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<p>06/09/24, 16:11 Anatomofisiologia e Patologia do Sistema Digestório ANATOMOFISIOLOGIA E PATOLOGIA DO SISTEMA DIGESTÓRIO Aula 1 VISÃO GERAL DO SISTEMA DIGESTÓRIO Visão geral do sistema digestório Olá, estudante! Nesta videoaula você irá conhecer a anatomia e histologia do sistema digestório, suas funções essenciais e o papel do sistema entérico. Prepare-se para uma jornada de conhecimento que enriquecerá sua compreensão do corpo humano e fortalecerá suas habilidades profissionais. Vamos começar?! Ponto de Partida sistema digestório é fundamental para a sobrevivência e saúde do organismo. Ele é responsável pelo processamento dos alimentos ingeridos e transformação em nutrientes que possam absorvidos e, depois, utilizados pelo nosso corpo. Dessa forma, esse sistema abastece nosso organismo continuamente com água, eletrólitos, vitaminas e nutrientes. Nesta aula, você, estudante, irá iniciar o estudo do sistema digestório. Você conhecerá um pouco mais da anatomia desse sistema e suas principais características histológicas. Você também será capaz de reconhecer a importância funcional do 1/6</p><p>06/09/24, 16:11 Anatomofisiologia e Patologia do Sistema Digestório sistema digestório, tornando possível a compreensão e aplicação desses conhecimentos no seu dia a dia profissional. A partir de agora você vai acompanhar um paciente de 45 anos que há meses vem sofrendo com sintomas persistentes de azia intensa, dificuldade para engolir alimentos sólidos e regurgitação frequente de comida com sabor ácido após as refeições. Esses desconfortos têm impactado negativamente sua qualidade de vida, interferindo em suas atividades diárias e no sono. Diante desses sintomas alarmantes, ele busca ajuda médica. Suspeitando de refluxo o médico opta por realizar uma endoscopia para investigar a presença ou não da patologia. Durante o procedimento, é retirada uma amostra da parede do esôfago para análise patológica. Ao examinar a amostra ao microscópio, o patologista observa a presença de alterações significativas na camada mucosa do esôfago, incluindo a presença de células inflamatórias na camada epitelial e seu espessamento devido à hiperplasia de sua camada basal. Essas alterações indicam um quadro de inflamação e irritação crônica no esôfago, compatível com o diagnóstico de refluxo gastroesofágico. Aproveitando esse contexto, você é capaz de explicar como é a estrutura geral do tubo gastrointestinal? Quais são as características histológicas normais da camada mucosa do esôfago e como elas diferem das observadas nesta amostra? Vamos Começar! O sistema digestório é formado por uma série de órgãos que trabalham em conjunto para quebrar os alimentos ingeridos em moléculas menores, que podem ser absorvidas pelas células do corpo. Esses órgãos estão divididos em dois grupos: 1) canal alimentar, que é um tubo que se estende do esôfago até o ânus; e 2) órgãos acessórios do sistema digestório. O canal alimentar, também conhecido como trato gastrointestinal (TGI), inclui estruturas como o esôfago, estômago, intestino delgado, intestino grosso e canal anal. Já os órgãos acessórios do sistema digestório incluem boca, dentes, língua, glândulas salivares, faringe, fígado, vesícula biliar e pâncreas, que atuam no processo da digestão, produzindo ou armazenando secreções que auxiliam na decomposição química dos alimentos, ou ainda, na digestão mecânica, mistura e deglutição dos alimentos ingeridos. Glândula salivar Faringe Boca Esôfago Fígado Vesícula Biliar Estômago Intestino Delgado Pâncreas Intestino Grosso Ânus Figura 1 Visão geral do sistema digestório. Fonte: adaptada de Wikimedia Assim, ao longo do canal alimentar, contrações musculares fragmentam fisicamente os alimentos e os impulsionam ao longo do trajeto, facilitando a sua mistura com líquidos digestivos. Enzimas secretadas pelos órgãos digestórios acessórios e por células do revestimento do canal alimentar realizam a degradação química dos alimentos, tornando-os adequados para a 2/6</p><p>06/09/24, 16:11 Anatomofisiologia e Patologia do Sistema Digestório absorção ou eliminação. Dessa forma, o sistema digestório realiza uma série de processos físicos e químicos para transformar o alimento em nutrientes possíveis de serem absorvidos pelo corpo. Dentre os processos realizados, temos: Ingestão: o ato de ingerir os alimentos começa na boca, onde os alimentos são colocados, mastigados e misturados com saliva, facilitando a formação do bolo alimentar. Secreção: ao longo do dia, as células presentes na parede do TGI, bem como nos órgãos acessórios, secretam não somente enzimas, mas também água, ácido e tampões no lúmen do canal alimentar, facilitando o processo de digestão. Mistura e propulsão: ocorre devido à contração e ao relaxamento da musculatura lisa nas paredes do canal alimentar, que proporcionam a mistura dos alimentos com as secreções e os movimenta ao longo de todo TGI em direção ao ânus, um processo denominado motilidade. Digestão mecânica: promovida pela mastigação na boca e pelas contrações musculares ao longo do TGI (peristaltismo). Ocorre a quebra dos alimentos em pedaços menores, aumentando a superfície de contato e facilitando a digestão química. Digestão química: realizada por enzimas digestivas que atuam promovendo o desdobramento de moléculas de alimentos em nutrientes menores, como glicose, aminoácidos e ácidos graxos, possíveis de serem absorvidos pelo organismo. Absorção: os nutrientes resultantes da digestão são absorvidos pelas células da parede do intestino delgado e transportados para o sangue ou linfa, para serem distribuídos pelo corpo e utilizados como energia ou na construção e no reparo de tecidos. Eliminação: o material não digerido, microrganismos e os resíduos metabólicos que não foram absorvidos ao longo do TGI são eliminados do corpo na forma de fezes, através do reto e ânus, em um processo conhecido como defecação. Siga em Frente... O TGI consiste em um tubo oco com uma cavidade central denominada lúmen. A parede do TGI apresenta uma composição básica formada por quatro camadas (ou túnicas) distintas de tecido. Da camada mais interna para a mais externa, temos: a mucosa, submucosa, muscular e serosa. A camada mucosa é constituída por: (a) um revestimento epitelial; (b) lâmina própria, uma camada de tecido conjuntivo frouxo contendo uma grande quantidade de vasos sanguíneos, linfáticos, células musculares lisas e, ocasionalmente, glândulas e tecido linfoide. A lâmina própria é responsável por disponibilizar os nutrientes absorvidos no canal alimentar para outros tecidos do corpo; e, (c) camada muscular da mucosa, que separa a camada mucosa da camada submucosa e, geralmente, compreende duas finas subcamadas de células musculares lisas, uma interna chamada de circular e outra externa denominada longitudinal, que facilitam o movimento da mucosa de forma independente dos outros movimentos do sistema digestório, promovendo um contato mais eficaz da mucosa com o alimento. A camada submucosa é formada por tecido conjuntivo e une a camada mucosa à camada muscular. A camada submucosa é constituída principalmente por muitos vasos sanguíneos e linfáticos e pelo plexo submucoso (cadeia de neurônios interconectados que inervam as células secretoras do epitélio da camada mucosa, regulando, principalmente, a secreção gastrointestinal e o fluxo sanguíneo local). A camada muscular consiste em duas subcamadas de músculo liso, uma subcamada interna circular e uma subcamada externa longitudinal. A contração da subcamada circular resulta em diminuição do diâmetro do lúmen do TGI, enquanto a contração da subcamada longitudinal acarreta o encurtamento desse tubo. Entre as duas subcamadas de músculo liso, encontramos o plexo mioentérico, além de tecido conjuntivo contendo vasos sanguíneos e linfáticos. O plexo mioentérico controla e coordena a atividade motora da camada muscular, permitindo que essa camada seja responsável pela geração dos movimentos peristálticos e segmentares ao longo do TGI. Os movimentos peristálticos são contrações rítmicas e coordenadas que empurram o alimento e os resíduos através do sistema digestório, facilitando a digestão e a eliminação. Já os movimentos segmentares são movimentos de mistura, que ajudam a misturar o alimento com os sucos digestivos e enzimas e, também a promover uma distribuição homogênea dos nutrientes ao longo do TGI. A camada 3/6</p><p>06/09/24, 16:11 Anatomofisiologia e Patologia do Sistema Digestório serosa é uma membrana de tecido conjuntivo coberta por uma membrana serosa composta por mesotélio, que reveste externamente de todo o TGI, estando em continuidade com a membrana peritoneal (peritônio) que reveste a cavidade abdominal. A camada serosa desempenha um papel fundamental na proteção, lubrificação, fixação e suporte dos órgãos abdominais, contribuindo para o funcionamento eficiente do sistema digestório e para a integridade do sistema peritoneal. Veia Mesentério Plexo submucoso Artéria Glândulas na submucosa Nervo Submucosa Glândulas na mucosa Ducto de glândula exócrina Plexo mesentérico Tecido linfático Serosa: Lúmen Tecido conjuntivo areolar Epitélio Mucosa: Epitélio Muscular: Lâmina própria Músculo circular Muscular da mucosa Músculo longitudinal Figura 2 Camadas da parede do tubo digestório. Fonte: adaptada de Wikimedia Commons. Os plexos submucosos (ou de Meissner) e mioentérico (ou de Auerbach) fazem parte de uma terceira divisão do sistema nervoso chamada de sistema nervoso entérico, responsável por inervar a parede do TGI. Nesses plexos são encontrados neurônios motores, interneurônios e neurônios sensitivos. Os neurônios motores presentes no plexo mioentérico, localizado entre os músculos circular e longitudinal da camada muscular, controlam a motilidade do TGI, enquanto os neurônios motores do plexo submucoso, localizados na camada de células secretoras do epitélio da camada mucosa, controlam as secreções de muco, enzimas e fluidos digestivos desse tubo. Os interneurônios conectam os neurônios dos plexos mioentérico e submucoso. Já os neurônios sensitivos desse sistema, inervam o epitélio da camada mucosa e apresentam receptores que detectam estímulos oriundos do lúmen do TGI. Esses receptores respondem a determinadas substâncias químicas, presentes no alimento que se desloca pelo lúmen, e ao estiramento da parede do TGI. Embora o sistema nervoso entérico possa funcionar de forma independente, ele pode ser regulado pelo sistema nervoso autônomo por meio de nervos simpáticos e parassimpáticos, que podem intensificar ou inibir a ação do sistema nervoso entérico. A estimulação parassimpática resulta em estímulo das atividades do TGI, enquanto a estimulação simpática inibe as atividades do TGI. Agora que você conheceu as principais características morfofuncionais do sistema digestório, você entende a importância do conhecimento desse tema para uma boa atuação profissional. Vamos Exercitar? gora que você conheceu e aprendeu a respeito das principais características anatômicas e histológicas do sistema digestório e como é a inervação desse sistema, vamos retomar nossa situação-problema. A partir de agora, vamos considerar o paciente de 45 anos que há meses vem sofrendo com sintomas persistentes de azia intensa, dificuldade para engolir alimentos sólidos e regurgitação frequente de comida com sabor ácido após as refeições. Ele procurou ajuda médica e pela análise dos sintomas, o médico, suspeitando de doença do refluxo gastroesofágico, opta por realizar uma endoscopia. A amostra da 4/6</p><p>06/09/24, 16:11 Anatomofisiologia e Patologia do Sistema Digestório parede do esôfago retirada foi analisada em microscópio, sendo observada a presença de alterações significativas na camada mucosa do esôfago, incluindo a presença de células inflamatórias na camada epitelial e seu espessamento devido à hiperplasia de sua camada basal. A presença dessas alterações indica um quadro de inflamação e irritação crônica no esôfago, compatível com o diagnóstico de doença do refluxo gastroesofágico. Agora, você já é capaz de explicar como é a estrutura geral do tubo gastrointestinal, quais são as características histológicas normais da camada mucosa do esôfago e também como essas camadas diferem das observadas na amostra. Vamos lá?! Primeiramente, é importante lembrar que a doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) é uma condição na qual ocorre o retorno involuntário do conteúdo gástrico de volta para o esôfago, causando sintomas como azia, regurgitação ácida e, em alguns casos, danos ao revestimento do esôfago. A fisiopatologia da DRGE envolve uma combinação de fatores anatômicos, fisiológicos e funcionais, como disfunção do esfincter esofágico inferior, hérnia de hiato, aumento da pressão intra- abdominal (devido a gravidez ou obesidade, por exemplo) e aumento da produção de ácido gástrico. É importante lembrar também que o sistema digestório é dividido em: 1) trato gastrointestinal (TGI), compreendendo a boca, faringe, esôfago, estômago, intestino delgado e intestino grosso; e 2) órgãos digestórios acessórios, como dentes, língua, glândulas salivares, fígado, vesícula biliar e pâncreas. O trato gastrointestinal tem uma organização geral sendo sua parede dividida em quatro camadas: Mucosa: camada mais interna, que está em contato direto com o conteúdo do lúmen. A mucosa é composta por três subcamadas: a) epitélio, com células especializadas em proteção, secreção e absorção; b) lâmina própria, formada por tecido conjuntivo frouxo, vasos sanguíneos e linfáticos, podendo apresentar em alguns segmentos glândulas responsáveis pela produção de muco e secreções; e, c) muscular da mucosa, uma camada delgada de músculo liso que auxilia no movimento da mucosa, independentemente dos outros movimentos realizados pelo TGI. Submucosa: camada constituída por tecido conjuntivo, vasos sanguíneos, vasos linfáticos e nervos. Além disso, contém glândulas que secretam muco para lubrificação da mucosa. Muscular: formada por duas subcamadas de músculo liso, a camada circular interna e a camada longitudinal externa. Essas camadas são responsáveis pelos movimentos do TGI, como os movimentos peristálticos e segmentares. Serosa ou adventícia: a camada mais externa do TGI, que reveste a parte externa do órgão. É composta principalmente por tecido conjuntivo, vasos sanguíneos e linfáticos. Na amostra do paciente em questão, a camada mucosa apresentava alterações como presença de células inflamatórias na subcamada epitelial da mucosa e espessamento dessa subcamada (devido à hiperplasia da camada basal do epitélio). Assim, as características observadas na amostra eram bem diferentes do que se esperaria em condições normais, que seriam uma mucosa composta por epitélio escamoso estratificado não queratinizado, no qual a camada basal é formada por uma única camada de células, uma lâmina própria formada por tecido conjuntivo e uma camada de células musculares lisas. Saiba Mais Funções do sistema digestório sistema digestório é responsável por uma série de processos complexos que garantem a obtenção de nutrientes essenciais para o funcionamento do corpo humano. Desse modo, compreender as funções do sistema digestório é essencial para reconhecer a grande importância que este sistema desempenha. Para saber mais sobre o sistema digestório e a sua importância para o funcionamento do nosso organismo, acesse a seguinte obra https://alexandria-html-published.platosedu.io/ab2198f7-3905-4c92-8e3a-0b10ca16c286/v1/index.html 5/6</p><p>06/09/24, 16:11 Anatomofisiologia e Patologia do Sistema Digestório Sistema digestório. Khan Academy. Características anatômicas e histológicas do trato gastrointestinal Conhecer as características anatômicas e histológicas do trato gastrointestinal (TGI) é crucial para compreender não apenas a estrutura do sistema digestório, mas também sua função e as possíveis complicações que podem surgir quando ocorrem alterações nesse sistema. Desde a boca até o ânus, o TGI é responsável pelos processos da digestão dos alimentos, absorção de nutrientes e eliminação de resíduos, sendo que cada segmento desse sistema está relacionado com um papel específico nesse complexo processo. Assim, ao compreender a anatomia e histologia do sistema digestório, podemos identificar melhor as causas de doenças gastrointestinais, além de diagnosticar e tratar problemas com mais eficácia. Para explorar mais sobre esse tema, leia a seguinte obra disponível na Biblioteca Virtual: TORTORA, G. J.; DERRICKSON, B. Princípios de anatomia e fisiologia. 16. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2023. cap. 24, p. 939-945. Inervação: sistema entérico e autônomo sistema nervoso entérico desempenha um papel fundamental no controle das funções digestivas, incluindo a regulação do peristaltismo, secreção de enzimas e neurotransmissores e coordenação da absorção de nutrientes. Sua importância reside na capacidade de controlar localmente esses processos, independentemente do comando proveniente do sistema nervoso central. SNE é constituído de milhões de neurônios distribuídos ao longo do trato gastrointestinal, que são responsáveis por manter a homeostase digestiva. Diante de todas essas funções importantes exercidas por essa divisão do sistema nervoso, torna-se fundamental conhecê-lo. Assim, para saber mais sobre a inervação do sistema digestório e a sua importância para o funcionamento do organismo, acesse a seguinte obra disponível na Biblioteca Virtual: 6/6</p>

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