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<p>(</p><p>DISCIPLINA</p><p>) (</p><p>DOIS</p><p>) (</p><p>PROFESSOR</p><p>)</p><p>ÍNDICE</p><p>Aula</p><p>Conteúdo</p><p>Página</p><p>01</p><p>Iluminismo e o Pensamento Moderno</p><p>02</p><p>Revolução Francesa</p><p>03</p><p>Desenvolvimento Industrial do Séc. XIX</p><p>04</p><p>Imperialismo</p><p>05</p><p>Expansão Norte-Americana e Japonesa</p><p>06</p><p>A Primeira Guerra Mundial</p><p>07</p><p>A Revolução Russa</p><p>08</p><p>Crise de 29</p><p>09</p><p>Regimes Totalitários</p><p>10</p><p>A Segunda Guerra Mundial</p><p>11</p><p>Guerra Fria</p><p>12</p><p>A Descolonização da Ásia e da África</p><p>Sem saber que era impossível, ele foi lá e fez!</p><p>Acredite no seu sonho, invista em você!</p><p>Atendimento ao Aluno: (85) 3491 4000</p><p>Aula 01</p><p>O ILUMINISMO E O PENSAMENTO MODERNO</p><p>O desenvolvimento do capitalismo nos séculos XVII e XVIII foi acompanhado pela crescente importância da burguesia. Essa classe social tomava cada vez mais consciência de seus interesses e formulava críticas à sociedade do Antigo Regime.</p><p>O que era o Antigo Regime?</p><p>Antigo Regime é uma expressão que designa as sociedades da Idade Moderna durante a transição do feudalismo para o capitalismo.</p><p>Essas sociedades tinham como principais características NO SETOR:</p><p>político</p><p>o poder absoluto dos reis.</p><p>social</p><p>a divisão do povo em estamentos, onde</p><p>se distinguiam ordens privilegiadas pelo nascimento e camadas desfavorecidas.</p><p>econômico</p><p>as relações feudais em convivência e conflito com as relações capitalistas. Através do mercantilismo, o Estado intervinha na vida econômica e impulsionava o sistema colonial.</p><p>cultural</p><p>a intolerância religiosa e filosófica. O Estado e a Igreja intervinham na consciência individual das pessoas.</p><p>A relação entre o comércio</p><p>e os valores iluministas</p><p>Ao lutar contra os privilégios da nobreza, a burguesia foi elaborando um sistema de idéias que refletia seus objetivos sociais: o liberalismo burguês. Esse sistema de idéias ganhou grande expressão na França e na Inglaterra do século XVIII, através do movimento cultural conhecido como Iluminismo, Ilustração ou Filosofia das Luzes.</p><p>Segundo o sociólogo Lucien Goldmann (1913- 1970) os valores fundamentais do Iluminismo podem ser relacionados ao comércio, que sempre representou uma das principais atividades econômicas da burguesia.</p><p>Vejamos então quais eram esses valores e sua relação com o comércio:</p><p>Igualdade:</p><p>no ato de comércio, isto é, no ato de compra e venda, todas as eventuais desigualdades sociais entre compradores e vendedores não têm importância. Na compra e venda, o que efetivamente importa é a igualdade jurídica dos participantes do ato comercial.</p><p>Por isso, os iluministas defendiam que todos deveriam ser iguais perante a lei. Ninguém teria, então, privilégios de nascença como os da nobreza. Entretanto, a igualdade jurídica não significava igualdade econômica. No plano econômico a maioria dos iluministas acreditava que a desigualdade correspondia à natureza das coisas.</p><p>Tolerância religiosa ou filosófica</p><p>na realização do ato comercial, não importam as convicções religiosas ou filosóficas dos participantes. Do ponto de vista meramente econômico, a burguesia compreendeu que seria irracional excluir compradores ou vendedores em função de suas crenças ou convicções pessoais. Fosse muçulmano, judeu, cristão ou ateu, a capacidade econômica das pessoas se definia pela lógica de ter e não pela lógica do ser.</p><p>Liberdade pessoal e social</p><p>a atividade comercial burguesa só poderia desenvolver-se numa economia de mercado, onde existisse o jogo livre da oferta e da procura. Por isso, a burguesia se opôs à escravidão humana e passou a defender uma sociedade livre. Afinal, sem trabalhadores livres recebendo salários, não poderia haver mercado comercial.</p><p>Propriedade privada</p><p>o comércio também só é possível entre proprietários de bens ou de dinheiro. O proprietário pode comprar ou vender porque tem o direito de usar e dispor livremente de seus bens. Assim, a burguesia sempre defendeu o direito à propriedade privada, que é uma característica essencial da sociedade capitalista.</p><p>Os novos valores burgueses chocavam-se com uma nova série de elementos das sociedades do Antigo Regime. Portanto, o Iluminismo combatia:</p><p>O absolutismo monárquico: porque tal sistema protegia a nobreza e mantinha seus privilégios. O absolutismo era considerado injusto por impedir o predomínio pleno da burguesia.</p><p>O mercantilismo: porque a intervenção do Estado na vida econômica (própria do mercantilismo) era considerada prejudicial ao individualismo burguês, à livre iniciativa, e ao desenvolvimento espontâneo do capitalismo.</p><p>O poder da Igreja: porque esse poder baseava-se em verdades reveladas pela fé. E isso chocava-se com autonomia intelectual defendida pelo individualismo e pelo racionalismo burguês. Assim, os iluministas queriam que os princípios religiosos fossem substituídos por princípios científicos, baseados na razão. A burguesia não estava interessada em fé ou teologia, mas sim no desenvolvimento das técnicas de produção, na engenharia mecânica, na química e na física.</p><p>OS GRANDES PENSADORES ILUMINISTAS</p><p>São vários os grandes pensadores europeus ligados ao movimento iluminista. Ente eles, vamos destacar os seguintes:</p><p>Montesquieu (1689-1755): jurista francês que escreveu O espírito das leis. Nessa obra, defendeu a separação dos poderes do Estado em legislativo, executivo e judiciário, como forma de evitar abusos dos governantes e de proteger as liberdades individuais.</p><p>Voltaire (1694-1778): um dos mais famosos pensadores do iluminismo. Com seu estilo literário irônico e vibrante, destacou-se pelas críticas que fazia ao clero católico, à intolerância religiosa e à prepotência dos poderosos.</p><p>Em termos políticos não era propriamente um democrata, mas defensor de uma monarquia respeitadora das liberdades individuais, governada por um soberano esclarecido. Tornou-se marcante sua posição em defesa da liberdade de pensamento através de sua célebre frase:</p><p>Posso não concordar</p><p>com nenhuma das palavras que você diz,</p><p>mas defenderei até a morte</p><p>o direito de você dizê-las.</p><p>Diderot (1713-1784) e d´Alembert (1717-1783): os</p><p>principais organizadores de uma enciclopédia de 33 volumes que pretendia resumir os principais conhecimentos da época nos campos artístico, científico e filosófico.</p><p>A Enciclopédia contou com a colaboração de numerosos autores, entre os quais se destacam: Buffon, Montesquieu, Turgot, Condorcet, Voltaire, Hobach e Rousseau. Ela exerceu grande influência sobre o pensamento político burguês, defendendo, em linhas gerais, o racionalismo, a independência do Estado em relação à Igreja e a confiança no progresso humano através das realizações científicas e tecnológicas.</p><p>Rousseau (1712-1778): Jean-Jacques Rousseau nasceu em Genebra, na Suíça, transferindo-se para a França em 1742, onde escreveu suas grandes obras. Entre elas podemos destacar O contrato social, na qual expôs a tese de que o soberano deveria conduzir o Estado segundo a vontade geral de seu povo, sempre tendo em vista o atendimento do bem comum. Somente esse Estado, de bases democráticas, teria condições de oferecer a todos os cidadãos um regime de igualdade jurídica. Em outra de suas importantes obras, o Discurso sobre a origem da desigualdade entre os homens, Rousseau exaltou as virtudes da vida natural e atacou a corrupção, a avareza e os vícios da sociedade civilizada. Fez inúmeros elogios à liberdade de que desfrutava o selvagem, na pureza do seu estado natural, contrapondo-o à falsidade e ao artificialismo do homem civilizado.</p><p>Rousseau tornou-se célebre como defensor da pequena burguesia e inspirador dos ideais presentes na Revolução Francesa.</p><p>Os valores do Iluminismo aplicados à vida social política também se manifestaram na teoria econômica através da escola fisiocrática e da escola do liberalismo econômico.</p><p>Os fisiocratas: o principal economista representante da teoria fisiocrática foi François Quesnay (1694-1774), que se opunha à intervenção do Estado na vida econômica. O termo fisiocrata vem do grego fisis, natureza, e cratos, poder. Em sua obra Fisiocracia, o governo da natureza., Quesnay sustenta</p><p>tecnológico, pois a utilização das máquinas ampliou bastante a produção de mercadorias, transformou profundamente as relações entre o capital e o trabalho. A partir desta compreensão, assinale a alternativa correta.</p><p>a) A industrialização modificou o fluxo migratório, e os deslocamentos passaram a ser das cidades para as zonas rurais, pois nestas houve a instalação de maquinarias, em larga escala.</p><p>b) Os trabalhadores, no manuseio das máquinas, passaram a ter um maior controle sobre a produção, determinando, inclusive, a quantidade de mercadorias fabricadas.</p><p>c) O sistema de fábrica, no qual o capital manipula o conhecimento essencial para o processo produtivo, possibilitou uma maior hierarquização e disciplina no trabalho.</p><p>d) A reunião de trabalhadores nas fábricas, produzindo, harmoniosamente, mercadorias, simbolizou o triunfo do coletivismo sobre o individualismo burguês.</p><p>e) A Revolução Industrial, ao suprir uma carência do mercantilismo, ou seja, a ampliação do mercado de trabalho, inviabilizou a propagação das idéias liberais.</p><p>05. CEFET 2007.1</p><p>“Proletários de todos os países, uni-vos.”. Esse trecho, do Manifesto Comunista de Marx e Engels, foi escrito inspirado num contexto histórico marcado:</p><p>a) pelos conflitos entre trabalhadores e patrões nos países capitalistas que começaram a partir da Revolução Russa</p><p>b) pelas contradições políticas, econômicas e sociais decorrentes da Revolução Industrial</p><p>c) pelo imperialismo norte-americano que firmava os Estados Unidos como maior potência mundial</p><p>d) pelo conflito de interesses entre vassalos e suseranos durante a crise do Feudalismo</p><p>e) pelos movimentos de contestações aos regimes autoritários da Europa no início do século XX</p><p>06. UFC 2004</p><p>Apesar de alguns de seus aspectos fundamentais terem surgido anteriormente, a Revolução Industrial desenvolve-se, principalmente, no século XIX. Na Inglaterra e também no nordeste dos Estados Unidos, na futura Alemanha e na França, as atividades econômicas mudam.</p><p>Assinale a alternativa que contém o aspecto da atividade econômica da Revolução Industrial ao qual correspondem as seguintes características: fabricação em série, fabricação a custo menor e fabricação em grande quantidade.</p><p>a) Desenvolvimento do comércio.</p><p>b) Crescimento da produção manufatureira.</p><p>c) Exploração dos recursos naturais.</p><p>d) Desenvolvimento do transporte.</p><p>e) Importação dos produtos manufaturados das colônias.</p><p>07. UFC 2003</p><p>Podemos definir o crescimento industrial inglês, como um processo longo e complexo, que se inicia com produção doméstica, com instrumentos simples e sem que a energia do vapor tenha contribuído muito. Mais tarde a situação se modifica com o surgimento de novas tecnologias. É característica desta segunda fase:</p><p>a) o surgimento da fábrica, com meios de produção pertencentes a um empresário que utiliza trabalho assalariado.</p><p>b) o trabalho em oficinas, com controle corporativo da produção manual e com meios de produção pertencentes a um capitalista.</p><p>c) a utilização do trabalho assalariado de artesãos que dominam o processo produtivo.</p><p>d) a propriedade coletiva dos meios de produção e estatização do comércio.</p><p>e) o surgimento de cooperativas para a compra de matérias-primas e sua manufatura, utilizando trabalho assalariado.</p><p>08. UECE 2003.2</p><p>“O amontoado das casas, os estaleiros navais de ambos os lados, os inumeráveis navios alinhados ao longo das duas margens(...) tudo isto é tão grandioso, tão enorme, que se fica estupefato com a grandeza da Inglaterra, mesmo antes de se pisar solo inglês”.</p><p>Fonte: Engels, Friedrich- A Condição da Classe Trabalhadora na Inglaterra apud Bresciani, Maria Stella M. Londres e Paris no Século XIX. São Paulo, Brasiliense, 1982. Coleção Tudo é História. Vol. 52. p.23.</p><p>O Texto acima relata a situação da Inglaterra pós Revolução Industrial, sobre essa revolução é correto afirmar:</p><p>a) A Revolução Industrial provocou a valorização do trabalho e, em consequência, dos trabalhadores.</p><p>b) O sistema de água encanada e de esgotos, característico das cidades industriais, erradicou a epidemias no século XIX.</p><p>c) O crescimento desordenado das cidades, fruto da Revo-lução Industrial, aumentou os níveis de miséria, prostitu-ição e violência.</p><p>d) O aumento da produção de alimentos e seu barateamento melhoraram os níveis nutricionais dos habitantes das cidades.</p><p>09. UNICE 1999.1</p><p>A Revolução Industrial provocou uma mudança radical à sociedade. Assinale a opção que identifica tais modificações:</p><p>a) Origem da classe operária, repúdio ao artesão, ascensão da burguesia e mecanização do trabalho.</p><p>b) Ascensão da burguesia, maior importância ao artesão, menores custos de produção e mais empregos.</p><p>c) Surgimento da ferrovia, menor desemprego no campo e alargamento dos mercados.</p><p>d) (D) Surgimento da ferrovia, da indústria do aço e petróleo; redução dos conflitos sociais</p><p>10. UFC 2000.1</p><p>Leia, com atenção, o comentário abaixo apresentado.</p><p>"O século XIX começou a empregar a mulher, sem reservas, no processo produtivo, fora do âmbito doméstico."</p><p>(BENJAMIN, Walter. "Charles Baudelaire. Um Liríco no Auge do Capitalismo." In: Obras Escolhidas. v. III. São Paulo: Brasiliense, 1989, p. 91.)</p><p>Tendo como referência o comentário lido, considere as afirmativas que se relacionam à participação da mulher nas atividades industriais:</p><p>I - A abertura do mercado de trabalho para as mulheres resultou da pressão do Movimento Feminista no meio sindical.</p><p>II - A absorção da mão-de-obra feminina nas indústrias associava-se à baixa remuneração, que lhe era destinada.</p><p>III - A oferta de emprego às mulheres resultou da influência da doutrina da Igreja Anglicana na política trabalhista inglesa.</p><p>IV - O engajamento da mulher no setor da produção industrial ainda a mantinha submissa ao homem.</p><p>Assinale a alternativa correta:</p><p>a) somente a I é verdadeira.</p><p>b) somente a II e a III são verdadeiras.</p><p>c) somente a II e a IV são verdadeiras.</p><p>d) somente a III e a IV são verdadeiras.</p><p>e) somente a III e a IV são falsas.</p><p>Gabarito</p><p>01</p><p>02</p><p>03</p><p>04</p><p>05</p><p>06</p><p>07</p><p>08</p><p>09</p><p>10</p><p>C</p><p>B</p><p>C</p><p>ND</p><p>B</p><p>B</p><p>A</p><p>C</p><p>A</p><p>C</p><p>Aula 04</p><p>IMPERIALISMO</p><p>O CAPITALISMO FINANCEIRO E MONOPOLISTA</p><p>Na segunda metade do século XIX, a economia capitalista entrou em nova fase de sua história caracterizando uma Segunda Revolução Industrial. Entre os fatores que contribuíram para as modificações que ocorreram estavam:</p><p>· Progresso técnico e científico.</p><p>· Criação de novas indústrias.</p><p>· Extraordinário avanço dos meios de transporte e de comunicação.</p><p>· Grande acúmulo de capitais e concentração de riquezas.</p><p>Todos esses fatores estavam interligados. Assim, o progresso técnico e científico levou à utilização de novas fontes de energia (eletricidade e petróleo), contribuindo para a criação de novas indústrias nos setores químico e eletrotécnico.</p><p>Esse progresso técnico e industrial também provocou uma revolução nos transportes (locomotiva elétrica, motor a gasolina, automóvel, motor a diesel) e nas comunicações (telégrafos, telefone, fonógrafo).</p><p>Tudo isso somado contribuiu para a expansão do comércio, a integração da economia em escala mundial e um enorme acúmulo de capitais entre os empresários das grandes potências.</p><p>Essa nova fase da economia capitalista foi marcada justamente por essa concentração econômica da produção e do capital em torno de grandes empresas ou associações de empresas.</p><p>Como ocorreu essa concentração econômica?</p><p>A livre concorrência das empresas capitalistas</p><p>transformou-se numa verdadeira batalha de preços. Nessa batalha as empresas mais poderosas foram vencendo as mais fracas.</p><p>As empresas vencedoras na luta dos negócios</p><p>foram concentrando capitais e dominando toda a produção em certos setores. Surgiram, então, os monopólios industriais, que eliminavam a concorrência e podiam fixar preços em busca de maiores lucros.</p><p>O processo de concentração econômica também se desenvolveu no setor bancário. Os grandes bancos acabaram associando-se às grandes indústrias para financiar seus investimentos e participar</p><p>dos lucros de seus projetos.</p><p>A fusão do capital bancário com o capital industrial marcou esta nova fase do capitalismo, conhecido como capitalismo financeiro e monopolista.</p><p>O capitalismo financeiro e monopolista caracterizou-se pelo:</p><p>Grande aumento da produção industrial,</p><p>que para ser vendida necessitava a ampliação dos mercados consumidores.</p><p>Grande acúmulo de capitais,</p><p>que precisavam ser investidos em novos projetos lucrativos.</p><p>No entanto, a venda da produção industrial e a realização de novos investimentos de capitais estavam limitados pelas barreiras impostas dentro do mercado interno das grandes potências capitalistas. É que todas as grandes nações tomavam medidas protecionistas dificultando a invasão de seus próprios mercados pelos países concorrentes.</p><p>O NEOCOLONIALISMO</p><p>O objetivo do neocolonialismo era a repartição econômica e política do mundo entre as grandes potências capitalistas.</p><p>A solução que o capitalismo financeiro encontrou para conseguir novos mercados e exportar capitais foi expandir em diversas regiões da África e da Ásia. Para isso, as grandes potências adotaram uma política imperialista, passando a dominar outros países do mundo. O imperialismo moderno foi responsável.</p><p>Área Principal de Dominação</p><p>África e Ásia</p><p>Fase do Capitalismo</p><p>Capitalismo financeiro e monopolista</p><p>Patrocinadores</p><p>Burguesia financeiro-industrial e Estados da Europa, América (EUA) e Ásia (Japão)</p><p>Objetivos Econômicos</p><p>• Reserva de mercado para a produção industrial</p><p>• Garantia de fornecimento de matérias-primas, como carvão, ferro, petróleo e metais preciosos</p><p>• Controle dos mercados para a exportação de capitais excedentes</p><p>Justificativa Ideológica</p><p>O homem branco tem a missão civilizadora de espalhar o progresso técnico-científico pelo mundo</p><p>A ideologia imperialista</p><p>A principal justificativa ideológica para o neocolonialismo do século XIX era a missão civilizadora das grandes potências, que tinham por obrigação difundir o progresso pelo mundo.</p><p>Dizia-se que a superioridade da civilização industrial do Ocidente tinha por base três elementos:</p><p>a) As características biológicas do povo (raça branca).</p><p>b) A fé religiosa (cristianismo).</p><p>c) O desenvolvimento técnico e científico (Revolução Industrial).</p><p>Assim, com base nessas idéias racistas e de superioridade cultural, criaram-se argumentos para justificar a exploração brutal de diferentes povos africanos e asiáticos.</p><p>Os grandes impérios coloniais na África e na Ásia</p><p>Entre as grandes potências européias que se lançaram à conquista colonial da África e Ásia estavam Bélgica, Alemanha e Itália (depois das unificações), Portugal e Espanha. Entretanto os maiores impérios coloniais foram construídos principalmente pela França e a Inglaterra.</p><p>França</p><p>A moderna conquista colonial francesa teve seu início em 1830, com a conquista da Argélia, situada ao norte da África. O domínio do território argelino foi assegurado por tropas especiais pertencentes à chamada Legião Estrangeira. Essas tropas eram formadas principalmente por criminosos e aventureiros em busca de recompensas materiais.</p><p>Com o decorrer do tempo, a França ampliou seus domínios coloniais na África, conquistando Senegal, Guiné, Costa do Marfim e Marrocos. Criou-se, assim, uma vasta região conhecida como África Ocidental Francesa e África Equatorial Francesa.</p><p>Na Ásia, a França conquistou a região da Indochina, que atualmente corresponde ao Vietnã, Camboja e Laos. Nessa área foram exploradas as plantações de seringueira para a fabricação da borracha.</p><p>INGLATERRA: a era vitoriana</p><p>De 1837 a 1901, a Inglaterra viveu sob o reinado da rainha Vitória. Durante esse longo período, atingiu o apogeu de sua política industrial e colonialista. Tornou-se a grande oficina do mundo, abastecendo os mercados mundiais com seus produtos industrializados.</p><p>No plano interno, o reinado da rainha Vitória foi marcado pela prosperidade industrial e comercial da burguesia inglesa, o puritanismo moral e a estabilidade política.</p><p>Sob a influência de líderes como Benjamim Disraeli e William Gladstone, consolidou-se o sistema parlamentarista de governo.</p><p>Todo esse processo de concentração de riquezas nas mãos da burguesia teve, em contrapartida, a intensa exploração da classe trabalhadora (proletariado industrial), duramente penalizada.</p><p>No plano externo, foi enorme a expansão colonialista do império britânico, que chegou a dominar um quinto da superfície do planeta.</p><p>Na África, os ingleses conquistaram vasta região, que incluía África do Sul, Orange, Rodésia, Tanganica, Quênia, Uganda e Sudão, além de manterem influência sobre o Egito.</p><p>A extração de diamantes e de ouro na região do Orange provocou lutas entre os ingleses, comandados pelo governador Cecil Rhodes, e os africanos de origem holandesa que habitavam a região, os bõeres. Esses confrontos ficaram conhecidos como a Guerra dos Bóeres (1899-1902), vencida pela Inglaterra.</p><p>Na Ásia, uma das principais regiões do imperialismo inglês foi a Índia, cuja dominação iniciou-se no século XVIII. Em 1857, grupos de indianos organizaram violenta revolta contra a exploração inglesa. Foi a Revolta dos Cipaios (1857-1858), brutalmente reprimida pela Inglaterra.</p><p>Inglaterra.</p><p>Considerada a dominação plena sobre os indianos, a rainha Vitória foi coroada, em 1876, imperatriz da Índia.</p><p>Outra importante região asiática onde atuava o imperialismo inglês era a China. Nessa região, os ingleses dedicaram-se principalmente ao comércio de ópio, que era cultivado na Índia para ser vendido aos chineses.</p><p>Quando, por volta de 1840, as autoridades do</p><p>governo chinês decidiram reprimir o comércio ilegal do ópio, os ingleses entraram em guerra contra a China.</p><p>A chamada Guerra do Ópio (1840-1842) só terminou com os chineses sendo obrigados a assinar o Tratado de Nanquim. Por esse tratado a Inglaterra conseguiu uma série de vantagens econômicas, como, por exemplo, o direito sobre a cidade portuária de Hong-Kong.</p><p>A dominação africana e asiática</p><p>O fenômeno da dominação imperialista européia sobre o continente africano é conhecido como Partilha da África.</p><p>Você pode observar, no mapa, que mais de 90% das terras africanas eram dominadas por nações européias, destacando-se, como já vimos a França e a Inglaterra.</p><p>Na Ásia, a expansão européia enfrentou fortes</p><p>resistências dos países da região, como China e Japão.</p><p>Entretanto, o poderio militar dos europeus, aliado ao dos Estados Unidos, foi vencendo, gradativamente, a resistência dos diversos povos asiáticos.</p><p>A partir de 1867, o próprio Japão entrou numa fase de rápida modernização de suas estruturas</p><p>econômicas e sociais, caminhando no sentido de tornar-se uma potência imperialista na Ásia.</p><p>Questões de Vestibulares</p><p>01. UECE 2008.1 FASE 2</p><p>O Movimento das Nacionalidades traz em si a concepção de Nacionalismo e reafirma os princípios liberais aplicados à idéia de Nação. Ao ressaltar elos étnicos, lingüísticos e culturais, criam o arcabouço ideológico de algumas unificações européias. Dos países unificados, no século XIX, destacam-se</p><p>a) a Itália e a Alemanha.</p><p>b) a Rússia e a Inglaterra.</p><p>c) a Áustria e a França.</p><p>d) a Prússia e a Suíça.</p><p>02. UNIFOR 2008.1 MEDICINA</p><p>Considere a gravura do “Petit Journal”, de 19 de novembro de 1911.</p><p>Representação da França no Marrocos no início do século XX.</p><p>(J M Gaillard e M Winter. Histoire. Rosny-sous-Bois:</p><p>Bréal, 2003. p. 103)</p><p>Nessa gravura, pode-se constatar aspectos da ideologia forjada nos países europeus para justificar o expansionismo colonial. Uma interpretação da gravura revela que um dos princípios dessa ideologia consistia</p><p>a) na difusão da idéia de que os povos dos países periféricos deveriam ter os mesmos direitos políticos previstos da Declaração dos Direitos do Homem.</p><p>b) na visão de que os europeus possuíam uma missão civilizatória, cabendo a eles ensinar aos povos atrasados os bons costumes de sua civilização.</p><p>c) no respeito das diferentes tradições religiosas dos povos conquistados, como forma de garantir a harmonia das relações comerciais e industriais.</p><p>d) na ajuda humanitária aos povos das regiões pobres,</p><p>visando protegê-los dos problemas decorrentes da falta de alimentos e dos focos de epidemias.</p><p>e) no repúdio às práticas discriminatórias fossem de ordem religiosa ou étnica, superadas desde a proclamação de direitos na Revolução Francesa.</p><p>03. UECE 2003.2</p><p>”De meados dos anos 1890 à grande guerra, a orquestra eco-nômica mundial tocou no tom maior de prosperidade.(...) A afluência, baseada no boom econômico, constituía o pano de fundo do que é ainda conhecido no continente europeu como “a bela época” (belle époque)”.</p><p>Fonte: Hobsbawm, Eric. A Era dos Impérios.</p><p>Rio de Janeiro, Paz e Terra. 1988. p73.</p><p>O Texto acima refere-se ao período conhecido como o da expansão Imperialista. Sobre o Imperialismo, é correto afirmar:</p><p>a) A sua expansão, no final do século XIX, ligou-se às transformações do sistema capitalista, modificações estas que marcaram o início do capitalismo liberal.</p><p>b) As mudanças econômicas características da época imperialista levaram progressivamente a uma pulverização de pequenas empresas do tipo individual ou familiar.</p><p>c) O imperialismo, no seu desenvolvimento, se fez mais pela via diplomática, científica e missionária e menos pela via militar.</p><p>d) As razões filantrópicas e humanitárias, assim como idéias da superioridade racial, eram apresentadas como justificativa da política imperialista.</p><p>04. UECE 1995.1</p><p>Na segunda metade do século XIX as grandes potências européias empreenderam uma política de expansão na direção das áreas produtoras de matérias-primas, como a África e a Ásia. Sobre esta partilha do mundo, podemos afirmar que:</p><p>a) ocorreu a partir de tratados diplomáticos pacíficos, em que foram respeitados os direitos e a independência dos países menos desenvolvidos</p><p>b) aumentaram os choques entre os países europeus na procura de mercados e matérias-primas, ocasionando as crises que levaram à Primeira Guerra Mundial</p><p>c) a partilha das áreas atrasadas gerou grandes conflitos com os povos nativos, contra os quais se uniram as grandes potências na Primeira Guerra Mundial</p><p>d) a luta das populações afetadas pela nova colonização tomou caráter continental, impedindo o avanço das empresas capitalistas na África</p><p>05. UECE 1995.2</p><p>O Imperialismo, conforme a definição de Lênin, caracteriza-se pelos seguintes aspectos, EXCETO:</p><p>a) concentração da produção e do capital em alto grau, resultando na formação de monopólios</p><p>b) fusão do capital bancário com o industrial e a criação, sobre a base desse "capital financeiro", da oligarquia financeira</p><p>c) exportação de mercadorias, diferentemente da exportação do capital, adquire uma importância particular</p><p>d) formação de associações internacionais monopolistas de capitais, as quais repartem entre si o mundo</p><p>06. UECE 1996.1</p><p>As unificações alemã e italiana, em 1860/1871, aconteceram, segundo os historiadores, a partir da chamada "via prussiana". Isto significa que:</p><p>a) foram realizadas de cima para baixo, isto é, a partir de uma aliança entre a burguesia e a aristocracia</p><p>b) as mudanças ocorridas naqueles países correspondiam às expectativas plenas dos trabalhadores</p><p>c) as mudanças foram feitas de baixo para cima, isto é, a partir de uma aliança entre setores populares e setores intelectuais da classe média</p><p>d) as transformações políticas na Itália e na Alemanha se verificaram a partir de intervenções de potências estrangeiras, especialmente da Prússia</p><p>07. UFC 1990.1</p><p>O imperialismo inglês do século XIX era justificado como prática política capaz de:</p><p>(01)</p><p>Levar a civilização inglesa às populações atrasadas da África e Ásia.</p><p>(02)</p><p>Desenvolver a coesão social das populações africanas para evitar os conflitos tribais.</p><p>(04)</p><p>Fortalecer as práticas culturais das populações nativas através da ação dos missionários.</p><p>(08)</p><p>Incentivar a economia nativa pela difusão da policultura.</p><p>(16)</p><p>Resolver a situação dos desempregados da Cidade de Londres.</p><p>08. UFC 1997.1</p><p>Referindo-se à expansão dos ingleses na África e na Ásia, nos finais do século XIX, o estadista inglês Chamberlain afirmava: “Acredito nessa raça...”. Com isto ele queria dizer que cabia aos ingleses civilizar o mundo.</p><p>No contexto da expansão imperialista, o que significava, para o europeu, civilizar o mundo?</p><p>09. UECE 1998.1</p><p>A propósito da unificação alemã, no século XIX, podemos afirmar que:</p><p>a) a Áustria, usando a força de ser a cabeça do Império Austro-Húngaro, liderou a unificação dos pequenos estados e principados alemães independentes para a formação da nação alemã moderna;</p><p>b) Bismarck, como embaixador da Prússia em Paris, opunha-se à unificação da Alemanha, pois pretendia uma cooperação alfandegária com participação francesa;</p><p>c) o primeiro passo para a unidade alemã foi o estabelecimento do "Zolverein" ou liga aduaneira que abolia os impostos alfandegários entre muitos Estados da Confederação Germânica,</p><p>d) apesar dos esforços de Frederico Guilherme II, Rei da Prússia, a Alemanha consegue sua unidade nacional somente na Primeira Guerra Mundial, no século XX.</p><p>10. UFC 1995.2</p><p>"Prosseguindo nesta obra de civilização, cumprimos o que penso ser a nossa missão nacional, e encontramos nessa empresa como exercer aquelas qualidades e aquelas virtudes que fizeram de nós uma grande raça governante. Afirmo que por quase toda parte, onde o governo da Rainha foi estabelecido e a grande "Pax Britânica" reforçada, a vida e a propriedade tornaram-se mais seguras e as condições materiais de nossa população foram melhoradas".</p><p>A partir da leitura do texto de J. Chamberlain, assinale a concepção de Imperialismo expressa pelo autor:</p><p>(01)</p><p>Forma de propagação de civilização européia decorrente de sua superioridade cultural.</p><p>(02)</p><p>Sistema que contribui para melhorar as condições de vida dos colonizados.</p><p>(04)</p><p>Sistema que desestruturou a organização social dos colonizados.</p><p>(08)</p><p>Sistema que busca novas fontes de matérias-primas e novos mercados consumidores.</p><p>Gabarito</p><p>01</p><p>02</p><p>03</p><p>04</p><p>05</p><p>06</p><p>07</p><p>08</p><p>09</p><p>10</p><p>A</p><p>B</p><p>D</p><p>B</p><p>C</p><p>A</p><p>17</p><p>ND</p><p>C</p><p>03</p><p>Aula 05</p><p>EXPANSÃO NORTE-AMERICANA E JAPONESA</p><p>A GUERRA DE SECESSÃO</p><p>Abraão Lincoln foi eleito o 16º Presidente dos Estados Unidos em 1860 com 1.866.452 votos, o que lhe proporcionou 180 votos eleitorais, 57 acima dos seus outros competidores. Entretanto, essa unanimidade era apenas aparente, pois não foi acatada pelos estados escravistas do sul. Na Carolina do Sul, um bastião dos senhores de escravos, uma convenção reunida em dezembro de 1860, imediatamente declarou-se fora da União. Lincoln, apoiado por uma coalizão variada que abarcava artesãos, operários e empresários ianques, fazendeiros do meio-oeste, pequenos proprietários, e recém-chegados sedentos por terras no oeste (os militantes do free soil), além de históricos abolicionistas, era visto como um candidato do Norte comprometido com o fim do trabalho escravo.(*) Naquela data, 1/8 da população norte-americana era composta por africanos e seus descendentes, completamente privados de liberdade.</p><p>A formação da Confederação do Sul: nos quatro meses seguintes à vitória de Lincoln, onze estados do sul formaram os Estados Confederados, com capital em Richmond na Virgínia, situada apenas há 190 quilômetros de Washington. Os separatistas aprovaram uma nova constituição e até escolheram Jefferson Davis como presidente provisório. O estopim do conflito deu-se quando forças confederadas atacaram de surpresa o Forte Sumter na Carolina do Sul, no dia 12 de abril de 1861. Sob o ponto de vista constitucional nada obrigava um estado a permanecer na União. O próprio nome do país dizia isso: Estados Unidos da América. Porém não se tratava disso. Não eram os direitos dos estados que estavam realmente em jogo. O que os sulistas queriam é perpetuar a escravidão, que não houvesse a abolição. Como conseqüência agiram como se fossem duas nações hostis, a guerra do sul contra o norte ameaçou desmembrar a antiga unidade herdada dos tempos das 13 colônias que lutaram pela independência.(**)</p><p>(*) O apoio que ainda poderia existir no Norte a favor da escravidão esvaiu-se</p><p>com o livro Uncle Tom's Cabin (A cabana do Pai Tomás) de Harriet Elizabeth Stowe uma ardente abolicionista que o publicou em 1852.</p><p>DOUTRINA MONROE</p><p>"América para os americanos", "tudo que é bom para o Estados Unidos é bom para o Brasil", "O tio San quer ver nossa batucada"... Você acredita nisso? Se sim, você merece ser idiota, trabalhar duro para que os Estados Unidos levem nosso dinheiro. Se você não acredita deve ser por que: América não foi para os americanos, foi para os estadunidenses; tudo que é bom para os Estados Unidos e ruim para o Brasil (será se o dinheiro brasileiro indo para os EUA é bom para o Brasil? Com certeza é ótimo para os EUA); e o tio San acha que nossa batucada é coisa de país tribal.</p><p>O começo</p><p>No século XIX surgiu a doutrina Monroe (América para os americanos). Essa doutrina foi criada quando os EUA protegia os latino-americanos do interesses europeus, para que depois vale-se os seus. Em outras palavras os estadunidenses não defendiam os latinos, defendiam seus propósitos de dominação.</p><p>A doutrina Monroe foi o início para que os EUA penetrassem no território latino-americano, essa doutrina foi utilizada como instrumento de dominação política e econômica.</p><p>Já no século XX, os EUA, para impedir que os latino-americanos se tornassem realmente independentes e promovessem seu próprio desenvolvimento, estimularam a criação de organismos políticos de integração. O principal é a organização dos estados americanos(OEA), e como todas as organizações quem manda é o próprio EUA, até organizações fora do território americano como a OTAN quem manda é os Estados Unidos assim fazendo valer seus interesses.</p><p>BIG STICK</p><p>Início da carreira política de Roosevelt</p><p>Aos 23 anos optou pela carreira política, sendo eleito deputado na Assembléia Legislativa do estado de Nova York.</p><p>Em 1898, abandonou o cargo subsecretário da Marinha norte-americana que ocupava quando iniciou a guerra contra a Espanha. Organizou e liderou o primeiro corpo voluntário de cavalaria, conhecido como Rough Riders, atuando em algumas batalhas em Cuba.</p><p>De governador a presidente</p><p>Roosevelt elegeu-se governador do estado de Nova York. Participou como candidato a vice-presidente na chapa de William McKinley eleito presidente dos Estados Unidos. McKinley foi assassinado em 1901 e Roosevelt assumiu a presidência do país.</p><p>Como presidente introduziu medidas de controle antimonopolista atuando como mediador na greve de mineiros de 1904.</p><p>Em 1904 foi eleito presidente dos Estados Unidos, desta vez atuou de forma expressiva na criação de reservas minerais e naturais para promover o desenvolvimento a todo custo do país. Investiu e fortaleceu a Marinha e o Exército.</p><p>O "Big Stick"</p><p>Sua política externa ficou conhecida como "Big Stick" (grande porrete) devido à frase Speak softly and carry a big stick (Fale com suavidade e tenha na mão um grande porrete), inspirada num provérbio africano, que norteava sua posição.</p><p>Mediante esta doutrina, Roosevelt fortaleceu o país com uma indústria e um comércio agressivos cuja política visava a protegê-lo a todo custo. Acreditava que apenas os países fortes sob todos os aspectos sobrevivem.</p><p>Venezuela, República Dominicana e América Latina</p><p>Prevendo a tentativa de intervenção européia na Venezuela e na República Dominicana, elaborou um plano chamado de Corolário Roosevelt à Doutrina Monroe. Esta estratégia visava a proibir intervenções não-norte-americanas na América Latina, afirmando que os Estados Unidos proibiam a intervenção de quaisquer países nas Américas que não fossem eles próprios e assumiam a responsabilidade pelo cumprimento das obrigações internacionais desses países transformando-os em protetorados.</p><p>O canal do Panamá</p><p>Os Estados Unidos planejavam construir um canal ligando o Oceano Atlântico ao Oceano Pacífico, pois o transporte por terra mesmo através de estradas de ferro encarecia o preço e diminuía a competitividade dos produtos norte-americanos. O motivo, puramente comercial, era facilitar o transporte de seus produtos da costa leste para a costa oeste e vice e versa, além de encurtar o caminho para o oriente dos produtos da costa leste, e para a Europa os produtos da costa oeste.</p><p>Após levantamentos, as empresas construtoras norte-americanas e inglesas chegaram à conclusão de que a melhor rota para a obra seria na região do Panamá na Colômbia. Por uma questão de soberania nacional, a Colômbia não aceitava a construção de um canal por empresas americanas ou inglesas em seu território.</p><p>O governo americano então iniciou uma campanha visando a uma guerra separatista na Colômbia. Criou através de financiamentos grupos separatistas. Promovendo a separação do país em dois, ou seja, por razões puramente econômicas conseguiu separar a região do Panamá em relação ao território da Colômbia. Assegurando desta forma o controle norte-americano sobre a região para a construção do futuro canal do Panamá.</p><p>PERÍODO MEIJI</p><p>(1868-1912)</p><p>A era Tokugawa chega ao fim em 1868, com a restauração de Meiji. O imperador Meiji muda-se de Kyoto para Tóquio, que se torna a nova capital. O poder político do xogunato dos Tokugawa, já enfraquecido, foi transferido para as mãos do imperador e de um pequeno grupo de nobres e samurais.</p><p>Como outras nações asiáticas subjugadas, o Japão foi obrigado a assinar tratados com as potências ocidentais. Esses tratados garantiam aos ocidentais vantagens legais e econômicas sobre o Japão. Para ganhar independência em relação aos Estados Unidos e Europa, o governo Meiji adotou uma série de medidas, praticamente em todas as áreas, para que o Japão pudesse se tornar uma nação rica e respeitada.</p><p>O novo governo planejava tornar o Japão um país democrático, com igualdade entre o seu povo. Promoveu uma reforma social, em que aos poucos se foram extinguindo as diferenças entre as classes do período Tokugawa. Os samurais foram os principais perdedores, vendo desaparecer com a extinção da classe todos os seus privilégios. As reformas também incluíram a elaboração de uma constituição e a garantia da liberdade religiosa, em 1873.</p><p>Para estabelecer o novo governo, os senhores feudais (daimyo) tiveram que ceder todas as suas terras ao imperador. Isso foi feito em 1870, seguindo-se a transformação dos feudos em prefeituras.</p><p>A educação foi reformulada, primeiro de acordo com o sistema francês, depois, seguindo o alemão. Instituiu-se também a educação compulsória.</p><p>Depois de uma ou duas décadas de intensiva ocidentalização, uma onda de sentimentos nacionalistas e conservadores toma espaço: princípios do Confucionismo e do Xintoísmo são incrivelmente enfatizados e ensinados nas instituições educacionais. Fortalecer o setor militar foi prioridade máxima do Japão, em uma era marcada pelo imperialismo europeu e americano. Para isso, modernizou o seu exército e marinha.</p><p>Para transformar a economia agrária do Japão feudal em uma moderna economia industrial, muitos estudantes japoneses foram mandados ao exterior, para aprender as ciências e linguagens do ocidente, enquanto especialistas estrangeiros eram trazidos para o país. As linhas de comunicação e transporte foram melhoradas com largos investimentos governamentais. O governo também direcionou suporte para o crescimento das indústrias e dos negócios.</p><p>Os gastos elevados provocaram uma crise, por volta de 1880, seguida por uma reforma no sistema financeiro e pelo estabelecimento do Banco do Japão. A indústria têxtil cresceu rapidamente e tornou-se a maior indústria japonesa até a Segunda Guerra Mundial.</p><p>As condições de trabalho nas primeiras fábricas, como em todo o mundo ocidental, eram muito ruins. Mas os movimentos socialistas e liberais que surgiam eram fortemente reprimidos pelo governo central.</p><p>No setor político, o Japão recebeu a sua primeira constituição ao estilo europeu, em 1889. A Câmara dos Comuns garantiu a participação popular.</p><p>Conflitos de interesses na Coréia entre a China e o Japão causaram a Guerra Sino-Japonesa, entre 1894 e 1895. O Japão derrotou a China e anexou Taiwan, mas foi forçado pelas potências ocidentais</p><p>a devolver outros territórios. Essa ação fez com que o exército e a marinha japonesa intensificassem o seu processo de armamento.</p><p>Novo conflito de interesses na Coréia e na Manchúria, desta vez entre a Rússia e o Japão, levaram à Guerra Russo-Japonesa entre 1904 e 1905.O exército japonês também venceu essa guerra, conquistando territórios e, finalmente, algum respeito internacional. O Japão aumentou a sua influência na Coréia e a anexou completamente em 1910. Esses sucessos intensificaram ainda mais o sentimento de nacionalismo do povo japonês.</p><p>Em 1912, morre o imperador Meiji e chega ao fim a sua era, que deixou um saldo positivo de grandes reformas, além de um estado moderno e unificado: o Japão como a potência militar mais forte da Ásia.</p><p>Questões de Vestibulares</p><p>01. UECE 2008.1</p><p>Foi um dos conflitos mais sangrentos ocorridos no Continente Americano (1861-1865). Estima-se a morte de 970 mil pessoas entre civis e soldados. Dentre as causas do conflito destacam-se a questão da escravidão e a rivalidade econômica entre o Norte industrializado e o Sul agrícola. Estamos nos referindo</p><p>a) à Guerra Civil Americana, mais conhecida como Guerra de Secessão.</p><p>b) à Guerra das Rosas, travada entre o Canadá e os Estados Unidos da América pela disputa de mercado consumidor e exportador.</p><p>c) à Guerra do Paraguai, maior conflito armado internacional ocorrido no continente americano no séc. XIX, também chamada de Guerra da Tríplice Aliança.</p><p>d) a um dos conflitos pela independência do México desencadeando uma Guerra Civil travada entre diferentes províncias que divergiam entre si.</p><p>02. UECE 1992.2</p><p>A Guerra da Secessão (1861-1865), entre os estados do Norte e do Sul dos Estados Unidos da América, significou:</p><p>a) uma disputa entre os partidários da independência e os que defendiam a manutenção da colonização inglesa</p><p>b) a expansão americana para o Oeste, tomando as terras indígenas e estabelecendo novas colônias ao sul do rio Mississipi</p><p>c) uma radicalização das divergências entre abolicionistas (Norte) e escravagistas (Sul)</p><p>d) uma disputa econômica entre os agricultores do Norte e os industriais do Sul</p><p>03. UECE 1997.2</p><p>Assinale a alternativa correta sobre a Guerra do Ópio, que envolveu a Inglaterra e a China (Primeira Guerra 1839-1842 e Segunda Guerra 1846-1850):</p><p>a) a Inglaterra tentou impedir que os comerciantes chineses continuassem com o comércio de ópio que praticavam habitualmente, prejudicando a saúde e o comportamento social dos cidadãos chineses</p><p>b) a marinha inglesa fez intervenções militares no porto de Hong-Kong para impedir os embarques de ópio que os traficantes chineses faziam para os países da Europa Ocidental</p><p>c) as leis inglesas proibiam o tráfico e o consumo de drogas e os ingleses se apoderaram de Hong-Kong para impedir o consumo e o comércio do ópio na China</p><p>d) a Inglaterra declarou guerra à China, porque o governo chinês proibiu o tráfico de ópio praticado por comerciantes ingleses que obtinham grandes lucros com a venda da droga aos chineses</p><p>04. UFC 1997.1</p><p>No processo de formação dos Estados Unidos da América, 1823-1860, a Marcha para o Oeste expressa a:</p><p>a) ocupação de territórios depois da conversão dos indígenas ao cristianismo;</p><p>b) expropriação de terras mexicanas que seriam mais tarde transferidas aos índios;</p><p>c) utilização exclusiva de terras virgens e desabitadas pelos pioneiros;</p><p>d) convivência harmônica de dois povos, apesar das diferenças culturais;</p><p>e) valorização do individualismo como um dos elementos essenciais da sociedade norteamericana.</p><p>05. UFC 1997.1</p><p>Sobre a presença dos Estados Unidos da América no cenário internacional, a chamada "Política do Big Stick" pode ser definida como o(a):</p><p>a) defesa das fronteiras norte-americanas das migrações de populações pobres do México;</p><p>b) projeto de desenvolvimento dos países do Terceiro Mundo para se constituírem frente de oposição ao comunismo;</p><p>c) política de intervenção na América Latina para a defesa dos interesses norte-americanos;</p><p>d) movimento de defesa da cidadania frente aos movimentos racistas no continente americano;</p><p>e) projeto de investimento no setor de defesa do continente americano, também chamado de "guerra nas estrelas".</p><p>06. UFC 1998.1</p><p>Sobre a ilha de Hong Kong, que foi devolvida ao governo da China Continental no dia 1o de Julho de 1997, depois de 155 anos de domínio britânico, podemos afirmar, corretamente:</p><p>a) a reincorporação de Hong Kong à China decorre da adesão deste país ao sistema capitalista;</p><p>b) a devolução de Hong Kong à China é conseqüência do processo de globalização da economia;</p><p>c) a presença dos ingleses em Hong Kong pode ser explicada pelo direito dos ingleses de "civilizar o mundo";</p><p>d) o domínio britânico em Hong Kong decorre da expansão do imperialismo inglês;</p><p>e) o retorno de Hong Kong ao governo chinês resultou de um forte sentimento de nacionalismo de seus habitantes.</p><p>07. UFC 1998.1</p><p>Podemos relacionar a origem dos conflitos da Irlanda do Norte com:</p><p>a) as diferenças religiosas entre católicos e protestantes sobre passagens das Sagradas Escrituras;</p><p>b) as profundas diferenças na reinterpretação das idéias de Lutero;</p><p>c) as discordâncias quanto à divisão do território irlandês entre católicos ingleses e protestantes irlandeses;</p><p>d) a reação dos irlandeses à introdução das formas capitalistas de produção em um país marcadamente feudal;</p><p>e) a tomada de terras de católicos e entrega das mesmas a protestantes quando da ocupação da Irlanda por Cromwell.</p><p>08. UECE 1995.1</p><p>Uma das maiores potências econômicas atuais, o Japão, até o início do século XX, ainda era uma sociedade organizada por princípios feudais. Quanto ao desenvolvimento japonês é correto afirmar que:</p><p>a) depois da revolução Meiji, o Japão alcançou um estágio econômico avançado que lhe permitiu desenvolver-se pacificamente e não ser afetado pela crise geral de 1929</p><p>b) apesar do controle militar sobre o Estado, os grupos operários e socialistas conseguem tomar o poder em 1936 e implementam reformas sociais que permanecem até hoje</p><p>c) o Japão deu um salto econômico na década de 30, apesar da crise geral dos países capitalistas, e se lançou na conquista de áreas de influência através de um política militarista agressiva</p><p>d) o controle dos EUA sobre a economia japonesa permitiu rápido desenvolvimento na década de 30 e levou o Japão a entrar na Segunda Guerra Mundial contra a Alemanha</p><p>09. UECE 1996.1</p><p>Na atualidade, observa-se no mundo todo a existência de movimentos migratórios, especialmente em direção aos países que formam a CEE, os Estados Unidos e o</p><p>Japão. A crescente intolerância e o surgimento de grupos de direita e até neonazistas são as conseqüências mais visíveis desses movimentos.</p><p>Podemos considerar como o fator fundamental para a existência desses movimentos migratórios:</p><p>a) a oportunidade de fácil ascensão social que os países ricos oferecem aos estrangeiros</p><p>b) a facilidade de convivência propiciada pela identidade cultural entre as ex-colônias e suas respectivas ex-metrópoles</p><p>c) o aprofundamento do abismo entre os países ricos e os países pobres</p><p>d) o processo de mundialização da economia, que diminui a diferença entre os países e enseja oportunidades iguais a todas as pessoas, independentemente da nacionalidade</p><p>10. UFC 1990.1 (Modificada)</p><p>Além do combate ao narcotráfico, outros objetivos tiveram os Estados Unidos para invadirem o Panamá, tais como:</p><p>a) A defesa do princípio da soberania.</p><p>b) A garantia da autodeterminação dos povos.</p><p>c) A correção de disparidades sócio-econômicas na América Central.</p><p>d) O combate a todos os regimes autoritários do continente.</p><p>e) Os interesses estratégicos, econômicos e geopolíticos dos E.U.A. sobre o canal do Panamá.</p><p>Gabarito</p><p>01</p><p>02</p><p>03</p><p>04</p><p>05</p><p>06</p><p>07</p><p>08</p><p>09</p><p>10</p><p>A</p><p>C</p><p>D</p><p>E</p><p>C</p><p>D</p><p>E</p><p>C</p><p>C</p><p>E</p><p>Aula 06</p><p>A PRIMEIRA</p><p>GUERRA MUNDIAL</p><p>O século XX começou mal na Europa. Havia um clima de enorme tensão e rivalidade entre as grandes potências.</p><p>Muitos fatores contribuíram para essa situação conflituosa, destacando-se entre eles:</p><p>A disputa colonial: buscando novos mercados para a venda de seus produtos, os países</p><p>industrializados entravam em choque pela conquista de colônias na África e na Ásia.</p><p>A concorrência econômica: cada um dos grandes</p><p>países industrializados dificultava a expansão econômica do país concorrente. Essa briga econômica</p><p>foi especialmente intensa entre Inglaterra e Alemanha.</p><p>A disputa nacionalista: em diversas regiões da Europa surgiram movimentos nacionalistas que pretendiam agrupar sob um mesmo Estado os povos de raízes culturais semelhantes. O nacionalismo exaltado provocava um desejo de expansão territorial.</p><p>A situação conflituosa deu origem à chamada paz armada. Como o risco de guerra era bastante grande, as principais potências trataram de estimular a produção de armas e de fortalecer seus exércitos.</p><p>A política das alianças</p><p>O clima de tensão internacional levou as grandes potências a firmar tratados de aliança com certos países.</p><p>O objetivo desses tratados era somar forças para enfrentar a potência rival.</p><p>Depois de muitas negociações e tratados bilaterais, observamos na Europa, em 1907, dois blocos distintos:</p><p>A Tríplice Aliança: formada por Alemanha, Áustria e Itália.</p><p>A Tríplice Entente: formada por Inglaterra, França e Rússia.</p><p>A aliança original entre os países de cada bloco sofreu alterações. Conforme seus interesses imediatos, alguns países mudaram de lado, como a Itália em 1915.</p><p>As tensões entre os dois blocos foram ficando</p><p>insuportáveis. Qualquer incidente serviria como estopim da guerra.</p><p>MOVIMENTOS NACIONALISTAS</p><p>Os interesses da Alemanha, Rússia e França</p><p>Entre os principais movimentos nacionalistas</p><p>que se desenvolveram na Europa no início do século XX, podemos destacar os seguintes:</p><p>Pan-eslavismo</p><p>buscava a união de todos os povos eslavos da Europa Oriental. Era liderado pela Rússia.</p><p>Pangermanismo</p><p>buscava a expansão da Alemanha</p><p>através dos territó rios ocupados por povos germânicos da Europa central. Era liderado pela Alemanha.</p><p>Revanchismo francês</p><p>visava desforrar a derrota francesa para a Ale manha em 1870 e recuperar os territórios da Alsácia-Lorena, cedidos aos alemães.</p><p>A EXPLOSÃO DA GUERRA MUNDIAL</p><p>O estopim que detonou a Primeira Guerra Mundial foi o assassinato, na cidade de Serajevo, em 28 de junho de 1914, do arquiduque Francisco Ferdinando, herdeiro do trono austríaco, e de sua esposa. O autor do assassinato foi o estudante Gavrilo Princip, pertencente à organização secreta Unidade ou Morte (Mão Negra) que tinha o apoio do governo sérvio, ligado, por sua vez, à Rússia.</p><p>Não fosse o clima de elevada tensão internacional da época, a morte de Francisco Ferdinando não teria tão graves conseqüências. Mas, nas circunstâncias históricas da época em que ocorreu, foi suficiente para gerar a reação militar da Áustria. Daí, outros países envolveram-se no conflito, numa verdadeira reação em cadeia.</p><p>Observe a reação em cadeia provocada pela política de alianças, examinando a seguinte seqüência:</p><p>28 de julho</p><p>a Áustria declara guerra à Sérvia.</p><p>29 de julho</p><p>em apoio à Sérvia, a Rússia mobiliza seus exércitos contra a Áustria e a Alemanha.</p><p>1º de agosto</p><p>a Alemanha declara guerra à Rússia e, posteriormente, à França.</p><p>4 de agosto</p><p>para atingir a França, os exércitos alemães e austríacos invadem a Bélgica (neutra).</p><p>5 de agosto</p><p>a Inglaterra declara guerra à Alemanha.</p><p>As principais fases da guerra</p><p>A Primeira Guerra Mundial desenvolveu-se em 1914 a 1918. Podemos dividir esses quatro anos de guerra em três grandes fases:</p><p>Primeira fase (1914-1915): marcada pela intensa movimentação dos exércitos beligrantes. Depois de uma rápida ofensiva das forças alemãs em território francês em setembro de 1914, a França organizou uma contra-ofensiva, detendo o avanço germânico sobre Paris (Batalha do Marme). A partir desse momento nenhum dos lados conseguiu estabelecer vitórias significativas sobre o outro. Havia um equilíbrio de forças nas frentes de combate.</p><p>Segunda fase (1915-1917): a intensa movimentação</p><p>de tropas da primeira fase foi substituída por uma guerra de trincheiras, em que cada um dos lados procurava garantir as suas posições, evitando a penetração do inimigo. Os combates terrestres tornaram-se extremamente mortíferos com a utilização de novas armas: metralhadoras, lança-chamas, projéteis explosivos. Mas a grande novidade em termos de recursos militares foi a utilização do avião e do submarino.</p><p>Terceira fase (1917-1918): a marinha alemã, através de seus submarinos, afundou navios de países tidos como neutros, alegando que transportavam alimentos para os inimigos. Foi o caso por exemplo, do afundamento dos navios Lusitânia e Arábia, dos Estados Unidos, e do navio Paraná, do Brasil. Essa fase de guerra foi assinalada por dois grandes acontecimentos: a entrada dos Estados Unidos no conflito (6 de abril de 1917) e a saída da Rússia (3 de março de 1918).</p><p>Os banqueiros dos Estados Unidos, que financiavam países como França e Inglaterra, pressionaram o governo americano a declarar guerra contra Alemanha. Pelo apoio financeiro e material, a entrada dos Estados Unidos na guerra seria decisiva para a vitória dos seus aliados.</p><p>A Rússia retirou-se da guerra por causa da revolução socialista de outubro de 1917, favorecendo temporariamente a Alemanha. Pelo Tratado de Brest-Litovsky assinado em 3 de março de 1918, a Rússia estabeleceu a paz com a Alemanha.</p><p>Os alemães, entretanto, não conseguiram sustentar a guerra por muito tempo. Internamente agravava-se a situação política do país, levando à abdicação do imperador Guilherme II, a 9 de novembro de 1918. Imediatamente, foi proclamada a república alemã, liderada pelo Partido Social-Democrata.</p><p>Em 11 de novembro de 1918, a Alemanha assinou um armistício (acordo de paz) em condições bastante desvantajosas.</p><p>Após a rendição alemã, no período de 1919 e</p><p>1920, realizou-se no palácio de Versalhes, na França, uma série de conferências com a participação de 27 nações vencedoras. Lideradas pelos representantes dos Estados Unidos, da Inglaterra e da França, essas nações estabeleceram um conjunto de decisões conhecido como Tratado de Versalhes, impondo duras condições à Alemanha.</p><p>O Tratado de Versalhes</p><p>O Tratado de Versalhes estipulava, por exemplo, que a Alemanha deveria:</p><p>a) Restituir a região da Alsácia-Lorena à França.</p><p>b) Ceder outras regiões à Bélgica, à Dinamarca e à Polônia.</p><p>c) Entregar quase todos os seus navios mercantes à França, à Inglaterra e à Bélgica.</p><p>d) Pagar uma enorme indenização em dinheiro aos países vencedores.</p><p>e) Reduzir o poderio militar de seus exércitos, sendo proibida de possuir aviação militar.</p><p>Todo esse conjunto de decisões impostas à Alemanha provocou, em pouco tempo, uma intensa reação das forças políticas que se organizavam no país. Os alemães consideravam injustas, vingativas e humilhantes as condições do Tratado de Versalhes. O desejo de mudar essas condições desempenhou importante papel entre as causas da Segunda Guerra Mundial (1939-1945).</p><p>Além do Tratado de Versalhes, foram assinados outros tratados entre os países participantes do conflito.</p><p>Através desses tratados desmembrou-se o Império Austro-Húngaro, possibilitando o surgimento de novos países, como a Tchecoslováquia e Hungria, a Polônia e a Iugoslávia.</p><p>A formação da Liga das Nações</p><p>Em 28 de abril de 1919, a Conferência de Paz de Versalhes aprovou a criação da Liga das Nações (ou Sociedade das Nações), atendendo a proposta do presidente dos Estados Unidos, Woodrow Wilson.</p><p>Tendo como sede a cidade Suíça de Genebra, a Liga das Nações deu início às suas atividades em janeiro de 1920. Sua principal missão seria agir como mediadora no caso de conflitos internacionais, procurando preservar a paz mundial.</p><p>O senado americano vetou a participação dos Estados Unidos na liga, pois discordava da posição fiscalizadora dessa entidade sobre a execução dos tratados internacionais firmados no pós-guerra. Os Estados Unidos preferiram manter uma política internacional isolacionista. A União Soviética e a Alemanha também não pertenciam à liga. Sem a participação desses países, a Liga das Nações tornou-se impotente. Não conseguiu, por exemplo, impedir a</p><p>invasão japonesa da Manchúria, em 1931, nem o ataque italiano à Etiópia, em 1935.</p><p>A ascensão econômica dos Estados Unidos</p><p>Desde o final do século XIX, os Estados Unidos foram expandindo sua produção industrial e ampliando seu campo de ação econômica em diferentes partes do mundo.</p><p>Com a eclosão da Primeira guerra Mundial na Europa, alcançaram um significativo crescimento agrícola e industrial.</p><p>Conservando-se, a princípio, numa posição de</p><p>neutralidade, os americanos forneciam seus produtos aos países envolvidos no conflito. Por outro lado, enquanto as potências européias concentravam-se em seu esforço de guerra, os Estados Unidos aproveitavam-se para ocupar a suprir outros mercados mundiais, na Ásia e na América Latina.</p><p>Abatida por uma guerra na qual morreram mais de dez milhões de pessoas e mais de trinta milhões ficaram feridas, a Europa, no final do conflito, era um grande mercado dependente das exportações norte-americanas.</p><p>Possuindo aproximadamente a metade de todo o ouro que circulava nos mercados financeiros do mundo, os Estados Unidos saíram da Primeira Guerra como credores da Europa arrasada, projetando-se como grande potência mundial.</p><p>A fase de enorme euforia e prosperidade dos Estados Unidos durou até 1929. Nesse ano a economia do país foi abalada por uma grande crise econômica, de repercussão mundial.</p><p>Questões de Vestibulares</p><p>01. UECE 2007.2 FASE 2</p><p>A Primeira Guerra Mundial foi uma das mais sangrentas e dispendiosas guerras do mundo contemporâneo. Sabe-se que não foram, apenas, dois</p><p>tiros de pistola, um único ato – o assassinato do arquiduque Francisco Ferdinando e de sua mulher Sofia –, o que assinalou o conflito. Inúmeros outros</p><p>fatores contribuíram para essa guerra.</p><p>Como fatores que contribuíram para a Primeira Guerra Mundial foram listados os seguintes:</p><p>I. Desde o século XIX, os povos dominados por outros países desenvolveram sentimentos nacionalistas. Alguns se agruparam em alianças militares e disputaram a posse das colônias e de outras terras.</p><p>II. A intensa rivalidade entre a Alemanha e a Áustria-Hungria, na disputa por mercados consumidores para a venda de seus produtos industriais e a aquisição de matérias-primas, acirrou-se, tomando proporções mundiais.</p><p>III. Uma combinação de interesses geopolíticos e uma dose de anarquia internacional resultaram na combinação de competições econômicas, chauvinismos nacionais e rivalidades imperialistas.</p><p>Entretanto, é correto afirmar que:</p><p>a) Apenas o I contribuiu.</p><p>b) Apenas o I e o III contribuíram.</p><p>c) Apenas o II e o III contribuíram.</p><p>d) Apenas o I e o II contribuíram.</p><p>02. UECE 2005.2 FASE 2</p><p>A Primeira Grande Guerra Mundial (1914-1918) anunciada como a ‘guerra para terminar com as guerras’ além de preparar conflitos posteriores ainda mais graves, causou impactos econômicos e políticos também no Brasil. Dentre eles, considere os seguintes:</p><p>I. Economicamente, o conflito foi lucrativo para o Brasil, pois o preço do café, nosso principal produto de exportação, obteve uma grande alta.</p><p>II. A crise de carestia ocasionada pela eclosão da guerra na Europa, em nada afetou ao Brasil, visto que este não participou direta ou indiretamente do conflito.</p><p>III. Do ponto de vista político, a guerra serviu para despertar a preocupação com a defesa nacional, tanto por parte de setores civis como de militares.</p><p>Marque a opção verdadeira:</p><p>a) II e III são corretas</p><p>b) I e II são erradas</p><p>c) I e III são corretas</p><p>d) II e III são erradas</p><p>03. UEVA 2006.1</p><p>O início do século XX foi marcado por grandes tensões entre os países industrializados. Essas tensões, cujas origens remontam ao ano de 1870, com a unificação da Alemanha, tiveram como conseqüência principal o eclodir da Primeira Guerra Mundial ( 1914 – 1918).</p><p>Foram conseqüências da Primeira Guerra Mundial, exceto:</p><p>a) crise econômica na Europa e progresso econômico nos Estados Unidos.</p><p>b) fragmentação do Império Otomano e desintegração do império Austro-húngaro.</p><p>c) formação de novas nações e o aparecimento dos regimes totalitários.</p><p>d) divisão do mundo em dois blocos: socialista e capitalista.</p><p>04. UECE 2003.2</p><p>Sobre a Primeira Guerra Mundial é correto afirmar:</p><p>a) Os movimentos nacionalistas, como o Pan-germanismo e o Pan-eslavismo buscavam uma solução pacífica para o conflito entre as potências.</p><p>b) A competição, entre as potências, por mercados consu-midores de produtos industriais, foi um dos fatores que levaram à primeira guerra.</p><p>c) Um dos efeitos mais duradouros da primeira guerra mundial foi o fortalecimento dos chamados Impérios: o Austro-Húngaro, o Russo e o Império Otomano.</p><p>d) Ao saírem vencedoras da guerra, a França e a Inglaterra tiveram suas economias fortalecidas e inauguraram um outro ciclo de hegemonia e prosperidade para a Europa.</p><p>05. UNICE 2000.2</p><p>Com a invasão das tropas do Paraguai na Argentina, os governos ameaçados não vacilaram na reação. Em maio de 1865 foi assinada a Tríplice Aliança entre os países...</p><p>a) Brasil – Argentina - Uruguai</p><p>b) Argentina – Uruguai – Bolívia</p><p>c) Brasil – Uruguai – Bolívia</p><p>d) Argentina – Brasil – Chile</p><p>e) N.D.A.</p><p>06. UFC 1995.1</p><p>Cite dois fatores que contribuíram, diretamente, para a eclosão da Primeira Guerra Mundial.</p><p>07. UECE 1997.2</p><p>Assinale a alternativa correta sobre a Guerra do Ópio, que envolveu a Inglaterra e a China (Primeira Guerra 1839-1842 e Segunda Guerra 1846-1850):</p><p>a) a Inglaterra tentou impedir que os comerciantes chineses continuassem com o comércio de ópio que praticavam habitualmente, prejudicando a saúde e o comportamento social dos cidadãos chineses</p><p>b) a marinha inglesa fez intervenções militares no porto de Hong-Kong para impedir os embarques de ópio que os traficantes chineses faziam para os países da Europa Ocidental</p><p>c) as leis inglesas proibiam o tráfico e o consumo de drogas e os ingleses se apoderaram de Hong-Kong para impedir o consumo e o comércio do ópio na China</p><p>d) a Inglaterra declarou guerra à China, porque o governo chinês proibiu o tráfico de ópio praticado por comerciantes ingleses que obtinham grandes lucros com a venda da droga aos chineses</p><p>08. UECE 1998.2</p><p>Pelo Tratado de Versalhes, foram estabelecidos os termos da paz entre os países europeus após a Primeira Guerra Mundial. Assinale a alternativa que indica corretamente alguns pontos importantes deste tratado.</p><p>a) apesar de considerada culpada, a Alemanha nada perdeu com o tratado, o que ocasionou um profundo descontentamento dos outros países europeus, levando aos conflitos que originariam a Segunda Guerra Mundial</p><p>b) os termos do tratado foram definidos pelo Presidente dos EUA, estabelecendo a intervenção dos vencedores e a divisão da Alemanha em dois Estados independentes.</p><p>c) considerada culpada pela guerra, a Alemanha perdeu parte do seu território, foi obrigada a reconhecer a independência de vários países e ainda teve que pagar uma indenização em dinheiro</p><p>d) a intervenção, aliada na Alemanha e a divisão de Berlim em dois setores distintos provocou um grande descontentamento dos alemães, levando-os a apoiar o governo de Hitler e uma escalada militarista.</p><p>09. UFC 1992.1</p><p>09. (UFC-1992.1 [Q05])</p><p>A ingerência dos Estados Unidos nas políticas do Oriente Médio - região do Marrocos no Oeste até o Afeganistão no Leste -, pode ser explicada:</p><p>(01)</p><p>Pela grande parte das reservas petrolíferas mundiais que a região possui;</p><p>(02)</p><p>Pelos acordos de colaboração mútua entre os governos de Israel e dos Estados Unidos;</p><p>(04)</p><p>Pela oposição dos Estados Árabes à política de Israel para com os palestinos;</p><p>(08)</p><p>Pela pressão que os governos dos Estados de inclinação pró-Ocidente sofrem dos funda-mentalistas islâmicos, além de ameaças externas;</p><p>(16)</p><p>Pelo apoio sistemático das maiorias católicas às oposições nos países pró-Ocidente.</p><p>10.</p><p>9. (UFC-1991.1 [Q10])</p><p>Considere o mapa abaixo:</p><p>O Oriente Médio às vésperas da 1ª Guerra Mundial</p><p>Sobre a política adotada para o Império Otomano (vide mapa), no período compreendido entre as duas Grandes Guerras e os reflexos daquela política, atualmente, podemos afirmar corretamente:</p><p>a) O fortalecimento do Império corresponde à estratégia</p><p>adotada pela Europa Ocidental.</p><p>b) O projeto de criação de um "Lar Nacional Judeu" recebeu vivo apoio dos árabes e oposição dos palestinos.</p><p>c) As nações européias se excluíram de qualquer ingerência nos assuntos do Oriente Médio.</p><p>d) A divisão do mundo otomano correspondia à estratégia de dominação da França e Inglaterra, basicamente.</p><p>e) A questão Iraque-Kuwait, hoje, se restringe à disputa dos dois países por jazidas petrolíferas.</p><p>Gabarito</p><p>01</p><p>02</p><p>03</p><p>04</p><p>05</p><p>06</p><p>07</p><p>08</p><p>09</p><p>10</p><p>B</p><p>B</p><p>D</p><p>B</p><p>A</p><p>ND</p><p>C</p><p>C</p><p>15</p><p>D</p><p>Aula 07</p><p>A REVOLUÇÃO RUSSA</p><p>Até 1917, o Império Russo foi governado por monarquias absolutistas comandadas pelos czares. Essa monarquia era sustentada, principalmente, pela nobreza rural, dona da maioria das terras cultiváveis. Das famílias da nobreza rural saíam os oficiais do exército e os principais dirigentes da Igreja Cristã Ortodoxa, a mais importante organização religiosa do país.</p><p>Com 175 milhões de habitantes, a população do Império Russo era formada por povos de diversas etnias, línguas e tradições culturais. Mais de 80% dessa população morava no campo, sendo duramente explorada pela nobreza rural.</p><p>A industrialização do Império Russo começou tarde em relação à Europa Ocidental. Foi impulsionada por capitais estrangeiros (franceses, alemães, belgas), que receberam estímulos para entrar no país durante o governo do czar Nicolau II (1894-1917).</p><p>Os investimentos industriais concentraram-se em cidades populosas como Moscou, São Petersburgo,</p><p>Odessa e Kiev. Nessas cidades formou-se um operariado de aproximadamente 3 milhões de trabalhadores. Esse operariado recebia salários miseráveis e vivia submetido a penosas jornadas de 12 horas de trabalho.</p><p>Reunida nas fábricas, a classe operária foi tomando consciência das injustiças sociais de que era vítima. As organizações operárias que foram surgindo tornaram-se um campo fértil para o florescimento de idéias socialistas revolucionárias.</p><p>Com o desenvolvimento da industrialização e o maior relacionamento com a Europa Ocidental, a Rússia também recebeu do exterior novas correntes políticas que se chocavam com o antiquado absolutismo do governo russo. Entre elas destacou-se a corrente inspirada no marxismo, que deu origem ao Partido Operário Social-Democrata.</p><p>Esse partido foi violentamente perseguido pela polícia política do czar, sendo desarticulado dentro da Rússia em 1898. Lutando contra o desaparecimento, o Partido Operário Social-Democrata voltou a se organizar no estrangeiro. Seus principais líderes políticos eram: Georgi Plekhanov, Vladimir Ulianov (conhecido como Lenin) e Lev Bronstein (conhecido como Trotsky).</p><p>Em 1903, os membros do Partido Operário Social-Democrata em dois grupos divergentes:</p><p>Os mencheviques: defendiam que os trabalhadores poderiam conquistar o poder estabelecendo aliança com a burguesia liberal. Acreditavam que era necessário esperar o pleno desenvolvimento do capitalismo para se dar início à ação revolucionária dos trabalhadores.</p><p>Principais líderes: Martov e Plekhanov.</p><p>O termo menchevique significa minoria.</p><p>Os bolcheviques: defendiam que os trabalhadores poderiam conquistar o poder pela luta revolucionária. Pregavam a formação de uma ditadura do proletariado por meio de um partido disciplinado que representasse os operários e os camponeses.</p><p>Principal líder: Lenin.</p><p>O termo bolchevique significa maioria.</p><p>A revolta social de 1905</p><p>Entre os anos 1904-1905, a Rússia entrou em guerra com o Japão. A causa da guerra foi a disputa imperialista dos russos e japoneses por territórios na China. Com exércitos despreparados e uma frota antiquada, os russos foram facilmente derrotados pelos japoneses.</p><p>A vitória do Japão agravou a situação econômica da Rússia. O regime político do czar Nicolau II foi abalado por uma série de revoltas sociais. Greves e protestos explodiram em diversas regiões do país. A insatisfação tomou conta de operários, camponeses, soldados do exército e os marinheiros na cidade de Odessa (revolta no navio encouraçado Potemkin).</p><p>Diante do crescente clima de revolta, Nicolau II prometeu realizar grandes reformas. Disse que convocaria eleições gerais para o parlamento (duma), que, por sua vez, se encarregaria de elaborar uma constituição para a Rússia. O czar prometia o fim do regime absolutista.</p><p>Os grupos políticos da burguesia liberal ficaram satisfeitos com essas promessas. Na verdade, temiam o caráter socialista da revolta dos trabalhadores. Desse modo, os bolcheviques ficaram isolados e sem força levar avante o movimento popular contra a monarquia czarista.</p><p>Depois de controlar a revolta social, o czar abandonou as promessas liberais que tinha feito.</p><p>A revolta de 1905 fracassou. Mas serviu, segundo Lenin, para que os líderes revolucionários avaliassem seus erros e suas fraquezas, preparando-se para superá-los.</p><p>Foi o ensaio geral para a futura luta.</p><p>A REVOLUÇÃO RUSSA DE 1917</p><p>Em 1914, a Rússia envolveu-se em outro grande conflito: a Primeira Guerra Mundial. O governo czarista apelou para o fervor patriótico do povo russo, mobilizando 13 milhões de soldados. Mas o país não estava preparado para enfrentar uma guerra tão longa e desgastante.</p><p>Depois de dois anos de combate, a Rússia czarista entrou em colapso. Os meios de transporte foram destruídos. A produção agrícola ficou arrasada. Os preços dos alimentos subiram de forma estrondosa. A população começou a morrer de fome.</p><p>Na frente de combate, mais de três milhões de soldados tombaram mortos, enquanto os outros milhões deixavam a luta por causa dos ferimentos. O exército russo se desorganizava cada vez mais. Milhões de soldados, desesperados, tornaram-se desertores.</p><p>A opinião pública nacional acreditava que o grande culpado pelos sofrimentos do povo russo era o governo do czar. Então, uma enorme onda de protestos e passeatas tomou conta do país. As greves dos trabalhadores pararam as cidades de São Petersburgo e Moscou, recebendo o apoio de uma parcela do exército.</p><p>Em 15 de março de 1917, o conjunto das forças políticas de oposição (socialistas e liberais burgueses) conseguiram derrubar o czar Nicolau II. Iniciava-se, então, a Revolução Russa.</p><p>Principais etapas da Revolução Russa</p><p>O processo revolucionário russo pode ser dividido em três grandes fases: revolução branca, revolução vermelha e guerra civil.</p><p>Primeira fase:</p><p>a revolução branca</p><p>(de março a novembro de 1917)</p><p>Após a derrubada do czar, instalou-se um governo provisório, formado por políticos liberais. Era chefiado pelo príncipe Lvov, tendo Kerensky como ministro da guerra.</p><p>O governo provisório procurou realizar algumas medidas inadiáveis, tais como:</p><p>· Mudança do limite da jornada de trabalho para oito horas.</p><p>· Anistia aos presos políticos e permissões para o regresso ao país dos exilados.</p><p>· Garantia das liberdades fundamentais do cidadão (direito de expressão e associação).</p><p>Os membros do governo provisório não estavam interessados em resolver os grandes problemas sociais que amarguravam a vida dos operários e dos camponeses. Além disso, tomaram uma medida bastante impopular: mantiveram a participação da Rússia na Primeira Guerra Mundial.</p><p>Regressando à Rússia em abril de 1917, Lenin</p><p>passou a liberar a oposição socialista ao governo provisório.</p><p>Organizando o Partido bolchevisque, Lenin publicou as Teses de Abril, onde pregava a formação de uma república dos sovietes (sovietes eram os comitês políticos dos trabalhadores). Esse documento defendia também a nacionalização dos bancos e da propriedade privada. Seu lema principal era o seguinte: Todo o poder para os sovietes.</p><p>Segunda fase:</p><p>a revolução vermelha</p><p>(novembro de 1917 a 1918)</p><p>Em 7 de novembro de 1917 (25 de outubro pelo calendário russo), os bolcheviques cercaram a cidade de São Petersburgo, que sediava o governo provisório. O líder Kerensky conseguiu fugir, mas diversos outros governantes foram presos.</p><p>Os sovietes da Rússia reuniram-se num congresso e delegaram o poder governamental para o Conselho dos Comissários do Povo, presidido por Lenin. Sem demora, esse conselho tomou medidas de grande impacto:</p><p>Pedido de paz imediata:</p><p>Lenin agiu rapidamente para retirar a Rússia da Primeira Guerra Mundial. Em março de 1918, assinou com a Alemanha o Tratado de Brest-Litovsk, firmando a paz com os alemães.</p><p>Confisco de propriedades privadas: muitas propriedades, num total de 150 milhões de hectares, foram confiscadas dos nobres e da Igreja Ortodoxa, sem nenhuma indenização, e destribuídas entre as classes populares.</p><p>Estatização da economia: o novo governo passou a intervir duramente na vida econômica, nacionalizando diversas empresas (bancos, fábricas).</p><p>Terceira fase:</p><p>a guerra civil</p><p>(1918-1920)</p><p>As forças políticas ligadas ao antigo regime russo montaram uma organização contra-revolucionária para derrubar o governo bolchevique. Para isso, contaram com o auxílio econômico e militar de países como Inglaterra, França e Japão, que temiam a repercussão das idéias socialistas.</p><p>O governo bolchevique conseguiu, entretanto,</p><p>manter-se no poder graças à resistência militar do Exército Vermelho, liderado por Trotsky. Após violenta guerra civil, o Exército Vermelho saiu-se vitorioso. Assim, o Partido Bolchevique, que desde 1918 mudara o nome para Partido Comunista, firmou sua posição no comando do governo.</p><p>Depois da vitória do Exército Vermelho na guerra civil, os países capitalistas ocidentais procuraram isolar a Rússia socialista do relacionamento internacional.</p><p>O objetivo dessa política de isolamento foi estabelecer um cordão sanitário em torno dos russos para impedir a expansão do comunismo.</p><p>CONSOLIDAÇÃO DO PODER SOVIÉTICO</p><p>Terminada a guerra civil, a Rússia estava arrasada. Era enorme a queda da produção agrícola e industrial. A população sofria com a falta de alimentos. E ainda havia o grande perigo de novas rebeliões internas.</p><p>Lenin abandonou, então, o chamado comunismo de guerra (1918-1921), em que a economia do país esteve totalmente controlada pelo governo. Para reconstruir a nação, o governo adotou, em março de 1921, a Nova Política Econômica (NEP), promovendo certo retorno às práticas capitalistas.</p><p>(</p><p>Com NEP, foi permitida:</p><p>A liberdade do comércio interno.</p><p>A liberdade de salários.</p><p>A criação de empresas privadas.</p><p>O empréstimo de capitais estrangeiros.</p><p>)</p><p>Cabia ao Estado a supervisão geral da economia e o controle de setores vitais como comércio exterior, sistema bancário e grandes indústrias de base.</p><p>No mesmo ano, 1921, teve início a ditadura do Partido Comunista. Toda oposição política dentro do partido foi proibida. Todos os sindicatos dos trabalhadores foram unificados sob o comando dos comunistas. Em abril de 1922, veio a nomeação de Iossif Stalin para secretário-geral do partido com a tarefa de combater as oposições políticas e colocar pessoas de confiança nos mais importantes cargos da administração pública.</p><p>Lenin, o fundador do primeiro Estado socialista, morreu em 1924. Teve início, então, uma grande luta interna pelo controle do poder na União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). Entre os principais envolvidos nessa disputa estavam Trotsky e Stalin.</p><p>Trotsky defendia que a revolução socialista deveria ser levada à Europa e ao mundo. Do contrário, os países capitalistas acabariam com a URSS. Essa é a tese da chamada revolução permanente, segundo a qual o socialismo deveria ser construído em escala internacional.</p><p>Opondo-se a Trotsky, Stalin defendia que a revolução socialista deveria ser consolidada internamente na URSS. Essa é a tese da construção do socialismo em um só país.</p><p>Na luta pelo poder, Stalin saiu-se vitorioso pois controlava a burocracia do Partido Comunista. As teses stalinistas foram aprovadas no XIV Congresso do Partido Comunista.</p><p>Veio, então, a perseguição contra Trotsky, que perdeu todas as suas funções no governo até que, em 1929, foi expulso da URSS. Tempos depois, em 1940, foi assassinado no México, com golpes de picareta na cabeça. O assassino cumpria ordens de Stalin.</p><p>A partir de dezembro de 1929, Stalin tornou-se o ditador da URSS. Sustentou-se no poder até a morte, em 1953, controlando a burocracia comunista e perseguindo violentamente todas as oposições. Muitos revolucionários, companheiros de Lenin, foram presos, torturados e mortos pela repressão. Assim, grandes patriotas foram executados como traidores da pátria. Eram as chamadas depurações stalinistas.</p><p>Durante todo o governo de Stalin (1924-1953) calcula-se que o terror político soviético matou mais de 500 mil pessoas, além de prender e torturar mais de 5 milhões de cidadãos. Foi uma das mais sangrentas ditaduras do século XX.</p><p>Questões de Vestibulares</p><p>01. FARIAS BRITO 2007.2</p><p>O apogeu do ciclo da borracha e fase áurea de Manaus deu-se entre 1890 e 1920. Neste período aconteceram:</p><p>a) a Revolução Francesa e a Guerra da Secessão.</p><p>b) a Guerra dos Cem Anos e a Guerra do Peloponeso.</p><p>c) a Guerra da Coréia e a Guerra do Vietnã.</p><p>d) a Revolução Russa e a Primeira Guerra Mundial.</p><p>e) a Guerra dos Farrapos e a Guerra do Paraguai.</p><p>02. CEFET CEARÁ 2006.1</p><p>Sobre a Revolução Russa de 1917, é correto afirmar:</p><p>a) resultou no fortalecimento do regime czarista</p><p>b) contribuiu para o enfraquecimento do Partido Bolchevique</p><p>c) os bolcheviques defendiam a necessidade de uma revolução gradual e de reformas</p><p>d) a derrota da Rússia, na disputa pela região da Manchúria, retardou o processo revolucionário de Outubro de 1917</p><p>e) contribuiu para uma redefinição dos quadros políticos e sociais com instalação de um estado socialista</p><p>03. UECE 1997.2</p><p>Assinale a afirmativa verdadeira sobre a História da União Soviética:</p><p>a) a política de J. Stalin, na direção do Estado Soviético, da década de vinte à década de cinqüenta, exerceu-se no sentido de implantar a liberdade política e a economia de mercado</p><p>b) Mikhail Gorbashev, com sua política de glasnot e de perestroika procura fazer a liberalização política do regime e a renovação econômica pela introdução das práticas da economia, de mercado</p><p>c) Nikita Krushev, no XX Congresso do Partido Comunista da União Soviética (PCUS) aprovou a política de Stalin, negou a prática de crimes pelo regime e rejeitou a política de coexistência pacífica</p><p>d) Leon Trotsky opôs-se à política de Stalin na direção da URSS e denunciou os seus crimes no XX Congresso do PCUS em 1956</p><p>04. UECE 1999.2</p><p>Além da expansão industrial, determinada pelo plano Quinqüenal, o governo de Stalin, na Rússia, foi marcado pela(por):</p><p>a) ampliação do número de partidos políticos</p><p>b) violentas perseguições políticas a antigas lideranças</p><p>c) abertura parcial da economia aos investimentos estrangeiros</p><p>d) ampliação do número de sindicatos livres no setor agrícola</p><p>05. UECE 2000.2</p><p>A posse do novo Presidente eleito da Rússia, Wladimir Putin, significou o (a):</p><p>a) continuidade de um controle, autoritário na vida política, em virtude da fragilidade dos partidos políticos</p><p>b) fortalecimento do Partido Comunista como resultado do fracasso do governo de Boris Ieltsin</p><p>c) garantia do equilíbrio democrático do poder, concretizada no apoio dos partidos de oposição</p><p>d) restabelecimento das diretrizes propostas por Mikhail Gorbatchev para garantir a proposta dos socialistas</p><p>06. UECE 1996.2</p><p>"A imagem das longas filas e dos cupons de racionamento para comprar os escassos produtos colocados à disposição do público é coisa do passado. O Capitalismo encheu as prateleiras russas de alimento, bebidas, roupas e até bugigangas eletrônicas ( ... )"</p><p>(Revista Isto É, n.º 1397, 10.07.96)</p><p>A partir de uma leitura crítica do texto acima e dos conhecimentos sobre a História da Rússia, na atualidade, NÃO é correto afirmar:</p><p>a) os principais beneficiários das reformas de Yeltsin são os "novos russos"; poucos têm dinheiro para entrar no reduzido clube da sociedade de consumo</p><p>b) as reformas em curso na Rússia têm provocado redução na produção industrial, desemprego e achatamento salarial</p><p>c) o desemprego e o subemprego continuam crescendo e a população ficou mais pobre; são numerosos os mendigos que passaram a fazer parte da paisagem urbana</p><p>d) as reformas praticadas na Rússia têm diminuído as diferenças sociais e melhorado as condições de vida da maioria da população com a expansão do consumo de bens</p><p>importados</p><p>Gabarito</p><p>01</p><p>02</p><p>03</p><p>04</p><p>05</p><p>06</p><p>D</p><p>E</p><p>B</p><p>B</p><p>A</p><p>D</p><p>Aula 08</p><p>CRISE DE 1929</p><p>A CRISE DE SUPERPRODUÇÃO</p><p>No fim da Primeira Guerra Mundial, os Estados Unidos eram a maior potência econômica do mundo. Em 1920, a indústria norte-americana produzia quase 50% de toda a produção industrial do mundo. A agricultura também aumentara sua produtividade, impulsionada pela mecanização agrícola e a eletrificação rural.</p><p>O progresso tecnológico do país favoreceu um</p><p>crescimento fabuloso da produção econômica. Os americanos viviam um clima de grande euforia capitalista como se a prosperidade fosse uma bênção eterna.</p><p>Esses dias de glória da moderna sociedade industrial criaram o american way of life (estilo americano de vida), que se caracterizava pelo consumo desenfreado de toda sorte de produtos industrializados, do automóvel aos milhares de eletrodomésticos. Viver bem virou sinônimo de consumir sempre mais. Consumir a última novidade</p><p>inventada pela indústria.</p><p>O clima de euforia e prosperidade econômica dos Estados Unidos permaneceu durante quase toda a década de 20. Entretanto, em 1929, o país mergulhou numa terrível crise econômica que se espalhou por vários países do mundo. Vejamos as principais causas dessa violeta crise.</p><p>Até por volta de 1925, os países europeus lutavam com dificuldade para reconstruir a Europa no pós-guerra.</p><p>Enquanto isso, os Estados Unidos apresentavam um notável crescimento econômico. Estavam em condições de continuar vendendo aos europeus tudo o que eles precisavam: alimentos, máquinas, combustível, armas etc.</p><p>À medida que a reconstrução da Europa se desenvolvia, a estrutura produtiva dos países europeus foi se reorganizando. A Inglaterra, a Alemanha e a França procuraram atualizar rapidamente seus parques industriais. Depois tornaram uma série de medidas protecionistas para reduzir as importações norte-americanas.</p><p>Nos Estados Unidos, porém, o ritmo da produção industrial e agrícola continuava a crescer, ultrapassando as necessidade de compra do mercado internacional e do seu próprio mercado interno.</p><p>Havia uma enorme quantidade de mercadorias para as quais não existiam compradores. Era a crise de superprodução. Os preços das mercadorias despencavam e, mesmo assim, não conquistavam consumidores.</p><p>Os industriais compreenderam, então, a necessidade de reduzir o ritmo da produção. Para isso precisavam demitir milhões de trabalhadores. No decorrer da crise o número de desempregados nos Estados Unidos atingiu mais de 15 milhões de pessoas.</p><p>Em 29 de outubro de 1929 ocorreu a queda vertiginosa de milhões de ações na Bolsa de Valores de Nova Iorque. Foi um dos dias mais tenebrosos de toda a crise.</p><p>As ações perderam quase todo o seu valor financeiro. Inúmeras empresas e bancos foram levados à falência. Com o desdobramento da crise, entre 1929 e 1932, a produção industrial americana foi reduzida em 54%.</p><p>O crack (quebra) da Bolsa de Valores de Nova</p><p>Iorque abalou o mundo inteiro. O comércio internacional sofreu considerável declínio. O Brasil, por exemplo, que vendia café para os Estados Unidos, perdeu seu grande mercado comprador. Milhares de sacas de café foram queimadas, numa tentativa desesperada de manter os preços.</p><p>Tudo em vão. Foi impossível conter o desastre econômico que afetou a cafeicultura brasileira e abalou as estruturas da República Velha.</p><p>O NEW DEAL</p><p>Nos primeiros anos do longo governo do presidente Franklin Roosevelt (1933-1945), os Estados Unidos adotaram um conjunto de medidas socioeconômicas com o objetivo de superar a crise. New Deal (novo acordo) foi o nome pelo qual ficou conhecido o programa, inspirado nas idéias do economista inglês Jonh Keynes (1883-1946).</p><p>Para Keynes, os governos deviam tomar todas as medidas econômicas para garantir o pleno emprego dos trabalhadores. Dizia ainda que os lucros deviam ser redistribuídos de modo que o poder aquisitivo dos consumidores crescesse de forma proporcional ao desenvolvimento dos meios de produção.</p><p>As novas idéias presentes no New Deal rompiam com os princípios clássicos do liberalismo econômico, que tinham marcado a administração dos presidentes americanos durante a prosperidade dos felizes anos 20. O New Deal era um programa misto que procura conciliar as leis de mercado e o respeito pela iniciativa privada com a intervenção do Estado em vários setores da economia.</p><p>Vejamos as principais medidas socioeconômicas adotadas pelo New Deal:</p><p>Preços</p><p>controle governamental dos preços de diversos produtos agrícolas e industriais.</p><p>Empréstimos</p><p>concessão de empréstimos aos fazendeiros arruinados para que pagassem suas dívidas e reordenassem a produção.</p><p>Obras públicas</p><p>realização de diversas obras públicas para oferecer trabalho a milhões de desempregados.</p><p>Salário-desemprego</p><p>criação de um salário-desemprego para avaliar a situação de miséria dos desempregados.</p><p>Pacto de reconstrução da indústria</p><p>realização de um acordo social pelo qual se garantiam os interesses das indústrias (limitação dos preços e da produção às exigências do mercado) e dos trabalhadores (fixação de salários mínimos, limitação das jornadas de trabalho).</p><p>A política do New Deal não alcançou todo o sucesso esperado. Mas conseguiu dar uma controlada no lado mais terrível da crise econômica que gerava fortes conflitos sociais. A partir de 1935, o país voltou a se fortalecer economicamente. A crise só foi plenamente superada com a participação dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial.</p><p>Questões de Vestibulares</p><p>01. UFC 2002</p><p>Ante a grande depressão de 1929, o economista John M. Keynes defendia o déficit público como uma forma de enfrentar a recessão. Nos Estados Unidos, o Presidente Franklin Roosevelt, a partir de 1930, financiou obras públicas a fim de diminuir o desemprego. A partir desse período, as mudanças na política econômica propiciaram:</p><p>a) a oposição do governo norte-americano ao desenvolvimento do intervencionismo na economia.</p><p>b) a intervenção do Estado na economia, como estratégia de ampliação do mercado de trabalho.</p><p>c) a consolidação dos grupos econômicos que impediam a intervenção estatal.</p><p>d) o fechamento do comércio europeu ao capital norte-americano.</p><p>e) a livre aplicação do capital pela iniciativa privada.</p><p>02. UECE 1995.1</p><p>Sobre a crise de 1929 que abalou toda a economia capitalista, pode-se afirmar corretamente que:</p><p>a) foi resultado da quebra da Bolsa de Nova Iorque, não afetando a oferta de empregos nem os serviços de assistência social</p><p>b) apesar de sua gravidade, a crise atingiu apenas os setores financeiros dos EUA, não se estendendo à Europa</p><p>c) os trabalhadores foram os únicos a se beneficiar com a crise, pois ela abriu oportunidades para pequenos negócios e novos empregos</p><p>d) a crise provocou o desemprego e a miséria em todo o mundo, abrindo caminho para os regimes fascistas na Europa</p><p>03. UECE 1998.1</p><p>A política seguida pelo presidente Franklin Delano Roosevelt para tirar a economia americana da recessão causada pela quebra da bolsa de Nova Iorque, em 1929, teve a seguinte característica:</p><p>a) obediência aos princípios do liberalismo econômico, sem intervenção do Estado na economia, esperando a ação do mercado e da lei da oferta e da procura;</p><p>b) estatização da propriedade dos meios de produção e estabelecimento de um sistema coletivista para a produção industrial;</p><p>c) incentivo à militarização para aumentar os investimentos produtivos através das encomendas de armamentos e materiais para as forças armadas;</p><p>d) intervenção do Estado na economia para incentivar o emprego e a produção e corrigir as distorções da política liberal pura.</p><p>04. UFC 1994.1</p><p>Uma das características marcantes da Era Roosevelt, EUA, (1933-1945), foi a chamada "política de boa vizinhança com a América Latina".</p><p>Analise essa política adotada para com a América Latina no contexto da política internacional.</p><p>05. UFC 2001.1</p><p>A superprodução industrial e a crescente especulação financeira caracterizaram a prosperidade econômica dos Estados Unidos na década de 20, período, posteriormente, conhecido</p><p>que existe um poder natural agindo nas sociedades humanas, sendo inútil contrariá-lo com leis, regulamentos ou sistemas.</p><p>Defendia a valorização da agricultura como a única atividade verdadeiramente criadora de riquezas para uma nação. Os fisiocratas pregavam a implantação de um capitalismo agrário, baseado no aumento da produção agrícola.</p><p>O liberalismo econômico: o principal representante do liberalismo econômico foi Adam Smith (1723-1790), autor de uma famosa obra da literatura econômica, o Ensaio sobre a riqueza das nações. Nessa obra, Adam Smith critica a política mercantilista, baseada na intervenção do Estado na vida econômica.</p><p>A economia deveria ser pelo jogo livre da oferta e da procura de mercado (laissez-faire). Segundo ele, o trabalho em geral representa a verdadeira fonte de riqueza para as nações, e esse trabalho deveria ser conduzido pela livre iniciativa dos particulares.</p><p>O DESPOTISMO ESCLARECIDO</p><p>Os governantes absolutistas de alguns países europeus adotaram certos princípios do Iluminismo, promovendo em seus Estados uma série de reformas nos campos social e econômico.</p><p>A palavra déspota era aplicada aos governantes absolutistas de modo geral. Entretanto, os governantes absolutistas que se mostraram receptivos a certas idéias do Iluminismo foram chamados de déspotas esclarecidos.</p><p>Na essência, os déspotas esclarecidos não abandonaram suas intenções político-sociais conservadoras.</p><p>As reformas que realizaram, inspiradas no Iluminismo, tinham o propósito de fortalecer, o Estado absolutista. No entanto, mexeram de algum modo no velho edifício da sociedade do Antigo Regime, liberando forças que se revelaram incontroláveis. E assim o feitiço acabou virando contra o feiticeiro.</p><p>Como exemplos das reformas do absolutismo ilustrado podemos citar:</p><p>Educação: incentivo à educação pública através da construção de escolas, de apoio às academias literárias e científicas e da divulgação de textos eruditos.</p><p>Tributos: aperfeiçoamento do sistema de arrecadação</p><p>tributária, que procurou tornar menos opressiva a carga tributária sobre as classes populares.</p><p>Os principais déspotas esclarecidos foram os</p><p>seguintes:</p><p>Frederico II, da Prússia (1712-1786): aboliu a tortura aos criminosos, construiu diversas escolas destinadas ao ensino elementar e estimulou o desenvolvimento da indústria e da agricultura. Manteve amizade com influentes pensadores iluministas, como, por exemplo, Voltaire.</p><p>Catarina II, da Rússia (1762-1796): construiu escolas e hospitais, modernizou a cidade de Petersburgo, aprimorou a administração pública do estado e submeteu a Igreja ortodoxa atuante em seu país. Manteve intensa correspondência com Diderot, Voltaire e d´Alembert.</p><p>José II, da Áustria (1780-1790): diminuiu o poder da Igreja católica, confiscando suas terras, promoveu a libertação de numerosos servos, abolindo suas obrigações feudais, e aperfeiçoou o exército, introduzindo o serviço militar obrigatório.</p><p>Marquês de Pombal, de Portugal (1750-1777): o rei de Portugal D. José I teve entre seus mais importantes ministros o marquês de Pombal, cujo nome era Sebastião José de Carvalho e Melo. Pombal, embora não fosse rei, exerceu a administração de Portugal como se fosse um autêntico monarca absolutista. Procurou modernizar a vida econômica portuguesa, criando as Companhias de Comércio e desenvolvendo as manufaturas, expulsou os jesuítas do reino português, determinou a reforma do ensino e reorganizou o exército.</p><p>Questões de Vestibulares</p><p>01. UECE 2005.2 FASE 2</p><p>Leia, atentamente, o texto abaixo do iluminista Jean-Jacques Rousseau.</p><p>O verdadeiro fundador da sociedade civil foi o primeiro que, tendo cercado um terreno, lembrou-se de dizer isto é meu e encontrou pessoas suficientemente simplórias para acreditá-lo. Quantos crimes, guerras, assassínios, misérias e horrores não pouparia ao gênero humano aquele que, arrancando as estacas ou enchendo o fosso, tivesse gritado aos seus semelhantes: não deis ouvidos a esse impostor; estareis perdidos se esquecerdes que os frutos são de todos e que a terra não pertence a ninguém! Grande é a possibilidade, porém, de que as coisas já tivessem então chegado a “ponto de não poder mais permanecer como eram.”</p><p>Jean-Jacques Rousseau. Discursos sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens (1755)</p><p>De acordo com o texto é correto afirmar:</p><p>a) A bondade natural do homem foi corrompida com o estabelecimento da propriedade privada e a possibilidade de reversão está sujeita à ação do governo.</p><p>b) As desigualdades sociais foram provocadas pelos políticos que se apossaram dos bens coletivos e sua mudança depende da garantia dos direitos individuais dos homens</p><p>c) O surgimento da propriedade privada foi a última etapa do estado de natureza e a primeira do progresso da desigualdade no estado social</p><p>d) A visão ingênua que relaciona a propriedade privada com a perda da bondade natural do homem foi recebida com entusiasmo pela burguesia</p><p>02. CEFET 2005.1</p><p>O Iluminismo foi um movimento intelectual que ocorreu na Europa, em especial na França, no século XVIII. Sobre este movimento, é correto afirmar:</p><p>a) na base do pensamento iluminista, encontram-se o racionalismo e a Teoria do Direito Divino</p><p>b) entre os precursores do Iluminismo, destacam-se René Descartes e John Lock, ambos defensores do Estado Absolutista</p><p>c) as idéias iluministas contribuíram como respostas aos problemas enfrentados pela burguesia que buscava o fim da intervenção do Estado na economia e uma maior participação política</p><p>d) entre as conseqüências do Iluminismo, destacam-se o fim das desigualdades de direitos e deveres entre os cidadãos e o fim do Despotismo Esclarecido</p><p>e) as idéias iluministas criticavam os resquícios feudais na economia, mas defendia a influência da Igreja sobre a sociedade, principalmente no campo da cultura e da educação</p><p>03. UEVA 2006.1</p><p>O lluminismo encontrou seu apogeu entre os pensadores de língua francesa. A sua contribuição para as transformações ocorridas, tanto no plano político quanto econômico, representaram na verdade uma contribuição que até hoje esta presente no meio de nós.</p><p>Dentre os principais pontos defendidos pelos filósofos iluministas, não podemos citar:</p><p>a) criticas ao.Estado Absolutista, propondo limitação do poder real. A crítica se estendia também ao princípio do Direito Divino dos Reis.</p><p>b) crítica à postura da Igreja Católica, sustentáculo do Antigo Regime.</p><p>c) defesa da intervenção do Estado no campo econômico.</p><p>d) defesa de um sistema constitucional.</p><p>04. FMJ 2004</p><p>A obra Riqueza das Nações (1776), de Adam Smith, fundamental na evolução do pensamento econômico, defendia, entre outras, a idéia de que:</p><p>a) A. socialização dos meios de produção e distribuição aumentam a eficiência da economia.</p><p>b) A grandeza de um Estado exige a planificação e o dirigismo econômico.</p><p>c) A riqueza deve basear-se, fundamen-talmente, na exploração dos recursos da natureza.</p><p>d) O trabalho é a fonte da riqueza, baseando-se o valor na lei da oferta e da procura.</p><p>e) A "mais-valia", resultado da exploração do trabalhador, deve ser suprimida.</p><p>05. UFC 2005</p><p>A propósito do século XVIII na França, François Lebrun escreve:</p><p>“Se as principais obras dos</p><p>grandes filósofos são escritas antes da metade do século, é sobretudo depois de 1750 que se</p><p>acelera a difusão das suas idéias. Essa difusão se choca, sobretudo na França, com a oposição</p><p>das autoridades civis e religiosas. (...) Voltaire, Diderot, Rousseau conhecem a prisão ou são</p><p>obrigados ao exílio (...). O livro permanece, com efeito, o meio privilegiado de difusão das idéias</p><p>novas: obras de um Montesquieu ou de um Rousseau; múltiplas brochuras, libelos ou memórias</p><p>sobre assuntos de atualidade dos quais Voltaire faz uma especialidade; por fim, a grande obra</p><p>coletiva que constitui a Enciclopédia”.</p><p>(LEBRUN, François. L´Europe et le monde. XVI.º, XII.º, XVIII.º siècle. Paris, Armand Collin, 1999, p. 230)</p><p>Com base neste trecho e nos seus conhecimentos, assinale a afirmação correta acerca do principal objetivo</p><p>como a Grande Ilusão.</p><p>a) Identifique o fato que pôs fim a esse crescimento econômico desordenado nos Estados Unidos.</p><p>b) Explique qual era a situação dos trabalhadores norte-americanos nesse período.</p><p>Gabarito</p><p>01</p><p>02</p><p>03</p><p>04</p><p>05</p><p>B</p><p>D</p><p>D</p><p>ND</p><p>ND</p><p>Aula 09</p><p>REGIMES TOTALITÁRIOS</p><p>O AVANÇO DOS REGIMES TOTALITÁRIOS</p><p>Em diversos países da Europa, a crise econômica do capitalismo provocou efeitos mais ou menos desastrosos.</p><p>O desemprego aumentou, a produção caiu, a inflação elevou-se e muitas empresas faliram. Essa crise contribuiu para agravar os conflitos entre as classes sociais, tornando-os mais profundos e explosivos.</p><p>Os governos liberais e democráticos foram incapazes de administrar os graves problemas da época. As classes dominantes (industrias, banqueiros, grandes comerciantes etc.) mostraram-se favoráveis a formação de governos mais fortes, com poderes centralizados. Governos que, segundo eles, fosse mais duros e enérgicos para enfrentar as dificuldades do país.</p><p>Essas idéias políticas autoritárias levaram ao recuo das democracias liberais, abrindo espaço para o avanço, em diversos países, dos regimes totalitários.</p><p>Havia ainda outra importante questão que contribuiu para o recuo do liberalismo e a crise das democracias.</p><p>Foi o medo das classes dominantes (industrias), banqueiros, altos oficiais do exército etc.) em relação às lutas proletário-socialistas. Essas lutas ganharam mais vigor com o exemplo da Revolução Russa (1917).</p><p>Para se proteger dos movimentos socialistas, grande parcela das classes dominantes apoiou a ascensão dos regimes totalitários, que prometem impor ordem e disciplina em toda a sociedade.</p><p>Entre os exemplos mais significativos de formação de regimes totalitários estão o fascismo na Itália e o nazismo na Alemanha.</p><p>O fascismo na Itália</p><p>Iniciando a Primeira Guerra Mundial ao lado da Alemanha, a Itália mudou sua posição, a partir de 1915, em troca da promessa, por parte dos países Entente, de que receberia novos territórios ao fim do conflito. Essa promessa, no entanto, não se cumpriu, restando para a Itália apenas o saldo doloroso da guerra: 700 mil mortos, 500 mil feridos e dívidas enormes contraídas junto aos Estados Unidos e à Inglaterra.</p><p>A economia italiana foi gravemente abalada. Fome, inflação e desemprego afetaram o país, provocando grande agitação social entre operários e camponeses, organizados pelo Partido Socialista Italiano.</p><p>A monarquia parlamentar, conduzida pelo rei Vitor Emanuel III, mostrou-se incapaz de restabelecer a ordem social do país. Apavorada com a crescente movimentação política dos trabalhadores, a alta burguesia italiana passou a ver com bons olhos o programa político do Partido Nacional Fascista, fundado em 1921, sob a liderança de Benito Mussolini.</p><p>A ascensão do Partido Fascista</p><p>Em março de 1919, Benito Mussolini, antigo membro do Partido Socialista, fundou uma organização composta por ex-combatentes e desempregados denominada fasci di combattimento (esquadrões de combate).</p><p>Ela recebia o financiamento de alguns industriais.</p><p>Esses esquadrões, que se distinguiam pelo uso da brutalidade e da violência contra seus opositores, transformaram-se no Partido Fascista em 1921. Mussolini foi eleito deputado em maio desse ano.</p><p>Protestando contra a indiscriminada violência fascista, os partidos de inspiração marxista convocaram uma greve geral dos trabalhadores. Os fascistas, por sua vez, exigiram que o governo acabasse com a greve e restabelecesse a ordem, no interesse da alta burguesia.</p><p>Impotentes para controlar a situação, as autoridades deram espaço para a ação violenta dos fascistas, que dissolveram o movimento dos trabalhadores espancando, raptando ou assassinando os líderes sindicais e socialistas.</p><p>Tendo como objetivo a conquista efetiva do poder, Mussolini organizou, em outubro de 1922, um desfile de aproximadamente 50 mil fascistas na capital italiana, conhecido como a Marcha sobre Roma. Pressionado, o rei Vitor Emanuel III encarregou Benito Mussolini de formar um novo governo (28 de outubro de 1922).</p><p>O governo de Mussolini</p><p>O governo de Mussolini pode ser dividido, basicamente, em duas grandes fases:</p><p>Primeira fase (1922-1924): Mussolini procurou realizar um governo de conciliação nacional, marcado pelo nacionalismo externo e pelo liberalismo interno. Paralelamente, fortaleceu as milícias fascistas, que através de métodos de violência e de fraude garantiram a vitória do Partido Fascista nas eleições parlamentares de abril de 1924. O deputado socialista Giocomo Matteotti denunciou corajosamente as violências praticadas, responsabilizando-as pela distorção dos resultados eleitorais. Em conseqüência de sua firme oposição ao fascismo, Matteotti foi assassinado em maio de 1924. Posteriormente, Mussolini assumiria a responsabilidade histórica pelo homicídio do líder socialista.</p><p>Segunda fase (1925-1939): Mussolini implantou a ditadura fascista, impondo uma série de medidas ao país. Através delas, ampliavam-se os poderes do primeiro-ministro, o Partido Fascista tornava-se único e os sindicatos dos trabalhadores passavam a ser controlados pelo governo (corporativismo). Mussolini tornou-se o chefe supremo do Estado, sendo conhecido como o Duce, que significa, em italiano, aquele que dirige.</p><p>Tomando medidas enérgicas, Mussolini conseguiu reerguer economicamente a Itália e restabelecer a prosperidade capitalista. Atento ao setor educacional, o regime fascista dedicou-se à doutrinação da juventude, procurando infundir nos jovens os ideais de disciplina social e de obediência total às autoridades constituídas.</p><p>No plano externo, Mussolini conduziu a política italiana para a expansão colonialista, invadindo, em 1936, a Etiópia.</p><p>O nazismo alemão</p><p>Ao final da Primeira Guerra Mundial, instaurou-se na Alemanha a República de Weimar. O presidente da República, eleito pelo voto direto e democrático, nomeava um chanceler, responsável pelo poder executivo. O poder legislativo era exercido por um parlamento, composto por deputados eleitos pelo povo.</p><p>O governo republicano alemão enfrentou uma série de dificuldades para superar os problemas sociais e econômicos gerados pela guerra. O Tratado de Versalhes impunha à Alemanha uma série de obrigações extremamente duras. Mesmo retomando o desenvolvimento industrial, o país sofria com o elevado índice de desemprego e as altas taxas de inflação.</p><p>Entusiasmados com o exemplo da Revolução Russa, importantes setores do operariado alemão protestaram contra a exploração capitalista. Eram movimentos organizados pelo Partido Social-Democrata (SPD) e pelo Partido Comunista (KPD).</p><p>Tal como vimos na Itália, a burguesia alemã, temendo a expansão dos movimentos socialistas, passou a fornecer apoio a um pequeno partido. O líder desse partido era Adolf Hitler, que revelava profundo desprezo pelos ideais democráticos.</p><p>A chegada de Hitler ao poder</p><p>Adolf Hitler (1889-1945) nasceu em Braunau, na Áustria, e teve uma juventude marcada por dificuldades financeiras.</p><p>Residiu em Viena de 1909 a 1913, transferindo-se depois para Munique. No ano seguinte, alistou-se como voluntário no exército alemão para combater na Primeira Guerra Mundial. Como recompensa pela sua atuação nos campos de batalha, recebeu a cruz de ferro, importante condecoração militar da qual muito se orgulhava.</p><p>Terminada a guerra, Hitler retornou a Munique. Em setembro de 1919, filiou-se ao Partido dos Trabalhadores Alemães, que tinha sido fundado em janeiro de 1919. No ano seguinte, esse partido receberia uma nova denominação: Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães.</p><p>Pouco tempo depois, Adolf Hitler se tornaria seu líder absoluto.</p><p>Com as letras iniciais do nome do partido foi formada a sigla NAZI, de onde deriva o termo nazismo.</p><p>Em 1923, Hitler tentou organizar uma rebelião contra o governo alemão, imediatamente reprimida pelas forças governamentais. Condenado a cinco anos de prisão, o líder nazista escreveu boa parte do livro Mein Kamp (minha luta) durante o tempo em que permaneceu</p><p>na cadeia.</p><p>Essa obra se tornaria o livro sagrado do nazismo.</p><p>Oito meses depois de sua condenação, Hitler foi libertado, dedicando total atenção ao crescimento e à estruturação do Partido Nazista.</p><p>As idéias nazistas foram difundidas graças ao talento oratório de Hitler, às publicações do partido e ao uso de meios espetaculares para influenciar a opinião pública.</p><p>Entre esses meios destacavam-se grandes desfiles militares e a adoção de um conjunto de ritos pomposos, que manifestavam noções de ordem, de disciplina e de organização.</p><p>Em 1925 foi eleito Von Hindenburg para a presidência do país. O novo presidente não conseguiu realizar a estabilização política e superar as dificuldades econômicas.</p><p>A grave crise econômica de 1929 arruinou ainda mais a situação colaborando para que os nazistas, nas eleições de julho de 1932, conquistassem a maior bancada do parlamento alemão (38% dos deputados).</p><p>A tumultuada situação política e social da Alemanha no final de 1932 foi favorável à ascensão de Hitler, que, com a aprovação de Hindenburg, tornou-se chanceler em 30 de janeiro de 1933.</p><p>A DOUTRINA HITLERISTA</p><p>Foi na prisão militar de Landsberg que Adolf Hitler escreveu a primeira parte do livro Mein Kampf, em que expõe as bases de sua doutrina: um conjunto complicado de idéias fanáticas e pseudo-científicas.</p><p>Entre as principais teorias da doutrina hitlerista estão:</p><p>! A superioridade da raça ariana: Hitler afirmava que o povo alemão descendia de uma raça superior (os arianos) e, por isso, tinha o direito de dominar as raças inferiores (judeus, eslavos etc.).</p><p>! O anti-semitismo: Hitler declarava que os judeus (semitas) faziam parte de uma raça inferior, sendo capazes de corromper e destruir a pureza alemã. Os casamentos entre judeus e alemães deveriam ser proibidos e os judeus, aniquilados.</p><p>! O total fortalecimento do Estado: Hitler defendia a total submissão do indivíduo à autoridade soberana do Estado, personificado na figura do Führer (chefe).</p><p>! O expansionismo: Hitler afirmava que o povo alemão tinha direito de conquistar seu espaço vital, expandindo militarmente seu território.</p><p>Falando do sistema educacional, Hitler escreveu as seguintes palavras no Mein Kampt:</p><p>O povo alemão, hoje destruído, morrendo, entregue, sem defesa, aos pontapés do resto do mundo, tem absoluta necessidade de força que a confiança em si proporciona. Todo o sistema educacional deve ter como objetivo dar às crianças de nosso povo a certeza de que são absolutamente superiores aos outros povos.</p><p>A ditadura nazista</p><p>Assumindo o cargo de chanceler, Hitler empenhou-se em consolidar o poder alcançado pelo Partido Nazista. Os principais métodos utilizados nesse sentido foram a violência e a propaganda enganosa junto às massas populares.</p><p>O uso da violência contra os inimigos do nazismo ficava a cargo principalmente da Gestapo (polícia secreta do Estado), dirigida pelo sanguinário Heinrich Himmler.</p><p>A propaganda era conduzida por Joseph Goebbels, titular do Ministério da Educação do Povo e da Propaganda, que exercia severo controle sobre as instituições educacionais e sobre os meios de comunicação. Utilizando os métodos mais desonestos e sensacionalistas para divulgar a doutrina nazista, Goebbels, tinha, basicamente, a seguinte filosofia:</p><p>Uma mentira dita cem vezes torna-se verdade.</p><p>Em dezembro de 1933, o Partido Nazista foi transformado no único Partido do Estado alemão. Posteriormente, com a morte de Hindenburg, em agosto de 1934, o chanceler Hitler assumiu também a presidência do país, tornando-se, então, o chefe absoluto da Alemanha.</p><p>Exercendo total controle sobre a sociedade alemã, o governo de Hitler dedicou-se à reabilitação econômica do país. Estimulou a agricultura e a industrialização, principalmente na área de armamentos.</p><p>Desrespeitando as proibições do Tratado de Versalhes, a Alemanha hitlerista passou a se militarizar rapidamente.</p><p>Quando da eclosão da Segunda Guerra Mundial, em 1939, já estava plenamente fortalecida.</p><p>O totalitarismo ganha outros adeptos</p><p>As doutrinas totalitárias de inspiração nazifacista tiveram repercussão em diversas partes do mundo. Foi o caso, por exemplo, da Espanha e de Portugal.</p><p>Na Espanha, o general Francisco Franco (1892-1975), apoiado pela burguesia conservadora (proprietários de terra, alto clero e setores do exército) reuniu forças para lutar contra a república espanhola, instalada desde 1931.</p><p>Teve início em 1936 uma sangrenta guerra civil, que terminou em 1939 com a vitória das tropas franquistas.</p><p>Francisco Franco impôs, então, uma ditadura totalitária, sustentada por uma organização política denominada Falange. Os falangistas passaram a exercer um controle autoritário sobre diversos setores da vida social: educação, sindicalismo, meios de comunicação e órgãos de segurança.</p><p>Esse regime ditatorial, apesar das modificações sofridas ao longo dos anos, foi mantido até 1976, quando foi restaurada a monarquia parlamentar. Voltavam, assim, as eleições democráticas, disputadas por diversos partidos políticos.</p><p>Em Portugal, Antônio de Oliveira Salazar no ano de 1932 assumiu a presidência do Conselho de Ministros. A partir de então, passou a conduzir, como chefe do governo, a vida política do país até 1968.</p><p>Salazar implantou uma ditadura autoritária, tendo como base jurídica a Constituição de 1933. Acabou com a atividade dos diversos partidos políticos portugueses existentes, instituindo a União Nacional como partido único.</p><p>O movimento dos trabalhadores foi severamente controlado pelo Estado.</p><p>A libertação política de Portugal deu-se somente após a morte de Salazar, em 1970.</p><p>No Brasil, a ideologia nazi-fascista foi assimilada pela Ação Integralista Brasileira, fundada por Plínio Salgado, em 1932. Com o apoio dos integralistas, Getúlio Vargas implantou a ditadura do Estado Novo em 1937.</p><p>Questões de Vestibulares</p><p>01. UECE 2008.1</p><p>O Fascismo pode ser definido como uma ideologia e um sistema político. Foi introduzido na Itália por Mussolini e vigorou no período de 1922 a 1945.</p><p>Assinale a alternativa que apresenta suas principais características.</p><p>a) Anti-arianismo e nacionalismo exacerbado.</p><p>b) Corporativismo, totalitarismo, nacionalismo e anti-comunismo.</p><p>c) Tolerância religiosa e pluralismo cultural.</p><p>d) Desenvolvimento econômico e não intervenção do Estado.</p><p>02. URCA 2007.2</p><p>Constituiu característica do regime fascista na Itália:</p><p>a) Estado totalitário, corporativista, antidemocrático.</p><p>b) Apresentava um perfil revolucionário nos moldes socialistas. Por isso recebeu apoio das lideranças soviéticas, de quem foram os principais aliados na Segunda Guerra Mundial.</p><p>c) Estado liberal e democrático.</p><p>d) Elementos racistas, notadamente contra os judeus.</p><p>e) O Estado deveria estar à serviço do indivíduo, principal finalidade do governo do Duce.</p><p>03. UFC 2000.1</p><p>"Cheguei tarde à cultura militante. Pertenço a uma geração que saiu do fascismo, que não deixava nenhuma escolha entre a apologia e o silêncio..."</p><p>(Fonte: BOBBIO, Norberto. O Tempo da Memória: de Senectude e Outros Escritos Autobiográficos. Trad. Daniela</p><p>Versiani. Rio de Janeiro: Campus, 1997, p. 91).</p><p>A partir do depoimento acima apresentado, explique como nos regimes totalitários se estabelecem as relações entre:</p><p>a) O Estado e a organização da Sociedade Civil.</p><p>b) O Estado e os Meios de Comunicação de Massa.</p><p>04. UFC 2001.1</p><p>(Fonte: Enciclopédia Multimídia da Arte Universal,</p><p>vol. 10, Caras)</p><p>O quadro Guernica foi pintado em 1937, em Paris, pelo espanhol Pablo Picasso. Dita obra representa a violência e as atrocidades cometidas na cidade basca, de mesmo nome, durante a Guerra Civil Espanhola. Permaneceu vários anos no Museu de Arte Moderna de Nova Iorque, até que, em 1981, foi transferido para a Espanha. Sua permanência por quase meio século fora da Espanha relaciona-se:</p><p>a) à perseguição aos artistas judeus, que caracterizou os diversos regimes totalitários europeus do século XX.</p><p>b) ao rompimento das relações diplomáticas entre Espanha e Estados Unidos da América após o fim da Segunda Guerra Mundial.</p><p>c) à perseguição movida contra os bascos, que iniciaram a</p><p>guerra civil na Espanha, que terminou com a morte de Franco em 1975.</p><p>d) ao período em que a ditadura do General Franco estava no poder, pois o quadro representava uma crítica à repressão adotada pelo governo à rebelião popular.</p><p>e) ao desaparecimento das forças antifascistas, como os anarquistas e os comunistas, em virtude da repressão adotada no país.</p><p>05. UFC 1999.1</p><p>Observe as afirmativas abaixo a respeito da política de terror implantada durante o período de ocupação nazista na Europa.</p><p>I. O terror nazista não apenas se evidenciou no rapto de pessoas ou na rapina de recursos como também na execução indiscriminada de elites políticas e culturais dos países dominados, já que os mesmos poderiam ser um eventual perigo para o dominador.</p><p>II. Sob o eufemismo de “solução final” os nazistas organizaram uma política implacável de extermínio dos judeus, que incluía trabalhos forçados, torturas, execuções em massa e experiências ditas científicas em cobaias humanas.</p><p>III. A Alemanha nazista arrebanhou indivíduos de muitos lugares para colocá-los em vagões de carga rumo aos trabalhos forçados. Beneficiária deste ato de barbárie era a burguesia industrial, sustentáculo do nazismo em virtude da política anticomunista.</p><p>IV. Os atos de barbárie praticados pelos nazistas devem ser entendidos como reação aos gestos conspiratórios, como a tentativa de assassinato contra Hitler no quartel general da Prússia Oriental, movida pela questão ideológica.</p><p>Sobre as afirmativas acima, é correto dizer:</p><p>a) I, II e III são verdadeiras.</p><p>b) I e III são verdadeiras.</p><p>c) I, III e IV são verdadeiras.</p><p>d) I e IV são verdadeiras.</p><p>e) II e IV são verdadeiras.</p><p>06. UFC 1998.1</p><p>Dentre os problemas políticos europeus do período de entre guerras (1918-1939), podemos destacar:</p><p>a) o enfraquecimento da consciência nacional e do princípio de autodeterminação dos povos;</p><p>b) o acordo entre as grandes potências acerca da atitude a adotar ante a criação do primeiro Estado socialista (União Soviética);</p><p>c) o fortalecimento da supremacia da Europa, no cenário mundial, frente à crise que se abate sobre os Estados Unidos e a União Soviética;</p><p>d) a crise da democracia liberal frente à ascensão do nazi-fascismo e ao estabelecimento dos regimes comunistas;</p><p>e) a crise do movimento operário e dos sindicatos com o rebaixamento dos salários ante o temor dos governos à repetição do exemplo russo.</p><p>07. UFC 1993.2</p><p>Explique o aparecimento do Nazi-fascismo a partir da conjuntura interna da Alemanha e da Itália no período compreendido entre as duas grandes guerras, destacando pelo menos três fatores, que para ele concorreram.</p><p>08. UECE 1999.1</p><p>A Guerra Civil espanhola é considerada por muitos autores como um "ensaio para a Segunda Guerra Mundial".</p><p>Assinale a alternativa que indica corretamente esta idéia.</p><p>a) ao experimentarem novas armas, em mãos espanholas, tanto americanos quanto soviéticos testaram seu poderio militar em estratégias modernas de guerra</p><p>b) o conflito político espanhol, no colocar lado a lado liberais e anarquistas, atestou a possibilidade da união desses grupos contra a expansão da URSS</p><p>c) a intervenção dos fascistas italianos e dos nazistas alemães contra as forças republicanas espanholas serviu de teste para as armas que seriam usadas contra os aliados</p><p>d) a vitória do General Franco serviu para demonstrar a fragilidade das armas e da diplomacia alemã</p><p>09. UECE 1998.2</p><p>Sobre o Nazismo alemão, é correto afirmar que:</p><p>a) apesar da exclusão social dos judeus, a política alemã era liberal, permitindo a livre iniciativa e a livre organização dos partidos</p><p>b) os nazistas pretendiam controlar totalmente o país, estabelecendo uma política de terror em que os opositores e as "raças inferiores"seriam encarceradas ou eliminadas</p><p>c) os campos de concentração eram usados como centros de higiene e saúde coletiva, já que os judeus alemães, em sua grande maioria, eram pobres e doentes</p><p>d) se na política interna os nazistas eram autoritários, na política externa lutavam pela auto determinação dos povos, criticavam o imperialismo e pregavam a paz.</p><p>10. UECE-1995.2</p><p>O fascismo pode ser considerado um sistema autoritário de dominação caracterizado pela:</p><p>a) multiplicidade de partidos políticos como canais de expressão das diversas tendências ideológicas</p><p>b) ideologia fundada no culto ao chefe e na exaltação dos valores individuais em detrimento dos da coletividade</p><p>c) tentativa de integrar nas estruturas de controle do Partido ou do Estado a totalidade das relações econômicas, sociais, políticas e culturais</p><p>d) democratização dos aparelhos de propaganda voltados para a elevação da consciência política das massas</p><p>Gabarito</p><p>01</p><p>02</p><p>03</p><p>04</p><p>05</p><p>06</p><p>07</p><p>08</p><p>09</p><p>10</p><p>B</p><p>A</p><p>ND</p><p>D</p><p>A</p><p>D</p><p>ND</p><p>C</p><p>B</p><p>C</p><p>Aula 10</p><p>A SEGUNDA</p><p>GUERRA MUNDIAL</p><p>Os vencedores da Primeira Guerra Mundial (1914-1918) impuseram várias medidas contra os países derrotados (Tratado de Versalhes). Os alemães consideravam essas medidas extremamente duras e humilhantes.</p><p>No momento em que a Alemanha atravessava</p><p>grave crise socioeconômica, o líder político Adolf Hitler</p><p>soube despertar todo o sentimento de revolta que existia no povo alemão. Apelando ao orgulho nacional, alcançou o poder e fortaleceu o Estado nazista.</p><p>Um dos principais objetivos de Hitler era rasgar as imposições do Tratado de Versalhes e acabar com o domínio internacional criado pelos países vencedores da Primeira Guerra.</p><p>A IMPOTÊNCIA DA LIGA DAS NAÇÕES</p><p>A Liga das Nações foi um órgão sem forças</p><p>para manter a paz mundial. Em termos políticos, era controlada pela Inglaterra e França, países vencedores da Primeira Guerra e que aproveitavam sua boa posição para fortalecer seus impérios coloniais.</p><p>Entretanto, não participavam da Liga das Nações grandes países como os Estados Unidos e a União Soviética.</p><p>Mantendo uma política isolacionista, os Estados Unidos não se interessavam em pertencer à Liga das Nações porque pretendiam evitar um envolvimento direto na agitada vida européia. Preferiam concentrar suas atenções na América Latina</p><p>e na Ásia.</p><p>Já a União Soviética, devido à revolução socialista, foi excluída da Liga das Nações pelos países capitalistas ocidentais. Para as potências capitalistas, o socialismo soviético era uma espécie de epidemia social que poderia contaminar os trabalhadores de todo o mundo, destruindo a saúde das classes dominantes. Por isso, queriam isolar a União Soviética através de um cordão sanitário internacional.</p><p>Os governos fortes e totalitários da Alemanha, da Itália e do Japão conseguiram um alto grau de disciplina social, dirigindo os esforços de seus países para a recuperação econômica e o desenvolvimento militar.</p><p>Esses países queriam modificar de qualquer jeito a ordem internacional, estabelecida pelos vencedores da Primeira Guerra. Por isso, adotaram durante a década de 30 uma política externa agressiva. O objetivo era a expansão territorial, militar e econômica.</p><p>Diante dessa agressividade, a Inglaterra e a França assumiram uma política de apaziguamento, pois se beneficiavam da ordem internacional em vigor. E queriam evitar a explosão de uma nova guerra mundial.</p><p>Vejamos, a seguir, alguns exemplos de política internacional agressiva adotada pelo Japão, Itália e Alemanha.</p><p>Japão</p><p>O Japão estava interessado em expandir seus</p><p>domínios pela Ásia, principalmente em direção à China.</p><p>Em setembro de 1931, o império japonês iniciou a invasão do reino da Manchúria, que será apoiado pelos chineses.</p><p>Vitorioso nessa investida militar, o Japão lançou-se em guerra contra a própria China(1935).</p><p>Os conflitos asiáticos levaram a Liga das Nações a condenar o expansionismo japonês. Mas foi simplesmente uma condenação formal. A Liga não conseguiu fazer nada de prática para evitar a expansão japonesa.</p><p>Itália</p><p>Governada por Mussolini, a Itália iniciou, em outubro de 1935, a invasão da Etiópia (Abissínia), no leste da África. Em maio de 1936, as tropas italianas tomaram a capital etíope, Adis Abeba, e Mussolini proclamou o rei italiano Vitor Emanuel III imperador da Etiópia.</p><p>Por iniciativa da Inglaterra, a Liga das Nações</p><p>impôs sanções (penas, castigos) econômicas à Itália bloqueando seu comércio. Mas essas sanções não abateram a economia italiana, pois foram desrespeitadas por importantes nações. Os Estados Unidos, por exemplo, continuaram vendendo petróleo à Itália, enquanto a Alemanha lhe fornecia carvão.</p><p>O governo de Mussolini continuou com seus planos expansionistas. Em abril de 1939, a Itália ocupava a Albânia, anexando-a a seu território.</p><p>Alemanha</p><p>Afirmando que o povo alemão tinha direito de</p><p>aumentar seu espaço vital, Adolf Hitler planejou toda a trajetória expansionista da Alemanha nazista.</p><p>Em março de 1936, ordenou que o exército alemão ocupasse a Renânia, região do Rio Reno, entre as fronteiras da França e da Alemanha. Conforme o Tratado de Versalhes, essa região deveria permanecer desmilitarizada.</p><p>Mas Hitler passou por cima dessas proibições.</p><p>Os franceses não reagiram à ocupação alemã.</p><p>Motivo: estavam politicamente divididos com conflitos internos entre os partidos de orientação marxista, de base operária, e as forças tradicionais burguesas, que se mostravam simpatizantes do fascismo.</p><p>Além disso, os generais franceses não ficaram</p><p>muito preocupados com a ação militar alemã. A maioria deles era conservadora e ainda confiava nos antigos métodos utilizados na Primeira Guerra. Por isso, elaboraram uma estratégia de defesa para a França prevendo uma guerra de trincheiras, com exércitos imóveis garantindo suas posições.</p><p>Assim, construíram uma longa fortificação percorrendo a fronteira entre a França e a Alemanha conhecida como Linha Maginot.</p><p>Ainda em 1936, no mês de novembro, Hitler firmou um pacto de amizade e cooperação com a Itália de Mussolini (formação do eixo Roma-Berlim). Intervieram então na guerra civil espanhola para ajudar as tropas fascistas do general Francisco Franco, que lutava contra as forças populares da República espanhola.</p><p>Através do auxílio a Franco, o nazismo pôde testar suas armas, ensaiando na Espanha ações militares que seriam empregadas na Segunda Guerra. Exemplo disso foi o massacre que a aviação alemã desfechou sobre a pequena e indefesa cidade de Guernica.</p><p>Esse violento episódio ficou celebrizado pelo quadro-denúncia (Guernica) do genial pintor espanhol Pablo Picasso(1881-1973).</p><p>Em março de 1938, Hitler conseguiu anexar a</p><p>Áustria à Alemanha sem disparar um único tiro. Isso ocorreu porque o forte Partido Nazista austríaco preparou todo o caminho político para que se realizasse essa anexação, denominada Anschluss (união). Alegava-se que alemães e austríacos formavam um único povo germânico e, portanto, deviam viver sob o comando de um só Estado. O Anschluss foi confirmado por um plebiscito austríaco realizado em abril de 1938. O nazismo era popular na Áustria.</p><p>Logo depois, Hitler passou a reivindicar também a anexação da região dos Sudetos, na Tchecoslováquia, habitada por 3 milhões de alemães. O Estado nazista acusava o governo tcheco de oprimir os cidadãos alemães. O governo tcheco, por sua vez, dizia que as acusações eram pura invenção de Hitler, que, na verdade, queria uma desculpa para invadir a Tchecoslováquia.</p><p>Para discutir essa questão, convocou-se uma reunião entre os representantes das potências européias, realizada no final de setembro de 1938. Foi a Conferência de Munique, da qual participaram, além de Hitler e Mussolini, os primeiros-ministros Neville Chamberlain (Inglaterra) e Édouar Daladier (França). A principal interessada no problema em discussão, a Tchecoslováquia, foi impedida de participar da conferência.</p><p>Para os tchecos, o resultado desse encontro já era previsível. Franceses e ingleses decidiram ceder mais uma vez às ambições nazistas e concordaram com a anexação alemã dos Sudetos. Insistiam em manter a política de apaziguamento, pensando que essa seria a última reivindicação territorial de Hitler. Erraram.</p><p>Os exércitos alemães não só ocuparam a região dos Sudetos mas também acabaram invadindo toda a Tchecoslováquia (março de 1939), seguindo ordens secretas de Hitler. Desrespeitavam assim o que havia sido combinado na Conferência de Munique.</p><p>Diante de todas essa agressões nazistas, França e Inglaterra apenas lançavam palavras de protesto contra a Alemanha. Franceses e ingleses pensavam que o grande inimigo do mundo capitalista ocidental era o socialismo da União Soviética. Enquanto isso, Hitler traçava planos para novas invasões.</p><p>No dia 27 de agosto de 1939, a Alemanha assinou um pacto secreto de não-agressão com a União Soviética.</p><p>Stalin e Hitler decidiram, então, ocupar a Polônia e dividí-la entre as duas potências. Pouco tempo depois, em 1º de setembro de 1939, tropas alemãs invadiram pelo oeste o território polonês, sendo seguidas pelas tropas russas (17 de setembro de 1939), no lado leste. Dois dias depois do ataque dos nazistas, Inglaterra e França declararam guerra à Alemanha. Era o início da Segunda Guerra Mundial.</p><p>A Segunda Guerra Mundial (1939-1945) envolveu povos de praticamente todas as regiões do planeta, embora os principais choques armados tenham sido travados na Europa, no norte da África e no Extremo Oriente.</p><p>Podemos dividir as operações militares da Segunda Guerra em duas grandes etapas: a guerra na Europa e a guerra no mundo.</p><p>A GUERRA NA EUROPA</p><p>(1939-1941)</p><p>Essa primeira etapa da guerra caracterizou-se pela rápida ofensiva das forças nazistas. Foi a chamada guerra-relâmpago (Blitzkrieg) marcada pelo impetuoso e rápido avanço dos tanques blindados (Panzers) apoiados pela aviação (Luftwaffe), sobre as linhas de defesa adversárias. Depois vinham as tropas de ocupação, consolidando a vitórias dos alemães.</p><p>Utilizando essa nova estratégia militar, os alemães, depois de dominar a Polônia, conquistaram rapidamente os seguintes países:</p><p>! Dinamarca (9 de abril de 1940): os alemães utilizaram um poderoso ataque combinado, com forças navais, aéreas e terrestres, ao qual os dinamarqueses não conseguiram resistir.</p><p>! Holanda (15 de maio de 1940): a família real fugiu para Londres, formando um governo no exílio para coordenar a resistência contra os nazistas.</p><p>! Bélgica: (28 de maio de 1940): os exércitos ingleses e franceses que combatiam no norte foram obrigados a empreender uma retirada forçada através do porto de Dunkerque. Com a rápida chegada dos exércitos alemães, quase todo o equipamento militar inglês e francês foi tomado pelos nazistas. Na dramática Retirada de Dunkerque, milhares de franceses foram aprisionados pelos alemães.</p><p>! Noruega (10 de junho de 1940): apesar de heróica resistência, os noruegueses foram vencidos pela superioridade dos armamentos alemães. O rei norueguês fugiu para Londres, e o nazistas entregaram o poder a Vidkun Quisling, chefe do Partido Fascista Norueguês.</p><p>! França (14 de junho de 1940): contornando as defesas francesas de linha Maginot, os alemães invadiram a França e ocuparam Paris. Parte do território francês ficou diretamente sob o controle nazista. Na outra parte formou-se um governo fascista, que colaborou com os alemães, comandado pelo marechal Pétain e sediado na cidade de Vichy. Em oposição ao governo colaboracionista do marechal Pétain, formou-se o grupo dos franceses livres, liderado pelo general Charles de Gaulle, que representava as forças da resistência francesa ao nazismo. Por meio da rádio BBC de Londres, Charles de Gaulle conclamava os franceses a lutar contra a ocupação nazista.</p><p>Percebendo a derrota militar francesa, Mussolini entrou na guerra do lado alemão. Na Europa Ocidental, restava apenas a Inglaterra como grande adversária do nazismo. Violentamente bombardeados dia e noite, os ingleses resistiram à destruição nazista. Na Batalha da Inglaterra (1940-41), a aviação inglesa, RAF (Real Air Force), conseguiu rechaçar os ataques de Luftwaffe.</p><p>No norte da África, entretanto, tropas alemãs e italianas, comandadas pelo general Rommel obtiveram significativas vitórias sobre os ingleses, ameaçando a dominação britânica no Egito.</p><p>Aos poucos foram organizados movimentos de resistência nos países europeus ocupados pelo nazismo. Esses movimentos, agindo na clandestinidade, procuravam destruir instalações</p><p>alemãs por meio de sabotagem e da guerrilha. Grandes líderes comunistas destacaram-se na resistência européia.</p><p>No ano de 1941, ocorreram dois fatos decisivos que mudaram profundamente os rumos da guerra.</p><p>! A entrada da União Soviética no conflito: rompendo acordos anteriores, Hitler decidiu invadir a União Soviética (22 de junho).</p><p>A guerra no mundo (1942-1945)</p><p>! A entrada dos Estados Unidos no conflito: os japoneses atacaram a base militar dos Estados Unidos de Pearl Harbor, no Oceano Pacífico (8 de dezembro de 1941).</p><p>Com a participação da União Soviética e dos Estados Unidos, a guerra ganhou proporções verdadeiramente mundiais. Formaram-se, então, dois grandes blocos em conflito: potências do Eixo (Alemanha, Itália e Japão) e potências aliadas (Inglaterra, Estados Unidos, União Soviética e França).</p><p>Vejamos a seguir, os principais acontecimentos que marcaram essa nova etapa da guerra.</p><p>Frente oriental:</p><p>as batalhas mais sangrentas</p><p>No período de 1941 a 1942, os exércitos alemães, apoiados por aliados húngaros, finlandeses, italianos e espanhóis, avançaram de modo fulminante pelo território soviético. Aniquilaram cerca de um terço do exército russo. Todos esses dramáticos acontecimentos foram aproveitados pelo ditador Stalin para fortalecer a vontade de resistência nacional do povo russo contra a agressão nazista.</p><p>Apesar do que mostra o cinema americano, as mais terríveis batalhas da Segunda Guerra foram travadas na frente oriental; entre a Alemanha nazista e a União Soviética. Foi na luta furiosa contra os soviéticos que Hitler concentrou a maior parte de seus</p><p>exércitos (cerca de 65%), seus melhores equipamentos militares e as tropas de elite nazista.</p><p>Na defesa da União Soviética morreram mais de 20 milhões de pessoas, das quais quase metade eram civis.</p><p>Em setembro de 1942, tropas blindadas do exército alemão entraram em Stalingrado, onde foi travada uma das mais sangrentas batalhas de toda a guerra L, alemães e soviéticos combateram com toda a garra e ferocidade.</p><p>O comando alemão percebeu a enorme dificuldade de prosseguir a luta, mas recebeu ordens diretas de Hitler para não retroceder.</p><p>A partir de 19 de novembro de 1942 iniciou-se uma grande contra-ofensiva do exército soviético que terminou com a rendição das tropas alemãs, em fevereiro de 1943. Pela primeira vez na guerra, um general alemão (Friedrich Paulus) e seu exército foram obrigados a se render.</p><p>A Batalha de Stalingrado colocava fim ao mito da invencibilidade alemã. Começava a derrota da Alemanha nazista.</p><p>A partir de Stalingrado, os soviéticos tomaram vigorosamente a iniciativa dos contra-ataques. Assim iam conquistando, um por um, os países antes controlados pelos nazistas: Finlândia, Bulgária, Hungria, Romênia, Polônia e Tchecoslováquia. Seu avanço era violento e irreversível.</p><p>Foram eles os primeiros, ao final da guerra, a entrar vitoriosamente em Berlim.</p><p>Frente ocidental:</p><p>a superioridade militar dos aliados</p><p>Os norte-americanos colocaram todo o poderio de sua força industrial a serviço das necessidades militares exigidas pela guerra. Milhares de navios, tanques , aviões e toneladas de equipamentos bélicos foram produzidos pelos Estados Unidos.</p><p>A partir de 1942, começaram os bombardeios</p><p>aéreos ingleses e norte-americanos sobre as grandes cidades alemãs. Esses bombardeios aumentaram de intensidade até 1945. Aos poucos, a aviação aliada destruía as redes de comunicação e as zonas petrolíferas dos nazistas, paralisando assim a indústria bélica germânica.</p><p>No norte da África, o general inglês Montgomery iniciou, em outubro de 1942, a contra-ofensiva às tropas de Rommel (Afrika Korps). Em 13 de maio de 1943, 252 mil soldados alemães e italianos foram aprisionados.</p><p>Desembarcando na Sicília em julho de 1943, as tropas aliadas, lideradas pelos Estados Unidos e pela Inglaterra, iniciaram a invasão da Itália. Mussolini foi preso e afastado do poder pelo novo governo sob a chefia do general Pietro Badoglio, que assinou a paz com os aliados.</p><p>Mas o Duce contava com a proteção dos alemães que ainda dominavam o norte do país. Os nazistas investiram sobre a Itália, ocupando Roma e libertando</p><p>Mussolini, que fundou a República Social Italiana. Logo depois, Mussolini voltou a ser preso pelas tropas italianas da resistência anti-nazista, sendo imediatamente executado.</p><p>Retomando a ofensiva em território italiano, s aliados reconquistaram Roma avançaram até o norte do país, onde os alemães ainda ofereciam resistência. A Força Expedicionária Brasileira (FEB), com um efetivo de mais de 25 mil homens, participou da luta contra o nazismo durante essa campanha na Itália.</p><p>Uma nova frente de combate contra os alemães foi cuidadosamente planejada pelos aliados, sendo executada através do desembarque na Normandia, França, iniciado no dia 6 de junho de 1944. Foi o célebre Dia D.</p><p>As rendições alemã e japonesa</p><p>Mesmo percebendo a esmagadora pressão dos adversários, tanto na frente oriental (soviéticos) como na frente ocidental (ingleses e norte-americanos), o comando nazista, situado em Berlim, decidiu lutar até a morte. Para isso, promoveu uma mobilização maciça de toda a população, incluindo crianças, mulheres e velhos. Tribunais militares nazistas obrigaram o povo a lutar e morrer.</p><p>Em 25 de abril de 1945, a cidade de Berlim estava totalmente cercada. Em 30 de abril, ocorreu o suicídio de Hitler, de sua mulher Eva Braun e de Goebbels (ministro da Propaganda). Poucos dias depois, em 9 de maio de 1945, deu-se a completa rendição das forças alemãs.</p><p>No Extremo Oriente, a guerra prosseguiu por mais quatro meses, até a rendição do Japão, em setembro de 1945. Antes, porém, os Estados Unidos, numa demonstração de seu poderio militar ao mundo, explodiram duas bombas atômicas em território japonês: a primeira, na cidade de Hiroshima (6 de agosto), e a Segunda em Nagasaki (9 de agosto). Essas bombas deixaram um total de aproximadamente 160 mil mortos e 150 mil feridos.</p><p>São muitas as conseqüências da Segunda Guerra Mundial, algumas das quais destacamos a seguir.</p><p>A evolução das armas militares</p><p>A Segunda Guerra Mundial foi a maior guerra já realizada na história humana. Nela verificou-se um enorme aperfeiçoamento das técnicas militares de destruição. Aos instrumentos tradicionais de guerra se somara novos tanques, foguetes, radares, aviões a jato, navios porta-aviões e a bomba atômica.</p><p>As vítimas da tragédia</p><p>A brutalidade da guerra provocou a morte de milhões de pessoas, entre militares e civis. O resultado final do conflito foi estimado em 55 milhões de mortos, 35 milhões de feridos, 20 milhões de órfãos e 190 milhões de refugiados.</p><p>Aproximadamente 6 milhões de judeus foram</p><p>barbaramente exterminados pelos nazistas nos campos de concentração de Auschwitz, Chelmno, Belzec, Sobibor e Treblinka. Antes de desaparecer nos fornos crematórios, os prisioneiros judeus eram vítimas dos mais terríveis tipos de humilhação e suplício.</p><p>VÍTIMAS MILITARES</p><p>DA SEGUNDA GUERRA</p><p>EM ALGUNS PAÍSES</p><p>País</p><p>Combatentes mortos</p><p>União Soviética</p><p>13,6 milhões</p><p>Alemanha</p><p>4,0 milhões</p><p>Polônia</p><p>4,0 milhões</p><p>China</p><p>2,2 milhões</p><p>Japão</p><p>1,2 milhões</p><p>França</p><p>530 mil</p><p>Inglaterra</p><p>400 mil</p><p>Itália</p><p>400 mil</p><p>Estados Unidos</p><p>300 mil</p><p>Entre os anos de 1945 e 1946, instalou-se na</p><p>cidade de Nuremberg um tribunal militar internacional, que condenou os principais líderes nazistas capturados por terem cometido crimes contra a humanidade. Onze deles foram condenados à morte por enforcamento.</p><p>A divisão da Alemanha</p><p>Em fevereiro de 1945, os representantes das três principais potências vitoriosas, Churchill (Inglaterra), Roosevelt (Estados Unidos) e Stalin (União Soviética), reuniram-se na cidade de lalta para estabelecer os rumos da política internacional no pós-guerra.</p><p>Na Conferência da lalta, Churchill e Roosevelt reconheceram a influência soviética na Europa oriental.</p><p>Depois, juntamente com Stalin, planejaram o destino político da Alemanha derrotada.</p><p>Em julho de 1945 realizou-se na cidade de Potsdam outro encontro entre esses países. Na Confederação de Potsdam ficou oficialmente decidido que a Alemanha</p><p>seria dividida em quatro zonas de ocupação francesa, britânica, americana e soviética.</p><p>No mês de maio de 1949, as potências vitoriosas ocidentais promulgaram a Lei Fundamental de Bonn, importante marco para a criação da República Federal Alemã. (Alemanha Ocidental), sob a influência dos Estados Unidos. Em outubro de 1949, Berlim Oriental transformou-se na capital da República Democrática Alemã (Alemanha</p><p>Oriental), sob a influência da União Soviética.</p><p>Logo após o fim da guerra foram aumentando os problemas e as hostilidades entre Estados Unidos e União Soviética. Era o começo da guerra fria, que se manifestava, sobretudo, na área fronteiriça das duas Alemanhas.</p><p>Em 1961, por iniciativa do bloco soviético, foi</p><p>construído o Muro de Berlim para separar as duas partes da cidade. De um lado, a Alemanha socialista. Do outro, a Alemanha capitalista.</p><p>O progresso tecnológico e industrial</p><p>Apesar das grandes perdas econômicas causadas pela guerra, o próprio esforço despendido pelas potências durante o conflito estimulou o progresso técnico e industrial.</p><p>Esse progresso tecnológico foi extremamente importante para acelerar a recuperação econômica do pós-guerra.</p><p>Assim, em 1948 a produção e o comércio mundial reconquistavam o nível anterior ao início da guerra. Logo depois, em 1950, a economia mundial já estava praticamente recuperada dos danos causados pelo conflito.</p><p>A fundação da ONU</p><p>A organização das Nações Unidas (ONU) foi criada em junho de 1945, quando representantes de 51 países firmaram a Carta das Nações Unidas, que entrou em vigor em 24 outubro de 1945. É por isso que nessa data se comemora mundialmente o dia das Nações Unidas.</p><p>Os princípios básicos estabelecidos na Carta das Nações Unidas foram:</p><p>Manter a paz e a segurança internacional.</p><p>Desenvolver relações amistosas entre as nações.</p><p>Realizar a cooperação internacional para resolver os</p><p>problemas internacionais de caráter econômico, social,</p><p>cultural e humanitário, promovendo o respeito aos direitos humanos e às liberdades fundamentais.</p><p>Atualmente, a ONU possui diversos órgãos, mas os principais são os seguintes:</p><p>Assembléia Geral: é o órgão fundamental da ONU, composto por todas as nações-membro da organização. Em reuniões anuais, com duração de três</p><p>meses, a assembléia discute os mais variados assuntos de importância internacional.</p><p>Conselho de Segurança: é o órgão diretamente encarregado da paz no mundo. É composto de 11 países-membros, dos quais cinco são permanentes: Estados Unidos, França, Reino Unido, República Popular da China e Rússia.</p><p>Conselho Econômico e Social: é o órgão encarregado dos problemas econômicos, sociais, educacionais, culturais e de higiene pública. O conselho tem 54 membros. Anualmente, a Assembléia Geral elege 18 deles por um período de três anos.</p><p>Conselho de Tutela: é o órgão encarregado de supervisionar a administração dos territórios sem governo independente.</p><p>Corte Internacional de Justiça: é o órgão encarregado de decidir as questões jurídicas internacionais submetidas à apreciação da ONU.</p><p>Secretariado: é o órgão encarregado da administração da própria ONU, chefiado por um secretáriogeral.</p><p>O brasileiro Oswaldo Aranha ocupou o cargo de secretário-geral da ONU durante o ano de 1948. Apesar de ter sido criada para manter a paz entre as nações, a ONU não é um fórum democrático da vontade internacional. Um de seus principais órgãos, o Conselho de Segurança, é controlado por cinco grandes potências, que, como vimos, dele fazem parte como membros permanentes. Essas potências detêm o poder de vetar decisões importantes sobre os atritos mundiais e, assim, impõem seus interesses sobre todos os demais membros.</p><p>Questões de Vestibulares</p><p>01. UECE 2004.2 FASE 2</p><p>Os Direitos Humanos são reconhecidos como valores universais, mas a garantia dos mesmos, no cenário internacional, apresenta sérias contradições. Sobre a prática dos Direitos Humanos, é FALSO afirmar:</p><p>a) os direitos humanos são inerentes à nossa própria condição, independentemente da nossa inserção particular num determinado Estado;</p><p>b) os direitos humanos se apresentam para os cidadãos como um instrumento de luta, sobretudo quando eles se encontram em perigo diante dos poderes estatais;</p><p>c) a luta das mulheres pelo reconhecimento de seus direitos obteve uma vitória definitiva, uma vez que as garantias legais têm sido respeitadas;</p><p>d) o reconhecimento da dignidade da pessoa humana é uma conquista histórica que precisa efetivar-se a todo instante.</p><p>02. FATENE 2007.1</p><p>Em conflitos regionais e na guerra entre nações tem sido observada a ocorrência de seqüestros, execuções sumárias, torturas e outras violações de direitos.</p><p>Em 10 de dezembro de 1948, a Assembléia Geral das Nações Unidas adotou a Declaração Universal dos Direitos do Homem, que, em seu artigo 5º, afirma:</p><p>Ninguém será submetido a tortura nem a penas ou tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes.</p><p>Assim, entre nações que assinaram essa Declaração, é coerente esperar que:</p><p>a) a Constituição de cada país deva se sobrepor aos Direitos Universais do Homem, apenas enquanto houver conflito.</p><p>b) a soberania dos Estados esteja em conformidade com os Direitos Universais do Homem, até mesmo em situações de conflito.</p><p>c) a violação dos direitos humanos por uma nação autorize a mesma violação pela nação adversária.</p><p>d) sejam estabelecidos limites de tolerância, para além dos quais a violação aos direitos humanos seria permitida.</p><p>03. FARIAS BRITO 2006.2</p><p>Lúcio, zagueiro da Seleção Brasileira, que joga no Bayern de Munique, convive diuturnamente com alemães que evitam comentários sobre a Segunda Guerra Mundial. Provavelmente, se Lúcio recebesse a Folha de São Paulo, de 11.05.06, não teria coragem de mostrá-la aos seus amigos alemães em razão da publicação da seguinte matéria:</p><p>“A União Européia quer que a FIFA proíba a participação do Irã na Copa do Mundo de 2006, com base nas declarações polêmicas do Presidente do país, Mahmoud Ahmadinejad. A polêmica começou após Ahmadinejad dizer que Israel deveria ser ‘varrida do mapa’ e referir-se ao holocausto como mito.</p><p>As declarações irritaram a comunidade judaica, principalmente na Alemanha, onde negar o assassinato de 6 milhões de judeus pelos nazistas é crime, com pena de 5 anos de prisão.”</p><p>Sobre o nazismo, assinale a alternativa correta.</p><p>a) Possuía uma ideologia anti-semita, mas os judeus não perderam direitos civis.</p><p>b) Teve como líder maior Adolf Hitler, que defendia o antimarxismo e a livre iniciativa.</p><p>c) Pregava um Estado democrático, permitindo inclusive o direito de greve.</p><p>d) Defendia que o povo alemão pertencia a uma raça ariana superior e considerava o casamento entre um “ariano” e um judeu crime de “profanação racial”.</p><p>e) Teve sua ideologia destruída com o fim da Segunda Guerra Mundial, não existindo até hoje grupo algum defendendo o nazismo.</p><p>04. UFC 2002</p><p>Leia o texto abaixo.</p><p>“Que ódio é esse? Após assistir, ainda muito recentemente em termos históricos, à avalanche de xenofobia e racismo que dominou a Europa durante a Segunda Guerra Mundial e nos anos que a precederam, sob a hegemonia nazi-fascista; após atravessar os séculos de intolerância religiosa, que resultou no processo de inquisição contra todos aqueles que discordavam dos cânones da Igreja Católica na idade média e na moderna, o mundo depara hoje, mais uma vez, com novas ondas de racismo, anti-semitismo e nacionalismo xenófobo. Mesmo em alguns países, como o Brasil, onde essas ideologias nunca chegaram a ter presença expressiva, vê-se o seu renascimento.”</p><p>(SALEM, Helena. As Tribos do Mal: O Neonazismo no Brasil e no Mundo. São Paulo. Atual. 1995. p. 1)</p><p>A respeito desses movimentos neonazistas, é correto afirmar que:</p><p>a) têm como alvo de suas perseguições, no Brasil, os judeus, os negros, os nordestinos e os homossexuais.</p><p>b) têm como objetivo a defesa da pureza étnica e são típicos dos grandes centros urbanos europeus.</p><p>c) combatem indiscriminadamente o naciona-lismo, o homossexualismo e o feminismo.</p><p>d) têm como pressuposto básico a ideologia do movimento anarco – punk.</p><p>e) são típicos dos países da América Latina</p><p>e da África.</p><p>05. UNIFOR 2007.2</p><p>Considere o mapa histórico.</p><p>(Almanaque Abril. Atualidades Vestibular. 2006. p. 25)</p><p>Ele apresenta informações importantes para a compreensão de fatos históricos ocorridos na Europa, no século XX. Com base no conhecimento desses fatos, é possível afirmar que</p><p>a) os países perdedores da Primeira Guerra Mundial cumpriram fielmente as cláusulas do Tratado de Versalhes.</p><p>b) a França e a Alemanha se aliaram com o objetivo de ocuparem regiões em litígio, no início da Primeira Guerra Mundial.</p><p>c) os países aliados retomaram territórios ocupados pelos fascistas, no período da Segunda Guerra Mundial.</p><p>d) um dos países do Eixo desrespeitou limites de fronteiras na sua ofensiva, durante a Segunda Guerra Mundial.</p><p>e) os governos fascistas foram vitoriosos na invasão sobre os países socialistas na Segunda Guerra Mundial.</p><p>06. UECE 2003.1</p><p>Com o fim da Segunda Guerra Mundial, a Liga das Nações foi dissolvida e criada a Organização das Nações Unidas, tendo por base o princípio da “igualdade soberana de todos os Estados amantes da paz”. Sobre a ONU é verdadeiro afirmar:</p><p>a) O atendimento aos princípios básicos da Organização ex-tinguiu os conflitos bélicos.</p><p>b) Ela conseguiu controlar a produção de armas nucleares mediante acordos de paz.</p><p>c) A sua Assembléia Geral é composta por representantes de todos os Estados a ela filiados.</p><p>d) Os Estados que compõem seu Conselho de Segurança são escolhidos, periodicamente, pela Assembléia Geral.</p><p>07. UFC</p><p>No Pós-Guerra aceleram-se os movimentos de descolonização afro-asiática. Indique três fatores deste processo, relacionando-os com o término da Segunda Guerra Mundial.</p><p>08. UFC 1996.1</p><p>Após a Segunda Guerra Mundial, a hegemonia cultural norte-americana passou a se expressar através do(a):</p><p>(01)</p><p>Imposição de uma potência capitalista sem resistência das culturas locais.</p><p>(02)</p><p>Consolidação de sua influência, iniciada no período entre guerras, 1918-1939, através da expansão dos meios de comunicação.</p><p>(04)</p><p>Divulgação exclusiva de seu conteúdo através das imagens de televisão.</p><p>(08)</p><p>Difusão do blue jeans e do rock como emblemas da juventude moderna.</p><p>(16)</p><p>Descaracterização das culturas locais, contribuindo para a perda de suas identidades sócio-culturais.</p><p>Gabarito</p><p>01</p><p>02</p><p>03</p><p>04</p><p>05</p><p>06</p><p>07</p><p>08</p><p>C</p><p>ND</p><p>ND</p><p>A</p><p>D</p><p>C</p><p>ND</p><p>26</p><p>Aula 11</p><p>GUERRA FRIA</p><p>Logo após o fim da Segunda Guerra, a Europa</p><p>Ocidental perdeu sua posição de liderança internacional.</p><p>Seu lugar foi ocupado por Estados Unidos e União Soviética.</p><p>Essas duas potências tornaram-se os grandes líderes mundiais do pós-guerra. Os norte-americanos lideraram o bloco dos países capitalistas, e os soviéticos, o bloco dos países socialistas.</p><p>Disputando áreas de influência em todo o mundo, os Estados Unidos e a União Soviética viveram um período de grandes tensões, denominado Guerra Fria. Os</p><p>países do Terceiro Mundo foram os principais alvos das ações desses dois países Cada um procurava trazer todos os demais países para sob a sua direta influência política e econômica.</p><p>Iniciada em 1946, a Guerra Fria caracterizou-se pela extrema rivalidade entre EUA e URSS. Uma acusava o outro de pretender dominar o mundo e esmagar seu adversário.</p><p>Prevendo um eventual confronto direto (a guerra quente), os blocos rivais trataram de aumentar suas forças militares, mediante a formação de alianças militares supranacionais e a corrida armamentista.</p><p>As alianças militares: Otan e Pacto de Varsóvia</p><p>Pertencendo à área de influência dos Estados</p><p>Unidos, a Europa Ocidental recebeu, em 1948, uma poderosa ajuda econômica. Essa ajuda veio através do Plano Marshall, que destinou recursos para a reconstrução dos países capitalistas cujas economias estavam abaladas pelo esforço da guerra (França, Inglaterra, Itália e Alemanha Ocidental).</p><p>Em 1949, formou-se, sob liderança americana, uma aliança militar entre os países da Europa Ocidental.</p><p>Essa aliança ficou conhecida como Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).</p><p>Liderando a Otan e fornecendo ajuda econômica à Europa Ocidental, os Estados Unidos estimularam os governos desses países a preservar o capitalismo e a assumir uma política anticomunista. Prevendo um possível confronto com a União Soviética, promoveram a instalação de inúmeras armas nucleares na região, que eram controladas pelas forças da Otan.</p><p>A Europa Oriental, cuja direção foi assumida pela URSS, se submeteu às regras do socialismo soviético. Stalin tomou enérgicas providências para controlar o Leste europeu.</p><p>Expulsou e perseguiu os inimigos políticos do regime socialista. Instalou governos dirigidos por partidos comunistas únicos que deveriam obedecer às ordens de Moscou.</p><p>Em 1955, revidando a criação da Otan, os países do bloco socialista da Europa Oriental firmaram uma aliança de ajuda militar por meio do Pacto de Varsóvia.</p><p>A partir de 1989, impulsionada pela perestroka e pela glasnost de Gorbachev, a situação da Eur pa Oriental modificou-se completamente. Os governos comunistas foram derrubados. O comando de Moscou foi abolido. Hoje, os países do Leste europeu procuram os caminhos da democracia política da abertura econômica com o Ocidente.</p><p>A corrida armamentista</p><p>O clima de rivalidade da Guerra Fria, somado aos interesses das indústrias de armamentos, levaram as grandes potências à chamada corrida armamentista.</p><p>Essa corrida pela produção bélica foi responsável pelo assombroso desenvolvimento das armas nucleares.</p><p>Se elas fossem acionadas hoje, provocariam a completa destruição do planeta.</p><p>A primeira bomba atômica foi produzida em 1945 pelos Estados Unidos. Alguns anos depois, em 1949, os soviéticos já tinham desenvolvido a sua primeira bomba atômica. A partir daí, as grandes potências traçaram uma estratégia nuclear baseada na lógica irracional do equilíbrio pelo terror.</p><p>Quando o cientista Albert Einstein (criador da Teoria da Relatividade) foi perguntado sobre quais seriam as armas utilizadas numa Terceira Guerra Mundial, ele afirmou que não sabia. Mas garantiu que numa Quarta Guerra Mundial as armas seriam paus e pedras.</p><p>Na visão de Einstein, o mundo voltaria à Idade da Pedra. Hoje, diante do terrível avanço das armas nucleares, Einstein pode ser considerado um otimista. Há estimativas de que os arsenais bélicos estocados pelas superpotências já poderiam destruir a Terra uma centena de vezes.</p><p>Assim, não restariam mais homens, nem paus, nem pedras.</p><p>Conscientes da catástrofe que uma guerra nuclear representa para o planeta e a humanidade, surgem em todo o mundo movimentos pacificistas que desfraldam a bandeira da vida futura e protestam contra a irracionalidade da corrida armamentista.</p><p>Se as energias das grandes potências não fossem aplicadas em projetos de destruição, a humanidade certamente venceria a guerra pacífica contra a miséria, a fome e as injustiças sociais.</p><p>Questões de Vestibulares</p><p>01. CEFET 2005.1</p><p>Sobre a situação mundial pós-II Guerra, é verdadeira a alternativa:</p><p>a) as diferenças políticas e ideológicas e a desconfiança mútua entre a França e a União Soviética, bem como as divergências sobre a partilha territorial e as áreas de influências dos dois países contribuíram para o surgimento da chamada Guerra Fria</p><p>b) neste último mês de novembro, foi aniversário dos 15 anos da Queda do Muro de Berlim. Este fato refere-se à divisão ocorrida com a Alemanha, resultando na República Federal da Alemanha e na República Democrática da Alemanha, inspiradas nos modelos capitalista e soviético, respectivamente</p><p>c) a II Guerra Mundial transformou o Japão no país mais rico e poderoso do mundo, ameaçado, em sua supremacia, apenas pela União Soviética</p><p>d) as explosões das bombas atômicas, sobre o Japão, revelaram indiscutível superioridade bélica inglesa nos momentos finais da II Guerra Mundial</p><p>e) a participação do Brasil se dá ao lado das forças do Eixo</p><p>02. UECE 2007.2</p><p>A expressão Guerra Fria, utilizada para designar a oposição entre o mundo comunista e o mundo capitalista que se iniciou após a Segunda Guerra Mundial, indicou, naquela época, a oposição entre duas superpotências</p><p>sem um combate em grande escala ou o confronto direto. Assinale a alternativa que contém o nome das duas superpotências.</p><p>a) União Soviética e Estados Unidos</p><p>b) Alemanha e Inglaterra</p><p>c) França e União Soviética</p><p>d) Estados Unidos e Rússia</p><p>03. UFC 2003</p><p>“Não foi o confronto hostil com o capitalismo e seu superpoder que solapou o socialismo. Foi mais a combinação entre seus próprios defeitos econômicos, cada vez mais evidentes e paralisantes, e a acelerada invasão da economia socialista pela muito mais dinâmica, avançada e dominante economia capitalista mundial. Na medida em que a retórica da Guerra Fria via capitalismo e socialismo, o ‘mundo livre’ e o ‘totalitarismo’, como dois lados de um abismo intransponível, e rejeitava qualquer tentativa de estabelecer uma ponte, podia-se até dizer que, à parte a possibilidade de suicídio mútuo da guerra nuclear, ela assegurava a sobrevivência do adversário mais fraco”.</p><p>(HOBSBAWM, Eric. A Era dos Extremos – O breve século XX 1914-1991. São Paulo, Companhia das Letras, 2001, p.247)</p><p>Segundo o texto, o colapso soviético deveu-se:</p><p>a) ao poder político dos EUA e seus aliados, que faziam campanhas contínuas contra o socialismo.</p><p>b) à ameaça permanente de guerra nuclear, que fazia com que a URSS destinasse recursos excessivos para a produção de armamentos.</p><p>c) à interação com a economia mundial capitalista, associada às fraquezas internas do sistema econômico soviético.</p><p>d) ao fato de que a URSS mantinha um regime totalitário, que se recusava a estabelecer relações com o resto do mundo.</p><p>e) às contradições internas do sistema socialista, que paralisavam a economia, por não se basear no livre mercado.</p><p>04. UECE 2004.1</p><p>A Guerra Fria pode ser definida como:</p><p>a) O conflito armado ocorrido entre Estados Unidos e União Soviética</p><p>b) O fim da corrida armamentista e o início da competição pacífica entre o Ocidente e o Oriente</p><p>c) A oposição entre Estados Unidos e União Soviética, sem o emprego direto da luta armada</p><p>d) A crise interna surgida na Alemanha, após o pacto assinado entre a República Federal da Alemanha e a República Democrática Alemã</p><p>05. UNICE 2000.1</p><p>No Final da década passada, chegava ao fim uma das mais polêmicas páginas da história da humanidade: a Guerra Fria. Com o holocausto do Socialismo, o Sistema Capitalista reina absoluto no mundo contemporâneo. Sobre essa fase atual do Capitalismo, é correto afirmar que:</p><p>a) Essa fase é baseada nas Leis Mercantilistas.</p><p>b) Atualmente, o Capitalismo encontra-se em uma fase Monopolista Financeira onde as Instituições bancárias investem nas atividades industriais.</p><p>c) As indústrias automobilísticas instituem o Fordismo e o Taylorismo como formas de produção.</p><p>d) Nessa nova fase, a Divisão Internacional do Trabalho torna-se mais clara, ficando baseada na troca de matéria- prima e produtos manufaturados. (Pacto Colonial)</p><p>e) O trabalhador qualificado é aquele que desenvolve as idéias utilizando-se da Tecnologia Robótica e Cibernética</p><p>06. UNIFOR 2007.2</p><p>Considere o texto.</p><p>O fim da Guerra Fria retirou de repente os esteios que</p><p>sustentavam a estrutura internacional e, em medida ainda não avaliada, as estruturas dos sistemas políticos internos mundiais. E o que restou foi um mundo em desordem e colapso parcial, porque nada havia para substituí-los. A idéia, alimentada por pouco tempo pelos porta-vozes estadunidenses, de que a velha ordem (...) podia ser substituída por uma “nova ordem” baseada na única superpotência restante, logo se mostrou irrealista. Não poderia haver retorno ao mundo de antes da Guerra Fria, porque coisas demais haviam mudado, coisas demais haviam desaparecido. Todos os marcos haviam caído, todos os mapas tinham de ser alterados.</p><p>(Adaptado: Eric Hobsbawm. Era dos Extremos.</p><p>Trad. São Paulo: Companhia das Letras, 1995. p. 251)</p><p>Identifique as afirmações que contenham fatos que se</p><p>relacionam à análise do texto.</p><p>I. A “nova ordem” mundial fortaleceu o princípio de que as sociedades capitalistas devem adotar o modelo de desenvolvimento baseado na planificação econômica.</p><p>II. O término da “velha ordem” foi marcado por processos de convulsão social e política, provocados por questões nacionalistas e étnicas no Leste Europeu.</p><p>III. A Guerra Fria caracterizou-se por grande competição no campo ideológico e pela busca incessante pela hegemonia política e econômica no mundo.</p><p>IV. O processo de mundialização ganhou destaque com as medidas que colocaram fim às fronteiras políticas e, portanto, ao desaparecimento dos Estados Nacionais.</p><p>Está correto o que se afirma SOMENTE em</p><p>a) I e II</p><p>b) I e III</p><p>c) II e III</p><p>d) II e IV</p><p>e) III e IV</p><p>07. UECE 2004.1 FASE 2</p><p>“Em 1945, quando Hitler, derrotado, cometeu suicídio, e o Japão,sob o impacto do bombardeio atômico, rendeu-se e foi colocado sob ocupação americana, a guerra tinha reerguido de novo as economias ocidentais e, ao mesmo tempo,estabelecido solidamente o estado previdenciário.”</p><p>Fonte: BARZUN, Jacques.</p><p>Da Alvorada à Decadência:</p><p>a história da Cultura Ocidental de</p><p>1500 aos nossos dias.</p><p>Rio de Janeiro: Campus, 2002,p. 806.</p><p>O comentário apresentado pelo autor revela que o pós-guerra favoreceu:</p><p>a) O crescimento da interferência do estado na economia norte-americana e européia</p><p>b) A diminuição do envolvimento dos órgãos da administração pública nas atividades econômicas e sociais</p><p>c) O fortalecimento do liberalismo econômico, que garantia o predomínio da iniciativa privada ante o Estado</p><p>d) A expansão das pequenas e médias indústrias, favorecidas pela omissão do Estado em relação à iniciativa privada</p><p>08. UECE 2004.1 FASE 2</p><p>Analise as afirmativas, abaixo apresentadas, a respeito do período após a II Guerra Mundial:</p><p>I. A chamada descolonização significou a desagregação dos Impérios Coloniais</p><p>II. A Organização das Nações Unidas conseguiu limitar a ação dos Estados Unidos na política internacional</p><p>III. O Japão, logo após a derrota sofrida, passou à condição de aliado dos Estados Unidos</p><p>Marque a opção verdadeira:</p><p>a) II e III são certas</p><p>b) I e II são erradas</p><p>c) I e III são certas</p><p>d) II e III são erradas</p><p>09. UFC 2001</p><p>A intervenção dos Estados Unidos da América no Vietnã, no contexto dos conflitos militares da Guerra Fria, tinha como propósito:</p><p>a) evitar a reunificação do Vietnã sob o poder do governo socialista do Norte, o que representaria a ampliação da zona de influência soviética.</p><p>b) garantir a realização de eleições gerais e diretas em todo o Vietnã a fim de possibilitar a desocupação militar americana da Coréia do Sul.</p><p>c) retirar as bases militares soviéticas estabelecidas em território vietnamita com a finalidade de pôr fim à corrida armamentista.</p><p>d) restituir o domínio colonial francês no território a fim de salvaguardar o regime democrático na Coréia.</p><p>e) impedir o massacre de civis do Vietnã do Sul pelo governo socialista do Norte, que seguia a orientação de práticas stalinistas.</p><p>10. UFC 2001</p><p>Leia o texto abaixo.</p><p>“O aspecto mais marcante da ordem geopolítica bipolar foi a chamada Guerra Fria. Ela consistiu simultaneamente numa disputa e numa conivência entre Estados Unidos e ex-União Soviética. Foi uma disputa tanto político-militar e econômica como diplomática, cultural e ideológica. Pode-se dizer que ela representou uma espécie de prolongamento da Segunda Guerra Mundial, só que sem as batalhas, sem os conflitos militares diretos.”</p><p>(VESENTINI, José William. A nova ordem mundial.</p><p>São Paulo: Ática, 1995, p. 12.)</p><p>A partir da leitura do texto, pode-se compreender que a ausência de conflitos militares diretos entre as duas superpotências significa que:</p><p>a) a competição econômica neutralizou os conflitos militares durante os anos da Guerra Fria.</p><p>b) as disputas militares ocorreram de forma indireta em outros países, como os do Terceiro Mundo.</p><p>c) a idéia de democracia presente na ideologia capitalista e na socialista impediu a eclosão de movimentos militares.</p><p>d) a paz predominou no mundo a partir do pleno funcionamento das relações diplomáticas.</p><p>e) o progressivo desarmamento no planeta ocorreu com o fim da Segunda Guerra Mundial.</p><p>Gabarito</p><p>01</p><p>02</p><p>03</p><p>04</p><p>05</p><p>06</p><p>07</p><p>08</p><p>09</p><p>10</p><p>ND</p><p>A</p><p>C</p><p>C</p><p>E</p><p>C</p><p>A</p><p>C</p><p>A</p><p>B</p><p>Aula 12</p><p>A DESCOLONIZAÇÃO DA</p><p>ÁFRICA, DA ÁSIA E DA OCEANIA</p><p>Após o fim da Segunda Guerra Mundial (1945), acelerou-se o processo de descolonização dos diversos países da África e da Ásia que pertenciam a impérios coloniais europeus.</p><p>A descolonização africana e asiática resultou de dois grupos de fatores:</p><p>Fatores internos: a longa luta dos movimentos nacionalistas afro-asiáticos, que buscavam a independência política de seus povos.</p><p>Fatores externos: o enfraquecimento da Europa do pós-guerra, que tornou difícil a manutenção da dominação colonial na base da força e da violência.</p><p>Além disso, a própria opinião pública européia desenvolveu uma consciência anticolonialista. A seguir, veremos alguns dos principais conflitos regionais que marcaram a história mundial recente. São conflitos que transcorreram tendo como cenário de fundo a Guerra Fria entre os Estados Unidos e a União Soviética.</p><p>O clima tenso desse período forneceu às superpotências a melhor desculpa para justificar o uso da força em regiões do mundo de seus interesses. Alimentando a Guerra Fria, soviéticos e americanos puderam apelar para o argumento da ameaça da potência rival e, assim, patrocinar suas agressões internacionais.</p><p>Além do cenário da Guerra Fria, podemos observar entre as causas dos conflitos regionais a eterna luta dos povos pobres e explorados contra os grupos exploradores internacionais e nacionais.</p><p>A LUTA DA ÍNDIA</p><p>(1947)</p><p>A Índia era uma das mais importantes colônias britânicas da Ásia. No decorrer da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), a Inglaterra prometeu aos indianos que se eles lutassem contra os alemães receberiam, em troca, maior autonomia administrativa. Terminada a guerra, entretanto, os ingleses esqueceram suas promessas e passaram a reprimir violentamente todas as tentativas de emancipação da Índia.</p><p>O grande líder que se opôs à dominação inglesa foi Mahatma Gandhi (1869-1948).</p><p>O principal método utilizado por Gandhi na luta contra os ingleses baseava-se na estratégia da não-violência ativa. Gandhi pregava a desobediência civil dos indianos contra as autoridades inglesas, a recusa em pagar impostos, a rejeição aos produtos importados da Europa.</p><p>Em 1947, a Índia conquistou a independência</p><p>política, mas seu território foi dividido em República da</p><p>Índia e República do Paquistão (Oriental e Ocidental). Posteriormente, em 1972, após violenta guerra, o Paquistão Oriental separou-se do Ocidental e assumiu o nome de Bangladesh.</p><p>A Guerra do Vietnã</p><p>(1961-1975)</p><p>Depois de longas lutas, lideradas por Hochi Minh, o Vietnã conseguiu sua independência da França em 1954. Nesse ano foi realizada uma conferência internacional em Genebra, onde a França reconheceu a existência de dois governos na região:</p><p>Ao norte, a República Democrática do Vietnã, com capital em Hanói. Liderado por Ho Chi Minh, esse governo tinha o apoio do mundo socialista (China e URSS);</p><p>Ao sul, a República do Vietnã, com capital em Saigon. Liderado por Ngô Dinh Diem, esse governo</p><p>tinha o apoio principalmente dos Estados Unidos.</p><p>O Acordo de Genebra estabelecia que em 1956 seriam realizadas eleições gerais no Vietnã, tendo em vista a unificação do país.</p><p>O governo do Vietnã do Sul, no entanto, impediu a realização das eleições, iniciando uma política de hostilidades contra o Vietnã do Norte.</p><p>Pressionado pela opinião pública do país, o governo dos Estados Unidos foi sendo obrigado a retirar suas tropas do Vietnã e a iniciar negociações de paz, que se desenvolveram em Paris.</p><p>Em 1973 os americanos retiraram definitivamente suas tropas do Vietnã. A guerra, então prolongou-se por mais algum tempo, sendo caracterizada pelo avanço das forças socialistas, até a rendição total do exército sul-vietnamita em 1975.</p><p>Assumindo o poder, os líderes da Frente de Libertação Nacional procederam à unificação do país. O Vietnã tornou-se socialista extremamente autoritário, seguindo o modelo da ditadura stalinista.</p><p>O CONFLITO ÁRABE-ISRAELENSE</p><p>Desde o final do século XIX, grupos de judeus, incentivados por líderes como Theodor Herzl, começaram a adquirir terras na Palestina. Lá fundaram diversas colônias, tendo como objetivo estabelecer um Estado judeu independente na região.</p><p>Fugindo do terror nazista, durante a Segunda Guerra Mundial, milhares de judeus migraram para a Palestina.</p><p>Terminada a guerra, o mundo estava abalado diante da morte de cerca de 6 milhões de judeus pelos nazistas (um terço da população judaica mundial).</p><p>Esse clima emocional favoreceu a decisão da ONU de aprovar a criação de um Estado judeu na Palestina, em 29 de novembro de 1947. A decisão previa também a criação de um estado árabe palestino na região.</p><p>Entretanto, ele nunca chegou a existir devido aos conflitos com os judeus.</p><p>Com base na decisão da ONU, o líder judeu David Ben Gurion proclamou a criação do Estado de Israel em maio de 1948. Desde essa data, milhares de judeus de todas as partes do mundo imigraram para Israel.</p><p>A chegada de tantos judeus provocou inevitáveis choques com a população árabe que habitava anteriormente a região e que já discordava da decisão da ONU sobre a criação do Estado de Israel.</p><p>Iniciou-se, dessa maneira, a longa série de conflitos entre árabes e israelenses. Israel, apoiado pelos Estados Unidos, aproveitou a maior parte desses confrontos armados para expandir seus territórios na região à custa dos árabes.</p><p>Nos dias atuais, permanece a situação de tensão e de hostilidades no Oriente Médio, tendo como um dos seus principais motivos a não-solução do problema palestino.</p><p>Expulsos de seu território por Israel, os palestinos vivem espalhados pelos países árabes vizinhos, reivindicando o direito de possuir uma pátria. As lutas árabe-israelenses tiveram momentos dramáticos, marcados pelo ódio extremista de organizações guerrilheiras palestinas, como o terrível assassinato de atletas judeus nas Olimpíadas de Munique (1972). Por sua vez, os israelenses também promoveram ações brutais contra seus opositores.</p><p>Em 1964, os palestinos fundaram a organização para a libertação da palestina (OLP), que tem em Yasser Arafat um dos seus mais destacados líderes. Desde 1974, ano em que foi à ONU como presidente da OLP, Arafat busca o apoio internacional para a formação de um Estado Palestino.</p><p>A GUERRA DO IRAQUE</p><p>Desde o começo do século, o Iraque reivindicava o território do Kuwait como sendo província iraquiana.</p><p>Protegido militarmente pela Grã-Bretanha, os governos do Kuwait evitaram as tentativas de invasão iraquianas.</p><p>Em 1988 agravaram-se os problemas entre Iraque e Kuwait. A causa imediata foi a disputa por território de fronteira. Essa disputa provocou incursões militares do Iraque em territórios kuwaitiano e serviu para mostrar o poderio do exército iraquiano, armado com modernos equipamentos, comprados de países como França, URSS, EUA, Brasil etc.</p><p>Aliás, armar poderosamente as forças iraquianas sempre foi um dos grandes objetivos de Saddam Hussein, que assumiu a presidência do Iraque em 1979 e pretendia torna-se o principal líder do mundo árabe.</p><p>A INFLUÊNCIA PLANETÁRIA DOS ESTADOS UNIDOS</p><p>Depois da Segunda Guerra (1945), os Estados Unidos consolidaram-se como superpotência mundial. Assumiram a liderança do mundo capitalista, espalhando sua influência por todo o planeta nos campos econômico, militar e ideológico.</p><p>No setor econômico, os americanos investiram na reconstrução européia (Plano Marshall) e asiática (Plano Colombo). Por meio das suas empresas multinacionais, desenvolveram negócios em países de todos os continentes.</p><p>Hoje são a maior potência econômica do planeta, respondendo por um terço de todos os bens e serviços produzidos no mundo. Também controlam 12% de todo o comércio internacional.</p><p>Refletindo o poderio econômico norte-americano, o dólar tornou-se a moeda padrão das transações internacionais, tendo a mesma credibilidade do ouro.</p><p>No setor militar, os Estados Unidos constituem a principal potência bélica do mundo. Foram os primeiros a deter o monopólio da bomba atômica e, posteriormente, os que</p><p>mais investiram na expansão da sofisticada tecnologia das armas nucleares.</p><p>Atualmente são o país que mais gasta com a manutenção de suas forças armadas. A presença militar norte-americana estende-se por todo o mundo, tanto através de bases próprias, como por meio de assistência econômica e treinamento de exércitos estrangeiros aliados.</p><p>Depois do colapso da União Soviética, os Estados Unidos tornaram-se uma espécie de polícia do planeta.</p><p>No setor ideológico, os Estados Unidos comandam uma moderna tecnologia de comunicação de massa de penetração mundial: cinema, discos, televisão, jornais e revistas.</p><p>Essa poderosa tecnologia de comunicação de massa cumpre importante papel na divulgação ideológica dos valores que correspondem aos interesses do capitalismo norte-americano.</p><p>A EUROPA OCIDENTAL</p><p>No período do pós-guerra, os países europeus ocidentais participaram de uma estratégia de desenvolvimento socioeconômico capitalista, liderada pelos Estados Unidos.</p><p>Embora diversos partidos de esquerda (socialistas e comunistas) se fortalecessem na Europa ocidental, disputando eleições e participando do poder, a orientação geral foi no sentido de corrigir as principais injustiças do capitalismo, e não desmontar o sistema como um todo.</p><p>Assim sem destruir o capitalismo, esses partidos de esquerda influíram na construção de Estados europeus voltados para o bem-estar social. As medidas adotadas melhoraram as condições de vida dos trabalhadores em aspectos como elevação dos salários, segurança no emprego, habitação, transportes, assistência médica e educacional etc.</p><p>Além da ajuda econômica norte-americana (Plano Marshall), muito contribuiu para a recuperação da Europa Ocidental e progressiva superação das divisões regionais européias. Isso se deu com a criação de organismos de integração econômica supranacionais. Vejamos as principais etapas dessa política de integração européia:</p><p>Em 1944, Bélgica, Holanda e Luxemburgo uniram-se para a criação do Benelux, visando o estímulo do comércio e a eliminação das barreiras alfandegárias.</p><p>Em 1951 foi criada a Comunidade Européia do Carvão e do Aço (Ceca), com a participação da França, Alemanha Ocidental, Bélgica, Luxemburgo e Holanda.</p><p>Em 1957 surgiu o Mercado Comum Europeu (MCE), que também é conhecido como Comunidade Econômica Européia (CEE). Seu objetivo básico era promover entre os países-membros a integração alfandegária, a livre circulação de capitais e a progressiva uniformização de uma política trabalhista e fiscal.</p><p>No princípio pertenciam ao Mercado Comum Europeu seis países: França, Alemanha Ocidental, Itália, Holanda, Luxemburgo e Bélgica. Posteriormente</p><p>foram admitidos Irlanda, Grã-Bretanha, Dinamarca, Espanha, Grécia e Portugal.</p><p>A partir de 1993, os países do Mercado Comum Europeu pretendem ampliar a unificação econômica supranacional, tornando cada vez mais livres a circulação de capitais e as associações empresariais.</p><p>O JAPÃO</p><p>Após a derrota na Segunda Guerra Mundial, o Japão formava um cenário dramático, com milhares de vidas sacrificadas e cidades inteiras destruídas pelos bombardeios aéreos. Entre eles se incluem os lançamentos das primeiras bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki.</p><p>No plano econômico, reinava um verdadeiro caos. As produções agrícola e industrial estavam arruinadas, e o comércio exterior achava-se paralisado pela quase total destruição da marinha mercante japonesa.</p><p>Oficializada a rendição do Japão, os Estados Unidos ocuparam militarmente o país, em nome das forças aliadas. Durante sete anos, de agosto de 1945 até abril de 1952, passaram a comandar o reerguimento socioeconômico japonês, obedecendo às diretrizes do capitalismo norte-americano.</p><p>A política de reerguimento foi dirigida pelo general americano Douglas MacArthur, que promoveu no Japão uma série de reformas nos campos políticos, social e econômico. Em 1946, por exemplo, já se elaborava uma nova constituição para o país, inspirada na dos Estados Unidos.</p><p>A nova carta magna japonesa estabeleceu a criação de um regime parlamentar de governo e impôs severas limitações ao papel do imperador, que foi obrigado a renunciar à tradicional origem divina de seu poder.</p><p>O objetivo básico das reformas comandadas por MacArthur era afastar totalmente o Japão da influência do bloco socialista, que se expandia no continente asiático com a Revolução Chinesa de Mao Tsé-tung. Tudo se fez para que o Japão se transformasse num lugar seguro para as operações capitalistas na Ásia. Assim, estimulou-se o desenvolvimento industrial japonês com enormes investimentos de capitais dos Estados Unidos.</p><p>De inimigo derrotado, o Japão transformou-se no mais importante aliado norte-americano no continente asiático.</p><p>Quando em abril de 1952, o general MacArthur deixou o Japão, a sociedade japonesa exibia uma face inteiramente nova. Nos últimos trinta anos do pós-guerra, o Japão atingiu um espantoso ritmo de crescimento econômico que transformou numa das mais importantes e competitivas nações industrializadas do mundo, destacando-se os setores eletrônico, automobilístico e naval. Alguns chamam esse processo de milagre japonês.</p><p>Nos dias atuais, a economia japonesa ocupa a</p><p>segunda posição de grandeza no mundo. O poderio de suas indústrias (de bens de produção e de bens de consumo) e a força de seu sistema financeiro rivalizam com os dos Estados Unidos.</p><p>O Japão tornou-se o grande centro do pólo macrorregional capitalista asiático. Em volta desse centro giram outros países, integrados pelos mesmos interesses econômicos. São Coréia do Sul, Formosa ou Taiwan, Hong Kong, Cingapura, Tailândia e Filipinas.</p><p>Rompendo o isolamento que mantinha com o mundo, característico de boa parte de sua história, o Japão participa ativamente do comércio internacional, inundando os mercados mundiais com seus produtos industrializados.</p><p>A outra face do milagre japonês foi, contudo, a descaracterização das tradições culturais do país, forçadas a se adaptar ao estilo de vida das sociedades industriais avançadas.</p><p>Um dos aspectos mais interessantes da situação do Japão no mundo moderno consiste neste paradoxo:</p><p>(...) ele é, simultaneamente, uma grande potência econômica concorrente dos Estados Unidos e um Estado geopoliticamente subordinado a Washington, dependente do guarda-chuva nuclear americano (...). Continuará o Japão aceitando a estranha combinação de potência econômica mundial e satélite geopolítico de Washington?</p><p>Muitas outras perguntas permanecem no ar:</p><p>A aliança política dos Estados Unidos com o Japão sofrerá abalo decorrente da rivalidade econômica entre essas nações?</p><p>O crescente poderio econômico japonês será suficiente para sustentar o país sem um correspondente poderio político-militar próprio?</p><p>Diversos analistas das relações internacionais acreditam que o Japão irá questionar em futuro próximo toda esta subordinação geopolítica a Washington Aos historiadores compete acompanhar atentamente a evolução desse processo histórico, refletindo sobre as transformações que se apresentam nesta última década do século XX.</p><p>A UNIÃO SOVIÉTICA</p><p>Terminada a Segunda Guerra Mundial (1945), a União Soviética ficou em escombros. Cidades inteiras foram destruídas. O país chorava a morte de mais de 20 milhões de pessoas e socorria o drama de 25 milhões de desabrigados. Era a herança do heróico sacrifício que representou a vitória sobre o nazismo.</p><p>Com mão de ferro, o ditador Stalin comandou a reconstrução do país. Por meio de planejamentos globais da economia, organizados pelos burocratas do Estado, o governo ditava as metas para a recuperação econômica e o desenvolvimento do país.</p><p>Já nos primeiros anos da década de 50, eram notáveis os resultados do esforço de reconstrução nacional.</p><p>A União Soviética desenvolveu a indústria pesada e de armamentos, construiu usinas hidrelétricas, mecanizou a agricultura, construiu escolas, eliminou o analfabetismo etc.</p><p>Mas o lado sombrio desses anos foi a consolidação da ditadura stalinista. Stalin assumiu todos os principais cargos da União Soviética. Tornou-se o chefe absoluto do Partido Comunista, do Estado e do Exército.</p><p>da publicação da Enciclopédia.</p><p>a) Divulgar os argumentos que demonstravam a superioridade do pensamento naturalista.</p><p>b) Convencer a população da necessidade de realizar a revolução do povo e de abolir a propriedade privada.</p><p>c) Atender a uma encomenda pública, visando produzir um material capaz de estender a instrução ao povo.</p><p>d) Fazer uma síntese, às vezes ousada, do conhecimento da época nas áreas das ciências, das artes e dos ofícios.</p><p>e) Difundir as idéias econômicas dos fisiocratas como Diderot, Voltaire e Turgot, que se opunham aos iluministas.</p><p>06. UFC 2002</p><p>A Revolução de 1688, na Inglaterra, representou:</p><p>a) a diminuição do poder exercido pelo Parlamento.</p><p>b) a extinção do poder aristocrático com a adoção do voto popular.</p><p>c) o restabelecimento do poder dos reis católicos, durante várias décadas.</p><p>d) a derrota do Absolutismo, tornando o Parlamento soberano político da nação.</p><p>e) a consolidação do poder do soberano, que podia suspender a execução das leis, em caso de guerra.</p><p>07. UECE 2003.2</p><p>”O mundo todo está cheio de pessoas sábias, de preceptores eruditos, de grandes bibliotecas; parece-me que nem no tem-po de Platão ou de Cícero havia condições de estudo como agora.”</p><p>Fonte: Rabelais. Pantagruel. In L.Gothier e A. Troux. Recueil de Textes d’Histoire, tomo III, p.47.</p><p>O texto acima refere-se à intensificação da produção intelectual durante o movimento renascentista. Sobre este movimento é correto afirmar:</p><p>a) A produção intelectual renascentista foi profundamente marcada por preocupações com o sobrenatural e a vida após a morte.</p><p>b) A preocupação maior dos mecenas, em sua maioria bur-gueses, era com o retorno financeiro das obras de arte.</p><p>c) As bases da ciência moderna, idéias como o racionalis-mo e o experimentalismo, foram elaboradas a partir do renascimento.</p><p>d) A produção artística do renascimento era marcada pelo misticismo e profundamente contrária á utilização da ciência.</p><p>08. (UFC 1998.1)</p><p>Bossuet, no século XVII, dizia: "É um erro imaginar que é preciso sempre imaginar antes de crer. A felicidade daqueles que nascem por assim dizer no seio da verdadeira Igreja, é que Deus lhe deu uma tal autoridade que acreditamos primeiro no que ela propõe e que a fé precede, ou antes, exclui o exame."</p><p>(FORTES, Luiz R. Salinas - O Iluminismo e os reis filósofos. São Paulo: Brasiliense, 1981,p. 19)</p><p>Confronte as idéias expostas no documento acima com princípios do Iluminismo.</p><p>09. (UFC-1994.2)</p><p>"Luís (Luís XIV, rei da França) tomara também o lugar de Deus, como foi assinalado pelo pregador da corte Jacques-Bénigne Bossuet e outros teóricos políticos. Os soberanos eram "imagens vivas" de Deus, “os representantes da majestade divina".</p><p>(Fonte: BURKE, Peter. A fabricação do rei. A construção da imagem pública de Luís XVI. Rio de</p><p>Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1994, p. 21)</p><p>De que forma a DEMOCRACIA REPRESENTATIVA rompe com a estrutura de poder a que o texto acima se refere?</p><p>10. (UECE-2000.1)</p><p>Analise o seguinte comentário acerca da sociedade européia, no século XVIII:</p><p>"Os filósofos se erigiram como preceptores do gênero humano. Liberdade de pensar,</p><p>eis seu brado, e este brado se propagou de uma extremidade a outra do mundo".</p><p>(Fonte: Denúncia do Advogado Séquier, em 1770, in DUPÂQUIER, J. e LACHIEUR, M. Les</p><p>Temps Modernes. Paris: Bardas, 1970, p.221.)</p><p>De acordo com o seu conteúdo, é correto afirmar que:</p><p>a) os filósofos franceses apoiaram o absolutismo, a fim de garantir a difusão do saber</p><p>b) ideologia dos pensadores iluministas direcionava-se contra o absolutismo monárquico</p><p>c) a implantação da República Francesa, na 1ª metade do século XVIII, resultou da aliança da burguesia com o Clero</p><p>d) a teoria do Direito Divino, fruto do iluminismo, consistia numa crítica à nobreza e aos desmandos da Igreja</p><p>Gabarito</p><p>01</p><p>02</p><p>03</p><p>04</p><p>05</p><p>06</p><p>07</p><p>08</p><p>09</p><p>10</p><p>C</p><p>C</p><p>C</p><p>D</p><p>D</p><p>D</p><p>C</p><p>ND</p><p>ND</p><p>B</p><p>Aula 02</p><p>REVOLUÇÃO FRANCESA</p><p>A destruição do Antigo Regime</p><p>A Revolução Francesa é um dos grandes acontecimentos históricos que marcam a transição do feudalismo para o capitalismo. É tradicionalmente utilizado para assinalar o início da Idade Contemporânea.</p><p>A revolução destruiu a sociedade do Antigo Regime e o Estado absolutista. Derrubou a nobreza que ainda vivia dos privilégios feudais. Foi um movimento de massa que contou com a participação de vários grupos sociais: a população miserável das cidades, os pequenos produtores e comerciantes, os camponeses explorados pela servidão etc.</p><p>Ao final desse longo processo, pode-se dizer que a revolução levou a burguesia ao poder. O privilégio de nascimento da nobreza foi derrubado. Mas, em seu lugar, a burguesia colocou o privilégio social do dinheiro, da conquista de riquezas econômicas.</p><p>Para entender o processo revolucionário francês, vamos conhecer algumas características da situação social, econômica e política da França no final do século XVIII.</p><p>A situação social</p><p>Por volta de 1789, a França era o país mais populoso da Europa ocidental. Tinha cerca de 25 milhões de habitantes. Toda essa população estava juridicamente dividida em três ordens ou estados: o clero (primeiro estado), a nobreza (segundo estado) e o restante da população (terceiro estado). Cada uma dessas ordens dividia-se internamente em grupos, muitas vezes rivais.</p><p>O primeiro estado, formado pelo clero, era composto por aproximadamente 120 mil pessoas. Dividia-se em alto clero e baixo clero:</p><p>Alto clero: reunia bispos, abades e cônegos, vindos das famílias da nobreza. A base da riqueza do alto clero resultava do recebimento de dízimos e da renda de imóveis urbanos e rurais.</p><p>Baixo clero: compunha-se de sacerdotes pobres, que constituíam uma plebe eclesiástica.</p><p>O segundo estado, formado pela nobreza, era composto por aproximadamente 350 mil pessoas. Dividia-se em três grupos principais:</p><p>Nobreza cortesã: vivia no palácio de Versalhes, em torno do rei, recebendo pensões do Estado.</p><p>Nobreza provincial: grupo empobrecido e decadente que sobrevivia submetendo os camponeses ao pagamento de direitos feudais.</p><p>Nobreza toga: burgueses ricos que compravam títulos nobiliárquicos (de nobreza), cargos políticos e administrativos.</p><p>O terceiro estado, formado pela maioria absoluta da nação, compunha-se de mais de 24 milhões de pessoas. Reunia diversos grupos, entre os quais podemos distinguir:</p><p>Camponeses: eram trabalhadores livres e semilivres e os servos presos às obrigações feudais.</p><p>Grande burguesia: formada por banqueiros, poderosos empresários e comerciantes.</p><p>Média burguesia: composta por profissionais liberais, como médicos, advogados, professores e comerciantes.</p><p>Pequena burguesia: constituída por pequenos comerciantes, artesãos e sans-culotte.</p><p>Tanto o clero como a nobreza possuíam vários privilégios sociais. Não pagavam impostos, tinham exclusividade para exercer certos cargos públicos e recebiam, às vezes pensões do Estado.</p><p>Sobre os ombros do terceiro estado pesavam,</p><p>portanto, todas as obrigações de pagar impostos e sustentar as despesas das ordens privilegiadas. Seus membros revoltaram-se contra os privilégios do clero e da nobreza.</p><p>Queriam um regime jurídico de igualdade para todos perante a lei.</p><p>Num conhecido folheto popular daquela época, o abade de Sieyès resumiu a situação do terceiro estado:</p><p>(</p><p>O que é terceiro estado?</p><p>Tudo.</p><p>O que tem ele sido em nosso sistema político?</p><p>Nada.</p><p>O que ele pretende?</p><p>Ser alguma coisa.</p><p>)</p><p>A situação econômica</p><p>A economia francesa era basicamente agrária.</p><p>Aproximadamente 80% da população trabalhava no campo. No entanto, a produção agrícola não atendia de modo satisfatório ao consumo de alimentos. Problemas climáticos, como secas e inundações, agravaram a situação da agricultura desde 1784. O preço dos alimentos subiu brutalmente.</p><p>Nas cidades e no campo, o povo vivia uma situação de fome, miséria e desespero. Além de tudo isso, a indústria têxtil francesa passou por grandes dificuldades econômicas devido à concorrência dos tecidos ingleses, que inundavam o mercado interno na França.</p><p>Por meio de prisões, expulsões, torturas e fuzilamentos liquidou com todos os seus possíveis opositores.</p><p>Além do terror político da ditadura, o governo stalinista montou uma imensa campanha publicitária destinada ao culto da personalidade de Stalin. Em enormes cartazes espalhados pelas ruas, Stalin era endeusado como o maior gênio da história, o maior cientista do mundo, o amigo e mestre de todos os trabalhadores.</p><p>O socialismo soviético desenvolvido por Stalin</p><p>representou na verdade uma grave distorção das propostas originais do socialismo marxista.</p><p>A era de Kruchev (1953-1964)</p><p>Em 5 de março de 1953, Stalin morreu de derrame cerebral. O cruel ditador tinha 73 anos de idade e ocupava o poder há 29 anos. Começou, então, a era de Nikita Kruchev, cujas principais características foram:</p><p>No plano interno: Kruchev condenou a ditadura stalinista e abriu espaço para a liberalização política.</p><p>Em 1956, no XX Congresso do Partido Comunista, denunciou os crimes de Stalin, sua rigidez doutrinária e a campanha de culto à sua personalidade. As denúncias de Kruchev repercutiram mundialmente. Líderes socialistas de todo o planeta ficaram chocados com a amarga verdade.</p><p>No plano internacional: Kruchev defendeu a necessidade de uma coexistência pacífica entre países socialistas e capitalistas. Dizia Kruchev:</p><p>Só a paz pode garantir nossas diferenças pois, no caso de uma guerra nuclear, as cinzas do comunismo e do capitalismo serão totalmente indiferenciáveis.</p><p>O anti-stalinismo de Kruchev e sua política de</p><p>coexistênica pacífica provocaram desentendimentos entre a União Soviética e a China comunista, que se mantinha fiel às idéias e métodos de Stalin.</p><p>De Brejnev a Gorbachev (1964-1991)</p><p>A desestabilização promovida por Kruchev não foi suficiente para romper a armadura do comunismo autoritário.</p><p>Até 1985, os principais dirigentes da União Soviética (Brejnev, Andropov e Tchernenko) mantiveram o país submetido ao controle ditatorial da elite comunista.</p><p>Nesse período, somou-se à falta de liberdade o grave problema de estagnação econômica. Enormes dificuldades foram tomando conta do país:</p><p>Declínio da produção industrial, comercial e agrícola.</p><p>Aumento do desemprego em trabalhos qualificados.</p><p>Falta de alimentos nas cidades.</p><p>Queda brutal na qualidade dos serviços públicos.</p><p>Aumento do alcoolismo por causa da descrença da população.</p><p>Crescimento da corrupção administrativa.</p><p>Em 1985 Mikhail Gorbachev tornou-se o principal dirigente da União Soviética. Começou então a promover amplas reformas voltadas para:</p><p>A liberalização política (glasnost).</p><p>A reestruturação econômica (perestroika).</p><p>Gorbachev tentou administrar a construção de uma nova União Soviética, politicamente mais livre e economicamente mais moderna. Agiu impulsionado por um furacão de mudanças que ele próprio criou.</p><p>As forças desse furacão, porém, o envolveram, fugindo-lhe ao controle. No decorrer das transformações, Gorbachev ficou no meio de um vendaval que acabou derrubando-o . De um lado, lutou contra a reação conservadora dos comunistas autoritários, inimigos do avanço democrático.</p><p>De outro lado, foi atacado pelos ultrareformistas, ansiosos por rápidas e profundas mudanças.</p><p>Em agosto de 1991, Gorbachev foi deposto pelos comunistas autoritários, sendo aprisionado em sua casa de férias na Criméia. Esse golpe, no entanto, fracassou devido, em grande parte, à resistência dos reformistas e liberais, liderados por Boris Yeltsin (presidente da Federação Russa).</p><p>Três dias depois do golpe, Gorbachev retornou ao governo, passando então a enfrentar o impetuoso movimento das repúblicas soviéticas, que buscavam autonomia e poder.</p><p>Esse processo levou ao desmembramento da União Soviética e à criação da Comunidade dos Estados Independentes (CEI), que congrega várias repúblicas, como Rússia, Bielo-Rus, Ucrânia etc.</p><p>A criação da CEI esvaziou e cancelou os poderes da União Soviética. Reconhecendo esse fato, Gorbachev decidiu renunciar. Assim, tanto Gorbachev como a URSS encerraram suas atividades no dia 25 de dezembo de 1991.</p><p>Depois de 69 anos de existência, o poderoso império soviético, que teve papel central na história do século XX, desmoronou.</p><p>A REPÚBLICA POPULAR DA CHINA</p><p>Durante mais de dois séculos, a China foi governada pela dinastia Mandchu (1644-1911). No século XIX, esse imenso país foi alvo da expansão imperialista das potências ocidentais, destacando-se entre elas a Inglaterra.</p><p>No começo do século XX, surgiu na China um momento liberal burguês, liderado por Sun Yat-sen, que em 1911 derrubou a monarquia Mandchu e proclamou a república. Nas duas décadas de lutas políticas após a derrubada da monarquia, a república chinesa não conseguiu livrar o país da dominação imperialista estrangeira.</p><p>Em 1930 havia na China dois grandes grupos políticos rivais. De um lado, as forças capitalistas entreguistas, comandadas pelo general Chiang Kai-shek. De outro lado, as forças comunistas, lideradas por Mão Tse-tung.</p><p>Esses dois grupos se enfrentaram numa sangrenta guerra civil, interrompida em 1937 por causa do ataque japonês à China. Comunistas capitalistas chineses firmaram então uma aliança provisória, que durou até o término da guerra contra o Japão, em 1945.</p><p>Recomeçadas as lutas entre as tropas de Mão Tse-tung e de Chiang Kai-shek, os comunistas obtiveram sucessivos êxitos.</p><p>Em 1º de outubro de 1949, os comunistas conquistaram a vitória definitiva sobre seus inimigos internos e criaram a República Popular da China. Apoiado pelos Estados Unidos, o general Chiang Kai-shek e seus seguidores fugiram para a ilha de Formosa (Taiwan), fundando a China nacionalista.</p><p>O comunismo chinês</p><p>Após chegarem ao poder, os comunistas chineses, liderados por Mao, estabeleceram laços de amizade e cooperação com a União Soviética. Em 1950, por exemplo, os dois países assinaram um tratado de amizade, aliança militar e mútua assistência.</p><p>Depois da morte de Stalin (1953), o relacionamento entre China e União Soviética começou a decair. Os chineses não aceitavam as teses de Kruchev sobre a coexistência pacífica entre capitalismo e comunismo e defendiam as teorias stalinistas sobre a separação ideológica e política dos dois blocos rivais.</p><p>Na década de 60, os chineses fabricaram sua primeira bomba atômica (1964), persistiram na ruptura com Moscou e disputaram com os soviéticos a liderança mundial do movimento socialista.</p><p>Já na década de 70, a China desenvolveu uma política de reaproximação com os EstadoS Unidos que levou ao restabelecimento das relações diplomáticas entre os dois países em 1979.</p><p>Após a morte de Mao Tse-tung, em 1976, os novos dirigentes chineses, em especial Deng Xiao-ping., empenharam-se em estimular a modernização do país, promovendo um processo de abertura econômica da China com o mundo capitalista ocidental.</p><p>Nessa fase os novos governantes procuraram diminuir o culto ao líder Mao Tse-tung e criticaram o isolamento econômico ao qual a China ficou submetida. Mas, no plano político, os novos dirigentes nada fizeram para criar instituições livres e democráticas. A China continuou sob o governo do Partido Comunista , reprimindo brutalmente as manifestações populares.</p><p>A REPÚBLICA DE CUBA</p><p>Desde 1898, quando Cuba libertou-se da Espanha, o novo país mergulhou na dominação dos Estados Unidos.</p><p>Por meio da Emenda Platt, a república cubana ficou subordinada aos Estados Unidos, detentores do direito de intervir no país para garantir os interesses norte-americanos.</p><p>Controlada pelos Estados Unidos, Cuba manteve após a independência a mesma estrutura econômica herdada dos tempos coloniais, baseada na agroexportação do açúcar.</p><p>Na primeira metade do século XX, Cuba transformou-se na ilha dos prazeres dos turistas americanos. Aproveitando o agradável clima tropical e a beleza das praias, lá se construiu toda uma infra-estrutura voltada ao turismo estrangeiro.</p><p>De 1934 a 1959, Fulgêncio Batista tornou-se o homem forte de Cuba, ocupando a presidência de 1940 a 1944 e de 1952 a 1959. Inescrupuloso, o presidente Batista levou ao máximo o servilismo em relação aos Estados Unidos. Internamente, comandou</p><p>a brutal exploração do povo cubano.</p><p>O país parecia um organismo em decomposição, onde se misturavam a corrupção do governo, os jogos nos grandes cassinos, o uso indiscriminado de drogas e o incentivo à prostituição sexual.</p><p>Reagindo a essa situação de decadência e opressão um grupo de guerrilheiros comandado por Fidel Castro começou a lutar contra o governo cubano em 1956.</p><p>Ao longo de dois anos de combate, a guerrilha de Fidel Castro foi conquistando a simpatia popular. Em janeiro de 1959, conseguiu derrubar a ditadura de Fulgêncio Batista.</p><p>Após a tomada do poder, a revolução liderada</p><p>por Fidel Castro foi caminhando no rumo do socialismo.</p><p>Cresceram , então, os conflitos entre o novo governo de Fidel e os interesses do capitalismo norte-americano.</p><p>Esses conflitos tiveram como marcos:</p><p>A fracassada invasão de Cuba, na baía dos Porcos, em 1961, por uma força militar treinada a financiada pelos Estados Unidos, composta de exilados cubanos.</p><p>A expulsão de Cuba, em 1962, da Organização dos Estados Americanos (OEA), por influência dos Estados Unidos, e a imposição de bloqueio econômico aos cubanos.</p><p>Os grandes conflitos entre Cuba e Estados Unidos forçaram uma grande aproximação do governo de Fidel Castro com a União Soviética. Essa aproximação levou Cuba a permitir a instalação, em seu território, de mísseis nucleares soviéticos em 1962.</p><p>O presidente Kennedy, dos Estados Unidos, reagiu durante à estratégia militar soviética, por considerá-la uma preguiçosa ameaça à segurança nacional americana.</p><p>Surgiu, então, o episódio da crise dos mísseis. Numa verdadeira mobilização de guerra, os Estados Unidos impuseram um poderoso bloqueio naval à ilha de Cuba, forçando os soviéticos a desistirem dos planos de instalação dos mísseis no continente americano.</p><p>A crise dos mísseis foi um dos momentos mais dramáticos da Guerra Fria. O mundo esteve à beira de uma catástrofe, que seria provocada pelo choque entre EUA e URSS.</p><p>A Revolução Cubana foi um importante capítulo da história latino-americana. Rompeu com a tradicional influência dos Estados Unidos na América Central. Construiu o primeiro Estado socialista do continente, calcado no modelo soviético.</p><p>Depois de três décadas no poder, o governo de Fidel Castro exibe seus melhores êxitos no campo social: eliminação do analfabetismo, implantação de assistência médico-hospitalar gratuita à população, queda significativa da taxa de mortalidade infantil, redução do desemprego.</p><p>No campo político, entretanto, são inúmeras às críticas feitas ao regime cubano, que permanece como uma ditadura do Partido Comunista, alheia às reformas democráticas.</p><p>No campo econômico, o desempenho da Revolução Cubana foi um fracasso. Não conseguiu diversificar a agricultura do país nem estimular a industrialização. Como nos tempos coloniais, a economia continua dependendo da exportação do açúcar para o mercado externo.</p><p>A partir da adoção do socialismo, os principais</p><p>laços comerciais de Cuba eram com os soviéticos, que compravam 60% do seu açúcar e forneciam petróleo, veículos, máquinas etc. Como fim da União Soviética (1991), a situação comercial de Cuba tornou-se extremamente delicada.</p><p>Hoje o país enfrenta grave crise econômica, refletida na falta de alimentos, combustíveis, máquinas e inúmeros outros artigos. Desesperado, o governo cubano volta-se para o turismo em busca de dólares.</p><p>Questões de Vestibulares</p><p>01. UECE 2008.1 FASE 2</p><p>“A história não admite erros.”</p><p>(Che Guevara In: WOLF, E. R., Las Luchas</p><p>Campesinas del Siglo XX.</p><p>Siglo Veintiuno Editores,p.367).</p><p>Acerca da Revolução Cubana, assinale o correto.</p><p>a) Fulgêncio Batista faz um acordo com os rebeldes, propõe rendição em troca de seu exílio no exterior, enquanto as colunas assumem o comando do governo cubano.</p><p>b) Após a vitória revolucionária em Cuba, Che Guevara assume o comando militar e é assassinado na tentativa de evitar uma invasão americana à ilha.</p><p>c) Comandadas por Camilo Cienfuegos, Che Guevara, Fidel e Raul Castro, quatro colunas foram ocupando, uma a uma, as cidades e províncias da ilha cubana.</p><p>d) A OEA (Organização dos Estados Americanos) intermediou o diálogo e o acordo de paz entre os rebeldes vencedores e os representantes do então governo Fulgêncio Batista.</p><p>02. URCA 2007.2</p><p>Representando um importante elemento na construção de um conceito de mundo globalizado é assinado em 1991, o Tratado de Maastricht, na Holanda, sendo criada assim a União Européia.</p><p>Sobre as metas desse órgão internacional assinale a alternativa correta:</p><p>a) O órgão almeja a formação de um mercado único, com moeda única e sistemas financeiros e bancários únicos.</p><p>b) Constitui-se através de regulamentações que permitam maiores restrições à circulação e direito ao trabalho para os cidadãos que compõem a União Européia.</p><p>c) O órgão observa que, devido às especificidades históricas de cada país, deve ser incentivada a formação de diferentes legislações trabalhistas entre os mesmos.</p><p>d) Como se tratava de um desejo antigo entre os diversos cidadãos europeus, a iniciativa foi aceita por todos os países do continente de forma unânime, colocando a Europa mais uma vez como centro do capitalismo internacional.</p><p>e) Com relação ao item da moeda única, foi adotado o dólar americano para representar a unificação econômica da Europa. Essa decisão foi decorrente do valor que o dólar dos Estados Unidos possui nas diferentes transações comerciais e financeiras.</p><p>03. UECE 2003.1</p><p>Sobre o processo de “Descolonização na África”, é verdadei-ro afirmar:</p><p>a) O fortalecimento dos líderes africanos, favoráveis à ex-pansão capitalista, consolidou a luta anticolonialista.</p><p>b) A rejeição ao pan-africanismo, que prejudicava os reagrupamentos políticos, fortaleceu o nacionalismo nos países africanos.</p><p>c) A vitória dos socialistas espiritualistas que defendiam a luta de classes e a ditadura do proletariado garantiu a e-mancipação africana.</p><p>d) O enfraquecimento dos impérios coloniais europeus, após a segunda Guerra Mundial, favoreceu as lutas anticolonialistas.</p><p>04. UECE 1990.1</p><p>Após a liquidação do império estabelecido por Napoleão III, o México passou por intensas lutas internas no período de 1877 a 1911. Durante esse período:</p><p>a) desconcentrou-se a propriedade da terra por meio de uma profunda reforma agrária</p><p>b) houve a implantação da ditadura de Porfírio Dias, maior concentração da propriedade da terra e pilhagem da riqueza do país pelo capital inglês e norte-americano</p><p>c) diminuiu a penetração de capitais ingleses e norte-americanos no país</p><p>d) começou, em 1877, uma revolução camponesa liderada por Pancho Vila e Emiliano Zapata, pela reforma agrária e adoção de uma política antiimperialista</p><p>05. UECE 1994.2</p><p>A expansão capitalista por todo o século XIX transformou a relação entre metrópoles e colônias. Com respeito a isso podemos afirmar corretamente que:</p><p>a) o liberalismo provocou uma retomada do processo colonizador por todos os governos europeus, reforçando a cobrança de impostos e as restrições à produção colonial</p><p>b) a necessidade da ampliação dos mercados levou os países industrializados, principalmente a Inglaterra, a apoiarem o fim da escravidão e a independência das colônias portuguesas e espanholas</p><p>c) a necessidade de ampliar a produção industrial, em função do desenvolvimento tecnológico, levou os países industriais metropolitanos a ampliar a quantidade de escravos e a intensidade do trabalho nas colônias</p><p>d) com o desenvolvimento industrial acelerado, Portugal e Espanha foram os primeiros países europeus a libertarem suas colônias e seus escravos</p><p>06. UECE 1999.2</p><p>A posição da Inglaterra a favor da independência das colônias espanholas na América, no século XIX, resultou:</p><p>a) de um acordo celebrado com os franceses</p><p>b) do interesse em ampliar o seu mercado externo</p><p>c) da aliança celebrada com os Espanhóis</p><p>d) do tratado assinado entre a Santa Aliança e o Império Britânico</p><p>07. UECE 2001.1</p><p>Sobre o processo de descolonização da África e da Ásia é correto afirmar:</p><p>a) as colônias portuguesas de Moçambique e Angola obtiveram independência nos anos setenta do século XX</p><p>b) a independência</p><p>da maioria dos países africanos ocorreu no século XIX</p><p>c) a emancipação da Indochina do domínio francês foi obtido graças ao apoio do Japão</p><p>d) a consolidação da República da União Indiana pôs fim ao Estado do Paquistão</p><p>08. UFC 1992.1</p><p>A descolonização da Ásia e da África, ocorrida especialmente após a segunda guerra mundia; e constituindo um fenômeno ainda não acabado, apresenta como aspecto(s) fundamental(is):</p><p>I. - Progressivas concessões e empenho em manter as tradicionais relações econômicas por parte das Metrópoles;</p><p>II. - Luta dos afro-asiáticos por uma independência político-econômica, tendo essa luta, em diversos casos, assumido um caráter antiimperialista;</p><p>III. - Empenho dos países afro-asiáticos pela independência política e pelo não rompimento dos laços econômicos com as antigas Metrópoles, porque o Imperialismo europeu gerou a industrialização das áreas coloniais.</p><p>Assinale a opção correta:</p><p>a) Apenas a afirmativa I é correta;</p><p>b) Apenas a afirmativa II é correta;</p><p>c) Apenas a afirmativa III é correta;</p><p>d) As afirmativas II e III são corretas;</p><p>e) As afirmativas I e II são corretas;</p><p>09. UFC 1995.1</p><p>Tratando-se da História Contemporânea, podemos considerar como fatos importantes do pós-guerra (1945):</p><p>(01)</p><p>Aceleração do processo de descolonização afro-asiático.</p><p>(02)</p><p>Fim da Guerra-Fria e queda do muro de Berlim.</p><p>(04)</p><p>Tendências isolacionistas das grandes potências mundiais.</p><p>(08)</p><p>Criação de blocos econômicos e geo-estratégicos.</p><p>(16)</p><p>Desagregação do "socialismo real".</p><p>10. UECE 1992.2</p><p>Sobre a concepção de Terceiro Mundo podemos afirmar que:</p><p>a) surgiu como uma forma de disfarçar a dominação da Ásia, África e América Latina num contexto de declínio dos impérios coloniais</p><p>b) está ligada à tentativa dos Estados Unidos de manter um bloco de apoio fora do confronto direto com a URSS</p><p>c) está ligada à tentativa de manter neutralidade e identidade diante dos conflitos da Guerra-Fria (EUA x URSS), embora hoje seja um conceito bastante questionado</p><p>d) foi um conceito criado pela antiga União Soviética a fim de estabelecer novas bases de apoio nos países asiáticos e africanos</p><p>01</p><p>02</p><p>03</p><p>04</p><p>05</p><p>06</p><p>07</p><p>08</p><p>09</p><p>10</p><p>C</p><p>A</p><p>D</p><p>B</p><p>B</p><p>B</p><p>A</p><p>E</p><p>27</p><p>C</p><p>(</p><p>75</p><p>1</p><p>) (</p><p>(85) 3491 4000</p><p>) (</p><p>www.efivest.com.br</p><p>)</p><p>(</p><p>806</p><p>) (</p><p>www.efivest.com.br</p><p>)</p><p>(</p><p>O Cursinho dos Alunos da UECE</p><p>) (</p><p>805</p><p>)</p><p>image3.png</p><p>image4.png</p><p>image5.png</p><p>image6.png</p><p>image7.png</p><p>image8.jpeg</p><p>image9.gif</p><p>image10.gif</p><p>image11.gif</p><p>image12.jpeg</p><p>image13.jpeg</p><p>image14.jpeg</p><p>image15.png</p><p>image16.jpeg</p><p>image17.png</p><p>image18.png</p><p>image19.png</p><p>image20.jpeg</p><p>image21.jpeg</p><p>image22.jpeg</p><p>image23.gif</p><p>image24.jpeg</p><p>image25.jpeg</p><p>image26.jpeg</p><p>image27.jpeg</p><p>image28.png</p><p>image29.jpeg</p><p>image30.gif</p><p>image31.jpeg</p><p>image32.jpeg</p><p>image33.jpeg</p><p>image34.gif</p><p>image35.jpeg</p><p>image36.jpeg</p><p>image37.png</p><p>image38.jpeg</p><p>image39.jpeg</p><p>image40.jpeg</p><p>image41.jpeg</p><p>image42.png</p><p>image43.jpeg</p><p>image44.gif</p><p>image45.jpeg</p><p>image46.jpeg</p><p>image47.png</p><p>image48.png</p><p>image1.jpeg</p><p>image2.gif</p><p>image49.jpeg</p><p>image50.jpeg</p><p>image51.jpeg</p><p>As dificuldades da indústria francesa geraram</p><p>o desemprego de muitos trabalhadores, aumentando</p><p>o número de famintos e marginalizados.</p><p>A situação política</p><p>Os setores mais esclarecidos da burguesia adquiriram cada vez mais consciência de seus interesses sociais e econômicos. Percebiam que o Estado devia ser reestruturado a fim de corresponder aos valores do capitalismo.</p><p>Isso significava combater o absolutismo monárquico, a excessiva intervenção do Estado na economia, a intolerância filosófica e religiosa, os privilégios hereditários da nobreza e do clero etc.</p><p>O fundamento filosófico dessas idéias burguesas era o Iluminismo. Os novos ideais iluministas contagiavam os setores progressistas da sociedade, sendo discutidos nos salões, nos cafés, nas lojas maçônicas etc. Além disso, várias associações foram formadas para divulgar os textos iluministas.</p><p>PRINCIPAIS ETAPAS</p><p>O processo revolucionário francês durou dez anos (1789-1799), sendo complexo e contraditório. Para melhor entendê-lo, os historiadores costumam dividi-lo em diferentes fases, que variam conforme o tipo de classificação adotada. Vejamos uma classificação que nos parece mais conveniente nesta etapa de estudos:</p><p>A revolta aristocrática</p><p>A Assembléia Nacional Constituinte</p><p>A república e a Convenção Nacional</p><p>O governo do Diretório</p><p>A revolta aristocrática</p><p>A França estava mergulhada em grave crise</p><p>econômica. As despesas do Estado eram bem maiores que a receita arrecadada. Para solucionar a crise, o rei Luís XVI pretendia criar novos tributos que seriam pagos pelo terceiro estado. Ou, então, teria de acabar com a isenção tributária da nobreza e do clero.</p><p>Sentindo-se ameaçados em seus privilégios tradicionais, a nobreza e o clero revoltaram-se em 1787. Pressionaram o rei que convocasse a Assembléia dos Estados Gerais. O objetivo era obrigar o terceiro estado a assumir a conta que a nobreza e o clero não pretendiam pagar.</p><p>A Assembléia dos Estados Gerais era uma instituição antiga, que não se reunia há 175 anos. Participavam dessa instituição parlamentar os representantes dos três estados. Entretanto, seu sistema de votação era feito por grupo, ou seja, por estado, cabendo um voto para cada ordem social. Assim, clero e nobreza, unidos teria sempre dois votos contra apenas um do terceiro estado.</p><p>A Assembléia Nacional Constituinte</p><p>No início de maio de 1789, a Assembléia dos</p><p>Estados Gerais reuniu-se no palácio de Versalhes. E logo explodiu o conflito entre as ordens privilegiadas (nobreza e clero) e o terceiro estado.</p><p>A nobreza e o clero queriam votar os projetos em separado, valendo o voto por ordem social. O terceiro estado, que tinha mais deputados que a nobreza e o clero juntos, não aceitou o sistema tradicional de votação. Exigiu que a votação fosse realizada pelo voto individual. Assim, teria condições de vencer e fazer valer suas decisões.</p><p>Apoiados pelo rei, os conservadores da nobreza e do clero não concordavam com a mudança na regra de votação pretendida pelo terceiro estado. O conflito entre as ordens paralisou os trabalhos.</p><p>Em 17 de junho de 1789, os representantes do terceiro estado revoltaram-se, proclamando-se em Assembléia Nacional Constituinte. O objetivo era elaborar uma nova constituição para a França.</p><p>O rei ordenou o fechamento da sala de reuniões, procurando dissolver a Assembléia Nacional. Mas o terceiro estado, liderado pela burguesia, transferiu-se para um salão de jogos do palácio, que era utilizado pela nobreza.</p><p>Nesse local improvisado decidiram permanecer reunidos até cumprir seus objetivos. Esse episódio ficou conhecido como o Juramento do Jogo da Péla.</p><p>Luís XVI tentou reagir. Organizou tropas para lutar contra o terceiro estado. Mas a revolta popular já tomava conta das ruas. O rei não tinha força para controlá-la. Um dos principais slogans lançados pelos revolucionários dizia o seguinte: Liberdade, igualdade e fraternidade.</p><p>No dia 14 de julho de 1789 o povo, em massa, invadiu e tomou a velha prisão da Bastilha, que era o símbolo do poder absoluto do rei. Lá ficavam presos os inimigos políticos da monarquia francesa. De Paris, a revolta popular espalhou-se por toda a França.</p><p>Sem forças para dominar a agitação política e social, o rei Luís XVI foi obrigado a reconhecer a legitimidade</p><p>da Assembléia Nacional Constituinte. Por sua vez, a assembléia procurou tomar medidas de grande alcance popular para conter a fúria revolucionária da massa camponesa e urbana.</p><p>Em 4 de agosto de 1789, a assembléia aboliu o regime feudal, eliminando os direitos senhoriais sobre os camponeses e acabando com os privilégios tributários do clero e da nobreza.</p><p>No dia 26 de agosto de 1789, a Assembléia Nacional proclamou a célebre Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. Os principais pontos defendidos por esse documento eram:</p><p>· O respeito pela dignidade da pessoa humana.</p><p>· A liberdade e a igualdade dos cidadãos perante a lei.</p><p>· O direito à propriedade individual.</p><p>· O direito de resistência à opressão política.</p><p>· A liberdade de pensamento e de opinião.</p><p>Em 1790, a Assembléia Constituinte confiscou</p><p>inúmeras terras da Igreja e subordinou o clero à autoridade do Estado. Essa medida foi tomada através de um documento chamado Constituição Civil do Clero.</p><p>O papa não aceitou as determinações da assembléia. Os sacerdotes fiéis ao papa tiveram duas opções: sair da França ou ficar para lutar contra a revolução. Muitos, porém, acataram as novas leis francesas.</p><p>Os religiosos descontentes, entre eles vários membros da nobreza, fugiram da França e, no exterior, decidiram organizar um exército para reagir à revolução.</p><p>A monarquia constitucional</p><p>Em 1791, foi concluída a constituição elaborada pela Assembléia Constituinte. A França tornava-se uma monarquia constitucional, dominada pela alta burguesia.</p><p>Vejamos alguns dos principais pontos da Constituição Francesa</p><p>de 1791 que exprimiam os ideais da burguesia.</p><p>Sociedade: igualdade jurídica de todos os indivíduos.</p><p>Extinguiam-se os privilégios hereditários da nobreza e</p><p>do clero. Abolição total da tortura. Mas defendia a permanência da escravidão nas colônias francesas.</p><p>Economia: completa liberdade de produção e de comércio. Garantia-se a não-interferência do Estado na vida econômica. Proibição das greves dos trabalhadores.</p><p>Religião: garantia-se a liberdade de crença religiosa.</p><p>Instituía-se a separação entre Estado e Igreja. Tornava obrigatória a nacionalização dos bens do clero.</p><p>Política: os poderes do Estado foram divididos em três:</p><p>legislativo, executivo e judiciário. Assegurava-se a representatividade popular por meio de eleições para</p><p>a escolha dos parlamentares. Os cidadãos foram divididos em ativos (que tinham certo limite de renda para votar) e passivos (que eram pobres e ficavam fora do processo eleitoral).</p><p>O rei Luís XVI não se conformou com a perda de poder. Conspirava contra a revolução. Fazia contatos com nobres emigrados e com monarcas da Áustria e da Prússia.</p><p>O objetivo dos contra-revolucionários era organizar um exército que invadisse a França e restabelecesse a velha monarquia absolutista.</p><p>Em julho de 1791, Luís XVI tentou fugir da França a fim de juntar-se às forças contra-revolucionárias que se organizavam no exterior. Durante a fuga, entretanto, foi reconhecido e preso em Varennes, sendo reconduzido à capital francesa e mantido sob vigilância.</p><p>O exército autro-prussiano invadiu a França, contando com o apoio secreto da família real, que fornecia segredos militares às tropas estrangeiras. Para defender o país, os líderes da Revolução Francesa, como Danton e Marat, faziam apelos para que todos os cidadãos lutassem pela França. Em 20 de setembro de 1792, o exército invasor foi derrotado pelas tropas francesas na famosa Batalha de Valmy.</p><p>A vitória da França deu nova força moral aos revolucionários.</p><p>Os principais líderes da burguesia decidiram</p><p>então acabar com a monarquia e proclamar a república. Isso ocorreu em 22 de setembro de 1792. O rei foi mantido preso, acusado da traição à pátria.</p><p>A república e a Convenção Nacional</p><p>Proclamada a república, a antiga assembléia</p><p>foi substituída pela Convenção Nacional, que tinha como principal missão elaborar uma nova constituição para a França.</p><p>Nesse período, as mais importantes forças políticas do país eram as seguintes:</p><p>Grupo dos girondinos: representava a alta burguesia. Defendia posições moderadas, temendo que as camadas populares assumissem o controle da revolução.</p><p>Grupo dos jacobinos: representava a pequena e a</p><p>média burguesia e o proletariado de Paris. Defendia</p><p>posições mais radicais.</p><p>Grupo da planície: representava a burguesia financeira. Conforme suas conveniências imediatas, mudava de posições constantemente. Era oportunista, sempre apoiando quem estava no poder.</p><p>O rei Luís XVI foi levado a julgamento por traição à pátria. Os girondinos procuraram defender o rei, mas os jacobinos, liderados por Robespierre e Saint-Just, pregaram sua condenação à pena de morte. Ao final, o rei foi guilhotinado em 21 de janeiro de 1793.</p><p>A execução do rei provocou revoltas internas e uma reorganização das forças absolutistas estrangeiras. Para enfrentar a ameaça, os jacobinos criaram uma série de órgãos encarregados da defesa da revolução. Entre esses órgãos, destacam-se:</p><p>Comitê de Salvação Pública: responsável pelo controle do exército e da administração do país.</p><p>Tribunal Revolucionário: encarregado de vigiar, prender e punir os traidores da causa revolucionária.</p><p>Esse tribunal foi responsável pela morte de milhares de pessoas. Essa é conhecida como a fase do Terror, pois o medo da guilhotina andava pela cabeça dos não jacobinos.</p><p>Instalou-se uma verdadeira ditadura dos jacobinos sob a liderança de Robespierre. Este, para governar, procurava equilibrar-se entre as diversas tendências políticas, umas mais identificadas com a alta burguesia e outras mais próximas das aspirações das camadas populares.</p><p>Durante seu governo, Robespierre alcançou alguns êxitos, principalmente no setor militar: o exército francês conseguiu, por exemplo, repelir o ataque de forças estrangeiras.</p><p>Aliviadas as tensões decorrentes da ameaça estrangeira, os girondinos e o grupo da planície uniram-se contra o governo de Robespierre. Sem o necessário apoio popular, Robespierre foi preso em 27 de julho de 1794, sendo, logo depois, guilhotinado.</p><p>A Convenção Nacional passou a ser controlada pelos políticos que representavam os interesses da alta burguesia.</p><p>O governo do Diretório</p><p>Com nova orientação política, a Convenção Nacional passou a elaborar uma nova constituição para a França.</p><p>Essa constituição ficou pronta em 1795, estabelecendo a continuidade do regime republicano. Ele seria controlado pelo Diretório, composto por cinco membros eleitos pelo legislativo.</p><p>O governo do Diretório durou de 1795 a 1799. Foi um período conturbado, em que o Estado tentava conter o descontentamento popular e afirmar o controle político da burguesia sobre o país. Durante esse período, o jovem oficial Napoleão Bonaparte adquiriu prestígio pelo seu desempenho como militar.</p><p>No dia 10 de novembro de 1799 (18 brumário, pelo calendário instituído pela revolução), Napoleão Bonaparte, contando com o apoio de influentes políticos burgueses, dissolveu o Diretório e estabeleceu um novo governo, denominado Consulado (golpe de 18 Brumário).</p><p>O papel de Napoleão foi o de evitar uma possível ascensão ao poder de setores mais identificados com os interesses das camadas populares. Com isso, Napoleão Bonaparte consolidava as conquistas da burguesia francesa, encerrando o ciclo revolucionário.</p><p>A ERA NAPOLEÔNICA</p><p>O período de governo de Napoleão Bonaparte</p><p>pode ser dividido em duas grandes etapas: o consulado e o império.</p><p>Vejamos os principais acontecimentos que marcaram cada uma dessas etapas.</p><p>O consulado (1799-1804)</p><p>Depois de dez anos de agitação revolucionária, as principais forças políticas da França desejavam ordem social interna. Queriam organizar a sociedade, controlar a administração pública, dominar a crise econômica.</p><p>Napoleão veio corresponder a essas aspirações burguesas de ordem social. Chega de revolução, declarou o consulado. A França está precisando de ordem e paz.</p><p>O governo do consulado era, na verdade, uma ditadura militar disfarçada de regime republicano. Havia três cônsules chefiando o poder executivo (Napoleão, Roger Ducos e Sieyés). Mas quem controlava o governo era Napoleão, eleito primeiro-cônsul da república. Ele comandava o exército, nomeava os membros da administração, propunha as leis e conduzia a política externa.</p><p>Durante o governo do consulado, a alta burguesia (grande financistas, industriais e comerciantes) consolidou-se como classe dirigente da França. Os projetos de emancipação das classes populares foram sufocados. Os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade dos tempos da revolução foram reprimidos. Por meio de uma severa censura</p><p>à imprensa e da ação violenta dos órgãos policiais, as</p><p>oposições políticas ao governo foram aniquiladas.</p><p>O período do consulado caracterizou-se pela recuperação econômica e a reorganização jurídica e administrativa da França.</p><p>O império (1804-1815)</p><p>Os sucessos do governo de Napoleão entusiasmavam as classes dominantes francesas. Como prêmio, Napoleão foi proclamado cônsul vitalício em 1802, tendo o direito de indicar seu sucessor. Na prática, essa medida significou a instituição da monarquia hereditária.</p><p>Ambicioso de poder, Napoleão mobilizou a opinião pública para a implantação definitiva do império. Em 1804 foi realizado um plebiscito, pelo qual quase 60% dos votantes confirmara o estabelecimento da monarquia e a indicação de Napoleão como imperador.</p><p>Em 2 de dezembro de 1804, Napoleão Bonaparte organizou uma festa solene para sua coroação como imperador.</p><p>O papa Pio VII viajou especialmente a Paris para coroar Napoleão I, na catedral de Notre Dame.</p><p>No auge da cerimônia, Napoleão teve um gesto surpreendente, arrogante e indelicado. Retirou das mãos do papa a coroa que seria levada à sua cabeça para, ele próprio, se coroar. Não admitia autoridade superior a si mesmo. Em seguida, coroou sua esposa, a imperatriz Josefina.</p><p>Depois Napoleão conferiu títulos de nobreza e</p><p>seus familiares, nomeando-os para os mais altos cargos do império. Formou-se uma nova corte com os membros da elite militar, alta burguesia e antiga nobreza. Como símbolo do poder do império napoleônico, construíram-se grandes obras, como o Arco do Triunfo (inspirado na arquitetura clássica romana).</p><p>Como imperador e comandante supremo das</p><p>forças armadas, Napoleão moveu uma série de guerras para expandir o domínio da França. O exército francês foi fortalecido em armas e soldados, tornando-se o mais poderoso da Europa.</p><p>Liderada pela Inglaterra, formou-se uma coligação internacional (Inglaterra, Áustria, Prússia e Rússia) contra o império francês.</p><p>Em outubro de 1805, Napoleão tentou invadir a Inglaterra, mas a marinha francesa foi vencida pelos ingleses, comandados pelo almirante Nelson. A derrota francesa deu-se na Batalha de Trafalgar, que firmou o poderio naval britânico.</p><p>Recuperando-se da derrota marítima, Napoleão conseguiu sucessivas vitórias terrestres sobre seus inimigos: a Áustria, na Batalha de Austerlitz, em 1805; a Prússia, em 1806; e a Rússia, em 1807.</p><p>Em 1806 Napoleão decretou o Bloqueio Continental, determinando que todos os países do continente europeu fechassem seus portos ao comércio inglês. Seu objetivo era arruinar economicamente a Inglaterra, provocando uma crise em sua indústria. Pensava Napoleão:</p><p>Vamos conquistar os donos do mar,</p><p>mostrando-lhes que somos donos da terra.</p><p>A invasão de Portugal e a</p><p>fuga da família real para o Brasil</p><p>Depois de muita indefinição, Portugal não aderiu ao Bloqueio Continental, cedendo às duras pressões da Inglaterra. O país foi então invadido por tropas francesas, comandadas pelo general Junot.</p><p>A invasão de Portugal obrigou o príncipe-regente D.João e sua família a fugir apressadamente para o Brasil. A sede do reino português foi transferida para o Rio de Janeiro.</p><p>Em Portugal, os combates contra os franceses</p><p>prosseguiram. Ajudado pelos ingleses, Portugal resistiu �� ocupação napoleônica</p><p>(agosto de 1808).</p><p>Por volta de 1812, o império napoleônico atingiu sua máxima extensão, dominando quase toda a Europa ocidental. Compreendia cerca de 150 departamentos, com uma população global de 50 milhões de habitantes (quase um terço da população européia).</p><p>A queda do império napoleônico</p><p>A partir de 1810, a política militarista de Napoleão começou a ser duramente contestada. Dentro da França, milhares de famílias lamentavam a morte de seus membros, que tombaram como soldados nos campos de batalha.</p><p>Fora da França, as invasões napoleônicas despertavam a reação nacionalista dos povos conquistados.</p><p>No plano econômico, o Bloqueio Continental à</p><p>Inglaterra não surtiu todos os efeitos desejados. A maior parte dos países sob a influência de Napoleão tinha uma economia agrícola e se interessava pelos produtos industrializados ingleses. A falta desses produtos estimulava o contrabando com a Inglaterra. E esse mercado negro influenciava o aumento dos preços.</p><p>A Rússia, país essencialmente agrícola, viu-se</p><p>obrigada a abandonar o Bloqueio Continental desde dezembro de 1810. Os russos enfrentavam grave crise</p><p>econômica. Com grandes estoques de cereais, eles queriam trocá-los por produtos industriais ingleses.</p><p>A fim de obrigar o czar Alexandre I a manter o bloqueio, Napoleão Bonaparte decidiu invadir a Rússia em 1812. Para isso, preparou um exército composto de 600 mil homens e cerca de 180 mil cavalos.</p><p>Acostumado às grandes vitórias, Napoleão conduzia seu exército pelo imenso território russo enquanto as tropas czaristas batiam em retirada, ateando fogo às plantações e a todas as coisas que fossem úteis aos invasores.</p><p>O imperador francês chegou até Moscou, ocupando o Kremlin (palácio do czar). Mas as tropas francesas, mal alimentadas e extremamente cansadas, começaram a ser vitimadas pelo rigoroso inverno russo.</p><p>Napoleão deu início, então, a uma dramática retirada de seu .exército. No entanto, a maioria dos soldados morreu na viagem de volta. O “general inverno”, como se costuma dizer, derrotou as forças napoleônicas. Dos 600 mil soldados que partiram para a Rússia, só uns 30 mil homens chegaram, famintos e esfarrapados, à capital francesa.</p><p>A desastrosa campanha militar francesa na Rússia estimulou os outros países europeus a reagir contra a França.</p><p>Assim, um poderoso exército formado por ingleses, austríacos, russos e prussianos invadiu Paris (6 de abril de 1814).</p><p>Derrubado do poder, Napoleão obteve como principado a ilha de Elba, no mar Mediterrâneo. O trono francês foi entregue a Luís XVIII, irmão de Luís XVI, o último rei francês do Antigo Regime, guilhotinado pela revolução.</p><p>O Governo dos Cem Dias</p><p>Em março de 1815, Napoleão Bonaparte decidiu regressar à França, prometendo reformas democráticas.</p><p>O rei era impopular e as tropas enviadas para prender Napoleão acabaram unindo-se a ele aos gritos de “Viva o imperador”. Chegando a Paris como herói, Napoleão instalou-se no poder, obrigando a fuga da família real. Sua permanência à frente do governo francês durou, entretanto, apenas cem dias.</p><p>A coligação militar internacional ainda existia. Ela rapidamente se reorganizou e marchou contra a França. Napoleão acabou sendo definitivamente derrotado na Batalha de Waterloo (18 de junho de 1815). Preso pelos ingleses, foi exilado na ilha de Santa Helena, no oceano Atlântico, onde permaneceu até a morte. Luís XVIII voltou a ser reconduzido, no mesmo ano, ao trono francês.</p><p>O CONGRESSO DE VIENA</p><p>E A SANTA ALIANÇA</p><p>As conquistas napoleônicas modificaram grandemente o mapa político da Europa. No entanto, com as primeiras derrotas militares de Napoleão Bonaparte, os dirigentes dos países vencedores resolveram organizar o Congresso de Viena (1814-1815).</p><p>O objetivo básico do congresso era restabelecer o equilíbrio político do continente europeu, respeitando os interesses dos países vencedores na guerra contra Napoleão.</p><p>Entre as principais diretrizes aprovadas pelo Congresso de Viena, podemos destacar as seguintes:</p><p>Restauração: propôs-se o retorno à situação política</p><p>européia de 1792. Essa medida reflete o espírito conservador que marcou o Congresso de Viena.</p><p>Legitimidade: propôs-se a devolução do governo de</p><p>cada país aos herdeiros das antigas monarquias. Por</p><p>isso, Luís XVIII, da dinastia dos Bourbon, deveria assumir o trono francês.</p><p>Solidariedade: propôs-se uma aliança política entre as monarquias européias tradicionais, com o objetivo de reprimir a onda liberal e democrática lançada pela Revolução Francesa.</p><p>Os países que se destacaram no Congresso de Viena foram:</p><p>Áustria: representada pelo príncipe Metternich, um dos mais importantes organizadores do congresso.</p><p>Inglaterra: representada por Castlereagh.</p><p>Rússia: representada pelo czar russo Alexandre I.</p><p>Prússia: representada por Hardenberg e por Humboldt.</p><p>Procurando colocar em prática a política de solidariedade entre as tradicionais monarquias européias, o czar russo Alexandre I propôs a criação da Santa Aliança.</p><p>A Santa Aliança era uma organização de países com o compromisso de se defenderem mutuamente. Os monarcas da Áustria, da Rússia, da Prússia e de algumas outras nações européias aderiram à Santa Aliança. Esses monarcas, em nome da Santa Aliança, assumiram o direito de intervir em qualquer país onde surgisse um movimento revolucionário inspirado no liberalismo democrático.</p><p>O objetivo da Santa Aliança era conter, a qualquer preço, os movimentos nacionalistas que despontavam em várias regiões da Europa e nas colônias da América.</p><p>Questões de Vestibulares</p><p>01. LUCIANO FEIJÃO 2007.1</p><p>A Revolução de 1789 possibilitou a construção da sociedade burguesa e capitalista na França. Sobre este</p><p>contexto, é correto afirmar que:</p><p>a) a França, no transcurso da Revolução, foi abalada com a organização de duas nações, uma com a capital em Paris e a outra com a capital em Vicky.</p><p>b) os jacobinos, durante a Convenção Nacional, venderam aos camponeses pobres as propriedades que foram confiscadas dos nobres emigrados.</p><p>c) os girondinos, na fase do Terror, levaram o rei Luís XVI e a família real à execução pública na guilhotina.</p><p>d) Napoleão Bonaparte, com a promulgação da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, promoveu a coletivização das propriedades rurais.</p><p>e) a Constituição Civil do Clero, aprovada durante o funcionamento do Consulado, proibiu o confisco dos bens da Igreja Católica.</p><p>02. UFC 2008</p><p>Entre 1792 e 1815, a Europa esteve em guerra quase permanente. No final, os exércitos napoleônicos foram derrotados. Em seguida, as potências vencedoras, Rússia, Prússia, Grã-Bretanha e Áustria, conjuntamente com a França, reuniram-se no Congresso de Viena, que teve como conseqüência política a formação da Santa Aliança.</p><p>A partir do comentário acima, marque a alternativa que contenha duas decisões geopolíticas aprovadas pelo citado Congresso:</p><p>a) defesa do liberalismo e auxílio aos movimentos socialistas na Europa.</p><p>b) restabelecimento das fronteiras anteriores a 1789 e isolamento da França do cenário político europeu.</p><p>c) valorização das aristocracias em toda a Europa continental e ascensão dos girondinos no governo da França a partir de 1815.</p><p>d) reentronização das casas reais destituídas pelos exércitos napoleônicos e criação de um pacto político de equilíbrio entre as potências européias.</p><p>e) apoio aos movimentos republicanos e concentração de poderes na coroa britânica, permitindo a esta a utilização da sua marinha de guerra como instrumento contra-revolucionário.</p><p>03. URCA 2007.2</p><p>“Era ainda um país agrário no fim do século XVIII. Embora o capitalismo já tivesse começado a provocar mudanças em sua estrutura, sua organização social ainda estava baseada em estamentos, à semelhança da Idade Média. O clero era o primeiro estado. A nobreza constituía o segundo estado. O terceiro estado compreendia 98% da população, formados por subgrupos que começavam a se constituir em classes sociais”, (ARRUDA e PILETTI, 2003).</p><p>O fragmento acima apresenta elementos que fazem parte da História da Revolução:</p><p>a)</p><p>Americana.</p><p>b) Francesa.</p><p>c) Inglesa.</p><p>d) Liberal.</p><p>e) Do Porto.</p><p>04. UFC 2006</p><p>Assinale a alternativa que apresenta, corretamente, uma realização de Napoleão Bonaparte, que representou uma consolidação das idéias da Revolução Francesa.</p><p>a) O impedimento do retorno do uso de títulos de nobreza, reivindicado pelos seus generais e pela burguesia francesa que desejava tornar-se a nova elite do país.</p><p>b) A criação do Código Civil, inspirado no direito romano e nas leis do período revolucionário, que, na sua essência, vigora até hoje na França.</p><p>c) A abolição da escravidão nas colônias francesas, reafirmando o princípio da liberdade presente na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão.</p><p>d) A realização de uma reforma agrária, prometida, mas não efetivada, pelos jacobinos, o que garantiu a popularidade de Napoleão entre os camponeses.</p><p>e) A criação da Constituição Civil do Clero, que proibiu toda forma de culto religioso no território francês.</p><p>05. UFC 1992.2 FASE 2</p><p>A Santa Aliança resultou do Congresso de Viena cujos trabalhos se encerraram em 1815 e se caracterizou por seu caráter restaurador. Explique por que a Inglaterra se recusou a fazer parte da Santa Aliança.</p><p>06. UFC 1995.1</p><p>Na Convenção, fase mais radical da Revolução Francesa, os discursos políticos expressavam-se através da (dos):</p><p>(01)</p><p>Girondinos, defensores da participação dos setores populares no processo político.</p><p>(02)</p><p>Montanheses, defensores dos interesses da alta burguesia financeira.</p><p>(04)</p><p>Planície, grupo fomentador das revoltas internas a fim de garantir o processo revolucionário.</p><p>(08)</p><p>Montanheses que, apoiados pelas sans-culottes, pretendiam o aprofundamento das questões sociais.</p><p>07. UFC 1996.1</p><p>Na "Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão", de 26 de agosto de 1789, lê-se: "Os homens nascem e permanecem livres e iguais em direitos. As distinções</p><p>sociais só podem ser fundadas sobre a utilidade comum".</p><p>Refletindo sobre o texto acima e o contexto histórico em que foi produzido, assinale o que for correto:</p><p>(01)</p><p>A propriedade privada é o elemento gerador de igualdade social.</p><p>(02)</p><p>A idéia de igualdade contida no texto reforça o poder da nobreza frente à burguesia.</p><p>(04)</p><p>A afirmação de igualdade se contrapõe à antiga idéia da sociedade de Ordens.</p><p>(08)</p><p>O texto acima afirma a igualdade dos cidadãos perante a lei.</p><p>(16)</p><p>Os revolucionários se opõem aos privilégios da nobreza e do clero.</p><p>08. UFC 2001.1</p><p>Leia abaixo o artigo 18 da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, promulgada em 26 de agosto de 1789.</p><p>“Qualquer homem pode emprestar os seus serviços, o seu tempo, mas não pode vender-se, nem ser vendido. Sua pessoa não é uma propriedade alienável. (...) Não pode existir senão compromisso de cuidados e de reconhecimento entre o homem que trabalha e aquele que emprega.”</p><p>A análise do extrato acima, que trata das relações de trabalho na França, nos permite afirmar corretamente que o texto propõe a:</p><p>a) manutenção das obrigações entre servos e senhores feudais.</p><p>b) organização da sociedade com base no trabalho livre e assalariado.</p><p>c) consolidação dos contratos entre a burguesia e as corporações de ofício em expansão.</p><p>d) interferência do Estado na regulamentação do emprego da mão-de-obra assalariada.</p><p>e) supressão das ligas operárias como mediadoras das relações entre patrões e empregados.</p><p>09. UECE 1993.2</p><p>Durante a Revolução Francesa, o Terror é considerado um dos episódios mais significativos. Sobre este período é correto afirmar que:</p><p>a) os jacobinos, neste período, liderados por Robespierre, conseguiram radicalizar as conquistas da Revolução, através de seguidas vitórias militares no plano externo e do uso freqüente da guilhotina contra os opositores no plano interno</p><p>b) o Terror se refere à instabilidade da política jacobina, tanto no plano interno, pelo uso arbitrário da pena de morte, quanto no plano externo, pelas derrotas do exército revolucionário</p><p>c) neste período, os avanços políticos conseguidos em 1789, como a abolição dos escravos nas colônias e o fim das taxas feudais, foram integralmente abandonados devido ao absolutismo de Robespierre</p><p>d) a perseguição movida contra Robespierre e outros jacobinos, que tinham o apoio da população pobre das grandes cidades, caracterizou o período denominado de Terror, quando o governo francês foi liderado por Napoleão Bonaparte</p><p>10. UECE 1998.1</p><p>Durante a Revolução Francesa , a fase conhecida como a do Diretório pode ser assim caracterizada:</p><p>a) baseada no regime censitário, a alta burguesia não admitia a restauração do Antigo Regime e rejeitava a política igualitária dos jacobinos;</p><p>b) predominavam os deputados moderados, como Mirabeau e La Fayette, filiados ao Clube dos "Feuillants" e defensores da monarquia parlamentar à inglesa;</p><p>c) baseada na força popular dos "sans cullottes" da Comuna de Paris, os jacobinos impuseram a república democrática e igualitária;</p><p>d) para garantir a estabilidade política, apoia a ascensão de Napoleão à chefia do Estado, como Imperador dos Franceses.</p><p>Gabarito</p><p>01</p><p>02</p><p>03</p><p>04</p><p>05</p><p>06</p><p>07</p><p>08</p><p>09</p><p>10</p><p>B</p><p>D</p><p>B</p><p>B</p><p>ND</p><p>08</p><p>28</p><p>B</p><p>A</p><p>A</p><p>Aula 03</p><p>DESENVOLVIMENTO INDUSTRIAL DO SÉC. XIX</p><p>REVOLUÇÃO SÓCIO-ECONÔMICA</p><p>O capitalismo industrial</p><p>A partir de 1750, iniciou-se na Europa um grande processo de transformações sócioeconômicas conhecido como Revolução Industrial. Esse conjunto de transformações influenciou profundamente a vida de milhões de pessoas em quase todas as regiões do planeta.</p><p>As pequenas oficinas dos artesãos foram sendo substituídas pelas fábricas. As simples ferramentas foram trocadas pelas novas máquinas que surgiram. As tradicionais fontes de energia ( água, vento e força muscular) foram superadas pelas máquinas a vapor e pela eletricidade.</p><p>A velha Europa agrária foi se tornando uma região com cidades populosas e industrializadas.</p><p>Com a Revolução Industrial, o capitalismo se consolidou definitivamente como modo de produção. A</p><p>indústria passou a substituir o velho comércio na condição de principal setor de acumulação de riquezas.</p><p>As relações de trabalho também se modificaram.</p><p>Milhares de camponeses abandonaram suas antigas ocupações, mudando-se para as cidades em busca de emprego nas fábricas. Surgiu, então, uma das principais oposições de classe do capitalismo industrial: de um lado, os empresários industriais (donos dos meios de produção das fábricas), e de outro, os operários urbanos (trabalhadores assalariados das indústrias).</p><p>Etapas de crescimento da produção</p><p>Durante a Idade Moderna, a produção econômica européia passou por três etapas principais: a artesanal, a manufatureira e a mecanizada.</p><p>Produção artesanal</p><p>No artesanato, o produtor (artesão) tinha pleno controle sobre as diversas fases de produção. Ele fazia todo o serviço. Por isso não era necessária a divisão do trabalho entre diversas pessoas.</p><p>Assim, um artesão que, por exemplo, fizesse alfinetes precisaria conhecer e executar as diversas tarefas dessa atividade. Isto é, tinha de pegar um arame, endireitá-lo, cortá-lo, afiar uma ponta, colocar a cabeça na outra extremidade e dar o polimento final.</p><p>O artesão não apenas dominava o conjunto do processo produtivo. Ele também era geralmente o dono dos instrumentos de produção, incluindo a oficina, as matérias-primas e as ferramentas que utilizava.</p><p>Produção manufatureira</p><p>As manufaturas eram grandes oficinas onde predominava o trabalho manual dos operários equipados com ferramentas. As manufaturas ainda não tinham máquinas industriais, mas contavam com numerosos operários, que trabalhavam sob o comando de um gerente de produção.</p><p>Nas manufaturas surgiu a divisão do trabalho, que deu origem às linhas de operação e de montagem, cujo objetivo era aumentar a velocidade de fabricação.</p><p>Nessas linhas de produção, cada operário cumpria uma tarefa específica. No caso da fabricação de alfinetes, por exemplo, um operário puxava o arame, outro o endireitava, um terceiro o cortava, um quarto o afiava, um quinto esmerilhava a outra extremidade</p><p>para a colocação da cabeça, um sexto colocava a cabeça e um sétimo dava o polimento final.</p><p>Da mesma forma que o artesanato, as manufaturas não desapareceram. Quer dizer, artesanato e manufaturas ainda continuam existindo como formas de produção.</p><p>Produção mecanizada</p><p>Esse estágio surgiu através da combinação de dois elementos: o aperfeiçoamento dos métodos produtivos e o avanço técnico que resultou na invenção e desenvolvimento de máquinas industriais.</p><p>A produção mecanizada (maquinofatura), isto é, baseada em máquinas, levou à substituição de várias ferramentas e do próprio trabalho de muitos operários.</p><p>O estágio da produção mecanizada foi característico da Revolução Industrial.</p><p>A Inglaterra e o pioneirismo industrial</p><p>A revolução industrial começou na Inglaterra. Vejamos então os principais fatores que favoreceram esse pioneirismo inglês:</p><p>Acúmulo de capitais: a Inglaterra tinha a mais importante zona de livre comércio da Europa, sobretudo depois da Revolução Gloriosa. A burguesia inglesa possuía, portanto, um papel social importante na vida econômica do país. Além disso, a Inglaterra contava com um sistema de créditos financeiros bem desenvolvido desde a fundação do Banco da Inglaterra em 1694. Tudo isso permitiu à burguesia expandir o comércio marítimo (a frota naval inglesa era a mais poderosa do mundo) e acumular capitais.</p><p>Controle capitalista do campo: o acúmulo de capitais na Inglaterra levou ao controle capitalista do campo. Os donos de capitais passaram a ampliar e dirigir grandes propriedades rurais. Com a concentração da propriedade agropastoril nas mãos de capitalista houve melhoria dos métodos de produção e aumento de produtividade, mas também a liberação de grandes levas de camponeses de suas antigas funções. Esses camponeses foram obrigados a migrar para as cidades (êxodo rural), submetendo-se, por fim, ao duro trabalho nas indústrias em expansão.</p><p>Crescimento populacional: o aumento da produção de alimentos e os progressos da medicina no combate às epidemias contribuíram para o crescimento populacional. Esse aumento populacional, associado ao êxodo rural, ampliou a oferta de mão-de-obra nas cidades. Eram trabalhadores sem outro meio de sobrevivência a não ser o trabalho na indústria em troca de um salário miserável.</p><p>Posição geográfica: o fato de a Inglaterra ser uma ilha situada à margem da Europa ocidental favoreceu o acesso ao comércio marítimo e à exploração dos grandes mercados ultramarinos. Além disso, o país possuía muitas jazidas de carvão, que lhe possibilitaram desenvolver indústrias baseadas no carvão. Os demais países europeus só contavam com a madeira como combustível.</p><p>As fases da Revolução Industrial</p><p>A Revolução Industrial pode ser dividida em pelo menos duas grandes fases:</p><p>Primeira fase (1760-1860): nesse período, a Revolução Industrial ficou limitada, basicamente, à Inglaterra. O grande destaque foi o desenvolvimento da indústria de tecidos de algodão, com a utilização de tear mecânico. Além disso, o aperfeiçoamento das máquinas a vapor teve extrema importância para o progresso das fábricas.</p><p>Segunda fase (1860-1900): a Revolução Industrial espalhou-se pela Europa central e oriental, atingindo países como Bélgica, França, Alemanha, Itália e Rússia. Alcançando outros continentes, o processo de industrialização chegou aos Estados Unidos e ao Japão. Nesse período, as principais inovações técnicas foram a utilização do aço, superando o ferro, o aproveitamento da energia elétrica e dos combustíveis petrolíferos, a invenção do motor a explosão, da locomotiva, do barco a vapor e o desenvolvimento dos produtos químicos.</p><p>Sempre com o objetivo de aumentar os lucros, o empresário industrial pagava o menor salário possível, enquanto explorava ao máximo a capacidade de trabalho dos operários. Em diversas indústrias, a jornada de trabalho ultrapassava 15 horas diárias.</p><p>Os salários eram tão reduzidos que mal davam para comprar a alimentação de uma única pessoa. Para sobreviver, o operário era obrigado a trabalhar com toda a sua família nas fábricas, inclusive mulheres e crianças de até seis anos.</p><p>Além de tudo isso, as fábricas tinham péssimas instalações, que prejudicavam a saúde do trabalhador. Num relatório apresentado ao parlamento britânico em 1833, apurou-se, por exemplo que: nas fábricas antigas e pequenas o ambiente é de sujeira, pouca ventilação, falta de banheiros e vestuários, ausência de exaustores para a poeira. Alguns tetos são tão baixos que se torna difícil permanecer em pé.</p><p>Nessas fábricas, existem crianças trabalhando o mesmo número de horas que os adultos. Os efeitos provocados por essa longa jornada de trabalho são: deformação permanente da constituição física, aquisição de doenças incuráveis (...).</p><p>Toda essa terrível exploração do trabalho humano acabou gerando lutas entre operários e empresários.</p><p>Houve casos de grupos de operários que, armados de porretes, atacaram as fábricas, destruindo suas máquinas.</p><p>Para eles, as máquinas representavam a miséria, os salários de fome e a opressão das fábricas. Percebeu-se, depois, que a luta do movimento operário não devia ser dirigida contra a máquina, mas contra o sistema de injustiças criado pelo capitalismo industrial. Surgiram então os sindicatos operários, que iniciaram a luta por melhores salários e condições de vida para o trabalhador.</p><p>Principais efeitos da Revolução Industrial</p><p>Ao lado das conseqüências sociais já apontadas vamos destacar alguns dos principais efeitos da Revolução Industrial.</p><p>Urbanização: as cidades cresceram em função da concentração de indústrias e da grande massa de trabalhadores.</p><p>A população urbana aumentou rapidamente. Na Inglaterra, por exemplo, o número de habitantes subia num ritmo suave desde 1500. A partir de 1750, no entanto, houve verdadeiro salto populacional. De 6,5 milhões de habitantes em 1750, a população aumentou para 16,3 milhões em 1801, e 27,5 milhões</p><p>em 1851.</p><p>Divisão do trabalho: visando aumentar a produtividade industrial, o trabalho do operário foi subdividido nas fábricas em múltiplas operações, dando origem às linhas de montagem. O operário perdia a noção de conjunto do processo produtivo. Dividindo o trabalho também se dividia o saber do trabalhador. A divisão do saber conduziu à especialização das tarefas e à alienação do trabalhador em relação ao processo global.</p><p>Produção em série: as linhas de operação e de montagem existentes nas fábricas trabalhavam para realizar uma produção em série do mesmo artigo. O aumento da produção em série colaborou para igualar e massificar o gosto dos compradores dos produtos industriais.</p><p>Desenvolvimento dos transportes e da comunicação: a Revolução Industrial contribuiu diretamente para o progresso dos meios de transporte e de comunicação, sem os quais seria impossível vender produtos industrializados no mercado todo. Constituíram momentos significativos do progresso dos transportes e das comunicações as invenções do navio a vapor, da locomotiva e do telégrafo.</p><p>A REAÇÃO IDEOLÓGICA</p><p>À REVOLUÇÃO INDUSTRIAL</p><p>Os efeitos do rápido processo de industrialização logo repercutiram por toda a sociedade. Crescia o número de operários pobres que reclamavam, através dos sindicatos, condições dignas de trabalho. Insensível às reivindicações dos trabalhadores, a burguesia industrial só pensava em aumentar seus lucros e enriquecer...</p><p>Essa realidade provocou o surgimento de várias ideologias. Algumas tinham o objetivo de justificar a organização da nova sociedade industrial capitalista. Outras, identificadas com os interesses dos trabalhadores, denunciavam a exploração da burguesia e pregavam uma sociedade mais livre e justa.</p><p>O liberalismo econômico</p><p>Entre as teorias que justificavam a sociedade industrial capitalista destacou-se o liberalismo econômico, cujos principais representadas foram, além de Adam Smith (de quem já tratamos no capítulo anterior), Thomas Malthus (1766-1834) e David Ricardo (1772-1823).</p><p>Thomas Malthus escreveu o Ensaio sobre os princípios da população. Nessa obra afirma que a miséria dos trabalhadores era conseqüência</p><p>de uma lei da natureza (a burguesia não tinha culpa de nada). Para Malthus, devido à paixão entre os sexos, a população crescia em progressão geométrica, enquanto as fontes de alimentos e manutenção aumentavam em progressão aritmética. Concluída, então, que os pobres deviam parar de fazer filhos. Quer dizer, a solução que ele dava para a pobreza era simplesmente reduzir o número de nascimentos de pessoas pobres.</p><p>David Ricardo, em sua obra Princípios de economia política, afirmava que o trabalho deveria ser encarado como uma mercadoria qualquer, sujeita à lei da oferta e da procura. Se havia muita oferta de trabalho, o preço dessa mercadoria diminuía, resultando nos baixos salários.</p><p>Não cabia ao Estado ou aos sindicatos exigir aumentos de salários contrários a essa lei.</p><p>Assim David Ricardo procurava justificar os salários de fome e a exploração dos trabalhadores. A burguesia industrial não era culpada pela miséria dos operários. Tudo se explicava pelas leis de mercado, pela lei da oferta e da procura.</p><p>O SOCIALISMO</p><p>Entre as teorias que criticavam a exploração dos trabalhadores e as injustiças da sociedade industrial destacou-se o socialismo.</p><p>Vejamos as duas principais correntes socialistas:</p><p>a utópica e a científica.</p><p>O socialismo utópico</p><p>Pela expressão socialismo utópico ficaram conhecidas as primeiras correntes socialistas, formuladas por homens como Saint-Simon, Charles Fourier, Pierre Proudhon e Robert Owen.</p><p>Saint-Simon (1760-1825): criticou o liberalismo econômico e a desumana exploração dos trabalhadores realizada pelos proprietários capitalistas. Pregava a extinção das diferenças de classe e a construção de uma sociedade em que cada pessoa ganhasse de acordo com o real valor de seu trabalho.</p><p>Fourier (1772-1837) imaginou uma sociedade harmoniosa de indivíduos vivendo em comunidades (falanstérios) livres. Todos poderiam se dedicar à produção industrial ou agrícola, dependendo da decisão democrática de seus membros.</p><p>Proudhon (1804-1865) afirmava que a propriedade privada era um roubo, sendo mantida na base da exploração do trabalho alheio. Pregava a igualdade e a liberdade para todos os indivíduos, que viveriam numa sociedade harmônica, sem a força do Estado.</p><p>Owen (1771-1852) pregou a organização da sociedade em comunidades cooperativas (trade-unions) compostas por operários, em que cada um receberia de acordo com as suas horas efetivas de trabalho.</p><p>O socialismo científico</p><p>Os pensadores Karl Marx (1818-1883) e Friedrich Engels (1820-1895) desenvolveram o que eles mesmo chamaram de socialismo científico.</p><p>Por que científico?</p><p>Porque se baseava numa análise histórico-filosófica da sociedade e não apenas em ideais de justiça social.</p><p>Vejamos algumas idéias do socialismo científico, ou simplesmente marxismo:</p><p>A dialética: A natureza e a sociedade passam por um processo de permanente evolução. Esse processo é dialético, isto é, move-se pela luta de força contrárias (o positivo e o negativo, a vida e a morte, o explorado e o explorador, o amor e o ódio etc.). Essa luta promove mudanças quantitativas e qualitativas na realidade.</p><p>O modo de produção: Toda sociedade possui uma base material (estrutura) representada pelas forças de produção econômica e pelas relações sociais de produção. Isso representa o modo de produção da vida material da sociedade. Esse modo de produção condiciona, de maneira geral, a vida social, política e intelectual. Assim, para Marx, não é a consciência dos homens que determina sua existência, mas, ao contrário, é a sua existência social que determina a sua consciência.</p><p>A luta de classes: Em termos sociais, o motor da história humana é a luta de classes. Essa luta só terminaria com o aparecimento da sociedade comunista perfeita. Nela desapareceria a exploração de classes e as injustiças sociais.</p><p>Entre as principais obras dos fundadores do marxismo podemos citar: Contribuição à crítica da economia política (1859), Manifesto comunista (1848), e O capital, de Marx (cujo primeiro volume foi publicado em 1867).</p><p>O pensamento social-cristão</p><p>Uma série de pensadores cristãos, como Robert Lamennais, Adolph Wagner, J. D. Maurice e outros, procuraram lançar apelos às classes dominantes a fim de que fossem aliviados os sofrimentos das classes trabalhadoras.</p><p>Nasceu assim o chamado socialismo cristão, uma tentativa de aplicar os ensinamentos evangélicos de amor e de respeito aos problemas sociais gerados pela industrialização.</p><p>Em 1891, o papa Leão XIII promulgou a encíclica Rerum novarum em que expunha o pensamento social católico. Reconhecia o direito à propriedade privada e rejeitava a teoria marxista. Condenava, entretanto, a ganância capitalista e a exploração desumana do trabalho.</p><p>Leão XIII propunha que os empregadores reconhecessem os direitos fundamentais do empregado, tais como: limitação das horas de trabalho, descanso semanal, estabelecimento de salários dignos etc.</p><p>A encíclica recomendava também a intervenção do Estado para melhorar as condições de vida dos trabalhadores nos setores de habitação e de saúde.</p><p>Questões de Vestibulares</p><p>01. UECE 2007.2 FASE 2</p><p>Sobre o processo conhecido como Revolução Industrial, são feitas as seguintes afirmações:</p><p>I. Consolida-se na Inglaterra, a partir da segunda metade do século XVIII e estabelece transformações rápidas e fundamentais na sociedade contemporânea, em especial, nas novas formas de organização do trabalho produtivo.</p><p>II. Completa a transição do feudalismo para o capitalismo e marca a introdução da maquinofatura e das relações assalariadas.</p><p>III. É o processo em que a França apresenta ao mundo a invenção das máquinas têxteis, deixando definitivamente a Inglaterra para trás na corrida capitalista.</p><p>Assinale o correto:</p><p>a) Apenas I e III são verdadeiras.</p><p>b) Apenas I e II são falsas.</p><p>c) Apenas I e II são verdadeiras.</p><p>d) Apenas II e III são falsas.</p><p>02. UECE 2005.2 FASE 2</p><p>Na transição para a sociedade industrial, verificou-se a propagação da idéia:</p><p>“o tempo agora é moeda:</p><p>ninguém passa o tempo, e sim o gasta”.</p><p>(THOMPSON, e. P. Costumes em comum:</p><p>estudos sobre a cultura popular tradicional. São Paulo: fontes, 1998, p. 272)</p><p>Assinale a alternativa que expressa as mudanças nas práticas sociais relacionadas com a nova noção de tempo:</p><p>a) nas escolas os professores foram proibidos de ensinar hábitos que expressassem a idéia de “uso-econômico-do-tempo</p><p>b) nas fábricas as greves por horas extras e redução da carga horária indicavam a conscientização de que tempo é dinheiro.</p><p>c) nas sociedades camponesas sem horário de trabalho marcado se tornou evidente a separação entre as relações sociais e o trabalho.</p><p>d) nas igrejas a instalação de relógios passou a simbolizar a renovação dogmática de Deus como senhor do tempo.</p><p>03. UECE 2004.2 FASE 2</p><p>“Qualquer que seja o grau de sucesso das medidas que surjam, ou que sejam compatíveis com os requisitos e limitações básicos do modo de produção capitalista, o fato crucial é, e persiste sendo, que, sob as circunstâncias e condições atuais da produção do capital, a totalidade da força de trabalho se envolve numa confrontação cada vez mais intensa com o capital monopolista – o que traz consigo profundas conseqüências para o desenvolvimento da consciência social”.</p><p>Fonte: MÉSZAROS, István. Para Além do Capital.São Paulo:Boitempo Editorial/Campinas:</p><p>Edirora da UNICAMP, 2002, p.1005.</p><p>De acordo com o comentário apresentado, assinale a opção correta:</p><p>a) o fortalecimento do movimento sindical, na atualidade, constitui uma forte barreira à exploração da mão de obra operária pelo capital</p><p>b) a modernização dos meios de produção e a necessidade de uma mão de obra especializada propiciam um acordo mútuo entre os capitalistas e os trabalhadores disponíveis</p><p>c) os trabalhadores qualificados e não-qualificados são atingidos pelas contradições do capitalismo contemporâneo</p><p>d) o neo-liberalismo constitui um incentivo constante ao diálogo contínuo entre patrões e trabalhadores, tornando as greves um recurso ultrapassado</p><p>04. LUCIANO FEIJÃO 2007.2</p><p>A Revolução Industrial, no século XVIII, além de ser um acontecimento</p>