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<p>ameaça ou lesão a direito." O princípio da</p><p>inafastabilidade tem como destinatário o legislador.</p><p>Algumas obras de Teoria Geral do Processo, esse princípio vem confundido com</p><p>outro, o da indeclinabilidade, que tem como destinatário o magistrado,</p><p>impedindo que ele se furte ao dever de julgar (o que era possível no</p><p>Direito Romano do período das ações da lei e período formulário, em que o juiz,</p><p>por ser um cidadão comum, um particular, poderia pronunciar o famoso non</p><p>liquet e recusar-se a proferir sentença).</p><p>Mesmo que entenda haver lacunas no ordenamento jurídico, o</p><p>magistrado deve julgar, valendo-se de formas de</p><p>integração/interpretação, como os costumes, aplicação de princípios</p><p>gerais e a analogia.</p><p>Também merece referência o princípio do Juiz natural, que tem pertinência com</p><p>o fato de que todo e qualquer cidadão tem direito a um juízo imparcial,</p><p>que seja pré-existente à controvérsia a ser examinada. Dizendo de</p><p>outra forma, não se pode criar um juiz ou tribunal para julgar determinada</p><p>causa. O tribunal deve pré-existir ao caso a ser julgado. Proíbe-se, assim, a</p><p>criação de tribunais ex post facto, que são os chamados tribunais de exceção</p><p>ou juízos de exceção de que, vez por outra, a História da notícia.</p><p>A Constituição da República, copiando o que já era regra no pacto de San José</p><p>da Costa Rica, do qual o Brasil é signatário, dispôs sobre a necessidade de</p><p>que a atividade jurisdicional seja prestada em prazo razoável,</p><p>respeitando, assim, a velha advertência de RUI BARBOSA, Lançada na Oração</p><p>aos Moços, no sentido de que justiça tardia não é justiça, senão que</p><p>injustiça qualificada e manifesta.</p><p>A disposição constitucional, erigida à condição de direito fundamental lançado</p><p>no catálogo do art. 5º, foi trazida para o código de processo de 2015, já no art.</p><p>4º, com esta dicção: As partes têm o direito de obter em prazo razoável a</p><p>solução integral de mérito, incluída a atividade satisfativa.</p><p>Outro aspecto a ser considerado em qualquer estudo teórico sobre o processo</p><p>é, como apontado nos manuais da disciplina, a categoria pressupostos</p><p>processuais, que é devida aos estudos de OSKAR VON BÜLOW, o qual,</p><p>justamente para extremar a ideia de processo da ideia de relação</p><p>jurídica de direito material, buscou encontrar os elementos que lhe</p><p>fossem próprios.</p><p>Vale aqui a ressalva doutrinária no sentido de que, ao estudar os pressupostos</p><p>processuais tendo como base o ordenamento jurídico brasileiro, é necessário</p><p>ter certas cautelas dadas as escolhas "científicas" prevalecentes em nosso País.</p><p>A rigor, para os estudiosos que trabalham com a teoria dos três planos (da</p><p>existência, da validade e da eficácia), pressupostos seriam somente os</p><p>pertinentes ao plano da existência, seguindo a esteira do pensamento de</p><p>Pontes de Miranda. Para o plano da validade, cuidar-se-ia de requisitos (ou de</p><p>elementos, como, na doutrina portuguesa, preconiza MARCELO REBELO DE</p><p>SOUZA no seu primoroso O Valor Jurídico do Acto Inconstitucional).</p><p>A doutrina costuma dividir os pressupostos em</p><p>(i) pressupostos subjetivos;</p><p>(ii) (ii) objetivos;</p><p>(iii) (iii) litisingresso impedientes.</p><p>Os primeiros pressupostos processuais subjetivos podem ser relativos (i) ao</p><p>juiz (dotado de jurisdição, que é um pressuposto de existência), que</p><p>tem de ser competente, não impedido e não suspeito (que são</p><p>pressupostos de validade) e (ii) às partes que têm de ter capacidade</p><p>de ser parte, pressuposto de existência), capacidade de estar em juízo</p><p>e capacidade postulatória (que são pressupostos de validade).</p><p>Os pressupostos objetivos indicados pela doutrina são a existência de uma</p><p>demanda ou de um pedido (requisito de existência). Indica-se,</p><p>também, a existência de citação, como pressuposto de existência e</p><p>que ela seja válida, como requisito de validade do processo.</p><p>Há que se considerar que Citação não é pressuposto processual, haja vista que</p><p>pode existir processo, com sentença de mérito transitada em julgado, sem que</p><p>o réu, beneficiário da coisa julgada, jamais tenha sido citado para integrar a</p><p>relação processual.</p><p>Art. 239. Para a validade do processo é indispensável a citação do réu ou do</p><p>executado, ressalvadas as hipóteses de indeferimento da petição inicial</p><p>ou de improcedência liminar do pedido.</p><p>§ 1º O comparecimento espontâneo do réu ou do executado supre a falta ou a</p><p>nulidade da citação, fluindo a partir desta data o prazo para apresentação de</p><p>contestação ou de embargos à execução.</p><p>§ 2º Rejeitada a alegação de nulidade, tratando-se de processo de:</p><p>I - conhecimento, o réu será considerado revel;</p><p>II - execução, o feito terá seguimento.</p><p>JUIZ</p><p>O segundo pressuposto subjetivo para a existência do processo é o juiz.</p><p>Segundo Dall’Agnol (1988, p.33) “demandar proposta perante quem não tem</p><p>investidura jurisdicional, e.g., porque concursado ainda não foi nomeado; ou</p><p>porque juiz em disponibilidade ou aposentado, não tem idoneidade para ensejar</p><p>processo (jurisdicional).” Conclui-se, assim, que não haverá processo se não</p><p>houver um juiz para decidir a lide.</p><p>Com relação ao juiz, os pressupostos processuais subjetivos são:</p><p>investidura e imparcialidade.</p><p>Investidura</p><p>A investidura é a aptidão conferida a um sujeito para desempenhar o poder</p><p>jurisdicional em nome do Estado. O agente público investido na jurisdição é o</p><p>juiz de direito, que passa a representar o Estado na solução de conflitos.</p><p>No Brasil, a investidura pode ocorrer de três formas:</p><p> concurso público, previsto no artigo 93, I da Constituição Federal;</p><p> indicação do Poder Executivo através do quinto constitucional, prevista</p><p>no artigo 94 da Constituição Federal;</p><p> indicação para compor o Supremo Tribunal Federal, prevista no artigo</p><p>101, parágrafo único da Constituição Federal.</p><p>A investidura é um pressuposto processual de existência, tendo em vista que a</p><p>ausência de um juiz investido implica na inexistência de um processo. Não</p><p>existe processo sem juiz.</p><p>Imparcialidade</p><p>O juiz precisa agir de forma imparcial no processo. Não se admite que o</p><p>julgador tenha interesse particular no conflito de forma a preferir um ou outro</p><p>resultado. A imparcialidade é um pressuposto processual de validade, pois</p><p>mesmo que o juiz aja de forma tendenciosa, o processo ainda existe</p><p>juridicamente.</p><p>A imparcialidade do juiz pode ser arguida através de exceção de suspeição no</p><p>prazo de 15 dias a contar do conhecimento do fato, conforme previsto no artigo</p><p>146 do Novo Código de Processo Civil:</p><p>Art. 146. No prazo de 15 (quinze) dias, a contar do conhecimento do fato, a</p><p>parte alegará o impedimento ou a suspeição, em petição específica dirigida ao</p><p>juiz do processo, na qual indicará o fundamento da recusa, podendo instruí-la</p><p>com documentos em que se fundar a alegação e com rol de testemunhas.</p><p>AUTOR</p><p>É a parte da relação processual contenciosa que provoca a atividade</p><p>jurisdicional. É a parte que toma iniciativa de provocar a atividade jurisdicional,</p><p>por via de propositura da ação, obtendo ou não o reconhecimento do direito</p><p>(pretensão) pleiteado, na sentença. O termo “autor” é próprio das aç��es que se</p><p>desenvolvem sob a jurisdição contenciosa.</p><p>RÉU</p><p>Há quem sustente, assim como Tesheiner (2000, p. 41), que “somente há</p><p>processo (jurisdicional) se formulado pedido contra alguém ou em face de</p><p>outrem”. Para estes, portanto, o réu é um dos pressupostos de existência do</p><p>processo; não havendo processo perfeitamente caracterizado sem réu.</p><p>Outros, no entanto, como Jorge Dall’Agnol (1988, p. 30) entendem que a</p><p>existência do réu não constitui pressuposto de existência, porque com a mera</p><p>formulação da demanda pelo autor pode o juiz praticar inúmeros atos como,</p><p>por exemplo, extinguir o processo por inépcia da inicial, conceder liminar,</p><p>indeferir liminarmente a inicial quando da decadência ou da prescrição.</p><p>Para rebater a ponderação de Dall’Agnol basta pensar no seguinte:</p><p>de nada</p><p>adiantaria a concessão de uma liminar sem um réu para suportar seus efeitos.</p><p>Vê-se, portanto, que caso o réu indicado pelo autor não exista, inútil será toda</p><p>a atividade processual desenvolvida, o que reforça o entendimento de que o</p><p>réu é sim um pressuposto de existência do processo. Sem réu, não se tem um</p><p>processo.</p><p>Com relação às partes, os pressupostos processuais subjetivos são:</p><p>capacidade de ser parte, capacidade de estar em juízo e capacidade</p><p>postulatória.</p><p>Capacidade de ser parte</p><p>A capacidade de ser parte se refere à capacidade de gozo e exercício de</p><p>direitos e deveres. Não se confunde com a capacidade de estar em juízo, tendo</p><p>em vista que em alguns casos (a exemplo dos incapazes) um sujeito pode ter</p><p>direitos e deveres mas não pode estar em juízo por necessitar de um</p><p>representante. Ex: Ainda que João seja relativamente incapaz terá capacidade</p><p>de ser parte, desde que devidamente assistido.</p><p>A capacidade de ser parte é um pressuposto processual de existência pois, se</p><p>uma das partes não goza de direitos e deveres (por exemplo, um réu morto), o</p><p>processo é considerado inexistente.</p><p>Personalidade judiciária (art. 1º CCB): é a capacidade do sujeito de gozo, de</p><p>exercício do direito. Até o nascituro tem, o menor absolutamente incapaz, as</p><p>sociedades despersonificadas, a massa falidade etc.</p><p>Art. 1o Toda pessoa é capaz de direitos e deveres na ordem civil.</p><p>Art. 2o A personalidade civil da pessoa começa do nascimento com vida; mas a</p><p>lei põe a salvo, desde a concepção, os direitos do nascituro.</p><p>Art. 3o São absolutamente incapazes de exercer pessoalmente os atos da vida</p><p>civil os menores de 16 (dezesseis) anos.</p><p>Art. 4o São incapazes, relativamente a certos atos ou à maneira de os exercer:</p><p>I - os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos;</p><p>II - os ébrios habituais e os viciados em tóxico;</p><p>III - aqueles que, por causa transitória ou permanente, não puderem exprimir</p><p>sua vontade;</p><p>IV - os pródigos.</p><p>Só se averigua a capacidade de ser parte do autor. Do réu não se exige essa</p><p>capacidade, na verdade, enquanto pressuposto de existência, não se exige nem</p><p>a identificação do réu na petição inicial.</p><p>Capacidade de estar em juízo</p><p>Também chamada de capacidade processual ou legitimidade ad processum,</p><p>consiste na aptidão das partes em praticar atos jurídicos dentro do processo.</p><p>Nos casos em que existir partes relativamente incapazes (maiores de 16 e</p><p>menores de 18 anos, ébrios habituais, viciados em tóxicos, pródigos e sujeitos</p><p>que não podem exprimir sua vontade), a capacidade processual pode ser</p><p>suprida através de assistentes.</p><p>Nos casos em que houver partes absolutamente incapazes (menores de 16</p><p>anos), a capacidade processual pode ser suprida através de representantes.</p><p>Com relação às pessoas jurídicas e formais, estas também devem ser</p><p>representadas em juízo.</p><p>A capacidade de estar em juízo se trata de um pressuposto processual de</p><p>validade que pode, inclusive, ser sanável em prazo determinado pelo juiz.</p><p>Capacidade postulatória</p><p>A capacidade postulatória é a devida habilitação na Ordem dos Advogados por</p><p>parte do representante legal das partes. É dispensada nos Juizados Especiais</p><p>Cíveis (nas causas com valor inferior a 20 salários mínimos), no Habeas</p><p>Corpus e na Ação Direita de Inconstitucionalidade.</p><p>A capacidade postulatória é um pressuposto processual de validade, podendo</p><p>ser sanado em caso de vício.</p><p>1.2 Pressupostos processuais objetivos</p><p>Os pressupostos processuais objetivos são as condições do processo que não</p><p>envolvem os sujeitos do processo. Eles se dividem em: extrínsecos e</p><p>intrínsecos.</p><p>1.2.1 Pressupostos processuais objetivos extrínsecos</p><p>Os pressupostos processuais objetivos extrínsecos também são chamados</p><p>de pressupostos processuais negativos, pois são fatores externos à relação</p><p>processual, cuja existência, se verificada, invalidam o processo. Assim, os</p><p>pressupostos negativos precisam ser ausentes para que um processo seja</p><p>válido.</p><p>Os pressupostos processuais objetivos extrínsecos (pressupostos negativos)</p><p>são:</p><p>Coisa julgada material</p><p>Diz o artigo 506 do CPC que “a sentença faz coisa julgada às partes entre as</p><p>quais é dada, não beneficiando, nem prejudicando terceiros”.</p><p>Há dois tipos de coisa julgada, a formal (qualidade da sentença já prolatada</p><p>que a torna imutável, em face da preclusão, para um determinado processo)</p><p>e a material (significando a imutabilidade da sentença já proferida, não apenas</p><p>do ponto de vista formal, como efeito da preclusão, mas também da</p><p>imutabilidade dos efeitos da decisão).</p><p>O CPC, no seu artigo 502, assim define a coisa julgada material: “Art. 502.</p><p>Denomina-se coisa julgada material a autoridade que torna imutável e</p><p>indiscutível a decisão de mérito não mais sujeita a recurso.”.</p><p>Preclusão é a perda do direito de manifestar-se no processo, isto é, a perda da</p><p>capacidade de praticar os atos processuais por não os ter feito na oportunidade</p><p>devida ou na forma prevista. É a perda de uma faculdade processual, isto é, no</p><p>tocante à prática de determinado ato processual.</p><p>A coisa julgada material é a eficácia imutável de uma decisão de mérito sobre o</p><p>objeto da lide. Se determinado direito já foi decidido pelo Judiciário, é inválido</p><p>um novo processo que vise rediscuti-lo.</p><p>Litispendência</p><p>A litispendência é a preexistência de causa idêntica (mesmas partes, pedido e</p><p>causa de pedir), ainda pendente de julgamento.</p><p>Para um processo ser válido, não deve existir litispendência.</p><p>Do latim litis, de lis, que significa lide, e pendentia, de pendere, que significa</p><p>pender.</p><p>Diz o artigo 240 do CPC que a citação válida induz litispendência; ou seja,</p><p>determina a existência, desde aquele exato momento, de processo pendente</p><p>em juízo.</p><p>Litispendência, portanto, no sentido literal da palavra, é um estado da lide</p><p>ainda não decidida, achando-se pendente de decisão judicial. Não significa,</p><p>então, neste sentido literal e pouco usado por nós, identidade de causas, mas</p><p>sim a existência de lide ainda não julgada, em andamento.</p><p>A identidade de causas é, na verdade, a existência de duas ou mais</p><p>litispendências, vale dizer, de duas ou mais causas idênticas, que se expressam</p><p>por objeto, causa e partes idênticas. Usualmente, entretanto, usamos a palavra</p><p>litispendência para significar que uma ação, igual a outra, está em andamento.</p><p>O CPC define litispendência, no artigo 337, § 1º, assim: “§ 1o Verifica-se a</p><p>litispendência ou a coisa julgada quando se reproduz ação anteriormente</p><p>ajuizada.”. O parágrafo 3.º deste mesmo artigo complementa ao dizer: “Há</p><p>litispendência quando se repete ação que está em curso”.</p><p>Havendo litispendência, ou duas ações idênticas foram ajuizadas</p><p>simultaneamente, ou uma já estava em curso (litispendente), e a outra foi</p><p>proposta depois.</p><p>Perempção</p><p>Pena imposta ao autor, em uma relação processual, a requerimento do réu, que</p><p>consiste na privação do direito de este demandar sobre o mesmo objeto, se,</p><p>por qualquer dos motivos previstos na lei, der causa a três absolvições de</p><p>instância. Extingue-se a punibilidade pela perempção.</p><p>A perempção é perda do direito de demandar. Ocorre quando o autor abandona</p><p>a ação por três vezes.</p><p>Art. 486. O pronunciamento judicial que não resolve o mérito não obsta a que</p><p>a parte proponha de novo a ação.</p><p>[...]</p><p>§ 3o Se o autor der causa, por 3 (três) vezes, a sentença fundada em</p><p>abandono da causa, não poderá propor nova ação contra o réu com o mesmo</p><p>objeto, ficando-lhe ressalvada, entretanto, a possibilidade de alegar em defesa</p><p>o seu direito.</p><p>Se no decorrer de uma ação descobrir-se que o direito é perempto, o processo</p><p>é inválido. No âmbito do direito penal, a perempção ocorre conforme o artigo</p><p>60 do Código de Processo Penal.</p><p>Convenção de arbitragem</p><p>A convenção de arbitragem é um pacto processual celebrado por escrito dentro</p><p>de negócio jurídico</p><p>mais amplo ou em instrumento em separado. Como</p><p>subespécie dos negócios jurídicos, possui força vinculativa e integra a base</p><p>econômica do contrato no qual está inserida.</p><p>Quem contrata a arbitragem o faz dentro dos princípios que governam os</p><p>negócios jurídicos civis, sob o signo da boa-fé e da função social do contrato,</p><p>assumindo, como obrigação lateral e instrumental, na hipótese de surgimento</p><p>do conflito, o dever de cooperar com a instituição da arbitragem, permitindo a</p><p>realização positiva do fim contratual.</p><p>Buscar sem razão plausível a via judicial, após a contratação da solução</p><p>alternativa, significa violar o contrato original e deveres jurídicos laterais que</p><p>obstam o comportamento contraditório e impõem uma conduta no sentido da</p><p>observância daquele dever preexistente.</p><p>Se no âmbito do juízo arbitral já houve decisão sobre a matéria</p><p>discutida no Judiciário, o processo é inválido. A convenção deve ser</p><p>destacada pelo réu, em preliminar (art. 337, X e o §5º, CPC – o juiz</p><p>não conhece de ofício a convenção de arbitragem. §6º – se o réu não</p><p>falou nada, ele está renunciando à arbitragem.</p><p>1.2.2 Pressupostos processuais objetivos intrínsecos</p><p>Os pressupostos processuais objetivos intrínsecos são elementos internos do</p><p>processo. São eles: demanda, petição inicial apta, citação válida e regularidade</p><p>formal.</p><p>Demanda</p><p>A demanda é o próprio ato de acionar a jurisdição. Considerando o princípio da</p><p>inércia, o Estado só desempenha o poder jurisdicional através de provocação,</p><p>que ocorre através da apresentação da demanda.</p><p>Por óbvio, a demanda é pressuposto processual de existência, tendo em vista</p><p>que sem ela o processo não existe.</p><p>É o ato de pedir, apresentar a sua demanda ao judiciário.</p><p>Demanda – Para o processo existir basta o exercício do direito de ação – ato de</p><p>demandar – O estado aguarda essa demanda (inércia – princípio dispositivo)</p><p>para dar o chamado impulso oficial (art. 2° CPC)</p><p>Art. 2º O processo começa por iniciativa da parte e se desenvolve por impulso</p><p>oficial, salvo as exceções previstas em lei.</p><p>Esta demanda se materializa através de uma petição inicial, observados os</p><p>requisitos do art. 319 CPC.</p><p>Art. 319. A petição inicial indicará:</p><p>I - o juízo a que é dirigida;</p><p>II - os nomes, os prenomes, o estado civil, a existência de união estável, a</p><p>profissão, o número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro</p><p>Nacional da Pessoa Jurídica, o endereço eletrônico, o domicílio e a residência do</p><p>autor e do réu;</p><p>III - o fato e os fundamentos jurídicos do pedido;</p><p>IV - o pedido com as suas especificações;</p><p>V - o valor da causa;</p><p>VI - as provas com que o autor pretende demonstrar a verdade dos fatos</p><p>alegados;</p><p>VII - a opção do autor pela realização ou não de audiência de conciliação ou de</p><p>mediação.</p><p>§ 1o Caso não disponha das informações previstas no inciso II, poderá o autor,</p><p>na petição inicial, requerer ao juiz diligências necessárias a sua obtenção.</p><p>§ 2o A petição inicial não será indeferida se, a despeito da falta de informações</p><p>a que se refere o inciso II, for possível a citação do réu.</p><p>§ 3o A petição inicial não será indeferida pelo não atendimento ao disposto no</p><p>inciso II deste artigo se a obtenção de tais informações tornar impossível ou</p><p>excessivamente oneroso o acesso à justiça.</p><p>Petição inicial apta</p><p>A petição inicial é a forma com que a demanda é levada ao Poder Judiciário.</p><p>Por esse motivo, é natural que ela precise preencher algumas formalidades</p><p>previstas em lei. Segundo o artigo 330, §1º do Novo Código de Processo Civil:</p><p>Considera-se inepta a petição inicial quando:</p><p> I - lhe faltar pedido ou causa de pedir;</p><p>A causa de pedir é constituída dos fatos que deram origem a lide, juntamente</p><p>com os fundamentos jurídicos que demostram a violação do direito, justificando</p><p>a pretensão do autor perante o juiz.</p><p>Nesse tema é aplicado a Teoria da Substanciação, que divide a causa de pedir</p><p>em duas, que são:</p><p> Causa de Pedir Remota ou Fática: Essa será a descrição do fato que</p><p>deu origem a lide.</p><p> Causa de Pedir Próxima ou Jurídica: É o próprio direito. Após a</p><p>descrição fática e feita aplicação do direito, a retirada da norma do</p><p>abstrato para o concreto, substanciando o pedido do autor.</p><p>Nesse caso, teoricamente, é necessário somente a discrição das consequências</p><p>jurídicas que a causa de pedir remota provocou, não sendo necessário os</p><p>dispositivos legais que fundamentam o direito, tendo vista o princípio do iura</p><p>novit curia (O Juiz conhece o direito).</p><p>A teoria da Substanciação da Causa de Pedir foi adotada pelo direito</p><p>processual brasileiro, ela exige que os fatos e os fundamentos jurídicos como</p><p>elementos da causa de pedir.</p><p>Essa teoria, pressupõe que magistrado conhece o direito e o que é importante é</p><p>uma discrição fática correta, tendo em vista, que o juiz irá decidir sobre o</p><p>direito posto. Assim sendo, a fundamentação legal apresentada pelo autor não</p><p>vincula o juiz, que poderá tomar a decisão através de sua livre convicção</p><p>jurídica sobre o caso apresentado pelo autor.</p><p>A Teoria da Substanciação é uma aplicação alternativa a Teoria da</p><p>Individuação. Nessa, não há o requisito da causa de pedir remota, ou seja, não</p><p>requer os fatos, só necessita da apresentação dos fundamentos jurídicos do</p><p>pedido. Essa doutrina não é aplicada no Brasil.</p><p> II - o pedido for indeterminado, ressalvadas as hipóteses legais em que</p><p>se permite o pedido genérico;</p><p>Pedido</p><p>O pedido é o objeto da ação, consiste na pretensão do autor, que é levada ao</p><p>Estado-Juiz e esse presta uma tutela jurisdicional sobre essa pretensão.</p><p>Doutrinariamente o pedido é divido em dois:</p><p> Pedido Imediato: É o desejo do autor de ter uma tutela jurisdicional.</p><p>Pretensão dirigida para o próprio Estado-Juiz, retirando-o da inércia e</p><p>forçando uma providência jurisdicional.</p><p> Pedido Mediato: É o objeto da ação propriamente dito, o desejo do</p><p>autor contra o réu, o desejo de submissão do réu a pretensão jurídico</p><p>levada ao judiciário, ou seja, o desejo sobre o bem jurídico pretendido.</p><p> III - da narração dos fatos não decorrer logicamente a conclusão;</p><p> IV - contiver pedidos incompatíveis entre si.</p><p>A petição inicial apta se trata de um pressuposto processual de validade.</p><p>Desde que os dados ali presentes possibilitem que o réu seja encontrado, ainda</p><p>que falte algum dos requisitos, a petição não será indeferida (primazia do</p><p>julgamento de mérito – fazer de tudo para que o mérito seja analisado).</p><p>O indeferimento da inicial é a última hipótese a ser aventada pelo juiz, o art.</p><p>321 determina que faltando algum dos requisitos ou apresentando defeitos, o</p><p>autor terá o prazo de 15 dias para emendar a inicial, nesse caso o juiz deverá</p><p>indicar o erro que deve ser suprido.</p><p>Art. 321. O juiz, ao verificar que a petição inicial não preenche os requisitos</p><p>dos arts. 319 e 320 ou que apresenta defeitos e irregularidades capazes de</p><p>dificultar o julgamento de mérito, determinará que o autor, no prazo de 15</p><p>(quinze) dias, a emende ou a complete, indicando com precisão o que deve ser</p><p>corrigido ou completado.</p><p>Parágrafo único. Se o autor não cumprir a diligência, o juiz indeferirá a petição</p><p>inicial.</p><p>Citação válida</p><p>Trata-se de ato pelo qual são convocados o réu, o executado ou o interessado</p><p>para integrar a relação processual (art. 238, CPC/15), sendo que a citação</p><p>válida, ainda quando ordenada por juízo incompetente, induz litispendência,</p><p>torna litigiosa a coisa e constitui em mora o devedor (art. 240), ressalvados os</p><p>casos expressos previstos em lei (p.ex. inadimplemento de obrigação positiva e</p><p>líquida (art. 397 do CC) ou a mora de obrigações provenientes de ato ilícito</p><p>(art. 398 CC).</p><p>Art. 238. Citação é o ato pelo qual são convocados o réu, o executado ou o</p><p>interessado para integrar a relação processual.</p><p>Art. 239. Para a validade do processo é indispensável a citação</p><p>do réu ou do</p><p>executado, ressalvadas as hipóteses de indeferimento da petição inicial ou de</p><p>improcedência liminar do pedido.</p><p>§ 1o O comparecimento espontâneo do réu ou do executado supre a falta ou a</p><p>nulidade da citação, fluindo a partir desta data o prazo para apresentação de</p><p>contestação ou de embargos à execução.</p><p>§ 2o Rejeitada a alegação de nulidade, tratando-se de processo de:</p><p>I - conhecimento, o réu será considerado revel;</p><p>II - execução, o feito terá seguimento.</p><p>Art. 240. A citação válida, ainda quando ordenada por juízo incompetente,</p><p>induz litispendência, torna litigiosa a coisa e constitui em mora o devedor,</p><p>ressalvado o disposto nos arts. 397 e 398 da Lei no 10.406, de 10 de janeiro de</p><p>2002 (Código Civil).</p><p>§ 1o A interrupção da prescrição, operada pelo despacho que ordena a citação,</p><p>ainda que proferido por juízo incompetente, retroagirá à data de propositura da</p><p>ação.</p><p>§ 2o Incumbe ao autor adotar, no prazo de 10 (dez) dias, as providências</p><p>necessárias para viabilizar a citação, sob pena de não se aplicar o disposto no §</p><p>1o.</p><p>§ 3o A parte não será prejudicada pela demora imputável exclusivamente ao</p><p>serviço judiciário.</p><p>§ 4o O efeito retroativo a que se refere o § 1o aplica-se à decadência e aos</p><p>demais prazos extintivos previstos em lei.</p><p>A citação válida é o ato que completa a relação processual ao trazer a parte</p><p>demandada ao processo. É indispensável a ocorrência da citação e que a</p><p>mesma seja válida, obedecendo as previsões legais.</p><p>A relação jurídica processual existe a partir da propositura da demanda. Para</p><p>Bullow dependeria de citação válida para o processo existir. A citação inválida é</p><p>um vício transrescisório – ou seja, que ultrapassa até mesmo o prazo da ação</p><p>rescisória. Querela nullitatis.</p><p>A citação válida é um pressuposto processual de validade, podendo ser sanado</p><p>em caso de vício.</p><p>Regularidade formal</p><p>O processo deve seguir na forma prevista em lei a fim de oferecer segurança às</p><p>partes. No entanto, se um determinado ato processual atingir sua finalidade</p><p>mesmo que em detrimento da formalidade prevista em lei, ele deve ser</p><p>considerado válido, segundo o princípio da instrumentalidade das formas.</p><p>A regularidade formal do processo é um pressuposto processual de validade.</p>do réu ou do executado, ressalvadas as hipóteses de indeferimento da petição inicial ou de improcedência liminar do pedido. § 1o O comparecimento espontâneo do réu ou do executado supre a falta ou a nulidade da citação, fluindo a partir desta data o prazo para apresentação de contestação ou de embargos à execução. § 2o Rejeitada a alegação de nulidade, tratando-se de processo de: I - conhecimento, o réu será considerado revel; II - execução, o feito terá seguimento. Art. 240. A citação válida, ainda quando ordenada por juízo incompetente, induz litispendência, torna litigiosa a coisa e constitui em mora o devedor, ressalvado o disposto nos arts. 397 e 398 da Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil). § 1o A interrupção da prescrição, operada pelo despacho que ordena a citação, ainda que proferido por juízo incompetente, retroagirá à data de propositura da ação. § 2o Incumbe ao autor adotar, no prazo de 10 (dez) dias, as providências necessárias para viabilizar a citação, sob pena de não se aplicar o disposto no § 1o. § 3o A parte não será prejudicada pela demora imputável exclusivamente ao serviço judiciário. § 4o O efeito retroativo a que se refere o § 1o aplica-se à decadência e aos demais prazos extintivos previstos em lei. A citação válida é o ato que completa a relação processual ao trazer a parte demandada ao processo. É indispensável a ocorrência da citação e que a mesma seja válida, obedecendo as previsões legais. A relação jurídica processual existe a partir da propositura da demanda. Para Bullow dependeria de citação válida para o processo existir. A citação inválida é um vício transrescisório – ou seja, que ultrapassa até mesmo o prazo da ação rescisória. Querela nullitatis. A citação válida é um pressuposto processual de validade, podendo ser sanado em caso de vício. Regularidade formal O processo deve seguir na forma prevista em lei a fim de oferecer segurança às partes. No entanto, se um determinado ato processual atingir sua finalidade mesmo que em detrimento da formalidade prevista em lei, ele deve ser considerado válido, segundo o princípio da instrumentalidade das formas. A regularidade formal do processo é um pressuposto processual de validade.