Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

<p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>2/289</p><p>Direitos desta edição reservados a Lúcia Helena Galvão. A</p><p>reprodução de parte e/ou inteiro teor desta obra (ebook, ar-</p><p>quivo digital), por qualquer meio, sem autorização do autor,</p><p>constitui violação da Lei de Direitos Autorais – Lei 9.610/98.</p><p>©2022, Lúcia Helena Galvão e Pedro Paiva.</p><p>1ª edição, Brasília, DF, 2022</p><p>Coordenação editorial: Lúcia Helena Galvão</p><p>Transcrição: Natani Franco</p><p>Edição: Idealix Cursos Online</p><p>Revisão: Luís Eduardo da Silva</p><p>Capa: Patrícia Versiani</p><p>Projeto gráfico: Mauro Barbosa, SJPDF 3.619/2000</p><p>Galvão, Lúcia Helena e Paiva, Pedro.</p><p>Curso Técnicas de Estudo. Professora Lúcia Helena Galvão e Pedro</p><p>Paiva – Brasília, DF. Idealix Cursos.</p><p>289p.il.</p><p>ISBN – 978-65-995491-2-0</p><p>1. Educação; 2. Técnicas de Estudo; 3. Filosofia. 4. Huma-</p><p>nidade I. Lúcia Helena Galvão e Pedro Paiva. II. Desenvolvimento</p><p>Humano.</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>BRASÍLIA – 2022</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>ÍNDICE</p><p>BOA VINDAS</p><p>Na era da informação, qual a importância do saber? ... 6</p><p>Somos aprendizes da vida .................................................. 44</p><p>Os mandamentos do resumo ............................................. 70</p><p>O bom estudante e o autoconhecimento ........................ 89</p><p>MÓDULO I – AUTOCONHECIMENTO</p><p>Aula 1 – Introdução ...........................................................109</p><p>Aula 2 – Teste inicial – Perguntas de 1 a 4 ...................... 115</p><p>Aula 3 – Teste inicial – Perguntas de 5 a 8 .......................122</p><p>Aula 4 – Teste inicial – Perguntas de 9 a 14 .................... 128</p><p>Aula 5 – Teste inicial – Perguntas de 15 a 22 .................. 135</p><p>Aula 6 – Teste inicial – Perguntas de 23 a 27 .................. 142</p><p>Aula 7 – Teste inicial – Perguntas de 28 a 31 .................. 149</p><p>Aula 8 – Teste inicial – Perguntas de 32 a 36 .................. 156</p><p>Aula 9 – Teste inicial – Perguntas de 37 a 40 .................. 162</p><p>MÓDULO II – CONDIÇÕES PRELIMINARES</p><p>Aula 10 – Valor intríseco .................................................167</p><p>Aula 11 – Condições Pessoais – Local para estudo ........ 172</p><p>Aula 12 – Planejamento de estudo – Planilha I ............. 183</p><p>Aula 13 – Planejamento de estudo – Planilha II ............ 190</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>5/289</p><p>MÓDULO III – TÉCNICAS DE ESTUDO</p><p>Aula 14 – Como ler I ..........................................................197</p><p>Aula 15 – Como ler II .........................................................202</p><p>Aula 16 – Como fazer um bom resumo ............................208</p><p>Aula 17 – Aula prática de resumo ....................................214</p><p>Aula 18 – Os quatro mandamentos do resumo .............220</p><p>Aula 19 – Anotações e revisão das aulas ......................225</p><p>Aula 20 – Método Robinson (EPL2R) – Explorar,</p><p>Perguntar e Ler................................................230</p><p>Aula 21 – Método Robinson (EPL2R) – Receitar</p><p>e repassar ..........................................................237</p><p>Aula 22 – Explorando um livro – Aula demonstrativa ....242</p><p>Aula 23 – Conclusão – Repasse do curso .....................247</p><p>MÓDULO EXTRA</p><p>Aula 24 – CONCENTRAÇÃO</p><p>Importância, dificuldades, práticas...............249</p><p>Aula 25 – MEMÓRIA</p><p>Orientações básicas.........................................265</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>6/289</p><p>BOAS-VINDAS</p><p>Na era da informação,</p><p>Qual a importância do saber?</p><p>Sejam bem-vindos. Hoje o que nós vamos fazer</p><p>é uma palestra, um pouco reduzida, a respeito de um</p><p>tema muito interessante, na era da informação, que é</p><p>a importância do saber.</p><p>Eu acho esse tema vital para falarmos a respeito</p><p>da questão da técnica de estudo, da forma como ensi-</p><p>nam. – Vocês sabem, nós estamos lançando o Curso</p><p>de Técnicas de Estudo, que para mim é vital.</p><p>Muitas vezes, tenho conversado nas minhas pa-</p><p>lestras com vocês a esse respeito. Eu acho que esse</p><p>Curso deveria ser ensinado, lá ainda... talvez no Ensi-</p><p>no Fundamental.</p><p>Eu vejo pessoas que me dizem:</p><p>“– Eu li um livro.”</p><p>E eu pergunto:</p><p>“– Quais foram as informações importantes</p><p>desse livro?”</p><p>“– Não sei. Teria que reler. Não me lembro...”</p><p>Então, imagine você, a quantidade de informa-</p><p>ções que há que adquirir. Se você tiver que ficar</p><p>lendo mil vezes o mesmo livro, porque não guarda</p><p>nada, provavelmente não vai muito longe. Umas das</p><p>coisas maravilhosas, para tesourar pela vida afora,</p><p>e temos que reter na memória para poder usá-las,</p><p>inclusive. Eu acho muito importante o Curso, a Pa-</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>7/289</p><p>lestra, independente de irem ou não fazer ou o Cur-</p><p>so, é que entendam esse critério de que a informa-</p><p>ção, em primeiro lugar, tem que ser retida, e depois</p><p>vivenciada.</p><p>A diferença entre o mero conhecimento e o saber.</p><p>Sabedoria é um conhecimento onde você refletiu e vi-</p><p>venciou. Ou seja, não é uma mera questão de quan-</p><p>tidade, ela implica em qualidade, ela implica em pro-</p><p>fundidade. Portando, da maneira como nós ensinamos</p><p>a estudar, não é para quem quer meramente memori-</p><p>zar conhecimento; nem é para aquele que quer fazer</p><p>uma leitura superficial. É para aquele que considera o</p><p>conhecimento como um fim, considera que é um dos</p><p>grandes qualificadores de consciência do ser humano,</p><p>e considera que conhecimento não é só quantidade, é</p><p>qualidade.</p><p>Muito recentemente, estive em um evento, que é</p><p>o Hacktown, onde falava para eles a respeito de In-</p><p>teligência Artificial e Consciência Humana. Uma das</p><p>coisas foi falar disso, do medo que as pessoas têm de</p><p>serem substituídas pela inteligência artificial.</p><p>Se o conhecimento for só memória, as pessoas</p><p>vão ser substituídas, sim, já estão sendo. Quem acha</p><p>que tem mais memória do que um grande processador</p><p>de dados? É uma loucura.</p><p>A partir do momento em que você tem um envol-</p><p>vimento, profundo conhecimento, e passa a vivenciá-</p><p>-lo, aí a coisa fica diferente. Inclusive, se você parar</p><p>para pensar um pouco no que dizia um Steve Jobs, as</p><p>orientações que ele dava, acho muito interessantes.</p><p>Ele dizia, quando lhe perguntaram se a máquina</p><p>ia substituir o homem, em termos de inteligência:</p><p>“– Bom, a máquina vai sempre processar in-</p><p>formações dadas. Mas, gerar o novo, ter ideias</p><p>novas, vai ser sempre humano.”</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>8/289</p><p>E como isso é raro, vai ser cada vez mais valo-</p><p>rizado o homem que é capaz de ter ideias próprias,</p><p>ideias novas. Você pode imaginar, por exemplo, me-</p><p>lhorar o funcionamento do hotel. Você pode colocar</p><p>esses elementos dentro de um computador, e fazer</p><p>toda uma análise combinatória para ver as alternati-</p><p>vas que você tem.</p><p>Mas, ele não vai criar o AirBNB. Não vai pensar</p><p>isso. Não vai pensar fora da caixinha. Um ser humano</p><p>é capaz. Mas para isso ele processou a ideia “hotel”,</p><p>e imaginou uma ideia melhor. A máquina não sai des-</p><p>se quadradinho. Mas, se nós considerarmos que, na</p><p>nossa vida prática, também não temos saído do qua-</p><p>dradinho, é bem provável que a gente acabe sendo</p><p>superados sim. E isso é bom.</p><p>Veja bem, não é a máquina que está tomando o</p><p>lugar do homem. É o homem que vem tomando, há</p><p>muito tempo, o lugar da máquina. A partir do momento</p><p>em que o conhecimento se torna só retenção, e exis-</p><p>te um certo símbolo de status na quantidade de livros</p><p>que eu li, sem que você veja um reflexo claro dessa</p><p>leitura na vida da pessoa. O homem está tomando o</p><p>lugar da</p><p>não incorpora depois, porque não lembra. Ela não fica</p><p>com uma síntese do que viu ali. Ela passa flutuando</p><p>por cima das coisas, e fica com uma impressão mo-</p><p>mentânea... que pode ser até agradável, mas um ano</p><p>depois ela e aquele que não leu são a mesma coisa,</p><p>não fazem muita diferença.</p><p>Eu acho incrível que alguém leia um bom livro e,</p><p>um ano depois, não saiba me dizer uma frase, uma</p><p>palavra do que estava ali. Tem uma impressão geral,</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>46/289</p><p>tem mais ou menos a ideia da história, mas não tem</p><p>aprendizado registrado nenhum. Não sabe se apo-</p><p>derar daquilo que lê, não sabe fazer um bom ficha-</p><p>mento, não sabe revisar, não sabe refletir sobre tudo</p><p>aquilo que lê.</p><p>Nós não temos tantos anos assim, meus caros. A</p><p>vida humana é bem curtinha. Eu me recordo, como se</p><p>fosse ontem, quando ainda era uma adolescente, uma</p><p>jovem, eu já tenho 55 anos, uma experiência prática,</p><p>a vida passa de uma maneira que é fugaz. Ela escor-</p><p>re pelo meio dos nossos dedos. Já já... acabou essa</p><p>experiência...</p><p>Nós não temos tempo para ficar lendo mil vezes</p><p>o mesmo livro, para ver se assimilamos alguma coi-</p><p>sa. Claro que os bons livros merecem ser relidos, mas</p><p>serem bem lidos e bem relidos, para que você vá, de</p><p>fato, tesourando alguma coisa. Senão, é um grande</p><p>desperdício.</p><p>Nós vivemos um drama, que é de as pessoas</p><p>não lerem. Quando leem, leem mal; ou seja, não sa-</p><p>bem escolher a literatura, ficam lendo coisas sem ne-</p><p>nhum nível. E quando escolhem bem elas leem mal,</p><p>ou seja, não sabem reter nada; e quando retêm, elas</p><p>não vivem aquilo.</p><p>Pelo amor de Deus, vamos simplificar a vida hu-</p><p>mana. Vamos juntar todos esses problemas e ver se</p><p>a gente os resolve em um pacote, em um pacote Hu-</p><p>manização. Que é o quê a gente propõe nesse Cur-</p><p>so. Vamos tentar ver se a gente aprende os pilares da</p><p>condição humana.</p><p>Um dia, eu tenho certeza, isso que a gente faz</p><p>isoladamente hoje, dentro de Nova Acrópole, será par-</p><p>te de um programa de estudo de um estado ideal, des-</p><p>de a infância. Nós deveríamos ensinar o ser humano</p><p>a aprender, pois isso não é uma coisa que vem inata.</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>47/289</p><p>O potencial, sim; mas há que ser ensinado, há que ser</p><p>trazido à tona, por meio de uma transmissão inteligen-</p><p>te da arte de aprender; não é?</p><p>Uma coisa que eu acho incrível. Vocês sabem que</p><p>eu gosto muito de Helena Bravatsky; nós, filósofos, em</p><p>Nova Acrópole, gostamos muito dela. E ela falava uma</p><p>coisa, que me recordo, que quando li eu fiquei muito</p><p>impressionada. É uma filosofia muito especial.</p><p>Uma página de um bom livro, de um livro espe-</p><p>cial, de nível, você deveria fechá-lo, e refletir pelo</p><p>menos uma hora sobre aquela página. E ela chega</p><p>a dizer que a leitura começa na hora em que você</p><p>fecha o livro.</p><p>Bom, o quê ela está dizendo de um livro especial,</p><p>um livro sagrado, ou um grande romance, ou um livro</p><p>que tenha um nível, que seja realmente um pilar da</p><p>cultura humana, é que esse tipo de livro demanda, às</p><p>vezes, até mais de uma hora de reflexão por página.</p><p>Ela ainda vai adiante, comenta várias coisas so-</p><p>bre isso. Mas, eu acho interessante... é claro que ou-</p><p>tros livros, talvez, exijam menos, porque livros mais</p><p>técnicos. Mas não conheço nenhum livro, que vale a</p><p>pena ser lido, que não exija que, ao fechá-lo, você o</p><p>reflita. Porque senão você perdeu o seu tempo. É uma</p><p>pseudoleitura. Você leu e não assimilou. Então, ela di-</p><p>zia que a arte da leitura começa na hora em que você</p><p>fecha o livro. E tem que saber o nível de dificuldade, o</p><p>nível de reflexão que cada tipo de obra tem, para ser</p><p>assimilada.</p><p>Um livro sagrado, um dos livros, um grande livro</p><p>tradicional da humanidade, eles são extremamente</p><p>simbólicos. Portanto, são aqueles que mais exigem re-</p><p>flexão. Uma leitura superficial desses livros vai gerar,</p><p>em primeiro lugar, uma tendência à literalidade; você</p><p>não entende nada, você toma ao pé da letra o quê está</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>48/289</p><p>ali. E essa literalidade, levada muito longe, misturada</p><p>com paixões, pode virar fanatismo.</p><p>A leitura sagrada costuma ser a mais simbólica</p><p>que tem. Um livro desse tipo exige uma reflexão, por</p><p>um tempo maior, do que você leva fazendo simples-</p><p>mente a leitura. Portanto, não é uma obra rápida. É</p><p>uma obra a se fazer ao longo da vida. E não são pou-</p><p>cos esses livros. Há livros maravilhosos, que a gente</p><p>não deveria deixar de ler.</p><p>Enfim, um pouco para que vocês pensem a esse</p><p>respeito, como é que é a história de estudar bem?</p><p>Quem estuda bem, normalmente, vai construindo a si</p><p>próprio junto com a leitura. Junto com esse estudo,</p><p>junto com a reflexão, ele vai construindo a si próprio.</p><p>Porque ele vai assimilando, como se fossem novos ci-</p><p>mentos na construção de si mesmo. Ele sai do outro</p><p>lado da leitura maior. Aquilo agrega um valor para ele</p><p>que não é simplesmente o valor que o escritor deu. É</p><p>o valor que o escritor deu mas acrescentado ao que eu</p><p>pude perceber, aprofundar e deduzir disso. Ou seja,</p><p>você me passa uma jarra de água, eu acrescento mais</p><p>algo ali. Não fica simplesmente aquilo que eu recebi.</p><p>Nisso consiste a nossa missão com o futuro, en-</p><p>tregar para ele mais do que a gente recebeu. Não</p><p>podemos ser uma geração nula. Nós temos que pas-</p><p>sar para o futuro mais do que a gente recebeu. Daí</p><p>essa necessidade de trabalharmos aquilo que é bom.</p><p>Acrescentarmos as nossas próprias reflexões. Pense</p><p>um pouco sobre isso, sobre a nossa dívida com o fu-</p><p>turo. Esse futuro que, direta ou indiretamente, é com-</p><p>posto todo ele dos nossos filhos, dos nossos netos. E</p><p>nós temos um dever com eles.</p><p>Eu tenho um poema, de que inclusive gosto mui-</p><p>to, que fala aos meus tetranetos. Um momento de</p><p>reflexão que fiz, onde falava sobre esse compromisso</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>49/289</p><p>com o futuro. Do quanto eu tenho que agregar valor ao</p><p>mundo para deixá-lo um pouco melhor do que recebi.</p><p>E claro que com isso eu tenho que assimilar, tenho</p><p>que trabalhar os conteúdos de valor, de qualidade que</p><p>os meus antepassados me deixaram. Entendê-los e</p><p>acrescentar a minha dose de reflexão. Cada um de</p><p>nós tem uma capacidade de acrescentar algo, que só</p><p>cada um de nós pode acrescentar. Isso consiste no</p><p>conceito de indivíduo.</p><p>O indivíduo é aquele que tem um aporte único e</p><p>irrepetível para dar ao mundo. Se ele não der o seu</p><p>recado, o seu recado não pode ser dado por nenhu-</p><p>ma outra pessoa. Porque ele é uma nota daquela... de</p><p>uma sinfonia, da sinfonia da música da vida, da can-</p><p>ção da vida. Uma nota que vai ser perdida.</p><p>Lembram daquela história de que ninguém é in-</p><p>substituível? Posso dar a minha opinião para vocês</p><p>sobre isso? Eu acho que todos são insubstituíveis.</p><p>Todos, invariavelmente. Cada um de nós é, absoluta-</p><p>mente, insubstituível.</p><p>Bom, a vida vai continuar, mas a nota que eu ti-</p><p>nha para aportar a essa sinfonia ninguém vai colocar.</p><p>Vai ficar um vácuo, e ela vai ser um pouco menos bela.</p><p>Daí a necessidade do aprendizado, para que a gente</p><p>não saia daqui sem pronunciar a nossa palavra sagra-</p><p>da, sem dar o nosso recado.</p><p>Bom, então vamos entrar nos nossos conceitos</p><p>de hoje. Como falei para vocês, a gente vai abordar ra-</p><p>pidamente alguns conceitos, é claro, porque em uma</p><p>mera live, pequena, que não se propõe a ser muito</p><p>grande. Então poderia falar muito sobre isso, porque</p><p>são vários os conceitos.</p><p>Aqui estão algumas pinceladas, para que vocês</p><p>reflitam sobre um conjunto de conceitos e elementos</p><p>que participam do processo de aprendizado.</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>50/289</p><p>Por exemplo, o de sensibilidade.</p><p>Você vai dizer:</p><p>“– Mas, sensibilidade serve para o aprendi-</p><p>zado?”</p><p>Serve demais. Como eu falei para vocês, toda</p><p>obra de nível é composta de linhas e entrelinhas. Você,</p><p>mais do que simplesmente, lê o quê está nas linhas.</p><p>Você sente aquilo que o autor não disse, aquilo que</p><p>ele sugeriu, aquela referência que ele fez a algo que</p><p>não estava ali. Se vocês pegarem as primeiras edi-</p><p>ções do Dom Quixote, de Cervantes, ele tinha escrito,</p><p>na portada do livro: Após as trevas, espero a luz.</p><p>Sabe o quê é que ele estava querendo dizer? Que</p><p>algum dia ele esperava que alguém iluminasse a sua</p><p>obra, e lesse não simplesmente aquilo que estava lá,</p><p>e risse e achasse que era uma comédia de costumes.</p><p>Mas que alguém entendesse que aquilo ali nada</p><p>mais era do que uma cópia da condição humana, do</p><p>que a condição humana pode chegar a ser. Ou seja,</p><p>que lesse simbolicamente, fosse além do literal.</p><p>No seu tempo, considerava-se que o Dom Quixo-</p><p>te era apenas uma comédia. E isso é curioso, porque,</p><p>na verdade, o Dom Quixote é uma comédia, um dra-</p><p>ma, tudo ao mesmo tempo. Ele fala da vida humana</p><p>com todos os seus aspectos.</p><p>Então, essa questão da sensibilidade, ela exige</p><p>de nós que sejamos sensíveis e interessados pelo</p><p>conhecimento. Essa sensibilidade é que vai nos dar</p><p>motivação para mergulharmos de ponta no conheci-</p><p>mento. E, realmente, extrairmos dali a pérola, como</p><p>o pescador de pérolas de que fala Sidarta Gautama.</p><p>Que pudéssemos mergulhar ali, e extrair a pérola do</p><p>conhecimento que aquela obra guarda.</p><p>Percebam, aprendam das crianças. Dificilmente,</p><p>você vai ver, eu conheço algumas pessoas assim, mas</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>51/289</p><p>não são tantas, que têm tanto interesse por conhecer</p><p>quanto tem uma criança, que fica louca quando você</p><p>vai explicar alguma coisa para ela. Que fica atrás de</p><p>você fazendo mil perguntas, e você olha no olhinho</p><p>dela, o olho está brilhando!! Ela quer realmente enten-</p><p>der, quer realmente conhecer. Aquilo ali é uma ques-</p><p>tão prioritária para ela. Nossa, como eu acho isso ma-</p><p>ravilhoso!</p><p>São muitos anos dando aula, dando palestra. E</p><p>não é tão comum assim, que eu olho para os olhos de</p><p>uma pessoa, que me faz uma pergunta, e vejo essa</p><p>sadia necessidade de conhecer.</p><p>Às vezes, perguntamos, por tantas outras razões,</p><p>até para nos fazermos notar, até para querermos mos-</p><p>trar a nossa opinião, até para querermos impor a nos-</p><p>sa opinião sobre aquela do palestrante.</p><p>Há “n” razões por que um adulto faz uma per-</p><p>gunta. Uma criança faz por uma: avidez por conhecer.</p><p>Uma curiosidade sadia:</p><p>“– Eu quero descobrir o quê é isso. O que há</p><p>por trás? Por que é que os adultos fazem isso?</p><p>Por que a vida é assim?”</p><p>Eu me recordo do momento na infância das mi-</p><p>nhas filhas, em que a minha filha mais velha assistia</p><p>um filme, Meu Primeiro Amor, onde o protagonista era</p><p>uma criança, e ela morria por uma picada de abelha.</p><p>Foram três dias em que tive que fazer um exer-</p><p>cício filosófico, para explicar para ela o quê era mor-</p><p>te. E ela não se saciava, não achava que aquela ex-</p><p>plicação era suficiente. No dia seguinte, vinha e me</p><p>perguntava mais coisa. Foi um curso para mim, e não</p><p>para ela.</p><p>Passei três dias tendo que abordar todos os as-</p><p>pectos da morte, para que ela entendesse. Com per-</p><p>guntas que eu nunca nem tinha imaginado. Eu aprendi</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>52/289</p><p>mais do que ela. E ali havia uma sadia curiosidade,</p><p>não havia outra coisa senão ânimo de aprendizado.</p><p>É interessante, a gente deveria aprender realmen-</p><p>te, com as crianças, nesse sentido. Depois o conhe-</p><p>cimento passa a ser uma coisa secundária na nossa</p><p>vida. Nós nos acomodamos, e queremos apenas so-</p><p>breviver prazerosamente. Conhecimento se torna um</p><p>estorvo. Isso é terrível. Essa é a morte do processo de</p><p>crescimento como seres humanos. Porque para cres-</p><p>cer como seres humanos nós temos que ser sempre</p><p>aprendizes. Ou seja, antes de nascer o nosso ímpeto</p><p>de aperfeiçoamento, ele já morreu. Isso é muito triste.</p><p>Você olha, e as pessoas já desistiram de se realizar</p><p>como seres humanos, quando a trajetória deles ainda</p><p>mal começou. Às vezes, um jovem, e não quer mais</p><p>saber de nada. Quer sobreviver prazerosamente.</p><p>Bom, que mais a gente poderia falar sobre isso?</p><p>Em um interesse intrínseco, eu não vou explicar mui-</p><p>to para vocês esse conceito, mas passo grande parte</p><p>do Curso falando sobre ele, que é interessar-se pelo</p><p>conhecimento em si, e não pelo que você vai ganhar</p><p>com ele. Sempre que você estiver estudando, pare</p><p>e pense:</p><p>“Eu estou interessado nisso, ou no que eu</p><p>vou ganhar, ou no que eu posso perder se não</p><p>aprender isso? Isso tem interesse para mim, ain-</p><p>da que não viesse nada depois? Por si, eu tenho</p><p>interesse nisso?”</p><p>Quando você pode dizer:</p><p>“– Sim, eu estudaria isso, ainda que eu fosse</p><p>Robinson Crusoé, e estivesse numa ilha deserta.”</p><p>Eu posso dizer:</p><p>“– Você está começando a aprender o jogo.</p><p>Está começando a se tornar um verdadeiro</p><p>aprendiz.”</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>53/289</p><p>Aliás, pense sobre isso – na sua mala, para as</p><p>férias, iriam alguns livros, iria algum estudo, alguma</p><p>reflexão? Se nas suas férias você não vai estudar, por-</p><p>que estudar é cansativo, você nunca vai ser um bom</p><p>aprendiz.</p><p>Se você fosse Robinson Crusoé, e não levasse</p><p>nada para refletir, para estudar, só coisas concretas</p><p>para sobreviver; bom, seria difícil que você se tornas-</p><p>se um bom estudante. Porque, de uma certa maneira,</p><p>somos Robinson Crusoé.</p><p>Somos uma alma humana, refugiada em um mun-</p><p>do de superficialidade, de banalidade. E se nós não</p><p>trazemos em nós o ânimo do aperfeiçoamento, o amor</p><p>ao aperfeiçoamento, o estudo vai ser um tédio. Você</p><p>nunca será um bom estudante, se na sua bagagem</p><p>de férias não existir um tempo para estudar. Um livro,</p><p>algo do tipo. – Significa que diversão não inclui apren-</p><p>dizado. Aprendizado é tédio. Esqueça, você pode fa-</p><p>zer todos os cursos do mundo. Não vai ser um bom</p><p>estudante enquanto tiver essa mentalidade.</p><p>Vamos falar um pouco a respeito de três concei-</p><p>tos, que estão muito relacionados entre si, que são: a</p><p>atenção, a concentração e a dispersão. É claro que os</p><p>três são basicamente a mesma coisa, não é?</p><p>A atenção – que é o foco. A concentração – que é,</p><p>simplesmente, pegar esse foco da atenção e projetar</p><p>sobre um objeto em particular. E a dispersão – que é a</p><p>incapacidade de fazer ambos. Agora vamos ver o que</p><p>nos faz tão dispersos? Isso daria uma palestra. E que</p><p>talvez a gente não estivesse muito dispostos a entrar</p><p>a noite aqui falando dela. Inclusive, eu já fiz palestras</p><p>falando sobre isso.</p><p>Vocês devem imaginar, em primeiro lugar, que há</p><p>o aspecto do treino, lógico. A atenção se treina. Nós</p><p>consideramos hoje que estar atentos cansa. Eu estou</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>54/289</p><p>olhando para vocês, vocês estão olhando para mim;-</p><p>vocês estão cansando de olhar? Vocês estão cansan-</p><p>do de respirar? Vocês estão cansando de ouvir? Não,</p><p>na verdade, os atributos de ver, de ouvir e de respirar</p><p>são naturais da vida. Nós estamos preparados para</p><p>fazer o tempo todo. E quando exercitamos isso, isso</p><p>não nos cansa. E se a atenção fosse igual a esses</p><p>atributos? Se a atenção fosse igual a respirar, a olhar,</p><p>a ouvir? E se eu disser para vocês que é?</p><p>Simplesmente, nós fechamos os olhos, e agora</p><p>estamos com preguiça de enxergar. Dá muito trabalho.</p><p>– Se exercitássemos a atenção, ela não dispenderia</p><p>nenhum sobre-esforço. É um atributo natural do ser</p><p>humano.</p><p>Agora, existem muitos conceitos por trás, patroci-</p><p>nando essa nossa desatenção. Então, por um lado, a</p><p>prática. Vocês vão ver que existem muitas práticas de</p><p>atenção, de concentração. Algumas simples,</p><p>como o</p><p>Trataka, que é aquele quadrinho que se faz com uma</p><p>circunferência e uma bolinha no centro. A ideia é que</p><p>você se concentre nesse ponto, de uma maneira tal</p><p>que você já não veja mais a circunferência. Ou seja,</p><p>ser capaz de conter os pensamentos circulares, nem</p><p>que seja por um minuto.</p><p>Uma série de outros existe, não é difícil você en-</p><p>contrar exercícios de concentração. Mas, o mais difícil</p><p>é você ter motivação para fazer esse exercício. É que</p><p>nem a bicicleta. Existem exercícios para você se equi-</p><p>librar em cima dela, mas você precisa da motivação</p><p>para andar de bicicleta. Porque vai haver contratem-</p><p>pos, vai ralar o joelho, vai cair, vai ter medo.</p><p>Ter motivação significa que, do outro lado do</p><p>aprendizado, existe uma vida muito mais qualificada</p><p>para você. Existe uma percepção do sentido da vida</p><p>que lhe traz bem-estar, lhe traz felicidade, lhe traz</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>55/289</p><p>harmonia. Eu acho muito difícil, cá entre nós, que al-</p><p>guém que acredita que a vida é um caos, e não tem</p><p>nenhum sentido, seja um bom estudante. Porque, no</p><p>fundo, a grande motivação do bom estudante é querer</p><p>entender a vida. Se ela não tem como ser entendida,</p><p>por que eu estudaria? Apenas para tirar vantagem em</p><p>uma situação em particular?</p><p>Bom, há jeito de tirar vantagem driblando o co-</p><p>nhecimento. Muita gente faz isso. Então, se não há</p><p>algo maior que eu queira descobrir na vida, o misté-</p><p>rio da Vida, o mistério da minha própria existência, se</p><p>eu não acredito que exista esse mistério, um sentido</p><p>maior para tudo, é muito difícil que eu vá amar o co-</p><p>nhecimento.</p><p>Então, um sentido, uma finalidade, uma propos-</p><p>ta maior, isso é fundamental para que você queira ler</p><p>na vida. A atenção se desenvolve, os exercícios são</p><p>bons. Eu os pratico, inclusive. Faço o Trataka, que é</p><p>um exercício muito simples e muito bom. Qualquer</p><p>pontinho na parede você pode estar fazendo Trataka.</p><p>Mas, o exercício fundamental é você olhar para a</p><p>vida o tempo todo. Lá fora, nesse momento, tem um</p><p>cachorro latindo, lá longe, que eu estou imaginando:</p><p>“Será que ele está na rua? Será que ele está</p><p>no quintal de alguém? Será que ele está latindo,</p><p>porque ouviu alguém passando pela porta, ou ele</p><p>late por saudade do seu dono, que até esta hora</p><p>ainda não chegou do trabalho?”</p><p>Ou seja, tem um monte de coisas; e daí daria para</p><p>desenvolver uma conversa só sobre o latido desse ca-</p><p>chorro. Tem um significado aí por trás disso.</p><p>Se você vai para o seu trabalho sem olhar para</p><p>nada, se você passa o dia sem olhar no rosto das pes-</p><p>soas, se não existe nada de particular no dia de hoje</p><p>que lhe sirva para uma boa reflexão, para entender</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>56/289</p><p>melhor a vida, olha, vai ser difícil você ter ânimo de</p><p>aprendiz.</p><p>Você vai estudar mecanicamente, com uma dis-</p><p>ciplina, que se torna cansativa. Quando não tiver mais</p><p>uma meta imediata, vai parar de estudar. O verda-</p><p>deiro estudante acha em qualquer coisa na sua vida</p><p>um motivo para uma boa curiosidade, para um bom</p><p>ânimo de aprendizado. Porque a vida é inteiramente</p><p>pedagógica.</p><p>Se você não tem isso, vai circunscrever a sua</p><p>necessidade de estudar a essa apostila, para passar</p><p>nesse concurso, você vai ser um memorizador. E olha</p><p>que alguém que goste um pouco dessa matéria vai</p><p>passar na sua frente, facilmente. Não tenha dúvida.</p><p>Uma pessoa que goste do conhecimento, e estu-</p><p>de uma hora por dia, vai passar na sua frente, mesmo</p><p>você estudando dez horas por dia, pensando que es-</p><p>tudar é uma chatura.</p><p>Porque não existe nada que faz com que o co-</p><p>nhecimento crie raízes em nós, nada tão eficaz, quan-</p><p>to gostar do conhecimento. Sentir que ele lhe agrega</p><p>valores à vida. Não me interessa se eu não vou passar</p><p>nessa prova, mas que eu vou sair melhor do que eu</p><p>entrei, vou. Porque, olha o tanto de coisa interessante</p><p>que aprendi. Um monte de outros aspectos da vida</p><p>que, se eu não entrasse aí, eu não os veria.</p><p>É um elemento fundamental, que está por trás do</p><p>bom aprendiz. Acreditar que a vida é pedagógica, e</p><p>querer desvendar o mistério da vida, querer conhecer</p><p>a si próprio, querer conhecer o destino de todos os se-</p><p>res, querer saber o quê estamos fazendo aqui.</p><p>Por isso é que eu acho que Filosofia, olhem, en-</p><p>tendam bem, às vezes eu falo isso, que a Filosofia é</p><p>muito útil, e as pessoas dizem:</p><p>“– Todo mundo tem que ser filósofo?”</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>57/289</p><p>Todo mundo tem que ser o quê deve ser. Mas,</p><p>além disso, pode ser também filósofo. Porque através</p><p>da Filosofia você vê sentido na Engenharia e na Mar-</p><p>cenaria. Na Medicina e na Maternidade.</p><p>A mulher do lar ou o homem do lar, e a mulher e o</p><p>homem que estão na rua, trabalhando para negócios,</p><p>qualquer ofício tem um sentido maior do que mera-</p><p>mente extrair dele a sobrevivência.</p><p>Que a Filosofia ajuda a fazer, seja lá o quê for</p><p>que você tenha para fazer, por completo, e não pela</p><p>metade.</p><p>Lembrem de Gibran:</p><p>“– Aquele que não tece o tecido com amor</p><p>mata só a metade do frio daquele que vai vesti-lo.</p><p>Aquele que não espreme a uva com amor mata</p><p>só a metade da sede daquele que vai beber esse</p><p>vinho.”</p><p>Ou seja, a Filosofia nos ajuda a fazer muitas coi-</p><p>sas por completo. O quê? O quê lhe cabe fazer, seja</p><p>lá o que for.</p><p>Bom, atenção, concentração e dispersão. Em pri-</p><p>meiro lugar, são interesse na vida, e depois, prática.</p><p>Você pode fazer exercícios específicos, ou pode prati-</p><p>car nos próprios fatos da vida. Faça um diário à noite,</p><p>e reflita sobre o seu dia, para ver se você, de fato,</p><p>prestou atenção.</p><p>Exije de si próprio, todo dia, aprender uma coi-</p><p>sa nova. Isso é ótimo. Dá um trabalho tremendo. E</p><p>se você conseguir, olha, vai se tornar um excelente</p><p>aprendiz. Pense em uma dica rápida e eficaz, é esta.</p><p>Todo dia eu vou aprender alguma coisa, e vou regis-</p><p>trar, para eu não enganar a mim mesmo.</p><p>Temos a questão da leitura. Leitura é tão mais</p><p>do que você colocar os olhos no papel e ir passan-</p><p>do mecanicamente páginas. É tão mais. No nosso</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>58/289</p><p>Curso de Técnicas de Estudo, vamos falar de todos</p><p>os detalhes disso. Você tem que perceber que, você</p><p>pode estar onde estiver, nunca é monólogo, se você</p><p>não quer que seja.</p><p>O autor morreu há não sei quantos anos, às vezes</p><p>há não sei quantos milênios. Mas se você quer que seja</p><p>um diálogo, vai ser um diálogo. Porque ali tem um ser</p><p>humano expressando o melhor das suas ideias, deixan-</p><p>do ali o quê ele gostaria de aportar à humanidade como</p><p>presente, mesmo depois da sua morte.</p><p>Eu acabo de ler a biografia de Gandhi. Nós es-</p><p>tamos fazendo uma série de palestras sobre ele, e</p><p>foi muito impressionante, porque parecia que eu es-</p><p>tava dentro da casa de Gandhi, dentro da vida de</p><p>Gandhi, caminhando com ele. Muitas vezes, eu me</p><p>emocionei.</p><p>É impressionante essa questão das camadas</p><p>que a leitura tem. Só que leitura é sempre um diálogo.</p><p>Você tem que saber fazer perguntas adequadas, obri-</p><p>gar que o autor lhe responda. Saber criar curiosidades</p><p>sobre o quê vem, e esperar o quê ele vai lhe trazer.</p><p>Saber criar teorias sobre como ele vai caminhar, e de-</p><p>pois ver se as suas previsões batem com a resposta</p><p>do autor.</p><p>Ou seja, a leitura é interativa. Se existe um interesse</p><p>vivo, uma curiosidade vital, a leitura é muito interativa.</p><p>E há uma série de formas de você tornar essa leitura</p><p>viva. – Uma leitura mecânica, passiva, onde você está</p><p>ali só recebendo informações, sem muita capacidade de</p><p>concentração – porque, se você não está interessado na</p><p>leitura, na sua mente, vão estar passando outras coisas,</p><p>notícias do jornal do dia, as compras do mercado, o quê</p><p>você vai fazer amanhã de manhã... –, o espaço que você</p><p>não preenche</p><p>vai ser preenchido pela dispersão, e vai</p><p>roubar a qualidade da sua leitura.</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>59/289</p><p>Portanto, se eu não estou imaginando a vida do</p><p>autor, o quê ele estava vivendo quando escreveu aqui-</p><p>lo, colocando perguntas para ele, vendo como ele res-</p><p>ponde, esse vácuo da minha apatia vai ser preenchido</p><p>por dispersão. E a minha leitura vai ser pela metade,</p><p>ou às vezes menos. Às vezes, um terço, ou um quarto.</p><p>Só um quarto de mim estava ali.</p><p>Que mais nós poderíamos falar sobre isso... – So-</p><p>bre leitura, nós teremos que passar muitas técnicas.</p><p>Uma coisa é certa, leitura tem um processo. Não é</p><p>simplesmente abrir os olhos diante de um texto, é mui-</p><p>to mais do que isso.</p><p>Nós abrimos os olhos diante de um ser humano, e</p><p>às vezes não estamos ali, que dirá então diante de um</p><p>texto escrito. Há que aprender a se colocar de corpo e</p><p>alma naquilo que você está lendo, e criar um interesse</p><p>vital, onde qualquer leitura se torna um diálogo.</p><p>E aí vocês vão perceber como é possível dialogar</p><p>com Platão, 2.400 anos depois, de uma maneira tão</p><p>intensa que, às vezes, você o sente como íntimo.</p><p>Às vezes, a pessoa fala:</p><p>“– Ah! Platão.”</p><p>“– Opa! Esse eu conheço bem.”</p><p>Como se fosse uma pessoa física que conheci.</p><p>Está criando uma intimidade, é algo muito especial.</p><p>Às vezes, uma intimidade maior até do que com as</p><p>pessoas físicas que estão perto de você. Às vezes, o</p><p>seu vizinho é menos íntimo seu do que Platão. Isso é</p><p>curioso, isso é possível. Uma boa leitura leva a isso.</p><p>Que mais, memória. Memória também é muito pa-</p><p>recida com a questão da atenção e da dispersão. Ela</p><p>exige treino, mas ela exige também saber que a vida é</p><p>pedagógica. Uma coisa que faz com que a gente tenha</p><p>a memória diminuída é a falta de treino, vejam bem,</p><p>pois a memória não é de meia dúzia de privilegiados:</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>60/289</p><p>“– Fulano tem uma boa memória.”</p><p>Está bom que alguém possa ter uma capacidade</p><p>excepcional, mas a maioria dos seres humanos tem a</p><p>mesma capacidade de memória. Salvo alguns casos</p><p>excepcionais, que são exceções.</p><p>A memória precisa ser exercitada.</p><p>Já cansei de ver pessoas que diziam:</p><p>“– Eu não tenho memória.”</p><p>E daqui a pouco elas estavam decorando poe-</p><p>mas enormes. É possível isso. Simplesmente é uma</p><p>questão de exercício. E pode ser um exercício, como</p><p>eu falei, que está cheio de cursos por aí de memori-</p><p>zação, onde você usa técnicas. Elas funcionam bem,</p><p>mas são limitadas, no sentido de você se tornar atento</p><p>para toda a sua vida, e no sentido de memorizar as</p><p>coisas importantes.</p><p>Você tem que ter uma memória ativa, porque você</p><p>tem que ter poder sobre ela. E dizer:</p><p>“– Eu vou estar atento à vida.”</p><p>Eu não sei quais são as coisas fundamentais. Eu</p><p>não posso selecionar o quê da vida é interessante,</p><p>porque eu não sou sábio.</p><p>Isso é muito, eu acho incrível, gente. Fico imagi-</p><p>nando, por exemplo, imaginem que vocês estivessem</p><p>na Ágora, na Grécia. Estava passando Sócrates, para</p><p>fazer ali um discurso, um diálogo com seus discípu-</p><p>los. Muitas pessoas estavam ali. Mas estavam pres-</p><p>tando atenção a outra coisa, que lhes parecia mais</p><p>interessante.</p><p>Quando Fernando Pessoa estava lá naquela</p><p>cafeteria A Brasileira do Chiado, sentado lá na sua</p><p>mesinha, devia ter um monte de gente naquelas me-</p><p>sas achando que valia mais a pena fazer outra coisa</p><p>do que prestar atenção no Fernando Pessoa, que</p><p>estava ali.</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>61/289</p><p>Quando Dom Pedro II andava pelas ruas do Rio</p><p>de Janeiro, devia haver um monte de pessoas passan-</p><p>do à sua volta, que de repente estavam concentradas,</p><p>e achando que o objeto da sua mente era mais impor-</p><p>tante do que o quê estava acontecendo à sua volta.</p><p>Quantas pessoas perderam coisas maravilhosas</p><p>na História, achando que a vida não tem nada para</p><p>oferecer. E que os seus pensamentos são mais inte-</p><p>ressantes do que aquilo que está acontecendo à sua</p><p>volta.</p><p>Os seus pensamentos são aquilo que você já viu.</p><p>Aquilo que está acontecendo à sua volta é o novo, que</p><p>a vida lhe trouxe, porque tinha algo para você apren-</p><p>der com aquilo.</p><p>Por trás disso, existe uma visão de que a vida não</p><p>é casual.</p><p>“– Nada acontece ao homem que não seja</p><p>próprio do homem.”</p><p>Isso diz Marco Aurélio, imperador estoico romano.</p><p>Ou seja, se na nossa vida não houvesse nada para ser</p><p>apreendido, provavelmente não estaríamos mais aqui.</p><p>Que isso, mais uma vez, é de um outro livro, que</p><p>é o Bardo Thodol, o Livro Tibetano dos Mortos. Se</p><p>nós fechamos os olhos, de uma maneira tal que não</p><p>queremos aprender mais nada, nós decretamos, que-</p><p>remos morrer. Porque não existe vida se não houver</p><p>possibilidade de aprendizado.</p><p>À nossa volta, o tempo todo, estão acontecendo</p><p>coisas que poderiam agregar valor à nossa vida, se</p><p>nós tivéssemos comparecido à aula, se estivéssemos</p><p>atentos. E aí nós começamos a achar que a vida é</p><p>tediosa, porque não acontece nada, e criamos subs-</p><p>titutivos para ela. Fantasias, fantasias individuais, que</p><p>nos fazem estar desdobrados pela rua afora. Você vê</p><p>as pessoas passarem por você, e elas não estão ali.</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>62/289</p><p>Só está o corpo. Às vezes, as pessoas estão falando</p><p>com você, e não estão ali. Só está o corpo, cumprindo</p><p>o script mecânico, que ele memorizou. E a mente está</p><p>em outro lugar. Quantas pessoas estão à sua volta,</p><p>estão ali de corpo e alma?</p><p>Você percebe que a pessoa se ausenta, porque</p><p>acha que aquele momento é banal e não tem nada</p><p>para lhe oferecer. E aquele momento é riquíssimo. Ela</p><p>se ausentou por uma fantasia. E isso é tão comum,</p><p>que hoje é institucionalizado. Não é só a fantasia indi-</p><p>vidual. Existem as fantasias coletivas.</p><p>Uma série de entretenimentos, que nada mais</p><p>são do que uma fuga, para que o homem saia da sua</p><p>vida tediosa e vá para a vida daquele fulano, que se di-</p><p>verte, que anda de carrão, que viaja para tudo quanto</p><p>é lugar do mundo. Ou seja, cria uma vida artificial, para</p><p>que você se ausente da sua e vá se divertir lá, porque</p><p>a sua vida não tem graça nenhuma...</p><p>Duvido, esteja você onde estiver, faça você o</p><p>quê fizer, eu lhe garanto que à sua volta, agora, exis-</p><p>tem coisas muito mais interessantes do que qualquer</p><p>coisa que esteja se passando em qualquer entre-</p><p>tenimento.</p><p>Porque existe exatamente aquilo que você pre-</p><p>cisa aprender agora para crescer. Nada substitui a</p><p>vida, nada substitui a necessidade das pessoas que</p><p>estão dentro da sua casa. O estado, às vezes, de</p><p>tristeza, de abandono, que existe nas suas coisas, é</p><p>por elas não serem tratadas com o devido carinho,</p><p>porque as coisas falam dessas necessidades, que</p><p>existem dentro do nosso peito, e que às vezes se</p><p>manifestam em sonhos, mas a gente não percebe o</p><p>apelo delas. A necessidade de cuidar mais das pes-</p><p>soas que amamos, a necessidade de mais reflexão,</p><p>a saudade de si próprio.</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>63/289</p><p>Tem 1.000 vozes a sua volta e dentro de você,</p><p>neste momento, que são mais interessantes do que</p><p>as vozes de qualquer substitutivo da vida, de qualquer</p><p>fuga. Percebam que os vícios, sejam eles quais forem,</p><p>nada mais são do que um grau radical de substitutivos</p><p>da vida, porque a vida foi considerada um tédio.</p><p>Se eu disser para vocês que a vida não é um té-</p><p>dio, talvez tivéssemos o maior antídoto para todo tipo</p><p>de vício e de fuga, desde os mais brandos até os mais</p><p>heavy metal, não é isso?</p><p>Enfim, é importante percebemos isso. Amor à vida</p><p>é um antídoto muito, muito eficaz. Ânimo de aprendiz,</p><p>estar o tempo todo ligado àquilo que a vida propõe. E</p><p>que é riquíssimo. Tem momentos que</p><p>são cerimoniais.</p><p>Se você parar pra pensar nos momentos belos da sua</p><p>vida, talvez se lembre de um momento muito simples,</p><p>que lhe trouxe um estado de satisfação e de plenitude</p><p>muito grande. Esse momento de agora também pode</p><p>fazer isso.</p><p>Bom, continuando, expressão e lógica.</p><p>Muitas pessoas fazem curso de oratória, eu acho</p><p>altamente recomendável. Recomendo inclusive que</p><p>façam. Mas talvez vocês não saibam uma coisa, que</p><p>existe um nível básico da oratória. Que é você ir lá na</p><p>frente e falar bem.</p><p>Esse é o básico.</p><p>“– Ué, como assim, professora?”</p><p>É, é o básico. Você ir lá na frente, saber o quê fa-</p><p>zer com os braços, saber o quê fazer com a voz, saber</p><p>o quê fazer com os olhos. Isso é o básico, meus caros.</p><p>Sabe qual que é a oratória avançada? Você saber</p><p>o quê você vai falar lá na frente com coerência, com</p><p>lógica, sabendo que vai acrescentar alguma coisa ao</p><p>seu ouvinte. Não é, simplesmente, algo que você du-</p><p>plicou de um livro, que ele poderia ler na casa dele.</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>64/289</p><p>Tem a sua dose de reflexão. Você acrescentou a sua</p><p>dose de experiência. Ali você vai passar algo que é de</p><p>valor, e que traz luz à vida de quem o ouve.</p><p>A preparação de um discurso, claro, com um sig-</p><p>nificado, com um aporte àquele que o ouve, é a parte</p><p>mais difícil da oratória. Então, às vezes, as pessoas</p><p>pensam:</p><p>“– Eu sou tímido para falar em público. Eu</p><p>fico envergonhado.”</p><p>Pode ser que você seja tímido. E isso dá para trei-</p><p>nar e superar, essa timidez. Por aí existem excelentes</p><p>cursos de oratória. Mas provavelmente você também</p><p>tem dificuldade para escrever um discurso, de uma</p><p>maneira tal que, ao ler, você se convença.</p><p>Bom, de qualquer maneira, eu vou dizer isso, por-</p><p>que vale a pena ser ouvido. Quando você tem algo</p><p>a dizer, você vai encontrar uma via para que isso se</p><p>manifeste.</p><p>Como dizia Carlos Drummond de Andrade:</p><p>“– Procura a palavra sagrada. Penetra no rei-</p><p>no das palavras.”</p><p>Se você tem algo a dizer, fica muito mais fácil de</p><p>você encontrar os meios. Então, a oratória avançada</p><p>é trabalhar um discurso útil a quem ouve, coerente,</p><p>com lógica, com clareza. Você não vai, não sei se isso</p><p>é boa notícia, acho que não, em uma plena segunda-</p><p>feira, você não vai conseguir fazer isso se você não</p><p>aprender a pensar com lógica o tempo todo.</p><p>Os ensinamentos bem concatenados, os pensa-</p><p>mentos bem ordenados, a lógica é como uma equa-</p><p>ção matemática. A conclusão tem que ser deduzida da</p><p>premissa. Não entra nada no meio do caminho. Não</p><p>sai nada que não estivesse na primeira premissa, uma</p><p>dedução inteligente, de argumento a argumento.</p><p>Muitas vezes, as pessoas pensam:</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>65/289</p><p>“– Bom, mas você é uma filósofa, está me</p><p>dizendo que lógica é tudo?”</p><p>Não, não estou dizendo que lógica é tudo. Eu es-</p><p>tou dizendo que, perto da forma como a gente pen-</p><p>sa, hoje em dia, lógica é muito. Muito recentemente,</p><p>alguns devem ter assistido uma palestra minha, que</p><p>está no YouTube, que fiz sobre Inteligência Artificial e</p><p>Consciência Humana.</p><p>Onde, necessariamente, na comparação dessas</p><p>duas coisas, eu tive que dizer:</p><p>“– Bom, a máquina trabalha com lógica.”</p><p>Tem um algoritmo que ela segue rigorosamente.</p><p>O ser humano pode mais do que isso. O ser humano</p><p>pode intuição, pode criatividade, pode um monte de</p><p>coisas. Mas, com o comodismo mental que nós temos</p><p>hoje em dia, nós não temos nem a lógica; nós estamos</p><p>aquém da máquina. Ou seja, nem a lógica nós desen-</p><p>volvemos. Temos preguiça de pensar, e compramos</p><p>pacotes prontos.</p><p>Se você pega esses argumentos da moda, o pen-</p><p>samento da moda, para fazer um exercício lógico de</p><p>análise daquilo, eu acho que você não passa de se-</p><p>gunda linha. Não vou entrar nisso, porque seria com-</p><p>prar uma briga terrível. Mas, o pensamento da moda,</p><p>normalmente, é uma das coisas mais furadas da His-</p><p>tória.</p><p>Eu já estive uma vez fazendo uma pesquisa so-</p><p>bre a moda de vários momentos históricos. É difícil.</p><p>Nunca encontrei nenhuma moda que soubesse o quê</p><p>estava dizendo.</p><p>Se você soubesse, analisava isso com sensatez</p><p>– sem ter que aderir muito imediatamente, no calor</p><p>das emoções –, guardando um pouco o tempo certo</p><p>para você ver a que você vai empenhar a sua vontade,</p><p>onde você vai assinar embaixo.</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>66/289</p><p>Não aderir tão entusiasticamente, imediatamente,</p><p>às coisas, porque a sociedade lhe cobra isso.</p><p>“– Você é contra ou a favor?”</p><p>“– Espere aí. Deixe-me pensar.”</p><p>“– Não, mas não pode ficar pensando tanto...”</p><p>É, então, estou fora! Se você não me der tempo</p><p>para refletir, eu não me manifesto em relação a nada.</p><p>E pode ser que eu vá refletir e não seja nem contra</p><p>nem a favor, e não queira saber disso.</p><p>Porque isso, em si, já é um sofisma: Ou está co-</p><p>migo ou está contra mim. Não, não sou nem uma das</p><p>duas coisas. Eu sou uma pessoa que gosta de você,</p><p>mas não estou nem com você nem contra você. Estou</p><p>a favor daquilo que o faz crescer e contra aquilo que</p><p>o animaliza.</p><p>Pronto, é outra coisa, não deixe que ninguém o</p><p>coloque na parede, e o obrigue a se colocar em posi-</p><p>ções com que você não concorda com nenhuma das</p><p>duas alternativas. Isso é um sofisma. Falácia do tercei-</p><p>ro excluído. Existem muito mais do que duas alterna-</p><p>tivas. Então, só a lógica, que é a ciência do raciocínio</p><p>correto, do pensamento correto, já nos protegeria de</p><p>muita coisa.</p><p>Dentro do Curso de Filosofia, a gente estuda uma</p><p>escola filosófica, pela qual eu tenho muito carinho, que</p><p>é o Estoicismo, onde eles prezavam muito pela lógica.</p><p>Epicteto, que é um grande filósofo estoico, dizia:</p><p>“– Proteja a sua razão e ela protegerá você.”</p><p>Bom, isso é tudo? Não, depois disso, tem um</p><p>monte de outras capacidades, que vão além da lógica,</p><p>mas, se você começa zelando pela lógica, de muita</p><p>coisa você já vai se safar, está certo?</p><p>E por fim vamos falar um pouco a respeito da</p><p>síntese. Olha, quando você lê um livro, e você pode</p><p>garantir que daqui a um ano ainda vai ter alguma coi-</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>67/289</p><p>sa dele com você, você fez uma boa síntese. Quando</p><p>você está conversando com alguém, e quer garantir</p><p>que você vai entender onde essa pessoa está queren-</p><p>do chegar, enquanto ela está falando, você está fazen-</p><p>do uma boa síntese.</p><p>Fazer síntese é querer pegar o coração de todas</p><p>as coisas. As coisas são cercadas de adornos, mas</p><p>elas têm um centro, um coração. E você tem que se</p><p>apossar desse coração, para que possa interagir real-</p><p>mente com as pessoas, possa interagir com uma obra,</p><p>possa interagir até consigo mesmo. Ou seja, a capaci-</p><p>dade de síntese é uma busca de sentido.</p><p>O homem que é capaz de fazer uma síntese ele</p><p>pegou o essencial de uma obra, e pode incorporá-la,</p><p>de forma que ele jamais vai perder o essencial dessa</p><p>obra. Então, não precisa, ainda que seja bom, reler</p><p>boas obras, mas ele não precisa ficar relendo mil ve-</p><p>zes para entender o essencial. Ele tem o hábito de, a</p><p>primeira vez que está lendo, já estar buscando o es-</p><p>sencial. E isso é superinteressante, gente.</p><p>A gente vai falar em uma dessas nossas lives a</p><p>respeito dos mandamentos de um bom resumo. Você</p><p>está lendo, e você já está ali pegando a ideia princi-</p><p>pal. Você termina uma leitura, e você já tem o resumo</p><p>prontinho. Você já vai ali como um caçador buscando</p><p>a sua presa, que é o coração de todas as coisas.</p><p>Um dia, vamos estar diante da morte, e sabe o</p><p>quê é que a vida vai exigir de nós, nesse momento?</p><p>O poder de síntese, para ver o quê valeu a pena, para</p><p>ver o quê fez diferença. A vida vai exigir poder de sín-</p><p>tese. E, se não o temos, vamos sair da vida de mãos</p><p>abanando.</p><p>O tempo todo temos que saber o quê é que está</p><p>valendo</p><p>a pena. Aliás, isso nos ajuda, inclusive, a viver</p><p>melhor. O quê está valendo a pena, o quê está fazen-</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>68/289</p><p>do sentido? O quê disso vai fazer com que eu seja um</p><p>ser humano de verdade, que traga valor ao mundo, à</p><p>minha vida e à vida dos que me cercam?</p><p>A síntese não vai ajudar só no final, pois ela ajuda</p><p>enquanto você está vivendo. Porque ela vai lhe mos-</p><p>trando que o quê feito foi até agora está longe de ser</p><p>aquilo que você gostaria, ou está indo bem, ou você</p><p>está paralisado.</p><p>A síntese é a capacidade de irmos ao centro, e</p><p>vermos além de todos os adornos, além de todas as</p><p>aparências, o quê de fato estamos vivendo; se é que</p><p>estamos vivendo. Que a síntese, em um determinado</p><p>momento, pode nos mostrar que não houve, que não</p><p>há nada a sintetizar.</p><p>Se eu contar para vocês quantas vezes eu já me</p><p>sentei na frente de palestrantes, com um papel na</p><p>mão, tentando tirar a síntese do que aquela pessoa</p><p>está falando, e terminei com esse papel em branco...</p><p>Porque hoje, é incrível, às vezes, até com pesso-</p><p>as que dominam bem as palavras, às vezes elas não</p><p>têm um conteúdo claro, é um conjunto de coisas agra-</p><p>dáveis ao ouvido, mas não tem um conteúdo.</p><p>E é estranho, porque você fica no ar. Quando é</p><p>que ele vai começar, ou ela vai começar a falar real-</p><p>mente o assunto, que ele ou ela quer dar para a gen-</p><p>te? Qual é o conceito que vai ficar disso?</p><p>Às vezes termina, aí você vê que a pessoa fala</p><p>muito, fala bonito, mas não tem síntese, não tem</p><p>coração. E às vezes acho que as pessoas estão se</p><p>desacostumando a perceber que as coisas têm que</p><p>ter coração. Ou seja, as coisas sem coração não vão</p><p>muito longe, porque o coração é que marca o ritmo</p><p>da vida.</p><p>Então, síntese também não é algo que se restrin-</p><p>ja ao momento em que você abre um livro. Síntese</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>69/289</p><p>é uma capacidade inata e extremamente necessária</p><p>para a vida.</p><p>Faça uma síntese do que você viveu até agora,</p><p>e veja se era essa vida que você esperava de um ser</p><p>humano, de si próprio. E, se está um pouco longe do</p><p>que você esperava, comece a acertar o seu passo. E</p><p>a cada passo, uma nova síntese, para que você não</p><p>se perca de novo.</p><p>Bom, gente, isso é o nosso bate-papo de hoje. É</p><p>uma coisa rápida, como eu falei. O quê estou trazen-</p><p>do para vocês são algumas ideias. Vocês sabem que</p><p>esse conteúdo do nosso Curso de Aprender a Estudar</p><p>vai sair já, já, e que foi feito com muito carinho.</p><p>Aqueles que se interessem, eu tenho certeza de</p><p>que vão gostar. E aqueles que não possam fazer, tam-</p><p>bém espero que essas palavras tenham sido de utili-</p><p>dade. Que possam trazer para vocês alguma reflexão,</p><p>que os coloque na situação ideal do ser humano, de</p><p>eterno aprendiz.</p><p>Estarei com vocês, e tenho certeza de que, bom,</p><p>essa palestra de hoje, esse curso de como estudar,</p><p>tudo está sendo feito com muito carinho, e espero que</p><p>traga a vocês, que possa espetar, alfinetar o eterno</p><p>aprendiz que está adormecido dentro de vocês.</p><p>Muito obrigada a todos.</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>70/289</p><p>BOAS-VINDAS</p><p>Os mandamentos do resumo</p><p>Sejam bem-vindos a mais este nosso bate-papo!</p><p>Agradeço muito a presença de todos.</p><p>Nós vamos falar um pouco a respeito dos nossos</p><p>Mandamentos do Resumo. Mais do que isso, nós va-</p><p>mos falar para vocês sobre a necessidade do resu-</p><p>mo, da síntese. São alguns elementos de que muito,</p><p>e reiteradamente, tenho falado. Mas, às vezes, não</p><p>convenço as pessoas. Quantas vezes as pessoas vêm</p><p>me dizer:</p><p>– Sou professora há muitos anos, mas tenho</p><p>essa aula para dar; o quê é o mais importante?</p><p>Eu achei interessante isso, porque a gente deve-</p><p>ria ter sempre em mente este capítulo desse livro. O</p><p>quê é o mais importante, inclusive do livro como um</p><p>todo? O quê é o mais importante deste livro? Qual era</p><p>o peixe que ele queria me vender? Eu comprei? Esse</p><p>peixe de fato tinha valor? Correspondia ao que ele ofe-</p><p>recia? Qual é a sua ideia principal? Eu concordo com</p><p>ela, discordo, e por quê?</p><p>Se eu discordo fundamentado, porque só dá para</p><p>discordar assim, não numa questão de simpatizo ou</p><p>não com as ideias, eu tenho ou não uma boa razão</p><p>para não crer nessas ideias?</p><p>Eu posso ver isso, a partir desse diálogo entre as</p><p>minhas ideias e as ideias do autor, e observando como</p><p>a vida se desenrola. Às vezes, lá na frente, vejo me-</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>71/289</p><p>lhor o quê o autor disse aqui. Lá na frente, eu percebo</p><p>que ele tinha mais razão do que eu. Mas para isso pre-</p><p>ciso estar atenta. Para isso preciso estar observando a</p><p>comparação entre as ideias do autor e as minhas.</p><p>Temos uma mania de ser muito desatentos com</p><p>as ideias. Desculpem, mas se eu pegasse vocês, nes-</p><p>te momento, e saísse perguntando assim, à queima</p><p>roupa:</p><p>– Qual é a sua ideia sobre a justiça?</p><p>– Qual é a sua ideia sobre o amor; sobre a vida</p><p>como um todo; sobre a paz; sobre a bondade; sobre a</p><p>fraternidade?</p><p>– Qual é a sua ideia sobre isso?</p><p>– Como você entende isso?</p><p>Desdobre isso em miúdos, de forma prática, para</p><p>mim. Vocês perceberiam que, em grande parte, na</p><p>maioria dos casos, creio que... eu colocaria vocês em</p><p>um aperto?</p><p>A gente tem pouco hábito de pensar em ideias.</p><p>Quando você começa um livro, o quê você vai buscar</p><p>ali? – Salvo raros casos, onde a gente vai buscar me-</p><p>ramente entretenimento.</p><p>A gente entra num livro para buscar conhecimen-</p><p>to, e conhecimento é receber ideias, e analisá-las. Ver</p><p>se de fato condizem com a sua visão de mundo, ou se</p><p>acrescentam algo novo a sua visão de mundo, e assi-</p><p>milá-las. Se você não assimilou nenhuma ideia de um</p><p>livro, essa leitura foi perdida.</p><p>Provavelmente, se é um bom livro, vai ter que lê-lo</p><p>novamente, mais adiante. E isso é algo que, como falo</p><p>sempre, nós não deveríamos nos permitir.</p><p>Se vocês observassem os livros principais, os li-</p><p>vros mais belos da humanidade, se fizéssemos uma</p><p>lista disso – descendo a miúdos, descendo a exce-</p><p>lentes romances, descendo a livros sagrados de tudo</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>72/289</p><p>quanto é tradição, fazendo uma lista bastante comple-</p><p>ta –, perceberiam que, dada a dificuldade dessa leitu-</p><p>ra, e dada a sua extensão, a nossa vida não é longa.</p><p>Nós temos pouco tempo, e por termos pouco</p><p>tempo não deveríamos desperdiçá-lo, ao ler mal lido</p><p>um livro – se ele vale a pena ser lido... Aliás, eu vou</p><p>dizer algo, que talvez vocês se surpreendam, talvez</p><p>até discordem de mim, mas eu claramente aconse-</p><p>lho a isso.</p><p>Se você vai ler um livro com expectativa, e ele</p><p>não corresponde em absoluto àquela linha em que</p><p>você pensava que ele caminharia, mas se desprenda</p><p>e se disperse numa banalidade, num conjunto de ele-</p><p>mentos que não correspondem a nada do que você</p><p>esperava, não leve essa leitura até o final. Imediata-</p><p>mente, comece algo que valha mais a pena.</p><p>E olhe que estou falando para vocês algo que</p><p>para mim é extremamente difícil. Eu sou o tipo da pes-</p><p>soa que não tem dificuldade para levar as coisas até o</p><p>final. Grande parte da minha vida, minha infância, eu</p><p>era considerada uma teimosa de marca maior. E pou-</p><p>cas vezes na minha vida eu me recordo de ter largado</p><p>alguma coisa pela metade.</p><p>Mas, honestamente, ler um mau livro por teimosia</p><p>não é válido. Ou seja, retomando o argumento, para</p><p>que entendam o quê eu estou querendo dizer. Nossa</p><p>vida é curta perto da quantidade de coisas boas que</p><p>há para ler.</p><p>Primeiro lugar, não desperdicem tempo em coisas</p><p>de má qualidade – não digo entretenimento, porque é</p><p>uma forma de espairecer, faz parte. As coisas de má</p><p>qualidade, não percam tempo com elas.</p><p>Em</p><p>segundo lugar, as boas leituras. Não desper-</p><p>dicem a oportunidade de sintetizá-las, e de terem as</p><p>ideias sempre com vocês.</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>73/289</p><p>Síntese, gente, é muito mais do que meramente</p><p>um método de estudo, é um método de aprender com</p><p>a vida. É um método de aprender com o outro, e de</p><p>ensinar ao outro. Síntese no fundo é tomar o coração</p><p>de todas as coisas, entender a que vêm.</p><p>Vocês vão perceber que toda comunicação é bas-</p><p>tante coberta, digamos assim, por um chantili de ideias</p><p>de apoio. Toda comunicação tem uma ideia de apoio</p><p>que enfatiza, uma ideia de apoio que mostra o outro</p><p>lado da situação.</p><p>No Curso de Técnicas de Estudo, inclusive, pre-</p><p>tendo falar sobre isso. Agora, a ideia principal que está</p><p>sendo apresentada ali às vezes é curta, é pequena,</p><p>mas você tem que aprendê-la, e guardá-la. Bom, esse</p><p>texto é essa ideia.</p><p>Os textos dão algumas fundamentações, as prin-</p><p>cipais, que você pode até resumir e guardar também.</p><p>Mas, o principal, esse texto fala dessa ideia, e defende</p><p>este ponto de vista sobre essa ideia.</p><p>Isso é fundamental para você confrontar também</p><p>a vida. Já falei muito para vocês que, diante da morte,</p><p>por exemplo, que não é um bom exemplo, não é uma</p><p>reflexão que ninguém gosta de fazer, mas disse que,</p><p>diante da morte, a principal função do ser humano é</p><p>sintetizar a sua vida, e ver o quanto ele fez diferença</p><p>para o mundo, para si mesmo. O quanto você foi fator</p><p>de soma, na sua própria vida, na vida das pessoas que</p><p>o cercam.</p><p>Ou seja, você não vai se perder em ninharias,</p><p>em um momento final de tudo isso. Você vai se fixar</p><p>naquilo que foi real. Ou seja, vai ter que naturalmen-</p><p>te ser capaz de fazer síntese. No meio de todo esse</p><p>movimento, para lá e para cá, no meio de todas essas</p><p>coisas, o quê foi real? O quê fez diferença? O quê re-</p><p>almente somou?</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>74/289</p><p>Lógico, se isso vai acontecer ao final da vida,</p><p>também devia acontecer periodicamente, ao longo</p><p>dela. Porque não é certo você avaliar sua vida apenas</p><p>quando ela acabou. Porque já não lhe dá mais chance</p><p>de mudar o seu curso.</p><p>Como dizia o filósofo Marco Aurélio, nós devería-</p><p>mos nos comportar como se hoje fosse o primeiro dia</p><p>de nossas vidas, seja aquele espírito de pureza, de</p><p>ver as coisas sem preconceitos, mas também como</p><p>se fosse o último da nossa vida. Termos capacidade</p><p>de analisar, sintetizar tudo que ficou para trás, e ver se</p><p>era realmente isso que queríamos fazer. Se estamos</p><p>indo na direção correta. Ou seja, retomando e enu-</p><p>merando. Poder de síntese é fundamental para você</p><p>aprender da vida, para você poder transmitir os seus</p><p>ensinamentos sobre a vida.</p><p>Eu imagino que uma pedagogia ideal, numa ci-</p><p>dade ideal, por exemplo, numa República de Platão,</p><p>uma cidade imaginária, eu imagino que um bom pro-</p><p>fessor chegaria e exporia de maneira bem clara as</p><p>ideias principais, e depois as fundamentaria, e de vez</p><p>em quando voltaria às ideias principais, até ensinar os</p><p>alunos a encontrarem no meio de qualquer discurso as</p><p>ideias principais.</p><p>E, para que eles não percam isso, que saibam</p><p>que todo o resto é apoio, gravita em torno, enriquece,</p><p>apoia. Mas o aluno tem que saber o quê é fundamen-</p><p>tal. Acredito que seria muito interessante na nossa</p><p>Pedagogia Escolar se a gente ensinasse o aluno, nas</p><p>nossas próprias aulas, a encontrar as ideias principais.</p><p>Ensiná-lo a fazer uma boa síntese, um bom resumo.</p><p>Eu fico imaginando um aluno, como tantas vezes</p><p>já tive na vida. Eu passo um texto, dou uma aula, e peço</p><p>para que ele faça um resumo daquilo. E essa pessoa</p><p>vem com um pedaço aleatório, recortado do meio do</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>75/289</p><p>texto ou da oratória que eu fiz. Um trecho, às vezes,</p><p>irrelevante. Eu fico impressionada, porque, às vezes,</p><p>pessoas adultas, profissionais experientes, e não sa-</p><p>bem, não têm esse espírito de focar naquilo que é fun-</p><p>damental, naquilo que é dito, naquilo que é ouvido.</p><p>Evidentemente, perdemos o coração das coisas,</p><p>não estamos atentos a ele. Será que a gente não per-</p><p>de também o nosso coração? Começamos a não sa-</p><p>ber o que é fundamental na nossa vida.</p><p>Síntese, entendam! É a capacidade de encontrar o</p><p>fundamental no meio daquilo que é supérfluo. Será que</p><p>a gente sabe fazer isso na nossa vida? Será que a gente</p><p>sabe dizer o quê é aquilo que não pode ser sacrificado?</p><p>Aquelas coisas que são dotadas de um valor ex-</p><p>cepcional, que não poderiam ser atropeladas por ou-</p><p>tras. Aquilo que não pode ser delegado, aquilo que</p><p>não pode ser abandonado, aquilo que não pode ser</p><p>adiado indefinidamente.</p><p>Quais são as funções da nossa vida que são as-</p><p>sim? Você percebe que, quando a gente se coloca</p><p>contra a parede, que é um exercício filosófico muito</p><p>útil, você vai perceber que você não tem uma síntese</p><p>do que é fundamental na sua vida, e daí vem essa</p><p>dificuldade de encontrar a síntese em todas as coisas.</p><p>Então, a capacidade de síntese tem a ver com</p><p>discernimento, saber encontrar o cerne das coisas, sa-</p><p>ber encontrar aquilo que é no meio de um monte de</p><p>aparências. Ela é fundamental para a identidade; ela é</p><p>fundamental para o aprendizado com a vida; para ab-</p><p>sorver as mensagens que a vida está lhe dando todos</p><p>os dias, simbolicamente, através dos acontecimentos;</p><p>para você entender o quê os outros estão lhe dizendo,</p><p>querendo lhe dizer. Ainda quando o outro não sabe se</p><p>expressar muito bem, você sabe achar o coração da</p><p>intenção dele no meio da fala.</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>76/289</p><p>Expressar-se bem, e através do seu exemplo en-</p><p>sinar as pessoas a terem um bom discernimento, en-</p><p>tão, é fundamental para a compreensão, assimilação</p><p>e transmissão do conhecimento.</p><p>Se nós consideramos, como dizia Platão, que a</p><p>arte de apreensão e transmissão do conhecimento é</p><p>a arte mais sagrada da vida humana, porque conhe-</p><p>cimento aplicado, vivenciado, é o quê nos transforma</p><p>realmente em seres humanos, nós vamos perceber</p><p>que o poder de síntese é um dos elementos funda-</p><p>mentais que deveríamos ter aprendido, desde idade</p><p>muito tenra.</p><p>Agora vocês sabem que Filosofia não suporta vi-</p><p>timização.</p><p>– Não aprendi...</p><p>– Não me ensinaram...</p><p>Ótimo. Você percebeu que precisa, comece a</p><p>aprender agora mesmo. Ensine a si próprio. Comece</p><p>a trabalhar com esta ferramenta, e você vai perceber</p><p>o ganho de qualidade em relação a tudo na vida. Você</p><p>não se desloca de um lugar para o outro, não passa</p><p>por meia dúzia de acontecimentos, sem se perguntar: O</p><p>quê a vida está querendo me dizer com isso? Você não</p><p>sai de casa, entra no carro e chega no trabalho sem se</p><p>perguntar por que o trajeto hoje foi dessa maneira. Por</p><p>que acontece esse fato; esse fato; esse fato…</p><p>A capacidade de síntese o coloca observador, com</p><p>espírito de aprendiz, ávido por encontrar a mensagem</p><p>que está por trás das aparências, ávido por abrir o en-</p><p>velope da vida. Percebam, isso é muito importante.</p><p>Nós somos aprendizes, não podemos esquecer dis-</p><p>so nunca. E devemos guardar e carregar conosco a</p><p>síntese do que foi vivido. Não o envelope. A síntese.</p><p>Mais uma vez, reitero algo que há muito venho</p><p>falando, ao longo de minhas palestras. Que é o exem-</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>77/289</p><p>plo do suco de laranja. Nós estamos gripados, vamos</p><p>lá, esprememos e tomamos o suco da laranja. Di-</p><p>zem que esse ácido ascórbico nos protege, aumen-</p><p>ta a nossa imunidade, por exemplo, diante de uma</p><p>gripe. Tudo bem, eu incorporo esse ácido ascórbico,</p><p>ele passa a integrar a minha imunidade, a minha ca-</p><p>pacidade de resposta ao meio, a minha resistência a</p><p>determinados vírus.</p><p>Mas as</p><p>cascas que eu carreguei eu jogo fora. Eu</p><p>não vou ficar carregando um saco de cascas de laran-</p><p>ja para a vida inteira. Daqui a pouco, isso pesa tanto...</p><p>que eu não tenho mais condições de avançar, não te-</p><p>nho mais condições de crescer.</p><p>E nós deveríamos fazer isso em relação às men-</p><p>sagens que a vida nos manda. Aprender, pegar, fazer</p><p>uma síntese. Pegar o coração da experiência, jogar</p><p>fora a dor que nos proporcionou, jogar fora o mal que</p><p>nos fez, jogar fora o envelope.</p><p>Todas as características, o preço que pagamos</p><p>por aquilo, isso deveria ser descartado. Se não, o peso</p><p>para avançarmos é enorme. Diz uma passagem do Li-</p><p>vro Tibetano dos Mortos, o Bardo Thodol, que se sou-</p><p>béssemos fazer isso, caminharmos jogando fora as</p><p>cascas de laranja, os envelopes, e guardando apenas</p><p>a essência que cada coisa nos ensina, pasmem, tal-</p><p>vez não fosse necessária a morte.</p><p>A morte se torna necessária exatamente porque</p><p>carregamos um saco de cascas de laranja e, às vezes,</p><p>não tomamos o suco. Às vezes, não aprendemos a</p><p>essência daquele acontecimento.</p><p>Mas carregamos o preço que pagamos. Não abri-</p><p>mos o envelope, não lemos a mensagem que está lá</p><p>dentro, mas ficamos carregando envelopes, envelopes</p><p>e envelopes… ou seja, síntese é pegar o essencial, e</p><p>descartar o desnecessário.</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>78/289</p><p>Síntese nos ajuda a ter uma vida mais produtiva e</p><p>feliz, e não amargurada e presa às embalagens, sem</p><p>atenção ao conteúdo. Síntese faz com que a gente não</p><p>tenha que viver pela segunda vez a mesma experiên-</p><p>cia, para aprender o mesmo conteúdo. Essa é a ideia.</p><p>Bom, lógico, nós vamos passar hoje, e dentro do</p><p>Curso de Técnicas de Estudo, de maneira mais com-</p><p>pleta, as técnicas para você fazer um resumo, uma</p><p>síntese, um texto numa folha de papel.</p><p>Mas essas técnicas podem, sim, ser implantadas</p><p>a qualquer coisa na sua vida. A ideia de que nós esti-</p><p>véssemos com espírito de capturar o coração das coi-</p><p>sas, inclusive, capturar o nosso próprio coração, que é</p><p>o mecanismo na construção da nossa identidade.</p><p>Quanto mais dentro, mais fora. Quanto mais faze-</p><p>mos isso com o mundo, mais temos capacidade de fa-</p><p>zer conosco. E vice-versa, quanto mais encontramos</p><p>o nosso coração, mais facilmente achamos o coração</p><p>de todas as coisas.</p><p>Então, vamos lá? Entendido todo este longo pre-</p><p>âmbulo, vamos falar um pouco a respeito do que seriam</p><p>os quatro mandamentos do resumo, que foi uma for-</p><p>ma com que eu resumi as ideias principais, para que</p><p>vocês saibam se comportar diante de um texto.</p><p>O primeiro mandamento do resumo: vai dizer</p><p>o seguinte:</p><p>“– Você não usará duas palavras se pode</p><p>usar uma só. Ou não usará três palavras se pode</p><p>usar só duas.”</p><p>Se está lendo um texto, um parágrafo ou uma fra-</p><p>se, em geral, faça o resumo por parágrafos. Porque, a</p><p>princípio, num texto bem escrito, cada parágrafo tem</p><p>que ter uma única ideia. Para isso, existem os pará-</p><p>grafos, e não para ilustrar uma folha de papel.</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>79/289</p><p>Então, o parágrafo tem uma ideia principal. Você</p><p>vai localizar no texto essas ideias principais, vai subli-</p><p>nhar o mínimo, para que ela fique clara; o mínimo. Não</p><p>se sublinha artigo desnecessário, nenhum adorno, ad-</p><p>jetivos em geral. Se não são imprescindíveis, não se</p><p>sublinha. E você vai transformar isso numa nota de</p><p>margem, e já são as unidades do seu resumo que fi-</p><p>cam prontas ali.</p><p>Assim, se você fala que o mensageiro olhou, aten-</p><p>tamente, de um lado para o outro, e atravessou a rua, e</p><p>entregou uma carta ao seu destinatário, do outro lado da</p><p>rua, bom, é um trecho cheio de requintes, blá, blá, blá...</p><p>Dependendo do contexto do texto, a princípio,</p><p>pelo menos, um parágrafo como este eu resumiria:</p><p>Mensageiro, entregou, destinatário. Mensageiro en-</p><p>tregou mensagem ao destinatário. Aliás, mensageiro,</p><p>nem precisava repetir mensagem, não é? Mensageiro</p><p>fez entrega a destinatário. Só isso, nada mais.</p><p>Não se sublinha coisíssima nenhuma, se ele</p><p>olhou para o lado, para o outro, se ele foi atento ou de-</p><p>satento, se o seu mensageiro era tranquilo, inquieto.</p><p>Simplesmente, o coração desse texto é mensa-</p><p>geiro entregou mensagem destinatário. Nada mais.</p><p>Então você não usa cinco palavras se quatro explicam</p><p>bem. Aí tem quarto, está muito bem explicado.</p><p>Você não coloca nenhum adorno. Resumo não</p><p>tem adornos. Os adornos adoçam, embelezam o</p><p>texto. Resumo não é obra literária, resumo é uma</p><p>coletânea das ideias que um parágrafo transmite.</p><p>Portanto nenhum adorno, nenhuma gota de chantili.</p><p>Desse pequeno período, desse pequeno parágrafo,</p><p>o resumo seria:</p><p>– Mensageiro entregou carta destinatário.</p><p>Acabou. Sublinhe apenas isso. Entenderam bem</p><p>essa ideia? Eu espero que tenha ficado claro para vo-</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>80/289</p><p>cês. Em inúmeras situações, procurem a mensagem;</p><p>aqui foi o quê? Uma carta foi entregue, uma palavra foi</p><p>dita. Alguma coisa foi feita.</p><p>Veja o quê é a ideia central, sublinhe apenas essa</p><p>ideia. Isso é o primeiro passo que você tem que dar</p><p>para fazer um bom resumo. A partir daí, você vai trans-</p><p>crever um resumo para a margem. Fazer uma nota de</p><p>margem. Bom:</p><p>“– Qual é o segundo mandamento do resumo?”</p><p>Não deixar de dar o seu recado. Cuidado! Que</p><p>nisso de sublinhar só a ideia principal, às vezes, so-</p><p>mos afoitos, principalmente quando não temos experi-</p><p>ência, e sublinhamos pouco demais.</p><p>Então, o primeiro mandamento dizia: Não colo-</p><p>que nada a mais.</p><p>O segundo mandamento do resumo vai dizer:</p><p>Não coloque nada a menos. Não deixe de dar o</p><p>seu recado. Então, se eu falo apenas mensageiro,</p><p>carta e destinatário, vocês percebem que isso está</p><p>mutilado?</p><p>Que mensageiro, carta e destinatário é para dizer:</p><p>“– Não entregou, destruiu a carta do desti-</p><p>natário...”</p><p>Dependendo do verbo que esteja aí, você tem uma</p><p>diferença muito grande. Você mutilou a mensagem, ela</p><p>não está completa, e você vai ler e dizer:</p><p>“– O quê esse mensageiro fez com essa car-</p><p>ta, que era do destinatário?”</p><p>Ou seja, você não pode dar o recado, o recado é:</p><p>mensagem entregue.</p><p>Esse recado, você tem que saber qual é o núme-</p><p>ro mínimo de palavras para expressá-lo com clareza.</p><p>Se tiver dúvidas... porque quando a gente está fazen-</p><p>do algo para o agora, às vezes, a gente o mutila.</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>81/289</p><p>Porque, digamos, eu estou fazendo um resumo</p><p>para ler, para fazer uma aula para a próxima semana.</p><p>Daqui a uma semana, eu me lembro.</p><p>Mas, você tem que se imaginar lendo esse resu-</p><p>mo daqui a um ano, dois, cinco, talvez até dez. Ain-</p><p>da estaria claro para mim? Daqui a dez anos, eu abro</p><p>esse texto e olho essa frase. O quê esse mensageiro</p><p>fez com essa carta, que eu não estou entendendo, não</p><p>lembro mais? Ou seja, você não tem a íntegra daque-</p><p>la mensagem, daquele texto, para recuperar quando</p><p>você quiser; não tem, você mutilou a comunicação.</p><p>Então, cuidado, não seja excessivo; não coloque</p><p>coisas que são meros adornos, meros elementos cir-</p><p>cunstanciais, ou ideias de apoio, que não acrescentam</p><p>em nada na mensagem do texto. Mas também não o</p><p>mutile, de tal maneira que depois você tente entender</p><p>o texto, e não dê mais.</p><p>Se são três palavras o suficiente, então são as</p><p>três; não coloque quatro. Mas também não coloque</p><p>duas, e nisso você vai fazer a sua nota de margem.</p><p>O terceiro mandamento do resumo: Você vai</p><p>guardar as ideias e não as palavras. Não tem ne-</p><p>nhuma necessidade de você usar o vocabulário do au-</p><p>tor, e fazer o resumo usando o vocabulário dele, não!</p><p>Resumo é resumo das ideias, e não das palavras. En-</p><p>tendem isso?</p><p>Então, se alguém fala que, digamos, eu coloquei</p><p>até uma frase aqui para vocês: João celebrará sole-</p><p>nemente o</p><p>matrimônio de alguém. João celebrará</p><p>solenemente o matrimônio de alguém? João fará o ca-</p><p>samento de alguém, de fulano. João fará casamento.</p><p>Ah! Mas não tem o verbo fazer, nem tem a pa-</p><p>lavra casamento aí. – É exatamente a mesma coisa.</p><p>Não conserve as palavras, conserve as ideias. Inclu-</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>82/289</p><p>sive, porque do resumo, na síntese, você vai ter uma</p><p>capacidade de memorização do que é essencial na-</p><p>quele texto.</p><p>E para a memorização você tem que usar pala-</p><p>vras do seu uso. Palavras correntes no seu vocabulá-</p><p>rio, e não palavras com preciosismo ou erudição ex-</p><p>cessivas, ou gírias, coisas estranhas, que não sejam</p><p>do seu uso.</p><p>Ou seja, guardará as ideias e não as palavras.</p><p>Não tem nenhum sentido memorizar a palavra</p><p>que o autor utilizou. – Então, fulano fará casamento</p><p>de ciclano. Acabou, fim de papo. Está bem resumido.</p><p>Não tem nenhuma necessidade de repetir pa-</p><p>lavras solenes. Quanto mais do seu vocabulário for,</p><p>quanto mais simples for, melhor.</p><p>E por fim o quarto mandamento do resumo, de</p><p>um bom resumo, bem-feito: Você não amontoará as</p><p>ideias de maneira desconectada.</p><p>Imagine, mais uma vez, o exemplo que eu dei.</p><p>Você vai ler esse texto daqui a dez anos. Você tem</p><p>que saber como você saiu de uma ideia e chegou na</p><p>outra. Não dê saltos ilógicos nele, de tal maneira que,</p><p>agora, eu entenda como foi que saiu da primeira ideia</p><p>e chegou na segunda. Ou daqui a dez anos isso não</p><p>vai fazer nenhum sentido.</p><p>Digamos, sei lá, um exemplo bobo, você está</p><p>passando uma receita de feijão. Como fazer feijão? –</p><p>Aí eu coloco lá, pego os grãos, cato os grãos, coloco</p><p>na panela, fervo, de repente, quando o bacon estiver</p><p>bem frito...</p><p>Espere aí, como é que eu saí do grão que estava</p><p>na panela para esse bacon? Que bacon é esse? De</p><p>onde ele saiu? – Você percebe que faltou um pedaço</p><p>da história? Do início, você não tinha dito que esse</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>83/289</p><p>feijão tinha bacon. Como é que o bacon foi para a frigi-</p><p>deira? O quê eu fiz com ele antes?</p><p>Ou seja, se você deixa frestas da compreensão,</p><p>essa história fica desconectada. Você tenta contar</p><p>para si próprio daqui a dez anos, ou daqui a um ano,</p><p>e você não consegue remontar a lógica do esquema.</p><p>Está faltando uma peça nesse quebra-cabeça.</p><p>Você não pode deixar que uma ideia não tenha</p><p>uma transição para a outra. Que ela não tenha uma</p><p>passagem lógica para a outra.</p><p>Então, cozinhou os grãos. Se quiser colocar bacon</p><p>no feijão, corte-o em quadradinhos, esquente a frigidei-</p><p>ra, coloque-o lá e o deixe fritar. Aí sim, tem uma cone-</p><p>xão, ainda que você possa resumir um pouco isso. Mas,</p><p>tem uma conexão. Não deixe ideias amontoadas em</p><p>cima da outra.</p><p>A nossa mente trabalha com lógica, que é a ci-</p><p>ência dos raciocínios corretos. E ela exige de você</p><p>que tenha uma boa compreensão de que tudo esteja</p><p>conectado.</p><p>Uma vez que você fez isso, resumiu com o mínimo</p><p>de palavras, mas compreensíveis; não deixou de dar o</p><p>recado; não mutilou o texto; e usou as suas palavras. E</p><p>ainda há uma conexão lógica entre cada ideia que você</p><p>assinalou ali, naquela margem. Coletando essas ideias</p><p>da margem, você já tem um resumo em tópicos.</p><p>Depois você pode até transformá-lo em um pe-</p><p>queno texto, se quiser. No Curso de Técnicas de Es-</p><p>tudo, a gente vai explicar melhor isso. Mas um resumo</p><p>em tópicos já serve demais. Onde as ideias estão cla-</p><p>ras, e bem conectadas uma com a outra. Ainda que</p><p>não haja um e, mais, porém, nada, mas as ideias têm</p><p>uma sequência lógica.</p><p>Às vezes, eu não preciso nem da transcrição,</p><p>porque tenho o hábito de fazer a transcrição dessas</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>84/289</p><p>notas de margem, e fazer um fichamento dos textos,</p><p>dos livros que leio. Mas, às vezes, só folheando o livro,</p><p>com aquelas notas de margem, eu já pego as ideias</p><p>principais rapidamente.</p><p>Então, falo para vocês de um fato muito recente, a</p><p>leitura da biografia de Gandhi. Bom, é um livro de 523</p><p>páginas, pelo menos na edição que tenho. Fazendo</p><p>notas de margem, da maneira como eu faço, fazendo</p><p>o resumo que faço, muito facilmente, eu tenho certeza</p><p>de que daqui a dez anos estarei com as ideias princi-</p><p>pais da vida de Gandhi em mente.</p><p>Simplesmente uma leitura, olhe, nem daqui a um</p><p>mês. Talvez daqui a um mês eu não soubesse mais</p><p>dos pontos principais. E é lógico, gente, isso é apenas</p><p>o resumo.</p><p>Mas, se você pretende fazer com isso uma aula,</p><p>uma palestra, a partir do resumo, que é síntese do que</p><p>o autor disse, você começa a fazer as suas próprias</p><p>reflexões, que vão acrescentar o seu ponto de vista</p><p>àquilo que foi dito. Que isso já é uma outra história, é</p><p>o amadurecimento da ideia. É o seu entendimento da</p><p>ideia, é a sua interpretação, é aquele “q” a mais, que</p><p>você tem que colocar em tudo que faz.</p><p>Porque, se transmitimos só aquilo que recebe-</p><p>mos, muito mais fácil as pessoas ficarem em casa len-</p><p>do o livro, e não virem ouvir o quê você tem a dizer.</p><p>Então, repito para vocês aquela frase, de que gos-</p><p>to muito, e sempre a uso. O homem não vive daquilo</p><p>que ele come, ele vive daquilo que ele assimila.</p><p>Logo, o resumo é um ponto principal, fundamen-</p><p>tal, para que você possa mastigar essas informações.</p><p>Ao longo dos anos, vai extraindo cada vez mais con-</p><p>clusões sobre aquilo. De uma certa maneira, não na</p><p>sua íntegra, no seu todo, mas as ideias fundamentais</p><p>desse livro do Gandhi ainda estão comigo.</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>85/289</p><p>E a partir dos momentos em que for vendo as coi-</p><p>sas na vida, essa ideia do Gandhi, esse ponto de vista</p><p>do Gandhi estará comigo. Eu também vejo pelos olhos</p><p>dele. Porque você integrou aquilo como uma possibili-</p><p>dade sua, e ela não o deixa mais.</p><p>Então, um exemplo – não estou dizendo que eu</p><p>faça isso, estou simplesmente colocando como uma</p><p>tentativa que eu faço. Filósofo não é perfeito, tem</p><p>apenas ânimo de aperfeiçoamento. Mas, com uma</p><p>leitura bem-feita, e com um resumo bem-feito, a par-</p><p>tir desse momento, eu olho o mundo com os pontos</p><p>de vista meu e do Gandhi. Tenho dentro de mim,</p><p>integradas em mim, algumas possibilidades que ele</p><p>me trouxe.</p><p>O livro é belo, tem muitos adornos, algumas cir-</p><p>cunstâncias, é uma autobiografia. Porém, as ideias</p><p>principais dele são o quê me interessa levar. E, inclu-</p><p>sive, integrar na minha maneira de ver o mundo. Isso é</p><p>uma outra grande vantagem de uma síntese bem-fei-</p><p>ta. Você pode integrar as informações na sua forma de</p><p>entender a vida.</p><p>De modo que daqui a pouco, não é só você. É</p><p>você e um monte de pontos de vista que você amadu-</p><p>receu, que você refletiu e integrou. E cada vez mais as</p><p>heranças do passado vão somando para o homem do</p><p>presente e para o homem do futuro.</p><p>Se eu tiver que responder a uma circunstância</p><p>apenas com minha experiência, eu tenho aí 55 anos</p><p>de vida para responder a uma circunstância qualquer,</p><p>um problema, uma dor.</p><p>Se eu aprendo de Gandhi, eu tenho os meus 55</p><p>anos mais os 78 dele, e se eu aprendo de mais uma</p><p>outra pessoa, eu tenho mais os 78 mais digamos os</p><p>60, digamos, dessa outra pessoa. Chega um determi-</p><p>nado momento em que, se a gente sabe ler da manei-</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>86/289</p><p>ra correta, refletir, assimilar as ideias de um bom autor,</p><p>você responde às circunstâncias da vida com milênios</p><p>de respaldo atrás de você.</p><p>Você soma as respostas de milênios de homens</p><p>que pensaram sobre a vida, sobre dores semelhantes</p><p>a esta, porque a vida é cíclica e reiterativa. A natureza</p><p>dos problemas é muito semelhante, embora a sua for-</p><p>ma seja infinitamente diferenciada.</p><p>No fundo, os problemas são perda,</p><p>dor, perda de</p><p>autocontrole. Não saber responder à vida, não saber</p><p>responder à morte, não saber lidar com o outro, ou com</p><p>a convivência, os problemas humanos fundamentais,</p><p>que nos fazem sofrer, nos geram ganhos, geram per-</p><p>das, são muito parecidos ao longo da história.</p><p>Podemos sim aprender com aqueles homens</p><p>que, ao longo do tempo, souberam dar resposta eficaz</p><p>a isso.</p><p>Então, imagine, em um determinado momento,</p><p>você dar respostas da sua vida com respaldo de Con-</p><p>fúcio, Lao Tsé, Sidarta Gautama, Platão, Aristóteles,</p><p>e por aí vai, grandes pensadores. Isso significa saber</p><p>receber a herança que os homens do passado nos</p><p>deixaram.</p><p>Como dizia Isaac Newton, numa correspondência</p><p>a um amigo:</p><p>“– Quando monto nos ombros dos meus</p><p>antepassados, vejo muito mais longe no hori-</p><p>zonte.”</p><p>E é essa a ideia. Então, percebam que síntese</p><p>é uma ideia ampla. É uma ferramenta muito neces-</p><p>sária, é algo que eu poderia dizer que é um aparato</p><p>da inteligência humana. Que nós temos que apren-</p><p>der a utilizar. E que nos facilita muitíssimo a vida.</p><p>Espero que vocês tenham guardado as etapas prin-</p><p>cipais disso.</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>87/289</p><p>Bom, dentro do Curso de Técnicas de Estudo, ex-</p><p>plicamos mais, falamos de diferentes tipos de resumo,</p><p>acrescentamos possibilidades. Mas essa ideiazinha já</p><p>fica para você como um patrimônio.</p><p>Tente fazer uma leitura, mas não deixe para ama-</p><p>nhã. Faça agora. Pegue um jornal, pegue um artigo de</p><p>jornal, e leia do jeito que estou falando. Pegue as ideias</p><p>principais na margem, na margem, na margem… só o</p><p>essencial, só o coração desse texto.</p><p>Depois você vai perceber que, às vezes, len-</p><p>do da maneira comum, de repente, uma notícia que</p><p>você leu pela manhã, você não tinha entendido di-</p><p>reito; não tinha pego as ideias principais. E só ago-</p><p>ra, lendo dessa forma, você entendeu tudo que esse</p><p>artigo tinha a dizer. Tudo que essa notícia tinha a</p><p>dizer, que, realmente, uma síntese bem-feita não</p><p>deixa escapar uma única ideia válida de um texto.</p><p>Ela não mutila o texto, ela apenas retira aquilo que</p><p>é supérfluo. Ela não deixa passar uma única mensa-</p><p>gem fundamental, seja a sua íntegra, o coração do</p><p>texto inteiro, você recebe, você capta.</p><p>E pode optar no que vai fazer com esse coração.</p><p>Experimentem. Eu garanto a vocês que, se já leram</p><p>essa notícia pela manhã sem critério, da maneira</p><p>como habitualmente corremos os olhos por uma no-</p><p>tícia, você não captou o coração dela, não entendeu</p><p>todos os seus detalhes.</p><p>Talvez lendo agora, com esse critério que eu pas-</p><p>sei, vocês digam:</p><p>“– Nossa, parece que eu não tinha lido nada.”</p><p>Agora esse texto criou vida sob os meus olhos.</p><p>Eu espero que seja uma experiência válida para</p><p>vocês. Lembro que transmito essa informação, porque</p><p>eu a uso. E isso tem sido de uma utilidade tremenda</p><p>para mim.</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>88/289</p><p>Porque nós vamos integrando, integrando as</p><p>coisas que vão passando por nós. Não desperdiça-</p><p>mos, a natureza não trabalha com desperdícios. Nos-</p><p>sa energia, vida, é limitada, e tem que ser muito bem</p><p>empregada.</p><p>Com excelentes leituras, mas, além disso, com</p><p>excelentes métodos, para tirar o melhor que ela tem</p><p>para nos entregar.</p><p>Muito obrigada.</p><p>Espero que seja útil para vocês essa instrução.</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>89/289</p><p>BOAS-VINDAS</p><p>O bom estudante e o autoconhecimento</p><p>O nosso bate-papo de hoje vai ser sobre o bom</p><p>estudante e o autoconhecimento. Para mim, existe</p><p>uma coisa que é fundamental, gente, que é o ânimo</p><p>de aprendiz.</p><p>Fico olhando, toda vez que vejo a biografia de um</p><p>grande homem, como acabei de ler a de Ghandi. Já li</p><p>também sobre Leonardo da Vinci, e sobre muitos ou-</p><p>tros grandes personagens da História. Tinham um âni-</p><p>mo de aprendiz fora do comum. Está certo, você pode</p><p>me dizer que você não quer fazer coisas tão radicais,</p><p>tão grandiosas assim.</p><p>Mas, a construção da nossa própria vida, acredi-</p><p>te, é uma coisa radical e grandiosa. E é necessário o</p><p>ânimo de aprendiz. Não temos, neste momento, todas</p><p>as ferramentas humanas ativadas. Tem muita coisa</p><p>que precisamos aprender, pois precisamos encontrar</p><p>o caminho para superar as nossas dificuldades, para</p><p>encontrar em nós as respostas que necessitamos.</p><p>Isso exige ânimo de aprendiz, mesmo. Essa curiosida-</p><p>de vital diante da vida, como tem uma criança.</p><p>Então, a ideia do autoconhecimento nada mais é</p><p>do que um livro que você vai abrir. Inclusive, se você</p><p>for observar, tem técnicas parecidas com os livros que</p><p>utilizamos, com as técnicas que utilizamos na leitura.</p><p>Eu selecionei para vocês aqui, o pessoal do Instagram</p><p>está inclusive vendo aqui a minha colinha, selecionei</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>90/289</p><p>alguns pontos que considero importantes. Isso é uma</p><p>matéria extra, além daquilo que está no Curso. Daria</p><p>para fazer um outro Curso, tão grande quanto este,</p><p>talvez até maior, falando só sobre critérios do autoco-</p><p>nhecimento.</p><p>Selecionei algumas coisas apenas para que vo-</p><p>cês reflitam. O mesmo ânimo que leva você a enten-</p><p>der bem a mensagem de um autor em um livro, ou</p><p>a mensagem de um professor em uma aula, faz com</p><p>que você entenda melhor a si próprio, também na vida.</p><p>Então, algumas dicas para que você observe,</p><p>aprendendo a se autoconhecer, através de critérios de</p><p>um bom estudante. E alguns critérios desses, que são</p><p>a atenção concentrada, a observação, a imaginação, a</p><p>criatividade, vão estar presentes o tempo todo.</p><p>Imagine que você é um livro a ser compreendido,</p><p>a ser decifrado. Que você vai ter que pegar pelas en-</p><p>trelinhas. Se você se colocar diante de um espelho, e</p><p>perguntar nesse momento quem é você, vai ter pou-</p><p>cas respostas. Como você vai saber isso? Vai saber</p><p>rastreando seu movimento pela vida. Rastreando e</p><p>descobrindo a si próprio por meio das suas atitudes,</p><p>das escolhas que faz, das prioridades que dá, da ten-</p><p>dência, quando não está muito consciente, a tratar as</p><p>pessoas de determinada maneira. Isso vai trazendo à</p><p>tona certos valores mal trabalhados, certas virtudes</p><p>mal desenvolvidas, e certas coisas bem desenvolvi-</p><p>das, coisas bem-acabadas. Ou seja, isso dá para você</p><p>uma margem de estudo de si próprio. E vou exatamen-</p><p>te falar a respeito de alguns desses critérios.</p><p>O primeiro critério que gostaria de falar com vo-</p><p>cês é sobre identidade. Sempre falo que identidade</p><p>tem dois elementos básicos: Onde eu estou e onde eu</p><p>quero chegar. Isso é bem evidente, não é, gente? Bem</p><p>óbvio. Eu quero ir à casa de um de vocês. Sei onde é</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>91/289</p><p>a casa. A primeira coisa que preciso saber, depois de</p><p>fixar o meu objetivo, é onde eu estou agora.</p><p>“– Bom, estou em Brasília.”</p><p>A partir disso, você pode me dizer que voo tomo,</p><p>quais os horários que tem, o que faço quando chego</p><p>ao aeroporto. Saber onde estou e onde quero chegar</p><p>é fundamental, para que você tenha uma básica no-</p><p>ção de identidade. Vamos por partes nisso aí? Vamos</p><p>ver como é que essa habilidade de um bom estudante</p><p>ajuda nisso?</p><p>Onde eu estou, em primeiro lugar? Existe uma</p><p>frase bíblica que, nesse sentido, nos ajuda bastante:</p><p>“– Pelas vossas obras, vos conhecerei.”</p><p>Ou seja, entendam bem, quando eu pergunto</p><p>quem sou, e respondo:</p><p>“– Pelas vossas obras, vos conhecerei.”</p><p>Não estou querendo dizer que as minhas ações</p><p>são aquilo que eu sou profundamente, mas são aquilo</p><p>que eu estou agora.</p><p>Não se olha bem os rastros pelo mundo; posso</p><p>ter uma certa noção: Quem passou por aqui? Era um</p><p>homem muito habilidoso. Você vê, por exemplo, um</p><p>rastro de destruição, não passou por ali um cisne.</p><p>Deve ter passado</p><p>máquina e, às vezes, ele faz menos até do</p><p>que a máquina, porque a máquina tem um processa-</p><p>mento lógico daquilo que você deu como informação</p><p>prévia para ela.</p><p>Ela é capaz de um algoritmo, onde explicita todas</p><p>as conclusões possíveis daquele ponto de partida que</p><p>você deu. Lógica para o homem atual também está</p><p>ficando rara. Então, a gente considera que o conheci-</p><p>mento humano é pós-lógica. Mas, a nossa mentalida-</p><p>de habitual é pré-lógica.</p><p>Agora me digam, com toda honestidade, vocês</p><p>estão aí me assistindo, se vocês não consideram que</p><p>um pouquinho de lógica, essa que qualquer computa-</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>9/289</p><p>dor mais complexo é capaz de exercer, não melhoraria</p><p>muito, por exemplo, os sistemas de manipulação, que</p><p>ocorrem em relação ao ser humano. Só lógica. Não</p><p>estou falando de criatividade, de inteligência. Só lógica</p><p>já ajudaria muito a proteger o homem.</p><p>Nós estamos numa fase pré-lógica, por comodis-</p><p>mo. Não é que o computador vai nos superar. Ele já</p><p>superou, pelo menos lógico ele é. Você não manipula</p><p>o computador.</p><p>Não diz:</p><p>“– Olha, não pense dessa forma.”</p><p>Ele vai continuar processando logicamente a in-</p><p>formação.</p><p>O que eu trouxe a vocês aqui, aliás, já aviso, inclu-</p><p>sive, porque acho que é uma informação importante.</p><p>Tem anos que eu vinha tentando, porque isso custava</p><p>uma dedicação maior, para transformar esse Curso de</p><p>Técnicas de Estudo em um curso online, virtual.</p><p>Nós já estamos com as pré-inscrições abertas, lá</p><p>no site da Idealix, vocês veem propaganda nas minhas</p><p>páginas. Inclusive, entrem lá e façam a pré-reserva da</p><p>sua vaga. Nós vamos fazer o lançamento, e esse lan-</p><p>çamento, esse primeiro lançamento, terá vagas limita-</p><p>das. É um curso pelo qual eu tenho muito carinho, por</p><p>uma razão muito simples: eu uso.</p><p>Você pode imaginar um livro que li há 20 anos,</p><p>e o tenho resumido e fichado. Inclusive, ficho até as</p><p>reflexões que faço sobre ele. De uma tal maneira que,</p><p>se voltar ali, vou parar e vou recomeçar de onde eu</p><p>parei. Não vou ter que reler o livro inteiro, isso não foi</p><p>perdido, não lembro... – Não lembro, eu reviso, tenho</p><p>fechamento de tudo aquilo que faço. E isso me dá uma</p><p>eficácia fora do comum.</p><p>Porque eu posso reler, reler, reler... acrescentar</p><p>as minhas reflexões ao meu fichamento, e chegar a</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>10/289</p><p>uma certa síntese, que não é só o que havia no livro.</p><p>Mas também o que eu entendi e o que amadureci do</p><p>que havia no livro. Ou seja, o conhecimento começa</p><p>a fazer diferença. Não é mais só quantidade, é quali-</p><p>dade. E desenvolve um método onde você aprende</p><p>a amar o conhecimento. Não faz para chegar a outro</p><p>lugar, faz por ele mesmo.</p><p>Essa é uma primeira premissa que gostaria de</p><p>passar para vocês. A nossa discussão, espero que</p><p>não seja tão longa, vamos ver.</p><p>Eu gostaria de trazer para vocês algumas discus-</p><p>sões do que hoje se fala a respeito da tal Era da In-</p><p>formação. – O que seria a Era da Informação? Esse</p><p>nome, especificamente usado dessa forma, vai surgir</p><p>aí em torno de 1970.</p><p>O pessoal do Instagram não está acompanhando</p><p>a tela do PowerPoint. Infelizmente isso é difícil pelo</p><p>Instagram. Mas esta é a Era da Informação, onde a</p><p>tecnologia começa a tomar conta das preocupações</p><p>do homem. A Era Digital ou Tecnológica, como tam-</p><p>bém é chamada, começa em 1970. E ela começa a</p><p>ter um ponto de vista um pouco diferenciado daquilo</p><p>que a gente tinha até então. Começa a surgir aquilo</p><p>que a gente chama de sociedade pós-industrial. Os</p><p>conhecimentos valem mais do que as mãos calejadas.</p><p>Ou seja, começa-se a privilegiar mais o conhecimento</p><p>intelectual do que o conhecimento prático. Isso é du-</p><p>vidoso, porque o conhecimento prático é um comple-</p><p>mento; mas que não se pode dispensar.</p><p>E começa a haver um fluxo de informações em</p><p>todas as direções, principalmente dentro de uma em-</p><p>presa. Até então se praticava aquilo que a gente cha-</p><p>mava de Fordismo.</p><p>O que era o Fordismo? O presidente da empre-</p><p>sa dava ordens, dava orientações, os operários cum-</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>11/289</p><p>priam. Não havia espaço para que os operários na</p><p>linha de produção pudessem passar acima das infor-</p><p>mações que eles recolhem daquilo.</p><p>E cada um deles tem um ângulo de visão do que</p><p>está sendo feito, dos defeitos, do processo de produ-</p><p>ção, das suas imperfeições. Inclusive da qualidade do</p><p>produto, que está sendo gerado. É uma informação</p><p>preciosíssima.</p><p>Seria muito importante, para quem está lá em</p><p>cima, saber essa informação. Processar tudo isso</p><p>para chegar a uma conclusão, que beneficiasse a to-</p><p>dos, beneficiasse o processo. E esse novo modelo,</p><p>que é chamado de Toyotismo, nasceu muito pelos pa-</p><p>íses orientais; sobretudo no Japão.</p><p>Esse modelo vai sendo modificado dentro das</p><p>empresas, vai sendo aplicado, de tal maneira que a</p><p>ideia é, nesta Era da Informação, que haja fluxo de</p><p>informação em todas as direções, de baixo para cima,</p><p>de cima para baixo. Quem tem a informação, que a</p><p>aporte ao todo.</p><p>A informação começou a ser a mais valorizada. Co-</p><p>meçou a ser o capital fundamental da sociedade. Isso</p><p>é bom, por um lado, como falei para vocês. Eu acredito</p><p>que essa ideia do Toyotismo é muito boa. Todo mundo</p><p>troca informações dentro de um processo; acho muito</p><p>bom. Porque todo mundo tem algo a dizer. Todo mundo</p><p>dentro de uma empresa, de uma instituição, em geral,</p><p>dentro de uma família, todo mundo tem uma âncora,</p><p>que aporta muito para o todo.</p><p>E seria muito bom que a gente aprendesse a res-</p><p>peitar o ponto de vista dos outros, e a fazer com que o</p><p>resultado da nossa visão do processo fosse uma soma</p><p>de todos esses pontos de vista, como uma empresa</p><p>que soma em si todos os pontos de vista de cada uma</p><p>das suas fases.</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>12/289</p><p>Agora, a questão de desvalorização do conheci-</p><p>mento prático, isso evidentemente não é bom. O co-</p><p>nhecimento prático, ou seja, as mãos calejadas, tam-</p><p>bém aporta um conhecimento, que não poderia ser</p><p>desprezado. Isso também deveria ser considerado. E</p><p>quando o homem, além de ter uma informação intelec-</p><p>tual, também tem as mãos calejadas, ele tem um outro</p><p>aspecto de vida, que é fundamental para ele.</p><p>O trabalho prático ajuda o homem a desenvolver</p><p>disciplina; ajuda o homem a ter um certo domínio so-</p><p>bre si próprio; ajuda o homem a ter um certo contro-</p><p>le, inclusive sobre as suas formas mentais. O homem</p><p>ocioso, do ponto de vista físico, cria um fluxo mental</p><p>que, muitas vezes, é muito difícil de controlar. Enfim,</p><p>uma série de coisas se perde, quando você desvalo-</p><p>riza o trabalho concreto, a chamada mão na massa.</p><p>Continuando, então, o que foi gerado como efei-</p><p>to mais imediato, de 1970 para cá? Na verdade, não</p><p>é só de 1970. Nós podemos ver que o século XX todo</p><p>caminhou nessa direção. Mas, com certeza, isso é</p><p>estatístico, da metade do século XX para cá se pro-</p><p>duziu mais tecnologia, bem mais, do que nos 1950</p><p>anos anteriores.</p><p>A tecnologia avançou em uma velocidade enor-</p><p>me, e apontou cada vez mais nessa direção de valo-</p><p>rizar o conhecimento, que pode aportar mais criação,</p><p>mais tecnologia.</p><p>Então, o quê nasce ali? O que vai acontecer aí?</p><p>Um rápido crescimento do setor de serviços, com</p><p>um rápido aumento da tecnologia, e o conhecimento</p><p>e a criatividade se tornam as matérias cruciais des-</p><p>sa tecnologia.</p><p>Vejam se vocês entendem. Essas áreas passam</p><p>a ser muito valorizadas. As áreas de criação tecno-</p><p>lógica, o desenvolvimento da criatividade e as áreas</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>13/289</p><p>de serviços começam a ser valorizados, e começam a</p><p>ser áreas de ponta. São</p><p>um bicho um pouco mais bruto. Veja</p><p>os rastros que você deixa no seu ambiente de traba-</p><p>lho, os rastros que deixa na sua casa. Como ficam as</p><p>pessoas quando você está em casa, quando não está.</p><p>Qual é a expectativa pelo seu retorno. Vai vendo as</p><p>pegadas que você deixa no caminho.</p><p>Portanto, se você quer identificar, rastrear um ani-</p><p>mal em uma selva, vai olhando as pegadas que ele</p><p>deixa no caminho. Veja as suas próprias pegadas.</p><p>Elas são pegadas construtivas? São pegadas concilia-</p><p>doras? Quando são, e quando não são? Quando tem</p><p>uma dificuldade, um conflito, você é uma presença</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>92/289</p><p>que é esperada, é aguardada, ou todo mundo procu-</p><p>ra afastar você de casa, quando tem um conflito? Ou</p><p>seja, uma série de elementos, rastreie, observe, pes-</p><p>quise, como se você estivesse pesquisando em uma</p><p>enciclopédia, em um dicionário. Pesquise os rastros</p><p>que você deixa pelo mundo.</p><p>Observe, e veja: Quem passou por aqui e deixou</p><p>esse eco? Quando eu passo, como ficam esses am-</p><p>bientes por onde eu passei? Quando eu estou para</p><p>chegar, qual é a expectativa de quem me aguarda?</p><p>Qual é a posição que eu tomo no mundo?</p><p>E não pergunte para si próprio:</p><p>“– Eu sou tolerante?”</p><p>Sabe por quê? Porque você vai responder com</p><p>fantasia. Nós não sabemos muito bem o quê somos. E</p><p>quando você coloca as coisas de uma maneira muito</p><p>seca, nós tendemos a responder com fantasia.</p><p>Ao invés de perguntar:</p><p>“– Eu sou tolerante?”</p><p>Veja as situações de conflito, o quê houve, e que</p><p>tipo de rastro você deixou. Da maneira mais objetiva</p><p>possível. Assim como você não pode ir para um livro</p><p>com preconceitos, porque você não aprende nada,</p><p>imagine você que eu sou seguidor dogmático de uma</p><p>religião, e vou ler sobre a história de outra religião,</p><p>que não a minha. Com essa perspectiva mental, é</p><p>claro que só vou ver defeitos. Já vou preparado para</p><p>ver defeitos.</p><p>Então procure ver da maneira mais limpa possí-</p><p>vel, sem predisposições de, como se diz popularmen-</p><p>te, puxar a brasa para sua sardinha; procure ver obje-</p><p>tivamente:</p><p>“– Por aqui passou um ser humano. Quem</p><p>era ele? Com esse rastro, que tipo de ser humano</p><p>pode ter passado por aqui?”</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>93/289</p><p>Vá observando o impacto que você causa no mun-</p><p>do. Isso é quase que uma pesquisa, um trabalho de ob-</p><p>servação. E a partir daí você tem mais ou menos uma</p><p>noção de onde você está. Isso é muito importante.</p><p>Nós sofremos demais daquilo que Jung chama-</p><p>va de Inflação do Ego. Estamos no primeiro degrau e</p><p>imaginamos estar no quinto ou no décimo. Isso é tre-</p><p>mendamente prejudicial. Porque assim não podemos</p><p>trabalhar bem o nosso plano de viagem. Eu não posso</p><p>trabalhar bem o meu plano de viagem, se não sei que</p><p>estou em Brasília. Imagino que estou mais perto de</p><p>vocês, e estou no meio do caminho.</p><p>E em segundo lugar: Aonde eu quero chegar?</p><p>Que é outro elemento que você usa aí, não só a ob-</p><p>servação; nesse caso, mais a imaginação. Em várias</p><p>palestras, falo sobre isso. Imagine-se diante da morte.</p><p>Coloque a sua consciência nesse ponto. Não tenha</p><p>medo. Você tendo medo ou não, terá que chegar lá.</p><p>Se você imagina antes de chegar, tem a possibilidade</p><p>de chegar um pouco mais bem preparado.</p><p>Colocar a consciência nesses últimos momen-</p><p>tos é uma situação que, psicologicamente, pode ser</p><p>forte. Mas que também lhe mostra muitas coisas que</p><p>a mente normal do dia a dia não mostra. Diante da</p><p>morte, o quê vai ser importante? O quê eu gostaria de</p><p>ver dentro de mim, e à minha volta? Quando eu olhar</p><p>para trás, como gostaria de ver um rastro que deixei</p><p>no mundo?</p><p>É importante visualizar isso, gente. O quê seria</p><p>importante, o quê seria cálido, o que daria um consolo</p><p>ao meu coração. Saber que eu beneficiei as pesso-</p><p>as, que elas estão um pouquinho melhores, porque</p><p>eu passei pela vida delas. Saber que estou saindo um</p><p>pouco melhor do que entrei. Saber que eu estou em</p><p>paz com céus e terra. Não tenho nada a cobrar da</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>94/289</p><p>vida, nem ela de mim. Fiz o meu melhor. Não fui per-</p><p>feito, ninguém é. Mas, fiz o meu melhor.</p><p>Como dizia Helena Blavatsky:</p><p>“– Aquele que faz o seu melhor, faz tudo o</p><p>quê se pode esperar dele.”</p><p>Essa visão é muito importante. E essa visão é um</p><p>trabalho de imaginação, que é muito típico do estu-</p><p>dante. Vocês vão ver aqueles que fizerem o Curso.</p><p>Com todo o rastreamento, antes de você entrar numa</p><p>obra, ela exige um grande trabalho de imaginação. É</p><p>sim uma das qualidades fundamentais de um bom es-</p><p>tudante a imaginação, a criatividade. Esses dois pa-</p><p>râmetros ali são muito importantes, e podem ser con-</p><p>quistados com muito mais facilidade por aquele que</p><p>tem o ânimo de aprendiz.</p><p>Que mais a gente poderia falar sobre boas per-</p><p>guntas para quem quer o autoconhecimento? O quê</p><p>me paralisa? Ou seja, aquilo que mais temo, de tal ma-</p><p>neira que, se acontecer, vou ficar paralisado. É uma</p><p>boa pergunta para se fazer, se você quer se autoco-</p><p>nhecer. Você está se rondando.</p><p>Lembrem daquele exemplo do caçador que está</p><p>rondando um animal na selva, Ele quer saber o quê</p><p>ele é. Vai vendo os comportamentos, vai vendo os ras-</p><p>tros que ele vai deixando. O que eu mais temo, o quê</p><p>me paralisa? Você vai poder se perguntar:</p><p>“– Por que será que eu temo tanto isso?”</p><p>Com certeza, aquilo que você teme deve amea-</p><p>çar lhe tirar alguma coisa. E essa coisa que você teme</p><p>tanto perder, se você a perder, seria tão fatal assim?</p><p>Bom, pode ser que seja perder a vida. E aí já é um</p><p>outro assunto: Por que é que eu temo a morte?</p><p>Mas, se nós estamos falando na vida, estamos fa-</p><p>lando de outro assunto qualquer, qualquer outra coisa</p><p>que você teme, use um pouco da imaginação; a inves-</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>95/289</p><p>tigação primeiro, para saber, e depois a imaginação de</p><p>um bom estudante. E se eu perdesse, se eu perdesse</p><p>isso que temo tanto perder? O quê aconteceria no dia</p><p>seguinte? Eu estaria vivo? Eu continuaria vivendo? As</p><p>coisas essenciais seriam mantidas? Seriam. Então,</p><p>por que é que eu temo?</p><p>Vai perceber que um dos elementos que mais nos</p><p>paralisam é, exatamente, não aceitarmos a perda. E</p><p>um dos esquemas que a gente faz para lidar bem com</p><p>isso é exatamente aceitar a perda. Porque você des-</p><p>monta a ameaça.</p><p>“– Eu não gostaria de perder isso, com certe-</p><p>za, não. Mas, se eu perder, vou continuar vivendo</p><p>com a maior dignidade possível.”</p><p>Eu me recordo, uma vez, de uma história que me</p><p>contaram. Eu não sei até que ponto ela é fábula ou é</p><p>realidade. Mas falava de uma das situações mais dolo-</p><p>rosas de perda que pode acontecer, que é a perda de</p><p>um casal, que vivia muitos anos, décadas juntos.</p><p>Em um dia, a senhora, esposa, se vai. E o espo-</p><p>so fica ali velhinho, sozinho. Uma tristeza tremenda, e</p><p>os filhos se preocupam com isso. Chegam para ele, e</p><p>perguntam:</p><p>“– O senhor gostaria que quem morresse</p><p>fosse o senhor, e a mamãe ficasse aqui sofrendo</p><p>tudo isso, que você está passando? O senhor não</p><p>a ama? Não prefere que, se algum dos dois tives-</p><p>se que sofrer, que com certeza, teria, que fosse o</p><p>Senhor?”</p><p>Ele disse que teve um estalo, e falou:</p><p>“– É mesmo, é mesmo. A melhor coisa que</p><p>eu poderia desejar para ela é não ter que chorar</p><p>a minha morte. Isso seria terrível para ela. Se-</p><p>ria muito sofrido. Com certeza, se alguém tivesse</p><p>que sofrer mais, eu ou ela, eu escolheria que fos-</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>96/289</p><p>se eu, porque a amava demais, não gostava de</p><p>ver ela sofrendo.”</p><p>Isso deu a ele um grande alívio pela perda.</p><p>“– Minha vida é muito fugaz. Daqui a pouco</p><p>estamos todos juntos.</p><p>Mas, se há que sofrer, eu</p><p>amo tanto essa pessoa que prefiro sofrer eu.”</p><p>Percebam que isso é, simplesmente, esses jo-</p><p>vens, filhos, eles simplesmente usaram da imagina-</p><p>ção, e colocaram esse senhor em uma situação onde</p><p>a perda foi mais tolerável para ele. Aceitação da per-</p><p>da, com certeza, alivia muito essas nossas paralisias.</p><p>Isso, a descoberta disso, é simplesmente um ato de</p><p>observação, de imaginação, de criatividade.</p><p>Já contei para vocês, em várias palestras, que eu</p><p>superei o meu medo de dirigir. Que eu cheguei à con-</p><p>clusão de que achava que as pessoas iam pensar que</p><p>eu dirigia mal, meu maior medo era esse. Eu andava</p><p>tão devagar, que não ia provocar grandes acidentes.</p><p>Medo dos outros acharem que eu dirigia mal. Era ób-</p><p>vio que eu dirigia mal. Aceitei a perda. Todo mundo já</p><p>sabe. Só faltou colocar um plástico no retrovisor:</p><p>“– Sou uma motorista novata. Dirijo mal.”</p><p>Todo mundo já sabia. Dali por diante, o quê vies-</p><p>se era lucro. Se alguém gritasse:</p><p>“– Ah, barbeira.”</p><p>“– Ah, é isso aí mesmo! É isso que eu sou.”</p><p>Pronto, temer o quê? A aceitação da perda nos dá</p><p>um alívio muito grande dessas coisas que nos parali-</p><p>sam. Mas, percebam que o rastreamento dessa situa-</p><p>ção é como rastrear um vocábulo no dicionário. Esse</p><p>rastreamento, esse espírito de aprendiz, esse espírito</p><p>investigador.</p><p>Aquele que estuda bem o mundo estuda bem a si</p><p>próprio. Estuda bem um livro, estuda bem as situações</p><p>em que a vida se apresenta. Tem um ânimo de apren-</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>97/289</p><p>diz. Daqui a pouco, ele rastreia as próprias armadi-</p><p>lhas, onde a sua identidade pode estar aprisionada.</p><p>Daqui a pouco, ele encontra saídas para a realização</p><p>de si próprio. Autoconhecimento tem tudo a ver com o</p><p>espírito de um bom aprendiz.</p><p>Que mais nós podemos pensar? Eu temo a morte?</p><p>Será que o ânimo de estudante ajuda a gente a respon-</p><p>der essa pergunta? – Bom, se você disser que sim, você</p><p>poderia se perguntar, e na maior parte dos casos as pes-</p><p>soas vão dizer que sim. Alguns dizem que não. Eu acho</p><p>que alguns, realmente, sabem o quê estão dizendo.</p><p>Mas, às vezes, podem não ter refletido bem a</p><p>respeito. Procure imaginar se, realmente, você estaria</p><p>preparado para isso. Bom!</p><p>“– Não, não estaria. Eu não estou preparado,</p><p>por quê? Por que é quê eu temo a morte?”</p><p>Aí começa o seu espírito investigador.</p><p>“– Eu temo a morte, é porque acho que vai</p><p>acontecer uma coisa terrível comigo. Tem uma</p><p>concepção da morte que me assusta.”</p><p>O quê um bom estudante faria em relação a essa</p><p>concepção? Vamos dar uma olhada, se a gente con-</p><p>sidera que o ser humano é parte da natureza, a natu-</p><p>reza humana integrante da natureza, será que esse</p><p>fato que você está imaginando acontece com todas</p><p>as coisas que morrem na natureza? Faça um paralelo.</p><p>Use um pouco de Biomimética.</p><p>Aprenda dos comportamentos da natureza para</p><p>checar se suas concepções de vida estão corretas. A</p><p>natureza se apavora quando todas as flores, e todos</p><p>os frutos, e todas as folhas caem no inverno? Não, ela</p><p>não se apavora com essa morte. Ela tende a preservar</p><p>as raízes e a renascer. Ela obedece a um ciclo. A natu-</p><p>reza não se sente nunca com perda total. Ela sempre</p><p>se recupera, se recria.</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>98/289</p><p>Esse medo todo que eu tenho de uma extinção,</p><p>de uma perda total, existe algo na natureza que se</p><p>comporte dessa maneira? Porque, se nada se com-</p><p>porta assim, pode ser que eu esteja tendo uma con-</p><p>cepção errada.</p><p>Biomimética é uma ciência muito curiosa, que</p><p>observa o comportamento da natureza para entender</p><p>o próprio homem. Por exemplo, no local onde existe</p><p>muita biodiversidade, ou seja, espécies vegetais mui-</p><p>to diferenciadas, vivendo em harmonia, você pode</p><p>aprender muito sobre a vida do ser humano em so-</p><p>ciedade. Somos todos diferentes, e poderemos viver</p><p>em harmonia. Ou seja, as leis da natureza, diante da</p><p>morte, a morte tem esse sentimento de desamparo,</p><p>e de perda total? Em algum momento, há perda total,</p><p>ou, como dizia Lavoisier:</p><p>“– Nada se perde, tudo se transforma.”</p><p>Talvez isso me obrigasse a rever as minhas po-</p><p>sições diante da morte, e a temesse menos. Percebe</p><p>que isso é uma atitude de investigador, de aprendiz.</p><p>E aquele que teme, porque não sabe, não faz</p><p>a mínima ideia do que vem depois da morte? Bom,</p><p>quem sabe se a gente fosse atrás daqueles que sa-</p><p>biam alguma coisa a respeito, tinham noções mais cla-</p><p>ras, tinham uma serenidade muito grande em relação</p><p>a esse conceito.</p><p>Se você pega, por exemplo, um livro como Fé-</p><p>don, de Platão, você vai ver as últimas três horas de</p><p>vida do filósofo Sócrates, minuto por minuto. Como</p><p>um homem que tinha um grau de autocontrole, de</p><p>autoconhecimento muito grande, se comportava</p><p>diante da morte.</p><p>Bom, se eu não sei o que é algo, eu pesquiso, vou</p><p>atrás de quem já soube. E talvez esse me apoderar do</p><p>conhecimento do passado preencha esse meu vácuo,</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>99/289</p><p>e me deixe mais tranquilo. Se eu contar, por exemplo,</p><p>com a visão de Sócrates, a sua postura diante da mor-</p><p>te foi absolutamente tranquila. Ele tinha evidências,</p><p>tinha reflexões profundas, que testemunhavam a res-</p><p>peito da imortalidade da Alma.</p><p>Pode ser que você não acredite, mas procure</p><p>outros. Há muitos sábios que confrontavam a morte</p><p>diante da vida. Há muitos sábios que, ainda em vida,</p><p>trabalharam essa ideia, e deixaram preciosos depoi-</p><p>mentos de como lidar com ela.</p><p>Ou seja, aprendiz, quando sabe dar uma investi-</p><p>gada, para ver se o quê ele sabe está mesmo certo,</p><p>checa. Quando não sabe, vai atrás de quem sabe. E</p><p>ambas as atitudes vão minimizar o pânico diante des-</p><p>sa ideia. Se eu acho que não tenho medo da morte,</p><p>ótimo, se você realmente não tem. Mas, de vez em</p><p>quando, é bom dar uma de estudante também. Colo-</p><p>car-se, na imaginação, diante da morte. E ver, porque</p><p>às vezes temos arroubos de coragem que não são</p><p>verdadeiros. Sabermos se isso é uma atitude bem fun-</p><p>damentada. Se é, tranquilo. Esse é um problema que</p><p>não tenho. Passemos adiante. Mais um ponto podero-</p><p>so de autoconhecimento. Eu tenho identidade, eu sei o</p><p>quê me paralisa, eu sei o quê esperar da morte, e sei</p><p>como me comportar diante dela.</p><p>Que mais nós poderíamos falar? O quê um bom</p><p>estudante pode aportar a esse processo de autoco-</p><p>nhecimento? O quê me traz felicidade? E também, por</p><p>que não, o quê me traz tristeza?</p><p>Gente, eu pergunto para vocês, sei lá, qual é a</p><p>população de tal país. Você vai atrás, investiga, vê es-</p><p>tatísticas, vê recenseamentos. Eu estou lhe dizendo,</p><p>faça um recenseamento no seu dia. Reencontrar qual</p><p>é o momento em que você estava feliz, ou em que</p><p>estava triste.</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>100/289</p><p>Tente ver qual é a circunstância que lhe provoca</p><p>uma felicidade real, uma tristeza real. Procure conhe-</p><p>cer melhor o quê é o fator da sua verdadeira felicidade,</p><p>da sua verdadeira tristeza, e não uma máscara social,</p><p>que você utiliza para obedecer a padrões.</p><p>Também uma história que sempre conto, que</p><p>quando cheguei à Nova Acrópole, quando comecei a</p><p>aprender Filosofia, o meu professor me perguntou:</p><p>“– Você sabe o quê realmente a faz feliz?”</p><p>Eu era uma garota de 20 e poucos anos. À noite,</p><p>fechei os olhos, repassei o meu dia, e perguntei:</p><p>“– Quando eu estava feliz? Quando eu esta-</p><p>va feliz?”</p><p>Então me lembrei do momento em que eu estava</p><p>remexendo a terra do meu jardim, plantando algumas</p><p>coisinhas. Bom, e aquele momento em que eu estava</p><p>no happy hour? Eu percebi, nada contra o happy hour,</p><p>mas no meu caso particular aquilo não me dava pra-</p><p>zer, nem felicidade nenhuma.</p><p>Aquilo ali, eu estava batendo ponto em um com-</p><p>promisso social, que podia trazer felicidade</p><p>para ou-</p><p>tras pessoas, mas não para mim. E eu não tinha nem</p><p>sequer noção disso. Eu não sabia o quê me fazia feliz,</p><p>e também não sabia o quê me fazia triste. Também fui</p><p>procurar isso, e encontrei um momento em que me</p><p>senti incoerente com aquilo em que eu acreditava.</p><p>Esse foi um momento de tristeza, e outras coi-</p><p>sas que, normalmente, se consideram um momento</p><p>de tristeza, para mim, não significavam nada. Ou seja,</p><p>esse ânimo de investigador que o bom estudante tem</p><p>eu começo a rastrear, inclusive quais são os seus sen-</p><p>timentos diante das coisas. O quê é a sua própria fe-</p><p>licidade. O quê é a sua própria tristeza. E não uma</p><p>máscara social, uma sobrepersonalidade, que você</p><p>usa para agradar e para parecer que você gosta do</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>101/289</p><p>que todo mundo gosta, e rejeita o que todo mundo re-</p><p>jeita, porque não é assim.</p><p>Aliás, o ser humano é um universo ímpar e irre-</p><p>petível. – Percebam que aí é o ânimo com que você</p><p>se lança a uma pesquisa. É o ânimo com que você</p><p>se lança a um estudo de uma disciplina. É o ânimo</p><p>de aprendiz, o mesmo, só que agora você está ras-</p><p>treando o mais precioso dos conhecimentos, que é o</p><p>Conhece-te a ti mesmo.</p><p>Que mais... Outro ponto de autoconhecimento,</p><p>que o estudo poderia nos ajudar demais. Quando eu</p><p>me decepciono comigo? Será que eu me decepcio-</p><p>no comigo? Garanto que se decepciona. E essa per-</p><p>gunta, gente, ela vai lhe trazer uma resposta muito</p><p>preciosa. E quando você investigar, observar, vai en-</p><p>contrar dentro de você sabe o quê? O seu legítimo</p><p>código de ética.</p><p>Você vai saber o quê o fere. Qual das suas atitu-</p><p>des o fere. Onde você sente que aquilo que fez não</p><p>bate com algo muito íntimo, e muito legítimo, no qual</p><p>você acredita. Essa pergunta é maravilhosa.</p><p>Então, às vezes, aquela dorzinha, aquele incômo-</p><p>do que nós sentimos à noite, antes de dormir; aquela</p><p>sensação de uma certa angústia, de um desconforto</p><p>psicológico, é porque nós saímos procurando culpa-</p><p>dos externos.</p><p>“– Ah, foi o engarrafamento. Foi porque o</p><p>meu chefe hoje estava intolerável. Foi por isso,</p><p>foi por aquilo...”</p><p>Olha, eu vou dizer para vocês; na maior parte dos</p><p>casos, não é nada disso; é você mesmo. É alguma</p><p>coisa que você fez que o feriu. E que o feriu profunda-</p><p>mente. Você tem que saber imaginar, saber rastrear,</p><p>saber procurar no seu dia. Repassar na sua imagina-</p><p>ção, repassar na sua memória todos os momentos do</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>102/289</p><p>dia, com o ânimo de um pesquisador dedicado. En-</p><p>contrar aquele momento em que, quando você bate</p><p>nele, o seu coração dói. Você vai perceber que aí é al-</p><p>gum protocolo interno, alguma coisa que lhe era muito</p><p>cara, e você atropelou.</p><p>Eu me recordo que, a primeira vez que identifi-</p><p>quei isso, eu percebi:</p><p>“– Gente, agora eu entendo melhor aquela</p><p>imagem cristã dos espinhos cravados no coração</p><p>do Cristo.”</p><p>Embora, no caso dEle, a Sua ferida é mais pelos</p><p>atos externos, óbvio. Mas, no nosso caso, nós ferimos</p><p>o nosso coração como se fosse com um espinho encra-</p><p>vado pelos nossos próprios atos. Nada nos fere tanto</p><p>quanto os nossos próprios atos. Observe bem isso.</p><p>Dificilmente a gente termina um dia muito ferido.</p><p>Pode ter um mau humor, uma irritação, mas não muito</p><p>ferido pelo que alguém fez. O quê mais nos fere, em</p><p>geral, é o quê nós mesmos fazemos. Existe algo sa-</p><p>grado dentro de nós, aquilo que os indianos chamam</p><p>de Dharma, uma concepção, um código, um protocolo.</p><p>E quando você o fere, o atropela, é como se você cra-</p><p>vasse um espinho no seu próprio coração.</p><p>Fazer essa pergunta, investigar, ir atrás vai lhe</p><p>permitir encontrar o seu código de ética mais profundo.</p><p>O código que rege o seu próprio coração. Isso é lindo.</p><p>Isso é um passo maravilhoso para o autoconhecimen-</p><p>to. Quem obtém isso? O bom estudante, com bom</p><p>ânimo de investigador. Aquele que vai atrás, que não</p><p>desiste de conhecer a si próprio, que não desanima.</p><p>Às vezes, eu fico perplexa quando vejo determinadas</p><p>investigações, determinadas teses, obras escritas.</p><p>Um escritor, que dedicou anos ali para achar um</p><p>detalhe sobre a vida de um personagem histórico, um</p><p>detalhe sobre uma civilização, aquela busca, nossa!</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>103/289</p><p>Um ânimo desse, voltado para dentro, seria um au-</p><p>toconhecimento maravilhoso. E isso facilitaria toda a</p><p>nossa vida à volta. Facilitaria a vida da humanidade</p><p>à nossa volta. Como eu já disse muitas vezes para</p><p>vocês, quanto mais dentro, mais fora. Quanto mais ilu-</p><p>mino dentro, maior a minha capacidade de lançar luz</p><p>à minha volta. Então, é mais um elemento que o bom</p><p>investigador, o bom estudante vai descobrir, de uma</p><p>utilidade tremenda.</p><p>Que mais nós podemos ter aqui... O que espero</p><p>do futuro? Olha que rastreamento bom. Que boa pes-</p><p>quisa de campo. O quê eu espero do futuro? Vou dar</p><p>uma dica para vocês.</p><p>Uma das coisas fundamentais que a gente deve</p><p>trabalhar aí, com a nossa imaginação, é esperar do</p><p>futuro que ele nos traga serenidade, paz de espírito. E</p><p>isso é o foco da imaginação do bom estudante.</p><p>Imaginar o quê o futuro pode me trazer de aconte-</p><p>cimentos que me gerem serenidade e paz de espírito.</p><p>Você pode me dizer:</p><p>“– Eu não concordo com isso. Eu quero no</p><p>futuro dinheiro. Eu quero no futuro amor. Eu que-</p><p>ro no futuro felicidade.”</p><p>E eu vou lhe devolver a pergunta:</p><p>“– Então me diga uma pessoa feliz sem paz</p><p>de espírito?”</p><p>Uma pessoa desfrutando profundamente de um</p><p>amor verdadeiro, sem paz de espírito, sem serenidade;</p><p>uma riqueza material que possa ser muito bem curtida</p><p>por alguém que vive uma inquietude, uma perda de</p><p>serenidade, uma perda de paz de espírito tremenda, é</p><p>como você dizer que alguém pode ser feliz com algu-</p><p>ma coisa, mas andando sobre um piso de espinhos.</p><p>Qualquer bem que você queira do futuro só pode</p><p>ser desfrutado se você tem primeiro um piso adequa-</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>104/289</p><p>do, que é serenidade e paz de espírito. Isso lhe permi-</p><p>te um exercício de imaginação que é delicioso, para o</p><p>bom estudante. Imaginar que fatos do futuro poderiam</p><p>me trazer serenidade e paz de espírito, e valorizá-los,</p><p>sobretudo. Imaginar um futuro onde essas coisas são</p><p>conquistadas.</p><p>E assim você vai já pavimentando o seu futuro.</p><p>Construindo, como diria Platão, primeiro no plano das</p><p>ideias, para que depois ele exista aqui. – Percebam</p><p>que interessante. Um investigador, um rastreador de</p><p>si mesmo. Como diria lá o nosso querido Milton Nas-</p><p>cimento:</p><p>“Eu, caçador de mim.”</p><p>Eu investigador de mim.</p><p>Eu estudante de mim mesmo.</p><p>E por último, mas não menos importante, uma</p><p>pergunta que seria bem interessante para o bom estu-</p><p>dante de si próprio:</p><p>“– O quê posso fazer pelos demais?”</p><p>Isso é fantástico, gente. Às vezes, damos aos de-</p><p>mais, isso quando damos, isso quando existe um ver-</p><p>dadeiro ânimo de doação, damos aos demais aquilo</p><p>que a gente gostaria de ter, se nos perguntassem o</p><p>que queremos. E, às vezes, aquilo que é maravilhoso</p><p>para nós é péssimo para o outro.</p><p>Aí o ânimo do estudante entra com um valor pre-</p><p>cioso. Porque para ser uma pessoa empática, para</p><p>desenvolver empatia, você tem que ser um excelente</p><p>investigador. Empatia não é se colocar no lugar do ou-</p><p>tro. Empatia é entender o outro, a partir dele mesmo, e</p><p>não de mim, se eu estivesse lá. Ou seja, a partir dele</p><p>mesmo. Tentar entender o mundo através dos olhos</p><p>dele, dos valores dele, das circunstâncias dele. Enten-</p><p>dam isso. Entender o mundo a partir dele significa que</p><p>você pode ajudá-lo de uma forma que ele entenda, de</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>105/289</p><p>uma forma que seja</p><p>acessível. E eu não estou dizendo</p><p>para você fazer aquilo que lhe agrada, mas para você</p><p>fazer aquilo que o faz crescer.</p><p>Mas, lógico, chegar a ele com uma linguagem</p><p>que ele seja capaz de entender, que não o fira. Enten-</p><p>der em que ponto ele está, em que degrau ele está,</p><p>para puxá-lo para o degrau seguinte, e não imaginar</p><p>colocá-lo em um degrau que ele, definitivamente, não</p><p>alcança, não quer e não pode estar nele agora.</p><p>Perceber a localização psicológica, moral e es-</p><p>piritual do outro, para puxá-lo um degrau acima. Não</p><p>fazer aquilo que ele quer, mas aquilo que ele necessi-</p><p>ta para crescer. Mas sabendo se comunicar com ele.</p><p>Sabendo entrar no seu mundo de valores, sem feri-lo.</p><p>Sabendo localizá-lo e, a partir daí, tentar atraí-lo para</p><p>um pouco mais alto.</p><p>A empatia é um trabalho de investigação primoro-</p><p>so, e depende, claro, de muito amor, mas também de</p><p>muito ânimo de aprendiz, de muito ânimo de estudan-</p><p>te, que vai atrás de entender o universo, e não consi-</p><p>dera que o seu universo é o único possível. Que não</p><p>acredita que a sua visão de mundo é a única possível.</p><p>E veja que isso se estende em situações que, às ve-</p><p>zes, até são engraçadas. E não é só com as pessoas</p><p>que estão a nossa volta.</p><p>Eu vejo, às vezes, as pessoas tentando entender</p><p>o homem do passado, de outras civilizações, de outro</p><p>tempo, de outro espaço, aplicando os seus padrões de</p><p>valor. Fazendo julgamentos, tremendamente, injustos.</p><p>Para conhecer a nossa história pessoal e coletiva,</p><p>sabendo cada um dos personagens que participaram</p><p>dela, qual a intenção que tinham? Onde queriam che-</p><p>gar? Para entender antes de julgar. Para proporcio-</p><p>nar aos demais um degrau a mais, uma posição que</p><p>eles possam alcançar, uma ajuda que realmente seja</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>106/289</p><p>compreendida como tal. Ou seja, para sermos fator de</p><p>soma para as pessoas à nossa volta. É uma atitude de</p><p>muita investigação, curiosidade, observação, atenção,</p><p>imaginação, e até criatividade.</p><p>Essas são apenas algumas dicas. E não param</p><p>por aqui. Eu sei que vocês são capazes de vocês mes-</p><p>mos elaborarem muitas outras perguntas, que são ras-</p><p>treamentos da minha identidade.</p><p>Rastreamentos de mim mesmo. E rastreamentos</p><p>de si próprio não são diferentes, nas suas técnicas do</p><p>rastreamento, de qualquer outra coisa. Com técnicas</p><p>de estudo, técnicas de um bom estudante da vida, de</p><p>si próprio, da minha natureza humana, da natureza em</p><p>geral. Tentando harmonizar, alinhar todas essas coi-</p><p>sas. Tentando proporcionar harmonia e beleza.</p><p>Bom, isso é basicamente o que eu queria trazer</p><p>para vocês hoje. Como falei, um pequeno bate-papo.</p><p>Mas, olhe, talvez entre as grandes virtudes que a</p><p>gente tenha que incluir, nesse nosso manual do bom</p><p>ser humano, a gente tenha que se lembrar de colocar</p><p>lá o ânimo de aprendiz, que é de um bom estudante.</p><p>Com esse ânimo de querer saber das coisas, não</p><p>achar que já sabe. Platão costumava dizer que o pior</p><p>inimigo de quem quer aprender é achar que já sabe.</p><p>Não caminha, não avança. O ânimo de um aprendiz,</p><p>que tem consciência do tamanho da sua ignorância, é</p><p>como dizia Sócrates:</p><p>“– Só sei que nada sei.”</p><p>Reconsidere esse mistério do desconhecido, do que</p><p>há para aprender, a chamada mais poderosa da vida.</p><p>E é isso, então, gente. Espero encontrá-los lá no</p><p>Curso, nas perguntas que mandam para mim, e espe-</p><p>ro que saiam todos muito melhores estudantes; aqueles</p><p>que se animarem a fazer o Curso, é claro, agora ou em</p><p>algum momento, que saiam muito melhores estudantes.</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>107/289</p><p>A vida está cheia de revelações maravilhosas, in-</p><p>clusive guardadas dentro de você mesmo. Existe um</p><p>conto oriental muito interessante que fala sobre isso.</p><p>Um conto indiano, que diz que quando os deuses in-</p><p>dianos criaram um mundo, e criaram o homem, eles</p><p>queriam um lugar para esconder a natureza divina do</p><p>homem, a sua essência divina. E pensaram, porque</p><p>não queriam que fosse um lugar fácil. Se eles colo-</p><p>cassem, cavassem um buraco muito profundo, colo-</p><p>cassem no interior da Terra, como eles pensaram em</p><p>fazer, então o deus Brahma imediatamente disse:</p><p>“– Aí não vai funcionar. Os homens são mui-</p><p>to curiosos. São quase que bisbilhoteiros. Já, já,</p><p>eles vão escavar a terra inteira, e vão encontrar</p><p>fácil a sua essência divina. Não vai dar tempo de</p><p>eles terem mérito suficiente para ela.”</p><p>Aí, um outro deus deu um palpite:</p><p>“– Vamos colocar no fundo dos oceanos.”</p><p>E mais uma vez Brahma disse:</p><p>“– Não vai dar também. Os homens são bem</p><p>mais complicados do que vocês imaginam. Eles</p><p>remexem o mundo inteiro. Já, já eles vão chegar</p><p>a esse fundo desse oceano, antes de ter méri-</p><p>to para encontrar a sua essência, e se darem</p><p>com ela.”</p><p>Aí, em um determinado momento, o próprio Brah-</p><p>ma teve a ideia:</p><p>“– Ótimo, eu já sei onde vou esconder a natu-</p><p>reza divina do homem. Eu vou esconder no último</p><p>lugar em que ele vai procurar, que é dentro de si</p><p>próprio.”</p><p>É mais ou menos isso que a gente está vivendo.</p><p>O último lugar onde a gente procura respostas é den-</p><p>tro de nós mesmos. Eu acredito que seria bem mais</p><p>fácil se procurássemos em primeiro lugar ali.</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>108/289</p><p>Ou seja, com ânimo de aprendizes, o ânimo de</p><p>autoconhecimento.</p><p>Sempre com a postura de um bom estudante:</p><p>curioso diante dos mistérios da vida.</p><p>É o que eu desejo para vocês.</p><p>Um abraço a todos.</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>109/289</p><p>MÓDULO 1</p><p>AUTOCONHECIMENTO</p><p>Aula 1 – Introdução</p><p>Olá, sejam bem-vindos nesta nossa nova emprei-</p><p>tada juntos. Que eu garanto que vai ser uma aventura</p><p>maravilhosa para vocês. Mais uma vez, repito, reitero,</p><p>eu proponho e ensino esta técnica, porque eu a uso, e</p><p>para mim ela é de utilidade enorme.</p><p>Cá entre nós, acredito que, numa sociedade ide-</p><p>al, técnicas de estudo deveriam ser ensinadas, desde</p><p>a mais tenra infância. Fico imaginando o tempo que</p><p>perdemos, trabalhando com uma forma de estudo que</p><p>desgastou energia e absorveu muito pouco de conteú-</p><p>do. O quanto perdemos de tempo, e tempo é vida.</p><p>E isso, realmente, é um disparate. Termos tanto</p><p>material para estudar, e tão pouca técnica para abor-</p><p>dá-lo, para aproveitá-lo, de tal maneira que ele possa</p><p>de fato ser incorporado à nossa vida, e possa ser di-</p><p>ferente a nossa vida a partir daí. Ou seja, que gere</p><p>verdadeiro aprendizado, e não mera memorização</p><p>temporária.</p><p>Técnicas de Estudo é um curso criado por uma</p><p>Escola de Filosofia, à qual pertenço, que é a Nova Acró-</p><p>pole. E, lógico, tudo que nasce dentro de uma Escola</p><p>de Filosofia tem um teor filosófico muito interessante.</p><p>Sempre comento com as pessoas que existe um inte-</p><p>resse muito grande por aprender oratória, que eu acho</p><p>extremamente justificado. Oratória é muito bom.</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>110/289</p><p>Mas, talvez, a sequência correta para que você</p><p>tivesse uma boa absorção de oratória seria primeiro</p><p>estudar, administrar o seu tempo; em segundo lu-</p><p>gar, estudar técnicas de estudo; e só então estudar</p><p>oratória.</p><p>Você chegar diante de um público, e se expres-</p><p>sar bem, não depende apenas da sua técnica de ex-</p><p>pressão, mas do preparo do conteúdo que você fez</p><p>anteriormente. E esse preparo vai gerar autoconfian-</p><p>ça, segurança, que permite que você se expresse de</p><p>maneira mais bem colocada, de maneira mais eficaz.</p><p>O quê nós vamos ter é, exatamente, algumas técnicas</p><p>que nos permitem realizar uma absorção de conhe-</p><p>cimentos não só em um livro, mas na vida como um</p><p>todo. Isso é o quê eu acho mais interessante, nesse</p><p>aprendizado de técnicas de estudo.</p><p>Bom, existem algumas coisas que</p><p>são bem pré-</p><p>vias, e que é importante a gente dizer. Que a técnica</p><p>de estudo, por exemplo, vai nos permitir uma relação</p><p>mais sensível, atenta e concentrada – naquilo que</p><p>queremos estudar. Vocês vão perceber que ela abre</p><p>tanto o foco que você vai ser sensível, atento e con-</p><p>centrado. Não só quando abre um livro diante de você,</p><p>mas quando abre um novo dia diante de você, cada</p><p>vez que amanhece.</p><p>Mais sensível à necessidade do seu filho, do seu</p><p>esposo ou esposa; mais sensível à necessidade da-</p><p>quela pessoa que convive com você no trabalho. Mais</p><p>atento às oportunidades de agregar valor à sua vida,</p><p>agregar valor à vida do outro; e mais concentrado na-</p><p>quilo que você deve fazer, naquilo que faz a diferença</p><p>na sua vida. Não tão disperso. – Olha, todos nós sabe-</p><p>mos, a dispersão é a doença do século XXI.</p><p>Aprender a estudar com foco, com qualidade, vai</p><p>nos permitir combater, com uma ferramenta muito efi-</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>111/289</p><p>caz, esse terrível vampiro de tempo, que se chama</p><p>dispersão.</p><p>Então, algumas vantagens que a técnica de es-</p><p>tudo oferece, nós vamos falar nisso muitas vezes ao</p><p>longo do Curso. Nós vamos ver que ela nos dá facili-</p><p>dade de leitura, de memória, de expressão, de lógica</p><p>e de síntese. Ou seja:</p><p>“– As coisas são complicadas, eu não consi-</p><p>go ler esse livro...”</p><p>Olha, às vezes a culpa não é do livro. Às vezes,</p><p>a responsabilidade é da forma como você lida com o</p><p>conhecimento, da forma como você lida com a leitura.</p><p>Tem livros que têm realmente uma maior densi-</p><p>dade, e exigem reflexão, para que você caminhe mais</p><p>adiante e recolha algum significado. Tem livros até, na</p><p>História, que são propositalmente cifrados, para que</p><p>aqueles mais precipitados, e mais dispersos, fiquem</p><p>pelo meio do caminho.</p><p>E só aqueles que têm uma maior perseverança</p><p>e qualidade na sua leitura vão adiante. Vários livros</p><p>oferecem conteúdos maravilhosos, mas vão deixando</p><p>os despreparados pelo caminho.</p><p>Então, você tem possibilidade, não só de uma</p><p>leitura atenta, como também de uma maior memori-</p><p>zação. Técnica de Estudo lhe permite fazer uma asso-</p><p>ciação daquele conhecimento novo com o todo da sua</p><p>vida. Isso não se perde mais.</p><p>Quando uma informação importante é agregada à</p><p>sua vida, você a relaciona com as coisas importantes</p><p>dela. Isso não se perde mais. É como se fizesse parte</p><p>da história da sua vida.</p><p>Uma das formas que nós vamos ver mais bem- su-</p><p>cedidas de memória é a memória sequencial, quando</p><p>uma coisa dá seguimento na nossa história. Por exem-</p><p>plo, se eu conto para você a história da Branca de Neve:</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>112/289</p><p>“– A madrasta manda o caçador levar Branca</p><p>de Neve para a floresta. Ih, nossa! Eu esqueci o</p><p>quê o caçador fez com a princesa na floresta...”</p><p>Ninguém vai falar isso, porque existe uma se-</p><p>quência de acontecimentos, que se você se lembra</p><p>da primeira cena, essa sequência vai puxar até a</p><p>última, até:</p><p>“– E foram felizes para sempre.”</p><p>E assim é quando um conhecimento agrega valor</p><p>à nossa vida: você o memoriza, porque, quando você</p><p>for contar a história da sua vida, aquele conhecimen-</p><p>to entra ali de forma expressiva. Esse conhecimento</p><p>me fez melhor, esse conhecimento agregou uma pos-</p><p>sibilidade de divisão de vida que eu não tinha antes.</p><p>Portanto, parte da história da minha vida é esse co-</p><p>nhecimento.</p><p>Técnicas de Estudo permitem que você lide des-</p><p>sa forma com o conhecimento. Ele deixa de ser um</p><p>mero obstáculo, uma mera coisa chata que você tem</p><p>que enfrentar, e passa a ser algo que lhe dá uma pos-</p><p>sibilidade de melhor resposta às circunstâncias. Faz</p><p>parte da história da sua vida.</p><p>Outro negócio, outra coisa importante, outro as-</p><p>pecto importante é a capacidade de expressão. Logi-</p><p>camente, se você estuda bem, significa que você pro-</p><p>cessa bem essa informação, dentro da sua cabeça. Ou</p><p>seja, saber estudar implica em uma clareza mental, dis-</p><p>cernimento, capacidade de concatenar logicamente o</p><p>pensamento. Se você tem isso, na hora em que vai se</p><p>expressar na comunicação, essa mesma ordem que há</p><p>dentro há fora. E você é claro, você é preciso, você é</p><p>capaz de comunicar uma mensagem de maneira ótima,</p><p>seja qual for a pessoa a quem você se dirija.</p><p>Hoje é um dos elementos que mais se estuda – a</p><p>capacidade de mediação entre grupos que não se en-</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>113/289</p><p>tendem. Por que não se entendem? Porque, às vezes,</p><p>a pessoa fala uma única linguagem, que é aquela lin-</p><p>guagem do mundo onde ela vive, com os seus valores,</p><p>e não é capaz de se comunicar com o mundo do outro.</p><p>A tal ponto que você tem que colocar um ser humano</p><p>mais sensível aí no meio, para ser quase que um in-</p><p>térprete de duas pessoas que falam a mesma língua,</p><p>língua portuguesa.</p><p>Mas, não falam a mesma língua quanto a signifi-</p><p>cados, e não conseguem estabelecer uma comunica-</p><p>ção. Uma boa capacidade de estudo vai lhe permitir</p><p>adquirir o conteúdo que qualquer conhecimento está</p><p>querendo oferecer. E se você tem o conteúdo você o</p><p>embala conforme o gosto do freguês. Você é capaz</p><p>de explicar aquela ideia para uma criança pequena,</p><p>para uma pessoa idosa, para uma pessoa de qual-</p><p>quer nível cultural. Ou seja, você pegou o coração</p><p>do conhecimento, agora você o expressa conforme a</p><p>necessidade.</p><p>Outro elemento interessante é a capacidade de</p><p>síntese. Nós vamos falar bastante sobre ela mais adian-</p><p>te, porque é uma das capacidades mais importante da</p><p>vida. No fundo, tudo que está à nossa volta se oferece</p><p>a uma síntese. A pessoa está falando com você, você</p><p>tem que ser capaz de... – às vezes, ela não se expressa</p><p>bem, às vezes é um pouco confusa... –, você é capaz</p><p>de tirar a essência do que ela está querendo lhe dizer?</p><p>Você é capaz de tirar a essência do que um texto es-</p><p>crito está querendo lhe dizer? Um dia, você vai olhar</p><p>para trás e vai ter que tirar a essência até do que a sua</p><p>vida quis lhe dizer. Isso faz parte da nossa vida. Crescer</p><p>exige ser capaz de tomar o coração das coisas; isso é</p><p>poder de síntese.</p><p>Então, esses são alguns dos elementos, entre</p><p>muitos outros, que você vai aprender com Técnicas</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>114/289</p><p>de Estudo. Olha, vou lhe falar, volto a contar a história</p><p>de Gandhi. Dizem que um dia uma mãe chegou para</p><p>Gandhi, e falou:</p><p>“– Por favor, mestre. Pede ao meu filho que</p><p>não coma tantos doces.”</p><p>E Gandhi pediu uma semana para falar com a</p><p>criança.</p><p>Ela pensou:</p><p>“– Bom, uma semana, ele vai preparar um</p><p>discurso maravilhoso.”</p><p>Quando ela volta com a criança ali, dali uma se-</p><p>mana, ele chega para o menino e diz:</p><p>“– Meu filho, não coma tantos doces.”</p><p>A mãe fica muito grata. E fica um pouco curiosa.</p><p>“– Mas, mestre, você levou uma semana</p><p>para se preparar para dizer só isso...”</p><p>E Gandhi teria respondido:</p><p>“– É, mas durante essa semana eu não comi</p><p>doces.”</p><p>Eu acho essa história, particularmente, bonita. Sabe</p><p>por quê? Se eu vou ensinar para vocês, através deste</p><p>Curso, como não comer doces, significa que algum tem-</p><p>po na minha vida eu tenho que ter me controlado no con-</p><p>sumo de doces, ter essa abstinência de doces, tenho que</p><p>ter conquistado isso como experiência.</p><p>Portanto, eu me sinto muito segura, porque eu</p><p>uso isso. Tenho necessidade, pelo próprio ofício a que</p><p>me dedico, sou professora, de sintetizar muita infor-</p><p>mação. Eu posso dizer, com toda a segurança: sem</p><p>esse método, isso não seria possível. Então, vamos</p><p>nos lançar juntos a uma aventura e, com certeza, ela</p><p>vai lhe deixar muita coisa útil.</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>115/289</p><p>MÓDULO 1</p><p>AUTOCONHECIMENTO</p><p>Aula 2 – Teste inicial</p><p>Perguntas</p><p>de 1 a 4</p><p>Bem, agora vamos partir para uma coisa chamada</p><p>Teste Inicial. Normalmente, o quê eu fazia era passar</p><p>esse Teste Inicial para você, para que o preenchesse</p><p>sozinho. Isso é uma coisa que teve muito pouco pro-</p><p>veito; por quê? Porque, se a pessoa não entende o</p><p>teor desses itens, eles não vão gerar um estado de</p><p>consciência. Não vale nada você fazer esse teste, que</p><p>vai sim ser mandado para você, se você não entender</p><p>a importância de cada um desses itens.</p><p>Eu me baseio, claro, não poderia me basear em</p><p>outra coisa, em Platão. Porque ele dizia que, toda vez</p><p>que você faz leis para um Estado, você deveria ter um</p><p>longo preâmbulo explicativo, para que as pessoas en-</p><p>tendessem o sentido daquelas leis.</p><p>Porque o quê evolui é a consciência. Se não es-</p><p>tamos conscientes do valor dessas recomendações,</p><p>elas não valem nada. São um mero teste, que vocês</p><p>vão preencher com o “xizinho”, e não vai ter nenhum</p><p>significado.</p><p>Então, acho bastante importante a gente fazer</p><p>essa aventura juntos, e comentarmos cada item des-</p><p>se Teste Inicial. Depois, eu não vou olhar as suas</p><p>respostas. Você responde sozinho, diante de si pró-</p><p>prio, diante da sua própria consciência. – Procure ser</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>116/289</p><p>o mais honesto possível, e procure, na medida do</p><p>possível, quando perceber maus hábitos, entender</p><p>por que os tem. Qual o tipo de satisfação esse mau</p><p>hábito lhe traz?</p><p>Costumo falar nas minhas aulas de Filosofia que</p><p>nós temos defeitos, sobretudo, por uma razão: Porque</p><p>gostamos deles. Se fosse algo que você não gostas-</p><p>se; imagine uma mesa velha, caindo aos pedaços, ou</p><p>feia, com uma decoração que você não gosta. Não fi-</p><p>caria uma semana na sua casa. Você já a teria coloca-</p><p>do fora de casa. Se ela permanece anos dentro da sua</p><p>casa, é porque você gosta dela. Acha que combina</p><p>com a decoração.</p><p>Assim é com os nossos defeitos. Eles permane-</p><p>cem, porque a gente dá espaço para eles. A gente não</p><p>os coloca porta fora porque gosta de algo deles. O</p><p>prazer que eles nos dão, o comodismo que eles nos</p><p>oferecem.</p><p>Então, cada vez que vocês perceberem que, num</p><p>desses itens, vocês têm um vício, vocês têm um ele-</p><p>mento mal elaborado. Parem para perceber: Por que</p><p>mantêm algo que claramente lhes prejudica, claramen-</p><p>te atrapalha a sua assimilação de conhecimentos?</p><p>Vamos lá? Então, vamos começar agora a parte</p><p>um do Teste Inicial.</p><p>Pergunta número um:</p><p>“– Você tem um local fixo para estudar?”</p><p>“– Ah, isso é importante?”</p><p>É importante. Você vai dizer:</p><p>“– Bom, mas uma pessoa que estuda bem,</p><p>estuda bem em qualquer lugar.”</p><p>Concordo, mas nós não somos essa pessoa que</p><p>estuda bem. Uma pessoa que anda muito bem de bi-</p><p>cicleta faz bicicross, anda em um terreno acidentado,</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>117/289</p><p>cheio de buraco. Mas se nós não somos essa pessoa</p><p>que anda bem, melhor começarmos num terreno pla-</p><p>no. De preferência, que não seja um chão tão duro,</p><p>porque se você cair não se machuca tanto. Ou seja,</p><p>para quem está aprendendo existem, sim, condições</p><p>ideais. E essas condições ideais são um ambiente</p><p>onde você tira tudo aquilo que você sabe que o disper-</p><p>sa, atrapalha, tira do centro.</p><p>Observe, que curioso, porque tudo na nossa vida</p><p>é simbólico. Se você entra na casa de uma pessoa,</p><p>e a cozinha é maravilhosa, ela gosta de cozinhar, ela</p><p>gosta de se alimentar bem. Uma sala de jantar linda.</p><p>Bom, ela gosta de comer bem, gosta de receber os</p><p>amigos. Uma bela sala de TV. Ela gosta de sentar ali e</p><p>assistir programação de TV. Um quarto de dormir, um</p><p>belo toalete, tudo. Aí, você pergunta:</p><p>“– E um quarto de estudo?”</p><p>“– Ah, não tem espaço para isso.”</p><p>O que você presume? Para essa pessoa, é impor-</p><p>tante ver TV; se alimentar; cozinhar; dormir; se higieni-</p><p>zar; estudar, não. Porque se isso fosse importante ela</p><p>lhe daria um espaço próprio.</p><p>Ela não diz:</p><p>“– Bom, vou deixar aqui um ambiente multiu-</p><p>so e, quando der, aí eu faço a cozinha.”</p><p>Não, o ambiente da cozinha sempre é cozinha. O</p><p>ambiente multiuso, quando der, eu durmo ali. Mas, na</p><p>maior parte dos casos, a menos que haja uma neces-</p><p>sidade muito extrema, não fazemos isso.</p><p>O nosso ambiente de dormir é todo adaptado</p><p>para o nosso relaxamento, para que a gente descanse</p><p>ali. Bom, estudar é uma necessidade? Sim. Então, de-</p><p>veria haver um ambiente adaptado para isso. Se você</p><p>não tem:</p><p>“– Ah, falta espaço.”</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>118/289</p><p>Olhe, talvez fosse o caso de pensar um pouco</p><p>melhor em como você aproveita o seu espaço. Ou,</p><p>se realmente não existe essa possibilidade, quem</p><p>sabe, utilize uma biblioteca próxima, um local onde</p><p>você possa ter condições ideais. Porque, se não sa-</p><p>bemos ainda como estudar, qualquer fator circuns-</p><p>tancial pode ser um impedimento. Pense um pouco</p><p>sobre isso.</p><p>Pergunta número dois:</p><p>“– Eu estudo em um lugar sem ruídos, TV,</p><p>rádio etc.?”</p><p>Inclusive, aquele nosso belíssimo celular, ele fica</p><p>ligado do seu lado? De tal maneira que, você está no</p><p>meio de um raciocínio, e faz aquele plim??... Chegou</p><p>um WhatsApp??...</p><p>“– Ah, isso é muito urgente. Pode ser uma</p><p>coisa urgente. Deixe-me ver o que é...”</p><p>Honestamente, você imagina uma coisa muito ur-</p><p>gente, pegou fogo na sua casa, e alguém lhe manda</p><p>um WhatsApp? Eu acho que não. Eu acho que você</p><p>tem que ter cuidado, porque isso gera uma ansiedade,</p><p>e um vício. Que nós conhecemos muito bem, que já foi</p><p>no passado pelo computador, agora é pelo telefone.</p><p>Ou seja, uma curiosidade meio infantil, que não</p><p>sabe priorizar o que é importante em cada momento.</p><p>Então, nessa hora, o telefone bem longinho... Deixe</p><p>um recado para uma pessoa qualquer, amiga, que se</p><p>tiver uma emergência procure você, e você coloca um</p><p>toque diferenciado só para essa pessoa... E ela sabe</p><p>que só vai ligar se for uma emergência.</p><p>Sempre tem um jeito de contornar, se nós usamos</p><p>a inteligência, e queremos, de fato, estudar. – Ou seja,</p><p>não deixarmos informações à nossa volta que nos dis-</p><p>persem. Não temos tanta concentração assim, então</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>119/289</p><p>nem TV, nem rádio, e de preferência um ambiente que</p><p>não tenha tantos ruídos ambientais.</p><p>“– Ah, eu vou ter que vedar o espaço para som?”</p><p>Não, não precisa tanto. Mas, se você tem uma</p><p>casa que tem um quarto de frente, um quarto de fundo,</p><p>opte pelo de fundo. Certamente, os barulhos da rua vão</p><p>lhe incomodar menos. Isso é uma providência simples,</p><p>não é nada demais. Todos nós, dentro das nossas con-</p><p>dições, podemos pensar nisso: um ambiente que nos</p><p>favorece ao aprendizado de estudar bem.</p><p>Pergunta número três:</p><p>“– Você limpa o local de estudo de qual-</p><p>quer coisa que distraia?”</p><p>É uma consequência da anterior. Bom, eu já tirei</p><p>TV, já tirei rádio, já tirei computador, já tirei celular.</p><p>Mas, tem um quadro na parede, que você gosta mui-</p><p>to dele, e ele tende a prender a sua atenção. Esse</p><p>não é um bom objeto para o lugar onde você estuda.</p><p>Você tem um revisteiro, com um monte de revistas,</p><p>com capas atraentes, não é um bom objeto para o</p><p>lugar onde você estuda. – Nós somos aprendizes.</p><p>É um ambiente sóbrio, que tenha só o necessário,</p><p>para não atrapalhar a sua concentração, e favorecer</p><p>o seu estudo.</p><p>Então, qualquer elemento distrativo, qualquer ob-</p><p>jeto que atraia a atenção, é bom que não esteja aí.</p><p>Imagine que nós já somos dispersos. Estamos lutando</p><p>contra um vício, que tende a nos puxar para qualquer</p><p>coisa. Se nós ainda nos aliamos a esse vício, e deixa-</p><p>mos coisas atrativas, estamos dando vantagem para o</p><p>inimigo. Estamos dando vantagem para a dispersão.</p><p>Dê uma checada geral no seu ambiente. Sóbrio, com</p><p>nada que possa pendurar a sua atenção. Lembrem de</p><p>um filósofo chamado Pitágoras.</p><p>Licensed</p><p>to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>120/289</p><p>Pitágoras, ele dizia o seguinte aos seus alunos,</p><p>na Escola Pitagórica. Ele colocava uma cortina, e dava</p><p>aula por detrás dessa cortina, com uma certa transpa-</p><p>rência. Mas, opaca o suficiente para que não vissem</p><p>os detalhes dele.</p><p>Ele dizia:</p><p>“– Eu falo daqui para que a atenção de vocês não</p><p>se pendure nas pregas da minha túnica.”</p><p>Esse conhecia técnica de estudo. Ele sabe que</p><p>uma prega de túnica para um aluno disperso é sufi-</p><p>ciente para ele perder a aula. Portanto, herde essa sa-</p><p>bedoria pitagórica. Isso é bem importante.</p><p>Pergunta número quatro:</p><p>“– Você estuda com boa luz?”</p><p>Isso é fundamental, que você perceba o ponto</p><p>confortável de iluminação. Se tem luz natural, e se</p><p>essa luz natural incomoda, porque é muito intensa no</p><p>horário em que você estuda, um bom blecaute seria</p><p>interessante.</p><p>Ou, se tem um abajur, se esse abajur está bem-</p><p>posicionado. Se tem uma regulagem para que, quan-</p><p>do a luz canse a sua vista, você possa diminui-la. Ou</p><p>seja, você favorecer a leitura clara e fácil. Tirar todos</p><p>os obstáculos que haja no caminho.</p><p>Eu sofro de vista cansada. Na minha idade é co-</p><p>mum, eu mesma sofro. Uns bons óculos de leitura,</p><p>não leia sem ele. E quando a vista cansa, começa a</p><p>gerar efeitos como dor de cabeça, e vista turva, isso</p><p>vai impedi-lo de continuar.</p><p>Então, se você tem vista cansada, use óculos de</p><p>leitura. Ou seja, facilite para que a iluminação e a visu-</p><p>alização não sejam o impeditivo. A ideia é retirarmos</p><p>todos os impeditivos. Lembro a vocês uma passagem</p><p>de Jung, o grande psicólogo, que quando ele fazia o</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>121/289</p><p>seu planejamento do ano seguinte ele imaginava to-</p><p>dos os defeitos que tinha, e os obstáculos que pode-</p><p>riam se colocar. E dava a resposta a esses obstáculos</p><p>antes que eles se manifestassem.</p><p>Faça a mesma coisa para estudar. O que pode</p><p>me incomodar? A vista? Vou prevenir os óculos. A</p><p>iluminação? Vou me prevenir com um bom abajur. A</p><p>ventilação? Vou prevenir. Ou seja, tire qualquer impe-</p><p>ditivo. Previna os impeditivos, se você quer realmente</p><p>ter eficácia.</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>122/289</p><p>MÓDULO 1</p><p>AUTOCONHECIMENTO</p><p>Aula 3 – Teste inicial</p><p>Perguntas de 5 a 8</p><p>Pergunta número cinco:</p><p>“– O local em que você estuda é bem ven-</p><p>tilado?”</p><p>Observe isso, e perceba que não é uma resposta</p><p>padrão.</p><p>“– Sim, é bem ventilado.”</p><p>É bem ventilado neste momento. Tenha recursos</p><p>para que você se sinta confortável, para que o calor</p><p>ou frio não o incomodem. Então, nessa estação, está</p><p>bem ventilado. E quando esquentar? Só abrir a janela</p><p>vai ser suficiente? Tenha recursos já previstos, para</p><p>que você não se detenha diante dessa dificuldade.</p><p>O vento da janela. Bom, a janela traz vento, mas</p><p>também traz barulho. Será que um ventilador silen-</p><p>cioso... deixe-me ver a quantidade de volume que</p><p>esse ventilador emite, para ver se ele não vai me dis-</p><p>persar, ou, quando faz frio, se estou preparado para</p><p>isso. Só fechar a janela aquece? Ou seja, considere</p><p>as variações que o ano vai lhe oferecer. E se você</p><p>sempre tem recursos para que esse fator temperatura</p><p>não o atrapalhe.</p><p>Ou seja, lembre da ideia de Jung, de prever os</p><p>obstáculos, e dar a resposta para eles antes que eles</p><p>se apresentem. Quem quer estudar trabalha a favor da</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>123/289</p><p>concentração, e não da dispersão. Leve a sério. Você</p><p>quer estudar?</p><p>“– Quero!”</p><p>Assim, eu vou trabalhar contra os fatores de dis-</p><p>persão. Não vou deixá-los soltos por aí, para que eu</p><p>tenha desculpa. Porque se você deixa fatores de dis-</p><p>persão soltos vai dizer:</p><p>“– Eu tentei e não deu...”</p><p>Você não tentou; você deixou os obstáculos à solta.</p><p>Portanto, você não estava tão determinado as-</p><p>sim. Existe uma coisa que a gente tem que ter clareza,</p><p>chegar diante de nós mesmos, no espelho, e dizer:</p><p>“– Eu quero realmente estudar?”</p><p>Se você quer, leve isso a sério, e tudo que possa</p><p>ser fator de distúrbio tire do caminho, antes de abrir a</p><p>primeira página.</p><p>Pergunta número seis:</p><p>“– Quando começa a estudar, antes de co-</p><p>meçar a estudar, você separa tudo de que vai</p><p>necessitar? Dicionários, livros etc., para não</p><p>ter que parar para buscar depois?”</p><p>Olhe, você pode achar que é uma bobagem. Tem</p><p>uma estante, que está a três passos daqui, e ali tem</p><p>um dicionário, ali tem tudo que eu necessito. E não é</p><p>conveniente deixar o computador ligado, porque você</p><p>pode recorrer ao Google, porque o computador vai</p><p>dispersá-lo.</p><p>Então, se você vai necessitar de informações, dê</p><p>uma verificada no que você necessita, e pesquise no</p><p>Google antes. Ou então recorra ao dicionário mesmo.</p><p>Agora, o ideal é que você não tenha que se levantar e</p><p>dar esses três passos. Parece uma brincadeira? Não</p><p>subestime a sua dispersão. Você está lutando contra</p><p>um inimigo sério. Só de dar esses três passos... você</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>124/289</p><p>passa pela janela... e vê alguma coisa interessante lá</p><p>fora. E quando você volta já não está mais pensando</p><p>no objeto dos seus estudos.</p><p>Qualquer mínima coisa, sendo como somos, ama-</p><p>dores, pode nos tirar o foco. Então, se eu vou precisar</p><p>disso, isso esteja ao alcance da minha mão, em cima</p><p>da mesa, para que o tempo de recurso a esse elemen-</p><p>to seja o mínimo possível. E o mínimo possível, no</p><p>entanto, também é possibilidade de dispersão. Outro</p><p>elemento importante.</p><p>Pergunta número sete:</p><p>“– Você reserva algum tempinho, todos os</p><p>dias, para o estudo?”</p><p>Olhe, você tem que perceber que a vida se sus-</p><p>tenta em cima de uma coisa: ritmo. Seu coração pode</p><p>bater mais lento ou mais acelerado, mas ele não para</p><p>de bater. Porque, senão, você estaria morto. Toda a</p><p>vida se sustenta por ritmo.</p><p>Uma das coisas que ensino em Administração do</p><p>Tempo é, exatamente, você pegar o seu ano e criar</p><p>os ciclos de maior e menor produtividade. Sabe o quê</p><p>significa isso? Imagine que você tem um livro de 365</p><p>páginas para ler, e um ano para lê-lo. Em uma mate-</p><p>mática simplória, daria uma página por dia.</p><p>Mas, em uma matemática inteligente, não. Por-</p><p>que tem aquela fase em que as crianças estão de</p><p>férias, estão dentro de casa, e demandam muito</p><p>mais atenção. Nessa fase, talvez você leia só um pa-</p><p>rágrafo.</p><p>Naquela fase, onde você tem um tempo mais livre</p><p>no seu trabalho, tem mais disponibilidade, você pode</p><p>aumentar para três, quatro páginas.</p><p>Mas, nenhuma circunstância o detém. Você tem</p><p>que estar preparado para isso. Se você tem um bom</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>125/289</p><p>carro, é um carro com tração nas quatro rodas, por que</p><p>você considera que ele é bom? Porque em nenhuma</p><p>estrada ele se detém. Em uma estrada bem asfaltada,</p><p>lisa, ele anda que é uma maravilha. Agora, em uma</p><p>estrada totalmente esburacada, ele reduz a sua veloci-</p><p>dade para 20 quilômetros, mas não se detém também.</p><p>Ele adapta a velocidade às condições da estrada, mas</p><p>nem uma nem outra podem fazer com que ele quebre</p><p>e o deixe na mão.</p><p>A sua leitura tem que ser assim também. Capa-</p><p>citada para terrenos complicados e para terrenos pla-</p><p>nos. Por isso, eu recomendo, naqueles momentos</p><p>mais complexos que você tem, leia um parágrafo, leia</p><p>três linhas, quatro linhas, mas não se detenha.</p><p>Porque não existe um momento, já que estamos</p><p>falando de automóveis, onde o seu carro gaste mais</p><p>combustível do que naquele onde ele quebra a inér-</p><p>cia, e acelera. Esse é ponto de partida. Na partida,</p><p>o carro puxa muito combustível, porque ele tem que</p><p>vencer a inércia. E assim também é na</p><p>vida. Se você</p><p>se detém, perde o ritmo do que estava estudando an-</p><p>tes, e, para partir da inércia, começar tudo de novo,</p><p>vai ter que recapitular muita coisa para trás. Ou seja,</p><p>vai ter perda, e vai se sentir tremendamente desani-</p><p>mado, desestimulado.</p><p>Se você ler um parágrafo todos os dias, ainda que</p><p>você avance pouco, você não perdeu o fio da mea-</p><p>da, e não perdeu o hábito. Aqui nós vamos falar sobre</p><p>isso. Fundamentalmente, trata-se de trazer para den-</p><p>tro da nossa vida o hábito de obter conhecimento. Que</p><p>é uma coisa natural nossa, não cansa.</p><p>Você pode dizer:</p><p>“– Eu canso de estudar todos os dias.”</p><p>O quê você não tem é prática. É como se você</p><p>dissesse:</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>126/289</p><p>“– Eu canso de enxergar. Tem horas no dia</p><p>em que eu tenho que fechar os olhos.”</p><p>Não cansa. Você percebe que enxergar é um atri-</p><p>buto natural seu. Aprendeu a utilizá-lo em todo o tem-</p><p>po de vigília. Estudar é um atributo natural seu tam-</p><p>bém. Não teria por que cansar. Simplesmente, você</p><p>não aprendeu a usá-lo.</p><p>Dentro daquelas aptidões, que ensinam para a</p><p>gente desde pequenininho, infelizmente, no nosso</p><p>contexto cultural, já foi diferente no passado, no nos-</p><p>so contexto cultural atual não nos ensinaram a gostar</p><p>de estudar. A fazer isso com naturalidade, e a fazê-lo</p><p>sempre, sempre que houver uma oportunidade de es-</p><p>tar em estado de aprendiz, querendo aprender alguma</p><p>coisa da vida, das circunstâncias, de tudo.</p><p>Então, não perca o ritmo. Guarde com você uma</p><p>máxima, que vai lhe ser muito útil:</p><p>“– Sem pressa e sem pausa.”</p><p>Ou seja, de acordo com as condições do terreno,</p><p>mas não me detenho nunca, não perco o ritmo. O rit-</p><p>mo é a chave da vida.</p><p>Pergunta número oito:</p><p>“– Você divide o tempo pelas matérias que</p><p>tem que estudar?”</p><p>Isso é fundamental. Se eu tenho duas horas, bom,</p><p>duas horas é pouco para estudar, vou estudar só esta</p><p>matéria. Por muito que seja uma matéria agradável e</p><p>boa, no entanto, duas horas de uma única matéria vai</p><p>ser excessivo, e a última hora vai ter um grau de pro-</p><p>dutividade decrescente.</p><p>Entenda algo, que também não costumamos</p><p>aprender, que o descanso não vem de não fazer nada. O</p><p>descanso vem da variação de atividade. Você tem que</p><p>constatar isso na sua vida. Feche os olhos, e pense...:</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>127/289</p><p>“Em que momento no dia estive mais relaxa-</p><p>do?” Você vai perceber que não necessariamente</p><p>foi naquele em que você estava sentado na ca-</p><p>deira, com os pés para cima. Porque você deteve</p><p>o corpo... mas não deteve a mente.</p><p>E muitas vezes está repassando os problemas do</p><p>dia, os problemas da vida; continua cansando. Talvez,</p><p>se ao invés de fazer isso você fosse para o jardim,</p><p>remexesse a terra com as mãos, plantasse uma plan-</p><p>tinha, podasse uma planta, essa pequena atividade, o</p><p>seu foco mental nessa pequena atividade o descan-</p><p>sasse muito mais.</p><p>Ou seja, o que nos descansa é a variação de ativi-</p><p>dades, e não, simplesmente, deter as atividades. Que,</p><p>em geral, a mente, não conseguimos deter. A concen-</p><p>tração em outra coisa é que realmente nos relaxa. En-</p><p>tão, quando você for estudar, ainda que o tempo seja</p><p>pequeno:</p><p>“– Eu tenho uma hora para estudar.”</p><p>Tente revezar aí com duas coisas que sejam dife-</p><p>rentes, de naturezas diferentes. Que ambas não vão</p><p>cansá-lo.</p><p>Cuidado para não caírem naquele paradoxo da</p><p>grade horária dos colégios de Ensino Médio, que às</p><p>vezes pegam três horários seguidos de exatas, por</p><p>exemplo. Para um garoto, que não tem nenhuma téc-</p><p>nica de estudo, é evidente que ali eles estão colocando</p><p>uma massa de matérias que não vão ser absorvidas.</p><p>E depois chegam para o aluno, e dizem:</p><p>“– Você foi mal na prova, porque não estava</p><p>atento na aula...”</p><p>Até que ponto alguém consegue estar atento a</p><p>uma aula desse tipo? Ou seja, existem muitas coisas</p><p>que teriam que ser revistas no nosso sistema de edu-</p><p>cação. Reflita sobre isso.</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>128/289</p><p>MÓDULO 1</p><p>AUTOCONHECIMENTO</p><p>Aula 4 – Teste inicial</p><p>Perguntas de 9 a 14</p><p>Continuando, lembre-se, alguns desses tópicos se-</p><p>rão aprofundados no Curso, daqui a pouco. Mas, eu já</p><p>quero que você faça esse questionário – com consciên-</p><p>cia do que está fazendo, ok? Vamos continuar lá, então.</p><p>Pergunta número nove:</p><p>“– Você estuda, no mínimo, cinco horas se-</p><p>manais, além das aulas que assiste?”</p><p>Bom, se alguém anda estudando para vestibular,</p><p>para concurso, para qualquer outra coisa, sabe perfei-</p><p>tamente que simplesmente assistir às aulas é a mes-</p><p>ma coisa que nada.</p><p>O estudo, de fato, começa quando, dentro de</p><p>casa, você abre o caderno, e começa a trabalhar com</p><p>as técnicas que tem, com os métodos que tem, para</p><p>que aquilo seja assimilado.</p><p>Em Filosofia, existe um princípio, que a gente</p><p>sempre usa, numa frase muito interessante, que diz:</p><p>“– Você não vive daquilo que você come.</p><p>Você vive daquilo que você assimila.”</p><p>Ou seja, um professor de cursinho joga em você</p><p>uma tonelada de informações. Você consome muito,</p><p>mas assimila muito pouco. Quando você vai, dentro de</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>129/289</p><p>casa, abrir o seu caderno, e fazer uma análise detalha-</p><p>da, uma síntese, algum método, que nós vamos ensinar</p><p>para você poder assimilar melhor isso, aí sim é o estu-</p><p>do. O outro é uma recepção passiva de informações.</p><p>Eu já tive oportunidade de ver gente, duas pes-</p><p>soas, que se lançaram a estudar para um concurso</p><p>público. Uma entrou para um cursinho caríssimo, que</p><p>aprovava, tinha os melhores professores; o outro não</p><p>fez nada disso, ele simplesmente comprou uma apos-</p><p>tila, um livro, e estudou em casa sozinho. Foi esse se-</p><p>gundo que foi aprovado.</p><p>Então, não caia na ilusão de que receber passi-</p><p>vamente informações é realmente estudo. É só o iní-</p><p>cio. O estudo, de fato, começa quando você, dentro</p><p>de casa, se dedica a ele. E isso tem que ser, por hábi-</p><p>to, pelo menos, cinco horas semanais. Você tem sete</p><p>dias. As cinco horas semanais, dá menos de uma hora</p><p>por dia para se dedicar em profundidade a algo que</p><p>você se dispôs a aprender.</p><p>Como sempre, considerando aquela questão do</p><p>ritmo. Pode diminuir em algumas épocas da vida, pode</p><p>aumentar em outras, mas nunca se deter. Eu vou saber</p><p>se você é um bom estudante se eu abrir a sua mochila</p><p>de viagem e, lá dentro, houver pelo menos um livro. Ou</p><p>seja, você adquiriu o hábito, que faz parte daquilo que</p><p>você considera como férias, e encontra o ritmo, que o re-</p><p>laxa, com a leitura e o estudo. Porque, se todos os seus</p><p>livros ficam em casa, quando você sai para se distrair, o</p><p>estudo é um fardo. E você não vai ser um bom estudante.</p><p>Pergunta número dez:</p><p>“– Você anota as aulas e os exercícios que</p><p>deve fazer?”</p><p>Olhe, isso é um drama, porque existem opiniões</p><p>das mais diversificadas. Será que não é melhor eu fi-</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>130/289</p><p>car parado, ouvindo o professor, ao invés de anotar?</p><p>Eu não perco coisas? Não, não é melhor.</p><p>O fato de você estar anotando, inclusive, exige</p><p>que você esteja mais atento. Porque se você ficar de-</p><p>satento perde uma informação, e não vai anotar. Se</p><p>você ficou olhando para o professor, eu lhe garanto</p><p>que a sua mente viaja em todas as direções. Daqui a</p><p>pouco, já não é o professor, é a namorada, é o super-</p><p>mercado, são os filhos, e você já não está ali.</p><p>Não temos tanto controle mental assim – que se-</p><p>ria um outro Curso, para considerarmos algumas téc-</p><p>nicas interessantes. E nós não temos esse controle</p><p>mental. Portanto, se não estivermos com a escrita nos</p><p>ajudando, vamos nos dispersar.</p><p>Além do mais, para você rever esses conhecimen-</p><p>tos depois,</p><p>você simplesmente não tem nada quando</p><p>chegar em casa. Você não vai lembrar de quase nada.</p><p>Eu garanto para você que, uma aula que aconteceu há</p><p>quatro horas, se você lembrar de dez, 15 minutos, vai</p><p>lembrar muito. Isso se você estiver bastante atento.</p><p>Quantas vezes acontece de uma pessoa perder</p><p>uma aula, e perguntar para um colega:</p><p>“– Como foi?”</p><p>“– Foi muito boa.”</p><p>“– Me diz, o quê aconteceu?”</p><p>“– Ah, não lembro. Tenho que ver as minhas</p><p>anotações.”</p><p>“– Me diz uma coisa...”</p><p>“– Ah, não sei. Você me perguntou assim, de</p><p>chofre. Não sei dizer. Tenho que olhar as minhas</p><p>anotações.”</p><p>Ou seja, se você não tem anotações, provavel-</p><p>mente não vai ter nada. Então: Anote sim. Anote as</p><p>aulas, os exercícios que deve fazer. Isso é uma forma,</p><p>inclusive, de pegar as rédeas da atenção.</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>131/289</p><p>Pergunta número onze:</p><p>“– Você pergunta quando não entende al-</p><p>guma coisa?”</p><p>Ou seja, você tem que perceber o quê é contado.</p><p>Falamos sobre a estória da Branca de Neve. Ela era</p><p>uma órfã. O seu pai se casa de novo, e a madrasta</p><p>tem inveja dela, então manda o caçador largá-la na</p><p>floresta. Os anões a resgatam etc. etc.</p><p>Se você não entendeu uma parte da estória, vai</p><p>ficar um vácuo aí no meio.</p><p>“– A madrasta tinha inveja dela e fez o quê</p><p>mesmo? Não entendi essa parte...”</p><p>“– Aí depois ela achou os anões...”</p><p>Está bom, você vai ficar com fragmentos de uma</p><p>estória na cabeça. Você não tem a sequência lógica,</p><p>portanto não vai guardar.</p><p>“– Tem um negócio que aconteceu aí no</p><p>meio do caminho que eu não entendi o que foi...”</p><p>Ou você corre atrás das anotações do colega de</p><p>sala, se não tiver acesso ao professor, ou vai ao pro-</p><p>fessor, se tem essa possibilidade.</p><p>Em geral, um professor, um bom professor gosta</p><p>que o aluno tenha interesse e curiosidade.</p><p>“– Eu não entendi essa parte. Não está fa-</p><p>zendo sentido dentro da minha mente. Está fal-</p><p>tando alguma coisa aqui.”</p><p>E ele vai preencher esse vácuo para que a sua</p><p>estória esteja completa. Ou seja, tenha a coragem de</p><p>fazer perguntas. Além do que, pela minha experiência,</p><p>quase 31 anos como professora, posso lhe dizer, com</p><p>toda a segurança: Em geral, a pergunta de um aluno</p><p>beneficia vários outros.</p><p>Porque, provavelmente, não foi o único que es-</p><p>tava desatento naquela parte, e a sua pergunta traz</p><p>aquela peça que faltava para muita gente.</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>132/289</p><p>Pergunta número doze:</p><p>“– Você faz algum planejamento dos estu-</p><p>dos, e procura segui-lo?”</p><p>Mais uma vez, da mesma maneira que a gente</p><p>não tem as rédeas da nossa mente para se concentrar</p><p>em uma aula, se não estudar, você não tem as rédeas</p><p>do seu tempo para seguir um programa de estudo, se</p><p>não anotar e fizer um planejamento disso.</p><p>Você tem que saber: De tal a tal hora, é o meu</p><p>momento de estudo. E dentro dessa hora vou estudar</p><p>uma hora tal coisa, vou fazer um tempo de intervalo,</p><p>vou estudar tal outra, e sou fiel a essa lei, que eu mes-</p><p>mo criei. Crio uma lei, e eu mesmo a sigo. Se essa lei</p><p>se mostra ineficaz, posso até mudar o meu planeja-</p><p>mento no futuro.</p><p>Mas, eu tenho que ter um esqueleto, um esque-</p><p>ma, para me colocar dentro dele, porque espontane-</p><p>amente, sozinho, eu vou me perder. Daqui a pouco,</p><p>estudo metade do que pensava, e não estudo a coisa</p><p>certa. Ou seja, há que fazer um planejamento, um es-</p><p>queleto do que acontecerá dentro do seu tempo, uma</p><p>programação. Isso é extremamente útil. Eu diria, indis-</p><p>pensável.</p><p>Pergunta número treze:</p><p>“– Quando planeja seu estudo, você inclui</p><p>alguns minutos de descanso?”</p><p>Vocês vão perceber, quando estudarmos a res-</p><p>peito dessa questão da pausa, que é extremamente</p><p>necessária, que é importante você programar quando</p><p>ela vai acontecer, e o quê você vai fazer aí dentro.</p><p>Exatamente porque não sabemos muito bem o</p><p>quê nos recicla. Se você estuda uma hora, e faz uma</p><p>pausa de dez minutos, para depois continuar estudan-</p><p>do, e nessa pausa você pega o telefone e vai brigar</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>133/289</p><p>com o esposo, a esposa, o vizinho, é melhor que não</p><p>tivesse feito isso. Porque vai voltar em condições de</p><p>estresse piores do que se a pausa não existisse.</p><p>Ou seja, a pausa deve ser feita, e deve ser cal-</p><p>culada, para dar certo. Se eu ficar parado, vou pensar</p><p>naquele problema que estou vivendo. Então vou me</p><p>dedicar a algo, uma coisa simples, sei lá. Vou me de-</p><p>dicar a ouvir uma música. Simplesmente dou o play</p><p>em uma música que eu gosto, e vou ficar observando</p><p>o andamento da melodia, vendo o quê ela me sugere.</p><p>Mas eu tenho que ocupar a minha mente com</p><p>algo que seja, realmente, como um ar puro dentro da</p><p>minha cabeça, dentro do meu corpo. Que, realmente,</p><p>me renove. Por isso, você tem que aprender não só a</p><p>planejar as pausas, como também a saber o quê fazer</p><p>dentro delas.</p><p>Nós somos tão inconscientes, que não sabemos</p><p>nem o quê nos descansa. E isso é bem complicado.</p><p>Faz parte de um processo fundamental para a Filoso-</p><p>fia, que é o autoconhecimento.</p><p>Pergunta número quatorze:</p><p>“– Ao ler uma página de um livro, artigo ou</p><p>jornal, você entende o conteúdo na primeira</p><p>leitura?”</p><p>Observe isso. Somos tão viciados a ler as coisas</p><p>en passant, por cima, que nem paramos para nos per-</p><p>guntar:</p><p>“– O quê eu entendi disso?”</p><p>Pode ser que você esteja passando por cima de</p><p>coisas que teriam algo a lhe oferecer. Várias vezes, eu</p><p>já falei para as pessoas:</p><p>“– Você leu o jornal de hoje?”</p><p>“– Ah, eu dei uma passada de olhos...”</p><p>“– Você viu que aconteceu tal coisa?”</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>134/289</p><p>“– Não, estava no jornal de hoje?!”</p><p>E, às vezes, ela passou os olhos, de fato, no jor-</p><p>nal inteiro. Mas não teve aquela leitura atenta, para sa-</p><p>ber o quê ali poderia lhe oferecer algum conteúdo inte-</p><p>ressante. Treine isso, com qualquer leitura que caia na</p><p>sua mão. Para que a sua leitura seja mais concentrada</p><p>e mais atenta.</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>135/289</p><p>MÓDULO 1</p><p>AUTOCONHECIMENTO</p><p>Aula 5 – Teste inicial</p><p>Perguntas de 15 a 22</p><p>Pergunta número quinze:</p><p>“– Quando estuda, você mantém a aten-</p><p>ção durante todo o texto?”</p><p>E isso é uma pergunta, que eu tenho certeza, a</p><p>maioria vai dizer que não. Temos ciclos de atenção</p><p>muito curtos. Estamos mal-acostumados. É perfeita-</p><p>mente possível no entanto estender esse ciclo. Por-</p><p>tanto, eu recomendo a você fazer leitura de qualidade,</p><p>por um minuto, por exemplo. É o que eu aguento. Fe-</p><p>che os olhos, respire fundo, relembre aquilo que você</p><p>leu; faça leitura de qualidade por mais um minuto.</p><p>Como se fossem micropausas.</p><p>Mas não continue lendo, sendo que a sua aten-</p><p>ção ficou lá atrás. Você está perdendo o seu tempo.</p><p>Chega aquele momento em que você lê uma página,</p><p>até embaixo e, de repente, olha, não sei nada que eu</p><p>li... Tem que voltar lá para cima.</p><p>Quando você perceber que cansou, e a consciên-</p><p>cia foi para outro lugar, pare imediatamente. Feche os</p><p>olhos, relembre o quê você entendeu até ali. Se não</p><p>entendeu nada, recomece tudo novamente, e veja:</p><p>“– Eu consigo ficar atento um minuto?”</p><p>Fico atento um minuto.</p><p>“– Não deu, cansei.”</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>136/289</p><p>Feche os olhos: um minuto de respiração. Reci-</p><p>clo o que eu já vi, e continuo mais um minuto. Com o</p><p>tempo, você vai suportar um minuto e meio, dois mi-</p><p>nutos. Mas não ceda à tentação de continuar lendo</p><p>superficialmente, sem estar entendendo nada. Isso é</p><p>um péssimo hábito.</p><p>E, no final, dizemos:</p><p>“– Eu li.”</p><p>O quê você leu? Você, simplesmente, passou os</p><p>olhos, e não</p><p>reteve nada. Então, aprenda a ir aumen-</p><p>tando o seu ciclo de atenção.</p><p>Nunca diga:</p><p>“– Eu sou desatento.”</p><p>Diga:</p><p>“– Eu estou destreinado.”</p><p>Porque atento, a atenção é um atributo de qual-</p><p>quer ser humano. Aprenda a desenvolver a muscula-</p><p>tura nesse campo.</p><p>Pergunta número dezesseis:</p><p>“– Você utiliza dicionários e livros de con-</p><p>sulta, quando não entende alguma coisa?”</p><p>Hoje, realmente, está ficando mais raro utilizar di-</p><p>cionários ou livros de consulta. Eu recomendo a você,</p><p>bom, durante a leitura, não é bom manter o computa-</p><p>dor ligado. Se você necessita na hora, sim, faça uma</p><p>consulta, na hora. Mas, se é um termo que pode ser</p><p>consultado depois, anote no papel.</p><p>“– Bom, eu estou lendo sobre a História da</p><p>Grécia. O cidadão me citou um nome do Renas-</p><p>cimento...”</p><p>Isso não é essencial para o entendimento do meu</p><p>texto. Está bom, então você pode anotar num peda-</p><p>cinho de papel, depois que terminou o seu tempo de</p><p>estudo, vá lá, e cheque. Isso é um excelente conselho.</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>137/289</p><p>Não deixe que passe alguma coisa desconheci-</p><p>da, sem que você vá lá depois e cheque. Isso é qua-</p><p>se que uma filosofia de vida. Passou por mim, eu não</p><p>sabia do que se tratava, a partir de hoje eu vou saber.</p><p>Porque nada entra na minha vida por acaso. Algo</p><p>isso tem para me ensinar, e que eu não sei. Então,</p><p>terminei o meu estudo de História da Grécia, terminou</p><p>o meu horário de estudo; eu vou lá, agora sim, posso</p><p>ligar o computador e pesquisar:</p><p>“– Quem foi fulano de tal do Renascimento?”</p><p>Isso é muito bom. Se você faz isso, você vai ad-</p><p>quirindo um repertório que, daqui a pouco, várias cita-</p><p>ções, você sabe do que se trata, sabe fazer relações,</p><p>e isso vai lhe ajudar muito. Assim se vai adquirindo</p><p>uma cultura geral maior. Não deixe que passe nada</p><p>por você que não saiba, de que não procure depois</p><p>tomar conhecimento, ainda que basicamente.</p><p>Pergunta número dezessete:</p><p>“– Enquanto estuda, você anota as pala-</p><p>vras difíceis, o quê não entendeu, ou o quê</p><p>mais chamou a atenção?”</p><p>Outro elemento importante. Falamos já sobre os</p><p>nomes que você não conhece, as palavras difíceis, e</p><p>essas são boas consultar na hora, mas, às vezes, uma</p><p>ideia brilhante que você teve, naquele momento, não</p><p>dá para trabalhá-la.</p><p>“– Bom, eu tive uma ideia brilhante. Esse fato</p><p>histórico se parece com outro da História, ou se</p><p>parece com um fato que eu vivi... Essa situação</p><p>da Grécia lembra algo que eu vivi na minha vida.”</p><p>Bote um bloquinho de notas do lado, e anote isso</p><p>aí. Porque, se você reflete depois sobre isso, você não</p><p>só vai aprender o quê aquele livro diz, mas vai acres-</p><p>centar exemplos práticos àquilo que aquele livro diz.</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>138/289</p><p>E vai acrescentar muito mais profundidade ao seu es-</p><p>tudo. Portanto, ideias brilhantes devem interromper o</p><p>meu estudo? Não, mas não devem ser perdidas. Um</p><p>bloquinho do lado...:</p><p>“– Tal relação, será que é verdadeira?”</p><p>Terminou o estudo, vai lá e pesquisa. Isso vai dar</p><p>muito mais vivacidade, muito mais motivação ao seu</p><p>estudo.</p><p>Pergunta número dezoito:</p><p>“– Você relê as anotações de aula, e pega</p><p>com o colega aquilo que perdeu?”</p><p>Quando nós estudarmos o método Robinson, vo-</p><p>cês vão aprender como se faz isso. Algo que é anota-</p><p>do, você tem que contar a história para você, como fa-</p><p>lamos sobre a Branca de Neve. Ao perceber lacunas,</p><p>corra atrás.</p><p>Como já falamos, por intermédio de um colega, e,</p><p>se não foi possível, por intermédio do próprio profes-</p><p>sor. Mas não deixe lacunas de entendimento naquilo</p><p>que você necessita estudar. Isso é fundamental, para</p><p>que você não tenha falhas na ponte, que possam lhe</p><p>fazer cair no meio do caminho do seu estudo. Tem que</p><p>haver uma continuidade sólida de ideias, para que isso</p><p>seja bem assimilado.</p><p>Aqui já estamos começando a entrar em um terre-</p><p>no que vamos estudar muito bem, que é a capacidade</p><p>de fazer um bom resumo. Que tem uma importância</p><p>tal, poderia dizer para vocês, que talvez essa seja a</p><p>técnica mais importante de qualquer Curso de Técni-</p><p>cas de Estudo sério. E não é simples. Aliás, poucas</p><p>vezes na minha vida... Vejam bem o quê eu estou fa-</p><p>lando, não estou exagerando. Eu tenho quase 31 anos</p><p>como professora. Poucas vezes na minha vida, eu vi</p><p>uma pessoa que sabe fazer um resumo bem-feito.</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>139/289</p><p>E tem alguns elementos aqui, prévios, como por</p><p>exemplo esta pergunta, que vai nos ajudar a pensar</p><p>sobre isso.</p><p>Pergunta número dezenove:</p><p>“– Você sublinha as palavras importantes?”</p><p>Hoje há quem diga que isso não deve ser feito,</p><p>porque “isso é uma técnica ineficaz”, que você não</p><p>grava a informação só por causa disso. Mas subli-</p><p>nhar as palavras importantes não só o ajuda a pro-</p><p>curar, e encontrar, a ideia central de um texto. Você</p><p>vai poder praticar isso até quando estiver ouvindo a</p><p>conversa de alguém.</p><p>Um dia, você vai ser capaz de fazer isso com</p><p>uma aula de um professor. Você não vai precisar ano-</p><p>tar tudo que ele diz. Vai pegar as ideias principais, vai</p><p>anotar só as ideias. Aí não perde nunca mais nenhum</p><p>detalhe importante.</p><p>Então, sublinhar a palavra importante não é só</p><p>porque depois isso vai lhe ajudar, que isso nem ajuda</p><p>tanto. Mas na hora vai lhe ajudar a desenvolver um</p><p>foco, e uma eficácia em discernir, que é mais impor-</p><p>tante em tudo.</p><p>Ah, então isso é fundamental que seja praticado.</p><p>E vai ser a base de um bom resumo. Um bom resumo</p><p>começa desse trabalho aqui. É o tijolo básico da cons-</p><p>trução do seu resumo.</p><p>Pergunta número vinte:</p><p>“– Você faz uma primeira leitura básica –</p><p>a gente chama isso de rastreamento – do ín-</p><p>dice, do prefácio, antes de começar a leitura</p><p>de um livro?”</p><p>Você nem se dá ao trabalho de fazer isso? Leia as</p><p>orelhas do livro, leia o prefácio, leia alguma nota do edi-</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>140/289</p><p>tor, tudo que possa. Leia bem o índice de capítulos, os</p><p>títulos dos capítulos, para você ver o quê o autor propõe.</p><p>Dê uma refletida sobre tudo isso, para gerar uma</p><p>expectativa sobre o quê vem. Isso também é um ponto</p><p>importantíssimo. Porque significa que você está come-</p><p>çando a desenvolver uma leitura interativa. Você não</p><p>é um receptor passivo de informações. Vocês vão ver,</p><p>quando aprendermos o Método Robinson, o quanto</p><p>isso é importante, uma leitura de exploração prévia à</p><p>entrada no conteúdo.</p><p>Pergunta número vinte e um:</p><p>“– Você tem facilidade para encontrar as</p><p>ideias principais de uma matéria?”</p><p>Quantas vezes, no meu Curso de Técnicas de</p><p>Estudo, eu passo um mesmo exercício? Pegue uma</p><p>história conhecida, sei lá, um conto de fada. Então,</p><p>conte-o em 30 segundos. A pessoa fica embolada...</p><p>Em 30 segundos, ela começa a contar, sei lá, a Branca</p><p>de Neve, e começa...:</p><p>“– Era uma vez...”</p><p>Bom, aí você já perdeu uns quatro, cinco segun-</p><p>dos. Isso não é a ideia principal. Não precisa disso</p><p>em 30 segundos. A pessoa tem muita dificuldade em</p><p>saber quais são as ideias principais. E quando você</p><p>reduz o palco a 30 segundos, você tem que vir com</p><p>pílulas das palavras fundamentais, que vai dar para</p><p>entender a história. Tudo o mais é secundário.</p><p>Ou seja, essa capacidade de identificar a ideia</p><p>principal é fundamental também em um bom estudante.</p><p>Pergunta número vinte e dois:</p><p>“– Quando estuda, você faz resumos?”</p><p>Não venha me dizer que isso não é importante.</p><p>Não conheci ainda um Curso de Técnicas de Estudo,</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>141/289</p><p>de qualquer linha, porque existem vários, que me con-</p><p>vencesse que fazer um resumo não é importante. Ou</p><p>seja, o hábito de fazer resumos é importante que</p><p>as chamadas novas profis-</p><p>sões, que estão emergentes no mercado. Todo mun-</p><p>do começa a se dedicar muito a isso. A desenvolver</p><p>a própria criatividade, mas, às vezes, sem um certo</p><p>direcionamento sobre as necessidades a que essa</p><p>criatividade se deveria voltar.</p><p>Nós avançamos em uma velocidade fenomenal,</p><p>quanto à tecnologia e à capacidade de serviços. Mas,</p><p>o lado humano, o que foi que aconteceu?</p><p>Não é surpresa para ninguém, nem é novidade.</p><p>Todo mundo sabe disso, que nós vivemos, em grande</p><p>parte das profissões, um momento crítico de bug psi-</p><p>cológico. Ou seja, não foi o bug do milênio de informa-</p><p>ções. Foi o bug do milênio da mente humana, que saiu</p><p>do controle. E como se começou a focar muito nesse</p><p>aspecto do desenvolvimento dos meios, o homem se</p><p>afastou ainda um pouco mais dos fins. E se afastou</p><p>também dos princípios. – Tudo isso gerou um vazio</p><p>existencial, que chega um determinado momento em</p><p>que você está produzindo em uma megavelocidade.</p><p>Você está gerando coisas de ponta, mas você mesmo</p><p>já não tem mais motivação, não sabe mais muito bem</p><p>quem é, nem aonde você vai chegar com tudo isso.</p><p>Então os resultados positivos, maior longevidade,</p><p>maior conforto, maior eficácia e rapidez nas soluções</p><p>em geral e o estímulo constante para aquisição de co-</p><p>nhecimentos são um aspecto positivo da coisa. Positi-</p><p>vo até determinado ponto, não é?</p><p>Porque, vamos ver, maior longevidade. Se você</p><p>não tem uma motivação clara, se você não sabe o quê</p><p>fazer com a vida, pode só aumentar o espaço da cri-</p><p>se existencial. Nós sabemos que hoje existe uma ex-</p><p>cessiva valorização do profissional jovem. Aumentar a</p><p>longevidade, se você não dá um papel, um sentido à</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>14/289</p><p>vida desse ser humano, dentro da sociedade, talvez</p><p>você não esteja fazendo grande coisa. Se não enten-</p><p>deu muito bem a lógica da vida, talvez não esteja fa-</p><p>zendo muita coisa.</p><p>Em várias palestras que dei, pessoalmente, eu fa-</p><p>lava a respeito de um experimento. Talvez alguns de</p><p>vocês conheçam, pois foi feito no Zimbábue, por um</p><p>médico psiquiatra chamado Dixon Chibanda. O Zim-</p><p>bábue é um país que tem pouquíssimos psiquiatras.</p><p>Parece que eram 12, com ele. E houve um crescimen-</p><p>to progressivo, como de resto em todo o mundo, de</p><p>casos de depressão e suicídio. E ele não tinha como</p><p>atender todas aquelas pessoas. Sendo tão poucos,</p><p>eles não tinham como atender. E não havia recursos</p><p>para trazer novos médicos do exterior.</p><p>Ele teve uma ideia, que eu achei qualquer coi-</p><p>sa de maravilhosa. Ele, simplesmente, pegou as se-</p><p>nhoras de terceira idade, que havia na sociedade,</p><p>jogadas, sem muita utilidade, porque não tinham</p><p>muita instrução, e tinham saído daquela fase mais</p><p>produtiva.</p><p>Pegou essas senhoras e ensinou para elas o</p><p>básico da TCC, que é a Terapia Cognitivo-Comporta-</p><p>mental. E botou essas senhoras, nas localidades onde</p><p>elas viviam, fazendo atendimento a pessoas depressi-</p><p>vas. Isso fez um sucesso tal, gente, que ele chegou a</p><p>fazer dois grupos piloto, um deles conduzido por ele,</p><p>e o outr conduzido por essas senhoras, as Avós do</p><p>Zimbábue.</p><p>Incrível, porque essas avós conseguiram um índi-</p><p>ce de remissão de sintomas superior ao do grupo que</p><p>estava sendo conduzido diretamente por ele. E ele é</p><p>uma pessoa linda, não é? Ficou contentíssimo com</p><p>essa sua derrota, e de perceber a eficácia dessas se-</p><p>nhoras. Que a figura da avó já é associada simbolica-</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>15/289</p><p>mente à ideia do carinho, do colo, e, além disso, com</p><p>uma sabedoria de vida muito grande, que associada à</p><p>instrução básica que ele deu fez com que elas fossem</p><p>terapeutas de primeira linha.</p><p>Por que eu conto essa história para vocês aqui,</p><p>agora? Eu quero que vocês entendam que o quê o</p><p>doutor Dixon Chibanda fez não foi, simplesmente,</p><p>atender muito melhor o problema da depressão e dos</p><p>suicídios no Zimbábue.</p><p>O quê ele fez também, além disso, foi dar sen-</p><p>tido à existência dessas senhoras. Elas passaram a</p><p>ser úteis à sociedade; passaram a aportar com a sua</p><p>maturidade, com a experiência de vida delas. E isso é</p><p>um elemento de um valor fundamental dentro da so-</p><p>ciedade. Fazer com que, em todas as faixas etárias,</p><p>o ser humano tenha um produto, tenha um sentido</p><p>para existir, um aporte à vida. Senão, não adianta au-</p><p>mentar a longevidade, pois, se a motivação humana</p><p>se perde, vai ser uma longevidade com péssima qua-</p><p>lidade de vida.</p><p>Em uma sociedade em que existe o preconcei-</p><p>to de que o homem de terceira idade já não serve</p><p>mais para nada, a não ser para consumir recursos</p><p>dos serviços sociais, então eu coloco como duvido-</p><p>so isso, que é tido como um grande produto. É bom,</p><p>mas não é completo; não é? Aumentar a longevi-</p><p>dade deveria implicar em aumentar a qualidade de</p><p>vida do homem idoso.</p><p>E, por fim, a tecnologia aumentou o conforto, e</p><p>aumentar o conforto demais não é muito bom, quan-</p><p>do o homem tem que caminhar demais. Isso gera um</p><p>comodismo, uma inércia, que não é boa para quem</p><p>tem muito para crescer. Todos nós temos muito para</p><p>crescer. Para quem tem muito que caminhar, almofa-</p><p>da muito macia não é tão boa assim. Maior eficácia e</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>16/289</p><p>rapidez na solução de problemas práticos, em geral,</p><p>isso é bom.</p><p>Mas quando faz com que o homem fique com tem-</p><p>po excessivo de sobra, e esse homem também não tem</p><p>direcionamento humanístico, não tem um sentido de</p><p>vida, esse tempo de sobra pode arriscar de ser aplicável</p><p>a vícios e dependências, de todo tipo de elementos, para</p><p>dar uma graça à vida. Porque a vida se torna um tédio.</p><p>Muito tempo ocioso, às vezes, pode ser contraprodutivo,</p><p>quando esse homem não sabe o quê fazer com ele.</p><p>E o estímulo contínuo à aquisição de conheci-</p><p>mentos também. Porque os conhecimentos técnicos</p><p>vão gerando cada vez mais, mais, mais... mais tecno-</p><p>logia. – E os conhecimentos humanos foram pratica-</p><p>mente descartados como inúteis.</p><p>E não é de todo, eu sei que pode parecer polê-</p><p>mico para vocês isso, mas não é de todo errada essa</p><p>conclusão. Porque as humanidades começaram a per-</p><p>der a fé em si mesmas, começaram a ficar muito dis-</p><p>tanciadas da necessidade de serem humanas. E isso</p><p>fez com que elas fossem, cada vez mais, pôr essa per-</p><p>da de autoconfiança dentro do seu papel no mundo</p><p>atual, e de fato perdendo o seu lugar.</p><p>Às vezes, as humanidades são consideradas</p><p>quase que um curso para quem não passou em ves-</p><p>tibular mais difícil. Desculpe-me falar com essa fran-</p><p>queza toda, mas nós vivemos esse drama.</p><p>Eu sou uma filósofa, tenho um orgulho enorme</p><p>disso, não faria outra coisa na vida. Mas, eu tenho</p><p>uma motivação grande por trás da Filosofia, em rela-</p><p>ção ao que posso fazer por mim. Se não é recuperado</p><p>esse status pelas humanidades, elas vão ser realmen-</p><p>te cada vez mais descartadas.</p><p>Bom, e os elementos negativos que surgem com</p><p>tudo isso? Maior depressão, ansiedade, solidão, pâni-</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>17/289</p><p>co, estresse, apatia, e índice de suicídios crescente.</p><p>Muitas vezes, profissionais de diversas áreas têm</p><p>me procurado:</p><p>“– Olha, estamos com problemas aqui. Vem</p><p>fazer uma palestra, que ajude o nosso pessoal.</p><p>Está tendo casos de depressão em números mui-</p><p>to elevados.”</p><p>Eu trouxe para vocês, inclusive, um trecho de</p><p>uma música da Legião Urbana. Lembram disso aqui?</p><p>“Estátuas e cofres e paredes pintadas. Nin-</p><p>guém sabe o que aconteceu. Ela se jogou da ja-</p><p>nela do quinto andar. Nada fácil de entender.”</p><p>Percebem o que é que o Renato Russo quis dizer</p><p>com isso? Ninguém explica isso pelo conforto que ela tem.</p><p>Estátuas e cofres e paredes pintadas, ou seja,</p><p>uma pessoa que vive em um ambiente com todas as</p><p>benesses da tecnologia do século</p><p>seja</p><p>adquirido.</p><p>E nós vamos passar para você técnicas bem deta-</p><p>lhadas de como fazê-lo muito bem-feito. De tal maneira</p><p>que você pegue um livro, que leu há dez anos, então lê</p><p>o resumo, e recupera todas as ideias principais.</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>142/289</p><p>MÓDULO 1</p><p>AUTOCONHECIMENTO</p><p>Aula 6 – Teste inicial</p><p>Perguntas de 23 a 27</p><p>Pergunta número vinte e três:</p><p>“– Você relê, de tempos em tempos, aquilo</p><p>que já foi estudado?”</p><p>É lógico, todos nós sabemos, já ouvimos falar,</p><p>que esse é um dos detalhes mais conhecidos em téc-</p><p>nica de estudo; que a revisão é que vai ser uma das</p><p>ferramentas fundamentais para que você fixe aquilo</p><p>que foi estudado.</p><p>Daí a vantagem de você ter uma boa síntese, um</p><p>fichamento. Não precisa serem aquelas fichinhas de</p><p>papel do meu tempo. Use um recurso qualquer, um</p><p>aplicativo qualquer. Mas faça resumos, e releia os re-</p><p>sumos. Reler novamente o livro, com o mesmo grau</p><p>de atenção que você leu da primeira vez, vai resultar</p><p>na mesma coisa: nada.</p><p>É importante que você faça uma boa leitura da</p><p>primeira vez. Não tenha pressa, faça uma boa leitura,</p><p>fazendo um resumo de qualidade. E releia esse resu-</p><p>mo, de tanto em tanto tempo. Costuma-se dizer que o</p><p>ideal seria reler aos 20% do tempo total que você pre-</p><p>tende relembrar. Por exemplo, se você quer lembrar</p><p>de algo por cinco anos, teria que rever, com bastante</p><p>atenção, a cada um ano.</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>143/289</p><p>Eu não sou muito, digamos, não acredito tanto</p><p>nessa regra, porque... imagine que você queira lem-</p><p>brar para a vida inteira. Vai ter que relembrar a cada</p><p>12 anos. Eu acho isso um pouco exagerado. Acho que</p><p>você tem que estabelecer um prazo. Eu faria uma re-</p><p>visão das coisas que não quero esquecer pelo menos</p><p>uma vez a cada ano. Daí um bom fichamento, um bom</p><p>resumo o ajuda demais.</p><p>Imaginem vocês, um caso como o meu, que sou</p><p>professora, e às vezes tive que substituir um profes-</p><p>sor, que por alguma razão não pôde vir, de última hora.</p><p>Ter que relembrar uma obra, porque ela não estava</p><p>preparada para aquela eventualidade. Com um ficha-</p><p>mento, você relembra com muitos detalhes, com muita</p><p>precisão, de um livro em coisa de 15, 20 minutos. Um</p><p>fichamento bem-feito vai tirar todas as informações es-</p><p>senciais, de tal maneira, como se você tivesse acaba-</p><p>do de ler o livro.</p><p>Então, é importante que releiam, sim, que revi-</p><p>sem, mas não o livro inteiro. Isso seria pouco prático,</p><p>considerando a quantidade de literatura que temos</p><p>pela frente. Aquilo que ficou para trás tem que ter</p><p>uma forma eficaz de ser recuperado. E essa forma é</p><p>uma boa síntese, um bom resumo, que esteja sem-</p><p>pre à mão.</p><p>Pergunta número vinte e quatro:</p><p>“– Você pede ajuda quando tem dificulda-</p><p>des nos estudos?”</p><p>Isso é um elemento interessante, e bastante filo-</p><p>sófico: Nunca acharmos que sabemos tudo. Porque,</p><p>de fato, em qualquer assunto, o que nós sabemos é</p><p>uma pequena parcela, e a vida está sempre nos abrin-</p><p>do oportunidades de expansão, de atualização, de ir</p><p>além daqueles nossos limites.</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>144/289</p><p>Nunca achar que quem mais entende desse as-</p><p>sunto é você. Sempre tem alguém, e não devem ser</p><p>poucas pessoas, que têm muito a acrescentar àqui-</p><p>lo que você sabe. Nunca achar que, de repente, uma</p><p>pessoa, sei lá, você é um atleta, uma pessoa que se</p><p>aposentou, que já não pratica mais, que não tem nada</p><p>a me ensinar. Tem sim, e muito.</p><p>O corpo dele talvez já não responda a uma disci-</p><p>plina de esportes. Mas a mente tem muita experiência</p><p>acumulada. Tem muitos problemas que ele soube su-</p><p>perar, que podem lhe ajudar a superar isso também</p><p>mais rapidamente. Ou seja, tenha a humildade de es-</p><p>tar, eternamente, numa posição de aprendiz.</p><p>Para quem conhece um pouco de mitologia ger-</p><p>mânica, escandinava, sabe que lá tem um Deus, Odin,</p><p>ou Wotan, que era considerado o mais sábio dos deu-</p><p>ses do Valhalla. Por uma razão: ele sempre perguntava</p><p>tudo a todo mundo. Disfarçava-se de ser humano, co-</p><p>locava um grande chapéu, para esconder que ele não</p><p>possuía um olho, e não fosse reconhecido como Odin,</p><p>e andava perguntando tudo para todos. E por isso ele</p><p>era o mais sábio de todos os deuses. Inclusive, os seus</p><p>dois corvos também andavam pelo mundo, ouvindo as</p><p>vozes dos homens e comunicando-as a ele.</p><p>Steven Pressfield, que é um escritor que eu admi-</p><p>ro bastante, costuma dizer que é um grande aprecia-</p><p>dor de golfe, e que o maior jogador de golfe do mundo</p><p>é Tiger Woods. Ele diz:</p><p>“– Olhe, ele praticamente, para quem o as-</p><p>siste, é um atleta tão completo.”</p><p>Que o Steven até acha que ninguém tem nada</p><p>para ensinar a ele.</p><p>Mas Tiger Woods tem um treinador, e ele sempre</p><p>está na postura de aprendiz. Sempre está ouvindo o</p><p>quê esse treinador tem a ensinar a ele. Provavelmen-</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>145/289</p><p>te, é por isso que é o melhor do mundo. Então, nun-</p><p>ca achar que sabe o suficiente, e sempre pedir ajuda</p><p>daqueles que, em algum aspecto, em algum detalhe,</p><p>possam agregar valor ao que você precisa. Possam</p><p>ter aquela pecinha que lhe falta, como uma criança</p><p>que troca figurinhas. Eu tenho quase todo o álbum,</p><p>quase. Ainda uma criança que tem poucas figurinhas</p><p>pode ter exatamente aquela que me falta. Ou seja,</p><p>sempre pedir ajuda.</p><p>Pergunta número vinte e cinco:</p><p>“– Você estuda concentrado, sem muita</p><p>dispersão?”</p><p>É claro que essa pergunta pode parecer um pou-</p><p>co sem sentido para vocês.</p><p>“– Bom, se eu tivesse essa concentração</p><p>toda, não estaria fazendo um curso de Técnicas</p><p>de Estudo.”</p><p>Está certo, e está errado. Tudo no mundo é dual.</p><p>O quê ele diz aqui é quanto tempo você consegue es-</p><p>tudar concentrado, para você partir disso. Você tem</p><p>que perceber, ainda que seja um limite muito pequeno.</p><p>Você tem que saber:</p><p>“– Isso é o quê eu tenho.”</p><p>Eu vou expandir a partir daí... Então, pegue um</p><p>assunto que lhe interessa, um assunto de que você</p><p>gosta. Não um romance ou literatura. Pegue um as-</p><p>sunto que você tenha que estudar, que seja do seu</p><p>agrado, e veja quantas páginas, quanto tempo você</p><p>consegue ficar concentrado naquilo.</p><p>Bom, esse é o seu limite de concentração. A partir</p><p>daí, você vai ganhando espaço, vai empurrando trin-</p><p>cheiras, vai avançando a partir dessa ilha de luz que</p><p>você tem. Como se fosse um farol lá no meio do ocea-</p><p>no, você expande a sua luz, a partir daquele ponto que</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>146/289</p><p>você tem. Veja, verifique isso, o quanto de concentra-</p><p>ção você já possui neste momento... para aspirar a</p><p>metas maiores.</p><p>Pergunta número vinte e seis:</p><p>“– Quando se senta para estudar, você co-</p><p>meça imediatamente?”</p><p>Também é uma coisa vital, que já falamos antes,</p><p>e reiteramos agora. Tudo o quê você necessita, dei-</p><p>xe próximo. Tudo que lhe pode impedir, resolva antes.</p><p>Atenção à hora que você marcou:</p><p>“– Eu marquei para começar a estudar às 15</p><p>horas.”</p><p>Tudo que é necessário, como elemento prévio ao</p><p>estudo, eu marco para até as 15 para as três, para eu</p><p>então me preparar para o estudo. Coloque os livros</p><p>próximos, feche as janelas, ligue o ar-condicionado,</p><p>coloque um copo de água perto de onde você vai es-</p><p>tudar, tudo o quê é necessário. De tal maneira que,</p><p>quando se sentar às três horas, comece imediatamen-</p><p>te a estudar.</p><p>Já passou o tempo dos preâmbulos. Isso é fun-</p><p>damental, para que a gente adquira um certo domínio</p><p>sobre nós mesmos. Saibamos honrar aquilo com que</p><p>nos comprometemos. Tenhamos um certo controle do</p><p>nosso ciclo de atenção.</p><p>É a mesma coisa que um palestrante, que vai cada</p><p>vez mais adiando o início da sua palestra, porque todo</p><p>mundo chega atrasado. Ele</p><p>perde o controle do público.</p><p>Você vai perder o controle de si próprio. Ou seja, no ho-</p><p>rário marcado, sente-se, e comece a estudar.</p><p>Pergunta número vinte e sete:</p><p>“– Você sabe dizer as ideias principais de</p><p>uma aula que acabou de ter?”</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>147/289</p><p>Isso é muito interessante, que você faça essa ex-</p><p>periência. Você vai perceber o quanto a sua atenção é</p><p>periférica. Quanto você não se concentra no essencial.</p><p>E aí vai entender por que é tão importante aprender a</p><p>fazer síntese; aprender a fazer resumo.</p><p>Exatamente capturar a ideia central daquilo que</p><p>está acontecendo diante de você. Imaginem, isso é</p><p>uma coisa que sempre me intrigou, quando um pas-</p><p>sarinho levanta voo para pegar comida para o seu fi-</p><p>lhote, que ficou no ninho. Um passarinho minúsculo,</p><p>um pardal. Ele levanta voo até uma certa altura. Como</p><p>é que ele consegue ver daquela altura, perceber uma</p><p>minhoca se remexendo lá embaixo? Ou um inseto?</p><p>Ele não se dispersa olhando a paisagem. O tempo</p><p>todo, a mente dele está concentrada: minhoca, inseto.</p><p>Então, qualquer coisa que se mexa, que seja pare-</p><p>cida, imediatamente ele reage, se posiciona, dá aquele</p><p>mergulho, e pega. Agora, nós estamos tão dispersos,</p><p>tão sem objetivo, não sabemos o quê vamos buscar</p><p>dentro de uma aula, dentro de um livro, que olhamos</p><p>para tudo que é periférico... e perdemos o centro.</p><p>Então, é como se você assistisse uma aula comi-</p><p>go, e falasse dessa blusa:</p><p>“– Olha que bonitinha que é a blusa dela...”</p><p>Como é cheia de passarinho, de sei lá o quê. Mas</p><p>não soubesse dizer qual foi o assunto que eu tratei.</p><p>Isso é mais comum do que você imagina.</p><p>Como é comum você perder uma aula, e pergun-</p><p>tar para um amigo:</p><p>“– O quê foi que aconteceu nessa aula?”</p><p>E a pessoa não saber lhe dizer uma ideia. Onde</p><p>a sua atenção estava? Dispersa, ou para outro lugar,</p><p>ou para outra coisa dentro daquele mesmo ambiente.</p><p>Relembro a você uma máxima, que pertence a Carl</p><p>Jung, que acho muito interessante:</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>148/289</p><p>“– Mente e corpo juntos.”</p><p>Procure alcançar essa máxima. Isso vai lhe aju-</p><p>dar a capturar a essência de cada momento, é fun-</p><p>damental.</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>149/289</p><p>MÓDULO 1</p><p>AUTOCONHECIMENTO</p><p>Aula 7 – Teste inicial</p><p>Perguntas de 28 a 31</p><p>Pergunta número vinte e oito:</p><p>“– Você costuma cumprir tudo o quê pla-</p><p>nejou estudar para aquele dia?”</p><p>Isso é fundamental, que você dê aí um prazo.</p><p>Bom, eu comecei a fazer planejamento... vocês vão</p><p>aprender isso, como fazer um planejamento bem bá-</p><p>sico. Não tem muito segredo nisso, uma planilhazinha</p><p>do que você vai estudar, hora por hora, a cada dia.</p><p>Então, eu faço uma planilha com três horas de es-</p><p>tudo. Mas me disperso, me enrolo todo. Talvez você te-</p><p>nha que começar com menos. Comece com aquilo em</p><p>que você se garante. Eu me garanto em uma hora. E</p><p>depois você vai acrescentando um pouco mais. Eu me</p><p>garanto em uma hora e meia. Eu me garanto em duas</p><p>horas, até chegar às três horas que você pretende.</p><p>Não é conveniente que você faça um planeja-</p><p>mento de três horas, não faça nenhuma hora com-</p><p>pleta, e continue insistindo nas três horas. Sucessi-</p><p>vos fracassos vão fazê-lo desanimar. Acho que não</p><p>é do desconhecimento de vocês que existem cursos,</p><p>por exemplo, para pessoas traumatizadas em Mate-</p><p>mática. Que não conseguem resolver, sei lá, equa-</p><p>ções complexas.</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>150/289</p><p>Quando a pessoa começa a estudar nesses cur-</p><p>sos, eles a colocam para fazer contas de adição e sub-</p><p>tração, uma quantidade enorme. Simplesmente para</p><p>que ela perca o trauma de que é incapaz de se rela-</p><p>cionar com a Matemática. E ela vai avançando, até o</p><p>ponto em que necessitava entender, com essa impres-</p><p>são, de que isso é fácil. Essa mera impressão mental,</p><p>de que isso é muito fácil, vira completamente a nossa</p><p>capacidade de compreensão das coisas.</p><p>Então, quando você começa a colocar metas,</p><p>mas não cumpre, e persiste naquele mesmo patamar,</p><p>você vai ficar com a impressão muito, muito negativa,</p><p>que trabalha contra você. Você vai ter a impressão de</p><p>que não é capaz disso. Você tem que sempre garantir</p><p>que você é capaz disso.</p><p>Comece de onde você é capaz, e vá expandin-</p><p>do aos poucos. Cumpra aquilo com que você se com-</p><p>prometeu. Se esse patamar está alto, reduza para um</p><p>patamar real, e vá expandindo a partir daquilo em que</p><p>você se garante.</p><p>Pergunta número vinte e nove:</p><p>“– Ao resumir uma matéria, você usa as</p><p>suas palavras?”</p><p>Olhe, isso aí é uma coisa que a gente vai traba-</p><p>lhar bastante, quando fizermos o método Robinson, e</p><p>há muita resistência em relação a isso. Isso é essencial.</p><p>Eu trabalho como palestrante há 30 e poucos</p><p>anos, quase 31. Existe uma coisa que é complicada,</p><p>quando um palestrante começa, quando ele dá as</p><p>suas primeiras palestras, que é a necessidade que ele</p><p>sente de decorar as palavras do autor do livro que es-</p><p>tudou. Pensem numa palestra que não funciona, pois</p><p>fica uma coisa mecânica. Parece que você tem ali um</p><p>robô repetidor, decorado.</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>151/289</p><p>É fundamental que a gente saiba que, em uma</p><p>mensagem, você tem que pegar o conteúdo, e expres-</p><p>sá-lo com as palavras que forem necessárias. No caso</p><p>de um resumo, expressá-lo com as suas palavras, as</p><p>mais fáceis e compreensíveis possível.</p><p>Para isso, você tem que desenvolver uma atenção</p><p>para perceber o quê é conteúdo e o quê é forma. A forma</p><p>é útil, é importante, mas ela tem que ser a forma mais</p><p>acessível, para você relembrar. E se eu tenho o conte-</p><p>údo, eu posso voltar a vesti-lo com uma forma mais in-</p><p>telectual, posso modelá-lo para falar com uma criança,</p><p>posso modelá-lo para falar com uma pessoa muito sim-</p><p>ples, posso modelá-lo conforme o gosto do freguês.</p><p>Já contei para os meus alunos, em uma ocasião,</p><p>em que eu colava um cartaz, a respeito de uma pales-</p><p>tra de Filosofia, e me apareceu uma criança de cinco,</p><p>para me perguntar o quê era Filosofia. Não serviam</p><p>as palavras de Platão, não serviam as palavras de</p><p>Aristóteles.</p><p>Eu tive que encontrar o conteúdo da Filosofia</p><p>dentro de mim, e traduzir esse conteúdo nas palavras</p><p>dela. É assim que funciona. Senão você só tem uma fa-</p><p>chada decorada. Você não tem a essência das coisas.</p><p>Daí que é a importância de, de vez em quando, fazer al-</p><p>guns exercícios, que obriguem você a sair da fachada,</p><p>e colocar esse conteúdo em outros contextos.</p><p>Então, se você está lendo uma determinada obra,</p><p>digamos, um parágrafo de uma obra complexa, com</p><p>uma linguagem erudita, e você quer resumir esse pa-</p><p>rágrafo, que diz lá que a ordem ontológica do universo</p><p>tem a ver com a hermenêutica da vida, você vai ter</p><p>que entender isso aí e traduzir com as suas palavras,</p><p>no mínimo de palavras possível, e as suas.</p><p>Ou seja, o ser tem a ver com o sentido da vida.</p><p>Ser relacionado ao sentido da vida. Eu resumiria des-</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>152/289</p><p>sa forma, sem artigos, sem nada. Nós vamos aprender</p><p>isso no resumo.</p><p>Isso tem sentido para você. O resto, bom, o res-</p><p>to é uma forma. É a forma daquele autor. Não tem,</p><p>necessariamente, que ser a minha. Então, às vezes,</p><p>você vai olhar o resumo de um livro, bem-feito, que</p><p>você fez, e não usa uma palavra do autor, mas todas</p><p>as ideias estão ali. Entenda isso.</p><p>Cuidado com essa resistência de achar que, se</p><p>eu não decoro as palavras do autor, isso vai me preju-</p><p>dicar, a ideia vai ser retorcida. Isso no fundo é não con-</p><p>fiar, o suficiente, na sua capacidade de compreensão</p><p>da ideia, que se esconde por trás das palavras. Por-</p><p>tanto, você vai ter que exercitar esse discernimento,</p><p>captar a ideia e traduzi-la nas suas palavras, da forma</p><p>mais simples possível. Isso é fundamental.</p><p>Importante começar, neste momento, em tudo</p><p>que você lê, a treinar. Um parágrafo inteiro do jornal.</p><p>O que o escritor quis dizer com isso, o jornalista? Qual</p><p>é a ideia principal? Expressar com as suas palavras.</p><p>Lógico, é muito bom quando a gente para e faz</p><p>exercícios dentro de um curso. Eu vou passar alguns</p><p>exercícios para você. Mas, o grande exercício é a vida.</p><p>Se você não for utilizar todas as oportunidades de ler</p><p>alguma coisa, que passam diante de você, para pra-</p><p>ticar a capacidade de síntese, a descoberta da ideia</p><p>principal, não vai ter curso que vai lhe ensinar a ser um</p><p>bom estudante.</p><p>Tem certas coisas que, ou você pratica na vida</p><p>como um todo, ou não pratica. E isso vai gerar uma pré-</p><p>disposição, você vai perceber que é muito boa. Está</p><p>olhando para uma pessoa e, ao mesmo tempo, está</p><p>tentando pegar a ideia principal, que, às vezes, nem ela</p><p>sabe exatamente, nem ela sabe. A ideia principal, ela</p><p>não está expressando, está só na mente dela.</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>153/289</p><p>E, às vezes, tem pessoas que têm tanta dificulda-</p><p>de de expressão, que elas falam, falam, falam, falam</p><p>e não dizem claramente o quê querem. Se você está</p><p>atento, você percebe que aquelas ideias todas estão</p><p>apontando para uma ideia principal. Mas a ideia prin-</p><p>cipal ela não falou. E você é capaz, por atenção, de</p><p>perceber onde esses sinais estão apontando, e captar</p><p>até o quê não foi dito.</p><p>Recordo um professor de Filosofia maravilhoso</p><p>que tive, hoje já é falecido, que quando uma pessoa,</p><p>em uma palestra, fazia uma pergunta para ele, eu ima-</p><p>ginava o quê eu responderia. E o que ele respondia</p><p>não tinha nada a ver com o quê eu responderia, e não</p><p>tinha nada a ver com o quê eu tinha entendido da per-</p><p>gunta. E a pessoa ficava satisfeita.</p><p>Na verdade, ele entendia o quê a pessoa queria</p><p>dizer pela atenção à estrutura do pensamento dela.</p><p>Percebia que a essência ela não soube expressar, e</p><p>ele pegava essa ideia e respondia essa ideia. Isso é</p><p>uma perícia em achar a ideia principal, não em um tex-</p><p>to, mas em uma pessoa falando diante de você. É uma</p><p>questão de prática, isso é viável.</p><p>Então, é importante considerarmos a prática des-</p><p>se novo hábito, a partir de agora.</p><p>Pergunta número trinta:</p><p>“– Você procura se lembrar do que está</p><p>aprendendo no dia a dia?”</p><p>Veja que tem muito a ver com o que acabamos de</p><p>falar. Ou seja, buscar relações, praticar os exercícios</p><p>que foram passados, buscar ver o mundo a partir da-</p><p>quela ótica que aquele ensinamento lhe deu.</p><p>Falava para vocês, ainda, que você esteja estu-</p><p>dando o Regimento Interno de um órgão público, para</p><p>o qual pretende fazer concurso. Se você considerar</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>154/289</p><p>como a pessoa que fez aquele Regimento estava ima-</p><p>ginando o conjunto de seres humanos que trabalha-</p><p>riam ali, e como prevenir para que certos erros não</p><p>fossem cometidos, você começa a olhar para as pes-</p><p>soas no seu dia a dia para imaginar se elas realmente</p><p>são assim. Se elas realmente são propensas a esse</p><p>tipo de erro, ou se essa pessoa que fez esse Regimen-</p><p>to superestimou, ou subestimou, o ser humano.</p><p>O quê você consideraria, se você escrevesse o</p><p>Regimento? Como seria ele, considerando a experi-</p><p>ência que você tem como ser humano, olhando, co-</p><p>nhecendo melhor os seres humanos à sua volta? Em</p><p>qualquer coisa, você pode aprender, e deve.</p><p>Disso se trata a vida, como inteiramente simbóli-</p><p>ca. Estamos aqui como aprendizes. E se não nos co-</p><p>locamos como bons estudantes diante da vida, não o</p><p>seremos em nenhum outro lugar.</p><p>Pergunta número trinta e um:</p><p>“– Você se esforça para gostar do que pre-</p><p>cisa aprender?”</p><p>Isso é outro elemento que acho fundamental. Nós</p><p>temos uma impressão, tremendamente falsa, de que as</p><p>coisas que a gente gosta e as coisas que a gente não</p><p>gosta são imutáveis, que fazem parte do nosso ser.</p><p>Nós nem sabemos o quê é o nosso ser, a nossa</p><p>essência, a nossa identidade mais profunda. Nós nem</p><p>a conhecemos. Não tivemos ainda o esforço necessá-</p><p>rio para descobri-la, trazê-la à luz. Os nossos gostos e</p><p>desgostos, nossas aceitações e rejeições, são produto</p><p>da cultura onde fomos inseridos, do meio, das coisas</p><p>que nos ensinaram a gostar e a rejeitar.</p><p>Brinco com meus alunos, dizendo a respeito do</p><p>arroz, por exemplo. Esse arroz soltinho, que nós te-</p><p>mos no Brasil, seria horrível numa cultura como a ja-</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>155/289</p><p>ponesa. Como você pega arroz soltinho com um pali-</p><p>to? Ali são os bolinhos, é o arroz que a gente chama</p><p>de unidos venceremos. Bom, se eu tivesse nascido</p><p>lá, o meu gosto seria outro.</p><p>Aí você vai dizer:</p><p>“– Mas, isso é uma bobagem. Você está fa-</p><p>lando de culinária.”</p><p>Olhe, todos os planos têm uma correspondência.</p><p>Esse princípio da correspondência, que é egípcio, é</p><p>uma das leis do universo. Ou seja, não é só o paladar</p><p>de um alimento, de aceitar um e rejeitar outro, mas</p><p>é também o gosto emocional, de gostar de um lugar,</p><p>rejeitar outro. O gosto de gostar de uma pessoa ou de</p><p>rejeitar outra. O gosto mental de gostar de uma maté-</p><p>ria e de rejeitar outra. Não são gostos seus. São um</p><p>condicionamento externo que, se você percebe que</p><p>não são bons, você pode recriar.</p><p>Resumindo a história, você pode aprender a gos-</p><p>tar. Pode desenvolver laços e vínculos com aquilo que</p><p>você percebe que é bom, é útil e o ajuda a crescer.</p><p>Pode aprender a rejeitar aquilo que só dispersa o seu</p><p>tempo, e não está lhe trazendo nada de novo.</p><p>Você pode remodelar o seu gosto. Isso, classi-</p><p>camente, é chamado de formação de caráter. Se nós</p><p>não aprendemos a gostar de estudar, e estudarmos o</p><p>que é necessário que seja estudado, não vamos nun-</p><p>ca nos tornar bons estudantes.</p><p>Pense um pouco a respeito disso.</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>156/289</p><p>MÓDULO 1</p><p>AUTOCONHECIMENTO</p><p>Aula 8 – Teste inicial</p><p>Perguntas de 32 a 36</p><p>Pergunta número trinta e dois:</p><p>“– Você nunca diz de uma matéria que pre-</p><p>cisa aprender: Isso é ruim; isso é difícil; isso é</p><p>chato; eu não dou conta?”</p><p>Não deve dizer, jamais. Você já criou uma pre-</p><p>disposição negativa. E essa predisposição negativa</p><p>vai bloquear metade da sua perspicácia, da sua re-</p><p>flexão, do seu discernimento, da sua capacidade de</p><p>apreender e somar verdadeiro conhecimento a partir</p><p>daquilo.</p><p>Quando alguma coisa é taxada previamente,</p><p>você fecha as portas da compreensão. Nós não sa-</p><p>bemos como as nossas predisposições mentais são</p><p>poderosas. Às vezes, até em relacionamentos huma-</p><p>nos. Por alguma razão fútil, olhamos para uma pes-</p><p>soa, e dizemos:</p><p>“– Não gostei, não gostei do jeito daquela</p><p>pessoa.”</p><p>E esse rótulo vai dificultar um relacionamento que</p><p>poderia ter lhe trazido coisas maravilhosas. Não ro-</p><p>tule disciplinas. Acredite, se elas estão na sua vida,</p><p>elas são boas. Elas têm alguma coisa para lhe ensinar.</p><p>Porque aquilo que não é útil para você, por lógica, não</p><p>teria aparecido na sua vida. Quando já não tiver o quê</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>157/289</p><p>aprender com elas, elas vão se retirar da sua vida, vão</p><p>passar adiante. Reflita bastante sobre isso.</p><p>Pergunta número trinta e três:</p><p>“– Você nunca deixa as coisas mais difí-</p><p>ceis para o final?”</p><p>Isso é uma mania que, provavelmente, nós es-</p><p>tamos contaminados por ela também. Quando você</p><p>sai na rua, e vê um conjunto de pessoas pintando um</p><p>muro, por exemplo, você vai perceber que, nas primei-</p><p>ras horas da manhã, o Sol está</p><p>um pouco mais ameno,</p><p>as pessoas estão bem-dispostas, o quê é então que</p><p>elas pintam? A parte baixa do muro. No final da tarde,</p><p>que está todo mundo cansado, passaram por um Sol</p><p>forte, loucos para voltar para casa, eles deixaram para</p><p>pintar a parte alta, que exige subir numa escada, des-</p><p>cer, subir na escada. Ou seja, a parte mais difícil.</p><p>Obviamente, de uma maneira inconsciente ou</p><p>consciente, às vezes, essas pessoas se programa-</p><p>ram para não terminar esse trabalho hoje. Se elas</p><p>quisessem, de fato, terminar hoje, elas começariam</p><p>pelo mais difícil. Porque, no final da tarde, pintar o</p><p>quê está baixo é mais fácil para alguém que está can-</p><p>sado. Não precisa escada, não precisa nada.</p><p>Então, inconscientemente, às vezes, nós nos</p><p>boicotamos. Fazemos um pouco como a Penélope,</p><p>lá do mito de Ulisses, que tecia o tapete durante o</p><p>dia e, na calada da noite, ia lá, puxava o fio. Nós nos</p><p>boicotamos, porque não queremos fazer tudo aquilo</p><p>naquele dia.</p><p>Mais uma vez, eu reitero uma coisa que é impor-</p><p>tantíssima para vocês: Joguem limpo com vocês mes-</p><p>mos. Cheguem diante de um espelho, e digam:</p><p>“– Quanto tempo eu quero fazer isso? Em</p><p>primeiro lugar, isso é necessário? Em segundo</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>158/289</p><p>lugar, eu quero realmente fazer? Em terceiro, em</p><p>quanto tempo eu quero fazer?”</p><p>Ninguém está lhe obrigando a isso. Faça um pac-</p><p>to livre com a sua consciência. E, uma vez feito, procu-</p><p>re respeitá-lo. A menos que surja um imprevisto muito</p><p>fora do comum, procure respeitá-lo. Por uma questão</p><p>de respeito a si próprio. Ou você vai perdendo a con-</p><p>fiança em si próprio, e isso é grave, e difícil de reverter.</p><p>Pergunta número trinta e quatro:</p><p>“– Você relê um texto, prova, trabalho, de-</p><p>pois que termina?”</p><p>Isso é fundamental. Você vai perceber que nós te-</p><p>mos um antípoda entre razão e emoção. Não aumente</p><p>a “ideia à prova”, sabe-se lá por que cargas d’água.</p><p>Dava uma boa reflexão filosófica sobre isso, a “ideia à</p><p>prova” excita as nossas emoções. Ficamos ansiosos,</p><p>ficamos nervosos. E, toda vez que a emoção se ele-</p><p>va, a razão desce. Ou seja, é muito difícil uma pessoa</p><p>estar muito emotiva, e estar muito lúcida. A razão está</p><p>muito lúcida; a emoção desce.</p><p>Quando você termina uma prova, termina o traba-</p><p>lho, e faz aquele:</p><p>“– Ufa, acabei.”</p><p>Recupera um pouco do equilíbrio emocional. Bai-</p><p>xa um pouco a ansiedade. – Essa é uma boa hora</p><p>para você voltar lá e examinar o quê foi feito, agora</p><p>com a razão, e fazer os ajustes necessários. Temos</p><p>que saber trabalhar com o quê temos neste momento.</p><p>Eu não controlo muito as minhas emoções, neste mo-</p><p>mento. Então vou criar uma estratégia para que elas</p><p>não me impeçam de fazer um trabalho com qualidade.</p><p>Vou fazê-lo da melhor maneira que posso.</p><p>Mas, ao final, relaxo. – Acabou, volto atrás, ape-</p><p>nas com a mente. A emoção sossegada, e a mente</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>159/289</p><p>vai rever tudo aquilo que foi feito. Isso é um elemento</p><p>muito importante.</p><p>Pergunta número trinta e cinco:</p><p>“– Quando tem prova, você sempre dorme</p><p>pelo menos seis horas?”</p><p>Olhe, os fatores físicos, nós vamos estudá-los</p><p>mais, eles têm que ser considerados. E não venha</p><p>com a ilusão, com a fantasia de achar que você é dife-</p><p>rente. Que só você é diferente. Que não precisa dormir</p><p>tanto, que a sua razão não se abala. Vai se abalar,</p><p>sim. E deve estar se abalando sempre.</p><p>Você, talvez, não esteja atento ao exercício das</p><p>suas capacidades racionais nas primeiras horas do</p><p>dia, ou ao longo do dia como todo. E não esteja per-</p><p>cebendo que essa sua capacidade está limitada por</p><p>um estado de sonolência, por um cansaço constante.</p><p>Se começar a se exigir mais, vai perceber que está</p><p>produzindo menos.</p><p>Se você obedece às leis da vida, ela lhe dá o seu</p><p>fruto. Ela lhe dá a justa recompensa. As leis da vida</p><p>dizem que você conduz um veículo. Que nem aquele</p><p>veículo que está estacionado lá fora. Eu o conduzo e</p><p>ele necessita de calibragem, ele necessita de combus-</p><p>tível, necessita de lubrificação, necessita de troca de</p><p>óleo, e eu sei disso. E não vou dizer:</p><p>“– O meu é mais forte do que os outros. Não</p><p>precisa...”</p><p>Ele vai me deixar na mão. E o seu veículo, ainda</p><p>que não esteja lhe deixando na mão, o seu veículo</p><p>físico já está limitando as suas possibilidades de dar</p><p>respostas à vida, se você não respeita as especifica-</p><p>ções dele.</p><p>Então, aprender a considerar, observar o nível de</p><p>produtividade que eu tenho ao longo de um dia. Perce-</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>160/289</p><p>ber que às vezes não é bom, porque não respeito cer-</p><p>tas condições físicas. E aprender a respeitar as leis da</p><p>natureza. Você pode caminhar junto com a natureza, e</p><p>ela o apoia, ou você pode ir na contramão. E ao invés</p><p>de ter a natureza como aliada você vai tê-la como ini-</p><p>miga, como resistência. Não faça isso, é uma loucura.</p><p>Não somos nós que vamos nos opor à natureza.</p><p>Não nascemos para isso, nem temos capacidade para</p><p>isso, então, é uma loucura. Trabalhar junto com ela,</p><p>ela é coerente, e, aceitando as regras dela, ela nos dá</p><p>os seus melhores frutos.</p><p>Pergunta número trinta e seis:</p><p>“– Quando você tem prova, não toma be-</p><p>bidas alcoólicas na véspera, e não se alimenta</p><p>de nada pesado no mesmo dia?”</p><p>Uma continuação do caso anterior. Você consi-</p><p>derar qualquer elemento que limite a sua consciência,</p><p>qualquer elemento que gere um estado de indisposi-</p><p>ção, pois isso não é bom quando você se propõe a</p><p>fazer alguma tarefa importante. Agora, veja bem, aí</p><p>dava uma margem para especulação filosófica de tudo</p><p>quanto é jeito. Porque todos os dias temos uma tare-</p><p>fa importante. Estamos vivos, estamos no mundo, e</p><p>não temos tantos dias assim. Se você considerar que</p><p>temos 70, 80 anos de vida, um dia é bem importante.</p><p>Por isso, o ideal seria que a gente nunca tivesse</p><p>hábitos que baixassem demais a nossa consciência.</p><p>Porque eles estão jogando a nossa vida fora. Agora,</p><p>muito particularmente, quando você tem um trabalho</p><p>a fazer, um livro a escrever, uma prova, uma palestra,</p><p>por favor, saiba reconhecer o quê o limita. Conheça</p><p>melhor a si próprio. Aprenda a observar os efeitos.</p><p>Estamos tão desligados, que não percebemos os efei-</p><p>tos que as coisas geram em nós. Comece a observar</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>161/289</p><p>mais. Um alimento pesado comido na hora errada,</p><p>às vezes, até um bom copo de suco de maracujá no</p><p>café da manhã, lhe atrapalha a atenção nas primeiras</p><p>horas do dia. Isso não é uma lenda, isso é real.</p><p>Aprenda a observar os efeitos que as circunstân-</p><p>cias produzem sobre você, para se colocar inteligente-</p><p>mente no mundo.</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>162/289</p><p>MÓDULO 1</p><p>AUTOCONHECIMENTO</p><p>Aula 9 – Teste inicial</p><p>Perguntas de 37 a 40</p><p>Pergunta número trinta e sete:</p><p>“– Geralmente, você estuda sozinho, sem</p><p>colegas?”</p><p>Mais uma polêmica...</p><p>Porque aí tem gente que é contra, e tem gente</p><p>que é a favor de estudar em grupo. A maioria das pes-</p><p>soas se coloca a favor. Porém, tudo no mundo é dual.</p><p>E isso tem estágios em que é bom, e tem estágios em</p><p>que é péssimo.</p><p>Vocês têm que saber que o estudo tem estágios.</p><p>Você não é uma pessoa tão concentrada. Estamos</p><p>aprendendo ainda, estamos como aprendizes.</p><p>Você está com um livro aberto na sua frente, que</p><p>talvez seja uma leitura um pouco complexa. – E você</p><p>tem um colega do lado, interrompendo a cada dois</p><p>minutos, para fazer piadinha, ou tem que parar para</p><p>atender o telefone. Ou ainda ele esteja tentando se</p><p>concentrar, mas se mexendo na cadeira, mexendo em</p><p>coisas, obviamente o estudo vai render a metade. Co-</p><p>loca mais um colega, divide mais</p><p>uma vez.</p><p>Esse não é estágio para estudar em grupo. Esse</p><p>é um estágio solitário do processo de estudo, onde</p><p>você cria um ambiente com menos apelo possível.</p><p>Esse não é um estágio para estudar em grupo.</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>163/289</p><p>Sabe qual é excelente estágio para estudar em</p><p>grupo? É aquele momento em que você já fez o seu</p><p>fichamento, já está com os resumos prontos. Aí você</p><p>faz até uma brincadeira junto com os amigos. Um vai</p><p>fazendo perguntas, um para o outro, outro erra, outro</p><p>faz uma gracinha, e todas essas circunstâncias vão</p><p>lhe ajudando a memorizar. Então, saiba analisar com</p><p>discernimento todos os processos que você precisa vi-</p><p>ver, para tirar daí os melhores resultados.</p><p>Pergunta número trinta e oito:</p><p>“– Você não fica levantando e se movimen-</p><p>tando à toa, quando se senta para estudar?”</p><p>Ou seja, tem um monte de maus hábitos que temos...</p><p>“– Ah, eu estudo melhor se ando por um lado</p><p>e para o outro...”</p><p>Não estuda. Só vai lhe provocar dispersão. É um</p><p>vício que você tem que aprender a romper. A ideia é:</p><p>como se o corpo tivesse virado uma estátua. A sua</p><p>mente está muito ágil; o corpo, não. Se você está movi-</p><p>mentando o corpo, significa que uma parte da sua aten-</p><p>ção está indo para ele.</p><p>Porque, é óbvio, para você movimentar o corpo</p><p>dentro de uma sala, você tem que estar observando</p><p>para não esbarrar em nada, para não tropeçar, para</p><p>não dar uma topada. E isso é um pouco da sua atenção</p><p>que foi para o corpo. O corpo tem que pedir o mínimo</p><p>possível de atenção, para que a mente possa ter o má-</p><p>ximo. Então, observe esses vícios que a gente tem, de</p><p>estar se mexendo... mexendo em coisa na mesa... fa-</p><p>zendo coisas absolutamente desnecessárias.</p><p>Procure combater. Como uma pessoa combate</p><p>um tique nervoso qualquer, um vício de coçar a cabe-</p><p>ça? Isso é um vício que o dispersa.</p><p>Aprenda a trabalhar com isso.</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>164/289</p><p>Pergunta número trinta e nove:</p><p>“– Sempre que tem prova, você consegue</p><p>não ficar muito nervoso?”</p><p>Isso é uma coisa interessante, e, claro, vai me-</p><p>recer uma abordagem maior, quando entrarmos nos</p><p>itens do Curso. Você vai perceber que nós temos uma</p><p>armadilha mental dentro de nós. A nossa mente nos</p><p>coloca nervosos, porque ela nos ameaça de perder-</p><p>mos alguma coisa. Uma dica que eu uso, e que foi</p><p>muito eficaz para mim, foi aceitar a perda. Sabe o quê</p><p>significa isso? A mente diz:</p><p>“– Se você não passar nesse concurso, você</p><p>vai ficar desempregado.”</p><p>Você diz:</p><p>“– Está bom, já não passei, já estou desem-</p><p>pregado; já aceitei a perda. Agora me deixe con-</p><p>centrar nisso aqui, porque isso aqui é importante,</p><p>está interessante, vou aprender com isso. Se eu</p><p>não passar, eu vejo depois, começo a estudar de</p><p>novo.”</p><p>Se você aceita a perda, ela fica sem argumen-</p><p>tos para chantageá-lo e lhe tirar do centro. Vou contar</p><p>para vocês uma história, que eu vivi, e que foi mui-</p><p>to interessante. Comecei a dirigir. E, lógico, como a</p><p>maior parte das pessoas que começam a dirigir, era a</p><p>pior motorista que vocês possam imaginar no mundo,</p><p>e tinha pavor de dirigir.</p><p>Um belo dia, eu perguntei para mim mesma:</p><p>“– Por que você tem tanto medo de dirigir?”</p><p>Porque, dirigindo na velocidade em que você di-</p><p>rige, o perigo de acidente será só se for de atrope-</p><p>lar uma tartaruga manca. Não vai acontecer acidente.</p><p>Você está com medo de quê? Aí eu descobri que o</p><p>meu medo era de que as pessoas achassem que eu</p><p>era uma barbeira, uma má motorista.</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>165/289</p><p>Eu, simplesmente, cheguei diante do espelho, e</p><p>disse:</p><p>“– Você é uma barbeira. Você é uma barbei-</p><p>ra. Você é uma barbeira. Está certo? Está certo.</p><p>Agora, quem disser isso, é uma mera constata-</p><p>ção da verdade. Não vai me ofender.”</p><p>E saí.</p><p>“– Sua barbeira...”</p><p>“– É isso aí mesmo. É isso que eu sou. Esse</p><p>me conhece bem.”</p><p>E pronto. Não tinha mais por que estar nervosa.</p><p>Eu aceitei a perda, e continuei viva, e continuei dirigin-</p><p>do. Eu fui aprendendo, fui fazendo menos barbeira-</p><p>gem, e estou aqui até hoje, dirigindo da melhor manei-</p><p>ra que posso. Quando a sua mente lhe ameaça com</p><p>alguma coisa, aceite a perda. Você vai ver que ela fica</p><p>sem argumento para abalá-lo emocionalmente.</p><p>Comece do jeito que você está, mas aos poucos</p><p>você vai pegando esses ganchos mentais, que lhe ti-</p><p>ram do centro. E dê uma resposta adequada para eles.</p><p>Essa é uma dica, mas você vai encontrar outras.</p><p>Pergunta número quarenta:</p><p>“– Você consegue sempre não perder tem-</p><p>po à toa, antes das provas?”</p><p>Aí é um assunto que eu aconselharia, àqueles</p><p>que puderem, que fizessem também o Curso de Ad-</p><p>ministração do Tempo. Porque você precisa ter ferra-</p><p>mentas para constatar se está jogando o tempo fora.</p><p>Normalmente, não sabemos.</p><p>Achamos:</p><p>“– Não, meu tempo é todo preenchido.”</p><p>Olhe, se você for analisar, você tem meia hora</p><p>produtiva, uma hora e meia conversando fiado, len-</p><p>do notícias irrelevantes, olhando bobagem na internet.</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>166/289</p><p>Você tem muitos, muitos vácuos entre um prazo de</p><p>atividade e outro de tempo vazio – jogado fora com</p><p>coisas tremendamente inúteis, que é aquilo que a gen-</p><p>te chama de tira-tempo.</p><p>Você tem que aprender a identificar isso. Enco-</p><p>lher esse tempo dedicado a essas coisas. Aprender a</p><p>ganhar tempo do vazio, e não das suas atividades.</p><p>“– Preciso de mais tempo para estudar. Vou</p><p>parar de fazer o curso de inglês.”</p><p>Curso de inglês é uma hora. Você perde duas no</p><p>YouTube, no Facebook, seja lá o quê for. Não abra</p><p>mão do tempo ocupado. Abra mão do tempo vazio, e</p><p>perceba que, de repente, você não tem só uma hora</p><p>para estudar por dia. Pode ter muito mais. Se abrir</p><p>mão do vazio, dos tira-tempos, daquilo que lhe rouba</p><p>a produtividade sem lhe dar nada em troca.</p><p>Dê uma observada. Lembre-se do ponto de vista</p><p>da Filosofia:</p><p>“– Para começar qualquer processo de</p><p>transformação, você começa pelo conhece-te a</p><p>ti mesmo.”</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>167/289</p><p>MÓDULO 2</p><p>CONDIÇÕES PRELIMINIARES</p><p>Aula 10 – Valor intrínseco</p><p>Caríssimos alunos. Antes que a gente comece o</p><p>processo do Curso propriamente dito, tem algo que</p><p>é muito importante passar para vocês. Eu sou uma</p><p>professora de Filosofia, de Nova Acrópole, que é uma</p><p>instituição internacional, que se dedica ao ensino de</p><p>filosofia prática, vivencial.</p><p>Eu posso dizer para vocês que existe um agrega-</p><p>do que a Filosofia dá à Técnica de Estudo que nenhum</p><p>outro tipo de curso dá. Que é essa dica que vou passar</p><p>para vocês agora. É uma coisa chamada Valor Intrín-</p><p>seco. Sabe o que significa isso?</p><p>Pare pra refletir comigo. Você vai fazer uma prova</p><p>de vestibular. Você vai fazer uma prova para um con-</p><p>curso público. Tem que estudar um monte de coisas.</p><p>Você percebe que todo o seu amor, todo o seu desejo</p><p>e todo o seu interesse está no curso universitário, ou</p><p>naquele trabalho público que você quer acessar. – O</p><p>estudo é um estorvo no meio do caminho? Quem de</p><p>nós poderia dizer, com toda honestidade, se tivesse</p><p>uma oportunidade de entrar nesse Ccurso, de entrar</p><p>nesse emprego, sem ter que estudar tudo isso, e sem</p><p>risco. Eu não aceitaria.</p><p>Claro que todo mundo estaria louco para uma</p><p>oportunidade como essa. – Sabe por quê? O bom</p><p>mesmo é o quê você vai ganhar com o estudo. Ele</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>168/289</p><p>em si é uma chatura, é um estorvo, é um transtorno,</p><p>desagradável.</p><p>Às vezes, eu vejo pessoas falarem:</p><p>“– Eu entrei nesse curso universitário, mas</p><p>sofri tanto, que você não faz ideia. Suei</p><p>camisa.”</p><p>Esse sofrer e suar camisa foi o estudo. Ou a pes-</p><p>soa que entra para um emprego público, e diz:</p><p>“– Olhe, você não sabe. Eu deixei de viver</p><p>para poder me preparar para passar nesse con-</p><p>curso.”</p><p>Deixar de viver é sinônimo de estudar, segundo</p><p>os valores dessa pessoa.</p><p>Eu tenho que achar graça porque, vamos e ve-</p><p>nhamos, estudar é um transtorno, é um estorvo, é</p><p>um sofrimento, é deixar de viver? Como é que essa</p><p>pessoa vai se tornar um bom estudante? Vocês per-</p><p>cebem que isso não tem nenhuma lógica? Isso não</p><p>vai acontecer nunca.</p><p>Imaginem vocês o quê faz com que o homem</p><p>possa sair da ignorância, e chegar à sabedoria, que é</p><p>a meta de vida do ser humano, senão o conhecimento</p><p>corretamente recebido, assimilado e vivenciado?</p><p>Isso é o quê nos diferencia dentro do esquema</p><p>da natureza. Que tipo de ser humano é esse, que con-</p><p>sidera o conhecimento como um estorvo? Quando</p><p>você percebe o nível de preconceitos, de alienações,</p><p>de isolamento, de equívocos na convivência, será que</p><p>isso não é um efeito colateral, muito claro, de o ser</p><p>humano não querer conhecer mais nada, de só querer</p><p>desfrutar da vida, com o maior conforto possível?</p><p>Ou seja, a felicidade do homem consiste não em</p><p>crescer, em expandir, em conhecer o mundo; consis-</p><p>te em ficar o mais parado possível. Bom, isso é a</p><p>felicidade de uma pedra, e não de um ser humano.</p><p>Da pedra para o ser humano, acho que aí houve uma</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>169/289</p><p>complexidade progressiva. A natureza teve muito tra-</p><p>balho para fazer essa travessia. E nós, a essa altura</p><p>do campeonato, com todo o potencial que a natureza</p><p>nos dá, queremos a felicidade da pedra, a inércia, a</p><p>lei do menor esforço?</p><p>Esse vício moderno faz com que a pessoa, des-</p><p>de o berço, seja um potencial péssimo estudante. Que</p><p>passa por adversidades na vida, mas não aprende</p><p>nada daquilo, para que no futuro não gere essa ad-</p><p>versidade na vida dos outros. Simplesmente, se sente</p><p>vítima; ou, não é assim?</p><p>“– Eu tive um péssimo professor. Eu tive um</p><p>parente que não foi muito bom comigo.”</p><p>Eu me coloco na postura de aprendiz, para per-</p><p>ceber se eu não tenho esses mesmos vícios, e não</p><p>posso maltratar outros no futuro? E não aprendo des-</p><p>sa experiência para me tornar melhor do que essa</p><p>pessoa? Não, eu simplesmente me vitimizo, e saio</p><p>pela vida inteira sem aprender nada, e colocando a</p><p>culpa de tudo nos outros, e querendo que as coisas</p><p>sejam gratuitas.</p><p>Evidentemente, você não vai transformar uma</p><p>pedra em um diamante, simplesmente, lixando por</p><p>fora. Ou seja, submetendo a um sofrimento. Você vai</p><p>tornar uma pedra em um diamante se você mergulha</p><p>profundamente na sua estrutura molecular, por exem-</p><p>plo, de um carvão, e organiza o carbono aí dentro, de</p><p>tal maneira que essa estrutura molecular se converta</p><p>em diamante.</p><p>Isto significa, se não mergulhamos dentro de nós,</p><p>e mudamos essa nossa concepção equivocada, sobre</p><p>o estudo como uma tortura, nunca seremos bons estu-</p><p>dantes. E a nossa vida também passará sem grandes</p><p>aprendizados. Seremos tão infantis e imaturos aos 80</p><p>quanto éramos aos oito, porque passamos pela vida</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>170/289</p><p>totalmente cegos. Nós nos negamos a aprender. –</p><p>Percebam isso: É um assunto grave, que não vai ape-</p><p>nas na direção do estudo, mas em tudo na nossa vida.</p><p>Isso é uma grande perda.</p><p>Quem sabe recuperarmos, se vocês pegarem um</p><p>dia um diálogo de Platão, vocês vão ver que em torno</p><p>de Sócrates, o grande filósofo, se sentavam garotos</p><p>de várias idades. Ali já com aquela vivacidade de eu</p><p>quero aprender.</p><p>Um dia desses, no meu trabalho, passei por uma</p><p>mãe que levava o seu garotinho para tomar uma vaci-</p><p>na. E ele choramingava, se debatia. A mãe continuava</p><p>levando. Chegou uma hora em que ele parou para ela,</p><p>e disse o seguinte:</p><p>“– Mãe, por que a gente tem que passar</p><p>pela dor?”</p><p>E eu achei tão interessante, porque aquilo já não</p><p>era um argumento para demover a mãe. Era um dese-</p><p>jo de entender a vida. Por que tem dor na vida?</p><p>Mas, era uma pergunta tão legítima, o interesse</p><p>no conhecimento, que me deu vontade de me sentar</p><p>no chão e dialogar filosoficamente com ele. Você per-</p><p>cebe que esse frescor de uma criança, que quer sa-</p><p>ber, nós já perdemos há muito tempo. Não queremos</p><p>saber de nada. Queremos, simplesmente, sobreviver,</p><p>com maior conforto e o maior prestígio possível. Essa</p><p>perda do interesse pelo aprendizado vai fazer de você</p><p>medíocre. Faça você o esforço que fizer.</p><p>Imagine você andar pela vida, com cada coisa</p><p>que ela apresenta, tendo interesse por aprender. Você</p><p>passa por um programa que está falando sobre como</p><p>se faz um bom vinho. Digamos que você não beba,</p><p>não goste de vinho. Mas, você percebe que, ali, aque-</p><p>le agricultor de uma vinícola está ensinando que você</p><p>deve cortar todos os galhos inferiores daquela videira,</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>171/289</p><p>para que fiquem só os mais elevados, para que a sei-</p><p>va, fazendo esse esforço de se elevar, se depure e, lá</p><p>em cima, gere as melhores uvas.</p><p>Será que isso não me ensina sobre o que eu</p><p>tenho que fazer comigo também? Cortar tudo que é</p><p>grosseiro, tudo que é baixo, tudo que é vulgar, para</p><p>que a seiva da minha vida se eleve e gere os melhores</p><p>frutos? Você aprende com isso. Você aprende quando</p><p>você poda a rosa, que está no seu vasinho, para ela</p><p>viver alguns dias mais.</p><p>A vida, de vez em quando, nos poda também, para</p><p>que nós possamos estar abertos a receber novo alimen-</p><p>to, receber nova seiva. Você vai olhando a sua volta, e</p><p>tem o intuito de entender, como dizia Einstein, as ideias</p><p>de Deus. O quê ele quis com tudo isso. Isso tem um es-</p><p>pírito sadio de aprendiz, que vai fazer com que você seja</p><p>um excelente estudante. Não me importa se eu vou pas-</p><p>sar nesse concurso, mas depois de estudar isso aqui eu</p><p>vou sair um ser humano melhor. Não importa se eu vou</p><p>passar nesse vestibular, mas depois que eu estudar isso</p><p>aqui eu vou sair um ser humano melhor.</p><p>Percebam, e isso é fundamental. Não me digam</p><p>que isso é muita Filosofia para um curso de técnica de</p><p>estudo. Porque eu vou lhe dizer:</p><p>“– Isso é o essencial.”</p><p>Isso é a única coisa que pode realmente lhe tor-</p><p>nar um bom estudante. Percebam que tudo aquilo que</p><p>tem valor na nossa vida vale em si mesmo, e não pelo</p><p>que vem depois.</p><p>O amor:</p><p>“– Você ama alguém?”</p><p>“– Amo.”</p><p>“– Você ama pela pessoa, ou porque ela</p><p>tem um bom salário e pode lhe dar uma vida</p><p>confortável?”</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>172/289</p><p>Senão, isso não é amor. É um plano de previdên-</p><p>cia privada.</p><p>“– Você é justo?”</p><p>“– Sou.”</p><p>“– Você teve um ato justo porque você ama</p><p>a justiça, ou porque essa pessoa podia lhe fazer</p><p>favores depois?”</p><p>Porque, senão, você fez marketing pessoal.</p><p>Amor, justiça, bondade, honra, tudo que temos de</p><p>mais elevado na vida vale em si mesmo, e não pelo</p><p>que você vai ganhar com isso. E com o estudo não é</p><p>diferente. Adquirir conhecimento é tão nobre quanto</p><p>amar, é tão nobre quanto ser bom. É uma necessidade</p><p>de entrarmos em harmonia com a natureza, que nos</p><p>cerca, de não sermos um elemento que fere, mas ser-</p><p>mos elemento que se encaixa.</p><p>No dia em que você me disser:</p><p>“– Eu vou passar umas férias de um mês em</p><p>um local que é um verdadeiro paraíso. Vou para</p><p>um resort, vou ficar à beira do mar.”</p><p>Se eu abrir a sua mala, e ali dentro tiver um ou</p><p>dois livros, eu vou lhe dizer:</p><p>“– Você é um bom estudante.”</p><p>Porque no seu paraíso cabe estudo. Aquele que</p><p>coloca o estudo só no inferno, faça ele o esforço que</p><p>fizer, sempre vai ser um péssimo estudante.</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de</p><p>Estudo</p><p>173/289</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>174/289</p><p>MÓDULO 2</p><p>CONDIÇÕES PESSOAIS</p><p>Aula 11</p><p>Local para estudo</p><p>Agora que você já fez o seu Teste Inicial, já deu</p><p>para refletir, concluir sobre um monte de maus hábitos,</p><p>que vão ter que ser revistos. E muitos bons hábitos,</p><p>também, que vão ser reforçados. Agora que você já</p><p>viu a respeito do objetivo intrínseco, já refletiu sobre</p><p>essa ideia, que é muito importante, nós vamos co-</p><p>meçar com as técnicas do Curso, propriamente ditas.</p><p>Com as recomendações, aqueles elementos que têm</p><p>que ser considerados.</p><p>O primeiro que nós vamos falar são das condi-</p><p>ções para o estudo. As condições físicas, até falamos</p><p>um pouco sobre elas lá no exercício, considerar tudo</p><p>aquilo que gere algum tipo de indisposição, de condi-</p><p>ção física desagradável, para que você esteja com a</p><p>mente o mais lúcida possível. Ou seja, sono de me-</p><p>nos, comida pesada, bebida alcoólica, ou qualquer ou-</p><p>tro tipo de coisa que baixe a consciência.</p><p>Qualquer elemento distrativo, por exemplo, estar</p><p>preocupado demais com algo. Aí você vai dizer:</p><p>“– Bom, como é que eu vou fazer para deixar</p><p>de estar preocupado demais com algo?”</p><p>Por isso, eu digo que, às vezes, é bom dar uma</p><p>olhada lá atrás, em Administração do Tempo. Porque,</p><p>se você deixar esse argumento lhe atrapalhar, ele vai</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>175/289</p><p>atrapalhar toda a sua vida. Porque não existe um dia</p><p>da nossa vida em que a gente não tenha algo para se</p><p>preocupar.</p><p>Seria bom que você pudesse demarcar um ho-</p><p>rário, de tantas a tantas horas – sei lá... das oito às</p><p>nove, vou pensar sobre esse problema. Refletir e pro-</p><p>curar soluções. – Nesse horário, você não faz mais</p><p>nada, mas reflete sobre isso. Se não encontrar so-</p><p>luções nesse horário, é porque pensar não traz so-</p><p>luções. Há que ter um pouco de paciência, há que</p><p>esperar a hora certa para voltar a pensar a respeito;</p><p>há que esperar que outros fatores surjam no cenário.</p><p>E você não pensa mais.</p><p>Pode ser, pode parecer para vocês uma brinca-</p><p>deira, mas, de vez em quando, temos que brincar um</p><p>pouco com esses elementos, que tiram o nosso tempo.</p><p>“– Isso é importante, e eu devo pensar.”</p><p>Está bom, vou marcar um horário para pensar. E</p><p>penso nesse horário, não faço mais nada; só penso. E</p><p>no resto do meu tempo eu me concentro naquilo que</p><p>estou fazendo, que é importante, que é vital, que é</p><p>aquilo que eu tenho que tirar do meu dia. É aquilo que</p><p>vai agregar valor ao meu dia.</p><p>Não é bom que a gente se deite à noite com a</p><p>sensação de que nada, que era necessário e impor-</p><p>tante, foi feito. É bom dar vida ao nosso dia. Isso de-</p><p>pende de nós, não depende só da natureza. Então,</p><p>vejamos sobre os elementos fundamentais do plano</p><p>físico, esses fatores, e outros mais, que podem ser</p><p>exclusivos seus.</p><p>Você tem que observar... o que influencia o seu</p><p>corpo. O ambiente está muito quente, está muito frio...</p><p>O ambiente está muito seco ou, seja lá o que for... Ob-</p><p>serve o quê pode afetar o seu físico, e tirar as suas</p><p>condições de lucidez máxima.</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>176/289</p><p>Fatores mentais. Bom, aí são muitos, não é? Além</p><p>da preocupação, que falamos ainda há pouco, que é um</p><p>fator eminentemente mental, você tem de desenvolver</p><p>hábitos de concentração. Tem que desenvolver hábitos</p><p>de organização das ideias. Não querer pensar em tudo</p><p>ao mesmo tempo. E, isso, vai ter que fazer cada vez</p><p>mais práticas de concentração, práticas de pensar em</p><p>uma única coisa de cada vez, e ir se desenvolvendo a</p><p>partir daquela capacidade, que você tem, de organizar a</p><p>sua mente, porque dispersão, no fundo, é caos mental.</p><p>Você vai me perguntar:</p><p>“– Como é que faz isso, para organizar a</p><p>mente?”</p><p>Está cheio de técnicas de concentração no mer-</p><p>cado. Você pode fazê-las, mas vou lhe dizer uma coi-</p><p>sa: Não adianta nada você organizar a sua mente, se</p><p>você não organiza o seu armário, se você não organi-</p><p>za a sua bolsa, se você não organiza a sua casa – por-</p><p>que cada vez que você detecta bagunça, por exemplo,</p><p>no seu armário, e você faz de conta que não viu, e</p><p>empurra a porta e tranca, isso é porque, dentro da sua</p><p>mente, você colocou uma voz de comando:</p><p>“– Eu aceito conviver com o caos.”</p><p>E... se você aceita conviver com o caos, ele vai</p><p>estar em todos os planos, no mental, no emocional, no</p><p>físico, no energético, em todos os planos da sua vida.</p><p>Mas se você coloca uma sentinela que diz:</p><p>“– Eu não aceito conviver com o caos, com a</p><p>bagunça.”</p><p>Você vai ter que reagir cada vez que ela passe por</p><p>você. E se você não reage, você fez uma concessão...</p><p>e essa concessão vai vazar para todos os planos. Ou</p><p>seja, vocês se lembram lá da frase cristã:</p><p>“– Não servirás a dois senhores ao mesmo</p><p>tempo.”</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>177/289</p><p>Ou da frase islâmica:</p><p>“– Não montarás em dois camelos ao mesmo</p><p>tempo.”</p><p>Você tem que impor uma única regra na sua vida.</p><p>E por muito que você pratique exercícios de concentra-</p><p>ção, que de fato existem, e são bons, – não vai adian-</p><p>tar se você não organiza a sua vida como um todo.</p><p>Você não coloca uma única lei nesse território.</p><p>Uma terra que tem muitas leis é uma terra que não tem</p><p>nenhuma. Ninguém sabe a quem obedecer. Você gera</p><p>um faroeste, uma terra sem dono, dentro da sua men-</p><p>te. De tantas leis que querem conviver juntas, contra-</p><p>ditórias entre si. Ou é ordem, ou é não ordem. E se é</p><p>ordem vai ter que ser em todo o seu mundo.</p><p>Isso é uma boa observação, considere isso. Leve</p><p>a sério. Isso é uma síntese de experiências que vêm</p><p>das gerações. Isso que eu estou dizendo tinha filóso-</p><p>fo falando disso há 2 mil anos, que conquistavam um</p><p>bom nível de concentração, usando fórmulas como</p><p>esta. Por que não começar de onde eles pararam?</p><p>Leve a sério. Pense a respeito dessas reflexões.</p><p>Lembre daquela frase filosófica:</p><p>“– Você não vive daquilo que você come.</p><p>Você vive daquilo que você assimila.”</p><p>Eu jogo essas informações em você. Se você não</p><p>as leva a sério, se não as reflete, não tenta assimilá-</p><p>-las, é a mesma coisa que nada.</p><p>Então, fatores ambientais, mentais, concentração,</p><p>organização, e postura ativa. Isso é um elemento fun-</p><p>damental. Já já a gente vai ver como é que você faz</p><p>uma leitura. Você não é um receptor passivo de infor-</p><p>mações, que o escritor está lhe dando. Você dialoga</p><p>com ele, se coloca em uma posição ativa. Você faz per-</p><p>guntas. Você procura as respostas. Uma leitura de um</p><p>livro é um diálogo. Assistir uma aula é um diálogo. Você</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>178/289</p><p>tem que ter uma postura ativa, de quem está buscan-</p><p>do o conhecimento. E não só recebendo passivamente</p><p>impressões.</p><p>Quantas vezes você vai, eu faço muito isso, vou</p><p>com um amigo ou outro, em um cinema, assistir um fil-</p><p>me. E, no final, aquelas partes mais emocionais fazem</p><p>com que todo mundo fique:</p><p>“– Oh, que filme belo!”</p><p>Aí, na hora do lanche, ali na praça de alimenta-</p><p>ção, que a gente começa a dissecar o filme, começa</p><p>a perceber que tem uma ideia que não funciona. Uma</p><p>outra ideia furada; uma outra ideia contraditória. Por</p><p>preguiça de irmos a esse requinte de analisar cada</p><p>coisa que passa por nós, às vezes, rotulamos errada-</p><p>mente as coisas da vida. E temos prejuízos com isso.</p><p>Ah, então, desenvolver essa atenção, concen-</p><p>tração, até no filme que você está assistindo. Bom,</p><p>eu estou na beira da praia, relaxando. Eu estou aten-</p><p>ta ao mar, ao céu, ao simbolismo que tudo isso tem.</p><p>Eu estou tentando aprender. Ou seja, estou viva. Es-</p><p>tou de corpo e alma presente, onde for, aonde eu</p><p>tiver que ir.</p><p>Ao sair de férias, eu não deixo meu discernimento</p><p>trancado dentro do apartamento. Ele vai junto comigo.</p><p>Eu não deixo a minha lucidez no apartamento. Ela vai</p><p>junto comigo. Portanto, ela continua em uma postu-</p><p>ra de aprendiz. Ainda que eu esteja na frente de uma</p><p>praia – aliás, não tem lugar melhor do que ver anoite-</p><p>cer na frente de uma praia. Já nasceu muita reflexão</p><p>filosófica desse momento.</p><p>Mais condições ambientais: motivação interna,</p><p>relembrar por que você está estudando aquilo. O quê</p><p>você quer aprender com aquilo. Aonde você quer che-</p><p>gar. Quais são os elementos ali que você acha que</p><p>podem contribuir para você crescer. Não por motiva-</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>179/289</p><p>ção de ter um emprego, ou de ter o curso universitário,</p><p>mas, no estudo em si.</p><p>Ainda que aquilo seja árduo, isso está me ensi-</p><p>nando, está me mostrando outros aspectos, que eu</p><p>nunca tinha considerado. Quem sabe você ia um dia</p><p>fazer um Regimento Interno. E essa observação vai</p><p>me permitir aperfeiçoar os erros que foram cometidos,</p><p>agregar fatores que não foram considerados. Para que</p><p>eu possa ter a ambição de fazer algo melhor, eu preci-</p><p>so primeiro entender aquilo que já foi feito.</p><p>E esse é um problema da nossa geração. – As</p><p>gerações jovens vêm, e simplesmente renegam tudo</p><p>que foi feito antes. E querem começar do zero. Nova</p><p>administração.</p><p>E ali, naquilo que foi feito, tinha muita sabedoria –</p><p>que poderia ser aprendida. E erros – que tinham que</p><p>ser descartados. – Tudo é dual. – Então, quando eu</p><p>aprendo de qualquer coisa que se interpõe no meu ca-</p><p>minho, quando for eu a construir essas ferramentas,</p><p>vou fazê-las melhor. Eu agrego valor à vida.</p><p>Quê mais podemos ter. Repetição, claro. Ou seja,</p><p>preparar-se para revisar o seu resumo, de tempos em</p><p>tempos. Já colocar aquilo à mão.</p><p>Eu sou a favor, sempre, de imprimir. Acho, uma</p><p>hora o seu computador, sei lá... não funciona, caiu a</p><p>internet. Eu não acesso um arquivo virtual. – Você</p><p>tem o fichamento impresso, em algum lugar. Você vai</p><p>lá e revisa tudo que estudou até aquele momento.</p><p>Tenha já, não se sinta entediado por isso. Tenha já</p><p>dentro do seu planejamento um tempo para revisar o</p><p>quê ficou para trás.</p><p>Que mais... condições ambientais importantes. O</p><p>ambiente mesmo, o espaço onde você estuda. Fala-</p><p>mos um pouco sobre isso lá nas perguntas. O espaço,</p><p>olhe para ele, não pode ser um padrão. Você tem que</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>180/289</p><p>observar a partir de você mesmo. O que nesse am-</p><p>biente chama a minha atenção? Às vezes, até a cor</p><p>da parede faz com que um ambiente não seja indicado</p><p>para o estudo. Queira ou não, a gente está recebendo</p><p>essa informação. E às vezes uma parede de um ala-</p><p>ranjado muito forte rouba muito a sua atenção. Ela é</p><p>um chamado. E ela tende a gerar um estado emocio-</p><p>nal meio agitado.</p><p>Ou seja, todos os fatores circunstanciais do am-</p><p>biente, onde você vai se sentar para estudar, você tem</p><p>que ver como o afetam. E não tenha pena. Isso não é</p><p>uma galeria de arte. Esse é um lugar para ficar tranqui-</p><p>lo, com o mínimo de apelo.</p><p>Então, sem coisas nas paredes, sem muito adere-</p><p>ço, sem fotografias, nada, nada. Mais sóbrio possível.</p><p>Perceba, primeiro lugar, se você tem um lugar para</p><p>estudar. Se não tem, vá para uma boa biblioteca, que</p><p>tem aquelas cápsulas individuais. Segundo lugar, se</p><p>você tem, todos os fatores ambientais você tem que</p><p>limpar, antes de começar a estudar.</p><p>Que mais, temporais... Ou seja, encontrar aquele</p><p>tempo em que você está mais perceptivo, onde está</p><p>mais desperto, onde está mais ativo, e alocar aí as</p><p>horas de estudo das coisas mais difíceis, novas, aque-</p><p>las que você não entendeu ainda. Ou seja, tudo aquilo</p><p>que exige um maior esforço.</p><p>Normalmente, para a maior parte dos seres hu-</p><p>manos, essas horas são as primeiras horas da manhã.</p><p>Há exceções. Reitero, exceções. De pessoas que têm</p><p>ciclos de atenção muito boa no início da madrugada.</p><p>Mas, a maioria das pessoas que estudam de madru-</p><p>gada, na verdade, está trocando a noite pelo dia.</p><p>A grande maioria da humanidade tem as suas</p><p>horas ótimas nas primeiras horas da manhã. Então,</p><p>eu vou alocar esse tempo para as coisas que são</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>181/289</p><p>novas, que são complicadas, e de que eu ainda não</p><p>aprendi a gostar.</p><p>Então, distribua bem os fatores ambientais, para</p><p>que eles sejam favoráveis a você. Eu sempre brinco</p><p>com os meus alunos, que, quando querem estudar</p><p>alguma coisa difícil, por exemplo, um filósofo difícil é</p><p>Immanuel Kant, aí você aloca isso para logo depois</p><p>do almoço.</p><p>Evidente que você está se programando para</p><p>dormir em cima do livro do Kant. Está mentindo para si</p><p>próprio. Você quer dizer:</p><p>“– Eu tentei, mas não deu certo.”</p><p>Você não tentou. Já no planejamento, você esta-</p><p>va se autoboicotando.</p><p>Mais uma vez, voltamos àquele ponto:</p><p>“– Seja honesto consigo mesmo.”</p><p>Eu devo estudar isso; eu necessito estudar isso;</p><p>eu quero estudar isso. Desse modo, eu não vou fazer</p><p>gol contra. Eu não vou trabalhar contra mim mesmo.</p><p>Portanto criar as condições ideais para que isso dê</p><p>certo. Porque pode ser que, lá no final, você acabe</p><p>amando Immanuel Kant, entendendo a maneira dele</p><p>de se expressar, e sabendo lidar com isso. As dificul-</p><p>dades, quando são enfrentadas, em geral, mostram</p><p>que não são tão amargas quanto pareciam.</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>182/289</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>183/289</p><p>MÓDULO 2</p><p>PLANEJAMENTO DE ESTUDO</p><p>Aula 12 – Planilha I</p><p>Olá, hoje vamos dar continuidade falando a res-</p><p>peito de uma coisa que parece simples, mas não é</p><p>tanto assim. Como fazer a sua planilha, o seu planeja-</p><p>mento de estudo.</p><p>“– Bom, é uma matriz. Eu jogo lá dentro, se-</p><p>gunda a sexta, ou segunda a sábado, seja quanto</p><p>for que eu estude e, a cada dia, coloco as maté-</p><p>rias que vou estudar, e o tempo.”</p><p>Está bom, a base é esta. Mas, não é só isso. Eu</p><p>lhe aconselho, antes de jogar as matérias dentro de</p><p>uma planilha, fazer uma lista de tudo que você tem que</p><p>estudar. Que aí você vai distribuindo essas matérias ali</p><p>dentro, considerando algumas coisas. Por exemplo, a</p><p>extensão da matéria. Às vezes, você tem que estudar</p><p>um pouco de algo, e muito de outro. Ou seja, quanto</p><p>tempo você precisa de estudar aquilo. É importante</p><p>para saber posicioná-la dentro da sua planilha. Óbvio</p><p>que aquilo que tem uma extensão, um volume maior,</p><p>você vai precisar de mais tempo. Talvez, tenha que es-</p><p>tudar três vezes por semana aquela mesma matéria.</p><p>Outra coisa que você vai ter que considerar, o</p><p>prazo que você tem. Isso tem que estar concluído até</p><p>tanto. Então você confecciona a sua planilha, não só</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>184/289</p><p>a desta semana, mas tenha uma ideia de quanto você</p><p>vai distribuir essa matéria, até chegar à véspera da</p><p>prova, até chegar à véspera da necessidade daquele</p><p>conhecimento.</p><p>Da mesma maneira que falo em Administração do</p><p>Tempo, que para você planejar a sua vida você come-</p><p>ça pela vida como um todo, e depois vai colocando o</p><p>médio e o pequeno prazo, aqui também é a mesma</p><p>coisa. Todo prazo que você tem, ... tenho dois meses</p><p>para estudar. Então, não planejar esta semana alea-</p><p>toriamente. – Eu vou planejar esta semana, conside-</p><p>rando que parte do todo eu tenho que ter alcançado, a</p><p>cada semana, até chegar ao prazo que tenho.</p><p>Outra coisa que é muito importante: Você deve</p><p>enumerar as suas matérias – recomendo usar ou nú-</p><p>meros ou letras, como você preferir, do mais complexo</p><p>para o mais simples – você faz uma ordem.</p><p>De tal maneira, que no número “1”,</p><p>ou na letra “a”,</p><p>em primeiro lugar, você vai colocar aquilo que é mais</p><p>difícil, mais árduo, e que você não aprendeu ainda.</p><p>Faça uma listinha decrescente – isso é extrema-</p><p>mente importante.</p><p>Primeiro lugar, para que você saiba a necessida-</p><p>de de estudar aquilo, nos melhores horários. Lembram</p><p>que já falamos sobre isso, é muito importante reiterar,</p><p>saber qual é o seu horário ótimo de atenção. 80% ou</p><p>mais da humanidade, aí existem estatísticas de todo</p><p>jeito, são pessoas que têm o melhor horário de aten-</p><p>ção nas primeiras horas da manhã. Então, aquilo que</p><p>é mais difícil, desconhecido, você deve enfrentar nes-</p><p>sas horas mais produtivas da manhã.</p><p>Eu vou colocar em primeiro lugar a coisa mais di-</p><p>fícil? Não, não é bem assim. Aí tem um outro elemen-</p><p>to que você tem que considerar. Houve uma época da</p><p>minha vida em que eu fiz canto. Estudava canto, canto</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>185/289</p><p>lírico. Era muito interessante, porque a minha professo-</p><p>ra nunca me deixava entrar em uma melodia, e cantar!</p><p>Antes, eu tinha que fazer um aquecimento. E an-</p><p>tes de concluir aquele estudo do dia, eu tinha que fa-</p><p>zer um desaquecimento. – A forma de aquecer a voz</p><p>e desaquecê-la.</p><p>Assim também é quando você entra no estudo.</p><p>Você vem da rua, do mundo, da vida. Mil apelos, agi-</p><p>tação, todo voltado para fora. – Estudo sempre exige</p><p>uma certa introspecção... – Então você tem que fazer</p><p>um pequeno prazo de aquecimento, para sair desse</p><p>mundo agitado, e entrar no ciclo da leitura, no mundo</p><p>da leitura.</p><p>Esses, digamos assim dez minutos, 15 minu-</p><p>tos iniciais, leia ou estude algo que você goste mui-</p><p>to, que você curta muito, que seja assim muito fácil</p><p>para você.</p><p>Digamos que você goste de literatura. Coloque</p><p>dez, 15 minutos de literatura para aquecer. E aí entra</p><p>no mais difícil. Depois que você terminar os seus estu-</p><p>dos, seja lá quantas horas forem. No final, desaqueci-</p><p>mento. – Coloque novamente alguma coisa agradável.</p><p>Não é bom que você fique com a sensação de...</p><p>“– Terminei de estudar, estou morto.”</p><p>Ou continuar pensando naquilo que é difícil. Nós</p><p>temos que criar um umbral, que nos divida da vida</p><p>comum, para que aquilo não continue lhe cansando,</p><p>depois que você parou de estudar. Então você coloca</p><p>um umbral de aquecimento; um umbral de desaque-</p><p>cimento.</p><p>Preste atenção, às vezes nós criamos muitas es-</p><p>tratégias, sem que queiramos. Usamos estratégias</p><p>para boicotar a nós mesmos. A gente inventa mil coi-</p><p>sas para dizer que não dá para estudar assim: Não</p><p>consigo estudar essa matéria; não consigo estudar</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>186/289</p><p>todo esse tempo. – Não é tanto assim uma questão de</p><p>conseguir. É uma questão de querer.</p><p>Esses dias, vivi uma experiência bastante interes-</p><p>sante: Presenteei um livro a uma jovem. E depois de</p><p>algum tempo passei por ela, e ela estava no celular,</p><p>olhando um monte de coisas.</p><p>E eu lhe perguntei:</p><p>“– Você começou a ler o livro que eu lhe dei?”</p><p>“– Não, porque hoje eu não trouxe meus ócu-</p><p>los. E estavam lacrimejando, os meus olhos.”</p><p>A tela do celular não lacrimeja os olhos? Só o li-</p><p>vro? Achei isso muito curioso, porque foi uma forma</p><p>inconsciente de ela me dar uma desculpa, de que es-</p><p>tava entediada com a leitura. Não tinha concentração</p><p>suficiente para uma folha de papel. Por quê? Nós so-</p><p>mos a geração multimídia. Tudo é colorido, tudo é 3D,</p><p>tudo pula em cima da gente.</p><p>Então, você se coloca diante de uma folha de pa-</p><p>pel, mas rapidamente a atenção se esgota, com esse</p><p>gosto pela novidade nas coisas curtas, e pouco pro-</p><p>fundas, e de pouca mensagem, que são digeridas e</p><p>abandonadas rapidamente. Você tem que localizar</p><p>qual é a sua dificuldade de se colocar diante de uma</p><p>folha de papel, diante de um livro. E cuidado, não min-</p><p>ta para si próprio.</p><p>Nós estamos, realmente, entrando em um ciclo,</p><p>que você tem que identificar em você, onde estamos</p><p>nos viciando em telas multicoloridas e multimídia. Es-</p><p>tamos nos desacostumando da leitura. E isso é pe-</p><p>rigoso, e complicado. Inclusive, porque essa forma</p><p>multimídia e multicolorida, em geral, trabalha para en-</p><p>tretenimento, e não para educação.</p><p>A maior parte das coisas que ainda temos que</p><p>aprender na vida, que são dotadas de valor, ainda</p><p>estão em uma folha de papel, em um livro. Portan-</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>187/289</p><p>to, cuidado para que esse vício não torne impossível</p><p>você ler. Seja honesto consigo mesmo. Assuma suas</p><p>dificuldades.</p><p>Então me programei, fiz um aquecimento, mas um</p><p>aquecimento não é... olhando o celular... É lendo algo.</p><p>É da mesma natureza. – Mas, algo de que você goste,</p><p>algo que faça você se interessar pela leitura, que gere</p><p>um umbral da consciência do mundo para o estudo.</p><p>E depois, a mesma coisa, na saída. – Você tem que</p><p>perceber que, quando você não faz o desaquecimento,</p><p>você pode passar o dia inteiro girando com um proble-</p><p>ma de uma leitura mal compreendida, ou alguma coisa</p><p>que foi muito forte. Isso vai lhe cansar mentalmente, e</p><p>pode gerar um rechaço em relação a essa matéria.</p><p>Toda vez que criamos um esgotamento inútil, por</p><p>não sabermos lidar com a leitura, pode ser que depois</p><p>tenhamos resistência para voltar a ler. Porque lembra-</p><p>mos o quanto foi ruim ontem.</p><p>Lembrem-se do que eu já falei para vocês, da-</p><p>quele curso que ensina Matemática, começando das</p><p>quatro operações, para levar até o nível de integral.</p><p>– Você tem que ir crescendo aos poucos, conduzindo-</p><p>-se... como quem conduz uma criança...</p><p>Portanto, não adquira traumas inutilmente. Você</p><p>terminou de estudar, tem que criar um umbral para que</p><p>entre em outra sintonia. Sobretudo se você está estu-</p><p>dando antes de dormir. – Você pode entrar na consci-</p><p>ência onírica preocupado com uma questão qualquer,</p><p>sei lá, de Matemática... e isso fazer com que você te-</p><p>nha um sono péssimo, e acorde de manhã esgotado...</p><p>E vai gerando uma rejeição em relação à matéria que</p><p>você está estudando... Pensem um pouco a respeito</p><p>dessa questão.</p><p>Então, primeira coisa da planilha, você tem que</p><p>começar com simples, complexo, simples...</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>188/289</p><p>Outro elemento que é importante você conside-</p><p>rar: o revezamento do teor das matérias. Se você está</p><p>estudando algo que é um pouco mais denso, nós cos-</p><p>tumamos usar o exemplo de exatas e humanas, mas</p><p>apenas é um exemplo.</p><p>Às vezes, quando a pessoa não tem muito pendor</p><p>para exatas, aquilo se torna um pouco mais difícil para</p><p>ela, e mais cansativo. Coloque aquilo no meio, então,</p><p>humanas antes, humanas depois. Se você tem pendor</p><p>para exatas, faça o contrário: exatas, humanas, exa-</p><p>tas. Ou seja, reveze o teor das coisas.</p><p>Bom, eu estudo Filosofia; é tudo Filosofia. É muito</p><p>diferente você ler, por exemplo, um autor um pouco</p><p>mais palatável, mais simples, como um estoico, ou ler</p><p>um livro de Kant.</p><p>Você tem aí o mais complexo.</p><p>Reveze essas matérias.</p><p>– Lembre-se do exemplo da planilha de estudos</p><p>do garoto do Ensino Médio. Quando você olha, às ve-</p><p>zes, um estudante de Ensino Médio, tem Matemática,</p><p>Matemática, Física seguidas. Às vezes, quatro horá-</p><p>rios seguidos.</p><p>– E nós percebemos como é que esses garotos</p><p>costumam gerar uma aversão em relação a essas ma-</p><p>térias.</p><p>Por não saberem dosar e mesclar, de tal manei-</p><p>ra que o garoto estudante não esgote o seu ciclo de</p><p>atenção.</p><p>Sempre lembrem, você está se comportando</p><p>como se fosse um adulto, conduzindo uma criança,</p><p>que ainda não aprendeu a gostar do que deve gostar.</p><p>Não traumatize a criança.</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>189/289</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com</p><p>- 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>190/289</p><p>MÓDULO 2</p><p>PLANEJAMENTO DE ESTUDO</p><p>Aula 13 – Planilha II</p><p>Continuando sobre planilhas, falamos um pou-</p><p>co sobre as condições iniciais para você fazer aquele</p><p>quadradinho. Tão simples. Precisa falar tanto? Preci-</p><p>sa. – Olhe, se vocês pararem para pensar, qualquer</p><p>ato que pareça muito simples, se você coloca inteli-</p><p>gência nele, ele se torna muito melhor, muito mais efi-</p><p>caz, muito mais rápido e agradável.</p><p>Pense, por exemplo, em como varrer a sua casa</p><p>com mais inteligência. E você vai perceber que tem</p><p>n modos, n formas, que você não parou antes para</p><p>pensar. – Entramos no piloto automático, e acabamos</p><p>perdendo um monte de oportunidades de aperfeiçoa-</p><p>mento em qualquer coisa que a gente faça. Até mes-</p><p>mo uma planilha, que parece tão simples.</p><p>Uma coisa que é importante, falando ainda sobre</p><p>planilhas, é avaliar o resultado – a cada etapa. Nós</p><p>partimos de um ponto, onde a gente não conhece a si</p><p>mesmo. Não conhecemos a nós mesmos. E esse não</p><p>conhecer faz com que a gente não tenha uma noção</p><p>do que é a planilha boa para nós.</p><p>Então, eu recomendo, para ficar mais simples,</p><p>que você faça a cada semana uma boa avaliação.</p><p>E veja:</p><p>“– Essa planilha, do jeito que eu fiz, as maté-</p><p>rias distribuídas dessa maneira, essa duração de</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>191/289</p><p>cada período de estudo, isso foi mais produtivo</p><p>ou mais improdutivo?”</p><p>Perfeito nunca vai ser, entenda isso. Foi 100% de</p><p>produtividade, só se você tivesse 100% de qualidade</p><p>de bom estudante. Está longe ainda disso. Você é um</p><p>aprendiz. Perfeito não vai ser, vai haver dificuldades.</p><p>Mas em uma semana você tem que parar, colocar essa</p><p>planilha diante de você, e perceber se as facilidades</p><p>que ela introduziu na sua vida são superiores às difi-</p><p>culdades. Se os acertos são maiores do que os erros.</p><p>Ou seja, se ela está sendo útil. E se ela tem pequenas</p><p>imperfeições, que você já percebeu, corrija, reajuste.</p><p>Agora, se ela está sendo totalmente improduti-</p><p>va, é o momento de você repensar, e fazer uma outra</p><p>planilha. – É como se você estivesse em uma loja de</p><p>roupa, experimentando aquela que cabe em você. É</p><p>assim que se faz uma planilha. Tente uma primeira.</p><p>“– Não cabe, está pegando em mim... Está</p><p>me incomodando, aperta nos braços...”</p><p>Tire; tente outra. Mas, perceber que nunca vai ha-</p><p>ver, ... é muito raro que você encontre aquela roupa, ...</p><p>que a gente diz:</p><p>“– Parece que foi feita para mim!”</p><p>Sobra um pouquinho aqui, falta um pouquinho ali.</p><p>Perfeita, perfeita mesmo, é muito difícil. Nesse mundo,</p><p>tudo é dual. Então, se ela tem pequenas imperfeições,</p><p>você as corrige, e continua com ela. Se tem mais im-</p><p>perfeições do que qualidades, refaça a sua planilha,</p><p>pelo menos, a cada semana. Para não ficar insistindo</p><p>em uma fórmula que não dá certo.</p><p>Outra coisa que é interessante considerarem:</p><p>“– Não usar a palavra ‘difícil’ para nada que</p><p>você for colocar dentro dessa sua planilha.”</p><p>Então, você pode dizer:</p><p>“– Nisso eu tenho mais dificuldade.”</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>192/289</p><p>“– Eu tenho.”</p><p>Mas não:</p><p>“– Esta matéria é difícil...”</p><p>“– Isso eu não conheço; isso é mais extenso;</p><p>isso é um pouco mais trabalhoso.”</p><p>Mas, nunca diga é difícil. Já conversamos sobre</p><p>isso, lá atrás. Quando falávamos do seu exercício ini-</p><p>cial.</p><p>– E, deixe eu lhe falar, as predisposições ne-</p><p>gativas. Elas praticamente tiram a nossa oportu-</p><p>nidade de fazer alguma coisa bem-feita.</p><p>Isso não é nada de muito metafísico, nem esoté-</p><p>rico. Isso é simples, quando nos colocamos diante de</p><p>algo, dizendo:</p><p>“– Isso não é para mim.”</p><p>A probabilidade de que seja então é quase nenhu-</p><p>ma. Nós já fechamos a porta. Nós já vamos ali apenas</p><p>para conferir que aquela opinião inicial era acertada.</p><p>Então, nunca diga:</p><p>“– Isso é difícil.”</p><p>“– Isso, neste momento, é algo novo. Eu vou</p><p>aprender a torná-lo fácil.”</p><p>Porque isso é uma arte, e uma arte que pode ser</p><p>exercida por qualquer um. Entrar naquelas situações</p><p>de vida, que parecem difíceis, e torná-las fáceis. Você</p><p>faz por você, e também por quem vem atrás, que pode</p><p>aprender a partir disso, e não ser tão custoso para ele.</p><p>Então, às vezes, eu no meu tempo de colégio...</p><p>eu me lembro disso... que entrava em uma equação</p><p>para tentar resolver. Não só porque eu queria resolver,</p><p>mas porque eu era monitora, e tinha um bando de ga-</p><p>rotos, que estavam me esperando entender, para que</p><p>eles entendessem também...</p><p>Esse fato de eu ser monitora me estimulava a en-</p><p>frentar aquilo, e torná-lo fácil. – Às vezes, esse hábito</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>193/289</p><p>tão salutar e tão filosófico de pensar em mais gente,</p><p>e não apenas em nós mesmos, é o melhor método de</p><p>aperfeiçoamento.</p><p>Então, nunca diga de uma disciplina:</p><p>“– Isso é difícil.”</p><p>Você está tirando a sua oportunidade de apren-</p><p>der. Está reduzindo a sua oportunidade de aprender. –</p><p>Uma regra: Nem difícil, nem qualquer outro pejorativo</p><p>sinônimo, é difícil, é ruim, é chato. Nunca diga isso.</p><p>Um outro elemento, que também é importante,</p><p>ainda dentro do assunto planilha: Coloque dentro da</p><p>sua planilha um tempo para exercícios. – Se existem</p><p>exercícios sobre isso, é importante que você coloque</p><p>um tempo para eles.</p><p>Quando se faz exercícios, você tira o centro da-</p><p>quela observação, daquela matéria, e o veste de outra</p><p>maneira. Ou seja, um exercício de pergunta, de uma</p><p>situação prática.</p><p>“– Uma pessoa está vivendo tal situação. O</p><p>que é certo nessa situação?”</p><p>Você vai ter que pegar o conceito, que era uma</p><p>frase memorizada, tirar dele a informação e aplicá-</p><p>la à vida. Isso faz com que a sua observação vá se</p><p>aprofundando.</p><p>Procure pensar:</p><p>“– Para quê eu posso utilizar essa informa-</p><p>ção na minha vida prática, algum dia? Isso, algum</p><p>dia, pode ser útil para a minha vida prática? Para</p><p>quê? Onde? Como?...”</p><p>Quando você coloca as coisas em uma situação</p><p>viva, você as assimila na sua memória. Porque se tor-</p><p>nam um elemento apto a lhe dar respostas positivas</p><p>para a vida. Ou seja, a mente as classifica como úteis,</p><p>e guarda aquilo que é útil. E joga fora aquilo que lhe</p><p>parece inútil.</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>194/289</p><p>Então, fazer uma boa bateria de exercícios deve-</p><p>ria estar incluído na sua planilha, em algum momento.</p><p>Talvez no final da semana, pegar um dia para exercí-</p><p>cios. Lógico que as disciplinas são muito diferencia-</p><p>das. Mas, de qualquer maneira, em geral, quase todas</p><p>elas têm uma possibilidade de se fazer exercícios ne-</p><p>las, para ajudar a memorizar.</p><p>Essas são as dicas sobre planilha.</p><p>Reveze a dificuldade: simples, complexo, simples...</p><p>Coloque tempo de intervalo; isso também é fun-</p><p>damental. Ou seja, o ideal mesmo seria 50 minutos de</p><p>estudo, e dez minutos de contrarritmo, de intervalo. –</p><p>Lembrem, já falamos sobre isso também, contrarritmo,</p><p>intervalo, pausa, você tem que saber o quê vai fazer</p><p>aí dentro.</p><p>Se eu simplesmente paro, continuo pensando na-</p><p>quilo que estava estudando. – Ou posso fazer até pior:</p><p>Posso ir com a minha mente para uma coisa que me</p><p>faz sofrer, ou me angustia, ou me preocupa.</p><p>Quando você pensa em alguma coisa com essa</p><p>carga emocional negativa, você se cansa mais do que</p><p>se tivesse continuado a estudar. Não vale a pena, não</p><p>é pausa. As pausas têm de ser programadas também.</p><p>Veja o que realmente o relaxa.</p><p>“– Toda vez que eu ouço essa música, me</p><p>relaxa...”</p><p>Coloque essa música!</p><p>“Toda vez que eu brinco um pouco com os</p><p>meus animais de estimação, eu relaxo...”</p><p>Faça isso.</p><p>Faça uma atividade em que você possa mudar o</p><p>seu foco mental, e realmente reciclar. Não deixe esse</p><p>espaço vazio, porque você para o corpo, não para a</p><p>mente.</p><p>XXI. Mas ela se ati-</p><p>rou da janela do quinto andar.</p><p>O que faltou? Nós percebemos que agora é o mo-</p><p>mento de parar, e analisar. Porque não adianta termos</p><p>as coisas e perdermos o homem. Já diziam os roma-</p><p>nos, na decadência de Roma, que falavam isso:</p><p>“– Ai de nós, que conquistamos o mundo, e</p><p>perdemos a nós mesmos.”</p><p>Vocês não acham que está na hora de fazer um</p><p>pouco de exame de consciência à romana? Nós, que</p><p>dominamos o mundo; nós, que conquistamos o mun-</p><p>do tecnológico, vamos, ah, sei lá... Ultrapassamos o</p><p>cinturão que nos divide, o espaço externo e interno do</p><p>Sistema Solar, mas perdemos o ser humano.</p><p>Vamos discutir um pouco a respeito desse lado</p><p>humano. O ser humano, quando deixa de ser o final</p><p>do processo, quando o final do processo passa a ser</p><p>coisas; cuidado, nós estamos em crise. Os seres hu-</p><p>manos vão começar a perder o seu sentido de vida.</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>18/289</p><p>É difícil consertar ser humano. Isso, às vezes,</p><p>produz gerações de sofrimento e perda de referencial.</p><p>É melhor se preocupar com o ser humano. As coisas</p><p>são o meio, o ser humano é o fim. E é o momento mais</p><p>do que necessário de pararmos de pensar nisso.</p><p>As necessidades geram demandas, e essas de-</p><p>mandas tensionam a criatividade. Quais são as nossas</p><p>maiores necessidades? Às vezes, eu entro na internet,</p><p>e acho isso engraçado, porque a pessoa inventa ne-</p><p>cessidades, máquina em que você acopla o celular e</p><p>vira um microscópio, aí você sai olhando as coisas,</p><p>e não sei o quê. Máquina, olha, é impressionante. A</p><p>gente não tem tanta necessidade assim.</p><p>Claro que eu não me considero, nem de longe,</p><p>um Sócrates. Já devem ter ouvido falar. Quem sou eu,</p><p>não é? Eu me considerar alguma coisa parecida com</p><p>isso. Já devem ter ouvido falar de Sócrates ir à feira</p><p>só para olhar para as coisas, e perceber, com toda a</p><p>satisfação, quantas coisas havia de que ele não ne-</p><p>cessitava. E voltava feliz da vida por isso.</p><p>Mas, vamos e venhamos, a gente está exageran-</p><p>do, está inventando necessidades para depois vender</p><p>cacarecos. As necessidades nossas são agora de con-</p><p>sertar o homem, de posicioná-lo diante da vida como</p><p>um ser humano. Dar a ele princípios humanos, dar a</p><p>ele fins – que façam com que ele seja fator de soma na</p><p>sua vida, e na vida da humanidade. Posicioná-lo dian-</p><p>te da natureza interna e externa. Orientá-lo, ou seja,</p><p>mostrar para ele um referencial, um sentido de vida,</p><p>um Oriente, ou um Norte.</p><p>Porque o homem está desorientado, desnortea-</p><p>do. Ou seja, está na hora da nossa criatividade não se</p><p>voltar tanto e apenas para o bem-estar. Mas também</p><p>para o bem-ser, para o estar-bem, para o ser-bom.</p><p>Isso é uma necessidade premente.</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>19/289</p><p>Nós criamos uma tecnologia, e quase que auto-</p><p>maticamente nasce uma maneira de utilizá-la de uma</p><p>forma amoral. Ou seja, duais como nós estamos, e</p><p>pendendo muito mais para um lado, às vezes, do ego-</p><p>ísmo e da manipulação, está na hora talvez de a gente</p><p>pensar mais no bem-ser do que no bem-estar. Inclusi-</p><p>ve, porque isso está gerando um nível de debilidade</p><p>onde nós já não sabemos mais reagir diante das ad-</p><p>versidades. O excesso de conforto produz, às vezes,</p><p>um homem que, diante da diversidade, fica apático.</p><p>Não sabe como reagir. Está acostumado a viver entre</p><p>algodões, e a vida sempre terá adversidades.</p><p>Às vezes, eu vejo pessoas que não conseguem</p><p>superar elementos, que são perfeitamente parte da</p><p>vida. Não são nenhuma tragédia imprevista, coisas</p><p>perfeitamente previsíveis, dentro da vida.</p><p>Cada vez mais, fraquejamos diante dos proces-</p><p>sos, dos protocolos da vida. Cada vez mais, estamos</p><p>inertes, do ponto de vista psicológico. Não existe mais</p><p>muita elasticidade, muita mobilidade, do ponto de vis-</p><p>ta psicológico. Nossa psique ficou fragilizada, e preci-</p><p>samos trabalhar com isso. Gerar conhecimento para</p><p>trabalhar com isso. E aí o conhecimento talvez seja</p><p>mais necessário, neste momento, do que em qualquer</p><p>outro lugar.</p><p>Diga-me um lugar onde o conhecimento seja mais</p><p>necessário do que aí, neste momento, na História da</p><p>humanidade? Onde? Precisamos de mais máquinas</p><p>que vão até os limites do Sistema Solar? Precisamos</p><p>de mais máquinas que nos ofereçam, sei lá, comuni-</p><p>cações mais velozes?</p><p>Nós não temos tanta coisa assim para dizer. Para</p><p>comunicar tão pouco, eu acho que a gente já tem</p><p>meios demais. O que nós comunicamos? Ao menos,</p><p>se você considera, sei lá, dentro de uma área mais</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>20/289</p><p>científica, em que há uma consistência maior entre</p><p>quem se comunica. Mas, o nosso dia a dia, nós temos</p><p>muito pouco para dizer por dez formas diferentes.</p><p>Nossos assuntos são muito superficiais. Nossa</p><p>profundidade é praticamente ausente. Portanto, está</p><p>na hora de parar de criar meios de comunicação, e</p><p>criar conteúdo digno de ser comunicado.</p><p>Ou seja, a criatividade deveria se voltar... – signifi-</p><p>cativamente, não digo que uma coisa deva parar, mas</p><p>que nós deveríamos equilibrar essa busca – a criativi-</p><p>dade deveria se voltar significativamente para dentro</p><p>do homem, para entendê-lo e fazê-lo funcionar como</p><p>ser humano.</p><p>Bom, continuando. Eu coloquei aqui uns quizzes,</p><p>uns questionariozinhos, só para vocês pensarem um</p><p>pouco a respeito disso. Peguei um fato histórico, que</p><p>é relativamente distanciado no tempo, já tem eu acho</p><p>que mais de dez anos, que foi aquele escândalo da</p><p>bolsa, da bolha imobiliária nos Estados Unidos. E que</p><p>provocou um prejuízo tremendo, vários suicídios.</p><p>Alguns de nós, um pouquinho menos jovens, não</p><p>é? Devem se lembrar disso. Foi curioso, escândalos</p><p>desse tipo... – não só ele, praticamente todos os asse-</p><p>melhados, antes e depois dele –, é que quem estava na</p><p>cabeça desses escândalos não eram pessoas incultas.</p><p>Não eram pessoas com poucos anos de escolaridade.</p><p>Muito pelo contrário. Na cabeça de toda essa es-</p><p>trutura, que provocou prejuízo humano e econômico,</p><p>havia gente laureada em Harvard, que é a melhor,</p><p>considerada a melhor universidade do mundo.</p><p>Chegou um momento tal, eu me lembro de um</p><p>editorial do Washington Post, onde o jornalista que ali</p><p>escrevia falou, com muita sinceridade:</p><p>“– E pensar que fiquei tremendamente moti-</p><p>vado para mandar os meus filhos para Harvard.</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>21/289</p><p>Será que vale tanto assim a pena, realmente?”</p><p>E não é só aí. Desafio vocês a verem os grandes</p><p>escândalos no mundo, os grandes problemas, as si-</p><p>tuações mais delicadas. Eles não são provocados por</p><p>pessoas sem escolaridade, sem, entre aspas, cultura.</p><p>Muito pelo contrário, são provocados por pessoas com</p><p>alto nível de escolaridade. Portanto, eu peço que vo-</p><p>cês pensem nisso com calma.</p><p>Lembrem, eu sou uma filósofa, e filósofo é um</p><p>pouco chato para esses lugares comuns, que existem</p><p>dentro da sociedade. Quando as pessoas dizem que</p><p>a razão dos problemas atuais é a falta de educação,</p><p>e que é preciso educar, eu concordo em parte, pois</p><p>depende do que você chama de educação. Porque</p><p>os nossos critérios de educação atual não estão for-</p><p>mando moralmente o homem, não estão formando o</p><p>caráter, não estão dando referenciais humanos, não</p><p>estão convertendo os homens em verdadeiros seres</p><p>humanos com valores, com virtudes, compreensíveis</p><p>e com finalidades humanas.</p><p>Não, são simplesmente egoístas bem-informa-</p><p>dos. E o egoísta feroz, é melhor que seja mal informa-</p><p>do. Pois assim ele está menos capacitado a produzir</p><p>dano. – Eu concordo que a gente necessita de educa-</p><p>ção. Mas vamos discutir o que é educação. Educação</p><p>não é acumular um monte de informações superficiais</p><p>em cima de um egoísmo brutal.</p><p>Essas informações vão ser como uma arma na</p><p>mão de uma criança.</p><p>Nem coloque coisas que tenham uma carga</p><p>emocional negativa.</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>195/289</p><p>Considere tudo isso. Quanto mais detalhes obser-</p><p>vamos de uma prática, mais podemos aperfeiçoá-la. E</p><p>isso é esculpindo, como um artista... que tira todas as</p><p>arestas da pedra, até que ali fique alguma coisa bela.</p><p>A sua planilha também vai ficar algo bela, que ves-</p><p>te perfeitamente a sua necessidade como estudante.</p><p>Boa sorte com ela!!</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>196/289</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>197/289</p><p>MÓDULO 3</p><p>TÉCNICAS DE ESTUDOS</p><p>Aula 14 – Como ler I</p><p>Animados para continuarmos? Continuamos en-</p><p>tão, com a nossa jornada para aprendermos a apren-</p><p>der. Agora vamos falar de um item chamado Como ler,</p><p>como realizar a leitura, que é fundamental. Evidente,</p><p>não é em um curso de técnicas de estudo que a gente</p><p>vai se preparar para ler da forma correta.</p><p>Lembrem que nós estamos fugindo de um fantas-</p><p>ma, que é o fantasma da dispersão. Aquele que nos</p><p>faz ler uma folha inteira e, quando chega no final, você</p><p>pergunta para si próprio:</p><p>“– O quê tinha nessa folha?”</p><p>E não lembra do primeiro parágrafo de uma pági-</p><p>na que você leu. Isso é cada vez mais comum. Hoje eu</p><p>não sei, porque a dispersão tem ido em um crescente,</p><p>tão grande, que eu acredito que, daqui a pouco, você</p><p>termina um parágrafo, e não vai saber como ele come-</p><p>çou. Porque a nossa mente está muito pouco domada.</p><p>Ela está habituada à dispersão.</p><p>Então, vamos começar a pensar sobre essa ques-</p><p>tão do como ler.</p><p>A primeira coisa, que é o conselho universal, que</p><p>vou usar não só neste tópico, mas em tudo que vem</p><p>para a frente, é atitude ativa, iniciativa, querer ir na di-</p><p>reção do estudo. Nunca ache que estudar, ler, assistir</p><p>uma aula é algo passivo.</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>198/289</p><p>Nós começamos a falar sobre esse assunto lá no</p><p>exercício, e aqui vamos desenvolver. Qualquer prática</p><p>de estudo é um diálogo. O autor está lhe mandando</p><p>informações. Você tem que fazer perguntas, você tem</p><p>que se posicionar, você tem que ter iniciativa. E isso,</p><p>inclusive, vai ser uma das fórmulas mais poderosas</p><p>para que você vença a dispersão.</p><p>Instigar – perceba, em uma aula, se você faz</p><p>uma pergunta para o professor, você não fica muito</p><p>mais atento? Não sei, você gera um ponto emocional!</p><p>Onde todo mundo está olhando para você, o professor</p><p>está olhando, você está ali ansioso por aquela respos-</p><p>ta. Ou seja, você gera pontos emocionais, quando se</p><p>coloca em relação a com quem está falando.</p><p>No caso, é um escritor, que não está ali. Talvez,</p><p>não esteja nem mais vivo, mas a informação está ali,</p><p>e você pode colocá-lo contra a parede. Pode preparar</p><p>respostas, antes que ele lhe responda, e pode avan-</p><p>çar ativamente sobre a informação. Isso torna você</p><p>não um agente passivo, mas ativo, um protagonista do</p><p>processo. O que vai ajudá-lo a conquistar a atenção.</p><p>Vocês vão perceber que, ao final desse nosso Curso,</p><p>como Módulo Extra, vamos ter um Módulo de Memori-</p><p>zação, de Concentração.</p><p>Mas, tem certas coisas que não são um exercício,</p><p>são uma postura que você deve ter diante de tudo.</p><p>Isso é um axioma. Quanto mais passivo você estiver,</p><p>menos vai aprender. Seja ativo, tenha iniciativa diante</p><p>do conhecimento. Essa é a primeira coisa diante do</p><p>como ler.</p><p>Vamos estudar isso mais detalhadamente, quan-</p><p>do entrarmos em algo que eu considero fundamental</p><p>no curso, que é o Método Robinson. Ele vai ensinar</p><p>passo a passo como você faz para ser um estudan-</p><p>te ativo.</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>199/289</p><p>Mas, vamos lá. Nesse tópico do como ler, vocês</p><p>têm que perceber algumas evidências dentro de um</p><p>texto. Imagina, você tem uma folha de papel diante de</p><p>você. Claro que isso depende muito da qualidade de</p><p>quem escreveu; mas existe uma regra.</p><p>Você sabe para que existem parágrafos? Por</p><p>quê? Por que existem os parágrafos? É uma divisão</p><p>para tornar o texto um pouco mais organizado, para</p><p>dar um tempo para você respirar, para ficar mais boni-</p><p>ta a diagramação em uma folha?</p><p>Deixe-me lhe contar, não é? Sabe por que é?</p><p>Cada parágrafo tem uma única ideia.</p><p>“– Ah, mas eu conheço um escritor que colo-</p><p>ca cinco ideias em um parágrafo.”</p><p>Olha, que pena. Pena para ele. Ele não conhece</p><p>a regra. Mas, isso não é o correto. E bons escritores</p><p>não fazem isso. Cada parágrafo é uma única ideia. E</p><p>você tem que entrar nesse parágrafo como um caçador,</p><p>tentando descobrir qual é essa ideia. Vocês vão ver que</p><p>tem uma coisa fundamental, que inclusive vamos falar</p><p>um pouquinho dela já já, que é o poder de síntese.</p><p>O poder de síntese é como um pássaro, que le-</p><p>vanta voo para procurar comida para o seu filhote.</p><p>Qualquer coisa que se mexa lá embaixo é potencial-</p><p>mente comida. Ele está atento, ele está buscando.</p><p>Você vai entrar em um parágrafo atento e buscando</p><p>qual é a ideia principal do autor. E aí você vai perceber</p><p>que nem sempre o autor é tão claro, nem sempre ele</p><p>é tão objetivo, nem sempre ele esboça isso de forma</p><p>muito evidente. E outro elemento é que nós estamos</p><p>ainda aprendendo.</p><p>Então, tem algumas dicas para quando você está</p><p>buscando uma ideia principal em um parágrafo, que</p><p>são as chamadas ideias de apoio. Que nós vamos fa-</p><p>lar um pouquinho sobre elas.</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>200/289</p><p>Primeiro lugar, uma pessoa que quer lhe dizer</p><p>algo em um parágrafo pode dizer de três formas.</p><p>Pá, bateram na sua porta, você abre a porta, e o</p><p>cidadão diz:</p><p>“– Eu quero lhe vender uma enciclopédia.”</p><p>Esse tem um estilo direto. Normalmente, os ven-</p><p>dedores, que hoje não fazem mais isso, vendas de en-</p><p>ciclopédia era só lá no meu tempo, mas hoje os ven-</p><p>dedores não fazem mais isso. Porque se a pessoa não</p><p>quer, pumba! A conversa dura dois segundos. Bate a</p><p>porta na cara dele.</p><p>Então, ele não chega e diz isso. Primeiro ele diz:</p><p>“– Bom dia, como está lindo o dia! Você está</p><p>tão bem hoje, como é que você está? O quê você</p><p>pretende fazer no dia de hoje? Eu tenho aqui uma</p><p>enciclopédia, que pode melhorar o seu dia, por-</p><p>que o seu dia vai se tornar mais culto, mais ilus-</p><p>trado de sabedoria.”</p><p>A pessoa que faz isso, ela está usando um estilo</p><p>intermediário. Tem uma introdução, a ideia chave, pá!</p><p>Enciclopédia. E depois uma argumentação que apoia</p><p>isso. Ou seja, uma ideia de contextualização, a ideia</p><p>principal, e depois uma ideia de apoio explicativa.</p><p>Mas, existe aquele cidadão que é considerado o</p><p>vendedor de enciclopédias clássico, que fala tudo que</p><p>você possa imaginar. E a última coisa que ele fala é</p><p>a enciclopédia. Isso era o trauma da minha geração,</p><p>porque você sabia que, se você abrisse a porta para</p><p>um vendedor de enciclopédia, você não perdia menos</p><p>do que 15 minutos. Porque ele ia enrolar você 14 mi-</p><p>nutos para depois falar da enciclopédia. Era infalível.</p><p>Então, a gente olhava lá pelo olhinho, via que era en-</p><p>ciclopédia, nem abria a porta. Senão 15 minutos iam</p><p>embora. Ele fala de como está o dia, como ele está</p><p>feliz, como ele quer que você seja feliz, que o tempo</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>201/289</p><p>está maravilhoso, que as flores estão brotando, como</p><p>é bom a gente estudar, a nossa consciência se desen-</p><p>volve, nós nos tornamos mais preparados para a vida,</p><p>blá, blá, blá, blá, blá, enciclopédia. Esse é o estilo indi-</p><p>reto, a extremos, bem cansativo.</p><p>Mas, você percebe que todo escritor tem o seu</p><p>estilo. E dentro de um parágrafo às</p><p>vezes você perce-</p><p>be algo que vai lhe ajudar a ler todo o resto do texto. E,</p><p>normalmente, quando um escritor adota um estilo, ele</p><p>tende a ser reiterativo. Usá-lo várias vezes.</p><p>Se ele tem um estilo imediato, pá, e as ideias de</p><p>apoio vêm depois, fica fácil. Ele já começa dizendo o</p><p>quê ele quer. Não é comum. O mais comum é o inter-</p><p>mediário. Ele dá aquela contextualizada, para você se</p><p>sentir em casa, sentar-se no sofá. Aí ele puxa o assun-</p><p>to; depois ele apoia o argumento dele. Que essa ideia</p><p>é intermediária, não é? Mas, tem aquele que também</p><p>vai deixar, lá para a última palavra do parágrafo, o quê</p><p>ele quer dizer. E o pior, gente, tem gente que nem diz</p><p>o quê quer dizer, só insinua. E você tem que deduzir</p><p>pelas insinuações.</p><p>Você não pode, você é um caçador, você não</p><p>pode sair dessa floresta sem a sua presa. Você não</p><p>pode sair desse parágrafo sem saber o quê esse ci-</p><p>dadão queria dizer. A menos que ele não queira di-</p><p>zer nada. Aí realmente não dá. O quê também pode</p><p>acontecer.</p><p>Mas, um bom escritor tem algo a dizer com cada</p><p>parágrafo, e você não pode sair dessa floresta sem a</p><p>sua caça. Então, para ajudar, você vai ler as placas de</p><p>sinalização. E as placas de sinalização são as ideias</p><p>de apoio, que nós vamos falar delas já, já.</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>202/289</p><p>MÓDULO 3</p><p>TÉCNICAS DE ESTUDO</p><p>Aula 15 – Como ler II</p><p>Preparados, então, para aprender a ler as pla-</p><p>cas de sinalização? Deixa-me lhe explicar como é</p><p>que acontece. Quando se começa a falar de um as-</p><p>sunto, é muito comum, não vou dizer que seja obri-</p><p>gatório, mas é muito comum que o autor comece</p><p>contextualizando.</p><p>É que nem o vendedor de enciclopédias.</p><p>“– Que belo dia. Será que vai chover?”</p><p>Isso não tem nada a ver com enciclopédia. É</p><p>simplesmente um cenário que ele está criando para</p><p>começar a conversar com você. E isso, normalmen-</p><p>te, são as ideias de contextualização. Essas são as</p><p>únicas que não sinalizam onde é que está a ideia prin-</p><p>cipal. Todas as demais, que são as ideias de apoio,</p><p>estão fundamentando a ideia principal.</p><p>Então, elas são setinhas assim, elas apontam</p><p>para a ideia fundamental. Se você compreende isso,</p><p>se você lê a sinalização, reconhecendo uma ideia de</p><p>apoio, você já cai no que a pessoa está querendo dizer.</p><p>Acha rápido. Quando você treina, inclusive é interes-</p><p>sante fazer isso... pegue um texto, só caçando a ideia</p><p>principal. Você vai para um parágrafo, quando você</p><p>acha uma ideia de apoio, vê o que ela está apoiando,</p><p>risca a ideia principal, abandona o parágrafo, passa</p><p>para o outro.</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>203/289</p><p>Vai perceber que você consegue pegar a ideia</p><p>principal de uma página longa, de uma lauda de tex-</p><p>to, em minutos, pouquíssimos minutos. Quanto mais</p><p>treinado você é, você pegas as ideias principais em</p><p>um texto com quatro, cinco parágrafos em um minu-</p><p>to, dois. Você sabe o quê significa isso? Você já tem</p><p>o resumo desse texto semipronto. A ideia principal</p><p>você anota, transforma em nota de margem. Recolhe</p><p>isso tudo, e depois você vai fazer o resumo do jeito</p><p>que você quiser, textual, em tópicos, ou com esque-</p><p>ma gráfico.</p><p>Treinando, você vai fazer isso com uma rapidez</p><p>que você não vai acreditar. Pois, eu recomendo ago-</p><p>ra que você faça esse exercício. E faça com coisas</p><p>simples, faça com uma notícia de jornal. Pega a sua</p><p>canetinha, e vai lá. Olhou uma ideia de apoio, vê o</p><p>que ela está apoiando, para onde ela está apontando.</p><p>Vai lá, pá! Marca, abandona. Vou para a próxima pá!</p><p>Pá! Pá! Eu lhe garanto que você vai se espantar com</p><p>a rapidez com que você pega as ideias principais de</p><p>um texto, relativamente longo. Então, são essas as</p><p>ideias de apoio.</p><p>A ideia de apoio pode ser: reiterativa, vou exem-</p><p>plificar para vocês já já; pode ser de contraste; pode</p><p>ser exemplificativa; ou argumentativa. Nós vamos pe-</p><p>gar um texto e vamos trabalhar com isso, para que</p><p>vocês entendam.</p><p>Vejam só este texto:</p><p>“– Meu amor, quero falar contigo sobre algo</p><p>importante para nós dois. Depois de convivermos</p><p>por todos esses anos, percebi que és uma pes-</p><p>soa especial para mim. Teus valores, princípios e</p><p>ideais, são uma constante motivação para a mi-</p><p>nha vida. Estou apaixonado por ti e quero te pedir</p><p>para construirmos juntos uma família.”</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>204/289</p><p>Esse pequeno parágrafo, você percebe, em pri-</p><p>meiro lugar, que o cidadão tem um estilo superindi-</p><p>reto. Ele só fala o que ele quer nas últimas palavras</p><p>do texto. Ou seja, ele é realmente descendente de</p><p>vendedor de enciclopédia. Ele só vai ao assunto nas</p><p>últimas palavras.</p><p>Ora, comecem a perceber algumas coisas:</p><p>“– Meu amor, quero falar contigo sobre algo</p><p>importante para nós dois.”</p><p>Não dá para imaginar o que seja isso. A gente</p><p>pode até fazer uns palpites, mas ele não disse nada.</p><p>Ele pode estar querendo pedir que ela pague um di-</p><p>nheiro que ele emprestou, ou querendo terminar o na-</p><p>moro, ou querendo, sei lá, vender o cachorro. Qual-</p><p>quer coisa pode vir daí. Ali, ele só está preparando o</p><p>cenário, o ambiente. Preparado o cenário, é como se</p><p>ele puxasse a cadeira para os dois sentarem, e con-</p><p>versarem. E aí ele vai começar a desenrolar a conver-</p><p>sa dele. Nesse caso aqui, vejam bem:</p><p>“– Depois de convivermos todos esses anos,</p><p>percebi que és uma pessoa especial para mim.”</p><p>Isso aí é um argumento, não é? Todos esses anos</p><p>que nós estamos vivendo, eu percebi isso. Estou ar-</p><p>gumentando com você. Aí ele vai dar um exemplo. Por</p><p>exemplo:</p><p>“– Teus valores, princípios e ideais são uma</p><p>constante motivação para a minha vida.”</p><p>E aí ele vai ao assunto fundamental.</p><p>“– Estou apaixonado por ti e quero te pedir</p><p>para construirmos juntos uma família.”</p><p>Resumo da ópera, sem entrar em muitos deta-</p><p>lhes. Se eu fosse sublinhar esse texto, eu sublinharia</p><p>só construirmos família. Só isso. Sabe o quê eu co-</p><p>locaria como nota de margem, pedido de casamento.</p><p>Com as minhas palavras, porque tudo isso aqui é isso.</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>205/289</p><p>Um pedido de casamento. Sabe como é que a gente</p><p>poderia resumir esse parágrafo?</p><p>“– Quer casar comigo?”</p><p>Foi isso que ele fez. Nada mais. Agora vamos fa-</p><p>zer a brincadeira ao inverso? Eu dizer para você:</p><p>“– Quer casar comigo?”</p><p>Você vai ter que me dar uma ideia de apoio argu-</p><p>mentativa para isso. Deixa-me lhe explicar como fun-</p><p>ciona.</p><p>“– Quer casar comigo?”</p><p>Ideia de apoio argumentativa:</p><p>“– Eu acho que as pessoas foram feitas para</p><p>viverem juntas. Desde o início da humanidade,</p><p>as sociedades vivem em conjunto. Eu acho que</p><p>o matrimônio é algo muito necessário na vida do</p><p>ser humano.”</p><p>Ele está argumentando.</p><p>Ideia de apoio exemplificativa:</p><p>“– Porque, por exemplo, o meu avô e a minha</p><p>avó vivem juntos há 50 anos e são muito felizes.</p><p>Eu conheço vários casais velhinhos que envelhe-</p><p>ceram juntos. Foram muito mais felizes do que</p><p>sozinhos.”</p><p>Ele está lhe recorrendo a um exemplo prático.</p><p>Percebam que, se eu quero saber qual é a ideia princi-</p><p>pal, só com essas ideias, ele já me apontou.</p><p>“– Porque eu acho que o matrimônio é algo</p><p>muito bom para o ser humano.”</p><p>Por que ele está usando esses argumentos? Para</p><p>onde aponta esse argumento? Esse argumento é de</p><p>quem quer se casar. Óbvio. Por exemplo, meu avô e</p><p>minha avó viveram juntos por 50 anos. Esse exemplo</p><p>serve para quê? O que ele está elogiando aí? O casa-</p><p>mento. Óbvio que esse cidadão quer se casar. Você</p><p>percebe que está apontando para essa ideia.</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>206/289</p><p>Ideia de apoio por contraste.</p><p>“– Quer casar comigo?”</p><p>Qual é a ideia de contraste?</p><p>“– Aqueles que não se casam são muito</p><p>infe-</p><p>lizes. Ficam amargurados, ficam solitários, vivem</p><p>menos.”</p><p>Olha, gente, nada pessoal, não estou defen-</p><p>dendo essas ideias não. Mas você percebe que ele</p><p>gerou um argumento que é o contraste daquilo que</p><p>ele está defendendo. Quem não casa não é feliz. É</p><p>isso que ele está querendo dizer. Só por esse argu-</p><p>mento você já não poderia descobrir que ele quer se</p><p>casar? Claro. Pode ser que ele nem escreva o Quer</p><p>casar comigo, mas escreva só esses argumentos.</p><p>Você já chega à conclusão de que ele quer se casar.</p><p>E a ideia de apoio reiterativa, que é aquela que,</p><p>depois que você deu a ideia principal, você fica repe-</p><p>tindo a ideia principal com outras palavras. Para dar</p><p>maior ênfase, causar maior comoção, fazer com que</p><p>aquilo fique mais contundente.</p><p>“– Então, quer casar comigo? Quer viver co-</p><p>migo por todos os dias da nossa vida, até que</p><p>a morte nos separe? Quer juntar os nossos chi-</p><p>nelinhos na beira da cama? Quer envelhecer ao</p><p>meu lado?”</p><p>Você percebe que ele está falando a mesma coi-</p><p>sa, para dar um impacto emocional maior.</p><p>Então, imagina que eu faça um texto para você</p><p>que não tenha ideia principal. Só tem o seguinte:</p><p>“– Aquelas pessoas que se casam, está pro-</p><p>vado pela ciência que vivem mais. Por exemplo,</p><p>minha avó se casou, viveu 50 anos ao lado do</p><p>marido. E as pessoas que não se casam, eu te-</p><p>nho visto que são tão infelizes.”</p><p>Só com essas ideias, sem dizer a ideia principal...</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>207/289</p><p>você já sabe que a ideia principal está ausente, mas é:</p><p>Quer casar comigo.</p><p>Entendem, eu coloquei alguma coisa muito sim-</p><p>plória, muito boba para vocês verem, mas é assim. Ló-</p><p>gico que, depois que a gente pegar prática em desco-</p><p>brir a ideia principal, você vai lá, pum! Descobre sem</p><p>precisar ficar pegando rastros. Mas, enquanto não te-</p><p>mos experiência, e ainda existe muito território a per-</p><p>correr até termos essa perícia toda, as ideias de apoio</p><p>são sinalizadoras importantes para você.</p><p>Então, você vê uma frase, que não é a ideia prin-</p><p>cipal, mas ela já lhe dá a dica. Qualquer frase de um</p><p>parágrafo deveria, de alguma maneira, estar lhe dan-</p><p>do a dica, ainda que a ideia principal não estivesse ali.</p><p>Porque um parágrafo, repito, tem uma ideia prin-</p><p>cipal. E tudo que está em volta, ou é contextualizante,</p><p>ou é de apoio, de alguma forma. Então, se você lê um</p><p>pedaço da frase, e não o parágrafo inteiro, ele já está</p><p>lhe dando uma dica. Ele já é uma placa de sinalização.</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>208/289</p><p>MÓDULO 3</p><p>TÉCNICAS DE ESTUDO</p><p>Aula 16 – Como fazer um bom resumo</p><p>Agora vamos aprender a fazer um bom resumo?</p><p>Você não faz ideia de como isso é importante. Uma</p><p>coisa que eu gosto de explicar antes, porque os meus</p><p>alunos têm uma certa dificuldade de entender a impor-</p><p>tância de fazer um bom resumo. Ele não é importan-</p><p>te só para você estudar. Para estudar, é fundamental.</p><p>Se eu pudesse dizer uma técnica que ajuda a estudar</p><p>bem, resume o curso toda a uma técnica, eu diria:</p><p>“– Faça um bom resumo.”</p><p>Não estou exagerando. Agora, para a sua vida</p><p>como um todo, saber fazer uma boa síntese é funda-</p><p>mental. Percebam que existem certas mensagens na</p><p>vida. O quê você tem a aprender com uma situação,</p><p>o quê você tem a aprender com uma convivência com</p><p>uma pessoa, que deu certo ou não deu.</p><p>O poder de síntese é o poder de extrair o ensi-</p><p>namento de todas as coisas que você vive na vida,</p><p>para não ter que ficar repetindo aquela experiência</p><p>mil vezes. Considere que a vida está querendo lhe</p><p>ensinar alguma coisa. Se você está vivendo expe-</p><p>riências repetitivas, é porque você está repetindo a</p><p>mesma série escolar.</p><p>Ou seja, como se diz popularmente, você levou</p><p>bomba nessa lição, e está repetindo. Ficou para se-</p><p>gunda época, ou está repetindo o ano. A Pedagogia</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>209/289</p><p>da Natureza é muito parecida com essa que nós uti-</p><p>lizamos. Então, um dia vamos estar diante da morte,</p><p>e vamos ter que olhar para trás, e fazer o quê? Fazer</p><p>uma síntese do que foi válido na nossa vida, do que</p><p>aprendemos com ela, do que ensinamos, do quanto</p><p>crescemos, do quanto ajudamos as pessoas a cres-</p><p>cerem. Por isso, é bom que a gente comece a fazer</p><p>isso antes.</p><p>Esse ano, 31 de dezembro, esse ano, quais foram</p><p>as lições importantes que eu aprendi? Eu fui o útil na</p><p>vida de quem? Eu cresci como ser humano? Quanto?</p><p>Seria excelente que a gente fizesse isso todos os anos</p><p>na nossa vida. Anotasse, de preferência, para saber,</p><p>qual é o centro, o quê foi válido na sua vida.</p><p>E todos os adornos que são colocados em volta,</p><p>esses vão ficar para trás; a memória não vai guardar</p><p>isso. Não guarde adornos, mas guarde o essencial.</p><p>Para isso, você tem que encontrar o essencial. Tem</p><p>que deixar que de ser disperso, tornar-se um caça-</p><p>dor, como eu falei daquele pássaro, caçador do ali-</p><p>mento para o seu filhote. Seu filhote é você mesmo, a</p><p>sua essência, e também são todos os seres humanos</p><p>que estão a sua volta, que podem ser alimentados por</p><p>você, pelo que você aprendeu da vida.</p><p>Vamos falar sério. Uma pessoa que não aprende</p><p>nada da vida, será que vai aprender na hora que se</p><p>coloca diante de um livro? Olha, existe um princípio,</p><p>que é o paralelismo. Ou, você se coloca com espírito</p><p>de aprendiz sempre, ou não terá nunca.</p><p>Desculpa lhe dar esta má notícia. Mas, se você</p><p>não aceita aprender da vida, não vai ligar o botão de</p><p>bom estudante só na hora em que se senta para es-</p><p>tudar. O ânimo pelo estudo, nós falamos lá no início,</p><p>que o interesse intrínseco é fundamental, é ponto de</p><p>partida. Então anime-se. Fazer uma boa síntese, fazer</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>210/289</p><p>um bom resumo é a coisa mais importante que você</p><p>vai aprender aqui.</p><p>Mas, também, não fique tão chateado por não</p><p>saber. A maioria das pessoas não sabe. Isso eu lhe</p><p>falo com a experiência de quem ensina isso há anos.</p><p>Quantas e quantas vezes eu vou lhe dizer que, se eu</p><p>encontrei, ao longo de 20 anos dando técnicas de es-</p><p>tudo, duas pessoas que sabiam fazer uma boa síntese</p><p>antes de fazer o Curso, foi muito. A tendência é pegar</p><p>elementos irrelevantes, é não encontrar o centro das</p><p>coisas. Quantas vezes dei um texto, e disse:</p><p>“– Faça o resumo.”</p><p>E a pessoa, aleatoriamente, pegou um parágrafo,</p><p>e me entregou.</p><p>“– Toma aqui. Isso é um resumo.”</p><p>Ou fez um resumo maior do que o texto original.</p><p>Repetiu tudo que o autor falou, só de maneira menos</p><p>explicada. Ou seja, ficou maior o resumo do que o tex-</p><p>to. De tudo que você possa imaginar. Quer dizer, fazer</p><p>um resumo é um aprendizado que a gente deveria ter</p><p>recebido ao longo da nossa vida escolar, mas que não</p><p>recebemos. E é uma das razões de sermos tão dis-</p><p>persos. Vamos lá então, entrar nisso levando a sério.</p><p>Porque aí... acenda alarme vermelho, aí vem coisa im-</p><p>portante.</p><p>Então, uma primeira coisa que a gente pode con-</p><p>siderar. Você lê o parágrafo, identificou a ideia princi-</p><p>pal, sublinha.</p><p>“– Ah, mas eu vou sujar o meu livro.”</p><p>Olha, deixa eu lhe falar uma coisa. Se você gosta</p><p>de livro limpinho, compra dois. Deixa um limpinho na</p><p>estante, e o outro faz com que tenha vida, debaixo das</p><p>suas anotações. Vai criar vida para você.</p><p>“– Ah, está bom. Eu não sei ainda. Eu posso</p><p>sublinhar a coisa errada.”</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>211/289</p><p>Sublinha com lápis. Se você tem medo porque</p><p>ainda está inexperiente, sublinha com lápis. Mas, você</p><p>tem que procurar e sublinhar as ideias principais de</p><p>cada parágrafo. Treina antes na leitura do jornal, que</p><p>eu lhe mandei.</p><p>Quando for para um livro, sublinha a ideia prin-</p><p>cipal de cada parágrafo.</p><p>Primeira coisa feita. Isso é</p><p>fundamental. Não sublinha nada que não seja neces-</p><p>sário. Ou seja, dentro daquele texto do casamento é</p><p>casar comigo, o resto, nada. Nem artigos, nem nada,</p><p>nem um tipo de adorno. Vamos falar um pouco mais</p><p>sobre isso. Sem adornos. Sublinha uma ou duas pala-</p><p>vras, o mínimo possível que designe aquela ideia. Que</p><p>você bata o olho e reconheça.</p><p>Bom, então digamos, eu sublinhei casar comigo.</p><p>Quando eu vou fazer a nota de margem, que é o se-</p><p>gundo passo e muito importante, eu vou pegar a ideia</p><p>“casar comigo” e vou transformar em um resuminho,</p><p>com o mínimo de palavras possíveis, mas as minhas</p><p>palavras.</p><p>Entendam isso. Porque casar comigo é uma coi-</p><p>sa muito simples. Eu até poderia utilizar, mas você vai</p><p>ter textos que são linguagem, sei lá, shakesperiana,</p><p>linguagem de Camões, uma linguagem muito diferente</p><p>da sua. E se você quer resumir com as ideias do au-</p><p>tor, com as palavras do autor, você, simplesmente, vai</p><p>gerar uma nota estranha, que não vai significar nada</p><p>para você.</p><p>Em suma, você não usa as palavras do autor.</p><p>Você pega a ideia e expressa do seu jeito. E então,</p><p>eu sublinhei pedido de casamento. Eu sublinhei ca-</p><p>samento, pedido. Eu vou escrever isso quer casar.</p><p>Ou, seja lá de que outra forma for, sem nada que seja</p><p>desnecessário. A nota de margem, às vezes é uma</p><p>palavra só. Às vezes, duas. Não se usa artigo, não se</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>212/289</p><p>usa adjetivos, não se usa nada. Uma mínima expres-</p><p>são, com as suas palavras, da ideia do autor. Aí você</p><p>faz isso. – Sublinhei, peguei a ideia principal, resumo.</p><p>Peguei a ideia principal, resumo. É um resuminho da-</p><p>quele parágrafo a nota de margem. Só que só da ideia</p><p>principal, nada mais.</p><p>Terminei. Digamos que eu li uma página, cinco</p><p>parágrafos. Sublinhei a ideia principal, coloquei a nota</p><p>de margem com as minhas palavras. Você já tem um</p><p>resumo pronto desse texto. Você vai simplesmente</p><p>fazer, vou lhe dizer o quê eu faço. Vou fazer uma pa-</p><p>lestra sobre esse texto. Eu pego todas essas notas</p><p>de margem, faço um resumo em tópicos. Para essa</p><p>palestra, está suficiente, morreu aí.</p><p>Agora, imagine que eu faça um resumo em tópi-</p><p>cos. Isso, hoje, eu entendo muito bem. Mas, se daqui</p><p>a cinco anos eu quiser fazer uma palestra sobre esse</p><p>texto, só em tópicos, às vezes, eu não entendo mais,</p><p>não faz mais sentido para mim. Eu esqueço o quê</p><p>aqueles tópicos querem dizer.</p><p>Então, se eu quero ter um resumo que me sirva</p><p>sempre, eu não preciso mais ler esse livro, eu vou</p><p>no meu resumo e falo dele, transformo esses tópi-</p><p>cos, e os amarro em uma sequência lógica. Faço um</p><p>pequeno texto. É um resumo textual. Esse resumo</p><p>textual não pode ter mais do que 20 por cento do ta-</p><p>manho do texto original. Você tem que contar mesmo</p><p>as linhas. Você não pode colocar mais do que 20%</p><p>do texto original.</p><p>E, a partir desse resumo de tópicos, ou textual, se</p><p>você quiser, e gostar disso, pode fazer um mapa men-</p><p>tal, um resumo gráfico. E aí, você sabe, a ideia prin-</p><p>cipal no meio, e você vai enraizando todos os argu-</p><p>mentos para todos os lados. Ou seja, aí você expressa</p><p>esse resumo na fórmula que você achar melhor.</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>213/289</p><p>Eu, particularmente, uso tópicos e resumo textual.</p><p>Um para curto prazo, outro para longo prazo. Você vai</p><p>ter aqui vários exemplos disso, mostrando para você o</p><p>que é um resumo em tópicos, o quê é um resumo tex-</p><p>tual e o quê é um resumo gráfico. Isso é fundamental</p><p>praticar, gente. Separe um bom tempo para resumir</p><p>textos. Pegue como exemplo o quê a gente fez aqui, e</p><p>faça o seu exercício.</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>214/289</p><p>MÓDULO 3</p><p>TÉCNICAS DE ESTUDO</p><p>Aula 17 – Aula prática de resumo</p><p>Vamos lá fazer um resumo de um texto juntos?</p><p>Eu coloquei para vocês um texto, que foi escolhido</p><p>a dedo. Não só porque nós vamos fazer o resumo</p><p>dele, poderia ser qualquer texto, mas também porque</p><p>a mensagem que ele traz é especialmente pensada</p><p>para você. Que tem a ver com aquela ideia do interes-</p><p>se intrínseco, que está no início.</p><p>Eu vou ler junto com você este texto. Depois vou</p><p>mostrar como fiz o meu resumo em tópicos e como eu</p><p>fiz o meu resumo textual. Entenda a regra: 20%. Nós</p><p>temos aqui, então, um texto de 56 linhas, e eu fiz um</p><p>resumo com menos de 11 linhas. O máximo seria 11</p><p>linhas, 20%. Vamos lá? Preste atenção neste texto,</p><p>ele se chama Mudar? Só aprendendo a gostar!</p><p>Em toda escola que passamos, sempre há aquele</p><p>aluno zero à esquerda. Os professores têm dor de</p><p>cabeça só em ouvir o nome dele. A diretora já ligou até</p><p>para o avô do garoto, e o seu boletim é reconhecido de</p><p>longe pelas notas vermelhas. Assim era Eugênio, que,</p><p>como diziam os colegas, de gênio só tem o nome. O</p><p>quê nem os colegas, professores, pais ou diretores sa-</p><p>biam é que Eugênio, de tanto ouvir que seu caso não</p><p>tinha solução, já desistira de tentar mudar.</p><p>“– Como posso mudar, se ninguém, nem eu</p><p>mesmo, acredito mais que eu consiga?”</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>215/289</p><p>Pensava ele, desconsolado. Aconteceu que, um</p><p>certo dia, entrou um novo professor de História na</p><p>escola. E, pela primeira vez, Eugênio começou a se</p><p>interessar pela matéria, pois o professor explicava</p><p>tão bem que, em sua aula, não se ouvia um pio de</p><p>conversa.</p><p>Certa manhã, enquanto o professor falava sobre</p><p>alguns filósofos importantes da História, escreveu uma</p><p>frase no quadro, que chamou a atenção de Eugênio:</p><p>“– A vontade humana não tem fronteiras.”</p><p>“– Aquilo que o senhor escreveu no quadro,</p><p>é verdade mesmo, professor? Ou é só uma frase</p><p>de efeito?”</p><p>Perguntou Eugênio. E o professor responde:</p><p>“– Sim, é verdade. A vontade humana é a</p><p>arma mais poderosa que temos.”</p><p>Diz o professor:</p><p>“– Quer dizer que podemos ser o quê quiser-</p><p>mos, basta querer?”</p><p>“– Bom, querer de verdade é o primeiro passo.”</p><p>“– Desculpa, professor, mas eu não acredito</p><p>nisso.”</p><p>“– Por que não?”</p><p>Pergunta o professor, curioso.</p><p>“– Porque a coisa que eu mais quero é me</p><p>tornar um bom aluno. Mudar de verdade. Mas, até</p><p>hoje, não consegui nada.”</p><p>O professor para, pensa um pouco, e depois</p><p>pergunta:</p><p>“– Você gosta de estudar, de aprender coisas</p><p>novas, ou de assistir aulas, Eugênio?”</p><p>“– Ih, professor, sinceramente, não gosto nem</p><p>um pouco. Mas, o quê isso tem a ver com a Histó-</p><p>ria? Eu não preciso gostar de estudar para tirar boas</p><p>notas. É só decorar o quê vai cair na prova, ué.”</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>216/289</p><p>“– É aí que você se engana. Um bom aluno,</p><p>de verdade, gosta de estudar e de aprender. De-</p><p>corar, qualquer um consegue, assim como colar</p><p>na prova.”</p><p>“– Mas então esse negócio não é para mim</p><p>mesmo. Eu nunca gostei de estudar, professor.”</p><p>“– Você pode aprender a gostar, se quiser.”</p><p>“– Aprender a gostar, como é que é isso?”</p><p>Perguntou Eugênio, espantado:</p><p>“– Bom, primeiro quero que você pense nas</p><p>coisas que gostava há dez anos atrás. São as</p><p>mesmas coisas que você gosta hoje, Eugênio?”</p><p>“– Claro que não.”</p><p>“– Pois é, isso mostra que o nosso gosto</p><p>muda. E nem demora tanto quanto dez anos. Se</p><p>os nossos gostos vivem mudando tanto, você</p><p>não acha que também pode controlá-los, para</p><p>que a gente possa gostar daquilo que é bom</p><p>para a gente, assim como estudar?”</p><p>“– Hum... Eu realmente nunca tinha pensado</p><p>nisso, sabe, professor.”</p><p>“– Então, tente. Se realmente se quiser tor-</p><p>nar um bom aluno, sei que vai conseguir. Eu acre-</p><p>dito que você pode.”</p><p>Eugênio ficou surpreso. Era a primeira vez que al-</p><p>guém falava que acreditava nele. Nesse momento, algo</p><p>novo começou a nascer dentro dele. Um misto de en-</p><p>tusiasmo, coragem, força</p><p>de vontade e confiança. Algo</p><p>que ele nunca havia sentido antes, mas que reconhe-</p><p>ceu na hora como sendo a força de vontade.</p><p>A partir desse dia, Eugênio começou a mudar um</p><p>pouquinho. Começou a prestar atenção em todas as</p><p>aulas, começou a estudar diariamente, fazia todas as</p><p>tarefas de casa, e tirava todas as dúvidas com os</p><p>professores.</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>217/289</p><p>Aos pouquinhos, seus colegas já começavam a</p><p>lhe pedir para estudar junto com ele. E, até fisicamen-</p><p>te, Eugênio começou a mudar. Já não andava mais</p><p>com as roupas desleixadas de sempre, estava com a</p><p>postura firme e autoconfiante. Até que, no final do ano,</p><p>o inesperado aconteceu.</p><p>Eugênio conseguiu nota dez em todas as matérias</p><p>do quarto bimestre, conseguindo o prêmio de melhor</p><p>aluno. Nunca alguém se sentira tão feliz quanto Eugê-</p><p>nio. Porém, o aluno ainda não havia esquecido de seu</p><p>professor, a quem abraçou emocionado, e disse:</p><p>“– Muito obrigado, professor. O senhor me</p><p>ensinou muito mais do que imagina, e essa lição</p><p>não vou esquecer nunca.”</p><p>Extraído de um livro infantil, Histórias para Des-</p><p>pertar. Percebam que esta história não vou comentar,</p><p>mas ela tem muitas lições implícitas dentro dela. O</p><p>nosso objetivo, neste momento, é só falar do resumo.</p><p>O resumo que eu fiz, que gostaria de passar</p><p>para vocês, em primeiro lugar, se eu fosse fazer uma</p><p>palestra sobre isso, a primeira coisa que eu faria se-</p><p>ria o resumo em tópicos, que é nada mais do que</p><p>a coleta das minhas notas de margem. Resumo em</p><p>tópicos é só isso.</p><p>E o meu resumo em tópicos foi esse:</p><p>Primeiro tópico:</p><p>– Toda escola; maus alunos; Eugênio era um.</p><p>Segundo tópico:</p><p>– Ninguém acreditava nele; nem ele.</p><p>Terceiro tópico:</p><p>– Novo professor de História; Eugênio gosta da</p><p>aula.</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>218/289</p><p>Quarto tópico: – Frase no quadro; a vontade é</p><p>ilimitada. Eugênio, quero mudar e não consigo. Pro-</p><p>fessor; gosta de estudar? Eugênio; não, mas não pre-</p><p>cisa, é só decorar. Professor; precisa sim e você pode</p><p>aprender a gostar. Surpresa de Eugênio e mudanças.</p><p>Atento às aulas, estudo diário, tarefas de casa feitas,</p><p>pergunta aos professores, ajuda aos colegas, nova</p><p>postura. Último tópico: final do ano, nota dez em todas</p><p>as matérias; gratidão ao professor pela lição de vida.</p><p>C’est fini. Eu acho até que, se eu me esforçasse,</p><p>dava para fazer menos do que isso, enxugar algumas</p><p>palavrinhas. Fiz um pouco mais desdobrado, para que</p><p>vocês entendam.</p><p>Então, percebam, isso aqui ficou um pouquinho</p><p>de nada de tópicos, em uma folhinha de papel. Nenhu-</p><p>ma ideia importante foi omitida. Eu peguei a ideia prin-</p><p>cipal de cada parágrafo. Nenhuma ideia importante foi</p><p>omitida. Aí, bom, eu tenho esse resumo em tópicos.</p><p>Hoje, pode significar alguma coisa para mim esse “nin-</p><p>guém acreditava nele, nem ele”.</p><p>Mas, daqui a 5 anos, se eu for ler isso, eu não</p><p>vou entender mais. Aí eu transformo isso aqui em um</p><p>resumo textual, que vocês vão ver aí. Eu transformei</p><p>em um resumo de três, seis, nove, dez, 11 linhas. Na</p><p>verdade, dez linhas e meia.</p><p>Eu simplesmente emendei esses tópicos e os</p><p>transformei em uma historinha. Sem nenhum ador-</p><p>no, o mais simples possível. E fiz um resumo de dez</p><p>linhas e meia. Isso, daqui a dez anos, se eu ler, eu</p><p>ainda relembro.</p><p>Bom, além disso, quem quiser fazer o mapa men-</p><p>tal, eu também dei um exemplo para vocês aqui. Um</p><p>resumo gráfico de qualquer tipo, vocês vão ver, tam-</p><p>bém dá para fazer. Mas, é importante que vocês já vão</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>219/289</p><p>assimilando algo, que vamos explicar melhor, daqui a</p><p>pouco. Nenhuma ideia principal de nenhum parágrafo</p><p>foi sacrificada.</p><p>Resumir não é mutilar. Mas, nenhum adorno foi</p><p>conservado. Resumir é extrair tudo aquilo que não é</p><p>estritamente necessário para que a mensagem seja</p><p>dada. Mas, a mensagem não pode deixar de ser pas-</p><p>sada em todos os seus pontos importantes. Vamos ver</p><p>já, já os mandamentos do resumo.</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>220/289</p><p>MÓDULO 3</p><p>TÉCNICAS DE ESTUDO</p><p>Aula 18 – Os quatro mandamentos do resumo</p><p>Vamos lá, pessoal da equipe do resumo. Eu vou</p><p>falar para vocês agora uma coisa importantíssima. Os</p><p>quatro mandamentos do bom resumo. Isso aqui é uma</p><p>lei, meus caros. Quem infringir qualquer dos manda-</p><p>mentos vai para o inferno do mau estudante. Portanto,</p><p>prestem atenção. Eles são fundamentais.</p><p>PRIMEIRO mandamento do resumo:</p><p>– Não usarás três palavras se podes</p><p>usar duas.</p><p>Ou seja, tirar adorno. Saber identificar, até mesmo</p><p>em uma frase, quais são as palavras suficientes para</p><p>designar uma ideia.</p><p>Então, no resumo do Eugênio, eu coloquei:</p><p>“– Toda a escola, maus alunos. Eugênio era</p><p>um...”</p><p>Não, está muito seco.</p><p>Coloca:</p><p>“– Toda grande escola, existem maus alunos.”</p><p>Excesso, chantili. Chantili engorda, corta.</p><p>“– Toda escola, maus alunos. Eugênio era</p><p>um...”</p><p>Esse era aí, eu já dei de lambuja. Não precisa-</p><p>va nem colocar. Ou seja, nunca usa adorno, adjetivos,</p><p>contextualizações.</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>221/289</p><p>Os tópicos têm que ser sequinhos, porque o resu-</p><p>mo tem que tirar todas as ideias contextualizantes, de</p><p>apoio. Ele só dá o recado. A partir da ideia, você recria</p><p>todo o chantili, se você quiser. Mas, a ideia tem que</p><p>ser conservada. Então, nunca usar as três palavras</p><p>se pode usar apenas duas. Corta o chantili, deixa só</p><p>o essencial.</p><p>SEGUNDO mandamento do resumo:</p><p>– Não deixarás de dar o recado.</p><p>Aí você fica afoito, vai para o outro lado, não é?</p><p>Para o outro extremo.</p><p>“– Não, está muito grande o meu resumo,</p><p>deixa eu cortar esse professor de História. Não</p><p>preciso dele para nada.”</p><p>Você cortou o professor de História, que foi o quê</p><p>converteu Eugênio a uma nova mentalidade. Você não</p><p>resumiu, você mutilou a história. Porque esse ponto</p><p>era imprescindível. Então, você não pode deixar de</p><p>dar o recado.</p><p>O recado é:</p><p>“Eugênio, mau estudante; professor que</p><p>acredita nele; aprender a gostar; Eugênio, bom</p><p>estudante.”</p><p>Esse é o esqueleto do texto. Você não pode tirar</p><p>uma parte do esqueleto, que esse homem não fica em</p><p>pé. Esse seu resumo não caminha sobre as próprias</p><p>pernas. Então, você tira todo o adorno, mas, por favor,</p><p>não me tire a massa do bolo. Só o chantili, ou seja,</p><p>você tem que manter todas as ideias ali, presentes.</p><p>TERCEIRO mandamento do resumo:</p><p>– Não conservarás as palavras, e sim as ideias.</p><p>Olha, meus caros, são muitos anos dando pales-</p><p>tra. Muitas vezes, eu vejo palestrante novato, ele quer</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>222/289</p><p>falar, igualzinho, o quê está no livro. Então, ele decora</p><p>aquele palavrório todo complicado, que ele acha que,</p><p>se ele falar com as suas palavras, ele não vai estar</p><p>dando uma boa palestra. As pessoas olham, e parece</p><p>uma peça teatral malfeita, mal interpretada. Porque a</p><p>pessoa não está nem interpretando, ela está ali com</p><p>medo de esquecer.</p><p>Frases amarradas, secas e sem nenhuma expres-</p><p>são própria. Eu nunca fiz palestras decorando as pa-</p><p>lavras do autor. Pego a ideia e a expresso com as mi-</p><p>nhas. E isso, para aqueles que vierem a fazer um bom</p><p>curso de oratória, vai ser mostrado lá. Mais próximo do</p><p>tom da conversa, com as suas palavras – as ideias po-</p><p>dem até algumas serem de um autor, mas você tem</p><p>que acrescentar as suas também –, você transmite o</p><p>seu significado, você dá o seu recado. Portanto, não</p><p>conservarás as palavras, mas as ideias.</p><p>Lembrem de Leonardo Da Vinci:</p><p>“– A simplicidade é o maior requinte.”</p><p>Se você estiver dando uma</p><p>aula ou uma pales-</p><p>tra, você simplifica, você pega a ideia em maior pro-</p><p>fundidade, e sabe expressá-la na linguagem do seu</p><p>público, seja ele quem for. Se for escrever um resumo,</p><p>faz algo que seja simples, e fácil de você entender em</p><p>qualquer outro momento da sua vida.</p><p>QUARTO mandamento do resumo:</p><p>– Não amontoarás as ideias sem continuidade.</p><p>Então, resolvi fazer um texto a respeito daqueles</p><p>meus tópicos do Eugênio.</p><p>Aí coloco lá:</p><p>“– Toda escola, maus alunos, Eugênio um,</p><p>ninguém acreditava, novo professor.”</p><p>Que é isso? Isso não é uma carta cifrada. Isso</p><p>é o quê? Quando eu vou juntar as ideias, elas têm</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>223/289</p><p>que ter sentido. Não vou amontoá-las, sem nenhum</p><p>sentido. Tem que dar uma sequência. Essa ideia</p><p>veio antes dessa, e veio antes dessa. Têm que ser</p><p>contadas na ordem certa. Você colocar os conecti-</p><p>vos para que elas tenham um sentido, e você possa</p><p>conservá-las.</p><p>Lembra o que falei lá no início, uma das me-</p><p>mórias mais eficazes que existem é a memória se-</p><p>quencial. Ou seja, a memória de quem ouve uma</p><p>história:</p><p>“– A Branca de Neve foi mandada para a flo-</p><p>resta com um caçador e... esqueci.”</p><p>Não acontece. Se você lembra da palavra Branca</p><p>de Neve, você lembra a sequência da história toda. O</p><p>sequencial, que é a memória histórica – hoje inclusive</p><p>se tem trabalhado muito com isso dentro de palestras,</p><p>que é a história do storytelling –, você vai contando a</p><p>história em paralelo com as suas ideias, o quê é uma</p><p>forma de memorização maravilhosa.</p><p>Então, você vai pegar os seus tópicos, e vai trans-</p><p>formar em uma historinha, que tenha sentido. Que a</p><p>passagem de um argumento para o outro não seja</p><p>abrupta, que tenha um sentido. Enxuto, com pouquís-</p><p>simas palavras, mas que tenha um sentido.</p><p>Esses são os quatro grandes mandamentos do</p><p>resumo. Fique atento a isso. Perceba a necessidade</p><p>deles. Assim você constrói algo de qualidade.</p><p>Sabe o quê é, você daqui a dez anos precisar</p><p>dar uma aula sobre um livro, ir lá, só no seu resumo,</p><p>pegar as ideias principais, e estar preparado para a</p><p>aula? Um bom resumo lhe garante isso. Daqui a dez</p><p>anos, vou fazer uma outra prova sobre esse mesmo</p><p>assunto. Meu resumo é tão bom, que ele me dá o</p><p>essencial.</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>224/289</p><p>Perceba que isso é fundamental em todos os se-</p><p>tores da vida, reitero. Esforce-se para conquistar esse</p><p>estágio de ter a capacidade de fazer um bom resumo.</p><p>Repito, saia com caneta na mão, sublinhando a</p><p>ideia principal de artigo de jornal, de carta de convo-</p><p>cação do condomínio, de qualquer coisa que cair na</p><p>sua mão. Você vai ver que, daqui a pouco, vai estar</p><p>esperto para isso.</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>225/289</p><p>MÓDULO 3</p><p>TÉCNICAS DE ESTUDO</p><p>Aula 19 – Anotações e revisão das aulas</p><p>Bom, agora vamos falar sobre um bom hábito,</p><p>que hoje é bastante polêmico, inclusive. Há vários de-</p><p>fensores do contrário disso. Mas, eu vou lhe falar, com</p><p>toda a honestidade, com toda a experiência que tenho:</p><p>Tome nota nas suas aulas. C’est fini.</p><p>Não acredite em nada que diga o contrário a isso.</p><p>Porque, olha, isso é mais do que comprovado. Quando</p><p>você está escrevendo o quê o professor está dizendo,</p><p>sabe o quê você está fazendo? Você está viabilizando</p><p>a técnica do Jung: corpo e mente juntos.</p><p>Porque para escrever você tem que estar atento.</p><p>Se você desligar, você não sabe mais o quê você está</p><p>escrevendo. Nós não temos muito domínio, muita con-</p><p>centração para dizermos:</p><p>“– Eu vou ficar só olhando para o professor e</p><p>não vou perder nenhuma palavra dele.”</p><p>Você vai perder todas. Vai dispersar. A sua mente</p><p>vai para o encontro com a namorada, vai para a conta</p><p>do supermercado, vai para qualquer coisa. Não vai es-</p><p>tar ali. Não somos tão treinados assim em concentra-</p><p>ção. Se você anota, você obriga a sua atenção a estar</p><p>ali. Só nisso você já ganha muito.</p><p>Segundo lugar, depois você tem algo como base</p><p>para estudar. O quê você vai fazer. O professor simpli-</p><p>ficou, ele fez um resumo daquilo que leu em um livro.</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>226/289</p><p>Você não anota essa síntese que ele lhe deu. Vai ter</p><p>que voltar à fonte dele para estudar. Isso não tem ne-</p><p>nhum sentido. Você desperdiçou o trabalho que ele fez</p><p>para sintetizar aquilo. O quê ele está lhe oferecendo é</p><p>uma síntese interpretada das fontes. Você vai ter que</p><p>fazer a sua síntese interpretada. Por que não começa</p><p>da dele, não aproveita a dele, ainda que você tenha</p><p>que voltar às fontes?</p><p>Então, é muito importante. Não discuta, deixe que</p><p>cada um faça o quê achar melhor. Sei que há os de-</p><p>fensores da não anotação. Eu lhe digo, como experi-</p><p>ência prática: não funciona. Não temos esse nível de</p><p>concentração. Não lembramos quase nada depois de</p><p>uma aula de uma hora.</p><p>Tome as anotações, e ainda lhe recomendo me-</p><p>lhor do que isso. Pegue aquelas folhas, que são da-</p><p>queles arquivos que trazem aquelas folhinhas soltas, e</p><p>preencha só um lado da folha. Numere, coloque sem-</p><p>pre em cima ou a data da aula, que é o ideal, aula de</p><p>tal coisa dia tal, ou então coloque um número mesmo,</p><p>dia tal, número 1. De tal maneira que você possa or-</p><p>denar isso depois. Anote só de um lado da folha. Isso</p><p>é muito interessante.</p><p>Você chega dentro de casa, você solta o gan-</p><p>cho do seu classificador e coloca todas as informa-</p><p>ções diante de você. Você já pode, e é o ideal, ir</p><p>lendo aquelas informações, vir com o marca-texto,</p><p>ou mesmo com uma caneta, sublinhando as ideias</p><p>principais.</p><p>Todas as informações do dia estão ali, diante de</p><p>você, ao mesmo tempo. Você está aproveitando de</p><p>uma parte muito significativa da memória, que é a me-</p><p>mória visual. Nós temos memória auditiva, temos me-</p><p>mória visual, mas, em geral, no nosso atual estágio, a</p><p>visual é mais eficiente do que a auditiva.</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>227/289</p><p>Não é tão comum que as pessoas memorizem</p><p>tudo só ouvindo. Vendo, memoriza-se muito mais. E</p><p>se pode refletir a respeito das ideias principais. Então,</p><p>você coloca toda informação diante de você. Ou seja,</p><p>as folhas anotadas de um lado só, e ali mesmo você já</p><p>pode ir sublinhando e fazendo a sua nota de margem.</p><p>Você já sai, com aquela tomada de olhos, com um re-</p><p>sumo daquela aula que você assistiu.</p><p>Claro, o melhor é fazer isso o mais próximo possí-</p><p>vel do momento em que a aula terminou. Cheguei em</p><p>casa, coloco as minhas folhas, faço o meu resumo de</p><p>hoje. Também, nesse momento, você vai ter a oportu-</p><p>nidade de contar a história da aula para você. Se teve</p><p>um argumento ali que você não entendeu, ou se dei-</p><p>xou de anotar alguma coisa, você sente que a história</p><p>ali capenga.</p><p>“– A Branca de Neve chegou na floresta com</p><p>o caçador e os anões foram para a mina...”</p><p>Bom, tem alguma coisa faltando nessa história.</p><p>Como é que ela saiu da floresta, que anões são es-</p><p>ses? Está faltando uma parte da história aqui. Você</p><p>pode marcar essa parte, ir atrás das anotações dos</p><p>colegas. Se ninguém anotou, você pode perguntar ao</p><p>próprio professor como dessa ideia passou para esta.</p><p>De tal maneira que você tenha uma trajetória lógica</p><p>e completa ali. Você já tem a sua historinha contada,</p><p>do primeiro argumento até a última conclusão. E as</p><p>ideias principais, todas marcadas. Dali já tem as notas</p><p>de margem. Dali já tem o seu resumo em tópicos. Isso</p><p>é importante fazer, todos os dias, o mais próximo pos-</p><p>sível da aula. Você pensa:</p><p>“– Eu acabei de assistir uma aula de três,</p><p>quatro horas, e ainda vou fazer isso?”</p><p>Quanto mais treinado estiver, mais rapidamente</p><p>faz. Dependendo do tamanho do seu resumo, você vai</p><p>Licensed to Tiago Trindade</p><p>- tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>228/289</p><p>fazer isso aí em dez minutos, dez minutos que vão</p><p>fazer com que você não perca aquelas quatro horas</p><p>de aula. É muito maior o prejuízo do que gastar dez</p><p>minutos resumindo, no dia seguinte, você não se lem-</p><p>brar de nada.</p><p>Eu lhe garanto. No dia seguinte, talvez não. Mas,</p><p>com uma semana, se você não fizer isso, você não se</p><p>lembra de quase nada. Ou seja, jogou quatro horas</p><p>fora para economizar dez minutos. Isso não tem lógi-</p><p>ca. Isso não funciona.</p><p>Bom, que mais poderíamos falar a respeito dis-</p><p>so. Usar símbolos, sim, para abreviar. Muito cuidado.</p><p>Eu recomendo que você faça uma tabelinha dos seus</p><p>símbolos. Tem gente que tem hábito de, toda vez que</p><p>a palavra termina com mente, colocar um tracinho. Já</p><p>sabe que ali é mente. Faça uma tabela, como se fosse</p><p>um dicionário seu. Tracinho sinônimo de mente.</p><p>Eu uso só as primeiras letras de tal palavra que</p><p>é muito recorrente. Ou, uso só o início e o final da pa-</p><p>lavra. Faço uma tabelinha. – Porque, como esses re-</p><p>sumos, esses códigos, esses símbolos que a gente</p><p>cria são meio arbitrários, não custa nada amanhã ou</p><p>depois a gente esquecer.</p><p>E, olha, eu já vivi isso. De resumir as coisas de</p><p>uma maneira muito simplificada, que depois eu não</p><p>lembro mais o quê era aquilo. Tem mais ou menos 20</p><p>anos que eu tenho um fichamento de uma palestra, e</p><p>estou tentando lembrar o quê era o exemplo do chu-</p><p>veiro. Eu não faço a mínima ideia do que seja aquilo.</p><p>E perdi, provavelmente, um exemplo importante. Por-</p><p>que eu resumi de uma forma excessiva e inadequada.</p><p>Pense em você no futuro.</p><p>Então, se eu vou usar esse símbolo para resumir</p><p>palavras, eu tenho que saber, tenho que ter um lugar,</p><p>anotadinho, onde coloco o quê significa esse símbo-</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>229/289</p><p>lo. Ora, seja cuidadoso. Ninguém perde nada por ser</p><p>prudente e cuidadoso. Então, não use símbolos sem</p><p>primeiro anotar o quê eles significam, sem fazer a sua</p><p>tabelinha de decodificação.</p><p>Guarde bem essas ideias. Faça os seus resumos,</p><p>faça os seus fichamentos, que são os resumos das</p><p>anotações de aula, e depois de um certo tempo revise</p><p>esses resumos.</p><p>Ao invés de ter que ler todas as minhas aulas, eu</p><p>vou a esses resumos. Vou fixando o conteúdo. Quan-</p><p>tas vezes mais eu revisar, mais vou fixar esse conte-</p><p>údo. Vamos ver isso, daqui a pouquinho, no Método</p><p>Robinson.</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>230/289</p><p>MÓDULO 3</p><p>TÉCNICAS DE ESTUDO</p><p>Aula 20 – Método Robinson (EPL2R) I –</p><p>Explorar, perguntar e ler</p><p>Caríssimos, chegamos enfim ao tão esperado,</p><p>tão desejado, tão anunciado Método Robinson. Para</p><p>os íntimos, ele deixa que você o trate por EPL2R, que</p><p>é o seu acróstico, para você memorizar. EPL2R signi-</p><p>fica o seguinte: explorar, perguntar, ler, recitar e repas-</p><p>sar. São os dois erres: recitar e repassar. Guarde isso,</p><p>memorize, porque são etapas fundamentais.</p><p>Nunca chega em um livro assim subitamente. Não</p><p>seja imprudente, não seja atrevido. O livro se fecha para</p><p>você. E ainda que você entre nele, vai encontrar a porta</p><p>fechada. Então, esse método, que é muito utilizado nas</p><p>universidades norte-americanas, é excelente para que</p><p>você faça uma leitura de um livro, de uma apostila, de</p><p>um texto qualquer, da maneira mais eficiente possível.</p><p>Sobretudo quando se trata de um livro. Para isso, ele foi</p><p>feito, ele é perfeito para essa função.</p><p>Então, eu quero ler um livro, ou necessito ler um</p><p>livro. Em ambos os casos, você tem que estar motiva-</p><p>do, interessado, e achando que, ali, você vai aprender</p><p>alguma coisa que é útil para sua vida.</p><p>Lembrem do objetivo intrínseco. Aqui estamos</p><p>juntando tudo do Curso. Ou seja, antes de abrir a pági-</p><p>na, antes de fazer qualquer coisa, eu estou motivado,</p><p>interessado, e acredito que, se isso surgiu na minha</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>231/289</p><p>vida, é porque tem algo a me ensinar, e eu vou sair do</p><p>outro lado um pouco maior do que sou hoje. Ou seja,</p><p>eu vou entrar nessa viagem, vou sair mais consciente,</p><p>e isso vai me permitir dar respostas melhores à vida.</p><p>Essa é a predisposição.</p><p>Aí vem o livro propriamente dito, livro físico. Qual</p><p>é a primeiríssima coisa que você vai fazer com ele?</p><p>“– Vamos ler.”</p><p>Não, calma, calma. Segure a ansiedade. Você vai</p><p>explorar. Uma exploração, você vai dar uma volta em</p><p>torno dele, como se fosse uma pessoa nova que você</p><p>quer conhecer. Para dar uma volta em torno dela, para</p><p>ver o jeito como ela se comunica, como ela se expres-</p><p>sa, como ela se movimenta, para ver se lhe inspira con-</p><p>fiança, onde ela quer chegar, que tipo de pessoa ela é.</p><p>Você vai fazer isso com o seu livro. Você vai che-</p><p>gar para ele e vai explorar. Vai ler o título, o subtítulo, a</p><p>introdução, que normalmente não é escrita pelo autor,</p><p>mas por alguém que o conhece e recomenda o livro, e</p><p>o índice. Ou seja, todos aqueles tópicos, porque aquilo</p><p>ali nada mais é do que o resumo da ideia que ele pre-</p><p>tende passar. O índice nada mais é do que um resumo</p><p>em tópicos.</p><p>E por ali você começa a querer perceber, intuir,</p><p>que tipo de peixe ele está querendo lhe vender. Qual</p><p>é a mensagem que vem por trás daquilo. Vai fazendo</p><p>presunções, que ainda que falsas vão lhe ajudar. Que</p><p>vão fazer com que você seja um interlocutor ativo da</p><p>mensagem que vem de lá.</p><p>Então, na exploração, você passa em volta do li-</p><p>vro, em todos os seus detalhes. Lê as orelhas, olha lá</p><p>um retratinho do autor. Lê atrás, todos os livros que</p><p>ele já escreveu. Lê, mais ou menos, o jeito com que</p><p>ele escreve o prefácio. Examina cada item do índice,</p><p>imagina o quê vem por ali.</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>232/289</p><p>Então você já está com algumas presunções,</p><p>algumas ideias, que o preparam para entrar no livro</p><p>ativamente. Aí você vai fazer uma segunda coisa. Ou</p><p>seja, a primeira, exploração; rondar aquele elemento</p><p>novo, rondar e pegar informações na vizinhança; não</p><p>é isso? Rondando o elemento novo e pegando infor-</p><p>mações na vizinhança. O segundo ponto é: perguntar.</p><p>E aí você vai colocar o autor contra a parede.</p><p>“– Bom, você está dizendo isso. Você tem</p><p>certeza disso? Qual é o argumento que você tem</p><p>para provar isso?”</p><p>Ou seja, exigir que o autor nos dê provas do que</p><p>está afirmando. E como é que você vai fazer isso? De</p><p>maneira muito simples: transforma títulos e subtítulos</p><p>em perguntas. Ou seja, vira a arma contra aquele que</p><p>emitiu a ideia, não é? O feitiço contra o feiticeiro. Por</p><p>exemplo, eu peguei aqui um livro de Luís Fernando</p><p>Verissimo, As mentiras que os homens contam.</p><p>Você não pode chegar e pensar:</p><p>“– O quê ele está falando? Ele está que-</p><p>rendo dizer que os homens mentem mais do</p><p>que as mulheres? E o quê ele considera como</p><p>uma mentira? Por que ele está partindo desse</p><p>pressuposto, falando só dos homens, e não dos</p><p>seres humanos? Será que os homens mentem</p><p>tanto assim? E que tipo de mentiras eles mais</p><p>contam? Então, todos os homens que mentem</p><p>assim, se mentem, por que o fazem? Por que ele</p><p>selecionou esse setor da sociedade, os homens,</p><p>e está afirmando que eles mentem? Já está par-</p><p>tindo do princípio de que eles mentem, quais são</p><p>os seus fundamentos?”</p><p>Ou seja, já coloquei o autor contra a parede. E no</p><p>subtítulo, a mesma coisa. E nos índices, no índice, nos</p><p>títulos dos capítulos, a mesma coisa. Mas, não é só</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>233/289</p><p>isso. Sabe o quê você vai fazer depois que transformar</p><p>tudo em perguntas?</p><p>Por exemplo, um texto que diga:</p><p>“– O mundo moderno está em decadência.”</p><p>Por que ele está em decadência? Que</p><p>mundo</p><p>você está falando? O quê é o mundo moderno? É</p><p>o mundo intelectual, o mundo financeiro, o mundo</p><p>político? Ele está em decadência, ou a humanida-</p><p>de sempre viveu ciclos de decadência, e esse é</p><p>mais um?”</p><p>Vai fazendo perguntas, mas, antes de você pas-</p><p>sar adiante, você vai ter que fazer mais uma coisa:</p><p>“– Responder as suas próprias perguntas.”</p><p>Isso se chama de linha mestra. Digamos que eu</p><p>pego o livro do Veríssimo, e ele diz As Mentiras Que</p><p>os Homens Contam.</p><p>Aí eu pergunto:</p><p>“– Os homens contam tanta mentira assim?”</p><p>Aí eu respondo: “Eu acho que hoje as pessoas</p><p>contam muitas mentiras. Tanto homens quanto mulhe-</p><p>res. Porque as pessoas vivem no mundo da fantasia e</p><p>acreditam nela.” Os homens mentem mais do que as</p><p>mulheres? Só os homens mentem?</p><p>“– Não, eu acho que todo mundo mente. Ele</p><p>deve estar querendo selecionar os homens por</p><p>alguma razão especial, que eu vou procurar des-</p><p>cobrir ao longo da leitura.”</p><p>Que tipo de mentiras será que esses homens</p><p>contam?</p><p>“– Olha, eu acho que a maior parte das men-</p><p>tiras que eles contam tem a ver com coisas que</p><p>eles gostariam de ser e não conseguiram con-</p><p>quistar. Então, criam na fantasia.”</p><p>Ou seja, você vai dar as respostas. Que aí, quan-</p><p>do você partir para a leitura, você vai perceber uma</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>234/289</p><p>coisa interessante. Você tem essa linha mestra, que</p><p>foi a resposta que você deu, e o autor vai vir com a</p><p>dele. E você vai estar de olho para ver se a ideia dele</p><p>tem alguma coisa a ver com a sua. E se não tem você</p><p>vai examinar.</p><p>Bom, a minha linha mestra está aqui. O que esse</p><p>autor respondeu é mais completo e mais profundo do</p><p>que aquilo que a minha linha mestra dizia. Ou é me-</p><p>nos. Pode acontecer de ser menos. É mais fútil, é mais</p><p>superficial, é meramente engraçadinha, mas não tem</p><p>conteúdo. Pode acontecer.</p><p>Isso é uma coisa para que vocês têm que estar</p><p>preparados. Hoje nós falamos muito sobre leia mais.</p><p>Eu sempre acrescento: leia melhor. Porque não é,</p><p>simplesmente, porque alguém publicou um livro que</p><p>ele tem muita coisa para dizer. Eu acho que vocês con-</p><p>cordam comigo, que existe uma grande, uma enorme</p><p>quantidade de livros no mercado que estão ali porque</p><p>aquele que escreveu foi capaz de pagar a sua edição.</p><p>Mas, não contém nenhum grande... alguma</p><p>grande descoberta, alguma ideia muito original. Não</p><p>tem um conteúdo que vale a pena, e às vezes, na sua</p><p>ideia mestra, você já percebe que o autor está muito</p><p>abaixo dela. Ou seja, talvez aquele não seja um livro</p><p>digno de ser lido.</p><p>Então, as perguntas, eu mesmo respondo. De-</p><p>pois vou caçar no livro as respostas que esse autor vai</p><p>dar. E vou comparar com a minha linha mestra. – Isso</p><p>é uma coisa muito interessante. Eu estou avançando</p><p>e colocando o autor contra a parede.</p><p>Agora sim. Já fiz tudo que tinha que fazer. Ron-</p><p>dei em volta, explorei, fiz perguntas. Agora eu vou ler.</p><p>Como que eu vou ler? Lembrando da minha linha mes-</p><p>tra, lembrando das minhas perguntas, caçando as res-</p><p>postas dentro do texto. Isso vai me dar uma objetivida-</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>235/289</p><p>de, porque eu vou diretinho para as ideias principais.</p><p>O autor tem que se explicar, ele me propôs isso. Cadê</p><p>a resposta disso? Isso já me dá um foco do que eu</p><p>estou procurando dentro do livro.</p><p>Isso facilita muito, por exemplo, se você quiser</p><p>fazer uma leitura rápida. Passo os olhos, encontrei</p><p>a ideia principal, pronto. Passo os olhos, encontrei a</p><p>ideia principal, pronto. Isso é matéria para um outro</p><p>curso, mas os métodos de leitura acelerada trabalham</p><p>com isso. Faço perguntas, e vou direto aos parágra-</p><p>fos, procurando respostas.</p><p>Bom, você tem uma pergunta, você tem uma li-</p><p>nha mestra, agora eu vou ler. Cada parágrafo, uma</p><p>ideia. Caneta na mão, lápis na mão, marca-texto na</p><p>mão, sublinho só as palavras mínimas para designar</p><p>aquela ideia.</p><p>E, automaticamente, do lado, nota de margem. Li</p><p>todo aquele texto assim, sublinhando, fazendo nota de</p><p>margem, já tenho a coleta dessas notas de margem, é</p><p>o meu resumo. Porque eu posso estar ali procurando</p><p>onde está a resposta da minha pergunta. Pode acon-</p><p>tecer de haver mais de uma resposta. Pode acontecer</p><p>de não haver nenhuma resposta. Todas as possibilida-</p><p>des podem acontecer.</p><p>E isso já cria em você uma presunção de que</p><p>tipo de leitura você está fazendo. O quê o autor está</p><p>querendo transmitir ali. Você já tem o resumo em tó-</p><p>picos, fazendo isso. Ao final, pode condensar tudo</p><p>isso, e transformar em um resumo textual, ou em um</p><p>mapa mental.</p><p>E, por último, nós vamos ter a recitação e o repas-</p><p>se. Vamos deixá-los um pouquinho mais para a frente.</p><p>Reflita sobre esses itens.</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>236/289</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>237/289</p><p>MÓDULO 3 – TÉCNICAS DE ESTUDO</p><p>Aula 21 – Método Robinson II –</p><p>Receitar e repassar</p><p>Continuando, o nosso mágico método, EPL2R, é</p><p>o Método Robinson. A essa altura, vocês já entende-</p><p>ram que mágico não existe. O que é mágica é a sua</p><p>capacidade de fazer esforço, a sua determinação para</p><p>mudar. Isso aqui é uma boa ferramenta, mas ela não</p><p>trabalha por você. Você vai ter que experimentá-la, vai</p><p>ter que usá-la.</p><p>Uma coisa eu posso reiterar com você, eu uso, e</p><p>funciona muito bem. Portanto, estou transmitindo um</p><p>mapa de uma estrada que eu já percorri.</p><p>Eu posso lhe dizer:</p><p>“– Legal, ela o leva ao destino.”</p><p>Eu me sinto com autoridade para dizer isso. Fun-</p><p>ciona; experimente. Nós vamos então, continuando,</p><p>nós vamos explorar, perguntar e ler, que é o EPL. Nós</p><p>vamos falar dos dois erres, que são recitação e repas-</p><p>se. O quê vem a ser recitação? Fecho o livro, conto a</p><p>história para mim mesmo, e aí eu percebo se há va-</p><p>zios de má compreensão.</p><p>Existe uma autora do século XIX, chamada Hele-</p><p>na Blavatsky, que diz:</p><p>“– O estudo começa quando você fecha o livro.”</p><p>E ela tem realmente razão. E aí continua com uma</p><p>série de dicas complexas, mas de que ela tem razão.</p><p>Dependendo do livro, ela dizia:</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>238/289</p><p>“– Uma página de um livro muito profundo</p><p>exige 20 minutos, pelo menos, de reflexão so-</p><p>bre ela.”</p><p>Ou seja, ela está falando de uma literatura mais</p><p>complexa. Mas, em geral, a recitação é o fundamen-</p><p>to do estudo. Realmente, você começa o aprendizado</p><p>quando você fecha o livro.</p><p>Então, fechei o livro. Vou contar para mim:</p><p>“– Eugênio estudava mal. Ninguém acredi-</p><p>tava nele, nem ele. O professor chegou e disse</p><p>que a vontade transforma. Ele duvidou. O profes-</p><p>sor disse que ele tinha que aprender a gostar. Ele</p><p>tentou, mudou, ajudou os colegas. Se tornou o</p><p>melhor aluno.”</p><p>Contei a história para mim. Ou seja, a história está</p><p>completa. Eu estou com o recado assimilado. Agora,</p><p>imaginem vocês que, lá no meio do caminho...:</p><p>“– Eugênio era um mal estudante, não con-</p><p>fiava em si mesmo, ninguém confiava nele, o quê</p><p>veio depois, hein? Como é que aconteceu dele lá</p><p>embaixo se tornar o melhor aluno da classe?”</p><p>Não me lembro desse pedaço. Percebi um vá-</p><p>cuo. E essa percepção desse vácuo é muito impor-</p><p>tante, porque você vai ter que ir atrás de fontes para</p><p>preencher esse vácuo. Como já falamos lá atrás, vai</p><p>atrás do professor, faz perguntas, pega anotações de</p><p>outros colegas. Se necessário, vai até a fonte, ao livro</p><p>de onde tudo isso saiu. Mas você tem que preencher</p><p>esse buraco. Você não pode ter lapsos.</p><p>A história tem que estar bem contadinha para</p><p>você mesmo. Nessa hora, você fecha o livro, e recon-</p><p>ta toda a história para você. Isso é a recitação. Enten-</p><p>dam, isso é um elemento fundamental. A melhor forma</p><p>de memorização, antes da memória</p><p>sequencial, o quê</p><p>é? Ensinar um conteúdo.</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>239/289</p><p>Quando você ensina, você assimila mais do que</p><p>em qualquer outra técnica de memorização. O recitar</p><p>é uma simulação de uma aula. Você está dando uma</p><p>aula para você mesmo, sobre a essência daquilo que</p><p>você viu naquele dia. Essa aula tem que ser completa.</p><p>Não pode haver lapsos.</p><p>E, se há, esse é um momento para você perce-</p><p>ber, e ir atrás de completar a história. Preencher esse</p><p>buraco da história. Procurar essa peça do quebra-ca-</p><p>beça. Isso é recitar.</p><p>E por último o último R da história, que é repas-</p><p>sar. Aí você pega essa fichinha que você fez, com tudo</p><p>resumido, a história completa, com todos os seus ca-</p><p>pítulos, a historinha bem sintética, e você estuda junto</p><p>com os amigos, ou estuda sozinho. Passa várias ve-</p><p>zes, passa várias vezes...</p><p>Eu, em uma certa ocasião da minha vida, fazia</p><p>uma coisa muito interessante. Nós tínhamos que es-</p><p>tudar mitologia. Eu fiz um baralho. Eu colocava a fi-</p><p>gura do Zeus atrás da carta, e na frente eu contava</p><p>a historinha dele. Aí mostrava Zeus para a pessoa. O</p><p>meu colega tinha que contar a historinha do deus, to-</p><p>dinha. Aí ele pegava uma carta lá, sei lá, Atena. E eu</p><p>tinha que contar a história de Atena sozinha. Quando</p><p>a gente errava, aquele ponto emocional do erro fazia a</p><p>gente não esquecer de jeito nenhum.</p><p>“– Ah, fulano falou tal coisa de Zeus.”</p><p>Aí a gente morria de rir. Nunca mais eu esque-</p><p>ci aquilo. Os pontos emocionais, até dos erros que</p><p>a gente cometia, ajudavam a memorizar. Fantástico.</p><p>Este é o momento para o estudo em grupo.</p><p>Ou seja, se você tem possibilidade de estudar</p><p>em grupo, faça algum tipo de jogo, alguma brincadei-</p><p>ra, para memorizarem juntos. Até os erros ajudam a</p><p>memorizar.</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>240/289</p><p>Pense na sua vida escolar, no curso primário,</p><p>por exemplo. O quê caiu na prova da terceira série?</p><p>Aquela questão que você errou, e que deu um vexa-</p><p>me, essa você não esquece nunca. O resto esqueceu</p><p>tudo, não é assim? Sabe por quê? Ela gerou um ponto</p><p>emocional, você ficou com vergonha. O seu profes-</p><p>sor, sei lá, comentou, algum colega riu. Isso gerou um</p><p>ponto emocional. Você esquece de tudo mais. Essa</p><p>questão que você errou não esquece nunca.</p><p>Então, esse momento do repasse em grupo dá</p><p>muito certo. Faça uma brincadeira, faça um jogo.</p><p>Repassar quantas vezes for possível. E você vai ver</p><p>que todo mundo vai memorizar. Até os erros ajudam</p><p>para isso.</p><p>Então, nós temos aqui a síntese do Método Ro-</p><p>binson EPL2R. Explorar, rondar, ver a vizinhança. Per-</p><p>guntar, fazer as suas próprias respostas à linha mestra.</p><p>Ler com todos os detalhes, sublinhar, nota de margem,</p><p>depois fazer o resuminho textual, ou de tópicos, do jei-</p><p>to que você quiser. Depois, recitar. Fechou o livro, con-</p><p>ta a história para você, vê se ela está completa.</p><p>Está completa, está ali fichada, meu resuminho</p><p>completo. Depois reúne os colegas e vamos fazer o</p><p>baralho da Matemática, o baralho da Mitologia, seja lá</p><p>o quê for. Vamos repassar juntos, várias vezes.</p><p>Se eu pedir para vocês que repassem para mim o</p><p>método Robinson, vocês seriam capazes? Conte pra</p><p>mim aí o quê é que tem aqui, EPL2R? Explique pra</p><p>mim a essência de cada uma dessas etapas. Comece</p><p>a fazer essa brincadeira. Faça agora para mim a reci-</p><p>tação do método Robinson. Isso vai ser ótimo. Feche</p><p>os seus estudos e conte para você a história deste</p><p>método. Aí você vai perceber:</p><p>“– Teve um lapso, teve uma coisa que eu não</p><p>entendi.”</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>241/289</p><p>Volta atrás, vê. Preenche esse lapso. Repete vá-</p><p>rias vezes. Daqui a pouco, isso para você vai ser algo</p><p>absolutamente assentado na memória. Agora é prati-</p><p>car, e aí sim ninguém mais rouba isso de você, quando</p><p>se torna fato da sua vida.</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>242/289</p><p>MÓDULO 3</p><p>TÉCNICAS DE ESTUDO</p><p>Aula 22 – Explorando um livro –</p><p>Aula demonstrativa</p><p>Pessoal, eu tenho uma novidade para contar para</p><p>vocês. Eu ganhei um livro. Olha aqui, tem até dedi-</p><p>catória para mim, está vendo? É meu mesmo. Agora,</p><p>como eu sou uma seguidora vigorosa do Método Ro-</p><p>binson, primeiro eu vou dar uma olhada nele.</p><p>O quê eu vou fazer? Vou ler o título, Os Primeiros</p><p>Filósofos. Hum, legal. Aqui atrás diz que:</p><p>“O sentido das origens gera em nós um ca-</p><p>minho de renovação”.</p><p>Interessante.</p><p>“Voltar às origens é empreender um caminho</p><p>de renovação.”</p><p>Legal, aí estou vendo aqui a autora, bonita, inte-</p><p>ressante, parece que é jornalista, dá aulas na univer-</p><p>sidade. Legal, simpática, gostei dela. Vou ver o índice.</p><p>Prólogo, está aqui. Ela cita várias frases de vários au-</p><p>tores. Alguém escreve por ela.</p><p>No índice, eu vou encontrar falando, por exemplo,</p><p>sobre a época dos sábios. Será que houve uma épo-</p><p>ca? Bom, já estou adiantando. Isso são perguntas.</p><p>Caminho de sabedoria. Em busca da origem dos con-</p><p>ceitos. Está bom, li.</p><p>Outra orelha fala de outros livros dela. Bonitos,</p><p>uns títulos interessantes. Dei uma rodada aqui, está</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>243/289</p><p>bom. Mas, eu tive uma noção. Parece ser uma autora</p><p>espanhola, jornalista e filósofa, que está falando de al-</p><p>guma coisa a respeito de filósofos antigos. É o quê me</p><p>pareceu até agora.</p><p>Agora, vamos ver, vamos fazer algumas perguntas</p><p>sobre ele? Vamos colocá-la contra a parede? Minha que-</p><p>rida Maria Dolores. Os primeiros filósofos. Como é que</p><p>ela sabe quem foram os primeiros? Será? Houve primei-</p><p>ros? O que é Filosofia? Filosofia é amor à sabedoria. Só</p><p>de um tempo para cá que os homens começaram a amar</p><p>a sabedoria? Por que ela considera que houve primei-</p><p>ros? Será que esses que ela fala não foram os últimos?</p><p>Por que os primeiros? Porque nós queremos saber por</p><p>que ela acha que esses filósofos que ela vai abordar são</p><p>os primeiros. Aqui ela me diz que voltar às raízes exige</p><p>renovação. Renovação, por que eu preciso me renovar,</p><p>se eu estou feliz do jeito que eu sou? Por que eu preciso</p><p>voltar atrás? Isso não vai gerar saudosismo? Eu não vou</p><p>ficar fazendo culto ao passado? Por que será que ela diz</p><p>que a gente tem que voltar às raízes para se renovar? Fi-</p><p>quei curiosa para saber isso, sabe. O que são as nossas</p><p>raízes? São as experiências da nossa vida, ou o quê a</p><p>gente pensava no passado?</p><p>Eu estou vendo que aqui dentro ela vai falar a res-</p><p>peito da época dos sábios. Houve uma época em que</p><p>tinha mais sábio do que nas outras? Será que houve?</p><p>Que época foi essa? E por quê? Será que tinha algu-</p><p>ma coisa, ali naquele tempo histórico, que favorecia as</p><p>pessoas serem sábias, e hoje não tem isso mais? Por</p><p>que eles se concentraram todos em uma época só?</p><p>Como é que a gente pode saber disso?</p><p>Os caminhos da sabedoria, interessante. Será</p><p>que isso significa que existem caminhos? Bom, eu já</p><p>fiz minhas perguntas, até demais, não é? Vou começar</p><p>a dar as minhas respostas.</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>244/289</p><p>Os primeiros filósofos. Eu, particularmente, acho</p><p>que devem ter tido as primeiras pessoas que se cha-</p><p>maram de filósofos. O primeiro filósofo mesmo não</p><p>tem como a gente saber quem foi. A primeira pessoa</p><p>que perguntou sobre a vida? Eu acho que não tem. Eu</p><p>acho que devem ter tido aqueles que primeiro rece-</p><p>beram o nome de filósofos. Essa é a minha resposta,</p><p>essa é minha linha mestra.</p><p>Bom, voltar às raízes faz com que a gente se</p><p>renove. Eu acho que voltar as raízes deve ser voltar</p><p>àqueles primeiros sonhos, primeiros ideais da gente,</p><p>para a gente beber dessa fonte do nosso</p><p>entusiasmo,</p><p>da nossa motivação. Que, às vezes, ao longo do tem-</p><p>po, se desgastou. Eu acho que deve ser isso; será? O</p><p>quê vocês acham?</p><p>Bom, aqui, quando ela fala a respeito da época</p><p>dos sábios, eu acho que, por alguma razão, teve uma</p><p>época onde os sábios passaram para a História. O</p><p>pessoal os deixou na História, deve ser porque nesse</p><p>tempo o pessoal valorizava sábio. Aí escrevia histó-</p><p>ria sobre eles. – Nosso momento histórico deve ser</p><p>uma época dos sábios também. Deve ter sábios por</p><p>aí. Mas, a gente só escreve a história dos políticos,</p><p>dos jogadores de futebol.</p><p>Então, parece que a época não é de sábios, não</p><p>é? Eu acho que é isso. Agora eu vou ler e ver o quê ela</p><p>me diz disso. Se ela me disser algo que está acima da</p><p>minha expectativa, bom, ela está me acrescentando</p><p>coisas muito boas, e eu garanto que vai acrescentar,</p><p>no caso dessa autora. Mas, em um outro livro qual-</p><p>quer, ele poderia dizer coisas que fossem bem menos</p><p>do que supus, bem menos que a minha linha mestra.</p><p>Mas, deixe estar, que eu vou ler capítulo por capí-</p><p>tulo, colocando-a contra a parede, para ela me dar es-</p><p>sas respostas. Vou comparar com a minha linha mes-</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>245/289</p><p>tra; vou sair aqui procurando, caçando a ideia principal</p><p>em cada parágrafo, vou fazer a minha nota de mar-</p><p>gem, e vou sair com um resuminho.</p><p>E aí eu digo para você:</p><p>“– O livro acrescentou, estava acima da mi-</p><p>nha linha mestra, ou não?”</p><p>Eu vou sair daqui com uma síntese, que vai me</p><p>acrescentar coisas muito boas. Aí eu vou fechar o li-</p><p>vro. Fechado esse livro, eu vou contar a história dele</p><p>todinha para mim. Blá, blá, blá, blá, os sábios na Gré-</p><p>cia, porque não sei quê, porque Pitágoras criou esse</p><p>nome, blá, subiu, desceu, foi para os pitagóricos, veio</p><p>dos pitagóricos, foi para os pré-socráticos, blá, blá,</p><p>blá, blá, blá. Vou contar a história para mim. Se faltar</p><p>algum pedaço,</p><p>“– Opa, esqueci um capítulo da novela. Dei-</p><p>xa eu voltar exatamente nessa altura. Ah, eu es-</p><p>queci disso aqui. Que foi quando nasceu Platão,</p><p>Sócrates, depois os Estoicos. Esse pedaço esta-</p><p>va faltando.”</p><p>Preenchi. Fecho, conto a história toda para mim.</p><p>Agora eu sei a história completa. Aí eu vou pegar o meu</p><p>resuminho, pegar aqueles meus colegas, que estão</p><p>precisando estudar isso também. Vamos nos reunir, e</p><p>vamos fazer uma cartada de filósofos, dos primeiros fi-</p><p>lósofos, que todo mundo vai sair daqui se lembrando</p><p>disso. Legal. Lembrem-se, só nesse momento, na hora</p><p>do repasse, é que é bom estudar em conjunto. – Qual-</p><p>quer um que venha a se meter no meio da minha explo-</p><p>ração, das minhas perguntas, quando estou estudando,</p><p>eu vou perder o foco. Não vou conseguir fazer nada.</p><p>Juntos, depois que fizemos tudo, o resumo de um</p><p>ou do outro pode até acrescentar. O resumo de outro</p><p>pode focar em um ponto que eu não tinha percebido. E</p><p>a gente vai se ajudar a memorizar o essencial.</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>246/289</p><p>Essa é a forma de ler. Faz com que você, daqui</p><p>a dez anos, sobre os primeiros filósofos: “Li.” Quais</p><p>eram as ideias? “Blá, blá, blá, blá, blá.” Daqui a 20</p><p>anos, os primeiros filósofos: “Li.” “Quais eram as prin-</p><p>cipais ideias?” “Blá, blá, blá, blá,blá.” – “Lúcia, corre</p><p>lá, que você tem que dar uma aula sobre os primeiros</p><p>filósofos.” E estou eu lá, com 70 anos, com a minha</p><p>bengalinha. Pego o meu resumo, sei tudo sobre os</p><p>primeiros filósofos. Pode deixar comigo. Ou seja, eu</p><p>me aproprio. Eu capturo a essência desse livro. Eu me</p><p>aproprio, integro, e estou apta a distribuir, onde eu for</p><p>demandada. Isso é o Método Robinson.</p><p>Posso lhe garantir, eu tenho usado bastante, e</p><p>tem dado muito certo.</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>247/289</p><p>MÓDULO 3</p><p>TÉCNICAS DE ESTUDO</p><p>Aula 23 – Conclusão – Repasse do Curso</p><p>Bom, eu estou me despedindo de vocês, mas fi-</p><p>quem por aí, que vocês sabem que nós teremos um</p><p>anexo (Módulo Extra), com algumas técnicas, que vão</p><p>ser muito boas para vocês complementarem tudo o</p><p>quê foi estudado até aqui. Mas, antes disso, vamos</p><p>fazer uma brincadeira juntos? Vamos fazer o repasse</p><p>do nosso Curso de Técnicas de Estudo.</p><p>Vamos lá? O quê a gente aprendeu juntos?</p><p>Ideia intrínseca, em primeiro lugar. Motivação</p><p>intrínseca no estudo em si. Depois a gente aprendeu</p><p>as vantagens de ser um bom estudante. Depois fa-</p><p>lamos das condições ambientais que podem favo-</p><p>recer a nossa leitura. Depois falamos de como fazer</p><p>a matrizinha do seu planejamento, o quê deve ser</p><p>feito e o quê não deve. Depois falamos a respeito de</p><p>como ler, procurar a ideia principal, fazer sublinha-</p><p>do, fazer nota de margem, fazer o seu resuminho.</p><p>Falamos dos quatro mandamentos do resuminho,</p><p>que você tem que seguir rigorosamente, para não ir</p><p>para o inferno do mau estudante. Falamos a respeito</p><p>do bom hábito de tomar nota de todas as aulas que</p><p>você assiste. Falamos, por fim, do método EPL2R:</p><p>explorar, perguntar, ler, recitar e repassar.</p><p>E assim repassamos as ideias principais de tudo</p><p>que foi visto. Não esqueçam, isso toma vida quan-</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>248/289</p><p>do você coloca na prática. Um ano praticando isso</p><p>aqui, eu lhe garanto, você não esquece nunca mais</p><p>na vida.</p><p>E vamos lá para a continuação do Curso, para os</p><p>anexos. E eu espero encontrar você por aí, como um</p><p>estudante muito melhor do que era, antes de começar-</p><p>mos juntos.</p><p>Um abraço.</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>249/289</p><p>MÓDULO EXTRA</p><p>CONCENTRAÇÃO</p><p>Aula 24 – Importância, dificuldades, práticas</p><p>Meu nome é Pedro Paiva, sou psicólogo de pro-</p><p>fissão, aluno e professor de Nova Acrópole, e hoje eu</p><p>vou falar um pouco sobre concentração.</p><p>E nessa aula vamos aprender um pouco mais so-</p><p>bre o conceito de concentração, sua importância na</p><p>nossa vida, as dificuldades para desenvolver essa ca-</p><p>pacidade, e alguns exercícios práticos para ajudar a</p><p>melhorar a nossa concentração.</p><p>O desenvolvimento da concentração não é uma</p><p>tarefa fácil, muito pelo contrário. Veremos o quão difícil</p><p>é dominar a nossa mente. Aliás, são muitas as tradi-</p><p>ções que sabiam da importância de desenvolver essa</p><p>capacidade. A concentração não é apenas uma ma-</p><p>neira de tornar os nossos estudos mais eficientes, ou</p><p>nos tornar apenas mais produtivos, mas é algo neces-</p><p>sário para o autoconhecimento, que é o grande objeti-</p><p>vo da Filosofia.</p><p>Então, veremos que concentrar a mente em</p><p>algo, seja algo externo, como um texto que estamos</p><p>lendo, seja algo interno, como encontrar um ponto de</p><p>serenidade em nós mesmos, consiste em algo mui-</p><p>to parecido com o ato de domesticar um animal. Po-</p><p>demos então imaginar a mente como um gigantesco</p><p>animal, como um elefante, por exemplo. O elefante é</p><p>um animal extremamente poderoso, e que pode ser</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>250/289</p><p>muito útil para um agricultor, por exemplo, devido a</p><p>toda a sua força.</p><p>Mas, se esse animal não for dominado, pode ser</p><p>assustadoramente destrutivo. Assim é a nossa mente,</p><p>uma ferramenta poderosíssima, se for bem dominada,</p><p>mas extremamente perigosa, quando fora de controle.</p><p>Então, eu vou contar para vocês uma pequena</p><p>história, que ilustra isso que eu estou dizendo. Cer-</p><p>ta vez, um candidato a discípulo procurou o grande</p><p>Buda, a fim de se tornar seu discípulo, e disse:</p><p>“Ó grande Buda, estou aqui, pois quero ser</p><p>seu discípulo. Estou pronto. Pode me passar as</p><p>primeiras lições, porque eu estou pronto.”</p><p>O Buda disse:</p><p>“– Calma, meu rapaz. Antes de torná-lo como</p><p>discípulo, tomá-lo como discípulo, eu gostaria de</p><p>lhe pedir</p><p>Platão já dizia que é preferível a</p><p>ignorância absoluta do que o conhecimento em mãos</p><p>inadequadas. Percebam bem isso.</p><p>Quis dois. Mais uma provocação para vocês:</p><p>“– De tudo que você estudou, de quanto você</p><p>se lembra?”</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>22/289</p><p>“– Ah, mas eram bobagens. Eu não precisa-</p><p>va de tudo aquilo...”</p><p>Olha, eu lhe garanto que, se você soubesse es-</p><p>tudar, tivesse o hábito da reflexão, qualquer coisa que</p><p>aprendeu na vida teria sido útil. Qualquer coisa.</p><p>“– Ah, o problema é dos programas de estu-</p><p>do no Brasil.”</p><p>Está bom, eu concordo que talvez não sejam os</p><p>mais adequados. Mas, seja qual for o Programa de</p><p>Estudo que lhe é oferecido, para quem tem um ânimo</p><p>de aprendizado como forma de ver, simbolicamente,</p><p>a vida, e através desses ensinamentos aprender a</p><p>ver a sua própria natureza humana, qualquer coisa</p><p>é útil.</p><p>Recentemente, eu tenho estudado bastante so-</p><p>bre a vida de Gandhi, o Mahatma. Eu fico surpresa</p><p>de ver como ele praticava isso. Ou seja, qualquer co-</p><p>nhecimento de vida, qualquer coisa que você obser-</p><p>va com ânimo de aprendiz pode ajudá-lo a melhorar a</p><p>sua percepção do que é a vida, de quem é você, e do</p><p>seu compromisso para com ela.</p><p>Sempre conto uma história nas minhas palestras,</p><p>que talvez alguns de vocês conheçam, que é de um</p><p>vídeo que assisti rapidamente, de passagem, sobre o</p><p>plantio de uvas para a confecção de vinho de alta qua-</p><p>lidade, em países do “primeiro mundo”.</p><p>Eu me recordo de um trecho desse vídeo, foi mui-</p><p>to curto o pedaço que assisti, em que se dizia que,</p><p>nessas grandes plantações, de vinícolas muito experi-</p><p>mentadas, eles podam os ramos inferiores de cada um</p><p>daqueles pezinhos, para que a energia vital da planta</p><p>se eleve até os ramos mais elevados.</p><p>Aquelas uvas, que estão nos ramos mais eleva-</p><p>dos, reúnem em si toda a vitalidade, todo o fluxo de</p><p>vitalidade da planta, e portanto elas se desenvolvem</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>23/289</p><p>melhores. Aquilo foi uma coisa que me deixou intriga-</p><p>da, por vários dias.</p><p>“– Gente, será que, se eu fizer isso comigo,</p><p>não dá certo? Será que se eu podar essas coisas</p><p>vulgares, inferiores, banais, superficiais, que es-</p><p>tão lá embaixo, eu não concentro a minha ener-</p><p>gia, vida no mais elevado que tenho, e não produ-</p><p>zo os melhores frutos?”</p><p>Para mim, foi tão contundente, que passou a ser</p><p>uma disciplina de vida, a partir daquele dia. Então, vo-</p><p>cês percebem, se existisse um Programa de Estudo,</p><p>ensinando como se produz vinho na França, você diria:</p><p>“– Que inútil, menino não vai produzir vinho.”</p><p>Mas, qualquer conhecimento que passa pela</p><p>nossa vida, se temos ânimo de aprendizes, podemos</p><p>aprender com ele, e através dele, sobre nós mesmos.</p><p>Isso é uma outra coisa que eu acho importantíssima,</p><p>que procuro abordar bastante no meu curso: Aprender</p><p>a aprender. Amar o conhecimento em si, e ter como</p><p>meta a construção de si mesmo, muito acima do que a</p><p>meta de construir coisas.</p><p>Repito, a natureza não precisa da gente para</p><p>construir coisas. Ela se vira muito bem. Ela precisa</p><p>de nós para construir homens, porque isso ela não</p><p>pode fazer por nós. Valorizar o conhecimento – de</p><p>tudo que estudamos, não lembramos de quase nada.</p><p>– Não sabíamos estudar, é verdade. Isso é um fato</p><p>lamentável.</p><p>Também não estávamos interessados no conhe-</p><p>cimento. Colocaram na nossa cabeça, e nós aceita-</p><p>mos, que o conhecimento era um transtorno, no meio</p><p>do caminho, para obter uma vida confortável e praze-</p><p>rosa. E há que reverter essa programação.</p><p>Das notícias que você leu esta semana, quanto</p><p>você parou para pensar sobre elas?</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>24/289</p><p>Às vezes, as pessoas me dizem:</p><p>“– Sou uma pessoa bem-informada. Eu li o</p><p>jornal de hoje, li o jornal da semana inteira, às</p><p>vezes, mais de um jornal.”</p><p>E me falam:</p><p>“– Eu li tal manchete. Eu li tal notícia.”</p><p>Eu pergunto: O quê você refletiu sobre isso?</p><p>“– Refleti? Não, eu li o artigo inteiro.”</p><p>“– Mas como é que você vai saber se isso</p><p>era uma manipulação? Você acredita que tudo</p><p>que se coloca na imprensa é, absolutamente, fiel</p><p>à realidade?”</p><p>“– Ah, deve ser...”</p><p>“– E se não for?”</p><p>Será que não dá para você trabalhar um pou-</p><p>co com isso, exercitar um pouco de lógica, dar uma</p><p>mastigada nesse material, e ver se ele realmente</p><p>lhe é útil?</p><p>Conto sempre a história da minha avó, que ela</p><p>era uma senhora analfabeta, mas ia lá e mastigava</p><p>toda a informação que recebia do mundo, e saía com</p><p>uma sentença dela. Ou seja, nós lemos e achamos</p><p>que fizemos o nosso papel, simplesmente, tomando</p><p>como verdade tudo aquilo que está publicado com le-</p><p>tras de forma em um livro, ou em um jornal.</p><p>Isso é ser uma vítima fácil de todo tipo de mani-</p><p>pulação. Nós sabemos que, hoje, quem produz o in-</p><p>formativo, quer seja um livro, quer seja um noticiário,</p><p>quer seja um periódico qualquer, não é quem, neces-</p><p>sariamente, é um idealista e quer ilustrar a humanida-</p><p>de. É quem pode pagar por isso.</p><p>E saber que vamos tirar daí coisas boas, coisas</p><p>más, e até mesmo, quando decodificamos que alguém</p><p>está querendo nos enganar, que essa informação nos</p><p>é útil. Por que essa pessoa quer tanto que eu pen-</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>25/289</p><p>se dessa forma? E se eu pensasse o contrário, o quê</p><p>aconteceria? Por que essa pessoa quer tanto que eu</p><p>olhe nessa direção? Que será que está se passando,</p><p>na outra direção, que ela não quer que eu veja?</p><p>Ou seja, mesmo na má informação, se você está</p><p>preparado para absorver, de maneira correta, assim</p><p>como o seu estômago está preparado para assimilar</p><p>o alimento sadio, e excretar aquilo que não presta, se</p><p>você for tão esperto quanto o seu estômago, as infor-</p><p>mações manipuladas não lhe fazem mal. Muito pelo</p><p>contrário. Você começa a desconfiar:</p><p>“– Quem quer tanto assim que eu pense des-</p><p>sa forma? O quê está por trás disso?”</p><p>De tudo que você conhece, o quê vai fazer a dife-</p><p>rença, nos momentos de dificuldade?</p><p>Pensem sobre isso.</p><p>Eu me recordo, nos meus tempos de garota, na</p><p>Faculdade, que isso já faz muito tempo, eu olhava, às</p><p>vezes, para aquele monte de xerox. Bom, pelo menos</p><p>no meu tempo era assim; quase não faziam a gente</p><p>comprar livro; faziam a gente tirar xerox de pedaços de</p><p>livros, e isso, ao final, depois da minha formatura, era</p><p>uma montanha de xerox no chão.</p><p>Passando por uma dificuldade maior na vida, eu</p><p>olhei para tudo aquilo, e perguntei:</p><p>“– Tem uma palavra aí que me sirva para re-</p><p>solver este problema?”</p><p>Sim, nenhuma palavra. Aí eu parei para pensar:</p><p>“Bom, está bom de eu procurar informações</p><p>mais humanamente úteis. Porque senão a minha</p><p>memória vai jogar tudo isso para trás.”</p><p>Porque aquilo que não é aplicável, a memória evi-</p><p>dentemente joga para trás. E você vai perdendo com</p><p>o passar do tempo, vai se diluindo... com o passar do</p><p>tempo...</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>26/289</p><p>Então, reflexões simples. Eu peço a vocês que</p><p>não sejam passivos diante da vida. Nós temos uma</p><p>tarefa muito grande – construir os seres humanos, a</p><p>nós mesmos, e através do nosso exemplo abrirmos</p><p>caminho para outros. Isso não é pouca coisa. Isso é</p><p>grandioso.</p><p>Os grandes homens, o que fizeram? Fizeram</p><p>isso. E os homens, os gênios, construíram coisas</p><p>que talvez nos sejam até úteis. Mas, os grandes ho-</p><p>mens da História da humanidade constituíram ho-</p><p>mens. Começando por eles mesmos, esses fizeram</p><p>toda a diferença.</p><p>Hoje vivemos em uma sociedade letrada. Nun-</p><p>ca se estudou tanto. Eu fico surpresa, às vezes, por-</p><p>que, para todos os lados, uma pessoa ter um curso de</p><p>graduação já não quer dizer muita coisa. Pós-, pós-,</p><p>pós, pós-,</p><p>algo muito simples.”</p><p>“– Pode pedir, mestre. Estou pronto.”</p><p>“– Eu quero que você vá para casa, e re-</p><p>torne assim que conseguir não pensar mais em</p><p>macaco.”</p><p>O discípulo, sem entender muito bem o propósi-</p><p>to daquilo, se retirou. Um ano depois, ele retorna ao</p><p>mestre Buda.</p><p>“– Então, meu filho, você está pronto para</p><p>ser meu discípulo?”</p><p>“– Não, senhor. Eu não quero mais ser seu</p><p>discípulo. Quero apenas que você tire esse ma-</p><p>caco da minha cabeça.”</p><p>Essa história ilustra nossa dificuldade em con-</p><p>trolar a nossa mente. Escolher não pensar em algo é</p><p>muito difícil.</p><p>Então, agora eu vou apresentar para vocês al-</p><p>guns conceitos importantes. Para falarmos de concen-</p><p>tração, precisamos entender um pouco sobre o quê é</p><p>Pedro Paiva</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>251/289</p><p>nossa mente. Nossa mente, essa grande fábrica de</p><p>pensamentos, parece nunca estar em repouso. Mes-</p><p>mo quando a gente está dormindo, ela parece estar</p><p>trabalhando freneticamente, produzindo os nossos so-</p><p>nhos, que apesar de nem sempre a gente conseguir</p><p>se lembrar deles, ocupam boa parte do nosso sono,</p><p>da nossa noite.</p><p>Parece, é como se fosse a chama de uma foguei-</p><p>ra, que está constantemente reagindo ao vento. Indo</p><p>de um lado ao outro, com uma agitação incessante.</p><p>Se examinamos nossa mente, vamos ver que ela é</p><p>semelhante à visão que temos de uma cidade gran-</p><p>de vista por cima. Com toda aquela movimentação</p><p>de carros, pessoas, sons. Então, precisamos libertar</p><p>a nossa mente dessas perturbações, porque são elas</p><p>que provocam a distração e a dispersão.</p><p>A dispersão. – Para ganharmos consciência des-</p><p>se nosso nível de dispersão, eu gostaria de propor a</p><p>prática do Trataka. O Trataka é um exercício de con-</p><p>centração, e sua prática é muito simples. Basta você</p><p>fixar a atenção sobre um ponto no centro de um círcu-</p><p>lo, como vocês vão ver na figura. Quando consegui-</p><p>mos nos concentrar no ponto central, o círculo externo</p><p>desaparece, permanecendo apenas o ponto.</p><p>Entendam que esse é um efeito natural, que virá</p><p>com a prática. Não deve ser um objetivo, pois até o</p><p>desejo de fazer o círculo sumir vai atrapalhar a nossa</p><p>concentração. Então, é só fazer o exercício, sem muito</p><p>desejo, sem muita intenção. Então, nesse momento,</p><p>faremos uma prática por cinco minutos, só para a gen-</p><p>te fazer uma avaliação da nossa concentração.</p><p>Então, durante cinco minutos, fixem os olhos no</p><p>ponto central. E toda vez que surgir algum pensamen-</p><p>to indesejado, uma lembrança, uma preocupação, ou,</p><p>até mesmo, uma sensação que lhe tire do seu foco,</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>252/289</p><p>abaixe a cabeça, faça um traço em um papel, e volte a</p><p>se concentrar. E quando houver outra dispersão, volte</p><p>a riscar o papel. Ao final dos cinco minutos, você vai</p><p>saber quantas vezes se dispersou.</p><p>Não se assuste se esse número for muito maior</p><p>do que você esperava. E se foi muito pequeno, des-</p><p>confie. Isso pode ter acontecido, porque você demo-</p><p>rou muito a perceber que havia se dispersado.</p><p>O objetivo da concentração é eliminar todos os</p><p>obstáculos que nos impedem de penetrar os objetos a</p><p>que escolhemos conscientemente prestar atenção. É</p><p>essa capacidade que nos permite compreender real-</p><p>mente as coisas. A compreensão de um texto, de algo</p><p>que alguém está falando, e até de questões mais filo-</p><p>sóficas, como:</p><p>“– Qual o sentido da vida?”</p><p>Vai ser proporcional ao nosso grau de concentra-</p><p>ção. É isso que vai nos permitir integrar plenamente o</p><p>conteúdo de um objeto. Uma atenção sem obstáculos</p><p>e sem fugas.</p><p>Estratégia. – Entendam que a grande estratégia</p><p>aqui não é ver tudo, mas focar naquilo que é essencial.</p><p>Assim, a concentração deve ser o descanso de todas</p><p>as ações secundárias, para conseguir a serenidade</p><p>necessária, que vai lhe permitir compreender plena-</p><p>mente os objetos. Quando formos estudar um texto,</p><p>por exemplo, devemos ter uma pergunta em mente. A</p><p>pergunta fundamental que precisa ser respondida ao</p><p>final daquele livro, ou daquele capítulo, ou parágrafo,</p><p>ou frase. Não importa qual, mas deve ser a mais rele-</p><p>vante para nós. Isso é uma leitura ativa.</p><p>Essa pergunta vai ser o objeto da nossa concen-</p><p>tração, e por mais que a gente se disperse devemos</p><p>retornar para essa pergunta. Assim, vamos ver que,</p><p>mesmo se não respondermos bem a essa pergunta</p><p>Pedro Paiva</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>253/289</p><p>fundamental, será muito mais fácil responder as ou-</p><p>tras que virão.</p><p>Bem, a dificuldade que encontraram no Trataka</p><p>revela a dificuldade no mistério da unidade. Com al-</p><p>guns exercícios, e a prática continuada, que vamos</p><p>explicar mais para a frente, você certamente consegui-</p><p>rá fazer esse círculo externo desaparecer. O difícil vai</p><p>ser manter isso por muito tempo. Ele vai sumir... ele</p><p>vai voltar... porque, inúmeras vezes, pensamentos e</p><p>sentimentos indesejados vão se infiltrar em intervalos,</p><p>às vezes muito curtos.</p><p>Então, esse estado de dispersão, que é revelado</p><p>pelo exercício, nos mostra que não funcionamos como</p><p>um. Somos fragmentados. O importante é não desis-</p><p>tir. Procurar exercitar com constância e perseverança.</p><p>Porque, um dia, é para que a gente possa, um dia, per-</p><p>ceber como as coisas realmente são em sua plenitu-</p><p>de, sem sombras, sem julgamentos, em sua unidade.</p><p>“– Se deixamos a mente em estado selva-</p><p>gem, sem controlá-la, será destruidora, e será</p><p>a origem de numerosos sofrimentos para nós e</p><p>para os outros. Todos os nossos sofrimentos pas-</p><p>sados, presentes e futuros têm origem na mente</p><p>não submissa e distraída.” (Fernando Schwarz)</p><p>Nós já falamos sobre o conceito de concentração,</p><p>sobre dispersão, fizemos um diagnóstico do nosso ní-</p><p>vel de concentração, e estabelecemos uma estratégia</p><p>para guiar a nossa prática. Agora, nós vamos falar do</p><p>caminho para o desenvolvimento da concentração,</p><p>das suas quatro etapas e dos obstáculos que vamos</p><p>encontrar nessa jornada.</p><p>O objetivo da consciência é despertar. A distra-</p><p>ção é o nosso principal inimigo, e ela conta com dois</p><p>capangas poderosos: o entorpecimento e a sonolên-</p><p>cia. No entorpecimento, o mais grosseiro dos dois,</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>254/289</p><p>nossa mente se comporta de forma pesada e lenta.</p><p>É quase como um sono completo. É o estado de total</p><p>inércia da mente, onde se distrai com qualquer coisa,</p><p>com fantasias grosseiras, sem qualquer propósito ou</p><p>utilidade. E é comum, inclusive, divagar por longos</p><p>períodos de tempo.</p><p>E ao final a gente nem consegue se lembrar do</p><p>que a gente estava pensando. O celular, a internet,</p><p>as redes sociais, essas são verdadeiras armas do en-</p><p>torpecimento. Porque, às vezes, a gente perde horas</p><p>nisso, e depois a gente nem se dá conta do que a gen-</p><p>te ficou fazendo com aquele tempo tão inútil. Porque</p><p>aquele tempo, simplesmente, foi jogado no lixo, perde-</p><p>mos, não tem mais volta.</p><p>E a sonolência. A sonolência ainda é mais perigo-</p><p>sa, porque se disfarça de tranquilidade.</p><p>“– Não, eu sou desatento, porque eu sou</p><p>muito tranquilo.”</p><p>E aí, quando atribuímos virtude ao que, na ver-</p><p>dade, é uma debilidade, o problema é muito sério.</p><p>Porque dificilmente a gente vai travar a batalha, que</p><p>é necessária, para vencer esse defeito. A gente vai</p><p>proteger o defeito como se ele fosse parte da nossa</p><p>identidade. Seria como colocar um inimigo no centro</p><p>do nosso castelo, e a gente ainda protegê-lo.</p><p>Então, quais são os defeitos: a negligência, a ir-</p><p>responsabilidade, e assim vai. O disfarce vai se dar</p><p>através das justificativas. Por exemplo:</p><p>“– Ah, não presto atenção, porque essa ma-</p><p>téria é muito chata, ou é inútil, ou o professor é</p><p>péssimo.”</p><p>Enfim, você perde o verdadeiro alvo da batalha.</p><p>Começa a colocar a culpa nos outros, em vez de as-</p><p>sumir a responsabilidade</p><p>um monte de pós-, e cada vez mais coisa.</p><p>E quando você coloca essa pessoa na vida ela não se</p><p>mostra, necessariamente, dando respostas melhores</p><p>à vida do que outra pessoa, que tem menos anos de,</p><p>digamos assim, banco de universidade.</p><p>Ela não se mostra uma pessoa com domínio de</p><p>si própria, uma pessoa com . Não vai havendo uma</p><p>qualificação humana junto com esse bombardeio de</p><p>informações. Na História, isso não tem nem chance</p><p>de ser diferente, nunca houve um momento histórico</p><p>onde nós tivemos tantos anos de escolaridade para</p><p>uma parte da população, certamente, pois existe uma</p><p>parte relegada a nada.</p><p>Uma parte da nossa população tem mais informa-</p><p>ções do que jamais se teve na História. E nós nunca</p><p>sentimos tanta solidão, nunca nos sentimos tão perdi-</p><p>dos, nunca estivemos tão desorientados como hoje.</p><p>Ou seja, no passado, alguns referenciais, havia. Mes-</p><p>mo nos momentos mais duros.</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>27/289</p><p>Hoje, chegou um momento em que a gente já não</p><p>sabe muito bem o quê está fazendo por aqui. Tudo se</p><p>tornou diluído, em uma vida que nos é dada como se</p><p>fosse para mero desfrute. Como se nós não tivésse-</p><p>mos nada a aportar à vida. Como se nós estivéssemos</p><p>aqui apenas para desfrutar aquilo que a vida nos ofe-</p><p>rece. E isso vai cada vez mais inviabilizando os nos-</p><p>sos potenciais internos e humanos.</p><p>Claro, estou tentando me controlar para não en-</p><p>veredar a palestra para essa direção, porque senão</p><p>a gente não sai daqui hoje. Nós sabemos que, hoje,</p><p>talvez vivamos um momento histórico recorde, em ter-</p><p>mos de perda de referenciais de vida.</p><p>Costumam me dizer:</p><p>“– Em tal império, em tal império, em tal lugar...”</p><p>Eu vou lhe dizer, eles tinham um referencial. Se</p><p>estavam certos ou não, não sei. Mas eles tinham um</p><p>referencial acima da sobrevivência. E nós já não te-</p><p>mos muito isso.</p><p>“– O quê você faz, além de sobreviver? Que</p><p>lhe disseram que era a vida, além de sobreviver</p><p>com conforto?”</p><p>Hoje nunca se estudou tanto, nunca se leu tanto,</p><p>nunca se teve tanta informação, e nunca o egoísmo</p><p>teve tanto poder.</p><p>Você pode dizer:</p><p>“– Não, na verdade, a violência foi se redu-</p><p>zindo ao longo da História.”</p><p>É verdade, a humanidade vai se desenvolvendo</p><p>aos poucos, vai numa média, e nós desenvolvemos</p><p>uma crítica social diante da violência extrema, diante</p><p>do egoísmo extremo. Mas se isso se torna só um me-</p><p>canismo de repressão social, e não é assimilado pelo</p><p>homem como valor, uma crise histórica mais violenta</p><p>pode acontecer, e nós voltamos à barbárie.</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>28/289</p><p>O quê estou querendo dizer para vocês desse</p><p>comportamento social um pouco mais adequado: Ele</p><p>é condicionamento moral ou é consciência moral?</p><p>Fazemos porque senão somos criticados pela socie-</p><p>dade, ou fazemos porque por trás disso existe uma</p><p>reflexão sólida, que nos mostra que o ser humano é</p><p>mais feliz assim?</p><p>Porque, se isso é só verniz, se isso é só um</p><p>esmalte, gente, o menor tremor de terra e voltamos</p><p>àquela barbárie lá de trás, de Átila, rei dos Hunos, de</p><p>Gengis Khan, ou seja lá de quem for. Ou seja, uma</p><p>película de pouca cobertura, e ninguém sabe quais as</p><p>adversidades o futuro nos reserva. Ninguém sabe o</p><p>quê ainda virá por aí.</p><p>O mundo é um barril de pólvora. Os conflitos</p><p>de todos os tipos são meramente encobertos e não</p><p>resolvidos. Existem ódios, existem rancores guarda-</p><p>dos aí, sob essa película de convivência educada e</p><p>muito ativa.</p><p>Nós não somos um vulcão extinto, somos um vul-</p><p>cão em plena atividade. Mas que mantém uma apa-</p><p>rência razoável, para o turista tirar foto. E que pode</p><p>explodir a qualquer momento. Então, vivemos um mo-</p><p>mento de egoísmo muito intenso, mas não transmuta-</p><p>do, apenas reprimido.</p><p>Somos mais inteligentes, mais sábios, somos</p><p>melhores com essa nossa maneira de lidar com a</p><p>informação, com essa nossa maneira de lidar com a</p><p>explicação, e assim nos tornamos seres humanos me-</p><p>lhores, entendam bem isso.</p><p>Existe um exemplo antigo, que pertence ao pro-</p><p>fessor Jorge Angel Livraga, o fundador de Nova Acró-</p><p>pole. Eu adoro esse exemplo. Acho que ele diz muito</p><p>em poucas palavras. Se você considera o homem que,</p><p>em Roma, conduziu uma biga, e o homem que hoje</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>29/289</p><p>conduz um avião a jato, avançou a máquina ou avan-</p><p>çou o homem?</p><p>Quem de vocês pode me garantir que aquele ho-</p><p>mem que conduzia a biga não era um pouco mais frater-</p><p>no, mais sensível à dor alheia, do que o piloto do avião</p><p>a jato? Vocês acham que o homem evoluiu na mesma</p><p>intensidade da máquina? Nós sabemos que não.</p><p>Talvez aquele homem fosse um pouco mais sen-</p><p>sível, um pouco mais, digamos assim, comprometido</p><p>com o bem da sua pátria. Isso que em geral os roma-</p><p>nos eram, um pouco mais preocupados com valores,</p><p>pois civitas romana, a cidadania romana, constante-</p><p>mente incutia essa ideia de valores. E talvez eles ti-</p><p>vessem, do ponto de vista humano, muito mais tecno-</p><p>logia do que o piloto do avião a jato.</p><p>Ou seja, nós somos mais inteligentes?</p><p>Vocês vão dizer:</p><p>“– Não, isso somos.”</p><p>Você está falando que somos mais racionais. Que</p><p>temos uma mentalidade racionalista prática, que é ca-</p><p>paz de produzir todo algoritmo lógico para inventar no-</p><p>vidades, do ponto de vista das coisas.</p><p>Mas inteligência, como intelegile, como escolher</p><p>dentre, é discernimento, é a capacidade de escolher o</p><p>bom grão, é a capacidade de escolher aquilo que nos</p><p>convém, como seres humanos, daquilo que nos bes-</p><p>tializa. Nós temos isso? Nós sabemos dentro de todas</p><p>as ofertas que o mundo nos faz diariamente escolher</p><p>aquilo que nos humaniza, e descartar aquilo que nos</p><p>bestializa? Temos essa noção? Nós não somos inteli-</p><p>gentes?</p><p>Inteligência prática, como diria Sócrates:</p><p>“– Aja para que eu o veja.”</p><p>Coloque uma pessoa diante de uma situação crí-</p><p>tica na sociedade, que você vai ver quem é inteligen-</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>30/289</p><p>te, quem tem autocontrole, quem segura uma situação</p><p>crítica, mantendo o domínio de si próprio.</p><p>Eu fico muito impressionada, por exemplo, com</p><p>esse estudo de Gandhi que estou fazendo. Situações</p><p>críticas, onde havia conflitos, onde estavam morrendo</p><p>centenas de pessoas, ele mantinha a calma, não dei-</p><p>xava brotar nenhuma gota de ódio, e pensava consi-</p><p>derando a visão dos dois lados.</p><p>E com isso Gandhi produziu uma estratégia, o</p><p>Satiagraha, que foi um negócio incomparável. Não é a</p><p>toa que ele se tornou um Mahatma. Ou seja, isso era</p><p>inteligência, isso era inteligência.</p><p>Cadê essa nossa inteligência hoje? Nós somos,</p><p>cada vez mais, uns contra os outros. As mínimas dife-</p><p>renças nos separam. Mais sábios; nem se fala... Essa</p><p>sabedoria, que nos transmuta em todos os planos, e</p><p>nos torna seres humanos realmente melhores, mais</p><p>dignos da condição humana, está cada vez mais rara.</p><p>Somos melhores em que aspecto? Em que as-</p><p>pecto melhoramos? Sabemos produzir muitas coisas;</p><p>certo, isso é bom. A Medicina evoluiu muito, a gente</p><p>vive mais, bom. Não vou duvidar dessas utilidades téc-</p><p>nicas, porque são óbvias.</p><p>Mas, vejam bem. Quando o homem não sabe</p><p>aonde quer chegar, talvez seja melhor ele escolher</p><p>um meio um pouco mais simples. Em outras palavras,</p><p>se você está indo para o abismo, é melhor ir de bici-</p><p>cleta do que de Porsche. Vai chegar um pouco mais</p><p>devagar. Ou seja, os meios muito eficazes, quando os</p><p>fins são desastrosos, podem ser ruins. Nada é bom ou</p><p>mau em si. Bom ou mau é o uso que se faz das coisas.</p><p>Tudo no universo é dual. Bom... você não tem</p><p>uma finalidade humanística de vida, e coloca mais tec-</p><p>nologia na sua mão. Você vai fazer o quê com essa</p><p>tecnologia? Vai afundar cada vez mais a si próprio e</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com</p><p>- 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>31/289</p><p>à humanidade. Como dizem os indianos, gerar cada</p><p>vez mais carma. Talvez fosse melhor ter menos. Per-</p><p>cebam que tudo é muito relativo, quando nós não es-</p><p>tamos bem consolidados sobre os valores humanos.</p><p>Se nós construímos o ser humano sólido, com</p><p>valores, com virtudes, com sabedoria, com discerni-</p><p>mento, qualquer coisa que você dê na mão dele, para</p><p>gerar frutos altamente nutritivos, não só para ele, mas</p><p>para toda a natureza, vai beneficiar toda a natureza.</p><p>Agora, um homem bestializado, o quê você colo-</p><p>ca na mão dele vai potencializar esse lado bestial. To-</p><p>dos nós sabemos, Hitler seria menos ofensivo se fos-</p><p>se analfabeto. Aquela oratória fantástica que ele tinha</p><p>potencializou uma psicopatologia. Era melhor que ele</p><p>fosse totalmente ignorante. É preferível a ignorância</p><p>absoluta, do que o conhecimento em mãos inadequa-</p><p>das. Isso é Platão. – Vamos continuar gerando conhe-</p><p>cimento, ou é melhor a gente começar a se preocupar</p><p>também em gerar homens? Isso é fundamental.</p><p>Hora de voltar a nossa criatividade para dentro,</p><p>para gerar como produto a consciência humana. Eu</p><p>desafio todos vocês, que trabalham com criatividade,</p><p>que comecem a voltar a sua criatividade para um pro-</p><p>duto: Criar seres humanos de verdade. Seres huma-</p><p>nos que sejam capazes de dar respostas humanas ao</p><p>mundo. Seres humanos que sejam capazes de cum-</p><p>prir com o seu papel.</p><p>Assim como as plantas cumprem, são base da</p><p>cadeia alimentar; assim como os animais cumprem,</p><p>perpetuam a sua espécie, procriam, sobrevivem; o ser</p><p>humano, que perpetue a condição humana. Que seja</p><p>capaz de aportar com o mundo naquilo que se espera</p><p>de um ser humano.</p><p>Eu reitero que, do ponto de vista da Filosofia, as</p><p>plantas vieram para fazer trocas de energia e gerar</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>32/289</p><p>alimentos, que são a base da cadeia alimentar. Os ani-</p><p>mais, para exercer a sobrevivência e a procriação, de</p><p>maneira eficaz. E os homens vieram para gerar valo-</p><p>res, virtudes e sabedoria.</p><p>Um homem honesto, íntegro, preserva as plantas,</p><p>preserva os animais, preserva o planeta, e tudo mais</p><p>lhe será dado pela criação. Agora, quando o homem</p><p>não faz o quê lhe compete, não adianta você preser-</p><p>var a natureza. A natureza humana em guerra com a</p><p>natureza vão se destruir ambas. Portanto, há que se</p><p>começar a pensar nisso.</p><p>Grandes criativos do mundo, dediquem um pouco</p><p>da sua criatividade para criar seres humanos. Ou seja,</p><p>eu faço um convite para aqueles que trabalham com</p><p>criatividade. Aproximem-se um pouco mais da Filoso-</p><p>fia. Isso vai ser um diálogo muito útil, porque esse é o</p><p>nosso ofício. Pensamos nisso o tempo todo.</p><p>Não basta a informação, é necessária a formação.</p><p>O domínio do ódio, quando você é ofendido. – Gandhi</p><p>fala uma coisa linda: Que nunca devemos odiar os ho-</p><p>mens, mas que devemos odiar as ofensas.</p><p>Os vícios enlouquecem os homens. Se nós fos-</p><p>semos capazes de lutar contra os vícios, e não contra</p><p>os seres humanos que foram dominados por eles, nós</p><p>teríamos muito mais misericórdia, e seríamos capazes</p><p>de sair, no final, não vencedores sobre alguém, mas</p><p>vencedores junto.</p><p>Uma das coisas mais urgentes para a gente é a</p><p>fraternidade. Vencermos esses tipos de ódio, que es-</p><p>tão constantemente fazendo com que alguém esteja</p><p>por cima, massacrando quem está abaixo.</p><p>Esse modelo é um modelo nocivo, pérfido, que</p><p>vai nos levar à destruição, independente de quem es-</p><p>teja acima e abaixo. As nossas lutas para poder colo-</p><p>car, destacar alguma classe social que foi reprimida,</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>33/289</p><p>tomam uma faceta de vingança. Ou seja, eu fui repri-</p><p>mida, agora eu reprimirei.</p><p>Isso não é um modelo que faça nenhuma dife-</p><p>rença. Um modelo onde uns são oprimidos e outros</p><p>são opressores é ruim, seja quem for que esteja de</p><p>cada um dos lados. Vamos desenvolver um modelo</p><p>onde a gente não ganhe sobre ninguém, onde a gente</p><p>ganhe junto. Vamos desenvolver uma capacidade de</p><p>autocontrole diante da diversidade. Vamos desenvol-</p><p>ver uma capacidade de pensarmos no futuro, não só</p><p>no nosso, mas no da humanidade. Vamos desenvolver</p><p>uma mentalidade de um sentido de vida que seja apor-</p><p>tar valor à vida, e não só à minha.</p><p>Sair daqui maior do que eu entrei, e ser fator de</p><p>soma para a humanidade. Ou seja, um monte de ele-</p><p>mentos básicos. Vamos trabalhar sobre isso. Isso é</p><p>urgente, a humanidade necessita disso, e a natureza</p><p>como um todo necessita disso.</p><p>As duas naturezas, a natureza externa e a natu-</p><p>reza humana, clamam por isso. Isso é um vácuo pe-</p><p>rigoso, a ausência de seres humanos no mundo. Não</p><p>adianta você me dizer:</p><p>“– Bom, são não sei quantos bilhões...”</p><p>Não são, mas um bilhão de corpos. A alma huma-</p><p>na desperta eu não sei quantas temos. Mas uma coisa</p><p>é certa, precisa aumentar esse número.</p><p>“– Só é útil o conhecimento que nos torna</p><p>melhores.”</p><p>Isso é fundamental. Reflitam sobre isso. Estamos</p><p>crescendo como seres humanos? Legal, a nossa edu-</p><p>cação está adequada. Se não estamos, não adianta</p><p>aumentar a quantidade de um remédio que não está</p><p>curando a sua dor. Estou sofrendo uma dor de cabeça</p><p>terrível. Uma cefaleia horrorosa, e tomando um com-</p><p>primido que não está funcionando. Dobro ou triplico,</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>34/289</p><p>não vai adiantar. Daqui a pouco, eu me intoxico com o</p><p>medicamento. Ele já provou que é ineficaz. A dose que</p><p>era necessária, ele já provou que é ineficaz.</p><p>A nossa educação, da forma como fazemos hoje,</p><p>meramente informativa, já provou que é ineficaz. Nós</p><p>vamos colocar mais informação, vamos colocar os ga-</p><p>rotos oito horas por dia dentro da escola, vamos colo-</p><p>car mais e mais e mais pós-, pós-, pós-, pós-, espe-</p><p>cialização, e um monte de coisa. Você vai tomar dez</p><p>comprimidos e não vai passar a sua dor. Porque esse</p><p>comprimido, no primeiro, no máximo, no segundo, já</p><p>lhe mostrou que era ineficaz. No décimo, já é estupi-</p><p>dez. Temos que repensar no que consiste uma ver-</p><p>dadeira educação, que trabalhe com a formação em</p><p>valores humanos.</p><p>Também passou da hora de pararmos de tomar</p><p>o remédio errado. Passou da hora de pensarmos em</p><p>uma Medicina interna, uma Medicina da natureza hu-</p><p>mana, que seja mais eficaz do que essa que estamos</p><p>aplicando.</p><p>Que mais? Ensinar valores, ou seja, começar a</p><p>fazer com que o homem aprenda, desenvolvendo isso</p><p>desde a infância. Aprenda que os valores humanos</p><p>são uma delícia, que dão prazer também. Existem os</p><p>prazeres da alma, existem os prazeres humanos. De-</p><p>purar o gosto. Não existe coisa mais gostosa do que</p><p>você perceber “eu tive um ato de bondade que tinha</p><p>ninguém olhando”. Eu não ia ganhar nada com isso.</p><p>Não contei para ninguém. Mas, eu fiz, pelo que eu era.</p><p>Então, me senti honrado de a vida me dar essa oportu-</p><p>nidade. Que delícia que é a bondade. Que delícia que</p><p>é a fraternidade. Às vezes, você coloca uma imagem</p><p>na internet, uma coisa simples, mostrando uma pes-</p><p>soa sendo solidária, e daqui a pouco tem um bando de</p><p>gente dizendo:</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>35/289</p><p>“– Isso me comoveu, me levou às lágrimas...”</p><p>Ah, é? Então a gente gosta disso. Por que não</p><p>usa? Se isso nos traz tanta satisfação, se isso nos</p><p>toca tão profundamente.</p><p>Sempre conto uma das experiências que a gente</p><p>usa com as nossas crianças, porque fazemos ensino</p><p>de Filosofia para crianças a partir de 4 anos, filhos dos</p><p>alunos dos nossos cursos de Filosofia. E, imaginem,</p><p>você pedir para uma criança servir suco para um grupo</p><p>de crianças que fazem parte do seu grupo de estudos.</p><p>E nessa jarra de suco existe o suficiente para quatro</p><p>copos, por exemplo, e elas são cinco. Em um deter-</p><p>minado momento, você</p><p>conseguir fazer com que essa</p><p>criança sinta que, se tiver que faltar, que seja para ela.</p><p>Porque honra é mais gostoso do que suco. Fra-</p><p>ternidade é mais gostoso do que suco. Ela curtiu isso</p><p>adoidado, e ficava orgulhosa.</p><p>A ponto de vir e dizer:</p><p>“– Olha, tia. Hoje faltou para mim... Olha, eu</p><p>consegui. Abri mão do meu suco.”</p><p>Alegríssima, superalegre. Qual o prazer que o</p><p>suco daria? O prazer da honra é muito duradouro. Es-</p><p>sas experiências, às vezes, eu converso com essas</p><p>crianças 20 anos depois, e ainda são uma fonte de</p><p>inspiração para elas. E ainda são um apoio para várias</p><p>decisões que tomaram na vida.</p><p>Então, ensinar que os valores não são coerção,</p><p>mas são convicção, são fontes de realização, são fon-</p><p>tes de prazer. Ensinar o gosto dos valores humanos.</p><p>Fazer com que gostem deles, e não do que vão ga-</p><p>nhar ou perder com isso.</p><p>É impossível que o ser humano não goste da na-</p><p>tureza humana. Isso é um absurdo. É como a planta</p><p>não gostar de ser planta, ou o animal não gostar de ser</p><p>animal. Todos os seres são felizes naquilo que são.</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>36/289</p><p>A maior felicidade reside, perdão, na realização</p><p>da nossa identidade. Por que só o ser humano não</p><p>seria feliz, sendo humano? Você não percebe que tem</p><p>alguma coisa errada aí? Temos que ensinar valores,</p><p>não como uma obrigação, um fardo, mas como um</p><p>privilégio maravilhoso. Minha oportunidade de ser ho-</p><p>nesto nessa vida, não sei se ela vai de novo ser tão</p><p>grande assim...</p><p>Cada vez que se apresentar, eu vou usar bem, por-</p><p>que não tem coisa mais bonita do que a honestidade.</p><p>Não tem coisa mais bonita do que você pegar uma coi-</p><p>sa, que não lhe pertence, e procurar o dono e entregar:</p><p>“– Isso é seu?”</p><p>Não tem coisa mais gostosa do que o sono dos</p><p>justos. E não há coisa mais gostosa do que o prazer</p><p>do dever cumprido. Vamos ensinar isso para a huma-</p><p>nidade. Mas vamos começar primeiro experimentando</p><p>em nós, e curtindo isso demais. Saboreando isso mais</p><p>do que chocolate belga.</p><p>Continuando, ensinar que beleza é harmonia.</p><p>Beleza também é um elemento que gera em nós um</p><p>estado de espírito meio celestial. Perceber que esse</p><p>estado de espírito é provocado, porque beleza é har-</p><p>monia. É a harmonia de cores que faz um belo quadro.</p><p>É a harmonia de sons que faz uma bela melodia. É a</p><p>harmonia de movimentos que faz um belo espetáculo</p><p>de dança. Ou seja, nós nos deliciamos diante da har-</p><p>monia. Por que não a praticamos?</p><p>É uma delícia se conseguimos fazer isso dentro</p><p>de nós. Com todas as vozes que existem dentro de</p><p>nós, harmonizá-las em direção a um único propósito.</p><p>Realizar-se como ser humano, ser humano. E essa</p><p>mesma harmonia com as pessoas à nossa volta. Com-</p><p>pormos um grande corpo, que é a humanidade. Alar-</p><p>garmos o nosso conceito de família.</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>37/289</p><p>Ensinarmos que beleza é harmonia. E se nós fica-</p><p>mos, se temos sede de beleza, o nosso lazer implica</p><p>em muitas vezes estarmos diante da beleza, porque</p><p>isso nos provoca um estado quase que de êxtase. Co-</p><p>meçarmos a ser promotores de harmonia. Não precisa</p><p>você ser um artista para isso. A grande obra de arte do</p><p>homem é viver como um ser humano. Sozinho e em</p><p>coletividade.</p><p>Então, começarmos a pensar, por que eu sinto</p><p>tanto prazer diante do belo? E se eu promover o belo?</p><p>A minha vida vai ser muito mais prazerosa. Eu não</p><p>sou só usuário, sou um promotor de beleza nos meus</p><p>gestos, nos meus pensamentos, nas minhas palavras.</p><p>Impressionante, gente, como seria, por exemplo</p><p>– eu sei que estou falando muito de Gandhi, porque</p><p>realmente tenho lido muito sobre ele ultimamente.</p><p>No seu diário, na sua autobiografia, ele fica em uma</p><p>alegria tremenda, quando consegue dominar o pen-</p><p>samento. Uma alegria tremenda, quando consegue</p><p>ter uma ação coerente, ainda que ninguém goste.</p><p>“– Todo mundo me odiou por isso. Mas eu</p><p>estou tão feliz; fui coerente.”</p><p>A gente precisa de mais homens desse tipo. De</p><p>homens que se alegram por serem humanos, e con-</p><p>sideram que não há prazer maior do que esse.</p><p>Não pense:</p><p>“– Não, mas ele era um Mahatma.”</p><p>Ele era um ser humano que se tornou um Mahat-</p><p>ma. Ser humano é uma construção, não nasce pronto.</p><p>E esse desafio está presente para todos os seres hu-</p><p>manos.</p><p>Ensinar a combater o egoísmo, de tal maneira</p><p>que, quando você vê que por trás da sua motivação</p><p>existe um desejo de tirar proveito das situações, de</p><p>maneira egoísta, combata imediatamente isso.</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>38/289</p><p>Isso exige uma disciplina férrea. Quando eu per-</p><p>cebo que estou sendo egoísta, lá nos bastidores das</p><p>minhas motivações, reajo imediatamente. Sempre</p><p>brinco com os meus alunos.</p><p>Se pousa uma barata em você, você olha para</p><p>ela, e diz...:</p><p>“– Ah, deixa aí. Eu tiro amanhã.”</p><p>Ninguém faz isso. Ninguém faz isso. Barata no</p><p>seu braço, já tem até uma palavra específica para isso:</p><p>“– Ah! Jogue para cima...”</p><p>Faça um pouco isso, quando vir os seus defeitos</p><p>morais. Grite, jogue-os para a frente imediatamente.</p><p>Jogue-os para cima. Não os admita. Quando você os</p><p>vir, combata-os imediatamente com disciplina. Não</p><p>admita que estejam enfronhados por trás das suas</p><p>ações, pensamentos; sempre na motivação de tirar</p><p>proveito de tudo para si próprio. Quando vir isso, con-</p><p>sidere como barata.</p><p>Tenha aí uma disciplina mental, pois isso é uma</p><p>barata. É a pior das baratas, a mais contaminada de</p><p>todas. Portanto, vi, jogar longe imediatamente, sem</p><p>concessões. Isso é um processo de construção de au-</p><p>todisciplina. Qualquer coisa que você constrói tem que</p><p>ter disciplina.</p><p>Construa a si próprio. Implique determinados vo-</p><p>tos, como dizia Gandhi, certos compromissos, certos</p><p>protocolos, que lhe impeçam de fraquejar. Comprome-</p><p>ta-se consigo mesmo. Gandhi chamava isso de voto.</p><p>Nós podemos chamar de compromisso. Comprome-</p><p>ta-se na construção de si próprio, de forma séria. Não</p><p>abra mão disso.</p><p>Para quem não sabe, grande parte da vida de</p><p>Gandhi, para não dizer toda a sua vida, ele diz que</p><p>construiu baseado nos votos que ele fez para sua mãe,</p><p>quando aos 18 anos foi estudar Direito na Inglaterra.</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>39/289</p><p>Aqueles votos, que ela exigiu que ele fizesse, ele</p><p>não fez só durante os três anos da Inglaterra; ele fez</p><p>durante toda a sua vida. E esses votos, sua mãe já</p><p>morta, quando ele volta da Inglaterra, já não a encon-</p><p>tra viva, esses votos nortearam a vida dele inteira, e</p><p>foram de uma utilidade, que ele disse:</p><p>“– Eu não sei o quê teria sido da minha vida</p><p>sem esses votos, que a minha mãe me exigiu fazer.</p><p>O peso disso, de ter feito esses votos para a minha</p><p>mãe, foi um auxiliar precioso no domínio de mim</p><p>mesmo, e no aperfeiçoamento de mim mesmo.”</p><p>Faça votos. Faça votos diante da sua consciên-</p><p>cia, diante de um ser amado, que você queira honrar,</p><p>ainda que não esteja mais presente fisicamente.</p><p>Desenvolva a verdadeira inteligência, que é dis-</p><p>cernimento. Que é uma inteligência que não aceita as</p><p>coisas a priori, porque estão na moda. – Não rode o</p><p>software vida, não compre opinião pronta. Aquela que</p><p>pegar, leve para um canto isso, e a mastigue, matute.</p><p>Uma frase, que eu acho muito bonita, mais uma</p><p>vez, do nosso fundador, o professor Jorge Angel Livra-</p><p>ga. Ele dizia:</p><p>“– O homem não vive daquilo que ele come.</p><p>Ele vive daquilo que ele assimila.”</p><p>O seu estômago faz todo o trabalho para ver o</p><p>quê é para assimilar, e o quê é para eliminar. Por que a</p><p>mente não pode fazer também, e melhor até? Não me</p><p>parece bem mais complexo. Ou seja, desenvolver a</p><p>verdadeira inteligência, que é discernimento, é passar</p><p>a mergulhar nas coisas, a aprofundar-se nelas. Vê-las,</p><p>e ver através delas. Ver o princípio que está por</p><p>trás</p><p>de tudo aquilo, e aplicá-lo em outras situações da vida,</p><p>para ver se é válido.</p><p>Não comprar o pacote vida pronto. Já concluindo,</p><p>ensinar o valor da unidade. As coisas são vivas quan-</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>40/289</p><p>do são unas. Tudo que é dissecado não tem mais vida.</p><p>A humanidade está dissecada, nossa natureza huma-</p><p>na está dissecada. Nosso valor da composição é o de</p><p>sentir realização e prazer em unir, e não em separar.</p><p>Em conjugar, e não em dissecar.</p><p>Ensinar o valor de que o conselho da unidade é</p><p>sempre o melhor conselho, em qualquer circunstância.</p><p>Classicamente, a unidade é o atributo, por excelência,</p><p>de Deus. Aproximar-se da unidade é aproximar-se des-</p><p>se arquétipo, desse ideal tão inspirador. Para muitos, o</p><p>mais inspirador de todos. E eu me incluo nesse grupo.</p><p>Estimular a crescer como seres humanos. Come-</p><p>çar a passar isso para as crianças, para os jovens.</p><p>O quê você deve esperar no futuro? Ganhar melhor</p><p>do que todo mundo, ter mais status? Não! Ser mais</p><p>humano, para inclusive ajudar os outros a também se-</p><p>rem. Que aí você se torna um referencial. Ensina isso</p><p>como meta.</p><p>Estudar para abrir a mente, não para meramente</p><p>acumular informações, e sair esnobando, porque você</p><p>já leu vários livros. É preciso processar o quê vivemos,</p><p>e o quê estudamos.</p><p>Saber amadurecer, gostar de processar o conhe-</p><p>cimento. Considerar isso uma curtição, fazer disso um</p><p>objeto de conversa entre amigos. Que nós nos una-</p><p>mos, e as nossas amizades também sejam unidas em</p><p>torno de ideias. E não meramente em torno de banali-</p><p>dades corriqueiras.</p><p>Sabedoria é saber e aplicar. Sabedoria é uma</p><p>profunda reflexão, e depois uma vivência coerente:</p><p>“– Honrai as verdades com a prática.” É uma</p><p>frase de uma grande filósofa, chamada Helena</p><p>Blavatsky.</p><p>Ver como o rei está nu. Muitas vezes, o rei desfila</p><p>nu na nossa frente. Ou seja, as loucuras do mundo</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>41/289</p><p>atual, não pense que são só no Brasil, não. Em todo</p><p>lugar do mundo, as alienações, os modismos, os Tha-</p><p>nh de todo tipo se apresentam como pensamento da</p><p>moda, e a gente engole ao pé da letra.</p><p>Aprender a olhar e saber, “o rei está nu”. Menos</p><p>erudição, no sentido de quantidade de informação, e</p><p>mais sabedoria, qualidade, aprofundamento.</p><p>Cuidado com essa cultura de sermos tão rasos</p><p>quanto um pires. Não temos mais verticalidade, não</p><p>temos mais capacidade de ir ao fundo, à essência das</p><p>ideias, que se escondem por trás das informações,</p><p>que nos oferecem. Isso nos torna muito limitados, do</p><p>ponto de vista da inteligência, uma ferramenta que nos</p><p>é oferecida pela natureza humana, mas que há que</p><p>saber usar.</p><p>“– A simplicidade é o último grau de sofisti-</p><p>cação.”</p><p>Uma frase que se atribui a Leonardo da Vinci. Eu</p><p>acho muito interessante. Simples, disse que, quan-</p><p>to mais intelectual é o homem, mais vaidoso ele se</p><p>torna. Quanto mais sábio, mais simples ele se torna.</p><p>Porque o sábio vislumbra o universo que existe ainda</p><p>para saber, enquanto o mero intelectual acha que já</p><p>sabe tudo. O universo dele é muito pequeno. E desse</p><p>pequeno fragmento que ele consegue ver ele já tem</p><p>quase tudo.</p><p>Sócrates dizia:</p><p>“– Só sei que nada sei.”</p><p>Isso é prova de grande sabedoria. Ele vislumbra-</p><p>va o tamanho daquilo que havia para conhecer. O vai-</p><p>doso não vislumbra nada. Vê um átomo e acha que</p><p>tem muito. Então, quanto mais se sabe, mais humilde</p><p>e mais disposto a se comprometer com a humanidade.</p><p>E transmitir, de mãos cheias, o pouco que temos. Hon-</p><p>rai as verdades com a prática.</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>42/289</p><p>E assim terminamos hoje, gente, a nossa peque-</p><p>na palestra. Não foi nem tão pequena assim.</p><p>Eu queria passar para vocês o critério, para aque-</p><p>les que vierem a se interessar pelo nosso Curso de</p><p>Técnicas de Estudo. Não é um curso meramente téc-</p><p>nico. Nosso curso de aprender a estudar é um curso</p><p>muito cheio de Filosofia.</p><p>Porque o quê queremos ali não é simplesmente</p><p>ensinar a você a fazer uma boa síntese, a refletir, mas</p><p>também a aprender a tesourar e transformar esse co-</p><p>nhecimento em vida. É isso que nós nos propomos.</p><p>Somos uma escola de Filosofia, e não fazemos</p><p>meramente técnica. A Filosofia usa a sua criatividade</p><p>voltada para a construção de homens. E eu convido to-</p><p>dos, em qualquer profissão, a associarem esse ofício,</p><p>essa missão da criatividade. Ou seja, a tomarem para</p><p>si o dever de ser também um pouco filósofo. Platão</p><p>dizia que, enquanto você exerce qualquer profissão,</p><p>você poderia e deveria ser também filósofo. Porque a</p><p>Filosofia aporta um novo ângulo, uma nova perspecti-</p><p>va ao seu ofício, seja ele qual for.</p><p>Inclusive, e principalmente, ao ofício de um bom</p><p>estudante, aquele que ama e quer para si a sabedoria.</p><p>Muito obrigada, e a gente se vê.</p><p>Eu espero que você possa tornar úteis alguns</p><p>desses conhecimentos.</p><p>Obrigada.</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de TÉcnicas de Estudo</p><p>43/289</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Professora Lúcia Helena Galvão</p><p>44/289</p><p>BOAS-VINDAS</p><p>Somos aprendizes da vida</p><p>Hoje nós vamos conversar a respeito de um mon-</p><p>te de tópicos. Todos eles, vamos tratar de uma manei-</p><p>ra sumária, mas para vocês terem uma ideia de como</p><p>todas essas coisas compõem a capacidade de um</p><p>bom estudante.</p><p>Que na verdade não é simplesmente a capacidade</p><p>de um bom estudante, é a capacidade de um bom apren-</p><p>diz. E um bom aprendiz é uma coisa fundamental que</p><p>o ser humano seja, porque disso se trata: Viemos aqui</p><p>para aprender. Viemos aqui para construir a nós mes-</p><p>mos, e ocupar o nosso espaço no mundo. Ser fatores de</p><p>soma, acrescentarmos valor a nós mesmos e ao mundo.</p><p>Então, quem não é aprendiz está fadado a pas-</p><p>sar a vida em vão. Quem não é aprendiz está fadado</p><p>a não cumprir com a sua missão de sair daqui maior</p><p>do que entrou. Não se enganem, achando que quem</p><p>tem que estudar bem é simplesmente aquele que tem</p><p>alguma prova para fazer.</p><p>Deixe-me falar uma coisa para vocês: A vida tem</p><p>provas todos os dias, e o aprendizado é fundamental</p><p>para que a gente passe bem por elas. Para que as</p><p>provas na vida não virem sofrimento inútil, e, inclusi-</p><p>ve, para que não tenhamos que ficar repetindo esse</p><p>sofrimento.</p><p>Porque a vida é reiterativa. Se você não passa por</p><p>uma prova, ela vai constantemente estar dando situa-</p><p>Licensed to Tiago Trindade - tiagotrindadetrindade19@gmail.com - 832.180.845-04 - HP12616463323293</p><p>Curso de Técnicas de Estudo</p><p>45/289</p><p>ções, simbolicamente, semelhantes. Ou seja, quando</p><p>a gente se senta num banco escolar, a pedagogia de</p><p>uma escola é uma imitação da pedagogia da vida. Ela</p><p>nos oferece provas, ela não avisa quando vão ser, ela</p><p>não avisa o quê vai cair. Ou seja, só existe uma forma</p><p>de você se sair bem nessas provas, que é estar per-</p><p>manentemente com ânimo de aprendizagem.</p><p>Não deixar para estudar na véspera, porque você</p><p>não sabe quando vai ser a véspera. Provavelmente,</p><p>todos os dias são a véspera. A vida é constantemente</p><p>de aprendizado e provas.</p><p>Então, alguns elementos que eu trago para vo-</p><p>cês, vocês sabem, a gente está com o Curso de Téc-</p><p>nicas de Estudo para ser lançado. Eu sempre digo que</p><p>esse curso, que foi desenvolvido por Nova Acrópole,</p><p>e que eu já dou há muitos anos, deveria ser, em um</p><p>estado ideal, inserido na escola dos meninos, desde a</p><p>primeira infância.</p><p>É impressionante o desperdício de tempo, por-</p><p>que nós temos estudado mal. Já cansei de comparti-</p><p>lhar com vocês a minha angústia de ver uma pessoa</p><p>me dizer:</p><p>“– Li tal livro...”</p><p>Um livro bom, importante. O quê é que eu espe-</p><p>ro? Que ela tenha incorporado o ensinamento desse li-</p><p>vro à sua vida. Ela não só não incorpora na hora, como</p>

Mais conteúdos dessa disciplina