p>Os anexos do contrato........ esclarecem sobre a situação da empresa em ......... e deles</p><p>consta uma dívida de R$..........?</p><p>Resposta: A esse perito não foram apresentados os anexos.</p><p>No caso, o perito não afirma se os anexos existem ou não e não responde à</p><p>pergunta objetivamente.</p><p>A parte pode ter subtraído os anexos e eles serem parte essencial para a decisão</p><p>do assunto.</p><p>3.5.2 Nomeação de Novo Perito e Nova Perícia</p><p>Quando o laudo de esclarecimento não satisfizer às necessidades para o</p><p>julgamento do feito, seja por críticas feitas pelas partes ou por impedimentos de qualquer</p><p>natureza, ou por decisão do próprio juiz, principalmente por não alcançar a verdade real</p><p>que lhe dá a convicção dos fatos que servem de fundamento para que possa prolatar uma</p><p>sentença, nova perícia será determinada. Esta sempre será realizada por outro</p><p>profissional.</p><p>3.6 Esclarecimentos em Audiência</p><p>Para atender às conveniências das partes e dar rapidez à prolação da sentença, o</p><p>magistrado, por própria decisão ou a requerimento, pode convocar o perito de confiança</p><p>do juízo a participar de uma audiência de instrução. Sua convocação tem o objetivo de</p><p>esclarecer, de viva voz, os pontos do laudo pericial que tiverem ficado dúbios.</p><p>3.7 Limites da Pertinência a opinião no Laudo pericial</p><p>Se o perito consegue perceber o que não foi perguntado mas que influi na</p><p>decisão, deve, a serviço da justiça e da qualidade de seu trabalho, transcender o que foi</p><p>inquirido.</p><p>As partes podem, no calor do processo ou por omissão, formular quesitos</p><p>defeituosos que prejudicam o julgamento; se o perito consegue detectar tais erros, deve</p><p>emitir sua opinião, ainda que não requerida na solicitação feita pelas partes litigantes.</p><p>11</p><p>É da essência do trabalho do perito do juiz auxiliar o magistrado no sentido de</p><p>uma decisão adequada.</p><p>3.8 Entrega do Laudo</p><p>O laudo deve ser entregue através do cartório que serve ao Juízo, acompanhado</p><p>de petição endereçada ao Juiz e com a identificação dos autos. A entrega deve ser feita</p><p>no prazo legal ou observada a prorrogação estipulada pelo juiz (CPC, art. 476).</p><p>A formalização de entrega deve obedecer à natureza e às formalidades de cada</p><p>caso; nas perícias administrativas, uma carta ou um ofício; nas judiciais a petição ao juiz</p><p>para anexação aos autos.</p><p>O laudo é compromisso em tempo determinado e por isso sua entrega deve ser</p><p>sempre comprovada.</p><p>3.8.1 Prazo Para Entrega do Laudo</p><p>O juiz fixa prazo para a elaboração do trabalho do perito, ou seja, para a entrega</p><p>do laudo.</p><p>O Art. 465 do Código de Processo Civil estabelece claramente:</p><p>“O juiz nomeará perito especializado no objeto da perícia e fixará de imediato o prazo</p><p>para a entrega do laudo”</p><p>Na prática, entre juiz e perito, e é comum o juiz atender ao perito, estabelece-se</p><p>o prazo estimado na base da carga horária de trabalho que vai ser requerida.</p><p>O Art. 477 estabelece:</p><p>“O perito protocolará o laudo em juízo, no prazo fixado pelo juiz, pelo menos 20</p><p>(vinte) dias antes da audiência de instrução e julgamento”.</p><p>“§ 1º As partes serão intimadas para, querendo, manifestar-se sobre o laudo do</p><p>perito do juízo no prazo comum de 15 (quinze) dias, podendo o assistente técnico</p><p>de cada uma das partes, em igual prazo, apresentar seu respectivo parece”</p><p>O prazo do juiz pode ser preterido. Em geral, os juízes concedem prorrogação</p><p>de prazos, quando requerido.</p><p>12</p><p>3.9 DICAS PARA O LAUDO</p><p>Respostas objetivas e diretas: deve-se ir diretamente ao assunto e sem rodeios</p><p>quando formar a resposta.</p><p>Muito cuidado:</p><p>1) para não fazer julgamento, isto não é atribuição do perito;</p><p>2) não gerar opiniões polêmicas;</p><p>3) fundamentar de forma científica a resposta dos quesitos.</p>