Prévia do material em texto
<p>Indaial – 2023</p><p>Econômico</p><p>Prof. Lucas Soboleswki Flores</p><p>1a Edição</p><p>Jornalismo</p><p>Político E</p><p>Elaboração:</p><p>Prof. Lucas Soboleswki Flores</p><p>Copyright © UNIASSELVI 2023</p><p>Revisão, Diagramação e Produção:</p><p>Equipe Desenvolvimento de Conteúdos EdTech</p><p>Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI</p><p>Ficha catalográfica elaborada pela equipe Conteúdos EdTech UNIASSELVI</p><p>Impresso por:</p><p>C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO LEONARDO DA VINCI.</p><p>Núcleo de Educação a Distância. FLORES, Lucas Soboleswki.</p><p>Jornalismo Político e Econômico. Lucas Soboleswki Flores. Indaial - SC:</p><p>Arqué, 2023.</p><p>230p.</p><p>ISBN 978-65-5646-607-1</p><p>ISBN Digital 978-65-5646-602-6</p><p>“Graduação - EaD”.</p><p>1. Jornalismo 2. Político 3. Economia</p><p>CDD 070</p><p>Bibliotecário: João Vivaldo de Souza CRB- 9-1679</p><p>Olá, acadêmico! Seja bem-vindo ao livro de estudos da disciplina de Jornalismo</p><p>Político e Econômico.</p><p>Neste livro, você terá acesso aos conhecimentos necessários para desenvolver</p><p>matérias, reportagens e outros tipos de conteúdos com foco nas editorias de política</p><p>e economia de jornais, portais de notícias, blogs e mídia especializada, de modo geral.</p><p>Para isso, dividimos o material em três unidades. Na primeira delas, você será</p><p>introduzido na produção de conteúdo informacional na esfera político-econômica.</p><p>Sendo assim, aprenderá sobre a importância do conhecimento sobre economia e</p><p>política para todos os setores da sociedade.</p><p>Ainda na Unidade 1, você aprenderá como ocorre o desenvolvimento econômico</p><p>e a lógica do processo de acumulação de capital. Além disso, conhecerá os conceitos</p><p>de micro e macroeconomia e verá como eles se aplicam às demandas da comunicação</p><p>social.</p><p>Ao chegar à Unidade 2, você avançará nos estudos sobre as agendas midiáticas</p><p>política e econômica no jornalismo. Sendo assim, estudaremos sobre as pautas dessa</p><p>editoria e temas como a ética profissional, a relação com as fontes e a produção e</p><p>conteúdo opinativo.</p><p>Na Unidade 3, serão discutidos os estilos e formas de abordagem de conteúdos</p><p>sobre política e economia. Estudaremos, entre outras coisas, sobre a rede noticiosa nos</p><p>contextos local, regional e nacional.</p><p>Para finalizar, faremos uma análise de grandes reportagens já realizadas no</p><p>jornalismo político e econômico, para que você possa se inspirar e dar os seus próprios</p><p>passos nesse segmento.</p><p>Tenha bons estudos e uma ótima leitura!</p><p>Um abraço</p><p>Prof. Lucas Soboleswki Flores</p><p>APRESENTAÇÃO</p><p>Olá, acadêmico! Para melhorar a qualidade dos materiais ofertados a você – e</p><p>dinamizar, ainda mais, os seus estudos –, nós disponibilizamos uma diversidade de QR Codes</p><p>completamente gratuitos e que nunca expiram. O QR Code é um código que permite que você</p><p>acesse um conteúdo interativo relacionado ao tema que você está estudando. Para utilizar</p><p>essa ferramenta, acesse as lojas de aplicativos e baixe um leitor de QR Code. Depois, é só</p><p>aproveitar essa facilidade para aprimorar os seus estudos.</p><p>GIO</p><p>QR CODE</p><p>Olá, eu sou a Gio!</p><p>No livro didático, você encontrará blocos com informações</p><p>adicionais – muitas vezes essenciais para o seu entendimento</p><p>acadêmico como um todo. Eu ajudarei você a entender</p><p>melhor o que são essas informações adicionais e por que você</p><p>poderá se beneficiar ao fazer a leitura dessas informações</p><p>durante o estudo do livro. Ela trará informações adicionais</p><p>e outras fontes de conhecimento que complementam o</p><p>assunto estudado em questão.</p><p>Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos</p><p>os acadêmicos desde 2005, é o material-base da disciplina.</p><p>A partir de 2021, além de nossos livros estarem com um</p><p>novo visual – com um formato mais prático, que cabe na</p><p>bolsa e facilita a leitura –, prepare-se para uma jornada</p><p>também digital, em que você pode acompanhar os recursos</p><p>adicionais disponibilizados através dos QR Codes ao longo</p><p>deste livro. O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura</p><p>interna foi aperfeiçoada com uma nova diagramação no</p><p>texto, aproveitando ao máximo o espaço da página – o que</p><p>também contribui para diminuir a extração de árvores para</p><p>produção de folhas de papel, por exemplo.</p><p>Preocupados com o impacto de ações sobre o meio ambiente,</p><p>apresentamos também este livro no formato digital. Portanto,</p><p>acadêmico, agora você tem a possibilidade de estudar com</p><p>versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador.</p><p>Preparamos também um novo layout. Diante disso, você</p><p>verá frequentemente o novo visual adquirido. Todos esses</p><p>ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos</p><p>nas pesquisas institucionais sobre os materiais impressos,</p><p>para que você, nossa maior prioridade, possa continuar os</p><p>seus estudos com um material atualizado e de qualidade.</p><p>ENADE</p><p>LEMBRETE</p><p>Olá, acadêmico! Iniciamos agora mais uma</p><p>disciplina e com ela um novo conhecimento.</p><p>Com o objetivo de enriquecer seu conheci-</p><p>mento, construímos, além do livro que está em</p><p>suas mãos, uma rica trilha de aprendizagem,</p><p>por meio dela você terá contato com o vídeo</p><p>da disciplina, o objeto de aprendizagem, materiais complementa-</p><p>res, entre outros, todos pensados e construídos na intenção de</p><p>auxiliar seu crescimento.</p><p>Acesse o QR Code, que levará ao AVA, e veja as novidades que</p><p>preparamos para seu estudo.</p><p>Conte conosco, estaremos juntos nesta caminhada!</p><p>Acadêmico, você sabe o que é o ENADE? O Enade é um</p><p>dos meios avaliativos dos cursos superiores no sistema federal de</p><p>educação superior. Todos os estudantes estão habilitados a participar</p><p>do ENADE (ingressantes e concluintes das áreas e cursos a serem</p><p>avaliados). Diante disso, preparamos um conteúdo simples e objetivo</p><p>para complementar a sua compreensão acerca do ENADE. Confi ra,</p><p>acessando o QR Code a seguir. Boa leitura!</p><p>SUMÁRIO</p><p>UNIDADE 1 - A IMPORTÂNCIA DO CONHECIMENTO SOBRE ECONOMIA E POLÍTICA PARA</p><p>A SOCIEDADE ......................................................................................................................... 1</p><p>TÓPICO 1 - A ATIVIDADE SOCIOECONÔMICA E POLÍTICA: PRODUÇÃO, DISTRIBUIÇÃO E</p><p>CONSUMO DE CONTEÚDOS NA ÁREA...................................................................................3</p><p>1 INTRODUÇÃO ......................................................................................................................3</p><p>2 ECONOMIA E POLÍTICA: TEMAS DE INTERESSE DE TODA A POPULAÇÃO .....................3</p><p>3 DESAFIOS DA PRODUÇÃO DE CONTEÚDO PARA AS SEÇÕES DE POLÍTICA E</p><p>ECONOMIA ..............................................................................................................................9</p><p>3.1 EXPLICAÇÃO DE CONCEITOS COMPLEXOS .................................................................................... 9</p><p>3.2 USO DE DADOS PARA ILUSTRAR OS CONTEÚDOS PRODUZIDOS ......................................... 10</p><p>3.3 CONTRIBUIÇÃO PARA MANUTENÇÃO DA DEMOCRACIA ..........................................................12</p><p>3.3 COMBATE ÀS FAKE NEWS ................................................................................................................ 13</p><p>RESUMO DO TÓPICO 1 ......................................................................................................... 15</p><p>AUTOATIVIDADE .................................................................................................................. 16</p><p>TÓPICO 2 - O DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E A LÓGICA DO PROCESSO DE</p><p>ACUMULAÇÃO DE CAPITAL ................................................................................................ 19</p><p>1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................... 19</p><p>2 POLÍTICA E ECONOMIA: ENTENDENDO OS CONCEITOS ................................................ 19</p><p>2.1 O QUE É POLÍTICA? ..............................................................................................................................21</p><p>2.2 O QUE É ECONOMIA? .........................................................................................................................24</p><p>2.2.1 Termos econômicos traduzidos para jornalistas ...............................................................28</p><p>da área é fundamental. A seguir, explicaremos alguns</p><p>dos principais deles para você. Acompanhe!</p><p>• Balanço de pagamento: “Resultado de todas as entradas e saídas de recursos do</p><p>país” (JUSKI, 2020, p.122).</p><p>• Certificado de Depósito Interbancário (CDI): “É a taxa que os bancos utilizam</p><p>quando fazem operações entre eles, de banco para banco. Ou seja, é a taxa que os</p><p>bancos usam como referência para emprestar dinheiro entre si” (ARCURI, 2018, p.121).</p><p>• Déficit fiscal nominal: “Resultado de todas as receitas e todas as despesas do</p><p>governo, inclusive de pagamento com juros da dívida pública (externa e interna)”</p><p>(CALDAS, 2005, apud JUSKI, 2020, p.122).</p><p>• Fundo Garantidor de Crédito (FGC): “é uma entidade privada e sem fins lucrativos</p><p>que protege os investidores que colocam seu dinheiro em instituições financeiras</p><p>associadas a ele” (NUBANK, 2019).</p><p>• Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa): “Principal indicador de</p><p>desempenho médio das ações listadas por ela [bolsa de valores]. Nele, constam os</p><p>ativos dos maiores volumes de negociação na bolsa, ou seja, é o índice da carteira</p><p>teórica de ações em negociação na Bolsa de Valores de São Paulo” (JUSKI, 2020,</p><p>p.122).</p><p>• Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): “Ele indica quanto seu dinheiro</p><p>desvalorizou de um mês para outro. Ou seja, o que você comprava antes com aquela</p><p>quantia e que já não consegue comprar mais hoje” (ARCURI, 2018, p.121).</p><p>• Inflação: “Média do crescimento dos preços de um conjunto de bens e serviços, em</p><p>um determinado período. Ou seja, ocorre quando, na mídia, os preços subiram mais</p><p>do que caíram” (CALDAS, 2005, apud JUSKI, 2020, p.121).</p><p>• Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD): “Indicador econômico,</p><p>produzido pelo IBGE, que contempla dados que se referem à quantidade de pessoas</p><p>empregadas, desempregadas, taxa de ocupação, taxa de desemprego e rendimento</p><p>médio da população. Esse é um indicativo prático dos efeitos da conjuntura econômica</p><p>sobre o mercado, além de compreender outras necessidades para o planejamento</p><p>socioeconômico do país” (JUSKI, 2020, p.122).</p><p>• Produto Interno Bruto (PIB): “Mede a atividade econômica de uma determinada</p><p>região em um período, ou seja, é a soma de riquezas produzidas por um país. Além</p><p>disso, o PIB é divido em quatro áreas: indústria, comércio, agricultura e serviços. O</p><p>29</p><p>PIB é um dos indicadores financeiros mais usados na macroeconomia (CALDAS, 2005</p><p>apud JUSKI, 2020, p.121).</p><p>• Renda Fixa: “É uma aplicação em que você empresta dinheiro ao banco, a uma</p><p>empresa ou ao Tesouro Nacional e recebe dinheiro por isso” (ARCURI, 2018, p.121).</p><p>• Renda per capita: “Valor total do PIB dividido entre o número de habitantes do país,</p><p>calculando a renda média da população” (JUSKI, 2020, p.121).</p><p>• Risco Brasil: “Taxa que mede a vulnerabilidade da economia brasileira e serve de</p><p>base para calcular os juros de créditos externos ao Brasil” (CALDAS, 2005, apud</p><p>JUSKI, 2020, p.122).</p><p>• Saldo ou déficit da balança comercial: “Resultado da diferença entre exportações</p><p>e importações” (CALDAS, 2005 apud JUSKI, 2020, p.122).</p><p>• Superávit primário: “Diferença entre receitas e despesas correntes do governo,</p><p>excluídas despesas com juros. Quando esse resultado é negativo, vira déficit. É com</p><p>o valor poupado do superávit primário que o governo paga os juros da dívida pública”</p><p>(CALDAS, 2005 apud JUSKI, 2020, p.122).</p><p>• Taxa de Câmbio: “A taxa de câmbio é a expressão em reais do valor das moedas</p><p>estrangeiras no Brasil. Devido à influência da economia norte-americana no Brasil e</p><p>no mundo, a taxa mais utilizada é expressa em dólar americano” (CALDAS, 2005 apud</p><p>JUSKI, 2020, p.121).</p><p>• Taxa de Juros: “Os juros praticados pelos bancos incorporam o chamado spread,</p><p>que é a diferença entre o custo da captação de dinheiro dos bancos e o custo dos</p><p>empréstimos que eles concedem às empresas e pessoas físicas” (JUSKI, 2020, p.121).</p><p>• Taxa Selic: “Ela comanda todas as taxas de juros do país. Se a Selic aumenta, os</p><p>juros do cartão de crédito, do financiamento do carro etc. ficam mais caros, mas os</p><p>investimentos em renda fixa passam a pagar melhor” (ARCURI, 2018, p.121).</p><p>No entendimento de Juski (2020), conhecer esses e outros termos próprios da</p><p>economia, assim como entender como os mecanismos funcionam, é de fundamental</p><p>importância. Para a autora, isso é o que garante ao profissional a sabedoria necessária</p><p>para compreender as informações cedidas pelas fontes e interpretar os fatos com</p><p>propriedade.</p><p>Para finalizar esta seção de estudos, preste atenção nesta fala de Caldas (2005,</p><p>p. 84-85), sobre o texto de economia:</p><p>O texto de economia exige esforço extra do repórter para traduzir,</p><p>em linguagem clara e acessível, a frieza dos números, dos termos</p><p>técnicos e herméticos usados pelas fontes de informação, pesquisas,</p><p>balanços, relatórios e documentos do governo. É preciso, sobretudo,</p><p>saber interpretar com simplicidade e agregar novos dados para</p><p>projetar e oferecer ao leitor indicações de tendências, para que ele</p><p>possa planejar sua vida ou seus negócios. As pesquisas mensais do</p><p>IBGE sobre produção industrial e desemprego, o resultado do mês</p><p>da balança comercial, por exemplo, são informações que chegam ao</p><p>repórter de forma técnica e fria. Ao escrever, ele não deve seguir o</p><p>script que leu ou ouviu. Se assim o fizer, vai apenas reproduzir para o</p><p>leitor a chatice das expressões típicas do economês, que o cidadão</p><p>comum não é obrigado a conhecer.</p><p>30</p><p>Suely Caldas, autora da citação acima, tem uma vasta experiência como jornalista</p><p>de economia. Ela já foi diretora do jornal O Estado de São Paulo, foi vencedora de dois</p><p>prêmios Esso nessa categoria e integrou o time de repórteres de grandes veículos, tais</p><p>como Gazeta Mercantil, O Globo, Folha de São Paulo, Jornal do Brasil, Exame e Visão.</p><p>Vale a pena prestar atenção dos conselhos dessa experiente repórter, para que</p><p>você possa mais êxito ao produzir conteúdos com vieses político-econômicos.</p><p>3 O DESENVOLVIMENTO POLÍTICO-ECONÔMICO NO</p><p>CAPITALISMO</p><p>O Brasil é internacionalmente conhecido como um país capitalista de estado,</p><p>mas, você sabe o que isso significa, de fato? Compreender sobre os diferentes tipos de</p><p>sistemas político-econômicos é mais um desafio importante para os jornalistas.</p><p>Nesta seção, você aprenderá mais sobre o desenvolvimento político-econômico</p><p>no capitalismo. Continue a leitura!</p><p>Fonte: https://sto-blog.s3.amazonaws.com/images/2016/02/25/charge-9.jpg. Acesso em: 2 dez. 2022.</p><p>Figura 9 – Tirinha com crítica ao capitalismo</p><p>Acadêmico, o que você interpreta ao analisar a tirinha acima? Se você está</p><p>pensando que o autor está fazendo um ataque fulminante ao sistema capitalista,</p><p>acertou.</p><p>É bem provável que você já tenha ouvido falar por aí que o capitalismo explora</p><p>as pessoas e os ambientes ao máximo. Dessa forma, um pequeno grupo de pessoas,</p><p>que são os detentores do capital, se beneficiam às custas dos demais.</p><p>Com base nessa premissa, o autor da tirinha faz uma analogia ao calor típico</p><p>do Estado de Pernambuco. Ou seja, na visão dele, assim como é impossível pensar</p><p>na possibilidade de nevar em território pernambucano, também não é provável que o</p><p>capitalismo poderá ser mais justo e sustentável.</p><p>31</p><p>Fonte: https://pbs.twimg.com/media/DOD-Td9X0AApb1P.jpg. Acesso em: 2 dez. 2022.</p><p>Figura 10 – Charge com crítica ao socialismo</p><p>De forma sucinta, Menezes (2023, s.p) define o capitalismo como: “[...] um</p><p>sistema econômico e social baseado no direito à propriedade privada, no lucro e na</p><p>acumulação de capital”.</p><p>Ainda de acordo com Menezes (2023, s.p): “Também conhecido como economia</p><p>de mercado, o capitalismo opera através das leis da livre iniciativa, da livre concorrência</p><p>e das leis da oferta e da procura”.</p><p>Apesar das críticas que muitos fazem ao capitalismo, com o socialismo, modelo</p><p>econômico oposto, não é diferente. Observe a charge a seguir.</p><p>Nessa charge, Nicolás Maduro, o presidente da Venezuela, é representado como</p><p>um líder com privilégios e riquezas. Ao mesmo tempo, a</p><p>população venezuelana é vista</p><p>pelo chargista como pessoas miseráveis, visivelmente magras, com fome e roupas</p><p>remendadas.</p><p>Há muitas críticas ao modelo socialista, que se popularizou a partir dos</p><p>estudos de Karl Marx e Frierich Engels. Como explica Silva (2022), para os socialistas,</p><p>os trabalhadores deveriam se rebelar e tomar os meios de produção do Estado. Tais</p><p>mudanças teriam o objetivo de combater o capitalismo e instaurar o comunismo, com o</p><p>trabalho distribuído e as riquezas compartilhadas. Assim, não haveria mais propriedade</p><p>privada, tampouco classes sociais.</p><p>32</p><p>Acadêmico, você sabia que as obras literárias são uma boa fonte para aprender conteúdos</p><p>diversos de forma leve e lúdica? Para compreender melhor os sistemas político-econômicos,</p><p>recomendamos a leitura do romance A revolução dos bichos, do escritor inglês George</p><p>Orwell.</p><p>O livro narra uma história de corrupção e traição e recorre a figuras de animais para retratar</p><p>as fraquezas humanas e demolir o "paraíso comunista" proposto pela União Soviética na</p><p>época de Stalin.</p><p>A revolta dos animais da fazenda contra os humanos é liderada pelos porcos</p><p>Bola-de-Neve e Napoleão. Eles tentam criar uma sociedade utópica, porém</p><p>Napoleão, seduzido pelo poder, afasta Bola-de-Neve e estabelece uma</p><p>ditadura tão corrupta quanto a sociedade de humanos.</p><p>Vale a pena fazer a leitura desse clássico da literatura mundial, que já foi</p><p>escolhido pela revista Times como um dos 100 melhores romances da língua</p><p>inglesa de todos os tempos.</p><p>DICA</p><p>Críticas e ideologias à parte, para você, estudante de jornalismo, compreender</p><p>sobre os diferentes sistemas político-econômicos é essencial. Afinal, é em meio a esses</p><p>cenários que ocorrem os fatos que serão noticiados no seu dia a dia profissional.</p><p>Para assimilar melhor os sistemas econômicos, analise o Quadro 1, que sintetiza</p><p>as diferenças entre capitalismo e socialismo:</p><p>CAPITALISMO SOCIALISMO</p><p>Defende a propriedade privada e entende</p><p>que a manutenção desta é uma das</p><p>formas para garantir a produção de</p><p>riqueza.</p><p>Contrário à propriedade privada, porque</p><p>entende que a posse individualizada gera</p><p>concentração de renda e pobreza.</p><p>Os meios de produção pertencem aos</p><p>capitalistas, e o Estado não intervém no</p><p>direito de posse deles.</p><p>Os meios de produção são tomados</p><p>pelos trabalhadores e pertencem, em</p><p>última instância, ao Estado.</p><p>A economia se estrutura com base no</p><p>livre-comércio e na iniciativa individual e</p><p>privada.</p><p>A economia é planificada, cabendo ao</p><p>Estado estabelecer as estratégias para</p><p>essa área e distribuir o trabalho entre a</p><p>população.</p><p>A acumulação de bens é permitida e</p><p>entendida como uma conquista daqueles</p><p>que investiram no mercado.</p><p>Não há acumulação de bens, porque</p><p>a riqueza produzida é repartida entre</p><p>toda a sociedade, de acordo com as</p><p>necessidades de cada integrante.</p><p>Quadro 1 – Diferenças entre o capitalismo e o socialismo</p><p>33</p><p>Há uma forte valorização do</p><p>individualismo, e a riqueza é entendida</p><p>como o mérito pela iniciativa de cada</p><p>pessoa.</p><p>O coletivo é considerado o mais</p><p>importante, e a riqueza é produzida e</p><p>repartida coletivamente.</p><p>Existem duas formas de o Estado atuar</p><p>na economia, sendo que ele pode ser</p><p>intervencionista ou dar liberdade para o</p><p>mercado se autorregular.</p><p>O Estado é necessariamente</p><p>intervencionista na economia, pois</p><p>entende que as desigualdades do</p><p>capitalismo devem ser reduzidas pelo</p><p>Estado.</p><p>Sociedade movida pelo lucro por meio da</p><p>iniciativa de cada indivíduo.</p><p>Sociedade movida pela distribuição</p><p>da riqueza produzida e pelo desejo de</p><p>atender as necessidades básicas de cada</p><p>indivíduo.</p><p>Sociedade dividida em classes sociais</p><p>que são estabelecidas pelo rendimento</p><p>econômico dos indivíduos.</p><p>O Estado deve atuar para acabar</p><p>progressivamente com as classes</p><p>sociais.</p><p>Garante a liberdade religiosa, e cada</p><p>Estado pode escolher ter uma religião ou</p><p>ser laico.</p><p>Determina que a religião deve ser algo</p><p>privado, garante a liberdade de credo</p><p>aos indivíduos, e o Estado deve ser</p><p>obrigatoriamente laico.</p><p>Fonte: https://brasilescola.uol.com.br/geografia/principais-diferencas-entre-capitalismo-socialismo.htm.</p><p>Acesso em: 2 dez. 2022.</p><p>Compreendidas as principais diferenças entre o capitalismo e o socialismo,</p><p>vamos nos aprofundar sobre os estudos do desenvolvimento político-econômico</p><p>em nosso País. Para isso, é importante compreender sobre como o capitalismo se</p><p>desenvolveu no decorrer dos anos. Siga estudando!</p><p>3.2 FASES DO CAPITALISMO</p><p>A História nos ensina que o capitalismo surgiu na Europa Ocidental, por conta</p><p>de mudanças ocorridas no sistema feudal, no decorrer do século XIII. Nessa época,</p><p>a centralização do poder começou a ficar nas mãos do rei e a burguesia ascendeu,</p><p>principalmente quando se iniciou a prática do comércio de mercadorias.</p><p>Adam Smith, que ficou conhecido como um dos principais pensadores do</p><p>liberalismo e é considerado o pai da economia moderna, dizia que o capitalismo é o</p><p>único sistema que pode funcionar tendo como base a necessidade que as pessoas têm</p><p>de atender os seus próprios interesses.</p><p>34</p><p>Uma famosa fala do Smith diz o seguinte: “Não é da benevolência do açougueiro,</p><p>do cervejeiro e do padeiro que esperamos o nosso jantar, mas da consideração que ele</p><p>tem pelos próprios interesses. Apelamos não à humanidade, mas ao amor-próprio, e</p><p>nunca falamos de nossas necessidades, mas das vantagens que eles podem obter”</p><p>(SMITH, s, p. apud CONSTANTINO, 2017, s. p.).</p><p>Pode-se considerar, dessa forma, que o sistema capitalista acredita que o</p><p>Estado deve reduzir ao máximo as intervenções na economia. Para Smith, é o próprio</p><p>mercado quem deve regular as ações econômicas que realiza.</p><p>Para saber mais sobre Adam Smith, suas contribuições para a formação do</p><p>capitalismo e evolução social, leia a breve biografia escrita pela professora</p><p>Juliana Bezerra no portal Toda Matéria. Disponível em: https://www.todamateria.</p><p>com.br/adam-smith/. Acesso em: 3 dez. 2022</p><p>DICA</p><p>Do seu surgimento até os dias atuais, o capitalismo passou por diversas fases.</p><p>É importante que façamos um resgate de cada uma delas, para que se possa ter uma</p><p>melhor compreensão da sociedade atual. Vamos lá?</p><p>3.2.1 Capitalismo comercial ou mercantil</p><p>Figura 11 – Pintura de relações comercial na época do capitalismo comercial</p><p>Fonte: https://images.educamaisbrasil.com.br/content/banco_de_imagens/guia-de-estudo/D/capitalismo-</p><p>-comercial.jpg. Acesso em: 3 dez. 2022</p><p>35</p><p>Também chamado por alguns historiadores de pré-capitalismo, o capitalismo</p><p>comercial ou mercantil iniciou-se na Europa e vigorou entre os séculos XV e XVIII.</p><p>Augustinho (2018) destaca que, nessa época, as relações comerciais eram baseadas</p><p>na troca de excedentes. Ou seja, uma região trocava com a outra coisas que não podia</p><p>produzir, por qualquer motivo.</p><p>Nas palavras da autora: “Nos séculos XV e XVI, o mercantilismo se baseava no</p><p>acúmulo de metais preciosos para os estados absolutistas, a partir da comercialização</p><p>de produtos manufaturados locais e produtos adquiridos nas colônias, como especiarias,</p><p>o chamado metalismo” (AUGUSTINHO, 2018, p. 53).</p><p>Por conta desse tipo de prática, as sociedades colocaram um fim no sistema</p><p>feudal, que se baseava em uma produção de grãos, cereais e caças destinadas apenas</p><p>para o consumo local. No feudalismo, não havia a intenção de produzir produtos para</p><p>vendê-los, mas sim para suprir as necessidades de cada feudo apenas.</p><p>O feudalismo foi um dos momentos mais importantes para a formação da</p><p>organização socioeconômica da sociedade. Para que você entenda mais sobre</p><p>esse período, recomendamos a leitura do resumo publicado pelo portal Stoodi.</p><p>Disponível em: https://www.stoodi.com.br/blog/historia/feudalismo-o-que-e/.</p><p>Acesso em: 3 dez. 2022.</p><p>DICA</p><p>Em resumo, podemos dizer que o principal objetivo do capitalismo comercial era</p><p>o acúmulo de capital por meio do comércio. Além disso, as sociedades também tinham</p><p>que vender mais do que consumiam e conquistar novas colônias.</p><p>É interessante destacar que, nessa época, surgiu uma nova classe na</p><p>sociedade, a burguesia. Augustinho</p><p>(2018, p. 53) explica: “O comércio mercantilista era</p><p>profundamente regulado pelos Estados, e os comerciantes que enriqueciam movendo</p><p>as trocas eram chamados de ‘burgueses’, elementos-chave para a construção do</p><p>modelo capitalista e da Revolução Industrial”.</p><p>36</p><p>3.2.2 Capitalismo industrial</p><p>Figura 12 – Cena do filme Tempos Modernos, uma crítica ao modelo de produção capitalista</p><p>Fonte: https://static.dw.com/image/1466473_605.jpg. Acesso em: 3 dez. 2022</p><p>Conhecido também como industrialismo, o capitalismo industrial se estabeleceu</p><p>no século XVIII, a partir da Revolução Industrial, que modificou a forma como os sistemas</p><p>de produção se estruturavam.</p><p>Como destaca Augustinho (2018, p. 54), o capitalismo industrial se caracteriza</p><p>pela produção fabril. Sendo assim, as mercadorias deixaram de ser manufaturadas e</p><p>passaram a ser produzidas em indústrias.</p><p>Sobre essa época, a autora disserta:</p><p>Dois elementos materiais alteram as formas de produção</p><p>manufaturadas para as industrializadas: a utilização do carvão</p><p>como combustível, fonte de energia que possibilitava que uma só</p><p>máquina executasse o trabalho de vários homens, acelerando e</p><p>homogeneizando a produção; e, ainda, como produto da utilização</p><p>do carvão como fonte de energia, as estradas de ferro passam a</p><p>se espalhar pela Europa, levando as mercadorias pelo continente</p><p>de forma mais rápida e segura do que os veículos movimentados</p><p>por animais. Estes dois elementos, o carvão e as estradas de ferro,</p><p>levam à chamada Revolução Industrial, uma forma de organização</p><p>da produção que rompe com o modelo anterior e altera as estruturas</p><p>de organização social e, em alguns momentos, política. As fábricas</p><p>passam a concentrar os trabalhadores ao seu redor, os quais se</p><p>mudam dos postos de troca mercantilistas e dos núcleos feudais, em</p><p>busca de trabalho. Como uma nova prática, não há regulamentação</p><p>sobre o trabalho ou os benefícios do trabalhador, o que faz com que</p><p>os salários sejam baixos e haja mão-de-obra abundante e barata</p><p>(AUGUSTINHO, 2018, p. 54).</p><p>37</p><p>Com a Revolução Industrial, surgiu também um problema econômico para</p><p>a sociedade da época: a produção de produtos passou a ser muito maior do que a</p><p>demanda. Sendo assim, os preços começaram a baixar e os salários pagos nas fábricas</p><p>começou a ser cada vez menor.</p><p>No dizer de Augustinho (2018, p. 54): “Esse cenário deu origem a uma nova</p><p>corrida imperialista, desta vez não com a intenção de se beneficiar dos produtos</p><p>primários das colônias, mas sim de criar mercados para escoar a produção europeia”.</p><p>Em meio a esse cenário, os burgueses, que foram quem mais investiu na</p><p>revolução industrial, cresceram e se tornaram uma classe poderosa. Dessa forma, o</p><p>poder político, que antes se concentrava entre os nobres e os membros do clero, agora</p><p>também se dividia com a burguesia.</p><p>O filme Tempos Modernos, uma comédia dirigida e protagonizada por Charles</p><p>Chaplin, faz uma crítica ao sistema capitalista industrial.</p><p>No longa-metragem, o operário Carlitos entra em colapso durante o trabalho</p><p>na linha de produção de uma fábrica. Desempregado, ele tenta retomar a sua</p><p>vida após deixar o hospital, mas acaba se metendo em uma confusão quando</p><p>a polícia acredita que ele é um comunista.</p><p>Tempos Modernos está disponível para assinantes da plataforma Globoplay:</p><p>Assista em: < https://globoplay.globo.com/tempos-modernos/t/N7PqTXSLQt/>.</p><p>Acesso em 3 dez. 2022.</p><p>DICA</p><p>3.2.3 Capitalismo financeiro</p><p>Figura 13 – Tabuleiro do jogo Monopoly</p><p>Fonte: https://m.media-amazon.com/images/I/616t6RABhpS._AC_SL1000_.jpg. Acesso em: 3 dez. 2022.</p><p>38</p><p>Acadêmico, é muito provável que em algum momento da sua infância (ou até</p><p>mesmo da vida adulta), tenha jogado o jogo Monopoly ou Banco Imobiliário, como</p><p>também já foi chamado no Brasil.</p><p>Monopoly é um jogo de tabuleiro que consiste nos participantes darem voltas</p><p>em torno de uma cidade fictícia, recebendo créditos toda vez que algum jogador cai em</p><p>sua propriedade e pagando, quando caem na propriedade de outro.</p><p>No jogo, um jogador deve ser escolhido para ser o banqueiro. É ele que fica</p><p>responsável por todo o dinheiro distribuído, pelas casas e pelos hotéis que pertencem</p><p>ao banco.</p><p>Dessa forma, conforme os jogadores vão cumprindo as tarefas do jogo, o</p><p>dinheiro vai sendo distribuído. Quem ficar devendo ao banco vai à falência e é eliminado,</p><p>até que reste apenas um jogador, que é o vencedor.</p><p>O Monopoly nada mais é do que uma representação do capitalismo financeiro ou</p><p>monopolista. Isso porque, de acordo com Menezes (2023., s.p): “O capitalismo financeiro</p><p>está fundamentado nas leis dos bancos, das empresas e das grandes corporações por</p><p>meio do monopólio industrial e financeiro”.</p><p>Sobre isso, Augustinho (2018, p.55) propõem uma reflexão:</p><p>Você já percebeu que, dependendo de determinados acontecimentos</p><p>políticos, a bolsa tende a cair ou a subir? A subida indica um aumento</p><p>(virtual, inicialmente) dos investimentos em ações (em fragmentos</p><p>também virtuais) das empresas e indústrias, e a queda, a retirada</p><p>dos investimentos. Quando há um problema político noticiado e</p><p>a bolsa cai, isso indica a retirada em massa de investimentos no</p><p>país caracterizado pela venda de ações das empresas nacionais.</p><p>O volume dessas trocas virtuais direciona o posicionamento de</p><p>futuros investidores, que podem ser atraídos ou desistir das ações</p><p>pretendidas, o que, portanto, pode acarretar em lucros e divisas, ou</p><p>perdas financeiras, sem a troca real de mercadorias, ou seja, há lucro</p><p>a partir de mobilizações financeiras virtuais.</p><p>Embora isso não seja unanimidade entre os historiadores e pensadores, acredita-</p><p>se que o capitalismo financeiro é o que vigora até os dias atuais. Por isso, compreender</p><p>sobre como ele funciona é de bastante relevância para os jornalistas, principalmente os</p><p>que pretendem cobrir temas relacionados à política e à economia.</p><p>Esperamos, acadêmico(a), que este breve resgate histórico tenha sido útil para</p><p>você relembrar ou aprender mãos sobre a evolução do capitalismo. Assim, poderá ter</p><p>mais subsídios para compreender os fatos da sociedade atual e noticiá-los de forma</p><p>eficiente para os públicos dos veículos de comunicação para os quais você venha a</p><p>trabalhar.</p><p>39</p><p>3.3 OS EFEITOS SÓCIO-POLÍTICOS DO CAPITALISMO NA</p><p>CONTEMPORANEIDADE</p><p>Tendo como base os estudos do tópico anterior, fica evidente que o capitalismo</p><p>trouxe muitos impactos para a vida das pessoas. Apoiando ou não as ideologias</p><p>capitalistas, estamos imersos nessa sociedade e à mercê das movimentações que o</p><p>mercado dá.</p><p>A seguir, vamos falar sobre alguns conceitos importantes para a sociedade</p><p>contemporânea e que são oriundos da implementação do capitalismo em grande parte</p><p>dos países do mundo. Continue a leitura!</p><p>3.3.1 As classes sociais</p><p>Figura 14 – Charge com crítica a ascensão e queda da classe C</p><p>Fonte: https://tribunadaimprensalivre.com/wp-content/uploads/2020/12/1-113.jpg. Acesso em: 5 dez.</p><p>2022</p><p>De acordo com Bes (2018), o conceito de classe social foi desenvolvido pelos</p><p>pensadores Karl Marx e Friedrich Engels, que viam as questões de ordem econômica</p><p>como o que provocava a divisão da sociedade. Nas palavras do autor:</p><p>40</p><p>Marx e Engels trazem o entendimento de que as classes sociais são</p><p>organizadas, divididas agrupando os indivíduos por características</p><p>econômicas, relacionadas à renda dos mesmos, modelo este utilizado</p><p>ainda hoje nas classificações da economia. Os autores entendiam</p><p>haver uma discrepância muito grande, uma relação fortemente</p><p>assimétrica de poder entre aqueles que detinham o capital (no</p><p>momento de expansão e consolidação do sistema capitalista) e os</p><p>trabalhadores, entendidos como oprimidos pelo poder do capital</p><p>(BES, 2018, p. 24).</p><p>Trazendo tais pensamentos para o momento contemporâneo que a sociedade</p><p>vive, podemos compreender que as classes sociais são determinadas de acordo com os</p><p>ganhos financeiros de cada pessoa.</p><p>De acordo com uma reportagem do portal InfoMoney (2022), atualmente, o</p><p>Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) trabalha com as seguintes faixas</p><p>de</p><p>lucratividade para definir as classes sociais dos cidadãos:</p><p>Classe A Renda mensal domiciliar superior a R$ 22 mil</p><p>Classe B Renda mensal domiciliar entre R$ 7,1 mil e 22 mil</p><p>Classe C Renda mensal domiciliar entre R$ 2,9 mil e 7,1 mil</p><p>Classes D e E Renda mensal domiciliar até R$ 2,9 mil</p><p>Quadro 2 – Faixa de renda mensal das classes sociais</p><p>Fonte: https://www.infomoney.com.br/minhas-financas/classes-d-e-e-continuarao-a-ser-mais-da-metade-</p><p>-da-populacao-ate-2024-projeta-consultoria/. Acesso em: 3 dez. 2022.</p><p>É interessante lembrar ainda que as classes sociais podem sofrer alterações,</p><p>com os indivíduos ascendendo ou decaindo nas classificações. É o que acontece na</p><p>charge da Figura 14, em que um morador de rua disse que está de volta à sua posição,</p><p>depois de passar um tempo na classe C.</p><p>As oscilações de indivíduos pelas classes sociais podem ocorrer por diversos</p><p>fatores, como crises financeiras mundiais, ocorrência de guerras, troca de comandos</p><p>nos países e até mesmo epidemias ou pandemias, como recentemente tivemos com a</p><p>Covid-19.</p><p>Para você ter ideia, acadêmico(a), de acordo com o estudo “Mapa da Nova Pobreza”,</p><p>realizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), a pobreza aumentou significativamente</p><p>no Brasil durante a pandemia da Covid-19.</p><p>41</p><p>Figura 15 – Quadro A liberdade guiando o povo, de Eugène Delacroix</p><p>Fonte: https://static.todamateria.com.br/upload/li/be/liberalismo-og.jpg. Acesso em: 5 dez. 2022.</p><p>A pesquisa concluiu que o número de pessoas com renda domiciliar per capita</p><p>de até R$ 497 mensais atingiu 62,9 milhões em brasileiros em 2021. Isso representa 29,</p><p>6% da população do País.</p><p>Além disso, os estudos da FGV também apontam que, entre 2019 e 2021, 9,6</p><p>milhões de pessoas tiveram as suas rendas comprometidas e ingressaram no grupo de</p><p>brasileiros que vivem em situação de extrema pobreza.</p><p>Para os jornalistas, compreender sobre essas movimentações é bastante</p><p>relevante. Afinal, tais mudanças geram notícias importantes para a sociedade como um</p><p>todo, sendo os veículos de comunicação uma ferramenta imprescindível para que as</p><p>pessoas entendam o que está se passando.</p><p>Estar bem-informado é importante, até mesmo, para que a população tenha</p><p>subsídios para cobrar os políticos por melhorias.</p><p>O estudo Mapa da Nova Pobreza, realizado pela FGV, pode ser lido na íntegra</p><p>no link: https://cps.fgv.br/MapaNovaPobreza. Acesso em: 5 dez. 2022.</p><p>DICA</p><p>3.3.2 Economia liberal</p><p>42</p><p>O quadro A liberdade guiando o povo, de Eugène Delacroix é muito associada</p><p>ao liberalismo, uma doutrina econômica, política e social, que teve início na Europa, no</p><p>século XVIII.</p><p>O liberalismo político e econômico foi encabeçado por pensadores como John</p><p>Locke, Adam Smith e David Ricardo. Essa linha ia contra o mercantilismo e não aceitava</p><p>a intervenção do Estado na Economia.</p><p>As teorias do liberalismo contribuíram para que o hoje conhecemos como</p><p>economia liberal ou neoliberal. Afinal, segundo Augustinho (2018, p.60): “Pode-se</p><p>caracterizar as economias liberais como aquelas em que o Estado se retira do controle</p><p>do mercado, mantendo a menor intervenção possível, permitindo que o mercado se</p><p>autocontrole”.</p><p>A autora cita ainda que entre as décadas de 1980 e 1990, o Brasil e o mundo</p><p>vivenciaram uma onda neoliberal, que provocou mudanças significativas para a</p><p>sociedade. Em suas palavras:</p><p>O mundo conheceu uma onda da economia neoliberal nas décadas</p><p>de 1980 e 1990, e o Brasil esteve inserido nesse contexto, em que</p><p>houve abertura para investimentos no país de capital estrangeiro</p><p>e a reestruturação para fortalecimento econômico com o Plano</p><p>Real. Houve desenvolvimento tecnológico industrial, mas, por outro</p><p>lado, um intenso agravamento da concentração de renda e das</p><p>desigualdades sociais, e o Brasil figurou por anos no Mapa da Fome</p><p>da ONU, leitura geográfica das Organizações da Nações Unidas</p><p>sobre a ausência de alimentação para famílias abaixo da linha da</p><p>pobreza e os riscos de morte causada pela fome e/ou desnutrição</p><p>(AUGUSTINHO, 2018, p. 60).</p><p>Com seus prós e contras, a economia liberal ainda é muito defendia por alguns</p><p>setores da sociedade e partidos políticos que os representam.</p><p>43</p><p>3.3.3 Economia baseada na social-democracia</p><p>Figura 16 – Rosas vermelhas, o símbolo da social-democracia</p><p>Fonte: https://neai-unesp.org/wp-content/uploads/2019/02/social-democracia-12.jpg. Acesso em: 5 dez.</p><p>2022.</p><p>A partir dos anos 2000, o Brasil e boa parte do mundo voltou a ter modelos</p><p>voltados para a social-democracia, principalmente por conta da ascensão de partidos e</p><p>políticos mais voltados para as ideologias de esquerda.</p><p>Em nosso País, o modelo da social-democracia ficou mais evidente a partir de</p><p>2002, quando Lula foi eleito para o seu primeiro mandato como presidente da República.</p><p>Já nos Estados Unidos, o modelo ganhou maior aderência nos governos de Barack</p><p>Obama.</p><p>No entendimento de Mattos (2019), a social-democracia fica no campo ideológico</p><p>da centro-esquerda. Como curiosidade, o autor conta com que as rosas vermelhas</p><p>são o símbolo dessa linha de pensamento, tendo em vista que são associadas ao</p><p>antiautoritarismo.</p><p>Também de acordo com Mattos:</p><p>A social-democracia aceita o capitalismo, mas busca mitigar os</p><p>efeitos desse sistema considerados adversos, por meio da política.</p><p>Para isso, utiliza-se de intervenções econômicas e sociais e</p><p>promove reformas parciais do sistema ao invés de substitui-lo por</p><p>inteiro. Esse é um pensamento político atrelado à centro-esquerda e</p><p>seus principais valores são a igualdade e a liberdade.</p><p>No campo político, a social-democracia defende as liberdades</p><p>civis, os direitos de propriedade e a democracia representativa,</p><p>na qual os cidadãos escolhem os rumos do governo por meio de</p><p>eleições regulares com partidos políticos que competem entre si.</p><p>44</p><p>No campo econômico, a social-democracia encontrou nas teorias</p><p>do economista britânico John Maynard Keynes (1883-1946) a</p><p>combinação perfeita para aliar os interesses sociais à mitigação de</p><p>aspectos considerados problemáticos do capitalismo, como crises</p><p>periódicas e elevado desemprego (MATTOS, 2019, s. p.).</p><p>Ou seja, ao contrário do que acontece na economia liberal, em uma economia</p><p>baseada na social-democracia, o Estado pode fazer intervenções na economia. Porém,</p><p>os preceitos do capitalismo não são abolidos, tendo em vista que a ideologia reconhece</p><p>a propriedade privada e a função do mercado.</p><p>3.3.4 Economia solidária</p><p>Figura 17 – Logotipo do MST, uma organização que é exemplo de economia solidária</p><p>Fonte: https://www.infoescola.com/wp-content/uploads/2007/08/MST.png. Acesso em: 5 dez. 2022</p><p>Outro modelo que vem ganhando destaque na contemporaneidade é a economia</p><p>solidária que, de acordo com Augustinho (2018, p. 60), “[...] é formada pela perspectiva</p><p>da cooperação e da sustentabilidade, observando valores como a questão de gênero e</p><p>os saberes tradicionais na produção de mercadorias”.</p><p>Além disso, na economia solidária, é agregado um valor simbólico aos produtos,</p><p>que não são controlados por grandes empresas. Geralmente, as organizações solidárias</p><p>são cooperativas, em que todos os membros têm poderes para as tomadas de decisões.</p><p>45</p><p>Figura 18 – Entregador do iFood, aplicativo que faz parte da economia criativa</p><p>Fonte: https://static.poder360.com.br/2021/11/ifood.jpg. Acesso em: 5 dez. 2022.</p><p>Augustinho (2018, p. 61) exemplifica dizendo que: “A produção de alimentos</p><p>orgânicos por grupos e movimentos sociais, como o Movimento dos Trabalhadores</p><p>Rurais Sem Terra (MST), maior produtor de arroz orgânico do mundo, se encaixam nessa</p><p>perspectiva econômico-produtiva”.</p><p>3.3.5 Economia criativa</p><p>Ao falarmos sobre o cenário econômico dos dias de hoje, não podemos deixar</p><p>de citar a economia criativa. Patel (2022, s. p.) explica que: “Economia criativa é um</p><p>conceito utilizado para definir negócios movidos pelo capital intelectual e cultural, além</p><p>da criatividade”.</p><p>Segundo o autor, esse setor é formado pelas chamadas indústrias criativas,</p><p>envolve atividades que guardam relação com a criação, a produção e a</p><p>distribuição de</p><p>bens e serviços criativos.</p><p>Nessa mesma linha, Augustinho (2018, p. 61) diz que: “A economia criativa propõe</p><p>a reflexão sobre o consumo, a necessidade e a intenção de fazê-lo, e é composta por</p><p>artistas dos setores culturais e por artesãos dos mais variados setores produtivos”.</p><p>Exemplos de serviços embasados no modelo da economia criativa são aplicativos</p><p>como iFood, que facilita a logística de restaurantes e possibilita que os clientes recebam</p><p>em casa os seus pratos preferidos.</p><p>46</p><p>Plataformas de streaming de filmes, séries e outros conteúdos, como a Netflix</p><p>e a Amazon Prime Video também são exemplos de serviços com embasamento da</p><p>indústria da economia criativa.</p><p>Caro acadêmico, chegamos ao fim de mais um tema de aprendizagem. Nesta</p><p>seção, você pode aprender mais sobre os conceitos de política e economia, bem como</p><p>compreender como os sistemas capitalista e socialista se desenvolveram e impactaram</p><p>as sociedades, desde o surgimento até os dias de hoje.</p><p>O nosso próximo tema de aprendizagem terá como foco a micro e a</p><p>macroeconomia aplicadas às demandas da comunicação social. Porém, antes de você</p><p>partir para ela, recomendamos que leia o resumo desta seção e resolva os exercícios</p><p>que preparamos. Assim, será possível fixar melhor o seu aprendizado.</p><p>47</p><p>RESUMO DO TÓPICO 2</p><p>Neste tema de aprendizagem, você estudou:</p><p>• Desde o surgimento da imprensa, as editorias de política e economia têm um papel</p><p>de destaque nos noticiários.</p><p>• O jornalismo político-econômico tem importantes papéis sociais: informar, formar</p><p>opinião e fiscalizar.</p><p>• A política é um conceito que parte dos estudos da Filosofia e está relacionada com a</p><p>convivência entre as pessoas.</p><p>• Entre os objetivos da política está o de transformar a realidade, garantindo a igualdade</p><p>de direitos entre os membros das sociedades.</p><p>• O jornalismo político tem três funções básicas: dar informações úteis, ser um espaço</p><p>de pluralidade de ideias e atuar como um protetor da sociedade.</p><p>• A economia pode ser definida como o estudo das escolhas que as pessoas fazem</p><p>para alcançar os seus objetivos considerando a escassez dos seus recursos.</p><p>• A economia, a escassez e o mercado são conceitos que devem ser analisados em</p><p>conjunto para solucionar os problemas econômicos da sociedade.</p><p>• Para atuar como um jornalista especializado em economia, é preciso saber traduzir o</p><p>“economês”, para produzir conteúdos de fácil compreensão para o público.</p><p>• O capitalismo é um sistema que opera através das leis da livre iniciativa, da livre</p><p>concorrência e das leis da oferta e da procura.</p><p>• Na visão do socialismo, os trabalhadores deveriam se rebelar e tomar os meios de</p><p>produção do Estado, visando implementar o comunismo.</p><p>• O capitalismo comercial tinha como objetivo o acúmulo de capital por meio do</p><p>comércio. Além disso, as sociedades também tinham que vender mais do que</p><p>consumiam e conquistar novas colônias.</p><p>• O capitalismo industrial se caracteriza pela produção fabril. Nessa fase, mercadorias</p><p>deixaram de ser manufaturadas e passaram a ser produzidas em indústrias.</p><p>• O capitalismo financeiro tem fundamento nas leis dos bancos, das empresas e das</p><p>grandes corporações por meio do monopólio industrial e financeiro.</p><p>48</p><p>• O conceito de classe social foi desenvolvido pelos pensadores Karl Marx e Friedrich</p><p>Engels, que viam as questões de ordem econômica como o que provocava a divisão</p><p>da sociedade.</p><p>• As economias liberais são aquelas em que o Estado se retira do controle do mercado,</p><p>mantendo a menor intervenção possível.</p><p>• A social-democracia fica no campo ideológico da centro-esquerda. Ela aceita o</p><p>capitalismo, mas tenta amenizar os efeitos sociais do sistema por meio da política.</p><p>• A economia solidária é formada pela perspectiva da cooperação e da sustentabilidade.</p><p>• A economia criativa consiste no desenvolvimento de negócios movidos pelo capital</p><p>intelectual e cultural, assim como a criatividade.</p><p>49</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>1 De acordo com Juski (2020, p.133): “O jornalismo é a prática de comunicar e informar</p><p>fatos noticiosos de interesse público. Assim, o jornalismo político pode ser definido</p><p>como a especialização jornalística que trata de assuntos relativos à política em seus</p><p>níveis local, regional e nacional, incluindo as ações desempenhadas pelos poderes</p><p>Executivo, Legislativo e Judiciário, ou seja, todas as esferas de poder formal da nossa</p><p>sociedade republicana”. Tendo em vista a relevância da política para o jornalismo, é</p><p>importante que o profissional da área conheça tal conceito. Sendo assim, assinale a</p><p>alternativa CORRETA sobre a política.</p><p>Fonte: JUSKI, J.R. Jornalismo econômico. In: JUSKI, J.R.;</p><p>HOFF, R.S.; FORECHI, M.; SILVA, F.L.; SILVEIRA, G.C.; BISOL,</p><p>L.V.; SANGALETTI, L. Jornalismo especializado. Porto</p><p>Alegre, RS: Sagah, 2020.</p><p>a) ( ) Os primeiros registros de atividades políticas são da Grécia Antiga. Isso é unanime</p><p>entre os historiadores, uma vez que não existem comportamentos políticos nas</p><p>civilizações primatas.</p><p>b) ( ) Uma atividade política pode ser realizada por uma única pessoa sozinha, sem que</p><p>ela precise se relacionar com mais ninguém.</p><p>c) ( ) Compreende-se política como a capacidade das sociedades de criar diretrizes</p><p>com o objetivo de organizar seu modo de vida, ou seja, a política envolve uma série</p><p>de ações e discussões que estão atreladas ao Estado, à gestão pública e à sociedade</p><p>civil.</p><p>d) ( ) A política deve ser sempre de viés partidário-ideológico e é de interesse apenas</p><p>das pessoas que são filiadas a algum partido.</p><p>2 Nelson Traquina (1948-2019) foi um importante jornalista e professor norte-americano,</p><p>que se destacou nas coberturas políticas e no jornalismo investigativo. Em uma</p><p>entrevista para o portal Observatório da Impresa, ele declarou: “Penso que se o jornalista</p><p>conseguisse preencher o papel que lhe é referido pela própria teoria democrática,</p><p>acho que já isso seria uma grande conquista. Portanto, a teoria democrática define</p><p>certos papéis para o jornalista, para o jornalismo; se conseguirmos preencher esses</p><p>papéis estaremos no bom caminho”. No entender de Traquina (2003), acerca do que</p><p>são funções básicas do jornalismo político, analise as sentenças a seguir:</p><p>Fonte: TRAQUINA, N. O cidadão antes do consumidor.</p><p>[Entrevista concedida a] Antonio Queiroga. Observatório da</p><p>impresa. Campinas, SP. Disponível em:</p><p>https://www.observatoriodaimprensa.com.br/primeiras-</p><p>edicoes/o-cidado-antes-do-consumidor-2/. Acesso em: 29</p><p>nov. 2022.</p><p>50</p><p>I- O jornalismo deve dar ao cidadão as informações que são úteis, que são necessárias</p><p>para que eles possam cumprir seus papéis de pessoas interessadas na vida social e</p><p>na governança do país;</p><p>II- O jornalismo deve sempre servir ao grupo político que está no poder, prestando uma</p><p>espécie de assessoria de imprensa ao Governo.</p><p>III- O jornalismo deve ser o espaço contraditório e de pluralidade de opiniões, ser uma</p><p>espécie de mercado de ideias;</p><p>IV- O jornalismo tem o papel de fiscalizar o poder público, como um protetor da sociedade</p><p>e do interesse dos cidadãos contra os abusos do Estado.</p><p>Assinale a alternativa CORRETA:</p><p>a) ( ) As sentenças I, III e IV estão corretas.</p><p>b) ( ) Somente a sentença IV está correta.</p><p>c) ( ) As sentenças I, II e III estão corretas.</p><p>d) ( ) As sentenças I, II e IV estão corretas.</p><p>3 Na visão de Caldas (2005, p. 9): “É preciso reconhecer que quem por vezes pode</p><p>tornar o jornalismo econômico difícil e chato é o próprio jornalista. Isso ocorre quando</p><p>o repórter ouve das suas fontes de informação uma série de explicações técnicas,</p><p>um amontoado de expressões específicas (muitas em inglês), que realmente bem</p><p>poucos entendem (às vezes nem ele, repórter), e se limita a transcrevê-las nesse</p><p>mesmo jargão, o chamado ‘economês’. O jornalista age, assim, como mero papagaio</p><p>que insiste em imitar o dono”. Considerando a crítica feita pela autora, classifique V</p><p>para as sentenças verdadeiras e F para as falsas:</p><p>Fonte: CALDAS, S. Jornalismo econômico. São Paulo, SP:</p><p>Contexto, 2005.</p><p>( ) O Fundo Garantidor</p><p>de Crédito (FGC) é o resultado de todas as entradas e saídas de</p><p>recursos do país.</p><p>( ) A inflação é a média do crescimento dos preços de um conjunto de bens e serviços,</p><p>em um determinado período.</p><p>( ) O Risco Brasil é o resultado da diferença entre exportações e importações no País.</p><p>Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:</p><p>a) ( ) V – F – F.</p><p>b) ( ) V – F – V.</p><p>c) ( ) F – V – F.</p><p>d) ( ) F – F – V.</p><p>4 Compreender sobre os diferentes tipos de sistemas político-econômicos é um desafio</p><p>para os jornalistas, que precisam ter esse entendimento para repassar as informações</p><p>de forma clara e contextualizada para a audiência. O capitalismo, por exemplo, passou</p><p>por três fases. Cite quais são elas e as suas principais características.</p><p>5 Na contemporaneidade, novos modelos econômicos estão surgindo. Entre eles,</p><p>destacam-se a economia solidária e a economia criativa. Disserte brevemente sobre</p><p>cada um deles.</p><p>51</p><p>TÓPICO 3 -</p><p>MICRO E MACROECONOMIA APLICADAS ÀS</p><p>DEMANDAS DA COMUNICAÇÃO SOCIAL E DA</p><p>SOCIEDADE</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>Acadêmico, quando falamos em produção de conteúdo para as editorias de</p><p>política e economia dos veículos de comunicação, também é importante citar as ideias</p><p>de micro e macroeconomia.</p><p>Tais conceitos se distinguem um do outro a partir do ponto de vista que</p><p>enxergam a economia. E, para o jornalista, conhecer sobre eles é importante para que</p><p>se saiba qual postura e abordagem adotar ao desenvolver pautas, escrever matérias ou</p><p>produzir outros conteúdos no campo político-econômico.</p><p>Basicamente, a macroeconomia encara os fatos numa perspectiva mais ampla,</p><p>analisando como os cenários estão se desenvolvendo em relação aos Estados e países.</p><p>Por sua vez, a microeconomia está mais voltada para a economia doméstica,</p><p>para aquele “malabarismo” que todos nós fizemos para conseguir pagar as contas da</p><p>casa ao final do mês.</p><p>É claro que essas explicações foram dadas aqui de forma bastante genérica.</p><p>Por isso, o convidamos a prosseguir com a leitura e focar nos estudos sobre a micro e a</p><p>macroeconomia e suas aplicações às demandas da comunicação social e da sociedade.</p><p>É esse o tema desta unidade! Bons estudos!</p><p>2 AS DIFERENÇAS ENTRE MICRO E MACROECONOMIA</p><p>Podemos dizer que a economia se divide em dois ramos. O primeiro deles, a</p><p>microeconomia, analisa os fatores econômicos em menor escala, como o preço da</p><p>gasolina e dos produtos no supermercado.</p><p>A macroeconomia, por sua vez, analisa a economia em um sentido mais amplo,</p><p>analisando a forma como ela incide e afeta os cenários nacional, regional e global, como</p><p>um todo.</p><p>UNIDADE 1</p><p>52</p><p>O Quadro 3, a seguir, é bastante útil para que possa ter uma melhor compreensão</p><p>sobre as diferenças entre a micro e a macroeconomia. Confira!</p><p>MICROECONOMIA MACROECONOMIA</p><p>SIGNIFICADO O ramo da economia que</p><p>estuda o comportamento</p><p>de um consumidor</p><p>individual, empresa ou</p><p>família.</p><p>O ramo da economia que</p><p>estuda o comportamento</p><p>de toda a economia,</p><p>nacional e internacional.</p><p>LIDA COM Variáveis econômicas</p><p>individuais.</p><p>Variáveis econômicas</p><p>agregadas.</p><p>APLICAÇÃO Aplicada em questões</p><p>operacionais ou internas.</p><p>Aplicada em questões</p><p>ambientais e externas.</p><p>ESCOPO Abrange questões como</p><p>produto individual,</p><p>demanda, oferta, preços</p><p>de produtos, preços de</p><p>fatores, salários etc.</p><p>Abrange questões como</p><p>renda nacional, nível geral</p><p>de preços, distribuição,</p><p>produção nacional etc.</p><p>IMPORTÂNCIA Útil na determinação dos</p><p>preços de um produto,</p><p>juntamente com os</p><p>preços dos fatores de</p><p>produção (terra, mão-de-</p><p>obra, capital etc.) dentro</p><p>da economia.</p><p>Mantém a estabilidade</p><p>no nível geral de preços</p><p>e resolve os principais</p><p>problemas da economia</p><p>como inflação, deflação,</p><p>reflação, desemprego e</p><p>pobreza como um todo.</p><p>PREÇOS A microeconomia que</p><p>determina o preço de uma</p><p>determinada mercadoria,</p><p>juntamente com os preços</p><p>dos bens complementares</p><p>e substitutos.</p><p>A macroeconomia é útil</p><p>para manter o nível geral</p><p>de preços.</p><p>ANÁLISE DE ECONOMIA Feita de baixo para cima. De cima para baixo.</p><p>EXEMPLO DE QUESTÕES</p><p>ABORDADAS</p><p>"Como o preço de uma</p><p>determinada mercadoria</p><p>afetará sua quantidade</p><p>demandada?"</p><p>"Como o PIB poderia</p><p>ser afetado pela taxa de</p><p>desemprego?"</p><p>Quadro 3 – Diferenças entre micro e macroeconomia</p><p>Fonte: https://www.diferenca.com/microeconomia-e-macroeconomia/. Acesso em: 6 dez. 2022.</p><p>53</p><p>Ao analisar o Quadro 3, é possível ter uma visão um pouco mais ampla sobre</p><p>as diferenças entre a micro e a macroeconomia. Vamos nos debruçar mais sobre esses</p><p>conceitos?</p><p>2.1 MICROECONOMIA</p><p>Figura 19 – Charge com críticas ao aumento do gás e da gasolina</p><p>Fonte: https://blogdoaftm.com.br/wp-content/uploads/2021/02/3093-1024x768.jpg. Acesso em: 6 dez.</p><p>2022.</p><p>Acadêmico, na Figura 19 você pode observar duas pessoas conversando sobre</p><p>a economia doméstica. O homem fala que está pensando em marcar uma carreata para</p><p>protestar contra o aumento do preço do gás. Porém, ele é aconselhado pela mulher</p><p>a não fazer isso, tendo em vista que o preço da gasolina também subiu, tornando o</p><p>protesto caro.</p><p>Essa conversa ilustra bem o que chamamos de microeconomia que, de acordo</p><p>com Juski (2020, p. 123): “[...] busca identificar como os indivíduos e as unidades da</p><p>economia se relacionam e interferem no funcionamento do sistema econômico,</p><p>compreendendo os impactos de suas ações nessa conjuntura”.</p><p>A autora também explica que: “Os estudos em microeconomia identificam</p><p>tendências ou comportamentos, quando os indivíduos tomam determinadas decisões</p><p>ou os fatores de produção se alteram” (JUSKI, 2020, p. 123).</p><p>54</p><p>Em outras palavras, a microeconomia estuda os fatores que influenciam os</p><p>preços dos produtos, o modo de consumo e a relação entre a oferta e a demanda.</p><p>Segundo Souza (2019, s.p.), os estudos da microeconomia se subdividem em</p><p>três teorias: teoria do consumidor, teoria da firma e teoria da produção. Explicaremos</p><p>brevemente cada um deles!</p><p>2.1.1 Teoria do consumidor</p><p>No entendimento de Souza (2019, s.p.), a teoria do consumidor: “Analisa a</p><p>preferência, o comportamento, escolhas e restrições do consumidor, informações</p><p>usadas para determinar a demanda pelo seu produto ou serviço”.</p><p>Ou seja, a teoria do consumidor foca o seu estudo em questões como a escassez,</p><p>a oferta e a demanda para definir os preços dos produtos que são colocados à venda</p><p>para os consumidores.</p><p>2.1.2 Teoria da Firma</p><p>Segundo Souza (2019, s.p.), a teoria da firma: “Mostra a reunião do capital e</p><p>do trabalho em uma empresa para a produção, de acordo com a demanda. Foca nas</p><p>organizações cujo objetivo seja produzir lucro”.</p><p>É a teoria da firma que ajuda os empresários a definirem a quantidade de produtos</p><p>que devem ser produzidos nas indústrias, por exemplo. Assim, podem potencializar os</p><p>lucros de seus negócios.</p><p>2.1.3 Teoria da produção</p><p>Finalmente, também de acordo com Souza (2019, s.p.), temos a teoria da</p><p>produção que: “Estuda o processo de tornar a matéria-prima em produtos finais para a</p><p>venda. Ela observa as variáveis que influenciam o produto final, como transportes, por</p><p>exemplo.”</p><p>Sendo assim, a teoria da produção se baseia em um estudo de todos os custos</p><p>que são necessários para a produção de um produto, como transporte, mão de obra,</p><p>matéria-prima, entre outros. A partir disso, as empresas definem os preços dos produtos</p><p>que comercializam.</p><p>55</p><p>Basicamente, a microeconomia tem o objetivo de fixar os preços dos produtos</p><p>e serviços. Ela afeta diretamente a todos os cidadãos, que são os consumidores desses</p><p>itens.</p><p>2.2 MACROECONOMIA</p><p>Figura 20 – Infográfico com a trajetória do PIB brasileiro de 2010 a 2021</p><p>Fonte: https://www.facebook.com/folhadesp/photos/a.115442961831049/7590460654329205/. Aces-</p><p>so em: 6 dez. 2022.</p><p>Acadêmico, observe a Figura 20, que traz um infográfico publicado pelo jornal</p><p>Folha de São Paulo e que apresenta a evolução do PIB brasileiro entre os anos de 2010</p><p>e 2021, nos períodos em que o País foi administrado por Lula, Dilma, Michel Temer e</p><p>Bolsonaro.</p><p>O PIB é um dos indicadores da macroeconomia, o campo da economia que</p><p>observa</p><p>os cenários de forma mais ampla e criteriosa do que acontece na microeconomia.</p><p>56</p><p>Podemos definir a macroeconomia como: “[...] um campo de estudos, ligado ao</p><p>conhecimento econômico. [Com o objetivo de] entender os aspectos que influenciam</p><p>uma economia nacional e regional, ou seja, os conjuntos de fatores que intervêm na</p><p>economia de um país, por exemplo (SOUZA, 2019, s.p.).</p><p>No entendimento de Souza (2019), a macroeconomia analisa os cenários</p><p>econômicos com base nas relações da economia com fatores como o trabalho, o capital</p><p>e o governo. Ele cita uma situação interessante. Observe:</p><p>Imagine uma cidade do interior com 5 mil habitantes. Nessa cidade</p><p>existe uma pequena fábrica de calçados, que emprega 500 pessoas.</p><p>Imagine que essa empresa decida, para cortar custos, se mudar para</p><p>outra cidade. Com isso, 500 pessoas perdem o emprego.</p><p>Não serão apenas os funcionários dessa fábrica os afetados, mas</p><p>também os comerciantes, que irão vender menos, com isso, eles</p><p>também podem ter que demitir seus empregados, fazendo com que</p><p>o número de pessoas desempregadas aumente. Para melhorar esse</p><p>cenário um outro fator surge: o governo.</p><p>O Governo, por meio de suas políticas públicas, fará uma transferência</p><p>de renda, ou seja, de capital, para alguns deles, por meio de programas</p><p>como o seguro-desemprego.</p><p>Com isso, o impacto causado pelo encerramento das atividades da</p><p>fábrica será amenizado por alguns meses, e os comerciantes ainda</p><p>venderão.</p><p>Mas aí surge um outro fator envolvendo o governo. Da mesma</p><p>maneira com que o Governo Federal está transferindo capital para</p><p>os ex-funcionários da fábrica, a prefeitura está desesperada, porque</p><p>sem a fábrica ela perderá muito da sua arrecadação em impostos.</p><p>A prefeitura precisa desse dinheiro para oferecer à população bens</p><p>e serviços de forma gratuita, já que os habitantes da cidade também</p><p>pagam impostos. (SOUZA, 2019, s.p.)</p><p>Viu como a macroeconomia realiza os estudos de forma muito mais ampla? Sendo</p><p>assim, de acordo com Juski (2020, p.120): “Para conseguir acompanhar as mudanças e</p><p>transformações que ocorrem na economia, em especial, com a macroeconomia, foram</p><p>desenvolvidos diversos parâmetros ou indicadores econômicos e financeiros, que</p><p>refletem a real situação de uma região em um determinado momento”.</p><p>Entre esses indicadores estão o PIB, a taxa de juros, a taxa Selic, entre outros.</p><p>No Tema de Aprendizagem anterior apresentamos os conceitos de muitos deles,</p><p>está lembrado(a)? Caso ache necessário, vale a pena voltar algumas páginas e lê-los</p><p>novamente.</p><p>57</p><p>Acadêmico(a), para você saber mais sobre micro e macroeconomia,</p><p>recomendamos que assista ao vídeo publicado no YouTube pela economista</p><p>Gabriela Mosmann, no qual explica de forma simples e didática os conceitos.</p><p>Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=KQHgGaUgsTI>. Acesso</p><p>em: 6 dez. 2022</p><p>DICA</p><p>3 APLICAÇÕES DOS TEMAS DE MICRO E DA</p><p>MACROECONOMIA NO CONTEXTO JORNALÍSTICO</p><p>É bastante comum que em alguns dos grandes veículos de comunicação haja</p><p>jornalistas alocados em editorias de micro e outros de macroeconomia. Também há</p><p>situações em que o mesmo profissional precise cobrir ambos os temas (e tantos outros</p><p>mais).</p><p>Compreender as diferenças entre as demandas de micro e macroeconomia</p><p>é interessante, até mesmo para que o repórter ou redator saiba como direcionar a</p><p>abordagem das publicações. A seguir, falaremos mais sobre o assunto. Acompanhe!</p><p>3.1 DEMANDAS DE MICROECONOMIA NO CONTEXTO</p><p>JORNALÍSTICO</p><p>Acadêmico, conforme estudamos, a microeconomia pode ser definida como</p><p>o estudo das interações entre as pessoas com as empresas, os governos e outros</p><p>agentes. Não é errado dizer que se trata da economia que está mais próxima da gente,</p><p>mais presente no nosso dia a dia.</p><p>A partir dessa ideia, Juski (2020, p.123) explica que: “No campo do jornalismo</p><p>econômico, as principais pautas elaboradas no universo da microeconomia incluem o</p><p>segmento de negócios, empreendedorismo, start-ups, empresas familiares e crises”.</p><p>Vamos conferir um exemplo de uma pauta com foco na microeconomia? Então,</p><p>veja, a seguir, o trecho de uma reportagem publicada pela revista Exame.</p><p>58</p><p>A reportagem a seguir foi publicada na editoria de Negócios da revista Exame. Leia:</p><p>Com pandemia, pequeno varejo de modo passa por reinvenção – e empreendedores</p><p>priorizam o online</p><p>Assim como tem acontecido com outros setores da economia, a cadeia de moda vem</p><p>passando por transformações desde o início da pandemia de covid-19 e procura se</p><p>adaptar para atender às novas expectativas dos clientes. Além de investir em uma atuação</p><p>omnichannel (ou multicanal, estratégia de vendas que integra diferentes canais de</p><p>comunicação e divulgação) e acompanhar as mudanças no comportamento de compra do</p><p>consumidor, os pequenos negócios do setor estão percebendo que a prática de medidas</p><p>sustentáveis está sendo cada vez mais valorizada.</p><p>De acordo com a consultora do Sebrae-SP Monica Lemes Padovani, o empreendedor que</p><p>atua no setor precisa pesquisar muito e analisar diferentes cenários o tempo todo. “A atuação</p><p>multicanal já é uma realidade que chegou há alguns anos. No maior evento de varejo do</p><p>mundo, promovido pela NRF (National Retail Federation) nos Estados Unidos, essa fala já era</p><p>recorrente desde 2018. A cadeia de moda também está gritando pela sustentabilidade, pela</p><p>diversidade e inclusão”, afi rma.</p><p>Dentro de um cenário tão desafi ador, proprietários de pequenos negócios vêm trabalhando</p><p>para conseguir adaptar seus negócios a um cenário inédito de constante mudança e</p><p>velocidade. É o caso de Ronnan Moro, dono da NewQuay, loja de vestuário que trabalha</p><p>tanto com moda masculina quanto feminina desde 2011 na cidade de Mogi das Cruzes.</p><p>Para o empresário, tudo aquilo que se falava sobre o novo mundo do varejo pós-pandemia</p><p>está realmente acontecendo. “Antes, as pessoas vinham até a loja, queriam experimentar</p><p>as roupas, mas hoje é tudo online. Eles primeiro perguntam por mensagens sobre o que</p><p>querem e depois decidem se vêm ou não até aqui. Nós</p><p>continuamos com o delivery tanto para quem já é cliente</p><p>como para os clientes novos. Tenho clientes antigos que já</p><p>não vêm mais na loja”, conta.</p><p>Atualmente, o empreendedor não tem um e-commerce e</p><p>mantém suas vendas pelo WhatsApp e redes sociais. Por</p><p>esses canais, seus clientes fi cam sabendo sobre as novidades</p><p>no estoque e pedem para ver mais opções. “Tivemos um</p><p>crescimento muito grande na captação de clientes. E sempre</p><p>estamos em contato para as pessoas lembrarem da gente</p><p>e virem até aqui. Crescemos do ano passado para cá uma</p><p>média de 10%. Comparando com antes da pandemia, tivemos</p><p>um aumento de 30% a 40% no faturamento”, comemora.</p><p>Texto completo disponível em: https://exame.com/negocios/</p><p>com-pandemia-pequeno-varejo-de-moda-passa-por-</p><p>reinvencao-e-empreendedores-priorizam-o-online/. Acesso</p><p>em: 7 dez. 2022</p><p>INTERESSANTE</p><p>59</p><p>Caldas (2005) afi rma que os jornalistas que cobrem pautas de microeconomia</p><p>precisam manter com eles um acervo de ideias, informações, dados estatísticos e</p><p>fontes.</p><p>No entendimento da autora: “Mais do que em outros setores do jornalismo,</p><p>em economia é muito comum o jornalista recorrer a esse acervo para analisar uma</p><p>informação, acrescentar dados, avaliar desdobramentos, indicar tendências” (CALDAS,</p><p>2005, p. 67).</p><p>Para ilustrar a importância desse acervo para os jornalistas de microeconomia,</p><p>Caldas (2005) relembra uma experiência que ela mesma vivenciou em sua carreira. Leia</p><p>com atenção:</p><p>No fi nal dos anos 70, o Japão – onde beber chá é hábito muito</p><p>arraigado e não há substituto capaz de concorrer com ele – começou</p><p>surpreendentemente a importar café brasileiro, da empresa Cacique</p><p>Café Solúvel. O dono da Cacique, Sérgio Coimbra, contou, animado,</p><p>a novidade para os jornalistas, esperando vê-la publicada nos</p><p>jornais, evidentemente com crédito para a sua empresa. Na época,</p><p>eu trabalhava na Gazeta Mercantil e café era a minha especialidade.</p><p>As estatísticas do governo confi rmavam o que dizia Sérgio Coimbra,</p><p>mas o volume importado ainda era pequeno, não</p><p>valia como notícia</p><p>de jornal. Dois meses depois, o Rio de Janeiro recebeu industriais</p><p>do café do mundo inteiro, em um congresso internacional, realizado</p><p>anualmente. Lembrei da história e procurei um representante do</p><p>Japão no congresso. A grande novidade não era o Japão começar</p><p>a comprar o produto do Brasil, mas industrializar, embalar o café em</p><p>latinhas e servi-lo gelado, como refrigerante. Essa bebida fez muito</p><p>sucesso por lá, tanto que a empresa japonesa triplicou suas compras</p><p>do Brasil. Ou seja, o café entrou no mercado japonês concorrendo na</p><p>linha de refrigerantes gelados e não disputando com o chá quente,</p><p>que continuou reinando absoluto. Aí, sim, valeu escrever a matéria,</p><p>com direito a chamada na primeira página do jornal (CALDAS, 2005,</p><p>p. 66).</p><p>Acadêmico, você consegue entender a importância de guardar informações e</p><p>ter um olhar apurado para saber quando e como publicá-las? É claro que isso é algo que</p><p>se ganha com a experiência, com a prática diária do jornalismo. No entanto, vale a pena</p><p>se exercitar para, desde cedo, ter esse feeling para pautas interessantes.</p><p>Na unidade 2 deste livro, teremos uma seção exclusiva para tratar sobre as</p><p>pautas no jornalismo político e econômico. Lá, você aprenderá com mais</p><p>profundidade sobre como buscar temas, ideias e usar dados para produzir</p><p>conteúdos para editorias desse segmento.</p><p>ESTUDOS FUTUROS</p><p>60</p><p>3.1 DEMANDAS DE MACROECONOMIA NO CONTEXTO</p><p>JORNALÍSTICO</p><p>Ao contrário da microeconomia, que é o estudo dos indivíduos, a macroeconomia</p><p>estuda os fenômenos econômicos de maneira mais aprofundada. Conforme você</p><p>aprendeu, ela está relacionada a questões como o trabalho, o capital e o governo.</p><p>Na visão de Caldas (2005), os temas macroeconômicos trabalhados pelo</p><p>jornalismo estão relacionados às informações e aos indicadores que permitem avaliar o</p><p>desempenho de toda a economia em seu conjunto.</p><p>A autora exemplifica: “Ao escrever sobre a redução dos investimentos nas</p><p>empresas estatais de energia elétrica, o repórter precisa saber qual foi o déficit fiscal</p><p>que levou o governo a determinar o corte de investimentos” (CALDAS, 2005, p. 61).</p><p>Assim, no entendimento de Caldas, “[...] ele sabe que corte de investimento gera</p><p>desdobramentos desagradáveis, desde um ‘apagão’ à queda contínua de qualidade de</p><p>serviço prestado pela estatal” (2005, p. 61).</p><p>Ou seja, para trabalhar com pautas relacionadas à macroeconomia, é de</p><p>fundamental importância que o jornalista tenha total domínio sobre indicadores como</p><p>PIB, taxa de juros, inflação etc. Além disso, deve-se ter a perspicácia de fazer análises</p><p>sobre como esses índices convergem em diferentes cenários, para que informações de</p><p>qualidade sejam repassadas à audiência.</p><p>Que tal ver um exemplo prático de uma matéria com foco na macroeconomia.</p><p>Leia, a seguir, um trecho de uma reportagem publicada pelo portal G1.</p><p>61</p><p>A reportagem a seguir foi publicada na editoria de Economia do portal G1. Leia:</p><p>Analistas de mercado elevam para 3,05% expectativa de alta do PIB em 2022 e</p><p>veem infl ação maior</p><p>Os economistas do mercado fi nanceiro aumentaram de 2,81% para 3,05% a previsão de</p><p>alta do Produto Interno Bruto (PIB) em 2022. O PIB é a soma de todos os bens e serviços</p><p>produzidos no país. O indicador serve para medir a evolução da economia.</p><p>A informação consta do relatório "Focus", divulgado nesta segunda-feira (5) pelo Banco</p><p>Central. Ao todo, foram ouvidas mais de 100 instituições fi nanceiras na semana passada</p><p>sobre as projeções para a economia.</p><p>A estimativa de crescimento da economia neste ano foi</p><p>elevada após a divulgação do resultado do PIB no terceiro</p><p>trimestre deste ano que, segundo o Instituto Brasileiro de</p><p>Geografi a e Estatística (IBGE), avançou 0,4%. Foi a quinta alta</p><p>seguida do PIB trimestral.</p><p>Já para 2023, a previsão de crescimento subiu de 0,70% para</p><p>0,75%.</p><p>Ao sancionar a lei que prevê as diretrizes do orçamento de</p><p>2023, o governo informou que a previsão é o PIB crescer</p><p>2,5% no ano que vem.</p><p>Para a infl ação deste ano, a estimativa do mercado fi nanceiro</p><p>avançou de 5,91% para 5,92%. Esta foi a sexta alta seguida</p><p>no indicador.</p><p>Texto completo disponível em: https://g1.globo.com/</p><p>economia/noticia/2022/12/05/analistas-do-mercado-</p><p>elevam-para-305percent-expectativa-de-alta-do-pib-em-</p><p>2022-e-veem-infl acao-maior.ghtml/. Acesso em 7 dez. 2022</p><p>INTERESSANTE</p><p>Como já estudamos, economia e política são editorias que, muitas vezes, andam</p><p>juntas. No caso da cobertura de acontecimentos políticos, na maioria dos casos, o</p><p>jornalista também está lidando com a subdivisão da macroeconomia.</p><p>Experiente na área, Caldas (2005) também tem um case nesse segmento.</p><p>Ela conta sobre um fato de 2002, quando o ex-governador do Rio de Janeiro Anthony</p><p>Garotinho fez uma retirada fraudulenta de dinheiro dos caixas públicos. Veja o</p><p>depoimento da jornalista:</p><p>Uma semana antes de se afastar do governo do Rio de Janeiro para candidatar-</p><p>se à presidência, em março de 2002, o governador Anthony Garotinho fez uma retirada</p><p>fraudulenta de dinheiro da Caixa de Previdência dos Funcionários do Estado do Rio</p><p>de Janeiro (Prev-Banerj), sacando recursos que só poderiam ser usados para pagar</p><p>aposentadorias de ex-funcionários do banco.</p><p>62</p><p>A operação envolvia títulos públicos, que Garotinho negociou no</p><p>mercado financeiro e trocou por dinheiro. Para não ser “enrolado” pelo</p><p>governador, o repórter precisava conhecer a mecânica de negociação</p><p>desses títulos, o deságio com que são negociados, as regras que</p><p>o impediam de sacar o dinheiro que pertence a aposentados, os</p><p>desdobramentos no Ministério da Previdência e as consequentes</p><p>punições previstas em lei. Se não dominar o assunto, o repórter</p><p>é facilmente enganado e não estará preparado para contestar</p><p>explicações evasivas ou mesmo duvidosas. No caso, Garotinho</p><p>preferiu o silêncio, negou-se a dar explicações e deixou a informação</p><p>ser publicada sem contestações (CALDAS, 2005, p. 63).</p><p>Então, acadêmico, como exemplifica Caldas (2005), ao cobrir pautas de</p><p>macroeconomia, é preciso não apenas dominar as técnicas jornalísticas, mas também</p><p>os indicadores macroeconômicos e a forma como eles operam, de modo geral. Assim,</p><p>o jornalista não é enganado, tampouco induzido ao erro por um entrevistado mal-</p><p>intencionado, por exemplo.</p><p>Aqui chegamos ao fim da nossa primeira unidade de estudos da disciplina de</p><p>Jornalismo Político e Econômico. Esperamos que você tenha tido um ótimo aprendizado</p><p>até aqui! Em caso de dúvidas, não deixe de questionar aos tutores internos ou externos,</p><p>por meio dos canais de comunicação da Uniasselvi.</p><p>Na próxima unidade, daremos sequência aos nossos estudos, agora debatendo</p><p>sobre as agendas midiáticas política e econômica no jornalismo. Porém, antes de partir</p><p>para esse novo tema, leia o conteúdo complementar que separamos para você. Trata-se</p><p>de uma reportagem feita pelo Portal Press, reunindo as opiniões e experiências de vários</p><p>jornalistas que atuam nas editorias de política e economia de veículos de comunicação</p><p>brasileiros.</p><p>Também não esqueça de fazer as autoatividades para testar e fixar os seus</p><p>conhecimentos. Até mais!</p><p>63</p><p>JORNALISMO POLÍTICO, FIADOR DA DEMOCRACIA</p><p>Redação Portal Press</p><p>“O jornalismo deve ser considerado não só como uma instituição, mas também</p><p>como instituição política; em outras palavras, os jornalistas são atores políticos”. Quando</p><p>Timothy E. Cook, um dos maiores pesquisadores de comunicação social dos Estados</p><p>Unidos, escreveu essa frase em seu livro Governando com as notícias, de 1998, ele</p><p>alertava para a influência que o jornalismo exercia no processo democrático devido ao</p><p>seu trabalho de informar o público sobre os fatos políticos.</p><p>A extensão da liberdade de opinião e de imprensa em um País é um dos parâmetros</p><p>que definem se sua democracia é saudável. A atividade jornalística é considerada uma</p><p>condição base para o sistema democrático, sendo fundamental no esclarecimento da</p><p>opinião pública e nas ligações entre os cidadãos e seus representantes e governos. É</p><p>através dos meios de comunicação social que se</p><p>criam as percepções coletivas sobre</p><p>a política.</p><p>No entanto, essa é uma via de mão dupla: se, por um lado, o jornalismo influencia</p><p>a visão política das pessoas, por outro o público também julga os veículos de acordo</p><p>com suas preferências. “O jornalismo político se parece muito com o esportivo, de certa</p><p>forma, porque ambos lidam muito com a paixão das pessoas”, destaca Taline Oppitz,</p><p>colunista política do jornal Correio do Povo e comentarista da Rádio Guaíba. “O público</p><p>costuma responder de forma emocional a tudo o que publicamos, ficamos sempre sob</p><p>um julgamento constante”, afirma.</p><p>Paula Coutinho, editora de política do Jornal do Comércio, concorda que</p><p>o público tende a olhar os temas políticos de uma forma emotiva, como no esporte.</p><p>“Existe até um termo usado aqui no Estado para isso, a ‘grenalização’ da política, pois são</p><p>assuntos que o leitor tende a ver de um ponto de vista mais apaixonado”, lembra. Para</p><p>Paula, esse comportamento pode gerar benefícios ao trabalho, uma vez que significa</p><p>que a audiência está atenta a possíveis parcialidades. “Por outro lado, ver tudo de uma</p><p>forma muito emocional pode prejudicar a leitura, o entendimento”, alerta.</p><p>Entretanto, no Brasil, durante os últimos anos, o próprio interesse pela política</p><p>parece ter declinado, junto com a crença na democracia. Segundo o último levantamento</p><p>do Instituto Latino Barômetro, com dados de 2017, na América Latina os brasileiros estão</p><p>entre os povos que menos apoiam a democracia como sistema político: apenas 43%.</p><p>LEITURA</p><p>COMPLEMENTAR</p><p>64</p><p>A desconfiança no governo atingia 92% dos brasileiros, segundo a pesquisa.</p><p>Além disso, outro levantamento, feito no início do ano pelo Instituto Locomotiva/</p><p>Ideia Big Data, apontava que 96% dos brasileiros não se sentiam representados pelos</p><p>políticos no País. Os estudos apontavam que possíveis causas para esse declínio eram</p><p>os escândalos de corrupção no País e a crise econômica, bem como a ineficiência do</p><p>setor público em atender demandas da população.</p><p>Essa descrença na democracia acaba se refletindo também em uma</p><p>desconfiança da imprensa. Segundo a pesquisa Edelman Trust Barometer 2018, entre</p><p>28 países, o Brasil foi um dos que sofreram maior queda na confiança na mídia em um</p><p>ano: cinco pontos percentuais, fazendo com que apenas 43% da população declarasse</p><p>confiar nos veículos.</p><p>Diante desse quadro, os jornalistas que cobrem política enfrentam o desafio de</p><p>informar a população sobre um tema que, apesar de tão importante para a sociedade,</p><p>está sendo visto pelo público com desprezo. “A política hoje está sendo criminalizada, e</p><p>isso acaba refletindo nos jornalistas. Se faço uma análise positiva de alguém, já criticam,</p><p>acham que é apoio”, afirma Flávio Pereira, comentarista e colunista da Rede Pampa.</p><p>“A estigmatização da política não é benéfica, embora não ocorra sem razão”,</p><p>alerta Paula Coutinho, do Jornal do Comércio. “Não podemos tomar a política como</p><p>algo maculado, sujo. Bem ou mal, somos seres políticos. Além disso, nós jornalistas</p><p>não podemos esquecer que prestamos um serviço à população. Para um jornalista, ao</p><p>estar nesse espaço político é preciso essa capacidade de discernimento, essencial para</p><p>nossos veículos possam servir ao público.”</p><p>Além do sentimento antipolítica, a polarização ideológica atual do País</p><p>também gera problemas para os profissionais que cobrem esse segmento de notícias,</p><p>especialmente nos comentários do público. “Desde a eleição de 2014 existe uma forte</p><p>polarização e crescimento de grupos de ódio. Eles vêm dispostos a ofender. Cheguei a</p><p>perguntar uma vez: ‘você diria isso para um vizinho seu?’. Esse tipo de agressão cresceu</p><p>muito”, afirma Carolina Bahia, colunista e comentarista política do Grupo RBS em Brasília.</p><p>Para Taline Oppitz, do Correio do Povo, as redes sociais facilitaram os comentários</p><p>mais “raivosos”, mas o ódio na política e direcionado aos veículos sempre existiu.</p><p>“Estamos num ano bem ímpar, com momentos muito irracionais, mas sempre tivemos</p><p>belicosidade. Lembro de campanhas muito agressivas no passado, especialmente as</p><p>campanhas municipais. A diferença é que as redes colocam tudo na vitrine”.</p><p>Para os profissionais que atuam com jornalismo político, uma das principais</p><p>características desse segmento é ter de sempre ir além do fato puro, contextualizando</p><p>todas as informações. “O jornalismo político se define por buscar o que está por trás</p><p>do fato evidenciado. Por que esses personagens estão tomando essa decisão e o que</p><p>isso vai resultar? Não se pode só fazer o que é superficial”, destaca Carolina Bahia, do</p><p>65</p><p>Grupo RBS. A jornalista dá um exemplo: “O senador Romero Jucá (MDB-RR) deixou de</p><p>líder do governo no Senado, alegando que não concordava com a política em relação</p><p>aos venezuelanos em Roraima, sua base. Mas o que havia por trás daquilo, naquele</p><p>momento? Interesse na reeleição (o que não conseguiu), interesse em se afastar do</p><p>governo Michel Temer em um momento estratégico. Nós, jornalistas temos a missão de</p><p>mostrar o que ele quer com aquilo, não só o fato.”</p><p>“Política é contexto”, resume Taline Oppitz. “É preciso saber a história de cada</p><p>informação antes de escrever sobre ela: o que aconteceu antes, qual o objetivo da</p><p>informação passada, quais serão os efeitos… Escrever sobre política, antes de tudo, é</p><p>interpretar o que está acontecendo.”</p><p>No entanto, para interpretar os fatos, é preciso de fontes confiáveis que possam</p><p>trazer informações relevantes. “Quem não consegue fontes com quem estabelecer</p><p>relação de confiança não sobrevive. E precisam ser fontes qualificadas”, afirma Flávio</p><p>Pereira, da Rede Pampa. O jornalista, que desde 1980 atua com cobertura política,</p><p>lembra que o profissional desse segmento não pode selecionar fontes de acordo com</p><p>julgamentos morais, mas pela confiança na informação. “Tenho fontes extremamente</p><p>limpas, e outras que respondem a processos, mas não sou eu quem irá julgá-las. Não</p><p>existem santos na política, mas também não no jornalismo”.</p><p>“Ouso dizer que ter fontes qualificadas é ainda mais importante do que em</p><p>outras áreas”, afirma Carolina Bahia. A jornalista destaca da relação “olho no olho” com</p><p>as fontes. “Como o ‘off’ é muito utilizado, é preciso saber levar a conversa”. No entanto,</p><p>Carolina destaca que, hoje em dia, a necessidade da checagem é ainda mais forte.</p><p>“Temos que ser extremamente criteriosos, checar e rechecar a informação com várias</p><p>outras fontes. Não que isso não se fizesse antes. Mas é cada vez mais presente os</p><p>interesses, os boatos, pois as redes sociais alimentam isso.”</p><p>Fonte: Disponível em: http://revistapress.com.br/revista-press/jornalismo-politico-fiador-da-democracia/.</p><p>Acesso em: 28 nov. 2022.</p><p>66</p><p>RESUMO DO TÓPICO 3</p><p>Neste tema de aprendizagem, você estudou:</p><p>• A macroeconomia encara os fatos numa perspectiva mais ampla, analisando como</p><p>os cenários estão se desenvolvendo em relação aos Estados e aos países.</p><p>• A microeconomia, analisa os fatores econômicos em menor escala, como o preço da</p><p>gasolina e dos produtos no supermercado.</p><p>• Os estudos da microeconomia se subdividem em três teorias: teoria do consumidor,</p><p>teoria da firma e teoria da produção.</p><p>• Compreender as diferenças entre as demandas de micro e macroeconomia é</p><p>interessante para que o jornalista saiba como direcionar a abordagem das publicações.</p><p>• As principais pautas elaboradas no universo da microeconomia incluem o segmento</p><p>de negócios, empreendedorismo, start-ups, empresas familiares e crises.</p><p>• Os temas macroeconômicos trabalhados pelo jornalismo estão relacionados às</p><p>informações e aos indicadores que permitem avaliar o desempenho de toda a</p><p>economia em seu conjunto.</p><p>• Ao fazer a cobertura de acontecimentos políticos, na maioria dos casos, o jornalista</p><p>também está lidando com a subdivisão da macroeconomia.</p><p>67</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>1 O gráfico a seguir resume as diferentes entre a microeconomia e a macroeconomia:</p><p>Fonte: https://slideplayer.com.br/5604851/2/images/slide_1.jpg. Acesso em: 8 dez. 2022</p><p>Com base nas informações apresentadas no gráfico e com os</p><p>seus conhecimentos</p><p>adquiridos, assinale a alternativa INCORRETA:</p><p>a) ( ) Microeconomia é o ramo da economia que estuda o comportamento de um</p><p>consumidor individual, empresa ou família.</p><p>b) ( ) A microeconomia abrange questões como produto individual, demanda, oferta,</p><p>preços de produtos, preços de fatores, salários etc.</p><p>c) ( ) Macroeconomia é o ramo da economia que estuda o comportamento de toda a</p><p>economia, nacional e internacional.</p><p>d) ( ) A macroeconomia é aplicada em questões operacionais ou internas.</p><p>68</p><p>2 Observe a charge e, em seguida, analise as sentenças a seguir:</p><p>Fonte: https://midiamax.uol.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Dia-15-09-2022-Preco-gas.jpg. Acesso</p><p>em: 8 dez. 2022.</p><p>I- A charge faz uma crítica ao alto preço do gás de cozinha e ilustra uma situação em</p><p>que se pode analisar a macroeconomia, tendo em vista que essa área identifica</p><p>tendências e comportamentos dos consumidores.</p><p>II- A charge ilustra a teoria do consumidor, em que a microeconomia analisa a preferência,</p><p>o comportamento, as escolhas e as restrições do consumidor.</p><p>III- A charge ilustra a teoria do consumidor, em que a macroeconomia analisa a</p><p>preferência, o comportamento, as escolhas e as restrições do consumidor.</p><p>Assinale a alternativa CORRETA:</p><p>a) ( ) As sentenças I e II estão corretas.</p><p>b) ( ) Somente a sentença II está correta.</p><p>c) ( ) As sentenças I e III estão corretas.</p><p>d) ( ) Somente a sentença III está correta.</p><p>3 Ao falar sobre a microeconomia, Souza (2019, s.p.) declara que: “Seu objetivo é explicar</p><p>como se dá a fixação de preços e os seus fatores de produção. Ou seja: é com ela</p><p>que você poderá entender melhor por que os produtos têm valores diferentes e qual</p><p>a influência das ações de atores econômicos como famílias, empresas e governo no</p><p>69</p><p>mercado”. O autor ainda comenta que a microeconomia pode ser estudada a partir</p><p>de três abordagens: teoria do consumidor, teoria da firma e teoria da produção. Sobre</p><p>tais teorias, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas:</p><p>Fonte: SOUZA, I. Macroeconomia: saiba quais fatores que</p><p>podem afetar os seus negócios 2019. Disponível em: https://</p><p>rockcontent.com/br/blog/macroeconomia/. Acesso em 6</p><p>dez. 2022.</p><p>( ) A teoria da produção foca o seu estudo em questões como a escassez, a oferta e</p><p>a demanda para definir os preços dos produtos que são colocados à venda para os</p><p>consumidores.</p><p>( ) A teoria da produção se baseia em um estudo de todos os custos que são necessários</p><p>para a produção de um produto, como transporte, mão de obra, matéria-prima, entre</p><p>outros</p><p>( ) A teoria da produção ajuda os empresários a definirem a quantidade de produtos</p><p>que devem ser produzidos nas indústrias</p><p>Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:</p><p>a) ( ) V – F – F.</p><p>b) ( ) V – F – V.</p><p>c) ( ) F – V – F.</p><p>d) ( ) F – F – V.</p><p>4 A imagem a seguir mostra a manchete de uma reportagem escrita pela jornalista</p><p>Analice Nicolau e publicada no Jornal de Brasília. Observe:</p><p>Fonte: https://www.instagram.com/p/Cj5rS8MraYP/. Acesso em: 8 dez. 2022.</p><p>https://rockcontent.com/br/blog/macroeconomia/</p><p>https://rockcontent.com/br/blog/macroeconomia/</p><p>70</p><p>Ao analisar o título da publicação, podemos dizer que a matéria aborda uma questão</p><p>voltada para a micro ou para a macroeconomia? Justifique a sua resposta.</p><p>5 No livro “Jornalismo econômico”, a autora Suely Caldas declarou o seguinte: “Mercados</p><p>de risco são ativos financeiros que não têm rendimento pré-fixado ou fórmula de</p><p>reajuste como tem a caderneta de poupança ou títulos de renda fixa. ‘Risco’ são as</p><p>ações de empresas negociadas em bolsas, o dólar, o mercado futuro de juros ou de</p><p>produtos agrícolas, que oscilam ao sabor dos acontecimentos políticos e econômicos.</p><p>Uma declaração do presidente da República sobre câmbio, uma guerra no Oriente</p><p>Médio, o preço do óleo, o preço do petróleo, uma crise financeira em um país vizinho,</p><p>a doença de um dirigente de uma nação, tudo pode influenciar as cotações dos ativos</p><p>de risco” (CALDAS, 2005, p. 53-54).</p><p>Na fala da autora, podemos perceber vários termos do chamado “economês”, como</p><p>“mercado de risco”, “juros”, “poupança”, “títulos de renda fixa”, entre outros. De acordo</p><p>com o que você estudou, responda: por que é importante que os jornalistas que cobrem</p><p>pautas de macroeconomia compreendam esses e outros termos, bem como a forma</p><p>como eles se relaciona?</p><p>71</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>ANDRADE, J. Hawkish e dovish: o que são essas condutas econômicas. 2020.</p><p>Disponível em: https://einvestidor.estadao.com.br/educacao-financeira/hawkish-e-do</p><p>vish?amp&gclid=CjwKCAiAyfybBhBKEiwAgtB7fhyALp2OKRYob1uhxqzrYxzPN98sbDfTy</p><p>De-rLb7xLOYhhVYkdAM4hoCSicQAvD_BwE. Acesso em: 24 nov. 2022.</p><p>ARCURI, N. Me Poupe!: 10 passos para nunca mais faltar dinheiro no seu bolso. Rio de</p><p>Janeiro, Sextante, 2018.</p><p>AUGUSTINHO, A. M. N. Sistemas econômicos. In: AUGUSTINHO, A.M.N.; RODRIGUES,</p><p>A.L.M.; BARRETO, J. S.; BES, P. Sociedade contemporânea. Porto Alegre, RS: Sagah,</p><p>2018.</p><p>BES, P. Conceitos básicos de sociologia. In: AUGUSTINHO, A.M.N; BARRETO, J.S; BES,</p><p>P.; GOLBSPAN, R.B.; RODRIGUES, A.L.M. Sociologia da educação. Porto Alegre, RS:</p><p>Sagah, 2018.</p><p>BEZERRA, J. Impeachment de Dilma Rousseff. Toda Matéria, [s. l.], c2023. Disponível</p><p>em: https://www.todamateria.com.br/impeachment-de-dilma-rousseff/. Acesso em:</p><p>24 nov. 2022.</p><p>BISOL, L.V. Perspectivas do jornalismo de dados. In: SILVEIRA, G.C.; SILVA, F.L.; BISOL,</p><p>L.V.; FRAGA, L.C.; FORECHI, M.; SILVEIRA, M.T.; STEGANHA, R. Leitura e interpretação</p><p>de dados no jornalismo. Porto Alegre, RS: Sagah, 2021.</p><p>CALDAS, S. Jornalismo econômico. São Paulo, SP: Contexto, 2005.</p><p>CAMARGO, G. O que é jornalismo econômico e como é trabalhado atualmente</p><p>no mercado. 2021. Disponível em: https://rockcontent.com/br/blog/jornalismo-</p><p>economico/. Acesso em 24 nov. 2022.</p><p>CONSTANTINO, R. O legado de Adam Smith. Disponível em: https://www.</p><p>institutoliberal.org.br/blog/economia/o-legado-de-adam-smith/. Acesso em: 15 fev.</p><p>2023.</p><p>D’ÁVILA, M. E se fosse você: sobrevivendo às redes de ódio e fake news. Porto Alegre,</p><p>RS: Instituto E se Fosse Você, 2020.</p><p>FLORES, L.S. Internet e cultura local: estudo de caso no portal São Marcos na</p><p>Web, de São Marcos/RS. Dissertação (Mestrado em Letras, Cultura e Regionalidade)</p><p>– Programa de pós-graduação em Letras, Cultura e Regionalidade, Universidade de</p><p>Caxias do Sul, Caxias do Sul/RS, 2018.</p><p>https://www.todamateria.com.br/impeachment-de-dilma-rousseff/</p><p>72</p><p>FLORES, L. S.; ZINANI, C. J. A. Intertextualidade crítica e hipertexto: um estudo de caso</p><p>no blog Prateleira Sem Fim. Artefactum, Rio de Janeiro, v. 16, n.1, 2018. Disponível</p><p>em: http://artefactum.rafrom.com.br/index.php/artefactum/article/view/1588. Acesso</p><p>em 24 nov. 2022.</p><p>HUBBARD, R.G.; O’BRIEN, A.P. Introdução à economia. Porto Alegre, RS: Bookman,</p><p>2010.</p><p>JUSKI, J.R. Jornalismo econômico. In: JUSKI, J.R.; HOFF, R.S.; FORECHI, M.; SILVA, F.L.;</p><p>SILVEIRA, G.C.; BISOL, L.V.; SANGALETTI, L. Jornalismo especializado. Porto Alegre,</p><p>RS: Sagah, 2020.</p><p>JUSKI, J. R. Jornalismo político. In: JUSKI, J.R.; HOFF, R.S.; FORECHI, M.; SILVA, F.L.;</p><p>SILVEIRA, G.C.; BISOL, L.V.; SANGALETTI, L. Jornalismo especializado. Porto Alegre,</p><p>RS: Sagah, 2020.</p><p>MACKENZIE, I. Política: conceitos-chave em filosofia. Porto Alegre, RS: Artmed, 2011.</p><p>MATTOS, A. N. Social-democracia explicada em quatro pontos. 2019. Disponível</p><p>em: https://www.politize.com.br/social-democracia-o-que-e/?https://www.</p><p>politize.com.br/&gclid=Cj0KCQiAyracBhDoARIsACGFcS53DJCuvLO0MYBZhmj_</p><p>ORuS8i_4JMBXhbJ8-AXCJS7gSho5VmevA_4aAhF3EALw_wcB. Acesso em: 5 dez.</p><p>2022.</p><p>MENEZES, P. Capitalismo. Toda Matéria, [s. l.], c2023. Disponível em: https://www.</p><p>todamateria.com.br/capitalismo/. Acesso em: 2 dez. 2022.</p><p>NUBANK. FGC: o que é e como funciona, 2019. Disponível em: https://blog.nubank.</p><p>com.br/o-que-e-fgc-e-como-ele-funciona/. Acesso em 30 nov. 2022.</p><p>PATEL, N. Economia criativa: o que é e como ser criativo em 2022. 2022. Disponível</p><p>em: https://neilpatel.com/br/blog/economia-criativa-o-que-e/. Acesso</p><p>3 O DESENVOLVIMENTO POLÍTICO-ECONÔMICO NO CAPITALISMO ............................. 30</p><p>3.2 FASES DO CAPITALISMO ..................................................................................................................33</p><p>3.2.1 Capitalismo comercial ou mercantil .....................................................................................34</p><p>3.2.2 Capitalismo industrial ..............................................................................................................36</p><p>3.2.3 Capitalismo financeiro ............................................................................................................. 37</p><p>3.3 OS EFEITOS SÓCIO-POLÍTICOS DO CAPITALISMO NA CONTEMPORANEIDADE .................39</p><p>3.3.1 As classes sociais ......................................................................................................................39</p><p>3.3.2 Economia liberal ....................................................................................................................... 41</p><p>3.3.3 Economia baseada na social-democracia .........................................................................43</p><p>3.3.4 Economia solidária ...................................................................................................................44</p><p>3.3.5 Economia criativa .....................................................................................................................45</p><p>RESUMO DO TÓPICO 2 .........................................................................................................47</p><p>AUTOATIVIDADE ................................................................................................................. 49</p><p>TÓPICO 3 - MICRO E MACROECONOMIA APLICADAS ÀS DEMANDAS DA COMUNICAÇÃO</p><p>SOCIAL E DA SOCIEDADE .................................................................................................... 51</p><p>1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................... 51</p><p>2 AS DIFERENÇAS ENTRE MICRO E MACROECONOMIA .................................................... 51</p><p>2.1 MICROECONOMIA ................................................................................................................................53</p><p>2.1.1 Teoria do consumidor ................................................................................................................54</p><p>2.1.2 Teoria da Firma ...........................................................................................................................54</p><p>2.1.3 Teoria da produção ....................................................................................................................54</p><p>2.2 MACROECONOMIA ..............................................................................................................................55</p><p>3 APLICAÇÕES DOS TEMAS DE MICRO E DA MACROECONOMIA NO CONTEXTO</p><p>JORNALÍSTICO ....................................................................................................................57</p><p>3.1 DEMANDAS DE MICROECONOMIA NO CONTEXTO JORNALÍSTICO ........................................ 57</p><p>3.1 DEMANDAS DE MACROECONOMIA NO CONTEXTO JORNALÍSTICO .......................................60</p><p>LEITURA COMPLEMENTAR ................................................................................................ 63</p><p>RESUMO DO TÓPICO 3 ........................................................................................................ 66</p><p>AUTOATIVIDADE ..................................................................................................................67</p><p>REFERÊNCIAS ...................................................................................................................... 71</p><p>UNIDADE 2 — AS AGENDAS MIDIÁTICAS POLÍTICA E ECONÔMICA NO JORNALISMO ....75</p><p>TÓPICO 1 — AS PAUTAS NO JORNALISMO POLÍTICO E ECONÔMICO ............................... 77</p><p>1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................... 77</p><p>2 DEFININDO AS PAUTAS NO JORNALISMO POLÍTICO E ECONÔMICO ........................... 77</p><p>2.1 PAUTA: CONCEITOS, CARACTERÍSTICAS E APLICAÇÕES NO JORNALISMO POLÍTICO E</p><p>ECONÔMICO ..........................................................................................................................................78</p><p>2.1.1 Relembrando o conceito de pauta......................................................................................... 79</p><p>2.1.2 Os 5 W’s da pauta jornalística ................................................................................................. 79</p><p>2.1.3 Modelo de pauta jornalística................................................................................................... 81</p><p>2.2 O PAPEL DO PAUTEIRO NO JORNALISMO POLÍTICO E ECONÔMICO.....................................83</p><p>2.2.1 Critérios da noticiabilidade ..................................................................................................... 84</p><p>2.2.2 Repórter e pauteiro: a atuação em conjunto dos profissionais para definir boas</p><p>matérias de política e economia ...........................................................................................87</p><p>2.3 PROJETO EDITORIAL: DEFININDO UM ESQUEMA DE PAUTAS E CONTEÚDOS PARA O</p><p>JORNALISMO POLÍTICO E ECONÔMICO ......................................................................................... 91</p><p>2.3.1 Processo de edição no jornalismo impresso ......................................................................96</p><p>2.3.2 Processo de edição no jornalismo digital ...........................................................................98</p><p>3 TEMAS DE PAUTAS MAIS COMUNS NO JORNALISMO POLÍTICO E ECONÔMICO .........99</p><p>3.1 TEMAS DE PAUTAS NO CAMPO POLÍTICO .....................................................................................99</p><p>3.2 TEMAS DE PAUTAS NO CAMPO ECONÔMICO ............................................................................103</p><p>RESUMO DO TÓPICO 1 .......................................................................................................107</p><p>AUTOATIVIDADE ................................................................................................................109</p><p>TÓPICO 2 - A ÉTICA PROFISSIONAL E A RELAÇÃO COM AS FONTES .............................111</p><p>1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................111</p><p>2 A ÉTICA NO JORNALISMO POLÍTICO E ECONÔMICO .....................................................111</p><p>2.1 ÉTICA PROFISSIONAL NO JORNALISMO .....................................................................................112</p><p>2.2 BOAS PRÁTICAS PARA MANTER A ÉTICA NO JORNALISMO POLÍTICO-ECONÔMICO ......114</p><p>2.2.1 Evite pagar por informações .................................................................................................114</p><p>2.2.2 Não use estratégias de clickbait para atrair cliques .......................................................116</p><p>2.2.3 Procure desmascarar as fake news ....................................................................................118</p><p>2.2.4 Analise criteriosamente os casos que envolvem gravações telefônicas e</p><p>mensagens ................................................................................................................................119</p><p>3 A RELAÇÃO COM AS FONTES NO JORNALISMO POLÍTICO E ECONÔMICO .................122</p><p>3.1 A LEI DAS TRÊS FONTES NO JORNALISMO POLÍTICO-ECONÔMICO .................................... 122</p><p>3.2 A CLASSIFICAÇÃO DAS FONTES .................................................................................................. 123</p><p>3.3 CUIDADOS COM AS INFORMAÇÕES EM OFF ............................................................................. 125</p><p>RESUMO DO TÓPICO 2 ....................................................................................................... 127</p><p>AUTOATIVIDADE ................................................................................................................129</p><p>em: 5 dez.</p><p>2022.</p><p>PEÇANHA, V. Obrigado pelo marketing: um guia completo de como encantar</p><p>pessoas e gerar negócios utilizando o marketing de conteúdo. São Paulo: Benvirá,</p><p>2017.</p><p>PODER 360. Poder Data: Lula 52% X 48% Bolsonaro. 2022. Disponível em:</p><p>https://www.poder360.com.br/poderdata/poderdata-lula-52-x-48-bolsonaro/. Acesso</p><p>em: 25 nov. 2022</p><p>SILVA, D. F. Princípios básicos da economia. In: SILVA, D.F.; AZEVEDO, I.S.S. Economia.</p><p>Porto Alegre, RS: Sagah, 2017.</p><p>73</p><p>SILVA, D. N. Diferenças entre o capitalismo e o socialismo. Disponível em:</p><p>https://brasilescola.uol.com.br/geografia/principais-diferencas-entre-capitalismo-</p><p>socialismo.htm. Acesso em: 2 dez. 2022</p><p>SOUZA, I. Macroeconomia: saiba quais fatores que podem afetar os seus negócios</p><p>2019. Disponível em: https://rockcontent.com/br/blog/macroeconomia/. Acesso em 6</p><p>dez. 2022.</p><p>SOUZA, I. Microeconomia: como ela afeta os seus negócios. 2019. Disponível em:</p><p>https://rockcontent.com/br/blog/microeconomia/. Acesso em 6 dez. 2022.</p><p>TRAQUINA, N. O cidadão antes do consumidor. [Entrevista concedida a] Antonio</p><p>Queiroga. Observatório da impresa. Campinas, SP. Disponível em:</p><p>https://www.observatoriodaimprensa.com.br/primeiras-edicoes/o-cidado-antes-do-</p><p>consumidor-2/. Acesso em: 29 nov. 2022.</p><p>https://rockcontent.com/br/blog/macroeconomia/</p><p>74</p><p>75</p><p>AS AGENDAS MIDIÁTICAS</p><p>POLÍTICA E ECONÔMICA NO</p><p>JORNALISMO</p><p>UNIDADE 2 —</p><p>OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM</p><p>PLANO DE ESTUDOS</p><p>A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:</p><p>• entender como são defi nidas e quais são os tipos de pautas no jornalismo político e</p><p>econômico;</p><p>• compreender sobre o papel ético que o jornalista de política e economia tem com os</p><p>leitores e com as fontes;</p><p>• saber como se relacionar da melhor maneira possível com as fontes, garantindo o</p><p>fazer do jornalista;</p><p>• trabalhar com o jornalismo de opinião em reportagens de cunho político e econômico.</p><p>A cada tópico desta unidade você encontrará autoatividades com o objetivo de</p><p>reforçar o conteúdo apresentado.</p><p>TÓPICO 1 – AS PAUTAS NO JORNALISMO POLÍTICO E ECONÔMICO</p><p>TÓPICO 2 – A ÉTICA PROFISSIONAL E A RELAÇÃO COM AS FONTES</p><p>TÓPICO 3 – A OPINIÃO DO JORNALISTA EM COBERTURAS E REPORTAGENS DE CUNHO</p><p>POLÍTICO E ECONÔMICO</p><p>Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure</p><p>um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações.</p><p>CHAMADA</p><p>76</p><p>CONFIRA</p><p>A TRILHA DA</p><p>UNIDADE 2!</p><p>Acesse o</p><p>QR Code abaixo:</p><p>77</p><p>TÓPICO 1 —</p><p>AS PAUTAS NO JORNALISMO POLÍTICO E</p><p>ECONÔMICO</p><p>UNIDADE 2</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>Para produzir uma boa matéria ou reportagem com viés político e econômico,</p><p>desenvolver boas pautas é fundamental. Elas servem como uma espécie de</p><p>planejamento para que o jornalista saiba quais são as melhores fontes para entrevistar,</p><p>qual é a abordagem que deverá ser seguida etc.</p><p>Nos veículos de comunicação, há profissionais que atuam como pauteiros e</p><p>outros como os repórteres que vão a campo. Porém, em empresas menores, é bem</p><p>comum que um mesmo jornalista tenha que executar ambas as funções. Logo, é</p><p>importante dominá-las.</p><p>Acadêmico, no nosso Tema de Aprendizagem 1, da Unidade 2 do livro da</p><p>disciplina de Jornalismo Político e Econômico, vamos abordar questões relevantes,</p><p>como as formas de definição e os tipos mais comuns de pautas para essa editoria.</p><p>Prossiga com a leitura e tenha ótimos estudos!</p><p>2 DEFININDO AS PAUTAS NO JORNALISMO POLÍTICO E</p><p>ECONÔMICO</p><p>Qualquer conteúdo jornalístico, para TV, rádio, mídia impressa ou internet,</p><p>começa na pauta. É por isso que dominar esse tema é tão relevante para os profissionais</p><p>da área, que certamente ocuparão a posição de pauteiro em algum momento da carreira.</p><p>A seguir, estudaremos sobre o conceito, as características e as aplicações</p><p>da pauta no jornalismo político e econômico. Também serão abordadas questões</p><p>relacionadas à construção de um projeto editorial. Vamos lá?</p><p>78</p><p>2.1 PAUTA: CONCEITOS, CARACTERÍSTICAS E APLICAÇÕES</p><p>NO JORNALISMO POLÍTICO E ECONÔMICO</p><p>Ao falar sobre o dia a dia de um jornalista que cobre os assuntos de política</p><p>e economia, Caldas (2008, p.47) explica que a primeira coisa que precisa ser feita na</p><p>rotina diária do profissional é a definição das pautas que serão trabalhadas.</p><p>Nas palavras da autora:</p><p>O processo de produzir um veículo de informação começa com</p><p>a pauta de assuntos que serão cobertos no dia. Não significa que</p><p>o produto final, prontinho, seja exatamente o que foi planejado na</p><p>primeira reunião de editores, às 9h da manhã. Afinal, no decorrer do</p><p>dia acontecem fatos imprevistos. Mas a pauta é fundamental, é o que</p><p>dá início à aventura de fazer um jornal, revista, programa de tevê ou</p><p>um produto de agência de notícias (CALDAS, 2008, p. 47).</p><p>Caldas (2008, 47) também critica a forma como as pautas são trabalhadas</p><p>nos principais veículos de comunicação. Ela acredita que, geralmente, os jornalistas</p><p>de política e economia perdem muito tempo fazendo a cobertura de eventos, como</p><p>discursos de ministros e reuniões de comitês, e deixam passar desapercebidos assuntos</p><p>mais interessantes para o leitor.</p><p>Novamente, citando a autora:</p><p>Na verdade, o jornal adquire prestígio, ganha leitores, é comentado</p><p>e alcança repercussão quando contém assuntos exclusivos. É</p><p>certo que o discurso do ministro pode ir para a manchete, mas ele</p><p>estará em todos os jornais no dia seguinte. Já o assunto exclusivo,</p><p>dependendo do grau de importância para o país, pode disputar a</p><p>manchete com o ministro e superá-la, justamente por ser exclusivo.</p><p>Este é o diferencial (CALDAS, 2008, p.47).</p><p>Ou seja, na visão da autora, é importante que os pauteiros tenham um “faro”</p><p>apurado para a notícia. Eles precisam saber pegar temas interessantes nas entrelinhas,</p><p>ir além do básico e, dessa forma, produzir conteúdos exclusivos e que chamem mais a</p><p>atenção da audiência.</p><p>Bonner (2009) tem uma visão parecida com a de Caldas (2008). No entendimento</p><p>do âncora do Jornal Nacional, o programa jornalístico mais assistido na televisão</p><p>brasileira: “[...] as pautas boas de verdade são as que afetam a vida das pessoas”. Isso</p><p>vai ao encontro do que comentamos anteriormente, sobre a relevância que o pauteiro</p><p>tem em um veículo de comunicação.</p><p>Tendo em vista a importância da pauta para o jornalismo político e econômico,</p><p>a seguir, aprofundaremos os estudos sobre ela. Você está pronto? Então, prossiga com</p><p>a leitura.</p><p>79</p><p>2.1.1 Relembrando o conceito de pauta</p><p>Acadêmico, é provável que você já tenha estudado sobre o conceito de pauta</p><p>em outras disciplinas do seu curso. Porém, é importante que ele seja recordado para</p><p>que possamos avançar com os estudos em jornalismo político e econômico.</p><p>Silveira (2018, p. 180) traz a seguinte definição: “A pauta é o direcionamento do</p><p>assunto a virar notícia. É o conjunto de informações que orientam o repórter no processo</p><p>de apuração dos fatos. Pode-se dizer que é a distância entre a notícia e a reportagem”.</p><p>Ou seja, as pautas são uma espécie de roteiro que deve ser seguido. Elas</p><p>precisam situar os repórteres sobre determinados temas, assim como orientá-lo sobre</p><p>os ângulos que ele deve observar para explorar as notícias.</p><p>No que se refere à escolha das pautas, Silveira (2018, p. 181) comenta que:</p><p>Os jornalistas observam o comportamento da sociedade e extraem</p><p>temas considerados de interesse público. Muitas vezes esses assuntos</p><p>surgem de conversas com amigos e familiares, da experiência de</p><p>vida de cada um, de colegas de áreas distintas, da opinião pública,</p><p>de leituras e da observação de outros meios de comunicação. Um</p><p>conteúdo abordado em um jornal impresso pode virar pauta para um</p><p>noticiário de telejornal e vice-versa.</p><p>Sendo assim, podemos concluir que os pauteiros precisam ter um olhar apurado</p><p>para definir os assuntos que serão debatidos nos veículos de comunicação em que eles</p><p>atuam.</p><p>Para você saber mais sobre como elaborar pautas jornalísticas, recomendamos</p><p>a leitura do artigo “O que é preciso elaborar para uma pauta jornalística”, escrito</p><p>por Luana Rios e publicado no blog Talent Network.</p><p>Disponível em: https://</p><p>rockcontent.com/br/talent-blog/pauta-jornalistica/. Acesso em: 17 dez. 2022.</p><p>DICA</p><p>2.1.2 Os 5 W’s da pauta jornalística</p><p>Para que você possa elaborar uma boa pauta jornalística para a área de economia</p><p>e política, assim como em outras editorias, uma boa metodologia a ser usada é a dos 5</p><p>Ws.</p><p>80</p><p>Santiago (2017, s.p.) explica que os 5 Ws são cinco questões independentes</p><p>e que devem ser sempre consideradas ao elaborar uma pauta jornalística. Eles são</p><p>considerados a base que o pauteiro precisa passar para o repórter ou redator, para que</p><p>uma matéria ou reportagem possa ser bem-conduzida.</p><p>Os 5 Ws da pauta jornalístico são oriundos de cinco palavras da língua inglesa e</p><p>seus respectivos significados, como mostra a Figura 1, a seguir:</p><p>Figura 1 – Infográfico com os 5 Ws da pauta jornalística</p><p>Fonte: encurtador.com.br/fwJ01. Acesso em: 17 dez. 2022</p><p>Ou seja, uma boa pauta precisa conter subsídios para que o redator ou repórter</p><p>possa responder as questões:</p><p>• Sobre quem o conteúdo fala?</p><p>• O que o conteúdo fala?</p><p>• Quando determinado evento noticiado aconteceu ou vai acontecer?</p><p>• Onde o evento noticiado aconteceu?</p><p>• Por que tal evento aconteceu e é relevante para a sociedade?</p><p>Então, quando você estiver no mercado de trabalho e precisar assumir a posição</p><p>de pauteiro, lembre-se dessa interessante metodologia. Com certeza, ela facilitará</p><p>bastante o seu trabalho e contribuirá para que pautas mais completas sejam elaboradas.</p><p>81</p><p>Figura 2 – Infográfico de modelo de pauta jornalística</p><p>Fonte: encurtador.com.br/erF17. Acesso em: 7 dez. 2022</p><p>2.1.3 Modelo de pauta jornalística</p><p>Acadêmico, agora que você já relembrou um pouco o conceito de pauta</p><p>jornalística e conheceu a metodologia 5 Ws, vamos apresentar um modelo de pauta que</p><p>você pode até mesmo adaptar e usar no seu dia a dia profissional.</p><p>Antes disso, vamos conferir tudo o que é necessário conter em uma pauta</p><p>jornalística. Veja, a seguir, o infográfico produzido pelo portal O Jornalístico:</p><p>Considerando todos os esses itens, pode ser elaborado um modelo de pauta</p><p>conforme mostra o quadro a seguir:</p><p>82</p><p>PAUTA</p><p>Cabeçalho</p><p>Data:</p><p>Nome do pauteiro:</p><p>Nome do repórter:</p><p>Tema da pauta:</p><p>Nome do veículo que veiculará a notícia</p><p>Agendamentos</p><p>Data e horário da(s) entrevista(s):</p><p>Local ou meio (e-mail, telefone,</p><p>WhatsApp...):</p><p>Fonte(s):</p><p>Endereço:</p><p>Contato:</p><p>Descrição da pauta</p><p>Tema da pauta:</p><p>Objetivo da matéria:</p><p>Dados levantados durante a pesquisa de</p><p>pauta:</p><p>Sugestões de perguntas, fotos e imagens:</p><p>Deadline (prazo):</p><p>Tamanho do texto:</p><p>Fonte: o autor</p><p>Quadro 1 – Modelo de pauta</p><p>Caro acadêmico, o Quadro 1 é uma boa ferramenta para ser utilizada em sua</p><p>rotina como jornalista e/ou criador de conteúdo. Você pode reproduzi-lo e sempre</p><p>preencher todos esses dados, quando for criar uma pauta para que você ou outro</p><p>profissional produza algum material.</p><p>Após esse breve resgate sobre o conceito e características das pautas no</p><p>jornalismo, em especial nas editorias de política e economia, vamos nos aprofundar no</p><p>papel que o pauteiro tem na produção desse tipo de conteúdo.</p><p>83</p><p>Fonte: https://headtopics.com/images/2022/12/16/o-antagonista/a-cabeca-de-fernando-hadda-</p><p>d-quem-e-como-pensa-e-o--a-cabeca-de-fernando-haddad-quem-e-como-pensa-e-o--16037140549-</p><p>20486912.webp. Acesso em: 24 dez. 2022</p><p>Figura 3 – Capa de edição da revista Crusoé, de 16 de dezembro de 2022</p><p>2.2 O PAPEL DO PAUTEIRO NO JORNALISMO POLÍTICO E</p><p>ECONÔMICO</p><p>Podemos entender que existem vários critérios para definir pautas. Ao cobrir</p><p>assuntos da microeconomia, por exemplo, os pauteiros precisam estar de olho em</p><p>movimentações dos cenários político-econômicos que possam mexer no bolso do</p><p>cidadão.</p><p>Observe a imagem a seguir:</p><p>Acadêmico, como você pode perceber, a Figura 3 traz a capa de uma edição</p><p>da revista Crusoé, cuja manchete principal é a de uma reportagem sobre o perfil de</p><p>Fernando Haddad, que na época da publicação foi escolhido como ministro da Fazenda</p><p>pelo presidente Lula.</p><p>Para definir a pauta da reportagem, o pauteiro ou editor da revista certamente</p><p>esteve atento aos acontecimentos políticos e sugeriu fontes, como aliados e adversários</p><p>de Fernando Haddad, isso porque a ideia da reportagem era traçar um perfil do petista</p><p>e tentar prever como seria o seu comportamento à frente de um dos ministérios mais</p><p>importantes do Governo Federal.</p><p>84</p><p>Como bem explica Silveira (2018, p. 181), ao desenvolver uma pauta, “os</p><p>jornalistas observam o comportamento da sociedade e extraem temas considerados</p><p>de interesse público”. Além disso, como também explana o autor, as pautas podem ser</p><p>sugestões de assessorias de imprensa, que enviam releases por e-mail aos jornalistas.</p><p>Dessa forma, o assessor de imprensa da prefeitura de uma cidade pode criar um</p><p>press release e enviar para os e-mails dos veículos de comunicação da região sempre</p><p>que algum assunto de interesse dos munícipes necessita de divulgação, por exemplo.</p><p>Acadêmico, durante a sua carreira profissional, você também poderá ocupar</p><p>o cargo de assessor de imprensa. Nessa função, é fundamental saber como</p><p>redigir um press release completo, com todas as informações necessárias para</p><p>abastecer os pauteiros das redações dos veículos de comunicação.</p><p>Os releases servem para divulgar eventos, fatos e acontecimentos, bem como</p><p>fazer comunicados à imprensa, de modo geral.</p><p>Para saber mais sobre o tema, leia o artigo “Press release: entenda o que é</p><p>e como estruturar um”, publicado pela Rock Content. Disponível em: https://</p><p>rockcontent.com/br/blog/press-release/. Acesso em: 24 dez. 2022</p><p>DICA</p><p>Para definir as pautas do veículo de comunicação em que trabalha, o pauteiro</p><p>precisa seguir alguns critérios. É sobre isso que falaremos no subtópico a seguir.</p><p>Continue a leitura!</p><p>2.2.1 Critérios da noticiabilidade</p><p>A definição das pautas também passa pelos critérios da noticiabilidade, ou seja,</p><p>o que é interessante ou não para o leitor/espectador em determinado tempo e momento.</p><p>No campo da economia e da política, os acontecimentos costumam ser bastante</p><p>dinâmicos e não são raras as situações em que as pautas precisam ser derrubadas</p><p>porque eventos mais relevantes aconteceram.</p><p>Vamos supor, por exemplo, que você é pauteiro de um portal de notícias da sua</p><p>cidade e programou para determinado dia da semana a publicação de uma matéria com</p><p>dicas para o leitor economizar ao fazer as compras do mês no supermercado.</p><p>Para produzir essa matéria, você sugeriu ao repórter que conversasse com</p><p>alguns cidadãos que estivessem fazendo compras em algum supermercado da região,</p><p>o gerente de uma rede supermercadista e um especialista em economia.</p><p>85</p><p>A matéria foi entregue no prazo pelo jornalista e foi para a mesa do editor, que</p><p>iria apenas revisar o texto e já fazer a publicação no portal. Porém, você recebeu uma</p><p>informação de uma fonte de dentro da prefeitura local, afirmando que o prefeito está</p><p>envolvido em um escândalo de corrupção com uma empreiteira.</p><p>É claro que esse assunto é bem mais interessante e “quente” para o leitor</p><p>do que a matéria sobre como economizar no supermercado, não é mesmo? Então, o</p><p>material anterior pode ser derrubado pelo pauteiro, para que o furo de reportagem sobre</p><p>o esquema de corrupção na prefeitura ocupe o espaço até então destinado para a outra</p><p>publicação.</p><p>Como explica Silveira (2018, p. 187), o pauteiro tem autonomia para derrubar</p><p>uma pauta, desde que seja justificada a chefia. É claro que isso não significa que a</p><p>matéria que foi derrubada não possa ser publicada mais adiante.</p><p>Ainda usando o nosso exemplo, a pauta sobre economia no supermercado pode</p><p>ir para a “gaveta” e ser publicada mais adiante, em um momento mais propício para isso.</p><p>Afinal, o tema é “frio” e pode ser discutido em qualquer época, desde que não aborde</p><p>acontecimentos específicos.</p><p>Bonner (2019, s.p.), editor do Jornal Nacional, da Rede Globo, acredita que os</p><p>critérios de noticiabilidade podem ser distribuídos em duas categorias: primários e</p><p>secundários. É essa a metodologia que o principal produto jornalístico</p><p>do maior grupo</p><p>de comunicação do país utiliza para definir as suas pautas.</p><p>Para o jornalista, os critérios primários a serem seguidos pelos pauteiros para</p><p>definir as pautas de uma edição de jornal são:</p><p>• Abrangência: “Quanto mais gente for afetada pelas consequências ou</p><p>desdobramentos de um fato, maior será a probabilidade de esse fato estar no JN”</p><p>(BONNER, 2019, s.p.).</p><p>• Gravidade das implicações: “Quanto pior ou melhor for um dado estatístico</p><p>relevante; quanto maior for a dimensão de um cataclismo; quanto mais grave for</p><p>uma crise política, econômica ou diplomática, mais provável será que o JN aborde o</p><p>tema” (BONNER, 2019, s.p.).</p><p>• Caráter histórico: “Tudo que se apresenta com importância para registro nos</p><p>livros de História concorre fortemente para ocupar tempo em uma edição do Jornal</p><p>Nacional” (BONNER, 2019, s.p.).</p><p>• Peso do contexto: “[...] uma notícia pode ter peso relativo menor quando comparada</p><p>a outra. O contexto em que elas ocorrem vai determinar se estarão ou não em uma</p><p>edição do JN” (BONNER, 2019, s.p.).</p><p>86</p><p>Bonner (2019, s.p.) explica ainda que uma vez escolhidos os assuntos que serão</p><p>noticiados em um veículo de comunicação, deverão ser definidas as formas como eles</p><p>serão apresentados. Em um telejornal, por exemplo, uma notícia pode ser divulgada em</p><p>uma reportagem de vários minutos ou ser apenas uma nota lida pelo apresentador.</p><p>Já no caso do jornalismo impresso, precisa-se definir o que ocupará os</p><p>destaques da primeira página do jornal e o que ficará em seções mais “escondidas” ou</p><p>em páginas menos nobres.</p><p>Quando falamos no jornalismo digital, que é bastante dinâmico e permite</p><p>publicações a todo instante, as notícias podem ser publicadas em áreas mais ou menos</p><p>nobres do portal, bem como divulgadas nas redes sociais em horários de picos de</p><p>acesso.</p><p>Para definir questões como essas, Bonner (2019, s.p.), propõem mais dois</p><p>critérios para a noticiabilidade, os quais ele considera secundários. São eles:</p><p>• A complexidade: “Habitualmente, quanto mais complexo for um assunto a se</p><p>abordar em um JN, mais tempo ele ocupará. Um assunto como a reforma da</p><p>previdência, por exemplo, sempre demandará muito trabalho para atingir o objetivo</p><p>de ser compreendido pelo maior número de espectadores” (BONNER, 2019, s.p.).</p><p>• O tempo: “O tempo rege as decisões editoriais, claro. E em dois sentidos. Porque</p><p>temos um deadline – um horário em que a edição de uma reportagem deixa de ser</p><p>possível e precisamos substituir pela participação ao vivo de um repórter. E também</p><p>porque um JN completo, correto, representativo do dia, precisa caber no tempo</p><p>disponível” (BONNER, 2019, s.p.).</p><p>Tratar de assuntos políticos e econômicos nem sempre é tão simples para os</p><p>jornalistas. Afinal, como vimos na Unidade 1, muitas vezes é preciso “traduzir” termos e</p><p>explicar conceitos específicos para o público leigo.</p><p>Sendo assim, o pauteiro dessas editorias precisa ter noção da complexidade do</p><p>assunto, para definir o quanto uma matéria precisa ser aprofundada. Em alguns casos,</p><p>uma pesquisa na internet basta para que o jornalista consiga explicar um conceito</p><p>ao leitor, trazendo a citação de algum autor ou verbete de um dicionário. Porém, em</p><p>situações mais complexas, pode ser interessante que o repórter vá a campo para ouvir</p><p>profissionais especialistas.</p><p>Já o critério do tempo deve ser observado, principalmente, pelos pauteiros que</p><p>produzem pautas para veículos com uma grade de programação pré-estabelecida,</p><p>como emissoras de rádio e televisão. Afinal, as reportagens devem caber dentro da</p><p>quantidade de tempo determinada pelo programa em que ele será veiculado.</p><p>87</p><p>2.2.2 Repórter e pauteiro: a atuação em conjunto dos</p><p>profissionais para definir boas matérias de política e economia</p><p>Fonte: https://www.bs9.com.br/charges/charge-do-dia/4444/. Acesso em: 26 dez. 2022</p><p>Figura 4 – Charge sobre denúncias feitas por jornalistas</p><p>O jornalista e escritor inglês George Orwell, autor de clássicos da literatura como</p><p>1984 e A Revolução dos Bichos, tem uma conhecida frase que diz: “Jornalismo é publicar</p><p>aquilo que alguém não quer que publique. Todo o resto é publicidade”.</p><p>A frase do célebre autor faz bastante sentido, principalmente quando falamos</p><p>de jornalismo político-econômico. Afinal, nessa editoria, o que não faltam são denúncias</p><p>de irregularidades, escândalos de corrupção, conchavos, entre outras situações que</p><p>podem ser descobertas pelos profissionais da imprensa.</p><p>No entendimento de Caldas (2008), para que boas pautas sejam desenvolvidas</p><p>nas editorias de política e economia, os pauteiros e os repórteres devem atuar em</p><p>conjunto nas redações dos jornais. Apenas quando eles estão em sintonia e fazem</p><p>um bom trabalho em equipe é que grandes reportagens poderão ser executadas. Nas</p><p>palavras da autora:</p><p>Mas se uma única andorinha não faz verão, o pauteiro também não.</p><p>Ele cria a pauta com assuntos programados para o dia a partir da</p><p>leitura, atenta e dirigida, que faz dos jornais. Portanto, não se espere</p><p>que da pauta saia um grande furo de reportagem. É o repórter o ator</p><p>mais importante na complexa engrenagem montada para fazer um</p><p>jornal. É ele quem vai para a rua, observa a vida, tem contato com</p><p>88</p><p>as fontes de informação, vivencia os acontecimentos, imagina seus</p><p>desdobramentos, decide os próximos passos da cobertura. É ele</p><p>quem produz a matéria-prima (a notícia) e o produto final (a matéria</p><p>publicada). Ele vibra com a conquista de um furo, se entristece com</p><p>a decepção de algo que prometia muito, mas fracassou. As melhores</p><p>pautas nascem do repórter. O bom pauteiro, assim, é aquele que sabe</p><p>extrair do repórter assuntos que podem gerar o diferencial em relação</p><p>à concorrência. O bom repórter é aquele que tem sempre uma nova</p><p>pauta a propor (CALDAS, 2008, p. 48).</p><p>Você percebe, acadêmico, como o trabalho dos jornalistas de um veículo de</p><p>comunicação deve ser realizado em conjunto. Ter esse entendimento é necessário</p><p>para que, em sua vida profissional, você possa atuar sempre pensando por esse viés,</p><p>conquistando boas reportagens, independentemente da posição que você ocupar na</p><p>produção, como pauteiro ou repórter.</p><p>Isso vale tanto para a produção de notícias do dia a dia como para as grandes</p><p>reportagens, que geralmente ocupam as páginas dos cadernos de domingo dos jornais</p><p>impressos ou espaços privilegiados nos portais digitais.</p><p>No entendimento de Caldas (2008, p. 48) uma grande reportagem pode até</p><p>nascer de uma ideia que o pauteiro ou repórter têm ao produzir algo do jornalismo</p><p>cotidiano. Porém, ela vai mais além e faz uma abordagem bem mais aprofundada dos</p><p>acontecimentos, ouvindo especialistas, entrevistando fontes com diferentes cargos e</p><p>ideologias políticas etc.</p><p>Ao falar sobre a produção de grandes reportagens sobre política e economia,</p><p>Caldas apresenta alguns exemplos:</p><p>No jornalismo econômico, as possibilidades de temas para uma</p><p>reportagem de fôlego são infinitas. Basta usar a criatividade. Desde</p><p>um trabalho de campo para conferir a efetiva aplicação de um</p><p>programa social do governo, por exemplo, à investigação sobre</p><p>as consequências práticas de uma possível e abrupta queda dos</p><p>investimentos estrangeiros no país. O primeiro tema exige que</p><p>repórter e fotógrafo se desloquem para o interior dos municípios mais</p><p>pobres do território nacional e constatem se o dinheiro do programa</p><p>social melhorou efetivamente a vida das pessoas da região. No</p><p>segundo tema, a viagem pode ser dispensável, porém o jornalista irá</p><p>precisar muito mais de fontes de informação confiáveis, capazes de</p><p>formar um cenário abrangente dos efeitos da paralisação do fluxo</p><p>de recursos externos para investimento: ouvir a multinacional que</p><p>adiou projetos, a empresa estrangeira que cancelou sua vinda ao</p><p>Brasil, a que suspendeu seus planos de construir uma grande fábrica</p><p>e, sobretudo, descrever o que isso significa para a vida do país e das</p><p>pessoas (CALDAS, 2008, p. 48-49).</p><p>89</p><p>Além das grandes reportagens, pauteiros e repórteres podem explorar outros</p><p>formatos de conteúdo, principalmente quando</p><p>se trabalha nos meios digitais, tendo em</p><p>vista a versatilidade desse tipo de veículo. Apostar em produções com viés literário é</p><p>uma alternativa interessante para desenvolver narrativas marcantes.</p><p>Flores e Santos (2018, p. 90) explicam que o texto literário não tem compromisso</p><p>com a realidade exterior, tendo em vista que ele explora as motivações que são subjetivas</p><p>de cada leitor. Ainda segundo os autores, essa modalidade de texto se destaca por poder</p><p>ser lida em qualquer tempo, ou seja, o conteúdo é evergreen. Nas palavras dos autores:</p><p>Além da função emotiva, essa modalidade de texto, em portais online,</p><p>costuma sobreviver à passagem do tempo, diferentemente do texto</p><p>noticioso, classificado como texto não literário, que encerra seu ciclo</p><p>logo após cumprir o objetivo específico para o qual foi elaborado.</p><p>A característica plurissignificativa da linguagem literária permite a</p><p>atribuição de novas interpretações por parte de diferentes leitores</p><p>e, por ter uma função estética, provoca diferentes emoções no leitor.</p><p>(FLORES; SANTOS, 2018, p. 90-91)</p><p>Nos veículos de comunicação, evergreen (sempre verde, na tradução literal) é</p><p>um tipo de conteúdo que trata de temas atemporais e que se se mantêm</p><p>relevantes por muito tempo após a publicação. Alguns autores também se</p><p>referem a esse tipo de material pelo termo “perene”.</p><p>Para saber mais, recomendamos a leitura do artigo “Descubra o que é</p><p>conteúdo Evergreen e como usar na sua estratégia de marketing”, escrito por</p><p>Vitor Peçanha. Disponível em: https://rockcontent.com/br/blog/conteudo-</p><p>evergreen/. Acesso em: 26 dez. 2022.</p><p>NOTA</p><p>Um bom exemplo de publicação que explora o jornalismo literário no campo</p><p>político-econômico é o livro Notícia de um sequestro, do renomado escritor e jornalista</p><p>colombiano Gabriel García Márquez. A obra traz detalhes sobre uma série de sequestros</p><p>a jornalistas, políticos e intelectuais colombianos, mantidos em cativeiro por Pablo</p><p>Escobar, então chefe do narcotráfico naquele país.</p><p>90</p><p>Fonte: https://http2.mlstatic.com/D_NQ_NP_870553-MLB25809453324_072017-O.webp. Acesso em:</p><p>26 dez. 2022</p><p>Figura 5 – Capa de uma das primeiras edições do livro Os Sertões, de Euclydes da Cunha</p><p>Outro exemplo desse tipo e conteúdo é a clássica obra literária Os Sertões, do</p><p>escritor pré-modernista Euclydes da Cunha, trata-se de um relato histórico mesclado à</p><p>literatura, posto que Euclides foi convidado pelo Jornal Estado de São Paulo para cobrir</p><p>a guerra no Arraial de Canudos e, nesse momento, surgiu sua obra.</p><p>Publicado pela primeira vez em 1902, Os Sertões representa um grande</p><p>clássico do cânone literário nacional. Além de agradar a crítica especializada, a obra</p><p>é praticamente uma leitura obrigatória para os jornalistas que atuam em editorias de</p><p>política e economia e querem se aprofundar no campo das publicações literárias.</p><p>Há obras de jornalismo literário com teor político-econômico que já foram</p><p>adaptadas para o cinema. Uma delas é Olga, filme brasileiro realizado em 2004</p><p>pelo diretor Jayme Monjardim, baseado na biografia escrita por Fernando</p><p>Morais.</p><p>Considerado um grande sucesso do cinema nacional, o longa-metragem conta</p><p>a história de Olga Benário (Camila Morgado), uma militante comunista que</p><p>desde jovem é perseguida pela polícia e foge para Moscou.</p><p>DICA</p><p>91</p><p>Em Moscou, Olga faz treinamento militar. Lá ela é encarregada de acompanhar Luís Carlos</p><p>Prestes (Caco Ciocler) ao Brasil para liderar a Intentona Comunista de 1935, se apaixonando</p><p>por ele na viagem.</p><p>Com o fracasso da revolução, Olga é presa com Prestes. Grávida de 7 meses, é deportada</p><p>pelo governo Vargas para a Alemanha nazista e tem sua filha Anita Leocádia na prisão</p><p>feminina do Campo de Concentração de Barnimstraße.</p><p>Afastada da filha, Olga é então enviada para o Campo de Concentração de Ravensbrück,</p><p>onde é morta na Câmara de Gás.</p><p>O filme Olga está disponível na plataforma de streaming Globoplay:</p><p>https://globoplay.globo.com/olga/t/1yyGDcwyyq/. Acesso em: 26 dez. 2022.</p><p>Acadêmico, no decorrer desta seção, você aprendeu sobre o papel do pauteiro,</p><p>os critérios da noticiabilidade, a importância do trabalho em conjunto entre o jornalista</p><p>que elabora as pautas e a diversidade de conteúdos que podem ser explorados em</p><p>editorias de política e economia.</p><p>Para que tudo isso seja orquestrado na redação de um veículo de comunicação,</p><p>no entanto, deve-se ter um projeto editorial muito bem-estruturado. É isso que</p><p>estudaremos a seguir.</p><p>2.3 PROJETO EDITORIAL: DEFININDO UM ESQUEMA DE</p><p>PAUTAS E CONTEÚDOS PARA O JORNALISMO POLÍTICO E</p><p>ECONÔMICO</p><p>No jornalismo, uma figura tão importante e atuante quanto o pauteiro e o</p><p>repórter é o editor. Esse profissional é o responsável pelo conteúdo de um jornal, revista,</p><p>blog, portal de notícias, emissora de TV ou outro veículo de comunicação.</p><p>É do editor a responsabilidade de coordenar todas as etapas da produção e</p><p>edição, além de definir os estilos da apuração das matérias e os tipos de conteúdos que</p><p>serão trabalhados. É comum, por exemplo, que as notícias recebam diferentes olhares e</p><p>abordagens sobre um mesmo fato. Observe a Figura 6.</p><p>https://globoplay.globo.com/olga/t/1yyGDcwyyq/</p><p>92</p><p>Fonte: http://3.bp.blogspot.com/-pJqYUTZ89jQ/UT8NoZfIFLI/AAAAAAAAJ2c/HzNBOUwKM-A/s1600/</p><p>Charge2013-fim_de_semana_violento-752948.jpg . Acesso em: 26 dez. 2022</p><p>Figura 6 – Charge com comparação da mesma notícia em diferentes editorias de um jornal</p><p>Perceba, acadêmico, como a charge da Figura 6 apresenta uma mesma notícia</p><p>com diferentes olhares. Na editoria de Cidades, o editor tratou uma série de mortes</p><p>ocorridas na localidade com a seguinte manchete: “Fim de semana com dezenas de</p><p>mortes”.</p><p>Já no caderno de Economia, a principal chamada é “Movimento intenso nas</p><p>funerárias aquece economia”. Ou seja, a notícia foi abordada com uma outra visão,</p><p>trazendo uma outra abordagem sobre o mesmo fato. Caso a situação fosse real,</p><p>provavelmente essa decisão teria sido tomada pelo editor de economia do jornal.</p><p>Ao apresentar um exemplo do trabalho de um editor no jornalismo político-</p><p>econômico, Silveira (2018, p. 196-197) propõem um exercício de imaginação. Veja:</p><p>Imagine o cenário: uma entrevista com o governador em que o</p><p>questionamento principal é a falta de verbas na saúde pública.</p><p>Certamente, o governador vai falar muitas coisas para justificar-se.</p><p>No final de tudo, aí sim, dizer que as verbas estão entrando, que</p><p>não é o ideal, mas o importante é que está sendo feito investimento</p><p>na área. O editor certamente vai cortar tudo (editar) o que foi dito</p><p>anteriormente, pois a principal informação da pauta é a falta de</p><p>verbas na área da saúde.</p><p>93</p><p>No jornalismo político-econômico, o papel do editor é justamente esse que se</p><p>apresenta no exemplo de Silveira (2018). Deve-se trabalhar para extrair de dados brutos,</p><p>informações que sejam úteis para o consumidor dos conteúdos.</p><p>Aqui é muito importante que o editor assuma uma postura séria e ética. Em</p><p>uma entrevista com um político, como o prefeito de uma cidade, é muito provável que o</p><p>entrevistado assuma uma postura mais “publicitária”. Ele vai querer a todo custo desviar</p><p>de perguntas mais reveladoras e divulgar fatos positivos do governo.</p><p>Um dos papéis do editor é explorar os materiais brutos dessas entrevistas</p><p>e selecionar os trechos que realmente são relevantes para o leitor, para que o texto</p><p>publicado não se torne uma propaganda político-partidária.</p><p>Mais adiante, quando falarmos sobre ética no jornalismo político-econômico,</p><p>vamos nos aprofundar mais sobre o viés ideológico dos conteúdos publicados</p><p>pelos veículos de comunicação .</p><p>ESTUDOS FUTUROS</p><p>Juntamente com o pauteiro, o editor também tem a missão de defi nir o que entra</p><p>e o que não entra em um jornal ou programa. Atualmente, com as infi nitas possibilidades</p><p>da web, isso já não é um problema tão grave.</p><p>Porém, quando é necessário fazer escolhas sobre quais conteúdos devem ser</p><p>publicados, como no jornal impresso, pode ser que o editor precise fazer uma “escolha</p><p>de Sofi a”, como explica Caldas (2008, p. 87). No dizer da</p><p>autora:</p><p>Não é pouco o esforço de trazer a microeconomia, história de vida</p><p>real, para arejar o noticiário econômico. Mas, no cotidiano, esse tipo de</p><p>matéria perde sempre na disputa por espaço com aquelas que tratam</p><p>de decisões macroeconômicas do governo, já que estas não podem</p><p>ser desprezadas pelo simples fato de atingirem diretamente a vida e</p><p>o bolso das pessoas. Quando um grande banco compra outro ou uma</p><p>empresa conhecida incorpora a concorrente, e se algum repórter tem</p><p>informações sobre os bastidores da transação, o editor não vacilará</p><p>na escolha. Tal matéria vai substituir a aridez da macroeconomia. Só</p><p>que negócios desta importância não são fechados todos os dias.</p><p>Editar é, sobretudo, a arte de fazer escolhas (CALDAS, 2008, p. 88).</p><p>Além de contribuir com a decisão sobre o que entra e o que não entra em uma</p><p>publicação, muitas vezes o editor também é o responsável por escolher as imagens que</p><p>ilustrarão as matérias. Analise a Figura 7:</p><p>94</p><p>Fonte: https://static.poder360.com.br/2022/10/estadao.png . Acesso em: 26 dez. 2022</p><p>Figura 7 – Capa do jornal O Estado de São Paulo, em 31 de outubro de 2022</p><p>95</p><p>A Figura 7 apresenta uma capa da edição impressa do jornal O Estado de</p><p>São Paulo, publicada em 31 de outubro de 2022, um dia após o segundo turno das</p><p>eleições presidenciais que escolheram Lula para um terceiro mandato na Presidência</p><p>da República.</p><p>A foto escolhida para ilustrar a capa traz o presidente Lula comemorando a</p><p>eleição, ao lado do vice-presidente Geraldo Alckimin, da primeira-dama Rosângela Lula</p><p>da Silva, da ex-presidente Dilma Roussef e de diversos outros apoiadores.</p><p>Sem dúvida, o editor escolheu essa em meio a dezenas de outras fotos</p><p>produzidas pelos fotógrafos do veículo, pelo fato dela trazer o “calor” do momento da</p><p>vitória, quando o presidente e seus apoiadores receberam a notícia de que tinham</p><p>derrotado o candidato adversário, Jair Bolsonaro.</p><p>Porém, nem sempre há boas imagens que retratem as emoções de um</p><p>momento, para serem utilizadas nas matérias de política e economia. Sendo assim,</p><p>o editor dessas editorias costuma ter mais trabalho para fazer essa escolha e, muitas</p><p>vezes, recorre a recursos gráficos que vão além da fotografia. Nesse sentido, Caldas</p><p>(2008, p. 88) comenta:</p><p>Há sempre o recurso da imagem, que pode dar maior leveza ao visual</p><p>da página, compensando a aridez do texto. Mas em economia isto não</p><p>é tão fácil. Em esportes, a foto de um gol, o momento exato do chute,</p><p>transmite emoção e por vezes até dispensa o texto. Em economia, o</p><p>editor tenta formas de fugir do “boneco” (foto) do presidente ou de</p><p>seus ministros, mas muito raramente as fotos flagram autoridades</p><p>em momentos de emoção, como no futebol. Mesmo porque elas são</p><p>orientadas a se vestir de bom-mocinho, a não fazer caretas nem</p><p>serem surpreendidas em expressões delicadas ou arriscadas na</p><p>presença de fotógrafos. A alternativa é recorrer a tabelas, quadros</p><p>estatísticos e aos infográficos – recurso que une texto e imagem –</p><p>que ajudam a informar e traduzir o significado dos números para o</p><p>leitor.</p><p>Ou seja, a escolha das imagens que ilustram as matérias é mais um desafio</p><p>diário que o editor tem e que precisa ser cumprido com bastante critério no campo da</p><p>política e da economia. Afinal, as imagens servem, inclusive, facilitar que o leitor tenha o</p><p>entendimento de temas complexos.</p><p>96</p><p>Acadêmico, como estudamos, o infográfico é uma das alternativas mais</p><p>interessantes para ilustrar matérias de política e economia nos jornais. Que tal</p><p>apresentar mais sobre como desenvolver esse tipo de conteúdo?</p><p>Para isso, recomendamos a leitura do artigo “Infográfico: o que é, exemplos e</p><p>como criar um modelo perfeito”, de Neil Patel. Disponível em: https://neilpatel.</p><p>com/br/blog/como-criar-infograficos/. Acesso em: 26 dez. 2022.</p><p>DICA</p><p>Agora que já estudamos sobre as funções do editor no jornalismo político-</p><p>econômico, vamos comentar sobre como é feito um projeto editorial em meios impressos</p><p>e digitais.</p><p>2.3.1 Processo de edição no jornalismo impresso</p><p>Fonte: https://expressaoregionalonline.com.br/wp-content/uploads/2019/05/fim.jpg. Acesso em: 26 dez.</p><p>2022</p><p>Figura 8 – Charge sobre o fim do jornalismo impresso</p><p>Embora o número de jornais impressos tenha diminuído de forma significativa</p><p>nos últimos anos, como elucida a charge apresentada na Figura 8, ainda há muitos</p><p>leitores que preferem esse tipo de publicação ao jornalismo digital.</p><p>Além disso, vários jornais disponibilizam para os assinantes aplicativos em que</p><p>é possível acessar as versões impressas de modo digital. Nesse caso, os formatos da</p><p>publicação são tal e qual no papel, com a diferença de que o usuário faz a leitura das</p><p>notícias usando um celular ou tablet.</p><p>97</p><p>Por isso, ainda existe nas redações jornalísticas o papel do editor de conteúdos</p><p>impressos ou diagramados tal e qual numa impressão. Logo, quem ocupa essa posição</p><p>em uma editoria de política e economia, deve saber como proceder o seu papel de forma</p><p>eficiente.</p><p>Silveira (2018, p. 197) explica que o processo de edição no impresso deve seguir</p><p>quatro etapas básicas. São elas:</p><p>1. Definição do espaço: o editor precisa definir se a informação merece uma página</p><p>inteira, meia página ou apenas uma nota.</p><p>2. Determinação do local: deve-se escolher o local em que a notícia será publicada,</p><p>ou seja, se será diagramada no alto da página, no rodapé, na lateral, em uma coluna</p><p>etc.</p><p>3. Escolha da ilustração: é preciso considerar se a notícia será acompanhada de foto,</p><p>gráfico, infográfico ou qualquer outro tipo de ilustração, bem como definir o tamanho</p><p>da imagem.</p><p>4. Cumprimento do trabalho no tempo e espaço estipulados: como as edições</p><p>impressas têm dia e hora para serem fechadas e irem para a edição, todo o trabalho</p><p>deve ser feito sem atrasos. Além disso, os textos e imagens devem ser projetados</p><p>para que caibam nas páginas do jornal.</p><p>A comédia O Jornal traz uma história divertida em que o protagonista é um jornalista</p><p>ocupando a posição de editor de um veículo de comunicação.</p><p>Na história, Henry (Michael Keaton) trabalha como editor em um jornal de pequeno porte</p><p>em Nova York, e mesmo sendo apaixonado pelo seu trabalho, está cansado das longas</p><p>horas de jornada diária e baixo salário.</p><p>Para aumentar seu descontentamento, o jornal está com problemas financeiros e começa</p><p>a cortar gastos. Sua esposa também o incentiva a buscar um emprego</p><p>melhor, reclamando do pouco tempo que ele passa com a família.</p><p>Quando Henry recebe uma proposta para editar um jornal de grande</p><p>expressão, onde ganharia mais dinheiro, trabalharia menos horas</p><p>e teria mais respeito, ele fica tentado em aceitar. Mas uma história</p><p>bombástica o confronta a tomar uma decisão.</p><p>O longa-metragem está disponível para compra ou aluguel na</p><p>plataforma do Google Play: https://play.google.com/store/movies/</p><p>details?id=livIWtAOJ3k&pli=1. Acesso em: 26 dez. 2022</p><p>DICA</p><p>https://play.google.com/store/movies/details?id=livIWtAOJ3k&pli=1</p><p>https://play.google.com/store/movies/details?id=livIWtAOJ3k&pli=1</p><p>98</p><p>2.3.2 Processo de edição no jornalismo digital</p><p>No campo digital, o jornalismo é muito mais dinâmico e o editor de um portal de</p><p>política e economia pode tirar muito proveito disso. Isso porque os conteúdos podem</p><p>assumir vários formatos, trazendo ainda mais dinamismo e interatividade com o leitor.</p><p>Em uma matéria sobre o aumento da inflação, por exemplo, é possível fazer</p><p>links no texto com vídeos com entrevistas completas com especialistas em economia e</p><p>consumidores impactados pelos índices.</p><p>Também há a possibilidade de abrir enquetes no próprio portal de notícias,</p><p>interagir com os leitores nos comentários das redes sociais, fazer infográficos interativos,</p><p>com explicações em áudio sobre termos técnicos, entre tantas alternativas.</p><p>Ao falar sobre a elaboração do projeto editorial para veículos de comunicação</p><p>digitais, Assad (2016, p. 37) afirma que o processo “[...] compreende a escolha do tema</p><p>principal do seu planejamento de conteúdo, dos assuntos relacionados com esse tema</p><p>que serão trabalhados durante</p><p>o projeto e do formato de veiculação desse conteúdo na</p><p>rede”.</p><p>Na compreensão de Assad (2016, p. 37-38), devem ser dados sete passos para</p><p>construir um projeto editorial na web. São eles:</p><p>1. Definir os objetivos.</p><p>2. Elaborar uma estratégia de conteúdo.</p><p>3. Conhecer seu público-alvo ou personas.</p><p>4. Escolher os tipos de conteúdo, que podem ser blogposts, artigos, imagens,</p><p>infográficos, vlogs, vídeos, cases, podcasts, guias, listas, e-books, entre outros.</p><p>5. Estruturar um calendário editorial com regime de publicações, periodicidade de cada</p><p>tipo de conteúdo e ações para datas específicas.</p><p>6. Definir o calendário editorial alinhado com as expectativas do leitor.</p><p>7. Gerenciar e monitorar os conteúdos, com o auxílio das inúmeras ferramentas que</p><p>existem hoje.</p><p>Ao trabalhar com portais exclusivos para determinada temática, como política</p><p>e economia, a autora também sugere que o editor considere as técnicas de escrita</p><p>para web e o Search Engine Optimization (SEO). Dessa maneira, os conteúdos perenes</p><p>performarão melhor em buscas que os usuários fazem no Google e outros sites de</p><p>pesquisa.</p><p>99</p><p>SEO significa Search Engine Optimization (otimização para mecanismos de</p><p>busca). É um conjunto de estratégias e técnicas de otimização para sites, blogs</p><p>e páginas na web com o objetivo de melhorar o posicionamento orgânico em</p><p>buscadores como o Google ao gerar tráfego e autoridade digital.</p><p>Saiba mais lendo o artigo: “O que é SEO (Search Engine Optimization): o guia</p><p>completo para você alcançar o topo do Google”, escrito por André Mousinho.</p><p>Disponível em: https://rockcontent.com/br/blog/o-que-e-seo/. Acesso em: 26</p><p>dez. 2022.</p><p>NOTA</p><p>Acadêmico, agora você já sabe mais sobre os projetos editoriais, em especial</p><p>nas editorias de política e economia. Para fazer um excelente trabalho nesse segmento,</p><p>também é importante refletirmos sobre os principais temas de pautas que essas seções</p><p>cobrem. Continue os seus estudos para se aprofundar nessa questão.</p><p>3 TEMAS DE PAUTAS MAIS COMUNS NO JORNALISMO</p><p>POLÍTICO E ECONÔMICO</p><p>Nas editorias de política e economia, há uma ampla variedade de temas que</p><p>podem ser trabalhados nas pautas. As escolhas devem ser feitas considerando o perfil</p><p>do público do veículo, os critérios de noticiabilidade, entre outros fatores.</p><p>Neste tópico, vamos abordar os principais tipos de pautas que são trabalhados</p><p>no jornalismo político e econômico, além de apresentar exemplos de cada um deles,</p><p>para facilitar a sua compreensão. Continue os seus estudos!</p><p>3.1 TEMAS DE PAUTAS NO CAMPO POLÍTICO</p><p>Stray (2015, s.p.) define o jornalismo político como “[..] um verdadeiro fator de</p><p>empoderamento político dos cidadãos”. Para isso, de acordo com o autor, a cobertura</p><p>jornalística da área precisa ir além do campo eleitoral.</p><p>No entendimento do especialista: “‘Política’ não significa políticos, nem governo.</p><p>O governo é um dos lugares em que ocorre a política, com certeza. Mas a política é</p><p>muito mais do que isso: é o conjunto de maneiras pelas quais as pessoas se juntam para</p><p>exercer o poder coletivamente” (STRAY, 2015, s.p.). Sendo assim, acredita-se que esse é</p><p>o tipo de postura que um jornalista de política deve ter ao propor pautas e matérias no</p><p>veículo em que trabalha.</p><p>100</p><p>Ao falar sobre as coberturas realizadas por um jornalista de política, Juski (2020,</p><p>p. 141) afirma que:</p><p>As principais pautas do segmento especializado na cobertura política</p><p>devem incluir a cobertura de eventos, como eleições nacionais,</p><p>estaduais e municipais, manifestações da sociedade civil, votações</p><p>parlamentares, decretos, negociações entre os partidos ou blocos de</p><p>poder e discussões no âmbito do Executivo, Legislativo e Judiciário.</p><p>Ou seja, todos os eventos que envolvem os fatos políticos, como as eleições,</p><p>devem ser cobertos pelos jornalistas com essa especialidade. Como estudamos na</p><p>Unidade 1 desta disciplina, o uso de dados é um excelente aliado do jornalista em</p><p>situações como essa.</p><p>Além de divulgar os fatos, o jornalista dessa área também pode propor reflexões</p><p>sobre as movimentações políticas, para que o leitor/espectador, possa formar a sua</p><p>opinião e compreender os cenários.</p><p>Veja, a seguir, um exemplo de situação ocorrida nas eleições para prefeito em</p><p>2020, em Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul:</p><p>Fonte: https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/eleicoes/2020/noticia/2020/11/28/pesquisa-ibope-para-</p><p>-2o-turno-em-porto-alegre-votos-validos-manuela-51percent-melo-49percent.ghtml. Acesso em: 28 dez.</p><p>2022</p><p>Figura 9 – Gráfico com resultados de pesquisa de intenção de votos para a Prefeitura de Porto Alegre em</p><p>2020</p><p>101</p><p>Fonte: https://www.jornalgrandebahia.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Resultado-do-segundo-tur-</p><p>no-das-Eleicoes-2020-para-prefeito-do-Porto-Alegre-capital-de-Rio-Grande-do-Sul-scaled.jpg. Acesso em:</p><p>28 dez. 2022</p><p>Figura 10 – Resultado da apuração do 2º turno das eleições municipais 2020, de Porto Alegre/RS</p><p>A Figura 9 apresenta um gráfico com os resultados de uma pesquisa de intenção</p><p>de votos para as eleições municipais de Porto Alegre, em 2020, realizada pelo Ibope.</p><p>De acordo com o instituto, a candidata Manuela D’Ávila (PCdoB) venceria o candidato</p><p>Sebastião Melo (MDB), apresentando dois pontos de vantagem na porcentagem da</p><p>contagem de votos.</p><p>Porém, não foi isso que ocorreu no dia do pleito municipal de 2020. Melo saiu</p><p>vencedor com 54,63% dos votos válidos, enquanto D’Ávila registrou 45,37%, como</p><p>mostra a Figura 10:</p><p>O erro da pesquisa fez com que muitos eleitores e até mesmo partidos políticos</p><p>colocassem em xeque a credibilidade do instituto. Por conta disso, alguns veículos de</p><p>comunicação fizeram matérias tentando apurar o que aconteceu, para sanar as dúvidas</p><p>dos leitores.</p><p>O Portal 360, por exemplo, fez uma matéria em que ouviu a então presidente do</p><p>Ibope, Márcia Cavallari, que se desculpou com os eleitores e apresentou alguns pontos</p><p>que justificariam a falha nas pesquisas. Veja um trecho da publicação:</p><p>102</p><p>De acordo com a presidente do Ibope, os institutos de pesquisa</p><p>enfrentaram “3 pontos críticos” nessas eleições. O 1º, a alta taxa de</p><p>abstenção. Em Porto Alegre, 32,76% dos eleitores não votaram. O 2º</p><p>ponto é a pandemia. Márcia disse que alguns eleitores se recusaram a</p><p>falar com a equipe do Ibope por medo de contaminação. Ela ressaltou</p><p>que todos os pesquisadores seguiram protocolos de prevenção à</p><p>doença. O 3º e último tópico é a defasagem da malha censitária. Ou</p><p>seja, a composição dos setores com base nos resultados do Censo.</p><p>A informação do Censo é usada pelo Ibope para definir a amostra</p><p>(PODER 360, 2020, s.p.).</p><p>Perceba, acadêmico, como é interessante essa postura, de não apenas divulgar</p><p>os dados e os fatos, como a pesquisa eleitoral e os resultados da eleição, mas também</p><p>se aprofundar sobre a forma como eles ocorreram. Matérias como a apresentada</p><p>aqui como exemplo, são sempre bem-vindas nas editorias de política dos veículos de</p><p>comunicação.</p><p>Juski (2020, p. 141) afirma que também “[...] cabe ao jornalismo trazer à tona o</p><p>que está acontecendo à margem dos espaços oficiais, ou seja, tudo que se convencionou</p><p>chamar de informações de bastidores: acordos, negociações, intrigas, planos secretos e</p><p>mudanças de lideranças”.</p><p>Para conseguir as informações de bastidores, muitas vezes o jornalista precisa</p><p>ter uma boa perspicácia para “arrancá-las” das fontes, sem que isso fira os parâmetros</p><p>éticos da profissão, que serão debatidos mais adiante.</p><p>Veja a seguir um depoimento da jornalista Suely Caldas sobre uma matéria que</p><p>realizou para o jornal Folha de São Paulo, em 1987, sobre um escândalo envolvendo o</p><p>irmão do então presidente da República, José Sarney:</p><p>A propósito disso, lembro de quando trabalhava na Folha de S. Paulo,</p><p>em 1987. Num desses dias de tédio, minha pauta era “notável”: como</p><p>iam as exportações de juta. Desanimada, fui atender ao telefone –</p><p>do outro lado da linha, um advogado amigo avisava que o irmão do</p><p>presidente José Sarney passara alguns cheques sem fundo e sua</p><p>empresa iria pedir concordata. Desconsiderei a pauta</p><p>e corri para o</p><p>escritório do advogado. De lá, agendei um encontro com o sr. Murilo</p><p>Sarney no hotel Caesar Park, na Praia de Ipanema, onde ele estava</p><p>hospedado. Pensei em como ilustrar a matéria. Obviamente a foto</p><p>do personagem era a melhor opção, mas será que ele se deixaria</p><p>fotografar? Combinei com o fotógrafo: ele ficaria por perto, sem a</p><p>câmera fotográfica, e só se aproximaria quando eu fizesse um sinal</p><p>de confirmação. Temia que Murilo Sarney se assustasse com os</p><p>flashes e encerrasse o diálogo antes dele começar. Comecei a falar</p><p>de política e do irmão presidente, ao que ele respondia com simpatia.</p><p>Quando senti segurança no prosseguimento daquela conversa</p><p>amena, informei que o fotógrafo chegaria em poucos minutos e</p><p>a tarde bonita convidava para uma foto fora do hotel, com a praia</p><p>de Ipanema ao fundo. Ele concordou sem nenhuma resistência,</p><p>pelo contrário, com entusiasmo. Fiz o final combinado e o fotógrafo</p><p>aproximou-se. Pronto, a foto estava garantida.</p><p>103</p><p>Deixei-o falar à vontade e entendi as razões do entusiasmo. Ele</p><p>anunciou que lançaria uma grife de perfumes e artigos masculinos</p><p>com seu nome e a exportaria para a Europa. Contou que a proximidade</p><p>com o irmão José o dispensava de pagar conta em boates e hotéis</p><p>e, para ser coerente com o sucesso de sua grife, torcia para o</p><p>Congresso aprovar a ampliação do mandato do presidente para oito</p><p>anos (discutia-se um prazo de seis anos). Depois de vinte minutos</p><p>de conversa, já no bar do hotel, falamos dos cheques sem fundo</p><p>e da concordata. Ele confirmou, contrariado. No dia seguinte uma</p><p>chamada espaçosa na primeira página da Folha: “Irmão do presidente</p><p>Sarney pede concordata” (CALDAS, 2008, p.59-60).</p><p>No relato que você acabou de ler, fica visível o quanto é preciso ter “jogo de</p><p>cintura” ao cobrir pautas de política, principalmente quando você depende de fontes</p><p>para obter as informações de que necessita.</p><p>O jornalismo político tem um importante papel para formar as discussões</p><p>públicas e fomentar o debate de temas importantes para a população. Os exemplos que</p><p>trouxemos aqui servem para ilustrar esse objetivo que você precisa ter ao propor pautas</p><p>e executar reportagens para essa editoria.</p><p>3.2 TEMAS DE PAUTAS NO CAMPO ECONÔMICO</p><p>Embora política e economia sejam temas que andem de mãos dadas, em alguns</p><p>momentos, tais editorias são separadas nos jornais. Falando mais especificadamente</p><p>sobre o jornalismo econômico, Juski (2020, p. 118) explica que os temas, por muitas</p><p>vezes, são caracterizados como burocráticos.</p><p>Isso se justifica porque eles envolvem a cobertura de eventos, tais como feiras,</p><p>lançamentos de projetos, negociações entre empresas etc. Além disso, a editoria de</p><p>economia também aborda temas voltados às políticas econômicas e que podem afetar</p><p>as rotinas dos leitores. De acordo com Juski (2020, p. 118):</p><p>Nesses assuntos cotidianos, há temas como inflação, taxa de juros,</p><p>controle de preços, prioridades de obras públicas, orçamentos do</p><p>Estado, mudanças de taxas bancárias, mudanças nos protocolos</p><p>bancários de financiamentos e empréstimos, reajustes salariais,</p><p>previsões de lojistas sobre vendas e previsões de colheitas e safras</p><p>agrícolas.</p><p>Além disso, temas do mercado financeiro, como variações do dólar, cotações da</p><p>bolsa de valores, valores das ações das empresas, cotações do ouro e do petróleo, taxas</p><p>de investimentos, entre outros também fazem parte do noticiário econômico.</p><p>Como vimos na Unidade 1 desta disciplina, a economia se divide em micro e</p><p>macro. Os temas variam, mas para ambas as modalidades há espaço nos veículos de</p><p>comunicação.</p><p>104</p><p>Há ainda a possibilidade dos jornalistas se especializarem em determinado</p><p>segmento e produzir matérias e reportagens sobre como a economia movimento o</p><p>setor. Um exemplo disso pode ser visto em algumas publicações do portal Intermodal</p><p>Digital, que é uma referência na área da logística. Observe um exemplo:</p><p>A reportagem a seguir foi publicada no portal Intermodal Digital, em 12 de outubro de 2022.</p><p>Leia:</p><p>RETOMADA DAS OBRAS DA FERROVIA TRANSNORDESTINA</p><p>Muita aguardada pelo setor ferroviário brasileira, a Ferrovia Transnordestina teve</p><p>recentemente suas obras retomadas, e tem sua conclusão prevista para dezembro de 2025.</p><p>Depois das intervenções concluídas, a Transnordestina terá um papel importante no</p><p>escoamento de minério de ferro, grãos e commodities agrícolas, levando a produção até</p><p>importantes portos localizados na região Nordeste do Brasil.</p><p>Para entendermos mais sobre o assunto conversamos com o presidente da Frente Nacional</p><p>pela Retomada das Ferrovias (Ferrofrente), José Manoel Ferreira Gonçalves.</p><p>Veja abaixo as opiniões de nosso convidado sobre esta importante linha férrea!</p><p>Onde fica a ferrovia Transnordestina?</p><p>A Ferrovia Transnordestina (EF-232 e EF-116) ligará o município de Eliseu Martins, no sul do</p><p>Piauí, aos portos de Suape, em Pernambuco, e Pecém, no Ceará.</p><p>Com uma extensão de 1753 quilômetros, a obra já custou R$ 5,4 bilhões, e apenas metade</p><p>dela foi concluída até o momento.</p><p>“Atualmente, a linha férrea conta com 671 quilômetros de superestrutura já construídos.</p><p>Outros 500 quilômetros referentes à infraestrutura foram iniciados. A obra emprega quase</p><p>duas mil pessoas, entre profissionais próprios e terceirizados”, explica Gonçalves.</p><p>Qual a importância da ferrovia Transnordestina para o transporte de cargas brasileiro?</p><p>A Transnordestina desempenha um papel fundamental no escoamento da produção. O</p><p>presidente da Ferrofrente explica:</p><p>“A Transnordestina é a espinha dorsal do desenvolvimento do Nordeste. É uma obra</p><p>emblemática para a Sudene (Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste) e para o</p><p>Nordeste”, observa.</p><p>INTERESSANTE</p><p>105</p><p>Com a continuidade das obras e a possível fi nalização até dezembro de 2025, será possível</p><p>transportar insumos para portos de importância da região nordeste do país, como Piauí,</p><p>Pernambuco e Ceará.</p><p>“A ferrovia Transnordestina é uma obra de grande importância para o Nordeste, pois ligará</p><p>a nova fronteira agrícola brasileira – composta pelo sul dos estados do Piauí e Maranhão,</p><p>além do norte do Tocantins e oeste da Bahia –, aos portos de Pecém e Suape, que realizarão</p><p>a exportação do que ali está”, analisa Gonçalves.</p><p>Por que as obras da ferrovia fi caram paradas?</p><p>Depois de mais de 15 anos do início das obras e de um investimento gigantesco, José</p><p>Manoel Ferreira Gonçalves aponta quais são, em sua visão, as razões dos trabalhos na</p><p>Transnordestina terem fi cado inacabados.</p><p>“As obras da ferrovia estão paradas porque o grupo que tem a concessão parou de investir</p><p>no projeto, que recebeu muitos recursos de origem pública, como o Fundo de Investimento</p><p>do Nordeste (Finor) da Sudene”, observa nosso convidado.</p><p>Além desta razão, uma disputa judicial se iniciou envolvendo outros trechos, mas que</p><p>acabam afetando a Transnordestina.</p><p>Ainda segundo nosso entrevistado, “o Tribunal Regional Federal da 1ª Região rejeitou</p><p>um recurso da Rumo (RAIL3) que pretendia paralisar o processo de autorização de</p><p>novas ferrovias solicitadas pela empresa VLI, que coincidem com os segmentos que a Rumo</p><p>também manifestou interesse em construir”.</p><p>A retomada das obras da ferrovia Transnordestina</p><p>Os jornais televisivos e impressos já noticiam a retomada das obras da Ferrovia</p><p>Transnordestina. Gonçalves explica como anda o processo:</p><p>“O Tribunal de Contas da União reabilitou a participação de</p><p>recursos públicos para o fi nanciamento da obra, desde que</p><p>haja uma aprovação de um novo cronograma de execução</p><p>do projeto”, esclarece.</p><p>Ele conclui: “A ferrovia conta com recursos do Fundo de</p><p>Desenvolvimento do Nordeste (FDNE), administrado pela</p><p>Sudene, que terá até 120 dias para avaliar o plano, contados</p><p>a partir do acórdão TCU nº 1708/2022.”</p><p>Como pudemos observar, a ferrovia Transnordestina deve</p><p>trazer grandes avanços para o escoamento da produção</p><p>agrícola nacional, o que promete aquecer ainda mais a</p><p>economia brasileira, trazendo vantagens importantes</p><p>também ao segmento ferroviário.</p><p>Disponível em: https://digital.intermodal.com.br/nt-expo/</p><p>retomada-das-obras-da-ferrovia-transnordestina. Acesso</p><p>em: 28 dez. 2022</p><p>106</p><p>Acadêmico, na matéria produzida pelo portal Intermodal Digital, você</p><p>percebe que são tratados de temas econômicos, como a volta dos investimentos na</p><p>Transnordestina, ferrovia que promete escoar melhor a produção agrícola brasileira e</p><p>aquecer o setor.</p><p>Por se tratar de um portal voltado para empresários e profissionais da logísticas,</p><p>percebe-se que a abordagem da matéria, assim como a escolha do entrevistado, que</p><p>é representante de uma entidade da área, foi feita de forma estratégica para atingir a</p><p>esse público.</p><p>Caso a mesma reportagem fosse publicada em um portal mais genérico e</p><p>voltado para o público em geral, a abordagem certamente seria outra. O foco poderia ser</p><p>em mostrar como o desenvolvimento da Transnordestina pode fazer com que o preço</p><p>dos alimentos fique mais acessível para o consumidor, por exemplo.</p><p>Sendo assim, o jornalista de economia precisa ter essa noção de com quem</p><p>está conversando, para desenvolver conteúdos que realmente sejam de interesse do</p><p>público do veículo para o qual presta os seus serviços.</p><p>O jornalismo digital abriu inúmeras possibilidades para que surjam portais para</p><p>setores específicos, assim como é o Intermodal Digital, que usamos aqui como exemplo.</p><p>Porém, de acordo com Caldas (2008, p. 100): “[...] isso também exige do jornalista</p><p>treinamento, preparo profissional para entender exatamente o que o usuário necessita</p><p>para decisões, que tipo de informação será útil ou não”.</p><p>Ainda de acordo com a autora, “o repórter não deve encher a tela do computador</p><p>com informações desnecessárias, porque lida com pessoas ocupadas, que não podem</p><p>perder tempo e sabem o que querem (CALDAS, 2008, p. 100).</p><p>Caro acadêmico, chegamos ao final do primeiro tema de aprendizagem, da</p><p>Unidade 2 da disciplina de Jornalismo Político e Econômico. É hora de dar aquela pausa</p><p>e revisar com calma os principais tópicos estudados, para fixar tudo na mente e não</p><p>esquecer mais.</p><p>Aproveite para também fazer as autoatividades! Os exercícios são muito</p><p>importantes para você verificar se aprendeu o que ensinamos sobre as pautas no</p><p>jornalismo político e econômico e para treinar para quando for fazer as provas da</p><p>disciplina. Vamos lá?</p><p>107</p><p>RESUMO DO TÓPICO 1</p><p>Neste tópico, você aprendeu:</p><p>• Para produzir uma boa matéria ou reportagem com viés político e econômico,</p><p>desenvolver boas pautas é fundamental.</p><p>• Por pauta, entende-se o conjunto de informações que orientam o repórter no</p><p>processo de apuração dos fatos.</p><p>• Ao desenvolver uma pauta de política ou economia, os jornalistas observam o</p><p>comportamento da sociedade e extraem temas considerados de interesse público.</p><p>• As pautas dos setores de política e economia também podem ser sugeridas por</p><p>assessorias de imprensa.</p><p>• A definição das pautas passa pelos critérios da noticiabilidade, ou seja, o que é</p><p>interessante ou não para o leitor/espectador em determinado tempo e momento.</p><p>• O pauteiro tem autonomia para derrubar uma pauta. Isso não significa que a matéria</p><p>que foi derrubada não possa ser publicada mais adiante.</p><p>• Os critérios de noticiabilidade podem ser distribuídos em duas categorias: primários e</p><p>secundários.</p><p>• Os critérios primários são: abrangência, gravidade das implicações, caráter histórico</p><p>e peso do contexto.</p><p>• Os critérios secundários são a complexidade e o tempo/espaço disponível para a</p><p>veiculação da matéria ou reportagem.</p><p>• Para que boas pautas sejam desenvolvidas nas editorias de política e economia, os</p><p>pauteiros e os repórteres devem atuar em conjunto nas redações dos jornais.</p><p>• Os pauteiros de jornalismo político-econômico podem variar os formatos das</p><p>publicações, sugerindo grandes reportagens e textos com viés literário. Esse tipo de</p><p>conteúdo se destaca por ser evergreen.</p><p>• No jornalismo político-econômico, um dos papéis do editor é trabalhar para extrair de</p><p>dados brutos, informações que sejam úteis para o consumidor dos conteúdos.</p><p>• Juntamente com o pauteiro, o editor também tem a missão de definir o que entra e o</p><p>que não entra em um jornal ou programa.</p><p>108</p><p>• Muitas vezes o editor também é o responsável por escolher as imagens que ilustrarão</p><p>as matérias. Além das fotografias, o profissional pode recursar a recursos visuais</p><p>como gráficos e infográficos.</p><p>• O processo de edição no jornalismo impresso deve seguir quatro etapas básicas:</p><p>definição do espaço, determinação do local, escolha da ilustração e cumprimento</p><p>doo trabalho no tempo e espaço estipulados.</p><p>• No campo digital, o jornalismo é muito mais dinâmico e o editor de um portal de</p><p>política e economia pode tirar muito proveito disso, tendo em vista que os conteúdos</p><p>podem assumir vários formatos, trazendo ainda mais dinamismo e interatividade com</p><p>o leitor.</p><p>• Ao trabalhar com portais exclusivos para determinada temática, como política e</p><p>economia, o editor deve considerar as técnicas de escrita para web e o Search Engine</p><p>Optimization (SEO).</p><p>• Nas editorias de política e economia, há uma ampla variedade de temas que podem</p><p>ser trabalhados nas pautas. As escolhas devem ser feitas considerando o perfil do</p><p>público do veículo, os critérios de noticiabilidade, entre outros fatores.</p><p>• Além de divulgar os fatos, o jornalista também pode propor reflexões sobre as</p><p>movimentações políticas, para que o leitor/espectador, possa formar a sua opinião e</p><p>compreender os cenários.</p><p>• Para conseguir as informações de bastidores da política, o jornalista precisa ter uma</p><p>boa perspicácia e seguir os parâmetros éticos da profissão.</p><p>• No jornalismo econômico, os temas, por muitas vezes, são caracterizados como</p><p>burocráticos. Eles envolvem a cobertura de feiras, lançamentos de projetos,</p><p>negociações entre empresas etc.</p><p>• Temas do mercado financeiro, como variações do dólar, cotações da bolsa de</p><p>valores, valores das ações das empresas, cotações do ouro e do petróleo, taxas de</p><p>investimentos, entre outros também fazem parte do noticiário econômico.</p><p>• Há a possibilidade dos jornalistas se especializarem em determinado segmento e</p><p>produzir matérias e reportagens sobre como a economia movimento tal setor.</p><p>109</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>1 O press release é uma ferramenta utilizada pela assessoria de imprensa para divulgar</p><p>lançamentos, novidades, eventos e outros assuntos relevantes para os jornalistas e</p><p>mídia em geral. No que se refere a esse recurso, assinale a alternativa CORRETA:</p><p>a) ( ) Os jornalistas de política e economia não devem elaborar pautas a partir de press</p><p>releases.</p><p>b) ( ) Os assessores de políticos não enviam press release para a imprensa. Dessa</p><p>forma, essa ferramenta não é utilizada no jornalismo político-econômico.</p><p>c) ( ) O assessor de imprensa da prefeitura de uma cidade pode criar um press release</p><p>e enviar para os e-mails dos veículos de comunicação da região sempre que algum</p><p>assunto de interesse dos munícipes necessita de divulgação.</p><p>d) ( ) O press release só é enviado quando um assessor quer trabalhar a imagem de um</p><p>político. Por isso, é uma boa prática excluir e-mails de assessorias.</p><p>2 De acordo com Bonner (2019, s.p.), há duas categorias de critérios de noticiabilidade</p><p>para escolher quais pautas devem ser veiculadas na edição de um jornal: os primários</p><p>e os secundários. Sobre os critérios primários, analise as sentenças a seguir:</p><p>I- O critério da abrangência diz que quanto mais gente for afetada pelas consequências</p><p>ou desdobramentos de um fato, maior deve ser a probabilidade de publicação.</p><p>II- Segundo o critério da gravidade das implicações, quanto mais grave for uma crise</p><p>política, maiores devem ser as chances de ela ser pauta no jornal.</p><p>III- De acordo com o critério de peso do contexto, todas as notícias têm a mesma</p><p>relevância, cabendo ao editor de política escolher aquelas que favorecem os partidos</p><p>políticos cuja ideologia ele se identifica mais.</p><p>Assinale a alternativa CORRETA:</p><p>a) ( ) As sentenças I e II estão corretas.</p><p>b) ( ) Somente a sentença II está correta.</p><p>c) ( ) As sentenças I e III estão corretas.</p><p>d) ( ) Somente</p><p>a sentença III está correta.</p><p>3 Os Sertões, de Euclydes da Cunha, é uma obra regionalista que narra os acontecimentos</p><p>da sangrenta Guerra de Canudos, liderada por Antônio Conselheiro (1830-1897), que</p><p>ocorreu no Interior da Bahia, durante 1896 e 1897. Trata-se de um relato histórico</p><p>mesclado à literatura, tendo em vista que Euclydes foi convidado pelo jornal Estado</p><p>de São Paulo para cobrir a guerra no Arraial de Canudos e a partir disso surgiu uma</p><p>das mais importantes obras da literatura nacional. Sobre o uso do texto literário no</p><p>jornalismo político, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas:</p><p>110</p><p>( ) O texto literário não tem compromisso com a realidade exterior, tendo em vista que</p><p>ele explora as motivações que são subjetivas de cada leitor.</p><p>( ) Além da função emotiva, o texto literário costuma sobreviver à passagem do tempo,</p><p>diferentemente do texto noticioso, que encerra seu ciclo logo após cumprir o objetivo</p><p>específico para o qual foi elaborado.</p><p>( ) O único formato em que jornalismo e literatura se fundem é no livro-reportagem.</p><p>Sendo assim, outros formatos não podem ser testados pelos jornalistas.</p><p>Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:</p><p>a) ( ) V – F – F.</p><p>b) ( ) V – F – V.</p><p>c) ( ) F – V – F.</p><p>d) ( ) V – V - F.</p><p>4 De acordo com Caldas (2008), no jornalismo político-econômico, nem sempre os</p><p>editores têm à disposição fotografias que transmitam bem a emoção do texto. Isso</p><p>acontece até mesmo porque os políticos são treinados para evitar determinados</p><p>comportamentos na frente dos fotógrafos. Sendo assim, que recursos podem ser</p><p>usados pelo editor para ilustrar as matérias e reportagens? Cite exemplos.</p><p>Fonte: CALDAS, S. Jornalismo econômico. 2 ed. São Paulo:</p><p>Contexto, 2008.</p><p>5 No jornalismo online, existem uma infinidade de formatos que podem ser trabalhados.</p><p>Um jornalista de política e economia pode explorar os fatos dessas áreas publicando</p><p>vídeos com políticos e especialistas, infográficos interativos, enquetes para a</p><p>participação dos leitores etc. Levando isso em consideração, cite os sete passos para</p><p>construir um projeto editorial na web, conforme a proposta de Assad (2016).</p><p>Fonte: ASSAD, N. Marketing de conteúdo: como fazer sua</p><p>empresa decolar no meio digital. São Paulo, Atlas, 2016.</p><p>111</p><p>A ÉTICA PROFISSIONAL E A</p><p>RELAÇÃO COM AS FONTES</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>Acadêmico, no Tema de Aprendizagem 2, vamos discutir sobre a ética profissional</p><p>e a relação com as fontes no jornalismo político e econômico.</p><p>Assim como em outras áreas do jornalismo, quem atua nas seções de política</p><p>e economia dos veículos de comunicação precisa sempre agir de forma ética com as</p><p>fontes e com os leitores/espectadores do periódico.</p><p>De tal maneira, nos tópicos a seguir estudaremos sobre boas práticas para</p><p>manter a ética no jornalismo político-econômico, assim como as melhores maneiras de</p><p>lidar com as fontes, sem quebrar os parâmetros éticos previamente estabelecidos.</p><p>Tudo pronto para começar os seus estudos? Então, vamos lá!</p><p>2 A ÉTICA NO JORNALISMO POLÍTICO E ECONÔMICO</p><p>UNIDADE 2 TÓPICO 2 -</p><p>Fonte: https://i.pinimg.com/originals/4c/18/33/4c183358fa8582d154328c6a99f40d27.gif</p><p>Acesso em: 3 jan. 2023</p><p>Figura 11 – Charge sobre ética</p><p>https://i.pinimg.com/originals/4c/18/33/4c183358fa8582d154328c6a99f40d27.gif</p><p>112</p><p>A Figura 11 mostra uma charge em que o filho pergunta para o pai o que é ética.</p><p>Para surpresa do garoto, o pai responde que nem o presidente da república sabe o que</p><p>é isso, então ele também não tem como saber.</p><p>Por mais que a charge em questão faça uma crítica à ética profissional dos</p><p>políticos, como o presidente da república, ela nos faz pensar: será que realmente</p><p>sabemos o que é ética?</p><p>Sem dúvida, ética é uma dessas coisas que a gente sabe o que é, mas não</p><p>consegue definir muito bem em uma única frase, concorda? Não é para menos, pois</p><p>nem os filósofos e os historiadores chegam a um consenso sobre isso, tendo em vista a</p><p>diversidade de registros e opiniões sobre o assunto.</p><p>Para os fins de nossos estudos, podemos adotar a definição trazida por Sá</p><p>(2019, p. 2), que define a ética como a ciência da conduta humana perante o ser e seus</p><p>semelhantes.</p><p>No entendimento do autor, a ética “envolve, pois, os estudos de aprovação ou</p><p>desaprovação da ação dos homens e a consideração de valor como equivalente de uma</p><p>medição do que é real e voluntarioso no campo das ações virtuosas” (SÁ, 2019, p. 2).</p><p>Ele também comenta que a ética “analisa a vontade e o desempenho virtuoso</p><p>do ser em face de suas intenções e atuações, quer relativos à própria pessoa, quer em</p><p>face da comunidade em que se insere” (SÁ, 2019, p. 2).</p><p>Ou seja, para esse autor, a ética envolve todas as ações que realizamos e que</p><p>geram alguma consequência para outra pessoa. Por esse ponto de vista, se o prefeito</p><p>de uma cidade desviar verbas dos impostos arrecadados pelo município, agirá de forma</p><p>antiética. Afinal, esse dinheiro foi pago pela população, para que todos possam a ter</p><p>acesso a serviços públicos de qualidade, como atendimento médico eficiente, boas</p><p>escolas, segurança nas ruas etc.</p><p>Mas, quando levamos essa ideia para o campo do jornalismo e da comunicação,</p><p>como devemos agir? É sobre isso que discutiremos a seguir!</p><p>2.1 ÉTICA PROFISSIONAL NO JORNALISMO</p><p>Em vigor desde 1987, o Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros é um</p><p>documento elaborado pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e que reúne as</p><p>principais obrigações éticas que os profissionais da imprensa devem adotar em suas</p><p>atividades.</p><p>113</p><p>De acordo com Gomes (2021, s.p.), a última atualização do Código de Ética dos</p><p>Jornalistas Brasileiros aconteceu em 2007. Entre outras coisas, a autora comenta que:</p><p>“A revisão do código de ética jornalística acrescentou mais um capítulo e tem agora 19</p><p>artigos. Na versão de 1987, havia 5 capítulos com 27 artigos”.</p><p>Fato é que o jornalista é o profissional responsável por levar as informações de</p><p>forma clara e transparente para o público, estabelecendo um diálogo eficiente com a</p><p>sociedade. Seguir determinados parâmetros éticos é essencial para que os fatos sejam</p><p>corretamente apurados e apresentados para o público.</p><p>O Artigo 12 do Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros, por exemplo, diz que</p><p>o jornalista deve:</p><p>I - ressalvadas as especificidades da assessoria de imprensa, ouvir</p><p>sempre, antes da divulgação dos fatos, o maior número de pessoas e</p><p>instituições envolvidas em uma cobertura jornalística, principalmente</p><p>aquelas que são objeto de acusações não suficientemente</p><p>demonstradas ou verificadas;</p><p>II - buscar provas que fundamentem as informações de interesse</p><p>público;</p><p>III - tratar com respeito todas as pessoas mencionadas nas</p><p>informações que divulgar;</p><p>IV - informar claramente à sociedade quando suas matérias tiverem</p><p>caráter publicitário ou decorrerem de patrocínios ou promoções;</p><p>V - rejeitar alterações nas imagens captadas que deturpem a</p><p>realidade, sempre informando ao público o eventual uso de recursos</p><p>de fotomontagem, edição de imagem, reconstituição de áudio ou</p><p>quaisquer outras manipulações;</p><p>VI - promover a retificação das informações que se revelem falsas ou</p><p>inexatas e defender o direito de resposta às pessoas ou organizações</p><p>envolvidas ou mencionadas em matérias de sua autoria ou por cuja</p><p>publicação foi o responsável; VII - defender a soberania nacional em</p><p>seus aspectos político, econômico, social e cultural;</p><p>VIII - preservar a língua e a cultura do Brasil, respeitando a diversidade</p><p>e as identidades culturais;</p><p>IX - manter relações de respeito e solidariedade no ambiente de</p><p>trabalho;</p><p>X - prestar solidariedade aos colegas que sofrem perseguição ou</p><p>agressão em consequência de sua atividade profissional (FENAJ,</p><p>2007, p.3).</p><p>Seguir o Código de Ética é algo que deve ser realizado por jornalistas de todos</p><p>os segmentos. Mas, nas editorias de política e economia isso é ainda mais importante,</p><p>tendo em vista que as pautas refletem diretamente na vida de todos os cidadãos.</p><p>Se uma notícia for manipulada para favorecer determinado</p><p>partido ou político,</p><p>por exemplo, é possível modificar a opinião pública e até mesmo intervir nos resultados</p><p>dos pleitos eleitorais. Ser ético, portanto, é mais do que necessário para quem pretende</p><p>atuar nos campos da política e da econômica.</p><p>114</p><p>A Fenaj disponibiliza gratuitamente o Código de Ética dos Jornalistas</p><p>Brasileiros. O documento pode ser acessado em: <https://fenaj.org.br/wp-</p><p>content/uploads/2014/06/04-codigo_de_etica_dos_jornalistas_brasileiros.</p><p>pdf>. Acesso em: 3 jan. 2023</p><p>DICA</p><p>2.2 BOAS PRÁTICAS PARA MANTER A ÉTICA NO JORNALISMO</p><p>POLÍTICO-ECONÔMICO</p><p>Além de seguir à risca o código de ética da profissão, há algumas boas práticas</p><p>que podem e devem ser usadas pelos jornalistas nas coberturas de assuntos políticos e</p><p>econômicos. Listamos as principais delas, para que você possa executá-las em seu dia</p><p>a dia profissional. Veja, a seguir!</p><p>2.2.1 Evite pagar por informações</p><p>Caldas (2008) explica que, embora existam casos e casos, não é ético para o</p><p>jornalista de política e economia pagar fontes para receber informações.</p><p>No entender da autora, quem vende uma informação que é de interesse</p><p>comum da população, está agindo de má-fé e com desonestidade. Ela acredita ainda</p><p>que, quando o jornalista aceita pagar uma fonte, poderá estar até mesmo se tornando</p><p>cúmplice de um criminoso.</p><p>A experiente jornalista da área político-econômica contou em uma de suas</p><p>obras um caso em que foi procurada por uma fonte, que queria vender uma informação</p><p>exclusiva sobre um acontecimento político que movimentaria o cenário nacional. Leia o</p><p>trecho, na sequência:</p><p>Em junho de 1992, quando a população já começava a pedir o</p><p>afastamento do presidente Collor do cargo, recebi um telefonema</p><p>de uma mulher que diz ter informações sobre o esquema PP que</p><p>me interessavam. Marcamos um encontro na Leiteria Mineira,</p><p>um restaurante no Centro do Rio. Como não nos conhecíamos,</p><p>combinamos de cada uma levar o exemplar da revista Exame que</p><p>estava nas bancas. A senha deu certo.</p><p>Baixinha, feiosa, uns 30 anos, ela afirmava ser secretária do escritório</p><p>dos amigos de Leoni Ramos, na torre do Rio-Sul, no Rio (citado</p><p>em minhas matérias), e possuir contas telefônicas, agendas de</p><p>encontros, testemunhas e outras provas que só me revelaria mais</p><p>tarde, desde que eu aceitasse algumas “condições”. As informações</p><p>em seu poder não só comprovariam o que o jornal publicara, como</p><p>115</p><p>acrescentariam outros fatos inéditos, inclusive o relato de uma festa</p><p>acontecida naquele escritório, com champanhe, uísque e a presença</p><p>de personagens importantes (que também só me revelaria depois),</p><p>para festejar o envio para o exterior da última remessa de dinheiro</p><p>do esquema, que completava a marca de US$ 1 bilhão. Mesmo sem</p><p>o material em mãos, imaginei que teria provas importantes para</p><p>reforçar o pedido de impeachment de Collor, àquela altura apenas</p><p>uma possibilidade.</p><p>“Tudo bem, você está com o material aqui?”, indaguei. Envio ouvi o que</p><p>temia: “Eu te entrego tudo amanhã, mas custa 30 mil dólares”. Apelei</p><p>para a sua consciência e seu senso de cidadania. Ela, irredutível:</p><p>“Preciso do dinheiro para fugir. Eles vão me matar”, justificava. Depois</p><p>de esgotar todos os argumentos, sem sucesso, respondi que não</p><p>aceitava, não trocava informação por dinheiro, considerava ilícito. Ela</p><p>insistiu e sugeriu que levasse a proposta aos meus chefes.</p><p>Concordei. Naquele mesmo dia embarquei para São Paulo e</p><p>conversei com o diretor de Redação na época, Aluízio Maranhão:</p><p>“Olha, Maranhão, não sei se a empresa tem alguma norma para lidar</p><p>com situações como esta. Mas se considerar normal pagar, passo o</p><p>contato, não quero negociar nem escrever as matérias”. É claro que</p><p>não agrada a ideia de pagar por informação. Mas o que mais temia era</p><p>ser alvo de uma cilada, com o objetivo de desmoralizar meu trabalho</p><p>anterior. Afinal, não conhecia aquela mulher e por mais que me</p><p>trouxesse provas, ela poderia denunciar publicamente o meio como</p><p>as obtive. Seria desmoralizante. Antes de ela surgir, o grupo de Collor</p><p>já havia tentado desmerecer minhas denúncias através de notas</p><p>publicadas no jornal Tribuna da Imprensa e de uma carta anônima,</p><p>enviada a todos os jornais e revistas semanais, denunciando um</p><p>ridículo esquema ABC que agiria na Petrobrás. Entre os integrantes</p><p>de tal esquema, estariam Julio Mesquita Neto, Roberto Marinho e</p><p>Roberto Civita, respectivamente donos dos grupos Estado, Globo</p><p>e Editora Abril, ex-dirigentes da Petrobrás, eu e a repórter Ramona</p><p>Ordonez, de O Globo. Com exceção da Folha de S. Paulo, concorrente</p><p>direta do Estadão, a imprensa não levou a sério a carta anônima. A</p><p>investida de tal secretária poderia ser a terceira tentativa. Portanto,</p><p>melhor desconfiar, não aceitar. Decidimos rejeitar a proposta</p><p>(CALDAS, 2008, p. 89-91).</p><p>Como mostra a situação vivenciada por Caldas (2008), pagar por uma</p><p>informação, além de não ser considerado ético, também pode ser uma “cilada” para os</p><p>próprios jornalistas. Afinal, profissionais sérios e que fazem denúncias a esquemas de</p><p>corrupção dos políticos, por exemplo, são alvos desses grupos, que tentam desmoralizar</p><p>a mídia.</p><p>Logo, evitar as entrevistas e informações pagas é uma boa prática, inclusive,</p><p>para manter a sua reputação profissional e o seu nome preservado no mercado.</p><p>116</p><p>2.2.2 Não use estratégias de clickbait para atrair cliques</p><p>Segundo Patel ([2023]., s.d.), clickbait é uma estratégia de divulgação online</p><p>que usa títulos sensacionalistas para gerar mais cliques em um conteúdo. A prática,</p><p>muitas vezes, fere os preceitos da ética jornalística, tendo em vista que leva o leitor a ter</p><p>uma interpretação equivocada dos fatos noticiados.</p><p>Infelizmente, a prática tem se tornado comum no jornalismo digital,</p><p>principalmente em portais de notícias e blogs pouco profissionais. Na maioria dos</p><p>casos, tais veículos são remunerados por plataformas de publicidade digital que paga os</p><p>criadores de conteúdo de acordo com a quantidade de cliques nos links. Para conseguir</p><p>audiência a qualquer custo, os redatores quebram os protocolos da ética com títulos</p><p>sensacionalistas.</p><p>Ao falar sobre o clickbait, Patel ([2023], s.p.) explica que:</p><p>O termo em inglês significa “isca de cliques”, também traduzido como</p><p>“caça-cliques”.</p><p>Com certeza, você já se deparou com títulos do tipo “Você não vai</p><p>acreditar no que ela fez em seguida” e “Exclusivo: a verdade chocante</p><p>sobre a espionagem norte-americana”.</p><p>Via de regra, são títulos exagerados com forte senso de urgência,</p><p>seguidos de um conteúdo raso.</p><p>Obviamente, o objetivo central desses conteúdos é gerar cliques e</p><p>alavancar a receita da publicidade online.</p><p>Muitas vezes, o título alarmante é acompanhado de uma imagem</p><p>polêmica, para explorar ao máximo a curiosidade do leitor.</p><p>Fonte: encurtador.com.br/tAFQ6. Acesso: 4 jan. 2023</p><p>Figura 12 – Exemplo de conteúdo com clickbait</p><p>117</p><p>Fonte: https://i.ibb.co/k58Hkkg/hhh.png. Acesso em: 4 jan. 2023</p><p>Figura 13 – Exemplo de conteúdo com senso de urgência</p><p>Na Figura 12, você pode verificar um exemplo de clickbait, publicado pelo portal</p><p>TV Foco, especializado em notícias dos famosos. Esse site, é interessante destacar, já</p><p>foi alvo de várias polêmicas e debates na internet, por conta da falta de ética jornalística</p><p>de seus textos.</p><p>No exemplo que trouxemos, a manchete da notícia é: “Pabllo Vittar sofre grave</p><p>acidente, perde parte do corpo e sai sangrando de festa”. Tal título é muito impactante e</p><p>certamente gerou preocupação nos fãs da cantora e do público em geral.</p><p>Ao ler esse título, o mínimo que o leitor pode pensar é que Pabllo teve um</p><p>braço ou perna decepado em um acidente na tal festa, tendo em vista a forma como o</p><p>acontecimento foi anunciado. Porém, ao abrir o site e ler a notícia completa, descobre-</p><p>se que alguém pisou por acidente no pé da cantora e ela teve um pedaço de uma unha</p><p>do pé arrancada.</p><p>Se esse tipo de prática já é considerado antiético em sites de fofoca, no meio</p><p>político e econômico, não deve nem sequer ser cogitado.</p><p>No entanto, o uso de clickbait não pode ser confundido com</p><p>TÓPICO 3 - A OPINIÃO DO JORNALISTA EM COBERTURAS E REPORTAGENS DE CUNHO</p><p>POLÍTICO E ECONÔMICO ................................................................................................... 131</p><p>1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................. 131</p><p>2 O JORNALISMO DE OPINIÃO NO BRASIL ...................................................................... 131</p><p>3 PRODUZINDO TEXTOS JORNALÍSTICOS OPINATIVOS ................................................133</p><p>3.1 EDITORIAL .......................................................................................................................................... 134</p><p>3.2 ARTIGO ................................................................................................................................................ 134</p><p>3.3 CARTA DO LEITOR ............................................................................................................................ 135</p><p>3.4 COLUNA .............................................................................................................................................. 136</p><p>3.5 COMENTÁRIO ..................................................................................................................................... 137</p><p>3.6 CRÔNICA .............................................................................................................................................138</p><p>LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................. 140</p><p>RESUMO DO TÓPICO 3 .......................................................................................................142</p><p>AUTOATIVIDADE ................................................................................................................143</p><p>REFERÊNCIAS .................................................................................................................... 147</p><p>UNIDADE 3 — ESTILOS E FORMAS DE ABORDAGEM DE CONTEÚDOS SOBRE POLÍTICA E</p><p>ECONOMIA NAS MÍDIAS .................................................................................................... 151</p><p>TÓPICO 1 — FORMATOS DE TEXTOS E CONTEÚDOS PARA TEMAS POLÍTICOS E</p><p>ECONÔMICOS .....................................................................................................................153</p><p>1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................153</p><p>2 FORMATOS DE CONTEÚDOS EXPLORADOS NO JORNALISMO POLÍTICO E</p><p>ECONÔMICO .......................................................................................................................153</p><p>2.1 NOTAS CURTAS .................................................................................................................................. 154</p><p>2.2 COMENTÁRIOS EM VÍDEO ............................................................................................................... 156</p><p>2.3 REPORTAGENS COM DADOS .........................................................................................................158</p><p>2.4 ENTREVISTA PINGUE-PONGUE ....................................................................................................164</p><p>2.5 POSTS PARA REDES SOCIAIS ........................................................................................................167</p><p>2.6 CONTEÚDOS EVERGREEN ...............................................................................................................169</p><p>2.7 CONTEÚDOS TRANSMÍDIA .............................................................................................................. 172</p><p>3 A IMPORTÂNCIA DE ABORDAR POLÍTICA E ECONOMIA EM DIFERENTES</p><p>FORMATOS ......................................................................................................................... 174</p><p>3.1 MÍDIA, DEMOCRACIA E OPINIÃO PÚBLICA .................................................................................. 175</p><p>3.2 OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO COMO FORMADORES DA CONSCIÊNCIA POLÍTICA E</p><p>ECONÔMICA DA POPULAÇÃO ........................................................................................................ 178</p><p>3.3 O PAPEL DOS ALGORITMOS NA DISTRIBUIÇÃO DE CONTEÚDOS NA INTERNET ..............181</p><p>RESUMO DO TÓPICO 1 .......................................................................................................189</p><p>AUTOATIVIDADE ................................................................................................................ 191</p><p>TÓPICO 2 - A REDE NOTICIOSA NOS CONTEXTOS LOCAL, REGIONAL E NACIONAL ....193</p><p>1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................193</p><p>2 DIFERENÇAS ENTRE AS COBERTURAS LOCAL, REGIONAL E NACIONAL ..................193</p><p>2.1 A COBERTURA POLÍTICA E ECONÔMICA LOCAL ........................................................................ 194</p><p>2.1.1 A mídia local de fronteira ........................................................................................................ 197</p><p>2.2 A COBERTURA POLÍTICA E ECONÔMICA REGIONAL ................................................................198</p><p>2.3 A COBERTURA POLÍTICA E ECONÔMICA NACIONAL ..............................................................200</p><p>3 COBERTURA DE POLÍTICA EXTERNA E RELAÇÕES INTERNACIONAIS ..................... 203</p><p>RESUMO DO TÓPICO 2 ...................................................................................................... 207</p><p>AUTOATIVIDADE ............................................................................................................... 208</p><p>TÓPICO 3 - AS GRANDES REPORTAGENS NO JORNALISMO POLÍTICO E ECONÔMICO .... 211</p><p>1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 211</p><p>2 O CONCEITO DE GRANDE REPORTAGEM E SUA RELEVÂNCIA NO JORNALISMO</p><p>POLÍTICO E ECONÔMICO IMPRESSO ................................................................................ 211</p><p>3 CARACTERÍSTICAS DAS GRANDES REPORTAGENS DE POLÍTICA E ECONOMIA NA</p><p>TELEVISÃO .........................................................................................................................213</p><p>4 CARACTERÍSTICAS DAS GRANDES REPORTAGENS DE POLÍTICA E ECONOMIA NOS</p><p>MEIOS DIGITAIS .................................................................................................................215</p><p>LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................. 220</p><p>RESUMO DO TÓPICO 3 ...................................................................................................... 224</p><p>AUTOATIVIDADE ............................................................................................................... 225</p><p>REFERÊNCIAS ................................................................................................................... 227</p><p>1</p><p>UNIDADE 1 -</p><p>A IMPORTÂNCIA DO</p><p>CONHECIMENTO SOBRE</p><p>ECONOMIA E POLÍTICA</p><p>PARA A SOCIEDADE</p><p>OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM</p><p>PLANO DE ESTUDOS</p><p>A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:</p><p>• compreender os conceitos de Economia e Política e sua importância para a população;</p><p>• entender os processos de produção, distribuição e consumo de conteúdos nas</p><p>atividades socioeconômica e políticas;</p><p>• saber sobre o desenvolvimento econômico e a lógica do processo de acumulação e</p><p>capital;</p><p>• observar como a micro e a macroeconomia se aplicam às demandas da Comunicação</p><p>Social e da sociedade.</p><p>A cada tópico desta unidade você encontrará autoatividades com o objetivo de</p><p>reforçar o conteúdo apresentado.</p><p>TÓPICO 1 – A ATIVIDADE SOCIOECONÔMICA E POLÍTICA: PRODUÇÃO, DISTRIBUIÇÃO E</p><p>CONSUMO DE CONTEÚDOS NA ÁREA</p><p>TÓPICO 2 – O DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E A LÓGICA DO PROCESSO DE</p><p>ACUMULAÇÃO DE CAPITAL</p><p>TÓPICO 3 – MICRO E MACROECONOMIA APLICADAS ÀS DEMANDAS DA COMUNICAÇÃO</p><p>SOCIAL E DA SOCIEDADE</p><p>Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire</p><p>o senso de</p><p>urgência, que consiste em fazer manchetes mais chamativas para assuntos quentes e</p><p>do momento. Em seções de política e economia, isso pode ser explorado, como mostra</p><p>a Figura 13.</p><p>118</p><p>Em um texto publicado no blog da Rock Content, o jornalista Rodrigo Martins</p><p>conta que foi um dos pioneiros ao criar títulos com senso de urgência, na época em que</p><p>trabalhava no jornal Estadão. Veja um trecho da publicação:</p><p>Por exemplo, quando estava no Estadão (também trabalhei por</p><p>anos na Editora Abril como Head de Growth e implementei a mesma</p><p>coisa), eu entendi que o veículo que escrevia as chamadas mais</p><p>claras, didáticas, conversadas e em menor tempo conseguia melhor</p><p>repercussão nas redes sociais.</p><p>O que fiz? Um exemplo: em grandes acontecimentos, assim que</p><p>chegava a notícia na redação, antes mesmo de publicarmos a</p><p>reportagem, a gente divulgava nas nossas redes sociais até sem link.</p><p>E, claro, sempre com a preocupação de garantir que, mesmo com</p><p>pouco tempo, a informação fosse verídica e de qualidade.</p><p>E construí processos. Se houvesse qualquer dúvida, abortava.</p><p>Melhor perder o “furo” do que publicar uma “barriga” (erro, no jargão</p><p>jornalístico).</p><p>Ah, Rodrigo, mas isso não traz clique. Não traz, não. Mas traz</p><p>compartilhamentos, seu post em primeiro nos trending topics,</p><p>aumento de seguidores, a certeza do seu público que você terá</p><p>sempre a notícia em primeira mão. E, o mais importante, um melhor</p><p>serviço prestado a seu público (o foco principal).</p><p>Resultado: mais cliques nos próximos posts – inclusive no próximo</p><p>em que você conta a história com mais detalhes.</p><p>Um dos recursos mais famosos em títulos da imprensa no Brasil</p><p>foi criado por mim no Estadão. Além de publicar antes de Folha e O</p><p>Globo, lá em 2010, eu comecei a usar a palavra “URGENTE:” antes de</p><p>todo tuíte com notícia importante (lembre-se do sentido da leitura!).</p><p>Era o nosso “Plantão da Globo”. Levava a um senso de urgência e</p><p>trazia mais compartilhamentos. Todos os veículos copiaram. Tudo</p><p>bem. Faz parte de desenvolver as coisas (MARTINS, 2022, s.p.).</p><p>Podemos concluir que o senso de urgência pode ser usado em seus textos,</p><p>matérias e reportagens, inclusive em editorias de política, como mostra a Figura 13.</p><p>Essa publicação realmente traz um conteúdo que pode ser considerado urgente para</p><p>os leitores que acompanham notícias da área. Afinal, o conteúdo fala sobre um decreto</p><p>assinado pelo presidente Lula, que revoga algo que tinha sido implementado no governo</p><p>do ex-presidente Jair Bolsonaro.</p><p>Cabe lembrar, no entanto, que o senso de urgência deve ser usado quando</p><p>os conteúdos realmente são urgentes. Caso contrário, você banalizará a estratégia e</p><p>acabará criando clickbaits.</p><p>2.2.3 Procure desmascarar as fake news</p><p>Na Unidade 1, já falamos sobre a importância dos jornalistas que cobrem política</p><p>e economia ficarem atento às fake news, para não divulgar informações falsas e também</p><p>as desmentir, conforme as possibilidades.</p><p>119</p><p>Barreto (2022, p. 19) lembra que as “notícias falsas prosperaram num ambiente</p><p>de debate político marcadamente tóxico, fator que provoca a erosão da qualidade da</p><p>decisão eleitoral por afastá-la da desejável escolha racional entre diferentes candidatos</p><p>ou plataformas eleitorais”.</p><p>Ainda segundo o autor, “essa estratégia conduz, comumente, os eleitores ao</p><p>sufrágio com bases emocionais, que podem ser o medo ou o ódio, e eleitores nutridos</p><p>desses sentimentos não costumam fazer boas escolhas, racionais ou pragmáticas,</p><p>movidas por seus interesses reais” (BARRETO, 2022, p. 19).</p><p>No Brasil contemporâneo, em que há uma grande polarização política, as</p><p>fake news são muito comuns e os jornalistas precisam trabalhar contra esse tipo de</p><p>desinformação, que só traz prejuízos para toda a população.</p><p>2.2.4 Analise criteriosamente os casos que envolvem</p><p>gravações telefônicas e mensagens</p><p>Fonte: https://m.leiaja.com/sites/default/files/field/image/politica/topo/2022/08/senadores-comemoram-</p><p>-impeachment-dilma-rousseff_0.jpg. Acesso em: 4 jan. 2023</p><p>Figura 14 – Parlamentares comemorando o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff</p><p>Em março de 2016, o já tumultuado cenário político nacional ganhou novos</p><p>elementos após a divulgação de um grampo telefônico, autorizado pelo então juiz Sérgio</p><p>Moro, com uma conversa entre Lula e Dilma Rousseff, que, na época, era a presidente</p><p>da república brasileira.</p><p>Na conversa, Lula se despediu de Dilma dizendo “Tchau, querida!”. A saudação</p><p>ganhou repercussão nacional e foi usada em cartazes carregados por manifestantes</p><p>favoráveis ao processo de impeachment da presidente, bem como em inúmeros memes</p><p>nas redes sociais.</p><p>120</p><p>Veja o vídeo do plantão da Rede Globo que fala sobre o grampo telefônico da</p><p>conversa entre Lula e Dilma, que deu origem ao bordão “Tchau, Querida”.</p><p>Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=PRx6J3V9BKI. Acesso em:</p><p>4 jan. 2023.</p><p>INTERESSANTE</p><p>Curiosidades à parte, na época, levantou-se um debate sobre a divulgação da</p><p>conversa obtida a partir de um grampo telefônico. Há quem defenda que, mesmo sendo</p><p>o diálogo obtido por meio de uma investigação policial, houve quebra dos parâmetros</p><p>éticos do jornalismo ao divulgá-lo.</p><p>Por outro lado, grande parte dos jornalistas e especialistas em política acreditam</p><p>que a divulgação do áudio da ligação telefônica não é antiética. Afi nal, uma das fi guras</p><p>envolvidas era a presidente da república e a chamada foi gravada com a autorização de</p><p>um juiz federal.</p><p>A coisa muda de fi gura quando as gravações telefônicas ou mensagens de</p><p>texto são obtidas de maneira ilegal. Um caso famoso é o escândalo Lewinsky, que veio</p><p>à tona em 1998, e gerou a abertura de um processo de impeachment contra o então</p><p>presidente norte-americano Bill Clinton.</p><p>Na época, Linda Tripp, uma funcionária do escritório de relações públicas da</p><p>Casa Branca, tornou-se confi dente de Monica Lewinsky, que era estagiária na repartição</p><p>pública americana.</p><p>Tripp gravou conversas telefônicas com Lewinsky, em que a estagiária afi rmava</p><p>ter tido contatos sexuais com o presidente Clinton. As fi tas foram divulgadas nas mídias</p><p>e geraram um grande escândalo, além de debates sobre a ética em todo o mundo.</p><p>Na época, Tripp declarou que seus motivos para gravar as conversas eram</p><p>puramente patrióticos. Ela também evitou ser processada pelo uso de escuta telefônica</p><p>ilegal ao concordar em entregar as gravações.</p><p>121</p><p>Protagonizada pelas atrizes Beanie Feldstein e Sarah Paulson, interpretando</p><p>Monica Lewinsky e Linda Tripp, respectivamente, a terceira temporada da série</p><p>American Crime Story, narra com detalhes o escândalo Clinton-Lewinsky.</p><p>Vale a pena assistir e ter uma base sobre como a imprensa americana tratou</p><p>o caso na época. A série está disponível no catálogo da Star+: < https://www.</p><p>starplus.com/pt-br/series/american-crime-story/1vo8c9OAjanv?distributionPa</p><p>rtner=google>. Acesso em: 4 jan. 2023</p><p>DICA</p><p>Em situações assim, Caldas (2008, p. 64) diz que “não há código de ética,</p><p>nem regras de Manual de Redação, que orientem como proceder nesses casos. Cada</p><p>situação deve ser analisada por suas características específicas”.</p><p>Ou seja, quando tiver acesso a gravações e mensagens envolvendo políticos,</p><p>assessores e outras pessoas relevantes para o cenário político-econômico nacional,</p><p>cabe ao jornalista analisar as características da situação.</p><p>Em um de seus livros, Caldas (2008, p. 64) relembra uma situação que vivenciou</p><p>quando era repórter do jornal O Globo, em 2001. Ela teve acesso a uma fita em que um</p><p>assessor do ex-governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, estava combinando</p><p>pagamento de suborno a um fiscal da Receita Federal, para que o livrasse do pagamento</p><p>de impostos.</p><p>Na época, Garotinho conseguiu uma liminar na Justiça, que impediu que a fita</p><p>fosse divulgada, tendo em vista que a gravação foi obtida de forma ilegal.</p><p>Na opinião de Caldas (2008), caso não houvesse o impedimento judicial, o jornal</p><p>deveria sim ter divulgado a gravação, mas considerando alguns pontos. Em palavras da</p><p>própria jornalista:</p><p>No caso de Garotinho, se</p><p>não houvesse a proibição judicial, o jornal</p><p>deveria, sim, ter divulgado a fita, mesmo que obtida de forma ilegal.</p><p>Mas seria uma cumplicidade inaceitável esconder a identidade de</p><p>quem fez a gravação. A matéria deve revelar quem forneceu a fita, o</p><p>nome do autor do grampo e por que ele gravou a conversa. Justifica-</p><p>se a divulgação quando o personagem é uma autoridade pública, que</p><p>administra dinheiro da população. A tentativa de suborno de um fiscal</p><p>de tributos revela o tipo de comportamento que não cabe em um</p><p>governador do estado responsável e ético. Portanto, ao divulgar a</p><p>fita, o jornal cumpre o deve de informar e prestar serviços à opinião</p><p>pública. Afinal, o compromisso da imprensa deve ser sempre com o</p><p>interesse público. A divulgação, porém, deve limitar-se a assuntos</p><p>que relacionem o governador com a população. Se na fita há algum</p><p>diálogo comentando a vida privada de Garotinho, que nada tenha</p><p>a ver com a função pública do governador, esta parte deve ser</p><p>completamente ignorada (CALDAS, 2008, p. 64).</p><p>122</p><p>A ética jornalística, sem dúvida, é um tema bastante polêmico e que gera</p><p>muitas interpretações. Além de seguir as dicas que apresentamos aqui, em sua rotina</p><p>profissional é importante agir sempre com bom senso e cumprindo o seu papel de</p><p>prestador de serviços para a opinião pública.</p><p>Também é importante trabalhar em conjunto com os seus editores ou</p><p>responsáveis pelo grupo de comunicação em que você atua ou atuará, sempre que</p><p>estiver em uma situação em que a ética é colocada em xeque. É sempre interessante</p><p>tomar as decisões de forma muito pensada e em conjunto.</p><p>3 A RELAÇÃO COM AS FONTES NO JORNALISMO POLÍTICO</p><p>E ECONÔMICO</p><p>Ao escrever uma matéria com viés político-econômico, o jornalista deve deixar</p><p>de lado a sua opinião pessoal e apurar os fatos com os diferentes pontos de vista sobre</p><p>o assunto. Para isso, entrevistar pessoas e ter boas fontes é fundamental.</p><p>Na relação com as fontes, seguir determinados parâmetros éticos é sempre</p><p>necessário, como já vimos no tópico anterior, em questões que envolvem grampos</p><p>telefônicos e pagamentos por informações, por exemplo.</p><p>Com base nessa premissa, ao trabalhar com jornalismo de política e economia,</p><p>desenvolver uma boa relação com as fontes e saber como trabalhar com elas é</p><p>fundamental. Falaremos sobre isso neste tópico.</p><p>3.1 A LEI DAS TRÊS FONTES NO JORNALISMO POLÍTICO-</p><p>ECONÔMICO</p><p>Fonte: https://www.academiadojornalista.com.br/wp-content/webp-express/webp-images/uplo-</p><p>ads/2017/07/infografico-lei-das-tres-fontes-academia-do-jornalista.jpg.webp. Acesso em: 5 jan. 2023</p><p>Figura 15 – Infográfico sobre a lei das três fontes</p><p>123</p><p>As fontes são o que dão credibilidade a um texto jornalístico, tendo em vista</p><p>que elas são o que comprovam a veracidade dos fatos. Vale lembrar que elas não são</p><p>necessariamente pessoas, podendo ser também instituições ou documentos.</p><p>Sendo assim, uma boa forma de escrever um texto que passe credibilidade para</p><p>o leitor é seguir a lei das três fontes, ilustrada no infográfico da Figura 15. Felix ([2023],</p><p>s.p.), explica que essa “prática consiste em cruzar informações relatadas pelas fontes</p><p>para encontrar a versão verdadeira do ocorrido a ser apresentado na matéria”.</p><p>Ainda segundo a autora, os personagens entrevistados sempre devem ter</p><p>envolvimento com a notícia. Em suas palavras: “Quando as três fontes descrevem pontos</p><p>semelhantes diante do mesmo fato apurado, esta versão é tomada como verdadeira. É</p><p>importante proporcionar ao leitor, conteúdo que seja suficiente para que ele crie uma</p><p>opinião pessoal” (FELIX, [2023], s.p.).</p><p>Vamos supor, por exemplo, que o governador do seu Estado sancionou uma</p><p>Lei que visa reduzir a alíquota de impostos recolhidos sobre os alimentos que são</p><p>comercializados em território estadual.</p><p>Ao fazer uma matéria sobre os impactos dessa redução de impostos, você</p><p>poderá entrevistar fontes como o próprio governador, o secretário estadual da Fazenda e</p><p>um especialista em economia sem qualquer relação com o Governo, como um professor</p><p>de uma universidade.</p><p>As informações trazidas pelas três fontes ouvidas devem ser cruzadas no texto,</p><p>para que ele traga mais veracidade para o leitor.</p><p>É claro que, na correria das redações, nem sempre é possível ouvir três fontes</p><p>para cada matéria que será realizada. Porém, essa é uma boa prática a ser executada,</p><p>sempre que houver a possibilidade.</p><p>3.2 A CLASSIFICAÇÃO DAS FONTES</p><p>No jornalismo, as fontes são classificadas em diferentes modalidades. Ao</p><p>produzir matérias voltadas para o campo da política e da economia, saber diferenciá-las</p><p>ajuda muito na busca pela coleta de informações.</p><p>Uma primeira classificação define as fontes como oficiais, oficiosas e</p><p>independentes. Sobre as fontes oficiais, Silva (2019, p. 93-94) explica que:</p><p>124</p><p>Convencionam-se fontes jornalísticas oficiais aquelas relacionadas</p><p>ao poder público em suas três esferas: Executivo, Legislativo e</p><p>Judiciário. Essas fontes são consultadas com mais frequência,</p><p>em virtude de suas medidas e decisões envolverem o dia a dia do</p><p>cidadão. Também compõem as fontes oficiais os conselhos, as</p><p>associações e os sindicatos, que representam categorias e temas</p><p>específicos, como, por exemplo, o Conselho de Saúde ou o Sindicato</p><p>dos Advogados.</p><p>Ou seja, as fontes oficiais são aquelas que representam alguma entidade</p><p>pública. Se ao fazer uma matéria sobre a economia regional você ouvir os secretários</p><p>da Fazenda ou os prefeitos dos municípios, trabalhará com fontes oficiais, por exemplo.</p><p>Também de acordo com Silva (2019), as fontes oficiosas são pessoas que se</p><p>relacionam de alguma forma com o poder público ou com entidades civis, mas que não</p><p>estão autorizadas a falar em nome da entidade ou do órgão.</p><p>Como bem explica o autor, “ainda que as fontes oficiais sejam mais confiáveis do</p><p>que as oficiosas, por serem declaratórias, as fontes oficiais contêm filtros de informações</p><p>no interior das instituições, visando a preservar os interesses de quem está à frente da</p><p>instituição (SILVA, 2019, p. 94).</p><p>Vejamos um exemplo: imagine que na sua cidade estourou um caso de</p><p>corrupção envolvendo funcionários da Secretaria da Fazenda, que desviavam verbas do</p><p>município para as suas contas pessoais.</p><p>Ao cobrir esse caso, se você for ouvir o prefeito ou o secretário municipal,</p><p>provavelmente receberá informações “filtradas”, tendo em vista que eles têm interesse</p><p>em abafar o caso ou não dar a ele a devida importância. Afinal, uma situação desse tipo</p><p>afeta diretamente a imagem que os munícipes têm da gestão pública atual.</p><p>Mas, se você ouvir um servidor concursado que presenciou os desvios, terá</p><p>informações sem filtros, tendo em vista que o entrevistado não tem nada a perder ao</p><p>dar declarações polêmicas.</p><p>No entanto, essa pessoa não tem o poder de falar em nome da prefeitura,</p><p>logo ela é uma fonte oficiosa. A fala desse indivíduo não tem o mesmo peso que uma</p><p>declaração do prefeito, mas isso não a torna menos relevante para a compreensão do</p><p>fato que está sendo noticiado.</p><p>Finalmente, o autor fala sobre as fontes independentes, que são aquelas que não</p><p>contêm vinculação com o poder público. Silva (2019, p.94) comenta que “correspondem</p><p>às fontes independentes as entidades civis sem fins lucrativos, como ONGs, institutos,</p><p>centros de pesquisa independentes, entre outras, como, por exemplo, uma ONG que</p><p>protege o meio ambiente sem a participação do poder público”.</p><p>125</p><p>Outra forma de classificar as fontes das informações obtidas no jornalismo</p><p>político e econômico, assim como em outras editorias, é em primária e secundária.</p><p>As fontes primárias são aquelas que se relacionam diretamente com o que está</p><p>sendo mostrado na reportagem. Veja, abaixo, um exemplo apresentado por Silva (2019,</p><p>p. 94):</p><p>Por exemplo, uma reportagem televisiva apresentando que</p><p>os consumidores estão pagando mais caro por combustíveis</p><p>naturalmente terá a participação de fontes primárias, incluindo o</p><p>consumidor que procura o posto de gasolina para abastecer e aqueles</p><p>que comercializam o produto. Ambas as personagens correspondem</p><p>às fontes primárias. Observe que, nesse caso, tanto quem abastece</p><p>como quem está vendendo a gasolina mais cara testemunham ou,</p><p>ainda, convalidam o evento noticiado. Os dois entrevistados também</p><p>podem ser chamados nas redações de personagens da matéria</p><p>jornalística.</p><p>Porém, antes do repórter ir para as ruas e entrevistar um consumidor e um dono</p><p>de posto de combustíveis, o pauteiro precisou verificar se realmente houve um aumento</p><p>no preço da gasolina.</p><p>Além disso, o pauteiro deve buscar compreender os motivos que fizeram com</p><p>que o produto aumentasse o preço. Foi por conta de cotações da moeda? Foi devido</p><p>à escassez da matéria-prima? Tem a ver com algum acontecimento político recente?</p><p>Enfim, são muitas as variáveis que podem ser levantadas.</p><p>Para ter tais esclarecimentos, além de fontes oficiais, como representantes do</p><p>Governo, pode-se analisar documentos, ouvir especialistas no assunto etc. A esse tipo</p><p>de fonte se chama de secundária nas redações de jornal.</p><p>3.3 CUIDADOS COM AS INFORMAÇÕES EM OFF</p><p>Caldas (2008, p.51) explica que as informações em off, ou seja, publicadas sem</p><p>a devida identificação das fontes, é uma prática mais comum do que deveria ser no</p><p>jornalismo político-econômico. Porém, na visão da autora, há situações em que essa</p><p>prática é mais do que necessária, principalmente quando coloca em jogo a integridade</p><p>física ou até mesmo a vida das fontes.</p><p>Para a experiente jornalista:</p><p>O off é necessário, sem dúvida, em revelações de fatos que</p><p>mudem o rumo da história de um país e que não viriam à tona se</p><p>os informantes não tivessem segurança da proteção e resguardo de</p><p>suas identidades.</p><p>126</p><p>O off, por exemplo, foi fundamental para os dois repórteres do</p><p>Washington Post que investigaram o caso Watergate, que resultou no</p><p>impeachment do ex-presidente americano Richard Nixon, em 1974.</p><p>Quando o repórter trabalha com informações em off, no entanto, precisa ter o</p><p>cuidado redobrado com a checagem e a apuração dos fatos.</p><p>Vale lembrar que o Código de Ética dos Jornalistas, conforme já estudados,</p><p>prevê o compromisso dos profissionais com a verdade. Nesse sentido, Sacool (2020, p.</p><p>73) disserta:</p><p>A apuração é um elemento muito importante no jornalismo. Empresas</p><p>sérias da área, sejam organizações não governamentais, veículos</p><p>locais ou redes de emissoras internacionais, sempre têm, em seu</p><p>conjunto de práticas, princípios, lógicas e recomendações explícitas</p><p>sobre o rigor necessário à apuração. Isso porque construir sentido é</p><p>uma forma de tornar algo mais objetivo, com menos incertezas.</p><p>Trabalhar com off, portanto, exige um esforço maior do jornalista, principalmente</p><p>no que se refere à coleta de evidências e versões. Afinal, fica mais difícil de confirmar um</p><p>fato quando não há uma pessoa por trás o tornando justificável.</p><p>Acadêmico, chegamos ao fim de mais um tema de aprendizagem. Então,</p><p>você já sabe, é hora de revisar o que aprendeu e testar os conhecimentos fazendo as</p><p>autoatividades. Depois, se tiver qualquer dúvida, é só conversar com o seu tutor no</p><p>encontro presencial ou online.</p><p>127</p><p>RESUMO DO TÓPICO 2</p><p>Neste tópico, você aprendeu:</p><p>• Quem atua nas seções de política e economia dos veículos de comunicação precisa</p><p>sempre agir de forma ética com as fontes e com os leitores/espectadores do periódico.</p><p>• A ética pode ser definida como a ciência da conduta humana perante o ser e seus</p><p>semelhantes.</p><p>• O Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros é um documento elaborado pela</p><p>Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e que reúne as principais obrigações</p><p>éticas que os profissionais da imprensa devem adotar em suas atividades.</p><p>• Seguir o Código de Ética é algo que deve ser realizado por jornalistas de todos os</p><p>segmentos, em especial na política e na economia.</p><p>• Embora existam casos e casos, não é ético para o jornalista de política e economia</p><p>pagar fontes para receber informações.</p><p>• Clickbait é uma estratégia de divulgação online que usa títulos sensacionalistas para</p><p>gerar mais cliques em um conteúdo. A prática, muitas vezes, fere os preceitos da</p><p>ética jornalística, tendo em vista que leva o leitor a ter uma interpretação equivocada</p><p>dos fatos noticiados.</p><p>• O uso de clickbait não pode ser confundido com o senso de urgência, que consiste</p><p>em fazer manchetes mais chamativas para assuntos quentes e do momento.</p><p>• Na área de economia e política, as fake news são muito comuns e os jornalistas</p><p>precisam trabalhar contra esse tipo de desinformação, que só traz prejuízos para toda</p><p>a população.</p><p>• Quando tiver acesso a gravações e mensagens envolvendo políticos, assessores</p><p>e outras pessoas relevantes para o cenário político-econômico nacional, cabe ao</p><p>jornalista analisar as características da situação para publicar ou não os conteúdos.</p><p>• As fontes são o que dão credibilidade a um texto jornalístico, tendo em vista que elas</p><p>são o que comprovam a veracidade dos fatos.</p><p>• As fontes podem ser classificadas em oficiais, oficiosas, independentes, primárias e</p><p>secundárias.</p><p>128</p><p>• As fontes oficiais são aquelas que representam alguma entidade pública, como os</p><p>governos e órgãos públicos.</p><p>• As fontes oficiosas são pessoas que se relacionam de alguma forma com o poder</p><p>público ou com entidades civis, mas que não estão autorizadas a falar em nome da</p><p>entidade ou do órgão.</p><p>• As fontes independentes são aquelas que não contêm vinculação com o poder</p><p>público.</p><p>• As fontes primárias são aquelas que se relacionam diretamente com o que está</p><p>sendo mostrado na reportagem.</p><p>• As fontes secundárias são aquelas que não têm ligação direta com o que está sendo</p><p>mostrado na matéria.</p><p>• Embora não seja adequada trabalhar com muitas fontes em off, há situações em que</p><p>elas são indispensáveis.</p><p>• Quando o repórter trabalha com informações em off, no entanto, precisa ter o cuidado</p><p>redobrado com a checagem e a apuração dos fatos.</p><p>129</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>1 Nem mesmo os historiadores e filósofos têm uma definição clara para o conceito de</p><p>ética, que é tão importante para os jornalistas de política e economia. Para a área</p><p>da comunicação, um dos conceitos de ética que pode ser adotado é o de Sá (2019).</p><p>Assinale a alternativa CORRETA que representa corretamente a forma como esse</p><p>autor define a ética.</p><p>a) ( ) Ética é um conjunto de normas para viver em sociedade.</p><p>b) ( ) Ética é a ciência da conduta humana perante o ser e seus semelhantes.</p><p>c) ( ) Ética é a forma correta de agir na vida pessoal e profissional.</p><p>d) ( ) Ética é o resultado consequente da moral.</p><p>2 Desde 1987, a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) orienta os profissionais</p><p>a seguirem o Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros. Sobre esse documento,</p><p>analise as sentenças a seguir:</p><p>I- Preservar a língua e a cultura do Brasil é uma das obrigações trazidas no Código de</p><p>Ética dos Jornalistas Brasileiros.</p><p>II- Os jornalistas de política e economia são os únicos que precisam se preocupar em</p><p>seguir o Código de Ética.</p><p>III- O Código de Ética prevê que os jornalistas devem prestar solidariedade caso algum</p><p>colega sofra perseguição de um determinado grupo político.</p><p>Assinale a alternativa CORRETA:</p><p>a) ( ) As sentenças I e II estão corretas.</p><p>b) ( ) Somente a sentença II está correta.</p><p>c) ( ) As sentenças I e III estão corretas.</p><p>d) ( ) Somente a sentença III está correta.</p><p>3 Além de seguir à risca o código de ética da profissão, há algumas boas práticas que</p><p>podem e devem ser usadas pelos jornalistas nas coberturas de assuntos políticos e</p><p>econômicos. Sobre tais práticas, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para</p><p>as falsas:</p><p>( ) Sempre que possível, os jornalistas devem pagar fontes para conseguir “furos” de</p><p>reportagem.</p><p>( ) As fake news não devem ser uma preocupação para os jornalistas.</p><p>( ) O uso de clickbait não pode ser confundido com o senso de urgência, que consiste</p><p>em fazer manchetes mais chamativas para assuntos quentes e do momento</p><p>130</p><p>Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:</p><p>a) ( ) V – F – F.</p><p>b) ( ) V – F – V.</p><p>c) ( ) F – V – F.</p><p>d) ( ) F – F –</p><p>V.</p><p>4 Trabalhar com boas fontes é importante para que o jornalista de política e economia</p><p>produza conteúdos ricos e com uma pluralidade de opiniões. Silva (2019) clássica</p><p>as fontes como oficiais, oficiosas e independentes. Disserte brevemente sobre cada</p><p>uma delas.</p><p>5 O uso de grampos telefônicos para obter informações sigilosas sempre foi uma</p><p>atividade polêmica no meio jornalístico. No entendimento de Caldas (2008), o que</p><p>jornalista deve fazer quando receber um conteúdo desse tipo.</p><p>131</p><p>TÓPICO 3 -</p><p>A OPINIÃO DO JORNALISTA EM COBERTURAS</p><p>E REPORTAGENS DE CUNHO POLÍTICO E</p><p>ECONÔMICO</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>Quando um jornalista produz uma matéria ou reportagem, recomenda-se que</p><p>ele não deixe claro o seu posicionamento político ou opinião pessoal sobre o assunto.</p><p>Afinal o objetivo do jornalismo é apresentar diferentes versões dos fatos, de forma</p><p>imparcial, para que a audiência tire as suas próprias conclusões sobre o assunto.</p><p>Isso muda de figura quando falamos em jornalismo de opinião, ramificação</p><p>por meio da qual o jornalista pode sim opinar sobre os fatos. Nesse tipo de produção,</p><p>o profissional pode até mesmo decidir defender uma determinada figura política ou</p><p>ideologia partidária.</p><p>Barbosa (2016, s.p.) explica que existem duas características marcantes relativas</p><p>que caracterizam o texto opinativo. São elas: a assinatura, seja do repórter ou do jornal</p><p>(editorial), e a demarcação clara de textos opinativos na diagramação.</p><p>Ou seja, para agir de forma ética, sempre que um jornalista produzir um material</p><p>em que a sua opinião será exposta, precisará deixar isso claro para os leitores.</p><p>Nesta seção de estudos, você aprenderá mais sobre a história e o contexto atual</p><p>do jornalismo de opinião no Brasil, bem como sobre os principais formatos de produções</p><p>do gênero. Acompanhe!</p><p>2 O JORNALISMO DE OPINIÃO NO BRASIL</p><p>Caldas (2008, p. 26) conta que o jornalismo de opinião somente ganhou força</p><p>no Brasil após o período da Ditadura Militar (1964-1985). Isso porque, quando vivíamos</p><p>sob o comando dos militares, os jornalistas eram censurados e até mesmo perseguidos</p><p>e torturados, caso os textos opinativos desagradassem os governantes.</p><p>Segundo a autora (2018, p. 26), com o fim da ditadura e a volta da democracia,</p><p>a imprensa teve a necessidade de estimular o debate expor ideias contrárias às dos</p><p>governantes que estavam no poder. Surgia assim o jornalismo de opinião.</p><p>UNIDADE 2</p><p>132</p><p>Vale lembrar que os textos opinativos não são escritos apenas por jornalistas. Um</p><p>portal especializado em economia, por exemplo, pode reunir colunistas com formação</p><p>na área, que opinam sobre os fatos em seus espaços.</p><p>Em portais, revistas ou outros veículos especializados, os jornalistas, além de</p><p>produzirem conteúdo opinativo, podem fazer o planejamento edição dos conteúdos de</p><p>outros profi ssionais.</p><p>Nesse sentido, Caldas (2008, p. 26) afi rma que:</p><p>Hoje as publicações mantêm equipes de jornalistas nas editorias de</p><p>opinião com a função exclusiva de planejar, editar, escolher temas,</p><p>encomendar e selecionar artigos. Alguns articulistas publicam seus</p><p>textos com periodicidade defi nida, de uma semana ou a cada 15 dias.</p><p>O índice de leitura de artigos é bem menor do que o de notícias, o</p><p>que é natural. Mas trata-se de um leitor qualitativo, mais exigente,</p><p>politizado e intelectualizado, que quer encontrar nas páginas de</p><p>opinião debate e pluralidade de ideias.</p><p>É importante ainda que você refl ita como o jornalismo de opinião está sempre</p><p>andando em uma linha tênue. Mesmo que não vivamos mais em uma ditadura, não são</p><p>raros os jornalistas que são punidos por exporem as suas opiniões nos veículos em que</p><p>trabalham, principalmente quando o assunto em pauta é a política nacional.</p><p>Fonte: https://static.poder360.com.br/2021/04/sheherazade-silvio-santos-trofeu-imprensa--1024x442.</p><p>png. Acesso em: 12 jan. 2023</p><p>Figura 16 – Rachel Sheherazade e Silvio Santos em cerimônia de entrega do Troféu Imprensa, em 2017</p><p>Um caso que ganhou bastante repercussão na mídia envolve a jornalista Rachel</p><p>Sheherazade e o empresário e apresentador Silvio Santos, dono do SBT, emissora de TV</p><p>em que a profi ssional trabalhava.</p><p>133</p><p>Em 2017, Sheherazade, que era uma das âncoras do SBT Brasil, principal</p><p>telejornal da emissora, foi ao palco do Programa Silvio Santos para receber o Troféu</p><p>Imprensa, premiação em que o público e a imprensa especializada escolhem os</p><p>profissionais destaques do ano na TV.</p><p>De acordo com o portal Correio (2022, s.p.), Sheherazade teve a atenção</p><p>chamada ao vivo pelo patrão Silvio Santos, que não gostava das opiniões que a jornalista</p><p>emitia diariamente no telejornal em que apresentava.</p><p>Segundo a publicação, o comunicador e empresário declarou: “Você foi</p><p>contratada para ler notícias, não foi contratada para dar a sua opinião. Se quiser fazer</p><p>política, compre uma estação de televisão vá fazer por sua conta, aqui não. Chamei para</p><p>você continuar com a sua beleza, com a sua voz, para ler as notícias no teleprompter.</p><p>Não foi para você dar a sua opinião!”.</p><p>Como diz a publicação do Correio, Sheherazade venceu o SBT e Silvio Santos</p><p>em uma ação na Justiça. Entendeu-se que a jornalista foi exposta em situação</p><p>constrangedora em rede nacional e que merecia uma indenização por conta disso.</p><p>Para que você aprimore os seus conhecimentos, recomendamos a leitura</p><p>do artigo “Jornalistas sabem diferenciar notícias e opinião, mas os leitores</p><p>geralmente não”. O texto é de autoria de Kevin Lerner, professor assistente de</p><p>Jornalismo, no Marist College.</p><p>Disponível em: https://www.poder360.com.br/midia/jornalistas-sabem-</p><p>diferenciar-noticias-e-opiniao-mas-os-leitores-geralmente-nao/. Acesso em: 12</p><p>jan. 2023.</p><p>DICA</p><p>3 PRODUZINDO TEXTOS JORNALÍSTICOS OPINATIVOS</p><p>Polêmicas à parte, ao trabalhar em veículos que cobrem política e economia,</p><p>os jornalistas precisam conhecer os principais tipos de textos de opinião, bem como a</p><p>forma como devem ser produzidos.</p><p>Para saber mais sobre como desenvolver esse tipo de conteúdo, prossiga com</p><p>a leitura!</p><p>https://www.poder360.com.br/midia/jornalistas-sabem-diferenciar-noticias-e-opiniao-mas-os-leitores-geralmente-nao/</p><p>https://www.poder360.com.br/midia/jornalistas-sabem-diferenciar-noticias-e-opiniao-mas-os-leitores-geralmente-nao/</p><p>134</p><p>3.1 EDITORIAL</p><p>O editorial serve para mostrar a opinião de uma empresa ou grupo de</p><p>comunicação mediante a ocorrência de um fato. Cabe lembrar que o editorial não é</p><p>assinado e não expressa a opinião de um único jornalista, mas sim do veículo como um</p><p>todo.</p><p>Sobre a escrita de um editorial, de acordo com Saccol (2020, p. 102):</p><p>Algumas das principais características do editorial são:</p><p>impessoalidade, ou seja, normalmente é escrito na terceira pessoa</p><p>do singular ou primeira pessoa do plural; a necessidade de clareza,</p><p>mesmo sobre temas complexos; e a plasticidade, ou seja, fatos</p><p>jornalísticos originados pelas circunstâncias.</p><p>No que se refere à estrutura textual de um editorial, sugere-se que o texto seja</p><p>dividido em três partes:</p><p>• Introdução: deve expor o assunto que será tratado no texto.</p><p>• Desenvolvimento: deve mostrar a opinião do veículo sobre o tema escolhido, trazendo</p><p>argumentos válidos.</p><p>• Conclusão: deve finalizar o texto e motivar o leitor a pensar sobre o assunto</p><p>apresentado.</p><p>Leia o texto “A marca de Bolsonaro no Brasil”, editorial publicado pelo jornal</p><p>O Globo, em setembro de 2022, que faz uma avaliação do governo do ex-</p><p>presidente Jair Bolsonaro.</p><p>Disponível em: https://oglobo.globo.com/opiniao/editorial/coluna/2022/07/a-</p><p>marca-de-bolsonaro-no-brasil.ghtml. Acesso em: 13 jan. 2023.</p><p>DICA</p><p>3.2 ARTIGO</p><p>O artigo, para fins jornalísticos, é um texto em que o autor elabora uma ideia e</p><p>apresenta a sua opinião sobre o assunto.</p><p>Saccol (2020, p.103) explica que: “Em geral, nos jornais e revistas impressos, os</p><p>artigos são feitos por profissionais colaboradores, remunerados ou não, com liberdade</p><p>para se manifestar sobre determinado tema”.</p><p>135</p><p>Saiba mais sobre artigos de opinião lendo o conteúdo explicativo escrito pela</p><p>professora Daniela</p><p>Diana para o site Toda Matéria.</p><p>Disponível em: https://www.todamateria.com.br/artigo-de-opiniao/. Acesso</p><p>em: 13 jan. 2023.</p><p>DICA</p><p>Cabe lembrar que o artigo não expressa a opinião do veículo, mas sim do seu</p><p>autor. Por isso, o conteúdo é assinado.</p><p>Ao trabalhar de temas políticos, um mesmo jornal pode apresentar as opiniões</p><p>de especialistas simpatizantes de diferentes grupos ou ideologias, por exemplo. Assim,</p><p>o leitor poderá filtrar as informações, analisar os argumentos e formar a sua própria</p><p>opinião sobre o tema.</p><p>3.3 CARTA DO LEITOR</p><p>A carta do leitor é um espaço do jornal em que os leitores são convidados a</p><p>enviarem mensagens, dando a sua opinião sobre matérias e artigos publicados no jornal.</p><p>Atualmente, com ascensão das redes sociais e das novas tecnologias, podemos</p><p>dizer que as seções de comentários nos portais de notícias, assim como no Facebook,</p><p>no Twitter e em outras mídias configuram como “cartas” do leitor.</p><p>No entanto, Saccol (2020, p.103) lembra que: “A diferença é que, em fóruns não</p><p>mediados, assim como nas mídias sociais, esse fórum público conta com distorções e</p><p>lógicas não necessariamente ligadas a práticas jornalísticas e seus limites”.</p><p>Ou seja, ao fazer um comentário nas redes sociais, o usuário pode ultrapassar</p><p>os limites da ética jornalística, publicando ataques e ofensas a uma pessoa ou grupo</p><p>político, por exemplo.</p><p>Uma prática que tem sido adotado por muitos jornais que mantém edições</p><p>impressas e digitais é selecionar alguns comentários dos leitores nas redes sociais e</p><p>reproduzi-los na publicação física.</p><p>Veja, na Figura 17, o exemplo de uma seção de “cartas do leitor” da versão</p><p>impressão do jornal Diário de Campo, na qual são reproduzidos comentários deixados</p><p>pelos leitores na página do periódico no Facebook.</p><p>136</p><p>Fonte: https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2018/08/16_REDES_SOCIAIS-768x647.jpg. Acesso</p><p>em: 13 jan. 2023</p><p>Figura 17 – Seção “carta do leitor” do jornal Diário de Campo</p><p>3.4 COLUNA</p><p>A coluna pode ser encontrada em diferentes mídias, como jornais impressos,</p><p>portais de notícias, programas de rádio e TV, entre outros. Segundo Saccol (2020, p. 103),</p><p>a coluna é um texto que deve ser sempre assinado e imprimir o estilo e a personalidade</p><p>do redator.</p><p>Geralmente, as colunas tratam sobre um assunto específico e trazem</p><p>informações exclusivas e interessantes que um jornalista especializado apurou para os</p><p>seus leitores.</p><p>Fonte: encurtador.com.br/hwIUV. Acesso em: 13 jan. 2023</p><p>Figura 18 – Cabeçalho da coluna de Giane Guerra, no portal GZH</p><p>137</p><p>Fonte: https://www.uol.com.br/splash/noticias/2022/10/31/zoe-martinez.htm . Acesso em: 13 jan. 2023</p><p>Figura 19 – Zoé Martinez comentando sobre política na Jovem Pan News</p><p>A Figura 18 mostra o cabeçalho da coluna de economia assinada pela jornalista</p><p>Giane Guerra, no portal GZH, um dos principais veículos de comunicação do Rio Grande</p><p>do Sul.</p><p>A coluna assinada por Giane é multiplataforma, uma vez que é publicada em</p><p>diversas mídias do Grupo RBS, do qual a jornalista é contratada.</p><p>Além do portal GaúchaZH, a coluna também é apresentada no jornal Zero Hora</p><p>e narrada em formato de áudio nas rádios Gaúcha e 102.3 FM. Além disso, Giane faz</p><p>participações ao vivo para repercutir o espaço no Jornal do Almoço, da RBS TV.</p><p>Esse é apenas um exemplo que mostra como as colunas de política e economia</p><p>são versáteis e podem ser adaptadas pelas mais diversas mídias.</p><p>3.5 COMENTÁRIO</p><p>Bastante comum no rádio e na TV, o comentário é um formato em que o jornalista</p><p>ou especialista em determinado segmento apresente a sua opinião sobre determinado</p><p>assunto, de forma rápida e direta.</p><p>Destaca-se que “o comentário explica as notícias, seu alcance, suas</p><p>circunstâncias, suas consequências. Nem sempre o comentarista emite uma opinião</p><p>explícita. Seu julgamento é percebido pelo raciocínio que utiliza, pelos rumos da sua</p><p>argumentação” (MELO, 2003, p. 115 apud SACCOL, 2020, p. 104).</p><p>138</p><p>É interessante destacar que os pontos de vista apresentados pelos comentaristas,</p><p>não necessariamente representam a opinião do veículo de comunicação em que eles</p><p>são publicados.</p><p>Na Figura 19, você confere um frame de um comentário feito pela ativista</p><p>Zoé Martinez no programa Morning Show, da Jovem Pan News, emissora da qual é</p><p>comentarista.</p><p>Ferrenha defensora do ex-presidente Jair Bolsonaro, ao falar sobre as suas</p><p>expectativas para o Governo Lula, Martinez declarou: “Eu achei que hoje seria um dia</p><p>para eu comemorar a minha volta e comemorar também a vitória [de Bolsonaro]. Mas</p><p>infelizmente a gente não conseguiu dessa vez. Faz parte do jogo democrático”. (UOL,</p><p>2022, s.p.).</p><p>A fala da comentarista é um claro comentário de opinião, uma vez que fica claro</p><p>para o telespectador qual é o posicionamento político que ela defende.</p><p>Em programas de debates, como é o caso do Morning Show, é interessante</p><p>que as emissoras tragam comentaristas com diferentes formações, opiniões e</p><p>ideologias políticas. Assim, os fatos são vistos a partir de vários pontos de vista e os</p><p>telespectadores poderão ter subsídios para desenvolver um pensamento próprio sobre</p><p>o tema em questão.</p><p>3.6 CRÔNICA</p><p>A crônica é definida por Saccol (2020, p. 104) como “um texto jornalístico de</p><p>forma livre e pessoal que aborda fatos e ideias da atualidade”. O autor também explica</p><p>que essa modalidade aborda os acontecimentos cotidianos, misturando a abordagem</p><p>política com a literatura.</p><p>No Brasil, um dos cronistas mais famosos é José Simão, que publica há anos</p><p>crônicas em uma coluna chamada Buemba Buemba, que já foi publicada em vários</p><p>veículos de comunicação. Atualmente, Simão está na rádio BandNews FM, sempre</p><p>comentando assuntos políticos de forma divertida e fazendo referências com temas da</p><p>atualidade e da cultura pop.</p><p>Ouça a crônica “Bolsonaro foi para Londres gravar a série The Clown”, na Rádio</p><p>BandNewsFM</p><p>Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=NBV7SjQAs7I. Acesso em:</p><p>13 jan. 2023.</p><p>DICA</p><p>139</p><p>Parabéns, acadêmico! Você chegou ao fim de mais uma unidade de estudos.</p><p>Logo você iniciará uma nova jornada de conhecimentos, agora sobre os estilos e formas</p><p>de abordagem de conteúdos sobre política e economia nas mídias.</p><p>Antes disso, é importante que você reforce o seu aprendizado, realizando as</p><p>autoatividades dessa seção. Os exercícios são úteis para você estudar para as provas e</p><p>podem ser o ponto de partida para os debates com o seu tutor nos encontros presenciais</p><p>ou online.</p><p>Também não deixe de conferir a leitura complementar que trouxemos para</p><p>você. Trata-se do artigo “Lula X Collor: como a mídia influenciou as eleições de 1989”. O</p><p>texto é muito interessante para que você reflita sobre a ética jornalística, um dos temas</p><p>que foi abordado nesta unidade.</p><p>140</p><p>LULA X COLLOR: COMO A MÍDIA INFLUENCIOU AS ELEIÇÕES DE 1989</p><p>Alana Sousa</p><p>Leonardo Henrique</p><p>Penélope Coelho</p><p>As eleições de 1989 eram um marco para a política brasileira. Com a economia</p><p>fortemente abalada — a inflação chegava aos 40% de juros ao mês — e com o povo</p><p>ainda se recuperando de anos de censura e repreensão, o próximo presidente da</p><p>república tinha como responsabilidade recuperar o Brasil da crise, tanto econômica,</p><p>quanto ideológica.</p><p>A quantidade recorde de candidatos refletia a vontade da classe política de</p><p>voltar ao poder, ao todo 22 se candidataram na disputa pela presidência, número que</p><p>perdura até hoje como o maior.</p><p>No primeiro turno das eleições destacaram-se Fernando Collor de Mello (PRN),</p><p>Leonel Brizola (PDT), Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Mário Covas (PSDB) e Paulo Salim</p><p>Maluf (PDS), com o segundo turno tendo a disputa entre Collor e Lula. Tanto a direita,</p><p>quanto a esquerda tinham um representante com grandes chances de vitória, o que</p><p>resultou em uma eleição extremamente disputada.</p><p>Cada um dos candidatos construiu sua imagem na mídia, através de entrevistas</p><p>e debates transmitidos pelas grandes redes de televisão. Lula ainda se atrelava aos seus</p><p>ideais sindicalistas que pararam o bairro do ABC paulista na década de 70, trazendo para</p><p>si uma imagem de “líder socialista”,</p><p>apesar do mesmo afirmar que essa não era a sua</p><p>intenção. Porém, Lula tinha o apoio de candidatos como Leonel Brizola (PDT) e Mário</p><p>Covas (PSDB), o que lhe trouxe uma grande força para a disputa do segundo turno.</p><p>Collor, por outro lado, era um candidato que se baseava muito mais na</p><p>imagem para atrair os votos. Apelidado como Caçador de Marajás, por suas políticas de</p><p>moralização do serviço público, usava de frases de efeito e boa estampa nas televisões</p><p>para conquistar o eleitorado. “Com boa aparência, um discurso carismático e o apoio</p><p>financeiro do empresariado brasileiro, Collor se transformou na grande aposta da direita”</p><p>(SOUSA, 2017, p.1). Na reta final das eleições, os debates passaram a ter um peso massivo</p><p>para os ambos. Os brasileiros consideraram Collor superior nos últimos debates, e esse</p><p>fator foi decisivo para ser empossado como presidente do Brasil.</p><p>LEITURA</p><p>COMPLEMENTAR</p><p>141</p><p>Collor X Lula</p><p>O debate de 1989 foi transmitido nos estúdios da TV Bandeirantes em São</p><p>Paulo, constituiu-se em um acordo de transmissão (pool), realizado pelas emissoras:</p><p>Globo, Bandeirantes, Manchete e SBT.</p><p>Discutido até os dias de hoje, o debate eleitoral de 1989 entre Fernando Collor</p><p>e Luís Inácio Lula da Silva, gera polêmica e diferentes visões acima da transmissão. É</p><p>certo de que após o debate do segundo turno, Fernando Collor venceu com 53,03% dos</p><p>votos, sendo a primeira eleição, desde 1960, em que os cidadãos brasileiros foram aptos</p><p>a votar e escolher seu presidente da república.</p><p>Muitos afirmam que a vitória de Collor se deu pela manipulação e edição da</p><p>Rede Globo no debate. As suspeitas poderiam ser confirmadas com a vitória de Collor</p><p>nas urnas. Dados mais concretos também podem ser observados: “Um relatório da</p><p>DENTEL (Departamento Nacional de Telecomunicações), divulgado em 08/12/89,</p><p>aponta o favoritismo da Rede Globo para Fernando Collor de Mello: ele teria 78,55% mais</p><p>tempo de divulgação no noticiário político, se comparado ao do seu concorrente Lula,</p><p>no período de 27/11 a 06/12/89.” (AVELAR, 1992, p. 9).</p><p>Em 2011, em entrevista ao Globo News, Boni, então diretor da emissora, afirmou</p><p>que “Todo aquele debate foi produzido – não o conteúdo, o conteúdo era do Collor</p><p>mesmo -, mas a parte formal nós é que fizemos”. Até mesmo o ex-presidente Fernando</p><p>Collor admitiu ter tido uma vantagem sobre Lula. Provando então a teoria que a televisão</p><p>teria poder suficiente para moldar uma nova realidade, e influenciar o povo que pela falta</p><p>de acesso a outros meios, se informam apenas pela mídia televisiva.</p><p>Fonte: https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/lula-x-collor-como-midia-influenciou-</p><p>-eleicoes-de-1989.phtml. Acesso em: 28 dez. 2022</p><p>142</p><p>RESUMO DO TÓPICO 3</p><p>Neste tópico, você aprendeu:</p><p>• O jornalismo de opinião é ramificação por meio da qual o jornalista pode opinar sobre</p><p>os fatos noticiados.</p><p>• Existem duas características marcantes relativas que caracterizam o texto opinativo:</p><p>a assinatura, seja do repórter ou do jornal (editorial), e a demarcação clara de textos</p><p>opinativos na diagramação.</p><p>• O jornalismo de opinião somente ganhou força no Brasil após o período da Ditadura</p><p>Militar (1964-1985).</p><p>• Os textos opinativos não são escritos apenas por jornalistas, mas também por</p><p>especialistas em determinado segmento.</p><p>• Em portais, revistas ou outros veículos especializados, os jornalistas, além de</p><p>produzirem conteúdo opinativo, podem fazer o planejamento edição dos conteúdos</p><p>de outros profissionais.</p><p>• O editorial serve para mostrar a opinião de uma empresa ou grupo de comunicação</p><p>mediante a ocorrência de um fato. Esse texto nunca é assinado por um jornalista</p><p>específico.</p><p>• O artigo, para fins jornalísticos, é um texto em que o autor elabora uma ideia e</p><p>apresenta a sua opinião sobre o assunto.</p><p>• A carta do leitor é um espaço do jornal em que os leitores são convidados a enviarem</p><p>mensagens, dando a sua opinião sobre matérias e artigos publicados no jornal.</p><p>• A coluna é um texto que deve ser sempre assinado e imprimir o estilo e a personalidade</p><p>do redator. Trata-se de um formato que pode ser adaptado para diferentes mídias.</p><p>• O comentário é um formato em que o jornalista ou especialista em determinado</p><p>segmento apresente a sua opinião sobre determinado assunto, de forma rápida e</p><p>direta.</p><p>• A crônica é um texto jornalístico de forma livre e pessoal que aborda fatos e ideias da</p><p>atualidade, mesclando elementos do jornalismo com a literatura.</p><p>143</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>1 Saccol (2020, p. 108) comenta que: “A imprensa brasileira aplica diferentes formatos</p><p>opinativos em diferentes contextos, de acordo com as expectativas do público e sua</p><p>própria conformação histórica”. Sobre o formato opinativo conhecido por editorial,</p><p>assinale a alternativa CORRETA:</p><p>Fonte: SACCOL, T. A importância da apuração como</p><p>fundamento da escrita jornalística. In: MOREIRA, N.M.L.M.;</p><p>SACCOL T.; SILVA, Fernando Lopes da.; SILVEIRA, G.C.; HOFF,</p><p>R.S. Princípios e técnicas para a prática da redação</p><p>jornalística. Porto Alegre, RS: Sagah, 2020.</p><p>a) ( ) O editorial é um texto que nunca é assinado e deve ser escrito sempre em primeira</p><p>pessoa.</p><p>b) ( ) O editorial não representa a opinião do jornal que o publica.</p><p>c) ( ) O jornalista que escreve um editorial deve sempre assiná-lo, pois o texto reflete a</p><p>sua opinião pessoal sobre um assunto.</p><p>d) ( ) O editorial é um texto que mostra para o público qual é a opinião que um veículo</p><p>de comunicação tem sobre um tema. Por conta disso, ele não é assinado.</p><p>2 No jornalismo político-econômico, há situações em que os jornalistas podem opinar</p><p>sobre os temas que noticiam. Considerando os diferentes formatos dos textos</p><p>opinativos, analise as sentenças a seguir:</p><p>I- O artigo é um texto em que o autor apresenta a sua opinião sobre o assunto, mesclando</p><p>o gênero jornalístico com o literário.</p><p>II- Uma das principais características da coluna é que ela pode ser adaptada para</p><p>diferentes formatos de mídia.</p><p>III- Os comentários dos leitores nas redes sociais podem ser republicados em uma seção</p><p>de “Cartas do leitor” na versão impressa do jornal.</p><p>Assinale a alternativa CORRETA:</p><p>a) ( ) As sentenças I e II estão corretas.</p><p>b) ( ) Somente a sentença II está correta.</p><p>c) ( ) As sentenças I e III estão corretas.</p><p>d) ( ) Somente a sentença II e III estão corretas.</p><p>144</p><p>3 “Em 1986, José Sarney assumiu a presidência no lugar de Tancredo Neves e chamou</p><p>o proprietário da indústria de brinquedos Trol, Dilson Funaro, para ser seu ministro</p><p>da Fazenda. O debate sobre a desindexação da economia ocupava o centro das</p><p>preocupações do jornalismo econômico. As linhas de pensamento acadêmico não</p><p>eram tão divergentes e antagônicas, como as que colocam hoje em lados opostos</p><p>a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ) e a Universidade</p><p>de Campinas (Unicamp). Todos estavam no mesmo barco contra os militares. Mas</p><p>era preciso trazer para as páginas ideias sobre a desindexação, o que fazer com</p><p>a economia do país. As editorias de opinião passaram a encomendar artigos a</p><p>economistas, sociólogos, empresários e trabalhadores e organizá-los em páginas</p><p>específicas” (CALDAS, 2008, p. 26).</p><p>Na citação, Caldas comenta sobre um momento da história do jornalismo em que os</p><p>textos opinativos começaram a ganhar espaço nas editorias de política e economia</p><p>dos periódicos. Considerando a história do jornalismo de opinião, classifique V para as</p><p>sentenças verdadeiras e F para as falsas:</p><p>Fonte: CALDAS, S. Jornalismo econômico. 2 ed. São Paulo:</p><p>Contexto, 2008.</p><p>( ) Por conta da repressão dos militares, o jornalismo de opinião só ganhou força no</p><p>Brasil após o período da Ditadura.</p><p>( ) Com o fim da Ditadura Militar os jornalistas ficaram totalmente livres para emitir as</p><p>suas opiniões. Atualmente, praticamente não há registros de profissionais punidos</p><p>por irem contra os posicionamentos dos veículos em que trabalham.</p><p>( ) Nos dias de hoje, os jornalistas podem atuar editando, escolhendo temas e</p><p>encomendando textos opinativos de profissionais de</p><p>outras áreas.</p><p>Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:</p><p>a) ( ) V – F – F.</p><p>b) ( ) V – F – V.</p><p>c) ( ) F – V – F.</p><p>d) ( ) F – F – V.</p><p>4 A imagem abaixo traz a reprodução de um texto publicado por José Simão no jornal</p><p>Folha de São Paulo. Veja:</p><p>145</p><p>Disponível em: https://amarildocharge.files.wordpress.com/2013/09/carge-posto-ipiranga-jose-simao-fo-</p><p>lha-de-sp.jpg. Acesso em: 13 jan. 2023.</p><p>Qual é o tipo de texto escrito por Simão? E quais são as suas principais características?</p><p>Comente!</p><p>5 José Nêumanne Pinto é um reconhecido jornalista de política e economia e já deu</p><p>experiente em diversos grupos de comunicação, passando por algumas maiores</p><p>redes de TV e rádio do Brasil</p><p>Atualmente, como mostra a figura abaixo, Nêumanne Pinto levou os comentários que</p><p>faziam nos telejornais para o seu um blog e canal no YouTube próprios, como mostra a</p><p>imagem abaixo:</p><p>146</p><p>Disponível em: http://neumanne.com/novosite/categoria/direto-ao-assunto/. Acesso em: 13 jan. 2023.</p><p>Se possível, assista a um dos vídeos do canal de José Nêumanne Pinto e fale brevemente</p><p>sobre o comentário, gênero que ele adota em suas produções.</p><p>147</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>ASSAD, N. Marketing de conteúdo: como fazer sua empresa decolar no meio digital.</p><p>São Paulo, Atlas, 2016.</p><p>BARBOSA, A. Jornalismo em gêneros: volume 1. São Paulo: ECA/USP, 2016.</p><p>Disponível em: https://repositorio.usp.br/bitstreams/2a655e1a-ede8-4517-abad-</p><p>1c58866d79c1. Acesso em: 11 jan. 2023.</p><p>BARRETO, I. Fake news: anatomia da desinformação, discurso de ódio e erosão da</p><p>democracia. Belo Horizonte, MG: Expressa, 2022.</p><p>BONNER, W. Jornal Nacional: modo de fazer. Rio de Janeiro: Globo, 2009.</p><p>BONNER, W. JN: 50 anos de telejornalismo. Rio de Janeiro: Globo Livros, 2019.</p><p>Disponível em: https://www.google.com.br/books/edition/JN_50_anos_de_</p><p>telejornalismo/wPirDwAAQBAJ?hl=pt-BR&gbpv=1&dq=william+bonner&printsec=front</p><p>cover. Acesso em: 24 dez. 2022.</p><p>CALDAS, S. Jornalismo econômico. 2 ed. São Paulo: Contexto, 2008.</p><p>CORREIO. Rachel Sheherazade vence SBT em 2ª instância em processo por</p><p>direitos trabalhistas. Disponível em: https://www.correio24horas.com.br/noticia/</p><p>nid/rachel-sheherazade-vence-sbt-em-2a-instancia-em-processo-por-direitos-</p><p>trabalhistas/. Acesso em: 12 jan. 2022.</p><p>DIANA, D. Os Sertões, de Euclides da Cunha. Disponível em:</p><p>https://www.todamateria.com.br/os-sertoes-de-euclides-da-cunha/. Acesso em: 26</p><p>dez. 2022.</p><p>FELIX, F. Saiba como funciona a lei das três fontes na apuração jornalística.</p><p>Disponível em: https://www.academiadojornalista.com.br/producao-de-texto-</p><p>jornalistico/lei-das-tres-fontes-na-apuracao-jornalistica/. Acesso em: 5 jan. 2023.</p><p>FENAJ. Código de ética dos jornalistas. Vitória, ES, 2007. Disponível em:</p><p>https://fenaj.org.br/wp-content/uploads/2014/06/04-codigo_de_etica_dos_</p><p>jornalistas_brasileiros.pdf. Acesso em: 3 jan. 2023.</p><p>FLORES, L. S.; SANTOS, S. R. P. dos. Jornalismo literário: um estudo de caso na</p><p>contemporaneidade. CES Revista, Juiz de Fora, MG, v. 31, n.1, 2018. Disponível em:</p><p>https://seer.uniacademia.edu.br/index.php/cesRevista/article/view/1470. Acesso em:</p><p>26 dez. 2022.</p><p>148</p><p>GOMES, S.S. O que é ética jornalística? Disponível em:</p><p>https://blog.voomp.com.br/graduacao/o-que-e-etica-jornalistica. Acesso em: 3 jan.</p><p>2023</p><p>INTERMODAL DIGITAL. Retomada das obras da ferrovia Transnordestina.</p><p>Disponível em: https://digital.intermodal.com.br/nt-expo/retomada-das-obras-da-</p><p>ferrovia-transnordestina. Acesso em: 28 dez. 2022</p><p>JUSKI, J.R. Jornalismo político. In: JUSKI, J.R.; HOFF, R.S.; FORECHI, M.; SILVA, F.L.;</p><p>SILVEIRA, G.C.; BISOL, L.V.; SANGALETTI, L. Jornalismo especializado. Porto Alegre,</p><p>RS: Sagah, 2020.</p><p>MARTINS, R. Clickbait faz site de fofoca passar Estadão e Folha. Google precisa</p><p>evoluir. Disponível em: https://rockcontent.com/br/blog/tv-foco-clickbait/. Acesso</p><p>em: 4 jan. 2023.</p><p>PATEL, N. Clickbait: uma estratégia perigosa que deve ser evitada. Disponível em:</p><p>https://neilpatel.com/br/blog/clickbait/. Acesso em: 4 jan. 2023.</p><p>PODER 360. Presidente do Ibope pede desculpa por imprecisão em pesquisa em</p><p>Porto Alegre. Disponível em: https://www.poder360.com.br/eleicoes/presidente-do-</p><p>ibope-pede-desculpa-por-imprecisao-em-pesquisa-em-porto-alegre/. Acesso em:</p><p>28 dez. 2022</p><p>SÁ, A.L. de. Ética profissional. 10 ed. São Paulo: Atlas, 2019</p><p>SACCOL, T. A importância da apuração como fundamento da escrita jornalística. In:</p><p>MOREIRA, N.M.L.M.; SACCOL T.; SILVA, Fernando Lopes da.; SILVEIRA, G.C.; HOFF, R.S.</p><p>Princípios e técnicas para a prática da redação jornalística. Porto Alegre, RS:</p><p>Sagah, 2020.</p><p>SACCOL, T. Textos jornalísticos opinativos: construção e exemplos. In: MOREIRA,</p><p>N.M.L.M.; SACCOL T.; SILVA, Fernando Lopes da.; SILVEIRA, G.C.; HOFF, R.S. Princípios</p><p>e técnicas para a prática da redação jornalística. Porto Alegre, RS: Sagah, 2020.</p><p>SANTIAGO, A. Understanding the 5 W’s and what journalists really want to know.</p><p>Disponível em: < https://www.newswire.com/blog/understanding-the-5ws-and-what-</p><p>journalists-really-want-to-know>. Acesso em: 17 dez. 2022.</p><p>SILVA, F.L. Fontes jornalísticas. In: MELO, C.O.; FORECHI, M.; BARCELLOS, E.C.C.; SILVA,</p><p>F.L.; PEREIRA, G.T.F.; MOLMANN, M.I.; MOREIRA, N.M.L.M.; CUNHA, N.C.D. Redação</p><p>jornalística e sociolinguística. Porto Alegre, RS: Sagah, 2019.</p><p>SILVEIRA, G.C. A apuração da notícia IV: a pauta. In: SILVEIRA, G.C.; SANGALETTI, L.;</p><p>WAGNER, C. Introdução ao jornalismo. Porto Alegre, RS: Sagah, 2018.</p><p>149</p><p>SILVEIRA, G.C. A atuação do editor. In: SILVEIRA, G.C.; SANGALETTI, L.; WAGNER, C.</p><p>Introdução ao jornalismo. Porto Alegre, RS: Sagah, 2018.</p><p>STRAY, Jonathan. Jornais e TV priorizam políticos em vez do cidadão. Disponível</p><p>em: https://www.observatoriodaimprensa.com.br/imprensa-em-questao/jornais-e-tv-</p><p>priorizam-politicos-em-vez-do-cidadao/. Acesso em: 28 dez. 2022.</p><p>UOL. Comentarista da Jovem Pan segura o choro ao vivo com vitória de Lula.</p><p>Disponível em: https://www.uol.com.br/splash/noticias/2022/10/31/zoe-martinez.htm.</p><p>Acesso em: 13 jan. 2023.</p><p>150</p><p>151</p><p>ESTILOS E FORMAS</p><p>DE ABORDAGEM DE</p><p>CONTEÚDOS SOBRE</p><p>POLÍTICA E ECONOMIA</p><p>NAS MÍDIAS</p><p>UNIDADE 3 —</p><p>OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM</p><p>PLANO DE ESTUDOS</p><p>A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:</p><p>• identifi car diferentes tipos de conteúdo sobre política e economia nas mídias;</p><p>• produzir tipos variados de textos e conteúdos sobre política e economia em veículos</p><p>de comunicação tradicionais e/ou digitais;</p><p>• reconhecer os impactos e formas de atuação do jornalismo político e econômico nos</p><p>âmbitos local, regional e nacional;</p><p>• compreender a importância e a forma de produzir grandes reportagens de cunho</p><p>político e econômico.</p><p>A cada tópico desta unidade você encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar</p><p>o conteúdo apresentado.</p><p>TÓPICO 1 – FORMATOS DE TEXTOS E CONTEÚDOS PARA TEMAS POLÍTICOS E</p><p>ECONÔMICOS</p><p>TÓPICO 2 – A REDE NOTICIOSA NOS CONTEXTOS LOCAL, REGIONAL E NACIONAL</p><p>TÓPICO 3 – AS GRANDES REPORTAGENS NO JORNALISMO POLÍTICO E ECONÔMICO</p><p>Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure</p><p>um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações.</p><p>CHAMADA</p><p>152</p><p>CONFIRA</p><p>A TRILHA DA</p><p>UNIDADE 3!</p><p>Acesse o</p><p>QR Code abaixo:</p><p>153</p><p>TÓPICO 1 —</p><p>FORMATOS DE TEXTOS E</p><p>CONTEÚDOS PARA TEMAS</p><p>POLÍTICOS E ECONÔMICOS</p><p>UNIDADE 3</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>Juski (2020, p. 139) comenta que “na contemporaneidade, desde o início do</p><p>século XXI, o jornalismo político vem se transformando pelo amplo acesso às novas</p><p>tecnologias e redes sociais”. A autora também afirma que “dentro desse contexto digital</p><p>ganharam fôlego os blogs de política mantidos por jornalistas, e por políticos” (JUSKI,</p><p>2020, p. 139-140).</p><p>Dentro desse contexto, é importante que você, estudante de Jornalismo Digital,</p><p>saiba como abordar os conteúdos sobre política e economia no cenário da comunicação</p><p>digital, que permite que uma ampla possibilidade de formatos seja explorada.</p><p>É sobre isso que trataremos neste tema de aprendizagem! Então, continue lendo</p><p>para conhecer os principais formatos</p><p>de conteúdo que você pode explorar no jornalismo</p><p>político e econômico, bem como a relevância de saber trabalhar com essa diversidade.</p><p>Tenha ótimos estudos!</p><p>2 FORMATOS DE CONTEÚDOS EXPLORADOS NO</p><p>JORNALISMO POLÍTICO E ECONÔMICO</p><p>Como explica Juski (2020, p. 140) uma das principais vantagens que a</p><p>comunicação digital proporcionou para o jornalismo político e econômico foi o surgimento</p><p>de veículos alternativos, como o Mídia Ninja, o Catraca Livre e O Antagonista.</p><p>Tal fenômeno, além de ampliar as possibilidades de atuação para os jornalistas</p><p>especializados em política e economia, também fez com que as pessoas tenham mais</p><p>possibilidades de se informar.</p><p>Os veículos alternativos também fogem de regras e imposições dos grandes</p><p>grupos de comunicação. Isso dá mais liberdade para trabalhar com o jornalismo de</p><p>opinião, bem como explorar diferentes formatos ao noticiar assuntos referentes à</p><p>política e à economia.</p><p>154</p><p>Vale lembrar, aqui, o propósito do jornalismo político e econômico, que, de</p><p>acordo com Juski (2020, p. 141), é “atuar como um fator de empoderamento político dos</p><p>cidadãos, compartilhando as preocupações com quem supostamente lhes servem, os</p><p>políticos, e não transformando a cobertura de eleições ou de escândalos de corrupção</p><p>em espetáculos”.</p><p>A partir dessa premissa, a seguir, vamos falar sobre os principais formatos de</p><p>conteúdo que podem ser explorados no jornalismo político e econômico. Continue a</p><p>leitura!</p><p>2.1 NOTAS CURTAS</p><p>Fonte: https://blogcarlossantos.com.br/jota-jornalistica-causa-embaraco-politico-e-e-retirada-do-ar/. Aces-</p><p>so em: 16 jan. 2023.</p><p>Figura 1 – Nota curta publicada no jornal O Mossorense, em 17 de janeiro de 2018</p><p>A Figura 1 traz o exemplo de uma nota curta publicada na editoria de política</p><p>do jornal O Mossoroense, um veículo que atua na cidade de Mossoró-RN. O texto, como</p><p>você pode perceber, trata brevemente de um fato político ocorrido na localidade.</p><p>Na ocasião da publicação da nota, a então prefeita de Mossoró, Rosalba Ciarlini,</p><p>estava negociando emendas para o município com outros parlamentares. O assunto,</p><p>por ser breve, pode ser trabalhado nesse formato textual.</p><p>Sendo assim, podemos definir a nota jornalística como uma informação de</p><p>rápido consumo. No jornalismo impresso, assim como no digital, o gênero pode ser</p><p>explorado sempre que uma notícia rápida precisar ser dada.</p><p>155</p><p>Sobre o jornalista que trabalha com notas, Caldas (2008, p. 24) traz uma</p><p>curiosidade interessante. Segundo a autora, “na Gazeta Mercantil, onde o destaque e o</p><p>brilho eram conferidos ao repórter e às melhores matérias, o colunista econômico era</p><p>chamado de ‘catador de migalhas’, alusão às inúmeras notas que ele precisava apurar</p><p>todos os dias”.</p><p>Ainda nas palavras da jornalista: “seja em economia, política ou sociedade, não</p><p>há coluna de notas que não traga uma intriga, que não seja alvo de algum interesse,</p><p>que não passe algum recado, que não tome partido de alguém” (CALDAS, 2008, p. 25).</p><p>Ou seja, não é porque uma nota é um texto curto que ela não tem relevância e deva ser</p><p>tratada com descaso e pouca apuração pelo jornalista de política e economia.</p><p>Sendo assim, podemos dizer que as notas curtas são pequenas matérias</p><p>jornalísticas que abordam um assunto de forma sucinta e direta. No jornalismo político,</p><p>elas são utilizadas para dar destaque a uma declaração, uma ação ou um evento político</p><p>importante.</p><p>As notas curtas podem ser usadas para apresentar uma nova política, um</p><p>discurso, uma votação, entre outros eventos relacionados à política. Elas são úteis para</p><p>fornecer informações rápidas e atualizadas sobre o mundo político aos leitores.</p><p>No jornalismo econômico, as notas curtas são utilizadas para apresentar dados,</p><p>como o desempenho do mercado financeiro, a evolução do PIB, a variação da taxa de</p><p>desemprego, entre outros indicadores econômicos relevantes. Elas são uma forma de</p><p>transmitir informações sobre o mundo econômico de forma rápida e fácil de entender.</p><p>Em ambos os casos, político e econômico, as notas curtas são uma ferramenta</p><p>valiosa para os jornalistas, pois permitem transmitir informações relevantes aos leitores</p><p>de forma objetiva e clara. Além disso, elas podem ser utilizadas como complemento de</p><p>outras matérias mais extensas, fornecendo informações adicionais para o público.</p><p>156</p><p>2.2 COMENTÁRIOS EM VÍDEO</p><p>Fonte: https://memoriaglobo.globo.com/perfil/joelmir-beting/noticia/joelmir-beting.ghtml. Acesso em: 16</p><p>jan. 2023.</p><p>Figura 2 – Joelmir Betting, pioneiro no gênero, fazendo comentários sobre economia no Jornal Nacional</p><p>Caldas (2008, p. 21) explica que, até a década de 1970, as emissoras de TV não</p><p>tinham nenhuma experiência ao trabalhar com assuntos de economia. Porém, com o</p><p>crescimento do mercado financeiro, houve essa demanda por parte do público.</p><p>O jornalista Joelmir Betting foi um dos pioneiros ao falar sobre economia na TV.</p><p>Ele tinha uma expertise muito grande ao “traduzir” os termos difíceis do “economês”</p><p>para uma linguagem mais simples e próxima do público da televisão aberta.</p><p>Falecido em 2012, o jornalista Joelmir Betting foi um dos pioneiros ao fazer</p><p>comentários de economia na TV.</p><p>Saiba mais sobre esse importante nome da história do jornalismo, lendo</p><p>a biografia publicada pelo site Memória Globo. Disponível em: https://</p><p>memoriaglobo.globo.com/perfil/joelmir-beting/noticia/joelmir-beting.ghtml.</p><p>Acesso em: 16 jan. 2023 .</p><p>DICA</p><p>Segundo Caldas (2008, p. 21), “a preocupação de Joelmir Betting com a</p><p>explicação didática dos assuntos tratados e a popularidade de seu programa lhe valeram</p><p>o apelido de ‘Chacrinha da Economia’, referência ao animador de tevê Abelardo Barbosa,</p><p>o Chacrinha, líder em audiência entre os anos 70 e 80 com um programa de sucesso na</p><p>Globo”.</p><p>157</p><p>O canal da jornalista Rachel Sheherazade, no YouTube, é tido como uma</p><p>referência no que se refere a comentários de política na internet.</p><p>Acesse e assista a alguns vídeos para conferir a linguagem utilizada nesse formato.</p><p>Disponível em: https://www.youtube.com/@rachelsheherazadeopiniao. Acesso</p><p>em: 16 jan. 2023.</p><p>DICA</p><p>Em depoimento dado para Caldas (2008, p. 22), Betting declarou:</p><p>Não apenas a linguagem, os assuntos abordados também têm</p><p>que ser diferentes na tevê, no rádio e no jornal. São três áreas bem</p><p>distintas. No jornal, o texto é mais livre, o espaço maior e a diversidade</p><p>de temas também. No rádio, a linguagem é coloquial, você conversa</p><p>com o ouvinte. Na televisão, o público é passivo e muda de canal se o</p><p>assunto é chato, pesado. Você tem trinta segundos para explicar por</p><p>que os juros não baixaram e que implicações isso tem na vida das</p><p>pessoas. Tive brigas infernais com a Globo por um minuto de tempo”</p><p>(CALDAS, 2008, p. 22).</p><p>Desde o surgimento até os dias de hoje, os comentários em telejornais são a</p><p>principal forma de se falar sobre política e economia na TV. Além de Betting, nomes como</p><p>Míriam Leitão, José Nêumanne Pinto, Renata Lo Prete, entre tantos outros, ganharam</p><p>destaque na TV, fazendo comentários desse tipo.</p><p>Com a ascensão das redes sociais e novas plataformas de vídeo, os comentários</p><p>de política e economia em vídeo passaram a ser maiores nesses canais. Alguns</p><p>jornalistas, inclusive, fizeram esse movimento e migraram da mídia tradicional para a</p><p>digital.</p><p>É o caso, por exemplo, de Rachel Sheherazade. A jornalista ganhou notoriedade</p><p>fazendo comentários sobre política em telejornais de TV e, atualmente, mantém um</p><p>canal no YouTube em que faz esse tipo de trabalho.</p><p>É importante que você compreenda, em suma, que os comentários jornalísticos</p><p>em vídeo são uma forma de apresentar análises, opiniões e perspectivas sobre eventos</p><p>políticos e econômicos de forma visual e dinâmica. Eles são comumente exibidos em</p><p>telejornais na televisão e são uma forma de complementar a cobertura jornalística,</p><p>oferecendo aos espectadores uma visão mais aprofundada e contextualizada sobre o</p><p>assunto em questão.</p><p>158</p><p>Os comentários jornalísticos em vídeo sobre política geralmente são</p><p>apresentados por jornalistas ou especialistas em política, que analisam</p><p>as últimas</p><p>notícias e tendências políticas e discutem suas implicações para a sociedade e para a</p><p>economia. Eles também podem incluir entrevistas com políticos, economistas e outros</p><p>especialistas para fornecer uma visão ainda mais ampla e diversificada sobre o assunto.</p><p>No caso dos comentários jornalísticos em vídeo sobre economia, eles são</p><p>apresentados por jornalistas ou economistas que analisam as tendências econômicas,</p><p>incluindo o desempenho do mercado financeiro, a evolução do PIB, a inflação, entre</p><p>outros indicadores econômicos importantes. Eles também discutem as implicações</p><p>dessas tendências para a economia e para a sociedade como um todo.</p><p>Nas duas situações, os comentários jornalísticos em vídeo são uma ferramenta</p><p>valiosa para os espectadores, pois permitem obter uma compreensão mais profunda e</p><p>aprofundada sobre os eventos e tendências importantes, além de oferecer uma visão</p><p>diversificada e informativa sobre os assuntos.</p><p>2.3 REPORTAGENS COM DADOS</p><p>As reportagens baseadas em dados também são um ótimo formato para ser</p><p>explorado pelos jornalistas de política e economia. Pesquisas eleitorais, de satisfação da</p><p>população com os governos, índices econômicos, entre tantas outras fontes de dados,</p><p>podem ser exploradas para o desenvolvimento de reportagens das mais interessantes.</p><p>Cabe lembrar, aqui, que a reportagem se caracteriza justamente por mostrar</p><p>evidências e informações para formar uma narrativa e facilitar a interpretação do leitor</p><p>sobre os fatos apresentados. Trata-se de um formato bem mais apurado que o do texto</p><p>noticioso de hard news.</p><p>Vamos relembrar as diferenças entre notícia e reportagem? Então, confira o</p><p>quadro a seguir:</p><p>NOTÍCIA REPORTAGEM</p><p>Tem como referência a imparcialidade. Trabalha o enfoque, a interpretação.</p><p>Opera em um movimento típico da</p><p>indução (do particular para o geral).</p><p>Opera com a dedução (do geral, que é o</p><p>tema, para o particular, que são os fatos).</p><p>Atém-se à compreensão imediata dos</p><p>dados essenciais.</p><p>Converte fatos em assuntos, promove</p><p>a repercussão, o desdobramento, o</p><p>aprofundamento.</p><p>Independe da intenção do veículo (apesar</p><p>de não ser imune a ela).</p><p>É produto da intenção de passar uma</p><p>visão interpretativa.</p><p>Quadro 1 – Diferenças entre notícia e reportagem</p><p>159</p><p>Trabalha-se muito com o singular</p><p>(decida-se a cada caso isolado).</p><p>Enfoca a repetição, a abrangência</p><p>(transforma vários fatos em um tema).</p><p>Relata formal e secamente (a pretexto de</p><p>comunicar com imparcialidade).</p><p>Procura envolver, usa a criatividade como</p><p>recurso para seduzir o receptor.</p><p>Pauta centrada no essencial para</p><p>recompor um acontecimento.</p><p>Trabalha com pauta mais complexa,</p><p>pois aponta para causas, contextos,</p><p>consequências e novas fontes.</p><p>Fonte: adaptado de Pena (2006) por Flores (2019).</p><p>O uso de dados nas reportagens de editorias de política e economia se tornou</p><p>mais frequente a partir de 2011, quando a ex-presidente, Dilma Rousseff, sancionou a lei</p><p>nº 12.527/2011, que ficou conhecida como Lei de Acesso à Informação.</p><p>A Lei do Acesso à Informação é muito importante para os jornalistas demais</p><p>profissionais da comunicação .</p><p>Acesse a legislação na íntegra em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_</p><p>ato2011-2014/2011/lei/l12527.htm. Acesso em: 18 jan. 2023.</p><p>DICA</p><p>Fraga (2021, p. 190) explica sobre o uso de dados no jornalismo de política após</p><p>a sanção da referida lei, citando como exemplo uma série de reportagens publicadas</p><p>pelo portal The Intercept Brasil. Nas palavras da autora:</p><p>Os dados acessíveis a partir da Lei de Acesso à Informação e</p><p>vazamentos impulsionaram reportagens investigativas na área</p><p>política. O site Intercept Brasil, por exemplo, apostou em conteúdos de</p><p>materiais vazados por uma fonte anônima para produzir reportagens</p><p>sobre temas políticos. A série de reportagens denominada “Vaza Jato”</p><p>abordou mensagens secretas da Operação Lava Jato, mostrando os</p><p>bastidores das decisões sobre a investigação (FRAGA, 2021, p. 190).</p><p>160</p><p>Figura 3 – Infográfico interativo do portal G1 com os resultados das eleições presidenciais 2022</p><p>Fonte: https://especiaisg1.globo/politica/eleicoes/2022/mapas/mapa-da-apuracao-no-brasil-presidente/</p><p>2-turno/. Acesso em: 18 jan. 2023.</p><p>Nas eleições presidenciais de 2022, o portal G1 produziu uma série de reportagens</p><p>com infográficos interativos que trazem dados sobre os resultados do pleito.</p><p>No decorrer da apuração, as mídias se modificavam em tempo real, até</p><p>resultarem no desenho final, com a contagem de votos já finalizada, dando a vitória a</p><p>Lula, que fez 50,90% de votos contra 49,10% de Bolsonaro, que tentava a reeleição.</p><p>O infográfico final, com o resultado das eleições, pode ser visto na Figura 3. Ao</p><p>acessar o site da referência da imagem, você verá que há um texto acompanhando a</p><p>publicação e uma observação de que a fonte dos dados é o Tribunal Superior Eleitoral</p><p>(TSE).</p><p>161</p><p>Figura 4 – Infográfico interativo do portal G1 com os resultados das eleições presidenciais 2022, em Cam-</p><p>pestre da Serra-RS</p><p>Fonte: https://especiaisg1.globo/politica/eleicoes/2022/mapas/mapa-da-apuracao-no-brasil-presidente/</p><p>2-turno/. Acesso em: 18 jan. 2023.</p><p>Um fato interessante é que o infográfico publicado pelo G1 é interativo. Ele</p><p>permite que o leitor clique sobre o mapa do Brasil e escolha o resultado das eleições</p><p>presidenciais que quer ver em qualquer município brasileiro.</p><p>Na Figura 4, por exemplo, você vê o resultado da apuração dos votos na cidade</p><p>de Campestre da Serra, que fica na Serra Gaúcha e tem pouco mais de 3 mil habitantes.</p><p>No pequeno município, o resultado das eleições foi bem diferente do nacional. Por lá,</p><p>Bolsonaro fez 80,44% dos votos, contra apenas 19,56% de Lula. Ou seja, se dependesse</p><p>apenas da vontade dos campestrinos, o presidente eleito no pleito de 2022 teria sido</p><p>Bolsonaro e não Lula. A mesma analogia pode ser feita com qualquer município, por</p><p>meio do infográfico interativo.</p><p>Percebe, acadêmico, como o uso de dados faz com que o leitor interaja com</p><p>o conteúdo e possa fazer as mais variadas análises políticas possíveis? É por isso que</p><p>esse tipo de reportagem é tão rica e está muito em alta nos veículos de comunicação</p><p>digitais.</p><p>162</p><p>No campo da economia, os dados também podem ser utilizados para enriquecer</p><p>as reportagens. Nesse sentido, Fraga (2021, p. 192) comenta que “o jornalismo econômico</p><p>pode explorar a criação de conteúdos didáticos reunindo os dados econômicos”.</p><p>Ainda no entendimento da autora, “os textos nessa abordagem precisam ser</p><p>rápidos e descritivos para não cair em narrativas chatas e burocráticas” (FRAGA, 2021,</p><p>p. 192). O uso de dados, nesse sentido, contribui para que os leitores absorvam as</p><p>informações mais rapidamente, muitas vezes apenas com uma leitura dinâmica.</p><p>A seguir, veja um exemplo de reportagem, usando dados, publicada pelo portal</p><p>iDinheiro.</p><p>Figura 5 – Infográfico sobre cálculo do salário líquido, publicado pelo portal iDinheiro</p><p>Fonte: https://www.idinheiro.com.br/calculadoras/calculadora-de-salario-liquido/ Acesso em: 18 jan. 2023.</p><p>Na Figura 5, vemos um exemplo de uma reportagem sobre o salário líquido dos</p><p>cidadãos, publicada pelo portal iDinheiro. Junto ao texto, foi publicado um infográfico</p><p>interativo, em que o leitor digita quanto ganha de salário bruto e os descontos que ele</p><p>tem em folha, como parcelas de um empréstimo pessoal, por exemplo.</p><p>163</p><p>Com base nesses dados, um sistema do site faz o cálculo, tirando os descontos</p><p>e os valores pagos de INSS e IRRF. Assim, o leitor terá uma simulação sobre como ficará</p><p>o seu salário líquido.</p><p>No exemplo da Figura 5, simulamos que uma pessoa que recebe um salário bruto</p><p>de R$ 5.000,00 tem R$ 400,00 de descontos. A calculadora do iDinheiro descontou o</p><p>valor devido e mais as contribuições de INSS e IRRF. Sendo assim, o salário líquido desse</p><p>indivíduo ficou no valor de R$ 3.703, 33.</p><p>Assim como o infográfico da apuração política, esse tipo de material é muito</p><p>interessante por possibilitar múltiplas análises e uma experiência imersiva para o leitor.</p><p>Ele percebe que faz parte da matéria e cada pessoa</p><p>tem uma percepção única sobre o</p><p>conteúdo.</p><p>De uma maneira resumida, podemos dizer que o uso de dados é uma ferramenta</p><p>importante na produção de reportagens e matérias jornalísticas sobre política e</p><p>economia. Dados permitem fornecer evidências sólidas e concretas para sustentar</p><p>as afirmações e análises dos jornalistas, tornando as informações mais confiáveis e</p><p>credíveis para o público.</p><p>No jornalismo político, os dados podem ser usados para apresentar estatísticas</p><p>sobre a popularidade de políticos, resultados de eleições, dados demográficos, entre</p><p>outros números relevantes para a análise política. Além disso, eles também podem ser</p><p>usados para ilustrar tendências políticas, como a evolução da participação eleitoral, a</p><p>distribuição de votos por partido político, entre outros.</p><p>No jornalismo econômico, os dados são frequentemente usados para apresentar</p><p>informações sobre o desempenho da economia, incluindo o PIB, o desemprego, a</p><p>inflação, entre outros indicadores relevantes. Eles também podem ser usados para</p><p>apresentar análises de setores específicos da economia, como o setor imobiliário, o</p><p>setor financeiro, entre outros.</p><p>Além disso, o uso de gráficos, tabelas e outras formas de visualização de dados</p><p>torna mais fácil para os leitores entender e interpretar as informações, ajudando a tornar</p><p>as matérias mais claras e acessíveis.</p><p>164</p><p>2.4 ENTREVISTA PINGUE-PONGUE</p><p>Fonte: https://www.em.com.br/app/noticia/politica/2023/01/18/interna_politica,1446439/lula-sobre-bol-</p><p>sonaro-ate-hoje-continua-fazendo-fake-news.shtml. Acesso em: 23 jan. 2023.</p><p>Figura 6 – Jornalista Natuza Nery entrevista o presidente Lula para a Globo News</p><p>Em 18 de janeiro de 2023, o presidente Lula concedeu uma entrevista exclusiva</p><p>à jornalista Natuza Nery, da Globo News, para falar sobre os ataques terroristas realizados</p><p>em Brasília por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro, dias antes da conversa.</p><p>Muito utilizada no jornalismo televisivo e também no impresso, a entrevista</p><p>realizada por Natuza é do tipo “pingue-pongue”. Esse nome é dado às conversas com</p><p>perguntas e respostas diretas e na íntegra. Ou seja, elas não têm apenas algumas partes</p><p>incluídas em um texto corrido ou reportagem para um programa jornalístico no rádio ou</p><p>na televisão.</p><p>A entrevista que Lula concedeu para Natuza Nery, sobre os ataques terroristas</p><p>em Brasília, está disponível, na íntegra, no canal do presidente no YouTube.</p><p>Acesse e assista a um exemplo de entrevista pingue-pongue.</p><p>Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=TWmtwBC0Hpg. Acesso</p><p>em: 23 jan. 2023.</p><p>DICA</p><p>165</p><p>Fonte: https://media.gazetadopovo.com.br/2022/08/10165817/bolsonaro-no-fl ow-960x540.png. Acesso</p><p>em: 23 jan. 2023.</p><p>Figura 7 – Igor Coelho entrevista o ex-presidente Bolsonaro para o Flow Podcast</p><p>Ao falar sobre as entrevistas pingue-pongue, Caldas (2008, p. 71) afi rma que “a</p><p>escolha do personagem entrevistado obedece a certos critérios: ele precisa ter o que</p><p>dizer, ser reconhecido e respeitado pela opinião pública”. Ainda segundo a autora, no</p><p>jornalismo político e econômico, o presidente da república, os ministros, os governadores</p><p>e outros políticos de grande expressão são os mais procurados para participar desse</p><p>formato de entrevista.</p><p>Caldas (2008, p. 71) também afi rma que, na entrevista pingue-pongue, muitas</p><p>vezes, a pergunta feita pelo jornalista é mais importante do que a resposta dada pelo</p><p>entrevistado. Nas palavras da autora:</p><p>Numa entrevista de texto corrido, o leitor desconhece a pergunta</p><p>a qual o entrevistado negou resposta, ou desviou-se, como fazem</p><p>alguns políticos. No pingue-pongue, a pergunta é transcrita e cresce</p><p>seu signifi cado se ela fi car sem respostas. Portanto, o repórter precisa</p><p>se preparar bem, planejar os assuntos a serem tratados, formular</p><p>perguntas com astúcia e inteligência, ligar o gravador e fi car muito</p><p>atento às respostas, que podem gerar outras questões (CALDAS,</p><p>2008, p. 71-72).</p><p>Perceba, acadêmico, que Caldas (2008) fala em transcrição das entrevistas</p><p>pingue-pongue. Isso acontece porque a jornalista é experiente em cobrir assuntos de</p><p>economia e política em jornais impressos. No entanto, os conteúdos desse tipo também</p><p>podem ser explorados em veículos audiovisuais, como o rádio, a TV e a internet.</p><p>166</p><p>Caldas (2008) também explica que uma das técnicas de entrevista pingue-</p><p>pongue é a de deixar falar. Nesse caso, o entrevistador não interrompe o entrevistado,</p><p>mas anota perguntas para aprofundar posteriormente os tópicos levantados.</p><p>Segundo a autora, “entrevistas desse tipo costumam provocar repercussão e</p><p>quase sempre o entrevistado se prepara para revelar algo diferente da agenda cotidiana,</p><p>desenvolver uma ideia, um raciocínio importante para ele próprio, para o governo e para</p><p>a opinião pública” (CALDAS, 2008, s. p.).</p><p>Um formato que se popularizou muito nos últimos anos e que utiliza a técnica</p><p>de deixar falar são os podcasts. Veiculados em plataformas de áudio e/ou vídeo, esse</p><p>tipo de programa já conquista mais espectadores e repercussão do que muitas atrações</p><p>exibidas na TV aberta.</p><p>Em 2022, por exemplo, o Flow Podcast, um dos programas de debates on-</p><p>line mais populares do Brasil, fez uma série de entrevistas com os então candidatos à</p><p>presidência da república.</p><p>A entrevista com Jair Bolsonaro, que concorria à reeleição, teve mais de cinco</p><p>horas de duração e gerou grande repercussão na mídia tradicional e digital. Afinal, o</p><p>ex-presidente fez várias declarações polêmicas, como o seu posicionamento contra</p><p>a legitimidade das urnas eletrônicas e a defesa do medicamento cloroquina para o</p><p>tratamento de pessoas acometidas pela Covid-19.</p><p>Assista a alguns trechos da entrevista concedida por Bolsonaro ao Flow Podcast</p><p>e analise como esse formato pode ser explorado por jornalistas de política e</p><p>economia.</p><p>Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=EToS1HBw64Q. Acesso em:</p><p>23 jan. 2023 .</p><p>DICA</p><p>A partir do que estudamos, podemos concluir que no jornalismo de política</p><p>e economia, a entrevista pingue-pongue pode ser explorada de várias maneiras.</p><p>Por exemplo, pode ser usada para obter declarações claras e diretas de políticos e</p><p>economistas sobre questões relevantes. Isso pode ser especialmente útil quando</p><p>se trata de questões complexas e técnicas, como a reforma tributária ou a situação</p><p>financeira de um país.</p><p>Além disso, a entrevista pingue-pongue também pode ser usada para colher</p><p>comentários rápidos sobre eventos recentes ou desenvolvimentos na política ou</p><p>167</p><p>economia. Isso permite aos jornalistas obter uma visão imediata das opiniões de</p><p>especialistas e líderes políticos, o que pode ser importante em momentos de crise ou</p><p>mudanças rápidas.</p><p>2.5 POSTS PARA REDES SOCIAIS</p><p>Raquel Recuero é uma das principais estudiosas das redes sociais no Brasil. Essa</p><p>autora define rede social como “uma metáfora para observar os padrões de conexão</p><p>de um grupo a partir das conexões estabelecidas entre os diversos atores” (RECUERO,</p><p>2009, p. 24).</p><p>A autora também explica que “a abordagem da rede tem, assim, seu foco na</p><p>estrutura social, onde não é possível isolar os atores sociais e nem as suas conexões”</p><p>(RECUERO, 2009, p. 24).</p><p>A partir desse pressuposto, Recuero (2009) propõe que as redes sociais</p><p>necessitam de três elementos: os atores ou “nós”, que são as pessoas ou as instituições</p><p>que criam as suas contas; as conexões ou laços sociais que são gerados; e o capital</p><p>social, que são os valores compartilhados por “nós”.</p><p>No campo do jornalismo, as redes sociais ganharam espaço como um canal de</p><p>distribuição das notícias. Muitos portais publicam os links das notícias em suas páginas</p><p>no Facebook, no Twitter e no Instagram, por exemplo.</p><p>Nesse sentido, ao produzir conteúdos para as redes sociais, é importante que</p><p>os jornalistas dominem alguns conceitos e ferramentas da comunicação digital. Os</p><p>preceitos do jornalismo, no entanto, devem seguir os mesmos princípios adotados pelas</p><p>mídias tradicionais.</p><p>Basicamente, as publicações de conteúdos jornalísticos nas redes sociais</p><p>trazem um pequeno texto ou legenda</p><p>e vamos em frente! Procure</p><p>um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações.</p><p>CHAMADA</p><p>2</p><p>CONFIRA</p><p>A TRILHA DA</p><p>UNIDADE 1!</p><p>Acesse o</p><p>QR Code abaixo:</p><p>3</p><p>A ATIVIDADE SOCIOECONÔMICA</p><p>E POLÍTICA: PRODUÇÃO,</p><p>DISTRIBUIÇÃO E CONSUMO DE</p><p>CONTEÚDOS NA ÁREA</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>Prezado acadêmico, você já parou para pensar em como os temas do universo</p><p>econômico e político são de interesse para os cidadãos? Pensar sobre isso é muito</p><p>importante para os profissionais da comunicação, principalmente aqueles que pensam</p><p>em atuar nesse tipo de editoria.</p><p>O jornalismo político e econômico representa uma das editorias que mais são</p><p>consumidas nos jornais, físicos ou digitais. Não é para menos, tendo em vista que os</p><p>acontecimentos dessa área impactam diretamente as rotinas das pessoas.</p><p>Saber sobre os acontecimentos políticos e econômicos contribui para que as</p><p>pessoas possam programar melhor as compras que precisam fazer no supermercado, o</p><p>melhor momento para realizar investimentos etc.</p><p>Sendo assim, o jornalista político-econômico precisa compreender sobre as</p><p>atividades socioeconômicas e políticas do Brasil e do mundo, bem como entender os</p><p>processos de produção, distribuição e consumo de conteúdos desse tipo. É sobre isso</p><p>que falaremos nesta unidade. Prossiga com a leitura!</p><p>2 ECONOMIA E POLÍTICA: TEMAS DE INTERESSE DE TODA</p><p>A POPULAÇÃO</p><p>Economia e política são temas que são de interesse de toda a população,</p><p>independentemente de classe social, gênero, raça, faixa etária, entre outras</p><p>segmentações. Isso torna essa editoria uma das mais importantes e disputadas pelos</p><p>profissionais que atuam na área.</p><p>No entanto, é comum que grande parte da população encare as seções de</p><p>política e de economia dos jornais como algo moroso para ler ou difícil de entender.</p><p>Isso acontece até mesmo por uma questão de preconceito criado pela sociedade e pela</p><p>própria mídia.</p><p>TÓPICO 1 - UNIDADE 1</p><p>4</p><p>Ao discutir sobre isso, Caldas (2005, p. 9) afirma que:</p><p>Foi por conservadorismo, preconceito, má-fé ou mesmo por pura</p><p>preguiça, que se difundiu um mito segundo o qual as páginas</p><p>de economia dos jornais só interessam e são entendidas por</p><p>circunspectos senhores de paletó e gravata, sejam eles economistas,</p><p>executivos, empresários, técnicos do governo ou profissionais do</p><p>mercado financeiro. O que, de modo algum, é verdade. O que para</p><p>muitos pode parecer apenas um código cifrado, um emaranhado</p><p>hermético de gráficos e números destinado apenas à leitura de</p><p>iluminados e especialista, é de fato um guia de sobrevivência</p><p>indispensável para nossa vida cotidiana: é lá que estão as notícias</p><p>sobre juros e inflação, tarifas públicas e aluguel, golpes e trambiques,</p><p>sobre o preço da carne e do feijão, o emprego perdido e o salário</p><p>reduzido.</p><p>Como bem coloca a autora, tem-se uma ideia de que apenas pessoas estudadas</p><p>ou que ocupam a cargos executivos se interessam por política e economia. Porém, os</p><p>temas que abrangem essas editorias, por intervirem diretamente na vida de todos os</p><p>cidadãos, é de grande interesse da população, de modo geral.</p><p>Nesse sentido, é importante que os repórteres e os jornalistas que atuam nesse</p><p>segmento se aprofundem sobre essa área e saibam como traduzir o “economês” e o</p><p>“politiquês” que ouvem de suas fontes.</p><p>No entendimento de Caldas (2005, p.9), muitas vezes é o próprio jornalista</p><p>que não entende muito de política e economia e acaba reproduzindo jargões técnicos</p><p>reproduzidos pelas fontes que entrevista.</p><p>A autora contesta esse tipo de postura e faz um comparativo do texto jornalístico</p><p>político-econômico com o de outras editorias, como a seção policial e a de esportes.</p><p>Sendo assim, ela afirma que:</p><p>[...] a linguagem jornalística é uma só. O texto sobre o déficit fiscal</p><p>do governo deve ter a mesma simplicidade, objetividade e clareza</p><p>de outro que descreve um confronto entre policiais e traficantes</p><p>na favela ou daquele que narra a súbita disposição de Romário em</p><p>disputar a bola com o adversário. O que muda é apenas o tema. Se o</p><p>leitor não entender o que leu, é porque o jornalista não cumpriu sua</p><p>função básica de informar. Escreveu como se fosse um burocrata e</p><p>não um bom repórter (CALDAS, 2005, p. 9-10).</p><p>A citação de Caldas (2005) faz bastante sentido, principalmente quando o</p><p>jornalista produz conteúdo para jornais ou portais de notícias que são direcionados para</p><p>a população em geral.</p><p>Porém, nem sempre funciona dessa forma! Quando falamos em comunicação</p><p>digital, estamos nos referindo a um imenso universo, que pode abranger conteúdos</p><p>para públicos dos mais segmentados, assim como para diferentes personas.</p><p>5</p><p>Para que você entenda mais sobre o conceito de público-alvo e personas,</p><p>recomendamos que leia o artigo “Descubra o que é buyer persona e quais os 5</p><p>passos essenciais para criar a sua”, escrito por Vitor Peçanha.</p><p>O material está disponível em: https://rockcontent.com/br/blog/personas/.</p><p>Acesso em: 24 nov. 2022.</p><p>DICA</p><p>Sobre essa segmentação de conteúdos, uma das teorias que pode ser analisada</p><p>é a cauda longa, de Chris Anderson, apresentada na Figura 1, a seguir:</p><p>Figura 1 – Representação da cauda longa, de Chris Anderson</p><p>Fonte: https://emgotas.files.wordpress.com/2016/11/cauda-longa-2.jpg. Acesso em: 21 nov. 2022.</p><p>Flores (2018, p. 50) afirma que:</p><p>De acordo com a ideia proposta por esse estudioso [Chris Anderson],</p><p>a cauda longa representa a distribuição de dados de forma similar</p><p>à curva de Pareto, em que os dados são classificados de forma</p><p>decrescente. Assim, os conteúdos desenvolvidos na web, seja de</p><p>cunho informativo, seja de cunho publicitário, podem ser destinados</p><p>a diferentes nichos.</p><p>Em outras palavras, isso quer dizer que, caso você trabalhe para uma revista</p><p>digital, blog ou portal que fale exclusivamente para economistas, por exemplo, pode</p><p>adotar termos mais rebuscados da área. Afinal, o público para o qual o seu conteúdo se</p><p>destina é formado por pessoas com maior interesse e conhecimento nessa área.</p><p>Sendo assim, a “tradução” do “economês” não se torna tão necessária. Pelo</p><p>contrário, se você adotar uma linguagem muito simplista, poderá dar a entender que</p><p>está subestimando a capacidade da sua audiência e acabar afastando o seu público.</p><p>6</p><p>Vamos analisar um exemplo prático? Em outubro de 2022 ocorreram eleições</p><p>presidenciais no Brasil, sendo que o candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi eleito</p><p>para governar o nosso País pela terceira vez na história.</p><p>O viés ideológico dos partidos políticos que compõem a chapa liderada por Lula</p><p>tem uma posição mais voltada para a esquerda e a centro-esquerda. Isso representa o</p><p>oposto das ideologias político-econômicas de Jair Bolsonaro (PL), político direitista, que</p><p>até então era o presidente brasileiro.</p><p>Por conta dessa alternância de poder, é natural que as pessoas se interessem</p><p>pelo cenário econômico do país nos próximos anos. Sendo assim, os jornais e portais</p><p>de notícias se voltaram a ouvir especialistas e nutrir as suas audiências com conteúdos</p><p>de qualidade.</p><p>O InfoMoney é um portal de notícias voltado para pessoas que entendem bem</p><p>sobre economia, que estudaram sobre o tema e que acompanham essas notícias de</p><p>uma forma mais criteriosa.</p><p>Sendo assim, a linguagem adotada pelos jornalistas que escrevem os textos</p><p>para esse veículo pode ser um pouco mais rebuscada e apresentar termos mais técnicos</p><p>da área econômica.</p><p>A seguir, veja um exemplo:</p><p>O texto a seguir foi extraído de uma publicação do portal InfoMoney, na época em que</p><p>estava sendo discutida PEC da Transição, proposta por Lula antes de assumir a Presidência</p><p>da República, em 2023:</p><p>A Selic vai voltar a subir? Com temor sobre PEC da Transição, esperança de corte</p><p>na taxa já em 2023 reduz</p><p>A apresentação da minuta da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Transição</p><p>confirmou as expectativas dos agentes financeiros de que o rombo fiscal fora do teto de</p><p>gastos proposto pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) seria grande – deve alcançar</p><p>em torno de R$ 198 bilhões.</p><p>A proposta prevê “excepcionalizar” do teto</p><p>sobre o que o leitor encontrará ao acessar o link e</p><p>ler o material completo no portal de notícias.</p><p>Também é interessante que os jornalistas incluam hashtags ao término da</p><p>chamada para os conteúdos nas redes sociais. Tratam-se de palavras-chave precedidas</p><p>pelo caractere da cerquilha (#), que se tornam links.</p><p>Como explica Lorraine ([2023], s. p.), “as hashtags ajudam o Instagram e as</p><p>demais redes sociais a organizar e categorizar o conteúdo, direcionando para uma</p><p>página com todos os resultados de postagens que tiveram a mesma hashtag”.</p><p>Veja a Figura 8, a seguir, que traz a publicação de uma notícia na página do</p><p>portal Leouve, no Facebook.</p><p>168</p><p>Fonte: https://www.facebook.com/portalleouve/posts/pfbid024SHbx5XEsXRncLyNH8UtvXN4HPwvJJYi-</p><p>V6Ey5wJssy3e7ku5JRFosSFxTv7CPMKJl. Acesso em: 23 jan. 2023.</p><p>Figura 8 – Publicação no Facebook do portal Leouve</p><p>Como pode ser observado na Figura 8, o portal Leouve publicou no Facebook</p><p>uma matéria com o título “França e Alemanha evitam se comprometer a enviar mais</p><p>tanques para a Ucrânia”.</p><p>Na parte de cima da imagem que ilustra o conteúdo, está um breve resumo que</p><p>diz: “Os chefes dos governos dos dois países, Macron e Scholz, declararam condições</p><p>para envio dos equipamentos, apesar de permanecerem com opiniões convergentes de</p><p>apoio à Kiev. Saiba mais”.</p><p>Abaixo da descrição, há ainda algumas hashtags, como “#França” e “#Alemanha”.</p><p>A ideia é que essas palavras-chave ajudem a distribuir os conteúdos para um maior</p><p>número de leitores.</p><p>Ao clicar em “#França”, por exemplo, o usuário é direcionado para outros</p><p>conteúdos sobre esse assunto publicado na rede social. Usar esse recurso, portanto, é</p><p>uma boa forma de categorizar as publicações e garantir que elas tenham mais audiência.</p><p>169</p><p>Ainda sobre a distribuição de conteúdos nas redes sociais e outras plataformas</p><p>de mídia, os algoritmos têm papel importante. Falaremos mais sobre isso ainda</p><p>nesta unidade. Continue os estudos.</p><p>ESTUDOS FUTUROS</p><p>Cabe lembrar que novas redes sociais surgem com frequência. O mesmo vale</p><p>para novas funcionalidades e ferramentas nas plataformas já existentes. Por isso, é</p><p>importante que os jornalistas acompanhem as novas tecnologias e saibam como utilizá-</p><p>las de forma efi ciente para desenvolver, publicar e distribuir conteúdos.</p><p>2.6 CONTEÚDOS EVERGREEN</p><p>Embora a política e a economia sejam temas cujas notícias se renovam o tempo</p><p>todo, os jornalistas também podem produzir conteúdos evergreen para essas editorias.</p><p>Para explicar esse conceito, Peçanha (2017, p. 123) faz um comparativo entre pautas</p><p>quentes e pautas frias. Veja:</p><p>No jornalismo, as pautas podem ser classifi cadas em frias e quentes.</p><p>Pautas quentes são aquelas que têm alguma relação com o que</p><p>está acontecendo agora e perdem valor se não virarem notícias</p><p>rapidamente. Essas pautas incluem sobretudo notícias sobre fatos</p><p>novos, como a prisão de algum político por uma operação da Polícia</p><p>Federal ou um acidente de avião. Se notícias desse tipo demorarem</p><p>para serem publicadas, não terão mais valor, pois as pessoas já</p><p>saberão do acontecido, e ninguém estará interessado em ler sobre</p><p>isso uma semana depois.</p><p>Já as pautas frias são aquelas que podem ser publicadas a qualquer</p><p>momento e, caso necessário, podem fi car guardadas na gaveta até</p><p>que surja uma real demanda por elas. Essas pautas são, por exemplo,</p><p>um guia turístico de alguma cidade, uma receita para acordar mais</p><p>cedo ou dicas para manter sua casa organizada. Não faz muita</p><p>diferença se essas pautas forem publicadas hoje, amanhã ou daqui a</p><p>um mês, pois ainda serão relevantes de alguma maneira. Ao contrário</p><p>de pautas quentes, que precisam ser apuradas com rapidez, as pautas</p><p>frias podem levar mais tempo para serem pesquisadas (PEÇANHA,</p><p>2017, p. 123).</p><p>Considerando o que foi explicado por Peçanha (2017), analise a Figura 9, a seguir,</p><p>que traz uma publicação no Instagram, que direciona para o blog da infl uenciadora</p><p>digital Nath Finanças.</p><p>170</p><p>Fonte: https://www.instagram.com/p/CSp5lvAFW8o/. Acesso em: 25 jan. 2023.</p><p>Figura 9 – Publicação no Instagram da influenciadora digital Nath Finanças</p><p>A publicação da Figura 9 traz a seguinte manchete: “Entenda a diferença entre</p><p>CDB e CDI no mundo dos investimentos”. O conteúdo apresentado pela influenciadora</p><p>é uma pauta de economia e que pode muito bem ter sido produzido por um jornalista</p><p>especializado.</p><p>Ele é um claro exemplo de um conteúdo evergreen, ou seja, que está sempre</p><p>verde. Isso porque as diferenças entre CDB e CDI não mudam de um dia para o outro, de</p><p>modo que a publicação seguirá relevante por muito tempo, quiçá por anos.</p><p>Uma pessoa interessada em começar a investir o seu dinheiro pode ler esse</p><p>conteúdo hoje, enquanto outra, amanhã, daqui a um mês, daqui a um ano, entre outras</p><p>possibilidades. Em todos esses momentos, o material será relevante para o leitor.</p><p>Atualmente, é grande a demanda por jornalistas como redatores de conteúdo</p><p>para blogs de empresas e portais especializados. Então, se você pensa em trabalhar</p><p>nesse segmento, é importante dominar o conceito e as técnicas que envolvem a</p><p>produção de materiais evergreen.</p><p>Trevisan (2021, p. 93) explica que “o conteúdo evergreen tende a agregar valor</p><p>à página, conferindo autoridade a uma marca, empresa, produto ou serviço, gerando</p><p>backlinks, atraindo visitantes orgânicos por meio dos motores de busca e apoiando a</p><p>segmentação dos contatos gerados (leads)”.</p><p>171</p><p>De tal forma, na visão da autora, é comum que empresas que investem em</p><p>marketing de conteúdo apostem na produção de materiais evergreen.</p><p>O jornalista de política e economia, portanto, pode trabalhar nessa área sendo</p><p>editor, produtor de conteúdo exclusivo ou freelancer de organizações que demandam</p><p>esse tipo de produção.</p><p>Abaixo, veja algumas estratégias que podem ser úteis para produzir conteúdos</p><p>evergreen no campo da política e da economia:</p><p>1. Foco em questões fundamentais: enfoque em questões e conceitos básicos</p><p>relacionados a política e economia, como os princípios da democracia, a estrutura do</p><p>sistema financeiro global ou o funcionamento da política fiscal.</p><p>2. Análise histórica: aborde questões políticas e econômicas a partir de uma</p><p>perspectiva histórica, examinando como as questões evoluíram ao longo do tempo e</p><p>quais lições podem ser aprendidas com o passado.</p><p>3. Enfoque em tendências a longo prazo: em vez de se concentrar apenas nas</p><p>notícias de última hora, aborde questões relevantes para política e economia a partir</p><p>de uma perspectiva de longo prazo, examinando as tendências e desenvolvimentos</p><p>futuros.</p><p>4. Exploração de questões universais: aborde questões relacionadas a política e</p><p>economia que são relevantes para a humanidade como um todo, como a equidade</p><p>econômica, a justiça social e a proteção do meio ambiente.</p><p>Além disso, é importante que os jornalistas de política e economia garantam</p><p>que seus conteúdos evergreen sejam atualizados regularmente com as informações</p><p>mais recentes e precisas, para que continuem sendo relevantes para os leitores.</p><p>Uma das principais vantagens do jornalismo on-line é que as publicações</p><p>podem ser revisitadas e modificadas a qualquer momento. Logo, ao produzir conteúdo</p><p>evergreen, pode-se otimizar os conteúdos e, dessa forma, garantir que eles sejam</p><p>“renovados”, para que continuem relevante para os leitores.</p><p>Para saber mais sobre atualização de conteúdos, leia o artigo “Melhore seus</p><p>rankings e multiplique o seu tráfego com a Atualização de Conteúdo”, escrito</p><p>por Renato Mesquita para o blog da Rock Content.</p><p>Disponível em: https://rockcontent.com/br/blog/atualizacao-de-conteudo/.</p><p>Acesso em: 11 fev. 2023.</p><p>DICA</p><p>172</p><p>Em geral, a produção de conteúdos evergreen é uma forma importante de</p><p>fortalecer a posição de um jornalista como fonte de informação confiável e de oferecer</p><p>aos leitores informações úteis e relevantes, independentemente do tempo.</p><p>2.7 CONTEÚDOS TRANSMÍDIA</p><p>Com a proliferação da internet e das mídias digitais, a produção de conteúdos</p><p>transmídia se tornou uma realidade. Esse tipo de material é aquele</p><p>que ultrapassa uma</p><p>única mídia para contar a mesma história.</p><p>Como explica Gabriel (2010, p. 110), “transmídia é o uso integrado das mídias, de</p><p>forma que uma mensagem ultrapasse os limites de um único meio”. A autora também</p><p>comenta que isso não é necessariamente algo novo e que já ocorria com as mídias</p><p>tradicionais. Porém, atualmente tudo é mais espontâneo.</p><p>Oliveira (2021, p. 55) complementa, dizendo que “as novas mídias se destacam</p><p>por apresentar recursos linguísticos de contato, interação e persuasão, contemplando</p><p>uma experiência mista entre aspectos racionais e emocionais.</p><p>O autor também comenta que “esse contexto é conhecido como convergência</p><p>midiática, termo cunhado por Jenkins (2009) para retratar o panorama das mídias</p><p>tradicionais (jornal, rádio, televisão) que convergem para o meio digital, ou seja,</p><p>reúnem-se em uma única plataforma com múltiplos meios, construindo uma narrativa</p><p>transmidiática” (OLIVEIRA, 2021, p. 55).</p><p>As narrativas transmídias podem ser muito exploradas nas editorias de política</p><p>e economia dos veículos de comunicação, principalmente na cobertura de eventos da</p><p>área.</p><p>Nas eleições presidenciais de 2022, isso ficou muito evidente nos debates</p><p>promovidos pelos grandes grupos de comunicação.</p><p>173</p><p>Fonte: https://www.poder360.com.br/eleicoes/lula-e-bolsonaro-se-enfrentam-no-1o-debate-de-2022/.</p><p>Acesso em: 25 jan. 2023.</p><p>Figura 10 – Candidatos à Presidência da República em debate promovido pela Band</p><p>No dia 28 de agosto de 2022, o Grupo Bandeirantes de Comunicação reuniu</p><p>pela primeira vez os candidatos à presidência da república daquele ano para um</p><p>debate eleitoral. Além da Band, outros canais digitais do grupo e plataformas de mídia</p><p>transmitiram o evento.</p><p>Na ocasião, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Jair Bolsonaro (PL), Ciro Gomes (PDT),</p><p>Simone Tebet (PMDB), Felipe D’Avila (Novo) e Soraya Thronicke (União Brasil) debateram</p><p>sobre assuntos importantes para a população brasileira e apresentaram suas ideias e</p><p>propostas para o plano de governo, caso fossem eleitos.</p><p>O evento televisivo produzido pela Band é um claro exemplo de conteúdo</p><p>transmídia de jornalismo político. Isso porque, além do debate ao vivo pela televisão, a</p><p>emissora fez uma parceria com o Google, com o YouTube e com a empresa Vibra Digital</p><p>para formar uma sala digital.</p><p>Na ocasião, a head de tecnologia da empresa Vibra Digital, Ticiani Aguiar</p><p>Almeida, declarou em entrevista à Band RN: “as pessoas vão poder acompanhar os</p><p>dados de buscas em tempo real e como cada candidato está reagindo, procurando ou</p><p>informações que estão sendo discutidas no evento”.</p><p>Ela também comentou: “estamos monitorando 262 temas diferentes, temos</p><p>mais de 100 visualizações disponíveis para as pessoas consultarem. Além dessa</p><p>experiência de estar fisicamente na sala digital com os convidados e jornalistas, vamos</p><p>disponibilizar para o usuário acompanhar no Band.com.br”.</p><p>174</p><p>Basicamente, a sala digital da Band trazia os principais temas do debate, que</p><p>estavam sendo buscados no Google e nas redes sociais. Sendo assim, nos intervalos do</p><p>programa, jornalistas e convidados discutiam os dados e faziam análises dos cenários e</p><p>reações dos eleitores em tempo real.</p><p>Tudo isso era atualizado constantemente nas redes sociais do grupo</p><p>Bandeirantes e no portal da emissora em tempo real.</p><p>Assista alguns trechos do debate presidencial da Band em 2022 e veja como a</p><p>integração entre TV, redes sociais e outras mídias ocorreu na transmissão do</p><p>evento .</p><p>Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=WwdgWl_nmKI. Acesso em:</p><p>25 jan. 2023</p><p>DICA</p><p>Acadêmico, apresentamos, aqui, alguns dos principais formatos de conteúdo</p><p>que podem ser desenvolvidos no jornalismo político e econômico.</p><p>Mas, você já parou para pensar na importância de apostar em tantas abordagens</p><p>para repassar as informações? Esse é o assunto que abordaremos em nosso próximo</p><p>tópico. Então, dê um rápido respiro e continue os seus estudos!</p><p>3 A IMPORTÂNCIA DE ABORDAR POLÍTICA E ECONOMIA</p><p>EM DIFERENTES FORMATOS</p><p>Acadêmico, no tópico anterior, apresentamos uma série de formatos em que</p><p>podem ser desenvolvidos conteúdos nas editorias de política e economia dos veículos</p><p>de comunicação.</p><p>Agora, vamos estudar a importância de o jornalista ser tão plural e produzir</p><p>conteúdos para toda essa variedade de mídias.</p><p>Uma das razões para isso é fazer com que as matérias, as reportagens e outras</p><p>produções repercutam entre um grupo maior de pessoas, fazendo com que a audiência</p><p>desenvolva uma consciência política. Nos próximos tópicos, nos debruçaremos sobre</p><p>esses temas. Acompanhe!</p><p>175</p><p>3.1 MÍDIA, DEMOCRACIA E OPINIÃO PÚBLICA</p><p>Romais (2001, p. 51) define a democracia como um conjunto de direitos e</p><p>responsabilidades que os cidadãos têm em uma economia capitalista. Sendo assim, o</p><p>autor acredita que as mídias têm um importante papel para que um regime democrático</p><p>se estabeleça.</p><p>Nas palavras do autor: “os meios de comunicação de massa desempenham</p><p>um papel crucial no moderno processo político, porque todas as formas de democracia</p><p>exigem alguma comunicação mediada com a massa para obter aprovação” (ROMAIS,</p><p>2001, p. 51-52).</p><p>Em outras palavras, para que um determinado candidato ou partido político</p><p>consiga vencer as eleições e chegar ao poder, por exemplo, é necessário conquistar</p><p>a aprovação da opinião pública. Em um processo democrático, as mídias funcionam</p><p>como um canal que leva informação até os cidadãos, que formam as suas consciências</p><p>a partir dos fatos apresentados.</p><p>Porém, como analisa Juski (2020, p. 64-65):</p><p>Os meios de comunicação não são os responsáveis pela opinião</p><p>pública em si, mas possuem grande influência sobre os assuntos a</p><p>serem pautados nas discussões dos indivíduos e, em geral, também</p><p>representam a principal fonte de informações e argumentos sobre</p><p>esses temas, o que justifica a importância indiscutível atribuída a eles</p><p>na formação da opinião pública (JUSKI, 2020, p. 64-65).</p><p>É aí que entra a importância de os veículos de comunicação serem imparciais</p><p>e apresentarem os fatos livres de amarras políticas e com uma visão mais plural. Uma</p><p>emissora de televisão, ao menos na teoria, não deveria tomar partido e “manipular” as</p><p>informações para que elas favoreçam um determinado candidato ou partido político,</p><p>por exemplo.</p><p>Em uma democracia, o ideal seria que as mídias apresentassem os fatos de</p><p>forma imparcial, para que os leitores ou espectadores pudessem formar a sua opinião</p><p>acerca de determinado assunto e, assim, tomar as suas iniciativas e posicionamentos</p><p>políticos.</p><p>O que não falta, no entanto, são momentos na história da comunicação em</p><p>que fatos foram destorcidos para manipular a opinião pública. Um dos casos mais</p><p>conhecidos disso foi trazido na seção “Leitura complementar”, da Unidade 2 deste livro,</p><p>que fala sobre a manipulação feita pela Globo para que o ex-presidente Fernando Collor</p><p>se saísse melhor do que o concorrente Lula em um debate das eleições de 1989.</p><p>176</p><p>José Bonifácio Sobrinho, mais conhecido como Boni, que por muitos anos foi</p><p>diretor da Rede Globo, já assumiu publicamente a manipulação do dito debate. Como</p><p>expõe uma matéria do portal Adnews (2016, s. p.), o executivo declarou em um livro:</p><p>Eu achei que a briga do Collor com o Lula nos debates estava</p><p>desigual, porque o Lula era o povo e o Collor era a autoridade. Então</p><p>nós conseguimos tirar a gravata do Collor, botar um pouco de suor</p><p>com uma “glicerinazinha” e colocamos as pastas todas que estavam</p><p>ali com supostas denúncias contra o Lula – mas as pastas estavam</p><p>inteiramente vazias ou com papéis em branco (ADNEWS, 2016, s. p.).</p><p>Outro fato conhecido e envolvendo um grande nome da comunicação brasileira</p><p>está relacionado com a concessão do SBT, atualmente a segunda maior emissora de</p><p>televisão no Brasil.</p><p>Fonte: https://www.sbt.com.br/variedades/sbt-na-web/fiquepordentro/113017-o-inicio-de-tudo-relembre-</p><p>-detalhes-da-assinatura-da-concessao-do-sbt. Acesso em: 28 jan. 2023.</p><p>Figura 11 – Apresentador Silvio Santos assinando a concessão do SBT, em Brasília, no ano de 1981</p><p>No início da década de 1980, em plena ditadura militar, o apresentador Silvio</p><p>Santos conseguiu convencer os militares a darem a ele a concessão de uma emissora de</p><p>TV. O principal argumento usado pelo animador era o de que os programas da emissora</p><p>fariam um jornalismo “chapa branca”, sem fazer denúncias ou críticas ao governo, ao</p><p>mesmo tempo em que teria o principal foco nos programas populares, que tirariam da</p><p>audiência o foco dos fatos importantes que aconteciam no país.</p><p>Não por acaso, Silvio Santos criou marchinhas para o seu famoso programa</p><p>dominical, com frases como: “o Figueiredo é coisa nossa”, exaltando o ditador João</p><p>Figueiredo, então presidente do Brasil.</p><p>177</p><p>Além disso, por muitos anos, o SBT produziu o programa Semana do Presidente,</p><p>que consistia em apresentar as atividades realizadas pelo presidente na república,</p><p>sempre de forma amena, propagandística e sem fazer qualquer crítica.</p><p>A série O Rei da TV conta a história do apresentador e empresário Silvio Santos,</p><p>mostrando diversas passagens de sua vida.</p><p>Em um dos episódios, o seriado dramatiza o momento em que Silvio Santos</p><p>precisou convencer os censores militares de que deveria ganha a concessão</p><p>de uma emissora de TV.</p><p>O Rei da TV está disponível na plataforma Star+: https://www.starplus.com/pt-</p><p>br/series/o-rei-da-tv/49yMuxeOUgSL. Acesso em: 28 jan. 2023.</p><p>Assista a um episódio do programete Semana do Presidente, exibido pelo SBT</p><p>em 1992, acompanhando uma semana do ex-presidente Fernando Collor.</p><p>Observe como o programa exalta o político e não faz qualquer tipo de crítica</p><p>ou propõe algum questionamento sobre as atividades realizadas por ele. Pelo</p><p>contrário, a abordagem é em tom laudatório.</p><p>Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=N2hnO2vtRBo. Acesso em:</p><p>28 jan. 2023 .</p><p>DICA</p><p>DICA</p><p>Por conta de situações como as anteriormente apresentadas, em 2001, o</p><p>professor Astomiro Romais teceu críticas sobre a forma como os processos políticos</p><p>são apresentados nas mídias de comunicação de massa. Em um artigo, ele declarou o</p><p>seguinte:</p><p>Numa democracia participativa, o acesso e o controle sobre os</p><p>processos de produção da mídia por parte do público tornam-</p><p>se uma dimensão vital da participação política. Num quadro de</p><p>fragilização das estruturas públicas como hoje vivemos, o grande</p><p>conjunto de reinvindicações populares fica órfão, sem a defesa das</p><p>entidades historicamente representativas. E quem assume esse</p><p>papel, então, é a mídia – uma instituição privada com fins lucrativos,</p><p>desempenhando o papel que pertenceu no passado às instituições</p><p>de pressão, como se ela, a mídia, fosse de fato seu portador histórico</p><p>e legítimo (ROMAIS, 2001, p. 52).</p><p>178</p><p>Como foi realizado em 2001, quando a internet ainda não tinha a força que tem</p><p>hoje e era uma realidade na vida de pouquíssimas pessoas, tal comentário até poderia</p><p>fazer sentido. Mas, atualmente, acadêmico, você acredita que a mídia ainda tem esse</p><p>poder de manipulação tão grande?</p><p>Afinal, como já vimos em estudos anteriores, a internet proporcionou que</p><p>vários veículos de comunicação não tradicionais surgissem. Hoje, as informações são</p><p>abordadas por diferentes vieses, apresentam diferentes pontos de vista e isso é muito</p><p>interessante para que a população tenha uma ampla diversidade de conteúdo para</p><p>formar a sua opinião.</p><p>É claro que a internet também trouxe novos problemas envolvendo a mídia,</p><p>a democracia e a opinião pública, como as “bolhas” e a disseminação de fake news.</p><p>Porém, de modo geral, podemos concluir que ela tornou o acesso à informação mais</p><p>democrático e, se bem utilizada, pode ser de grande serventia para que tenhamos</p><p>cidadãos mais críticos e com uma visão ampla da realidade que os cerca.</p><p>3.2 OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO COMO FORMADORES DA</p><p>CONSCIÊNCIA POLÍTICA E ECONÔMICA DA POPULAÇÃO</p><p>Os meios de comunicação, como você já deve ter estudado, são os instrumentos</p><p>que transmitem informações e ideias, além de gerar conexão entre as pessoas. Eles</p><p>têm um grande poder na formação da opinião política e da consciência econômica da</p><p>população.</p><p>Como explica Juski (2020, p. 59), “atualmente, a opinião pública é um processo</p><p>social construído em conjunto com base nas informações e nas pautas levantadas pelos</p><p>meios de comunicação de massa e pelos canais de comunicação digitais, em especial,</p><p>pelas mídias sociais”.</p><p>Daí vem a importância de os jornalistas saberem trabalhar com diferentes mídias</p><p>e produzir conteúdos relevantes para todas elas. É a partir da produção para os meios</p><p>de comunicação que os profissionais darão subsídios para que os diferentes perfis de</p><p>leitores e/ou espectadores formem as suas próprias opiniões sobre os fatos políticos e</p><p>econômicos do país e do mundo.</p><p>Atualmente, há várias mídias que podem ser exploradas pelos jornalistas de</p><p>política e economia. Nesse sentido, é interessante analisarmos uma pesquisa realizada,</p><p>em 2021, pelo Instituto PoderData, que analisou os principais meios que os brasileiros</p><p>usam para se informar.</p><p>179</p><p>Fonte: https://www.poder360.com.br/midia/internet-e-principal-meio-de-informacao-para-43-tv-e-prefe-</p><p>rida-de-40/. Acesso em: 28 jan. 2023 .</p><p>Figura 12 – Infográfico com resultados de pesquisa realizada pelo PoderData</p><p>Na Figura 12, você pode analisar os dados levantados pelo PoderData, no que</p><p>se refere aos principais meios que os brasileiros usam para se informar. A pesquisa</p><p>concluiu que a maioria das pessoas (43%) obtém as informações pela internet, sendo</p><p>22% por meio das redes sociais e 21% por sites e portais de notícias.</p><p>A televisão ocupa a segunda colocação, tendo sido mencionada como fonte</p><p>principal de informação por 40% dos entrevistados. Já o rádio é o meio de comunicação</p><p>preferido de 7% dos entrevistados.</p><p>Entre os respondentes, 8% dos entrevistados disseram ainda preferir se informar</p><p>por outros meios, que podem incluir jornais e revistas impressos, por exemplo. Já 2%</p><p>dos entrevistados optaram por não responder à pergunta.</p><p>180</p><p>Fonte: https://www.poder360.com.br/midia/internet-e-principal-meio-de-informacao-para-43-tv-e-prefe-</p><p>rida-de-40/. Acesso em: 28 jan. 2023 .</p><p>Figura 13 – Infográfico com resultados de pesquisa realizada pelo PoderData</p><p>181</p><p>Na Figura 13, você pode perceber outro recorte da pesquisa realizada pelo</p><p>PoderData, considerando pontos como o gênero, a idade, a região e a escolaridade dos</p><p>entrevistados.</p><p>A pesquisa concluiu que as redes sociais são a fonte de informação mais</p><p>frequente para 35% dos jovens com idades entre 16 e 24 anos. Já a TV é o meio de</p><p>comunicação preferido das pessoas com mais de 65 anos, alcançando 65% das</p><p>menções desse grupo de entrevistados.</p><p>Já no que se refere à escolaridade, as pessoas que estudaram até o ensino</p><p>fundamental preferem se informar pela TV (59%). Já os indivíduos que cursaram o ensino</p><p>médio preferem as redes sociais (35%). Finalmente, temos os cidadãos que concluíram</p><p>o ensino superior, que preferem se informar por sites e portais na internet (51%).</p><p>Para os jornalistas e produtores de conteúdo, de modo geral, a pesquisa</p><p>realizada pelo PoderData é muito interessante. Ela pode servir, por exemplo, para que um</p><p>grupo de comunicação possa dividir as pautas entre as mídias trabalhadas, de acordo</p><p>com o seu perfil de público. Dessa forma, conseguirá atingir a audiência esperada com</p><p>maior precisão e contribuir para a formação da opinião pública e o cumprimento da</p><p>democracia.</p><p>Como jornalista, você deve lembrar sempre que os meios de comunicação</p><p>desempenham um papel importante na formação da consciência política e econômica</p><p>da população. Como fontes de informação, eles influenciam a opinião pública, ajudando</p><p>as pessoas a compreender questões políticas e econômicas complexas e a formar suas</p><p>próprias opiniões.</p><p>No entanto, é importante que os meios de comunicação mantenham uma</p><p>postura ética e objetiva na cobertura de questões políticas e econômicas. O jornalismo</p><p>deve buscar fornecer informações precisas e equilibradas, sem distorções ou vieses</p><p>políticos, a fim de ajudar a formar uma opinião pública bem-informada e crítica.</p><p>Em resumo, os meios de comunicação desempenham um papel crucial na</p><p>formação da consciência política e econômica da população, mas é importante que</p><p>eles mantenham padrões éticos e objetivos na cobertura de questões complexas e</p><p>significativas.</p><p>3.3 O PAPEL DOS ALGORITMOS NA DISTRIBUIÇÃO DE</p><p>CONTEÚDOS NA INTERNET</p><p>Acadêmico, durante o curso de Jornalismo Digital ou até mesmo em suas</p><p>pesquisas particulares, pode ser que você já tenha ouvido falar no livro Sobre a Televisão,</p><p>escrito pelo renomado sociólogo francês Pierre Bourdieu.</p><p>182</p><p>Nessa obra, Bourdieu faz uma série de críticas aos jornalistas, principalmente</p><p>aqueles que trabalham com televisão. O sociólogo aponta que muitas das notícias</p><p>veiculadas na TV de nada acrescentam à vida do telespectador e servem apenas para</p><p>entreter e não informar.</p><p>Bourdieu faleceu em 2002, ou seja, há mais de 20 anos, quando a internet não</p><p>era ainda nem sombra do que é hoje. Então, se o sociológico já criticava a TV, é bem</p><p>provável que, se vivesse nos dias de hoje, também teceria duras críticas aos meios de</p><p>comunicação digitais.</p><p>Afinal, com o grande número de portais de notícias que surgiram, assim como</p><p>páginas de informações nas redes sociais, também cresceu a produção jornalística</p><p>como um entretenimento.</p><p>Um caso que virou meme e, até hoje, é lembrado envolve o cantor Caetano</p><p>Veloso, que, em 2011, estampou uma manchete do portal Terra que dizia: “Caetano</p><p>estaciona carro no Leblon nesta quinta-feira”, como mostra a Figura 14, a seguir.</p><p>Fonte: https://www.terra.com.br/diversao/gente/caetano-estaciona-carro-no-leblon-nesta-quinta-fei-</p><p>ra,41d3399ae915a310VgnCLD200000bbcceb0aRCRD.html. Acesso em: 28 jan. 2023 .</p><p>Figura 14 – Publicação da editoria “Famosos”, do portal Terra</p><p>183</p><p>No entendimento de Bourdieu (1997), conteúdos rasos como esses contribuem</p><p>para a formação do que ele chama de fast-thinkers, ou seja, pensadores acelerados. O</p><p>sociólogo criticava a televisão por produzir esse tipo de conteúdo, que traz ideias feitas</p><p>ou assuntos banais, para que o telespectador não possa se aprofundar no pensamento</p><p>político.</p><p>Independentemente de você concordar ou não com as críticas de Bourdieu,</p><p>como um profissional da comunicação, é preciso que você entenda que existem</p><p>“momentos e momentos” na produção e também no consumo de conteúdos.</p><p>Não é porque um indivíduo acompanha páginas de fofocas de celebridades no</p><p>Instagram em um momento, que ele não terá interesse em ler notícias sobre a política e</p><p>a economia do país e do mundo em outro, por exemplo.</p><p>As pessoas têm diferentes interesses e também querem (e precisam)</p><p>acompanhar notícias mais leves, consumir conteúdos de entretenimento, acompanhar</p><p>produções artísticas etc.</p><p>Para muitos pensadores e pesquisadores, no entanto, o problema está quando</p><p>as pessoas deixam de acompanhar as notícias relevantes para a sua formação crítica</p><p>como cidadão e passam a vivenciar apenas um “mundo de ilusões”, com ideias prontas</p><p>e superficiais, formando “bolhas” que ameaçam até mesmo o sistema democrático em</p><p>que vivemos.</p><p>Quando Bourdieu escreveu Sobre a Televisão, a mídia tinha um modelo mais</p><p>tradicional, com as empresas jornalísticas tendo o poder sobre a produção e a distribuição</p><p>das notícias. Tudo isso, é claro, tendo como base um modelo de financiamento que</p><p>envolvia a venda de espaços publicitários.</p><p>Embora isso ainda exista e os canais de mídia mais tradicionais, como as</p><p>emissoras de TV, ainda tenham muita força, no jornalismo digital, as coisas funcionam</p><p>de forma um pouco diferente.</p><p>Na internet, principalmente nas redes sociais, cada vez mais a distribuição de</p><p>conteúdo é feita com o auxílio de algoritmos. Patel ([2023], s. p.) explica que, embora</p><p>os preceitos dos algoritmos tecnológicos sejam parecidos com os da matemática, eles</p><p>têm como principal objetivo receber valores de entrada e produzir valores de saída. Nas</p><p>palavras do autor:</p><p>Em seu conceito original, um algoritmo é uma sequência de regras</p><p>que têm como finalidade solucionar problemas. Ou seja, são passos</p><p>esquemáticos que realizam uma tarefa. Na matemática, são utilizados</p><p>como uma maneira alternativa para realizar cálculos. Porém, ao</p><p>transferirmos o conceito para a tecnologia da informação, ele foi</p><p>ressignificado. Embora o preceito seja semelhante, um algoritmo</p><p>tecnológico realiza ações automatizadas recebendo valores de</p><p>entrada e produzindo valores de saída (PATEL, [2023], s. p.).</p><p>184</p><p>Para exemplificar como isso funciona, Patel cita o Googlebot, algoritmo do</p><p>Google. É esse o bot que responde as dúvidas dos internautas quando eles fazem</p><p>pesquisas no site de buscas. Além disso, eles foram o ranking de páginas que são</p><p>mostradas como resultado para o internauta.</p><p>Entre os fatores de ranqueamento que tornam um conteúdo mais ou menos</p><p>relevante do que o outro está a ocorrência de palavras-chave, meta-tags, uso de links</p><p>internos e externos no texto e por aí vai.</p><p>A esses itens chamamos de estratégias de SEO, que atualmente são essenciais</p><p>para que jornalistas de política, economia e demais editorias consigam fazer com que</p><p>os seus conteúdos sejam ranqueados em posições mais privilegiados nos mecanismos</p><p>de buscas.</p><p>Entender sobre SEO é uma necessidade para os jornalistas na era digital. Então,</p><p>recomendamos que você leia o artigo “SEO para jornalistas: como aplicar as</p><p>melhores práticas de otimização no site ou portal de comunicação?”, escrito</p><p>por Camila Casarotto para o Rock Content Blog.</p><p>Disponível em: https://rockcontent.com/br/blog/seo-para-jornalistas/. Acesso</p><p>em 29 jan. 2023.</p><p>DICA</p><p>O Facebook, uma das redes sociais mais utilizadas em todo o mundo, também</p><p>utiliza algoritmos para distribuir as publicações na timeline dos usuários. Nessa mídia, a</p><p>tecnologia utilizada para distribuir conteúdos entre usuários se chama EdgeRank.</p><p>Porto (2014, p. 81) explica que “o EdgeRank conta pontos a partir de cada</p><p>interação sua com determinado conteúdo”. Ou seja, se um usuário curte, comenta,</p><p>compartilha ou interage de alguma outra forma com as publicações das matérias de um</p><p>portal de notícias no Facebook, o algoritmo entenderá que aquele conteúdo é relevante</p><p>para ele. Sendo assim, dará prioridade para mostrar tais conteúdos, em detrimento de</p><p>outros.</p><p>185</p><p>Figura 15 – Fórmula do algoritmo EdgeRank</p><p>FONTE: https://www.mlabs.com.br/blog/edgerank-facebook. Acesso em: 29 jan. 2023.</p><p>A Figura 15 mostra a fórmula que o algoritmo EdgeRank usa para distribuir</p><p>conteúdos aos usuários do Facebook. Nela, são consideradas três variáveis:</p><p>• Afinidade (u): “é construída por repetidas interações com os edges da marca, ou seja,</p><p>com o conteúdo que a empresa posta no Facebook (comentar, curtir, compartilhar,</p><p>clicar, visualizar fotos ou vídeos)” (PORTO, 2014, p. 82).</p><p>• Peso (w): “diz respeito ao tipo de interação que a pessoa tomou frente ao seu</p><p>conteúdo. Para o Facebook, há mais engajamento do usuário ao comentar, o que</p><p>leva mais tempo, do que simplesmente clicar em curtir” (PORTO, 2014, p. 82).</p><p>• Tempo (d): “quanto mais tempo de publicação o conteúdo possui, ou seja, quanto</p><p>mais antigo for, menor será o valor dado ao engajamento com ele” (PORTO, 2014, p.</p><p>82).</p><p>Porto (2014, p. 81) também alerta que, “assim como o algoritmo do Google,</p><p>o Facebook não revela quais os valores de cada elemento, senão ficaria muito fácil</p><p>manipular e conseguir sempre aparecer no feed de notícias dos usuários”.</p><p>Da mesma forma que o Google e o Facebook, mídias como o Twitter, o Instagram,</p><p>o Tik Tok, entre outras também têm os seus algoritmos para distribuir conteúdos. Porém,</p><p>não cabe agora explicarmos cada uma delas, mas sim falar sobre os efeitos que elas</p><p>causam na distribuição de conteúdos jornalísticos, principalmente nas editorias de</p><p>política e economia, que é o foco desta disciplina.</p><p>Para que você conheça mais sobre os algoritmos das principais redes sociais,</p><p>recomendamos a leitura do artigo “4 tipos de algoritmos das redes sociais que</p><p>você precisa conhecer”, escrito por Damaris dos Anjos, para o portal Marketeiro</p><p>Confesso.</p><p>Disponível em: https://marketeiroconfesso.com.br/blog/4-tipos-de-algoritmos-</p><p>das-redes-sociais-que-voce-precisa-conhecer. Acesso em: 29 jan. 2023.</p><p>DICA</p><p>186</p><p>O fato é que os algoritmos têm mudado a forma como as pessoas têm acesso</p><p>aos conteúdos jornalísticos. Por conta da personalização das plataformas, estão</p><p>surgindo “bolhas”. Ou seja, os usuários só recebem notícias com temáticas com as</p><p>quais eles se identificam, não permitindo que eles tenham uma visão ampla sobre os</p><p>acontecimentos, tampouco possam analisar diferentes opiniões.</p><p>Como comenta Forechi (2019, p. 208) estamos entrando em uma</p><p>espécie de ditadura do algoritmo, o que pode ser bastante danoso</p><p>para a sociedade, principalmente quando falamos na questão</p><p>política. Nas palavras da autora:</p><p>A personalização de conteúdo é uma realidade que cria as bolhas que nos</p><p>permitem acesso àquilo que nos interessa e que está de acordo com nossas crenças.</p><p>Isso não ocorre apenas com a publicidade e o marketing digital, mas também com todo</p><p>tipo de informação que recebemos. Logo, não são apenas empresas anunciantes que</p><p>se beneficiam da ação dos algoritmos; o mundo das notícias é afetado por essa lógica,</p><p>que alguns chamam de ditadura do algoritmo (FORECHI, 2019, p. 208).</p><p>O portal Infoamazonia fez uma reportagem muito interessante sobre esse</p><p>assunto. A publicação reuniu dados de um estudo feito pelo instituto PlenaMata, que</p><p>analisou mais de 950 mil tuítes com temática ambiental entre agosto e outubro de 2022.</p><p>A ideia do estudo era mostrar como apoiadores do então presidente Jair</p><p>Bolsonaro debatiam apenas entre eles, sem sair da própria “bolha”. Ou seja, por conta</p><p>dos algoritmos, esses usuários do Twitter, que foi o canal usado para a análise, recebiam</p><p>e comentavam apenas conteúdos que iam ao encontro da ideologia que eles defendiam.</p><p>Figura 16 – Representação da engrenagem da “Bolhanaro”, publicada pelo portal Infoamazonia</p><p>FONTE: https://infoamazonia.org/2022/10/26/bolhanaro-97-das-interacoes-de-apoiadores-de-bolsonaro-</p><p>-nas-redes-sociais-ocorrem-sem-sair-da-propria-bolha/. Acesso em: 29 jan. 2023.</p><p>187</p><p>Usando a Gephi, uma ferramenta que calcula a proximidade entre perfis a</p><p>partir de suas interações, organizando-os em grupos, o Infoamazonia produziu a</p><p>representação da Figura 16.</p><p>Na imagem, a “bolhanaro”, nome que os jornalistas do portal deram à “bolha” dos</p><p>apoiadores de Jair Bolsonaro, foi representada na cor laranja. Já o “lulaverso”, que são</p><p>os perfis que se identificam com as ideologias defendidas por Lula, foi representado na</p><p>cor rosa.</p><p>Os “amigos do ambiente”, que foi o nome dado aos especialistas em ecologia,</p><p>meio ambiente, apoiadores da causa ambiental, entre outros, foram representados na</p><p>cor verde.</p><p>Sendo assim, ao observar a Figura 16, você percebe que a cor laranja pouco se</p><p>mistura aos pontos rosa e verde, mantendo-se muito distante deles, inclusive. Como</p><p>explica a própria reportagem: “ela (a ‘bolha’ bolsonarista) aparece quase perfeitamente</p><p>esférica porque a esmagadora maioria das interações ocorre dentro dela própria”. Ou</p><p>seja, por conta dos algoritmos, os usuários do Twitter que se identificam com Bolsonaro</p><p>formaram uma visão própria sobre o meio ambiente. Eles só recebem e interagem com</p><p>conteúdos postados por perfis com a mesma visão ideológica, excluindo totalmente</p><p>o debate com outras ideologias políticas e pessoas especialistas no segmento em</p><p>questão.</p><p>Aí entram em questão diversos outros problemas contemporâneos, como as</p><p>fake news, já debatidas nesta disciplina em outras oportunidades. Grupos fraudulentos</p><p>podem se aproveitar da “ditadura” do algoritmo para manipular a opinião pública e fazer</p><p>com que as pessoas acreditem naquilo que eles querem, sem que elas tenham uma</p><p>visão crítica sobre as situações.</p><p>O conceito de fast-thinkers, apontado por Bourdieu (1997) como um dos grandes</p><p>problemas da produção televisiva, sem dúvida, agora é muito mais grave. Afinal, como</p><p>declarou o professor Marcelo Alvez ao Infoamazonia: “o noticiário da imprensa tradicional</p><p>chega, mas numa ‘curadoria seletiva’, repercutida para caracterizar a imprensa como</p><p>um antagonista”.</p><p>Essa, sem dúvida, é um dos maiores desafios dos jornalistas no mundo</p><p>contemporâneo. É preciso ter cada vez mais senso de ética, responsabilidade e produção</p><p>de conteúdos críticos, amplos, que apresentem diferentes visões de pensamento e</p><p>muito aprofundados. Apenas assim, talvez, seja possível “furar as bolhas” e fazer com</p><p>que a maioria das pessoas voltem a ter um pensamento crítico, principalmente no que</p><p>se refere à política, que é algo que está totalmente entrelaçado com praticamente todas</p><p>as áreas da nossa vida.</p><p>188</p><p>Então, acadêmico, se prepare, pois essa será uma das situações que você</p><p>vivenciará em sua rotina como profissional da comunicação. O nosso desejo é que você</p><p>tenha tido um bom aprendizado até aqui e que possa ter refletido sobre o papel do</p><p>jornalista de política e economia frente aos formatos, aos estilos e à distribuição dos</p><p>conteúdos.</p><p>Vamos revisar tudo o que estudamos neste tema e fazer os exercícios para fixar</p><p>a aprendizagem? Essa é a atividade que você precisa realizar agora! Então, faça tudo</p><p>com atenção para não esquecer o que estudou e também para garantir uma boa nota</p><p>nas suas avaliações da disciplina.</p><p>189</p><p>RESUMO DO TÓPICO 1</p><p>Neste tópico, você aprendeu:</p><p>• Uma das principais vantagens que a comunicação digital proporcionou para o</p><p>jornalismo político e econômico foi o surgimento de veículos alternativos, que têm</p><p>mais liberdade para explorar diferentes formatos ao noticiar os fatos.</p><p>• A nota jornalística é um texto de rápido consumo. No jornalismo impresso, assim</p><p>como no digital, o gênero pode ser explorado, sempre que uma notícia rápida precisar</p><p>ser dada.</p><p>• No jornalismo televisivo, o comentário é um dos formatos mais comuns para falar</p><p>sobre economia e política.</p><p>• Reportagens com dados, como resultados de pesquisas eleitorais e avaliação de</p><p>governos, são um ótimo formato para discutir política e economia.</p><p>• As entrevistas pingue-pongue são conversas com perguntas e respostas diretas.</p><p>• Uma das técnicas de entrevista pingue-pongue é a de deixar falar. Nesse caso, o</p><p>entrevistador não interrompe o entrevistado, mas anota perguntas para aprofundar</p><p>posteriormente os tópicos levantados.</p><p>• As publicações de conteúdos jornalísticos nas redes sociais, geralmente, trazem um</p><p>pequeno texto ou legenda sobre o que o leitor encontrará ao acessar o link e ler o</p><p>material completo no portal de notícias.</p><p>• Ao fazer publicações nas redes sociais, é interessante que os jornalistas incluam</p><p>hashtags ao término da chamada para os conteúdos.</p><p>• Conteúdos evergreen também podem ser produzidos para as editorias de política e</p><p>economia.</p><p>• As narrativas transmídias podem ser muito exploradas nas editorias de política e</p><p>economia dos veículos de comunicação, principalmente na cobertura de eventos da</p><p>área, como debates eleitorais.</p><p>• Em um processo democrático, as mídias funcionam como um canal que leva</p><p>informação até os cidadãos, que formam as suas consciências a partir dos fatos</p><p>apresentados.</p><p>190</p><p>• Em uma democracia, o ideal seria que as mídias apresentassem os fatos de forma</p><p>imparcial, para que os leitores ou espectadores pudessem formar a sua opinião</p><p>acerca de determinado assunto.</p><p>• A opinião pública é um processo social construído em conjunto com base nas</p><p>informações e nas pautas levantadas pelos meios de comunicação de massa e pelos</p><p>canais de comunicação digitais.</p><p>• Para Bourdieu, conteúdos rasos contribuem para a formação do que ele chama de</p><p>fast-thinkers, ou seja, pensadores acelerados.</p><p>• Algoritmos são fórmulas usadas pelas redes sociais e indexadores para distribuir</p><p>conteúdos aos usuários.</p><p>• Os algoritmos têm mudado a forma como as pessoas têm acesso aos conteúdos</p><p>jornalísticos, possibilitando a formação de “bolhas”.</p><p>191</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>1 No jornalismo impresso e/ou on-line, existem diversos formatos de conteúdos que</p><p>podem ser explorados para tratar assuntos de política e economia. Considerando</p><p>essa informação, analise o recorte a seguir, da edição de 1 de março</p><p>de 2013, do</p><p>Jornal de Brasília:</p><p>Fonte: https://brasiliamaranhao.wordpress.com/2013/03/02/jornalismo-covarde-brasilia/. Acesso em: 30</p><p>jan. 2023.</p><p>Agora, assinale a alternativa CORRETA que dá nome ao formato de conteúdo que foi</p><p>publicado nesse recorte:</p><p>a) ( ) Reportagem com dados.</p><p>b) ( ) Pingue-pongue.</p><p>c) ( ) Nota curta.</p><p>d) ( ) Conteúdo evergreen.</p><p>2 No jornalismo político e econômico, um bom formato de conteúdo a ser produzido são</p><p>as entrevistas pingue-pongue. Sobre essa modalidade, analise as sentenças a seguir:</p><p>I- Na entrevista pingue-pongue, as respostas dadas pelos entrevistados são sempre</p><p>mais relevantes que as perguntas feitas pelo jornalista.</p><p>II- A técnica de deixar falar é pouco recomendada na entrevista pingue-pongue, de</p><p>modo que o entrevistador precisa cortar o entrevistado para fazer novas perguntas.</p><p>III- Os podcasts de entrevistas são formatos que estão aderindo cada vez mais ao</p><p>formato pingue-pongue, ao receber convidados.</p><p>Assinale a alternativa CORRETA:</p><p>a) ( ) As sentenças I e II estão corretas.</p><p>b) ( ) Somente a sentença II está correta.</p><p>192</p><p>c) ( ) As sentenças I e III estão corretas.</p><p>d) ( ) Somente a sentença III está correta.</p><p>3 Conteúdo evergreen é aquele que mantém sua relevância e aplicabilidade ao longo do</p><p>tempo, independentemente da data de publicação. Exemplos incluem tutoriais, dicas</p><p>gerais, guias etc. Esse tipo de conteúdo tende a gerar tráfego orgânico consistente</p><p>e é valorizado por ser atual e relevante a longo prazo. Considerando a utilização dos</p><p>conteúdos evergreen no jornalismo de economia, classifique V para as sentenças</p><p>verdadeiras e F para as falsas:</p><p>( ) Um conteúdo com dicas para começar a investir na bolsa é um bom exemplo de</p><p>texto evergreen no campo do jornalismo econômico.</p><p>( ) Como notícias da economia acontecem o tempo todo, os conteúdos evergreen não</p><p>devem ser uma opção para essa editoria.</p><p>( ) O conteúdo evergreen se destaca por trazer temas quentes e que são relevantes em</p><p>um período curto de tempo.</p><p>Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:</p><p>a) ( ) V – F – F.</p><p>b) ( ) V – F – V.</p><p>c) ( ) F – V – F.</p><p>d) ( ) F – F – V.</p><p>4 As narrativas transmídias podem ser muito exploradas nas editorias de economia e</p><p>política dos veículos de comunicação, principalmente na cobertura de eventos, como</p><p>debates eleitorais. Disserte brevemente sobre esse tipo de produção.</p><p>5 Atualmente, muito se fala sobre o papel dos algoritmos na distribuição de conteúdos</p><p>na internet. Diversos estudos atribuem a essa tecnologia a formação de “bolhas”</p><p>políticas, de pessoas que interagem apenas com publicações com ideologias similares</p><p>às suas. Disserte brevemente sobre esse fenômeno.</p><p>193</p><p>REDE NOTICIOSA NOS</p><p>CONTEXTOS LOCAL,</p><p>REGIONAL E NACIONAL</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>Como estudamos em outros momentos desta disciplina, o jornalismo político e</p><p>econômico cobre questões relacionadas a políticas públicas, decisões governamentais</p><p>e eventos econômicos. Tais temas podem ser abordados em diferentes contextos: local,</p><p>regional e nacional.</p><p>No contexto local, o jornalismo político e econômico pode cobrir questões</p><p>específicas de uma cidade ou região, como eleições municipais, desenvolvimento</p><p>econômico local e questões relacionadas ao bem-estar da comunidade.</p><p>Já no contexto regional, o jornalismo cobre questões mais amplas, como</p><p>políticas estaduais, desenvolvimento econômico e questões relacionadas a várias</p><p>cidades ou regiões.</p><p>Por sua vez, no contexto nacional, o jornalismo político e econômico cobre</p><p>questões de interesse de toda a nação, como eleições presidenciais, políticas econômicas</p><p>nacionais e questões que afetam o país como um todo.</p><p>Além disso, também é possível que o jornalista da área cubra a política e a</p><p>economia externa, mostrando fatos que ocorrem em outros países e a forma como isso</p><p>afeta as nossas rotinas.</p><p>É sobre esses assuntos que trataremos neste tema de aprendizagem. Vamos</p><p>começar os estudos?</p><p>2 DIFERENÇAS ENTRE AS COBERTURAS LOCAL, REGIONAL</p><p>E NACIONAL</p><p>A cobertura jornalística pode ser classificada como local, regional ou nacional de</p><p>acordo com a sua abrangência. A cobertura local engloba fatos e eventos ocorridos em</p><p>uma área específica, como uma cidade ou bairro, ou mesmo uma classe trabalhadora.</p><p>UNIDADE 3 TÓPICO 2 - A</p><p>194</p><p>Já a cobertura regional tem uma abrangência mais ampla, abarcando várias</p><p>cidades formando uma região, seja por questões geográficas, culturais ou políticas de</p><p>concessão. Por exemplo, questões relacionadas à administração estadual ou instituições</p><p>públicas estaduais, como as companhias de água e energia. Por fim, a cobertura nacional</p><p>cobre fatos que afetam o país como um todo.</p><p>Nos subtópicos a seguir, vamos analisar exemplos de cada uma dessas</p><p>coberturas e fazer comparações, para que você possa compreender mais a atuação do</p><p>jornalista de política e economia nessas diferentes esferas.</p><p>2.1 A COBERTURA POLÍTICA E ECONÔMICA LOCAL</p><p>Grande parte dos jornalistas que vivem afastados das capitais acabam</p><p>trabalhando em veículos locais, como jornais, rádios e portais de notícias das cidades</p><p>em que residem.</p><p>No entendimento de Juski (2020, p. 142), “a cobertura do jornalismo político</p><p>local cobre as informações e os fatos que cercam o Executivo local, sendo a prefeitura o</p><p>principal órgão, e o Legislativo local, com foco na Câmara de Vereadores”.</p><p>Embora a audiência desse tipo de mídia seja muito menor do que a dos grandes</p><p>veículos de comunicação, ela pode ser muito mais engajada e participativa. Como há</p><p>uma proximidade entre a imprensa e o público, os leitores ou espectadores podem</p><p>ser mais ativos, enviando relatos de acontecimentos e denúncias pelas redes sociais,</p><p>e-mail e outros canais.</p><p>Apesar desses prós, a cobertura política local também possui pontos a serem</p><p>melhorados. Drummond (2018) fez uma interessante pesquisa, em que analisou</p><p>diferentes veículos locais de municípios do Paraná. A pesquisadora concluiu que:</p><p>[...] da mesma forma que o meio de comunicação local tem a</p><p>possibilidade de apresentar de forma mais completa a vida da</p><p>localidade em que se insere, pode produzir informações distorcidas,</p><p>fruto dos vínculos com interesses políticos e econômicos. Mas está</p><p>num contexto mais vantajoso com seu leitor, graças à proximidade</p><p>(DRUMMOND, 2018, s. p.).</p><p>Vamos analisar um exemplo de cobertura política em um veículo de comunicação</p><p>local? Então, a seguir, observe a Figura 17:</p><p>195</p><p>Figura 17 – Manchete do portal de notícias São Marcos Online</p><p>FONTE: https://saomarcosonline.com/politica/kuwer-perde-segundo-secretario-em-seis-meses/. Acesso</p><p>em: 1 fev. 2023.</p><p>Acadêmico, na imagem, vemos uma manchete do portal São Marcos Online, um</p><p>veículo local e que cobre os acontecimentos da cidade de São Marcos, no interior do Rio</p><p>Grande do Sul.</p><p>Pelo próprio nome do veículo, já percebemos que se trata de um canal voltado</p><p>para o jornalismo local do município. Porém, outros detalhes, como a manchete, também</p><p>nos fazem concluir que o portal aborda a política local.</p><p>O título da publicação diz: “Kuwer perde segundo secretário em seis meses”.</p><p>Mas, quem é Kuwer? Certamente você e qualquer outro leitor que não viva na localidade</p><p>tenham feito a mesma pergunta ao analisar o texto.</p><p>No entanto, se você começar a ler a matéria, já terá a resposta para esse</p><p>questionamento nas primeiras linhas. “Um dos homens de confi ança do prefeito Evandro</p><p>Kuwer está deixando a prefeitura de São Marcos. Antônio Pessini (Tonico) se afasta da</p><p>Secretaria de Administração e da Diretoria Municipal de Compras nesta sexta (30). O</p><p>cargo passa a ser ocupado por Eduardo César Rizzo” (SÃO MARCOS ONLINE, 2021, s. p.),</p><p>diz a notícia.</p><p>196</p><p>Sendo assim, Kuwer é o prefeito da localidade. Como estudamos, o jornalismo</p><p>local traz essa questão da proximidade entre o veículo e seus leitores, que reconhecem</p><p>o nome da figura que está à frente do poder executivo municipal.</p><p>Perceba que a notícia traz um fato que é relevante para aquela comunidade.</p><p>Afinal, para alguém que não reside em São Marcos, pouco importa saber</p><p>se haverá uma</p><p>troca de comandos nas secretarias do município.</p><p>Isso muda quando o jornalismo político e econômico tem uma abordagem</p><p>regional, como veremos mais adiante.</p><p>Sintetizando, podemos dizer que o jornalismo político e econômico local é crucial</p><p>em cidades pequenas do interior, pois fornece informações precisas e atualizadas</p><p>sobre questões importantes que afetam diretamente a vida das pessoas nessas</p><p>comunidades. O jornalismo é um meio importante para a promoção da transparência e</p><p>da responsabilidade dos líderes políticos e do setor econômico local.</p><p>Além disso, o jornalismo político e econômico em cidades pequenas pode ser</p><p>um meio importante para equilibrar o poder e dar voz às pessoas que de outra forma</p><p>poderiam ser ignoradas. Ao informar a população sobre questões políticas e econômicas</p><p>relevantes, o jornalismo pode ajudar a promover a participação cívica e a construção de</p><p>uma sociedade mais democrática.</p><p>Ademais, o jornalismo econômico é crucial para ajudar as pessoas a compreender</p><p>questões financeiras complexas que afetam suas vidas e a economia local, como</p><p>investimentos, taxas de juros e inflação. Por outro lado, o jornalismo político é importante</p><p>para fornecer informações precisas sobre as políticas e decisões dos líderes políticos</p><p>que afetam a vida das pessoas nessas cidades.</p><p>Além disso, o jornalismo local pode ser um canal para a população fazer denúncias</p><p>sobre políticos e outros funcionários públicos, oferecendo uma plataforma para a voz da</p><p>comunidade ser ouvida e para que as questões importantes sejam abordadas.</p><p>Os leitores podem procurar um jornal local para denunciar a falta de saneamento</p><p>básico em suas ruas, a ausência de médicos nos postos de saúde públicos, problemas</p><p>nas escolas públicas, buracos nas ruas, entre tantas outras situações. Ou seja, o</p><p>jornalismo acaba se transformando em um elo entre a população e o poder público,</p><p>dando voz aos munícipes.</p><p>O jornalismo local também pode ajudar a criar uma cultura de transparência e</p><p>responsabilidade pública, fornecendo informações sobre as atividades e decisões dos</p><p>políticos e outros funcionários públicos, incluindo informações sobre gastos públicos,</p><p>contratos e políticas. Isso permite que a população tenha uma compreensão mais clara</p><p>da forma como seus recursos estão sendo usados e das escolhas políticas que estão</p><p>sendo feitas em seu nome.</p><p>197</p><p>Também podemos dizer que o jornalismo local pode ser uma importante</p><p>ferramenta para ajudar a combater a corrupção e outras práticas ilegais. Ao denunciar</p><p>questões controversas e investigar denúncias, os jornalistas locais podem contribuir</p><p>para uma cultura de integridade e transparência, ajudando a garantir que as autoridades</p><p>sejam responsabilizadas pelo uso adequado dos recursos públicos.</p><p>2.1.1 A mídia local de fronteira</p><p>Quando falamos em cobertura jornalística local, é útil também falarmos sobre</p><p>a mídia local de fronteira, que é formada pelos veículos de comunicação que ficam nas</p><p>regiões fronteiriças dos países.</p><p>A mídia local de fronteira é uma importante fonte de informação para as</p><p>comunidades nas regiões de fronteira. Ela pode incluir jornais impressos, rádios,</p><p>televisões e sites de notícias, e seu objetivo principal é fornecer cobertura noticiosa</p><p>local para as pessoas que vivem nas áreas de fronteira.</p><p>Esse tipo de mídia é importante porque ajuda a manter as comunidades</p><p>informadas sobre questões locais, incluindo eventos, desenvolvimentos políticos,</p><p>problemas de segurança e questões econômicas. Além disso, a mídia local de fronteira</p><p>pode ser uma poderosa ferramenta para promover a coesão social e a integração entre</p><p>as comunidades nas regiões de fronteira, especialmente em contextos em que há</p><p>diferenças étnicas, culturais ou políticas.</p><p>Müller (2001) fez um estudo interessante, em que analisou jornais impressos</p><p>publicados nos ambientes de Uruguaiana-Libres e Livramento-Rivera, localidades em</p><p>que o Brasil (mais especificadamente o estado do Rio Grande do Sul) faz fronteira com</p><p>a Argentina e o Uruguai, respectivamente.</p><p>Segundo a autora, “as necessidades locais solicitam que um jornal produzido</p><p>em território brasileiro relate acontecimentos internacionais como locais, envolvendo</p><p>gaúchos-correntinos ou gaúchos-riverenses” (MÜLLER, 2001, p. 114).</p><p>Müller também aponta que é comum ver nos jornais locais expressões como</p><p>“sueltos”, “hermanos”, “arriba”, “petiça”, entre outras, nos textos. Nas palavras da</p><p>pesquisadora: “os discursos transcritos ou produzidos por redatores – estes brasileiros,</p><p>uruguaios, argentinos ou ‘dople chapa’ – mesclam o espanhol com o português,</p><p>apresentam expressões típicas, criando um terceiro idioma, o gauchês” (MÜLLER, 2001,</p><p>p. 115).</p><p>198</p><p>Ainda de acordo com Müller: “os acontecimentos sociais, culturais, políticos,</p><p>militares, esportivos etc., estampados tanto no Jornal de Uruguaiana como em A Plateia,</p><p>trazem como atores personagens representativos da comunidade local, indiferentes a</p><p>sua nacionalidade”.</p><p>Trabalhar em um veículo com tais características deve ser bastante desafiador,</p><p>você concorda? Quem sabe um dia você tenha essa oportunidade e tenha que integrar</p><p>diferentes culturas e idiomas na cobertura de fatos políticos e econômicos de uma</p><p>localidade.</p><p>2.2 A COBERTURA POLÍTICA E ECONÔMICA REGIONAL</p><p>Bourdieu (2007, p. 120) define as regiões como redes de relações que</p><p>caracterizam um espaço social. Ou seja, para o teórico, um estado pode ser considerado</p><p>uma região, tendo em vista que seus habitantes compartilham valores culturais, tais</p><p>como a gastronomia, o sotaque da fala, as vestimentas típicas, entre outros.</p><p>Dentro desse contexto, o jornalismo regional se desenvolve como uma forma</p><p>de cobrir notícias, eventos e questões que são relevantes para uma comunidade ou</p><p>região. Isso pode incluir cobertura de política estadual, economia local, desenvolvimento</p><p>comunitário, eventos culturais e esportivos, e questões de saúde e segurança.</p><p>Sendo assim, como aponta Juski (2020, p. 142): “a cobertura regional produz</p><p>informações sobre a cobertura estadual, com foco no governador do Estado e na</p><p>Assembleia Legislativa”. Temas que envolvem figuras como os deputados estaduais, os</p><p>senadores do estado, o governador e os reflexos de suas ações na economia são os</p><p>mais trabalhados nesse segmento.</p><p>Geralmente, os jornalistas que fazem a cobertura de assuntos regionais</p><p>trabalham para jornais, portais de notícias e emissoras de TV locais.</p><p>No caso das emissoras de TV, a maioria delas são afiliadas, ou seja, estações</p><p>de televisão que produzem alguns programas locais, mas na maior parte do tempo</p><p>transmitem conteúdos fornecidos por uma rede nacional. A Globo, por exemplo, tem</p><p>afiliadas como: Rede Amazônica, no Acre, no Amapá e no Amazonas; TV Verdes Mares,</p><p>no Ceará; TV Gazeta, no Espírito Santos; RBS TV, no Rio Grande do Sul; NSC TV, em</p><p>Santa Catarina, entre outras.</p><p>199</p><p>Figura 18 – Publicação do portal de notícias O Sul</p><p>Na Figura 18, observamos uma manchete do portal O Sul, uma publicação do</p><p>Grupo Pampa de Comunicação, que cobre acontecimentos do estado do Rio Grande do</p><p>Sul.</p><p>A manchete da notícia diz: “RS fecha 2022 com superávit orçamentário de 3,3</p><p>bilhões de reais, mas queda de receita impõe novo cenário aos Estados em 2023”.</p><p>Se você acessar o portal e ler a reportagem completa, verá que ela traz falas do</p><p>governador Eduardo Leite e da secretária da Fazenda Priscilla Maria Santana.</p><p>200</p><p>As falas dos representantes do Estado do Rio Grande do Sul foram coletadas em</p><p>uma entrevista coletiva realizada no Palácio do Piratini, como diz a matéria.</p><p>Esse é um exemplo de cobertura jornalística de política e economia regional. Em</p><p>resumo, quem atua nesse segmento está sempre em busca de informações sobre as</p><p>movimentações econômicas e políticas em âmbito estadual.</p><p>Dessa maneira, o jornalismo político e econômico em nível estadual tem como</p><p>objetivo informar a população sobre as questões políticas e econômicas do estado,</p><p>incluindo decisões e ações dos governos estaduais e de seus órgãos, bem como os</p><p>impactos</p><p>dessas decisões na vida dos cidadãos.</p><p>Por isso, o jornalista político e econômico precisa estar atualizado sobre as</p><p>políticas públicas e questões econômicas que afetam o estado, e deve ser capaz de</p><p>investigar, avaliar e transmitir informações claras, precisas e imparciais para o público.</p><p>Além disso, é importante que o jornalista tenha uma compreensão profunda dos</p><p>processos políticos e econômicos e seja capaz de traduzir informações complexas de</p><p>maneira clara e acessível.</p><p>Os jornais, rádios, televisões e sites de notícias estaduais são as principais</p><p>plataformas de jornalismo político e econômico em nível estadual, e seu papel é</p><p>fundamental para a transparência e a responsabilidade do governo e para a promoção</p><p>da participação cidadã. Além disso, o jornalismo político e econômico em nível estadual</p><p>também pode ser uma importante ferramenta para o desenvolvimento econômico do</p><p>estado, ao destacar oportunidades de investimento e crescimento.</p><p>2.3 A COBERTURA POLÍTICA E ECONÔMICA NACIONAL</p><p>A cobertura política e econômica nacional, geralmente, é feita por grupos de</p><p>comunicação maiores e que contam com leitores ou expectadores em todo o país. É</p><p>o caso das grandes emissoras de TV, inclusive as que são especializadas apenas em</p><p>jornalismo, como CNN, Globo News, Jovem Pan, entre outras.</p><p>Grandes jornais de circulação nacional e portais de notícias como G1, UOL, Terra,</p><p>Metrópoles, R7, Poder 360, entre outros também se dedicam a cobrir acontecimentos</p><p>políticos e econômicos em um âmbito nacional.</p><p>Juski (2020, p. 142) explica que “[...] a cobertura nacional engloba o</p><p>acompanhamento dos trâmites e discussões no Congresso Nacional, incluindo Câmara</p><p>de Deputados e Senado Federal, além do Executivo, na figura do presidente da República,</p><p>e do Judiciário, em especial, o Supremo Tribunal Federal”.</p><p>201</p><p>Em âmbito nacional, a cobertura política envolve entrevistar políticos e líderes</p><p>de opinião, participar de conferências de imprensa, acompanhar debates e votações,</p><p>e monitorar discursos e declarações públicas. A cobertura econômica, por sua vez,</p><p>compreende a análise de dados econômicos, incluindo relatórios de mercado, dados de</p><p>emprego e inflação, e acompanhamento de questões financeiras e fiscais.</p><p>Veja, na Figura 19, um exemplo de conteúdo que abrange a política e a economia</p><p>nacional, publicada pelo portal Poder 360.</p><p>202</p><p>Figura 19 – Infográfico publicado pelo portal Poder 360</p><p>Fonte: https://static.poder360.com.br/2022/10/info-aliados-lula-possiveis-ministros-2-turno.png. Acesso</p><p>em: 2 fev. 2023.</p><p>203</p><p>O infográfico produzido pelo site Poder 360 foi publicado em 30 de outubro</p><p>de 2022, data em que Lula foi eleito como presidente da república pela terceira vez.</p><p>A publicação traz especulações dos nomes que estariam cogitados para assumir</p><p>ministérios e formar a equipe do novo governo. Sem dúvida, esse é um tema de interesse</p><p>de toda a nação.</p><p>3 COBERTURA DE POLÍTICA EXTERNA E RELAÇÕES</p><p>INTERNACIONAIS</p><p>Além da cobertura local, regional e nacional, o jornalista especialista em política</p><p>e economia também pode se dedicar aos fatos que ocorrem nesse setor, em outros</p><p>países. Afinal, uma ação realizada pelo presidente dos Estados Unidos, por exemplo,</p><p>tende a impactar várias outras nações.</p><p>Da mesma forma, fatos que ocorrem no Brasil podem interferir nas relações</p><p>internacionais que temos com as outras nações. Como explica Juski (2020, p. 145):</p><p>“isso ocorre devido ao fato de que as ações políticas afetam diretamente outros setores</p><p>da sociedade, ou seja, não é uma área isolada. As leis e medidas adotadas pelo Estado</p><p>podem interferir nas políticas de relação externa”.</p><p>A política externa, cabe lembrar, é o conjunto de ações e decisões que uma</p><p>nação toma em relação a outros países e ao sistema internacional. Ela inclui questões</p><p>como relações diplomáticas, comércio, segurança e defesa, e a participação em</p><p>organizações internacionais.</p><p>Em outras palavras, a política externa tem como objetivo proteger e promover os</p><p>interesses nacionais de uma nação no cenário internacional. E, em meio a esse cenário,</p><p>o jornalista tem um papel muito relevante, fazendo a cobertura desses eventos, nos</p><p>mais variados meios de comunicação.</p><p>Um exemplo de publicação que explora a cobertura da política externa pode</p><p>ser visto na Figura 20, a seguir, que aborda a primeira visita oficial do presidente Lula</p><p>à Argentina, após o início do seu mandato, em 2023. Na ocasião, o líder do governo</p><p>federal brasileiro se encontrou com Alberto Fernández, presidente da Argentina, na</p><p>Casa Rosada, em Buenos Aires.</p><p>A reportagem traz os principais pontos do encontro, sendo o mais relevante</p><p>deles o pedido de desculpas feito por Lula a Fernández, em tom de crítica à postura</p><p>adotada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro nas relações com o país vizinho nos anos</p><p>anteriores.</p><p>204</p><p>Um trecho da reportagem traz uma fala de Lula que diz: “peço desculpas ao</p><p>povo argentino por todas as grosserias que o último presidente do Brasil, que eu digo ser</p><p>um genocida por falta de responsabilidade com a pandemia, por todas as ofensas que</p><p>disse ao companheiro Fernández” (SAAD; PÉCHY, 2023, s. p.).</p><p>Figura 20 – Publicação do portal da revista Veja</p><p>Fonte: https://veja.abril.com.br/mundo/lula-pede-perdao-a-argentina-por-bolsonaro-relacao-esta-retoma-</p><p>da/. Acesso em: 4 fev. 2023.</p><p>Perceba, acadêmico, como essa reportagem aborda as questões relacionadas</p><p>à política externa, cobrindo uma visita ofi cial do nosso Governo ao país vizinho. Tal</p><p>movimentação dos líderes dos países movimenta todo o cenário global, sendo a notícia</p><p>relevante para todos os países que mantêm relações com o Brasil e a Argentina, além</p><p>de demonstrar que ambas as nações trabalharão juntas em uma série de interesses nos</p><p>próximos anos.</p><p>205</p><p>Quadro 2 – Eventos de política externa que são cobertos por jornalistas da área</p><p>Fonte: organizado pelo autor a partir das ideias de Juski (2020)</p><p>É interessante lembrar que as visitas oficiais não são os únicos eventos que</p><p>movimentam a política externa. Na prática, qualquer pessoa ou entidade que tenha</p><p>atuação no exterior pode ser considerada um agente político que representa o seu país</p><p>de origem.</p><p>Em 2009, por exemplo, o ator americano Sylvester Stallone veio ao Brasil</p><p>para gravar cenas do filme Os Mercenários. Ao voltar para os Estados Unidos, em uma</p><p>entrevista coletiva para divulgar o filme, ele declarou: “você pode explodir o país inteiro</p><p>e eles vão dizer ‘obrigado’, e aqui está um macaco para você levar de voltar para casa”</p><p>(AVENTURAS NA HISTÓRIA, 2022, s. p.).</p><p>A declaração repercutiu negativamente entre os brasileiros, gerando uma crise</p><p>de imagem não apenas para o ator, mas também para os Estados Unidos, de forma</p><p>geral. Afinal, querendo ou não, por ser um grande nome do cinema americano, ele acaba</p><p>representando o seu país de origem.</p><p>No entendimento de Juski (2020, p. 145), “como área especializada, o</p><p>jornalismo político se aproxima de setores como economia, política, cultura e relações</p><p>internacionais”. O fato que envolve a declaração infeliz que Stallone deu em relação ao</p><p>Brasil é um exemplo disso.</p><p>Em resumo, são quatro os tipos de ações de política externa que geram eventos</p><p>que podem ser cobertos por jornalistas dessa área. Veja no quadro abaixo:</p><p>Evento Descrição</p><p>Visitas oficiais Encontros entre líderes de países, como presidentes,</p><p>que refletem a política externa.</p><p>Acordos multilaterais Participação em acordos ou negociações</p><p>estabelecidas entre vários países, como comércio</p><p>exterior, economia e meio ambiente.</p><p>Representações no exterior Envio de representantes (diplomatas) para outro país</p><p>para fortalecer a relação diplomática. Implantação</p><p>de embaixadas e consulados.</p><p>Participação em organizações</p><p>internacionais</p><p>Cooperação entre países através da participação em</p><p>organizações como a ONU.</p><p>206</p><p>Agora você já conhece mais sobre os tipos de cobertura do jornalismo político</p><p>e econômico, de acordo com as abrangências local, regional e nacional. Lembre-se de</p><p>aplicar os conceitos aprendidos e dos exemplos apresentados,</p><p>de acordo com o viés</p><p>geográfico dos veículos em que você vier a trabalhar no futuro.</p><p>E, para fixar os seus conhecimentos, confira o resumo deste tema de</p><p>aprendizagem e faça as autoatividades. Assim, você também se prepara melhor para as</p><p>avaliações da disciplina.</p><p>207</p><p>RESUMO DO TÓPICO 2</p><p>Neste tópico, você aprendeu:</p><p>• A cobertura jornalística pode ser classificada como local, regional ou nacional de</p><p>acordo com a sua abrangência.</p><p>• No contexto local, o jornalismo político e econômico pode cobrir questões específicas</p><p>de uma cidade ou região.</p><p>• No contexto regional, o jornalismo cobre questões mais amplas, como políticas</p><p>regionais, desenvolvimento econômico e questões relacionadas a várias cidades ou</p><p>regiões.</p><p>• No contexto nacional, o jornalismo político e econômico cobre questões de escala</p><p>nacional, como eleições presidenciais, políticas econômicas nacionais e questões</p><p>que afetam o país como um todo.</p><p>• A mídia local de fronteira, que é formada pelos veículos de comunicação que ficam</p><p>nas regiões fronteiriças dos países.</p><p>• Além da cobertura local, regional e nacional, o jornalista especialista em política e</p><p>economia também pode se dedicar aos fatos que ocorrem nesse setor, em outros</p><p>países.</p><p>• A política externa tem como objetivo proteger e promover os interesses nacionais</p><p>de uma nação no cenário internacional. Em meio a esse cenário, o jornalista tem um</p><p>papel muito relevante, fazendo a cobertura desses eventos, nos mais variados meios</p><p>de comunicação.</p><p>• Entre os eventos de política externa que demandam uma cobertura jornalística</p><p>estão as visitas oficiais, os acordos multilaterais, as representações no exterior e a</p><p>participação em organizações internacionais.</p><p>208</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>1 O jornalismo político local cobre, principalmente, os fatos que envolvem os poderes</p><p>executivo e legislativo locais. Acerca dos órgãos que estão sempre em foco, assinale</p><p>a alternativa CORRETA:</p><p>a) ( ) a Câmara de Deputados; o Senado.</p><p>b) ( ) a Prefeitura Municipal; a Câmara de Deputados.</p><p>c) ( ) a Prefeitura Municipal; a Câmara de Vereadores.</p><p>d) ( ) o Senado; a Câmara de Vereadores.</p><p>2 O jornalismo político e econômico é uma área especializada e que se aproxima de</p><p>setores como a cultura e as relações internacionais. Sendo assim, faz sentido que</p><p>os jornalistas que cobrem política externa fiquem atentos a eventos como as visitas</p><p>oficiais, os acordos multilaterais, as representações no exterior e a participação em</p><p>organizações internacionais.</p><p>Considerando tais eventos da política externa, analise as sentenças a seguir:</p><p>I- As visitas oficiais consistem no envio de representantes para outros países, visando</p><p>fortalecer a relação diplomática, assim como a implantação de embaixadas e</p><p>consulados.</p><p>II- Os acordos multilaterais sempre exigem a participação de organizações internacionais,</p><p>como a ONU.</p><p>III- As visitas oficiais são encontros entre líderes de países, como presidentes, que</p><p>refletem a política externa.</p><p>Assinale a alternativa CORRETA:</p><p>a) ( ) As sentenças I e II estão corretas.</p><p>b) ( ) Somente a sentença II está correta.</p><p>c) ( ) As sentenças I e III estão corretas.</p><p>d) ( ) Somente a sentença III está correta.</p><p>3 Considerando a cobertura jornalística política e econômica regional, classifique V para</p><p>as sentenças verdadeiras e F para as falsas:</p><p>( ) A cobertura regional produz informações sobre os municípios, tendo como foco as</p><p>ações do prefeito e dos vereadores.</p><p>( ) No jornalismo televisivo, quase sempre os assuntos políticos regionais são trabalhados</p><p>em programas produzidos por emissoras afiliadas.</p><p>209</p><p>( ) Temas que envolvem figuras como os deputados estaduais, os senadores do estado,</p><p>o governador e os reflexos de suas ações na economia são os mais trabalhados nesse</p><p>segmento.</p><p>Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:</p><p>a) ( ) V – F – F.</p><p>b) ( ) V – F – V.</p><p>c) ( ) F – V – V.</p><p>d) ( ) F – F – V.</p><p>4 Segundo Müller (2001, p. 115): “as regiões situadas nas linhas de divisa, ou de contato,</p><p>com similaridades culturais, como é o caso do Rio Grande do Sul, Rivera e Corrientes</p><p>– em especial Uruguaiana-Paso de Los Libres e Santana do Livramento-Rivera –, são</p><p>privilegiadas. Nelas os campos sociais – representados por entidades locais, estaduais,</p><p>nacionais e internacionais – se tocam, se chocam, interagem, rompendo barreiras e</p><p>estabelecendo novas conexões. A fronteira se faz presente no dia a dia do homem</p><p>local e como não poderia ser diferente, os jornais locais, envolvidos e pertencentes</p><p>ao contexto, apresentam e documentam as peculiaridades, contribuindo para a</p><p>construção e solidificação de um espaço que não pode ser considerado binacional e</p><p>sim fronteiriço”. Sobre o tema, disserte sobre o papel do jornalismo político na mídia</p><p>local de fronteira.</p><p>Fonte: MÜLLER, K. M. Contextos para pensar uma</p><p>identidade fronteiriça. In. JACKS, N. et al. Tendências na</p><p>comunicação: 4. Porto Alegre: L&PM Editores, 2001.</p><p>5 “A cobertura nacional engloba o acompanhamento dos trâmites e discussões no</p><p>Congresso Nacional, incluindo Câmara de Deputados e Senado Federal, além do</p><p>Executivo, na figura do presidente da República, e do Judiciário, em especial, o</p><p>Supremo Tribunal Federal” (JUSKI, 2020, p. 142). Considerando a explicação de Juski</p><p>(2020), disserte sobre a cobertura política nacional e sua relevância para os leitores/</p><p>espectadores.</p><p>Fonte: JUSKI, J. R. Jornalismo político. In: JUSKI, J. R. et al.</p><p>Jornalismo especializado. Porto Alegre: Sagah, 2020.</p><p>210</p><p>211</p><p>TÓPICO 3 -</p><p>AS GRANDES REPORTAGENS NO JORNALISMO</p><p>POLÍTICO E ECONÔMICO</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>Grande reportagem é um gênero de jornalismo investigativo que busca produzir</p><p>uma reportagem detalhada e aprofundada sobre um tema específico.</p><p>Ela pode ser abordada pelo jornalismo de política e economia de várias</p><p>maneiras, incluindo a investigação de questões políticas e econômicas complexas, a</p><p>análise de tendências econômicas a longo prazo e a cobertura de escândalos políticos</p><p>ou financeiros.</p><p>A grande reportagem de política e economia também pode incluir entrevistas</p><p>com especialistas e análises de dados para apresentar uma visão completa e precisa do</p><p>tema em questão.</p><p>Nesta seção da disciplina de Jornalismo Político e Econômico, vamos falar sobre</p><p>as grandes reportagens, os formatos em que elas podem ser trabalhadas nas editorias</p><p>de política e economia e a relevância que têm para os leitores e/ou espectadores.</p><p>Continue a leitura e tenha ótimos estudos!</p><p>2 O CONCEITO DE GRANDE REPORTAGEM E SUA</p><p>RELEVÂNCIA NO JORNALISMO POLÍTICO E ECONÔMICO</p><p>IMPRESSO</p><p>As grandes reportagens são demasiadamente relevantes para o jornalismo</p><p>político e econômico. Isso porque elas vão além dos fatos do dia a dia e trabalham os</p><p>fatos de forma mais apurada e detalhada.</p><p>Suely Caldas, um dos grandes nomes do jornalismo político-econômico nacional</p><p>e que nos serviu de fonte várias vezes nesta disciplina, teve a oportunidade de trabalhar</p><p>com esse gênero em alguns dos veículos pelos quais passou.</p><p>UNIDADE 3</p><p>212</p><p>Em uma de suas obras, a autora conta que foi até mesmo premiada pelas</p><p>grandes reportagens que desenvolveu. Nas suas próprias palavras: “duas delas [das</p><p>grandes reportagens] me deram Prêmio Esso, espécie de ‘Oscar’ do jornalismo brasileiro.</p><p>Entretanto, a mais relevante delas, porque constituiu um marco na descoberta dos</p><p>crimes do grupo ligado ao ex-presidente Collor, não me valeu prêmio algum” (CALDAS,</p><p>2008, p. 105).</p><p>Até alguns anos atrás, o gênero grande reportagem era bastante trabalhado</p><p>nas edições de domingo dos jornais ou nas revistas especializadas. No caso de temas</p><p>políticos, veículos como a Veja e a Carta Capital, por exemplo, se destacam.</p><p>Floresta e Braslauskas (2009, p. 138) explicam que:</p><p>Em revista, principalmente as mensais, a história contada</p><p>normalmente já́ aconteceu. Não existe o fato, o que existe é um</p><p>desdobramento dele. O veículo pode pegar um caso de grande</p><p>repercussão e usar como “gancho” em uma pauta, mas, ainda assim,</p><p>não opta por fazer um lide noticioso. O jornalista, nesse</p><p>caso, terá́ de</p><p>encontrar uma forma de apresentar a história e relacioná-la ao fato,</p><p>pois o foco é outro (FLORESTA; BRASLAUSKAS, 2009, p. 138).</p><p>Melhor dizendo, o jornalista de política e economia que trabalha em veículos</p><p>como as revistas especializadas não precisa ir atrás de descobrir novos fatos, embora</p><p>isso não seja uma regra. As grandes reportagens têm o papel de ir além, de fazer com</p><p>que o leitor desenvolva um pensamento crítico sobre algo que já aconteceu.</p><p>Fonte: https://revista.abralin.org/index.php/abralin/article/view/1734/ . Acesso em: 6 fev. 2023.</p><p>Figura 21 – Capa de edição da revista Veja, de 18 de abril de 2016</p><p>213</p><p>Na Figura 21, você pode observar a capa de uma edição especial da revista</p><p>Veja, publicada em 18 de abril de abril de 2016, um dia após o plenário da Câmara dos</p><p>Deputados aprovar o relatório favorável ao impedimento da então presidente Dilma</p><p>Rousseff.</p><p>A edição dessa revista é um exemplo de grande reportagem no jornalismo</p><p>impresso. Como afirma uma publicação do Portal Imprensa, essa edição da Veja</p><p>traz informações exclusivas sobre os bastidores do impeachment de Dilma, mostra</p><p>como cada deputado votou, o papel que a pressão popular teve para a aprovação do</p><p>impedimento, expectativas dos especialistas para o governo de Michel Temer, que</p><p>sucedeu a presidente etc.</p><p>3 CARACTERÍSTICAS DAS GRANDES REPORTAGENS DE</p><p>POLÍTICA E ECONOMIA NA TELEVISÃO</p><p>O gênero das grandes reportagens também pode ser explorado na mídia</p><p>televisiva. Há muitos anos, programas tradicionais, como o Globo Repórter, da Rede</p><p>Globo, e o Câmera Record, da Record TV, produzem materiais desse tipo.</p><p>Ao analisar as grandes reportagens veiculadas na televisão, Zani e Bueno (2014,</p><p>p. 634) comentam que um:</p><p>[...] aspecto relevante dos elementos constituintes do gênero</p><p>jornalístico grande reportagem é a presença dos marcadores</p><p>conversacionais, que são específicos da oralidade e se efetivam no</p><p>texto do repórter, dos especialistas e dos sujeitos comuns. Assim,</p><p>nota-se a presença de marcadores com finalidades iniciais, mediais e</p><p>finais de turnos; o uso de frases interrogativas e inserções ilustrativas;</p><p>expressões de concordância e hesitações (ZANI; BUENO, 2014, p.</p><p>634).</p><p>Conforme apurado por essas pesquisadoras, portanto, na TV, o gênero grande</p><p>reportagem, assim como no jornalismo impresso, também tem a função de ir mais a</p><p>fundo nos temas trabalhados, de fazer o telespectador pensar sobre determinado tema.</p><p>214</p><p>Fonte: https://observatoriodatv.uol.com.br/wp-content/uploads/2020/10/globo-reporter-sandra-an-</p><p>nenberg.jpg/. Acesso em: 6 fev. 2023.</p><p>Fonte: https://static.wixstatic.com/media/099714_5a5b47adffa54e8ab31b1a40ff691e0f~mv2.jpg/.</p><p>Acesso em: 6 fev. 2023.</p><p>Figura 23 – Banner de divulgação de Marielle: o Documentário</p><p>Figura 22 – Jornalista Sandra Annenberg apresentando o Globo Repórter</p><p>Temas relacionados à política e à economia podem ser trabalhados no formato</p><p>de grandes reportagens na TV de várias maneiras. Os jornalistas podem entrevistar</p><p>especialistas, contar histórias reais de pessoas que vivenciaram fatos políticos ou que</p><p>são afetadas por fenômenos da economia etc.</p><p>Assista a uma edição do Globo Repórter, exibida na TV em setembro de 2022,</p><p>homenageando a democracia brasileira.</p><p>O programa traz histórias de brasileiros, de diferentes classes sociais, origens</p><p>e religiões, mostrando como a nossa Carta Magna mudou o Brasil para melhor.</p><p>A edição está disponível na plataforma Globoplay:</p><p>https://globoplay.globo.com/v/10982327/?s=0s. Acesso em: 6 fev. 2023 .</p><p>DICA</p><p>215</p><p>Para conhecer como o gênero de grandes reportagens de política vem</p><p>sendo trabalhado no streaming, assista a um ou mais episódios de Marielle: o</p><p>Documentário.</p><p>O programa está disponível na plataforma Globoplay:</p><p>https://globoplay.globo.com/marielle-o-documentario/t/zGmSyVg7h2/</p><p>detalhes/. Acesso em: 6 fev. 2023.</p><p>DICA</p><p>Com o surgimento e popularização das plataformas de streaming, as grandes</p><p>reportagens também começaram a se desenvolver no formato de documentários. Essa</p><p>é uma forma encontrada pelas produtoras para que os conteúdos sejam trabalhados em</p><p>mais episódios, podendo ser assistidos em forma seriada pelos telespectadores.</p><p>No Brasil, o Globoplay vem se destacando no segmento e já desenvolveu várias</p><p>grandes reportagens no formato de documentários, como Marielle: o Documentário,</p><p>cujo banner de divulgação está sendo mostrado na Figura 23.</p><p>Esse documentário, em específico, trata do assassinato de Marielle Franco, ex-</p><p>vereadora do Rio de Janeiro, que foi assassinada em 2018. O crime até hoje não foi</p><p>solucionado e há quem acredite que se trata de uma execução com motivação política.</p><p>4 CARACTERÍSTICAS DAS GRANDES REPORTAGENS DE</p><p>POLÍTICA E ECONOMIA NOS MEIOS DIGITAIS</p><p>Rosen (2011, s. p.) comenta que a internet mudou a forma como as pessoas</p><p>consumem notícias e isso transformou a maneira como as notícias são produzidas. Ou</p><p>seja, as novas mídias fizeram com que os jornalistas tivessem que se adaptar a um novo</p><p>formato de produção, o que inclui uma nova maneira de realizar grandes reportagens</p><p>de política e economia.</p><p>Sobre essa nova realidade do fazer jornalístico, podemos dizer que a internet</p><p>tornou as grandes reportagens de jornalismo político e econômico mais atraentes ao</p><p>oferecer uma ampla variedade de conteúdos, incluindo vídeos, textos, infográficos e</p><p>outros tipos de mídia.</p><p>Isso permite que os jornalistas apresentem informações de maneira mais clara,</p><p>interessante e impactante. Além disso, a interatividade que a internet oferece permite</p><p>que o público participe mais diretamente das reportagens, por meio de comentários ou</p><p>enquetes, o que aumenta o engajamento e a participação.</p><p>216</p><p>O portal Metrópoles é um exemplo de veículo digital que produz grandes</p><p>reportagens com narrativas construídas por diferentes tipos de mídia na mesma</p><p>publicação. Na Figura 24, a seguir, você confere uma capa da publicação “Segredos do</p><p>Alvorada”.</p><p>Trata-se de uma grande reportagem realizada pelos jornalistas Rodrigo Rangel</p><p>e Sarah Teófi lo, que apresenta uma série de denúncias feitas por funcionários do Palácio</p><p>do Alvorada contra a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.</p><p>Fonte: https://www.metropoles.com/colunas/rodrigo-rangel/exclusivo-as-provas-que-ligam-michelle-bol-</p><p>sonaro-a-suspeita-de-caixa-2-no-palacio. Acesso em: 10 fev. 2023.</p><p>Figura 24 – Capa de uma grande reportagem produzida pelo portal Metrópoles</p><p>A reportagem do Metrópoles já inicia dizendo: “para esta reportagem, ao longo</p><p>das últimas semanas, entrevistamos vários funcionários do palácio, incluindo militares.</p><p>Alguns aceitaram gravar depoimentos, desde que não tivessem suas identidades</p><p>reveladas. Outros concordaram apenas em contar o que viram, sem registro em vídeo”.</p><p>217</p><p>Fonte: https://www.metropoles.com/colunas/rodrigo-rangel/exclusivo-as-provas-que-ligam-michelle-bol-</p><p>sonaro-a-suspeita-de-caixa-2-no-palacio. Acesso em: 10 fev. 2023.</p><p>Figura 25 – Publicação do portal Metrópoles</p><p>Ao ler esse trecho, o leitor já tem uma ideia do que está por vir e começa a ter</p><p>uma noção de que diferentes mídias serão exploradas no decorrer da reportagem, como</p><p>vídeos com os entrevistados.</p><p>Na Figura 25, podemos ver outra característica muito presente nas grandes</p><p>reportagens em meios digitais, o link building. Ao clicar no ícone 1, acompanhado da</p><p>chamada “Exclusivo: o caixa 2 de Jair Bolsonaro no Planalto”, o leitor será direcionado</p><p>para outro conteúdo, que traz mais detalhes sobre esse assunto.</p><p>218</p><p>A ação de link building resume-se a fazer links para outras páginas da web.</p><p>O objetivo é conseguir relevância e popularidade nos mecanismos de busca,</p><p>gerando mais tráfego e conseguindo melhores posições no ranqueamento</p><p>deles. Além disso, proporciona uma experiência mais rica para o leitor.</p><p>Saiba mais em: https://www.tramaweb.com.br/link-building-assessoria-de-</p><p>imprensa/. Acesso em: 10 fev. 2023.</p><p>NOTA</p><p>Fonte: https://www.metropoles.com/colunas/rodrigo-rangel/exclusivo-as-provas-que-ligam-michelle-bol-</p><p>sonaro-a-suspeita-de-caixa-2-no-palacio. Acesso em: 10</p><p>de gastos R$ 175 bilhões para o pagamento</p><p>do Bolsa Família de R$ 600 a partir de 2023, com adicional de R$ 150 por criança, sem um</p><p>prazo determinado.</p><p>As sugestões apresentadas pela equipe de transição incluem ainda uma autorização para</p><p>que parte das receitas extraordinárias fique fora do teto e possa ser redirecionada para</p><p>investimentos, em um limite de R$ 23 bilhões. O texto ainda propõe retirar da regra do teto</p><p>de gastos doações a universidades e fundos ligados à preservação do meio ambiente.</p><p>INTERESSANTE</p><p>7</p><p>O texto a seguir foi extraído de uma publicação do blog Me Poupe, na época em que estava</p><p>sendo discutida a eleição de Lula para a Presidência da República, em 2023:</p><p>Lula presidente: qual é o impacto do mercado e como fi ca a retomada da confi ança do</p><p>consumidor brasileiro?</p><p>Finalmente acabou a incerteza: desde domingo, já sabemos que Lula será o novo presidente</p><p>do Brasil. Diante de uma população dividida, um dos pontos de atenção agora é em relação</p><p>à economia do país e a forma como o mercado fi nanceiro reagiu à eleição do petista.</p><p>Analistas já vinham fazendo previsões do mercado baseadas nas pesquisas feitas durante</p><p>as últimas semanas. Entretanto, a disputa acirrada até o último minuto impôs certa</p><p>volatilidade ao mercado e difi cultou a precifi cação antecipada de ativos com base no perfi l</p><p>do provável vencedor.</p><p>INTERESSANTE</p><p>Segundo o Relatório Focus divulgado nesta segunda-feira (14), a expectativa para a Selic no</p><p>fi m deste ano está em 13,75% ao ano e em 11,25% para o ano que vem. Anteriormente,</p><p>economistas consultados pelo Focus projetavam que o Comitê de Política Monetária</p><p>(Copom) poderia iniciar o ciclo de cortes a partir da reunião de junho de 2023.</p><p>Para os especialistas do Morgan Stanley, isso sugere que há um risco de aumento</p><p>nas expectativas para a infl ação em 2024 nas pesquisas do Focus, que</p><p>atualmente está com a projeção em 3,50%, o que deve fazer com que o BC</p><p>mantenha uma postura hawkish por mais tempo – ou até opte por realizar</p><p>altas adicionais da Selic.</p><p>Disponível em: https://www.infomoney.com.br/onde-investir/a-selic-vai-voltar-a-</p><p>-subir-com-temor-sobre-pec-da-transicao-esperanca-de-corte-na-taxa-ja-em-</p><p>-2023-reduz/. Acesso em: 22 nov. 2022.</p><p>Como foi possível verifi car, o texto publicado pelo Infomoney traz alguns termos</p><p>bastante técnicos da área da economia, que não são de conhecimento de pessoas</p><p>leigas no assunto. É o caso de “postura hawkish” que, de acordo com Andrade (2020,</p><p>p.1): “Representa manter uma política austera, com taxas de juros mais altas e, assim,</p><p>menor demanda e infl ação mais controlada”.</p><p>Talvez, o redator que escreveu a matéria para o Infomoney, por conhecer o perfi l</p><p>de público que acessa o portal, optou por não trazer o conceito de hawkish no texto.</p><p>Caso o conteúdo tivesse sido produzido para outro veículo, certamente o termo deveria</p><p>ser explicado para o leitor.</p><p>Agora, confi ra um outro exemplo de conteúdo escrito na mesma época que o</p><p>anterior e que aborda assuntos similares, porém voltados para outro público.</p><p>8</p><p>O professor Mira explica que os setores de educação devem se benefi ciar de subsídios dos</p><p>programas focados em fi nanciamento estudantil, como o FIES (Fundo de Financiamento</p><p>Estudantil) e o PROUNI (Programa Universidade para Todos).</p><p>Da mesma forma, a construção civil, voltada às habitações populares, deve entrar num ciclo</p><p>ascendente assim que o novo governo retomar sua política habitacional e os benefícios</p><p>para a população de baixa renda.</p><p>Já no setor varejista, se o novo governo conseguir levar a termo suas promessas de</p><p>campanha, como ampliação do bolsa família e aumento do salário-mínimo, teremos mais</p><p>dinheiro em circulação. Assim, é possível que haja um aumento do consumo</p><p>das famílias, favorecendo diretamente os resultados de supermercados,</p><p>shoppings e drogarias.</p><p>Sobre a dinâmica do mercado fi nanceiro, Mira ressalta que ainda é cedo</p><p>para grandes previsões.</p><p>Disponível em: <https://mepoupe.com/economia/giro-me-poupe-lula-</p><p>presidente-qual-e-o-impacto-do-mercado-e-como-fica-a-retomada-da-</p><p>confi anca-do-consumidor-brasileiro/>. Acesso em 24 nov. 2022</p><p>Mantido pela jornalista Nathália Arcuri, o blog Me Poupe, assim como canal de</p><p>mesmo nome no YouTube, busca trazer as notícias de economia com uma linguagem</p><p>simples e de fácil compreensão para todos.</p><p>Como você pode perceber ao ler o exemplo que apresentamos, o conteúdo</p><p>desse blog traz um texto bastante didático, sem usar jargões ou expressões de difícil</p><p>compreensão. Além disso, a leitura é agradável e situa o leitor sobre as previsões de</p><p>cenários para o futuro do País em diferentes segmentos.</p><p>O que podemos concluir ao comparar os textos publicados pelo InfoMoney e</p><p>pelo Me Poupe é que em ambos os casos a política e a economia foram os assuntos</p><p>colocados em foco. Porém, eles foram conduzidos de forma diferenciada pelos redatores,</p><p>que adaptaram a linguagem de acordo com o público para que ela foi direcionada.</p><p>Percebe-se, portanto, que o jornalista que se especializar em política ou em</p><p>economia precisa aprofundar os seus conhecimentos nessa área. Isso é importante</p><p>para que possa compreender os termos específi cos e jargões da área, bem como para</p><p>“traduzi-los” para o público, quando for necessário.</p><p>9</p><p>Caro acadêmico, para que você possa começar a se familiarizar com a</p><p>linguagem utilizada em conteúdos de cunho político e econômico, convém</p><p>começar a consumir esse tipo de material.</p><p>Uma opção interessante é o podcast O Assunto, apresentado pela jornalista</p><p>Natuza Nery. O programete é publicado diariamente em plataformas de</p><p>streaming como Spotify, Deezer e Globoplay. Vale a pena conferir!</p><p>DICA</p><p>3 DESAFIOS DA PRODUÇÃO DE CONTEÚDO PARA AS</p><p>SEÇÕES DE POLÍTICA E ECONOMIA</p><p>Em seu dia a dia profissional, o jornalista político-econômico enfrenta diversos</p><p>desafios. Conhecê-los é a melhor forma de enfrentá-los!</p><p>Por isso, caro acadêmico, comentaremos sobre as principais adversidades</p><p>encontradas ao produzir conteúdos dessa área, com base em um levantamento feito</p><p>por Camargo (2021), e apresentaremos ideias sobre como superá-las. Veja, a seguir!</p><p>3.1 EXPLICAÇÃO DE CONCEITOS COMPLEXOS</p><p>Conforme comentamos no tópico anterior, explicar termos complexos é algo</p><p>que, dependendo do veículo em que atua, é de extrema importância para o jornalista</p><p>político-econômico</p><p>Nesse sentido, além de usar de recursos textuais, como escrever com uma</p><p>linguagem que aproxima o leitor, o produtor de conteúdo contemporâneo também pode</p><p>usar de uma série de ferramentas de comunicação digital.</p><p>Camargo (2001, s. p.) exemplifica: “Alguns conteúdos mais técnicos, por</p><p>exemplo, podem ser explicados de maneira simples a partir de um conteúdo interativo.</p><p>Ao mesmo tempo, materiais em vídeo e infográficos também podem ser muito úteis para</p><p>construir uma experiência positiva para todos os leitores, garantindo que eles tenham a</p><p>compreensão necessária”.</p><p>Ou seja, o jornalista pode usar dos recursos que a internet proporciona para</p><p>produzir hipertextos, algo que contribui para que os leitores possam compreender</p><p>conceitos mais complexos.</p><p>10</p><p>Assim, trabalha-se com a intertextos, que nada mais são do que textos que</p><p>conversam com outros textos. Sobre isso, Flores e Zinani (2018, p.6) apontam que</p><p>[...] hiperlinks são o que mais denotam características da</p><p>intertextualidade em um hipertexto, uma vez que o leitor pode clicar</p><p>nas palavras destacadas e ser direcionado para outras páginas,</p><p>contento outros textos que podem complementar a leitura, como</p><p>fontes de pesquisa dos dados citados e informações extras sobre</p><p>determinado assunto. Esse recurso tende a ser benéfico para o leitor,</p><p>pois permite uma navegação instantânea.</p><p>De tal forma, se o redator estiver produzindo um conteúdo de cunho econômico</p><p>e se deparar com um termo difícil ou retomar algo que já foi noticiado, pode usar os</p><p>recursos da intertextualidade, adicionando hiperlinks para situar o leitor.</p><p>3.2 USO DE DADOS PARA ILUSTRAR OS CONTEÚDOS</p><p>PRODUZIDOS</p><p>Conforme vimos, no jornalismo político e econômico,</p><p>fev. 2023.</p><p>Figura 26 – Publicação do portal Metrópoles</p><p>219</p><p>Na Figura 26, vemos mais um exemplo de convergência de mídias na</p><p>reportagem do Metrópoles. A publicação traz um player do YouTube, com um vídeo em</p><p>que um funcionário do Palácio do Alvorada afirma que viu Carlos Bolsonaro, filho do ex-</p><p>presidente, deixar o local chorando após uma discussão com a madrasta Michelle.</p><p>Enfim, esses são apenas alguns exemplos de como as grandes reportagens</p><p>podem explorar recursos para contar histórias e revelar fatos nas seções de política e</p><p>economia. Cabe aos jornalistas estarem em constante aprendizado para lidar com as</p><p>novas mídias, que surgem cotidianamente.</p><p>Parabéns, acadêmico! Você chegou ao final da disciplina de Jornalismo Político e</p><p>Econômico! Acreditamos que você tenha usufruído de todos os recursos da UNIASSELVI</p><p>para desenvolver o seu aprendizado, que poderá ser colocado em prática quando você</p><p>for para o mercado de trabalho.</p><p>Antes de encerrar os seus estudos desta matéria, recomendamos que faça a</p><p>leitura complementar, que traz o artigo “Tendências do jornalismo regional/local”, escrito</p><p>por Cicilia M. Krohling Peruzzo. A autora mostra como os jornais locais ou regionais</p><p>tendem a adotar discursos político-partidários em suas publicações, criticando assim</p><p>a isenção que deveria ser tida pelos veículos, bem como deixando de cumprir o papel</p><p>social que eles têm.</p><p>Após essa leitura, veja o resumo do Tema de Aprendizagem 3 e faça as</p><p>autoatividades. Assim, você revisa tudo o que estudou e já se prepara para as provas.</p><p>220</p><p>MÍDIA REGIONAL E LOCAL: ASPECTOS CONCEITUAIS E TENDÊNCIAS</p><p>Cicilia M. Krohling Peruzzo</p><p>Este texto objetiva situar os principais aspectos conceituais sobre mídia regional</p><p>e local e traçar um breve panorama das tendências atuais do jornalismo praticado nesses</p><p>tipos de meios de comunicação no Brasil. Mídia local denota uma comunicação baseada</p><p>em informação de proximidade. Na prática, ela é perpassada por distorções motivadas</p><p>pela forma com que as relações de produção das notícias e de outros conteúdos</p><p>midiáticos se processam, mas de uma maneira geral cumpre uma importante função</p><p>social.</p><p>A abordagem se ancora em pesquisa bibliográfica e em análise assistemática de</p><p>jornais e programas de rádio e de televisão de diferentes cidades do Brasil. Não pretende</p><p>dar conta de todo o fenômeno. Apenas aponta tendências majoritárias.</p><p>Pressupõe-se que o jornalismo local seja aquele que retrate a realidade regional</p><p>ou local, trabalhando, portanto, a informação de proximidade. O meio de comunicação</p><p>local tem a possibilidade de mostrar melhor do que qualquer outro a vida em determinadas</p><p>regiões, municípios, cidades, vilas, bairros, zonas rurais etc. Por vezes, se cerca de</p><p>distorções, como as que têm origem em vínculos com interesses político-partidários</p><p>e econômicos, mas, mesmo acarretando vieses de informação, acaba contribuindo na</p><p>divulgação de temas locais. Está num contexto vantajoso para o leitor ou telespectador,</p><p>ou seja, a proximidade da informação. As pessoas acompanham os acontecimentos de</p><p>forma mais direta, pela vivência ou presença pessoal, o que possibilita o confronto entre</p><p>os fatos e sua versão midiática de forma mais natural.</p><p>Na prática, o jornalismo local vem revelando algumas tendências. Os laços</p><p>políticos locais tendem a ser fortes e a comprometer a informação de qualidade. É</p><p>comum a existência de tratamento tendencioso da informação e até a omissão de fatos,</p><p>em decorrência de ligações políticas com os detentores do poder local e dos interesses</p><p>econômicos de donos da mídia. Claro que não se trata apenas de um problema da</p><p>imprensa regional, mas nela parece que essas relações se tornam mais explicitas,</p><p>justamente porque as possibilidades de confronto entre o fato e sua versão, por parte</p><p>do leitor, são mais fáceis de acontecer.</p><p>Um instrumento bastante usado, nesse sentido, em cidades do interior, são os</p><p>press-releases emitidos pelas assessorias de comunicação dos poderes executivo e</p><p>LEITURA</p><p>COMPLEMENTAR</p><p>221</p><p>legislativo, principalmente, mas também das instituições privadas. Vângela de Morais</p><p>(2003, p. 83), analisando a cobertura de um incêndio florestal pelos jornais Brasil Norte</p><p>e Folha de Boa Vista, de Roraima, constata a existência de um tratamento superficial</p><p>dado ao acontecimento em todas as etapas do processo de produção da notícia, a</p><p>começar pela pauta.</p><p>Vângela (2003, p. 74) vê as assessorias de comunicação locais como agentes</p><p>diretos da notícia, mediante releases ou informações mediadas pelos assessores, além</p><p>de um “jornalismo declaratório”, preso, por excelência às fontes oficiais.</p><p>Essa prática também foi detectada por Letícia Pinto da Costa. Em pesquisa</p><p>sobre o jornal A Voz do Vale do Paraíba, da cidade de Taubaté (SP), a autora (2002, p. 78)</p><p>comprovou que “a maior parte dos textos, bem como das fotografias, ambos sobre temas</p><p>locais, é fornecida pelas assessorias de imprensa de instituições públicas e privadas”.</p><p>Continua ela, referindo-se ao mesmo jornal: “em todos os tipos de assuntos, é comum</p><p>também encontrar em suas páginas a reprodução de notícias veiculadas por outros</p><p>jornais”, o que denota o aproveitamento integral de releases pela mídia impressa local.</p><p>Complementa (2002, p. 72) relatando que um dos assessores entrevistados afirmou que</p><p>o jornal A Voz do Vale do Paraíba “publica praticamente tudo” o que a assessoria de</p><p>imprensa da prefeitura de Taubaté divulga.</p><p>A autora (2002, p. 91) afirma que “as edições analisadas mostram com clareza a</p><p>parcialidade do jornal em relação aos políticos que ocuparam, nos períodos estudados,</p><p>cargos eletivos (prefeitos e vereadores), bem como às pessoas – no caso, secretários</p><p>municipais – ligadas a esses governantes”. Outra nuance esclarecedora de seu estudo é</p><p>que ele evidencia que a ligação do jornal com os políticos da região não é, propriamente,</p><p>de cunho partidário, mas de envolvimento com quem está no exercício do poder.</p><p>Eventos na área da educação, por exemplo, tais como inaugurações (construção ou</p><p>ampliação de escolas pela prefeitura) e a presumível “boa” aplicação do dinheiro público</p><p>(investimentos), ganharam amplos espaços no jornal no período analisado.</p><p>Assim, a concessão de primazia às fontes oficiais, a importância dada ao</p><p>“jornalismo declaratório”, o aproveitamento intencional e acrítico de releases e a ligação</p><p>política e político-partidária vêm comprometendo a qualidade da informação em jornais</p><p>de capitais e cidades do interior.</p><p>Outra tendência é a falta de ampla cobertura e de apuração de acontecimentos,</p><p>tanto no nível local como no regional. Ela se deve a uma estrutura de produção pequena,</p><p>com poucos profissionais e, às vezes, até despreparados para o exercício do jornalismo.</p><p>Acrescente-se, em alguns casos, a opção administrativa de donos de veículos locais, de</p><p>aceitar com naturalidade o exercício de um jornalismo baseado em fontes oficiais, já que</p><p>isso garante a sobrevivência do veículo. Nessas condições, o jornalismo local deixa de</p><p>explorar seu imenso potencial de trabalhar com a informação isenta e atender a todos</p><p>os setores que perfilam a vida de uma “comunidade”. Perde, assim, uma oportunidade</p><p>222</p><p>de mercado, a de trabalhar com competência a informação de proximidade, que é a</p><p>razão de ser da imprensa local.</p><p>Entendemos por informação de proximidade aquela que expressa as</p><p>especificidades de uma dada localidade, que retrate, portanto, os acontecimentos</p><p>orgânicos a uma determinada região e seja capaz de ouvir e externar os diferentes</p><p>pontos de vista, principalmente a partir dos cidadãos, das organizações e dos diferentes</p><p>segmentos sociais. Enfim, a mídia de proximidade caracteriza-se por vínculos de</p><p>pertença, enraizados na vivência e refletidos num compromisso com o lugar e com</p><p>a informação de qualidade e não apenas com as forças políticas e econômicas no</p><p>exercício do poder.</p><p>Também é muito comum existir a tendência de a mídia local reproduzir a grande-</p><p>imprensa, ao imitar o estilo de tratamento da informação ou dedicar amplos</p><p>é importante que o</p><p>produtor de conteúdo busque meios para facilitar o entendimento da audiência. Uma</p><p>boa forma de fazer isso é apostar no uso de dados, para comprovar o que está sendo</p><p>relatado.</p><p>Bisol (2021, p. 25) nos apresenta um cronograma com três passos que devem</p><p>ser dados ao se trabalhar com dados no jornalismo. Segundo a autora, são eles:</p><p>1. Aquisição: se refere à etapa em que são obtidos os dados para</p><p>serem utilizados. Eles podem ser encontrados em sites na internet,</p><p>em planilhas, em registros em órgãos públicos ou privados, por</p><p>exemplo. É preciso considerar, como em todo processo jornalístico,</p><p>os princípios éticos, tendo em conta ainda a Lei nº 13.709, que se</p><p>refere à proteção de dados. O objetivo da legislação é fazer com que</p><p>as empresas não utilizem informações de maneira indevida.</p><p>2. Análise: esta etapa pressupõe a efetuação dos cálculos e, também,</p><p>interpretações para encontrar pistas e informações adicionais</p><p>oriundas das estatísticas. É um processo ligado à investigação, pois</p><p>é necessário desenvolver um estudo dos dados com o intuito de</p><p>encontrar material que gere uma reportagem interessante ao público</p><p>receptor. Jornalismo investigativo e jornalismo de dados, portanto,</p><p>andam juntos.</p><p>3. Apresentação: após os processos de captação e análise, é</p><p>preciso publicar o conteúdo de um modo que seja informativo,</p><p>envolvente e interessante, a partir de uma dinâmica bem estruturada.</p><p>As informações devem chegar de forma completa aos interlocutores</p><p>(BISOL, 2021, p. 25).</p><p>Um exemplo muito comum do uso de dados no jornalismo político e econômico</p><p>é visto em épocas de eleições, quando são realizadas as pesquisas eleitorais. Veja, na</p><p>imagem a seguir, um exemplo:</p><p>11</p><p>Figura 2 – Infográfi co de pesquisa eleitoral publicado pelo portal Poder 360</p><p>Fonte: https://static.poder360.com.br/2022/10/pd-intencao-religiao-5-out-2022-1-1785x2048.png.</p><p>Acesso em: 25 nov. 2022.</p><p>Na Figura 2, observamos um infográfi co com dados, extraído de uma reportagem</p><p>publicada no portal Poder 360. O material traz os resultados de uma pesquisa eleitoral,</p><p>comparando o desempenho dos candidatos Lula e Bolsonaro entre eleitores católicos</p><p>e evangélicos.</p><p>Perceba, acadêmico(a), que o conteúdo apresentado como exemplo segue os</p><p>três passos propostos por Bisol (2021) para o uso de dados no jornalismo.</p><p>12</p><p>Para começar, podemos observar que houve a aquisição dos dados, por meio</p><p>de uma pesquisa realizada pelo instituto Poder Data. Isso está declarado na própria</p><p>imagem, que traz uma observação dizendo que: “Os dados foram coletados de 3 a 5</p><p>de outubro de 2022, por meio de ligações para celulares e telefones fixos. Foram 3.500</p><p>entrevistas em 301 municípios nas 27 unidades da Federação”.</p><p>Apesar de não constar na imagem, uma análise também foi feita pelo jornalista</p><p>que redigiu a matéria publicada no portal Poder 360 (2022). Isso pode ser visto em um</p><p>trecho da publicação que diz: “Lula é o candidato preferido do eleitorado católico, com</p><p>64% dos votos válidos. Bolsonaro prevalece entre os evangélicos – 69% desse grupo</p><p>de fiéis têm a intenção de reelegê-lo para mais 4 anos à frente do Palácio do Planalto”.</p><p>A apresentação dos dados também é feita de maneira bastante interessante.</p><p>Além das fotos dos candidatos, o material também organiza os resultados das pesquisas</p><p>em gráficos coloridos, usando as cores azul e vermelho para representar Bolsonaro e</p><p>Lula, respectivamente.</p><p>Além disso, o infográfico traz um “visto” na cor amarela, para que a audiência</p><p>possa identificar ainda mais facilmente qual candidato lidera as intenções de voto em</p><p>cada um dos grupos apresentados.</p><p>3.3 CONTRIBUIÇÃO PARA MANUTENÇÃO DA DEMOCRACIA</p><p>O jornalismo político e econômico também contribui de forma muito significativa</p><p>para que a democracia seja mantida nos países. Nesse sentido, é importante que os</p><p>jornalistas mantenham a neutralidade ao noticiar os fatos, sem tentar defender um</p><p>partido ou ideologia política, por exemplo.</p><p>Dessa forma, garante-se que as informações cheguem à população de forma</p><p>transparente, para que o público possa formar a sua própria opinião, sem ser coagido por</p><p>nenhum veículo de comunicação, tampouco por patrocinadores e grupos políticos interessados.</p><p>Ao falar sobre isso, Camargo (2021, s. p.) traz um exemplo:</p><p>Dados oficiais mostram que a taxa de desemprego no Brasil reduziu</p><p>no segundo semestre. Mas, ao mesmo tempo, ainda são 14 milhões</p><p>de brasileiros desempregados. Isso significa que uma mesma</p><p>informação pode ser utilizada de diferentes maneiras, de acordo com</p><p>as intenções de quem está repassando.</p><p>Você percebe, caro acadêmico, como uma informação pode ser destorcida ou</p><p>trabalhada de forma que pareça mais ou menos favorável para determinada pessoa,</p><p>empresa, ideologia ou partido político? É por isso que, em sua vida profissional, a ética</p><p>é de suma importância para que os fatos sejam corretamente noticiados, sem causar</p><p>prejuízos à sua audiência e à sociedade, de modo geral.</p><p>13</p><p>Na Unidade 2 deste livro, teremos uma seção em que abordaremos a ética</p><p>profi ssional jornalística. Quando chegar lá, aprofundaremos mais as questões</p><p>aqui levantadas.</p><p>ESTUDOS FUTUROS</p><p>3.3 COMBATE ÀS FAKE NEWS</p><p>As fake news são um grande problema para a sociedade nos dias de hoje. Por meio</p><p>das redes sociais e aplicativos mensageiros instantâneos, como o WhatsApp, qualquer</p><p>pessoa pode criar conteúdos mentirosos e disseminá-los como se aquilo fosse verdade.</p><p>Vale lembrar que as fake news não são apenas “notícias falsas” como a tradução</p><p>literal do termo em inglês sugere. De acordo com D’Ávila (2020) a síntese que mais se</p><p>aproxima do verdadeiro signifi cado desse termo foi dada pelo professor Carlos Eduardo</p><p>Lins e Silva, que declarou:</p><p>Notícia falsa não é um bom conceito. A notícia falsa pode ser uma</p><p>notícia incorreta, mal escrita. Estamos falando aqui é de notícia</p><p>fraudulenta, intencionalmente produzida com o objetivo de obter um</p><p>determinado fi m, político ou não (SILVA apud D’ÁVILA, 2020, p.31).</p><p>Ao tratar de questões políticas e econômicas, é bastante comum que grupos</p><p>adversários usem de determinadas artimanhas para atacar um ao outro. Isso, no entanto,</p><p>é crime! Por esse motivo, jornalistas sérios não devem, sob hipótese alguma, produzir</p><p>esse tipo de conteúdo.</p><p>No Brasil, não faltam exemplos de situações em que as fake news ganharam</p><p>grande repercussão. Veja, na imagem a seguir, um exemplo.</p><p>Fonte: https://lula.com.br/wp-content/uploads/2018/10/manu.jpg. Acesso em: 25 nov. 2022</p><p>Figura 3 – Exemplo de fake news envolvendo a jornalista Manuela D’Ávila</p><p>14</p><p>Na Figura 3, você pode ver uma publicação mentirosa que foi amplamente</p><p>divulgada nas redes sociais em 2018. A primeira imagem mostra uma montagem que</p><p>traz a então candidata a vice-presidente da república Manuela D’Ávila usando uma</p><p>camiseta com a frase “Jesus é travesti” estampada.</p><p>Porém, na foto ao lado, podemos ver a imagem antes de ser manipulada pelo</p><p>criador da fake news. Na verdade, a frase que a candidata trazia estampada na camiseta</p><p>era “Rebele-se!”.</p><p>Ou seja, alguém manipulou a foto digitalmente, na tentativa de desmoralizar a</p><p>candidata perante o eleitorado mais conservador e cristão. Aqui, cabe lembrar que não</p><p>estamos levantando bandeiras partidárias, apenas apresentando um exemplo real de</p><p>algo que ocorreu em nosso país e tomou grandes proporções.</p><p>Aos jornalistas que trabalham com política e economia, também é interessante</p><p>ficar atento às fake news que tomam grande proporção diante da população. Assim,</p><p>podem abrir espaço para desmenti-las e trazer informações verdadeiras e de qualidade</p><p>para a audiência que os acompanha.</p><p>Além disso, também deve-se ter o cuidado de sempre checar os fatos com</p><p>fontes confiáveis e se embasar em dados e evidências antes de publicar algo. Dessa</p><p>maneira, evita-se, mesmo que não intencionalmente, de publicar uma notícia falsa ou</p><p>tendenciosa.</p><p>O portal G1 mantém uma seção chamada “Fato ou Fake”. Nesse espaço,</p><p>jornalistas do grupo desmentem as notícias fraudulentas que estão circulando</p><p>na internet. Vale</p><p>a conferir! Acesse em: https://g1.globo.com/fato-ou-fake/.</p><p>DICA</p><p>Caro acadêmico, ao ler esta seção do seu livro de estudos, você deve ter</p><p>percebido que nem sempre tratar de assuntos políticos e econômicos é algo fácil para</p><p>os jornalistas, não é mesmo? É por isso que você precisa se aprofundar nos estudos</p><p>e sempre se especializar no segmento, para que possa ser um profissional que leve</p><p>credibilidade à sua audiência.</p><p>Na próxima seção, seguiremos estudando sobre esse tema, trazendo importantes</p><p>conceitos que você precisa saber para atuar na área. Antes disso, porém, sugerimos que</p><p>você leia o resumo do que aprendemos e faça as autoatividades. Bons estudos!</p><p>15</p><p>Neste tema de aprendizagem, você estudou:</p><p>• Economia e política são temas de interesse de toda a população, independentemente</p><p>de classe social, gênero, raça, faixa etária, entre outras segmentações.</p><p>• O jornalista que se especializar em política ou em economia precisa aprofundar os</p><p>seus conhecimentos nessa área. Isso é importante para que possa compreender os</p><p>termos específicos e jargões da área, bem como para “traduzi-los” para o público,</p><p>quando for necessário.</p><p>• O jornalista pode usar dos recursos que a internet proporciona para produzir</p><p>hipertextos, algo que contribui para que os leitores possam compreender conceitos</p><p>mais complexos de política e economia.</p><p>• É importante que o produtor de conteúdo busque meios para facilitar o entendimento</p><p>da audiência. Uma boa forma de fazer isso é apostar no uso de dados, para comprovar</p><p>o que está sendo relatado.</p><p>• Para trabalhar com dados deve-se seguir três passos: aquisição, análise e</p><p>apresentação.</p><p>• O jornalismo político e econômico também contribui de forma muito significativa</p><p>para que a democracia seja mantida nos países. Nesse sentido, é importante que os</p><p>jornalistas mantenham a neutralidade ao noticiar os fatos, sem tentar defender um</p><p>partido ou ideologia política, por exemplo.</p><p>• Ao tratar de questões políticas e econômicas, é bastante comum que grupos</p><p>adversários usem fake news para atacar um ao outro. Isso, no entanto, é crime! Por</p><p>esse motivo, jornalistas sérios não devem, sob hipótese alguma, produzir esse tipo de</p><p>conteúdo.</p><p>RESUMO DO TÓPICO 1</p><p>16</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>1 De acordo com Caldas (2005, p.11): “O jornalismo econômico tem a mesma idade</p><p>da imprensa. Não há registro de um jornal sem notícias de fatos econômicos. O</p><p>comportamento da economia de um país, região ou cidade influencia a vida das</p><p>pessoas e elas precisam ser devidamente informadas para poder tomar decisões.</p><p>Isso vale para qualquer um. Até para o motorista de táxi: se ele ignorar um aumento</p><p>no preço da gasolina que vai acontecer amanhã, vai perder dinheiro ao não encher o</p><p>tanque do carro hoje. Assim foi e será por toda a vida”. Considerando a fala da autora,</p><p>assinale a alternativa CORRETA:</p><p>Fonte: CALDAS, S. Jornalismo econômico. São Paulo, SP:</p><p>Contexto, 2005.</p><p>a) ( ) Os conteúdos que abordam temas voltados para a economia são de interesse</p><p>apenas de pessoas que ocupam posições específicas, como economistas e diretores</p><p>de grandes empresas.</p><p>b) ( ) Por se tratar de um tipo de conteúdo voltado para um público específico, os</p><p>termos técnicos e jargões não precisam ser explicados nos textos sobre economia.</p><p>c) ( ) Os temas que abrangem as editorias de economia, por intervirem diretamente na</p><p>vida de todos os cidadãos, é de grande interesse da população em geral.</p><p>d) ( ) Para um taxista, pouco importa saber quando haverá aumento da gasolina. Afinal,</p><p>o preço da corrida de táxi permanece o mesmo, independentemente do valor que ele</p><p>gasta com combustível.</p><p>2 No entendimento de Peçanha (2017, p. 51), “O formato de um conteúdo determina</p><p>a maneira como ele será consumido e também deve ser sempre o formato mais</p><p>eficiente para que o conteúdo seja facilmente assimilado”. Acerca do que podemos</p><p>concluir quando falamos sobre os formatos de conteúdo para as editorias de política</p><p>e economia, analise as sentenças a seguir:</p><p>Fonte: PEÇANHA, V. Obrigado pelo marketing: um guia</p><p>completo de como encantar pessoas e gerar negócios</p><p>utilizando o marketing de conteúdo. São Paulo: Benvirá, 2017.</p><p>I- O ideal é que o redator sempre aposte na produção de conteúdo textual apenas,</p><p>mesmo que escreva para um blog ou portal de notícias. Afinal, não são todas as</p><p>mídias que aceitam conteúdos interativos.</p><p>II- Ao escrever para web, fazer hiperlinks é uma boa maneira de direcionar o leitor para</p><p>outros conteúdos, que retomam situações ou trazem explicações de termos técnicos.</p><p>Assim, o leitor pode ter uma experiência mais completa.</p><p>III- Conteúdos mais técnicos podem ser explicados de maneira mais simples a partir da</p><p>inclusão de recursos interativos, como vídeos e infográficos.</p><p>17</p><p>Assinale a alternativa CORRETA:</p><p>a) ( ) As sentenças I e II estão corretas.</p><p>b) ( ) Somente a sentença II está correta.</p><p>c) ( ) As sentenças II e III estão corretas.</p><p>d) ( ) Somente a sentença III está correta.</p><p>3 Ao comentar sobre as notícias fraudulentas na política, D’Ávila (2020, p. 97) traz à tona</p><p>que “A cantora Pabllo Vittar foi associada a uma série dessas fake news em que fica</p><p>bastante evidente o uso da população LGBTQIA+ para, amplificando preconceitos,</p><p>legitimar pautas políticas falsas. Em uma delas, a cantora ganharia 5 milhões de</p><p>reais da Lei Roaunet. Na verdade, o uso de um homem gay, como Pabllo Vittar, serve</p><p>aqui apenas para amplificar a denúncia construída contra a legislação de incentivo</p><p>à cultura. Como pode um gay receber milhões de reais? Isso é o que querem que a</p><p>população pense. Em outra fake news, Pabllo e Jean Wyllis fariam turnê em escolas</p><p>brasileiras. Ou seja, dois gays ensinando crianças a serem gays, como eles haviam</p><p>preconizado na já anunciada ideologia de gênero. Há ainda uma notícia em que Vittar</p><p>apresentaria um programa infantil na Globo, ou seja, associando a emissora à pauta</p><p>LGBTQIA+”.</p><p>Fonte: D’ÁVILA, M. E se fosse você: sobrevivendo às redes</p><p>de ódio e fake news. Porto Alegre, RS: Instituto E se Fosse</p><p>Você, 2020.</p><p>Fonte: https://www.e-farsas.com/wp-content/uploads/pabllo_vittar_jean.jpg. Acesso em: 26 nov. 2022.</p><p>18</p><p>Considerando a fala da autora e a imagem da fake news reproduzida no enunciado,</p><p>classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas:</p><p>( ) As fake news não são apenas “notícias mentirosas”, como a tradução literal sugere.</p><p>Elas podem ser interpretadas como “notícias fraudulentas”, utilizadas por associações</p><p>políticas para favorecimento próprio, a partir da desmoralização de outros grupos,</p><p>como a população LGBTQIA+.</p><p>( ) Pelo fato das fake news poderem ser produzidas e compartilhadas por qualquer</p><p>pessoa, os jornalistas ficam impedidos de tomar qualquer atitude contra elas.</p><p>( ) Os jornalistas têm a obrigação de trabalhar apenas com a verdade. Além disso,</p><p>podem usar de seus espaços para desmentir as fake news e transmitir informações</p><p>de qualidade para a população.</p><p>Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:</p><p>a) ( ) V – F – F.</p><p>b) ( ) V – F – V.</p><p>c) ( ) F – V – F.</p><p>d) ( ) F – F – V.</p><p>4 Tornar os conteúdos sobre política e economia mais simples para o leitor é um dos</p><p>desafios do jornalista que atua nesses segmentos. Uma boa maneira para tornar o</p><p>entendimento de temas complexos para cidadãos leigos é explorando dados. De</p><p>acordo com Bisol (2021), para trabalhar com dados no jornalismo é necessário seguir</p><p>três etapas: aquisição, análise e apresentação. Disserte sobre cada uma delas:</p><p>Fonte: BISOL, L.V. Perspectivas do jornalismo de dados. In:</p><p>SILVEIRA, G.C.; SILVA, F.L.; BISOL, L.V.; FRAGA, L.C.; FORECHI,</p><p>M.; SILVEIRA, M.T.; STEGANHA, R. Leitura e interpretação</p><p>de dados no jornalismo. Porto Alegre, RS: Sagah, 2021.</p><p>5 Dependendo do perfil de público ou das personas do veículo para o qual você produz</p><p>conteúdos sobre política e economia, a linguagem é adaptada. Considerando essa</p><p>informação, qual é a principal diferença que deve ter um texto escrito para um portal</p><p>voltado para especialistas em economia e</p><p>um jornal que atinge a todos os públicos?</p><p>19</p><p>O DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E A</p><p>LÓGICA DO PROCESSO DE ACUMULAÇÃO DE</p><p>CAPITAL</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>Acadêmico, no Tema de Aprendizagem anterior, vimos que, para escrever e</p><p>produzir conteúdos com foco na política e na economia, o jornalista precisa dominar</p><p>essas áreas. Apenas assim será possível desenvolver materiais claros e de fácil</p><p>entendimento para o público-consumidor.</p><p>Agora, no Tema de Aprendizagem 2, vamos nos debruçar sobre os conceitos</p><p>que são indispensáveis serem de seu conhecimento para produzir publicações mais</p><p>aprofundadas e que realmente cumpram com o papel que um conteúdo jornalístico se</p><p>propõe.</p><p>Sendo assim, nas páginas a seguir você aprofundará os seus conhecimentos em</p><p>política e economia, compreendendo processos como o desenvolvimento econômico e</p><p>a lógica do processo de acumulação de capital. Continue a leitura e tenha bons estudos!</p><p>2 POLÍTICA E ECONOMIA: ENTENDENDO OS CONCEITOS</p><p>Desde o surgimento da imprensa, as editorias de política e economia têm</p><p>um papel de destaque nos noticiários. Não importa a mídia que você acessa: jornais</p><p>impressos, televisão, rádio, internet, entre outras, as notícias sobre tais acontecimentos</p><p>sempre serão destaque.</p><p>Na maioria dos casos, os conteúdos jornalísticos voltados para os setores de</p><p>política e economia assumem uma postura de hard news, ou seja, aquilo que está</p><p>acontecendo no momento, que é “quente” e as pessoas querem saber agora.</p><p>UNIDADE 1 TÓPICO 2 -</p><p>20</p><p>Fonte: https://pbs.twimg.com/media/FgCI-uJX0AMtCth.jpg:large. Acesso em: 29 nov. 2022.</p><p>Figura 4 – Exemplo de conteúdo hard news da CNN Brasil</p><p>Na Figura 4, você pode ver um exemplo de conteúdo político no estilo hard</p><p>news. Trata-se de um plantão ao vivo exibido pela emissora de televisão CNN Brasil,</p><p>apresentando a primeira aparição pública e discurso do ex-presidente Jair Bolsonaro,</p><p>após a derrota para Lula no pleito presidencial de 2022.</p><p>Porém, nem sempre os conteúdos políticos e econômicos têm essa</p><p>característica! Matérias mais aprofundadas e apuradas, contendo entrevistas e análises</p><p>de dados também são comuns nesse tipo de editoria. Isso é bastante frequente em</p><p>revistas e portais focados no segmento político-econômico.</p><p>Na Unidade 3 deste livro, teremos uma seção em que abordaremos os</p><p>formatos de textos e conteúdos para temas políticos e econômicos. Aguarde</p><p>para se aprofundar sobre esse assunto!</p><p>ESTUDOS FUTUROS</p><p>Independentemente da profundidade, canal ou momento em que o conteúdo é</p><p>apresentado, o jornalismo político-econômico tem importantes papéis sociais: “Informar,</p><p>formar opinião e fi scalizar” (SEABRA, 2006 apud JUSKI, 2020, p. 131).</p><p>Para cumprir tais objetivos do jornalismo, é importante ter uma base mais</p><p>sólida sobre política e economia. Então, caro acadêmico, prossiga com a leitura para</p><p>compreender melhor sobre os conceitos importantes para a sua formação profi ssional.</p><p>21</p><p>2.1 O QUE É POLÍTICA?</p><p>Acadêmico, você realmente entende o que é política? Caso a sua resposta não</p><p>seja positiva, não há motivo para preocupação. Afinal, esse é um tema realmente complexo</p><p>e que nem sempre estudamos com profundidade, embora esteja intrinsecamente</p><p>presente em nossas rotinas e atividades diárias.</p><p>Ao tentar explicar o conceito de política, Mackenzie (2011, p. 11) comenta que</p><p>“[...] encaramos política como um tipo de atividade humana, como algo que nós, seres</p><p>humanos, fazemos”. Porém, ainda segundo o autor, essa é uma visão que pode ser</p><p>facilmente contestada, tendo em vista que alguns primatas mais desenvolvidos também</p><p>tinham comportamentos políticos.</p><p>Ainda debruçado sobre o tema, Mackenzie questiona: “Se concebemos política</p><p>como atividade humana, que espécie de atividade será?”. Você, acadêmico, tem algum</p><p>palpite sobre isso?</p><p>Caso ainda tenha dúvidas sobre o que é, de fato, a política, preste atenção nesta</p><p>reflexão proposta por Mackenzie:</p><p>Em primeiro lugar, nós visualizamos política como algo que fazemos</p><p>em conjunto. Estando o indivíduo sozinho, na ilha deserta que tantas</p><p>vezes imaginamos, dele não se diria que pudesse estar envolvido</p><p>em atividade política, porque, simplesmente, não teria com quem</p><p>interagir. Política, ao que tudo indica, requer duas pessoas ao menos.</p><p>Isso posto, nem toda interação humana constitui o que tipicamente</p><p>entendemos como atividade política (a presença de duas pessoas,</p><p>portanto, é condição necessária, porém não suficiente para a</p><p>existência de atividade política) (MACKENZIE, 2011, p. 11).</p><p>Ou seja, segundo o autor, a política é um conceito que parte dos estudos da</p><p>Filosofia. Ela está relacionada com a convivência entre as pessoas e busca transformar a</p><p>realidade, garantindo a igualdade de direitos entre os membros das sociedades. A partir</p><p>disso, são estabelecidas relações de poder, buscando amenizar conflitos e melhorar a</p><p>convivência de todos.</p><p>Juski (2020, p. 132) explica que: “A origem da palavra política vem do grego</p><p>politikos, que significa cívico ou algo relacionado com os grupos sociais que integram a</p><p>polis. Todavia, o termo é resultado da junção de outras duas palavras, opolites, que está</p><p>ligada ao cidadão, e polis, relacionada à cidade”.</p><p>Ou seja, a partir dessa teoria, os politikos eram os cidadãos-gregos que se</p><p>dedicavam à organização e ao cuidado das cidades-estados. Ainda de acordo com a</p><p>autora (2020), Aristóteles foi um dos principais articuladores políticos gregos e enxergava</p><p>a política como um mecanismo que buscava a felicidade dos homens.</p><p>22</p><p>Para saber mais sobre o pensamento que Aristóteles tinha sobre a política,</p><p>assista ao vídeo “Aristóteles-Política, publicado pelo canal Filosofia Total</p><p>com Prof. Anderson, no Youtube. Disponível em: https://www.youtube.com/</p><p>watch?v=ADKrcVU7CG8. Acesso em: 29 nov. 2022.</p><p>DICA</p><p>Apesar de política ser um termo polissêmico, ou seja, com vários significados,</p><p>Juski (2020) traz uma boa definição para ele. De acordo com a autora:</p><p>Atualmente, compreende-se política como a capacidade das</p><p>sociedades de criar diretrizes com o objetivo de organizar seu modo</p><p>de vida, ou seja, a política envolve uma série de ações e discussões</p><p>que estão atreladas ao Estado, à gestão pública e à sociedade civil,</p><p>com o intuito de administrar o patrimônio público e promover o bem</p><p>comum, com base no interesse público (JUSKI, 2020, p. 132).</p><p>Perceba, caro acadêmico, que a partir desse entendimento podemos entender</p><p>a política como algo que vai muito além das eleições para os nossos representantes em</p><p>diferentes esferas. Toda a população tem um papel importante também para cobrar e</p><p>pressionar os políticos, para que a administração dos recursos seja eficiente e cumpra</p><p>com a vontade da maioria. Observe a Figura 5:</p><p>Fonte: http://www.sindimovec.com.br/wp-content/uploads/2016/05/direitos-site94346.jpg. Acesso em:</p><p>29 nov. 2022.</p><p>Figura 5 – Charge que exemplifica o poder da população na política</p><p>23</p><p>Fonte: https://www.notibras.com/site/wp-content/uploads/2015/12/171068_1.jpg. Acesso em: 29 nov.</p><p>2022.</p><p>Figura 6 – Manifestantes em ato contra a gestão da ex-presidente Dilma Roussef</p><p>A charge mostra um político tentando puxar um tapete que representa os</p><p>direitos da população. No entanto, ele não tem sucesso ao fazer isso, tendo em vista</p><p>que as pessoas estão em cima do objeto.</p><p>Ou seja, essa imagem nos faz refletir que, mesmo não ocupando cargos</p><p>públicos, todos os cidadãos unidos têm força e devem exigir de seus representantes</p><p>que cumpram a vontade da maioria e governem em prol do bem-estar do povo.</p><p>É aí que entra o papel do jornalismo político que, de acordo com Traquina (2003,</p><p>s. p.) tem três funções básicas:</p><p>1. O jornalismo deve dar ao cidadão as informações que são úteis, que são necessárias</p><p>para que eles possam cumprir seus papéis de pessoas interessadas na vida social e</p><p>na governança do país.</p><p>2. O jornalismo deve ser o espaço contraditório e de pluralidade de opiniões, ser uma</p><p>espécie de mercado de ideias.</p><p>3. O jornalismo tem o papel de fiscalizar o poder público, como um protetor da sociedade</p><p>e do interesse dos cidadãos</p><p>contra os abusos do Estado.</p><p>24</p><p>Sem entrar em questões político-partidárias, podemos analisar o processo de</p><p>impeachment da ex-presidente Dilma Roussef, cujo processo ocorreu entre os dias 12</p><p>de maio e 31 de agosto de 2016.</p><p>De acordo com Bezerra (2023., s. p), “os autores do pedido de afastamento</p><p>de Dilma Rousseff alegaram que ela maquiou as contas públicas e desrespeitou a lei</p><p>orçamentária durante a campanha eleitoral. O objetivo seria dar uma falsa sensação de</p><p>segurança à economia e garantir a reeleição em 2014”.</p><p>Porém, se o pedido de impeachment não tivesse o apoio de uma grande parcela</p><p>da população, que foi às ruas em cidades de todo o País, dificilmente o processo iria</p><p>para a frente. Isso mostra o poder que as pessoas têm nas mãos, que pode até mesmo</p><p>destituir um presidente da república, por elas mesmas eleito, caso ele não governo</p><p>conforme o esperado.</p><p>O jornalista contribui ativamente para que as cobranças sejam realizadas.</p><p>Segundo Medina (2006 apud JUSKI, 2020, p.134).: “[...] o jornalismo político é um</p><p>patrimônio consagrado, remetendo à clássica função do quarto poder da imprensa, em</p><p>que o jornalismo seria visto como uma instituição social que fiscaliza as mazelas dos</p><p>outros três poderes.</p><p>Acadêmico, esperamos que as reflexões que fizemos aqui tenham sido úteis</p><p>para que você compreenda melhor o conceito de política e como ele pode ser aplicado</p><p>no jornalismo. Agora, vamos entender mais sobre a economia.</p><p>2.2 O QUE É ECONOMIA?</p><p>Economia e política são conceitos que andam juntos e é por isso que, muitas</p><p>vezes, elas são tratadas nas mesmas seções nos jornais e outros periódicos. Logo, assim</p><p>como entendem sobre sociopolítica, os jornalistas que atuam nesse segmento também</p><p>devem ter compreensão sobre os fenômenos econômicos que estão em nossa volta.</p><p>Ao olharmos para a História, percebemos que, assim como a política, o conceito</p><p>de economia surgiu na Grécia Antiga. Segundo Silva (2017), os primeiros registros da</p><p>economia como ciência ocorreram cerca de 400 anos a.C. No dizer da autora:</p><p>25</p><p>Aristóteles (384 a.C.), foi um dos precursores da antiguidade, por meio</p><p>de seus estudos sobre a administração privada e finanças públicas.</p><p>Também Xenofonte (440-335 a.C.), que cunhou o termo economia</p><p>(oiko = casa; nomos = lei), no sentido de gestão dos bens privados,</p><p>em que um casal deveria dividir as atribuições e responsabilidades</p><p>perante a sua família. Neste caso, o homem tinha o dever sobre a</p><p>propriedade, gerando patrimônio e bens, ao passo que a mulher teria</p><p>o dever sobre o governo do lar, administrando a riqueza trazida pelo</p><p>homem. Já Platão (427-347 a.C.) afirmava que, disfarçavelmente</p><p>violento e ganancioso, o homem é levado pelo desejo de ter sempre</p><p>mais (SILVA, 2017, p. 17).</p><p>Apesar disso, a estudiosa afirma que foi apenas na era mercantilista, entre os</p><p>séculos XV e XVIII, que a economia passou a ter relevância e reconhecimento pelas</p><p>entidades científicas (SILVA, 2017, p. 17).</p><p>Para entender o conceito atual de economia Hubbard e O’brien (2010) afirmam</p><p>que é necessário saber antes a ideia de escassez. Trata-se da situação em que desejos</p><p>ilimitados excedem os recursos limitados que as pessoas têm para satisfazê-los. Os</p><p>autores fazem uma comparação interessante. Veja:</p><p>Temos que fazer escolhas porque vivemos em um mundo de</p><p>escassez, o que significa que apesar de nossos anseios serem</p><p>ilimitados, os recursos disponíveis para satisfazê-los são limitados.</p><p>Você̂ pode desejar ter uma televisão de plasma de 60 polegadas em</p><p>cada cômodo da sua casa, mas a menos que você seja um parente</p><p>próximo de Bill Gates, provavelmente não terá́ dinheiro suficiente</p><p>para comprá-las. Todos os dias você̂ precisa fazer escolhas quanto</p><p>a como gastar sua renda limitada nos muitos bens e serviços</p><p>disponíveis. A finita quantidade de tempo disponível também limita</p><p>sua capacidade de alcançar seus objetivos. Se você passa uma hora</p><p>estudando para sua prova bimestral de economia, você tem uma hora</p><p>disponível a menos para estudar para sua prova bimestral de história.</p><p>As empresas e o governo se encontram na mesma situação: eles têm</p><p>recursos limitados para tentar alcançar seus objetivos (HUBBARD E</p><p>O’BRIEN, 2010, p. 60).</p><p>A partir dessa premissa, os autores compreendem a economia como: “O estudo</p><p>das escolhas que as pessoas fazem para alcançar os seus objetivos considerando a</p><p>escassez dos seus recursos” (HUBBARD E O’BRIEN, 2010, p. 60). Observe a charge</p><p>abaixo:</p><p>26</p><p>Fonte: https://globalizar.files.wordpress.com/2012/04/tacho190412.jpg?w=400. Acesso em 29 nov.</p><p>2022.</p><p>Figura 7 – Charge sobre as oscilações da economia</p><p>Perceba, caro acadêmico, que a Figura 7 representa uma crítica ao aumento do</p><p>preço dos alimentos e ilustra muito bem a relação entre escassez, recursos disponíveis</p><p>e escolhas, proposta pelos autores que estamos estudando.</p><p>Na imagem, um carrinho de supermercado com alimentos ultrapassa o veículo</p><p>que traz uma família. O autor da charge quer dizer, portanto, que os preços estão tão</p><p>altos que estão ultrapassando o poder de compra das pessoas, que ficarão sem poder</p><p>comprar os produtos que necessitam. Ou seja, o desenho ilustra a ideia de escassez e</p><p>escolhas!</p><p>Para saber mais sobre o conceito de economia, recomendamos que assista</p><p>ao vídeo “O que é economia?”, do canal Nerdologia, no YouTube. Disponível em:</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=ybD8oI_yPgM. Acesso em: 30 nov. 2022.</p><p>DICA</p><p>Hubbard e O’brien (2010) também relacionam o conceito de economia com o</p><p>mercado que, de acordo com eles, é “um grupo de compradores e fornecedores de um</p><p>bem ou serviço e a instituição ou arranjo por meio do qual eles se reúnem para efetivar</p><p>a transação” (HUBBARD E O’BRIEN, 2010, p. 60).</p><p>27</p><p>Fonte: https://fernandonogueiracosta.files.wordpress.com/2017/01/charge-perfil-psicologico-economista.</p><p>jpeg. Acesso em: 30 nov. 2022.</p><p>Figura 8 – Charge sobre os termos da economia</p><p>Para os autores, é preciso que essas três variáveis (economia, escassez e</p><p>mercado) sejam analisadas em conjunto para que os problemas econômicos da</p><p>sociedade, como a determinação dos bens e serviços que são produzidos, sejam</p><p>solucionados. Eles trazem alguns exemplos. Veja:</p><p>Como a sociedade irá decidir se deve produzir mais livros didáticos de</p><p>economia ou mais HD-DVD players? Mais creches ou mais estádios</p><p>de futebol? Obviamente, a “sociedade” não toma decisões; somente</p><p>indivíduos o fazem. A resposta para a pergunta de o que será</p><p>produzido é determinada pelas escolhas feitas pelos consumidores,</p><p>pelas empresas e pelo governo. Todos os dias você ajuda a decidir</p><p>que bens e serviços serão produzidos quando decide comprar um</p><p>iPod em vez de um HD-DVD player ou um Caffè Mocha em vez de</p><p>um Tazo Chai na Starbucks. Da mesma maneira, a Apple tem que</p><p>escolher se deve dedicar seus recursos escassos a produzir mais</p><p>iPods ou mais laptops MacBook. O governo federal tem que escolher</p><p>se deve gastar mais de seu orçamento limitado em pesquisa contra</p><p>câncer de mama ou na segurança do país. Em cada um dos casos,</p><p>consumidores, empresas e governo enfrentam o problema da</p><p>escassez fazendo um trade-off de um bem ou serviço por outro. E</p><p>cada escolha feita traz consigo um custo de oportunidade medido</p><p>pelo valor da melhor alternativa da qual se abriu mão (HUBBARD;</p><p>O’BRIEN, 2010, p. 64).</p><p>Viu, acadêmico, como o processo que envolve a economia está presente a todo</p><p>instante em nosso dia a dia e nem nos damos conta disso? É por isso que esse é um</p><p>assunto que desperta tanto interesse nos leitores de jornais e consumidores de mídias,</p><p>de modo geral.</p><p>28</p><p>Para quem é leigo no assunto, os termos da economia acabam se tornando</p><p>bastante complicados. Por isso, quem é jornalista e pensa em atuar nessa área, precisa</p><p>ser letrado e fluente no “economês”! Apenas assim será possível levar as informações</p><p>de forma clara para os leitores e realmente exercer o papel de jornalista especializado.</p><p>2.2.1 Termos econômicos traduzidos para jornalistas</p><p>Para que você tenha êxito na sua carreira como jornalista de economia,</p><p>conhecer os termos específicos</p>