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<p>Estêvão Ribeiro Finamore - 600724103</p><p>Processo Penal II Professora - Marcelle Lopes - Atividade de Pesquisa</p><p>“O Acordo de Não Persecução Penal - ANPP junta-se à transação penal e à suspensão</p><p>condicional do processo como vertentes da Justiça Penal Consensual ou Negocial. Tal</p><p>qual suas ‘irmãs mais velhas’, o ANPP possui viés despenalizador, pautado no consenso.</p><p>Opta-se pela negociação, sem a preocupação de elucidar o acontecido”, enuncia o autor</p><p>Marcos Paulo Dutra ao realizar comentários sobre a Lei n. 13.964 de 2019, conhecida</p><p>como Pacote Anticrime.</p><p>Sobre o tema, leia atentamente o Artigo 28-A do vigente Código de Processo Penal, com</p><p>seus incisos e parágrafos. Após o estudo dos requisitos legais para aplicação do citado</p><p>acordo, responda e justifique: É possível a implementação do acordo de não persecução</p><p>penal aos crimes culposos com resultado violento?</p><p>Obs.: Realizar busca aos Enunciados do Conselho Nacional dos Procuradores-</p><p>Gerais/CNPG, como base jurídica para a resposta.</p><p>Sim, é possível a implementação do acordo de não persecução penal (ANPP) aos</p><p>crimes culposos com resultado violento, desde que atendidos os requisitos previstos na</p><p>legislação. O ANPP, estabelecido pelo artigo 28-A do Código de Processo Penal brasileiro,</p><p>é uma ferramenta que visa a desjudicialização e a celeridade processual, podendo ser</p><p>aplicado, em regra, a crimes com pena mínima inferior a 4 anos.</p><p>Os crimes culposos, que se caracterizam pela ausência de intenção de causar o</p><p>resultado, podem incluir situações em que ocorre um resultado violento, como</p><p>homicídio culposo ou lesão corporal culposa. A aplicação do ANPP nesses casos</p><p>dependerá da análise de fatores como a presença de condições pessoais do agente, a</p><p>natureza da conduta e o impacto do crime na vítima.</p><p>Além disso, a aceitação do acordo deve ser discutida com a vítima e considerar</p><p>suas necessidades e direitos. Assim, embora haja um debate sobre a adequação do ANPP</p><p>a crimes com resultado violento, a possibilidade de sua aplicação existe, desde que</p><p>observados os critérios legais e respeitados os direitos das partes envolvidas.</p><p>Embora o resultado seja violento, a ausência de dolo na conduta do agente</p><p>permite que se opere a aplicação do ANPP, respeitando, assim, os princípios de justiça</p><p>consensual e a busca por soluções alternativas ao processo penal. A perspectiva</p><p>despenalizadora do ANPP se alinha à lógica de uma resposta penal que considera a</p><p>responsabilidade do agente nas molduras adequadas e propõe um espaço para a</p><p>resolução do conflito de maneira menos punitiva. Essa interpretação, no entanto, deve</p><p>ser realizada com cautela, respeitando sempre as nuances de cada caso concreto, e</p><p>ancorada pelas diretrizes e enunciados estabelecidos pelo CNPG.</p><p>O Acordo de Não Persecução Penal (ANPP), introduzido pelo Pacote Anticrime</p><p>(Lei n. 13.964/2019), é uma ferramenta da Justiça Penal Consensual que permite a</p><p>resolução de conflitos penais de forma mais célere e despenalizadora, evitando a</p><p>persecução penal em determinadas situações. O artigo 28-A do Código de Processo</p><p>Penal estabelece os requisitos para a sua aplicação, sendo um dos pontos discutidos a</p><p>possibilidade do seu uso em crimes culposos com resultado violento.</p><p>De acordo com o caput do artigo 28-A, o ANPP pode ser proposto pelo Ministério</p><p>Público quando a infração penal for de menor potencial ofensivo, o que comumente se</p><p>relaciona a crimes com penas máximas de até 5 anos. Entretanto, o parágrafo 1º do</p><p>mesmo artigo especifica que o acordo também pode ser aplicado em crimes com pena</p><p>superior a esse limite, desde que preenchidos determinados requisitos, como a não</p><p>ocorrência de violência ou grave ameaça.</p><p>Os crimes culposos, por sua natureza, são aqueles em que o agente não tem a</p><p>intenção de causar o resultado, mas este ocorre em razão de imprudência, negligência</p><p>ou imperícia. Contudo, a questão se complica quando se considera que muitos crimes</p><p>culposos podem resultar em consequências violentas, como é o caso de homicídios</p><p>culposos no trânsito, que muitas vezes resultam em lesões graves ou mortes.</p><p>O CNPG, por meio de seus Enunciados, tem se manifestado a respeito da</p><p>aplicação do ANPP, de forma a orientar a prática dos membros do Ministério Público. Os</p><p>Enunciados, em sua maioria, reconhecem que o ANPP é uma ferramenta que deve ser</p><p>utilizada com cautela, especialmente em casos que envolvem violência, mesmo que</p><p>culposa.</p><p>Dessa forma, a implementação do ANPP em crimes culposos com resultado</p><p>violento pode ser controversa. Embora a letra da lei não proíba explicitamente, a</p><p>interpretação dos requisitos e a análise do caso concreto são fundamentais. É prudente</p><p>que o Ministério Público avalie se o caso envolve circunstâncias que justifiquem a</p><p>proposta do acordo, levando em consideração as consequências do crime, a gravidade</p><p>do resultado e o contexto em que ocorreu.</p><p>Portanto, a resposta é que, embora a aplicação do ANPP a crimes culposos com</p><p>resultado violento não seja automaticamente vedada pela legislação.</p>