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<p>SEGURANÇA PORTUÁRIA E</p><p>AEROPORTUÁRIA</p><p>AULA 4</p><p>Profª Roberta Abrão de Andrade</p><p>CONVERSA INICIAL</p><p>Nesta aula, veremos passo a passo o planejamento, a execução e os</p><p>responsáveis pela proteção das instalações e dos bens portuários.</p><p>O objetivo é demonstrar, na prática, as atividades envolvidas na</p><p>sistemática do gerenciamento de risco e abordar o papel dos responsáveis</p><p>nesse processo.</p><p>Esse conhecimento trará a você um olhar crítico no que se refere à</p><p>instalação portuária, assim como aos bens móveis empregados em sua</p><p>estrutura, de forma a identificar o sistema de segurança operante e atuante</p><p>naquela instalação.</p><p>Esperamos que, ao término da aula, você se sinta capaz de identificar,</p><p>mesmo que de forma inicial, a segurança das operações, e que futuramente</p><p>possa optar nas funções que venha a ocupar no mercado de trabalho.</p><p>CONTEXTUALIZANDO</p><p>Quando falamos de proteção da estrutura portuária, precisamos</p><p>considerar que há inúmeras e diferentes estruturas operantes no mundo e em</p><p>nosso país. Esse panorama identifica a necessidade de padronização de</p><p>medidas, assim como da metodologia de identificação, classificação, mitigação</p><p>e tratativa de não conformidades que representem risco à estrutura portuária e</p><p>a seus bens móveis.</p><p>Vimos anteriormente que a estrutura portuária segura atende às</p><p>exigências que, em sua grande maioria, são estabelecidas pelas normas de</p><p>segurança internacionais.</p><p>Veremos a aplicabilidade das inúmeras exigências que vimos em aulas</p><p>anteriores no contexto de proteção portuária.</p><p>TEMA 1 – AVALIAÇÃO DA PROTEÇÃO DAS INSTALAÇÕES PORTUÁRIAS</p><p>A avaliação da proteção das instalações portuárias é essencial no</p><p>desenvolvimento e na implantação de um plano eficaz que atenda aos</p><p>procedimentos de segurança estabelecidos no Código ISPS, conforme</p><p>verificaremos no desenvolvimento desta aula.</p><p>O Decreto n. 9.861/2019 dispõe sobre a Comissão Nacional de</p><p>Segurança Pública nos Portos, Terminais e Vias Navegáveis (CONPORTOS) e</p><p>3</p><p>sobre as Comissões Estaduais de Segurança Pública nos Portos, Terminais e</p><p>Vias Navegáveis, prevendo:</p><p>[...]</p><p>Art. 3º Compete à Conportos:</p><p>[...]</p><p>III - avaliar periodicamente a segurança pública nos portos, terminais</p><p>e vias navegáveis e encaminhar aos órgãos competentes eventuais</p><p>necessidades identificadas;</p><p>IV - elaborar projetos de segurança pública específicos para os</p><p>portos, terminais e vias navegáveis e buscar, por meio da</p><p>Organização Marítima Internacional, assistência técnica e financeira</p><p>de países doadores e instituições financeiras internacionais; [...]</p><p>(Decreto n. 9. 861/2019).</p><p>As revisões são importantes, pois devem considerar mudanças</p><p>significativas nas ameaças anteriormente apontadas, além de considerar as</p><p>alterações ocorridas na instalação portuária durante o período.</p><p>No processo de avaliação da proteção das instalações portuárias é</p><p>importante constar:</p><p>• a relação de bens móveis e infraestrutura que possuem relevância e</p><p>precisam ser protegidas;</p><p>• a mensuração das possíveis ameaças aos itens relacionados e definidos</p><p>como bens móveis e infraestrutura relevantes;</p><p>• a enumeração de contramedidas e eventuais alterações necessárias</p><p>que sejam aderentes aos procedimentos, a fim de garantir a redução do</p><p>risco;</p><p>• o reconhecimento das fraquezas da estrutura portuária, considerando o</p><p>fator humano e os procedimentos estabelecidos.</p><p>A finalização da avaliação da proteção das instalações portuárias</p><p>consiste em um relatório e em um Plano de Segurança submetido à</p><p>certificação e à auditoria da CONPORTOS.</p><p>Na avaliação deverá constar o descritivo dos pontos vulneráveis e que</p><p>estiveram desprotegidos no decorrer da avaliação e um descritivo das</p><p>contramedidas que poderiam ser implantadas para a resolução dos pontos de</p><p>vulnerabilidade. O acesso ao relatório ou a sua divulgação devem ser</p><p>protegidos.</p><p>Outro ponto importante mensurado pela CONPORTOS é a certificação</p><p>das empresas que podem prestar os serviços nas áreas portuárias ou em suas</p><p>instalações. As empresas que prestam esses serviços deverão atender aos</p><p>4</p><p>critérios de segurança estabelecidos, para que sejam homologadas e aptas</p><p>para contratação da Administração Portuária.</p><p>Somente empresas homologadas pela CONPORTOS poderão ser</p><p>contratadas e prestar serviços nas áreas portuárias.</p><p>Além da homologação, a CONPORTOS também estabelece critérios</p><p>para a contratação de mão de obra a fim de garantir que a população que</p><p>tenha acesso ao sítio portuário seja homologada e classificada como fator de</p><p>risco baixo.</p><p>Nessas homologações e verificações pode haver análise de itens como</p><p>antecedentes criminais, obrigatoriedade da carteira de vacinação em dia,</p><p>padrão na contratação, entre outros fatores.</p><p>Esses itens trazem maiores chances de sucesso na implantação do</p><p>Plano de Proteção a ser implantado nas instalações portuárias.</p><p>Veremos a seguir os pontos que fazem parte da avaliação da instalação</p><p>portuária, seguindo alguns critérios do Código ISPS.</p><p>TEMA 2 – IDENTIFICAÇÃO DE INFRAESTRUTURA E BENS QUE DEVEM SER</p><p>PROTEGIDOS</p><p>A Resolução n. 52/2018 da Comissão Nacional de Segurança Pública</p><p>nos Portos, Terminais e Vias Navegáveis (CONPORTOS) prevê um</p><p>embasamento para a elaboração de um Plano de Proteção aderente à</p><p>estrutura portuária. Pode-se verificar que para isso é importante identificar</p><p>possíveis ocorrências de proteção, considerando as consequências que</p><p>determinada ameaça pode ocasionar aos bens móveis e à infraestrutura.</p><p>Durante a tratativa de prioridade dos incidentes é importante a</p><p>realização de um confronto das vulnerabilidades dos bens móveis e da</p><p>infraestrutura portuária, de forma a estabelecer os requisitos necessários para</p><p>a devida proteção.</p><p>Na prática, deve-se identificar e relacionar tudo o que ocorre na</p><p>instalação portuária de forma a identificar e mensurar:</p><p>• todas as particularidades das instalações portuárias e do tráfego de</p><p>navios, os quais possam ser atacados;</p><p>• as consequências de um ataque considerando possíveis perdas de</p><p>vidas, danos econômicos e de propriedade;</p><p>5</p><p>• o objetivo, os meios e as intenções dos possíveis planejadores de um</p><p>ataque;</p><p>• os tipos e as formas de ataques, por meio da avaliação do nível de risco;</p><p>• a possibilidade de trânsito de cargas adulteradas, tráfico de drogas, de</p><p>armas e de pessoas (sejam clandestinos, sejam, ainda, possíveis</p><p>terroristas);</p><p>• os possíveis danos às instalações por ataques com explosivos,</p><p>situações de incêndio criminoso, vandalismo ou sabotagem;</p><p>• as situações possíveis de sequestro ou desvio de navios e seus</p><p>tripulantes;</p><p>• a utilização do navio de forma indevida, como ferramenta ou arma para</p><p>causar danos;</p><p>• a possibilidade de ataques nucleares biológicos ou químicos.</p><p>Exemplificando: quanto à possibilidade de ocorrência de um ataque por</p><p>meio de um incêndio criminoso, deve-se verificar e relacionar:</p><p>• a forma de alerta sobre a situação de risco (detectores de fumaça e</p><p>alarme, telefones e contatos de emergência);</p><p>• a forma de evacuação, com a informação sobre os responsáveis pela</p><p>evacuação, procedimentos de evacuação, ponto de encontro,</p><p>treinamento da equipe para comportamento em situações de risco;</p><p>• a relação das instalações que podem ser incendiadas;</p><p>• os meios de contenção do fogo (bombeiros, brigadistas, sistema</p><p>automático de irrigação em áreas possíveis);</p><p>• o acesso e a maneira de acesso aos locais do incidente;</p><p>• análise crítica da disposição da estrutura, equipamentos e manutenção;</p><p>• comportamento de segurança para acesso e saída das áreas para evitar</p><p>que durante a evacuação ocorra descaminho ou desvio, evitando ainda</p><p>o acesso indevido a áreas controladas;</p><p>• o risco de perdas de vidas envolvidas.</p><p>TEMA 3 – IDENTIFICAÇÃO DE POSSÍVEIS AMEAÇAS</p><p>Quando falamos de identificação das ameaças, é importante ressaltar</p><p>que as ameaças descritas anteriormente não limitam o cenário e as</p><p>possibilidades</p><p>de risco das instalações portuárias e seus bens móveis.</p><p>6</p><p>Portanto, após a identificação da estrutura e seus bens, a tratativa de</p><p>identificação deve considerar as situações rotineiras do fluxo operacional e</p><p>avaliar como risco, pois devem ser identificados os ataques que podem ocorrer</p><p>dentro do fluxo operacional normal. Vale mencionar que os atacantes podem</p><p>se utilizar desse mesmo fluxo para o planejamento das ações ilícitas, devendo</p><p>esse ponto ser considerado.</p><p>Além disso, a tratativa de risco deve ser flexível quando ocorrer algum</p><p>risco anteriormente não identificado e relacionado na avaliação de segurança.</p><p>Daremos alguns exemplos que, em termos de parâmetro de segurança,</p><p>atendem à Resolução n. 48/2011, que visa cumprir as disposições do Código</p><p>ISPS:</p><p>• Em um caso de descaminho de mercadoria, verificou-se o seguinte</p><p>procedimento: para o carregamento e a retirada de container liberado, a</p><p>Administração Portuária considera a numeração internacional do</p><p>container, numeração essa que fica visível para toda a comunidade que</p><p>frequenta o Porto.</p><p>O descaminho pode ocorrer mediante a troca dessa numeração,</p><p>fazendo com que um container carregado de produtos eletrônicos seja</p><p>carregado no lugar de um container de itens de bazar, avaliado em 1/6</p><p>do valor daquele com produtos eletrônicos, por exemplo.</p><p>Nesse caso, o autor do ato ilícito pode contar com a ajuda da rotina dos</p><p>funcionários de segurança, pode contar com falhas das áreas de</p><p>cobertura das câmeras de segurança e pode se utilizar do fluxo</p><p>operacional padrão de carregamento de container pela numeração.</p><p>Além disso, pode ocorrer a colaboração de pessoas internas para a</p><p>ocorrência do descaminho, contudo, boa parte do planejamento pode</p><p>ocorrer por meio da rotina operacional do Porto;</p><p>• Outro exemplo é o de falha no fornecimento de energia (incidente não</p><p>previsto no Código ISPS), ocasionando falha na comunicação, no</p><p>sistema de vigilância, na iluminação e no controle de acesso.</p><p>Esse incidente pode ocorrer após uma tempestade de raios, gerando</p><p>uma descarga elétrica. Também pode ser decorrente de uma deficiência</p><p>estrutural no equipamento de para-raios, ou ainda pode ocorrer por meio</p><p>de um ato ilícito e intencional na ruptura do cabo elétrico condutor, ou de</p><p>7</p><p>um dano provocado inerente ao acesso não autorizado às áreas de</p><p>abastecimento.</p><p>Dessa forma, concluímos que a análise abrangente dos possíveis</p><p>cenários de incidentes pode ampliar as possibilidades de uma tratativa para o</p><p>risco real de determinada instalação portuária.</p><p>TEMA 4 — CONTRAMEDIDAS DE SEGURANÇA E IDENTIFICAÇÃO DE</p><p>VULNERABILIDADE</p><p>A Resolução n. 48/2011 da Comissão Nacional de Segurança Pública</p><p>nos Portos, Terminais e Vias Navegáveis (CONPORTOS) visa cumprir as</p><p>disposições do Código ISPS. Essa resolução tem o objetivo de priorizar e</p><p>identificar as contramedidas de segurança e o emprego das medidas de</p><p>proteção de maneira eficaz, a fim de reduzir a vulnerabilidade da instalação</p><p>portuária a possíveis atos ilícitos.</p><p>As contramedidas de segurança precisam considerar o nível de redução</p><p>da vulnerabilidade e ser estruturadas de forma a incluir:</p><p>• vistorias das instalações e procedimentos que atendam às</p><p>especificações de uma auditoria;</p><p>• nas inspeções, deve-se realizar consultas e coletar evidências do</p><p>cumprimento dos procedimentos de segurança estabelecidos com os</p><p>operadores responsáveis por instalações portuárias, estruturas</p><p>portuárias e bens móveis;</p><p>• manutenção do histórico com informações de incidentes ocorridos nas</p><p>instalações portuárias.</p><p>Uma vez que o operador portuário evidencie a conformidade do</p><p>processo, elas se tornam medidas identificadas.</p><p>Exemplificando: dentro do processo de controle de acesso em que se</p><p>encontra o sistema de cadastro dos visitantes da área portuária, o</p><p>procedimento poderá prever:</p><p>• a entrada do visitante mediante apresentação de documento oficial</p><p>válido com foto;</p><p>• sistema de cadastro do visitante, em que serão inseridas informações</p><p>como nome, contato, número de documentos, informação sobre os</p><p>8</p><p>períodos de início e término do acesso, assim como informação sobre as</p><p>áreas acessadas e o responsável pela área portuária, pelo</p><p>acompanhamento durante o acesso, além de entrega do crachá de</p><p>controle de acesso e identificação;</p><p>• o plano de contingência para cobrir situações em que o sistema de</p><p>cadastro apresente alguma falha, prevendo a coleta de dados</p><p>manualmente.</p><p>Uma vez evidenciado o fato de que os passos descritos são seguidos, a</p><p>evidência se torna uma medida protetiva evidenciada e eficaz, pois atende a</p><p>um fluxo comum e atende também a uma eventual falha. Essa verificação é</p><p>realizada durante inspeções e auditorias.</p><p>A identificação das possíveis vulnerabilidades nas instalações</p><p>portuárias, nos sistemas de vigilância e proteção, nos procedimentos ou em</p><p>outros locais em que possam ocorrer um incidente, pode ser uma ferramenta</p><p>para a implantação de melhorias na tratativa do risco. Deve incluir:</p><p>• forma de acesso dos navios às instalações portuárias por água e a</p><p>forma de acesso/atracação dos navios por terra;</p><p>• condições da estrutura física dos ancoradouros e estruturas</p><p>relacionadas;</p><p>• procedimentos implantados para proteção, como sistemas de vigilância,</p><p>captura de imagens e identificação;</p><p>• procedimentos implantados para proteção e controle dos serviços</p><p>portuários;</p><p>• medidas e procedimentos de proteção aos sistemas e equipamentos de</p><p>telecomunicações, redes de informática, rádio, informações;</p><p>• proteção das áreas adjacentes da instalação portuária que podem ser</p><p>utilizadas em atos ilícitos, como ponto de acesso, local de fuga ou ainda</p><p>alocação de itens perigosos ou utilizados em um possível ataque;</p><p>• controle de contratos e planos de segurança das empresas que prestam</p><p>serviços de proteção;</p><p>• relação dos conflitos entre os procedimentos implantados para a</p><p>segurança e as instalações portuárias;</p><p>• relação das possíveis limitações na implantação do procedimento;</p><p>9</p><p>• apontamento e tratativa de falhas ocorridas durante as simulações de</p><p>situação de risco;</p><p>• apontamento e tratativa de falhas ocorridas nas operações de rotina.</p><p>Depois de concluída a avaliação, há a elaboração do Plano de</p><p>Segurança Portuária, que é destinado a uma instalação específica para o</p><p>atendimento das particularidades apontadas para aquela estrutura, de acordo</p><p>com a identificação de bens móveis, infraestrutura e identificações de possíveis</p><p>ameaças e, por fim, contramedidas que serão aderentes aos pontos</p><p>vulneráveis destacados. Essas etapas e informações compiladas formam o</p><p>Plano de Segurança Portuária.</p><p>TEMA 5 – METODOLOGIA, ANÁLISE DE RISCO E RECURSOS PARA</p><p>PROTEÇÃO DAS INSTALAÇÕES PORTUÁRIAS</p><p>Como vimos, para a implementação do Plano de Segurança é</p><p>necessária a realização da Avaliação da Instalação, realizada por uma</p><p>empresa homologada pela Comissão Nacional de Segurança Pública nos</p><p>Portos, Terminais e Vias Navegáveis (CONPORTOS).</p><p>A CONPORTOS regulamenta também a metodologia para a implantação</p><p>e a execução do Plano de Segurança por meio de uma figura responsável por</p><p>esse processo, que é o Supervisor de Segurança Portuária, homologado e</p><p>certificado pela CONPORTOS.</p><p>Para uma pessoa se candidatar à função, ela deve ser brasileira, não ter</p><p>débitos com a Justiça Eleitoral e com o Serviço Militar, não ter antecedentes</p><p>criminais, e deve possuir ensino superior completo, vínculo empregatício com a</p><p>instalação portuária, além de ter sido indicada formalmente pela administração</p><p>da instalação portuária.</p><p>O Supervisor de Segurança Portuária é um profissional previsto no</p><p>Código ISPS e deve cumprir as resoluções da CONPORTOS e os aspectos</p><p>legais do Código ISPS, além de:</p><p>• realizar a implantação e a execução de forma eficaz, atualizar o Plano</p><p>de Segurança Portuária e propor implementações de melhoria e</p><p>correção do Estudo de Avaliação de Risco e</p><p>o Plano de Segurança;</p><p>• simular exercícios e treinamentos de segurança, realizar capacitação e</p><p>reciclagem da equipe portuária, além de garantir que o público</p><p>10</p><p>contratado seja apto e qualificado para atender aos critérios de</p><p>segurança estabelecidos;</p><p>• notificar as autoridades competentes sobre eventuais incidentes com</p><p>risco à estrutura e à segurança portuária;</p><p>• validar os testes dos equipamentos de proteção para confirmação da</p><p>situação adequada desses equipamentos (calibração, manutenção,</p><p>operação correta).</p><p>Para o desenvolvimento e a implementação do Plano de Segurança</p><p>Portuária, a metodologia utilizada pelo Supervisor de Segurança deve atender</p><p>às questões apontadas no item 15 da Parte B do Código ISPS. As situações</p><p>identificadas devem ter a avaliação das probabilidades de ocorrência, além das</p><p>consequências, de acordo com os níveis de proteção definidos pelo código.</p><p>As áreas e instalações devem apresentar codificação correlacionada</p><p>com as categorias de risco, os sistemas e equipamentos identificados e</p><p>procedimentados. Todas as etapas devem ser auditáveis e aptas de</p><p>evidências.</p><p>Sobre o risco compreendido, esses devem ser classificados e medidos</p><p>levando em consideração a possibilidade de acontecer aquele determinado</p><p>evento, de acordo com a classificação do Código ISPS. O Estudo de Avaliação</p><p>de Risco (EAR) estabelece os valores dos riscos e das ameaças identificadas,</p><p>além das vulnerabilidades apontadas.</p><p>O plano estabelecido deve ser capaz de reduzir ou eliminar possíveis</p><p>alterações dos níveis de proteção da instalação portuária. Deve também</p><p>permitir a adoção de medidas preventivas para a instalação portuária, navios</p><p>atracados e pessoas contra atos ilícitos.</p><p>O EAR realizado nas instalações portuárias é analisado pela Comissões</p><p>Estaduais de Segurança Pública nos Portos, Terminais e Vias Navegáveis</p><p>(CESPORTOS).</p><p>O Supervisor de Segurança deve promover a gestão de riscos por meio</p><p>da implantação e da permeação da cultura voltada à redução do risco. Essa</p><p>implantação ocorrerá por meio da participação do supervisor nos processos</p><p>seletivos de mão de obra para a instalação portuária, além de participação e</p><p>promoção de cursos e simulações necessárias à capacitação desse público.</p><p>Vale lembrar que dentro do processo de gerenciamento de risco há</p><p>necessidade de arquivamento dos incidentes ocorridos, e estes devem ser</p><p>11</p><p>revistos. Além do histórico, devem ser revistas as situações projetadas para as</p><p>modificações e atualizações de processos e tecnologia. Ou seja, o EAR precisa</p><p>ser atualizado quando ocorrerem modificações nos ativos ou nas ameaças e</p><p>nas vulnerabilidades, e é preciso respeitar o prazo de atualização prevista de 3</p><p>(três) anos, a fim de acompanhar mudanças do setor portuário.</p><p>Sobre a auditoria, que é a verificação das evidências e dos</p><p>procedimentos, o art. 77 da Resolução n. 52/2018 prevê:</p><p>[...] A auditoria determinada pela CONPORTOS é definida como um</p><p>exame sistemático e independente para determinar se as atividades</p><p>de segurança da instalação portuária e os respectivos resultados</p><p>cumprem as providências dispostas no Estudo de Avaliação de Risco</p><p>e no Plano de Segurança Portuária vigentes, bem como se as</p><p>medidas foram implementadas de modo a atingir os seguintes</p><p>objetivos:</p><p>I.adequação do Estudo de Avaliação de Risco e do Plano de</p><p>Segurança da instalação portuária ao disposto no Código ISPS e nas</p><p>Resoluções da CONPORTOS;</p><p>II.conformidade do Estudo de Avaliação de Risco e do Plano de</p><p>Segurança Portuária com as especificações, requisitos técnicos,</p><p>normas de segurança e documentação exigidos pelo Código ISPS,</p><p>nas Resoluções da CONPORTOS e demais normativos aplicáveis à</p><p>segurança portuária;</p><p>III.aferição da eficiência e eficácia dos sistemas, procedimentos e</p><p>ações descritos no Estudo de Avaliação de Risco e Plano de</p><p>Segurança da instalação portuária.</p><p>Além de auditorias, há inspeções, como informa a Resolução n. 52/2018</p><p>em seu art. 93:</p><p>[...] A inspeção, procedimento exclusivo realizado pelas</p><p>CESPORTOS, é a avaliação in loco acerca da implementação do</p><p>Estudo de Avaliação de Risco e do Plano de Segurança Portuária da</p><p>instalação portuária, compatibilidade com a realidade existente e</p><p>obediência ao disposto no Código ISPS, nas Resoluções da</p><p>CONPORTOS e demais normativos aplicáveis à segurança portuária.</p><p>Parágrafo único. As inspeções serão realizadas como etapa no</p><p>processo de obtenção da declaração de Cumprimento ou atualização</p><p>do Estudo de Avaliação de Risco e o Plano de Segurança Portuária.</p><p>TROCANDO IDEIAS</p><p>Leia os trechos de reportagens a seguir e troque ideias com seus</p><p>colegas para avaliar o posicionamento e as declarações da Marinha. Quais</p><p>ferramentas foram necessárias para a avaliação?</p><p>Marinha monitora navios para identificar origem de óleo nas</p><p>praias do Nordeste</p><p>[...]</p><p>A Marinha está fazendo o monitoramento de navios para identificar a</p><p>origem do óleo que está poluindo as praias do Nordeste desde o</p><p>12</p><p>início de setembro. Análises preliminares já haviam indicado que</p><p>trata-se de petróleo cru, que não é produzido no Brasil.</p><p>De acordo com o Ministério da Defesa, além da patrulha naval,</p><p>helicópteros da Marinha e da Força Aérea Brasileira (FAB) vão</p><p>sobrevoar as áreas atingidas. A Marinha também emitiu um "Aviso</p><p>aos Navegantes", pedindo informações aos marinheiros.</p><p>O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles deve sobrevoar nesta</p><p>segunda-feira (7) as praias do Sergipe que tiveram histórico de</p><p>manchas de óleo. A situação levou o estado a decretar situação de</p><p>emergência</p><p>[...] (G1, 2019)</p><p>A Marinha e órgãos estaduais e federais estão atuando em conjunto</p><p>para tentar identificar a origem do vazamento. Participam da</p><p>operação 1,5 mil militares, cinco navios, uma aeronave e diversas</p><p>embarcações e viaturas de delegacias e capitanias dos portos.</p><p>Três hipóteses são consideradas: naufrágio de embarcação, despejo</p><p>criminoso ou acidente na passagem de óleo de um navio para outro</p><p>(Passarinho; Gragnani, 2019).</p><p>NA PRÁTICA</p><p>Verifique o Anexo A da Resolução n. 52/2018, que trata do</p><p>credenciamento de empresas como Organizações de Segurança, e avalie a</p><p>necessidade dos itens solicitados e obrigatórios para a homologação.</p><p>Diante do que vimos nesta aula, você entende como adequada tal</p><p>obrigatoriedade imposta? Justifique sua resposta com base nos conhecimentos</p><p>absorvidos em aula.</p><p>FINALIZANDO</p><p>Nesta aula, abordamos as etapas necessárias para a promoção da</p><p>segurança das instalações portuárias por meio da avaliação de proteção e</p><p>elaboração do Plano de segurança.</p><p>Pudemos verificar que, uma vez que as vulnerabilidades das instalações</p><p>portuárias são identificadas, é possível a implementação de ações corretivas</p><p>para a composição do Plano de Segurança, que, concluído, é submetido à</p><p>análise da Comissão Nacional de Segurança Pública nos Portos, Terminais e</p><p>Vias Navegáveis (CONPORTOS) pelas Comissões Estaduais de Segurança</p><p>Pública nos Portos, Terminais e Vias Navegáveis (CESPORTOS), que,</p><p>eventualmente, contam com a colaboração da CONPORTOS.</p><p>Apresentamos ainda o papel fundamental do Supervisor de Segurança</p><p>na metodologia de implementação e execução do Plano de Segurança. O</p><p>objetivo principal foi demonstrar para você, aluno, a robusta estrutura</p><p>necessária à promoção de uma área portuária segura para as operações</p><p>13</p><p>rotineiras que nela ocorrem. Esperamos ter despertado o seu lado crítico e</p><p>analítico, que será fundamental para a formação de um profissional de</p><p>sucesso.</p><p>14</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>BRASIL. Decreto n. 9.861, de 25 de junho de 2019. Diário Oficial da União,</p><p>Poder Executivo, Brasília, DF, 26 jun. 2019. Disponível em:</p><p><http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-</p><p>2022/2019/Decreto/D9861.htm>. Acesso em: 23 dez. 2019.</p><p>COMISSÃO NACIONAL DE SEGURANÇA PÚBLICA NOS PORTOS,</p><p>TERMINAIS E VIAS NAVEGÁVEIS (CONPORTOS). Resolução n. 26, de 8 de</p><p>junho de 2004. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 15 jun.</p><p>2014. Disponível</p><p>em: <https://www.normasbrasil.com.br/norma/resolucao-26-</p><p>2004_100665.html>. Acesso em: 23 dez. 2019.</p><p>_____. Resolução n. 48, de 25 de maio de 2011. Diário Oficial da União,</p><p>Brasília, DF, 6 jun. 2011. Disponível em:</p><p><https://www.normasbrasil.com.br/norma/resolucao-48-2011_114899.html>.</p><p>Acesso em: 23 dez. 2019.</p><p>_____. Resolução n. 52, de 20 de dezembro de 2018. Diário Oficial da União,</p><p>Brasília, DF, 27 dez. 2018. Disponível em: <http://www.pf.gov.br/servicos-</p><p>pf/seguranca-</p><p>portuaria/RESOLUON52DE20DEDEZEMBRODE2018DirioOficialdaUnioImpren</p><p>saNacional.pdf/view>. Acesso em: 23 dez. 2019.</p><p>DANTAS, M. L. O processo de avaliação de riscos e o ISPS Code:</p><p>evidências de conformidade. 2010. Disponível em:</p><p><http://www.marcusdantas.com.br/files/processo_avaliacao_riscos_ISPS_Code</p><p>.pdf>. Acesso em: 23 dez. 2019.</p><p>MARINHA monitora navios para identificar origem de óleo nas praias do</p><p>Nordeste. G1, 7 out. 2019. Disponível em:</p><p><https://g1.globo.com/natureza/noticia/2019/10/07/marinha-monitora-navios-</p><p>para-identificar-origem-de-oleo-nas-praias-do-nordeste.ghtml>. Acesso em: 23</p><p>dez. 2019.</p><p>PASSARINHO, N.; GRAGNANI, J. Quem pode ser responsabilizado pelo</p><p>vazamento de petróleo nas praias do Nordeste? BBC Brasil, 9 out. 2019.</p><p>Disponível em: <https://www.bbc.com/portuguese/brasil-49993207>. Acesso</p><p>em: 2 jan. 2020.</p>